Edição de 1º de fevereiro de 2021
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propmark.com.br<br />
ANO 56 - Nº 2830 - <strong>1º</strong> <strong>de</strong> <strong>fevereiro</strong> <strong>de</strong> <strong>2021</strong> R$ 15,00<br />
Divulgação<br />
profissionais refletem sobre<br />
o que é ser publicitário<br />
Com o objetivo <strong>de</strong> celebrar o Dia do publicitário, pROpMARK ouviu lí<strong>de</strong>res e jovens profissionais<br />
<strong>de</strong> gran<strong>de</strong>s agências para saber como diferentes gerações <strong>de</strong>finem uma das profissões<br />
mais importantes para a economia do país. As respostas <strong>de</strong>monstram que a ativida<strong>de</strong>,<br />
talvez, nunca esteve tão consciente <strong>de</strong> seu papel frente à socieda<strong>de</strong>. pág. 26<br />
FIM DO DOMINGÃO<br />
ACELERA MUDANÇAS<br />
No fim do ano, Fausto<br />
Silva e Globo vão<br />
encerrar uma parceria<br />
<strong>de</strong> mais <strong>de</strong> 3o anos. Para<br />
especialistas, evento<br />
po<strong>de</strong> se transformar em<br />
oportunida<strong>de</strong>. pág. 10<br />
vEíCULOS ASSINAM<br />
AÇãO EM pROL DA vACINA<br />
Consórcio que reúne<br />
principais meios <strong>de</strong><br />
comunicação lança<br />
campanha Vacina sim<br />
para conscientizar<br />
sobre importância<br />
da vacinação. pág. 13<br />
MERCADO bUSCA MAIS<br />
INtELIgêNCIA EMOCIONAL<br />
Profissionais <strong>de</strong><br />
psicologia, RH e gestão,<br />
como Isabella Zakzuk,<br />
da P&G, <strong>de</strong>fen<strong>de</strong>m que<br />
com a pan<strong>de</strong>mia esta é<br />
a habilida<strong>de</strong>-chave para<br />
li<strong>de</strong>ranças. pág. 30
editorial<br />
Armando Ferrentini<br />
aferrentini@editorareferencia.com.br<br />
dia do Publicitário<br />
leitor vai se <strong>de</strong>parar nesta edição do PROPMARK com matéria produzida<br />
pelo nosso editor Leonardo Araujo sobre o Dia do Publicitário, que<br />
O<br />
se comemora em <strong>1º</strong> <strong>fevereiro</strong> no Brasil, por força do Decreto-Lei nº 57.690,<br />
<strong>de</strong> 1966, instituído com o objetivo principal <strong>de</strong> regulamentar a profissão.<br />
Só que, como sempre ocorre nessas ocasiões, as finalida<strong>de</strong>s do diploma<br />
legal se expan<strong>de</strong>m, reforçando a importância do produto final (trabalho)<br />
da ativida<strong>de</strong> profissional regulamentada, como agora estamos vendo com<br />
a campanha a ser divulgada por um consórcio formado pelos principais<br />
meios <strong>de</strong> comunicação do nosso país.<br />
Com isso, a junção das forças do capital e do trabalho colaborará para o<br />
esclarecimento público (numa primeira etapa) sobre o plano <strong>de</strong> vacinação<br />
contra o Covid-19 e, ao mesmo tempo, a necessida<strong>de</strong> <strong>de</strong> todos se vacinarem,<br />
justificando assim o esforço dos governos na aquisição das diversas<br />
vacinas contra a pan<strong>de</strong>mia.<br />
E é exatamente aqui que entra o trabalho criativo dos nossos publicitários,<br />
<strong>de</strong>monstrando, em diversas campanhas que serão veiculadas a partir <strong>de</strong><br />
agora, que a vacina é o único remédio <strong>de</strong> que dispomos para combater a<br />
Covid-19 e acabar <strong>de</strong> vez com essa doença nefasta que já levou em todo o<br />
planeta milhares <strong>de</strong> seres humanos à morte.<br />
Como sempre há preconceito em parcelas da população quando surge um<br />
remédio novo para combater uma grave enfermida<strong>de</strong> como a Covid-19, as<br />
campanhas publicitárias que começarão a ser veiculadas em nosso país<br />
alertarão a população para a necessida<strong>de</strong> premente <strong>de</strong> cada cidadão ser vacinado<br />
a seu tempo, seguindo as faixas etárias que já começam a ser divulgadas,<br />
evitando assim que ninguém, absolutamente ninguém, <strong>de</strong>ixe <strong>de</strong> ser<br />
vacinado por falta <strong>de</strong> informação, ou até mesmo por temor aos efeitos do<br />
novo medicamento.<br />
Devemos agra<strong>de</strong>cer, isto sim, aos diversos laboratórios que se adiantaram<br />
na criação da vacina, salvando a humanida<strong>de</strong> do pior. E aos publicitários e<br />
suas agências, que com o seu talento e força <strong>de</strong> veiculação, o que nos obriga<br />
<strong>de</strong>s<strong>de</strong> já a agra<strong>de</strong>cer à mídia brasileira, têm parte significativa na eliminação<br />
<strong>de</strong>sse mal do século que é a Covid-19.<br />
***<br />
Ainda na matéria do jornalista Leonardo Araujo encaixou-se a pergunta que<br />
uma boa parte da nossa população não sabe respon<strong>de</strong>r com precisão: “O<br />
que é ser publicitário?”.<br />
Profissão antiga, que se mo<strong>de</strong>rnizou com o surgimento <strong>de</strong> novos meios <strong>de</strong><br />
comunicação, o principal <strong>de</strong>les em meados (em gran<strong>de</strong> escala) do século<br />
passado, que produziu o milagre da imagem em movimento em tempo real,<br />
o que muito colaborou para levar e/ou acelerar o processo <strong>de</strong> educação dos<br />
povos através do conhecimento do existente, provocando inclusive o surgimento<br />
<strong>de</strong> uma safra <strong>de</strong> talentos humanos em todo o planeta, fazendo com<br />
que um aparelho <strong>de</strong> TV não fosse apenas entretenimento, mas também e<br />
principalmente educação e cultura junto às populações.<br />
Nessa equação, surge o produto final criado pelos publicitários para utilização<br />
nas diversas formas <strong>de</strong> mídia então existentes e provocando o surgimento<br />
obrigatório <strong>de</strong> outras, a se anteporem pela necessida<strong>de</strong> concorrencial,<br />
ou até a serem produtos complementares da magia da TV. Para que isso<br />
ocorresse, valorizando as novas mídias que a partir dali foram surgindo,<br />
havia a necessida<strong>de</strong> do talento humano conduzindo o processo e evitando<br />
a estagnação. Uma primeira safra <strong>de</strong> publicitários surgiu dominando o novo<br />
veículo <strong>de</strong> comunicação e, ao mesmo tempo, valorizando as mensagens<br />
dos seus clientes-anunciantes.<br />
Durante cinco décadas a TV foi soberana na conquista do público, mas<br />
como o <strong>de</strong>stino do ser humano é não ficar estagnado, a partir da TV surgiram<br />
as mídias digitais, que hoje curiosamente disputam com aquela e já<br />
levando vantagem, a primazia na li<strong>de</strong>rança <strong>de</strong>sse avanço dos meios.<br />
A matéria produzida por Leonardo Araujo, ressaltando-se na indagação <strong>de</strong><br />
que o que é ser publicitário, em um primeiro momento po<strong>de</strong> produzir resposta<br />
comum e fácil. Mas, com o avanço dos meios, para quem realmente é<br />
publicitário, po<strong>de</strong> comportar muitas respostas e aí resi<strong>de</strong> a beleza e a gran<strong>de</strong><br />
transformação verificada no setor nos últimos anos.<br />
A magia produzida pela internet fez com que muitos jovens, sem carteira<br />
profissional assinada e sem nenhuma ligação com o mercado publicitário<br />
oficialmente falando, também pu<strong>de</strong>ssem ser no seu dia a dia uma espécie<br />
<strong>de</strong> publicitário não oficializado, mas com gran<strong>de</strong> capacida<strong>de</strong> <strong>de</strong> comunicação<br />
com os diversos públicos que escolhe para lançar suas mensagens, sem<br />
saber sequer que o dia <strong>1º</strong> <strong>de</strong> <strong>fevereiro</strong> também po<strong>de</strong>ria ser o seu dia.<br />
***<br />
Tudo, absolutamente tudo que é matéria editorial nas edições do PROP-<br />
MARK, tem seu valor e leitores específicos para <strong>de</strong>terminados fatos e assuntos<br />
que contemplam cada edição <strong>de</strong>ste semanário, que em maio completará<br />
56 anos <strong>de</strong> circulação semanal ininterrupta.<br />
Há inclusive fatos que são noticiados primeiro pela chamada gran<strong>de</strong> mídia<br />
e <strong>de</strong>pois pela mídia do meio, como o anúncio da saída <strong>de</strong> Fausto Silva, o<br />
Faustão, com prolongada carreira na Globo, que <strong>de</strong>ve terminar no fim <strong>de</strong>ste<br />
ano, sem renovação (até aqui) para 2022.<br />
Seja lá como for, é inegável que Faustão, embora não tenha criado a figura<br />
do apresentador <strong>de</strong> auditório, criou <strong>de</strong>s<strong>de</strong> os tempos do Perdidos na Noite,<br />
em outra TV, uma forma carismática <strong>de</strong> trabalhar diante das câmeras, sendo<br />
um dos primeiros artistas e muito provavelmente o mais forte <strong>de</strong>les a<br />
quebrar as amarras formais <strong>de</strong>sse tipo <strong>de</strong> profissional diante do seu público.<br />
Lógico que não po<strong>de</strong>mos abdicar da lembrança <strong>de</strong> um Chacrinha, por exemplo,<br />
e da cultura e versatilida<strong>de</strong> <strong>de</strong> um Chico Anysio e seus múltiplos personagens,<br />
mas Faustão, saindo do rádio esportivo e imediatamente passando para a<br />
TV, abraçou-a com invulgar naturalida<strong>de</strong>, dominando as câmeras como sendo<br />
suas súditas. E, o mais importante, sempre fazendo seu numeroso público rir<br />
e ao mesmo tempo alguns se valorizarem, na mágica que a TV ainda possui.<br />
Para on<strong>de</strong> vai Faustão a partir <strong>de</strong> 2022?<br />
***<br />
Imperdível – como <strong>de</strong> resto todo o produto editorial <strong>de</strong> nossa responsabilida<strong>de</strong><br />
que publicamos semanalmente no impresso do PROPMARK e diariamente<br />
no online do mesmo – o trabalho da Redação sobre os <strong>de</strong>safios da<br />
nova geração dos CEOs <strong>de</strong> agências, com menos <strong>de</strong> 40 anos <strong>de</strong> ida<strong>de</strong>, casos<br />
<strong>de</strong> Filipe Bartholomeu (AlmapBBDO) e Marcia Esteves (Lew’Lara/TBWA),<br />
além <strong>de</strong> muitos outros que se adiantaram na carreira em busca <strong>de</strong> não apenas<br />
conviver com as li<strong>de</strong>ranças, mas fazer parte <strong>de</strong>las. Percebe-se que estão<br />
surgindo no mercado publicitário novas li<strong>de</strong>ranças com até menos ida<strong>de</strong><br />
do que Filipe e Marcia. O que leva a isso não é apenas o talento, o grau <strong>de</strong><br />
conhecimento <strong>de</strong> cada preten<strong>de</strong>nte a li<strong>de</strong>rar um dos mais difíceis ramos <strong>de</strong><br />
trabalho, mas o preparo que se autoimpõe para galgar os vários <strong>de</strong>graus <strong>de</strong><br />
subida à sua frente até chegar no topo.<br />
Com que palavra po<strong>de</strong>mos <strong>de</strong>nominar isso? Deixemos para os nossos leitores<br />
encontrá-la.<br />
Nosso melhor resultado<br />
é o resultado<br />
dos nossos clientes.<br />
jornal propmark - <strong>1º</strong> <strong>de</strong> <strong>fevereiro</strong> <strong>de</strong> <strong>2021</strong> 3
Índice<br />
dia do Publicitário<br />
e os significados<br />
da profissão<br />
PROPMARK ouviu profissionais<br />
<strong>de</strong> diferentes gerações para<br />
respon<strong>de</strong>rem à pergunta sobre<br />
o que é ser publicitário. Data é<br />
comemorada nesta segunda (1 º ).<br />
caPa<br />
26<br />
Fotos: Divulgação<br />
MercadO<br />
ceOs com menos <strong>de</strong><br />
40 falam <strong>de</strong> <strong>de</strong>safios<br />
Com 39 anos, Filipe Bartholomeu li<strong>de</strong>ra há<br />
seis anos a AlmapBBDO, uma das maiores<br />
agências do Brasil. Ele e outros profissionais<br />
<strong>de</strong> sua geração falam sobre as estratégias<br />
para conectar as marcas dos clientes às<br />
pessoas e como engajar em um mundo<br />
totalmente on <strong>de</strong>mand. pág. 24<br />
PesQuisas<br />
entrevista<br />
Marcas<br />
covid-19 acelera uso<br />
da internet dos 60+<br />
Estudo da Kantar Ibope Media mostra que,<br />
em 2016, 31,8% das pessoas com mais <strong>de</strong> 60<br />
anos, batizadas <strong>de</strong> Masters, tinham acesso<br />
à internet, e em 2020 esse número chegou<br />
a 64%. Outro dado é que eles ampliaram a<br />
presença nas re<strong>de</strong>s sociais. pág. 16<br />
dr. Good cresce com<br />
vitamina em goma<br />
No fim <strong>de</strong> 2010, as vendas giravam em torno<br />
<strong>de</strong> sete a <strong>de</strong>z mil potes. A partir <strong>de</strong> março<br />
<strong>de</strong> 2020, a comercialização alcançou 45<br />
mil potes. O impulso veio com a Covid-19,<br />
que <strong>de</strong>spertou no brasileiro o hábito <strong>de</strong><br />
consumir vitaminas. pág. 33<br />
Pringles quer li<strong>de</strong>rar<br />
snacks <strong>de</strong> batatas<br />
A expansão da marca é uma das priorida<strong>de</strong>s<br />
da Kellogg Company no país. A diretora <strong>de</strong><br />
marketing Cristina Monteiro conta sobre<br />
os planos da empresa para o salgadinho,<br />
que tem a lata como um dos seus ícones,<br />
ultrapassar Ruffles até o final <strong>de</strong> 2022 e as<br />
estratégias digitais da comunicação. pág. 18<br />
editorial ................................................................3<br />
conexões ...............................................................6<br />
curtas ....................................................................8<br />
Mídia ...................................................................10<br />
Pesquisas ............................................................14<br />
inspiração ..........................................................17<br />
entrevista ...........................................................18<br />
Beyond the Line ................................................20<br />
Quem Fez ............................................................21<br />
We Love MKt ......................................................22<br />
Mercado ..............................................................23<br />
Marcas .................................................................33<br />
Última Página ....................................................34<br />
O editor Paulo Macedo está <strong>de</strong> férias e a<br />
coluna Supercenas voltará em março.<br />
4 <strong>1º</strong> <strong>de</strong> <strong>fevereiro</strong> <strong>de</strong> <strong>2021</strong> - jornal propmark
conexões<br />
Muito legal... e o trabalho do grafiteiro<br />
Pardal ficou incrível!<br />
Roberto <strong>de</strong> Angelantonio Jr.<br />
última Hora<br />
LinkedIn<br />
Post: McDonald’s apresenta<br />
Méqui da Praça Pan<br />
E mais uma obra do Pardalzinho virando<br />
cartão-postal da cida<strong>de</strong>!<br />
Fábio Rebouças<br />
dorinHo<br />
Pertencimento. Brand placement.<br />
Engajamento. Show, João Branco<br />
do Méqui!<br />
Isabel Cristina Pipolo<br />
Post: PROPMARK Live traz<br />
Manu Carvalho, da Match &<br />
Co.<br />
Adoro a Manuela Carvalho!<br />
Clarissa Cavalcante<br />
Post: Record rescin<strong>de</strong> contrato<br />
com Marcos Mion<br />
É só o universo preparando o caminho...<br />
Essa semana Faustão já<br />
avisou que vai sair da Globo, Luciano<br />
Huck é candidato em 2022.<br />
É a hora <strong>de</strong> o Mion brilhar no plin<br />
plin. E com aquela família lindaaaaaaaa!<br />
Não vejo Tiago Leifer<br />
segurando a Dança dos Famosos,<br />
mas o Mion arrasará. Quem concorda?<br />
Isabel Cristina Pipolo<br />
CONEXÃO rEal<br />
A nova campanha <strong>de</strong> Nestlé <strong>de</strong>fen<strong>de</strong> que a vida é mais feliz<br />
quando é para valer. Criado pela GUT, o material Pare o<br />
mundo que eu quero Nestlé tem o emoji vermelho <strong>de</strong> uma<br />
barra <strong>de</strong> chocolate como símbolo. No filme, uma jovem<br />
<strong>de</strong>sconectada do mundo fica “presa” no mundo perfeito das<br />
re<strong>de</strong>s sociais, em busca por likes. Ela é resgatada por uma<br />
amiga, através do emoji. Estratégia inclui TV e re<strong>de</strong>s sociais.<br />
CONQUISTA<br />
A R/GA vai aten<strong>de</strong>r a conta<br />
global <strong>de</strong> social media da<br />
Uber. A R/GA São Paulo,<br />
comandada pelo seu CEO<br />
Fabiano Coura, é responsável<br />
pela gestão da conta no<br />
Brasil e México.<br />
A agência <strong>de</strong>senvolverá<br />
i<strong>de</strong>ias e execuções datadriven,<br />
conteúdo baseado<br />
na cultura e gerenciamento<br />
das comunida<strong>de</strong>s para todos<br />
os negócios globais da Uber<br />
Ri<strong>de</strong>s e Uber Eats. Segundo<br />
Coura, serão integrados<br />
talentos em social media,<br />
content creation, mídia e<br />
marketing sciences para criar<br />
pods globais e regionais.<br />
REPRESENTATIVIDADE<br />
O Prêmio Publicitários<br />
Negros revela os seus<br />
vencedores. O critério: a<br />
participação <strong>de</strong> negros em<br />
cargos <strong>de</strong> li<strong>de</strong>rança das<br />
empresas envolvidas.<br />
A mais votada foi Alvos<br />
do Genocídio, da Coalizão<br />
Negra por Direitos,<br />
assinado pela Wun<strong>de</strong>rman<br />
Thompson. Em seguida,<br />
POWER, do BLCK.PWR.ADS,<br />
realizada pelas agências<br />
AGÔ, Unblock.coffee e<br />
Canja Audio Culture.<br />
E, por fim, a terceira foi<br />
a #Futuro Vivo, realizada<br />
por VMLY&R, Coração<br />
da Selva e Soko.<br />
DEBaTE<br />
O Senac-SP lança editoriais, lives e podcasts em parceria com<br />
o Estúdio Folha, ateliê <strong>de</strong> conteúdo patrocinado do jornal.<br />
O bran<strong>de</strong>d content foi i<strong>de</strong>alizado pela Publicis. Participam o<br />
historiador e escritor Leandro Karnal, o filósofo Luiz Felipe<br />
Pondé e o diretor acadêmico do Centro Universitário Senac,<br />
Eduardo Ehlers. Ação inclui brand page no site do jornal e<br />
webinar sobre o Futuro da Carreira e a Carreira do Futuro.<br />
6 <strong>1º</strong> <strong>de</strong> <strong>fevereiro</strong> <strong>de</strong> <strong>2021</strong> - jornal propmark
Nelcina Tropardi , Arcamais ,<br />
Presi<strong>de</strong>nte da ABA<br />
Frank Pflaumer, Nestlé,<br />
<strong>1º</strong> Vice-Presi<strong>de</strong>nte da ABA<br />
O FUTURO<br />
PASSA<br />
POR AQUI.<br />
Para você, o futuro inspira medo ou inspira?<br />
Profissionais que caminham na direção do futuro, movidos por i<strong>de</strong>ias<br />
e i<strong>de</strong>ais. Impulsionam negócios, transformam a socieda<strong>de</strong> e uns aos outros.<br />
Sorte das marcas que têm profissionais que pensam assim.<br />
Eles se reúnem na ABA. Faça parte da ABA.<br />
aba.com.br<br />
ASSOCIAÇÃO<br />
BRASILEIRA DE<br />
ANUNCIANTES
curtas<br />
PRoPMaRk liVe: VaneSSa bRandão<br />
akTuellMix: SéRie <strong>de</strong> MudançaS<br />
aMPfy conquiSTa oVoMalTine<br />
Fotos: Divulgação<br />
Executiva é diretora <strong>de</strong> marketing da Amstel<br />
Na última semana, a sócia diretora da<br />
Match & Co, Manu Carvalho, refletiu sobre<br />
influenciadores e afirmou que eles não são<br />
ven<strong>de</strong>dores das marcas, mas porta-vozes.<br />
Já Rodrigo Iasi, diretor <strong>de</strong> marketing da<br />
BIC, comentou que o propósito da marca<br />
nunca foi tão pertinente. Esta semana,<br />
Vanessa Brandão, diretora <strong>de</strong> marketing da<br />
Amstel, que pertence ao Grupo Heineken,<br />
fala sobre as estratégias para <strong>2021</strong>, da<br />
transformação no consumo e da aposta <strong>de</strong><br />
patrocínio no BBB. O bate-papo será realizado<br />
na terça-feira (2), às 16h, no canal do<br />
PROPMARK no YouTube. O público po<strong>de</strong><br />
enviar perguntas pelo chat da plataforma.<br />
PluTo TV ganha TRêS noVoS canaiS<br />
Agência tem novida<strong>de</strong>s no nome, na se<strong>de</strong> e no time<br />
Em <strong>2021</strong>, ano que comemora 25 anos <strong>de</strong><br />
atuação, a Aktuellmix tem uma série <strong>de</strong><br />
mudanças em busca <strong>de</strong> agilida<strong>de</strong> na gestão<br />
e evolução no processo que vem implementando<br />
<strong>de</strong>s<strong>de</strong> 2014. Na equipe, além<br />
dos sócios Celio Ashcar Jr. e Mario Medina,<br />
o profissional Eduardo Andra<strong>de</strong>, que já<br />
esteve na casa por cinco anos como diretor<br />
<strong>de</strong> negócios, chega como CEO. Já Leonardo<br />
Santiago foi promovido a CFO. Eles atuarão<br />
na li<strong>de</strong>rança da agência. A marca foi atualizada,<br />
passa a ser chamada <strong>de</strong> “akm” e há<br />
um novo site. A se<strong>de</strong> da empresa também<br />
mudou. O novo espaço está sendo preparado<br />
na Rua Guararapes, 700, no Brooklin.<br />
JúRi do d&ad TeM 21 bRaSileiRoS<br />
Concorrência foi li<strong>de</strong>rada pela consultoria Scopen<br />
A Ampfy, agência que em <strong>2021</strong> completa<br />
10 anos <strong>de</strong> atuação no mercado publicitário,<br />
conquistou a conta <strong>de</strong> Ovomaltine. André<br />
Chueri, presi<strong>de</strong>nte da agência, comentou<br />
a novida<strong>de</strong> no portfólio. “É uma marca<br />
unânime, amada por todas as ida<strong>de</strong>s, que<br />
tem um trabalho belíssimo em inovação<br />
e produto. É uma alegria começar o ano<br />
com a chegada <strong>de</strong> uma parceria no quilate<br />
<strong>de</strong> Ovomaltine”, diz. A agência, que tem<br />
cases para marcas como Perdigão, Melitta e<br />
Andorinha, foi escolhida por meio <strong>de</strong> concorrência<br />
li<strong>de</strong>rada pela consultoria Scopen.<br />
