Revista Apólice #264

revistaapolice

ABRIL 2021 • Nº 264 • ANO 26

conectando você ao mercado de seguros

Seguro de automóvel

mostra que ainda

é importante para

o resultado dos

corretores de seguros

PLANIUM LANÇA

BANCO PRÓPRIO E

AGILIZA PAGAMENTO

A CORRETORES

Plataforma com

Planium Bank irá

realizar o pagamento

dos corretores de

seguros e enviar às

operadoras negócios

consolidados

>> AXA no Brasil

Crescimento consciente com foco

nas necessidades dos corretores

de seguros e consumidores

Seguradora investe em produtos demandados pelos clientes e oferece mais

treinamento e reconhecimento para seus parceiros de negócios



EDITORIAL

O carro já não é

mais o chefe

O

seguro de automóvel, que durante muitos anos foi a

mola propulsora da maioria das empresas de corretagem

de seguros brasileiras, dava sinais de arrefecimento nos

últimos três anos. Os seguros de pessoas ganharam importância

no mercado, pois oferecem oportunidades de negócios de maior

duração com os clientes, portanto, uma comissão menor, mas

perene. Além disso, o automóvel estava deixando de ser o objeto

de desejo de 8 entre 10 brasileiros.

Porém, a pandemia (de novo, ela!) mexeu na formulação

do mercado de seguros. A indústria automotiva, apesar de não

apresentar níveis pré-pandemia, já demonstra pequenos sinais de

recuperação. Acredita-se que não voltaremos aos níveis de alguns

anos atrás, porém, o mercado de seguros fez a sua lição de casa e

buscou alternativas.

O seguro da mobilidade agora é uma realidade. Não

estamos mais falando do seguro de automóvel simples, mas

do seguro da bicicleta, do patinete e do que pode acontecer no

transporte entre dois pontos. As seguradoras, assim como as

montadoras, descobriram também que é melhor oferecer o carro

já com o seguro, por assinatura. Neste modelo, quem perdeu foram

os corretores de seguros.

A vida pós-pandemia parece ainda estar distante da

nossa realidade. Será que o brasileiro irá continuar querendo

compartilhar seu transporte? Ou será que aqueles que possuem

um veículo, mais velho, encontrarão no mercado alternativas para

atender às suas necessidades?

Logo saberemos.

Boa leitura

ABRIL 2021 • Nº 264 • ANO 26

EXPEDIENTE

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CAPA

Axa no Brasil mostra o

resultados de 2020 e,

mesmo em um cenário

desafiador por conta

da pandemia, enxerga

novas oportunidades

de negócios e investe

na capacitação e na

premiação dos corretores

de seguros

>> PÁG. 12

ÍNDICE

06 painel

10 gente

16 tecnologia

Em seu sexto ano de vida, a Planium,

uma plataforma de comercialização

de planos de saúde, investe no

desenvolvimento do Planium Bank

para integrar serviços financeiros aos

negócios já realizados

ESPECIAL AUTOMÓVEIS

SEGURO EDUCACIONAL

Mesmo tendo apresentado

crescimento de 41% em

2020, seguro educacional

ainda encontra muitas

barreiras para a sua

aceitação pelas escolas,

principalmente daquelas

com menor capacidade

financeira

>> PÁG. 32

CONJUNTURA

Carteira de automóveis,

que enfrentava queda

nos negócios por conta

da diminuição da

produção de veículos

novos, foi impactada pela

pandemia e passou por

reformulações dentro das

seguradoras

>> PÁG. 18

ESPECIAL AUTOMÓVEIS

09 produto

Too Seguros coloca no mercado o

Seguro Garantia Mecânica, cujo foco é

a cobertura para reparação de veículos

seminovos

22 serviços

Atender ao novo perfil dos

consumidores é uma das metas das

seguradoras. Além de oferecerem

serviços de assistência 24h, elas olham

para a mobilidade e para o carro por

assinatura

28 regulação

Susep promove uma série de mudanças

no arcabouço regulatório, em

movimento que ela mesma chamou

de revisaço. Novas regulamentações

devem se estender até 2023

Os artigos assinados são de

responsabilidade exclusiva de seus autores,

não representando, necessariamente, a

opinião desta revista.

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PAINEL

produto

RC para testes e pesquisas clínicas

O Clinical Trials é um produto que indeniza o

segurado por eventuais danos corporais causados às

pessoas que são sujeitas a pesquisa pela administração

de medicamentos e/ou substâncias clínicas, o que inclui

ainda cosméticos e equipamentos médicos.

Ele os gastos realizados pelo segurado no que

diz respeito às custas judiciais do foro civil, honorários

de advogados, além dos eventuais custos necessários

com perícias médicas e despesas de salvamento e de

contenção do sinistro.

Com apenas quatro seguradoras atuantes nesse

segmento, a demanda pela proteção ainda engatinha no

Brasil. Porém, a Argo Seguros aposta que, com um produto

completo que atenda às necessidades desse segmento,

a opção pela contratação do seguro deve aumentar.

consolidação

Corretora amplia atuação no seguro agrícola

A MDS anunciou a aquisição da Tovese, empresa

especializada na comercialização de apólices para áreas

agrícolas de grãos no Rio Grande do Sul. A iniciativa

vai ao encontro

da movimentação

positiva do setor

de agro, que segue

em destaque

nacional e recebe

investimentos por

parte do Governo

Federal e também

subsídios de parte

do prêmio ao produtor.

O segmento experimenta uma melhora significativa

em relação aos recursos para os produtores, que

atingiram, no ano passado, R$ 880 milhões.

Com mais de 14 anos de atuação, a Tovese tem

prêmio previsto para R$ 120 milhões em 2021, somando

sua atuação com o seguro de pessoas e empresarial

para pequenas, médias e grandes empresas. Com sede

em Porto Alegre e filiais em Carazinho e Cruz Alta, a

gaúcha também conta com uma estrutura completa de

agentes especializados em todos os estados do Brasil e,

hoje, busca expandir ainda mais o seu raio de atuação,

principalmente nos negócios rurais.

sou segura

AMMS muda sua marca e abraça uma causa

A AMMS (Associação das

Mulheres do Mercado de Seguros)

lançou sua nova marca que, mais

que isso, representa um movimento

para o qual a entidade espera

o apoio e engajamento imediato

de suas associadas e de todas as

mulheres do mercado de seguros.

Fruto de um amplo e detalhado estudo,

realizado em parceria com a

agência Bethe B, “Sou Segura” é o ponto de partida para

uma nova era na trajetória dessas profissionais, como destacou

a presidente da Associação, Simone Vizani. “Estamos

chegando a outro patamar, em busca da transformação e

do empoderamento das mulheres, em uma trajetória de

ressignificância”, destacou.

Após a apresentação de um

vídeo institucional e de um pocket

show da cantora Édria Tungavidya,

que interpretou canções com temática

feminina, a diretora Executiva da

associação, Solange Guimarães fez a

abertura do evento, salientando que,

a partir de agora, a AMMS evolui para

novo estágio, sendo mais que uma

sigla, uma causa. “Estamos construindo o futuro. Não nos

arrependemos do que passou, pois as experiências nos

ensinaram a chegar aqui. Buscamos a diversidade, que

gera inovação e um ambiente corporativo mais saudável,

o qual trará mais resultados”, salientou.

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produto 2

Apólice depende de recuperação econômica

Apesar de todo o desafio imposto em 2020 por

conta da crise sanitária do novo coronavírus, o mercado de

ações ajudou a impulsionar o seguro

POSI (sigla de Public Offering

Securities Insurance). A Zurich viu

crescer 300% a procura pelo produto

em comparação ao ano anterior.

Já as conversões subiram para

22% no mesmo período.

O superintendente de Linhas

Financeiras e Seguro Garantia

da companhia Fernando Saccon,

conta que é diversificado o perfil das empresas que

procuram a seguradora. No ano passado, especificamente,

ele percebeu maior incidência nas que atuam com varejo,

construção e tecnologia.

Especialistas apontam que

há uma expectativa de mercado

em torno da realização de cerca

100 ofertas ao longo deste ano,

entre ofertas públicas iniciais

(IPOs) e subsequentes (follow-

-on), podendo, ao final, movimentar

cerca de R$ 150 bilhões, mais

que o dobro dos R$ 73 bilhões

de 2020 segundo a Comissão de

Valores Mobiliários (CVM). Em 2019, foram R$ 35 bilhões

também de acordo da CVM.

odontologia

Setor verifica aumento dos beneficiários

Aproximadamente

1,28 milhão de brasileiros

passaram a contar com planos

exclusivamente odontológicos

nos 12 meses

encerrados em janeiro de

2021, conforme aponta a

Nota de Acompanhamento

de Beneficiários (NAB), do

Instituto de Estudos de Saúde

Suplementar (IESS). Com

o crescimento de 4,9% no número de beneficiários, o

setor passa a atender 27,2 milhões de pessoas no Brasil.

De acordo com a Nota, esses números referentes

a janeiro foram impulsionados pela contratação de

planos na região Norte, que avançou em 6,4% em 12

meses, e por beneficiários com 59 anos ou mais, que

cresceu 10,2%. Para Rodrigo Bacellar, diretor-presidente

da Odontoprev, é importante observar que apesar do

mercado comemorar este crescimento contínuo, ainda

existe um enorme potencial de expansão. “A pandemia,

de uma forma geral, reforçou a relevância da prevenção

com a saúde, e com a saúde bucal não foi diferente. Ao

cuidar da nossa boca desde cedo, prevenimos diversas

doenças que têm origem no sistema digestório, muitas

delas mortais. Um bom exemplo é de que cerca de 45%

das doenças cardíacas e 36% das mortes por problemas

cardíacos possuem origem dental”.

mulheres seguras

Programa deve impulsionar a liderança

feminina

A Mapfre Brasil desenvolveu o 1º Programa de

Liderança Feminina, um curso composto por seis módulos

com temas que vão da jornada de desenvolvimento

até conexões estratégicas e liderança em rede.

O programa visa assegurar que 45% das vagas

em postos de responsabilidade sejam ocupadas por

mulheres. Segundo Rosângela Paula dos Santos, superintendente

de Talentos da Mapfre, o curso tem o objetivo

de capacitar e

preparar mulheres

que ocupam

a média liderança

da empresa para

uma evolução de

carreira para futuras

posições estratégicas.

“Para

isso, a nossa seleção

das participantes foi feita a partir de mulheres que

já integram nossa Matriz Global de Talentos (MGTN),

que mapeia os talentos da companhia em todos os países

em que a seguradora atua”.

Participam da ação 34 mulheres, representantes

de todas as áreas da empresa. O Programa de Liderança

tem uma carga horária total de 68 horas de capacitação,

divididas em seis módulos e alguns encontros intermediários.

7


PAINEL

global

Ano de grandes perdas

Estudo publicado

pelo Swiss Re

Institute mostra que

as catástrofes naturais

podem gerar perdas

seguradas de até

US$ 300 bilhões, conforme

revela a Sigma.

As perdas seguradas

globais em 2020 foram de US$ 89 bilhões, tornando este

o quinto ano mais caro em registros sigma desde 1970.

As catástrofes naturais em 2020 causaram perdas

econômicas globais de US$ 190 bilhões; dos quais a

indústria de seguros cobriu US$ 81 bilhões.

Os eventos de risco secundário foram responsáveis

​por 71% das perdas seguradas por catástrofes

naturais, resultando principalmente de fortes tempestades

convectivas e incêndios florestais nos EUA e na

Austrália.

ação social

Apoio psicológico para todos

A SulAmérica anunciou uma ação social focada

em apoiar familiares de internados e vítimas da Covid-19

e profissionais da linha de frente do combate à

pandemia. “Não é hora de fazer publicidade, mas sim

de ajudar a melhorar a vida das pessoas de alguma forma”,

afirma Simone Cesena, diretora de marketing da

companhia.

Desde o dia 12 de abril são oferecidos atendimentos

psicológicos, gratuitamente, por meio de uma

parceria criada especialmente para esta ação social com

o Psicologia Viva. A expectativa é atender 35 mil pessoas

que não tenham

acesso a este tipo de

serviço e precisam de

apoio emocional durante

este momento

tão difícil pelo qual o

país (e o mundo) está

passando.

estudo

Pesquisa sinaliza mais desânimo no mercado

O mercado de seguros encerrou o primeiro trimestre

do ano menos confiante. É o que indica pesquisa

realizada pela Fenacor em março, que mediu o grau

de confiança que prevalece no setor. Foram ouvidos 100

executivos, entre donos de grandes corretoras de seguros,

seguradores e resseguradores.

De acordo com o levantamento, entre fevereiro e

março o ICSS (Índice de Confiança do Setor de Seguros),

caiu de 116 para 112,3, menor índice apurado desde

novembro de 2020. Contudo, como o índice permaneceu

acima de 100, a expectativa atual ainda é de relativa

confiança nos rumos do mercado.

