30.06.2021 Views

*Junho/2021_Revista Biomais 45

You also want an ePaper? Increase the reach of your titles

YUMPU automatically turns print PDFs into web optimized ePapers that Google loves.

Entrevista: Análise em investimentos nacionais do setor de energias renováveis

GERANDO

ENERGIA

MERCADO DE BIOMASSA

MOVIMENTA ECONOMIA

NA INDÚSTRIA DA MADEIRA

PESQUISA PROMISSORA

ENERGIA ATRAVÉS DE

MICROALGAS

UNIÃO FAZ A FORÇA

COMUNIDADE PRODUZ BIOGÁS E BIOMETANO


BENTO GONÇALVES/RS

Fone: (54) 3455-0133 | (54) 3454-1450

E-mail: contato@centenarocavacos.com.br

COLETA, TRANSPORTE, RECICLAGEM

E DESTINAÇÃO FINAL DA BIOMASSA

Gerando rentabilidade, contribuindo

para o desenvolvimento sustentável e

reduzindo os impactos ambientais,

visamos a melhoria da qualidade de

vida e das gerações futuras.

Nossos parceiros:


SUMÁRIO

04 | EDITORIAL

União pelo progresso

ENTREVISTA

06 | CARTAS

08 | NOTAS

18 | ENTREVISTA

24 | PRINCIPAL

Foto: divulgação

ENTREVISTA

FUTURO DA

ENERGIA

FABRÍZIO

NICOLAI MANCINI

Formação: Engenheiro Elétrico pela UP

(Universidade Positivo), Doutorando

em Tecnologia e Sociedade pela UTFPR

(Universidade Federal Tecnológica do

Paraná) e mestrado em Desenvolvimento

de Tecnologia pelo Instituto Lactec

Cargo: Professor dos cursos de Engenharia

Elétrica e Engenharia de Energia da

Universidade Positivo

30 | CASE

Energia coletiva

34| ECONOMIA

Sustentabilidade econômica

busca por fontes renováveis de energia em detrimento ao uso dos combustíveis fósseis

tende a crescer cada vez mais em todo mundo. Mas como o Brasil está posicionado

dentro desse mercado? Essa e outras perguntas foram respondidas pelo dou-

A

torando em Tecnologia e Sociedade, mestre em Desenvolvimento de Tecnologia, e

professor dos cursos de Engenharia Elétrica e Engenharia de Energia da Universidade Positivo,

Fabrízio Nicolai Mancini, em entrevista exclusiva à Revista BIOMAIS.

“O Brasil tem um potencial maravilhoso e a gente não tem uma exploração adequada disso,

porque ainda temos custos muito elevados, dependendo do câmbio com uma dependência

internacional muito grande”, explicou Mancini.

18 www.REVISTABIOMAIS.com.br

38 | PESQUISA

42 | ARTIGO

Energia eólica

48 | AGENDA

50| OPINIÃO

O caminho das pedras da

transformação digital

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

03


EDITORIAL

Estampa a capa desta edição montagem

alusiva aos produtos oferecidos pela

Centenaro Cavacos

UNIÃO PELO

PROGRESSO

C

ompletar 15 anos de uma história de sucesso já é uma marca impressionante. Mas

celebrar essa data dentro de uma empresa que une diversas gerações torna tudo ainda

mais especial. Nessa edição vamos contar a história da Centenaro Cavacos, companhia de

Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha, especializada na transformação de resíduos industriais

em biomassa. Além disso, também vamos contar sobre um projeto inovador em Arapongas (PR), que

pretende implantar uma usina de biogás no município, a partir de rejeitos de diversas localidades.

Também será foco nessa edição pautas sobre outras fontes de energia renovável, como a solar, a eólica

e a hidrelétrica. Tenha uma excelente leitura!

EXPEDIENTE

ANO VIII - EDIÇÃO 45 - JUNHO 2021

Diretor Comercial

Fábio Alexandre Machado

(fabiomachado@revistabiomais.com.br)

Diretor Executivo

Pedro Bartoski Jr

(bartoski@revistabiomais.com.br)

Redação

Jorge de Souza

(jornalismo@revistabiomais.com.br)

Dep. de Criação

Fabiana Tokarski - Supervisão

Crislaine Briatori Ferreira - Gabriela Bogoni

(criacao@revistareferencia.com.br)

Representante Comercial

Dash7 Comunicação - Joseane Cristina Knop

Dep. Comercial

Gerson Penkal - Jéssika Ferreira - Tainá Carolina Brandão

(comercial@revistabiomais.com.br)

Fone: +55 (41) 3333-1023

Dep. de Assinaturas

Cristiane Baduy

(assinatura@revistabiomais.com.br) - 0800 600 2038

ASSINATURAS

0800 600 2038

A REVISTA BIOMAIS é uma publicação da JOTA Editora

Rua Maranhão, 502 - Água Verde - Cep: 80610-000 - Curitiba (PR) - Brasil

Fone/Fax: +55 (41) 3333-1023

www.jotaeditora.com.br

Veículo filiado a:

A REVISTA BIOMAIS - é uma publicação bimestral e

independente, dirigida aos produtores e consumidores de

energias limpas e alternativas, produtores de resíduos para

geração e cogeração de energia, instituições de pesquisa,

estudantes universitários, órgãos governamentais, ONG’s,

entidades de classe e demais públicos, direta e/ou indiretamente

ligados ao segmento. A REVISTA BIOMAIS não se

responsabiliza por conceitos emitidos em matérias, artigos,

anúncios ou colunas assinadas, por entender serem estes

materiais de responsabilidade de seus autores. A utilização,

reprodução, apropriação, armazenamento de banco de dados,

sob qualquer forma ou meio, dos textos, fotos e outras

criações intelectuais da REVISTA BIOMAIS são terminantemente

proibídas sem autorização escrita dos titulares dos

direitos autorais, exceto para fins didáticos.

04 www.REVISTABIOMAIS.com.br


CARTAS

MODELO

A editoria PELO MUNDO é uma das minhas preferidas da REVISTA BIOMAIS. Sempre com ótimos

exemplos que podem servir de inspiração para outras cidades e países!

Francisco Brum – Rio Negro (PR)

Foto: divulgação

TECNOLOGIA

É uma das minhas editorias preferidas! Trazer as inovações que surgem diariamente ao redor do globo para que elas

possam inspirar iniciativas semelhantes por todo o país!

Ana Freire – Vitória (ES)

FUTURO

O amanhã é verde e o pós-pandemia precisa ser pautado pela economia verde. Excelente reportagem mostrando os

benefícios econômicos de medidas e políticas mais sustentáveis. Parabéns!

Josias Teixeira – Recife (PE)

CASE

Ótimo case da edição 41 de outubro de 2020 sobre as empresas japonesas que querem

aumentar a produção de algas para biocombustíveis. Qualquer alternativa sustentável para

substituição de combustíveis fósseis deve ser incentivada.

Laís Queiroz– Rio de Janeiro (RJ)

Foto: divulgação

REVISTA

na

mídia

informação

biomassa

energia

www.revistabiomais.com.br

www.facebook.com.br/revistabiomais

www

Publicações Técnicas da JOTA EDITORA

06 www.REVISTABIOMAIS.com.br


Secador de lâminas

4 pistas

Vantagens:

+ -

produtividade/hora consumo de energia/hora

“Persistência na tecnologia,

obstinação em ser melhor”

+55 (47) 98873-5231 +55 (47) 3382-2222 | +55 (47) 99927-5261

vendas@benecke.com.br www.benecke.com.br

Rua Fritz Lorenz, 2170 – 89120-000 – Timbó – SC – Brasil


NOTAS

MAIS ENERGIA

A COPEL (Companhia Paranaense de Energia)

colocou em operação comercial a primeira unidade

geradora de energia da PCH (Pequena Central

Hidrelétrica) Bela Vista. Construída em tempo

recorde e entregue dois anos antes do prazo

previsto, a usina foi instalada no Rio Chopim, entre

os municípios de Verê e São João, no sudoeste do

Paraná. O investimento na mais nova hidrelétrica

da COPEL foi de R$ 224 milhões e a energia gerada

vai abastecer 100 mil pessoas. Bela Vista terá capacidade

para produzir 29,81 MW (Megawatts), sendo

29,322 MW em três unidades geradoras na casa

de força principal e 0,488 MW na unidade instalada

na casa de força complementar, construída junto à barragem, que vai gerar energia aproveitando a vazão mínima de água que não

pode ser represada e deve escoar de forma permanente no trecho abaixo do barramento, mantendo a condição ambiental adequada

do rio. A energia gerada na hidrelétrica será levada até a subestação existente em Dois Vizinhos através de uma linha de distribuição

em alta-tensão (138 mil volts), com 18 km (quilômetros), que passa por Verê, São Jorge D’Oeste e Dois Vizinhos. A previsão é de que

a segunda e a terceira unidades geradoras entrem em operação até o final do mês de julho. Com a implantação da PCH, a travessia

sobre o Rio Chopim na área do reservatório deixa de ser feita por balsa e passa a ser feita pela nova ponte que faz a integração entre

os municípios de Verê e São João. A ponte de 200m (metros) foi construída pela COPEL atendendo a uma reivindicação antiga da

população local, que agora é beneficiada com uma ligação rodoviária segura e gratuita entre os municípios de Verê e São João.

Foto: divulgação

Foto: divulgação

DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

Dobrar a produção de alimentos sem desmatar, transformar a Amazônia

no maior celeiro global de produtos naturais, mantendo a floresta em pé,

diminuir consideravelmente a aplicação de agroquímicos na produção de

alimentos, reduzir a desigualdade, ampliar a geração de renda e empregos

para os povos tropicais, abastecer o mundo com alimentos mais saudáveis,

produzidos de forma mais sustentável e combater ao mesmo tempo o aquecimento

global. Esses são alguns dos objetivos colocados pelos pesquisadores

que participaram do lançamento do Projeto Biomas Tropicais, que após

8 anos de formatação, conseguiu reunir algumas das maiores autoridades

brasileiras em ciências relacionadas à Bioeconomia Tropical. O Projeto Biomas

Tropicais é coordenado pelo Instituto Fórum do Futuro, presidido pelo

professor Alysson Paolinelli, e conta no seu núcleo central com a parceria

de instituições como o CNPq, a EMBRAPA, a ESALQ (Universidade de São

Paulo), as Universidades Federais de Lavras e Viçosa, o Centro de Gestão de

Estudos estratégicos, o SEBRAE e a FGV-Agro, além de inúmeras instituições

regionais em cada um dos biomas estudados. A experiência deve desenvolver alternativas para a integração da ciência, energia,

natureza e alimentos, criando uma sinergia entre essas áreas e dando grande ênfase a ações sustentáveis. Para atingir seus objetivos,

o projeto Biomas Tropicais se concentrará em pesquisa e gestão de alta precisão. O propósito é encontrar caminhos para promover a

inclusão tecnológica dos povos tropicais, permitindo o desenvolvimento sustentável, a geração de renda e empregos e viabilizando a

permanência dos povos tropicais em suas regiões de origem. A concepção do Projeto Biomas começou há oito anos e a implantação

teve início em meados de 2019, no Polo Demonstrativo dos Cerrados, em Rio Verde (GO). Agora estão sendo iniciados os trabalhos na

Amazônia e na Caatinga.

