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Jornal Paraná Maio 2021

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OPINIÃO

Agro preserva enquanto produz

Produtores rurais têm que seguir o Código Florestal que determina que todas

as propriedades rurais do Brasil, sem exceção, preservem o meio ambiente

Helen Jacintho (*)

Existe um conceito plantado

na cabeça de uma

parcela da população, de

que o agro é um setor predador

da natureza. Isto acontece,

porque como ocorre em outros

setores, uma pequena parte de

produtores rurais não cumpre as

leis ambientais, manchando assim,

o setor como um todo.

Entretanto, a maioria esmagadora

do agro trabalha dentro da lei e tem

se posicionado contra o desmatamento

ilegal e, assim como a sociedade,

querem que quem desmata

ilegalmente seja punido.

Os produtores em dia com a lei

ambiental se revoltam quando

existe aumento no desmatamento,

defendem o cumprimento do Código

Florestal e o desmatamento

ilegal zero. Existe enorme desinformação

sobre como o agro funciona

e é tempo de o setor parar

de se defender e abrir o diálogo,

trazendo a sociedade para perto,

mostrando o agro de verdade, que

preserva, enquanto produz.

Como funciona isso de preservar

enquanto produz? Pode parecer

impossível conciliar preservação e

produção, tanto que somente os

produtores rurais brasileiros têm,

dentro das propriedades, áreas de

proteção ambiental juntamente

com as áreas de produção. Produzir,

vários países produzem,

mas no Brasil, meio ambiente e

produção caminham juntos.

Nossos produtores rurais têm que

seguir a lei ambiental brasileira,

chamada Código Florestal, que

garante uma produção agropecuária

entre as mais sustentáveis

do mundo. O Código Florestal determina

que todas as propriedades

rurais do Brasil, sem exceção, preservem.

Dependendo da região

onde estão localizadas, a preservação

chega a ser de 80% em

imóvel situado em área de florestas,

35% em área de cerrado e

20% nas demais áreas.

Cada uma das milhares de propriedades

rurais do Brasil tem uma

reserva, que se chama Reserva

Legal, RL. A reserva deve ser cercada,

preservada, fiscalizada pelo

produtor para a manter livre de caçadores,

pescadores, ladrões de

madeira, tudo às custas do produtor.

Nesta área não se pode plantar

ou criar animais.

Além da Reserva Legal, também

existem as APPs, Áreas de Preservação

Permanente, que são áreas

protegidas com a função de conservar

as matas ciliares dos rios,

facilitando o fluxo dos animais,

protegendo o solo ao redor dos

rios contra a erosão, evitando assim

o assoreamento dos mesmos.

A proteção ambiental, vem antes

da produção no Brasil. Sem área

de proteção ambiental, o produtor

não tem acesso a crédito, tem

enorme dificuldade de comercializar

sua produção e não consegue

registrar a escritura de sua propriedade,

portanto, não consegue

vender a sua propriedade. Ele precisa

ter a RL, a APP e o Cadastro

Ambiental Rural para provar isto.

O Cadastro Ambiental Rural, CAR,

é um registro público obrigatório

que tem como finalidade juntar as

informações ambientais da propriedade

para fiscalização, planejamento

ambiental e combate ao

desmatamento.

Quando se fala em preservação,

vem a pergunta, quanto o agro

preserva?

De acordo com a Embrapa: “Em

fevereiro de 2018, agricultores,

pecuaristas, silvicultores e extrativistas

destinavam à preservaçaõ

da vegetaçaõ nativa mais de 218

milhoẽs de hectares, o equivalente

a um quarto do territoŕio nacional

(25,6%)”.

O centro de pesquisa estimou o

valor do patrimônio fundiaŕio imobilizado

em preservaçaõ ambiental

e chegou à cifra de R$ 3,1 trilhoẽs.

Portanto, R$ 3,1 trilhões de reais

é o valor que os produtores rurais

brasileiros têm imobilizado, investido

em preservação. Não existe

outro setor na economia brasileira

com tamanho comprometimento

financeiro em preservação do

meio ambiente.

A desinformação tem raízes profundas,

as crianças aprendem nas

escolas sobre um agro de 50, 80

anos atrás ou mais, retratando trabalho

escravo, grilagem de terra,

uso inadequado de defensivos,

queimadas predatórias e outras

atividades criminosas, como se

fossem usuais, quando na verdade,

estas atividades são condenadas

pela enorme maioria dos

produtores rurais. Não se nega

R$ 3,1 trilhões de reais é o valor que os produtores rurais

brasileiros têm imobilizado, investido em preservação

que existam problemas, os produtores

querem se distanciar destas

pessoas, grileiros, garimpeiros e

madeireiros ilegais, que são criminosos,

não produtores rurais.

