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Edição de 1º de fevereiro de 2021

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propmark.com.br<br />

ANO 56 - Nº 2830 - <strong>1º</strong> <strong>de</strong> <strong>fevereiro</strong> <strong>de</strong> <strong>2021</strong> R$ 15,00<br />

Divulgação<br />

profissionais refletem sobre<br />

o que é ser publicitário<br />

Com o objetivo <strong>de</strong> celebrar o Dia do publicitário, pROpMARK ouviu lí<strong>de</strong>res e jovens profissionais<br />

<strong>de</strong> gran<strong>de</strong>s agências para saber como diferentes gerações <strong>de</strong>finem uma das profissões<br />

mais importantes para a economia do país. As respostas <strong>de</strong>monstram que a ativida<strong>de</strong>,<br />

talvez, nunca esteve tão consciente <strong>de</strong> seu papel frente à socieda<strong>de</strong>. pág. 26<br />

FIM DO DOMINGÃO<br />

ACELERA MUDANÇAS<br />

No fim do ano, Fausto<br />

Silva e Globo vão<br />

encerrar uma parceria<br />

<strong>de</strong> mais <strong>de</strong> 3o anos. Para<br />

especialistas, evento<br />

po<strong>de</strong> se transformar em<br />

oportunida<strong>de</strong>. pág. 10<br />

vEíCULOS ASSINAM<br />

AÇãO EM pROL DA vACINA<br />

Consórcio que reúne<br />

principais meios <strong>de</strong><br />

comunicação lança<br />

campanha Vacina sim<br />

para conscientizar<br />

sobre importância<br />

da vacinação. pág. 13<br />

MERCADO bUSCA MAIS<br />

INtELIgêNCIA EMOCIONAL<br />

Profissionais <strong>de</strong><br />

psicologia, RH e gestão,<br />

como Isabella Zakzuk,<br />

da P&G, <strong>de</strong>fen<strong>de</strong>m que<br />

com a pan<strong>de</strong>mia esta é<br />

a habilida<strong>de</strong>-chave para<br />

li<strong>de</strong>ranças. pág. 30


editorial<br />

Armando Ferrentini<br />

aferrentini@editorareferencia.com.br<br />

dia do Publicitário<br />

leitor vai se <strong>de</strong>parar nesta edição do PROPMARK com matéria produzida<br />

pelo nosso editor Leonardo Araujo sobre o Dia do Publicitário, que<br />

O<br />

se comemora em <strong>1º</strong> <strong>fevereiro</strong> no Brasil, por força do Decreto-Lei nº 57.690,<br />

<strong>de</strong> 1966, instituído com o objetivo principal <strong>de</strong> regulamentar a profissão.<br />

Só que, como sempre ocorre nessas ocasiões, as finalida<strong>de</strong>s do diploma<br />

legal se expan<strong>de</strong>m, reforçando a importância do produto final (trabalho)<br />

da ativida<strong>de</strong> profissional regulamentada, como agora estamos vendo com<br />

a campanha a ser divulgada por um consórcio formado pelos principais<br />

meios <strong>de</strong> comunicação do nosso país.<br />

Com isso, a junção das forças do capital e do trabalho colaborará para o<br />

esclarecimento público (numa primeira etapa) sobre o plano <strong>de</strong> vacinação<br />

contra o Covid-19 e, ao mesmo tempo, a necessida<strong>de</strong> <strong>de</strong> todos se vacinarem,<br />

justificando assim o esforço dos governos na aquisição das diversas<br />

vacinas contra a pan<strong>de</strong>mia.<br />

E é exatamente aqui que entra o trabalho criativo dos nossos publicitários,<br />

<strong>de</strong>monstrando, em diversas campanhas que serão veiculadas a partir <strong>de</strong><br />

agora, que a vacina é o único remédio <strong>de</strong> que dispomos para combater a<br />

Covid-19 e acabar <strong>de</strong> vez com essa doença nefasta que já levou em todo o<br />

planeta milhares <strong>de</strong> seres humanos à morte.<br />

Como sempre há preconceito em parcelas da população quando surge um<br />

remédio novo para combater uma grave enfermida<strong>de</strong> como a Covid-19, as<br />

campanhas publicitárias que começarão a ser veiculadas em nosso país<br />

alertarão a população para a necessida<strong>de</strong> premente <strong>de</strong> cada cidadão ser vacinado<br />

a seu tempo, seguindo as faixas etárias que já começam a ser divulgadas,<br />

evitando assim que ninguém, absolutamente ninguém, <strong>de</strong>ixe <strong>de</strong> ser<br />

vacinado por falta <strong>de</strong> informação, ou até mesmo por temor aos efeitos do<br />

novo medicamento.<br />

Devemos agra<strong>de</strong>cer, isto sim, aos diversos laboratórios que se adiantaram<br />

na criação da vacina, salvando a humanida<strong>de</strong> do pior. E aos publicitários e<br />

suas agências, que com o seu talento e força <strong>de</strong> veiculação, o que nos obriga<br />

<strong>de</strong>s<strong>de</strong> já a agra<strong>de</strong>cer à mídia brasileira, têm parte significativa na eliminação<br />

<strong>de</strong>sse mal do século que é a Covid-19.<br />

***<br />

Ainda na matéria do jornalista Leonardo Araujo encaixou-se a pergunta que<br />

uma boa parte da nossa população não sabe respon<strong>de</strong>r com precisão: “O<br />

que é ser publicitário?”.<br />

Profissão antiga, que se mo<strong>de</strong>rnizou com o surgimento <strong>de</strong> novos meios <strong>de</strong><br />

comunicação, o principal <strong>de</strong>les em meados (em gran<strong>de</strong> escala) do século<br />

passado, que produziu o milagre da imagem em movimento em tempo real,<br />

o que muito colaborou para levar e/ou acelerar o processo <strong>de</strong> educação dos<br />

povos através do conhecimento do existente, provocando inclusive o surgimento<br />

<strong>de</strong> uma safra <strong>de</strong> talentos humanos em todo o planeta, fazendo com<br />

que um aparelho <strong>de</strong> TV não fosse apenas entretenimento, mas também e<br />

principalmente educação e cultura junto às populações.<br />

Nessa equação, surge o produto final criado pelos publicitários para utilização<br />

nas diversas formas <strong>de</strong> mídia então existentes e provocando o surgimento<br />

obrigatório <strong>de</strong> outras, a se anteporem pela necessida<strong>de</strong> concorrencial,<br />

ou até a serem produtos complementares da magia da TV. Para que isso<br />

ocorresse, valorizando as novas mídias que a partir dali foram surgindo,<br />

havia a necessida<strong>de</strong> do talento humano conduzindo o processo e evitando<br />

a estagnação. Uma primeira safra <strong>de</strong> publicitários surgiu dominando o novo<br />

veículo <strong>de</strong> comunicação e, ao mesmo tempo, valorizando as mensagens<br />

dos seus clientes-anunciantes.<br />

Durante cinco décadas a TV foi soberana na conquista do público, mas<br />

como o <strong>de</strong>stino do ser humano é não ficar estagnado, a partir da TV surgiram<br />

as mídias digitais, que hoje curiosamente disputam com aquela e já<br />

levando vantagem, a primazia na li<strong>de</strong>rança <strong>de</strong>sse avanço dos meios.<br />

A matéria produzida por Leonardo Araujo, ressaltando-se na indagação <strong>de</strong><br />

que o que é ser publicitário, em um primeiro momento po<strong>de</strong> produzir resposta<br />

comum e fácil. Mas, com o avanço dos meios, para quem realmente é<br />

publicitário, po<strong>de</strong> comportar muitas respostas e aí resi<strong>de</strong> a beleza e a gran<strong>de</strong><br />

transformação verificada no setor nos últimos anos.<br />

A magia produzida pela internet fez com que muitos jovens, sem carteira<br />

profissional assinada e sem nenhuma ligação com o mercado publicitário<br />

oficialmente falando, também pu<strong>de</strong>ssem ser no seu dia a dia uma espécie<br />

<strong>de</strong> publicitário não oficializado, mas com gran<strong>de</strong> capacida<strong>de</strong> <strong>de</strong> comunicação<br />

com os diversos públicos que escolhe para lançar suas mensagens, sem<br />

saber sequer que o dia <strong>1º</strong> <strong>de</strong> <strong>fevereiro</strong> também po<strong>de</strong>ria ser o seu dia.<br />

***<br />

Tudo, absolutamente tudo que é matéria editorial nas edições do PROP-<br />

MARK, tem seu valor e leitores específicos para <strong>de</strong>terminados fatos e assuntos<br />

que contemplam cada edição <strong>de</strong>ste semanário, que em maio completará<br />

56 anos <strong>de</strong> circulação semanal ininterrupta.<br />

Há inclusive fatos que são noticiados primeiro pela chamada gran<strong>de</strong> mídia<br />

e <strong>de</strong>pois pela mídia do meio, como o anúncio da saída <strong>de</strong> Fausto Silva, o<br />

Faustão, com prolongada carreira na Globo, que <strong>de</strong>ve terminar no fim <strong>de</strong>ste<br />

ano, sem renovação (até aqui) para 2022.<br />

Seja lá como for, é inegável que Faustão, embora não tenha criado a figura<br />

do apresentador <strong>de</strong> auditório, criou <strong>de</strong>s<strong>de</strong> os tempos do Perdidos na Noite,<br />

em outra TV, uma forma carismática <strong>de</strong> trabalhar diante das câmeras, sendo<br />

um dos primeiros artistas e muito provavelmente o mais forte <strong>de</strong>les a<br />

quebrar as amarras formais <strong>de</strong>sse tipo <strong>de</strong> profissional diante do seu público.<br />

Lógico que não po<strong>de</strong>mos abdicar da lembrança <strong>de</strong> um Chacrinha, por exemplo,<br />

e da cultura e versatilida<strong>de</strong> <strong>de</strong> um Chico Anysio e seus múltiplos personagens,<br />

mas Faustão, saindo do rádio esportivo e imediatamente passando para a<br />

TV, abraçou-a com invulgar naturalida<strong>de</strong>, dominando as câmeras como sendo<br />

suas súditas. E, o mais importante, sempre fazendo seu numeroso público rir<br />

e ao mesmo tempo alguns se valorizarem, na mágica que a TV ainda possui.<br />

Para on<strong>de</strong> vai Faustão a partir <strong>de</strong> 2022?<br />

***<br />

Imperdível – como <strong>de</strong> resto todo o produto editorial <strong>de</strong> nossa responsabilida<strong>de</strong><br />

que publicamos semanalmente no impresso do PROPMARK e diariamente<br />

no online do mesmo – o trabalho da Redação sobre os <strong>de</strong>safios da<br />

nova geração dos CEOs <strong>de</strong> agências, com menos <strong>de</strong> 40 anos <strong>de</strong> ida<strong>de</strong>, casos<br />

<strong>de</strong> Filipe Bartholomeu (AlmapBBDO) e Marcia Esteves (Lew’Lara/TBWA),<br />

além <strong>de</strong> muitos outros que se adiantaram na carreira em busca <strong>de</strong> não apenas<br />

conviver com as li<strong>de</strong>ranças, mas fazer parte <strong>de</strong>las. Percebe-se que estão<br />

surgindo no mercado publicitário novas li<strong>de</strong>ranças com até menos ida<strong>de</strong><br />

do que Filipe e Marcia. O que leva a isso não é apenas o talento, o grau <strong>de</strong><br />

conhecimento <strong>de</strong> cada preten<strong>de</strong>nte a li<strong>de</strong>rar um dos mais difíceis ramos <strong>de</strong><br />

trabalho, mas o preparo que se autoimpõe para galgar os vários <strong>de</strong>graus <strong>de</strong><br />

subida à sua frente até chegar no topo.<br />

Com que palavra po<strong>de</strong>mos <strong>de</strong>nominar isso? Deixemos para os nossos leitores<br />

encontrá-la.<br />

Nosso melhor resultado<br />

é o resultado<br />

dos nossos clientes.<br />

jornal propmark - <strong>1º</strong> <strong>de</strong> <strong>fevereiro</strong> <strong>de</strong> <strong>2021</strong> 3


Índice<br />

dia do Publicitário<br />

e os significados<br />

da profissão<br />

PROPMARK ouviu profissionais<br />

<strong>de</strong> diferentes gerações para<br />

respon<strong>de</strong>rem à pergunta sobre<br />

o que é ser publicitário. Data é<br />

comemorada nesta segunda (1 º ).<br />

caPa<br />

26<br />

Fotos: Divulgação<br />

MercadO<br />

ceOs com menos <strong>de</strong><br />

40 falam <strong>de</strong> <strong>de</strong>safios<br />

Com 39 anos, Filipe Bartholomeu li<strong>de</strong>ra há<br />

seis anos a AlmapBBDO, uma das maiores<br />

agências do Brasil. Ele e outros profissionais<br />

<strong>de</strong> sua geração falam sobre as estratégias<br />

para conectar as marcas dos clientes às<br />

pessoas e como engajar em um mundo<br />

totalmente on <strong>de</strong>mand. pág. 24<br />

PesQuisas<br />

entrevista<br />

Marcas<br />

covid-19 acelera uso<br />

da internet dos 60+<br />

Estudo da Kantar Ibope Media mostra que,<br />

em 2016, 31,8% das pessoas com mais <strong>de</strong> 60<br />

anos, batizadas <strong>de</strong> Masters, tinham acesso<br />

à internet, e em 2020 esse número chegou<br />

a 64%. Outro dado é que eles ampliaram a<br />

presença nas re<strong>de</strong>s sociais. pág. 16<br />

dr. Good cresce com<br />

vitamina em goma<br />

No fim <strong>de</strong> 2010, as vendas giravam em torno<br />

<strong>de</strong> sete a <strong>de</strong>z mil potes. A partir <strong>de</strong> março<br />

<strong>de</strong> 2020, a comercialização alcançou 45<br />

mil potes. O impulso veio com a Covid-19,<br />

que <strong>de</strong>spertou no brasileiro o hábito <strong>de</strong><br />

consumir vitaminas. pág. 33<br />

Pringles quer li<strong>de</strong>rar<br />

snacks <strong>de</strong> batatas<br />

A expansão da marca é uma das priorida<strong>de</strong>s<br />

da Kellogg Company no país. A diretora <strong>de</strong><br />

marketing Cristina Monteiro conta sobre<br />

os planos da empresa para o salgadinho,<br />

que tem a lata como um dos seus ícones,<br />

ultrapassar Ruffles até o final <strong>de</strong> 2022 e as<br />

estratégias digitais da comunicação. pág. 18<br />

editorial ................................................................3<br />

conexões ...............................................................6<br />

curtas ....................................................................8<br />

Mídia ...................................................................10<br />

Pesquisas ............................................................14<br />

inspiração ..........................................................17<br />

entrevista ...........................................................18<br />

Beyond the Line ................................................20<br />

Quem Fez ............................................................21<br />

We Love MKt ......................................................22<br />

Mercado ..............................................................23<br />

Marcas .................................................................33<br />

Última Página ....................................................34<br />

O editor Paulo Macedo está <strong>de</strong> férias e a<br />

coluna Supercenas voltará em março.<br />

4 <strong>1º</strong> <strong>de</strong> <strong>fevereiro</strong> <strong>de</strong> <strong>2021</strong> - jornal propmark


conexões<br />

Muito legal... e o trabalho do grafiteiro<br />

Pardal ficou incrível!<br />

Roberto <strong>de</strong> Angelantonio Jr.<br />

última Hora<br />

LinkedIn<br />

Post: McDonald’s apresenta<br />

Méqui da Praça Pan<br />

E mais uma obra do Pardalzinho virando<br />

cartão-postal da cida<strong>de</strong>!<br />

Fábio Rebouças<br />

dorinHo<br />

Pertencimento. Brand placement.<br />

Engajamento. Show, João Branco<br />

do Méqui!<br />

Isabel Cristina Pipolo<br />

Post: PROPMARK Live traz<br />

Manu Carvalho, da Match &<br />

Co.<br />

Adoro a Manuela Carvalho!<br />

Clarissa Cavalcante<br />

Post: Record rescin<strong>de</strong> contrato<br />

com Marcos Mion<br />

É só o universo preparando o caminho...<br />

Essa semana Faustão já<br />

avisou que vai sair da Globo, Luciano<br />

Huck é candidato em 2022.<br />

É a hora <strong>de</strong> o Mion brilhar no plin<br />

plin. E com aquela família lindaaaaaaaa!<br />

Não vejo Tiago Leifer<br />

segurando a Dança dos Famosos,<br />

mas o Mion arrasará. Quem concorda?<br />

Isabel Cristina Pipolo<br />

CONEXÃO rEal<br />

A nova campanha <strong>de</strong> Nestlé <strong>de</strong>fen<strong>de</strong> que a vida é mais feliz<br />

quando é para valer. Criado pela GUT, o material Pare o<br />

mundo que eu quero Nestlé tem o emoji vermelho <strong>de</strong> uma<br />

barra <strong>de</strong> chocolate como símbolo. No filme, uma jovem<br />

<strong>de</strong>sconectada do mundo fica “presa” no mundo perfeito das<br />

re<strong>de</strong>s sociais, em busca por likes. Ela é resgatada por uma<br />

amiga, através do emoji. Estratégia inclui TV e re<strong>de</strong>s sociais.<br />

CONQUISTA<br />

A R/GA vai aten<strong>de</strong>r a conta<br />

global <strong>de</strong> social media da<br />

Uber. A R/GA São Paulo,<br />

comandada pelo seu CEO<br />

Fabiano Coura, é responsável<br />

pela gestão da conta no<br />

Brasil e México.<br />

A agência <strong>de</strong>senvolverá<br />

i<strong>de</strong>ias e execuções datadriven,<br />

conteúdo baseado<br />

na cultura e gerenciamento<br />

das comunida<strong>de</strong>s para todos<br />

os negócios globais da Uber<br />

Ri<strong>de</strong>s e Uber Eats. Segundo<br />

Coura, serão integrados<br />

talentos em social media,<br />

content creation, mídia e<br />

marketing sciences para criar<br />

pods globais e regionais.<br />

REPRESENTATIVIDADE<br />

O Prêmio Publicitários<br />

Negros revela os seus<br />

vencedores. O critério: a<br />

participação <strong>de</strong> negros em<br />

cargos <strong>de</strong> li<strong>de</strong>rança das<br />

empresas envolvidas.<br />

A mais votada foi Alvos<br />

do Genocídio, da Coalizão<br />

Negra por Direitos,<br />

assinado pela Wun<strong>de</strong>rman<br />

Thompson. Em seguida,<br />

POWER, do BLCK.PWR.ADS,<br />

realizada pelas agências<br />

AGÔ, Unblock.coffee e<br />

Canja Audio Culture.<br />

E, por fim, a terceira foi<br />

a #Futuro Vivo, realizada<br />

por VMLY&R, Coração<br />

da Selva e Soko.<br />

DEBaTE<br />

O Senac-SP lança editoriais, lives e podcasts em parceria com<br />

o Estúdio Folha, ateliê <strong>de</strong> conteúdo patrocinado do jornal.<br />

O bran<strong>de</strong>d content foi i<strong>de</strong>alizado pela Publicis. Participam o<br />

historiador e escritor Leandro Karnal, o filósofo Luiz Felipe<br />

Pondé e o diretor acadêmico do Centro Universitário Senac,<br />

Eduardo Ehlers. Ação inclui brand page no site do jornal e<br />

webinar sobre o Futuro da Carreira e a Carreira do Futuro.<br />

6 <strong>1º</strong> <strong>de</strong> <strong>fevereiro</strong> <strong>de</strong> <strong>2021</strong> - jornal propmark


Nelcina Tropardi , Arcamais ,<br />

Presi<strong>de</strong>nte da ABA<br />

Frank Pflaumer, Nestlé,<br />

<strong>1º</strong> Vice-Presi<strong>de</strong>nte da ABA<br />

O FUTURO<br />

PASSA<br />

POR AQUI.<br />

Para você, o futuro inspira medo ou inspira?<br />

Profissionais que caminham na direção do futuro, movidos por i<strong>de</strong>ias<br />

e i<strong>de</strong>ais. Impulsionam negócios, transformam a socieda<strong>de</strong> e uns aos outros.<br />

Sorte das marcas que têm profissionais que pensam assim.<br />

Eles se reúnem na ABA. Faça parte da ABA.<br />

aba.com.br<br />

ASSOCIAÇÃO<br />

BRASILEIRA DE<br />

ANUNCIANTES


curtas<br />

PRoPMaRk liVe: VaneSSa bRandão<br />

akTuellMix: SéRie <strong>de</strong> MudançaS<br />

aMPfy conquiSTa oVoMalTine<br />

Fotos: Divulgação<br />

Executiva é diretora <strong>de</strong> marketing da Amstel<br />

Na última semana, a sócia diretora da<br />

Match & Co, Manu Carvalho, refletiu sobre<br />

influenciadores e afirmou que eles não são<br />

ven<strong>de</strong>dores das marcas, mas porta-vozes.<br />

Já Rodrigo Iasi, diretor <strong>de</strong> marketing da<br />

BIC, comentou que o propósito da marca<br />

nunca foi tão pertinente. Esta semana,<br />

Vanessa Brandão, diretora <strong>de</strong> marketing da<br />

Amstel, que pertence ao Grupo Heineken,<br />

fala sobre as estratégias para <strong>2021</strong>, da<br />

transformação no consumo e da aposta <strong>de</strong><br />

patrocínio no BBB. O bate-papo será realizado<br />

na terça-feira (2), às 16h, no canal do<br />

PROPMARK no YouTube. O público po<strong>de</strong><br />

enviar perguntas pelo chat da plataforma.<br />

PluTo TV ganha TRêS noVoS canaiS<br />

Agência tem novida<strong>de</strong>s no nome, na se<strong>de</strong> e no time<br />

Em <strong>2021</strong>, ano que comemora 25 anos <strong>de</strong><br />

atuação, a Aktuellmix tem uma série <strong>de</strong><br />

mudanças em busca <strong>de</strong> agilida<strong>de</strong> na gestão<br />

e evolução no processo que vem implementando<br />

<strong>de</strong>s<strong>de</strong> 2014. Na equipe, além<br />

dos sócios Celio Ashcar Jr. e Mario Medina,<br />

o profissional Eduardo Andra<strong>de</strong>, que já<br />

esteve na casa por cinco anos como diretor<br />

<strong>de</strong> negócios, chega como CEO. Já Leonardo<br />

Santiago foi promovido a CFO. Eles atuarão<br />

na li<strong>de</strong>rança da agência. A marca foi atualizada,<br />

passa a ser chamada <strong>de</strong> “akm” e há<br />

um novo site. A se<strong>de</strong> da empresa também<br />

mudou. O novo espaço está sendo preparado<br />

na Rua Guararapes, 700, no Brooklin.<br />

JúRi do d&ad TeM 21 bRaSileiRoS<br />

Concorrência foi li<strong>de</strong>rada pela consultoria Scopen<br />

A Ampfy, agência que em <strong>2021</strong> completa<br />

10 anos <strong>de</strong> atuação no mercado publicitário,<br />

conquistou a conta <strong>de</strong> Ovomaltine. André<br />

Chueri, presi<strong>de</strong>nte da agência, comentou<br />

a novida<strong>de</strong> no portfólio. “É uma marca<br />

unânime, amada por todas as ida<strong>de</strong>s, que<br />

tem um trabalho belíssimo em inovação<br />

e produto. É uma alegria começar o ano<br />

com a chegada <strong>de</strong> uma parceria no quilate<br />

<strong>de</strong> Ovomaltine”, diz. A agência, que tem<br />

cases para marcas como Perdigão, Melitta e<br />

Andorinha, foi escolhida por meio <strong>de</strong> concorrência<br />

li<strong>de</strong>rada pela consultoria Scopen.<br />

A parceria já começou e as primeiras ações<br />

serão divulgadas em breve.<br />

TJ-SP con<strong>de</strong>na MaTTel PoR VÍ<strong>de</strong>oS<br />

Plataforma estreou no Brasil em <strong>de</strong>zembro<br />

A Pluto TV ampliou sua biblioteca com<br />

três canais: Pluto TV Filmes Suspense,<br />

Pluto TV Vida Real e Tastema<strong>de</strong>. Lançada<br />

no país em <strong>de</strong>zembro, a empresa já conta<br />

com 27 canais originais. Para o TV Filmes<br />

Suspense (69), estão previstas produções<br />

como O Caçador (2011), Obsessão Perigosa<br />

(2018), Rostos na Multidão (2011) e Sangue<br />

no Gelo (2013); o TV Vida Real (267) <strong>de</strong>ve<br />

ter Anjos da Guarda, Colecionadores,<br />

O Mundo Sem Ninguém, Série Saú<strong>de</strong>,<br />

Socorro Imediato e Transplantes; e o Tastema<strong>de</strong><br />

(556) vai exibir programas como Alô,<br />

Bebeta, Chapa Comigo, Receitas Incríveis<br />

e Tastemakers: A Competição.<br />

Sergio Gordilho, da Africa, é um dos representantes<br />

O d&ad <strong>2021</strong> tem 21 brasileiros nos<br />

júris: além <strong>de</strong> Sergio Gordilho, estão:<br />

Paulo Garcia (Zombie Studio e Blinkink),<br />

Andre Gola (AlmapBBDO), Julia Liberati<br />

(Tatil Design), André Kassu (CP+B), Laura<br />

Esteves (DPZ&T), Rodrigo Saavedra (The<br />

Directors Bureau), Hugo Veiga (AKQA),<br />

Daniel Soro (Piloto), Luísa Barbosa (Conspiração),<br />

Daniela Ribeiro (Artplan), Marina<br />

Rodrigues (Goodby Silverstein & Partners),<br />

Luiz Evandro (Vetor Zero/Lobo), Fabiano<br />

Higashi (W+K), Renato Winnig (Natura &<br />

Co), Paula Lin<strong>de</strong>nberg (AB InBev), Felix <strong>de</strong>l<br />

