SCMedia News | Revista | Fevereiro 2022
A revista dos profissionais de logística e supply chain.
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<strong>Fevereiro</strong> <strong>2022</strong><br />
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FEVEREIRO <strong>2022</strong><br />
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EDITORIAL<br />
DO ESPELHO PARA A JANELA<br />
“Os conflitos de um homem representam o que ele ‘realmente’ é”.<br />
Erik Erikson<br />
À medida que a pandemia começa a<br />
abrandar, é tempo de olharmos para as<br />
fragilidades evidenciadas nas cadeias de<br />
abastecimento e que ainda continuam bem<br />
expostas. Muito do que vai acontecer na vida<br />
pós-pandemia, nossa e das empresas, vai<br />
depender do que decidirmos mudar, ou não.<br />
Esta nova realidade despoletou diferentes<br />
desafios e oportunidades para todas as cadeias<br />
de valor.<br />
Este é o tal ponto de inflexão em que temos<br />
que perceber se conseguimos desenvolver<br />
as capacidades e competências essenciais<br />
para seguirmos para o estágio seguinte,<br />
com as ferramentas certas e as prioridades<br />
estabelecidas, ou se vamos falhar e levar<br />
connosco um sentimento de impotência para o<br />
futuro que espreita já aqui.<br />
A pandemia impulsionou a transformação<br />
digital, promovendo uma outra sociedade<br />
contemporânea, uma outra cultura de<br />
consumo e, desejavelmente, um outro padrão<br />
de fluxos nas cadeias de abastecimento. O<br />
eCommerce passou a fazer parte do dia a dia;<br />
a circularidade e o ambiente são eixos de<br />
sustentabilidade para as empresas em geral<br />
mas, por razões óbvias, para as empresas<br />
deste setor.<br />
Mas, para sairmos do campo das boas<br />
intenções e passarmos à prática, é essencial<br />
partirmos o espelho e focarmos o nosso olhar<br />
na janela para percebermos onde queremos<br />
concentrar a nossa atenção e o que queremos<br />
mudar.<br />
Os sinais das alterações climáticas e<br />
dos danos ambientais estão a tornar-se<br />
cada vez mais visíveis. As sociedades e<br />
as empresas são chamadas a contribuir<br />
para um futuro mais sustentável, sendo o<br />
objetivo da sustentabilidade garantir que os<br />
comportamentos de produção e consumo<br />
globais sejam compatíveis com os objetivos<br />
ambientais.<br />
Há uma névoa de incertezas a pairar,<br />
sabemo-lo bem. Por isso, refletirmos sobre<br />
aquela frase do Erik Erikson, um dos teóricos<br />
mais conhecidos do desenvolvimento humano,<br />
pode ser um bom começo. Acreditando, claro,<br />
que a sociedade que queremos ser no pós-<br />
-Covid é a que não quer falhar.
4<br />
FEVEREIRO <strong>2022</strong><br />
#08 #26 #34<br />
ÍNDICE<br />
FACTOS & NÚMEROS<br />
Top 10 melhores portos da Europa 6<br />
LOGÍSTICA<br />
Nata Pura: Portugal nas bocas do<br />
mundo 8<br />
Entrevista com Nuno Araújo 14<br />
Ambiente: “Delivering on Circularity” 26<br />
PROCUREMENT<br />
Rovensa Supplier Portal 30<br />
SmarketCity Amadora 34<br />
Descarbonização: transformação<br />
económica precisa-se 38<br />
INTRALOGÍSTICA<br />
Universal Robots 42<br />
Marinha do Brasil distinguida com o<br />
Prémio Automação 2021 50<br />
TECNOLOGIAS<br />
Boost Together 2025 54<br />
Case Study Leroy Merlin 60<br />
TRANSPORTES<br />
Eficiência do transporte terrestre passa<br />
pela digitalização 64
SCM Supply Chain Magazine 5<br />
CARREIRA<br />
#42<br />
5 dicas para alcançar mais eficiência 70<br />
Logística é parte integrante na estratégia do<br />
negócio 74<br />
DIÁRIO DE BORDO<br />
A teoria da evolução: mais uma 76<br />
O MUNDO É REDONDO<br />
Ideas worth spreading, TED2004, “A surpreendente<br />
ciência da felicidade” 78<br />
#64<br />
FICHA TÉCNICA<br />
Sede editor, Administração e Redacção_<br />
Al. Júlio Dinis, n.º 68 – São Francisco<br />
2890-307 Alcochete<br />
T: 210 499 074<br />
Direcção Geral_<br />
Filipe Barros<br />
Directora_<br />
Dora Assis<br />
Redacção_<br />
Ana Paiva, Fábio Santos<br />
Projecto gráfico_<br />
Maria João Carvalho<br />
Design Gráfico & Paginação _<br />
Daniela Moço, Laura Dias<br />
Direcção Comercial _<br />
Filipe Barros<br />
Sales & Marketing _<br />
Margarida Matildes<br />
Marketing Digital_<br />
Catarina Santos<br />
Impressão _<br />
VASP DPS<br />
MLP – Quinta do Grajal,<br />
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Tiragem _<br />
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Propriedade_<br />
SC Media Unipessoal, Lda.<br />
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T: 210 499 074<br />
E: geral@supplychainmagazine.pt<br />
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NPC _<br />
514707143<br />
Capital Social_<br />
100,00€<br />
Participações sociais_<br />
Susana Silva<br />
Administração_<br />
Filipe Barros<br />
Registo na ERC n.º _<br />
127322<br />
Depósito Legal n.º _<br />
458604/19<br />
Os artigos assinados apenas veiculam<br />
a posição dos seus autores.<br />
Interdita a reprodução de textos e<br />
imagens sem autorização expressa.
6<br />
FEVEREIRO <strong>2022</strong><br />
FACTOS<br />
& NÚMEROS<br />
Top 10 melhores<br />
portos da Europa<br />
PORTOS ESPANHÓIS ENTRE OS 10<br />
MELHORES DA EUROPA<br />
As Autoridades Portuárias de Valência,<br />
Bahía de Algeciras e Barcelona<br />
posicionaram-se, no final de 2021,<br />
entre os dez melhores portos da Europa,<br />
especialmente na área mediterrânea, refere<br />
o el Economista.<br />
Segundo os dados avançados por<br />
consultores da Porteconomics e Alphaliner<br />
sobre o tráfego de contentores nas<br />
instalações europeias, Valência encontra-<br />
-se na quarta posição. Ao longo de<br />
2021, o porto de Valência foi o que mais<br />
movimentou contentores, tendo fechado os<br />
primeiros 11 meses do ano com um total<br />
de 5,16 milhões de TEU, representando<br />
um aumento de 4,42% face ao mesmo<br />
período de 2020. Administrou, durante este<br />
período, 59.078 milhões de toneladas de<br />
mercadorias, com um aumento de 2,54%.<br />
Em sexto lugar está a Bahía de Algeciras,<br />
que movimentou 4,38 milhões de<br />
contentores até Novembro com uma queda<br />
anual de 6,63%. Passou por este porto 53,87<br />
milhões de toneladas de mercadorias em<br />
contentores, menos 10,56% do que em 2020.<br />
O porto de Barcelona encontra-se em<br />
nono lugar no ranking, tendo emitido um<br />
total de 3,22 milhões de TEU, 21,50% a mais<br />
do que em 2020 e 4,8% a mais do que em<br />
2019. •
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8 FEVEREIRO <strong>2022</strong><br />
LOGÍSTICA<br />
Nata Pura
SCM Supply Chain Magazine 9<br />
PORTUGAL<br />
NAS BOCAS DO<br />
MUNDO<br />
É a partir de Vila Nova de Gaia que<br />
a Nata Pura produz um dos doces<br />
mais típicos de Portugal: o pastel de<br />
nata. Esta iguaria, tão nossa, já se<br />
vai mostrando além-fronteiras, mais<br />
precisamente em 30 mercados. Ainda<br />
assim ambicionam alcançar mais<br />
um: os EUA, mas a crise em torno das<br />
cadeias de abastecimento globais<br />
não tem facilitado a tarefa. Como os<br />
desafios são para ser superados, a<br />
Nata Pura quer alcançar esse objetivo<br />
e continuar a pôr o pastel de nata<br />
português nas bocas do mundo.<br />
Texto: Ana Paiva<br />
Para os céticos existe o original pastel de<br />
nata: açúcar, farinha, ovos. Não há mais<br />
tradicional do que isto. Mas a Nata Pura<br />
decidiu ir mais longe e produzir também<br />
alguns pastéis para os menos céticos e mais<br />
mente aberta, com sabores como: chocolate,<br />
frutos vermelhos, morango, caramelo, queijo<br />
brie, maçã, caramelo salgado ou maracujá. São<br />
muitas as opções que já começam a ganhar<br />
expressão lá fora, embora, os mais vendidos,<br />
sejam o original e o de chocolate.<br />
Duas fábricas em Portugal encarregam-<br />
-se da produção dos pastéis de nata que,<br />
posteriormente, podem ser vendidos<br />
em cafés ou supermercados. Quanto ao<br />
seu acondicionamento, Francisco Rocha,<br />
operations and logistics manager, explica<br />
que “uma vez que comercializamos<br />
perecíveis, procuramos reduzir ao máximo<br />
os nossos stocks. As nossas produções são<br />
cuidadosamente planeadas a fim de evitar<br />
excedentes e armazenamento prolongado”.<br />
Assim, os produtos são acondicionados a<br />
temperatura controlada e monitorizados até à<br />
sua expedição, “sendo que não prescindimos<br />
do acompanhamento físico e registo de todas<br />
as cargas”, afirma o responsável. A nível<br />
europeu, a Nata Pura conta com armazéns<br />
externos em “alguns dos maiores entrepostos,<br />
um fator que nos permite uma melhor gestão<br />
e capacidade de resposta para toda a Europa”,<br />
revela Francisco Rocha.
10<br />
FEVEREIRO <strong>2022</strong><br />
O SONHO AMERICANO<br />
França, Alemanha, Suíça, Arábia Saudita,<br />
Kuwait, Japão, Singapura ou África do Sul.<br />
Estes são alguns dos destinos dos pastéis<br />
da Nata Pura, mas ainda há um no qual<br />
pretendem entrar ainda este ano: América do<br />
Norte. O operations and logistics manager<br />
conta que este é um objetivo de longa data e<br />
que até já tiveram a oportunidade de abordar,<br />
mas a pandemia acabou por comprometer<br />
as cadeias de abastecimento e operações<br />
logísticas nos EUA.<br />
Este é “um mercado único, focado no<br />
consumo e, como tal, extremamente exigente<br />
e competitivo” confessa Francisco Rocha,<br />
acrescentando que, se antigamente eram<br />
necessários cuidados redobrados com a<br />
regulamentação e legislação, e com as<br />
condições gerais da operação e incoterms,<br />
“neste momento, o panorama é bastante mais<br />
complexo”. Dá o exemplo de que, um “simples<br />
envio de amostras”, que no caso da Nata<br />
Pura, é realizado a temperatura controlada,<br />
“pode facilmente tornar-se uma dor de<br />
cabeça e passar até uma imagem de falta<br />
de profissionalismo porque o risco de taxas<br />
adicionais absurdas, ou de a carga não ser<br />
entregue, é extremamente elevado”.<br />
Francisco Rocha explica ainda que os<br />
operadores aeroportuários tinham, por norma,<br />
um período de ‘free time’ durante o qual<br />
asseguravam o acondicionamento gratuito da<br />
carga até que fosse desalfandegada. “Neste<br />
momento há casos em que, para além de não<br />
haver ‘free time’, nem tabela existe, levando a<br />
que alguns operadores cobrem o que bem lhes<br />
apetecer”. Em alternativa poderiam utilizar<br />
serviços de courier, mas, neste caso, “a maioria
SCM Supply Chain Magazine 11<br />
das cargas chega danificada ou desaparece”,<br />
conta o responsável. Por sua vez, no caso<br />
das operações marítimas, sejam FCL ou LCL,<br />
o panorama “não é mais animador”, avisa.<br />
“O valor dos fretes revela-se incomportável<br />
e, devido aos sucessivos atrasos, não somos<br />
sequer capazes de assegurar transit times.<br />
Mais recentemente assistimos também à<br />
rutura do Inland, seja por camionagem ou rail.<br />
Tal levou a que o DAP praticamente deixasse<br />
de existir para este mercado”, explica<br />
Francisco Rocha, confessando ainda que, o<br />
pior de tudo é que “muitas vezes, nem mesmo<br />
os nossos clientes no destino conseguem<br />
solução para levantar e transportar as cargas<br />
até ao seu armazém”.<br />
Por todos estes motivos, o operations<br />
and logistics manager considera que é<br />
necessário encarar esta operação de forma<br />
“cautelosa e pragmática” para poderem traçar<br />
a melhor estratégia e abordagem. O futuro<br />
que ambicionam passa por “definir parcerias<br />
sólidas de forma a prestar o melhor serviço<br />
possível aos nossos clientes, disseminar<br />
e consolidar a nossa marca no mercado<br />
norte-americano, prestando um serviço de<br />
excelência, e promover o que de melhor o<br />
nosso país tem para oferecer”.<br />
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FEVEREIRO <strong>2022</strong><br />
NOVAS PARCERIAS E NOVAS<br />
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A Nata Pura não escapou às disrupções<br />
que se têm vindo a verificar nas cadeias de<br />
abastecimento, que têm tido ”um enorme<br />
reflexo na atividade da empresa”, desde<br />
escassez de matérias-primas à especulação de<br />
preços. Por isso, foram necessárias algumas<br />
adaptações, como indica Francisco Rocha. “Tem<br />
sido um período de pesquisas e negociações<br />
incessantes. No entanto, nem tudo é negativo.<br />
Novas parcerias surgiram assim como novas<br />
soluções”.<br />
Relativamente à subida dos custos logísticos,<br />
o responsável conta que foram transversais<br />
a todas as empresas, mas o negócio não se<br />
ressentiu. O responsável reforça o facto de<br />
trabalharem essencialmente em EXW e a<br />
importância das parcerias a nível logístico.<br />
Para o futuro, Francisco Rocha prevê que<br />
um dos maiores desafios será o purchasing,<br />
sendo por isso “fundamental identificar novas<br />
EM ALGUNS MERCADOS,<br />
O PASTEL DE NATA É,<br />
COLOQUIALMENTE,<br />
CHAMADO DE NATA PURA. É<br />
O TAL ‘EFEITO TUPPERWARE’<br />
QUE NOS DEIXA MUITO<br />
ORGULHOSOS E QUE REFLETE<br />
BEM A ATENÇÃO QUE DAMOS<br />
EM CADA MERCADO EM QUE<br />
ESTAMOS PRESENTES<br />
soluções, novos fornecedores e negociar<br />
exaustivamente preços e condições”. “Só desta<br />
forma será possível estarmos preparados,<br />
impedir ruturas na cadeia de abastecimento,<br />
e reduzir a estrutura de custos, de forma a<br />
assegurar um crescimento sustentado”, indica.<br />
A pandemia revelou-se, segundo o<br />
operations and logistics manager, “um<br />
verdadeiro game changer” com que ninguém<br />
contava e para o qual poucos estavam<br />
preparados. Com as medidas de contenção<br />
e o encerramento de mercados, era “urgente<br />
responder e reagir no imediato, sob o risco<br />
de todo o trabalho até então desenvolvido<br />
se perder”, conta. No entanto, a equipa da<br />
Nata Pura, embora pequena, é “muito unida<br />
e resiliente”. Em confinamento, reuniam-se,<br />
digitalmente, todos os dias. Faziam sessões<br />
de brainstorming e discutiam todos os<br />
cenários e possíveis soluções. “Adaptámo-<br />
-nos, identificámos e aproveitámos novas<br />
oportunidades, e saímos, sem dúvida, mais<br />
unidos e reforçados desta situação”, refere.<br />
Apesar do impacto da COVID-19, o ano de<br />
2021 foi “bastante simpático” para a Nata<br />
Pura, tendo movimentado cerca de 200 TEU<br />
para os 30 mercados onde se encontram.<br />
O seu crescimento é notório, uma vez que<br />
“em alguns mercados, o pastel de nata é,<br />
coloquialmente, chamado de Nata Pura. É o<br />
tal ‘efeito Tupperware’, que nos deixa muito<br />
orgulhosos, e que reflete bem a atenção que<br />
damos em cada mercado em que estamos<br />
presentes”, afirma Francisco Rocha, acreditando<br />
mesmo que neste negócio a empresa é um<br />
“dos players mais responsáveis pela fama que<br />
o pastel de nata tem vindo a ganhar”. •<br />
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FEVEREIRO <strong>2022</strong><br />
LOGÍSTICA<br />
APDL<br />
Texto: Fábio Santos<br />
“A APDL NÃO SE<br />
RESUME A CARGA”<br />
As dificuldades sentidas no sector marítimo<br />
durante a pandemia foram imensas e,<br />
a acrescer a estas, os desafios que já se<br />
colocavam anteriormente. Agora, para além<br />
dos desafios ambientais e sociais, com a<br />
chegada da pandemia a APDL está também<br />
a lidar com os cenários de disrupção que<br />
têm globalmente afetado as cadeias de<br />
abastecimento e o transporte marítimo.
