Revista Apólice #262

revistaapolice

FEVEREIRO 2021 • Nº 262 • ANO 26

conectando você ao mercado de seguros

SEGURO RESIDENCIAL

Falta de cultura

do seguro impede

crescimento maior

DPVAT passa a ser

administrado pela

Caixa, mas deve

ser reformulado

>>

VACINAÇÃO

Um longo caminho

pela frente

Os imunizantes para Covid-19 começam a ser

aprovados para utilização no País e despertam

o interesse da iniciativa privada



EDITORIAL

A esperança

se renova

2020 foi um ano que parece ter sido retirado de algum

universo distópico. Além da pandemia que assolou o

planeta, no Brasil vimos crescer o abismo social e nenhuma

orientação do Governo de como enfrentar tamanha crise sanitária,

além de pessoas que desprezaram a ciência e a necessidade de

distanciamento social, única medida (além daquelas de higiene)

capaz de conter o avanço do coronavírus. Os números da Covid-19

só crescem por aqui e parece que esta segunda onda pode ser pior

do que a primeira, impulsionada pela irresponsabilidade de alguns

e a falta de intervenção do Estado.

2021 já nasceu sob uma nova perspectiva, com a

aprovação das vacinas e a chegada dos imunizantes ao País. Mesmo

com a previsão de que toda a população só esteja imunizada em

meados de 2022, já há uma luz no fim do túnel.

O problema da humanidade, agora, é conseguir vacinas

para todos. No Brasil, o Governo Federal demorou a apostar na

vacinação como único meio de retomada da economia e do

cotidiano como um todo. Agora, há uma corrida para a compra de

insumos para fabricação das vacinas no Brasil. Outra possibilidade

é a importação, que chegou a ser cogitada, por aqui, pela iniciativa

privada. É justamente esta discussão que apresentamos nesta

edição. Há um ponto pacífico de que o Sistema Único de Saúde

tem total prioridade para a aquisição de imunizantes, entretanto,

algumas empresas (com apoio do Governo) já buscam alternativas

para adquirir as vacinas para seus colaboradores. Seriam

privilegiados aqueles que podem pagar?

FEVEREIRO 2021 • Nº 262 • ANO 26

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SAÚDE

Rede privada de

clínicas de vacinas e

grupos empresariais se

mobilizam para buscar

alternativas para compra

de imunizantes no

mercado internacional.

Entretanto, cabe ao

Ministério da Saúde

determinar a ordem de

quem deve ser vacinado

primeiro

>> PÁG. 16

ÍNDICE

05 painel

10 gente

14 publieditorial

Rede Lojacorr preparou

mensagem especial para

todos os seus colaboradores

e associados para apresentar

os resultados de 2020

SEGURO

OBRIGATÓRIO

DPVAT tem prêmio zero

em 2021, determinado

pelo CNSP. A operação

da carteira foi transferida

para a Caixa Econômica

Federal, que será

responsável pelas

indenizações de sinistros

ocorridos a partir de

janeiro de 2021

>> PÁG. 30

>> PÁG. 24

PRODUTO

Seguro residencial

cresce em quantidade

de itens durante a

pandemia e aumenta

a utilização dos

serviços de assistência

24h. Porém, a

expansão ainda

esbarra na falta de

cultura de seguro da

sociedade brasileira

15 resultado

Too Seguros bate recorde de

vendas, aumenta em 30%

seus prêmios emitidos e se

prepara para consolidar sua

parceria com corretores de

seguros

34 apólice tv

Duas estreias marcaram o

canal do Youtube da Revista

Apólice: Diálogos CEO trouxe

o novo líder da Mapfre no

Brasil, Felipe Nascimento; e

o Sempre Seguro conversou

sobre tendências de mercado

com Rivaldo Leite,

vice-presidente Comercial e

Marketing da Porto Seguro

Os artigos assinados são de

responsabilidade exclusiva de

seus autores, não representando,

necessariamente, a opinião desta revista.

4


PAINEL

aquisição

Seguradora incorpora mais serviços

para corretores

A Porto Seguro

assinou acordo para a

aquisição de 74% da

Segfy Tecnologia, através

do fundo de investimento

em participações

Porto Ventures. Sediada

em São José dos Pinhais/PR, a Segfy Tecnologia fornece

soluções tecnológicas para corretores de seguros, tendo

como principal produto a plataforma de gestão e multicálculo,

que permite cotações automáticas de seguros,

além de controle financeiro e operacional.

O acordo tem o objetivo de fomentar o crescimento

da insurtech e contribuir para que a empresa

continue desenvolvendo novas soluções em seu mercado.

A companhia atualmente é uma das principais

empresas do setor em soluções projetadas para auxiliar

em todas as fases da contratação do seguro, desde o

cálculo até a gestão dos segurados. Por meio de uma

plataforma 100% on-line, o corretor tem acesso a diversas

ferramentas e automações que geram benefícios ao

seu dia a dia.

movimento

Voucher mobilidade

pode substituir carro

reserva

A Zurich passou a

oferecer aos clientes de

seguro auto um voucher

como alternativa ao carro

reserva. O serviço pode ser

utilizado pelo segurado

quando o seu veículo precisar

ficar temporariamente

parado em manutenção

na oficina.

O voucher tem um valor predeterminado de

crédito e período correspondente ao mesmo de uso

do carro reserva. Com o novo voucher mobilidade, o

cliente utiliza os seus créditos para realizar viagens

pelo aplicativo.

“Com essa nova opção, o segurado agora escolhe

qual é o mais conveniente para o seu dia a dia: utilizar

voucher para realizar as viagens via app ou o tradicional

carro reserva. Ela oferece a comodidade de o cliente escolher

a forma que for melhor para ele”, comenta a diretora

executiva de Sinistros da Zurich, Adriana Heideker.

delivery

Cobertura de acidentes pessoais para entregadores

O aplicativo de entregas

Delivery Much e a seguradora

MetLife agora oferecem um seguro

de acidentes pessoais para

os entregadores parceiros. Os

profissionais passam a ter cobertura

durante o percurso de retirada

do pedido até a entrega para

o cliente.

A companhia, que tem 3

milhões de usuários cadastrados

e 15 mil lojas, estenderá o benefício a todos os entregadores

das 320 cidades em que está presente no interior

do País.

“Desenvolvemos este benefício em conjunto com a

Delivery Much, com o intuito de proteger os entregadores.

Oferecemos uma cobertura que garante mais segurança

e tranquilidade para que esses profissionais continuem

exercendo suas atividades”, afirma

Ramon Gomez, VP Employee Benefits

da MetLife.

Pedro Judacheski, CEO e

founder da Delivery Much destaca:

“o foco é valorizar as pessoas.

No dia a dia, já atuamos de forma

diferente com nossos entregadores

parceiros, dando um suporte

local que está ali para resolver

problemas e facilitar o trabalho. E

agora o seguro vem para complementar e dar segurança

aos nossos parceiros durante a contratação da demanda

da entrega”, completa Judacheski.

O seguro indeniza em até R$ 10 mil as despesas

médicas hospitalares e odontológicas. Invalidez Permanente

Total ou Parcial por Acidente está coberta em até R$

100 mil, assim como a Morte Acidental (R$ 100 mil).

5


PAINEL

educação

Cursos livres abrem programação de 2021

da Sala do Futuro

Em fevereiro e março,

três cursos livres estão

previstos para acontecer

na Sala do Futuro, espaço

educacional que conta

com tecnologia de ponta

e ferramentas para melhor

interação entre estudantes e professores.

O primeiro programa será Alavancando Vendas

do Seguro de Vida, com início marcado para fevereiro.

Os alunos aprenderão a identificar o público-alvo para

este tipo de produto e, assim, aumentar as vendas e

planejar ações voltadas para atender às necessidades

dos clientes.

Outra opção, com início em março, é o curso de

Seguros de Riscos Cibernéticos, que conta com conteúdos

sobre segurança da informação, legislação e as coberturas

disponíveis no mercado.

No mesmo mês acontecerá o curso de Empreendedorismo.

Nas aulas, serão apresentadas ferramentas

para estruturação de um plano de negócios de sucesso

e abordados os conceitos básicos de administração e de

gestão de negócios em seguros, com identificação de

desafios e oportunidades no mercado de Seguros.

análise

Menos educados pagam mais

Os motoristas com menos escolaridade e empregos

de hierarquia mais baixa podem acabar pagando

mais por seguro de automóveis, ampliando o impacto do

racismo sistêmico, de acordo com uma análise da Consumer

Reports, realizado nos Estados Unidos.

O grupo de defesa do consumidor buscou cotações

de preços de várias seguradoras para uma pessoa

hipotética, variando

apenas a escolaridade ou

o emprego do indivíduo.

A análise descobriu que

Progressive e Geico, da

Berkshire Hathaway, cotaram

valores mais altos para clientes com empregos de

baixa hierarquia, enquanto essas empresas, bem como

Liberty Mutual, deram cotações mais altas para clientes

com menor escolaridade.

O setor de seguro de automóveis tradicionalmente

conta com muitos fatores para determinar quais

são os casos com menos riscos, mas o nível de educação

e a situação profissional têm sido examinados nos últimos

anos. Nos Estados Unidos, alguns estados, incluindo

Nova York, têm instituído novos regulamentos em

torno da prática. Califórnia proibiu o uso de gênero para

rating de automóveis.

inclusão

Healthtech lança programa de empreendedorismo para mulheres

Para diminuir os impactos da pandemia e ajudar

de alguma forma pessoas mais impactadas, mais especificamente

o público feminino, a healthtech Clude lançou

o Projeto Clude Mulheres. A previsão é de que sejam

feitos cerca de 100 cadastros mensais, que poderão ser

acelerados de acordo com o sucesso do programa. As

mulheres cadastradas receberão treinamentos exclusivos

de empreendedorismo e vendas ministrados pelas

especialistas do Clude, e já poderão começar a distribuir

o plano da empresa.

De acordo com o idealizador e presidente da companhia,

Marcio Montovani, o empreendedorismo pode

transformar a vida das pessoas, trazendo maior independência

financeira e dando oportunidade para que novos

negócios surjam, beneficiando a sociedade e a economia

local. “Nosso sonho quer permitir que essas mulheres se

desenvolvam como empreendedoras, e que no futuro

possam se tornar corretoras de seguros e abrir suas próprias

empresas”.

6


saúde

Mesmo na crise, brasileiro não abre mão do plano de saúde

Os planos de saúde brasileiros

registraram aumento de 560 mil beneficiários

em 2020. Trata-se de alta de

1,2%, a primeira no setor desde 2014,

conforme prévia de dados divulgada

pela ANS (Agência Nacional de Saúde

Suplementar). Apenas no mês de dezembro,

foram 179 mil novos beneficiários

na saúde suplementar. São agora

47,6 milhões de pessoas atendidas.

Segundo Vera Valente, diretora

executiva da FenaSaúde, “o resultado

positivo demonstra que as pessoas, cada

vez mais, reconhecem a importância da

saúde suplementar e, mesmo em meio a

uma crise como a atual, buscam acesso à

qualidade da assistência prestada pelos

planos e seguros de saúde privados”.

pandemia

Fatores relacionados à Covid-19 encabeçam os riscos

Um trio de riscos relacionados à Covid-19 encabeça

o 10º Allianz Risk Barometer 2021, refletindo potenciais

cenários de interrupções e perdas que as empresas estão

enfrentando na esteira da pandemia de coronavírus. Os

lucros cessantes (nº 1 com 41% de respostas) e o surto

pandêmico (nº 2 com 40%) são os maiores riscos para as

empresas este ano, com os incidentes cibernéticos (40%)

ocupando o terceiro lugar. A pesquisa anual global sobre

riscos comerciais incorpora as opiniões de 2.769 especialistas

em 92 países, incluindo CEOs, gestores de risco, corretores

e especialistas em seguros.

“A pandemia de coronavírus é um lembrete de que

a gestão de riscos e da continuidade de negócios precisam

evoluir ainda mais para ajudar as empresas a se prepararem

e sobreviverem a eventos extremos”. Enquanto a

pandemia continua a ter um controle firme sobre países

ao redor do mundo, também temos que nos preparar

para cenários extremos mais frequentes, tais como uma

indisponibilidade global de serviços em nuvem ou um

ataque cibernético, desastres naturais impulsionados pela

mudança climática ou até mesmo o outro surto de outra

doença”, diz Joachim Müller, CEO da AGCS

O Brasil é o único país da América Latina em que o

risco cibernético está em primeiro lugar, superando inclusive

o risco de pandemia. Dos 59 executivos participantes

47% responderam ter as ameaças cibernéticas como principal

preocupação atualmente, 46% afirmam que são os

riscos de interrupção de negócios (BI) e 29% a pandemia.

Os incidentes cibernéticos podem ter caído para o

terceiro lugar, mas continuam sendo um perigo-chave com

mais respondentes do que em 2020, e ainda assim estão

classificados como

os três primeiros em

muitos países, incluindo

Brasil, França,

Alemanha, Índia,

Itália, Japão, África do Sul, Espanha, Reino Unido e EUA. A

aceleração em direção a uma maior digitalização e trabalho

remoto impulsionados pela pandemia também está intensificando

ainda mais as vulnerabilidades de TI. No pico da

primeira onda de lockdowns em abril de 2020, o FBI relatou

um aumento de 300% apenas nos incidentes, enquanto

estima-se agora que o crime cibernético tenha custado

à economia global mais de US$1 trilhão, 50% a mais que

há dois anos. Já frequentes, os incidentes de ransomware

estão se tornando mais prejudiciais, visando cada vez mais

as grandes empresas com ataques sofisticados e grandes

demandas de extorsão, conforme destacado no recente relatório

de tendências de risco cibernético da AGCS.

