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*Junho/2021_Revista Biomais 45_Ops

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Entrevista: Análise em investimentos nacionais do setor de energias renováveis

GERANDO

ENERGIA

MERCADO DE BIOMASSA

MOVIMENTA ECONOMIA

NA INDÚSTRIA DA MADEIRA

PESQUISA PROMISSORA

ENERGIA ATRAVÉS DE

MICROALGAS

UNIÃO FAZ A FORÇA

COMUNIDADE PRODUZ BIOGÁS E BIOMETANO


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Gerando rentabilidade, contribuindo

para o desenvolvimento sustentável e

reduzindo os impactos ambientais,

visamos a melhoria da qualidade de

vida e das gerações futuras.

Nossos parceiros:


SUMÁRIO

04 | EDITORIAL

União pelo progresso

06 | CARTAS

08 | NOTAS

18 | ENTREVISTA

24 | PRINCIPAL

30 | CASE

Energia coletiva

34| ECONOMIA

Sustentabilidade econômica

38 | PESQUISA

42 | ARTIGO

Energia eólica

48 | AGENDA

50| OPINIÃO

O caminho das pedras da

transformação digital

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

03


EDITORIAL

Estampa a capa desta edição montagem

alusiva aos produtos oferecidos pela

Centenaro Cavacos

UNIÃO PELO

PROGRESSO

C

ompletar 15 anos de uma história de sucesso já é uma marca impressionante. Mas

celebrar essa data dentro de uma empresa que une diversas gerações torna tudo ainda

mais especial. Nessa edição vamos contar a história da Centenaro Cavacos, companhia de

Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha, especializada na transformação de resíduos industriais

em biomassa. Além disso, também vamos contar sobre um projeto inovador em Arapongas (PR), que

pretende implantar uma usina de biogás no município, a partir de rejeitos de diversas localidades.

Também será foco nessa edição pautas sobre outras fontes de energia renovável, como a solar, a eólica

e a hidrelétrica. Tenha uma excelente leitura!

EXPEDIENTE

ANO VIII - EDIÇÃO 45 - JUNHO 2021

Diretor Comercial

Fábio Alexandre Machado

(fabiomachado@revistabiomais.com.br)

Diretor Executivo

Pedro Bartoski Jr

(bartoski@revistabiomais.com.br)

Redação

Jorge de Souza

(jornalismo@revistabiomais.com.br)

Dep. de Criação

Fabiana Tokarski - Supervisão

Crislaine Briatori Ferreira - Gabriela Bogoni

(criacao@revistareferencia.com.br)

Representante Comercial

Dash7 Comunicação - Joseane Cristina Knop

Dep. Comercial

Gerson Penkal - Jéssika Ferreira - Tainá Carolina Brandão

(comercial@revistabiomais.com.br)

Fone: +55 (41) 3333-1023

Dep. de Assinaturas

Cristiane Baduy

(assinatura@revistabiomais.com.br) - 0800 600 2038

ASSINATURAS

0800 600 2038

A REVISTA BIOMAIS é uma publicação da JOTA Editora

Rua Maranhão, 502 - Água Verde - Cep: 80610-000 - Curitiba (PR) - Brasil

Fone/Fax: +55 (41) 3333-1023

www.jotaeditora.com.br

Veículo filiado a:

A REVISTA BIOMAIS - é uma publicação bimestral e

independente, dirigida aos produtores e consumidores de

energias limpas e alternativas, produtores de resíduos para

geração e cogeração de energia, instituições de pesquisa,

estudantes universitários, órgãos governamentais, ONG’s,

entidades de classe e demais públicos, direta e/ou indiretamente

ligados ao segmento. A REVISTA BIOMAIS não se

responsabiliza por conceitos emitidos em matérias, artigos,

anúncios ou colunas assinadas, por entender serem estes

materiais de responsabilidade de seus autores. A utilização,

reprodução, apropriação, armazenamento de banco de dados,

sob qualquer forma ou meio, dos textos, fotos e outras

criações intelectuais da REVISTA BIOMAIS são terminantemente

proibídas sem autorização escrita dos titulares dos

direitos autorais, exceto para fins didáticos.

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CARTAS

MODELO

A editoria PELO MUNDO é uma das minhas preferidas da REVISTA BIOMAIS. Sempre com ótimos

exemplos que podem servir de inspiração para outras cidades e países!

Francisco Brum – Rio Negro (PR)

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TECNOLOGIA

É uma das minhas editorias preferidas! Trazer as inovações que surgem diariamente ao redor do globo para que elas

possam inspirar iniciativas semelhantes por todo o país!

Ana Freire – Vitória (ES)

FUTURO

O amanhã é verde e o pós-pandemia precisa ser pautado pela economia verde. Excelente reportagem mostrando os

benefícios econômicos de medidas e políticas mais sustentáveis. Parabéns!

Josias Teixeira – Recife (PE)

CASE

Ótimo case da edição 41 de outubro de 2020 sobre as empresas japonesas que querem

aumentar a produção de algas para biocombustíveis. Qualquer alternativa sustentável para

substituição de combustíveis fósseis deve ser incentivada.

