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Jornal Paraná Setembro 2021

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OPINIÃO

Energia limpa para

a recuperação econômica

A bioeletricidade produzida a partir do bagaço e da palha da cana

representa 62% do total de 18,5 gigawatts (GW) da cogeração no País

João Guilherme

Sabino Ometto*

Orisco de racionamento de eletricidade

decorrente da falta

de chuvas este ano, fator

agravante da crise provocada

pela Covid-19, alerta para a necessidade

de ampliar a diversificação da matriz

energética nacional, reduzindo a

dependência das usinas hidrelétricas.

Nesse sentido, é relevante a contribuição

do setor sucroalcooleiro, cujas fontes

têm grande potencial, são renováveis

e apresentam baixos índices de

emissão de carbono, com reconhecidos

ganhos ambientais.

A bioeletricidade produzida a partir do

bagaço e da palha da cana-de-açúcar,

uma das vertentes da contribuição do

setor, já representa 62% do total de 18,5

gigawatts (GW) da cogeração existente

no País de capacidade instalada em

operação comercial. Essa possibilidade

viabilizou-se pela mecanização da colheita

e do plantio, da qual resultaram níveis

de sustentabilidade incomparáveis

em todo o mundo e que incluiu a capacitação

de profissionais para operar

equipamentos com alto índice de tecnologia

embarcada. O gás natural responde

por 17% e o licor negro, 14%.

Este é um fluido resultante do processo

produtivo da indústria papeleira.

Outra fonte importante de eletricidade é

o biogás, cujo potencial no Brasil é de

170.912 GWh (fonte: ABiogás), o maior

do mundo. Em volume, 21,1 bilhões de

normais metros cúbicos por hora

(Nm³/h) advêm do segmento sucroenergético;

6,6 bilhões, de ramos distintos

da produção agrícola; 14,2 bilhões,

da pecuária; e 2,2 bilhões, do saneamento.

Esse combustível, em sua versão

purificada, compara-se, em termos

energéticos, ao gás natural fóssil, com

a vantagem de ser totalmente renovável

e ter pegada negativa de carbono.

O etanol de cana-de-açúcar completa o

aporte do setor à matriz energética nacional.

De acordo com o primeiro levantamento

da safra 2021/22 da Companhia

Nacional de Abastecimento (Conab),

a produção será de 27 bilhões de

litros. Embora haja uma redução de

9,1% em relação aos 29,7 bilhões referentes

à temporada anterior, devido à

queda da demanda atrelada às quarentenas

e ao distanciamento social, o Brasil

continua sendo o segundo maior

produtor mundial, atrás apenas dos Estados

Unidos. Neste país, porém, a

maior parte advém do milho, apresentando

maior custo e menor índice energético.

Cabe lembrar que o etanol de cana-deaçúcar

é praticamente neutro em emissões

de carbono e renovável, além de

Setor sucroalcooleiro fornece energia

limpa para mover fábricas, iluminar

cidades, abastecer o transporte e

gerar divisas no comércio exterior

gerar renda, empregos e ingresso de

dólares resultantes da exportação. Somente

no primeiro bimestre deste ano,

na comparação com igual período de

2020, as vendas externas cresceram

50,9%, alcançando 343,31 milhões de

litros, e a receita aumentou 22%, somando

US$ 158,22 milhões (fonte:

Secex/Ministério da Economia).

Apesar de todas as dificuldades inerentes

à pandemia, o setor sucroalcooleiro

fornece energia limpa para mover fábricas,

iluminar cidades, abastecer o

transporte e gerar divisas no comércio

exterior. São combustíveis que contribuem

para a retomada do crescimento

e a recuperação da economia

nacional.

* Engenheiro (Escola de Engenharia

de São Carlos - EESC/USP), empresário

e membro da Academia Nacional

de Agricultura (ANA).

2

Jornal Paraná


MEIO AMBIENTE

Setor sucroenergético é

referência em sustentabilidade

O uso de etanol reduziu as

emissões de CO 2 no Brasil

equivalente às emissões anuais

somadas de 5 países

Entre março de 2003

(data de lançamento da

tecnologia flex) e abril

de 2021, o consumo de

etanol (anidro e hidratado) evitou

a emissão de mais de 556

milhões de toneladas de CO2eq

na atmosfera. O volume é equivalente

às emissões anuais somadas

de Argentina, Venezuela,

Chile, Colômbia, Uruguai e Paraguai.

