Revista Vieirense 2021 - Colégio Antônio Vieira

colegioantoniovieira

O ano de 2021 é um marco para o Colégio Antônio Vieira. A instituição completa 110 anos neste dia 15 de março, consolidando-se como um centro de aprendizagem que, há mais de um século, mantém-se como referência de qualidade educacional na Bahia, a partir de um projeto pedagógico que está sempre se ressignificando para o tempo presente.

Esse olhar constante para a inovação dá ao Vieira um novo ânimo para não só celebrar o aniversário especial como também os avanços conquistados ao longo dos anos e, especialmente no ano passado, quando a pandemia de Covid-19 também impôs difíceis desafios para a Educação em todo o mundo.

Para que isso ocorresse, o DNA jesuíta do Vieira fez a diferença. Este é um dos temas abordados pelas reportagens da edição especial eletrônica da Revista Vieirense 2021, que você pode conferir agora!

Revista Vieirense - 2021

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2 Revista Vieirense - 2021


Editorial

Há 40 anos, o então padre geral

dos Jesuítas, Pedro Arrupe, SJ, em

famosa alocução, dizia que “aprender

é importante, mas importante,

porém, é aprender a aprender e

desejar prosseguir aprendendo”.

É essa competência para aprender

que está presente no Colégio

Antônio Vieira ao longo dos seus

110 anos. Evoluindo sempre com

as mudanças do mundo, não paramos

de nos reinventar ao longo do

tempo. O diálogo com a contemporaneidade

nos interpela e nos

faz refletir sobre a educação que

propomos, sobre o papel social da

escola. E, sobretudo neste ano em

contexto pandêmico, esse papel

adquire importância e relevância.

A pandemia, como vetor de disrupção,

impôs-se também como

um currículo. Afetou a forma

como o conhecimento é construído,

a aprendizagem, as metodologias,

as ambiências de aprendizagem,

e continua potencializando

inquietações, transformações. Ouvir,

portanto, a voz dos alunos, das

famílias e professores do diurno e

do noturno durante esse tempo,

considerando as realidades distintas,

constituiu-se também pauta

formativa, democrática, dialogante

sobre esse currículo vivo do

nosso Colégio, comprometido em

criar estratégias de combate às

desigualdades históricas.

Como parte dessa perspectiva, o

Papa Francisco convoca a todos

para se comprometerem em um

Pacto Educativo Global, que promova

uma educação de qualidade,

devolvendo à escola a sua função

social em toda a sua potencialidade

formativa. É nesse horizonte

que atua o currículo da formação

integral que propomos, transformador

da pessoa e da sociedade.

Nossa história e projeto pedagógico

que reafirmam esse compromisso,

mesmo em tempos tão desafiadores,

são tema desta edição

da Revista Vieirense. Que cada aluno

do nosso Colégio possa construir

o seu projeto de vida e seja

a diferença que queremos ver no

mundo: crítico, reflexivo, comprometido,

engajado, preparado para

a diversidade e as adversidades.

E que, dessa maneira, possa alavancar

a revolução da ternura e da

fraternidade.

Boa leitura!

Mariângela Risério

Diretora geral

Sumário

Expediente

Conselho Diretivo

Mariângela Risério

diretora geral

Sérgio Silveira

diretor de Gestão de Pessoas

Ana Paula Marques

diretora acadêmica

Julina Argollo

diretora administrativa e financeira

Pe. Emmanuel Araújo, SJ

assistente espiritual e reitor do

Santuário Nossa Senhora de Fátima.

Coordenação editorial

Aidil Brites (DTR/BA 2619)

Jornalista responsável

Joyce de Sousa (DRT/BA 1689)

Jornalista assistente

Rodrigo Marques (DRT/BA 3190)

Diagramação

Duda Bastos | Dauã Bomfim

Fotos

Paula Menezes, Daniel Duarte acervos

pessoais e bancos de imagens

Produção

Daniela Fernandes

Revisão

Cristiane Sampaio (DRT/BA 1272)

Capa

Grazielle Oliveira, aluna da 2ª série EM

Design contracapa

Salomão Alves

04 Vieira 110 anos

10 Conexão Família e Escola

11 Entrevista: Prof. Zelão Teixeira

15 Conectados ao conhecimento

19 Iniciando a Educação Fundamental no Vieira

22 Travessias para o Ensino Médio

24 Ensino Noturno: obra jesuíta que move sonhos

29 Feras em Redação

32 Hora do dever de casa

33 Projeto Ethos

36 Arte e Música no currículo

40 Educação física para além do movimento

43 “Terceirão” em prova de resiliência

46 A Fratelli Tutti e a formação integral do Vieira

49 Por um caminhar de aprendizagem e solidariedade

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Vieira 110 anos

Cada vez mais preparado para os desafios do século XXI

O

ano de 2021 é um marco

para o Colégio Antônio

Vieira. A instituição completa 110

anos, consolidando-se como um

centro de aprendizagem que, há

mais de um século, mantém-se

como referência de qualidade

educacional na Bahia, a partir de

um projeto pedagógico que está

sempre se ressignificando para o

tempo presente.

É o que faz o Vieira hoje estar cada

vez mais preparado para ser o colégio

das crianças e jovens do século

XXI, permanecendo sempre

atento às possibilidades de múltiplos

acessos ao conhecimento da

atualidade, mas sem, por outro

lado, deixar de preservar sua missão,

que, desde 1911, visa formar

cidadãos competentes, conscientes,

compassivos, criativos e comprometidos,

a partir de uma visão

humanista e integradora.

Esse olhar constante para a

inovação dá hoje ao Vieira um

novo ânimo para não só celebrar

o aniversário especial como

também os avanços conquistados

especialmente no ano passado,

quando a pandemia da Covid-19

também impôs difíceis desafios

para a Educação em todo o

mundo. Para que isso ocorresse,

o DNA jesuíta do Vieira fez a

diferença. O Colégio é a instituição

de educação básica de Salvador

que traduz o padrão internacional

de excelência difundido em mais

de 130 países pela Companhia de

Jesus – ordem religiosa fundada

na Europa, em 1540, por Santo

Inácio de Loyola. Foi justamente o

visionário fundador da Companhia

quem já dizia, no século XVI,

que a Educação precisava estar

preparada para se adaptar a

tempos, pessoas e lugares.

Chegar a 2021, enraizado em princípios

e valores que o identificam

e o diferenciam, motiva ainda

mais o Vieira a celebrar, com toda

a Companhia de Jesus no mundo

inteiro, o Ano Inaciano. É um ano,

portanto, que também nos traz

como foco a conversão de Santo

Inácio de Loyola, que após ter sido

ferido por uma bala de canhão na

Batalha de Pamplona, mudou o

rumo da sua vida. Inspirado pelo

exemplo de Sto. Inácio, a cada

ano, nosso Colégio aprofunda e

consolida os seus ideais educativos

para junto com os alunos, famílias

e colaboradores superar as

“balas de canhão” de tempos tão

desafiadores.

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Um Colégio de

grandes lições

fato que o distanciamento

É social imposto pela pandemia

da Covid-19 provocou, em

todo o mundo, a necessidade de

adaptação imediata a novas rotinas,

inclusive nas relações entre

professores e estudantes. Atento

à contemporaneidade, o Vieira

avaliava as transformações na sociedade

e de que forma elas poderiam

se alinhar aos seus ideais

educativos.

O patrono, uma inspiração.

Colégio Antônio Vieira foi fundado pela Companhia de

O Jesus em 15 de março de 1911, sendo batizado com o

nome do emérito padre Antônio Vieira. O jesuíta viveu bem

antes disso (1608-1697), tendo honrado, bravamente, a missão

evangelizadora e educacional da ordem religiosa, fundada

por Inácio de Loyola.

“Tempo pandêmico altamente

significativo e relevante, na medida

em que conseguimos, criativamente,

tornar o currículo o espaço

de formação humana através da

inter e da transdisciplinaridade,

articulando saberes, cognição, co-

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laboração e cooperação, tocando

a fragilidade de cada ser e despertando

a fraternidade latente”, diz

a diretora geral do Vieira, professora

Mariângela. Para ela, o currículo

gerado pela pandemia tem

um potencial altamente mobilizador

“para refletirmos como escola

sobre a educação que propomos,

sobre o mundo, o planeta, a sustentabilidade,

as relações de consumo,

o modelo de sociedade e

de vida que estamos escolhendo”,

como frisa.

A ressignificação do projeto pedagógico

para o tempo presente

não é novidade no Vieira. “É uma

prática que está no DNA dos colégios

jesuítas”, como ressalta a

professora Mariângela. No Colégio,

os diversos espaços têm uma

intencionalidade educativa. A arquitetura

vem, ao longo do tempo,

desenhando e projetando a criação

de novos ambientes de aprendizagem,

como, por exemplo, o

Espaço Pe. Klein e suas multiconfigurações,

a biblioteca do Vieirinha

com anfiteatro, as salas maker, o

bosque e o Espaço Criançando,

entre outros.

Assim, após ter se mostrado mais

do que pronto para avançar também

com o ensino híbrido, o Vieira

consolida, definitivamente, o

ambiente remoto como mais um

de seus inovadores espaços de

aprendizagem, com uso igualmente

planejado, revelando também

o quanto o Colégio chega aos 110

anos maduro, renovado e, acima

de tudo, coerente com a sua missão

educativa. Para que, virtual ou

presencialmente, possamos estar

cada vez mais aprendendo juntos

e fazendo história!

6 Revista Vieirense - 2021


Alunos na segunda sede, na Piedade

Lançamento da pedra fundamental da nova sede

No coração do Garcia

prédio atual do Vieira é, na verdade, a terceira sede do

O Colégio. “Começou a funcionar, em 1911, na Rua do Sodré.

Depois, na Piedade. Como era cada vez mais procurado

pelas famílias para matricular jovens promissores, comprou-

-se um terreno mais amplo, na Fazenda Garcia, cujas obras

para abrigar o Vieira foram iniciadas em 1930”, contou o saudoso

padre Geraldo de Almeida Coelho, SJ, um dos ex-alunos

ilustres e que sempre foi um estudioso da história da Companhia

de Jesus. O lançamento da pedra fundamental, marcando

o início da construção da sede atual, completou 90 anos

no ano passado.

Santo Inácio de Loyola

Alunos ilustres sempre

educador Anísio Teixeira e o escritor Jorge Amado,

ex-alunos ilustres, são alguns dos exemplos

O

do potencial singular revelado nos ambientes da escola

nas primeiras sedes, assim como também podem

ser citados o ex-governador Roberto Santos e o

escultor Mário Cravo, que estudaram no prédio atual,

dentre tantos ex-alunos que em 110 anos trilham histórias

de sucesso, como a do próprio Colégio.

Anísio Teixeira

Jorge Amado

Revista Vieirense - 2021

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Muitas histórias a contar

Edinilson Silva “Bigu”, coordenador do

Serviço de Vida Comunitária (Sevic)

“Lembro de uma vez em que um aluno concluiu os estudos no

Colégio e saiu sem falar comigo. Dizia que eu pegava no pé dele.

Era daquele tipo que, por conta das inquietações próprias da

idade, era sempre chamado ao Servic para refletir sobre algumas

posturas quanto ao respeito ao outro e à preservação

dos espaços. Tempos depois, já na faculdade, ele foi visitar o

Vieira e, quando me dei conta, veio aquele rapaz correndo em

minha direção, surpreendendo-me com um forte abraço: ‘Hoje

sei o quanto aprendi muito contigo!’, disse. Confesso que fiquei

emocionado e, cada vez mais, busco trabalhar seguindo os princípios

inacianos de ‘amar e servir’. Foi também um aluno que

me apelidou como ‘Bigu’, numa referência a um ex-jogador de

futebol do Vitória. Acabou pegando e, assim, tornei-me conhecido

em todo o Colégio”.

Júlia Cardoso, aluna do 1º ano do

Ensino Médio

“Estudo no Vieira desde o 1º ano do Ensino Fundamental, e uma das coisas

que mais gosto no Colégio são seus espaços, além da relação que

temos como os colaboradores, sempre dispostos a ajudar. Um dos momentos

marcantes foi quando, no 7º ano do Ensino Fundamental, as turmas

produziram um curta-metragem sobre intolerância religiosa. Me dei

conta de que, mesmo estudando em um colégio católico, ele nos ensinava

a respeitar outras religiões, mas gostei também muito da prática em si,

de todo aquele movimento para gerar uma produção em prol da nossa

aprendizagem. Recentemente, agora no Vieirão, participei pela primeira

vez de um projeto de simulação de uma conferência das Nações Unidas,

a ONU Colegial. Por conta da pandemia, foi a primeira edição virtual, mas

não menos estimulante e incrível, como todos os projetos que ajudam a

construir a história do Vieira e a de todos nós, alunos, que temos a oportunidade

de cruzar nossas histórias com a dele”.

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Professor Renato Barros, coordenador geral

do Vieirinha, colaborador com mais tempo de

Vieira: 40 anos

“Havia sempre uma grande expectativa ao acompanhar as mudanças

dos espaços físicos do Colégio. Na verdade, são sempre adequações, visando

atender melhor às necessidades do projeto pedagógico. Sempre

que vejo, por exemplo, o espaço onde hoje funcionam o estacionamento

e o prédio do 1º ano EF, no Vieirinha, fico lembrando que, antes, era

a garagem, a oficina e, também, local de saída e chegada dos alunos

que utilizavam o ônibus da escola. Quando, hoje, alguém imagina que

isso era possível no estacionamento em frente ao Vieirinha?! Lembranças

interessantes e mudanças necessárias”.

Maria Aparecida Boaventura, “Pró Cida”, professora

do Ensino Médio Noturno

“Digo, com alegria, que sou testemunha viva e atuante desse trabalho socioeducativo

desenvolvido pelo Vieira. Minha história com o Colégio começa

quando eu, ainda criança, alcancei uma das ações sociais lideradas, à

época, pelo padre Ugo. Ao levar estudantes do CAV às comunidades carentes,

como a que eu morava, ele juntava realidades sociais totalmente

diversas, mas as cuidava, a partir do ideal de uma educação inaciana

voltada para o desenvolvimento da pessoa em todas as suas dimensões.

