Revista Horas CesarCielo 2021_03

online.magazines

Cesar

Cielo

Recordista da natação,

o atleta segue rotina de

treinos e faz a diferença

também fora das piscinas

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4 MARÇO 2021 Sumário

#134/08

MARÇO 2021

WWW.29HORAS.COM.BR

@revista29horas

@29horas

11

Hora Campinas

Viagem pelo Circuito das

Águas, no interior

paulista

FOTO DIVULGAÇÃO

PUBLISHER Pedro Barbastefano Júnior

CONSELHO EDITORIAL Chantal Brissac, Clóvis

Cordeiro, Didú Russo, Georges Henri Foz, Kike

Martins da Costa, Luiz Toledo, Paula Calçade e

Pedro Barbastefano Júnior

REDAÇÃO Paula Calçade (editora de redação);

Kike Martins da Costa (editor contribuinte);

Rose Oseki (editora de arte)

COLABORADORES André Hellmeister, Bruno

Lemos, Chiara Gadaleta, Greg Estrada, Isadora

Otoni, Júlia Storch, Juliana Simões, Karen Suemi

Kohatsu, Keale Lemos, Luiz Toledo, Pro Coletivo,

Rodrigo Grilo, Sueli Longo, Tecla Music Agency

PUBLICIDADE

COMERCIAL

comercial@29horas.com.br

EQUIPE: Rafael Bove (rafael.bove@29horas.

com.br), Angela Saito (angela.saito@29horas.

com.br)

GERENTE REGIONAL Giovanna Barbastefano

(giovanna.barbastefano@29horas.com.br)

CAMPINAS – Marilia Perez (marilia@

imediataonline.com.br), Mariana Perez

(mariana@imediataonline.com.br)

Foto da capa: Guto Gonçalves

RIO DE JANEIRO – Rogerio Ponce de Leon

(rogerio.leon@viccomunicacao.com.br)

JORNALISTA RESPONSÁVEL

Paula Calçade

29HORAS é uma publicação da MPC11

Publicidade Ltda.

A revista 29HORAS respeita a liberdade

de expressão. As matérias, reportagens

e artigos são de responsabilidade exclusiva

de seus signatários.

Av. Nove de Julho, 5966 - cj. 11 — Jd. Paulista,

São Paulo — CEP: 01406-200 TEL.: 11.3086.0088

FAX: 11.3086.0676

FOTO DIVULGAÇÃO

06

Cesar

Cielo

Os trabalhos

sociais e a

rotina de

treinos do

recordista

olímpico

16

Vozes da

cidade

Estilistas e

marcas da

região

FOTO DIVULGAÇÃO

17

Agora

é agro

Boas

expectativas

para o setor

sucroalcoleiro

brasileiro

FOTO DIVULGAÇÃO

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6 CAPA

A disciplina

e o impacto de

Cesar Cielo

DETENTOR DE UM FEITO HISTÓRICO NOS

JOGOS OLÍMPICOS DE PEQUIM, EM 2008,

O NADADOR SEGUE TREINANDO E DEIXA

SEU LEGADO EM PROJETOS SOCIAIS

POR RODRIGO GRILO

CESAR AUGUSTO CIELO FILHO é um

cidadão do mundo. De Santa

Bárbara d’Oeste, no interior de

São Paulo, onde nasceu, mudou-se

para a capital paulista aos 16 anos para

evoluir dentro do habitat que escolheu

para vencer na vida: a piscina. Deu super

certo. Ainda hoje, ele é o único da história

da natação nacional a conquistar uma

medalha de ouro olímpica, feito registrado

nos Jogos de Pequim, em 2008. Na competição,

o atleta venceu a prova dos 50m

livres, a mais rápida da modalidade, ao

atravessar a piscina depois de 34 braçadas

sem respirar, em 20s30 – recorde olímpico

até hoje. Antes dessa conquista, Cielo viveu

em Auburn, no estado norte-americano do

Alabama, onde passou a estudar e refinar

a sua técnica nas raias.

