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SCMedia News | Revista | Maio 2021

A revista dos profissionais de logística e supply chain.

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<strong>Maio</strong> <strong>2021</strong><br />

4,60€<br />

Mensal<br />

22<br />

BOLLORÉ LOGISTICS<br />

AGILIDADE E<br />

RESILIÊNCIA<br />

AS NOVAS BUZZWORDS?<br />

DESCARBONIZAÇÃO:<br />

O FUTURO É JÁ<br />

DHL RESOURCE CENTER<br />

INOVAR NA FORMAÇÃO<br />

ZF Ponte de Lima<br />

“Queremos que o nosso produto<br />

funcione, mas de preferência<br />

que os clientes não o vejam”


SCM Supply Chain Magazine 3<br />

Dora Assis<br />

dora.assis@supplychainmagazine.pt<br />

EDITORIAL<br />

CHORAR OU VENDER LENÇOS?<br />

“Para chegar onde a maioria não chega, é preciso fazer algo que a maioria não faz.”<br />

Autor desconhecido<br />

Há sempre aqueles dias que parecem não ter<br />

fim, não é? Mas a verdade é que desde 2020<br />

praticamente tudo o que seria inimaginável<br />

tem acontecido na vida, nossa, das empresas<br />

e do planeta, com repercussões óbvias e<br />

também elas impensáveis nas cadeias de<br />

abastecimento.<br />

Pandemia, encerramento parcial da<br />

fábrica do mundo, disrupções várias, guerras<br />

comerciais, falta de contentores, escassez de<br />

matérias-primas, fenómenos naturais e até a<br />

um navio encalhado no Canal do Suez durante<br />

dias a fio tivemos direito! A Lei de Murphy não<br />

tem, de facto, conspirado a favor da logística e<br />

dos logísticos, provando-se que “Se algo pode<br />

correr mal, vai correr (mesmo) mal”.<br />

A crise provocada pela pandemia foi o<br />

“trigger” e uma das responsáveis por tudo<br />

o que se seguiu. Atrasos na produção,<br />

escassez de recursos humanos, demora nas<br />

entregas, congestionamento nos portos... e<br />

pelo subsequente aumento dos custos com<br />

transporte e logística a que temos vindo a<br />

assistir.<br />

E, de repente, tudo o que tínhamos como<br />

adquirido deixa de o ser.<br />

Planeamento? Tem sido, isso sim, um<br />

navegar à vista que obriga à tomada de<br />

decisões no momento, sob forte pressão, para<br />

encontrar uma solução viável e conseguir<br />

superar dificuldades que não estavam nos<br />

planos do mais prevenido dos gestores de<br />

logística.<br />

Toda esta volatilidade tem constituído um<br />

imenso desafio para quem se movimenta na<br />

supply chain, quer do lado dos fornecedores,<br />

quer do lado da procura.<br />

De repente, o just in time passou de<br />

herói a vilão da supply chain, cadeias de<br />

abastecimento longas começam a ser postas<br />

em causa; isto para não falar na crise dos<br />

chips, que são praticamente “o cérebro” das<br />

sociedades modernas e cuja falta é já uma dor<br />

de cabeça mundial.<br />

Enquanto questionamos o que é que<br />

desejavelmente deveria mudar no xadrez da<br />

economia mundial, é ponto assente que nada,<br />

na logística como na natureza, é linear ou<br />

simples.<br />

Por isso, a questão de fundo é mesmo saber<br />

como e onde queremos posicionar-nos. Vamos<br />

continuar a chorar ou vender lenços?<br />

Por vezes é no imprevisto e no improviso<br />

que o melhor de nós surge.


4<br />

MAIO <strong>2021</strong><br />

#14 #26 #38<br />

ÍNDICE<br />

FACTOS & NÚMEROS<br />

Top 25 da Gartner 6<br />

INTRALOGÍSTICA<br />

The wake-up call:<br />

Os requisitos para inovar<br />

no armazém 34<br />

LOGÍSTICA<br />

ZF Ponte de Lima 8<br />

Bolloré Logistics 14<br />

“O ultra-congelado<br />

é claramente o novo fresco” 20<br />

Parque Logístico Lisboa Park 22<br />

TECNOLOGIAS<br />

Construir uma supply chain<br />

à prova de pós-COVID-19 38<br />

A tecnologia na supply chain 44<br />

Intelligent procurement<br />

para a optimização das compras<br />

nas empresas 48<br />

PROCUREMENT<br />

Agilidade e Resiliência 26<br />

As compras nas empresas<br />

e a pandemia 30<br />

TRANSPORTES<br />

Entrevista a Álvaro Fonseca, Takargo 48<br />

Descarbonização: O futuro é já 54<br />

Carga Aérea 58


SCM Supply Chain Magazine 5<br />

CARREIRA<br />

Trabalho remoto - Parte 1 62<br />

DHL Resource Center 65<br />

Vontade de reinvenção 74<br />

DIÁRIO DE BORDO<br />

#58 #65<br />

Marco Morgado - Irá ser<br />

(mais) um novo recomeço.. 76<br />

O MUNDO É REDONDO<br />

TED Ideas worth spreading 2004,<br />

“Os hábitos da felicidade” 78<br />

FICHA TÉCNICA<br />

Sede, Administração e Redacção_<br />

Al. Júlio Dinis, n.º 68 – São Francisco<br />

2890-307 Alcochete<br />

T: 210 499 074<br />

Direcção Geral_<br />

Filipe Barros<br />

Directora_<br />

Dora Assis<br />

Redacção_<br />

Ana Paiva, Fábio Santos<br />

Projecto gráfico_<br />

Maria João Carvalho<br />

Paginação _<br />

Daniela Moço<br />

Events Support & Project Manager _<br />

Rita Pinto<br />

Direcção Comercial _<br />

Filipe Barros<br />

Sales & Marketing _<br />

Margarida Matildes<br />

Impressão _<br />

VASP DPS<br />

MLP – Quinta do Grajal,<br />

Venda Seca<br />

2739-511 Agualva Cacém<br />

Tiragem _<br />

3 mil exemplares<br />

Propriedade_<br />

SC Media Unipessoal, Lda.<br />

Al. Júlio Dinis, n.º 68 – São Francisco<br />

2890-307 Alcochete<br />

T: 210 499 074<br />

E: geral@supplychainmagazine.pt<br />

W: supplychainmagazine.pt<br />

NPC _<br />

514707143<br />

Capital Social_<br />

100,00€<br />

Participações sociais_<br />

Susana Silva<br />

Administração_<br />

Filipe Barros<br />

Registo na ERC n.º _<br />

127322<br />

Depósito Legal n.º _<br />

458604/19<br />

Os artigos assinados apenas veiculam<br />

a posição dos seus autores.<br />

Interdita a reprodução de textos e<br />

imagens sem autorização expressa.<br />

Esta revista é escrita respeitando a grafia<br />

anterior ao novo Acordo Ortográfico


6 MAIO <strong>2021</strong><br />

FACTOS<br />

& NÚMEROS<br />

Top 25 da Gartner<br />

As melhores 25<br />

supply ChAins de <strong>2021</strong><br />

A<br />

Gartner lançou o seu Top 25 das Supply<br />

Chains, que partilha anualmente, e tal<br />

como no ano passado, devido à pandemia,<br />

o evento em que as apresentou foi online, em<br />

formato webinar.<br />

Mais uma vez não se deram subidas à<br />

categoria Master, que permanece com as<br />

empresas Amazon, Apple, P&G, McDonald’s e<br />

Unilever. Para se atingir este nível no ranking<br />

é necessário estar presente no top 5 por sete<br />

vezes nos últimos 10 anos.<br />

Relativamente ao top 5, face ao ano passado<br />

não se verificaram alterações, permanecendo<br />

na liderança as empresas Cisco Systems,<br />

Colgate-Palmolive, Johnson & Johnson,<br />

Schneider Electric e Nestlé, por esta ordem.<br />

Destacam-se ainda as subidas das empresas<br />

Intel, Walmart, L’Oréal, AbbVie, Nike e British<br />

American Tobacco, e o surgimento de novas<br />

face ao ano passado: Dell Technologies, Pfizer,<br />

General Mills e Bristol Myers Squibb, sendo<br />

que as três últimas chegaram ao top 25 pela<br />

primeira vez. •<br />

CATeGoriA mAsTer<br />

1 2<br />

3<br />

4<br />

5<br />

6 7<br />

8<br />

9<br />

10<br />

11 12<br />

13<br />

14<br />

15<br />

16 17<br />

18<br />

19<br />

20<br />

21<br />

22<br />

23<br />

24 25<br />

Top 25


R F id<br />

ESPECIALISTAS EM SOLUÇÕES DE<br />

LOGÍSTICA E PRODUÇÃO<br />

VOICE PICKING<br />

Solução de RFid com<br />

ligação ERP, MRP, WMS<br />

Solução multimodal que<br />

pode coabitar com leitor<br />

código de barras ou RFid<br />

Tag’s<br />

RFID<br />

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CÓDIGO DE BARRAS<br />

Terminais/PDA<br />

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Scanners e impressoras<br />

Etiquetas e Ribbons<br />

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8<br />

MAIO <strong>2021</strong><br />

LOGÍSTICA<br />

ZF<br />

Texto: Fábio Santos<br />

Fotos: ZF / Daniela Moço<br />

“Queremos Que o nosso produTo<br />

funCione, mAs de preferênCiA Que os<br />

nossos ClienTes não o vejAm”<br />

A ZF, uma das maiores produtoras mundiais<br />

de peças do sector automóvel, investiu<br />

recentemente 5,8 milhões de euros num novo<br />

centro logístico em Ponte de Lima, inaugurado<br />

no ano passado, e que se encontra a dar<br />

suporte às duas fábricas que têm na região.<br />

A convite da ZF fomos até Ponte de Lima<br />

conhecer esta nova unidade de 9.000 metros<br />

quadrados e 11 cais de carga.<br />

Em Portugal, as fábricas da ZF dedicam-se<br />

à produção de sacos de airbag, módulos<br />

de airbag e volantes de direcção, as<br />

duas primeiras em Ponte de Lima e a outra<br />

em Vila Nova de Cerveira. Com a criação<br />

desta nova unidade com capacidade para<br />

4.000 paletes e 2.300 metros quadrados de<br />

contentores, dedicada à armazenagem destes<br />

sacos e módulos de airbags, José Castro,<br />

administrador da ZF – Ponte de Lima, explica<br />

que o que os levou a investir neste novo<br />

centro foi a “visão estratégica do aumento de<br />

volume de negócios, com vista a aumentar a<br />

capacidade produtiva em Ponte de Lima”.


SCM Supply Chain Magazine 9<br />

A estratégia inicial previa como maiores<br />

eficiências conquistadas a melhoria da<br />

eficiência operacional e ambiental, ao<br />

reduzirem a distância de 54 para 11<br />

quilómetros, a redução de custos de<br />

armazenagem e trabalho operacional, através<br />

da subcontratação, e uma optimização dos<br />

recursos internos da empresa.<br />

O responsável também explica que para<br />

a ZF este novo centro logístico é uma<br />

“oportunidade de destaque dentro da<br />

organização com condições operacionais e<br />

de infra-estrutura, que de um ponto de vista<br />

estratégico podem trazer mais trabalho (novos<br />

projectos) para Ponte de Lima”, e explica-nos<br />

os processos.<br />

o iníCio dAs operAções<br />

Tudo começa com a recepção dos pedidos<br />

dos clientes, com cerca de três meses de<br />

antecedência, com actualizações diárias e<br />

semanais para os envios. Estes pedidos são<br />

processados em SAP, garantindo uma visão<br />

de planeamento a curto e longo prazo. Após<br />

a preparação do planeamento de produção,<br />

enviam as suas encomendas para os seus<br />

fornecedores por EDI, com as quantidades<br />

necessárias tanto a curto como a longo prazo.<br />

“Diariamente é feito um acompanhamento<br />

do planeamento de produção, do nível de<br />

inventário e dos envios a cliente”, explica José<br />

Castro.<br />

Em média carrEgamos cErca<br />

dE 500 volumEs (palETEs/<br />

conTEnTorEs) para diFErEnTEs<br />

dEsTinos, E rEcEbEmos cErca dE<br />

200 palETEs dE maTéria-prima,<br />

corrEspondEndo a um movimEnTo<br />

dE 40 camiõEs diariamEnTE<br />

José Castro, administrador<br />

ZF - Ponte de Lima<br />

A preparação dos envios é feita no dia<br />

anterior. Têm clientes que fazem as recolhas<br />

diariamente e em Just In Time, mas também<br />

contam com outros que recolhem uma a<br />

três vezes por semana. “Os transportes<br />

são geralmente em EXW, portanto, da<br />

responsabilidade do cliente, com horários<br />

definidos para as recolhas”, explica José<br />

Castro, sendo que após a recolha os clientes<br />

são informados via ASN das mercadorias<br />

enviadas. “Em média carregamos cerca de<br />

500 volumes (paletes/contentores) para<br />

diferentes destinos, e recebemos cerca de 200<br />

paletes de matéria-prima, correspondendo a<br />

um movimento de 40 camiões diariamente”,<br />

comenta ainda o responsável.


10<br />

MAIO <strong>2021</strong><br />

um novo espAço<br />

O novo espaço veio ajudar a optimizar<br />

estas operações, mantendo os materiais<br />

próximos dos espaços de produção da região,<br />

e passando também para ali o processo de<br />

recepção e armazenamento de contentores,<br />

fazendo 2.400 movimentos diários no espaço.<br />

As matérias-primas armazenadas vão saindo<br />

para a Safebag conforme os pedidos de<br />

encomenda, uma visível melhoria face à<br />

realidade anterior, pois até à construção deste<br />

edifício as matérias-primas vinham de Caleido,<br />

em Espanha. Estes pedidos são feitos por<br />

turnos e paletes, e para os transportar têm 10<br />

camiões internos dedicados a fazer a travessia<br />

Gemieira – Safelife – Fornelos, sendo feitas<br />

11.000 entradas e 11.000 saídas semanais<br />

entre as três unidades, contando ainda com<br />

dashboards para controlar as recepções e<br />

envios.<br />

Ao nível das exportações, dependem<br />

maioritariamente do transporte marítimo,<br />

também este organizado pelo cliente,<br />

podendo pontualmente ocorrer algum caso<br />

de transporte aéreo. “A nível nacional e outros<br />

países da Europa exportamos os materiais por<br />

via terrestre, por camião, seja FTL ou LTL”,<br />

explica José Castro.<br />

o nosso objEcTivo é sEmprE cumprir<br />

à primEira com o nosso cliEnTE,<br />

FazEndo bEm à primEira<br />

sAfelife<br />

José Castro, administrador<br />

ZF - Ponte de Lima<br />

A primeira fábrica que visitámos, a Safelife,<br />

já tem duas décadas, e é onde fabricam o<br />

interior dos airbags. O processo aqui começa<br />

pela compra de rolos de tecido e de todos os<br />

componentes necessários para costurar os<br />

airbags.<br />

O espaço divide-se em três processos:<br />

recobrimento, onde se recobre o tecido com<br />

silicone para que proteja o condutor e aguente<br />

o impacto térmico no momento da abertura;<br />

corte, onde são cortadas em várias camadas as<br />

peças para fazer o saco airbag; costura, onde<br />

o saco airbag é construído pela costura dos<br />

vários painéis e reforços.<br />

Finalmente todos os sacos são passados por<br />

um detector de metais para que se garanta a<br />

inexistência de partículas metálicas dentro


SCM Supply Chain Magazine 11<br />

dos mesmos, que seriam problemáticas no<br />

momento de abertura do módulo airbag.<br />

Neste momento, e devido à situação<br />

pandémica, existe ainda um processo de corte/<br />

costura de máscaras de protecção que garante<br />

a auto-suficiência e a segurança de todos os<br />

colaboradores.<br />

Em todos estes processos mantem-se a<br />

rotação de pessoas nos postos de trabalho de<br />

forma a que a repetição das acções de cada<br />

operador seja quebrada, evitando o risco de<br />

doenças de trabalho.<br />

José Castro comenta que “o nosso objectivo<br />

é sempre cumprir à primeira com o nosso<br />

cliente, fazendo bem à primeira”, e como tal o<br />

planeamento é feito para que tudo corra bem<br />

desde o primeiro momento.<br />

sAfebAG<br />

A outra unidade de produção da região é a<br />

Safebag, e destina-se à montagem de módulos<br />

de airbags, tendo sido criada quatro anos<br />

depois da Safelife. Estão a procurar reduzir<br />

o espaço de armazenagem neste local, e a<br />

criação da nova unidade de armazenagem<br />

veio ajudar nesse sentido, minimizando a<br />

armazenagem de que dispõem na fábrica.<br />

Nesta unidade fabril, são recepcionadas<br />

apenas alguns componentes de diferentes<br />

fornecedores, sendo os geradores um deles.<br />

Os geradores é o único tipo de material<br />

que pretendem recepcionar no futuro neste<br />

armazém devido ao volume de movimentos e<br />

tipo de material. Os geradores são fornecidos<br />

por outras unidades ZF, recepcionados e<br />

armazenados na Safebag e, reembalados com<br />

uma máquina para quantidades pequenas e<br />

colocados em supermercado. Sempre que é<br />

gerada uma necessidade Kanban o armazém<br />

fornece a linha de produção e ao consumir<br />

o último rolo de material disponível em<br />

supermercado é gerada nova necessidade de<br />

reembalar e abastecer o supermercado.<br />

Para o transporte em fábrica, tanto a<br />

Safelife como a Safebag contam ainda com<br />

comboios logísticos automáticos, e que fazem<br />

o percurso de recolha dentro dos respectivos<br />

espaços. Ainda ao nível da automação, a<br />

ZF também está a investir em robôs para<br />

processos repetitivos e menos complexos.<br />

Neste espaço, existe o processo de<br />

montagem do módulo airbag, onde os<br />

sacos produzidos na SafeLife, e não só, são<br />

montados nas carcaças (tampas) que se vê<br />

nos volantes e tabliês dos automóveis, bem<br />

como nos embutidos nos assentos, pilares<br />

e tectos dos mesmos, para serem enviados<br />

directamente às linhas de produção de<br />

automóveis, ou a empresas de pré-montagem.<br />

Neste processo é aplicado o mesmo<br />

procedimento de rotação de operários.<br />

Entre os muitos controlos de qualidade<br />

durante este processo, antes do envio<br />

ao cliente fazem-se rebentamentos em<br />

laboratório dos lotes produzidos de forma a<br />

garantir o bom funcionamento dos módulos.