08 www.REVISTABIOMAIS.com.br


INOX CONEXÕES com grande história e tradição, atua há 26 anos no

segmento de conexões, tubos, válvulas e acessórios em aço inoxidável,

aço carbono e ligas de aço. Localizada em São Paulo, tem como objetivo

atender a toda e qualquer necessidade de seus clientes nos mais diversos

segmentos: Indústria química, alimentícia, farmacêutica, papel e celulose, óleo e

gás. Composta por profissionais qualificados, trabalhamos visando a satisfação de

nossos clientes. Dispomos de um sistema de gestão conforme norma ISO 9001, e somos

qualificados no sistema CRC da Petrobras.

R. Ijucapirama, 98 Jardim Santa Teresinha | São Paulo - SP

(11) 2723 2020 | contato@inoxconexoes.com.br

www.inoxconexoes.com


NOTAS

Foto: divulgação

POTENCIAL ENERGÉTICO

Apesar de cerca de 90% da energia elétrica do território

nacional ter origem nas usinas hidrelétricas, cerca de um quinto

do que é produzido é desperdiçado na transmissão da energia

até os centros de consumo, como o exemplo de Itaipu. Perdas

que resultam em pelo menos 5% da tarifa paga pelo consumidor.

Um dos caminhos para driblar essas perdas de energia no

país é optar pela energia solar distribuída. Até 2027, de acordo

com o Governo Federal, as hidrelétricas perderão espaço para

a energias renováveis e cairão para 51% em termos de participação

energética, enquanto fontes alternativas devem saltar

para 28%. Para o diretor da empresa de comércio exterior

brasileira Tek Trade, Rogério Marin, responsável por importar 4

MW (Megawatts) de energia em placas fotovoltaicas em 2020, o

principal caminho será o incentivo à implantação de usinas de

energias renováveis e o aumento da micro geração de energia

solar distribuída pela população. O diretor estima que o crescimento

em importação de painéis solares pela Tek Trade deve ter

um acréscimo de 15% em 2021, em comparação com 2020, e

seguir em crescimento pelos próximos anos. Uma oportunidade

aos empresários interessados em atuar com a distribuição e

instalação de equipamentos e que, inclusive, é apontada como

uma solução para a retomada do crescimento econômico, de

países e empresas no pós-pandemia. Outro fator apontado

por Marin é que as principais hidrelétricas do Brasil, ou seja, as

que geram mais energia, estão localizadas no Rio Paraná, na

fronteira Brasil-Paraguai. Sendo assim, na hora de transportar

esta energia para o restante do país, se perde pelo menos 20%

do recurso na transmissão pela rede, afetando diretamente na

qualidade da eletricidade fornecida em algumas regiões. Já o

painel solar possui facilidade na hora da instalação e sua matéria-prima

– a luminosidade do sol – é inesgotável e gratuita.

CARTEIRA DE TRABALHO

Em um momento em que o Brasil enfrenta o desemprego

e problemas econômicos, a geração distribuída

solar fotovoltaica vai na contramão. De acordo com

dados da ABSOLAR, somente em 2020 foram gerados

mais de 76 mil empregos em todo o país. Para este ano,

a expectativa é abrir mais de 118 mil vagas. O Paraná

ocupa a quinta posição em geração de postos de trabalho:

desde 2012 foram criados mais de 8.500 empregos.

O estado é o território com melhor irradiação solar do

sul do país, principalmente as regiões norte, noroeste

e oeste e as cidades com maiores potências de energia

solar instaladas são Maringá, Londrina, Cascavel e Foz

do Iguaçu. Junto com os empregos, chegam também

os investimentos. A geração distribuída solar fotovoltaica

já atraiu mais de 26 bilhões de investimentos

privados em todo o Brasil desde 2012, com os paranaenses

contribuindo em R$ 1,5 bilhão desse total, além

de arrecadar 6 bilhões de tributos, sendo 355,3 milhões

somente no Paraná. Até 2019, o Paraná ocupava a

quarta posição em geração distribuída e potência

instalada e também na geração de postos de trabalho.

Atualmente, perdeu uma colocação e está no quinto

lugar. Mas, pode voltar a crescer. Um dos motivos é o

programa de crédito exclusivo com juros subsidiados

lançado pelo governo do estado no dia 27 de abril,

com a criação do Banco do Agricultor Paranaense. Foi

anunciado que projetos de energia fotovoltaica poderão

ser financiados com limite equalizado de até R$ 500

mil. Foi previsto também subvenção para operações

em obras civis, aquisição de materiais e equipamentos

e na elaboração de projetos de geração de energia de

fontes fotovoltaicas e outras sustentáveis, o que traz

esperança para o setor voltar a crescer no Estado.

Foto: divulgação

10 www.REVISTABIOMAIS.com.br


PERFORMANCE

EFICIÊNCIA

ROBUSTEZ

SEGURANÇA

GERADOR DE

AR QUENTE

SECAGEM INDIRETA

DE GRÃOS

O Gerador de ar quente IMTAB foi

desenvolvido para secagem de

produtos sem contaminação por

HPAs e com mais segurança para

secadores, já que não possui

fagulhas oriundas de combustão.

Este equipamento não necessita

de água, vapor e ou vaso de

pressão (caldeira), o equipamento

foi desenvolvido com sistema de

troca AR x GÁS, que resulta em

um custo operacional muito

abaixo dos equipamentos

disponíveis no mercado.

www.imtab.com.br

(47) 3534-0396

comercial@imtab.com.br

Estrada Geral Pitangueira n° 1

Agrolândia - SC


NOTAS

INOVAÇÃO NA INDÚSTRIA

A ENGIE está concluindo a fase mais importante do Projeto de Pesquisa e

Desenvolvimento Aerogerador Nacional, que é a montagem do equipamento.

Localizado no município de Tubarão (SC), o aerogerador está instalado no

parque experimental de pesquisa e desenvolvimento da ENGIE e é resultado

de um Projeto Estratégico do P&D (Programa de Pesquisa e Desenvolvimento)

da ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica). O aerogerador foi projetado

e construído pela WEG S.A e a segunda etapa do projeto também contou com

recursos do P&D das CELESC (Centrais Elétricas de Santa Catarina S.A). O projeto

denominado: Desenvolvimento e certificação de aerogerador nacional de 4,2

MW (Megawatts) de acoplamento direto, com gerador síncrono de ímãs permanentes

e conversor de potência plena; tem por objetivo desenvolver e incentivar

a tecnologia nacional em energia eólica para reduzir a dependência de

outros países, por meio do fortalecimento da cadeia brasileira de fornecedores

de componentes e prestadores de serviços para a fabricação e instalação de

aerogeradores de grande porte. Essa nova turbina, com 4,2 MW de potência, foi

instalada a 600 metros de outro aerogerador, de 2,1 MW, resultado da primeira

etapa deste Projeto Estratégico de P&D, o qual foi primeiro protótipo construído pela WEG no Brasil. Ele entrou em operação em 2015

e a análise do seu desempenho contribuiu para o desenvolvimento deste novo aerogerador, mais adequado às condições de vento do

Brasil. A energia elétrica gerada será futuramente fornecida ao SIN (Sistema Interligado Nacional), que faz a conexão entre as unidades

de geração e os consumidores de energia elétrica. Mais de R$ 300 milhões já foram investidos, desde 1999, em pesquisa e desenvolvimento

pela ENGIE no Brasil, em mais de 200 projetos realizados e/ou em desenvolvimento, unindo esforços de mais de 40 organizações,

incluindo universidades, centros de pesquisa, empresas e startups.

Foto: divulgação

Foto: divulgação

LOGÍSTICA REVERSA

O OLUC (Óleo Lubrificante Usado ou Contaminado)

é classificado como resíduo perigoso e, contendo metais

pesados como cromo, cádmio, chumbo e arsênio, deve ser

enviado para a reciclagem por meio do rerrefino. Em acordo

de cooperação assinado no mês de junho, no âmbito do

programa Lixão Zero, o MMA (Ministério do Meio Ambiente),

a ABETRE e a AMBIOLUC visam informatizar o sistema de

logística reversa que permite a destinação ambientalmente

adequada desse resíduo. Com isso, qualquer cidadão poderá

acessar informações sobre a logística reversa do óleo, além

de resultados do sistema e orientações para contribuir com

a destinação ambientalmente adequada desse tipo de

resíduo. O grande objetivo é eliminar o descarte inadequado, contribuindo para o encerramento de lixões, em acordo com o Marco

Legal do Saneamento Básico, que determina o encerramento de todos os lixões do País até 2024. Para alcançar esse resultado, o

acordo prevê a integração das informações setoriais sobre logística reversa de OLUC no SINIR (Sistema de Informação Nacional

lançado pelo MMA em 2019) e o desenvolvimento de um aplicativo online, arquitetado para permitir a integração com os demais

sistemas de logística reversa existentes no país, como eletroeletrônicos, embalagens e medicamentos. Em 2020, foram coletados

mais de 465 milhões de litros de óleo lubrificante usado ou contaminado, em mais de 4.100 municípios brasileiros. A logística

reversa possibilitou a produção de mais de 300 milhões de litros de óleos básicos, alcançando 20% da demanda nacional, gerando

emprego e renda no setor. O programa Lixão Zero acumula uma série de ações na área de logística reversa de resíduos, incluindo

a implementação e incrementos nos sistemas de logística reversa de eletroeletrônicos, medicamentos, baterias de carro, latas de

alumínio e óleo lubrificante, aumentando as metas de reciclagem do OLUC, que até 2023 deverá alcançar 47,5% no país.

12 www.REVISTABIOMAIS.com.br


NOTAS

Foto: divulgação

ECONOMIA

A rede varejista de alimentos, como hiper e supermercados,

tem sofrido com a alta da energia elétrica

no Brasil. Com os constantes reajustes que o Governo

tem repassado aos consumidores, é inevitável que esse

valor também chegue aos alimentos como forma dos

supermercados equilibrarem a conta. Segundo dados da

ABRAS (Associação Brasileira de Supermercados), a conta

de energia é o segundo maior gasto de um supermercado,

atrás apenas da folha de pagamento, representando

um gasto de mais de R$ 3 bilhões no mercado

varejista. Dentre os maiores itens de consumo em um

supermercado, encontra-se o sistema de refrigeração

(40% de gastos), principalmente se o estabelecimento

conta com açougue e câmaras frias, ar-condicionado

(varia entre 30% e 50%) e iluminação, na média, até 20%.

Por conta dessa situação, muitos estabelecimentos têm

buscado soluções para que esses gastos não minimizem

ainda mais a sua margem de lucro. Uma das saídas

encontradas pelo setor tem sido o investimento em

energia fotovoltaica. A Distribuidora Betel, supermercado

localizado em Curitiba (PR), fez a aposta em energia

fotovoltaica em novembro de 2020. A conta de energia,

que girava em torno dos R$ 1.800,00, caiu para perto de

R$ 300,00 com o novo sistema, uma redução de 83% na

fatura. Para a instalação e habilitação do sistema, foram

gastos R$ 120 mil, que, dado os ajustes nos preços da luz,

terá um retorno sobre o investimento em três anos. Mas,

a economia mensal já chega aos clientes da empresa,

garante o proprietário Paulo Fontoura. "Revertemos a

economia em preços diferenciados, ampliação da loja e

contratação de funcionários, o que vai impactando no

crescimento da empresa."