Hoje, aos 34 anos, Cesão, como é chamado

por amigos principalmente do interior,

trocou São Paulo por Itajaí. Na cidade

catarinense, ele segue treinando – as competições

estão suspensas por causa da

pandemia – como atleta da equipe Nadar/

Marcílio Dias. E ainda não decidiu se irá

tentar o índice para representar o Brasil

nos Jogos de Tóquio, neste ano. Dono de

outras duas medalhas de bronze, uma em

Pequim-2008 e outra Londres-2012, ele não

abandonou o esporte de alto rendimento,

mas seu foco, atualmente, é no terceiro

setor e no desenvolvimento da natação

brasileira.

Há onze anos à frente do instituto que

leva seu nome, ele estimula, por meio

do projeto Novos Cielos, a natação entre

crianças e adolescentes.

Casado com a modelo Kelly Gisch e pai

de Thomas, 5 anos, fala a seguir das suas

apostas para a Olimpíada de Tóquio, assume

não estar pronto para se aposentar do

esporte e confessa não ter apego às medalhas

conquistadas.


7

FOTO GUTO GONÇALVES


8 CAPA

FOTO GUTO GONÇALVES

Sem competir desde 2019,

o medalhista olímpico

Cesar Cielo atualmente

dedica a maior parte do seu

tempo ao Projeto Novos

Cielos, em Itajaí (SC)

Não faz muito tempo que você, a sua

esposa Kelly e o filho Thomas se mudaram

para Santa Catarina. Como foi?

Estamos vivendo em Itajaí há pouco

mais de um ano. Vir para cá foi uma das

melhores coisas que fiz. Vejo Itajaí como

enxergava as cidades norte-americanas. É

um lugar pequeno, mas tem tudo. Não há

McDonald’s a cada esquina, mas tem uma

franquia aqui, além de restaurantes mais

sofisticados. E posso levar o meu filho a

pé para o colégio, que fica a uma quadra

de casa. Nada demora mais do que dez

minutos. A gente ganhou tempo para curtir

mais a vida. Estou a dez minutos de Balneário

Camboriú e moro a cinco minutos da

Praia Brava, em um apartamento de frente

para o Porto. A geografia nos ajudou a vir

para cá. O aeroporto daqui é bom. Estamos

a cinquenta minutos de Joinville, que

também possui aeroporto. E a um pouco

mais de uma hora de Florianópolis, onde

fica o aeroporto internacional. Enfim, o

custo e a qualidade de vida são melhores.

E, pô, eu já morei no Alabama, né?

E como anda o seu trabalho em Itajaí?

Eu sou padrinho do maior projeto social

de natação do país, o Nadar, que possui

três unidades em Itajaí e uma em Navegantes.

Nelas, mais de 4 mil crianças

de um ano até jovens adultos já na fase

do alto rendimento são atendidos gratuitamente.

O Novos Cielos, idealizado

pelo Instituto Cesar Cielo, é responsável

pelo lado competitivo do Nadar que, ano

passado, chegou a 5.600 usuários. Trata-se

de um dos maiores projetos aquáticos do

mundo. Há, ainda, hidroginástica para a

terceira idade e natação para bebês, duas

vezes por semana.

Paralelamente a isso, você tem treinado?

Quado competiu pela última vez?

Sim, treino uma vez por dia. Eu represento

o clube do time oficial da cidade,

que é o Marcílio Dias, mas com o nome

Projeto Nadar. A última competição foi

em novembro de 2019. De resto, somente

treino, porque os campeonatos foram

cancelados. Logicamente, há uma perda

de ritmo de competição. Acabei de fazer 34

anos, mas tenho a memória do que sempre

fiz. O adiamento da Olimpíada de Tóquio,


9

FOTO GUTO GONÇALVES

FOTO DIVULGAÇÃO

para a geração mais nova, foi muito bom,

porque possibilitou mais um ano para ela

amadurecer. Chegar com 20 anos e não

com 19 anos nos Jogos Olímpicos faz

muita diferença. A formação estrutural

física é outra. Por outro lado, como não

rolaram competições, não houve ganho

de experiência. Já para os mais velhos,

que não estão querendo treinar muito e

tiveram de treinar mais um ano, é ruim.

Mas, em um treino, eu consigo ter um

feedback próximo do que eu alcançaria em

uma competição. Vai ser interessante essa

retomada das competições com a geração

mais nova melhorando e a mais velha

tentando se segurar com a experiência.