Laís Queiroz– Rio de Janeiro (RJ)

Foto: divulgação

REVISTA

na

mídia

informação

biomassa

energia

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NOTAS

MAIS ENERGIA

A COPEL (Companhia Paranaense de Energia)

colocou em operação comercial a primeira unidade

geradora de energia da PCH (Pequena Central

Hidrelétrica) Bela Vista. Construída em tempo

recorde e entregue dois anos antes do prazo

previsto, a usina foi instalada no Rio Chopim, entre

os municípios de Verê e São João, no sudoeste do

Paraná. O investimento na mais nova hidrelétrica

da COPEL foi de R$ 224 milhões e a energia gerada

vai abastecer 100 mil pessoas. Bela Vista terá capacidade

para produzir 29,81 MW (Megawatts), sendo

29,322 MW em três unidades geradoras na casa

de força principal e 0,488 MW na unidade instalada

na casa de força complementar, construída junto à barragem, que vai gerar energia aproveitando a vazão mínima de água que não

pode ser represada e deve escoar de forma permanente no trecho abaixo do barramento, mantendo a condição ambiental adequada

do rio. A energia gerada na hidrelétrica será levada até a subestação existente em Dois Vizinhos através de uma linha de distribuição

em alta-tensão (138 mil volts), com 18 km (quilômetros), que passa por Verê, São Jorge D’Oeste e Dois Vizinhos. A previsão é de que

a segunda e a terceira unidades geradoras entrem em operação até o final do mês de julho. Com a implantação da PCH, a travessia

sobre o Rio Chopim na área do reservatório deixa de ser feita por balsa e passa a ser feita pela nova ponte que faz a integração entre

os municípios de Verê e São João. A ponte de 200m (metros) foi construída pela COPEL atendendo a uma reivindicação antiga da

população local, que agora é beneficiada com uma ligação rodoviária segura e gratuita entre os municípios de Verê e São João.

Foto: divulgação

Foto: divulgação

DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

Dobrar a produção de alimentos sem desmatar, transformar a Amazônia

no maior celeiro global de produtos naturais, mantendo a floresta em pé,

diminuir consideravelmente a aplicação de agroquímicos na produção de

alimentos, reduzir a desigualdade, ampliar a geração de renda e empregos

para os povos tropicais, abastecer o mundo com alimentos mais saudáveis,

produzidos de forma mais sustentável e combater ao mesmo tempo o aquecimento

global. Esses são alguns dos objetivos colocados pelos pesquisadores

que participaram do lançamento do Projeto Biomas Tropicais, que após

8 anos de formatação, conseguiu reunir algumas das maiores autoridades

brasileiras em ciências relacionadas à Bioeconomia Tropical. O Projeto Biomas

Tropicais é coordenado pelo Instituto Fórum do Futuro, presidido pelo

professor Alysson Paolinelli, e conta no seu núcleo central com a parceria

de instituições como o CNPq, a EMBRAPA, a ESALQ (Universidade de São

Paulo), as Universidades Federais de Lavras e Viçosa, o Centro de Gestão de

Estudos estratégicos, o SEBRAE e a FGV-Agro, além de inúmeras instituições

regionais em cada um dos biomas estudados. A experiência deve desenvolver alternativas para a integração da ciência, energia,

natureza e alimentos, criando uma sinergia entre essas áreas e dando grande ênfase a ações sustentáveis. Para atingir seus objetivos,

o projeto Biomas Tropicais se concentrará em pesquisa e gestão de alta precisão. O propósito é encontrar caminhos para promover a

inclusão tecnológica dos povos tropicais, permitindo o desenvolvimento sustentável, a geração de renda e empregos e viabilizando a

permanência dos povos tropicais em suas regiões de origem. A concepção do Projeto Biomas começou há oito anos e a implantação

teve início em meados de 2019, no Polo Demonstrativo dos Cerrados, em Rio Verde (GO). Agora estão sendo iniciados os trabalhos na

Amazônia e na Caatinga.

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NOTAS

Foto: divulgação

POTENCIAL ENERGÉTICO

Apesar de cerca de 90% da energia elétrica do território

nacional ter origem nas usinas hidrelétricas, cerca de um quinto

do que é produzido é desperdiçado na transmissão da energia

até os centros de consumo, como o exemplo de Itaipu. Perdas

que resultam em pelo menos 5% da tarifa paga pelo consumidor.

Um dos caminhos para driblar essas perdas de energia no

país é optar pela energia solar distribuída. Até 2027, de acordo

com o Governo Federal, as hidrelétricas perderão espaço para

a energias renováveis e cairão para 51% em termos de participação

energética, enquanto fontes alternativas devem saltar

para 28%. Para o diretor da empresa de comércio exterior

brasileira Tek Trade, Rogério Marin, responsável por importar 4

MW (Megawatts) de energia em placas fotovoltaicas em 2020, o

principal caminho será o incentivo à implantação de usinas de

energias renováveis e o aumento da micro geração de energia

solar distribuída pela população. O diretor estima que o crescimento

em importação de painéis solares pela Tek Trade deve ter

um acréscimo de 15% em 2021, em comparação com 2020, e

seguir em crescimento pelos próximos anos. Uma oportunidade

aos empresários interessados em atuar com a distribuição e

instalação de equipamentos e que, inclusive, é apontada como

uma solução para a retomada do crescimento econômico, de

países e empresas no pós-pandemia. Outro fator apontado

por Marin é que as principais hidrelétricas do Brasil, ou seja, as

que geram mais energia, estão localizadas no Rio Paraná, na

fronteira Brasil-Paraguai. Sendo assim, na hora de transportar

esta energia para o restante do país, se perde pelo menos 20%

do recurso na transmissão pela rede, afetando diretamente na

qualidade da eletricidade fornecida em algumas regiões. Já o

painel solar possui facilidade na hora da instalação e sua matéria-prima

– a luminosidade do sol – é inesgotável e gratuita.

CARTEIRA DE TRABALHO

Em um momento em que o Brasil enfrenta o desemprego

e problemas econômicos, a geração distribuída

solar fotovoltaica vai na contramão. De acordo com

dados da ABSOLAR, somente em 2020 foram gerados

mais de 76 mil empregos em todo o país. Para este ano,

a expectativa é abrir mais de 118 mil vagas. O Paraná

ocupa a quinta posição em geração de postos de trabalho:

desde 2012 foram criados mais de 8.500 empregos.