Valle Con<strong>de</strong> (Ogilvy Brasil), Bruno Luglio<br />

(Vans), Miguel Bemfica (MRM//McCann),<br />

Roberto Coelho (Satelite Audio) e Daniel<br />

Escu<strong>de</strong>iro (Yone). Festival ocorre em maio.<br />

Empresa não <strong>de</strong>ve fazer publicida<strong>de</strong> infantil no YouTube<br />

O Tribunal <strong>de</strong> Justiça <strong>de</strong> São Paulo<br />

(TJ-SP) con<strong>de</strong>nou a fabricante <strong>de</strong> brinquedos<br />

Mattel do Brasil Ltda. a se abster <strong>de</strong><br />

usar canais no YouTube, protagonizados<br />

por crianças, para a prática <strong>de</strong> publicida<strong>de</strong><br />

infantil, já que o público infantil espectador<br />

não consegue diferenciar o conteúdo<br />

publicitário <strong>de</strong> entretenimento na plataforma.<br />

A empresa também foi con<strong>de</strong>nada<br />

ao pagamento <strong>de</strong> dano moral coletivo<br />

fixado em R$ 200 mil. O programa Criança<br />

e Consumo, do Instituto Alana, <strong>de</strong>nunciou<br />

a campanha Você Youtuber Escola Monster<br />

High ao Ministério Público <strong>de</strong> São Paulo em<br />

2017, e celebra a <strong>de</strong>cisão.<br />

Diretor-presi<strong>de</strong>nte e jor na lis ta<br />

res pon sá vel<br />

Ar man do Fer ren ti ni<br />

Editora-chefe: Kelly Dores<br />

Editores: Neu sa Spau luc ci, Paulo<br />

Macedo e Alê Oliveira (Fotografia)<br />

Editores-assistentes: Jéssica<br />

Oliveira e Leonardo Araujo<br />

Repórteres: Alisson Fernán<strong>de</strong>z e<br />

Janaina Langsdorff<br />

Revisor: José Carlos Boanerges<br />

Edição <strong>de</strong> Arte: Adunias Bispo da Luz<br />

e Anilton Marques Rodrigues<br />

Assistente <strong>de</strong> Arte: Lucas Boccatto<br />

Departamento Comercial<br />

Gerentes: Mel Floriano<br />

mel@editorareferencia.com.br<br />

Tel.: (11) 2065-0748<br />

Monserrat Miró<br />

monserrat@editorareferencia.com.br<br />

Tel.: (11) 2065-0744<br />

Diretor Executivo: Tiago A. Milani<br />

Ferrentini<br />

tferrentini@editorareferencia.com.br<br />

Departamento <strong>de</strong> Assinaturas<br />

Coor<strong>de</strong>nadora: Regina Sumaya<br />

regina-sumaya@editorareferencia.com.br<br />

Assinaturas/Renovação/<br />

Atendimento a assinantes<br />

assinatura@editorareferencia.com.br<br />

São Paulo (11) 2065-0738<br />

Demais estados: 0800 704 4149<br />

Site: propmark.com.br<br />

Redação: Rua Fran çois Coty, 228<br />

CEP 01524-030 – São Pau lo-SP<br />

Tels: (11) 2065-0772 e 2065-0766<br />

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O PrO PMar k é uma pu bli ca ção da Edi to ra re fe rên cia Ltda.<br />

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CEP: 01524-030 Tel.: (11) 2065-0766<br />

as ma té rias as si na das não re pre sen tam ne ces sa ria men te a<br />

opi nião <strong>de</strong>s te jor nal, po <strong>de</strong>n do até mes mo ser con trá rias a ela.<br />

IMPRESSO EM CASA<br />

8 <strong>1º</strong> <strong>de</strong> <strong>fevereiro</strong> <strong>de</strong> <strong>2021</strong> - jornal propmark


<strong>2021</strong> JÁ É O ANO<br />

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mídia<br />

Saída <strong>de</strong> Faustão da Globo cria<br />

oportunida<strong>de</strong>s para anunciantes<br />

Para especialistas, fim do Domingão acelera digitalização dos domingos<br />

da emissora e último ano da atração <strong>de</strong>ve ser prato cheio para as marcas<br />

LEONARDO ARAUJO<br />

parceria entre Globo e<br />

A Faustão já tem data para<br />

acabar. Emissora e apresentador<br />

anunciaram na última semana<br />

que <strong>2021</strong> será o ano <strong>de</strong>rra<strong>de</strong>iro<br />

do Domingão do Faustão.<br />

A atração dominical terminará<br />

após mais <strong>de</strong> 30 anos no ar. Ao<br />

lado do saudoso Gugu e do ainda<br />

ativo Silvio Santos, Faustão<br />

é integrante <strong>de</strong> uma espécie <strong>de</strong><br />

“santíssima trinda<strong>de</strong>” dos domingos<br />

da TV brasileira. O fim<br />

<strong>de</strong> seu programa é também o<br />

fim <strong>de</strong> uma era do audiovisual.<br />

Mas o término da atração po<strong>de</strong><br />

significar oportunida<strong>de</strong>s para o<br />

mercado anunciante.<br />

Em comunicado, a Globo<br />

chamou Faustão <strong>de</strong> “um dos<br />

maiores comunicadores da televisão<br />

brasileira” e afirmou<br />

estar <strong>de</strong>terminada a fazer em<br />

<strong>2021</strong> “a melhor temporada <strong>de</strong><br />

todos os tempos do programa”.<br />

“Ao longo dos próximos meses,<br />

a empresa vai reunir a sua comunida<strong>de</strong><br />

criativa para <strong>de</strong>finir<br />

qual dos projetos em discussão<br />

para o domingo é o mais a<strong>de</strong>quado<br />

aos <strong>de</strong>safios <strong>de</strong> 2022 e a<br />

seu compromisso permanente<br />

com a inovação”, disse a empresa.<br />

O próprio Faustão, com<br />

sua irreverência característica,<br />

agra<strong>de</strong>ceu a parceria. “Gostaria<br />

<strong>de</strong> <strong>de</strong>ixar aqui registrada a<br />

minha gratidão à Globo, on<strong>de</strong><br />

aprendi muito e com a qual tive<br />

a honra <strong>de</strong> viver nos últimos 32<br />

anos uma parceria <strong>de</strong> respeito e<br />

sucesso. Repito aqui o que sempre<br />

disse no ar: a Globo é uma<br />

empresa quase perfeita”.<br />

Como numa gran<strong>de</strong> <strong>de</strong>spedida<br />

<strong>de</strong> um jogador <strong>de</strong> futebol, o<br />

ano <strong>de</strong>rra<strong>de</strong>iro do Domingão vai<br />

chamar a atenção da audiência,<br />

além <strong>de</strong> acelerar a digitalização<br />

da Globo, forçando a emissora<br />

a criar oportunida<strong>de</strong>s para os<br />

anunciantes, conforme explica<br />

Pedro Curi, coor<strong>de</strong>nador do<br />

curso <strong>de</strong> Cinema e Audiovisual<br />

da ESPM Rio. “Temos visto<br />

um movimento das marcas <strong>de</strong><br />

Fausto Silva está há 32 anos no ar na Globo com o seu programa <strong>de</strong> auditório aos domingos<br />

se associarem a pessoas com<br />

bastante presença digital. O<br />

Faustão representa uma televisão<br />

muito tradicional, <strong>de</strong>sse<br />

programa <strong>de</strong> varieda<strong>de</strong>s ancorado<br />

por uma figura muito forte<br />

que, <strong>de</strong> certa forma, é uma herança<br />

que a gente tem do rádio.<br />

[...] O Domingão, por mais que<br />

seja um programa único, tem<br />

muitos quadros internos. Estes<br />

quadros eram patrocinados e a<br />

Globo vai conseguir fazer isso<br />

ainda, talvez trazendo outros<br />

apresentadores”, reflete.<br />

Para Curi, a emissora po<strong>de</strong><br />

explorar nichos diversos usando<br />

novos nomes. “Talvez com<br />

mais presença digital para tentar<br />

renovar também o público<br />

da emissora. Acho difícil que<br />

o domingo traga algo diferente<br />

<strong>de</strong> um programa familiar, mas<br />

talvez algo mais picado, como<br />

a gente vê com o É <strong>de</strong> Casa”,<br />

exemplifica. Além disso, o professor<br />

também acredita que<br />

quadros do Domingão po<strong>de</strong>m<br />

“Acredito que não<br />

hAverá umA perdA<br />

<strong>de</strong> AnunciAntes,<br />

mAs umA<br />

diversificAção”<br />

TV Globo/Raphael Dias/Divulgação<br />

ganhar vida própria. “A Dança<br />

dos Famosos é um programa<br />

in<strong>de</strong>pen<strong>de</strong>nte fora do Brasil”,<br />

exemplifica.<br />

Apesar <strong>de</strong> querido na internet<br />

e protagonista <strong>de</strong> memes<br />

(Tá pegando fogo, bicho e a<br />

fanfic Fausto Silva e Selena Gomez,<br />

por exemplo), Faustão é<br />

uma figura analógica. “Repare<br />

nas fichas que ele usa. [...] Vemos<br />

um movimento maior <strong>de</strong><br />

trazer para a tela pessoas com<br />

gran<strong>de</strong> presença digital que já<br />

tragam para a Globo um número<br />

gran<strong>de</strong> <strong>de</strong> seguidores também.<br />

Tendo a achar que a Globo<br />

não vai per<strong>de</strong>r espaço com a<br />

saída do Faustão, porque olha<br />

o quanto a emissora ganhou <strong>de</strong><br />

anunciantes com o Big Brother,<br />

trazendo mais gente com presença<br />

digital. Acredito que não<br />

haverá uma perda <strong>de</strong> anunciantes,<br />

mas, sim, uma diversificação<br />

e uma abertura <strong>de</strong> oportunida<strong>de</strong>s”.<br />

Para José Conrado, professor<br />

10 <strong>1º</strong> <strong>de</strong> <strong>fevereiro</strong> <strong>de</strong> <strong>2021</strong> - jornal propmark


<strong>de</strong> publicida<strong>de</strong> e propaganda da<br />

Universida<strong>de</strong> Presbiteriana Mackenzie,<br />

não é o fim do Domingão<br />

que po<strong>de</strong> afastar patrocinadores,<br />

mas a própria situação<br />

da TV aberta. “É um programa<br />

que está há muito tempo no ar e<br />

tinha cativado uma certa audiência.<br />

Mas precisamos consi<strong>de</strong>rar<br />

o <strong>de</strong>sgaste. São mais <strong>de</strong> 30<br />

anos. Isso também afasta anunciantes”,<br />

reflete. “A Globo po<strong>de</strong><br />

criar outro programa? Acho que<br />

a tendência talvez seja esta,<br />

consi<strong>de</strong>rando que esta linguagem<br />

dos programas dominicais<br />

está gasta. As pessoas estão um<br />

pouco cansadas disso. A gran<strong>de</strong><br />

questão é renovar este público.<br />

Talvez a escolha <strong>de</strong> um<br />

apresentador mais jovem que<br />

represente um pouco mais esse<br />

mundo contemporâneo po<strong>de</strong><br />

ser uma alternativa”, avalia.<br />

A boa relação <strong>de</strong> Faustão com<br />

o mercado publicitário também<br />

será difícil <strong>de</strong> substituir. Hugo<br />

Rodrigues, CEO da WMcCann,<br />

e Luiz Fernando Musa, CEO da<br />

Ogilvy, corroboram tal afirmação.<br />

“Eu tive o prazer <strong>de</strong> trabalhar<br />

e conhecer o Fausto em<br />

uma campanha gran<strong>de</strong> para<br />

Chevrolet, em 2007. Se você<br />

perguntar para todo mundo<br />

que o conhece, provavelmente<br />

vai ouvir a mesma coisa: é difícil<br />

não se apaixonar por ele,<br />

pelo seu lado humano e pelo<br />

respeito que tem pelo próximo.<br />

O Fausto trata todos, in<strong>de</strong>pen<strong>de</strong>ntemente<br />

da posição ou cargo,<br />

com muita generosida<strong>de</strong>,<br />

educação e ouvindo com muita<br />

atenção. Ele está há 32 anos<br />

li<strong>de</strong>rando os domingos e isso<br />

prova o quanto sabe se comunicar<br />

com a gran<strong>de</strong> maioria dos<br />

brasileiros. Se ele <strong>de</strong>cidir fazer<br />

qualquer outra coisa, terá um<br />

mercado ainda muito gran<strong>de</strong><br />

pela frente”, diz Rodrigues.<br />

Musa relembra que a trajetória<br />

<strong>de</strong> Faustão começou muito<br />

antes da Globo, quando ele<br />

criou um formato “totalmente<br />

inédito e revolucionário do Perdidos<br />

na Noite, na Band”. “Na<br />

Globo ele teve a oportunida<strong>de</strong><br />

<strong>de</strong> ampliar toda a sua irreverência<br />

e sacadas inteligentes, com<br />

quadros que fazem parte da<br />

cultura popular, como Olimpíadas<br />

do Faustão e Caminhão do<br />

Faustão, por exemplo. É <strong>de</strong>le o<br />

crédito <strong>de</strong> estabelecer o hábito<br />

da audiência <strong>de</strong> acompanhar<br />

uma programação dominical<br />

extensa e plural”, relembra.<br />

O CEO da Ogilvy também fala<br />

Para Hugo Rodrigues, CEO da WMcCann, coração <strong>de</strong> Faustão consegue ser maior do que o próprio apresentador<br />

“será um Ano <strong>de</strong><br />

comemorAção,<br />

não <strong>de</strong> término.<br />

A Globo e todo<br />

mercAdo <strong>de</strong>vem<br />

AproveitAr”<br />

sobre como foi trabalhar com o<br />

apresentador. “Faustão é um<br />

cara que cria, opina e participa<br />

da estratégia do negócio junto<br />

com o anunciante. Não existe<br />

alguém que tenha um envolvimento<br />

tão forte em todos<br />

os níveis quanto ele. Tivemos<br />

aqui na Ogilvy a oportunida<strong>de</strong><br />

<strong>de</strong> trabalharmos juntos em diversas<br />

oportunida<strong>de</strong>s. O caso<br />

mais emblemático é com Magalu,<br />

mas também trabalhamos<br />

com Claro e Unilever, além do<br />

lançamento da JAC Motors no<br />

Brasil”, relembra.<br />

Musa <strong>de</strong>staca que a <strong>de</strong>spedida<br />

<strong>de</strong> Fausto Silva po<strong>de</strong> fechar<br />

seu histórico na Globo com<br />

chave <strong>de</strong> ouro. “O término do<br />

contrato na Globo é uma excelente<br />

oportunida<strong>de</strong> para tornar<br />

Musa, CEO da Ogilvy, acredita que a saída do apresentador é uma oportunida<strong>de</strong><br />

Divulgação<br />

Alê Oliveira<br />

esse período um ano histórico.<br />

É o momento <strong>de</strong> solidificar esse<br />

legado, mostrar para todo mundo<br />

a importância <strong>de</strong>ssa história.<br />

É um momento particularmente<br />

interessante, inclusive, para<br />

as marcas, que po<strong>de</strong>rão resgatar<br />

quadros e formatos que foram<br />

eternizados nos últimos 30<br />

anos. Será um ano <strong>de</strong> comemoração,<br />

não <strong>de</strong> término. A Globo<br />

e todo mercado <strong>de</strong>vem aproveitar<br />

o momento para celebrar,<br />

reconhecer os talentos que passaram<br />

por lá, e as contribuições<br />

do programa e do Fausto para a<br />

cultura popular”, opina.<br />

Rodrigues relembra outros<br />

trabalhos <strong>de</strong> Faustão ao lado<br />

<strong>de</strong> anunciantes como Nestlé,<br />

Unilever e P&G, entre outras<br />

gigantes. “São marcas que fazem<br />

parte da vida dos brasileiros.<br />

Isso comprova que ele<br />

vai fazer muita falta se <strong>de</strong>cidir<br />

mesmo não continuar fazendo<br />

propaganda ou entrar em outro<br />

tipo <strong>de</strong> ativida<strong>de</strong>. Na minha<br />

opinião, o po<strong>de</strong>r <strong>de</strong> comunicação<br />

do Fausto é inoxidável para<br />

qualquer marca que queira falar<br />

com o Brasil. O que fica, além<br />

<strong>de</strong> todo o profissionalismo e a<br />

história que ele tem com o mercado<br />

publicitário, é que o coração<br />

<strong>de</strong>le consegue ser maior<br />

do que o tamanho do Faustão.<br />

E isso faz ainda mais diferença<br />

para um mundo melhor”, finaliza<br />

o CEO da WMcCann.<br />

jornal propmark - <strong>1º</strong> <strong>de</strong> <strong>fevereiro</strong> <strong>de</strong> <strong>2021</strong> 11


MíDia<br />

Em ação para o SBT, WMcCann<br />

coloca o Cristo para ver Libertadores<br />

Agência instalou um telão em frente à estatua durante a partida entre<br />

Palmeiras e Santos, primeira final do campeonato transmitida pelo canal<br />

DirecTV Go lança campanha<br />

#<strong>de</strong>sassina para divulgar serviço<br />

Ação criada pela Cubocc estimula o consumidor a cancelar outras<br />

assinaturas e a<strong>de</strong>rir ao app, que traz conteúdo <strong>de</strong> TV aberta e streaming<br />

Para marcar a transmissão da<br />

primeira final <strong>de</strong> uma Copa<br />

Libertadores da América pelo<br />

SBT, a WMcCann criou para o<br />

canal O Torcedor Impossível, colocando<br />

o Cristo Re<strong>de</strong>ntor, no<br />

Rio <strong>de</strong> Janeiro, para assistir ao<br />

jogo entre Palmeiras e Santos,<br />

no último dia 30.<br />

Por meio <strong>de</strong> um telão instalado<br />

em frente à estátua que fica<br />

no topo do morro do Corcovado,<br />

<strong>de</strong>ntro do Parque Nacional<br />

da Tijuca, o jogo foi transmitido<br />

para o Cristo e para quem estivesse<br />

visitando o famoso ponto<br />

turístico. Durante a gran<strong>de</strong> final,<br />

também foram promovidas<br />

diversas ações no intervalo do<br />

confronto, diretamente “dos<br />

pés” do Cristo Re<strong>de</strong>ntor, com<br />

cobertura completa do evento.<br />

A narração da partida foi co-<br />

Na contramão da publicida<strong>de</strong><br />

do setor, a DirecTV<br />

Go, que chegou ao Brasil em<br />

<strong>de</strong>zembro <strong>de</strong> 2020 oferecendo<br />

conteúdo <strong>de</strong> TV aberta e streaming<br />

em um único app, lançou<br />

uma campanha que convida<br />

o consumidor a “<strong>de</strong>sassinar”.<br />

A campanha, com estratégia e<br />

conceito criativo <strong>de</strong>senvolvidos<br />

pela agência Cubocc, usa<br />

a imagem do bicho-preguiça.<br />

Nos filmes, o animal tenta evitar<br />

o cancelamento <strong>de</strong>sses serviços<br />

das formas mais surreais,<br />

mostrando que é preciso superar<br />

a preguiça para finalmente<br />

conseguir cancelar os serviços<br />

que você não precisa mais. A<br />

campanha tem foco em digital,<br />

TV aberta e fechada e OOH.<br />

Teaser instigou público para <strong>de</strong>scobrir quem era o “Torcedor impossível”<br />

Divulgação<br />

mandada por Téo José, com a<br />

presença do ex-treinador Jorginho<br />

e do comentarista Mauro<br />

Beting, direto do Rio <strong>de</strong> Janeiro.<br />

A ação conta com o patrocínio<br />

das marcas Amazon Prime<br />

Ví<strong>de</strong>o, Claro, SportingBet e<br />

Sanofi, que compõem também<br />

o time <strong>de</strong> patrocinadores da<br />

Libertadores no SBT. O campeonato,<br />

que passou a integrar<br />

a gra<strong>de</strong> do SBT no último ano,<br />

Divulgação<br />

Comunicação usa a imagem do bicho-preguiça para passar i<strong>de</strong>ia do conceito criativo<br />

tem garantido recor<strong>de</strong>s <strong>de</strong> audiência<br />

e a manutenção na li<strong>de</strong>rança<br />

durante a transmissão<br />

dos últimos jogos. “O projeto<br />

Libertadores no SBT cresce,<br />

tanto em resultados como reconhecimento<br />

para o público e<br />

marcas. Estamos imprimindo a<br />

autenticida<strong>de</strong> e a qualida<strong>de</strong> do<br />

SBT em um produto vencedor,<br />

que com certeza surpreen<strong>de</strong>rá<br />

ainda mais em <strong>2021</strong>”, <strong>de</strong>staca<br />

Fred Müller, diretor <strong>de</strong> negócios<br />

e marketing do SBT.<br />

Para ativar a ação, o SBT lançou<br />

um teaser, que instigava<br />

ao longo da semana o público a<br />

<strong>de</strong>scobrir quem era o “torcedor<br />

impossível” durante programas<br />

como Domingo Legal e Arena<br />

SBT e nas re<strong>de</strong>s sociais, com<br />

interação no Twitter <strong>de</strong> parte<br />

do casting da emissora.<br />

“Queremos ir na contramão<br />

do mercado. Enquanto o mundo<br />

não para <strong>de</strong> pedir para as<br />

pessoas assinarem mais e mais<br />

serviços, a DirecTV Go chega<br />

com uma campanha que convida<br />

a <strong>de</strong>sassinar. Viemos para<br />

facilitar a vida das pessoas,<br />

entregando muito conteúdo<br />

num único app. A campanha<br />

é um convite para as pessoas<br />

<strong>de</strong>ixarem a preguiça <strong>de</strong> lado e<br />

enfrentarem as dificulda<strong>de</strong>s <strong>de</strong><br />

cancelar assinaturas <strong>de</strong> diferentes<br />

fornecedores, que somados<br />

têm custo final elevado, e levar<br />

uma vida mais fácil com o melhor<br />

que DirecTV Go oferece”,<br />

reforça Alex Rocco, diretor-executivo<br />

<strong>de</strong> aquisições, branding<br />

e marketing da DirecTV Go.<br />

12 <strong>1º</strong> <strong>de</strong> <strong>fevereiro</strong> <strong>de</strong> <strong>2021</strong> - jornal propmark


mídia<br />

Consórcio <strong>de</strong> veículos <strong>de</strong> imprensa<br />

se mobiliza a favor da vacina<br />

TV Globo, G1, GloboNews, O Globo, Extra, O Estado <strong>de</strong> S.Paulo, Folha<br />

<strong>de</strong> S.Paulo e UOL assinam campanha sobre a importância da vacinação<br />

Sob o mote Vacina sim, veículos tentam conscientizar população com campanha<br />