Os dados foram divulgados

pela União da Indústria de

Cana-de-Açúcar (Unica) com

base na metodologia de aferição

de padrão de emissões de

gases de efeito estufa (GEE)

dos combustíveis, estabelecida

pela Política Nacional de Biocombustíveis

- RenovaBio e

com dados e informações publicados

pela Agência Nacional

de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis

(ANP),

A área de análises estatísticas

da Unica usou como base o cálculo

fornecido pela RenovaCalc

- calculadora que determina a

eficiência energético-ambiental

(pegada de carbono) do processo

produtivo no âmbito do

RenovaBio. Atualmente, 86% do

etanol comercializado no país

está certificado no RenovaBio,

garantindo a rastreabilidade e a

efetividade da redução de emissões

e a nulidade do desmatamento

direto e indireto.

“A pandemia da COVID-19 reforçou

a urgência de tomarmos

medidas efetivas de combate

às mudanças climáticas. No

Brasil, como em nenhuma parte

do mundo, temos uma madura

indústria de combustíveis

renováveis, que vem contribuindo

ano após ano para a redução

da emissão de gases de efeito

estufa”, analisa Evandro Gussi,

presidente da Unica. “A relevância

do etanol na transição para

uma economia de baixo carbono

é destacada em relatório

da Agência Internacional de

Energia2 (International Energy

Agency - IEA), que aponta o

protagonismo de políticas como

Renovabio para que as

emissões sejam zeradas até

2050”, complementa.

Quando avaliado o ciclo de vida

completo do combustível, o

etanol proporciona uma redução

de até 90% na emissão de

GEE em relação à gasolina. O

biocombustível é reconhecido

internacionalmente por sua baixa

pegada de carbono e por não

representar risco às florestas

nativas. As lavouras de canade-açúcar

destinadas à produção

de etanol ocupam apenas

0,8% do território nacional e são

localizadas a mais de 2 mil quilómetros

da Amazônia.

A sustentabilidade da cadeia é

ampliada pela utilização dos

subprodutos da produção de

etanol para a geração de energia

elétrica de baixo carbono. Em

2020, a bioeletricidade ofertada

para a rede pelo setor sucroenergético

cresceu 1% em relação

a 2019, com um volume de

22.604 GWh. Desse total, 83%

foram ofertados entre maio e

novembro, período seco. Tratou-se

de uma geração equivalente

a ter poupado 15% da

água disponível associada à

energia máxima que poder ser

gerada nos reservatórios das hidrelétricas

do submercado Sudeste/Centro-Oeste.

Por ser de baixo carbono, estima-se

que a geração de bioeletricidade

de cana em 2020

tenha evitado adicionalmente a

emissão de 6,3 milhões de toneladas

de CO 2 , marca que somente

seria atingida com o cultivo

de 44 milhões de árvores

nativas ao longo de 20 anos.

A cana-de-açúcar responde por

19,1% de toda a oferta primária

de energia no País, levando em

conta etanol e bioeletricidade, e

39,5% de toda a energia renovável,

segundo o Balanço Energético

Nacional 2021, publicado

pela Empresa de Pesquisa Energética.

A cultura é crucial para o

atingimento das metas estabelecidas

pelo Brasil no Acordo de

Paris e para o avanço socioeconômico

e ambiental dentro dos

Objetivos de Desenvolvimento

Sustentável (ODS) da Organização

das Nações Unidas (ONU).

Além de produzir biocombustível

e energia elétrica com baixa

carbono, o setor sucroenergético

brasileiro tem sido um importante

agente de recomposição

e preservação de florestas.

Mais de 46,6 milhões mudas

nativas foram plantadas no estado

de São Paulo desde 2007,

segundo dados do Protocolo

Etanol Mais Verde, divulgados

pelo Governo do Estado de São

Paulo (número exato: 46.674.

