Revista Newslab Edição 164

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Revista Newslab Edição 164 - Março 2021

INFORME DE MERCADO

COMO INTERPRETAR A CONTAGEM DE RETICULÓCITOS

EM CÃES E GATOS

Por: Rossana Priscilla de Souza Figueira, Mariana Oliveira Silva, Fabiola de Oliveira Paes Leme - Laboratório de Patologia Clínica HV-EV-UFMG

Os reticulócitos são células eritróides imaturas que

contêm retículos com cadeias de RNA, mitocôndrias,

ribossomos, centríolos e restos do complexo de

Golgi e, apesar da diminuição da quantidade de organelas

citoplasmáticas, os reticulócitos podem ser

mais metabolicamente ativos do que os eritrócitos

maduros e, sintetizar até 20% da concentração final

de hemoglobina (COWGILL et al., 2003). A presença

das organelas citoplasmáticas, especialmente os resquícios

de RNA podem ser identificados através de

colorações especiais da classe dos supravitais, como

o novo azul de metileno (NAM) ou o azul cresil brilhante

(ACB) (STOCKHAM e SCOTT, 2008).

Na Medicina Veterinária observamos dois tipos de

reticulócitos: o agregado e o pontilhado (FELDMAN

& SINK, 2006). O reticulócito agregado é uma célula

eritróide mais imatura, maior e com coleções grosseiramente

agrupadas de retículo (COWGILL et al.,

2003). Na maior parte das espécies domésticas este

é o único tipo de reticulócito encontrado. Os gatos,

no entanto, apresentam mais de um tipo de reticulócito

(THRALL, et al, 2012), além do agregado, semelhante

a outras espécies, possui também o pontilhado

(figura 1). O reticulócito pontilhado é menor,

mais maduro e quando corado apresenta dois a seis

pequenos grânulos de retículos esparsos (VALLE et

al., 2019; COWGILL et al., 2003). É a fase seguinte

da maturação do reticulócito agregado (STOCKHAM

e SCOTT, 2008).

Figura 1: Reticulócitos pontilhados e agregado em

amostras de um gato doméstico com volume globular

de 21%. Azul cresil brilhante, objetiva óptica

de imersão (100x).

A contagem de reticulócitos é considerada o padrão

ouro na avaliação da resposta medular do animal à

anemia (BARGER, 2003), utilizada para classificar

as anemias em regenerativa (reticulocitose) e não

regenerativa (reticulocitopenia ou contagens basais

em anemias intensas). Além de auxiliar na classificação

da anemia, a contagem de reticulócitos também

é utilizada para avaliar a integridade da medula

óssea e para monitorar o efeito da terapia instituída

(COWGILL et al., 2003). A reticulocitose – aumento

do número de reticulócitos circulantes – ocorre em

animais anêmicos, com medula óssea funcional e

responsiva, como nos casos de perda de sangue, hemólise

ou em pacientes que estejam respondendo

a terapia. Entretanto, animais anêmicos, com distúrbios

medulares, apresentam eritropoiese deprimida

ou diminuição da concentração ou atividade de eritropoietina

(EPO) e, dessa forma, observa-se contagem

de reticulócitos normal ou diminuída (PEREIRA

et al., 2008).

Para executar a técnica corretamente o sangue

não pode estar hemolisado, deve-se coletar a

amostra em EDTA e a contagem ser feita em até

6h (COWGILL et al., 2003). Volumes iguais de

sangue devem ser adicionados ao NAM, misturados

e mantidos a temperatura ambiente por,

pelo menos 15 minutos (STOCKHAM e SCOTT,

2008), ou submetidos a 37º por 20 minutos

(DACIE et al., 2011).

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Revista NewsLab | Março 2021

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