*Abril/2021 Revista Biomais 44

jotacomunicacao
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Entrevista: Gás para o futuro - Nova lei promete impulsionar todo o setor

TECNOLOGIA

EUROPEIA

INDÚSTRIA DE MÓVEIS INVESTE

EM EFICIENTE FÁBRICA DE PELLETS

POTENCIAL BIOENERGÉTICO

BIOMASSA EM ALTA NO

NORTE E NORDESTE

GERAÇÃO DE ENERGIA

BRASIL PRIORIZA MATRIZES LIMPAS


SUMÁRIO

04 | EDITORIAL

Sob medida

06 | CARTAS

08 | NOTAS

16 | ENTREVISTA

18 | PRINCIPAL

24 | CASE

28| PELO MUNDO

Energia que flutua

Aproveitamento

de resíduos

34| INOVAÇÃO

Potencial bioenergético

38 | ECONOMIA

42 | ARTIGO

Aproveitamento fotovoltaico

48 | AGENDA

50| OPINIÃO

As pandemias como pauta das

cidades ecointeligentes

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

03


EDITORIAL

Estampa a capa desta edição montagem

alusiva aos produtos oferecidos pela

Costruzioni Nazzareno.

SOB

MEDIDA

A

tender bem para atender sempre. Uma frase, para muitos, já batida, mas que também é uma

verdade imutável. Inaugurada em fevereiro deste ano, a fábrica de pellets da Todesmade,

contou com a expertise da Costruzioni Nazzareno, que não poupou recursos e esforços para

trazer, com excelência, a mais alta tecnologia para a planta de pellets. É esta a história que

contamos em nossa reportagem desta edição. Além disso, falamos também sobre a resolução aprovada

pelo presidente Jair Bolsonaro que estabelece orientações sobre pesquisa, desenvolvimento e inovação

no setor de energia no país para estudos regulados pela ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) e

pela ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) e conversamos com Paulo Pedrosa,

uma das principais lideranças na articulação junto ao Congresso Nacional para que o país destrave

sua legislação relativa à produção de gás natural, quebrando o atual monopólio no setor. Tenha uma

excelente leitura!

EXPEDIENTE

ANO VIII - EDIÇÃO 44 - ABRIL 2021

Diretor Comercial

Fábio Alexandre Machado

(fabiomachado@revistabiomais.com.br)

Diretor Executivo

Pedro Bartoski Jr

(bartoski@revistabiomais.com.br)

Redação

Murilo Basso

(jornalismo@revistabiomais.com.br)

Dep. de Criação

Fabiana Tokarski - Supervisão

Crislaine Briatori Ferreira - Gabriel Faria

(criacao@revistareferencia.com.br)

Representante Comercial

Dash7 Comunicação - Joseane Cristina Knop

Dep. Comercial

Gerson Penkal - Jéssika Ferreira - Tainá Carolina Brandão

(comercial@revistabiomais.com.br)

Fone: +55 (41) 3333-1023

Dep. de Assinaturas

Cristiane Baduy

(assinatura@revistabiomais.com.br) - 0800 600 2038

ASSINATURAS

0800 600 2038

A REVISTA BIOMAIS é uma publicação da JOTA Editora

Rua Maranhão, 502 - Água Verde - Cep: 80610-000 - Curitiba (PR) - Brasil

Fone/Fax: +55 (41) 3333-1023

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Veículo filiado a:

A REVISTA BIOMAIS - é uma publicação bimestral e

independente, dirigida aos produtores e consumidores de

energias limpas e alternativas, produtores de resíduos para

geração e cogeração de energia, instituições de pesquisa,

estudantes universitários, órgãos governamentais, ONG’s,

entidades de classe e demais públicos, direta e/ou indiretamente

ligados ao segmento. A REVISTA BIOMAIS não se

responsabiliza por conceitos emitidos em matérias, artigos,

anúncios ou colunas assinadas, por entender serem estes

materiais de responsabilidade de seus autores. A utilização,

reprodução, apropriação, armazenamento de banco de dados,

sob qualquer forma ou meio, dos textos, fotos e outras

criações intelectuais da REVISTA BIOMAIS são terminantemente

proibídas sem autorização escrita dos titulares dos

direitos autorais, exceto para fins didáticos.

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CARTAS

BOM EXEMPLO

Ótimo case da InEnTec, empresa norte-americana que está empenhada em transformar

qualquer tipo de lixo em combustíveis limpos. Que companhias brasileiras sejam inspiradas pela

iniciativa retratada na REVISTA BIOMAIS.

Artur Diniz – Cubatão (SP)

Foto: divulgação

ÚTIL E EFICAZ

Ótima entrevista com a professora Regina, ressaltando o papel das universidades no desenvolvimento da ciência no país

em prol da sustentabilidade. Parabéns!

Milton Picolli – Vitória (ES)

CONEXÃO

O Brasil tem potencial para produzir biomassa e iniciativas como a BiomassTrust merecem o reconhecimento.

Juan Carlo Magno – Manaus (AM)

INOVAÇÃO

O Paraná Energia Rural Renovável, que dará apoio à geração distribuída de energia

elétrica a partir de fontes de biogás e biometano em unidades produtivas rurais. É mais um

passo do nosso Estado rumo ao futuro distante da dependência das energias fósseis!

Juliana Taverni – Londrina (PR)

Foto: divulgação

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informação

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NOTAS

Foto: divulgação

INVESTIMENTO

MILIONÁRIO

O Departamento de Negócios, Energia e Estratégia Industrial

do Reino Unido anunciou que vai investir 4 milhões de

libras – mais de R$ 30 milhões na cotação atual – em projetos

que visam aumentar a produção de biomassa de origem

sustentável na região. O financiamento de biomassa está

sendo oferecido como parte de um investimento maior de

92 milhões de libras em tecnologias verdes, disponibilizado

a partir do portfólio governamental Net Zero Innovation, de

1 bilhão de libras. Desses 92 milhões, 68 milhões irão para

tecnologias de armazenamento de energia e 20 milhões

irão para a energia eólica offshore flutuante, sendo que os

4 milhões restantes serão destinados à biomassa sustentável.

Inovações apoiadas com o financiamento vão ajudar a

aumentar a escala de matérias-primas de biomassa de fontes

sustentáveis e a produção de safras energéticas, incluindo a

silvicultura, afirma o departamento.

BIOENERGIA

Lançando mão de vários indicadores de sustentabilidade, um

estudo conduzido na ESALQ (Escola Superior de Agricultura Luiz

de Queiroz), da USP (Universidade de São Paulo), demonstrou que

a bioenergia derivada da cana-de-açúcar é uma opção sustentável

para enfrentar as mudanças climáticas, ao mesmo tempo em

que fornece outros serviços ecossistêmicos essenciais e promove

o desenvolvimento socioeconômico. “Neste trabalho, demonstramos

as estratégias de mudança de uso da terra mais sustentáveis

para a expansão da cultura, as práticas de manejo conservacionistas,

com colheita sem queima, preparo reduzido do solo, manejo

racional da palha, boas práticas de adubação e reciclagem de

resíduos orgânicos, que têm sido utilizados pela maioria dos

produtores brasileiros. Além disso, enfatizamos a importância de

políticas públicas que fomentem a produção de bioenergia no

país, como o RenovaBio”, apontou o professor Maurício Roberto

Cherubin, coordenador da pesquisa. Os resultados do estudo:

Land Use and Management Effects on Sustainable Sugarcane-Derived

Bioenergy; foram publicados na revista científica Land.

Foto: divulgação

Foto: divulgação

PRIMEIRO RECORDE

No dia 13 de março, um sábado, às 13h26, a região

nordeste do Brasil registrou o primeiro recorde de geração

instantânea solar fotovoltaica de 2021, segundo monitoramento

do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico).

Na ocasião, os raios solares chegaram a gerar 1.561 MW,

quantidade suficiente para abastecer 14,4% da demanda de

carga do nordeste. O último recorde de geração instantânea

havia sido registrado em 3 de abril de 2020, com 1.544 MW.

A geração da fonte é monitorada pelo ONS desde setembro

de 2015 e a previsão é de que a energia solar chegue ao fim

de 2021 representando 2,3% da matriz elétrica nacional.