Por que a natação se tornou um esporte

elitizado? Como reverter esse quadro?

A natação, hoje, virou um privilégio e não

mais um direito. Nesse sentido, está cada

vez mais próxima do tênis, no Brasil. Tudo

é muito caro, difícil. O sistema clubístico

restringe muito o acesso das pessoas à

prática da natação no clube ao cobrar

mensalidade dos sócios. Itajaí é vizinha

de cidades ótimas e com poder aquisitivo,

mas não há nenhuma equipe de natação.

Se não houvesse o Projeto Nadar, que é

social, gratuito, não teria onde treinar

aqui na região. No Instituto, fiz questão

de prever competições, porque é a partir

delas que conseguimos bolsa em colégio e

universidade para a garotada. Precisamos

olhar para o esporte como uma ferramenta

de ascensão social. E, antes de tudo, parar

de falar que só o Brasil não tem estrutura.

Temos piscinas em tudo quanto é canto,

mas muitas estão abandonadas, com

água verde, ociosas. Precisamos fazer

uma gestão melhor ao invés de somente

sair construindo piscinas. Lá nos Estados

Unidos, cidadãos e entidades privadas se

juntam para fazer acontecer. As pessoas

pagam para nadar por hora sem precisar

ser associadas a um clube e gastar com

mensalidade, preso a uma estrutura. Para

uma melhora rápida, seria o jeito mais

dinâmico de se fazer.

O que te faria ir a mais uma Olimpíada?

Eu estou passando pelo momento mais

difícil da minha carreira. E assim acontece

porque é uma decisão minha. Em 2008

ou em outros ciclos mundiais, pelo contrário,

eu tinha de encarar tudo, competir,

honrar o incentivo que recebia da família

e o tamanho que eu era. Eu seria muito

burro se perdesse aquela oportunidade.

Hoje, olho e penso que, se eu não encarar

a Olimpíada, nada de mal irá acontecer.

Eu tenho de ir se quiser fazer isso tudo de

novo. E é uma decisão difícil para caramba.

Tenho um lado competitivo ainda pulsando

forte. Fico todo arrepiado, no sofá, quando

assisto a uma competição. E, por outro

lado, quando vou para a piscina, penso:

o que tenho de ganhar agora para me

servir de motivação? Olho para a minha

trajetória e vejo que é muito difícil chegar

aonde cheguei e sou muito agradecido. A

minha ideia era ser medalhista olímpico

e recordista dos 50m livres nem que fosse

por uma série apenas. Eu só queria ser o

nadador mais rápido do mundo por uma

prova que fosse. Difícil encontrar o que

me motiva, então, quando a escolha é

consciente, como hoje. Não há mais aquela

coisa inconsequente da juventude. Hoje,

eu sei exatamente o que tenho de fazer.

E esse é o problema (risos).

Quais são suas apostas na natação brasileira

nos Jogos de Tóquio?

Pensando em pódio, creio que no 4x100

livre, no 4x200 livre masculinos e nos 50m

livres o Bruno Fratus (carioca ouro nos

Jogos Pan-Americanos de 2019) pode se

destacar. Faz três campeonatos mundiais

que o Bruno vem chegando entre os três

primeiros. E, hoje, temos o melhor revezamento

4x100 medley da história, porque


10 CAPA

FOTO ARQUIVO PESSOAL

mim e querer pagar esse preço do que o

meu corpo aguentar o processo. A natação,

hoje, é muito mais uma escolha minha do

que o ambiente e o tempo dizendo que

não dá mais para eu aguentar o tranco.

Há atletas com 35, 36 anos, que estão

voando na piscina. É a disciplina – e não

o físico – que faz a diferença.

Cesão com sua

esposa Kelly Gisch

e o filho Thomas

contamos com o melhor nadador de 100m

costas e o de 100m peito da história, além

de um dos melhores do 100m borboleta.

Acho que os três revezamentos irão fazer

a final olímpica. E o 4x100 e o 4x200 têm

possibilidade de morder um bronze e,

talvez, em um dia iluminado, uma prata.

Onde fica a sua medalha de ouro dos Jogos

de Pequim, em 2008?