Se até a década de 70 se obtinha

aumento de produtividade somente

através de pecuária extrativista

e abertura de novas áreas,

hoje o cenário é completamente

diferente. O aumento da produtividade

é obtido de maneira sustentável

e legal, através da implementação

de ferramentas de gestão

nas propriedades, recuperação de

pastagens degradadas, seleção de

cultivares adequados, pressão de

seleção genética, sistemas como

Integração-Lavoura-Pecuária-Floresta

e aumento maciço em tecnologia

e pesquisa.

Desenvolvimento honesto e sustentável

é uma questão de sobrevivência

econômica no agro e

quem não se adequar, está fora do

mercado.

A imagem do agro no Brasil e exterior

tem sido prejudicada pela

associação ao desmatamento. É

hora de nós, brasileiros, mostrarmos

o agro de verdade, que preserva

enquanto produz

(*) Engenheira de alimentos por

formaçaõ, trabalha há mais de

15 anos na Fazenda Continental,

na Fazenda Regalito e no setor

de seleçaõ genética na Brahmânia

Continental. Fez Business

for Entrepreneurs na Universidade

do Colorado e é juiźa de

morfologia pela ABCZ. Também

estudou marketing e carreira no

agronegoćio.

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Jornal Paraná


SAFRA 2021/22

Canaviais sofrem com estiagens

Estimativas são de quebras significativas de produtividade das lavouras

de cana-de-açúcar no Paraná e no Centro-Sul como um todo

Com o mês de março

praticamente sem

chuva e o de abril

sendo registrado como

o mais seco em 40 anos,

depois de um segundo semestre

de 2020 com registro de

chuvas abaixo da média, a região

Centro-Sul fechou o verão

2020/21 como o terceiro mais

seco em um século, segundo

Fábio Marin, professor de Engenharia

de Biossistemas da

Esalq/USP. Perdeu apenas para

as estiagens de 1984 e 2014.

As chuvas alcançaram apenas

127,7 mm no Centro-Sul no

acumulado entre março e abril,

queda de 50,3% em relação à

média de longo prazo, e ficaram

36% abaixo do normal no

acumulado desde outubro na

região, segundo estatísticas divulgadas

na imprensa.

Para complicar ainda mais, as

perspectivas para os próximos

meses não são animadoras,

avaliam os especialistas. A retenção

hídrica dos solos está

baixíssima, e isso quando se

inicia o outono e o inverno, período

normalmente mais seco,

especialmente em ano de La

Niña. Os modelos climáticos

sinalizam chuvas abaixo da

normalidade.

Os repetidos períodos de estiagem

danificaram os canaviais

afetando a cultura no principal

período de crescimento da

cana na região Centro-Sul do

país para a safra 2021/22, o

que reduziu o potencial produtivo

principalmente em São

Paulo, estado que responde por

68% da produção total de cana

da região. No Paraná a situação

não é diferente, avalia o presidente

da Alcopar, Miguel Tranin.

“O clima permaneceu seco de

meados do ano até setembro,

quando voltou a chover, mas

abaixo da média. Janeiro foi um

mês com muita chuva, mas

não suficiente para repor a umidade

necessária”, comentou

Tranin ressaltando que faltou

uma melhor distribuição da

chuva ao longo do ano. “Março,

abril e maio voltaram a ser

mais secos. Tivemos regiões

com mais de 70 dias sem chuvas.

Isso nos preocupa muito

quando sabemos que agora é

que se inicia o período normalmente

seco e num cenário em

que a cana já está debilitada e

fora do seu período ideal de

crescimento”, complementou.

O presidente da Alcopar disse

que a entidade já pensa em rever

a estimativa de safra de 34,8

mil toneladas de cana para algo

em torno de 30 a 31 mil toneladas,

cerca de 10% ou mais de

quebra da safra no Paraná, reduzindo

a produção de açúcar e

etanol na mesma proporção.

O clima seco também tem acelerado

a colheita e o temor é

que muita cana acabe sendo

esmagada antes de seu pleno

desenvolvimento, já que, com

o clima mais frio e seco e com

período de luminosidade menor,

o desenvolvimento da lavoura

é mais lento.

Tranin citou que o reflexo desse

cenário já pode ser sentido nos

preços da tonelada de cana no

campo que, de acordo com o

Consecana Paraná passou de

R$ 77,00 em março para R$

93,00 em abril. “Fazia anos que

os preços ficavam ao redor de

R$ 70,00 a tonelada”, afirmou.

Pesaram neste cenário o aumento

do custo de produção,

com preços dos insumos em

alta, assim como do açúcar e

do etanol, amparados pela

perspectiva de uma safra menor

e do dólar em alta.