A queda mais expressiva ocorreu no ICGC (Índice

de Confiança das Grandes Corretoras), que despencou

de 116,7 para 102,6 entre os dois períodos comparados.

Já o ICES (Índice de Confiança e Expectativas das Seguradoras)

teve ligeiro crescimento, de 111,9 para 112.

O avanço mais expressivo foi registrado no ICER

(Índice de Confiança e Expectativas das Resseguradoras),

que passou de 119,4 para 123,3.

Essas são as três variáveis que formam o ICSS. As

tabelas abaixo demonstram os índices de confiança.

INDICADORES

Indicador Nov.20 Dez.20 Jan.21 Fev.21 Mar.21

ICES 117,1 120,2 120,7 111,9 112,0

ICER 102,3 114,2 113,8 119,4 123,3

ICGC 115,8 124,5 125,4 116,7 102,6

ICSS 111,5 119,5 119,9 116,0 112,3

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ESPECIAL AUTOMÓVEIS

PRODUTO

Seguro Garantia Mecânica é solução inteligente

para carros usados ou seminovos

TOO SEGUROS COLOCA NO MERCADO

PRODUTO COM MAIS DE 30 ITENS E 10

SISTEMAS COBERTOS PARA GARANTIR

QUE O VEÍCULO FICARÁ SEGURO

Donos de carros usados e seminovos que

buscam uma maneira de garantir que o

veículo rode por mais tempo, sem pesar

no bolso, ou pessoas que queiram comprar e revender

seminovos, podem contar com a ajuda

do Seguro Garantia Mecânica, um seguro diferente de um Auto

tradicional, elaborado pela Too Seguros.

O Seguro Garantia Mecânica oferece a garantia do conserto

de peças em carros usados ou seminovos de até 8 anos, ou 120 mil

km rodados, quando a falha for espontânea, seja ela mecânica ou

elétrica. Também é oferecido o Guincho 24h, um serviço que atende

emergências e reboca o carro até uma oficina da preferência do

cliente, dentro de um limite de 100 km.

Os veículos aceitos são os leves e SUVs compactos das montadoras

populares do mercado automobilístico, além de importados

do México ou Argentina.

CONTRATAÇÃO FÁCIL E RÁPIDA

Hoje, a contratação é feita no momento do financiamento

do veículo por meio de um de bancos parceiros da seguradora, tem

vigência de 12 meses e não há custos de franquia ou carência.

O cliente também poderá acionar o seguro quantas vezes for

necessário até atingir o valor de indenização de R$ 7.000 nos custos

de reparo, seja para a compra de peças ou mão de obra. “O nosso

produto oferece coberturas completas, desenhadas de acordo com a

necessidade do cliente e com um preço superatrativo”, diz Francielle

Amaral Rodrigues, executiva de contas do canal Auto da Too Seguros.

Para quem quer preservar a garantia nos primeiros três meses

do carro fora da concessionária, o Seguro Garantia Mecânica da

Too Seguros oferece todo o suporte para manter o veículo em excelentes

condições, um investimento para quem quer revender e não

ter despesas extras de uma hora para outra.

ATENDIMENTO ESPECIALIZADO E ABRANGÊNCIA NACIONAL

O Seguro Garantia Mecânica abrange todo o território nacional

e mantém um atendimento excelente com parceiros e clientes

desde o início da contratação. “Carros com mais tempo de uso precisam

de cuidado dobrado e nós queremos mostrar que com a Too

o motorista não está sozinho para resolver esses problemas espontâneos

– que geralmente são os que pegam o cliente de surpresa”,

ressalta Francielle.

A Too Seguros também possui uma

comunicação mensal com seus clientes

com orientações de como usar o seguro

de forma mais eficiente, quando pagar o

IPVA do veículo e dicas de manutenção

prévia para evitar outras dores de cabeça.

OPORTUNIDADE DE NEGÓCIO

Apesar da pandemia, dados da Federação

Nacional de Veículos Automotores

(Fenabrave), apontam que houve um

incremento de 15,1% nas vendas de veículos

usados no começo deste ano, em

relação ao ano anterior.

Com expectativas positivas à vista,

soluções como o Seguro Garantia Mecânica

são essenciais em uma empresa que

investe muito em tecnologia e busca se

reinventar o tempo todo. A Too Seguros

segue esse movimento e coloca em prática

as melhores estratégias para impactar

mais pessoas com soluções de seguros.

O próximo passo é expandir a comercialização

deste seguro por meio dos

corretores de seguros e, para isso, a Too

está cadastrando corretores que queiram

acrescentar no portfólio de produtos o

Seguro Garantia Mecânica. Acesse www.

bit.ly/segurogarantiamecanica e registre

o seu interesse para ser o primeiro a saber

sobre o lançamento deste projeto.

©️Shutterstock

9


gente

HEALTHTECH RENOVADA

O Clude, healthtech

paulistana que oferece serviços

de saúde 360º, fez

uma mudança significativa

de funções no seu corpo diretivo.

Marcio Mantovani,

sócio fundador, idealizador

e investidor da empresa,

assume a função de CEO,

enquanto Marcos Colussi, que ocupava o cargo, assume

como vice-presidente da companhia, voltado

para parcerias, novos negócios e comercial. Vinicius

Miranda continua como CTO e diretor de operações,

responsável pelo dia a dia.

DIREÇÃO EM PRODUTOS

A Prudential do Brasil

tem um novo diretor de

Produtos, Dennys Rosini.

Com 20 anos de experiência,

o executivo apoiará a

estratégia de crescimento

sustentável da companhia

por meio da gestão integrada

da carteira de produtos

de Vida Individual e Seguros Coletivos, trazendo

ainda mais sinergia entre os canais e analisando

oportunidades de mercado.

LÍDER MINEIRO

RESPONSÁVEL PELO CRESCIMENTO

A Via Direta Corretora

de Seguros anunciou

Michelle Vilarinho como

nova Chief Growth Officer

(CGO). A profissional possui

20 anos de experiência à

frente de lideranças comerciais

pelas áreas de Telecom,

Farmacêutica, Saúde e Tecnologia.

A empresa também apresentou sua nova

estrutura, cujo foco é liderar iniciativas que transformem

os negócios, aloquem recursos de maneira

mais eficiente e patrocinem inovações, construindo

capacidades e habilidades para o futuro.

A Mapfre anunciou Diego Bifoni como novo

diretor territorial para o estado de Minas Gerais. O

executivo chega à região, extremamente estratégica

para a companhia, com a

missão de ampliar a cultura

de seguros à população e

estreitar, ainda mais, o relacionamento

com distribuidores

locais. “Assumir esta

posição é um desafio profissional

muito grande, ainda

mais em MG, uma região

com grande potencial para o setor segurador”, afirma.

“Estou muito entusiasmado em criar uma bela

história junto aos corretores e parceiros da região”,

complementa o executivo.

MAIS PLANOS EM SAÚDE

A Abramge (Associação Brasileira de

Planos de Saúde) anunciou hoje Renato

Casarotti para o cargo de presidente da instituição

no triênio 2021-2024. O executivo

sucede Reinaldo Scheibe, que esteve à frente

da associação por cinco anos. A Abramge

representa atualmente 136 operadoras associadas,

responsáveis pelo atendimento de

22,7 milhões de beneficiários. As associadas da Abramge

possuem 175 hospitais próprios, além de milhares

de clínicas e laboratórios.

“Nosso objetivo é, mais do que nunca,

democratizar o acesso à saúde e aperfeiçoar

o serviço prestado pelos nossos

associados, com eficiência e transparência”,

observa Renato Casarotti. “Também seguiremos

trabalhando diuturnamente para

sempre melhorar o atendimento aos beneficiários

de planos de saúde, nesse momento

tão crítico da pandemia do novo coronavírus”, conclui

o executivo, que desde 2018 é vice-presidente de

Relações Institucionais do UnitedHealth Group Brasil.

10


MEDICINA DE GRUPO

O atual presidente da

Unimed Volta Redonda, Dr.

Luiz Paulo Tostes Coimbra,

foi eleito presidente da Central

Nacional Unimed (CNU),

que é a operadora nacional

de planos de saúde. O médico vai liderar a instituição

de 2021 a 2025. A CNU é a sexta maior operadora

de planos de saúde do Brasil, com mais de 1,8

milhão de beneficiários, mas quase metade deles

(800 mil) estão concentrados no Sudeste.

“Espero escrever, junto aos meus pares e aos

mais de 1.700 colaboradores, uma nova página de

sucesso. Com uma base forte e robusta, e, sobretudo,

foco em pessoas, seremos ainda maiores no

papel de socializar a medicina e na missão de tornar

mais consistentes os nossos investimentos na experiência

do cliente”, afirma o novo presidente.

PRESIDENTE DO CLUBE

O CIST (Clube Internacional

de Seguros de Transporte)

elegeu sua nova diretoria

para o próximo triênio.

A chapa de Alfredo Chaia

(presidente) e Paulo Alves

(vice-presidente) foi eleita por aclamação.

Também fazem parte desta nova gestão René

Elis (secretário executivo); Glauco Magalhães (diretor

executivo tesoureiro); Amilcar Spencer (diretor executivo

de Planejamento); Aruã Piton, (diretor executivo

Técnico; Mayra Monteiro (diretora executiva

Ético-Social); João Zen (diretor executivo Institucional);

e Carlos Paiva (conselho fiscal). Oportunamente,

outros nomes serão anunciados para compor a diretoria

plena, todos profissionais reconhecidos pelo

mercado por sua capacidade e experiência.

MUDANÇA EM MARKETING

A Qualicorp reforçou

sua equipe de Marketing e

Comunicação com duas contratações

para liderar os times

de Comunicação Corporativa

e Marketing Institucional.

André Vieira, jornalista

com 30 anos de experiência,

assume a Superintendência

de Comunicação Corporativa. Já Rafael Dias

assume a Superintendência

de Marketing Institucional.

Com mais de 10 anos de

experiência em marketing,

ocupou diferentes cargos na

área de marketing do Banco

Itaú, em que liderou as áreas

de estratégia de marca, redes

sociais, implementação

da in-house (agência de comunicação interna) e

BI (Business Intelligence). “Os dois cargos, recém-

-criados, reforçam a crescente valorização da área

de Marketing e Comunicação, além da estratégia da

Qualicorp orientada ao crescimento e à inovação

para ampliar o acesso das pessoas aos planos de

saúde”, explica Ricardo Pedro, diretor de Marketing

e Comunicação da administradora.

GESTÃO ESTRATÉGICA

A Sompo Seguros

está promovendo uma série

de mudanças em seu quadro

executivo. Em abril, já

deixaram a companhia executivos

como Wilson Lima,

João Melo, Alberto Muller e

Fernando Moraes. Por outro

lado, algumas contratações estão em andamento,

como a de Felipe Ribeiro, que será superintendente

de produto Automóvel e Marcel Takara, que assume

como gerente de produto Auto Frota.

PROMOÇÃO EM VENDAS

A Omint promoveu

José Florippes para o cargo

de diretor de Vendas de

Seguro. Ele continuará reportando

para Cícero Barreto,

diretor Comercial da

companhia no Brasil. Tiago

Godinho da Silva, gerente

de Vendas de Seguros, por

sua vez, passa a se reportar diretamente a Florippes.

11


CAPA

AXA

Seguradora acelera

sua operação

no Brasil em 2021

AXA NO BRASIL VÊ OPORTUNIDADES

DE NOVAS COBERTURAS E INVESTE NA

PREMIAÇÃO DE CORRETORES DE SEGUROS

Igor Di Beo, vice-presidente de Subscrição, Comercial e Marketing

Ao que tudo indica, 2021 será um

ano ainda mais desafiador que

2020. O cenário complexo inspira

cuidados, mas, por outro lado, tem sido

um combustível valioso para a transformação

das empresas e um chamado para

à superação. É assim que Erika Medici,

CEO da AXA no Brasil, pensa.

Para a executiva, o mercado de

seguros tem um papel fundamental em

tempos de incerteza. “Nós somos espe-

cialistas em riscos e trabalhamos para dar suporte às empresas e

pessoas em momentos difíceis. Levar o seguro a mais pessoas, propor

soluções verdadeiramente aderentes, se fazer presente junto

aos corretores e clientes e manter os canais de comunicação abertos

fazem parte do nosso DNA e são esses valores que nos permitirão

continuar crescendo de forma sustentável”.

Para a AXA no Brasil, 2020 foi um ano de excelentes resultados

e oportunidades em todos os ramos. Com crescimento de 10%

em Property, a carteira de Transporte dobrando de tamanho, e o

produto Condomínio se destacando entre os top 10 do mercado, a

companhia enxerga, em 2021, um ano promissor.

12


Em março, a seguradora apresentou as novidades de seu programa

de relacionamento com corretores, o AXA Experience Club,

lançado em 2019. Agora, o clube abrange um número maior de corretores

e possibilita que os parceiros atinjam novos patamares de benefícios

conforme sua produção e relacionamento com a companhia.