O estado é o território com melhor irradiação solar do

sul do país, principalmente as regiões norte, noroeste

e oeste e as cidades com maiores potências de energia

solar instaladas são Maringá, Londrina, Cascavel e Foz

do Iguaçu. Junto com os empregos, chegam também

os investimentos. A geração distribuída solar fotovoltaica

já atraiu mais de 26 bilhões de investimentos

privados em todo o Brasil desde 2012, com os paranaenses

contribuindo em R$ 1,5 bilhão desse total, além

de arrecadar 6 bilhões de tributos, sendo 355,3 milhões

somente no Paraná. Até 2019, o Paraná ocupava a

quarta posição em geração distribuída e potência

instalada e também na geração de postos de trabalho.

Atualmente, perdeu uma colocação e está no quinto

lugar. Mas, pode voltar a crescer. Um dos motivos é o

programa de crédito exclusivo com juros subsidiados

lançado pelo governo do estado no dia 27 de abril,

com a criação do Banco do Agricultor Paranaense. Foi

anunciado que projetos de energia fotovoltaica poderão

ser financiados com limite equalizado de até R$ 500

mil. Foi previsto também subvenção para operações

em obras civis, aquisição de materiais e equipamentos

e na elaboração de projetos de geração de energia de

fontes fotovoltaicas e outras sustentáveis, o que traz

esperança para o setor voltar a crescer no Estado.

Foto: divulgação

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NOTAS

INOVAÇÃO NA INDÚSTRIA

A ENGIE está concluindo a fase mais importante do Projeto de Pesquisa e

Desenvolvimento Aerogerador Nacional, que é a montagem do equipamento.

Localizado no município de Tubarão (SC), o aerogerador está instalado no

parque experimental de pesquisa e desenvolvimento da ENGIE e é resultado

de um Projeto Estratégico do P&D (Programa de Pesquisa e Desenvolvimento)

da ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica). O aerogerador foi projetado

e construído pela WEG S.A e a segunda etapa do projeto também contou com

recursos do P&D das CELESC (Centrais Elétricas de Santa Catarina S.A). O projeto

denominado: Desenvolvimento e certificação de aerogerador nacional de 4,2

MW (Megawatts) de acoplamento direto, com gerador síncrono de ímãs permanentes

e conversor de potência plena; tem por objetivo desenvolver e incentivar

a tecnologia nacional em energia eólica para reduzir a dependência de

outros países, por meio do fortalecimento da cadeia brasileira de fornecedores

de componentes e prestadores de serviços para a fabricação e instalação de

aerogeradores de grande porte. Essa nova turbina, com 4,2 MW de potência, foi

instalada a 600 metros de outro aerogerador, de 2,1 MW, resultado da primeira

etapa deste Projeto Estratégico de P&D, o qual foi primeiro protótipo construído pela WEG no Brasil. Ele entrou em operação em 2015

e a análise do seu desempenho contribuiu para o desenvolvimento deste novo aerogerador, mais adequado às condições de vento do

Brasil. A energia elétrica gerada será futuramente fornecida ao SIN (Sistema Interligado Nacional), que faz a conexão entre as unidades

de geração e os consumidores de energia elétrica. Mais de R$ 300 milhões já foram investidos, desde 1999, em pesquisa e desenvolvimento

pela ENGIE no Brasil, em mais de 200 projetos realizados e/ou em desenvolvimento, unindo esforços de mais de 40 organizações,

incluindo universidades, centros de pesquisa, empresas e startups.

Foto: divulgação

Foto: divulgação

LOGÍSTICA REVERSA

O OLUC (Óleo Lubrificante Usado ou Contaminado)

é classificado como resíduo perigoso e, contendo metais

pesados como cromo, cádmio, chumbo e arsênio, deve ser

enviado para a reciclagem por meio do rerrefino. Em acordo

de cooperação assinado no mês de junho, no âmbito do

programa Lixão Zero, o MMA (Ministério do Meio Ambiente),

a ABETRE e a AMBIOLUC visam informatizar o sistema de

logística reversa que permite a destinação ambientalmente

adequada desse resíduo. Com isso, qualquer cidadão poderá

acessar informações sobre a logística reversa do óleo, além

de resultados do sistema e orientações para contribuir com

a destinação ambientalmente adequada desse tipo de

resíduo. O grande objetivo é eliminar o descarte inadequado, contribuindo para o encerramento de lixões, em acordo com o Marco

Legal do Saneamento Básico, que determina o encerramento de todos os lixões do País até 2024. Para alcançar esse resultado, o

acordo prevê a integração das informações setoriais sobre logística reversa de OLUC no SINIR (Sistema de Informação Nacional

lançado pelo MMA em 2019) e o desenvolvimento de um aplicativo online, arquitetado para permitir a integração com os demais

sistemas de logística reversa existentes no país, como eletroeletrônicos, embalagens e medicamentos. Em 2020, foram coletados

mais de 465 milhões de litros de óleo lubrificante usado ou contaminado, em mais de 4.100 municípios brasileiros. A logística

reversa possibilitou a produção de mais de 300 milhões de litros de óleos básicos, alcançando 20% da demanda nacional, gerando

emprego e renda no setor. O programa Lixão Zero acumula uma série de ações na área de logística reversa de resíduos, incluindo

a implementação e incrementos nos sistemas de logística reversa de eletroeletrônicos, medicamentos, baterias de carro, latas de

alumínio e óleo lubrificante, aumentando as metas de reciclagem do OLUC, que até 2023 deverá alcançar 47,5% no país.

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NOTAS

Foto: divulgação

ECONOMIA

A rede varejista de alimentos, como hiper e supermercados,

tem sofrido com a alta da energia elétrica

no Brasil. Com os constantes reajustes que o Governo

tem repassado aos consumidores, é inevitável que esse

valor também chegue aos alimentos como forma dos

supermercados equilibrarem a conta. Segundo dados da

ABRAS (Associação Brasileira de Supermercados), a conta

de energia é o segundo maior gasto de um supermercado,

atrás apenas da folha de pagamento, representando

um gasto de mais de R$ 3 bilhões no mercado

varejista. Dentre os maiores itens de consumo em um

supermercado, encontra-se o sistema de refrigeração

(40% de gastos), principalmente se o estabelecimento

conta com açougue e câmaras frias, ar-condicionado

(varia entre 30% e 50%) e iluminação, na média, até 20%.