“Mas isso não significará alívio

para o setor que sofre a anos

com quebras de safras, preços

dos produtos em baixa e fechamento

de usinas. A quebra da

safra deve reduzir significativamente

o efeito benéfico da alta

de preços”, explicou Tranin. E

como as usinas não têm conseguido

renovar os canaviais e

a cana soca tem sofrido com a

estiagem, isso pode trazer reflexos

importantes para a próxima

safra também.

A moagem de cana realizada

pelas Unidades Produtoras no

Estado do Paraná, no acumulado

da safra 2021/22, foi de

4.537.678 toneladas. Comparando

com as 4.179.094 tone-

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Jornal Paraná


ladas registradas no mesmo período

do ano safra 2020/21, o

aumento foi de 8,6%. A produção

de açúcar totalizou 296.212

toneladas e a de etanol 157,658

milhões de litros, sendo 48,318

milhões de anidro e 109,340

milhões de litros de hidratado.

A quantidade de Açúcares Totais

Recuperáveis (ATR) por tonelada

de cana, também no

acumulado da safra 2021/22

ficou 2,8% acima do valor observado

na safra 2020/21, totalizando

127,78 kg de ATR/t

de cana, contra 124,27 kg ATR

observados na safra passada.

Com a deterioração das lavouras,

tradings e casas de análise

estão reduzindo suas projeções

para a temporada no Centro-

Sul. A consultoria americana

StoneX revisou suas estimativas

de produção no Centro-Sul

de uma moagem de 586,1 milhões

de toneladas, na avaliação

anterior, para 570,2 milhões

de toneladas de cana-deaçúcar,

conforme o cenário

mais provável, quebra de 5,8%,

ou de 35,3 milhões de toneladas

de cana ante a safra passada.

Isso significaria 1 milhão

de toneladas de açúcar a

menos ante a projeção de 36,1

milhões, vista em março. No

pior cenário traçado pela consultoria,

a colheita de cana será

de 567,2 milhões de toneladas,

queda de 6,3%.

Já a trading de commodities

Czarnikow projeta a moagem

no Centro-Sul em 558 milhões

de toneladas, a produção de

açúcar em 35,6 milhões de toneladas

e a de etanol em 27,3

bilhões de litros. Para a Pecege,

a colheita seria de 580 milhões

de toneladas de cana, 4,2% a

menos que em 2020/21, e para

o Departamento de Agricultura

dos Estados Unidos (USDA, na

sigla em inglês), 580 milhões

de toneladas, queda de 3%, um

recuo de 25 milhões de toneladas

no Centro-Sul, chegando a

635 milhões de toneladas em

Moagem mais lenta no Centro-Sul

todo o País. O USDA estimou a

produção de açúcar do Centro-

Sul em 36,87 milhões de toneladas

e de 39,92 milhões de

toneladas no Brasil, além de 28

bilhões de litros de etanol.

A maior quebra da safra 2021/

22, em até 20%, está sendo

prevista pela Wilmar International,

uma das maiores tradings

mundiais de açúcar, reduzindo a

estimativa de produção de açúcar

na região Centro-Sul para 31

milhões de toneladas.

No acumulado de abril deste

ano, a moagem de cana-deaçúcar

na região Centro-Sul totalizou

45,26 milhões de toneladas

ante 60,70 milhões de toneladas

registradas no mesmo

mês de 2020 - queda de

25,44%. Para o diretor técnico

da Unica, Antonio de Padua Rodrigues,

“a menor moagem reflete

o atraso no início da safra

2021/22 devido à expectativa

de quebra na produtividade

agrícola da lavoura a ser colhida

neste ciclo”.

O executivo acrescenta que “a

falta de chuvas no período de

abril de 2020 a março de 2021,

foi positiva para a colheita de

cana, de modo que a safra

2020/21 foi recorde na fabricação

de produtos. Todavia, essa

estiagem observada agora se

manifesta de forma negativa

para a oferta de cana na safra

iniciada no mês de abril de

2021. O estado de São Paulo foi

o mais prejudicado e deverá

apresentar a maior redução da

oferta de cana. Os dados de

abril trazem a luz esse fato, as

empresas tiveram que rever seu

planejamento da safra e atrasar

o início da moagem na busca

da recuperação da produtividade

e da melhor concentração

de sacarose.”

De fato, na segunda quinzena de

abril 205 unidades estavam em

operação, sendo 199 processadoras

de cana-de-açúcar, 5 exclusivas

de etanol de milho e 1

usina flex. Na mesma data da

safra 2020/2021, 217 unidades

já haviam iniciado o processamento

de cana-de-açúcar. Para

a primeira quinzena de maio, outras

30 unidades devem iniciar a

moagem no Centro-Sul.