SUSTENTABILIDADE

Falar é fácil, mas como seria um sistema de logística

reversa na cadeia do papel que funcione de verdade? Com

apoio da Green Mining, a IBEMA hoje efetivamente traz de

volta para sua unidade de Embu das Artes (SP) papel cartão

utilizado, e reinsere o material em sua cadeia produtiva. A

Green Mining conta com 24 funcionários registrados, entre

ex-cooperados ou ex-catadores de rua que, agora formalizados,

coletam papelão e papel cartão na cidade de São

Paulo. Eles utilizam triciclos de carga – bicicletas adaptadas

para transporte que evita o trânsito e as emissões de CO₂

(Gás Carbônico) – e com elas fazem a coleta de materiais

recicláveis em 720 bares, restaurantes e condomínios da

capital paulista. Esses pontos de coleta recebem o serviço

da Green Mining sem custos. Quem financia o sistema são

empresas como a IBEMA, que assumiram a responsabilidade

de colocar em prática o que a lei manda, ou seja, uma coleta

independente do poder público. Nos estabelecimentos

do setor de alimentação, são coletadas muitas caixas de

ingredientes para cozinha e de bebidas. Já nos condomínios

residenciais, existe o descarte desde papel sulfite limpinho

até embalagens sujas – e aí entra o treinamento realizado

com moradores e agentes de limpeza que segregam esses

materiais recicláveis. Após a coleta, o material é levado para

hubs, onde é prensado e devolvido às indústrias que apostam

nesse serviço. Para garantir o controle das quantidades

coletadas e sua procedência, a Green Mining utiliza um sistema

de rastreabilidade de última geração. Em um banco de

dados sequencial, cada lote de resíduo é acompanhado do

começo ao fim do ciclo, e assim se garante o peso e o tipo de

material em cada local de coleta. A pesagem é feita in loco

e fotografado. Cada etapa recebe um carimbo na forma de

blockchain, ou seja, sem possibilidade de adulteração.

Foto: divulgação

14 www.REVISTABIOMAIS.com.br


Máquinas Peletizadoras

TECNOLOGIA E

INOVAÇÃO PARA A

INDÚSTRIA DE PELLETS

As Peletizadoras PBX são altamente

dimensionadas, para entregar pellets

de altíssima qualidade, possuem

matriz plana, cabeçotes com dois,

três ou quatro rolos podendo ser

aplicada nas seguintes matérias:

Pellets de madeira, feno, ração

animal, adubo orgânico e outros.

PELETIZADORAS

PARA TODAS AS DEMANDAS

+55 (45) 3303-4824

/Peletizadora Biobrax

BR 277, Km 593 nº 19445 | 14 de Novembro | Cascavel - PR | 85804-600


NOTAS

CARBONO ZERO

Com produção própria e aquisição de certificados no mercado, o Banco do Brasil

(BB) alcançou 100% de compensação das emissões de gases de efeito estufa oriundos

do consumo de energia elétrica das dependências. Ao longo do ano passado, foram

consumidos um total de 532,8 mil MW/h (Megawatts/horas) . Com a operação, o BB

neutraliza a emissão de 33 toneladas de gás carbônico, o que equivale ao consumo

de energia de uma cidade de 222 mil residências em um ano ou ao reflorestamento

relativo ao plantio de 75.336 árvores. Para compensar sustentavelmente o volume de

532,8 mil MWh, o BB adquiriu, por meio de licitação, em contratação inédita na Administração

Pública, 523,9 mil I-REC (International Renewable Energy Certificate) da Distribuidora

Digital de Energia Matrix, cujos certificados são provenientes do complexo

eólico Serra da Babilônia (BA) e Baixa do Feijão (RN). O montante se une aos 8,9 mil

RECs decorrentes da geração de energia da usina solar inaugurada em março do ano

passado em Porteirinha (MG). O I-REC é uma plataforma internacional de transações que permite aos consumidores adquirirem o certificado

de uma energia de fonte renovável rastreada para compensar as emissões pelo consumo de energia elétrica. A ação integra um dos

10 compromissos sustentáveis assumidos pelo BB, especificamente o ‘Fomento à Energia Renovável’ que prevê, além da compensação

de 100% das emissões de gases de efeito estufa oriundos do consumo de energia elétrica, chegar a 90% de energia renovável até 2024.

Para 2021, as duas usinas fotovoltaicas do BB em funcionamento, a de Porteirinha (MG) e a de São Domingos do Araguaia (PA), inaugurada

em outubro de 2020, gerarão 16 mil I-RECs. Ainda neste ano, o BB tem prevista a inauguração de mais quatro usinas: na Bahia, no

Ceará, em Goiás e no Distrito Federal, além de outras quatro em 2022, a serem licitadas, gerando mais energia e compensando o consumo

de um número maior de dependências. Quando concluídas, as seis unidades entregues até 2021 fornecerão 32 GW/h (Gigawatts/

hora) de energia por ano, total semelhante ao consumo de 13,3 mil residências. Com essas medidas, o BB deixará de emitir cerca de 1,6

mil toneladas anuais de dióxido de carbono, o que equivale ao plantio de aproximadamente 4,5 mil árvores.

Foto: divulgação

Foto: divulgação

LEILÕES DE ENERGIA

O presidente Jair Bolsonaro assinou em maio, decreto que regulamenta uma

nova modalidade de leilões de energia, para contratação de reserva de capacidade,

com um primeiro certame do tipo já previsto pelo Ministério de Minas e

Energia para dezembro. Publicada em edição extra do Diário Oficial da União,

a medida não está associada à crise hídrica atual, uma vez que já vinha sendo

discutida no governo e mira usinas que entrariam em operação apenas no futuro,

mas tem ligação com o processo de privatização da Eletrobras. Alterações à

medida provisória (MP) sobre a desestatização durante a aprovação da matéria

pela Câmara dos Deputados estabeleceram uma obrigação de contratação pelo

governo de novas termelétricas a gás nos próximos anos, por meio dos leilões de

reserva de capacidade como os agora regulamentados pelo decreto do presidente.

O primeiro leilão desse tipo deverá ser realizado em dezembro, segundo uma

portaria da pasta de Minas e Energia também publicada na noite de sexta-feira,

em separado. O certame visará fechar contratos com usinas termelétricas a gás

e hidrelétricas novas ou existentes. Os contratos do leilão terão duração de até

15 anos. Serão negociados contratos de potência de reserva de capacidade, com início de suprimento a partir de julho de 2026,

e contratos de compra de energia no ambiente regulado, com suprimento a partir de janeiro de 2027. O texto de privatização da

Eletrobras que passou na Câmara prevê após mudanças do relator Elmar Nacimento (DEM-BA) aprovadas pelos deputados, que o

governo deverá contratar 6 GW (Gigawatts) em termelétricas a gás para operação a partir de 2026, 2027 e 2028, sendo 1 GW em

um Estado do nordeste e 5 GW entre usinas no norte e centro-oeste. O projeto também estabelece obrigação de contratação de até

2 GW em PCHs (pequenas centrais hidrelétricas) no leilão de energia A-6 deste ano. O Ministério de Minas e Energia disse em nota

na noite de sexta que, com o leilão de reserva de capacidade em dezembro, o A-6 de 2021 não será mais realizado.

16 www.REVISTABIOMAIS.com.br


ENTREVISTA

Foto: divulgação

ENTREVISTA

FABRÍZIO

NICOLAI MANCINI

Formação: Engenheiro Elétrico pela UP

(Universidade Positivo), Doutorando

em Tecnologia e Sociedade pela UTFPR

(Universidade Federal Tecnológica do

Paraná) e mestrado em Desenvolvimento

de Tecnologia pelo Instituto Lactec

Cargo: Professor dos cursos de Engenharia

Elétrica e Engenharia de Energia da

Universidade Positivo

FUTURO DA

ENERGIA

A

busca por fontes renováveis de energia em detrimento ao uso dos combustíveis fósseis

tende a crescer cada vez mais em todo mundo. Mas como o Brasil está posicionado

dentro desse mercado? Essa e outras perguntas foram respondidas pelo doutorando

em Tecnologia e Sociedade, mestre em Desenvolvimento de Tecnologia, e

professor dos cursos de Engenharia Elétrica e Engenharia de Energia da Universidade Positivo,

Fabrízio Nicolai Mancini, em entrevista exclusiva à Revista BIOMAIS.

“O Brasil tem um potencial maravilhoso e a gente não tem uma exploração adequada disso,

porque ainda temos custos muito elevados, dependendo do câmbio com uma dependência

internacional muito grande”, explicou Mancini.

18 www.REVISTABIOMAIS.com.br


Qual sua avaliação sobre o investimento em energias

renováveis no Brasil? O que falta para potencializar

esse setor?

A gente tem visto, vamos dizer assim, uma certa paralisia,

desde 2016, o que acabou prejudicando um pouco

a área de infraestrutura. Apesar dos percalços políticos e

ideológicos, nós notamos que existem esses investimentos,

tanto pela parte do poder público, quanto uma tendência

de crescimento nos investimentos privados, inclusive vindo

do exterior. Mas ainda existem alguns gargalos no setor,

principalmente por conta de uma necessidade de reforma

no setor de energia elétrica. Atualmente, existem algumas

revisões, inclusive, com relação a questão da geração

distribuída. Outro aspecto é que em algumas outras áreas

estratégicas, como a dificuldade da gente desenvolver

a parte do biogás, por uma ausência de uma malha que

seria compartilhada com o gás natural, que é um outro

potencial muito grande que o Brasil tem. Também temos

algumas áreas crescentes, como a energia solar, que nós

notamos ainda um desarranjo, principalmente com relação

a questão da taxação do sistema de geração distribuída

compensada, o sistema de compensação. Então, nós temos

alguns gargalos bem importantes para ultrapassar e eles

estão vinculados em uma boa parte a questão da realidade

econômica atual, mundial, com a pandemia, e em um

outro aspecto com algumas necessidades de ajustes de

regulamentação do setor de energia, como é o caso da elétrica

e também a parte de petróleo, gás e biocombustíveis.

temos alguns problemas de regulamentação que precisam

ficar claros. As usinas de um sistema público, ou autoprodução,

ou produtor independente, estão fornecendo

energia para o sistema, enquanto a energia, vamos dizer

assim, estão centralizadas para esses empreendimentos.

Acredito que o Governo deveria estimular essas empresas

para fabricar esses módulos solares no Brasil. Isso seria uma

política que com certeza melhoraria o setor e deslocaria o

dinheiro que nós estamos mandando para o exterior, por

conta dos módulos solares, para ficar no Brasil. Até a (Usina

Binacional) Itaipu tinha um projeto muito interessante, que

inclusive está sendo reativado, que é a questão de se ter

uma produção verde, o silício verde, feito próximo de Itaipu

e o PTI (Parque Tecnológico de Itaipu). Seria um órgão

bem importante nisso. Em um outro ponto, a legislação

com relação a parte de compensação vai precisar de um

ajuste. Já estava prevista na resolução 482. Hoje nós temos

um projeto de lei correndo na Câmara dos Deputados, que

está bastante complicada a aprovação, por conta de uma

isenção que vai ser proposta no projeto de lei e pode afetar

o custo da tarifa de energia para a maior parte dos consumidores

cativos. Então o setor está pressionando para

que seja aprovada a lei com esse subsídio, só que isso vai

aumentar a CDE (Conta de Desenvolvimento Energético),

que é um dos componentes mais importantes hoje, não

tirando o ICMS (Imposto Sobre Circulação de Mercadorias

Como o poder público pode auxiliar no fomento

dessas matrizes energéticas?

Com relação a essa questão de fomento, algumas

políticas públicas precisavam de um pouquinho mais de

agilidade. Na parte do biogás e biocombustíveis, a gente

tem o RenovaBio, que realmente pode dar um ganho bem

grande para o Brasil, tendo em vista que a maior parte

do problema ambiental do Brasil com relação a matriz

energética é vinculada a parte dos combustíveis. Esse seria

realmente um marco importante para o Brasil investir,

com o biodiesel, o biogás, todas essas questões vinculadas

a parte do combustível. No setor de energia elétrica

propriamente dita, creio que a questão pontual é a solar.

