Raiz de MarÉ Saberes, flores e frutos do mar

fotolivro.raizdemare

Com o intuito de ampliar vozes e compreensões de mundo, a artista visual Mariana Cabral dá início a uma série de fotografias documentais e autorais em que a vivência, a escuta sensível e a oralidade se constituem como pilares de pesquisa.

O trabalho fotográfico documental também é narrativo, pois revela e potencializa contextos e escolhas culturais, sociais e políticas que permeiam trajetórias de vida e de espaços historicamente invisibilizados.

Em Saberes, flores e frutos do mar, primeira publicação da série, buscamos contar as histórias de cinco mulheres - mães, marisqueiras de tradição, mestras e lideranças em suas comunidades.

Cada mulher move o mundo em sua volta. Seus corpos revelam histórias pessoais e trazem marcas de um trabalho que exige esforço e acarreta riscos. Mas também são testemunho de amor e de dedicação a um lugar que as sustenta e permite a necessária autonomia financeira para seguirem resistindo e desafiando a violência pessoal e dos empreendimentos que avançam sobre o mar e o mangue, sobre seus legados e seu território.

O projeto tem apoio financeiro do Estado da Bahia através da Secretaria de Cultura e da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Programa Aldir Blanc Bahia) via Lei Aldir Blanc, direcionada pela Secretaria Especial da Cultura do Ministério do Turismo, Governo Federal.)

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O projeto tem apoio financeiro do Estado da Bahia através

da Secretaria de Cultura e da Fundação Cultural do Estado

da Bahia (Programa Aldir Blanc Bahia) via Lei Aldir Blanc,

direcionada pela Secretaria Especial da Cultura do Ministério

do Turismo, Governo Federal.)


raiz

de

marÉ

Saberes, flores e frutos do mar

MARIANA CABRAL



Raiz de MarÉ

Com o intuito de ampliar vozes e compreensões

de mundo, a artista visual Mariana Cabral dá

início a uma série de fotografias documentais

e autorais em que a vivência, a escuta sensível e a

oralidade se constituem como pilares de pesquisa.

O trabalho fotográfico documental também

é narrativo, pois revela e potencializa contextos

e escolhas culturais, sociais e políticas que

permeiam trajetórias de vida e de espaços

historicamente invisibilizados.

Em Saberes, flores e frutos do mar, primeira

publicação da série, buscamos contar as

histórias de cinco mulheres - mães, marisqueiras

de tradição, mestras e lideranças em suas

comunidades.

Cada mulher move o mundo em sua volta.

Seus corpos revelam histórias pessoais e trazem

marcas de um trabalho que exige esforço e

acarreta riscos. Mas também são testemunho

de amor e de dedicação a um lugar que as

sustenta e permite a necessária autonomia

financeira para seguirem resistindo e desafiando

a violência pessoal e dos empreendimentos que

avançam sobre o mar e o mangue, sobre seus

legados e seu território.

Mulheres que nos inspiram na luta e na resiliência,

como a àgua desviando da pedra, usando as

palavras da líder comunitária Dulciene Costa.

As fotografias e entrevistas foram realizadas

em março de 2021, durante a pandemia da

COVID-19. Para tanto, nossa vivência teve que

ser cuidadosa, seguindo as normas de segurança

e saúde recomendadas pela Organização Mundial

de Saúde.



À minha mãe, minha irmã e minha filha.



“Liberdade caça jeito”

Saberes, flores e frutos do mar é um

fotolivro sobre cinco mulheres. Em

comum, encontram na arte da pesca e

da mariscagem o sentido do seu trabalho,

o sustento de suas famílias, a relação

com a natureza e a força pessoal e

comunitária que precisam para ter seus

direitos preservados.

Mulheres que vivem e trabalham em

comunidades da região de Ilhéus, no sul

do estado da Bahia, Brasil.

Rita e Angelina pescam na Comunidade

Lagoa do Mabaço, às margens do

Rio Maré, no município de Una. Ali as

mulheres encontram apoio e amizade na

Comunidade Indígena Zabelê. No bairro

São Miguel, em Ilhéus, conhecemos mais

três marisqueiras, Dulciene, Eduarda e

Raimunda.

Fortes, mestras em seus fazeres, na

maioria das vezes passados por suas

mães e avós, esperam do futuro ter

saúde e ver o mangue preservado – lugar

de trabalho árduo, mas também de

amizade e de alegria. Quando se referem

ao ‘meu manguezinho’ ou ao ‘meu siri’,

é com respeito e amor pelos frutos que o

mar, os rios e os mangues lhes oferecem,

e pela natureza da região onde vêem

crescer seus filhos e netos.

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A região é cercada por enormes

manguezais, com vários trechos de

água doce em direção ao mar. Apesar

das especulações e da pressão para a

construção de grandes hotéis e resorts –

em alguns os empreendimentos são bem

sucedidos e avançam sobre a paisagem,

a região ainda é bastante preservada

pelas comunidades, em luta constante por

ações ambientais protetivas dos mangues

e das atividades pesqueiras.