Em relação a produtividade

agrícola, informações preliminares

levantadas pelo Centro de

Tecnologia Canavieira para uma

amostra comum de 58 unidades

evidenciam que no primeiro

mês do atual ciclo foram colhidas

79,8 toneladas por hectare,

o que representa uma queda de

10,7% na produtividade observada

no mesmo período na

safra 2020/2021 (89,4 toneladas

por hectare).

“Essas informações devem ser

tomadas com cautela, pois se

baseiam em uma amostra bastante

reduzida. De todo modo,

elas já retratam a tendência de

retração no rendimento da lavoura

neste ano”, explicou Rodrigues.

A qualidade da matéria-prima

colhida em abril, mensurada em

kg de ATR por tonelada de

cana-de-açúcar processada,

apresentou retração de 1,65%

na comparação com o mesmo

período do último ciclo agrícola,

registrando 116,69 kg de ATR

por tonelada colhida.

Alinhada à diminuição na moagem

e na qualidade da matéria

prima, a produção de açúcar

em abril totalizou 2,15 milhões

toneladas (-28,51%) e a de etanol

apenas 2,07 bilhões de litros

(-20,13%). Do volume total

de etanol produzido, o hidratado

representou 1,57 bilhão de litros

(-20,54%) enquanto a produção

de etanol anidro alcançou

448 mil litros (-27,26%).

A despeito da menor produção

de etanol de cana-de-açúcar, a

produção do biocombustível a

partir do milho mantém trajetória

ascendente. Na segunda

quinzena de abril, foram fabricados

117 milhões de litros de

etanol de milho ante 112,06

milhões de litros no mesmo período

do ciclo 2020/2021 -

avanço de 4,41%. No mês, a

produção acumulada atingiu

228,43 milhões de litros -

avanço de 15,16% na comparação

com a safra passada.

Jornal Paraná 5


PANDEMIA

Pelo 2º ano, feiras são

adiadas devido a Covid-19

Tradicionais eventos do setor, a Fenasucro & Agrocana foi transferida

para novembro deste ano e a Agrishow foi remarcada para 2022

Pelo segundo ano consecutivo,

por conta da

pandemia causada

pela Covid-19, eventos

tradicionais do agronegócio

foram adiados ou cancelados

em 2021. A Reed Exhibitions e

o CEISE-Br, parceiros na realização

da Fenasucro & Agrocana

em Sertãozinho, São

Paulo, principal polo da indústria

de bioenergia sucroenergética

do mundo, decidiram

transferir a realização do evento

para o período de 9 a 12 de novembro

de 2021. A principal

feira do setor sucroenergético

estava programada inicialmente

para ocorrer em agosto.

Em 2020, o evento não foi realizado,

também por conta do

novo coronavírus.

Esta decisão considera análise

feita junto a visitantes e expositores

do evento e foi tomada

em um cenário ainda imprevisível,

tendo como principais

objetivos resguardar a saúde e

a integridade de todos os participantes,

assim como responder

de forma adequada aos

impactos causados pela pandemia,

que continua afetando

diversos setores da economia,

disseram os organizadores

em nota.

No último ano, a Fenasucro &

Agrocana se reinventou e enxergou

oportunidade em meio

a um cenário atípico, no qual

conseguiu manter seu principal

propósito, agora através do

ambiente digital: impulsionar

negócios e desenvolvimento a

uma das maiores comunidades

de bioenergia do mundo. O

foco foi o setor engajado para

aproveitar as novidades e

oportunidades do evento presencial

em novembro de 2021.

A organização ressaltou em

nota que está otimista com a

realização da feira em novembro

e que já está preparada

para oferecer toda a segurança

com os novos protocolos sanitários

de eventos e as melhores

oportunidades de negócios

e conteúdo.

A feira movimentou cerca de

R$ 4 bilhões em intenções de

negócios em sua última edição,

em 2019, e reuniu 40 mil pessoas,

ancorada no Renovabio,

programa que determina que

vendedores de derivados de

petróleo comprem dos produtores

de biocombustíveis certificados

de descarbonização.

Outra importante feira, a Agrishow

(Feira Internacional de

Tecnologia Agrícola em Ação),

realizada em Ribeirão Preto

desde 1994 e considerada o

principal termômetro do agronegócio

nacional, estava programada

para acontecer entre

21 e 25 de junho. Normalmente,

o evento que ocorria entre o

fim de abril e a primeira semana

de maio, já tinha sido marcado

desde o ano passado para ocorrer

em 2021 entre 21 e 25 de

junho, pensando em dar tempo

para a vacinação avançar.