Alguns dos principais veículos<br />

<strong>de</strong> comunicação do<br />

país se uniram para compartilhar<br />

com os brasileiros informações<br />

apuradas sobre a<br />

evolução da Covid-19 no Brasil.<br />

Agora que a vacina chegou ao<br />

Brasil, o consórcio <strong>de</strong> veículos<br />

<strong>de</strong> imprensa busca mobilizar a<br />

população para mostrar que é<br />

hora <strong>de</strong> todos colaborarem. Sob<br />

o mote Vacina Sim, TV Globo,<br />

G1, GloboNews, O Globo, Extra,<br />

O Estado <strong>de</strong> S.Paulo, Folha <strong>de</strong><br />

S.Paulo e UOL lançaram na última<br />

sexta-feira (29), durante o<br />

Jornal Nacional, campanha para<br />

conscientizar sobre a importância<br />

da vacina. O objetivo é<br />

amplificar a informação <strong>de</strong> que<br />

a vacina protege todos, sobretudo<br />

neste momento em que<br />

a socieda<strong>de</strong> brasileira assiste a<br />

morte <strong>de</strong> mais <strong>de</strong> 200 mil pessoas<br />

vítimas da Covid-19.<br />

“O consórcio nasceu para<br />

suprir uma lacuna grave. Como<br />

superar a pan<strong>de</strong>mia sem saber<br />

on<strong>de</strong> o vírus está chegando,<br />

com que força e alcance? O jornalismo<br />

profissional preencheu<br />

esta lacuna. A campanha <strong>de</strong> estímulo<br />

à vacinação inaugurada<br />

agora é um segundo passo natural<br />

para o consórcio. Veículos<br />

que concorrem entre si unidos<br />

para o bem coletivo. Motivar<br />

os brasileiros a buscarem a vacina”,<br />

explica Ricardo Villela,<br />

diretor <strong>de</strong> Jornalismo da Globo.<br />

“Se vacinar é cuidar <strong>de</strong> si,<br />

do outro, da família, dos amigos,<br />

da socieda<strong>de</strong>. Enten<strong>de</strong>mos<br />

que este é um bom momento<br />

para lembrar isso. E, como nos<br />

últimos meses estivemos juntos,<br />

todos os dias, com outros<br />

veículos <strong>de</strong> comunicação para<br />

levar à socieda<strong>de</strong> números e<br />

informações confiáveis sobre<br />

a média <strong>de</strong> casos <strong>de</strong> Covid-19<br />

no Brasil, achamos importante<br />

estar novamente ao lado <strong>de</strong>les<br />

e do público para fazer essa reflexão”,<br />

<strong>de</strong>staca Manuel Falcão,<br />

diretor <strong>de</strong> Marca e Comunicação<br />

da Globo.<br />

O primeiro filme, que foi veiculado<br />

na TV Globo, na Globo-<br />

News e no G1, é uma animação,<br />

cujo locutor afirma que É hora<br />

<strong>de</strong> dizer Vacina Sim. Ela protege<br />

você e protege os outros. Vacina<br />

Sim. Uma campanha para<br />

todos. Também estão previstas<br />

peças para mídia impressa e<br />

digital nos veículos que fazem<br />

parte do consórcio.<br />

Para o diretor <strong>de</strong> Jornalismo<br />

do Grupo Estado, João Caminoto,<br />

a promoção da vacina é um<br />

passo à frente na contenção da<br />

Covid-19 e das fake news: “A<br />

<strong>de</strong>fesa e promoção da vacina,<br />

além <strong>de</strong> ser um passo crucial na<br />

Fotos: Divulgação<br />

“estamos juntos<br />

mais uma vez<br />

para vencer a<br />

<strong>de</strong>sinformação”<br />

contenção da Covid, significa<br />

dar um basta às fake news, ao<br />

negacionismo, ao obscurantismo,<br />

e valorizar a informação, a<br />

ciência e a cidadania. Portanto,<br />

ao promovermos essa campanha<br />

estamos seguindo nossa<br />

missão <strong>de</strong> informar e conscientizar<br />

a socieda<strong>de</strong>”.<br />

Os diretores <strong>de</strong> redação dos<br />

jornais Folha <strong>de</strong> S.Paulo, Sérgio<br />

Dávila, e do Globo, Alan Gripp,<br />

ressaltam a iniciativa do consórcio:<br />

“O consórcio <strong>de</strong> veículos<br />

<strong>de</strong> imprensa é uma iniciativa<br />

sem prece<strong>de</strong>ntes, com a dimensão<br />

que a pan<strong>de</strong>mia exige, em<br />

razão da urgência <strong>de</strong> consolidar<br />

dados confiáveis diariamente.<br />

Agora é a hora <strong>de</strong> o país garantir<br />

a maior vacinação possível,<br />

pelo bem coletivo, e este grupo<br />

não po<strong>de</strong>ria ficar <strong>de</strong> fora <strong>de</strong>ste<br />

momento”, disse Gripp.<br />

De acordo com Dávila, “não<br />

há saída para a pan<strong>de</strong>mia fora<br />

da vacina. Mais uma vez, cabe<br />

ao jornalismo profissional divulgar<br />

esta informação vital.<br />

Por incompetência das autorida<strong>de</strong>s,<br />

o consórcio inédito dos<br />

meios <strong>de</strong> comunicação se une<br />

novamente para reforçar a necessida<strong>de</strong><br />

da imunização nacional<br />

e para contabilizar a porcentagem<br />

dos vacinados no país”.<br />

Murilo Garavello, diretor <strong>de</strong><br />

conteúdo do UOL, lembra que<br />

“todos os dias os jornalistas do<br />

consórcio trabalham intensamente,<br />

checam fatos, questionam<br />

autorida<strong>de</strong>s, traduzem em<br />

linguagem acessível a enorme<br />

massa <strong>de</strong> dados científicos do<br />

combate à pan<strong>de</strong>mia, tudo para<br />

levar às pessoas a melhor informação<br />

possível”.<br />

“Nos unimos para garantir<br />

que haveria números confiáveis<br />

sobre a pan<strong>de</strong>mia e, agora,<br />

estamos juntos mais uma vez<br />

para vencer a <strong>de</strong>sinformação e<br />

mostrar que a vacina é a única<br />

alternativa possível”.<br />

O lançamento da campanha<br />

é parte <strong>de</strong> um movimento que<br />

ganhará <strong>de</strong>sdobramentos ao<br />

longo dos próximos meses.<br />

jornal propmark - <strong>1º</strong> <strong>de</strong> <strong>fevereiro</strong> <strong>de</strong> <strong>2021</strong> 13


pesquisas<br />

Crianças e adolescentes sentem<br />

falta da escola, garante Kidscorp<br />

Empresa que analisa o comportamento digital <strong>de</strong> menores <strong>de</strong> 18 anos<br />

relata que jovens ficam tristes sem a presença dos amigos na pan<strong>de</strong>mia<br />

Durante o primeiro mês da pan<strong>de</strong>mia foi registrado um aumento <strong>de</strong> cerca <strong>de</strong> 80% no índice <strong>de</strong> conexões das crianças<br />

é muito importante<br />

encontrar o equilíbrio<br />

entre jogar e educar<br />

Demian Faletschi, CEO do Kidscorp<br />

Fotos: Unsplash e Divulgação<br />

Neusa spaulucci<br />

Kidscorp, empresa que analisa o comportamento<br />

digital do público infanto-<br />

O<br />

-juvenil, ou seja, faixa que compreen<strong>de</strong> os<br />

menores <strong>de</strong> 18, concluiu em recente estudo<br />

sobre como essa turma se sente sem as aulas<br />

presenciais durante a pan<strong>de</strong>mia. A gran<strong>de</strong><br />

maioria diz sentir falta <strong>de</strong> ir à escola por<br />

conta <strong>de</strong> interação com os colegas. Quanto<br />

menores são, mais tristes ficam, já que seus<br />

pais evitam os encontros nos quais eles po<strong>de</strong>m<br />

brincar com os amigos. Outro dado<br />

interessante da pesquisa é que as meninas<br />

do segmento tween (9-12 anos) e teen (13-17<br />

anos) foram as mais preocupadas em relação<br />

à pan<strong>de</strong>mia e, <strong>de</strong> modo geral, as que mais<br />

sentiram falta das aulas presenciais.<br />

Outro <strong>de</strong>talhe que chama a atenção é o aumento<br />

do número <strong>de</strong> crianças e adolescentes<br />

que passaram a usar a internet neste período.<br />

Demian Faletschi, CEO do Kidscorp, se<br />

apóia em análises da Unicef, realizadas antes<br />

da pan<strong>de</strong>mia, que já estimavam que, em nível<br />

global, <strong>de</strong> cada três usuários <strong>de</strong> internet,<br />

um era menor <strong>de</strong> 18 anos. “Os dados mostram<br />

que houve um aceleramento a partir <strong>de</strong><br />

dois principais fatores: educação em casa e<br />

o tempo <strong>de</strong> ócio <strong>de</strong>ntro dos lares”, analisa o<br />

executivo. Ele volta ainda ao primeiro ponto<br />

para fundamentar sua tese: “a educação <strong>de</strong><br />

mais <strong>de</strong> 1,6 bilhão <strong>de</strong> estudantes se viu afetada<br />

pela Covid-19, em função do fechamento<br />

total ou parcial das escolas, e à mudança<br />

para uma educação digital, que trouxe como<br />

consequência a adoção massiva e forçosa<br />

<strong>de</strong> plataformas educativas como o Google<br />

Classroom ou o Edmodo”.<br />

Já em relação ao tempo livre, segundo<br />

ele, “ficar em casa obrigou que todas as ativida<strong>de</strong>s<br />

realizadas fora do lar encontrassem<br />

algum substituto para entretenimento <strong>de</strong>ntro<br />

<strong>de</strong>le, aumentando assim o tempo <strong>de</strong> uso<br />

dos dispositivos e consumo <strong>de</strong> conteúdos”.<br />

“Seja jogando por meio <strong>de</strong> celulares, tablets<br />

e consoles ou assistindo a ví<strong>de</strong>os. Durante o<br />

primeiro mês da pan<strong>de</strong>mia registramos um<br />

aumento <strong>de</strong> cerca <strong>de</strong> 80% no índice <strong>de</strong> conexões<br />

das crianças no Brasil”.<br />

Faletschi relata que hoje o mercado vive<br />

abaixo <strong>de</strong>sses picos, porém, <strong>de</strong> forma geral,<br />

“fala-se muito que a pan<strong>de</strong>mia acelerou<br />

entre três e cinco anos a adoção do digital”.<br />

“Sem dúvida nos espera uma nova normalida<strong>de</strong><br />

mais conectada”, afirma.<br />

A pesquisa mostra ainda que tanto as<br />

crianças como os adolescentes usam muito a<br />

internet para jogar, o que, para ele, <strong>de</strong> maneira<br />

geral, o jogo é vital para o correto <strong>de</strong>senvolvimento<br />

<strong>de</strong> qualquer indivíduo. “Sem jogar<br />

não há <strong>de</strong>senvolvimento e aprendizagem<br />

possíveis durante a infância. À medida que<br />

vamos crescendo, a aprendizagem vai assumindo<br />

também um papel in<strong>de</strong>pen<strong>de</strong>nte fora<br />

dos jogos, porque, inclusive na vida adulta,<br />

continuamos incorporando conhecimentos<br />

e habilida<strong>de</strong>s através <strong>de</strong>les”, afirma.<br />

Segundo ele, nas últimas décadas, os dispositivos<br />

conectados assumiram papel <strong>de</strong><br />

protagonismo no que diz respeito a jogar,<br />

trazendo novos <strong>de</strong>safios e oportunida<strong>de</strong>s.<br />

“Em relação aos <strong>de</strong>safios, po<strong>de</strong>mos <strong>de</strong>stacar<br />

o enfrentado por muitos pais no que diz<br />

respeito à atenção <strong>de</strong> uma criança às ativida<strong>de</strong>s<br />

educativas, quando elas competem pelo<br />

tempo <strong>de</strong> atenção com consoles ou mesmo o<br />

YouTube”, argumenta.<br />

Ele diz ainda que, por outro lado, graças<br />

ao acesso cada vez mais universal a dispositivos<br />

e à internet, foi possível levar educação a<br />

mais crianças através dos jogos. “O ‘edutainment’,<br />

ou entretenimento educativo, diz respeito<br />

a todo conteúdo educativo combinado<br />

a elementos lúdicos para entreter, e permite<br />

que um aluno se sinta motivado durante<br />

o processo <strong>de</strong> aprendizagem, oferecendo a<br />

14 <strong>1º</strong> <strong>de</strong> <strong>fevereiro</strong> <strong>de</strong> <strong>2021</strong> - jornal propmark


“é indispensável manter<br />

as escolas abertas”<br />

ele elementos divertidos, mas educativos<br />

também, com os quais ele possa se divertir<br />

enquanto apren<strong>de</strong>”, diz o executivo, acrescentando:<br />

“Acredito que é muito importante<br />

encontrar o equilíbrio entre jogar e educar,<br />

<strong>de</strong> modo que possam ser <strong>de</strong>senvolvidas habilida<strong>de</strong>s<br />

e o conhecimento a<strong>de</strong>quados em<br />

cada uma das etapas <strong>de</strong> <strong>de</strong>senvolvimento”.<br />

preoCupação<br />

Ele <strong>de</strong>clara que a pesquisa aponta que<br />

as crianças sentem falta <strong>de</strong> ir à escola e <strong>de</strong><br />

interagir com seus amigos e companheiros.<br />

“Notamos que a conversa relacionada ao<br />

colégio é crescente, logo vemos que o retorno<br />

às aulas é algo que realmente os preocupa”.<br />

O executivo conta ainda que observou<br />

que as meninas pré-adolescentes e adolescentes<br />

foram as mais preocupadas com a<br />

pan<strong>de</strong>mia e, <strong>de</strong> maneira geral, as que mais<br />

sentiram falta da escola.<br />

Outro <strong>de</strong>staque do estudo é o papel <strong>de</strong>sempenhado<br />

pelos médicos na pan<strong>de</strong>mia e<br />

ser “doutor” se tornou uma aspiração máxima<br />

<strong>de</strong> crianças e adolescentes quando<br />

perguntados, segundo o CEO, sobre o que<br />

queriam ser quando crescessem.<br />

Mais um dado relevante apontado na<br />

pesquisa é a crescente taxa <strong>de</strong> uso <strong>de</strong> smartphone<br />

entre os menores, e “ela se manteve<br />

elevada, ainda que com uma pequena queda<br />

nos últimos meses pelo cansaço do uso<br />

<strong>de</strong> telas por parte dos adolescentes”.<br />

O executivo diz ainda que as crianças<br />

preferem jogar vi<strong>de</strong>ogames como um elemento<br />

social, como o chat – existente no<br />

Minecraft e Roblox, por exemplo, que também<br />

estimulam a criativida<strong>de</strong>. “Isso po<strong>de</strong>ria<br />

ser entendido como uma necessida<strong>de</strong><br />

<strong>de</strong> se socializar, fruto da impossibilida<strong>de</strong> <strong>de</strong><br />

encontrar amigos com a frequência que estão<br />

acostumados”, analisa.<br />

O uso e interação em jogos nos celulares<br />

dobrou <strong>de</strong>s<strong>de</strong> a instalação das medidas <strong>de</strong><br />

isolamento social, segundo ele. Nos últimos<br />

meses do ano diminuiu o uso <strong>de</strong> jogos,<br />

mas cresceram ou se mantiveram outras<br />

ativida<strong>de</strong>s, como assistir a ví<strong>de</strong>os online e<br />

os aplicativos <strong>de</strong> conversa.<br />

Outro aumento constatado pelo executivo<br />

é a ampliação <strong>de</strong> plataformas <strong>de</strong> conteúdo<br />

educativo para todas as ida<strong>de</strong>s e ainda<br />

cresceu a compra <strong>de</strong> laptops, <strong>de</strong>sktops e<br />

fones <strong>de</strong> ouvido. “Além disso, as crianças<br />

vão ao YouTube para apren<strong>de</strong>r coisas novas,<br />

com tendência para ví<strong>de</strong>os educativos<br />

e tutoriais”.<br />

Faletschi <strong>de</strong>staca ainda que educação não<br />

é sinônimo <strong>de</strong> escolarida<strong>de</strong> e, se a socieda<strong>de</strong><br />

quer garantir que as novas gerações vivam<br />

O jogo é vital para o correto <strong>de</strong>senvolvimento <strong>de</strong> qualquer indivíduo na infância, diz especialista da Kidscorp<br />

num mundo melhor, “é indispensável manter<br />

as escolas abertas”. “Vários estudos falam<br />

sobre os efeitos causados nas crianças que<br />

não frequentam escola, em termos <strong>de</strong> <strong>de</strong>senvolvimento,<br />

formação e, inclusive, no que<br />

diz respeito ao nível nutricional, quando falamos<br />

<strong>de</strong> crianças <strong>de</strong> famílias pobres, como<br />

é, infelizmente, comum na América Latina”.<br />

Ele argumenta também que a digitalização<br />

e a tecnologia eram dívidas pen<strong>de</strong>ntes<br />

na educação, da qual não se <strong>de</strong>ve fugir agora.<br />

“Pelo contrário, é tempo <strong>de</strong> capitalizar todos<br />

os passos dados no último ano e adotar ferramentas<br />

que, através do virtual, potenciem a<br />

escola presencial”.<br />

Ele diz acreditar que o virtual po<strong>de</strong> ser<br />

uma oportunida<strong>de</strong> em favor da igualda<strong>de</strong>,<br />

<strong>de</strong> modo que todas as crianças tenham as<br />

mesmas oportunida<strong>de</strong>s <strong>de</strong> acessar a educação.<br />

“Entretanto, nessa transformação, são<br />

imprescindíveis metas claras e mensuráveis,<br />

acompanhadas <strong>de</strong> indicadores que sinalizem<br />

progresso, principalmente entre os setores<br />

menos favorecidos”, conclui.<br />

AS NOVAS AGÊNCIAS<br />

jornal propmark - <strong>1º</strong> <strong>de</strong> <strong>fevereiro</strong> <strong>de</strong> <strong>2021</strong> 15


PesquIsas<br />

Pan<strong>de</strong>mia acelera uso <strong>de</strong> internet<br />

entre os 60+, revela Kantar Ibope<br />

Faixa etária, batizada como Masters, evoluiu ainda mais no mundo digital<br />

e tem interesse por novas tecnologias; re<strong>de</strong>s sociais são mais acessadas<br />

Neusa spaulucci<br />

população acima dos 60<br />

A anos, principal alvo do<br />

novo coronavírus, teve <strong>de</strong> se<br />

reinvertar para se adaptar a<br />

uma vida mais reclusa.<br />

A Kantar Ibope Media analisou<br />

essa faixa etária, batizada<br />

como Masters, e concluiu que a<br />

pan<strong>de</strong>mia acelerou a evolução<br />

<strong>de</strong>ssa turma ao mundo digital.<br />

Segundo Adriana Favaro, diretora<br />

<strong>de</strong> <strong>de</strong>senvolvimento <strong>de</strong><br />

negócios do instituto, afirma<br />

que esse comportamento já vinha<br />

sendo percebido.<br />

O movimento <strong>de</strong> busca e<br />

interesse por novas tecnologias<br />

pelos maiores <strong>de</strong> 60, fala ela,<br />

já vinha ocorrendo há cinco<br />

anos. “Em 2016, eram 31,8%<br />

dos Masters com acesso à internet<br />

e em 2020 esse número<br />

chegou a 64%.<br />

Esse aumento se <strong>de</strong>staca<br />

ainda mais quando comparado<br />

com o total da população: enquanto<br />

os Masters Conectados<br />

aumentaram 101% o consumo<br />

<strong>de</strong> internet em cinco anos, no<br />

mesmo período, o consumo <strong>de</strong><br />

internet na média da população<br />

aumentou 21%, um crescimento<br />

quase cinco vezes maior<br />

do que a média”.<br />

Outro dado da pesquisa da<br />

Kantar Ibope Media garante<br />

que os 60+ ampliaram presença<br />

nas re<strong>de</strong>s sociais.<br />

“Com a reclusão e o distanciamento<br />

físico, o relacionamento<br />

entre as pessoas ganhou<br />

mais espaço no ambiente<br />

digital e, consequentemente,<br />

nas re<strong>de</strong>s sociais, que sempre<br />

foram espaços <strong>de</strong> conexão e<br />

troca entre pessoas. Tanto o<br />

Facebook quanto o Instagram<br />

são as re<strong>de</strong>s mais utilizadas<br />

pela população em geral, indicando<br />

que, nesse ponto, os<br />

Masters seguem a tendência<br />

geral”, explica.<br />

Adriana não gosta <strong>de</strong> opinar<br />

qual seria o meio que os<br />

idosos encontrariam caso não<br />

tivesse a internet, no entanto,<br />

Adriana Favaro: “Estudo mostra que 40% aumentaram ou mantiveram as compras”<br />

arrisca dizer que, como todas<br />

as pessoas <strong>de</strong> alguma forma<br />

sofreram, com os Masters, que<br />

pertencem ao grupo <strong>de</strong> risco,<br />

não seria diferente. “Mas claro<br />

que, num momento tão difícil<br />

como este, encontrar formas<br />

<strong>de</strong> se conectar com os familiares,<br />

amigos, colegas <strong>de</strong> trabalho<br />

e até com o mundo, para se<br />

informar, se divertir ou buscar<br />

um alívio, foi fundamental”,<br />

afirma.<br />

Ela acredita ainda que esse<br />

avanço <strong>de</strong>ve ganhar ainda mais<br />

espaço, já que os Masters são<br />

uma parcela da população que<br />

é economicamente ativa, tem<br />

autonomia para <strong>de</strong>cidir quando<br />

e como gastar, que acompanhou<br />

outras tantas transformações<br />

e segue antenada com<br />

o mundo.<br />

“Os Masters experimentam<br />

e fazem questão <strong>de</strong> se manter<br />

Divulgação<br />

“relacionamento<br />

entre as pessoas<br />

ganhou mais<br />

espaço no<br />

ambiente digital”<br />

em dia com as novida<strong>de</strong>s, o<br />

que não é <strong>de</strong> hoje”, analisa.<br />

Segundo ela, em outros países,<br />

a situação se repete. “Essa<br />

é uma tendência percebida globalmente”,<br />

diz, acrescentando<br />

que os estudos da Kantar Ibope<br />

Media indicam que os Masters<br />

Conectados (55+) se ligam com<br />

frequência à internet, acessando<br />

várias vezes ao dia.<br />

“A média global <strong>de</strong> Master<br />

Conectados que <strong>de</strong>claram<br />

acessar a internet múltiplas vezes<br />

durante o dia é <strong>de</strong> 85%. No<br />

Brasil, chega a 92%; na Argentina,<br />

94%; e no México, 84%”,<br />

revela.<br />

Quando questionada sobre<br />

a falta <strong>de</strong> atenção do mercado<br />

publicitário junto a esse target,<br />

a executiva afirma que as relações<br />

dos Masters com as compras<br />

<strong>de</strong> produtos e serviços já<br />

mudaram e estão bem atuais.<br />

“O estudo mostra que 40%<br />

aumentaram ou mantiveram<br />

as compras por e-commerce<br />

durante a pan<strong>de</strong>mia. Eles já<br />

acompanharam outras tantas<br />

evoluções. Não são consumidores<br />

‘velhos’, são ativos e exigentes.<br />

Têm suas preferências,<br />

mas não estão fechados para a<br />

mudança, se ela for relevante”,<br />

argumenta. Ela revela ainda<br />

que em cinco anos o consumo<br />

<strong>de</strong> internet dos Masters cresceu<br />

cinco vezes mais do que a<br />

média da população.<br />

“As marcas têm um segmento<br />

com alto po<strong>de</strong>r <strong>de</strong> consumo<br />

e muito relevante para explorar,<br />

que não po<strong>de</strong>, nem <strong>de</strong>ve,<br />

ser ignorado. De qualquer forma,<br />

é bacana perceber que, <strong>de</strong><br />

forma geral, algumas marcas<br />

já estão buscando retratar melhor<br />

seus consumidores, sejam<br />

eles homens ou mulheres, <strong>de</strong><br />

diferentes ida<strong>de</strong>s e origens,<br />

indicando que o mercado também<br />

busca ampliar seus horizontes”,<br />

conclui.<br />

O estudo revela que o target<br />

também aumentou o consumo<br />

<strong>de</strong> streaming e alterou hábitos<br />

<strong>de</strong> compras. As conclusões fazem<br />

parte da edição <strong>de</strong> janeiro<br />

do conteúdo temático Data Stories,<br />

produzido mensalmente<br />

pela Kantar Ibope Media, que<br />

reúne dados <strong>de</strong> diversos estudos<br />

da empresa que ajudam a<br />

analisar cenários, perspectivas<br />

e tendências relevantes sobre<br />

audiência, publicida<strong>de</strong>, planejamento<br />

<strong>de</strong> mídia e comportamento<br />

do consumidor.<br />

16 <strong>1º</strong> <strong>de</strong> <strong>fevereiro</strong> <strong>de</strong> <strong>2021</strong> - jornal propmark


inspiração<br />

Estu<strong>de</strong> pelo prazer <strong>de</strong> estudar<br />

“Estudar é mais do que aprendizado, é ter humilda<strong>de</strong>, resiliência, e sair<br />

do seu contexto ou zona <strong>de</strong> conforto para entrar em um novo mundo”<br />

