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Livro "Torcedores: vida, paixão e morte no país do futebol"

Livro oficial do Projeto Torcedores: vida, paixão e morte no país do futebol. Coordenação Geral do Projeto: Édison Gastaldo Projeto financiado pelo ME/CNPq. Proc: 487279/2013-1

Livro oficial do Projeto Torcedores: vida, paixão e morte no país do futebol.
Coordenação Geral do Projeto: Édison Gastaldo
Projeto financiado pelo ME/CNPq.
Proc: 487279/2013-1

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Édison Gastaldo

Torcedores

vida, paixão e morte

no país do futebol

CEP / FDC

Rio de Janeiro

2017


© Édison Gastaldo, 2017.

Projeto Gráfico e Capa:

Édison Gastaldo e Izabel Mendonça

Editoração:

i2 artes e impressos gráficos

Pesquisa e Edição de Textos:

Édison Gastaldo e Sérgio Silva

Fotografias:

Bernardo Augusto Santos da Silva

Bruna Santos Freire

Cayo Yang de Oliveira e Silva

Édison Gastaldo

Henrique Faerman

Hugo Silva de Almeida

Leonardo Turchi Pacheco

Paula Moreira Giffoni

Pedro Fernando Avalone Athayde

Ficha Catalográfica e Registro ISBN:

Ana Carolina de Souza Pereira

Projeto produzido com recursos do Edital Público do CNPq/Min Esporte,

Chamada 91/2013, Processo n. 487279/2013-1.

G255t Gastaldo, Édison

Torcedores: vida, paixão e morte no país do futebol/

Édison Gastaldo. – Rio de Janeiro: Centro de Estudo de

Pessoal; CNPq, 2017.

ISBN: 978-85-63188-12-0

1. Antropologia. 2.Futebol. 3. Brasil I. Torcedores: vida,

paixão e morte no país do futebol .

CDD: 306.48381


TOR

CE

vida,

DO

RES

paixão e

morte no

país do

futebol

Édison

Gastaldo



Torcedores

vida, paixão e morte no país do futebol

Foto: Bruna Freire

Apresentação

Normalmente, o mundo do futebol dedica grande

atenção aos fatos que ocorrem dentro das quatro

linhas do gramado. A multidão que preenche as

arquibancadas de estádios e arenas é vista de modo

unidimensional; sua opinião é levada em conta apenas

5


nos momentos de ruptura, de crise, quando violência

e confrontos físicos fazem torcedores ocuparem as

páginas da editoria policial dos jornais. Assim, há uma

forte tendência do discurso midiático a sobrevalorizar

os tristes espetáculos de conflitos entre facções de

torcedores, e a ignorar outras expressões culturais

ligadas ao torcer por uma equipe de futebol. O objetivo

principal desta pesquisa foi produzir, através de trabalho

etnográfico multissituado em dezenas de cidades

brasileiras, um mosaico de representações e discursos

de torcedores sobre como vivem o futebol em suas

vidas cotidianas.

O Projeto Torcedores buscou traçar um retrato da

paixão futebolística no Brasil contemporâneo, do ponto

de vista de quem vive o cotidiano da bola, e que

normalmente é deixado de fora das grandes narrativas

Foto: Paula Giffoni

6


Foto: Hugo Almeida

sobre o futebol, ou tratado apenas como um coletivo,

massa, multidão. O que pensam os participantes dessa

multidão? Como veem a transformação que está em

curso no futebol brasileiro? O que acham da acusação

de violência das torcidas organizadas e da realização

de uma Copa do Mundo no Brasil? O que pensam dos

jogadores, técnicos, jornalistas, policiais, dirigentes e

todos aqueles que produzem o mundo do futebol?

A partir de extensivo trabalho de campo em cidades

de todas as regiões do Brasil, produzido por mais de

80 pesquisadores de 20 Universidades e instituições de

pesquisa, o Projeto Torcedores buscou tratar o universo

do futebol do ponto de vista de seus usuários: os brasileiros

comuns que tem um time em seu coração. Foram

consideradas cidades grandes e pequenas, capitais

7


e cidades do interior, ouvindo torcedores de equipes

grandes, médias e pequenas, um retrato da diversidade

e riqueza da relação da sociedade brasileira com o

mais popular de nossos esportes. Certamente faltaram –

e sempre faltarão – clubes, cidades e estados para um

painel completo do universo do futebol no Brasil. A base

de dados que criamos é aberta, e pode ser expandida.

Com as 112 entrevistas que reunimos, acreditamos ter

feito um bom trabalho. Reunimos histórias de vidas

ligadas pela paixão a um clube de futebol. Histórias

de sofrimento e de glória, de brigas e abraços, de

confrontos, morte e prisão, de gols inesquecíveis e de

zombarias sem fim. Histórias de futebol, histórias do Brasil.

Foto: Bruna Freire

8


Sobre o Projeto Torcedores

O Projeto Torcedores foi nanciado pelo CNPq e

Ministério dos Esportes, entre 2014 e 2016, através de

recursos provenientes da Chamada Pública 91/2013,

processo 487279/2013-1. Ao longo deste período –

e mesmo antes dele, nos três anos empregados na

montagem da rede interinstitucional de pesquisadores

previamente à sua execução – um grande número

de professores, pesquisadores de mestrado e doutorado

e estudantes de graduação participaram ativamente

do projeto. Alguns receberam bolsa de pesquisa, outros

atuaram como voluntários. Todos envidaram seus

melhores esforços para realizar o feito coletivo a que

nos propomos: montar uma base de dados aberta e

livre para pesquisa, um banco de histórias de vida de

torcedores de todo o país. O Museu do Futebol, através

de seu Centro de Referência do Futebol Brasileiro, foi

um parceiro do projeto desde a primeira hora, e hoje

hospeda a base de dados produzida. Agradecemos

ao Cel Álvaro Roberto Cruz Ferreira Lima e Cel Ernesto

de Lima Gil, comandantes do CEP/FDC que apoiaram

institucionalmente o projeto em todas suas etapas;

a Clara Azevedo, ex-diretora do Museu do Futebol e

Heloísa Helena Baldy dos Reis, da FEF/Unicamp, pelo

apoio imediato e entusiástico quando da concepção

inicial do projeto, ainda em 2011; aos queridos amigos

Renato Schwartz, David Gonçalves Lara Neto e

Méri Rosane Santos da Silva, que teriam participado


ativamente deste projeto, mas se foram antes. A eles,

nossa saudade e nossa homenagem.

Como coordenador geral do Projeto Torcedores,

agradeço e parabenizo a cada um dos/as componentes

da nossa equipe: o envolvimento e o afeto de todos,

em cada uma das sedes, não apenas tornou possível

realizar este trabalho, como o fez de modo prazeroso,

leve e profissional.

Muito obrigado!

E.G.