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NOTAS

ENERGIA LIMPA

A fim de estimular a utilização de fontes renováveis de energia pelo agronegócio,

o governo do Estado do Rio de Janeiro desenvolveu, por intermédio da

Secretaria de Agricultura, Pecuária, Pesca e Abastecimento, a linha de fomento

rural Energia Limpa, para financiar a geração de energia solar no campo. A linha

faz parte do Programa Agrofundo e tem produtores rurais com exploração

sediada no território fluminense como beneficiários. “O campo é um dos locais

com maior potencial de aproveitamento desta fonte de energia. Ter a capacidade

de gerar a sua própria energia faz com que a propriedade rural tenha um

ganho considerável, podendo este recurso ser aplicado nas atividades-fim do

produtor rural”, afirmou o secretário estadual de Agricultura, Marcelo Queiroz.

O superávit de energia produzida pelas placas fotovoltaicas no imóvel rural será

transferido à concessionária de eletricidade, que o compensará em forma de

créditos em energia.

Foto: divulgação

FASE DE TESTES

A Usina Termelétrica Onça Pintada, localizada

em Três Lagoas (MS), encontra-se em

fase de testes e já começou a gerar energia

proveniente da biomassa de eucalipto. A

planta pertence à empresa de celulose Eldorado

Brasil. A usina vai disponibilizar 50 MWh

(megawatts-hora) de energia elétrica para o

sistema nacional, geração que tem capacidade

para abastecer uma cidade de aproximadamente

300 mil habitantes, o equivalente

a quase três municípios do tamanho de Três

Lagoas. Diariamente, a usina vai consumir

1,5 mil t (toneladas) de biomassa de eucalipto.

A matéria-prima são os tocos e raízes da

planta, partes que não são aproveitadas para

a produção de papel e celulose. A usina utiliza

o vapor produzido pela combustão desses

materiais orgânicos.

AMPLIAÇÃO

A Energisa vai construir mais 15 parques solares em 2021, destinados

ao aluguel de energia por cotas, chegando a 76 MWp (megawatts-pico)

em projetos administrados pela subsidiária Alsol Energias Renováveis.

Foi o que informou o CEO do grupo, Ricardo Perez Botelho, em teleconferência

com acionistas em março. “Vamos intensificar nossa estratégia

para a oferta de produtos e serviços ao tema energético e verticais, como

a fintech Evoltz, aproveitando nosso ecossistema com presença local

e capilaridade”, afirmou Botelho. De acordo com o executivo, esse tipo

de contratação atingiu 27 MWp durante o ano de 2020 na controlada.

O CEO também destacou a atuação da comercializadora, que chegou à

23ª posição no ranking de energia transacionada na CCEE (Câmara de

Comercialização de Energia Elétrica).

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NOTAS

Foto: divulgação

APAGÃO

O STJ (Superior Tribunal de Justiça) decidiu que cabe à

JF (Justiça Federal) apurar eventuais crimes relacionados ao

apagão de energia elétrica ocorrido no Amapá entre outubro

e novembro de 2020, quando 13 das 16 cidades do Estado

ficaram sem energia elétrica por pelo menos 21 dias. O

apagão causou diversos transtornos à população, incluindo a

interrupção também no fornecimento de água. O blecaute foi

consequência de um incêndio no principal transformador da

maior subestação de energia do Amapá. A decisão do órgão

abre caminho para que a 4ª Vara Federal Criminal de Macapá

siga supervisionando o inquérito aberto pela PF (Polícia Federal)

para apurar as responsabilidades penais pelo apagão. A

competência para conduzir o caso era disputada pela Justiça

estadual, que, à época do apagão, proferiu decisões liminares

determinando providências preparatórias para a abertura de

ação penal. Segundo o STJ, o caso deve ficar com o juízo federal

na medida em que o que se investiga são infrações penais

praticadas contra bens, serviço ou interesse da União.

NOVA LEI

O presidente Jair Bolsonaro sancionou, no início de

março, a Lei número 14.120/2021, conversão da MP (Medida

Provisória) 998, que permite alívio tarifário aos consumidores

e implementa importantes avanços na modernização do

setor elétrico. O objetivo é que a norma apoie a retomada

do crescimento econômico do Brasil. Aprovada pela Câmara

dos Deputados e pelo Senado Federal, a medida introduz

importantes avanços na pauta de modernização e ampliação

do mercado livre do setor elétrico. Ao permitir a realização

de leilões voltados a robustecer o atendimento das necessidades

sistêmicas, a nova lei estabelece uma alocação de

custos mais eficiente entre os consumidores. Outro importante

avanço é a redução dos subsídios a fontes incentivadas,

que hoje custam mais de R$ 4 bilhões aos consumidores

e crescem cerca de R$ 500 milhões por ano. A transição dos

incentivos para um mecanismo que considera os benefícios

ambientais deverá ocorrer com previsibilidade, segurança

jurídica e respeito aos contratos.

Foto: divulgação

Foto: divulgação

LUCRO NAS ALTURAS

Mesmo com a pandemia de Covid-19, o ciclone bomba e três tornados, a

CELESC (Centrais Elétricas de Santa Catarina), maior empresa catarinense de

comercialização e distribuição de eletricidade, registrou o maior lucro líquido

de sua história em 2020: R$ 518,7 milhões. Trata-se de crescimento de 82,9% em

comparação com o ano anterior. Os resultados financeiros foram apresentados

pela companhia na metade de março. A receita líquida do grupo foi de R$ 8,3

bilhões no ano, 10,6% a mais do que em 2019, considerando o desempenho

das unidades de distribuição e geração. O Ebitda, por sua vez, ficou em R$ 922,6

milhões, aumento de 27,3% na comparação anual. De acordo com o presidente

da companhia, Cleicio Poleto Martins, o resultado foi impulsionado pelo crescimento

do consumo residencial (4,5%), bem como, pela mudança na cobrança. “A

gente mais do que triplicou o resultado nos últimos dois anos”, salientou Martins.

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NOTAS

Foto: divulgação

RECORDE EÓLICO

Dados da GWEC Market Intelligence

apresentados em evento online em março

apontam que a instalação de energia eólica

registrou aumento de 62% nas Américas em

comparação com o ano anterior, já que foram

adicionados cerca de 22 GW (gigawatt) de

nova capacidade na região. O Brasil segue

líder no crescimento desse tipo de energia

na América Latina, vez que em 2020 adicionou

2,3 GW de nova capacidade. Também

houve instalações recordes no Chile e na

Argentina, com 684 MW (megawatt) e 1 GW,

respectivamente. Segundo o levantamento, a

capacidade total de energia eólica na América

do Norte é de 136 GW, enquanto na América

Latina é de 34 GW. A quantia ajudaria a evitar

250 milhões de toneladas de emissões de CO2

(dióxido de carbono) anualmente, o que equivaleria

à retirada de 1,2 bilhão de automóveis

das estradas.

EFICIÊNCIA ENERGÉTICA

Foi publicada em março a

Instrução Normativa Inmetro para

a classificação de eficiência energética

de edificações comerciais,

de serviços e públicas (INI-C). A

medida aperfeiçoa os requisitos

técnicos da qualidade para o

nível de eficiência energética de

edifícios comerciais, de serviços e

públicos do PBE Edifica (Programa

Brasileiro de Etiquetagem de

Edificações). Este é o primeiro

documento publicado do novo método do programa. Também serão publicados a

INI-R (para edificações residenciais) e o RAC, que traz os requisitos de avaliação da

conformidade do PBE Edifica. A INI-C é um marco na política de eficiência energética

de edificações, pois traz diversos aperfeiçoamentos ao método vigente e possibilita

desdobramentos como a certificação de edificações NZEB (da sigla em inglês Near

Zero Energy Buildings), por exemplo. O GT-Edificações, grupo técnico para a promoção

de medidas de eficiência energética para edificações construídas no Brasil,

instituído no âmbito do CGIEE (Comitê Gestor de Indicadores e Níveis de Eficiência

Energética), apoiou a elaboração do novo regramento. Para os próximos anos estão

planejadas atividades para ampliar a utilização da etiquetagem como instrumento

para aumentar a eficiência e melhorar o desempenho energético em edificações.

