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Ucrânia: vigília pela paz no funchal

Importância da leitura

nas crianças mais novas

Andreia

Collard

Os ataques ciber têm gerado

um alerta à população

da necessidade de uma maior

literacia de cibersegurança

Anos

€2,50 | N.º298 | ANO XXIV

mensal março 2022

5 602930 003431

Ricardo Sousa

Entrevista

Um ano de vacinação

covid-19

Madeira



sumario

26

04 ENTREVISTA

O Núcleo Regional da Madeira da

Liga Portuguesa Contra o Cancro

é uma entidade de referência

regional no apoio ao doente

oncológico e família e que em

tempo de pandemia, não baixou

os braços. O presidente do Núcleo

Regional da Madeira da Liga

Contra o Cancro, Ricardo Sousa

fala do trabalho desenvolvido pela

Liga Contra o Cancro na Madeira

e da sua perspetiva da doença

oncológica.

07

cantinho da poesa

Ilhéu

08 atualidade

A Diretora Regional de Informática

em entrevista

11 finanças

O pagamento do IMI em 2022

12

14

Em Análise...

Adolescentes do Yin e do Yang

16 cultura

35 anos da Associação Grupo

Flores de Maio

19 educação

Importância da leitura nas crianças

20

22

à conversa com...

Os livros de Lídio Araújo

mais novas

33

madeira aves

A gaivota-de-bico-riscado e a

pardela-preta

caprichos de goes

A educação... (parte 1)

24 nutrição

Hora de comer? A importância de

fazê-lo em família!

25

26

30

image consulting

As 5 palavras que destroem sonhos

conversas com a saber

O casal Teresa e Nicolau

é o convidado desta edição

Viajar com Saber

São Marino

32 decoração

Cores tendência 2022 para a casa

34

36

marcas icónicas

Dr. Martens

47 SOCIAL

casual & chic

Carmo Gomes,

Lifestyle Blogger

dicas de moda

GREEN move

34

38 makeover

Um dia com... Mariana Pita

40

Fashion Advisor

Tendências primavera-verão 2022

42 motores

O novo Peuogeot 308

44

46 Instantâneo

Precisa-se...

56

58

agenda cultural

Março

À mesa com...Fernando Olim

Estatuto Editorial

saber março 2022

3


ENTREVISTA

Ricardo Sousa

Temos uma população

cada vez mais atenta

a este problema

de saúde [cancro]

Dulcina Branco

D.R.

O diagnóstico de cancro constitui uma experiência

de vida traumática, com um profundo impacto nos

doentes, nos familiares e na sociedade em geral,

e requer uma intervenção inter e multidisciplinar.

Neste âmbito, a Liga Portuguesa Contra o Cancro

assume-se como uma entidade de referência

nacional no apoio ao doente oncológico e família,

atuando a nível local através do Núcleo Regional

da Madeira, cuja sede se situa no edifício Elias

Garcia, no Funchal. Porque é fundamental falar

das doenças oncológicas e sensibilizar para a

importância dos diagnósticos e adoção de estilos

de vida saudáveis, pedimos ao presidente da Liga

Contra o Cancro na Madeira, Ricardo Sousa, a sua

visão sobre este problema de saúde e o trabalho

realizado.

4 saber março 2022


A pandemia

apresentou um

efeito muito ligeiro

nos tratamentos

e cirurgias, uma

vez que, a situação

pandémica na RAM não

levou a uma pressão

demasiado alta em

termos hospitalares

Como é que se pode prevenir a doença

oncológica e como é que o doente oncológico

pode, ou deve lidar, com a doença?

- Apesar de poder existir alguma predisposição

genética para alguns tipos de cancro,

a investigação científica aponta para o facto

de existirem alguns comportamentos diretamente

associados à sua prevenção. A

alimentação saudável e a prática regular de

exercício físico são os dois grandes pilares

da prevenção da doença oncológica - são

dois comportamentos cuja alteração está ao

alcance de qualquer pessoa. Uma dieta rica

em fruta, legumes e cereais integrais é uma

excelente forma de nos sentirmos mais saudáveis

e, simultaneamente, diminuir o risco

de cancro - e não só. Quanto à nossa herança

genética, não há muito que possamos fazer,

pelo menos para já.

Na perspetiva do NRM da Liga Contra o

Cancro, qual é a realidade das doenças

oncológicas na Madeira?

- Constatamos que, o número de casos de

cancro têm vindo a aumentar dentro do que

é expectável, tendo em conta o aumento da

esperança média de vida, melhoria da capacidade

diagnóstica através de melhores e

mais poderosos meios complementares de

diagnóstico, e estilos de vida não tão saudáveis

como o recomendado. Mas temos também

uma população cada vez mais atenta

a este problema de saúde. Para além disso,

o facto de termos melhores meios de tratamento

que resultam em maiores taxas de

cura ou de sobrevivência leva a que, em alguns

casos, possam existir pessoas que venham

a ter mais do que um cancro, levando

a que caminhemos para a transformação do

cancro numa doença crónica, como a diabetes

ou a hipertensão, e a termos de aprender

a viver muitos anos com o diagnóstico.

Como é que foi trabalhar nestes últimos

anos em contexto de pandemia?

- Não foram fáceis os últimos dois anos devido

à pandemia em que nos encontrávamos

mas todos os objetivos foram alcançados,

de um modo diferente e inovador (online).

Assinalámos o dia Mundial do Cancro –

evento anual que acontece no dia 4 de fevereiro

- com diversas atividades na Madeira

e Porto Santo para homenagear os doentes

com cancro, sensibilizar a população sobre

os serviços de apoio disponibilizados pelo

Núcleo da Madeira aos doentes oncológicos

e seus familiares e divulgar as atividades de

prevenção. Foram realizadas diversas iniciativas,

desde a distribuição de flores, num

gesto de amor aos doentes e famílias, pelos

nossos voluntários em diversos concelhos

da RAM, passando por diversas ações de

sensibilização e palestras. O Dia Mundial do

Cancro foi instituído a 4 de fevereiro de 2000

no âmbito do World Summit Against Cancer

for the New Millenium em Paris. Desde então,

comemora-se anualmente por iniciativa

da União Internacional de Controlo do

Cancro, tendo como principal objetivo sensibilizar

a população mundial e mobilizá-la

na luta contra o cancro. A Liga Portuguesa

Contra o Cancro é full member da UICC desde

1983, colaborando ativamente no desenvolvimento

e implementação de políticas

de saúde através de projetos nacionais e

internacionais. O tema definido para o triénio

2022-2024 é “Por Cuidados Mais Justos”

e pretende aumentar a consciencialização

sobre as lacunas existentes no acesso aos

cuidados de saúde por parte dos doentes

oncológicos, que afetam quase todo mundo,

e que são influenciadas por variáveis como o

nível socioeconómico, etnia, orientação sexual,

género, educação, localização geográfica,

entre outras. Pretende-se que esta data

– Dia Mundial do Cancro - seja mais do que

um dia no calendário e que a mensagem se

espalhe ao longo do ano. Para mais informações

pode aceder ao link https://www.ligacontracancro.pt/dmc/

e/ou contactar-nos

através do presente endereço.

Como é prestado o apoio aos doentes, e

suas famílias, por parte do NRM da Liga?

- Encaminhamos e acompanhamos, presencialmente

ou por via telefónica, os utentes

que nos procuram. Também colaboramos

com o SESARAM na distribuição da medi-

saber março 2022

5


Não foram fáceis

os últimos dois

anos devido à

pandemia em que nos

encontrávamos mas

todos os objetivos

foram alcançados, de

um modo diferente e

inovador

cação aos doentes oncológicos. Felizmente,

a perceção que temos, é que a pandemia

apresentou um efeito muito ligeiro nos tratamentos

e cirurgias uma vez que a situação

pandémica na RAM não levou a uma pressão

demasiado alta em termos hospitalares.

Provavelmente, teve um impacto no rastreio

e diagnóstico precoce devido às limitações

impostas e necessárias pela pandemia. Não

dispomos ainda do acesso aos dados finais

do impacto que a pandemia teve nestas situações

visto que, para além de levar algum

tempo a apurar estes números, é algo que,

provavelmente, se irá repercutir a médio e

longo prazo.

Aumentaram os pedidos de ajuda?

- Têm vindo sempre a aumentar o número

de pedidos de informação e ajuda. Tanto

que, o Núcleo Regional admitiu em 2020

mais uma Assistente Social de modo a dar

resposta a todas as solicitações.

Quais são as maiores dificuldades e desafios

do Núcleo Regional da Madeira?

- A maior dificuldade é estar sempre próximo

do doente oncológico e suas famílias,

devido o contexto pandémico que vivemos.

O maior desafio é termos uma nova sede.

Quais são os objetivos e iniciativas do Núcleo

Regional para o ano em curso?

- Com a tomada de posse dos novos Órgãos

Sociais para o mandato 2022-2024, da qual

fazem parte diversos técnicos de saúde, vamos

apostar na Prevenção Primária, divulgar

informação sobre o cancro e promover

a educação para a Saúde, com ênfase para

a sua prevenção. Estão programados dois

eventos no âmbito do projeto “Um Dia Pela

VIDA”, com vista a mudar a atitude da comunidade

face à doença: Educar e Informar,

Apelar à prevenção e Angariar fundos. Temos

vários projetos programados para este

ano dos quais se destacam a continuação de

várias ações de sensibilização e prevenção,

recrutamento de voluntários, iniciar o voluntariado

de proximidade, o retomar do voluntariado

nas unidades de saúde, a abertura

de duas novas delegações de modo a podermos

estar mais perto dos doentes oncológicos

e defender os direitos dos doentes e dos

sobreviventes (VENCEDORES) de cancro. s

A alimentação saudável

e a prática regular de

exercício físico são os

dois grandes pilares da

prevenção da doença

oncológica

6 saber março 2022


Cantinho da poesia

Rosa Mendonça

Escritora

facebook.com/rosa.6823mendonca/

[rosa mendonça autora]