A parceria já começou e as primeiras ações<br />
serão divulgadas em breve.<br />
TJ-SP con<strong>de</strong>na MaTTel PoR VÍ<strong>de</strong>oS<br />
Plataforma estreou no Brasil em <strong>de</strong>zembro<br />
A Pluto TV ampliou sua biblioteca com<br />
três canais: Pluto TV Filmes Suspense,<br />
Pluto TV Vida Real e Tastema<strong>de</strong>. Lançada<br />
no país em <strong>de</strong>zembro, a empresa já conta<br />
com 27 canais originais. Para o TV Filmes<br />
Suspense (69), estão previstas produções<br />
como O Caçador (2011), Obsessão Perigosa<br />
(2018), Rostos na Multidão (2011) e Sangue<br />
no Gelo (2013); o TV Vida Real (267) <strong>de</strong>ve<br />
ter Anjos da Guarda, Colecionadores,<br />
O Mundo Sem Ninguém, Série Saú<strong>de</strong>,<br />
Socorro Imediato e Transplantes; e o Tastema<strong>de</strong><br />
(556) vai exibir programas como Alô,<br />
Bebeta, Chapa Comigo, Receitas Incríveis<br />
e Tastemakers: A Competição.<br />
Sergio Gordilho, da Africa, é um dos representantes<br />
O d&ad <strong>2021</strong> tem 21 brasileiros nos<br />
júris: além <strong>de</strong> Sergio Gordilho, estão:<br />
Paulo Garcia (Zombie Studio e Blinkink),<br />
Andre Gola (AlmapBBDO), Julia Liberati<br />
(Tatil Design), André Kassu (CP+B), Laura<br />
Esteves (DPZ&T), Rodrigo Saavedra (The<br />
Directors Bureau), Hugo Veiga (AKQA),<br />
Daniel Soro (Piloto), Luísa Barbosa (Conspiração),<br />
Daniela Ribeiro (Artplan), Marina<br />
Rodrigues (Goodby Silverstein & Partners),<br />
Luiz Evandro (Vetor Zero/Lobo), Fabiano<br />
Higashi (W+K), Renato Winnig (Natura &<br />
Co), Paula Lin<strong>de</strong>nberg (AB InBev), Felix <strong>de</strong>l<br />
Valle Con<strong>de</strong> (Ogilvy Brasil), Bruno Luglio<br />
(Vans), Miguel Bemfica (MRM//McCann),<br />
Roberto Coelho (Satelite Audio) e Daniel<br />
Escu<strong>de</strong>iro (Yone). Festival ocorre em maio.<br />
Empresa não <strong>de</strong>ve fazer publicida<strong>de</strong> infantil no YouTube<br />
O Tribunal <strong>de</strong> Justiça <strong>de</strong> São Paulo<br />
(TJ-SP) con<strong>de</strong>nou a fabricante <strong>de</strong> brinquedos<br />
Mattel do Brasil Ltda. a se abster <strong>de</strong><br />
usar canais no YouTube, protagonizados<br />
por crianças, para a prática <strong>de</strong> publicida<strong>de</strong><br />
infantil, já que o público infantil espectador<br />
não consegue diferenciar o conteúdo<br />
publicitário <strong>de</strong> entretenimento na plataforma.<br />
A empresa também foi con<strong>de</strong>nada<br />
ao pagamento <strong>de</strong> dano moral coletivo<br />
fixado em R$ 200 mil. O programa Criança<br />
e Consumo, do Instituto Alana, <strong>de</strong>nunciou<br />
a campanha Você Youtuber Escola Monster<br />
High ao Ministério Público <strong>de</strong> São Paulo em<br />
2017, e celebra a <strong>de</strong>cisão.<br />
Diretor-presi<strong>de</strong>nte e jor na lis ta<br />
res pon sá vel<br />
Ar man do Fer ren ti ni<br />
Editora-chefe: Kelly Dores<br />
Editores: Neu sa Spau luc ci, Paulo<br />
Macedo e Alê Oliveira (Fotografia)<br />
Editores-assistentes: Jéssica<br />
Oliveira e Leonardo Araujo<br />
Repórteres: Alisson Fernán<strong>de</strong>z e<br />
Janaina Langsdorff<br />
Revisor: José Carlos Boanerges<br />
Edição <strong>de</strong> Arte: Adunias Bispo da Luz<br />
e Anilton Marques Rodrigues<br />
Assistente <strong>de</strong> Arte: Lucas Boccatto<br />
Departamento Comercial<br />
Gerentes: Mel Floriano<br />
mel@editorareferencia.com.br<br />
Tel.: (11) 2065-0748<br />
Monserrat Miró<br />
monserrat@editorareferencia.com.br<br />
Tel.: (11) 2065-0744<br />
Diretor Executivo: Tiago A. Milani<br />
Ferrentini<br />
tferrentini@editorareferencia.com.br<br />
Departamento <strong>de</strong> Assinaturas<br />
Coor<strong>de</strong>nadora: Regina Sumaya<br />
regina-sumaya@editorareferencia.com.br<br />
Assinaturas/Renovação/<br />
Atendimento a assinantes<br />
assinatura@editorareferencia.com.br<br />
São Paulo (11) 2065-0738<br />
Demais estados: 0800 704 4149<br />
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opi nião <strong>de</strong>s te jor nal, po <strong>de</strong>n do até mes mo ser con trá rias a ela.<br />
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8 <strong>1º</strong> <strong>de</strong> <strong>fevereiro</strong> <strong>de</strong> <strong>2021</strong> - jornal propmark
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oportunida<strong>de</strong>s para anunciantes<br />
Para especialistas, fim do Domingão acelera digitalização dos domingos<br />
da emissora e último ano da atração <strong>de</strong>ve ser prato cheio para as marcas<br />
LEONARDO ARAUJO<br />
parceria entre Globo e<br />
A Faustão já tem data para<br />
acabar. Emissora e apresentador<br />
anunciaram na última semana<br />
que <strong>2021</strong> será o ano <strong>de</strong>rra<strong>de</strong>iro<br />
do Domingão do Faustão.<br />
A atração dominical terminará<br />
após mais <strong>de</strong> 30 anos no ar. Ao<br />
lado do saudoso Gugu e do ainda<br />
ativo Silvio Santos, Faustão<br />
é integrante <strong>de</strong> uma espécie <strong>de</strong><br />
“santíssima trinda<strong>de</strong>” dos domingos<br />
da TV brasileira. O fim<br />
<strong>de</strong> seu programa é também o<br />
fim <strong>de</strong> uma era do audiovisual.<br />
Mas o término da atração po<strong>de</strong><br />
significar oportunida<strong>de</strong>s para o<br />
mercado anunciante.<br />
Em comunicado, a Globo<br />
chamou Faustão <strong>de</strong> “um dos<br />
maiores comunicadores da televisão<br />
brasileira” e afirmou<br />
estar <strong>de</strong>terminada a fazer em<br />
<strong>2021</strong> “a melhor temporada <strong>de</strong><br />
todos os tempos do programa”.<br />
“Ao longo dos próximos meses,<br />
a empresa vai reunir a sua comunida<strong>de</strong><br />
criativa para <strong>de</strong>finir<br />
qual dos projetos em discussão<br />
para o domingo é o mais a<strong>de</strong>quado<br />
aos <strong>de</strong>safios <strong>de</strong> 2022 e a<br />
seu compromisso permanente<br />
com a inovação”, disse a empresa.<br />
O próprio Faustão, com<br />
sua irreverência característica,<br />
agra<strong>de</strong>ceu a parceria. “Gostaria<br />
<strong>de</strong> <strong>de</strong>ixar aqui registrada a<br />
minha gratidão à Globo, on<strong>de</strong><br />
aprendi muito e com a qual tive<br />
a honra <strong>de</strong> viver nos últimos 32<br />
anos uma parceria <strong>de</strong> respeito e<br />
sucesso. Repito aqui o que sempre<br />
disse no ar: a Globo é uma<br />
empresa quase perfeita”.<br />
Como numa gran<strong>de</strong> <strong>de</strong>spedida<br />
<strong>de</strong> um jogador <strong>de</strong> futebol, o<br />
ano <strong>de</strong>rra<strong>de</strong>iro do Domingão vai<br />
chamar a atenção da audiência,<br />
além <strong>de</strong> acelerar a digitalização<br />
da Globo, forçando a emissora<br />
a criar oportunida<strong>de</strong>s para os<br />
anunciantes, conforme explica<br />
Pedro Curi, coor<strong>de</strong>nador do<br />
curso <strong>de</strong> Cinema e Audiovisual<br />
da ESPM Rio. “Temos visto<br />
um movimento das marcas <strong>de</strong><br />
Fausto Silva está há 32 anos no ar na Globo com o seu programa <strong>de</strong> auditório aos domingos<br />
se associarem a pessoas com<br />
bastante presença digital. O<br />
Faustão representa uma televisão<br />
muito tradicional, <strong>de</strong>sse<br />
programa <strong>de</strong> varieda<strong>de</strong>s ancorado<br />
por uma figura muito forte<br />
que, <strong>de</strong> certa forma, é uma herança<br />
que a gente tem do rádio.<br />
[...] O Domingão, por mais que<br />
seja um programa único, tem<br />
muitos quadros internos. Estes<br />
quadros eram patrocinados e a<br />
Globo vai conseguir fazer isso<br />
ainda, talvez trazendo outros<br />
apresentadores”, reflete.<br />
Para Curi, a emissora po<strong>de</strong><br />
explorar nichos diversos usando<br />
novos nomes. “Talvez com<br />
mais presença digital para tentar<br />
renovar também o público<br />
da emissora. Acho difícil que<br />
o domingo traga algo diferente<br />
<strong>de</strong> um programa familiar, mas<br />
talvez algo mais picado, como<br />
a gente vê com o É <strong>de</strong> Casa”,<br />
exemplifica. Além disso, o professor<br />
também acredita que<br />
quadros do Domingão po<strong>de</strong>m<br />
“Acredito que não<br />
hAverá umA perdA<br />
<strong>de</strong> AnunciAntes,<br />
mAs umA<br />
diversificAção”<br />
TV Globo/Raphael Dias/Divulgação<br />
ganhar vida própria. “A Dança<br />
dos Famosos é um programa<br />
in<strong>de</strong>pen<strong>de</strong>nte fora do Brasil”,<br />
exemplifica.<br />
Apesar <strong>de</strong> querido na internet<br />
e protagonista <strong>de</strong> memes<br />
(Tá pegando fogo, bicho e a<br />
fanfic Fausto Silva e Selena Gomez,<br />
por exemplo), Faustão é<br />
uma figura analógica. “Repare<br />
nas fichas que ele usa. [...] Vemos<br />
um movimento maior <strong>de</strong><br />
trazer para a tela pessoas com<br />
gran<strong>de</strong> presença digital que já<br />
tragam para a Globo um número<br />
gran<strong>de</strong> <strong>de</strong> seguidores também.<br />
Tendo a achar que a Globo<br />
não vai per<strong>de</strong>r espaço com a<br />
saída do Faustão, porque olha<br />
o quanto a emissora ganhou <strong>de</strong><br />
anunciantes com o Big Brother,<br />
trazendo mais gente com presença<br />
digital. Acredito que não<br />
haverá uma perda <strong>de</strong> anunciantes,<br />
mas, sim, uma diversificação<br />
e uma abertura <strong>de</strong> oportunida<strong>de</strong>s”.<br />
Para José Conrado, professor<br />
10 <strong>1º</strong> <strong>de</strong> <strong>fevereiro</strong> <strong>de</strong> <strong>2021</strong> - jornal propmark
<strong>de</strong> publicida<strong>de</strong> e propaganda da<br />
Universida<strong>de</strong> Presbiteriana Mackenzie,<br />
não é o fim do Domingão<br />
que po<strong>de</strong> afastar patrocinadores,<br />
mas a própria situação<br />
da TV aberta. “É um programa<br />
que está há muito tempo no ar e<br />
tinha cativado uma certa audiência.<br />
Mas precisamos consi<strong>de</strong>rar<br />
o <strong>de</strong>sgaste. São mais <strong>de</strong> 30<br />
anos. Isso também afasta anunciantes”,<br />
reflete. “A Globo po<strong>de</strong><br />
criar outro programa? Acho que<br />
a tendência talvez seja esta,<br />
consi<strong>de</strong>rando que esta linguagem<br />
dos programas dominicais<br />
está gasta. As pessoas estão um<br />
pouco cansadas disso. A gran<strong>de</strong><br />
questão é renovar este público.<br />
Talvez a escolha <strong>de</strong> um<br />
apresentador mais jovem que<br />
represente um pouco mais esse<br />
mundo contemporâneo po<strong>de</strong><br />
ser uma alternativa”, avalia.<br />
A boa relação <strong>de</strong> Faustão com<br />
o mercado publicitário também<br />
será difícil <strong>de</strong> substituir. Hugo<br />
Rodrigues, CEO da WMcCann,<br />
e Luiz Fernando Musa, CEO da<br />
Ogilvy, corroboram tal afirmação.<br />
“Eu tive o prazer <strong>de</strong> trabalhar<br />
e conhecer o Fausto em<br />
uma campanha gran<strong>de</strong> para<br />
Chevrolet, em 2007. Se você<br />
perguntar para todo mundo<br />
que o conhece, provavelmente<br />
vai ouvir a mesma coisa: é difícil<br />
não se apaixonar por ele,<br />
pelo seu lado humano e pelo<br />
respeito que tem pelo próximo.<br />
O Fausto trata todos, in<strong>de</strong>pen<strong>de</strong>ntemente<br />
da posição ou cargo,<br />
com muita generosida<strong>de</strong>,<br />
educação e ouvindo com muita<br />
atenção. Ele está há 32 anos<br />
li<strong>de</strong>rando os domingos e isso<br />
prova o quanto sabe se comunicar<br />
com a gran<strong>de</strong> maioria dos<br />
brasileiros. Se ele <strong>de</strong>cidir fazer<br />
qualquer outra coisa, terá um<br />
mercado ainda muito gran<strong>de</strong><br />
pela frente”, diz Rodrigues.<br />
Musa relembra que a trajetória<br />
<strong>de</strong> Faustão começou muito<br />
antes da Globo, quando ele<br />
criou um formato “totalmente<br />
inédito e revolucionário do Perdidos<br />
na Noite, na Band”. “Na<br />
Globo ele teve a oportunida<strong>de</strong><br />
<strong>de</strong> ampliar toda a sua irreverência<br />
e sacadas inteligentes, com<br />
quadros que fazem parte da<br />
cultura popular, como Olimpíadas<br />
do Faustão e Caminhão do<br />
Faustão, por exemplo. É <strong>de</strong>le o<br />
crédito <strong>de</strong> estabelecer o hábito<br />
da audiência <strong>de</strong> acompanhar<br />
uma programação dominical<br />
extensa e plural”, relembra.<br />
O CEO da Ogilvy também fala<br />
Para Hugo Rodrigues, CEO da WMcCann, coração <strong>de</strong> Faustão consegue ser maior do que o próprio apresentador<br />
“será um Ano <strong>de</strong><br />
comemorAção,<br />
não <strong>de</strong> término.<br />
A Globo e todo<br />
mercAdo <strong>de</strong>vem<br />
AproveitAr”<br />
sobre como foi trabalhar com o<br />
apresentador. “Faustão é um<br />
cara que cria, opina e participa<br />
da estratégia do negócio junto<br />
com o anunciante. Não existe<br />
alguém que tenha um envolvimento<br />
tão forte em todos<br />
os níveis quanto ele. Tivemos<br />
aqui na Ogilvy a oportunida<strong>de</strong><br />
<strong>de</strong> trabalharmos juntos em diversas<br />
oportunida<strong>de</strong>s. O caso<br />
mais emblemático é com Magalu,<br />
mas também trabalhamos<br />
com Claro e Unilever, além do<br />
lançamento da JAC Motors no<br />
Brasil”, relembra.<br />
Musa <strong>de</strong>staca que a <strong>de</strong>spedida<br />
<strong>de</strong> Fausto Silva po<strong>de</strong> fechar<br />
seu histórico na Globo com<br />
chave <strong>de</strong> ouro. “O término do<br />
contrato na Globo é uma excelente<br />
oportunida<strong>de</strong> para tornar<br />
Musa, CEO da Ogilvy, acredita que a saída do apresentador é uma oportunida<strong>de</strong><br />
Divulgação<br />
Alê Oliveira<br />
esse período um ano histórico.<br />
É o momento <strong>de</strong> solidificar esse<br />
legado, mostrar para todo mundo<br />
a importância <strong>de</strong>ssa história.<br />
É um momento particularmente<br />
interessante, inclusive, para<br />
as marcas, que po<strong>de</strong>rão resgatar<br />
quadros e formatos que foram<br />
eternizados nos últimos 30<br />
anos. Será um ano <strong>de</strong> comemoração,<br />
não <strong>de</strong> término. A Globo<br />
e todo mercado <strong>de</strong>vem aproveitar<br />
o momento para celebrar,<br />
reconhecer os talentos que passaram<br />
por lá, e as contribuições<br />
do programa e do Fausto para a<br />
cultura popular”, opina.<br />
Rodrigues relembra outros<br />
trabalhos <strong>de</strong> Faustão ao lado<br />
<strong>de</strong> anunciantes como Nestlé,<br />
Unilever e P&G, entre outras<br />
gigantes. “São marcas que fazem<br />
parte da vida dos brasileiros.<br />
Isso comprova que ele<br />
vai fazer muita falta se <strong>de</strong>cidir<br />
mesmo não continuar fazendo<br />
propaganda ou entrar em outro<br />
tipo <strong>de</strong> ativida<strong>de</strong>. Na minha<br />
opinião, o po<strong>de</strong>r <strong>de</strong> comunicação<br />
do Fausto é inoxidável para<br />
qualquer marca que queira falar<br />
com o Brasil. O que fica, além<br />
<strong>de</strong> todo o profissionalismo e a<br />
história que ele tem com o mercado<br />
publicitário, é que o coração<br />
<strong>de</strong>le consegue ser maior<br />
do que o tamanho do Faustão.<br />
E isso faz ainda mais diferença<br />
para um mundo melhor”, finaliza<br />
o CEO da WMcCann.<br />
jornal propmark - <strong>1º</strong> <strong>de</strong> <strong>fevereiro</strong> <strong>de</strong> <strong>2021</strong> 11
MíDia<br />
Em ação para o SBT, WMcCann<br />
coloca o Cristo para ver Libertadores<br />
Agência instalou um telão em frente à estatua durante a partida entre<br />
Palmeiras e Santos, primeira final do campeonato transmitida pelo canal<br />
DirecTV Go lança campanha<br />
#<strong>de</strong>sassina para divulgar serviço<br />
Ação criada pela Cubocc estimula o consumidor a cancelar outras<br />
assinaturas e a<strong>de</strong>rir ao app, que traz conteúdo <strong>de</strong> TV aberta e streaming<br />
Para marcar a transmissão da<br />
primeira final <strong>de</strong> uma Copa<br />
Libertadores da América pelo<br />
SBT, a WMcCann criou para o<br />
canal O Torcedor Impossível, colocando<br />
o Cristo Re<strong>de</strong>ntor, no<br />
Rio <strong>de</strong> Janeiro, para assistir ao<br />
jogo entre Palmeiras e Santos,<br />
no último dia 30.<br />
Por meio <strong>de</strong> um telão instalado<br />
em frente à estátua que fica<br />
no topo do morro do Corcovado,<br />
<strong>de</strong>ntro do Parque Nacional<br />
da Tijuca, o jogo foi transmitido<br />
para o Cristo e para quem estivesse<br />
visitando o famoso ponto<br />
turístico. Durante a gran<strong>de</strong> final,<br />
também foram promovidas<br />
diversas ações no intervalo do<br />
confronto, diretamente “dos<br />
pés” do Cristo Re<strong>de</strong>ntor, com<br />
cobertura completa do evento.<br />
A narração da partida foi co-<br />
Na contramão da publicida<strong>de</strong><br />
do setor, a DirecTV<br />
Go, que chegou ao Brasil em<br />
<strong>de</strong>zembro <strong>de</strong> 2020 oferecendo<br />
conteúdo <strong>de</strong> TV aberta e streaming<br />
em um único app, lançou<br />
uma campanha que convida<br />
o consumidor a “<strong>de</strong>sassinar”.<br />
A campanha, com estratégia e<br />
conceito criativo <strong>de</strong>senvolvidos<br />
pela agência Cubocc, usa<br />
a imagem do bicho-preguiça.<br />
Nos filmes, o animal tenta evitar<br />
o cancelamento <strong>de</strong>sses serviços<br />
das formas mais surreais,<br />
mostrando que é preciso superar<br />
a preguiça para finalmente<br />
conseguir cancelar os serviços<br />
que você não precisa mais. A<br />
campanha tem foco em digital,<br />
TV aberta e fechada e OOH.<br />
Teaser instigou público para <strong>de</strong>scobrir quem era o “Torcedor impossível”<br />
Divulgação<br />
mandada por Téo José, com a<br />
presença do ex-treinador Jorginho<br />
e do comentarista Mauro<br />
Beting, direto do Rio <strong>de</strong> Janeiro.<br />
A ação conta com o patrocínio<br />
das marcas Amazon Prime<br />
Ví<strong>de</strong>o, Claro, SportingBet e<br />
Sanofi, que compõem também<br />
o time <strong>de</strong> patrocinadores da<br />
Libertadores no SBT. O campeonato,<br />
que passou a integrar<br />
a gra<strong>de</strong> do SBT no último ano,<br />
Divulgação<br />
Comunicação usa a imagem do bicho-preguiça para passar i<strong>de</strong>ia do conceito criativo<br />
tem garantido recor<strong>de</strong>s <strong>de</strong> audiência<br />
e a manutenção na li<strong>de</strong>rança<br />
durante a transmissão<br />
dos últimos jogos. “O projeto<br />
Libertadores no SBT cresce,<br />
tanto em resultados como reconhecimento<br />
para o público e<br />
marcas. Estamos imprimindo a<br />
autenticida<strong>de</strong> e a qualida<strong>de</strong> do<br />
SBT em um produto vencedor,<br />
que com certeza surpreen<strong>de</strong>rá<br />
ainda mais em <strong>2021</strong>”, <strong>de</strong>staca<br />
Fred Müller, diretor <strong>de</strong> negócios<br />
e marketing do SBT.<br />
Para ativar a ação, o SBT lançou<br />
um teaser, que instigava<br />
ao longo da semana o público a<br />
<strong>de</strong>scobrir quem era o “torcedor<br />
impossível” durante programas<br />
como Domingo Legal e Arena<br />
SBT e nas re<strong>de</strong>s sociais, com<br />
interação no Twitter <strong>de</strong> parte<br />
do casting da emissora.<br />
“Queremos ir na contramão<br />
do mercado. Enquanto o mundo<br />
não para <strong>de</strong> pedir para as<br />
pessoas assinarem mais e mais<br />
serviços, a DirecTV Go chega<br />
com uma campanha que convida<br />
a <strong>de</strong>sassinar. Viemos para<br />
facilitar a vida das pessoas,<br />
entregando muito conteúdo<br />
num único app. A campanha<br />
é um convite para as pessoas<br />
<strong>de</strong>ixarem a preguiça <strong>de</strong> lado e<br />
enfrentarem as dificulda<strong>de</strong>s <strong>de</strong><br />
cancelar assinaturas <strong>de</strong> diferentes<br />
fornecedores, que somados<br />
têm custo final elevado, e levar<br />
uma vida mais fácil com o melhor<br />
que DirecTV Go oferece”,<br />
reforça Alex Rocco, diretor-executivo<br />
<strong>de</strong> aquisições, branding<br />
e marketing da DirecTV Go.<br />
12 <strong>1º</strong> <strong>de</strong> <strong>fevereiro</strong> <strong>de</strong> <strong>2021</strong> - jornal propmark
mídia<br />
Consórcio <strong>de</strong> veículos <strong>de</strong> imprensa<br />
se mobiliza a favor da vacina<br />
TV Globo, G1, GloboNews, O Globo, Extra, O Estado <strong>de</strong> S.Paulo, Folha<br />
<strong>de</strong> S.Paulo e UOL assinam campanha sobre a importância da vacinação<br />
Sob o mote Vacina sim, veículos tentam conscientizar população com campanha<br />
Alguns dos principais veículos<br />
<strong>de</strong> comunicação do<br />
país se uniram para compartilhar<br />
com os brasileiros informações<br />
apuradas sobre a<br />
evolução da Covid-19 no Brasil.<br />
Agora que a vacina chegou ao<br />
Brasil, o consórcio <strong>de</strong> veículos<br />
<strong>de</strong> imprensa busca mobilizar a<br />
população para mostrar que é<br />
hora <strong>de</strong> todos colaborarem. Sob<br />
o mote Vacina Sim, TV Globo,<br />
G1, GloboNews, O Globo, Extra,<br />