MAIS UM USO

O IST Celulose e Papel (Instituto Senai de Tecnologia em Celulose e Papel)

e a EBP (Empresa Brasileira de Pellets) desenvolveram pesquisa que pode

abrir mais uma possibilidade de utilização para a palha da cana-de-açúcar: a

produção de painéis que podem substituir os de madeira em usos variados,

inclusive na construção civil. O projeto se encontra ainda em fase experimental,

mas as expectativas são boas. “Os painéis são feitos com o resíduo de um

processo, o que por si só já reduz os custos. Mas se a gente ainda considerar

a quantidade de plantações de cana que temos no território nacional, essa

palha fica ainda mais acessível, o que também torna o produto economicamente

mais viável”, afirmou ao Globo Rural a coordenadora do IST Celulose e

Papel, Adriane Queji de Paula, reforçando que a ideia de fabricar os painéis vai

ao encontro de propostas de práticas sustentáveis.

Foto: divulgação Foto: divulgação

14 www.REVISTABIOMAIS.com.br


ENTREVISTA

Foto: divulgação

ENTREVISTA

PAULO

PEDROSA

Formação: Engenheiro Mecânico pela

UNB (Universidade de Brasília) com

MBA em Gestão de Negócios pela USP

(Universidade de São Paulo)

Cargo: Presidente da ABRACE (Associação

de Grandes Consumidores Industriais de

Energia e Consumidores Livres)

UM NOVO

GÁS

E

ngenheiro mecânico com mais de 30 anos de experiência, Paulo Pedrosa é uma das

principais lideranças na articulação junto ao Congresso Nacional para que o país destrave

sua legislação relativa à produção de gás natural, quebrando o atual monopólio no setor.

O dirigente da ABRACE (Associação de Grandes Consumidores Industriais de Energia e

Consumidores Livres) e ex-secretário executivo do Ministério de Minas e Energia fala sobre suas

expectativas para a votação da Lei do Gás no Senado Federal e sobre os impactos das novas regras

nos custos de produção e na atividade econômica. “Virá a modernização da produção industrial e

um ganho de competitividade que nos permitirá competir nos mercados globais”, garante.

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Quais os impactos das novas regras nos custos

de produção e na atividade econômica como um

todo?

Para o Brasil, essa lei tem importância equivalente

à do novo marco do saneamento, que demonstrou

enorme vitalidade nos primeiros leilões, com ágios

que superam em mais de 130 vezes os valores de

edital. Além disso, a abertura do mercado de gás sinalizará

aos investidores do mundo todo a disposição da

nova economia em atrair capitais e promover soluções

para um mercado competitivo e sem intervenções

governamentais que assustem investidores. Já os

efeitos concretos são extraordinários: geração de 4

milhões de empregos e triplicação do consumo de

gás, inclusive o industrial, gerando R$ 60 bilhões de

investimentos ao ano. Com o gás, virá a modernização

da produção industrial e um ganho de competitividade

que nos permitirá competir nos mercados globais.

A Nova Lei do Gás tem sido apontada como incentivo

à retomada econômica do país após a crise

ocasionada pela pandemia da Covid-19. Contudo,

há quem diga que o impacto não será tão grande

assim. Como avalia esse cenário?

Sairemos da pandemia com uma situação fiscal

ainda mais delicada do que a que motivou a reforma

da Previdência. O custo do necessário acolhimento

dos brasileiros pelo governo chegará às contas públicas.

Portanto, não adianta sonhar com soluções que

dependam de recursos públicos ou investimentos da

União e dos estados ou subsídios e encargos que sejam

um peso ainda maior para a economia. A tentação

de promover o desenvolvimento através do estímulo a

obras desnecessárias, por exemplo, apenas aumentará

o peso sobre a sociedade e atrasará ainda mais a nossa

recuperação. Precisamos de soluções que façam sentido

econômico, tragam capitais novos e dinamizem a

economia. A Nova Lei do Gás vai ser o grande tiro de

largada para um novo ciclo na nossa economia.

do Brasil do que produzir aqui, em especial aqueles

produtos intensivos em energia. Foi assim que a nossa

agricultura passou a depender de 80% dos fertilizantes

importados e foi assim que, para dar um exemplo

de grande valor simbólico, paramos de produzir

até aspirina, um produto do dia a dia das famílias

brasileiras. É importante avançarmos na aprovação

da Lei do Gás, na modernização do setor elétrico e

nessa agenda que, junto com o mercado nacional, é

uma plataforma importante. Podemos reposicionar a

indústria brasileira e reverter uma trajetória que tem

custado muito caro à nossa sociedade. A Lei do Gás vai

trazer muita diversidade e segurança jurídica.

Na discussão da Lei do Gás, a voz da indústria

está sendo ouvida?

A aprovação na Câmara nos mostrou a força da articulação

da indústria. Por meio de ampla articulação,

chegamos às lideranças do governo e do Congresso

pelos mais diversos e legítimos canais e fomos ouvidos.

É importante avançarmos

na aprovação da Lei do

Gás, na modernização

do setor elétrico e nessa

agenda que, junto com o

mercado nacional, é uma

plataforma importante

Em termos de regulamentação do setor, como

esse novo marco regulatório colocará o Brasil diante

do cenário internacional?

Nossas indústrias chegam a pagar três ou quatro

vezes o preço de concorrentes internacionais. Portanto,

é muito mais barato trazer produtos acabados fora

OBS: publicado originalmente pela Agência CNI:

https://bit.ly/3uVmZzl

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

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PRINCIPAL

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TECNOLOGIA

EUROPEIA

FOTOS DIVULGAÇÃO

INDÚSTRIA DE

MÓVEIS INVESTE

EM EQUIPAMENTOS

ITALIANOS PARA A

CONSTRUÇÃO DE

FÁBRICA DE PELLETS

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

19


PRINCIPAL

R

econhecida como uma das maiores indústrias

de móveis planejados da América Latina, a Todeschini

tem investido, nos últimos anos, em

novas instalações para projetos inovadores da

companhia. Um desses investimentos se refere à nova

fábrica da Todesmade, serraria do Grupo Todeschini,

que iniciou, em dezembro de 2020, o beneficiamento

das florestas plantadas há mais de 40 anos em Cachoeira

do Sul, interior do Rio Grande do Sul.

Dentro do novo complexo, a companhia também

incluiu a construção de uma fábrica de pellets, que será

abastecida com os resíduos da nova serraria, em um

movimento de sustentabilidade e reaproveitamento.

A planta de pellets foi inaugurada em fevereiro deste

ano, tendo aberto novas possibilidades de negócios

à Todeschini. Para a sua execução, a empresa gaúcha

realizou diversos estudos com o objetivo de entrar no

mercado com as tecnologias mais eficientes disponíveis

na Europa. Após meses de análise e negociações

com companhias nacionais e internacionais, a Todeschini

decidiu realizar uma parceria comercial com a

Costruzioni Nazzareno, empresa da região do Vêneto,

no Nordeste da Itália. A empresa italiana chegou ao

Brasil há quase 10 anos e, atualmente, é referência no

fornecimento de maquinário e tecnologia para o mercado

de biomassa.

Presidente do Conselho de Administração do Grupo

Todeschini, João Farina Neto, explica que o início

dos contatos com a Nazzareno se deu após a indicação

de outra empresa, pioneira no negócio de pellets no

Brasil.

“Assim que começamos a estudar a viabilidade do

negócio, uma pessoa de confiança, de uma grande

empresa que já havia começado sua fábrica de pellets,

indicou os serviços da companhia para a gente. Todo

o equipamento deles é da Nazzareno”, afirma Farina

Neto.

Após visitas a diversas fábricas que possuem a

tecnologia italiana, o Grupo Todeschini não teve dúvidas:

fez sua escolha pelo conhecimento técnico da

Nazzareno. “Conversamos com os empresários e todos

se mostraram muito satisfeitos. Esse reconhecimento

do mercado nos dá segurança, tanto na qualidade de

equipamentos quanto no atendimento diferenciado.

Os próprios proprietários da Nazzareno vieram ao Brasil

e negociaram conosco. Isso é raro no mercado”, comenta

o presidente do Conselho de Administração da

Todeschini. “Algo muito importante para nós também

foi a flexibilidade nas negociações, sempre com prontidão

para nos receber, além da entrega de um projeto

completo, com maquinário funcionando 100% e com a

certificação de qualidade necessária para comercializar

no mercado europeu”, acrescenta.