“A Covid-19 mostrou a rapidez com que os cibercriminosos

são capazes de se adaptar e como a onda de

digitalização impulsionada pela pandemia criou oportunidades

para intrusões com novos cenários de perda cibernética”,

diz Catharina Richter, Diretora Global do Allianz

Cyber Center of Competence na AGCS. “Os invasores estão

inovando usando escaneamento automatizado para

identificar falhas de segurança, atacando roteadores mal

protegidos ou mesmo usando ‘deepfakes’ - conteúdo de

mídia realista modificado ou falsificado pela inteligência

artificial. Ao mesmo tempo, a regulamentação de proteção

e privacidade de dados e as multas por violações de

dados continuam sua tendência ascendente”.

7


PAINEL

parceria

Seguro para pequenas obras

A Mitsui Sumitomo

e o C6 Bank firmaram

parceria para

ofertar seguro para

pequenas obras com

cobertura para danos

físicos e de responsabilidade

civil aos mais

de 1,5 mil pontos de

varejistas de materiais

de construção credenciados pela PayGo, empresa de

meios de pagamentos do banco digital.

“Estamos muito otimistas com esta parceria,

que começa com um projeto para levar um produto

inovador de Pequenas Reformas aos varejistas de materiais

de construção”, diz Hélio Kinoshita, vice-presidente

da Mitsui.

Fabio Basilone, que lidera há um ano a transformação

de seguros no C6, afirma que a atuação do banco

em seguros é também inovadora. “Estamos em conversas

com mais de 50 empresas do setor de seguros. A Mitsui

foi uma das parceiras escolhidas por nos trazer tecnologia

para as soluções que precisamos. O seguro chega ao consumidor

na hora que ele precisa”, afirma o executivo, que

atua no mercado segurador há mais de 30 anos.

credenciadas

Mais duas empresas são autorizadas como

registradoras

A Superintendência de Seguros Privados (Susep)

anunciou que mais duas registradoras, MAPS e I4PRO,

foram credenciadas para operar o Sistema de Registro

de Operações (SRO). O Sistema foi constituído para

o mercado de seguros com o objetivo de aumentar a

transparência, a eficiência e a segurança no registro das

operações de seguros,

previdência complementar

aberta, resseguros

e capitalização.

Com este novo

mecanismo, a Susep

espera que o setor de

seguros possa se beneficiar também de sua sinergia

com outros produtos e serviços a serem desenvolvidos,

como no caso de emissões de ILS, dívida subordinada

e outros produtos a serem desenvolvidos.

As novas credenciadas deverão agora aderir à

convenção de interoperabilidade entre registradoras

no âmbito do Sistema de Registro de Operações (SRO)

e solicitar a homologação dos sistemas de cada registradora,

para que a Susep avance com os processos.

marketing

tecnologia

Foco na agilidade

das vendas

O Grupo Bradesco

Seguros lançou um novo

aplicativo para facilitar

e tornar mais ágil o processo de vendas e a rotina dos

parceiros de negócios. Além de contar com um design

diferente e inovador, o aplicativo também possui novas

funcionalidades.

Para Leonardo de Freitas, diretor da Organização

de Vendas da companhia, o intuito da iniciativa é oferecer

uma experiência de venda cada vez melhor e intuitiva

para o corretor, que hoje possui uma atuação mais

multicanal. “O relacionamento com o cliente mudou e o

corretor precisa de ferramentas digitais como essa: que

o ajudem a estreitar o relacionamento com clientes e

continuar gerando negócios”, comenta o executivo.

Copa do Brasil tem contrato renovado

A MAG Seguros anunciou a renovação do patrocínio

da Copa do Brasil para a temporada 2021. Em

2020, a companhia foi a primeira seguradora do país a

patrocinar a competição.

“O patrocínio se mostrou

muito positivo durante o

ano de 2020 e contribuiu com

o aumento do conhecimento

da marca da MAG Seguros

para todo território nacional e em horário nobre, o que

impactou mais de 75 milhões de brasileiros segundo dados

oficiais da Copa do Brasil”, explica Nuno Pedro David,

CMO da seguradora.

Vale destacar que a companhia recebeu a chancela

de patrocinadora da volta segura do campeonato,

em agosto, e foi responsável pela criação do prêmio Fair

Play, direcionado para o time que apresentar o melhor

comportamento em campo ao fim da edição.

8


estudo

Economia mundial pode crescer ao ritmo de 4,5% até 2022

A Mapfre Economics, área do Grupo Mapfre dedicada

a pesquisas e análises sobre seguros, previdência, macroeconomia

e finanças, prevê que a economia mundial sofrerá

uma retomada de 4,5%, em média, em 2021 e 2022, e que a

atividade econômica voltará ao normal em meados do terceiro

trimestre deste ano, embora o mundo não recuperará

o que se perdeu na crise até meados de 2022. As informações

são apresentadas no relatório Panorama Econômico e

Setorial de 2021: perspectivas para o primeiro trimestre.

O estudo revela que a recuperação do nível do PIB

de 2019 chegará mais cedo nos países que mais ofereceram

apoio aos rendimentos em 2020 e 2021. Os Estados

Unidos estão em primeiro lugar, seguidos pelo Brasil. “As

outras regiões ou países (União Europeia, América Latina

e Espanha) estão muito atrás,

em razão de sua estrutura

produtiva e da natureza dos

estímulos recebidos”, afirmam

os especialistas da Mapfre

Economics.

A retomada, portanto, acontecerá com grandes

diferenças regionais. A América Latina tem sido a região

mais afetada pela Covid-19, tanto pela demora da resposta

econômica (pouco espaço fiscal) quanto pela baixa

preparação na área da saúde e pelos desequilíbrios e vulnerabilidades

existentes (economias fracas, fragilidades

externas, dependência do ciclo de matérias-primas e do

setor turístico).

fusão

Forças unidas para alcançar mais mercado

O ano de

2021 começa com

uma grande novidade

no setor de seguros:

a fusão entre

as empresas Intermezzo

Administradora

e Corretora de

Seguros e Wegman

Corretora de Seguros, que dará origem a Interweg Seguros.

As duas corretoras iniciaram a nova operação em

janeiro e, a partir de abril, já deverão estar em uma sede

nova.

Alexandre Mucida Machado Correa, da Intermezzo,

e Walter Rohlfs Neto, da Wegman, afirmam que o

principal objetivo é fortalecer as operações de seguros

no segmento corporativo, com grande ênfase nos produtos

voltados à pessoas, como os planos de saúde e

seguros de vida.

Os dois empresários lembram que a Interweg

surgiu da necessidade de atuar no mercado de seguros

de uma forma mais robusta e com toda a estrutura

técnica e operacional necessárias para um atendimento

completo e consultivo, porém amparado no conceito de

“boutique de seguros”, na qual mesmo as grandes corporações

podem usufruir de um atendimento personalizado

e com grande atenção até mesmo por parte dos

sócios executivos.

aquisição 2

Corretora Latina desembarca no Brasil

A 123Seguro anunciou sua chegada

ao Brasil através da aquisição da corretora

digital local Seguro.com.vc, após 10

anos de atuação na América Latina.

“Chegar ao Brasil sempre foi um desafio

para nós, visto que é um mercado com grande

potencial e oportunidades para o setor de seguros. Encerramos

o ano de consolidação do setor de insurtech

na região e entramos no ano de expansão definitiva”,

afirma Martin Ferrari, CEO e Co-Fundador da 123Seguro.

aquisição 3

Abrindo espaço para

benefícios

A Alper Consultoria em

Seguros comprou a Ferfi Consultoria

de Benefícios e Corretagem

de Seguros e Riscos. O valor da operação é de

R$ 35,2 milhões, podendo chegar a R$ 44,1 milhões se

todos os gatilhos de performance forem atingidos.

“A Ferfi chega para fortalecer a unidade de Benefícios

da Alper, que está na vanguarda e apresenta expertise

e disrupção em soluções para prestar um atendimento

eficiente aos nossos clientes, afirma o CEO da

Alper, Marcos Aurélio Couto.

9


gente

TRÊS NOVOS CEO’S

Ricardo Bottas

assumirá a presidência

da SulAmérica a partir de

29 de março. Ele é o atual

diretor Vice-Presidente

de Controle e Relações

com Investidores da seguradora

e substitui Gabriel

Portella.

A conclusão de

importantes movimentos estratégicos em 2020, com

destaque para a aquisição da Paraná Clínicas e a conclusão

da venda da operação de automóveis e ramos

elementares, reforçou o posicionamento da companhia.

“A estratégia da companhia, baseada no pilar

de Saúde Integral, busca ampliar cada vez mais a

qualidade de nossos produtos e serviços para nossos

clientes, direciona a aceleração

do desenvolvimento

orgânico e inorgânico

da companhia,

o acesso a novos mercados

e à estrutura de

capital necessária para

suportar essa estratégia

de crescimento”, afirma

Bottas.

A área de Seguros

da Mapfre Brasil

conta com Felipe Nascimento, executivo que atua

há mais de 15 anos na companhia, na liderança das

áreas de Operações e Comercial, além das equipes

técnicas de seguros - que incluem os segmentos de

Automóveis, Seguros Gerais, Grandes Riscos e Vida.

O executivo retorna ao Brasil após 6 anos de

experiência internacional, tendo atuado como diretor

Corporativo de Tecnologia e Processos da Mapfre

na Espanha e sua missão dar continuidade às ações

de expansão da seguradora no mercado nacional,

apoiando a ampliação da cultura de seguros no País.

“Assumo a liderança de uma companhia sólida, com

grande potencial de crescimento local. O Brasil é um

mercado estratégico para a empresa e estou muito

grato pela oportunidade que me concederam. Também

me sinto desafiado

a disseminar no País um

melhor entendimento

sobre a função socioeconômica

do seguro”, afirma

o executivo.

Desde dezembro,

Alfredo Lalia Neto é o

novo CEO da Sompo Seguros

no Brasil. Ele chega

à seguradora após mais de 27 anos de experiência

no setor de seguros. Lalia Neto iniciou sua carreira

na Yasuda Seguros, uma das companhias que deram

origem à marca Sompo no Brasil. “É uma honra ter a

oportunidade de contribuir com o futuro da Sompo

Seguros. A reconhecida cultura de inovação da empresa

e colaboradores engajados fazem da companhia

uma organização única e bem posicionada no

mercado brasileiro. Estou ansioso para iniciar o trabalho

com a equipe, para que possamos impulsionar

um crescimento sustentável e lucrativo juntos”, ressalta

Alfredo Lalia Neto.

LÍDER DE PESSOAS

O time de gestores

da Rede Lojacorr,

composto por Diogo

Arndt Silva (presidente

- CEO); André Duarte (diretor

Financeiro - CFO);

Geniomar Pereira (diretor

Comercial - CCO);

Luiz Longobardi Junior

(diretor de Mercado e Operações - COO); e Sandro Ribeiro

(diretor de Tecnologia - CIO) passa a contar com

a expertise de Dirceu Tiegs na Diretoria de Gente &

Gestão, como Chief Human Resources Officer - CHRO.

A área está sendo criada para ampliar o foco no

cliente e nos parceiros, com o intuito de fortalecer a

cultura das pessoas no centro e fomentar a experiência

do cliente: dois pilares definidos para serem o foco de

2021 da Lojacorr.

10


COMERCIAL NO PARANÁ

A Tokio Marine

expôs a contratação de

Fabiano Polli para a

Sucursal Curitiba como

novo Gerente Comercial

de Vida. O executivo

passará a compor a

equipe da Diretoria Comercial

Vida da Regional

II, sob a gestão de

Rosângela Spak. Polli prestará apoio às equipes de

vendas de Curitiba e Região Metropolitana, Litoral,

além de Campos Gerais e Guarapuava, totalizando

81 municípios.

NOVA TITULAR EM

COMPLIANCE

A Assurant anunciou

a chegada de Elza Eraclide

como nova gerente da área

de Compliance no Brasil,

reportando-se a Gerardo

Vargas, diretor de Compliance para a América Latina

e ao presidente da empresa no Brasil, Ricardo Fiuza.

Com mais de 12 anos de experiência no setor

jurídico e Compliance, a executiva se une ao time

de especialistas da companhia para somar seus conhecimentos

em regulatório bancário, mercado de

capitais, seguros e atuar em parceria com todas as

divisões de negócios da seguradora.

ITALIANA COM NOVA ESTRUTURA

Em reunião presidida por Gabriele Galateri di

Genola, o Conselho de Administração da Assicurazioni

Generali aprovou a proposta

do CEO do Grupo,

Philippe Donnet, para

uma nova estrutura organizacional.