Décadas depois dessa experiência, já como profissional de Educação, retorno

à Casa com o coração grato e com a responsabilidade de poder

contribuir para transformar outras histórias de vida no turno noturno,

que oferta ensino gratuito, atendendo jovens de baixa renda que também

sonham em realizar seu projeto acadêmico”.

Lívia Farani, psicopedagoga, ex-aluna e atual

coordenadora do Serviço de Orientação Educacional (SOE)

“O que considero como um dos aspectos muito fortes do Vieira são

justamente as relações, fruto do quanto o Colégio trabalha esse lado

humano e o quanto isso tem me ajudado a tentar me tornar uma

pessoa melhor. Como ex-aluna, sei exatamente como a frase ‘Vieira

sempre Vieira’ tem um peso emocional significativo, e quando encontro

com amigos da minha época de estudante, sempre ressaltamos o

cuidado do Colégio com todos nós e o quanto ele vem cumprindo sua

missão ao longo das gerações. Hoje, minha relação com o Colégio, de

fato, perpassa a questão do trabalho, envolve muitos sentimentos,

laços de família, afetividade e gratidão”.

Revista Vieirense - 2021

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Conexão Família e Escola

PARCERIA RENOVADA EM

MEIO A UMA PANDEMIA

Por Rogério Rossi, pai

vieirense e ex-aluno

omos pais de dois estudantes,

S hoje na 2ª série do Ensino Médio

e no 7º ano do Ensino Fundamental.

A história de nossos filhos com o

Colégio Antônio Vieira foi iniciada

com aquele momento comum a

todos os pais: a definição da escola

das crianças. Nossa escolha recaiu,

para a nossa felicidade, sobre o

Vieira, mas não poderíamos imaginar

quanta emoção e surpresa essa

decisão nos reservaria no caminho,

reforçando uma identidade especial

com a instituição que, em verdade,

sempre tivemos.

Rogério e Larissa Rossi são pais dos alunos Lara e João Lucas

Levar nossos filhos ao primeiro dia

de aula me fez, no meu caso particular

de ex-aluno, realizar uma

viagem no tempo. O vaivém de

crianças correndo, brincando, alegres,

funcionários atentos, salas de

aula em movimento frenético com

os professores recepcionando os

alunos... Muita felicidade e gratidão.

Felicidade pela oportunidade

de ter estudado no Vieira e ter o

Colégio como parte integrante de

minha história. Gratidão, por tudo

que o Vieira me proporcionou e

ofereceu: conhecimento, disciplina,

humanidade, ética, respeito e muitas

amizades que perduram por

toda a vida.

No nosso caso, em especial, o CAV

é também uma referência familiar.

São três gerações que passaram

pelas suas salas de aula. Meu pai

e tios; eu, meu irmão e primos.

Da mesma maneira, o pai de minha

esposa, seus primos e, agora,

nossos filhos. Trajetória que ganha

sabor mais especial ainda quando

lembramos de Pró Lenice, tia amada

de minha esposa, que trabalhou

no Vieira por 33 anos, sendo referência

de muitas gerações de alunos.

Agora, também com um olhar

de pai e mãe, percebemos que o

Vieira se modernizou, mantendo a

excelência no ensino, sem, contudo,

perder sua principal característica,

que, a nosso ver, é a formação

humana, os valores.

RESILIÊNCIA

Enfim, de tempos em tempos, epidemias

e catástrofes sacodem o

homem e suas certezas. No ano de

2020, o mundo foi surpreendido

com o novo coronavírus, e a frase

de Charles Darwin, neste cenário,

está mais atual do que nunca: “Não

é o mais forte que sobrevive, nem o

mais inteligente, mas o que melhor

se adapta às mudanças”.

Todos nós, pais, alunos, professores

e escola, no início, ficamos

apreensivos e inseguros com essa

nova realidade que invadiu nossa

vida e lares. Nesse momento, o

Colégio Antônio Vieira, buscando

adequar-se rapidamente ao contexto,

adaptou-se ao ensino a distância,

adotando uma postura de

inovação, valendo-se da tecnologia

e gestão responsável, sem perder

sua essência de acolhimento. E,

mesmo diante de imprevistos e

eventuais dificuldades, o Colégio

esteve pronto para oferecer soluções

e ajudar alunos e pais, acolhendo

suas angústias.

Por tudo isso, acreditamos no Colégio

Antônio Vieira, valendo lembrar

o ensinamento deixado por Madre

Teresa de Calcutá ao comparar os

filhos com as águias: “Ensinarás a

voar, mas não voarão o teu voo.

Ensinarás a sonhar, mas não sonharão

o teu sonho. Ensinarás a viver,

mas não viverão a tua vida. Porém…

em cada voo, em cada vida,

em cada sonho, permanecerá sempre

a marca do caminho ensinado”.

10 Revista Vieirense - 2021


ENTREVISTA – Prof. Zelão Teixeira

“O QUE VOCÊS CARREGAM

EM SUAS MOCHILAS EXISTENCIAIS?”

Doutor em Educação, historiador

e integrante do Grupo de

Pesquisa em Currículo e Formação

da Universidade Federal da Bahia

(Formacce-Ufba), o professor José

Teixeira Neto é um dos profissionais

mais requisitados para formação

docente no estado. Em um

desses momentos, o mestre questionou

ao grupo de professores:

“O que vocês trazem de si para

a sala de aula?”. E emendou com

uma metáfora: “O que vocês carregam

em suas mochilas existenciais?”.

Prof. Zelão, como é mais

conhecido, referia-se às vivências

cotidianas de cada indivíduo, e

como, no caso dos docentes, esse

movimento pode contribuir para

um trabalho de formação integral

dos estudantes, sobretudo quanto

ao desenvolvimento do senso crítico

no mundo contemporâneo.

Após pesquisas que resultaram

em uma tese de doutorado, o

Prof. Zelão, que é coordenador

pedagógico da 2ª série do Ensino

Médio do Colégio Antônio Vieira

e um dos articuladores pedagógicos

da instituição, lançou, no ano

passado, um livro sobre o tema.

A obra “Mochilas Existenciais e

Insurgências Curriculares: possibilidades

de interações nas pedagogias

culturais do tempo presente”

norteia esta entrevista concedida,

com exclusividade, para a Revista

Vieirense.

Revista Vieirense - 2021

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As insurgências

curriculares são

uma maneira

de currículo, com

possibilidades

de formação

significativas, por

trazerem temas

que desdobram,

ou não,

dos programas

prescritos das

disciplinas”

A partir do que é abordado no livro,

como os professores podem

ampliar o processo de aprendizagem

dos alunos ao recorrer

às chamadas “mochilas existenciais”?

Prof. Zelão Teixeira - O livro

enuncia o currículo vivo, como

pautas formativas em devir, que

possa provocar educadores e educadoras

não como um manual, um

tutorial ou um passo a passo sobre

uma prática curricular. Mas inspirações

sobre ações curriculares

possíveis, praticadas por docentes

em seus cotidianos, para ser refletida,

problematizada, questionada,

enfim, discutida no campo da formação.

Alguns pensadores e pensadoras

de educação ajudaram-me

na criação desses conceitos. Jorge

Larrosa afirma que experiência

não é a quantidade de coisas que

você fez ou faz; experiência é tudo

aquilo que nos toca profundamen-

te, nos transforma naquilo que

estamos sendo durante a vida. Jacques

Ardoino, por sua vez, aponta

que somos seres que se constituem

na multirreferencialidade, ou

seja, estamos sendo o que somos

por conta de todas as referências

que temos em nossa vida: a família,

a escola, a rua etc. Já Roberto Sidnei

Macedo indica a etnoformatividade

como um tipo de formação

nos lastros de nossas vivências,

nos sentidos dos grupos e lugares

onde existimos. Quando passamos

a ter consciência desse processo,

ampliamos nosso repertório e recursos

formativos. Não é a substituição

dos conteúdos disciplinares

por nossas histórias de vida. Mas,

sim, utilizá-las para trabalhar os

conteúdos de maneira mais significativa,

fazendo a diferença aparecer

e não uma igualdade forjada.

O que são, na prática, as insurgências

curriculares? Em que medida

elas ampliam os currículos

prescritos tradicionais das disciplinas

dadas em sala de aula?

Insurgência é um termo emprestado

da história, da sociologia, para

caracterizar algum movimento,

acontecimento, fenômeno, alguma

emergência que não estava

prescrita, programada, planejada.

Vivemos em contextos midiáticos

que nos afetam, nos formam, provocam

aprendências diversas que

não ocorrem, necessariamente,

com os professores e professoras

em salas de aula. As insurgências

curriculares são uma maneira de

currículo, com possibilidades de

formação significativas, por trazerem

temas que desdobram, ou

não, dos programas prescritos das

disciplinas, podendo também serem

provocadas por professores

e professoras ou mesmo alunos

e alunas, em função de sua emergência

no contexto, algo que ocorreu

ou vem ocorrendo naquele

Não é a

substituição

dos conteúdos

disciplinares por

nossas histórias

de vida. Mas,

sim, utilizá-las

para trabalhar

os conteúdos de

maneira mais

significativa”

período e obtém notoriedade na

mídia, nas redes sociais, ou ainda

na comunidade em que o grupo

está vivendo. A insurgência, portanto,

emerge inundando as interações,

convocando todos e todas

de alguma maneira com suas opiniões

e posicionamentos expressados

por suas mochilas existenciais,

movendo nossas oportunidades de

aprendizagem.

As famílias dos alunos, muitas

vezes, revelam preocupação

quanto à mídia e redes sociais

que nem sempre trazem conteúdos

considerados de qualidade

para crianças e jovens. Como

os professores podem atuar de

forma significativa diante dessa

questão e, em geral, de todas as

pedagogias culturais do tempo

presente, como o senhor aborda

no livro?

As pedagogias culturais do tempo

presente tratadas no livro referem-

-se a uma perspectiva de formação

elaborada por duas pesquisadoras

12 Revista Vieirense - 2021


Durante eleição do Grêmio Estudantil, estimulando alunos a

atuar como agentes de um currículo vivo

e educadoras brasileiras, Marisa

Vorraber Costa e Viviane Camozzato,

que nos ajudam a pensar e

problematizar os sentidos de pedagogia

no contemporâneo. É todo o

lugar onde o poder está operando,

seja nas academias, escolas, faculdades,

universidades, seja nos artefatos

e equipamentos culturais,

revistas semanais, jornais impressos

e televisivos, cinema, novelas,

blogs, vlogs, sites, canais de youtubers,

propaganda, entre tantos outros.

Somos enredados por essas

pedagogias no cotidiano, ou seja,

somos capturados por elas culturalmente,

independentemente dos

programas e currículos escolares.

As pedagogias culturais do tempo

presente estão, portanto, sempre

nos interpelando, formando sujeitos

para determinados discursos.

Mas há também positividades

nessas pedagogias que podem

ser problematizadas na formação

escolar, praticando currículos vivos,

insurgentes, que provoquem

enfretamentos dessas imposições

consumistas, que sejam rotas de

fuga desses enquadramentos sociais

homogeneizadores.

Revista Vieirense - 2021

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No Vieira, querido

e afetuoso

colégio onde

atuo há 23 anos,

vivencio essas

possibilidades com

colegas educadores

e educadoras

cotidianamente”

O livro traz narrativas de professores,

muitos que atuam no

Vieira. Qual a avaliação que o

senhor faz dos recursos adotados

pela equipe pedagógica do

Colégio para ir além do currículo

prescrito?

De fato, na pesquisa, contei com

a contribuição fundante de

educadores e educadoras tanto do

Colégio Antônio Vieira como de outras

instituições públicas e privadas

de Salvador. No caso do Vieira e

dos demais colégios da Rede Jesuíta

de Educação (RJE) no Brasil, há

um campo fértil para essas práticas.

A Pedagogia Inaciana mobiliza

educadores e educadoras a acessarem

e serem acessados e acessadas

em suas mochilas existenciais

para provocarem ou serem provocados

e provocadas para práticas

de currículos vivos, considerando

o contexto em que se inserem e

as insurgências cotidianas que os

desafiam, as desafiam. Especificamente

no Vieira, querido e afetuoso

colégio onde atuo há 23 anos,

vivencio essas possibilidades com

colegas educadores e educadoras

cotidianamente, tanto nas salas de

aula, nos projetos de série e reuniões

pedagógicas formativas, quanto

nos corredores, no cafezinho e

com alunos, alunas e famílias.

O senhor lançou o livro bem no

ano em que a pandemia da Covid-19,

por sua vez, lançou luz

sobre o papel da escola e do professor

no processo de aprendizagem.

Em que medida este contexto

também corrobora com

suas proposições?

A Covid-19 configurou-se como

uma das grandes e perturbadoras

insurgências que o currículo-vida

nos proporciona, nos provoca, nos

ameaça, nos desloca e faz emergir

de nós o que temos de melhor e

pior, o que temos como compreensão

de minha individualidade

no coletivo e de meu desdém pelo

coletivo, centrando-me em minha

individualidade. Aquelas famílias,

sobretudo em outros países, que

antes defendiam, por exemplo, o

homeschooling (educação domiciliar)

e que a escola não servia para

nada agora perceberam, pelas vias

mais tortas e sofridas, a importância

da escola no processo de

formação. Penso, assim, que essa

questão pandêmica e seus desdobramentos

devem ser tratados

por todos e todas nós, formadores

e formadoras, alunos e alunas, famílias,

poder público e as inúmeras

e diversas lideranças, também

a partir de suas oportunidades de

aprendências. Estamos, portanto,

nos enredando nas pedagogias do

corona! Não há e nem haverá “novo

normal”! Normalidade para quem?

O novo é novo e já está em curso. É

esse movimento do tempo presente

e suas pedagogias que podemos

tomar como potência formativa,

transversalizando as disciplinas.

Estamos, portanto,

nos enredando

nas pedagogias

do corona! Não

há e nem haverá

“novo normal”!

