Jornal Paraná Março 2021

LuRecco


OPINIÃO

A ordem altera o produto

A continuidade dos desmatamentos

ilegais destrói a credibilidade do

País e permite todo tipo de críticas,

ainda que muitas vezes infundadas

Pedro de Camargo Neto (*)

Ograu de ilegalidade nos

desmatamentos identificados

na Região

Amazônica destrói a

credibilidade do País. Dificulta

qualquer iniciativa de avanço ou

negociação internacional futura.

E a ausência de credibilidade permite

todo tipo de críticas, ainda

que muitas vezes infundadas.

Pagamento por serviços ambientais,

bioeconomia, sociobiodiversidade,

sustentabilidade do pequeno

produtor e até mesmo o

polêmico programa Adote um

Parque Florestal podem se tornar

avanços na construção de uma

política florestal e climática. Longe,

porém, de resolver a questão

sem enfrentar o retrocesso representado

pelo persistente desmatamento

ilegal.

Em 2019, após intensas queimadas

na floresta, o Exército foi enviado

à Região Amazônica para

atuar numa operação de Garantia

da Lei e da Ordem (GLO). Pouco

fez. No ano seguinte, novamente

o Exército embarcou com destino

à Amazônia, mesmo assim

o desmatamento ilegal continuou

crescendo. Dados de satélite coletados

pelo sistema de monitoramento

Prodes, do Instituto Nacional

de Pesquisas Espaciais

(Inpe), mostram que o desmatamento

com corte raso na Amazônia

Legal aumentou 9,5% de

2019 a 2020. No Estado do Pará

houve espantoso aumento de

24%.

Estão encerrando a GLO. O Instituto

Brasileiro do Meio Ambiente

e dos Recursos Naturais

Renováveis (Ibama) e o Instituto

Chico Mendes de Conservação

da Biodiversidade (ICMBio), autarquias

responsáveis pelo controle

em terras públicas, encontram-se

ainda sem a necessária

estrutura para uma atuação

diferenciada que venha a

produzir resultados.

Imagens de satélite de excelente

definição são amplamente disponíveis

no Inpe, no satélite do governo

da Noruega, em futuro próximo

no recém-adquirido pelo

governo, ou em outro qualquer

facilmente acessível para essa

verificação. Diariamente os focos

de desmatamento podem ser

identificados com elevada precisão,

as coordenadas geográficas

são prontamente identificáveis.

Sabemos, hoje, exatamente o

que acontece na imensidão da

Amazônia.

O Brasil deveria ser o país

a liderar a questão climática

A questão é chegar ao local, diariamente,

com os profissionais

devidamente qualificados. Um

fiscal do Ibama basta, desde que

com poder, talão de multas e

proteção da Polícia Federal. Na

eventualidade de reação, existiria

um plano alternativo. Isso exigirá

orientação para penalizar de imediato

os responsáveis pelo crime,

até mesmo com a destruição de

máquinas e equipamentos encontrados,

quando em terras públicas,

informação conhecida de

antemão. Quando em terras privadas,

em coordenação com a

autoridade estadual, providências

enérgicas no âmbito do Cadastro

Ambiental Rural (CAR), bem

como do CPF lá identificado.

Diariamente as equipes sairiam

para as coordenadas identificadas

dos desmatamentos. A

questão é chegar lá com rotina e

rapidez. Certamente não será a

pé ou de carro. A proposta aqui

é outra GLO, desta vez com a Aeronáutica,

que desenvolveria e

operaria os meios de locomoção

da equipe mínima. Considerando

a relevância da questão amazônica,

acredito ser possível, até

mesmo contando com apoios internacionais.

Não sendo essa a alternativa escolhida,

que desenvolvam outra.

