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TRANSPORTE.LOG_EDIÇÃO103

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Informativo do SISTEMA FETRANSPORTES e SEST SENAT-ES

Admirável mundo novo

Que a pandemia da Covid-19 acelerou o mundo,

não é novidade. Mas de que forma ela impactou

o RH, que pensa políticas e práticas para conciliar

os objetivos da empresa com as expectativas das

pessoas? Confira na entrevista da presidenteexecutiva

da ABRH-ES, Kátia Vasconcelos

Edição nº 103 • Julho | Agosto 2021

Em primeiro lugar, eu preciso dizer:

é impossível escrever o texto da capa

desta edição sem um breve passeio

pela história. A entrevista a que você,

leitor, terá acesso logo abaixo trata de

pessoas, de cuidado, de mudanças,

de pandemia, de empatia, de RH 4.0.

Só que é impossível explicar o RH 4.0

sem contextualizar as revoluções que o

precederam e, portanto, são responsáveis

por seu surgimento. Vamos dar um

pulinho no passado?

Primeira parada: Revolução Industrial,

na Inglaterra do século 18, quando máquinas

substituíram processos artesanais.

A segunda revolução, no século 19, foi

ocasionada pela eletricidade e possibilitou

a construção de aviões, refrigerados

e telefones. Terceira parada: a revolução

da indústria, que se deu pela tecnologia

e é a mais próxima da nossa geração,

a partir do século 20. Por último, a indústria

4.0, revolução que ainda está em

percurso, mas já é possível vê-la no dia

a dia, com carros autônomos e robótica

avançada.

Essa nova indústria está sendo moldada

a partir da tecnologia, mas isso não

significa a completa substituição do ser

humano. Funções serão ressignificadas

e aprimoradas. E aí entra o RH 4.0! Um

mar de desafios separa o RH tradicional

da sua nova versão e isso vai muito além

do próprio setor.

Viagem ao passado feita, a partir de

agora a palavra está com a professora,

pesquisadora da Ufes e presidente-

-executiva da ABRH-ES (Associação

Brasileira de Recursos Humanos), Kátia

Vasconcelos.

O RH 4.0 e a Covid-19 “Desde 2016 já

vínhamos falando sobre a era 4.0, que

mudaria a relação da sociedade com

o mundo do trabalho, deixando-a mais

descentralizada, virtual e digital, e que

a integração homem-máquina exigiria

uma reorganização. Nova gestão e uma

necessidade enorme de requalificação

do humano. Em março de 2020, ao ser

deflagrada, a pandemia deu uma sacudida

nas coisas e acelerou de maneira

sobre-humana todas essas transformações.

Não há dúvidas de que a Covid-19

acelerou o processo que o RH já vivia.”

Desafios do mundo pós-pandemia

“Ainda estamos aprendendo a lidar com

tudo o que a Covid trouxe para o mundo.

Estamos passando por transformações

nos processos de trabalho, na relação

das pessoas, na concepção de mundo.

Atualmente, estamos vivendo um período

de pós-gravidade, em que, de certa

forma, estamos reaprendendo a viver,

pois não somos como éramos em março

de 2020. Estamos marcados pela pandemia.

Muitas pessoas viveram perdas,

restrições, lutos. Somos, hoje, humanos

numa condição física e emocional diferente.

Com capacidades diferentes,

vivendo condições de trabalho diferentes,

e tudo isso tendo como pano de

fundo uma tecnologia acelerada. Daqui

pra frente teremos desafios em todas as

esferas, pois ao mesmo tempo em que o

mundo está mais digital, ele escancarou

a necessidade do humano. E quando falo

em desafios, falo em reconhecer o que

é do humano e do tecnológico no pós-

-pandemia, com todas as suas forças e

fraquezas.”

