FOLHA SERTANEJA / CADERNO DOMINGO - VI° EDIÇÃO

FSDOMINGO02

Anexo o CADERNO CULTURAL - DOMINGO - Nº 06 - do jornal Folha Sertaneja, de 13 de março de 2022 com o tema central LITERATURA DE CORDEL.
Há também informações sobre o Projeto Na Mala do Poeta tem poesia de todo jeito que completa 15 anos com apresentação programada para o dia 18 de março e sobre o novo livro de João de Sousa Lima, sobre Maria Bonita que será lançado no dia 15 de março.
A próxima edição do Caderno Cultural, que sairá no dia 20 de março, vai falar sobre Xilogravura, Literatura e Cangaço.
Agradeço se ao ler, fizer comentários e/ou críticas no Whatsapp 75-99234-1740 ou no E-mail - professor.gal@gmail.com e compartilhar este Caderno Cultural com os teus contatos.

Antônio Galdino da Silva
Jornal Folha Sertaneja
www.folhasertaneja.com.br

CADERNO CULTURAL

O JORNAL DA REGIÃO DO SÃO FRANCISCO

Criado em 18/02/2004 | Fundador: Antônio Galdino | Caderno Cultural Online Nº 06 | DOMINGO | 13/03/2022

DOMINGO

Até aqui nos ajudou o Senhor.

I Sm 7.12

Literatura de Cordel, Patrimônio

Cultural Imaterial Brasileiro

Iphan reconhece literatura de Cordel como Patrimônio Cultural do Brasil

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional

(Iphan) reconheceu, no dia 19 de Setembro de 2018, a

literatura de cordel como Patrimônio Cultural Imaterial

Brasileiro. A decisão foi tomada por unanimidade pelo

Conselho Consultivo, que se reúne no Forte de Copacabana,

no Rio de Janeiro.

“Poetas, declamadores, editores, ilustradores,

desenhistas, artistas plásticos, xilogravadores, e folheteiros,

como são conhecidos os vendedores de livros, já podem

comemorar, pois agora a Literatura de Cordel é Patrimônio

Cultural Imaterial Brasileiro”, anuncia o Iphan. A reunião

também contou com a presença do Ministro da Cultura,

Sérgio Sá Leitão, da presidente do Instituto do Patrimônio

Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Kátia Bogéa e do

presidente da Academia Brasileira de Literatura de Cordel,

Gonçalo Ferreira.

O gênero literário é ofício e meio de sobrevivência para

inúmeros cidadãos brasileiros. Segundo o instituto, apesar

de ter começado no Norte e no Nordeste do país, o cordel

hoje é disseminado por todo o Brasil, principalmente por

causa do processo de migração de populações.

Hoje, circula com maior intensidade na Paraíba,

Pernambuco, Ceará, Maranhão, Pará, Rio Grande do Norte,

Alagoas, Sergipe, Bahia, Minas Gerais, Distrito Federal, Rio

de Janeiro e São Paulo. Em todos estes estados é possível

encontrar esta expressão cultural, que revela o imaginário

coletivo, a memória social e o ponto de vista dos poetas

acerca dos acontecimentos vividos ou imaginados.

História

O cordel foi inserido na cultura brasileira ao final do

século 19. O gênero resultou da conexão entre as tradições

orais e escritas presentes na formação social brasileira

e carrega vínculos com as culturas africana, indígena

e europeia e árabe. Tem ligação com as narrativas orais,

como contos e histórias; à poesia cantada e declamada; e à

adaptação para a poesia dos romances em prosa trazidos

pelos colonizadores portugueses.

Originalmente, a expressão literatura de cordel não se

refere em um sentido estrito a um gênero literário específico,

mas ao modo como os livros eram expostos ao público,

pendurados em barbantes, em uma espécie de varal.

De acordo com o Iphan, os poetas brasileiros no século

19 conectaram todas essas influências e difundiram um

modo particular de fazer poesia que se transformou numa

das formas de expressão mais importantes do Brasil. (Fonte:

Agência Brasil e IPHAN).