As mulheres retratadas demonstram

muito conhecimento das práticas de

manejo e dos cuidados necessários

às atividades da mariscagem e da

pesca, como a proteção às fêmeas dos

animais. . Mas apontam as dificuldades

de conscientizarem mais pessoas,

apontando o desaparecimento do

sururu como consequência da falta de

cuidado adequado na cata. A lambreta,

outro marisco que era muito presente

na região, está em extinção, pois há

quem use a enxada para retirar grandes

quantidades de uma só vez. A forma

incorreta mata muitos bichos e deixa

buracos na lama, tornando-a mais

instável e fazendo com que as mulheres

tenham que rastejar “feito cobra” no

mangue.

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Nossa passagem pelo local coincidiu

com a época de reprodução dos

caranguejos, fenômeno conhecido

como andada. Nesse período,

as marisqueiras evitam a cata e,

quando retiram os animais, fazem

somente para consumo próprio

e não para venda. Elas dizem que

mesmo a pesca do aratu, principal

atividade hoje em dia, é dificultada

porque os bichos ficam muito escondidos.

Então as marisqueiras esperam, porque

a paciência é a senhora delas, e o tempo

da natureza é sempre respeitado pelas

trabalhadoras.

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As fotografias e as entrevistas foram

feitas em março de 2021. Durante

o processo de produção, as notícias sobre

o risco de desaparecimento do bairro

de São Miguel ganharam mais destaque

na imprensa. As consequências ambientais

relacionadas à construção do Porto do

Malhado, inaugurado em 1971, alteraram

significativamente a dinâmica do litoral

ilheense e, com as novas obras para

viabilizar a ampliação de operações

portuárias na região, como a construção

em curso da Ferrovia de Integração

Oeste – Leste, a população volta a se

perguntar sobre o futuro de uma das

regiões mais biodiversas do litoral brasileiro.

As mulheres percebem que, ao longo

dos anos, a corrente marítima vem

mudando. Duas ruas do bairro

já desapareceram com a maré cada vez

mais forte. O Rio Almada, no passado

estreito e profundo, hoje é largo e raso

pelo assoreamento. Antes a água doce

corria para o mar, hoje é a água salgada

que entra, alterando toda a dinâmica dos

rios e mangues. Com isso, a pesca que já

foi muito forte em São Miguel, tanto no

rio como no mar, tem afastado homens e

mulheres que buscam outras alternativas

de trabalho e renda.

Para a pesca de calão, que é feita

na costa da praia com o uso de grandes

redes, era preciso a força de vários

homens. As mulheres lembram como

havia muito camarão pistola, siri de



água doce, robalo, turimã. O local era

diferente, com uma orla bonita e grande,

com muitos coqueiros e cajueiros que a

maré engoliu.

Há outros problemas no bairro

São Miguel, como a desvalorização

econômica do peixe, pois a antiga

colônia de pescadores, elo importante

da cadeia que ligava quem produz

e quem compra o que é produzido,

mudou-se do local e fragilizou as

relações que orientam preços de venda

que compensem o trabalho. Aos poucos,

a Associação de Pescadores e

Marisqueiras do bairro São Miguel,

criada em 2006 com muita luta, está

unindo e fortalecendo trabalhadoras e

trabalhadores, trazendo equipamentos

para beneficiar produtos, oferecendo

cursos e garantindo a aplicação

de normas sanitárias que gerem

competitividade em um mercado que

tende cada vez mais a desvalorizar

o trabalho artesanal das atividades

pesqueiras.

Apesar de viverem em locais e realidades

diferentes, Angelina, Dulciene, Eduarda,

Raimunda e Rita têm muitas coisas

em comum: o trabalho arriscado,

as dores e doenças, as ameaças à pesca

e à mariscagem, a preocupação

e o cuidado com o meio ambiente

e com as futuras gerações, e um imenso

amor pela natureza.




Rio Maré. Una, BA.

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“Só Deus sabe a vida que

eu passo, mas se tô trabalhando

no mangue eu tô feliz.”

Angelina dos Santos

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“Eu sou Angelina, conhecida por Geli.

Marisqueira desde os 19 anos, venho

vivendo disso. Sou mãe de 11 filhos,

aliás 13 filhos, vivos tenho 11. Todos eles

foram criados com marisco. O enxoval

do meu mais velho foi comprado com

dinheiro do marisco.”

Para Angelina, a pesca e a mariscagem

são paixões eternas, e enquanto tiver

força e saúde, ela diz que vai trabalhar

nesse ofício. Mas a vida por vezes foi

muito sofrida. Uma queda de uma ponte

aos 8 anos de idade, indo junto com os

irmãos atrás da mãe que havia saído

para pescar, trouxe problemas de coluna

que só foram sentidos quando ela iniciou

o trabalho. Aos 12 anos, Geli começou a

colher piaçava para vender, mas o novo

risco de cair das árvores para cortar as

talas não compensou. Ela então acabou

se envolvendo com a cata no mangue,

atividade que já existia na comunidade.