Desafio do RH “Até a deflagração da

pandemia, vivíamos a cultura quente do

presencial. E de repente, o formato de

trabalho muda e o que temos hoje como

realidade são pessoas que trabalham na

mesma empresa e não se conhecem pessoalmente.

Você já se deu conta da quantidade

de histórias que as organizações

guardam neste ano e meio de pandemia?

E o RH, que é a área guardiã da cultura

organizacional, que pensa políticas e práticas

para conciliar os objetivos da empresa

com as necessidades e expectativas individuais

das pessoas, foi chamado para

pensar diferentes estratégias. Se antes os

projetos de apoio à saúde estavam mais

ligados a questões ergométricas, agora o

profissional de Recursos Humanos deve

pensar projetos de atenção à saúde física

e mental, projetos de suporte emocional

às famílias dos colaboradores, projetos de

acolhimento, de requalificação, de como

reorganizar o tempo, projetos para discutir

o luto. Afinal, são muitas histórias de dor

e superação que aconteceram dentro de

nossas empresas no último ano, e se a

equipe do RH não estiver preparada para

lidar com isso será muito complicado.”

Continua na página 2.


FETRANSPORTES

PALAVRA DO PRESIDENTE

Olhar humano, global e

empático

Eu perdi a conta de quantas vezes falamos

da pandemia neste jornal desde abril de 2020.

Fizemos uma edição especial assim que ela foi

deflagrada (edição Março/Abril) e de lá pra cá

entregamos outras 16 edições. E em todas elas

tem pelo menos uma matéria sobre o assunto.

Este mês, os impactos da Covid-19 voltam à nossa

capa. Desta vez, com um olhar mais humano, que

coloca não apenas o RH como protagonista, mas

todas as pessoas – nós, empresários, nossos

colaboradores, nossas famílias, nossos amigos.

Gosto da ponderação de que vivemos num

mundo transformado, descentralizado e virtual,

mas que além de olharmos para essa aceleração

digital, precisamos, sobretudo, cuidar da integração

homem-máquina. E por que isso? Porque são

as pessoas que promovem inovações e produzem

conhecimento. E são essas mesmas pessoas

que estão sendo impactadas com perdas, dores

e lutos em função de uma doença que chegou e

nos obrigou a nos readaptar.

Falamos tanto de Covid-19 nos últimos meses,

mas a abordagem atual é diferenciada. Diferenciada

porque de maneira indireta me remete ao

Prêmio Destaque, que homenageia os melhores

profissionais do ano. Ano passado, em função

da pandemia, não o realizamos. Este ano, vamos

fazê-lo no formato online. Estamos mudando tudo

para não deixar de reconhecer o trabalho de nossos

colaboradores. E ler nossa matéria de capa

me deixou com a certeza de tomamos a melhor

decisão. Precisamos tirar um pouco do peso dos

últimos meses das costas de nossas equipes e

oferecer a elas um motivo para serem

saudadas.

Empresário capixaba, vou

encerrar este Editorial com um

pedido muito especial: Não deixem

de inscrever seus colaboradores

no Destaque. Vamos dar

a eles o reconhecimento que

merecem!

Jerson Antonio Picoli

Presidente Fetransportes

Novas empresas,

novas pessoas,

novos valores

Daqui pra frente teremos

desafios em todas as esferas,

pois ao mesmo tempo em que

o mundo está mais digital, ele

escancarou a necessidade do

humano. E quando falo em

desafios, falo em reconhecer

o que é do humano e do

tecnológico no pós-pandemia,

com todas as suas forças e

fraquezas.

Kátia Vasconcelos,

presidente-executiva da ABRH-ES

“Nada será como antes” é o nome de

uma música de Milton Nascimento e a

presidente da ABRH-ES, Kátia Vasconcelos,

recorre à mesma frase para definir a

vida daqui pra frente. Vida pessoal, profissional,

emocional, relacionamentos...

Segundo ela, “nada será como antes,

amanhã”, exatamente da mesma forma

como está descrito na terceira estrofe

do primeiro verso da canção.