As principais nomeações

são:

Sandro Panizza

assume a função recémcriada

de diretor de Seguros

& Investimentos do Grupo, efetivada a partir

1º de março de 2021; Carlo Trabattoni é promovido

a CEO de Gestão de Ativos e Patrimônio, uma nova

unidade de negócio que será criada em 1º março de

2021, seguindo a realocação das atividades de investimento

do Grupo; Bruno Scaroni foi nomeado

diretor de transformação da empresa, um novo cargo

estabelecido, integrando responsabilidades ligadas

à Estratégia com Operações e à transformação

digital e tecnológica, efetivo em 1º de fevereiro de

2021; Giancarlo Fancel, atualmente diretor Financeiro

da Itália e de Linhas de Negócios Globais, assumiu

o papel de diretor de Riscos do Grupo, efetivo em

1º de março de 2021. O diretor Financeiro do Grupo,

Cristiano Borean; a diretora de Marketing & Cliente,

Isabelle Conner; e o diretor de Fusões e Aquisições,

Massimiliano Ottochian, irão se reportar diretamente

ao CEO da empresa a partir do dia 1º de fevereiro

de 2021.

COMERCIAL E MARKETING

Brasilprev apresentou seu novo Diretor Comercial

e de Marketing, Ullisses Assis. Formado em Ciências

da Computação e com MBA em Gestão Estratégica,

Assis é funcionário de carreira do Banco do Brasil. “Começo

esta nova jornada com imensa alegria pela possibilidade

de colaborar com a Brasilprev, pela qual sempre

tive grande carinho e admiração. Nossa missão será

levar cada vez mais assessoria

financeira e previdenciária às

famílias brasileiras, através dos

mais diversos canais físicos e

digitais, de forma a auxiliá-las

no planejamento de um futuro

próspero”, destaca Assis.

11


gente

MUDANÇAS NO BRASIL E NA AMÉRICA LATINA

A AIG anunciou mudanças na liderança da companhia

no Brasil e América Latina. As áreas Recursos

Humanos, Comercial, Linhas Financeiras e Atuarial da

seguradora entram em 2021 com mudanças de líderes.

Rodrigo Valadares, que era líder da área de

Corretores Nacionais, passa agora a responder por toda

a equipe Comercial da

AIG Brasil como diretor

Comercial. A nomeação

reforça a importância da

gestão eficiente dos canais

para o crescimento

sustentável da companhia

no Brasil; Thaisa

Oliveira foi anunciada

recentemente como su-

perintendente de Recursos Humanos e chega para

reforçar o compromisso contínuo da AIG com pessoas

e o importante papel da

área no apoio à estratégia

e objetivos da companhia;

outra movimentação

acontece na área

de Linhas Financeiras,

que inclui alguns dos

produtos chave da empresa,

entre eles o Seguro

D&O, Riscos Cibernéticos

e Responsabilidade Civil Profissional. Flavio Sá

assume novos desafios profissionais na companhia e

passa a ser head de Linhas Financeiras para a Região

LAC e para a AIG México.

BANCO COM NOVO GERENTE DE SEGUROS

Formado em Economia e com MBA em Gestão

em Mercado Financeiro, Paulo Marques possui mais

de 20 anos de experiência em mercado financeiro,

sobretudo, na área de investimentos. Está no Paraná

Banco há seis anos, na área de investimentos e agora

assume a gerência de Seguros e Resseguros.

“O Paraná Banco é o tipo de empresa que cativa

seu colaborador, é como uma família unida, com

propósitos e objetivos claros e em comum para toda

a organização. É com este propósito que assumo este

desafio de tornar o Paraná

Banco uma alternativa

de alocações de recursos

para as seguradoras e

resseguradoras também,

auxiliando-os na rentabilização

de recursos e atingimento

de seus objetivos,

perante seus clientes”, ressalta

Marques.

NOVOS NEGÓCIOS EM SAÚDE

Adriana Ceneviva é a nova Diretora de Negócios

da Funcional Health Tech. A apresentação da

executiva faz parte do

momento de transformação

da empresa, que lançou

sua nova estratégia

de negócio e cultura de

trabalho: “éissoquenosune”,

que visa unificar suas

marcas, lideranças e colaboradores.

NOVIDADES EM LINHAS FINANCEIRAS

A Lockton contrata

novo Head responsável

por Linhas Financeiras e

Responsabilidade Civil,

Maurício Bandeira. Ele

integra o time da Lockton

com objetivo de fortalecer

a atuação no segmento de

Financial Lines e promover

o portfólio de produtos como seguro cibernético e

Directors & Officers (D&O).

12


REFORÇO PARA SEGURADORA

A EZZE Seguros

contratou um novo

diretor de Property

& Casualty, é Sandro

Povegliano, profissional

com mais de 20

anos de experiência no

mercado segurador nacional

e internacional.

O executivo chega para

estruturar a área, em que estão inseridos os seguros

relacionados aos danos acidentais a bens tangíveis.

Com mais de 20 anos de experiência profissional

nas áreas de marketing, comunicação e digital,

Fábio Gabrielli será o

novo head de Digital e

Marketing, função que

está inserida na vicepresidência

comercial

e marketing, com a

missão de melhorar a

experiência do usuário

(UX - User Experience)

nos ambientes digitais,

acelerando-os e tornando o relacionamento com

corretores, assessorias e clientes mais ágil e simples.

DIRETOR PARA INSURTECH

A Simple2u anunciou Leonardo Lourenço

como diretor da empresa. Criada após a aprovação

da companhia no Sandbox Regulatório da Superintendência

de Seguros Privados (Susep), a empresa

marca a entrada do Grupo Mongeral Aegon no mercado

de Ramos Elementares, comercializando produtos

que vão além de vida e previdência.

Lourenço tem

sólida experiência no

desenvolvimento de

produtos e serviços

comercializados em

diferentes canais de

distribuição, como

corretores independentes,

e-commerce

e parcerias.

HOMEM DAS FINANÇAS

O economista

Renan Pinto, de 38

anos, assumiu o cargo

de CFO do Qsaúde. O

executivo veio da Gerdau,

onde ocupava o

cargo de Diretor Sênior

de Tecnologia e

Transformação Digital

(CIO/CDO nas siglas

em Inglês) na operação da empresa na América

do Norte. De volta ao Brasil depois de acumular 10

anos de experiência internacional, o economista

está animado com o novo desafio, agora no setor

da saúde suplementar. “O modelo de negócios do

Qsaúde já nasceu digital. Mas queremos fortalecer

esse DNA em todas as áreas, inclusive na financeira.

Chego para somar minha experiência em finanças

corporativas e com ambiente digital ao modelo de

negócios, visando impulsionar resultados por meio

da tecnologia”, afirma.

VICE-PRESIDENTE TÉCNICO

A HDI Seguros

apresentou o executivo

Mauricio Galian como

novo Vice-Presidente

Técnico da companhia.

Englobando as áreas

de Produtos, Underwriting,

Sinistros e Inovação,

a vice-presidência

tem a importante responsabilidade

de continuar os caminhos de diversificação,

inovação e adequação dos produtos da

empresa para a atual realidade do setor de seguros.

“Inicio mais um desafio na HDI em uma fase

importante em que estamos ampliando atuação e

apresentando diversas novidades ao mercado. Seguiremos

levando agilidade, inovação e experiências

que atendam nossos segurados e trabalhando na

oferta de pacotes completos para fortalecer a base

de diversificação da companhia para 2021”, destaca

Galian.

Foto: Gabriel Reis

13


publieditorial

mensagem

Diretoria da Rede Lojacorr agradece resultados

do ano de 2020

Amigos do mercado de seguros,

é com imensa alegria que compartilhamos

alguns resultados

que muito nos orgulham, referentes ao

fechamento do exercício de 2020, quando

a maior rede de corretoras de seguros

independentes do Brasil registrou

R$ 735 milhões produzidos em seguros,

consórcios e demais segmentos,

por meio de um time de 4.500 profissionais,

apoiados por 220 colaboradores

espalhados de Norte a Sul do País.

Este timaço de especialistas na

distribuição respondeu pela produção de exatos R$

735.265.829,00 em Prêmios Líquidos Emitidos, oriundos

de todos os segmentos, o que representou 25,15%

superior a 2019. Outro ponto positivo foi a diversificação

na carteira, em que a Rede teve produtos comercializados

em 45 ramos distintos e mais de 200 diferentes

produtos foram adquiridos.

Como parâmetro dos expressivos resultados alcançados

e da pujança da Rede, em números absolutos,

a Lojacorr realizou R$ 130 milhões a mais que o

ano anterior, só esse número já foi superior ao que foi

produzido no ano de 2012 inteiro.

No nosso exclusivo modelo de negócios, oferecemos

produtos e serviços diferenciados e buscamos

parcerias com as principais seguradoras do Brasil e com

empresas que complementam nosso ecossistema de

soluções – até o final do ano disponibilizamos 63 parcerias.

Dessa forma, possibilitamos o acesso imediato

junto às seguradoras a todos que fazem parte da Rede,

bem como auxiliamos em muitos serviços complementares

inerentes ao negócio.

Continuamos o processo de expansão pelo território

nacional, embarcamos 229 novas corretoras de

seguros e 236 prepostos, terminamos o ano presentes

em 22 Estados e Distrito Federal, por meio de 55 Unidades,

atendidas por 4 Diretorias Regionais, sediadas em:

São Paulo, Curitiba, Belo Horizonte e Recife. Processamos

400.000 documentos, contabilizamos segurados

nos 26 Estados da União + DF e temos uma abrangência

de atendimento em 3.800 municípios brasileiros.

Mesmo com períodos de instabilidade econômica,

política e em meio à maior pandemia do século, os

bons resultados de 2020 demonstraram

a força da união, do compartilhamento,

da colaboração e do sucesso do modelo

de negócios criado pela Rede Lojacorr,

reflexo de um trabalho sério e bem estruturado,

regido com todo o cuidado

no planejamento, investimento em tecnologias

e nas parcerias com o mercado.

Vale ressaltar os destaques do

ano na Rede Lojacorr, que são os

TOP 10 nas categorias:

Seguradoras: Bradesco, Tokio

Marine, HDI, Liberty, Mapfre, SulAmérica,

Mitsui Sumitomo, Zurich, Sompo e Alfa;

Unidades: Curitiba/PR, Florianópolis/SC, Brasília/DF,

Maringá/PR, Campinas/SP, Porto Alegre/RS,

Centro-Oeste/MG, Campos Gerais/PR, Blumenau/SC e

São Paulo/SP;

Corretoras de Seguros: Ouroseg (Curitiba-PR),

M&K (São Luís-MA), Sacs (Tubarão-SC), Afirmativa (Ipatinga-MG),

Rosa Tavares (Itumbiara-GO), Forte Brasil

(Curitiba-PR), M&S RP (Ribeirão Preto-SP), Silveira (Santo

Amaro da Imperatriz-SC), Sempre Bem (Belo Horizonte-MG)

e A3MG (Governador Valadares-MG);

Segmentos: Automóvel, Consórcio, Previdência

Privada, Saúde, Vida, Empresarial, Rural, Residencial, RD

Equipamentos e Condomínio.

Para finalizar, em números qualitativos, atingimos

77,3 pontos na pesquisa de satisfação (NPS) realizada

junto aos corretores da Rede e permanecemos

na desejada zona de excelência. De quebra, continuamos

certificados, pelo terceiro ano consecutivo, pelo

GPTW (Great Place To Work), como uma das melhores

empresas para se trabalhar no Estado do Paraná, local

da Sede Administrativa. Além disso, em 2020 a Rede

Lojacorr participou do programa Scale-Up de aceleração

da Endeavor, maior organização de apoio a empreendedores

de alto impacto do mundo.

Diante de tantas excelentes notícias, concluímos

que JUNTOS vencemos 2020, o ano mais desafiador

da história moderna. Por isso, deixamos aqui

nossos sinceros agradecimentos pelo integral apoio

na construção da maior Rede de corretoras de seguros

independentes do Brasil e seguiremos no firme propósito

de ajudar o brasileiro a se proteger mais e melhor!

GENIOMAR PEREIRA,

Diretor Comercial

14


RESULTADO

TOO SEGUROS

Recorde de vendas e novas parcerias para 2021

OBJETIVO DA SEGURADORA É

A CONSOLIDAÇÃO DA PARCERIA

COM OS CORRETORES DE SEGUROS

O

ano de 2020 foi um divisor de águas, ressaltou

tendências e migrou muitos trabalhos

para dentro de casa. A fim de cuidar

da segurança dos colaboradores, a Too Seguros

adotou o home office, efetuou contratações durante

a pandemia e sustentou a necessidade de

cada área, para garantir a saúde de todos e dar

continuidade aos negócios.

De lá para cá, o engajamento só aumentou:

“criamos dinâmicas de trabalho e fortalecemos

ainda mais o nosso espírito de equipe. Apesar do cenário

da pandemia, crescemos quase 30% em prêmios emitidos de seguros.

Temos vocação para sermos grandes”, diz Pedro da Rocha

Lima, CEO da Too Seguros.

O ANO DAS PARCERIAS

O trabalho remoto não impediu que novos produtos fossem

implantados com sucesso ao longo do ano, como: “Seguro Garantia

Mecânica para carros usados e o Seguro Home Equity para financiamentos

com imóveis como garantia com a WIMO. Trouxemos mais

benefícios para o Seguro Consignado, que passou a oferecer para

aposentados e pensionistas descontos em consultas médicas, compra

de remédios e testes para Covid-19, e estamos desenvolvendo

outras plataformas digitais com bancos”, diz o CEO.

O seguro fiança locatícia foi um dos que mais cresceu na seguradora

em 2020. Com processos automatizados, novas parcerias

com corretores e imobiliárias e análise de fluxos de ponta a ponta, o

canal cresceu 130%, outro recorde.

