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Jornal Paraná Julho 2021

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OPINIÃO

O futuro do etanol com o carro elétrico

É preciso saber se as montadoras se deixarão tocar pela lógica de que

o carro com grandes baterias não deve ser a única nem a melhor solução

Por Por Celso Ming

Mesmo sendo uma

opção para a eletrificação

da mobilidade,

o etanol segue

ameaçado porque países

ricos e as grandes montadoras

já optaram por um caminho

para o carro elétrico.

O que será do etanol quando

todas as montadoras estiverem

fabricando apenas carros elétricos,

como têm avisado? Serão

sucateadas as destilarias de álcool

no Brasil, que produzem

cerca de 30 bilhões de litros por

ano? E o que será dos 40 mil

postos de combustíveis espalhados

pelo Brasil? E o custo da

instalação de milhares de pontos

de recarga das baterias?

Para Adriano Pires, diretor do

Centro Brasileiro de Infra Estrutura

(CBIE), o carro elétrico a

bateria recarregável foi a solução

ambiental encontrada por

países ricos, que não poderá ser

adotada pelos países pobres,

pelo alto custo, não só das baterias,

mas da infraestrutura necessária

para colocar os veículos

elétricos em circulação.

Ele continua apostando no futuro

dos biocombustíveis com

base no argumento de que, se o

fundamento para a transição é a

preservação do meio ambiente,

então é preciso dar força para o

etanol, porque o carro a álcool

polui menos do que o modelo

elétrico em voga.

Outro consultor da área, Paulo

Cardamone, CEO da Bright Consulting,

não tem dúvidas de que

o futuro da mobilidade é a eletrificação,

mas não necessariamente

a do carro elétrico com

seu trambolho de bateria, que

pega todo o chão do veículo e

pesa mais de 500 kg.

Para ele, a corrida das montadoras

baseada na “baterização” do

carro elétrico não é viável, do

ponto de vista da sustentabilidade,

para os países mais pobres.

Em seu lugar, aposta no

hidrogênio como energia do futuro

e na possibilidade de produção

do elemento dentro do

carro que, por sua vez, gerará a

energia elétrica que moverá o

veículo. É a tecnologia da célula

de combustível (em inglês, Solid

Oxide Fuel Cell – SOFC). Nessas

condições, o etanol poderá tornar-se

estratégico, na medida

em que sua composição contém

o hidrogênio necessário

para produzir a energia elétrica

que acionará o motor.

A vantagem adicional é a de que

dispensará grandes mudanças

na malha viária de recarga que,

na verdade, exigiria despesas

ainda mais altas com o modelo

a energia elétrica produzida fora

do veículo (overboarding). “A

atual guinada para o carro elétrico

é disputa por poder econômico.

A Alemanha assumiu

essa posição por conta do crescimento

da China e os Estados

Unidos também entraram nessa

briga”, diz Cardamone.

Evandro Gussi, presidente da

União da Indústria de Cana-de-

Açúcar (Única), está engajado

em garantir futuro para seu produto,

o etanol, agora ameaçado.

Ele repete os argumentos de

Pires e de Cardamone, mas reconhece

que será preciso conseguir

que outros países adotem

o etanol como fonte.

Há alguns anos, os produtores

de etanol no Brasil não conseguiram

a adesão do governo do

Japão para trabalhar pela transformação

do etanol em commodity.

Agora, pretendem convencer

a Índia e países da Associação

de Nações do Sudeste

Asiático (Filipinas, Indonésia,

Malásia, Mianmar, Cingapura,

Tailândia e Vietnã), também produtores

de açúcar, a optar pelo

etanol. O tempo dirá se obterão

sucesso.

O governo brasileiro terá de

optar por uma rota, como já

está acontecendo com a maioria

dos países líderes. E será uma

briga contra cachorros grandes

Outra questão consiste em

saber se as montadoras se deixarão

tocar pela lógica de que o

carro com grandes baterias não

deve ser a única nem a melhor

solução. Para isso, teriam de

adotar linhas diferentes de produção,

com tecnologias díspares,

o que hoje parece difícil

diante das exigências de escala.