“Vivemos praticamente um mundo

novo e não há ninguém que não tenha

sido afetado pela pandemia. Todos têm

uma história pra contar, algumas mais

revestidas de dor, de emoção, de luto. E

não podemos cair na besteira de achar

que o mundo do trabalho ficaria isento

disso. As estratégias mudaram, o produto

mudou, a forma de comercializá-

-lo mudou. Tivemos que nos adaptar e

continuaremos sendo chamados a esta

adaptação”.

E se este “admirável mundo novo”

está transformando as relações, o modo

de trabalho e a forma de trabalhar, tende

também a mudar os valores das pessoas

e do mercado. Neste sentido, Kátia aposta

numa sociedade com maior senso de

coletividade, colaboração, senso ético e

de justiça, e amor ao próximo.

“Quando falo de senso ético, me

refiro a comportamentos moralmente

Kátia Vasconcelos e sua descrição sobre o mundo

pré e pós-pandemia: “Vivemos praticamente

um mundo novo. Tivemos que nos adaptar e

continuaremos sendo chamados a esta adaptação”

aceitos. Estou falando, por exemplo,

de uma sociedade inclusiva e que se

adapte à diversidade”, destaca.

Outro valor que ela chama a atenção

para o fato de ter que ser vivido ao

pé da letra é amor ao próximo – oferecendo

ao outro o que gostaríamos

que nos oferecessem, como respeito,

acolhimento e empatia.

“Tem muita gente que me pergunta:

‘É possível falar de amor em empresa?’.

E minha resposta é sempre a

mesma: Claro! Lógico que partimos do

princípio que toda companhia precisa

ter resultado e gerar valor. Mas esta

empresa demonstra amor ao próximo

quando investe em relações respeitosas,

quando existe feedback entre as

equipes, quando os líderes são justos

e quando há respeito entre os colegas

de trabalho”, dá a dica.

PUBLICAÇÃO MENSAL DO SISTEMA FETRANSPORTES E SEST SENAT-ES Rua Constante Sodré, 265 - Santa Lúcia - Vitória - ES - CEP 29055-420

SUPERINTENDENTE FETRANSPORTES: Edinaldo Loureiro Ferraz Tel: (27) 2125-7642 EDITORA: Anna Carolina Passos Tel: (27) 2125-7618 imprensa@

fetransportes.org.br / imprensa@transcares.com.br PRODUÇÃO EDITORIAL: Anna Carolina Passos - Gestão e Assessoria em Comunicação TEXTOS:

Anna Carolina Passos • Leonardo Sales • Imprensa@gvbus.org.br • W Comunicação FOTOGRAFIAS: Divulgação e Sest Senat PROJETO GRÁFICO E

EDITORAÇÃO: Bios Tel.: (27) 3222-0645 IMPRESSÃO: Gráfica e Editora GSA

2 | TRANSPORTE.LOG | JULHO | AGOSTO 2021


SETPES

Turismo ganha

fôlego e dá sinal

de retomada no

Estado

Dados do 7º Boletim sobre

a Economia do Turismo

apontam crescimento

O estudo da secretaria de Turismo aposta num crescimento nos próximos meses. Isso significa que famosos pontos

turísticos capixabas, como o Convento da Penha (E), em Vila Velha, as praias de Guarapari (centro) e a Rota do Lagarto

(D), em Pedra Azul, devem voltar a ficar movimentados

Recentemente divulgado pela secretaria

de Estado de Turismo, o 7º Boletim

sobre a Economia do Turismo aponta que

o turismo deve tomar fôlego e apresentar

retomada nos próximos meses. O estudo

é resultado de uma análise do primeiro

trimestre do ano.