SCM Supply Chain Magazine 15<br />
Nuno Araújo, presidente da APDL<br />
Apesar das dificuldades sentidas, em 2021<br />
o Porto de Leixões movimentou 15,2<br />
milhões de toneladas de carga, onde se<br />
destacou na carga contentorizada e no serviço<br />
ro-ro, com um forte crescimento na carga<br />
fracionada e nos granéis sólidos. Na carga<br />
contentorizada o porto atingiu os 717.954<br />
TEU, correspondendo a 7,1 milhões toneladas,<br />
um aumento de 2,6% face aos valores pré-<br />
-pandemia, e no ro-ro foi superada, também<br />
pela primeira vez, a barreira de 71 mil<br />
unidades ro-ro, o equivalente a 1,5 milhões de<br />
toneladas movimentadas.<br />
Em entrevista à SCM, Nuno Araújo,<br />
presidente da Administração dos Portos<br />
do Douro, Leixões e Viana do Castelo<br />
(APDL), conta-nos que a pandemia trouxe<br />
diversos desafios ao Porto de Leixões, mas<br />
também oportunidades de investimento<br />
e de desenvolvimento operacional. Foi<br />
necessário redefinir estratégias, investir<br />
nas infraestruturas, otimizar as operações<br />
e procurar alternativas para contornar as<br />
dificuldades, sem parar de movimentar carga.<br />
O presidente da APDL aponta desde<br />
logo duas dimensões de desafios em que<br />
sentiram grandes impactos: a perda do maior<br />
operador do Porto de Leixões e a questão dos<br />
contentores.<br />
Logo após terminarem o plano e orçamento<br />
para o triénio, e de este ter sido aprovado,<br />
foram surpreendidos com o fecho da refinaria<br />
de Matosinhos do operador que detinha o<br />
maior volume de movimentação no Porto<br />
de Leixões. Nuno Araújo conta que este<br />
operador passou de uma movimentação de<br />
9 milhões de toneladas para abaixo dos 3<br />
milhões, um grande impacto para o porto,<br />
e que implicou uma revisão e alteração do<br />
orçamento previsto, porque “se queríamos<br />
manter o mesmo nível de investimento nas<br />
nossas infraestruturas, e nas nossas empresas,<br />
teríamos de recorrer a mais financiamento do<br />
que tínhamos previsto inicialmente”.<br />
Ao nível dos contentores, os impactos<br />
fizeram-se sentir globalmente. Milhares de<br />
contentores parados nos terminais, e dezenas<br />
de navios carregados, à espera para poderem<br />
escalar nos portos, levaram à escassez de
16<br />
FEVEREIRO <strong>2022</strong><br />
contentores disponíveis no mercado, o que<br />
levou a um aumento do preço por contentor.<br />
“As empresas estavam habituadas a pagar 800<br />
ou 1.000 euros por um contentor, e de um<br />
momento para o outro o armador disse-<br />
-lhes que o mesmo contentor passou a custar<br />
4.000 ou 5.000 euros, e que se não pagassem<br />
pegava no contentor e metia-o noutro local<br />
em que o fizessem. Para empresas que tinham<br />
compromissos de colocar mercadorias no<br />
destino final, e que tinham contratos fechados<br />
onde estava previsto o transporte e a parte<br />
logística, isso provocou um conjunto de<br />
dificuldades acrescidas”, explica Nuno Araújo.<br />
IMPACTOS NAS OPERAÇÕES<br />
Apesar de os impactos sentidos no Porto<br />
de Leixões, e no resto do país, não terem<br />
acontecido na mesma proporção que no resto<br />
do mundo, foram sentidos. “Os impactos não<br />
foram assim tão significativos quanto isso, mas<br />
houve. Esta disrupção obrigou a que tivéssemos<br />
de ajustar um pouco a nossa realidade, a cadeia<br />
logística, os preços… Mas se quisermos medir<br />
isto de outra forma: ao nível das mercadorias<br />
que passaram pelo Porto de Leixões no ano<br />
2021 – nós tivemos um excelente ano”, afirma.<br />
“Claro que se estivermos a comparar os 20<br />
milhões de toneladas que movimentámos<br />
no passado recente, houve um decréscimo, é<br />
verdade, mas tem de haver uma comparação<br />
relativa”, considera o presidente da APDL,<br />
destacando que face à realidade pela qual<br />
o mundo passou nos últimos dois anos, e<br />
com a perda do maior operador do Porto de<br />
Leixões, os resultados foram bastante positivos.<br />
“Deixámos de ter o crude, por isso houve<br />
BATEMOS O RECORDE<br />
DE CONTENTORES<br />
MOVIMENTADOS NO<br />
PORTO DE LEIXÕES,<br />
ULTRAPASSÁMOS A<br />
BARREIRA DOS 700.000<br />
TEU, E ESTAMOS A<br />
CRESCER A DOIS DÍGITOS<br />
NO SERVIÇO RO-RO<br />
uma diminuição significativa nas toneladas<br />
movimentadas, mas nós batemos o recorde<br />
de contentores movimentados no Porto de<br />
Leixões, ultrapassámos a barreira dos 700.000<br />
TEU, e estamos a crescer a dois dígitos no<br />
serviço ro-ro, o único serviço desta dimensão e<br />
com estas características do país”, reforça.<br />
Nuno Araújo destaca ainda a capacidade das<br />
infraestruturas portuguesas para responderem<br />
aos desafios que se colocaram durante a<br />
pandemia, “não só da APDL, porque os outros<br />
portos também trabalharam bem, e isso<br />
diz muito da nossa capacidade, da forma<br />
como estamos modernizados, da eficiência<br />
dos nossos portos, dos nossos sistemas de<br />
informação, da rapidez e celeridade com<br />
que conseguimos movimentar carga nas<br />
infraestruturas portuguesas, e como o nosso<br />
geoposicionamento, junto ao Atlântico e<br />
enquanto porta de entrada na Europa, fez<br />
com que os nossos portos tenham sido muito<br />
utilizados para fazer entrar mercadorias”.
SCM Supply Chain Magazine 17<br />
INVESTIMENTOS EM CURSO E<br />
PLANEADOS<br />
Apesar das dificuldades, defende que o<br />
resultado foi positivo e que “devemos estar<br />
orgulhosos”, e antecipa que <strong>2022</strong> também<br />
irá apresentar trazer bons resultados. “A<br />
expectativa é de crescimento, e ainda não<br />
temos os nossos investimentos que estão em<br />
curso concretizados”, defende o responsável,<br />
referindo-se ao quebra-mar, às dragagens,<br />
e à ampliação do Terminal de Contentores<br />
Sul, que apesar de serem projetos em curso,<br />
ainda demoram algum tempo a serem<br />
concluídos, bem como ainda o novo terminal<br />
de contentores de Leixões.<br />
“Aquilo que nós temos para oferecer às<br />
empresas, à nossa região e ao país nos<br />
próximos anos serão melhores condições.<br />
Teremos um porto ainda mais eficiente, mais<br />
capaz de responder, com mais soluções, e do<br />
ponto de vista das expectativas é bom para<br />
todos”, explica.<br />
Recentemente, a APDL investiu cerca<br />
de 45 milhões de euros na modernização<br />
do Terminal de Contentores Sul do Porto<br />
de Leixões, onde foram adquiridos novos<br />
equipamentos e modernizados os terraplenos.
18<br />
FEVEREIRO <strong>2022</strong><br />
Apesar de não serem totalmente robotizados,<br />
os pórticos de cais adquiridos para o terminal<br />
também podem ser operados à distância,<br />
e estão inclusive preparados para serem<br />
automatizados.<br />
Outro dos investimentos em curso é a<br />
construção do quebra-mar, que embora já<br />
tenha sido planeado há mais de 10 anos, ainda<br />
demorará mais dois a ser terminado.<br />
Várias preocupações passam por encontrar<br />
soluções para melhorar o serviço prestado e<br />
tornar o porto mais célere na movimentação<br />
de cargas, melhorando assim os índices de<br />
performance do Porto de Leixões. “Vamos<br />
melhorar, tendo rácios não só do porto como<br />
um todo, mas de cada um dos terminais a<br />
ser medido, e o tempo que um camião passa<br />
dentro de um terminal”, adianta Nuno Araújo.<br />
Ao compreenderem este dado, procuram<br />
reduzir a duração de cada deslocação dos<br />
camiões ao Porto de Leixões, possibilitando um<br />
aumento do número de fretes por camião e, em<br />
simultâneo, ao permanecerem menos tempo<br />
dentro do terminal, reduzem também a pegada<br />
ambiental do porto.<br />
SUSTENTABILIDADE: O EXEMPLO<br />
PARTE DE DENTRO<br />
O objetivo ambicioso da APDL é atingir a<br />
neutralidade carbónica até 2035. “Medimos<br />
quanto é que pesa cada setor, e se tivermos em<br />
consideração que o setor marítimo é aquele<br />
que mais pesa na nossa pegada carbónica, há<br />
aqui um setor no qual nós temos de intervir<br />
também, e que é mais difícil diretamente”,
SCM Supply Chain Magazine 19<br />
aponta o responsável. Ao nível da renovação<br />
da frota, diz que embora não seja uma<br />
transição fácil, os armadores fazem-no de<br />
forma mais rápida do que, por vezes, se<br />
melhoram as infraestruturas.<br />
Ainda ao nível da movimentação de<br />
camiões dentro dos portos, o Porto de Leixões<br />
apresentou-se como o primeiro e único porto<br />
do país a proibir a entrada dos camiões mais<br />
poluentes. Foi um desafio de modernização<br />
proposto pela APDL ao setor, que aderiu, mas<br />
que também solicitou melhorias ao nível das<br />
infraestruturas e da redução dos tempos de<br />
espera.<br />
“Este desafio não é único do Porto de<br />
Leixões, mas nós quisemos, naquilo que está<br />
ao nosso alcance imediato, começar já a<br />
traduzir na mudança, a preparar todos aqueles<br />
que interagem connosco, para as mudanças<br />
que estão para vir”, comenta o presidente<br />
da APDL. Os camiões foram um dos tópicos<br />
por onde começaram a dar o exemplo. Ao<br />
nível da frota interna, questionaram-se se<br />
seria realmente necessário que camiões para<br />
determinadas funçõe funcionassem a diesel,<br />
e como tal surgiu ainda em 2021 o primeiro<br />
camião elétrico na frota interna do porto, o<br />
Eco-Truck, um projeto realizado no âmbito do<br />
Roadmap para a Descarbonização e Transição<br />
Energética.<br />
Outra das alterações foi ao nível da<br />
otimização do espaço do porto. “Nós<br />
temos, só em entradas de viaturas ligeiras<br />
dentro do Porto de Leixões, mais de 1.000.
20<br />
FEVEREIRO <strong>2022</strong><br />
Se nós temos um porto que é exíguo, em<br />
comparação com outros portos da Europa,<br />
mas se nós reclamamos espaço, este tem<br />
de ser privilegiado para a carga, e não para<br />
outras coisas que não são essenciais para o<br />
negócio”, explica Nuno Araújo. Deste modo, a<br />
APDL investiu num autocarro elétrico para a<br />
movimentação de pessoas entre os terminais,<br />
evitando que estas viaturas entrem dentro<br />
do porto: “há ganhos na ordem da segurança,<br />
circulação, do espaço, e ainda ambiental, pois<br />
deixaremos de ter esta pegada dentro do Porto<br />
de Leixões”.<br />
Consumo de energia<br />
A caminhada para a neutralidade carbónica<br />
passa ainda por duas medidas muito<br />
importantes. A primeira é a energia consumida,<br />
onde atualmente são gastos cerca de 3<br />
milhões de euros anualmente, entre energia<br />
elétrica ou combustíveis. “A maior parte<br />
dela tem uma característica: é de origem<br />
fóssil, e nós também queremos mudar este<br />
paradigma”, revela. Assim, uma das formas<br />
pensadas para combater esta questão é<br />
“garantir que a energia que é consumida e que<br />
tendencialmente aumenta dentro do Porto<br />
de Leixões, tenha uma origem verde”. Um dos<br />
exemplos que dá é quando os navios de Shore<br />
Power Connection que escalam em Leixões,<br />
quando estão atracados, não estão a trabalhar<br />
nem a diesel, nem com gerador, e sim ligados<br />
à rede elétrica, não estando a poluir, “desde<br />
que essa rede elétrica, fornecida por nós, tenha<br />
uma origem verde”, comenta.<br />
Já em 2019 o Porto de Leixões foi caso<br />
de estudo para a utilização de energia das<br />
ondas, através do projeto SE@PORTS, que<br />
combinou os quebra-mar com os Wave Energy<br />
Converter (WECs), com vista à sustentabilidade<br />
energética dos portos. Essa foi uma das<br />
soluções encontradas, e cujo anúncio<br />
público está para breve: a construção de um<br />
equipamento de produção de energia das<br />
ondas, “seja com recurso a aerogeradores, a<br />
painéis solares, ou mesmo ao hidrogénio”.
SCM Supply Chain Magazine 21<br />
A APDL faz parte de um dos consórcios que<br />
está presente numa candidatura do PRR, no<br />
âmbito das agendas mobilizadoras para o<br />
país, e que está a trabalhar para encontrar ou<br />
estabelecer uma unidade na região norte-<br />
-centro do país para a produção de hidrogénio.<br />
“O hidrogénio em si pode não ser o nosso<br />
combustível verde”, admite Nuno Araújo, “ainda<br />
ninguém tem a certeza absoluta do que o futuro<br />
nos reserva”. As expectativas apontam para<br />
hidrogénio, metanol ou amoníaco, e nota que a<br />
Maersk, que já tinha encomendado recentemente<br />
oito navios híbridos de metanol, com capacidade<br />
para 16.000 TEU, encomendou mais quatro. “Não<br />
são navios que atualmente entrem dentro do<br />
Porto de Leixões, mas são estas empresas que<br />
marcam as tendências mundiais”, aponta.<br />
“Nós estamos a preparar-nos para ter na nossa<br />
infraestrutura forma de abastecer este tipo de<br />
navios, e de comercializar o metanol se esse vier<br />
a ser o combustível do futuro para os navios,<br />
ou para outro tipo de equipamentos”, avança o<br />
presidente da APDL.<br />
A administração portuária considera<br />
“necessário mudar o paradigma energético das<br />
nossas infraestruturas portuárias”, e já o está<br />
a fazer no Douro, em Leixões e também o vão<br />
estender a Viana do Castelo, para atingirem a<br />
neutralidade carbónica pretendida.<br />
Ferrovia<br />
A segunda medida para atingirem o objetivo<br />
é através da ferrovia. Nuno Araújo começa<br />
por contextualizar que, diariamente, entram<br />
cerca de 1.500 camiões no Porto de Leixões,<br />
ou cerca de 450.000 por ano. “Se nós hoje<br />
movimentámos 700.000 TEU, e se as obras<br />
do futuro permitirão ao Porto de Leixões ter<br />
a capacidade instalada de aproximadamente<br />
1.600.000 TEU, isto não pode representar mais<br />
que duplicar a quantidade de camiões dentro<br />
do Porto de Leixões”, aponta. Mesmo que as<br />
emissões sejam reduzidas, movimentar mais<br />
camiões envolverá um aumento da pegada,<br />
e ainda demorará mais alguns anos até se<br />
atingir esse nível.