Está exposta no meu escritório. É a 1ª

vez que faço isso em anos. Ela estava

empoeirada lá em casa, em Santa Bárbara

d’Oeste. Não tenho muito apego à medalha.

Gosto de saber que está segura, bonitinha.

Prefiro rever os vídeos das provas que fiz.

Quais suas recordações de Santa Bárbara?

O Sol mora em Santa Bárbara! A gente

sempre morou próximo dos canaviais e

convivia com as queimadas, com a fuligem

que encobria a cidade. Interior é aconchego,

é reencontrar amigos, marcar café na

casa dos outros, combinar um churrasco.

Churrasco é bom, porque no interior tem

muita casa com piscina. Eu estudava

em Americana e treinava em Piracicaba,

onde morei por um tempo. Vivia, então,

pegando estrada, trafegando pela rodovia

Luiz de Queiroz. Em Santa Bárbara, eu

gostava da tranquilidade de poder pegar

a bicicleta e ir para o treino. Tenho ali

amigos até hoje, a maioria da natação.

Temos um grupo no WhatsApp – nele eu

sou o Cesão e não o Cielo. E a cada dois

meses, estou em Campinas. Até porque

o voo de Navegantes para Viracopos é

muito fácil de fazer. E o aeroporto está

a vinte minutos da casa dos meus pais.

Minha avó e minha tia moram até hoje em

Souzas, ali do lado de Campinas. Ainda

sou muito ligado a essa região.

Parece que você já perdeu o sotaque...

Quando cheguei a São Paulo fui muito

zoado e dei uma amenizada no “erre”

puxado que usava para falar porta e

porteira (risos). Mas ele segue aqui dentro

de mim.

O que o Cielo de 2021 não faz mais como

o de 2008, ano do ouro, fazia?

Hoje entendo o que é um dia cansado. Em

2008, tinha dia que eu ia para a academia

e não conseguia subir um peso. E ficava

chateado, decepcionado comigo. Hoje, se

vejo que o peso não sobe, não é porque

não quero. Não uso mais aquela psicologia

imbecil do “se você quer, você consegue”.

Entendo que o corpo está cansado. Respeito

muito mais a minha condição física, agora,

do que antigamente, quando eu via isso

como uma fraqueza. Entendo muito mais a

equação estímulo somado a descanso gera

rendimento. Tentar o índice para Tóquio

está mais condicionado a eu olhar para

Você chegou a ficar nove meses sem

competir, em 2017. Parecia o fim, mas

não foi. Por quê?

Eu me senti pior longe da piscina. Sou um

ser meio doido a ser estudado. A rotina

solitária de treinos me fez falta. Eu entendi

que as coisas na minha vida funcionam

melhor quando estou dentro d’água. Em

nove semanas de treinamento, depois

da pausa, nadei os 50m livres em 21s07.

A piscina faz bem para a minha cabeça,

quando estou nadando a minha criatividade

aflora, eu relaxo e penso melhor. Por

exemplo, eu até encontro soluções para

os problemas do meu instituto dando

braçadas dentro d'água.

Você se sente preparado para uma possível

despedida do esporte como competidor?

Não. Já pensei em despedida. Uma das

coisas que mais me apavoram na carreira...

parar de nadar 100%. Difícil colocar um

ponto final em algo que se é bem sucedido

na vida. Se dependesse da minha vontade,

eu anunciaria a minha despedida escrevendo

e assinando uma carta aqui de

casa, sem evento nenhum. Mas também

me pego pensando em algo maior nesse

momento como forma de agradecer todo

mundo que me ajudou nessa caminhada.

Quero que os meus pais, pelo esforço

que tiveram principalmente no começo,

celebrem o que fizeram. O mesmo penso

em relação a todos os meus treinadores,

porque não é comum mencionarem os

caras, a pessoa que me ensinou a nadar,

no meu caso, o Reinaldo, de Piracicaba.

Seria, então, um esforço coletivo para dar

crédito às pessoas que me prepararam

para essa super carreira. Por elas, porém,

eu faria esse esforço.