O inaceitável é a continuidade da

ilegalidade. A questão climática

está em grande evidência. Os debates

sobre o clima evoluem para

a Conferência do Clima (COP

26) a ser realizada em Glasgow,

na Escócia, em novembro. Os

esforços vão na direção de limitar

o aumento da temperatura

global a 1,5 grau Celsius acima

dos níveis pré-industriais. Os países

desenvolvem políticas visando

a zerar a emissão líquida

dos gases de efeito estufa

(GEEs), a métrica na questão do

aquecimento global. O presidente

norte-americano, Joe Biden, organiza

importante evento em

Washington já no próximo dia 22

de abril.

A principal emissão de GEEs do

Brasil, a que nos coloca em posição

desfavorável, é proveniente

dos desmatamentos florestais.

Reduzi-los não depende de pesquisa,

nem de novas tecnologias,

nem mesmo de debate político.

Basta cumprir a legislação em

vigor. A continuidade dos desmatamentos

ilegais destrói a credibilidade

do País para qualquer

outra iniciativa.

O Brasil deveria ser o país a liderar

a questão climática. É o país dos

biocombustíveis, do primeiro carro

a álcool, do biodiesel, da geração

de energia com a biomassa,

da energia eólica, como pode ser

observado na Região Nordeste do

País, e da agricultura de baixo carbono,

cujo enorme potencial na

produção de alimentos em conjunto

com a absorção de carbono

no solo vem sendo demonstrado.

É o país que maior capacidade

tem de promover a fotossíntese

na construção do futuro.

Enfrentar o desmatamento, hoje

principalmente resultado de invasões

de terras públicas, precisa

ser feito de imediato, de uma maneira

ou outra. Ele prejudica e prejudicará

ainda mais o País, em

especial o setor agropecuário.

É insuficiente apresentar propostas

necessárias e possivelmente

positivas para avançarmos em

outras questões. Precisamos de

foco no inaceitável desmatamento

ilegal. Ou serão dois passos

pra frente e três ou quatro

para trás

(*) Produtor rural e ex-secretário

de Produção do Ministério

da Agricultura; publicado em O

Estado de S.Paulo)

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CANA-DE-AÇÚCAR

Usinas no PR retomam

colheita em março

Para a safra 2021/22 no Estado, a perspectiva é de números semelhantes aos

do ano passado em termos de ganhos econômicos e resultados agronômicos

Como tradicionalmente

ocorre no Paraná, a

colheita de cana-deaçúcar

nas indústrias

sucroenergéticas do Estado deve

iniciar com ritmo forte no

mês de março, com mais da

metade das usinas e destilarias

paranaenses entrando em operação

no mês. A expectativa é

de que quase um milhão de toneladas

de cana a mais sejam

moídas ainda na safra 2020/

21, fechando a produção total

com cerca de 34 milhões de

toneladas de cana, estima o

presidente da Alcopar, Miguel

Tranin.

Como a colheita da safra

2021/ 22 só começa oficialmente

a partir do dia 1 de abril,

todo o volume de cana esmagado

no período que antecede

a data ainda será computado

como da safra 2020/21. Praticamente

todas as unidades

paranaenses devem estar em

funcionamento até o final do

mês de abril.

Apesar da seca severa que

castigou as lavouras do Centro-

Sul como um todo, e do temor

inicial de que a colheita só iniciaria

em abril no Paraná, por

falta de matéria prima para a

tradicional retomada da colheita

mais cedo, Tranin comenta

que “as chuvas ocorridas no

final do ano e em janeiro recuperaram

e potencializaram o

desenvolvimento das lavouras.

E como as empresas sucroenergéticas

fizeram a sua parte,

investindo na renovação dos

canaviais, temos cana para iniciar

a safra mais cedo”, diz.

Em anos em que o clima ocorre

sem sobressaltos é possível

até mesmo antecipar ainda

mais a colheita, com o Paraná

dando início a operação já na

segunda quinzena de fevereiro.

Nos últimos anos, entretanto, a

safra tem iniciado dentro dos

prazos normais, em meados de

março, por conta de sucessivas

estiagens.