20

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A FÁBRICA

A fábrica de pellets da Todesmade conta com 2.500

m² (metros quadrados), possui capacidade produtiva

de 4t (toneladas) por hora e deverá destinar 70% de sua

produção à exportação para diversos países. Em algumas

oportunidades, contudo, a produção ultrapassou

as 5t por hora.

Diretor comercial da Costruzioni Nazzareno, Francesco

Stella, comenta que a empresa italiana não poupou

recursos e esforços para trazer, com excelência, a

mais alta tecnologia para a planta de pellets da Todesmade.

“Nada foi economizado. Trouxemos aquilo que

a Nazzareno tem de melhor; esse é o nosso objetivo

em cada projeto. Nenhuma fábrica é igual à outra, pois

sempre buscamos nos adequar às demandas de cada

cliente”, explica o diretor.

Francesco conta também que, mesmo após a instalação

da planta em Cachoeira do Sul, a Nazzareno

continua em constante contato com a Todesmade. Isso

porque a empresa italiana está sempre à disposição

para resolver qualquer demanda. A ideia é sempre vender

a solução completa, não somente o maquinário.

"Essa é uma planta

performática mesmo

com altíssima umidade

(67%) ou com umidade

inferior (15%)"

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 21


PRINCIPAL

"Nada foi economizado. Trouxemos

aquilo que a Nazzareno tem de melhor;

esse é o nosso objetivo em cada projeto.

Nenhuma fábrica é igual à outra, pois

sempre buscamos nos adequar às

demandas de cada cliente"

Francesco Stella, diretor comercial

da Costruzioni Nazzareno

Por isso é que antes do início das operações da nova

planta do Grupo Todeschini, a Nazzareno deu todo o

treinamento para os funcionários da empresa gaúcha,

devido ao know-how da companhia italiana.

O diretor comercial acrescenta, ainda, que os resultados

da nova fábrica foram logo comemorados

por ambos. “Essa é uma planta performática mesmo

com altíssima umidade [67%] ou com umidade inferior

[15%]. Ela possui um leque de serviços muito amplo,

com o máximo de segurança aos operadores e que

segue toda a normativa europeia e brasileira, além da

tecnologia de anti-incêndio”, enaltece Francesco Stella.

A nova serraria da Todesmade possui uma área coberta

com cerca de 16 mil m² e deverá gerar mais de

130 empregos diretos. O projeto, iniciado em 2020,

possui investimento em torno de R$ 100 milhões.

COSTRUZIONI NAZZARENO

A Nazzareno é referência na fabricação de briquetes

nos sistemas de pellets, nos secadores de esteira

e de tambor, assim como trituradores, moinhos de

martelos, filtros, sistemas de cogeração de biomassa,

agropellet, misturadores horizontais e sistemas de alimentação,

armazenagem e transporte. Por tudo isso,

a empresa italiana também irá ampliar em breve suas

operações em terras brasileiras, com o objetivo de oferecer

cada vez mais soluções.

“Estamos muito atentos ao mercado brasileiro, tanto

que vamos ampliar nossas operações com uma nova

22 www.REVISTABIOMAIS.com.br


A fábrica de pellets da

Todesmade conta com 2.500

m² (metros quadrados),

possui capacidade produtiva

de 4 toneladas por hora

unidade de depósito no país, para trazer peças de reposição

à pronta-entrega para os nossos clientes”, revela

Francesco Stella.

Além desse vasto mix de produtos, a companhia

está empenhada no desenvolvimento, aperfeiçoamento

e construção de fábricas exclusivas de pellets de

madeira. Da entrada do produto até o empacotamento

e paletização, o trabalho é todo desempenhado pela

Costruzioni Nazzareno.

“Nosso maior diferencial está na engenharia. Tudo

deve ser moldado no mesmo sistema operativo. Não se

pode construir uma fábrica de pellets de madeira colocando

dentro do projeto mais empresas trabalhando

juntas, pois, na realidade, vai ser impossível administrar

e monitorar as operações e o desempenho da fábrica”,

finaliza.

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

23


CASE

APROVEITAMENTO

DE RESÍDUOS

COMPANHIA DE SANEAMENTO DO

PARANÁ ESTUDA ALTERNATIVAS

PARA A PRODUÇÃO DE BIOMETANO

FOTOS DIVULGAÇÃO

24 www.REVISTABIOMAIS.com.br


A

SANEPAR (Companhia de Saneamento

do Paraná) entregou para a Prefeitura

de Londrina, na região norte do Estado,

no fim de fevereiro, o plano de aproveitamento

de biogás de duas ETEs (Estações de

Tratamento de Esgoto) na cidade.

A SANEPAR já tem recursos assegurados em

uma linha de financiamento internacional para

iniciativas que visam a redução da emissão de GEE

(gases de efeito estufa) com aproveitamento energético

e melhoria na qualidade do tratamento de

esgoto. As duas estações, ETE Norte e ETE Sul, estão

em processo de ampliação, com investimentos em

torno de R$ 60 milhões.

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

25


CASE

O Paraná quer se tornar referência na geração

de energia a partir do biogás e do processo de

tratamento de esgoto, sendo que já houve cases

de sucesso no passado. Na ETE Bom Retiro, hoje

desativada, no próprio município de Londrina (PR),

o gás gerado na estação era aproveitado como

combustível dos carros da frota da SANEPAR. Já

em Piraí do Sul, na região dos Campos Gerais, era

produzido gás de fogão, distribuído para moradores

do entorno da ETE.

A SANEPAR vem intensificando estudos para

aproveitamento de biogás há mais de 10 anos,

com o desenvolvimento de vários projetos piloto e

participação em pesquisas de âmbito nacional. Em

2012, um convênio com a Agência Alemã de Cooperação

Internacional GIZ (Deutsche Gesellschaft

für Internationale Zusammenarbeit) levantou o

potencial de aproveitamento em várias regiões do

estado, incluindo Londrina. “Londrina é um município

muito importante para a Sanepar. A cidade não

para de crescer e somos parceiros da prefeitura. Temos

a missão de viabilizar essa infraestrutura para

a vinda de novas indústrias e de novos empregos”,

destacou o diretor-presidente da Sanepar, Claudio

Stabile.

GÁS BIOMETANO

Alternativas para o aproveitamento do lodo

excedente gerado no processo de tratamento de

esgoto para a produção de gás biometano também

Atualmente, o lodo

gerado na ETE Belém,

a maior estação de

tratamento de esgoto do

Paraná, é transformado

em energia elétrica pela

empresa CS Bioenergia

têm sido discutidas pela SANEPAR com a COMPA-

GAS (Companhia Paranaense de Gás).

Recentemente, o diretor-presidente da COM-

PAGAS, Rafael Lamastra Junior, e o assessor de

Novos Negócios da companhia, Luciano Cherobim,

visitaram as obras de ampliação da ETE Belém, em

Curitiba, capital paranaense.

Atualmente, o lodo gerado na ETE Belém, a

maior estação de tratamento de esgoto do Paraná,

é transformado em energia elétrica pela empresa

CS Bioenergia. A obra na estação aumentará a

capacidade de tratamento de esgoto de 1,5 mil L

(litros) por segundo para 2,5 mil litros por segundo,

o que resultará também em maior volume de

lodo. O excedente desse material é que poderá ser

aproveitado na geração de biometano.

“Ainda estamos estudando alternativas, mantendo

o foco de que o lodo tenha aproveitamento

sustentável, ou seja, tenha destinação ambientalmente

adequada, com produção de biometano e

ainda gerando receita para a companhia”, afirma

Stabile.

Já Lamastra Junior destaca que: “vamos participar

e contribuir com os estudos para que possamos,

em breve, incluir em nossa matriz de fornecimento

um combustível sustentável e renovável.”

26 www.REVISTABIOMAIS.com.br


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PELO MUNDO

ENERGIA

QUE FLUTUA

28 www.REVISTABIOMAIS.com.br


CINGAPURA VAI

CONSTRUIR PARQUE

SOLAR EM ÁREA DE ÁGUA

FOTOS DIVULGAÇÃO

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

29


PELO MUNDO

P

or mais que se trate de um dos menores países

do mundo, Cingapura é um dos maiores

emissores de dióxido de carbono per capita

do planeta. Além disso, o fato de a ilha ser

densamente povoada faz com que seja praticamente

impossível encontrar espaço para iniciativas verdes.