22<br />
FEVEREIRO <strong>2022</strong><br />
“Numa primeira fase proibimos os mais<br />
poluentes, mas depois temos aqui outro<br />
problema”, nota, “temos de passar uma parte<br />
significativa deste aumento de carga para a<br />
ferrovia”. A APDL tem vindo a trabalhar com<br />
a IP e com o Governo de modo a encontrarem<br />
uma solução que permita à APDL gerir<br />
diretamente os terminais ferroviários. “Não<br />
tem que ver com orgulho próprio nem ambição<br />
pessoal”, ressalva Nuno Araújo, “tem que<br />
ver com aumentar a eficiência na operação<br />
logística, no Porto de Leixões em concreto,<br />
porque não faz sentido ter um terminal rodo-<br />
-ferroviário e que não tem qualquer relação<br />
direta com a parte marítima”. Ao mesmo<br />
tempo, passariam a poder receber comboios de<br />
até 750 metros, face aos 500/550 metros que<br />
atualmente recebem.<br />
O presidente da APDL destaca, no entanto,<br />
que mesmo que passem a gerir a infraestrutura<br />
férrea, continuarão a fazer serviço público no<br />
resto, não se tratando de uma exclusividade.<br />
“Se vier uma carga de ferrovia, mas que não<br />
é para a parte marítima, entra num camião e<br />
segue o seu destino final”, aponta.<br />
Esta possível situação seria idêntica à<br />
recente gestão do terminal rodo-ferroviário<br />
da Guarda, que apesar de ter ficado a cargo da<br />
APDL, não significou que passasse a funcionar<br />
apenas para o Porto de Leixões, abrindo ainda<br />
uma porta de entrada para Espanha. Nuno<br />
Araújo destaca que “é um terminal que tem<br />
de servir o complexo portuário português.<br />
A carga irá para o destino que for mais<br />
conveniente para o despachante ou o cliente.<br />
Independentemente de sermos nós a gerir<br />
aquele terminal. Para nós é uma unidade<br />
de negócio e é visto para servir o país e as<br />
empresas”.<br />
Outra vantagem significativa é ao nível<br />
do tráfego de pesados, associados a carga<br />
contentorizada. Segundo explica o responsável,<br />
o tráfego destes veículos existente no<br />
município de Matosinhos deve-se ao terminal<br />
da IP, pois “todo o tráfego que vem para a<br />
parte marítima tem de ocorrer nas nossas<br />
infraestruturas, nas nossas autoestradas,<br />
portanto não há tráfego de pesados associado<br />
à nossa atividade na cintura urbana – quer<br />
de Leça da Palmeira, quer de Matosinhos”. Ao<br />
integrar o terminal da IP com a ferrovia da<br />
APDL, “nós retiraríamos a 100% o tráfego de<br />
pesados, associado quer ao terminal, quer ao<br />
Porto de Leixões, das vias de cintura urbanas”.<br />
A vantagem maior seria quebrar as<br />
barreiras entre os espaços e permitir conectar<br />
diretamente a infraestrutura uma rede de<br />
terminais rodo-ferroviários, completamente<br />
integrado na área portuária, que seria, no<br />
fundo, uma extensão do Porto de Leixões.<br />
A ligação direta entre estes dois pontos que<br />
se encontram lado a lado iria retirar uma<br />
grande pegada ambiental, devido ao tráfego<br />
desnecessário, pois apesar de se encontrarem<br />
a poucos metros, os contentores que chegam<br />
à infraestrutura da IP e se destinam ao Porto<br />
de Leixões têm de percorrer cerca de oito<br />
quilómetros em via urbana até chegarem<br />
ao destino. “Estamos a falar de custos<br />
desnecessários e de ineficiência na cadeia<br />
logística que acho que não se justificam em<br />
pleno séc. XXI”, defende Nuno Araújo.<br />
C<br />
M<br />
Y<br />
CM<br />
MY<br />
CY<br />
CMY<br />
K
SCM Supply Chain Magazine 23
24<br />
FEVEREIRO <strong>2022</strong><br />
“Esta questão da ferrovia é para nós crucial<br />
para a descarbonização e para aumentar o<br />
nosso hinterland. Não chega ter a capacidade<br />
para ter carga, é preciso ir buscar a carga,<br />
e para isso é preciso ter soluções logísticas<br />
diferentes”, acrescenta ainda.<br />
TECNOLOGIA 5G<br />
Num projeto conjunto com a NOS, a APDL<br />
tornou-se o primeiro porto 5G de Portugal,<br />
através da utilização de drones para o<br />
controlo dos impactos ambientais das<br />
operações, e para a segurança das manobras<br />
de maior risco, através de câmaras capazes de<br />
transmitir, em tempo real, imagens de vídeo<br />
em alta qualidade para a sala de controlo.<br />
A curto prazo, a APDL pretende aproveitar<br />
esta tecnologia e criar o primeiro data<br />
center público do país, proporcionando<br />
serviços de tier 3, que sirva não só o Porto de<br />
Leixões, mas também outras empresas que<br />
queiram usufruir desta infraestrutura e deste<br />
equipamento.<br />
Nuno Araújo considera que “toda esta<br />
eficiência e celeridade assenta muito<br />
em tecnologia, a interconectividade que<br />
existe entre os motoristas, empresas<br />
de camionagem, os nossos terminais,<br />
operadores, alfândega, etc. Isso significa que<br />
a tecnologia é um ponto crucial no nosso<br />
negócio”, e destaca que os cuidados que<br />
têm com as emissões para a atmosfera e o<br />
controlo feito são importantes, tanto pelo<br />
ambiente, como também por se encontrarem
SCM Supply Chain Magazine 25<br />
em meio urbano, que traz responsabilidades<br />
acrescidas.<br />
“O Porto de Leixões está inserido num<br />
meio urbano, para nós é crucial esta relação<br />
com a cidade, tudo aquilo que acontece<br />
aqui tem impacto na nossa vizinhança, e<br />
por isso nós medimos tudo, seja vibrações,<br />
qualidade do ar, poeiras, ruído… E o 5G pode<br />
ser o nosso parceiro de excelência para<br />
termos estas medições em tempo real e<br />
podermos intervir ou interagir de imediato”,<br />
defende o responsável. Também ao nível da<br />
responsabilidade social, destaca que todas<br />
as operações que abrangem espaços públicos<br />
são devidamente testadas laboratorialmente<br />
de modo a garantirem que não colocam em<br />
causa a saúde pública.<br />
“Para o Porto de Leixões isto não se<br />
resume a carga. Uma empresa com um<br />
impacto na região como tem a APDL ou o<br />
Porto de Leixões não se pode fechar sobre<br />
sim mesma e resumir toda a sua atividade a<br />
carga”, ressalva Nuno Araújo.<br />
Para <strong>2022</strong>, destaca desde logo dois<br />
projetos: a intenção de gerir o terminal<br />
ferroviário da IP e lançar o concurso para o<br />
novo terminal de contentores de Leixões.<br />
“Estes são os dois grandes desígnios que<br />
nós temos em cima da mesa e que são<br />
prioritários. Criando um porto cada vez mais<br />
competitivo, mais amigo do ambiente e que<br />
ofereça mais soluções e logística, em favor da<br />
região, do país, das empresas que utilizam o<br />
Porto de Leixões”, conclui. •
26<br />
FEVEREIRO <strong>2022</strong><br />
LOGÍSTICA<br />
Ambiente<br />
Texto: Dora Assis<br />
“SOLUÇÕES<br />
LOGÍSTICAS<br />
INOVADORAS<br />
PODEM AJUDAR”<br />
A DHL publicou o novo<br />
livro branco “Delivering on<br />
Circularity”, que analisa em<br />
profundidade como é que as<br />
economias circulares podem<br />
ajudar a enfrentar a crise<br />
climática e todos os outros<br />
desafios ambientais. O gigante<br />
da logística mundial acredita que<br />
“a ligação mais sustentável entre<br />
dois pontos é um círculo”.
SCM Supply Chain Magazine 27<br />
“De forma simples, a circularidade é sobre<br />
os 5R: Reduzir, Reparar, Revender,<br />
Renovar e Reciclar. A transição para uma<br />
economia circular baseia-se na reformulação<br />
das cadeias de abastecimento”, diz Katja<br />
Busch, Chief Commercial Officer da DHL.<br />
“Soluções logísticas inovadoras podem<br />
ajudar a impulsionar a economia circular; são<br />
um facilitador fundamental para facilitar tanto<br />
os fluxos físicos, como os fluxos de dados.<br />
Especialmente, quando se trata de otimizar<br />
volumes e materiais de produção, alargar<br />
os ciclos de vida dos produtos, lançar novos<br />
modelos de utilização, ou desenvolver novas<br />
soluções para a reciclagem em fim de vida”,<br />
explica ainda a mesma responsável.<br />
A MODA E A ELETRÓNICA DE<br />
CONSUMO<br />
O impacto mais significativo na promoção de<br />
uma economia circular pode vir das indústrias<br />
da moda e da eletrónica de consumo.<br />
Os líderes do setor já estão a participar<br />
ativamente na mudança de paradigma para a<br />
circularidade, anunciando objetivos ambiciosos<br />
e lançando um vasto leque de iniciativas.<br />
O impacto potencial positivo que a<br />
circularidade nestas duas indústrias pode<br />
ter é significativo. Cerca de 20% das peças<br />
de vestuário produzidas nunca são usadas e<br />
os smartphones são muitas vezes trocados<br />
após dois ou três anos. Os dois setores juntos<br />
contribuem para mais de 6% das emissões<br />
globais de gases com efeito de estufa (GEE).<br />
Para produzir dispositivos eletrónicos são<br />
necessários muitos recursos não renováveis,<br />
como metais raros. Além disso, as indústrias<br />
são responsáveis pela utilização substancial<br />
dos solos (mais do que a área da Alemanha<br />
e da Suíça juntas), pelo consumo de água<br />
(equivalente a 40% do consumo anual de água<br />
dos cidadãos americanos) e pela produção<br />
de resíduos (o equivalente a cerca de 50%<br />
dos resíduos anuais dos europeus). Com 80%<br />
das emissões que são acumuladas durante a<br />
produção de artigos de moda ou eletrónicos, é<br />
imperativo prolongar a vida útil dos produtos.<br />
“A mudança para comportamentos de<br />
consumo circulares é um motor crítico<br />
para uma transição bem sucedida para a<br />
economia circular. Os comportamentos<br />
dos consumidores aumentam o número de<br />
bens que regressam ao ciclo e sinalizam a<br />
procura de produtos circulares por parte das<br />
marcas. E a tendência para uma procura mais<br />
sustentável está a aumentar”, diz Carsten<br />
Lützenkirchen, vice-presidente sénior da<br />
DHL Customer Solutions & Innovation.<br />
“Novos modelos de negócio circulares não<br />
só diversificam os portfólios de produtos<br />
e serviços, mas têm também um efeito<br />
positivo no envolvimento dos clientes. É uma<br />
situação clássica de ganho mútuo em que a<br />
sustentabilidade impulsiona o crescimento e a<br />
inovação”.<br />
O POTENCIAL DA ECONOMIA<br />
CIRCULAR<br />
“A economia circular tem como objetivo<br />
reimaginar a forma como os bens produzidos,<br />
vendidos e utilizados hoje, são reciclados<br />
nas matérias-primas do amanhã. Para<br />
concretizar todo o potencial do conceito e<br />
institucionalizar o modelo, precisamos de<br />
soluções e tecnologias inovadoras”, acrescenta<br />
Katja Busch. “Claro que é mais complexo
28<br />
FEVEREIRO <strong>2022</strong><br />
estabelecer cadeias de abastecimento para<br />
ciclos de produção ou reciclagem on demand e<br />
gerir o fluxo maciço de dados, mas para atingir<br />
conjuntamente os nossos ambiciosos objetivos<br />
ambientais, é necessário abordá-lo. Nós, na<br />
DHL, estamos ansiosos para fazer uma parceria<br />
com os stakeholders da circularidade, servindo<br />
de facilitador para os novos fluxos físicos e de<br />
dados dentro do ciclo de fornecimento”.<br />
Ao longo da cadeia de valor do produto,<br />
a DHL, identificou três facilitadores e dez<br />
componentes essenciais que permitem<br />
uma transição bem sucedida das cadeias de<br />
abastecimento para os ciclos de fornecimento.<br />
Estes vão desde materiais e design inovadores<br />
até à produção on demand, devoluções<br />
inteligentes de produtos, embalagens<br />
reutilizáveis, novos conceitos de utilização e<br />
recolha e reciclagem de bens.<br />
Acima de tudo, o comportamento circular<br />
dos consumidores deve ser incentivado.<br />
Adicionalmente, as cadeias de abastecimento<br />
devem ser redesenhadas e a visibilidade e<br />
a orquestração devem permitir viabilizar a<br />
circularidade. Um esforço concertado entre<br />
todos os players pode tornar a transição<br />
para uma economia circular bem sucedida e<br />
gratificante.<br />
Em termos de poupança de emissões,<br />
a circularidade parece ser uma forma<br />
comparativamente conveniente e impactante<br />
de reduzir as emissões. Alcançar uma<br />
circularidade de 50% poupa tantas emissões<br />
de GEE como se todos os utilizadores de<br />
streaming em todo o mundo deixassem de ver<br />
conteúdos de vídeo durante cinco anos.<br />
Se todos os stakeholders assumirem as<br />
suas responsabilidades e acelerarem um ciclo<br />
de reforço mútuo, a economia circular pode<br />
tornar-se uma realidade. Embora a transição<br />
bem-sucedida para a circularidade seja, sem<br />
dúvida, uma responsabilidade e um esforço<br />
partilhados, os players logísticos são a espinha<br />
dorsal natural. A circularidade muda a forma<br />
como os materiais e os produtos se movem –<br />
de uma linha reta para um círculo regenerativo<br />
– e gerir eficientemente o fluxo de bens é o<br />
objetivo da logística. •
SCM Supply Chain Magazine 29
30<br />
FEVEREIRO <strong>2022</strong><br />
PROCUREMENT<br />
Texto: Ana Paiva<br />
Rovensa<br />
ROVENSA OTIMIZA<br />
COMUNICAÇÃO COM<br />
FORNECEDORES<br />
A Rovensa, player industrial na indústria<br />
agrícola, implementou recentemente<br />
uma solução com o objetivo de facilitar<br />
a comunicação com atuais e potenciais<br />
fornecedores: o Rovensa Supplier Portal.<br />
Patrícia Roxo, procurement director da<br />
empresa, contou-nos o motivo pelo qual<br />
adotaram esta solução e o que pretendem<br />
alcançar. Mais um passo que volta a mostrar<br />
que a digitalização e o procurement podem<br />
ser grandes amigos.
SCM Supply Chain Magazine 31<br />
Patrícia Roxo, procurement director Rovensa<br />
janela de comunicação com<br />
fornecedores e potenciais fornecedores<br />
“Uma<br />
do grupo”, é assim que Patrícia Roxo<br />
caracteriza o Rovensa Supplier Portal,<br />
identificando como principal objetivo este<br />
ser um “canal de comunicação que nos<br />
permitisse estreitar relações com o mercado<br />
fornecedor, abrindo uma janela para que<br />
potenciais fornecedores, que nos contactavam<br />
de diversas formas para nos dar a conhecer a<br />
sua empresa, pudessem, após uma primeira<br />
abordagem, ser encaminhados para um ‘local’<br />
onde caracterizassem a sua empresa e nos<br />
dessem a conhecer os produtos ou serviços<br />
que comercializavam”, explica. Além disto, a<br />
empresa pretendia ainda ter uma base de dados<br />
de fornecedores atuais e novos, atualizada<br />
pelos próprios que lhe permitisse controlar a<br />
informação e tratá-la de forma “mais efetiva<br />
e eficiente”. Simultaneamente, este canal<br />
“permite-nos também transmitir os nossos<br />
valores e as regras com que nos pautamos<br />
do ponto de vista do procurement, e que são<br />
reflexo dos valores do grupo Rovensa e das<br />
quais não abdicamos, permitindo manter uma<br />
atividade comercial construtiva, saudável e<br />
duradoura”, afirma Patrícia Roxo.