O Estado <strong>de</strong> S.Paulo, Folha <strong>de</strong><br />
S.Paulo e UOL lançaram na última<br />
sexta-feira (29), durante o<br />
Jornal Nacional, campanha para<br />
conscientizar sobre a importância<br />
da vacina. O objetivo é<br />
amplificar a informação <strong>de</strong> que<br />
a vacina protege todos, sobretudo<br />
neste momento em que<br />
a socieda<strong>de</strong> brasileira assiste a<br />
morte <strong>de</strong> mais <strong>de</strong> 200 mil pessoas<br />
vítimas da Covid-19.<br />
“O consórcio nasceu para<br />
suprir uma lacuna grave. Como<br />
superar a pan<strong>de</strong>mia sem saber<br />
on<strong>de</strong> o vírus está chegando,<br />
com que força e alcance? O jornalismo<br />
profissional preencheu<br />
esta lacuna. A campanha <strong>de</strong> estímulo<br />
à vacinação inaugurada<br />
agora é um segundo passo natural<br />
para o consórcio. Veículos<br />
que concorrem entre si unidos<br />
para o bem coletivo. Motivar<br />
os brasileiros a buscarem a vacina”,<br />
explica Ricardo Villela,<br />
diretor <strong>de</strong> Jornalismo da Globo.<br />
“Se vacinar é cuidar <strong>de</strong> si,<br />
do outro, da família, dos amigos,<br />
da socieda<strong>de</strong>. Enten<strong>de</strong>mos<br />
que este é um bom momento<br />
para lembrar isso. E, como nos<br />
últimos meses estivemos juntos,<br />
todos os dias, com outros<br />
veículos <strong>de</strong> comunicação para<br />
levar à socieda<strong>de</strong> números e<br />
informações confiáveis sobre<br />
a média <strong>de</strong> casos <strong>de</strong> Covid-19<br />
no Brasil, achamos importante<br />
estar novamente ao lado <strong>de</strong>les<br />
e do público para fazer essa reflexão”,<br />
<strong>de</strong>staca Manuel Falcão,<br />
diretor <strong>de</strong> Marca e Comunicação<br />
da Globo.<br />
O primeiro filme, que foi veiculado<br />
na TV Globo, na Globo-<br />
News e no G1, é uma animação,<br />
cujo locutor afirma que É hora<br />
<strong>de</strong> dizer Vacina Sim. Ela protege<br />
você e protege os outros. Vacina<br />
Sim. Uma campanha para<br />
todos. Também estão previstas<br />
peças para mídia impressa e<br />
digital nos veículos que fazem<br />
parte do consórcio.<br />
Para o diretor <strong>de</strong> Jornalismo<br />
do Grupo Estado, João Caminoto,<br />
a promoção da vacina é um<br />
passo à frente na contenção da<br />
Covid-19 e das fake news: “A<br />
<strong>de</strong>fesa e promoção da vacina,<br />
além <strong>de</strong> ser um passo crucial na<br />
Fotos: Divulgação<br />
“estamos juntos<br />
mais uma vez<br />
para vencer a<br />
<strong>de</strong>sinformação”<br />
contenção da Covid, significa<br />
dar um basta às fake news, ao<br />
negacionismo, ao obscurantismo,<br />
e valorizar a informação, a<br />
ciência e a cidadania. Portanto,<br />
ao promovermos essa campanha<br />
estamos seguindo nossa<br />
missão <strong>de</strong> informar e conscientizar<br />
a socieda<strong>de</strong>”.<br />
Os diretores <strong>de</strong> redação dos<br />
jornais Folha <strong>de</strong> S.Paulo, Sérgio<br />
Dávila, e do Globo, Alan Gripp,<br />
ressaltam a iniciativa do consórcio:<br />
“O consórcio <strong>de</strong> veículos<br />
<strong>de</strong> imprensa é uma iniciativa<br />
sem prece<strong>de</strong>ntes, com a dimensão<br />
que a pan<strong>de</strong>mia exige, em<br />
razão da urgência <strong>de</strong> consolidar<br />
dados confiáveis diariamente.<br />
Agora é a hora <strong>de</strong> o país garantir<br />
a maior vacinação possível,<br />
pelo bem coletivo, e este grupo<br />
não po<strong>de</strong>ria ficar <strong>de</strong> fora <strong>de</strong>ste<br />
momento”, disse Gripp.<br />
De acordo com Dávila, “não<br />
há saída para a pan<strong>de</strong>mia fora<br />
da vacina. Mais uma vez, cabe<br />
ao jornalismo profissional divulgar<br />
esta informação vital.<br />
Por incompetência das autorida<strong>de</strong>s,<br />
o consórcio inédito dos<br />
meios <strong>de</strong> comunicação se une<br />
novamente para reforçar a necessida<strong>de</strong><br />
da imunização nacional<br />
e para contabilizar a porcentagem<br />
dos vacinados no país”.<br />
Murilo Garavello, diretor <strong>de</strong><br />
conteúdo do UOL, lembra que<br />
“todos os dias os jornalistas do<br />
consórcio trabalham intensamente,<br />
checam fatos, questionam<br />
autorida<strong>de</strong>s, traduzem em<br />
linguagem acessível a enorme<br />
massa <strong>de</strong> dados científicos do<br />
combate à pan<strong>de</strong>mia, tudo para<br />
levar às pessoas a melhor informação<br />
possível”.<br />
“Nos unimos para garantir<br />
que haveria números confiáveis<br />
sobre a pan<strong>de</strong>mia e, agora,<br />
estamos juntos mais uma vez<br />
para vencer a <strong>de</strong>sinformação e<br />
mostrar que a vacina é a única<br />
alternativa possível”.<br />
O lançamento da campanha<br />
é parte <strong>de</strong> um movimento que<br />
ganhará <strong>de</strong>sdobramentos ao<br />
longo dos próximos meses.<br />
jornal propmark - <strong>1º</strong> <strong>de</strong> <strong>fevereiro</strong> <strong>de</strong> <strong>2021</strong> 13
pesquisas<br />
Crianças e adolescentes sentem<br />
falta da escola, garante Kidscorp<br />
Empresa que analisa o comportamento digital <strong>de</strong> menores <strong>de</strong> 18 anos<br />
relata que jovens ficam tristes sem a presença dos amigos na pan<strong>de</strong>mia<br />
Durante o primeiro mês da pan<strong>de</strong>mia foi registrado um aumento <strong>de</strong> cerca <strong>de</strong> 80% no índice <strong>de</strong> conexões das crianças<br />
é muito importante<br />
encontrar o equilíbrio<br />
entre jogar e educar<br />
Demian Faletschi, CEO do Kidscorp<br />
Fotos: Unsplash e Divulgação<br />
Neusa spaulucci<br />
Kidscorp, empresa que analisa o comportamento<br />
digital do público infanto-<br />
O<br />
-juvenil, ou seja, faixa que compreen<strong>de</strong> os<br />
menores <strong>de</strong> 18, concluiu em recente estudo<br />
sobre como essa turma se sente sem as aulas<br />
presenciais durante a pan<strong>de</strong>mia. A gran<strong>de</strong><br />
maioria diz sentir falta <strong>de</strong> ir à escola por<br />
conta <strong>de</strong> interação com os colegas. Quanto<br />
menores são, mais tristes ficam, já que seus<br />
pais evitam os encontros nos quais eles po<strong>de</strong>m<br />
brincar com os amigos. Outro dado<br />
interessante da pesquisa é que as meninas<br />
do segmento tween (9-12 anos) e teen (13-17<br />
anos) foram as mais preocupadas em relação<br />
à pan<strong>de</strong>mia e, <strong>de</strong> modo geral, as que mais<br />
sentiram falta das aulas presenciais.<br />
Outro <strong>de</strong>talhe que chama a atenção é o aumento<br />
do número <strong>de</strong> crianças e adolescentes<br />
que passaram a usar a internet neste período.<br />
Demian Faletschi, CEO do Kidscorp, se<br />
apóia em análises da Unicef, realizadas antes<br />
da pan<strong>de</strong>mia, que já estimavam que, em nível<br />
global, <strong>de</strong> cada três usuários <strong>de</strong> internet,<br />
um era menor <strong>de</strong> 18 anos. “Os dados mostram<br />
que houve um aceleramento a partir <strong>de</strong><br />
dois principais fatores: educação em casa e<br />
o tempo <strong>de</strong> ócio <strong>de</strong>ntro dos lares”, analisa o<br />
executivo. Ele volta ainda ao primeiro ponto<br />
para fundamentar sua tese: “a educação <strong>de</strong><br />
mais <strong>de</strong> 1,6 bilhão <strong>de</strong> estudantes se viu afetada<br />
pela Covid-19, em função do fechamento<br />
total ou parcial das escolas, e à mudança<br />
para uma educação digital, que trouxe como<br />
consequência a adoção massiva e forçosa<br />
<strong>de</strong> plataformas educativas como o Google<br />
Classroom ou o Edmodo”.<br />
Já em relação ao tempo livre, segundo<br />
ele, “ficar em casa obrigou que todas as ativida<strong>de</strong>s<br />
realizadas fora do lar encontrassem<br />
algum substituto para entretenimento <strong>de</strong>ntro<br />
<strong>de</strong>le, aumentando assim o tempo <strong>de</strong> uso<br />
dos dispositivos e consumo <strong>de</strong> conteúdos”.<br />
“Seja jogando por meio <strong>de</strong> celulares, tablets<br />
e consoles ou assistindo a ví<strong>de</strong>os. Durante o<br />
primeiro mês da pan<strong>de</strong>mia registramos um<br />
aumento <strong>de</strong> cerca <strong>de</strong> 80% no índice <strong>de</strong> conexões<br />
das crianças no Brasil”.<br />
Faletschi relata que hoje o mercado vive<br />
abaixo <strong>de</strong>sses picos, porém, <strong>de</strong> forma geral,<br />
“fala-se muito que a pan<strong>de</strong>mia acelerou<br />
entre três e cinco anos a adoção do digital”.<br />
“Sem dúvida nos espera uma nova normalida<strong>de</strong><br />
mais conectada”, afirma.<br />
A pesquisa mostra ainda que tanto as<br />
crianças como os adolescentes usam muito a<br />
internet para jogar, o que, para ele, <strong>de</strong> maneira<br />
geral, o jogo é vital para o correto <strong>de</strong>senvolvimento<br />
<strong>de</strong> qualquer indivíduo. “Sem jogar<br />
não há <strong>de</strong>senvolvimento e aprendizagem<br />
possíveis durante a infância. À medida que<br />
vamos crescendo, a aprendizagem vai assumindo<br />
também um papel in<strong>de</strong>pen<strong>de</strong>nte fora<br />
dos jogos, porque, inclusive na vida adulta,<br />
continuamos incorporando conhecimentos<br />
e habilida<strong>de</strong>s através <strong>de</strong>les”, afirma.<br />
Segundo ele, nas últimas décadas, os dispositivos<br />
conectados assumiram papel <strong>de</strong><br />
protagonismo no que diz respeito a jogar,<br />
trazendo novos <strong>de</strong>safios e oportunida<strong>de</strong>s.<br />
“Em relação aos <strong>de</strong>safios, po<strong>de</strong>mos <strong>de</strong>stacar<br />
o enfrentado por muitos pais no que diz<br />
respeito à atenção <strong>de</strong> uma criança às ativida<strong>de</strong>s<br />
educativas, quando elas competem pelo<br />
tempo <strong>de</strong> atenção com consoles ou mesmo o<br />
YouTube”, argumenta.<br />
Ele diz ainda que, por outro lado, graças<br />
ao acesso cada vez mais universal a dispositivos<br />
e à internet, foi possível levar educação a<br />
mais crianças através dos jogos. “O ‘edutainment’,<br />
ou entretenimento educativo, diz respeito<br />
a todo conteúdo educativo combinado<br />
a elementos lúdicos para entreter, e permite<br />
que um aluno se sinta motivado durante<br />
o processo <strong>de</strong> aprendizagem, oferecendo a<br />
14 <strong>1º</strong> <strong>de</strong> <strong>fevereiro</strong> <strong>de</strong> <strong>2021</strong> - jornal propmark
“é indispensável manter<br />
as escolas abertas”<br />
ele elementos divertidos, mas educativos<br />
também, com os quais ele possa se divertir<br />
enquanto apren<strong>de</strong>”, diz o executivo, acrescentando:<br />
“Acredito que é muito importante<br />
encontrar o equilíbrio entre jogar e educar,<br />
<strong>de</strong> modo que possam ser <strong>de</strong>senvolvidas habilida<strong>de</strong>s<br />
e o conhecimento a<strong>de</strong>quados em<br />
cada uma das etapas <strong>de</strong> <strong>de</strong>senvolvimento”.<br />
preoCupação<br />
Ele <strong>de</strong>clara que a pesquisa aponta que<br />
as crianças sentem falta <strong>de</strong> ir à escola e <strong>de</strong><br />
interagir com seus amigos e companheiros.<br />
“Notamos que a conversa relacionada ao<br />
colégio é crescente, logo vemos que o retorno<br />
às aulas é algo que realmente os preocupa”.<br />
O executivo conta ainda que observou<br />
que as meninas pré-adolescentes e adolescentes<br />
foram as mais preocupadas com a<br />
pan<strong>de</strong>mia e, <strong>de</strong> maneira geral, as que mais<br />
sentiram falta da escola.<br />
Outro <strong>de</strong>staque do estudo é o papel <strong>de</strong>sempenhado<br />
pelos médicos na pan<strong>de</strong>mia e<br />
ser “doutor” se tornou uma aspiração máxima<br />
<strong>de</strong> crianças e adolescentes quando<br />
perguntados, segundo o CEO, sobre o que<br />
queriam ser quando crescessem.<br />
Mais um dado relevante apontado na<br />
pesquisa é a crescente taxa <strong>de</strong> uso <strong>de</strong> smartphone<br />
entre os menores, e “ela se manteve<br />
elevada, ainda que com uma pequena queda<br />
nos últimos meses pelo cansaço do uso<br />
<strong>de</strong> telas por parte dos adolescentes”.<br />
O executivo diz ainda que as crianças<br />
preferem jogar vi<strong>de</strong>ogames como um elemento<br />
social, como o chat – existente no<br />
Minecraft e Roblox, por exemplo, que também<br />
estimulam a criativida<strong>de</strong>. “Isso po<strong>de</strong>ria<br />
ser entendido como uma necessida<strong>de</strong><br />
<strong>de</strong> se socializar, fruto da impossibilida<strong>de</strong> <strong>de</strong><br />
encontrar amigos com a frequência que estão<br />
acostumados”, analisa.<br />
O uso e interação em jogos nos celulares<br />
dobrou <strong>de</strong>s<strong>de</strong> a instalação das medidas <strong>de</strong><br />
isolamento social, segundo ele. Nos últimos<br />
meses do ano diminuiu o uso <strong>de</strong> jogos,<br />
mas cresceram ou se mantiveram outras<br />
ativida<strong>de</strong>s, como assistir a ví<strong>de</strong>os online e<br />
os aplicativos <strong>de</strong> conversa.<br />
Outro aumento constatado pelo executivo<br />
é a ampliação <strong>de</strong> plataformas <strong>de</strong> conteúdo<br />
educativo para todas as ida<strong>de</strong>s e ainda<br />
cresceu a compra <strong>de</strong> laptops, <strong>de</strong>sktops e<br />
fones <strong>de</strong> ouvido. “Além disso, as crianças<br />
vão ao YouTube para apren<strong>de</strong>r coisas novas,<br />
com tendência para ví<strong>de</strong>os educativos<br />
e tutoriais”.<br />
Faletschi <strong>de</strong>staca ainda que educação não<br />
é sinônimo <strong>de</strong> escolarida<strong>de</strong> e, se a socieda<strong>de</strong><br />
quer garantir que as novas gerações vivam<br />
O jogo é vital para o correto <strong>de</strong>senvolvimento <strong>de</strong> qualquer indivíduo na infância, diz especialista da Kidscorp<br />
num mundo melhor, “é indispensável manter<br />
as escolas abertas”. “Vários estudos falam<br />
sobre os efeitos causados nas crianças que<br />
não frequentam escola, em termos <strong>de</strong> <strong>de</strong>senvolvimento,<br />
formação e, inclusive, no que<br />
diz respeito ao nível nutricional, quando falamos<br />
<strong>de</strong> crianças <strong>de</strong> famílias pobres, como<br />
é, infelizmente, comum na América Latina”.<br />
Ele argumenta também que a digitalização<br />
e a tecnologia eram dívidas pen<strong>de</strong>ntes<br />
na educação, da qual não se <strong>de</strong>ve fugir agora.<br />
“Pelo contrário, é tempo <strong>de</strong> capitalizar todos<br />
os passos dados no último ano e adotar ferramentas<br />
que, através do virtual, potenciem a<br />
escola presencial”.<br />
Ele diz acreditar que o virtual po<strong>de</strong> ser<br />
uma oportunida<strong>de</strong> em favor da igualda<strong>de</strong>,<br />
<strong>de</strong> modo que todas as crianças tenham as<br />
mesmas oportunida<strong>de</strong>s <strong>de</strong> acessar a educação.<br />
“Entretanto, nessa transformação, são<br />
imprescindíveis metas claras e mensuráveis,<br />
acompanhadas <strong>de</strong> indicadores que sinalizem<br />
progresso, principalmente entre os setores<br />
menos favorecidos”, conclui.<br />
AS NOVAS AGÊNCIAS<br />
jornal propmark - <strong>1º</strong> <strong>de</strong> <strong>fevereiro</strong> <strong>de</strong> <strong>2021</strong> 15
PesquIsas<br />
Pan<strong>de</strong>mia acelera uso <strong>de</strong> internet<br />
entre os 60+, revela Kantar Ibope<br />
Faixa etária, batizada como Masters, evoluiu ainda mais no mundo digital<br />
e tem interesse por novas tecnologias; re<strong>de</strong>s sociais são mais acessadas<br />
Neusa spaulucci<br />
população acima dos 60<br />
A anos, principal alvo do<br />
novo coronavírus, teve <strong>de</strong> se<br />
reinvertar para se adaptar a<br />
uma vida mais reclusa.<br />
A Kantar Ibope Media analisou<br />
essa faixa etária, batizada<br />
como Masters, e concluiu que a<br />
pan<strong>de</strong>mia acelerou a evolução<br />
<strong>de</strong>ssa turma ao mundo digital.<br />
Segundo Adriana Favaro, diretora<br />
<strong>de</strong> <strong>de</strong>senvolvimento <strong>de</strong><br />
negócios do instituto, afirma<br />
que esse comportamento já vinha<br />
sendo percebido.<br />
O movimento <strong>de</strong> busca e<br />
interesse por novas tecnologias<br />
pelos maiores <strong>de</strong> 60, fala ela,<br />
já vinha ocorrendo há cinco<br />
anos. “Em 2016, eram 31,8%<br />
dos Masters com acesso à internet<br />
e em 2020 esse número<br />
chegou a 64%.<br />
Esse aumento se <strong>de</strong>staca<br />
ainda mais quando comparado<br />
com o total da população: enquanto<br />
os Masters Conectados<br />
aumentaram 101% o consumo<br />
<strong>de</strong> internet em cinco anos, no<br />
mesmo período, o consumo <strong>de</strong><br />
internet na média da população<br />
aumentou 21%, um crescimento<br />
quase cinco vezes maior<br />
do que a média”.<br />
Outro dado da pesquisa da<br />
Kantar Ibope Media garante<br />
que os 60+ ampliaram presença<br />
nas re<strong>de</strong>s sociais.<br />
“Com a reclusão e o distanciamento<br />
físico, o relacionamento<br />
entre as pessoas ganhou<br />
mais espaço no ambiente<br />
digital e, consequentemente,<br />
nas re<strong>de</strong>s sociais, que sempre<br />
foram espaços <strong>de</strong> conexão e<br />
troca entre pessoas. Tanto o<br />
Facebook quanto o Instagram<br />
são as re<strong>de</strong>s mais utilizadas<br />
pela população em geral, indicando<br />
que, nesse ponto, os<br />
Masters seguem a tendência<br />
geral”, explica.<br />
Adriana não gosta <strong>de</strong> opinar<br />
qual seria o meio que os<br />
idosos encontrariam caso não<br />
tivesse a internet, no entanto,<br />
Adriana Favaro: “Estudo mostra que 40% aumentaram ou mantiveram as compras”<br />
arrisca dizer que, como todas<br />
as pessoas <strong>de</strong> alguma forma<br />
sofreram, com os Masters, que<br />
pertencem ao grupo <strong>de</strong> risco,<br />
não seria diferente. “Mas claro<br />
que, num momento tão difícil<br />
como este, encontrar formas<br />
<strong>de</strong> se conectar com os familiares,<br />
amigos, colegas <strong>de</strong> trabalho<br />
e até com o mundo, para se<br />
informar, se divertir ou buscar<br />
um alívio, foi fundamental”,<br />
afirma.<br />
Ela acredita ainda que esse<br />
avanço <strong>de</strong>ve ganhar ainda mais<br />
espaço, já que os Masters são<br />
uma parcela da população que<br />
é economicamente ativa, tem<br />
autonomia para <strong>de</strong>cidir quando<br />
e como gastar, que acompanhou<br />
outras tantas transformações<br />
e segue antenada com<br />
o mundo.<br />
“Os Masters experimentam<br />
e fazem questão <strong>de</strong> se manter<br />
Divulgação<br />
“relacionamento<br />
entre as pessoas<br />
ganhou mais<br />
espaço no<br />
ambiente digital”<br />
em dia com as novida<strong>de</strong>s, o<br />
que não é <strong>de</strong> hoje”, analisa.<br />
Segundo ela, em outros países,<br />
a situação se repete. “Essa<br />
é uma tendência percebida globalmente”,<br />
diz, acrescentando<br />
que os estudos da Kantar Ibope<br />
Media indicam que os Masters<br />
Conectados (55+) se ligam com<br />
frequência à internet, acessando<br />
várias vezes ao dia.<br />
“A média global <strong>de</strong> Master<br />
Conectados que <strong>de</strong>claram<br />
acessar a internet múltiplas vezes<br />
durante o dia é <strong>de</strong> 85%. No<br />
Brasil, chega a 92%; na Argentina,<br />
94%; e no México, 84%”,<br />
revela.<br />
Quando questionada sobre<br />
a falta <strong>de</strong> atenção do mercado<br />
publicitário junto a esse target,<br />
a executiva afirma que as relações<br />
dos Masters com as compras<br />
<strong>de</strong> produtos e serviços já<br />
mudaram e estão bem atuais.<br />
“O estudo mostra que 40%<br />
aumentaram ou mantiveram<br />
as compras por e-commerce<br />
durante a pan<strong>de</strong>mia. Eles já<br />
acompanharam outras tantas<br />
evoluções. Não são consumidores<br />
‘velhos’, são ativos e exigentes.<br />
Têm suas preferências,<br />
mas não estão fechados para a<br />
mudança, se ela for relevante”,<br />
argumenta. Ela revela ainda<br />
que em cinco anos o consumo<br />
<strong>de</strong> internet dos Masters cresceu<br />
cinco vezes mais do que a<br />
média da população.<br />
“As marcas têm um segmento<br />
com alto po<strong>de</strong>r <strong>de</strong> consumo<br />
e muito relevante para explorar,<br />
que não po<strong>de</strong>, nem <strong>de</strong>ve,<br />
ser ignorado. De qualquer forma,<br />
é bacana perceber que, <strong>de</strong><br />
forma geral, algumas marcas<br />
já estão buscando retratar melhor<br />
seus consumidores, sejam<br />
eles homens ou mulheres, <strong>de</strong><br />
diferentes ida<strong>de</strong>s e origens,<br />
indicando que o mercado também<br />
busca ampliar seus horizontes”,<br />
conclui.<br />
O estudo revela que o target<br />
também aumentou o consumo<br />
<strong>de</strong> streaming e alterou hábitos<br />
<strong>de</strong> compras. As conclusões fazem<br />
parte da edição <strong>de</strong> janeiro<br />
do conteúdo temático Data Stories,<br />