586). O setor atingiu essa marca

após plantar 2,96 milhões de

mudas de espécies nativas na

safra 2020/2021, que se encerrou

em 31 de março de 2021.

Parte significativa dessas mudas

é alocada ao longo de cursos

d’água e ao redor de nascentes.

Até o momento, as 117

empresas e os 5.121 fornecedores

de cana signatários do

Protocolo Etanol Mais Verde

contabilizam a restauração de

132.285 hectares de matas ciliares,

o equivalente a área de

mais de 132 mil campos de futebol,

e a proteção de 7.315

nascentes, localizadas em propriedades

das usinas e de fornecedores

de cana. E o mesmo

se repete nos demais estados

onde o setor sucroenergético

atua.

Ao longo das últimas décadas

o setor sucroenergético revolucionou

sua forma de produzir,

adotando práticas que tornaram

os produtos referências

mundiais de sustentabilidade. A

queima da cana foi eliminada;

adotou-se a colheita mecanizada,

o controle biológico e a

fertirrigação, reduzindo o uso

de insumos agrícolas; houve a

requalificação massiva de mão

de obra e o investimento em

tecnologias de agricultura 4.0,

que garantem produtividade,

eficiência operacional, proteção

ambiental e de recursos naturais.

“A sustentabilidade é um diferencial

estratégico do setor sucroenergético

reconhecido no

Brasil e no mundo, e faz parte

da proposta de valor dos produtos

advindos da cana-de-açúcar,

essenciais para a retomada

sustentável do crescimento

econômico do país”, complementa

Gussi.

Jornal Paraná 3


SAFRA 2021/22

Quase 70% da cana já

foram colhidas no Paraná

A expectativa da Alcopar é de que sejam esmagadas 32,344 milhões de toneladas

Com quase 70% da

cana-de-açúcar disponível

no campo já

industrializada, a colheita

da safra 2021/22 caminha

para sua etapa final no

Paraná. As Unidades Produtoras

em funcionamento moeram,

no acumulado da safra

até o dia 1 de setembro,

21,776 milhões de toneladas

de cana. O volume é 2,5%

menor do que o registrado no

mesmo período do ano safra

2020/21, que foi de 22,335

milhões de toneladas.

A expectativa da Alcopar é de

que sejam esmagadas 32,344

milhões de toneladas de cana.

As estimativas iniciais, que

eram de 34,8 milhões de toneladas

de cana, foram revisadas

recentemente reduzindo a

produção no Estado em 8%

em relação aos números do

período anterior, com queda na

produção de açúcar e etanol

na mesma proporção. Nesta

primeira revisão foram considerados

apenas os danos causadas

pela estiagem.

“Este já é o terceiro ano consecutivo

que as lavouras de

cana do Paraná sofrem com

estiagens que afetam o desenvolvimento

e rendimento da

cultura. As perdas efetivas

com as geadas só serão contabilizadas

melhor no final da

safra”, afirma Miguel Tranin,

presidente da Alcopar.

A quantidade de Açúcares Totais

Recuperáveis (ATR) por

tonelada de cana, também no

acumulado da safra 2021/22

ficou 1,6% acima do valor observado

na safra 2020/21, totalizando

138,69 kg de ATR/t

de cana, contra 136,49 kg

ATR observados na safra passada.

Segundo o presidente da Alcopar,

o etanol anidro, que é misturado

à gasolina, continua

tendo a preferência na produção

das usinas paranaenses,

tanto por se mostrar mais vantajoso

economicamente como

para atender a política que

prevê a mistura de 27% do

biocombustível na gasolina C,

ante a previsão de quebra de

safra de cana com a estiagem

e as geadas, cenário que se

repete em todo o Centro-Sul

do país.

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Jornal Paraná


Do volume de etanol total produzido

até 1 de setembro no

Paraná, 754,5 milhões de litros,

1,7% a mais do que no

mesmo período do ano passado

(741,8 milhões de litros),

cerca de 353,16 milhões de litros

foram de anidro, 18,9% a

mais do que a quantidade produzida

na mesma época da

safra anterior, 297,1 milhões

de litros. Já a produção de etanol

hidratado até a data,

401,38 milhões de litros, é

9,7% menor que o da safra

passada até 1 de setembro,

444,7 milhões de litros.