SÓ FAZ A DIFERENÇA QUEM FAZ DIFERENTE

Ao levar em conta o novo momento e maturidade da empresa,

o propósito da marca também foi revisitado para dar mais

clareza das motivações da Too. O desafio ficou claro: diante de um

cenário tão fora da curva, como fazer a diferença na vida do máximo

de pessoas com soluções de seguros?

Assim como as novas dinâmicas de trabalho foram estabelecidas,

criou-se um processo colaborativo unindo a diretoria da

Too Seguros e membros de um comitê estratégico para legitimar

e representar todos os times da companhia, e assim propor caminhos

que se conectassem com a identidade e objetivos de longo

prazo.

“Aproximar os colaboradores do grande impacto que causamos

na vida das pessoas destacará a importância do trabalho de

cada um. Isso, automaticamente, estabelece uma conexão afetiva,

aumentando o senso de pertencimento

e a motivação”, destaca João Guilherme

Freitas Franco, gerente de marketing.

ESTRATÉGIAS SÓLIDAS

Com plataformas de APIs e formas

de vender que se conectam facilmente

com parceiros, o foco é agilizar a implementação

de novas ferramentas para o

negócio, adquirir tecnologia para melhorar

processos e facilitar o acesso às informações

para criar soluções que conversem

cada vez mais com as tendências do mercado,

e atendam às necessidades operacionais

e estratégicas de nossos parceiros.

“Este novo ano é um ano de transformar

oportunidades em negócios,

trazer parcerias estratégicas e amadurecermos

o uso de insights em diversas

frentes. Temos tecnologia para pensar em

soluções e tomar decisões baseadas em

dados, e isto será um importante suporte

para o nosso crescimento” afirma o CEO.

Com o novo modelo de Open Insurance,

a Too Seguros está aberta para a realização

de novas parcerias a fim de elaborar

serviços inteligentes, que agreguem valor

e façam diferença na vida das pessoas.

A seguradora conta com a solidez

dos acionistas BTG Pactual e CAIXA,

para crescer com confiança e dedicação.

Para mais informações sobre parcerias,

é só acessar o site da seguradora:

tooseguros.com.br.

15


SAÚDE

VACINAÇÃO

Rumo

incerto

ENQUANTO O PLANO NACIONAL DE

IMUNIZAÇÃO CONTRA COVID-19,

ADMINISTRADO PELO GOVERNO

FEDERAL, É MARCADO POR

DESENCONTROS E ATRASO EM

CRONOGRAMAS, A REDE PRIVADA

DE CLÍNICAS DE VACINAS E ALGUNS

GRUPOS DE GRANDES EMPRESAS

SE MOBILIZAM NA BUSCA DE

ALTERNATIVAS NO MERCADO

INTERNACIONAL DE IMUNIZANTES,

PORÉM CERCADAS DE MUITA

POLÊMICA. EM MEIO A ESSA

EXAUSTIVA DISCUSSÃO, A TRISTE

CONSTATAÇÃO: SOBRA POLITIZAÇÃO

DA TRAGÉDIA E NÃO HÁ VACINA

PARA TODO MUNDO

André Felipe de Lima

Dúvida, medo, angústia. São incômodas

as sensações que perpassam

a mente de cidadãos (ou,

pelo menos, quase todos) mundo afora,

temerosos com o desfecho da vacinação

em massa contra a Covid-19, especialmente

no Brasil. Houve os que choraram

e sentiram-se aliviados ao verem a cena

da primeira pessoa vacinada no país. Creem

no dia em que ficarão protegidos pela

tão ansiada inoculação. Mas há também

os céticos que, ao se depararem com os

números de doses iniciais projetadas

pela política de vacinação do Governo,

não conseguem vislumbrar um país inteiro

devidamente e, sobretudo, democraticamente

protegido pela vacinação

em massa ainda este ano. Faz sentido.

A conta insiste em não fechar, ou porque faltam insumos

para produção da vacina ou porque falta vontade política pública.

Ou simultaneamente os dois preocupantes aspectos. Há alguns

milhões de doses programadas para até o final de 2021. Enquanto

isso, na esteira do censo demográfico, temos uma expressiva parte

da população de 210 milhões de brasileiros refém da pandemia do

coronavírus e de suas mortíferas variantes, sem previsão para que

seja atendida. Especialistas e executivos, inclusive alguns do setor de

seguros, ouvidos por Apólice reconhecem ser pífia a quantidade de

doses oficialmente anunciada e preocupam-se com a dependência

de insumos para produção em larga escala, no caso das vacinas da

britânica AstraZeneca e da chinesa Coronavac. Aí reside o risco.

O Ministério da Saúde estima que terá até o final deste ano

210 milhões de doses da vacina dos britânicos e outros 100 milhões

da produzida pelos chineses. Em tese, o governo atingiria sua meta

se não errasse grosseiramente em um cálculo empiricamente banal.

São necessárias duas doses por pessoa, logo, precisaria de um número

maior de imunizantes.

16


Não é difícil entender porque o cenário se mostra francamente

favorável à disseminação da Covid. O Brasil amarga a indesejável

8ª colocação no ranking das piores nações do planeta em

diferença de renda e desigualdade social, como aponta relatório

recentemente divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o

Desenvolvimento (PNUD). Ao considerar-se esse dado, fomente-se,

portanto, um questionamento: a vacinação deve ser — ao menos

nesse momento inicial — exclusividade do poder público ou a rede

privada poderia atuar paralelamente à campanha nacional pública

de vacinação? O debate acirrou-se em todas as esferas da sociedade

e no mercado ao concentrar-se na projeção ética (ou não) de uma

possível extensão à rede privada.

Na contramão do otimismo de muitos, a falta de vacinas em

todo o mundo deverá, contudo, estender-se até meados deste ano.

Diante dessa constatação, a Organização Mundial da Saúde (OMS)

alerta que os países devem priorizar os mais vulneráveis a exemplo do

que empregam nações europeias, onde os planos de vacinação são

concentrados no poder público e com aplicação gratuita das doses.

O Presidente da FenaSaúde, João

Alceu Moroso Lima, frisa que em todo o

mundo governos têm conduzido programas

de vacinação pública e gratuita contra

a doença e que as melhores práticas

sugerem que este é o caminho mais eficaz

no combate à pandemia. Ele recorda

que há 45 anos vacinação é atribuição

exclusiva do poder público no país, numa

“política acertada” que, desde seu início,

visou impedir a descontinuidade, o caráter

episódico e a reduzida área de cobertura

que caracterizavam as ações de imunização

até então.

“Com a Covid-19, não deve ser diferente.

Para manter-se bem-sucedida, a

vacinação deve ser tarefa do Ministério da

Saúde, coordenada com os estados e com

todas as instâncias do SUS (Sistema Único

de Saúde). Mudar essa estratégia criará

desequilíbrios e desigualdade no acesso

à vacina e comprometerá a eficácia do enfrentamento

à pandemia neste momento

crucial para o país. O próprio Ministério

da Saúde reiterou recentemente que a

prioridade da vacinação é do SUS. Está

correto. Quaisquer propostas que carreguem

em si o risco de afetar esse modelo

bem-sucedido, como a tentativa de

transferir para o sistema suplementar a

responsabilidade pela vacinação, não devem

prosperar”, enfatiza Amoroso Lima,

destacando em seguida que os planos de

saúde estão prontos para colaborar com

o sucesso da vacinação contra a Covid-19,

como, por exemplo, com iniciativas de

esclarecimento, conscientização e mobilização

da população. “Podem, também,

oferecer sua infraestrutura e capilaridade

para a aplicação da vacina, aproveitando

seus milhares de pontos de atendimento

para expandir a capacidade do SUS, num

esforço conjunto em prol da sociedade

brasileira.”

VACINAÇÃO PELA REDE PRIVADA.

JUSTA OU IMORAL?

No Brasil, a polêmica envolvendo

uma possível comercialização de vacinas

contra a Covid-19 pela rede privada

e paralelamente à campanha de vacinação

pública pelo SUS começou na

primeira semana de janeiro, quando a

17


SAÚDE

VACINAÇÃO

Em todo o mundo governos têm conduzido

programas de vacinação pública e gratuita contra

a doença e as melhores práticas sugerem que este

é o caminho mais eficaz no combate à pandemia.

Há 45 anos, vacinação é atribuição exclusiva do

poder público no país, numa “política acertada” que,

desde seu início, visou impedir a descontinuidade, o

caráter episódico e a reduzida área de cobertura que

caracterizavam as ações de imunização até então.”

JOÃO ALCEU MOROSO LIMA, da FenaSaúde

Associação Brasileira das Clínicas de Vacinas

(ABCVAC) revelou que levaria à Índia

representantes de clínicas privadas

para negociarem a compra de 5 milhões

de doses de Covaxin, vacina produzida

pelo laboratório Bharat Biotech, que foi

recentemente aprovada, em caráter de

emergência, pelo governo local, mas

ainda está em testes.

A comitiva brasileira cumpriu a

agenda, desembarcando no Genome Valley,

distrito industrial de alta tecnologia e

inovação em Hyderabad, na Índia, no dia

7 de janeiro. Durante dois dias, os executivos

brasileiros conversaram com os

indianos do Bharat Biotech. As negociações

com o laboratório estrangeiro foram

concluídas e a ABCVAC e a importadora

Precisa Medicamentos já conversam com

clínicas privadas brasileiras para a venda

de doses da vacina Covaxin.

Em informação divulgada pela

própria ABCVAC, o presidente da associação,

Geraldo Barbosa, alega que o

mercado corporativo tem “procurado”

a ABCVAC e as clínicas para “subsidiar a

imunização de seus colaboradores”. No

mesmo documento, o executivo ressalta

que o que for adquirido “não vai interferir”

nas negociações com o sistema

público. “Se essas vacinas não vierem

para o mercado privado brasileiro, não

virão nem para o Brasil. Vão para outro

país. A aquisição depende do fim dos trâmites legais junto aos

órgãos reguladores brasileiros, fabricante e distribuidora/importadora.

A representante da Bharat Brasil, responsável pela negociação

com o setor privado, tem tido papel fundamental e o processo

está muito bem encaminhado, não só para a vacina contra

a Covid-19 agora, mas também em longo prazo”, declara Barbosa,

no documento da ABCVAC, entidade que abriga 200 associadas

que representam 70% do mercado privado nacional.

Mas a otimista projeção de que a vacina indiana esteja disponível

em abril para as clínicas privadas poderá esbarrar em vários

fatores que vão além simplesmente da falta de imunizante em escala

global. Um deles é de conotação ética. Evolui, nesse sentido, a

resistência a qualquer investida da rede privada, pelo menos nessa

primeira fase de vacinação em massa no país. Prova disso é a carta

pública intitulada Vacinar no SUS é um direito de todas e todos e um

dever do Estado divulgada no dia 5 de janeiro.

Várias entidades assinaram o manifesto, entre as quais o Conselho

Nacional de Saúde (CNS) e Associação Brasileira de Imprensa

(ABI). Diz um trecho da carta, que, em síntese, é imoral a oferta de

vacina para quem pode pagar por ela simultaneamente ao plano de

vacinação público e gratuito:

“Numa sociedade como a nossa, marcada por grotescas desigualdades

sociais, é moralmente inaceitável que a capacidade de

pagar seja critério para acesso preferencial à vacinação contra a Covid-19.

É inadmissível, portanto, permitir que pessoas com dinheiro

pulem a fila de vacinação por meio da compra de vacinas em clínicas

privadas. Assim, causa preocupação o anúncio feito no dia 3 de janeiro

de que clínicas privadas negociam a importação de 5 milhões

de doses de vacinas em desenvolvimento na Índia pelo laboratório

Bharat Biotech”.

O mesmo manifesto alerta também que no Reino Unido,

para evitar a ocorrência de desigualdade social no acesso à vacina

contra a Covid-19, governo e empresas elaboram acordos para não

18


permitir que vacinas sejam compradas por clínicas privadas, pelo

menos enquanto uma grande parte da população não tiver sido

vacinada pelo Sistema Nacional de Saúde (NHS). “Este é o exemplo

que podemos seguir. Consequências nefastas da venda de vacinas

contra a Covid-19 por clínicas privadas vão além do aprofundamento

do abismo social brasileiro (...) Num momento de imensa

necessidade de fortalecimento do SUS, renuncia-se ao seu potencial

para vacinar a população brasileira com equidade, efetividade,

eficiência e segurança, em prol do fortalecimento do mercado setor

privado de saúde.”

Em live do dia 8 de janeiro, o presidente Jair Bolsonaro, ao

lado do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, disse que não impedirá

a importação de vacinas contra a Covid-19 pela rede privada. Mas

com ressalvas: “Eles podem conseguir por outros meios essa vacina

(...) então a gente não vai criar problema no tocante a isso daí (...) se

uma empresa quiser comprar lá fora a vacina e vender aqui, quem

tiver recursos vai tomar vacina lá. Agora, nós vamos oferecer de forma

universal, e da nossa parte não obrigatória.”

Pazuello, por sua vez, ponderou que as vacinas importadas

precisam ser aprovadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária

(Anvisa): “Uma vez atendida essa demanda, já o SUS sendo

atendido, sim, claro que não há (problema), e deve ser comprada

também pela iniciativa privada. E principalmente importadas, das

fábricas importadas (sic).”