12<br />

MAIO <strong>2021</strong><br />

umA pAndemiA de pAssAGem<br />

Com o anúncio da pandemia, houve uma<br />

grande instabilidade no mercado automóvel.<br />

Ora se dava uma paragem abrupta ora<br />

mais tarde um recomeço repentino e com<br />

um grande número de encomendas. 2020<br />

foi um ano complicado, que “veio provocar<br />

quedas no volume de vendas previsto”, e que<br />

trouxe novos desafios, mas apesar de tudo,<br />

“temos conseguido sempre corresponder às<br />

expectativas dos nossos clientes, fazendo os<br />

ajustes necessários”, comenta José Castro.<br />

Em <strong>2021</strong> deu-se uma nova crise, agora<br />

ao nível dos microchips, “que apesar de<br />

não afectar a produção de Ponte de Lima<br />

directamente, acaba por nos afectar<br />

indirectamente”, avança o responsável, “temos<br />

de nos ajustar face ao que o mercado permite<br />

comercializar”.<br />

“Outras crises começam a ter força a nível<br />

mundial, como o caso dos químicos e do<br />

aço, para as quais temos de estar atentos, e<br />

sobretudo reagir atempadamente”, antecipa<br />

ainda o administrador, “as crises emergentes<br />

como semicondutores, químicos ou<br />

metalúrgicos, trazem-nos o grande desafio de<br />

manter a cadeia de abastecimento a funcionar<br />

sem quebras/falhas. Será (é) necessário que<br />

o tempo de reacção seja curto/rápido, para<br />

manter os processos a funcionar e ao mesmo<br />

tempo flexibilizar o material e evitar os<br />

excessos de inventários”.<br />

na zF, aTé 2040, quErEmos sEr<br />

nEuTros no impacTo do clima<br />

visibilidAde dA CAdeiA<br />

De forma a conseguirem agir e antecipar<br />

crises, contam com as Tecnologias de<br />

Informação (TI) para lhes trazerem uma<br />

visibilidade em tempo real da situação,<br />

permitindo-lhes controlar a cada minuto<br />

que passa, por exemplo, “a nível de stock,<br />

pedidos de clientes ou acompanhamento<br />

geral de todos os pontos afectos à cadeia de<br />

abastecimento”.<br />

Para além disso, defende que as TI vieram<br />

“revolucionar uma outra forma de trabalho,<br />

não só para a logística como para todos os<br />

departamentos. É importante conseguirmos<br />

fazer todo o nosso trabalho estando<br />

fisicamente e longe, e fazê-lo com qualidade<br />

e mantendo as expectativas de gestão interna<br />

e externa”.<br />

por umA CAdeiA mAis<br />

susTenTável<br />

“Na ZF, até 2040, queremos ser neutros no<br />

impacto do clima”, afirma José Castro, e para<br />

que isso aconteça “pensamos activamente<br />

em maneiras de melhorar a sustentabilidade<br />

e descarbonizar dentro do nosso escopo de<br />

responsabilidade”.<br />

Passaram a controlar melhor os custos<br />

e reduzir as distâncias entre armazéns<br />

de logística e as fábricas, optimizando os<br />

milk-runs entre estas e os milk-runs de<br />

fornecedores. Exemplo disso, explica, é<br />

o caso do investimento que estão a fazer<br />

com os fornecedores, envolvendo o uso de<br />

embalagens retornáveis, evitando ao mesmo<br />

tempo o transporte de caixas vazias.<br />

José Castro, administrador<br />

ZF - Ponte de Lima


SCM Supply Chain Magazine 13<br />

é imporTanTE consEguirmos<br />

FazEr Todo o nosso<br />

Trabalho EsTando<br />

FisicamEnTE E longE, E<br />

Fazê-lo com qualidadE E<br />

manTEndo as ExpEcTaTivas<br />

dE gEsTão inTErna E<br />

ExTErna<br />

José Castro, administrador<br />

ZF - Ponte de Lima<br />

Estão ainda a rentabilizar os espaços<br />

disponíveis, por exemplo, com a minimalização<br />

dos espaços de armazenagem em fábrica,<br />

agora optimizados com o novo armazém de<br />

proximidade, podem “receber novos projectos<br />

e alugar o espaço para outras fábricas da ZF”,<br />

explica o administrador.<br />

Ao nível dos processos de negócio da ZF<br />

também procuraram optimizar os transportes,<br />

vender e reutilizar materiais como paletes<br />

de madeira ou reduzindo o uso de caixas<br />

de cartão. “Em Ponte de Lima estamos a<br />

contribuir para atingir estes ambiciosos<br />

objectivos”, conclui José Castro. •<br />

Centro Logístico da LPR, Warrington, Inglaterra<br />

Red is<br />

making<br />

things<br />

easier<br />

Com a LPR consegue facilmente gerir as suas<br />

encomendas e monitorizar os seus stocks online<br />

A LPR apresenta as soluções adequadas para uma gestão mais eficiente do<br />

seu parque de paletes. Todos os nossos serviços logísticos e de gestão de<br />

informação são automáticos. Para além disso, no nosso Portal poderá<br />

facilmente acompanhar toda a sua atividade: visualizar os fluxos de paletes,<br />

encomendas, stocks, inspeções de qualidade, rentabilizando tempo, espaço<br />

físico e custos de transporte. Para mais informações visite a LPR.eu<br />

A pallet is red, red is a pallet


14<br />

MAIO <strong>2021</strong><br />

LOGÍSTICA<br />

Bolloré Logistics<br />

“são As pessoAs<br />

Que ACresCenTAm<br />

vAlor à empresA<br />

e Ao seCTor”<br />

Por detrás da máscara, percebe-se o sorriso<br />

nos olhos e na voz que nos cumprimenta e dá<br />

as boas-vindas. Estamos no Paço do Lumiar,<br />

às portas de Lisboa e o nosso interlocutor é<br />

um homem que trocou uns costumeiros dias<br />

de férias em Portugal por uma vida aqui a<br />

tempo inteiro. É Roméo da Silva, o novo CEO da<br />

Bolloré Logistics Portugal.<br />

Texto: Dora Assis<br />

De pé, mãos apoiadas nas costas da cadeira,<br />

a silhueta recortada pela luz tímida de uma<br />

manhã que se esperava de sol e uma mesa<br />

de reuniões assegurando o distanciamento<br />

social. E também a única barreira entre nós,<br />

já que apesar do “accent” e de ainda pensar<br />

muitas vezes em francês, o português de<br />

Roméo da Silva é excelente. E a conversa<br />

também foi.<br />

Temos que começar por falar do que<br />

é a Bolloré Logistics em Portugal, já que<br />

raramente aparecem ou dão entrevistas. Como<br />

se posicionam, quais são os grandes desafios,<br />

investimentos realizados e os que estão<br />

previstos, para apoiar a vossa estratégia de<br />

crescimento em Portugal?<br />

Roméo da Silva > A Bolloré Logistics Portugal<br />

é parte integrante do Grupo Bolloré, um grupo<br />

francês, familiar, que está presente em 107<br />

países, com mais de 20 mil funcionários a nível<br />

mundial, com 2 milhões de metros quadrados<br />

de espaço logístico, movimentando 690 mil<br />

toneladas de frete aéreo por ano e 837 mil<br />

TEU’s por ano. Penso que estes números dão<br />

uma ideia do que é o grupo e a sua presença<br />

no universo da logística a nível mundial!<br />

Em Portugal, estamos estrategicamente<br />

localizados no norte, no Porto, e a sul


SCM Supply Chain Magazine 15<br />

em Lisboa, aqui, onde estamos, perto do<br />

Lumiar, uma localização estrategicamente<br />

escolhida, pois poderíamos estar fora de<br />

Lisboa mas realmente os 2.400 metros<br />

quadrados de armazenagem que aqui temos<br />

são estratégicos para nós; além de termos<br />

também instalações no aeroporto de Lisboa.<br />

Contamos actualmente com uma equipa<br />

composta por 94 pessoas nas três localizações<br />

e as actividades principais da empresa em<br />

Portugal - que têm um bom equilíbrio entre si<br />

- estão ligadas ao marítimo, aéreo, rodoviário<br />

e à logística.<br />

Em termos de desafios, nomeadamente<br />

desde 2020, o COVID-19 e o impacto<br />

importante nas capacidades aéreas e na<br />

supply chain marítima - que também foi<br />

afectada pela situação dos contentores que<br />

todos conhecemos, pelos altos níveis do custo<br />

dos fretes, pelos atrasos desencadeados<br />

pelo sucedido no Canal do Suez trouxeram<br />

uma certa instabilidade à supply chain dos<br />

nossos clientes - têm representado os maiores<br />

desafios da nossa actividade. Mas, perante<br />

tudo isto, a nossa empresa não necessitou<br />

improvisar pois, de facto, o envolvimento e<br />

resiliência não se iniciam durante uma crise.<br />

São isso, sim, o resultado de uma estratégia do<br />

management do Grupo Bolloré, que já estava<br />

bem estabelecida e que as nossas equipas têm<br />

mantido.<br />

A supply chain e os serviços logísticos<br />

associados não funcionam sem flexibilidade<br />

obviamente; sem disponibilidade; sem<br />

uma organização ágil e o know-how das<br />

nossas equipas. Sabe, a qualidade de<br />

serviço e de excelência operacional sempre<br />

foram objectivos do grupo e da Bolloré<br />

Logistics Portugal, muito graças às pessoas<br />

que compõem as nossas equipas e que<br />

acrescentam valor ao nosso serviço.<br />

E em termos de dificuldades sentidas?<br />

> Não vou falar de dificuldades ligadas ao<br />

mercado, mas sim de uma preocupação<br />

de todos os instantes, minha e nossa no<br />

grupo, que é a de conservar uma equipa<br />

experiente, flexível e que faça a diferença<br />

na nossa indústria. Identificámos há muitos<br />

anos, claramente, que são as pessoas<br />

que acrescentam valor à empresa e ao<br />

sector. Podemos ser óptimos em termos<br />

de digitalização, mas se o know-how e<br />

flexibilidade das equipas não estiver presente<br />

na empresa, de nada serve a digitalização.<br />

Obviamente que a digitalização é importante,<br />

mas são as pessoas que fazem a diferença. A<br />

tecnologia e a digitalização são fundamentais<br />

para proporcionar visibilidade e organizar a<br />

supply chain mas sem equipas competentes,<br />

disponíveis e flexíveis nada acontecerá. E,<br />

neste campo, gostaria de salientar que a<br />

Bolloré Logistics Portugal tem uma grande<br />

capacidade de retenção de talentos. As nossas<br />

equipas ficam por muitos anos na empresa,<br />

mais de 10 anos, e obviamente que essa é<br />

uma estratégia que quero prosseguir, com os<br />

nossos funcionários actuais e futuros. Para<br />

isso é fundamental que tenham perspectivas,<br />

bom ambiente de trabalho, condições de<br />

trabalho de qualidade, flexibilidade e, muito<br />

importante para mim, fácil acesso a todos os<br />

níveis de gestão da empresa, onde obviamente<br />

me incluo. Quando se reúnem estas condições,<br />

facilitamos e promovemos as interacções e<br />

quem ganha são obviamente os clientes. Por<br />

um lado, satisfazendo-os e, por outro, mais<br />

facilmente encontramos novas soluções.<br />

Penso que é muito importante criar condições<br />

para que se estabeleça um saudável equilíbrio<br />

entre vida pessoal e profissional, pois a<br />

logística é muito absorvente e os desafios são<br />

constantes.


16<br />

MAIO <strong>2021</strong><br />

Quanto a<br />

investimentos, o que é<br />

que está previsto?<br />

> O grupo continua<br />

a investir, em<br />

primeiro lugar nas<br />

nossas equipas, mas também nos sistemas<br />

de informação, através de um processo de<br />

renovação do nosso sistema informático. O<br />

e-commerce mostrou a importância do fluxo<br />

de informação tanto quanto do fluxo físico,<br />

pelo que o Grupo Bolloré está a implementar<br />

a nível mundial o CargoWise, da WiseTech<br />

Global, que irá substituir o nosso TMS,<br />

oferecendo maior visibilidade aos nossos<br />

clientes, quaisquer que sejam os seus volumes.<br />

Além disso, acabámos de aumentar a nossa<br />

presença nos países nórdicos com a aquisição<br />

de uma posição maioritária na empresa sueca<br />

Global Freight Solutions e a sua filial na<br />

Dinamarca. Como comecei por dizer, o grupo<br />

é um grupo familiar, com grande estabilidade<br />

financeira, e apesar de obviamente ter<br />

grandes ambições para o futuro e para os<br />

próximos anos terá, como habitualmente,<br />

muita precaução nos seus investimentos<br />

estratégicos.<br />

No que diz respeito à vossa actividade em<br />

Portugal, por onde passa a vossa estratégia de<br />

crescimento? Há segmentos de mercado que<br />

consideram “core business”?<br />

> A Bolloré Logistics Portugal beneficia<br />

de uma forte especialização na indústria<br />

aeronáutica e aeroespacial, de defesa,<br />

vestuário e calçado, cuidados de saúde,<br />

projectos industriais, telecomunicações e<br />

indústria alimentar e a nossa estratégia focase<br />

nestas indústrias.<br />

a supply chain E os sErviços logísTicos associados não<br />

Funcionam sEm FlExibilidadE; sEm disponibilidadE; sEm<br />

uma organização ágil E o know-how das nossas Equipas<br />

Roméo da Silva<br />

Mesmo em Portugal?<br />

> Isto é em Portugal! Se eu estivesse a falar<br />

a nível global teria incluído, por exemplo, o<br />

automotive. As que mencionei são de facto as<br />

nossas áreas de especialização no mercado<br />

português. A flexibilidade faz parte do ADN<br />

do nosso grupo. Exemplo disso mesmo é, por<br />

exemplo, o serviço rodoviário de grupagem<br />

exportação e importação para o “United<br />

Kingdom”, que operamos com sucesso,<br />

particularmente, ou ainda mais, desde o<br />

Brexit. Vamos abrir outras linhas, como<br />

Marrocos e, mais uma vez, o nosso armazém<br />

estrategicamente localizado perto de<br />

Lisboa, tem óptimas condições para soluções<br />

logísticas e, não menos importante, é a sua<br />

ligação estratégica associada a 100% ao nosso<br />

objectivo de redução das emissões de CO2 a<br />

nível mundial, que nos valeu recentemente a<br />

medalha de ouro da EcoVadis.<br />

A Bolloré Logistics está presente nos<br />

mercados do mundo lusófono mas também<br />

nos outros mercados de países africanos - o<br />

que é, realmente e historicamente, a grande<br />

força do nosso grupo -, não obstante também<br />

estarmos na Ásia, nas Américas e obviamente<br />

na Europa, oferecendo um serviço door-todoor,<br />

dentro da nossa rede própria. Ou seja,<br />

em África, não é um agente externo, é uma<br />

pessoa Bolloré Logistics, é um colega nosso<br />

que vai tratar de tudo no destino e isso é<br />

muito importante para facilitar o fluxo da<br />

supply chain.


SCM Supply Chain Magazine 17<br />

Outsourcing Logístico<br />

Serviços<br />

Descarga e receção de mercadorias Conferência e arrumação Manipulações e<br />

Recondicionamento Etiquetagem Co-packing Kitting Picking e Embalamento<br />

Cross-docking Carregamento e Expedição de Mercadorias Carga e Descarga de Contentores<br />

Operações “One-shot” (campanhas) Controlo de Qualidade Realização de inventários<br />