10


11


Foto: Leonardo Turchi Pacheco

Foto: Leonardo Turchi Pacheco

Foto: Bernardo Augusto

Foto: Henrique Faerman

12


Projeto Torcedores:

instituições e pesquisadores/as participantes

Coordenação Geral: Prof. Dr. Édison Gastaldo (CEP/FDC)

Coordenação Adjunta: Prof. Dr. Sérgio Luiz Pereira da Silva (UNIRIO)

AMAZONAS:

UFAM:

Coordenador AM: Prof. Dr. Sérgio Ivan Gil Braga

Pesquisadores: Rodrigo Fadul Andrade

Italo Alves Nogueira Colares

Lucas Alves de Vasconcelos Neto

BAHIA:

UFBA:

Coordenador BA: Prof. Dr. Augusto Cesar Rios Leiro

CEARÁ:

UFC:

Coordenadora CE: Profa. Dra. Silvia Helena Belmino Freitas

Pesquisadora: Alissa Carvalho

DISTRITO FEDERAL:

UnB:

Coordenador DF: Prof. Dr. Fernando Mascarenhas

Pesquisadores: Hugo Silva de Almeida

Cayo Yang de Oliveira e Silva

Pedro Fernando Avalone Athayde

MATO GROSSO:

UFMT:

Coordenador MT: Prof. Dr. Francisco Xavier Freire Rodrigues

Pesquisadores: Allan Kardec Pinto Acosta Benitez

Camila Cristina Silva Gonçalves

Elias Martins

Igor Alexandre Silva Bueno

Ivana Auxiliadora Gonçalves Guimarães

Laryssa Fernanda Fonseca de Figueiredo

Olímpio Parreira de Vasconcelos

UNIRONDON:

Pesquisador:

Prof. Ms. Ramachandra Das dos Santos Branco

13


MINAS GERAIS:

UFMG:

Coordenador MG: Prof. Dr. Silvio Ricardo da Silva

Pesquisadores: Adriano Lopes de Souza

Alexandre Francisco Alves

Amarildo da Silva Araújo

Carlos Coelho Ribeiro Filho

Christian Matheus Kolanski Vieira

Erick Alan Moreira Ferreira

Felipe Vinícius de Paula Abrantes

Georgino Jorge de Souza Neto

Jefferson Nicassio Queiroga de Aquino

José Aelson da Silva Júnior

Leandro Batista Cordeiro

Marina de Mattos Dantas

Priscila Augusta Ferreira Campos

Sarah Teixeira Soutto Mayor

Thiago José Silva Santana

Tomaz Salles de Amorim Pereira

PUC-MG:

Pesquisadora: Profa. Dra. Juliana Gonzaga Jayme

UNIFAL:

Pesquisadores: Prof. Dr. Leonardo Turchi Pacheco

Mônica Esselin de Souza Lino

Marcos Bento Ribeiro

PARANÁ:

UFPR:

Coordenador PR: Prof. Dr. Wanderley Marchi Jr.

Pesquisadores: Larissa Jansen

Isabelle Plociniak Costa

PERNAMBUCO:

UFPE:

Coordenadora PE: Profa. Dra. Soraya Barreto Januário

Pesquisadores: Gabriel Buonafina

Paloma de Castro

Lerynda Lima

14


RIO DE JANEIRO:

UFRRJ:

Coordenador RJ: Prof. Dr. Édison Gastaldo

Pesquisadores: Ana Julia dos Santos Marin

Bernardo Augusto Santos da Silva

Bruna Helena de Almeida Soares

Bruna Santos Freire

Bianca Correa Marinho de Oliveira

Filipe Doná Marques de Almeida

Henrique Karoly Faerman

Jennifer de Almeida Ferreira

Ligia dos Anjos Miguel

Lucas Andrey da Silva Antunes dos Santos

Paula Moreira Giffoni

Raomi Emediato Pani

UNIRIO:

Coordenador Adjunto RJ: Prof. Dr. Sergio Luiz Pereira da Silva

RIO GRANDE DO SUL:

UFRGS:

Coordenadora RS: Profa. Dra. Silvana Vilodré Goellner

Pesquisadores: Profa. Dra. Luiza Aguiar dos Anjos

Ayllu Acosta

Marina Kupke Moreira

Thayná Lima Fagundes

Bruna Sacchi Braga

Suélen de Souza Andres

Isabela Berté

André Luis Carmo dos Santos

UNISINOS:

Coordenador Vale do Sinos: Prof. Dr. Ednaldo Pereira Filho

Pesquisadores: Augusto Dias Dotto

Bruna Borecki

UFPEL:

Pesquisador:

Prof. Dr. Luiz Carlos Rigo

15



Foto: Bernardo Augusto Foto: Bruna Freire

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18

Foto: Bernardo Augusto


Gabriel Sodré Maia

Indígena da etnia Tukano

Antropólogo

Manaus/AM

Torcedor do Flamengo/RJ

“No nal dos anos 70, a gente tinha um radinho,

e no domingo todos se reuniam para ouvir o

jogo pela Rádio Nacional. Eu sempre gostava

de ouvir o jogo do Flamengo, porque os

outros times perdiam, mas o Flamengo sempre

ganhava!”

19


Bruno Fehse

Corretor de Seguros

Novo Hamburgo/RS

Torcedor do Novo Hamburgo/RS

“Toda criança ganha mesada quando

pequena. Lá em casa, eu não ganhava

mesada, ganhava “bicho por vitória” do Novo

Hamburgo.

Ou seja, automaticamente, a gente ia sendo

induzido a gostar do clube...”

20


Beto Bian

Jornalista

Campinas/SP

Torcedor da Ponte Preta/SP

“Eu nem gosto muito de futebol.

Gosto mesmo é da Ponte Preta! (…) Somos

penta-vice-campeões paulistas, somos vicecampeões

também da Copa Sul-Americana

de 2013 e da série B do Campeonato Brasileiro

em 2014. Sempre batendo na trave. Mas se

cuida, que daqui a pouquinho a Macaca vai

ser campeã, e a gente vai carimbar esta faixa

linda aqui no peito!”

21


João Gabriel Vale

Estudante

Fortaleza/CE

Torcedor do Fortaleza/CE.

“Faz tempo que a gente está na terceira

divisão. Mesmo formando equipes boas, na

fase do mata-mata o Fortaleza sempre cai no

último jogo.

Aí, fi ca lá mais um ano...”

22


Antônio Felipe Moraes

Professor

Cuiabá/MT

Torcedor do Flamengo/RJ

“Torcer pro Flamengo em Cuiabá é a mesma

coisa que se eu morasse no Rio. A única

diferença é que eu não acompanho no

estádio. Tenho comigo que o Flamengo não

é regional. Ele é nacional, ele é mundial! O

Flamengo em qualquer lugar está em casa.”

23


José Luiz da Silva

Professor

Florianópolis/SC

Torcedor do Figueirense/SC

“A Torcida Organizada tem que trazer o

torcedor comum para junto dela. (…) Ela tem

que ser um catalisador entre o povão e a

diretoria, para que isso tenha reflexo dentro de

campo.”