O cordel por essas bandas...

Em Paulo Afonso, a Academia de Letras tem promovido

eventos destacando a Literatura de Cordel e no seu livro

anual chamado Revista da Academia de Letras de Paulo

Afonso há um capítulo permanente, nas três últimas

edições, destacando essa literatura. Na ALPA, alguns poetas

têm se destacado nessa arte como Rafael Neto, que já

produziu mais de cem folhetos e é grande repentista (mora

em Paulistana, no Piauí), e também Murilo Brito, que mora

no Recife e Jovelina Ramalho, residente em Paulo Afonso,

de quem apresentamos trechos de suas criações.

Também em Paulo Afonso, o atual Superintendente

de Cultura do município, Rogério Xavier apresentou

uma Coleção de Mini Cordel, com 20 títulos onde

ressalta personagens nordestinos como Lampião,

Padre Cícero, Delmiro Gouveia, Luiz Gonzaga, Raul

Seixas e também fala de São Francisco, o santo e o rio

e outros temas.

O Pastor Josias de Souza que durante muitos anos dirigiu

a Ig. Assembleia de Deus na Barragem Leste/AL, lançou o

Cordel Evangélico discorrendo sobre temáticas bíblicas, tendo

apresentado esses cordéis na Bienal do Livro de Paulo Afonso.

O tema cordel é muito amplo. Voltaremos ao assunto.

ADQUIRA

O SEU!


Ah!!! Estou feliz!!!

Era eu ainda criança quando, prazerosamente, vagava

pelas feiras livres de Paulo Afonso. Achava interessante

aquele frenesi de pessoas comprando, vendendo,

trocando e, aos gritos, anunciando os seus produtos.

Aquelas bancas de cocadas coloridas, deixavam-me

com água na boca.

Parava um pouco para ouvir o cego do berimbau

executar um solo a asa branca.

Mais à frente, estava o homem da cobra vendendo

sua pomada milagrosa.

Uma cena, porém, a mais pitoresca de todas, faziame

para por mais tempo; uma banqueta de madeira

desmontável sobre a qual repousava uma mala velha

de couro e uma estante fina de madeira com barbantes

esticados, ambos repletos de livretos coloridos; um

cidadão de pele tostada, vestindo um terno surrado,

com um microfone coberto por um lenço encusparado

apoiado ao pescoço por uma haste de metal flexível,

formavam um cenário quase circense.

Com gestos teatrais e um gracioso malabarismo

gutural, jogava ao ar rimas, versos e estrofes, chamando

a atenção de uma pequena multidão. E, em meio àquela

pequena multidão, estava eu mergulhado em devaneios

e delírios.

Era o cordeleiro, apresentando obras dos mais variados

temas. Difícil era, ao fim de cada estrofe recitada, não

se ouvir a gargalhada dos presentes.

Aos poucos fui tomando interesse e, por fim, me

apaixonando por essa literatura tão rústica, tão

sublime e tão importante em meio à nossa cultura.

Pela admiração e pela inveja, diga-se de passagem,

a boa inveja, senti-me compelido a criar algumas

obras, não querendo assim comparar-me aos grandes

mestres, mas, na verdade, satisfazer a minha alma de

poeta.

E escrevi, dentre outras:

- Belém de São Francisco e a calçada do Pai Zeca;

- O Encontro de Pedro Félix com o espírito de

Lampião;

- Lembranças de Paulo Afonso;

- Abel Barbosa: Uma história de amor e luta por Paulo

Afonso.

A literatura de cordel, talvez pela sua rusticidade e

pelas classes que mais a admiram e consomem, sempre

foi relegada a um nível inferior, todavia, do ponto de

vista deleitivo e poético, é sem dúvidas uma das mais

atrativas.

É curioso observarmos que, apesar da maioria dos

literatas do cordel não serem pessoas de intelectualidade

muito aguçada, encontramos em suas obras alusões a

temas dos mais variados, ligados à política, religiões,

economia, folclores, etc... trazendo para o cordel uma

riqueza cultural digna de louvores.

Hoje estou feliz!