AXA EXPERIENCE CLUB: PROPOSTA DE VALOR PARA

CORRETORES PARCEIROS

Para Igor Di Beo, vice-presidente de Subscrição, Comercial e

Marketing, a proposta de valor do programa traduz o discurso da

companhia em incentivos e práticas mensuráveis, configuradas

para contemplar toda a base de corretores ativos da seguradora.

“Nosso objetivo é proporcionar sempre as melhores experiências de

negócio e de relacionamento, dois pilares fundamentais da nossa

parceria com os corretores. Estamos confiantes que 2021 tem tudo

para ser um ano de grandes resultados, e nosso Experience Club

vem coroar tudo isso, oferecendo ao corretor insumos, capacitação

e benefícios especiais, além de reconhecimento por sua atuação e

por desenvolver cada vez mais seus negócios com a gente”.

VIAGENS

de INCENTIVO

Com destinos como

Santa Cruz Cabrália, na

Bahia, e Atacama, no

Chile, as viagens são

personalizadas - desde o

embarque até a escolha do

hotel e do roteiro.

“Oferecemos benefícios atrelados a experiências e, mesmo

de maneira virtual, fazemos questão de reunir os parceiros com

nossos executivos e apresentar tudo o que oferecemos para o

corretor que faz negócios com a gente. Nosso time está sempre

buscando oportunidades para estarmos próximos, trazer

informações relevantes e agregar valor para os corretores”,

comenta Danielle Titton Fagaraz, Superintendente de Marketing

Estratégico e Planejamento Comercial P&C.

Com esse comprometimento em mente e o sucesso da

página de Instagram, criada no ano passado, a companhia

acaba de lançar o seu blog no Portal do Corretor, um canal

para que o corretor parceiro conheça as novidades e melhores

práticas da empresa. O objetivo é disponibilizar informações e

dicas importantes para melhorar o seu desempenho e aumentar

os seus negócios com a companhia, além de trazer novidades e

curiosidades do universo do seguro.

Toda a proposta foi anunciada em

cinco eventos virtuais, em que a companhia

reuniu executivos e lideranças para

apresentar os benefícios, as campanhas

de incentivo e os eventos preparados

para cada perfil de corretor. Dentre os benefícios

e vantagens do programa, estão

a possibilidade de obter comissões antecipadas

e comissão extra, participação em

eventos online com os executivos, condições

exclusivas para os produtos, trilhas

de capacitação, além da Campanha Top

Club, com ações de incentivo trimestrais

e viagens anuais para corretores com os

melhores índices de desempenho.

CRESCIMENTO EM P&C,

TRANSPORTES E MASSIFICADOS

O potencial da companhia para

negócios é claro: além do crescimento

das carteiras no último ano, a AXA lançou

novos produtos, novas coberturas e

adequou condições de pagamento e vigência

para atender às necessidades dos

segurados neste momento tão atípico.

Carla Almeida, Diretora de P&C

da seguradora, atribui o bom desempenho

às questões técnicas e ao espírito de

equipe do grupo. “Além de condições comerciais

competitivas, temos guides claros

e bem conhecidos pelos corretores e

nossa equipe de subscrição é dedicada,

competente e tem uma cabeça pró-negócio.

A gente trabalha com uma visão

360, com rigor técnico, mas buscando

sempre entender a necessidade do corretor

e do cliente”.

Além do crescimento das carteiras

de Property e Transporte, a executiva

ressalta a maior busca pela cobertura de

roubo de mercadorias em transporte: “a

explosão do e-commerce intensificou a

busca por essa cobertura, e vimos um aumento

significativo na adesão de PMEs a

essa modalidade, o que é relevante para

um mercado ainda incipiente”.

Buscando ampliar a contratação

de seguros para transportes e garantir

mais autonomia e agilidade para o

corretor, a companhia disponibilizou

recentemente a cotação e contratação

online dos seguros RCTR-C (Responsabilidade

Civil do Transportador de Carga) e

13


CAPA

AXA

ECOSSISTEMA

de PARCERIAS em EXPANSÃO

As inovações estão por toda parte. A área de Parcerias e Vida

aprimorou sua proposta de valor e está focada em produtos e serviços que

proporcionem ao consumidor conveniência, conforto e maior resiliência

financeira diante dos imprevistos. Como resultado, a companhia lançou um

microsseguro de pessoas com coberturas de doenças graves e invalidez

e oferece telemedicina, descontos em consultas presenciais, exames e

farmácias, distribuído através dos parceiros da seguradora.

Um dos objetivos deste ano é trazer o corretor mais para perto da

área, tê-lo como aliado dentro do ecossistema de parcerias. “Estamos

constantemente em busca de novas oportunidades, expandindo o olhar

para novos mercados e temos como objetivo ter o corretor como aliado

SEBASTIEN GUIDONI,

vice-presidente de Parcerias,

Estratégia e Finanças

nessa jornada. Temos um modelo competitivo, implantação plug-and-play e muito espaço para crescimento

graças a um modelo de negócios escalável. Contamos com uma rede nacional com mais de 2 mil clínicas, 1,5 mil

laboratórios e 12 mil farmácias, além de 5 mil Assistências Técnicas com foco nos produtos de Garantia Estendida

e Portáteis. Estamos prontos para crescer e nossa ambição é grande”, afirma Sebastien Guidoni, vice-presidente

de Parcerias, Estratégia e Finanças.

Esse ecossistema de serviços, com foco na experiência do cliente e fortalecimento da proposta de valor,

reforçam o posicionamento da companhia junto ao mercado e ratificam o apetite para ampliar também a rede de

parcerias no varejo e em ecossistemas digitais, como as fintechs.

RCF-DC (Responsabilidade Civil Facultativa

– Desvio de Carga) via Portal do

Corretor. Mesmo com a iniciativa digital,

o corretor continua contando com o

acompanhamento integral do subscritor

e a emissão da apólice ocorre em até 48h.

O crescimento também é percebido

nas linhas para Condomínio e Empresarial.

“No último trimestre de 2020

fizemos um reposicionamento estratégico

nesses produtos e acertamos. Estamos

olhando para esses produtos e para

nossa plataforma para ajustar condições

e preços entendendo a especificidade

de cada região do País e a necessidade

apontada pelo corretor. Tenho muito

orgulho em dizer que a AXA está se tornando

uma referência no Empresarial

e no Condomínio, com reconhecimento

do mercado. E temos apetite para ir

além, em propriedades comerciais e residenciais”,

afirma Clóvis Silva, Superintendente

de Produtos Massificados. Ainda segundo o executivo,

a proposta é entregar soluções que respondam às necessidades

e transformações do mercado, como é o caso da cobertura para

equipamentos portáteis em home office, implementada em 2019

e que tornou-se ainda mais relevante em 2020.

Mesmo com tantas iniciativas no mercado, a contratação de

seguros ainda é incipiente entre pequenas e médias empresas - e

isso é uma exposição grande. Cada vez mais, é preciso que as empresas

e negócios sejam resilientes e sustentáveis no longo prazo,

e o seguro faz parte dessa construção. Por isso, um dos temas que a

AXA reforça sempre é o da diversificação da carteira do corretor, que

possibilita o aumento da base de clientes, ganho de expertise, além

de maior rentabilidade e estabilidade financeira.

TRANSFORMAÇÃO DIGITAL: INOVAÇÃO HUMANIZADA A

SERVIÇO DE PARCEIROS E CLIENTES

Para apoiar o crescimento do corretor e disponibilizar ferramentas

de trabalho e negócio, a seguradora mantém sua Filial Digital,

criada em 2018. Além de ser a porta de entrada do corretor

na companhia, a estrutura oferece capacitação, acesso a materiais

voltados para experiência do cliente e um executivo de contas para

auxiliar os parceiros em sua jornada.

14


Apetite do Vida Corporate

AXA INVESTE NO MERCADO DE VIDA

Outro segmento em que a companhia reforçou o apetite é

o Vida Corporate. O produto, com foco a partir de 501 vidas,

foi totalmente reformulado para atender às demandas do

mercado e incluiu a aceitação para Covid-19. “Estamos com

uma ambição mais clara para essa carteira e pretendemos

ser protagonistas no mercado de Vida também. Nos próximos

meses, inclusive, vamos entregar uma solução com diferencial

claro para PMEs, com o Vida Flex. Nosso time de marketing

está conduzindo conversas com corretores parceiros para

ouvir o que valorizam nesta oferta, sempre com uma postura

de cocriação, que já é uma marca da AXA”, diz Anelisa Fortes,

Superintendente de Subscrição, Pricing e Proposta de Valor da

área de Afinidades, Vida e Parcerias.

“Acredito que essa é uma das grandes vantagens que o nosso

parceiro tem ao entrar na AXA - os processos são digitais, mas

o acompanhamento é pessoal. O corretor chega à companhia e é

acolhido e acompanhado, estimulado. Fazemos questão de aprofundar

o relacionamento com o corretor que faz negócios conosco,

aportando valor aos corretores com foco em inovação e no crescimento

sustentável”, comenta Karine Brandão, Diretora regional RJ/

ES e Digital BR.

Para ela, a Filial Digital tem um importante papel de contribuir

com o aumento de capilaridade, a ampliação do volume de

corretores com produção na companhia e também com a democratização

do seguro. “A estrutura que temos nos possibilita olhar

para a jornada do corretor, entender o seu perfil, processo e suas

necessidades, e oferecer o que ele precisa naquele momento, seja

autonomia e agilidade, seja um executivo olhando para seu negócio

e dando o suporte necessário” completa Karine.

Com a Filial Digital, a companhia apostou em automação de

processos para facilitar a vida do corretor, e dados para ser mais inteligente

e assertiva. Além disso, atuação em treinamentos online

e peças de comunicação via whatsapp, na implantação do pipeline

de acompanhamento para seguros novos e, posteriormente, com a

criação do fluxo de comunicação das renovações.

Outra área que intensificou os investimentos em digitalização

foi a de Sinistros. Um dos destaques é a vistoria remota

para seguros de Condomínio, em que através da câmera de celular

do próprio segurado é realizada vistoria em tempo real e

à distância. A iniciativa tem um índice de satisfação maior que

90% entre os clientes. E a companhia vai além: usa drones para

realizar vistorias em áreas com risco elevado de desabamento ou

de acesso interditado, como aconteceu nas áreas afetadas pelo

“ciclone bomba”, que causou grandes estragos na região Sul do

País, em junho passado.

Destaca-se ainda o crescimento

de 35% no volume de sinistros regulados

através do fast track, considerando

os produtos voltados para PMEs, P&C e

Transporte. “É um modelo simplificado

em que a regulação do sinistro é concluída

em até cinco dias após a entrega

da documentação e com trâmites remotos,

gerando mais eficiência e rapidez

em processos de menor complexidade,

além de liberar nossa equipe de especialistas

para um atendimento dedicado

e personalizado para sinistros mais complexos.

Nossa intenção é evoluir ainda

mais esse ano, trazendo muito mais novidades”,

pontua Arthur Mitke, Diretor

de Sinistros que atualmente também

responde interinamente pela área de

Operações.

A cultura de cocriação reflete-se

também internamente. Em um ano em

que todos precisaram ser ainda mais propositivos

nas ações e reinventar modelos,

a seguradora ampliou a eficiência operacional,

automatizou processos e reforçou

parcerias de negócios, além de melhorar

o fluxo de pagamento e a emissão de boletos,

que era uma demanda importante

do corretor.

Para Igor Di Beo, os resultados e o

crescimento expressivo de cotação e de

vendas são sinais muito positivos e mostram

que a companhia está no caminho

certo. “Temos muito trabalho pela frente,

equipes engajadas e estamos de portas

abertas para o corretor. Aqui, os corretores

têm acesso à nossa liderança executiva,

com espaço para dar sugestões e

colocar suas demandas na mesa. Isso é

inegociável para a gente”.

Apesar de mais um ano complexo,

ainda sob os duros efeitos da pandemia,

a companhia promete mais novidades e

crescimento. “Temos uma crença muito

forte no trabalho a quatro mãos, em parcerias

ganha-ganha. O mundo de hoje

não tem espaço para caminhar sozinho,

sem olhar para a necessidade do outro

com empatia. Nenhuma companhia é

perfeita e o trabalho é contínuo, para fazer

mais e melhor”, finaliza Erika Medici,

que, em fevereiro passado completou um

ano à frente da AXA no Brasil.