“Eu comecei a pescar praticamente no

meio do pessoal entendeu? O pessoal

vinha, pescava, aí eu tava olhando...

eu via como é que eles pegavam,

aí eu também fiz a tentativa e consegui.”

Trabalhava mesmo com a barriga

já grande esperando os filhos, e uma

vez, grávida de sete meses, acabou

caindo de cima de uma gaiteira. Estava

em um galho baixo e a queda não

trouxe consequências graves, mas o

contato permanente com a lama sim.

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“A lama, ela entranha no nosso corpo,

quando eu tive essa menina especial,

ela é cheia de manchinha branca, foi

a lama do mangue, o calor da lama do

mangue, (...) porque eu tirava lambreta,

e no riacho a lama vinha na cintura, pra

tirar lambreta na lama a gente tirava

com facão, vai enfiando o facão e vai

tirando...cê vê o olhinho d’água... cê enfia

o facão ela tá embaixo, a gente tinha

que tirar no braço, entendeu?”

Depois de quase parir no mangue,

os médicos acabaram retirando muita

água escura da cor da lama de dentro

da placenta. “O médico me disse: que

tipo de serviço você faz? Eu disse: eu

trabalho no mangue, sou marisqueira,

ai ele disse: oh, cê tem que evitar da

lama chegar até acima do seu joelho,

porque você está com um problema

no útero.” Nessa época catava muita

lambreta, além de ostra, caranguejo

e guaiamum. Para isso, locomovia-se

no mangue com lama até a cintura.

No seu auge, pegava até 30 cordas de

caranguejo, ou seja, 150 bichos.

“As pessoas falam que é difícil mas é

muito fácil pegar, só tem que ser esperto

ao enfiar a mão na lama, e pesquisar

na sua mente, sentir onde estão boca

e pernas do bicho, e assim não ser

surpreendido com uma mordida, que dói

muito”. Se acontecer, o jeito é esperar

a boa vontade do marisco em soltar.

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Assim como aprendeu a mariscar vendo

e acompanhando os demais, ela também

aprendeu a trançar cipó e fazer cestaria

com seu compadre: “Eu me botei a fazer

tudo porque assim, o marisco tá fraco,

o movimento tá fraco, a maré mesmo,

a que vem aí agora vai ficar ruim de

pescar aratu. Até o caranguejo mesmo

fica ruim pra gente poder pegar, porque

o mangue fica muito seco, a lama fica

chupada, sequinha... Nesse intervalo a

gente já faz outra coisa pra sobreviver.

Aí a gente já bota uma roça, um filho fala

assim: ‘mãe, a senhora não sabe fazer

um cesto não?’ Um cesto assim como?

‘Um cesto de lixo...’ Eu não sei fazer mas

eu vou me botar e fazer... porque tem

artesanato que eu não sei fazer, mas

se você dizer assim, ‘Geli, eu quero um

artesanato desse tipo assim’, eu faço,

entendeu? Eu faço. Então já hoje eu

ganho um dinheirinho através da minha

experiência...”

“Eu não tô mais pescando diretamente

por causa dos problemas, que é desvio

da coluna, reumatismo nos dois ombros,

no pulso, que eu até lavando roupa

a mão incha. (...) Estou pescando mais

de encomenda, e estou trabalhando

com artesanato também.”

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De feições indígenas daquela região,

Geli nos conta sobre sua origem:

“Eu não sei bem essa história assim

de índio, que a minha descendência

mesmo é de cabocla, mas aí a minha

madrinha disse: ‘não, minha filha, esse

negócio de caboclo e índio é tudo uma

descendência só...’ Aí foi que eu vim

cair na real, conversei com a cacique,

ela disse: ‘não, você é Tupinambá’.

Porque meu pai é da Serra das Trempe,

são Tupinambá, a minha mãe já é de

Palmares, de outra tribo de Minas

Gerais. Minha mãe era uma índia

bem pequeninha. E o meu pai se foi

naquela matança dos fazendeiros com

os índios. Meu pai saiu corrido, foi

viajando, saiu pro mundo afora…”

No seu quintal, a mulher de 42 anos

planta bananas, pepino, aipim, abóbora,

quiabo, e tem planos de construir uma

horta maior, comprar uma casa própria.

Vive na aldeia indígena Itapuã com

filhos, netos e noras.

“O dia que eu saio pra

pescar, que não pego

nada, eu agradeço a

Deus por isso. A gente

tem que respeitar a

natureza, eu te respeito,

respeito qualquer

outro. A gente tem que

aprender isso.”

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Comunidade Indígena Itapuã. Ilhéus/Olivença, BA.


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“Eu não estou mais

pra abuso de homem.

Sou livre

e desimpedida.”