24



Tamires Cornelius

Estudante

São Leopoldo/RS

Torcedora do Aimoré/RS

“Desde criança, eu tenho uma vontade de

conhecer o time da minha cidade, e no

primeiro jogo que eu fui, me apaixonei pelo

clube, pelo estádio, pelos torcedores.

A forma como a torcida te trata é mais pessoal,

acho que é uma coisa de time do interior, essa

proximidade.”

26


Bruno Ocelli Ungheri

Professor

Belo Horizonte/MG

Torcedor do Atlético Mineiro/MG

“Não vou dizer que tenho amor e ódio pelo

Cruzeiro, porque não tenho amor nenhum. Eu

torço contra o Cruzeiro, não interessa o Galo,

eu quero que o Cruzeiro perca!”

27


Honório Magalhães

Servidor Público

Cuiabá/MT

Torcedor do Operário/MT

“O time rival eu não gosto nem de falar o

nome, mas como é entrevista tem que falar: é

o Mixto, esse time é um calo no nosso sapato!”

28


Marcos Sérgio da Silva

Eletricista

Campinas/SP

Torcedor do Corinthians/SP

“O torcedor vai no estádio, toma um tiro de

borracha no olho e fica tudo por isso mesmo. A

culpa ainda acaba sendo da torcida: ‘O que

que ele foi fazer lá?’ Quer dizer, o torcedor não

tem direito nem de ir no estádio mais, a polícia

infringe o direito dele...”

29


Carla Augusta N. Lima e Santos

Professora

Belo Horizonte/MG

Torcedora do Cruzeiro/MG

“Eu sou um tipo de torcedora que já foi expulsa

de bar, já arrumei confusão (…) Inclusive isso

é caso de terapia, três sessões já foram por

conta de aprender a lidar com isso. (…) Eu não

consigo lidar com o rival quando está tendo

jogo. Eu não controlo.”

30


Ian Luiz Barros

Estudante

Manaus/AM

Torcedor do Rio Negro/AM

“O Rio Negro está mal há muito tempo, há mais

de 10 anos. Desde 2008, já caímos três vezes

no Campeonato Estadual. É uma coisa de

torcedor mesmo, de paixão: pelo time atual,

não tem porque alguém estar lá, mas todo

mundo quer estar lá!”

31


Ricardo de Matos Oliveira Filho

Militar

Porto Alegre/RS

Torcedor do Grêmio/RS

“Uma pessoa que eu acho que representa

bem o Grêmio é o goleiro Danrlei, que jogou

nos anos 1990. Ele amava a camisa do time,

beijava o escudo, ele cou bastante tempo

no Grêmio. Não é alguém que veio, ganhou

dinheiro e foi embora sem deixar nada.”

32


Julia Melo d'Almeida Lins

Estudante

Recife/PE

Torcedora do Náutico/PE

“O título mais recente do Náutico foi em 2004,

eu até me lembro, mas muito pouco. Eu cresci

sendo torcedora sem títulos.”

33


Lídia Bernardino Silva

Aposentada

Recife/PE

Torcedora do Sport/PE

“Quando eu era menina, eu sempre gostei

de jogo, queria ter nascido homem pra poder

jogar bola. Meu pai proibia, mas eu jogava

escondido com os meninos. Quando eu casei,

meu marido não torcia por nada, mas depois

que meu marido morreu, ai eu virei uma

torcedora de fé. Eu amo o meu Sport!”

34


Oscar Luiz Vieira Ferreira

Funcionário Público

Rio de Janeiro/RJ

Torcedor do Fluminense/RJ

“Já vi muita briga em estádio. Até deixei de ir

a jogo por um tempo por causa disso. (…) Mas

nunca apanhei nem bati, porque eu sempre

saio fora da confusão.”

35


Alfredo Bianchi

Estudante

Recife/PE

Torcedor do Náutico/PE

“Acho o formato de Arena horrível. Eles querem

copiar a qualidade do estádio europeu, só

que não conseguem. É uma imitação sem

qualidade. (…) Na Europa tem arena, mas

eles podem torcer livremente. Na Arena

Pernambuco em todo lugar tem uma placa:

‘sente-se, é proibido car em pé’...”

36


Walmer Monteiro Chaves

Professor

Niterói/RJ

Torcedor do América/RJ

“O América é um time simpático, não temos

uma rivalidade especíca. O maior rival do

América sempre foi a Federação dos Árbitros...”

37


Natan Dalprá Rodrigues

Estudante

São Leopoldo/RS

Torcedor do Aimoré/RS

“Torcer para um clube do interior é uma demência.

Se o clube ganhar que bom, eu adoraria que o

Aimoré fosse campeão mundial e tudo mais, mas

do clube existir e o que ele representa, eu acho,

vem um sentimento de identidade (…). O Aimoré

representa isso, tu te sente representado, tu sente

uma coisa que é tua, pertence a ti e sobretudo,

pegando o caso de São Leopoldo, a gente tem

poucas coisas que são nossas, e o Aimoré é uma

delas. É amor mesmo.”

38


André Pelizario Fiorelli

Estudante

Campinas/SP

Torcedor do São Paulo/SP

“Desde que eu nasci, meu pai colocou um

uniforme do São Paulo grudado na porta

do berçário. Eu sou gêmeo com uma irmã e

desde que a gente nasceu, já estava com o

destino de ser são-paulino. Se a gente fosse

outra coisa, acho que meu pai ia morrer!”

39


Natanael Figueiredo

Mestre de Obras

Manaus/AM

Torcedor do Nacional/AM

“A torcida do Nacional não briga; a gente luta

pelo clube!”

40


Marcelo da Silva Ribeiro

Sociólogo

Fortaleza/CE

Torcedor do Ceará/CE

“A primeira vez que fui ao estádio, eu já tinha

mais de dez anos, com o meu primo. O Ceará

ganhou de 2 a 1 e desde então eu, que era

palmeirense roxo, virei torcedor do Ceará.

Denitivamente.”

41


Tainá de Sampaio

Estudante

Fortaleza/CE

Torcedora do Fortaleza/CE

“Eu noto uma diferença no perfi l do torcedor

que tem ido ao estádio e da cultura do futebol

daqui. Não tem mais geral! Eu acho um

absurdo! Os preços fi caram bem mais caros,

e eu não acho que tenha trazido tantas coisas

positivas assim. Tudo fi cou mais “exclusivo”,

como se fosse uma higienização com ares

gourmet...”

42


Márcio André Sobrosa

Desempregado

Porto Alegre/RS

Torcedor do Internacional/RS

“A minha agenda é assim: jogo do Inter,

torcendo pro Inter; e jogo do Grêmio, torcendo

contra. São dois times: um a gente torce, o

outro, a gente seca!”

43


Andrei Giovane Peteffi

Gerente de Vendas

Novo Hamburgo/RS

Torcedor do Novo Hamburgo/RS

“Teve uma briga entre Novo Hamburgo e Inter de

Santa Maria no antigo estádio Santa Rosa, acho

que deve ter sido por 2003, 2004. Eu lembro que

todos os jogadores, dos dois bancos, entraram em

campo na briga, teve maqueiro, teve médico,

teve segurança, foi uma confusão generalizada.