Como, então, buscar saídas sustentáveis para a produção

de energia? A resposta está na água.

Isso porque está nos planos da cidade-Estado

desenvolver o maior parque solar do sudeste asiático,

montado com painéis flutuantes. O objetivo é cobrir

com mais de 122 painéis uma área equivalente a 45

campos de futebol.

“Depois de exaurir os telhados e terrenos disponíveis,

que são muito escassos, o próximo grande

potencial de energia renovável é, na verdade, nossa

área de água”, afirmou à imprensa Jen Tan, vice-presidente

sênior e chefe de energia solar do sudeste da

Ásia no conglomerado Sembcorp Industries, empresa

líder em energia e desenvolvimento urbano, com foco

em projetos voltados a um futuro sustentável.

Enquanto o projeto não sai do papel, um dos mais

novos parques solares da região está sendo construído

no Estreito de Jor, que separa Cingapura da

Malásia, onde cerca de 13 mil painéis foram ancorados

ao fundo do mar. Os aparelhos têm capacidade para

produzir cinco megawatts de eletricidade - suficiente

para abastecer 1,4 mil apartamentos anualmente, em

média.

Cingapura está passando por uma transformação

no que diz respeito à sustentabilidade. Apesar de ser

uma cidade conhecida por sua biofilia – a conexão

30 www.REVISTABIOMAIS.com.br


entre o homem e a natureza - urbana única, ainda há

um longo caminho a percorrer quando o assunto é

energia verde.

Em fevereiro de 2021, o governo de Cingapura

divulgou um plano verde abrangente que inclui iniciativas

como plantar mais árvores, reduzir a quantidade

de lixo enviada para aterros sanitários e construir mais

pontos de recarga para incentivar o uso de carros

elétricos.

Entre as medidas, também está aumentar o uso

de energia solar em, no mínimo, quatro vezes, a fim

de gerar pelo menos 2% das necessidades de energia

do país até 2025, aumentando para 3% ao final da

década. Isso seria suficiente para abastecer cerca de

350 mil famílias por ano.

Está nos planos de

Cingapura desenvolver

o maior parque solar do

sudeste asiático

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

31


PELO MUNDO

ACORDO SOLAR

Em março, a empresa cingapuriana de energia

solar Sunseap Group assinou um acordo de longo

prazo com a Amazon para exportar energia limpa para

o gigante do comércio eletrônico por meio da rede

elétrica nacional. A Amazon tem como um de seus

compromissos atingir 100% de energia renovável até

2030.

Segundo o contrato, a Sunseap instalará os sistemas

solares em cerca de 40 ha (hectares) de terras

vagas temporárias em Cingapura. Ao contrário dos

projetos fixos convencionais, esses sistemas são modulares

e flexíveis, e podem ser reimplantados quando

o terreno for requisitado para outros tipos de uso.

A Sunseap também disse que o projeto, quando

for concluído em 2022, será o maior sistema solar

móvel agregado projetado e instalado em Cingapura.

O objetivo é cobrir

com mais de 122

painéis flutuantes uma

área equivalente a 45

campos de futebol

32 www.REVISTABIOMAIS.com.br


Toda a energia renovável gerada pela usina será fornecida

para a Amazon. Além de Cingapura, a empresa

de energia tem projetos na Austrália, Vietnã, China,

Taiwan e Camboja.

Os 62 MWp (megawatts-pico) gerados pelos

sistemas solares vão totalizar 80 GWh (gigawatts-hora)

de energia limpa anualmente - o equivalente para

abastecer mais de 10 mil casas em Cingapura.

Cofundador e presidente do Sunseap Group,

Lawrence Wu, disse que a Amazon estabeleceu um

ritmo de sustentabilidade que todas as empresas

multinacionais deveriam seguir. “A Sunseap é líder

em instalações em telhados e somos gratos por essa

oportunidade de provar que somos igualmente adeptos

da instalação de sistemas de montagem no solo”,

acrescentou.

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

33


INOVAÇÃO

POTENCIAL

BIOENERGÉTICO

PLANTA AQUÁTICA

E ARBUSTO

AMAZÔNICO

REVELAM POTENCIAL

PARA A PRODUÇÃO

DE BIOENERGIA

FOTOS DIVULGAÇÃO

34 www.REVISTABIOMAIS.com.br


D

uas plantas comumente encontradas na

região norte do Brasil – a lentilha d’água

e o mata-pasto – têm alto potencial para

serem usadas como matéria-prima para a

produção de bioenergia, indicam estudos feitos por

pesquisadores do INCT (Instituto Nacional de Ciência

e Tecnologia) do Bioetanol, um dos institutos apoiados

pela FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado

de São Paulo) e pelo CNPq (Conselho Nacional de

Desenvolvimento Científico e Tecnológico) no Estado

de São Paulo.

Testes em laboratório revelaram que a produção

de açúcares simples pela lentilha d’água após

a biomassa da planta ser submetida a um processo

chamado de sacarificação foi maior do que a da cana-de-açúcar,

a principal matéria-prima do etanol de

segunda geração hoje.

Já o mata-pasto cresce muito rápido e pode ser

uma opção viável para produção de bioeletricidade na

região amazônica a partir da queima da biomassa da

planta, sem causar desmatamento, avaliam os pesquisadores.

Os resultados dos estudos foram publicados

no periódico Bioenergy Research.

“O mata-pasto e a lentilha d’água poderiam

complementar ou ser alternativas à cana-de-açúcar

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

35


INOVAÇÃO

para produção de bioenergia”, alerta Marcos Silveira

Buckeridge, diretor do INCT do Bioetanol e coordenador

dos projetos.

Os pesquisadores avaliaram a composição e o

potencial de sacarificação da biomassa das duas

plantas para produção de bioenergia. Os resultados

das análises de cinco espécies de lentilhas d’água –

Spirodela polyrhiza, Landoltia punctata, Lemna gibba,

Wolffiella caudata e Wolffia borealis – revelaram que

três monossacarídeos – glicose, galactose e xilose –

constituem 51,4% da parede celular planta.

Os resultados também indicaram que a biomassa

da lentilha d’água apresenta baixa resistência à

hidrólise ou sacarificação. Nesse processo, a biomassa

lignocelulósica é colocada em contato com um

coquetel enzimático com o objetivo de transformar

os açúcares complexos presentes na parede celular da

planta em açúcares simples, que podem ser fermentados

pelas leveduras para a obtenção de etanol de

segunda geração.

“A lentilha d’água apresentou baixa resistência à

hidrólise, provavelmente porque quase não tem lignina”,

avalia Buckeridge.

A lignina é uma macromolécula que, associada à

hemicelulose e à celulose na parede celular, tem a função

de conferir rigidez, impermeabilidade e resistência

a ataques biológicos e mecânicos aos tecidos vegetais.

Já os resultados das análises do mata-pasto (espécie

Senna reticulata) revelaram que quase 50% da

biomassa das folhas e do caule da planta é composta

por pectinas, hemiceluloses e celulose. A lignina

variou consideravelmente entre os órgãos da planta,

estando mais presente nas raízes (35%), folhas (10%) e

caule (7%).

“Ao analisarmos a biomassa inteira da planta

vimos que ela tem uma quantidade enorme de amido

nas folhas, muito maior do que já encontramos em

outras plantas”, compara Buckeridge.

Os pesquisadores também avaliaram o efeito do

aumento de CO2 (dióxido de carbono) na atmosfera

na composição da biomassa do mata-pasto. Os

resultados indicaram que, embora não tenha alterado

significativamente a composição de lignina na parede

celular, o CO2 elevado reduziu a proporção da macromolécula

nas folhas e raízes da planta. Além disso,

aumentou 31% a concentração de amido nas folhas

A lentilha d’água cresce

em todas as regiões do

mundo. Além de ser uma

opção para produzir

etanol de segunda

geração, a planta ainda

serve para limpar água

36 www.REVISTABIOMAIS.com.br


e melhorou em 47% a sacarificação da biomassa da

planta.