Maria Rita dos Santos

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Quando a maré está cheia e a pesca

de aratu fica ruim de dia, Rita vai pescar

à noite. No mangue, os olhos da

marisqueira encontram rapidamente

os bichos. São mais de 30 anos vivendo

da mariscagem. Caranguejo hoje ela

só cata para consumo próprio. De tanto

se abaixar na lama, enfiar os braços para

alcançar o bicho, jogar o animal no balde

e carregar o peso, a coluna da mulher

não suporta mais. “Eu pego só eu e Deus,

ai pra mim tá bom, ajudo minha filha,

meu neto, e aí vou levando a vida assim

devagarzinho.”

Rita aprendeu em casa seu ofício de

marisqueira, aos 11 anos. “Meu tio, fui

pegando a prática com ele, e aí depois

foi minha mãe. Eu pego de tudo, ostra,

o que me encomendam eu vou e pego.

À noite a turma vai pescar de rede, eu

vou também.”

Diferente do caranguejo, o aratu

é encontrado na superfície da lama.

O ofício de marisqueira tem relação

direta com a preservação do mangue.

E Rita compreende isso muito bem.

Conhece o ritmo da natureza, os tempos

da lua e das marés, sabe a importância

de proteger as fêmeas e não deixar redes

que prendam os animais à toa. Sabe que

os animais são atraídos por um assobio

no tom e volume certos, que ela produz.

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“O aratu é mais pra turista na beira de

praia comer. Eles fazem a porção de

casquinha do aratu... Olha lá um grandão

subindo lá no pau lá! Assim a noite que a

gente pega, quando a maré tá cheia, com

a lanterna lá assim a gente pega, enxergo

fácil. À noite eles sobem e a gente pega na

gaiteira, mas quando é de lua clara eles

sobem muito e a gente não pega nada.

Quando tá a lua escura ai é mais fácil.”

“Quando tem repelente, passa repelente,

quando não tem, passa óleo diesel mesmo,

por causa dos mosquitinhos que tão

mordendo...aí senta, fica quieta, a hora que

os aratus saem a gente joga a linha com

aquela almofadinha (um bicho parecido

com o caranguejo e o aratu, porém menor,

usado como isca), joga lá, eles vêm e

grudam, a gente vai e joga no balde. Não

uso redinha não. A turma usa, mas eu não.

A turma vem, deixa a redinha, aí quando

eu passo e vejo caranguejinho grudado eu

solto ele. E tem gente que pega a fêmea, aí

eu falo assim: ‘vocês vêm hoje e pegam a

fêmea aí amanhã não tem nem pra vocês

mesmos que precisam.”

O esforço para pegar aratu é menor, já que

é feito com vara de pescar. Mas o bicho

é bem mais esperto que o caranguejo.

E para se fazer 1 quilo pronto para venda

é necessário juntar cerca de 150 animais.

Depois de pescado, vem o preparo: se

cozinha o aratu e se separa as partes boas,

as pernas e o filé. Apenas esse produto final,

chamado catado, é vendido.

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O resto vira adubo pra terra. O preço

do aratu é baixo para o trabalho,

“e tem gente que reclama”. O quilo

costuma sair por 30 reais e às vezes

se passa até 3 dias no mangue para

conseguir essa quantidade. Mas

quando tá bom de pesca pode ser que

em um dia se consiga até 3 quilos.

A pesca é instável como é a lama.

Rita conseguiu juntar dinheiro para

comprar um pequeno barco, e às vezes

sai à noite com uma turma para pescar.

Por um tempo trabalhou com serviços

domésticos, mas de longe prefere o seu

“manguezinho”. “Aqui eu trabalho pra

mim mesma, paro o dia que eu quero,

não trabalho pros outros não, que tem

que ir todo dia, todo santo dia, quando

a gente adoece ainda acham ruim.

Eu aqui às vezes passo uma semana,

quando eu tô doente...que eu tenho

problema de falta de ar, aí quando tá

atacada nem no mangue eu vou, tenho

que ficar só tomando remédio em casa.

Aí depois quando eu melhoro eu vou.”

Rita conhece bem todos os cantos

da região da Lagoa do Mabaço e

explica como acontece o período

chamado de andado, época em que

os animais caminham pelo mangue

para acasalarem.

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“Todo ano tem esse andado.

São quatro andados, já teve a

primeira, agora a segunda, ai tem

a terceira e a quarta...a última é

só as caranguejas fêmeas que é só

pra desovar...quatro vezes no ano...

começou hoje a andar...esse mês que

passou já andou, agora esse mês,

agora o próximo outro mês vem de

novo. Essa época agora eu não pego.

Tá na defesa (defeso), que não pode

pegar o caranguejo de andada.

Ele fica só andando assim, não fica

só no buraco... eles estão pra produzir

com as fêmeas, estão acasalando.

Pra comer, assim, pode pegar. Mas

pra poder passar pro revendedor

não pode.”