Depois de tanta confusão, o Inter de Santa Maria

teve três jogadores expulsos e depois começou o

cai cai, os jogadores começaram a cair, pro time

ficar com menos 7 jogadores, e o jogo acabar.

Foi a maior briga que presenciei dentro de um

estádio.”

44


Zuleide Leão - “Zuzu do América”

Aposentada

Belo Horizonte/MG

Torcedora do América/MG.

“Eu acho até graça: o Atlético com tanto

dinheiro e não tem um campo de futebol!

Nós emprestamos pra eles jogarem. Mas o

Estádio Independência é nosso! Nós estamos

emprestando pra eles não carem chorando

muito...”

45


Renata Avancini

Professora

Campinas/SP

Torcedora do Palmeiras/SP

“Essa questão da polícia é muito complicada.

Ela age com a torcida como age contra

qualquer manifestação popular, isto é, com

violência. E eu acho isso péssimo, porque não

educa ninguém. Isso só cria mais ranço e mais

ódio em quem está sendo atingido por ela.”

46


Fábio Bruno Ramirez

Professor

Cuiabá/MT

Torcedor do Mixto/MT

“Nós não compactuamos com a ideia que o

futebol moderno tenta propagar, que a torcida

é uma plateia que assiste um espetáculo.

Quando a gente vai assistir o jogo do Mixto, a

gente se sente como um guerreiro, o décimo

segundo guerreiro! (...) E não foi uma nem

outra vez que a gente tem consciência de que

quem ganhou o jogo foi a torcida, e não os

jogadores em campo.”

47


Carlos Castilho Maia Fernandes

Empresário

Natal/RN

Torcedor do América/RN

“Hoje a gente tem a oportunidade no Rio

Grande do Norte de ter o estádio Arena das

Dunas, onde dentro do estádio a gente tem

uma segurança maior. Infelizmente, na ida pro

estádio e na volta pra casa a gente ainda tem

um grande risco de enfrentar problemas com

a violência.”

48


Eduardo Garrido

Fisioterapeuta

Rio de Janeiro/RJ

Torcedor do Botafogo/RJ

“Quando eu era criança, ganhei um jogo de botão do

cliente do meu pai, e ele crente que o jogo de botão

era do Vasco, porque todos os clientes do meu pai

(meu pai era advogado) sabiam que ele era vascaíno.

Aí quando eu abri a caixa, (…) eu vi a estrela, o escudo

do Botafogo. Na semana seguinte o ônibus do Botafogo

deixou os jogadores no Maracanã e parou na porta

do prédio onde eu morava e ficou estacionado ali.

Então não teve jeito, (...) na verdade, fui escolhido pelo

Botafogo, eu não escolhi o Botafogo, o Botafogo veio

na porta da minha casa e eu fui escolhido.”

49


Guilherme Toaldo

Administrador

Florianópolis/SC

Torcedor do Joinville/SC

“Uma vantagem de morar longe de Joinville é

que eu vejo o jogo no bar, já que proibiram a

cerveja no estádio...”

50


Raoni de Oliveira Marques

Estudante

Fortaleza/CE

Torcedor do Fortaleza/CE

“O futebol vem levando vários golpes do

mercado futebolístico, e isso deixa o esporte

mais feio... Hoje é menos favorável torcer. Essas

novas arenas levam a uma teatralização do

jogo, e futebol não é isso!”

51


José Itamar Faustino da Silva

Preparador Físico

Natal/RN

Torcedor do ABC/RN

“Desde menino, eu sempre gostei de bater

bola. E desde menino, sempre ouvia falar do

ABC, do Frasqueirão. O ABC tinha a maior

torcida, ganhava títulos todo ano e com isso

fui ganhando simpatia pelo ABC, e junto com

meu pai, escutava todas as partidas pela

Rádio Cabugi.”

52


Nívea Richa – “Nivinha Fla”

Professora, Atriz e Youtubber

Rio de Janeiro, RJ

Torcedora do Flamengo/RJ

“Eu sou zoeira. E eu acho que isso não pode

acabar no futebol. (...) Eu recebi muitas críticas

– e ameaças, inclusive – no jogo contra o

Atlético Mineiro ano passado, que a gente

perdeu de 4 x 1. Eu falei que a gente ia acabar

com as galinhas. E a frase que eu ouvi foi: 'Você

está desrespeitando o Atlético Mineiro!' Olha,

se eu não puder zoar com o apelido que o rival

chama o time, então acaba com o futebol!!!”

53


Julio Cesar Ferri

Professor

Campinas/SP

Torcedor do Guarani/SP

“Nos últimos anos, o Guarani caiu muito

de rendimento, não está nos principais

campeonatos, então a paixão vai diminuindo.

Sou bugrino ainda, mas não tanto quanto

antigamente. Mas torço e sofro diariamente...”

54


Rogério Luis Zirbes

Comerciante

Novo Hamburgo/RS

Torcedor do Novo Hamburgo/RS

“A gente tem que dar valor a uma torcida que

não seja de briga, que acene suas bandeiras

pra gente ser visto fora do país! Para que possa

ir pai, filho, irmão, avó, avô, todos ali. Para jogar

vaso sanitário em cima dos outros, não precisa

de torcida organizada...”

55


Carolina Nascimento Melo

Turismóloga

Recife/PE

Torcedora do Náutico/PE

“Meu pai é alvirrubro doente, e a gente pegou

isso dele. Somos quatro irmãos e todos são

torcedores do Náutico, e com o tempo só foi

piorando a doença. Todo mundo lá em casa

é “Fanáutico!”

56


Roberto Bastos Pinto

Aposentado

Rio de Janeiro/RJ

Torcedor do Bangu/RJ

“Meu gol inesquecível foi contra o Flamengo

em 1966, o Bangu deu de 3 a 0 com o gol do

Paulo Borges, que era um ponta direita fabuloso,

foi 3 a 0 Bangu, e o Bangu foi campeão. No

Maracanã lotado. Ele encobriu o zagueiro do

Flamengo, deu um chapéu, e fez um golaço.

Foi um gol muito bonito, eu era um garoto, e já

tem um bom tempo que eu assisti esse jogo. Foi

um gol maravilhoso...”

57


Alaídes Julita Haubert

Aposentada

São Leopoldo/RS

Torcedora do Aimoré/RS

“Vamos ver o que o Aimoré vai fazer este ano.

Tem que ir pra frente, vamos ter que ganhar!”

58


Allan Kardec Pinto Acosta Benitez

Professor

Cuiabá/MT

Torcedor do Corinthians/SP

“O grande rival do Corinthians é o Palmeiras.

Mas aqui em Cuiabá a gente lida numa boa

com eles. Tenho amigos palmeirenses e em

alguns momentos a gente se une, tipo na

política municipal, muitas vezes os dois times

estão juntos. E lógico, diariamente fazendo

gozação e tirando onda com os palmeirenses.

Enquanto eles não tiverem título mundial, vão

continuar sofrendo com a gente!”