ILHÉU

Singular porção de terra beijado ininterruptamente pelo mar

Ora meigo, ora revolto, ora quase quieto

Aconchegante baía com basaltos, areia negra, clima tropical temperado

O povo sai à rua em “traje de vilão”, eles de calção branco

Franzido sobre o joelho e barrete de orelhas invertido

As viloas exibem, orgulhosas, as suas saias tingidas com maresia,

O padrão tradicional com riscas às cores, que seduz residentes e forasteiros

Este Ilhéu, que repousa em derrame vulcânico, serpenteando do mar

até à montanha, delira com os dedilhados no brinquinho

Eterno apaixonado pelas sonoridades inebriantes das vagas

Conhecedor das marés, orienta-se pela posição do sol e luares

Sua mente abriga um poderoso astrolábio, veleja somando nós

Descobridor insaciado, varre todos os quadrantes da Terra

Ilha, berço embalado pelos braços fecundos dos pescadores

No vai e vem, trazem sustento e abundância

Sobreviventes fustigados pelas intempéries, imponentes navegadores

Este Ilhéu encerra em si intimidade e orgulho nas suas raízes

Flameja um sentimento de pertença permanente, compromisso

Corpos nutridos pelo sal e pelo sol tornam-se consistentes e saudáveis

São incansáveis embaixadores da marca Madeira pelo mundo

Madeira é magia, paraíso, encanto, aventura, experiência, conceito…

Brotam nascentes de água que atravessam a ilha de ponta a ponta

Circulam em levadas ancestrais, construídas e mantidas pela mão humana

Património regional, são as joias culturais e naturais

Razão da procura desenfreada, estrangeiros lançados à descoberta

Devidamente informados e orientados pela(o) guia de montanha

Olhares latejam ao verem tanta, mas tanta beleza ímpar e imperdível

Curiosos e estupefatos querem registar todos os momentos vividos

Ilhéu, que sabes a arte de bem receber, és humilde anfitrião

Nunca nos sentimos limitados pela tangência da orla costeira

Somos abençoados em inspiração, criação, talentos, dons místicos

Embalados conforme um todo, valsamos ao ritmo da ondulação

Habitamos em duradouras oscilações salgadas

s

D.R.

saber março 2022

7


ATUALIDADE

Andreia Collard

Sobre segurança digital,

Andreia Collard diz que, “tal

como não partilhamos a chave

de casa, também não devemos

partilhar as nossas passwords

com ninguém. Da mesma

forma que guardamos os

nossos pertences no bolso ou

na mala para dificultar o seu

acesso a terceiros, devemos

também dificultar o acesso

das nossas passwords, dados

e contas online, garantindo a

sua segurança com medidas

práticas no dia a dia que

incluem desde atualizarmos

o software nos nossos

equipamentos para as mais

recentes versões, a termos

cuidado de quem está ao nosso

redor quando inserimos dados

pessoais ou fazemos login nos

nossos equipamentos”.

Dulcina Branco

diário de notícias, maistecnologia, notícias ao minuto,

semanário Expresso, Pplware-sapo, maistecnologia.

com, bomdia.eu, noticiasaominuto.pt

A 28 de janeiro deste ano, o Ministério da Justiça francês revela ter sido alvo de um

ataque informático que viria a ser reivindicado pelo grupo de ‘hackers’ Lockbit 2.0. Em

Portugal, na noite de 7 de fevereiro, a Vodafone Portugal deteta um ataque informático,

considerando o ato “de origem terrorista e criminosa”. O ataque indisponibiliza

o acesso à rede, penalizando quatro milhões de clientes particulares e empresariais,

além de perturbar serviços de comunicações essenciais no país. A Unidade da Polícia

Judiciária para o crime informático segue uma pista relacionada com um pirata informático

russo. Recentemente, foram também alvos de ataque informáticos os ‘sites’

do grupo de comunicação social Cofina e do grupo Impresa, bem como a página da

internet da Assembleia da República e os laboratórios do Centro de Medicina Laboratorial

Germano de Sousa. Os ciberataques são uma realidade atual, e que de acordo

com a especialista em cirsegurança ESET têm vindo a agravar-se nos últimos anos. A

Madeira não está à margem desta realidade. A criação, recente, da Direção Regional

de Informática – a Direcção Regional de Informática foi criada em novembro de 2020

– revelou a necessidade governamental de continuar a aprimorar os meios e mecanismos

informáticos na Madeira, conforme revela a diretora regional de Informática

nesta entrevista. Andreia Rosa Collard é licenciada em Direito com pós-graduação

em Compliance e Direito Penal Europeu e Económico, especializada em Direito Internacional

e Propriedade Intelectual, bem como em Liderança e Gestão Comercial

Contratual e em ITAR/EAR (International Trade in Arms Regulations e Export Administration

Regulations). A sua carreira esteve desde sempre conectada a inovação e

alta tecnologia em diversos setores, incluindo Defesa, Transportes, Espaço e TIC. É

uma ávida apoiante de desenvolvimento tecnológico a nível nacional e regional. Foi

eleita “Most Innovative” na GC Powerlist Legal 500 na área de Tecnologias de Informação

e Comunicação (TIC) por dois anos consecutivos.

Como viu o recente ataque informático à

Vodafone?

- Vi como um crime com mais visibilidade

mediática por ter tido um grande impacto

diretamente numa porção considerável da

população (pelos dados publicados perto

de 4 milhões de pessoas afetadas) com a

interrupção abrupta de um serviço essencial

como é o das telecomunicações. Desconheço

um ataque de tamanho impacto à

data em Portugal, mas preocupa-me que o

motivo não seja ainda claro, nem haja identificação

do tipo de informação que tenha

sido acedida. Normalmente, ataques desta

escala têm um objetivo financeiro ou ativista

mas o que torna este caso menos comum

é que não tendo um propósito claro, abre

asas a uma lista de possibilidades que pode

ir desde um ataque malicioso intencionado

somente à disrupção, à apropriação de dados

para outros ataques, ou uma “experimentação”

para algo maior.

A pandemia provocou mais crimes informáticos?

- A pandemia por si só não fez aumentar o

número dos crimes informáticos, é uma conjunção

de elementos que estando presentes

torna este tipo de crime mais recorrente ou

“apetecível”. Acredito que, teria acontecido

mesmo sem pandemia. Esta apenas acelerou

o processo, pois quando se espelha o

mundo físico no virtual, o que acontece no

8 saber março 2022


Na DRI temos um

programa que nomeamos

de “MelhoDRIas” onde

estabelecemos desde

o início o caminho

a percorrer para

a modernização de

meios informáticos no

processo de transição

digital da Administração

Pública

mundo físico transporta-se para o virtual e

a Madeira como qualquer outra parte do

mundo não está isenta deste tipo de crimes.

Quando falamos de crimes informáticos,

quais são os mais relevantes?

- São todos relevantes pois no mundo ciber

tudo está conectado. É como uma rede que

se tece, todos os incidentes, por mais pequenos

e insignificantes que pareçam podem

ser o início de algo mais, porém, os de maior

impacto e que causam mais danos são os

ataques a infraestruturas críticas como serviços

de saúde, proteção civil, transportes,

telecomunicações, etc.

A direção regional de Informática, departamento

do qual é diretora, que trabalho

desenvolve e que tipo de apoios presta?

- A única forma de trabalhar nesta área é em

rede, o moto “juntos somos mais fortes” é a

única forma de ter algum sistema de defesa

nesta área. Há várias vertentes neste tipo

de trabalho, as que fazemos com as autoridades

e parcerias e as que fazemos com

as instituições e segurança do cidadão em

geral. É um trabalho que vai desde ações

de prevenção e sensibilização, passando

pela identificação de vulnerabilidades e monitorização,

ao apoio em gestão de crise e

cumprimento de obrigatoriedades, ao processo

de recuperação de “normalidade” e

colaboração com investigação forense. De

uma forma geral, a Direção Regional de

Informática (DRI) é a entidade do governo

com a missão de superintender a política regional

para a área das tecnologias de informação

e comunicação, assim como apoiar a

definição estratégica da transição digital da

administração publica regional e o seu cumprimento.

A DRI presta um serviço transversal

nas áreas de Tecnologia de Informação e

Comunicação (TIC) a todas as orgânicas da

Administração Pública. Dividimos o nosso

apoio em 4 pilares de engenharia estruturantes:

Serviços de Cibersegurança, Serviços

de Inovação e Transição Digital, Serviços de

Operacionalidade de Tecnologias de Informação

e Comunicação e Serviços de Apoio

e Coordenação integrados.

Como é que estamos no que diz respeito

aos meios informáticos da Administração

Pública regional?

- Na DRI temos um programa que nomeamos

de “MelhoDRIas” onde estabelecemos

desde o início o caminho a percorrer para

a modernização de meios informáticos no

processo de transição digital da Administração

Pública, tanto em relação a equipamentos

como a infraestruturas, processos,

formação digital e soluções tecnológicas

avançadas. É um caminho que se faz andando

mas estamos a acautelar a maior parte

dos setores de uma forma integrada, organizada

e prioritária.

Qual é o principal desafio da sua direção?

- Desafios é o que não falta, o que de certa

forma traz um “gostinho” de adrenalina

aos serviços. Quando iniciei este percurso,

começo sempre do ponto 0, portanto tudo

que façamos é para superar um desafio,

ponto por ponto, um passo de cada vez, mas

o desafio mais recente é certamente a coordenação

técnica do Plano de Recuperação e

Resiliência.

Os serviços do Governo Regional podem

ser alvo de ataques informáticos. Isto já

aconteceu em algum departamento?

- Hoje em dia qualquer serviço, empresa,

orgânica, entidade ou cidadão pode ser alvo

de ataques informáticos, tanto diretamente

ou indiretamente por “rede” de ataque. Ninguém

e nada está completamente seguro.

Trabalhamos todos os dias para protegermos

e defendermos os serviços do Governo

Regional porém não estamos imunes.

Quais os cuidados que devemos ter no

manuseamento dos meios digitais e na

navegação online?

- Sendo um dos principais riscos na internet

o comportamento humano, a regra geral e

mais simples de lembrar é de proteger os

nossos bens digitais como protegemos os

físicos pois os conceitos de segurança são

semelhantes. Por exemplo, tal como não

partilhamos a chave de casa, também não

devemos partilhar as nossas passwords com

ninguém. Da mesma forma que guardamos

os nossos pertences no bolso ou na mala

para dificultar o seu acesso a terceiros, devemos

também dificultar o acesso das nossas

passwords, dados e contas online garantindo

a sua segurança com medidas práticas

no dia a dia que incluem desde atualizarmos

o software nos nossos equipamentos para

as mais recentes versões, a termos cuidado

de quem está ao nosso redor quando inse-

saber março 2022

9


A pandemia por si só

não fez aumentar o

número dos crimes

informáticos, é uma

conjunção de elementos

que estando presentes

torna este tipo de crime

mais recorrente ou

‘apetecível

rimos dados pessoais ou fazemos login nos

nossos equipamentos.

A maior parte dos cidadãos ainda não

sabe utilizar estes novos meios de trabalho

e de comunicação? Há uma iliteracia

quanto à cibersegurança?