Médico sanitarista de carreira da Secretaria Municipal de Saúde

de São Paulo e professor de administração hospitalar e sistema

de saúde da Fundação Getúlio Vargas, Walter Cintra ressalta que a

vacina é, acima de tudo, uma questão de direito à vida e que não

haveria problema de as clínicas privadas também participarem do

processo de vacinação contra a Covid-19 desde que estejam integralmente

subordinadas à coordenação governamental e dentro

de uma fila única controlada pelo Ministério da Saúde, mas, frisa o

médico sanitarista e ex-diretor de hospitais públicos e privados, a

prioridade neste começo da vacinação em massa é, única e exclusivamente,

a rede pública.

“Nesse momento, a única possibilidade de uma participação

ética das clínicas privadas seria dessa maneira. E estou falando ético,

não estou falando legal, não há nenhum mote ilegal, até onde eu

sei, para que as clínicas privadas participassem, comprassem vacina

e aplicassem para quem pudesse comprar. Agora, do ponto de vista

ético, e do ponto de vista moral, nesse momento é totalmente inaceitável.

Isso significaria dizer que aqueles brasileiros que têm poder

aquisitivo vão ter mais direito à saúde do que aqueles que não têm.

É uma situação especial e uma condição que diz respeito ao campo

da moral e da ética”, diz Cintra.

O QUE DIZ A ANVISA

A Anvisa informou publicamente, em notas técnicas, que a

primeira fase da vacinação em uso emergencial é prioridade da

rede pública de saúde. A agência não vê, porém, impedimento

para que um laboratório fabricante de imunizantes apresente um

pedido emergencial para comercializar a vacina em rede particular.

Mas no dia 6 de janeiro, logo após a polêmica instaurada pelo

anúncio da investida de clínicas privadas

para a compra de milhões de doses do

laboratório indiano Bharat Biotech, a Anvisa

emitiu uma nota na qual alerta que

as clínicas privadas de vacinação devem,

para atender a legislação, implantar um

Núcleo de Segurança do Paciente (NSP)

que monitorará eventuais incidentes e

efeitos adversos após a vacinação.

Os dados coletados deverão ser

armazenados no sistema VigiMed, versão

brasileira similar ao sistema VigiFlow,

da OMS. A agência também recomenda

às vigilâncias sanitárias locais para que

fiscalizem o cadastro das clínicas privadas

e se as mesmas estão inserindo informações

no VigiMed. Diz, em síntese, a

nota da Anvisa:

“As autoridades sanitárias e os serviços

de saúde devem prezar pelo monitoramento

destes medicamentos para

verificar a sua segurança e efetividade,

principalmente no que tange a vacinas,

as quais têm o potencial de serem utilizadas

em larga escala para a imunização

de toda a população brasileira (...) a notificação

dos eventos adversos deve ser

realizada mensalmente, até o 15º dia útil

do mês subsequente ao mês de vigilância,

por meio das ferramentas eletrônicas

disponibilizadas pela Anvisa, sendo que

os eventos adversos que evoluírem para

óbito devem ser notificados em até 72

horas a partir do ocorrido.”

Amoroso Lima ressalta, contudo,

que, apesar das falhas de planejamento

evidenciadas até o momento, o principal

obstáculo para o abastecimento do SUS

com a quantidade adequada de vacinas

é a escassez mundial do produto. “Ora,

se há vacinas — devidamente aprovadas

pela Anvisa — disponíveis para venda

e entrega no curto prazo, tal prioridade

deve ser do governo e não da iniciativa

privada. Assim como em outras campanhas

maciças de vacinação — H1N1, febre

amarela e dengue, entre outras —, a

participação da iniciativa privada deverá

ocorrer somente após supridas as necessidades

do SUS para a execução do seu

Plano Nacional de Imunização (PNI).”

Parece interminável a discussão se

pode ou não ocorrer uma vacinação pela

19


SAÚDE

VACINAÇÃO

Acredito muito na estrutura do SUS para tocar a

campanha de vacinação. A grande preocupação

é se haverá vacina suficiente para todo mundo e

quanto tempo vai demorar para essa vacina ser

disponibilizada”

WALTER CINTRA, médico sanitarista e professor

rede privada simultaneamente a da rede

pública. Semanas após a polêmica instaurada

pela ABCVAC, começou a circular

no mercado a informação de que um

grupo de 33 empresas conduzido pela

Dasa, que agrega em sua carteira vários

laboratórios e clínicas, algumas inclusive

de vacinação, estaria negociando com o

governo federal a autorização para importar

33 milhões de doses da vacina de

Oxford/AstraZeneca.

Na lista do seleto grupo, estão

incluídas, entre outras companhias parrudas,

Ambev, JBS, os bancos Itaú e

Santander, Petrobras e Vale. O acordo

prevê, informaram fontes do mercado e

de algumas destas próprias companhias

citadas, que metade do total das vacinas

seria doada ao SUS e a outra metade distribuída

entre as empresas do grupo para

que imunizassem funcionários e seus

familiares. Apólice tentou ouvir o Grupo

Dasa, mas até o fechamento desta reportagem

não obteve retorno.

Com mais de 30 anos de carreira

na área da Saúde, o médico e diretor-

-presidente da Seguros Unimed, Helton

Freitas, atuou como gestor público no

Hospital das Clínicas da Universidade

Federal de Minas Gerais (UFMG) e como

assessor de planejamento da Secretaria

Municipal de Saúde de Belo Horizonte.

Desde 1998 dedica-se à saúde suple-

mentar e há pouco mais de cinco anos preside a Seguros Unimed.

Sobra-lhe, portanto, experiência para discutir o espinhoso tema da

vacinação contra Covid-19 no país.

Freitas considera, portanto, três aspectos fundamentais nesse

conturbado contexto: o primeiro deles é que a vacinação em

massa é uma medida crucial para superar a crise da Covid-19, dado

que não há profilaxia para a doença nem tratamento específico

com eficácia cientificamente demonstrada; o segundo aspecto —

destaca o executivo — é que toda essa controvérsia em torno da

vacinação resulta da falta de coordenação na resposta brasileira à

crise. “Claramente, o País não se antecipou da maneira como deveria

para uma estratégia ampla de vacinação, e isso a despeito

de termos competência acumulada e infraestrutura disponível no

SUS, por meio de um sólido Programa Nacional de Imunização, reconhecido

mundialmente por seu alcance e sua cobertura. É preciso

considerar a corrida global pelas vacinas, na qual saímos muito

atrasados”, assinala Freitas, e completa: “No cenário atual, vacinas

são um recurso escasso, a capacidade de produção das farmacêuticas

é limitada frente à demanda, e o acesso dos países a esse recurso

é muito desigual, como tem alertado a Organização Mundial

de Saúde.”

O diretor-presidente da Seguros Unimed vai além ao destacar

que, no cenário atual de uma grave emergência sanitária e com

a oferta de vacinas muito aquém da necessidade, toda e qualquer

dose disponível no país deve ser aplicada seguindo prioridades estratégicas

claramente definidas, a partir de critérios epidemiológicos.

“Neste momento, a prioridade absoluta é para os profissionais

de saúde na linha de frente e para os grupos populacionais mais vulneráveis

às formas graves da Covid-19, como os idosos. Não me parece

razoável, nem eticamente justificável, que um executivo ou um

colaborador de uma grande empresa seja vacinado neste momento,

antes de os grupos mais expostos e, no caso dos profissionais de

saúde, essenciais para assegurar o atendimento à população, terem

sido completamente atendidos.”

Para Freitas, não se trata de uma polarização entre público e

privado, como tem sido abordado pela imprensa e opinião pública,

mas, fundamentalmente, de uma questão de equidade, de racionalidade

e de eficácia estratégica no enfrentamento da pandemia. “Em

meio a uma crise sanitária, não podemos privilegiar quem pode pagar”,

conclui o médico.

20


A reportagem entrou em contato com a Sociedade Brasileira

de Imunizações (SBIm) para repercutir o plano nacional

de vacinação do governo bem como a possibilidade de a rede

privada comercializar a vacina paralelamente ao programa do

SUS, mas a entidade, por meio de sua assessoria de imprensa, informou

que a SBIm é uma sociedade “puramente científica”, que

“não comenta questões relativas ao mercado privado.”

BOLSONARO QUER DOAÇÃO DE VACINA

COMPRADA PELA REDE PRIVADA

Mesmo que tudo esteja em um campo especulativo, o

presidente Jair Bolsonaro mostrou-se publicamente interessado

na “doação” de metade das 33 milhões doses da vacina Oxford/

AstraZeneca que estariam sendo negociadas pelo Grupo Dasa.

“Nós fomos procurados por um representante de empresários e

nós assinamos carta de intenções favorável a isso, para que 33

milhões de doses da Oxford viessem do Reino Unido para o Brasil,

a custo zero para o governo. E metade dessas doses, 16,5 milhões,

entrariam aqui para o SUS e estariam então no programa

nacional de imunização — seguindo aqueles critérios — e outros

16,5 milhões ficariam com esses empresários para que fossem

vacinados, então, os seus empregados, para que a economia não

parasse”, declarou Bolsonaro, durante uma live promovida pelo

banco Credit Suisse.

Contrariando a versão do presidente, a AstraZeneca e a Pfizer

emitiram notas em que rechaçam a possibilidade de negociarem

com o setor privado doses de vacinas contra a Covid-19.

Apólice ouviu autoridades públicas sobre o tema. Em nota

de sua assessoria de imprensa, o Ministério da Saúde declara que

o Governo Federal “está, como sempre esteve, empenhado em adquirir

todos os tipos de vacinas disponíveis e aprovadas pela Anvisa,

em benefício do povo brasileiro. A aquisição de vacinas respeita, de

maneira indelével, os princípios da legalidade, da transparência, de

conformidade e de boas práticas, preconizados na legislação brasileira,

em especial o que consta na Medida Provisória nº 1.026, de 6

de janeiro de 2021.”

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) também

foi acionada pela reportagem para responder sobre a possibilidade

de oferta de vacinação em clínicas privadas. “Por sua natureza

e importância estratégica, a imunização é uma ação de saúde

que deve ser planejada e executada de forma que leve em conta

a diversidade das condições endêmicas regionais, a dinâmica da

migração dos fatores de risco e a complexidade do processo de

aquisição ou importação de produtos, entre outros. Nesse sentido,

cabe ao Ministério da Saúde a centralização das ações necessárias.”

O Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) criticou,

em manifestação assinada pelo seu presidente, Carlos Lula,

o sinal verde do governo para que empresas privadas comprem

vacinas contra Covid-19 e alerta ser “indispensável” que a as doses

hoje disponíveis atendam parcelas mais vulneráveis da população.

Enfatiza a nota:

“É com surpresa que o Conass recebe a informação de que o

governo federal concordou com a compra, por empresas privadas,

de 33 milhões de doses da vacina contra

Covid-19, produzida pela AstraZeneca.

Os brasileiros sofrem com a expansão

de casos da doença e há urgência para

a vacinação de todos. A imunização, no

entanto, deve seguir critérios técnicos e

não o poder de compra. Diante da escassez

de imunizantes nesta primeira etapa

da campanha, é indispensável que doses

existentes sejam dirigidas a grupos mais

vulneráveis. A proteção dos mais suscetíveis

é a melhor forma de reduzir internações

e casos graves (...) Se a farmacêutica

tem 33 milhões de doses disponíveis,

por que o governo federal não se dispõe

a comprá-las em sua totalidade e,

com isso, providenciar a proteção para

os que mais precisam? (...) O Conass não

se opõe que a imunização seja realizada

também pela iniciativa privada, mas não

neste momento. Agora, a hora é de somar

esforços, agir com rapidez e garantir

vacinas de Covid-19 para toda população

por meio do Programa Nacional de

Imunizações (PNI). O Conass aplaudiria

o espírito cívico das empresas que se

dispusessem a colaborar com o SUS ao

comprarem vacinas já reconhecidas e

destiná-las ao PNI em sua totalidade.”

Para Cintra, da FGV, a condução

do Brasil nessa pandemia é quase “anedótica”.

“Vão atrás de um evento ou de

outro que está avesso ao bom senso

colocando a confiabilidade das vacinas

em risco, colocando a credibilidade das

instituições, como a Anvisa, também em

risco. Estamos em uma situação próxima

do caos”, alerta o médico sanitarista para

quem caso as clínicas privadas comecem

a comprar vacina para comercializá-las

para quem pode pagar por elas é decretar

o “salve-se quem puder”. Ele completa:

“Acredito muito na estrutura do SUS

para tocar a campanha de vacinação. A

grande preocupação é se haverá vacina

suficiente para todo mundo e quanto

tempo vai demorar para essa vacina

ser disponibilizada. Outra coisa é se a

coordenação será competente ou se a

gente vai presenciar novamente coisas

estapafúrdias como foram os testes para

Covid-19 armazenados até perderem a

validade.”

21


SAÚDE

VACINAÇÃO

Não considero razoável ou eticamente justificável.

Além disso, é preciso considerar a escassez das

vacinas globalmente. Como assegurar a cobertura

de um serviço que não estará disponível quando o

segurado necessitar?”

HELTON FREITAS, da Unimed

Mas há quem ache que manter-se

contrário à oferta de vacinas contra a Covid-19

pela rede particular é um contrassenso.

“Não sei o porquê ela (a rede de

clínicas privadas) não deveria participar”,

resume o CEO da distribuidora de vacinas

BRL, Bruno Filho.

