Revista Newslab Edição 164

newslab.analytica

Revista Newslab Edição 164 - Março 2021

Autora: Bruna Ferreira Pfeiffer.

Introdução

As cardiopatias são responsáveis

por altas taxas de óbitos no mundo,

sendo consideradas umas das principais

doenças não transmissíveis

do século (1) . Em 2015, mais de 17,7

milhões de pessoas foram a óbito

em decorrência das complicações

cardiovasculares (2) . Já no Brasil, mais

de 1100 mortes são registradas por

dia e, até a primeira quinzena de

dezembro de 2020, mais de 380 mil

pessoas foram a óbito (3) .

Fatores hereditários, conhecidos

como fatores não modificáveis, contribuem

para o desenvolvimento destas

patologias, entretanto, 90% dos fatores

são ocasionados pelo tabagismo,

elitismo, dislipidemia, hipertensão

arterial, obesidade, sedentarismo e

diabetes mellitus, conhecidos como

fatores modificáveis (1,2) . Distúrbios

secundários, como apneia obstrutiva

do sono, podem aumentar em mais

de 3% as chances (2) . Tais fatores modificáveis

podem ser reduzidos e, até

mesmo eliminados, através de hábito

alimentar saudável, prática de atividades

físicas, vida pessoal e profissional

livres de estresse, abandono do

hábito de fumar e de ingerir bebidas

alcoólicas e acompanhamento médico

regular (1-3) .

O infarto agudo do miocárdio (IAM)

é a cardiopatia mais acometida entre

a população mundial e se caracteriza

pelo processo de necrose de

parte do tecido cardíaco ocasionado

pela falta de oxigenação deste tecido.

Na maioria dos casos, a falta de

oxigenação é gerada pela presença

de placas de aterosclerose em veias

e artérias (1,2) . Na década de 50, foi

responsável por 30% dos óbitos hospitalares.

Ao decorrer das décadas

e dos avanços medicinais, os óbitos

reduziram em mais da metade, mas

ainda representa um sério problema

de saúde pública mundial (4) .

O IAM é classificado de acordo com

o resultado do eletrocardiograma em

com supradesnível de ST ou sem supradesnível

de ST. Apenas 50% dos

pacientes apresentam supradesnível

de ST e/ou o desenvolvimento de

onda Q, já os demais não apresentam

tais alterações, o que pode confundir

o diagnóstico com angina instável,

por isso, a necessidade de seriar o

eletrocardiograma (4,5) . Para elucidar

o IAM, são realizados exames laboratoriais

como creatinofosfoquinase

total (CK total), creatinofosfoquinase

fração MB (CK-MB), mioglobina e

troponinas C, I e T, enzimas liberadas

na corrente sanguínea em maior

quantidade na presença de lesão do

miocárdio (6) . Em rotinas laboratoriais,

é usual a análise de CK total,

CK-MB e troponina I por apresentarem

melhores resultados de sensibilidade

e especificidade, ambos

acima de 95%, quando seriados (6,7) .

Deste modo, os objetivos desta

pesquisa foram avaliar o perfil da

população submetida a análise seriada

de CK total, CK-MB e troponina

I e verificar a prevalência de resultados

alterados ao decorrer das análises

seriadas.

Material e Métodos

Pesquisa de caráter retrospectiva

e transversal. Foram avaliados 507

laudos de CK total, CK-MB e troponina

I de 219 pacientes submetidos

as análises seriadas, no período

de outubro de 2018 a outubro de

2020, em um laboratório de análises

clínicas localizado na cidade de

Viamão, Rio Grande do Sul. Entende-se

por análise seriada as repetições

em 2, 3 ou 4 vezes do mesmo

paciente em intervalos de 2 a 3

horas entre cada análise, e entende-se

por resultados alterados a

tríade CK total acima de 155 U/L,

CK-MB acima de 10% do valor da

CK total e troponina I reagente (7) . A

CK total e CK-MB foram analisadas

de modo automatizado, pela metodologia

teste UV, já a troponina

I foi analisada pela metodologia

imunocromatografia sensível.

Após avaliação dos laudos, as informações

foram compiladas em

planilha no software Microsoft Excel

versão 2019, a fim de obter os dados

pertinentes aos objetivos e resultados

desta pesquisa.

ARTIGO CIENTÍFICO III

Revista NewsLab | Março 2021

0 33

More magazines by this user
Similar magazines