MARCO_2021_274

araujomota

LUSITANO

de

ZURIQUE

[ MARÇO 2021 | Edição Nº. 274 | ANO XXVII | Director: Armindo Alves | Director-adjunto: Manuel Araújo | Publicação mensal gratuita ]

Lena

d’Água

“Os fãs não se

esqueceram

de mim”

©Joaquim Galante

EDITORIAL

COMUNIDADES

SAÚDE

Cidadania

Não, não “vai ficar tudo bem”!...

Pág.3

Entrevistas. Pág. 12, 14 e 32

COVID-19 - Testes, tipos e

orientações Pág. 16

COVID-19 - Obrigações e

sanções. Pág. 6 + 7


WWW.CLDZ.EU

LUSITANO

de

ZURIQUE

EQUIPA EDITORIAL

Director: Armindo Alves

Jornalista CC15 A

Director-adjunto: Manuel Araújo

Jornalista 3000 A

Boa

Páscoa

Email: lusitano@gmail.com

COLABORADORES

Aragonez Marques, Carlos Matos Gomes, Carmindo

de Carvalho, Cristina F. Alves, Daniel Bohren,

Euclides Cavaco, Ivo Margarido, Jeremy da Costa,

Joana Araújo, Joaquim Galante, Jorge Macieira,

Manuel Araújo, Maria dos Santos, Natascha D´Amore,

Nelson Lima, Pedro Nogueira, Rosa Moreira,

Zuila Messmer

EDIÇÃO, COMPOSIÇÃO E PAGINAÇÃO

Manuel Araújo

Jornalista 3000 A

Tel.: (+351) 912 410 333

Email: manuel.araujo@protonmail.ch

PUBLICIDADE

Tel.: 079 222 09 14

Email: pub.lusitano@gmail.com

IMPRESSÃO

Diário do Minho - Braga

Tiragem: 3000 exemplares

Periodicidade: Mensal

Distribuição gratuita

PROCURA-SE

PARA AS NOVAS INSTALAÇÕES

DO CLZ

FUNCIONÁRIO/A

SERVIÇO DE MESA m/f (part time)

Requisitos

- falar perfeitamente o português e o alemão (obrigatório)

- ter experiência na área da restauração

- pessoa flexível e responsável

- É para trabalhar de Quarta-feira a Domingo.

Para mais informações entrar em contacto

através do telefone número:

076 378 97 39

Enviar o currículo para:

gastro@cldz.eu

NOTA IMPORTANTE:

Os artigos assinados reflectem tão-somente a opinião

dos seus autores e não vinculam necessariamente

a direcção desta revista

Por discordância, esta publicação

não adopta nem respeita as normas

do novo inútil Acordo Ortográfico.

LUSITANO

de

ZURIQUE

[ JANEIRO 2021 | Edição Nº. 272 | ANO XXVII | Director: Armindo Alves |Sub-Director: Manuel Araújo| Publicação mensal gratuita ]

[ DEZEMBRO 2020 | Edição Nº. 271 | ANO XXVI | Direcção: Sandra Ferreira + Armindo Alves | Publicação mensal gratuita ]

Votos de êxitos, saúde e vida feliz aos nossos leitores,

associados, patrocinadores, colaboradores e amigos

Gostava que o Governo

português reconhecesse o

trabalho extraordinário

do CLZ, que tem sido

feito ao longo destas

décadas... Pág. 8, 9

anteriores

Edições

Apoio

EDITORIAL DIREITO CIDADANIA

2020 FICARÁ

MARCADO PARA

SEMPRE!

DESPACHO DE

CONDENAÇÃO

CRITICADO

Pedro Nogueira

PÁGINA 3

PÁGINA 04

PÁGINA 40

ELEIÇÕES EM 24

JANEIRO PARA

PRES. REPÚBLICA

Revista

Lusitano

de Zurique

tem nova

Direcção

2

Lusitano de Zurique - Março 2021 | www.cldz.eu

EDITORIAL

Serenidade, unidade e

esperança. Bom Ano! Pág.3

DESPORTO

Entrevistas. 18 a 20

SAÚDE

Cidadania

O Sismema Ocular - Os nossos Eleições presidenciais. Pág. 28

olhos, a nossa visão. Pág. 16, 17


EDITORIAL

Melhores dias virão...

Mas não, não “vai ficar tudo bem”!

Armindo Alves

DIRECTOR

JORNALISTA CC15 A

O Coronavirus não pára de aterrorizar

o Planeta. Esta Pandemia

tem causado vários danos, muitos

deles irreversíveis, os quais ficarão

para a história.

O impacto económico é apenas o lado

mais visível e comentado, mas a infecção

pode causar complicações graves

aos humanos, sendo a sequela mais comum,

a dificuldade respiratória e cansaço,

mas pode também causar danos nos

pulmões, nos rins, intestino, sistema

cardiovascular e até no cérebro. A nível

neurológico, a Pandemia afecta também

de uma forma grave a saúde mental, que

será, segundo especialistas, “a grande

pandemia do século”. Creio que este

vírus ainda vai continuar durante mais

alguns anos a matar pessoas e a destruir

a economia.

O dia-a-dia torna-se cada vez mais difícil.

Temos vivido confinados, não pode-

mos viajar, estamos impedidos de visitar

os nossos familiares, andamos desconfiados

uns dos outros, a nossa liberdade

começou a ficar limitada; não podemos

socializar-nos e temos saudades de certos

eventos, assim como das festas familiares

e dos convívios com os amigos.

Cada vez que abrimos um jornal, ou ligamos

a rádio ou TV e vemos as noticias

os nossos medos aumentam. Podemos

mesmo dizer, que se continuarmos assim

durante mais tempo, o futuro ficará

ainda mais incerto. De certeza que a

normalização das nossas vidas não vai

ser rápida e em certos aspectos, nunca

vai voltar a ser o que era. Não, “não vai

ficar tudo bem”. Sabemos que a situação

actual é de risco. O vírus existe mesmo,

e vai continuar matar. Eu até atrevo-me

a pensar, que isto é uma “guerra silenciosa”,

de contornos dúbios.

Como tenho dito, só venceremos se

estivermos unidos e a remarmos todos

para o mesmo lado. Temos que lutar em

coletivo para minimizar os danos causados

pelo maldito vírus, assim como

temos também que começar a habituar-

-nos a viver com o inimigo, porque ele

veio para ficar… Esta ideia geral que a

vacina vem salvar o Mundo, (e espero

bem que sim), penso ser irrealista e eu

tenho sérias dúvidas que isso vá acontecer,

pois muitas das pessoas que foram

vacinadas, voltaram a ser infectadas. O

Coronavírus também não vai desaparecer

com a vacina, pois o vírus vai continuar

a andar por aí e haverá sempre

mortos e infectados.

Termos que habituar-nos a viver com

esta nova realidade, mas sem medo,

tal como vivemos desde há muitas décadas

com o vírus da Gripe; sabemos

que há vacinas para a Gripe desde há

muito, e ela ainda não foi erradicada.

Todos os anos temos surtos desse vírus

sazonal, havendo muitas pessoas

que sempre foram vacinadas e que

morrem de Gripe.

Reconheço que poderei estar a ser

injusto, mas sinceramente, por vezes

ocorre-me, que, se com os avanços tecnológicos

enormes e com os conhecimentos

científicos actuais, os homens

da Ciência estarão a fazer tudo que

está ao seu alcance e se será mesmo a

cura que eles procuram. Ou será que

estão a proteger algum negócio?

Portanto, com, ou sem vacinas, é da

nossa responsabilidade precavermo-

-nos. Devemos cuidar-nos, ser responsáveis,

conscientes e evitar a todo

custo não ser infectados, nem infectar

o próximo.

Dentro destas condicionantes temos

que ter esperança e voltar a fazer a

nossa vida de novo, inteligentemente

o mais normal possível, mas sem pânico.

Melhores dias virão certamente e isso

está nas nossas mãos e acreditem, que

só juntos conseguimos controlar este

e todos os outros obstáculos que nos

apareçam pela frente. Vamos a isso!

Boa Páscoa!

DEPARTAMENTO DE FUTEBOL

Tel.: 079 222 09 14

Email: armindo.alves@garage-

-mutschellen.ch

RANCHO FOLCLÓRICO

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PROPRIEDADE

& ADMINISTRAÇÃO

CENTRO LUSITANO

DE ZURIQUE

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3


Bacalhau

à Lusitano

Bacalhau

assado na

brasa

Polvo

à Lagareiro

Páscoa

feliz

E

M

E

N

T

A

DE

P

Á

S

C

O

A

Páscoa

feliz

Cabrito assado

Rissóis e

bolinhos

de bacalhau

caseiros

Pudim

caseiro

Boas

Festas

4

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Aos nossos associados, patrocinadores

,clientes, colaboradores

e amigos, a Direcção do Centro

Lusitano de Zurique deseja-Vos

Boa Páscoa!

PORTUGUESES

RESIDENTES NO ESTRANGEIRO

NÃO IMPORTA

ONDE ESTÁ.

COM A CAIXA

FICA MAIS PERTO.

Escritório de Representação da CGD - Suíça

Rue de Lausanne 67/69, 1202 Genève

Tel: Genève - 022 9080360 I Tel: Zurique - 078 6002699 I Tel: Lausanne – 078 9152465

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A Caixa Geral de Depósitos, S.A. é autorizada pelo Banco de Portugal.

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5


DIREITO

COVID 19

V DANIEL BOHREN

Este artigo dá uma vista

geral sobre as obrigações

da população relativas

ao Covid-19 e as sanções

para as infracções a essas

obrigações. A maior parte

dos leitores já conhecerão

estas obrigações na

sua essência. A sua compilação

pode, no entanto,

descartar inseguranças.

Devido ao federalismo na Suíça é tudo

um pouco mais confuso. Federalismo

significa que as competências entre

Estado Federal e os cantões são repartidos

e Estado Federal não pode

basicamente tomar medidas, onde os

Cantões têm a competência para tal,

por exemplo, no âmbito escolar. Se

houver aliás uma situação epidemiológica

especial, então o Estado Federal

também pode tomar medidas do

âmbito da competência dos Cantões,

não sem ter primeiramente ouvido os

Cantões. Confrontamo-nos desde Junho

2020 uma destas situações especiais.

Com frequência é dada aos Cantões

a possibilidade, de promulgar leis

mais severas ou de prever excepções.

Actualmente são válidas para

toda a Suíça as seguintes medidas

respeitantes à população:

1. Obrigatoriedade de usar máscara

a. nos meios de transporte públicos

inclusive aviões

b. espaços interiores e exteriores

de empresas e estabelecimentos de

acesso público (por exemplo também

em repartições, armazéns comerciais

e mercados)

c. espaços de espera dos transportes

públicos

d. em zonas pedonais no centro

de localidades e em localidades de

desportos de inverno, quando há muita

gente a caminho

e. noutras localidades com acesso

público, como ruas, passeios, parques

de estacionamento, caminhos

pedonais, margens de lagos, etc.)

quando não for possível preservar uma

distância de 1,5 m entre as pessoas.

f. durante o ensino em presença

nas escolas do ensino secundário

de grau II (Sekundarstufe II) (escolas

profissionais, liceus e escolas médias

especializadas). No Cantão de Zurique

o porte de máscara é obrigatório

já a partir da 3.ª classe e em todas as

instalações escolares.

g. no desporto com um grupo,

se não puder ser mantido o distanciamento

de 1,5 m

h. no trabalho em espaços interiores

e em veículos, quando aí se encontrarem

mais de uma pessoa, a não

ser, se tal não for possível, devido ao

trabalho a realizar.

Isentos da obrigação de uso de máscara

estão em especial crianças antes do

12.º ano de vida e pessoas com atestado

médico.

2. Proibição de aglomeração de

mais de 15 pessoas em espaços públicos

São por isso proibidas todas as aglomerações

casuais de mais de 15 pessoas,

por exemplo, num parque, mesmo

quando a aglomeração seja composta

por grupos, dos quais nenhum tenha

mais de 15 pessoas e possa ser mantido

o distanciamento. Grupos de 15 pessoas

só são permitidos no ar livre.

3. Proibição de organização de

encontros

Diz isto respeito a todo o tipo de

encontros organizados, quer seja em

casa, quer seja fora. Enterros são permitidos

no círculo restrito de familiares

e de amigos muito próximos.

Nem convites privados são admitidos,

quando se juntam mais de 15 pessoas

no ar livre ou 5 pessoas em espaços

interiores, sendo contados todos os

membros da família inclusive crianças.

Uma família com 5 pessoas só pode

assim convidar amigos, se parte dos

membros de família não estiver em

casa. A restrição a 15 pessoas também

é válida para o desporto. Desporto

com contacto corporal e competições

são proibidos de todo. Além disso a

prática conjunta de desporto é permitida,

mas só ao ar livre e se se puder

manter o distanciamento mínimo de

1,5 m. Jovens nascido no ano 2001 ou

depois o desporto é basicamente permitido

no ar livre e em espaços interiores,

portanto também em grupos

maiores e com contacto corporal e

também competições. Obrigação de

ficar sentado em hotéis

Em hotéis, produtos para comer e beber,

só podem ser tomados sentados,

não podendo, no entanto, encontrar-

-se mais de 4 pessoas sentados a uma

mesa, a não ser que se tratem de pessoas

da família.

4. Proibição de cantar

Só é permitido cantar em família ou

na aula de Canto na escola obrigatória.

As jovens nascidas no ano 2001 ou

depois também podem encontrar-se

para fazer música e cantar (sem espectadores)

e centros juvenis podem

abrir.

5. Entrada na Suíça:

Quem vem de uma região/país de risco,

tem de registar os seus dados de

contacto ou de modo electrónico ou

nos cartões de contacto da Repartição

Federal para a Saúde (Bundesamt

für Gesundheit – BAG). O cartão de

contacto do BAG deve ser guardado

durante 14 dias. Quem entre na Suíça

com meios de transporte públicos

(autocarro, comboio, avião …), também

tem de registar os seus dados de

contacto, quando vem de um país/região

sem risco, a menos que se trate

de um país da EU ou do EEE (Espaço

Económico Europeu). Quem vem de

uma região/país de risco tem de poder

apresentar um Teste PCR feito dentro

das 72 horas antes da entrada na Suíça.

Quem entra de avião tem sempre

de apresentar um Teste PCR, mesmo

se não vier de uma região ou país de

risco. Não chega um teste rápido antigénico.

Quem é testado positivo, tem

de ir directamente para o seu local de

permanência e aí permanecer em quarentena.

Quem não puder apresentar

6

Lusitano de Zurique - Março 2021 | www.cldz.eu


um teste feito, tem após a viagem sem

demora de pedir para que lhe façam

um teste no seu custo. Crianças com

menos de 12 anos não se encontram

abrangidas pela obrigação de apresentar

um teste feito dentro de 72 horas

antes de entrar na Suíça.

6. Obrigação de isolação (quarentena),

quando o Cantão o exigir

As seguintes pessoas têm de permanecer

em casa e evitar o contacto com

outras pessoas, quando o cantão o

exigir: a) pessoas que tiveram em contacto

estreito com uma pessoa, que

foi testada positivo (quarentena de contacto),

b) pessoas que entraram na Suíça vindos

de uma região/país de risco (quarentena

de viagem) e

c) pessoas que testaram positivo (fala-

-se de isolamento no lugar de quarentena).

Tem de fazer quarentena de contacto

quem, tiver tido contacto estreito

com uma pessoa testada positiva, se o

contacto tiver ocorrido durante o seguinte

espaço de tempo:

a. 48 horas antes do aparecimento

de sintomas até 10 dias após

b. quando não houver sintomas:

48 antes da realização do teste até 10

dias depois.

O contacto é considerado estreito,

quando durou mais de 15 minutos

sem que fossem tomadas medidas de

protecção (distanciamento de pelo

menos 1,5 m, uso de máscara…)

Tem de fazer uma quarentena de viagem,

quem nos 10 dias antes da entrada

na Suíça tiver estado numa região/

país de risco.

Não tem de fazer quarentena de contacto

ou de viagem quem, nos 3 meses

antes do contacto estreito com uma

pessoa testada positiva tiver estado ela

mesma com Covid-19 e, entretanto, já

esteja curada. Pessoas que exercem

uma actividade de grande significado

para a sociedade, quando se verifica

uma falta aguda de pessoal (por exemplo,

pessoal enfermeiro em hospitais),

não estão sujeitas a quarentena de

contacto. Já quanto à quarentena de

viagem há determinadas excepções

para pessoas, que viagem por motivos

profissionais ou médicos e para passageiros

em trânsito.

Os Cantões podem prever excepções

ou medidas menos drásticas para a

quarentena de contacto.

A quarentena dura 10 dias. O Cantão

pode, no entanto, permitir um fim

antecipado da quarentena de contacto

ou de viagem, quando após 7 dias

o teste for negativo. Quem tiver passado

antes da entrada na Suíça alguns

dias num país/região sem risco, pode

pedir que esses dias contém no seu

tempo de quarentena. O isolamento

de pessoas testadas positivas dura

pelo menos 10 dias e só é levantado,

quando a pessoa estiver pelo menos

48 horas sem sintomas ou com apenas

sintomas já muito débeis.

Quem está em quarentena ou isolamento e

viva com outras pessoas, tem de se isolar

num quarto com a porta fechada

e evitar qualquer contacto, ou seja,

também comer no quarto. O quarto

só pode ser deixado com máscara e

o distanciamento tem de ser sempre

de 1,5 m. Objectos caseiros, como

toalhas e lençóis de banho, etc… não

devem ser compartilhados. Se for possível

usar uma casa de banho só para

si. Dejectos com excreções corporais

(por exemplo, lenços de papel) devem

ser removidos num saco de utilização

pessoal, que deverá ser fechado. Não

deverá haver contacto com animais

caseiros. O contacto com crianças em

casa deverá ser evitado tanto quanto

possível. Nestas condições os outros

membros de família não precisam ser

DIREITO

em quarentena porque contacto com

uma pessoa em quarentena de contacto

ou viagem não exige uma quarentena.