- Considero que, estamos muito melhor do

que estávamos, pois temos apostado imenso

em ações de sensibilização ao cidadão

em geral e os recentes ataques ciber, pela

sua dimensão e recorrência, têm gerado

um alerta à população da necessidade de

uma maior literacia de cibersegurança. O

que devemos continuar a fazer, mas paralelamente,

apostar em ciberinteligence e

forense, áreas mais especializadas de cibersegurança.

No Plano de Recuperação e Resiliência

temos focado nestas áreas, tanto em

termos de formação como de ferramentas

ciber avançadas.

É importante celebrar o Dia Europeu da

Internet Mais Segura porquê?

- É muito importante, pois todos os dias

surgem novas aplicações e novos serviços

disponíveis ao utilizador através da internet

e cada vez o mundo se transfere para

online. Nesta constante evolução, a melhor

forma de reduzir o risco na sua utilização é

nos mantermos bem informados sobre os

seus riscos e vulnerabilidades. É essencial

existir uma constante sensibilização sobre

estes riscos e promover formas de educação

nestas áreas, bem como de nos mantermos

atentos a informação emergente sobre novos

riscos. O dia Europeu da Internet Mais

Segura faz-nos relembrar esta necessidade

a nível Europeu e destaca esta rede que

formamos de proteção do espaço ciber Europeu,

o que é extremamente importante.

Porém, temos que nos lembrar disto todos

os dias, não só no dia da Internet Mais Segura.

s

Os recentes ataques ciber, pela sua dimensão

e recorrência, têm gerado um alerta à população

da necessidade de uma maior literacia de

cibersegurança

10 saber março 2022


FINANÇAS

O pagamento do IMI em 2022

Todos os que têm casa própria, começarão,

a partir de abril, a ser

notificados para pagar o Imposto

Municipal sobre Imóveis (IMI), pelo

que é importante saber com o que contar.

“O IMI é uma despesa com algum peso no

orçamento familiar. É necessário perceber

quanto vamos ter de pagar de forma

a ajustarmos as nossas finanças. Por essa

razão, o simulador de IMI é tão importante.

As boas notícias este ano, é que existe

uma série de autarquias que reduziram este

imposto, aliviando a carga aos seus munícipes”,

adianta Rui Bairrada, CEO do Doutor

Finanças, empresa especializada em finanças

pessoais e familiares que lançou o Simulador

de IMI para 2022 . O simulador está

disponível no sítio www.doutorfinancas.pt/

simulador. Este ano, foram 55 as Câmaras

Municipais que aliviaram, de alguma forma,

o valor deste imposto para os seus munícipes,

sendo que três autarquias o aumentaram.

Saber quanto vamos pagar de IMI em

2022 é determinante para uma preparação

financeira. O simulador de IMI ajuda ainda

a perceber se vivemos num concelho que

dá deduções por agregado familiar. A concessão

deste benefício é decidida por cada

autarquia, sendo que a esmagadora maioria

das câmaras aplica esta dedução (que vai

dos 20 euros por um filho até aos 70 euros

quando há três ou mais filhos). Para calcular

o IMI, sabendo o valor patrimonial tributário

(VPT) e a taxa que é aplicada pela autarquia

onde está localizado o imóvel, basta multiplicar

o valor da taxa pelo VPT e o resultado

desta conta dará o valor do IMI que teremos

de pagar, que pode ainda descer se houve

as deduções por agregado familiar. Em alguns

casos é concedida a isenção do pagamento

de IMI. Encontram-se nesta situação

pessoas com rendimentos baixos e cujo valor

da casa também o seja. Há situações em

que a isenção é permanente, já noutras é

temporária. Uma família com um rendimento

bruto que não ultrapasse os 15.295 euros

e cujo valor patrimonial tributário do imóvel

não seja superior a 66.500 euros está isenta

permanentemente, a não ser que a sua

situação financeira melhore. As famílias que

comprarem um imóvel até 125 mil euros de

valor patrimonial podem beneficiar de uma

isenção de IMI durante três anos. O IMI paga-se

todos os anos, podendo ser pago todo

de uma vez ou ser divido em prestações, dependendo

do valor a pagar. Assim, as famílias

que tiverem uma fatura de IMI até 100

euros terão de pagar o imposto de uma só

vez, em maio. Se o valor do IMI for superior

a 100 euros e até 500 euros, a família pode

pagar em duas prestações: uma em maio e

a seguinte em novembro. Já se o valor do

imposto superar os 500 euros, podem dividir

o pagamento em três vezes: maio, agosto

e novembro. Independentemente do valor,

é sempre possível pagar o IMI de uma

só vez. s

Susana Freitas

Senior Communication Consultant

doutorfinancas.pt

saber março 2022

11


em análise...

Francisco Gomes

Analista político

Adolescentes

do Yin e

do Yang

Como é que esta geração,

da qual depende o futuro da

nossa Região, irá resolver a

sua própria bipolaridade é

uma solução que eu não tenho

competência para apontar.

Limito-me a observar...

Carolina rodrigues

Falar de adolescentes com pessoas

com quem concordamos é uma experiência

estupenda e da qual não se

tira proveito nenhum. Porém, não é

um mal do qual padeça, já que tanto a minha

família como o meu círculo de amigos

relevam uma excelente – e, por vezes, muito

frustrante – heterodoxia social. Nas mesas

onde me sento, há um pouco de tudo,

desde saudosistas crentes que o tempo voltará

para trás, críticos impulsivos, esperançosos

crónicos e até quem deixe escapar o

irritante “Os pequenos ainda muito bons

são.” É o que há e eu não me posso queixar.

Mas, dito isto, e como pai de uma princesa

que, dona inquestionável do meu coração e

dos meus pensamentos, entrará nos seus

‘teens’ já daqui a dias, o que me parece evidente

é que os tempos em que vivemos são

simultaneamente delicados e preocupantes,

pois damos por nós a braços com uma

geração de adolescentes que, assustadoramente,

reúnem posturas, atitudes, visões

do mundo e processos de pensamento que

são tão louváveis quanto desprezíveis, tão

notáveis quanto alarmantes, tão altruístas

quanto egoístas.

Mas, porque sou uma pessoa inaptamente

positiva, comecemos pelo bom.

Não há dúvida que estamos perante uma

geração que está muito acima de tantas anteriores

nos assuntos que nos tornam mais

humanos, entre os quais a consciencialização

ambiental, a condenação do racismo, a

refutação da xenofobia, a defesa da igualdade

de género, a tolerância sexual, a abertura

ao multiculturalismo, a noção da interdependência

global, a sensibilidade para

o domínio das línguas estrangeiras e a familiaridade

com o uso das ferramentas da

era digital. É esta a realidade que constato

todos os dias, quer nas aulas que leciono,

quer nas ruas por onde ando, e, por muito

que haja malta que diga o contrário, estas

constatações são factos. Não são opiniões,

mas simplesmente factos.

12 saber março 2022


segredosdomundo

Contudo, o revés da medalha não reluz assim

tanto. Vejamos bem.

Estamos, também, perante uma geração

que idolatra a ignorância, deleita a mediocridade

e condena os pares que trabalham,

que lutam, que têm sonhos grandes, que

querem ir muito mais além e fazem por se

medir por mais do que aquilo que é o minimamente

exigido. É uma geração a quem

foi assegurado (pelos papás e pelas mamãs

proteccionistas) que nenhum mal lhe tocaria,

e, por isso, não sente, com a verdade

do coração, a necessidade de mudança.

Entusiasma-se com pouco ou nada. Vibra

com pouco ou nada. Levanta-se do sofá por

pouco ou nada. Põe o telemóvel de lado por

pouco ou nada. E, porque são todos e todas

tão ‘cool’ e com tanto ‘style’, conseguem ser

de um marasmo gritante e de uma insensibilidade

que é deveras enervante.

Aliás, para estes supostos porta-vozes da

revolução sexual do nosso tempo, a única

coisa que parecem adorar com alma é o

seu próprio corpo, e, à pala disso, as redes

sociais vomitam ‘selfies’ em poses de conquistador

indomável, sedutora popozuda,

revolucionários de algibeira e casais de namorados

que fazem juras de ‘forever and

ever be my Valentine’, mas a verdade é que

têm a estabilidade de um electrocardiograma

e começam e acabam conforme o que

se passou em Ibiza, durante a viagem de

finalistas. Pior – e sei que isto não se aplica

a todos – temos uma geração de ávidos

consumistas e materialistas genéticos, que

olham para o empreendedorismo com a

dinâmica de uma morsa e demonstram

estar muito mais interessados numa vida

sem travões, sem regras, sem limites de

multibanco e, preferencialmente, sem pais

à volta.

Como é que esta geração, da qual depende

o futuro da nossa Região e do nosso

país, irá resolver a sua própria bipolaridade

é uma solução que eu não tenho competência

para apontar. Limito-me a observar

e a alimentar a esperança que, entre betinhos

irritantes, as santas de pau-oco, os

sabichões, os falsos intelectuais, os góticos

‘freak’ e os rebeldes sem causa nenhuma,

encontremos alguém com a coragem para

ser diferente e assumir a seriedade de pensamento

e de conduta da qual dependem,

a prazo, o nosso bem-estar colectivo. s

saber março 2022

13


À conversa com...

Pretendo dar a

conhecer às novas

e futuras gerações

algo do nosso passado

histórico

Lídio Araújo

Foi professor das disciplinas de português e de francês

e, nos últimos anos, tem se dedicado à escrita de

livros. Em 2002, publicou o seu primeiro livro, “Filhos

do Mar” e, no final de 2021, o mais recente de uma já

considerável bibliografia: “Era uma vez...Em Câmara de

Lobos”, sempre com a chancela da editora O Liberal.

Neste “À conversa com...”, Lídio Araújo fala da sua

relação com o mundo dos livros que começou a amar

em criança. O autor nasceu em Câmara de Lobos e é

licenciado em Línguas e Literaturas Modernas, variante

Português-Francês, pela Universidade Clássica de

Lisboa. Tem publicados livros nos âmbitos da narrativa,

crónica e poesia.

O texto escrito em suporte de papel

terá sempre o seu lugar na escrita

DULCINA BRANCO

CR & TC

Em criança, gostava de ler e o que gostava de ler?

- Desde criança lia tudo o que apanhava, mas recordo principalmente

uma Bíblia Escolar, diversas vezes lida e relida, os jornais

desportivos, emprestados pelo vendeiro-vizinho, e um jornal

regional, do qual éramos assinantes.

Enquanto professor, como fazia chegar aos seus alunos os

livros e o incentivo para a leitura?