Por conta dessa situação, muitos estabelecimentos têm

buscado soluções para que esses gastos não minimizem

ainda mais a sua margem de lucro. Uma das saídas

encontradas pelo setor tem sido o investimento em

energia fotovoltaica. A Distribuidora Betel, supermercado

localizado em Curitiba (PR), fez a aposta em energia

fotovoltaica em novembro de 2020. A conta de energia,

que girava em torno dos R$ 1.800,00, caiu para perto de

R$ 300,00 com o novo sistema, uma redução de 83% na

fatura. Para a instalação e habilitação do sistema, foram

gastos R$ 120 mil, que, dado os ajustes nos preços da luz,

terá um retorno sobre o investimento em três anos. Mas,

a economia mensal já chega aos clientes da empresa,

garante o proprietário Paulo Fontoura. "Revertemos a

economia em preços diferenciados, ampliação da loja e

contratação de funcionários, o que vai impactando no

crescimento da empresa."

SUSTENTABILIDADE

Falar é fácil, mas como seria um sistema de logística

reversa na cadeia do papel que funcione de verdade? Com

apoio da Green Mining, a IBEMA hoje efetivamente traz de

volta para sua unidade de Embu das Artes (SP) papel cartão

utilizado, e reinsere o material em sua cadeia produtiva. A

Green Mining conta com 24 funcionários registrados, entre

ex-cooperados ou ex-catadores de rua que, agora formalizados,

coletam papelão e papel cartão na cidade de São

Paulo. Eles utilizam triciclos de carga – bicicletas adaptadas

para transporte que evita o trânsito e as emissões de CO₂

(Gás Carbônico) – e com elas fazem a coleta de materiais

recicláveis em 720 bares, restaurantes e condomínios da

capital paulista. Esses pontos de coleta recebem o serviço

da Green Mining sem custos. Quem financia o sistema são

empresas como a IBEMA, que assumiram a responsabilidade

de colocar em prática o que a lei manda, ou seja, uma coleta

independente do poder público. Nos estabelecimentos

do setor de alimentação, são coletadas muitas caixas de

ingredientes para cozinha e de bebidas. Já nos condomínios

residenciais, existe o descarte desde papel sulfite limpinho

até embalagens sujas – e aí entra o treinamento realizado

com moradores e agentes de limpeza que segregam esses

materiais recicláveis. Após a coleta, o material é levado para

hubs, onde é prensado e devolvido às indústrias que apostam

nesse serviço. Para garantir o controle das quantidades

coletadas e sua procedência, a Green Mining utiliza um sistema

de rastreabilidade de última geração. Em um banco de

dados sequencial, cada lote de resíduo é acompanhado do

começo ao fim do ciclo, e assim se garante o peso e o tipo de

material em cada local de coleta. A pesagem é feita in loco

e fotografado. Cada etapa recebe um carimbo na forma de

blockchain, ou seja, sem possibilidade de adulteração.

Foto: divulgação

14 www.REVISTABIOMAIS.com.br


Máquinas Peletizadoras

TECNOLOGIA E

INOVAÇÃO PARA A

INDÚSTRIA DE PELLETS

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NOTAS

CARBONO ZERO

Com produção própria e aquisição de certificados no mercado, o Banco do Brasil

(BB) alcançou 100% de compensação das emissões de gases de efeito estufa oriundos

do consumo de energia elétrica das dependências. Ao longo do ano passado, foram

consumidos um total de 532,8 mil MW/h (Megawatts/horas) . Com a operação, o BB

neutraliza a emissão de 33 toneladas de gás carbônico, o que equivale ao consumo

de energia de uma cidade de 222 mil residências em um ano ou ao reflorestamento

relativo ao plantio de 75.336 árvores. Para compensar sustentavelmente o volume de

532,8 mil MWh, o BB adquiriu, por meio de licitação, em contratação inédita na Administração

Pública, 523,9 mil I-REC (International Renewable Energy Certificate) da Distribuidora

Digital de Energia Matrix, cujos certificados são provenientes do complexo

eólico Serra da Babilônia (BA) e Baixa do Feijão (RN). O montante se une aos 8,9 mil

RECs decorrentes da geração de energia da usina solar inaugurada em março do ano

passado em Porteirinha (MG). O I-REC é uma plataforma internacional de transações que permite aos consumidores adquirirem o certificado

de uma energia de fonte renovável rastreada para compensar as emissões pelo consumo de energia elétrica. A ação integra um dos

10 compromissos sustentáveis assumidos pelo BB, especificamente o ‘Fomento à Energia Renovável’ que prevê, além da compensação

de 100% das emissões de gases de efeito estufa oriundos do consumo de energia elétrica, chegar a 90% de energia renovável até 2024.

Para 2021, as duas usinas fotovoltaicas do BB em funcionamento, a de Porteirinha (MG) e a de São Domingos do Araguaia (PA), inaugurada

em outubro de 2020, gerarão 16 mil I-RECs. Ainda neste ano, o BB tem prevista a inauguração de mais quatro usinas: na Bahia, no

Ceará, em Goiás e no Distrito Federal, além de outras quatro em 2022, a serem licitadas, gerando mais energia e compensando o consumo

de um número maior de dependências. Quando concluídas, as seis unidades entregues até 2021 fornecerão 32 GW/h (Gigawatts/

hora) de energia por ano, total semelhante ao consumo de 13,3 mil residências. Com essas medidas, o BB deixará de emitir cerca de 1,6

mil toneladas anuais de dióxido de carbono, o que equivale ao plantio de aproximadamente 4,5 mil árvores.