Rita é Tupinambá. Nunca morou em

aldeia mas viveu muito no meio do

mato com os parentes. De vez em

quando ela dorme embarracada – finca

uns paus no chão e joga um plástico

por cima – no mangue para poder

mariscar. Vai sozinha e diz não ter

medo. Cobra, o bicho com que Rita

não se dá, nem aparece, e se dorme

um sono muito de boa, como ela diz.

Cobra aparece é no mangue quando

a maré está baixa. Quando acontece,

Rita conversa com ela, e cada uma fica

no seu canto, assim como outros bichos

que também aparecem para

se alimentar, como jupatis e ratos.

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O filho de Rita marisca raramente e a filha

não saiu como a mãe. Ela tem um neto

e faz tudo por eles, de carinho a ajuda

financeira, coisas que não teve. O pai de

seus dois filhos é um ex-companheiro que

Rita botou para correr porque cansou

“de levar porrada” do homem, alcoólatra.

Para ninguém passar fome, ela chegou

a ir pro mangue com bebê de colo, e

nunca guardou resguardo. Rita vê muita

mulher apanhando e se pergunta por que

elas continuam indo “atrás dos maridos”.

Hoje ela vive com um novo companheiro,

mas sua liberdade homem nenhum toma.

“Se tiver que sair para o mangue, para

visitar o meu pai, ou para qualquer

outro lugar, eu vou”.

Uma época teve uma doença que

matou muito caranguejo na região.

A marisqueira foi para Alcobaça com

alguns colegas para sobreviver. Nunca

souberam o que aconteceu, mas os bichos

reapareceram e ela voltou. Só não vai

para pesca em alto mar porque ninguém

a leva, pois medo não tem de nada.

A vida está muito boa do jeito que está,

e quando alguma dificuldade chega

sempre dá-se um jeito.

“Eu tenho fé em Deus,

em Deus eu tenho muita fé,

não sou religiosa não, mas eu

tenho fé de Deus mesmo…”

O plano agora é comprar uma moto para

driblar o custo da passagem para Una,

onde se faz tudo. “Compra uma motinha,

arruma umas coisas e vai embora... Eu

não tô mais pra abuso de homem não.

Sou livre e desimpedida.”

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Comunidade Indígena Zabelê. Una, BA.


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Rio Almada. Ilhéus, BA.



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“Se me botam

uma pedra no caminho,

eu trabalho feito água

para desviar dela.”

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Dulciene Costa


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Dulciene Costa, a Sica, é a presidente da

Associação de Pescadores e Marisqueiras

do bairro São Miguel, em Ilhéus.

A história de São Miguel começou com

pescadores, que foram os primeiros

habitantes do bairro. Depois chegaram

os turistas, as casas de veraneio, e o

lugar passou a ser muito movimentado.

Dulciene tem saudades desse tempo.

Quando criança, ela e os irmãos saíam

para vender espetinho de peixe frito

pela orla da praia. Voltavam rápido com

a bandeja vazia para a mãe preparar

mais. Em junho tinha a festa de São

Pedro, o padroeiro dos pescadores, e em

setembro a festa de São Miguel. Eram

vários dias de celebração e vinha gente

de muitos lugares.

Desde a criação do porto de Malhado

na década de 1970, o bairro foi

lentamente se modificando e hoje corre

o risco de desaparecer. Junto às

mudanças ambientais que as mulheres

sabem descrever bem, o bairro São

Miguel tinha uma colônia de pescadores,

fundada pelos pais e avós de Dulciene,

a Z34, que foi retirada de lá por um

ex-presidente e levada para outro local

por intenções políticas. A partir daí

a comunidade perdeu força, viu ser

desativada a escola e o bairro, antes

reconhecido, ficou esquecido no meio de

tantos problemas.

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“Antes da criação desse porto a pesca

aqui era tão forte tanto no rio quanto

na praia. Era tanto peixe, tanto peso,

os pescadores tinham que fincar paus,

iam segurando e outras pessoas iam

tirando o peixe pra botar pra terra. O rio

era estreito e a água tinha mais força,

os camarões pistola vinham tudo pra

beira do rio. Porque tanto o camarão de

água doce quanto o pistola reproduzem

no mangue. A gente quando criança

arrumava umas redinhas ou até o

cortinado, juntava cada um numa ponta,

arredava e vinha peixe, camarão, tudo

vinha, muito robalo. Aqui perto tinha um

lugar que chamava Corcovado, não tem

mais. A minha mãe conta que era muito

robalo nesse lugar, turimã... aqui tudo

era bom.”

As mulheres reconhecem bem as

mudanças que aconteceram ao longo

dos anos, e têm muita consciência do

vínculo entre os problemas ambientais e

os grandes empreendimentos na região,

assim como sabem que a organização

comunitária é a resposta que podem dar

à própria sobrevivência e ao futuro

da região.

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“As empresas dizem que isso não

acontece, dizem que está fazendo

pesquisa, mas a gente não acredita,

a gente vê, a gente sente... (...) Esse é

o rio Almada, que tá morrendo... Antes

a boca da barra era bem estreitinha,

você falava de um lado com outro lado.