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TECNOLOGIA

SAÚDE

Plataforma de gestão de vendas

evolui com banco digital

A PLANIUM, SEGUINDO A TENDÊNCIA CRIADA PELO OPEN

BANKING, OFERECE SERVIÇOS FINANCEIROS INTEGRADOS

COM O LANÇAMENTO DO PLANIUM BANK

Depois de mais de um ano de pandemia,

alguns setores consolidaram-se

pela sua importância

social. A saúde privada mostrou-se ainda

mais necessária e almejada pela parcela

da população capaz de consumir este

serviço, por isso, apesar de um período

de grandes perdas econômicas, o setor

viu um pouco mais de 800 mil beneficiários

aderirem a algum tipo de plano de

saúde ou odontológico.

Neste setor, a Planium foi a pioneira

na disponibilização de tecnologia

para a comercialização de planos de

saúde. A plataforma, baseada 100% em

nuvem, é comercializada no modelo

“software as a service” para as operadoras

de planos de saúde. “Operadoras,

administradoras e seguradoras nos contratam

para oferecer aos corretores de

planos de saúde uma plataforma que

permita a elaboração de propostas 100% digitais”, explica Fernando

Vieira, diretor de Operações da Planium.

Algumas operadoras que já utilizam o serviço são: Grupo Notre

Dame Intermédica, Central Nacional Unimed, Porto Seguro, Hapvida,

entre as mais de 80 empresas que compõem a lista de clientes, assim

como administradoras de benefícios como Qualicorp, Affix e Benevix.

Durante o ano de 2020 a Planium detectou a necessidade de

integrar o ciclo financeiro ao processo de venda e seguiu a tendência

que fez com que empresas como Rappi, 99 e iFood disponibilizassem

serviços financeiros integrados às suas plataformas. Nasceu

o Planium Bank.

O Planium Bank será lançado em maio e uma V 3.0 da plataforma

trará em julho uma nova visão do relacionamento de corretoras

e corretores com a Planium. “Esta nova versão tem um conjunto

de funcionalidades e a possibilidade do corretor ser cliente da plataforma

de vendas e da financeira”, comemora Mauro Motta, Diretor

Executivo do Planium Bank.

INÍCIO

Quando foi lançada, em 2015, a plataforma era apenas um

e-commerce para a comercialização de produtos das operadoras

16


de saúde privada. Em 2018 o onboarding digital foi incorporado à

plataforma permitindo a operadora validar documentação, risco assistencial,

declaração de saúde, cobertura parcial temporária, enfim,

todo o processo de admissão do cliente, que era feito de forma manual,

passou a ser digitalizado.

A partir da versão 3.0 estarão disponíveis campanhas de vendas

digitais das operadoras para os seus corretores. “Desta forma o

corretor consegue personalizar as campanhas e a geração de leads”,

aponta Vieira.

Entretanto, a Planium ainda identificou na plataforma novas

oportunidades para acompanhar o ciclo financeiro da venda que

passa pela taxa de angariação cobrada diretamente do cliente, premiações

pagas pelas operadoras aos corretores, comissões e agenciamentos

pagos a corretoras e corretores. Motta lembra que tudo

isso faz parte do processo de venda, mas ainda não estava integrado

a nenhuma Plataforma de venda do mercado. “Agora, ao fazer a

proposta para o cliente, o corretor pode solicitar que o pagamento

da taxa de angariação seja feito dentro da plataforma, por cartão de

crédito, pix ou boleto, e este dinheiro vai cair direto na conta bancária

dele, e a proposta será automaticamente protocolada na operadora

no momento em que o pagamento for realizado”.

A integração dos pagamentos elimina uma série de processos

manuais caros e ineficientes que ocorrem no processo de vendas.

Além disso, com taxas inferiores às praticadas no mercado, o

Planium Bank ainda ajuda corretores e corretoras a aumentarem

seus lucros.

O Planium Bank é um banco como qualquer outro banco

digital, no qual será possível efetivar operações bancárias comuns.

Motta explica que não há agência física, mas é possível fazer tudo

via internet banking ou aplicativo para pessoas física e jurídica.

Um momento sensível do contrato de assistência à saúde é a

efetivação do pagamento da primeira parcela, pois é ela que inicia a

vigência do plano. “As operadoras podem ainda optar pela cobrança

de todas as parcelas pelo Planium Bank, aproveitando as melhores

taxas do mercado, e os corretores poderão contar com antecipação

de recebíveis com limite baseado em seu histórico de movimentação”,

destaca Motta.

Todo o relacionamento do corretor (pessoa física) ou corretora

(pessoa jurídica) com a operadora pode ficar registrado. A operadora

pode cadastrar seus modelos de contrato com os canais de venda

e basta que o responsável pela corretora assine digitalmente um

contrato e, toda vez que uma venda for efetuada, será possível fazer

toda a movimentação financeira através do Planium Bank de forma

automática. “O conceito é que se tenha, dentro do Planium Bank, a

conta da operadora, a conta da corretora e a conta do corretor, para

que o dinheiro não fique rodando e gerando planilhas de conciliação

e taxas bancárias desnecessárias. Nosso objetivo é simplificar todo

o processo de remuneração dos canais de vendas das operadoras,

administradoras e seguradoras de saúde.”, pontua Motta.

MENOS GASTOS EM MENOR TEMPO

Agora, além das operadoras e seguradoras, a Planium quer

trazer os corretores para dentro da sua plataforma, sejam pessoas

FERNANDO VIEIRA,

diretor de operações

MAURO MOTTA,

diretor executivo

físicas ou jurídicas. A Saúde Suplementar

equivale hoje a mais de 40% do mercado

brasileiro de seguros, conforme dados da

CNseg.

Atualmente, a plataforma é utilizada

por mais de 80 operadoras de saúde e

mais de 50 mil corretores, que já utilizam

a plataforma para se relacionar com seus

clientes. No mês de março, foram comercializadas

105 mil vidas através da plataforma

e o objetivo é atingir a meta de 200

mil vidas/mês já em agosto. Em novembro

de 2020, a plataforma bateu a marca

de 1 milhão de vidas comercializadas. O

segundo milhão não demorará a chegar.

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AUTOMÓVEIS

CONJUNTURA

Para evitar derrapagens

APÓLICE ESMIÚÇA POSSÍVEIS

CAMINHOS PARA O SEGURO DE

AUTOMÓVEIS NOS PRÓXIMOS

MESES, QUE CERTAMENTE AINDA

SERÃO FORTEMENTE IMPACTADOS

PELA PANDEMIA DA COVID-19, E

ESTENDE O DEBATE PARA TEMAS

COMO MOBILIDADE, PRECIFICAÇÃO

E PROTEÇÃO VEICULAR.

REPRESENTANTES DO MERCADO

ESTÃO, CONTUDO, CONFIANTES EM

UM POSSÍVEL REJUVENESCIMENTO

DA ENVELHECIDA CARTEIRA DE AUTO

André Felipe de Lima

O

que não estava bem piorou ainda

mais com o nefasto advento

da pandemia da Covid-19. Concentrando

o debate, no entanto, à indústria

do seguro, vários segmentos do

mercado foram afetados pelo caos socioeconômico

vigente, uns mais intensamente;

outros, porém, numa escala

menos danosa. Mas, sem dúvida, todos

estremecidos. Dentre estes segmentos,

um dos que mais sentiram o impacto do

avanço devastador do vírus foi o seguro

de automóveis.

Não é difícil concluir os motivos

para esse declive de um nicho securitário

que nos últimos oito anos mantém resultados

aquém do que poderia satisfatoriamente

obter. O primeiro deles — e isso

ocorreu no mundo todo, ressalte-se — é

o isolamento social que enfurnou dentro

de casa a população e reduziu drasticamente

a mobilidade urbana. Menos carros

nas ruas significa menos acidentes,

porém, significa também menos gente

interessada em pagar por uma apólice.

Outro aspecto impactante nessa carteira foi o recuo de quase

30% nas vendas de veículos, sobretudo os novos, entre janeiro e

agosto de 2020. Somente em março deste ano é que o setor automotivo,

como apontam números aferidos pela Federação Nacional

da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), começa a

sair da inércia com as vendas de automóveis desdobradas em um

crescimento de 8,3%, comparando-se com março de 2020, quando,

pontualmente, a pandemia começou no Brasil. Foram comercializados,

aproximadamente, 270 mil veículos em março deste

18


ano, enquanto que em março do ano passado o total das vendas

registrou quase 250 mil modelos. De fevereiro para março, o salto

das vendas foi auspicioso (11,5%).

O setor automotivo emite sinais de reação mais duradoura,

mas ainda há muito a ser resgatado, porque o recuo do mercado

no primeiro trimestre (6,5% em relação ao resultado do ano passado)

não pode ser ignorado, e o seguro de automóveis acompanha

a mesma toada, ou seja, pisa em ovos para justamente não

quebrá-los. Em meio a um cenário socioeconômico hostil, resiliência

é mais que somente uma palavra de

ordem. É a cultura a ser definitivamente

internalizada por toda a cadeia de atores

do setor securitário, sobretudo seguradoras

e corretores.

De janeiro a julho do ano passado,

quando a primeira onda da pandemia

chegava ao ápice, a arrecadação dos

seguros de automóveis pisou inevitavel-

19


AUTOMÓVEIS

CONJUNTURA

Há uma coisa que todo mundo fala: ‘a arrecadação

do seguro caiu’, ‘o seguro diminuiu’, ‘o seguro andou

de lado’, e é a pura verdade. Só que é importante

olhar que a gente devolveu 22 bilhões de reais em

indenizações. Isso é que é preciso ter em mente: quanto

as seguradoras devolvem aos consumidores. Quando

se fala em R$ 22 bi de indenizações não é só falar

de reposição do veículo que foi roubado, é o ciclo, o

ecossistema que você tem. É o ecossistema

da reparação”

WALTER PEREIRA, da FenSeg

mente no freio. A queda foi de pouco

mais de 5%, comparando-se com o mesmo

período de 2019, como indicam dados

da Confederação Nacional das Empresas

de Seguros (CNSeg). O seguro, de

uma forma geral, sentiu também a drástica

queda de renda do brasileiro nos

últimos doze meses, período em que

dolorosamente a pandemia atravessou

em nossas vidas. As famílias tiveram de

priorizar gastos e muitas carteiras foram

afetadas. Nesse rol inclui-se o seguro de

automóvel, cujas apólices tiveram de ser

redefinidas para que o resultado não

fosse ainda pior.

Presidente da Comissão de Automóvel

da Federação Nacional de Seguros

Gerais (FenSeg), Walter Pereira ressalta

que no ano passado a carteira de

automóveis fechou com 2% menos em

relação a 2019, embora registrando uma

recuperação no último quarto. “A gente

já tinha perdido 0,5% de 2019 para 2018,

perdemos agora 2% em 2020 para 2019.

No mês de janeiro (deste ano), o mercado

retraiu-se em 4%, 4,5%. Então, assim,

está difícil”, conclui Pereira.

De cara, a primeira medida das

seguradoras para manter ao máximo

a carteira de clientes de antes da pandemia

foi mexer com a precificação, ou

seja, os preços das apólices caíram e os

produtos tiveram de se adequar a essa

nova realidade da mobilidade urbana, tornando-se mais simples,

enxutos (com menos coberturas) e cada vez mais com o valor total

fragmentado em generosas parcelas (doze, na maioria das vezes)

sem juros. “Em novembro (de 2020), 43% dos usuários segurados

tinham contratos parcelados em dez ou mais vezes. Ou seja, o valor

total do prêmio do seguro foi pago em mais de dez parcelas. Antes

da pandemia, apenas 38% faziam o pagamento em tantas mensalidades”,

identificou uma recente pesquisa realizada pela Smartia

Seguros em parceria com a TEx (Sistema de Multicálculo e Gestão

para Corretoras), que cobriu os maiores estados de cada uma das

cinco regiões do país, no caso, Pará (Norte), Bahia (Nordeste), São

Paulo (Sudeste) — onde a variação de preços dos seguros de auto

foi mais intensa —, Rio Grande do Sul (Sul) e Goiás (Centro-Oeste).

TUDO PARA MANTER CLIENTELA

O mesmo estudo aponta que o preço do seguro de automóveis

para renovações de contratos despencou, em média, 15%.

Outras seguradoras — reforça o estudo — foram mais ousadas

e arriscaram um desconto de 44% na renovação da apólice. Para

novas contratações, a média do desconto girou em torno de 5%.

“Na hora de cotar um seguro, vários fatores influenciam seu valor,

incluindo as coberturas contratadas. Quanto maior o número de

coberturas para o carro, mais cara a proteção. Sabendo disso, os

consumidores mudaram o perfil de seguros contratados. Houve

aumento de 45% nas contratações de seguros mais básicos, mais

enxutos. Nesses casos, as coberturas geralmente incluem apenas

situações de furto e roubo”, descreve a pesquisa da Smartia/TEx.

O fato é que, e isso a maioria dos atores do mercado securitário

brasileiro reconhece, a carteira de automóvel mudou bastante.