32<br />
FEVEREIRO <strong>2022</strong><br />
“O CANAL PRIVILEGIADO<br />
DE CRIAÇÃO DE NOVOS<br />
FORNECEDORES”<br />
Este projeto encontra-se ainda numa fase<br />
inicial. Contudo, tal como foi pensado,<br />
a curto-prazo, o portal permitirá reduzir<br />
algumas tarefas que os compradores teriam<br />
de executar quando da colocação de ordens<br />
de compra. Os documentos passam agora<br />
a estar disponíveis para consulta no site,<br />
quando, antes, eram enviados por e-mail.<br />
Por outro lado, o processo de criação de um<br />
novo fornecedor no ERP será igualmente<br />
simplificado, “pois existe uma automatização<br />
entre as informações requeridas para um<br />
novo fornecedor e as necessárias para a sua<br />
criação, reduzindo o número de interações<br />
iniciais típicas de quando iniciamos a atividade<br />
comercial com um novo parceiro”, adianta a<br />
procurement director.<br />
O Rovensa Supplier Portal apresenta-se<br />
como uma solução não só para a comunicação<br />
com os fornecedores, mas também para<br />
clientes internos e externos. No que diz<br />
respeito aos fornecedores, o portal terá uma<br />
função “bastante útil” sobretudo ao nível da<br />
visibilidade e antecipação na resolução de<br />
eventuais problemas na faturação, uma vez<br />
que permite que cada fornecedor consulte<br />
os documentos que têm a pagamento, bem<br />
como a previsível data em que o mesmo vai<br />
acontecer. Quanto à comunicação com os<br />
clientes, estes poderão consultar documentos<br />
que “entendemos serem fundamentais para<br />
uma maior transparência, quer no processo<br />
de compra e venda (Termos e Condições<br />
Gerais de Compras), quer na negociação e<br />
COM ESTE PORTAL, A<br />
EXPECTATIVA QUE TEMOS É<br />
QUE SEJA POSSÍVEL OBTER<br />
ALTERNATIVAS VIÁVEIS<br />
QUE PERMITAM MITIGAR<br />
RISCOS NA CADEIA DE<br />
ABASTECIMENTO<br />
na relação comercial (Código de Conduta do<br />
Fornecedor), quer na comunicação dos nossos<br />
princípios orientadores (Política de Compras<br />
Sustentáveis)”, explica Patrícia Roxo.<br />
“As ambições/desafios que projetámos<br />
para o portal passa por torná-lo o canal<br />
privilegiado de criação de novos fornecedores”<br />
e, em simultâneo, fazer desta uma ferramenta<br />
“basilar” de comunicação com os fornecedores<br />
onde se possam atualizar procedimentos,<br />
comunicar alterações, avaliações,<br />
discutir planos de ação de recuperação/<br />
desenvolvimento “ou até mesmo interagir com<br />
os fornecedores ao invés do uso do e-mail,<br />
quem sabe?”, questiona a responsável.<br />
Após uma fase tão conturbada potenciada<br />
pela pandemia, que “acelerou a velocidade de<br />
degradação de alguns negócios e parceiros”,<br />
Patrícia Roxo considera importante, nesta<br />
fase, adicionar novas soluções e sources<br />
ao portefólio de fornecedores da Rovensa.<br />
“Com este portal, a expectativa que temos é<br />
que seja possível obter alternativas viáveis<br />
que permitam mitigar riscos na cadeia de<br />
abastecimento”, ambiciona a procurement<br />
director. •
SCM Supply Chain Magazine 33<br />
Outsourcing Logístico<br />
Serviços<br />
Descarga e receção de mercadorias Conferência e arrumação Manipulações e<br />
Recondicionamento Etiquetagem Co-packing Kitting Picking e Embalamento<br />
Cross-docking Carregamento e Expedição de Mercadorias Carga e Descarga de Contentores<br />
Operações “One-shot” (campanhas) Controlo de Qualidade Realização de inventários<br />
Gestão de Devoluções Controlo e Manutenção de Suportes de Manuseamento<br />
Tratamento de Vasilhame e Resíduos<br />
Um grande grupo.<br />
www.grupoconstant.com
34<br />
FEVEREIRO <strong>2022</strong><br />
PROCUREMENT<br />
SmarketCity Amadora
SCM Supply Chain Magazine 35<br />
Texto: Fábio Santos<br />
SMARKETCITY<br />
AMADORA SURGE<br />
COMO PRIMEIRO<br />
MERCADO DIGITAL<br />
DA REGIÃO<br />
A terminar 2021, a Câmara<br />
Municipal da Amadora lançou<br />
oficialmente o primeiro<br />
SmarketCity, um mercado digital<br />
focado em promover a economia<br />
circular e o tecido empresarial da<br />
região. Esta ferramenta gratuita<br />
foi desenvolvida em parceria<br />
com a Vortal com a finalidade<br />
de facilitar as compras e vendas<br />
entre empresas da Amadora,<br />
mesmo as de menor dimensão.<br />
O<br />
lançamento da plataforma SmarketCity<br />
Amadora teve como mote “Apostamos na<br />
Economia Local”, e ocorreu numa sessão<br />
que teve lugar na Amadora Inova. Para já,<br />
está a decorrer o período de pré-registo de<br />
todas as empresas da região na plataforma.<br />
No site da Vortal pode ainda ler-se que “o<br />
projeto surgiu da necessidade de promover a<br />
evolução digital das empresas e de recuperar
36<br />
FEVEREIRO <strong>2022</strong><br />
a economia. Promover a digitalização e a<br />
inovação do tecido empresarial regional,<br />
dinamizando e capacitando a comunidade de<br />
fornecedores locais, centralizando todas as<br />
compras num só local e criando uma lógica de<br />
economia circular, na qual a região se torna<br />
sustentável”.<br />
A mesma fonte aponta que a plataforma<br />
permite às empresas:<br />
• Aceder e fazer parte de uma lista<br />
atualizada de empresas do concelho;<br />
• Promover o seu negócio através de um<br />
perfil onde apresentam os seus produtos<br />
e serviços;<br />
• Aceder a todas as oportunidades de<br />
negócio da região de acordo com a sua<br />
área de negócio;<br />
• Serem automaticamente convidadas<br />
a apresentar as suas propostas às<br />
oportunidades de negócio dentro da sua<br />
área de negócio;<br />
• Consultar o mercado e pedir propostas<br />
a todas as empresas da região em<br />
determinada área de negócio;<br />
• Comprar de forma mais eficiente,<br />
com propostas mais competitivas e<br />
promovendo a sustentabilidade da região.<br />
Para além de permitir uma aproximação<br />
a outras empresas, este espaço também<br />
permite que empresas que não contam com<br />
plataformas digitais possam ter acesso a uma,<br />
e expandir a sua carteira de clientes sem<br />
custos adicionais.<br />
Bernardo Bastos Lopes, diretor do<br />
SmarketCity na Vortal, explica que para terem<br />
acesso “as empresas, independentemente da<br />
sua dimensão e setor de atividade, começam<br />
por fazer um pedido de orçamento através do<br />
SmarketCity. De seguida, todas as empresas<br />
registadas enquanto vendedoras desse tipo<br />
de produto/serviço são notificadas, podendo<br />
apresentar as suas propostas. Quem está<br />
interessado em comprar avalia então todas as<br />
propostas recebidas e decide com quem quer<br />
fechar negócio. Isto aplica-se a qualquer tipo<br />
de produtos e serviços, bastando para isso que<br />
exista uma empresa da região que o forneça”.<br />
Carla Tavares, presidente da Câmara da<br />
Amadora, compreende a importância destas<br />
redes colaborativas e de partilha de serviços,<br />
e de ajudar as empresas neste momento de<br />
dificuldade para a economia local. “O tecido<br />
empresarial é uma parte significativa e<br />
muitíssimo relevante da nossa cidade e daquilo<br />
que é a sua vivência. Queremos consolidar e<br />
fazer crescer a nossa intervenção na cidade,<br />
que tem sido liderada pela Amadora Inova.<br />
Estamos juntos neste desafio de consolidação<br />
do tecido empresarial, que é importante neste<br />
momento mais difícil, que representa uma<br />
mais-valia para o tecido empresarial da cidade”,<br />
comenta a autarca.<br />
“O SmarketCity dá uma voz a todos os<br />
negócios da região, facilita a economia circular<br />
e ajuda a fazer crescer os pequenos negócios<br />
sem obrigar a qualquer investimento, algo<br />
particularmente importante nesta fase de<br />
recuperação”, defende Jorge Macara, vice-<br />
-presidente da Vortal, “acreditamos que é<br />
preciso convergir para uma lógica de economia<br />
circular e quisemos estar na frente, ao criar<br />
este conceito e disponibilizá-lo aos Municípios<br />
de todo o país”. •
SCM Supply Chain Magazine 37
38<br />
FEVEREIRO <strong>2022</strong><br />
PROCUREMENT<br />
Texto: Dora Assis<br />
McKinsey<br />
DESCARBONIZAÇÃO:<br />
TRANSFORMAÇÃO<br />
ECONÓMICA<br />
PRECISA-SE<br />
À medida que os compromissos<br />
climáticos globais aumentam,<br />
países e empresas enfrentam a<br />
transformação da economia global<br />
necessária para atingir zero emissões<br />
líquidas de gases com efeito de<br />
estufa até 2050.
SCM Supply Chain Magazine<br />
39<br />
O<br />
relatório da McKinsey & Company,<br />
“Transição Net Zero: quanto custaria, o que<br />
poderia trazer”, partilha uma visão ampla<br />
sobre o tema, já que avalia as implicações<br />
para a procura, gastos de capital, custos<br />
de produção e empregos em setores que<br />
produzem 85% das emissões totais, com uma<br />
análise detalhada que foi realizada em 69<br />
países, Portugal incluído.<br />
O estudo avalia a transição em duas<br />
dimensões: setores e geografias. A análise<br />
toma como ponto de partida e caminho para<br />
atingir zero emissões líquidas no cenário<br />
hipotético “Net Zero 2050”, da Network for<br />
Greening the Financial System (NGFS).<br />
Vamos às principais conclusões:<br />
• A transição seria universal. Todos os<br />
setores económicos e países seriam<br />
afetados à medida que são revistos todos<br />
os sistemas de energia e de uso da terra<br />
que sustentam as economias e que são<br />
responsáveis por gerar emissões.<br />
• A escala da transformação económica<br />
seria significativa. Os gastos de capital<br />
em ativos físicos totalizariam cerca<br />
de 275 biliões de dólares até 2050 –<br />
aproximadamente 9,2 biliões de dólares<br />
por ano – ou um aumento de 3,5 biliões<br />
nos gastos anuais que são hoje feitos,<br />
à medida que diminuem as atividades<br />
responsáveis por emissões elevadas e<br />
aumentam as atividades com emissões<br />
mais baixas. Por exemplo, hoje 65% dos<br />
gastos com energia e terra vão para<br />
produtos responsáveis por um elevado<br />
nível de emissões. No futuro, 70% iriam<br />
para produtos com baixas emissões e as<br />
infraestruturas necessárias, revertendo a<br />
tendência atual.<br />
• Redistribuição massiva de mão de obra<br />
pode ser necessária, com cerca de 200<br />
milhões de empregos diretos e indiretos<br />
gerados e 185 milhões perdidos até 2050<br />
com a transição para “net zero”.<br />
• As mudanças seriam antecipadas.<br />
A próxima década será decisiva. Os<br />
gastos, que hoje rondam os 6,8% do PIB,<br />
aumentariam para 8,8% entre 2026 e<br />
2030, antes de diminuírem. Além disso,<br />
os custos de produção de eletricidade<br />
aumentariam de imediato, mas cairiam<br />
depois de atingirem o pico.<br />
• O impacto da transição seria sentido de<br />
forma desigual entre setores, países e<br />
comunidades. Os mais expostos seriam<br />
os setores com produtos ou operações<br />
com elevados níveis de emissões; países<br />
com rendimentos mais baixos per capita<br />
e aqueles com grandes recursos de<br />
combustíveis fósseis; e comunidades cujas<br />
economias locais dependem de setores<br />
expostos. Os setores mais expostos<br />
correspondem atualmente a cerca de 20%<br />
do PIB mundial. Outros 10% do PIB estão<br />
em setores cujas cadeias de fornecimento<br />
têm emissões elevadas, como, por<br />
exemplo, a construção. Famílias com<br />
rendimentos mais baixos por todo o
40 FEVEREIRO <strong>2022</strong><br />
mundo poderão ser mais afetadas pelo<br />
aumento do custo da eletricidade a curto<br />
prazo e pelos custos relacionados com o<br />
capital que possam vir a necessitar para<br />
aquisição de produtos com emissões mais<br />
reduzidas, como novos aquecedores ou<br />
carros elétricos.<br />
• Apesar da dimensão dos ajustes<br />
necessários, os custos e as mudanças<br />
causadas pelo aumento de riscos físicos,<br />
ou por uma transição desordenada,<br />
seriam provavelmente muito maiores.<br />
A transição acarreta riscos se não for<br />
bem gerida, inclusive de escassez de<br />
energia e de aumento de preços. Se não<br />
for feita a tempo ou ocorrer de forma<br />
abrupta, a transição aumenta o risco de<br />
ativos estagnados e de deslocalização<br />
de trabalhadores. Contudo, os resultados<br />
seriam muito piores se não for tomada<br />
nenhuma medida: alcançar zero emissões<br />
líquidas e limitar o aquecimento a 1,5 °C<br />
evitaria os impactos mais catastróficos<br />
das alterações climáticas, incluindo<br />
limitar o risco de feedback loops (ciclos de<br />
retroalimentação, que ajudam a aumentar<br />
ainda mais as temperaturas do planeta)<br />
e de preservar a nossa capacidade de<br />
interromper o aquecimento adicional.<br />
• Uma transição ordenada oferece<br />
oportunidades de crescimento e<br />
benefícios duradouros que vão para<br />
além da descarbonização. Apesar de os<br />
impactos serem distribuídos de forma<br />
desigual, uma transição bem coordenada<br />
pagaria dividendos, incluindo o potencial<br />
para uma descida a longo prazo nos<br />
custos de energia, melhores resultados<br />
para a saúde e para a conservação do<br />
capital natural. As áreas de crescimento<br />
poderiam ser operações mais eficientes<br />
com base na descarbonização e a criação<br />
de novos mercados para produtos de<br />
baixa emissão de carbono.<br />
Alcançar a transição para zero emissões<br />
líquidas dependerá do envolvimento<br />
de empresas, governos, instituições e<br />
indivíduos em todo o mundo, exigindo uma<br />
mudança total de mentalidade, incluindo<br />
a preparação para o inesperado e para os<br />
riscos a curto prazo, mas também agir com<br />
maior determinação, unidade e habilidade,<br />
ampliando os horizontes de planeamento e<br />
investimento.<br />
As partes interessadas necessitam de<br />
acelerar os esforços atuais para descarbonizar,<br />
aproveitar oportunidades e adaptar ao risco<br />
físico decorrente das alterações climáticas.
SCM Supply Chain Magazine<br />
41<br />
“A transição económica para alcançar<br />
zero emissões líquidas será complexa e<br />
desafiadora, mas é necessária”, refere Bruno<br />
Esgalhado, sócio da McKinsey & leader of<br />
sustainability practice in Iberia. “A questão<br />
agora é se o mundo pode agir com ousadia<br />
e aumentar a resposta e o investimento<br />
necessários na próxima década”.<br />
Este relatório baseia-se no documento de<br />
referência realizado pela McKinsey, Solving<br />
the net-zero equation: Nine requirements<br />
for a more orderly transition, sendo uma<br />
atualização da publicação efetuada em<br />
2020 Climate risk and response: Physical<br />
hazards and socioeconomic impacts – um<br />
compromisso da McKinsey que visa contribuir<br />
para a investigação multidisciplinar que, ao<br />
longo de um ano, se concentrou no risco físico<br />
e nos potenciais efeitos sobre as pessoas<br />
e sobre as comunidades, o capital natural<br />
e físico e sobre as atividades económicas,<br />
para além das implicações para as empresas,<br />
governos, instituições financeiras e indivíduos.<br />
Encontra o relatório completo em mck.co/<br />
netzerotransition. •
42<br />
FEVEREIRO <strong>2022</strong><br />
INTRALOGÍSTICA<br />
Universal Robots<br />
Texto: Fábio Santos<br />
“A ROBÓTICA É MUITO<br />
MAIS DO QUE AS<br />
PESSOAS PENSAM”<br />
Colaboração. É uma palavra forte e cheia<br />
de significados positivos, não é verdade?<br />
Seja entre humanos, entre robôs ou<br />
mesmo entre ambos. Os co-bots, os robôs<br />
colaborativos, surgem como alternativa aos<br />
robôs convencionais que fazem trabalhos<br />
repetitivos num local. Estes robôs têm como<br />
função auxiliar os funcionários nas suas<br />
tarefas, podendo ser reprogramados para<br />
outras funções.