Finalmente o cordel foi reconhecido como patrimônio

cultural e material do nosso país, o que poderia ter

acontecido há mais tempo.

Deixo aqui meus parabéns a todos os cordelistas,

cordeleiros e todos aqueles que trabalham na

preservação e crescimento dessa belíssima cultura.

Murilo Geraldo Murilo Geraldo

Siqueira Siqueira de Brito de Brito

Murilo Brito

Nasceu em 09 de agosto de 1950 no Distrito de Mimoso município de Pesqueira/PE. Chegou a Paulo Afonso, com três anos de idade,onde o pai

já estava trabalhando na Chesf desde 1951 como eletricista. Morou próximo ao Chafariz 2 e, depois, na casa tipo “O”, da Chesf, no grupo 25 casa

2. A infância, adolescência e parte da vida adulta foram ali vividas, menos os anos de 1969 a 1971, por motivo de trabalho. Estudou nas Escolas

Reunidas da Chesf, Instituto Municipal de Educação Adauto Pereira de Souza e Colégio Sete de Setembro. Além da formação técnica em Contabilidade

e Administração de Empresas tem licenciatura em Letras feita em Arcoverde e Belém do S. Francisco – CESVASF.

É roteirista, piloto privado, cordelista e tem como hobbie a música e a pintura.

Abel Barbosa,

uma história

de amor e luta

por Paulo Afonso

Em vinte e seis de abril

Algo triste aconteceu

O sol brilhou na manhã

E sequer se escondeu

A vida se despediu

E o querido Abel morreu

De fato, foi muito triste

Ver o Chefe Abel partir

A saudade é muito grande

Mas temos que resistir

E vamos relembrar sempre

O que ele fez por aqui

Segue com Deus mestre Abel

Cumpriste tua missão

A vida é uma passagem

Passaste sem omissão

Paulo Afonso te agradece

De todo o coração.

Fragmentos

de cordel

Resolvi fazer uns versos

Falando sobre cordel

Com a caneta na mão

As rimas vindo do céu

Pareciam até estrelas

Brilhando sobre o papel

Murilo Brito

Murilo Brito

Cordel

Jovelina Ramalho

O cordel são versos nossos

Da cultura popular

Falam de “causos” e de fatos

Que acontecem por cá

Numa linguagem brejeira

Gostosa de escutar

Livretos em papel jornal

Nos cordões a balançar

E o cordeleiro cantando

Os versos a declamar

Se você é nordestino

Pode, por certo, imaginar

As estórias engraçadas

Que os cordéis têm pra contar

Estórias de várias figuras

Do imaginário popular

Tenha cuidado, seu moço!

E não venha de nós mangar

Isso é cultura das boas

E é pra quem sabe rimar!

Amor e Cangaço

O cordel são versos nossos

Parece um quadro pintado

De um famoso pintor

Lampião de uniforme

Penteado e perfumado

Com um peitilho de cor

Levou Maria Bonita

E a vida se transformou

Dizem que nas noites do sertão

Corre fogo corredor

Por isso cheguei bem pertinho

E pude o mistério observar

E vi Maria Bonita

Com Virgulino a se abraçar

Viraram faíscas de luz

Para o sertão iluminar

Jovelina Ramalho

Terminando uma estrofe

Outra já aparecia

Parecia até o sol

Surgindo no novo dia

E as flores se abrindo

Numa total harmonia

Era como a primavera

Colorindo o céu anil

Invadindo os verdes vales

E perfumando o Brasil

Chamando as borboletas

Com suas belezas mil

E o cordel foi-se formando

Verso a verso, linha a linha

Sem sequer pestanejar

Quando um ia, o outro vinha

A inspiração não faltava

Pois era vontade minha

Jovelina Maria

Ramalho da Silva

Nasceu em 25/09/52, em Nilópolis, Rio de Janeiro. Filha de Benigno Jovelino Ramalho e Maria Jose Teixeira Ramalho. Viveu 13 anos de sua

vida na cidade de Palmeira dos Índios/AL, Desde 1973, passou a morar em Paulo Afonso/BA. Em 2018, a Câmara Municipal de Paulo Afonso lhe

outorgou o título de Cidadã de Paulo Afonso.