A moagem de cana, realizada

pelas unidades produtoras no

Estado, no acumulado desta

safra até o final do ano passado,

quando se iniciou o período

de entressafra, foi de 33,3

milhões de toneladas. Comparando

com as 33,2 milhões de

toneladas registradas no mesmo

período do ano safra 2019/

20, o aumento foi de 0,4%. A

entressafra é o período em que

as usinas paralisam suas atividades

para manutenção de

suas máquinas agrícolas e da

indústria.

A quantidade de Açúcares Totais

Recuperáveis (ATR) por tonelada

de cana, também no

acumulado da safra 2020/21

ficou 0,8% abaixo do valor observado

na safra 2019/20, totalizando

141,83 kg de ATR/t

de cana, contra 142,99 kg ATR

observados na safra passada.

A produção de açúcar totalizou

2,571 milhões de toneladas até

o final do ano passado e a de

etanol 1,184 bilhão de litros,

sendo 505,8 milhões de litros

de anidro e 678,1 milhões de litros

de hidratado.

Analistas apontam que a safra

2021/22, que se inicia em abril,

poderá não ter as mesmas características

da atual na região

Centro-Sul. A oferta de cana

pode ser menor, e a qualidade

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da matéria-prima não deverá

atingir os patamares do ano

passado. A seca afetou o desenvolvimento

da cana, o que

deverá reduzir a oferta da matéria-prima

na região. Além disso,

a aceleração dos preços

dos grãos, principalmente os

da soja e os do milho, vão ter

efeito sobre a área de cana em

toda região. “Este é um fator

que deve pressionar principalmente

as usinas localizadas em

regiões de terras mais férteis,

onde a concorrência com as lavouras

de soja e milho é forte,

o que nos preocupa”, afirma

Tranin.

Para a próxima safra, estimativas

feitas pela Unica (União

da Indústria de Cana-de-Açúcar)

apontam para uma produção

menor, com moagem

total de 575 milhões de toneladas

na região Centro-Sul. No

etanol, também deve haver

queda em relação a este ciclo,

para 25,6 bilhões no próximo.

Já o açúcar, a retração esperada

é para 34,2 milhões de

toneladas. A seca prolongada

e os efeitos do La Niña são os

principais fatores que explicam

estas projeções.

O cenário para o setor sucroenergético

em 2021 deve ser

bastante semelhante a do ano

anterior na avaliação do presidente

da Alcopar. “No Paraná,

vamos ter um ano semelhante

em termos de ganhos

econômicos e resultados

agronômicos”, diz. A estimativa

da safra ainda está

sendo levantada, e só em meados

de maio é que será possível

ter um número mais

assertivo.

Neste primeiro momento, as

unidades industriais do Paraná

devem priorizar a produção de

etanol, para atender a demanda

do produto na entressafra.

Também, como normalmente é

um período mais chuvoso, a

tendência é que a cana concentre

menos açúcar, sendo

mais difícil obter a commodity.

Na safra como um todo, entretanto,

o mix de produção no

Paraná tende a ser mais açucareiro,

como tradicionalmente

ocorre.

Também, com o mercado de

açúcar mais favorável, muitas

usinas aproveitaram para

comercializar de forma antecipada

grande parte da produção

da commodity em um

percentual de fixações antecipadas

da safra recorde e a

preços remunerativos. A Alcopar

acredita que deve ter

ocorrido até 80% de fixação

das exportações, do total

previsto. Com isso o Estado

deve embarcar 80% das 2,5

milhões de toneladas de produção

de açúcar na safra

2021/22, pelos cálculos de

Tranin.

Na ponta do lápis, 1,6 milhão/t

já foram vendidas internacionalmente,

com apoio dos preços

que chegaram a picos em

Nova York de 17 c/lp, além do

dólar sempre favorável, que

foi o motor exportador praticamente

exclusivo da safra

passada.