Foto: divulgação

Foto: divulgação

LEILÕES DE ENERGIA

O presidente Jair Bolsonaro assinou em maio, decreto que regulamenta uma

nova modalidade de leilões de energia, para contratação de reserva de capacidade,

com um primeiro certame do tipo já previsto pelo Ministério de Minas e

Energia para dezembro. Publicada em edição extra do Diário Oficial da União,

a medida não está associada à crise hídrica atual, uma vez que já vinha sendo

discutida no governo e mira usinas que entrariam em operação apenas no futuro,

mas tem ligação com o processo de privatização da Eletrobras. Alterações à

medida provisória (MP) sobre a desestatização durante a aprovação da matéria

pela Câmara dos Deputados estabeleceram uma obrigação de contratação pelo

governo de novas termelétricas a gás nos próximos anos, por meio dos leilões de

reserva de capacidade como os agora regulamentados pelo decreto do presidente.

O primeiro leilão desse tipo deverá ser realizado em dezembro, segundo uma

portaria da pasta de Minas e Energia também publicada na noite de sexta-feira,

em separado. O certame visará fechar contratos com usinas termelétricas a gás

e hidrelétricas novas ou existentes. Os contratos do leilão terão duração de até

15 anos. Serão negociados contratos de potência de reserva de capacidade, com início de suprimento a partir de julho de 2026,

e contratos de compra de energia no ambiente regulado, com suprimento a partir de janeiro de 2027. O texto de privatização da

Eletrobras que passou na Câmara prevê após mudanças do relator Elmar Nacimento (DEM-BA) aprovadas pelos deputados, que o

governo deverá contratar 6 GW (Gigawatts) em termelétricas a gás para operação a partir de 2026, 2027 e 2028, sendo 1 GW em

um Estado do nordeste e 5 GW entre usinas no norte e centro-oeste. O projeto também estabelece obrigação de contratação de até

2 GW em PCHs (pequenas centrais hidrelétricas) no leilão de energia A-6 deste ano. O Ministério de Minas e Energia disse em nota

na noite de sexta que, com o leilão de reserva de capacidade em dezembro, o A-6 de 2021 não será mais realizado.

16 www.REVISTABIOMAIS.com.br


ENTREVISTA

Foto: divulgação

ENTREVISTA

FABRÍZIO

NICOLAI MANCINI

Formação: Engenheiro Elétrico pela UP

(Universidade Positivo), Doutorando

em Tecnologia e Sociedade pela UTFPR

(Universidade Federal Tecnológica do

Paraná) e mestrado em Desenvolvimento

de Tecnologia pelo Instituto Lactec

Cargo: Professor dos cursos de Engenharia

Elétrica e Engenharia de Energia da

Universidade Positivo

FUTURO DA

ENERGIA

A

busca por fontes renováveis de energia em detrimento ao uso dos combustíveis fósseis

tende a crescer cada vez mais em todo mundo. Mas como o Brasil está posicionado

dentro desse mercado? Essa e outras perguntas foram respondidas pelo doutorando

em Tecnologia e Sociedade, mestre em Desenvolvimento de Tecnologia, e

professor dos cursos de Engenharia Elétrica e Engenharia de Energia da Universidade Positivo,

Fabrízio Nicolai Mancini, em entrevista exclusiva à Revista BIOMAIS.

“O Brasil tem um potencial maravilhoso e a gente não tem uma exploração adequada disso,

porque ainda temos custos muito elevados, dependendo do câmbio com uma dependência

internacional muito grande”, explicou Mancini.

18 www.REVISTABIOMAIS.com.br


Qual sua avaliação sobre o investimento em energias

renováveis no Brasil? O que falta para potencializar

esse setor?

A gente tem visto, vamos dizer assim, uma certa paralisia,

desde 2016, o que acabou prejudicando um pouco

a área de infraestrutura. Apesar dos percalços políticos e

ideológicos, nós notamos que existem esses investimentos,

tanto pela parte do poder público, quanto uma tendência

de crescimento nos investimentos privados, inclusive vindo

do exterior. Mas ainda existem alguns gargalos no setor,

principalmente por conta de uma necessidade de reforma

no setor de energia elétrica. Atualmente, existem algumas

revisões, inclusive, com relação a questão da geração

distribuída. Outro aspecto é que em algumas outras áreas

estratégicas, como a dificuldade da gente desenvolver

a parte do biogás, por uma ausência de uma malha que

seria compartilhada com o gás natural, que é um outro

potencial muito grande que o Brasil tem. Também temos

algumas áreas crescentes, como a energia solar, que nós

notamos ainda um desarranjo, principalmente com relação

a questão da taxação do sistema de geração distribuída

compensada, o sistema de compensação. Então, nós temos

alguns gargalos bem importantes para ultrapassar e eles

estão vinculados em uma boa parte a questão da realidade

econômica atual, mundial, com a pandemia, e em um

outro aspecto com algumas necessidades de ajustes de

regulamentação do setor de energia, como é o caso da elétrica

e também a parte de petróleo, gás e biocombustíveis.

temos alguns problemas de regulamentação que precisam

ficar claros. As usinas de um sistema público, ou autoprodução,

ou produtor independente, estão fornecendo

energia para o sistema, enquanto a energia, vamos dizer

assim, estão centralizadas para esses empreendimentos.