Licenciou-se em Educação para o Lar, tem Bacharelado em Direito (FASETE) e Pedagogia no Centro de Ensino Superior de Paulo Afonso - CESPA.

É aposentada da CHESF. Professora aposentada do Colégio Polivalente de Paulo Afonso

Casada com Nivaldo Rodrigues da Silva, tem dois filhos Wagney e Wanessa e três netos: Maria Fernanda, Heloisa Laís e João Gabriel. Publicou

Verso e Reverso, em 1992, durante o Modernismo em Paulo Afonso e dois cordéis.

Imortal da Academia de Letras de Paulo Afonso, Cadeira Nº 12, foi eleita 2ª Secretária para a gestão 2017/2019.

Diretor: Antônio Galdino

Colaboradores desta edição: Murilo Brito, Jovelina Ramalho, Rogério Xavier

e Rafael Neto

Diagramação: Admilson Gomes e Darlan Soares


Paulo Afonso

Independência

ou sorte

Rogério Xavier

Na década de cinquenta

Foi tomada a decisão

Era sua independência

Para enfim evolução

Não queria ser forquilha

Preferiu ser uma ilha

Um oásis no sertão.

Lampião

e Padim Ciço

“Há dois mitos no nordeste

São os dois mitos do sertão

Lampião o cabra da peste

E o Padre Cícero Romão

Um tinha consigo a morte

Já o outro com mais sorte

Tinha fé e devoção”

Rogério Xavier

O que é o cordel

Gosto tanto de cordel

Como a água que bebo fria

Ela mata minha sede

Desce ligeira e fresquinha

Limpa, leve e ligeirinha

Me dá prazer e sacia

O cordel me estimula

Fico lendo nas entrelinhas

Vou do Egito ao Brasil

De Paulo Afonso a Dubai

Viajo na cauda da estrela

Visito o Monte Sinai

E se não leio adoeço

É o Cordel que me traz viva

Parece uma coisa de nada

Apenas um pequeno livro

Mas é cultura do povo

Cantando e tirando verso

Venha ouvir o cantador

Na feira, praça ou teatro

Falando só de cordel

Do primeiro ao último ato

Jovelina Ramalho

Desde pequena aprendi

Ouvir o cordel na feira

A voz do povo falando

No que o cantador cantava

Do matador de gigante

A Lampião lá no céu

O amor do sol e da lua

De Julieta e Romeu

Foi lá que aprendi bem cedo

A tirar rimas do cordel

Faço cordel com maestria

Sou nordestina, sim senhor

Você pode ser inteligente

Ser artista, ou ser doutor

Mas para escrever cordel

É dom de nosso Senhor

Então fique com sua glória

Me basta o cordel na mão

Escrevo o sonho do povo

Sua dança, amor e gingados

Me dá fartura de prazer

O meu cordel encantado

A Inveja

de Delmiro

Coronel Delmiro Gouveia

Era um grande sonhador

E pensando numa teia

Veia de empreendedor

Ele foi fabricar linha

Botou trem que lá não tinha

No sertão se instalou

Rogério Xavier

O Cordel

é Patrimônio

Da Cultura

Brasileira

Rafael Neto

O jornal de folhas soltas

De aedos e menestréis

Temas diversificados

Nas estrofes dos papéis

Alguns chamam de romances

Outros chamam de cordéis

Dos valentes coronéis

Aos rifles dos cangaceiros

De histórias apaixonantes

De princesas e guerreiros

As lendas dos bois valentes

Que amedrontavam vaqueiros

História lida em terreiros

No meio da multidão

De João Grilo a Malazarte

Juvenal e o dragão

Ao romance de Creusa

Raptada num pavão

Do padre Cícero Romão

Ao valente Virgulino

Coco verde e Melancia

Ao corajoso Rufino

São histórias relatadas

No folheto nordestino

Desde o tempo de menino

Aprendi ler porque quis

Ler os folhetos nas feiras

No meio doutros guris

Hoje é um patrimônio

Cultural do meu país

Fiquei bastante feliz

Por amar a poesia

Por também ser cantador

Da mesma categoria

Lutei por essa conquista

Sem saber que alcançaria

Arte é sabedoria

Que não aprende na escola

Um conhecimento empírico

Que pouco a pouco decola

Que eu desconheço a receita

De levá-lo pra cachola

Do cantador de viola

Do cordelista ao jogral

Das trovas as redondilhas

Do congresso ao festival

Viva o cordel Brasileiro

Patrimônio cultural.