Centro-Sul deve fechar safra

20/21 com 605 milhões/t

Na região Centro Sul, a União

da Indústria de Cana-de-

Açúcar (Unica) aponta que

15 unidades estavam em

funcionamento até o final da

segunda quinzena de fevereiro,

sendo 7 empresas

com moagem de cana-deaçúcar,

3 unidades flex (processam

milho e cana-deaçúcar)

e 5 plantas dedicadas

exclusivamente à produção

de etanol de milho.

A moagem de cana-de-açúcar

na segunda quinzena de

fevereiro alcançou 668,98

mil toneladas e, no acumulado

desde o início da safra,

totalizou 598,79 milhões de

toneladas. “Seguindo os números

divulgados no final do

ano passado, deveremos fechar

a safra 2020/21 com

moagem próxima a 605 milhões

de toneladas”, concluiu

Antonio de Padua

Rodrigues, diretor técnico da

Unica.

A produção quinzenal de

açúcar atingiu 18,67 mil toneladas

e, no acumulado da

safra, a fabricação do adoçante

alcançou 38,24 milhões

de toneladas. A produção

de etanol, por sua vez,

foi de 114,96 milhões de litros

na segunda quinzena do

mês, sendo 107,45 milhões

de litros de etanol hidratado

e apenas 7,51 mil litros de

etanol anidro. No acumulado

desde o início da safra 2020/

2021 até 1º de março, a produção

de etanol chegou a

29,79 bilhões de litros, sendo

9,71 bilhões de litros de

etanol anidro e 20,08 bilhões

de etanol hidratado.

A produção quinzenal de etanol

de milho totalizou 85,63

milhões de litros na segunda

metade de fevereiro, com

74,44 milhões de litros de

etanol hidratado e 11,20 milhões

de litros de etanol anidro.

No acumulado da safra

2020/21, a produção de etanol

de milho é de 2,30 bilhões

de litros.

Segundo levantamento, na

primeira quinzena de março

17 empresas devem iniciar a

safra 2021/22. Até o final do

mês, outras 21 unidades iniciarão

suas operações. “No

final de março do ano passado,

87 unidades produtoras

estavam em operação e

neste ano apenas 50 empresas

devem estar operando.

“Para a primeira quinzena de

abril, a nossa expectativa é

de que outras 124 empresas

iniciem a moagem, dando

início efetivo à produção da

safra 2021/22”, acrescentou

Rodrigues.

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BIOCOMBUSTÍVEIS

Menor poluição evita

centenas de mortes ao ano

Estudo da EPE mostra que mistura obrigatória de biodiesel ao diesel e de

etanol anidro à gasolina reduz emissões de particulados e o número de mortes

As políticas de biocombustíveis

têm gerado

impactos positivos

"significativos" à saúde

humana, conforme aponta

estudo publicado pela estatal

Empresa de Pesquisa Energética

(EPE), em reportagem da

Reuters. A mistura obrigatória

de biodiesel ao diesel e de etanol

anidro à gasolina, realizada

há anos no Brasil, evita centenas

de mortes por ano na região

metropolitana de São Paulo

por meio da redução da

emissão de particulados.

Com base nas demandas de

etanol e gasolina observadas

em 2018 na região, a pesquisa

mostrou resultados favoráveis

como consequência ao consumo

do biocombustível por

veículos flex: uma redução de

371 óbitos por ano e aumento

da expectativa de vida em 13

dias na comparação com um

cenário em que não há qualquer

demanda por etanol, apenas

por gasolina. O panorama

reflete a demanda por etanol hidratado

e a mistura adotada de

mais de um quarto de etanol

anidro na gasolina comum.

Considerando um cenário de

aumento de 10% no consumo

de etanol hidratado em detrimento

da gasolina, a pesquisa

aponta que mais 43 mortes seriam

evitadas anualmente e a

expectativa de vida avançaria

em mais um dia. "Os resultados

apontam que o uso do etanol

tem elevado impacto positivo

na saúde humana sob o

prisma de emissão de particulados,

contribuindo para uma

redução de 7,2% de concentração

de particulados associada

ao setor de transportes", afirmou

o estudo publicado pela

EPE.