Mas se um familiar foi testado

positivo os outros membros devem

ir a quarentena de contacto. Se todos

membros de família são em quarenta

ou isolamento então não é preciso de

se isolar num quarto.

Para além das obrigações também

há recomendações, que são

feitas à população, a saber:

1. Observar as medidas de higiene,

por exemplo, desinfecção regular

das mãos, manter o distanciamento de

1,5 m, evitar contactos e ficar em casa.

2. A restrição de eventos particulares

(convites) a pessoas de no máximo

2 aglomerados habitacionais.

Quando não respeitar as obrigações

tem de se contar com as seguintes sanções:

1. Multa até CHF. 200

Pela organização e participação em

eventos não permitidos, por exemplo,

convites em casa ou encontros em

ruas ou praças de acesso público de

mais de 5 pessoas. De igual modo, pela

infracção da obrigatoriedade de usar

máscara em espaços públicos interiores

e exteriores, assim como espaços

de espera de transportes públicos e

manifestações políticas autorizadas.

De igual modo quem infringir a «obrigação

de consumir sentada» em hotéis.

2. Multas até CHF. 10.000

Quem não entra em quarentena e infringe

as obrigações ao entrar na Suíça

vinda de uma região/país de risco

(por exemplo, indicação dos dados de

contacto) poder ser punido com uma

multa até CHF. 5.000 em caso de negligência

e até CHF. 10.000 se for deliberado.

Tem perguntas que

digam respeito ao

direito?

Envie a sua pergunta com

a indicação “Lusitano” a:

Bohren

Rechtsanwalt,

Postfach 229, 8024 Zürich

- ou para:

mail@dbohren.ch

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SAÚDE

Coronavírus

Testes, tipos, diferenças e orientações

V ZUILA MESSMER

Certamente há curiosidades em se

saber quais são os exames disponíveis

para detectar o vírus Sars – Covid

19, o qual vêm ameaçando a saúde,

a vida da população do mundo.

Os testes são elementos essenciais

nas epidemias, pois permitem se ter

uma dimensão real da propagação

do vírus, acompanhar as cadeias de

transmissão da doença, identificar

áreas geográficas, faixas etárias, pessoas

assintomáticos (que foram em

algum momento contaminadas, mas

sem sintomas), além de outras

particularidades significantes

para o controle, tratamento,

pesquisas e meios de erradicação

da doença.

Existem alguns tipos de testes,

cada um com suas características

e técnicas diferenciadas,

os quais variam desde

o tipo de material a ser colhido

para o exame, forma e data

para o recolhimento dessa

amostra, bem como, preparo desse

material, quantidade de dias para à

análise, liberação do resultado e assim

por diante.

- O teste RT-PRC ou teste molecular

e suas características .

PCR na Suíça.

Pesquisa a presença do vírus, do Ácido

ribonucléico (RNA) viral, que é

o material genético do vírus SARS-

-COV-2, o qual desaparece quando o

paciente se recupera.

O exame deve ser feito preferencialmente

na fase aguda da infecção, no

3 -4 dia do aparecimento dos sintomas,

pois nesse período da doença,

o RNA aumenta gradualmente até

atingir o pico.

Esse teste é considerado o exame

padrão-ouro no diagnóstico

da COVID-19. Sua confirmação

é obtida quando é detectado o

tal RNA do COVID na amostra

analisada, proveniente do raspado

da nasofaringe.

O resultado do teste, em geral apresentado

pelo laboratório entre 24 a

48 hs, determinará se a pessoa deverá

ser tratada ou isolada, e assim

evitar a transmissão do vírus.

- O teste sorológico. É outro disponível

no mercado.

Em geral esse teste é mais útil e recomendado

à partir do 7 - 10 dias

após a infecção, quando há tempo

para o organismo reagir, visto que,

seu princípio é exactamente, identificar

a resposta do sistema imunitário,

detectar a presença dos anticorpos

contra o vírus, o exame pode até

inclusive precisar quando ocorreu a

infecção pelo vírus.

A Imunoglobulina M (IgM) são os

primeiros anticorpos produzidos

pelo sistema imunitário, os quais

surgem entre o quinto e o sétimo dia

da infecção, apresentando um pico

por volta do vigésimo primeiro dia.

A Imunoglobulina G (IgG), surge

por volta de 10-14 dias após a infecção.

Esse anticorpo que aparece

mais tarde, é mais abundante no corpo

e fornece mais protecção.

A metodologia para esse exame varia,

normalmente são utilizadas

amostras de sangue ou plasma, o que

o torna mais complexo. Há a necessidade

de um preparo e tempo adequado,

a fim de se observar a reacção

das substâncias. A capacidade e

a demanda de exames no laboratório

também são pontos relevantes para a

agilização dos resultado.

E a questão - Uma pessoa com anticorpos

pode transmitir e está protegido

contra o vírus?

Nesse teste, a dinâmica

de geração de anticorpos

contra o Covid -19

ainda é controversa,

porquê o vírus ainda

não está totalmente

conhecido pela ciência,

depende de mais estudos

para comprovar sua

ação, segurança e imunidade

diante do novo

vírus.

Diante disso, o Bundesamt für

Gesundheit BGA (Ministério da

Saúde) na Suíça determinou: „

Empfehlen wir diesen Test zurzeit nicht.“

Ou seja, no momento não recomendamos

esse tipo de teste.

O BGA ainda informa e complementa,

que os testes sorológicos

podem ser usados em casos especais

para ajudar no diagnóstico

e esclarecimentos da doença,

mas sempre em combinação

com o teste PCR.

- O teste rápido. Estão disponíveis

nas farmácias, possuem sensibilidade

e especificidade reduzidas

em comparação as outras metodologias.

A margem de erro é de 75%

8

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SAÚDE

para resultados negativos, o

que gera insegurança para se

interpretar se o paciente em

questão está infectado, precisa

ou não manter o isolamento

social.

Esse teste é similar aos testes

de farmácia para gravidez.

No caso do COVID-19,

faz-se uso de uma lâmina de

nitrocelulose (uma espécie

de papel), que reage com a

amostra e apresenta uma indicação

visual em caso positivo.

Nota do Ministério da Suíça

BGA relacionada ao teste rápido:

„Das Resultat von einem Schnelltest

wird immer mit einem

PCR-Test bestätigt“ Quer dizer:

O resultado de um teste

rápido deve ser sempre confirmado

pelo exame PCR.

Mais uma vez, o Ministério

reforça a necessidade do teste

padrão no diagnóstico.

A pessoa deve fazer o teste

logo que diagnosticado

como possível candidato à

infecção pelo Coronavírus.

Se o teste dá positivo, não

quer dizer que está doente

ou que vai adoecer, mas

significa que a pessoa têm

o vírus, pode adoecer e

transmitir para outras

pessoas, e a recomendação

é o isolamento de 10 dias.

Caso apresente sintomas o

isolamento deve ser de 14

dias à partir do inicio dos

sintomas, e deve ser tratado.

Caso os sintomas persistam,

esse período de isolamento

deve ser revisto.

Para informação, se-

gue os sintomas mais

comuns do Covid:

Febre, tosse seca e cansaço.

Mais específicos:

Dores nas articulações, dores

de garganta, dores de cabeça

Diarreia, Conjuntivite,

Perda do olfacto e paladar

Mudança de cor, da tonalidade

dos dedos, erupção cutânea

Sintomas graves:

Dificuldade respiratória, respiração

ofegante, dificuldade

de falar Dores ou sentimento

de opressão no peito

Perda da capacidade de movimentação,

adinamia (moleza,

fraqueza geral).

Lembrem-se: O teste é

essencial para garantir resultados

que podem salvar

vidas e evitar contágios. Protejam-se!

Sigam as medidas

de prevenção. Saúde para

todos!

NOVAS MEDIDAS

Entraram hoje em vigor novas alterações,

que definem a Medida de Apoio ao

Regresso de Emigrantes a Portugal, no

âmbito do Programa Regressar. Esta

“Medida” é uma das várias medidas

previstas no Programa Regressar, aquela

que será porventura a mais conhecida e

a que regista maior interesse e adesão:

a atribuição de apoios financeiros

aos emigrantes ou seus familiares que

regressem a Portugal e iniciem atividade

laboral em Portugal continental, bem

como a comparticipação das despesas

inerentes ao seu regresso.

O diploma (Portaria n.º 23/2021,

publicado a 28 de janeiro, na 1ª série do

Diário da República) procede às seguintes

alterações:

a) Prolongamento prazo de candidatura

ate 2023: podem candidatar-se ao

Programa Regressar os emigrantes (e seus

familiares) que iniciem atividade laboral

em Portugal continental entre 1 janeiro

2019 e 3l dezembro 2023;

b) Alargamento da cobertura do Programa

Regressar: passam a estar abrangidos os

emigrantes (e respetivos familiares), que

regressem ao País e iniciem atividade

laboral em Portugal continental mediante

a criação de uma empresa ou do próprio

negócio.

Para mais informações, sugere-se a

consulta do Portal das Comunidades

Portuguesas, nomeadamente o seguinte

atalho:

https://portaldascomunidades.mne.gov.

pt/pt/apoios-as-comunidades/regressar/

programa-regressar

O Consulado Geral de Portugal em

Zurique

29 Dde Janeiro 2021.

Lusitano de Zurique - Março 2021 | www.cldz.eu

9


COMUNIDADES

Ou o associativismo

se reinventa, ou então

corre o risco de acabar

Paulo Costa

Paulo Costa é um dos sócios do

Centro Lusitano de Zurique que

abraçou um grande projecto para

com a nossa comunidade Portuguesa.

Chegou à Suíça em 2012, com a

missão de estruturar a catequese

e a formação na Missão Católica

Portuguesa no cantão de Zurique.

A adaptação ao país, alimentação,

horários, escola e horas de

trabalho, fizeram das suas habituais

rotinas um grande desafio.

Vamos nesta cavaqueira descobrir

como o Paulo Costa se

adaptou e integrou nesta cultura

diferente da nossa. Amante

da leitura; mestre pela Universidade

Católica de Braga em Teologia

- variante “animação sócio-

-religiosa”; também Diácono,

este homem tem uma filosofia

de vida, digna de horas e horas

de interlocução gratificante. Foi

na igreja de Schlieren que nos encontramos

para hoje vos poder

mostrar que nada na vida é impossível

de alcançar. Paulo viveu

na primeira pessoa que a Suíça

sabe dar oportunidades para subirmos

na integração, e o quanto

importante é retribuir para alcançar

objetivos. O seu escritor

por excelência é Paulo Coelho,

não tanto pela qualidade da escrita,

mas pelo facto do seu livro

“O Alquimista” ter mudado radicalmente

o rumo da sua vida. O

seu poeta preferido é Fernando

Pessoa e uma das vozes da música

portuguesa que ouve sempre

que possível é António Zambujo.

Não perca esta leitura que pode,

certamente, estimular a sua auto-estima

e quiçá, fortalecer a

sua alma, neste período de vida

tão difícil para todos.

10

Lusitano de Zurique - Março 2021 | www.cldz.eu


COMUNIDADES

A V MARIA DOS SANTOS

M.S. Como surgiu a oportunidade

de vir abraçar este projecto na

Missão Católica portuguesa de

Zurique?

P.C. Esta possibilidade surgiu pelas

mãos do moderador da MCLP (Missão

Católica Portuguesa de Zurique)

daquela época. Na verdade, eu também

procurava uma nova aventura/

experiência. E neste caso juntou-se o

último ao agradável, uma vez que acabei

por trabalhar na minha área e com

uma equipa fantástica.

M.S. Por detrás desta proposta,

estava também a integração num

contexto, totalmente diferente.

Como foi adaptar-se à escolha

desta nova vida em terras Suíças?

P.C. Por incrível que possa parecer

a adaptação foi mesmo muito fácil.

O que mais “custou” foi habituar-me

aos horários de cá principalmente. A

língua foi a principal barreira, que dia

após dia vamos tentando superar, uma

vez que também é a principal porta de

abertura à integração. Sem dúvida que

o facto de trabalhar com e para portugueses

facilitou muito a minha integração

e adaptação. E na verdade somos

mesmo um povo muito acolhedor. Eu

senti isso quando cá cheguei.

M.S. Desde quando é sócio do

C.L.Z. e porque é que aderiu a

esta associação?

P.C. Eu conheço o CLZ desde a minha

chegada à Suíça, uma vez que a MCLP

e o CLZ partilhavam o mesmo edifício.

No entanto, e embora até tivesse

já chegado a colaborar com a revista,

por vários motivos nunca se proporcionou

tornar-me sócio. Até que em

2019 decidi mesmo associar-me. É verdade,

sou um sócio recente…

M.S. O C.L.Z. é uma Associação

que procura estar presente

na vida da nossa Comunidade.

Tem inúmeras secções culturais e

de apoio aos portugueses aqui residentes.

Considera que o C.L.Z é

uma referência? Como vê este associativismo

ao nosso serviço?

P.C. O CLZ é único porque alguém o

tornou único. Os que por lá passaram

foram capazes de deixar a sua marca na

comunidade portuguesa. Apenas conheci

um único presidente, o Armindo.

Ele é a pessoa certa no lugar certo.

Não há pessoas insubstituíveis, há sim

pessoas difíceis de substituir. Tornar

o CLZ numa referência no cantão de

Zurique e em toda a Suíça foi e é uma

tarefa “hercúlea”. Além disso, é também

a única associação que tem várias

e diversificadas valências. Sei que é

muito difícil conseguir ter uma associação

que consiga responder a todas

as necessidades que vão surgindo, mas,

considero que há ainda algumas valências

no CLZ que deveriam ser melhoradas.

O CLZ tem condições únicas

para ser uma verdadeira referência cultural.

Claro que sendo uma associação

que depende única e exclusivamente

dos sócios o dinheiro não chega para

tudo.

M.S. Considera que esta nova

geração, vai conseguir “salvar”

o movimento associativo e estimular

o que a linhagem dos anos

80 consegui fazer?

P.C. Espero estar enganado, mas ou o

associativismo se reinventa, ou então

corre o risco de acabar. Pensemos um

pouco na quantidade de associações

que existem no cantão de Zurique. O

que fazem pela nossa cultura? Que cultura

transmitem aos nossos filhos? As

primeiras associações começaram por

ser pontos de encontro e de intercâmbio

cultural. Mas com o tempo isso

foi-se esfumando. Hoje as associações

tornaram-se meros pontos de restauração,

na maioria dos casos. Os jovens

não procuram isso. Basta observar que

faixas etárias frequentam actualmente

estas associações. No meu ponto de

vista, a tarefa torna-se mais difícil se

esta nova geração não se sentir 100%

portuguesa. Eles têm de sentir a nossa

língua como a sua língua e a nossa cultura

como a sua cultura.

M.S. Actualmente, vive e trabalha

parcialmente na paróquia de

St. Josef em Schlieren e ocupa-se,

ainda da Missão Católica e de toda

a sua logística. A catequese com

os adolescentes têm-lhe trazido

muitas alegrias e vi que se sente

recompensado por alguns destes

jovens. A actual situação está

a ser difícil de ultrapassar sem o

contacto físico e visual?

P.C. Sem dúvida. E não só em relação

aos jovens. Desde Março de 2020 que

já não me cruzo com pessoas que até

então via com regularidade. No que

diz respeito aos jovens, eles também

não são excepção. Estas medidas têm

sido muito castradoras para quem precisa

de estar e de saber estar. As plataformas

digitais podem ser, e são, uma

grande ajuda. Mas não são a mesma

coisa. Os nossos laços afectivos estão

a ser postos à prova, e só restarão os

mais fortes. Resta-nos, neste momento,

minimizar os danos e preparar estratégias

de reactivação.

M.S. Muitas das pessoas que vão

à missa a cada domingo perguntam-se

para onde vai o dinheiro

que se recolhe durante a Eucaristia.

Muitos desconhecem o seu

destino. Estes fundos são utilizados

como?

P.C. Esse dinheiro é usado, na sua

maioria, para ajuda a pessoas mais necessitadas.

Sendo dinheiro do povo,

ele deve estar ao serviço do povo. Cada

situação é analisada em pormenor a

fim de evitar abusos, pois infelizmente

há ainda quem abuse da generosidade.

Há ainda alguns peditórios cujos destinatários

estão já definidos pela diocese

de Chur, como por exemplo para

a Caritas.

M.S. Todos sabemos que os grandes

encontros de jovens nos mais

variados países do mundo têm

mostrado que a espiritualidade

e a crença está muito patente

numa classe etária juvenil. Porque

não, através do C.L.Z, organizar

um encontro para jovens em

Zurique e falar do catolicismo, da

espiritualidade, de Deus e Jesus?

P.C. Seria uma possibilidade, sem dúvida.

Ou então, porque não envolver

o CLZ na preparação das próximas

Jornadas Mundiais da Juventude de

2023 que serão em Lisboa? Enquanto

MCLP estaremos presentes. E quantos

mais se associarem a nós, melhor.

Fica aqui o desafio.

M.S. A sua tese foi realizada em

Zurique, dedicando-se ao estudo

da relação dos jovens portugueses

com a religião. Que conclusão tirou

dos nossos jovens?