Normalidade para

quem? O novo

é novo e já está

em curso”

* O livro “Mochilas Existenciais

e Insurgências Curriculares:

possibilidades de interações nas

pedagogias culturais do tempo

presente” está à venda no site da

editora CRV. Clique com a câmera

do celular para o QR-Code e

acesse agora mesmo.

Pedidos também podem ser feitos

pelo WhatsApp: 71- 98790-8658

https://editoracrv.

com.br/produtos/

busca?assunto=mochilas

14 Revista Vieirense - 2021


Prof. Ricardinho Bio montou estúdio em casa

uso de redes sociais e aplicativos,

dentre outras platafor-

O

mas digitais empregadas em prol

da aprendizagem, tornou-se ainda

mais frequente, nos últimos anos,

no Colégio Antônio Vieira, estimulando

o engajamento dos estudantes,

a partir de ferramentas tão

presentes atualmente no cotidiano

das crianças e jovens. No Vieira,

entretanto, ainda que prevista pela

Base Nacional Comum Curricular

(BNCC), a imersão na cultura digital

é promovida sempre de modo

a fazer sentido para o Projeto Político-Pedagógico

do Colégio – inclusive

estimulando, paralelamente, a

reflexão nos alunos sobre a adoção

dos recursos no dia a dia, de forma

ética e crítica.

O próprio tempo de exposição às

telas foi um dos fatores considerados

na programação das atividades

remotas, assim como a segurança,

a privacidade e os riscos de persuasão

para fins mercadológicos ou

ideológicos têm sido temas trabalhados

nas aulas e leituras de livros

e documentários indicados pela

equipe pedagógica.

“Em 2019, antes mesmo da intensificação

das atividades on-line por

conta da pandemia, fiz um debate

em todas as minhas turmas sobre

‘Os impactos das redes sociais na

vida dos jovens’. Naquela ocasião,

percebi que o tempo que meus alunos

dedicavam às redes sociais era

enorme e, quase exclusivamente,

para compartilhar o seu dia a dia

através de fotos e mensagens. Ou

seja, os jovens subutilizavam as redes

sociais”, conta a professora de

História, Gigi Albuquerque.

Com a pandemia, a professora não

só passou a estimular mais o uso

das redes e aplicativos na apresentação

de trabalhos escolares como

resolveu ampliar a utilização dos

recursos para expor os conteúdos

da disciplina. “A ideia era agregar

conhecimento histórico na rotina

dos estudantes”, revela.

“Escolhi o Instagram por ser uma

das redes mais acessadas pelos

jovens no Brasil e por possibilitar

publicações em formatos varia-

Revista Vieirense - 2021

15


dos: imagens, textos, vídeos nos

Stories, SnapChat, Reels. Transformei,

então, meu perfil, que era

privado, em público e, em vez de

publicações pessoais, passei a criar

e publicar conteúdos relacionados

à história”, narra a professora Gigi

(gigi_albuquerque_). Coordenadora

acadêmica, no Vieira, do projeto

de simulação de Conferência das

Nações Unidas (ONU Colegial), a

professora Gigi ainda promoveu,

por meio das redes sociais e aplicativos

de conversa instantânea, a interação

prévia entre organizadores

e participantes do evento, que teve

a primeira edição virtual em 2020,

contando ainda com quatro perfis

no Instagram.

ATUAÇÃO PLANEJADA

O professor de Biologia Ricardo

Faria, mais conhecido como Prof.

Ricardinho Bio, sempre foi um dos

mais conectados ao uso das redes

e demais plataformas digitais,

como forma de estimular o interesse

dos alunos pela disciplina. Muito

antes da interação virtual imposta

pela pandemia, ele já se fazia presente

na internet com vídeos sobre

a disciplina em canal no YouTube.

Nos últimos anos, o professor também

profissionalizou o perfil no

Instagram, que, além das postagens

com dicas no Feed, permite

o uso de recursos diversos, como

IGTV, Direct, Stories e lives. Outras

ferramentas, como Facebook, Telegram,

Padlet e podcast no Spotify,

também passaram a ser adotadas

pelo professor Ricardinho em prol

da aprendizagem dos alunos.

Para o professor Ricardinho Bio (ricardinhobio),

“feito de forma ética

e sempre atento aos limites, o uso

da tecnologia digital para fins pedagógicos

alinha-se com o previsto

pela própria Pedagogia Inaciana

do Vieira, voltada para a ressignificação

constante para o tempo

presente”, como frisa. Ele alerta,

entretanto, que para realmente

16 Revista Vieirense - 2021


motivar crianças e jovens, sempre

tão conectados às novidades na

internet, é preciso muito planejamento.

“Não bastar publicar um

vídeo de uma aula tal qual em uma

sala presencial. É preciso trabalhar

com finalidade, estratégia e criatividade

para que não se torne algo

monótono, que não cumpra o propósito

da aprendizagem”, explica.

“NÃO TEM COMO ERRAR”

No Vieirinha, os recursos também

já são usados de forma moderada,

conforme a faixa etária, desde

as séries iniciais do Ensino

Fundamental. O professor Gabriel

Mattos, de Geografia, é um dos que

já tinham canal no YouTube para

fins pedagógicos, antes mesmo

da pandemia. “Percebi logo o

retorno positivo dos alunos pelo

elevado número de visualizações”,

conta. Ele divulga conteúdos

associados às aulas e apostou, em

suas publicações, no bordão que

sempre usa na classe e que o faz

ser mais facilmente encontrado

nas redes: “Geografia, não tem

como errar” (gabrielmattos_

geografianaotemcomoerrar).

No Ensino Médio Noturno gratuito

do Vieira, o professor Márcio Félix,

também de Biologia, adotava

aplicativos como Prezi e Padlet

para apresentações, antes mesmo

do contexto de aulas remotas.

Ele já administrava um site, com

conteúdo exclusivamente didático

(100% Biologia). “As tecnologias

são usadas como parte das

metodologias ativas para estimular

a aprendizagem e o protagonismo

dos alunos”, diz ele, que também

leciona no turno diurno.

Ferramentas com simuladores

de DNA ou para montagem de

perguntas pelo aplicativo Quizizz

e outras formas de gameficação,

além da construção de mapas

mentais e formulários eletrônicos,

que geram, em tempo real,

relatórios de aprendizagem, estão

entre os recursos preferidos do

professor.

ALUNOS APROVAM

O aluno Aliki Germano de Carvalho,

da 2ª série do Ensino Médio Noturno,

é um dos que frequentemente

acessam o site 100% Biologia, do

professor Márcio Félix. “O uso das

redes e aplicativos pelos professores

é um diferencial que os aproxima

dos jovens, já que hoje nossa

geração não se imagina sem a internet.

Então, desperta ainda mais

o nosso interesse pela matéria”, diz

o estudante, que já apresentou trabalhos

escolares em vídeos, usando

aplicativos.

No turno diurno, a aluna Verônica

Moraes, também da 2ª série EM, já

usava Padlet, Canvas, YouCut para

fazer mapas mentais, vídeos e outros

projetos escolares. “É muito

legal um colégio que não se limita

a ter somente provas tradicionais,

permitindo que a gente possa também

ter avaliações usando recursos

tecnológicos que, por si só, já

nos motivam para a aprendizagem.

Por outro lado, é interessante também

ver professores disponibilizando

conteúdos nas redes sociais,

permitindo uma interação e aprendizagem

que vai além da sala de

aula”, afirma.

Revista Vieirense - 2021

17


REDES SOCIAIS E APLICATIVOS NA

APRENDIZAGEM

A IMPORTÂNCIA

DA FORMAÇÃO

DO PROFESSOR

Por Profª Ana Paula Marques, diretora

acadêmica do Colégio Antônio

Vieira, mestre em Gestão

Educacional e doutoranda em

Educação pela Unisinos

Para além do contexto de pandemia

vivenciado no ano de 2020,

que exigiu deslocamentos significativos

dos professores em suas

práticas e uso intensivo de recursos

tecnológicos a serviço de uma

aprendizagem personalizada e significativa,

as tecnologias educacionais

já faziam parte do currículo escolar.

A própria BNCC traz a cultura

digital como um pilar, prevendo a

sua prática em todo o processo de

ensino e aprendizagem e indicando

que os estudantes devem utilizá-la

de forma crítica, implicada e

responsável, ao longo da Educação

Básica.

Ainda era, no entanto, um grande

desafio a constituição de novos

modelos mentais de ensino e de

aprendizagem que utilizassem a

tecnologia, não para reproduzir as

metodologias de ensinos tradicionais,

mas para garantir novos, múltiplos

e personalizados processos

pedagógicos, em que o aluno fosse

protagonista de sua aprendizagem,

implicando-se e dando sentido aos

conteúdos. Assim, diante da própria

realidade e da cultura digital

exigida no contexto educacional

do histórico ano de 2020, os educadores

buscaram apropriar-se

ainda mais das múltiplas tecnologias

educacionais, reconhecendo

seu potencial na constituição do

processo significativo de aprendizagens.

Para ajudar os professores nessa

prática, indo além da capacitação

e buscando a compreensão dos

processos cognitivos desenvolvidos

a partir de novas metodologias,

apoiadas nos espaços e aplicativos

de aprendizagem, o Colégio

Antônio Vieira ofereceu, ao longo

da constituição de seu Projeto Pedagógico

Remoto, formações para

os professores e a equipe técnica.

Mesmo antes da pandemia, ainda

em janeiro, nosso encontro pedagógico

já abordou o Ensino Híbrido,

com a especialista Lílian Bacich,

que trouxe o tema das metodologias

ativas, com foco na construção

de planos e atividades, alinhando a

BNCC aos objetivos de aprendizagem.

E, durante toda a constituição

do Projeto Pedagógico Remoto, os

professores puderam ter formações

que qualificaram e potencializaram

o uso dos recursos.

OPORTUNIDADE

Nesse movimento cada vez mais

robusto, a RJE ofereceu formações

sobre empatia e metodologia em

ambientes virtuais e sobre como

sustentar as aprendizagens em

momentos de pandemia. Para consolidar

essa itinerância pedagógica

de 2020, a RJE também ofertou

uma capacitação em tecnologias

educacionais, abordando recursos

para aulas virtuais no Moodle; conhecimento

e aplicação de Recursos

Educacionais Abertos (REA);

maneiras de dinamizar as aulas

virtuais e propostas de desenvolvimento

da competência colaborativa,

por meio das ferramentas do

Office 365 e Google.

Embora nossa comunidade aprendente

já estivesse familiarizada

com as metodologias ativas, o Ensino

Híbrido e as Tecnologias Educacionais,

o contexto vivido, tão desafiador

para todos, proporcionou

a possibilidade de aprofundarmos

todos esses recursos, de forma que

fossem verdadeiramente aliados

de uma aprendizagem significativa,

potente e personalizada. Na contramão

dos discursos pessimistas

que desacreditam no potencial das

tecnologias no âmbito da educação,

podemos vivenciar uma rica,

poderosa e transformadora oportunidade

de aprender, nos mais

diversos âmbitos que compõem a

formação integral.

SEGURANÇA NO

AMBIENTE VIRTUAL

O Colégio Antônio Vieira

criou, no ano passado,

quase quatro mil contas

de e-mails dentro da

ferramenta Office 365 –

destinadas exclusivamente

para alunos, professores

e todo o corpo técnico da

escola. “A medida faz parte

das ações para promover

segurança e estabilidade no

ambiente virtual durante

as aulas on-line”, explica

o gestor de Tecnologias de

Informação e Educação,

Anderson Rafael Souza.

18 Revista Vieirense - 2021


FUNDAMENTAL É

ESTAR NO VIEIRINHA

Projeto pedagógico diferenciado e acolhimento especial

marcam ingresso de alunos no 1º e 2º anos EF

Revista Vieirense - 2021

19


Entrar em uma nova escola e, ao

mesmo tempo, ingressar em

uma nova etapa de estudos, no

Ensino Fundamental, representa

uma importante mudança para a

criança em todos os sentidos. É

mais um momento cercado de intensos

sentimentos, até porque a

criança, agora na faixa etária entre

6 e 7 anos, já desenvolveu certa

autonomia e preferências, devendo

ser vista como protagonista da

aprendizagem e, mais do que isso,

acolhida de forma especial, para

que se sinta à vontade nas novas

relações com a equipe pedagógica

e coleguinhas.

É justamente a atenção singular

dispensada às crianças nas séries

iniciais do Ensino Fundamental, 1º

e 2º anos EF, que vem se tornando

uma referência no Colégio Antônio

Vieira. O diferencial, segundo a

professora Adriana Novis, está no

projeto pedagógico voltado para a

criança do século XXI e que já prevê

um acolhimento de alta afetividade,

mas que, de fato, considere

os reais interesses e potencialidades

do aluno.

“A criança do século XXI apresenta

um perfil investigativo, curioso e

questionador. Ela precisa ser reconhecida

como um sujeito único, de

direitos e deveres, que apresenta

personalidade própria e que deve

ser valorizada, no ambiente familiar

e no contexto escolar, inclusive,

porque já também constrói

conhecimentos a partir das interações

e relações que estabelece

consigo mesmo, com os outros

e com o mundo que a cerca”, diz

Adriana Novis, que é coordenadora

pedagógica do 1º e 2º anos EF

no Vieira.

Engana-se, entretanto, quem pensa

que estruturar um projeto pedagógico

que desperte o interesse

da criança no mundo contemporâneo

implica, simplesmente, oferecer-lhe

jogos eletrônicos e aplicativos,

em que ela já está tão inserida

no dia a dia fora da escola. Ainda

que adotados para fins de aprendizagem,

tais recursos digitais no

Vieira são sempre sujeitos aos limites

de exposição às telas, sendo

vistos como uma das opções

de experiências de conhecimento,

que também incluem as conexões

necessárias com o mundo real.

Foi pensando nisso que o Vieira investiu

no Espaço Criançando, uma

área verde com unidade de compostagem,

túnel sonoro de bambu

e espelho-d’água com peixinhos,

usada para lazer e momentos de

aula ao ar livre, permitindo uma

maior interação do aluno com a

natureza e com outras crianças.