Gestão de Devoluções Controlo e Manutenção de Suportes de Manuseamento<br />

Tratamento de Vasilhame e Resíduos<br />

Um grande grupo.<br />

www.grupoconstant.com


18<br />

MAIO <strong>2021</strong><br />

E, obrigatoriamente, temos que falar da<br />

pandemia. Como é que a sentiram e viveram<br />

na vossa actividade e na dos clientes?<br />

Provavelmente com desaceleração nuns<br />

sectores, por oposição a outros que não<br />

pararam…<br />

> O facto das lojas terem fechado<br />

repentinamente e existirem elevados stocks<br />

de mercadoria fez com que no primeiro<br />

semestre de 2020 as importações marítimas<br />

baixassem em termos de volume, de maneira<br />

drástica no primeiro semestre de 2020,<br />

situação que ainda com algumas oscilações<br />

se manteve até <strong>2021</strong>. Em contrapartida,<br />

alguns dos nossos clientes necessitaram de<br />

muito mais capacidade aérea, nomeadamente<br />

os que actuam no sector farmacêutico e de<br />

cuidados de saúde, bem como no sector dos<br />

equipamentos de protecção individual, como<br />

as máscaras e afins. E o nosso grupo, Bolloré<br />

Logistics Portugal incluída, demonstrou ser<br />

uma organização resiliente. Encontrámos<br />

soluções para os nossos clientes oferecendolhes<br />

a continuidade operacional, que<br />

era obviamente fundamental, e também<br />

preservando a saúde dos membros das<br />

nossas equipas com medidas sanitárias<br />

adequadas, definidas a nível global, ainda<br />

que depois alinhadas localmente em função<br />

das leis, obviamente. Portanto, eu diria que<br />

soubemos adaptar-nos às alterações sentidas<br />

pelo lado da oferta e inovar, tanto no que<br />

diz respeito ao marítimo como em encontrar<br />

rapidamente capacidades aéreas - o que se<br />

revelou fundamental - e num tempo recorde!<br />

Realizámos grandes investimentos nos nossos<br />

hubs e capacidades aéreas e, mais uma vez,<br />

num tempo recorde. Estou a pensar, por<br />

exemplo, no caso do Luxemburgo, oferecendo<br />

a capacidade necessária face a estas<br />

modificações de oferta. Ou seja, decidimos<br />

investir realmente, contratar espaço, para<br />

termos backups e a capacidade de responder<br />

aos nossos clientes.<br />

Quanto ao Brexit, como se prepararam e<br />

que reflexos têm sentido?<br />

> Bem, a verdade é que já estávamos<br />

preparados para o Brexit e o nosso serviço<br />

rodoviário de grupagem in-out UK já existia.<br />

A flexibilidade que soubemos proporcionar<br />

ao mercado tem sido um óptimo exemplo e<br />

é um serviço que neste momento funciona<br />

muitíssimo bem.<br />

E a crise que a falta de contentores está a<br />

desencadear, como vê a situação?<br />

> É um cenário inédito. Eu diria que neste<br />

último ano tudo aquilo que era impensável<br />

acabou por acontecer às cadeias de<br />

abastecimento. A pandemia, a falta de<br />

contentores, mais recentemente o caso do<br />

navio encalhado no Canal do Suez… a nossa<br />

indústria nunca pensou passar por momentos<br />

como estes que se têm vivido. Ainda menos<br />

com os investimentos gigantescos que as<br />

companhias marítimas têm vindo a fazer de há<br />

uns anos a esta parte em navios de 20 mil TEU<br />

de capacidade. Era impensável o que se tem<br />

vivido!<br />

Mas, uma vez mais, a resiliência das<br />

nossas equipas, o conhecimento dos actores<br />

do mercado, a nossa posição global com o<br />

volume que movimentamos globalmente, 837<br />

mil TEU/ano, e a nossa devida organização<br />

permitiu, e permite-nos, encontrar soluções<br />

para os nossos clientes, com soluções de<br />

backup, que identificámos e que temos ao<br />

dispor. Ainda assim, e fechando este tópico,<br />

reconheço que era uma situação inimaginável<br />

e totalmente impensável. Por exemplo, quem<br />

diria que esta imensidão de contentores


SCM Supply Chain Magazine 19<br />

ficaria bloqueada nos Estados Unidos por não<br />

haver ninguém para descarregar os mesmos?!<br />

É impensável. Mesmo com planos de<br />

contingência, fomos todos colocados perante<br />

cenários que não eram equacionáveis.<br />

Face a este passado recente, ou ainda tão<br />

presente, o que é que acha que pode mudar ou<br />

deveria mudar nas cadeias de abastecimento?<br />

> Apesar de tudo, eu acho que a globalização<br />

não vai modificar-se a curto prazo. Existem<br />

temas de importância central, como a<br />

capacidade de produção da China - que<br />

ninguém pode discutir - e, obviamente, a<br />

competitividade dessa mesma produção. Este<br />

é um ponto central, embora já tenhamos<br />

notado que alguns actores industriais e do<br />

retalho identificaram durante este período o<br />

perigo que constitui para as suas cadeias de<br />

abastecimento um sourcing único, asiático, e<br />

é provável que no futuro, ou no médio prazo,<br />

aconteça uma reflexão por parte destes<br />

actores sobre a relocalização regional desse<br />

mesmo sourcing. Mas levará tempo. São<br />

muitas as indústrias dependentes dos países<br />

asiáticos e eu, pessoalmente, não vejo que no<br />

curto prazo se consiga alterar esta realidade.<br />

É um facto que alguns actores no período de<br />

pandemia alguns actores reconfiguraram as<br />

suas cadeias de produção, nomeadamente no<br />

sector têxtil, vindo para Portugal e até para<br />

Marrocos mas, por enquanto, ainda é uma gota<br />

de água.<br />

a rEsiliência das nossas Equipas,<br />

o conhEcimEnTo dos acTorEs do<br />

mErcado, a nossa posição global<br />

com o volumE quE movimEnTamos,<br />

837 mil TEu/ano, E a nossa dEvida<br />

organização pErmiTiu, E pErmiTE-nos,<br />

EnconTrar soluçõEs para os nossos<br />

cliEnTEs<br />

Roméo da Silva<br />

Como vê o cenário, no vosso caso em<br />

concreto, para os próximos tempos?<br />

> Voltando ao princípio, eu salientaria<br />

que a Bolloré Logistics é um grupo muito<br />

importante, com uma estratégia e organização<br />

muito bem definidas no que diz respeito<br />

ao desenvolvimento nos próximos anos,<br />

desenvolvimento esse que já acontece há<br />

algum tempo e que vai prosseguir, pois<br />

temos ambições. Pessoalmente aceitei o<br />

cargo enquanto CEO da Bolloré Logistics<br />

Portugal porque acho que ainda não<br />

temos no mercado nacional a posição que<br />

deveríamos ter face à qualidade operacional<br />

e humana da nossa equipa. E que merece ser<br />

conhecida! A disponibilidade, flexibilidade e<br />

profissionalismo das nossas pessoas é algo<br />

que os nossos clientes observam todos os<br />

dias e o meu objectivo passa por, por um<br />

lado, manter os nossos clientes em casa,<br />

mas também por desenvolver o negócio em<br />

Portugal e atingir o que realmente podemos<br />

proporcionar em termos de desenvolvimento<br />

no grupo. •


20<br />

MAIO <strong>2021</strong><br />

LOGÍSTICA<br />

Uma nova aposta<br />

impulsionada pela<br />

pandemia<br />

“o<br />

ulTrA-ConGelAdo<br />

é ClArAmenTe<br />

o novo fresCo”<br />

Fazer pão em casa foi uma das tendências que<br />

marcaram o início da pandemia em Portugal,<br />

bastou ver-se pela falta de fermento nas<br />

prateleiras dos supermercados. Tornámo-<br />

-nos verdadeiros padeiros a fazer pão, desde<br />

a confecção da massa até ao momento de a<br />

colocar no forno. A Panidor esteve atenta a esta<br />

tendência e decidiu facilitar a tarefa dos novos<br />

padeiros e pasteleiros: vender pão e pastelaria<br />

uơlňtƙrƄacýoŝnœgĤeċlňadĄa aoŝ cýoŝnœsƌuơmőiİdĄoŝrƄ fiǟnœalň.<br />

Texto: Ana Paiva<br />

Fotos: Panidor<br />

Os resultados da Panidor sofreram um<br />

grande abalo com a pandemia, dado que<br />

mais de 10% do seu negócio se destina<br />

a hotelaria, o turismo foi um dos sectores<br />

afectados pela crise. Mesmo o açambarque<br />

dos supermercados não resolveu o problema,<br />

apesar de a empresa ser a fornecedora de pão<br />

de muitas cadeias de retalho alimentar. Face<br />

a estas dificuldades, a Panidor viu mais além,<br />

e apostou num segmento que fez sucesso<br />

durante os meses mais duros da pandemia: a<br />

venda de congelados. Desta forma, tomaram a<br />

decisão estratégica de vender pão e pastelaria<br />

ultracongelada directamente ao consumidor<br />

final. “Habitualmente vendidos para serem<br />

terminados no ponto de venda pelas insígnias,<br />

o ponto frio é um conceito pensado para<br />

oferecer conveniência ao comercializar<br />

produtos congelados, a serem terminados


SCM Supply Chain Magazine 21<br />

em casa pelo consumidor”, explica-nos Marta<br />

Casimiro, administradora e responsável de<br />

inovação da Panidor.<br />

“A pandemia trouxe consigo profundas<br />

alterações de consumo, que levam as pessoas<br />

menos vezes aos supermercados. O ponto<br />

quente acaba por sentir esta alteração, uma<br />

vez que os produtos vendidos acabados de<br />

cozer têm também um prazo de consumo<br />

mais curto. Desta forma, os consumidores têm<br />

vindo a procurar produtos ultracongelados,<br />

de forma a terminar a sua confecção em casa<br />

e reduzir assim deslocações, desperdício, e<br />

permitir ter produtos frescos todos os dias, a<br />

qualquer hora”, afirma a responsável.<br />

A produção da Panidor inclui uma cozedura<br />

inicial de 70% no caso da padaria, seguida<br />

de um processo de ultra-congelação que,<br />

segundo a administradora, permite manter a<br />

integridade e qualidade do produto. A restante<br />

cozedura do produto é realizada em casa<br />

tendo assim “o sabor, a textura e o aroma<br />

de um pão acabado de fazer”, refere Marta<br />

Casimiro, acrescentando que “o ultracongelado<br />

é claramente o novo fresco”.<br />

Tendo em conta que todos os produtos<br />

da marca são ultracongelados, não foi<br />

necessário alterar ou ajustar a cadeia de frio<br />

ou de armazenamento para o novo modelo<br />

de negócio. A única alteração foi apenas no<br />

processo de embalamento “que teve de ser<br />

ajustado para ir ao encontro das necessidades<br />

dos consumidores”, salienta a responsável.<br />

No ano passado a empresa entrou na área<br />

das vendas online, nas quais registaram<br />

vendas “surpreendentes”, mas com diferentes<br />

contornos. “Tínhamos clientes muito<br />

desesperados e achámos que podíamos fazer<br />

vendas online e ao mesmo tempo ajudar as<br />

pastelarias e restaurantes encerrados. Criámos<br />

120 pontos de recolha em todo o país. Foi<br />

muito bom na altura, ajudámos os clientes –<br />

parte da venda era para eles – mas o futuro da<br />

venda online é a entrega em casa. É nisso que<br />

estamos a trabalhar”, afirma Marta Casimiro<br />

numa entrevista ao Dinheiro Vivo. •<br />

a pandEmia TrouxE consigo<br />

proFundas alTEraçõEs dE<br />

consumo, quE lEvam as pEssoas<br />

mEnos vEzEs aos supErmErcados<br />

(…) os consumidorEs Têm<br />

vindo a procurar produTos<br />

ulTracongElados, dE Forma a<br />

TErminar a sua conFEcção Em<br />

casa E rEduzir assim dEslocaçõEs,<br />

dEspErdício, E pErmiTir TEr<br />

produTos FrEscos Todos os dias, a<br />

qualquEr hora<br />

Marta Casimiro


22<br />

MAIO <strong>2021</strong><br />

Texto: Fábio Santos<br />

“o Que fAlTAvA<br />

erA vir pArA<br />

Cá A primeirA<br />

empresA”<br />

No dia 18 de <strong>Maio</strong> deu-se a inauguração do<br />

Parque Logístico “Lisboa Park”, um complexo<br />

de 224.864 metros quadrados que pretende<br />

vir a tornar-se no maior parque logístico<br />

de Portugal. Já pronta está também a sua<br />

primeira nave logística de 45.171 metros<br />

quadrados de superfície bruta locável, dividida<br />

em seis módulos.<br />

O<br />

Lisboa Park está localizado a 30<br />

quilómetros do centro de Lisboa, e conta<br />

com ligações directas às auto-estradas A1,<br />

A10 e A9, bem como a uma estação ferroviária<br />

para passageiros e mercadorias situada à<br />

entrada do parque, e com ligação directa à<br />

capital portuguesa. Para além disso, espera-se<br />

que para breve arranquem as obras para o cais<br />

fluvial de Castanheira do Ribatejo e que, para<br />

além de retirar carga das estradas, é também<br />

um modo de transporte ambientalmente mais<br />

ecológico.<br />

Sobre a nova nave, esta foi concebida<br />

“com os melhores padrões de qualidade para<br />

satisfazer as actuais exigências dos grandes<br />

operadores logísticos internacionais”, explica<br />

LOGÍSTICA<br />

Parque Logístico<br />

Lisboa Park<br />

a empresa promotora do projecto, a Merlin<br />

Properties. Na sua construção conta com<br />

uma estrutura e recinto em betão armado,<br />

iluminação LED, vias de grandes dimensões,<br />

uma altura de 14,7 metros, um grande número<br />

de docas (existindo uma por cada 500 metros<br />

quadrados), a possibilidade de operar pela<br />

parte traseira com carrinhas, amplas áreas de<br />

manobra e um grande número de lugares de<br />

estacionamento. Ao nível da sustentabilidade<br />

e auto-suficiência, contará em breve com uma<br />

instalação fotovoltaica de autoconsumo.<br />

“O parque tem flexibilidade para se<br />

adaptar às necessidades dos operadores e<br />

do mercado, com uma grande capacidade<br />

de desenvolvimento para executar projectos


SCM Supply Chain Magazine 23<br />

o parquE TEm FlExibilidadE para sE adapTar às nEcEssidadEs dos<br />

opEradorEs E do mErcado<br />

Merlin Properties<br />

chave-na-mão ou outros projectos de<br />

investimento”, diz a empresa, acrescentando<br />

que o seu objectivo é posicionar-se e<br />

consolidar-se como a referência logística em<br />

Portugal e reforçar a sua posição de liderança<br />

na Península Ibérica.<br />

Como primeiro anúncio, a Merlin Properties<br />

avança que está previsto arrancar em breve<br />

o futuro centro logístico do grupo Jerónimo<br />

Martins também naquele parque logístico.<br />

“O que faltava era vir para cá a primeira<br />

empresa”, destaca o presidente da Câmara<br />

de Vila Franca de Xira, Alberto Mesquita,<br />

em entrevista à Supply Chain Magazine,<br />

acrescentando que “este arranque da<br />

Plataforma Logística Lisboa Norte é um<br />

marco importante e um pólo essencial de<br />

desenvolvimento económico associado para<br />

o concelho de Vila Franca de Xira”. O autarca<br />

conta que acompanhou todo o processo e<br />

começa por explicar o longo percurso pelo qual<br />

a plataforma passou, desde logo a demora na<br />

sua aprovação, e de seguida o contexto que fez<br />

com que a plataforma não arrancasse, como o<br />

contexto de “contraciclo económico” em que se<br />

encontravam na altura.<br />

Apesar do medo de iniciarem este percurso<br />

ainda sem clientes, avançaram, e Ismael<br />

Clemente, CEO da Merlin Properties, conta<br />

que “tivemos muita sorte e já quase no final<br />

da obra a procura apareceu e agora está<br />

cheia”, acrescentando que “quando existe um


24<br />

MAIO <strong>2021</strong><br />

parque já consolidado, que conta com 20 ou<br />

30 operadores instalados, toda a gente quer<br />

trabalhar nesse parque porque é um sucesso”.<br />

Ao nível deste aumento da procura, Ismael<br />

Clemente destaca que “o e-commerce<br />

está agora a criar uma época dourada da<br />

logística e isso tem-nos ajudado em termos<br />

de comercialização do complexo”, e esta<br />

proximidade à metrópole é precisamente o que<br />

as empresas procuram: “proximidade, qualidade<br />

de conexão com a área da Grande Lisboa e<br />

multimodalidade”, esta última devido aos<br />

acessos rodoviários, ferroviários e, talvez para<br />

breve, também fluvial.<br />

o primeiro oCupAnTe do<br />

espAço: oliCArGo<br />

A Olicargo é o primeiro inquilino do Lisboa<br />

Park, contando com 16.000 metros quadrados<br />

dedicados à logística contratual numa primeira<br />

fase, que vêm complementar os 25.000<br />

metros quadrados que o prestador de serviços<br />

logísticos português já detinha na Póvoa de<br />

Santa Iria, e reforçar a capacidade de resposta<br />

da empresa às necessidades do mercado e dos<br />

seus clientes.<br />

Américo Ribeiro, board member e contract<br />

logistics manager da Olicargo, revelou em<br />

entrevista em primeira mão à SCM que “este<br />

é mais um importante passo na estratégia de<br />

desenvolvimento traçada pela Olicargo, que se<br />

mantém focada na criação de valor para os seus<br />

clientes, accionistas, colaboradores e parceiros.<br />

São eles que nos motivam sempre a ir mais<br />

além, avançando para novos espaços e novas<br />

geografias. É isto que temos feito nos últimos<br />

anos, antecipando necessidades, construindo<br />

novas soluções e tecnologias que nos permitem<br />

estar ao mais alto nível no panorama da<br />

logística nacional e internacional”.<br />

Foi neste contexto que no início do último<br />

trimestre de 2020, a empresa tomou a decisão<br />

estratégica de expandir os seus espaços<br />

dedicados à logística contratual na zona da<br />

Grande Lisboa e “o parque logístico da Merlin<br />

Properties era a solução para podermos dar<br />

continuidade ao nosso crescimento”, realça<br />

Américo Ribeiro.<br />

“Este local vem adequar-se à nossa<br />

estratégia. A sua localização, a superior<br />

qualidade das instalações, os modernos<br />

sistemas de segurança, essenciais para<br />

operações logísticas e de transporte avançadas,


SCM Supply Chain Magazine 25<br />

EsTas insTalaçõEs sErão<br />

complEmEnTarEs aos<br />

nossos cEnTros logísTicos<br />

dE póvoa dE sanTa iria,<br />

quE rEsulTaram dE um<br />

invEsTimEnTo dE mais dE<br />

10 milhõEs dE Euros nos<br />

úlTimos cinco anos<br />

Américo Ribeiro<br />

Board Member, Olicargo<br />

motivaram a nossa decisão”, salienta o contract<br />

logistics manager da Olicargo. Entre outros<br />

factores com peso na tomada de decisão está<br />

o crescimento do comércio electrónico e as<br />

suas necessidades logísticas muito específicas,<br />

o que “foi igualmente impulsionador do<br />

nosso crescimento para novos espaços com<br />

características e localização que favorecem a<br />

eficiência das operações e dos níveis de serviço<br />

aos nossos clientes. A aliança entre estes<br />

ganhos de eficiência e a nossa especialização<br />

em operações complexas, nomeadamente as<br />

ligadas ao comércio electrónico, resultam na<br />

nossa crescente expansão e reconhecimento do<br />

mercado”, sublinha Américo Ribeiro.<br />

Além do comércio electrónico, o novo<br />

centro logístico da Olicargo no Merlin Lisboa<br />

Park está orientado para os sectores do<br />

retalho, alimentação e bebidas, automóvel<br />

e aeronáutica, mas procurando igualmente<br />

“servir outros sectores que querem ver a sua<br />

logística robusta e como fonte de criação<br />

de valor para os seus produtos e marcas”,<br />

explica o porta-voz da Olicargo, lembrando<br />

que “estas instalações serão complementares<br />

aos nossos centros logísticos de Póvoa de<br />

Santa Iria, que resultaram de um investimento<br />

de mais de 10 milhões de euros nos últimos<br />

cinco anos. Simultaneamente, a Olicargo está<br />

a investir na zona Norte na ampliação do seu<br />

centro logístico da Trofa para 20.000 metros<br />

quadrados, com inauguração prevista para<br />

finais de Julho deste ano”.<br />

“Temos os meios, as pessoas e a tecnologia<br />

para o futuro. Temos a capacidade financeira e<br />

a reputação de uma marca que só sabe prestar<br />

serviços de qualidade superior. Temos a atitude<br />

de pessoas motivadas e empreendedoras. Para<br />

nós, este é apenas o primeiro passo do nosso<br />

projecto neste local. Com o desenvolvimento<br />

de novos espaços e projectos para o parque,<br />

avizinham-se, a curto e médio prazo, novas<br />

posições e investimentos por parte da Olicargo”<br />

no novo parque logístico de Castanheira do<br />

Ribatejo. Para já, os principais investimentos<br />

estão concentrados na aquisição de modernos<br />

equipamentos de handling, estruturas de<br />

armazenagem, sistemas de segurança de última<br />

geração, redes e sistemas de informação Tier 1.<br />

Apesar da importância crescente que a<br />

logística contratual tem vindo a ganhar<br />

para a empresa, o transporte internacional<br />

continua a ser um dos pontos fortes da<br />

Olicargo. “Continuamos a registar recordes de<br />

crescimento nos transportes internacionais. O<br />

segmento do transporte internacional marítimo,<br />

aéreo, terrestre e intermodal estão nas nossas<br />

origens e ainda hoje representam a maior fatia<br />

do volume de negócios do grupo”, salienta<br />

Américo Ribeiro, aproveitando para realçar que<br />

também neste âmbito as novas instalações no<br />

Lisboa Park são estratégicas: “com esta nova<br />

localização e a sua proximidade aos portos,<br />

aeroportos e principais vias rodoviárias do país,<br />

a Olicargo reforça a sua capacidade de oferta<br />

ao mercado e assegura o seu compromisso de<br />

crescimento”. •


26<br />

MAIO <strong>2021</strong><br />

PROCUREMENT<br />

Texto: Pedro Hugo Rocha<br />

disclaimer: as opiniões expressas neste artigo<br />

são pessoais e vinculam apenas e somente o autor.<br />

AGilidAde e<br />

resiliênCiA: As<br />

novAs “buZZWords”<br />

ou AlGo mAis?<br />

Agilidade e Resiliência<br />

Penso que não é necessário relembrar ao<br />

lňeċiİtƙoŝrƄ qƃuơeċ oŝ COVID-19 vƽeċiİoŝ rƄeċdĄeċfiǟnœiİrƄ a eċsƌcýalňa<br />

VUCA com a qual trabalhávamos. Quando<br />

pensávamos que o mundo já era VUCA q.b.<br />

antes de Fevereiro de 2020, com níveis altos<br />

de volatilidade, incerteza, complexidade e<br />

ambiguidade, vem uma pandemia global<br />

que levou o barómetro VUCA a níveis nunca<br />

antes vistos.


SCM Supply Chain Magazine 27<br />

Foi a partir de Março de 2020 que as<br />

palavras agilidade e resiliência começaram<br />

a ser usadas praticamente em todas<br />

as coisas que li e ouvi sobre procurement<br />

e supply chain. Não quero com isto dizer<br />

que os temas são novos em supply chain,<br />

pelo contrário. Acho que estiveram sempre<br />

presente nas mentes dos profissionais<br />

de supply chain: temos que ser ágeis e<br />

resilientes.<br />

Foi mais ou menos a partir de <strong>Maio</strong> de<br />

2020 que comecei a reflectir sobre as duas<br />

palavras. Será que querem dizer a mesma<br />

coisa? Será que são duas novas “buzzwords”<br />

que querem dizer apenas o que já dizíamos<br />

antes sobre as supply chains, isto é, que têm<br />

que ser flexíveis, rápidas a responder, que<br />

devem conseguir adaptar-se às mudanças de<br />

contexto na supply e na demand, e que devem<br />

estar preparadas para choques mais ou menos<br />

inesperados?<br />

Recentemente, numa conferência online,<br />

um dos speakers (o speaker era Gartner) que<br />

falava no contexto de supply chains globais<br />

e sobre o tema de nearshoring, isto é, falava<br />

na gestão estratégica do risco, partilhou um<br />

slide que cativou o meu interesse. Nesse slide,<br />

apresentava a sua proposta para definições de<br />

agilidade e de resiliência. Mantenho aqui as<br />

definições em inglês, para evitar que a tradução<br />

retire clareza ao que foi apresentado.<br />

AGILITY: the ability to sense and respond<br />

to unanticipated changes in demand or supply<br />

quickly and reliably, without sacrificing cost or<br />

quality.<br />

RESILIENCE: the ability to adapt to<br />

structural changes by modifying supply chain<br />

strategies, products and technologies.<br />

Pedro Hugo Rocha<br />

Foi um daqueles momentos em que<br />

muitas ideias que andavam soltas na minha<br />

mente encaixaram num desenho mental<br />

simples e pragmático. Não pretendo entrar<br />

numa discussão sobre se as definições estão<br />

correctas do ponto de vista académico. Para<br />

mim, elas funcionam, fazem uma separação<br />

lógica entre o que é ser ágil e o que é ser<br />

resiliente. O conceito de agilidade aponta<br />

para um nivel mais táctico, de curto ou médio<br />

prazo. Diz respeito à nossa capacidade de<br />

reagir rapidamente aos inputs que nos chegam<br />

do lado da supply ou da demand, inputs<br />

esses muitas vezes inesperados. O conceito<br />

de resiliência aponta para um nível mais<br />

estratégico, de médio ou longo prazo. Aponta<br />

para a nossa capacidade de ter perspectiva<br />

sobre o presente e de preparar o futuro da<br />

supply chain que operamos.


28<br />

MAIO <strong>2021</strong><br />

No reino animal, o paralelismo é o seguinte:<br />

um animal ágil acelera, desacelera e muda de<br />

direcção com facilidade, e desempenha essas<br />

tarefas sem ter que fazer grandes preparações<br />

e sem gastar muita energia; um animal<br />

resiliente é um animal que resiste aos choques<br />

da natureza, que se desloca para procurar<br />

alimento e água, que tem a capacidade de<br />

ajustar os seus hábitos ao contexto que vai<br />

mudando à sua volta.<br />

O nirvana das supply chain modernas é<br />

conseguir atingir altos níveis de agilidade e de<br />

resiliência simultaneamente. É possível, mas é<br />

difícil. Agilidade e resiliência complementamse,<br />

mas às vezes colidem. Dou um exemplo.<br />

Podemos desenhar uma supply chain ágil, com<br />

fornecedores localizados perto do ponto onde<br />

está a procura final dos produtos. Essa supply<br />

chain responderá rapidamente a mudanças<br />

na procura. No entanto, essa mesma supply<br />

chain poderá ficar exposta a riscos geopolíticos<br />

relacionados com a localização desses<br />

fornecedores, que poderão estar concentrados<br />

numa área geográfica relativamente pequena,<br />

um cluster.<br />

A missão do líder de supply chain é garantir<br />

que as suas equipas trabalham para alcançar<br />

altos níveis de desempenho nas dimensões de<br />

agilidade e resiliência. De seguida, proponho<br />

um framework simples que permitirá ao líder<br />

de supply chain fazer perguntas a si próprio e<br />

às suas equipas. Poderia incluir mais perguntas,<br />

mas penso que, para efeitos de explicação do<br />

framework, estas perguntas dão uma ideia<br />

do exercício que proponho que façam com as<br />

vossas equipas.<br />

Trata-se de um modelo qualitativo, por<br />

conseguinte, a qualidade dos resultados<br />

dependerá muito da forma “brutalmente<br />

honesta” como o leitor e a sua equipa<br />

responderem às perguntas e debaterem em<br />

conjunto. O resultado final dará pistas sobre o<br />

estado actual da sua supply chain em termos<br />

de agilidade e de resiliência, e permitirá<br />

abrir caminhos para fazer as coisas que são<br />

necessárias, para preparar a sua supply chain<br />

para um futuro que se adivinha pelo menos tão<br />

VUCA como o presente.<br />

Boa sorte. Vamos precisar dela. Mas como diz<br />

o outro: a sorte procura-se. •


SCM Supply Chain Magazine 29<br />

pEssoas<br />

Modelo<br />

organizativo e<br />

competências<br />

procEssos<br />

“escritos no<br />

papel” (não<br />

confundir com<br />

ferramentas)<br />

sisTEmas,<br />

TEcnologia,<br />

digiTal<br />

Ferramentas<br />

que ajudam<br />

a executar<br />

processos<br />

agilidadE<br />

A sua equipa de planeamento operacional<br />

tem a autonomia necessária para tomar<br />

decisões on the spot? Ou o processo de<br />

decisão é moroso, hierárquico e involve<br />

muitos decisores?<br />

As suas equipas estão treinadas em<br />

agile mindset? Tomam decisões, avaliam<br />

rapidamente os resultados, e corrigem<br />

opções tomadas com a rapidez que é<br />

necessária? decide-test-learn-decide again<br />

Tem as pessoas certas a participar no seu<br />

processo de S&OP? São pessoas que pensam<br />

rápido, experientes e sem receio de decidir?<br />

O seu processo de planeamento integra<br />

todas as variáveis importantes da sua<br />

supply chain? É possível ter uma visão em<br />

tempo real do que está a acontecer? A<br />

qualidade da “data” é boa?<br />

O seu processo de planeamento (S&OP)<br />

está a funcionar com a dinâmica necessária?<br />

O processo permite detectar mudanças<br />

rápidas na supply ou na demand? Quantas<br />

vƽeċzǎeċsƌ eċxǃeċcýuơtƙa oŝ pƁrƄoŝcýeċsƌsƌoŝ pƁoŝrƄ mőêĐsƌ?<br />

Teċmő alňgĤuơmő pƁrƄoŝcýeċsƌsƌoŝ dĄeċfiǟnœiİdĄoŝ pƁarƄa gĤeċsƌtƙãùoŝ<br />

de crise, caso algo inesperado ocorra do<br />

lado da supply ou da demand? As pessoas<br />

sabem o que fazer?<br />

A sua ferramenta de planeamento integra<br />

todas as fontes internas de “data” de supply<br />

e demand, e dá informação em tempo real?<br />

Os dashboards e relatórios disponíveis<br />

permitem às equipas terem uma visão<br />

simples e clara do que está a acontecer, que<br />

permite a tomada de decisão on the spot?<br />

As suas ferramentas incorporam algum<br />

tipo de analytics que permite antecipar<br />

mudanças na supply ou na demand? Por<br />

exemplo, acendendo luzes vermelhas e<br />

alňeċrƄtƙanœdĄoŝ qƃuơeċ sƌeċ vƽeċrƄiİfiǟcýamő tƙeċnœdĄêĐnœcýiİasƌ eċmő<br />

alguns indicadores, e que há probabilidade<br />

de algo acontecer no curto prazo.<br />

rEsiliência<br />

Na sua equipa, tem alguém responsável por mapear riscos<br />

na supply chain, upstream e downstream?<br />

Com base nos riscos mapeados, tem alguém na equipa que<br />

se focaliza em propor redesenhos da supply chain e criar<br />

pƁlňanœoŝsƌ dĄeċ cýoŝnœtƙiİnœgĤêĐnœcýiİa? PoŝrƄ eċxǃeċmőpƁlňoŝ, cýrƄiİanœdĄoŝ mőuơlňtƙiİ-sƌoŝuơrƄcýiİnœgĤ<br />

