2021 Gorongosa Destaques
2021 Gorongosa Destaques
2021 Gorongosa Destaques
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2021
© Piotr Naskrecki
www.gorongosa.org
A Nossa Gorongosa - Juntos somos mais fortes
Conteúdo
Valores e Missão dos funcionários do Projecto da Gorongosa 3
Mensagem do Administrador do Parque 4
Em foco 6
Mapa do Projecto da Gorongosa e das suas intervenções 8
Paz no nosso Tempo 10
Os Nossos Objectivos 12
Os Nossos Parceiros 13
Gorongosa - um Parque dos Direitos Humanos 14
Programas da Gorongosa 16
Perfis 40
Como colaborar 43
Reverenciamos a Terra e
o milagre da evolução da
vida. Procuramos proteger
todas as espécies nativas
e manter todas as funções
ecológicas dentro de um
ecossistema alargado e
intacto da Gorongosa.
Valores e Missão dos
funcionários do Projecto da Gorongosa
1 2 3 4 5 6
Acreditamos que todas as
pessoas têm direito a meios
de subsistência suficientes e
à preservação da sua cultura
para viver uma
vida digna.
Procuramos catalisar uma
economia verde através do
desenvolvimento sustentável
que irá simultaneamente
proteger o ecossistema
alargado da Gorongosa e
ajudar as famílias a
aumentarem os seus
rendimentos.
7
Acreditamos na igualdade
de género e trabalhamos
para capacitar todas as
mulheres e raparigas para
que tenham plena
participação na
sociedade.
Para conseguir tudo isto, nós, os funcionários do Projecto da
Gorongosa, comprometemo-nos a 100% de honestidade no local de
trabalho. Prometemos trabalhar todos os dias com eficiência e dar o melhor
da nossa capacidade e ajudar os nossos colegas a fazer o mesmo.
Apoiamos uma educação
inclusiva e de qualidade
e promovemos
oportunidades de
aprendizagem ao longo
da vida para todos.
Alinhamos os objetivos
do nosso Projecto com os
planos dos governos locais,
a política nacional de
Moçambique e as metas de
Desenvolvimento
Sustentável das Nações
Unidas.
2 3
© Brett Kuxhausen
Mensagem do Administrador do Parque
Pedro Muagura
2021 foi um ano de muitas emoções para o Projecto da Gorongosa. O COVID-19 estendeu-se até este ano e
continuou a afectar muitas das nossas actividades no Parque, particularmente no turismo e nos nossos
departamentos de desenvolvimento humano e sustentável que trabalham directamente com as comunidades
locais.
Numa nota mais positiva, gostaria de estender os meus sinceros agradecimentos pela boa colaboração
governamental a nível central, provincial e distrital. Juntos, estamos a proteger a biodiversidade e a desenvolver
as comunidades ao redor do Parque. Este ano mostrou mais uma vez que o reflorestamento é uma missão
imperativa para todos os cidadãos, em escolas, igrejas, vilas e cidades. Agradeço também aos trabalhadores
de todos os departamentos do Parque, pela dedicação dos funcionários demonstrada durante um ano tão
complicado.
© Augusto Bila
O Projecto da Gorongosa trabalha com as direções
nacionais e representantes distritais do Governo
Central de Moçambique (Ministério da Terra e
Ambiente, Ministério da Saúde, Ministério da
Educação e Desenvolvimento Humano, Ministério
da Agricultura e Desenvolvimento Rural, Ministério
do Mar, Águas Interiores e Pescas , Ministério da
Cultura e Turismo e outros). Trabalhamos com líderes
tradicionais “régulos” comunitários (uma estrutura
de governação tradicional) por meio dos Comités de
Gestão de Recursos Naturais.
Colaboramos com a ONU Habitat, a Cruz Vermelha
e o Programa Mundial de Alimentos. Recebemos
apoio e aconselhamento de parceiros como USAID,
Irish Aid, Noruega, Canadá, Portugal, UE, HHMI e
muitos mais. Trabalhamos em investigação científica
com mais de trinta universidades ao redor do mundo,
incluindo a Universidade Eduardo Mondlane,
UniLúrio, Unizambeze, ISPM, Universidade de
Lisboa, Universidade de Oxford, Universidade de
Princeton e muitas mais.
Por último, é com grande satisfação que dirijo uma
calorosa saudação aos nossos doadores e parceiros
amigos da Gorongosa, porque sem eles este processo
integrado de proteção e desenvolvimento não seria
possível.
Permitam-me destacar algumas actividades-chave das quais temos muito orgulho:
■■
Reintrodução de mais leopardos no Parque Nacional da Gorongosa e doação de mabecos ao Malawi,
marcos históricos na vida do Parque Nacional da Gorongosa;
■■
Criação de Áreas de Conservação Comunitária na Zona de Desenvolvimento Sustentável do Parque nos
distritos de Dondo, Nhamatanda e Cheringoma, o que mais uma vez mostra o interesse do Parque, da
Administração Nacional de Áreas de Conservação (ANAC) e do Ministério da Terra e Ambiente na
descentralização da conservação da biodiversidade e na criação de sustentabilidade e resiliência de nossas
■■
comunidades para enfrentar novos desafios ambientais; e
Construção de infraestruturas resilientes nas comunidades ao redor do Parque.
“Sempre pronto para conservar o meio ambiente!”
4
Pedro Muagura
5
© Rocky Barker
Pedro Muagura
Em foco
Eventos notáveis
A taxa de vacinação dos funcionários da Gorongosa
aproxima-se dos 100%
O COVID continua a ser um sério desafio para a
saúde ao longo de 2021. A nossa equipa de saúde
continuou a trabalhar com as comunidades para
ajudar a reduzir a transmissão e retardar a
propagação da doença. No Parque, quase todos os
funcionários, liderados pelos Fiscais da Gorongosa,
foram vacinados contra o COVID.
■■
O Parque da Gorongosa é a primeira área de
conservação a receber o “Selo Limpo e Seguro”
em Moçambique. O selo, concedido em Julho de
2021, faz parte de uma fiscalização nacional para
garantir aos visitantes que uma atração turística
ou hotel cumpre com as normas nacionais de
■■
■■
■■
saúde e segurança.
Os funcionários do Parque da Gorongosa estão
a fazer a sua parte para controlar e erradicar o
COVID-19. Mais de 248 pessoas foram vacinadas
no primeiro dia do programa de vacinação.
A Equipa de Saúde do Parque da Gorongosa
aumentou o acesso à água potável e reforçou os
padrões de saneamento no início da pandemia.
Equipas em furos de água forneceram produtos
de higiene e distribuíram 30.000 máscaras faciais
para prevenir a propagação.
O Ministro da Saúde de Moçambique, Professor
Dr. Armindo Tiago, visitou o Parque da Gorongosa.
Publicação de “Montane to Mangrove”
A monumental tese de 1977 do Dr. Ken Tinley
“Enquadramento do Ecossistema da Gorongosa” foi
publicada como um livro “Montane to Mangrove”
por Hamilton-Fynch. O livro de grande formato com
396 páginas captura o texto original e os seus gráficos
primorosamente desenhados. O livro está disponível
por US $150,00, excluindo custos de envio, via
pedido para megancarolla@gmail.com
Reconhecimento internacional em 2021
■■
A Dra. Susana Carvalho, paleoantropóloga, está a estudar a evolução dos primatas no Parque da
Gorongosa. Em 2021, ela foi reconhecida pelo seu excelente trabalho de investigação com uma bolsa
de meio de carreira da British Academy, que a capacitará a aprofundar a sua investigação sobre o nosso
passado distante.
■■
Dominique Gonçalves foi selecionada como uma “WILD Innovator” e recebeu uma bolsa de dois anos de
$100.000 da Wild Elements.
■■
A Dra. Tina Lüdecke, geoquímica do Projecto Paleo-Primata na Gorongosa, recebeu uma bolsa de € 1,3
milhões da Fundação Alemã de Pesquisa (DFG) para pesquisar a evolução do consumo de carne em
ancestrais humanos.
Global Biofest 2021
Fiscais em parques de todo o mundo enfrentam perigos todos os dias. Eles lutam, geralmente com recursos
limitados, para conter a caça furtiva e proteger a vida selvagem que ainda resta. Fiscais e especialistas em
conservação da vida selvagem de todo o mundo passaram o Dia Mundial dos Fiscais numa conferência via
Zoom no dia 31 de Julho. A veterinária Dra. Mércia Ângela e dois Fiscais da Gorongosa - Helton Chuva e
Maria Faife - compartilharam as suas histórias, desafios e as suas vitórias durante um período de 24 horas que
celebrou virtualmente o Dia Mundial dos Fiscais de Floresta e Fauna Bravia. O evento fez parte do Global
Biofest 2021 e reconheceu os fiscais e o papel que desempenham na proteção do nosso meio ambiente.
Exportação de café
Os Produtos Naturais da Gorongosa exportaram seis toneladas de café verde em grão para os Estados Unidos
e está a caminho de começar a vender para a Nespresso. Trabalhando com os parceiros comerciais “Bean
There” e “Nando’s South Africa”, a Produtos Naturais também exportou o seu primeiro lote de grãos de café
verde para a África do Sul.
Filmes em destaque
Vários filmes sobre o Parque Nacional da Gorongosa foram destacados durante 2021. Dois dos mais notáveis
foram:
■ ■ “Gorongosa: Renascimento do Paraíso” (uma coprodução entre a National Geographic e a Gorongosa
Media) estreou no National Geographic Channel International e National Geographic Wild em Novembro
6 7
© Piotr Naskrecki
© Paola Bouley
© Greg Carr
■ ■
de 2021
“A Nossa Gorongosa - Um Parque para o Povo”, um filme premiado produzido pela Gorongosa Media e
Tangled Bank Studios do Howard Hughes Medical Institute.
Educação
A USAID e a Carr Foundation prometeram, cada uma, 9 milhões de dólares Americanos ao longo de
cinco a sete anos para a reabilitação ou construção de infraestruturas locais resilientes, incluindo 40 escolas e
unidades de saúde na zona de desenvolvimento sustentável. Os projectos do sector da educação incluem o
projecto PEACE (Paz através da Acção Económica e Empoderamento das Comunidades), e os Clubes da Paz.
Caia
ZIMBÁBUE
Zambezi River
Pungue River
MOÇAMBIQUE
Beira
Oceano Índico
Mapa do Projecto da Gorongosa
e das suas intervenções
Um objectivo de longo prazo do Projecto da Gorongosa é estender a proteção
até ao Oceano Índico, através da Reserva Nacional de Marromeu, até aos
mangais do delta do rio Zambeze.