produzido mensalmente<br />
pela Kantar Ibope Media, que<br />
reúne dados <strong>de</strong> diversos estudos<br />
da empresa que ajudam a<br />
analisar cenários, perspectivas<br />
e tendências relevantes sobre<br />
audiência, publicida<strong>de</strong>, planejamento<br />
<strong>de</strong> mídia e comportamento<br />
do consumidor.<br />
16 <strong>1º</strong> <strong>de</strong> <strong>fevereiro</strong> <strong>de</strong> <strong>2021</strong> - jornal propmark
inspiração<br />
Estu<strong>de</strong> pelo prazer <strong>de</strong> estudar<br />
“Estudar é mais do que aprendizado, é ter humilda<strong>de</strong>, resiliência, e sair<br />
do seu contexto ou zona <strong>de</strong> conforto para entrar em um novo mundo”<br />
Paula Queiroz<br />
especial para o ProPMarK<br />
Existe um momento na vida em que muitos<br />
<strong>de</strong> nós, adultos, acreditamos que<br />
não precisamos mais ser estudantes, nos<br />
saciamos com o trabalho, com a rotina e<br />
com todos os aprendizados da ida<strong>de</strong>, que<br />
aliás tomam muito tempo.<br />
Mas estudar é mais do que aprendizado,<br />
estudar é ter humilda<strong>de</strong>, atenção, resiliência,<br />
e sair do seu contexto ou zona <strong>de</strong> conforto<br />
para entrar em um novo mundo.<br />
O ser humano gosta <strong>de</strong> acolhimento e<br />
sempre procurou isso em relações pessoais<br />
e escolhas profissionais.<br />
Hoje, com os algoritmos tão presentes no<br />
nosso consumo <strong>de</strong> conteúdo, somos cada<br />
dia mais inundados por assuntos que já<br />
estão <strong>de</strong>ntro do nosso repertório, isso aprofunda<br />
o conhecimento, mas fecha possibilida<strong>de</strong>s.<br />
Estudar é tirar toda a herança <strong>de</strong> conhecimento<br />
para escrever uma página em branco<br />
que não necessariamente é fácil, po<strong>de</strong> ser<br />
<strong>de</strong>sconfortável, assustador e até mesmo<br />
irritante estar em um ambiente que se tem<br />
muito mais chances <strong>de</strong> errar do que acertar.<br />
Mas, se por um lado existe essa pressão<br />
<strong>de</strong> saber tudo <strong>de</strong>ssa nossa socieda<strong>de</strong> <strong>de</strong> performance,<br />
por outro existe a oportunida<strong>de</strong><br />
<strong>de</strong> ampliar horizontes, <strong>de</strong> ver as coisas pela<br />
primeira vez, <strong>de</strong> fazer conexões que seu cérebro<br />
até então nunca tinha feito. É quase<br />
po<strong>de</strong>r voltar a ser criança na vida adulta.<br />
Por isso, gosto <strong>de</strong> apren<strong>de</strong>r sobre coisas<br />
variadas: as coisas técnicas da área <strong>de</strong> comunicação<br />
estão sempre rondando, mas<br />
a inspiração vem mesmo em campos mais<br />
inóspitos como idiomas, religião, história,<br />
e o que mais gosto são os cursos que não<br />
estão diretamente relacionados ao meu dia<br />
a dia, como o canto, a programação, a contabilida<strong>de</strong><br />
etc.<br />
Aliás, foi numa aula online <strong>de</strong> francês,<br />
em que eu simplesmente não conseguia<br />
fazer as fonéticas do “e”, que comecei essa<br />
reflexão.<br />
Naquela hora eu não era a Paula, head <strong>de</strong><br />
estratégia da Cheil, que escreve para veículos<br />
<strong>de</strong> propaganda, que domina a sua área<br />
<strong>de</strong> ponta a ponta, eu era uma aluna <strong>de</strong>sajeitada,<br />
que errava todos os testes e tinha<br />
<strong>de</strong> engolir o meu orgulho a cada nova tentativa.<br />
Estu<strong>de</strong> pelo prazer <strong>de</strong> estudar, pela consciência<br />
<strong>de</strong> que o mundo tem muito (MUI-<br />
TO) mais coisas que não conhecemos do<br />
que conhecemos, ouça opiniões que você<br />
discorda, leia livros que você nunca leu,<br />
olhe sites em idiomas que você não domina,<br />
aprenda sobre momentos da história<br />
que você não tinha tanta clareza, olhe para<br />
as ciências exatas com carinho, pense em<br />
retomar as aulas <strong>de</strong> um instrumento.<br />
Fazer isso não necessariamente traz respostas,<br />
mas eu garanto que traz a possibilida<strong>de</strong><br />
<strong>de</strong> interpretar o cotidiano <strong>de</strong> novas<br />
formas, e isso, sim, é o que traz inspiração<br />
e respostas.<br />
Paula Queiroz é head <strong>de</strong> planejamento da Cheil<br />
jornal propmark - <strong>1º</strong> <strong>de</strong> <strong>fevereiro</strong> <strong>de</strong> <strong>2021</strong> 17
entrevista<br />
cristina monteiro<br />
diretora <strong>de</strong> marketing da kellogg’s<br />
a lata é um dos<br />
ícones mais<br />
importantes<br />
<strong>de</strong> pringles<br />
Marca pertencente à Kellogg Company,<br />
bastante associada à produção <strong>de</strong><br />
cereais, com o lí<strong>de</strong>r da categoria<br />
Sucrilhos, a batata Pringles se tornou<br />
foco da companhia. Com o aumento da distribuição<br />
e o reposicionamento <strong>de</strong> preço, Pringles dobrou<br />
<strong>de</strong> tamanho em 2020 e ocupa a vice-li<strong>de</strong>rança do<br />
segmento <strong>de</strong> snacks <strong>de</strong> batatas. Nesta entrevista, a<br />
diretora <strong>de</strong> marketing Cristina Monteiro conta sobre<br />
os planos da empresa para ultrapassar Ruffles até<br />
2022 e sobre os atributos da marca, entre eles sua<br />
icônica lata, que virou, inclusive, diferencial para a<br />
comunicação com a campanha Tudo fica melhor com<br />
Pringles, o resto é um saco.<br />
KELLY DORES<br />
Por que a Kellogg está com foco na<br />
marca Pringles?<br />
Esse é um plano que já tem<br />
quase três anos, começou com<br />
a <strong>de</strong>cisão da companhia <strong>de</strong> colocar<br />
uma fábrica <strong>de</strong> Pringles no<br />
Brasil, que é a primeira da América<br />
Latina. Com essa linha <strong>de</strong><br />
produção local, a partir <strong>de</strong> agosto<br />
<strong>de</strong> 2019, a gente conseguiu reposicionar<br />
o preço no mercado<br />
e essa foi a primeira vertente do<br />
plano <strong>de</strong> crescimento. A segunda<br />
vertente foi a associação que<br />
fizemos com a Pandurata. Hoje<br />
eles são os nossos distribuidores<br />
e têm uma pulverização<br />
que nos permite chegar a um<br />
número muito maior no ponto<br />
<strong>de</strong> venda, que alavancou bastante<br />
o crescimento. E a terceira<br />
vertente é a comunicação. Pringles<br />
é uma marca que é 100%<br />
digital. Fizemos uma campanha<br />
muito forte no digital no<br />
ano passado, em que tivemos<br />
mais <strong>de</strong> 87 milhões <strong>de</strong> views<br />
com o mote Tudo fica melhor<br />
com Pringles, o resto é um saco.<br />
E a campanha reverberou muito,<br />
principalmente com o nosso<br />
target, o jovem adulto, e a gente<br />
começou a ter o resultado <strong>de</strong><br />
participação <strong>de</strong> mercado que<br />
vínhamos planejando há tanto<br />
tempo.<br />
A criação da campanha foi feita<br />
pela in house <strong>de</strong> vocês, a Kube?<br />
Exatamente. É um bureau<br />
interno, obviamente a gente<br />
acessa e ativa agências <strong>de</strong> comunicação<br />
que são parceiras<br />
em vários projetos, mas o Kube<br />
é um grupo gran<strong>de</strong>, que fica<br />
no México, e a gente tem uma<br />
extensão aqui no Brasil. Isso<br />
mostra um mo<strong>de</strong>lo totalmente<br />
diferente. A gente vê agora algumas<br />
empresas voltando para<br />
esse mo<strong>de</strong>lo. Já temos isso há<br />
mais <strong>de</strong> cinco anos. Temos vários<br />
Kubes no mundo e o nosso<br />
hub seria no México, com uma<br />
extensão para o Brasil.<br />
E para essa campanha teve uma<br />
parceria com a KTBO?<br />
Isso. Ela é uma agência que<br />
também tem a sua matriz no<br />
México.<br />
A empresa trabalha com outras<br />
agências <strong>de</strong> propaganda?<br />
Trabalhamos para outras<br />
marcas. Para Pringles, especificamente,<br />
somente essa.<br />
Qual é a marca lí<strong>de</strong>r em snacks <strong>de</strong><br />
batata no Brasil?<br />
A li<strong>de</strong>rança é da Ruffles, da<br />
PepsiCo, e Pringles está na segunda<br />
posição.<br />
E como Pringles é vista pelo consumidor<br />
brasileiro?<br />
Pringles tem uma herança e<br />
nostalgia <strong>de</strong> marca muito gran<strong>de</strong>,<br />
pois, no passado, quando<br />
o mercado era fechado, era<br />
objeto <strong>de</strong> <strong>de</strong>sejo. As pessoas,<br />
quando viajavam, passavam<br />
no freeshop e traziam uma lata<br />
<strong>de</strong> Pringles. A marca é perfeitamente<br />
empilhada e protegida<br />
por uma lata, com o personagem<br />
Mr. P., que é muito icônico<br />
também. Então, tínhamos um<br />
awareness gigantesco <strong>de</strong> marca<br />
(mais <strong>de</strong> 90%), mas não necessariamente<br />
<strong>de</strong> penetração,<br />
porque era um preço muito premium<br />
para capturar o mercado<br />
brasileiro. O reposicionamento<br />
estratégico foi feito para a gente<br />
po<strong>de</strong>r ficar <strong>de</strong>ntro do preço <strong>de</strong><br />
R$ 10, que é on<strong>de</strong> ocorre 90%<br />
da venda <strong>de</strong> salgadinhos. Obviamente,<br />
tivemos muito cuidado<br />
para fazer a transição do<br />
produto importado para o produto<br />
nacional, porque a gente<br />
precisa preservar o que é a marca<br />
na cabeça, no imaginário e<br />
no repertório do brasileiro. Temos<br />
o sabor original e os sabores<br />
foram testados para serem<br />
a<strong>de</strong>quados ao perfil brasileiro<br />
especificamente. O nosso queijo<br />
tem um perfil bem brasileiro.<br />
E a gente acabou <strong>de</strong> ampliar o<br />
nosso portfólio em 2020 com o<br />
sabor churrasco, que também<br />
é bem característico do Brasil.<br />
A gente olha muito para o<br />
mercado e cuida bastante para<br />
preservar as características tão<br />
icônicas da marca Pringles, mas<br />
com adaptação ao perfil do consumidor<br />
brasileiro.<br />
Qual é o sabor preferido dos brasileiros?<br />
O sabor original é o preferido,<br />
seguido por queijo e churrasco.<br />
Como é o slogan da marca?<br />
Tudo fica melhor com Pringles,<br />
o resto é um saco, que faz<br />
um trocadilho e fala muito da<br />
autenticida<strong>de</strong> do produto. Somos<br />
diferentes do resto do mercado<br />
<strong>de</strong> salgadinho, que sempre<br />
vem no saquinho.<br />
Pringles é a maior aposta da companhia<br />
neste ano?<br />
Sim, a gente já evoluiu bastante.<br />
Nós tivemos dois drivers<br />
principais <strong>de</strong> crescimento em<br />
2020: foi o aumento <strong>de</strong> distribuição,<br />
que vem junto com o<br />
giro <strong>de</strong> aceleração do produto<br />
na ponta. E o giro vem pelo novo<br />
preço, mas vem também pela<br />
questão das inovações que fizemos,<br />
como o sabor churrasco, a<br />
campanha <strong>de</strong> comunicação, os<br />
novos sabores inspirados nos<br />
gamers, os Pringles Gaming, nos<br />
sabores Pizza e Chicken Wings.<br />
A gente fez uma pesquisa para<br />
saber quais são as comidas favoritas<br />
dos gamers na hora que estão<br />
jogando. No topo do ranking<br />
<strong>de</strong> preferidos apareceram esses<br />
dois sabores. As inovações <strong>de</strong><br />
Pringles já representaram no segundo<br />
semestre <strong>de</strong> 2020, quando<br />
foram feitos os lançamentos,<br />
44% do total do crescimento<br />
da marca. Foi uma conquista<br />
para um mercado que já tem<br />
uma oferta gran<strong>de</strong> <strong>de</strong> sabores,<br />
o que mostra também o po<strong>de</strong>r<br />
da nossa marca. Em 2020 versus<br />
2019, a gente dobrou o tamanho<br />
da marca, com crescimento <strong>de</strong><br />
107% em consumo.<br />
Houve um incremento <strong>de</strong> consumo<br />
da categoria durante a pan<strong>de</strong>mia?<br />
Não, pelo contrário. No início<br />
da pan<strong>de</strong>mia, a categoria sofreu<br />
bastante porque a distribuição<br />
é bastante pulverizada e, com<br />
o fechamento da loja <strong>de</strong> pequeno<br />
varejo, teve um período <strong>de</strong><br />
18 <strong>1º</strong> <strong>de</strong> <strong>fevereiro</strong> <strong>de</strong> <strong>2021</strong> - jornal propmark
queda. Começou a recuperar no<br />
fim do ano com a flexibilização<br />
das medidas, mas ainda assim<br />
não foi um crescimento expressivo.<br />
No entanto, se você olhar<br />
só para o segmento <strong>de</strong> batatas,<br />
esse cresceu bastante, impulsionado<br />
pelo nosso crescimento,<br />
que está empurrando a categoria<br />
para cima.<br />
Qual é o público <strong>de</strong> Pringles?<br />
O jovem adulto.<br />
Vocês procuram associar Pringles<br />
à Kellogg, ou não existe essa preocupação?<br />
Não existe essa preocupação.<br />
Kellogg é muito forte na cabeça<br />
dos consumidores em cereal.<br />
A estratégia é apoiar as nossas<br />
marcas principais individualmente,<br />
trazendo o aval <strong>de</strong> Kellogg<br />
como fabricante. Mas não é<br />
algo que a gente comunica abertamente<br />
para os consumidores.<br />
Há previsão <strong>de</strong> aumento do investimento<br />
em marketing este ano?<br />
Ele vai se manter. As duas<br />
maiores campanhas são para<br />
Pringles e Sucrilhos. As duas<br />
marcas juntas são responsáveis<br />
por 70% do investimento <strong>de</strong><br />
marketing da companhia. Essas<br />
são as nossas duas gran<strong>de</strong>s<br />
apostas. São mercados on<strong>de</strong> há<br />
muito espaço para crescer e a<br />
gente quer continuar expandindo<br />
a nossa presença.<br />
Quais são os maiores <strong>de</strong>safios este<br />
ano?<br />
Para cereais, a gente precisa<br />
enten<strong>de</strong>r um pouco a chegada<br />
da vacina, com as pessoas<br />
voltando para rua, e em como<br />
manter essas novas ocasiões<br />
<strong>de</strong> consumo que apareceram<br />
durante a pan<strong>de</strong>mia. A gente<br />
não sabe muito bem como vai<br />
se comportar o mercado. Para<br />
Pringles, o <strong>de</strong>safio vai ser brigar<br />
pela competitivida<strong>de</strong> do<br />
segmento. A gente já cobriu um<br />
gran<strong>de</strong> espaço <strong>de</strong> distribuição e<br />
precisamos que a marca fique<br />
girando na ponta para garantir o<br />
nosso crescimento. E é um mercado<br />
bastante competitivo, com<br />
um player <strong>de</strong> muito peso. Não<br />
“Pringles é<br />
uma marca<br />
que é 100%<br />
digital”<br />
Divulgação<br />
temos a pretensão <strong>de</strong> dobrar a<br />
marca <strong>de</strong> novo neste ano, como<br />
em 2020, mas queremos trazer<br />
um crescimento <strong>de</strong>, pelo menos,<br />
duplo dígito.<br />
A campanha Todo o resto é um<br />
saco continua este ano?<br />
Não, este ano vamos ter uma<br />
nova campanha bem focada no<br />
universo dos games, que entra<br />
no fim do primeiro trimestre,<br />
explorando esse território que<br />
é tão po<strong>de</strong>roso para o nosso target<br />
e está em plena expansão.<br />
A nossa lata também tem um<br />
formato bem ergonômico para<br />
o gamer. A gente cansa <strong>de</strong> ver<br />
na internet os gamers com a lata<br />
entre as pernas e segurando o<br />
controle. Então, a gente vai investir<br />
forte no território dos games<br />
em <strong>2021</strong>.<br />
A embalagem <strong>de</strong> Pringles não sai<br />
cara?<br />
É uma embalagem premium<br />
“este ano<br />
vamos ter<br />
camPanha<br />
focada no<br />
universo<br />
dos games”<br />
e tem um papel fundamental <strong>de</strong><br />
proteger o nosso produto, para<br />
que fique perfeitamente empilhado<br />
e protegido na lata. Então, a<br />
gente não vê ela como cara e sim<br />
como valor agregado para o produto<br />
final, ao contrário das outras<br />
batatas que são vendidas em saquinhos<br />
e não necessariamente<br />
chegam preservadas na casa do<br />
consumidor. A lata é um dos ícones<br />
mais importantes <strong>de</strong> Pringles.<br />
Por que o foco da marca é a comunicação<br />
no digital?<br />
Porque o público é muito diferente,<br />
<strong>de</strong> uma geração que praticamente<br />
não assiste mais televisão.<br />
Vê tudo por streaming. A<br />
campanha é muito mais efetiva<br />
e relevante nos meios digitais. É<br />
uma questão mesmo <strong>de</strong> target do<br />
nosso público-alvo. O objetivo é<br />
reforçar o engajamento da marca,<br />
já que temos um índice <strong>de</strong><br />
mais <strong>de</strong> 90% <strong>de</strong> awareness entre<br />
os consumidores brasileiros.<br />
jornal propmark - <strong>1º</strong> <strong>de</strong> <strong>fevereiro</strong> <strong>de</strong> <strong>2021</strong> 19
eyond the line<br />
Unsplash<br />
Menos distopia,<br />
mais utopia<br />
E se um gran<strong>de</strong> time <strong>de</strong> futebol tomasse<br />
a iniciativa <strong>de</strong> mudar esse jogo?<br />
Alexis Thuller PAgliArini<br />
Brasil é assim mesmo... Só podia ser no<br />
O Brasil... Esse país não tem jeito... Infelizmente,<br />
a sucessão <strong>de</strong> fatos atuais e a convivência<br />
com lí<strong>de</strong>res medíocres (para dizer o<br />
mínimo) nos faz seres ranzinzas e pessimistas,<br />
incapazes <strong>de</strong> retomar o posto <strong>de</strong> um dos<br />
povos mais alegres e esperançosos do mundo.<br />
De fato, não está fácil.<br />
Conviver com as barbarida<strong>de</strong>s geradas<br />
por aqueles que <strong>de</strong>veriam ser condutores <strong>de</strong><br />
processos <strong>de</strong> melhoria inibe sorrisos e o bom<br />
humor, tão presentes historicamente na socieda<strong>de</strong><br />
brasileira. E tudo isso potencializado<br />
por uma pan<strong>de</strong>mia que parece ter sido gerada<br />
nos livros <strong>de</strong> ficção.<br />
Mas não po<strong>de</strong>mos <strong>de</strong>ixar <strong>de</strong> sonhar e <strong>de</strong><br />
nos mobilizarmos na busca do melhor para<br />
nós, brasileiros, e a socieda<strong>de</strong>, como um todo.<br />
Na semana passada, entre uma cervejinha<br />
e outra (com as <strong>de</strong>vidas precauções) com<br />
dois amigos, um <strong>de</strong>les, diretor-geral <strong>de</strong> uma<br />
empresa internacional no Brasil, apresentou<br />
uma i<strong>de</strong>ia ao outro, VP <strong>de</strong> um gran<strong>de</strong> time <strong>de</strong><br />
futebol (não o meu time, mas vá lá...).<br />
Ex-atleta e admirador do rúgbi, esse amigo<br />
lembrou a forma disciplinada e respeitosa<br />
com a qual os atletas <strong>de</strong>sse esporte se comportam<br />
nas competições.<br />
Sim, o rúgbi é um esporte <strong>de</strong> muito contato<br />
e po<strong>de</strong> parecer violento aos que o assistem,<br />
mas há uma total disciplina e um ambiente<br />
<strong>de</strong> fair-play entre os adversários e juízes. Por<br />
exemplo, somente o capitão do time se dirige<br />
ao árbitro, e o faz <strong>de</strong> forma respeitosa, sem<br />
“peitar” ostensivamente sua <strong>de</strong>cisão.<br />
Ao término do jogo, os atletas se cumprimentam<br />
educadamente, mesmo que o resultado<br />
tenha sido <strong>de</strong>sastroso para um dos<br />
times. Comparando essa atitu<strong>de</strong> com o nosso<br />
principal esporte, o futebol, temos uma visão<br />
antagônica, on<strong>de</strong> prevalece a malandragem e<br />
o xororô explícito a cada <strong>de</strong>cisão do árbitro.<br />
Jogadores vão ameaçadoramente na direção<br />
do juiz, com <strong>de</strong>do em riste, questionando<br />
cada <strong>de</strong>cisão. Tendo esse mau exemplo<br />
como padrão, jovens talentos do futebol,<br />
na primeira oportunida<strong>de</strong> profissional, reproduzem<br />
esse comportamento no mínimo<br />
questionável. Se o futebol é um espelho da<br />
socieda<strong>de</strong> brasileira, estamos mal... E aí veio<br />
a proposta: e se um gran<strong>de</strong> time <strong>de</strong> futebol<br />
tomasse a iniciativa <strong>de</strong> mudar esse jogo?<br />
Convoque-se diretores, técnico e atletas e<br />
estabeleça-se um novo padrão <strong>de</strong> comportamento.<br />
O juiz se equivocou em algum lance?<br />
Deixe o capitão se dirigir a ele.<br />
Terminou o jogo? Não importa o resultado,<br />
vá cumprimentar o adversário respeitosamente.<br />
Trate o adversário como um competidor,<br />
não um inimigo. Assuma posicionamentos<br />
<strong>de</strong> fair-play durante todo o jogo – antes,<br />
durante e <strong>de</strong>pois.<br />
Você po<strong>de</strong>rá estar pensando: não vai dar<br />
certo. Futebol é guerra. A torcida cobra uma<br />
atitu<strong>de</strong> <strong>de</strong> guerreiro e aplau<strong>de</strong> a entrada faltosa<br />
e o <strong>de</strong>srespeito ao juiz. Isso é utópico.<br />
Pois é... Po<strong>de</strong> até ser. Mas você não está cansado<br />
<strong>de</strong>ssa distopia?<br />
Será que não é hora <strong>de</strong> sermos um tanto<br />
quanto utópicos? Parecia utopia empresas<br />
concorrentes <strong>de</strong>ixarem a competição <strong>de</strong> lado<br />
e se unirem em projetos sociais. Mas está<br />
acontecendo.<br />
Parecia utopia as empresas <strong>de</strong>ixarem <strong>de</strong><br />
lado o capitalismo selvagem e partirem para<br />
um mo<strong>de</strong>lo mais consciente e empático,<br />
procurando o bem, não só dos seus sharehol<strong>de</strong>rs,<br />
mas <strong>de</strong> todos os stakehol<strong>de</strong>rs e da socieda<strong>de</strong>,<br />
como um todo.<br />
Parecia utopia ter equilíbrio <strong>de</strong> gêneros<br />