Freitas faz o contraponto. Para o

executivo da Seguros Unimed, não se

trata de ser contra a oferta de vacinas na

rede particular. Ele explica que, historicamente,

o setor privado exerce um papel

complementar ao setor público, provendo

acesso a produtos e serviços de saúde

e, em muitas situações, com maior nível

de eficiência. “Sou inteiramente favorável

a parcerias na perspectiva público-

-privada, sobretudo quando a via privada

amplia a oferta. Não é esse o caso das

vacinas para a Covid-19. O mercado não

será capaz de ampliar a oferta global do

imunizante no curto prazo. Futuramente,

com a produção estabilizada e as prioridades

cobertas, certamente haverá espaço

para a atuação do mercado, como já

ocorre atualmente, por exemplo, no caso

da vacina para influenza (gripe).”

SETOR DE SEGUROS NA RETAGUARDA

Em novembro de 2020, o começo

da vacinação no Brasil ainda era algo hipotético,

sobretudo porque os testes de imunizantes

ainda estavam sendo realizados

em vários pontos do mundo. Diante do cenário de incertezas, a seguradora

Generali, em parceria com a importadora BSF Saúde e a distribuidora

de medicamentos Precisa, lançou um seguro que garantiria

o direito à vacina contra a Covid-19 logo após a aprovação da Anvisa.

O produto recebeu críticas imediatas, inclusive do diretorexecutivo

do Procon-SP, Fernando Capez, e foi consensualmente

suspenso pelas companhias envolvidas em sua criação. Capez alegara,

na ocasião, que o seguro ofertado prometia algo que ainda não

existia e que, em tese, ignorava a prioridade para pessoas em risco

de vulnerabilidade.

Em nota, o Procon-SP manifestou-se: “A empresa Generali não

levou adiante a ideia do seguro de vacina em razão da discordância

do Procon-SP. Consequentemente não houve multa, pois o seguro

não se concretizou. Pela mesma razão não foi necessária intervenção

da Justiça. Até o momento, desconhecemos iniciativa semelhante

de outras empresas. O Procon-SP é contra e não há autorização

para o setor privado atuar.”

A discussão para criação de um seguro que garanta a vacinação

contra Covid-19 envolve as mesmas questões éticas que cercam

a investida da ABCVAC na vacina indiana e a lista de grandes empresas

que querem comprar 33 milhões de doses contra o coronavírus

para seus funcionários.

“Não considero razoável ou eticamente justificável. Além disso,

é preciso considerar a escassez das vacinas globalmente. Como

assegurar a cobertura de um serviço que não estará disponível

quando o segurado necessitar?”, indaga Freitas, da Seguros Unimed,

descartando a possibilidade de a companhia apresentar algum produto

que garanta a imunização contra a Covid-19: “Neste momento,

não consideramos esta possibilidade. Estamos empenhados no

atendimento aos nossos segurados, na garantia de cobertura dos

seguros de vida e renda temporária para os profissionais de saúde e

no reforço da informação sobre a importância da vacinação, o combate

às fake news e a ênfase nas medidas sanitárias — uso de máscara,

lavagem frequente das mãos e distanciamento social.”

A politização que envolve o processo de vacinação em massa

contra a Covid-19 no país ultrapassa a fronteira do que deveria ser

aceitável e respeitosamente condizente com a realidade dramática

em que todos vivem. Enquanto a discussão se acirra entre políticos,

governantes e gigantes do mercado, constata-se que não há vacina

para todo mundo.

22


E a vacina foi parar na Câmara...

DOIS PROJETOS TRAMITAM EM BRASÍLIA: O PRIMEIRO QUER COMERCIALIZAÇÃO PELA REDE

PRIVADA; O SEGUNDO, UM SEGURO QUE CUBRA EVENTUAIS DANOS PROVOCADOS PELAS VACINAS

A

corrida pela vacinação, seja ela pelo Sistema Único

de Saúde (SUS) ou não, aportou no campo legislativo.

Na Câmara dos Deputados tramitam dois projetos

de lei nesse sentido, ambos apresentados na primeira

semana de fevereiro à Mesa da Casa. O primeiro deles, o PL

141/21, de autoria do deputado Gilson Marques (Novo/SC) e

de outros seis deputados do mesmo partido, prevê a comercialização

de doses de vacinas contra a Covid-19 autorizadas

para uso emergencial que não tenham sido adquiridas pelo

SUS, como informa a Agência Câmara.

Duas condições cercam, contudo, essa permissão de

venda pela rede privada: o compartilhamento de dados de

vacinados com o Sistema de Informação do Programa Nacional

de Imunizações (SI-PNI) ou outra forma de registro que o

Ministério da Saúde empregue e as doses que forem comercializadas

só poderão ser importadas ao Brasil em termos de

parceria e contratos que adicionem ao estoque nacional de

vacinas, sem reduzir a oferta de doses ao setor público.

Os autores do projeto ressaltam, entretanto, haver uma

insegurança jurídica que atrapalha o aumento da imunização

da população. Dizem eles: “Atualmente, normas infralegais

tornam tal atividade juridicamente insegura, o que desincentiva

a vinda de mais imunizantes ao Brasil e reduz nossa capacidade

de resistência à pandemia. Ao permitir a comercialização,

o projeto visa dar segurança a quem deseja somar ao

esforço público de imunização da população brasileira.”

SEGURO NECESSÁRIO, DEFENDE DEPUTADO

Paralelamente a esse PL apresentado pelo Novo, há o projeto

de lei complementar assinado pelo deputado federal Giovani

Cherini (PL/RS) que altera o art. 20 do Decreto-lei nº 73, de 21

de novembro de 1966. A proposta de Cherini institui seguro obrigatório

destinado à cobertura de danos pessoais decorrentes de

efeitos adversos causados pela administração de vacinas contra

Covid-19 distribuídas ou comercializadas no território nacional.

Em sua justificativa para a proposta, Cherini destaca,

entre outros aspectos, que “os resultados sobre a segurança

desses produtos, embora com baixas

frequências de efeitos adversos graves,

se mostram válidos pelo tempo

em que durou essa fase — ou seja,

não há certeza se em um lapso temporal

mais longo não haverá relatos

de doenças graves”.

O parlamentar prossegue, citando

como exemplo o estudo de

uma vacina na fase III, que observou

uma população de pessoas vacinadas

durante um ano e que concluiu

que 95% das pessoas desenvolveram

anticorpos em níveis protetores contra

a Covid-19, e que 0,01% apresentou

efeitos adversos graves. “Assim,

não se sabe se esse efeito protetor

dura mais do que um ano, e se após

um ano não começarão a aparecer

efeitos adversos graves, como, por

exemplo, casos de câncer. A verificação

da segurança do produto em

longo prazo é feita com os estudos

de fase IV, após autorizada sua distribuição

e comercialização, em que

ocorre a farmacovigilância”, conclui

Cherini.

Ainda na justificativa, o deputado

assinala que proposta visa a “resguardar”

a população dos eventuais

desdobramentos jurídicos de tal controvérsia,

“garantindo-lhe uma salvaguarda

legal” que assegure direito de

ressarcimento por eventuais danos

decorrentes da utilização de qualquer

vacina contra Covid-19 em território

nacional.

23


PRODUTO

SEGURO RESIDENCIAL

Um gol possível

SEGURO RESIDENCIAL SE EXPANDE

DURANTE A PANDEMIA, MAS

RESULTADO AINDA ESTÁ AQUÉM

DO POTENCIAL DA CARTEIRA.

REPRESENTANTES DO MERCADO

MOSTRAM RESULTADOS E ALERTAM

QUE O PÚBLICO AINDA PRECISA

INTERNALIZAR A CULTURA DO SEGURO

EM GERAL. EIS O DESAFIO, E A BOLA

ESTÁ COM AS SEGURADORAS PARA

VIRAR ESSE RENHIDO JOGO

André Felipe de Lima

A

pandemia da Covid-19 obrigou

a todos permanecerem mais

tempo em casa. Esse fator foi

decisivo para que o seguro residencial,

embora ainda pouco explorado no mercado

brasileiro, crescesse alguns pontos

percentuais em relação aos resultados

anotados antes de o coronavírus alastrar-se pelo país. De janeiro a

novembro de 2020, esse modelo cresceu 4,6% em volume de prêmios,

comparando-se com o mesmo período do ano anterior. Porém,

como aponta o presidente da Comissão de Riscos Patrimoniais

Massificados da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg),

Jarbas Medeiros, ao isolar-se os semestres, é possível identificar

comportamentos bem distintos. Enquanto no primeiro semestre

24


do ano houve uma retração de 2,8%, em relação ao mesmo período

de 2019, no período de julho a novembro de 2020, o mercado

cresceu 13%. Sendo assim, o produto demonstrou evolução de

4,6% no ano passado. “Isso demonstra que os efeitos das restrições

impostas pela pandemia causaram um impacto maior no primeiro

semestre, mas que a partir de julho, houve uma forte retomada”,

pondera Medeiros.

As seguradoras perceberam essa

trajetória ascendente na carteira, como

narra o diretor executivo de Massificados

e Vida da Allianz, David Beatham:

“Considerando a produção advinda da

Allianz e SulAmérica Auto e Massificados

e o contexto atual, de maior procura

pelo seguro residência, registramos

um PEL 18% maior, até novembro, em

relação a 2019.”

Beatham ressalta, entretanto, que

o crescimento do seguro residencial ocorreu

tanto pela aquisição das operações

de Automóvel e Massificados, realizada

em julho de 2020, quanto por aumentos

consecutivos no número de itens segurados.

“Ainda em março, no início na pandemia,

Allianz registrou um crescimento de

37,3% — neste mês, ainda estava computada

a produção da SulAmérica Auto

e Massificados, enquanto o mercado tinha

um aumento de 3,9% (dados Susep,

de março de 2020). Segundo o último

levantamento publicado pela Susep, de

novembro de 2020, a Allianz quadriplicou

o PEL em Residência, em função da compra

das operações e do aumento do consumo,

incrementando o número de itens

segurados".

São evidentes os sinais de que o

seguro residencial foi um dos mais procurados

no período pandêmico. Quais

seriam, afinal, estes sinais? Medeiros reponde:

“Sim, além do crescimento muito

maior no segundo semestre do ano,

observamos um aumento expressivo no

uso das assistências emergenciais, algo

que fica evidenciado pelo aumento de

129% no ramo de assistências a bens

em geral. Este fenômeno ocorre devido

ao fato de as pessoas estarem em home

office, utilizando muito mais todas as

instalações e equipamentos de sua residência.

Outro sinal é o aumento da

procura pelo termo ‘seguro residencial’

no Google, como fica demonstrado em

pesquisa no Google Trends.”

Corretor e professor da Escola

Nacional de Seguros (ENS), Eduardo

Gama percebeu em sua própria carteira

de clientes, principalmente entre idosos

e solteiros, um aumento da procura

pelo seguro residencial alavancado

25


PRODUTO

SEGURO RESIDENCIAL

Quanto ao seguro de residencial de veraneio, o

crescimento não chama a atenção em relação ao

seguro para a residência de moradia tradicional,

mas entendemos ser uma grande oportunidade, já

que muitas pessoas estão ficando grandes períodos

em suas residências de veraneio e levando bens

de valor, inclusive eletrônicos e roupas para esses

locais, ou até disponibilizando esse tipo de imóvel

em plataformas de locação”

JARBAS MEDEIROS, da FenSeg

principalmente pelos serviços de assistência

residencial. “Destacando como

uma curiosidade, ainda na carteira de

seguros residenciais: as buscas por upgrades

nos planos de assistência residencial

e que, claro, resultaram em um

aumento deste tipo de acionamento”,

diz Gama.

Na BB Seguros o segmento de seguros

residenciais registrou crescimento

acima do mercado (7,3%) entre janeiro e

novembro de 2020, comparado ao mesmo

período do ano anterior. O último

trimestre de 2020 apresentou um ótimo

fechamento, com crescimento de 22,3% em relação ao mesmo período

de 2019. “Esses números demonstram que a percepção sobre

a importância desse tipo de seguro vem aumentando entre as

pessoas”, destaca o gerente executivo de Massificados na Brasilseg,

Emerson Nagata.

O executivo da BB Seguros registra que o aumento das contratações

não foi exclusividade do seguro residencial. Ele foi também

verificado em todos os produtos, de janeiro a novembro do ano

passado. “O seguro prestamista, que garante a quitação de uma dívida

do segurado, teve aumento de 21,4%. Os seguros rurais tiveram

aumento de 23,4% e os seguros de vida registraram crescimento de

5,2%. Outro fato interessante é que com a pandemia cresceu o número

de contratações via canais digitais, como site e aplicativo. Até

setembro de 2020, as contratações de seguros via aplicativo e site

PESQUISA GOOGLE TRENDS

26


representaram 11,5% do total, sendo que 50% dos consumidores

que adquiriram seguros por esses canais não tinham relacionamento

prévio com a seguradora. Para efeito de comparação, o seguro

residencial tinha uma participação de 9% no total de vendas nos

canais digitais, em 2019, e atingiu 14,5% em 2020.”

O que, efetivamente, mudou no seguro residencial com o

advento da pandemia da Covid-19? Há, hoje, por exemplo, mais

procura por seguros residenciais para casas de veraneio do que

antes da escalada do vírus? Em geral — aborda Medeiros — é

possível dizer que a importância do seguro residencial está sendo

cada vez mais percebida pelas famílias, que ao permanecerem

mais tempo em casa passaram a investir em novos bens e equipamentos,

além de pequenas reformas, priorizando sua proteção.