No final de 2020, assinámos um Memorando de Entendimento com a ANAC
(Administração Nacional de Áreas de Conservação), com validade até 31 de
Dezembro de 2021, para estabelecer cooperação na gestão da Reserva
Nacional de Marromeu. Desde a assinatura do Memorando de Entendimento,
temos vindo a recolher informações sobre a Reserva de Marromeu, o Delta do
Zambeze e os mangais em geral. A nossa equipa avaliou recentemente o
estado desta proposta de expansão do Parque Nacional da Gorongosa.
Decidimos não renovar este acordo para Marromeu porque esta área, ao
contrário do que inicialmente pensávamos, é, em certa medida, auto
protegida devido às condições inóspitas criadas pelos seus pântanos. Em
contraste, enfrentamos pressões agudas na Serra da Gorongosa e em outras
partes do Parque e da Zona de Desenvolvimento Sustentável. Expandir-nos
nesta fase pode comprometer os sucessos já alcançados e comprometer o
progresso futuro.
Coffee
Viveiro da Cascata
Plantações "Coffee Lodge"
de Café
Plantações de Café
EN1
Vila Gorongosa
Parque Nacional da Gorongosa
"Inselbergs"
Floresta Tropical da Serra da Gorongosa
Créditos de Carbono
"Inselbergs"
"Inselbergs"
Grande Vale do Rift
"Inselbergs"
"Inselbergs"
Fábricas de Café e Caju
de Mapombué
EN1
Floresta das Falésias Calcárias
Zona de Desenvolvimento Sustentável
Grande Vale do Rift
Grutas de Codzo
Floresta Sustentável
Inhaminga
Floresta de solo arenoso de Inhamitanga
Coutada 12 - Conversão para Parque Nacional em processo
Área de Conservação Comunitária
Floresta Sustentável
Coutada de Caça
Rio Zambeze
Marromeu
Reserva Nacional Marromeu
ÁFRICA
DO SUL
Isto não quer dizer que os mangais do delta não sejam imensamente
importantes. A visão de “Montane to Mangrove” ainda é muito relevante para
o futuro.
Legenda
Rio Pungue
Centro de Educação
Comunitária
O Laboratório de
Biodiversidade E.O. Wilson
Portão Principal
(Panga Panga)
Miradouro do Sungué
Casa dos Leões
Muzimu
Lago Urema
Chitengo
Miradouro dos Hipopótamos
Muanza
Área de Safari de Caça Dambwere-Mgalamo
© Elizabeth Shrier, Wild Elements
8
Clínica
Ponto de interesse
Proposta de instalação de turismo
Instalação turística
Escola
Capital do distrito
Blocos de concessão florestal
Assentamento
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ESCALA
Área de Conservação Comunitária
EN6
0 5 10 20 30 40 50 quilómetro
Parque Nacional da Gorongosa
Zona de Desenvolvimento Sustentável
9
Paz no nosso Tempo
Projecto PEACE (Paz através da
Acção Económica e
Empoderamento das
Comunidades)
O governo do Canadá comprometeu-se com 5
milhões de dólares Canadianos para apoiar ao longo
de cinco anos o combate à pobreza e aumentar o
acesso a serviços sociais básicos, incluindo cuidados
de saúde e educação - com um forte enfoque nas
mulheres e raparigas - nas comunidades vizinhas da
Gorongosa.
A iniciativa, liderada pela Secretária de Estado em
Sofala, Stella Novo Zeca, e pela Alta-Comissária
Canadiana, Caroline Delany, foi lançada em
Setembro de 2021.
“Se quer acabar com a guerra, em vez
de enviar armas, envie livros. Em vez
de enviar tanques, envie canetas. Em
vez de enviar soldados, envie
professores.”
Malala Yousafzai (Nobel Peace Laureate).
© Janado Nazare Cher
© Janado Nazare Cher © Janado Nazare Cher
Clubes da Paz
A 6 de Maio de 2021, membros do Governo de Moçambique e do partido político da oposição RENAMO
juntaram-se a parceiros internacionais e dirigentes do Parque Nacional das Gorongosa para o lançamento da
iniciativa Clubes da Paz, financiada pelo Governo Português.
O Projecto da Gorongosa trabalhou com as comunidades vizinhas do Parque durante mais de uma
década para construir uma relação sólida e sólida. É essa relação que permite às nossas equipas auxiliar na
reintegração de ex-combatentes na sociedade. Os Clubes da Paz oferecem programas de alfabetização e
outros programas de educação para crianças, jovens e adultos e são um passo importante no processo de
construção da paz.
Com o tempo, os ex-combatentes e as suas famílias irão participar em outros programas oferecidos pelo
Parque Nacional da Gorongosa, incluindo cuidados de saúde e actividades agrícolas sustentáveis, como o
cultivo do café, caju e produção de mel da Gorongosa.
“As trevas não podem expulsar as trevas: só a luz pode fazer isso.
O ódio não pode expulsar o ódio: só o amor pode fazer isso.”
Martin Luther King Jr.
10
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Os Nossos Objectivos
Projecto da Gorongosa
O Projecto da Gorongosa reconhece que a conservação ambiental, especialmente em África, só é possível
através do desenvolvimento socioeconómico das comunidades que conduza a uma saída da pobreza. Para
este fim, o Projecto formulou uma série de objetivos:
■■
■■
■■
Melhorar a capacidade do Projecto da Gorongosa para preservar, proteger e gerir os diversos ecossistemas
do Parque. Os biólogos reconhecem que a região alargada da Gorongosa é uma das áreas com maior
biodiversidade do mundo.
Aumentar a compreensão científica e a tomada de decisões de gestão dos diversos ecossistemas da região
alargada Gorongosa - bacias hidrográficas, biomas terrestres e marinhos, áreas agrícolas sustentáveis e
florestas geridas de forma sustentável - para maximizar a biodiversidade a longo prazo e o uso sustentável
da terra para criar uma economia verde que permita que as comunidades da região escapem à pobreza.
Fornecer melhor prestação e acesso a serviços de saúde e educação melhorada, tanto na sala de aula
quanto depois da escola; e, apoiar a educação cívica para a participação local no planeamento
comunitário e resiliência a desastres em colaboração com os respectivos Ministérios Moçambicanos.
Temos um forte foco na expansão da participação de raparigas e mulheres e em oportunidades de
liderança em todas as áreas.
■■
Apoiar o crescimento urbano equilibrado nas vilas ao redor dos limites do Parque, construindo /
reabilitando escolas, clínicas de saúde e bibliotecas públicas que possam ser um refúgio seguro. Incentivamos
e capacitamos os nossos funcionários a serem membros das comunidades e a trabalharem com as
autoridades locais no planeamento local. As práticas do conhecimento tradicional também são
consideradas em todo o processo. Todas estas iniciativas estão alinhadas com as prioridades dos governos
distritais. Além disso, o Projecto da Gorongosa e o Presidente do Município da Vila da Gorongosa
assinaram um Memorando de Entendimento onde estas iniciativas serão testadas. Juntos, o Projecto da
Gorongosa e a Vila da Gorongosa irão construir e colocar em prática o conceito de Vila Modelo para
Moçambique.
■■
■■
■■
Promover o desenvolvimento económico sustentável para as mulheres e homens que vivem na Zona de
Desenvolvimento Sustentável de 600.000 hectares do Parque da Gorongosa (a ser expandido em breve).
Apoiamos a agricultura em pequena escala, a agricultura comercial, o emprego em fábricas de
processamento agrícola, o ecoturismo e o emprego na construção. Uma variedade de oportunidades de
emprego no Parque existe em silvicultura, ciência, administração e conservação.
Tornar-se uma organização baseada em dados que fornece supervisão e controles operacionais, técnicos e
financeiros para todos os departamentos do Projecto. Todos os projectos implementam o monitoramento
do programa, avaliação, processos de aprendizagem (MEL) e fornecem “feedback” para a gestão do
Projecto, o Governo de Moçambique e todas os parceiros e doadores.
Criar educação e apoio local, nacional e internacional para os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável
das Nações Unidas e, em particular, o modelo da Gorongosa de conservação e desenvolvimento
integrado, que aborda todos os 17 objectivos. Contribuem para esses objectivos a criação de filmes,
programas de televisão, curtas-metragens, sites e redes sociais em vários idiomas como meio de
disseminar amplamente o conhecimento do Projecto.
© João Fernandes © Elizabeth Shrier, Wild Elements
Os Nossos Parceiros
O Projecto da Gorongosa trabalha com os ministérios
do Governo de Moçambique da Terra e Ambiente,
Saúde, Educação e Desenvolvimento Humano,
Agricultura e Desenvolvimento Rural, Cultura e
Turismo, incluindo as direções provinciais e distritais
de Sofala para cada ministério. Trabalhamos com
líderes tradicionais, “régulos” comunitários (uma
estrutura de governação tradicional) por meio de
Comités de Recursos Naturais.
O Projecto da Gorongosa recebe apoio e
aconselhamento de parceiros como Irish Aid,
USAID, Norwegian Embassy, Canada, European
Union, Howard Hughes Medical institute, OAK
Foundation, Global Environment Facility, United
Nations Development Programme, Rainforest Trust,
UK Aid, The Food and Agriculture Organization of
the United Nations, Camões, Schweizerische
Eidgenossenschaft, The Wildcat Foundation, National
Geographic, Zooboise, Earthranger e os membros do
Clube Empresarial da Gorongosa (por favor ver na
última página).
Os cientistas do Projecto também se envolvem em
investigações com mais de trinta universidades ao
redor do mundo, incluindo a Universidade Eduardo
Mondlane, UniLúrio, Unizambeze, ISPM,
Universidade de Lisboa, Universidade de Oxford,
Universidade de Princeton e muitas mais por favor
ver na última página deste relatório.
Os nossos programas também são apoiados por
tecnologia e aconselhamento da National Geographic,
da ESRI - a principal empresa de GIS, e da Vulcan,
Inc., uma empresa filantrópica de capital privado
com forte foco em questões ambientais globais.
12 13
© Piotr Nascrecki
Gorongosa - um
Parque dos Direitos
Humanos
O Projecto da Gorongosa tem como objectivo
garantir que 50% dos nossos colaboradores sejam
mulheres até ao ano 2025.
As mulheres realizam a maior parte do trabalho
doméstico não remunerado na Província de Sofala.