O Brasil tem um potencial maravilhoso e a gente não tem

uma exploração adequada disso, porque ainda temos

custos muito elevados, dependendo do câmbio com uma

dependência internacional muito grande. Além disso, nós

Precisamos resolver os

gargalos, mas também

sem afetar demais os

outros consumidores, se

não a gente vai fazer um

Robin Hood ao contrário

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

19


ENTREVISTA

e Serviços) da conta de energia. Então a tarifa de energia

acaba sendo muito cara por conta dos financiamentos que

os consumidores fazem. E aí, vai entrar mais uma continha.

Nós pagamos pelo diesel e demais combustíveis fosseis

utilizados na eletricidade lá do Amazonas. Nós pagamos

um problema que teve no setor em 2014, por conta das

concessionárias e das renovações. Nós estamos pagando

a conta corrente, que é um valor que o governo deixou

alocado para compensar as distribuidoras de energia.

Então precisamos resolver esse gargalo, mas também sem

afetar demais os outros consumidores, se não a gente vai

fazer um Robin Hood ao contrário. Esse é um dos problemas

desse projeto de lei com relação a compensação.

Mas existem muitas políticas direcionadas para esse setor,

porém algumas levam muito tempo para serem implementadas.

Para se ter uma ideia, esse último projeto de lei, que

já era para ter sido votado, ele já está em pauta há mais de

dois meses. Então realmente não é algo interessante para

gente. Precisamos de mais agilidade na aprovação dessas

legislações e nas revisões, mas os setores também têm que

compreender que a gente tem que ceder um pouquinho.

Um lado cede um pouquinho, o outro lado cede um pouquinho,

e a gente consegue avançar mais rápido.

Percebe-se uma tendência mundial pela busca de

fontes renováveis em detrimento dos combustíveis

fósseis? Quais países são referência nessa área?

Um fato bem interessante que a gente poderia tomar

é o seguinte. Os países que estão realmente conseguindo

atrair investimento. Até poucos dias saiu uma publicação

justamente de uma consultoria, vinculado aos organismos

que cuidam da IRENA (Agência Internacional de Energias

Renováveis - sigla em inglês), que realocou o Brasil como

11º lugar. Mas é bem interessante avaliar o seguinte, quem

são os primeiros? Eu acho que sempre tem que vir por aí.

Quem que está conseguindo atrair os investimentos e está

fazendo realmente implementações importantes. Então,

primeiro lugar, são os EUA (Estados Unidos da América),

o segundo a China e o terceiro é a Índia. São países que

realmente estão conseguindo fazer as migrações muito importantes

na matriz deles. Aí em seguida temos Reino Unido,

França, Austrália e Alemanha. Mas podemos verificar

que esses países têm muita dependência de combustível

exposto. O Brasil já não tem essa dependência extremada,

como existe nesses outros países. Só que eles instituíram

algumas políticas que realmente potencializaram o

ingresso de algumas dessas fontes, então estão investindo

mais em energia solar, em energia eólica, em biomassa. O

Brasil tem que seguir mais esse caminho, mas respeitando

a peculiaridade que tem. Realmente precisamos continuar

a investir na bioeletricidade, nos biocombustíveis, no setor

de eólica. Acredito que o grande mote para o Brasil é a

eólica e a solar. Mas tem que destravar esses probleminhas,

com relação a inserção dessas fontes. Entretanto temos

que tomar o cuidado, que alguns países estão presenciando

de uma fragilidade no sistema elétrico deles, por

conta do excesso de fontes renováveis que estão sazonais,

que elas não têm condição de serem despachadas. Aí nós

temos uma vantagem contra eles, que é a questão das

hidrelétricas. Mas para os investimentos temos que mirar

o que os EUA estão fazendo, que a China está fazendo, que

a Índia está fazendo, para realmente potencializarmos o

ingresso dessas diferentes fontes na nossa matriz.

Regularmente, o Brasil sofre com crises hídricas,

problema que afeta diretamente o potencial das usinas

hidrelétricas. Na sua opinião, faltam alternativas para

suprir a demanda interna de energia no Brasil?

A gente tem que analisar o quadro da energia elétrica,

que é um dos fatores importantes para gente entender

o recorte da energia hidráulica. A energia hidráulica foi a

base para o Brasil por muito tempo e deve continuar como

base para o setor de energia, porque é uma fonte controlável.

Então ela tem essas vantagens, como acontece também

com as usinas térmicas, sejam elas renováveis ou não,

caso do gás natural e a biomassa. As outras fontes estão

ingressando no sistema de uma forma razoavelmente rápida.

Contudo, se a gente tem previsão aqui de construção

e construção não iniciada, as usinas hidrelétricas têm 400

MW (Megawatts) de construção. Já a fotovoltaica apresenta

quase 24 GW (Gigawatts), que estão projetados para os

próximos 5 anos de inserção na nossa fonte, enquanto a

eólica, tem 12 GW, 12,5 GW previsto. Então muito maior

do que as fontes hidráulicas. O que a gente vai visualizar

nos próximos anos é isso. A eólica e a solar ganhando

espaço no setor de energia pública e no mercado livre. Só

a geração distribuída que está um pouquinho diferente.

A hidráulica vai continuar, mas está realmente diminuin-

20 www.REVISTABIOMAIS.com.br


Vem aí!

Patrocinadores:

ASSOCIAÇÃO DO COMÉRCIO E INDÚSTRIA DE

MADEIRAS E DERIVADOS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

SERRAS E FACAS INDUSTRIAIS

www

revistareferencia.com.br

comercial@revistareferencia.com.br


ENTREVISTA

do o ritmo, porque os grandes aproveitamentos que o

Brasil tem ainda apresentam bastante entrave ambiental.

Mas é importante a manutenção das usinas, porque elas

funcionam como baterias do nosso sistema, garantias de

uma energia um pouquinho mais barata e de disponibilidade

de energia na hora que a gente precisar. Porque o

sol de noite, não vai ter, e a eólica, de vez em quando, não

funciona. Então se nós não tivermos as usinas hidrelétricas

e as térmicas, realmente o nosso sistema vai ter uma fragilidade

maior e aí sim a possibilidade da gente ter apagões e

chegar a ter um racionamento vai aumentar. Acredito que

a gente vai desacelerar na construção dessas usinas, mas

é importante mantê-las justamente por esse aspecto de

controle do sistema nela.

Os painéis solares cada vez ganham mais espaço na

arquitetura urbana. Como vê essa tendência e como ela

pode ser popularizada ainda mais?

Acredito que a questão solar, principalmente no meio

urbano, deve realmente ganhar cada vez mais força. Inicialmente

com a possibilidade que a gente tem hoje, de plantas

pequenas que vão atender especialmente residenciais,

comerciais, terem dispensas da parte ambiental e facilidades

com relação a alguns tecnicistas de regulamentação.

Então para pedir a conexão com a COPEL (Companhia

Paranaense de Energia), por exemplo, é um pouquinho

mais fácil. O consumidor vai precisar de um engenheiro,

para fazer uma ata de responsabilidade técnica no CREA

(Conselho Regional de Engenharia e Agronomia), mas não

é uma situação muito difícil de implementar em uma casa,

chácara ou pequeno comércio. A tendência é abaixar o

valor, à medida que realmente tem essa. Então se a gente

pegar as primeiras instalações que foram estudadas aqui

no Brasil, se levava mais de 10 anos para poder ter uma

compensação de todo aquele investimento. Hoje existem

algumas áreas que conseguem esse retorno em menos de

3 anos, então é um investimento bem interessante, até porque

os módulos normalmente duram em torno de 30 anos.

Temos os inversores que duram um pouquinho menos,

mas essa tecnologia por ter uma facilidade, um número

menor de componentes, menor necessidade de manutenção,

realmente veio pra ficar e ocupar o seu espaço. O que

precisamos hoje, realmente é de uma renovação com relação

a esses debates e uma mudança na regulamentação,

que potencializa as pessoas para esse investimento, como

linhas de financiamento apropriados para isso, possibilitando

como garantia o próprio equipamento. Já temos algumas

linhas muito boas disponibilizadas em bancos, como

o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico

e Social), mas ainda pequenas para essas necessidades.

Também precisamos formar mais gente para poder fazer

as instalações e dar as manutenções adequadas, cuidando

com a segurança das pessoas, porque, infelizmente vemos

sistemas até pegando fogo por conta de erros técnicos. Por

fim, na parte de fomento, se o governo não está podendo,

sendo que não seria justo com o consumidor abrir mão,

de um valor ali a ser inserido como subsídio, talvez fosse

interessante permitir as pessoas defenderem a energia

no mercado. Temos a previsão de abertura do mercado

livre para poucos anos. Em 2023, a gente já vai ter mais

um barco agora, para que em 2024 estivéssemos com o

mercado totalmente liberado e os pequenos consumidores

conseguissem entrar no mercado. Então, se eu tiver uma

possibilidade de fomentar quem está nesse título desse sistema

vender para o governo a um preço justo, assim como

para distribuidoras e a outros consumidores, isso poderia

resolver o problema para todo o segmento. Obviamente

teria também que estimular as distribuidoras a reforçarem

o seu sistema, porque a inserção muito grande desse tipo

de equipamento, ele traz impacto. Temos que ter melhorias

em várias áreas. Precisamos a distribuidora melhorando,

a legislação melhorando, assim como a formação

técnica. O Brasil tem gente, o Brasil tem recurso, nós temos

uma matriz limpa para produzir os módulos fotovoltaicos,

mas infelizmente estamos perdendo essa oportunidade,

mandando dinheiro para fora.

Acredito que a questão

solar, principalmente

no meio urbano, deve

realmente ganhar cada

vez mais força

22 www.REVISTABIOMAIS.com.br


PRINCIPAL

EM

FAMÍLIA

EMPRESA PIONEIRA NO

RECOLHIMENTO DE MADEIRA

PARA PRODUÇÃO DE BIOMASSA,

COM FOCO NA PRESERVAÇÃO

DO MEIO AMBIENTE E NA

SUSTENTABILIDADE

FOTOS EMANOEL CALDEIRA

24 www.REVISTABIOMAIS.com.br


REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

25


PRINCIPAL

A

Centenaro Cavacos completa 15 anos de atuação

em 2021 e ano após ano se consolida como uma

das referências no Rio Grande do Sul na coleta,

transporte e processamento de retalhos de madeira

para geração de biomassa.

A empresa localizada em Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha,

auxilia dessa forma outras companhias a cumprirem os

requisitos ambientais para o destino dos resíduos industriais,

no caso, os retalhos de madeira.

“A história começou em uma granja de aves, quando trabalhávamos

na integração das empresas, e tínhamos necessidade

de colocar maravalha no local em que ficavam esses

frangos. Todas as empresas do setor produtivo geram sobras

de madeira e precisavam de ajuda para a destinação final

desses materiais”, relata Celso Centenaro, um dos proprietários

da empresa.

“Assim foi criada a Centenaro Cavacos, com a finalidade

de picar esses retalhos de madeira produzindo biomassa-cavaco,

e retornando às indústrias para produção de energia.

Com essa prática, o ganho é para o meio ambiente, pois cada

metro cúbico de cavaco reaproveitado, usado nas caldeiras

das indústrias, equivale a preservação de uma árvore com

idade entre 5 e 10 anos. Assim, viabilizamos ao mercado

energia alternativa”, complementa Simone Centenaro, diretora

administrativa da empresa.