59


Tiago Virginio de Melo

Sociólogo

Natal/RN

Torcedor do ABC/RN

“No último jogo da série C de

2007, o ABC precisava ganhar

do Bragantino aqui e precisava de uma série de

resultados: O Barra de Piraí tinha que ganhar do

Atlético/GO, e o Bahia tinha que empatar com

o Vila Nova. Numa jogada de contra ataque, o

zagueiro do ABC tirou de cabeça, tocou a bola

pro Alisson, ele cortou para a direita e chutou lá

na gaveta. Aí não lembro mais de nada. Aí foi só

êxtase, euforia, todos os torcedores abraçando,

se beijando e foi uma loucura porque todos os

resultados davam certo, o Barra venceu, o Bahia

ganhou do Vila Nova e nós classificamos em 4º

com esse gol.”

60


Leonardo Trápaga Abib

Trabalhador em Saúde Mental

Porto Alegre/RS

Torcedor do Rio Grande/RS.

“Nós temos um rival que nunca jogou contra a

gente, que é a Ponte Preta. A briga é fora de

campo, pra ver quem é o clube mais antigo em

atividade no Brasil. (…) Então, quando a gente

pode, dá uma zicada na Ponte Preta, temos

até parceria com o Guarani de Campinas. Mas

pra deixar claro: o mais antigo é o Rio Grande!”

61


Ângelus Bravin

Estudante

Rio de Janeiro/RJ

Torcedor do Flamengo/RJ

“Os policiais não veem o torcedor como um

torcedor, eles veem como um vagabundo, como

um bandido. Qualquer torcedor, com criança, sem

criança, famílias, eles não estão nem aí. Eu já senti

na pele várias vezes isso de receber cacetadas,

pancadas de policiais porque estava perto de

um princípio de confusão e não tinha nada a ver

com a história. Já vi pais de famílias apanharem

na frente dos lhos por nada. (...) Minha avaliação

é que a polícia do Brasil e do Rio é despreparada

para lidar com o torcedor.”

62


Agatha Lima Gomes

Estudante

Florianópolis/SC

Torcedora do Avaí/SC

“Um torcedor do Figueirense veio me irritar

porque o Avaí tinha perdido. (…) Ele insistiu

muito, muito, muito, me infernizando. Eu falei:

‘Cara, se tu continuar falando comigo, eu vou

dar um soco na tua cara.’ Ele não acreditou.

E continuou. Aí eu dei um soco na cara dele.”

63


Ricardo Rodrigues

Advogado

Manaus/AM

Torcedor do São Raimundo/AM

“É difícil torcer pro São Raimundo. (…) Você

começa o ano sabendo que seu time não vai

jogar o ano inteiro, só no Estadual.”

64


Rosa Beatriz Foresti

Aposentada

Porto Alegre/RS

Torcedora do Grêmio/RS

“Nosso grande rival, claro, é o Internacional. As

raízes do Rio Grande do Sul demonstram essa

dualidade. É na política, é no futebol, é sempre

Chimango e Maragato. Então para tudo você

tem que ter uma posição. Ou você é vermelho

ou é azul. Na minha família todos são azuis,

graças a Deus. (…) Eu reconheço que o Inter

tem mérito, mas na minha casa não tem nada

vermelho...”

65


Wendell Ferreira Fernandes

Taxista

Natal/RN

Torcedor do América/RN

“Rival? Rapaz, a gente tem até dificuldade de

pronunciar o nome: ABC. Mas eu tenho muitos

amigos, inclusive para a final agora de sábado,

final do campeonato, eu fui com meu cunhado,

que é torcedor do ABC, e meu sobrinho, que por

influência está se tornando torcedor do ABC. Fui

eu, ele e meu filho. Chegando no estádio, entra

eu e meu filho no portão de acesso à torcida do

América e ele e meu sobrinho no acesso a torcida

do ABC. É só aquela brincadeira de fazer piadas,

enfim, saudável.”

66


Tiago Vinholes Jacomelli

Estudante

Itápolis/SP

Torcedor do Oeste de Itápolis/SP

“Em 2008, chegou um empresário muito forte

na cidade. Ele injetou muito dinheiro, e o time

começou a crescer, mas perdeu um pouco da

identidade com a cidade. Este ano, depois do

estádio ser interditado pela Segurança Pública,

foram jogar em Osasco, que fica a uns 500 km

de Itápolis. Então a gente não pode mais nem

acompanhar o nosso time na cidade porque

ele não está mais lá. É meio triste.”

67


Rafael Passos

Professor

Florianópolis/SC

Torcedor do Figueirense/SC

“O Avaí é o time que mais me dá alegria,

porque vive perdendo... Pra mim, é o melhor

time que tem no Brasil!”

68


Elair Dias Brito – “Dona Juju”

Servidora Pública

Cuiabá/MT

Torcedora do Operário/MT

“Numa família de oito lhos, só eu me apaixonei

pelo Operário. Sou tricolor até hoje e com

certeza morrerei tricolor.”

69


Tomaz Salles de Amorim Pereira

Estudante

Belo Horizonte/MG

Torcedor do Cruzeiro/MG

“Do rival do Cruzeiro eu não gosto nem de

falar o nome... Pode ser bem sincero? Eu odeio

o Atlético!”

70


Tiago Roberto Espíndola Augusto

Estudante

Rio de Janeiro/RJ

Torcedor do Vasco da Gama/RJ

“Meu jogo inesquecível foi contra o Palmeiras,

em 2000, na nal da Mercosul. (…) Sabe o que é

numa nal, seu time terminar o primeiro tempo

com um a menos, perdendo de 3 x 0, o time

não se encontrando em campo, e no segundo

tempo conseguir virar o jogo? O quarto gol foi

do Romário, o gol da virada, você não sabia

mais se estava rindo, chorando, gritando...”

71


Ricardo Scavariello Franciscato

Professor

Campinas/SP

Torcedor do Independente de

Limeira/SP

“O nosso hino tem uma frase que diz: ‘Nasceu

pobre, humilde e sem glória’, porque o time

foi criado sem apoio nenhum, de políticos

ou partidos, ele nasce mesmo é de uma

comunidade. Por isso o nome ‘Independente

de Limeira’.”

72


Marcia Fernanda dos Santos

Secretária Executiva

São Leopoldo/RS

Torcedora do Internacional/RS

“Eu tenho um companheiro há dezoito anos,

que é maravilhoso, mas ele tem um grande

defeito: ele é gremista. Vez por outra, ele até

dormiu na sala por isso...”

73


Mauricio Gama Jr.

Advogado e Engenheiro

Manaus/AM

Torcedor do Nacional/AM

“É um absurdo não poder ficar em pé no

estádio. Quer ficar sentado, vai pro cinema!

Aqui é futebol!”

74


Silvio Ricardo de Araújo Maia

Ex-jogador de futebol e

Comerciante

Natal/RN

Torcedor do América/RN

“Comecei a jogar futebol de campo no ABC

e depois me transferi pro América. Aí teve

aquele xingamento: ‘Virou a casaca! Como é

que você torce pros dois?’