P.C Os nossos jovens são únicos e de

um potencial enorme. Na sua relação

com a Igreja, estes jovens inserem-se

naquele grupo que não estando contra

Deus nem contra a Igreja, estão

Lusitano de Zurique - Março 2021 | www.cldz.eu

11


COMUNIDADES

a aprender a viver sem Deus e sem a

Igreja. Este estudo deixou, além disso,

bem evidente que a geração actual

acredita menos que a geração dos seus

pais, mas não estamos, até ao momento,

perante uma irreligiosidade

transversal que afecta a geração actual.

Embora o cenário não seja animador,

a verdade é que ainda é possível fazer

muita coisa. Claro que para isso teremos

de sair da nossa zona de conforto.

O potencial que existe é imenso. Ficarmos

à espera que os jovens apareçam

não é solução. Criticá-los, a maior asneira,

principalmente quando se trata

da geração mais bem preparada que

existiu. O que estes jovens nos pedem

é apenas que reconheçamos o seu valor

e que os aceitemos tal como eles são.

E, infelizmente, tenho de reconhecer

que a Igreja não trata os jovens como

eles merecem. E quando nós não nos

identificamos com uma instituição, o

resultado será o afastamento.

M.S. Ser Diácono, representar a

Missão Católica, ser responsável

da Palavra de Jesus nos nossos jovens

tem sido fácil ou difícil? Que

que balanço faz deste seu percurso?

P.C. “Crê no que lês, ensina o que crês,

vive o que ensinas”. Esta frase mostra

que o que importa é o que se faz e

como se vive realmente, aqui e agora.

Não são as palavras bonitas que possam

sair da nossa boca. Não podemos

ser cristãos com dupla personalidade

que agem contrariamente aos princípios

do Evangelho. Falo aqui de coerência.

É difícil sermos coerentes em

tudo, então eu que o diga. Os jovens

não se importam nem se incomodam

com os nossos erros enquanto Igreja.

O que eles procuram é alguém que os

escute, compreenda e os aceite e não

alguém que os julgue.

Nós temos muito a tendência de rotular

os jovens como incapazes, egoístas,

sem valores, etc. Só quando comecei a

colocar de lado estas ideias pré-concebidas

é que comecei a ter mais sucesso

com os jovens. Foi aí que eles me

aceitaram. E depois desse passo, tudo

o resto se torna mais simples. Não podemos

ficar de braços cruzados, pois

os jovens são o futuro e a sobrevivência

da Igreja. É preciso agir! O Cardeal

Martini dizia que «quem tem coragem

comete erros, mas só os audazes conseguem

mudar o mundo». Tem sido um

trabalho árduo em que o frutos não

abundam, mas não se pode desistir.

M.S. Entramos no ano 2021 com

muita esperança, mas o certo é

que as dificuldades vão submergir

agora. Que estratégia tem na

manga, para recuperar tudo o que

foi perdido?

P.C. Jamais voltaremos ao éramos antes

da pandemia. Quando esta situação

passar iremos olhar para a Igreja e verificaremos

que se deu uma redução

significativa. Quando uns verão um

cataclismo, outros verão uma purificação.

É a famosa metáfora do copo

meio cheio ou meio vazio. Temos de

nos preparar para arregaçar as mangas

e colocarmo-nos ao caminho. A estratégia

passará por uma relação de maior

proximidade com as pessoas. A Igreja

deve ter as portas sempre abertas, não

para as pessoas poderem entrar, mas

para que os seus responsáveis possam

sair e ir ao encontro dos seus fiéis. É o

que o Papa Francisco nos pede quando

diz que devemos cheirar a ovelhas.

A sobrevivência e o sucesso da Igreja

dependem de nós, da nossa capacidade

de sermos um exemplo de amor e

respeito ao próximo onde quer que estejamos.

M.S. Quiçá só para o final do ano

consigamos traçar uma vida mais

ou menos normal. Sabemos que

os presépios são uma tradição enraizada.

Fará parte dos seus planos

convidar os jovens para nos

encontrarmos lado a lado, com

a cumplicidade dos rostos e olhares

e construir um presépio fazendo

dele o poema de 2021?

P.C. O presépio é um verdadeiro sinal

de humildade. De tantos locais para

nascer, Jesus tinha logo de vir ao mundo

numa gruta. Esta pandemia revelou

ao mundo uma igualdade ímpar entre

ricos e pobres. O vírus não escolhe

nem faz selecção de pessoas. Por isso,

deixo já aqui um apelo a jovens e adultos:

quando estiverem a construir o seu

presépio que sejam capazes de reflectir

nesta necessidade de sermos mais humildes.

Fé, esperança e caridade deverão

mesmo fazer parte do poema de

2021. E que bem vamos precisar destas

virtudes nestes próximos tempos.

M.S. Que palavras de esperança

deixa ao C.L.Z., a todos os associados,

amigos e comunidade portuguesa?

P.C. Que nunca desistam dos seus sonhos.

Lutem! Acreditem! A chave do

sucesso está dentro de cada um de nós.

Mas acima de tudo sejam sempre um

sinal de amor e fraternidade para com o

próximo. O que nos distingue enquanto

cristãos é a diferença com que nos

relacionamos com o outro. Por vezes

até poderemos achar que esse esforço

de pouco ou nada vale. Mas como diria

o grande poeta Fernando Pessoa: “tudo

vale a pena se a alma não é pequena”.

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CRÓNICA DO NOSSO CANTINHO PARA O VOSSO CANTÃO

A CAIXA

ARAGONEZ MARQUES

Apesar de tantas coisas

que tinha para vos contar,

não posso este mês

deixar de referir um

homem que me marcou

durante a minha

estadia na Suiça.

Se Tom Jobim, o homem da “Garota

de Ipanema” se identificava como

“o branco mais preto do Brasil”, não

duvidarei em dizer que ele será talvez

“O Português mais Suíço de Zurique”.

Soube que tinha uma caixa de engraxador

de sapatos na sua sala e

respondeu-me que queria que os filhos

nunca se esquecessem das suas

origens, pois o pai, de menino, sem

as regalias dadas hoje aos seus descendentes,

engraxou muitos sapatos,

transportando a sua caixa de casa

para a rua e da rua para casa, entregando

à mãe as moedas que recebia.

Logo nessa altura, me nasceu a vontade

de escrever um livro, cujo título

seria “A CAIXA”, mas não me atrevi

logo a dizê-lo. Fomos mantendo contacto

entre mail e telefonemas e fui

cada vez mais reforçando a ideia

de que o tema seria um excelente

livro, um livro de superação

e de esperança.

Atrevi-me a propô-lo

no mês passado,

por mail ao que me

respondeu:

“ A sério que queres mesmo

escrever sobre mim?

Achas isso interessante

Rui?

Fui menino de Barraca,

engraxador na esquina da

taberna do Tó Manel,

quando deixei a caixa

da graxa comecei a

ajudar os feirantes aos domingos na

Feira da Brandoa, mais tarde fui trabalhar

para uma loja de artigos de cozinha

e candeeiros em Benfica, isto

tudo dos 8 aos 14 anos.”

Esta curta resposta, em vez de me

baixar o nível de interesse, aumentou-o

e foi crescendo em mim. Pedi-lhe

que pensasse no assunto e me

telefonasse no sábado, mas não o fez,

mandou mail dizendo:

“Bom dia amigo

Peço desculpa de te não ter ligado, mas

ainda hoje o vou fazer. Recebi há duas

semanas uma informação do Banco que

está em marcha o fecho de todas as Representações

na Europa. Como deves calcular

isto está a mexer com a equipa, vamos

ter que adiar o tema do livro para mais

tarde.”

Fiquei atónito, sabia que o Santander,

em 2020, tinha 20 agências

agendadas para fechar por aqui, mas

acabou por encerrar mesmo, não 20

mas 60 nesse ano.

O Capitalismo é feroz e as pessoas

só contam enquanto lhes servem

e os seus lucros em 2020 foram de 3.658

milhões de euros, 40,8% menos devido à

pandemia. Depois em 3/2/2021, somou

mais R$ 13,469 bilhões o que reduziu a

queda apenas em 5% comparado com o

mesmo período de 2019 (R$14,181 bilhões).

Cai apesar disso em 29 de

Julho 37%...

Apenas interessa aos Bancos, os números,

não as pessoas e se algum investimento

social fazem é através da

Lei do Mecenato, onde se abrigam

para que lhes sejam feitas deduções

nos impostos.

Telefonou-me como prometeu, estava

muito preocupado, mas o curioso

é que não era com ele, ou assim

o aparentava, mas com a sua equipa,

com filhos a estudar, vidas feitas aí e

em iminente perigo de serem repatriados.

Ele mantinha-se fiel a si próprio,

que perante as dificuldades que

teve quando chegou à Suiça, prontamente

criou formas de ajudar outros

emigrantes que chegavam com

os mesmos problemas que ele tinha

tido.

Sobre o livro “A CAIXA”, será feito,

se calhar com dois novos capítulos, o

problema actual, quando parecia que

estava tudo bem, e o último, como

Pedro Nogueira, superou mais este

obstáculo. O livro já começou a ser

feito, pois a parte de o escrever é o

mais fácil. Agora quero saber a sua

vida até aos 4 anos, onde nasceu,

como e onde viveu até aos 4 anos.

Aguardo dados que ficou de mandar,

fotografias que me levem a interiorizar

a família,o Bairro. Estou a recolher

dados sobre a Brandoa.

Vai acontecer.

“A CAIXA” será um dos meus próximos

livros.

Ao Pedro e a toda a comunidade de

emigrantes, metam uma folha de

louro no bolso, dizem que dá

sorte e eu, pelo sim pelo não

ando sempre com uma.

Como os Galegos dizem “Eu

non creo nas meigas mais que

habelas, hainas” que traduzido

para Castelhano seria:

“Yo no creo en las brujas pero

haberlas, las hay”.

Boa Sorte!!

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LIVROS

Vale muito a pena ler

MANUEL ARAÚJO

“Águas de Caldelas”, é uma nobre e

magnífica obra da autoria de Vincent

Martins e editado pela Câmara Municipal

de Amares em parceria com a Junta de

Freguesia de Caldelas.

É prefaciado pela escritora Alice Vieira,

nossa colaboradora, a qual ao ter o livro

em mãos, referiu ter ficado “deslumbrada”,

pois diz-nos que “o livro é muito bonito, conta

imensa coisa que eu ainda me lembro, fotografias

de hotéis, de pensões que recordo. É uma

grande história e vale muito a pena ler, para

ver como as aldeias, ou vilas, podiam à volta

das águas e termas, criar uma vida própria!”

Como caldelense, este livro enche-me de

orgulho, assim como certamente a todos

os Marrecos. (*) O meu agradecimento a

quem o tornou realidade.

(*) — Marecos ou Marrecos, é um apelido antigo e nobre

português, originário da Quinta de Marecos, local actual

da Vila de Amares.

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RECANTO HELVÉTICO

Fortaleza de Aarburg

A V MARIA DOS SANTOS

Desde que cheguei à Suíça

vivi sempre na mesma

província.

Facilitou-me conhecer melhor e mais

rapidamente a terra que me acolheu.

Nunca descuidando, descobrir outras

localidades.

Trabalhei alguns anos em Rothrist.

Nos meus tempos livres, de patins

nos pés, percorria os passeios pelas

vilas e aldeias vizinhas.

Foi assim numa tarde de Verão que

descobri Aarburg.

O seu belo rio Aare, a fortaleza, igreja,

um parque de campismo extraordinário,

uma associação portuguesa,

rua e ruelas, bons restaurantes, excelente

gastronomia e um ar puro nos

bosques vizinhos.

Dizia-se nos anos 80, que Aarburg tinha

uma equipa de futebol portuguesa

e havia mais habitantes portugueses

que suíços.

Certo é que a equipa de futebol existia

a associação também, mas que

houvesse mais habitantes portugueses

que suíços, foi sempre um ponto

de interrogação para mim.

Nunca me ocorreu pedir uma estatística,

porque me enamorei das paisagens

desta pacata vila, esquecendo ou

descuidando a verdade sobre os seus

habitantes.

Falar de Aarburg e descrever esta vila

toca-me o coração pelos mais variados

motivos. Um deles foi, que por estas

terrinhas, fui de facto muito feliz

e retenho as mais belas recordações

gravadas na minha caixinha secreta.

A área territorial tem apenas 4,41 Km

quadrados e conta com mais ou menos

sete mil habitantes.

A sua fortaleza e igreja erguida sobre

uma colina rochosa, construídos pensa-se

no século doze, conferem a esta

vila uma beleza excepcional. Do alto

podemos ver o rio Aare, grandioso e

ímpar.

Em qualquer estação do ano, os nossos

olhos podem percorrer uma paisagem

digna de um conto de reis e

rainhas; como nesta fotografia que

hoje vos mostro. Mas para mim o Outono

é místico.

Para visitar estes dois monumentos,

aconselho uma prévia reserva e se for

em grupo é ainda mais interessante.

Entre Abril e Outubro pode-se perder

pelos corredores e salas amplas

desta fortaleza carregadas de história

e viver na primeira pessoa as emoções

de uma época que caracterizou o ano

da sua construção; 1123.

Esta fortaleza foi uma sede oficial de

justiça e carismáticamente uma prisão.

A partir do ano 1893 uma parte desta

fortaleza, foi transformada numa instituição

de reinserção social, para jovens

dos 14 aos 22 anos.

Ponderando sobre estes jovens, uma

nuvem de preocupação invade-me a

alma, tomando conta dos meus pensamentos.

Que sociedade estamos a construir,

com este vírus que tomou conta, ao

que parece de apenas alguns? Por que

há ainda quem não acredite nele, ou

melhor se comporte como se ele não

existisse.

Pensem comigo: No passado mês de

Janeiro, fui “obrigada” a viajar até ao

nosso Portugal. Os números eram já

assustadores! Com receio usei duas

máscaras e mal desci do avião, optei

por as substituir.

Ainda dentro do avião e como é do

conhecimento de todos, mal se aterra,

toda a gente se levanta… até parece

que o avião irá descolar novamente

connosco lá dentro.

Esta viagem foi particular. Estava há

espera de muito mais respeito, mas

infelizmente vivi o contrário; O comandante

teve que falar com um tom

de voz algo desagradável para que as

pessoas se sentassem e esperassem a

sua vez de sair.

Missão impossível. O meu vizinho do

lado abriu a cabine da bagagem, mesmo

por cima da minha cabeça e os casacos

começaram a cair. Nem um

pedido de desculpa. Parece que para

estas cabeças pouco inteligentes, quiçá

nada sensíveis à actual doença,

é difícil apesar de tudo o que vemos,

acreditar que a nossa vida possa acabar

num hospital de forma brutal sem

a menor dignidade.

Acreditem de uma vez por todos, que

este vírus não dá tréguas e que as mutações,

põem em perigo a sociedade.

Vamos ensinar os nossos jovens as regras

básicas do respeito, mas para isso

temos de dar o exemplo.

Será que temos prazer em viver um

2021 de novo condicionados, ansiosos,

infelizes, como foi o ano transacto?

Eu quero construir e não desconstruir.

E você que pretende para este

ano? A Primavera está prestes a chegar

e com ela o desabrochar de novas

vidas, cores, cheiros e luzes, que nos

despertaram para uma amanhã, bem

melhor.

É o poder da Primavera.

Dê o seu contributo.

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ESPECTÁCULO

Lena

d’Água

“Os fãs não se

esqueceram de mim”

Dona de uma voz suave e melodiosa,

Lena d’Água apareceu,

sob os holofotes mediáticos,

com a onda musical do período

pós-revolucionário, no ‘boom’

da música pop/rock cantada em

português. Para muitos adolescentes

da época, era um anjo

caído do céu.

Vista como uma ‘sex symbol’,

Lena encantou e partiu corações

de muitos jovens e menos jovens,

gravou vários temas de sucesso

que ainda hoje se cantam

e se ouvem, regressa, agora, aos

grandes palcos com o álbum/

CD de inéditos ‘Desalmadamente’,

considerado por muitos

o melhor disco de 2019.

Nesta entrevista Lena d’Água

fala do passado, do presente e

dos projectos para o futuro.

A V JOAQUIM GALANTE

Joaquim Galante: Como nasceu o

teu gosto pela música?

Lena d’Água: Comecei a gostar de

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Lusitano de Zurique - Março 2021 | www.cldz.eu

música porque os meus pais adoravam

música, o meu pai adorava cantar, e

cantava muito bem. Enquanto jogador

do Benfica, viajava muito e comprava

muitos discos (vinis) do Frank Sinatra,

Nat King Cole, e outros cantores da

época, e eu cresci a ouvir estas melodias

no gira-discos lá de casa.

Mas o que me fez encarar a música de

outra forma foi quando o meu pai saiu

do Benfica e foi jogar, no seu último

ano como futebolista, no Áustria de

Viena. Um dia, fomos assistir a um

concerto dos Pequenos Cantores de

Viena e eu fiquei completamente espantada

e admirada com aqueles miúdos.

Tinham a mesma idade que eu, à

volta de sete anos, e por momentos

imaginei-me entre eles, aquilo tocou-

-me tanto que, ainda hoje me recordo

desses momentos.

Pedi ao meu pai que me comprasse

discos dos Pequenos Cantores, ele

comprou-me vários e eu não me cansava

de ouvi-los e a imagina-los ao

vivo, foi o meu primeiro contacto a

sério com a música.

JG: — A partir daqui o teu gosto

pela música acentuou-se….

LA: — Sim, cada vez mais, aos catorze

anos, quando dispensei de exame,

no quinto ano, pedi ao meu pai uma

viola, ainda me lembro de ter custado

999$00, na rua do Carmo, e a partir

daí comecei a entrar a sério na música,

aprendi a tocar viola, inspirei-me na

Melanie Safka, por quem fiquei completamente

apaixonada, aquela voz, o

som, a maneira como ela manejava a

viola, cativou-me.