Outro ponto — sinaliza o representante da FenSeg — é o comportamento

do consumidor, que está mais propenso a realizar compras

online, facilitando o processo de venda do seguro para o corretor.

“Quanto ao seguro de residencial de veraneio, o crescimento

não chama a atenção em relação ao seguro para a residência de

moradia tradicional, mas entendemos ser uma grande oportunidade,

já que muitas pessoas estão ficando grandes períodos em

suas residências de veraneio e levando bens de valor, inclusive eletrônicos

e roupas para esses locais, ou até disponibilizando esse

tipo de imóvel em plataformas de locação”, completa Medeiros.

Além de produtos com preço mais baixo, a Allianz também

apresentou novos planos de assistências 24h, sendo o Essencial,

com oito serviços disponíveis, e o plano VIP, com 74 serviços. Assim

— narra Beatham — as inovações foram feitas e lançadas para

atender tendências e hábitos de consumo dos segurados, no curto

e longo prazo.

“Quanto à demanda pelo produto, nós observamos uma

propensão das pessoas por ampliarem a contratação do seguro residência

para casas de campo e de veraneio, registrando um crescimento

de 26% em itens de março a novembro de 2020 em relação

a 2019. A companhia também percebeu, no mesmo período,

um aumento de 82% em itens na procura dos seguros Residência

Especial e Exclusivo — as ofertas mais completas da Allianz. É um

dado importante de se analisar, uma vez que reflete uma crescente

de preocupação dos consumidores em qualificarem a proteção de

seus patrimônios”, avalia Beatham.

É fato: a pandemia forçou a criação de novas coberturas em

vários ramos. Mas o que, diferencialmente, despontou para o seguro

residencial no mercado? Para Medeiros, a pandemia despertou,

essencialmente, a necessidade de o mercado segurador ter

um olhar diferenciado para o seguro residencial, pois com a mudança

de comportamento que o isolamento trouxe, novas oportunidades

surgiram. Alguns riscos seguráveis, diz Medeiros, foram

mitigados, mas também novas situações apareceram e precisaram

ser avaliadas pelo mercado. “No seguro residencial podemos dizer

que aumentou a necessidade de ter cobertura para aqueles que

abriram seu próprio negócio e começaram a trabalhar em casa,

além das famílias que tiveram que fazer adaptações em móveis e

cômodos da residência para trabalhar e estudar em casa, criando

a necessidade de ter cobertura para pequenas reformas. Muitas

Quanto à demanda pelo produto,

nós observamos uma propensão

das pessoas por ampliarem

a contratação do seguro

residência para casas de campo

e de veraneio, registrando

um crescimento de 26% em

itens de março a novembro

de 2020 em relação a 2019. A

companhia também percebeu,

no mesmo período, um aumento

de 82% em itens na procura dos

seguros Residência Especial e

Exclusivo”

DAVID BEATHAM, da Allianz

pessoas passaram a levar os equipamentos

da empresa para trabalhar. As seguradoras,

atentas a essa mudança, disponibilizaram

cobertura de home office

para dar garantia a estes bens”, declara o

presidente da Comissão de Riscos Patrimoniais

Massificados da FenSeg.

27


PRODUTO

SEGURO RESIDENCIAL

Antes mesmo de a pandemia atingir o Brasil,

algumas seguradoras incluíram em seus produtos

não padronizados diferenciais de cobertura,

como, entre outros aspectos, danos a jardins,

roubo de bicicletas, placas solares e escritórios

em residências. “Até mesmo pelo novo desenho

de ‘lar’ que a pandemia impôs, estas, coberturas

foram destaque e diferenciais no momento da

contratação”

EDUARDO GAMA, da ENS

Nagata, da Brasilseg, reforça que

os riscos inerentes a uma residência são

inúmeros eque é necessário garantir a

proteção contra os mais diversos imprevistos,

dentre os quais incêndio, queda

de raio, explosão, roubo e até mesmo

danos provocados por fenômenos climáticos

(vendaval ou chuva de granizo).

O corretor Eduardo Gama ressalta

que, antes mesmo de a pandemia

atingir o Brasil algumas seguradoras

incluíram em seus produtos não padronizados

diferenciais de cobertura, como

danos a jardins, roubo de bicicletas, placas

solares e escritórios em residências.

“Até mesmo pelo novo desenho de ‘lar’

que a pandemia impôs, estas, estas coberturas

foram destaque e diferenciais

no momento da contratação”, frisa.

PARA O PÚBLICO CONHECER

A FenSeg vem acompanhando

no mercado segurador diversas campanhas

de incentivo à manutenção de

itens residenciais e outras ações pontualmente

dirigidas aos corretores, dentre

as quais algumas buscam garantir

renovações dos seguros, flexibilização

das condições de parcelamento e pagamento

do seguro, tudo para que os

segurados possam manter sua residência

garantida, já que, com o isolamento

social, os lares se tornaram o principal,

senão único, local de trabalho, lazer e convivência.

Como destaca Medeiros, ter soluções que facilitem e incentivem

a aquisição do seguro é também um apoio social e financeiro

para os consumidores. Como a residência virou o centro da rotina

de todos, isso passou a despertar uma preocupação maior em

relação à segurança e comodidade dentro desses espaços: “Desde

o início da pandemia, é fácil encontrarmos alguém que está fazendo

reformas, redecorando um ambiente ou procurando um espaço

maior para viver, pois nossa relação com a casa foi alterada. Também

começamos a utilizar toda a estrutura das nossas residências

de forma mais intensa. A propensão aos riscos naturalmente se

potencializou, já que o uso excessivo gera um desgaste maior do

imóvel. Logicamente, isso foi notado pelo mercado e também foi

usado como motivador para aquisição do seguro, com o propósito

de oferecer uma manutenção e amparo a esse espaço que se tornou

o local mais protegido para vivermos.”

Com o isolamento social, não surpreendeu o aumento dos

chamados 24 horas. Medeiros assinala que houve um aumento

expressivo no uso das assistências emergenciais, algo em torno

de 129% no ramo de assistências a bens em geral. “Além disso, é

consenso entre as seguradoras que houve um aumento significativo

no acionamento dos prestadores, o que é um bom sinal, pois

tangibiliza a entrega do produto e as seguradoras atendem cada

vez mais e melhor as necessidades destes clientes”, constata o representante

da FenSeg.

Na BB Seguros, por exemplo, foi registrado aumento de 24%

no acionamento de assistências no segundo semestre de 2020, em

comparação ao mesmo período do ano anterior. “Esse aumento

ratifica o nosso propósito e garante que os nossos clientes estão

sendo cuidados e protegidos, proporcionando tranquilidade e

conforto para que eles vivam bem”, justifica Nagata.

A Allianz observou, nos meses mais críticos da pandemia,

de março a maio, uma considerável queda no acionamento das

28


assistências. Mas a seguradora notou, pelo direcionamento de

atendimento, que os segurados utilizavam os serviços somente

para emergências. A partir de junho, os serviços foram retomados

e, com isso, a empresa percebeu o aumento da utilização das assistências,

retornando ao patamar anterior ao da pandemia. “Os

principais serviços acionados foram: encanador, eletricista para

emergências e locação de caçamba – este, indicando uma tendência

de que as pessoas aproveitaram que estavam em casa para

realizar obras”, enfatiza Beatham.

CULTURA, AINDA UM DESAFIO

CEO da Ciclic, Raphael Swierczynski tem uma trajetória

de 25 anos no setor securitário. Uma estrada que garante a ele

afirmar que o seguro residencial cresceu, mas aquém do que poderia

devido a alguns fatores. O principal deles é distância do

consumidor brasileiro da cultura do seguro, sobretudo o residencial.

“É um produto ainda muito pouco comprado. Se pensarmos

que somente 15% das residências no Brasil têm seguro, com um

produto que é tão barato, com um custo-benefício tão alto. Não

compram porque acham que é caro, e que não vem à cabeça”,

entende Swierczynski.

O executivo lembra que a Ciclic realizou pesquisas, algumas

qualitativas, para perceber o nível de conhecimento em seguros

do cliente. “Em uma sala com 30 pessoas, perguntamos:

‘Quem tem seguro residencial?’. Três tinham. Vinte e sete não tinham.

E por que não tinham?. Responderam: ‘Porque deve ser

muito caro", recorda o CEO da Ciclic, esclarecendo que os pesquisados

comparavam, erroneamente, o seguro residencial com

o de automóvel, tendo como parâmetro o valor do bem. Se um

carro popular custa, supostamente, R$ 30 mil reais, o seguro para

ele estaria na faixa de uns R$ 3 mil. Os entrevistados achavam,

entretanto, que um imóvel, por ser um bem com valor muito

acima do estipulado para um carro popular, teria de ter um seguro

residencial na mesma proporção. “Uma relação totalmente

equivocada. Outros também diziam que nunca tinham pensado

nisso. Quando dissemos que o seguro residencial custava pouco

mais de R$ 20 por mês, aí a resposta foi imediata: ‘Quero contratar’”,

confirma Swierczynski.

Mas será mesmo que o problema da falta de cultura do seguro

no Brasil é restrito ao consumidor? Não seria o setor o ator

responsável pela virada desse jogo da comunicação? Swierczynski

não tem dúvida de que cabe às seguradoras ampliar a cultura do

seguro, especialmente o residencial, um dos mais acessíveis hoje

no mercado, porém depreciados ou por empresas ou por corretores.

“É o principal problema. De longe. O seguro residencial não

tem tanta penetração porque o mercado segurador não se preocupou

muito com isso. É um produto de tíquete baixo. Tem muito

corretor que vive de vender automóvel, e no automóvel ele tem

um tíquete de R$ 2 mil e ganha de 15% a 30% de comissão. Se

ele vender um residencial para esse cara que comprou o automóvel,

ele vai gerar mais R$ 30 de comissão ao ano, por exemplo. O

corretor, prefere trabalhar para tirar um novo auto do que gastar

o tempo dele para fazer um residencial para o cliente dele que

Não existe no mercado um

produto com custo-benefício

tão bom. Um custo baixo com

uma série de serviços de

cobertura. Mas as pessoas não

sabem disso. Tem de haver

algum movimento que mostre

isso às pessoas. É um produto

que salva muita gente no

sentido financeiro”

RAPHAEL SWIERCZYNSKI, da Ciclic

já tem o automóvel. De fato, a falta de

cultura tem origem no próprio mercado

segurador.”

Para o executivo da Ciclic, tem

que haver um movimento do mercado

para conscientização desse produto.

“Não existe no mercado um produto

com custo-benefício tão bom. Um custo

baixo com uma série de serviços de

cobertura. Mas as pessoas não sabem

disso. Tem de haver algum movimento

que mostre isso às pessoas. É um produto

que salva muita gente no sentido

financeiro”, conclui Swierczynski.

29


SEGURO OBRIGATÓRIO

DPVAT

Governo passa administração

para Caixa Seguradora

ENTRE IDAS E VINDAS, PRODUTO TEVE O PRÊMIO REDUZIDO AO LONGO

DOS ÚLTIMOS ANOS, ATÉ CHEGAR A ZERO EM 2021, E FOI TEMA DE

VÁRIAS INVESTIDAS DO GOVERNO. AGORA, O PLANO É DESENVOLVER UMA

ALTERNATIVA VIÁVEL E COM MENOS FRAUDES

Kelly Lubiato

Muita água passou sob a ponte do seguro DPVAT antes

dele mudar de administração. Há alguns anos, ele era

o maior financiador de sindicatos de corretores que,

em contrapartida, deveriam passar informações para a sociedade

sobre como realizar o aviso de sinistro. Seu caráter universal não

pode ser esquecido: ele é um seguro social, que garante indenização

para qualquer pessoa que sofra um acidente envolvendo um

veículo automotor.

Entretanto, esta mesma universalidade também rendeu

muitas fraudes. Não é incomum encontrar no noticiário matérias

sobre gangues especializadas em acionar irregularmente o seguro

DPVAT, mesmo que o valor da indenização esteja congelado

há alguns anos, na casa dos R$ 13 mil para cobertura de morte.

Em maio de 2019, Solange Vieira, superintendente da Susep,

já dava os sinais de que grandes mudanças estavam por vir.

“Já identificamos alguns problemas. Ele tem um índice de denúncias

elevado, funciona sobre uma estrutura de monopólio, o que

nos dá uma sensação de desconforto e estamos pensando em

como podemos regular um novo modelo que atenda melhor a

população”, afirmou na ocasião.

30


A troca da administração do DPVAT foi realizada nos primeiros

dias de 2021, quando o Conselho Nacional de Seguros Privados

e a Susep escolheram a Caixa Econômica Federal para realizar as

indenizações de sinistros avisados a partir de 1º de janeiro. A Seguradora

Líder fica responsável pelos sinistros anteriores a esta data.

O PORQUÊ DA TROCA

Igor Lourenço, diretor técnico da Susep, diz que a troca da

administração aconteceu, com prêmio zero, porque há um excedente

de recursos, pago pelos proprietários de veículos no passado, que

hoje gira em torno de R$4,3 bilhões. “Estes recursos precisam ser devolvidos

aos proprietários de veículos automotores, que no passado

pagaram acima do necessário pelo seguro. Se não fosse realizada a

devolução dos recursos os prêmios do seguro DPVAT variariam entre

R$ 11,27 (DF) a R$ 86,67 (RO) para veículos de passeio e entre R$

87,14 (SP) e R$ 696,41 (RR) para motos, dependendo do estado no

qual o veículo foi licenciado”.