Os preconceitos inconscientes moldam a nossa
compreensão de quem merece ser contratado,
treinado e promovido. Portanto, fazemos um esforço
extra para contratar mulheres. Nos últimos anos,
contratamos e treinamos as primeiras mulheres fiscais
e guias de turismo no Parque. Pelo menos metade
dos nossos cientistas e estudantes de ciências são
mulheres.
Na Zona de Desenvolvimento Sustentável, conforme
descrito na secção de Desenvolvimento Humano,
trabalhamos com o Governo de Moçambique para
melhorar o acesso aos cuidados de saúde para
mulheres, através de Clubes de Raparigas após
as aulas que ajudam a manter as adolescentes na
escola e fora do casamento infantil. Nas zonas
rurais de Moçambique, quase metade de todas as
mulheres têm o primeiro filho antes dos 18 anos.
Apenas uma em cada 10 jovens conclui o ensino
secundário. Estamos a avançar no melhoramento
destas estatísticas, em prol de vidas mais saudáveis e
de maiores oportunidades para as mulheres.
© Augusto Bila
© Elizabeth Shrier, Wild Elements © Elizabeth Shrier, Wild Elements
Igualdade de género e respeito pelas comunidades tradicionais
Para citar a campanha mundial de “Girls’ Rising”: “Quando as raparigas são valorizadas e educadas, elas
tornam-se mulheres mais saudáveis, têm menos filhos, ganham mais, defendem os seus direitos e educam
os seus filhos e filhas de forma igual. As famílias prosperam e as comunidades, nações e o mundo ficam mais
saudáveis, mais seguros e mais prósperos”. É o melhor investimento que podemos fazer.
Historicamente, os parques nacionais não respeitaram os direitos e necessidades das comunidades
tradicionais que compartilham o ecossistema. As comunidades locais muitas vezes arcaram com os custos das
oportunidades perdidas por não serem capazes de usar a terra para suas machambas.
Criámos um novo programa “Homens pela Igualdade” com o objectivo de promover o respeito, a diversidade
e a inclusão em relação à igualdade de género e direitos humanos entre homens e mulheres no PNG e na
Zona de Desenvolvimento Sustentável.
O Parque Nacional da Gorongosa pretende ser um parque de direitos humanos, motivado pelas palavras da
falecida Wangari Maathai, a renomada activista social, ambiental e política Queniana e a primeira mulher
Africana a ganhar o Prémio Nobel que disse:
“Fui inspirada por um banco tradicional africano que tem três pernas e uma bacia para sentar. Para mim, as
três pernas representam os três pilares essenciais de sociedades justas e estáveis. A primeira perna representa
um espaço democrático, onde os direitos são respeitados, sejam eles direitos humanos, direitos das mulheres,
direitos da criança ou direitos ambientais. A segunda representa gestão e recursos sustentáveis e equitativos. E
a terceira representa as culturas de paz que são deliberadamente cultivadas nas comunidades e nas nações. A
bacia, ou assento, representa a sociedade e suas perspectivas de desenvolvimento. A menos que as três pernas
estejam no lugar, apoiando o assento, nenhuma sociedade pode prosperar.”
“A igualdade de género é mais do que um objectivo em si mesmo. É uma
condição prévia para enfrentar o desafio de reduzir a pobreza, promover o
desenvolvimento sustentável e construir uma boa governação.”
Kofi Annan
14 15
Programas da Gorongosa
O Projecto da Gorongosa cumpre a sua missão através de 50 programas que se enquadram em oito
departamentos. Cada programa é liderado por um gestor e tem uma missão, orçamento, actividades,
produtos, resultados e impactos. A missão de cada programa está alinhada com a política do Governo de
Moçambique aos níveis nacional, provincial, distrital e local. A posição do Administrador do Parque é
definida na legislação Moçambicana. O Administrador conecta o Projecto à Administração Nacional de Áreas
de Conservação, participa das suas reuniões e alinha os esforços do Parque com a política do Ministério da
Terra e Ambiente. Em todos os níveis de governo, mantemos contacto com outros ministérios, incluindo
Educação, Saúde e Agricultura, conforme apropriado. O organigrama do Projecto mostra um Departamento
de Relações com Parceiros e Doadores que apoia o Administrador do Parque, uma vez que facilita o
alinhamento das políticas provinciais, distritais e locais do governo com os objectivos do Projecto da Gorongosa.
Temos um contrato de gestão conjunta com o Governo de Moçambique, pelo que os nossos objectivos são os
mesmos.
Administrador do Parque
Pedro Muagura
Departamentos
Conservação
Angelo Levi
Ciências
Marc Stalmans
Desenvolvimento
Humano
Elisa Langa
Conselho Legal
Katia Tourais Jussub
Desenvolvimento
Sustentável
Marisa Rodrigues
Finanças e
Administração
Mike Marchington
O Governo de Moçambique
ANAC
Comité de Supervisão
Administrador do Parque
Pedro Muagura
Operações
Bastiaan Boon
Relações com Parceiros
e Doadores
Aurora Malene
Comunicação
Vasco Galante
Florestas e Acção
Climática
Anthony and Patricia
White
Conservação
Angelo Levi
Ciências
Marc Stalmans
Desenvolvimento Humano
Elisa Langa
Desenvolvimento Sustentável
Marisa Rodrigues
Finanças e Administração
Mike Marchington
Operações
Bastiaan Boon
Comunicação
Vasco Galante
Florestas e Acção Climática
Anthony and Patricia White
Relação com Autoridades
Provinciais e Distritais
Fiscalização
Serviços Veterinários
Coexistência Seres
Humanos/Fauna Bravia,
Integridade Ecossistema
Laboratório E.P.Wilson -
Exploração da Biodiversidade
Monitoria Ecológica
Bioeducação
Ecologia de Elefantes
Gestão de Dados
Geográficos
Parceiros de Pesquisa
Paleontologia
Ecologia
Clima
Educação
Clubes de Professores
Clubes de Raparigas
Clubes da Gorongosa
Clubes de Jovens
Saúde
APE / Brigadas Móveis
WaSH (Água e Saneamento)
Mães Modelo / Matronas
Género
Homens pela Igualdade
Clubes da Paz
Relações Comunitárias
CBNRM
Educação para a Conservação
Coexistência Seres Humanos/
Fauna Bravia, Prevenção
Co-Gestão de Áreas de
Conservação Comunitária
Agricultores Emergentes
Cadeia de Valor Agricultura
Café
Caju
Mel
Piscicultura
Igualdade de Género
Funcionários e
Beneficiários
Relações externas
Gestão de Programas
Finanças
Recursos Humanos
Serviços Legais
Serviços Administrativos
Aquisição de Negócios
Ecoturismo
Planeamento Logístico
Serviços de TI para toda a
Organização
Compras
Serviços Técnicos
Gestão de Frota / Aviação
Infraestruturas do Parque /
Estradas
Infraestruturas Resiliente e
Vilas Sustentáveis
Relações Públicas
Media
Gestão de Florestas para a
Biodiversidade e
Corredores de Fauna
Bravia
Produtos Florestais
Madeireiros e não-
Madeireiros
Reflorestamento e
Regeneração Natural
16 17
© Brett Kuxhausen
Conservação
O Departamento de Conservação supervisiona a
implementação de acções de gestão baseadas em
dados em todas as áreas naturais protegidas e em
torno do Parque. Todos os programas do
Departamento - Fiscalização, Gestão da Fauna
Bravia e Integridade do Ecossistema - estão focados
em resultados fortes e mensuráveis que garantem a
protecção contínua da preciosa biodiversidade do
Parque da Gorongosa.
Crescimento populacional da vida selvagem
A nossa contagem aérea mais recente da fauna bravia em 2020 confirmou um aumento espetacular nas
populações de grandes mamíferos com mais de 100.000 animais contados - incluindo 1.200 búfalos, quase
1.000 elefantes e um grande número de outros mamíferos. Nos cursos de água e pântanos, contamos 750
hipopótamos e 2.700 crocodilos.
Proteção e reabilitação de pangolins
Continuamos a reabilitar pangolins traficados e entregues voluntariamente ao Parque por comunidades e
indivíduos antes de devolvê-los à natureza. Os pangolins são os animais mais traficados em todo o mundo,
principalmente com destino aos mercados asiáticos. Em 2021, um total de 13 pangolins foram recuperados do
tráfico ilegal e dois foram entregues voluntariamente pelas comunidades locais.
Os nossos programas principais incluem:
■■
Fiscalização - uma equipa de mais de 300
homens e mulheres fiscais que servem em mais
de 12.000 km 2 da área alargada da Gorongosa;
■■
Gestão da Fauna Bravia - esta equipa é
responsável pelo monitoramento de espécies
protegidas e supervisão das reintroduções de
■■
■■
■■
mabecos, pangolins, leopardos e outras espécies;
Treinamento de veterinários de fauna bravia,
fiscais e envolvimento em parcerias de formação
em leis de conservação com advogados,
promotores e membros do orgãos judiciais.
Equipes de Integridade do Ecossistema e
Coexistência Seres Humanos/Fauna Bravia
supervisionam parcerias e projectos comunitários
que usam estratégias como cercas de colmeias,
celeiros à prova de elefantes e currais à prova de
predadores para contribuir para uma
coexistência saudável entre seres humanos e
animais selvagens.
A tecnologia de conservação inclui ferramentas
de ponta de teste de campo e integração de
vários conjuntos de dados em todos os nossos
programas para gestão de parques em tempo
real usando EarthRanger da Vulcan e análises do
software Tableau.
© Elizabeth Shrier, Wild Elements
© João Fernandes
Mabecos
Os mabecos, estão criticamente ameaçados, e acredita-se que não cheguem a mais de 7.000 em toda a
África. As primeiras reintroduções dos mabecos no Parque da Gorongosa ocorreram em 2018 e 2019, com
mais nove em 2021. Todos vieram da África do Sul, graças ao apoio do Endangered Wildlife Trust (EWT). O
Parque ofereceu três jovens mabecos ao vizinho Malawi, especificamente para a Reserva Majete, onde os
mabecos estiveram ausentes durante três décadas. Cinquenta e três filhotes nasceram no Parque este ano,
elevando nossa população total para 123.
Fiscalização
Muito do trabalho de conservação no Parque Nacional da Gorongosa depende da Fiscalização. Liderada por
Moçambicanos, o Tsuere Buramo (Chefe da Fiscalização) e o piloto-fiscal Alfredo Matevele (Chefe-adjunto
da Fiscalização), os fiscais da Gorongosa são uma equipa de mais de 300 homens e mulheres, formados em
conservação e direitos humanos como fiscais de fauna bravia. Vários de nossos melhores fiscais participam de
treinamento avançado no exterior. Vários foram premiados com prémios locais e nacionais pelos seus serviços
excepcionais.