Paula Queiroz<br />

especial para o ProPMarK<br />

Existe um momento na vida em que muitos<br />

<strong>de</strong> nós, adultos, acreditamos que<br />

não precisamos mais ser estudantes, nos<br />

saciamos com o trabalho, com a rotina e<br />

com todos os aprendizados da ida<strong>de</strong>, que<br />

aliás tomam muito tempo.<br />

Mas estudar é mais do que aprendizado,<br />

estudar é ter humilda<strong>de</strong>, atenção, resiliência,<br />

e sair do seu contexto ou zona <strong>de</strong> conforto<br />

para entrar em um novo mundo.<br />

O ser humano gosta <strong>de</strong> acolhimento e<br />

sempre procurou isso em relações pessoais<br />

e escolhas profissionais.<br />

Hoje, com os algoritmos tão presentes no<br />

nosso consumo <strong>de</strong> conteúdo, somos cada<br />

dia mais inundados por assuntos que já<br />

estão <strong>de</strong>ntro do nosso repertório, isso aprofunda<br />

o conhecimento, mas fecha possibilida<strong>de</strong>s.<br />

Estudar é tirar toda a herança <strong>de</strong> conhecimento<br />

para escrever uma página em branco<br />

que não necessariamente é fácil, po<strong>de</strong> ser<br />

<strong>de</strong>sconfortável, assustador e até mesmo<br />

irritante estar em um ambiente que se tem<br />

muito mais chances <strong>de</strong> errar do que acertar.<br />

Mas, se por um lado existe essa pressão<br />

<strong>de</strong> saber tudo <strong>de</strong>ssa nossa socieda<strong>de</strong> <strong>de</strong> performance,<br />

por outro existe a oportunida<strong>de</strong><br />

<strong>de</strong> ampliar horizontes, <strong>de</strong> ver as coisas pela<br />

primeira vez, <strong>de</strong> fazer conexões que seu cérebro<br />

até então nunca tinha feito. É quase<br />

po<strong>de</strong>r voltar a ser criança na vida adulta.<br />

Por isso, gosto <strong>de</strong> apren<strong>de</strong>r sobre coisas<br />

variadas: as coisas técnicas da área <strong>de</strong> comunicação<br />

estão sempre rondando, mas<br />

a inspiração vem mesmo em campos mais<br />

inóspitos como idiomas, religião, história,<br />

e o que mais gosto são os cursos que não<br />

estão diretamente relacionados ao meu dia<br />

a dia, como o canto, a programação, a contabilida<strong>de</strong><br />

etc.<br />

Aliás, foi numa aula online <strong>de</strong> francês,<br />

em que eu simplesmente não conseguia<br />

fazer as fonéticas do “e”, que comecei essa<br />

reflexão.<br />

Naquela hora eu não era a Paula, head <strong>de</strong><br />

estratégia da Cheil, que escreve para veículos<br />

<strong>de</strong> propaganda, que domina a sua área<br />

<strong>de</strong> ponta a ponta, eu era uma aluna <strong>de</strong>sajeitada,<br />

que errava todos os testes e tinha<br />

<strong>de</strong> engolir o meu orgulho a cada nova tentativa.<br />

Estu<strong>de</strong> pelo prazer <strong>de</strong> estudar, pela consciência<br />

<strong>de</strong> que o mundo tem muito (MUI-<br />

TO) mais coisas que não conhecemos do<br />

que conhecemos, ouça opiniões que você<br />

discorda, leia livros que você nunca leu,<br />

olhe sites em idiomas que você não domina,<br />

aprenda sobre momentos da história<br />

que você não tinha tanta clareza, olhe para<br />

as ciências exatas com carinho, pense em<br />

retomar as aulas <strong>de</strong> um instrumento.<br />

Fazer isso não necessariamente traz respostas,<br />

mas eu garanto que traz a possibilida<strong>de</strong><br />

<strong>de</strong> interpretar o cotidiano <strong>de</strong> novas<br />

formas, e isso, sim, é o que traz inspiração<br />

e respostas.<br />

Paula Queiroz é head <strong>de</strong> planejamento da Cheil<br />

jornal propmark - <strong>1º</strong> <strong>de</strong> <strong>fevereiro</strong> <strong>de</strong> <strong>2021</strong> 17


entrevista<br />

cristina monteiro<br />

diretora <strong>de</strong> marketing da kellogg’s<br />

a lata é um dos<br />

ícones mais<br />

importantes<br />

<strong>de</strong> pringles<br />

Marca pertencente à Kellogg Company,<br />

bastante associada à produção <strong>de</strong><br />

cereais, com o lí<strong>de</strong>r da categoria<br />

Sucrilhos, a batata Pringles se tornou<br />

foco da companhia. Com o aumento da distribuição<br />

e o reposicionamento <strong>de</strong> preço, Pringles dobrou<br />

<strong>de</strong> tamanho em 2020 e ocupa a vice-li<strong>de</strong>rança do<br />

segmento <strong>de</strong> snacks <strong>de</strong> batatas. Nesta entrevista, a<br />

diretora <strong>de</strong> marketing Cristina Monteiro conta sobre<br />

os planos da empresa para ultrapassar Ruffles até<br />

2022 e sobre os atributos da marca, entre eles sua<br />

icônica lata, que virou, inclusive, diferencial para a<br />

comunicação com a campanha Tudo fica melhor com<br />

Pringles, o resto é um saco.<br />

KELLY DORES<br />

Por que a Kellogg está com foco na<br />

marca Pringles?<br />

Esse é um plano que já tem<br />

quase três anos, começou com<br />

a <strong>de</strong>cisão da companhia <strong>de</strong> colocar<br />

uma fábrica <strong>de</strong> Pringles no<br />

Brasil, que é a primeira da América<br />

Latina. Com essa linha <strong>de</strong><br />

produção local, a partir <strong>de</strong> agosto<br />

<strong>de</strong> 2019, a gente conseguiu reposicionar<br />

o preço no mercado<br />

e essa foi a primeira vertente do<br />

plano <strong>de</strong> crescimento. A segunda<br />

vertente foi a associação que<br />

fizemos com a Pandurata. Hoje<br />

eles são os nossos distribuidores<br />

e têm uma pulverização<br />

que nos permite chegar a um<br />

número muito maior no ponto<br />

<strong>de</strong> venda, que alavancou bastante<br />

o crescimento. E a terceira<br />

vertente é a comunicação. Pringles<br />

é uma marca que é 100%<br />

digital. Fizemos uma campanha<br />

muito forte no digital no<br />

ano passado, em que tivemos<br />

mais <strong>de</strong> 87 milhões <strong>de</strong> views<br />

com o mote Tudo fica melhor<br />

com Pringles, o resto é um saco.<br />

E a campanha reverberou muito,<br />

principalmente com o nosso<br />

target, o jovem adulto, e a gente<br />

começou a ter o resultado <strong>de</strong><br />

participação <strong>de</strong> mercado que<br />

vínhamos planejando há tanto<br />

tempo.<br />

A criação da campanha foi feita<br />

pela in house <strong>de</strong> vocês, a Kube?<br />

Exatamente. É um bureau<br />

interno, obviamente a gente<br />

acessa e ativa agências <strong>de</strong> comunicação<br />

que são parceiras<br />

em vários projetos, mas o Kube<br />

é um grupo gran<strong>de</strong>, que fica<br />

no México, e a gente tem uma<br />

extensão aqui no Brasil. Isso<br />

mostra um mo<strong>de</strong>lo totalmente<br />

diferente. A gente vê agora algumas<br />

empresas voltando para<br />

esse mo<strong>de</strong>lo. Já temos isso há<br />

mais <strong>de</strong> cinco anos. Temos vários<br />

Kubes no mundo e o nosso<br />

hub seria no México, com uma<br />

extensão para o Brasil.<br />

E para essa campanha teve uma<br />

parceria com a KTBO?<br />

Isso. Ela é uma agência que<br />

também tem a sua matriz no<br />

México.<br />

A empresa trabalha com outras<br />

agências <strong>de</strong> propaganda?<br />

Trabalhamos para outras<br />

marcas. Para Pringles, especificamente,<br />

somente essa.<br />

Qual é a marca lí<strong>de</strong>r em snacks <strong>de</strong><br />

batata no Brasil?<br />

A li<strong>de</strong>rança é da Ruffles, da<br />

PepsiCo, e Pringles está na segunda<br />

posição.<br />

E como Pringles é vista pelo consumidor<br />

brasileiro?<br />

Pringles tem uma herança e<br />

nostalgia <strong>de</strong> marca muito gran<strong>de</strong>,<br />

pois, no passado, quando<br />

o mercado era fechado, era<br />

objeto <strong>de</strong> <strong>de</strong>sejo. As pessoas,<br />

quando viajavam, passavam<br />

no freeshop e traziam uma lata<br />

<strong>de</strong> Pringles. A marca é perfeitamente<br />

empilhada e protegida<br />

por uma lata, com o personagem<br />

Mr. P., que é muito icônico<br />

também. Então, tínhamos um<br />

awareness gigantesco <strong>de</strong> marca<br />

(mais <strong>de</strong> 90%), mas não necessariamente<br />

<strong>de</strong> penetração,<br />

porque era um preço muito premium<br />

para capturar o mercado<br />

brasileiro. O reposicionamento<br />

estratégico foi feito para a gente<br />

po<strong>de</strong>r ficar <strong>de</strong>ntro do preço <strong>de</strong><br />

R$ 10, que é on<strong>de</strong> ocorre 90%<br />

da venda <strong>de</strong> salgadinhos. Obviamente,<br />

tivemos muito cuidado<br />

para fazer a transição do<br />

produto importado para o produto<br />

nacional, porque a gente<br />

precisa preservar o que é a marca<br />

na cabeça, no imaginário e<br />

no repertório do brasileiro. Temos<br />

o sabor original e os sabores<br />

foram testados para serem<br />

a<strong>de</strong>quados ao perfil brasileiro<br />

especificamente. O nosso queijo<br />

tem um perfil bem brasileiro.<br />

E a gente acabou <strong>de</strong> ampliar o<br />

nosso portfólio em 2020 com o<br />

sabor churrasco, que também<br />

é bem característico do Brasil.<br />

A gente olha muito para o<br />

mercado e cuida bastante para<br />

preservar as características tão<br />

icônicas da marca Pringles, mas<br />

com adaptação ao perfil do consumidor<br />

brasileiro.<br />

Qual é o sabor preferido dos brasileiros?<br />

O sabor original é o preferido,<br />

seguido por queijo e churrasco.<br />

Como é o slogan da marca?<br />

Tudo fica melhor com Pringles,<br />

o resto é um saco, que faz<br />

um trocadilho e fala muito da<br />

autenticida<strong>de</strong> do produto. Somos<br />

diferentes do resto do mercado<br />

<strong>de</strong> salgadinho, que sempre<br />

vem no saquinho.<br />

Pringles é a maior aposta da companhia<br />

neste ano?<br />

Sim, a gente já evoluiu bastante.<br />

Nós tivemos dois drivers<br />

principais <strong>de</strong> crescimento em<br />

2020: foi o aumento <strong>de</strong> distribuição,<br />

que vem junto com o<br />

giro <strong>de</strong> aceleração do produto<br />

na ponta. E o giro vem pelo novo<br />

preço, mas vem também pela<br />

questão das inovações que fizemos,<br />

como o sabor churrasco, a<br />

campanha <strong>de</strong> comunicação, os<br />

novos sabores inspirados nos<br />

gamers, os Pringles Gaming, nos<br />

sabores Pizza e Chicken Wings.<br />

A gente fez uma pesquisa para<br />

saber quais são as comidas favoritas<br />

dos gamers na hora que estão<br />

jogando. No topo do ranking<br />

<strong>de</strong> preferidos apareceram esses<br />

dois sabores. As inovações <strong>de</strong><br />

Pringles já representaram no segundo<br />

semestre <strong>de</strong> 2020, quando<br />

foram feitos os lançamentos,<br />

44% do total do crescimento<br />

da marca. Foi uma conquista<br />

para um mercado que já tem<br />

uma oferta gran<strong>de</strong> <strong>de</strong> sabores,<br />

o que mostra também o po<strong>de</strong>r<br />

da nossa marca. Em 2020 versus<br />

2019, a gente dobrou o tamanho<br />

da marca, com crescimento <strong>de</strong><br />

107% em consumo.<br />

Houve um incremento <strong>de</strong> consumo<br />

da categoria durante a pan<strong>de</strong>mia?<br />

Não, pelo contrário. No início<br />

da pan<strong>de</strong>mia, a categoria sofreu<br />

bastante porque a distribuição<br />

é bastante pulverizada e, com<br />

o fechamento da loja <strong>de</strong> pequeno<br />

varejo, teve um período <strong>de</strong><br />

18 <strong>1º</strong> <strong>de</strong> <strong>fevereiro</strong> <strong>de</strong> <strong>2021</strong> - jornal propmark


queda. Começou a recuperar no<br />

fim do ano com a flexibilização<br />

das medidas, mas ainda assim<br />

não foi um crescimento expressivo.<br />

No entanto, se você olhar<br />

só para o segmento <strong>de</strong> batatas,<br />

esse cresceu bastante, impulsionado<br />

pelo nosso crescimento,<br />

que está empurrando a categoria<br />

para cima.<br />

Qual é o público <strong>de</strong> Pringles?<br />

O jovem adulto.<br />

Vocês procuram associar Pringles<br />

à Kellogg, ou não existe essa preocupação?<br />

Não existe essa preocupação.<br />

Kellogg é muito forte na cabeça<br />

dos consumidores em cereal.<br />

A estratégia é apoiar as nossas<br />

marcas principais individualmente,<br />

trazendo o aval <strong>de</strong> Kellogg<br />

como fabricante. Mas não é<br />

algo que a gente comunica abertamente<br />

para os consumidores.<br />

Há previsão <strong>de</strong> aumento do investimento<br />

em marketing este ano?<br />

Ele vai se manter. As duas<br />

maiores campanhas são para<br />

Pringles e Sucrilhos. As duas<br />

marcas juntas são responsáveis<br />

por 70% do investimento <strong>de</strong><br />

marketing da companhia. Essas<br />

são as nossas duas gran<strong>de</strong>s<br />

apostas. São mercados on<strong>de</strong> há<br />

muito espaço para crescer e a<br />

gente quer continuar expandindo<br />

a nossa presença.<br />

Quais são os maiores <strong>de</strong>safios este<br />

ano?<br />

Para cereais, a gente precisa<br />

enten<strong>de</strong>r um pouco a chegada<br />

da vacina, com as pessoas<br />

voltando para rua, e em como<br />

manter essas novas ocasiões<br />

<strong>de</strong> consumo que apareceram<br />

durante a pan<strong>de</strong>mia. A gente<br />

não sabe muito bem como vai<br />

se comportar o mercado. Para<br />

Pringles, o <strong>de</strong>safio vai ser brigar<br />

pela competitivida<strong>de</strong> do<br />

segmento. A gente já cobriu um<br />

gran<strong>de</strong> espaço <strong>de</strong> distribuição e<br />

precisamos que a marca fique<br />

girando na ponta para garantir o<br />

nosso crescimento. E é um mercado<br />

bastante competitivo, com<br />

um player <strong>de</strong> muito peso. Não<br />

“Pringles é<br />

uma marca<br />

que é 100%<br />

digital”<br />

Divulgação<br />

temos a pretensão <strong>de</strong> dobrar a<br />

marca <strong>de</strong> novo neste ano, como<br />

em 2020, mas queremos trazer<br />

um crescimento <strong>de</strong>, pelo menos,<br />

duplo dígito.<br />

A campanha Todo o resto é um<br />

saco continua este ano?<br />

Não, este ano vamos ter uma<br />

nova campanha bem focada no<br />

universo dos games, que entra<br />

no fim do primeiro trimestre,<br />

explorando esse território que<br />

é tão po<strong>de</strong>roso para o nosso target<br />

e está em plena expansão.<br />

A nossa lata também tem um<br />

formato bem ergonômico para<br />

o gamer. A gente cansa <strong>de</strong> ver<br />

na internet os gamers com a lata<br />

entre as pernas e segurando o<br />

controle. Então, a gente vai investir<br />

forte no território dos games<br />

em <strong>2021</strong>.<br />

A embalagem <strong>de</strong> Pringles não sai<br />

cara?<br />

É uma embalagem premium<br />

“este ano<br />

vamos ter<br />

camPanha<br />

focada no<br />

universo<br />

dos games”<br />

e tem um papel fundamental <strong>de</strong><br />

proteger o nosso produto, para<br />

que fique perfeitamente empilhado<br />

e protegido na lata. Então, a<br />

gente não vê ela como cara e sim<br />

como valor agregado para o produto<br />

final, ao contrário das outras<br />

batatas que são vendidas em saquinhos<br />

e não necessariamente<br />

chegam preservadas na casa do<br />

consumidor. A lata é um dos ícones<br />

mais importantes <strong>de</strong> Pringles.<br />

Por que o foco da marca é a comunicação<br />

no digital?<br />

Porque o público é muito diferente,<br />

<strong>de</strong> uma geração que praticamente<br />

não assiste mais televisão.<br />

Vê tudo por streaming. A<br />

campanha é muito mais efetiva<br />

e relevante nos meios digitais. É<br />

uma questão mesmo <strong>de</strong> target do<br />

nosso público-alvo. O objetivo é<br />

reforçar o engajamento da marca,<br />

já que temos um índice <strong>de</strong><br />

mais <strong>de</strong> 90% <strong>de</strong> awareness entre<br />

os consumidores brasileiros.<br />

jornal propmark - <strong>1º</strong> <strong>de</strong> <strong>fevereiro</strong> <strong>de</strong> <strong>2021</strong> 19


eyond the line<br />

Unsplash<br />

Menos distopia,<br />

mais utopia<br />

E se um gran<strong>de</strong> time <strong>de</strong> futebol tomasse<br />

a iniciativa <strong>de</strong> mudar esse jogo?<br />

Alexis Thuller PAgliArini<br />

Brasil é assim mesmo... Só podia ser no<br />

O Brasil... Esse país não tem jeito... Infelizmente,<br />

a sucessão <strong>de</strong> fatos atuais e a convivência<br />

com lí<strong>de</strong>res medíocres (para dizer o<br />

mínimo) nos faz seres ranzinzas e pessimistas,<br />

incapazes <strong>de</strong> retomar o posto <strong>de</strong> um dos<br />

povos mais alegres e esperançosos do mundo.<br />

De fato, não está fácil.<br />

Conviver com as barbarida<strong>de</strong>s geradas<br />

por aqueles que <strong>de</strong>veriam ser condutores <strong>de</strong><br />

processos <strong>de</strong> melhoria inibe sorrisos e o bom<br />

humor, tão presentes historicamente na socieda<strong>de</strong><br />

brasileira. E tudo isso potencializado<br />

por uma pan<strong>de</strong>mia que parece ter sido gerada<br />

nos livros <strong>de</strong> ficção.<br />

Mas não po<strong>de</strong>mos <strong>de</strong>ixar <strong>de</strong> sonhar e <strong>de</strong><br />

nos mobilizarmos na busca do melhor para<br />

nós, brasileiros, e a socieda<strong>de</strong>, como um todo.<br />

Na semana passada, entre uma cervejinha<br />

e outra (com as <strong>de</strong>vidas precauções) com<br />

dois amigos, um <strong>de</strong>les, diretor-geral <strong>de</strong> uma<br />

empresa internacional no Brasil, apresentou<br />

uma i<strong>de</strong>ia ao outro, VP <strong>de</strong> um gran<strong>de</strong> time <strong>de</strong><br />

futebol (não o meu time, mas vá lá...).<br />

Ex-atleta e admirador do rúgbi, esse amigo<br />

lembrou a forma disciplinada e respeitosa<br />

com a qual os atletas <strong>de</strong>sse esporte se comportam<br />

nas competições.<br />

Sim, o rúgbi é um esporte <strong>de</strong> muito contato<br />

e po<strong>de</strong> parecer violento aos que o assistem,<br />

mas há uma total disciplina e um ambiente<br />

<strong>de</strong> fair-play entre os adversários e juízes. Por<br />

exemplo, somente o capitão do time se dirige<br />

ao árbitro, e o faz <strong>de</strong> forma respeitosa, sem<br />

“peitar” ostensivamente sua <strong>de</strong>cisão.<br />

Ao término do jogo, os atletas se cumprimentam<br />

educadamente, mesmo que o resultado<br />

tenha sido <strong>de</strong>sastroso para um dos<br />

times. Comparando essa atitu<strong>de</strong> com o nosso<br />

principal esporte, o futebol, temos uma visão<br />

antagônica, on<strong>de</strong> prevalece a malandragem e<br />

o xororô explícito a cada <strong>de</strong>cisão do árbitro.<br />

Jogadores vão ameaçadoramente na direção<br />

do juiz, com <strong>de</strong>do em riste, questionando<br />

cada <strong>de</strong>cisão. Tendo esse mau exemplo<br />

como padrão, jovens talentos do futebol,<br />

na primeira oportunida<strong>de</strong> profissional, reproduzem<br />

esse comportamento no mínimo<br />

questionável. Se o futebol é um espelho da<br />

socieda<strong>de</strong> brasileira, estamos mal... E aí veio<br />

a proposta: e se um gran<strong>de</strong> time <strong>de</strong> futebol<br />

tomasse a iniciativa <strong>de</strong> mudar esse jogo?<br />

Convoque-se diretores, técnico e atletas e<br />

estabeleça-se um novo padrão <strong>de</strong> comportamento.<br />

O juiz se equivocou em algum lance?<br />

Deixe o capitão se dirigir a ele.<br />

Terminou o jogo? Não importa o resultado,<br />

vá cumprimentar o adversário respeitosamente.<br />

Trate o adversário como um competidor,<br />

não um inimigo. Assuma posicionamentos<br />

<strong>de</strong> fair-play durante todo o jogo – antes,<br />

durante e <strong>de</strong>pois.<br />

Você po<strong>de</strong>rá estar pensando: não vai dar<br />

certo. Futebol é guerra. A torcida cobra uma<br />

atitu<strong>de</strong> <strong>de</strong> guerreiro e aplau<strong>de</strong> a entrada faltosa<br />

e o <strong>de</strong>srespeito ao juiz. Isso é utópico.<br />

Pois é... Po<strong>de</strong> até ser. Mas você não está cansado<br />

<strong>de</strong>ssa distopia?<br />

Será que não é hora <strong>de</strong> sermos um tanto<br />

quanto utópicos? Parecia utopia empresas<br />

concorrentes <strong>de</strong>ixarem a competição <strong>de</strong> lado<br />

e se unirem em projetos sociais. Mas está<br />

acontecendo.<br />

Parecia utopia as empresas <strong>de</strong>ixarem <strong>de</strong><br />

lado o capitalismo selvagem e partirem para<br />

um mo<strong>de</strong>lo mais consciente e empático,<br />

procurando o bem, não só dos seus sharehol<strong>de</strong>rs,<br />

mas <strong>de</strong> todos os stakehol<strong>de</strong>rs e da socieda<strong>de</strong>,<br />

como um todo.<br />

Parecia utopia ter equilíbrio <strong>de</strong> gêneros<br />

e respeito total às diferenças entre funcionários<br />

<strong>de</strong> uma empresa. Mas o fato é que a<br />

socieda<strong>de</strong> está cobrando uma atitu<strong>de</strong> mais<br />

fair <strong>de</strong> empresas, <strong>de</strong> instituições e <strong>de</strong> governantes.<br />