"A adição de biodiesel ao diesel

A também apresentou impacto

significativo na saúde humana

em termos de emissão de particulados",

afirmou a nota técnica

da EPE. Usando dados

captados em 2018 na região, o

estudo concluiu que a mistura

de 12% de biodiesel no diesel B

(B12), adotada pelo Brasil no

momento, evita 277 mortes por

ano e faz com que a população

deixe de perder dez dias de vida

desde o nascimento, em comparação

com o cenário em que

não há qualquer mistura.

A pesquisa também traçou panoramas

para os impactos positivos

gerados pelas misturas

de 10% e 15%, percentual que

segundo o cronograma estipulado

pelo país deve ser atingido

até 2023. Com o B10,

usado como cenário-base de

São Paulo em 2018, são evitadas

244 mortes, com um

aumento de nove dias na expectativa

de vida. Já a eventual

mistura de 15% acarretaria

348 mortes a menos por ano,

e aumentaria a expectativa de

vida em mais quatro dias ante

à mistura do B10. O estudo

destacou que, em 2018, a

mistura obrigatória de 10%

evitou 6,8% das emissões

provenientes do setor de

transportes na região metropolitana

de São Paulo.

A pesquisa também avaliou o

valor implícito à melhoria da

qualidade de vida decorrente

do uso de biocombustíveis em

substituição aos combustíveis

fósseis, seguindo métricas da

Organização Mundial da Saúde

(OMS) com base na variação

da expectativa de vida. Considerando

esses critérios, a trajetória

que leva em conta a

demanda atual por etanol e gasolina

tem resultado positivo

de 24,6 bilhões de reais ante o

cenário em que há consumo

apenas de gasolina. Já no

caso do diesel, a mistura-base

de 10% resulta em impacto

econômico de 17 bilhões de

reais.

Estatísticas elaboradas pela

OMS apontam que a poluição

atmosférica nas cidades e nas

áreas rurais cause, por ano,

cerca de 4,2 milhões de mortes

prematuras em todo o

mundo. E a principal causa é

a exposição a materiais particulados,

destacou a nota técnica

da EPE. "A inserção de

biocombustíveis na matriz de

transportes, grande responsável

pela demanda de combustíveis

e importante emissor de

GEE (gases de efeito estufa)

da economia global, se torna

cada dia mais relevante", concluiu

o estudo.

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AUDITORIA

Relatório de Sustentabilidade

da Santa Terezinha é validado

O relato é anual, está em sua 10° edição e demonstra o engajamento da empresa com

o desenvolvimento sustentável, priorizando a ética, confiabilidade e transparência

Pelo 3° ano consecutivo,

o Relatório de

Sustentabilidade/Comunicação

de Progresso

da Usina Santa Terezinha

foi validado pela empresa

de auditoria PwC (PricewaterhouseCoopers).

No processo

de verificação externa,

o conteúdo foi constatado de

acordo com os critérios do

GRI (Global Reporting Initiative),

opção Essencial da

versão Standards. Essa norma

é a mais atual disponível e

principal referência para esse

tipo de publicação em todo

o mundo, presente em 60

países.

Além da norma GRI, a auditoria

externa seguiu controles

próprios determinantes e necessários

para permitir a propagação

desse material: livre

de distorção causada por

fraude ou erro.

Desde 2010, a Usina Santa

Terezinha divulga este documento

composto de práticas

ESG (Environmental, Social

and Governance/ Ambiental,

Social e Governança) e resultados

financeiros. O relato é

anual, está em sua 10° edição

e demonstra o engajamento

da empresa com o desenvolvimento

sustentável, priorizando

a ética, confiabilidade e

transparência.

No decorrer da leitura são

apresentados dados referentes

ao perfil da empresa, sua

governança e engajamento

com os públicos de relacionamento.