A produção de açúcar no Estado

totalizou 1,644 milhão de

toneladas, 3% a menos do que

o volume processado até a primeira

quinzena de setembro

no período anterior (1,695 milhão

de toneladas). O volume

total de açúcar esperado na

safra é de 2,355 milhões de toneladas

e o de etanol 1,183 bilhão

de litros, sendo 531

milhões de litros de etanol anidro

e 653 milhões de litros de

hidratado.

Na região Centro-Sul do Brasil,

desde o início do ciclo 2021/

22 até a segunda metade de

agosto, a moagem acumula

queda de 5,81%. Nesse período,

a quantidade de cana-deaçúcar

processada pelas usinas

atingiu 392,59 milhões de

toneladas, ante 416,82 milhões

de toneladas mesmo período

do último ciclo agrícola.

No acumulado desde o início

da safra 2021/22 até 1 de setembro,

a produção de açúcar

alcançou 24,28 milhões de toneladas,

contra 25,99 milhões

de toneladas verificadas na

mesma data do ciclo 2020/

2021. A fabricação acumulada

de etanol, por sua vez, totalizou

18,65 bilhões de litros,

sendo 7,15 bilhões de litros de

etanol anidro e 11,49 bilhões

de litros de etanol hidratado.

Do total fabricado, 1,29 bilhão

de litros do biocombustível

foram produzidos a partir do

milho.

Dados apurados pelo Centro

de Tecnologia Canavieira (CTC)

para o mês de agosto, considerando

uma amostra comum

de 120 unidades, registraram

produtividade de 65,3 toneladas

por hectare colhido no

mês ante 79,7 toneladas observadas

no mesmo período

na safra 2020/21 – queda de

18,1%. No acumulado desde o

início da safra a queda atinge

14,3%, com 85,0 t/ha no ciclo

passado e 72,9 t/ha na safra

atual.

Estima-se que a área colhida

até o final de agosto atingiu

5,39 milhões de hectares, registrando

incremento de 9,9%

em relação a área colhida até

agosto de 2020. A área colhida

até o momento deve representar

cerca de 71% do total disponível

para colheita na safra

2021/22.

O diretor técnico da Unica, Antonio

de Padua Rodrigues, explica

que “a baixa produtividade

e as geadas contribuíram

para a aceleração da colheita,

que se encontra em estágio

bastante avançado em relação

ao último ciclo agrícola”. O

executivo complementa dizendo

que “como resultado

devemos observar uma safra

mais curta, com uma parcela

maior de empresas encerrando

o processamento industrial

antes do final de outubro. A expectativa

quanto ao tamanho

da safra permanece sendo de

530 milhões de toneladas de

cana, com viés de baixa, resultado

de uma pesquisa realizada

junto aos produtores da

região Centro-Sul”.

A qualidade da matéria-prima

na 2ª quinzena de agosto,

mensurada a partir da concentração

de açúcares totais recuperáveis

por tonelada de

cana-de-açúcar, registrou

154,85 kg de ATR por tonelada,

com retração de 0,71%

em relação aos 155,95 observados

no ciclo passado. No

acumulado desde o início da

safra até 1 de setembro, o indicador

de concentração de

açúcares assinala 140,26 kg

de ATR por tonelada de cana,

um aumento de 0,65% em relação

ao valor observado o

ciclo 2020/21.

Jornal Paraná

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PROJETO SOCIAL

Grupo Maringá patrocina

Registros do Amanhã

Iniciativa levará oficinas de audiovisual a

100 estudantes da rede pública de Itapeva

Ciente de sua responsabilidade

social, o

Grupo Maringá, do

qual faz parte a Usina

Jacarezinho, apoia diversas

iniciativas socioeducativas

e ambientais em prol das

comunidades nas regiões onde

atua.

Com apoio da Lei de Incentivo

à Cultura, patrocínio da Maringá

Ferro-Liga e parceria do

Projeto Social Grêmio União,

da Goal Projetos e da Prefeitura

Municipal de Itapeva, o

projeto Registros do Amanhã

oferece oficinas de audiovisual

a 100 jovens do Ensino

Fundamental ou Médio da região

de Itapeva (SP).