Mas a segunda onda, ou agravamento

da primeira, alterou

novamente os planos e os organizadores

optaram por cancelar

a edição de 2021 e reagendar

para 25 e 29 de abril do

ano que vem, A transferência

do evento para um período do

ano mais chuvoso poderia ser

um risco, causando prejuízo

aos organizadores e marcas

envolvidas.. Em sua última edição,

em 2019, a Agrishow reuniu

159 mil pessoas em cinco

dias, com faturamento estimado

em R$ 2,9 bilhões.

Considerando apenas sete dos

principais eventos que também

deixaram de acontecer a partir

do momento em que a pandemia

da Covid-19 obrigou governos

a decretarem medidas

de isolamento social, o setor

do agronegócio deixou de movimentar

R$ 25,4 bilhões, considerando-se

os faturamentos

estimados para as últimas edições

presenciais de cada uma

delas.

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Jornal Paraná


Fenasucro debate desafios para

transformar etanol em commodity

Os desafios para transformar o

etanol em commodity para

atender a demanda mundial por

bioenergia e os esforços de

empresários e governos para

fortalecer o produto como

opção de fonte de energia

limpa, sustentável e renovável

globalmente serão os temas do

debate entre alguns dos maiores

representantes dos elos de

consumo, produção e governos

durante o webinar "Como potencializar

o uso de bioenergia

em nível global sem transformar

o etanol em uma commodity

mundial?".

"A presença de lideranças governamentais

e de grandes representantes

dos elos de produção

e consumo da indústria

nesse webinar segue a proposta

da Fenasucro & Agrocana

Trends em impulsionar

discussões que joguem ‘luz’

em questões de interesse do

setor. Fomentar ações de

todos os elos da cadeia por

meio de informações e perspectivas

envolvendo tendências,

soluções e novas possibilidades

de negócios sempre

foi o propósito principal da

nossa marca", afirma o diretor

da feira.

A Fenasucro & Agrocana

Trends , nova marca lançada

em maio de 2020 para abrigar

as iniciativas digitais e de conteúdo

da Fenasucro & Agrocana,

inscreveu quase 12 mil

pessoas em sua programação

de webinars em 2020, e o perfil

de audiência foi 45% maior

de usuários com alto nível hierárquico

como CEOs, diretores

e gerentes, o que prova que a

estratégia da marca em alinhar

temários e pautas às principais

discussões e interesses da audiência

vem surtindo o efeito

desejado.

Os interessados em participar

do webinar do dia 25 de maio,

que será transmitido por meio

da plataforma TRENDS pelo

ZOOM, deverão inscrever-se

com antecedência por meio

do link: https://www.

fenasucro.com.br/pt-br/

webinar_bionergia.html já

que, apesar de gratuitas, as

vagas são limitadas.

A Fenasucro & Agrocana (Feira

Internacional da Bioenergia)

realizará a sua 28ª edição entre

os dias 9 e 12 de novembro de

2021, no Centro de Eventos

Zanini, em Sertãozinho (SP). O

evento é o único da América

Latina a reunir inovações e

conteúdo de alto nível técnico

voltados às indústrias de alimentos

e bebidas, papel e celulose,

biodiesel, usinas de

etanol/açúcar, usinas de etanol

de milho, distribuidora e comercializadora

de energia e

agrícola.

O evento, que faz parte da programação

da Fenasucro &

Agrocana Trends, será realizado

no dia 25 de maio, a partir das

16h, com exclusividade para

inscritos. As inscrições são

gratuitas e já estão disponíveis.

O encontro virtual terá a participação

de Pietro Mendes, diretor

de Biocombustíveis do Ministério

de Minas e Energia do Brasil;

de Suresh Reddy, embaixador

da Índia no Brasil; de Francis

Queen, VP executivo Etanol,

Açúcar e Bioenergia da Raízen;

e de Pablo Di Si, presidente e

CEO da Volkswagen Brasil e

América Latina. Além de Paulo

Montabone, diretor da Fenasucro

& Agrocana, que atuará

como moderador do evento.

De acordo Montabone, as

ações de cooperação entre o

Brasil e a Índia para transformar

o etanol em commodity global,

as iniciativas como o programa

federal "Combustível do Futuro"

e o projeto da Volkswagen para

produção e difusão do carro

elétrico com o uso de etanol, e

os investimentos que a Raízen

vêm fazendo nos últimos anos

nesse sentido, são demonstrações

da força e sinergia do

setor como fonte de energia

sustentável e renovável.

Jornal Paraná 7


USINA

Santa Terezinha é certificada

por redução de CO 2

As unidades que receberam a distinção foram as de Maringá

(Logística e Unidade Iguatemi), Paranacity, Tapejara, Ivaté,

Terra Rica, Rondon, Cidade Gaúcha e Moreira Sales

Em 2021, a Usina Santa Terezinha

recebeu novamente o

Certificado Sinerconsult de

Energia Renovável, concedido

pela Comerc Energia à empresa

pela redução do equivalente a 823,46

toneladas de Dióxido de Carbono por

meio da utilização de energia de fontes

renováveis durante o ano de

2020.