Além dos tópicos considerados

materiais, a partir

da elaboração da matriz da

materialidade.

O conteúdo é aliado aos quatro

temas do Pacto Global das

Nações Unidas (direitos humanos,

trabalho, meio ambiente

e combate à corrupção)

tornando este documento,

há seis anos, uma COP

(Comunicação de Progresso),

que possui o status nível

avançado e é publicada no

banco de dados do Pacto Global.

O documento ainda segue

as premissas dos ODS (Objetivos

de Desenvolvimento

Sustentável), estipulados pela

ONU (Organização das Nações

Unidas).

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BOLSA QUALIFICAÇÃO

Cooperval capacita

200 trabalhadores

O objetivo é qualificar os empregados quanto as habilidades educacionais,

profissionais e humanas, além de manter empregos na entressafra e gerar renda

Os treinamentos são

ministrados pelo Senai

e Senat em parceria

com Sescoop

Como tem ocorrido nos últimos anos no período

de entressafra, a Cooperval, Cooperativa

Agroindustrial Vale do Ivaí Ltda, com

sede no município de Jandaia do Sul, promove

a edição de 2021 do projeto Bolsa Qualificação

Profissional. Este ano o trabalho de capacitação começou

em janeiro, com a participação de 200 trabalhadores,

divididos em várias turmas e vai até abril,

quando se inicia oficialmente a safra de cana-de-açúcar

na região Centro-Sul.

Com o objetivo de qualificar os empregados da usina

quanto as suas habilidades educacionais, profissionais

e humanas, além de manter os empregos e gerar

renda, o projeto Bolsa Qualificação Profissional é prevista

pela legislação, conforme o artigo 476-A da CLT,

e funciona como uma suspensão temporária do contrato

de trabalho no período de entressafra.

Os cursos que estão sendo oferecidos este ano pelo

programa aos trabalhadores da Cooperval são treinamentos

como soldador, mecânica e eletricidade automotiva,

formação de pedreiro, mecânica industrial,

direção defensiva, direção econômica, NR 17 – Ergonomia,

NR 35 - Trabalho em Altura, NR 33 - Trabalho

em Espaço Confinado, NR 20 - Trabalho com

Inflamáveis, comunicação organizacional e relacionamento

interpessoal. Os treinamentos são ministrados

pelo Senai e Senat em parceria com Sescoop.

A colheita de cana-de-açúcar na área de ação da

Cooperval deve ser retomada a partir de abril, segundo

o diretor presidente da cooperativa, Fernando

Fernandes Nardine. Além do açúcar, a cooperativa

deverá fabricar etanol hidratado e etanol anidro.

Como a empresa tem diversificado suas atividades,

também produzirá etanol anidro e hidratado através

da moagem de milho. Outro subproduto obtido

desse processo é o DDG, utilizado para ração animal.

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Fixação

DOIS

PONTOS

Déficit global

Usinas brasileiras já fixaram

preços de açúcar da safra

2021/22 para 80,5% da exportação

projetada na temporada,

estimou a Archer

Consulting com base em

dados até 31 de janeiro. O

número mostra um aumento

de mais de 10 pontos percentuais

ante os 69% – de

uma exportação estimada

em 25 milhões de toneladas

– fixados até o mês anterior.

O PIB (Produto Interno Bruto) da agropecuária

tomou rumo diferente do dos demais setores

da economia no ano passado. Terminou

o ano com evolução acumulada de

2%, e foi o único a crescer. No último trimestre,

no entanto, mostrou fraquezas, e foi o

único a registrar queda, conforme os dados

Usinas têm aproveitado as

condições favoráveis de

mercado e adiantado o travamento

de negócios para a

próxima safra, que começa

oficialmente em abril, no

centro-sul. A Archer também

disse que as usinas brasileiras

tinham fixado preços de

açúcar para 25% da safra

2022/23 (versus 23% no

mês anterior), segundo estimativa

preliminar.