“O mata-pasto se desenvolve muito bem sob altas

temperaturas. Por isso é uma opção interessante para

geração de bioeletricidade pela queima da biomassa

da planta, principalmente na região norte do país”,

comenta o pesquisador.

A lentilha d’água também cresce em todas as regiões

do mundo. Além de ser uma opção para produzir

etanol de segunda geração – por ser mais fácil de

hidrolisar do que a cana-de-açúcar –, a planta ainda

serve para limpar água.

“Outra vantagem da lentilha d’água em relação a

outras culturas que têm sido estudadas para produção

de bioenergia é que não precisa de terra para ser

cultivada. Por isso, não concorre com a produção de

alimentos”, compara Buckeridge.

O mata-pasto se

desenvolve muito bem

sob altas temperaturas.

Por isso é uma opção

interessante para geração

de bioeletricidade pela

queima da biomassa da

planta, principalmente na

região norte do país

Com Elton Alisson, da Agência Fapesp

SERRAS E FACAS INDUSTRIAIS



DENTES DE CORTE PARA

FELLER


ECONOMIA

ENERGIA

PRIORIZADA

BRASIL DEVE SEGUIR COM UMA

DAS MATRIZES ENERGÉTICAS

MAIS LIMPAS DO MUNDO

FOTOS DIVULGAÇÃO

38 www.REVISTABIOMAIS.com.br


O

presidente Jair Bolsonaro aprovou, na segunda

semana de março, a resolução que estabelece

orientações sobre pesquisa, desenvolvimento

e inovação no setor de energia no país

para estudos regulados pela ANEEL (Agência Nacional de

Energia Elétrica) e pela ANP (Agência Nacional de Petróleo,

Gás Natural e Biocombustíveis).

A Resolução número 02/2021 do CNPE (Conselho

Nacional de Política Energética), publicada no DOU (Diário

Oficial da União) no dia 9 de março, também determina

ao MME (Ministério de Minas e Energia) a elaboração de

estudos para a definição de novos locais para instalação de

futuras centrais de geração de energia termonuclear.

A pasta ainda deverá avaliar a possibilidade e a forma

de destinação de recursos à EPE (Empresa de Pesquisa

Energética). O prazo é de 60 dias, sendo que o órgão deve

consultar o ME (Ministério da Economia).

Em nota, a secretaria-geral da presidência explicou que

a medida tem por finalidade prestar serviços na área de

estudos e pesquisas destinadas a subsidiar o planejamento

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

39


ECONOMIA

do setor energético a fim de reforçar o caixa da EPE, empresa

pública, em um cenário de restrição orçamentária.

De acordo com a resolução, os recursos da ANEEL e

da ANP deverão ser priorizados para estudos nas áreas de

hidrogênio, energia nuclear, biocombustíveis, armazenamento

de energia, tecnologias para a geração termelétrica

sustentável, transformação digital e minerais estratégicos

para o setor energético.

Para a Presidência da República, a medida se justifica

“em face da necessidade de aprimoramento das políticas

de ciência, tecnologia e inovação nos setores de energia e

de mineração e de melhor aproveitamento da aplicação de

recursos de PD&I (Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação)

no setor de energia em médio e longo prazos.”

PLANO DE EXPANSÃO

Recentemente, foi lançado também o PDE 2030 (Plano

Decenal de Expansão de Energia 2030), que permite comunicação

ampla com a sociedade, incluindo os agentes do

setor energético e de outros segmentos.

O PDE 2030 indica as perspectivas da expansão do setor

de energia no horizonte de 10 anos (2021–2030), dentro

de uma visão integrada para os diversos energéticos. O

planejamento foi elaborado pela EPE (Empresa de Pesquisa

Energética) sob as diretrizes e o apoio da SPE (Secretaria

de Planejamento e Desenvolvimento Energético) e da SPG

(Secretaria de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), do

MME (Ministério de Minas e Energia).

Tal visão permite extrair importantes elementos (insights)

para o planejamento do setor de energia, com benefícios

em termos de aumento de confiabilidade, mitigação

de riscos, redução de custos de produção e redução de

impactos ambientais.

Diante das incertezas em decorrência dos efeitos

da pandemia da Covid-19, os desafios da expansão se

ampliam, aumentando a relevância de análises de cenários

e sensibilidades no apoio às tomadas de decisão em situações

complexas.

Para o ministro de Minas e

Energia, Bento Albuquerque,

o Brasil deve seguir com uma

das matrizes energéticas mais

limpas do mundo, inspirando

nações para o rumo correto

da transição energética

40 www.REVISTABIOMAIS.com.br


Nesse contexto, os estudos do plano subsidiam

decisões de política energética e fornecem ao mercado

informações que permitem a análise do desenvolvimento

do sistema elétrico e das condições de adequabilidade de

suprimento sob diferentes cenários futuros possíveis.

“É notório que a energia representa um componente

crítico para o crescimento econômico e, nesse sentido,

foram explorados diferentes cenários para superarmos a

crise. Nossa avaliação é que, após uma queda abrupta em

2020, a economia e oferta de energia devem começar a se

recuperar em 2021, mantendo um crescimento médio, respectivamente,

de 2,9% e 3,0% ao ano até 2030 no cenário

de referência”, relata o documento.

O resultado deste trabalho é também produto das

interações com a sociedade ao longo de sua construção,

em especial pela publicação dos chamados: Cadernos de

Estudo do PDE. Como resultado do processo formal de

consulta pública, foram identificadas e analisadas mais de

500 contribuições no documento, enviadas por mais de

50 instituições, muitas das quais foram consideradas para

aprimoramentos incorporados na versão final do plano.

Para o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque,

o Brasil deve seguir com uma das matrizes energéticas

mais limpas do mundo, inspirando nações para o rumo

correto da transição energética.

“O plano decenal de expansão de energia, que a

partir do governo do presidente Bolsonaro é atualizado e

publicado anualmente, tem a finalidade de indicar as perspectivas

de expansão do setor de energia dentro de uma

visão integrada e objetiva, bem como orientar as ações e

decisões relacionadas ao equilíbrio entre as projeções de

crescimento econômico e a necessária expansão da oferta

de energia, em bases técnica, econômica e ambientalmente

sustentáveis”, afirmou ao portal InfoSolar.

No segmento elétrico, aproximadamente 85% da oferta

de 2020 foi de renováveis. Apesar do bom número, até o

final da década o objetivo é chegar ao patamar de 88%.

O PDE 2030 pode ser acessado na íntegra no site oficial

do MME: https://www.gov.br/mme.

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ECONOMIA AGILIDADE SEGURANÇA


ARTIGO

42 www.REVISTABIOMAIS.com.br


APROVEITAMENTO

FOTOVOLTAICO,

ANÁLISE

COMPARATIVA

ENTRE BRASIL E

ALEMANHA

FOTOS DIVULGAÇÃO

ORLANDO MOREIRA JÚNIOR

UFGD (Universidade Federal da Grande

Dourados), Dourados (MS)

CELSO CORREIA DE SOUZA

Universidade Anhanguera-Uniderp,

Campo Grande(MS)

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

43


ARTIGO

RESUMO

O

potencial energético solar brasileiro

apresenta média anual consideravelmente

alta em comparação com a Alemanha, que

recebe 40% menos radiação do que o lugar

menos ensolarado do Brasil e, mesmo assim, encontra-se

em estágio avançado tanto de pesquisa quanto de instalações.

A cooperação entre Brasil e Alemanha promove

resultados importantes para o desenvolvimento da

energia solar no país.

Palavras-chave: geração de energia; cooperação

Brasil-Alemanha; energia solar.

INTRODUÇÃO

Na década de 1950, os painéis solares convertiam

em média apenas 4,5% da energia solar em energia

elétrica, o que correspondia a 13 Wp/m 2 (watt-pico /

metro quadrado), a um custo de US$ 1.785/Wp (dólar /

watt-pico). Hoje em dia, a eficiência média mundial triplicou

para 15% (143 Wp/m 2 ), a um custo 1.370 vezes mais

barato, de US$ 1,30/Wp. De acordo com o CSS (Center for

Sustainable Systems), hoje existem no mercado módulos

capazes de apresentar uma eficiência acima de 20%.