- Durante o meu período de ensino profissional, sempre os incentivei

ao prazer da leitura, apesar de ter lecionado uma língua

estrangeira…E relembro o último dia de aulas, há já alguns

anos. Como tal, à laia de despedida e reconhecimento pelas

minhas aprendizagens, graças aos milhares de discentes, com

quem tive a dita e o prazer trabalhar, ofereci um pequeno livro

– LEITURAS SOLTAS (volume 1) – a todos os alunos. E após a derradeira

lição, alguns alunos da turma, em questão, isolaram-se

pelo pátio de recreio a lê-lo, sem desconfiarem que estavam

a ser observados por mim. Para além de ter sido a primeira

vez que alguém lhes oferecera um livro, também ficaram muito

curiosos com os contos de diversos autores regionais.

Tem publicados diversos livros. Há um que lhe deu mais

gozo publicar e porquê?

- TODOS, porque o resultado é fruto de muitíssimo trabalho, de

pesquisa e criação literária.

14 saber MARÇO 2022


Interessa-me escrever

sobre a minha

experiência de vida

O seu último, e mais recente, livro foi “Era

uma vez ...Em Câmara de Lobos”. Como

decorreu o processo criativo do mesmo?

- Foi um trabalho desenvolvido com muita

recolha de informações durante vários anos,

acrescido à vivência do autor, nascido, crescido

e morador na freguesia. Realce para o

facto de grande quantidade de discursos terem

sido testemunhados pelo autor no seu

contacto com a população. Quanto ao futuro,

há trabalhos aguardando a publicação,

por ora sine die.

O que contam os seus livros?

- Interessa-me escrever sobre a minha experiência

de vida. Daí que tenha publicado

narrativa bélica, de viagem, investigação,

poesia, etc. Quanto a possível influência literária,

creio que, de facto, há resquícios

das imensas leituras efectuadas ao longo da

vida, mas principalmente, acho que se vinca

uma forma pessoal de escrita, goste-se ou

não.

Quando lança um livro, qual é o seu propósito

e o que espera alcançar com o

mesmo?

- Essencialmente, pretendo dar a conhecer

às novas e futuras gerações algo do nosso

passado histórico, assim como relembrar às

gerações actuais e mais antigas algo da sua

vivência, focando o lado histórico, sócio-cultural,

tradições, usos e costumes e, inclusive,

a vertente linguística do falar madeirense,

esperando ser útil, deste modo, aos leitores.

Qual é a sua opinião sobre o ‘e-book’?

- Para quem não tem possibilidade de adquirir

livros, julgo ser uma boa opção para leitura.

Recordo que, no primeiro ano deste século,

tive a oportunidade de ler um e-book,

em português, cuja temática muito me interessava.

Pois gostei bastante, não apenas

do conteúdo, mas da experiência. Também

tive oportunidade de participar na escrita

do e-book madeirense HÁ SEMPRE MAGIA

NO NATAL, a várias mãos, coordenado pelo

Prof. Francisco Fernandes, em 2012, e achei

uma experiência curiosa e satisfatória.

As ferramentas digitais levarão ao fim do

livro físico?

- Jamais. Julgo que o texto escrito em suporte

de papel terá sempre o seu lugar na escrita,

por maiores e distintas que sejam as

descobertas futuras neste âmbito.

Escreve na antiga ou na nova grafia, e

porquê?

- Escrevo em português e jamais na aberração

do “malaquês”, mais conhecido por

“desacordês”. A evolução de uma língua não

deve ser resultado de imposições governamentais,

acedendo a interesses políticos e

facultando favores a determinados grupos

intelectuais. Por alguma razão, os outros países

de expressão portuguesa recusaram-se

a assinar o dito (des)acordo ortográfico.s

saber março 2022

15


CULTURA

É uma das mais dinâmicas

associações de cariz artística e

cultural da Madeira a Associação

Grupo Cultural Flores de

Maio, que em outubro de 2021

assinalou 35 anos de atividade.

Reflexo desta dinâmica, a

Flores de Maio, que foi fundada

e está sedeada no Porto da

Cruz, garante atualmente a

manutenção de vários grupos

como o Grupo de Borracheiros,

Coro Infantil, Machetinho, Grupo

de Animação e Grupo de Dança,

que produzem e apresentam

espetáculos pela ilha. Virgílio

Caldeira, presidente da direção

da AGCFM, responde a esta

entrevista sobre o percurso

do grupo que ajuda a recolher,

preservar e reproduzir a história

de comunidade local.

Dulcina branco

cortesia AGCFM

35 anos da Associação

Grupo Cultural Flores de Maio

Como surgiu, e com que objetivos, a Associação

Grupo Cultural Flores de Maio?

V.C.: A Associação Grupo Cultural Flores de

Maio (AGCFM) surge fruto das dinâmicas artísticas

e culturais que vinham sendo implementadas

na Freguesia do Porto da Cruz no

inicio da década de oitenta, protagonizadas

por Eduardo Caldeira; a aprendizagem de

vários instrumentos musicais e, consequentemente,

o crescente número de atuações

realizadas pela Tuna Flores de maio, Grupo

dos Borracheiros e Grupo de Animação, em

diferentes locais da região, representaram

fatores relevantes para a constituição desta

coletividade, o que veio a concretizar-se

em outubro de 1986. Desde a sua génese,

os objetivos passaram pela recolha e divulgação

do cancioneiro e romanceiro da freguesia

do Porto da Cruz, proporcionando

atividades artísticas destinadas à população

em geral, nomeadamente, crianças, jovens e

adultos. Participar em eventos culturais com

as diferentes formações artísticas, divulgando

as suas práticas, era também um dos

seus propósitos.

Que atividades marcam o seu percurso,

de uma forma geral?

V.C.: As atividades artísticas foram surgindo

gradualmente, decorrente da envolvência

da população ao projeto. Inicialmente eram

os cordofones madeirenses, a guitarra, o

bandolim, o violino e o acordeão. Com a

chegada da nova sede em 2003, a qual oferecia

mais e melhores espaços de trabalho,

são introduzidas novas práticas artísticas e

com elas, novos grupos: os coros infantil e

juvenil, a dança e o teatro. Este ano, volta a

ser introduzida uma nova atividade, o atelier

musical infantil, destinada a crianças dos 3

aos 5 anos. Ao longo destes 35 anos foram

vários os momentos que dignificaram a imagem

da AGCFM e que evidenciaram a qualidade

das suas práticas artísticas, nomeadamente

os intercâmbios culturais com várias

entidades fora da região; a participação de

alguns dos seus grupos na Expo 98 em Lisboa

e a Expo 2000 em Hannover; a gravação

ao vivo de um DVD em 2005, com as suas

16 saber março 2022


formações artísticas e a participação em

encontros Regionais de Coros e Tunas de

bandolins da Madeira, constituem marcos

significativos na história desta associação;

também existiram outros momentos dignos

de registo que se concretizaram na freguesia

do Porto da Cruz, em que destacamos:

O musical levada d’Amores, comemorativo

dos seus 25 anos; os concertos de Natal e

de Reis; as marchas dos santos populares; o

Festival infantil “Vozes em Flor” e o Festival

“Apanha da Cana”, projetos que orgulham

esta coletividade pelo seu impacto e qualidade

performativa.

Um projeto recente é o lançamento do livro

dos 35 anos do grupo, cujo prefácio é

do Dr. Alberto João Jardim. Fale-nos disto.

V.C.: Este livro surge pela necessidade de

deixar registado um percurso artístico de

uma coletividade, que, fruto do seu entusiasmo,

vitalidade e crescimento, ganhou

um espaço de destaque, não só no Porto da

Cruz, como em toda a Região. Esta edição

apresenta a biografia da AGCFM onde o sucesso,

a diversidade e a projeção das suas

práticas artísticas estão bem ilustradas em

cada uma das páginas deste livro. Quantas

Desde a sua génese, os

objetivos passaram pela

recolha e divulgação do

cancioneiro e romanceiro

da freguesia do Porto da

Cruz

recolhas de melodias e tradições, quantas

formações artísticas e projetos proporcionaram

“palcos” de excelência, divulgando o

nome e a cultura da Freguesia do Porto da

Cruz. A publicação deste livro não se esgota

no registo e divulgação de um legado artístico/

cultural bem-sucedido nesta freguesia,

mas também, tornar presente um conjunto

de vivências, suportadas pela envolvência

de um número significativo de pessoas

de todas as idades, que procuravam nesta

Associação uma experiência artística, associada

a um espaço de lazer e de felicidade,

que passaria por tocar um instrumento,

cantar, dançar ou até representar. Este livro

reporta-nos para percursos artísticos de

referência, que fortaleceram a “marca” Flores

de maio e que descrevem os momentos

mais significativos e de maior impacto desta

Associação. Com esta edição, pretende-se

homenagear todos aqueles que construíram

a história desta associação, dirigentes,

professores, sócios, alunos e encarregados

de educação que, de forma determinada,

empenhada e persistente, proporcionaram

espaços e oportunidades para que este projeto

se afirmasse junto da comunidade. Reconhecer

o apoio de tantas entidades que

vêm apoiando este projeto até aos dias de

hoje, foi também um dos propósitos desta

edição; de facto, foram vários os momentos

em que esta ajuda foi significativa, nomeadamente

a atribuição de um edifício por

parte do Governo Regional, para sede desta

coletividade. Porque na altura era presidente

do Governo Regional, o Dr. º Alberto João

Jardim e uma vez que, nessa qualidade, foi

decisiva a sua determinação para que fosse

atribuída uma sede para a Associação Grupo

Cultural Flores de Maio, não hesitámos

em convidar esta personalidade madeirense

para escrever o prefácio deste livro.

saber março 2022

17


Uma curiosidade: o nome Flores de Maio

como é que surge? Qual é a sua história?

V.C.: Foi na década de trinta a primitiva origem

do grupo “Flores de Maio”, associada

à figura do professor Crisóstomo Teixeira

do Livramento (1902-1964), de origem açoriana,

que lecionou na Escola Primária do

Porto da Cruz desde finais dos anos trinta

até 1955. Nesta localidade, reuniu um grupo

de homens que eram tocadores de cordas e

que tinham os seus ensaios aos domingos.

É a este grupo de tocadores que, em tom

de brincadeira, apelidavam de “Flores”, mais

tarde, de “Maio”: “flores”, símbolo de beleza

a despontar, e “maio”, numa referência ao

inicio da época estival, uma vez que o primeiro

grupo era composto, maioritariamente,

por pessoas de meia-idade.

Na atualidade, que intervenção tem a

associação na comunidade do Porto da

Cruz?

V.C.: A exemplo de tantas outras associações

culturais, os últimos dois anos foram

assolados por uma pandemia que comprometeu

o percurso normal do projeto, ficando

reduzido a pequenas manifestações

O fenómeno cultural é de

extrema importância na

construção da identidade

das sociedades

artísticas. Atualmente, aproximamo-nos

da normalidade, retomando as práticas semanais.