para materiais críticos, levando em consideração diferentes<br />

gĤeċoŝgĤrƄafiǟasƌ eċ tƙiİpƁoŝsƌ dĄeċ fģoŝrƄnœeċcýeċdĄoŝrƄeċsƌ.<br />

Teċmő nœa eċqƃuơiİpƁa asƌ cýoŝmőpƁeċtƙêĐnœcýiİasƌ adĄeċqƃuơadĄasƌ pƁarƄa pƁeċnœsƌarƄ oŝ<br />

fģuơtƙuơrƄoŝ, iİsƌtƙoŝ éČ, alňgĤuơéČmő cýoŝmő pƁeċrƄsƌpƁeċcýtƙiİvƽa sƌoŝbürƄeċ asƌ tƙeċnœdĄêĐnœcýiİasƌ<br />

actuais e emergentes, e como elas poderão impactar<br />

eċsƌpƁeċcýiİfiǟcýamőeċnœtƙeċ a sƌuơa sƌuơpƁpƁlňyDŽ cýhīaiİnœ?<br />

Tem algum processo de stress test da sua supply chain, que<br />

permite simular o que poderia acontecer se um dos elos da<br />

sƌuơpƁpƁlňyDŽ cýhīaiİnœ cýoŝlňapƁsƌa? É uơmő pƁrƄoŝcýeċsƌsƌoŝ qƃuơeċ vƽoŝcýêĐ pƁoŝdĄeċ rƄeċpƁeċtƙiİrƄ<br />

regularmente?<br />

Teċmő iİdĄeċnœtƙiİfiǟcýadĄoŝsƌ eċlňoŝsƌ cýrƄíIJtƙiİcýoŝsƌ nœa sƌuơa sƌuơpƁpƁlňyDŽ cýhīaiİnœ, eċlňoŝsƌ qƃuơeċ<br />

se falham, todo o sistema falha? Por exemplo, uma máquina<br />

nas suas fábricas da qual depende toda a sua capacidade<br />

pƁrƄoŝdĄuơtƙiİvƽa. Teċmő alňgĤuơmő pƁrƄoŝcýeċsƌsƌoŝ dĄeċ rƄeċcýuơpƁeċrƄaçĀãùoŝ dĄeċfiǟnœiİdĄoŝ<br />

para esses elos críticos? Por exemplo, uma máquina em<br />

backup, que pode ser accionada imediatamente.<br />

Teċmő alňgĤuơmő pƁrƄoŝcýeċsƌsƌoŝ dĄeċfiǟnœiİdĄoŝ pƁarƄa avƽalňiİarƄ a pƁeċrƄfģoŝrƄmőanœcýeċ dĄa<br />

sua supply chain e a sua adequação para o futuro? Os KPIs<br />

são normalmente backward- -looking (custo, on time in full,<br />

etc.)? Mas tem alguns KPIs forward-looking?<br />

DeċpƁoŝiİsƌ dĄeċ iİdĄeċnœtƙiİfiǟcýarƄ asƌ fģoŝnœtƙeċsƌ dĄeċ rƄiİsƌcýoŝ rƄeċlňeċvƽanœtƙeċsƌ pƁarƄa<br />

a sua supply chain, tem alguma ferramenta que permite<br />

monitorizar os riscos em tempo real? Por exemplo, riscos<br />

geo-politicos, risco de incumprimento ou reputacionais nos<br />

fornecedores, etc.<br />

Para os seus fornecedores mais críticos e estratégicos,<br />

tem alguma ferramenta que permite gerir essas relações<br />

de forma estratégica e estruturada, incluindo a avaliação<br />

integrada do risco desses fornecedores?<br />

Se a sua supply chain tem fábricas próprias, tem a tecnologia<br />

adequada nas suas fábricas para dar resposta aos novos<br />

produtos inovadores criados pelas equipas de marketing,<br />

fģazǎêĐ-lňoŝ dĄeċ fģoŝrƄmőa rƄápƁiİdĄa eċ fǕlňeċxǃíIJvƽeċlň, sƌeċmő cýoŝmőpƁrƄoŝmőeċtƙeċrƄ a<br />

competitividade dos seus custos e o tempo de resposta<br />

pƁrƄeċtƙeċnœdĄiİdĄoŝ pƁeċlňoŝ cýlňiİeċnœtƙeċ fiǟnœalň? Asƌ sƌuơasƌ fģábürƄiİcýasƌ eċsƌtƙãùoŝ<br />

preparadas para os produtos do futuro?


30<br />

MAIO <strong>2021</strong><br />

PROCUREMENT<br />

Estudo nacional


SCM Supply Chain Magazine 31<br />

As ComprAs nAs<br />

empresAs e A<br />

pAndemiA<br />

Os constrangimentos nas cadeias de<br />

abastecimento, causados pela pandemia,<br />

tiveram repercussões no ciclo de compra<br />

das empresas, com mais de 50% dos<br />

gĤeċsƌtƙoŝrƄeċsƌ a afiǟrƄmőarƄ qƃuơeċ a sƌuơa pƁoŝsƌtƙuơrƄa<br />

face a compras transnacionais mudou.<br />

Ainda assim, cerca de 60% continua a<br />

não considerar mudar para fornecedores<br />

locais. Estas são algumas das conclusões<br />

do estudo recentemente publicado pela<br />

Expense Reduction Analysts.<br />

Tendo como foco de actuação a optimização<br />

de custos e gestão de compras, a<br />

consultora Expense Reduction Analysts<br />

levou a cabo um inquérito no intuito de<br />

perceber de que forma os constrangimentos<br />

na cadeia de abastecimento e a incerteza que<br />

caracteriza a economia mundial afectaram o<br />

comportamento de compra B2B das empresas<br />

portuguesas. As principais conclusões são as<br />

que se seguem.<br />

No que diz respeito às alterações no<br />

comportamento de compra B2B das suas<br />

empresas, as opiniões dos gestores ouvidos<br />

para este trabalho dividem-se.<br />

Enquanto 51% das empresas inquiridas<br />

afirma que a pandemia afectou o seu ciclo de<br />

compra, a outra parte afirma que o contexto<br />

não teve influência. Segundo o estudo, mais<br />

de 78% dos gestores afirma dedicar tempo a<br />

avaliar diferentes opções, analisando vários<br />

aspectos, nomeadamente quando se trata de<br />

investimentos de grande valor, e três em cada<br />

dez afirmam que a duração do ciclo de compra<br />

aumentou desde o início da pandemia.


32<br />

MAIO <strong>2021</strong><br />

a ExpEriência prévia com<br />

dETErminado FornEcEdor é a chavE<br />

para cErca dE 80% dos gEsTorEs<br />

nacionais<br />

experiênCiA préviA<br />

é relevAnTe<br />

Quanto às fontes, mais de dois terços das<br />

empresas afirmam que, antes de comprar,<br />

procuram informações sobre os produtos em<br />

relatórios e recomendações dos analistas,<br />

sendo que a experiência prévia é um factor<br />

relevante para cerca de 80% dos gestores.<br />

Adicionalmente, a maioria das empresas<br />

presta também atenção às referências de<br />

clientes e às redes sociais, sendo estas mais<br />

utilizadas em compras de baixo valor.<br />

O que cerca de 70% das empresas<br />

portuguesas procura no fornecedor é o seu<br />

conhecimento profundo da solução e do<br />

contexto empresarial. Já no produto,<br />

o foco da maioria dos gestores<br />

(65%) são as características<br />

e funcionalidades do<br />

produto/serviço,<br />

sendo que dois em<br />

cada dez gestores<br />

indicam que o preço<br />

é o factor que mais<br />

valorizam.<br />

Quanto à duração<br />

do ciclo de compra,<br />

para cerca de 41% das<br />

empresas portuguesas o<br />

tempo desde a pesquisa até<br />

à finalização da compra não se alterou,<br />

enquanto para 40% aumentou e para mais de<br />

10% aumentou significativamente.<br />

forneCedores loCAis vs.<br />

GlobAis<br />

Segundo João Costa, country manager da<br />

Expense Reduction Analysts, “perante os<br />

constrangimentos da pandemia na logística<br />

internacional, as empresas portuguesas<br />

deveriam considerar fornecedores nacionais e<br />

optar por uma cadeia de abastecimento mais<br />

local”.<br />

O relatório, resultado de um inquérito<br />

conduzido durante o mês de <strong>Maio</strong>, analisa<br />

o comportamento de compra das empresas<br />

portuguesas, procurando identificar diferenças<br />

na gestão de compras desde o início da<br />

pandemia em Portugal.<br />

É de salientar que neste estudo participaram<br />

87 gestores, que se distribuem por diversos<br />

sectores de actividade - com destaque para a<br />

indústria, retalho e serviços -, cerca de 40%<br />

têm um volume de negócios acima dos 25<br />

milhões de euros, e, na sua generalidade,<br />

empregam, pelo menos, mais de 50 pessoas,<br />

indo até às 1000. •<br />

pEranTE os<br />

consTrangimEnTos da<br />

pandEmia na logísTica<br />

inTErnacional, as<br />

EmprEsas porTuguEsas<br />

dEvEriam considErar<br />

FornEcEdorEs nacionais<br />

E opTar por uma cadEia dE<br />

abasTEcimEnTo mais local<br />

João Costa, Country Manager<br />

Expense Reduction Analysts


SCM Supply Chain Magazine 33<br />

Outsourcing<br />

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34<br />

MAIO <strong>2021</strong><br />

INTRALOGÍSTICA<br />

Os armazéns do<br />

futuro<br />

os reQuisiTos<br />

pArA inovAr no<br />

ArmAZém<br />

Muitas empresas não estavam simplesmente<br />

preparadas para o aumento de pedidos online<br />

qƃuơeċ sƌeċ vƽeċrƄiİfiǟcýarƄamő eċmő 2020 dĄeċvƽiİdĄoŝ àò pƁanœdĄeċmőiİa<br />

dĄeċ COVID-19-19. À pƁarƄtƙeċ iİsƌsƌoŝ, oŝsƌ dĄeċsƌafiǟoŝsƌ<br />

apresentados às empresas nos últimos 12<br />

meses levantaram algumas questões em torno<br />

de estratégias a longo prazo como por exemplo<br />

como poderá ser o armazém do futuro e como<br />

pode gerir futuras interrupções inevitáveis.


SCM Supply Chain Magazine 35<br />

Texto: Georgia Leybourne,<br />

Manhattan Associates<br />

Quando se trata do futuro dos seus<br />

armazéns, as empresas devem considerar<br />

quatro áreas principais.<br />

é fulCrAl um CurTo e rápido<br />

ATendimenTo de pedidos<br />

online<br />

Agora que muitas empresas estão a emergir<br />

lentamente dos desafios do último ano, alguns<br />

temas estão a ganhar relevância, entre eles:<br />

como podem as supply chains se preparar para<br />

interrupções futuras? Quais os processos e<br />

sistemas necessários? Como é o armazém do<br />

futuro e qual o papel das pessoas?<br />

Um dos maiores desafios apresentados aos<br />

armazéns de hoje e do futuro é como processar<br />

pedidos online que geralmente consistem<br />

em apenas uma ou duas peças. A maioria dos<br />

armazéns está tradicionalmente acostumada<br />

a trabalhar ao nível das paletes ou caixas,<br />

mas picking, packaging e remessa de pedidos<br />

pequenos que resultaram do boom do comércio<br />

electrónico representam algo completamente<br />

diferente. Colocando na equação os horários<br />

limite do dia seguinte e do final do dia que<br />

muitos sites oferecem agora, e o desafio fica<br />

ainda mais acentuado.<br />

Já lá vai o tempo em que os armazéns tinham<br />

três dias para processar um pedido. Ao longo de<br />

2020, o envio no mesmo dia ou no dia seguinte<br />

tornou-se a expectativa-padrão para muitos<br />

consumidores, e armazéns que não ajustam<br />

os seus processos para atender a essa nova<br />

expectativa, o risco torna-se obsoleto.<br />

o homem e A máQuinA esTão A<br />

GAnhAr riTmo<br />

A automatização e robotização de processos<br />

oferecem aos armazéns capacidades extra de<br />

atendimento de pedidos e, possivelmente,<br />

extra capacidade de armazenamento. Estão a<br />

tornar-se cada vez mais importantes para um<br />

processo de preenchimento mais rápido, fiável<br />

e eficiente.<br />

Há grandes expectativas para o impacto<br />

positivo que os robôs e a automatização<br />

trarão aos ambientes em armazém. A grande<br />

vantagem dos robôs é que as empresas<br />

podem aumentar a capacidade do armazém<br />

de forma flexível sem ter de comprometer<br />

antecipadamente sistemas de automatização<br />

em grande escala com capacidade limitada e<br />

ROI questionável.<br />

Quer as empresas optem por maior<br />

automatização, mais robótica, ou ambos, as<br />

pessoas terão sempre um papel crucial no<br />

armazém do futuro, pois existem algumas<br />

operações que, simplesmente, não podem<br />

ser realizadas por máquinas ou robôs tão<br />

bem quanto pessoas. Por exemplo, o Homem<br />

fornece flexibilidade ao manusear produtos<br />

grandes ou frágeis e oferecem a capacidade de<br />

aumentar a força de trabalho rapidamente em<br />

caso de picos, o que significa que aumentos<br />

inesperados nos pedidos podem ser absorvidos<br />

rapidamente.<br />

podEr conTar com uma solução<br />

dE gEsTão dE armazéns FiávEl,<br />

complETa, comunicaTiva E dE rápida<br />

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vanTagEm signiFicaTiva para o<br />

nosso projEcTo


36<br />

MAIO <strong>2021</strong><br />

A ludifiCAção é um GrAnde<br />

moTivAdor<br />

Uma das principais questões para apresentar<br />

aos líderes de armazém e do centro de<br />

distribuição é como tornar as funções atraentes<br />

e envolventes para os funcionários e potenciais<br />

funcionários? A menos que seja o Wall-E, quão<br />

divertida é a tarefa de separação de pedidos<br />

quando um robô é o colega mais próximo?<br />

Enfileire o conceito de ludificação dentro<br />

do ambiente de armazém. De uma maneira<br />

semelhante ao RunKeeper ou Strava, agora é<br />

possível oferecer aos funcionários do armazém<br />

novos desafios e, assim como essas aplicações,<br />

recompensá-los conforme a taxa de sucesso<br />

desses desafios.<br />

Além disso, é possível comparar o<br />

desempenho dos funcionários em tempo-real<br />

e os gerentes também podem definir desafios<br />

de equipa, por exemplo: mover uma palete não<br />

se pode comparar a mover uma caixa ou um<br />

item solto. Se o desempenho for positivo, os<br />

funcionários e as equipas podem ganhar pontos<br />

para uma recompensa ou tempo extra de folga,<br />

enquanto, simultaneamente, se mantém o<br />

trabalho motivador e desafiante.<br />

‘AlWAys on’ em Termos de<br />

inovAção e AGilidAde<br />

Além da robotização e ludificação, a<br />

Inteligência Artificial (IA) e Machine Learning<br />

(ML) são outros componentes que irão<br />

desempenhar papéis importantes no armazém<br />

do futuro. Por exemplo, se desejar ser capaz<br />

de processar e enviar um determinado pedido<br />

de última hora dentro do prazo, os ganhos<br />

marginais que ambos podem fornecer dentro<br />

do ambiente de armazém podem fazer toda a<br />

diferença.<br />

É possível aumentar a densidade de picking<br />

num armazém incorporando pedidos em lotes,<br />

mas tem de se classificar os itens separados<br />

por pedidos novamente, e isso consome extra<br />

minutos valiosos. A IA e ML podem ajudar a<br />

simplificar esse processo e garantir que todos<br />

os pedidos são despachados dentro do prazo.<br />

Basicamente, IA e ML ajudam a aumentar a<br />

eficiência operacional. Outro exemplo disso<br />

é comparar o perfil do pedido de hoje-em-dia<br />

com os do passado. Sistemas inteligentes de<br />

auto-aprendizagem podem prever com maior<br />

precisão quais os produtos que serão pedidos,<br />

por que via, quando e quanto tempo será<br />

necessário para os processar.<br />

À medida que se avança em direcção a<br />

softwares sem versão e baseados na cloud,<br />

mais empresas terão a capacidade de ter acesso<br />

às mais recentes inovações. Num ambiente<br />

com arquitectura de micro-serviços ‘always<br />

on’, upgrades caros e lentos serão uma coisa<br />

do passado, mas isso também significa que as<br />

inovações em IA e ML estão mais acessíveis e<br />

disponíveis para uma empresa mais ampla e<br />

para um público vertical.<br />

Durante o ano passado testemunhou-se,<br />

em primeira mão, que a velocidade com que


SCM Supply Chain Magazine 37<br />

a grandE vanTagEm dos robôs é quE as EmprEsas podEm aumEnTar<br />

a capacidadE do armazém dE Forma FlExívEl sEm TEr dE<br />

compromETEr anTEcipadamEnTE com sisTEmas dE auTomaTização<br />

Em grandE Escala com capacidadE limiTada E roi quEsTionávEl<br />

as organizações implementam a inovação<br />

determina o seu nível de sucesso e a felicidade<br />

dos seus clientes directos. Se os processos<br />

e sistemas dentro de uma organização<br />

não puderem acompanhar a velocidade da<br />

mudança num nível macro-económico e ao<br />

nível do cliente, uma empresa ou armazém<br />

terá dificuldade em navegar nos ventos de<br />

mudanças futuras.<br />

Embora certamente desafiante, o ano de<br />

2020 acelerou o ritmo de mudança em muitas<br />

áreas de negócios também. Com as cadeias<br />

de abastecimento e armazéns em expansão<br />

a ocupar agora uma posição tão importante,<br />

é fulcral que as equipas de armazém de hoje<br />

estejam atentas aos armazéns do futuro. •<br />

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38<br />

MAIO <strong>2021</strong><br />

Texto: Dora Assis<br />

ilustrações: Capgemini<br />

TECNOLOGIAS<br />

Grande Consumo e<br />

Retalho<br />

ConsTruir umA supply ChAin<br />

à provA de pós-Covid-19<br />

A pandemia COVID-19-19 atingiu as supply chains dos<br />

produtos de grande consumo e retalho com uma<br />

força que muitos especialistas consideram<br />

“sísmica”. Abalou tudo. As empresas devem<br />

estar alerta para o facto de este tipo de<br />

volatilidade poder voltar a repetir-se, seja<br />

sob a forma de calamidades naturais,<br />

questões geopolíticas ou até mesmo outras<br />

pandemias.<br />

A pergunta é: como estar preparado?<br />

Os sectores de grande consumo e retalho<br />

foram fortemente abalados pela pandemia:<br />

veja-se toda a aceleração digital e as<br />

vendas online, que apresentaram a sua maior<br />

taxa de crescimento dos últimos 12 anos,<br />

prevendo-se que continuem a crescer. E é a<br />

supply chain que está a sentir o real impacto<br />

de todas estas mudanças e disrupções.<br />

Para entender e conhecer melhor os desafios<br />

que se colocam a estas organizações e a<br />

forma como estão a responder, o Capgemini<br />

Research Institute levou a cabo um estudo<br />

(“The wake-up call: Building supply chain<br />

resilience in consumer products and retail for<br />

a post-COVID-19 world) junto de mais de 400<br />

executivos dos sectores de grande consumo e<br />

retalho de organizações em 11 países (China,<br />

França, Alemanha, Índia, Itália, Noruega,<br />

Holanda, Espanha, Suécia, Reino Unido e EUA).<br />

Vejamos algumas das conclusões e principais<br />

highlights.<br />

Por exemplo, 66% das organizações<br />

ouvidas para este trabalho dizem acreditar<br />

que a sua estratégia de supply chain mudará<br />

significativamente nos próximos três anos,<br />

enquanto se adaptam ao pós-pandemia e em<br />

termos de áreas-chave em que estão a focar<br />

os seus esforços é de salientar a procura de<br />

fornecedores regionais/locais e unidades de<br />

produção também elas mais próximas.