e respeito total às diferenças entre funcionários<br />
<strong>de</strong> uma empresa. Mas o fato é que a<br />
socieda<strong>de</strong> está cobrando uma atitu<strong>de</strong> mais<br />
fair <strong>de</strong> empresas, <strong>de</strong> instituições e <strong>de</strong> governantes.<br />
Uma atitu<strong>de</strong> mais amigável, mas não<br />
menos firme.<br />
Uma atitu<strong>de</strong> propositiva. Se esse comportamento<br />
positivo não aparece nas mais altas<br />
esferas do po<strong>de</strong>r, quem sabe não po<strong>de</strong>mos<br />
fazê-lo prevalecer por intermédio das expressões<br />
mais populares.<br />
Via futebol, por exemplo. Não sei se a conversa<br />
<strong>de</strong>sses dois amigos vai <strong>de</strong>saguar em<br />
alguma iniciativa concreta. Mas fico aqui torcendo.<br />
Posso ser utópico, mas sei que não sou<br />
o único.<br />
Alexis Thuller Pagliarini é presi<strong>de</strong>nte-executivo da<br />
Ampro (Associação <strong>de</strong> Marketing Promocional)<br />
alexis@ampro.com.br<br />
20 <strong>1º</strong> <strong>de</strong> <strong>fevereiro</strong> <strong>de</strong> <strong>2021</strong> - jornal propmark
quem fez<br />
Jéssica Oliveira (interina) jessica@propmark.com.br<br />
seM FiLtRo<br />
Trilhas, cachoeiras e paisagens emolduram<br />
a campanha Aventura Sem Filtro - Mulheres<br />
na Trilha. As influenciadoras digitais Gaia<br />
Vani e Luisa Galiza usaram um Jeep Wrangler<br />
por 10 dias, explorando a Chapada Diamantina<br />
(BA) e o aplicativo Jeep Trilhas ao<br />
longo <strong>de</strong> 2.200 km. Mini doc disponível no<br />
Instagram da marca.<br />
F.BIZ<br />
StELLAntIS<br />
Fotos: Divulgação<br />
Título: Aventura Sem Filtro - Mulheres na Trilha;<br />
anunciante: Stellantis; produto: Jeep; diretores<br />
<strong>de</strong> criação: Fabiano Pinel e Joana Men<strong>de</strong>s;<br />
diretora <strong>de</strong> criação associada: Daniele Rodrigues;<br />
cliente: Fre<strong>de</strong>rico Battaglia, Maria Lucia<br />
Antonio, Paula Salerno e Livia Lira.<br />
sensaçÕes<br />
O Boticário apresenta a linha Cui<strong>de</strong>-se Bem<br />
Boa Noite e <strong>de</strong>staca um ritual para a hora <strong>de</strong><br />
dormir. São sete produtos e um aromatizador<br />
<strong>de</strong> travesseiros. O comercial, <strong>de</strong> 30 segundos,<br />
tem locução <strong>de</strong> Sweet Carol, influenciadora<br />
digital e especialista em ASMR, um tipo <strong>de</strong><br />
gravação <strong>de</strong> áudio que promove o relaxamento<br />
e o bem-estar, através <strong>de</strong> estímulos.<br />
alMapBBDO<br />
O BOtIcárIO<br />
Título: ASMR; produto: Cui<strong>de</strong>-se Bem Boa Noite;<br />
CCO: Luiz Sanches; atendimento: Camilla Massari,<br />
Daniela Teixeira, Renata Luzzi e Victhória Azcuaga;<br />
imagem: Prodigo Films; diretor: Steve Bruno; som:<br />
Raw Audio; aprovação: André Farber, Alexandre<br />
Bouza e Gustavo Fruges.<br />
conscientização<br />
Ou o vírus circula ou você circula. É essa a<br />
mensagem da nova campanha da Amil Saú<strong>de</strong>,<br />
feita pela HavasPlus. Celebrida<strong>de</strong>s como<br />
Luan Santana, Galvão Bueno e Luísa Sonza<br />
ampliam a conscientização sobre a importância<br />
da vacinação contra a Covid-19 e as medidas<br />
<strong>de</strong> prevenção. Posts serão feitos no Instagram<br />
via mensagens com a #vacinasim.<br />
havasplus<br />
AMIL SAÚDE<br />
Título: Vacina Sim; diretor <strong>de</strong> criação: Alexandre<br />
Vilela (Xã), Melissa Pottker e Juliano Almeida; diretor<br />
<strong>de</strong> arte: El<strong>de</strong>r Cal<strong>de</strong>ira; redator: Leandro<br />
Lourenção; COO/head <strong>de</strong> mídia: Jairo Soares; diretora<br />
<strong>de</strong> mídia: Andrea Santos Ferreira; cliente:<br />
Vinicius Germano, Luiz Periard e Raony Araújo.<br />
jornal propmark - <strong>1º</strong> <strong>de</strong> <strong>fevereiro</strong> <strong>de</strong> <strong>2021</strong> 21
we<br />
mkt<br />
Unsplash<br />
Unboxing, outra das<br />
palavras da pan<strong>de</strong>mia<br />
“Um homem com as mãos carregadas <strong>de</strong><br />
pacotes não tem como receber um presente”<br />
Clive Staples Lewis<br />
Francisco alberto Madia <strong>de</strong> souza<br />
Em verda<strong>de</strong>, os que são fissurados em<br />
tecnologia e gadgets, acostumaram-se,<br />
no correr dos últimos anos, com a palavrinha<br />
mágica, carregada <strong>de</strong> expectativas e<br />
emoções, unboxing! Que significa <strong>de</strong>sembrulhar,<br />
abrir o pacote, revelar o produto<br />
comprado, ou o presente ganho, que acaba<br />
<strong>de</strong> chegar. Em verda<strong>de</strong>, repetindo, décadas<br />
<strong>de</strong>pois, uma cena clássica dos aniversários<br />
em família e na firma.<br />
Quando as pessoas chegavam com os<br />
presentes, abraçavam, diziam parabéns<br />
e entregavam. E aí brotava a maior curiosida<strong>de</strong><br />
em todos para ver o presente. Em<br />
muitas situações, o presenteado explodia<br />
em felicida<strong>de</strong> e dizia coisas como: “você<br />
adivinhou, era o que eu estava precisando”,<br />
ou “que lindo, muito obrigado”, mas,<br />
em algumas vezes, o agra<strong>de</strong>cimento era<br />
quase que sussurrado, na mesma proporção<br />
da <strong>de</strong>cepção ao se conhecer o presente<br />
recebido.<br />
Com a multiplicação dos gadgets, computadores,<br />
smartphones, tablets, relógios<br />
inteligentes, <strong>de</strong>zenas <strong>de</strong> críticos e analistas<br />
<strong>de</strong> produto multiplicaram-se pelo YouTube.<br />
E o gran<strong>de</strong> momento, a maior expectativa,<br />
é quando, antes <strong>de</strong> entrarem na<br />
análise e avaliação do produto, proce<strong>de</strong>m<br />
o unboxing, o <strong>de</strong>sembrulhar do produto<br />
comprado. Hoje o unboxing é tema <strong>de</strong> psicólogos<br />
e integra a pauta <strong>de</strong> congressos. Alguns<br />
até colocam uma musiquinha <strong>de</strong> fundo,<br />
enquanto vão dizendo: “uau, que maravilha,<br />
capricharam na embalagem, olha<br />
o <strong>de</strong>sign”, e por aí segue até começarem a<br />
falar das funcionalida<strong>de</strong>s. Isso posto, muito<br />
rapidamente, com o <strong>de</strong>livery <strong>de</strong> comidas<br />
escalando ao infinito, a palavra migrou<br />
para as quentinhas. No início, discutia-se<br />
qual a melhor embalagem. Rapidamente<br />
os restaurantes apren<strong>de</strong>ram, com a prática,<br />
qual embalagem preservava mais e melhor<br />
as características <strong>de</strong> seus pratos.<br />
E foi aí que nasceu a expressão boa para<br />
viagem. Comida que consegue suportar<br />
mais e preservar suas características<br />
principais, sobrevivendo com dignida<strong>de</strong><br />
aos solavancos e <strong>de</strong>scuidos do transporte.<br />
Superada essa fase, e agora, o unboxing<br />
passou a ser verbalizado à exaustão. Além<br />
<strong>de</strong> resistirem à viagem – boa para viagem<br />
– ainda têm <strong>de</strong> proporcionar ludicida<strong>de</strong> e<br />
encantamento no unboxing, no <strong>de</strong>svendar<br />
do conteúdo. E assim, a partir do segundo<br />
semestre, matérias e mais matérias em<br />
jornais e revistas sobre como se comporta<br />
a comida entregue na Unboxing Proof, na<br />
prova <strong>de</strong> “<strong>de</strong>semboxamento”.<br />
Num dos melancólicos sábados da pan<strong>de</strong>mia,<br />
o Estadão, no ca<strong>de</strong>rno Paladar, conferiu<br />
nota 10 ao unboxing do restaurante<br />
Isla Oriente, que, na opinião da jornalista<br />
Danielle Nagase: “Não se trata mais e apenas<br />
<strong>de</strong> uma embalagem para <strong>de</strong>livery. É a<br />
i<strong>de</strong>ntida<strong>de</strong> do restaurante integrando o unboxing<br />
à totalida<strong>de</strong> da experiência”. Uma<br />
espécie <strong>de</strong> última linha ou etapa <strong>de</strong>rra<strong>de</strong>ira,<br />
prova final e <strong>de</strong>finitiva. On<strong>de</strong> se ganha o<br />
jogo, ou se <strong>de</strong>cepciona.<br />
Explicando os cuidados com o tal <strong>de</strong> unboxing,<br />
Helena Rizzo, do Mani, diz: “Toda<br />
a energia que colocávamos quando o restaurante<br />
permanecia aberto, agora concentra-se<br />
no <strong>de</strong>livery... além <strong>de</strong>, num primeiro<br />
momento, adaptar o cardápio e valorizar<br />
os pratos que funcionam bem para viagem<br />
- os tais dos bom para viagem -, fomos buscar<br />
todas as maneiras <strong>de</strong> levar e elevar a<br />
experiência... Já que não po<strong>de</strong>mos recorrer<br />
às louças, ao empratamento, que ao menos<br />
tenhamos uma embalagem bonita, instigante,<br />
com personalida<strong>de</strong>, que aumente<br />
o apetite dos clientes, e produza indissimulável<br />
encantamento no movimento <strong>de</strong><br />
abertura, no unboxing...”. Existem muitos<br />
registros <strong>de</strong> discretos orgasmos durante o<br />
unboxing... É isso, amigos, dia após dia, o<br />
dicionário das palavras da coronacrise foi<br />
aumentando...<br />
Francisco Alberto Madia <strong>de</strong> Souza<br />
é consultor <strong>de</strong> marketing<br />
famadia@madiamm.com.br<br />
22 <strong>1º</strong> <strong>de</strong> <strong>fevereiro</strong> <strong>de</strong> <strong>2021</strong> - jornal propmark
mErcado<br />
Embalagens <strong>de</strong>vem trazer mais<br />
dados sobre nutrição <strong>de</strong> produtos<br />
Anvisa aprovou lei e indústria <strong>de</strong> alimentos e bebidas tem dois anos para<br />
a<strong>de</strong>quar rótulos; Kantar aponta que o consumidor busca saudabilida<strong>de</strong><br />
Neusa spaulucci<br />
As marcas brasileiras <strong>de</strong>vem<br />
se preparar para a implantação<br />
da nova norma para as<br />
embalagens, contendo informações<br />
sobre valor nutricional<br />
<strong>de</strong> alimentos e bebidas.<br />
É que em outubro <strong>de</strong> 2020<br />
foi aprovada pela Anvisa lei que<br />
<strong>de</strong>ve entrar em vigor em dois<br />
anos. Segundo Manuela Bastian,<br />
expert solutions director<br />
da Kantar, órgãos mundiais estão<br />
atentos ao nível <strong>de</strong> obesida<strong>de</strong><br />
da população e no Brasil não<br />
é diferente. Por isso, estudo realizado<br />
pela Kantar indica que<br />
a saudabilida<strong>de</strong> tem conquistado<br />
cada vez mais relevância.<br />
No Brasil, essa atenção da<br />
indústria <strong>de</strong> alimento e bebidas<br />
ainda engatinha, diferentemente<br />
<strong>de</strong> outros países, inclusive da<br />
América Latina.<br />
O Brasil está atrasado nesse<br />
quesito. O México e o Chile são<br />
países que já adotaram medidas<br />
e dão indicações sobre o que e<br />
quais níveis se consomem com<br />
os produtos.<br />
“O México, por exemplo, já<br />
avalia os impactos da lei no<br />
mercado”, diz Manuela. “As<br />
pessoas têm <strong>de</strong> saber o que<br />
consomem a<strong>de</strong>quadamente”.<br />
Às vezes, um cereal, aparentemente<br />
saudável e até inofensivo,<br />
po<strong>de</strong> conter mais insumos<br />
prejudiciais à saú<strong>de</strong> do que outro<br />
que não se apresenta com ar<br />
<strong>de</strong> saudabilida<strong>de</strong>. Por isso, para<br />
ela, o conceito <strong>de</strong> saudabilida<strong>de</strong><br />
é muito relativo.<br />
Manuela avalia que a pan<strong>de</strong>mia<br />
expôs muitos hábitos e<br />
provocou a mudança <strong>de</strong> muitos<br />
<strong>de</strong>les, já que as pessoas foram<br />
obrigadas a ficar em casa e observar<br />
mais o que estavam comendo.<br />
A comida caseira, por exemplo,<br />
é para a classe C um conceito<br />
<strong>de</strong> saudabilida<strong>de</strong>. Já na classe<br />
<strong>de</strong> maior po<strong>de</strong>r aquisitivo essa<br />
percepção muda em função da<br />
busca por alimentos realmente<br />
saudáveis. “Mas a tendência é<br />
Manuela Bastian: saudabilida<strong>de</strong> tem conquistado cada vez mais relevância<br />
Divulgação<br />
“a tendência é um<br />
consumidor mais<br />
consciente”<br />
um consumidor mais consciente<br />
mesmo”, diz.<br />
O certo é, conforme afirmação<br />
<strong>de</strong> Manuela, que o Brasil<br />
ainda está muito abaixo <strong>de</strong> outros<br />
países quando o assunto é<br />
consumo <strong>de</strong> alimento e bebida<br />
mais saudáveis.<br />
O índice no Brasil do chamado<br />
“Ecoativo” foi <strong>de</strong> 6% em<br />
2019 e 8% em 2020, muito inferior<br />
em relação à média global:<br />
16% em 2019 e 20% em 2020.<br />
Na América Latina, 12% e 18%,<br />
respectivamente.<br />
Ela acredita que dois fatores<br />
contribuem para essa discrepância<br />
no Brasil: preço e disponiblida<strong>de</strong><br />
<strong>de</strong> produtos.<br />
Outro índice bastante baixo<br />
entre os brasileiros é a leitura<br />
<strong>de</strong> valores nutricionais nas<br />
embalagens: apenas 30% leem<br />
informações que os fabricantes<br />
apresentam nos rótulos <strong>de</strong> seus<br />
produtos.<br />
A Kantar fez pesquisa em julho<br />
<strong>de</strong> 2020 que mostra que 75%<br />
dos consumidores brasileiros já<br />
buscam produtos com menor<br />
teor <strong>de</strong> gordura, 70% com menos<br />
açúcar e 69% sem aditivos,<br />
como corantes e conservantes.<br />
Além disso, quando se <strong>de</strong>param<br />
com um produto dito “natural”,<br />
59% dos entrevistados<br />
alegam esperar que seja livre <strong>de</strong><br />
conservantes.<br />
Quanto à análise das informações<br />
nos rótulos, mesmo que<br />
ocasionalmente, 33% das pessoas<br />
afirmam ficar <strong>de</strong> olho na<br />
quantida<strong>de</strong> <strong>de</strong> vitaminas, 33%<br />
<strong>de</strong> açúcar, 32% <strong>de</strong> gordura, 32%<br />
<strong>de</strong> calorias e valor nutricional e<br />
30% em teor <strong>de</strong> sódio.<br />
Manuela fala que, em vez<br />
<strong>de</strong> as atuais letrinhas que <strong>de</strong>sanimam<br />
a leitura <strong>de</strong> qualquer<br />
cristão, a maior inovação com a<br />
nova regra será a colocação <strong>de</strong><br />
símbolos informativos na parte<br />
frontal superior da embalagem,<br />
facilmente captados à primeira<br />
vista, que <strong>de</strong>vem indicar o teor<br />
<strong>de</strong> três nutrientes: açúcares<br />
adicionados, gorduras saturadas<br />
e sódio.<br />
A Tabela <strong>de</strong> Informação Nutricional<br />
também passará por<br />
alterações significativas, a começar<br />
pela adoção <strong>de</strong> fundo<br />
branco e letras pretas, para impedir<br />
que contrastes interfiram<br />
na legibilida<strong>de</strong>.<br />
Além disso, será obrigatório<br />
i<strong>de</strong>ntificar açúcares totais e<br />
adicionais, valores energéticos<br />
e nutricionais e número <strong>de</strong> porções<br />
por embalagem.<br />
A tabela <strong>de</strong>verá ficar perto<br />
da lista <strong>de</strong> ingredientes e em<br />
superfície contínua, sem áreas<br />
encobertas ou locais <strong>de</strong> difícil<br />
visualização.<br />
jornal propmark - <strong>1º</strong> <strong>de</strong> <strong>fevereiro</strong> <strong>de</strong> <strong>2021</strong> 23
mercado<br />
ceos jovens enfrentam o <strong>de</strong>safio <strong>de</strong><br />
comandar agências mais humanas<br />
Com menos <strong>de</strong> 40 anos, os millennials tentam enten<strong>de</strong>r as novas<br />
conexões, negócios e ter uma cultura mais diversa e dinâmica<br />
Alisson Fernán<strong>de</strong>z<br />
Nascidos entre a década <strong>de</strong><br />
1980 até meados <strong>de</strong> 1995, os<br />
millennials cresceram em uma<br />
época <strong>de</strong> gran<strong>de</strong>s avanços tecnológicos.<br />
Com novos pensamentos<br />
e comportamentos, eles<br />
chegam à li<strong>de</strong>rança das agências<br />
com o <strong>de</strong>safio <strong>de</strong> humanizar processos,<br />
enten<strong>de</strong>r a nova socieda<strong>de</strong><br />
e as possíveis conexões em<br />
um momento <strong>de</strong> diversas transformações<br />
do mercado.<br />
Com apenas 39 anos, Filipe<br />
Bartholomeu, sócio e CEO da<br />
AlmapBBDO, há seis anos li<strong>de</strong>ra<br />
uma das maiores agências do<br />
país. “Não é apenas o mercado<br />
publicitário que nunca foi tão dinâmico.<br />
A vida, na verda<strong>de</strong>, nunca<br />
foi tão dinâmica e multifacetada.<br />
O <strong>de</strong>safio é, portanto, como<br />
li<strong>de</strong>rar com tantos <strong>de</strong>safios ao<br />
mesmo tempo. O <strong>de</strong>safio <strong>de</strong> conectar<br />
as marcas dos clientes às<br />
pessoas. O <strong>de</strong>safio <strong>de</strong> engajar um<br />
mundo totalmente on <strong>de</strong>mand.<br />
O <strong>de</strong>safio <strong>de</strong> acen<strong>de</strong>r a chama <strong>de</strong><br />
centenas <strong>de</strong> pessoas talentosas e<br />
apaixonadas em uma organização,<br />
se<strong>de</strong>ntas por um propósito.<br />
E talvez o maior <strong>de</strong>les, o <strong>de</strong>safio<br />
<strong>de</strong> ressignificar uma indústria”,<br />
pontua Bartholomeu.<br />
Aos 38 anos, Marcia Esteves,<br />
que há pouco mais <strong>de</strong> um ano<br />
comanda a Lew’Lara/TBWA,<br />
mas assumiu uma ca<strong>de</strong>ira <strong>de</strong><br />
presi<strong>de</strong>nte com 34 anos na agência<br />
Grey Brasil, acredita que o<br />
papel <strong>de</strong> todo CEO é conseguir<br />
criar um ambiente em que cada<br />
um possa trazer o que tem <strong>de</strong><br />
melhor. “Além das <strong>de</strong>mandas<br />
individuais, há <strong>de</strong> se pensar<br />
também nas necessida<strong>de</strong>s coletivas,<br />
internas, externas, locais<br />
e globais. Como cada campo <strong>de</strong><br />
interação tem uma necessida<strong>de</strong><br />
diferente, o meu <strong>de</strong>safio diário<br />
é conciliar as necessida<strong>de</strong>s dos<br />
colaboradores com aquilo que é<br />
possível entregar <strong>de</strong> forma coletiva<br />
e <strong>de</strong>ntro da estrutura da<br />
agência. Também conciliar as<br />
agendas, aqui entendidas não<br />
apenas como a gestão <strong>de</strong> tempo,<br />
Filipe Bartholomeu: “O <strong>de</strong>safio é lidar com tantos <strong>de</strong>safios”<br />
mas também em sentido lato: o<br />
que nossos clientes precisam,<br />
os orçamentos, a <strong>de</strong>finição <strong>de</strong><br />
priorida<strong>de</strong> para cada caso, as necessida<strong>de</strong>s<br />
globais, as <strong>de</strong>mandas<br />
culturais e sociais. Conseguir<br />
conciliar todas essas necessida<strong>de</strong>s,<br />
cada qual com o seu valor e<br />
todas importantíssimas, é meu<br />
<strong>de</strong>safio diário”, diz.<br />
Com passagens por várias<br />
agências, Fábio Meneghati assumiu<br />
em setembro <strong>de</strong> 2019<br />
a li<strong>de</strong>rança da Greenz. Para o<br />
executivo, a gestão <strong>de</strong> pessoas<br />
é o seu maior <strong>de</strong>safio. “Como o<br />
nosso compromisso é acelerar<br />
os negócios dos nossos clientes,<br />
precisamos ter uma equipe motivada<br />
e estimulada. Desta forma,<br />
acredito que conseguimos fazer a<br />
roda do negócio girar. Para mim,<br />
acelerar a carreira das pessoas<br />
também é um dos meus <strong>de</strong>safios,<br />
uma vez engajados certamente<br />
conseguem acelerar os negócios.<br />
Penso que, durante a pan<strong>de</strong>mia,<br />
a maior parte dos gestores, assim<br />
como eu, se viu <strong>de</strong>safiada<br />
a fazer uma gestão a distância.<br />
Fotos: Divulgacão<br />
Não estávamos preparados para<br />
gerir, motivar, <strong>de</strong>senvolver, estimular<br />
pessoas a distância. Minha<br />
experiência, até aqui, havia me<br />
preparado para uma gestão olho<br />
no olho. Contudo, ver a equipe<br />
evoluindo, feliz e trabalhando<br />
motivada é, com certeza, a melhor<br />
parte <strong>de</strong> ocupar a posição<br />
que ocupo”, <strong>de</strong>staca.<br />
Nova forma <strong>de</strong> ver Negócios<br />
Formada por pessoas hiperconectadas,<br />
a geração <strong>de</strong> lí<strong>de</strong>res<br />
abaixo dos 40 anos vem observando<br />
nos últimos tempos uma<br />
gran<strong>de</strong> aceleração da digitalização,<br />
uma nova relação com os<br />
anunciantes e uma comunicação<br />
ainda maior através das telas.<br />
“Não po<strong>de</strong>mos <strong>de</strong>ixar <strong>de</strong> lembrar<br />
que o que mais tem mudado<br />
nas relações, pessoais ou profissionais,<br />
é a velocida<strong>de</strong> <strong>de</strong> informação.<br />
Hoje temos <strong>de</strong> ser muito<br />
mais eficientes e antenados constantemente.<br />
Para isso, foi necessário<br />
rever processos internos,<br />
<strong>de</strong>sburocratizar, <strong>de</strong>scentralizar as<br />
obrigações em mais pessoas, me-<br />
lhorar a gestão <strong>de</strong> tempo e produtivida<strong>de</strong>,<br />
dando ferramentas<br />
que facilitem a gestão <strong>de</strong> projetos<br />
e comunicação entre os times e<br />
com os clientes. Sobre mudar a<br />
forma <strong>de</strong> pensar os negócios dos<br />
clientes, vimos cada vez mais a<br />
necessida<strong>de</strong> <strong>de</strong> termos dados, estatísticas,<br />
pesquisas, que garantem<br />
justamente a melhor performance<br />
possível para os clientes.<br />