JG: — Entretanto dá-se o 25 de

Abril… O que recordas dessa altura?

LA: — Quando se dá o 25 de Abril,

estudava no ISCTE, estava no primeiro

ano de sociologia, tinha dezassete

anos, lembro-me de nesse dia ter ido

para lá de autocarro, tinha aula de matemática

às oito da manhã, mas a faculdade

estava fechada.

Estavam meia dúzia de colegas meus

à porta e um deles gritava excitadíssimo,

dando-me a notícia repetidamente,

‘ocuparam o Rádio Clube’, ficamos

uns momentos à conversa, pois para

nós aquilo era tudo novidade, nem sabíamos

bem o que estava a acontecer.

Um dos meus colegas tinha carro e fomos

aventurar-nos por Lisboa, passamos

no Cais Sodré, Terreiro do Paço,

Castelo de S. Jorge, etc.

Eu era a única rapariga que estava no

carro e lembro-me de lhes dizer, na


minha inocência que ‘este dia (25 de

Abril) vai ficar na nossa história’ e repeti-o

várias vezes, pressentia que algo

de grande estava a acontecer.

JG: — Em 1976 começas a entrar

no cenário musical como vocalista

do grupo de rock progressivo

Beatnicks. Fala-me desses tempos

e do que recordas desses teus

primeiros passos na música?

LA: — Éramos dois vocalistas eu e o

Tó Leal, na altura muito jovens, ele

com dezassete anos e eu dezanove, fui

convidada para ser a voz feminina, o

que na altura era uma novidade, numa

banda de rock em Portugal. Fazíamos

alguns concertos em festas de finalistas

e nos liceus, tocávamos músicas

originais e também alguns covers dos

Pink Floyd, Yes, etc., mas nunca chegamos

a gravar discos, nem ter presença

nas rádios, até porque naquela

altura o rock ainda não era bem visto

pelos portugueses, era considerado

música de segunda categoria.

F: —Mas ainda assim foram convidados

para fazer, no coliseu a

primeira parte do espectáculo do

baterista Jim Capaldi em 1978…

LA: — Exactamente, nós já tínhamos

dado nas vistas e apesar de não

sermos um produto interessante para

as editoras, alguns produtores que nos

ouviram, nomeadamente o António

Moniz Pereira, que fez parte do Quarteto

1111 e estava ligado à Valentim de

Carvalho, que nos viu actuar no festival

musical Açores, em 1977, a partir

daí comecei a receber alguns convites

para fazer gravações de coros de artistas

consagrados e para publicidade, e

acabo por conhecer o Zé da Ponte e o

Luís Pedro Fonseca.

JG: — O teu último espectáculo

com os Beatnicks foi no Coliseu

em 1978, actuaram na primeira

parte do baterista Jim Capaldi

porque deixaste a banda após

esse concerto?

LA: — Eu estava casada, desde 1975,

com o Ramiro Martins, viola baixo

da banda, e nesse concerto só apareci

porque tínhamos assumido esse

compromisso com os produtores, o

nosso relacionamento tinha chegado

ao fim, sentia-me triste, separámo-nos

uns dias antes do concerto, na altura a

Sara tinha dois anos, mudei-me para

casa dos meus pais, daí ter sido a minha

última aparição nos Beatnicks.

F: —Nesses dois anos nos Beatnicks

tiveste momentos bons…

LA: — Foram dois anos maravilhosos,

adorei a experiência e foi de alguma

forma o trampolim para abraçar

outros projectos musicais, foi um estágio

prolongado, uma pré-história na

minha vida profissional.

JG: — Em 1980 aparece finalmente

aquele que viria a ser o fenómeno

Lena d’Água, aquela que

terá sido a voz mais marcante do

boom do pop/rock cantado em

português. Participas num festival

da canção e apareces como vocalista

da banda ‘Salada de Frutas’

com o álbum ‘Sem Açúcar’,

em 1980.

Sentiste vontade de abraçar um

projecto de raiz o que não tinha

acontecido com Beatnicks?

LA: — Não senti essa vontade imediata,

aconteceu por acaso, como te

tinha dito, eu conheci o Zé da Ponte e

o Luís Pedro Fonseca na publicidade,

em 1977, gravamos alguns jingles e as

nossas vozes ligavam-se muito bem, e

tanto um como o outro eram músicos

de excelência, com uma criatividade

incrível e muitas ideias, sentíamo-nos

muito bem a cantar juntos.

Um dia, o Luís Pedro propôs formarmos

uma banda, ele tinha montes de

coisas feitas para divulgar, coisas incríveis

e aceitamos logo a ideia. Mas

tínhamos que escolher um nome para

a banda, nesse dia estávamos à mesa

no restaurante, eu e o Luís Pedro éramos

na altura vegetarianos, pedi para

sobremesa salada de frutas, e como é

a minha sobremesa favorita surgiu-me

essa ideia, o Zé Pedro queria mousse

de chocolate (risos).

Depois fomos buscar um guitarrista e

um baterista para fazermos o disco e

assim nasceu a banda a ‘Salada de Frutas’.

JG: — Do álbum ‘Sem Açúcar’

destaca-se o êxito musical ‘Como

Se Eu Fosse Tua’ é de alguma forma

o retrato dos teus recentes

problemas a nível sentimental/

pessoal?

LA: — Não fui eu que escrevi a letra,

a letra é do Luís Pedro e, sim, foi

baseada na minha recente história de

vida, retrata os meus problemas e de

muitos outros casais, em que chega

ESPECTÁCULO

uma altura em que um se sente preso

ao outro, em que deixas de ter liberdade,

perdes identidade e passas a ser

uma ‘coisa’.

JG: — No ano seguinte editam o

single ‘Robot’, um grande sucesso

comercial, saltam directamente

para a liderança do Top de vendas

nacional, foi um dos grandes

sucessos desse ano, mas curiosamente

a banda chega ao fim. O

que aconteceu?

LA: — A banda ‘Salada de Frutas’

edita o LP ‘Sem Açúcar’, em 1980, um

disco incrível que só foi editado em vinil.

Como te disse anteriormente, nós

os três fomos buscar dois elementos

para fazer parte da banda, éramos então

cinco elementos.

Após a actuação na Festa do Avante,

em 1981, em que fizemos um concerto

‘do caraças’, tenho algumas fotografias,

mas não existe vídeo nem gravação

de áudio, foi um concerto incrível,

os dois convidados, mais o Zé da Ponte,

já tinham congeminado afastar-me

da banda porque não queriam ter uma

vedeta feminina a representa-la, fizeram

maioria, chamaram o Luís Pedro à

parte e disseram-lhe que prescindiam

dos serviços da cantora, nem comigo

falaram, o Luís Pedro disse-lhes ‘vocês

estão parvos’, e saiu comigo.

Achavam que eu tinha o protagonismo

na banda e eles ficavam na sombra,

de facto os jornalistas e fotógrafos era

a mim que procuravam mas eu não fazia

por isso, apenas queria dar sempre

o melhor em palco e o melhor para a

banda. A partir daqui o grupo que ficou,

deixa de se denominar a ‘Salada

de Frutas’ e passou a ser ‘Os Salada de

Frutas’.

JG: — Ainda nesse ano reapareces

como Lena d’Água e a banda

Atlântida, e de novo alcanças o

Top de vendas com o single ‘Vígaro

Cá, Vígaro Lá’. Quando te ouvi

cantar esta música, no FNAC

LIVE, arrepiei-me, viajei num

tempo que passou tão rápido,

achas que a letra ainda continua

actual?

LA: — (gargalhadas) Então não!, a

malta pensava que aquilo era tão mau

na altura mas há cada vez mais vígaros,

cá e lá. O Luís Pedro era um visionário,

um grande compositor, nunca lhe

foi feita justiça ao génio criativo, nunca

teve o reconhecimento merecido

Lusitano de Zurique - Março 2021 | www.cldz.eu

17


ESPECTÁCULO

pela obra feita, é por isso que tu, em

2020, ouves o ‘Vígaro Cá, Vígaro Lá’,

que gravamos em 1981, e ‘aquilo’ continua

a bater. Uma grande canção com

uma letra intemporal.

JG: — Em 1982 editas o álbum

‘Perto de Ti’ de onde se destacam

os singles ‘Nuclear Não Obrigado’

e ‘Demagogia’ letras bem interventivas

e críticas ao poder

político, querias mostrar a tua

indignação?

LA: — A música ‘Nuclear não Obrigado’,

foi escrita porque havia a intenção

do governo de construir uma central

nuclear em Peniche, na altura houve

um movimento de vários artistas, contra

a sua construção, felizmente a intenção

do governo não avançou. A música

foi uma ideia do Carlos Fortuna e

depois o Luís Pedro completou a música

e fez a letra, a canção ‘Demagogia’

pode-se cantar em qualquer altura, é

sempre actual (muitos risos).

JG: — Do mesmo álbum a canção

‘Perto de Ti’ é dedicada a alguém

em particular?

LA: — Não, é uma música de amor,

dedicada a uma pessoa que amas, a alguém

que fez parte da tua vida e já não

faz, a alguém que faleceu, é sobretudo

uma música de coração e de paixão espiritual.

JG: — Em 1984 ‘Lusitânia’ outro

álbum de sucesso, de onde destaco

a música ‘Sempre Que o Amor

Me Quiser’. O amor sempre foi

muito importante para ti?

LA: — (risos) Sempre foi e continua

a ser, é o amor que nos salva quando

tudo falha. A única coisa que não pode

falhar e faltar é o amor, por isso, sempre

que o amor me quiser, chame-me

que eu vou. Recentemente, perdi duas

pessoas queridas e quando cantei, depois

disso, ‘Voltas Trocadas’ comovi-

-me imenso porque de facto hoje estamos

aqui e de repente já não estamos.

O amor é a força maior que dá sentido

às nossas vidas.

JG: — Porque terminou o projecto

Lena d’Água e a banda Atlântida?

LA: — Em 1983/84, o Luís Pedro tinha

feito dois álbuns para o Rão Kyao,

discos incríveis, discos de platina,

foram o ‘Fado Bailado’ e ‘Estrada da

Luz’. O Rão começa a fazer muitas

digressões pelo país e estrangeiro, na

altura a banda Atlântida já era uma estrutura

muito pesada, movimentava

muitos músicos, técnicos, etc., e era o

Luís Pedro quem controlava tudo isso

e já denotava cansaço e desgaste. Conversamos

sobre a sua intenção de deixar

o projecto Atântida e com a minha

compreensão, decidiu seguir o seu caminho

com o Rão Kyao, entrou então

o Zé Marinho para o lugar de teclados

e direcção musical.

JG: — Mudando de assunto…

Foste próxima do António Variações,

como foi essa amizade e o

que recordas dele?

LA: — Olha, a primeira vez que o

ouvi, ainda antes de o ver, foi na Valentim

de Carvalho, eu estava com o Janita

Salomé na sala ao lado e começamos

a ouvir uns sons gritados e começamos

a rir, nunca antes tinha ouvido algo do

género, eu disse para o Janita ‘fogo há

cada maluco’ (gargalhadas).

Nesse mesmo dia ou no seguinte, conheci

o António pessoalmente, cruzamo-nos

na Valentim, que ficava, antes

do incêndio no Chiado, na rua Nova

do Almada, conversei com ele um pouco

e logo ali vi que aquele homem era

diferenciado, com a continuação pude

ver o quanto ele era adorável, muito

querido, educado, gentil e amoroso

(risos).

Quando prestei mais atenção às letras

das canções que ele escreveu comecei

a ter por ele uma grande admiração.

Aquele primeiro impacto negativo foi

logo varrido, nunca mais me esqueci

daquele episódio quando ele estava a

ensaiar uma canção da Amália, ‘Povo

Que Lavas No Rio’, mas depois vês

que aquela pessoa é tão especial, que

fiquei completamente rendida.

JG: — Tiveste algum episódio

marcante que queiras recordar

além do já referido?

LA: — (risos) Se contasse todos os

episódios nunca mais parávamos de

falar, olha, uma vez foi quando fomos

andar de helicóptero, uma aventura

muito divertida, outra no Jamaica, no

Cais Sodré, depois o Pedro Valentim

de Carvalho acabou por levar-nos a

casa, nem eu nem o António tínhamos

carta, sei lá tantas (risos).

Lembro-me de uma situação muito

engraçada no hotel Atlântico, num

evento com apresentação do Júlio Isidro

para a rádio, onde estávamos eu,

o António e o Marco Paulo, na altura

eu era famosa (gargalhadas), as fãs

corriam para o Variações a pedir autógrafos

e nem olhavam para o Marco,

e olha que nessa altura o Marco era

adorado por milhares de fãs por todo

o país, estava no topo.

Depois de passado o reboliço, estávamos

sentados à mesa do restaurante,

o Marco disse ao António, ‘qualquer

dia ainda ponho uma bomba no teu carro’,

meio a brincar meio enciumado, ao

que o António respondeu perguntando

‘qual carro?’ (gargalhadas), o António

nem conduzia.

Estas memórias que ficaram, foram

muito marcantes, quando o vi pouco

antes de ser internado, no estúdio da

Valentim, em Paço d’Arcos, estava a

gravar o ‘Lusitânia’, em 84, ele já estava

muito magro, com um ar preocupado

e abatido. Disse-me que andava

a fazer uns exames para se saber que

doença seria.

Nunca mais me esqueci da forma carinhosa

como me chamava ‘Aguinhaaaaa’

sempre que me via, sinto muitas saudades

dele.

JG: — Cantas ‘Estou Além’ (música

integrada no álbum de 1987

‘Aguaceiro’) porque escolheste

essa música?

LA: — A escolha não foi minha, a

produção do disco foi do António

Emiliano, e sugeriu-me que escolhesse

uma canção de um outro artista para

incluir no disco, escolhi ‘Anjinho da

Guarda’, do Variações, adoro esta música,

posteriormente o Emiliano aconselhou-me

o ‘Estou Além’ por se poder

fazer melhor os arranjos, no ‘Anjinho’

era muito mais difícil fugir ao original.

E assim foi, é um disco que eu gosto

muito e ainda hoje as pessoas gostam

de me ouvir cantar esta música.

JG: — ‘Tu Aqui’ de 1989 é um álbum

dedicado a Variações…

LA: — Claro que sim, a maior parte

do disco são inéditos do António,

coisas que ele tinha deixado em apontamentos,

sons que ele tinha gravado

em cassete, na casa dele, ‘Tu Aqui’, por

exemplo, foi um dos temas que ele deixou

sem ter tido tempo para gravar.

JG: — Em 1992 editas o álbum de

música infantil, em que cantas

18

Lusitano de Zurique - Março 2021 | www.cldz.eu


poesias do livro ‘Ou Isto ou Aquilo’

de Cecília Meireles e que dá o

nome ao álbum, foste actriz e directora

musical na peça de teatro.

O teatro e a música infantil é algo

que te fascina?

LA: — Vou fazer um flashback, quando

eu deixei de poder ir à faculdade,

pelo momento de instabilidade que se

vivia no país, as aulas foram interrompidas

no ISCTE, fui-me inscrever no

magistério primário, fiquei habilitada

a poder ser professora do ensino básico,

embora não seja praticante (risos),

sempre gostei de lidar e estar entre

crianças, nessa peça de teatro, em que

fui directora musical, as músicas foram

todas compostas pelo Luís Pedro Fonseca,

em 1978, foi um prazer enorme

poder cantar músicas destinadas ao

público infantil.

Eu fiz parte do grupo de actores que

levou à cena, com encenação de José

Caldas, essa peça maravilhosa, no âmbito

da dinamização cultural posta em

prática pelo Governo, mas nessa altura

não tivemos condições para gravar as

canções em disco. Passados 14 anos, no

estúdio do Luís Pedro, Xangrilá, é que

então finalmente foi possível passar as

canções para disco.

Há 3 anos, uma semana antes do Natal,

levamos a peça ao teatro Carlos Alberto,

no Porto, com elenco reduzido, eu

como cantora, um músico e um actor,

deu-me um prazer enorme e trouxe-

-me à memória outros tempos.

JG: — Depois de 1992 colaboras

em projectos musicais com outros

cantores e grupos, participas num

big brother de famosos, escreves

um livro, tens espectáculos itinerantes

e de tributo e mais recentemente

concorres ao Festival da

Canção. Em 2019 regressas com

um álbum de inéditos que preparavas,

desde 2017, com alguma ansiedade,

‘Desalmadamente’.

Trinta anos após ‘Tu Aqui’, foi o

momento que esperavas para voltares

a acreditar que ainda tens

muito para dar à música, encarar

e abraçar de novo os fãs?

LA: — Oh pá!, agora abraçar é que

está difícil (muitos risos), mas quando

voltei em 2019 podia-se abraçar e dar

autógrafos aos fãs, foi para mim uma

alegria enorme saber e sentir que as

pessoas não se tinham esquecido de

mim e que gostavam ainda de me ouvir

cantar, não apenas os meus sucessos do

passado mas principalmente os temas

inéditos que compõem o novo álbum.

Tem sido tudo maravilhoso.

Tenho-me sentido muito amada, muito

‘rebem-vinda’, espero que muito em

breve as coisas voltem à normalidade,

deixemos passar o inverno, entrar na

primavera, para ver se as coisas melhoram

porque os fãs precisam de nós e

nós deles.

JG: — ‘Desalmadamente’ é a prova

que, 40 anos depois do ‘Sem

Açúcar’, ainda sentes a mesma

vontade, a mesma energia em palco,

para continuar a cantar e a encantar?

LA: — Positivo!! (risos), claro que sim,

tu viste lá no teatro Maria Matos, estávamos

há meses sem tocar por causa

da pandemia e mesmo assim saiu tudo

tão bem.