Uma atitu<strong>de</strong> mais amigável, mas não<br />

menos firme.<br />

Uma atitu<strong>de</strong> propositiva. Se esse comportamento<br />

positivo não aparece nas mais altas<br />

esferas do po<strong>de</strong>r, quem sabe não po<strong>de</strong>mos<br />

fazê-lo prevalecer por intermédio das expressões<br />

mais populares.<br />

Via futebol, por exemplo. Não sei se a conversa<br />

<strong>de</strong>sses dois amigos vai <strong>de</strong>saguar em<br />

alguma iniciativa concreta. Mas fico aqui torcendo.<br />

Posso ser utópico, mas sei que não sou<br />

o único.<br />

Alexis Thuller Pagliarini é presi<strong>de</strong>nte-executivo da<br />

Ampro (Associação <strong>de</strong> Marketing Promocional)<br />

alexis@ampro.com.br<br />

20 <strong>1º</strong> <strong>de</strong> <strong>fevereiro</strong> <strong>de</strong> <strong>2021</strong> - jornal propmark


quem fez<br />

Jéssica Oliveira (interina) jessica@propmark.com.br<br />

seM FiLtRo<br />

Trilhas, cachoeiras e paisagens emolduram<br />

a campanha Aventura Sem Filtro - Mulheres<br />

na Trilha. As influenciadoras digitais Gaia<br />

Vani e Luisa Galiza usaram um Jeep Wrangler<br />

por 10 dias, explorando a Chapada Diamantina<br />

(BA) e o aplicativo Jeep Trilhas ao<br />

longo <strong>de</strong> 2.200 km. Mini doc disponível no<br />

Instagram da marca.<br />

F.BIZ<br />

StELLAntIS<br />

Fotos: Divulgação<br />

Título: Aventura Sem Filtro - Mulheres na Trilha;<br />

anunciante: Stellantis; produto: Jeep; diretores<br />

<strong>de</strong> criação: Fabiano Pinel e Joana Men<strong>de</strong>s;<br />

diretora <strong>de</strong> criação associada: Daniele Rodrigues;<br />

cliente: Fre<strong>de</strong>rico Battaglia, Maria Lucia<br />

Antonio, Paula Salerno e Livia Lira.<br />

sensaçÕes<br />

O Boticário apresenta a linha Cui<strong>de</strong>-se Bem<br />

Boa Noite e <strong>de</strong>staca um ritual para a hora <strong>de</strong><br />

dormir. São sete produtos e um aromatizador<br />

<strong>de</strong> travesseiros. O comercial, <strong>de</strong> 30 segundos,<br />

tem locução <strong>de</strong> Sweet Carol, influenciadora<br />

digital e especialista em ASMR, um tipo <strong>de</strong><br />

gravação <strong>de</strong> áudio que promove o relaxamento<br />

e o bem-estar, através <strong>de</strong> estímulos.<br />

alMapBBDO<br />

O BOtIcárIO<br />

Título: ASMR; produto: Cui<strong>de</strong>-se Bem Boa Noite;<br />

CCO: Luiz Sanches; atendimento: Camilla Massari,<br />

Daniela Teixeira, Renata Luzzi e Victhória Azcuaga;<br />

imagem: Prodigo Films; diretor: Steve Bruno; som:<br />

Raw Audio; aprovação: André Farber, Alexandre<br />

Bouza e Gustavo Fruges.<br />

conscientização<br />

Ou o vírus circula ou você circula. É essa a<br />

mensagem da nova campanha da Amil Saú<strong>de</strong>,<br />

feita pela HavasPlus. Celebrida<strong>de</strong>s como<br />

Luan Santana, Galvão Bueno e Luísa Sonza<br />

ampliam a conscientização sobre a importância<br />

da vacinação contra a Covid-19 e as medidas<br />

<strong>de</strong> prevenção. Posts serão feitos no Instagram<br />

via mensagens com a #vacinasim.<br />

havasplus<br />

AMIL SAÚDE<br />

Título: Vacina Sim; diretor <strong>de</strong> criação: Alexandre<br />

Vilela (Xã), Melissa Pottker e Juliano Almeida; diretor<br />

<strong>de</strong> arte: El<strong>de</strong>r Cal<strong>de</strong>ira; redator: Leandro<br />

Lourenção; COO/head <strong>de</strong> mídia: Jairo Soares; diretora<br />

<strong>de</strong> mídia: Andrea Santos Ferreira; cliente:<br />

Vinicius Germano, Luiz Periard e Raony Araújo.<br />

jornal propmark - <strong>1º</strong> <strong>de</strong> <strong>fevereiro</strong> <strong>de</strong> <strong>2021</strong> 21


we<br />

mkt<br />

Unsplash<br />

Unboxing, outra das<br />

palavras da pan<strong>de</strong>mia<br />

“Um homem com as mãos carregadas <strong>de</strong><br />

pacotes não tem como receber um presente”<br />

Clive Staples Lewis<br />

Francisco alberto Madia <strong>de</strong> souza<br />

Em verda<strong>de</strong>, os que são fissurados em<br />

tecnologia e gadgets, acostumaram-se,<br />

no correr dos últimos anos, com a palavrinha<br />

mágica, carregada <strong>de</strong> expectativas e<br />

emoções, unboxing! Que significa <strong>de</strong>sembrulhar,<br />

abrir o pacote, revelar o produto<br />

comprado, ou o presente ganho, que acaba<br />

<strong>de</strong> chegar. Em verda<strong>de</strong>, repetindo, décadas<br />

<strong>de</strong>pois, uma cena clássica dos aniversários<br />

em família e na firma.<br />

Quando as pessoas chegavam com os<br />

presentes, abraçavam, diziam parabéns<br />

e entregavam. E aí brotava a maior curiosida<strong>de</strong><br />

em todos para ver o presente. Em<br />

muitas situações, o presenteado explodia<br />

em felicida<strong>de</strong> e dizia coisas como: “você<br />

adivinhou, era o que eu estava precisando”,<br />

ou “que lindo, muito obrigado”, mas,<br />

em algumas vezes, o agra<strong>de</strong>cimento era<br />

quase que sussurrado, na mesma proporção<br />

da <strong>de</strong>cepção ao se conhecer o presente<br />

recebido.<br />

Com a multiplicação dos gadgets, computadores,<br />

smartphones, tablets, relógios<br />

inteligentes, <strong>de</strong>zenas <strong>de</strong> críticos e analistas<br />

<strong>de</strong> produto multiplicaram-se pelo YouTube.<br />

E o gran<strong>de</strong> momento, a maior expectativa,<br />

é quando, antes <strong>de</strong> entrarem na<br />

análise e avaliação do produto, proce<strong>de</strong>m<br />

o unboxing, o <strong>de</strong>sembrulhar do produto<br />

comprado. Hoje o unboxing é tema <strong>de</strong> psicólogos<br />

e integra a pauta <strong>de</strong> congressos. Alguns<br />

até colocam uma musiquinha <strong>de</strong> fundo,<br />

enquanto vão dizendo: “uau, que maravilha,<br />

capricharam na embalagem, olha<br />

o <strong>de</strong>sign”, e por aí segue até começarem a<br />

falar das funcionalida<strong>de</strong>s. Isso posto, muito<br />

rapidamente, com o <strong>de</strong>livery <strong>de</strong> comidas<br />

escalando ao infinito, a palavra migrou<br />

para as quentinhas. No início, discutia-se<br />

qual a melhor embalagem. Rapidamente<br />

os restaurantes apren<strong>de</strong>ram, com a prática,<br />

qual embalagem preservava mais e melhor<br />

as características <strong>de</strong> seus pratos.<br />

E foi aí que nasceu a expressão boa para<br />

viagem. Comida que consegue suportar<br />

mais e preservar suas características<br />

principais, sobrevivendo com dignida<strong>de</strong><br />

aos solavancos e <strong>de</strong>scuidos do transporte.<br />

Superada essa fase, e agora, o unboxing<br />

passou a ser verbalizado à exaustão. Além<br />

<strong>de</strong> resistirem à viagem – boa para viagem<br />

– ainda têm <strong>de</strong> proporcionar ludicida<strong>de</strong> e<br />

encantamento no unboxing, no <strong>de</strong>svendar<br />

do conteúdo. E assim, a partir do segundo<br />

semestre, matérias e mais matérias em<br />

jornais e revistas sobre como se comporta<br />

a comida entregue na Unboxing Proof, na<br />

prova <strong>de</strong> “<strong>de</strong>semboxamento”.<br />

Num dos melancólicos sábados da pan<strong>de</strong>mia,<br />

o Estadão, no ca<strong>de</strong>rno Paladar, conferiu<br />

nota 10 ao unboxing do restaurante<br />

Isla Oriente, que, na opinião da jornalista<br />

Danielle Nagase: “Não se trata mais e apenas<br />

<strong>de</strong> uma embalagem para <strong>de</strong>livery. É a<br />

i<strong>de</strong>ntida<strong>de</strong> do restaurante integrando o unboxing<br />

à totalida<strong>de</strong> da experiência”. Uma<br />

espécie <strong>de</strong> última linha ou etapa <strong>de</strong>rra<strong>de</strong>ira,<br />

prova final e <strong>de</strong>finitiva. On<strong>de</strong> se ganha o<br />

jogo, ou se <strong>de</strong>cepciona.<br />

Explicando os cuidados com o tal <strong>de</strong> unboxing,<br />

Helena Rizzo, do Mani, diz: “Toda<br />

a energia que colocávamos quando o restaurante<br />

permanecia aberto, agora concentra-se<br />

no <strong>de</strong>livery... além <strong>de</strong>, num primeiro<br />

momento, adaptar o cardápio e valorizar<br />

os pratos que funcionam bem para viagem<br />

- os tais dos bom para viagem -, fomos buscar<br />

todas as maneiras <strong>de</strong> levar e elevar a<br />

experiência... Já que não po<strong>de</strong>mos recorrer<br />

às louças, ao empratamento, que ao menos<br />

tenhamos uma embalagem bonita, instigante,<br />

com personalida<strong>de</strong>, que aumente<br />

o apetite dos clientes, e produza indissimulável<br />

encantamento no movimento <strong>de</strong><br />

abertura, no unboxing...”. Existem muitos<br />

registros <strong>de</strong> discretos orgasmos durante o<br />

unboxing... É isso, amigos, dia após dia, o<br />

dicionário das palavras da coronacrise foi<br />

aumentando...<br />

Francisco Alberto Madia <strong>de</strong> Souza<br />

é consultor <strong>de</strong> marketing<br />

famadia@madiamm.com.br<br />

22 <strong>1º</strong> <strong>de</strong> <strong>fevereiro</strong> <strong>de</strong> <strong>2021</strong> - jornal propmark


mErcado<br />

Embalagens <strong>de</strong>vem trazer mais<br />

dados sobre nutrição <strong>de</strong> produtos<br />

Anvisa aprovou lei e indústria <strong>de</strong> alimentos e bebidas tem dois anos para<br />

a<strong>de</strong>quar rótulos; Kantar aponta que o consumidor busca saudabilida<strong>de</strong><br />

Neusa spaulucci<br />

As marcas brasileiras <strong>de</strong>vem<br />

se preparar para a implantação<br />

da nova norma para as<br />

embalagens, contendo informações<br />

sobre valor nutricional<br />

<strong>de</strong> alimentos e bebidas.<br />

É que em outubro <strong>de</strong> 2020<br />

foi aprovada pela Anvisa lei que<br />

<strong>de</strong>ve entrar em vigor em dois<br />

anos. Segundo Manuela Bastian,<br />

expert solutions director<br />

da Kantar, órgãos mundiais estão<br />

atentos ao nível <strong>de</strong> obesida<strong>de</strong><br />

da população e no Brasil não<br />

é diferente. Por isso, estudo realizado<br />

pela Kantar indica que<br />

a saudabilida<strong>de</strong> tem conquistado<br />

cada vez mais relevância.<br />

No Brasil, essa atenção da<br />

indústria <strong>de</strong> alimento e bebidas<br />

ainda engatinha, diferentemente<br />

<strong>de</strong> outros países, inclusive da<br />

América Latina.<br />

O Brasil está atrasado nesse<br />

quesito. O México e o Chile são<br />

países que já adotaram medidas<br />

e dão indicações sobre o que e<br />

quais níveis se consomem com<br />

os produtos.<br />

“O México, por exemplo, já<br />

avalia os impactos da lei no<br />

mercado”, diz Manuela. “As<br />

pessoas têm <strong>de</strong> saber o que<br />

consomem a<strong>de</strong>quadamente”.<br />

Às vezes, um cereal, aparentemente<br />

saudável e até inofensivo,<br />

po<strong>de</strong> conter mais insumos<br />

prejudiciais à saú<strong>de</strong> do que outro<br />

que não se apresenta com ar<br />

<strong>de</strong> saudabilida<strong>de</strong>. Por isso, para<br />

ela, o conceito <strong>de</strong> saudabilida<strong>de</strong><br />

é muito relativo.<br />

Manuela avalia que a pan<strong>de</strong>mia<br />

expôs muitos hábitos e<br />

provocou a mudança <strong>de</strong> muitos<br />

<strong>de</strong>les, já que as pessoas foram<br />

obrigadas a ficar em casa e observar<br />

mais o que estavam comendo.<br />

A comida caseira, por exemplo,<br />

é para a classe C um conceito<br />

<strong>de</strong> saudabilida<strong>de</strong>. Já na classe<br />

<strong>de</strong> maior po<strong>de</strong>r aquisitivo essa<br />

percepção muda em função da<br />

busca por alimentos realmente<br />

saudáveis. “Mas a tendência é<br />

Manuela Bastian: saudabilida<strong>de</strong> tem conquistado cada vez mais relevância<br />

Divulgação<br />

“a tendência é um<br />

consumidor mais<br />

consciente”<br />

um consumidor mais consciente<br />

mesmo”, diz.<br />

O certo é, conforme afirmação<br />

<strong>de</strong> Manuela, que o Brasil<br />

ainda está muito abaixo <strong>de</strong> outros<br />

países quando o assunto é<br />

consumo <strong>de</strong> alimento e bebida<br />

mais saudáveis.<br />

O índice no Brasil do chamado<br />

“Ecoativo” foi <strong>de</strong> 6% em<br />

2019 e 8% em 2020, muito inferior<br />

em relação à média global:<br />

16% em 2019 e 20% em 2020.<br />

Na América Latina, 12% e 18%,<br />

respectivamente.<br />

Ela acredita que dois fatores<br />

contribuem para essa discrepância<br />

no Brasil: preço e disponiblida<strong>de</strong><br />

<strong>de</strong> produtos.<br />

Outro índice bastante baixo<br />

entre os brasileiros é a leitura<br />

<strong>de</strong> valores nutricionais nas<br />

embalagens: apenas 30% leem<br />

informações que os fabricantes<br />

apresentam nos rótulos <strong>de</strong> seus<br />

produtos.<br />

A Kantar fez pesquisa em julho<br />

<strong>de</strong> 2020 que mostra que 75%<br />

dos consumidores brasileiros já<br />

buscam produtos com menor<br />

teor <strong>de</strong> gordura, 70% com menos<br />

açúcar e 69% sem aditivos,<br />

como corantes e conservantes.<br />

Além disso, quando se <strong>de</strong>param<br />

com um produto dito “natural”,<br />

59% dos entrevistados<br />

alegam esperar que seja livre <strong>de</strong><br />

conservantes.<br />

Quanto à análise das informações<br />

nos rótulos, mesmo que<br />

ocasionalmente, 33% das pessoas<br />

afirmam ficar <strong>de</strong> olho na<br />

quantida<strong>de</strong> <strong>de</strong> vitaminas, 33%<br />

<strong>de</strong> açúcar, 32% <strong>de</strong> gordura, 32%<br />

<strong>de</strong> calorias e valor nutricional e<br />

30% em teor <strong>de</strong> sódio.<br />

Manuela fala que, em vez<br />

<strong>de</strong> as atuais letrinhas que <strong>de</strong>sanimam<br />

a leitura <strong>de</strong> qualquer<br />

cristão, a maior inovação com a<br />

nova regra será a colocação <strong>de</strong><br />

símbolos informativos na parte<br />

frontal superior da embalagem,<br />

facilmente captados à primeira<br />

vista, que <strong>de</strong>vem indicar o teor<br />

<strong>de</strong> três nutrientes: açúcares<br />

adicionados, gorduras saturadas<br />

e sódio.<br />

A Tabela <strong>de</strong> Informação Nutricional<br />

também passará por<br />

alterações significativas, a começar<br />

pela adoção <strong>de</strong> fundo<br />

branco e letras pretas, para impedir<br />

que contrastes interfiram<br />

na legibilida<strong>de</strong>.<br />

Além disso, será obrigatório<br />

i<strong>de</strong>ntificar açúcares totais e<br />

adicionais, valores energéticos<br />

e nutricionais e número <strong>de</strong> porções<br />

por embalagem.<br />

A tabela <strong>de</strong>verá ficar perto<br />

da lista <strong>de</strong> ingredientes e em<br />

superfície contínua, sem áreas<br />

encobertas ou locais <strong>de</strong> difícil<br />

visualização.<br />

jornal propmark - <strong>1º</strong> <strong>de</strong> <strong>fevereiro</strong> <strong>de</strong> <strong>2021</strong> 23


mercado<br />

ceos jovens enfrentam o <strong>de</strong>safio <strong>de</strong><br />

comandar agências mais humanas<br />

Com menos <strong>de</strong> 40 anos, os millennials tentam enten<strong>de</strong>r as novas<br />

conexões, negócios e ter uma cultura mais diversa e dinâmica<br />

Alisson Fernán<strong>de</strong>z<br />

Nascidos entre a década <strong>de</strong><br />

1980 até meados <strong>de</strong> 1995, os<br />

millennials cresceram em uma<br />

época <strong>de</strong> gran<strong>de</strong>s avanços tecnológicos.<br />

Com novos pensamentos<br />

e comportamentos, eles<br />

chegam à li<strong>de</strong>rança das agências<br />

com o <strong>de</strong>safio <strong>de</strong> humanizar processos,<br />

enten<strong>de</strong>r a nova socieda<strong>de</strong><br />

e as possíveis conexões em<br />

um momento <strong>de</strong> diversas transformações<br />

do mercado.<br />

Com apenas 39 anos, Filipe<br />

Bartholomeu, sócio e CEO da<br />

AlmapBBDO, há seis anos li<strong>de</strong>ra<br />

uma das maiores agências do<br />

país. “Não é apenas o mercado<br />

publicitário que nunca foi tão dinâmico.<br />

A vida, na verda<strong>de</strong>, nunca<br />

foi tão dinâmica e multifacetada.<br />

O <strong>de</strong>safio é, portanto, como<br />

li<strong>de</strong>rar com tantos <strong>de</strong>safios ao<br />

mesmo tempo. O <strong>de</strong>safio <strong>de</strong> conectar<br />

as marcas dos clientes às<br />

pessoas. O <strong>de</strong>safio <strong>de</strong> engajar um<br />

mundo totalmente on <strong>de</strong>mand.<br />

O <strong>de</strong>safio <strong>de</strong> acen<strong>de</strong>r a chama <strong>de</strong><br />

centenas <strong>de</strong> pessoas talentosas e<br />

apaixonadas em uma organização,<br />

se<strong>de</strong>ntas por um propósito.<br />

E talvez o maior <strong>de</strong>les, o <strong>de</strong>safio<br />

<strong>de</strong> ressignificar uma indústria”,<br />

pontua Bartholomeu.<br />

Aos 38 anos, Marcia Esteves,<br />

que há pouco mais <strong>de</strong> um ano<br />

comanda a Lew’Lara/TBWA,<br />

mas assumiu uma ca<strong>de</strong>ira <strong>de</strong><br />

presi<strong>de</strong>nte com 34 anos na agência<br />

Grey Brasil, acredita que o<br />

papel <strong>de</strong> todo CEO é conseguir<br />

criar um ambiente em que cada<br />

um possa trazer o que tem <strong>de</strong><br />

melhor. “Além das <strong>de</strong>mandas<br />

individuais, há <strong>de</strong> se pensar<br />

também nas necessida<strong>de</strong>s coletivas,<br />

internas, externas, locais<br />

e globais. Como cada campo <strong>de</strong><br />

interação tem uma necessida<strong>de</strong><br />

diferente, o meu <strong>de</strong>safio diário<br />

é conciliar as necessida<strong>de</strong>s dos<br />

colaboradores com aquilo que é<br />

possível entregar <strong>de</strong> forma coletiva<br />

e <strong>de</strong>ntro da estrutura da<br />

agência. Também conciliar as<br />

agendas, aqui entendidas não<br />

apenas como a gestão <strong>de</strong> tempo,<br />

Filipe Bartholomeu: “O <strong>de</strong>safio é lidar com tantos <strong>de</strong>safios”<br />

mas também em sentido lato: o<br />

que nossos clientes precisam,<br />

os orçamentos, a <strong>de</strong>finição <strong>de</strong><br />

priorida<strong>de</strong> para cada caso, as necessida<strong>de</strong>s<br />

globais, as <strong>de</strong>mandas<br />

culturais e sociais. Conseguir<br />

conciliar todas essas necessida<strong>de</strong>s,<br />

cada qual com o seu valor e<br />

todas importantíssimas, é meu<br />

<strong>de</strong>safio diário”, diz.<br />

Com passagens por várias<br />

agências, Fábio Meneghati assumiu<br />

em setembro <strong>de</strong> 2019<br />

a li<strong>de</strong>rança da Greenz. Para o<br />

executivo, a gestão <strong>de</strong> pessoas<br />

é o seu maior <strong>de</strong>safio. “Como o<br />

nosso compromisso é acelerar<br />

os negócios dos nossos clientes,<br />

precisamos ter uma equipe motivada<br />

e estimulada. Desta forma,<br />

acredito que conseguimos fazer a<br />

roda do negócio girar. Para mim,<br />

acelerar a carreira das pessoas<br />

também é um dos meus <strong>de</strong>safios,<br />

uma vez engajados certamente<br />

conseguem acelerar os negócios.<br />

Penso que, durante a pan<strong>de</strong>mia,<br />

a maior parte dos gestores, assim<br />

como eu, se viu <strong>de</strong>safiada<br />

a fazer uma gestão a distância.<br />

Fotos: Divulgacão<br />

Não estávamos preparados para<br />

gerir, motivar, <strong>de</strong>senvolver, estimular<br />

pessoas a distância. Minha<br />

experiência, até aqui, havia me<br />

preparado para uma gestão olho<br />

no olho. Contudo, ver a equipe<br />

evoluindo, feliz e trabalhando<br />

motivada é, com certeza, a melhor<br />

parte <strong>de</strong> ocupar a posição<br />

que ocupo”, <strong>de</strong>staca.<br />

Nova forma <strong>de</strong> ver Negócios<br />

Formada por pessoas hiperconectadas,<br />

a geração <strong>de</strong> lí<strong>de</strong>res<br />

abaixo dos 40 anos vem observando<br />

nos últimos tempos uma<br />

gran<strong>de</strong> aceleração da digitalização,<br />

uma nova relação com os<br />

anunciantes e uma comunicação<br />

ainda maior através das telas.<br />

“Não po<strong>de</strong>mos <strong>de</strong>ixar <strong>de</strong> lembrar<br />

que o que mais tem mudado<br />

nas relações, pessoais ou profissionais,<br />

é a velocida<strong>de</strong> <strong>de</strong> informação.<br />

Hoje temos <strong>de</strong> ser muito<br />

mais eficientes e antenados constantemente.<br />

Para isso, foi necessário<br />

rever processos internos,<br />

<strong>de</strong>sburocratizar, <strong>de</strong>scentralizar as<br />

obrigações em mais pessoas, me-<br />

lhorar a gestão <strong>de</strong> tempo e produtivida<strong>de</strong>,<br />

dando ferramentas<br />

que facilitem a gestão <strong>de</strong> projetos<br />

e comunicação entre os times e<br />

com os clientes. Sobre mudar a<br />

forma <strong>de</strong> pensar os negócios dos<br />

clientes, vimos cada vez mais a<br />

necessida<strong>de</strong> <strong>de</strong> termos dados, estatísticas,<br />