Gussi se apega às possíveis dissidências

entre as montadoras.

Observa que a Toyota optou,

também, pelo híbrido, com um

motor elétrico e outro flex a combustão.

A Nissan e o Instituto de

Pesquisas Energéticas e Nucleares

(Ipen), ligado à USP, renovaram

parceria para tornar a célula

de combustível a etanol comercialmente

viável e adaptá-la ao

uso de outros biocombustíveis,

como o GNV. E o CEO da Volkswagen

para América do Sul,

Pablo Di Si, manifestou entusiasmo

pela adoção do etanol

como principal fonte de alimentação

da célula de combustível.

Essa posição em defesa do etanol

enfrenta dois enormes obstáculos.

O primeiro: os países

avançados estão despejando

enormes investimentos em mobilidade

elétrica “baterizada”. O

outro: as grandes montadoras já

optaram por esse caminho e vai

ser difícil revertê-lo, inclusive no

Brasil.

Seja como for, o que parece inevitável

é que, nos próximos

anos, o governo brasileiro terá de

optar por uma rota, como já está

acontecendo com a maioria dos

países líderes. E será uma briga

contra cachorros grandes.

Celso Ming com Pablo Santana.

Publicado em O Estado de

S.Paulo

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Jornal Paraná


CANA-DE-AÇÚCAR

Prejuízo com geadas

é menor que o esperado

Áreas atingidas foram mais as localizadas nas baixadas, demandando

colheita antecipada. Nas lavouras mais novas, rebrota dispensou replantio

Os prejuízos causados

pelas geadas nas lavouras

de cana-deaçúcar

no Paraná foram

menores do que se pensou

a princípio. Diante da intensidade

com que as geadas atingiram

as demais culturas, o

temor inicial é de que o mesmo

tivesse ocorrido com os canaviais,

mas uma análise mais detalhada

apontou outro cenário.

“A perda foi menor do que o esperado.

As geadas atingiram

apenas as lavouras localizadas

nas baixadas. Na maior parte

dos casos, houve apenas uma

antecipação da colheita, com

usinas tentando minimizar as

perdas. Mesmo assim, entre

1,5 milhão a 2 milhões de toneladas

de cana tiveram que ser

colhidos dessa forma. E em algumas

unidades produtivas, o

impacto foi sentido com maior

intensidade”, avaliou Miguel

Tranin, presidente da Alcopar.

Os canaviais atingidos pelas geadas

que estavam mais desenvolvidos,

mais próximos ao estágio

de colheita, foram priorizados

na logística das usinas,

colhendo-se pequenas parcelas,

de forma distribuída, com

grande deslocamento de máquinas.

Essa mudança acabou

aumentando o custo de produção,

além do prejuízo causado

por colher antes do ponto ideal

de desenvolvimento e maturação

da lavoura, mas principalmente

afetou o planejamento e

a logística da colheita, podendo

haver atrasos na próxima safra,

citou Tranin.

Já no caso das áreas em estágio

inicial de desenvolvimento -

cana planta e cana soca -, o

presidente da Alcopar disse que

as lavouras foram queimadas

com o intenso frio, mas devido

a boa umidade do solo, com as

chuvas ocorridas pouco antes,

“os canaviais vêm se recuperando

bem, retomando a brotação,

não sendo necessário o

replantio”, ressaltou.

Para Tranin, o prejuízo maior

para o setor deve ficar mesmo

por conta da longa estiagem

ocorrida no início do ano. “Este

já é o terceiro ano consecutivo

que as lavouras de cana do Paraná

sofrem com estiagens que

afetam o desenvolvimento e

rendimento da cultura. A cana

tem uma alta capacidade de

resposta e tende a recuperar

parte de seu potencial produtivo

com a normalização das chuvas,

temperaturas mais altas e

tempo de luminosidade maior,

mas há um limite e o clima não

tem ajudado”, comentou.