Agro

do IBGE. O crescimento do PIB agrícola em

2020 já era esperado, embora o mercado

apostasse em taxa ainda maior. Apesar da

pandemia, o setor manteve seu ritmo de

plantio, de colheita e de transporte das mercadorias.

O setor foi ajudado, ainda, por uma

boa produção e aumento de produtividade.

A Organização Internacional

do Açúcar (OIA) estimou um

déficit maior do que o esperado

anteriormente para o

mercado global do adoçante

na temporada 2020/21, de 4,8

milhões de toneladas. Em sua

projeção anterior, o órgão intergovernamental

indicava um

Menor produção

A queda foi guiada, em parte,

por um corte na estimativa

para a produção na Europa

Ocidental, que passou a

ser vista em 15,2 milhões de

toneladas, versus 16,5 milhões

anteriormente. Juntos,

doenças e secas prejudicaram

as safras da região.

Também houve revisões para

baixo na produção do Irã

(1,3 milhão de toneladas,

Economia

déficit de 3,5 milhões de toneladas

na atual temporada. A

OIA, em atualização trimestral,

estimou a produção global de

açúcar em 2020/21 (outubro

a setembro) em 169,0 milhões

de toneladas, abaixo da

previsão anterior de 171,1 milhões

de toneladas.

contra 1,85 milhão), Paquistão

(5,5 milhões de toneladas,

versus 6,0 milhões) e

Tailândia (7,8 milhões de toneladas,

ante 8,2 milhões). O

consumo global foi estimado

em 173,8 milhões de toneladas,

abaixo da projeção anterior

de 174,6 milhões de

toneladas, mas ainda 2,1%

acima do registrado na temporada

anterior.

Índia

A economia brasileira registrou

em 2020 a maior contração

em 24 anos sob o

impacto das medidas de

contenção ao coronavírus,

terminando o ano com

perda de força e diante de

um pano de fundo de incertezas.

O Produto Interno

Bruto (PIB) do Brasil despencou

4,1% em 2020, depois

de crescimento de

1,4% em 2019, na maior

queda desde o início da

série histórica do IBGE iniciada

em 1996.

O Brasil possui aproximadamente

10 milhões de hectares

plantados com cana-de-açúcar.

No entanto, apesar de sermos

o maior produtor de cana

do mundo, a nossa produtividade

é relativamente baixa

quando comparada a outros

Irrigação

países produtores. Na última

safra, o Brasil produziu aproximadamente

77 ton/ha, enquanto

países como Colômbia

e Guatemala produziram 118

ton/ha e 88 ton/ha. O clima representa

50% das condições

que impactam na produtividade

de cana e os demais fatores

se distribuem entre variedades,

fertilidade do solo e fatores

biótipos. O uso de tecnologias

que permitam a irrigação

e o parcelamento nutricional

(nutrirrigação) podem potencializar

a produção.

A Índia deve ficar abaixo de

sua meta para as exportações

de açúcar neste ano por

causa do atraso nos embarques

e desafios logísticos, o

que pode impulsionar ainda

mais o rali da commodity. O

segundo maior produtor

mundial, atualmente com

enormes estoques, deve exportar

quase 20% menos do

que a meta do governo e da

previsão de uma importante

associação. O risco surge

justo quando o mercado global

está sob pressão. Os futuros

do açúcar bruto registraram

o décimo mês de

ganhos em fevereiro, o período

mais longo de alta segundo

dados de bolsa das

últimas seis décadas. Com

um mercado apertado por

causa de safras menores na

Tailândia e na União Europeia,

juntamente com a forte

demanda na Ásia, a queda

das exportações indianas

pode fornecer mais estímulo

para o mercado.