pesquisas, que garantem<br />

justamente a melhor performance<br />

possível para os clientes.<br />

Hoje não é mais só a melhor i<strong>de</strong>ia<br />

que <strong>de</strong>ve ser colocada em prática,<br />

mas ter uma análise minuciosa<br />

dos resultados que ela po<strong>de</strong> gerar,<br />

até para justificar o seu investimento”,<br />

diz Hebert Lacava, CEO<br />

da ACuca.<br />

Fundada por Marcela Ceribelli,<br />

30 anos, a Obvious Agency, que<br />

<strong>de</strong>s<strong>de</strong> 2017 faz parte da Flagcx, já<br />

chegou ao mercado trazendo um<br />

novo olhar para as marcas. Através<br />

<strong>de</strong> conteúdos criativos, a plataforma<br />

trabalha com narrativas<br />

femininas que trazem felicida<strong>de</strong>.<br />

“O fato do meu sócio, Renato<br />

Galvão, e eu nunca termos trabalhado<br />

em agências colaborou<br />

a nosso favor, pois não tínhamos<br />

referências <strong>de</strong> processos e timings.<br />

Com isso, a gente realizava<br />

tudo, da criação à produção audiovisual,<br />

<strong>de</strong> uma maneira mais<br />

rápida. Existe uma rigi<strong>de</strong>z do mercado,<br />

que conseguimos controlar<br />

com um olhar totalmente focado<br />

no digital. Temos uma mentalida<strong>de</strong><br />

<strong>de</strong> startup, mas como temos<br />

as próprias plataformas, estamos<br />

constantemente testando os formatos<br />

e fazendo laboratório. Então,<br />

quando vamos apresentar<br />

um projeto para uma marca, dificilmente<br />

estou oferecendo risco<br />

para ela, pois o risco eu já assumi.<br />

Todo mundo vai precisar ter este<br />

pensamento, gran<strong>de</strong>s empresas<br />

terão <strong>de</strong> assumir o lugar <strong>de</strong> acerto<br />

e erro”, comenta.<br />

Oriunda do digital, a Purple<br />

Cow observou a necessida<strong>de</strong><br />

<strong>de</strong> mudar a forma <strong>de</strong> pensar os<br />

negócios dos clientes há uns<br />

quatros anos. Segundo Marcelo<br />

Bernar<strong>de</strong>s, 32 anos, sócio e CEO<br />

da agência, foi preciso enten<strong>de</strong>r<br />

o papel estratégico da empresa<br />

24 <strong>1º</strong> <strong>de</strong> <strong>fevereiro</strong> <strong>de</strong> <strong>2021</strong> - jornal propmark


junto aos anunciantes.<br />

“Precisávamos, como agência,<br />

<strong>de</strong>scer do pe<strong>de</strong>stal egocêntrico e<br />

andar mais próximos. Paramos<br />

<strong>de</strong> atuar no mo<strong>de</strong>lo <strong>de</strong> esteira <strong>de</strong><br />

produção, em que cada área passa<br />

o bastão para a próxima. Esse<br />

jeito <strong>de</strong>ixa tudo mais <strong>de</strong>morado e<br />

tem muita ineficiência, uma vez<br />

que uma fica tentando corrigir o<br />

trabalho da outra. A agência atua<br />

no mo<strong>de</strong>lo <strong>de</strong> cocriação. Cada<br />

área aporta seu know-how, mas<br />

o projeto é construído simultaneamente<br />

por todos. Isso dá mais<br />

agilida<strong>de</strong>, mas também dá mais<br />

segurança e, principalmente,<br />

mais criativida<strong>de</strong>. O projeto nasce<br />

com todos os olhares acreditando<br />

no que estamos, como um<br />

time, <strong>de</strong>senvolvendo”, ressalta.<br />

Marcela Ceribelli: “Temos uma mentalida<strong>de</strong> <strong>de</strong> startup”<br />

Fábio Meneghati: “Nossa gestão está atenta a todas as questões”<br />

cultura e socieda<strong>de</strong><br />

Nos últimos anos, as empresas<br />

vêm acompanhando as mudanças<br />

da socieda<strong>de</strong>. Muitas tentam<br />

sair do discurso e colocar assuntos<br />

como a diversida<strong>de</strong> <strong>de</strong> gênero<br />

e raça, e a sustentabilida<strong>de</strong> em<br />

prática. Porém, será que mesmo<br />

com valores mais alinhados com<br />

o lugar para on<strong>de</strong> a socieda<strong>de</strong><br />

está indo, a nova geração <strong>de</strong> lí<strong>de</strong>res<br />

precisa revisitar a cultura da<br />

agência com frequência?<br />

“Há um primeiro passo fundamental,<br />

ser honesto com os problemas.<br />

Reconhecer que a indústria<br />

– como tantas outras – vive<br />

um gap intolerável sob o aspecto<br />

da diversida<strong>de</strong> e inclusão. E então<br />

agir. Não apenas pela necessida<strong>de</strong><br />

da representativida<strong>de</strong>, mas<br />

porque essa é uma questão que<br />

ataca frontalmente o principal<br />

asset da indústria, a criativida<strong>de</strong>.<br />

A criativida<strong>de</strong> vem da adversida<strong>de</strong>,<br />

da coragem, mas fundamentalmente<br />

vem dos múltiplos<br />

olhares, cores, sotaques, orientações,<br />

vivências. Uma socieda<strong>de</strong><br />

mais plural é uma socieda<strong>de</strong> mais<br />

criativa. E nós vivemos, respiramos,<br />

entregamos criativida<strong>de</strong>.<br />

Por isso, temos um comitê que<br />

li<strong>de</strong>ra as iniciativas <strong>de</strong> equida<strong>de</strong><br />

<strong>de</strong> gêneros, inclusão racial, inclusão<br />

<strong>de</strong> grupos socioeconômicos e<br />

<strong>de</strong> pessoas com <strong>de</strong>ficiência e <strong>de</strong><br />

<strong>de</strong>bate <strong>de</strong> questões LGBTIA+”,<br />

comenta Bartholomeu.<br />

Segundo Marcela, a agência já<br />

nasceu com uma cultura diversa<br />

e está sempre disposta a ouvir<br />

as mudanças da socieda<strong>de</strong>. “O<br />

segredo da diversida<strong>de</strong> está na<br />

equipe. É ter li<strong>de</strong>ranças criativas<br />

que tenham lugar <strong>de</strong> fala, que tenham<br />

vivência sobre o assunto,<br />

senão elas não trazem a verda<strong>de</strong>.<br />

Este foi o erro da publicida<strong>de</strong> durante<br />

muito tempo. On<strong>de</strong> 10 homens<br />

brancos, cis e héteros entravam<br />

em uma sala para discutir<br />

uma campanha para mulheres<br />

negras com cabelos crespos. Isso<br />

é uma coisa que é impossível <strong>de</strong><br />

dar certo. Essa sempre foi a nossa<br />

preocupação na agência, por isso<br />

temos uma equipe com mulheres<br />

supertalentosas. Além disso,<br />

durante a pan<strong>de</strong>mia, passamos<br />

a contratar pessoas fora do eixo<br />

Rio-SP. Queremos aumentar o<br />

nosso olhar através <strong>de</strong> novos<br />

olhares. Temos <strong>de</strong> nos adaptar<br />

muito rápido. A geração Z vai<br />

chegar e achar que somos muito<br />

caretas”, diz.<br />

Já para Meneghati, a cultura e<br />

os valores da agência não precisam<br />

ser revistos com frequência.<br />

“Porque são as i<strong>de</strong>ias que acreditamos.<br />

Eles precisam ser mais<br />

sólidos. Por isso, recentemente,<br />

contratamos uma consultoria<br />

para nos ajudar a institucionalizar<br />

essa cultura e esses valores<br />

que acreditamos, e a rever nosso<br />

branding - algo que é difícil<br />

priorizar internamente e sempre<br />

escutamos aquela máxima ‘em<br />

casa <strong>de</strong> ferreiro, o espeto é <strong>de</strong><br />

pau’. Nossa gestão está atenta a<br />

todas as questões que são caras<br />

à socieda<strong>de</strong>. Inclusive, iniciamos<br />

em 2020 um programa <strong>de</strong><br />

inclusão <strong>de</strong> talentos. Contudo,<br />

Hebert Lacava: “Temos <strong>de</strong> ser mais eficientes e conectados”<br />

sabemos que, assim como todo<br />

o mercado, po<strong>de</strong>mos fazer mais<br />

e temos um longo caminho pela<br />

frente. Estamos apren<strong>de</strong>ndo e<br />

valorizamos isso”, diz.<br />

a próxima década<br />

É inegável que o mercado continuará<br />

se transformando muito<br />

rapidamente. As principais mudanças<br />

<strong>de</strong>vem impactar os negócios,<br />

que provavelmente serão<br />

mais rápidos e transparentes.<br />

“A evolução é infinita e acontece<br />

à medida que a socieda<strong>de</strong> evolui<br />

e em conjunto com todos os<br />

players do mercado, com a adaptação,<br />

ajuste e posicionamento<br />

que ainda não somos capazes <strong>de</strong><br />

prever com exatidão. Quem diria,<br />

no ano passado, que a gente<br />

po<strong>de</strong>ria trabalhar sem aparecer<br />

no escritório físico - e, mais que<br />

isso, que esse tipo <strong>de</strong> mo<strong>de</strong>lo iria<br />

funcionar? Que as campanhas<br />

fossem para a rua, sem que a rua<br />

estivesse disponível para trânsito<br />

livre? Entendo que 2030 será<br />

um mundo quase irreconhecível<br />

para nós em comparação a 2020,<br />

mas espero que a transformação<br />

traga somente benefícios para a<br />

socieda<strong>de</strong>”, salienta Marcia.<br />

O CEO da ACuca revela que<br />

vem trabalhando para construir<br />

um mercado mais ético e<br />

se preocupa com toda a ca<strong>de</strong>ia<br />

<strong>de</strong> stakehol<strong>de</strong>rs. “Entendo que<br />

as agências <strong>de</strong>veriam ser vistas<br />

como parceiros estratégicos, participando<br />

mais ativamente nos<br />

planos e objetivos dos clientes,<br />

como prestadores permanentes<br />

ou por períodos maiores preestabelecidos.<br />

Nesse formato <strong>de</strong> trabalho,<br />

po<strong>de</strong>mos otimizar investimentos<br />

tanto em equipe como<br />

em tempo”, diz Lacava.<br />

Já Bernar<strong>de</strong>s reflete que o pensamento<br />

antigo <strong>de</strong>ixa na mesa<br />

muitas oportunida<strong>de</strong>s. Porém, o<br />

dito novo <strong>de</strong>ixou tudo mais frio<br />

e para trás a essência <strong>de</strong> envolver<br />

e contar histórias. “Acredito que<br />

nos próximos <strong>de</strong>z anos veremos<br />

parte da essência da propaganda<br />

voltar. Mas só o que faz sentido<br />

para os dias <strong>de</strong> hoje. Isso, junto<br />

a um pensamento estratégico<br />

mo<strong>de</strong>rno e um mo<strong>de</strong>lo <strong>de</strong> remuneração<br />

baseado no trabalho<br />

propriamente dito, <strong>de</strong>ve criar um<br />

mercado mais eficaz para as marcas”,<br />

finaliza.<br />

Marcelo Bernar<strong>de</strong>s: “Precisávamos <strong>de</strong>scer do pe<strong>de</strong>stal”<br />

jornal propmark - <strong>1º</strong> <strong>de</strong> <strong>fevereiro</strong> <strong>de</strong> <strong>2021</strong> 25


MERCADO<br />

Lí<strong>de</strong>res e jovens respon<strong>de</strong>m:<br />

“O que é ser publicitário?”<br />

Leonardo araujo<br />

Nesta segunda-feira, <strong>1º</strong> <strong>de</strong> <strong>fevereiro</strong>, comemorase<br />

o Dia do Publicitário. A data faz referência<br />

ao Decreto <strong>de</strong> Lei nº 57.690, <strong>de</strong> 1966, instituído<br />

com o objetivo principal <strong>de</strong> regulamentar a<br />

profissão. Para celebrar, PROPMARK resolveu colocar<br />

profissionais <strong>de</strong> diferentes gerações frente a frente<br />

respon<strong>de</strong>ndo à pergunta: "O que é ser publicitário?".<br />

CEOs e lí<strong>de</strong>res divi<strong>de</strong>m as páginas <strong>de</strong>ste especial com<br />

estagiários e jovens profissionais. As <strong>de</strong>finições mostram<br />

que a ativida<strong>de</strong> publicitária está cada vez mais viva e<br />

diversa. Para alguns, a profissão vai além da criativida<strong>de</strong><br />

e é ferramenta essencial para fomentar a economia. Para<br />

Evoluí na carreira pelo fato<br />

<strong>de</strong> sempre ter sido curioso e<br />

inquieto. Sempre perguntava ao meu<br />

superior como foi a reunião e o que<br />

tinha para ser feito. [...] O mercado da<br />

comunicação mudou drasticamente<br />

do período em que iniciei a profissão.<br />

Tudo diferente, menos uma só coisa -<br />

exatamente a pergunta <strong>de</strong>ssa matéria.<br />

Publicitário é ter a consciência <strong>de</strong><br />

que propaganda é meio e não o<br />

fim. Saber que, se seu trabalho não<br />

gerar resultado ao cliente, será visto<br />

como gasto no ano seguinte. É ter a<br />

humilda<strong>de</strong> <strong>de</strong> saber que as mudanças<br />

<strong>de</strong> agência ocorrem por <strong>de</strong>sinteresse<br />

da diretoria ou por problemas recorrentes no dia a<br />

dia não solucionados. Ser publicitário é gostar <strong>de</strong><br />

gente e saber lidar com seus colaboradores.”<br />

Antonio Fadiga - CEO da Artplan<br />

outros, a ativida<strong>de</strong> permite moldar a cultura e ser agente<br />

<strong>de</strong> mudanças. Ser especialista em gente é fundamental<br />

para o exercício da comunicação publicitária e, além<br />

disso, é preciso ter responsabilida<strong>de</strong>, segundo as fontes<br />

ouvidas. Para os entrevistados, um bom publicitário é<br />

eternamente insatisfeito e obcecado criativamente, além<br />

<strong>de</strong> observar o mundo cinza com olhos <strong>de</strong> aquarela. Quem<br />

entrar na profissão agora, <strong>de</strong>ve esperar uma indústria<br />

inteiramente nova e traduzir para o público mensagens<br />

capazes <strong>de</strong> construir marcas que se tornam valiosas. Ser<br />

publicitário é sonhar muito alto. É unir subjetivida<strong>de</strong> do<br />

olhar pessoal com a objetivida<strong>de</strong> <strong>de</strong> uma marca. É estar<br />

conectado com o mundo ao seu redor, ter consciência <strong>de</strong><br />

que propaganda é meio e não o fim.<br />

Fotos: Divulgação<br />

Acredito que ser publicitário é<br />

estar conectado com o mundo<br />

ao seu redor, não <strong>de</strong> uma forma digital<br />

ou na posição <strong>de</strong> um espectador,<br />

mas na vivência <strong>de</strong> mergulhar na<br />

realida<strong>de</strong> do outro e compreen<strong>de</strong>r as<br />

particularida<strong>de</strong>s <strong>de</strong> cada indivíduo<br />

na socieda<strong>de</strong>. É saber que - mesmo no<br />

cotidiano movimentado e dinâmico<br />

da agência - existem momentos <strong>de</strong><br />

contemplação em cada entrega bemsucedida.<br />

Ser publicitário é enten<strong>de</strong>r<br />

as diferenças e, então, perceber<br />

que somente com o ato da escuta<br />

e da união com cada colaborador<br />

conseguimos alcançar nossos<br />

objetivos. Um feliz Dia do Publicitário a todos os<br />

colegas <strong>de</strong> profissão!”<br />

Bruna Vieira - Estagiária <strong>de</strong> direção <strong>de</strong> arte da Artplan<br />

Tenho muito<br />

orgulho <strong>de</strong> ser<br />

publicitária. Trabalhar com<br />

comunicação e criativida<strong>de</strong>,<br />

em um país que é um dos<br />

lí<strong>de</strong>res globais no assunto<br />

e <strong>de</strong>staque no mercado<br />

global <strong>de</strong> publicida<strong>de</strong>, é<br />

uma paixão e também uma<br />

baita responsabilida<strong>de</strong>.<br />

A propaganda brasileira<br />

gera empregos e negócios,<br />

apoiando a economia do nosso<br />

país. Tudo o que fazemos<br />

é <strong>de</strong>senvolvido por pessoas<br />

e para pessoas, sempre<br />

colocando a criativida<strong>de</strong> no<br />

centro.”<br />

Marcia Esteves - CEO &<br />

Partner da Lew’Lara\TBWA<br />

Ser publicitário é se<br />

conectar com pessoas.<br />

Não existe publicida<strong>de</strong> sem<br />

público e por isso enten<strong>de</strong>r<br />

o comportamento humano<br />

é fundamental para estruturar<br />

uma boa propaganda.<br />

Saber escutar <strong>de</strong>mandas<br />

sociais, novos formatos,<br />

comportamentos e tendências<br />

é o nosso <strong>de</strong>ver, para que,<br />

<strong>de</strong>ssa forma, a publicida<strong>de</strong><br />

consiga realizar uma ponte<br />

entre marcas e pessoas, por<br />

meio <strong>de</strong> valores, histórias e<br />

emoções.”<br />

Barbara Alves - Assistente <strong>de</strong><br />

conteúdo da Lew’Lara\TBWA<br />

26 <strong>1º</strong> <strong>de</strong> <strong>fevereiro</strong> <strong>de</strong> <strong>2021</strong> - jornal propmark


Meu pai era publicitário e,<br />

quando garoto, sempre tive<br />

muita admiração por tudo o que<br />

ele fazia. Era a época ‘Mad Men’ e<br />

é claro que, além do estilo <strong>de</strong> vida,<br />

a admiração também era em ver<br />

como se construíam as marcas, com<br />

entretenimento e com os resultados<br />

<strong>de</strong> negócios. Acompanhar tudo isso<br />

me fez <strong>de</strong>cidir ser publicitário com<br />

12 anos. [...]. Ser publicitário é saber<br />

que po<strong>de</strong>mos construir uma marca e<br />

sua história, fazer diferença para as<br />

pessoas, caindo no gosto popular e,<br />

consequentemente, trazer resultados<br />

aos negócios... Exatamente nessa<br />

or<strong>de</strong>m.”<br />

Daniel Jotta - General manager da BETC/Havas<br />

Muitas vezes a gente se<br />

questiona se está fazendo a<br />

coisa certa ou se estamos fazendo<br />

tudo errado. O trabalho criativo<br />

<strong>de</strong>ixa a gente <strong>de</strong>sconfortável, porque<br />

não dá pra ter uma i<strong>de</strong>ia legal sem<br />

ficar cutucando a própria cabeça.<br />

Ser publicitária é sonhar muito<br />

alto e, às vezes, ter <strong>de</strong> pôr os pés no<br />

chão, mas também se emocionar<br />

igual a uma mãe coruja com o filho<br />

nascendo. É mudar o jeito que as<br />

pessoas consomem e enxergam<br />

as marcas, dar voz às nossas<br />

causas, inspirar pessoas através<br />

da criativida<strong>de</strong>, mas também não<br />

<strong>de</strong>ixar o ego subir à cabeça… Afinal, é só propaganda.”<br />

Giulia Ferrarezi - Diretora <strong>de</strong> arte júnior na BETC/Havas<br />

Ser publicitário é, antes<br />

<strong>de</strong> tudo, gostar <strong>de</strong> gente.<br />

Porque o nosso negócio é feito<br />

por pessoas, para pessoas. Ser<br />

publicitário é ser um agente<br />

protagonista na transformação<br />

<strong>de</strong> marcas e negócios, sendo<br />

o principal gerador <strong>de</strong> valor<br />

nesse ecossistema. Porque<br />

é a propaganda que faz<br />

<strong>de</strong> uma commodity, uma<br />

gran<strong>de</strong> marca. E, por fim, a<br />

propaganda também ajuda<br />

a manter uma imprensa<br />

livre. Por isso eu digo: ser<br />

publicitário é ser um dos<br />

pilares fundamentais da<br />

<strong>de</strong>mocracia.”<br />

Camilla Massari - VP <strong>de</strong><br />

atendimento da AlmapBBDO<br />

Acho bem simples,<br />

só que não. É unir a<br />

subjetivida<strong>de</strong> do olhar<br />

pessoal com a objetivida<strong>de</strong> <strong>de</strong><br />

uma marca. Transmutando<br />

i<strong>de</strong>ias em produtos ou<br />

serviços.<br />

Ou seja, é aquela pessoa que<br />

enten<strong>de</strong> o valor que cada<br />

conversa po<strong>de</strong> ter, conectando<br />

<strong>de</strong> maneira real a história das<br />

marcas e das pessoas, usando<br />

da criativida<strong>de</strong>.”<br />

Mariane Almeida - Assistente<br />

<strong>de</strong> arte da AlmapBBDO<br />

Ser publicitária, para<br />

mim, é ser apaixonada<br />

por cultura, comportamento<br />

e comunicação. É sobre olhar<br />

para o mundo e procurar<br />

formas criativas e relevantes<br />

<strong>de</strong> <strong>de</strong>senvolver conversas.<br />

Tendo sempre em mente a<br />

responsabilida<strong>de</strong> que a gente<br />

carrega a cada mensagem, a<br />

cada diálogo que travamos<br />

entre marcas e pessoas, pois<br />

somos parte formadora das<br />

referências, dos padrões e<br />

das tendências culturais da<br />

socieda<strong>de</strong>.”<br />

Anna Martha - ECD da FCB<br />

Brasil<br />

Ser publicitária<br />

já carrega<br />

automaticamente todo<br />

aquele papo <strong>de</strong> ser criativa<br />

e <strong>de</strong>scontraída. Mas, além<br />

disso, principalmente o<br />

<strong>de</strong> ter responsabilida<strong>de</strong>.<br />

[...] Ter uma ferramenta<br />

po<strong>de</strong>rosíssima em mãos,<br />

que precisa ser usada com<br />

responsabilida<strong>de</strong>. Em um<br />

momento como esse, <strong>de</strong> muita<br />

atenção para os assuntos <strong>de</strong><br />

autoestima e pressão estética,<br />

como publicitárias, temos a<br />

missão <strong>de</strong> fazer a coisa certa,<br />

e impedir que a publicida<strong>de</strong><br />

volte a ser palco <strong>de</strong> padrões.”<br />

Liandra Monteiro - Assistente<br />

<strong>de</strong> programação da FCB Brasil<br />

Mais do que nunca, um<br />

bom publicitário precisa se<br />

reinventar constantemente, porque<br />

é um segmento que precisa e vem<br />

passando por uma transformação<br />

intensa numa combinação entre<br />

criativida<strong>de</strong>, uso <strong>de</strong> dados e<br />

tecnologia. Devemos proporcionar<br />

um diagnóstico para os problemas<br />

dos clientes e as ferramentas<br />

necessárias para solucioná-los,<br />

não importando quais sejam. Além<br />

disso, quem estiver ingressando<br />

agora na propaganda precisa saber<br />

que fará parte <strong>de</strong> uma indústria<br />

inteiramente nova e é fundamental<br />

enten<strong>de</strong>r quais são os mo<strong>de</strong>los <strong>de</strong> negócios das agências.”<br />

Eduardo Simon - CEO da DPZ&T<br />

É ter um olhar voltado para<br />

as infinitas possibilida<strong>de</strong>s.<br />

É saber comunicar, traduzir,<br />

transformar e estar sempre em<br />

busca <strong>de</strong> novos <strong>de</strong>safios, novas<br />

i<strong>de</strong>ias e inspirações. Quanto à<br />

minha experiência na criação,<br />

percebo que os publicitários <strong>de</strong>vem<br />

estar sempre antenados e indo um<br />

pouco além.”<br />

Julia Mele - Assistente <strong>de</strong><br />

arte da DPZ&T<br />

jornal propmark - <strong>1º</strong> <strong>de</strong> <strong>fevereiro</strong> <strong>de</strong> <strong>2021</strong> 27