Devido a esses repetidos períodos

de estiagem que danificaram

os canaviais afetando a

cultura no principal período de

crescimento da cana na região

Centro-Sul do país para a safra

2021/22, reduzindo o potencial

produtivo, o presidente da Alcopar

disse que a entidade já

pensa em rever a estimativa de

safra de 34,8 milhões de toneladas

de cana para algo em

torno de 30 a 31 milhões de toneladas,

cerca de 10% ou mais

de quebra da safra no Paraná,

reduzindo a produção de açúcar

e etanol na mesma proporção.

A moagem de cana realizada

pelas unidades produtoras no

Paraná, no acumulado da safra

2021/22, foi de 11,895 milhões

de toneladas, 35,4% do total

esperado. Comparando com as

12,764 milhões de toneladas

registradas no mesmo período

do ano safra 2020/21, houve

uma redução de 6,8%. A produção

de açúcar totalizou 872,2

mil toneladas e a de etanol

417,2 milhões de litros, sendo

177,3 milhões de anidro e

239,8 milhões de litros de hidratado.

Jornal Paraná 3


ENERGIA LIMPA

Grupo Maringá investe

R$ 70 milhões em cogeração

A Maringá Energia iniciou as operações em junho, com

capacidade inicial de 120 mil MWh de energia elétrica ao ano

Com investimentos de

R$ 70 milhões, o

Grupo Maringá iniciou

em junho de

2021 as operações da Maringá

Energia Ltda., empresa focada

na cogeração de energia limpa,

a partir do bagaço da cana-deaçúcar

gerado na produção da

Usina Jacarezinho, braço sucroenergético

do grupo, com

unidade localizada no município

paranaense com o mesmo

nome.

A Maringá Energia referenda a

aposta do Grupo Maringá no

segmento de produção e comercialização

de energia renovável,

de forma competitiva, no

mercado livre, e reforça o

compromisso do grupo com a

busca de parâmetros de operação

cada vez mais sustentáveis.

A capacidade de produção inicial

é de 25 MWh de energia

elétrica (120 mil MWh anual),

sendo 10 MWh para suprir a

demanda própria. Os 15 MWh

excedentes serão vendidos à

subestação da Companhia Paranaense

de Energia Elétrica

(Copel), em Andirá. O montante

exportável daria para

abastecer uma cidade de 33

mil habitantes de julho a dezembro,

sem interrupções.

“Já somos autossustentáveis

no consumo energético e vendemos

o excedente cogerado.

A expectativa agora é aumentar

nossa participação nessa plataforma,

ampliando os negócios

da venda de energia. Os

estudos para exportarmos

mais 17 MWh estão avançados,

temos bagaço disponível,

mas ainda é muito cedo para

fazer qualquer previsão”, afirma

o diretor corporativo do

grupo, Eduardo Lambiasi. “A

geração de energia limpa amplia

a qualificação do Grupo

Maringá como protagonista do

desenvolvimento sustentável,

por sua contribuição à matriz

energética e ao meio ambiente”,

acrescenta.

Do total investido, R$ 40 milhões

provêm de financiamento

do Banco Nacional de

Desenvolvimento Econômico e

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Jornal Paraná


Social (BNDES), sendo parte

por intermédio do Fundo Clima,

um dos instrumentos da

Política Nacional sobre Mudança

do Clima, vinculado ao

Ministério do Meio Ambiente,

que se propõe a apoiar projetos

ou estudos focados na mitigação

das mudanças climáticas.

Os R$ 30 milhões restantes

foram aportados pela

holding do Grupo.

A Maringá Energia soma-se à

Usina Jacarezinho e à Cia. Canavieira,

localizadas no Estado

do Paraná, consolidando a

atuação do Grupo Maringá no

segmento sucroenergético.

Prestes a completar 75 anos de

história, a Usina tem capacidade

de moagem superior a

2,5 milhões de toneladas de

cana por ano e é cooperada da

Copersucar desde 1968, que é

responsável pela comercialização

de sua produção de açúcar

e etanol. Possui Certificação

FSSC 22000 para atender à

exigente indústria de alimentos.