No ano passado, a usina já tinha recebido

o mesmo certificado devido

a redução do equivalente a 664,23

toneladas de Dióxido de Carbono por

meio da utilização de energia de fontes

renováveis durante o ano de

2019.

Este certificado reconhece as empresas

que consomem energia de fontes

renováveis, colaborando para

reduzir as emissões de gases poluentes

na atmosfera. O procedimento

empregado no processo é

baseado no GHG Protocol Corporate

Standard, por meio da metodologia

de cálculo WRI (World Resources

Institute) - aceito e adotado mundialmente

por organizações privadas

e/ou organizações públicas e/ou organizações

não-governamentais.

O documento, além de quantificar a

contribuição dos clientes na redução

de GEE, também incentiva o engajamento

dos parceiros com opções

sustentáveis no desenvolvimento de

seus negócios.

As unidades da Usina Santa Terezinha

analisadas e, consequentemente,

certificadas estão localizadas

no Paraná: Maringá (Logística e Unidade

Iguatemi), Paranacity, Tapejara,

Ivaté, Terra Rica, Rondon, Cidade

Gaúcha e Moreira Sales.

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Jornal Paraná


CAPACITAÇÃO

Cooperval investe

no jovem aprendiz

Desenvolvido em parceria com o Sescoop e a Fafijan, vem possibilitando aos

20 jovens selecionados, treinamentos direcionados à área administrativa

Com o intuito de favorecer

a formação dos

jovens para o mercado

de trabalho, a

Cooperval Cooperativa Agroindustrial

Vale do Ivaí Ltda, com

sede no município de Jandaia

do Sul, tem investido desde

2019, quando formou sua primeira

turma, no Projeto Jovem

Aprendiz Cooperativo.

O projeto é uma parceria entre

a Cooperval, o Sescoop (Serviço

Nacional de Aprendizagem

do Cooperativismo) e a

Fafijan (Faculdade de Jandaia

do Sul) que vem possibilitando

aos 20 jovens selecionados,

treinamentos direcionados

para a área administrativa e

vivência prática nos setores

administrativos da cooperativa.

Luana Pereira Arruda foi uma

das jovens selecionadas e atualmente

atua no setor de compras,

onde auxilia no processo

de emissão de notas fiscais e

ordens de compras. Antes do

primeiro contato profissional,

por possuir afinidade com a matéria

de Biologia no colégio, a

mesma tinha interesse maior na

área da Biomedicina. No entanto,

as atividades desenvolvidas

no setor despertaram o

interesse da jovem em cursar

uma graduação na área de Ciências

Contábeis.

A jovem relatou que desde o

início conta com a colaboração

de seus gestores no processo

de aprendizagem e que,

o convívio com profissionais

de diversas áreas oportuniza

um conhecimento do ambiente

profissional. Contou

também que nunca sentiu

apreensão em errar, pois é

através de seus erros que vem

sendo direcionada constantemente

a se aperfeiçoar.

Luana comentou ainda que a

independência financeira é um

dos pontos mais relevantes

desse projeto, pois através

disso, criou uma maturidade

muito grande ao saber administrar

o dinheiro quanto as

suas respectivas responsabilidades.

“Hoje eu consigo visualizar um

futuro grande dentro da empresa.

Mesmo que seja difícil,

vou continuar me esforçando

porque eu sei que é o que eu

quero. Eu adoro fazer o que eu

faço aqui”, afirma Luana.

Outros jovens selecionados

para o projeto foram os gêmeos

Maicon Cesar Augusto,

que atua no setor de escrita

fiscal e, Mailon Cesar

Augusto que atua no setor de

controladoria industrial.

Ambos estão cursando atualmente

o curso de Ciências

Contábeis, área com a qual

os dois se identificam por

terem facilidade em lidar

com números. Eles relataram

que há uma troca positiva

entre o que aprendem na

graduação em relação às atividades

administrativas dos

setores.

Os dois irmãos contaram

que o projeto é uma oportunidade

ímpar para os jovens

ingressarem no mercado de

trabalho com mais segurança

e que, a remuneração

faz total diferença no âmbito

financeiro, já que podem

contribuir gradativamente no

orçamento familiar, suscitando

o desenvolvimento de

responsabilidades.

“Aprendi tudo do zero. Era

tudo muito novo. É uma

grande experiência, e agora

entendo como funciona melhor

o mundo do trabalho”,

afirmou Mailon.

“Eu quero agradecer a Cooperval

por ter me dado a

oportunidade de adquirir

novos conhecimentos, de ter

concedido à chance do primeiro

emprego, o que me

possibilitou saber como funciona

as rotinas do trabalho”,

finalizou Maicon.