No comparativo com o trimestre anterior,

as atividades turísticas no Espírito

Santo apresentaram um volume 1,6%

maior. O trimestre é o terceiro com crescimento

consecutivo e resultados mais

positivos na alta temporada, nos meses

de janeiro e fevereiro, já que em março

houve uma nova quarentena adotada. O

Estado se destaca também em relação a

outras regiões no País. No Sudeste, houve

redução de 3,4% e a média nacional foi

de contração de 3,3%.

Em relação ao primeiro trimestre de

2020, período pré-pandemia, houve recuo

de 14,6%. Ainda assim, o Espírito Santo

apresentou a segunda menor redução no

volume das atividades turísticas, ficando

atrás apenas de Goiás.

Na avaliação do secretário-geral do Setpes,

Jaime de Angeli, o aumento é resultado

de um esforço conjunto entre as empresas

e os profissionais do setor para continuar

as operações de forma segura. “Desde o

início da pandemia estamos nos reinventando

e buscando a biossegurança. Esse

crescimento mostra a confiança dos turistas

no setor e isso muito nos orgulha”, elogia.

O dirigente chama a atenção, também,

para o fato de que estudos apontam

que o risco de contágio é baixo no

transporte coletivo pelas características

do serviço. Ele garante, portanto, que os

passageiros podem continuar viajando

seguros. Dentro dos veículos, é obrigatório

o uso de máscara e o tráfego

com as janelas abertas para uma maior

ventilação.

“Os colaboradores estão preparados

para operar seguindo todas as medidas

de segurança e os veículos passam por

higienização frequente, buscando a redução

do risco de contágio. Não há riscos

significativos se forem seguidos os protocolos”,

finaliza.

SINDLIQES

Falando de crise, numa ótica abrangente e educativa

Artigo

Por Joceny Scheidegger

Callenzane

Em meio às minhas leituras, tenho sempre o

prazer de acompanhar as edições informativas da

Revista CNT. E folheando a Edição 303, de maio

deste ano, uma matéria específica me chamou a

atenção: a entrevista feita por Gustavo Falleiros

e Livia Cerezoli com João José Forni a respeito de

como planejar para não sucumbir às crises. Termo

que, ao meu ver, é recorrente. Muda apenas de

setor. Na referida entrevista, o tema é abordado

de forma abrangente e educativa, traduzido em

uma leitura rápida e dinâmica.

Desde os primórdios, o mundo vive em crise.

Seja econômica, sanitária ou humanitária. Estamos

vivendo, desde o fim de 2019, a maior crise

sanitária dos últimos tempos: a pandemia causada

pelo novo coronavírus.

Na entrevista, é possível perceber que hoje

em dia, com o avanço da tecnologia, dificilmente

uma crise tem o efeito surpresa que, em outrora,

era recorrente. As crises atuais são provenientes

da falta de planejamento, do planejamento mal

feito e executado ou, até mesmo, da ganância

exacerbada dos indivíduos que, mesmo sabendo

o efeito negativo e destrutivo que determinada

ação pode gerar, não impede o avanço da situação.

No setor de transportes não é diferente. Infelizmente,

incidentes e acidentes acontecem. Mas

será que eles não poderiam ser evitados? Por isso

o setor de gerenciamento de riscos deve ser o mais

importante dentro de uma corporação. Seu papel

fundamental é coordenar os riscos existentes na

atividade principal da empresa e ditar o norte para

que, havendo alguma adversidade, a mesma seja

resolvida da melhor maneira possível.

Meu principal objetivo, seja na vida pessoal ou

exercendo a função de presidente do Sindliqes, é

buscar sempre o melhor para o segmento que tenho

o prazer de representar. E nesta busca contínua,

frequentemente me deparo com excelentes leituras,

como esta mencionada. Parabéns aos envolvidos!

JULHO | AGOSTO 2021 | TRANSPORTE.LOG | 3



TRANSCARES

Peças que se encaixam. As reuniões para definição das convenções de trabalho precisam

ter o ponto de equilíbrio como base, uma vez que o que for definido precisa ser bom para

ambas as partes – empregado e empregador

Negociação, consciência

e convenção fechada!