Sobre o

empreendimento

A Maringá Energia Ltda. foi

criada para desenvolver o projeto

de construção da unidade

de cogeração de energia elétrica

a partir de bagaço de

cana-de-açúcar, um dos subprodutos

da Usina Jacarezinho,

produtora de açúcar e etanol.

Foi construída uma linha de

Sobre o

Grupo Maringá

transmissão de 33 Km, conectando

a Maringá Energia à subestação

da Companhia

Paranaense de Energia Elétrica

(Copel), em Andirá, Paraná.

Uma nova caldeira de alta pressão

e um conjunto de gerador e

turbina permitem a geração de

25 MWh, com o excedente de

energia exportável de 15 MWh.

O Grupo Maringá atua nos setores

sucroenergético, produzindo

açúcar e etanol, e siderúrgico,

fabricando ferroliga

de manganês. Com tradição

pioneira, a Usina Jacarezinho,

a Cia. Canavieira e,

agora, a Maringá Energia,

atuam de forma integrada

para fornecer alimentos e

energia limpa e renovável aos

mercados nacional e internacional.

Números a destacar: capacidade

de moagem superior a 2,5

milhões de toneladas de canade-açúcar

ao ano; produção

anual de 200 mil toneladas de

açúcar e 120 mil m³ de etanol;

exportação de energia anual

120 mil MWh, a partir da biomassa

da cana-de-açúcar.

Na siderurgia, o grupo atua há

mais de 40 anos, produzindo

ferro-ligas de manganês de alto

padrão, matéria-prima essencial

para a fabricação de aço,

por meio da Maringá Ferro-Liga

S/A, localizada em Itapeva (SP).

Jornal Paraná 5


MEIO AMBIENTE

Cooperval recupera nascente

do Rio Cambará

O trabalho foi desenvolvido por um grupo de funcionários e jovens

aprendizes da cooperativa, em parceria com a prefeitura municipal

Em comemoração ao

mês do Meio Ambiente,

a Cooperval Cooperativa

Agroindustrial

Vale do Ivaí Ltda, com sede no

município de Jandaia do Sul,

em parceria com a prefeitura

municipal, promoveu no dia

18 de junho a limpeza da nascente

do Rio Cambará.

A cooperativa desde 2006

preserva essa nascente, realizando

um amplo trabalho de

recuperação de suas matas

ciliares. Ao longo dos últimos

anos foi realizado também o

plantio de diversas árvores,

além de desenvolver ações de

preservação. Uma delas é

essa mobilização que consistiu

no recolhimento do lixo que

estava espalhado nas margens

do rio, por um grupo de

funcionários e jovens aprendizes

da cooperativa.

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Jornal Paraná


TECNOLOGIA

Uso de drone facilita

aplicação da cotesia

Dentre as principais vantagens apontadas estão redução de custos, segurança

e garantia de aplicação, geração de mapas georreferenciados, aplicação mais

rápida e eficiente, redução do risco de acidente de trabalho, diminuição do

volume de material a ser manejado e facilidade de logística

Logística, custo da operação

e controle de informação

são as principais

vantagens apontadas

por João Adalberto Palucci,

gerente técnico da Usina

Rio Amambai Agroenergia, no

uso de drone para aplicação de

"cotesia" em cana-de-açúcar.

O tema foi apresentado durante

o primeiro encontro do 6º Ciclo

de Seminários Agrícolas Cana

MS 2021, realizado no formato

virtual. O evento é uma promoção

da Embrapa Agropecuária

Oeste. A cotesia é uma vespa

utilizada como controle biológico

da broca, inseto considerado

vilão dos canaviais por

consumir sistematicamente o

interior da cana, comprometendo

estrutura e rendimento

da gramínea.

Na usina Rio Amambai Agroenergia,

localizada às margens

da BR-163 em Naviraí (MS),

até 2018 a aplicação de cotesia

era feita manualmente,

como ocorre na maior parte

das usinas brasileiras. “Tínhamos

uma van, kombi e ônibus

com equipe treinada que abria

o copinho a cada ponto de liberação”,

explicou o gerente

técnico na sua apresentação.