Os fiscais da Gorongosa patrulham mais de 11.900 km 2 de habitat ao longo do Parque, incluindo uma área
adicional adjacente ao Rio Zambeze a norte do Parque (desde 2018), e a Zona de Desenvolvimento
Sustentável circundante. Os nossos esforços continuam a expandir-se para incluir várias áreas adjacentes ao
Parque como parte de uma visão de longo prazo para estender os corredores de fauna bravia da “Serra até aos
Mangais” como um mosaico constituído por Parque, áreas de conservação comunitária e florestas sustentáveis.
Muitos fiscais da Gorongosa são oriundos das comunidades que servem e ajudam a estabelecer uma confiança
a longo prazo mobilizando líderes locais e educando as comunidades locais. Em Março de 2019, os fiscais da
Gorongosa estiveram entre os primeiros a chegar às comunidades inundadas para fornecer comida e apoio
médico às famílias afectadas pelo Ciclone Idai.
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Reintrodução de Leopardos
Elusivos e tímidos, ágeis, móveis e muito poderosos, os leopardos têm a mais ampla tolerância de habitat de
todas as espécies da família dos felinos. Os leopardos são predadores de excelência e uma componente vital
do ecossistema. Até agora, reintroduzimos cinco leopardos, quatro fêmeas e um macho, graças a uma grande
colaboração entre o Projecto da Gorongosa, a Wildlife Vets-SA e a Agência de Turismo e Parques de Mpumulanga.
Formação
■■
Seleção e treinamento de mais de 31 novos fiscais (três mulheres), seis cursos de actualização, um curso
de líder de patrulha e dois cursos sobre o comportamento de animais perigosos; e
■■
Dois cursos de capacitação sobre maneio de cenas de crimes ambientais. Os participantes incluíram
magistrados judiciais, procuradores, directores do SERNIC (Serviço Nacional de Investigação Criminal),
comandantes da PRM (Polícia da República de Moçambique) e fiscais da Gorongosa.
Actividades de Campo
■■
Oitocentos e trinta patrulhas, 203 detenções e o confisco de 12 armas de fogo, 236 armadilhas, 1.603
cabos de aço e um veículo.
■■
Quarenta e cinco traficantes encontrados na posse de animais vivos e produtos de espécies protegidas,
foram detidos nas províncias de Sofala, Manica e Tete.
■■
Vinte e quatro traficantes de marfim, 20 traficantes de pangolins e um traficante de pele de leopardo
foram processados.
Coexistência Seres Humanos– Fauna Bravia
Os agricultores de subsistência podem perder toda a colheita de uma época inteira, principalmente devido
aos elefantes. As cercas de colmeias têm 90% de sucesso na proteção de plantações e elefantes, e a colocação
de placas de metal nos pontos de passagem ajuda a garantir uma coexistência pacífica. As cercas para
colmeias têm a vantagem adicional de fornecer receitas para a comunidade por meio da colheita de mel.
Algumas das nossas conquistas para reduzir o conflito seres humanos-fauna bravia durante 2021 incluem a
construção de:
■■
Cento e cinquenta celeiros melhorados à prova de elefantes.
■■
Vinte e sete currais melhorados à prova de predadores,
■■
Cercas de colmeias melhoradas, usando chapas de aço zincadas, em zonas de passagem de elefantes.
Estas estratégias estão a trazer resultados positivos com uma redução significativa de travessias de elefantes em
áreas agrícolas.
Investigação sobre Abutres
Embora os abutres desempenhem um papel crítico nos ecossistemas, eles correm o risco, fora das áreas
protegidas, de envenenamento e colheita de partes do corpo de abutres para uso na medicina tradicional. As
nossas equipas de investigação - trabalham com alunos da Universidade de Boise nos Estados Unidos, que
fazem parceria connosco no estudos sobre estas aves.
© Elizabeth Shrier, Wild Elements © Elizabeth Shrier, Wild Elements
20 21
© Elizabeth Shrier, Wild Elements
Ciência
A ciência gera as informações necessárias para a
conservação a longo prazo da área alargada da
Gorongosa e o desenvolvimento sustentável da sua
Zona de Desenvolvimento Sustentável. A ciência em
si não aborda imediatamente as ameaças e as
mudanças na paisagem. No entanto, sem as
informações e avaliações correctas, as intervenções
dos outros departamentos do Projecto podem não
ser definidas ou direcionadas adequadamente, e seu
resultado e eficácia serão desconhecidos. A
investigação baseada em suposições e a
monitorização permitem ao Projecto da Gorongosa
ajustar as suas acções.
Antes do início das actividades da ciência no Projecto
em 2006, pouco se sabia sobre a biodiversidade da
Gorongosa com excepção dos grandes mamíferos e
das aves mais carismáticas. O que se sabia sobre seu
funcionamento ecológico foi baseado no excelente
estudo ecológico do ecossistema de Ken Tinley, na
década de 1970. Desde então, no entanto, muita
coisa mudou neste ambiente dinâmico. As mudanças
no uso da terra na Zona de Desenvolvimento
Sustentável são profundas, e novas ferramentas
científicas, técnicas e teorias estão agora disponíveis e
acessíveis.
As três principais esferas de actividades científicas no
Projecto da Gorongosa são:
■■
Acumular conhecimento
■■
Monitorar a mudança
■■
Desenvolver a capacidade científica Moçambicana.
Estas esferas são implementadas por meio de sete
programas científicos principais, interligadas e que se
apoiam mutuamente. Cada programa é realizado por
meio de nossa própria equipa em parceria com uma
ampla gama de investigadores e instituições externas.
O Laboratório de Biodiversidade E.O. Wilson
O Laboratório de Biodiversidade E.O. Wilson em
Chitengo é a instalação física e a área central por
meio do qual muitos e diferentes programas de
ciências são ministrados. Considerando a expansão
das actividades do Projecto da Gorongosa através da
paisagem mais ampla, desde a Serra da Gorongosa
até as florestas de solo de areia da Coutada 12, será
importante estabelecer instalações científicas-satélite
adicionais.
Contagem de aves no Lago Urema
Uma terceira pesquisa de monitoria da colónia das
grandes aves aquáticas no Lago Urema foi realizada
pelas nossas equipas de Serviços Científicos e Turismo
durante o mês de Março. Juntos, esta equipa de campo
contou um total de 4.382 ninhos pertencentes a
nove espécies. Os ninhos de cegonha-de-bico-aberto
aumentaram 45% em relação à contagem de Abril de
2019 e representaram a espécie com maior número.
Os ninhos de cegonha-de-bico-amarelo aumentaram
para 1.281 (equivalendo a 2.562 aves - excedendo
em muito o limite de 1% de RAMSAR para zonas
húmidas de importância internacional na África
Subsaariana.
Licença de capitão de barco
Dois membros da equipa efectuaram o treinamento
em Março para a licença de capitão de barco, que
lhes permite pilotar pequenos barcos nos canais
aquáticos do Parque. Celina Dias qualificou-se como
a primeira “skipper” feminina (“marinheira”) do
Projecto da Gorongosa.
Bolsas do Projeto “Half Earth”
Financiamento do projecto inaugural “Half-Earth
Fellowship” em Taxonomia e Exploração da
Biodiversidade, permitiu a dois jovens botânicos
Moçambicanos a formação em técnicas de colheita
de plantas e herbário. Dois especialistas do Jardim
Botânico de Meise em Bruxelas, na Bélgica, passaram
um mês no Parque com os dois botânicos.
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© Elizabeth Shrier, Wild Elements
© PPPG © Jason Denlinger
Laboratório novo
O novo “laboratório ambiental” foi inaugurado a 17 de Setembro de 2021 pelo Ministro do Ambiente e Ação
Climática de Portugal. O laboratório foi construído com o apoio financeiro do Fundo Ambiental do Governo
Português. Estudantes, investigadores externos e funcionários agora podem conduzir experiências de cultivo de
plantas e criação de insectos em temperaturas “normais”. Existe também uma sala especial que permite a
experimentação com morcegos.
Explorando um passado muito distante
O Grande Vale do Rift de África, uma das fontes mais importantes de vestígios de fósseis humanos, atravessa
o coração do Parque Nacional da Gorongosa. A mata densa torna as pistas fósseis difíceis de encontrar, mas a
inteligência artificial e imagens de satélite são utilizadas pela equipa paleontológica da Gorongosa composta
por Susana Carvalho, João d’Oliveira Coelho e Robert L. Anémone, para detectar potenciais sítios fósseis.
A Dra. Susana Carvalho, paleoantropóloga, está a estudar a evolução dos primatas no Parque da Gorongosa.
Em 2021, os seus notáveis esforços de investigação foram reconhecidos quando ela recebeu o prémio
“Midcareer Fellowship da British Academy” para capacitá-la a aprofundar a sua investigação sobre o nosso
passado distante.
A Dra. Tina Lüdecke, geoquímica do Projecto Paleo-Primata no Parque da Gorongosa, recebeu uma bolsa de
€ 1,3 milhões da Fundação Alemã de Pesquisa (DFG) para pesquisas adicionais sobre a evolução do consumo
de carne em ancestrais humanos.
Estudantes de Mestrado em Biologia de Conservação
Doze alunos de Mestrado em Biologia da Conservação (6 homens e 6 mulheres), continuam a efectuar as suas
pesquisas de tese durante o segundo e último ano do programa. Vários destes alunos estão a concentrar-se em
experiências e interacções a longo prazo de vegetação, fogo e herbívoros nas proximidades de Chitengo.
Colocação de coleiras em elefantes
Dominique Gonçalves, gestora da Ecologia dos Elefantes, recolocou coleiras em oito fêmeas líderes no Parque
com a ajuda dos veterinários do Parque e de outros especialistas. Mais quatro elefantes receberam coleiras,
incluindo vários invasores de plantações na Zona de Desenvolvimento Sustentável. Pela primeira vez, seis
elefantes também receberam coleiras no complexo de Marromeu.
“A menos que a humanidade aprenda muito mais sobre a biodiversidade
global e se mova rapidamente para a proteger, em breve perderemos a
maioria das espécies que compõem a vida na Terra.”
E. O. Wilson
Desenvolvimento Humano
O Departamento de Desenvolvimento Humano concentra-se em melhorar o bem-estar das comunidades da
Zona de Desenvolvimento Sustentável.