SCM Supply Chain Magazine 39<br />

imprevisibilidAde dA proCurA<br />

• A COVID-19-19 teve um impacto enorme<br />

nos padrões de procura do sector e nas<br />

cadeias de abastecimento. 85% das empresas<br />

de produtos de grande consumo e 88%<br />

dos retalhistas dizem que enfrentaram<br />

interrupções nos seus abastecimentos.<br />

• A Tesco, por exemplo, viu o seu stock<br />

de um mês de produtos essenciais, como<br />

desinfectante e papel higiénico, esgotar-se<br />

numa semana.<br />

• Várias empresas de FMCG enfrentaram<br />

uma quebra nas vendas, com algumas a<br />

chegar quase a zero em Março de 2020.<br />

• Flutuações na procura, como pedidos<br />

em massa, interromperam e deitaram por<br />

terra as melhores previsões das cadeias de<br />

abastecimento. Os analistas do Capgemini<br />

Research Institute ficaram a saber junto dos<br />

inquiridos que 69% dos retalhistas e 66% das<br />

empresas de produtos de consumo tiveram<br />

dificuldades no planeamento da procura<br />

devido à falta de informações precisas e<br />

actualizadas sobre a flutuação da procura e<br />

padrões de compra dos clientes.<br />

• A proporção de consumidores que<br />

preferem comprar com retalhistas que<br />

oferecem práticas de entrega seguras<br />

aumentou para 59% em Novembro de 2020,<br />

contra 49% em Abril de 2020.<br />

• Facto é que as organizações<br />

modificaram e ajustaram as suas cadeias de<br />

abastecimento em resposta à COVID-19.<br />

• No geral, tanto os retalhistas como<br />

as empresas de produtos de grande<br />

consumo planeiam reduzir a participação<br />

de fornecedores e fabricantes puramente<br />

globais para cerca de um quarto do seu<br />

actual portfólio.<br />

• 58% dos retalhistas e 61% das empresas<br />

de produtos de consumo afirmam também<br />

que aumentarão os investimentos na<br />

digitalização das respectivas cadeias de<br />

abastecimento. As principais áreas em que as<br />

organizações irão acelerar os investimentos<br />

incluem automação, robótica, AI e segurança<br />

cibernética.


40<br />

MAIO <strong>2021</strong><br />

fACTores CríTiCos pArA<br />

ACelerAr resiliênCiA<br />

De acordo com estes analistas são vários os<br />

factores críticos para acelerar a resiliência da<br />

cadeia de abastecimento. Com base na pesquisa<br />

levada a cabo, em exemplos de melhores<br />

práticas e na sua própria experiência de<br />

trabalho com alguns clientes, recomendam que<br />

as empresas se concentrem em três áreas:<br />

• Realinhar a estratégia da cadeia<br />

de abastecimento adaptando e<br />

adoptando novas maneiras de<br />

lidar com interrupções, avaliar a<br />

resiliência e ganhar visibilidade sobre<br />

a cadeia, como torres de controlo<br />

e diversificação e planeamento de<br />

contingência.<br />

• <strong>Maio</strong>r automação em toda a cadeia.<br />

• Rever a estratégia de última milha<br />

através de, por exemplo, uma rede<br />

de lojas optimizada, políticas<br />

flexíveis de recursos humanos e<br />

adopção de modelos colaborativos.<br />

Mark Schneider, CEO da Nestlé, por exemplo,<br />

descreveu como as organizações estão a<br />

lutar para responder à procura. “Quando se<br />

enfrentam restrições logísticas, às vezes<br />

temos que recorrer ao transporte aéreo;<br />

mas há momentos em que até essa opção é<br />

limitada, tanto em termos de tempo como de<br />

capacidade. É realmente tudo sobre como gerir,<br />

de forma muito coesa, esta crise e garantir<br />

flexibilidade. E é nisso que agora as nossas<br />

equipas estão focadas”.<br />

É que os desafios enfrentados tanto pelos<br />

retalhistas como pelas empresas de produtos<br />

de grande consumo durante a pandemia<br />

terão um efeito e reflexos de longo prazo<br />

na produção, na cadeia de fornecimento, na<br />

entrega e noutras operações.<br />

A Lowe’s, retalhista norte-americana de<br />

materiais de construção, tem vindo a instalar<br />

cacifos nas suas lojas para que os clientes<br />

façam as recolhas das compras realizadas<br />

online.<br />

O Walmart, por seu turno, introduziu a APP<br />

Scan & Go nos seus “supercentros” em 2019,<br />

mas sem grande êxito naquela altura. Durante a<br />

pandemia, no entanto, a procura pelo Walmart+<br />

aumentou devido ao acesso crescente à Scan<br />

& Go.<br />

A verdade é que os clientes estão a<br />

desenvolver novos hábitos, a reduzir o número<br />

de viagens à loja e a apostar mais na compra e<br />

entrega sem contacto, uma tendência que pode<br />

continuar após a pandemia.


SCM Supply Chain Magazine 41<br />

responder Ao Consumidor<br />

Aliás, de acordo com o mesmo estudo, os<br />

compradores/consumidores dos EUA (60%)<br />

tenderão a fazer a recolha das suas compras<br />

realizadas electronicamente em cacifos ou em<br />

pontos de recolha dentro da loja, o que terá<br />

reflexos nos retalhistas e nos seus recursos. Por<br />

isso, Walmart e Target já estão a trabalhar na<br />

formação e treino cruzados os seus funcionários<br />

para assim conseguirem ter equipas de trabalho<br />

mais flexíveis.<br />

O comportamento do consumidor mudou<br />

muito rapidamente, deixando as cadeias de<br />

abastecimento vulneráveis. Bloqueios, outras<br />

directrizes e proibições em vários países<br />

criaram ansiedade e também incerteza entre<br />

quem compra. Foi a ansiedade mas também<br />

“novidades” como o confinamento e trabalhar<br />

a partir de casa que levaram a uma compra<br />

massiva de alguns produtos e bens e, em<br />

muitos casos, a uma inevitável quebra de<br />

stocks.<br />

O Capgemini Research Institute descobriu,<br />

entre outros pontos, que 70% das empresas<br />

de produtos de consumo e 65% dos retalhistas<br />

perderam vendas devido a frequentes rupturas<br />

de stock. Ao mesmo tempo, as preferências<br />

do consumidor mudaram de forma abrupta<br />

e rápida. Por exemplo, em Novembro de<br />

2020, 43% dos consumidores disseram que<br />

comprariam mais produtos de higiene pessoal<br />

após o COVID-19, um aumento de 12% em<br />

relação ao valor de Abril. Da mesma forma, 29%<br />

dos consumidores disseram que comprariam<br />

mais produtos de luxo após o COVID-19, um<br />

aumento de 9% em relação a Abril. A mudança<br />

rápida e significativa nas preferências do<br />

consumidor em conjunto com a compra em<br />

pânico, está originar padrões flutuantes na<br />

procura um pouco por todo o mundo.


42<br />

MAIO <strong>2021</strong><br />

fAlTA de informAção<br />

difiCulTA deCisão<br />

Ao longo de alguns meses, o equilíbrio entre<br />

as vendas online e offline desviou-se para<br />

o online. No entanto, o planeamento eficaz<br />

da procura tornou-se cada vez mais difícil<br />

pela ausência de informações precisas e<br />

actualizadas sobre as lojas e demais pontos de<br />

venda. A Capgemini descobriu, por exemplo,<br />

que 69% dos retalhistas e 66% das empresas<br />

de produtos de grande consumo tinham<br />

dificuldades no planeamento da procura por<br />

falta de informações precisas e ausência de<br />

histórico.<br />

Doug McMillon, CEO do Walmart, diz:<br />

“Antes desta crise, já víamos uma adopção<br />

crescente da recolha e entregas provenientes<br />

do e-commerce. Como esta crise criou a<br />

necessidade de distanciamento social e exigiu<br />

que as pessoas ficassem em casa, os clientes<br />

abraçaram ainda mais esta experiência.”<br />

Outra alteração significativa a registar, é a<br />

maneira como os consumidores pensam sobre<br />

as embalagens, algo que também está a mudar<br />

sobretudo devido a questões de segurança e<br />

higiene:<br />

• Quarenta por cento dos consumidores<br />

preferem produtos em embalagens<br />

descartáveis devido a questões de saúde<br />

e segurança.<br />

• Aumentou a procura por embalagens<br />

descartáveis e uma escassez de<br />

materiais de embalagem. Por exemplo,<br />

em Singapura, a procura por produtos de<br />

embalagem de alimentos duplicou.<br />

Muito falada ao longo de todo este período<br />

de pandemia tem sido a explosão do comércio<br />

electrónico que, segundo este estudo, foi<br />

responsável por um quinto de todas as compras<br />

no retalho em 2020; onde acresce em muitos<br />

países o encerramento de lojas de produtos<br />

não essenciais por ordem dos governos. A<br />

consequência imediata foi o recurso ao online,<br />

com muitos retalhistas a apontarem aumentos<br />

exponenciais das suas vendas neste canal. Por<br />

exemplo, no Reino Unido, a percentagem das<br />

vendas pela Internet aumentou de 18,8% em<br />

<strong>Maio</strong> de 2019 para 32,8% em <strong>Maio</strong> de 2020.<br />

“Como todos pudemos viver, a Supply Chain<br />

das várias empresas foram alvo de importantes<br />

disrupções por variadas causas relacionadas<br />

com a pandemia a que assistimos. Os impactos<br />

principais fizeram-se sentir na capacidade de<br />

planear e na perda de vendas, estimando-se<br />

o tempo de recuperação das mesmas entre<br />

períodos curtos - inferiores a 2 semanas, e<br />

períodos de larga duração - entre 6 meses a<br />

1 ano”, comenta Francisco Rocha, da divisão<br />

portuguesa da Capgemini.


SCM Supply Chain Magazine 43<br />

O mesmo responsável lembra ainda que<br />

“como resposta a esta situação, 66% das<br />

empresas do sector de Consumo e Retalho,<br />

admitem que a sua estratégia para a Supply<br />

Chain está a mudar e vai mudar no pós-<br />

COVID-19, nomeadamente em dois pontos base:<br />

estratégias de globalização revistas para uma<br />

maior proximidade da produção e fornecedores<br />

e aceleração de investimentos em tecnologia<br />

de suporte à Supply Chain”.<br />

De modo a cimentar os investimentos e<br />

as transformações em curso, o estudo do<br />

Capgemini Research Institute recomenda três<br />

prioridades:<br />

1<br />

2<br />

Realinhar a estratégia para a Supply<br />

Chain aos desafios da pandemia<br />

Industrializar o End-2-End da Supply<br />

Chain através da automação<br />

3<br />

Visão de helicóptero da Supply Chain<br />

para gerir disrupções<br />

atempadamente •


44<br />

MAIO <strong>2021</strong><br />

Fonte: CIO from IDG<br />

TECNOLOGIAS<br />

A tecnologia na supply<br />

chain<br />

8 TeCnoloGiAs Que irão<br />

impACTAr A supply ChAin em<br />

<strong>2021</strong><br />

As cadeias de abastecimento foram altamente<br />

prejudicadas pelas paralisações causadas pela<br />

COVID-19-19. Em alguns casos, a aceleração da<br />

transformação digital foi urgente e essencial<br />

para a sobrevivência de indústrias de diferentes<br />

sectores. Com isso, acresceu a necessidade de<br />

as cadeias de abastecimento estarem ligadas<br />

a nível digital. Com base nisto, a Gartner<br />

iİdĄeċnœtƙiİfiǟcýoŝuơ oŝiİtƙoŝ tƙeċcýnœoŝlňoŝgĤiİasƌ qƃuơeċ pƁoŝdĄeċmő ajłuơdĄarƄ<br />

as empresas a alcançar este objectivo, em <strong>2021</strong>.<br />

“Este ano decidimos concentrar-nos em<br />

temas de tecnologia mais amplos e<br />

abrangentes, em vez de tecnologias<br />

individuais”, refere Christian Titze, da Gartner,<br />

explicando que as tecnologias inovadoras<br />

são frequentemente utilizadas para resolver<br />

problemas específicos dos negócios das<br />

cadeias de abastecimento.<br />

Os analistas seleccionaram então oito<br />

tecnologias que acreditam ter potencial<br />

transformacional e capacidade de promover<br />

resiliência operacional em funções de negócio,<br />

nas tecnologias e na prestação de serviços.


SCM Supply Chain Magazine 45<br />

1Hiper-automação<br />

A hiper-automação descreve a combinação<br />

de tecnologias como Machine Learning (ML),<br />

Inteligência Artificial (IA) e Automação de<br />

Processos Robóticos (RPA) que podem facilitar<br />

ou automatizar tarefas que originalmente<br />

exigiam intervenção humana.<br />

Nos próximos 10 anos, as pessoas e as<br />

empresas necessitarão de delegar cada<br />

vez mais autoridade na tomada de decisão<br />

a aplicações inteligentes, robôs físicos e<br />

assistentes de serviço de software. Espera-se<br />

que a hiper-automação ajude a automatizar<br />

processos transaccionais, bem como na<br />

tomada de decisões complexas.<br />

2Digital Supply Chain Twin (DSCT)<br />

O DSCT é uma representação digital da<br />

cadeia de abastecimento física. É a base para<br />

a tomada de decisão local e end-to-end para<br />

a cadeia de abastecimento, e garante que a<br />

tomada de decisão está alinhada e ligada a<br />

toda a rede. O DSCT deriva de todos os dados<br />

relevantes na cadeia de abastecimento e do<br />

seu ambiente operacional.<br />

“As tecnologias de experiência imersiva<br />

têm o potencial de influenciar radicalmente<br />

a trajectória da gestão da cadeia de<br />

abastecimento. Apresentam novos modelos<br />

de interacção ao longo do ciclo de vida do<br />

produto, não apenas com humanos, mas com<br />

outros processos, máquinas e aplicações”,<br />

diz o analista da Gartner, acrescentando<br />

que “as empresas pioneiras já beneficiam<br />

dos resultados, como ambientes de trabalho<br />

mais seguros, tempos de reparação mais<br />

rápidos, melhoria das taxas de erro, melhor<br />

colaboração e retenção de capacidades e<br />

conhecimento”.<br />

4Ecossistemas<br />

de ponta<br />

Estes ecossistemas consistem em edge<br />

computing e aplicações de processamento<br />

de dados de ponta, que permitem aos líderes<br />

de tecnologia da cadeia de abastecimento<br />

retribuir e replanear grandes áreas de<br />

capacidade de processamento de dados<br />

para as empresas. Estas tecnologias podem<br />

ser utilizadas para rastrear e monitorizar<br />

requisitos de temperatura em várias fases do<br />

ciclo de vida de um produto.<br />

3Experiência Imersiva e Aplicações<br />

A experiência imersiva redefine a experiência<br />

do utilizador, permitindo que percebam e<br />

interajam com o mundo virtual. Monitores<br />

como head-mounted display (HMDs), werables,<br />

smartglasses, 5G e até smartphones ou<br />

tablets fornecem infra-estrutura e melhorias<br />

para experiências imersivas, através de uma<br />

combinação do processamento gráfico, IA e<br />

outras aplicações de negócio individuais.


46<br />

MAIO <strong>2021</strong><br />

as TEcnologias dE ExpEriência imErsiva<br />

Têm o poTEncial dE inFluEnciar<br />

radicalmEnTE a TrajEcTória da gEsTão<br />

da cadEia dE abasTEcimEnTo<br />

Christian Titze<br />

5Segurança da cadeia de<br />

abastecimento<br />

A segurança da cadeia de abastecimento reúne<br />

uma abordagem mais abrangente para abraçar<br />

os riscos de segurança, como falsificações<br />

ou crimes cibernéticos de forma holística<br />

em toda a cadeia end-to-end. Com as redes<br />

end-to-end ligadas digitalmente como uma<br />

meta aspiracional para muitas empresas,<br />

deverá surgir uma nova geração de soluções<br />

escalonáveis de tecnologia de segurança.<br />

6Environmental Social<br />

Governance (ESG)<br />

As cadeias de abastecimento globais têm<br />

um papel fundamental na sua contribuição<br />

para mapear e avaliar riscos e oportunidades<br />

na ESG. As tecnologias actuais permitem<br />

rastrear as origens dos produtos e alinhá-los<br />

com a biodiversidade corporativa e metas de<br />

mudança climática. “A falta de investimento<br />

em ferramentas e soluções que governam,<br />

prevêem e se adaptam a novos impactos ESG<br />

pode ter uma influência significativa na marca<br />

ou imagem da empresa, na percepção do valor<br />

do cliente e no custo e disponibilidade dos<br />

produtos”, refere Christian Titze.<br />

7IA e Analytics Incorporados<br />

Estas tecnologias consistem em recursos de<br />

software que fornecem relatórios em temporeal,<br />

visualização de dados interactivos,<br />

e analytics e inteligência avançadas<br />

directamente numa aplicação de negócios<br />

corporativos. O controlo de robôs móveis ou<br />

sistemas de separação robótica inteligente<br />

aproveitam ferramentas de analytics para<br />

optimizar ainda mais as operações.<br />

8Inteligência de Dados Aumentada<br />

Esta é uma combinação de várias tecnologias<br />

que facilitam o processamento avançado<br />

de dados em cima de uma plataforma,<br />

e permitem a entrega de informações<br />

perspicazes, previsões e sugestões. “As<br />

organizações da cadeia de abastecimento<br />

geralmente não têm todas as informações<br />

de que precisam para uma boa tomada de<br />

decisão. Os líderes de tecnologia procuram<br />

uma solução que os ajude a aumentar a<br />

visibilidade e que gere insights a partir dos<br />

dados. É aqui que a inteligência de dados<br />

aumentada chega ao lado das principais<br />

aplicações de negócios. Essas soluções têm<br />

a capacidade de recolher, correlacionar e<br />

analisar vários pipelines de dados e fornecer<br />

aos líderes as informações de que precisam”,<br />

conclui Christian Titze. •


SCM Supply Chain Magazine 47


48<br />

MAIO <strong>2021</strong><br />

TRANSPORTE<br />

Entrevista a Álvaro<br />

Fonseca, Takargo<br />

“o invesTimenTo<br />

nos TerminAis<br />

ferroviários,<br />

ComplemenTAres<br />

à rede, é um<br />

fACTor CríTiCo de<br />

suCesso”<br />

Álvaro Fonseca, director-geral da Takargo,<br />

operador ferroviário de carga que<br />

actua na Península Ibérica, comenta os<br />

investimentos na ferrovia, previstos e em<br />

curso, por parte do Governo, mas também<br />

os constrangimentos que envolvem o<br />

transporte ferroviário em Portugal e que vão<br />

para além das linhas.