Em 2019, a unidade passou a

estudar a viabilidade de mudança

do manejo para o uso

da tecnologia de drone em

toda área de cana. Segundo

Palocci, o resultado apontou

diversas vantagens como a

segurança e garantia de aplicação,

geração de mapas

georreferenciados, aplicação

mais rápida e eficiente, redução

do risco de acidente de

trabalho, diminuição do volume

de material a ser manejado

e facilidade de logística.

Entre os benefícios apontados

pelo estudo, o que mais chamou

a atenção foi a redução

do custo do manejo. De acordo

com o levantamento da

unidade, o custo da aplicação

via drone era de R$ 31,94 por

hectare, até 7% menor que o

método manual, diferença em

torno de R$ 2,50. “Tínhamos

os benefícios de melhoria na

qualidade da aplicação, a segurança

empresarial de que

seria aplicado e também, naquele

momento, faríamos uma

redução de custo”, contou.

Outro ponto positivo, para Palucci,

foi o aproveitamento da

redução do custo na empresa.

“Esse recurso foi realocado

dentro do próprio setor, por

exemplo, não desligamos pessoas.

Remanejamos pessoal e

intensificamos amostragem de

cigarrinha, de coleta de solo,

ou seja, reaproveitamos essa

mão-de-obra”, destacou.

Apesar de todos os benefícios

apresentados, Palucci também

chamou a atenção para alguns

cuidados. “É importante buscar

informações. Antes de

tomar a decisão de mudança

buscamos conversar com várias

usinas, parceiros e prestadores

de serviços”, alertou.

Outro detalhe importante, sugerido

pelo gerente, é buscar

prestadores de serviços com

registros atualizados. “A empresa

precisa seguir alguns

padrões, o drone precisa ser

registrado, é preciso ter o registro

de radiocomunicação na

Anatel e o piloto precisa ser

certificado para operação do

drone”, explicou.

Além disso, cumprir o planejamento

de geração de informação

é fundamental. “Assim

que fazemos o armadilhamento

e tem a isca de controle, já

mandamos os shapes dos talhões

e enviamos para o departamento

de T.I. do nosso

parceiro, que gera todo o

plano de voo e devolve para os

pilotos. Tudo isso via nuvem”,

reforça o gerente dando destaque

para a agilidade na troca

de informações. “Isso não

pode falhar, porque quando

optamos por mudar o manejo

entendemos que o mais importante

era o timing das informações”,

completou.

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Jornal Paraná


DOIS

PONTOS

Certificado

A Associação dos Produtores

de Biocombustíveis do Brasil

(Aprobio) entregou os primeiros

certificados do Selo Aprobio de

Qualidade - Biodiesel Super A.

O selo, concedido por meio de

um sistema externo de auditoria

e certificação, atesta que o biocombustível

produzido por usinas

associadas segue especificações

mais rígidas de qualidade.

As usinas que receberam

o reconhecimento foram a

BSBios, nas unidades de Passo

Fundo (RS) e Marialva (PR), e a

3tentos, em Ijuí (RS).

Energias renováveis

Plano Safra

O agronegócio terá R$ 251,2

bilhões para a safra 2021/22,

um aumento de 6,3% em relação

ao plano passado. Do total,

R$ 165,2 bilhões serão a juros

controlados e R$ 86 bilhões a

juros livres. Para custeio e comercialização

estão destinados

R$ 177,8 bilhões. Para investimentos

o montante é de R$

73,4 bilhões, ante R$ 56,92 bilhões

em 2020/21. Para custeio

e comercialização na agricultura

familiar através do Pronaf,

as taxas devem variar de 3%. O

montante será de R$ 39,34 bilhões,

19% acima do ciclo

2020/21. No Pronamp, onde

estão os médios produtores, a

taxa de juros varia de 5,5%, alta

de 0,5 ponto percentual na

comparação anual, com montante

de R$ 29,18 bilhões. Também

serão destinados R$ 13

bilhões para a equalização de

juros, que garante melhores

Baixo Carbono

condições para pequenos e

médios agricultores. Para os

demais produtores e cooperativas,

a taxa de juros fica em 7%.