A Centenaro Cavacos possibilita que os clientes possam

utilizar o cavaco do processamento da madeira para a obtenção

de biomassa, que pode ser utilizado por essas empresas

como fonte renovável de combustível. Essa biomassa quando

é consumida para a produção de energia não agride o meio

ambiente, além de ter alto potencial como matriz energética

e ser mais competitiva em relação a fontes não renováveis.

Essa qualidade no serviço prestado pela Centenaro Cavacos

motivou a empresa a criar a Transambiental Transportes,

que oferece uma ampla infra-estrutura no transporte da produção.

Todo o transporte é feito com equipamentos próprios,

que contam na frota com caminhões roll-on roll-off com reboque

(julieta), além de carretas cavaqueiras que possuem

assoalho móvel com capacidade de transporte de 100m3

(metros cúbicos), possibilitando maior agilidade e segurança

no procedimento.

A Centenaro Cavacos ainda estabeleceu parceria com a

Asolução Biomassa, com foco na ampliação, melhoramento

e maior qualidade na produção de biomassa para atender as

exigências do mercado. Dessa forma, a empresa também está

realizando a transformação em biomassa-cavaco de resíduos

florestais e lenha de reflorestamento.

“Hoje estamos produzindo e comercializando em torno

de 6 mil m³ por dia, o que nos permite fazer maiores investimentos

em funcionários, caminhões e estrutura. Por exem-

26

www.REVISTABIOMAIS.com.br


plo, atualmente temos mais de 70 veículos, entre carretas,

julietas, trucks e cavaqueiras”, explica Nestor Centenaro, um

dos proprietários da Centenaro Cavacos.

“Quando se dispõe a fazer o que gosta e faz algo que seja

benéfico a outras pessoas, se torna algo muito mais valoroso

do que qualquer outro sentido que se possa dar a um negócio.

A composição entre a valorização entre as pessoas e o

trabalho sério é o que dá o resultado que temos nos nossos

15 anos de história, sendo um dos maiores produtores de

biomassa do Rio Grande do Sul”, avalia o gerente administrativo

da Centenaro Cavacos, Jonatan Schneider.

FAMÍLIA CENTENARO

Toda essa eficiência e sustentabilidade oferecidas pela

Centenaro Cavacos só é possível porque todos os 115 funcionários

formam uma grande família. A empresa tem caráter

familiar, sendo fundada pelos irmãos Celso e Nestor Centenaro,

e contando com o auxílio de Simone e Rejane Centenaro,

respectivamente esposas de Celso e Nestor.

“Nossa empresa é uma empresa familiar, teve o início de

sua atividade em Bento Gonçalves e atualmente está presente

em Gravataí, Jaquirana, Passo Fundo, Sentinela do Sul e

Triunfo prezamos pelo respeito, o cuidado a vida e ao meio

ambiente, formamos uma grande família", garante Simone

Centenaro.

“Hoje a gente está com uma

produção acima de 6 mil m³

por dia, o que nos permite

fazer maiores investimentos

em funcionários, caminhões

e estrutura”

Nestor Centenaro

“Todos os colaboradores aqui fazem parte da nossa família.

Me sinto realizada, vendo o sonho do Celso e do Nestor,

que não deixa de ser o meu sonho também, assim como o

dos nossos filhos para darem continuidade a essa obra”, pontua

Rejane Centenaro, diretora financeira da empresa.

A mudança de chave na história da Centenaro Cavacos

foi com a descoberta do picador, que possibilitou que todos

os retalhos de madeira pudessem ser processados com mais

velocidade e eficiência, diminuindo o volume no transporte e

automatização na alimentação das caldeiras.

“Começamos a levar esses materiais para olarias e cerâmicas,

depois até em frigoríficos para geração de vapor após

aquecimento da água, até que um dia fomos fazer uma coleta

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 27


PRINCIPAL

e conhecemos o picador. E aí tivemos a ideia que essa máquina

ia ser o futuro dos resíduos de madeira e que tínhamos

que adquirir uma máquina dessas”, reforça Celso Centenaro.

Com o auxílio da Planalto Picadores, a Centenaro comprou

o primeiro picador e iniciou a produção com a máquina

acoplada na carreta de um trator. A produção na época era

em torno de 20m³ de cavaco por dia, quanto produzíamos

30m³ por dia estávamos evoluindo. Após um empresário da

região apostar em nosso negócio, incentivando-nos a produzir

essa biomassa em escala maior, e pela necessidade do

mercado investimos e apostamos. Atualmente fornecemos a

mais de 20 empresas consumidoras dessa biomassa renovável",

conclui Celso.

LEGADO

O trabalho duro dos pais não deve terminar nessa geração,

porque os filhos de Celso e Nestor já estão inseridos na

realidade da empresa. Arthur, Daniel, Miguel e Thais representam

esse grupo e se mostram animados em continuar

esse legado.

“Um dos meus objetivos depois da graduação é me especificar

nessa parte de energia e focar na parte de biomassa,

explorando a área de exportação do cavaco”, avalia Miguel

Centenaro.

“Vejo um futuro grandioso, uma empresa que vai crescer

muito no mercado e quero fazer parte dessa história”, destaca

Arthur Centenaro.

“Desde criança via com interesse trabalhar com os caminhões

e máquinas. Mas precisa também de um trabalho

dos pais, porque se estou aqui com interesse em fazer essa

sucessão foi graças a motivação que tive pelos meus pais e

tios, que puxaram a gente para cá”, destaca Daniel Centenaro.

“Em uma situação que

as empresas não tinham

destino para esses

resíduos, agora estão

usando do material”

Celso Centenaro

“Considero importante nossa atividade de produção de

biomassa, preservar nosso meio ambiente, dependemos dele

para sobreviver. Tenho orgulho de meus pais e tios que se dedicam

incansavelmente para o sucesso de nossa empresa.

Faço parte dela e vale a pena dar continuidade a tudo isso”,

finaliza Thais Centenaro.

28 www.REVISTABIOMAIS.com.br


PARCEIROS DE ESTRADA

A Centenaro Cavacos também faz questão de agradecer

todas as empresas que a auxiliaram durante esses 15 anos,

tanto como fornecedoras e consumidoras. Por isso, alguns

desses parceiros destacaram a relação com o grupo.

"Pequenas ações individuais são a maior força transformadora

que se conhece. Quando trabalhadas em parceria,

tomam uma proporção gigantesca em prol de um único objetivo:

um mundo melhor. A Brasdiesel e Scania tem orgulho

em fazer parte dos 15 anos de história da Centenaro Cavacos,

uma empresa comprometida com as futuras gerações. É uma

honra tê-los como parceiros nessa jornada para sustentabilidade."

– Brasdiesel e Scania

“A Linck, em parceria com a Volvo CE, sente-se honrada

em fornecer equipamentos que auxiliam a Centenaro Cavacos

a preservar o meio ambiente. Afinal, cuidar do meio ambiente

é um dos pilares do nosso negócio, além da qualidade

e segurança.” – Linck Máquinas

“É um orgulho fazer parte de um trabalho tão especial!

Agradecemos pela confiança e por termos a oportunidade de

ter parceria com a Centenaro, cliente referência DRV. Acreditamos

no valor dos relacionamentos duradouros, construídos

com base no respeito e na confiança mútua. Por essa razão é

um orgulho sermos fornecedores da Centenaro, cliente referência

DRV.” – DRV Serras e Facas Industriais

“Sempre tivemos ótimo relacionamento com a Centenaro

Cavacos, bem como, o temos na relação dos principais e

preferenciais clientes.” – Planalto Picadores

“Galvani Balanças Ltda, especializada em fabricação de

Balanças Rodoviárias desde 1989, agora com parceria com

Centenaro Cavacos.” – Galvani Balanças

“A Infasul tem a satisfação de acompanhar o crescimento

da Centenaro Cavacos contribuindo para seu sucesso com

compromisso, seriedade e funcionalidade através de produtos

e serviços de alta performance." – Infasul

“A Centenaro Cavacos e a Bruno Industrial tem uma parceira

comercial iniciada há vários anos, sendo os pilares dessa

parceria baseados na confiança, tecnologia e qualidade. A

Bruno orgulha-se dessa parceria tendo hoje no portfólio de

equipamentos fornecidos para a Centenaro Cavacos a mais

variada gama de produtos, como pré-trituradores, sistemas

de classificação, picadores de madeira e picadores florestais.”

– Bruno Industrial

"Vejo um futuro

grandioso, uma empresa

que vai crescer muito no

mercado e quero fazer

parte dessa história”

Arthur Centenaro

“Centenaro Cavacos e Transrio Concessionária VW Caminhões,

uma importante relação que se fortalece ano após

ano. Cliente de longa data, a Centenaro Cavacos adquiriu

recentemente unidades do novo VW Meteor 28.460 e Constellation

24.330.” – Transrio Concessionária

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

29


CASE

ENERGIA

COLETIVA

FOTOS DIVULGAÇÃO

FOTOS DIVULGAÇÃO

30 www.REVISTABIOMAIS.com.br


ARRANJO PRODUTIVO

LOCAL, QUE REÚNE

PODER PÚBLICO E

INICIATIVA PRIVADA

DE ARAPONGAS (PR),

TRANSFORMA CIDADE EM

POLO NA PRODUÇÃO DE

BIOGÁS E BIOMETANO

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

31


CASE

A

cidade de Arapongas (PR), está na rota para

se tornar um polo nacional na produção de

biogás e biometano, obtido a partir de lixo

urbano e rejeitos de gado leiteiro.

Nos últimos três anos diversas lideranças do poder público,

sociedade civil e iniciativa privada tentaram colocar

o projeto em fase de execução, mas foi em março de 2021

que a ideia saiu do papel.

O projeto conta com o apoio da Prefeitura de Arapongas,

do SIMA (Sindicato das Indústrias de Móveis de

Arapongas), do IFPR (Instituto Federal do Paraná) Campus-

-Arapongas e da FIEP (Federação das Indústrias do Estado

do Paraná).

“A Prefeitura tinha esses resíduos orgânicos que podiam

ser aproveitados em um modelo de negócio, a FIEP

e o SIMA tinham uma demanda de consumo de energia

para as empilhadeiras com gás e biometano. Então fomos

atrás de outras fontes e começamos a conversar com uma

cooperativa de laticínios que regionaliza dejetos orgânicos

e resolvemos criar um arranjo produtivo local para que a

gente pudesse atender essa necessidade”, explica Nilson

Violato, secretário da Indústria, Comércio e Turismo de

Arapongas.

A ideia é que essa produção de biogás e biometano

possa abastecer uma caldeira da Cooperativa Campo Vivo

(responsável por destinar os rejeitos do gado leiteiro), 15

carros da frota da Prefeitura de Arapongas e mais 15 empilhadeiras

das indústrias moveleiras veiculadas ao Sima.

“As 300 empilhadeiras do SIMA demandam uma quantidade

imensa de combustível. O uso disso é um tambor

de 40 kg (quilos) de GLP (Gás Liquefeito de Petróleo) a

“A sociedade organizada

se pautando para uma

educação socioambiental

e nisso ganha todo mundo,

ganha o país todo”

Nilson Violato

cada seis, oito horas, dá uma despesa permanente em cerca

de R$ 10 milhões. Então pensamos na possibilidade de

realizar um trabalho para obter biometano, contribuindo

para a redução de gases do efeito estufa provocado pela

queima de combustíveis fósseis”, pontua Cícero Bley Jr,

especialista em biogás e assessor do Conselho de Energia

da FIEP.