SCM Supply Chain Magazine 49<br />

Texto: Fábio Santos<br />

Quando pensamos em investimento para<br />

o transporte ferroviário pensamos logo<br />

em comboios e em linhas que facilitem<br />

acessos e encurtem distâncias. No entanto, as<br />

necessidades do sector são mais abrangentes,<br />

e através do caso específico da Takargo<br />

podemos identificar algumas delas que por<br />

vezes podem passar mais despercebidas, e é<br />

especialmente importante identificá-las numa<br />

altura em que se estão a fazer investimentos<br />

para a melhoria deste sector por todo o país,<br />

nomeadamente com o Plano Ferrovia 2020 e<br />

com o novo Plano Ferroviário Nacional ainda<br />

em debate.<br />

Apesar de considerar existirem outras<br />

necessidades, é igualmente necessário<br />

destacar algumas questões ao nível da<br />

linha. Visto já estarem a ocorrer alguns dos<br />

investimentos previstos no Ferrovia 2020, uma<br />

das questões abordadas é a apresentação de<br />

alternativas aos operadores, pois necessitam<br />

de transportar a carga e isso tem custos<br />

acrescidos.<br />

“A maior preocupação e o ponto mais<br />

sensível da perspectiva de um operador<br />

ferroviário como a Takargo é a questão de<br />

mitigar os impactos na operação ferroviária<br />

enquanto decorrem as obras”, comenta o<br />

responsável. “Temos consciência de que é<br />

uma necessidade e não podemos chegar<br />

a uma infra-estrutura reabilitada e com<br />

melhores condições sem termos de passar<br />

pelas obras”, mas “é muito importante que se<br />

consiga mitigar, seja encontrando soluções<br />

alternativas de circulação, seja até através de<br />

alguma compensação aos operadores”.<br />

Por muito importante que possa ser<br />

necessário o investimento numa boa linha,<br />

“não vale a pena ter uma grande rede se não<br />

temos depois terminais e, portanto, acho que<br />

estamos a pensar menos nesta área e mais na<br />

linha. Como operador de mercadorias preciso<br />

dos dois”, afirma Álvaro Fonseca.<br />

A imporTânCiA de Ter<br />

bons TerminAis<br />

“Estamos muito focados em construir linha e<br />

em reabilitar linha, mas manifestamos aqui a<br />

nossa preocupação em relação aos terminais”,<br />

aponta Álvaro Fonseca. Por um lado, considera<br />

que poderia ser uma vantagem para as<br />

mercadorias haver uma identificação de quais<br />

são as localizações estratégicas, seja por<br />

clusters industriais, seja por haver confluência<br />

de linhas, se faz sentido desenvolverem-<br />

-se terminais de mercadorias e que se<br />

identifiquem os espaços em que estes podem<br />

surgir. “É muito importante que se pense já<br />

quais são essas áreas e como é que a conexão<br />

à rede ferroviária pode ser feita, porque não é<br />

de ânimo leve que amanhã um privado decide<br />

promover um terminal e encontra um terreno<br />

adjacente à rede ferroviária nacional e com<br />

uma conexão”, explica.<br />

não valE a pEna TEr uma grandE<br />

rEdE sE não TEmos dEpois<br />

TErminais<br />

Álvaro Fonseca


50<br />

MAIO <strong>2021</strong><br />

Ao nível dos terminais, Álvaro Fonseca<br />

considera que “primeiro temos de pensar onde<br />

é que os queremos ter e depois perceber,<br />

dos que já temos, como é que os vamos<br />

trabalhar”, expressando a sua preocupação<br />

mais concretamente ao nível da gradual<br />

desactivação do terminal da Bobadela. “Para<br />

um operador ferroviário uma decisão de<br />

desactivar uma infra-estrutura daquelas é<br />

sempre algo que vemos não com muitos bons<br />

olhos, porque funciona e tem boas condições<br />

para a operação, mas aceitando isso o que<br />

queremos é que seja identificada uma solução<br />

alternativa com urgência”, defende ainda o<br />

responsável, esperando que essa solução vá<br />

ao encontro das necessidades, “quer de serviço<br />

a Lisboa, quer também a promover o apoio<br />

aos portos”, nomeadamente ao de Lisboa, que<br />

sofrerá um impacto maior com esta decisão.<br />

“Penso que faria sentido termos neste plano<br />

algo mais relativamente às conexões aos<br />

terminais, ou uma estratégia para terminais”,<br />

defende ainda o responsável, ou em formas de<br />

apoiar seja a indústria, seja os operadores, na<br />

melhoria de terminais existentes de fábricas<br />

para o acesso dos comboio a essas instalações,<br />

seja para o desenvolvimento de terminais<br />

multimodais.<br />

assim como não nos inTErEssa<br />

TEr uma muiTo boa rEdE sE não<br />

TEmos TErminais, Também não nos<br />

inTErEssa TEr uma muiTo boa rEdE<br />

sE não TEmos comboios<br />

mATeriAl CirCulAnTe<br />

e o Convel<br />

“Assim como não nos interessa ter uma muito<br />

boa rede se não temos terminais, também não<br />

nos interessa ter uma muito boa rede se não<br />

temos comboios”, afirma ainda Álvaro Fonseca,<br />

e explica os problemas do investimento em<br />

material circulante, entre os quais se encontra<br />

o Convel (Controlo Automático de Velocidade),<br />

e que em muito impede a recuperação de<br />

equipamentos.<br />

O responsável conta que “a realidade<br />

que temos hoje é que tendo o fornecedor<br />

declarado o fim de vida do Convel, neste<br />

momento não temos forma de investir em<br />

novo material circulante para Portugal a<br />

preços de mercado”, e como tal, o material que<br />

existe é apenas esse e que já tem o Convel<br />

instalado, mas cuja reparação é agora de<br />

difícil resolução, pois não existem unidades de<br />

Convel/peças sobressalentes que se possam<br />

adquirir, e já não podem ser produzidas. Ao<br />

mesmo tempo, já não existe a possibilidade<br />

de fazer um projecto de Convel para novas<br />

séries de material, e têm de recorrer ao ETCS,<br />

que não funciona sem haver um sistema que<br />

leia as balizas de Convel, e isso é preciso ser<br />

desenvolvido, e iria encarecer os sistemas.<br />

Como forma de desenvolver essa<br />

funcionalidade, Álvaro Fonseca defende<br />

a “criação de uma task-force entre IP e os<br />

operadores portugueses, e mesmo espanhóis<br />

que tenham interesse em introduzir material<br />

em Portugal”, pois sem isto “podemos estar a<br />

investir em infra-estrutura e no curto/médio<br />

prazo não temos capacidade de crescer em<br />

Portugal porque não há material circulante<br />

disponível”.


SCM Supply Chain Magazine 51<br />

imaginEm TEr um arranquE dE um projEcTo quE dEmorE dois mEsEs, sE Eu<br />

TivEr vagõEs parados duranTE dois mEsEs à EspEra quE o cliEnTE dê a<br />

aprovação, é um prEjuízo dE 30 a 40 mil Euros só Em EquipamEnTo parado<br />

“É mais fácil discutir-se rede, porque é uma<br />

coisa visível, do que depois se discutir as<br />

vicissitudes da operação, porque há menos<br />

gente que a conheça, e não têm uma noção da<br />

estrutura de custo e das dificuldades”, afirma<br />

ainda o responsável.<br />

Numa preocupação de curto prazo, o<br />

director geral da Takargo refere a preocupação<br />

dos apoios à ferrovia e na estratégia de<br />

descarbonização, por toda a Europa, no<br />

entanto sente que ao nível português ainda<br />

não se vê muito este tipo de iniciativas,<br />

mas sim “uma transferência de custo dos<br />

passageiros para as mercadorias e, portanto,<br />

uma tendência de incremento das tarifas nas<br />

infra-estruturas em Portugal, sustentada<br />

nos próximos anos para os operadores<br />

de mercadorias”. Considera que isso é um<br />

pouco contraditório face aos projectos<br />

de investimento, promoção da ferrovia e<br />

incentivo de transferência modal da rodovia<br />

para a ferrovia, e como tal “esta política<br />

de tarifação penso que vá um pouco em<br />

contraciclo do que é toda a estratégia quer<br />

de promoção da ferrovia de mercadorias,<br />

quer do investimento em linha para a ferrovia<br />

de mercadorias”, e como tal deveria ser<br />

repensado.<br />

Ao nível do transporte de passageiros, não<br />

têm apenas impactos negativos sobre esta<br />

questão das tarifas, mas também podem<br />

afectar positivamente a actividade ferroviária<br />

de mercadorias. Dos investimentos previstos,<br />

destaca a nova linha Porto-Lisboa e Braga-<br />

Valença, que apesar de serem mais focados<br />

na redução de tempo de trajecto para os<br />

passageiros, “vai trazer uma libertação de<br />

espaço-canal para as mercadorias nas linhas<br />

existentes”.<br />

Uma das grandes dificuldades envolve a<br />

resposta a novos projectos, pois enquanto um<br />

operador rodoviário facilmente se ajusta a<br />

vários projectos em simultâneo ou a um muito<br />

grande aluga ou compra camiões com muita<br />

facilidade, para um operador ferroviário é<br />

necessário antecipar com vários meses ou até<br />

poucos anos, de modo a que se consiga criar a<br />

capacidade necessária para responder a esse<br />

projecto, como “gerir os meus equipamentos<br />

melhor ou tentar alugar mais uma locomotiva<br />

ou comprar e reabilitá-la”.<br />

“Imaginem ter um arranque de um projecto<br />

que demore dois meses, se eu tiver vagões<br />

parados durante dois meses à espera que o<br />

cliente dê a aprovação, é um prejuízo de 30 a<br />

40 mil euros só em equipamento parado, por<br />

exemplo, e num negócio como é o ferroviário,<br />

que tem margens muito pequenas, vou<br />

precisar de anos para recuperar esse atraso”,<br />

revela ainda Álvaro Fonseca.


52<br />

MAIO <strong>2021</strong><br />

o grandE EnTravE TEm sido o<br />

prEço, Em comparação ao camião,<br />

E Também do ponTo dE visTa das<br />

condiçõEs opEracionais<br />

o reTorno dA lonGA disTânCiA<br />

“Acho que um futuro que pode estar aí e<br />

que terá um racional muito forte será a<br />

transferência modal de carga da rodovia<br />

para a ferrovia para as maiores distância,<br />

havendo condições de competitividade no<br />

além-Pirenéus”, antecipa Álvaro Fonseca,<br />

esperando novos investimentos a longa<br />

distância, com o retorno de comboios para<br />

países como França e Alemanha. “Isso pode vir<br />

a acontecer, seja pela pressão que temos do<br />

lado da rodovia, com o aumento de custos e<br />

com a falta de motoristas, seja pelo aumento<br />

da competitividade da ferrovia, com comboios<br />

maiores e com melhores condições de<br />

circulação”, especula.<br />

Para chegar além-Pirenéus, o responsável<br />

explica que “o grande entrave tem sido o<br />

preço, em comparação ao camião, e também<br />

do ponto de vista das condições operacionais,<br />

porque com o corredor atlântico alguns<br />

dos problemas de gestão de capacidade, de<br />

horários e de articulação de operadores tende<br />

agora a esbater-se”.<br />

Antecipa ainda a criação de terminais<br />

adaptados, seja à carga de serviço intermodal,<br />

seja inclusivamente à carga de camiões a<br />

bordo dos comboios. “Todo este tipo de<br />

terminais tem custos grandes e acho que<br />

era importante pensarmos em formas que<br />

nos permitam suportar investimentos muito<br />

significativos neste tipo de infra-estrutura”,<br />

realçando que não espera algo como<br />

subsidiação pura, mas sim “apoios ou linhas<br />

de financiamento que nos permitam e aos<br />

nosso clientes suportar investimentos muito<br />

significativos na reconversão de terminais<br />

e fábricas, adaptando-os à nova realidade<br />

dos comboios, que terão maiores dimensões,<br />

exigirão tempos mais reduzidos de rotação<br />

nas operações de carga e descarga e melhores<br />

conexões intermodais”.


SCM Supply Chain Magazine 53<br />

empresAs ferroviáriAs<br />

AssoCiAm-se<br />

Recentemente, a Takargo e a Medway uniram-<br />

-se para criar uma associação de direito<br />

privado sem fins lucrativos que representa<br />

a ferrovia em Portugal, e da qual Álvaro<br />

Fonseca é vice-presidente: a Associação<br />

Portuguesa de Empresas Ferroviárias (APEF).<br />

Esta nova associação tem como objectivo<br />

a defesa dos interesses dos operadores e<br />

empresas ferroviárias e pretende promover a<br />

cooperação e o intercâmbio de experiências<br />

entre associados, bem como defender o<br />

fortalecimento das condições estruturais<br />

favoráveis à utilização do transporte<br />

ferroviário de mercadorias.<br />

Miguel Lisboa, presidente da APEF e<br />

presidente da Takargo, comentava aquando<br />

do anúncio da criação da empresa que “era<br />

urgente a criação de uma entidade como<br />

a APEF, que promovesse a cooperação e a<br />

colaboração entre entidades ferroviárias,<br />

assim como a divulgação e defesa de todos<br />

os seus direitos. Acreditamos no valor que a<br />

APEF que irá acrescentar a todas as empresas<br />

ferroviárias, à cadeia logística e à economia<br />

nacionais”.<br />

Segundo a associação, a APEF irá<br />

envolver temas como a melhoria da posição<br />

competitiva do transporte ferroviário de<br />

mercadorias, a criação de melhores condições<br />

de funcionamento para o transporte<br />

ferroviário de mercadorias na rede ferroviária<br />

nacional, ibérica e europeia e a aposta na<br />

interoperabilidade na ferrovia, prestando<br />

ainda serviços como consultoria, cursos e<br />

formações. •


54<br />

MAIO <strong>2021</strong><br />

TRANSPORTE<br />

Hidrogénio<br />

Texto: Dora Assis<br />

desCArboniZAção: o fuTuro é já<br />

Quando se pensa nas questões da sustentabilidade associadas à logística e à gestão das<br />

cýadĄeċiİasƌ dĄeċ abüasƌtƙeċcýiİmőeċnœtƙoŝ, nœãùoŝ éČ eċxǃagĤeċrƄoŝ afiǟrƄmőarƄ qƃuơeċ, eċmő büoŝa mőeċdĄiİdĄa, oŝ fģuơtƙuơrƄoŝ éČ jłá. ParƄa<br />

atingir o objectivo estratégico de descarbonização previsto no European Green Deal, o sector<br />

está cada vez mais atento às questões relacionadas com os combustíveis. E, segundo os<br />

especialistas, o hidrogénio é uma solução promissora. Vamos tentar perceber onde, como e<br />

de que forma o futuro na supply chain passa por aí.


SCM Supply Chain Magazine 55<br />

Consegue imaginar um terminal portuário<br />

ou intermodal a operar sem reach stackers?<br />

Provavelmente não. Contudo, essa imagem<br />

vai mudar à medida que os veículos a diesel<br />

forem sendo substituídos no futuro por<br />

congéneres a hidrogénio. Ainda recentemente,<br />

a Hyster, anunciou que estava a desenvolver<br />

um reach stacker movido a hidrogénio no<br />

âmbito do projecto H2Ports para o Porto de<br />

Valência. O veículo terá características de<br />

capacidade e velocidade em tudo semelhantes<br />

à versão diesel, mas com uma diferença<br />

fundamental em termos de operação: emitirá<br />

apenas água e calor. A Hyster planeia testar<br />

a sua inovação em condições reais em duas<br />

instalações marítimas, a saber: no MSC<br />

Terminal Valencia e no Valencia Terminal<br />

Europa (parte do Grimaldi Group).<br />

O H2Ports é uma iniciativa criada para<br />

demonstrar e validar em operações portuárias<br />

reais soluções inovadoras baseadas na<br />

utilização de hidrogénio. Contudo, há outros<br />

projectos semelhantes na Europa destinados<br />

a desenvolver e promover a utilização do<br />

hidrogénio como combustível em navios e<br />

portos. O HyShip é um deles.<br />

Foi estabelecido em 2020, é liderado pelo<br />

operador marítimo norueguês Wilhelmsen<br />

e tem como missão desenvolver o conceito<br />

Topeka, um serviço de não emissão para operar<br />

entre as bases de abastecimento offshore na<br />

costa oeste norueguesa.<br />

Trata-se do primeiro protótipo de um navio<br />

ro-ro que funcionará com uma bateria e uma<br />

célula de combustível de hidrogénio com<br />

membrana de troca de protões especializada.<br />

O consórcio também desenvolve várias<br />

embarcações movidas a LH2, incluindo uma<br />

barcaça-tanque menor, uma balsa rápida e um<br />

navio de alto mar.<br />

ThE Flagships é um dos<br />

projEcTos sobrE os quais<br />

provavElmEnTE ouvirEmos<br />

Falar Em brEvE<br />

Outro projecto digno de realce neste<br />

âmbito é o MARANDA, que foi fundado em<br />

2017 para acelerar a introdução de células a<br />

combustível de hidrogénio no sector marítimo.<br />

Posteriormente, foi declarado que o navio de<br />

pesquisa Aranda se tornaria no seu navio de<br />

demonstração. A embarcação deveria ter um<br />

benefício duplo, já que se esperava que usasse<br />

o excesso de hidrogénio da indústria química da<br />

Finlândia. No entanto, desde 2020 que não se<br />

conhecem actualizações sobre este projecto.<br />

The Flagships é um dos projectos sobre<br />

os quais provavelmente ouviremos falar em<br />

breve. Os navios de demonstração incluem<br />

o primeiro navio comercial de transporte de<br />

carga do mundo a operar com hidrogénio no<br />

rio Sena, em Paris. O início das operações<br />

comerciais estava programado para <strong>2021</strong> e será<br />

operado pela Compagnie Fluvial de Transport, a<br />

empresa de navegação interior francesa focada<br />

no desenvolvimento da distribuição urbana em<br />

Paris e arredores, por navios de transporte.


56<br />

MAIO <strong>2021</strong><br />

Em invEsTigação EsTá Também a possibilidadE dE produção Em<br />

grandE Escala dE “hidrogénio vErdE“<br />

o porTo enerGéTiCo<br />

De Paris, vamos agora até Roterdão. O<br />

porto de Roterdão não é apenas o maior<br />

porto europeu de contentores; é também<br />

considerado o principal porto de energia do<br />

Noroeste da Europa. Actualmente, 13 por<br />

cento das necessidades totais de energia da<br />

União Europeia são entregues todos os anos<br />

via Roterdão. Estamos a falar sobretudo de<br />

petróleo bruto, sendo que aquela autoridade<br />

portuária está empenhada em manter esta<br />

valência no futuro, mas com outra base<br />

energética, que consistirá sobretudo em<br />

hidrogénio.<br />

De acordo com o Porto de Roterdão, é<br />

expectável que a procura por hidrogénio<br />

aumente significativamente, em particular no<br />

mercado holandês. Hoje, a necessidade anual é<br />

estimada em 0,4 milhões de toneladas anuais<br />

em Roterdão e 0,8 milhões de toneladas na<br />

Holanda, um número que se espera venha a<br />

aumentar para quase 14 milhões de toneladas<br />

em 2050. Aproximadamente metade dessa<br />

quantidade, 7 milhões de toneladas, será<br />

processada em Roterdão.<br />

A Alemanha poderá aumentar a procura<br />

em 8 milhões de toneladas adicionais,<br />

enquanto outros países do noroeste da Europa<br />

poderiam exigir 5 milhões de toneladas<br />

de hidrogénio. Resultado? Os volumes de<br />

hidrogénio transportados via Roterdão podem<br />

aumentar em 5.000 por cento até 2050! Para<br />

este propósito há uma série de projectos e<br />

iniciativas a serem desenvolvidas e lançadas<br />

até 2030.<br />

A Autoridade do Porto de Roterdão e a<br />

Gasunie estão a trabalhar em conjunto para ter<br />

o oleoduto Backbone adaptado para hidrogénio<br />

e a passar pelo porto já em 2023, com o<br />

propósito de fornecer hidrogénio às empresas<br />

instaladas naquela infra-estrutura portuária.<br />

Posteriormente, o Backbone será ligado à<br />

infra-estrutura nacional da Gasunie em toda a<br />

Holanda.<br />

Em investigação está também a possibilidade<br />

de produção em grande escala de “hidrogénio<br />

verde” na área de Maasvlakte recorrendo<br />

aos parques eólicos offshore. O estudo de<br />

viabilidade será concluído durante este Verão.<br />

Quanto ao “hidrogénio azul”, a sua produção de<br />

baixo carbono deve ser alcançada pela captura<br />

e armazenamento de CO2 abaixo do fundo do<br />

mar em campos de gás esgotados no Mar do<br />

Norte. O novo combustível e a infra-estrutura<br />

serão parcialmente usados para 500 novos<br />

camiões movidos a hidrogénio que deverão<br />

estar baseados e operar na área do Porto de<br />

Roterdão até 2025.<br />

na américa do norTE, a primEira<br />

locomoTiva para TransporTE dE<br />

mErcadorias E carga a hidrogénio<br />

podE sEr consTruída pEla<br />

canadian paciFic railway


SCM Supply Chain Magazine 57<br />

o hidroGénio no TrAnsporTe<br />

TerresTre<br />

A verdade é que o hidrogénio tem vindo a<br />

ganhar popularidade entre os fabricantes de<br />

camiões. Várias empresas globais apresentaram<br />

o ano passado os seus veículos pesados<br />

movidos a hidrogénio. A Hyundai vai lançar<br />

1.600 veículos a hidrogénio do tipo XCIENT<br />

Fuel Cell até 2025. O modelo foi apresentado<br />

em Julho de 2020 e é considerado o primeiro<br />

camião pesado de célula de combustível do<br />

mundo. Em Setembro de 2020, a Daimler Truck<br />

celebrou a estreia do seu camião com o mesmo<br />

conceito, o Mercedes-Benz GenH2 Truck e, já<br />

em Dezembro, a Toyota anunciou a entrega<br />

para os Estados Unidos dos seus dois primeiros<br />

camiões pesados movidos a hidrogénio do tipo<br />

Kenworth.<br />

No sector ferroviário, o hidrogénio tem<br />

vindo a ser utilizado principalmente para o<br />

transporte de passageiros (comboios Coradia<br />

iLint da Alstom e Mireo da Siemens). Contudo,<br />

já há alguns projectos dedicados ao transporte<br />

de mercadorias. A fabricante polaca de<br />

material rolante Pesa Bydgoszcz anunciou que<br />

está a concluir os trabalhos da sua primeira<br />

locomotiva a hidrogénio. De acordo com o CEO<br />

da empresa, Krzysztof Zdziarski, deverá ser<br />

lançada em <strong>2021</strong> e em 2022 o veículo deve<br />

estar certificado e totalmente operacional.<br />

Na América do Norte, a primeira locomotiva<br />

para transporte de mercadorias e carga a<br />

hidrogénio pode ser construída pela Canadian<br />

Pacific Railway, pois a empresa começou a<br />

desenvolver uma locomotiva a hidrogénio<br />

baseada num veículo diesel convencional.<br />

Seis módulos de células de combustível com<br />

capacidade de 200 quilowatts serão instalados<br />

no lugar de um motor a diesel e um gerador.<br />

Se o teste for bem sucedido, a Canadian Pacific<br />

colocará esta tecnologia em prática. •


58<br />

MAIO <strong>2021</strong><br />

TRANSPORTE<br />

Carga Aérea<br />

“<strong>2021</strong> será<br />

ouTro Ano<br />

difíCil”<br />

Saindo do pior ano para a procura de carga<br />

aérea desde que a Associação Internacional<br />

de Transporte Aéreo (IATA) começou a<br />

rastrear as tendências, em 1990, esta<br />

indústria começa a procurar levantar voo<br />

dĄoŝ “dĄeċsƌasƌtƙrƄeċ nœatƙuơrƄalň” qƃuơeċ sƌiİgĤnœiİfiǟcýoŝuơ 2020<br />

e encontrar um caminho para o seu “novo<br />

ambiente operacional normal”.