No programa para financiar máquinas

e implementos agrícolas,

o Moderfrota, os juros são

de 8,5%. O plano também coloca

na mira a bioeconomia entrando

na política do plano safra

através do incentivo a sistemas

florestais, produção de bioinsumos

e turismo rural.

Os títulos verdes, utilizados

para financiar projetos, ativos

e atividades de agricultura

sustentável no Brasil,

respondem por 84% do mercado

de dívida sustentável

brasileira, com um total acumulado

de US$ 9 bilhões,

emitidos até fevereiro de

2021. Em seguida, estão os

títulos sustentáveis com US$

1,6 bilhão, representando

15% do volume total. E, por

último, os títulos sociais

com US$ 111 milhões equivalente

a 1% do mercado. A

avaliação faz parte do relatório

Análise do Mercado de Financiamento

Sustentável da

Agricultura no Brasil, da Climate

Bonds Initiative. Segundo

o relatório, energias

renováveis e uso da terra

continuam sendo as duas

categorias mais financiadas

no Brasil, com 45% e 27%,

respectivamente, do volume

de emissões verdes. Os

temas abrangidos pela categoria

de 'Uso da Terra', que

viram emissões nos últimos

anos no Brasil, são o Florestal,

de Bioenergia, Agricultura,

Pecuária, Indústria de

Alimentos e Instituições Financeiras.

O Programa ABC (Agricultura

de Baixo Carbono) parte

com um orçamento de R$ 5

bilhões, ante R$ 2,5 bilhões

na safra anterior. O recurso

pode ser utilizado para a

aquisição e construção de

instalações de unidades de

produção de bioinsumos e

O ex-ministro da Agricultura,

Francisco Sérgio Turra, é o

novo presidente do conselho

de administração da Aprobio

(Associação dos Produtores

de Biocombustíveis do Brasil).

Turra é advogado, já foi

biofertilizantes na propriedade

rural, para a reconstrução

de áreas de preservação

permanente, reserva legal e

para a geração de energia.

No caso da energia elétrica a

partir de biogás ou biometano,

o limite de crédito coletivo

é de R$ 20 milhões.

Aprobio

Outro aumento significativo

deste plano é o montante

destinado ao PCA (Programa

de Construção de Armazéns),

de R$ 4,12 bilhões,

aumento de 84% em relação

ao plano passado. E por fim

o seguro rural, com orçamento

de R$ 1 bilhão.

deputado estadual e federal

pelo Rio Grande do Sul, presidente

da Conab (Companhia

Nacional de Abastecimento) e

da ABPA (Associação Brasileira

de Proteína Animal). No

Ministério da Agricultura, Pecuária

e Abastecimento, ocupou

a pasta em 1998, no governo

do ex-presidente Fernando

Henrique Cardoso. Alberto

Borges de Souza, da

Caramuru Alimentos, será o

vice-presidente.

Açúcar

A estimativa de produção de

açúcar do Centro-Sul do Brasil

em 2021/22 foi revisada para

34,1 milhões de toneladas ante

projeção de 35,6 milhões de

toneladas divulgada em abril,

já que a seca persistente prejudicou

o desenvolvimento da

cana, disse a trading Czarnikow.

As usinas brasileiras poderão

processar apenas 535

milhões de toneladas de cana

nesta safra, o menor volume

desde 2012. O Centro-Sul do

Brasil processou 605 milhões

de toneladas em 2020/21. A

produção do etanol de cana

deve recuar 12% ante a temporada

anterior, para 24,4 bilhões

de litros.

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Jornal Paraná


Nanocristais

A partir da manipulação de macromoléculas,

pesquisadores

da Embrapa Instrumentação,

de São Carlos (SP), extraíram

nanocristais de lignocelulose

da palha da cana, um resíduo

ainda pouco explorado, mas

com elevado potencial para a

sustentação futura de biorrefinarias.