Educação
O sector de Educação tem actualmente quatro programas:
■■
Clubes da Gorongosa
■■
Clubes de Raparigas
■■
Clubes de Professores
■■
Clubes de Jovens
© Brett Kuxhausen
Apoio às escolas
Existem 110 escolas primárias e seis escolas secundárias
na actual Zona de Desenvolvimento Sustentável. Várias
incluem centros de educação de ensino à distância. O
sector de Educação do Projecto da Gorongosa está a
trabalhar no sentido de ter uma presença activa nestas
escolas, proporcionando actividades extracurriculares
e melhorando as infraestruturas. A nossa meta nos
próximos cinco anos é expandir os clubes e programas
para todas as 110 escolas na actual Zona de
Desenvolvimento Sustentável e para escolas adicionais
na Zona de Desenvolvimento Sustentável expandida.
Estes clubes melhoram as habilidades de professores, crianças e jovens, apoiando projectos que estendem sua
vida escolar ao:
■■
Apresentar às raparigas empregos em bio educação, turismo e apicultura;
■■
Projectar os jovens a importância das florestas por meio do Projecto “Plantar o Futuro”; e
■■
Apoiar famílias de ex-combatentes da RENAMO enquanto eles se reintegram nas comunidades locais por
meio dos Clubes da Paz.
O Projecto da Gorongosa criou as condições que permitiram o lançamento dos Clubes da Gorongosa na
escola primária (mistos de rapazes e raparigas e apoio aos professores) durante 2021. Os clubes pré-escolares
serão lançados durante 2022. Estes clubes criam espaços seguros onde os jovens em idade escolar podem
aprender e praticar habilidades para a vida, exercer liderança, melhorar as suas capacidades de leitura e
escrita, perceber os seus direitos humanos e aumentar os seus conhecimentos sobre biodiversidade,
conservação e questões ambientais locais. Estes programas também evitam que as raparigas se casem
prematuramente e engravidem precocemente e dão-lhes a oportunidade de terminar a escola.
“Apenas comprometendo metade da superfície do
planeta para a natureza podemos esperar salvar a imensidão
de formas de vida que o compõem.”
E. O. Wilson
© Elizabeth Shrier, Wild Elements
As Maratonas Académicas em escolas secundárias
estimulam nos alunos a paixão pela leitura e escrita
e envolvem-nos em actividades académicas onde
podem explorar e enriquecer os seus conhecimentos
sobre conservação e meio ambiente.
Uma cerimónia de premiação para os alunos que
ganharam as Maratonas Académicas de Escolas
Secundárias Gerais foram realizadas no final do ano.
As escolas participantes incluíram Eduardo Mondlane,
Cristo Rei e Nelson Mandela no Distrito da Gorongosa,
e os vencedores dos distritos de Nhamatanda e
Cheringoma.
Além dos programas para crianças, a capacidade dos
professores foi melhorada em 2021, graças ao apoio
da União Europeia, USAID e Irlanda. O nosso objectivo,
por meio destes clubes e trabalhando com funcionários
locais na educação, é melhorar a experiência educacional
de quase 40.000 crianças. Um dos nossos parceiros, a
USAID, prometeu doar 9 milhões de dólares Americanos,
que serão igualados pela Carr Foundation e usados
para construir ou reabilitar cerca de 40 escolas, clínicas
de saúde e bibliotecas públicas em municípios próximos
na Zona de Desenvolvimento Sustentável do Parque.
A construção ou reabilitação destas unidades de
infraestrutura social obedecerá aos padrões de
segurança e códigos de construção para resistir aos
perigos naturais mais comuns e fornecer espaços
seguros para os membros das comunidades durante
uma emergência.
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© Elizabeth Shrier, Wild Elements
Clubes de Jovens
Durante 2021, o programa de Clubes de Jovens do
Parque Nacional da Gorongosa estabeleceu 10 clubes
de jovens em funcionamento em escolas secundárias
em três distritos, Gorongosa, Nhamatanda e
Cheringoma. Os Clubes de Jovens são apoiados pela
União Europeia. Estes clubes aumentam a
consciencialização sobre as opções de carreira após a
escola secundária e incentivam os jovens a investirem
em actividades de trabalho autónomo
(empreendedorismo). Fazemos isto por meio de
capacitação técnica que os auxilia a lançar os seus
próprios projectos de geração de renda, como
alfaiataria, revenda de mercadorias, avicultura,
criação de animais, horticultura, carpintaria, culinária
e soldagem. Os Clubes de Jovens também promovem
palestras sobre saúde reprodutiva, direitos humanos,
cidadania e conservação da biodiversidade.
Aprendizagem básica dos Clubes de Raparigas
Os materiais educacionais produzidos para os Clubes
de Raparigas no ano anterior foram elaborados
para apoiar uma série de habilidades básicas de
aprendizagem, como alfabetização, matemática,
coordenação motora, memória, conclusão visual,
comunicação e habilidades sociais. Estes materiais
também criam uma oportunidade para as raparigas
aprenderem mais sobre fauna bravia e oportunidades
de carreira resultantes da educação. Produzido em
unidades de 1.000, os materiais permitem um amplo
alcance. O currículo de habilidades para a vida para
raparigas, desenvolvido em parceria com a “Grassroot
Soccer” ajudou os formadores a ganhar experiência na
aplicação do currículo de habilidades para a vida. No
momento estamos a trabalhar em 89 clubes (3,560
raparigas), nos seis distritos de Gorongosa, Nhamatanda,
Cheringoma, Dondo, Maringué e Muanza.
© Elizabeth Shrier, Wild Elements
© Janado Nazare Cher Cher © Janado Nazare Cher Cher
Clubes de Professores
Os Clubes de Professores estabeleceram parcerias com os três institutos de formação de professores em
Sofala e realizaram “workshops” para mais de 600 professores, cerca de 30% sendo mulheres. Os professores
foram formados em diversos temas relacionados com metodologias participativas conducentes à melhoria
dos processos de ensino e aprendizagem. Isso incluiu, mas não se limitou, a produção de material didático
usando recursos locais, criação de ambientes de aprendizagem atraentes e amigáveis nas escolas, bem como
pedagogia com perspectiva de género. O programa também promoveu concursos profissionais para motivar os
professores, com base na sua competência, evolução do desempenho e aprendizagem infantil.
Clubes da Gorongosa
A iniciativa dos Clubes da Gorongosa é um programa de educação actualmente implementado em cinco
escolas primárias do Distrito da Gorongosa na Zona de Desenvolvimento Sustentável. Este programa apoia
alunos com baixo desempenho académico nas escolas primárias, por meio de aulas correctivas implementadas
como parte de intervenções extracurriculares. Os clubes também apoiam a gestão escolar por meio do reforço
das intervenções do conselho escolar e da sua capacitação.
Em 2021, cerca de 650 alunos com baixo desempenho académico participaram de aulas de reforço e mais
de 300 apresentaram melhoria no seu desempenho. O nosso objectivo é tornar a escola um espaço mais
positivo e atraente para as crianças, usando actividades desportivas e culturais para criar um ambiente de
aprendizagem mais “divertido”.
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Saúde
O sector de Saúde possui três programas:
■■
Agentes Comunitários de Saúde / Brigadas Móveis (APEs)
■■
Água e Saneamento (WaSH)
■■
Mães Modelo / Matronas (TBA’s).
Estes programas são colaborativos com o Ministério da Saúde de Moçambique. Por exemplo, a Brigada Móvel
fornece apoio financeiro e logístico às autoridades distritais de saúde para estender os serviços de saúde
primária às comunidades rurais. Os serviços oferecidos incluem tratamento para doenças comuns (diarreia,
malária, infeções respiratórias), testes para infeções sexualmente transmissíveis e HIV / SIDA, planeamento
familiar, cuidados pré-natais e pós-natais, suplementação de vitamina A, monitoramento do crescimento,
diagnóstico e outros cuidados e tratamento conforme necessário.
Agentes Comunitários de Saúde / Brigadas Móveis (APEs)
As Brigadas Móveis e Agentes Comunitários de Saúde (APE) vacinaram cerca de 9.450 crianças; 6.142 dos
quais eram raparigas com menos de cinco anos de idade. Cerca de 13.218 casais foram aconselhados com
uma das várias opções de planeamento familiar disponíveis em Cheringoma (1.080), Gorongosa (8.876),
Muanza (905), Nhamatanda (2.357).
Durante 2021, 210 Agentes Comunitários de Saúde de Muanza, Cheringoma, Nhamatanda e Gorongosa
foram formados em upSCALE, uma plataforma digital de recolha de dados utilizada pelo Ministério da Saúde
para melhorar a qualidade do atendimento e flexibilizar a recolha de dados.
© Juma Matsinhe
© Juma Matsinhe
Mães Modelo (MMs) e Matronas (TBAs)
Os programas de Mães Modelo e Matronas continuaram
a apoiar as mulheres e crianças, ensinando às mães
mais jovens hábitos alimentares saudáveis e os
benefícios do parto institucional. O programa de
atendimento pré-natal encaminhou 6.209 gestantes
aos centros de saúde para atendimento complementar,
como suplementação nutricional e acompanhamento
da gestação. As mulheres que frequentam cuidados
pré-natais têm maior probabilidade de continuar
com o planeamento familiar após o parto e reduzir
o risco de morte materna e infantil. As voluntárias
Mães Modelo e Matronas trabalharam com quase
3.000 mulheres que tiveram partos institucionais na
Zona de Desenvolvimento Sustentável do Parque. As
Hortas Escolares foram introduzidas em cinco escolas
primárias no Distrito de Gorongosa: Nhambita,
Samora Machel, Madzimachena, Nhamussongora
e Matacamachaua. Cinquenta e sete professores e
4.186 alunos participaram do programa que visava
melhorar a nutrição como forma de elevar o
desempenho académico.
WASH – Água e Saneamento
O programa Água e Saneamento (WaSH) reabilitou
77 sistemas de água escolar e furos em cinco distritos
de Cheringoma, Gorongosa, Maringue, Muanza e
Nhamatanda que fornecem água potável para cerca
de 14.500 alunos, dos quais 6.479 são raparigas.
Frequentemente, as raparigas faltam à escola durante
o período menstrual devido à falta de água e este
programa melhorou a frequência escolar.