Convenções Coletivas de Trabalho (CCTs) 2021-2022 são

fechadas mais cedo que em anos anteriores e assessor

jurídico Marcos Alexandre Alves Dias enaltece agilidade e

consistência da negociação. Reajuste é de 6,76% e empresas

precisam oferecer benefícios obrigatórios a seus colaboradores

Este é um cenário que todo ano se

repete. Em determinado momento, representantes

dos sindicatos patronal e dos

trabalhadores sentam-se para discutir o

cenário socioeconômico que envolve a

relação da categoria e fechar a Convenção

Coletiva de Trabalho (CCT), uma negociação

que exige calma e resiliência, e que precisa

ter como base o ponto de equilíbrio,

já que tudo o que for definido precisa ser

bom tanto para o empregador quanto para

o empregado. Ano passado, em função

dos impactos da pandemia da Covid-19,

a CCT 2020-2021 foi fechada somente no

final de setembro, após várias e intensas

rodadas de conversas. Mas, com relação

à CCT 2021-2022, duas boas notícias: a

Os benefícios obrigatórios

primeira é que ela foi fechada em meados

de junho, mantendo-se, todavia, a data

base da categoria no mês de maio. E a

segunda é que ela foi fechada com mais

tranquilidade do que em anos anteriores.

Ponto para os negociadores!

A Convenção Coletiva de Trabalho

engloba trabalhadores representados pelo

Sindirodoviários, Sintrovig, Sindnorte, Sindimotoristas

e Sinfes, e o reajuste negociado

foi de 6,76%, que deverá ser aplicado sobre

o salário e demais cláusulas econômicas.

Além disso, os trabalhadores com contrato

de trabalho ativo no mês de julho têm direito

a um abono pecuniário de R$ 75,00,

que deverá ser pago em parcela única no

pagamento referente a este mês.

PLANO DE SAÚDE: Ambulatorial e Individual, arcando o empregador

com o valor único de R$ 74,32 por mês;

TICKET ALIMENTAÇÃO OU REFEIÇÃO: No valor unitário de

R$ 22,00 por dia efetivamente trabalhado;

SEGURO DE VIDA: Contratação em favor de cada empregado,

garantindo as coberturas definidas em lei e na Convenção Coletiva.

CARTÃO-BENEFÍCIO: Por meio dele é possível realizar compras,

obter descontos especiais e benefícios adicionais em estabelecimentos

comerciais e prestadores de serviços credenciados. Com

o cartão, o trabalhador pode fazer suas compras durante o mês e

o valor total será descontado no seu salário - o limite de utilização

corresponde a 15% do salário nominal.

Assessor jurídico do Transcares e um

dos representantes do sindicato nas reuniões

com as entidades laborais, Marcos

Alexandre Alves Dias lembrou que nos últimos

anos as negociações foram fechadas

depois da data-base e enalteceu a agilidade

e a consistência do trabalho deste ano.

“Fechar a convenção ano passado foi

muito difícil! Vivíamos uma realidade de quarentena,

tínhamos restrições das atividades

econômicas, e todo esse cenário começou

antes da data-base. O resultado disso é

que ficamos sem parâmetro para negociar

e o que conseguimos foi um percentual de

1,5% de aumento. Este ano, mesmo que

tenhamos vivido uma situação de restrições

parecida com a de março do ano passado,

tínhamos um melhor controle, por isso foi

mais tranquilo fechar algo melhor para

todos os envolvidos”, argumentou Dias.

Na avaliação do advogado, o que ajudou

os sindicatos a “bater o martelo” este ano

foi o fato de todos estarem vivendo uma

realidade muito parecida no “pós-tsunami

causado pela Covid”.