Queremos manter uma “Escola de

Artes”, aberta a toda a população do Porto

da Cruz e freguesias circundantes, desenvolvendo

várias atividades artísticas, nos

domínios da música, da dança e do teatro;

queremos promover iniciativas que envolvam

a população sénior, nomeadamente,

através de uma intervenção semanal no lar

de dia do Porto da Cruz, proporcionando

momentos de lazer e potenciando vivências

e práticas artístico/culturais; por fim, manter

“vivas” as formações artísticas: Grupo de

Animação, Grupo dos “Borracheiros”; Coro

Infantil; “Machetinho” e Grupo de Dança

- “CORPUS”. Neste ano, queremos dar continuidade

a dois eventos que fazem parte

do nosso plano de temporada, já há alguns

anos: A 13.ª edição do Festival Infantil “Vozes

em Flor”, um projeto que pretende reunir

crianças representantes de todas as escolas

do 1.º ciclo do município de Machico, através

de um festival de vozes. Outro evento não

menos importante é a 5.ª edição do projeto

“Machetices”; este último visa celebrar a prática

e a valorização dos cordofones madeirenses,

proporcionando um espetáculo com

os alunos do Machetinho, um dos grupos da

AGCFM.

Qual é o contributo e o papel de associações

como a AGCFM na dinamização da cultura

e das tradições locais/madeirenses?

V.C.: São este tipo de coletividades que ajudam

a recolher, preservar e reproduzir a

história de uma comunidade. O fenómeno

cultural é de extrema importância na construção

da identidade das sociedades. As

associações culturais tornam presente vivências,

usos e costumes de outrora, transmitindo

às novas gerações um legado, suscetível

de ser replicado, mediante as devidas

adaptações aos nossos tempos.s

18 saber março 2022


EDUCAÇÃO

Tânia Fernandes

Tânia Fernandes

Docente de Educação Especial

A importância

da leitura

nas crianças

mais novas

Quanto maior for o hábito de

leitura nas crianças mais novas

e o contacto com uma panóplia

de livros, mais facilmente será

criado o gosto pelo mundo da

literacia emergente. A leitura

de histórias desde a infância é o

alicerce basilar para se criar, no

futuro, leitores com melhores

níveis de proficiência leitora.

Aleitura é uma poderosa ferramenta

que dispomos para estabelecer interações

com o ambiente e apresenta-

-se como uma chave facilitadora da

compreensão do mundo. Nesse sentido, é

necessário que a criança se familiarize com os

livros o mais precocemente possível, seja em

casa, na creche, no jardim de infância. A leitura

de histórias permite que a criança aprenda

acerca do mundo que a rodeia, desenvolvendo

as suas competências cognitivas e culturais. O

conto de histórias estimula o desenvolvimento

da linguagem expressiva e compreensiva

e possibilita o aumento do reportório lexical.

Promove, simultaneamente, o desenvolvimento

da criatividade e a descoberta do mundo

imaginário, levando a criança a inventar histórias

e a entrar no mundo do “faz de conta”,

através do contacto com obras de literatura

infantil. A leitura possibilita um maior conhecimento

da sintaxe, um crescente desenvolvimento

semântico-pragmático, possibilitando a

criação de laços de afetividade com a história.

A literacia da leitura na educação infantil possibilita

ainda o contacto com o mundo mais lúdico,

levando a criança a ampliar o seu reportório

imaginativo, encontrando nos livros os seus

“grandes” amigos ou até mesmo os seus heróis.

A leitura desde tenra idade desenvolve a

literacia emergente, levando a criança à atribuição

de significado aos símbolos escritos, criando

atitudes e comportamentos de leitor. Como

tal, motivar para a leitura não deve emergir

somente com a aprendizagem do sistema alfabético

em idade escolar. A estimulação para a

leitura inicia-se muito mais cedo, mas para isso

é crucial que o adulto motive para o manuseio

dos livros e leia histórias à criança. Encher prateleiras

com histórias; dar o exemplo à criança,

de modo que veja o adulto a ler; criar rotinas no

seio familiar para ler o jornal, uma revista, uma

história antes de adormecer são exemplos de

algumas dicas que podem, de facto, ajudar a

despoletar o gosto pela leitura. Até aos cinco e

seis meses de idade é fulcral que a criança aceda

a livros pequenos e cartonados, de plástico

ou até mesmo de pano, acompanhados com

fantoches, cujas as imagens remetam para tamanhos

de grandes proporções e apelativas

em termos de tonalidades. Por volta dos 6 aos

doze meses, devem ser fornecidos livros texturados

às crianças ou mesmo com sons onomatopeicos

e musicalidades, por exemplo com

imagens ilustrativas de objetos de uso corrente

do nosso quotidiano, de animais, de partes da

casa, partes do corpo, dos meios de transporte...No

primeiro ano de vida até aos três anos

de idade, aconselha-se que a criança contacte

com livros que já possuem pequenas narrativas,

destacando-se as fábulas, livros musicais

e com fantoches. Contudo, há que ter em conta

que essas histórias devem apresentar ilustrações

variadas e uma linguagem simples do

ponto de vista morfossintático, semântico e lexical.

Desde os três até aos seis anos de idade,

é fulcral que a criança contacte com uma diversidade

de livros e tipologias textuais (narrativos,

poéticos, dramáticos) com maior extensão

de texto e com menor quantidade de ilustrações.

Quanto maior for o hábito de leitura nas

crianças mais novas e o contacto com uma panóplia

de livros, mais facilmente será criado o

gosto pelo mundo da literacia emergente. Em

suma, a leitura de histórias desde a infância é o

alicerce basilar para se criar, no futuro, leitores

com melhores níveis de proficiência leitora. Artigo

de Tânia Fernandes. Licenciada em Ensino

Básico - 1º Ciclo; Pós-graduada em dificuldades

de Aprendizagem e Problemas e comportamento;

Mestre em Ciências de Educação, ramo

Problemas Cognitivos e Multideficiência; Doutorada

em Ciências de Educação, especialidade

Psicologia de Educação pela Universidade do

Minho. Exerce funções de docente de Educação

Especial. Formadora com creditação em

investigação em Educação e Educação Especial

pelo Conselho Cientifico-Pedagógico de Formação

Contínua. s

saber março 2022

19


MADEIRA AVES

JOSÉ FRADE

Fotógrafo autoditata

José Frade nasceu no concelho

de Cascais. Trabalha no sector

automóvel mas foi a sua paixão

pela fotografia, principalmente a

fotografia de natureza, que o fez

aprofundar os seus conhecimentos

sobre as aves e consequentemente

aderir ao grupo "Aves de Portugal

Continental", grupo esse criado

pelo Armando Caldas, mas, como

membro desde o primeiro dia,

foi convidado pelo fundador, em

conjunto com ele, administrar

o referido grupo, vendo aí uma

oportunidade para partilhar os

seus conhecimentos e incentivar as

pessoas à protecção da natureza.

Dulcina Branco

José Frade,

administrador do grupo “Aves de Portugal Continental”,

que gentilmente nos cede as fotos que ilustram

esta rubrica

www.spea.pt/como-ajudar/ajudar-as-aves

Como ter um jardim amigo

dos passarinhos?

Todos os jardins têm biodiversidade,

mas existem algumas pequenas

dicas que ajudam a torná-lo mais

acolhedor para as aves. A Sociedade

Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA)

lança algumas dicas, tais como: evite aplicar

pesticidas e herbicidas; disponibilize alimento,

especialmente se o inverno for muito rigoroso;

disponibilize água em bebedouros

ou em taças, onde as aves possam beber e

banhar-se em dias quentes; nunca remova

ou danifique os ninhos de andorinha; evite

podar as árvores, sebes e arbustos durante

a primavera e aumente a diversidade da estrutura

do seu jardim, mantendo faixas de

vegetação espontânea ou não cortadas em

relvados e alternando zonas de vegetação

densa com clareiras. Nota: Os alimentadores,

bebedouros e as caixas-ninho devem

ser colocados em locais fora do alcance de

predadores – principalmente gatos. s

20 saber março 2022


Gaivota-de-bico-riscado

(Larus delawarensis)

Uma ave da família Laridae.

Nidifica no continente americano.

Invernante escassa na costa ocidental

da Europa. Acidental na vMadeira.

Pardela-preta

(Ardenna grisea)

Ave da família Procellariidae.

Nidifica no Pacífico Sul, com algumas colónias

no Atlântico Sul. Inverna no noroeste do Atlântico.

Migrador de passagem na Madeira.

saber março 2022

21


CAPRICHOS DE GOES

Diogo goes

Professor do Ensino Superior e Curador

A Educação

não pode ser

um luxo

de uma elite

– parte 1

Processos educativos que

possibilitem a mitigação

e o combate à pobreza são

premissas estruturais para

assegurar a coesão social

no presente e futuro

da (nossa) Região.

“Keep and Calm” - Pintura de Diogo Goes

De acordo com os dados disponibilizados

pelo Instituto Nacional de

Estatística (2021), a Região Autónoma

da Madeira (RAM) foi a região

do país que registou, no ano passado,

as mais elevadas taxas de risco de pobreza

ou exclusão (28,9%) e de privação material

severa (8,9%) (INE, 2021). Já em 2020, a Região

apresentava o mais elevado risco de

pobreza (24,2%), cerca de seis pontos percentuais

acima da média nacional (de 18,4%)

(INE, 2022). No recente artigo publicado na

Revista Saber Madeira, intitulado “Combate

à pobreza: uma questão de justiça social e

liberdade” (Goes, 2022), tive a oportunidade

de abordar que, a Madeira confronta-se,

desde 2017, com um aumento tendencial

da pobreza em vários indicadores, a par

do acentuar das desigualdades sociais. As

crianças e jovens com menos de dezasseis

anos continuam a ser um dos grupos sociais

vítimas desses flagelos, condicionando as

suas legítimas ambições futuras. Em Portugal,

no ano de 2020, a proporção de crianças

e jovens até aos 16 anos, que viviam

em pobreza atingiu um valor de 20,4%, um

crescimento de 1,3% em relação a 2019. Entre

os 16 e 29 anos, Portugal registou 4,2%

em 2020, mais 0,2% que em 2019. Em 2020,

a Região registou a segunda pior taxa de

mortalidade infantil do país (3,2%), a par do

Alentejo (INE, 2022). A taxa de privação material

severa entre as crianças e jovens (< 16

anos) é a mais alta do país. Em 2021, 11,5%

dos jovens (< 16 anos) da RAM registavam

um estado de saúde “mau” ou “muito mau”

(INE, 2021). Quando relacionamos as taxas

de pobreza e privação material severa com

os indicadores educativos, entre os mais

jovens, constatamos que a RAM registou,

no ano letivo 2019/2020, o menor número

de matrículas na educação pré-escolar e o

segundo pior resultado nacional, nos ensinos

básico e secundário (INE, 2022). Além

dos aspetos demográficos, importa aferir

os eventuais impactos da pobreza nas escolas.