Hoje não é mais só a melhor i<strong>de</strong>ia<br />
que <strong>de</strong>ve ser colocada em prática,<br />
mas ter uma análise minuciosa<br />
dos resultados que ela po<strong>de</strong> gerar,<br />
até para justificar o seu investimento”,<br />
diz Hebert Lacava, CEO<br />
da ACuca.<br />
Fundada por Marcela Ceribelli,<br />
30 anos, a Obvious Agency, que<br />
<strong>de</strong>s<strong>de</strong> 2017 faz parte da Flagcx, já<br />
chegou ao mercado trazendo um<br />
novo olhar para as marcas. Através<br />
<strong>de</strong> conteúdos criativos, a plataforma<br />
trabalha com narrativas<br />
femininas que trazem felicida<strong>de</strong>.<br />
“O fato do meu sócio, Renato<br />
Galvão, e eu nunca termos trabalhado<br />
em agências colaborou<br />
a nosso favor, pois não tínhamos<br />
referências <strong>de</strong> processos e timings.<br />
Com isso, a gente realizava<br />
tudo, da criação à produção audiovisual,<br />
<strong>de</strong> uma maneira mais<br />
rápida. Existe uma rigi<strong>de</strong>z do mercado,<br />
que conseguimos controlar<br />
com um olhar totalmente focado<br />
no digital. Temos uma mentalida<strong>de</strong><br />
<strong>de</strong> startup, mas como temos<br />
as próprias plataformas, estamos<br />
constantemente testando os formatos<br />
e fazendo laboratório. Então,<br />
quando vamos apresentar<br />
um projeto para uma marca, dificilmente<br />
estou oferecendo risco<br />
para ela, pois o risco eu já assumi.<br />
Todo mundo vai precisar ter este<br />
pensamento, gran<strong>de</strong>s empresas<br />
terão <strong>de</strong> assumir o lugar <strong>de</strong> acerto<br />
e erro”, comenta.<br />
Oriunda do digital, a Purple<br />
Cow observou a necessida<strong>de</strong><br />
<strong>de</strong> mudar a forma <strong>de</strong> pensar os<br />
negócios dos clientes há uns<br />
quatros anos. Segundo Marcelo<br />
Bernar<strong>de</strong>s, 32 anos, sócio e CEO<br />
da agência, foi preciso enten<strong>de</strong>r<br />
o papel estratégico da empresa<br />
24 <strong>1º</strong> <strong>de</strong> <strong>fevereiro</strong> <strong>de</strong> <strong>2021</strong> - jornal propmark
junto aos anunciantes.<br />
“Precisávamos, como agência,<br />
<strong>de</strong>scer do pe<strong>de</strong>stal egocêntrico e<br />
andar mais próximos. Paramos<br />
<strong>de</strong> atuar no mo<strong>de</strong>lo <strong>de</strong> esteira <strong>de</strong><br />
produção, em que cada área passa<br />
o bastão para a próxima. Esse<br />
jeito <strong>de</strong>ixa tudo mais <strong>de</strong>morado e<br />
tem muita ineficiência, uma vez<br />
que uma fica tentando corrigir o<br />
trabalho da outra. A agência atua<br />
no mo<strong>de</strong>lo <strong>de</strong> cocriação. Cada<br />
área aporta seu know-how, mas<br />
o projeto é construído simultaneamente<br />
por todos. Isso dá mais<br />
agilida<strong>de</strong>, mas também dá mais<br />
segurança e, principalmente,<br />
mais criativida<strong>de</strong>. O projeto nasce<br />
com todos os olhares acreditando<br />
no que estamos, como um<br />
time, <strong>de</strong>senvolvendo”, ressalta.<br />
Marcela Ceribelli: “Temos uma mentalida<strong>de</strong> <strong>de</strong> startup”<br />
Fábio Meneghati: “Nossa gestão está atenta a todas as questões”<br />
cultura e socieda<strong>de</strong><br />
Nos últimos anos, as empresas<br />
vêm acompanhando as mudanças<br />
da socieda<strong>de</strong>. Muitas tentam<br />
sair do discurso e colocar assuntos<br />
como a diversida<strong>de</strong> <strong>de</strong> gênero<br />
e raça, e a sustentabilida<strong>de</strong> em<br />
prática. Porém, será que mesmo<br />
com valores mais alinhados com<br />
o lugar para on<strong>de</strong> a socieda<strong>de</strong><br />
está indo, a nova geração <strong>de</strong> lí<strong>de</strong>res<br />
precisa revisitar a cultura da<br />
agência com frequência?<br />
“Há um primeiro passo fundamental,<br />
ser honesto com os problemas.<br />
Reconhecer que a indústria<br />
– como tantas outras – vive<br />
um gap intolerável sob o aspecto<br />
da diversida<strong>de</strong> e inclusão. E então<br />
agir. Não apenas pela necessida<strong>de</strong><br />
da representativida<strong>de</strong>, mas<br />
porque essa é uma questão que<br />
ataca frontalmente o principal<br />
asset da indústria, a criativida<strong>de</strong>.<br />
A criativida<strong>de</strong> vem da adversida<strong>de</strong>,<br />
da coragem, mas fundamentalmente<br />
vem dos múltiplos<br />
olhares, cores, sotaques, orientações,<br />
vivências. Uma socieda<strong>de</strong><br />
mais plural é uma socieda<strong>de</strong> mais<br />
criativa. E nós vivemos, respiramos,<br />
entregamos criativida<strong>de</strong>.<br />
Por isso, temos um comitê que<br />
li<strong>de</strong>ra as iniciativas <strong>de</strong> equida<strong>de</strong><br />
<strong>de</strong> gêneros, inclusão racial, inclusão<br />
<strong>de</strong> grupos socioeconômicos e<br />
<strong>de</strong> pessoas com <strong>de</strong>ficiência e <strong>de</strong><br />
<strong>de</strong>bate <strong>de</strong> questões LGBTIA+”,<br />
comenta Bartholomeu.<br />
Segundo Marcela, a agência já<br />
nasceu com uma cultura diversa<br />
e está sempre disposta a ouvir<br />
as mudanças da socieda<strong>de</strong>. “O<br />
segredo da diversida<strong>de</strong> está na<br />
equipe. É ter li<strong>de</strong>ranças criativas<br />
que tenham lugar <strong>de</strong> fala, que tenham<br />
vivência sobre o assunto,<br />
senão elas não trazem a verda<strong>de</strong>.<br />
Este foi o erro da publicida<strong>de</strong> durante<br />
muito tempo. On<strong>de</strong> 10 homens<br />
brancos, cis e héteros entravam<br />
em uma sala para discutir<br />
uma campanha para mulheres<br />
negras com cabelos crespos. Isso<br />
é uma coisa que é impossível <strong>de</strong><br />
dar certo. Essa sempre foi a nossa<br />
preocupação na agência, por isso<br />
temos uma equipe com mulheres<br />
supertalentosas. Além disso,<br />
durante a pan<strong>de</strong>mia, passamos<br />
a contratar pessoas fora do eixo<br />
Rio-SP. Queremos aumentar o<br />
nosso olhar através <strong>de</strong> novos<br />
olhares. Temos <strong>de</strong> nos adaptar<br />
muito rápido. A geração Z vai<br />
chegar e achar que somos muito<br />
caretas”, diz.<br />
Já para Meneghati, a cultura e<br />
os valores da agência não precisam<br />
ser revistos com frequência.<br />
“Porque são as i<strong>de</strong>ias que acreditamos.<br />
Eles precisam ser mais<br />
sólidos. Por isso, recentemente,<br />
contratamos uma consultoria<br />
para nos ajudar a institucionalizar<br />
essa cultura e esses valores<br />
que acreditamos, e a rever nosso<br />
branding - algo que é difícil<br />
priorizar internamente e sempre<br />
escutamos aquela máxima ‘em<br />
casa <strong>de</strong> ferreiro, o espeto é <strong>de</strong><br />
pau’. Nossa gestão está atenta a<br />
todas as questões que são caras<br />
à socieda<strong>de</strong>. Inclusive, iniciamos<br />
em 2020 um programa <strong>de</strong><br />
inclusão <strong>de</strong> talentos. Contudo,<br />
Hebert Lacava: “Temos <strong>de</strong> ser mais eficientes e conectados”<br />
sabemos que, assim como todo<br />
o mercado, po<strong>de</strong>mos fazer mais<br />
e temos um longo caminho pela<br />
frente. Estamos apren<strong>de</strong>ndo e<br />
valorizamos isso”, diz.<br />
a próxima década<br />
É inegável que o mercado continuará<br />
se transformando muito<br />
rapidamente. As principais mudanças<br />
<strong>de</strong>vem impactar os negócios,<br />
que provavelmente serão<br />
mais rápidos e transparentes.<br />
“A evolução é infinita e acontece<br />
à medida que a socieda<strong>de</strong> evolui<br />
e em conjunto com todos os<br />
players do mercado, com a adaptação,<br />
ajuste e posicionamento<br />
que ainda não somos capazes <strong>de</strong><br />
prever com exatidão. Quem diria,<br />
no ano passado, que a gente<br />
po<strong>de</strong>ria trabalhar sem aparecer<br />
no escritório físico - e, mais que<br />
isso, que esse tipo <strong>de</strong> mo<strong>de</strong>lo iria<br />
funcionar? Que as campanhas<br />
fossem para a rua, sem que a rua<br />
estivesse disponível para trânsito<br />
livre? Entendo que 2030 será<br />
um mundo quase irreconhecível<br />
para nós em comparação a 2020,<br />
mas espero que a transformação<br />
traga somente benefícios para a<br />
socieda<strong>de</strong>”, salienta Marcia.<br />
O CEO da ACuca revela que<br />
vem trabalhando para construir<br />
um mercado mais ético e<br />
se preocupa com toda a ca<strong>de</strong>ia<br />
<strong>de</strong> stakehol<strong>de</strong>rs. “Entendo que<br />
as agências <strong>de</strong>veriam ser vistas<br />
como parceiros estratégicos, participando<br />
mais ativamente nos<br />
planos e objetivos dos clientes,<br />
como prestadores permanentes<br />
ou por períodos maiores preestabelecidos.<br />
Nesse formato <strong>de</strong> trabalho,<br />
po<strong>de</strong>mos otimizar investimentos<br />
tanto em equipe como<br />
em tempo”, diz Lacava.<br />
Já Bernar<strong>de</strong>s reflete que o pensamento<br />
antigo <strong>de</strong>ixa na mesa<br />
muitas oportunida<strong>de</strong>s. Porém, o<br />
dito novo <strong>de</strong>ixou tudo mais frio<br />
e para trás a essência <strong>de</strong> envolver<br />
e contar histórias. “Acredito que<br />
nos próximos <strong>de</strong>z anos veremos<br />
parte da essência da propaganda<br />
voltar. Mas só o que faz sentido<br />
para os dias <strong>de</strong> hoje. Isso, junto<br />
a um pensamento estratégico<br />
mo<strong>de</strong>rno e um mo<strong>de</strong>lo <strong>de</strong> remuneração<br />
baseado no trabalho<br />
propriamente dito, <strong>de</strong>ve criar um<br />
mercado mais eficaz para as marcas”,<br />
finaliza.<br />
Marcelo Bernar<strong>de</strong>s: “Precisávamos <strong>de</strong>scer do pe<strong>de</strong>stal”<br />
jornal propmark - <strong>1º</strong> <strong>de</strong> <strong>fevereiro</strong> <strong>de</strong> <strong>2021</strong> 25
MERCADO<br />
Lí<strong>de</strong>res e jovens respon<strong>de</strong>m:<br />
“O que é ser publicitário?”<br />
Leonardo araujo<br />
Nesta segunda-feira, <strong>1º</strong> <strong>de</strong> <strong>fevereiro</strong>, comemorase<br />
o Dia do Publicitário. A data faz referência<br />
ao Decreto <strong>de</strong> Lei nº 57.690, <strong>de</strong> 1966, instituído<br />
com o objetivo principal <strong>de</strong> regulamentar a<br />
profissão. Para celebrar, PROPMARK resolveu colocar<br />
profissionais <strong>de</strong> diferentes gerações frente a frente<br />
respon<strong>de</strong>ndo à pergunta: "O que é ser publicitário?".<br />
CEOs e lí<strong>de</strong>res divi<strong>de</strong>m as páginas <strong>de</strong>ste especial com<br />
estagiários e jovens profissionais. As <strong>de</strong>finições mostram<br />
que a ativida<strong>de</strong> publicitária está cada vez mais viva e<br />
diversa. Para alguns, a profissão vai além da criativida<strong>de</strong><br />
e é ferramenta essencial para fomentar a economia. Para<br />
Evoluí na carreira pelo fato<br />
<strong>de</strong> sempre ter sido curioso e<br />
inquieto. Sempre perguntava ao meu<br />
superior como foi a reunião e o que<br />
tinha para ser feito. [...] O mercado da<br />
comunicação mudou drasticamente<br />
do período em que iniciei a profissão.<br />
Tudo diferente, menos uma só coisa -<br />
exatamente a pergunta <strong>de</strong>ssa matéria.<br />
Publicitário é ter a consciência <strong>de</strong><br />
que propaganda é meio e não o<br />
fim. Saber que, se seu trabalho não<br />
gerar resultado ao cliente, será visto<br />
como gasto no ano seguinte. É ter a<br />
humilda<strong>de</strong> <strong>de</strong> saber que as mudanças<br />
<strong>de</strong> agência ocorrem por <strong>de</strong>sinteresse<br />
da diretoria ou por problemas recorrentes no dia a<br />
dia não solucionados. Ser publicitário é gostar <strong>de</strong><br />
gente e saber lidar com seus colaboradores.”<br />
Antonio Fadiga - CEO da Artplan<br />
outros, a ativida<strong>de</strong> permite moldar a cultura e ser agente<br />
<strong>de</strong> mudanças. Ser especialista em gente é fundamental<br />
para o exercício da comunicação publicitária e, além<br />
disso, é preciso ter responsabilida<strong>de</strong>, segundo as fontes<br />
ouvidas. Para os entrevistados, um bom publicitário é<br />
eternamente insatisfeito e obcecado criativamente, além<br />
<strong>de</strong> observar o mundo cinza com olhos <strong>de</strong> aquarela. Quem<br />
entrar na profissão agora, <strong>de</strong>ve esperar uma indústria<br />
inteiramente nova e traduzir para o público mensagens<br />
capazes <strong>de</strong> construir marcas que se tornam valiosas. Ser<br />
publicitário é sonhar muito alto. É unir subjetivida<strong>de</strong> do<br />
olhar pessoal com a objetivida<strong>de</strong> <strong>de</strong> uma marca. É estar<br />
conectado com o mundo ao seu redor, ter consciência <strong>de</strong><br />
que propaganda é meio e não o fim.<br />
Fotos: Divulgação<br />
Acredito que ser publicitário é<br />
estar conectado com o mundo<br />
ao seu redor, não <strong>de</strong> uma forma digital<br />
ou na posição <strong>de</strong> um espectador,<br />
mas na vivência <strong>de</strong> mergulhar na<br />
realida<strong>de</strong> do outro e compreen<strong>de</strong>r as<br />
particularida<strong>de</strong>s <strong>de</strong> cada indivíduo<br />
na socieda<strong>de</strong>. É saber que - mesmo no<br />
cotidiano movimentado e dinâmico<br />
da agência - existem momentos <strong>de</strong><br />
contemplação em cada entrega bemsucedida.<br />
Ser publicitário é enten<strong>de</strong>r<br />
as diferenças e, então, perceber<br />
que somente com o ato da escuta<br />
e da união com cada colaborador<br />
conseguimos alcançar nossos<br />
objetivos. Um feliz Dia do Publicitário a todos os<br />
colegas <strong>de</strong> profissão!”<br />
Bruna Vieira - Estagiária <strong>de</strong> direção <strong>de</strong> arte da Artplan<br />
Tenho muito<br />
orgulho <strong>de</strong> ser<br />
publicitária. Trabalhar com<br />
comunicação e criativida<strong>de</strong>,<br />
em um país que é um dos<br />
lí<strong>de</strong>res globais no assunto<br />
e <strong>de</strong>staque no mercado<br />
global <strong>de</strong> publicida<strong>de</strong>, é<br />
uma paixão e também uma<br />
baita responsabilida<strong>de</strong>.<br />
A propaganda brasileira<br />
gera empregos e negócios,<br />
apoiando a economia do nosso<br />
país. Tudo o que fazemos<br />
é <strong>de</strong>senvolvido por pessoas<br />
e para pessoas, sempre<br />
colocando a criativida<strong>de</strong> no<br />
centro.”<br />
Marcia Esteves - CEO &<br />
Partner da Lew’Lara\TBWA<br />
Ser publicitário é se<br />
conectar com pessoas.<br />
Não existe publicida<strong>de</strong> sem<br />
público e por isso enten<strong>de</strong>r<br />
o comportamento humano<br />
é fundamental para estruturar<br />
uma boa propaganda.<br />
Saber escutar <strong>de</strong>mandas<br />
sociais, novos formatos,<br />
comportamentos e tendências<br />
é o nosso <strong>de</strong>ver, para que,<br />
<strong>de</strong>ssa forma, a publicida<strong>de</strong><br />
consiga realizar uma ponte<br />
entre marcas e pessoas, por<br />
meio <strong>de</strong> valores, histórias e<br />
emoções.”<br />
Barbara Alves - Assistente <strong>de</strong><br />
conteúdo da Lew’Lara\TBWA<br />
26 <strong>1º</strong> <strong>de</strong> <strong>fevereiro</strong> <strong>de</strong> <strong>2021</strong> - jornal propmark
Meu pai era publicitário e,<br />
quando garoto, sempre tive<br />
muita admiração por tudo o que<br />
ele fazia. Era a época ‘Mad Men’ e<br />
é claro que, além do estilo <strong>de</strong> vida,<br />
a admiração também era em ver<br />
como se construíam as marcas, com<br />
entretenimento e com os resultados<br />
<strong>de</strong> negócios. Acompanhar tudo isso<br />
me fez <strong>de</strong>cidir ser publicitário com<br />
12 anos. [...]. Ser publicitário é saber<br />
que po<strong>de</strong>mos construir uma marca e<br />
sua história, fazer diferença para as<br />
pessoas, caindo no gosto popular e,<br />
consequentemente, trazer resultados<br />
aos negócios... Exatamente nessa<br />
or<strong>de</strong>m.”<br />
Daniel Jotta - General manager da BETC/Havas<br />
Muitas vezes a gente se<br />
questiona se está fazendo a<br />
coisa certa ou se estamos fazendo<br />
tudo errado. O trabalho criativo<br />
<strong>de</strong>ixa a gente <strong>de</strong>sconfortável, porque<br />
não dá pra ter uma i<strong>de</strong>ia legal sem<br />
ficar cutucando a própria cabeça.<br />
Ser publicitária é sonhar muito<br />
alto e, às vezes, ter <strong>de</strong> pôr os pés no<br />
chão, mas também se emocionar<br />
igual a uma mãe coruja com o filho<br />
nascendo. É mudar o jeito que as<br />
pessoas consomem e enxergam<br />
as marcas, dar voz às nossas<br />
causas, inspirar pessoas através<br />
da criativida<strong>de</strong>, mas também não<br />
<strong>de</strong>ixar o ego subir à cabeça… Afinal, é só propaganda.”<br />
Giulia Ferrarezi - Diretora <strong>de</strong> arte júnior na BETC/Havas<br />
Ser publicitário é, antes<br />
<strong>de</strong> tudo, gostar <strong>de</strong> gente.<br />
Porque o nosso negócio é feito<br />
por pessoas, para pessoas. Ser<br />
publicitário é ser um agente<br />
protagonista na transformação<br />
<strong>de</strong> marcas e negócios, sendo<br />
o principal gerador <strong>de</strong> valor<br />
nesse ecossistema. Porque<br />
é a propaganda que faz<br />
<strong>de</strong> uma commodity, uma<br />
gran<strong>de</strong> marca. E, por fim, a<br />
propaganda também ajuda<br />
a manter uma imprensa<br />
livre. Por isso eu digo: ser<br />
publicitário é ser um dos<br />
pilares fundamentais da<br />
<strong>de</strong>mocracia.”<br />
Camilla Massari - VP <strong>de</strong><br />
atendimento da AlmapBBDO<br />
Acho bem simples,<br />
só que não. É unir a<br />
subjetivida<strong>de</strong> do olhar<br />
pessoal com a objetivida<strong>de</strong> <strong>de</strong><br />
uma marca. Transmutando<br />
i<strong>de</strong>ias em produtos ou<br />
serviços.<br />
Ou seja, é aquela pessoa que<br />
enten<strong>de</strong> o valor que cada<br />
conversa po<strong>de</strong> ter, conectando<br />
<strong>de</strong> maneira real a história das<br />
marcas e das pessoas, usando<br />
da criativida<strong>de</strong>.”<br />
Mariane Almeida - Assistente<br />
<strong>de</strong> arte da AlmapBBDO<br />
Ser publicitária, para<br />
mim, é ser apaixonada<br />
por cultura, comportamento<br />
e comunicação. É sobre olhar<br />
para o mundo e procurar<br />
formas criativas e relevantes<br />
<strong>de</strong> <strong>de</strong>senvolver conversas.<br />
Tendo sempre em mente a<br />
responsabilida<strong>de</strong> que a gente<br />
carrega a cada mensagem, a<br />
cada diálogo que travamos<br />
entre marcas e pessoas, pois<br />
somos parte formadora das<br />
referências, dos padrões e<br />
das tendências culturais da<br />
socieda<strong>de</strong>.”<br />
Anna Martha - ECD da FCB<br />
Brasil<br />
Ser publicitária<br />
já carrega<br />
automaticamente todo<br />
aquele papo <strong>de</strong> ser criativa<br />
e <strong>de</strong>scontraída. Mas, além<br />
disso, principalmente o<br />
<strong>de</strong> ter responsabilida<strong>de</strong>.<br />
[...] Ter uma ferramenta<br />
po<strong>de</strong>rosíssima em mãos,<br />
que precisa ser usada com<br />
responsabilida<strong>de</strong>. Em um<br />
momento como esse, <strong>de</strong> muita<br />
atenção para os assuntos <strong>de</strong><br />
autoestima e pressão estética,<br />
como publicitárias, temos a<br />
missão <strong>de</strong> fazer a coisa certa,<br />
e impedir que a publicida<strong>de</strong><br />
volte a ser palco <strong>de</strong> padrões.”<br />
Liandra Monteiro - Assistente<br />
<strong>de</strong> programação da FCB Brasil<br />
Mais do que nunca, um<br />
bom publicitário precisa se<br />
reinventar constantemente, porque<br />
é um segmento que precisa e vem<br />
passando por uma transformação<br />
intensa numa combinação entre<br />
criativida<strong>de</strong>, uso <strong>de</strong> dados e<br />
tecnologia. Devemos proporcionar<br />
um diagnóstico para os problemas<br />
dos clientes e as ferramentas<br />
necessárias para solucioná-los,<br />
não importando quais sejam. Além<br />
disso, quem estiver ingressando<br />
agora na propaganda precisa saber<br />
que fará parte <strong>de</strong> uma indústria<br />
inteiramente nova e é fundamental<br />
enten<strong>de</strong>r quais são os mo<strong>de</strong>los <strong>de</strong> negócios das agências.”<br />
Eduardo Simon - CEO da DPZ&T<br />
É ter um olhar voltado para<br />
as infinitas possibilida<strong>de</strong>s.<br />
É saber comunicar, traduzir,<br />
transformar e estar sempre em<br />
busca <strong>de</strong> novos <strong>de</strong>safios, novas<br />
i<strong>de</strong>ias e inspirações. Quanto à<br />
minha experiência na criação,<br />
percebo que os publicitários <strong>de</strong>vem<br />
estar sempre antenados e indo um<br />
pouco além.”<br />
Julia Mele - Assistente <strong>de</strong><br />
arte da DPZ&T<br />
jornal propmark - <strong>1º</strong> <strong>de</strong> <strong>fevereiro</strong> <strong>de</strong> <strong>2021</strong> 27
MERCADO<br />
É ser um pouco Cobra Kai<br />
e um pouco Miyagi-Do. Ser<br />
eternamente insatisfeito e obcecado<br />
criativamente, mas ter bom senso<br />
para saber que é negócio, não<br />