Esse processo de descarbonização da mobilidade

permite inclusive que as empresas vinculadas ao SIMA

possam ter como diferenciais no mercado, selos de

sustentabilidade, demonstrando que trabalham com uma

produção compromissada com o meio ambiente.

“Avalio que existe uma modelagem de negócio que

o mundo está impingindo na área da sustentabilidade

ambiental, da descarbonização da matriz energética e de

outras para energia elétrica, então você tem uma demanda

que precisa virar a chave de qualquer município e

espaço territorial no Brasil”, continua Violato.

32 www.REVISTABIOMAIS.com.br


Fotos: Assessoria de Imprensa Prefeitura Municipal de Arapongas

DESTINAÇÃO CORRETA

Além do benefício econômico para as empresas e

para o poder público, a correta destinação do lixo urbano

também permite uma série de vantagens para a sociedade

e meio ambiente.

“Na questão do descarte do lixo orgânico, demonstrando

a visão do gestor local em promover uma solução

ao seu problema além de gerar uma economia circular,

beneficiando toda uma cadeia produtiva local. Está sendo

fundamental para o desenvolvimento deste projeto o qual

acreditamos se tornará em um divisor de águas no que

concerne a utilização de combustíveis fósseis em nossa região,

estabelecendo um novo modelo para a mobilidade”,

orgulha-se Rui Londero Benetti, coordenador do Conselho

de Energia da Fiep.

Para que todo o projeto siga em evolução, a análise é

conduzida pela equipe formada pelos pesquisadores do

IFPR, Thiago Orcelli, Rodrigo Barriviera, Keila Fernanda

Raimundo, além do diretor do IFPR Campus Arapongas,

Thiago Pereira do Nascimento, em parceria com a UEL

(Universidade Estadual de Londrina).

“Um dos principais benefícios é justamente na tentativa

de se dar um novo destino ao lixo urbano e para

os resíduos da produção rural, onde através do destino

desses dejetos para os biodigestores e para a usina de

produção de biogás tem a intenção de gerar biometano e

gás natural para abastecimento de veículos e geração de

energia”, completa Nascimento.

Os pesquisadores do IFPR têm utilizado na pesquisa

lixo de restaurantes, hortifrutigranjeiros e também dejetos

de gado leiteiro para as análises de metanogênese, que

são realizadas na UEL, para a verificação do potencial

energético desses rejeitos.

“O investimento é fundamental, não só na educação

pública, mas para que essas iniciativas também tragam

“Então há uma

descoordenação crônica das

forças da sociedade e esse

projeto do biometano está

aglutinando a sociedade em

torno de um objetivo comum”

Cícero Bley Jr

grandes resultados para o setor industrial, para a sociedade

de Arapongas, para que em um futuro próximo o

gás natural seja mais popularizado na região, para que

iniciativas como essa façam com que o lixo se transforme

em sub-produtos extremamente úteis para a população”,

complementa Nascimento.

A expectativa do comitê do projeto é que até o mês

de julho seja entregue um plano de negócios para iniciar

a fase de captação e incremento de recursos. Caso todos

os gestores envolvidos aprovem esses números, a próxima

fase é a busca por um financiamento para execução e

implementação do programa do biogás em Arapongas,

etapa que deve demorar de quatro a cinco meses.

“Então o município ganha em três áreas: se adequa a

uma demanda do ambientalismo e da sustentabilidade,

assim como na valorização dos arranjos produtivos que

geram a riqueza ao município. Por outro lado, você tem

a sociedade organizada se pautando para uma educação

socioambiental e nisso ganha todo mundo, ganha o país

todo”, finaliza Violato.

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

33


ECONOMIA

SUSTENTABILIDADE

ECONÔMICA

FOTOS DIVULGAÇÃO

34 www.REVISTABIOMAIS.com.br


PRODUTOR RURAL DO NORTE PIONEIRO DO

PARANÁ TEM CONSEGUIDO ECONOMIA DE

ATÉ 80% NA TARIFA DE ENERGIA ELÉTRICA,

APÓS INSTALAÇÃO DE PAINÉIS SOLARES

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

35


ECONOMIA

O

produtor José Dalarme, de Cianorte, na região

norte do Paraná, é um entusiasta da energia

solar. Com mais de 2 mil painéis fotovoltaicos

instalados em propriedades no estado e no

Mato Grosso, ele utiliza a energia para aquecer e ventilar

seus aviários, iluminar a propriedade, retirar água de poços,

entre outras finalidades.

Recentemente, Dalarme decidiu instalar um conjunto

de placas solares para alimentar uma indústria de beneficiamento

de arroz, da qual é sócio, que consome entre R$

30 mil e R$ 40 mil mensais em energia elétrica. A expectativa

é uma economia de 80% desse valor.

“Já estava tudo pronto. Aí quando fomos ligar na rede

de energia elétrica, a COPEL pediu alguns documentos”,

afirma. A documentação, no caso, envolvia as licenças

ambientais necessárias para instalação de painéis solares

no solo”, explica o produtor.

“Quando a instalação é no solo e vai exigir movimentação

de terra, esse impacto ambiental precisa ser dimensionado.

Quando é sobre alguma estrutura [o telhado de um

aviário ou de uma garagem], essa estrutura já foi licenciada

para estar lá”, explica Carla Beck, técnica do DTE (Departamento

Técnico e Econômico) do Sistema FAEP/SENAR-PR

(Federação da Agricultura do Estado do Paraná/ Serviço

Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná), que acompanha

as questões referentes ao meio ambiente no Estado.

“Mesmo assim [quando o painel solar é instalado no

telhado], a Copel pode solicitar alguma documentação

referente ao órgão ambiental”, completa a técnica.

No caso do produtor de Cianorte, a pequena usina

solar, com 800 painéis fotovoltaicos, foi instalada no solo,

em um campo de futebol suíço desativado ao lado da

empresa. Ele já estava com todo equipamento montado

quando se deparou com a necessidade do licenciamento

ambiental. Com o investimento de cerca de R$ 800 mil

impedido de funcionar, a saída foi procurar o sindicato

rural do município.

“O José já era associado e fazia o CAR (Cadastro Ambiental

Rural) e a emissão de CCIR (Certificado de Cadastro

do Imóvel Rural) pelo sindicato. Essa assistência na obtenção

do licenciamento é outro serviço que nós estamos

oferecendo com a ajuda da FAEP e que vem sendo muito

demandado. Tem muita gente buscando a energia solar”,

afirma o presidente do Sindicato Rural de Cianorte, Diener

Gonçalves de Santana, que também utiliza a energia solar

na produção de aves.

“Entre chegar com a minha demanda no sindicato até

conseguir a documentação foi mais ou menos 10 dias”,

pontua Dalarme.

O caso foi encaminhado pelo Sindicato Rural de Cianorte

ao DTE do Sistema FAEP/SENAR-PR, para a assessoria

necessária para que o produtor obtivesse a DLAE (Dispensa

de Licenciamento Ambiental Estadual) para instalação do

empreendimento.

“Uma das frentes de atuação da FAEP é auxiliar o

produtor a obter os licenciamentos ambientais, bem como

toda regularização ambiental da propriedade”, adianta a

técnica do Sistema FAEP/SENAR-PR.

“Com base no projeto técnico é que saberemos se o

produtor necessita de uma DLAE, de um Licenciamento

Ambiental Simplificado ou de um licenciamento trifásico.

Isso varia conforme o porte do empreendimento”, complementa

Carla Beck.

Há um ano, o próprio presidente do Sindicato Rural de

Cianorte obteve uma das primeiras DLAE concedidas no

âmbito do Descomplica Rural com finalidade de instalação

de painéis solares no Paraná. “O pessoal está buscando

muito essa tecnologia. E o sindicato está preparado para

oferecer mais esse serviço aos associados”, afirma a técnica.

Tanto no caso do dirigente quanto do associado de

36 www.REVISTABIOMAIS.com.br


“O pessoal está buscando

muito essa tecnologia. E o

sindicato está preparado

para oferecer mais esse

serviço aos associados”

Carla Beck

Cianorte, a exigência em relação ao licenciamento ambiental

se deu quando a instalação dos painéis foi feita no solo.

Desse modo o ideal é que o produtor tenha em mente

essa exigência e procure o sindicato rural logo no início do

projeto.

De acordo com a técnica do Sistema FAEP/SENAR-PR, a

demanda por licenciamento ambiental para fontes alternativas

de energia vem crescendo no Estado. “Tem ocorrido

uma procura muito grande, principalmente na avicultura,

que utiliza muita energia. Mas sempre é bom lembrar que

sem o licenciamento ambiental, que envolve toda regularização

do empreendimento, o produtor não vai conseguir

fazer a ligação na rede de energia”, alerta Carla Beck.

A celeridade na emissão das licenças se deve ao programa

Descomplica Rural, lançado pela Sedest (Secretaria

Estadual de Desenvolvimento Sustentável e do Turismo) no

início do ano passado, com o objetivo de desburocratizar

a emissão de licenças ambientais para empreendimentos

rurais. De acordo com o governo do Estado, entre 2020 e

2021 houve um aumento de 300% na emissão de licenças

ambientais para geração de energia renovável.

carroceriasbachiega

www.carroceriasbachiega.com.br

Tradição que você conhece,

segurança que você precisa.

PISO MÓVEL

Somos hoje a mais experiente montadora de

piso móvel da marca HYVA ® , desenvolvendo

produtos cada vez mais adequados às

necessidades dos clientes, mantendo sempre a

qualidade e resistência dos nossos produtos

reconhecidos nacionalmente.

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 37


PESQUISA

MICROALGAS

EM AÇÃO

FOTOS DIVULGAÇÃO

38 www.REVISTABIOMAIS.com.br


PESQUISA DA UFPR TEM CONSEGUIDO

GERAR ENERGIA TERMOELÉTRICA COM A

UTILIZAÇÃO DESSES ORGANISMOS COMO

FILTRO NA QUEIMA DE RESÍDUOS

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

39


PESQUISA

“Nós temos um sistema

de incineração que é capaz

de tratar 50 kg de lixo por

hora. Isso é suficiente para

tratar todo o lixo produzido

pela UFPR”

André Bellin Mariano

P

esquisadores da UFPR (Universidade Federal

do Paraná) transformam resíduos sólidos e

não recicláveis em energia autossustentável

e renovável. O sistema foi desenvolvido

durante uma pesquisa apoiada pela CAPES (Coordenação

de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior).

O método consiste na utilização de microalgas

para tratar as emissões poluentes.

Segundo o professor da Pós-Graduação em Engenharia

e Ciência dos Materiais e cofundador do NP-

DEAS-UFPR (Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento

em Energia Autossustentável), André Bellin Mariano, o

sistema criado incinera os resíduos e transforma esses

rejeitos em CO2 (Gás Carbônico), água e cinzas.

As microalgas são usadas para absorver as emissões

poluentes do processo. O calor que resulta dessa

interação é transformado em vapor e enviado para

uma termoelétrica, gerando, assim, eletricidade.

“Nós temos um sistema de incineração que é

capaz de tratar 50 kg de lixo por hora. Isso é suficiente

para tratar todo o lixo produzido pela Universidade

Federal do Paraná. Ele vira eletricidade, uma pequena

parte vira cinzas e as emissões são tratadas pelas

microalgas”, conta André Mariano.

Segundo o professor, essa tecnologia permite resolver,

em parte, os problemas da geração de resíduos

nos grandes centros urbanos a partir da aplicação das

microalgas para a biofixação dos gases presentes na

emissão da incineração.