Nesse sentido, o planejamento

pedagógico do Vieira foi ressignificado

para o programa de aulas

remotas, com atividades programadas

para também incentivar as

boas relações familiares, valorizando,

paralelamente, os momentos

de aprendizagem no mundo

real, até mesmo estando a criança

em casa.

LUDICIDADE

A professora Catucha Cavalcante,

que leciona para turma do 2º ano

EF, no turno vespertino, lembra

que também é nessa etapa que

se intensificam os trabalhos de

desenvolvimento da leitura e letramento,

por exemplo. “A criança

20 Revista Vieirense - 2021


está na fase de consolidação da

base alfabética em um período em

que ela começa a se dar conta da

funcionalidade da leitura para comunicar,

interagir e proporcionar

conexões, o que vai se refletir na

escrita e nas aprendizagens em todas

as disciplinas”, diz. Ela ressalta

a importância do papel da ludicidade,

do acolhimento das emoções

da criança e de um projeto

pedagógico dinâmico, sobretudo,

tratando-se do ensino remoto ou

híbrido.

É por isso que no Colégio até mesmo

a brincadeira é considerada

parte de um currículo vivo que

integra as múltiplas potencialidades

de aprendizagem na infância.

“Aqui no Vieira, desde o 1º ano EF,

buscamos desfazer aquela ideia

de que brincar é coisa apenas da

Educação Infantil e que ao chegar

ao Ensino Fundamental a coisa

passa a ser séria. Isso é um equívoco:

a ludicidade, na verdade, faz

parte da vida”, confirma a diretora

geral, professora Mariângela Risério.

mãe de Pedro, a empresária Jéssica

Oliveira.

Mesmo no contexto de distanciamento

social, o Colégio fez questão

de manter o contato frequente

com pais e responsáveis pelos

estudantes, por meio de reuniões

virtuais. “Esses encontros continuam

e são sempre muito especiais

e se configuram, de fato, como um

espaço de diálogo fecundo”, acredita

a professora Adriana Novis,

destacando a importância do acolhimento

especial não só para os

pequenos novos alunos, mas para

as famílias e suas grandes expectativas.

“Acho todas as aulas bem divertidas

e gostei dos meus novos

amiguinhos. Agora quero sempre

continuar no Vieira”, afirma o aluno

Pedro Henrique, do 2º ano EF.

Ele ingressou na escola no ano

passado, e a satisfação se dá, mesmo

em meio às frustrações geradas

por não ter podido desfrutar

mais, logo no ano de estreia, dos

estimulantes ambientes de aprendizagem

do Colégio, a exemplo do

Espaço Criançando.

ACOLHIMENTO ÀS FAMÍLIAS

“O Vieira fez um excelente trabalho,

mesmo diante dos desafios

da pandemia, tendo me cativado,

principalmente, durante as atividades

remotas, quando dividiu as

turmas em dias específicos para

trabalhar leitura e escrita, demonstrando

o cuidado em acompanhar

o desenvolvimento de

cada aluno mais de perto”, conta a

Revista Vieirense - 2021

21


AS TRAVESSIAS PARA O ENSINO

MÉDIO: QUAIS CAMINHOS SE

ALARGAM PARA OS CIDADÃOS-

SUJEITOS DE DIREITOS?

Por Vânia Virgens, pedagoga, doutoranda em Educação (Unisinos),

coordenadora pedagógica do 9º ano EF do Colégio Antônio Vieira

Interessante perceber o quão mágico

é debruçar-se sobre as nossas

travessias nos territórios mais

diversos habitados por nós (nosso

eu-família-escola-cultura) no processo

de formação humana e cidadã.

Trata-se, como define Carlos

Skliar (2014, p. 167), de um permanente

movimento de encontro e

desencontro com corpos e vozes

de desconhecidos. Também nas

travessias “a verdadeira novidade

nasce sempre de uma volta às origens”

(MORIN, 2005, p. 43), quando

recorremos ao que vivemos,

aprendemos, passamos e construímos

no “pluriverso”, que é a escola.

Parece que tudo foi ontem para os

nossos filhos e filhas, para os nossos

alunos e alunas! Primeiro dia

de aula, adaptações, expectativas,

aprendizagens, frustrações, desencontros

e pre(tensões) marcam as

etapas da escolarização na vida.

É, pois, na travessia que se dá a

Educação Escolar. A travessia a

que nos referimos aqui – do Ensino

Fundamental para o Ensino Médio

– tem a mesma acepção poética

cunhada por Carlos Skliar (2014, p.

26) - não pretende ser meta e nem

finalidade, mas duração da continuidade.

Estar no Ensino Médio,

portanto, é esse tempo de extrema

importância, uma vez que ele se

encontra numa verdadeira encruzilhada

[labirinto] do existir, quando

decisões sobre a vida precisam ser

tomadas para a inserção na vida

profissional e ingresso na Educação

Superior (SEVERINO; SEVERI-

NO, 2012, p.10). Sendo duração na

continuidade é que a Educação da

Companhia de Jesus se firma com o

propósito de “formar a pessoa para

que dê sentido à sua vida e com ela

contribua para o bem comum, em

seu contexto, no de sua sociedade

e do planeta” (COMPANHIA DE JE-

SUS, 2019, p. 56).

Por conseguinte, compreender o

Ensino Médio como continuidade

implica em voltar às origens, ir ao

encontro do que foi construído

também na escola como alicerce

para o amadurecimento pessoal.

Tão importante quanto o sentido

e o desejo por parte de quem

aprende, são as intencionalidades

e construções do currículo vivo

na/da escola: que bagagens os jovens

carregam nas suas “mochilas

existenciais” (TEIXEIRA NETO, 2020)

para os novos caminhos que se

alargam em direção ao Ensino Médio?

O que os aguarda? E como o

Projeto Político-Pedagógico se (re)

constrói na perspectiva de não só

conduzi-los, mas de abrir-se para

também permitir ser conduzidos

por eles?

A sólida formação científica, cultural,

cristã, ética e política, as atitudes

e valores, os fortalecimentos

dos vínculos de família e dos laços

de solidariedade marcam o tempo

enquanto profundidade no Ensino

Fundamental. É nesse contexto

que já se inserem no 9º ano os planos

e projetos para potencializar as

aprendizagens, tais como: o estudo

orientado por professores especialistas

em Química, Biologia e Física

(Quibifi); o acompanhamento personalizado

das produções textuais;

a participação nos simulados

modelo Enem e nas avaliações externas;

a inserção dos estudantes

nas olímpiadas do conhecimento;

e o letramento maker, em que a

curiosidade, a intenção criativa e a

construção colaborativa são ideias-

-que-atravessam o nosso currículo.

É assim que as especificidades de

cada etapa do desenvolvimento

humano privilegiam os aspectos

que se desenvolvem de forma

entrelaçada, na unidade do

processo didático (BRASIL, 2010),

alargando, no Ensino Médio,

os caminhos para o estudo

pessoal como processo de busca,

investigação e pesquisa sobre

22 Revista Vieirense - 2021


O que torna casual o

poético é, justamente,

o labirinto da travessia,

a incapacidade de

traçar linhas retas ou

utilitárias, o modo como

nos expomos ao que

percebemos.

A travessia é a diferença

entre o tempo que passa

e o que passa no tempo.

Ou, talvez, a diferença

que há no interior

do tempo que passa:

diferença enquanto

intensidade, tempo

enquanto profundidade”

(Carlos Skliar)

temas atuais e variados da cultura

e da ciência, da literatura, da arte

e da filosofia. As oficinas optativas

para o Enem, no contraturno,

reforçam, para além do exame,

o caminho da autonomia técnica

e intelectual, não menos repleto

dos compromissos com a ética, a

solidariedade e a Casa Comum.

É nesse contexto que a qualidade

pedagógica da escola inclui o

compromisso com a aprendizagem

do estudante e, portanto, com

a política de formação dos

educadores como ponto fulcral

de compreensão da Educação

como processo formativo e de

coexistência com “seres fazedores

de seu caminho que, ao fazêlo

se expõem, se entregam ao

caminho que estão fazendo e

que assim os refaz também...”

(FREIRE, 1992, p. 97-98). Nessa

perspectiva, o jovem, a família

e os educadores atravessam

etapas constitutivas da formação,

quando interagem, constroem,

experimentam e transformam

saberes, conhecimentos e valores

fundamentais para a cidadania.

Na travessia, tudo acontece, tudo

passa e... Tudo continua! São as

pedagogias da “duração da continuidade”

- que nos colocam no

movimento sinuoso de ir e vir. Elas

nos convocam ao começo, a retomar

o que já foi pensado e sentido

para avançar, como proclama Cecília

Meireles, com as “novas formas,

com as novas tintas, com os

olhos em Sabedoria”. Tal prerrogativa

destitui a ideia de que haverá

passagens de uma posição menos

importante a outra que se ergue;

de um lugar mais fácil ao mais difícil;

do incompleto ao completo.

Os movimentos de travessia para

o Ensino Médio são de projetos

de vida que não cessam; de intervenção

na continuidade temporal

e nas aprendizagens construídas;

e de novas perspectivas e sonhos

“para além do espaço intervalar e

fronteiriço” (OSOWSKI, 2002, p. 95).

Em adição, os aparentes recuos,

paradas e avanços são reelaborados

na fluidez da travessia de um

tempo que passa na intensidade e

profundidade, mantendo acesa a

chama que nos obriga a começar,

sempre. Sigamos, entre travessuras

e travessias.

Alunos participam de projetos pedagógicos

integrados do Ensino Fundamental ao Médio

Revista Vieirense - 2021

23


ENSINO MÉDIO NOTURNO

OBRA JESUÍTA

QUE MOVE SONHOS

Qualidade da proposta educacional da Companhia de

Jesus estende-se à educação popular

Yêcilla Ágata Nogueira

Ian do Rosário

24 Revista Vieirense - 2021


Com apenas 17 anos, a jovem Yêcilla

Ágata Nogueira tem um sonho:

ser advogada e, mais do que

isso, fazer diferença na sociedade.

“Gosto de conversar com as pessoas

e ajudá-las, e é também por

isso que pretendo fazer Direito”,

conta a adolescente. A qualidade

do programa educacional do turno

gratuito é uma das razões que dão

à jovem a certeza de que tem condições

de realizar seus sonhos.

Quem também resgatou os sonhos

ao cursar o turno noturno no Vieira

foi o estudante Ian do Rosário.

Após a morte da mãe, com a família

também enfrentando muitas

dificuldades financeiras, Ian sentiu-se

desmotivado a realizar seus

planos, pautados na arte, e até

para fazer novos amigos. Realidade

que mudou a partir do ingresso no

Ensino Médio Noturno.

“Percebi, na prática, que o passado

não é um lugar de permanência e,

sim, de referência para novos avanços

a serem alcançados”, disse ele,

parafraseando o compositor americano

Roy Bennett. Também com

17 anos, ele planeja ser professor

de Letras ou Geografia. “Matérias

que sou completamente apaixonado”,

frisa.

Os sonhos e planos de Ian e Yêcilla

são apenas exemplos do comprometimento

dos alunos com o curso

noturno do Vieira, a partir de um

trabalho estruturado nos ideais

de formação integral que também

caracterizam as ações de Educação

Popular da Companhia de Jesus. Os

estudantes sabem que a qualidade

do Ensino Médio Noturno do Vieira

é um diferencial. Não é à toa que

há uma grande procura, no período

de seleção de candidatos para

as vagas oferecidas pela obra social

jesuíta, geralmente com inscrições

abertas no final de cada ano

letivo. Podem se candidatar jovens

com renda familiar per capita de,

no máximo, um salário mínimo e

meio.

A proposta centrada na formação

do adolescente alinha-se com as

Preferências Apostólicas da Companhia

de Jesus, promulgadas em

2016 e que vão nortear a missão

jesuíta durante os dez anos que se

seguem. Uma das quatro diretrizes

prevê “acompanhar os jovens

na criação de um futuro cheio de

esperança frente aos desafios da

busca das juventudes por um sentido

na vida”. É o sentido na vida

que tanto buscam Ian e Yêcilla, assim

como todos os seus colegas do

Ensino Médio Noturno do Vieira.

ATENÇÃO ESPECIAL

A oportunidade inclui, além da possibilidade

de acesso a uma educação

com padrão de qualidade das

escolas jesuítas, o fornecimento de

material escolar, lanche e fardamento,

além do uso dos espaços

de aprendizagem diferenciados

do Vieira, como laboratórios, espaços

maker, salão com multiconfigurações

(Espaço Klein, SJ), entre

outros. Há também o acompanhamento

dos serviços de Orientação

Educacional (SOE) e de Orientação

Religiosa e Pastoral (Sorpa), com o

Colégio ainda contando com enfermaria

e serviço de segurança, por

exemplo.

“Em nosso Colégio, com realidades

sociais tão distintas, temos nosso

grupo de alunos do Noturno, que,

muitas vezes, não tem condições

favoráveis aos seus estudos, mas

que aqui encontra a certeza de

uma educação de qualidade, inclusiva”,

diz a diretora geral do Vieira,

professora Mariângela Risério.

“Reconhecemos na Educação um

direito universal, para o qual precisamos

trabalhar para criar estratégias

de combate às desigualdades

históricas”, completa a educadora.

A declaração da diretora revela o

pleno alinhamento do Vieira com

o compromisso firmado, em 2019,

pela Conferência dos Provinciais da

América Latina e do Caribe (CPAL)

pela promoção do Direito Universal

à Educação de Qualidade (Dueq),

assim como com o previsto pelo

Revista Vieirense - 2021

25


Aos sábados à tarde, alunos fazem atividades complementares como visitas a instituições

Pacto Educativo Global, lançado no

ano passado pelo Papa Francisco,

também aderido formalmente pelas

instituições jesuítas de ensino.

TRANSFORMANDO VIDAS

“O maior diferencial do Ensino

Noturno do Vieira é que se trata

de uma obra filantrópica em que

há toda uma preocupação em, realmente,

transformar vidas, oferecendo

educação de qualidade,

com professores que passam pela

mesma formação docente da equipe

do Vieira do turno diurno”, frisa

a coordenadora pedagógica do

Ensino Médio Noturno, professora

Cintya Bittencourt.

