Revista Newslab Edição 164

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Revista Newslab Edição 164 - Março 2021

BANCOS DE SANGUE

e conforme a presença de aglutinação,

denominaram de Rh positivo e negativo

(34, 43) . Posteriormente, este anticorpo

foi relacionado ao relatado por Levine

e Stetson (39, 40) , e seus estudos indicaram

anticorpos similares nos soros de

muitas puérperas e que apresentavam

reações semelhantes ao soro de animal

anti-Rhesus. Porém, em 1942, estudos

de Fisk (44) mostraram uma diferença

entre o anti-Rh humano e animal, concluindo

que não se tratava do mesmo

anticorpo, porém a nomenclatura Rh

permaneceu (34, 39, 40, 44) .

Representando um dos sistemas

mais polimórficos do sangue humano,

o sistema do grupo sanguíneo Rh

é composto por mais de 50 antígenos.

Entretanto, na prática clínica, apenas 5

destes antígenos são particularmente

importantes, tendo em vista uma escala

de antigenicidade D> E> C> c> e.

Portanto, faz-se de extrema necessidade

de que o sistema antígeno-anticorpo

Rh entre doador de sangue e receptor

seja correspondente, caso contrário, a

chance desta transfusão ser mal sucedida

e apresentar reações transfusionais

como a reação hemolítica, a doença

hemolítica do recém-nascido (DHRN)

em caso de gestantes, ou ainda anemia

hemolítica auto-imune torna-se eminente

(45) .

De acordo com Baiochi et al. (6) , o

antígeno D quando pesquisado entre

etnias, pode ser encontrado em cerca

de 85,0% da população caucasiana, em

90,0% a 95,0% dos indivíduos da raça

negra e praticamente em 100,0% dos

amarelos e índios. Além disso, há evidências

de que na população americana

a presença deste antígeno atinge 9,2%

das uniões com incompatibilidade Rh

entre indivíduos brancos e 4,5% entre

negros. Este antígeno encontra-se bem

desenvolvido e expresso nas membranas

dos eritrócitos a partir da sexta semana

de gestação.

Kell

O grupo sanguíneo Kell foi identificado

em 1945 e herdou esse nome em

virtude de uma paciente na qual foram

identificados anticorpos anti-Kell e que

cujo bebê foi acometido pela doença

hemolítica do recém-nascido (DHRN)

ou a também chamada eritroblastose

fetal. Este é um sistema sanguíneo

complexo que atualmente contém 34

antígenos considerados altamente imunogênicos.

Tais antígenos dividem-se

ainda em dois grupos distintos, dos

quais k (celano), Kpa , Jsa , Ula , K17,

Kpc , K23, K24, VLAN, VONG, KYO são

classificados como antígenos de alta

frequência, e os antígenos K, Kpb , Ku,

Jsb , K11, K12, K13, K14, K16, K18, K19,

Km, K22, TOU, RAZ, KALT, KTIM, KUCI,

KANT, KASH, KELP, KETI, KHUL classificam-se

como antígenos de baixa frequência.

Alguns destes antígenos podem

ser organizados em cinco conjuntos de

alelos emparelhados e o restante deles

apresenta alta incidência (mais de 99%

da população), enquanto outros são

expressos independentemente. Os antígenos

Kell ocupam a terceira posição

dentre os mais imunogênicos, depois

dos antígenos dos grupos sanguíneos

ABO e Rh, ou seja, ao desencadear uma

reação imune a ligação antígeno-anticorpo

pode causar reações transfusionais

e DHRN (28, 34, 35, 46) .

Segundo Osaro et al. (47) , a eritroblastose

fetal causada pela imunização

por antígenos Kell (especialmente o

antígeno K1) é pouco frequente, entretanto

tende a resultar em anemia fetal

grave em neonatos, uma vez que as

células precursoras de glóbulos vermelhos

fetais são afetadas e sua produção

suprimida. A mesma doença, quando

causada pela incompatibilidade ABO

(anti-ABO materno) ou Rh (anti-Rh

materno) são mais comuns, tendendo

a primeira ser mais branda e a segunda

podendo ser totalmente evitada (28, 36, 47) .

Fenotipagem

A fenotipagem consiste no mapeamento

dos fenótipos eritrocitários clinicamente

significativos contidos nos

grupos sanguíneos, determinados por

meio de técnicas específicas aplicadas

em bancos de sangue, possibilitando

dados da frequência dos genes mais

imunogênicos de cada grupo sanguíneo.

Sua prática é importante pois

visa diminuir o risco de aloimunização

eritrocitária, uma vez que estima a disponibilidade

de bolsas de sangue com a

maior compatibilidade sanguínea possível

(48, 49) .

Atualmente na medicina transfusional,

em virtude do alto risco associado

às gestações futuras e transfusões

sanguíneas crônicas, tem-se procurado

minimizar as chances de um indivíduo

formar aloanticorpos antieritrocitários

por meio da identificação dos mesmos

por fenotipagem, essa técnica tanto

confirma aloanticorpos já existentes,

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Revista NewsLab | Março 2021

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