Da palha é possível produzir

etanol de segunda geração

e o estudo demonstra

que ela também pode ser usada

como matéria-prima para

obtenção dos chamados greens

materials (materiais verdes),

provenientes de fontes

renováveis e sustentáveis, de

alto valor agregado. A Embrapa

Instrumentação vem desenvolvendo

pesquisas nesse tema

nos últimos 15 anos.

Semelhantes a grãos de arroz,

mas com espessura cerca de

200 mil vezes menor, os nanocristais

de celulose, também

conhecidos como whiskers,

são candidatos importantes

para substituir alguns produtos

de base petroquímica, com potencial

de aplicações que variam

de medicamentos a

dispositivos eletrônicos, produtos

de consumo, sensores, aerogéis,

adesivos, filtros,

embalagem de alimentos, engenharia

de tecidos, entre outros.

A nanocelulose na forma

de nanocristais ou nanofibras

Aplicação

pode melhorar as propriedades

dos materiais, aumentando a

resistência mecânica. Os pesquisadores

relatam que entre as

vantagens de extrair nanocristais

de celulose está o fato de

se obter material altamente resistente

como o aço, mas

oriundo de fontes sustentáveis

como as fibras vegetais, que

podem ser de algodão, eucalipto,

de bagaço ou da palha de

cana, cascas de coco e de

arroz, entre outras, e até de resíduos

como madeira de reflorestamento

descartada pela

indústria.

Menos mortes

O estudo “Impacto na saúde humana pelo uso de biocombustíveis

na Região Metropolitana de São Paulo”, realizado pela

Empresa de Pesquisa Energética, concluiu que o uso do etanol

anidro misturado em 27% na gasolina e do etanol hidratado é

determinante para a preservação da vida de 371 pessoas ao

ano na RMSP, com um aumento associado na expectativa de

vida em 13 dias. A pesquisa aponta que, caso o uso do combustível

renovável fosse aumentado em 10% sobre a demanda

de etanol hidratado de 2018, outras 43 mortes seriam evitadas

ao ano, com o aumento da expectativa de vida de 1 dia.

A Organização Mundial de

Saúde (OMS) estima que a

poluição atmosférica nas cidades

e áreas rurais cause

anualmente 4,2 milhões de

mortes prematuras em todo

o mundo (dados de 2016).

Essa mortalidade se deve,

principalmente, à exposição

aos materiais particulados,

pequenas partículas de diâmetro

menor ou igual a 2,5

mícron (MP 2,5), que estão

relacionados à ocorrência

de doenças cardiovasculares

e respiratórias, bem

como a diversos tipos de

câncer.

Impactos financeiros

O estudo da EPE indica

ainda que “caso não houvesse

o uso de etanol, o impacto

na economia seria

Poluição

Bioeletricidade

Ao mesmo tempo em que a

falta de chuvas coloca reservatórios

de hidrelétricas em

alerta e acende um sinal

amarelo sobre possíveis restrições

no fornecimento de

energia no Brasil este ano,

fontes alternativas continuam

subaproveitadas. A bioeletricidade

é uma energia renovável,

feita a partir da biomassa:

resíduos da cana (bagaço e

palha), restos de madeira,

carvão vegetal, casca de arroz,

capim-elefante e outras.

No Brasil, 80% da bioeletricidade

vem dos resíduos da

cana, segundo o setor. Só

que apenas 15% do potencial

de geração de bioeletricidade,

negativo em cerca de R$ 25

bilhões em relação ao cenário

base. Por outro lado, um

aumento de 10% no consumo

de hidratado geraria

impacto positivo adicional

de aproximadamente R$ 2

bilhões”.

produzida a partir da cana é

aproveitado pela rede, estima

a Unica. Em 2020, a geração

para o SIN (Sistema Interligado

Nacional) pelo setor foi

equivalente a cerca de 5% do

gasto nacional de energia, o

equivalente ao consumo de

12 milhões de residências

por ano.

Jornal Paraná 11

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