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Raízen

A Raízen, líder mundial em

açúcar e etanol de cana-deaçúcar,

obteve aval do órgão

brasileiro de defesa da concorrência

para a aquisição

da Biosev, uma transação

anunciada pelas empresas

no início de fevereiro. O negócio,

que envolve pagamento

pela Raízen de 3,6

bilhões de reais e mais um

montante em ações, foi

aprovado sem restrições

pelo Conselho Administrativo

de Defesa Econômica

(Cade).

Energia Verde

Após a aquisição e integração

dos negócios da Biosev,

a Raízen - uma joint venture

entre Cosan (CSAN3) e

Shell - passará a contar

com um total de 35 unidades

produtoras e capacidade

instalada de moagem

de 105 milhões de toneladas

de cana, além de cerca

de 1,3 milhão de hectares

Aquisição

de cultivos. A operação envolve

nove unidades da Biosev,

com capacidade total

de moagem de 32 milhões

de toneladas de cana, localizadas

em São Paulo (seis),

Mato Grosso do Sul (duas)

e Minas Gerais (uma), que

virão sem qualquer dívida,

além de 280 mil hectares de

cana.

British Airways

A companhia aérea British

Airways (BA) em colaboração

com a start-up americana

LanzaJet anunciou o

uso de um combustível produzido

a partir do etanol em

alguns de seus aviões em

2022. O uso deste combustível

representa uma redução

de mais de 70% das emissões

de gases de efeito estufa

em comparação com o

querosene tradicional, o que

equivale a retirar 27 mil carros

a gasolina e diesel da estrada

todo ano.

O programa Selo Energia

Verde superou a marca de 50

usinas certificadas em 2021.

Juntas, têm o potencial para

produzir, anualmente, mais de

11 mil GWh. 64% deste volume

é ofertado na rede e

chega a milhares de lares brasileiros.

O restante, 36%, é

O Instituto Nacional de Metrologia,

Qualidade e Tecnologia

(Inmetro) informou que está

em fase final de implantação

do regulamento que prevê a

certificação digital das bombas

de combustíveis. Com a

medida, será possível dificultar

fraudes durante o abastecimento

de veículos nos

postos de combustíveis do

para o autoconsumo. O potencial

de geração das usinas

certificadas é superior a toda

energia elétrica produzida no

Brasil, em 2020, com carvão

mineral. Isso significa menos

poluição do ar, já que a energia

gerada nessas usinas deve

evitar a emissão de mais de 3

país. Segundo o Inmetro, o

controle será feito por meio

de certificação digital. Um

componente instalado na

bomba do posto vai checar

se a quantidade de energia

gerada pela bomba é compatível

com o volume de combustível

colocado no tanque

do veículo. Dessa forma, o

motorista poderá verificar, por

milhões toneladas de CO 2 .

Para retirar essa quantidade de

gás poluente do ar é necessário

cultivar 21 milhões de árvores

nativas por 20 anos. O

Selo Energia Verde é emitido

pela UNICA (União da Indústria

da Cana-de-Açúcar) todos os

anos.

Certificação eletrônica

Cientistas da Embrapa têm

pesquisado o potencial de

uso de Bacillus aryabhattai,

descoberto pelo pesquisador

Itamar Melo, em mudas prébrotadas

de cana-de-açúcar

inoculadas com o microrganismo,

quando submetidas

a diferentes regimes de

fornecimento de água após

transplantio. A pesquisa tem

meio de um aplicativo de celular,

se o estabelecimento

fraudou a compra. A checagem

ocorrerá por assinatura

eletrônica. A troca das bombas

será feita de forma gradual

pelos postos, sendo

imediatamente obrigatória somente

em caso de fraudes

encontradas e na substituição

de equipamentos obsoletos.

Bacillus aryabhattai

demonstrado que pode haver

efeito benéfico do uso do ativo

biológico, dependendo da

cultivar de cana utilizada. Testes

mostram efeito do uso do

ativo biológico no crescimento

da parte aérea, afetando

também a massa das

plantas, o diâmetro e altura

do colmo e desenvolvimento

das raízes.

Jornal Paraná 11


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