“Na verdade, na última década, essa carteira envelheceu. A frota

vai envelhecendo, ela deixa de fazer o seguro total, ela passa a ser

mais coletiva, ela passa a solucionar aquilo que realmente interessa

ao consumidor, como seguro para perda total”, ressalta Pereira,

20


“Com o fim do DPVAT, vai virar uma guerra de doido. Por

quê? Porque o número de acidentes continuará o mesmo.

Liquidava-se aquele dinheiro e acabou-se, mas a busca

agora para apurar a responsabilidade criminal vai ser

muito grande para, depois da comprovação de culpa,

entrar com pedido de indenização cível. Aí é onde existirá

a importância total do corretor de seguros em fazer pelo

menos o seguro para terceiros. Vai ser mais fácil a gente

oferecer uma cobertura total depois de a pessoa entender

que para terceiros tem que fazer (o seguro)

CARLOS VALLE, da Fenacor

que completa: “Há uma coisa que todo mundo fala: ‘a arrecadação

do seguro caiu’, ‘o seguro diminuiu’, ‘o seguro andou de lado’, e é a

pura verdade. Só que é importante olhar que a gente devolveu 22

bilhões de reais em indenizações. Isso é que é preciso ter em mente:

quanto as seguradoras devolvem aos consumidores. Quando se

fala em R$ 22 bi de indenizações não é só falar de reposição do

veículo que foi roubado, é o ciclo, o ecossistema que você tem. É o

ecossistema da reparação. Quando você faz a reparação, compra-se

peça, gera-se emprego. Há uma série de coisas envolvidas que a

gente precisa olhar, como a contribuição que o mercado segurador

dá para a economia, com a aplicação das reservas técnicas. Essa reserva

técnica vai garantir o direito do segurado.”

Há robustez na indústria de seguros, mas há nuances também,

como as que regem a envelhecida carteira de automóveis

há alguns anos. Vice-presidente de Relações com o Mercado da

Fenacor, entidade que representa nacionalmente os corretores

de seguros, e também presidente do Sindicato dos Corretores de

Pernambuco (Sincor-PE), Carlos Valle alerta que o percentual segurado

da frota brasileira varia muito pouco. Segundo ele, girando

em torno de 25% a 30%. “Há muitos anos não há variação neste

percentual. Por isso não vemos um crescimento sustentável do

percentual segurado da frota. Agora, a tendência de diminuição,

se este quadro permanecer, vai ser inevitável, mas tem um contraponto:

quem sempre trocava o carro e que está deixando de trocar

por conta da falta de oferta de veículos novos, está conservando

os seus antigos, estão usando mais oficinas, estão reparando, estão

cuidando mais de seus veículos por mais tempo. Esses continuam

sendo segurados.”

FIM DO DPVAT E SEGURO PARA TERCEIROS

Valle também sinaliza para a necessidade de um debate

mais intenso sobre o fim do DPVAT (seguro de Danos Pessoais por

Veículos Automotores Terrestres), que no final do ano passado

teve seu prêmio zerado pelo Conselho

de Seguros Privados (CNSP), que juntamente

com a Superintendência de Seguros

Privados (Susep), entidades que

regulamentam o setor securitário no

Brasil, definiu que neste ano a contratação

do DPVAT será gratuita e que o novo

gestor do seguro será a Caixa Econômica

Federal, que passa a ocupar a função antes

exercida pela Seguradora Líder. Pela

estimativa do presidente da Caixa, Pedro

Guimarães, cerca de 500 mil pessoas devem

pedir indenizações pelo DPVAT em

2021.

“Com o fim do DPVAT, vai virar

uma guerra de doido. Por quê? Porque

o número de acidentes continuará o

mesmo. Liquidava-se aquele dinheiro

e acabou-se, mas a busca agora para

apurar a responsabilidade criminal vai

ser muito grande para, depois da comprovação

de culpa, entrar com pedido

de indenização cível. Aí é onde existirá

a importância total do corretor de seguros

em fazer pelo menos o seguro

para terceiros. Vai ser mais fácil a gente

oferecer uma cobertura total depois de

a pessoa entender que para terceiros

tem que fazer (o seguro). Vamos ter um

campo muito vasto e vai haver um salto

muito grande se soubermos aproveitar

esta oportunidade”, prevê o vice-presidente

da Fenacor.

21


AUTOMÓVEIS

SERVIÇOS

Seguradoras buscam alternativas

para atender novas necessidades

ENVELHECIMENTO DA CARTEIRA E NOVO

PERFIL DO CONSUMIDOR OBRIGAM

MERCADO A ENCONTRAR RESPOSTAS

PARA O DESAFIO DA MOBILIDADE

André Felipe de Lima

Gabriela Viganó é engenheira e especialista

em marketing e vendas,

mas também gerente comercial

da Radar Corretora de Seguros, que atua

no interior de Santa Catarina. Ela enquadra-se

no rol daqueles que reconhecem

que a carteira de automóveis vem envelhecendo

ano a ano e que a aquisição de novos veículos despencou.

Ela sinaliza, entretanto, para alguns pontos que podem ser úteis para

revigorá-la. “Cremos que para que esta carteira se revigore algumas

ações poderiam ser: a criação e difusão de novas modalidades de seguro,

como algumas que já vem surgindo — pay per use — e redução

da burocracia no momento da contratação do seguro, fazendo

menos questionamentos relacionados ao perfil”, diz Gabriela, que,

22


igualmente ao já abordado por Carlos Valle, vice-presidente da Fenacor

na matéria anterior, reforça que para recuperar a rentabilidade

da carteira uma das saídas poderia ser, como em outros países no

exterior, o seguro de terceiros ser obrigatório para todos os veículos.

Toda a conjuntura da carteira levou as seguradoras a buscar

alternativas para um cenário hostil, que já estava se desenhando

mesmo antes da pandemia de coronavírus.

Diretor de Automóvel da Tokio Marine, Luiz Pardial afirma que

a seguradora antecipou-se ao cenário ao ter percebido que o envelhecimento

da carteira seria inevitável, mas buscou soluções para virar

o jogo. “A gente já tinha feito essa leitura. Imaginávamos que para

manter aquele tipo de crescimento de veículos zero, e sabendo que

o veículo zero tem uma correlação muito forte com seguros, era preciso

ter uma economia aquecida. A partir do momento que houvesse

alguma inflexão nisso, haveria um efeito significativo. A primeira coisa

que fizemos foi ampliar drasticamente a nossa aceitação”, explica

o executivo, ressaltando que a comunicação com o consumidor é essencial

para redesenhar o contexto do seguro de automóvel.

“Nesse sentido, a gente tem um projeto muito importante

para entrar ainda no primeiro semestre de como ter uma nova abordagem

do seguro ao consumidor final. Queremos facilitar o entendimento

dele nesse processo. Já temos uma estrutura muito boa do

ponto de vista de portfólio e vamos simplificar essa jornada, porque

acreditamos bastante que simplificando vamos cada vez mais ter

clientes dentro do mercado. Isso vale para todos os nossos produtos”,

pondera Pardial.

A seguradora intensificou o parcelamento do seguro: “a Tokio

foi a pioneira a fazer um seguro em doze vezes sem juros para todos

os produtos. Quando a gente pensa no cartão de crédito, pensamos

em facilidade na venda para o corretor não se preocupar

com a inadimplência. Fizemos isso de uma forma muito assertiva.

Já temos essa combinação de produtos de entrada, produtos com

preços mais acessíveis e a contrapartida com pagamento facilitado,

com o conceito de mensalização.”

A Bradesco Auto/RE também se movimenta em meio à pandemia.

A seguradora concentrou sua estratégia de atuação na cobertura

de novos riscos, na flexibilização de prazos, na agilidade

na contratação, nas novas condições de parcelamento de produtos

Auto tanto para renovação quanto para novos contratos e, principalmente,

no investimento em tecnologia e inovação. Além disso, a

Bradesco Auto/RE criou novos canais de atendimento e aprimorou os

existentes para ampliar a possibilidade de autosserviço. A meta, frisa

o superintendente executivo de Produto Auto da Bradesco Auto/RE,

Eduardo Menezes, é que clientes e corretores possam ser atendidos

utilizando a ferramenta que ofereça a eles mais comodidade.

“Por exemplo, o aplicativo da Bradesco Seguros, que possui

inúmeros serviços à disposição dos segurados, atingiu 6,3 milhões

de downloads até dezembro. Vale destacar que 81% dos sinistros

de seguro Auto foram concluídos por processo digital, 58% e 43%,

respectivamente, pelo sistema de autoatendimento”, cita Menezes.

A demanda por seguros novos de automóveis caíram na

mesma medida que a venda de veículos zero km. Essa é a análise

do diretor de Automóvel Porto Seguro e Itaú Seguros, Jaime Soares.

GABRIELA VIGANÓ,

da Radar

Por outro lado, complementa o executivo,

as renovações de seguro têm se mantido,

o que pode refletir a preocupação das

pessoas em manter a sua proteção em

tempos de incerteza. “A carteira de Auto

alcançou no 4º trimestre o maior volume

de prêmios de toda série histórica (R$ 2,8

bilhões) por meio de uma expansão de

5,8% em comparação ao mesmo período

de 2019. O seguro Auto foi beneficiado

pela expressiva queda na sinistralidade,

decorrente, principalmente, da redução

da circulação de veículos em função do

isolamento social”, assinala Soares.

O executivo da Porto Seguro entende

que neste momento é necessário

ainda mais compromisso com os serviços

emergenciais ao segurado. Segundo essa

premissa, o grupo segurador lançou em

2020 uma campanha com três pilares:

condições especiais de renovação, serviços

emergenciais de residência e canais

digitais de atendimento. “Mantivemos

durante um período o preço de 2019

para as ofertas de renovação, disponibilizamos

a possibilidade de parcelamento

em 10 vezes sem juros para pagamento

em cartões de crédito. Já neste ano, ampliamos

o parcelamento no momento da

contratação e hoje é possível contratar o

seguro auto em até 12 vezes sem juros.

Esse parcelamento também é válido para

quem já é cliente do Porto Seguro Auto,

que também conta com 5% de desconto”,

esmiúça Soares.

23


AUTOMÓVEIS

SERVIÇOS

Quando a gente pensa no cartão de crédito, pensamos

em facilidade na venda para o corretor não se preocupar

com a inadimplência. Fizemos isso de uma forma muito

assertiva. Já temos essa combinação de produtos de

entrada, produtos com preços mais acessíveis e a

contrapartida com pagamento facilitado, com o conceito

de mensalização”

LUIZ PARDIAL, da Tokio Marine

Gabriela, da Radar Corretora, destaca

que, além da redefinição dos modelos

de comercialização das apólices

caracterizada, sobretudo, pelo aumento

no parcelamento do seguro e, em alguns

casos, na redução nas taxas de seguro, as

seguradoras se movimentaram para reduzir

custos operacionais, isentando as

vistorias ou fazendo as mesmas de forma

digital e enviando as apólices somente

por meios também digitais. “Cremos

que a taxação dos seguros também foi

mais criteriosa de modo a proporcionar

essas reduções. As dificuldades que percebemos

foram uma maior argumentação

do cliente, visto que os veículos não

são utilizados com a mesma frequência

de antes e, ainda, o crescimento das associações

de proteção veicular, que no

entendimento de muitas pessoas leigas,

em nada difere do seguro, exceto pelo

preço”, expressa Gabriela.

CEO da Global Opsi Consultoria em

Benefícios e Seguros, Luiz Mauricio Janela

relembra que, apesar de tortuoso, o período

demonstrou aos corretores de seguros

a importância para que diversifiquem

suas carteiras. Muitos concorrentes, diz

Janela,— tiveram problemas para manter

suas operações funcionando por estarem

alicerçados em seguro de automóveis.

“Nesse período de retração econômica,

aumento do roubo e furto de

veículos (principalmente no Rio de Janeiro),

mesmo com o aumento da concorrência entre seguradoras,

corretores de seguros e até com a atuação de diversas cooperativas

oferecendo proteção veicular, observamos um aumento enorme

nos valores de seguros com perda expressiva da carteira. Já no

início de 2020, com a redução dos roubos de veículos, os valores

dos prêmios começaram a cair, ao mesmo tempo as seguradoras

lançaram produtos mais enxutos e com preços bem mais atraentes.

Com a garantia de ter uma seguradora para cobrir eventuais

perdas, os clientes começaram a migrar de outras ‘opções’ para o

mercado segurador tradicional”, entende Janela.

As seguradoras, completa o executivo da Global Opsi, também

investiram pesado em capacitação e na aproximação com as

corretoras de seguros e suas equipes, através dos canais digitais: “A

equipe da Global Opsi nunca participou de tantos treinamentos ou

lives de assuntos pertinentes ao nosso mercado como nesse período.

Todos se sentem muito mais preparados para atender o cliente

de forma cada vez mais consultiva.”