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DOIS

PONTOS

O estado de São Paulo produziu

11.957 GWh para o

Sistema Interligado Nacional,

na safra canavieira 2020/21,

a partir apenas das usinas

termelétricas no setor sucroenergético.

O volume é 2,1%

superior ao registrado na

safra 2019/20, permitindo

que o estado amplie sua liderança

no ranking de geração

de bioeletricidade para o SIN,

chegando à participação de

54,4% da geração total.

Atualmente, são aproveitados

apenas 15% do potencial

que a agroindústria possui,

o que significa que o Brasil

dispõe de uma fonte de energia

renovável e sustentável

O governo da Colômbia estabeleceu

a obrigatoriedade de

mistura de 10% de etanol na

gasolina comum (E10) e extra

(EX10) comercializada em todo

o país, a partir de setembro de

2021, com exceção de algumas

localidades que terão até

2022 para fazê-lo. A publicação

menciona como motivadores

da medida a melhoria da

qualidade do ar nas cidades, a

redução das emissões de

gases de efeito estufa (GEE) e

a segurança energética do país.

O comércio de E10 estava liberado

na Colômbia desde 2018,

mas a resolução atual torna a

mistura obrigatória.

O Brasil tem 27% de etanol na

gasolina (E27), que reduz em

15% a pegada de carbono por

quilómetro rodado dos veículos

com motor a combustão interna

e em 50% se o combustível

E27 for usado em veículos

híbridos. A mistura de etanol

anidro na gasolina tem muitas

Bioeletricidade

capaz de apoiar o desenvolvimento

socioeconômico do

país, segundo Zilmar Souza,

Colômbia

Etanol

vantagens econômicas, sociais

e ambientais, incluindo a geração

de emprego e renda nas

áreas rurais; a redução da dependência

de fontes de energia

não-renováveis e importadas;

o combate ao aquecimento

global, pois o biocombustível

reduz em até 90% a emissão

gerente em bioeletricidade da

União da Indústria de Cana

de Açúcar.

de CO 2 eq em comparação com

a gasolina, e a redução da

emissão de poluentes nocivos

à saúde, como material particulado

fino MP 2,5 (-96%), CO

(-81%), hidrocarbonetos policíclicos

aromáticos – PAHs (-

67% a -96%), e potencial genotóxico

(-72% a -83%).

O Paraná gerou 759 GWh de

bioeletricidade para a rede,

correspondendo a 3,5% na

safra 2020/21. A produção

total de bioeletricidade dos

seis principais estados produtores

foi de 21.223 GWh,

representando 96,5% de toda

a bioeletricidade ofertada

para o SIN na safra 2020/21,

com a maior parte concentrada

justamente no período

Produtor agrícola e indústria

de agroquímicos podem caminhar

em direções opostas

neste ano. A área plantada

vai crescer, elevando consequentemente

a demanda por

insumos, mas as indústrias

encontram dificuldades no

fornecimento internacional

de matéria prima. Essa restrição

não era esperada, e

ocorre devido a dificuldades

que algumas indústrias da

Paraná

Insumos

Emprego

seco do setor elétrico brasileiro.

Isso foi equivalente a

poupar 15% da energia capaz

de ser armazenada, sob a

forma de água, nos reservatórios

das hidrelétricas no

submercado Sudeste/Centro-

Oeste, por conta da maior

previsibilidade e disponibilidade

da bioeletricidade no período

seco e crítico para o

setor elétrico.

China e da Índia têm para

manter a produção regular,

após o surgimento da Covid-

19. Pelo menos 98% dos ingredientes

ativos utilizados

pela indústria nacional são

importados. China e Índia

têm grande importância no

fornecimento desses insumos.

Com isso, os custos

também aumentaram de

15% a 20% no mercado externo

no primeiro trimestre.

A agropecuária gerou no primeiro

trimestre de 2021 um

saldo positivo de 60.575

novos postos de trabalho, o

melhor resultado para o período

desde 2007, quando

foram criadas 62.245 vagas

de emprego. Segundo a Confederação

da Agricultura e

Pecuária do Brasil, houve geração

de empregos em quase

todas as regiões no acumulado

de janeiro, fevereiro

e março deste ano. As regiões

Sudeste (44.477) e

Centro-Oeste (11.668) foram

as que mais criaram vagas

no período. A exceção foi

o Nordeste, que fechou 7.530

postos.