Acredito que o Governo deveria estimular essas empresas

para fabricar esses módulos solares no Brasil. Isso seria uma

política que com certeza melhoraria o setor e deslocaria o

dinheiro que nós estamos mandando para o exterior, por

conta dos módulos solares, para ficar no Brasil. Até a (Usina

Binacional) Itaipu tinha um projeto muito interessante, que

inclusive está sendo reativado, que é a questão de se ter

uma produção verde, o silício verde, feito próximo de Itaipu

e o PTI (Parque Tecnológico de Itaipu). Seria um órgão

bem importante nisso. Em um outro ponto, a legislação

com relação a parte de compensação vai precisar de um

ajuste. Já estava prevista na resolução 482. Hoje nós temos

um projeto de lei correndo na Câmara dos Deputados, que

está bastante complicada a aprovação, por conta de uma

isenção que vai ser proposta no projeto de lei e pode afetar

o custo da tarifa de energia para a maior parte dos consumidores

cativos. Então o setor está pressionando para

que seja aprovada a lei com esse subsídio, só que isso vai

aumentar a CDE (Conta de Desenvolvimento Energético),

que é um dos componentes mais importantes hoje, não

tirando o ICMS (Imposto Sobre Circulação de Mercadorias

Como o poder público pode auxiliar no fomento

dessas matrizes energéticas?

Com relação a essa questão de fomento, algumas

políticas públicas precisavam de um pouquinho mais de

agilidade. Na parte do biogás e biocombustíveis, a gente

tem o RenovaBio, que realmente pode dar um ganho bem

grande para o Brasil, tendo em vista que a maior parte

do problema ambiental do Brasil com relação a matriz

energética é vinculada a parte dos combustíveis. Esse seria

realmente um marco importante para o Brasil investir,

com o biodiesel, o biogás, todas essas questões vinculadas

a parte do combustível. No setor de energia elétrica

propriamente dita, creio que a questão pontual é a solar.

O Brasil tem um potencial maravilhoso e a gente não tem

uma exploração adequada disso, porque ainda temos

custos muito elevados, dependendo do câmbio com uma

dependência internacional muito grande. Além disso, nós

Precisamos resolver os

gargalos, mas também

sem afetar demais os

outros consumidores, se

não a gente vai fazer um

Robin Hood ao contrário

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

19


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ENTREVISTA

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PRINCIPAL

EM

FAMÍLIA

EMPRESA PIONEIRA NO

RECOLHIMENTO DE MADEIRA

PARA PRODUÇÃO DE BIOMASSA,

COM FOCO NA PRESERVAÇÃO

DO MEIO AMBIENTE E NA

SUSTENTABILIDADE

FOTOS EMANOEL CALDEIRA

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REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

25


PRINCIPAL

A

Centenaro Cavacos completa 15 anos de atuação

em 2021 e ano após ano se consolida como uma

das referências no Rio Grande do Sul na coleta,

transporte e processamento de retalhos de madeira

para geração de biomassa.

A empresa localizada em Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha,

auxilia dessa forma outras companhias a cumprirem os

requisitos ambientais para o destino dos resíduos industriais,

no caso, os retalhos de madeira.

“A história começou em uma granja de aves, quando trabalhávamos

na integração das empresas, e tínhamos necessidade

de colocar maravalha no local em que ficavam esses

frangos. Todas as empresas do setor produtivo geram sobras

de madeira e precisavam de ajuda para a destinação final

desses materiais”, relata Celso Centenaro, um dos proprietários

da empresa.

“Assim foi criada a Centenaro Cavacos, com a finalidade

de picar esses retalhos de madeira produzindo biomassa-cavaco,

e retornando às indústrias para produção de energia.

Com essa prática, o ganho é para o meio ambiente, pois cada

metro cúbico de cavaco reaproveitado, usado nas caldeiras

das indústrias, equivale a preservação de uma árvore com

idade entre 5 e 10 anos. Assim, viabilizamos ao mercado

energia alternativa”, complementa Simone Centenaro, diretora

administrativa da empresa.

A Centenaro Cavacos possibilita que os clientes possam

utilizar o cavaco do processamento da madeira para a obtenção

de biomassa, que pode ser utilizado por essas empresas

como fonte renovável de combustível. Essa biomassa quando

é consumida para a produção de energia não agride o meio

ambiente, além de ter alto potencial como matriz energética

e ser mais competitiva em relação a fontes não renováveis.

Essa qualidade no serviço prestado pela Centenaro Cavacos

motivou a empresa a criar a Transambiental Transportes,

que oferece uma ampla infra-estrutura no transporte da produção.

Todo o transporte é feito com equipamentos próprios,

que contam na frota com caminhões roll-on roll-off com reboque

(julieta), além de carretas cavaqueiras que possuem

assoalho móvel com capacidade de transporte de 100m3

(metros cúbicos), possibilitando maior agilidade e segurança

no procedimento.

A Centenaro Cavacos ainda estabeleceu parceria com a

Asolução Biomassa, com foco na ampliação, melhoramento

e maior qualidade na produção de biomassa para atender as

exigências do mercado. Dessa forma, a empresa também está

realizando a transformação em biomassa-cavaco de resíduos

florestais e lenha de reflorestamento.

“Hoje estamos produzindo e comercializando em torno

de 6 mil m³ por dia, o que nos permite fazer maiores investimentos

em funcionários, caminhões e estrutura. Por exem-

26

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REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 27


CASE

ENERGIA

COLETIVA

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LOCAL, QUE REÚNE

PODER PÚBLICO E

INICIATIVA PRIVADA

DE ARAPONGAS (PR),

TRANSFORMA CIDADE EM

POLO NA PRODUÇÃO DE

BIOGÁS E BIOMETANO

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

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CASE

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ECONOMIA

SUSTENTABILIDADE

ECONÔMICA

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PARANÁ TEM CONSEGUIDO ECONOMIA DE

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PESQUISA

MICROALGAS

EM AÇÃO

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PESQUISA DA UFPR TEM CONSEGUIDO

GERAR ENERGIA TERMOELÉTRICA COM A

UTILIZAÇÃO DESSES ORGANISMOS COMO

FILTRO NA QUEIMA DE RESÍDUOS

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

39


PESQUISA

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ARTIGO

ENERGIA EÓLICA:

ESTUDOS E REFLEXÕES

SOBRE A VIABILIDADE

DO POTENCIAL DESSA

MATRIZ ENERGÉTICA

NO BRASIL

FOTOS DIVULGAÇÃO

FELIPE MIGUEL MARTINHO

Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento,

Ano 1. Vol. 10 pp. 25-38. ISSN. 2448-0959

42 www.REVISTABIOMAIS.com.br


ARESUMO

s questões ambientais e a constante preocupação

com as mudanças climáticas levaram a

uma corrida pelo desenvolvimento e inserção

de tecnologias de energias renováveis na matriz

elétrica em diversos países. Nesse contexto, a energia eólica

é considerada uma das mais promissoras fontes naturais de

energia, principalmente porque é renovável, não se esgota,

limpa, distribuída globalmente e, se utilizada para substituir

fontes de combustíveis fósseis, auxilia na redução do efeito

estufa. Além desses benefícios, pode-se trazer vantagens

globais e nacionais, como por exemplo, os benefícios com

a redução das emissões de gás carbono e a segurança do

abastecimento energético. O grande potencial de geração

no Brasil é a eólica, que compõe apenas uma pequena parte

da matriz energética brasileira, mas que vem ganhando

destaque nos leilões, por conta de sua competitividade.

O presente trabalho se propôs a demonstrar a viabilidade

do potencial dessa matriz e como a utilização de fontes de

energias renováveis é importante para a busca do desenvolvimento

sustentável. Para isso, foi realizado uma revisão bibliográfica

sistemática, estruturada, através de uma revisão

bibliográfica em artigos da área. A partir dos dados apresentados

no resultado desse estudo, discutiu-se a importância

desse tema que servirá de embasamento e guia para estudos

futuros que demonstrem o esforço do país na procura

por um desenvolvimento econômico e social, que leve em

consideração o meio ambiente e sua sustentabilidade.

Palavras-chave: Desenvolvimento sustentável, Energia

eólica, Energias renováveis

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

43


ARTIGO

INTRODUÇÃO

O desenvolvimento sustentável é um dos assuntos de

maior relevância na atualidade, uma vez que está relacionado

não só com a economia, mas também com o meio

ambiente e com a sociedade (United Nations, 1987, p.64).

A qualidade de vida de uma sociedade, por sua vez, está

intimamente ligada ao seu consumo de energia. A melhoria

nos padrões de vida, principalmente em países em desenvolvimento,

geram aumento da demanda energética e, dessa

forma, necessitam de um melhor planejamento energético

que aborde a segurança no suprimento de energia e os

custos ambientais para atender a este aumento de consumo

de energia (Goldemberg, 2008).

Alguns especialistas (Welch; Venkateswaran, 2009;

Terciote, 2002) consideram que a energia eólica é uma fonte

energética capaz de suprir as demandas de uma sociedade,

sem prejudicar gerações futuras, e por isso, o uso deste tipo

de energia renovável vem crescendo mundialmente.

No início de 2000, os projetos contratados decorrentes

das políticas de incentivo, e principalmente no final da década

com a entrada da energia eólica no mercado regulado de

energia, colocou o Brasil entre os países com maior crescimento

na implantação de novos parques eólicos e gerou

otimismo entre os agentes públicos e privados do setor

elétrico (Simas, 2013).

Decorrente destes fatores, o objetivo do presente estudo

foi realizar uma revisão da literatura sobre energia eólica e

a viabilidade do potencial dessa matriz energética no Brasil,

levando em conta o meio ambiente e sua sustentabilidade.

O estudo está organizado em tópicos, onde no primeiro

apresenta-se os fundamentos teóricos necessários para o

entendimento claro da pesquisa e em seguida, a metodologia

utilizada para a elaboração da revisão bibliográfica.

Posteriormente são apresentados os resultados juntamente

com a discussão dos fatos, finalizando com a conclusão do

estudo.

FUNDAMENTOS TEÓRICOS

Os primeiros indícios da utilização de energia eólica para

a realização de trabalhos mecânicos datam cerca de dois

mil anos atrás, sendo utilizada nas máquinas de Heron em

Alexandria (Pinto, 2012).

Segundo Duarte (2004), o surgimento da tecnologia

do aproveitamento do vento foi uma consequência da

crise energética de 1973. Diante do aumento do preço do

petróleo e da necessidade de produzir eletricidade a preços

inferiores e de forma limpa e renovável, foram desenvolvidos

os atuais aerogeradores. Segundo os autores Terciote (2002),

Welch e Venkateswaran (2009), nos últimos anos a energia

eólica tornou-se uma peça fundamental na geração de

energia, principalmente elétrica, devido à grande expansão

em pesquisas e nas técnicas de desenvolvimento para transformar

o movimento do vento em energia. Atualmente, esta

fonte energética vem sendo descrita como uma das mais

importantes e promissoras tecnologias na geração complementar

de energia, por ser facilmente acessível e abundante

na natureza (Terciote, 2002; Welch; Venkateswaran, 2009).

Com o aprimoramento e aumento da potência das

máquinas eólicas, os custos de geração de eletricidade a

partir dos ventos vêm diminuindo, o que também reflete

na proliferação de inúmeros parques eólicos ao redor do

mundo (Welch; Venkateswaran, 2009).

Energia eólica é a energia cinética contida na massa de

ar em movimento (vento). Dessa forma, faz-se importante

conhecer o comportamento e as características dos ventos

para que seja possível compreender os aspectos necessários

para uma adequada modelagem eólica em uma determinada

região. A conversão da energia cinética de translação do

vento em energia cinética de rotação, ocorre a partir do uso

de turbinas eólicas, também denominadas aerogeradores,

as quais são fundamentais para a geração de eletricidade. A

captação da energia cinética do vento pode ser feita basicamente

utilizando-se dois tipos de turbinas: turbinas de eixo

vertical e as de eixo horizontal. No primeiro caso, engrenagem

e gerador são colocados ao nível do solo e a turbina é

movida por forças de arraste ou sustentação Estas turbinas

apresentam baixa complexidade de fabricação e são bastante

indicadas para características de vento similares ao sul da

América Latina (Farret, 2014).