© Jen Guyton
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Relações Comunitárias
Programa Educação para conservação
O Programa de Educação para a Conservação é um
programa de mudança de comportamento que
incentiva as comunidades em torno do Parque
Nacional da Gorongosa a adoptarem comportamento
que beneficiam tanto a natureza como as pessoas. O
objectivo desse programa é inspirar crianças e adultos
a adoptarem as melhores práticas que irão reduzir ou
acabar com o desmatamento, preservar áreas naturais
e conservar espécies, ao mesmo tempo que
contribuem para o bem-estar das comunidades.
Múltiplas estratégias são usadas para envolver diversos
grupos para atingir os nossos objectivos. Os clubes
ambientais são o foco principal e incluem:
■■
Consciencializar sobre as questões ambientais
e motivar as pessoas a administrar seus recursos
de maneira sustentável e serem pró-activos nas
iniciativas ambientais e promover a conservação
■■
■■
da biodiversidade;
Criar grupos de jovens e adultos capazes de
ensinar sobre o valor e como proteger a
natureza; e
Promover a adopção de comportamentos
alinhados com práticas ambientais sustentáveis.
Os Clubes Ambientais da Zona de Desenvolvimento
Sustentável são estabelecidos em escolas primárias
e compostos por 15 rapazes e 15 raparigas de 3ª a
7ª classe e assistidas por dois professores voluntários
(feminino e masculino).
© Brett Kuxhausen
© Brett Kuxhausen © Brett Kuxhausen
Gestão e Governação de Recursos Naturais com Base na Comunidade
Concentra-se em três áreas específicas:
■■
Desenvolvimento institucional comunitário e governação que se centra no estabelecimento, capacitação e
gestão de instituições ou organizações de base comunitária, incluindo líderes comunitários e
representantes do governo distrital;
■■
Gestão de recursos naturais sustentáveis com base na comunidade, com foco no estabelecimento de áreas
administradas pela comunidade, garantia da posse da terra, restauração da paisagem e
■■
Igualdade de Género.
A Gestão de Recursos Naturais com Base na Comunidade é uma abordagem holística e centrada nas pessoas
que vincula conservação com a melhoria dos meios de subsistência e garante que todas as nossas actividades
apoiem as metas de conservação estabelecidas pelo Plano de Maneio do Parque.
A Visão e a Estratégia a 30 anos do Parque Nacional da Gorongosa reconhece que as necessidades e
aspirações das pessoas que vivem na Zona de Desenvolvimento Sustentável devem ser consideradas para que
os objectivos de conservação do Parque sejam alcançados. Portanto, o Projecto da Gorongosa tem um
mandato duplo de conservação da biodiversidade e desenvolvimento humano. O pressuposto básico -
apoiado pela ciência e pelos 15 anos de experiência do Projecto - é que a conservação é uma dinâmica
humana e da natureza que só pode ser eficaz se tratada de forma holística.
Esta abordagem centrada nas pessoas integra a conservação dos recursos naturais e o desenvolvimento para
superar a pobreza, a fome e as doenças. Reconhece a interdependência do meio ambiente e das comunidades
locais, reconhecendo que todos fazem parte do ecossistema.
Um conceito-chave é o empoderamento das comunidades locais que vivem na Zona de Desenvolvimento
Sustentável para governar os seus recursos naturais - e por meio dessa auto governação empoderada, criar
estruturas sustentáveis e de apoio, e benefícios de desenvolvimento a longo prazo. A relação estreita e de
confiança construída pela equipa de Relações Comunitárias promove uma discussão sobre mudanças de atitude
e práticas relacionadas ao empoderamento de raparigas e mulheres nas comunidades locais. As mulheres estão
sempre incluídas nos Comités de Recursos Naturais e na tomada de decisões.
“O respeito pelo meio ambiente e ro espeito pelo que ocorria naturalmente
na natureza: esse foi o alicerce de todos os povos originários. Harmonia,
coexistência, não conquista e conquistar.”
L. A. Banks
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Desenvolvimento Sustentável
O Projecto da Gorongosa está comprometido com o tipo de desenvolvimento sustentável que garante a
sobrevivência a longo prazo da sociedade humana e dos recursos naturais, garantindo que os meios de
subsistência sejam melhorados sem esgotar os recursos naturais.
Café
O projecto do café na Serra da Gorongosa, integrado com o nosso programa de restauração da floresta
tropical, tem tido sucesso. As nossas combinações exclusivas de café Arábica de origem única; “Girls Run the
World”, “Speak for the Trees”, “Lion’s Blend” e “Elephants Never Forget”, estão agora disponíveis em mais de
50 países com os EUA e o Reino Unido como principais distribuidores.
O projecto do café criou 400 empregos adicionais. Os agricultores de café locais plantaram mais de 600.000
árvores em 2021 - um aumento de dez vezes em relação aos anos anteriores - e colheram 105.210kgs de
grãos de café verde em 2021. Mais de 800 famílias locais estão agora a cultivar café.
■■
Os Produtos Naturais da Gorongosa exportaram seis toneladas de café verde em grão para o mercado dos
Estados Unidos e estamos a caminho de começar a vender para a Nespresso.
■■
Uma linha de café torrado e mel lançada para o mercado nacional vem apresentando aumento de 60%
nas vendas desde o início de 2021 em relação ao mesmo período de 2020.
Os Produtos Naturais da Gorongosa apostam também na melhoria dos processos internos que permitem à
empresa responder às necessidades do mercado de uma forma mais eficiente através de um novo sistema
de acompanhamento e aprovisionamento de inventário, e de uma nova torrefatora com maior capacidade
e qualidade. Os Produtos Naturais da Gorongosa, em parceria com os parceiros comerciais “Bean There” e
“Nando’s South Africa”, exportaram para a África do Sul o seu primeiro lote de café verde.
Projecto Caju
O programa do caju da Gorongosa construiu mais três viveiros para minimizar os danos e a desidratação
durante o transporte das mudas para as machambas. Estes estão localizados em pontos estratégicas de
Mazamba em Cheringoma, Bebedo em Nhamatanda e no Dondo.
■■
Cada viveiro tem capacidade para 7 mil mudas.
■■
■■
■■
■■
Quinhentos hectares foram garantidos como campos de demonstração para os agricultores locais no Dondo.
A equipa do sector do caju conduziu 22 sessões de treinamento em cobertura, 10 sessões em consórcio e
cinco sessões em colheita de caju de qualidade como uma forma de garantir a produtividade e a
qualidade do caju.
Um total de 3.803 (920 mulheres) pequenos agricultores foi alcançado com as sessões em todo o distrito.
Este ano o Parque trabalhou com 7.000 famílias na Zona de Desenvolvimento Sustentável, na qual esses
agricultores ganharam um total de MZM 1.800.000,00 (28.125 dólares Americanos) com a venda de
castanhas de caju cruas.
© Brett Kuxhausen © Meghan Hemstra
© Brett Kuxhausen
Peixes fantásticos
Dois tanques modelo e 17 criadores de peixes
aspirantes estiveram no centro do projecto de
piscicultura em 2021, seguido pela construção de um
terceiro tanque. Os gestores do projectos de peixes
preveem colher duas toneladas de peixes dos
tanques.
O processo começou em cooperação com os
Serviços de Actividades Económicas do governo
Distrito da Gorongosa na Zona de Desenvolvimento
Sustentável do. As reuniões foram realizadas no posto
administrativo, envolvendo lideranças locais, para
seleção dos primeiros 17 beneficiários (9 homens e
8 mulheres). Isto permitiu a formação do grupo de
beneficiários na construção de três tanques modelo
no posto administrativo de Vunduzi.
Para garantir a sustentabilidade, o projecto está a
treinar membros da comunidade na produção de
rações usando recursos locais. Esta proteína valiosa
aumentará a nutrição local, bem como criará um
fluxo de renda para os piscicultores locais. O ciclo de
produção dura seis meses, desde a maturação até ao
início das primeiras vendas nos pontos de venda de
peixe das vilas e cidades mais próximas.
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Empreendedorismo Social
O programa de inclusão financeira é baseado em três
pilares:
■■
Grupos de poupança
■■
Literacia financeira
■■
Redes de serviços financeiros formais.
Em 2021, o primeiro ano do programa, 13 grupos de
poupança compostos por 316 membros da
comunidade, (171 mulheres e 145 homens), foram
formados nos três postos administrativos do distrito
da Gorongosa.
Mel e Certificações
O projecto do mel da Gorongosa apoia actualmente
mais de 400 apicultores na Zona de Desenvolvimento
Sustentável, tornando a produção sustentável de mel
e geração de renda possível através do apoio directo
a colmeias melhoradas, assistência técnica e produtos
de garantia de mercado. Em 2021, mais de 900 novas
colmeias foram distribuídas e instaladas na Zona de
Desenvolvimento Sustentável. Hoje, o projecto do
mel está em processo de certificação orgânica que
garante a comercialização do nosso mel na Europa e
América, agregando valor e melhorando os meios de
subsistência.
Artesanato
O artesanato tem o potencial de atingir um mercado
turístico lucrativo, o que aumenta os benefícios
decorrentes de nossos programas nas comunidades
interessadas. As actividades artesanais são divididas
em:
■■
Cestaria
■■
Corte e costura
■■
Cerâmica
■■
Escultura.
© Augusto Billa
© Brett Kuxhausen
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© Elizabeth Shrier, Wild Elements
Media
“Gorongosa: Rebirth of Paradise” (uma co-produção entre a National Geographic e a Gorongosa Media Team)
estreou no National Geographic Channel International e National Geographic Wild em Novembro de 2021 no
âmbito da “Wild Africa Week”. O filme apresenta muitas novas histórias da Gorongosa e funcionários-chave
do projecto - do passado e do presente - incluindo Mércia Ângela, Dominique Gonçalves, Jen Guyton, Greg
Carr, Paola Bouley e muitos outros.
O Parque Nacional da Gorongosa acolheu em 2021 várias produtoras internacionais como a BBC e a Nova
Productions que filmaram para futuros projectos de televisão e a Gorongosa Media fez parceria com a Seeker
para fazer um filme sobre o projecto do café. Seeker é uma das marcas científicas mais populares nas redes
sociais / digitais: mais de 50 milhões de visualizações mensais, a editora científica nº 1 mais envolvente nas
redes sociais; 5 marcas de ciência e tecnologia mais vistas nas redes sociais; Empresa nº 1 de media científica
e tecnológica no TikTok. O Projecto da Gorongosa foi mencionado como um estudo de caso no novo Kit de
Ferramentas e Mapa de Histórias da “Parceria de Gestão Colaborativa” do Banco Mundial.