Mas eu sou americano de coração e estou

muito feliz com o título deste fim de semana.”

75


Jamile Souza da Silva

Analista de Comércio Exterior

Manaus/AM

Torcedora do Flamengo/RJ

“Meu gol inesquecível foi do Petkovic, de falta,

aos 43 minutos do segundo tempo. E o Vasco

foi tri-vice...”

76


Tiago Carlos Costa

Professor

Belo Horizonte/MG

Torcedor do Atlético Mineiro/MG

“Acho que a Diretoria deveria respeitar o

torcedor um pouco mais. (…) Olhar pro

torcedor do Atlético como um apaixonado,

que é consumidor a qualquer custo, isso é muito

ruim, o torcedor deveria ser mais respeitado.

(…) As camisas são muito caras, os ingressos

são muito caros, é tudo muito astronômico,

porque eles abusam da paixão do torcedor.”

77


João Carlos Galdino Vale

Economista

Fortaleza/CE

Torcedor do Ceará/CE

“Se não houver gozação, não existe torcedor.

A turma tem que brincar mesmo. Às vezes um

se zanga, sai, depois volta...”

78


Anelise Novo Fim

Administradora de Empresas

Rio de Janeiro/RJ

Torcedora do Grêmio/RS

“Historicamente, nosso maior rival é o Inter. Mas

como eu moro no Rio, a gente tem também

rivais locais, e o nosso maior rival local é o

Flamengo. O gremista que mora aqui ca até

na dúvida quando jogam Flamengo x Inter.

O que que a gente faz? Cava um buraco, se

esconde?...”

79


Gabriel Nascimento Buonana

Estudante

Recife/PE

Torcedor do Náutico/PE

“Minha namorada é rubro negra, quando

eu quero arretar ela eu falo qualquer coisa

do Flamengo, que ela já começa a car

estressada, por causa do título de 1987.”

80



Sarah Teixeira Soutto Mayor

Professora

Belo Horizonte/MG

Torcedora do América/MG

“Torcer para o América para mim é lembrar

do meu pai. Eu comecei a torcer para o

América em razão do meu pai, que era

torcedor americano fanático. Ele nos ensinou

desde criança, a mim e aos meus irmãos, a

sermos americanos. Foi toda nossa infância

assim, éramos os únicos americanos da escola,

os únicos americanos do bairro, os únicos

americanos da família...”

82


Fernando Gonçalves Bittencourt

Professor

Florianópolis/SC

Torcedor do Avaí/SC

“O maior rival do Avaí era o Paula Ramos. Hoje,

dizem que é um time ali do Estreito…”

83


Edmilson Pereira do Nascimento

Aposentado

Recife /PE

Torcedor do Santa Cruz/PE

“Tenho 78 anos. Frequento o Arruda há 73,

desde quando não tinha nada lá. Acompanhei

toda a construção do estádio desde o início.

Sou conselheiro, tenho duas cadeiras e sou

sócio. Eu tenho mais amor ao Santa Cruz do

que a tudo na minha vida.”

84


Felipe Portela

Estudante

Rio de Janeiro/RJ

Torcedor do Botafogo/RJ

“Grande parte do que eu vivo é pro Botafogo.

Muita gente me julga, muita gente reclama,

até na minha família, mas é uma paixão que

não tem como... Se a gente que é apaixonado

demais pelo Botafogo não fizer nada, aí é que

vai ficar difícil, mesmo!”

85


Anderson Castro

Estudante

Recife/PE

Torcedor do Central

de Caruaru/PE

“Aqui na capital, todo mundo é Náutico, Sport

e Santa Cruz, é muito chato. Minha família é

rubro negra, mas também tem alvirrubro e

tricolor. Pra não ficar discutindo com ninguém,

decidi torcer pelo Central.”

86


Ana Lorena Marche

Pesquisadora

Campinas/SP

Torcedora do São Paulo/SP

“Nas novas arenas, melhoraram a estrutura,

mas aumentaram os preços. Hoje em dia, pra

ir ao estádio do Palmeiras, se paga 200, 300

reais. Pra mim, isso é uma elitização do futebol.

O futebol é parte da cultura, ele é de todas as

classes! Restringir a uma só classe é errado.”

87


Erick Motta

Estudante

São Leopoldo/RS

Torcedor do Aimoré/RS

“Tem torcedor que é como eu, acostumado

a ficar no cimento, de pé, torcendo, e não

sentado... Então, eu sempre preferi estádio do

que arena. Se for só pra apreciar a beleza da

arena, tudo bem, mas se for pra torcer, eu não

gosto.”

88


Paulo Sérgio Vieira Campos

Funcionário Público

Belo Horizonte/MG

Torcedor do Cruzeiro/MG

“Nosso grande rival é o Independiente da

Argentina, que tem sete Libertadores. Não

considero o Atlético rival do Cruzeiro, porque

nós temos muito mais títulos do que eles.”

89


Paloma de Castro

Estudante

Recife/PE

Torcedora do Sport/PE

“Falar de rivalidade aqui em Pernambuco não

faz sentido, nós estamos na série A e Náutico e

Santa Cruz na série B. Em nível nacional, nosso

rival é o Flamengo. Desde 1987, o Flamengo

tenta tirar o título de campeão brasileiro da

gente, quando até a FIFA e a CBF já disseram

que é nosso!”

90


Carlos Alvarenga dos Santos

“Alvarenga Mengão”

Autônomo

Rio de Janeiro/RJ

Torcedor do Flamengo/RJ

“A torcida organizada tem que existir. É a torcida

organizada que faz a festa. Sem a organizada

(…) caria muito difícil ter uma festa bacana

na arquibancada. (…) Antigamente, cada um

levava sua bandeira de casa, hoje não tem

mais isso. Quem vai atravessar a cidade com

seu carro e uma bandeira gigante?

Vai car difícil de chegar no estádio...”

91


Tiago Abraão

Gestor Público

Cuiabá/MT

Torcedor do Operário/MT

“O nosso principal rival é o Mixto, que tem como

símbolo o Tigre; o nosso mascote é o Chicote

da Fronteira, pra bater no tigre!”

92


José Eduardo Francisco Moraes

Geólogo

Novo Hamburgo/RS

Torcedor do Novo Hamburgo/RS

“As torcidas organizadas não podem acabar.

Um jogo sem torcida cantando é um jogo com

uma plateia fria e triste. Nem os jogadores se

motivam assim. Eles vão jogar para uma plateia

de teatro, e futebol não é teatro.”

93


Jasmin Losso Hans

Estudante

Florianópolis/SC

Torcedora do Figueirense/SC

“Eu comecei a torcer por causa do meu irmão

mais velho, que torcia pro Figueirense e foi

minha inspiração.”

94


Manoel Paixão

Aposentado

Manaus/AM

Torcedor do Flamengo/RJ

“Tinha um rapaz aqui em Manaus, o Valente,

ele levava muita gente pro jogo na caçamba

do caminhão-pipa dele. Um dia, na saída do

Vivaldão, já no estacionamento, apareceu

um gaiato que foi tirar graça com ele. E ele

era perigoso, gostava de briga. Aí, brigou todo

mundo. Só não brigou eu...”