CAMPINAS

horaO MELHOR DA REGIÃO

FOTO DIVULGAÇÃO

Universidade

do presente

BARÃO GERALDO A Unicamp ocupa o terceiro lugar entre as universidades mais sustentáveis

do Brasil, segundo o ranking UI GreenMetric World University Ranking,

realizado anualmente pela Universidade da Indonésia. A avaliação mostrou que

a Universidade de Campinas subiu uma posição em comparação a 2019. Entre

as práticas em prol da sustentabilidade, estão as instalações de sistemas fotovoltaicos

pelo campus, que resulta na economia de R$ 280 mil por ano na conta de

energia da Unicamp, e a implementação de ônibus elétrico no sistema interno

de transporte. Nas grades curriculares, há opções de disciplinas eletivas de

graduação e pós-graduação em eficiência energética e gestwão de energia.

UNICAMP: Cidade Universitária Zeferino Vaz - Barão Geraldo, Campinas


12 HORA CAMPINAS

VIAGEM

Água de banhar,

água de beber

Do turismo de aventura à gastronomia, o Circuito das

Águas paulista combina momentos de sossego com

adrenalina em meio à Serra da Mantiqueira

POR JÚLIA STORCH

DO TUPI, “Mantiqueira” significa “serra que chora”, devido à grande

quantidade de nascentes na região. Na Serra, que abrange o leste

do estado de São Paulo e o sul de Minas Gerais, estão nove cidades

do Circuito das Águas: Águas de Lindóia, Amparo, Holambra,

Jaguariúna, Lindóia, Monte Alegre do Sul, Pedreira, Serra Negra

e Socorro. Cada uma oferece diferentes tipos de ecoturismo aos

visitantes, além de gastronomia caprichada e descanso em família.

A 130 quilômetros de São Paulo e 110 de Campinas, a cidade

de Socorro conta com passeios de aventura pelo céu e pelas águas

do Rio do Peixe. O Hotel Fazenda Parque dos Sonhos possibilita,

desde 2002, atividades aquáticas como rafting e bóia cross, e rapel

e cavalgadas, em mais de 600 mil metros quadrados de natureza.

O lugar disponibiliza também seis tirolesas, sendo que a mais

longa conecta São Paulo a Minas Gerais. Com um quilômetro de

extensão, a descida da Tirolesa do Pânico traz uma incrível visão

panorâmica do vale, até chegar à cidade mineira de Bueno Brandão.

O Parque dos Sonhos recebe em média 20 mil visitantes por ano

nos 20 apartamentos e 10 chalés disponíveis. Na diária do hotel,

estão inclusos café da manhã, almoço, café da tarde e jantar.

Socorro possui ainda um ponto de parada cafeeiro, a Fazenda

FOTO DIVULGAÇÃO

FOTO RICARDO BECCARI


13

FOTO RICARDO BECCARI

FOTO DIVULGAÇÃO

Na outra página, plantação de café

da Fazenda 7 Senhoras, em Socorro;

passeio de trator e cavalgada no

Hotel Fazenda Parque dos Sonhos. À

esquerda, almoço do mesmo hotel

7 Senhoras. Com mais de 100 anos de

tradição, a fazenda renasceu em 2011,

com o plantio de mais de 70 mil mudas

de café. Desde então, são mais de 365

hectares plantados com os tipos Catuaí

Vermelho, Amarelo, Mundo Novo e

Bourbon. De quinta à sábado, é possível

visitar as plantações, a pós-colheita e a

cafeteria do local, onde um dos baristas

apresenta alguns métodos de preparo

do café para degustação.

Para finalizar o dia, um dos lugares

mais disputados para apreciar o pôr-do-

-sol na cidade é o Mirante da Pedra Bela

Vista. Prepare-se para avistar Socorro

e o entorno a mais de 1250 metros de

altitude.

Refúgio

Outro ponto de parada no Circuito

das Águas é a pacata Serra Negra, a

80 quilômetros de Campinas e 150

da capital. Com 30 mil habitantes, o

lugar é conhecido pelo comércio de

roupas de couro e de malhas, basta uma

caminhada pela rua Coronel Penteado

para encontrar diversas opções de vestuários

e doces típicos. A rua se inicia

na Praça Sesquicentenário, de onde

saem os passeios de teleférico até o

Cristo Redentor da cidade.