SCM Supply Chain Magazine 59<br />

Texto: Dora Assis<br />

Com a capacidade de carga aérea cada vez<br />

mais difícil de segurar e as taxas de frete<br />

em alta, as transportadoras que planeiam<br />

com antecedência e exploram opções<br />

alternativas serão capazes de superar os<br />

desafios actuais, enquanto se preparam para o<br />

que as espera no pós-COVID-19. Pelo menos a<br />

IATA assim crê.<br />

Duramente atingido por bloqueios globais,<br />

restrições de viagens, escassez de mão-deobra<br />

e outros problemas que surgiram quando<br />

a pandemia de COVID-19-19 atingiu países<br />

em todo o mundo, o sector de frete aéreo<br />

experimentou um declínio no volume de 10,6%<br />

em 2020 em comparação com 2019.<br />

Mas há outros números que caracterizam<br />

o ano mau. A capacidade global, medida em<br />

toneladas-km de carga disponível (ACTK),<br />

diminuiu 23,3% em 2020 por comparação com<br />

2019.<br />

Devido à falta de capacidade disponível, os<br />

factores de ocupação de carga aumentaram<br />

7,7% em 2020. A IATA afirma que isso contribuiu<br />

para aumentar os rendimentos e as receitas,<br />

apoiando as companhias aéreas e alguns<br />

serviços de passageiros de longa distância.<br />

Em Dezembro, a procura global estava<br />

0,5% abaixo dos níveis do ano anterior e a<br />

capacidade global estava 17,7% abaixo dos<br />

níveis do ano anterior.<br />

“Isto é muito mais profundo do que a<br />

contracção da procura, indicando a contínua<br />

contracção severa da capacidade”, observa<br />

a IATA. “Com a recuperação estagnada nos<br />

mercados de passageiros, não há fim à vista<br />

para a crise de capacidade.”<br />

com a rEcupEração EsTagnada<br />

nos mErcados dE passagEiros,<br />

não há Fim à visTa para a crisE<br />

dE capacidadE<br />

IATA<br />

CAuTelosAmenTe opTimisTA<br />

Avaliando o ambiente actual do transporte<br />

aéreo, a IATA diz que as condições económicas<br />

estavam “a melhorar” no início de Fevereiro<br />

e que o sector de carga está a “sobreviver<br />

à crise de melhor forma do que o sector de<br />

passageiros”.<br />

“Para muitas companhias aéreas, em 2020,<br />

o frete aéreo tornou-se uma fonte vital de<br />

receita, apesar da fraca procura. Mas com<br />

grande parte da frota de passageiros em<br />

terra, responder à procura sem capacidade de<br />

carga continua a ser um grande desafio”, disse<br />

Alexandre de Juniac, da IATA, num comunicado<br />

à imprensa.<br />

“E, à medida que os países aumentam as<br />

restrições às viagens face às novas variantes do<br />

Coronavírus, é difícil ver melhorias”, continuou<br />

de Juniac. “<strong>2021</strong> será outro ano difícil.”


60<br />

MAIO <strong>2021</strong><br />

TAxAs esTão A subir<br />

De acordo com a Supply Chain Dive, a falta<br />

de capacidade associada à procura contínua<br />

empurrou as taxas de frete aéreo para níveis<br />

acima de 2019. “As taxas mais do que dobraram<br />

de ano para ano da China para os EUA, para<br />

chegar a US$ 7,57 por quilo na última semana<br />

de Dezembro”, avança a publicação, “mas os<br />

preços já caíram para US$ 6,19 por quilo na<br />

primeira quinzena de Janeiro.”<br />

Estas flutuações provavelmente continuarão<br />

à medida que <strong>2021</strong> avançar, o que significa que<br />

os carregadores terão que aprender a planear<br />

com incertezas para deste modo garantirem<br />

a sua capacidade de frete aéreo nos próximos<br />

meses. “A previsão precisa pelos carregadores<br />

será crucial para gerir requisitos e custos<br />

de envio de forma eficiente, já que as taxas<br />

dos fretes aéreos parecem permanecer altas<br />

durante este ano.” diz a este propósito o The<br />

Loadstar.<br />

O Baltic Air Freight Index teve há umas<br />

semanas um aumento anual de 100%,<br />

acrescenta, enquanto nas últimas semanas<br />

os números de falta de capacidade foram dos<br />

mais altos desde o segundo trimestre de 2020.<br />

No entanto, na Ásia, os operadores notam um<br />

mercado enfraquecido fora da China, em parte<br />

devido aos bloqueios, embora o comércio<br />

electrónico continue forte.<br />

“Quanto ao frete aéreo, as taxas de câmbio<br />

à vista foram reduzidas após o ano novo, mas<br />

não foi uma queda”, disse um despachante<br />

do sudeste da Ásia ao The Loadstar. “O<br />

frete aéreo [taxas] em geral pode não cair<br />

significativamente nos próximos seis meses,<br />

pelo menos. Afinal, o aumento da capacidade<br />

da cabine de passageiros ficará ausente por um<br />

tempo.”<br />

TanTo quanTo possívEl, uma maior<br />

colaboração com os parcEiros<br />

é EssEncial: comunicação com<br />

os TransiTários E opEradorEs<br />

E inTEgração dE dados E<br />

FErramEnTas TEcnológicas<br />

The Loadstar<br />

AbordAGem flexível<br />

Com a escassez de capacidade a continuar a<br />

pressionar as taxas de frete aéreo, em parte<br />

devido ao crescente mercado de e-commerce,<br />

as transportadoras também devem estar<br />

preparadas para lidar com tendências sazonais<br />

incertas. A procura contínua por EPI, grandes<br />

eventos climáticos e a distribuição global da<br />

vacina também afectarão o sector este ano e<br />

até 2022, dizem os especialistas.<br />

Para lidar com estas e as outras questões<br />

relacionadas com a carga aérea de forma<br />

eficaz, as transportadoras devem investir mais<br />

tempo a fazer uma boa previsão e planeamento<br />

da procura e paralelamente partilhar esses<br />

dados com os seus fornecedores de serviços<br />

logísticos.<br />

“Tanto quanto possível, uma maior<br />

colaboração com os parceiros é essencial:<br />

comunicação com os transitários e operadores<br />

e integração de dados e ferramentas<br />

tecnológicas”, aconselha o The Loadstar.


SCM Supply Chain Magazine 61<br />

Dada a conjuntura e todas as incertezas que<br />

ainda se fazem sentir e em que é quase preciso<br />

ponderar o impensável, a Inbound Logistics<br />

também sugere que os carregadores continuem<br />

a avaliar outros modos de transporte e tirem<br />

o máximo proveito da tecnologia que lhes<br />

permite gerir e reservar fretes com eficiência,<br />

comparar taxas, modos... No fundo, adoptar<br />

uma abordagem flexível e trabalhar em estreita<br />

colaboração com operadores e fornecedores de<br />

serviços logísticos responsáveis, idóneos, para<br />

que em conjunto as empresas possam superar<br />

os desafios actuais, enquanto se preparam para<br />

o ambiente de negócios pós-COVID-19, que será<br />

outro grande desafio. •<br />

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62<br />

MAIO <strong>2021</strong><br />

CARREIRA<br />

Os desafios do<br />

trabalho remoto<br />

Texto: Claúdia Brito, EMEA distribution<br />

director da McCormick & Company<br />

o Que eu<br />

Aprendi sobre<br />

A GesTão<br />

de eQuipAs<br />

remoTAs<br />

pArTe i<br />

No âmbito da<br />

minha recémterminada<br />

Pós-<br />

Graduação em<br />

Gestão de Pessoas<br />

e Talentos, na Nova<br />

School of Business &<br />

Economics, um dos trabalhos individuais<br />

que submeti para avaliação (em Janeiro<br />

de 2020) era sobre a gestão de equipas<br />

remotas. Este é um tópico que me é querido<br />

há muito tempo; mal sabia eu, na altura em<br />

que escrevi sobre ele, que se tornaria do<br />

interesse de tantas pessoas, poucos meses<br />

depois, infelizmente não pelas melhores<br />

razões. Partilho aqui partes do meu ensaio,<br />

no intuito de dar mais algumas pistas<br />

aqueles que experimentam esta maneira de<br />

trabalhar pela primeira vez.


SCM Supply Chain Magazine 63<br />

Nos últimos dez anos trabalhei<br />

remotamente, em organizações matriciais,<br />

reportando a chefes baseados noutro<br />

país e liderando equipas dispersas geográfica<br />

e funcionalmente. Os desafios que surgem<br />

neste “ecossistema” amplificam os do trabalho<br />

em equipa e são significativos e actuais, seja<br />

porque a tecnologia pode ajudar, mas também<br />

dificultar, seja porque não deixamos de ser o<br />

homo sapiens que se formou evolutivamente<br />

há dezenas de milhares de anos, com o nosso<br />

cérebro ainda a privilegiar tudo o que nos<br />

aproxima da vida numa tribo, sempre à espera<br />

de poder ver e tocar aquilo que é importante.<br />

O trabalho remoto em geral (ou seja, pessoas<br />

trabalhando juntas, mas em diferentes espaços<br />

físicos), pontual ou estrutural, tem impacto<br />

positivo na satisfação, produtividade e custos<br />

dos empregados duma empresa (Olmstead,<br />

2019). De notar que o “presenteísmo” (um<br />

problema organizacional em que o empregado<br />

está presente fisicamente, mas de resto<br />

alheado do seu trabalho, emocional e<br />

mentalmente) não existe por definição quando<br />

as pessoas trabalham em espaços diferentes.<br />

Além disso, o trabalho remoto contribui<br />

directamente para a sustentabilidade do meio<br />

ambiente, pela redução dos fluxos diários de<br />

pessoas que se cruzam nos transportes para os<br />

locais de trabalho (segundo estimativas várias,<br />

os transportes são responsáveis por cerca de<br />

um quarto das emissões de gases com efeito de<br />

estufa da União Europeia).<br />

No que ao trabalho em equipa diz respeito,<br />

a estas vantagens acresce a possibilidade de<br />

aumentar a diversidade e o talento dos seus<br />

membros, dado que a sua composição não<br />

está limitada àqueles que podem viver numa<br />

mesma localização e cumprir com horários prédeterminados.


64<br />

MAIO <strong>2021</strong><br />

As equipas remotas, também chamadas de<br />

virtuais, são geralmente descritas como grupos<br />

culturalmente variados, geograficamente<br />

dispersos e comunicando electronicamente.<br />

Algumas formam-se, mudam e dissolvemse<br />

rapidamente, outras são mais estáveis ao<br />

longo do tempo. Muitas são matriciais, em<br />

que os chefes funcionais são distintos do<br />

chefe da equipa ou do projecto. As falhas<br />

de comunicação são fatais em equipas<br />

deste tipo, mais ainda do que em equipas<br />

de membros fisicamente próximos. As<br />

companhias tecnológicas, pela sua própria<br />

natureza, têm investido muito neste tipo de<br />

modelo organizacional e há cinco áreas que<br />

determinam a qualidade da comunicação<br />

à distância: confiança, relacionamentos<br />

interpessoais, diferenças culturais, liderança e<br />

tecnologia (Daim et al, 2012).<br />

Em relação aos relacionamentos,<br />

cada vez mais reconhecidos como<br />

importantes a todos os níveis (no<br />

fundo, os soft-skills mais não fazem<br />

do que alimentá-los) estamos<br />

“programados” para ler as mensagens<br />

não verbais dos nossos pares, com<br />

todos os nossos sentidos, e numa relação<br />

remota ficamos seriamente manietados.<br />

É preciso uma grande dose de boa vontade,<br />

paciência e inteligência para ultrapassar as<br />

barreiras físicas e emocionais que existem<br />

quando não nos podemos encontrar para tomar<br />

um café ou simplesmente conversar sobre os<br />

pequenos assuntos que tecem a malha<br />

da nossa vida. É, no entanto, essencial<br />

fazê-lo, porque o mundo mudou, o<br />

terreno em que operamos é global e<br />

provavelmente vamos interagir com<br />

pessoas que nunca veremos a não ser<br />

por skype.<br />

Finalmente, como a imensa literatura ligada<br />

à psicologia comportamental tem posto a<br />

descoberto, as interacções humanas são<br />

baseadas no modelo que se estabeleceu nas<br />

sociedades originais do homo sapiens préhistórico,<br />

suportadas por rituais e eventos em<br />

comunidade, com vista à coesão social. Uma<br />

empresa tem necessariamente de estabelecer e<br />

alimentar continuamente uma cultura própria,<br />

a qual lhe dá a identidade e agrega num grupo<br />

coeso os seus membros. Esta união “espiritual”<br />

torna-se mais fácil quando o próprio ambiente<br />

fomenta o espírito que se quer propagar. É<br />

assim exigido maior esforço e intencionalidade<br />

por parte da empresa para integrar os<br />

empregados remotos. •


SCM Supply Chain Magazine 65<br />

CARREIRA<br />

DHL Resource Center<br />

inovAr nA<br />

formAção O<br />

Resource<br />

Tecnologia de ponta, realidade virtual,<br />

óculos 3D ou simuladores virtuais aplicados<br />

à logística são algumas das vertentes do<br />

centro de formação que a DHL Supply Chain<br />

tem operacional desde o início de <strong>Maio</strong>, na<br />

Azambuja. Se no contexto do grupo é um<br />

projecto importante, em Portugal trata-se<br />

de um centro de formação inovador e único,<br />

qƃuơeċ cýoŝnœtƙrƄiİbüuơiİ pƁarƄa amőpƁlňiİfiǟcýarƄ a cýoŝlňabüoŝrƄaçĀãùoŝ<br />

e a capacitação dos trabalhadores do<br />

operador logístico.<br />

Texto: Dora Assis<br />

Fotos: DHL Resource Center<br />

Center da DHL Supply Chain já<br />

foi desenvolvido durante a conjuntura<br />

pandémica e hoje traduz-se num centro<br />

de desenvolvimento e atracção de talentos<br />

muito focado no desenvolvimento dos seus<br />

trabalhadores. Através da combinação de<br />

formação teórica com tecnologia de ponta,<br />

realidade virtual e software de gestão<br />

avançado, todos os utilizadores do centro<br />

podem conhecer melhor a empresa e os seus<br />

parceiros, experimentar através de simulação<br />

novos processos, bem como testar soluções<br />

tecnológicas inovadoras, num ambiente<br />

controlado e seguro e até mesmo conduzir<br />

virtualmente máquinas ou visitar os armazéns<br />

internacionais da DHL Supply Chain.


66<br />

MAIO <strong>2021</strong><br />

À Supply Chain Magazine, Rui Gomes, country<br />

manager do operador logístico explica que<br />

o Resource Center “permitirá, de uma forma<br />

mais célere e objectiva, suportar os processos<br />

de selecção, formação e desenvolvimento<br />

dos nossos colaboradores. Potenciará a<br />

redução da sua curva de aprendizagem,<br />

aumentando os seus conhecimentos através de<br />

utilização de tecnologia de topo. Este centro<br />

permitir-nos-á também realizar investigação<br />

e desenvolvimento dos nossos processos<br />

logísticos, de modo a suportar a agenda de<br />

inovação e de melhoria contínua”.<br />

Rui Gomes, country manager<br />

seGurAnçA é prioridAde<br />

Actualmente, cada funcionário da DHL Supply<br />

Chain Ibéria recebe mais de 25 horas de<br />

formação por ano, com a empresa a investir<br />

perto de 800.000 euros anuais na área de<br />

formação e desenvolvimento. Actualmente e<br />

ainda com a lotação limitada a 50% devido à<br />

pandemia, o novo centro de formação tem a<br />

capacidade estimada de poder formar mais de<br />

600 pessoas/ano.<br />

“A experiência indica-nos que com<br />

colaboradores em processos longos de<br />

aprendizagem, a produtividade geral dos<br />

nossos armazéns é afectada”, avança Rui<br />

Gomes. Com a entrada em funcionamento do<br />

novo centro, num local controlado e seguro,<br />

“os colaboradores podem testar e aprender<br />

os processos sem afectar a sua produtividade<br />

geral. Além disso, a nossa preocupação pela<br />

segurança é sempre uma prioridade e, desta<br />

forma, conseguimos transmitir<br />

as normas de segurança, sem<br />

qualquer risco”, acrescenta o n.º 1<br />

da empresa em Portugal.<br />

linhAs de forçA<br />

O centro irá permitir “de uma<br />

forma mais célere e objectiva,<br />

suportar os processos de selecção,<br />

formação e desenvolvimento<br />

dos nossos colaboradores.<br />

Potenciará a redução da sua curva<br />

de aprendizagem, aumentando<br />

os seus conhecimentos através<br />

da utilização de tecnologia de<br />

topo”, diz-nos. Por outro lado


SCM Supply Chain Magazine 67<br />

e não menos importante, face à<br />

revolução tecnológica que está a<br />

acontecer nas supply chains, esta<br />

nova infra-estrutura vai permitir ao<br />

operador logístico – com clientes<br />

que vão do grande consumo ao<br />

industrial ou ao farmacêutico, por<br />

exemplo – desenvolver em Portugal<br />

“investigação e desenvolvimento dos<br />

nossos processos logísticos, de modo a suportar<br />

a agenda de inovação e de melhoria contínua”,<br />

sublinha o country manager da DHL Supply<br />

Chain.<br />

O novo Resource Center já se encontrava<br />

no roadmap de inovação do operador logístico<br />

mas, como lembra Rui Gomes, “fazer este<br />

projecto num contexto de pandemia, foi não<br />

só uma necessidade, mas também um acto de<br />

coragem necessário”.<br />

O centro é utilizado pelas equipas da DHL<br />

Supply Chain tanto no âmbito de determinados<br />

projectos que estejam a ser desenvolvidos<br />

e para acções concretas e igualmente<br />

numa lógica de aprendizagem constante e<br />

de melhoria contínua. “Ou seja, os nossos<br />

colaboradores utilizarão o centro para receber<br />

formação de reciclagem, para conhecer novos<br />

processos, suportando a polivalência e a<br />

investigação, bem como a agenda de melhoria<br />

contínua e desenvolvimento”.<br />

Building<br />

the future<br />

together.<br />

Lisboa<br />

Telf.: +351 213 187 100<br />

Fax: 351 213 187 109<br />

E-mail: apatlis@apat.pt<br />

Porto<br />

Telf.: +351 229 962 329<br />

Fax: 351 229 964 241<br />

E-mail: apatnorte@apat.pt<br />

www.apat.pt


68<br />

MAIO <strong>2021</strong><br />

TrAbAlhAr por AnTeCipAção<br />

A existência de centros deste género poderá ser<br />

importante para que mais do que dar resposta<br />

às necessidades dos clientes, a DHL Supply<br />

Chain possa nalguns casos antecipá-las ou até<br />

mesmo criar no cliente e/ou no mercado uma<br />

necessidade que ainda nem existia. O country<br />

Manager da DHL Supply Chain corrobora<br />

este ponto de vista explicando que “uma vez<br />

que o centro trabalhará em antecipação às<br />

necessidades dos nossos parceiros, acreditamos<br />

que conseguiremos entregar de uma forma<br />

mais ágil e consistente os colaboradores<br />

devidamente formados e preparados para<br />

responder às exigências dos nossos clientes”.<br />

O futuro é sempre uma incógnita e muito<br />

mais ainda quando o contexto é o que o mundo<br />

vive na actualidade. Ainda assim, Rui Gomes<br />

não tem dúvidas que “a pandemia fez-nos<br />

procurar novas formas de trabalhar, sem nunca<br />

esquecer a segurança e o desenvolvimento<br />

das nossas pessoas e das nossas operações.<br />

A nível operacional, implementámos todas as<br />

recomendações da DGS, e em muitos casos<br />

fomos mais além. A nível de suporte e áreas<br />

funcionais, o trabalho remoto foi potenciado<br />

sempre que possível, situação que continua<br />

vigente”. •<br />

dA TeoriA à práTiCA<br />

O novo Centro de Formação Avançada destina-<br />

-se a combinar formação teórica e prática de<br />

alto nível em três secções: Academia; Formação<br />

em Gestão e Sala Virtual. Os candidatos vão<br />

receber formação de 16 horas de indução,16<br />

horas de reciclagem para pessoas que já<br />

têm experiência em armazém e 50 horas<br />

de actividade prática em simuladores para<br />

motoristas de empilhadores.<br />

A secção da Academia dos novos centros tem<br />

uma base eminentemente teórica para mostrar<br />

aos alunos a cultura e história da empresa,<br />

bem como as funções técnicas do trabalho de<br />

armazém, com especial ênfase no módulo que<br />

visa a prevenção dos riscos profissionais. Por<br />

seu lado, a secção de Formação em gestão foi<br />

concebida como um laboratório prático no qual<br />

os processos operacionais do armazém são<br />

replicados com o mesmo sistema de frequência<br />

de rádio, software de gestão de armazéns e<br />

automatismos utilizados no armazém real.<br />

Por fim, a Sala Virtual do centro proporciona<br />

um ambiente de formação que, apoiado por<br />

tecnologias como óculos 3D e simuladores<br />

virtuais semelhantes aos utilizados nos voos<br />

de formação de pilotos, proporciona aos alunos<br />

uma grande mais-valia na aprendizagem dos<br />

principais processos operacionais no armazém<br />

e no desenvolvimento de conhecimentos<br />

e agilidade suficientes para manusear<br />

empilhadores, que são fundamentais para a<br />

carga e descarga segura de paletes.