Já as turbinas de eixo horizontal possuem as engrenagens,

eixo e gerador alinhados com a direção do vento,

sendo a opção mais utilizada mundialmente em parques de

geração eólicos comerciais. Podem ainda ser encontradas

algumas configurações em função do número de pás, sendo

que as turbinas com três pás são as mais empregadas por

apresentarem menor esforço mecânico, menor oscilação de

A energia eólica é

considerada uma das mais

promissoras fontes naturais

de energia, principalmente

porque é renovável

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45


ARTIGO

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AGENDA

JULHO 2021

DESTAQUE

FIEE SMART FUTURE

Data: Data: 19 a 23

Local: São Paulo (SP)

Informações: https://www.fiee.com.br/pt-br.html

OUTUBRO 2021

INTERSOLAR SOUTH AMERICA

Data: 18 a 20

Local: São Paulo (SP)

Informações: https://www.intersolar.net.br/pt/inicio

NOVEMBRO 2021

BRAZIL WINDPOWER

Data: 3 a 5

Local: São Paulo (SP)

Informações: https://www.brazilwindpower.com.br/

FENASUCRO & AGROCANA

Data: 9 a 12 de Novembro de 2021

Local: Sertãozinho (SP)

Informações:

www.fenasucro.com.br/pt-br.html

Imagem: divulgação

FEVEREIRO 2022

E-WORLD

Data: 8 a 10

Local: Essen (Alemanha)

Informações: https://www.e-world-essen.com/en/

A Fenasucro & Agrocana é a principal feira de

bioenergia e do setor sucroenergético da América

Latina. O evento acontece anualmente no principal

polo de produção bioenergética do Brasil; país com

maior potencial de produção mundial. Atualmente,

reúne profissionais dos principais pilares da matriz

energética, de usinas bioenergéticas e dos setores

de transporte e logística, papel e celulose e de

alimentos e bebidas para realização de negócios,

networking e atualização profissional.

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OPINIÃO

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O CAMINHO DAS PEDRAS DA

TRANSFORMAÇÃO DIGITAL

A

verdade é que a tecnologia sempre esteve entre

meus principais interesses de pesquisa e, ao

longo dos últimos anos, tive o privilégio de poder

contribuir, de modo direto, para a difusão de uma

cultura mais disruptiva e aberta para o novo em meu círculo de

atuação.

Essas experiências, por sua vez, reforçaram a minha convicção

de que é indispensável seguir algumas importantes etapas

dentro de um movimento de digitalização. Uma pergunta que

recebo com frequência envolve, aliás, qual o passo a passo

para a estruturação de um planejamento de transformação

digital. Já adianto que não existem fórmulas mágicas, mas, sim,

determinados princípios que podem potencializar as chances

de sucesso de uma jornada rumo à inovação.

A TRANSFORMAÇÃO DIGITAL É UMA

TRANSFORMAÇÃO CULTURAL

É isso mesmo que você leu. Toda transformação digital é,

antes de mais nada, uma transformação cultural. E isso quer

dizer que, para termos êxito nesta profunda caminhada de mudança,

temos de ter completa convicção no processo e difundir

essa confiança entre os gestores do negócio, responsáveis por

integrar toda a organização, em ações que devem ser executadas

com sinergia e plena abertura para as novas tecnologias

que passarão a fazer parte da realidade da companhia – seja

por meio da implementação de soluções, do desenvolvimento

de núcleos internos de inovação ou mesmo por meio de parcerias

de inovação aberta com startups e outras empresas.

ESTEJA PRONTO PARA ERRAR

Em seguida, entra a etapa de planejamento e priorização,

que envolve, por sua vez, a definição de quais áreas e tecnologias

serão priorizadas no processo de implementação da

transformação digital. Esta etapa inicial é importante para

direcionarmos investimentos, contratações, treinamentos e

eventuais mudanças de estrutura nos times que permitam uma

maior fluidez de toda a jornada de transformação digital.

Na sequência, é hora de partir para a execução/implementação

das ações voltadas para a inovação. É neste momento, inclusive,

que mais sentimos a importância da mudança cultural

que comentei acima, uma vez que, os processos de disrupção,

a rigor, são estruturados a partir de modelos de gestão mais

ágeis, dinâmicos e com pleno espaço para a experimentação e

mesmo para eventuais falhas. Lembre-se: erre depressa e corrija

depressa; esse é o novo mantra.

Logo, a tradicional lógica de erro = punição deve ser

completamente abandonada, em prol do fomento dos insights

criativos de seus colaboradores.

TODA EMPRESA É ÚNICA

Para todo paradigma, existe um contraponto. E o que isso

significa no plano da transformação digital? Significa que, seja

qual for a sua rota de mudança tecnológica, considere, antes de

tudo, as necessidades e dores de sua empresa, o perfil de seus

clientes e qual o propósito que irá ancorar os investimentos em

inovação na sua companhia. Este primeiro entendimento, interno,

é decisivo, principalmente na hora de partir para observar

o mercado e para entender em quais soluções deve-se investir

ou que parcerias devem ser firmadas. Com isso em mente, teremos

discernimento para separar as oportunidades que fazem

sentido para o nosso negócio e aquelas que não dialogam com

nossa estratégia de transformação.

Dentro deste contexto, o que você busca como líder: guiar

a construção desta nova e instigante sociedade ou se prender

a conceitos de mercado que, talvez, sequer existirão nas

próximas décadas? A escolha é sua e a única certeza é a de

que a transformação digital seguirá seu curso, abrindo novas

oportunidades e gerando novos desafios, que serão abraçados

por aqueles que estiverem antenados e prontos.

Por Alexandre Velilla

Empresário, CEO do CEL.LEP desde 2017, apresentador de programas de TV voltados para inovação e

empreendedorismo que reúne em sua trajetória profissional resultados extraordinários, mesmo em períodos de crise

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