Adoro estes músicos, a ligação que

nós temos, conhecemo-nos há quase 5

anos, temos uma intimidade muito familiar,

é como se tivéssemos a mesma

idade (risos).

ESPECTÁCULO

JG: — Quando assisti

ao teu show,

no Maria Matos,

no final do ano

passado, cantaste

desalmadamente

como se fosse

a tua primeira

vez

em palco,

muita energia,

muita

jovialidade,

muita interacção

com o público,

notei-te imensamente

feliz. Estás preparada para

continuar a ‘Grande Festa’, single

que marca o teu regresso aos inéditos,

30 anos depois?

LA: — Afirmativo!! (risos), olha, faço

45 anos de carreira agora em Maio, os

mesmos que o Pedro Silva Martins,

que escreveu todas as letras das músicas

deste novo disco, faz de idade, a

canção ‘Robot’ faz 40 anos, não sabemos

como estará a situação pandémica

no país em Maio, mas nós contamos

fazer uma celebração 3 em 1 (risos).

Quero celebrar em Maio estes dois

momentos marcantes na minha vida

profissional, o aniversário do meu início

de carreira e o do meu primeiro

grande sucesso comercial. Vamos ver

como vai ser. Gostava de poder ter o

maior número de fãs na plateia para

podermos celebrar juntos.

JG: — Além do mencionado, que

outros projectos tens para este

ano e de que forma esta pandemia

te tem prejudicado?

LA: — Olha, já tínhamos 12 concertos

quase confirmados que se foram e não

sei como irá ser até final do ano. Paralelamente,

quero começar a escrever

a minha autobiografia, um projecto de

longo prazo, mas que em breve vai começar

a tomar forma, falar em novos

discos é prematuro, pela forma como

as coisas estão, as editoras estão em

contenção. Vou vivendo, um dia de

cada vez, aproveitar para me manter

ocupada e focada, e esperar sempre

que o amanhã seja

melhor que hoje.

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19


AGENDA

Informações da MAPS

Queridos leitores, a pandemia do

coronavírus ainda não acabou. A obrigação

do uso de máscara de protecção se

aplica em muitos lugares no espaço público.

O Conselho Federal recomenda

que você fique em casa e reduza o contacto

com outras pessoas. Mantenha uma

distância de pelo menos 1,5 m de pessoas

fora de sua casa, lave as mãos regularmente

e use máscara de protecção no

transporte público. Você pode encontrar

uma visão geral das medidas atuais em

vários idiomas em www.stadt-zuerich.ch/

coronavirus. Muitos locais como cinemas,

museus ou instalações desportivas estão

actualmente fechados e o encerramento

pode ser prorrogado a qualquer momento.

Informe-se antes de ir a um evento.

Apesar de tudo, a equipe MAPS deseja-

-lhe muita diversão!

01.03.2021 (Montag)

Exposição online

O „Kunsthaus Zürich“ apresenta

exposições individuais online em

seu canal no YouTube. Dê uma

olhada na exposição „Im Herzen

wild – Die Romantik in der

Schweiz“ com o curador Jonas

Beyer. Você terá uma visão da era

romântica na Suíça e em outros

países.

02.03.2021 (Dienstag)

Aprenda alemão com

música

Os participantes do curso „Deutsch

zum Klingen bringen“ cantam,

leem e aprendem alemão. Não é

necessário nenhum conhecimento

musical prévio. Nível de alemão:

A2. Duração do curso: 20 tardes.

Toda ter 17:00–18:45. Informações

e inscrições: 043 317 16 27 ou buero@maximtheater.ch.

Grátis com N/

F-Ausweis e KulturLegi (em vez de

CHF 7.- por tarde).

04.03.2021 (Donnerstag)

Noite de cinema

O „Theatre Neumarkt“ exibe

online o ensaio documentário

„Nouvelle Nahda“ em sua

mediateca. Um grupo de artistas

se encontra e fala sobre

o termo árabe „Nahda“ (renascimento).

Eles olham para

eventos como a explosão em

Beirute no verão passado. Em

alemão e inglês. Contribuição

espontânea.

05.03.2021 (Freitag)

Assar pão juntos

Todas as sextas-feiras, o «MA-

XIM Theater» prepara pão

fresco com você. Experimente

diferentes receitas de pão

e troque ideias. A tarde de

confeitaria acontece online

no «Zoom» e os ingredientes

podem ser encontrados no

site com alguns dias de antecedência.

Inscrições em meret.zangger@maximtheater.ch.

16:00–17:00. Grátis.

06.03.2021 (Samstag)

Ofertas online para

crianças

O calendário de eventos «KiKuKa» ​

oferece diferentes ofertas online

para crianças. Por exemplo, há aulas

de música simples no YouTube

para as crianças cantarem. Também

há muitas dicas de artesanato

para fazer em casa. Pare e descubra

diversão e jogos para crianças.

Grátis.

07.03.2021 (Sonntag)

08.03.2021 (Montag)

Academia grátis

Você não precisa ir a uma academia

cara para estar em forma. No

«Allmend», entre as paradas «Saalsporthalle»

e «Sihlcity», você pode

treinar gratuitamente sua força e

resistência ao ar livre nas instalações

«Zürifit». Para isso você usa

bancos, degraus e seu próprio peso

corporal. Um quadro com imagens

explica os exercícios.

09.03.2021 (Dienstag)

Mensagens simples

Você gostaria de saber mais, mas

as notícias costumam ser muito

difíceis? Em www.infoeasy-news.

ch você pode encontrar todas as

notícias em uma linguagem simples.

Aqui você pode se informar e

aprender alemão ao mesmo tempo.

11.03.2021 (Donnerstag)

Conversas sobre proximidade

Hoje e no dia 25.03 o «Schauspielhaus»

convida você para as «Tender

Talks». Duas pessoas se encontram

para uma conversa e conversam sobre

um assunto que as afeta. A conversa

acontece online no «Zoom».

Mais informações virão logo antes

do evento no site. Em alemão e inglês.

20:00. Grátis.

12.03.2021 (Freitag)

Caça ao tesouro em

Zurique

Com o aplicativo «Geocaching»

você entra numa caça ao tesouro

por Zurique. Baixe o aplicativo gratuitamente

e use um mapa para encontrar

diferentes locais. Lá você

encontrará, por exemplo, um livro

de registro no qual os caçadores

de tesouro bem-sucedidos escrevem

seus nomes. A caça ao tesouro

é para jovens e adultos e é muito

mais divertida com alguns amigos.

Desfrute da natureza e descubra

novos lugares em Zurique. Levar:

caneta e telefone celular.

13.03.2021 (Samstag)

Filmes documentários

A „Schweizer Radio und Fernsehen“

exibe regularmente documentários

emocionantes e instrutivos,

além de reportagens sobre

tópicos da sociedade, natureza, política

e economia. Atualmente você

está assiste a documentários sobre

os 50 anos do direito feminino ao

voto na Suíça ou sobre os emigrantes

suíços e suas aventuras. Desfrute

de uma noite aconchegante em

casa com a família.

20

Lusitano de Zurique - Março 2021 | www.cldz.eu


MAR

2021

14.03.2021 (Sonntag)

Aprenda a fazer malabarismos

Use o tempo em casa e aprenda a

fazer malabarismos. No canal do

YouTube «Schlaumacher», você

pode aprender a fazer malabarismos

com três bolas em apenas três

minutos. Experimente e torne-se

um malabarista.

15.03.2021 (Montag)

Arte Virtual

Dê uma olhada online nas obras individuais

do «Museum of Modern

Art» de Nova Iorque. Lá você pode

ver, por exemplo, as pinturas «Sternennacht»

de Vincent van Gogh ou

«Milchkanne und Äpfel» do pintor

francês Paul Cézanne. Navegue

pela coleção online.

16.03.2021 (Dienstag)

Escrever postais

Qual foi a última vez que escreveu

um postal? Mande notícias aos

seus amigos num postal feito por

si. Usando a App «PostCard Creator»,

pode enviar gratuitamente um

postal por dia na Suíça, escolhendo

a imagem e o texto personalizado

para os seus entes queridos.

http://www.postcardcreator.post.ch/

de/

17.03.2021 (Mittwoch)

Passear por Zurique

Diversas pessoas encontram-se à

quarta-feira para passear em conjunto

por um bairro de Zurique,

descobrindo novos lugares na cidade.

Participe e conheça sítios agradáveis.

Inscrição através de meret.

zangger@maximtheater.ch. 13:30–

14:30. Participação gratuita.

http://www.maximtheater.ch/maxim-

-co/

119.03.2021 (Freitag)

Exposição virtual

No site do «Völkerkundemuseum»

pode assistir virtualmente a todas

as exposições anteriores. Através

de documentários em 360º, sinta

como se estivesse mesmo no museu.

Pode passar de um para outro

objecto exposto e experienciar

uma nova forma de visitar museus.

Veja por exemplo a exposição sobre

o leite.

http://www.musethno.uzh.ch/de/

ausstellungen/360%C2%B0-Ausstellungen.html

20.03.2021 (Samstag)

Podcast sobre o afecto

O teatro não pode subir ao palco

durante estes tempos de pandemia.

Como alternativa, o „Theater Neumarkt“

gravou o Podcast „Zärtlichkeit

1, 2, 3“, que pode ouvir desde

já. Os autores falam sobre contacto

físico, fé, amor, esperança e a força

da linguagem. Gratuito.

http://www.theaterneumarkt.

ch/2020/11/30/zaertlichkeit/

22.03.2021 (Montag)

Noite de jogo de cartas

Gosta de jogar Jass ou quer aprender?

Então apareça no centro comunitário

«GZ Leimbach». Jovens

ou adultos, principiantes ou jogadores

experientes são bem-vindos

todas as segundas-feiras para uma

noite de Jass. 19:00-22:00. Participação

gratuita.

GZ Leimbach, Standort Manegg.

Maneggplatz 22.

Bus 70 oder S4 bis „Zürich, Manegg“.

http://www.gz-zh.ch/gz-leimbach

24.03.2021 (Mittwoch)

Oficina de trabalhos

manuais

Nas tardes de quarta-feira (excepto

férias escolares) crianças a partir

dos 6 anos encontram-se com

amigos no centro comunitário «GZ

Wollishofen» para colar, martelar,

serrar e pintar. Basta aparecer e

participar! 14:00-17:30. CHF 5.-

(50% com KulturLegi).

GZ Wollishofen, Standort

Neubühl. Erligatterweg 53.

Tram 7 bis „Wollishoferplatz oder

Bus 66 bis „Zürich, Neubühl“.

http://www.gz-zh.ch/gz-wollishofen

25.03.2021 (Donnerstag)

Charadas online

Gosta de fazer palavras cruzadas

ou Sudoku? Diariamente, o «Coopzeitung»

disponibiliza uma charada

online. Participe e solucione uma

diferente todos os dias. Gratuito.

http://www.coopzeitung.ch/raetsel/

26.03.2021 (Freitag)

Jogar ténis de mesa

Em www.pingpongtische.ch, estão

assinaladas num mapa mais de 100

mesas de ping pong em Zurique

que pode utilizar gratuitamente.

Procure uma mesa perto de si e

leve raquetes e bola.

http://www.pingpongtische.ch

28.03.2021 (Sonntag)

Repouso em espaços

verdes

Na Primavera, um passeio revigorante

pelas áreas verdes tem um

encanto especial. Descontraia com

um piquenique, um passeio ou praticando

desporto num espaço na

natureza. Consulte a localização

dos jardins públicos e espaços verdes:

www.stadt-zuerich.ch/gsz.

29.03.2021 (Montag)

Circo

Por ocasião do seu 30º aniversário,

o «Zirkus Chnopf» passou o ano

passado em tournée com a apresentação

«Pluto». Agora é possível

assistir a este espectáculo de circo

confortavelmente a partir de casa.

Uma viagem pelo espaço sideral

com teatro, dança, arte e música ao

vivo para miúdos e graúdos.

http://www.chnopf.ch/

30.03.2021 (Dienstag)

Aprender alemão em

casa

No grupo de Facebook „Deutsch

lernen Zuhause“ encontra informação

sobre a sua aprendizagem

auto-didáctica, por exemplo, que

aplicações pode usar. Descubra

novos links para aprender alemão.

Gratuito.

http://www.facebook.com/deutschlernenzuhause/

31.03.2021 (Mittwoch)

Construir uma casa na

árvore

No centro comunitário «GZ Leimbach»

as crianças encontram-se e

constroem em conjunto uma casa

na árvore. À quarta-feira podem

serrar, martelar e aparafusar, até a

casa da árvore estar concluída. Depois

basta subir lá acima e desfrutar

da casa na árvore. 14:00-17:30.

Gratuito.

GZ Leimbach. Leimbachstr. 200.

Bus 70 bis „Sihlweidstrasse“.

http://www.gz-zh.ch/gz-leimbach

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VIAGENS

De volta à pérola do Atlântico

depois de quase 2 anos.

A V JOSÉ MARIA RAMADA

Chegamos já no dia 22 de Dezembro

cerca das 2 horas da manhã

depois de mais de 7 horas de

viagem desde Zurique com escala

em Lisboa, vínhamos de um

país em que a taxa de contágio

é superior a Portugal e onde as

regras estavam á altura mais rígidas

com todos os negócios não

essenciais encerrados incluindo

a restauração até ao final de Fevereiro.

Os cuidados a bordo e durante a escala

foram sempre os recomendados

pela DGS e OMS, no entanto há sempre

alguém que fura as regras.

Esta temperatura, este ambiente tipicamente

Natalício que se encontra na

Madeira, da comida nem se fala, sabe

bem, estar de volta depois de quase 2

anos, uma boa terapia para o corpo e

para a mente em tempo de pandemia.

Estou certo de que todos os emigrantes,

estudantes e turistas partilham

deste sentimento.

Infelizmente durante a viagem e as

culpas vão direitinhas para a TAP, pois

venderam comidas e bebidas a bordo,

o que diga-se podia ser evitado, pois

não se justifica numa viagem de menos

de 3 horas, mas mais uma vez a

parte económica fala mais alto do que

a saúde. Durante a viagem e mais uma

vez por culpa do pessoal de bordo, alguns

passageiros usaram e abusaram

de tirar a máscara, não apenas para

comerem e beberem, mas espante-se,

até para se maquilharem o me revoltou,

e tive de reclamar a bordo com o

pessoal por causa da viajante que estava

constantemente a tirar a mascara

e como disse, até para se maquilhar.

Uma falta de respeito total por quem

se encontrava a seu lado.

Em Lisboa, não saímos da área de viajantes

em trânsito. O respeito pelas

normas da DGS/OMS eram cumpridos,

mas mais uma vez e pelo menos

que me tivesse dado conta, não vi em

local algum, verificarem temperatura.

Eis a tão desejada chegada à Madeira,

é tão bom estar de volta á pérola do

atlântico.

O processo de chegada ao aeroporto

Cristiano Ronaldo como sempre foi

simples, o preenchimento do formulário

on-line, medir a temperatura

e passar o controlo de bagagem que

também passava por uma desinfeção.

Dar o código que nos foi enviado

pelo Madeira Safe, mais um pequeno

questionário e o teste de chegada

que decorreu com bastante rapidez,

o que me apraz constatar que muitas

das notícias que circulam nas redes

sociais são falsas. Era grande o

contraste entre a chegada, passagem

por Lisboa e embarque em Zurique.

No dia seguinte o resultado negativo

do teste, o que nos deu uma satisfação

muito grande, mas nem por isso

diminuímos os cuidados, todos os

dias a Madeira safe, nos envia um formulário

para preencher, continuamos

em casa sem contacto social durante

os 5 dias aconselhados, por fim o segundo

teste e mais uma vez o desejado

resultado. Já ouvi um pouco de tudo,

desde pessoas que fizeram mais de 50

chamadas, outros que nunca receberam

a chamada para o segundo teste,

ainda outros em que quem atende os

telefones da saúde pública são mal-educados,

enfim eu não vi nada disto.

Sempre atendimentos cordiais, simpáticos,

duma atenção estrema, isto é

profissionalismo, mas acima de tudo,

é o povo madeirense tal e qual como

sempre conheci, que mesmo apesar

do cansaço, do stress resultante desta

pandemia, continuam a ser iguais

a eles mesmos, povo simpático e acolhedor.

Cumprimos com todas as regras aconselhadas,

fazendo o que gosto e claro

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ajudar em casa no que era necessário,

ao contrário de muitas pessoas que

continuam a abarrotar hipermercados

e centros comerciais, cafés e pastelarias

enfim quebrando a mais elementar

regra de segurança, ou seja a

distância social.

É certo que não posso colocar todos

no mesmo grupo, há pessoas responsáveis,

mas como em tudo há irresponsáveis.

A meu ver, e os números

falam por si, são os residentes no

seu relacionamento quotidiano a não

cumprirem o distanciamento social e

depois vêm para as redes sociais ou

nas conversas de café pedir o encerramento

do aeroporto, quando os casos

importados são 10% e esses são

controlados antes e durante a sua estadia

e diga-se que a maioria cumpre

as normas

Claro que também há aqueles madeirenses

que vieram de Inglaterra,

mesmo fazendo o primeiro teste,

compraram um porco para conviver

entre amigos e familiares, visitaram

tudo quanto era família e amigos, não

esperaram pelo resultado do 2º e o resultado

foram mais de 30 infectados.

Também aquela família que foi da

Suíça, e além de visitar familiares e

amigos visitaram “o cão o periquito e

afins” e quando foram chamados para

fazerem o 2º teste, que deu positivo,

“acuda o rei que não sabemos que fazer”

pior ainda ligaram para a saúde

pública insultando tudo e todos apelidando

de incompetentes, porque o 2º

teste deu negativo, como se os culpados

fossem quem cuida de nós, como

se toda a gente não soubesse que o

“bicho” tem três de dias de incubação,

como se não soubéssemos que

devido a este tipo de irresponsabilidades

que os números estão a crescer,

também estas pessoas de certeza absoluta

que na Suíça não fariam estas

proezas, pois a multa por quebrar as

regras de isolamento pode ir até 10

000 francos Suíços.