No ano letivo 2019/2020, a taxa de

retenção e desistência no 1º ciclo do ensino

básico foi de 1,7%, acima da média nacional

(1,4%) (INE 2022). Atente-se que, o Anuário

Estatístico da DREM (2021) relativo a 2020,

aponta uma taxa de retenção e desistência

no ensino básico (1º, 2º e 3º ciclos) situada

em 2,1% (redução de 1,8% em relação ao

ano letivo anterior), conseguindo um melhor

resultado, embora residual, quando comparado

com o total apresentando a nível nacional

de 2,2% (diminuiu 1,6% em relação

a 2018/2019). Apesar das taxas brutas de

escolarização no ensino pré-escolar e básico

situarem-se acima das médias nacionais,

notamos a regressão no ensino secundário,

registando o segundo pior resultado do

país. A taxa de transição ou conclusão do

ensino secundário situou-se nos 89,5%, dois

pontos percentuais abaixo da média nacional

(INE, 2022). Em 2020, foram 10,5% dos

jovens que não concluíram a escolaridade

obrigatória na Região. A pandemia poderá

ter vindo agravar a situação socioeconómi-

22 saber março 2022


ca e as necessidades educativas, contudo,

não isenta de responsabilidade a ineficácia

da decisão política, desde há várias décadas.

Podemos por isso, concluir que o atual

modelo de desenvolvimento económico não

tem vindo a refletir, equitativamente, os impactos

pretendidos nos diferentes estratos

sociais. Antes, tem vindo a privilegiar os interesses

hegemónicos de uma elite e acentuar

as desigualdades e a fenomenologia

da exclusão social. A distribuição não equitativa

da riqueza tem vindo a impossibilitar

uma efetiva emancipação social e o desenvolvimento

humano dos estratos e grupos

sociais já vulneráveis. Processos educativos

que possibilitem a mitigação e o combate à

pobreza são premissas estruturais para assegurar

a coesão social no presente e futuro

da (nossa) Região. (cont). s

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Síntese dos Resultados. Lisboa: Instituto de Ciências

Sociais da Universidade de Lisboa. ISSN 2184-9145.

https://gulbenkian.pt/publication/inquerito-as-praticas-culturais-dos-portugueses/

Pollak, S. D., & Wolfe, B. L. (2020). How developmental

neuroscience can help address the problem

of child poverty. Development and psychopathology,

32(5), 1640–1656. https://doi.org/10.1017/

S0954579420001145

Troller-Renfree, S. V., Costanzo, M. A., Duncan, G.

J., Magnuson, K., Gennetian, L. A., Yoshikawa, H.,

Halpern-Meekin, S., Fox, N. A., & Noble, K. G. (2022).

The impact of a poverty reduction intervention on

infant brain activity. Proceedings of the National

Academy of Sciences of the United States of America,

119(5), e2115649119. https://doi.org/10.1073/

pnas.2115649119

saber março 2022

23


nutrição

Alison Karina

de Jesus

Alison Karina de Jesus

Nutricionista (2874N)

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Hora de comer?

A importância de fazê-lo em família!

Avida moderna alterou significativamente

os hábitos que deveriam de

ser preservados, para benefício não

só da nossa saúde mas também do

nosso bem-estar. A tão tradicional “mesa de

jantar”, que noutros tempos era símbolo da

união em família, é cada vez menos assídua

na nossa casa: A falta de espaço ou de tempo,

o crescimento das famílias monoparentais, o

hábito de comer com o prato no colo a ver

televisão ou enquanto se está no computador

ou no telemóvel. A família é, em verdade,

um local não só de afetos mas também de

aprendizagem e de transmissão de valores

que nos acompanham ao longo da vida. Assim,

podemos dizer que a família é um “catalisador”

de saberes, competências e atitudes,

sendo componente essencial na educação

para a saúde que pressupõe a aprendizagem

dos hábitos saudáveis, em que a alimentação

faz parte! Os pais bem como toda

a família têm uma influência marcante no

comportamento e no padrão alimentar das

crianças. As refeições em família acarretam

vários benefícios para toda a família, pois

permitem a troca de conhecimento mútuo e

de experiências, fortalecendo as relações familiares.

Sabia que as crianças e adolescentes

que fazem as refeições em família têm

hábitos alimentares saudáveis? Pois ingerem

maiores quantidades de frutas, vegetais e leguminosas

em relação aos que comem fora

de casa. Lembre-se que a sua presença na

hora do almoço/jantar, é fundamental para

transmitir aos seus filhos os bons exemplos

que serão seguidos durante a vida adulta. Se

a criança vê que os pais comem hortícolas,

fruta, peixe, leguminosas, vai ter vontade

de querer imitar e, portanto, experimentar.

As crianças estão sempre muito atentas e

captam tudo à sua volta e tenha em mente

que os valores que são demonstrados pela

família são transmitidos mais que pelo fazem

do que pelo que é dito: As práticas valem

muito mais do que as teorias!. O que é

que os pais, como modelos de referência

devem transmitir aos meus pequeninos? Evitar

mastigar demasiado rápido; Servirem-se

de quantidades adequadas no prato; Evitar

fazer comentários negativos relativamente

a um alimento em específico: por exemplo

“a papaia sabe a vómito”; Envolver a criança

na aquisição dos alimentos bem como na

sua preparação, confeção e empratamento.

Organize uma espécie de MasterChef com

os pequeninos lá em casa!; Respeitar os horários

das refeições e fazê-las em ambiente

tranquilo e acolhedor, sem discussões e sem

comentários que causem desconforto.; Estar

atento à refeição e ao convívio familiar: evitar

para tal a televisão, o telemóvel, tablet ou

computador; Praticar em conjunto atividade

física: seja através de caminhadas ou corridas.

Pode organizar uma mini maratona com

a família!. Não se esqueça que é “desde pequenino

que se torce o pepino!”. s

24 saber março 2022


IMAGE consulting

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D.R.

Marisa Faria

Consultora de Imagem

As 5 PALAVRAS

QUE DESTROEM

SONHOS

D.R.

“Não é o Momento Certo.”.

Estas simples cinco palavras

destroem mais sonhos do que

qualquer outra.

Não é o momento certo

para começar o meu negócio.

Não é o momento certo

para deixar o meu emprego.

Não é o momento certo

para um novo relacionamento.

Não é o momento certo

para tirar umas férias.

Não é o momento certo

para investir em mim.

Se continuarmos esperando para o

momento certo, ficaremos esperando

para o resto da vida. Porque

estamos a cair na indecisão. E a indecisão

gera ambivalência e a ambivalência

gera falta de motivação e incapacidade

de realizar qualquer atividade produtiva. É

muito frequente as pessoas sentirem-se insatisfeitas

com a sua imagem, e gostariam

de sentir-se bonitas, atraentes e confiantes.

Mas colocarem isso como uma prioridade

na sua vida é como se tivessem a ser egoístas

para com os que as rodeiam, porque

estamos habituados a colocar tudo e todos

em primeiro lugar – os filhos, o marido ou

namorado, os pais, os irmãos, os cães, etc.

Mas a verdade é que egoísmo é não nos colocarmos

como prioritários na nossa vida.

Porque se não estivermos a 100% para nós,

conseguiremos estar para os demais?. A

vida é feita de decisões. Umas maiores outras

menores. Mas é algo que temos que

lidar inevitavelmente todos os dias. Se não

tivesse me candidatado aquele emprego no

passado, hoje não estaria na posição que

estou; se não tivesse decidido conhecer

aquela pessoa, hoje essa pessoa não estaria

ao meu lado como meu esposo; se não

tivesse decidido começar a fazer exercício

há uns anos atrás, provavelmente hoje não

estaria tão forte e ágil. Tudo é uma questão

de decisão. E quanto mais tempo levamos

para tomarmos uma decisão, mais indecisos

nos tornamos e levamos uma vida inteira

a adiar e a destruir a possibilidade de ver

os nossos sonhos realizados. Porque o momento

presente é o único que temos. Por

isso DECIDE onde estás, com o que tens. s

saber março 2022

25


CONVERSAS COM A SABER

&

Teresa melo

nicolau góis

Entrevista António Barroso Cruz

D.R. (direitos reservados)

Agradecimentos Hotel Meliã Mare Madeira e A Tulipa

26 saber março 2022


Gostamos de conversar,

de rir juntos, gostamos

do convívio, de viajar

juntos, de esclarecer

as situações que nos

desagradam

Teresa e Nicolau, dois nomes

que vão bem na cumplicidade

dos sorrisos, na boa disposição

com que ambos vivem em

partilha, no percurso de uma

dezena de anos que trazem

de mãos dadas. Nicolau é

empresário dos seguros com

passagem pela banca. Teresa

é bailarina nos sonhos e na

vida real. Respiram a paixão

pela dança, pelos animais,

pelos amigos, pelas viagens.

Ela formada em Engenharia

de Recursos Hídricos, ele

formado em Economia, fazem

um casal desempoeirado,

descomplicado e de bem

com a vida. Em mais uma

agradável conversa com sabor

que regressa às páginas desta

Saber que sempre a(s) recebeu

com as honras que lhe(s)

são devidas. Com a fluidez

e descontracção que fazem

parte do seu ADN. Para mais

um ciclo de 12 conversas no

bonito espaço do Meliã Mare.

A.C.: Ao contrário do que é habitual, e

segundo os parâmetros da boa educação,

vou começar esta conversa pelo homem.

Nicolau, se tivesses que optar por uma

nacionalidade, por qual optarias? Seixal

ou Funchal?

N.: Seixal.

Apesar de teres nascido no Funchal...

- É verdade...

E nasceste no Funchal há quantos anos,

exactamente?

- Há 54 anos e dois meses.

O que é que o Seixal tem de mágico, digamos

assim, ou de especial, que te faz

caminhar para lá sempre que podes?

- Tem a casa que lá construi e que é fantástica

e tem, além disto, os amigos... Os amigos

foi o que me levou para lá, e a gostar tanto de

lá ir. As amizades que criei e a paisagem. São

as pessoas e a paisagem, o ambiente... Tudo

isto me faz imensamente bem.

Teresa, já conhecias o Seixal antes de

conheceres o Nicolau? [risos]

T.: Não da mesma maneira que o Nicolau. Só

de passagem. As piscinas naturais, o restaurante

Brisa Mar, o Chão da Ribeira.