O pesquisador Breno Araújo Lopes, integrante do

núcleo de pesquisa de energias autossustentáveis da

UFPR, conta que a tecnologia de cultivo de microalgas

resultou na criação de fotobiorreatores (FBR) tubulares

compactos. Eles são construídos com tubos de

PVC transparentes, organizados em uma estrutura de

sustentação.

40 www.REVISTABIOMAIS.com.br


“Essa estrutura de tubos transparentes com água

dentro serve para as microalgas circularem. Esse

processo, além de tratar os gases poluentes, serve de

alimento para as algas. Elas crescem, se multiplicam

e viram uma grande biomassa”, explica o bolsista da

CAPES.

De acordo com o pesquisador, além de gerar

energia limpa e reduzir os efeitos poluentes, o cultivo

das microalgas dentro dos fotobiorreatores geram

subprodutos bastante valorizados como o biodiesel, o

biogás, ração para peixes, entre outros.

A tecnologia 100% paranaense, de aplicação

industrial e sustentável, foi patenteada e está em fase

de licenciamento.

Para mais informações sobre o projeto e outras

iniciativas do NPDEAS-UFPR, acesse o site http://npdeas.blogspot.com/

“Esse processo, além

de tratar os gases

poluentes, serve de

alimento para as algas.

Elas crescem, se

multiplicam e viram

uma grande biomassa”

Breno Araújo Lopes


ARTIGO

ENERGIA EÓLICA:

ESTUDOS E REFLEXÕES

SOBRE A VIABILIDADE

DO POTENCIAL DESSA

MATRIZ ENERGÉTICA

NO BRASIL

FOTOS DIVULGAÇÃO

FELIPE MIGUEL MARTINHO

Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento,

Ano 1. Vol. 10 pp. 25-38. ISSN. 2448-0959

42 www.REVISTABIOMAIS.com.br


ARESUMO

s questões ambientais e a constante preocupação

com as mudanças climáticas levaram a

uma corrida pelo desenvolvimento e inserção

de tecnologias de energias renováveis na matriz

elétrica em diversos países. Nesse contexto, a energia eólica

é considerada uma das mais promissoras fontes naturais de

energia, principalmente porque é renovável, não se esgota,

limpa, distribuída globalmente e, se utilizada para substituir

fontes de combustíveis fósseis, auxilia na redução do efeito

estufa. Além desses benefícios, pode-se trazer vantagens

globais e nacionais, como por exemplo, os benefícios com

a redução das emissões de gás carbono e a segurança do

abastecimento energético. O grande potencial de geração

no Brasil é a eólica, que compõe apenas uma pequena parte

da matriz energética brasileira, mas que vem ganhando

destaque nos leilões, por conta de sua competitividade.

O presente trabalho se propôs a demonstrar a viabilidade

do potencial dessa matriz e como a utilização de fontes de

energias renováveis é importante para a busca do desenvolvimento

sustentável. Para isso, foi realizado uma revisão bibliográfica

sistemática, estruturada, através de uma revisão

bibliográfica em artigos da área. A partir dos dados apresentados

no resultado desse estudo, discutiu-se a importância

desse tema que servirá de embasamento e guia para estudos

futuros que demonstrem o esforço do país na procura

por um desenvolvimento econômico e social, que leve em

consideração o meio ambiente e sua sustentabilidade.

Palavras-chave: Desenvolvimento sustentável, Energia

eólica, Energias renováveis

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

43


ARTIGO

INTRODUÇÃO

O desenvolvimento sustentável é um dos assuntos de

maior relevância na atualidade, uma vez que está relacionado

não só com a economia, mas também com o meio

ambiente e com a sociedade (United Nations, 1987, p.64).

A qualidade de vida de uma sociedade, por sua vez, está

intimamente ligada ao seu consumo de energia. A melhoria

nos padrões de vida, principalmente em países em desenvolvimento,

geram aumento da demanda energética e, dessa

forma, necessitam de um melhor planejamento energético

que aborde a segurança no suprimento de energia e os

custos ambientais para atender a este aumento de consumo

de energia (Goldemberg, 2008).

Alguns especialistas (Welch; Venkateswaran, 2009;

Terciote, 2002) consideram que a energia eólica é uma fonte

energética capaz de suprir as demandas de uma sociedade,

sem prejudicar gerações futuras, e por isso, o uso deste tipo

de energia renovável vem crescendo mundialmente.

No início de 2000, os projetos contratados decorrentes

das políticas de incentivo, e principalmente no final da década

com a entrada da energia eólica no mercado regulado de

energia, colocou o Brasil entre os países com maior crescimento

na implantação de novos parques eólicos e gerou

otimismo entre os agentes públicos e privados do setor

elétrico (Simas, 2013).

Decorrente destes fatores, o objetivo do presente estudo

foi realizar uma revisão da literatura sobre energia eólica e

a viabilidade do potencial dessa matriz energética no Brasil,

levando em conta o meio ambiente e sua sustentabilidade.

O estudo está organizado em tópicos, onde no primeiro

apresenta-se os fundamentos teóricos necessários para o

entendimento claro da pesquisa e em seguida, a metodologia

utilizada para a elaboração da revisão bibliográfica.

Posteriormente são apresentados os resultados juntamente

com a discussão dos fatos, finalizando com a conclusão do

estudo.

FUNDAMENTOS TEÓRICOS

Os primeiros indícios da utilização de energia eólica para

a realização de trabalhos mecânicos datam cerca de dois

mil anos atrás, sendo utilizada nas máquinas de Heron em

Alexandria (Pinto, 2012).

Segundo Duarte (2004), o surgimento da tecnologia

do aproveitamento do vento foi uma consequência da

crise energética de 1973. Diante do aumento do preço do

petróleo e da necessidade de produzir eletricidade a preços

inferiores e de forma limpa e renovável, foram desenvolvidos

os atuais aerogeradores. Segundo os autores Terciote (2002),

Welch e Venkateswaran (2009), nos últimos anos a energia

eólica tornou-se uma peça fundamental na geração de

energia, principalmente elétrica, devido à grande expansão

em pesquisas e nas técnicas de desenvolvimento para transformar

o movimento do vento em energia. Atualmente, esta

fonte energética vem sendo descrita como uma das mais

importantes e promissoras tecnologias na geração complementar

de energia, por ser facilmente acessível e abundante

na natureza (Terciote, 2002; Welch; Venkateswaran, 2009).

Com o aprimoramento e aumento da potência das

máquinas eólicas, os custos de geração de eletricidade a

partir dos ventos vêm diminuindo, o que também reflete

na proliferação de inúmeros parques eólicos ao redor do

mundo (Welch; Venkateswaran, 2009).

Energia eólica é a energia cinética contida na massa de

ar em movimento (vento). Dessa forma, faz-se importante

conhecer o comportamento e as características dos ventos

para que seja possível compreender os aspectos necessários

para uma adequada modelagem eólica em uma determinada

região. A conversão da energia cinética de translação do

vento em energia cinética de rotação, ocorre a partir do uso

de turbinas eólicas, também denominadas aerogeradores,

as quais são fundamentais para a geração de eletricidade. A

captação da energia cinética do vento pode ser feita basicamente

utilizando-se dois tipos de turbinas: turbinas de eixo

vertical e as de eixo horizontal. No primeiro caso, engrenagem

e gerador são colocados ao nível do solo e a turbina é

movida por forças de arraste ou sustentação Estas turbinas

apresentam baixa complexidade de fabricação e são bastante

indicadas para características de vento similares ao sul da

América Latina (Farret, 2014).

Já as turbinas de eixo horizontal possuem as engrenagens,

eixo e gerador alinhados com a direção do vento,

sendo a opção mais utilizada mundialmente em parques de

geração eólicos comerciais. Podem ainda ser encontradas

algumas configurações em função do número de pás, sendo

que as turbinas com três pás são as mais empregadas por

apresentarem menor esforço mecânico, menor oscilação de

A energia eólica é

considerada uma das mais

promissoras fontes naturais

de energia, principalmente

porque é renovável

44 www.REVISTABIOMAIS.com.br


torque e por provocarem menor ruído (Borges Neto; Carvalho,

2012). Os autores acima completam que nos últimos dez

anos, as torres de geradores ficaram mais altas, passando de

50m (metros) para os 100m a 120m atuais, o que permite

captar ventos mais velozes. Ao mesmo tempo, a potência

das máquinas triplicou, para 3MW (Megawatts). Os geradores

mais eficientes reduziram o custo da energia eólica. Hoje,

o preço médio é 45% menor do que há 10 anos, fazendo

com que a energia eólica seja a segunda energia mais barata

no país. Com isso, criou-se um círculo virtuoso de atração de

investimentos.

Os investimentos para implantação de um projeto

de formação de energia renovável são altos, sendo que a

maior parte do investimento concentra-se na fase inicial do

projeto, uma vez que o custo dos equipamentos correspondem

a até 75% do investimento total de um parque eólico

(Tourkolias; Mirasgedis, 2011).

Valentine (2010) alerta para o fato de que o local de implementação

de um parque eólico deve ser favorável para a

formação de ventos. Entretanto, nem sempre os locais apropriados

para a instalação dos geradores estão próximos do

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

45


ARTIGO

local de consumo, causando custos que podem inviabilizar a

implantação. Acrescenta que, dependendo da distância do

grid, os projetos de energia eólica podem se tornar comercialmente

inviáveis, criando custos associados à conexão.

Entretanto, quando é possível se integrar a outras fontes de

energia e consequentemente utilizar a infraestrutura delas,

os sistemas eólicos podem trazer vantagens econômicas

como exemplo, a instalação dos geradores próximos aos

locais de consumo devido a não necessidade das redes de

transmissão (Terciote, 2002).

Vários dos principais estudos realizados em 2010 sobre

a integração da energia eólica ao grid de energia elétrica

apontam novas evidências do baixo custo proporcionado a

este tipo de sistema (American Wind Energy Association –

AWEA, 2005).

Nesse contexto, Jannuzzi (2003) comenta que os sistemas

elétricos eólicos possuem características diferenciadas

dos sistemas utilizados nas hidrelétricas, pois podem ser

utilizados na forma de geração distribuída, que é um sistema

interligado a grandes redes de transmissão e distribuição

através de parques eólicos com aerogeradores de grande

porte ou ser utilizado de forma isolada, através de aerogeradores

de pequeno porte proporcionando assim um baixo

custo. Terciote (2002) cita outra evidência de baixo custo

como sendo os casos de sistemas híbridos onde há ganhos

econômicos, citando os sistemas eólico/diesel, onde o motor

diesel garante a regularidade e estabilidade no fornecimento

de energia dispensando sistemas de armazenamento e a

implantação híbrida de aerogeradores (Januzzi, 2003).

A implantação de energias renováveis apresenta um impacto

importante sobre a economia, uma vez que favorece o

desenvolvimento de indústrias de equipamentos para consumo

interno e até mesmo para a exportação (Tourkolias;

Mirasgedis, 2011). Elbia Silva Gannoum, (2015) da ABEEólica,

cita que no ano passado, o setor criou 40 mil postos de trabalho,

e que está previsto a criação de outros 50 mil novos

postos de trabalho para esse ano. Comenta, que a instalação

dos geradores não prejudica o agricultor nem o seu cultivo,

sendo que as duas atividades podem conviver juntas. Os autores,

Río, Burguillo (2008), acrescentam que na maioria das

vezes, as terras em que são construídos os parques eólicos

são arrendadas e, essa questão gera outro aspecto importante,

uma vez que os aerogeradores ocupam apenas uma

pequena fração da área, e o restante da área arrendada pode

ser utilizado para outras atividades produtivas na propriedade

(Rio; Burguillo, 2008).