Os números apenas baixarão quando

todos forem mais responsáveis, quando

os centros comerciais controlarem

mais a entrada, quando as pessoas nas

filas guardarem a distância, desinfeção

constante e acima de tudo muita

responsabilidade, pois que ninguém

pense que a vacina vem fazer tudo,

o ser humano terá de continuar a ter

cuidados. “Nunca vi ninguém que tenha

apanhado a vacina sazonal da gripe

andar em trono nu na rua ao frio”,

com certeza que se sujeita a uma

constipação ou até pneumonia.

VIAGENS

Por parte de todos nós falta um pouco

de tudo, mas acima de tudo respeito,

por nós e pelos outros.

Usar máscara não é confortável, claro

que não, é até desagradável. Mas é

preferível ao ventilador

Não se poder deliciar numa ceia com

os amigos e familiares é triste, claro

que sim, para mais nós um povo latino

de afetos, abraços e beijos. Mas

mais vale, um sacrifício hoje, do que

nós ou alguém dos nossos partir para

sempre

Desinfectar as mão assiduamente, e

aborrecido, torna a nossa pele áspera.

Mas é preferível do que a cama de um

hospital.

Este Natal foi diferente, a passagem

de ano foi a pior que nos lembramos,

mas para o ano haverá outra vez Natal,

haverá uma nova passagem de

ano, o tradicional fogo-de-artifício, a

festa do mercado, haverá muitas ceias

e jantares, abraços beijos e afetos, haverá

muitas trocas de prendas, se cada

um de nós fizer a sua parte, vamos ter

um ano de 2021 melhor do que o ano

que acabou.

jmramada@hotmail.com

Ghttps://www.facebook.com/transportes.fernandes

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CANNAREPÓRTER

Covid-19:

CBD reduz inflamação

provocada pelo Coronavírus

V

LAURA RAMOS (*)

Vários estudos pré-clínicos mostram que a canábis, nomeadamente

o CBD (canabidiol) e alguns terpenos, reduzem

a inflamação causada pela Covid-19. Apesar de

ser necessária mais investigação, os resultados preliminares

com canabinóides são promissores no possível tratamento

e prevenção das complicações provocadas pelo

Coronavírus, confirmaram já vários investigadores em

todo o mundo, desde Israel aos Estados Unidos e Canadá,

passando pela Europa.

Foto: Igor Kovalchuk - Foto: D.R. | Lethbridge University

O primeiro estudo foi revelado no Canadá, no Departamento

de Ciências Biológicas da Universidade de Lethbridge,

através de uma equipa de investigadores liderada

por Igor Kovalchuk, cientista pioneiro em epigenética,

e concluiu que alguns extractos de canábis com alto teor

de CBD podem alterar os níveis dos receptores ACE2 em

vários tecidos, como na boca, nos pulmões e nas células

intestinais, ajudando a bloquear as proteínas que funcionam

como porta de entrada do vírus nas células hospedeiras

que infectam as pessoas, reduzindo os pontos de

entrada até 70%. Os extractos de canábis ajudaram não

só a reduzir a inflamação como a retardar a entrada do

vírus. O Cannareporter fez uma pesquisa e selecção dos

estudos já publicados e falou com alguns investigadores,

para perceber melhor como funciona a canábis na Covid-19.

https://bit.ly/37Il6ge

Paulo Tavares:

“A canábis medicinal deve ser fornecida

gratuitamente aos doentes”

V

LAURA RAMOS (*)

Médico Oncologista do Hospital da Universidade de Coimbra,

Paulo Freitas Tavares aconselha a utilização de canábis aos seus

doentes oncológicos há mais de 30 anos, monitorizando e orientando

o seu consumo.

Em entrevista ao Cannareporter reiterou a importância do acesso

seguro e gratuito para os pacientes: “Defendo que a canábis

medicinal, dada a sua importância, deve ser fornecida gratuitamente

aos doentes pelas farmácias hospitalares sob prescrição

médica. Exactamente como é feito para a maioria dos tratamentos

do cancro, das hepatites, da SIDA. O doente não paga nada.

E continuou: “Os doentes precisam de uma boa canábis natural,

criada ao ar livre, sem pesticidas nem contaminantes e com toda

a panóplia de canabinóides que ela possui. A canábis como produto

agrícola terá variações com os terrenos, as sementes usadas

e no mesmo terreno e com a mesma semente, será diferente em

cada colheita, como o vinho. Tenho dezenas de doentes que têm

de utilizar canábis para sobreviver e que infelizmente têm que a

comprar no mercado negro, a preços especulativos”.

Foto: D.R. | PTMC - Portugal Medical Cannabis

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Pedro Andrade:

“Não quero ter problemas com a justiça

por utilizar uma planta como medicamento”

CANNAREPÓRTER

A V

LAURA RAMOS (*)

Pedro Andrade tem 40 anos,

vive no Algarve e foi nadador-salvador

até aos 27 anos,

altura em que, a caminho do

trabalho foi atropelado por

um automóvel. Depois de 13

meses para recuperar de uma

lesão medular, Pedro acabaria

por ficar paraplégico. Apesar

de ser independente,

Pedro sofre de espasticidade,

que lhe provoca rigidez

muscular e dor. Com

o Infarmed a aprovar as

primeiras flores secas com

18% de THC em Portugal,

algo parecido com o que

ainda adquire ilegalmente,

Pedro poderá ter

a solução para o seu

problema. Isto, claro,

se o preço - que ainda

não foi aprovado - for

comportável. Pedro

admite que já cultivou

para não ter de recorrer

ao mercado negro

e ter acesso mais seguro

a canábis de melhor

qualidade, mas numa

das vezes roubaram-

-lhe as plantas.

Foto: Laura Ramos | Cannareporter

(*) Jornalista

Leia estes e outros artigos em

www.cannareporter.eu

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MOTORES

Carros portugueses

A história das marcas de carros portuguesas que muitos desconhecem

V

JEREMY DA COSTA

Talvez desconheça, mas em

Portugal existiu mais de uma

dúzia marcas de automóveis,

desenhados, fabricados e comercializados

em Portugal.

A História do automóvel passou,

e passa por aqui. Hoje recordamos

alguns criadores e

fabricantes de marcas de carros

portugueses que marcaram uma

época. Infelizmente, a história

da maior parte delas não foi de

sucesso, atendendo que hoje já

nenhuma está activa.

Actualmente, mesmo não sendo

criações genuinamente portuguesas,

Portugal continua a

fabricar automóveis “Made in

Portugal”.

Existem hoje quatro grandes fabricantes

de automóveis em Portugal:

a Toyota Caetano, a PSA

Mangualde, a Mitsubishi FUSO

e a AutoEuropa. A indústria automóvel

em Portugal representa

4% das receitas do PIB nacional.

Segundo os dados da ACAP

– Associação Automóvel de Portugal,

o nosso país subiu o nível e

bateu o recorde de produção de

automóveis em 2019. Nesse ano

foram produzidos cerca de cerca

de 346 mil automóveis, mais

17,4% do que em 2018. Estes números

fizeram com que Portugal

entrasse no panorama dos principais

fabricantes de carros, que

demonstra claramente as habilidades

técnicas dos portugueses

neste sector. São estes os modelos

produzidos em Portugal actualmente:

Volkswagen T-Roc, Volkswagen

Sharan, Seat Alhambra, Citroën

Berlingo, Peugeout Partner,

Opel Combo, Mitsubishi Fuso,

Toyota Land Cruiser.

Já no que respeita a criações portuguesas, felizmente assistimos ao aparecimento

de algumas marcas de automóveis, pela mão de jovens empreendedores,

que têm-se focado nos carros desportivos, como é o caso do Adamastor

P003RL, um excelente automóvel desportivo português, assim como o “Veeco

RT”, que foi o primeiro carro eléctrico português.

Adamastor

Veeco RT

Das catorze marcas de carros portuguesas

que existiram e ficaram quase apagadas

da memória, hoje escolhemos sete.

Sado

A Sado construiu um único carro

na sua história. O Sado surgiu

Sado

no final dos anos 70 do século

XX e foi lançado pelo Grupo Entreposto,

que deu continuidade

ao projecto iniciado na Famel de

Águeda. A procura foi tanta que

a oferta não chegava para as encomendas,

chegando até a haver

uma grande lista de espera. Este

carro era equipado com um motor

de 2 cilindros com 547cc, produzindo 28 cavalos, 4 velocidades e pesando 480

kg, atingindo uma velocidade máxima de 110 km/h.

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MOTORES

Alba

O ALBA foi um carro construído

entre 1952 e 1954 na metalúrgica

com o mesmo nome em Albergaria-a-Velha,

pelas mãos de António

Augusto Martins Pereira.

Estima-se que apenas tenham

sido construídas três unidades

deste que foi, sem dúvida, um dos

carros mais bonitos alguma vez

construídos em Portugal, sendo

que a unidade original está exposta

no Museu do Caramulo. O

ALBA estava equipado com um

motor (também ele construído

pela metalúrgica) de 4 cilindros

com 1500 cm3 que debitava 90 cv

de potência, caixa de quatro velocidades

e atingia os 200 km/h de

velocidade máxima.

Felcom

O Felcom é o carro português

mais antigo de que há registo,

tendo sido construído em 1933

pela mão de Eduardo Carvalho,

a partir de automóveis que pertenceram

a Eduardo Ferreirinha,

que mais tarde construiu os automóveis

Edfor. O Felcom continha

componentes de um Ford

A e de um Turcat-Méry, sendo o

motor de um Ford A, mas transformado

com uma cabeça Miller,

o que levava este carro a atingir

uns magníficos 160 km/h de velocidade

máxima, algo impressionante

para a década de 30 do

século XX.

MG Canelas

O MG Canelas foi construído em

1952 e competiu em muitas provas

nacionais, durante a década

de 50 do século XX. Ao contrário

da generalidade dos automóveis

portugueses da época, o MG Canelas

utilizava um chassis tubular

fabricado em aço cromo-molibdénio,

soldado nas instalações

das OGMA, tendo um motor de

1500 cc de base MG, mas que foi

totalmente remodelado com o

intuito de debitar mais potência

e poupar peso. Tinha 95 cv, 4 cilindros,

4 velocidades, 550 kg de

peso total e atingia uma velocidade

máxima de 195 km/h.

Portaro

IPA

OLDA

Felcom

MG Canelas

Portaro

Ao contrário do que se possa pensar,

o UMM não foi o único jipe

português. O Portaro foi produzido

pela FMAT (Fabrica de Máquinas

Agrícolas do Tramagal) em

meados dos anos 70 (1976). Este

foi um dos poucos automóveis

produzidos em Portugal que teve

um sucesso considerável, uma vez

que as vendas nacionais chegaram

a atingir volumes perto das 1000

unidades e a fábrica produzia outras

tantas para exportação.

Ao fim de apenas 14 anos de história,

em 1990 e fruto da falta de

incentivos e protecção à indústria

nacional, a Portaro fechou as suas

portas com um registo de quase

7.000 exemplares vendidos em

território nacional e outros tantos

exportados. Existiam várias

versões deste todo-o-terreno, mas

aquela que mais vendeu foi o Portaro

250 que estava equipado com

um motor de 4 cilindros com 71 cv

e 2498 de cilindrada.

AGB IPA

O AGB IPA foi apresentado no

ano de 1958 e foi, desde logo, considerado

uma revolução na indústria

metalo-mecânica portuguesa,

pois ao contrário dos modelos

construídos em Portugal até então,

este apresentava linhas arredondadas

e futuristas, para além

de estar disponível tanto na versão

coupé de dois lugares, como familiar

de quatro lugares. Apenas cinco

exemplares do AGB IPA foram

produzidos. Ele era movido por

um motor British Anzani de dois

cilindros com 300 cm3 e aproximadamente

15 cv.

OLDA

A marca OLDA nasceu em Águeda

em 1954 e rapidamente, conquistou

o papel de “rei das corridas”

em Portugal. O nome OLDA

deriva de “Oliveira de Águeda”.

Com 80 cv, motor de 4 cilindros

com 1493 cc e 4 velocidades, este

carro pesava apenas 500 kg e conseguia

atingir velocidades máximas

de 165 km/h.

Fontes: Museu Caramulo, Motorbits e outros

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AGRICULTURA

A nova agricultura de

subsistência

Uma horta em qualquer lugar: uma realidade pós-pandemia

ROSA MOREIRA (*)

A pandemia instalou-se e veio com ela

uma nova realidade: as hortas urbanas.

Com a imposição das limitações de circulação

bem como outras restrições, o

Covid-19 fez-nos encarar a quarentena

e consequentemente a nossa casa, com

outros olhos.

Certamente concorda comigo que durante este período

pandémico tentou arranjar uma forma de preencher os

seus momentos livres com lives nas redes socias, cursos

online, bricolage, receitas de culinária e… cuidar da horta!

Aposto que, se não tinha uma horta, acabou por criá-la

durante este período.

Neste confinamento, recebi testemunhos de pessoas que

criaram uma horta em vasos, nas varandas, nos terraços…

Conheci pessoas que começaram a olhar para aquele pequeno

“pedaço de terra” que tinham abandonado e lhe deram

uma “segunda vida”, criando uma horta.

Se observar bem ao seu redor, facilmente encontrará terraços,

varandas e janelas com vasos ou floreiras possuindo

pequenas plântulas em desenvolvimento. Estas, tornar-se-

-ão, com dedicação e cuidado por parte destes “agricultores

de primeira viagem” em hortícolas saborosos, resultado

do empenho destas pessoas que retomaram ou adquiriram

pela primeira vez o contacto com a terra.

Há quem acredite que é apenas uma moda passageira, eu

discordo. Se “navegarmos” pelas redes sociais e pela Internet

em geral encontramos vários fotografias e vídeos

de quem se rendeu à agricultura de subsistência e mostra

com orgulho o resultado dos seus primeiros cultivos.

Estes novos “agricultores” têm como aspiração ter uma

horta ecológica onde possam utilizar de forma sustentável

todos os recursos que têm ao seu dispor para produzir os

seus próprios alimentos.

A pandemia levou a que as pessoas retomassem àquilo que

realmente consideram básico e indispensável na sua vida:

a produção de alimentos e a alimentação.

Não defendo nem acredito que estes “agricultores de primeira

viagem” tenham ficado com medo de não ter de comer,

devido à corrida aos supermercados que ocorreu nas

primeiras semanas da pandemia.

Não acredito também que seja uma tentativa de se tornarem

autossuficientes com as suas produções caseiras nos

mais diversos tipos de recipientes, até porque na maioria

dos casos não seria possível.

Acredito sim, que devido aos tempos de crise que atravessamos

e todas as consequências evidentes desta problemática

global com consequências financeiras e psicológicas,

as pessoas sentiram uma necessidade de regressar ao contacto

com a natureza, encontrando a calma e tranquilidade

que necessitam na conexão com o que de mais primário e

puro existe: a agricultura.

Partilho agora consigo

seis conselhos para

ter uma horta mais

ecológica.

1. Utilize fertilizantes orgânicos

O solo é composto por uma quantidade de microrganismos

muito grande tais como bactérias, fungos, minhocas,

formigas, nematodes, protozoários, artrópodes, etc. Todos

estes organismos têm funções específicas essenciais, nomeadamente

desempenham um papel muito importante

na decomposição da matéria orgânica e na fertilidade do

solo. Se possível, utilize nas suas culturas fertilizantes orgânicos

responsáveis pelo aumento da matéria orgânica no

solo como por exemplo o estrume oriundo da pecuária ou

o composto resultante da compostagem.

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AGRICULTURA

2. Use coberturas do solo na sua horta

As coberturas do solo como por exemplo a palha, casca

de pinheiro ou a gravilha ajudam a minimizar as perdas

de água por evaporação que ocorrem especialmente nos

meses mais quentes do ano. Por outro lado, usar coberturas

do solo revela-se um excelente aliado para combater o

aparecimento de plantas infestantes.

3. Diversifique as culturas que tem

na horta

Quanto mais culturas a sua horta tiver maior a biodiversidade

existente. Antes de escolher o que quer plantar

deve avaliar se a cultura pretendida está bem-adaptada às

características da sua região pois caso contrário corre o

risco de não sobreviver ou em último caso nem germinar.

Se quiser plantar árvores de fruto, antes de comprar

verifique a qualidade da planta como o estado da raiz e a

inexistência de pragas e doenças na planta a adquirir.

Tenha em consideração que as plantas envasadas são mais

caras, mas possuem melhores garantias de crescimento e

desenvolvimento. Se possível escolha variedades de fruteiras

regionais e variedades de culturas hortícolas autóctones.

4. Adube na altura certa

A estação do ano em que vai adubar as suas culturas pode

ter bastante influência no facto da sua horta ser ecológica

ou não. Neste campo, aconselho a adubar na estação primaveril

pois coincide com o período de crescimento e desenvolvimento

da maioria das culturas e no qual as plantas

necessitam de maior aporte nutricional. Evite adubar no

inverno pois a probabilidade de “arrastamento” e perda de

nutrientes através da água da chuva é muito maior.

5. Visite regularmente a sua horta

Quem instala uma cultura por vezes tem tendência a relaxar

e deixar de visitar a sua horta para avaliar o estado

da mesma e como se está a desenvolver. Se visitar regularmente

a sua horta, vai identificar precocemente possíveis

sinais de pragas ou doenças, ou qualquer outro problema

que possa estar a manifestar-se nas suas culturas. Tente

ir à sua horta semanalmente e no caso de detetar alguma

praga ou doença, trate-a o mais rapidamente possível.