Jornal Paraná 11


Biodiesel

Estudo sobre a redução de

13% para 10% da mistura do

biodiesel ao diesel da GO Advogados,

do ex-presidente do

Conselho Administrativo de

Defesa Econômica (Cade),

Gesner Oliveira, indica que

uma redução de um ponto

porcentual na mistura de biodiesel

elimina cerca de 34 mil

postos de trabalho, reduz a

massa salarial brasileira em

R$ 552 milhões, encolhe a

arrecadação de tributos em

cerca de R$ 107 milhões e diminui

o Produto Interno Bruto

(PIB) do País em aproximadamente

R$ 4,7 bilhões. A mudança

de B13 para B10, neste

novo cenário, reduz mais de

80 mil empregos, retrai a

massa salarial em cerca de

R$ 1,6 bilhão e encolhe a

arrecadação de impostos em

quase R$ 30 milhões. O efeito

negativo sobre o PIB seria da

ordem de R$ 8 bilhões, calcula

a GO. A mistura de biodiesel

no diesel será mantida

em 10% no quarto bimestre.

A diretoria da Agência Nacional

do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis

aprovou a proposta

de um modelo de comercialização

de biodiesel que visa

substituir leilões públicos de

No primeiro trimestre, as importações

de diesel pela Petrobras

dispararam 678%,

para 70 mil barris ao dia, devido

às paradas programadas

nas refinarias. Além disso, a

redução da mistura obrigatória

de biodiesel no diesel comum,

Comercialização

compra do produto renovável a

partir de 2022. Foi o primeiro

passo para a implantação de um

novo formato, que deverá entrar

em vigor até 1º de janeiro de

2022. A proposta recomenda

Importações

de 13% para 10%, definida

para o bimestre maio e junho,

deve trazer uma demanda

extra perto de 140 mil metros

cúbicos por mês para o diesel.

O governo optou por reduzir

provisoriamente o

percentual diante de uma alta

Etanol mais verde

adoção de um modelo de contratação

direta do biocombustível

pelas distribuidoras, em que

a meta compulsória de contratação

seria de 80% do contratado

no bimestre anterior.

dos preços do biocombustível,

seguindo avanço no valor

do óleo de soja, principal matéria-prima.

O cenário de

aperto no balanço de diesel

deverá permanecer até pelo

menos o final de junho, apontou

a consultoria StoneX.

Efeitos negativos

Encomendado pelas associações

do setor de biodiesel -

Abiove, Aprobio e Ubrabio, o

estudo afirma que a a redução

de 13% para 10% da mistura

do biodiesel ao diesel compromete

a transição do País para

energia limpa, e gera efeitos

negativos sobre meio ambiente,

saúde, segurança energética

e na cadeia produtiva do

biocombustível e do complexo

de soja, desestruturando-a.

Em comparação com o diesel,

o biodiesel emite 80% menos

gases de efeito estufa. Com o

aumento do uso do diesel,

também as metas do Acordo

de Paris ficam comprometidas.

Estima-se que dos 9,6

milhões de toneladas de óleo

de soja produzidos no Brasil

em 2020, 3,70 milhões (39%)

foram destinadas ao biodiesel.

A queda na produção do biocombustível

diminuirá também

a oferta de farelo de soja

no mercado interno, uma vez

que se trata de coproduto do

esmagamento da soja, sendo

utilizado principalmente para o

consumo animal.

O Protocolo Etanol Mais Verde,

que o governo de São Paulo

assinou com o setor sucroenergético,

evitou a emissão de

mais de 11,8 milhões de toneladas

de CO 2 eq e de 71 milhões

de toneladas de poluentes

atmosféricos desde a

sua assinatura, em 2007. O

efeito do programa equivale a

O custo operacional efetivo

para a safra de cana-de-açúcar

2021/22 no Centro-Sul do

Brasil deverá atingir 7.283

reais por hectare, alta de cerca

de 6% em relação à temporada

anterior, em meio a um

206 mil ônibus a menos circulando

em um ano. Já o consumo

de água foi reduzido em

46% desde a safra 2010/11,

chegando a 0,82 metro cúbico

por tonelada de cana moída.

Isso foi alcançado com reuso

da água, melhor eficiência industrial

e avanço da colheita

da cana crua. Também houve

Custo operacional

aumento nos preços dos insumos,

indicou a Confederação

da Agricultura e Pecuária do

Brasil. O valor para formação

do canavial, por sua vez, deve

saltar mais de 9%, para 1.407

reais por hectare. Mas, apesar

restauração de 132 mil hectares

de áreas ciliares e plantio

de 46,7 milhões de mudas nativas.

O Protocolo Etanol Mais

Verde foi firmado para reduzir

emissões de gases de efeito

estufa, restaurar vegetação

nativa, economizar água, prevenir

e combater incêndios,

entre outras medidas.

do aumento nos custos, as

perspectivas de boas remunerações

ainda devem levar

maior rentabilidade ao produtor

independente, acompanhando

a tendência altista das

commodities agrícolas.

12

Jornal Paraná

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