A professora Cintya conta que a

regularidade das aulas e a própria

preocupação da instituição

em complementar a carga horária

aos sábados (sempre das 14h

às 17h40) estão também entre os

referenciais de comprometimento

com a formação que mais impressionam

os estudantes. Geralmente

aos sábados, além de aulas, eles

participam de atividades complementares,

como visitas a museus,

fábricas e outras instituições filantrópicas.

CRIANDO CONEXÕES

As dificuldades iniciais de acesso

à internet pelos alunos foram o

grande desafio enfrentado pela

equipe pedagógica do Ensino Médio

Noturno do Vieira com a pandemia

da Covid-19. “Ficamos muito

preocupados em um primeiro momento

e, inclusive, partimos para

já estudar uma adaptação futura

para compensar eventuais perdas

de conteúdo, quando no retorno

às aulas presenciais, mas a motivação

dos alunos nos surpreendeu, e

a maioria logo buscou alternativas

diversas para poder acompanhar

as aulas”, conta a orientadora educacional

Aline Melo, que comemora

o fato de, mesmo diante das

adversidades, ter chegado ao final

do ano de 2020 com 97% dos alunos

acompanhando as atividades

remotamente.

26 Revista Vieirense - 2021


COMEMORANDO

50

Anos

oferta de um ensino gratuito e

A de qualidade é um marco do

turno noturno do Colégio Antônio

Vieira, desde quando foi instituído

há mais de 50 anos. De acordo com

os registros da Biblioteca do Vieira,

as aulas à noite no Colégio tiveram

início em 1969 com uma ação

social de ex-alunos que atuavam

como voluntários na alfabetização

de pessoas carentes no bairro do

Garcia, sob a liderança do padre

Ugo Meregalli.

Já em 1970, o curso foi oficializado

como Suplecav (curso supletivo),

tendo completado, assim, 50 anos

no ano passado. “Um seminário

comemorativo chegou a ser organizado

em 2020 por ex-alunos e

professores que atuaram no supletivo,

mas, por conta da pandemia,

as comemorações do cinquentenário

foram adiadas e devem ser

realizadas agora em 2021”, explica

a Profa. Maria Ornélia, doutora

em Educação e que também teve

importante papel na consolidação

das aulas no noturno.

O Pe. Domingos Minualli, que também

foi atuante na valorização do

turno, ressalta que, ao longo dos

anos, a proposta pedagógica do

noturno do Vieira “tornou-se referência

na Bahia e até internacionalmente,

dentro da Companhia

de Jesus, tendo sido apresentada,

inclusive, em um congresso jesuíta

na Itália”, como ressaltou. Outro

marco, segundo ele, foi o dia em

que o educador Paulo Freire, em visita

à Bahia, fez questão de conhecer

as aulas ministradas no então

Suplecav.

EJACAV E ENSINO MÉDIO

A partir de mudanças ocorridas na

legislação brasileira, em 2002, extinguindo

os cursos supletivos em

todo o País, foi feita uma nova reformulação

na proposta e instituindo-se

o Programa de Educação de

Jovens e Adultos (Ejacav), mantendo

por 18 anos toda a proposta original

de qualidade e alinhamento

com os ideais inacianos. Em 2019,

a partir da promulgação das Preferências

Apostólicas da Companhia

de Jesus, o Colégio passou a oferecer,

no turno, o Ensino Médio gratuito,

exclusivamente para jovens

em situação de vulnerabilidade

social, em mais uma demonstração

da constante atenção da Ordem Jesuíta

aos desafios do mundo contemporâneo.

Revista Vieirense - 2021

27


Direito de ser feliz

Uma história de novos horizontes por

caminhos que se cruzam no Vieira

Natural de Gandu, no sul baiano,

Joselina do Amparo lembra

quando, aos 19 anos, interrompeu

os estudos para atuar

como empregada doméstica em

Salvador, na residência de uma

família no bairro da Graça. As três

crianças da casa onde Joselina começou

a trabalhar estudavam no

Colégio Antônio Vieira. Foram, justamente,

os já depois ex-alunos

do Vieira que, juntamente com os

pais, seus patrões, a incentivaram

a retomar os estudos no turno noturno

do Colégio.

“Cheguei a pensar em me matricular

em uma escola pública, mas todos

da casa recomendaram o curso

noturno no colégio deles, que

também era de graça e, segundo

eles, de excelente qualidade. Aceitei

o desafio e hoje vejo que não

deveria ter esperado tanto para

tomar tão importante decisão”,

conta.

Na época, aos 37 anos, Joselina

tornou-se aluna do Programa de

Educação de Jovens e Adultos do

Colégio Antônio Vieira (Ejacav),

concluindo os estudos em cinco

anos. “Eu era uma aluna aplicada,

bem participativa, ativa mesmo, e

havia me encantado com a escola,

sobretudo pela formação que

vai além do acadêmico, centrada

no desenvolvimento do ser”, diz.

“Gostava do espaço, do trabalho

do SOE e do Sorpa (serviços de

orientações educacional e religiosa

e pastoral) e de todo o projeto

pedagógico que nos preparava em

conteúdo e na elevação da autoestima”,

lembra.

SÓCIA NO ESCRITÓRIO

Não deu outra: aluna aplicada, Joselina

logo passou no vestibular

para Direito na Universidade Católica

(Ucsal). “Tinha minhas economias

e, com elas, paguei o primeiro

semestre; o segundo, meus

patrões me ajudaram; e depois eu

consegui uma bolsa social da universidade,

o que me permitiu concluir

a graduação”.

Joselina passou no exame da Ordem

dos Advogados do Brasil

(OAB) e hoje, aos 49 anos, é sócia

de um escritório de advocacia

(Ribeiro & Amparo Advocacia e

Consultoria), na Avenida Tancredo

Neves, atual centro financeiro da

capital baiana. Sabe de quem ela

é sócia? Da filha dos “ex-patrões” .

A menina estudou no diurno do

Vieira e formou-se também em

Direito. Dra. Joselina ainda mora

com a mesma família: “Nossa relação

de carinho e respeito continua,

mas a de trabalho mudou

para ainda melhor”, conta a ex-

-aluna do Ejacav, realizada e feliz.

28 Revista Vieirense - 2021


disciplina também tem se mantido

acima da alcançada pelas escolas

da rede privada da capital baiana:

826,19 pontos, no ano referido.

NOTA 1000

Com desempenho acima da média nacional, alunos

do Vieira ganham destaque na disciplina considerada

“bicho-papão” pela maioria dos estudantes

Disciplina decisiva e, até por isso

mesmo, também considerada

pela maioria dos estudantes como

“bicho-papão” do Exame Nacional

do Ensino Médio (Enem) e vestibulares

diversos, a Redação é, ao

contrário, um traço forte no perfil

dos alunos do Colégio Antônio Vieira.

É o que tem revelado a média

das últimas edições dos exames de

ingresso ao Ensino Superior.

De acordo com os microdados

mais recentes divulgados pelo Instituto

Nacional de Estudos e Pesquisas

Educacionais Anísio Teixeira

(Inep), órgão responsável pela realização

do Enem, há pelo menos

sete anos o Vieira tem registrado

desempenho bem acima das médias

brasileira, baiana e também

no comparativo com a pontuação

obtida pelas escolas particulares

de Salvador.

Para se ter uma ideia, na edição de

2019 – segundo os microdados de

análise mais atuais oficialmente revelados

pelo Inep –, a nota média

do Vieira foi de 831 pontos, para

uma pontuação máxima de 1.000.

No caso do Colégio, é importante

sempre considerar o número elevado

de alunos da instituição que

prestam os exames anualmente

(mais de 300 estudantes), o que,

inevitavelmente, influencia no cálculo

da média. Ainda assim, o resultado

do Colégio em Redação,

no ano referido, supera o obtido

nacionalmente (734 pontos) e ainda

mais no caso da média da Bahia

e de Salvador, que se igualam em

732 pontos. A média do Vieira na

“Vale ressaltar que se trata de uma

média mesmo, pois já se tornou comum

que muitos alunos do Vieira

obtenham notas acima de 900 e,

destes, até nota 1000”, ressalta a

professora Carla Fernanda Bomfim,

uma das integrantes da equipe

do Departamento de Língua

Portuguesa e Redação do Vieira.

Os dados do Inep também confirmam

a questão. Ao considerar, por

exemplo, os 30 melhores alunos da

instituição, o Vieira desponta ainda

mais entre os líderes no ranking de

maior pontuação obtida no País,

com pontuação média sempre acima

de 900. O Colégio também tem

histórico de nota máxima na plataforma

on-line Redação Nota 1000,

referência nacional em preparação

para as provas do Enem e de vestibulares.

Para a professora Carla Fernanda,

que leciona nas turmas das 1ª e 2ª

séries do Ensino Médio, o trabalho

de preparação dos alunos do Vieira

em Redação tornou-se um diferencial

em Salvador, “por representar

um projeto de escrita consolidado,

fundamentado em uma proposta

pedagógica desde as séries iniciais,

que, quando chega ao Ensino Médio,

ganha um formato ainda mais

sólido para que os alunos consigam

não apenas escrever em situações

reais em seus projetos de vida, mas

também para atender aos critérios

dos concursos”, ela frisa.

A professora destaca ainda a coesão

das aulas de Redação com o

trabalho de Língua Portuguesa, que

também foca nas questões de interpretação,

literatura e ensino dos

aspectos gramaticais como forma

de aprendizagem na construção de

textos. “É importante promover as

metodologias de forma integrada

Revista Vieirense - 2021

29


para que o aluno possa expressar

no texto aquilo que ele quer dizer,

considerando, por exemplo, o

efeito da pontuação, o uso de mecanismos

de coesão, dos verbos e

outros modalizadores, o repertório

literário e o aprendido em outras

disciplinas, mostrando, assim, que

toda a técnica trabalhada na Redação

também se solidifica na interdisciplinaridade”,

diz.

OFICINAS DE REDAÇÃO

Outro importante diferencial do

Vieira é o trabalho específico na

preparação de alunos com as Oficinas

de Redação, oferecidas, uma

vez por semana, no turno vespertino,

mas de forma integrante do

currículo regular. “Não se trata

de uma oficina opcional e não há

um custo a mais por isso. É um

trabalho integrante do projeto

pedagógico do Colégio, oferecido

já nas séries iniciais do Ensino

Médio”, explica a professora

Carla Fernanda. Ela é uma das profissionais

que, além de dar aulas

de Gramática no turno regular do

Vieira, também atuam, à tarde, nas

oficinas.

Mesmo se tratando da mesma disciplina,

os trabalhos realizados no

turno regular e nas oficinas são diferentes:

enquanto, no turno das

aulas, a Redação trabalha gramática,

repertório e estrutura do texto;

nas oficinas, iniciadas já com a 1ª

série do Ensino Médio, foca-se no

treinamento estratégico das competências

exigidas na correção da

prova do Enem, sem deixar de ressaltar

as diferenças em relação aos

vestibulares das diversas universidades.

“Se o aluno aprende a escrever, ele

pode fazer Enem, Bahiana, Fuvest,

escrever um livro, entre outros

projetos que tenha interesse nesta

área”, assinala a professora. Assim,

por meio da escrita, os estudantes

se tornam capazes de “participar e

intervir autonomamente na sociedade”,

um diferencial da Pedagogia

Inaciana, conforme preconiza

o Projeto Educativo Comum (PEC),

um dos documentos que norteiam

o trabalho pedagógico desenvolvido

pelos colégios jesuítas.

ATENÇÃO EXTRA NO

TURNO REGULAR

As aulas regulares de Redação no

Vieira também contam com um

tratamento especial, com a atuação

de duas professoras, por turma,

ou seja, na hora da aula de

Redação, as turmas são divididas, o

que já permite uma atenção mais

particularizada. Uma das metodologias

adotadas no Ensino Médio é

a de trabalhar o texto por partes.

“Em vez de aprender o texto na

íntegra, ele inicia as práticas trabalhando

apenas a introdução;

depois das avaliações, o trabalho

é lapidado e vai seguindo, da mesma

forma, para as outras partes

de desenvolvimento do texto, até

chegarmos à conclusão”, explica

a professora de Redação do turno

regular, Bruna Guimarães, que dá

aulas para as 1ª e 3ª séries EM, integrando

a equipe “peso pesado”

de profissionais do Vieira, referência

na preparação para o Enem e

vestibulares. A própria atuação da

professora nas duas séries já comprova

que, no Colégio, há uma preocupação

em evitar uma sobrecarga

para o estudante na última série

antes dos exames de ingresso ao

Ensino Superior.

MODELO CAMPEÃO

A professora Bruna também destaca

a importância do trabalho complementar

nas oficinas de Redação.

“O Colégio foi realmente muito assertivo

neste projeto, em um trabalho

que só veio a agregar dentro

de um modelo integrado que

é considerado campeão, incluindo

oficinas, realmente, diferenciadas

que vão bem além de um mero trabalho

de reforço”.

No caso do tema da redação, que

sempre preocupa os candidatos

em geral, a professora explica que

o Vieira atua a partir de eixos prováveis

com aulas de repertório que

se alinham a todos os conhecimentos

também tratados em outras

disciplinas, como Geografia, História,

Atualidades, por exemplo. “Trabalhamos,

paralelamente, grandes

eixos em diversas áreas, como

Educação e Segurança Pública, entre

outros. Então, por exemplo, se

o tema for ligado a analfabetismo

funcional, importância da leitura,

evasão escolar, educação a distância

ou domiciliar etc., foi trabalhado

pela escola no eixo Educação. Já

o eixo da Segurança Pública envolve

criminalidade, fome, violência,

tráfico de drogas, entre outros”,

explica.

30 Revista Vieirense - 2021


Outro diferencial do Vieira que, segundo

a professora Bruna Guimarães,

também acaba influenciando

os excelentes resultados em Redação

são as ações de protagonismo

estudantil existentes no Colégio.