A NOVA, exibida pela PBS, é a série científica do horário nobre mais assistida na televisão nos Estados
Unidos, atingindo uma média de cinco milhões de telespectadores por semana. “Nature’s Fear Factor” - uma
produção do HHMI Tangled Bank Studios - apresentou a reintrodução de mabecos no Parque Nacional da
Gorongosa e foi repetido nacionalmente no PBS em Setembro de 2021. A NOVA juntou-se a uma equipa de
cientistas da Gorongosa enquanto reintroduziam este predador de topo no Parque num esforço para restaurar
o equilíbrio de um ecossistema dizimado pela guerra. O filme ganhou a categoria de Melhor Filme Científico e
Natureza no Jackson Wild Festival e foi indicado para o Emmy na categoria “Melhor Programa de Natureza”.
“A Nossa Gorongosa - Um Parque para o Povo” é um filme premiado produzido pela Gorongosa Media e
Tangled Bank Studios do Howard Hughes Medical Institute. Ele destaca a importância da educação das
raparigas e os benefícios de vincular a conservação e o desenvolvimento humano. Este ano, “A Nossa
Gorongosa” foi exibido no PBS World Channel nos EUA, começando em Junho e numa série de simpósios
importantes, incluindo o Congresso de Conservação Mundial da IUCN no final do ano. O filme será
apresentado em eventos importantes e influentes, como o Earth Optimism e a Convenção sobre Diversidade
Biológica.
“Filmes sobre vida selvagem podem inspirar e mobilizar as pessoas.
Em particular, eles encorajam as pessoas a conservar. Para apreciar a vida
selvagem e falar abertamente contra questões
ambientais induzidas pelo homem.”
Rouxne van der Westhuizen
Operações
2021 foi mais um ano de crescimento para o Projecto da Gorongosa e isto reflecte-se na reestruturação do
Departamento de Operações com serviços a serem prestados através de dois departamentos diferentes, o
Departamento de Operações e o Departamento de Finanças e Administração.
Esses departamentos visam fornecer o mais alto nível de serviços essenciais para a organização em toda a sua
área de operações.
Temos o prazer de anunciar a nomeação do Sr. Bastiaan Boon, para a posição de Director de Operações.
O Departamento de Operações continua a fornecer um conjunto completo de serviços técnicos e de
infraestruturas para a organização, além de supervisionar todos os serviços da cadeia de suprimentos da
organização.
O Departamento está a crescer rapidamente para apoiar a adição de centros regionais em Muanza e
Inhaminga e também para apoiar a implementação do “Projecto de Infraestrutura Resiliente” financiado pela
USAID, bem como a iniciativa “Vilas Modelo” que visa contribuir para a urbanização melhorada de Vila da
Gorongosa, Inhaminga e Muanza.
Recursos Humanos
A equipa de recursos humanos da Gorongosa contratou um total de 239 novos funcionários (48 mulheres e
191 homens) em 2021. Hoje, 884 funcionários (864 nacionais; 20 internacionais) trabalham em sete
departamentos diferentes.
“O maior orgulho da nossa empresa é ter uma equipa com profissionais de todo o país e do mundo, que tem os
nossos sonhos e servem com a maior paixão para torná-los realidade. Gostaríamos de aproveitar a oportunidade
para agradecer a todos e cada um dos colaboradores pela dedicação e empenho, pois o seu empenho é
fundamental para que os nossos objectivos sejam alcançados.“
Infraestruturas
O Projecto Gorongosa está a trabalhar numa série de projectos de infraestruturas resilientes ao clima e
relacionadas com as comunidades na Zona de Desenvolvimento Sustentável e dentro dos acampamentos do
Parque. A equipa de operações concluiu os seguintes projectos principais:
■■
Três tanques de piscicultura para o desenvolvimento sustentável;
■■
Principais acessos rodoviários em Mapombwe, Canda e Tambarara;
■■
Construção de laboratório de torrefação de controle de qualidade de café;
■■
Uma nova clínica e cantina científica em Chitengo;
■■
Um dormitório do Departamento de Desenvolvimento Humano em Canda;
■■
Construção de seis salas de actividades dos Clubes da Gorongosa;
■■
Melhoria nas instalações de gestão de resíduos no nosso Centro de Educação Comunitária e em Chitengo; e
■■
Instalação de oito sistemas de furos de água para a equipa de Fiscalização.
© Janado Nazare Cher
© Gorongosa Media
© Gorongosa Media
Florestas e Acção Climática
Este departamento foi estabelecido no final de 2021
e seu plano mestre de gestão florestal visa introduzir
práticas florestais sustentáveis no Corredor
Muanza-Inhaminga. O plano mestre aborda o uso
sustentável de 200.000 hectares no corredor. O
plano foi formulado em consulta com as partes
interessadas: comunidades e líderes locais, comités
de gestão de recursos naturais e concessionários
florestais.
O plano analisa a situação actual dos fragmentos de
floresta no corredor e formula estratégias de maneio
para permitir a tomada de decisões informadas sobre
a utilização da floresta e a mitigação de ameaças.
Para este fim, foi testado um sistema de gravação
de código de barras que permite o rastreamento da
madeira desde a fonte até ao processamento.
Larissa Sousa, como uma das “Changemakers”
Moçambicanas, representou o Parque em diversos
eventos em campanhas organizadas pelo Alto
Comissariado Britânico em Maputo, a respeito da
Conferência COP26 das Nações Unidas sobre
Mudanças Climáticas UK-2021. Estes eventos incluíram
conferências virtuais, programas de TV (em Media Mais
TV), programas de rádio e actividades de campo para
atingir os objectivos da COP26
Objectivos da COP26
■■
Para aumentar a ambição global e os compromissos
a longo prazo de governos e empresas;
■■
Promover ações climáticas positivas tomadas por
empresas e governos, incluindo eventos como
■■
■■
painéis de discussão ou webinars;
Promover a colaboração com actores não
governamentais, como sociedade civil, terceiro
sector, juventude, comunidades, parceiros,
influenciadores ou outros parceiros; e
Promover a inclusão e a diversidade na COP26.
36 37
Finanças
O turismo global foi fortemente impactado pelo COVID. No entanto, a época turística da Gorongosa
começou com várias actividades emocionantes, incluindo safaris guiados, safaris a pé, passeios na Serra da
Gorongosa e visitas ao projecto “Café da Gorongosa”, passeios de bicicleta, visitas a comunidades locais,
passeios de barco e canoa no Lago Urema e aventuras de observação de aves. Os rendimentos gerados pelos
visitantes do Parque criam empregos locais, constroem escolas e apoiam programas de educação, saúde e
formação, tornando o Projecto da Gorongosa uma verdadeira iniciativa de desenvolvimento cooperativo. O
Montebelo Gorongosa Lodge está a reabilitar as suas instalações e será reaberto em 2022. O desenvolvimento
do luxuoso acampamento de tendas Muzimu do Parque continua, com a sua inauguração oficial prevista para
2023. O nosso sempre popular acampamento volante (Fly-camp), oferece uma verdadeira experiência na
selva, e será reaberto em 2022.
O departamento adicionou recursos para garantir que a gestão de Acordos de Cooperação e Concessões
seja do mais alto padrão. Neste sentido, temos o prazer de anunciar a nomeação do Sr. Simião Mahumana
como Director do Gabinete de Programas. Sob a direção de Simião, este Gabinete planeia nomear gestores
de subsídios e impactos adicionais para fortalecer a gestão dos subsídios. A implantação de uma plataforma
de gestão de conhecimento totalmente integrada que fornece gestão de programas abrangente e funções de
monitoramento e avaliação também será implementada durante 2022.
Receitas 2021 (arredondado)
Cooperação
Bi/Multilateral
com Parceiros
Rendas do Turismo
43%
1%
Clube Empresarial da Gorongosa
56%
Fundação,
Filantropia,
Doações
DESPESAS 2021
Administrador do Parque
Ciência
Agricultura
Conservação
17%
8% 4%2%
21%
Turismo & Comunicação
25%
23%
Desenvolvimento
Humano
Operações
Também temos o prazer de anunciar a nomeação da Sra. Edna Maiela como Gestora Senior de Recursos
Humanos, sob cuja liderança trabalhará um gestor dedicado a Formação e Desenvolvimento, bem como uma
série de cargos de RH adicionais que estão a ser recrutados a fim de melhorar os recursos de RH da
organização.
O departamento de Finanças e Administração continua a fornecer serviços jurídicos e administrativos e a
supervisionar as iniciativas de ecoturismo da organização.
O nosso orçamento para 2021 foi de 16 milhões de dólares Americanos. Aqui está uma descrição de como
esses fundos foram gastos:
RECEITAS 2021 %
DESPESAS 2021 % USD
Fundação, Filantropia, Doações 55,9 Desenvolvimento Humano 25 4,069,494
Cooperação Bi/Multilateral com Parceiros 43,5 Operações 23 3,728,621
Clube Empresarial da Gorongosa 0,5 Conservação 21 3,343,769
Rendas do Turismo 0,1 Agricultura 17 2,791,600
TOTAL 100% Ciência 8 1,357,884
Administrador do Parque 4 563,774
Turismo & Comunicação 2 338,483
TOTAL 100% 16,193,625
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© Elizabeth Shrier, Wild Elements
Perfis
Winie
Winie
Gestora de Empreendedorismo Social
O meu nome é Winie Tecla Andre Tomás
Makande, nasci a 22 de Junho de 1986, e
cresci em Maputo. Tenho uma irmã mais nova
e sou mãe de dois meninos, de 10 e 7 anos, e
de minha sobrinha-filha de 15 anos.
A minha educação primária foi na Escola
Primária 3 de Fevereiro e concluída na Escola
de Maxaquene. O meu ensino médio foi na
Escola Secundária Josina Machel e no Colégio
Kitabu.
O meu sonho era estudar medicina, mas
depois de ser aprendido economia na 11º
classe, decidi estudar economia na Universidade
Eduardo Mondlane e posteriormente adicionar
um módulo de gestão.
O meu primeiro emprego foi na Kulunga,
empresa de consultoria, treinamento e estudos
de mercado, principalmente como gestora de
projectos. De Kulunga mudei para a Intercampus
- Estudos de Mercado, como gestora de
projectos e posteriormente para uma posição
de gestão de recursos humanos e financeira.
Trabalhei na Kulunga por cerca de cinco
anos antes de ingressar no Banco BCI, onde
trabalhei na inclusão financeira de pequenos
agricultores em áreas rurais. Eu agora trabalho
no Departamento de Desenvolvimento
Sustentável da Gorongosa.