“Todo mundo está sentindo na pele os

efeitos econômicos da pandemia. Tivemos

muitos trabalhadores demitidos, da mesma

forma que tivemos muitas empresas,

consolidadas no mercado, que fecharam

as portas. A crise trouxe um nível de

consciência para a categoria que facilitou

a negociação da Convenção Coletiva de

Trabalho 2021-2022”, admite.

Atenção, transportadores!

Um ponto que merece a total atenção

do empregador no que diz respeito à CCT

é quanto aos benefícios obrigatórios que

todos os colaboradores têm direito. Toda

empresa do segmento de transporte rodoviário

de cargas e logística cujos empregados

sejam representados pelo Sindirodoviários,

Sintrovig, Sindnorte e Sindimotoristas deve

oferecer a seus trabalhadores Plano de

Saúde, Ticket Alimentação ou Refeição,

Seguro de Vida e o Cartão-Benefício. Outro

detalhe que não pode passar despercebido

é quanto às operadoras e corretoras credenciadas

para oferecer tais benefícios.

JULHO | AGOSTO 2021 | TRANSPORTE.LOG | 5


SEGURANÇA NO TRÂNSITO

Artigo

Por André Cerqueira

Meritocracia no trânsito

A questão da meritocracia no meio

empresarial, em grande parte das organizações,

já vem sendo inserida como forma de

reconhecer as melhores práticas coletivas e

individuais. Mas, e no trânsito, como isso é

realizado? Esses conceitos são aplicados?

Considerando a alta relevância do tema,

que atualmente ainda mata 35 mil pessoas

e deixa mais de 200 mil lesionados permanentemente

todos os anos, não seria coerente

reconhecermos aquelas organizações

públicas e privadas que estão atuando de

maneira forte para salvar vidas no trânsito?

A palavra meritocracia deriva dos conceitos

em latim “meritum”, que significa ter

mérito, e “cracia”, que designa o poder.

Portanto, a etimologia do termo define a

proposta da meritocracia: fazer com que

o mérito seja o fator para o crescimento.

A meritocracia, aplicada de forma coerente,

produz maior qualidade e produtividade,

eleva o nível dos envolvidos,

fortalece e reconhece as melhores práticas.

Infelizmente, no trânsito, ainda não

conseguimos chegar a um modelo que

possa reconhecer, por exemplo, a qualificação

das melhores rodovias quanto

à redução de acidentes e condições de

infraestrutura; municípios e estados que

estejam aplicando melhores medidas para

redução dos sinistros de trânsito; órgãos e

entidades públicas e privadas que também

direcionam suas respectivas gestões em

prol de salvar vidas; reconhecimento aos

diversos órgãos de comunicação que, de

forma recorrente, deixam a mensagem da

segurança para toda sociedade.

André Cerqueira

é engenheiro

e consultor em

Segurança no

Trânsito

O Código Nacional de Trânsito

foi instituído pela Lei 5.108, de 21 de

setembro de 1966. Mais de 30 anos depois

foi substituído pelo Código de Trânsito

Brasileiro (CTB), criado pela Lei 9.503, de

23 de setembro de 1997, e no dia 12 de abril

deste ano, um “readequado” CTB entrou em

vigor, com 57 alterações, por meio da Lei nº

14.071, de 13 de outubro de 2020 (http://

www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-

2022/2020/lei/l14071.htm).

Dentre as alterações, o que até então

não existia na nossa legislação de trânsito,

um “lampejo” para reconhecer os

bons condutores com benefícios fiscais

ou tarifários, através do RNPC – Registro

Nacional Positivo de Condutores, sem

infrações dos últimos doze meses. Isso é

um bom sinal e incentivo para que mais

iniciativas como esta possam ocorrer para

um melhor equilíbrio legal entre o público

infrator e os bons condutores.

Nos últimos anos, temos acompanhado,

talvez pelo próprio impulsionamento da era

digital e maior sensibilização da relevância

do tema, algumas ações pontuais de entidades

na direção da meritocracia.