SCM Supply Chain Magazine 43<br />
Miguel Oliveira, Universal Robots<br />
Miguel Oliveira, sales development manager<br />
Portugal da Universal Robots, explica-<br />
-nos um pouco mais sobre este tipo de<br />
automação. Começa por apontar os aspetos<br />
positivos e diferenciadores entre a robótica<br />
colaborativa e a robótica convencional. “Uma<br />
das questões fundamentais tem que ver com<br />
a flexibilidade e facilidade de utilização e com<br />
a segurança. Ao contrário da automação com<br />
robôs mais tradicionais, e que normalmente são<br />
utilizados para fazer o mesmo tipo de trabalho,<br />
repetitivo, na robótica colaborativa nós temos a<br />
vantagem da flexibilidade”, conta-nos.<br />
Deste modo, dá o exemplo das Pequenas<br />
e Médias Empresas (PME), que necessitam<br />
de um equipamento que não seja estático<br />
e sim dinâmico, permitindo-lhes adaptar as<br />
suas operações às necessidades do momento.<br />
E como o próprio nome diz, existe ainda a<br />
vantagem do próprio robô poder desenvolver<br />
tarefas compartilhadas com pessoas.<br />
BARREIRAS E VANTAGENS<br />
A Universal Robots foi pioneira no conceito de<br />
robótica colaborativa em 2005, e lançaram o<br />
primeiro robô para o mercado em 2008. Desde<br />
então que a robótica colaborativa tem tido “um<br />
crescimento exponencial”, e muitas empresas<br />
de robótica tradicional, ou que trabalhavam<br />
com robôs tradicionais, estão a seguir este<br />
conceito e a vir atrás deste nicho de mercado.<br />
Miguel Oliveira aponta desde logo que uma<br />
das vantagens é de os robôs colaborativos<br />
não precisarem de espaço adicional, podendo<br />
trabalhar sem vedações e num local partilhado<br />
com pessoas. “As grandes dificuldades que
44<br />
FEVEREIRO <strong>2022</strong><br />
podem surgir, por vezes, é que há situações em<br />
que a aplicação do robô é bastante simples, em<br />
que basta-nos fixar o robô em frente à máquina<br />
e fazer-lhe um programa de carga e descarga,<br />
uma implementação que pode durar apenas<br />
uma tarde, mas também há situações mais<br />
complexas, em que é preciso criar as condições,<br />
ou fazer algumas adaptações mecânicas na<br />
máquina do cliente”, explica.<br />
“A robótica é muito mais do que as pessoas<br />
pensam, e é uma tecnologia cada vez mais<br />
acessível”, explica o responsável, “a tendência é<br />
ser cada vez mais simples e mais acessível”.<br />
TENDÊNCIAS<br />
Miguel Oliveira considera que apesar de se<br />
continuar a trabalhar nas áreas tradicionais,<br />
da indústria, “cada vez mais este tipo de<br />
tecnologia começa a aparecer em áreas não tão<br />
tradicionais”, como é o caso de alguns projetos<br />
internacionais que a Universal Robots tem na<br />
restauração, ou na medicina e reabilitação.<br />
“A área da logística também é uma área<br />
em que se prevê um crescimento bastante<br />
grande no investimento em robôs”, explica o<br />
responsável, justificando esse crescimento que<br />
se tem vindo a sentir no comércio eletrónico,<br />
uma vez que as pessoas compram cada vez<br />
mais online, e as empresas de logística têm de<br />
procurar alternativas à falta de mão de obra.<br />
“A tendência na automação e na robótica<br />
é cada vez mais simplificar os processos, e<br />
ser cada vez mais uma tecnologia acessível a<br />
todos”, comenta o responsável. Na sua opinião,<br />
o futuro irá passar por ser uma tecnologia<br />
acessível a todos. “No passado os robôs eram<br />
uma tecnologia que normalmente era utilizada<br />
só por grandes empresas, muito na área<br />
automóvel, e empresas que tinham volumes
SCM Supply Chain Magazine 45<br />
de produção elevados. Hoje em dia, com a<br />
facilidade de acesso que estes equipamentos<br />
começam a ter, está-se a tornar uma<br />
tecnologia acessível”, defende Miguel Oliveira.<br />
O responsável da Universal Robots aponta<br />
ainda que a robótica colaborativa deve<br />
ser cada vez mais um equipamento que<br />
as empresas - independentemente da sua<br />
dimensão – possam utilizar e usufruir dos seus<br />
benefícios.<br />
NECESSIDADES ESPECÍFICAS E<br />
GENÉRICAS<br />
Nas diferentes indústrias e áreas existem<br />
diferentes necessidades, dependendo também<br />
muito da finalidade do produto. Exemplificando<br />
com o caso de packaging, é utilizado por<br />
praticamente todo o tipo de indústria, e como<br />
tal são necessidades semelhantes, mas se,<br />
por outro lado, a finalidade for de controlo<br />
de qualidade, já envolve necessidades mais<br />
específicas e personalizadas.<br />
“Somos especialistas em robôs, mas temos<br />
todo um ecossistema constituído por terceiras<br />
partes, por empresas que são especialistas<br />
em determinado tipo de produtos, como é o<br />
caso dos sistemas de visão, e que desenvolvem<br />
produtos complementares aos nossos<br />
robôs”, explica o responsável. Estes produtos<br />
terceirizados são certificados pela Universal<br />
Robots, trabalhando de uma forma muito<br />
intuitiva, sendo normalmente de plug & play,<br />
e vêm com um software que descarregado<br />
para o robô e que permite toda a configuração<br />
do equipamento. “Podem ser utilizados em<br />
qualquer tipo de indústria”, defende.<br />
No caso de uma aplicação com sistema de<br />
visão, esta é sempre mais complexa porque não<br />
é um processo estável, estando dependente
46<br />
FEVEREIRO <strong>2022</strong><br />
de fatores externos, nomeadamente da<br />
iluminação; da própria zona de instalação<br />
do robô; das condições em que o produto<br />
é entregue; das próprias características do<br />
produto que podem refletir luz… “Existe uma<br />
série de variáveis que torna o processo mais<br />
complexo, mas hoje em dia, com a tecnologia<br />
disponível, e com a facilidade que temos de<br />
fazer testes com o produto, muitas vezes<br />
antes de avançarmos para o projeto fazemos<br />
uma prova de conceito, onde testamos com o<br />
próprio produto do cliente, e isso permite-nos<br />
ter uma garantia de que depois vai funcionar”,<br />
revela Miguel Oliveira.<br />
Precisamente por esta necessidade de<br />
adaptação ao produto e operações individuais,<br />
os robôs da Universal Robots não têm sistema<br />
de visão integrado. “O sistema de visão tem<br />
de ser estudado em função do processo. A<br />
visão é uma coisa muito específica, e por isso<br />
trabalhamos com parceiros especialistas em<br />
visão”.
SCM Supply Chain Magazine 47<br />
APOIO AO INVESTIMENTO<br />
O responsável admite que este é um grande<br />
investimento para as empresas, especialmente<br />
para as PME, e como tal lançaram um programa<br />
de financiamento para auxiliar as empresas<br />
na compra de equipamentos. “Lançámos<br />
este programa de financiamento e passado<br />
algum tempo surgiu a pandemia, e isso fez<br />
com que as empresas se retraíssem um pouco<br />
nos investimentos, independentemente de<br />
eles poderem ter este tipo de financiamento”,<br />
admite, no entanto, captou o interesse das<br />
mesmas.<br />
Miguel Oliveira conta que estas empresas<br />
normalmente sentiam necessidade de<br />
automatizar processos e de uma maior<br />
flexibilidade tecnológica que a robótica<br />
tradicional não lhes fornecia, vantagem que<br />
viram nos seus co-bots. Por outro lado, o<br />
investimento necessário era outro entrave<br />
para a aquisição destes equipamentos, e assim<br />
surge o programa de apoio financeiro. “Já<br />
fizemos algumas operações aqui em Portugal,<br />
e a procura está a crescer significativamente,<br />
principalmente dentro das PME”, revela.
48<br />
FEVEREIRO <strong>2022</strong><br />
Em Portugal, a indústria metalomecânica é<br />
um dos principais segmentos em que estão a<br />
instalar robôs, mas “a robótica colaborativa,<br />
devido à sua facilidade de utilização tem<br />
vindo a ser utilizada de uma forma geral por<br />
todo o tipo de indústria”. Na área alimentar e<br />
na indústria farmacêutica, especialmente em<br />
finais de linha e paletização; na indústria dos<br />
plásticos para controlo de qualidade; “eu diria<br />
que em praticamente todo o tipo de indústria<br />
nós temos vindo a ter aplicações”.<br />
Também começam a ter alguma procura<br />
por áreas não-tradicionais, ou não-industriais.<br />
“Começa a surgir uma procura grande na<br />
área da logística, é uma área que está com<br />
bastante procura de soluções robotizadas,<br />
e isso também tem um pouco a ver com<br />
a pandemia, que veio acelerar ainda mais<br />
o comércio eletrónico, e essas empresas<br />
que fazem esse tipo de serviço, de um<br />
momento para o outro tiveram uma procura<br />
exponencial”, explica.
SCM Supply Chain Magazine 49<br />
TECNOLOGIA ACESSÍVEL A QUEM<br />
NÃO É ESPECIALISTA<br />
Por ser uma área muito específica e<br />
tecnológica, a robótica não é uma área fácil de<br />
compreender, e empresas menos habituadas<br />
a este nível de automação por vezes não se<br />
sentem confortáveis para investir nela. Como<br />
tal, a Universal Robots reforçou o seu mote de<br />
tornar a tecnologia acessível ao maior número<br />
de pessoas possível, sendo que para isso não<br />
basta apoio financeiro: é preciso compreender.<br />
“Tornar a tecnologia acessível a todos<br />
também passa por disponibilizar formação às<br />
pessoas”, defende Miguel Oliveira, e explica<br />
que caso uma pessoa se queira inscrever num<br />
curso da Universal Robots o pode fazer de<br />
forma simples e gratuita no site da empresa.<br />
“Qualquer pessoa, seja ela com formação<br />
técnica ou não, pode aprender a programar um<br />
robô da Universal Robots”, conclui. •
50<br />
FEVEREIRO <strong>2022</strong><br />
Texto: Fábio Santos<br />
MARINHA<br />
DO BRASIL<br />
DISTINGUIDA<br />
COM PRÉMIO<br />
AUTOMAÇÃO DA<br />
GS1 BRASIL<br />
INTRALOGÍSTICA<br />
Prémio Automação GS1<br />
Brasil<br />
A terminar o ano 2021, a Marinha do Brasil<br />
foi distinguida com o Prémio Automação<br />
2021 da GS1 Brasil na categoria “Automação<br />
dos processos de fardamento”, pelo<br />
projeto de modernização do depósito<br />
de fardamento da Marinha no Rio de<br />
Janeiro. Os fornecedores de fardas e de<br />
serviço encarregues pelo projeto foram,<br />
respetivamente, a Kway e a portuguesa<br />
Slidelog, que também foram distinguidos<br />
com a mesma condecoração.
SCM Supply Chain Magazine 51<br />
O<br />
prémio foi entregue à Diretoria de<br />
Abastecimento da Marinha durante a 23ª<br />
cerimónia do Prémio Automação da GS1<br />
Brasil em São Paulo, no dia 8 de Dezembro<br />
de 2021. Este ano, o tema foi “Reinvente-se”,<br />
e João Carlos Oliveira, presidente da GS1<br />
Brasil, justificou esta escolha: “muita coisa<br />
aconteceu desde nosso último encontro em<br />
2019. Vivemos o período da quarentena,<br />
depois a retomada lenta das atividades<br />
presenciais, muita instabilidade no mercado<br />
e na economia, mas em meio a tantos<br />
desafios, coisas boas também aconteceram.<br />
Muitos empresários se reinventaram e novos<br />
negócios surgiram, demonstrando a força do<br />
empreendedor brasileiro. Justamente por isso<br />
a escolha do tema”.<br />
O desafio era poder contribuir com a<br />
eficiência do sistema de abastecimento da<br />
Marinha no processo de automação dos<br />
processos de fardamento. Fernandes Lima,<br />
Capitão de Fragata da Marinha do Brasil e<br />
líder do projeto, conta que “o projeto de<br />
reconfiguração logística foi concebido com o<br />
propósito de prover melhorias operacionais.<br />
Nós optámos por adotar na nossa operação<br />
dois códigos: o código linear e o código<br />
DataMatrix”.<br />
“Este material entra no nosso stock,<br />
aguardando a sua distribuição, de Norte a Sul<br />
do Brasil”, explica a capitão de mar e guerra<br />
da Marinha do Brasil, Andrea.<br />
A Marinha brasileira precisou de fazer uma<br />
completa reestruturação do armazém de<br />
fardamento para implementar o sistema WMS<br />
de Sistemas de Prateleiras Automatizadas<br />
(AVEP), coletores de dados e tapetes<br />
transportadores.<br />
Pedro Lopes Ribeiro, CEO da Slidelog<br />
Todos os materiais fornecidos passaram a<br />
receber etiquetas padronizadas, com dados<br />
variáveis, como lote, fabricação, serialização,<br />
além de informações como o código OTAN<br />
e GTIN, tudo codificado no GS1 DataMatrix.<br />
Entre os benefícios conquistados, a Marinha<br />
do Brasil destaca os seguintes:<br />
• Mais confiabilidade operacional;<br />
• Aumento da motivação da equipa de<br />
trabalho;<br />
• Mais agilidade e controle na distribuição<br />
de materiais de fardamento da Marinha;<br />
• Redução de OPEX (Operational<br />
Expenditure).<br />
“Destaco também a participação dos<br />
nossos parceiros, a Slidelog e a Kway, que<br />
juntamente com o apoio incondicional da GS1<br />
durante todas as fases do projeto, permitiram<br />
que a solução fosse implementada”, afirma<br />
Fernandes Lima, capitão de Fragata da<br />
Marinha do Brasil.
52<br />
FEVEREIRO <strong>2022</strong><br />
Pedro Lopes Ribeiro, CEO da Slidelog,<br />
explica que um dos desafios da empresa<br />
foi “sermos capazes de resolver problemas<br />
complexos de uma forma simples, e que<br />
coubesse na dotação orçamental existente e<br />
que não podia ser excedida”, e destaca que,<br />
no final, a Marinha do Brasil conseguiu gastar<br />
apenas 31% do orçamento planeado para este<br />
projeto.<br />
Outra das envolventes foi a gestão de<br />
um projeto complexo com uma equipa<br />
multidisciplinar e multinacional de 13<br />
profissionais, responsáveis por diversas<br />
facetas do projeto:<br />
• Um novo algoritmo de reabastecimento<br />
para as lojas;<br />
• Redesenho do layout de armazenamento<br />
do Centro de Distribuição;<br />
• Especificações de equipamentos<br />
de armazenamento do Centro<br />
de Distribuição (inclui AS/RS,<br />
transportadores, etc.);<br />
• Especificações dos equipamentos de<br />
movimentação de carga (empilhadores,<br />
cherry pickers, stackers, etc.);<br />
• Projeto elétrico do Centro de<br />
Distribuição;<br />
• Projeto de prevenção e extinção de<br />
incêndio no Centro de Distribuição;<br />
O RECONHECIMENTO<br />
INTERNACIONAL AJUDOU<br />
A SERMOS ACEITES EM<br />
PROJETOS À ESCALA<br />
NACIONAL<br />
• Rede de dados lógicos do Centro de<br />
Distribuição;<br />
• Simulação matemática do Centro de<br />
Distribuição de carga de trabalho e<br />
atividade de stresse;<br />
• Especificações técnicas de tecnologia<br />
de TI (Servidores, PCs, scanners de<br />
identificação, periféricos, etc.);<br />
• Redesenho de todo o processo de<br />
CD (ex: recebimento, conferência de<br />
quantidade, conferência de qualidade,<br />
quarentena, armazenamento, picking,<br />
expedição, etc.);<br />
• A definição dos recursos e<br />
funcionalidades do Warehouse<br />
Management System (WMS);<br />
• Integração do sistema WMS com ERP;<br />
• A implementação de um novo processo<br />
de código de barras 2D compatível com<br />
GS1.