Helison Rafael

Nascimento Silva

Esse é o nome de registro civil do poeta Rafael

Neto, jovem repentista e cordelista que nasceu em

Aracaju em 21/09/1991 mas logo começou a correr

pelo mundo. Em Sobradinho, na Bahia, quando

tinha apenas 8 anos, assombrou a Professora Geralda,

da Escola Paulo Pacheco ao escrever sobre os

500 anos do Brasil. Em Paulo Afonso, onde viveu

muitos anos com o avô conhecido como Poeta de

Cristo, também foi revelação na arte da poesia, no

Colégio Carlina e ficou conhecido como Poeta Rafael

Neto. Ganhou uma viola e não parou mais. Já fez

mais de 100 folhetos de cordel, vários DVDs e três

livros de poesias. Se estabeleceu em Paulistana, no

Piauí, mas vive cantando pelo Brasil afora. Agora

com 30 anos, casado, ainda é o mais novo membro

da Academia de Letras de Paulo Afonso, na cadeira

Nº 34, que tem como patrono o poeta do Cariri pernambucano,

Rogaciano Leite.

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Na Mala do Poeta completa 15 anos

e volta à Praça do Coreto

em Paulo Afonso no dia 18 de março

Criado pelo então universitário do Curso de Letras da

FASETE (UNIRIOS), Jotalunas Rodrigues, no ano de 2007,

o projeto Na Mala do Poeta tem poesia de todo jeito,

completa 15 anos e volta a ser apresentado no lugar onde

tudo começou: na Praça do Coreto de Paulo Afonso, ao lado

da Praça das Mangueiras, na sexta-feira, 18 de março.

E esta edição traz grandes atrações musicais como Zigo

Aguiar, Bia Leite, Lahu da Flauta e Roberinho do Acordeon

dentre outras e poetas de Paulo Afonso e da região.

Na mala do Poeta, diz o seu criador, poeta Jotalunas, que

também é membro da Academia de Letras de Paulo Afonso

e é tesoureiro na atual diretoria, “tem como proposta

o resgate da poesia popular e, desde a sua concepção,

procurou revelar valores, poetas, declamadores, que têm

pouca oportunidade de espaço na cidade”.

No ano de sua criação foi apresentado em várias edições

no Coreto da antiga Rua A, no Bairro Chesf, ao lado da Praça

das Mangueiras, para onde volta na sua comemoração dos

15 anos.

Durante vários anos, foi uma grande atração cultural,

apresentado nessa Praça do Coreto, em Paulo Afonso onde

muitos poetas da cidade e da região declamavam seus

poemas sempre com a presença de grandes nomes da

música e da poesia nordestina e pauloafonsina como Maciel

Melo, Josildo Sá, Bia Leite, Marcone Melo, Ésio Siqueira,

Silvinho Xavier, Caravana Cultura do Recife, Durval Brito,

Jorge Henrique, Raimundo Nonato, Bosco Humorista, João

de Sousa Lima, Roberto Ricardo, Carlos Vilela, Raimundo

Sodré, os saudosos Robson Soares e Aroldo do Hospital e

declamadores como Guduba, Pipopeiro e Surubim,dentre

muitos outros.

Por esse tempo, o projeto ganhou asas e arribou por

estas terras sertanejas. Já foi apresentado na vizinha cidade

de Glória, em Juazeiro, esteve em São José do Egito, como

parte de programação cultural que se realizou na terra dos

cantadores e poetas e também já foi apresentado em Lauro

de Freitas e no Pelourinho, em Salvador, capital baiana.