MERCADO<br />

É ser um pouco Cobra Kai<br />

e um pouco Miyagi-Do. Ser<br />

eternamente insatisfeito e obcecado<br />

criativamente, mas ter bom senso<br />

para saber que é negócio, não<br />

arte. É ter raiva <strong>de</strong> i<strong>de</strong>ia ruim ou<br />

repetida, mas ser apaixonado por<br />

projetos inteligentes. [...] É não ter<br />

misericórdia com sua autoexigência,<br />

mas ter respeito irrestrito por todas as<br />

outras pessoas. É não ter medo <strong>de</strong> se<br />

reinventar sociotecnologicamente, mas<br />

se aprofundar no comportamento, na<br />

cultura e nos propósitos humanos. Um<br />

mercado saudável não é formado por<br />

senseis agressivos inseguros, nem por falsos<br />

bonzinhos e pseudoengajados.”<br />

Marcelo Reis - Co-CEO e CCO da Leo Burnett<br />

Ser publicitário é ser um<br />

especialista em gente. É buscar<br />

se aprofundar diariamente nas<br />

diferentes realida<strong>de</strong>s e hábitos das<br />

pessoas e trazer essas informações para<br />

um trabalho assertivo das marcas.<br />

É pensar na comunicação como uma<br />

ferramenta <strong>de</strong> aceleração <strong>de</strong> negócios<br />

e transformação da socieda<strong>de</strong> e na<br />

agência como uma plataforma criativa,<br />

que reúne diferentes disciplinas e<br />

dados em nome <strong>de</strong> gran<strong>de</strong>s i<strong>de</strong>ias.”<br />

Eduardo Lorenzi - CEO da Publicis<br />

Ser você mesmo, se reconhecer<br />

no próximo e como o próximo.<br />

Ter a capacida<strong>de</strong> <strong>de</strong> observar o mundo<br />

cinza com olhos <strong>de</strong> aquarela, <strong>de</strong><br />

enxergar nas diferenças oportunida<strong>de</strong>s<br />

<strong>de</strong> novas visões, <strong>de</strong> se alimentar<br />

do não semelhante para abrir as<br />

i<strong>de</strong>ias, trazendo sempre inovação e<br />

mo<strong>de</strong>rnida<strong>de</strong> para a rotina. A mistura<br />

<strong>de</strong> conceitos, princípios e valores em<br />

um mesmo job, com respeito e muita<br />

consi<strong>de</strong>ração... Acredito que isso é ser<br />

um bom publicitário!”<br />

Luiz Gutierre - Estagiário <strong>de</strong> mídia da<br />

Leo Burnett Tailor Ma<strong>de</strong><br />

Ser publicitária é carregar<br />

consigo o senso da mudança.<br />

Todos os dias, unimos criativida<strong>de</strong><br />

e muita estratégia para balançar<br />

as coisas, sejam as percepções <strong>de</strong><br />

uma nova socieda<strong>de</strong> ou as <strong>de</strong> uma<br />

marca. Temos o po<strong>de</strong>r <strong>de</strong> reconstruir<br />

e a responsabilida<strong>de</strong> <strong>de</strong> reformular.<br />

Cada novo job é um <strong>de</strong>safio para fazer<br />

diferente.”<br />

Audrey Palhares - Estagiária da Publicis<br />

Fotos: Divulgação<br />

Ser publicitário é prestar uma<br />

gran<strong>de</strong> contribuição para o<br />

dinamismo da economia e para o<br />

crescimento <strong>de</strong> marcas, especialmente<br />

aquelas que têm um compromisso<br />

com a qualida<strong>de</strong>, com o serviço, com<br />

o atendimento das necessida<strong>de</strong>s dos<br />

públicos, que vão sempre encontrar<br />

na publicida<strong>de</strong> um jeito <strong>de</strong> chegar<br />

para milhões <strong>de</strong> pessoas com as<br />

suas propostas, seus produtos e seus<br />

serviços.”<br />

João Livi - CEO da Talent Marcel<br />

A publicida<strong>de</strong> tem a capacida<strong>de</strong><br />

<strong>de</strong> moldar a cultura. Cada<br />

vez mais, as empresas, e não apenas<br />

os governos, são capazes <strong>de</strong> interferir<br />

positivamente na socieda<strong>de</strong>. E a<br />

publicida<strong>de</strong> é parte importante<br />

<strong>de</strong>sta engrenagem. A questão crucial<br />

da nossa profissão é ultrapassar o<br />

propósito <strong>de</strong> ven<strong>de</strong>r um produto e<br />

ajudar as marcas a terem um papel<br />

significativo na vida das pessoas.<br />

E, nesta era fascinante que estamos<br />

vivendo, o uso intensivo dos dados, a<br />

tecnologia e a criativida<strong>de</strong> nos guiam<br />

e nos auxiliam nesta missão.”<br />

Kevin Zung - COO da WMcCann<br />

Lembro que, quando entrei na<br />

faculda<strong>de</strong>, a primeira coisa<br />

que relacionavam ao publicitário<br />

era a criativida<strong>de</strong>. Mas, hoje, eu<br />

entendo que ser publicitário vai<br />

muito além da criativida<strong>de</strong>. É sobre<br />

formar e fortalecer a imagem da<br />

marca como um todo. É sobre estar<br />

antenado às novida<strong>de</strong>s, buscar<br />

e saber usar tendências. É sobre<br />

enten<strong>de</strong>r os consumidores para criar<br />

uma comunicação <strong>de</strong> relevância,<br />

que entretenha, mas que também<br />

seja comprometida com as pessoas e<br />

com responsabilida<strong>de</strong> social. A nossa<br />

profissão é sobre criar influência por meio da comunicação.”<br />

Katiane Souza - Assistente <strong>de</strong> planejamento da Talent Marcel<br />

É ser agente <strong>de</strong> mudança.<br />

É enten<strong>de</strong>r que, além <strong>de</strong><br />

estratégias, é necessário trazer reflexão<br />

e propósitos, ampliando e construindo<br />

novas visões <strong>de</strong> mundo a partir <strong>de</strong><br />

estudos, pesquisas e o repertório<br />

individual <strong>de</strong> cada publicitário.<br />

Sempre enxerguei na publicida<strong>de</strong><br />

um espaço aberto e livre, em que<br />

tudo se cria, se inova e tem uma<br />

possibilida<strong>de</strong> <strong>de</strong> se reinventar. Por isso,<br />

acredito que o publicitário tem um<br />

papel fundamental na construção do<br />

imaginário social e se intensifica por<br />

estar atrelado ao contexto social.”<br />

Beatriz Lopes - Assistente <strong>de</strong> criação da WMcCann<br />

28 <strong>1º</strong> <strong>de</strong> <strong>fevereiro</strong> <strong>de</strong> <strong>2021</strong> - jornal propmark


mercado<br />

World Surf League lança campanha<br />

pela proteção dos oceanos no mundo<br />

Com participação <strong>de</strong><br />

Ítalo Ferreira e Sophia<br />

Medina, ação divulga<br />

a petição 30x30<br />

WSL (World Surf League) lança globalmente<br />

a campanha We Are One<br />

A<br />

Ocean, iniciativa pedindo a proteção <strong>de</strong><br />

30% dos oceanos do planeta até 2030. A<br />

WSL incentiva as pessoas a assinarem a<br />

petição 30x30 no site weareoneocean.<br />

org. O campeão mundial Ítalo Ferreira e<br />

Sophia Medina, irmã do bicampeão Gabriel<br />

Medina, fazem parte <strong>de</strong> uma série<br />

especial da WSL sobre a campanha.<br />

A série traz episódios com histórias sobre<br />

a conexão <strong>de</strong> seis pessoas com o oceano<br />

e suas motivações para assinarem a<br />

petição. O conteúdo completo será lançado<br />

em 9 <strong>de</strong> <strong>fevereiro</strong> e terá participação<br />

<strong>de</strong> cientistas, ambientalistas e alguns<br />

surfistas.<br />

A campanha é inspirada pela WSL Pure,<br />

organização sem fins lucrativos da<br />

World Surf League, que construiu uma<br />

gran<strong>de</strong> coalizão, com mais <strong>de</strong> 60 ONGs,<br />

para apoiar o We Are One Ocean, além <strong>de</strong><br />

outras corporações como o Natural Resources<br />

Defense Council (Conselho <strong>de</strong><br />

Defesa dos Recursos Naturais), Conservation<br />

International, Surfri<strong>de</strong>r Foundation,<br />

Sea Legacy, Lonely Whale e World<br />

Sailing.<br />

“Estabelecer áreas totalmente protegidas<br />

é uma maneira incrível <strong>de</strong> construir<br />

resiliência em nosso oceano”, afirma Reece<br />

Pacheco, SVP Ocean Responsibility<br />

da WSL.<br />

O brasileiro Ivan Martinho, CEO da<br />

WSL para a América Latina, espera que<br />

a mensagem <strong>de</strong> amor pelo oceano ressoe<br />

nas pessoas em todo o mundo. “A campanha<br />

é uma gran<strong>de</strong> oportunida<strong>de</strong> para a<br />

WSL, junto com nossa coalizão <strong>de</strong> mais <strong>de</strong><br />

60 ONGs e corporações, usar a nossa plataforma<br />

para <strong>de</strong>fen<strong>de</strong>r mudanças reais.<br />

A WSL já está comprometida em ser neutra<br />

no uso <strong>de</strong> carbono e trabalhar para<br />

eliminar os plásticos <strong>de</strong>scartáveis <strong>de</strong><br />

nossos eventos do Tour do Campeonato<br />

e agora, por meio do We Are One Ocean,<br />

está <strong>de</strong>fen<strong>de</strong>ndo a proteção do oceano”.<br />

A marca Shiseido se uniu à WSL como<br />

parceira oficial do We Are One Ocean, assim<br />

como a Gillette Venus, que também<br />

será parceira da campanha como parte do<br />

seu compromisso <strong>de</strong> usar menos recursos<br />

até 2030. A campanha foi criada pelas<br />

equipes internas da WSL e WSL Pure.<br />

Compromisso lançado pela WSL visa proteger 30% dos oceanos até 2030<br />

Fotomontagem<br />

jornal propmark - <strong>1º</strong> <strong>de</strong> <strong>fevereiro</strong> <strong>de</strong> <strong>2021</strong> 29


mercado<br />

Inteligência emocional vira<br />

habilida<strong>de</strong>-chave para li<strong>de</strong>ranças<br />

Avanços exponenciais na tecnologia, pan<strong>de</strong>mia, incertezas e distância<br />

dos times exigem um lí<strong>de</strong>r que exercite habilida<strong>de</strong>s comportamentais<br />

JÉSSICA OLIVEIRA<br />

pan<strong>de</strong>mia acelerou a consciência<br />

das pessoas e orga-<br />

A<br />

nizações sobre a importância<br />

da inteligência emocional e<br />

criou um maior senso <strong>de</strong> urgência<br />

para o seu <strong>de</strong>senvolvimento.<br />

A opinião é <strong>de</strong> Carlos<br />

Aldan, CEO do Grupo Kronberg,<br />

consultoria focada em programas<br />

customizados para li<strong>de</strong>rança,<br />

linha <strong>de</strong> frente e vendas,<br />

tendo como base a ciência da<br />

inteligência emocional, ciência<br />

da positivida<strong>de</strong> e neurociência<br />

do aprendizado.<br />

O executivo explica que com<br />

o crescimento exponencial da<br />

tecnologia, avanços e inovações,<br />

também cresce o <strong>de</strong>sconforto<br />

emocional, assumindo<br />

proporções como ansieda<strong>de</strong> e<br />

estresse, até burnout, que, segundo<br />

ele, já atingia 70% da população<br />

no ambiente <strong>de</strong> trabalho<br />

antes da pan<strong>de</strong>mia, além <strong>de</strong><br />

<strong>de</strong>pressão e suicídio. “As previsões<br />

são <strong>de</strong> que pelo menos<br />

14% da força <strong>de</strong> trabalho global<br />

(World Economic Forum, 2020),<br />

algo em torno <strong>de</strong> 400 milhões<br />

<strong>de</strong> pessoas, terão <strong>de</strong> mudar <strong>de</strong><br />

profissão ou adquirir novas habilida<strong>de</strong>s<br />

até 2030 por causa da<br />

inteligência artificial e automação.<br />

Essas transformações, com<br />

impacto financeiro e existencial,<br />

já geravam medo, ansieda<strong>de</strong>,<br />

preocupação, incerteza, angústia<br />

e tristeza antes do novo<br />

coronavírus. Estas emoções são<br />

os principais <strong>de</strong>terminantes <strong>de</strong><br />

conflitos interiores, no trabalho,<br />

em casa e na socieda<strong>de</strong>. E<br />

a maioria das pessoas não tem<br />

ferramentas que as aju<strong>de</strong>m a<br />

lidar com conflitos nesta velocida<strong>de</strong>.<br />

Em <strong>de</strong>corrência <strong>de</strong>ssa<br />

aceleração, a mudança assume<br />

características nunca experimentadas,<br />

ao mesmo tempo e<br />

com tanta intensida<strong>de</strong>, que se<br />

torna pervasiva, permanente e<br />

exponencial”, observa.<br />

Segundo ele, a IE possui ferramentas<br />

eficazes para aumentar<br />

a tolerância às incertezas e<br />

Priscila Monaco, da Visa: ver a inteligência emocional como aliada<br />

mudanças, lidar com conflitos,<br />

proteger a saú<strong>de</strong> mental, adaptar<br />

e prosperar em ambientes<br />

“implacavelmente incertos,<br />

<strong>de</strong>sconhecidos e ambíguos”.<br />

David Braga é CEO da Prime<br />

Talent, empresa <strong>de</strong> busca e seleção<br />

<strong>de</strong> executivos <strong>de</strong> média<br />

e alta gestão. Ele também pontua<br />

a singularida<strong>de</strong> dos tempos<br />

atuais e como isso evi<strong>de</strong>ncia<br />

“Quanto mais<br />

cuidamos do lado<br />

humano e saudável<br />

das organizações,<br />

melhores<br />

resultados<br />

geramos”<br />

Juliana Gonçalves, da Royal Canin: habilida<strong>de</strong> da IE tem novo peso<br />

mohamed hassan/PxHere<br />

Fotos: Divulgação<br />

ainda mais a necessida<strong>de</strong> <strong>de</strong> IE.<br />

“Estamos numa época em que<br />

os níveis <strong>de</strong> estresse, pressão e<br />

competitivida<strong>de</strong> são cada vez<br />

maiores e saber lidar com as<br />

emoções diante das adversida<strong>de</strong>s,<br />

evitando per<strong>de</strong>r o controle,<br />

é um diferencial fundamental<br />

<strong>de</strong> pessoas bem-sucedidas.<br />

Saber gerir e enten<strong>de</strong>r o significado<br />

das emoções é muito importante,<br />

além <strong>de</strong> compreen<strong>de</strong>r<br />

como elas po<strong>de</strong>m afetar o seu<br />

<strong>de</strong>sempenho e o <strong>de</strong> outras pessoas.<br />

Carisma, força <strong>de</strong> vonta<strong>de</strong>,<br />

persuasão, facilida<strong>de</strong> <strong>de</strong> ouvir,<br />

organização, entusiasmo,<br />

<strong>de</strong>cisão, paciência e empatia<br />

são algumas características que<br />

<strong>de</strong>notam um nível mais elevado<br />

<strong>de</strong> IE”, diz.<br />

HaBILIda<strong>de</strong>-cHaVe<br />

Para diversos profissionais<br />

<strong>de</strong> gestão, RH e psicologia, ter<br />

IE hoje ganhou muito mais peso<br />

entre lí<strong>de</strong>res e seus efeitos reverberam<br />

na organização. Um<br />

dos <strong>de</strong>safios que comprovam<br />

30 <strong>1º</strong> <strong>de</strong> <strong>fevereiro</strong> <strong>de</strong> <strong>2021</strong> - jornal propmark


isso é o home office e a li<strong>de</strong>rança<br />

a distância. Aldan comenta que<br />

mesmo com as vantagens do<br />

menor tempo <strong>de</strong> <strong>de</strong>slocamento,<br />

maior tempo com a família<br />

e autonomia para a força <strong>de</strong><br />

trabalho, há a piora do <strong>de</strong>sengajamento.<br />

“Engajar a distância<br />

exige competências emocionais<br />

e interrelacionais que muitos<br />

lí<strong>de</strong>res não possuem”, diz.<br />

Empatia, confiança e um foco<br />

no autocuidado no bem-estar e<br />

apoio emocional para a força <strong>de</strong><br />

trabalho seriam os marcadores<br />

<strong>de</strong> sucesso <strong>de</strong> li<strong>de</strong>rança atualmente.<br />

“Pesquisas feitas pela<br />

Kronberg com 11.600 pessoas,<br />

<strong>de</strong> maio a <strong>de</strong>zembro <strong>de</strong> 2020,<br />

indicam que as principais emoções<br />

experimentadas têm sido<br />

ansieda<strong>de</strong>, incerteza, medo,<br />

angústia, tristeza e sauda<strong>de</strong>.<br />

Estilo <strong>de</strong> li<strong>de</strong>rança focado na<br />

empatia e apoio emocional<br />

serão continuadamente esperados<br />

pela maioria dos trabalhadores”,<br />

diz. Porém, ele frisa<br />

que essas habilida<strong>de</strong>s não são<br />

mutuamente exclu<strong>de</strong>ntes com<br />

produtivida<strong>de</strong> e <strong>de</strong>sempenho<br />

no trabalho. “Quanto mais cuidamos<br />

do lado humano e saudável<br />

das organizações, melhores<br />

resultados geramos. IE não<br />

se correlaciona com leniência,<br />

baixa performance e mau comportamento.<br />

Habilida<strong>de</strong>s <strong>de</strong> IE<br />

não encobrem erros técnicos.”<br />

aÇÕeS QUe reVerBeram<br />

Isabella Zakzuk, diretora sênior<br />

das marcas <strong>de</strong> beleza da<br />

P&G, avalia que as li<strong>de</strong>ranças<br />

que souberam aplicar IE na<br />

pan<strong>de</strong>mia ganharam <strong>de</strong>staque<br />

e foram fundamentais para<br />

atravessar tudo isso. Para ela, o<br />

primeiro passo <strong>de</strong>mandado foi<br />

a capacida<strong>de</strong> <strong>de</strong>, na impossibilida<strong>de</strong><br />

<strong>de</strong> aplicar fórmulas do<br />

passado, se colocar na posição<br />

<strong>de</strong> apren<strong>de</strong>r a como gerenciar<br />

um futuro menos previsível.<br />

“Até as li<strong>de</strong>ranças mais experientes<br />

e com maior repertório<br />

se colocaram em um momento<br />

<strong>de</strong> apren<strong>de</strong>r, e não sozinhos,<br />

mas junto com seus times, colegas<br />

e parceiros. As habilida<strong>de</strong>s<br />

<strong>de</strong> apren<strong>de</strong>r, gerenciar a<br />

própria vulnerabilida<strong>de</strong>, ser flexível<br />

e aplicar uma gestão mais<br />

humana fizeram a diferença na<br />

li<strong>de</strong>rança <strong>de</strong>ssa crise”, diz.<br />

Como exemplo ela cita o histórico<br />

na P&G, <strong>de</strong> rápido reconhecimento<br />

da crise junto com<br />

a capacida<strong>de</strong> <strong>de</strong> internalizar<br />

a necessida<strong>de</strong> <strong>de</strong> ajustes para<br />

competir no novo cenário. “A<br />

Juliana Azevedo, presi<strong>de</strong>nte da<br />

P&G Brasil, foi rápida em nos<br />

conectar e fazer um exercício<br />

para enten<strong>de</strong>r que ativida<strong>de</strong>s<br />

André Franco, da Dialog: há muitos caminhos para ajudar com IE<br />

“até as li<strong>de</strong>ranças<br />

mais experientes<br />

e com maior<br />

repertório se<br />

colocaram em<br />

um momento<br />

<strong>de</strong> apren<strong>de</strong>r”<br />

e projetos nós iríamos parar,<br />

quais iríamos continuar fazendo<br />

e quais pausar para retomar<br />

<strong>de</strong>pois. Isso fez com que o time<br />

logo internalizasse que não<br />

dava para manter as coisas da<br />

mesma forma, que seria necessário<br />

gerenciar a quantida<strong>de</strong> <strong>de</strong><br />

ativida<strong>de</strong>s em andamento, criar<br />

novas priorida<strong>de</strong>s, <strong>de</strong>sapegar<br />

<strong>de</strong> muitas coisas que funcionariam<br />

em outro contexto, mas<br />

não nesse. Além <strong>de</strong> ajudar os<br />

times para fazer essa curva <strong>de</strong><br />

forma mais rápida para que o<br />

negócio reagisse, também ajudou<br />

a todos a enxergar e conectar<br />

com nosso senso <strong>de</strong> propósito.<br />

Ampliamos doações para<br />

ajudar grupos em situação <strong>de</strong><br />

maior vulnerabilida<strong>de</strong>; e pausamos<br />

<strong>de</strong>terminados projetos,<br />

mas ativamos outros <strong>de</strong> maior<br />

importância no contexto”, diz.<br />

A Aceleradora P&G Social foi<br />

criada para receber projetos <strong>de</strong><br />

microempreendores com boas<br />

i<strong>de</strong>ias, mas não necessariamente<br />

recursos para executá-los.<br />

Esse projeto <strong>de</strong>u um gran<strong>de</strong><br />

senso <strong>de</strong> propósito e se tornou<br />

perene na P&G. “Uma ação sem<br />

inteligência emocional seria fazer<br />

negar a crise e não internalizar<br />

que ajustes são necessários.<br />

Os impactos seriam alienação<br />

dos colaboradores, questionamento<br />

sobre propósito e perda<br />

<strong>de</strong> vantagem competitiva. Sem<br />

inteligência emocional, po<strong>de</strong>ríamos<br />

ter feito as nossas marcas<br />

esfriarem na mente e no coração<br />

do consumidor, <strong>de</strong>ixado <strong>de</strong><br />

ativamente buscar um impacto<br />

positivo, perdido um espaço<br />

importante por não enten<strong>de</strong>r a<br />

responsabilida<strong>de</strong> que, como lí<strong>de</strong>res,<br />

temos na crise, e perdido<br />

a oportunida<strong>de</strong> <strong>de</strong> nos tornarmos<br />

melhores”, completa.<br />

Na VR Benefícios, João Altman,<br />

diretor-executivo <strong>de</strong> pessoas<br />

e cultura, comenta que<br />

foram feitas rodas <strong>de</strong> conversa<br />

virtuais com os funcionários,<br />

com uma consultoria especializada,<br />

sobre temas como saú<strong>de</strong><br />

emocional e trabalho, ansieda<strong>de</strong><br />

e saú<strong>de</strong> emocional e família.<br />

Além disso, os consultores <strong>de</strong><br />

RH acompanharam os lí<strong>de</strong>res<br />

para ajudá-los a lidar com as<br />

próprias questões emocionais e<br />

com as questões trazidas pelos<br />

times. Empatia, colaboração,<br />

cocriação, incertezas e estafa<br />

emocional por confinamento<br />

foram pontos mencionados.<br />

“Realizamos também um assessment<br />

<strong>de</strong>dicado à li<strong>de</strong>rança,<br />

on<strong>de</strong> a capacida<strong>de</strong> <strong>de</strong> tomada<br />