As aulas tiveram início em 30

de agosto, simultaneamente,

em três instituições da cidade:

na Escola Municipal Newton de

Moura Muzel, na ETEC Jd. Europa

e na Casa da Cultura Cícero

Marques. Por meio de

conteúdos específicos, os alunos

têm a oportunidade de trabalhar

a emoção, a cognição e

a criatividade de forma dinâmica

e estética.

Estão previstos um festival de

curtas e a produção de três documentários

de 30 minutos,

que terão apoio da equipe técnica

do projeto, com o tema

“Visões do futuro - reflexões da

pandemia nas novas gerações''.

O Grupo Maringá atua nos setores

sucroenergético, produzindo

açúcar, etanol e energia,

e siderúrgico, fabricando ferro-liga

de manganês.

Com 75 anos de tradição, a

Usina Jacarezinho, a Cia. Canavieira

e, agora, a Maringá Energia,

atuam de forma integrada

para fornecer alimento e energia

limpa e renovável aos mercados

nacional e internacional.

Na siderurgia, o grupo atua há

mais de 40 anos, produzindo

ferro-ligas de manganês de alto

padrão, matéria-prima essencial

para a fabricação de aço,

por meio da Maringá Ferro-Liga

S/A, localizada em Itapeva

(SP).

Alunos vão trabalhar a

emoção, a cognição e a

criatividade de forma

dinâmica e estética

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Jornal Paraná


DOIS

PONTOS

Mercado de carbono

De olho nas discussões

sobre o estabelecimento de

uma indústria mais sustentável,

o CEBDS (Conselho

Empresarial Brasileiro para o

Desenvolvimento Sustentável)

lançou um Marco Regulatório

voltado para os

mercados de baixo carbono.

O documento, disponível no

site da instituição, foi elaborado

a partir das conclusões

do Seminário Final do Projeto

de Mercados de Carbono.

Além disso, uma

cartilha voltada para a sociedade

civil também foi elaborada

a fim de expandir os

debates populares sobre o

tema.

Venda direta

O Conselho Nacional de Política

Energética aprovou a

redução do teor de mistura

obrigatória do biodiesel no

óleo diesel de 13% para

10%, na vigência do 82º leilão

de biodiesel, destinado

ao suprimento dos meses

de novembro e dezembro de

Um carro que foi projetado

para eliminar a poluição do ar

enquanto é dirigido foi exibido

no Festival de Velocidade

de Goodwood, no Reino

Etanol

Biodiesel

Carro futurista

2021. A medida ocorre em

meio a preços mais altos da

soja, principal matéria-prima

do biocombustível. Em nota,

a Aprobio (Associação dos

Produtores de Biocombustíveis

do Brasil) classificou a

decisão como "o maior retrocesso

já aplicado à Política

Nacional de Biocombustíveis

(RenovaBio)”. Na visão

da entidade, a mudança

vai gerar desemprego, desinvestimento

e aumento da

poluição e da inflação, além

de afastar o Brasil dos compromissos

de descarbonização.

Unido. Criado pelo designer

britânico Thomas Heatherwick,

o Airo deve entrar em

produção na China em 2023

- e a ideia é fabricar um milhão

deles. O design radical

pretende abordar não apenas

a questão da poluição, mas

também ajudar a resolver a

"crise espacial".

O presidente Jair Bolsonaro

decidiu antecipar o início da

vigência de duas medidas

anunciadas em agosto para

tentar ampliar a competição

no mercado de combustíveis,

a venda direta de etanol

entre usinas e postos e a

possibilidade de que postos

vendam combustíveis de outras

marcas. As mudanças

foram alvo de uma MP (medida

provisória) assinada no

dia 11 de agosto, atropelando

o debate sobre os

temas na ANP (Agência Nacional

do Petróleo, Gás e

Biocombustíveis). O texto,

porém, previa um prazo de

90 dias para início de vigência.

Em comunicado, o Palácio

do Planalto diz que nova

MP e decreto assinados regulamentam

o novo modelo

e já permitem sua aplicação

imediata.