arte. É ter raiva <strong>de</strong> i<strong>de</strong>ia ruim ou<br />
repetida, mas ser apaixonado por<br />
projetos inteligentes. [...] É não ter<br />
misericórdia com sua autoexigência,<br />
mas ter respeito irrestrito por todas as<br />
outras pessoas. É não ter medo <strong>de</strong> se<br />
reinventar sociotecnologicamente, mas<br />
se aprofundar no comportamento, na<br />
cultura e nos propósitos humanos. Um<br />
mercado saudável não é formado por<br />
senseis agressivos inseguros, nem por falsos<br />
bonzinhos e pseudoengajados.”<br />
Marcelo Reis - Co-CEO e CCO da Leo Burnett<br />
Ser publicitário é ser um<br />
especialista em gente. É buscar<br />
se aprofundar diariamente nas<br />
diferentes realida<strong>de</strong>s e hábitos das<br />
pessoas e trazer essas informações para<br />
um trabalho assertivo das marcas.<br />
É pensar na comunicação como uma<br />
ferramenta <strong>de</strong> aceleração <strong>de</strong> negócios<br />
e transformação da socieda<strong>de</strong> e na<br />
agência como uma plataforma criativa,<br />
que reúne diferentes disciplinas e<br />
dados em nome <strong>de</strong> gran<strong>de</strong>s i<strong>de</strong>ias.”<br />
Eduardo Lorenzi - CEO da Publicis<br />
Ser você mesmo, se reconhecer<br />
no próximo e como o próximo.<br />
Ter a capacida<strong>de</strong> <strong>de</strong> observar o mundo<br />
cinza com olhos <strong>de</strong> aquarela, <strong>de</strong><br />
enxergar nas diferenças oportunida<strong>de</strong>s<br />
<strong>de</strong> novas visões, <strong>de</strong> se alimentar<br />
do não semelhante para abrir as<br />
i<strong>de</strong>ias, trazendo sempre inovação e<br />
mo<strong>de</strong>rnida<strong>de</strong> para a rotina. A mistura<br />
<strong>de</strong> conceitos, princípios e valores em<br />
um mesmo job, com respeito e muita<br />
consi<strong>de</strong>ração... Acredito que isso é ser<br />
um bom publicitário!”<br />
Luiz Gutierre - Estagiário <strong>de</strong> mídia da<br />
Leo Burnett Tailor Ma<strong>de</strong><br />
Ser publicitária é carregar<br />
consigo o senso da mudança.<br />
Todos os dias, unimos criativida<strong>de</strong><br />
e muita estratégia para balançar<br />
as coisas, sejam as percepções <strong>de</strong><br />
uma nova socieda<strong>de</strong> ou as <strong>de</strong> uma<br />
marca. Temos o po<strong>de</strong>r <strong>de</strong> reconstruir<br />
e a responsabilida<strong>de</strong> <strong>de</strong> reformular.<br />
Cada novo job é um <strong>de</strong>safio para fazer<br />
diferente.”<br />
Audrey Palhares - Estagiária da Publicis<br />
Fotos: Divulgação<br />
Ser publicitário é prestar uma<br />
gran<strong>de</strong> contribuição para o<br />
dinamismo da economia e para o<br />
crescimento <strong>de</strong> marcas, especialmente<br />
aquelas que têm um compromisso<br />
com a qualida<strong>de</strong>, com o serviço, com<br />
o atendimento das necessida<strong>de</strong>s dos<br />
públicos, que vão sempre encontrar<br />
na publicida<strong>de</strong> um jeito <strong>de</strong> chegar<br />
para milhões <strong>de</strong> pessoas com as<br />
suas propostas, seus produtos e seus<br />
serviços.”<br />
João Livi - CEO da Talent Marcel<br />
A publicida<strong>de</strong> tem a capacida<strong>de</strong><br />
<strong>de</strong> moldar a cultura. Cada<br />
vez mais, as empresas, e não apenas<br />
os governos, são capazes <strong>de</strong> interferir<br />
positivamente na socieda<strong>de</strong>. E a<br />
publicida<strong>de</strong> é parte importante<br />
<strong>de</strong>sta engrenagem. A questão crucial<br />
da nossa profissão é ultrapassar o<br />
propósito <strong>de</strong> ven<strong>de</strong>r um produto e<br />
ajudar as marcas a terem um papel<br />
significativo na vida das pessoas.<br />
E, nesta era fascinante que estamos<br />
vivendo, o uso intensivo dos dados, a<br />
tecnologia e a criativida<strong>de</strong> nos guiam<br />
e nos auxiliam nesta missão.”<br />
Kevin Zung - COO da WMcCann<br />
Lembro que, quando entrei na<br />
faculda<strong>de</strong>, a primeira coisa<br />
que relacionavam ao publicitário<br />
era a criativida<strong>de</strong>. Mas, hoje, eu<br />
entendo que ser publicitário vai<br />
muito além da criativida<strong>de</strong>. É sobre<br />
formar e fortalecer a imagem da<br />
marca como um todo. É sobre estar<br />
antenado às novida<strong>de</strong>s, buscar<br />
e saber usar tendências. É sobre<br />
enten<strong>de</strong>r os consumidores para criar<br />
uma comunicação <strong>de</strong> relevância,<br />
que entretenha, mas que também<br />
seja comprometida com as pessoas e<br />
com responsabilida<strong>de</strong> social. A nossa<br />
profissão é sobre criar influência por meio da comunicação.”<br />
Katiane Souza - Assistente <strong>de</strong> planejamento da Talent Marcel<br />
É ser agente <strong>de</strong> mudança.<br />
É enten<strong>de</strong>r que, além <strong>de</strong><br />
estratégias, é necessário trazer reflexão<br />
e propósitos, ampliando e construindo<br />
novas visões <strong>de</strong> mundo a partir <strong>de</strong><br />
estudos, pesquisas e o repertório<br />
individual <strong>de</strong> cada publicitário.<br />
Sempre enxerguei na publicida<strong>de</strong><br />
um espaço aberto e livre, em que<br />
tudo se cria, se inova e tem uma<br />
possibilida<strong>de</strong> <strong>de</strong> se reinventar. Por isso,<br />
acredito que o publicitário tem um<br />
papel fundamental na construção do<br />
imaginário social e se intensifica por<br />
estar atrelado ao contexto social.”<br />
Beatriz Lopes - Assistente <strong>de</strong> criação da WMcCann<br />
28 <strong>1º</strong> <strong>de</strong> <strong>fevereiro</strong> <strong>de</strong> <strong>2021</strong> - jornal propmark
mercado<br />
World Surf League lança campanha<br />
pela proteção dos oceanos no mundo<br />
Com participação <strong>de</strong><br />
Ítalo Ferreira e Sophia<br />
Medina, ação divulga<br />
a petição 30x30<br />
WSL (World Surf League) lança globalmente<br />
a campanha We Are One<br />
A<br />
Ocean, iniciativa pedindo a proteção <strong>de</strong><br />
30% dos oceanos do planeta até 2030. A<br />
WSL incentiva as pessoas a assinarem a<br />
petição 30x30 no site weareoneocean.<br />
org. O campeão mundial Ítalo Ferreira e<br />
Sophia Medina, irmã do bicampeão Gabriel<br />
Medina, fazem parte <strong>de</strong> uma série<br />
especial da WSL sobre a campanha.<br />
A série traz episódios com histórias sobre<br />
a conexão <strong>de</strong> seis pessoas com o oceano<br />
e suas motivações para assinarem a<br />
petição. O conteúdo completo será lançado<br />
em 9 <strong>de</strong> <strong>fevereiro</strong> e terá participação<br />
<strong>de</strong> cientistas, ambientalistas e alguns<br />
surfistas.<br />
A campanha é inspirada pela WSL Pure,<br />
organização sem fins lucrativos da<br />
World Surf League, que construiu uma<br />
gran<strong>de</strong> coalizão, com mais <strong>de</strong> 60 ONGs,<br />
para apoiar o We Are One Ocean, além <strong>de</strong><br />
outras corporações como o Natural Resources<br />
Defense Council (Conselho <strong>de</strong><br />
Defesa dos Recursos Naturais), Conservation<br />
International, Surfri<strong>de</strong>r Foundation,<br />
Sea Legacy, Lonely Whale e World<br />
Sailing.<br />
“Estabelecer áreas totalmente protegidas<br />
é uma maneira incrível <strong>de</strong> construir<br />
resiliência em nosso oceano”, afirma Reece<br />
Pacheco, SVP Ocean Responsibility<br />
da WSL.<br />
O brasileiro Ivan Martinho, CEO da<br />
WSL para a América Latina, espera que<br />
a mensagem <strong>de</strong> amor pelo oceano ressoe<br />
nas pessoas em todo o mundo. “A campanha<br />
é uma gran<strong>de</strong> oportunida<strong>de</strong> para a<br />
WSL, junto com nossa coalizão <strong>de</strong> mais <strong>de</strong><br />
60 ONGs e corporações, usar a nossa plataforma<br />
para <strong>de</strong>fen<strong>de</strong>r mudanças reais.<br />
A WSL já está comprometida em ser neutra<br />
no uso <strong>de</strong> carbono e trabalhar para<br />
eliminar os plásticos <strong>de</strong>scartáveis <strong>de</strong><br />
nossos eventos do Tour do Campeonato<br />
e agora, por meio do We Are One Ocean,<br />
está <strong>de</strong>fen<strong>de</strong>ndo a proteção do oceano”.<br />
A marca Shiseido se uniu à WSL como<br />
parceira oficial do We Are One Ocean, assim<br />
como a Gillette Venus, que também<br />
será parceira da campanha como parte do<br />
seu compromisso <strong>de</strong> usar menos recursos<br />
até 2030. A campanha foi criada pelas<br />
equipes internas da WSL e WSL Pure.<br />
Compromisso lançado pela WSL visa proteger 30% dos oceanos até 2030<br />
Fotomontagem<br />
jornal propmark - <strong>1º</strong> <strong>de</strong> <strong>fevereiro</strong> <strong>de</strong> <strong>2021</strong> 29
mercado<br />
Inteligência emocional vira<br />
habilida<strong>de</strong>-chave para li<strong>de</strong>ranças<br />
Avanços exponenciais na tecnologia, pan<strong>de</strong>mia, incertezas e distância<br />
dos times exigem um lí<strong>de</strong>r que exercite habilida<strong>de</strong>s comportamentais<br />
JÉSSICA OLIVEIRA<br />
pan<strong>de</strong>mia acelerou a consciência<br />
das pessoas e orga-<br />
A<br />
nizações sobre a importância<br />
da inteligência emocional e<br />
criou um maior senso <strong>de</strong> urgência<br />
para o seu <strong>de</strong>senvolvimento.<br />
A opinião é <strong>de</strong> Carlos<br />
Aldan, CEO do Grupo Kronberg,<br />
consultoria focada em programas<br />
customizados para li<strong>de</strong>rança,<br />
linha <strong>de</strong> frente e vendas,<br />
tendo como base a ciência da<br />
inteligência emocional, ciência<br />
da positivida<strong>de</strong> e neurociência<br />
do aprendizado.<br />
O executivo explica que com<br />
o crescimento exponencial da<br />
tecnologia, avanços e inovações,<br />
também cresce o <strong>de</strong>sconforto<br />
emocional, assumindo<br />
proporções como ansieda<strong>de</strong> e<br />
estresse, até burnout, que, segundo<br />
ele, já atingia 70% da população<br />
no ambiente <strong>de</strong> trabalho<br />
antes da pan<strong>de</strong>mia, além <strong>de</strong><br />
<strong>de</strong>pressão e suicídio. “As previsões<br />
são <strong>de</strong> que pelo menos<br />
14% da força <strong>de</strong> trabalho global<br />
(World Economic Forum, 2020),<br />
algo em torno <strong>de</strong> 400 milhões<br />
<strong>de</strong> pessoas, terão <strong>de</strong> mudar <strong>de</strong><br />
profissão ou adquirir novas habilida<strong>de</strong>s<br />
até 2030 por causa da<br />
inteligência artificial e automação.<br />
Essas transformações, com<br />
impacto financeiro e existencial,<br />
já geravam medo, ansieda<strong>de</strong>,<br />
preocupação, incerteza, angústia<br />
e tristeza antes do novo<br />
coronavírus. Estas emoções são<br />
os principais <strong>de</strong>terminantes <strong>de</strong><br />
conflitos interiores, no trabalho,<br />
em casa e na socieda<strong>de</strong>. E<br />
a maioria das pessoas não tem<br />
ferramentas que as aju<strong>de</strong>m a<br />
lidar com conflitos nesta velocida<strong>de</strong>.<br />
Em <strong>de</strong>corrência <strong>de</strong>ssa<br />
aceleração, a mudança assume<br />
características nunca experimentadas,<br />
ao mesmo tempo e<br />
com tanta intensida<strong>de</strong>, que se<br />
torna pervasiva, permanente e<br />
exponencial”, observa.<br />
Segundo ele, a IE possui ferramentas<br />
eficazes para aumentar<br />
a tolerância às incertezas e<br />
Priscila Monaco, da Visa: ver a inteligência emocional como aliada<br />
mudanças, lidar com conflitos,<br />
proteger a saú<strong>de</strong> mental, adaptar<br />
e prosperar em ambientes<br />
“implacavelmente incertos,<br />
<strong>de</strong>sconhecidos e ambíguos”.<br />
David Braga é CEO da Prime<br />
Talent, empresa <strong>de</strong> busca e seleção<br />
<strong>de</strong> executivos <strong>de</strong> média<br />
e alta gestão. Ele também pontua<br />
a singularida<strong>de</strong> dos tempos<br />
atuais e como isso evi<strong>de</strong>ncia<br />
“Quanto mais<br />
cuidamos do lado<br />
humano e saudável<br />
das organizações,<br />
melhores<br />
resultados<br />
geramos”<br />
Juliana Gonçalves, da Royal Canin: habilida<strong>de</strong> da IE tem novo peso<br />
mohamed hassan/PxHere<br />
Fotos: Divulgação<br />
ainda mais a necessida<strong>de</strong> <strong>de</strong> IE.<br />
“Estamos numa época em que<br />
os níveis <strong>de</strong> estresse, pressão e<br />
competitivida<strong>de</strong> são cada vez<br />
maiores e saber lidar com as<br />
emoções diante das adversida<strong>de</strong>s,<br />
evitando per<strong>de</strong>r o controle,<br />
é um diferencial fundamental<br />
<strong>de</strong> pessoas bem-sucedidas.<br />
Saber gerir e enten<strong>de</strong>r o significado<br />
das emoções é muito importante,<br />
além <strong>de</strong> compreen<strong>de</strong>r<br />
como elas po<strong>de</strong>m afetar o seu<br />
<strong>de</strong>sempenho e o <strong>de</strong> outras pessoas.<br />
Carisma, força <strong>de</strong> vonta<strong>de</strong>,<br />
persuasão, facilida<strong>de</strong> <strong>de</strong> ouvir,<br />
organização, entusiasmo,<br />
<strong>de</strong>cisão, paciência e empatia<br />
são algumas características que<br />
<strong>de</strong>notam um nível mais elevado<br />
<strong>de</strong> IE”, diz.<br />
HaBILIda<strong>de</strong>-cHaVe<br />
Para diversos profissionais<br />
<strong>de</strong> gestão, RH e psicologia, ter<br />
IE hoje ganhou muito mais peso<br />
entre lí<strong>de</strong>res e seus efeitos reverberam<br />
na organização. Um<br />
dos <strong>de</strong>safios que comprovam<br />
30 <strong>1º</strong> <strong>de</strong> <strong>fevereiro</strong> <strong>de</strong> <strong>2021</strong> - jornal propmark
isso é o home office e a li<strong>de</strong>rança<br />
a distância. Aldan comenta que<br />
mesmo com as vantagens do<br />
menor tempo <strong>de</strong> <strong>de</strong>slocamento,<br />
maior tempo com a família<br />
e autonomia para a força <strong>de</strong><br />
trabalho, há a piora do <strong>de</strong>sengajamento.<br />
“Engajar a distância<br />
exige competências emocionais<br />
e interrelacionais que muitos<br />
lí<strong>de</strong>res não possuem”, diz.<br />
Empatia, confiança e um foco<br />
no autocuidado no bem-estar e<br />
apoio emocional para a força <strong>de</strong><br />
trabalho seriam os marcadores<br />
<strong>de</strong> sucesso <strong>de</strong> li<strong>de</strong>rança atualmente.<br />
“Pesquisas feitas pela<br />
Kronberg com 11.600 pessoas,<br />
<strong>de</strong> maio a <strong>de</strong>zembro <strong>de</strong> 2020,<br />
indicam que as principais emoções<br />
experimentadas têm sido<br />
ansieda<strong>de</strong>, incerteza, medo,<br />
angústia, tristeza e sauda<strong>de</strong>.<br />
Estilo <strong>de</strong> li<strong>de</strong>rança focado na<br />
empatia e apoio emocional<br />
serão continuadamente esperados<br />
pela maioria dos trabalhadores”,<br />
diz. Porém, ele frisa<br />
que essas habilida<strong>de</strong>s não são<br />
mutuamente exclu<strong>de</strong>ntes com<br />
produtivida<strong>de</strong> e <strong>de</strong>sempenho<br />
no trabalho. “Quanto mais cuidamos<br />
do lado humano e saudável<br />
das organizações, melhores<br />
resultados geramos. IE não<br />
se correlaciona com leniência,<br />
baixa performance e mau comportamento.<br />
Habilida<strong>de</strong>s <strong>de</strong> IE<br />
não encobrem erros técnicos.”<br />
aÇÕeS QUe reVerBeram<br />
Isabella Zakzuk, diretora sênior<br />
das marcas <strong>de</strong> beleza da<br />
P&G, avalia que as li<strong>de</strong>ranças<br />
que souberam aplicar IE na<br />
pan<strong>de</strong>mia ganharam <strong>de</strong>staque<br />
e foram fundamentais para<br />
atravessar tudo isso. Para ela, o<br />
primeiro passo <strong>de</strong>mandado foi<br />
a capacida<strong>de</strong> <strong>de</strong>, na impossibilida<strong>de</strong><br />
<strong>de</strong> aplicar fórmulas do<br />
passado, se colocar na posição<br />
<strong>de</strong> apren<strong>de</strong>r a como gerenciar<br />
um futuro menos previsível.<br />
“Até as li<strong>de</strong>ranças mais experientes<br />
e com maior repertório<br />
se colocaram em um momento<br />
<strong>de</strong> apren<strong>de</strong>r, e não sozinhos,<br />
mas junto com seus times, colegas<br />
e parceiros. As habilida<strong>de</strong>s<br />
<strong>de</strong> apren<strong>de</strong>r, gerenciar a<br />
própria vulnerabilida<strong>de</strong>, ser flexível<br />
e aplicar uma gestão mais<br />
humana fizeram a diferença na<br />
li<strong>de</strong>rança <strong>de</strong>ssa crise”, diz.<br />
Como exemplo ela cita o histórico<br />
na P&G, <strong>de</strong> rápido reconhecimento<br />
da crise junto com<br />
a capacida<strong>de</strong> <strong>de</strong> internalizar<br />
a necessida<strong>de</strong> <strong>de</strong> ajustes para<br />
competir no novo cenário. “A<br />
Juliana Azevedo, presi<strong>de</strong>nte da<br />
P&G Brasil, foi rápida em nos<br />
conectar e fazer um exercício<br />
para enten<strong>de</strong>r que ativida<strong>de</strong>s<br />
André Franco, da Dialog: há muitos caminhos para ajudar com IE<br />
“até as li<strong>de</strong>ranças<br />
mais experientes<br />
e com maior<br />
repertório se<br />
colocaram em<br />
um momento<br />
<strong>de</strong> apren<strong>de</strong>r”<br />
e projetos nós iríamos parar,<br />
quais iríamos continuar fazendo<br />
e quais pausar para retomar<br />
<strong>de</strong>pois. Isso fez com que o time<br />
logo internalizasse que não<br />
dava para manter as coisas da<br />
mesma forma, que seria necessário<br />
gerenciar a quantida<strong>de</strong> <strong>de</strong><br />
ativida<strong>de</strong>s em andamento, criar<br />
novas priorida<strong>de</strong>s, <strong>de</strong>sapegar<br />
<strong>de</strong> muitas coisas que funcionariam<br />
em outro contexto, mas<br />
não nesse. Além <strong>de</strong> ajudar os<br />
times para fazer essa curva <strong>de</strong><br />
forma mais rápida para que o<br />
negócio reagisse, também ajudou<br />
a todos a enxergar e conectar<br />
com nosso senso <strong>de</strong> propósito.<br />
Ampliamos doações para<br />
ajudar grupos em situação <strong>de</strong><br />
maior vulnerabilida<strong>de</strong>; e pausamos<br />
<strong>de</strong>terminados projetos,<br />
mas ativamos outros <strong>de</strong> maior<br />
importância no contexto”, diz.<br />
A Aceleradora P&G Social foi<br />
criada para receber projetos <strong>de</strong><br />
microempreendores com boas<br />
i<strong>de</strong>ias, mas não necessariamente<br />
recursos para executá-los.<br />
Esse projeto <strong>de</strong>u um gran<strong>de</strong><br />
senso <strong>de</strong> propósito e se tornou<br />
perene na P&G. “Uma ação sem<br />
inteligência emocional seria fazer<br />
negar a crise e não internalizar<br />
que ajustes são necessários.<br />
Os impactos seriam alienação<br />
dos colaboradores, questionamento<br />
sobre propósito e perda<br />
<strong>de</strong> vantagem competitiva. Sem<br />
inteligência emocional, po<strong>de</strong>ríamos<br />
ter feito as nossas marcas<br />
esfriarem na mente e no coração<br />
do consumidor, <strong>de</strong>ixado <strong>de</strong><br />
ativamente buscar um impacto<br />
positivo, perdido um espaço<br />
importante por não enten<strong>de</strong>r a<br />
responsabilida<strong>de</strong> que, como lí<strong>de</strong>res,<br />
temos na crise, e perdido<br />
a oportunida<strong>de</strong> <strong>de</strong> nos tornarmos<br />
melhores”, completa.<br />
Na VR Benefícios, João Altman,<br />
diretor-executivo <strong>de</strong> pessoas<br />
e cultura, comenta que<br />
foram feitas rodas <strong>de</strong> conversa<br />
virtuais com os funcionários,<br />
com uma consultoria especializada,<br />
sobre temas como saú<strong>de</strong><br />
emocional e trabalho, ansieda<strong>de</strong><br />
e saú<strong>de</strong> emocional e família.<br />
Além disso, os consultores <strong>de</strong><br />
RH acompanharam os lí<strong>de</strong>res<br />
para ajudá-los a lidar com as<br />
próprias questões emocionais e<br />
com as questões trazidas pelos<br />
times. Empatia, colaboração,<br />
cocriação, incertezas e estafa<br />
emocional por confinamento<br />
foram pontos mencionados.<br />
“Realizamos também um assessment<br />
<strong>de</strong>dicado à li<strong>de</strong>rança,<br />
on<strong>de</strong> a capacida<strong>de</strong> <strong>de</strong> tomada<br />
<strong>de</strong> <strong>de</strong>cisão e IE são abordados<br />
nesta análise para que planos<br />
<strong>de</strong> ação sejam traçados no <strong>de</strong>senvolvimento<br />
do lí<strong>de</strong>r. Um<br />
exemplo <strong>de</strong> ação realizada com<br />
IE foi a <strong>de</strong>cisão da empresa em<br />
não retornar ao escritório presencialmente.<br />
Isso foi baseado<br />
em dados, análises do cenário<br />
e em pesquisa interna com os<br />
colaboradores. A pan<strong>de</strong>mia humanizou<br />
pessoas e a empatia<br />
foi elevada”, diz.<br />
Diante <strong>de</strong> tudo isso, Ricardo<br />
Martins, CEO e principal estrategista<br />
da TRIWI, consultoria<br />
em marketing digital, chama<br />
Vanessa Gebrim, psicóloga: terapia é um caminho po<strong>de</strong>roso<br />
a atenção para um novo lí<strong>de</strong>r:<br />
que sabe engajar, motivar e cobrar<br />
da forma correta os projetos<br />