Llera Sastresa et al., (2010) acrescenta que no interior do

Nordeste onde há ventos melhores do que no litoral, a criação

destes parques eólicos muitas vezes acontecem em regi-

ões pobres como no sertão. As empresas arrendam as terras,

constroem os parques em terrenos usados por pequenos

produtores rurais, possibilitando uma renda extra para as

famílias que antes viviam apenas do cultivo da terra. Não é

somente os proprietários de terras que lucram com isso, mas

os trabalhadores envolvidos diretamente na construção e

implantação das usinas, uma vez que ocorre aumento na demanda

por bens e serviços. A competitividade das empresas

se dá pela qualificação da mão de obra, sendo esse um ativo

adicional, favorecendo novas oportunidades de investimentos

e negócios (Llera Sastresa et al., 2010).

Maurício Tolmasquim (2011), presidente da EPE (Empresa

de Pesquisa Energética) que é vinculada ao Ministério de

Minas e Energia, afirma que a produção eólica do Brasil é

referência no mundo todo, sendo estudada por países da Europa,

como a Alemanha, e outros da América Latina. Destaca

que, com os parques eólicos, se dá a criação de empregos

em fábricas, para atender a instalação e manutenção de

equipamentos nos parques eólicos.

IMPACTO AMBIENTAL

Mesmo tendo um impacto ambiental bastante reduzido

quando comparado à maioria das outras fontes energéticas,

a geração de energia elétrica a partir de turbinas eólicas gera

alguns impactos como por exemplo: impacto visual, ruído,

interferência eletromagnética e danos à fauna (Terciote,

2002).

O impacto visual está relacionado com a área necessária

para a instalação do parque. Para que a perturbação do vento

causada por uma turbina não interfira significativamente

no funcionamento das turbinas vizinhas, faz-se necessário

um espaçamento mínimo entre cinco a dez vezes a altura da

torre (Borges Neto; Carvalho, 2012).

Segundo Duarte (2004), o impacto relacionado pela

geração de ruídos, embora existam no mercado turbinas

de baixo ruído, é inevitável a existência de um zumbido,

principalmente à baixas velocidades do vento, uma vez

que, o ruído das altas velocidades do vento se sobrepõe ao

ruído das turbinas. O ruído pode ter duas origens: mecânica

(que vem da caixa de engrenagem que multiplica a rotação

das pás para o gerador) e/ou aerodinâmica (decorrente do

movimento das pás em decorrência do vento, que pode ser

mais perturbador no período noturno e localizados na sua

imediata vizinhança) (Terciote, 2002; Churro et al, 2004).

A preocupação relativa à fauna é com os pássaros, os

quais podem vir a colidir com as estruturas (torres de alta

tensão, mastros e janelas de edifícios) e com as turbinas

eólicas, devido a dificuldade de visualização (Welch; Venkateswaran,

2009).

46 www.REVISTABIOMAIS.com.br


Entretanto, o impacto ambiental que a energia eólica

gera, é muito mais inferior quando comparado à energia

proveniente do combustível fóssil (petróleo), a qual provoca

um grande impacto ambiental produzindo emissões

gasosas que, além de poluentes, destroem ecossistemas.

Já a energia eólica, por sua vez, pode servir eternamente

aos propósitos energéticos com quase nenhum impacto ambiental

(Duarte, 2004). Essa matriz energética, não emite CO2

(Dióxido de carbono) na atmosfera e apresenta um balanço

energético extremamente favorável. Na fase de fabricação e

instalação dos equipamentos, há baixissima emissão de CO2

que, após o período de três a seis meses de funcionamento

dos aerogeradores, esse gás deixa de ser produzido. Esse

impacto varia muito de acordo com o local das instalações, o

arranjo das torres e as especificações das turbinas (Terciote,

2002).

Um ponto favorável ao uso dessa matriz energética, é

o fato de ser possível utilizar a área do parque eólico como

pastagens e outras atividades agrícolas uma vez que a

energia eólica não utiliza água como elemento motriz, nem

como fluido refrigerante e não produz resíduos radioativos

ou gasosos. Outra consideração, é que esses parques tendem

a atrair turistas, gerando renda, emprego, arrecadações

e promovendo o desenvolvimento regional (Terciote, 2002).

Com o uso dessa energia no Brasil, constata-se que os

projetos de energias renováveis representam 37% do total

de projetos, sendo que cerca de 5% destes são provenientes

da força dos ventos. Isto representa a geração de mais ou

menos 3,2 milhões de créditos de carbono, ou aproximadamente

R$ 50 milhões. Avaliando esses dados, observa-se

que o Brasil poderá multiplicar por cinco sua emissão de

créditos de carbono através das usinas eólicas, haja visto

que atualmente apenas 400 MW provenientes de energia

eólica resultaram em créditos de carbono - MMA (Ministério

do Meio Ambiente), 2011.

OBS: versão parcial, para versão integral, acesse:

https://www.nucleodoconhecimento.com.br/

engenharia-de-producao/energia-eolica

DRV SUPREMA

A MARCA DA

FACA

Para todas as

marcas e

modelos de

Picadores

SERRAS E FACAS INDUSTRIAIS





REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

47


AGENDA

JULHO 2021

DESTAQUE

FIEE SMART FUTURE

Data: Data: 19 a 23

Local: São Paulo (SP)

Informações: https://www.fiee.com.br/pt-br.html

OUTUBRO 2021

INTERSOLAR SOUTH AMERICA

Data: 18 a 20

Local: São Paulo (SP)

Informações: https://www.intersolar.net.br/pt/inicio

NOVEMBRO 2021

BRAZIL WINDPOWER

Data: 3 a 5

Local: São Paulo (SP)

Informações: https://www.brazilwindpower.com.br/

FENASUCRO & AGROCANA

Data: 9 a 12 de Novembro de 2021

Local: Sertãozinho (SP)

Informações:

www.fenasucro.com.br/pt-br.html

Imagem: divulgação

FEVEREIRO 2022

E-WORLD

Data: 8 a 10

Local: Essen (Alemanha)

Informações: https://www.e-world-essen.com/en/

A Fenasucro & Agrocana é a principal feira de

bioenergia e do setor sucroenergético da América

Latina. O evento acontece anualmente no principal

polo de produção bioenergética do Brasil; país com

maior potencial de produção mundial. Atualmente,

reúne profissionais dos principais pilares da matriz

energética, de usinas bioenergéticas e dos setores

de transporte e logística, papel e celulose e de

alimentos e bebidas para realização de negócios,

networking e atualização profissional.

48 www.REVISTABIOMAIS.com.br


WORKSHOP

ONLINE

Acompanhe em nosso canal:

@revistareferencia

Tema:

SILVICULTURA DE ALTA PERFORMANCE:

do plantio à indústria

29 de junho às 19h

Palestrantes:

Patrocinadores:

Ouro

Prata

Realização:

REVISTA

Bronze

SERRAS E FACAS INDUSTRIAIS


OPINIÃO

Foto: divulgação

O CAMINHO DAS PEDRAS DA

TRANSFORMAÇÃO DIGITAL

A

verdade é que a tecnologia sempre esteve entre

meus principais interesses de pesquisa e, ao

longo dos últimos anos, tive o privilégio de poder

contribuir, de modo direto, para a difusão de uma

cultura mais disruptiva e aberta para o novo em meu círculo de

atuação.

Essas experiências, por sua vez, reforçaram a minha convicção

de que é indispensável seguir algumas importantes etapas

dentro de um movimento de digitalização. Uma pergunta que

recebo com frequência envolve, aliás, qual o passo a passo

para a estruturação de um planejamento de transformação

digital. Já adianto que não existem fórmulas mágicas, mas, sim,

determinados princípios que podem potencializar as chances

de sucesso de uma jornada rumo à inovação.

A TRANSFORMAÇÃO DIGITAL É UMA

TRANSFORMAÇÃO CULTURAL

É isso mesmo que você leu. Toda transformação digital é,

antes de mais nada, uma transformação cultural. E isso quer

dizer que, para termos êxito nesta profunda caminhada de mudança,

temos de ter completa convicção no processo e difundir

essa confiança entre os gestores do negócio, responsáveis por

integrar toda a organização, em ações que devem ser executadas

com sinergia e plena abertura para as novas tecnologias

que passarão a fazer parte da realidade da companhia – seja

por meio da implementação de soluções, do desenvolvimento

de núcleos internos de inovação ou mesmo por meio de parcerias

de inovação aberta com startups e outras empresas.

ESTEJA PRONTO PARA ERRAR

Em seguida, entra a etapa de planejamento e priorização,

que envolve, por sua vez, a definição de quais áreas e tecnologias

serão priorizadas no processo de implementação da

transformação digital. Esta etapa inicial é importante para

direcionarmos investimentos, contratações, treinamentos e

eventuais mudanças de estrutura nos times que permitam uma

maior fluidez de toda a jornada de transformação digital.

Na sequência, é hora de partir para a execução/implementação

das ações voltadas para a inovação. É neste momento, inclusive,

que mais sentimos a importância da mudança cultural

que comentei acima, uma vez que, os processos de disrupção,

a rigor, são estruturados a partir de modelos de gestão mais

ágeis, dinâmicos e com pleno espaço para a experimentação e

mesmo para eventuais falhas. Lembre-se: erre depressa e corrija

depressa; esse é o novo mantra.

Logo, a tradicional lógica de erro = punição deve ser

completamente abandonada, em prol do fomento dos insights

criativos de seus colaboradores.

TODA EMPRESA É ÚNICA

Para todo paradigma, existe um contraponto. E o que isso

significa no plano da transformação digital? Significa que, seja

qual for a sua rota de mudança tecnológica, considere, antes de

tudo, as necessidades e dores de sua empresa, o perfil de seus

clientes e qual o propósito que irá ancorar os investimentos em

inovação na sua companhia. Este primeiro entendimento, interno,

é decisivo, principalmente na hora de partir para observar

o mercado e para entender em quais soluções deve-se investir

ou que parcerias devem ser firmadas. Com isso em mente, teremos

discernimento para separar as oportunidades que fazem

sentido para o nosso negócio e aquelas que não dialogam com

nossa estratégia de transformação.

Dentro deste contexto, o que você busca como líder: guiar

a construção desta nova e instigante sociedade ou se prender

a conceitos de mercado que, talvez, sequer existirão nas

próximas décadas? A escolha é sua e a única certeza é a de

que a transformação digital seguirá seu curso, abrindo novas

oportunidades e gerando novos desafios, que serão abraçados

por aqueles que estiverem antenados e prontos.

Por Alexandre Velilla

Empresário, CEO do CEL.LEP desde 2017, apresentador de programas de TV voltados para inovação e

empreendedorismo que reúne em sua trajetória profissional resultados extraordinários, mesmo em períodos de crise

Foto: divulgação

50 www.REVISTABIOMAIS.com.br


Há 75 anos gerando energia

térmica, com equipamentos de

alto padrão tecnológico

A natureza

agradece!

• CALDEIRAS

• AQUECEDORES DE

FLUÍDO TÉRMICO

• EQUIPAMENTOS

INDUSTRIAIS

R. Lilly Bremer, 322 - Bairro Navegantes | Rio do Sul | Santa Catarina

Tel: (47) 3531-9000 | Fax: (47) 3525-1975 | bremer@bremer.com.br

www.bremer.com.br


DRV SUPREMA

A MARCA DA

FACA

Para todas as

marcas e

modelos de

Picadores





SERRAS E FACAS INDUSTRIAIS

Hooray! Your file is uploaded and ready to be published.

Saved successfully!

Ooh no, something went wrong!