<strong>de</strong> <strong>de</strong>cisão e IE são abordados<br />

nesta análise para que planos<br />

<strong>de</strong> ação sejam traçados no <strong>de</strong>senvolvimento<br />

do lí<strong>de</strong>r. Um<br />

exemplo <strong>de</strong> ação realizada com<br />

IE foi a <strong>de</strong>cisão da empresa em<br />

não retornar ao escritório presencialmente.<br />

Isso foi baseado<br />

em dados, análises do cenário<br />

e em pesquisa interna com os<br />

colaboradores. A pan<strong>de</strong>mia humanizou<br />

pessoas e a empatia<br />

foi elevada”, diz.<br />

Diante <strong>de</strong> tudo isso, Ricardo<br />

Martins, CEO e principal estrategista<br />

da TRIWI, consultoria<br />

em marketing digital, chama<br />

Vanessa Gebrim, psicóloga: terapia é um caminho po<strong>de</strong>roso<br />

a atenção para um novo lí<strong>de</strong>r:<br />

que sabe engajar, motivar e cobrar<br />

da forma correta os projetos<br />

sem que esteja fisicamente<br />

presente. “Ele precisa enten<strong>de</strong>r<br />

este novo formato e proporcionar<br />

a sua equipe as ferramentas<br />

necessárias e a motivação para<br />

<strong>de</strong>senvolverem seus projetos.<br />

Precisa enten<strong>de</strong>r <strong>de</strong> comportamento<br />

humano e avaliar<br />

cada indivíduo <strong>de</strong> forma única.<br />

Reuniões <strong>de</strong> alinhamento<br />

e entendimento com a equipe<br />

são necessárias para enten<strong>de</strong>r<br />

e mitigar problemas comportamentais<br />

que possam surgir. A<br />

relação entre lí<strong>de</strong>res e equipe<br />

precisa ser <strong>de</strong> colaboração e<br />

compromissos dos dois lados.<br />

Tendo a IE como forma <strong>de</strong><br />

monitorar e compreen<strong>de</strong>r sentimentos<br />

<strong>de</strong> si mesmo e do outro,<br />

Grazi Piva, diretora <strong>de</strong> <strong>de</strong>senvolvimento<br />

<strong>de</strong> RH e pessoas<br />

da EDC Group, ressalta o papel<br />

do lí<strong>de</strong>r <strong>de</strong> inspirar e influenciar<br />

pela empatia. Segundo ela, lidar<br />

com essa nova rotina foi um<br />

ponto em <strong>de</strong>staque para trabalhar<br />

a resiliência e a empatia,<br />

já que é uma problemática <strong>de</strong><br />

caráter global, que afeta muito<br />

mais do que cada indivíduo<br />

vê. “As empresas conseguem<br />

avaliar isso por meio do <strong>de</strong>sempenho<br />

dos colaboradores. Com<br />

um lí<strong>de</strong>r exercendo sua capacida<strong>de</strong><br />

emocional, as empresas<br />

po<strong>de</strong>m ter resultados efetivos<br />

por meio <strong>de</strong> funcionários muito<br />

mais motivados”, afirma.<br />

como Ser eSte LÍ<strong>de</strong>r?<br />

Na avaliação dos profissionais,<br />

a IE é uma habilida<strong>de</strong> que<br />

po<strong>de</strong> e <strong>de</strong>ve ser <strong>de</strong>senvolvida: é<br />

como um músculo que se não<br />

treina, atrofia, mas, com treino,<br />

cresce e se fortalece. “Muitas<br />

vezes a inteligência emocional<br />

jornal propmark - <strong>1º</strong> <strong>de</strong> <strong>fevereiro</strong> <strong>de</strong> <strong>2021</strong> 31


mercado<br />

Fotos: Divulgação<br />

Carlos Aldan, do Grupo Kronberg: empatia é esperada Grazi Piva, da EDC Group: lí<strong>de</strong>r inspira e influencia David Braga, da Prime Talent: IE po<strong>de</strong> ser <strong>de</strong>senvolvida<br />

é vista como um rótulo ou uma<br />

característica que você tem ou<br />

não tem, mas, na verda<strong>de</strong>, a IE<br />

é, assim como qualquer habilida<strong>de</strong>,<br />

uma prática <strong>de</strong> todos os<br />

dias”, diz Isabella.<br />

A partir <strong>de</strong>ssa visão, há uma<br />

série <strong>de</strong> coisas que po<strong>de</strong>m ser<br />

feitas, tanto do lado da empresa<br />

quanto do profissional. Priscila<br />

Monaco, diretora-executiva <strong>de</strong><br />

RH da Visa do Brasil, <strong>de</strong>staca<br />

a atenção especial aos sentimentos<br />

e buscar por mais autoconhecimento<br />

para executar<br />

tarefas e contribuir com a saú<strong>de</strong><br />

mental dos times, transmitindo<br />

confiança, autocontrole,<br />

equilíbrio e empatia. Há três<br />

anos a Visa faz treinamentos <strong>de</strong><br />

negociação e IE com empresas<br />

<strong>de</strong> consultoria especializadas<br />

em <strong>de</strong>senvolvimento humano.<br />

“Também promovemos cursos<br />

<strong>de</strong> mindfulness com técnicas<br />

<strong>de</strong> meditação para atingir atenção<br />

plena e foco no presente.<br />

Oferecemos workshops em parceria<br />

com a Casa do Saber e, na<br />

pan<strong>de</strong>mia, reforçamos ativida<strong>de</strong>s<br />

nesse sentido. Tem feito a<br />

diferença e acrescentado esse<br />

olhar mais humano às nossas<br />

relações diárias.” Do outro lado,<br />

ela pontua que há a responsabilida<strong>de</strong><br />

da pessoa que preten<strong>de</strong><br />

alcançar a li<strong>de</strong>rança em “ver a<br />

IE como uma aliada”.<br />

No mesmo raciocínio, Vanessa<br />

Gebrim, psicóloga especialista<br />

em psicologia clínica pela<br />

PUC <strong>de</strong> SP, sugere o caminho da<br />

terapia para que o lí<strong>de</strong>r perceba<br />

suas emoções, saiba nomeá-las<br />

e entenda seus gatilhos, além<br />

<strong>de</strong> estar preparado para imprevistos.<br />

“Isso é visto como o fator<br />

mais importante da IE nos<br />

tempos atuais. A terapia é um<br />

caminho po<strong>de</strong>roso para ajudar<br />

“a inteligÊncia<br />

emocional é, assim<br />

como QualQuer<br />

habilida<strong>de</strong>, uma<br />

prática <strong>de</strong> todos<br />

os dias”<br />

nesse processo. A pessoa vai<br />

percebendo que tem mais jogo<br />

<strong>de</strong> cintura, que se tornou mais<br />

leve, otimista, que resolver<br />

problemas não é mais um fardo<br />

e se adaptar às mudanças faz<br />

parte da sua evolução”, explica.<br />

André Franco, CEO do Dialog,<br />

aplicativo <strong>de</strong> comunicação<br />

interna para o colaborador,<br />

acredita que essa jornada vai<br />

<strong>de</strong>s<strong>de</strong> a pessoa ter um psicólogo,<br />

para se enten<strong>de</strong>r melhor e se<br />

conhecer bem para saber on<strong>de</strong><br />

<strong>de</strong>ve melhorar, a buscar coach<br />

<strong>de</strong> treinamentos <strong>de</strong> li<strong>de</strong>ranças<br />

e cursos online, entre outros<br />

conteúdos. Sempre exercitando<br />

essa habilida<strong>de</strong>. “Gestores<br />

estão acostumados a um maior<br />

controle. Agora no home office<br />

é preciso mudar para uma gestão<br />

focada para resultados e<br />

menos para controle. Isso exige<br />

maior trabalho <strong>de</strong> IE”, afirma.<br />

Poliana Abreu, diretora <strong>de</strong><br />

marketing, conteúdo e parcerias<br />

na HSM e na SingularityU<br />

Brazil, também fala do autoconhecimento<br />

e <strong>de</strong>fen<strong>de</strong> que<br />

o mesmo esforço que os lí<strong>de</strong>res<br />

colocam para entregar resultado<br />

<strong>de</strong>veriam colocar para<br />

conhecer suas forças, seus <strong>de</strong>safios<br />

internos, sua vulnerabilida<strong>de</strong><br />

e coragem. “As habilida<strong>de</strong>s<br />

comportamentais são tão<br />

importantes quanto as técnicas.<br />

Quando um lí<strong>de</strong>r conhece<br />

a si mesmo, ele li<strong>de</strong>ra pela sua<br />

essência, pela sua força e não<br />

pelo po<strong>de</strong>r. Gosto do conceito<br />

<strong>de</strong> ‘li<strong>de</strong>rança consciente’: lí<strong>de</strong>r<br />

capaz <strong>de</strong> reconhecer e gerenciar<br />

a reativida<strong>de</strong>, reconfigurar<br />

como lida com o estresse e dúvidas<br />

pessoais.”<br />

Pamela Mariano, diretora <strong>de</strong><br />

branding e marketing da MOB,<br />

avalia que na maioria das vezes<br />

as pessoas são contratadas por<br />

suas habilida<strong>de</strong>s e <strong>de</strong>mitidas<br />

por seus comportamentos. “Os<br />

profissionais <strong>de</strong>veriam investir<br />

em autoconhecimento e IE da<br />

mesma forma que se <strong>de</strong>senvolvem<br />

e apren<strong>de</strong>m sobre finanças,<br />

novas tecnologias e mo<strong>de</strong>los<br />

<strong>de</strong> negócios, por exemplo”,<br />

diz. Do lado da empresa, ela<br />

elenca ações como instigar no<br />

lí<strong>de</strong>r a capacida<strong>de</strong> <strong>de</strong> adaptação<br />

e acompanhar <strong>de</strong> perto.<br />

“Apoio dado é apoio recebido.”<br />

Já Juliana Gonçalves, diretora<br />

<strong>de</strong> recursos humanos da<br />

Royal Canin, chama a atenção<br />

para IE como algo a ser <strong>de</strong>senvolvido<br />

por todos os profissionais,<br />

in<strong>de</strong>pen<strong>de</strong>ntemente da<br />

atuação. “Um dos aspectos é o<br />

fato <strong>de</strong> as pessoas terem mais<br />

controle do próprio tempo, da<br />

própria jornada e <strong>de</strong> todo processo<br />

emocional. Sabemos da<br />

necessida<strong>de</strong> <strong>de</strong> ter uma motivação<br />

diferente trabalhando<br />

<strong>de</strong> casa, sem estar próximo dos<br />

colegas, tendo contato do dia a<br />

dia. Nesse cenário, a inteligência<br />

emocional faz uma diferença<br />

bastante gran<strong>de</strong>”, diz.<br />

A empresa tem uma prática<br />

chamada “70, 20, 10”: 70 é porcentagem<br />

<strong>de</strong> tempo que o funcionário<br />

passa realizando suas<br />

ativida<strong>de</strong>s, projetos etc., 20%<br />

ele está apren<strong>de</strong>ndo e se <strong>de</strong>senvolvendo<br />

com lí<strong>de</strong>res e pares,<br />

e 10% com treinamentos. “A<br />

combinação <strong>de</strong> tudo isso ajuda<br />

muito no <strong>de</strong>senvolvimento.<br />

Dentro da Mars – grupo do qual<br />

a Royal Canin faz parte - temos<br />

treinamentos focados para isso,<br />

como a Mars University, que<br />

está 100% virtual e com muitos<br />

cursos que foram incluídos<br />

com foco em saú<strong>de</strong> e bem-estar,<br />

mostrando, por exemplo, a<br />

importância <strong>de</strong> engajar o time<br />

em tempos <strong>de</strong> mudança. Nesse<br />

ambiente sugerimos aos lí<strong>de</strong>res<br />

para trocarem experiências entre<br />

si, que lí<strong>de</strong>res e equipes se<br />

encontrem (online) para conversarem<br />

e manterem a convivência.<br />

É uma troca benéfica.”<br />

Braga, da Prime Talent, reflete<br />

que, <strong>de</strong> nada vale cursar a<br />

melhor universida<strong>de</strong>, se o profissional<br />

não tem empatia, não<br />

se comunica bem, trata seus<br />

li<strong>de</strong>rados <strong>de</strong> forma agressiva<br />

ou per<strong>de</strong> o controle emocional<br />

quando contrariado. “Organizações<br />

buscam mo<strong>de</strong>los mais<br />

humanizados e li<strong>de</strong>ranças capazes<br />

<strong>de</strong> lidar com equipes diversas<br />

em pensamentos, ida<strong>de</strong>s<br />

e personalida<strong>de</strong>s. Investir em<br />

autoconhecimento, ter ciência<br />

das competências e habilida<strong>de</strong>s<br />

que se <strong>de</strong>stacam e do que ainda<br />

é preciso melhorar como pessoa<br />

e profissional são pontos até<br />

mais importantes do que qualquer<br />

mestrado que se pense em<br />

fazer. Conhecimento técnico é<br />

adquirido. Por isso, empresas<br />

estão até mesmo dispostas a<br />

contratar um colaborador mediano<br />

em conhecimento técnico,<br />

mas que tenha habilida<strong>de</strong>s e<br />

competências como resiliência,<br />

gestão do tempo, sensibilida<strong>de</strong><br />

ao outro, que transite bem em<br />

variados níveis hierárquicos.”<br />

32 <strong>1º</strong> <strong>de</strong> <strong>fevereiro</strong> <strong>de</strong> <strong>2021</strong> - jornal propmark


marcas<br />

Dr. Good fortalece avanço do<br />

mercado <strong>de</strong> vitaminas em gomas<br />

Com receio <strong>de</strong> adoecer durante a pan<strong>de</strong>mia da Covid-19, brasileiro<br />

a<strong>de</strong>re ao consumo da marca, que já tem até plano <strong>de</strong> internacionalização<br />

Janaina Langsdorff<br />

marca <strong>de</strong> suplementos alimentares<br />

Dr. Good está no<br />

A<br />

mercado há pouco mais <strong>de</strong> um<br />

ano. Mas já fortalece a lista <strong>de</strong><br />

produtos nacionais com potencial<br />

para internacionalização. O<br />

plano é encampado pelo grupo<br />

espanhol Sánchez Cano, que<br />

já produz as balas Fini no Brasil.<br />

Instalada em Jundiaí (SP),<br />

a fábrica da empresa espalha<br />

as vitaminas em goma por cerca<br />

<strong>de</strong> 11 mil lojas premium das<br />

principais re<strong>de</strong>s <strong>de</strong> farmácias<br />

do país. As fronteiras <strong>de</strong>vem<br />

ser ultrapassadas ainda em<br />

<strong>2021</strong>, transformando o Brasil<br />

em matriz <strong>de</strong> exportação para<br />

suplementos vitamínicos. Os<br />

primeiros <strong>de</strong>stinos são os países<br />

da América Latina.<br />

Disposição para o crescimento<br />

não falta. Quando a marca foi<br />

lançada, no fim <strong>de</strong> 2019, as vendas<br />

giravam em torno <strong>de</strong> sete<br />

mil a <strong>de</strong>z mil potes. A partir <strong>de</strong><br />

março <strong>de</strong> 2020, a comercialização<br />

alcançou 45 mil potes e se<br />

manteve nesse patamar até o<br />

fim do ano passado. O impulso<br />

veio da Covid-19, que <strong>de</strong>spertou<br />

no brasileiro o hábito <strong>de</strong><br />

consumir vitaminas. “Com a<br />

pan<strong>de</strong>mia e a possibilida<strong>de</strong> <strong>de</strong><br />

ficar doente, as pessoas correram<br />

para buscar prevenção.<br />

Percebemos esse movimento<br />

com a alta <strong>de</strong> mais <strong>de</strong> 300% nas<br />

vendas dos produtos entre os<br />

meses <strong>de</strong> março a setembro”,<br />

explica Daniele Drumond, gerente<br />

<strong>de</strong> produto e inovação <strong>de</strong><br />

Dr. Good. Segundo a Associação<br />

Brasileira da Indústria <strong>de</strong><br />

Alimentos para Fins Especiais<br />

e Congêneres (Abiad), 70% das<br />

pessoas que passaram a ingerir<br />

suplementos alimentares preten<strong>de</strong>m<br />

manter o hábito.<br />

Com a assinatura Doctor por<br />

<strong>de</strong>ntro, good por fora, a marca<br />

conta com o trabalho da agência<br />

Fri.to para disseminar pelos<br />

canais digitais a ciência <strong>de</strong><br />

um suplemento alimentar embalado<br />

ao gosto do brasileiro.<br />

As vendas da marca Dr. Good registraram um aumento <strong>de</strong> mais <strong>de</strong> 300% entre os meses <strong>de</strong> março e setembro <strong>de</strong> 2020<br />

Daniele Drumond, gerente <strong>de</strong> produto e inovação <strong>de</strong> Dr. Good<br />

“Quisemos trazer produtos que<br />

não fossem mais um remédio”,<br />

observa Daniele. Segundo a<br />

executiva, não há planos para<br />

a abertura <strong>de</strong> lojas físicas, mas<br />

a marca quer ir além das drogarias.<br />

A goma acaba <strong>de</strong> entrar no<br />

e-commerce da re<strong>de</strong> <strong>de</strong> produtos<br />

saudáveis Mundo Ver<strong>de</strong> e<br />

em lojas especializadas do setor<br />

<strong>de</strong> suplementos. Já possui também<br />

uma operação eletrônica.<br />

“Como não se trata <strong>de</strong> remédio,<br />

po<strong>de</strong>mos estar em outros pontos<br />

<strong>de</strong> venda que apresentam<br />

busca por esse tipo <strong>de</strong> produto”,<br />

analisa Daniele.<br />

Com 11 itens, Dr. Good é<br />

parceira da DSM, referência<br />

mundial na produção <strong>de</strong> ingredientes<br />

para saú<strong>de</strong> e nutrição.<br />

“Quem consumiu o nosso<br />

produto está fi<strong>de</strong>lizando a<br />

marca”, acrescenta Daniele.<br />

Microinfluenciadores ajudaram<br />

a comunicar o lançamento da<br />

vitamina em goma ao lado da<br />

influenciadora Thais Fersoza,<br />

que foi embaixadora da marca<br />

até o fim <strong>de</strong> 2020. Um novo<br />

nome está em estudo e a marca<br />

ainda preten<strong>de</strong> se aproximar <strong>de</strong><br />

médicos e nutricionistas.<br />

Inovação, sabor e qualida<strong>de</strong><br />

são os pilares erguidos a partir<br />

<strong>de</strong> estudos baseados em players<br />

internacionais. O mercado é<br />

promissor. De acordo com a<br />

Fotos: Divulgação<br />

“Quisemos trazer<br />

produtos Que<br />

não fossem mais<br />

um remédio”<br />

Euromonitor, o consumo anual<br />

per capita <strong>de</strong> vitaminas e suplementos<br />

no Brasil foi <strong>de</strong> aproximadamente<br />

US$ 8 por habitante<br />

em 2019, enquanto nos<br />

Estados Unidos o valor atingiu<br />

cerca <strong>de</strong> US$ 90. O setor movimenta<br />

R$ 2,8 bilhões em solo<br />

nacional, consi<strong>de</strong>rando apenas<br />

o mercado <strong>de</strong> vitaminas, que<br />

cresceu quase 40% nos últimos<br />

sete anos. Estimativas da<br />

IQVIA, especializada em pesquisas<br />

clínicas, apontam para<br />

um crescimento <strong>de</strong> 5% a 8% do<br />

segmento em um cenário com<br />

a vacina contra a Covid-19, e <strong>de</strong><br />

até 12% sem a imunização da<br />

doença.<br />

jornal propmark - <strong>1º</strong> <strong>de</strong> <strong>fevereiro</strong> <strong>de</strong> <strong>2021</strong> 33


última página<br />

Unsplash<br />

pejorativamente<br />

falando<br />

Rodolfo Sampaio<br />

Esse cara nasceu com uma aptidão extraordinária<br />

para as ciências exatas. E,<br />

para estarrecimento <strong>de</strong> muitos da sua ida<strong>de</strong>,<br />

adorava estudar. Prazer era uma biblioteca<br />

cheia daqueles livros grossos, mas tão grossos<br />

que, às últimas páginas, só chegavam as traças<br />

e ele.<br />

Sempre acreditou que conhecimento po<strong>de</strong>ria<br />

mudar o mundo e queria fazer parte disso.<br />

Nem que tivesse <strong>de</strong> abrir mão das festinhas e<br />

da praia. Era branquelo e, <strong>de</strong>vido ao <strong>de</strong>sprezo<br />

pelos exercícios, tinha o corpo um tanto esquálido,<br />

pouco encantador para as meninas.<br />

Mas conseguia enxergar, por meio <strong>de</strong> complexas<br />

equações, novas realida<strong>de</strong>s, novos mundos.<br />

Usava o complexo para criar o simples.<br />

Foi estudar em uma universida<strong>de</strong> no exterior,<br />

para a qual foi aprovado entre os primeiros.<br />

Contava isso em voz baixa, tímido. Lá<br />

fora fez sucesso. Começou uma<br />

startup que hoje se transformou<br />

num gigante digital presente em<br />

vários países, inclusive no Brasil,<br />

on<strong>de</strong> se sentia na obrigação patriótica<br />

<strong>de</strong> fazer a diferença.<br />

Pejorativamente, alguns se referem<br />

a ele como nerd.<br />

Esse outro cara nasceu com<br />

intimida<strong>de</strong> com a bola. Como tantos outros<br />

garotos, sonhou com os gran<strong>de</strong>s estádios, as<br />

torcidas apaixonadas. O seu futebol era no<br />

terrão. Dividia a sua paixão com as obrigações<br />

<strong>de</strong> filho <strong>de</strong> família pobre, fazendo uns bicos<br />

pra ajudar em casa. Mas a esperança sempre<br />

embarcava com ele nos ônibus lotados a caminho<br />

das peneiras. Jogava muito, mas agarrava<br />

na tela fina <strong>de</strong> uma peneira atrás da outra,<br />

afinal, não tinha padrinho, <strong>de</strong>pendia tão<br />

somente da alegria das suas pernas. Mas um<br />

dia a sua sorte mudou. Em mais uma das peneiras,<br />

entrou e fez um golaço. Foi escolhido.<br />

Dado um passo, começava outra batalha,<br />

dos treinos distantes, da força mental <strong>de</strong><br />

menino sempre <strong>de</strong>safiada, afinal, se os que<br />

passavam na peneira eram poucos, os que<br />

seguiam adiante eram menos ainda. Mas o<br />

<strong>de</strong>stino lhe sorriu e ele conseguiu um contrato.<br />

Magrinho, mas ele ia jogar no profissional.<br />

“Sempre achei<br />

‘marqueteiro’<br />

uma palavra<br />

cheia <strong>de</strong><br />

SignificadoS<br />

negativoS”<br />

Estádio cheio, ele brilhou. Daí tudo começou<br />

a andar mais rápido.<br />

Novo contrato, novos clubes, carro novo,<br />

carro mais novo ainda, casa <strong>de</strong> bacana, casa<br />

<strong>de</strong> mais bacana ainda. Transferência pro exterior.<br />

Alegria das torcidas.<br />

Pejorativamente, alguns se referem a ele<br />

como boleiro.<br />

Esse último cara veio ao mundo com o dom<br />

para as ciências humanas. Des<strong>de</strong> pequeno,<br />

era um observador do comportamento das<br />

pessoas. Cheio <strong>de</strong> porquês, mantinha acessa<br />

uma curiosida<strong>de</strong> insaciável.<br />

Tentando achar respostas para tantas interrogações,<br />

começou a ler quem havia se<br />

<strong>de</strong>bruçado sobre o assunto. Leu filósofos,<br />

antropólogos, sociólogos. Ouviu músicas, leu<br />

poemas. Escreveu músicas e poemas, que <strong>de</strong>pois<br />

jogou fora. De tanto conviver com esses<br />

mestres, adquiriu o dom da argumentação.<br />

Cheio <strong>de</strong> assunto,<br />

carregava consigo a sedução das<br />

palavras.<br />

Ao se aprofundar no comportamento<br />

das pessoas, cruzou<br />

com o comportamento das marcas,<br />

que queriam seduzir pessoas.<br />

Mergulhou fundo nisso. Fez<br />

faculda<strong>de</strong>(s). Ampliou seu conhecimento<br />

estudando e se encantando com os<br />

cases <strong>de</strong> comunicação como tinha se encantado<br />

com as músicas e os poemas. Agregou ao<br />

seu mundo <strong>de</strong> humanas a lógica das exatas,<br />

da tecnologia, dos algoritmos, mas com a sensibilida<strong>de</strong><br />

<strong>de</strong> quem entendia as pessoas por<br />

trás dos números. Fez disso tudo sua profissão.<br />

E o sucesso foi só consequência.<br />

Pejorativamente, alguns se referem a ele<br />

como marqueteiro.<br />

Sempre achei “marqueteiro” uma palavra<br />

cheia <strong>de</strong> significados negativos, colocada nas<br />

manchetes com tudo que é tipo <strong>de</strong> maracutaia.<br />

Culpa <strong>de</strong> alguns marqueteiros políticos<br />

mal-intencionados, sem dúvida. Mas, na hora<br />

da generalização, é pejorativa para tantas e<br />

tantas pessoas incríveis que trabalham com<br />

marketing, em todas as suas vertentes, inclusive<br />

nós, publicitários.<br />

Rodolfo Sampaio é sócio e CCO da Moma<br />

rodolfo@momapro.com.br<br />

34 <strong>1º</strong> <strong>de</strong> <strong>fevereiro</strong> <strong>de</strong> <strong>2021</strong> - jornal propmark

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