95


Felipe Klisma Miranda da Silva

Estudante

Fortaleza/CE

Torcedor do Fortaleza/CE

“Muitos brasileiros hoje torcem pelo Barcelona,

porque tem craques como Neymar, Messi e

Suárez. Se você for olhar pro Fortaleza, ele não

tem títulos expressivos, nem craques conhecidos

mundialmente – nem nacionalmente. Se

procurar motivos pra torcer pro Fortaleza, você

não vai encontrar. Só por amor.”

96


Joyce Fonseca Soares

Estudante

Belo Horizonte/MG

Torcedora do Atlético Mineiro/MG

“Eu não virei atleticana, eu nasci atleticana. Eu

sempre digo que nasci dentro de um ônibus,

viajando atrás do Galo.”

97


Maria Teresa Fehse

Aposentada

Novo Hamburgo/RS

Torcedora do Novo Hamburgo/RS

“Quando meu filho era pequeno, as crianças tinham

uma certa vergonha às vezes em usar a camiseta

do time. O meu filho ia para a escola, você só via

meninos usando a camiseta do Grêmio e do Inter.

Eram pouquíssimos meninos que usavam a camisa

do Novo Hamburgo. E hoje em dia inverteu. (…) Os

meninos hoje têm muito orgulho em usar a camisa

do Novo Hamburgo. (…) Eu acho que a gente tem

que amar a cidade onde vive e defender o lugar

onde se mora.”

98



Joaquim Sobreira Filho

Estudante

Fortaleza/CE

Torcedor do Ceará/CE

“Os novos estádios não foram feitos pro torcedor

brasileiro. Eles foram feitos pra pegar um outro

público, que vá ser um cliente, não necessariamente

um torcedor. Às vezes, a pessoa está mais

preocupada em ver se ela vai sair no telão ou em

fazer uma sele do que em ver a partida. Torcer

ca uma coisa secundária, e o que importa é estar

naquela experiência de estar numa arena. Isso é

preocupante. Não é esse modo de torcer que vai

fazer o time dele ganhar um campeonato.”

100


Maria Salomé da Silva

Aposentada

Belo Horizonte/MG

Torcedora do Cruzeiro/MG

“Eu não me importo de morrer no jogo, mas

eu vou. A Máfia Azul sempre me leva em casa.

Me deixam na porta. Enquanto eu não abro o

portão e fecho, eles não vão embora. Eles tem

muito carinho comigo.”

101


Arthur Reuter

Estudante

Cuiabá/MT

Torcedor do Dom Bosco/MT

“O Dom Bosco é um time aguerrido, que luta

do inicio ao fim. Estamos bem na tabela, só

dependemos da gente para ir pra série D.

Acho que vamos conseguir esse feito inédito!”

102


Carlos Roberto Wedman

“Vô Vida Loka do Grêmio”

Representante Comercial

Albatroz/RS

Torcedor do Grêmio/RS

“Sou da torcida jovem do Grêmio, e co

constrangido de falar das outras torcidas. O

que se vê por aí – ressalto que não são todas

– é briga. Briga pelo poder, briga para ser a

melhor torcida, são personalismos acima do

amor ao clube. Acima de qualquer torcida

organizada do Grêmio eu coloco o Grêmio em

primeiro lugar. Se houver humildade e amor ao

clube, que se unam em prol do Grêmio!”

103


Marcos Baltasar Fehse

Ex-Presidente do E. C. Novo

Hamburgo

Novo Hamburgo/RS

Torcedor do Novo Hamburgo/RS

“Em 1947, quando eu tinha 4 anos, fui a um jogo

do Floriano (hoje Novo Hamburgo) contra o

Internacional. (...) O jogo estava 1 x 1, mas o juiz,

com uma falta na intermediária, deu pênalti contra

o Novo Hamburgo. (...) A torcida invadiu o gramado

e não deixou bater a penalidade. (...) Desde lá eu

me tornei torcedor do Novo Hamburgo, e torço

por todos os times do interior, porque eu senti a

força da dupla Gre-Nal contra os times do interior.

Como é difícil lutar contra eles!”

104


Thiago Jose Nascimento Melo

Auxiliar Administrativo

Recife/PE

Torcedor do Náutico/PE

“Você botar um Batalhão de Choque – que

está acostumado a entrar em presídio com

truculência, acostumado a dar porrada – pra

fazer um evento esportivo é um absurdo. O

que eles sabem fazer é bater.”

105


Manoela Andrade

Estudante

Recife /PE

Torcedora do Sport/PE

“Desde que eu me conheço por gente sou

torcedora do Sport. Não teve outro clube na

minha vida, não teve outra paixão, outro amor.

O Sport é o amor da minha vida, meu primeiro

amor!”

106


Isabela Lisboa Berté

Funcionária Pública

Porto Alegre/RS

Torcedora do Internacional/RS

“Eu tenho pavor dos gremistas. Acho os

jogadores deles pedantes, eles se acham! O

Grêmio é bom quando ele está mal. Me dou

bem com as pessoas, mas sou implicante com

o Grêmio. Gosto de torcer contra, gosto de

secar. Acho até mais legal secar os jogos do

Grêmio do que assistir os do Inter, co menos

nervosa.”

107


Jairo Adriano de Mello

Advogado

São Leopoldo/RS

Torcedor do Aimoré/RS

“O Aimoré se equipara aos demais times do

interior, com todas as dificuldades que a gente

reconhece. Nós temos ausência de ídolos, o

campeonato é muito curto (…) e são só um ou

dois do elenco que sobram a cada ano.”

108


Cassiano de Mello

Filho do Jairo

São Leopoldo/RS

Torcedor do Aimoré/RS

“Eu sou o Cassiano, tenho cinco anos e quero

ser jogador de futebol no Aimoré.”

109


Roberto Fontoura

Auxiliar de Cozinha

Porto Alegre/RS

Torcedor do Grêmio/RS

“Um dia, na saída do Beira-Rio depois de um

Gre-Nal que o Grêmio venceu, teve arrastão,

nos roubaram, rasgaram as camisas do Grêmio.

Briga de soco, muita gente correndo pro lado

do (Parque) Marinha do Brasil, outros correndo

pra dentro do shopping. A gente nunca mais

assistiu Gre-Nal no Beira-Rio por causa desse

tipo de pancadaria.”

110


Nelton Sette Silva

Assistente Administrativo

Belo Horizonte/MG

Torcedor do Atlético Mineiro/MG

“Espero que o Atlético não entre nessa barca

furada de elitização do futebol. É o povão que

faz o futebol ficar com esse calor humano, com

essa animação toda, e não esses torcedores

com o perfil de quem vai a Copa do Mundo.

(...) O que nós queremos é que todas as classes

sociais tenham acesso ao futebol, e que os

pobres não sejam excluídos.”