SCM Supply Chain Magazine 53<br />
Pedro Lopes Ribeiro comenta que “o<br />
prémio Automação 2021 GS1 Brasil é,<br />
provavelmente, o mais prestigiado troféu<br />
que as empresas e os profissionais almejam.<br />
Reconhece os melhores na busca de soluções<br />
de melhoria, de aumento de eficiência e de<br />
competitividade através de inovação dos<br />
processos de automação usando os standards<br />
GS1. Quando soubemos que havíamos<br />
sido premiados, foi uma imensa surpresa<br />
porquanto foi a Marinha do Brasil que lançou<br />
a sua candidatura junto da GS1”.<br />
Ainda relativamente ao prémio, destaca<br />
que esta distinção “institucionaliza o<br />
reconhecimento de uma empresa portuguesa<br />
no dificílimo mercado internacional de<br />
engenharia e consultoria logística”, e<br />
os resultados já são visíveis. “Fomos<br />
contactados para fazer outros projetos a nível<br />
internacional e em diferentes continentes.<br />
Em Portugal, como tantas vezes acontece,<br />
o reconhecimento internacional ajudou<br />
a sermos aceites em projetos à escala<br />
nacional”, conclui o responsável. •<br />
CONNOSCO
54<br />
FEVEREIRO <strong>2022</strong><br />
TECNOLOGIAS<br />
Texto: Fábio Santos<br />
Boost Together 2025<br />
FOMENTAR A<br />
DIGITALIZAÇÃO DA<br />
SUPPLY CHAIN<br />
A Generix anunciou o seu plano<br />
estratégico “Boost together 2025”<br />
para os próximos anos. Como o próprio<br />
nome indica, é uma estratégia que<br />
envolve também os seus clientes, e um<br />
“crescimento conjunto” e bilateral. Em<br />
entrevista à SCM, Marc Defretin, diretor<br />
geral da Generix Group Portugal, contanos<br />
em que consiste o plano e quais os<br />
seus objetivos.
SCM Supply Chain Magazine 55<br />
Se num cenário pré-pandémico a Generix<br />
já tencionava reforçar a sua presença no<br />
mercado, com a chegada da pandemia<br />
e da transformação tecnológica que esta<br />
impulsionou, as suas expectativas e objetivos<br />
foram ainda maiores. A tecnológica francesa<br />
colocou em marcha o plano estratégico “Boost<br />
Together 2025” para os próximos três anos,<br />
com a finalidade de acelerar a transformação e<br />
internacionalização do Generix Group.<br />
O plano baseia-se na implementação de três<br />
eixos estratégicos até 2025:<br />
• Intensificação dos investimentos na<br />
plataforma digital Supply Chain Hub<br />
para acelerar a implantação em todos os<br />
mercados onde atuam;<br />
• Elevado nível de excelência operacional<br />
em benefício da experiência e satisfação<br />
do cliente;<br />
• Uma oferta de serviços e consultoria<br />
enriquecida para os clientes do grupo<br />
e uma melhoria do go-to-market para<br />
aumentar a cobertura internacional.<br />
Marc Defretin, diretor geral da Generix Group Portugal<br />
Marc Defretin conta que a criação deste<br />
plano teve por base os desafios dos seus<br />
clientes, a mudança dos hábitos de consumo e<br />
o ritmo acelerado da transformação digital dos<br />
negócios. “Com este plano pretende-se obter<br />
uma presença mais equilibrada entre a América<br />
e a Europa, com foco nos setores do retalho,<br />
eCommerce, indústria e operadores logísticos”,<br />
explica.<br />
BOOST TOGETHER 2025<br />
O principal objetivo do Boost Together 2025<br />
passa por confirmar a posição da Generix<br />
Group como player mundial no setor de<br />
tecnologia para a gestão global da Supply<br />
Chain, “disponibilizando uma plataforma de<br />
software aberta e flexível para implementações<br />
industriais e padronizadas das nossas soluções<br />
em todas as geografias do mundo”.
56<br />
FEVEREIRO <strong>2022</strong><br />
Por ter uma grande presença internacional,<br />
em 60 países, e estar em forte expansão de<br />
crescimento, um dos desafios envolveu a<br />
criação de uma plataforma de soluções SaaS,<br />
o Supply Chain Hub, para ser utilizada pelos<br />
seus clientes. Atualmente, já a maioria dos seus<br />
clientes utiliza a plataforma, contando com<br />
funcionalidades de integração B2B e faturação<br />
eletrónica, através de módulos WMS e/ou TMS.<br />
“É uma solução muito robusta, com um nível de<br />
disponibilidade próximo dos 100%, adequada<br />
às altas exigências dos retalhistas, operadores<br />
logísticos, fabricantes e distribuidores de<br />
produtos de consumo, em Portugal, como em<br />
todo o mundo”, explica.<br />
Já em 2019, quando lançaram o Supply Chain<br />
Hub, tinham a intenção de migrar todos os<br />
seus clientes para a plataforma, e a pandemia<br />
veio aumentar essa necessidade por parte dos<br />
clientes, o que se mostrou uma vantagem,<br />
embora tenha atrasado um pouco os planos de<br />
ter 100% dos clientes na plataforma até 2021.<br />
TRANSFORMAÇÃO DIGITAL<br />
DURANTE A PANDEMIA<br />
AUMENTOU<br />
A pandemia foi uma grande impulsionadora<br />
da transformação tecnológica, e a Generix<br />
sentiu-o logo em Março de 2020. Com o<br />
confinamento, recorreram às soluções digitais<br />
que lhes permitiram manter as suas atividades<br />
sem grandes problemas. Serviços a clientes,<br />
reuniões, envolvimento e profissionalismo<br />
mantiveram-se apesar da distância física, “como<br />
se estivéssemos a trabalhar na empresa, como<br />
antes da pandemia”.<br />
“Sentimos ao longo dos anos 2020 e<br />
2021, a transformação digital dos processos<br />
nas empresas e na qual fomos fortemente<br />
envolvidos: implementação acelerada da<br />
fatura eletrónica, adesão mais pronunciada<br />
às soluções WMS e TMS para a Supply Chain,<br />
solicitações para desenvolvimento de portais<br />
de colaboração com clientes e/ou fornecedores<br />
e reforço da utilização do EDI, com mais<br />
transações e mais parceiros de negócios”,<br />
explica Marc Defretin.
SCM Supply Chain Magazine 57<br />
COM ESTE PLANO<br />
PRETENDE-SE OBTER<br />
UMA PRESENÇA MAIS<br />
EQUILIBRADA ENTRE A<br />
AMÉRICA E A EUROPA, COM<br />
FOCO NOS SETORES DO<br />
RETALHO, ECOMMERCE,<br />
INDÚSTRIA E OPERADORES<br />
LOGÍSTICOS<br />
18049 Toyota Empilhadores Traigo 80 170x115mm_a.pdf 1 21/10/2021 16:29
58<br />
FEVEREIRO <strong>2022</strong><br />
SENTIMOS AO LONGO DOS ANOS<br />
2020 E 2021, A TRANSFORMAÇÃO<br />
DIGITAL DOS PROCESSOS NAS<br />
EMPRESAS<br />
O responsável conta ainda que durante toda<br />
a pandemia a plataforma manteve sempre<br />
os mesmos níveis de funcionalidade e alta<br />
disponibilidade, fornecendo aos seus clientes<br />
todos os serviços, utilizados em função das suas<br />
necessidades e prioridades.<br />
Relativamente aos próximos desafios, Marc<br />
Defretin conta que “temos perspetivas para<br />
o ano <strong>2022</strong> e até 2025, de um crescimento<br />
consistente e contínuo, com sustentabilidade,<br />
seguindo a tendência de crescimento da nossa<br />
empresa em 2020 e 2021. Vamos acompanhar<br />
e também fomentar a adoção pelas empresas<br />
de processos digitais em toda a sua Supply<br />
Chain. Em Portugal, onde já contamos com<br />
uma equipa sólida de 50 colaboradores, iremos<br />
reforçar a curto prazo esta equipa com a<br />
admissão de mais 15 novos colaboradores, nas<br />
áreas comercial, de implementação de projetos<br />
e de suporte a clientes”. •
SCM Supply Chain Magazine 59
60<br />
FEVEREIRO <strong>2022</strong><br />
TECNOLOGIAS<br />
Case Study<br />
Leroy Merlin<br />
Texto: Fábio Santos<br />
COMUNICAÇÃO DE<br />
PONTA A PONTA<br />
Em novembro de 2020, a Leroy Merlin<br />
Portugal e a Vonzu iniciaram um processo<br />
de automatização de entregas de loja<br />
e online da retalhista, procurando uma<br />
maior eficiência operacional em termos de<br />
visibilidade e controlo das transportadoras.<br />
As operações já se encontram a decorrer e já<br />
existem resultados para demonstrar.<br />
Retornemos um pouco atrás no tempo:<br />
chegada recente da pandemia, as pessoas<br />
estavam confinadas em casa, surgem<br />
vários casos de redecorações porque as casas<br />
passaram a ser o local em que as pessoas<br />
passavam mais tempo, e o eCommerce teve<br />
um grande impulso. A Leroy Merlin pretendia<br />
dar resposta a esta procura crescente de<br />
encomendas online, e posicionar-se enquanto<br />
uma referência no seu setor em Portugal,<br />
no entanto, era ainda necessário otimizar as<br />
suas operações e melhorar a comunicação,<br />
tanto para o cliente final como para as<br />
transportadoras.<br />
Foi então que optou pela plataforma da<br />
Vonzu para servir de “torre de controlo”,<br />
interligando a Leroy Merlin e os seus<br />
operadores logísticos, para que a informação<br />
seja transmitida de forma mais eficiente.<br />
Mariana Jota, strategy manager da Vonzu, conta
Mariana Jota, strategy manager da Vonzu<br />
SCM Supply Chain Magazine<br />
61<br />
REALIDADE ANTERIOR FACE À<br />
ATUALIDADE<br />
que inicialmente fizeram uma prova de conceito<br />
junto de um dos seus parceiros logísticos, e<br />
após a validação da retalhista, avançaram com<br />
o projeto e respetivas integrações de sistemas.<br />
“Foi um processo gradual uma vez que<br />
a Leroy Merlin trabalha com vários parceiros<br />
logísticos. Foi necessário fazer várias<br />
integrações de sistemas para dar total<br />
visibilidade e controlo à Leroy Merlin na<br />
plataforma Vonzu”, revela a responsável.<br />
No caso dos parceiros logísticos que<br />
não tinham tecnologia de track&trace, foi<br />
necessária uma integração Vonzu-Vonzu,<br />
passando a usar a plataforma, e no caso dos<br />
que já tinham, foi implementado o software<br />
externo da Vonzu. “Em <strong>Fevereiro</strong> de 2021 já<br />
tínhamos todos os parceiros VONZU integrados<br />
na plataforma, sendo que os restantes foram<br />
depois integrados gradualmente”, revelou<br />
Mariana Jota.<br />
A Leroy Merlin utilizava um software interno<br />
para recolher todas as informações sobre<br />
as suas entregas de encomendas. A Vonzu<br />
integrou-se rapidamente com o software,<br />
adaptando-se à estrutura do retalhista<br />
para “uma transição ágil e praticamente<br />
impercetível”.<br />
A Vonzu conta que não foi necessário<br />
alterar as operações da Leroy Merlin, tendo<br />
incorporado “novas funcionalidades para<br />
melhorar a sua oferta e desempenho”<br />
através da sua plataforma. A Leroy Merlin<br />
passou assim a contar com um espaço onde<br />
estavam reunidas todas as informações sobre<br />
as entregas das suas mercadorias, tanto as<br />
referentes às transportadoras como aos seus<br />
clientes, obtendo ainda uma maior visibilidade<br />
e controlo sobre o desempenho dos operadores<br />
logísticos com quem trabalha.<br />
Ao mesmo tempo, a retalhista melhorou<br />
a comunicação com o cliente final, que não<br />
correspondia às suas necessidades, e era um<br />
dos pontos que também pretendia otimizar.
62<br />
FEVEREIRO <strong>2022</strong><br />
Antes, a Leroy Merlin não dispunha de<br />
informação em tempo real, pelo que<br />
conseguia comunicar com o cliente final,<br />
mas não era tão eficiente relativamente à<br />
transmissão de informação.<br />
Ainda ao nível do cliente, a Leroy Merlin<br />
pretendia também conseguir gerir melhor as<br />
incidências com os clientes de forma rápida e<br />
automática. Agora, as incidências podem ser<br />
registadas pela própria transportadora com<br />
uma foto, simplificando o processo de gestão<br />
e tornando-o mais eficiente. “O retalhista<br />
tem agora uma visão mais integrada dos<br />
pedidos dos clientes, tornando a resposta<br />
das lojas mais rápida e eficiente”, explica<br />
Mariana Jota.
SCM Supply Chain Magazine 63<br />
Lúcio Simões, area manager transports Leroy Merlin<br />
CONSEGUIMOS MELHORAR<br />
A EFICIÊNCIA E GARANTIR A<br />
PRESTAÇÃO DE UM SERVIÇO<br />
DE MAIOR QUALIDADE.<br />
A IMPLEMENTAÇÃO DESTA<br />
PARCERIA DÁ-NOS A<br />
CAPACIDADE DE<br />
DISPONIBILIZAR UMA<br />
FERRAMENTA ROBUSTA<br />
O RESULTADO<br />
A Leroy Merlin conta com uma distribuição<br />
de mais de 15.000 entregas por mês, e com<br />
uma rede de mais de quinze transportadores,<br />
e agora consegue controlar toda a informação,<br />
bem como monitorizar diariamente os custos<br />
associados a toda a operação de distribuição.<br />
Ao cliente, passou a fornecer a informação<br />
sobre as suas encomendas atualizada e em<br />
tempo real, com notificações personalizadas e<br />
um link de seguimento com total transparência<br />
e rastreabilidade. Mariana Jota destaca ainda<br />
que o tempo de adaptação a novos métodos de<br />
trabalho foram minimizados.<br />
Por parte da retalhista, Lúcio Simões,<br />
responsável pelo transporte B2B e B2C<br />
na Leroy Merlin Portugal, revela que<br />
“conseguimos melhorar a eficiência e garantir<br />
a prestação de um serviço de maior qualidade.<br />
A implementação desta parceria dá-nos a<br />
capacidade de disponibilizar uma ferramenta<br />
robusta que dá resposta às nossas necessidades<br />
e às do cliente”.<br />
“É um orgulho para a Vonzu ser parceiro<br />
tecnológico da Leroy Merlin Portugal e ajudar,<br />
através de tecnologia inovadora, esta grande<br />
empresa a controlar todas as suas entregas<br />
ao cliente final e proporcionar a melhor<br />
experiência possível. Este projeto reflete não<br />
só a grande capacidade da ferramenta e a sua<br />
flexibilidade, como também a nossa excelente<br />
equipa que faz tudo isto ser possível”, conclui<br />
Mariana Jota. •
64<br />
FEVEREIRO <strong>2022</strong><br />
TRANSPORTE<br />
Meight<br />
Texto: Ana Paiva<br />
EFICIÊNCIA DO<br />
TRANSPORTE<br />
TERRESTRE PASSA<br />
PELA DIGITALIZAÇÃO<br />
Criada em 2018, a Meight é uma start-up<br />
portuguesa que pretende ser uma mais-valia<br />
na área do transporte terrestre de mercadorias.<br />
Está presente em Portugal, onde já detém<br />
um caso de sucesso com o grupo Lusiaves, e,<br />
este ano, irá reforçar a sua presença a nível<br />
global, visto que os problemas que existem<br />
no transporte terrestre de mercadorias<br />
são globais. Eficiência, sustentabilidade e<br />
digitalização são alguns dos pontos que a<br />
Meight considera fundamentais para enfrentar<br />
os desafios que assolam este setor.