Em Paulo Afonso, além das apresentações na Praça do

Coreto, foram realizadas outras no Clube Paulo Afonso

e no encerramento da I Bienal do Livro de Paulo Afonso,

promovida em 2014 pelo jornal Folha Sertaneja com a

brilhante participação de Emanoel e o Trio Dona Florinda.

Em todas as apresentações A Mala do Poeta sempre atraiu

grande público.

Uma das apresentações da Mala do Poeta foi dentro

do projeto Luau na Praça da Secretaria de Turismo de

Paulo Afonso, na gestão de Regivaldo Coriolano. Nessa

apresentação na Praça do Touro e Sucuri, a participação de

Alberone da Rabeca, Neguinho Arcoverde e de Bia Leite,

este, presença muito constante em várias realizações desses

eventos.

“Mas, o projeto vai bem mais além que a apresentação

das poesias e músicas na Praça”, diz Jotalunas, o seu criador

e acrescenta: “As apresentações em Paulo Afonso resultaram

na publicação de três livros reunindo dezenas de poetas da

cidade publicados pela Graf Tech, sob a responsabilidade do

escritor e parceiro Luiz Ruben, nos anos de 2009 e 2013”.

Em 2017, ao completar 10 anos de sua criação o projeto

foi aprovado por um edital da Secretaria de Cultura do

Governo da Bahia –SECULT - que contempla a realização de

três edições que foram realizadas durante o mês de Março

em Paulo Afonso, Glória e Rodelas.

Em Paulo Afonso a apresentação foi no dia 13 de março,

na Praça do Coreto, ao lado da Praça das Mangueiras e teve

como atrações Bia Leite e o Grupo Em Canto e Poesia, da

cidade de São José do Egito. Em Glória, a apresentação da

Mala do Poeta foi no sábado, dia 18 de Março e também

será em praça pública e teve a participação de Maviael Melo.

Em Rodelas A Mala do Poeta foi realizada, também em Praça

Pública, como é o formato do projeto e aconteceu no sábado

dia 25 de Março. Ali estará se apresentando Sávio Emanuel

e contou com o apoio do Assessor de Comunicação da

Prefeitura de Rodelas, Valdomiro Bernardo do Nascimento.

O projeto Na Mala do Poeta tem poesia de todo jeito

volta à Praça do Coreto neste mês de março, na sextafeira,

dia 18 às 20 horas, com o apoio do governo federal,

através da Lei Aldir Blanc e a expectativa do seu criador

e apresentador, é que ele seja apresentado muitas outras

vezes, na cidade, nos bairros e para isso está buscando o

apoio e a sensibilidade do novo Secretário de Cultura e

Esportes, o pauloafonsino Dernival Oliveira Júnior.

João de Sousa Lima lança biografia de Maria Bonita

O escritor João de Sousa Lima, que já produziu mais de 10 obras sobre o tema cangaço, dentre elas o livro Lampião

em Paulo Afonso, já em segunda edição e uma pequena biografia de Maria Bonita, retorna ao tema, agora apresentando

toda a história de Maria Gomes de Oliveira, a Rainha do Cangaço, que nasceu no povoado de Malhada da Caiçara,

município de Paulo Afonso.

Maria Bonita foi tema de Seminário Internacional realizado em Paulo Afonso no ano de 2009, organizado sob a

coordenação de João de Sousa Lima e que deu origem ao Cariri Cangaço que vai ser realizado em Paulo Afonso pela

primeira vez entre os dias 24 e 27 de março de 2022.

A nova biografia de Maria Bonita, a companheira de Lampião, tem 268 páginas com muitas fotos e estará sendo

lançada no dia 15 de março às 19 horas no auditório Luiz de Deus do San Marino Hotel, anexo, em frente à Praça do

Coreto.

O livro foi publicado pela Editora Fonte Viva - (75) 9 9977-9686, e marca a retomada das atividades dessa gráfica

pioneira de Paulo Afonso na publicação de livros, revistas e outras publicações na cidade.

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