Segundo o CSS, o silício monocristalino e o policristalino

são as tecnologias mais comercializadas no mundo. A

Tabela 1 mostra um comparativo entre as várias tecnologias

de células fotovoltaicas e suas respectivas eficiências

em laboratório e em uso comercial.

As variadas tecnologias de células disponíveis no

mercado têm custos e eficiências diferentes. No mercado

brasileiro, estão homologadas pelo INMETRO (Instituto

Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia) três

tipos de tecnologia: silício monocristalino, silício policristalino

e filmes finos. Segundo a nota técnica do Centro

de Gestão e Estudos Estratégicos, o Brasil tem excelentes

reservas de silício e lítio, principais matérias-primas das

células fotovoltaicas e de baterias, respectivamente.

A uniformidade do potencial energético solar

brasileiro apresenta uma grande vantagem em comparação

com países europeus, onde a tecnologia já é bem

desenvolvida. Além dessa uniformidade, os menores

potenciais apresentados no território nacional se equiparam

aos maiores potenciais europeus. A irradiação

solar captada de forma inclinada em todas as capitais

brasileiras apresenta valores que variam entre 4,9 kWh/

m 2 /dia (kilowatt hora/metro quadrado/dia) e 6 kWh/m 2 /

dia, o que representa uma alta uniformidade de irradiação

solar no território nacional.

Brasil e Alemanha firmaram um acordo sobre cooperação

no setor de energia com o foco em energias

renováveis e eficiência energética, em maio de 2008, que

foi promulgado em 1º março de 2012, pelo Decreto n.

7.685/2012 (Brasil, 2012). Segundo o Plano de Ação da

Parceria Estratégica Brasil-Alemanha, ambos os países

concordam que há a necessidade de estímulo ao desenvolvimento

sustentável e execução de atividades de

programas no âmbito do crescimento limpo, assim como

o desenvolvimento deve estar embasado na Convenção-Quadro

das Nações Unidas sobre Mudança do Clima

(Brasil, 2012).

A comunidade científica mundial vem tratando o

tema energético cada vez mais preocupada com as

incertezas do atendimento de uma demanda crescente

de energia em todo o mundo. Em Paris, na 21ª COP21

(Conferência das Partes) da UNFCCC (United Nations Framework

Convention on Climate Change), foi estabelecido

um novo acordo, com o objetivo central de fortalecer

a resposta global à ameaça da mudança do clima e de

reforçar a capacidade dos países para lidar com os impactos

decorrentes dessas mudanças (Brasil, 2007).

Segundo o MMA (Brasil, 2017), o acordo firmado na

COP 21 foi aprovado por 195 países, inclusive o Brasil,

e prevê a diminuição da emissão dos gases do efeito

Tabela 1- Valores de eficiência das diversas tecnologias de células fotovoltaicas

Cristalino

Filmes finos

Tecnologia

Eficácia da célula em

laborátorio

Eficácia dos módulos

comerciais

Silício Monocristalino 25,0 %

14 - 21 %

Silício Policristalino

Silício Amorfo

Silício Micromorfo

CIGS

Telureto de Cádmo

21,3 %

16,8 %

12,0 %

18,8 %

16,4 %

14 - 16,5 %

6 - 9 %

7 - 9 %

8 - 14 %

9 - 12 %

Fonte: Adaptado de CSS (2016)

44 www.REVISTABIOMAIS.com.br


estufa, que faz a temperatura média da Terra se elevar.

Cada país fica incumbido de elaborar suas Pretendidas

Contribuições Nacionalmente Determinadas (iNDC, na

sigla em inglês).

O Brasil concluiu, em 12 de setembro de 2016, o

processo de ratificação desse Acordo de Paris, sendo

o instrumento entregue às Nações Unidas, e, com isso,

as metas brasileiras deixaram de ser pretendidas e

tornaram-se compromissos oficiais. Agora, portanto, a

sigla perdeu a letra “i” (do inglês, intended) e passou a ser

chamada apenas de NDC (Brasil, 2017).

A NDC do Brasil compromete-se a reduzir as emissões

de gases de efeito estufa em 37% abaixo dos níveis

de 2005 até 2025, com uma contribuição indicativa

subsequente de reduzir as emissões de gases de efeito

estufa em 43% abaixo dos níveis de 2005, em 2030. Para

isso, o país se compromete a aumentar a participação

de bioenergia sustentável na sua matriz energética para

aproximadamente 18% até 2030 e reflorestar 12 milhões

de hectares de florestas, bem como alcançar uma participação

estimada de 45% de energias renováveis na

composição da matriz energética em 2030.

A energia fotovoltaica é uma das alternativas que

fazem parte do contexto da diminuição de gases do

efeito estufa. Segundo informações do Plano Decenal

de Expansão de Energia (PDE 2019-2029), a capacidade

instalada de placas solares no Brasil deverá crescer

quatro vezes nesse período. Ao final de 2019, o Brasil

registrava um total de 4,4 GW (Gigawatts) gerados por

placas solares fotovoltaicas, divididos entre GC (Geração

Centralizada) e GD (Geração Distribuída). De acordo com

o levantamento da ABSOLAR (Associação Brasileira de

Energia Solar Fotovoltaica), eram 2,5 GW na categoria

centralizada e 1,9 GW na distribuída.

A Alemanha comprometeu-se, em conjunto com os

demais líderes do G-7, de livrar seus países dos combustíveis

fósseis, a principal fonte de emissão de CO 2

(gás

carbônico), até 2100. Os objetivos fixados são de reduzir

as emissões entre 40% e 70% até 2050, com base no

total emitido em 2010. O país também apresenta internamente

uma série de ações e incentivos às energias

renováveis, como a resolução que proíbe a venda de veículos

com motor a combustão a partir de 2030, além de

ter cerca de 40 GW de capacidade instalada em energia

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

45


ARTIGO

solar, segundo a agência federal Fraunhofer ISE.

Os cinco países com maior potência instalada no

mundo são: China, Alemanha, Japão, Itália e EUA - correspondendo

a 70% do total mundial. Informações da

IEA (2016) mostram que a energia solar deverá responder

por 11% da oferta mundial de energia elétrica até

2050.

OBJETIVOS

O principal objetivo deste trabalho foi mostrar que

o Brasil, por apresentar uma irradiação média anual que

varia entre 1.200 e 2.400 kWh/m 2 /ano (Solargis, 2020),

bem acima da média da Europa, pode tornar-se uma potência

no setor fotovoltaico. Para isso, foi realizada uma

comparação com a Alemanha, que recebe 40% menos

radiação do que o lugar menos ensolarado do Brasil e,

mesmo assim, é o país em que a tecnologia fotovoltaica

já se encontra em estágio muito avançado tanto de pesquisa

quanto de instalações, sejam elas de microgeração

e minigeração interligadas à rede, sejam elas de maior

potência instalada.

Outra vantagem do Brasil em relação à Alemanha é a

uniformidade quase plena de radiação solar incidente no

seu território. Para que o Brasil atinja o nível de utilização

dessa tecnologia, como a Alemanha atual, são necessários

incentivos governamentais como também dar a

devida importância à cooperação técnica em energias

renováveis entre os dois países, que visa incentivar a

produção e o uso de energias renováveis e dar maior

eficiência aos processos produtivos, por meio da transferência

de tecnologias e intercâmbio científico entre

ambas as partes.

MATERIAL E MÉTODOS

O presente estudo está fundamentado em uma pesquisa

bibliográfica, elaborada a partir de dados obtidos

por meio de livros, periódicos, entre outras fontes, que

ratificam a produção do trabalho.

LEGISLAÇÃO E MECANISMOS DE INCENTIVOS

AO USO DA ENERGIA SOLAR BRASIL-ALEMANHA

Segundo Souza (2009), na Alemanha, o uso da

tecnologia de painéis de energia solar fotovoltaica iniciou-se

a partir da crise do petróleo, na década de 1970,

que implicou alterações do modelo de desenvolvimento

energético daquele país, visando à independência de

fontes convencionais de energia. A partir desse período,

A uniformidade do potencial

energético solar brasileiro

apresenta uma grande

vantagem em comparação

com países europeus

embora com variações na taxa de crescimento, o setor

de energia solar alavancou no país, transformando a

Alemanha em uma das referências mundiais nesse setor.