A Confederação Nacional do Transporte

(CNT) vem desenvolvendo ações e soluções

de fomento a startups; o Departamento

Nacional de Trânsito (Detran) também

começa a desenvolver ações nessa

direção, com o Prêmio Denatran 2021

(https://www.gov.br/infraestrutura/pt-br/

assuntos/transito/conteudo-denatran/

premio-denatran-2021); o Ministério

da Infraestrutura começou a fazer uma

avaliação das rodovias, talvez com o

objetivo de ranquear a qualificação das

mesmas dentro de um sistema seguro

(https://bit.ly/2Uaug0U).

Aqui no Espírito Santo já existe um

movimento nesta mesma direção. A Fetransportes

vem atuando há dois anos na

estruturação de metodologias modernas

para assegurar a implementação do Selo

QualiSEG, um reconhecimento às melhores

práticas de gestão em segurança no trânsito.

O selo encontra-se em fase avançada

de prototipagem e em breve será lançado

para adesão junto a empresas de transporte

no Estado do Espírito Santo.

É certo que o assunto meritocracia é bastante

provocativo, gerando, inclusive, muitas

concordâncias e discordâncias em torno

de sua essência e valor. Mas se quisermos

“elevar o sarrafo” da segurança, certamente

teremos que dar luz às melhores práticas,

para que elas sejam nosso farol na direção

de um trânsito mais seguro e humano.

6 | TRANSPORTE.LOG | JULHO | AGOSTO 2021


SEST SENAT

Afirmação que não

“desceu redonda”

Presidente da Fetransportes e do Conselho Regional do Sest

Senat-ES, Jerson Picoli sai em defesa do Sest Senat após

secretário de Política Econômica, Adolfo Sachsida, voltar a

falar em “passar a faca” na arrecadação do Sistema S

“Temos que passar a faca no Sistema

S, tem que tirar dinheiro deles para passar

para o jovem carente, para ele ter uma chance

na sua vida de ter um emprego, de se

qualificar e conseguir ter uma vida decente

para o futuro”. A afirmação do secretário de

Política Econômica do Ministério da Economia,

Adolfo Sachsida, durante uma live

na sexta-feira, 23 de julho, não ecoou nada

bem no setor de transportes. Na Fetransportes,

o sentimento de inquietude tomou

conta de diretores, dirigentes, empresários

e respingou nos muitos profissionais que

O Sistema S está na mira do Ministério da Economia

desde o início do governo e o próprio Vander Costa,

presidente da CNT e dos Conselhos Nacionais do Sest e

do Senat, assinou uma nota de desagrado

Resposta ao secretário

Em nota, o Sest Senat lamentou as

declarações de Adolfo Sachsida. Leia

trecho do texto assinado por Vander Costa,

presidente da CNT e dos Conselhos

Nacionais do Sest e do Senat:

“...Hoje, são 157 unidades operacionais

do Sest Senat espalhadas por todo o

País, garantindo aproximadamente 6 mil

empregos diretos, 2,2 milhões profissionais

empregados de 155 mil empresas

transportadoras, além de seus familiares.

A instituição disponibiliza para a sociedade

um Portal da Transparência, com

informações institucionais, orçamentárias,

usam e abusam dos serviços oferecidos

pelo Sest Senat. E quando falamos de

serviços, estamos nos referindo a cursos,

atendimentos de saúde e atividades voltadas

a lazer e qualidade de vida. Tudo gratuito.

Na educação profissional, as 157 unidades

operacionais do Sest Senat oferecem os

cursos obrigatórios para os profissionais do

transporte e cerca 650 cursos de formação

e de qualificação presenciais e a distância.

Na área de saúde, oferece atendimento nas

áreas de Fisioterapia, Psicologia, Nutrição e

Odontologia, as mais demandadas do setor.