O que o Nicolau transmite acerca do Seixal

também te contagia, ou revês no Seixal

aquilo que o Nicolau vê?

- Não é igual. Não tenho a paixão que ele

tem. Gosto do Seixal, gosto daquele verde -

sempre gostei, as rochas, mas não é a mesma

paixão. Gosto por ser campo e por ser

calmo, mas não é a mesma paixão que ele

tem.

Falaste em ‘por ser calmo’. És uma pessoa

calma?

- Não sou, mas gosto de estar num sítio calmo.

Principalmente na natureza.

E procuras actividades que também te

acalmem?

- Também.

O que fazes para te acalmares?

- Ioga e meditação. Porque sou muito eléctrica

[risos].

Já que falas em ‘eléctrica’, isso leva-me ao

Carnaval. Tu e o Nicolau desfilam na Caneca

Furada.

- Sim.

E isso acontece há quantos anos, Nicolau?

N.: Para aí há uns vinte anos. Desde 2012,

que foi o ano em que nos conhecemos.

Nunca tiveste vergonha das figuras que

fazes de vez em quando?

N.: Não [risos]

T.: Ele vai ao aquecimento antes [risos]

E consegues chegar sempre a tempo?

N.: Sim, mais ou menos …

Nicolau, és formado em Economia. O teu

projecto profissional tem estado ligado à

tua formação?

- Não exactamente. Trabalhei sempre na

área dos Seguros e da Banca, mesmo antes

de tirar o curso. Acabei o curso já estando

a trabalhar, mas ajudou-me porque são

áreas que se interligam. A formação ajudou-

-me para abrir portas para os trabalhos que

desempenhei.

Quanto tempo estiveste na banca e há

quanto tempo estás nos seguros?

- Comecei a trabalhar nos seguros em 1993,

faz 29 anos. Pelo meio, passei pela banca,

dois anos. São 26 anos nos seguros.

Os seguros fazem-te mais feliz do que te

fazia a banca, ou não é comparável?

- Fazem-me mais feliz porque é onde estou

agora e gosto do que faço, o não que quer

dizer que estando a trabalhar na banca também

não gostava. Era feliz mas, de facto, os

seguros fazem mais sentido e sinto-me mais

realizado. Foi onde a vida me levou e onde

surgiram mais oportunidades.

Já tu, Teresa, formada em Engenharia de

Recursos Hídricos. Como é que isso aconteceu?

- Formei-me em Évora.

Na perspectiva de enveredares por essa

carreira?

- Sim, aqui. Pensei em vir para cá por variadas

razões. A começar pelo clima que é óptimo

e pelas oportunidades de trabalho que

aqui encontraria com maior facilidade do

que lá.

Foi fácil encontrar trabalho?

- Não foi nada fácil. Houve uma altura em

que andei aí à procura, tive uma proposta em

que acabei por ir parar ao Algarve, onde estive

um tempo, e depois voltei para cá. Entretanto,

veio o 20 de Fevereiro e aí foi mais difícil

e já não voltei à minha área.

Veio o 20 de Fevereiro que foi aquilo que

todos nós sabemos mas...

- Sim, mas preferiram contratar pessoal do

continente.

E o que fazes actualmente, profissionalmente

falando?

- Estou desempregada. Neste momento, vivo

para a dança. Já dei explicações de matemática,

mas não actualmente.

A matemática está inserida na hidráulica…

- Também, é tudo cálculos. No curso tivemos

várias matemáticas, é tudo cálculos. A parte

da matemática é a mais fácil.

Disseste que agora vives para a dança.

Que género de dança?

- De dois tipos. A dança oriental, de que gosto

bastante, e também estou num projecto que

tem a ver com o Mercado Quinhentista, com

a dança medieval.

Onde o Nicolau se meteu, entretanto...

N.: Sim, também dou um pezinho.

saber março 2022

27


T.: Foi convencido [risos]

O que fizeste para o convencer a entrar

na dança?

- Sensibilizei-o para o exercício, para se divertir

e espairecer.

Participas na dança porque a tua profissão

é muito pesada? Precisas destes escapes?

- Sim, também preciso destes escapes. Destes

e de outros, mas sim, de vez em quando

os escapes são importantes.

Viajar é um desses escapes?

- Uiiii!. [risos]

Teresa, e por falar em viajar, tu que és

“eléctrica”, mas que também praticas

ioga e meditação, e danças orientais – que

transmitem sensualidade e paz - que tipo

de país é que procuras quando te apetece

viajar? É tipo uma cidade como Nova

Iorque, a bombar? Ou preferes ir para um

Butão?

- Prefiro o Butão porque procuro conhecer

culturas diferentes da nossa. Vou pela cultura,

pela música, pela gastronomia.

Nicolau, há dez anos com a Teresa. O que

é que apagarias das características dela?

- Se calhar o por vezes ser eléctrica de mais.

Mas pronto, aprendi a viver com isso. Ela tem

uma energia muito grande, é impressionante.

Por vezes um bocadinho menos de energia,

um “descansozinho”, também é bom…

Tu és uma pessoa que transmite muita

calma. Não sei se és assim na tua vida

mais íntima, mais escondida.

- Nem sempre sou.

És contagiado pela Teresa?

- Não sou tão calmo como pareço, também

me “passo” como qualquer pessoa. Tenho

os meus momentos, mas sou uma pessoa

calma, de uma forma geral. Mas quando me

salta a tampa e tenho os momentos de exaltação,

ui...

Perante um cliente mais chato...

- Temos de manter a calma. O cliente é a

nossa razão de existir e temos de manter a

calma. Mas sim, em situações de injustiça é

possível sentir faltar a calma. Perante situações

de injustiças e incorrecções saio fora de

mim. Detesto injustiças. A nível profissional

trabalho com várias seguradoras e há situações

de injustiça que por vezes acontecem e

aí eu não me consigo conter. E se for preciso

ser rude perante as injustiças e incorrecções,

sou rude.

E tu Teresa, o que é que eliminarias das

características do Nicolau?

T.: As birras. Ele é de ficar amuado. E ser

indeciso.

N.: Um Balança tem sempre momentos de

muitas indecisões. É indeciso por natureza.

T.: Eu sou decidida e ele não.

Sempre foste assim, decidida?

- Sempre. Até quando foi para tirar o curso

de Engenharia. Pensei em seguir o curso de

Enfermagem, mas desisti e segui Engenharia.

Para enfermagem é preciso ter uma vocação

que eu não tenho. O sofrimento dos outros

levou-me a desistir da ideia deste curso.

Dez anos de vida em comum. Passado

todo este tempo, o que é que concluis

como mais positivo da vossa relação?

T.: Nós gostamos de coisas parecidas. Gostamos

de conversar, de rir juntos, gostamos

do convívio, de viajar juntos, de esclarecer as

Vamos a Berlim neste

mês de Março. Berlim

era para ser em

Dezembro, foi adiada por

causa da pandemia

situações que nos desagradam. Conversamos

sobre o que nos divide e esclarecemos

a situação. A verdade é que nos divertimos a

fazer coisas juntos.

Quando olho para vocês enquanto casal,

a minha referência acerca de vocês é essa

boa disposição que vos une.

- Sim.

Nicolau, dizias que transmites tranquilidade,

mas se te projectar para o passado,

enquanto miúdo de escola, acho que

devias ser um terror...

- Não era dos piores, mas também não era

dos melhores. Não tinha um comportamento

exemplar, fazia as minhas traquinices, mas

sempre sem faltar ao respeito. Não fui um

grande aluno. Era um aluno para ir passando.

Era um desenrascado.

Qual é o amigo mais antigo que trazes na

tua vida?

- Tenho a sorte de ter grandes amigos na

minha vida, amizades de vinte anos, mas

também de quarenta e quatro anos, os que

foram escuteiros comigo, tinha os meus dez

anos, como o David, o Fernando, o Paulo, o

João Paulo, o Artur, o Alípio. São todos em

várias fases, em que uns foram mais importantes,

mas são todos importantes, para

além daqueles com quem não estou diariamente,

mas sei que quando preciso deles e

quando eles precisam de mim, estão lá e eu

estou lá para eles também. É uma meia dúzia

deles que se mantém.

E aquele sonho de rapazinho que tu querias

quando fosses grande, qual era?

- Pensei em tanta coisa!... Mas jamais em

seguros e banca [risos]. Embora sempre

achasse que o senhor que trabalhava na banca

era um senhor de respeito e tal, mas se

calhar isto há 40 anos. Não sei, não me lembro

de uma profissão em particular porque

pensei em tanta coisa.

Mas quando te formaste em Economia,

tinhas uma perspetiva de futuro ou estavas

aberto a qualquer coisa?

- Sim, estava aberto a qualquer coisa. A Economia

era uma área que achava interessante

pese embora não fosse a minha área do

secundário – fui aluno de desporto – e dar

aulas não fosse a minha vocação. Daí ter-me

voltado para a Economia, uma área abrangente

e que achei interessante.

E tu Teresa, agora com a idade que tens e

nesta fase da tua vida, qual é o sonho que

ainda achas que consegues concretizar?

- Na minha infância sonhava em ser bailarina

de ballet. Ou astronauta. É a dança. A minha

paixão é a dança. E depois é ir ao espaço

[risos]. Espero um dia lá chegar [risos]

Achas que o Nicolau vai contigo?

- Houve uma altura em que estavam a pedir

nomes para uma missão a Marte e eu falei

com o Nicolau para darmos o nosso nome e

ele «estás louca!» [risos]. Mas tenho a esperança

de um dia conseguir ir ao espaço. Não

sei como, mas tenho essa esperança.

O que te faz mais falta no teu trajecto de

vida?

- O meu pai. Tenho dificuldade em aceitar

que ele se foi. Em muitas situações da

28 saber março 2022


minha vida penso nele e gostaria que estivesse

presente.

Foi prematuramente...

- Sim. Ele faleceu com 42 anos.

Nicolau, se te pedisse para ofereceres

uma frase ou uma palavra neste momento

à Teresa, que frase ou que palavra oferecerias?

- …

Enquanto o Nicolau pensa na resposta,

Teresa, o que é que tu admiras mais no

Nicolau?

- É ele tentar quebrar os seus traumas, os

seus medos.

Nicolau, pensa numa palavra...

- Amor.

É o amor que subsiste passados dez anos?

- Sim. Cumplicidade.

Vão a todo o lado juntos?

T.: Estamos sempre juntos. Só se não pudermos,

mas sim, estamos sempre juntos e

vamos a todo o lado juntos.

Qual é a tua próxima viagem?