sem que esteja fisicamente<br />
presente. “Ele precisa enten<strong>de</strong>r<br />
este novo formato e proporcionar<br />
a sua equipe as ferramentas<br />
necessárias e a motivação para<br />
<strong>de</strong>senvolverem seus projetos.<br />
Precisa enten<strong>de</strong>r <strong>de</strong> comportamento<br />
humano e avaliar<br />
cada indivíduo <strong>de</strong> forma única.<br />
Reuniões <strong>de</strong> alinhamento<br />
e entendimento com a equipe<br />
são necessárias para enten<strong>de</strong>r<br />
e mitigar problemas comportamentais<br />
que possam surgir. A<br />
relação entre lí<strong>de</strong>res e equipe<br />
precisa ser <strong>de</strong> colaboração e<br />
compromissos dos dois lados.<br />
Tendo a IE como forma <strong>de</strong><br />
monitorar e compreen<strong>de</strong>r sentimentos<br />
<strong>de</strong> si mesmo e do outro,<br />
Grazi Piva, diretora <strong>de</strong> <strong>de</strong>senvolvimento<br />
<strong>de</strong> RH e pessoas<br />
da EDC Group, ressalta o papel<br />
do lí<strong>de</strong>r <strong>de</strong> inspirar e influenciar<br />
pela empatia. Segundo ela, lidar<br />
com essa nova rotina foi um<br />
ponto em <strong>de</strong>staque para trabalhar<br />
a resiliência e a empatia,<br />
já que é uma problemática <strong>de</strong><br />
caráter global, que afeta muito<br />
mais do que cada indivíduo<br />
vê. “As empresas conseguem<br />
avaliar isso por meio do <strong>de</strong>sempenho<br />
dos colaboradores. Com<br />
um lí<strong>de</strong>r exercendo sua capacida<strong>de</strong><br />
emocional, as empresas<br />
po<strong>de</strong>m ter resultados efetivos<br />
por meio <strong>de</strong> funcionários muito<br />
mais motivados”, afirma.<br />
como Ser eSte LÍ<strong>de</strong>r?<br />
Na avaliação dos profissionais,<br />
a IE é uma habilida<strong>de</strong> que<br />
po<strong>de</strong> e <strong>de</strong>ve ser <strong>de</strong>senvolvida: é<br />
como um músculo que se não<br />
treina, atrofia, mas, com treino,<br />
cresce e se fortalece. “Muitas<br />
vezes a inteligência emocional<br />
jornal propmark - <strong>1º</strong> <strong>de</strong> <strong>fevereiro</strong> <strong>de</strong> <strong>2021</strong> 31
mercado<br />
Fotos: Divulgação<br />
Carlos Aldan, do Grupo Kronberg: empatia é esperada Grazi Piva, da EDC Group: lí<strong>de</strong>r inspira e influencia David Braga, da Prime Talent: IE po<strong>de</strong> ser <strong>de</strong>senvolvida<br />
é vista como um rótulo ou uma<br />
característica que você tem ou<br />
não tem, mas, na verda<strong>de</strong>, a IE<br />
é, assim como qualquer habilida<strong>de</strong>,<br />
uma prática <strong>de</strong> todos os<br />
dias”, diz Isabella.<br />
A partir <strong>de</strong>ssa visão, há uma<br />
série <strong>de</strong> coisas que po<strong>de</strong>m ser<br />
feitas, tanto do lado da empresa<br />
quanto do profissional. Priscila<br />
Monaco, diretora-executiva <strong>de</strong><br />
RH da Visa do Brasil, <strong>de</strong>staca<br />
a atenção especial aos sentimentos<br />
e buscar por mais autoconhecimento<br />
para executar<br />
tarefas e contribuir com a saú<strong>de</strong><br />
mental dos times, transmitindo<br />
confiança, autocontrole,<br />
equilíbrio e empatia. Há três<br />
anos a Visa faz treinamentos <strong>de</strong><br />
negociação e IE com empresas<br />
<strong>de</strong> consultoria especializadas<br />
em <strong>de</strong>senvolvimento humano.<br />
“Também promovemos cursos<br />
<strong>de</strong> mindfulness com técnicas<br />
<strong>de</strong> meditação para atingir atenção<br />
plena e foco no presente.<br />
Oferecemos workshops em parceria<br />
com a Casa do Saber e, na<br />
pan<strong>de</strong>mia, reforçamos ativida<strong>de</strong>s<br />
nesse sentido. Tem feito a<br />
diferença e acrescentado esse<br />
olhar mais humano às nossas<br />
relações diárias.” Do outro lado,<br />
ela pontua que há a responsabilida<strong>de</strong><br />
da pessoa que preten<strong>de</strong><br />
alcançar a li<strong>de</strong>rança em “ver a<br />
IE como uma aliada”.<br />
No mesmo raciocínio, Vanessa<br />
Gebrim, psicóloga especialista<br />
em psicologia clínica pela<br />
PUC <strong>de</strong> SP, sugere o caminho da<br />
terapia para que o lí<strong>de</strong>r perceba<br />
suas emoções, saiba nomeá-las<br />
e entenda seus gatilhos, além<br />
<strong>de</strong> estar preparado para imprevistos.<br />
“Isso é visto como o fator<br />
mais importante da IE nos<br />
tempos atuais. A terapia é um<br />
caminho po<strong>de</strong>roso para ajudar<br />
“a inteligÊncia<br />
emocional é, assim<br />
como QualQuer<br />
habilida<strong>de</strong>, uma<br />
prática <strong>de</strong> todos<br />
os dias”<br />
nesse processo. A pessoa vai<br />
percebendo que tem mais jogo<br />
<strong>de</strong> cintura, que se tornou mais<br />
leve, otimista, que resolver<br />
problemas não é mais um fardo<br />
e se adaptar às mudanças faz<br />
parte da sua evolução”, explica.<br />
André Franco, CEO do Dialog,<br />
aplicativo <strong>de</strong> comunicação<br />
interna para o colaborador,<br />
acredita que essa jornada vai<br />
<strong>de</strong>s<strong>de</strong> a pessoa ter um psicólogo,<br />
para se enten<strong>de</strong>r melhor e se<br />
conhecer bem para saber on<strong>de</strong><br />
<strong>de</strong>ve melhorar, a buscar coach<br />
<strong>de</strong> treinamentos <strong>de</strong> li<strong>de</strong>ranças<br />
e cursos online, entre outros<br />
conteúdos. Sempre exercitando<br />
essa habilida<strong>de</strong>. “Gestores<br />
estão acostumados a um maior<br />
controle. Agora no home office<br />
é preciso mudar para uma gestão<br />
focada para resultados e<br />
menos para controle. Isso exige<br />
maior trabalho <strong>de</strong> IE”, afirma.<br />
Poliana Abreu, diretora <strong>de</strong><br />
marketing, conteúdo e parcerias<br />
na HSM e na SingularityU<br />
Brazil, também fala do autoconhecimento<br />
e <strong>de</strong>fen<strong>de</strong> que<br />
o mesmo esforço que os lí<strong>de</strong>res<br />
colocam para entregar resultado<br />
<strong>de</strong>veriam colocar para<br />
conhecer suas forças, seus <strong>de</strong>safios<br />
internos, sua vulnerabilida<strong>de</strong><br />
e coragem. “As habilida<strong>de</strong>s<br />
comportamentais são tão<br />
importantes quanto as técnicas.<br />
Quando um lí<strong>de</strong>r conhece<br />
a si mesmo, ele li<strong>de</strong>ra pela sua<br />
essência, pela sua força e não<br />
pelo po<strong>de</strong>r. Gosto do conceito<br />
<strong>de</strong> ‘li<strong>de</strong>rança consciente’: lí<strong>de</strong>r<br />
capaz <strong>de</strong> reconhecer e gerenciar<br />
a reativida<strong>de</strong>, reconfigurar<br />
como lida com o estresse e dúvidas<br />
pessoais.”<br />
Pamela Mariano, diretora <strong>de</strong><br />
branding e marketing da MOB,<br />
avalia que na maioria das vezes<br />
as pessoas são contratadas por<br />
suas habilida<strong>de</strong>s e <strong>de</strong>mitidas<br />
por seus comportamentos. “Os<br />
profissionais <strong>de</strong>veriam investir<br />
em autoconhecimento e IE da<br />
mesma forma que se <strong>de</strong>senvolvem<br />
e apren<strong>de</strong>m sobre finanças,<br />
novas tecnologias e mo<strong>de</strong>los<br />
<strong>de</strong> negócios, por exemplo”,<br />
diz. Do lado da empresa, ela<br />
elenca ações como instigar no<br />
lí<strong>de</strong>r a capacida<strong>de</strong> <strong>de</strong> adaptação<br />
e acompanhar <strong>de</strong> perto.<br />
“Apoio dado é apoio recebido.”<br />
Já Juliana Gonçalves, diretora<br />
<strong>de</strong> recursos humanos da<br />
Royal Canin, chama a atenção<br />
para IE como algo a ser <strong>de</strong>senvolvido<br />
por todos os profissionais,<br />
in<strong>de</strong>pen<strong>de</strong>ntemente da<br />
atuação. “Um dos aspectos é o<br />
fato <strong>de</strong> as pessoas terem mais<br />
controle do próprio tempo, da<br />
própria jornada e <strong>de</strong> todo processo<br />
emocional. Sabemos da<br />
necessida<strong>de</strong> <strong>de</strong> ter uma motivação<br />
diferente trabalhando<br />
<strong>de</strong> casa, sem estar próximo dos<br />
colegas, tendo contato do dia a<br />
dia. Nesse cenário, a inteligência<br />
emocional faz uma diferença<br />
bastante gran<strong>de</strong>”, diz.<br />
A empresa tem uma prática<br />
chamada “70, 20, 10”: 70 é porcentagem<br />
<strong>de</strong> tempo que o funcionário<br />
passa realizando suas<br />
ativida<strong>de</strong>s, projetos etc., 20%<br />
ele está apren<strong>de</strong>ndo e se <strong>de</strong>senvolvendo<br />
com lí<strong>de</strong>res e pares,<br />
e 10% com treinamentos. “A<br />
combinação <strong>de</strong> tudo isso ajuda<br />
muito no <strong>de</strong>senvolvimento.<br />
Dentro da Mars – grupo do qual<br />
a Royal Canin faz parte - temos<br />
treinamentos focados para isso,<br />
como a Mars University, que<br />
está 100% virtual e com muitos<br />
cursos que foram incluídos<br />
com foco em saú<strong>de</strong> e bem-estar,<br />
mostrando, por exemplo, a<br />
importância <strong>de</strong> engajar o time<br />
em tempos <strong>de</strong> mudança. Nesse<br />
ambiente sugerimos aos lí<strong>de</strong>res<br />
para trocarem experiências entre<br />
si, que lí<strong>de</strong>res e equipes se<br />
encontrem (online) para conversarem<br />
e manterem a convivência.<br />
É uma troca benéfica.”<br />
Braga, da Prime Talent, reflete<br />
que, <strong>de</strong> nada vale cursar a<br />
melhor universida<strong>de</strong>, se o profissional<br />
não tem empatia, não<br />
se comunica bem, trata seus<br />
li<strong>de</strong>rados <strong>de</strong> forma agressiva<br />
ou per<strong>de</strong> o controle emocional<br />
quando contrariado. “Organizações<br />
buscam mo<strong>de</strong>los mais<br />
humanizados e li<strong>de</strong>ranças capazes<br />
<strong>de</strong> lidar com equipes diversas<br />
em pensamentos, ida<strong>de</strong>s<br />
e personalida<strong>de</strong>s. Investir em<br />
autoconhecimento, ter ciência<br />
das competências e habilida<strong>de</strong>s<br />
que se <strong>de</strong>stacam e do que ainda<br />
é preciso melhorar como pessoa<br />
e profissional são pontos até<br />
mais importantes do que qualquer<br />
mestrado que se pense em<br />
fazer. Conhecimento técnico é<br />
adquirido. Por isso, empresas<br />
estão até mesmo dispostas a<br />
contratar um colaborador mediano<br />
em conhecimento técnico,<br />
mas que tenha habilida<strong>de</strong>s e<br />
competências como resiliência,<br />
gestão do tempo, sensibilida<strong>de</strong><br />
ao outro, que transite bem em<br />
variados níveis hierárquicos.”<br />
32 <strong>1º</strong> <strong>de</strong> <strong>fevereiro</strong> <strong>de</strong> <strong>2021</strong> - jornal propmark
marcas<br />
Dr. Good fortalece avanço do<br />
mercado <strong>de</strong> vitaminas em gomas<br />
Com receio <strong>de</strong> adoecer durante a pan<strong>de</strong>mia da Covid-19, brasileiro<br />
a<strong>de</strong>re ao consumo da marca, que já tem até plano <strong>de</strong> internacionalização<br />
Janaina Langsdorff<br />
marca <strong>de</strong> suplementos alimentares<br />
Dr. Good está no<br />
A<br />
mercado há pouco mais <strong>de</strong> um<br />
ano. Mas já fortalece a lista <strong>de</strong><br />
produtos nacionais com potencial<br />
para internacionalização. O<br />
plano é encampado pelo grupo<br />
espanhol Sánchez Cano, que<br />
já produz as balas Fini no Brasil.<br />
Instalada em Jundiaí (SP),<br />
a fábrica da empresa espalha<br />
as vitaminas em goma por cerca<br />
<strong>de</strong> 11 mil lojas premium das<br />
principais re<strong>de</strong>s <strong>de</strong> farmácias<br />
do país. As fronteiras <strong>de</strong>vem<br />
ser ultrapassadas ainda em<br />
<strong>2021</strong>, transformando o Brasil<br />
em matriz <strong>de</strong> exportação para<br />
suplementos vitamínicos. Os<br />
primeiros <strong>de</strong>stinos são os países<br />
da América Latina.<br />
Disposição para o crescimento<br />
não falta. Quando a marca foi<br />
lançada, no fim <strong>de</strong> 2019, as vendas<br />
giravam em torno <strong>de</strong> sete<br />
mil a <strong>de</strong>z mil potes. A partir <strong>de</strong><br />
março <strong>de</strong> 2020, a comercialização<br />
alcançou 45 mil potes e se<br />
manteve nesse patamar até o<br />
fim do ano passado. O impulso<br />
veio da Covid-19, que <strong>de</strong>spertou<br />
no brasileiro o hábito <strong>de</strong><br />
consumir vitaminas. “Com a<br />
pan<strong>de</strong>mia e a possibilida<strong>de</strong> <strong>de</strong><br />
ficar doente, as pessoas correram<br />
para buscar prevenção.<br />
Percebemos esse movimento<br />
com a alta <strong>de</strong> mais <strong>de</strong> 300% nas<br />
vendas dos produtos entre os<br />
meses <strong>de</strong> março a setembro”,<br />
explica Daniele Drumond, gerente<br />
<strong>de</strong> produto e inovação <strong>de</strong><br />
Dr. Good. Segundo a Associação<br />
Brasileira da Indústria <strong>de</strong><br />
Alimentos para Fins Especiais<br />
e Congêneres (Abiad), 70% das<br />
pessoas que passaram a ingerir<br />
suplementos alimentares preten<strong>de</strong>m<br />
manter o hábito.<br />
Com a assinatura Doctor por<br />
<strong>de</strong>ntro, good por fora, a marca<br />
conta com o trabalho da agência<br />
Fri.to para disseminar pelos<br />
canais digitais a ciência <strong>de</strong><br />
um suplemento alimentar embalado<br />
ao gosto do brasileiro.<br />
As vendas da marca Dr. Good registraram um aumento <strong>de</strong> mais <strong>de</strong> 300% entre os meses <strong>de</strong> março e setembro <strong>de</strong> 2020<br />
Daniele Drumond, gerente <strong>de</strong> produto e inovação <strong>de</strong> Dr. Good<br />
“Quisemos trazer produtos que<br />
não fossem mais um remédio”,<br />
observa Daniele. Segundo a<br />
executiva, não há planos para<br />
a abertura <strong>de</strong> lojas físicas, mas<br />
a marca quer ir além das drogarias.<br />
A goma acaba <strong>de</strong> entrar no<br />
e-commerce da re<strong>de</strong> <strong>de</strong> produtos<br />
saudáveis Mundo Ver<strong>de</strong> e<br />
em lojas especializadas do setor<br />
<strong>de</strong> suplementos. Já possui também<br />
uma operação eletrônica.<br />
“Como não se trata <strong>de</strong> remédio,<br />
po<strong>de</strong>mos estar em outros pontos<br />
<strong>de</strong> venda que apresentam<br />
busca por esse tipo <strong>de</strong> produto”,<br />
analisa Daniele.<br />
Com 11 itens, Dr. Good é<br />
parceira da DSM, referência<br />
mundial na produção <strong>de</strong> ingredientes<br />
para saú<strong>de</strong> e nutrição.<br />
“Quem consumiu o nosso<br />
produto está fi<strong>de</strong>lizando a<br />
marca”, acrescenta Daniele.<br />
Microinfluenciadores ajudaram<br />
a comunicar o lançamento da<br />
vitamina em goma ao lado da<br />
influenciadora Thais Fersoza,<br />
que foi embaixadora da marca<br />
até o fim <strong>de</strong> 2020. Um novo<br />
nome está em estudo e a marca<br />
ainda preten<strong>de</strong> se aproximar <strong>de</strong><br />
médicos e nutricionistas.<br />
Inovação, sabor e qualida<strong>de</strong><br />
são os pilares erguidos a partir<br />
<strong>de</strong> estudos baseados em players<br />
internacionais. O mercado é<br />
promissor. De acordo com a<br />
Fotos: Divulgação<br />
“Quisemos trazer<br />
produtos Que<br />
não fossem mais<br />
um remédio”<br />
Euromonitor, o consumo anual<br />
per capita <strong>de</strong> vitaminas e suplementos<br />
no Brasil foi <strong>de</strong> aproximadamente<br />
US$ 8 por habitante<br />
em 2019, enquanto nos<br />
Estados Unidos o valor atingiu<br />
cerca <strong>de</strong> US$ 90. O setor movimenta<br />
R$ 2,8 bilhões em solo<br />
nacional, consi<strong>de</strong>rando apenas<br />
o mercado <strong>de</strong> vitaminas, que<br />
cresceu quase 40% nos últimos<br />
sete anos. Estimativas da<br />
IQVIA, especializada em pesquisas<br />
clínicas, apontam para<br />
um crescimento <strong>de</strong> 5% a 8% do<br />
segmento em um cenário com<br />
a vacina contra a Covid-19, e <strong>de</strong><br />
até 12% sem a imunização da<br />
doença.<br />
jornal propmark - <strong>1º</strong> <strong>de</strong> <strong>fevereiro</strong> <strong>de</strong> <strong>2021</strong> 33
última página<br />
Unsplash<br />
pejorativamente<br />
falando<br />
Rodolfo Sampaio<br />
Esse cara nasceu com uma aptidão extraordinária<br />
para as ciências exatas. E,<br />
para estarrecimento <strong>de</strong> muitos da sua ida<strong>de</strong>,<br />
adorava estudar. Prazer era uma biblioteca<br />
cheia daqueles livros grossos, mas tão grossos<br />
que, às últimas páginas, só chegavam as traças<br />
e ele.<br />
Sempre acreditou que conhecimento po<strong>de</strong>ria<br />
mudar o mundo e queria fazer parte disso.<br />
Nem que tivesse <strong>de</strong> abrir mão das festinhas e<br />
da praia. Era branquelo e, <strong>de</strong>vido ao <strong>de</strong>sprezo<br />
pelos exercícios, tinha o corpo um tanto esquálido,<br />
pouco encantador para as meninas.<br />
Mas conseguia enxergar, por meio <strong>de</strong> complexas<br />
equações, novas realida<strong>de</strong>s, novos mundos.<br />
Usava o complexo para criar o simples.<br />
Foi estudar em uma universida<strong>de</strong> no exterior,<br />
para a qual foi aprovado entre os primeiros.<br />
Contava isso em voz baixa, tímido. Lá<br />
fora fez sucesso. Começou uma<br />
startup que hoje se transformou<br />
num gigante digital presente em<br />
vários países, inclusive no Brasil,<br />
on<strong>de</strong> se sentia na obrigação patriótica<br />
<strong>de</strong> fazer a diferença.<br />
Pejorativamente, alguns se referem<br />
a ele como nerd.<br />
Esse outro cara nasceu com<br />
intimida<strong>de</strong> com a bola. Como tantos outros<br />
garotos, sonhou com os gran<strong>de</strong>s estádios, as<br />
torcidas apaixonadas. O seu futebol era no<br />
terrão. Dividia a sua paixão com as obrigações<br />
<strong>de</strong> filho <strong>de</strong> família pobre, fazendo uns bicos<br />
pra ajudar em casa. Mas a esperança sempre<br />
embarcava com ele nos ônibus lotados a caminho<br />
das peneiras. Jogava muito, mas agarrava<br />
na tela fina <strong>de</strong> uma peneira atrás da outra,<br />
afinal, não tinha padrinho, <strong>de</strong>pendia tão<br />
somente da alegria das suas pernas. Mas um<br />
dia a sua sorte mudou. Em mais uma das peneiras,<br />
entrou e fez um golaço. Foi escolhido.<br />
Dado um passo, começava outra batalha,<br />
dos treinos distantes, da força mental <strong>de</strong><br />
menino sempre <strong>de</strong>safiada, afinal, se os que<br />
passavam na peneira eram poucos, os que<br />
seguiam adiante eram menos ainda. Mas o<br />
<strong>de</strong>stino lhe sorriu e ele conseguiu um contrato.<br />
Magrinho, mas ele ia jogar no profissional.<br />
“Sempre achei<br />
‘marqueteiro’<br />
uma palavra<br />
cheia <strong>de</strong><br />
SignificadoS<br />
negativoS”<br />
Estádio cheio, ele brilhou. Daí tudo começou<br />
a andar mais rápido.<br />
Novo contrato, novos clubes, carro novo,<br />
carro mais novo ainda, casa <strong>de</strong> bacana, casa<br />
<strong>de</strong> mais bacana ainda. Transferência pro exterior.<br />
Alegria das torcidas.<br />
Pejorativamente, alguns se referem a ele<br />
como boleiro.<br />
Esse último cara veio ao mundo com o dom<br />
para as ciências humanas. Des<strong>de</strong> pequeno,<br />
era um observador do comportamento das<br />
pessoas. Cheio <strong>de</strong> porquês, mantinha acessa<br />
uma curiosida<strong>de</strong> insaciável.<br />
Tentando achar respostas para tantas interrogações,<br />
começou a ler quem havia se<br />
<strong>de</strong>bruçado sobre o assunto. Leu filósofos,<br />
antropólogos, sociólogos. Ouviu músicas, leu<br />
poemas. Escreveu músicas e poemas, que <strong>de</strong>pois<br />
jogou fora. De tanto conviver com esses<br />
mestres, adquiriu o dom da argumentação.<br />
Cheio <strong>de</strong> assunto,<br />
carregava consigo a sedução das<br />
palavras.<br />
Ao se aprofundar no comportamento<br />
das pessoas, cruzou<br />
com o comportamento das marcas,<br />
que queriam seduzir pessoas.<br />
Mergulhou fundo nisso. Fez<br />
faculda<strong>de</strong>(s). Ampliou seu conhecimento<br />
estudando e se encantando com os<br />
cases <strong>de</strong> comunicação como tinha se encantado<br />
com as músicas e os poemas. Agregou ao<br />
seu mundo <strong>de</strong> humanas a lógica das exatas,<br />
da tecnologia, dos algoritmos, mas com a sensibilida<strong>de</strong><br />
<strong>de</strong> quem entendia as pessoas por<br />
trás dos números. Fez disso tudo sua profissão.<br />
E o sucesso foi só consequência.<br />
Pejorativamente, alguns se referem a ele<br />
como marqueteiro.<br />
Sempre achei “marqueteiro” uma palavra<br />
cheia <strong>de</strong> significados negativos, colocada nas<br />
manchetes com tudo que é tipo <strong>de</strong> maracutaia.<br />
Culpa <strong>de</strong> alguns marqueteiros políticos<br />
mal-intencionados, sem dúvida. Mas, na hora<br />
da generalização, é pejorativa para tantas e<br />
tantas pessoas incríveis que trabalham com<br />
marketing, em todas as suas vertentes, inclusive<br />
nós, publicitários.<br />
Rodolfo Sampaio é sócio e CCO da Moma<br />
rodolfo@momapro.com.br<br />
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