Após as compras, uma opção de

pausa para o almoço está no alto da

serra, o restaurante Shangrilá. O local

oferece um cardápio que conta com

ceviches, massas, frutos do mar e

carnes. Para o friozinho da montanha,

as fondues da casa, de queijo artesanal,

carne e chocolate são boas pedidas.

Àqueles que procuram um tour

etílico, a micro destilaria Hof possibilita

não só a degustação e compra de

licores, vodcas e gins premiados, como

também a visitação pelo lugar para uma

apresentação da produção e dos processos

de fabricação dos rótulos. Martin

Braunhloz, fundador da marca, iniciou a

fabricação de destilados após o sucesso

de um licor de leite de cabra. As bebidas,

feitas a partir de uma fonte de água

próxima à propriedade, garantem excelência

dos produtos, que já ganharam

nove medalhas em premiações, como

Concours Mondial de Bruxelles 2018

e New York International Spirits Competition

2017.

Harmonizando esses deliciosos

drinques com a vista da Serra da Mantiqueira,

o descanso é garantido e as

energias são recarregadas para outras

aventuras pela região.


14 HORA CAMPINAS

Fazenda Quinta

das Amoeiras e

café da manhã

do hotel

FOTOS DIVULGAÇÃO

ESCAPADA

Pedacinho

de Paraty

no interior

paulista

Quinta das Amoreiras é o local ideal

para casais e famílias que buscam

um lugar para curtir a paisagem rural,

mas sem abrir mão do conforto e dos

prazeres da boa gastronomia

POR KIKE MARTINS DA COSTA

NESSES DIAS DE PANDEMIA e distanciamento

social, as melhores alternativas para quem

busca uma fugidinha de fim de semana

é encontrar um lugar sem aglomeração

e com atividades ao ar livre. A charmosa

Quinta das Amoreiras, em Porto Feliz,

preenche gloriosamente esses requisitos.

A propriedade, com 65 hectares, pertencia

até 2017 a um engenheiro paulistano

que era apaixonado por Paraty.

Tão apaixonado que ergueu a réplica

de uma das ruelas da cidade histórica

do litoral fluminense, com casarões em

estilo colonial, calçamento de pedras e

iluminação provida por luminárias que

emulam os lampiões do século XVIII.

Com novos proprietários, a fazenda foi

toda reformada por Marina Lo Schiavo e

Raquel Macedo, que converteram parte

da sede em uma exclusiva pousada com

apenas 5 suítes e montaram um restaurante

em uma área onde a vista da região

é não só bonita como também relaxante

e inspiradora. A inauguração foi em

novembro de 2020.

Nas mesas ao ar livre, é possível bebericar

uma caipirinha de tangerina com

gengibre ou um gim-tônica incrementado

com um toque de jambolão – fruta local

que possui uma deliciosa nota adstringente.

Prefere um bom vinho? Então

prepare-se, porque Marina pertence à

família que há anos comanda a importadora

Metapunto, responsável por trazer

ao Brasil grandes rótulos de vinícolas

chilenas, italianas, francesas, espanholas

e portuguesas.

Para petiscar, aposte nos carnudos

torresminhos ou nas croquetas de jamón.

Quer pratos mais substanciosos? Então

peça um medalhão de filé mignon com

molho de jabuticaba ou um risotto de

beterraba com queijo de cabra. Para

aqueles que buscam uma experiência

mais personalizada, a dica é encomendar

ostras frescas para serem servidas à beira

da piscina.

E, se a ideia é realizar uma imersão

ainda mais completa no cotidiano rural

da fazenda, a sugestão é agendar um

passeio a cavalo na hora do pôr do sol

ou uma visita ao espaço onde são criadas

galinhas poedeiras da raça Araucana,

originária do Chile.

Esse agradável refúgio fica a pouco

mais de 130 km da capital e a 75 km do

aeroporto de Viracopos. Todas as cinco

suítes, com piso de madeira e grandes

janelões, contam com ar-condicionado,

frigobar, camas queen e lençóis de 300

fios com toque acetinado. O caprichado

café da manhã tem sucos de frutas, ovos

mexidos, tapiocas e queijo fresco feito no

local. As diárias ficam na faixa dos R$ 750.