Os alunos podem participar, além

do grêmio, de núcleos sobre minorias

sociais (Neims), incentivo

ao conhecimento (Naic), preservação

ambiental (NAV) e também de

ações de voluntariado e da Academia

Vieirense de Letras e Artes

(AVLA), além de grandes eventos

de formação, a exemplo das simulações

de conferências das Nações

Unidas (ONU Colegial) e intercâmbio

em projetos nacionais e internacionais

promovidos por instituições

jesuítas. “São iniciativas que,

por si só, já dotam os estudantes

de um repertório especial e que

lhes dão um poder de criticidade e

de reflexão incomparável, que eles

levam também na sua escrita”, diz

a professora.

As cinco competências

exigidas pelo Inep na

redação do Enem

1. Revelar domínio da escrita

formal. 200 pontos

2. Desenvolver tema em estilo

dissertativo-argumentativo.

200 pontos

3. Relacionar, organizar e interpretar

informações e argumentos

em defesa de uma

opinião. 200 pontos

4. Demonstrar conhecimento

de mecanismos linguísticos

para construir a argumentação.

200 pontos

5. Respeito aos direitos humanos.

200 pontos

Fonte: Inep/MEC

FALA, GALERA!

Beatriz Costa, aluna da 3ª série EM

“O modelo especializado do Vieira, incluindo as

Oficinas de Redação, é um trabalho que qualifica,

de fato, a construção textual dos alunos, de

forma que apresente autenticidade, marcas de

autoria. No meu caso, percebo uma evolução

muito significativa, justamente porque contamos

com projetos de texto que são sempre

bastante comentados pelas professoras que

buscam o tempo todo aguçar o nosso olhar

para as nuances essenciais que uma boa redação

deve ter. São avanços que foram notados,

inclusive, durante as atividades realizadas no

modelo remoto, também cumprindo os objetivos

propostos”.

Pedro Vieira, aluno da 2ª série EM

“Desde o Vieirinha, tenho tido bons resultados

em Redação. No Vieirão, entretanto, pude notar

ainda mais a importância da base adquirida

no Ensino Fundamental para o crescimento da

minha escrita de forma significativa, a partir do

Ensino Médio. Na plataforma Redação Nota

1000, por exemplo, tenho registrado parágrafos

conclusivos considerados perfeitos. Embora

prefira estar presencialmente nas oficinas,

notei meu crescimento na construção dos textos

mesmo durante as aulas on-line, o que me

faz acreditar em uma evolução cada vez maior

a partir de agora”.

Luís Filipe Ribeiro, aluno da 3ª série EM

“Estudo no Vieira desde o 6º ano do Ensino Fundamental

e, até então, sentia muita dificuldade

na parte argumentativa e de coesão das ideias

na construção das minhas redações. Foi o Colégio

que me proporcionou identificar essas minhas

deficiências e também aprimorar minhas

estratégias coesivas, ampliar meu repertório

sobre temas, além de toda a parte de técnicas

relativas às competências do Enem. Na plataforma

Redação Nota 1000, notei que já consigo

desempenho bem significativo para vestibulares

como o da Fuvest (Fundação Universitária

para o Vestibular), em São Paulo”.

Revista Vieirense - 2021

31


DEVER DE CASA

POR UM ESTUDO AINDA MAIS PRODUTIVO

Materiais produzidos pelo SOE auxiliam alunos nas

tarefas extraclasse e estimulam protagonismo

QR-CODE: Aponte a câmera do seu celular

para o QR-Code e acesse agora mesmo

a íntegra dos materiais produzidos pela

equipe do SOE do Vieira.

Na hora de fazer a atividade escolar

em casa, complementando a

aprendizagem dos conteúdos ministrados

pelo professor em sala

de aula, é preciso, antes de tudo,

ter foco. Ou seja: não basta seguir

as orientações da equipe pedagógica

de forma mecânica, “robotizada”

– tentando apenas “cumprir

tabela”, como se diz na linguagem

coloquial. É fundamental que o estudante

entenda o momento, de

fato, como mais uma oportunidade

de construção de conhecimento.

Despertar essa reflexão entre

crianças e jovens é, na maioria das

vezes, um grande desafio para os

pais e demais responsáveis. No Colégio

Antônio Vieira, entretanto, os

alunos e suas famílias contam com

a assistência especializada da equipe

do Serviço de Orientação Educacional

(SOE). Integrado por psicopedagogos,

o SOE do Vieira criou até

guias de estudo, com dicas de fácil

acesso, para tornar a aprendizagem

em casa ainda mais produtiva,

considerando as características de

cada faixa etária. Um dos diferenciais

do Colégio é, justamente, contar

com um orientador educacional

para cada série.

FOCO NO PRESENTE

Os guias “Procedimentos de Estudo

e Estratégias de Aprendizagem” e

“Gestão de Tempo e Planejamento”

foram lançados no ano passado:

“Fizemos, antes, uma escuta com

os alunos, focando na realidade

daquele momento da pandemia”,

conta a orientadora educacional do

9º ano EF, a psicopedagoga Jerusa

Carvalho. “Acabamos formando um

vínculo com todas as famílias, como

parte de um cuidado que é sempre

presente no Colégio e que, em

tempos de pandemia, não poderia

ter sido diferente”, completa a

orientadora educacional da 1ª série

do Ensino Médio, a psicopedagoga

Camila Portugal.

Resultado: os estudantes “curtiram”,

na prática, as dicas do SOE do

Vieira e muitas famílias até contribuíram

com a divulgação nos aplicativos

de grupos virtuais. A dentista

Ana Cristina Andrade, mãe de

dois alunos, foi uma delas: “Excelente

a iniciativa que se alia a todo

o suporte dado pelo atendimento

do SOE, contribuindo para a aprendizagem

dos estudantes, inclusive

durante as aulas remotas”, diz.

Guias de Estudo

Confira alguns dos

conteúdos

Uso do marcador

de texto

Orientações para fazer

um mapa mental

Revisão de cálculos

Elaboração de aulas

para si mesmo

Links para questões

de provas

Relação de canais e sites

recomendados

Dicas exclusivas

para o Enem

Gestão de tempo

32 Revista Vieirense - 2021


CIDADANIA GLOBAL

ETHOS

A construção do amanhã, hoje!

Projeto da 2ª série EM completa 15 anos, estimulando o protagonismo do jovem na

aprendizagem e como agente de transformação de si e do mundo

Convidados a ser protagonistas de

seu processo de aprendizagem, os

alunos do Colégio Antônio Vieira

têm a oportunidade de participar

de projetos pedagógicos, diferenciados

por série, que promovem

a construção do conhecimento e

também o desenvolvimento de

competências essenciais para os

desafios do mundo contemporâneo.

Na 2ª série do Ensino Médio,

por exemplo, os estudantes avançam,

de forma significativa, no

amadurecimento da autonomia

intelectual e emocional, a partir do

Projeto Ethos. O nome tem origem

grega e refere-se a caráter, conjunto

de hábitos ou crenças de uma

pessoa construído a partir da coletividade.

Um dos marcos da iniciativa é a escolha

de temas que estão sempre

na vanguarda das discussões acadêmicas

e midiáticas nacionais e

internacionais, fazendo com que o

projeto, que completa 15 anos agora

em 2021, mantenha-se sempre

muito atual.

De acordo com o coordenador pedagógico

da 2ª série EM, professor

José Teixeira, o Prof. Zelão, as ações

do projeto possibilitam desenvolvimento

de competências pessoais e

coletivas na interação com os desafios

emergentes do contexto.

“Problematizações, reflexões, diálogos,

tensionamentos, consensos

são praticados com criticidade,

trabalhando referenciais e valores

humanísticos que acreditamos ser

fundamentais para a vida em sociedade.

É, portanto, um chamamento

para que alunos e alunas da 2ª

série EM do Colégio Antônio Vieira

se impliquem com questões mobilizadoras

contemporâneas e do

tempo presente”, diz.

O projeto já nasceu, em 2006, com

uma perspectiva vanguardista e interdisciplinar,

a partir de um tema

gerador mantido até hoje (Ethos:

produtivo ou civilizacional), “que

vai se firmando, a cada edição, com

temas anuais ou subtemas que se

traduzem sempre em um convite

para que o jovem discuta o mundo,

a sociedade em que ele vive, sempre

de forma ética, crítica e cidadã”,

como explica a professora de História

Marli Sales, uma das fundadoras

da proposta pedagógica.

Revista Vieirense - 2021

33


INTERAÇÃO E RESPONSABILIDADE

O Ethos se dá em três etapas: a

primeira, em que há a discussão e

apropriação do tema gerador; depois

segue-se o aprofundamento

dos conhecimentos do tema anual,

com leituras de livros, documentários,

pesquisas e apresentação

de trabalhos individuais ou coletivos.

“Na última etapa, batizada de

Ethos Criativo, os alunos agrupam-

-se para as apresentações, de acordo

com a afinidade, adotando ou

não recursos da tecnologia digital,

gerando o que eu considero uma

grande festa do conhecimento”,

diz a professora Marli. Ela lamenta

que, durante a pandemia, o projeto

tenha ficado mais restrito, “embora

os estudantes também tenham

surpreendido em criatividade,

adaptando-se à realidade desafiadora”,

frisou.

O professor de Língua Portuguesa

e Literatura Paulo Reis é também

um dos entusiastas do Ethos. “É um

projeto que se propõe a pensar a

nossa existência na Terra, a partir

de um referencial teórico que abarca

o ethos como uma grande mo-

rada. Ou seja: o que a gente pode

fazer para que a nossa morada em

nosso planeta possa ser mais bem

cuidada e para que as relações humanas

sejam ressignificadas nesse

processo, provocando no aluno,

portanto, uma reflexão sobre o

mundo em que vive e atua e que,

muitas vezes, ele se vê como coadjuvante,

encarando as questões

atuais como se os adultos tivessem

deixado para eles”, diz o professor,

completando: “O Ethos mostra

que os jovens já são participantes

dessa morada e precisam, de fato,

pensar nela”.

TEMA DE 2021

Energia nuclear, sociabilidade humana,

antropoceno: a ação do

homem, sociedade escópica e espetacularização

do ser nas redes

sociais estão entre os temas já

tratados ao longo dos 15 anos de

Ethos. Para 2021, as ações do projeto

serão norteadas pela obra “21

Lições para o Século 21”, do professor

e historiador israelense Yuval

Harari, considerado um dos maiores

intelectuais da atualidade. Ao

abordar questões como big data,

inteligência artificial, migrações

pelo mundo, intolerância religiosa,

machismo, democracias e regimes

totalitários, pós-verdade e fake

news, manipulação pelas redes sociais,

entre outras, o livro, lançado

em 2018, mantém-se ainda muito

atual.

“O livro ‘21 lições’ estabelece

um diálogo muito coeso com a

proposta do projeto, tocando em

temas contemporâneos, em uma

leitura que nos provoca, nos tira

do lugar de mero espectador”, diz

a professora de Redação Ana Célia

Di Tommaso. Ela destaca ainda

que o projeto dialoga tanto com

a Pedagogia Inaciana, quando ele

propõe uma formação humana em

seus diferentes âmbitos, quanto

com as dez competências gerais da

Base Nacional Comum Curricular

(BNCC), “na medida em que, por

exemplo, estimula o pensamento

crítico e criativo; amplia o repertório

sociocultural e gera empatia,

cooperação, responsabilidade e

cidadania, só para citar algumas

das competências alcançadas pelo

Ethos”, como conclui a professora.

34 Revista Vieirense - 2021


DIZ AÍ, MOÇADA!

“O projeto é, realmente, muito produtivo, ampliando significativamente

nosso repertório, com avanços notados, ainda que no contexto de

atividades remotas. Um documentário recém-lançado, à época, por

um canal de TV fechado foi logo também trazido para nossa análise a

partir do projeto, mostrando o quanto a proposta é contemporânea e

envolve grandes pensadores atuais, sendo que nós, alunos, também

já nos sentíamos apropriados daquelas discussões”. Átina Castro,

aluna da 3ª série EM.

“Antes mesmo da 2ª série EM, eu já mantinha contatos com colegas

da escola que haviam passado pelo Projeto Ethos e, pelas nossas conversas

e mobilização que via do pessoal, eu sabia que era um projeto

daqueles bem motivadores da nossa geração. Criei grande expectativa

no ano passado, mas mesmo realizando o projeto remotamente,

por conta da pandemia, ele se revelou muito interessante e aprendi

muito”. Thiago Motta, aluno da 3ª série EM.

CONFIRA AS DEZ COMPETÊNCIAS

GERAIS DA BNCC PRESENTES NAS

AÇÕES DO PROJETO ETHOS

1. Conhecimento

2. Pensamento científico, crítico

e criativo

3. Repertório cultural

4. Comunicação

5. Cultura digital

6. Trabalho e projeto de vida

7. Argumentação

8. Autoconhecimento e

autocuidado

9. Empatia e cooperação

10. Responsabilidade e cidadania

Revista Vieirense - 2021

35


O PAPEL DA ARTE E DA MÚSICA

PARA UMA FORMAÇÃO INTEGRAL

Por Anna Oliveira, bacharela em Artes (Ufba), licencianda em

Artes Visuais (Unifacs) e professora de Artes no Colégio Antônio

Vieira; e Letícia Lopes, licenciada e mestra em Educação

Musical (Ufba), coordenadora do Departamento de Artes e

Música do Vieira

Falar sobre Artes Visuais e Educação

Musical no contexto escolar é

algo encantador e muito potente.

Atualmente, no Colégio Antônio

Vieira, temos as arte-educadoras

Anna Oliveira, Camila Govas, Camila

Paes, Joelma Serra e Joseneide

Miguez, que atendem os alunos do

Fundamental 1 aos 6º e 7º anos da

nossa comunidade educativa. Na

equipe de Música, temos os professores

Carmelito Lopes, Letícia

Lopes, Poliana Coelho e Ronaldo

Oliveira, que também atendem às

mesmas séries citadas acima. Embora

cada disciplina tenha suas

especificidades, no Vieirinha, elas

sempre caminham de mãos dadas,

buscando uma Educação Artística e

Musical integrada e alinhada com

os princípios da Pedagogia Inaciana

para uma formação integral.