O crescimento do uso da energia solar na Alemanha

contou com programas de subsídios concedidos pelo

governo, leis de energia, mecanismos regulatórios e o

aumento dos preços de energia no mercado. Entre os

mecanismos de incentivos existentes na Alemanha, um

dos principais é o Programa de Incentivos de Mercado

(MAP, “Marktanreizprogramm”), que faz parte da

estratégia política do governo alemão para expansão da

participação de energia renovável na matriz energética

do país.

A Alemanha, até 2014, era o país líder mundial de

capacidade de geração fotovoltaica instalada, sendo ultrapassada

em 2015 pela China. O expressivo desenvolvimento

do aproveitamento da fonte solar na Alemanha

foi resultado de decisão estratégica de inserir a energia

renovável em sua matriz energética, reduzindo a participação

da energia nuclear − isso ocorreu principalmente

após a década de 1990.

A partir da década de 1990, a Alemanha lançou uma

série de leis de incentivo ao uso de fontes alternativas

de energia, o que impulsionou a indústria de fabricação

de painéis fotovoltaicos, diminuindo os custos de

implantação desses sistemas. Após o acidente nuclear

de Fukushima, em 2011, o governo alemão declarou a

Energiewende (transição energética), uma política oficial

por meio da Lei de Energias Renováveis (Erneuerbare-Energien-Gesetz

[EEG]).

A EEG tem o objetivo de desenvolver fontes de

energias sustentáveis, proteger o meio ambiente com

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diminuição das alterações climáticas e desenvolver

tecnologias para gerar eletricidade a partir de fontes

renováveis de energia.

Com esses incentivos, surgem vantagens para

quem produzir energia fotovoltaica na Alemanha, como

acesso à rede garantindo, prioridade na transmissão e

distribuição, tarifas específicas para cada tecnologia,

monitoramento e avaliação regular, pesquisa de acompanhamento

e esquemas de retorno financeiro para

produtores, que são as tarifas feed-in (FIT). Elas garantem

um pagamento para o produtor de eletricidade por quilowatt-hora

(kWh) produzido, por um período mínimo

de 20 anos.

Souza (2009) aponta que o Relatório do GT-GDSF

(Grupo de Trabalho de Geração Distribuída com Sistemas

Fotovoltaicos) é uma importante lei ao incentivo da

energia fotovoltaica na Alemanha, a Electricity Feed-in

Law, adotada em 1990. Esse marco regulatório trata da

introdução da energia produzida por FRE (Fontes Renováveis

de Energia) na rede elétrica convencional. Essa lei

baseia-se na compra obrigatória, pelas concessionárias,

da energia gerada por esses sistemas fotovoltaicos, por

meio do mecanismo de tarifa-prêmio. A Feed-in Law foi

atualizada em 1999, dando origem ao código das EEG

(Fontes Renováveis de Energia).

De forma a permitir o contínuo avanço da energia

solar no país, foi promovida, em 2004, nova alteração

na legislação, limitando os valores pagos pelas grandes

indústrias destinados a cobrir a geração de energia de

fontes renováveis. Com isso, preservou-se a competitividade

da indústria alemã, além de impedir que grandes

consumidores se posicionassem contra a expansão da

geração por fontes renováveis.

De acordo com a British Petroleum (2019), a energia

fotovoltaica teve um crescimento de 33,2% em 2016,

sendo a Europa responsável por cerca de um terço desta

produção (105,4 GW), com destaque para a Alemanha

(41,3 GW).

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47


AGENDA

MAIO 2021

E-WORLD

Data: 4 a 6

Local: Essen (Alemanha)

Informações: www.e-world-essen.com/en

DESTAQUE

JUNHO 2021

ECONERGY

Data: 08 a 10

Local: São Paulo (SP)

Informações: https://feiraecoenergy.com.br/

JULHO 2021

FIEE SMART FUTURE

Data: 20 a 23

Local: São Paulo (SP)

Informações: www.fiee.com.br/pt-br.html

AGOSTO 2021

INTERSOLAR SOUTH AMERICA

Data: 24 a 26

Local: São Paulo (SP)

Informações: www.intersolar.net.br/pt/inicio

NOVEMBRO 2021

BRAZIL WINDPOWER

Data: 5 a 7

Local: São Paulo (SP)

Informações: www.brazilwindpower.com.br

FENASUCRO & AGROCANA

Data: 17 a 20 de Agosto de 2021

Local: Sertãozinho (SP)

Informações:

www.fenasucro.com.br/pt-br.html

A Fenasucro & Agrocana é a principal feira de

bioenergia e do setor sucroenergético da América

Latina. O evento acontece anualmente no principal

polo de produção bioenergética do Brasil; país com

maior potencial de produção mundial. Atualmente,

reúne profissionais dos principais pilares da matriz

energética, de usinas bioenergéticas e dos setores

de transporte e logística, papel e celulose e de

alimentos e bebidas para realização de negócios,

networking e atualização profissional.

Imagem: divulgação

48 www.REVISTABIOMAIS.com.br


OPINIÃO

Foto: divulgação

AS PANDEMIAS COMO

PAUTA DAS CIDADES

ECOINTELIGENTES

A

interconexão entre os componentes

bióticos (seres vivos) e abióticos (fatores

físicos, químicos e geológicos do ambiente)

constituintes do meio é um aspecto

essencial da ecologia. Nas cidades – da mesma forma

como ocorre nos ambientes naturais –, plantas, animais

e seres humanos coabitam e interagem entre si e com

o meio urbano. A globalização e as novas organizações

econômicas e sociais evidenciam a quebra das barreiras

geográficas entre os indivíduos, ampliando o espectro

de saúde necessário para garantir a sobrevivência

individual. Em um contexto de pandemia, fica ainda

mais evidente a necessidade constante do desenvolvimento

de estratégias em busca do equilíbrio nas

relações entre os habitantes dos ambientes urbanos.

As pandemias permeiam a história das civilizações,

enquanto a busca pelo enfrentamento e combate às

doenças transmissíveis foi um forte impulsionador do

desenvolvimento científico e tecnológico nas áreas

médica e biológica. O conhecimento dos processos

biológicos de interação dos microrganismos patogênicos

com o organismo humano, por exemplo, levou ao

aprimoramento na identificação e enfrentamento de

doenças que permitiram a duplicação da expectativa

de vida nos últimos 100 anos.

A concepção de saúde global, contudo, tem três níveis

de conexão: a) corpo/mente/espírito; b) indivíduo/

sociedade/ambiente; c) local/global. Essas conexões

retroalimentam os processos que imputam resistência

e resiliência aos organismos e permitem que eles

enfrentem os agentes agressores. Esses processos são

naturais e conhecidos e praticados por culturas ancestrais

e tradicionais. Vale, assim, destacar que o distanciamento

do ser humano da natureza, da sociedade e

de si mesmo, motivado por um novo arranjo estrutural

de sua própria sociedade, com o rápido estabelecimento

dos centros urbanos, desafiou os próprios processos

de seleção natural.

Devido à sua natureza biológica, potencializada

pelo processo civilizatório, as pandemias encontram

na ecologia urbana e nas cidades ecointeligentes um

espaço para pesquisa científica, desenvolvimento de

tecnologia para enfrentamento e mudança de condutas

para prevenção. Entender os cidadãos como um

dos elementos componentes de uma complexa teia de

conexões é o primeiro passo para motivar o conhecimento

do impacto e do potencial dessas mesmas

conexões.

A cidade ecointeligente transpõe e busca, de

maneira inovadora e prática, de meios de proporcionar

ferramentas para o cidadão assumir a responsabilidade

e o protagonismo nas decisões individuais em

consonância com interesses coletivos e em prol de um

futuro factível. A situação vivenciada com a pandemia

da Covid-19 tem nos colocado de frente com inúmeras

limitações técnicas, sociais, políticas, econômicas e

pessoais que impedem a concretização de uma cidade

sustentável, justa e que tenha como valor a qualidade

de vida de todos seus habitantes, sejam eles pessoas,

animais ou plantas – desta ou de futuras gerações.

Por Marta Luciane Fischer e Selene Elifio-Esposito

Coordenadoras da especialização Ecologia Urbana: Construindo a

Cidade Ecointeligente, da PUCPR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná).

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