SCM Supply Chain Magazine 69<br />

Logística Compras Operações<br />

ACADEMIA DE FORMAÇÃO EM SUPPLY CHAIN<br />

GESTÃO DE PROCUREMENT I> 15,<br />

Procurement as a value drive<br />

in the organization<br />

GESTÃO DE ARMAZÉM> 7<br />

As melhores práticas para a optimização<br />

dos processos logísticos<br />

QUALIFICAÇÃO, SELECÇÃO ><br />

E AVALIAÇÃO<br />

DE FORNECEDORES<br />

GERIR COM SUCESSO A<br />

SUA FROTA<br />

><br />

AGENDA<br />

16 & 17 SETEMBRO<br />

10h00 – 12h00<br />

210€ + IVA | 6H<br />

& 10 SETEMBRO<br />

17h00 – 19h30<br />

180€ + IVA | 5H<br />

20 & 21 SETEMBRO<br />

10h00 – 12h30<br />

180€ + IVA | 5H<br />

21, 22 & 23 SETEMBRO<br />

14h30 – 16h30<br />

180€ + IVA | 6H<br />

SAIBA MAIS: www.supplychainmagazine.pt/flow/ flow@supplychainmagazine.pt<br />

ACADEMIA DE FORMAÇÃO EM SUPPLY CHAIN


70<br />

MAIO <strong>2021</strong><br />

CARREIRA<br />

Novas competências<br />

vonTAde de reinvenção<br />

A GS1 Portugal promoveu um debate sobre “O futuro do trabalho:<br />

reskilling, upskilling & newskilling – Liderança e Gestão do Talento”<br />

reunindo, para isso, responsáveis de recursos humanos de grandes<br />

empresas nacionais. Apesar das diferentes experiências e visões há,<br />

em boa parte, uma perspectiva consensual: “faltanos<br />

a visão para o futuro”, mas as empresas<br />

portuguesas apostam na recapacitação<br />

dos seus colaboradores e na<br />

oportunidade de captação de<br />

talento internacional.


SCM Supply Chain Magazine 71<br />

Na primeira parte do<br />

encontro, o foco esteve<br />

direccionado para o tema<br />

“Pessoas, Educação e Mérito”<br />

e arrancou com a intervenção<br />

de João Pita Negrão, senior<br />

manager da área de Business<br />

Consulting | Human Capital, da<br />

Deloitte Portugal, em conjunto<br />

com Marisa Garrido, directora<br />

de Recursos Humanos dos CTT.<br />

João Pita Negrão comparou o modo de<br />

trabalho no período pré-pandémico e o<br />

sistema actual, realçando a necessária<br />

capacidade de adaptação. O senior manager<br />

destacou ainda o estudo que a Deloitte<br />

realizou sobre o futuro no trabalho, contando<br />

com a participação de várias empresas que<br />

dão a conhecer os desafios que enfrentaram<br />

e também aqueles que se avizinham<br />

num médio prazo. Dando como exemplo<br />

prático a realidade dos CTT, Marisa Garrido<br />

destacou “a audácia e cooperação de todos<br />

os colaboradores em assegurar o foco no<br />

trabalho e a saúde e protecção das pessoas”<br />

no primeiro confinamento. Sendo um serviço<br />

essencial, afirmou ainda que “as competências<br />

dos trabalhadores se mostraram relevantes<br />

nesta situação, nomeadamente a capacidade<br />

de liderança para assegurar que todas as<br />

decisões tomadas, no dia-a-dia e no terreno,<br />

eram as mais indicadas”.<br />

a mElhor Forma dE aprEndEr<br />

algo, é TEr a nEcEssidadE dE o<br />

Ensinar a ouTros<br />

Pedro Santa Clara<br />

oporTunidAdes de<br />

CresCimenTo<br />

Já Cléber Castro, líder de Produtos e Estratégia<br />

da Great Place to Work® Portugal, falou<br />

da importância de analisar o interior das<br />

organizações, ouvindo as pessoas, ajustando<br />

e implementando planos e acções com base<br />

no feedback recebido. “Desta forma, avaliar se<br />

se trata de um Great Place to Work, revela-se<br />

fundamental para a missão das empresas na<br />

análise de oportunidades de crescimento e<br />

desenvolvimento de negócio”, concluiu Cléber<br />

Castro.


72<br />

MAIO <strong>2021</strong><br />

A fechar a primeira parte do evento, Pedro<br />

Santa Clara, professor Catedrático de Finanças<br />

na NOVA SBE e co-fundador da Shaken Not<br />

Stirred, empresa orientada para projectos de<br />

educação, um dos quais a Escola 42 Lisboa,<br />

realçou que “a melhor forma de aprender<br />

algo, é ter a necessidade de o ensinar a<br />

outros”. Para tal, salientou a importância de<br />

desenvolver capacidades humanas como<br />

a colaboração, autonomia, criatividade e<br />

adaptação. “O programa Escola 42 é um modelo<br />

de aprendizagem radicalmente diferente e<br />

que consiste em lançar aos alunos um desafio:<br />

apesar de terem a possibilidade de se deslocar<br />

até à escola física, estes não possuem aulas<br />

nem professores. Desta forma, para responder<br />

aos desafios propostos, fica à responsabilidade<br />

de cada aluno adoptar métodos de pesquisa<br />

para os concretizar. O objectivo é leválos<br />

a adaptar-se à resolução de problemas<br />

complexos, preparando-os para o futuro”,<br />

explicou durante a sua intervenção.<br />

sE há coisa quE a pandEmia nos<br />

TrouxE dE bom Foi a possibilidadE<br />

dE conTraTar pEssoas quE EsTão<br />

Fora do país<br />

evolução diGiTAl e eColóGiCA<br />

O painel-debate, sobre o tema central do<br />

evento e moderado por Luís Ferreira Lopes,<br />

consultor da Presidência da República para a<br />

COTEC e para o Conselho da Diáspora, contou<br />

com a participação da Luís Simões, Grupo<br />

SECIL, Nestlé Portugal, Randstad Portugal e<br />

Sonae SGPS.<br />

Para Ana Vicente, head of People &<br />

Leadership da Sonae SGPS, “o período que<br />

atravessamos tem sido muito desafiante,<br />

com muita mudança”, mas acredita que<br />

“ainda teremos de nos adaptar para o que aí<br />

vem”. A responsável de recursos humanos da<br />

Sonae SGPS, destacou também “a janela de<br />

oportunidade criada com a pandemia no que<br />

diz respeito à evolução digital e ecológica das<br />

empresas”. Neste âmbito, Ana Vicente acredita<br />

ser essencial “preparar melhor o futuro para a<br />

capacitação dos colaboradores”, destacando<br />

o digital como uma oportunidade para a<br />

formação de pessoas.<br />

“Se há coisa que a pandemia nos trouxe de<br />

bom foi a possibilidade de contratar pessoas<br />

que estão fora do país. Há agora uma abertura<br />

para a captação de novos talentos, ainda que<br />

seja igualmente importante manter o foco na<br />

formação de lideranças, porque uma maior<br />

flexibilidade no modelo de trabalho também<br />

Ana Vicente


SCM Supply Chain Magazine 73<br />

traz desafios”, explicou Ana Vicente. Para o<br />

futuro, prevê que seja essencial o upskilling e<br />

reskilling dos colaboradores, não esquecendo “a<br />

necessidade de preparar as lideranças para esse<br />

futuro também”.<br />

Na sua intervenção, Isabel Moisés, directora<br />

executiva de Recursos Humanos do Grupo Secil,<br />

realçou o desafio da empresa em lidar com uma<br />

crise pandémica estando presente em vários<br />

países com culturas e formas de trabalhar<br />

muito distintas. “Esta situação revelou a<br />

necessidade dos líderes estarem mais próximos<br />

das suas equipas, além de ter vindo realçar a<br />

solidariedade e a empatia com o outro dentro<br />

da organização”, explicou Isabel Moisés. Quanto<br />

ao futuro, acredita “que é responsabilidade das<br />

empresas analisar a mudança que já aconteceu<br />

e transformá-la numa oportunidade”.<br />

mais do quE aTrair novos<br />

TalEnTos é EssEncial<br />

rEqualiFicar E rEcapaciTar o<br />

TalEnTo quE já ExisTE dEnTro das<br />

Equipas<br />

Maria do Rosário Vilhena<br />

fuTuro é hibrido<br />

Já Maria do Rosário Vilhena, head of Human<br />

Resources da Nestlé Portugal, acredita que<br />

o futuro passa por um modelo de trabalho<br />

híbrido, porque o momento de convivência<br />

entre as pessoas é importante para o<br />

desempenho das suas funções. Sobre o que<br />

se segue para as empresas, Maria do Rosário<br />

Vilhena reforça que “mais do que atrair novos<br />

talentos é essencial requalificar e recapacitar<br />

o talento que já existe dentro das equipas”.


74<br />

MAIO <strong>2021</strong><br />

TEm dE havEr uma aposTa ForTE<br />

no Ensino dual, no Ensino Técnico,<br />

prEcisamos dEssEs proFissionais<br />

para o FuTuro<br />

Maria do Rosário Vilhena<br />

“Aquilo de que precisamos hoje não é aquilo<br />

de que iremos precisar daqui a cinco ou dez<br />

anos e também sabemos que há pessoas que<br />

não vamos conseguir reconverter, mas é crucial<br />

mantermos o nosso papel de responsabilidade<br />

social para com esses colaboradores”, clarificou.<br />

A responsável de recursos humanos da Nestlé<br />

Portugal falou do projecto-piloto com a Sonae<br />

SGPS e a Sapo com vista a capacitar pessoas<br />

desempregadas ou em risco de desemprego<br />

para voltarem ao mercado de trabalho.<br />

“Ainda não existe uma estratégia nacional de<br />

requalificação. Falta-nos a visão para o futuro,<br />

estamos focados no hoje. Tem de haver uma<br />

aposta forte no ensino dual, no ensino técnico,<br />

precisamos desses profissionais para o futuro”,<br />

concluiu.<br />

máximA liberdAde<br />

máximA responsAbilidAde<br />

Mariana Canto e Castro, directora de Recursos<br />

Humanos, Randstad Portugal, reforçou,<br />

na sua intervenção, a importância de não<br />

“desaprender” as lições retiradas desta<br />

pandemia, destacando a “capacidade de liderar<br />

em proximidade sem necessidade de intrusão”<br />

como essencial para a gestão e liderança de<br />

pessoas e equipas. “Tem de existir um equilíbrio<br />

entre a proximidade e o distanciamento,<br />

sob a máxima liberdade com a máxima<br />

responsabilidade”, explicou, realçando ainda<br />

a importância “do feedback do gestor directo,<br />

identificando pontos bons e pontos a melhorar,<br />

assim como do feedforward”. Para o futuro “é<br />

crucial que haja um alinhamento entre o sector<br />

do ensino e o sector empresarial, porque temos<br />

empresas a pedir-nos pessoas que não existem<br />

ainda no mercado de trabalho”, afirmou.<br />

O painel de debate contou ainda com a<br />

participação de Pedro Palmeiro, gestor de<br />

Recursos Humanos da Luís Simões Portugal<br />

que acredita que a pandemia “trouxe às chefias<br />

a oportunidade de conhecerem melhor os<br />

seus colaboradores e até aprofundar relações<br />

com um contacto mais próximo e pessoal”.<br />

Para Pedro Palmeiro, “o teletrabalho será<br />

uma ferramenta de futuro, porque as pessoal<br />

já provaram que facilmente se adaptam às<br />

exigências do dia-a-dia”.<br />

Em jeito de síntese, Luís Ferreira Lopes,<br />

moderador do debate, concluiu que “é tempo<br />

de arregaçar as mangas com nova energia,<br />

não desperdiçar a experiência adquirida e<br />

continuar a ter uma permanente vontade de<br />

reinvenção”.•


SCM Supply Chain Magazine 75


76<br />

DIÁRIO DE BORDO<br />

Marco Morgado<br />

Supply Chain & Operations Management<br />

irá ser (mAis) um<br />

novo reComeço..<br />

Para muitas empresas o curto prazo irá<br />

representar um novo recomeço, e se o que<br />

Portugal faz, faz bem, caberá em grande<br />

parte às PME portuguesas reverem de<br />

forma transversal as suas estruturas e o<br />

formato das suas operações.<br />

O<br />

fim (da pandemia) irá certamente<br />

representar o início de um novo ciclo<br />

(económico). Há que ter em conta que<br />

as oportunidades surgem nos momentos de<br />

maior adversidade e dificuldade e a adaptação<br />

a cada nova realidade, e ao que é pedido<br />

pelos consumidores, é a palavra-chave para a<br />

sobrevivência.<br />

Acredito que essa mesma sobrevivência irá<br />

passar pela exploração de novos mercados,<br />

sejam internos ou externos, e em ambas as<br />

vertentes o papel das empresas de logística<br />

será fulcral para que o sucesso se torne a<br />

realidade, pois a otimização dos custos de<br />

transportes poderá ajudar as empresas a se<br />

decidirem em sair da sua zona de conforto<br />

geográfico, desafiando-se nos objetivos.<br />

Acredito que as empresas de distribuição<br />

e logística portuguesas estão mais do que à<br />

altura dos desafios dos novos tempos, e que<br />

serão mais do que capazes de dar conta do<br />

recado, dando o devido suporte para que os<br />

bens cheguem devidamente acondicionados<br />

e dentro dos prazos estipulados aos locais de<br />

destino.<br />

Ocorre que estas empresas serão apenas<br />

o meio para um determinado fim, que é a...<br />

Exportação.


SCM Supply Chain Magazine 77<br />

A exportação em si consiste no envio direto<br />

dos produtos para os clientes no exterior<br />

ou através de distribuidores localizados a<br />

distâncias consideráveis.<br />

Esta é a forma mais utlizada pela maioria<br />

das PME portuguesas, pois o risco inerente<br />

ao processo é limitado e poderá ser mais<br />

facilmente controlado. A rentabilidade do<br />

processo é razoável e a necessidade de<br />

controlo dos produtos ao longo dos canais de<br />

distribuição é normalmente reduzida.<br />

Concretamente sobre a exportação, podemos<br />

afirmar que existem dois tipos, a Exportação<br />

Direta e a Exportação Indireta.<br />

No caso da primeira, ocorre que é a própria<br />

empresa produtora dos bens a responsável por<br />

todas as etapas, ficando obrigada, entre outros,<br />

a ter que providenciar toda a documentação<br />

para a exportação, a ter conhecimento dos<br />

acordos comerciais<br />

existentes, a tratar<br />

do embalamento,<br />

assim como, de<br />

todas as transações<br />

financeiras<br />

relacionadas com a<br />

mesma.<br />

No segundo caso,<br />

a empresa produtora<br />

dos bens utiliza um intermediário especializado<br />

para negociar com o mercado externo, fazendo<br />

a ponte entre a empresa exportadora e o<br />

respetivo interessado.<br />

com o apoio dE um inTErmEdiário,<br />

a ExporTação aconTEcErá mais<br />

rápido, não havEndo a nEcEssidadE<br />

dE invEsTimEnTo Em mão-dE-obra<br />

EspEcializada<br />

Além disso a exportação indireta pode<br />

ocorrer de diversas formas, seja através de um<br />

consórcio de exportadores, ou de empresas<br />

comerciais que podem atuar no mercado<br />

interno ou apenas na exportação, ou por último<br />

por Trading Companies que são empresas<br />

especializadas em operações no exterior.<br />

Quando se tem um bom produto, pouco<br />

conhecimento sobre o comércio exterior e/ou<br />

existir a inviabilidade de ter algum colaborador<br />

especializado dentro da empresa, o melhor<br />

caminho, pelo menos no início, é contar com o<br />

auxílio de um destes intermediadores.<br />

Com o apoio de um intermediário, a<br />

exportação acontecerá mais rápido, não<br />

havendo a necessidade de investimento em<br />

mão-de-obra especializada, além de que a<br />

pesquisa de mercado é realizada pela própria<br />

empresa de comércio exterior, ficando assim<br />

as operações<br />

terceirizadas,<br />

tornando-se mais<br />

práticas e simples.<br />

Além disso, existe<br />

inclusivamente uma<br />

maior segurança<br />

de investimento,<br />

pois os riscos serão<br />

do intermediário,<br />

havendo lucro garantido com a venda in situ.<br />

Então, se tem um bom produto, porque não<br />

arriscar e ir (muito) mais longe? •


78<br />

O MUNDO É REDONDO, por Cláudia Brito<br />

“Os hábitos da felicidade”<br />

Matthieu Ricard, 10 milhões de visualizações, 2004<br />

É possível treinar a mente para se ser feliz. Sabe-se hoje que a constituição cerebral se altera ao longo da<br />

vida, em função do treino mental. Um violinista, por exemplo, ao praticar durante anos, cria novas sinapses<br />

em zonas específicas do cérebro. Do mesmo modo, alguém que medita durante 20 a 40 mil horas evidencia<br />

em laboratório uma grande capacidade de controlo das suas ondas cerebrais, num espectro associado ao que<br />

chamamos felicidade pura.<br />

A felicidade é algo central na nossa vida, um<br />

estado que todas as pessoas ambicionam. Uma<br />

das suas definições é a ausência de sofrimento,<br />

e é muitas vezes associada ao sentimento de<br />

prazer. Contudo o prazer é efémero, ao depender<br />

do momento, do objecto e do lugar. É também<br />

perverso, porque podemos senti-lo intensamente<br />

mesmo quando outros ao nosso lado sofrem. O<br />

prazer consome-se à medida que se experimenta,<br />

enquanto a felicidade é algo que perdura. Por isso,<br />

é mais adequado associá-la a um sentimento de<br />

bem-estar, uma serenidade que pode coexistir<br />

com estados de alegria ou tristeza, tal como o mar<br />

profundo é imutável, apesar das tempestades à<br />

sua superfície.<br />

Quando dizemos “tenho tudo para ser feliz”, a<br />

própria frase contém em si a ruína da felicidade,<br />

porque basta a mais pequena falta para tudo<br />

colapsar. As condições como a educação ou a<br />

saúde são desejáveis para nos sentirmos felizes,<br />

mas não são suficientes. O nosso controlo do<br />

mundo exterior é limitado, temporário e ilusório.<br />

Por outro lado, as nossas condições interiores<br />

são mais fortes, para o bem e para o mal. Temos<br />

o conhecimento intrínseco da experiência dos<br />

estados mentais - como a ira, o ódio ou a inveja<br />

- que nos levam a sentir-nos mal. Outros estados<br />

– como a manifestação da generosidade - são<br />

decerto mais adequados à nossa natureza, porque<br />

nos fazem sentir bem. Para cada sentimento<br />

negativo haverá um positivo que o neutraliza, mas<br />

este antídoto não é de fácil acesso.<br />

Em alternativa, uma vez que a mente tem a<br />

propriedade de ser consciente, somos capazes<br />

de avaliar os nossos pensamentos e emoções. A<br />

mente funciona neste caso como um espelho,<br />

e, como ele, não é alterada pelas imagens que<br />

reflecte. Por seu lado os estados mentais não<br />

são permanentes, pelo que podem ser alterados<br />

interiormente, desde que deixemos de ruminar<br />

nos elementos exteriores que lhes deram origem.<br />

A meditação é assim um treino intenso e<br />

longo, que se baseia na observação interna dos<br />

pensamentos para os neutralizar no seu conjunto,<br />

com o fito de os deixar atravessar a mente como<br />

um pássaro atravessa o céu, sem deixar rastro.<br />

Matthieu Ricard, filho de um conhecido filósofo<br />

francês e doutorado em biologia molecular pelo<br />

Instituto Pasteur em 1972, é um monge budista, para<br />

além de fotógrafo, escritor e interprete do Dalai<br />

Lama. Em 2012, pesquisadores da Universidade de<br />

Wisconsin, nos Estados Unidos, declararam que ele<br />

era “o homem mais feliz do mundo”, porque, graças<br />

à meditação, o cérebro de Matthieu Ricard produz<br />

ondas gama a um nível muito alto, o que reflecte uma<br />

capacidade extraordinária de sentir felicidade e uma<br />

propensão reduzida para a negatividade.


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