Norina
Norina
Técnica de Pesquisa
Kuda Tania
Alberto
Sergio
Florinda Guilherme
Chamo-me Norina Carlos de Jesus Francisco
Vicente. Eu tenho 25 anos de idade. Nasci
e cresci numa pequena cidade na Província
de Tete, Moçambique. Sou entomologista
em formação e fotógrafa. Sou Licenciada em
Ecoturismo e Gestão da Vida Selvagem pelo
Instituto Superior Politécnico de Manica. Em
2016 aceitei um estágio no Parque Nacional
da Gorongosa. A minha paixão é entender
como os organismos e os ecossistemas são
organizados e como esse conhecimento pode
ser usado para desenvolver estratégias para
proteger as áreas naturais de Moçambique.
Trabalho como curadora no Laboratório de
Biodiversidade E.O.Wilson, onde faço a gestão
de coleções biológicas, coordeno a entrada de
dados de biodiversidade e imagens digitais de
espécimes e identifico espécies. Eu guio visitas às
coleções biológicas para os visitantes do Parque
e represento o Departamento de Ciências em
escolas de ensino médio e outros locais, para
ampliar a compreensão da conservação e
participar regularmente de pesquisas de
biodiversidade conduzidas pela equipa científica.
Pertenço à “Cartas com Ciência”, e ajudo a
organizar a troca de cartas entre cientistas
lusófonos e alunos do ensino secundário em
comunidades rurais. Também me juntei ao
“Goals Africa” como voluntária, onde fui
recentemente eleita Directora de Programas e
Políticas.
Kuda
Mecânico Senior
Olá, chamo-me Kudakwashe Paulo Mapinde,
nasci em Chimoio em 1987. Sou casado,
tenho um filho e uma filha. A guerra civil em
Moçambique obrigou os meus pais a emigrar
para o Zimbabué quando eu tinha três anos e
onde frequentei a escola. Subsequentemente,
matriculei-me no Centro de Treinamento
Profissionalizante do “Life Sowing Ministries”
como estudante de mecânica automóvel.
Em 2007, qualifiquei-me como mecânico
de automóveis (detentor do Certificado da
Fundação Nacional em Mecânica e Tecnologia
Automóvel). Trabalhei para a “Tongaat-Hulett
Sugar” como mecânico júnior por um ano,
mas saí para continuar os meus estudos na
África do Sul.
Em 2009 trabalhei em vários locais em
Moçambique para a Nissan até 2012, altura
em que regressei a Tongaat-Hulett para
trabalhar como mecânico de diesel. Agora
estou a estudar novamente, para um
licenciatura online em Gestão de Transporte
coma Atlantic University (EUA).
Tania
Gestora do Programa de APE’s e Brigadas Móveis
Chamo-me Tania Manhique, nasci em 1983
em Maputo. Frequentei a Escola Primária
Alto-Maé e depois o Ensino Médio na Escola
Secundária da Polana. Também fui acólita e
membro do coro da Igreja Católica, na
comunidade St. Charles Lwanga.
Concluí a 12º classe na escola secundária
Francisco Manyanga. Posteriormente, fiz o
curso para técnicos em medicina preventiva e
saneamento ambiental no Instituto de Ciências
da Saúde de Maputo. Após a conclusão,
mudei-me para o distrito de Manjacaze, na
província de Gaza, por um ano. Em 2009
estudei Gestão e Liderança na Universidade
Eduardo Mondlane até 2012.
Em 2014, trabalhei com comunidades em toda
a Província de Maputo. Em 2015, participei
no curso de Ciências do Desenvolvimento da
Primeira Infância na Universidade Aga Khan
no Quénia e juntei-me à equipa do Parque
Nacional da Gorongosa para ajudar a gerir o
programa APE’s e Brigadas Móveis em 2020.
Alberto
Gestor do Programa de Governação e Recursos
Naturais com Base Comunitária
Eu sou o Alberto Albazino, tenho 35 anos, sou
marido e pai. Nasci e cresci em Chimoio, onde
frequentei a escola. Sou licenciado em Gestão
Ambiental e Desenvolvimento Comunitário
pela Universidade Pedagógica de Moçambique.
A minha carreira profissional iniciou-se em
2007 com a obtenção do diploma de formação
profissional técnica em silvicultura pelo
Instituto Agrário de Chimoio (IAC). Essa
formação permitiu-me trabalhar no apoio às
comunidades em áreas com potencial para a
utilização de recursos naturais e participar do
maneio sustentável desses recursos naturais.
Durante os meus 13 anos de experiência no
desenvolvimento de comunidades e gestão de
recursos naturais com base na comunidade,
trabalhei com muitas comunidades nas
províncias de Tete e Manica.
Em Novembro de 2020 juntei-me à equipa do
Departamento de Desenvolvimento Humano
do Parque Nacional da Gorongosa no Sector
de Relações Comunitárias. Estou aqui para
aprender e compartilhar a minha experiência
para o desenvolvimento das comunidades da
Zona de Desenvolvimento Sustentável. Estou
fortemente motivado para trabalhar em prol do
desenvolvimento comunitário nos seis distritos
localizados ao redor do Parque, incluindo a
extensão do Parque até a Coutada 12 no
distrito de Cheringoma.
O meu sonho como profissional da área,
a longo prazo, é ver comunidades auto
suficientes administrar os seus recursos e
compartilhar equitativamente os benefícios
decorrentes deste processo.
Sergio
Supervisor de Conflito Seres Humanos-Fauna Bravia
O meu nome é Sérgio Titos Cinco Reis. Nasci
em 1984, no Distrito de Maringué, Província
de Sofala. Cresci na vila de Nhamatanda e
frequentei a escola em Vinho e Nhamatanda.
Tive formação como agente permanente de
registo de nascimento no Distrito do Búzi e
fui selecionado como activista no programa
PEC-Zonal (Formação e Participação Comunitária
do Distrito) em Nhamatanda, onde recebi
formação no local de trabalho antes de
trabalhar no Centro de Saúde de Vinho.
Em seguida, mudei-me, como voluntário, para
um trabalho no Programa de Coexistência de
Parque, onde dirigíamos animais potencialmente
perigosos para longe das comunidades. Em
seguida, depois de ser treinado como apicultor
líder, entrei para o programa de cercas de
colmeias para minimizar a passagem de
elefantes para as comunidades. Mais tarde,
comecei a trabalhar com um contrato de
trabalho sazonal e depois fui treinado como
enumerador no projecto de Ecologia de
Elefantes da Gorongosa e trabalhei noutras
áreas da Zona de Desenvolvimento Sustentável.
Trabalho no Programa de Integridade /
Coexistência (Seres Humanos-Fauna Bravia).
Represento 43 membros colaboradores nesta
área. O nosso trabalho ao nível comunitário
está a trazer resultados positivos. As travessias
de elefantes nas comunidades são menos
frequentes e a construção de celeiros
melhorados está a reduzir os danos às colheitas
armazenadas. Tenho muito orgulho do meu
percurso porque sou da Zona de Desenvolvimento
Sustentável e consigo mostrar para outras
pessoas das comunidades vizinhas que é
possível estudar e fazer carreira profissional se
aproveitarmos as oportunidades que o Parque
oferece.
Florinda
Supervisora de Artesanato
Eu sou a Florinda Maria Gomes Neto, nascida
em 1969, em Nhamatanda. Frequentei a
escola na Beira e aos 17 anos ingressei numa
construtora, antes de trabalhar numa agência
de viagens no Aeroporto Internacional da
Beira.
Em 1992, fiz um curso de inglês de seis meses
no Zimbabué antes de regressar à Beira onde
abri o meu primeiro estúdio. Sou apaixonada
por artesanato. Fiz o meu primeiro vestido à
mão quando tinha 14 anos e dei para uma
amiga e colega. Treinei adolescentes de rua
para fazer capulanas, Mitseu, brincos e
pulseiras de contas.
Em 1994, completei a 12ª classe e em 1996
mudei-me para Milão (Itália) para continuar
a minha formação. Lá pude fazer cursos de
costura com foco em capulanas. Permaneci na
Itália por sete anos antes de retornar a
Vilanculos em 2003, quando comecei a
trabalhar com a CARE International.
Vários anos depois, comecei a trabalhar com a
Fundação Clinton em Moçambique.
Em 2017 vim para a Vila da Gorongosa para
formar um grupo de 21 membros em cerâmica,
cestaria e costura, e em Janeiro de 2021
comecei a trabalhar no sector de artesanato do
Parque Nacional da Gorongosa. Tenho levado
projectos de artesanato para feiras internacionais,
em Lisboa, Milão e Maputo.
Participo no planeamento da feira de artesanato
que decorre no último Domingo do mês em
Vilanculos, e continuo a organizar feiras na
cidade da Beira sempre que posso para vender
artesanato comunitário local.
Guilherme
Fiscal – Chefe de patrulha
O meu nome é Guilherme Eusébio Simbe,
nascido em Janeiro de 1977 no Distrito da
Gorongosa. Moro em Chimoio, sou casado e
tenho nove filhos. Falo com meus filhos sobre
o futuro e tenho orgulho de dizer que meus
filhos sonham em ser engenheiros, médicos,
professores e até fiscais como eu.
Em 2006 comecei a trabalhar no Parque
Nacional da Gorongosa no programa de
Ecoturismo para sensibilizar as comunidades
que vivem na Serra da Gorongosa, para a
necessidade de não cortar árvores e de
construir barreiras para prevenir a erosão
hídrica. Fui treinado por Pedro Estevão Muagura,
o actual Administrador do Parque Nacional da
Gorongosa, em reflorestamento, instalação de
viveiros florestais e como plantar em áreas com
risco de erosão.
Após esse trabalho na Serra, entrei para a
equipa de fiscalização e fui treinado para servir
na parte recém-declarada como Parque na
Serra, em 2011.
Em 2012, devido ao conflito armado, fui
transferido da Serra para Chitengo, onde
trabalhei em vários cargos e depois fui
promovido a chefe assistente de patrulha e
posteriormente a chefe de patrulha no posto
de controle do sector Gondonga Chiwawa.
Eu não sou um herói, estou apenas a cumprir
o meu dever para proteger o que é nosso e
garantir um futuro melhor para os nossos netos.
Durante as minhas patrulhas, sei que Deus está
sempre comigo, e é aqui que reside a maior
parte da minha força para combater a caça
furtiva e as ameaças à natureza.
40 41
© Lee Bennet
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© Brett Kuxhausen
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