Dialogar com o mundo a nossa

volta, e a sua capacidade de se

metamorfosear a cada instante, é

mais do que entender a sociedade

em que vivemos: é compreender

a pluralidade do ser humano. E a

arte, sendo reflexo da história, da

cultura e do tempo em que foi criada,

destaca-se como uma área do

conhecimento com incríveis potências

poéticas de aprendizagem. O

ensino da Arte, na comunidade vieirense,

tem como princípio não só

exercitar as habilidades motoras,

mas proporcionar uma força para

entrelaçar o racional e o imaginativo,

estimulando a comunicação e a

expressão de sentimentos de cada

criança. As aulas de Arte são feitas

de momentos de apreciação, diálogo,

pesquisas, brincadeiras e processos

artísticos. O fazer artístico

passeia entre o desenho, a pintura,

a colagem, a dobradura, dentre outras

técnicas, resultando em exposições

que encantam as paredes e

quadras do Colégio Antônio Vieira.

Aqui se ensina mais do que saber

distinguir uma cor, um pincel ou

uma técnica: as nossas crianças

experimentam diferentes formas

de expressão artística, fazendo uso

sustentável de materiais, cultivando

o imaginário e levando o olhar

sensível da infância para a vida.

Acreditando na potência da Educação

Musical no currículo escolar

e amparados pela Lei 11.769,

promulgada em 2008, que tornou

obrigatório o ensino de Música nas

escolas, os professores entendem

que, em nossa sociedade contemporânea,

a música tem exercido

uma função que vai além dos aspectos

musicais. Sendo assim, a

prática musical também pode ser

um momento de quebrar barreiras

criadas pela cultura do individualismo,

nas quais as pessoas pouco

se olham e nunca têm tempo para

o outro. Souza (Souza. J. Educação

Musical e práticas sociais, Revista

da Abem, 2014), grande referência

nesta área do conhecimento,

acredita que é importante não desassociar

o ser social das aulas de

Música ou de qualquer processo

de ensino e aprendizagem. Ela ressalta

a importância de trazermos a

vida cotidiana dos estudantes para

as aulas, validando a singularidade

dos envolvidos e as experiências

vividas dentro e fora do ambiente

educacional. Entendendo que a

Música não se faz sem as pessoas

que através dela se mostram, as

aulas são planejadas de forma que

docentes e discentes criam, cantam,

tocam e constroem saberes

musicais coletivos que extrapolam

as salas de aula e invadem palcos,

pátios e até mesmo as quadras

do Colégio Antônio Vieira.

36 Revista Vieirense - 2021


ALIMENTO DA ALMA

Segundo a frase atribuída a Friedrich

Nietzsche, “a arte existe para

que a realidade não nos destrua”,

e nós nunca tivemos tanta certeza

disso desde o início da pandemia.

As consequências físicas e psíquicas

do isolamento social são muitas.

Diante deste contexto, certamente,

a arte se destacou com um

papel fundamental não só para

nos entreter, mas também para

alimentar a alma frente a tantas

incertezas que vivenciamos. Nossa

comunidade escolar como um

todo passou por muitos desafios.

A princípio, para os professores

de Artes e Música, era impensável

construir saberes artísticos sem

o contato presencial. Vivemos o

inédito por muitos meses e, como

em todas as outras áreas do saber,

tivemos que nos reinventar e nos

deparamos com vários “eus” que

existem dentro de nós – alguns,

inclusive, que nem conhecíamos.

Foram muitas horas pensando em

como entregar aos nossos meninos

e meninas os conteúdos dessas

disciplinas, sem perder a leveza

e o fazer artístico. Aos poucos

as coisas foram tomando forma:

aprendemos a gravar e editar videoaulas,

buscamos aprofundamento

teórico para que as aulas

on-line tivessem “a nossa cara”, e,

com uma boa dose de criatividade,

amor e parceria, o trabalho fluiu!

Se, no contexto presencial, as duas

disciplinas caminhavam de mãos

dadas, no período remoto nós nos

abraçamos. Foi unindo saberes e

fortalecendo os vínculos que muitas

ideias funcionaram em um ano

tão diferente. Assim nasceu “Quem

é você no mundo das Artes?”. Uma

galeria virtual que surgiu a partir

do desejo de fazer algo inédito e

animado para celebrar a Semana

da Criança. Em meio à chuva de

ideias na equipe de Artes e Música,

surgiu a proposta de uma brincadeira

para encenar releituras de

obras artísticas por meio da fotografia,

utilizando a sensibilização

de um vídeo com a encenação de

todos os professores(as) de Artes

e de Música do Vieirinha. A animação

tomou conta e, durante a troca

com o grupo, definiu-se por estimular

nos alunos inspirações em

uma obra artística ou em um artista

musical. Dessa maneira, a proposta

ganhou forma, cor, rostos

e sentido, refletindo através das

crianças o quanto a Arte e a Música

estão dentro de cada um de nós de

forma tão significativa.

Fica evidente, portanto, que o ensino

de Artes Visuais e de Música

no Colégio Antônio Vieira consiste

em desenvolver competências e

habilidades nessas áreas do saber,

estimulando um olhar crítico

e perceptivo sobre a vida. Entendemos

que o fazer artístico pode e

deve ser um fio condutor para que

as nossas crianças e adolescentes

compreendam não só a humanidade,

mas também todos os “eus”

que habitam em cada um de nós,

dando-lhes voz e cores para seguir

como agentes transformadores do

mundo a nossa volta.

a arte existe

para que a

realidade não

nos destrua”

Revista Vieirense - 2021

37


QUEM É VOCÊ NO MUNDO DAS ARTES?

Confira alguns registros do show de criatividade dos nossos alunos!

38 Revista Vieirense - 2021


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EDUCAÇÃO FÍSICA

PARA ALÉM DO

MOVIMENTO

Prevista como atividade essencial pela BNCC, disciplina

assume papel significativo no desenvolvimento físico,

intelectual e emocional dos alunos

Foi o tempo em que, equivocadamente,

a Educação Física na escola

era vista como uma prática complementar,

como se fosse menos

importante que Matemática, História

ou Língua Portuguesa, por

exemplo. A própria Base Nacional

Comum Curricular (BNCC) classifica

a Educação Física na área

pedagógica das Linguagens, com

a disciplina assumindo, além de

toda a funcionalidade no processo

de crescimento de crianças e

jovens, todo um papel sociocultural

importante em um contexto de

formação integral, como a que se

propõem as instituições jesuítas

de ensino.

No Colégio Antônio Vieira, por

exemplo, a Educação Física vai ainda

mais além, extrapolando toda

a fundamentação pedagógica prevista

pela BNCC, para se expressar

por meio de algo também muito

significativo para a instituição: o

entusiasmo e o bem-estar que as

aulas trazem para os alunos. Nas

aulas remotas, em contexto de

pandemia, isso ficou ainda mais

evidente. A equipe do Departamento

de Educação Física e Esportes

(Defe), coordenado pelos professores

João Amaral e Sócrates

Correia, ganhou uma responsabilidade

a mais, contribuindo, mais

do que nunca, para o equilíbrio

emocional dos estudantes.

Nas séries iniciais do Ensino Fundamental

(EF), tudo sempre é feito

com muita ludicidade, “mas

sempre mantendo os objetivos

propostos de desenvolvimento

motor, crescimento, além das percepções

espacial e temporal”, diz

a professora Failane Souza, que

leciona para as turmas dos 1º e 2º

anos EF. Para os alunos adolescentes,

submetidos à tensão da perda

do convívio com grupo de amigos,

as aulas foram planejadas com

mais atividades de relaxamento,

com exercícios voltados para o

alongamento e até yoga.

AUTOESTIMA

“Foi um período de reinvenção da

forma, mas com a manutenção

dos propósitos previstos, ressaltando

a importância de se manter

ativo para a saúde física e também

para elevar a autoestima dos jovens”,

conta a professora Mabel

Santana, que dá aulas para o 4º e

o 5º anos EF e também no Ensino

Médio. Não deu outra: os efeitos

positivos foram logo notados pela

maioria das famílias. “Fui uma das

pessoas que ligaram para o Serviço

de Orientação Educacional

(SOE) pedindo mais atividades físicas

nas aulas remotas”, conta a

química Josanaide Teixeira, mãe

da pequena Maíra, aluna do 2º

ano EF.

Já a administradora Roberta

Ribeiro, mãe de Paulo Roberto (8º

ano EF), entrou em contato com

o Colégio solicitando a liberação

de vídeos com os treinos funcio-

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nais sugeridos pelos professores,

para que ela liderasse uma turma,

extraclasse, para manter as

atividades além dos momentos

das aulas. “A ideia é estimular a

meninada a se movimentar, mas

a partir de todo o embasamento

técnico-profissional das equipes

de Educação Física do Vieira”, diz

a administradora.COMPREENDER

E PRATICAR

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Para a professora Alice Palma, o

contexto de aulas remotas também

permitiu uma maior atenção

dos alunos aos fundamentos teóricos

da disciplina. “No contexto

de pandemia, pudemos explicar

mais os benefícios de modalidades

esportivas feitas em grupo,

mostrar nossa formação também

fincada em estudos de anatomia,

fisiologia, saúde, entre outros,

permitindo agora que tratemos

mais um pouco da teoria nas aulas

presenciais”, revela.

As profissionais de Educação Física

do Vieira ainda destacam a

importância da atividade nas relações

sociais. Isso porque, tanto

nas aulas da disciplina quanto

nas práticas esportivas, além de

promover a integração, são trabalhados

conceitos que também

trazem importantes valores para

a sociedade, como o respeito às

normas e limites, ao direito do outro,

a importância do planejamento,

entre outros. Sem dúvida, toda

uma energia compartilhada que

vai além do movimento.

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Josana Baqueiro | Psicopedagoga

PROVA DE RESILIÊNCIA

Quando o “Terceirão” se fez ainda mais desafiador

Agora ex-alunos, jovens revelam como encontraram na formação do Vieira a sustentação

para lidar com as adversidades da pandemia

Chegar à última série do Ensino

Médio em uma pandemia é, definitivamente,

uma tarefa para bravos.

Especialmente por se tratar de um

ano escolar que representa, antes

de tudo, o fechamento de um ciclo

que leva, pelo menos, 12 anos, considerando

apenas o início a partir

do Ensino Fundamental. É um momento

que, por si só, já vem carregado

de muitas expectativas para

os jovens e, mais do que isso, para

todos que os cercam. É quando a

sociedade passa a cobrar, mais incisivamente,

aquela velha pergunta

feita desde a infância: “O que você

vai ser quando crescer?”

O fato é que, mesmo crescido, nem

sempre os planos estão tão claros

quando se é tão jovem. No Vieira,

os alunos contam com o apoio dos

serviços de orientação Educacional

(SOE) e Religiosa e Pastoral (Sorpa)

para auxiliá-los, desde cedo, na

reflexão sobre projetos de vida.

Ainda assim, lidar com todas essas

emoções e vivências juntamente

com os amigos, em momentos de

interação, podendo também extravasar

sobre o peso da responsabilidade

de estudar para o Exame

Nacional do Ensino Médio (Enem),

vestibulares, acabou se tornando

algo bem restrito no contexto de

pandemia.

APOIO EMOCIONAL

É claro que, dentro da concepção

humanista que marca o Vieira, todas

essas questões foram levadas

em consideração pela equipe pedagógica

da 3ª série EM. Além de

montar um arrojado programa de

preparação para o Enem e vestibulares,

também para o período de

atividades remotas ou híbridas, o

Colégio ofereceu, gratuitamente, já

no ano passado, apoio especial aos

alunos da série, com acompanhamento

diferenciado pela psicopedagoga

Josana Baqueiro.

Dos cerca de 300 estudantes, pelo

menos 80 participaram das sessões

logo no início do programa.

“Número que foi reduzindo, sensivelmente,

até o final do ano, diante

também dos resultados que íamos

conquistando com o trabalho de

escuta e fortalecimento emocional

dos alunos”, diz Josana. Segundo

ela, a formação inaciana diferenciada

do Vieira também fez diferença

no enfrentamento das questões

pelos jovens estudantes.

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A Revista Vieirense ouviu alguns dos hoje ex-alunos, que

cursaram a 3ª série EM no ano passado, para saber como

lidaram bravamente com a situação. Confira!

Maria Fernanda Guedes

Sempre fui do tipo que praticamente “morava” no Vieira:

chegava bem cedo e tomava o café da manhã na cantina,

conversava com professores e colaboradores, sempre

atenciosos. Depois das aulas, permanecia na escola às tardes

para oficinas, reuniões de equipe e pela própria atuação

nos núcleos, como a Academia Vieirense de Letras e

Artes (AVLA). Então, ficar em casa, como recomendado por

conta da pandemia, era muito esquisito para mim. No Vieira,

estava acostumada com espaços amplos, a área verde

do bosque, a convivência com pessoas da minha idade. Por

isso, diante da frustração, não pensei duas vezes em participar

das sessões com a psicopedagoga Josana, e foi muito

bom. Fez aflorar toda a formação inaciana que tivemos no

Vieira para entender e lidar melhor com aquele momento

tão atípico, assim como conhecer mais sobre mim mesma

e até me interessar mais pelos temas da filosofia.

Felipe Figueiredo

Sempre me identifiquei muito com toda a formação humanista

e integral do Colégio e imaginava chegar à 3ª

série EM aproveitando ainda mais todas essas possibilidades

que o Vieira nos proporciona. Mas logo entendi

que estávamos lidando com algo sem precedentes e

que poderia também ser uma oportunidade para podermos

nos conectar mais com a gente mesmo e se conhecer

melhor. Claro que todas as cerimônias, eventos

e ritos de passagem fizeram falta, mas aprendemos que

a tecnologia também pode nos manter conectados para

que possamos reprogramar esses eventos, sem perda

de todo o sentimento envolvido de termos estudado no

Vieira. Creio que a própria formação do Colégio nos fez

entender que era preciso cultivar um olhar mais humano

para questões diversas reveladas por uma pandemia

que atingiu todo o mundo.