111


Ivson Henrique

Estudante

Recife /PE

Torcedor do Sport/PE

“Pelo lado do conforto, a Arena é melhor. Mas

a emoção da arquibancada é muito forte. Não

compensa só o conforto. Na Arena, o pessoal

fica muito calado, mexendo no celular, não

acompanha o jogo direito. É como se fosse

uma torcida morta. A torcida do Sport não

vibra tanto na Arena como vibra na Ilha.”

112


Pedro Henrique da Silva Rodrigues

Promotor

Cuiabá/MT

Torcedor do Flamengo/RJ

“A torcida organizada é o pulmão do estádio.

Somos nós que cantamos, somos nós que

apoiamos, que empurramos o time. Nós temos

pessoas que mancham sim o quesito torcida

organizada, mas a mídia também só dá ênfase

pra torcida quando acontecem coisas ruins.”

113


Jackson Santos

Técnico de Laboratório

Florianópolis/SC

Torcedor do Avaí/SC

“Eu não queria ser assim, mas sou muito fanático

por futebol.

E o Avaí... Não tem explicação!”

114


Lídia Penha Otero

Aposentada

Porto Alegre/RS

Torcedora do Internacional/RS

“Esse Grêmio... não gosto nem de dizer essa

palavra! (...) Na minha ótica, dentro do Beira

Rio não devia nunca se falar em Grêmio.”

115


André Silveira Gomes

Professor

Belo Horizonte/MG

Torcedor do Cruzeiro/MG

“Briga é comigo mesmo! (risos) Teve uma

vez, em 1995, que a gente ficou na corda

de isolamento jogando moedas no lado

atleticano, que o Atlético estava numa crise

financeira terrível. Teve uma hora que o

cordão foi arrebentado, e a torcida passou. Eu

confesso que fui pra cima. Fui pra cima, senão

eu apanhava!”

116


Nilsinho Filho

Publicitário

Recife/PE

Torcedor do Íbis/PE

“Eu sou torcedor do Íbis, o pior time do mundo.

(...) Não tem violência nos jogos do Íbis:

quando o time perde, sai todo mundo feliz. (…)

Atualmente, o Ibis joga a segunda divisão do

campeonato pernambucano. Desde o ano

2000 a gente vem tentando voltar pra primeira,

mas não conseguiu. Este ano, foi eliminado de

novo, infelizmente...”

117


Kleyvson Diego Silva dos Santos

Estudante

Recife/PE

Torcedor do Santa Cruz/PE

“Aqui em Pernambuco aumentaram as brigas

de torcida depois que acabaram os bailes

funk. A galera dos bailes funk achou na torcida

organizada um lugar para continuar as brigas.”

118


Rodrigo Mezenga

Funcionário Público

Porto Alegre/RS

Torcedor do Grêmio/RS

“Minha família sempre foi dividida. Meu pai

e meus tios colorados; eu e meus primos,

gremistas. Quando tinha Grenal, era aquela

divisão dentro de casa. Pra não car só

assistindo televisão e ouvindo os colorados

falando – eles eram os mais velhos – aí eu ia

pro estádio.”

119


Gabriela Barcellos Ribeiro

Árbitra

Belo Horizonte/MG

Torcedora do Atlético Mineiro/MG

“O Galo pode ganhar a Taça Libertadores, e

aí eu vou ter que vender minha moto pra ir pro

Japão.”

120


Roberto Amorim

Psicanalista

Porto Alegre/RS

Torcedor do Ypiranga

de Erechim/RS

“Eu estava numa festa de aniversário dos

coleguinhas de minha filhinha de três anos,

e estava acompanhando pelo rádio uma

decisão por pênaltis, numa semifinal da série D,

valendo o acesso. Quando o Ypiranga passou

da série D para a série C, comecei a chorar

copiosamente... numa festa de crianças de

três anos! Um mico tremendo!”

121


Francisco Wilmer Magalhães Jr.

Geógrafo

Belo Horizonte/MG

Torcedor do América/MG

“Ser americano onde todo mundo é cruzeirense

ou atleticano é muito difícil. A gente sofre

bullying desde o momento em que fala que é

americano. Hoje o América é tudo na minha

vida! Vivo o América, sou presidente de uma

torcida organizada, tenho o escudo tatuado

na pele. Carrego o América comigo o tempo

todo. (…) A gente torce contra o Cruzeiro e

contra o Atlético. Ganhar deles é orgulho!”

122


José Damico

Professor

Porto Alegre/RS

Torcedor do Internacional/RS

“Não sou um grande tocador de auta, é uma

coisa mais interna, sem envolver os outros,

mas eu me divirto muito vendo as derrotas e

secando o Grêmio.”

123


Lerynda Marcia da Silva Lima

Estudante

Recife/PE

Torcedora do Sport/PE

“No momento atual, o Sport não tem rival,

porque os outros times estão bem abaixo. É a

realidade. Eu gostaria que tivesse alguém pra

ser rival, mas não tem...”

124


Rodrigo Caun

Comerciário

Rio Claro/SP

Torcedor do Velo Clube/SP

“Rio Claro é a cidade do Velo. Sou torcedor do

Velo há 19 anos. Por isso a garra que eu tenho.

É a felicidade, é a paixão. É o Velo!”

125


Francisca Abreu

Vendedora

Cuiabá/MT

Torcedora do Mixto/MT

“A gente torce, xinga, a adrenalina vai a mil,

mas saiu do estádio, acabou! Fica tudo dentro

do estádio!”

126


Carlos Paranhos de Almeida

Advogado

Porto Alegre/RS

Torcedor do Grêmio/RS

“A rivalidade aqui no Estado é imensa, apesar

de nós termos a maior torcida do Rio Grande.

(…) Já excluí amigos do Facebook por causa

de chacota quando o Grêmio perde. (…) Eles

já sabem: não pisa no meu calcanhar quando

o Grêmio perde!”

127


Rafael Melo

Estudante

Recife/PE

Torcedor do Náutico/PE

“Meu gol inesquecível foi na última rodada do

Brasileiro de 2012. O Náutico ganhou do Sport

de 1 x 0, gol de Araújo no segundo tempo, que

classicou o Náutico pra Sul-Americana do

ano seguinte e rebaixou o Sport pra Segunda

Divisão. O gol nem foi bonito, mas foi muito

importante.”

128


Luana Bauer Brinati

Enfermeira

Belo Horizonte/MG

Torcedora do Cruzeiro/MG

“A superioridade do Cruzeiro é tão grande que

é fácil lidar com a rivalidade. Não tenho medo

do Atlético, acho que a história do Cruzeiro é

muito superior. (…) Não tem nem o que discutir:

o Cruzeiro é melhor e pronto.”

129


Ubiratan da Silva Mattos

Segurança

Porto Alegre/RS

Torcedor do Internacional/RS

“Sou torcedor, não sou fanático, mas adoro

o Internacional, sou apaixonado pelo

Internacional. (...) Não conheço um time

grande rival do Inter; aqui no Estado quem

manda é nós.”

130


Foto: Bernardo Augusto


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