SCM Supply Chain Magazine<br />
65<br />
É<br />
através de uma plataforma de dados que<br />
a Meight é capaz de prever, monitorizar<br />
e gerir as operações do transporte de<br />
mercadorias, nomeadamente a gestão de<br />
consumo e de energia dos veículos. É capaz<br />
de identificar ineficiências ao nível “mais<br />
granular de cada viagem, prevê-las e ajudar<br />
os motoristas a mudar o seu comportamento<br />
ao milissegundo”, aponta Luís Mendes, CEO<br />
da Meight. A plataforma tem como objetivo<br />
“aumentar a eficiência do transporte terrestre,<br />
particularmente o impacto do consumo<br />
energético e das emissões de CO2 na indústria<br />
e no ambiente”.<br />
Num setor que se revela prematuro no que<br />
diz respeito à digitalização, a Meight agarrou<br />
a oportunidade de aumentar o conhecimento<br />
nesta área. Este setor gera uma faturação total<br />
anual de 4,5 biliões de euros, movimenta 16<br />
mil milhões de toneladas/km de mercadorias,<br />
ou seja, “são 100 milhões de camiões para<br />
atender às necessidades da humanidade. No<br />
entanto, o transporte rodoviário ainda funciona<br />
de maneira completamente offline”, afirma<br />
o CEO, acrescentando que “apenas 35% dos<br />
veículos estão conectados a qualquer sistema<br />
de telemática. Os sistemas atuais são opacos e<br />
encontram-se em silos, resultando num custo<br />
e desgovernação acrescido, que podia ser<br />
evitado”. É aqui que entra o papel da Meight.<br />
Além de otimizar a eficiência operacional,<br />
tecnologia desenvolvida permite reduzir<br />
substancialmente os consumos e melhorar a<br />
pegada ecológica das frotas.<br />
“A sustentabilidade e colaboração são dois<br />
pilares fundamentais da Meight, pois ambos<br />
são igualmente importantes para podermos<br />
reduzir o excesso de consumo de combustível e<br />
emissões de gases de efeito estufa”, indica Luís<br />
Mendes. Durante os próximos 10 anos, o setor<br />
dos transportes tem de reduzir as emissões<br />
de CO2 em 20% e, quem não o fizer, corre o<br />
risco de não poder operar em determinadas<br />
regiões da União Europeia ou, no pior cenário,<br />
fechar atividade. “Este é um problema de<br />
sobrevivência e estamos a trabalhar com<br />
os nossos clientes para se prepararem para<br />
esta realidade”, refere. Para as empresas<br />
melhorarem a sua eficiência e reduzirem a<br />
sua pegada ecológica têm de se digitalizar,<br />
acredita o CEO. “A digitalização permite às<br />
empresas terem uma visão e controlo total<br />
das suas operações e ter dados para suportar<br />
as suas decisões”, explica, acrescentando<br />
que “esta transparência e visibilidade são<br />
essenciais para, a posteriori, trabalhar o eixo<br />
da eficiência”. Através da plataforma de dados<br />
da Meight e da sua app, os clientes conseguem<br />
completar o ciclo de digitalização, obtendo um<br />
controlo total das suas operações, ajudando<br />
“os motoristas a ter uma condução mais<br />
eficiente de modo a reduzir a pegada ecológica,<br />
cumprindo assim os objetivos definidos pela<br />
União Europeia”.<br />
“UM CASO DE SUCESSO”<br />
A Meight gere, desde 2021, a operação da<br />
frota do grupo Lusiaves, sendo este “um<br />
caso de sucesso de colaboração e partilha<br />
de conhecimento”, afirma Luís Mendes,<br />
referindo ainda que “desde o início houve um<br />
alinhamento na nossa visão sobre a indústria,<br />
no sentido em que as empresas precisam,
66<br />
FEVEREIRO <strong>2022</strong><br />
primeiro, de se digitalizar para só depois<br />
tentarem resolver a questão da eficiência”.<br />
Tendo em conta que “o grupo Lusiaves já<br />
liderava os esforços de sustentabilidade do seu<br />
setor”, a tecnologia da Meight veio auxiliar a<br />
Lusifrota a enfrentar outros desafios, como: a<br />
aposta em formação contínua de motoristas,<br />
em tempo real e em grande escala, para uma<br />
condução eficiente; transparência e equidade<br />
na análise de performance dos motoristas,<br />
trazendo “uma melhor satisfação e retenção”;<br />
onboarding de motoristas mais rápido, “uma vez<br />
que com a Meight App os motoristas ganham<br />
independência desde o primeiro dia, reduzindo<br />
acidentes e incidentes”; e digitalização de todas<br />
as tarefas ligadas à condução, (como CMRS,<br />
provas de entrega), “conseguindo faturar mais<br />
rápido e evitar extravios de documentação”,<br />
explica o CEO. A tecnologia foi aplicada numa<br />
pequena frota durante dois meses, numa<br />
fase piloto, em que conseguiram alcançar:<br />
reduções de consumo de combustível e de<br />
emissões de gases de efeito estufa; aumento<br />
da satisfação dos motoristas face à sua análise<br />
de performance e comparação com os seus<br />
colegas de maneira “transparente e justa”;<br />
maior rapidez na análise de resultados (feita<br />
pela própria plataforma da Meight); e maior<br />
capacidade de resposta aos motoristas – a<br />
app faz a gestão diária do planeamento diário<br />
com cada motorista, reportando de maneira<br />
automática os resultados das operações<br />
no terreno. Após o sucesso da fase piloto,<br />
alargaram o processo a todas as frentes. Por<br />
sua vez, Paulo Gaspar, CIO do grupo Lusiaves,<br />
explica que o projeto piloto, com 15 viaturas,<br />
demonstrou uma poupança “substancial” nas<br />
emissões, de cerca de 10%, equivalendo a<br />
uma redução “efetiva” de 48,16 toneladas de<br />
CO2. “Preparamo-nos agora para um rollout<br />
com mais de 100 viaturas pesadas da frota do
SCM Supply Chain Magazine 67<br />
grupo Lusiaves a utilizarem a solução Meight<br />
de forma progressiva, sendo objetivo ter, num<br />
futuro próximo, os mais de 500 equipamentos<br />
pesados a operar com esta tecnologia”,<br />
ambiciona o CIO. Se alcançarem este objetivo,<br />
estima que, numa primeira fase a curto prazo,<br />
conseguirão obter uma diminuição anual de<br />
aproximadamente 200.000 litros de gasóleo<br />
que poderá equivaler a uma poupança na<br />
ordem das 526 toneladas de CO2 por ano.<br />
Sobre esta colaboração, Paulo Gaspar explica<br />
que a empresa adotou como eixo estratégico,<br />
desde as suas origens, “a incorporação das<br />
tecnologias mais avançadas em todas as<br />
fases da sua cadeia de valor e, em linha com<br />
o seu forte compromisso de sustentabilidade<br />
ambiental, sempre procurou também<br />
tecnologias que pudessem tornar as operações<br />
simultaneamente mais eficientes e mais amigas<br />
do ambiente”. Desta forma, “a Meight vai ao<br />
encontro desta nossa opção estratégica, com<br />
um conceito inovador e uma tecnologia com<br />
aplicabilidade a um setor importante das<br />
nossas operações. A aplicação que desenvolveu<br />
presta uma boa assistência aos motoristas, é<br />
userfriendly e permite fazer uma avaliação do<br />
desempenho de forma uniforme”.<br />
UMA EMPRESA GLOBAL PARA<br />
UM PROBLEMA GLOBAL<br />
São vários os desafios que se impõem aos<br />
transportadores para adotar novas tecnologias<br />
com longas implementações e onerosas devido<br />
à complexidade inerente às operações, como<br />
explica Luís Mendes. “Os motoristas não<br />
possuem tecnologia para ajudá-los no seu dia<br />
a dia, apesar de terem potencial para mudar<br />
drasticamente a eficiência operacional”. Para<br />
ajudar os motoristas existe a Driver App da
68<br />
FEVEREIRO <strong>2022</strong><br />
Meight que permite a conexão à supply chain<br />
enquanto estão no terreno e longe da sua<br />
base, digitaliza todas as viagens e melhora<br />
a eficiência operacional e de condução<br />
através de treino disponibilizado pela App.<br />
Esta é “uma solução que as transportadoras<br />
podem implementar sem esforço, que ajuda<br />
os motoristas no seu trabalho diário e torna<br />
as empresas mais competitivas”, indica o<br />
CEO. Por outro lado, a Meight está também a<br />
desenvolver uma plataforma de dados aberta<br />
para as transportadoras. “O transporte terrestre<br />
passou por mudanças rápidas e tem agora uma<br />
complexidade que não está a ser resolvida.<br />
A prática comum é desenvolver soluções à<br />
medida e dashboards para cada problema.<br />
Consequentemente, acaba-se por produzir<br />
aplicações de software muito pobres, com alta<br />
manutenção, que estão offline e, portanto,<br />
não são escaláveis”. A infraestrutura de dados<br />
aberta da start-up é “a porta de entrada da<br />
transportadora para o ‘mundo online’, onde<br />
todos os serviços, internos e externos, podem<br />
coexistir e crescer de forma sustentável”. Em<br />
vez de criar mais uma solução de tecnologia<br />
para a operadora, a plataforma da Meight<br />
cria abstrações “claras” dos recursos e ações<br />
das operadoras, permitindo que todos os<br />
provedores de serviços interajam com elas.<br />
“Ao alavancar a experiência de cada sistema,<br />
as transportadoras podem integrar os seus<br />
serviços ao seu ritmo, sem a necessidade de<br />
processos de implementação longos, caros e<br />
sem receio de ficarem aprisionados a um único<br />
fornecedor”, salienta Luís Mendes.
SCM Supply Chain Magazine 69<br />
Por outro lado, existe ainda o desafio do<br />
aumento dos combustíveis, o qual o CEO<br />
considera “incorportável para o negócio dos<br />
transportes terrestres”. “Neste momento,<br />
as empresas estão a suportar este aumento<br />
reduzindo ainda mais as suas margens<br />
diminutas. Mas isto não vai continuar assim<br />
porque mais tarde ou mais cedo os produtos<br />
vão ter de aumentar de preço para suportar<br />
o acrescido custo dos transportes”, explica.<br />
Cerca de 28% do preço dos produtos que<br />
compramos são custos de transporte. Com<br />
o atual preço do combustível, os preços dos<br />
produtos vão ter de aumentar, pois de outra<br />
forma será “insuportável manter o ónus deste<br />
custo por parte das empresas de transporte”.<br />
O papel da Meight é vantajoso pois “temos<br />
a tecnologia que melhor pode ajudar as<br />
empresas a atravessar este momento. Através<br />
da nossa Driver App os motoristas podem, de<br />
um dia para o outro, controlar o seu consumo<br />
de combustível”, afirma Luís Mendes.<br />
A Meight iniciou atividade no mercado<br />
português e irá reforçar, em <strong>2022</strong>, a sua<br />
atividade em Portugal e no centro da Europa<br />
com a criação de novas equipas comerciais.<br />
“O problema que queremos resolver é um<br />
problema global, por isso a nossa visão é ser<br />
uma empresa global”, termina o CEO. •<br />
Building<br />
the future<br />
together.<br />
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70<br />
FEVEREIRO <strong>2022</strong><br />
CARREIRA<br />
Texto: Dora Assis<br />
Gestão de pessoas<br />
5 DICAS PARA<br />
ALCANÇAR MAIS<br />
EFICIÊNCIA<br />
O cenário atual na logística e nas<br />
operações exige mais do que nunca<br />
eficiência na gestão das equipas<br />
de logística. Trazemos-lhe por isso<br />
alguns pontos que deve considerar<br />
para que as suas pessoas estejam<br />
mais preparadas mas também para<br />
que retire da gestão da sua equipa<br />
de logística maior vantagem<br />
competitiva.
SCM Supply Chain Magazine 71<br />
Para quem quer continuar a destacar-se no<br />
mercado e manter uma visão ampla de<br />
todos os procedimentos, é fundamental<br />
encontrar a melhor forma de lidar com as<br />
pessoas que compõem a sua equipa.<br />
Cuidar das suas pessoas é uma tarefa<br />
crucial para todo o líder, independentemente<br />
do segmento em que atua, já que o êxito de<br />
qualquer estratégia passa mesmo pela gestão<br />
eficaz das pessoas, com foco no crescimento<br />
e no fortalecimento das equipas.<br />
Uma equipa bem gerida trará ganhos de<br />
produtividade e uma resposta mais eficaz aos<br />
seus clientes. A boa notícia é que isso passa<br />
essencialmente por executar ações eficientes<br />
e planeadas.<br />
Contudo, não existe uma fórmula universal<br />
que garanta o sucesso em todos os casos. Isto<br />
porque, quando o assunto envolve pessoas,<br />
são quase incontáveis as variáveis em jogo, já<br />
que cada uma tem performances diferentes,<br />
além de sonhos e ambições também eles<br />
distintos.<br />
Ficam cinco tópicos que podem ajudá-lo na<br />
gestão da sua equipa de logística.<br />
1. O poder do feedback<br />
Quando o colaborador descobre o que<br />
deve fazer para atingir os objetivos da<br />
empresa, entendendo aquilo que as chefias<br />
esperam dele, está aberto o caminho para a<br />
motivação.<br />
A resposta no momento certo é uma das<br />
ferramentas mais práticas para envolver<br />
a equipa em busca de eficiência e de bons<br />
resultados. Portanto, esteja sempre atento<br />
para não perder a oportunidade de dar<br />
feedback às suas pessoas, em relação aos<br />
aspetos positivos, mas também sobre o que<br />
corre mesnos bem.<br />
Não se trata apenas de mostrar quando o<br />
colaborador está errado, mas também saber<br />
reconhecer o que cada um tem de melhor. O<br />
foco do feedback não está na crítica, e sim na<br />
análise do funcionário para que ele se torne<br />
cada vez melhor no que faz.<br />
2. A gestão de equipas requer<br />
relacionamento<br />
Se você é o tipo de gestor que tem<br />
proximidade com o topo da hierarquia,<br />
fazendo inclusivamente parte das tomadas de<br />
decisão, é muito importante que não esteja<br />
perto dos líderes e longe dos liderados.<br />
Atendendo ao que são as movimentações na<br />
supply chain, é muito fácil que o líder acabe<br />
por perder proximidade com quem trabalha<br />
na ponta dos processos. E, por isso, todo o<br />
cuidado é pouco.<br />
Se uma equipa não pode ver o seu líder<br />
como uma pessoa próxima, este acaba por se<br />
tornar um chefe e não um líder. Isto significa<br />
que corre o risco de ser visto apenas como<br />
aquele que dá ordens e cobra resultados, em<br />
vez de estar, de facto, junto da equipa.<br />
O mau relacionamento entre as duas partes<br />
causará uma resistência (mesmo que passiva),<br />
abrindo portas para a baixa produtividade e<br />
para constantes ruídos na comunicação.<br />
No momento em que o colaborador começa<br />
a perceber que ele não passa de apenas mais<br />
um recurso para a empresa, começa a reter os<br />
seus próprios talentos, entregando o mínimo<br />
possível.<br />
Portanto, motive o seu grupo, mostrando<br />
o quanto as singularidades de cada um<br />
possuem valor para a companhia. Um equipa<br />
motivada e com boa autoestima é muito mais<br />
criativa e produtiva, funcionando a favor da<br />
competitividade no mercado.
72<br />
FEVEREIRO <strong>2022</strong><br />
CUIDAR DAS SUAS PESSOAS<br />
É UMA TAREFA CRUCIAL<br />
PARA TODO O LÍDER,<br />
INDEPENDENTEMENTE DO<br />
SEGMENTO EM QUE ATUA<br />
3. A qualidade deve ser seguida de<br />
perto<br />
Líderes de equipas de logística sabem que<br />
o colaborador que não realiza determinada<br />
tarefa pode ter diversos motivos para isso.<br />
O serviço prestado pela equipa deve estar<br />
dentro ou acima da expectativa do cliente,<br />
seja ele interno ou externo. Portanto, para<br />
avaliar a performance geral, é preciso<br />
desenvolver estratégias que possibilitarão<br />
o controlo da qualidade do trabalho e dos<br />
serviços prestados.