Desde o ano passado, no auge da pandemia,

o Sest Senat lançou novos modelos de

negócio e passou a realizar atendimentos

de saúde online e webaulas.

“O secretário foi infeliz em sua colocação.

Ao falar que a arrecadação do Sistema

S é feita às custas do trabalhador e que se

ele não colaborar, uma geração de jovens

será condenada, ele mostra desconhecimento

do que nossas unidades oferecem”,

resume o presidente da Fetransportes e

do Conselho Regional do Sest Senat-ES,

Jerson Picoli.

O dirigente ressaltou, ainda, a importante

parceria da instituição com os sindicatos e

empresas que compõem o Sistema Fetransportes.

“Quem associa o Sest Senat a custo

não conhece nossa realidade nem o trabalho

sério que nossas unidades entregam”.

financeiras, contábeis, sobre processos

licitatórios e contratos, relatórios de

gestão e de atividades da entidade em

todo o Brasil.

‘Passar a faca’ nos recursos do Sest Senat

representaria retirar a gratuidade de

milhões de trabalhadores. Uma iniciativa

dessa natureza prejudicaria sobremaneira

a formação profissionalizante e a qualificação

de mão de obra, o atendimento

à saúde do trabalhador e o acesso ao

desenvolvimento profissional e à qualidade

de vida a milhões de pessoas de

baixa renda.”

O motorista Weslley Gutler de Oliveira exibe,

orgulhoso, o certificado que ganhou no Rodeio de

Caminhões da Raízen, competição que valoriza os

profissionais do transporte com alta performance

em segurança

Capixaba entre

os melhores do

País

Uma competição de segurança

viária? Sim! O Rodeio de Caminhões

da Raízen, licenciado da marca Shell,

é exatamente sobre isso! Um evento

anual que prioriza a educação e valorização

dos profissionais do transporte

com alta performance em segurança.

Este ano aconteceu a 10ª edição,

composta por quatro etapas regionais,

realizadas em diferentes cidades do

País e que reuniu 200 motoristas. Os

50 melhores foram classificados para

a final, com provas práticas nos simuladores

de direção do Sest Senat, e

dentre estes estava Weslley Gutler de

Oliveira, de 37 anos, colaborador da

FS Transporte, da Serra, que terminou

em 17º lugar.

Este ano, por causa da pandemia,

o evento foi transmitido pela internet,

mas não tirou o brilho nem a alegria do

capixaba Wesley, que ganhou R$ 10

mil de premiação e contou com o Sest

Senat da Serra para o aprimoramento

de sua direção.

“É a primeira vez que participo e

estrear entre os 50 melhores é uma

alegria imensa! Sou muito grato à FS

por ter acreditado no meu potencial.

Busco sempre fazer o meu melhor

e acho que a empresa viu isso em

mim, daí a indicação para participar.

Nada paga esse reconhecimento”,

destacou ele.

Empresa integrada de energia, produtora

e comercializadora de etanol,

açúcar, combustíveis e bioenergia, a

Raízen utilizou os equipamentos de

Simuladores de Direção do Sest Senat

para desenvolvimento das etapas de

classificação do Rodeio, e premiou os

três primeiros colocados da edição

com um carro, uma moto e um home

theater, além do valor em dinheiro.

JULHO | AGOSTO 2021 | TRANSPORTE.LOG | 7


E aí, sabe quem indicar para o

Prêmio Destaque 2021?

Como participar:

- O candidato deve ter, no mínimo,

um ano de registro na empresa.

- Minha empresa tem que ser filiada

a algum sindicato associado

à Fetransportes.

- Meu candidato motorista precisa

estar em dia com os cursos

especializados obrigatórios

para a função.

- Posso inscrever meu candidato de

13 de setembro às 24 horas de 17 de

setembro.

- Inscrições digitais.

Julgamento dos candidatos:

18 e 19 de outubro.

Premiação online:

26/11 às 9 horas.

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