A produção total de etanol

para 2021 do Brasil está estimada

em 30,43 bilhões de

litros, uma queda significativa

de 13% em relação ao

número revisado para 2020

(35,08 bilhões de litros), de

acordo com o Departamento

de Agricultura dos Estados

Unidos (USDA). A produção

de etanol para uso como

combustível está estimada

em 26,63 bilhões de litros,

uma redução de 4,27 bilhões

de litros em relação à safra

anterior. A redução é baseada

na menor produção

de cana na safra 2021/22 e

nas decisões das usinas sucroalcooleiras

de desviar

mais cana para a produção

de açúcar, como fizeram no

ciclo anterior. Por outro lado,

o aumento esperado na produção

de etanol de milho

deve compensar parcialmente

a redução do etanol

de cana.

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Jornal Paraná


Feito de cana

De acordo com uma pesquisa

da Nielsen, a sustentabilidade

é uma das maiores

preocupações do consumidor

brasileiro. Tendo isso

como um de seus pilares, a

Melissa desenvolveu o primeiro

monobloco em E.V.A.,

os ‘chinelos-nuvem’, derivado

da cana-de-açúcar. Batizado

de Melfree, o material

conta com 20% de carbono

renovável (a cana é responsável

por esse número), se

tratando de um E.V.A que

emite até 65% menos CO 2 eq

(unidade de medida internacional

que traduz os demais

gases do efeito estufa

em termos equivalentes ao

CO 2 ).

Gigante

A Vibra (ex-BR Distribuidora)

e a Copersucar anunciaram a

criação de uma empresa para

atuar no segmento de comercialização

de etanol. Com receita

de R$ 30 bilhões, por

ano, a companhia nasce para

movimentar cerca de 9 bilhões

de litros por ano. A parceria

será feita por meio da

aquisição pela Vibra de

49,99% da ECE (Empresa

Comercializadora de Etanol),

que permanecerá controlada

pela Copersucar. Juntos, os

dois sócios vão investir R$

450 milhões na nova empresa.

Essa companhia será

responsável por comprar toda

a produção de etanol da

Copersucar, hoje entre 4,5 e

5 bilhões de litros por ano, e

será a única supridora dos

postos da Vibra, que vendem

hoje entre 6 e 6,5 bilhões de

litros por ano.

Fenasucro & Agrocana

A Fenasucro & Agrocana

(Feira Internacional da Bioenergia)

realizará a sua 28ª

edição entre os dias 9 e 12

de novembro de 2021, no

Centro de Eventos Zanini,

em Sertãozinho (SP). O

evento, realizado pelo CEISE

Br e promovido e organizado

pela RX Brasil, é o único da

América Latina a reunir inovações

e conteúdo de alto

nível técnico voltados à toda

cadeia de produção da indústria

de bioenergia, além

de profissionais das indústrias

de alimentos e bebidas,

papel e celulose, transporte

e logística e distribuidoras e

comercializadoras de energia.

Perdas causadas por geadas,

estiagens e, mais recentemente,

pelos incêndios, associadas

a uma redução já

prevista na área de plantio,

devem levar o Centro-Sul à

pior safra de cana-de-açúcar

dos últimos dez anos. A Unica

prevê quebra histórica de 75

Perdas

milhões de toneladas de cana

no Centro-Sul, uma redução

de 12%, atingindo um patamar

de 530 milhões de toneladas.

Com prejuízos na

colheita, produção pode ter

recuo de 5 milhões de toneladas

de açúcar e de 3 bilhões

de litros de etanol.

A Copersucar, maior comercializadora

de açúcar e etanol

do mundo, atingiu uma

marca inédita ao realizar carregamento

recorde em um

único navio em seus 23

Copersucar

anos de terminal, registrando

o maior transporte marítimo

na história do Brasil em

açúcar a granel. Construído

em 2020, o navio graneleiro

Cape Town com bandeira de

Hong Kong, partiu de Santos

para a China, com 108.906

mil toneladas do produto,

volume suficiente para encher

cerca de 2.870 caminhões.

Jornal Paraná

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