6. Regue de forma equilibrada

No que diz respeito à gestão da rega, o uso mais eficiente

da água em agricultura requer um conhecimento adequado

das características do solo e das necessidades hídricas

das culturas. O principal fator a considerar na estimativa

dessas necessidades é a evapotranspiração da cultura,

conceito que integra as quantidades de água transpiradas

pelas plantas e evaporadas a partir do solo. O solo pode

ainda condicionar a eficiência de rega, sobretudo se esta

não for conduzida com os cuidados necessários. Para um

uso mais eficiente da água recomendo o método de rega

gota a gota.

Bons cultivos!

(*) https://acientistaagricola.pt

geral@acientistaagricola.pt

Imagens: Canva Pro

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CULTURA

Palavras Cruzadas

V PAULO FREIXINHO

Horizontais:

1. Próprio da primavera. 10. Cobertura.

14. Elogio. 15. Cabelo comprido.

16. Radical. 17. Fazer a digestão. 19.

Pedra de calçada. 21. Suspiro. 22. Sódio

(s. q.). 23. Tornar são. 26. Espaço

que o sol não ilumina. 28. Abreviatura

de altitude. 30. Triturar. 32. Hora canónica

(corresponde às 15 horas). 33.

Extraterrestre. 35. Revista de banda

desenhada (Bras.). 37. Conjunto de

peças de algo por montar. 40. Especiaria

indiana. 43. Primavera (fig.). 45.

Prefixo que exprime a ideia de privação.

46. Pedaço de madeira fino e

comprido. 48. Gostar muito de. 49.

Preposição que indica lugar. 50. Diz-se

do contrato em que ambas as

partes tomam sobre si obrigações

recíprocas. 53. A sexta parte de qualquer

coisa. 55. Ligação (fig.). 56. Língua

moderna da Índia, mesclada de

estrangeirismos árabes e persas. 58.

Símbolo de miliampere. 59. Benéfica.

61. Sensação de calor intenso. 64.

Raiva. 67. Primavera ou andorinha.

70. Capital da Argélia. 72. Atmosfera.

73. A minha pessoa. 74. Grupo de

pessoas em círculo. 76. Marasmo. 78.

Questão judicial. 80. Que não é limpo.

83. Unidade de irradiação absorvida,

de símbolo rd (Física). 84. Épocas.

85. Lambão.

Verticais:

1. Completa. 2. Roseiral. 3. Avançavam.

4. Dividir ao meio. 5. Relativo

à Primavera. 6. Artigo antigo. 7. Prefixo

(repetição). 8. Inglês (abrev.). 9.

País do Sudeste Asiático cuja capital

é Vienciana. 10. Gravura que se cola

em caderneta. 11. Autores (abrev.). 12.

Queixar-se (gíria). 13. Acidez do estômago.

18. Eles. 20. Margaridas dos

campos. 24. Alumínio (s. q.). 25. Nome

Um site que é uma referência

de qualquer guisado ou ensopado

(Bras.). 27. Capital do Azerbaijão.

29. Possuir. 31. Émulo.

34. Filete. 36. Pessoa amada. 38.

Igualmente. 39. Assunto. 40.

Pode estar dentro. 41. Índigo.

42. Da Lituânia. 43. Medida inglesa,

equivalente a 91 centímetros.

44. Conjunto de utensílios

de cozinha. 47. Antiga forma de

por (arcaico). 51. Animal carnívoro,

selvagem, da família dos canídeos.

52. Vento brando e aprazível. 54. Vai à

rua. 57. Lance de jogo. 60. Papões. 62.

Doutor (abrev.). 63. Tornar a pôr. 65.

Despontar no horizonte. 66. Charrua.

67. O maior e mais pesado órgão do

corpo. 68. Desmoronar-se. 69. Vereador.

71. Los Angeles (abrev.). 75. Mulher

que cria uma criança alheia. 77. Prefixo

(três). 79. «De» + «a». 81. A unidade. 82.

Nióbio (s. q.).

Soluções na página 35 8

Adepto das Redes Sociais e dos blogues, Paulo Freixinho, juntamente com um amigo de

infância, admirador do seu trabalho, relançou este ano o seu site onde é possível fazer

Palavras Cruzadas online.

Juntos, pretendem criar um site que seja cada vez mais uma referência, já apelidado como

“Um Paraíso para Cruzadistas”.

Experimente: WWW.PALAVRASCRUZADAS.PT

Lusitano de Zurique - Março 2021 | www.cldz.eu

31


DESPORTO

“Não é difícil quando

entras numa casa como

o Centro Lusitano e és

bem recebido”

Conhece

a letra toda de

“A Portuguesa”?

José Ricardo Da Silva Moreira

JORGE MACIEIRA

José Ricardo Da Silva Moreira

treinador dos Juniores

A do Centro Lusitano

de Zurique há vários anos,

jogador do centro desde

2003 num total de 18 anos

de Centro Lusitano ao peito.

Natural da Póvoa de

Lanhoso, que emigrou e

juntou-se à equipa da comunidade

lusa em Zurique.

CLZ- Para os mais distraídos?

Quem é o Zé Ricardo?

ZR- Para os mais distraídos chamo-

-me José Ricardo natural da Póvoa

de Lanhoso, que como tantos jovens

portugueses resolve imigrar mas eram

só três quatro anos e volto logo e sim

já lá vão dezanove anos e continuo cá

em Zürich.

CLZ- Quando começou esta ligação

ao Centro Lusitano de Zurique?

ZR- Esta ligação começou em 2003

através do Pedro (paparazzi) que perguntou

se queria ir fazer um treino ao

Centro Lusitano na atura tinha acabado

a época em Portugal e estava a precisar

de treinar e ainda bem cá estou

até hoje obrigado Pedro.

CLZ - Como se sente o Zé e a

equipa, estavam a ter bom início

no campeonato e agora com o covid-19

parou tudo?

ZR- Sim não é fácil mas temos de respeitar

e para bem de todos e isso é o

mais importante, mas não tem sido

fácil já temos saudades da bola e dos

treinos sem dúvida.

CLZ - Houve alguns jogadores

dos juniores chamados aos seniores

na época passada. Como encara

essa chamada, uma vez que

corre o risco de “perder” alguns

atletas para a equipa principal?

ZR- Encaro com normalidade e para

isso que temos estado a trabalhar durante

estes anos, e acredito que temos

miúdos com muita qualidade e que

num futuro próximo irão ser muito

úteis ao Centro Lusitano.

CLZ - A questão já foi colocada

aos treinadores dos seniores. Coloca-a

agora ao treinador dos juniores:

que balanço faz desta estrutura

vertical até agora?

ZR- Quanto a estrutura na minha

opinião acho que estamos no bom caminho

claro com alguns erros mas isso

faz parte do nosso crescimento e acredito

que vamos melhorar muito mais e

tentar fazer sempre o melhor possível

para o bem de todos.

CLZ - Voltamos então ao campeonato:

qual é a prioridade dos

Juniores A do CLZ?

ZR- Quanto aos juniores acima de

tudo tenho tentado fazer um bom

grupo forte e isso acho que conseguimos

o mais importante para mim

e que eles se sintam feliz dentro de

campo e conseguimos sim porque este

trabalho também se deve ao (Vitor

Fonseca) e sem dúvida a estes miúdos,

tivemos a sorte de ter um grupo de

miúdos fantástico que gostam de trabalhar

e aprender cada vez mais, para

eles o meu muito obrigado e que pra

lá de um treinador eles sabem que tem

aqui um amigo.

CLZ - E este plantel tem argumentos

para quais atingir que

objectivos?

ZR- Argumentos são sempre muitos

esperando que este vírus passe rápido

para podermos voltar a fazer aquilo

que mais gostamos que são os treinos

os jogos e depois tentar ganhar jogo a

jogo claro que nem sempre é possível

mas tudo vamos fazer para o conse-

32

Lusitano de Zurique - Março 2021 | www.cldz.eu


guir, acredito muito nestes miúdos e

com os anos estão mais conscientes

do quanto é difícil este campeonato

é que se tem de levar as coisas mais a

sério para termos sucesso.

CLZ - Já se pode falar em paixão

ao símbolo com tantos anos de

casa no CLZ, 18 anos no total. O

que levou a representar sempre

o mesmo símbolo na Suíça?

ZR- Paixão talvez, mas também não

é difícil quando entras numa casa

como o Centro Lusitano e és bem

recebido e na qual te identificas tudo

isso se torna mais fácil e é uma das

razões que ainda continuo com este

símbolo sem dúvida.

CLZ- Qual foi o momento mais

alto que vivestes no Centro Lusitano

de Zurique?

ZR- Foram muitos sem dúvida mas

mais de que momentos foram sem

dúvida as amizades que se criam num

balneário e muitas delas ficam para

sempre, desde de subidas de divisão

e foram algumas umas mais especiais

do que outras sem dúvida, mas tenho

dois momentos talvez por estar mais

perto deles que são os juniores quando

fizemos o estágio em Barcelona e

este último em Chipre e uma das coisas

que guardo para a vida diferente

mas muito bom sem dúvida.

CLZ - Como surgiu o convite

para ser treinador de formação

e jogador ao mesmo tempo?

ZR- Ainda hoje continuo a ser treinador

e jogador mas na altura surgiu

o convite que foi feito ao (Vitor Fonseca)

e ele disse que sozinho era difícil

se eu poderia ajudar e logo disse

que sim e sem dúvida valeu todo o

tempo que perdemos com cada miúdo,

e um orgulho ver a ovulação de

cada um durante estes anos todos vê-

-los crescer foi muito bom, sim porque

alguns teriam 6-7 anos hoje tem

18 -20 e isso tem sido muito gratificante

para mim.

CLZ - Com tantos anos de clube,

como geres o trabalho e o futebol

no Centro Lusitano de Zurique?

Recentemente também recebestes

o convite de ser director desportivo,

como organizar para assumir

as três funções?

ZR- Muitas vezes não é fácil, mas

conseguimos sempre um tempinho

DESPORTO

para tudo e depois quando gostas

daquilo que fazes tentas conciliar da

melhor maneira e depois de um dia

de trabalho até sabe bem-fazer um

treino ou mesmo uma reunião e nisso

somos todos muito flexíveis.

CLZ - Qual a mensagem que deixas

as camadas jovens do Centro

e aos nossos leitores?

ZR- Para às camadas jovens que nunca

desistam e que acreditem nos seus

sonhos e com trabalho e muita dedicação

bom conseguir os seus objectivos

tanto no futebol como noutros

desportos como nas vossas vidas e se

nós Centro Lusitano podermos contribuir

para isso ainda melhor.

Aos pais o meu muito obrigado e que

continuem a acompanhar os vossos

filhos independente de ter 8 ou 18

anos vocês são uma mais-valia para

eles quando estão em campo podem

crer, também intendo que nem sempre

é possível acredito que este ano

vamos tentar fazer um pouquinho

mais.

Aos nossos leitores o meu muito

obrigado um grande abraço para todos,

e vamos acreditar que o amanhã

será sempre melhor que hoje.

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HUMOR Quem não sabe rir, não sabe viver”

No Restaurante

- já a chamei três vezes! A menina

não tem orelhas? - pergunta

o cliente à empregada.

- Tenho sim, quere-as com feijão

ou com ervilhas?

A Sogra

Um homem encontra um amigo

e diz-lhe:

- Estás cada vez mais parecido

com a minha sogra. A única diferença

é o bigode!

O amigo responde-lhe;

- Mas eu não tenho bigode!

- Mas a minha sogra tem!

No Manicómio

- Diga-me; por que está aqui?

- Por gostar mais de sapatos do

que de botas!

- Mas isso é natural! Eu próprio

prefiro os sapatos!

- Ah sim? E como gosta mais

deles: cozidos ou fritos?

O que elas dizem sobre eles

- Porque é que só 10% dos homens

é que vão para o céu?

- Porque se fossem todos passava

a ser o inferno!

- No que se parece um homem

ao Microsoft Windows?

- É que cada vez que o usamos

ele parece óptimo, mas

há sempre uma versão que o

substitui.

- Porque é que há mais mulheres

que homens?

- Porque a natureza é sábia.

- Porque é que os homens gostam

tanto de carros e motas?

- Porque é a única coisa que

podem conduzir.

- Porque é que Deus criou o

homem?

- Para que alguém possa entreter

as mulheres.

- Sabe como uma mulher se

livra de 90 quilos de gordura

inútil?

- É simples: pede o divórcio.

- Qual o livro mais fino do

mundo?

- “O que os homens sabem sobre

as mulheres”.

Duas bolas de Berlim

estão num precipício,

uma vira-se para a outro

e diz:

- Estás com medo? Responde

a outra:

- Não é medo, é recheio.

Uma mãe e uma filha estão

a dormir no corredor,

que horas são?

- Falta um quarto para as

duas.

Dois espelhos estão a

conversar e um vira-se

para o outro e diz:

- Qual é o significado da

vida? Responde o outro:

- Deixa-me reflectir...

Qual é a semelhança entre

um padre e um martelo?

- Nenhuma. Ambos pregam.

O que faz uma hortaliça

surda?

- Finge couve.

Como é que as freiras

secam a roupa?

- Convento.

Porque é que na Polónia

ninguém se perde?

- Porque há muitas polacas.

Porque é que o louco

toma banho sem água?

- Porque comprou um shampoo

para cabelos secos.

Qual é o símbolo químico

da água benta?

- H Deus O.

Vira-se um telemóvel

para o outro:

-Vamos à pesca?

-Não posso, estou sem rede.

DA SUÍÇA PARA PORTUGAL

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a utilização de numerários (cash).

A utilização do ST (Serviço Transferências) apesar de permitir custos reduzidos não

dispensa a consulta do preçário em santandertotta.pt, com as condições de cada

entidade bancária na Suíça e em Portugal.

Escritório de Representação de Genebra

Rue de Genève 134, C.P. 156 | 1226 Thônex - Genève | Tel. 022 348 47 64

Escritório de Representação de Zurique

Badenerstrasse 382, Postfach 687 | 8040 Zürich | Tel. 043 243 81 21

Baslerstrasse, 117 - 8048

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Março 2021

Feriados e Datas Comemorativas

01 SEG Dia Mundial da Proteção Civil

03 QUA Dia Internacional da Vida Selvagem

05 SEX Dia de Apreciação do Empregado

07 DOM Dia de Luto Nacional pelas Vítimas de Violência

Doméstica

08 SEG Dia Internacional da Mulher

11 QUI Dia Europeu das Vítimas do Terrorismo

11 QUI Dia Mundial do Rim

11 QUI Dia Mundial da Canalização

14 DOM Dia do Pi

14 DOM Dia da Incontinência Urinária

14 DOM Dia Branco

15 SEG Dia Mundial dos Direitos do Consumidor

15 SEG Idos de Março

15 SEG Dia Mundial do Sono

15 SEG Dia Internacional Contra a Violência Policial

16 TER Dia da Liberdade de Informação

19 SEX Dia do Pai

20 SÁB Equinócio de Primavera

20 SÁB Início da Primavera

20 SÁB Dia Internacional da Felicidade

21 DOM Dia Mundial da Árvore

21 DOM Dia Mundial da Poesia

21 DOM Dia Int. de Luta Contra a Discrim. Racial

21 DOM Dia Europeu da Criatividade Artística

21 DOM Dia Internacional da Síndrome de Down

21 DOM Dia Mundial da Marioneta

22 SEG Dia Mundial da Água

23 TER Dia Mundial da Meteorologia

24 QUA Dia Nacional do Estudante

24 QUA Dia Mundial da Tuberculose

26 SEX Dia do Livro Português

27 SÁB Hora do Planeta

27 SÁB Dia Mundial do Teatro

28 DOM Mudança de hora: horário de verão 2021

28 DOM Dia Nacional dos Centros Históricos

31 QUA Dia Mundial do Backup

PASSATEMPO

Datas comemorativas

SOLUÇÕES

Horizontais:

1. Primaveril. 10. Capa. 14.

Loa. 15. Melena. 16. Raiz. 17.

Esmoer. 19. Gobo. 21. Ai. 22.

Na. 23. Sanar. 26. Sombra.

28. Alt. 30. Ralar. 32. Noa.

33. ET. 35. Gibi. 37. Kit. 40.

Caril. 43. Juventude. 45. An.

46. Ripa. 48. Amar. 49. Em.

50. Bilateral. 53. Sesma. 55.

Elo. 56. Urdu. 58. Ma. 59.

Boa. 61. Ardor. 64. Ira. 67.

Progne. 70. Argel. 72. Ar. 73.

Eu. 74. Roda. 76. Apatia. 78.

Lide. 80. Imundo. 83. Rad.

84. Eras. 85. Lambareiro.

Verticais:

1. Plena. 2. Rosal. 3. Iam. 4.

Amear. 5. Vernal. 6. El. 7.

Re. 8. Ing. 9. Laos. 10. Cromo.

11. Aa. 12. Piar. 13. Azia.

18. Os. 20. Boninas. 24. Al.

25. Ragu. 27. Baku. 29. Ter.

31. Rival. 34. Tira. 36. Bem.

38. Idem. 39. Tema. 40.

Cabe. 41. Anil. 42. Lituano.

43. Jarda. 44. Trem. 47. Per.

51. Lobo. 52. Aura. 54. Sai.

57. Jogada. 60. Ogres. 62.

Dr. 63. Repor. 65. Raiar. 66.

Arado. 67. Pele. 68. Ruir. 69.

Edil. 71. La. 75. Ama. 77. Tri.

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POESIA

Sou louco

V CARMINDO

DE CARVALHO

Sou louco quando penso que te vejo e contudo sei que não te vejo.