SCM Supply Chain Magazine 73<br />
4. Ser flexível é primordial<br />
No dia a dia de trabalho, o profissional de<br />
logística deve ser flexível e interessado em<br />
saber como funcionam as outras áreas da<br />
empresa.<br />
A cadeia de abastecimento requer a<br />
administração de materiais e recursos que<br />
passam por vários departamentos. Por<br />
outro lado, os processos são (quase) sempre<br />
passíveis de alterações.<br />
Com a porta aberta às transformações, é<br />
necessário que o líder mostre a sua capacidade<br />
de se adaptar também ele às mudanças para<br />
fazer as devidas interferências nos diversos<br />
pontos da própria cadeia.<br />
O andamento logístico é dinâmico. Por isso,<br />
seja flexível e esteja pronto para a gestão de<br />
todo o tipo de imprevistos.<br />
5. Uma boa equipa exige treino<br />
Poder crescer na carreira é um item motivador.<br />
Por isso, procure oportunidades de formação,<br />
capacitação e melhoria para a sua equipa.<br />
Quando investe na melhoria das suas pessoas,<br />
o resultado final será sempre aprimorado e<br />
todos saem a ganhar.<br />
Quem lidera também tem a obrigação de<br />
ser o primeiro a querer saber mais, procurando<br />
novos conhecimentos técnicos e práticos e<br />
aumentando assim a sua familiaridade com<br />
a inovação e novas soluções. E, claro, não<br />
se esqueça de partilhar os conhecimentos e<br />
experiência adquiridos, tanto técnicos como<br />
profissionais.<br />
Na hora de contratar, é importante dar<br />
prioridade a mão de obra qualificada — um<br />
dos grandes desafios do momento na logística.<br />
Mas, a verdade, é que os problemas que<br />
algumas empresas enfrentam de falta de<br />
talentos deriva em boa medida de uma gestão<br />
errada dos que já têm dentro de casa. •
74<br />
FEVEREIRO <strong>2022</strong><br />
CARREIRA<br />
Texto: Dora Assis<br />
Gestão<br />
LOGÍSTICA<br />
É PARTE<br />
INTEGRANTE DA<br />
ESTRATÉGIA DO<br />
NEGÓCIO<br />
A logística, é cada vez menos<br />
identificada como um serviço de<br />
fim de linha, e mais como um aliado<br />
na estratégia e desenvolvimento de<br />
uma empresa, potenciando o seu<br />
crescimento interno e externo.<br />
Quando uma empresa pretende aumentar<br />
o seu volume de negócio, nesta instável<br />
sociedade V.U.C.A. não basta ter foco<br />
unilateral em alguns departamentos<br />
tradicionais (compras e ou vendas) é<br />
necessário garantir um alinhamento<br />
estratégico entre todas as áreas, incluindo as<br />
atividades de suporte e primárias, para assim<br />
se tornar competitivo no mercado.<br />
Atualmente a logística tem vindo a crescer,<br />
oferendo assim diversos modelos logísticos<br />
que servem desde a Indústria, Retalho, FMCG<br />
e a tendência crescente do eCommerce,<br />
indubitavelmente a logística é um parceiro<br />
estratégico que cria mais-valias para<br />
stakeholders e clientes.
SCM Supply Chain Magazine 75<br />
Para construir uma operação logística<br />
eficiente, a mesma tem que estar integrada<br />
com as restantes áreas do negócio, como<br />
as compras, aprovisionamento, produção,<br />
vendas e estruturar assim um planeamento<br />
integrado na cadeia de abastecimento que<br />
visa identificar o plano estratégico, tático e<br />
operacional, que se torna fundamental para a<br />
obtenção de benefícios de custo e qualidade<br />
de serviço da operação.<br />
Garantindo a inclusão do departamento<br />
logístico na estratégia, surgem diversas<br />
oportunidades de potenciar o crescimento<br />
do gross profit margin bem como o aumento<br />
de produtividade e qualidade de serviço,<br />
diminuição de custos e ser um diferenciador na<br />
oferta de venda ao cliente, que cada vez mais<br />
é exigente, onde este atualmente não analisa<br />
apenas o preço, mas sim o valor de todo o<br />
serviço e eficiência que podemos oferecer.<br />
Eis alguns indicadores-chave:<br />
• Modelos Logísticos - desde o Cross-<br />
-docking, Milk Run e Fulfillment.<br />
• Atividades Core - Logística Internacional<br />
- Negociação com Parceiros e controlo<br />
“Estado da Arte”, Assertividade nos<br />
Incoterms, diminuição de tempos de<br />
trânsito.<br />
• Sistemas de Informação Logísticos -<br />
Tecnologia eficiente como ERPs, WMS,<br />
TMS, EDI, Robótica e Inteligência Artificial.<br />
• Gestão de Qualidade e processos de<br />
Melhoria Contínua - Lean; Kaizen -<br />
otimizar processos, eliminar desperdícios.<br />
Maria Pereira, europe logistics & transport manager director, Colquímica<br />
• KPI’s Logísticos - Custo de Transporte vs<br />
Venda; OTIF; Lead time; Rotação de Stock.<br />
• Avaliação de Fornecedores - Apostar na<br />
parceria e potenciar volume de negócio.<br />
• Equipas Multidisciplinares - Foco no<br />
planeamento integrado da operação, em<br />
rigor PDCA.<br />
Todas estas ferramentas potenciam<br />
a otimização, agilidade de processos,<br />
proporcionam fluxo de dados visíveis e<br />
rastreáveis e em tempo real que podem medir<br />
o desempenho da operação e dar visibilidade<br />
da mesma.<br />
No entanto, é extremamente importante<br />
apostarem nos recursos humanos no setor<br />
logístico, na formação e retenção do seu<br />
talento para darem continuidade ao sucesso<br />
da operação.<br />
Ver a logística como um aliado estratégico<br />
é apostar no crescimento e expansão do<br />
negócio! •
76<br />
FEVEREIRO <strong>2022</strong><br />
À JANELA DA APAT<br />
António Nabo Martins<br />
Presidente Executivo<br />
A TEORIA DA EVOLUÇÃO:<br />
MAIS UMA<br />
Assistimos impávidos e serenos a mais uma evolução natural,<br />
da necessidade de acompanhar novas inteligências, dinâmicas,<br />
transformações, inovações e prepararmo-nos igualmente para as<br />
novas mudanças no paradigma da cadeia de transportes.<br />
Todos os dias somos surpreendidos com novas<br />
exigências do lado marítimo, sempre com<br />
mais uma taxa associada, [caricaturalmente,<br />
só pode, referindo em nome de mais eficiência],<br />
porque parece que se pagando, se resolve o<br />
problema, mas o problema é que nem pagando.<br />
A situação é realmente muito pior do que se diz<br />
por aí e já não há adjetivos para a descrever.<br />
Até o Sr. Darwin para explicar a sua teoria da<br />
evolução embarcou numa viagem extraordinária<br />
por cinco continentes, realizando centenas de<br />
experiências e refinar as suas ideias ao longo<br />
de 20 anos. Ora por aqui se forem 20 anos será<br />
muito mau, mas que tudo isto não vai voltar<br />
a ser o que era, seguramente não. Até porque<br />
ainda ninguém se dispôs a iniciar uma “tal<br />
viagem” no sentido de encontrar respostas para<br />
o problema.<br />
De acordo com sua teoria, há uma luta pela<br />
sobrevivência na natureza, mas aquele que<br />
sobrevive não é necessariamente o mais forte<br />
e, sim, o que melhor se adapta às condições do<br />
ambiente em que vive. Hoje assistimos a uma<br />
série de aquisições, fusões e parcerias no setor<br />
da logística impensáveis há meia dúzia de anos.<br />
Mas o interessante é que atualmente assistimos<br />
a aquisições, aparentemente contranatura,<br />
mas que na realidade tem muito que ver com<br />
a ideia de poder e, ter poder é ter mais força e,<br />
poder dominar, pela via do domínio de todas<br />
as vertentes do negócio. Alguns chamam-lhe<br />
integração vertical, mas não é nem mais, nem<br />
menos, que entrar na cadeia, nas suas várias<br />
fases para competir com os fornecedores,<br />
adquirindo empresas aí estabelecidas. Até<br />
podem não ser os mais fortes, mas os que<br />
melhor se estão a adaptar às condições deste<br />
ambiente.<br />
A concorrência no mercado livre, nunca<br />
poderá ocorrer num mercado dominado por<br />
fornecedores de serviços selecionados.<br />
Como as coisas mudam. Ainda há bem<br />
pouco tempo na “Europa Ferroviária”, se levou<br />
à prática a política da separação vertical que<br />
consistiu na criação de duas entidades distintas,<br />
nomeadamente, o gestor da infraestrutura<br />
(porque assim permitiria mais operadores) e<br />
o operador ferroviário – de forma que sejam
SCM Supply Chain Magazine 77<br />
separadas a gestão das infraestruturas e a<br />
prestação dos serviços e assim permitir mais<br />
concorrência, logo mais negócio. Interessante!<br />
Entretanto ficámos a saber que a Conferência<br />
das Nações Unidas sobre Comércio e<br />
Desenvolvimento (UNCTAD) alerta que os<br />
preços globais ao consumidor aumentarão<br />
significativamente no próximo ano, até que as<br />
perturbações da cadeia de abastecimento de<br />
transporte marítimo sejam desbloqueadas e<br />
que as restrições portuárias e as ineficiências<br />
sejam abordadas. A recuperação da economia<br />
global está ameaçada “O aumento atual das<br />
taxas de frete terá um impacto profundo<br />
no comércio e minará a recuperação<br />
socioeconómica, especialmente nos países em<br />
desenvolvimento…”<br />
Soubemos ainda que avançará o Porto Seco<br />
da Guarda e a APDL apresenta-se como o gestor<br />
do mesmo, estando mesmo na disposição de<br />
gerir igualmente o de Leixões, constituindo-se<br />
assim como o gestor das plataformas rodo-<br />
-ferroviárias, até agora, da IP.<br />
Não sei, se porque sim, ou porque não, ou<br />
porque o Ano 2021 foi o ano da Ferrovia na<br />
Europa e, depois de assistirmos a participações<br />
por operadores logísticos em operadores<br />
ferroviários, assistimos, quando em crises<br />
sistémicas, aos armadores a adquirirem<br />
operadores ferroviários, em tempos a MSC<br />
avançou para a CP-Carga, em 2020 a CMA-<br />
-CGM avançou para a Continental Rail e muito<br />
recentemente a COSCO para a Logitren.<br />
Não obstante, tudo acontece na presença<br />
de uma nova vaga de Covid, a Ómicron, que<br />
não sendo tão grave, volta a colocar toda a<br />
economia de “pantanas”. Se ainda não tínhamos<br />
recuperado das outras vagas e a “ginástica”<br />
para viver (sobreviver) era mais que muita,<br />
agora foi preciso voltar aos exercícios mais<br />
difíceis e complexos, para continuar de pé<br />
no “tapete” e à tona de água. E, quase sem<br />
ninguém dar por nada, eis que o maior acordo<br />
comercial do mundo já está em vigor. Chama-<br />
-se Parceria Económica Abrangente Regional<br />
(RCEP) e foi assinado por 15 países da Ásia-<br />
-Pacífico. Cobre mais de 30% da população<br />
mundial e é visto como uma vitória geopolítica<br />
da China na liberalização do comércio. e<br />
da riqueza produzida em todo o mundo,<br />
assegura vários benefícios aos signatários - a<br />
redução até 92% das taxas alfandegárias nas<br />
trocas comerciais e o acesso facilitado a um<br />
mercado abrangente de países importadores<br />
e exportadores. Também dizem por aí que um<br />
dos maiores impulsionadores, foram os USA<br />
quando decidiram abandonar as negociações.<br />
Interessante!<br />
Igualmente interessante é que,<br />
aparentemente, o que defendemos na APAT<br />
é igualmente defendido por outros, pois “… é<br />
um sinal importante para o resto do mundo<br />
de que os países-membros veem a integração<br />
e a colaboração como uma forma importante<br />
de continuar a impulsionar o crescimento<br />
económico”.<br />
É ainda muito interessante, tentar perceber se<br />
é o mais forte ou o que melhor se adapta, que<br />
sobrevive. •
78<br />
FEVEREIRO <strong>2022</strong><br />
O MUNDO É REDONDO, por Cláudia Brito<br />
“A surpreendente ciência da felicidade”<br />
Ideas worth spreading, TED2004, Dan Gilbert,<br />
19 milhões de visualizações<br />
“Não se pode ter sempre o que se quer”, e isso é uma coisa boa ou má?<br />
Dan Gilbert diz que, do ponto de vista do nosso sentimento de felicidade, é indiferente. Do ponto de vista moral,<br />
e invocando o que escreveu Adam Smith, o pai do capitalismo moderno, torna-se positivo. Algumas coisas são<br />
de facto melhores do que outras, pelo que devemos ter preferências. Contudo, ao equacionar diferentes futuros,<br />
não devemos exagerar a diferença entre eles. Quando a nossa ambição se vê limitada, acabamos por tomar<br />
atitudes mais correctas. Quando os nossos medos estão circunscritos, acabamos por ser mais prudentes. Temos<br />
na nossa mente a capacidade de fabricar a felicidade de que estamos à procura.<br />
Após dois milhões de anos de evolução,<br />
o nosso cérebro quase triplicou de peso, ao<br />
adicionar uma estrutura que nos permitiu adquirir<br />
uma característica humana única, a par com a<br />
linguagem e os polegares oponíveis: a capacidade<br />
de imaginar. Temos no córtex pré-frontal um<br />
simulador de experiências, que nos permite avaliar<br />
os potenciais futuros sem os viver na realidade.<br />
O que é contra-intuitivo mas comprovado pela<br />
ciência, é que não conseguimos prever a felicidade<br />
que vamos obter das nossas escolhas. Sofremos do<br />
“viés de impacto”, em que o impacto hedonístico<br />
da experiência é sobrestimado nesta avaliação<br />
virtual, nomeadamente a sua intensidade e<br />
duração. Ninguém no seu juízo perfeito acredita,<br />
mas está cientificamente demonstrado que ganhar<br />
a lotaria e ficar paraplégico leva ao mesmo nível<br />
de felicidade, um ano depois do evento.<br />
Segundo Dan Gilbert, existem dois tipos de<br />
felicidade, a felicidade natural e a felicidade<br />
sintética. Na primeira, consegue-se o que se<br />
quer. Na segunda, nem por isso. A valorização<br />
da liberdade, ou seja, da capacidade de escolher<br />
e mudar de opinião, que alimenta a nossa<br />
sociedade de consumo actual, leva a que<br />
achemos a felicidade natural a “verdadeira”.<br />
Contudo, o paradigma da livre escolha (um<br />
teste científico antigo e cujos resultados foram<br />
comprovados inúmeras vezes) demonstra que<br />
o nosso cérebro muda efectivamente a nossa<br />
percepção da realidade, em função do que se torna<br />
um dado adquirido. Por outras palavras, somos<br />
altamente adaptáveis e acabamos por valorizar<br />
mais o que temos, quando não há volta a dar.<br />
Quando sintetizamos a felicidade, estamos a sentir<br />
a acção do nosso sistema imunológico psicológico,<br />
o qual actua no momento em que ficamos<br />
encurralados.<br />
E se alguém achar que é feliz porque ganhou<br />
imensa riqueza, poder e prestígio, e depois perdeu<br />
tudo, é porque isso lhe aconteceu realmente.<br />
Dan Gilbert é psicólogo social, com um doutoramento<br />
pela Universidade de Princeton, e professor na<br />
Universidade de Harvard. O seu livro “Tropeçando na<br />
Felicidade” foi um bestseller do New York Times, tendo<br />
sido traduzido em mais de 30 línguas e ganhado vários<br />
prémios. O sonho de Dan Gilbert era ser escritor de<br />
ficção científica, mas, por não haver lugar na classe<br />
de escrita criativa, escolheu estudar psicologia e não<br />
ficou mais infeliz por isso. Eventualmente, acabou por<br />
escrever curtos textos de ficção, na “Isaac Asimov’s<br />
Science Fiction Magazine”.
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