O volume de água do rio era muito

grande e os pescadores esperavam

a maré encher pra poder pescar, de

tão forte que era. Hoje não temos esse

volume de água. O siri de água doce não

desce, só quando tem muita chuva pra

ter muito volume de água. Não só eu,

mas o mundo todo observa, né? Antes

a água doce ia pro mar, hoje o mar vem

pra água doce. O banco de areia da

natureza foi embora... tudo isso acabou

com o rio Almada.”

Assim, como dizem, a associação não

era bem um sonho, mas se tornou uma

necessidade. “O pessoal do porto já

sabia que ia acontecer isso com essa

comunidade... e também porque aqui

não tinha grandes hotéis, não tinha

gente rica, só casas de palha, de barro...

eles passaram por cima que nem

trator... as casas maiores eram de gente

que não era da comunidade, vinham

só veranear, quem ficava aqui eram

só os pescadores... eles sabiam, um

engenheiro disse que aqui com

o tempo ia sumir.”

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A luta travada agora é para que o bairro

São Miguel não suma do mapa e, graças

à associação, a comunidade hoje tem voz

para ela. Tanta voz que tentam calá-la.

Mas Dulciene costuma dizer que vão ter

que aguentá-la. Ela é uma das responsáveis

pela criação da entidade. Conta que foram

muitas batalhas para conseguir sanar os

problemas jurídicos da colônia que ocupava

o imóvel e que isso gerou muitos entraves

para implantar a associação, equipá-la e

conseguir recursos para os projetos e sonhos.

“Se me botam uma pedra no caminho,

eu trabalho feito água pra desviar dela.

E aí onde a gente conseguiu, estamos

aqui de pé pra melhorar nossa vida

em comunidade, para os pescadores

também. Então hoje a gente tem direitos

que nunca teve.”

“Estamos com uma ação na justiça desde

2010. A gente entrou nessa luta pra ver

se a gente consegue que eles façam

um proteção pra que esse bairro, ele

não suma, não desapareça. (...) Nosso

endereço tá aqui, e hoje a comunidade é

reconhecida através da associação. Ela

foi criada pra melhorar a comunidade e

para os pescadores. A prefeitura e o poder

público não nos assistia, a gente tinha

uma escola aqui, foram e acabaram... a

gente entrou com a luta e conseguimos

reabrir, um posto de saúde a associação

trouxe pra comunidade. A gente não só

vê a associação, os pescadores, mas a

comunidade inteira.”

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Cerca de 30 mulheres, pescadoras

e marisqueiras, participam como

associadas, além dos homens que ficam

na pesca e, no inverno, costumam passar

até um mês em alto mar.

Dificilmente um pescador ou uma

marisqueira chega na idade de se

aposentar, aos 55 anos, gozando de boa

saúde. Além de dores na coluna, Dulciene

tem pressão alta e arritmia. Dependendo

do peixe que ela está trabalhando, o

cheiro a faz passar mal. Para as mulheres

que mariscam, a saúde é mais fragilizada

ainda, já que ao sentar na lama elas têm

contato com várias bactérias, o que causa

problemas ginecológicos.

Mesmo assim, há muita paixão pelo

trabalho. Gosta de todos os processos,

de pegar e tratar os peixes, o siri,

e depois comercializar. Passa

muito tempo também cuidando de

documentação, processos de previdência,

carteiras de pesca e projetos de melhorias

e de qualificação profissional.

Hoje, com 54 anos, não consegue sair

muito para a pesca e mariscagem.

E comercializar é uma coisa que ela

gosta e ainda faz muito bem, na sede

da associação e na feira de Itabuna,

todos os sábados. Mas a busca é pela

valorização do trabalho de quem pesca,

marisca e trata tudo. E sabe que para

isso é preciso diminuir o caminho do

produto até o consumidor final.

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O sonho da marisqueira é que as

mulheres ali na associação trabalhem

todas juntas e desenvolvam novos

produtos, como a linguiça de peixe que

elas aprenderam em um curso e estão

muito animadas para comercializar.

Dulciene só pede pra continuar tendo

saúde, porque o amor pelo trabalho e a

certeza de que a vida se constrói quando

se junta, é o que não lhe falta.

“É muito bom a pesca, quando ela é feita

em conjunto então... as artes de pesca

nossa é sempre de arrasto, então tem

que ter mais pessoas…”

“Hoje peixe quase não tem

mais valor nenhum. Só na

mão do atravessador...

A gente pode agregar valor

naquela mariscagem, no

peixe, é isso que a gente

quer. A gente ganhou um

edital e vamos construir

uma cozinha.”

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“Tem que gostar,

fazer com amor,

pois tudo que se faz

com prazer dá certo.”

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Maria Raimunda de Jesus


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Raimunda chegou em São Miguel em

1985, e é decidida a não sair mais de lá.

Criou todos os filhos naquele lugar que

ela tanto ama. Começou a mariscar ali

no bairro mesmo, vendo outras pessoas,

por curiosidade e por necessidade.