Sou louco quando sem te ter, te quero e te desejo.

Sou louco quando vejo as horas a passar e sem querer saber do peso da minha

ânsia.

Sou louco porque sei que passam, mas recuso aceitar o sabor da tua ausência.

Sou louco quando num mutismo, em silêncio te espero.

Ébrio, espero e continuo esperando.

Sou louco por tanto já te ter esperado.

Tempo que foi de espera.

Tempo que inevitavelmente decorreu.

Tempo que nem sei o quanto do tanto que já passou.

Sou louco por esta voluntária espera?

Que me importa?

Se me basta o saber que és o meu sol.

O sol, que banha de luz e com o seu calor aquece a minha horta!

Sou louco nesta espera que em silêncio se cumpre como o fluir de água em rio

calmo.

Rio quase plano

Quase horizontal que continua a descer até ao mar.

Porque esse é o seu destino.

Palavras e foto, da minha safra.

Semana Santa

V EUCLIDES

CAVACO

Dobram tristes na igreja

Na torre que se agiganta

Os sinos p'ra quem deseja

Viver a Semana Santa.

Morreu Cristo numa cruz

Pela bondade ser tanta

P'lo martírio de Jesus

Se evoca a Semana Santa.

Há cânticos da paixão

Que algum povo crente canta

Cultos de celebração

Próprios da Semana Santa.

Há quem faça penitência

E se almoça já não janta

Em jejum e abstinência

Durante a Semana Santa.

Neste mundo atormentado

Que a maldade desencanta

Devia ser transformado

P'ra sempre em Semana Santa.

O mais profundo sentido

Que tem a Semana Santa

É quando Cristo remido

Do sepulcro se levanta !…

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Contra o endurecimento dos direitos dos migrantes

Porque a pobreza não

é um crime

nos meios de comunicação social suíços

Contra imagens que chocaram o mundo. endurecimento

dos algumas vezes direitos longas fi-

dos mi-

Em Genebra e Zurique, cidades ricas,

formaram-se

las de pessoas à espera da distribuição

de alimentos. Eram, com frequência,

grantes. Porque a pobreza

devido não à crise provocada é um pelo

migrantes com uma autorização de

estadia na Suíça, agora numa situação

difícil crime

xílio a que têm direito? Por receio de

O a assistência numa situação

perderem o seu direito de estadia na

Suíça. Muitos migrantes

de

perderam

emergência

(e controlo da migração.

é um direito

causa da crise fundamental. do coronavírus. Não Política Está de migração consig-

através

continuam a perder) os seus empregos

por

querem, além disso, correr o risco de dos serviços sociais

terem nado de deixar na a Suíça. Constituição e todos na

Instrumentalização Suíça têm da acesso ajuda a ele. Na prática,

no entanto, os migrantes

social

Isto é possível devido a um estranho

paradoxo:

não

os migrantes podem

fazer

ser punidos

por fazerem uso de um direito. O

uso deste direito.

a ajuda em Porque caso de necessidade se receberem aju-

direito

é um direito fundamental. Mas, as

da social correm o risco de perder

a sua autorização de estadia

ou de residência e ser expulsos

da Suíça. Agora foi criada uma

aliança para lutar contra esta

discriminação dos estrangeiros.

No início da pandemia apareceram

nos meios de comunicação social

suíços imagens que chocaram

o mundo. Em Genebra e Zurique,

cidades ricas, formaram-se algumas

vezes longas fi-las de pessoas à espera

da distribuição de alimentos.

Eram, com frequência, migrantes

com uma autorização de estadia

na Suíça, agora numa situação difícil

devido à crise provocada pelo

coronavírus. Porque não se dirigiram

aos serviços sociais para receber

o auxílio a que têm direito? Por

receio de perderem o seu direito de

estadia na Suíça. Muitos migrantes

perderam (e continuam a perder) os

seus empregos por causa da crise do

coronavírus. Não querem, além disso,

correr o risco de terem de deixar

Samira Marti, Conselheira Nacional

pelo a Suíça. PS, diz em nome dos membros

O direito a assistência numa situação de emergência é um direito fundamental. Está consignado na Constituição

e todos na Suíça têm acesso a ele. Na prática, no entanto, os migrantes não podem fazer uso deste direito. Porque

se receberem ajuda social correm o risco de perder a sua autorização de estadia ou de residência e ser expulsos

da MARÍLIA Suíça. Agora foi criada MENDES uma aliança para (*) lutar contra esta discriminação dos estrangeiros.

Marília Mendes

No início da pandemia apareceram

coronavírus. Porque não se dirigiram

aos serviços sociais para receber o au-

Recorrer à ajuda social é um direito, não um crime. A aliança «A pobreza não é um crime» luta pelos direitos dos estrangeiros

pessoas sem passaporte suíço que recebam

ajuda social podem perder a sua

autorização de estadia ou residência e

até ser expulsas da Suíça. Desde a entrada

em vigor da Lei dos Estrangeiros

e da Integração (AIG/ LEI/ LStrI) em

Janeiro de 2019, isto pode acontecer

a todos os migrantes, independentemente

de há quanto tempo vivam na

Suíça. Podem ser expulsos mesmo que

tenham nascido ou crescido aqui. Desta

forma, a lei da migração instrumentaliza

a situação de aflição das pessoas

e a ajuda social como mecanismos de

O endurecimento da AIG/ LEI/ LStrI é

uma injustiça que tem de ser corrigida.

O Partido Socialista (PS), o Unia, o

Observatório Suíço do Direito de Asilo

e dos Estrangeiros (SBAA) e a SAH Zurique

lançaram uma aliança não partidária

para este fim. Porque as pessoas

pobres não devem ser discriminadas e

punidas duplamente pela sua pobreza.

da aliança: «Quero um Estado social

que liberte as pessoas e não as assedie.

Neste momento, no entanto, está

a

Instrumentalização

acontecer exactamente o contrário.

da ajuda

Isto atinge em especial os estrangeiros

social

porque o seu direito de permanência

no país está a ser posto em risco. Este

tratamento desigual, em que uma polí-

participação de migrantes e das suas

associações». Seguindo as palavras de

Samira Marti, também a aliança «não

quer fazer política para os afectados

como uma advogada de defesa, mas

lutar juntamente com eles pela melhoria

da sua situação». Para aumentar a

pressão sobre as instituições, as organizações

da sociedade civil têm de se

manter unidas e levantar as suas vozes.

A aliança «A pobreza não é um crime»

tica Isto repressiva é de possível migração é praticada devido a um estranho

paradoxo: extremamente». os migrantes podem

através das instituições sociais, incomoda-me

fornece o enquadramento para tal.

Objectivos

ser punidos

da aliança

por fazerem uso de um

A aliança tem por objectivo promover

direito. O direito ajuda em caso

o debate público sobre o endurecimento

de da lei necessidade de migração. E pretende tomar é um direito funda-

a pol@unia.ch.

medidas concretas para combater este

endurecimento. mental. As Mas, pessoas potencialmente

afectadas também devem ter

as pessoas sem passaporte

palavra a suíço dizer. Hilmi que Gashi, chefe recebam ajuda social

uma

da área migração do Unia, pensa

podem perder a sua autorização de

que «é uma questão de autodeterminação

estadia

lutar pelos

ou

próprios

residência

direitos e not a crime!

e até

(poverty-is-not-a-crime.ch)

ser expulsas

que da haja Suíça. uma grande Desde a entrada em

combater a injustiça. Esperamos, por

conseguinte,

vigor da Lei dos Estrangeiros e da

Integração (AIG/ LEI/ LStrI) em

Janeiro de 2019, isto pode acontecer

a todos os migrantes, independente-

-mente de há quanto tempo vivam

na Suíça. Podem ser expulsos mesmo

que tenham nascido ou crescido

aqui. Des-ta forma, a lei da migração

instrumentaliza a situação de aflição

das pessoas e a ajuda social como

mecanismos de controlo da migração.

As associações de migrantes podem

inscrever-se em: https://sp-ps.typeform.

com/to/kuzX1GRS. ou enviar um email

E todos nós, com ou sem passaporte

suíço, podemos assinar a petição da

aliança dirigida aos membros do Parlamento,

bem como apoiar outras actividades.

Consulte a página da aliança

(em português): Petição – Poverty is

Política de migração através

dos serviços sociais

O endurecimento da AIG/ LEI/ LStrI

é uma injustiça que tem de ser

corrigida. O Partido Socialista (PS),

o Unia, o Observatório Suíço do

Direito de Asilo e dos Estrangeiros

(SBAA) e a SAH Zurique lançaram

uma aliança não partidária para este

fim. Porque as pessoas pobres não

SINDICALISMO

Editorial

devem ser discriminadas e punidas

duplamente pela sua pobreza.

Samira Marti, Conselheira Nacional

pelo PS, diz em nome dos membros

da aliança: «Quero um Estado social

que liberte as pessoas e não as

assedie. Neste momento, no entanto,

está a acontecer exactamente o

contrário. Isto atinge em especial os

Solidários para sair da crise

estrangeiros

– agora é a nossa vez!

porque o seu direito de

permanência A pandemia do coronavírus continua no país a está a ser posto

pesar sobre a Suíça. Ela traz, além de

em risco. Este tratamento desigual,

grande sofrimento humano no presente,

muita incerteza para o futuro. Para que os

em custos da que crise não tenham uma de ser política pagos repressiva de

pelos trabalhadores, a nossa prioridade

migração para os próximos meses é lutar praticada contra através das

as devastadoras consequências da crise.

Se necessário, com medidas

instituições sociais,

de luta

incomoda-me

colectivas em caso de despedimentos

extremamente».

colectivos.

Mas resistir só não chega. Para mantermos

a nossa capacidade de acção,

Objectivos temos de nos orientar pelas prioridades da aliança

sindicais que definimos juntos. O slogan

«solidários para sair da crise – agora é a

nossa vez» serve como fio orientador das

A nossas aliança actividades em 2021. tem Ele liga os por objectivo promover

debate público sobre o en-

três eixos da nossa campanha, que tem

diferentes momentos de mobilização: 1)

«Solidariedade na proteção da saúde»

durecimento da lei de migração. E

com o «dia da prestação de cuidados de

saúde» a 12 Maio. 2) «Valorizar as profissões

femininas» actividades em

pretende tomar medidas concretas

para diferentes localidades combater a 14 de Junho. este E 3) endurecimento.

«Suportar solidariamente as consequências

da crise» com uma manifestação

As pessoas potencial-mente afectadas

alto de mobilização também neste ano. devem ter uma palavra

nacional a 18 de Setembro, o momento

Com estas mobilizações, queremos criar

a dizer. Hilmi Gashi, chefe da área

condições favoráveis para melhor negociarmos

os contratos colectivos de trabalho

(CCT), para melhorarmos o poder

de migração do Unia, pensa que «é

uma

de compra

questão

e assegurarmos postos

de

de

autodeterminação

trabalho. Pretendemos impedir desregulamentos,

alcançar igualdade salarial e

lutar pelos próprios direitos e combater

a injustiça. Esperamos, por

tos de trabalho. Além disso, queremos

melhorar as condições laborais nos pos-

impedir que os empregos de prestação

conseguinte, de cuidados na área da saúde que sejam haja uma grande

desmantelados a longo prazo. E que o

participação Unia seja cada vez mais valorizado de como migrantes e das suas

um sindicato forte nas profissões das

associações». Seguindo as palavras

áreas de serviços, que se empenha em

especial pelas condições de trabalho das

de Samira Marti, também a aliança

mulheres.

«não quer fazer política para os afectados

como uma advogada de defe-

Vania Alleva

sa, mas lutar juntamente com eles

pela melhoria da sua situação». Para

aumentar a pressão sobre as instituições,

as organizações da sociedade

civil têm de se manter unidas e

levantar as suas vozes. A aliança «A

pobreza não é um crime» fornece o

enquadramento para tal.

As associações de migrantes podem

inscrever-se em: https://sp-ps.typeform.

com/to/kuzX1GRS. ou enviar

um email a pol@unia.ch.

E todos nós, com ou sem passaporte

suíço, podemos assinar a petição

da aliança dirigida aos membros do

Par-lamento, bem como apoiar outras

actividades. Consulte a página

da aliança (em português): Petição

– Poverty is not a crime! (poverty-is-

-not-a-crime.ch)

(*) UNIA

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HORÓSCOPO

Março

w V - JOANA ARAÚJO (*)

Carneiro

Com criatividade realçada, poderá ter novas ideias ligadas

à carreira e até começar a trabalhar por conta própria.

Tudo bem no romance. Cuidado com discussão com

genro, nora ou cunhado. Realinhe os seus pensamentos.

Touro

Ao lado dos colegas, deverá bater metas no trabalho. Se

um deles precisar de algo, ofereça ajuda. União cheia de

romantismo. Cuidado ao lidar com o dinheiro dos outros.

Gémeos

De olho no reconhecimento no trabalho, você vai colocar

seu sexto sentido em acção para acertar. Faça amizade

com pessoas de outras cidades. Festeje sonhos realizados

com a pessoa amada. É bom prestar mais atenção

à saúde.

Caranguejo

Terá intuição para resolver questão financeira. Planeie

os seus passos na carreira e estude mais para prosperar.

Pessoa misteriosa vai despertar o seu interesse. Conte

sempre com o apoio dos seus parentes.

Leão

Há promessa de mudança no ambiente profissional.

Com sensibilidade e responsabilidade, saberá vencer

os imprevistos. Romance bom, desde que você dê mais

atenção a quem ama. Espere óptimos momentos com família

e amigos.

Virgem

A sorte vai chegar se você trabalhar em actividade que

envolva público. Cuidado ao lidar com pensão ou herança.

Se estiver só, poderá começar uma relação com forte

atracção. É provável que um familiar lhe peça ajuda:

compareça!

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Balança

Saberá resolver pendências no seu emprego, mas tenha

cuidado para não assumir muitos compromissos e acabar

se prejudicando. Turbine o romance com surpresas! Com

bom humor, conseguirá administrar conflitos familiares.

Escorpião

Procure informações para crescer na profissão e facturar.

É provável que você e o seu par estejam distantes: aja

com mais cumplicidade. O envolvimento familiar estará

forte.

Sagitário

Com energia extra, conseguirá solucionar assuntos de

trabalho e pensar em novos projectos. Converse mais

com seu par: isso vai aliviar a sua ansiedade. Boa hora

para se declarar a quem ama.

Capricórnio

Aproveite esta fase para rever os seus gastos. Ciúme e

cobranças poderão azedar a conquista: modere isso! Familiares

vão exigir sua atenção para resolver problema.

Nas horas livres, que tal mudar a decoração do seu lar?

Aquário

Com entusiasmo dobrado, vai dar conta do serviço, de

cursos e pesquisas. Se estiver em dúvida ao precisar tomar

uma decisão, ouça a sua intuição. Uma crise na vida a

dois deverá ser superada. Alguns planos pessoais poderão

mudar: aceite isso.

Peixes

Com ambição e criatividade destacadas, você vai lutar

pelo seu sucesso material. Se precisar se isolar para recarregar

energias, faça isso. Contratempos na vida a dois

não estão descartados. Estará mais exigente com os amigos.

(*) COORDENAÇÃO, RECOLHA E ADAPTAÇÃO


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COVID-19 NA SUÍÇA

De acordo com as autoridades sanitárias

suíças, esta é a situação pandémica actual,

a qual está em constante evolução.

A informação agora fornecida, pode no

entanto, tornar-se desactualizada quando

esta revista chegar às suas mãos.

Manuel Araújo (*)

Para entrar na Suíça a partir de Portugal, terá de:

• - Preencher um formulário electrónico de entrada,

que está disponível em www.swissplf.admin.ch. Todas

as pessoas que entram na Suíça devem preencher

esse formulário (antes de entrar na Suíça).

• - Apresentar um teste PCR negativo. Todas as pessoas

que entram na Suíça a partir de Portugal (por via

aérea ou terrestre) devem apresentar um teste PCR negativo

datado de menos de 72h à entrada. Existem excepções

à exigência de um teste PCR negativo para entrar

na Suíça. Estes incluem crianças com menos de 12 anos

de idade.

• - As pessoas que entram na Suíça a partir de Portugal

devem ser colocadas em quarentena durante 10 dias.

Há excepções. No entanto, as pessoas em quarentena

podem sair após sete dias fazendo um teste antigénico

rápido, ou um teste PCR sendo o resultado negativo.

Na Suíça:

Lojas, zoológicos e instalações recreativas ao ar livre serão

reabertos, mas os restaurantes permanecerão fechados

até, pelo menos, 22 de Março. • - A partir de 1 de Março,

todas as lojas poderão reabrir, no entanto, o número

de clientes ainda será limitado.

• - Também os jardins zoológicos, botânicos, museus

e bibliotecas, ou instalações onde os riscos são

considerados limitados, também podem abrir ao público.

• - Outros estabelecimentos públicos - tal como os restaurantes

e teatros - terão, ainda que esperar. Uma

decisão será tomada apenas em 22 de Março, ou 1 de Abril.

• - O Conselho Federal pediu ao Parlamento que aprove

um apoio extraordinário para as empresas.

• - Desde 8 de Fevereiro, todos os viajantes (excepto aqueles

que viajam de carro) terão que preencher um formulário

electrónico à entrada na Suíça.

• - Os viajantes provenientes de países de risco terão

que apresentar um teste PCR negativo, 72 horas antes

da chegada e permanecer em quarentena de 10 dias.

• - A partir do início de Fevereiro, quem cometer uma infracção

contra as medidas de controle do Covid-19 estarão

sujeitas a uma multa de 50 a 100 francos.

Para mais informações, consultar o site do Ministério da Saúde

aqui: https://bit.ly/3bE4aIH

(*) com agências

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