O consórcio que administrava o seguro DPVAT foi finalizado

em 31 de dezembro. Quase 1/3 das seguradoras optaram por deixar

o consórcio nesta data, por isso foi convocada uma assembleia para

definir as regras de saída e a dissolução do consórcio. Por isso, foi necessário

buscar um novo operador para que a população não ficasse

desassistida do seguro.

Lourenço explica que “a Susep e a Caixa firmaram contrato

em 15/01/2021, conforme determinação do Conselho Nacional de

Seguros Privados (CNSP), atendendo, ainda, decisão cautelar do Tribunal

de Contas da União (TCU), que estabeleceu que a Susep deveria

manter a operação do seguro após a extinção do consórcio de

seguradoras que administrava o DPVAT”.

“A Caixa tem reconhecida capacidade técnica e operacional,

além de elevada estrutura tecnológica e capilaridade nacional – características

essenciais para assumir uma operação complexa como

a gestão do DPVAT. A solução construída pela Susep em conjunto

com o Ministério da Economia e CNSP buscou um operador que

tivesse capacidade de assumir a operação em um curto intervalo

de tempo e reunisse todas as características mencionadas anteriormente”,

declara Lourenço.

Todos os sinistros ocorridos até 31 de dezembro de 2021

continuam a cargo da Seguradora Líder, que seguirá com o run-off

desta operação pelos próximos três anos. “Faremos a operação pelo

IGOR LOURENÇO,

da Susep

tempo que for necessário para liquidar

o estoque de sinistros”, afirma Leandro

Martins Alves, presidente do Conselho de

Administração da Seguradora Líder. O estoque

de sinistros judiciais já está na casa

de 290 mil.

Uma parte das reservas existentes

continua no caixa da Seguradora Líder

para fazer frente ao run-off das operações.

A outra parte dos recursos foi para

a Caixa para bancar os novos sinistros. “O

excedente técnico foi transferido para a

Caixa para fazer frente aos pagamentos

futuros”, acrescenta Alves.

“As reservas técnicas são calculadas

atuarialmente, atestadas por empresas

de auditoria externa. Há a provisão

O CAMINHO DO DINHEIRO

50%

45%

5%

são destinados ao pagamento das

indenizações

vão para o Ministério da Saúde (pagamento

do atendimento médico de vítimas)

vão para programas de prevenção de acidentes

LEANDRO MARTINS ALVES,

da Seguradora Líder

31


SEGURO OBRIGATÓRIO

DPVAT

RETRATO DE 2020

310 mil indenizações para vítimas e

beneficiários de acidentes de trânsito em todo o

Brasil, um número 13% menor que 2019

33.530 indenizações aos familiares das

vítimas que vieram a óbito em decorrência de

acidentes de trânsito

210.042 a quem ficou com alguma

sequela permanente devido ao acidente

ISMAR TÔRRES,

da Seguradora Líder

de sinistros administrativos e a provisão

de sinistros judiciais e todas as outras

provisões. Antes de 2020, as provisões

eram feitas nos balanços das seguradoras

consorciadas; a partir de janeiro de 2020

a Susep tirou este item do balanço das

consorciadas e colocou no consórcio. Temos

reservas suficientes para pagar todo

o run-off”, afirma Ismar Tôrres, diretor-presidente

da Seguradora Líder.

O valor exigido pela Susep para

bancar as despesas administrativas e

os novos sinistros vieram das Provisões

de Excedentes Técnicos. “Na resolução

400/20 da Susep, para o primeiro trimestre

de 2021, foram transferidos R$ 59,28

milhões. Em fevereiro a Líder fará a sua

LEO LOPES DE OLIVEIRA NETO,

do Faz Advogados

67.138 para reembolso por despesas

médicas

18 a 34 anos é faixa mais atingida por

acidentes de trânsito (48% das indenizações)

Fonte: Seguradora Líder

estimativa e o CNSP deve definir em março o valor das Provisões de

Despesas Administrativas para o ano inteiro de 2021”, prevê Tôrres.

O Governo estima transferir da Seguradora Líder mais de R$ 4,3 bilhões

de excedentes financeiros.

Há sinalização da Susep de apresentar um novo modelo de

DPVAT ainda no primeiro semestre. Ele tem uma situação transitória

até que se tenha um novo produto, um aprimoramento do que é

hoje. “Será apresentado Projeto de Lei ao Congresso propondo uma

evolução no modelo atual do DPVAT. Esperamos que o Congresso e

a sociedade avaliem a proposta de um novo modelo ainda este ano”,

adianta Lourenço, da Susep.

O novo gestor já iniciou o atendimento em suas agências e

disponibilizou aplicativo que viabiliza atendimento direto para os

pedidos de indenização relacionados ao DPVAT. Até o fechamento

desta edição já haviam sido relatados problemas no funcionamento

do aplicativo.

NOVO MODELO

Ao longo dos anos o seguro DPVAT sofreu várias transformações.

Após ter passado pelo mercado privado, hoje ele é operado

como um seguro social, que atende a todos.

Entretanto, o modelo utilizado atualmente já sofreu muitas

críticas por conta, principalmente, das fraudes envolvidas na sua

operacionalização.

Segundo dados da Seguradora Líder, em 2020 foram negados

mais de 125 mil sinistros por fraudes ou falta de cobertura técnica,

gerando uma economia de indenização de mais de R$ 390 milhões.

Para atingir estes números a Seguradora Líder passou a utilizar,

em 2019, sistemas com machine learning e inteligência artificial

32


EDUCAÇÃO NO TRÂNSITO

A Seguradora Líder foi a grande financiadora do projeto

Educa – Educação de Trânsito nas Escolas, aprovado pelo Ministério

da Educação e pelo Ministério de Infraestrutura, e capitaneado

pelo Observatório Nacional de Segurança Viária. O primeiro lote

de 270 mil livros começa a ser impresso em 2021.

Segundo José Aurélio Ramalho, presidente do ONSV, o seguro

mais importante é a educação, tanto nas escolas quanto na

formação do condutor. “Só assim vamos reduzir acidentes, mortes,

sequelas. Com isso, o seguro poderia ter um valor mais acessível

e atingir um maior número de pessoas”.

O modelo ideal, para ele, seria aquele em que cada cidadão

arcasse com seu seguro de responsabilidade civil, não só para

danos a pessoas quanto para bens. “Hoje as pessoas provocam

danos e apenas concluem com a frase: ‘procure os seus direitos’”.

JOSÉ AURÉLIO RAMALHO,

do ONSV

que aumentam a eficácia de prevenção através de modelos matemáticos

avançados. Os casos considerados merecedores de apuração

mais detalhada são enviados para uma equipe que investiga in

loco a existência de irregularidades, garantindo que as indenizações

sejam pagas aos reais beneficiários do seguro.

Mesmo assim, foram as fraudes e a enorme quantidade de

reclamações que levaram a Susep a buscar novas alternativas, principalmente

por conta do volume dos excedentes financeiros.

De acordo com o advogado Leo Lopes de Oliveira Neto, do

escritório FAZ Advogados, há uma divergência, sob o ponto de vista

legal, das características do DPVAT: “há um entendimento do Superior

Tribunal de Justiça de que o DPVAT é tratado como um tributo,

porque não há relação de consumo. Portanto a decisão de desonerar

o custo em 2021 tem respaldo no sistema tributário nacional”.

Em 2018, o Deputado Lucas Vergílio (SD-GO) apresentou um

projeto de um produto denominado SOAT – Seguro Obrigatório de

Acidentes de Trânsito. Pela proposta, os proprietários de veículos

poderiam escolher a companhia seguradora autorizada de sua preferência

para contratar o Soat. Para a oferta do seguro, as seguradoras

poderiam ser autorizadas a atuar isoladamente ou por meio de

consórcio. Prêmios e valores de indenização passariam a ser estabelecidos

livremente pelo mercado, observadas as diretrizes do Conselho

Nacional de Seguros Privados (CNSP), vinculado ao Ministério

da Fazenda, segundo informações da Agência Câmara de Notícias.

A livre concorrência é sempre mais desejada, pois garante as

melhores condições para o consumidor. Entretanto, há discrepâncias

nas dimensões continentais do país que podem gerar problemas.

Um seguro para carros em São Paulo é diferente de um risco no interior

do Nordeste. É preciso que seja discutido o projeto com preço

justo e com indenizações que atendam a necessidade da sociedade.

Justamente neste ponto, a deputada Rejane Dias (PT-PI)

apresentou no ano passado outro projeto, desta vez para mudar

os valores das indenizações do seguro. Conforme o projeto, as indenizações

por morte ou por invalidez permanente passariam de

R$ 13,5 mil para R$ 25 mil. Já o valor total

do reembolso pago à vítima em caso de

despesas médicas devidamente comprovadas

subiria dos atuais R$ 2,7 mil para

R$ 5 mil.

Ambos os projetos ainda tramitam

na Casa e dependem de passagens por

comissões e pelo plenário.

“A nova proposta deve ser apresentada

pela Susep em breve. Esta discussão

deve acontecer no Congresso

Nacional, mas é claro que o mercado (e

a Seguradora Líder) tem várias propostas

de aprimoramento”, prevê Alves.

Há várias alternativas possíveis,

mas como este é um seguro de cunho

social, será difícil despertar o interesse

da iniciativa privada. “Este seguro já teve

caráter concorrencial, de livre de mercado.

Mas, no passado, isso não deu certo,

o que acarretou em várias mudanças”, lamenta

Tôrres.

É importante que seja mantida a

universalidade do produto, pois ele possui

cerca de 70 milhões de bilhetes de

seguro. “Além da cobertura por morte, a

invalidez permanente precisa ser revista”,

avisa Tôrres.

Este é um tema com grande apelo

social e deve ser revisto em breve.

Se houver disposição dos agentes e do

Governo, com acordo das lideranças, é

possível colocar este projeto em votação

ainda em 2021.

33


TV

O Brasil ainda tem muito espaço para o mercado de seguros

O NOVO CEO DA MAPFRE, FELIPE NASCIMENTO, COMEÇOU SUA CARREIRA NO MERCADO DE SEGUROS EM 1999

E HÁ 14 ANOS ESTÁ NA MAPFRE. ELE FOI O PRIMEIRO ENTREVISTADO DO PROGRAMA DIÁLOGOS CEO

Kelly Lubiato

Dar continuidade às atividades de expansão

da Mapfre no mercado nacional, apoiando o

crescimento da cultura de seguro no país, é o

seu objetivo.. “Temos que impulsionar todo o processo

de transformação da companhia, incorporando

novas tecnologias, capazes de trazer conveniência

para os clientes e parceiros, em especial dos corretores

de seguros”, explicou Nascimento.

Ele ressaltou que cada mercado tem a sua especificidade.

Nos mercados europeu e americano, a cultura

do seguro está muito mais disseminada e madura. A

participação do mercado no PIB americano é de cerca

de 11%. No mercado espanhol e italiano, isso fica em

torno de 8%. No Brasil, não passa de 4%. “Isso dá a dimensão

do espaço que temos para crescer por aqui”.

A Europa também está mais avançada no que

diz respeito aos veículos C.A.S.E. (conectados, autô-

nomos, compartilhados e

elétricos). “A Mapfre trabalha

fortemente nestas linhas de

negócio. Os países da Europa

Ocidental respondem por

33% dos prêmios de seguro

de vida no mundo, enquanto

os países da América Latina e

Caribe são responsáveis por

2,5%”, pontuou Nascimento.

A pandemia mudou muito a percepção do risco.

FELIPE NASCIMENTO,

da Mapfre

As pessoas perceberam a necessidade da proteção, tanto

para a sua vida quanto para o patrimônio. “Continuamos

apostando na relação de confiança, mas precisamos

estar atentos, porque todos temos que nos adaptar

à realidade dos nossos clientes. Este mercado tende a ser

cada vez mais competitivo”, ressaltou Nascimento.

2021 vai ser diferente?

RIVALDO LEITE, VICE-PRESIDENTE COMERCIAL E MARKETING DA PORTO SEGURO, FOI O PRIMEIRO CONVIDADO

DO PROGRAMA SEMPRE SEGURO, QUE VAI TRAZER ESPECIALISTAS DO MERCADO PARA FALAR DE TENDÊNCIAS

Este ano será bem melhor, porque o mercado

como um todo aprendeu muito com este momento

que o mundo vive. Rivaldo Leite acredita

nisso e já vê sinais de recuperação na economia.

O mercado de seguros não pode reclamar de

2020 e as perspectivas para 2021 são as melhores possíveis.

O seguro de automóveis, que sempre foi o carro-chefe

da Porto Seguro, representou um grande impacto

para os corretores de seguros. “O seguro novo

caiu 80% no começo da pandemia. Com o passar do

tempo ele foi voltando, mesmo com a falta de estoque

de veículos no mercado”, lamentou Leite.

RIVALDO LEITE,

da Porto Seguro

Mas, na pandemia, o

público que estava usando

transporte compartilhado

voltou a usar o seu transporte

próprio. “As montadoras

estão pensando em novos

modelos de veículos e outras

formas de comercialização.

O modelo do Carro Fácil

cresceu muito. Todos os carros

que eram entregues, eram vendidos. Novidades

ainda virão em 2021”, adiantou Leite.

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