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Orlando Santos Filho

A formação e o suporte do Colégio ao longo de todos

os anos em que nele estudei foram essenciais

para moldar muitos dos valores que me ajudaram

a não só tolerar a situação de pandemia, mas me

esforçar em produzir algo de bom em meio a tudo o

que aconteceu. O aproveitamento que surgiu nesse

período, seja em termos de estudos ou outras ocupações

e projetos, foi facilitado por todo o aprendizado

e construção pessoal dos alunos, inclusive pelo

amadurecimento decorrente do engajamento nas

várias atividades apoiadas pelo Colégio, além, é claro,

da formação e educação constantes.

Yasmin Leal

Como estudante do Colégio Antônio Vieira desde o

Ensino Fundamental, sempre sonhei com a chegada

ao “Terceirão”. Entretanto, o impacto da pandemia fez

com que todos os planos e expectativas fossem alterados

para uma nova forma de enxergar a realidade,

a partir da consciência de que houve uma razão plausível:

a preservação da vida e da saúde daqueles que

amamos. Consciência essa reativada pelo Vieira a cada

dia, por meio de atuação e atenção cruciais para que

todo o alunado conseguisse encontrar a pessoalidade

necessária para que a total mudança de rotina não se

tornasse um peso insuportável para os seus estudantes.

Por isso, ao Colégio Antônio Vieira e à comunidade

vieirense fica o meu muito obrigada. Aos alunos digo:

nós fizemos história e espero que levemos todos os

aprendizados para a nossa vida.

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FRATELLI TUTTI

Por uma educação em prol da fraternidade e amizade social

A solidariedade entre os homens,

como irmãos, sempre foi uma prática

estimulada entre os cristãos.

Na Encíclica Fratelli Tutti, o Papa

Francisco, entretanto, trouxe uma

nova luz aos católicos, alertando

a todos para o real sentimento da

fraternidade. A carta circular do

Papa, lançada em outubro de 2020,

tornou-se, assim, um marco, ao

promover a reflexão de que é preciso,

realmente, ver o outro como

irmão e não apenas entender as

questões enfrentadas pelos mais

vulneráveis, por exemplo, como

algo que afeta “ele, ela, eles, elas”,

mas, de fato, todos “nós”. Afinal,

somos “todos irmãos”, como se traduz

o título da publicação, do original

em italiano.

Como instituição jesuíta comprometida

com a formação integral de

crianças e jovens, o Colégio Antônio

Vieira sempre buscou firmar, entre

seus princípios, a solidariedade, a

fraternidade e a amizade social, tão

destacadas na Fratelli Tutti. A Encíclica,

portanto, estimula o Vieira a

avançar ainda mais em ações nesse

sentido. A própria carta circular

do Papa destaca como a Educação

tem um papel importante para a

transformação da sociedade, sendo

evocada como protagonista

para uma atuação contra a pobreza,

a violência e outras mazelas a

serem enfrentadas por todos nós,

enquanto irmãos.

“A tarefa educativa, o desenvolvimento

de hábitos solidários, a capacidade

de pensar a vida humana

de forma mais integral, a profundidade

espiritual são realidades necessárias

para dar qualidade às relações

humanas” (§ 167). Em outro

trecho, o Papa ressalta novamente

o papel social da Educação. “Quanto

aos educadores e formadores

que têm a difícil tarefa de educar

as crianças e os jovens (…), devem

estar cientes de que a sua responsabilidade

envolve as dimensões

moral, espiritual e social. Os valores

da liberdade, respeito mútuo e

solidariedade podem ser transmitidos

desde a mais tenra idade (…)”

(§ 114). Ou seja: a Encíclica é também

um convite para uma educação

de irmãos para formar irmãos.

“A partir da Fratelli Tutti e da proposta

de um Pacto Educativo Global,

o Papa Francisco nos diz que

precisamos envidar esforços para

criar uma rede de relações abertas

e humanas, e, para isso, faz-se necessária

uma tríplice coragem para

colocar a pessoa no centro, investir

as melhores energias com criatividade

e responsabilidade e formar

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Peregrinos em missão

pessoas disponíveis para o serviço

da comunidade. Segundo ele,

é preciso agir, ligando a cabeça, o

coração e as mãos”, ressalta a educadora

Mariângela Risério, diretora

geral do Colégio Vieira.

“É neste horizonte que atua o currículo

da formação integral que

propomos, transformador da pessoa

e da sociedade, a fim de que,

de acordo com o Papa Francisco,

a Educação seja o ‘princípio de um

novo humanismo’, comprometido

e engajado, capaz de trabalhar

para estabelecer novas relações”,

completa a professora Mariângela.

Por meio de temáticas presentes

no Projeto Político-Pedagógico ou

envolvendo os estudantes e toda

a comunidade educativa em ações

de voluntariado e formação inaciana

ou, ainda, pelas atividades dos

núcleos específicos de protagonismo

juvenil, a exemplo do Núcleo

de Estudos Interdisciplinares sobre

Minorias Sociais (Neims), o Vieira,

assim como todas as 17 instituições

que integram a Rede Jesuíta

de Educação (RJE) no Brasil, passou

a cultivar ainda mais o cuidado

com o outro entre suas premissas,

sobretudo em meio às adversidades

de uma pandemia que afetou

o mundo. No ano passado, por

exemplo, iniciativas nesse sentido,

lideradas por alunos e ex-alunos,

fizeram valer o diferencial de uma

formação humanista.

PEREGRINOS DE CALÇA JEANS

Foi, por exemplo, a partir de uma

semana de formação inaciana, no

município baiano de Capim Grosso,

no evento batizado de Semana

Santa Jovem, que estudantes do

Vieira fundaram, em 2013, o grupo

Peregrinos de Calça Jeans (PCJ). Ao

longo de oito anos, 150 estudantes

já integraram o grupo, com ações

diversas de solidariedade e amizade

social.

“Lembro que uma das nossas primeiras

mobilizações foi para comprar

11 violinos para jovens carentes

que integravam a orquestra de

Capim Grosso. Hoje vemos como

aquela ação concreta transformou

a realidade daqueles adolescentes,

muitos seguindo na carreira da

música, inclusive com gente que

integra atualmente a Orquestra

Sinfônica da Bahia (Osba)”, conta

o ex-aluno Gabriel Cavalcanti, que

está no PCJ desde a fundação.

No ano passado, o grupo manteve-se

ainda mais coeso para traçar

ações que ajudassem pessoas

ainda mais atingidas, econômica,

emocional e socialmente, pelas

consequências da pandemia. “Fizemos

uma grande campanha

virtual e, com o valor obtido, pudemos

ajudar, mensalmente, com

240 fraldas geriátricas, cerca de 50

idosos assistidos pelo Abrigo São

Gabriel, no bairro da Boa Viagem.

Além disso, também doamos, mensalmente,

cestas com mantimentos

e produtos de limpeza para

cerca de 50 pessoas assistidas pelo

Irmão Henrique, peregrino da Comunidade

da Trindade, também na

Cidade Baixa”, conta Gabriel.

INICIATIVA JOVEM

Diante das desigualdades, reveladas

ainda mais durante a pandemia,

outro grupo, com cerca de

20 estudantes do Vieira, também

venceu as dificuldades de tempos

tão adversos, organizando-se para

arrecadar recursos e fazer doações

de cestas básicas e brinquedos

para a comunidade quilombola

Rio dos Macacos, no município de

Simões Filho, na Região Metropolitana

de Salvador. “Nós visamos

projetos voltados para o desenvol-

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vimento do protagonismo juvenil,

realizando ações de voluntariado,

momentos de reflexão e autoconhecimento,

discussões e debates

com base em uma formação integral

de líderes, a partir dos princípios

inacianos”, explicou a ex-aluna

Ludmilla Coutinho, uma das integrantes

do grupo. Ela participou da

campanha no ano passado, quando

cursava a 3ª série EM.

Em outra iniciativa, alunos da escola

e familiares também lideraram

uma campanha para ajudar financeiramente

o pipoqueiro Ernesto

Cerqueira, o Seu Ernesto, que ficou

sem poder exercer sua atividade

diante da suspensão das aulas presenciais.

“Foi uma ajuda grande e

agradeço muito à família vieirense”,

afirmou ele, em vídeo divulgado

nas redes sociais do Colégio.

Aluna Júlia Kuwano fez o desenho que ilustra a capa da agenda

AGENDA 2021

A Encíclica Fratelli Tutti é o tema da agenda 2021 do

Colégio Antônio Vieira. Distribuída para os alunos do

1º ao 5º ano do Ensino Fundamental (EF), a publicação

a é ilustrada com desenhos feitos por estudantes

e mensagens que, inspiradas nas palavras do Papa

Francisco, enfatizam que somos “todos irmãos”.

HUMANISMO PARA SALVAR VIDAS

“Em meio à pandemia da Covid-19, tive a oportunidade

de trabalhar em cinco unidades de terapia intensiva (UTIs

Covid), além de diferentes Unidades de Pronto Atendimento

(UPAs). Foi um desafio, mas também um momento

de crescimento profissional incalculável. Hoje em dia,

sou um médico muito mais capacitado e preparado do

que quando iniciei. Ao refletir sobre a questão, veio logo

o sentimento de gratidão por todos os valores cristãos e

humanísticos pregados pelo Colégio Antônio Vieira, que

pude, mais do que nunca, pôr em prática também neste

momento tão difícil para as famílias em todo o mundo.

Retidão, empatia, ética e moral são aspectos fundamentais

que regem a profissão médica. Tais valores são instruídos

e praticados no Vieira em todas as séries”. Pedro

Ramiro Muiños, jovem médico, ex-aluno do Vieira, que

atuou na linha de frente de combate à Covid-19”.

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POR UM CAMINHAR

DE APRENDIZAGEM

E SOLIDARIEDADE

Por Padre Alexandre Souza, SJ – Superior do Núcleo

Apostólico Jesuíta na Bahia

Todos nós somos chamados a uma

vocação por nosso Deus, que, de

alguma forma, convida-nos sempre

a participar da Criação. É um

tema interessante que nos envolve

cada vez mais, sobretudo em tempos

difíceis, em que somos provocados

a alargar o nosso horizonte

e perceber que, com a pandemia,

talvez tenhamos ficado um pouco

mais sensíveis. Não que os problemas

sociais tenham surgido com a

Covid-19. Nós é que estamos percebendo

mais agora do que antes,

quando, talvez, não estivéssemos

tão atentos.

Mas será que, de fato, estamos

atentos? Será que estamos aprendendo,

realmente, a alargar a nossa

capacidade humana de acolher

o nosso irmão na sua diferença?

Estamos dando conta de fazer esse

processo, encarando o outro, nosso

irmão, como parte de um sentimento

real de fraternidade, de

solidariedade e responsabilidade

social? Ficam essas perguntas que,

às vezes, a gente não sabe responder

direito, mas, como se diz, é caminhando

que se faz o caminho.

Guimarães Rosa, no texto “A terceira

margem do rio”, fala justamente

da importância da travessia. Sim,

porque é na travessia que a gente

vai descobrindo as coisas, como

quando estamos em um barquinho

no meio do rio e começamos a

reparar nos detalhes, a observar as

pessoas, a natureza, o movimento

das águas. Da mesma forma, é

muito importante que a gente não

perca as oportunidades inerentes

aos “detalhes” que vão surgindo

nesse tempo.

A pandemia não acirrou, mas, sim,

desvelou algumas questões com

que, de fato, nós, enquanto sociedade,

ainda não lidamos muito

bem, não enxergamos com a devida

atenção que merecem, a exemplo

da violência doméstica, racismo

estrutural e condições de vulnerabilidade

enfrentadas por crianças e

jovens. São questões para as quais

a Companhia de Jesus já convocava

todos os envolvidos nas obras jesuítas

a atuar para a transformação

das realidades, a partir das Preferências

Apostólicas Universais, que

trazem alguns pontos: o cuidado

com a Casa Comum, numa dimensão

socioambiental; acompanhar

os jovens em seus projetos de vida,

bem como caminhar junto aos pobres

e vulnerados numa missão de

reconciliação e justiça, frente aos

desafios da injustiça estrutural.

É um compromisso que, no caso

das instituições jesuítas de ensino,

firma-se ainda mais agora diante

do Pacto Educativo Global proposto

pelo Papa Francisco. Aqui na

Bahia também estamos construindo

uma rede de solidariedade. Eu

destaco o esforço de levar uma

educação de qualidade para crianças

e adolescentes em situações de

pobreza, por intermédio da Escola

João Paulo II, em Feira de Santana;

da Escola de Fé e Alegria, de Ilhéus;

e da educação de jovens do campo

com a Escola Família Agrícola de

Jaboticaba (sic), na região de Capim

Grosso. São também obras jesuítas

para as quais eu faço o convite

a quem quiser somar conosco na

missão.

Peço a Deus que, em 2021, tenhamos

também um pouco de luz para

enxergarmos mais os “detalhes”

deste tempo, ampliando nossa sensibilidade

diante dos desafios. Que

seja uma luz que nos permita olhar

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mais atentamente, e que também

aqueça nosso coração, para que

nosso olhar seja sempre de cuidado

para com nossos irmãos, como

alerta o Papa Francisco na Encíclica

Fratelli Tutti, sobre amizade e fraternidade

social.

É uma perspectiva que, para muitos,

parece nova, mas que sempre

foi defendida por Jesus. Que o Senhor,

portanto, ilumine o nosso

coração neste ano, aquecendo a

nossa capacidade de dialogar e

construir uma rede de colaboração

e cooperação entre nós, irmãos.

Que, assim, também possamos ver

melhor o caminho, sem que nos

percamos em nosso caminhar. É

preciso desfrutar a travessia.

Sete propósitos do Pacto Educativo Global

1 Coragem para colocar a pessoa no centro do processo educativo.

2 Ouvir as crianças, os adolescentes e os jovens.

3 Fomentar a participação educativa de meninas e mulheres jovens.

4 Considerar a família como a primeira e indispensável educadora.

5 Educar e educar-nos para acolher os irmãos vulneráveis e

marginalizados.

6 Estudar formas de economia, política, crescimento e progresso

que preservem o homem e a ecologia.

7 Proteger e cultivar nossa Casa Comum.

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