TENDÊNCIAS PARA UM ANO FRANCAMENTE DIFÍCIL

Estar preparado para momentos socioeconômicos difíceis é

uma das principais características da indústria do seguro, mas a expectativa

do setor é que neste ano as dificuldades serão múltiplas e

exigirão muita atenção e estratégias para contorná-las. Os reflexos

da pandemia na sociedade e na economia não têm data para acabar.

Porém o estudo da Smartia/TEX destaca que haverá recuperação,

embora lenta, do seguro de automóvel, bem como de outros nichos

do mercado securitário. Mas como lidar com uma retração que já

dura quase uma década? Como atuar com uma carteira que vem envelhecendo

praticamente no mesmo período? O que é preciso ser

feito para que ela se rejuvenesça? Como, afinal, pode ser recuperada

a rentabilidade da carteira?

São perguntas difíceis, mas há luz no fim do túnel, garante

Walter Pereira, da FenSeg. “O mercado têm bases para tentar recuperar

isso. Na verdade, o que precisa fazer é ampliar a base do consumo

do seguro. Hoje, cerca de 30% da frota é segurada. Precisamos investir

na ampliação de produtos mais enxutos, mais simples; temos

que nos adequar à capacidade financeira do cliente. O mercado se

movimenta para isso”, avalia Pereira.

24


Para Eduardo Menezes, da Bradesco Seguros, o envelhecimento

da frota está diretamente ligado à situação atual da economia,

produção e comercialização de veículos novos. “Em meio a essas variáveis,

a Bradesco Auto/RE aposta em preços competitivos para atender

as demandas dos consumidores e ampliar o acesso da população

ao seguro auto. O produto Auto Light, por exemplo, permite que o

cliente contrate uma cobertura em média até 30% mais barata que o

seguro auto tradicional, sem abrir mão de qualidade e credibilidade,

além disso, o valor do prêmio pode ser parcelado em até 10x sem

juros”, afirma o executivo.

Jaime Soares integra o coro dos otimistas, que são muitos, no

setor. Ele acredita que o seguro de automóveis retomará a rota de

crescimento de quase dez anos atrás. “Acreditamos que a indústria

de seguros, tanto de auto como em outros segmentos, passará a

ocupar um espaço maior na economia, pois operamos com o conceito

de oferta de proteção e, a partir da proximidade do risco, ficou

tão claro e evidente a sua necessidade desde o começo da pandemia”,

enfatiza Soares, que também afirma que a Porto Seguro e Itaú

Seguros seguirão apostando nas ferramentas tecnológicas, para o

contato remoto com os clientes. “O Porto Seguro Auto tem investido

constantemente em inovação, alinhando tal percepção a práticas

que valorizam os serviços e o atendimento a fim de facilitar o dia a

dia dos segurados”, menciona o executivo.

Mas há quem pense diferente. Para Gabriela, da catarinense

Radar Corretora, o seguro de automóvel está mudando muito rapidamente

e encontra-se em declínio. “Portanto não acreditamos que

retomará o mesmo crescimento, a menos que o mercado segurador

se adapte às novas mudanças e tecnologias que estão por vir, na

mesma velocidade”, constata.

TECNOLOGIA PARA UM NOVO CENÁRIO DA MOBILIDADE

Novas tecnologias e modelos diferenciados de negócios

atrelados aos serviços poderão ser decisivos para o seguro de auto.

Uma das companhias que acreditam nessa retomada da carteira é

a Europ Assistance que lançou recentemente o produto Multiassistência,

que, além de oferecer serviços residenciais, como os de

chaveiro, de encanador, de eletricista e de vidraceiro, atende carro

e moto através de serviços de reboque, de chaveiro, de socorro mecânico,

de troca de pneus e de pane seca, além de atendimento de

arquiteto virtual e capitalização com prêmios mensais.

Mas como este produto estaria atrelado a um seguro? O diretor

Comercial, de Marketing e de Produto da Europ Assistance Brasil

e Ceabs Serviços, Rogério Guandalini, explica:

“Diretamente na apólice de Seguro Vida, Residencial ou

Automotivo, pois são serviços adicionais que ajudam a fidelizar

os clientes entregando tranquilidade e segurança em situações

emergenciais ou para comodidade, já que seu uso não está necessariamente

atrelado a um fato ruim. É ideal para promover segurança

e comodidade no dia a dia do cliente em relação às demandas

com a casa e o automóvel, este atende principalmente a

população que hoje não tem uma apólice de seguro, e sabemos

que apenas 30% da frota brasileira está protegida e aproximadamente

10% dos lares. Além disso, pode também ser atrelada a

EDUARDO MENEZES,

da Bradesco

uma apólice de seguro trazendo benefícios

tangíveis imediatos ao cliente final.”

PÚBLICO JOVEM AINDA SE MANTÉM

NO TOPO DA CARTEIRA DE AUTO?

Pesquisas, como a da Anfavea, de

2019, apontam que ainda há um elevado

percentual de jovens — potenciais

consumidores e foco estratégico para o

ramo de seguros de automóveis — com

o desejo de um dia terem um carro na

garagem. Mas a partir de março de 2020,

com o advento pernicioso da pandemia

da Covid-19, será mesmo que esse desejo

das novas gerações pelo automóvel se

manteve, considerando ainda a expansão

de aplicativos que hoje concorrem intensamente

com o táxi tradicional?

Guandalini ressalta que sua empresa

vem acompanhando, nos últimos

anos, a tendência sobre o interesse do

carro próprio e o novo cenário da pandemia,

como o aumento do número de

aplicativos de transporte e a facilidade

na locação de um veículo para eventos

em que um automóvel particular se faça

necessário. No entanto, pondera o executivo,

que com este novo cenário surge

a insegurança no transporte coletivo ou

compartilhado. “Com isso acreditamos

que pode surgir um novo interesse dos

jovens na compra de um carro próprio

para se deslocarem com mais segurança

e menor exposição a riscos”, prevê.

25


AUTOMÓVEIS

SERVIÇOS

JAIME SOARES,

da Porto Seguro e Itaú

Para endossar sua tese, o executivo

cita pesquisa realizada pelo Capgemini

Research Institute, em 2020, que

aponta que a preferência segue acentuada

pela mobilidade individual sobre

os modos de transporte público e compartilhado

e que a retomada do interesse

na propriedade de veículos entre os

consumidores mais jovens foi um ponto

importante constatado no levantamento

realizado com 11 mil pessoas. “O estudo

aponta que consumidores mais

jovens (abaixo dos 35 anos de idade)

são o maior segmento que consideravam

comprar um novo veículo em 2020,

uma reversão de sua preferência histórica

para evitar a propriedade do veículo.

Além disso, quase a metade (44%) dos

consumidores afirma que usará seu carro

com mais frequência e o transporte

público com menos frequência. Essa

retomada do interesse pelo automóvel

reforça a importância do seguro do

carro para pessoas físicas e locadoras e,

com isso, as assistências vinculadas a

ele, que agregam uma gama completa

de serviços e levam praticidade e segurança

para o consumidor”, justifica

Guandalini.

Porém, para Janela, da Global

Opsi, a história — pelo menos no momento

atual — é diferente: “Ao se formarem,

minhas filhas e sobrinhos não

pensaram em um automóvel como

presente, pensaram como algo que dá

despesa, que eles têm que cuidar, que ocupa espaço, que deprecia

rápido. Querem pegar o recurso financeiro e ter experiências, como

viajar para estudar outras línguas.”

Mas as transformações na mobilidade urbana podem mudar

esse comportamento em curto prazo, como acredita o próprio Janela,

porque as seguradoras estão investindo em mobilidade ou em

novas modalidades associadas à mobilidade, buscando, consequentemente,

a oferta de produtos mais acessíveis e personalizados.

“A Porto Seguro lançou o Carro Fácil, em 2018. Um projeto

que começou bem antes, pois o mercado já dava sinais de que o

compartilhamento seria uma opção. O segmento de seguro de automóveis

também sofre a concorrência de outros segmentos. De

forma mais direta, das locadoras de automóveis que fizeram o dever

de casa e lançaram seus pacotes de aluguel ou de ‘carro por assinatura’

com o seguro e as assistências inclusas e também de forma

indireta de outras áreas que nada tem a ver com esse segmento.

Contudo, o dinheiro é um só e muitas pessoas preferem comprar

smartphones mais modernos, acesso à internet mais veloz e notebooks

mais potentes para elas próprias e para seus filhos jogarem e

estudarem, em um novo, cada vez mais, normal. Claro, sem contar

com o crescimento das vendas de bicicletas. Segundo a Associação

Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas,

Bicicletas e Similares, comparando o segundo semestre

de 2019, contra o segundo semestre de 2020, o crescimento foi de

50%. A mobilidade vai mudar cada vez mais rapidamente nas cidades”,

vaticina Janela.

RUMOS DA PRECIFICAÇÃO

A precificação das apólices em meio a tudo o que vem acontecendo

no mercado também sofrerá mais intensamente, como

sinaliza Carlos Valle, da Fenacor e do Sincor-PE: “Vem aí o carro elétrico.

Vêm aí os custos altíssimos de reposição. Tenho visto coisas

absurdas como a lanterna de farol por R$ 17 mil. Isso não cabia na

cabeça da gente há muitos anos. Por isso, os preços deverão também

continuar sendo aumentados por conta dessas modificações

e porque os carros estão com preços absurdos. Tanto que houve

um aumento agora fantástico, e o aumento do custo de reparo está

sendo muito alto também.”

Mas Valle pondera ser possível uma mão inversa nos preços

das apólices de auto, que deverão recuar por conta das novas tecnologias

que podem inibir furtos e roubos de veículos. “Mas se a lei nº

12.977 (que regulamenta a ação dos desmanches) fosse exigida pelas

autoridades de fato, iria ter uma redução de custo muito grande,

porque o roubo iria diminuir como comprovadamente diminuiu nos

lugares em que essa lei foi exigida.”

IMPERTINENTE PROTEÇÃO VEICULAR

Ao abordarmos o tema “seguro de automóvel” é preciso citar o

contraponto (ou incômodo) que representa a proteção veicular. Esse

nicho inegavelmente aumentou a penetração na população. Como

as seguradoras lidam com esse contraponto de mercado?

Hoje, elas permanecem atuando à margem da legislação

que rege o setor de seguros, embora, em maio de 2018, uma

26


“O estudo aponta que consumidores mais jovens

(abaixo dos 35 anos de idade) são o maior segmento

que consideravam comprar um novo veículo em 2020,

uma reversão de sua preferência histórica para evitar

a propriedade do veículo. Além disso, quase a metade

(44%) dos consumidores afirma que usará seu carro

com mais frequência e o transporte público

com menos frequência

ROGÉRIO GUANDALINI, da Europ Assistance Brasil e Ceabs Serviços

comissão especial da Câmara dos Deputados aprovou o projeto

de lei 3139/15, do deputado Vinicius Carvalho (PRB/SP), que prevê

a regularização das cooperativas de proteção veicular. A proposta

tramita em caráter conclusivo e deverá ser enviada ao Senado. O

texto original do projeto, assinado pelo deputado Lucas Vergilio

(PSD/GO), criminaliza, contudo, as cooperativas de proteção veicular.

A pauta ainda tramita no Congresso.

“Não acho que seja um contraponto. Estamos falando de

uma coisa ilegal. As associações de proteção veicular são diferentes

das cooperativas autorizadas pelo Banco Central. O que estamos

falando, na verdade, é de um seguro irregular. No mercado não haveria

problema nenhum criar a livre concorrência desde que todos

estivessem no mesmo guarda-chuva de legislação e de impostos.

O grande problema aqui não é do mercado segurador e sim para o

consumidor”, interpreta Pereira, da FenSeg.

Ao aderir aos modelos de proteção veicular, o consumidor

acaba sendo o mais lesado, ressalta Pereira. “Hoje, quem é associado

a uma empresa dessas não tem a quem recorrer para reclamar

seus direitos, porque ele não é equiparado a consumidor. Ele, na

verdade, é um cotista. Ele perde um pouco seu poder de consumidor

para exercer, por exemplo, o direito de receber uma indenização

tal e qual o mercado segurador paga”, alerta o representante

da FenSeg, completando: “Qual é a garantia de reparação que uma

empresa dessas dá? O que temos de fazer é alertar a população de

que o seguro é uma coisa e proteção veicular é uma coisa à margem

da lei. O consumidor precisa entender que ele ao comprar um

produto teoricamente mais barato pode sair muito mais caro. Quem

regula seguros no Brasil é a Susep. Quem regula essas atividades?

Ninguém sabe.”

Carlos Valle explica que as ações de combate à proteção

veicular estão localizadas em cada estado. “Aqui, em Pernambuco,

faço sempre o envio de atualização da legalidade da atividade

para que os corretores mostrem aos que querem e optam por esse

tipo de seguro saber que estão comprando uma proteção irregular,

que ainda não está autorizada”, diz o representante da Fenacor

e do Sincor-PE, lembrando que o sindicato que comanda realiza

programas de rádio e de televisão nos

quais alerta para o problema.