“Aprendi vendo, porque antes quando eu

morava em outro bairro eu não pescava,

aí via o pessoal fazer calão, sempre

gostei de buscar peixe pra tratar...

alimentar e também fazer os pacotinhos

e vender. A gente vai aprendendo,

e também a necessidade de ter nosso

dinheiro. Três filhos e seis netos...

então a gente tem que aprender.”

Antes de entrar para a Associação

dos Pescadores e Marisqueiras de São

Miguel, Raimunda não pagava

a previdência. Ela já vai completar

55 anos mas ainda faltam dois de

contribuição para que possa se

aposentar. Não está preocupada, pois

sabe como os anos passam rápido, e

mesmo depois ela pretende continuar

a pesca até quando a saúde permitir,

pois acha gostoso, desestressante, e

principalmente por conta da companhia

das amigas. “A gente diverte, brinca,

é maravilhoso, e nosso sustento

também, né?”

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Até Raimunda se tornar marisqueira,

ninguém na família trabalhava com

pesca. Mas ela começou cedo, antes

de chegar ao bairro São Miguel. E, como as

demais, aprendeu vendo e se arriscando

a tentar, num ofício em que todas

reconhecem que o conhecimento é

passado na experiência cotidiana de se

aprender fazendo.

“Já mariscava antes de 85, mariscava

ostra, e outros, e vendia de porta em

porta para as cabanas, restaurantes...

sempre foi assim. Tinha um colega meu,

um amigo, que pescava de mergulho,

as ostras de mergulho são bem

maiores...sururu também de mergulho,

tem mais do que no mangue...

fui aprendendo. Assim, não tem muito

que estudar não, se você tiver interesse,

você aprende, né Sica? Vai praticando...

Não vou dizer a você que sei tudo,

aquela que sabe mais vai ensinando,

né? Aquela que sabe menos vai olhando

e aprende se tiver interesse. Basta você

ter interesse, gostar primeiro [Dulciene,

ao lado, completa: ‘não fica difícil

quando se gosta’]. Sempre assim gente,

pra você fazer qualquer coisa, até varrer

na rua, você tem que gostar, fazer com

amor, prazer. Se você não gostar, nada

dá certo.”

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Hoje uma filha marisca e o neto, com

10 anos, gosta muito de sair para pescar.

Às vezes, à noite, procuram o menino

e lá está ele, no fundo de casa, pescando

siri no rio.

Em outros tempos, ia muito pro mangue,

um trabalho difícil e perigoso. Hoje

Raimunda vive com dores na coluna.

Já sofreu um AVC, tem pressão alta e não

pode muito com cheiro de certos peixes -

da lagosta nem se fala.

Raimunda é alegre, brincalhona

e carinhosa. A pandemia tem deixado

ela chateada, pois agora as mulheres

não podem se reunir na associação,

coisa que ela gosta tanto. A maioria

das marisqueiras e pescadoras são do

grupo de risco e por isso cada uma tem

trabalhado de sua própria casa. Mas a

reforma da cozinha comunitária a anima

e ela vê com muita positividade o uso

das tecnologias. Reconhece na amiga

Sica a preocupação com os jovens do

São Miguel.

“Sonho da gente é dar continuidade aos

nossos projetos, crescer, dar incentivo

para as meninas novas aí, né? Sica, o

sonho dela é ter uma sala aqui com

computador, com internet pra elas

estudarem, uma professora de inglês, de

espanhol, pra incentivar a elas a tomarem

gosto, mostrar que o trabalho é bom.”

“A gente aqui ajuda uma à

outra, com a internet a gente

faz as pesquisas. Hoje a

gente não faz se não quiser,

é o que te digo. A internet

é boa, se você saber usar

você pesquisa receita, vai

aprendendo e pronto!”

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“Fui criada para

respeitar a natureza,

ver gente jogando lixo no rio

é como dar

um tapa na minha cara.”

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Eduarda Rodrigues


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Eduarda é uma jovem marisqueira

de 28 anos que aprendeu o ofício com

a mãe e o avô. Desde os 12 saía para

pegar peixe, siri, depois tratar. Por um

tempo dedicou-se aos estudos, fazia

faculdade de nutrição, quando ficou

desempregada e resolveu voltar para

a pesca e mariscagem, da qual nunca

se afastou por completo, sempre

ajudando a mãe.

Com um olho no passado e outro no

futuro, ela reconhece o próprio caminho

como herança de um saber tradicional,

ao mesmo tempo que reflete sobre

o desaparecimento do bairro como

algo inevitável.

“Eu sou mais uma geração, a gente

faz isso, meus tios pescam porque

amam, a gente faz isso porque ama,

e é uma honra porque a gente tira

nosso sustento de uma forma honesta.

Estamos conseguindo manter esse

legado que vem desaparecendo cada

vez mais.”