As reservas são obrigatórias para os

almoços, jantares e estadias e podem

ser feitas pelo whatsapp 11 98121-3132.

QUINTA DAS AMOREIRAS - Estrada Porto

Feliz-Rafard, Bairro Tanquinho, Porto Feliz.


15

HOSPEDAGEM

Casa de

campo

dos novos

tempos

Hotel Toriba, na Serra da Mantiqueira,

inova e oferece serviço completo

de long stay

O VELHO SONHO de morar junto à natureza

ganhou força no último ano, com a

pandemia. Em tempos de confinamento, a

possibilidade de trabalhar remotamente,

sem a constante necessidade de reuniões

presenciais, levou muita gente a pensar em

trocar os centros urbanos por locais mais

charmosos e bucólicos, buscando maior

qualidade de vida.

Deixar a cidade grande, porém, não

precisa ser uma decisão permanente.

Ótima alternativa para quem quer viver a

experiência de morar no campo, saindo da

rotina e ganhando muito em bem-estar, é o

long stay. Atento à essa demanda, o Hotel

Toriba, em Campos do Jordão, passou a

oferecer estadias de longa duração para

famílias e casais, e para apenas uma pessoa.

O hotel dispõe de infraestrutura às

exigências do trabalho remoto. A potente

cobertura Wi-Fi alcança toda a área do local,

e chega até o mirante, permitindo que os

hóspedes possam estar sempre conectados.

O Toriba oferece também espaços para a

realização de teleconferências e aulas online

com privacidade e tranquilidade.

As acomodações para hóspedes incluem

confortáveis apartamentos externos e

chalés. A gama de serviços inclui restaurantes,

academia, personal trainer, piscina

aquecida, spa, lavanderia, governança,

programas de lazer, a possibilidade de

personalização de cardápios e concierge

24 horas por dia – tudo isso cercado por

2 milhões de metros quadrados de Mata

Atlântica preservada. O Hotel Toriba ainda

disponiliza opções de programação para

crianças e é pet-friendly.

Acima, quarto do Hotel

Toriba. Ao lado e abaixo,

spa, chalé e restaurante

do local

FOTO RODRIGO COLOMBO FOTOS DIVULGAÇÃO


16 HORA CAMPINAS

Vozes da cidade

As dicas e os

segredos de quem

adora a região

FOTOS DIVULGAÇÃO

POR KARINE RODRIGUES*

Looks certos

Quatro marcas e estilistas versáteis de Campinas

Renata Tenca

“Estilista da marca que leva o seu nome, Renata Tenca é proprietária

da loja Excllusivo Cambuí. Seus produtos inspiram mulheres descomplicadas

e modernas. Trazendo sempre novidades em pequenas

coleções quinzenais, a marca carrega muita identidade e conceito

único. Um estilo leve e alegre. São estampas, malharia e conjuntos

que mostram as muitas formas de se usar peças do dia a dia.”

Rua Antônio Lapa, 205 - Cambuí, Campinas

Bléque

“Uma marca conceitual de sapatos e acessórios com um propósito

muito bacana, a sustentabilidade. A Bléque utiliza matérias

primas com baixo impacto ambiental, como a fibra de banana.

Com sapatos funcionais para qualquer ocasião, a marca também

apresenta uma numeração diferenciada, atende um público de

mulheres que possuem um pé menor, tamanho 33, por exemplo.”

Rua Comendador Tórlogo Dauntre, 150 - Cambuí, Campinas

Eloisa Fummero

“Beachwear elegante, para mulheres autênticas que gostam

de conhecer lugares novos e prezam pela qualidade. Com

modelagens e estampas exclusivas, a marca possui coleções

únicas e versáteis, em que as cores e as estampas conversam

entre si. Eloisa Fummero ainda possui a linha not so basic,

uma coleção de bodys confortáveis para o dia a dia.”

Avenida 9 de Julho, 3575 - Anhangabaú, Jundiaí

Veux Acessórios

“Acessórios que atendem estilos diferentes. Um mix de semi joias

e peças com designers exclusivos. A marca atende diferentes

conceitos e ocasiões, pensando sempre na versatilidade e na

funcionalidade, além de ter algumas peças masculinas.”