Valle prossegue, entretanto, alertando

que a mídia em geral precisa chegar

ao público que está erroneamente

comprando a proteção veicular como

uma panaceia: “Vejo até o contrário. Algumas

empresas de proteção veicular

bancando propaganda em programas de

audiência, o que é um absurdo. Mas toda

vez que eu vejo uma propaganda dessas

mando para a emissora a situação, mando

a informação de que eles estão fazendo

uma propaganda de um produto que

não é autorizado, não é legal. Isso é o que

a gente tem feito.”

Gabriela, que atua em Santa Catarina,

pontua que as seguradoras passaram

a flexibilizar o parcelamento e

algumas até ofereceram pacotes mais populares

na tentativa de conseguir abordar

essa fatia do mercado que parte para a

proteção veicular. “Não notamos nenhum

movimento significativo para o enfrentamento

da proteção veicular, mas cremos

que se forem regulamentados, recolhendo

impostos, haverá uma redução dessa

taxa de penetração no mercado, aumentando

o custo final para o cliente”, diz a

executiva da Radar Corretora, finalizando:

“Em nossa região, todas as cooperativas

(de proteção veicular) apresentam-se de

forma irregular e vêm crescendo significativamente

nos últimos anos.”

27


MERCADO

REGULAÇÃO

Revisaço promove mudanças para

rejuvenescer setor no Brasil

SUSEP PROMOVE UMA SÉRIE DE MUDANÇAS, QUE VÃO DESDE A SIMPLIFICAÇÃO DE PRODUTOS

DE GRANDES RISCOS ATÉ NOVAS REGRAS PARA OS SEGUROS MASSIFICADOS

Kelly Lubiato

Simplificar é a palavra de ordem

na Superintendência de Seguros

Privados. O revisaço promovido

pela autarquia está definido pelo Decreto

10.139, com o objetivo de tornar o arcabouço

regulatório mais simples e flexível,

no período de 2020 a 2023.

De acordo com o site da Susep,

até o mês de março foram revogados

274 atos normativos, simplificando a regulação

do mercado de seguros de olho

no que estabelece a Lei de Liberdade

Econômica. “Até fevereiro de 2021, foram

revogadas 92 resoluções, 5 instruções

normativas, 15 deliberações e 162 circulares.

Os números representam redução

de cerca de 37% do estoque regulatório,

que era de aproximadamente 730 atos normativos em janeiro de

2020”, segundo dados oficiais.

O principal empenho da Susep, segundo seu diretor, Rafael

Scherre, nos últimos anos, tem sido na promoção da modernização

e da simplificação normativa para o desenvolvimento do setor, equiparando

o contexto brasileiro aos melhores modelos internacionais.

“Estamos consolidando um novo marco regulatório, com avanços

importantes. É o caso das novas normas para os seguros de danos

massificados e de grandes riscos, que criam oportunidades para

mais inovação e ofertas em modelos mais customizados às necessidades

do consumidor com os novos cenários que vivemos – seja por

conta de avanços tecnológicos ou dos desafios apresentados com a

pandemia”, relata.

O que os executivos da autarquia fazem questão de ressaltar

é que as mudanças são provocadas pelo desejo de fortalecer o

consumidor, principalmente com a evolução do marco infralegal,

com destaque para ações como o Sandbox regulatório. “Já temos

28


10 seguradoras autorizadas e diversas inovações à disposição do

consumidor em ramos ou modelos que anteriormente eram pouco

explorados, como o seguro liga e desliga, por exemplo, ou mais

agilidade e simplificação na regulação de sinistros”, explica Scherre.

No fim das contas, o objetivo é dar mais liberdade para que

as empresas do setor inovem, deixando para o regulador o papel de

manter o equilíbrio do setor

As mudanças atingiram áreas diversas. João Marcelo dos

Santos, presidente da Academia Nacional de Seguros e Previdência

e ex-diretor da Susep, afirma que há, sem dúvida, um objetivo

claro de modernizar a legislação e aumentar a liberdade para seguradoras

desenvolverem novos produtos. “É difícil ter certeza de

quais serão e quando teremos os resultados, mas a qualificação da

intervenção estatal, inclusive por meio da maior liberdade para desenvolvimento

de produtos e de modelos de negócios, é o que tem

que ser feito”, declara o advogado.

Para o consultor Robert Hufnagel, especialista em seguros de

Responsabilidade Civil, diretor da Casualty Assessoria e Consultoria

de Seguros e associado da Alper Consultoria em Seguros, a maior

mudança é, sem dúvidas, a estruturação e comercialização de contratos

de seguros de danos massificados e para cobertura de grandes

riscos, aumentando assim drasticamente a diversificação de

produtos e coberturas, além da oportunidade da criação de produtos

customizados para grandes empresas e clientes. “Isso é algo que

há mais de 20 anos falávamos em fazer uma apólice Taylor Made,

mas nunca fora concretizado na realidade”, comemora.

Scherre conta que um dos avanços que pode relatar é a própria

norma de conduta, publicada em março de 2020, com os princípios

a serem observados nas práticas de conduta adotadas pelas

empresas do setor e seus intermediários, no relacionamento com o

cliente. “A norma garante mais transparência e consolida a responsabilidade

das seguradoras na relação com o cliente em todas as

etapas de negociação e ciclo de vida do produto. Essa medida equipara

o mercado brasileiro às melhores práticas adotadas internacionalmente.

Além disso, com o fortalecimento da concorrência e da

inovação, os consumidores são os maiores beneficiados”.

Outra medida para corroborar a ação pró-consumidor foi

que a Susep passou a integrar a plataforma Consumidor.gov.br. A

migração foi estabelecida pelo Decreto nº 10.197/2020, que estipulou

até 31 de dezembro de 2020 como prazo para que órgãos e

entidades que possuem canais próprios para a solução de conflitos

transferissem seus serviços para a plataforma.

ALINHADA AO MUNDO

De acordo com o diretor da Susep, os avanços regulatórios

que a autarquia vem promovendo buscam elevar o mercado brasileiro

às melhores práticas internacionais. “São modelos que fortalecem

a supervisão, para a observância das regras de solvência e

equilíbrio do mercado, e também transparência e tratamento adequado

ao cliente nas práticas de conduta das seguradoras. Assim, é

possível criar oportunidades de simplificação de contratos e mais

inovação em produtos e serviços. Esse conjunto de medidas estimula

o avanço dos seguros no Brasil”, relaciona.

RAFAEL SCHERRE,

da Susep

Hufnagel pondera que “os normativos

têm sido elaborados após estudos e

importantes debates entre a Susep e diversos

players do mercado, objetivando

o alinhamento às melhores práticas internacionais

e a liberação de amarras regulatórias,

bem como permitindo maior

desenvolvimento do setor”.

Os efeitos desta revisão já começam

a ser sentidos no mercado de seguros.

Alguns produtos começam a chegar

ao mercado a partir de novas empresas

que atuam por meio do Sandbox Regulatório,

como os seguros intermitentes

(aqueles liga-desliga).

Neste ambiente com regras mais

flexíveis, a inovação de produtos e processos

deve acontecer com maior velocidade,

reduzindo o tempo de pagamento

das indenizações e com modelos de ne-

O QUE É SANDBOX

O Sandbox Regulatório é um

ambiente experimental constituído

com condições especiais, limitadas

e exclusivas que não representem

barreiras à inovação. O ambiente

tem como objetivo reduzir os

custos e facilitar os processos para

os consumidores, com foco na

melhoria da experiência do usuário.

29


MERCADO

REGULAÇÃO

JOÃO MARCELO DOS SANTOS,

da ANSP

ROBERT HUFNAGEL,

da Casualty

gócios centrados na jornada do cliente.

Em outra frente, a norma de danos

massificados, a possibilidade de combos,

que é a combinação de diferentes coberturas

no mesmo produto, também

vem sendo apontada pelos players do

setor como um dos benefícios que pode

melhorar ofertas e custos de produtos e

serviços. “Algumas seguradoras já falam

em combinar coberturas de seguros de

automóvel, residencial, empresarial, cibernético

e responsabilidade civil em

produtos customizados para diferentes

perfis de clientes. Em breve será possível

fazer combinação também com as

coberturas de seguros de pessoas, possibilitando

produtos inteiramente pensados

para perfis específicos de riscos e preferências de indivíduos,

famílias e empresas”, antecipa Scherre, acrescentando: “acreditamos

que o mercado brasileiro vai aproveitar bem as oportunidades que a

simplificação da regulação está criando, oferecendo mais produtos e

preços melhores para consumidores e empresas, de forma transparente

e responsável, com tratamento adequado dos clientes. A retomada

econômica certamente acelerará esse processo”.

Mas ainda há um longo caminho a ser percorrido. Estão em

consulta pública no site da Susep a revisão das normas para avanços

nos microsseguros e nos seguros do grupo de responsabilidades,

em que o mais conhecido é o seguro de responsabilidade civil.

“Logo avançaremos com outros segmentos dos seguros de danos

– como os seguros dos grupos automóvel e financeiros – e em seguida

com os seguros de pessoas”, avisa o diretor da Susep.

Estes dois segmentos apresentam um amplo espaço para

crescimento, graças à subpenetração do seguro no Brasil quando

comparado com outras economias mundiais. “Em 2020, a participação

do mercado de seguros no PIB brasileiro foi de 3,69% e a densidade

do mercado, valor definido pela razão entre o total de receitas

e a população brasileira, ficou na casa dos R$ 585,87, desconsiderando

as receitas de produtos de acumulação (PGBL e VGBL) e títulos de

capitalização”, explica Scherre.

Nos seguros de danos, por exemplo, dados da OCDE mostram

o significativo espaço para crescimento. No final de 2020, o

segmento somou, em prêmios, R$ 78,9 bilhões, representando 1,1%

do PIB do Brasil. Dentro do volume total de receitas do setor – R$

274,1 bilhões em 2020 – os seguros de danos representaram apenas

28,8% do mercado. Nos EUA, este número gira em torno de 50%.

O diretor da Susep completa: “enquanto esse segmento aqui

está perto de 1% do PIB em prêmios, países latino-americanos apresentam

números bem superiores: Colômbia com 1,4%, Chile com

1,5% e Argentina com 3,6%. Em países mais desenvolvidos, como

França, EUA e Holanda, os números são respectivamente 4,6%, 6,6%

e 7,8%. Ou seja, entre 4 a 7 vezes maior do que no Brasil”.

COMUNICAÇÃO COM O MERCADO

Nos últimos dois anos a Susep passou a investir mais em

comunicação com o setor e com a sociedade. “Um exemplo são

os webinars próprios, abertos ao público, nos quais é possível dialogar

com técnicos, diretores e a superintendente da Susep sobre

os temas apresentados. Ajudaram bastante os esforços iniciados

em 2019 na reestruturação interna e o maior foco em tecnologia.

Assim, pudemos realizar 16 webinars, somente entre abril e dezembro

de 2020 – uma média de quase 2 encontros por mês. Este

ano já iniciamos o novo ciclo de webinars da Susep, debatendo

a consulta pública para avanços nos seguros de responsabilidade

civil”, conta Scherre.

Com o cenário da pandemia, essa ferramenta foi importante

para todos os segmentos. Na Susep, os encontros digitais têm funcionado

também como importante etapa nas consultas públicas

sobre os avanços normativos e para abordar outros temas - indicados

pelo próprio público durante as pesquisas realizadas em cada

webinar. “Somente com os corretores a autarquia fez 3 encontros

30


exclusivos para tratar de sua plataforma digital gratuita (sistema de

registro de corretores), que viabilizou o trabalho de muitos profissionais

durante a pandemia”, pondera Scherre.

Entretanto, a atuação junto a estes profissionais contém certa

dose de atrito. Armando Vergilio dos Santos, presidente da Fenacor,

afirma que não há um “diálogo aberto e franco”, que facilitaria o

encaminhamento das novas normas. “Infelizmente, na relação com

o corretor de seguros, a Susep optou por seguir um caminho que,

claramente, não é empático. Nossas propostas, em geral, são ignoradas.

Quase tudo é imposto. As consultas públicas são usadas apenas

para manter as aparências ou seguir formalidades”, lamenta Santos.

Para 2021, a expectativa da Susep é de que o mercado esteja

mais competitivo, moderno e tecnológico. “Para isso, pretendemos

implementar o Open Insurance, ampliar as iniciativas inovadoras do

Sandbox Regulatório, simplificar cada vez mais o arcabouço regulatório

e, assim, tornar o mercado menos burocrático e mais simples

para o consumidor”, antecipa o diretor da autarquia.

“Temos a expectativa de um mercado mais automatizado e

com menos barreiras à entrada, aumento sua contestabilidade. Para

isso, pretendemos simplificar e automatizar os processos de autorização

de seguradoras e administradores, que ainda são processos

muito burocráticos. Daremos, ainda, continuidade às ações de implementação

do SRO, além de consolidar o Rating Susep. Para modernizar

processos para o mercado, há o projeto de modernização

do FIP, mecanismo de prestação de informações à Susep. Na supervisão

de conduta, haverá avanços na produção de informações para

os consumidores e aprimoramento no monitoramento do mercado”,

completa Scherre.