Eduarda nasceu não apenas em uma

família de pescadores e marisqueiras,

como desde cedo compreendeu o que

acontecia à sua volta. Os problemas

ambientais, a luta das mulheres na

associação, a necessidade de cuidar

da mãe impossibilitada de trabalhar,

além da própria sobrevivência ao lado

da filhinha de 6 anos.

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“A gente é desse bairro, eu sou nascida

e criada aqui...no tempo de minha

mãe eram quatro ruas, depois da

construção do porto a maré invadiu e

tem invadido cada vez mais. Isso afetou

a pesca, o ecossistema em geral. Aqui

é uma nascente, é onde os peixes se

reproduzem, os mariscos. (...) A gente

ama a natureza, a gente faz parte da

natureza, somos só um. O poder público

não pensa na natureza, só pensam em

lucrar, isso é a realidade. Como é uma

realidade com o passar dos anos esse

bairro não existir mais.”

“Eu acho o mais bonito é nosso respeito

pela natureza. Gente jogando lixo no rio

é como se fosse dar um tapa na minha

cara. Eu fui criada para respeitar

a natureza. Acho que o mais lindo

de tudo é isso, a conexão, a consciência

de que somos um só. Nem todo mundo,

mas a gente tem respeito e é muito

triste ver, sentimo-nos impotentes...

mas estamos lutando por nossos

direitos…”

A jovem acompanha atenta os

fenômenos como vento e maré, as

estações do ano no trabalho de pesca

e mariscagem, e diz que é preciso

trabalhar com diversidade. Conta que

no verão, por exemplo, é uma época

que dá muito peixe na praia, além dos

mariscos, como siri, aratu. Já no inverno

fica difícil achar os bichos ali por perto.

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Então os homens vão para o alto mar

e se pega os peixes grandes como o

vermelho, o guaiúba, o olho de boi, que

são peixes encontrados nessa época.

“O mar e o rio são como na terra, com

as frutas e outros alimentos que dão

em determinadas épocas do ano.” Ela

também pensa em voltar aos estudos,

cursar biologia marinha, agricultura,

ou qualquer outra coisa que a propicie

tratar da natureza.

Além de perceber os fenômenos

mais próximos, Eduarda compreende

a ligação de tudo com a situação

planetária. Vê que o mar avança, as

chuvas são mais escassas, os peixes

não são mais fartos, e reconhece tanto

a perda do espaço de procriação da

vida marinha com a degradação do

mangue e a pesca predatória na região,

como as mudanças globais climáticas

que alcançam o pequeno bairro São

Miguel e contribuem com a mudança

dos ventos e das marés. Enxerga com

clareza os danos causados ao longo

dos anos pelos empreendimentos

portuários, as políticas de

favorecimento de negócios hoteleiros e

o descaso dos poderes públicos com as

comunidades pesqueiras artesanais.

Por causa de tudo isso, ela vê que

não há espaço para ficar parada,

é preciso seguir preservando o que

aprendeu de casa.

“É um valor de respeito que

a gente tem ali. A gente

cresce e aprende com nossos

pais. Com minha avó, com

meus tios. É algo que a gente

vê. A gente cresce vendo,

vai aprender e vai passar

também. Da mesma forma

que meus tios, a minha avó,

minha mãe me ensinou

quando eu era criança, hoje

eles pensam da mesma

forma ensinam os netos,

bisnetos, a minha filha...

e são os valores que eu já

ensino também.”

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Fotografia e Arte Gráfica

Mariana Cabral

Mulher, mãe e artista visual.

Graduada em Design Gráfico

pela Fundação Mineira

de Educação e Cultura/2009.

Atua como fotógrafa e nas

áreas de artes gráficas,

captação e edição de vídeo.

Desde 2015 dedica-se ao

registro etnográfico de culturas

tradicionais e originárias.


Textos

Aline Frazão

Jornalista pela PUC Minas, atua em

comunicação pública.

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Revisão

Marcela Bertelli

Antropóloga pela UFMG com

pós-graduação em Políticas

Culturais e Gestão Cultural pela

Universidad Autónoma do México.

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Produção

Naiara Gramacho

Graduada em arquitetura e urbanismo. Especialização em

Gestão Cultural. Formações diversas em teatro, cenografia,

iluminação, gravação e mixagem de som.

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Produção

Potyra Tê Tupinambá

Graduada em Direito pela Universidade Estadual de Feira

de Santana, Bahia/ 2004. Experiência profissional em

gestão, coordenação de redes e assessoria jurídica.

189


Assessoria de Comunicação

Tacila Mendes

Graduada em Comunicação

Social/Rádio e TV pela

Universidade Estadual de

Santa Cruz, onde também fez

especialização em Audiovisual e

em Gestão Cultural.

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Este livro foi produzido entre março e maio de 2021.

As fontes utilizadas foram Muli, desenhada por Vernon

Adams e Sagarana, desenhada por Emerson Eller.

Ilhéus, BA. Brasil

raizdemare.com

fotolivro.raizdemare@gmail.com

Instagram: @raizdemare




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