Av. Monsenhor Jerônimo Baggio, 451 - Jardim Nossa Sra. Auxiliadora, Campinas

*KARINE RODRIGUES é professora da ESAMC Campinas

e proprietária da empresa Mais Estilo


kikecosta@uol.com.br COLUNA 17

Agora é agro

POR

Kike

Martins da

Costa

Boas energias que vêm do campo

Em alta em algumas das mais populosas nações do planeta,

a demanda pelo etanol projeta excelentes perspectivas não

só para o setor sucroalcoleiro brasileiro, mas também para

os produtores nacionais de grãos - principalmente o milho

A mudança na política de biocombustíveis

da China, da Índia e dos Estados

Unidos é uma grande oportunidade para

o agronegócio brasileiro. Nesses três

países, a demanda por etanol deve

disparar nos próximos anos. Sob o

comando de Joe Biden, os EUA devem

elevar a proporção de etanol na gasolina

de 10% para 15%. Com isso, ou os nossos

brothers terão de importar etanol daqui

do Brasil ou terão de direcionar mais

milho cultivado por lá para a produção

de biocombustível – e isso pode elevar a

cotação internacional do milho. De toda

forma, vamos ser beneficiados. Ou ganha

o pessoal da cana ou ganham os

produtores brasileiros de grãos.

Na China, onde também será

aumentada a dose de etanol no combustível,

o país precisa decidir se vai importar

do Brasil ou produzir o etanol internamente,

a partir do milho, como fazem os

Estados Unidos. Se a opção for pela

importação, o setor sucroalcoleiro do

Brasil vai aumentar suas vendas para a

superpotência asiática. Se os chineses

usarem seus grãos para produzir etanol, o

Brasil pode ser convocado para fornecer

grãos para alimentar os enormes

rebanhos suínos e bovinos de lá.

Já a Índia pretende misturar 20% de

etanol na mistura da gasolina vendida no

país em 2030, mas está antecipando cada

vez mais essa meta. Com isso, se abre

mais um mercado para o Brasil. A Índia é

uma grande produtora de cana e uma das

maiores exportadoras mundiais de açúcar

– a um custo muito baixo. Se os indianos

passarem a deslocar parte de sua cana

para suprir a demanda local por etanol, a

cotação internacional do açúcar vai subir

e os produtores brasileiros vão se dar bem.

Hoje o Brasil produz algo entre 32 e 33

bilhões de litros de etanol de cana por

ano. A meta é produzir, até 2030, 50

bilhões de litros. Ao que parece, não terá

problemas para escoar todo esse volume.

Comprador não vai faltar!

FOTO DIVULGAÇÃO

Prosa rápida

Dá-lhe porco!

Nas projeções do Departamento

de Agricultura dos EUA (USDA),

em 2021 a carne suína voltará a

ser a carne mais produzida no

mundo, superando a carne de

frango que ocupou o topo do

pódio em 2020. Do total de 258

milhões de toneladas produzidas

no ano passado, a de frango

respondeu por cerca de 39% do

total, enquanto a suína somou

38% e a bovina representou

23%. A retomada da carne de

porco é reflexo da recuperação de

produção na China, dizimada por

uma devastadora peste suína.

Mel para todos

Em 2020, os apicultores do Brasil

venderam para o exterior mais de

45.600 toneladas, um aumento de

50% em relação a 2019, quando

o volume ficou na faixa das 30 mil

toneladas. Segundo a Associação

Brasileira dos Exportadores de Mel,

os Estados Unidos são os maiores

compradores do mel brasileiro,

sendo responsáveis por cerca

de 80% do mel exportado pelo

país. O Paraná é o estado de onde

vem a maior parte da produção.

Água garantida

Levantamento realizado pela

Câmara Setorial de Equipamentos

de Irrigação da Abimaq

(Associação Brasileira da Indústria

de Máquinas e Equipamentos)

aponta que, ao final de 2020, a área

irrigada no Brasil era de 6.481.812

milhões de hectares. Em 2019,

era de 6.232.587. O crescimento

foi de 4%, mas tem muito mais a

evoluir: a China irriga 70 milhões de

hectares, e a Índia tem 76 milhões

de hectares de plantações irrigadas.


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