RESOLUÇÃO 382/20 FOI A GOTA D’ÁGUA

Armando Vergilio dos Santos lembra que tramita na Justiça

uma ação que questiona o teor da Resolução 382/20 e, a qualquer

momento, pode haver uma decisão favorável ao entendimento da

Federação Nacional dos Corretores de Seguros, entidade que ele

preside. “Existe ainda um projeto de lei, de autoria do deputado Lucas

Vergilio, que altera aqueles dispositivos da resolução que tratam

do valor da corretagem e da figura do cliente oculto”.

Santos continua: “feita essa ressalva, asseguro que, embora

possam não concordar com normas impostas pelo órgão regulador,

os corretores de seguros sempre seguem a legislação vigente. E a

Fenacor vem recomendando que se faça isso. Mas, antes, é preciso

avaliar cuidadosamente o que essa Resolução, de fato, estabelece”.

O fato é que cabe ao corretor disponibilizar ao cliente a informação

referente à remuneração, não devendo esta ser realizada

pelas seguradoras. A Federação elaborou Nota Técnica visando a

orientar e instruir os Corretores de Seguros a respeito da vigência

dessa Resolução.

“Recomendamos que o corretor não assine contratos, acordos,

termos de anuência ou instrumentos similares, relacionados

a questões e deveres a ele cabíveis. A eventual insistência de uma

seguradora pela assinatura nesses documentos pode caracterizar

eventual constrangimento ilegal e ensejar medidas judiciais cabíveis”,

avisa Santos.

ARMANDO VERGILIO

DOS SANTOS, da Fenacor

A Fenacor também aconselha

aos corretores que não aceitem que o

percentual da comissão seja discriminado

na proposta do seguro. “A Fenacor

recomenda ainda que o corretor informe

ao cliente como é realizado o seu

trabalho, enfatizando a necessidade de

manutenção de estrutura para o bom

andamento da consultoria prestada

durante toda a vigência da apólice, listando

ainda as suas obrigações fiscais,

trabalhistas e previdenciárias, e outros

custos agregados à sua atividade profissional”,

completa Santos, que já ocupou

a superintendência da Susep, de 2007 a

2010

Para Santos, mudanças na legislação,

com a consolidação de normas

vigentes há décadas, são normais e necessárias.

Mas, é importante ficar atento

para que o órgão regulador não erre

a mão e acabe matando o paciente de

inanição nesse afã incontrolável e, por

vezes, incompreensível de mudar radicalmente

tudo o que existia, até mesmo

aquilo que estava dando certo. “O

mercado de seguros trabalha essencialmente

com a garantia do patrimônio e a

poupança de longo prazo da população.

É importante que a legislação mantenha

instrumentos que assegurem a decida

proteção ao cliente, estabelecendo um

arcabouço que garanta o cumprimento

das condições contratuais, sem maiores

riscos”, finaliza o presidente da Fenacor.

31


PANDEMIA

SEGURO EDUCACIONAL

O impacto que a carteira ainda

não sentiu

SEGUNDO DADOS DA SUPERINTENDÊNCIA DE SEGUROS PRIVADOS, O SEGURO EDUCACIONAL TEVE UM

ANO DE CRESCIMENTO EM 2020, APESAR DA PANDEMIA. ENTRETANTO, MUITOS ALUNOS DA REDE PRIVADA

CAMINHAM PARA A ESCOLA PÚBLICA POR FALTA DE CONDIÇÕES FINANCEIRAS

Kelly Lubiato

De acordo com dados da Secretaria

Estadual de Educação, 15.165

alunos foram transferidos da

rede privada para a pública de ensino. As

universidades experimentaram aumento

na taxa de inadimplência na 11,8% no

primeiro semestre de 2020 em relação ao

mesmo período de 2019, de acordo com

informações do Instituto Semesp, que

representa mantenedoras de instituições

particulares.

Assim, era de se esperar que o seguro educacional fosse atingido,

entretanto, números da Susep mostram que o resultado de

2020 foi de R$ 45.610 mil em prêmios diretos, perante R$ 32.296 mil

em 2019, representando um crescimento de 41,22%.

Poucas seguradoras operam este produto e as condições atuais

não estimulam a entrada de novos atores. A Mapfre lidera este

mercado e notou a adaptação das instituições de ensino à nova realidade.

“Em um primeiro momento, com as restrições devido à pandemia

e a necessidade de distanciamento social, assim como todas

as incertezas da pandemia, muitas instituições ficaram apreensivas

com a manutenção dos seus serviços e recursos financeiros devido

32


à necessidade de adaptação para aulas virtuais, algo que não estava

em seus planejamentos”, conta André Serebrinic, diretor de Vida e

Previdência da Mapfre.

Levando em conta os novos desafios, as instituições inovaram

em seu modelo de ensino, avançando para as aulas remotas,

garantindo a permanência dos filhos nas escolas. O maior impacto

aconteceu entre as escolas de educação infantil, cujos pais tinham

enorme necessidade da atuação dos professores e cuidadores por

conta da dificuldade do ensino a distância na primeira infância.

Serebrinic explica: “como o Seguro Educacional da Mapfre

cobre também os eventos ocorridos com os segurados durante as

aulas virtuais, percebemos que as escolas fizeram um grande esforço

para manutenção dessa proteção”. Neste período, a seguradora

buscou alternativas para a manutenção do seguro junto às escolas,

com o intuito de continuar fornecendo essa proteção importante

aos seus segurados e responsáveis financeiros.

Entretanto, há o problema da capacidade financeira para a

contratação do seguro educacional. Ermerson Barbosa, diretor da

Baroli Corretora, avalia que as escolas de educação infantil, mesmo

tendo maior demanda, são as que possuem menor potencial para

aquisição de um seguro educacional, justamente por trabalharem

com valores mais baixos e com menor potencial de caixa.

Barbosa acredita que este não seja um bom momento para

falar sobre gastos adicionais. “Infelizmente, é assim que muitas instituições

ainda enxergam o seguro educacional”, lamenta, acrescentando

que "como pai, não vejo nesta despesa um custo adicional,

mas as escolas não querem acrescer nenhum outro custo às suas

despesas”.

“A evasão escolar observada em 2020 de alunos das escolas

particulares para as públicas gera impacto na diminuição dos volumes

de prêmios, e não nas coberturas de seguro em si, assim como

se observa uma redução das receitas das escolas privadas”, avalia

Serenebric.

Por outro lado, “o produto é de pouco conhecimento do público

em geral e tem muita oportunidade de crescimento. Soma-se

a isso o mercado de cursos de idiomas, profissionalizantes e superiores,

que ainda são muito pouco atendidos”, avalia Bernardo Castello

– diretor da Bradesco Vida e Previdência.

Para ele, a pandemia acabou criando novas oportunidades

de expansão. Na Bradesco, o crescimento do seguro educacional

em 2020 foi 83%, bem acima do 41% consolidado pelo mercado.

“Em momentos de instabilidade econômica, há uma preocupação

maior com questões como o desemprego, somado ao risco de uma

contaminação e morte em função da Covid-19”, pondera Castello.

Da mesma forma como o seguro prestamista funciona como uma

proteção para o tomador de crédito e para a instituição financeira, o

seguro educacional é a proteção para os pais, alunos e escolas com

o objetivo de garantir a continuidade da educação. O produto oferece

confiança e auxilia na continuação dos estudos caso ocorra alguma

eventualidade que venha afetar a capacidade de pagamento

da mensalidade por parte do contratante.

Castello ressalta que, logo após o início da pandemia, houve

um aumento exponencial da procura por seguro educacional por

ANDRÉ SEREBRINIC,

da Mapfre

parte de grandes redes de ensino, inclusive

de idiomas. “Atribuímos este efeito

à pandemia, que afetou a renda de muitos

brasileiros, principalmente aqueles

autônomos. Na BVP conseguimos fechar

novos contratos neste período. Acreditamos

ser uma tendência e fazer parte da

maior conscientização da necessidade de

proteção para situações adversas e inesperadas”,

avalia.

Senebrinic tem uma opinião semelhante.

Para ele, a sensação de uma

pandemia fora de controle trouxe preocupação

aos pais (ou responsáveis financeiros)

com relação à possibilidade

de perderem a vida ou seus empregos

e, diante disso, se questionarem sobre

como manter seus filhos em uma escola

particular nesse cenário de incertezas.

“Isso tudo contribui com a percepção da

população sobre importância de um seguro

educacional que cobre os eventos

dos segurados independentemente de

estarem fisicamente nas escolas, o que

permite a proteção também durante as

aulas online e qualquer momento contemplado

na cobertura”.

O corretor de seguros Emerson

Barbosa, que é especialista em seguro

educacional, afirma que a comercialização

do seguro educacional ainda encontra

obstáculos. “Eu conversei com

mais de 100 mantenedores de escolas

particulares, de vários níveis de ensino,

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PANDEMIA

SEGURO EDUCACIONAL

antecipa Serebrinic. Castello, da Bradesco, ressalta que as escolas

ficaram vazias, mas a grande maioria não teve as aulas suspensas.

“Notamos interesse pela manutenção e disseminação do produto,

uma vez que ele oferece proteção completa para a instituição pois

cobre desemprego do responsável financeiro, tão sensibilizado durante

este período crítico, e a morte, que tem crescido em função

da pandemia”.

ERMERSON BARBOSA,

da Baroli

e a maioria deles ainda acredita que o

prêmio do seguro pode encarecer a sua

operação”, lamenta, ao lembrar que por

se tratar de profissionais ligados à educação

espera-se que eles tenham maior

preparo em relação à proteção de pais

e alunos.

“Atrelada a toda essa situação, a

Mapfre, acompanhando o cenário socioeconômico,

buscou alternativas para a

manutenção do seguro junto às escolas,

com o intuito de continuar fornecendo

essa proteção importante aos seus

segurados e responsáveis financeiros”,

BERNARDO CASTELLO,

da Bradesco

PERSPECTIVAS

Apesar dos resultados positivos apontados pelas estatísticas

da Susep, para os corretores ouvidos pela reportagem, sediados em

São Paulo, 2020 foi um ano muito ruim. Paulo Sonagere, diretor Comercial

da Klima Corretora de Seguros, que detém a conta do Sindicato

das Escolas de Ensino Particular de São Paulo, destaca que

“muitas escolas fecharam e, muitas das que permaneceram abertas,

cancelaram o seguro para reduzir custos”.

Serebrinic, da Mapfre, diz que a expectativa para 2021 é de

que o desempenho seja similar ao observado em 2020, ou seja,

sem aumento significativo de sinistros, mas com o esforço das instituições

de ensino em manter a proteção e nosso empenho conjunto

em continuar fornecendo esse importante produto aos pais

ou responsáveis financeiros. “Esperamos que o cenário pandêmico

melhore, que possamos retornar ao normal, com a educação particular

voltando a receber novos estudantes e que a proteção seja

mantida pelas instituições que possuem o Seguro Educacional.

Além disso, espera-se que outras escolas, que hoje não oferecem

essa proteção, passem a oferecê-la, frente a sua importância em

momentos desafiadores como o que estamos vivenciando”.

Um pequeno aumento das consultas sobre seguro educacional

foi sentida por Emerson Barbosa a partir de setembro de 2020,

por conta da inadimplência. “Neste momento, as escolas queriam

comprar seguro para sinistro”, brinca. Porém, ele avalia que as escolas,

quando tiverem algum oxigênio para respirar, possam raciocinar

e ver que o seguro é uma ferramenta para se proteger deste mal.

“Neste momento, não estamos colocando energia na comercialização

deste produto”.

Mas Castello, da Bradesco Vida e Previdência, acredita que há

uma oportunidade na abertura do diálogo trazida pela pandemia de

uma maneira muito dura. “Temos que tentar comunicar, de uma maneira

inovadora e criativa, os benefícios do seguro educacional e da

proteção como um todo, desmitificando questões relacionadas ao

produto. Afirmo que a ampliação do Seguro Educação é uma ferramenta

importante para garantir a permanência de muitos estudantes

brasileiros na escola, o que pode ter um poder transformacional

no nível médio de educação do país”.

Para ele, as perspectivas da carteira são boas. “Acredito que

exista uma propensão a um aumento da conscientização dos brasileiros

sobre a relevância da educação financeira em geral e à necessidade

de proteção. A vulnerabilidade ocasionada pela pandemia

gerou um gatilho emocional na sociedade, no entanto, nós seguradoras

temos a missão de ressaltar a necessidade de proteção a longo

prazo, e um dos maiores desafios no ramo é a comunicação sobre as

características do produto”, finaliza Castello.

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