T.: Vamos a Berlim neste mês de Março. Berlim

era para ser em Dezembro, foi adiada por

causa da pandemia e agora surge a oportunidade.

Argentina com Patagónia é outra

das viagens adiadas. Mas para já é a Berlim

que iremos.

Susana, tens alguma ideia para uma pergunta?

S.: O Nicolau foi escuteiro. O escutismo pode

ser melhor explorado, acho eu, no sentido

em que traz alguns valores.

Assim sendo, e voltando atrás, ao teu

passado de escuteiro, que valores é que

bebeste, transportaste e te ajudam hoje

em dia?

N.: Os valores da amizade e do companheirismo.

Mantenho amizades de mais de 40 anos

desse tempo em que fui escuteiro. Outro

valor incutido foi o da organização, que me

ajudou em tudo. Como também deixar o

mundo melhor do que aquele que encontramos.

Continuo a defender a ideia de que

podemos deixar o mundo melhor e faço por

isso. É a velha máxima “não faças aos outros

o que não queres que te façam a ti”. Estes

foram, de facto, valores e regras que recebi

no escutismo e que tento pôr em prática

na minha vida. Não sou um exemplo, ou o

melhor exemplo para ninguém, porque também

tenho as minhas falhas, mas tento pô-

-los em prática.

Qual é o valor que mais admiras na raça

humana?

T.: Ajudar o próximo.

E qual é o valor que mais detestas na raça

humana?

T.: É não ajudar o próximo. E envolve os

“outros animais” porque todos os seres vivos

merecem ser respeitados e amados, sejam

pessoas, sejam os animais. Revolta-me que o

ser humano se ache melhor ou superior aos

animais. O facto de ser racional ou irracional,

mas é um facto que há animais a serem mais

racionais do que o ser humano e, portanto,

há que proteger tudo o que é ser vivo.

Mas quando olhas à tua volta vês que há

mais gente contra a maré do que a favor,

ou seja, não é fácil pôr em prática esse

mandamento de amor ao próximo e a

todos os seres vivos.

T.: É verdade, mas se toda a gente ajudar

será mais fácil. Se a situação me aparece a

mim eu devo agir, tenho o dever de ajudar.

Se toda a gente pensasse desta forma, acho

que o mundo seria um lugar melhor e seríamos

todos mais felizes.

Na vossa casa há papagaios e periquitos e

outros animais e isto representa um amor

muito grande.

N.: Sim, muito grande. Dão-nos imenso.

A.C.: Muito obrigado. s

PUB

saber março 2022

29


viajar coM saber

ANTÓNIO CRUZ

AUTOR E VIAJANTE › antonio.cruz@abreu.pt

São Marino

Era um daqueles países que queria muito conhecer,

São Marino. Encrustado em território italiano qual

pedra preciosa em anel de noivado, é considerado o

Estado mais antigo do mundo, remontando a 301, e

uma das nações mais pequenas desse mesmo mundo

(o quinto, com 61 km2). Ou seja, todos os condimentos

base para me despertar a curiosidade e abrir os

sentidos sempre necessitados de conhecimentos.

1] Parece coisa feia, rochedo intrometido, quisto orográfico que

se alteia na epiderme territorial italiana. Parece coisa de somenos

importância, de valor diminuto, de se passar ao lado e descartar.

Parece coisa medonha, desarranjo da paisagem, estrago visual. Assim

visto de longe e do desconhecimento.

António cruz › António Cruz escreve de acordo com a antiga ortografia

1]

30 saber março 2022


2]

3]

2] Depois, para lá se chegar acima, é todo um ziguezaguear

estonteante, como se fossemos ao encontro do céu por uma

escadaria infindável e cansativa. A vantagem é que vou de

carro, conduzindo pelas curvas e contracurvas que não param

de se suceder como se fosse brincadeira de criança. Desafio

ao nosso engenho cognitivo.

4]

3] Mas depois…depois de chegado lá acima. Depois de zonzear por

quilómetros embrulhados qual novelo de alcatrão que não termina,

abre-se perante mim uma cidade feita de tempo e de História. Um

lugar que, pelo inesperado, me emudece e confirma in loco as minhas

subtis suspeitas.

5]

4] A Praça da Liberdade é o local emblemático da cidade-Estado.

São as razões da História que aqui se revelam em toponímia.

Um lugar por onde todos passam e que proporciona recantos

encantados, panorâmicas desafogadas.

6] De dimensão reduzida mas grandeza de património, São Marino é

cidade de esquinas e praças, ruelas alindadas que caem num profundo

silêncio nocturno. Tem museus por todo o lado, restaurantes catitas,

lojas com piada, produtos locais de encher o olho. Tem tudo o que um

viajante sequioso de lugares bonitos e alternativos pode oferecer.

6]

5] São três as torres que se erguem sobre os três picos do Monte

Titano, permitindo-nos o deslumbramento das paisagens, o

respirar dos sentidos, o esvoaçar dos sonhos, o adejar criativo,

como se fossemos feitos de ave e pudéssemos abrir os braços e

asar pelos arredores alindados e convidativos.

7]

7] Tem até uma mercearia que prima pela autenticidade, pela

irreverência, pela boa disposição e provocação para quem a visita.

saber março 2022

31


DECORAÇÃO

Cores tendência 2022 para a casa

No mês da primavera, é inevitável querer vestir as nossas

casas com as cores que estão na moda. Como tal, os especialistas

do site Habitissimo apresentam as cores que

nunca saem de moda ou são muito atuais, que apelam

ao otimismo e vitalidade ou que convidam a relaxar em casa. São

cores essenciais de 2022 na decoração da casa: Very Peri: a proposta

da Pantone (Imagem). A cor Pantone 2022 é uma cor nova e

ousada que mistura azul e vermelho. O resultado: um tom violeta

intenso que transmite alegria e dinamismo. Ao introduzi-lo na decoração,

deve fazê-lo em pequenos toques e combinado com brancos

ou cinzas muito claros. Azuis suaves: ar fresco para os menos

ousados. Elegante e delicada, esta cor é a ideal para criar ambientes

relaxantes que lembram a natureza, o céu e a brisa do mar.

As suas grandes vantagens são que é perfeito tanto para paredes

como para têxteis e acessórios e que combina sem problemas com

branco, cinzento e castanho. Verde: sereno e equilibrado. Os verdes

também são tendência neste 2022, com a vantagem de que a

variedade de tons permite brincar nas paredes, móveis e em quase

qualquer elemento da casa. Além disso, são ideais para combinar

em padrões ou com cores que vão do branco ao rosa. Ocres, beges

e castanhos: sempre atuais. A conexão que procuramos com

a natureza nas casas não significa apenas que os verdes e azuis

são protagonistas. As cores orgânicas têm sempre o seu espaço na

decoração e podem ser combinadas com muitas outras cores sem

grandes problemas. Rosa: a positividade do rosa. O rosa em tom

antigo ou pastel já foi tendência no ano passado e neste ano continua

assim, embora não apenas nos seus tons mais suaves. Quem

aposta em ambientes cheios de força e positividade também pode

optar por tons mais intensos, sem medo. Laranja: para dar energia.

O otimismo tão necessário nestes tempos traduz-se em outra cor

que também veremos neste 2022: o laranja, cor que está associada

à atividade, energia e entusiasmo, especialmente nos seus tons

mais intensos. Por fim mas não menos importante, o eterno branco

continua a reinar neste 2022. s

Dulcina Branco BemColar habitissimo.pt

32 saber março 2022


MARCAS ICÓNICAS

MARCAS ICÓNICAS

As botas e calçado Dr. Martens, também conhecidas

como Doc Martens, é uma marca inglesa que foi

criada na Alemanha em 1946. Começaram por ser

umas botas modestas e utilitárias mas tornaramse

uma marca culturalmente relevante da era

moderna, quando celebridades do mundo da música

começaram a usá-las numa atitude de rebeldia e

liberdade. A história da marca remonta à cidade

de Munique (Alemanha) em 1945, com o soldado

de 25 anos, Dr. Klaus Maertens que, durante a

convalescença de um pé partido, cria uma sola única

com almofada de ar (em vez da tradicional sola de

couro duro) para ajudar na sua recuperação. Usando

um molde de sapateiro e uma agulha, Maertens fez

um protótipo de sapato e mostrou-o ao amigo da

universidade e engenheiro mecânico, Dr. Herbert

Funk. Os dois acabam por fazer uma parceria usando

materiais militares fora de uso para começar a

produzir o calçado exclusivo. Em 1959, publicitam

as botas em revistas estrangeiras, o que chamou a

atenção do fabricante de sapatos British R. Griggs

Group Ltd, que acaba por comprar os direitos de

patente para produzir o calçado no Reino Unido. As

solas marcantes – é patenteada a sola AirWair - e

a vira de costura amarela diferenciam as botas Dr.

Martens que começam a ser produzidas no Reino

Unido em abril de 1960. Uma década de profundas

mudanças sociais criou a atmosfera perfeita para

este calçado: novas ideias, agitação cultural e

revolução social. Uma ode à classe trabalhadora

britânica. As botas são acolhidas pelos primeiros

skinheads que defendiam orgulhosamente o estilo

da classe trabalhadora britânica. Pete Townshend

dos The Who torna-se na primeira celebridade a

usá-las como símbolo do seu próprio orgulho na

classe trabalhadora e atitude rebelde. Ao fazer isso,

ambos alteraram o curso da história da marca,

transformando a bota de trabalho funcional num

elemento essencial da subcultura vigente. A marca

torna-se também sinónimo da cultura festivaleira

- sem o impulso da música, as Dr. Martens teriam

continuado a ser mais umas botas de trabalho. As

botas continuam, na atualidade, nos pés das maiores

celebridades mundiais. s

Dulcina Branco

gqportugal.pt/historia-dr-martens - Wikipédia - drmartens.com

saber março 2022

33


CASUAL CHIC

&

Carmo Gomes

Lifestyle Blogger › Instagram mumlife_bymc

ESTAÇÃO COLORIDA

Malas e Acessórios

madamsissipt

Designer de Moda

tiagogoncalvesdm

Estamos numa estação na qual a cor

impera. Por isso, faz todo o sentido

apostar em tonalidades vivas, como

o rosa ‘bubblegum’, que é uma das

grandes tendências das marcas de vestuário.

A mistura com cores mais neutras,

como o branco, o preto e os ‘nudes’, evita

o efeito ‘color clashing’ e potencia um ‘look’

moderno, mas mais suave. Já o combinado

em preto e branco, da autoria de Tiago

Gonçalves, segue também as atuais referências

do mundo da moda, em especial

as calças de cintura subida e as blusas com

mangas volumosas. Os monocromáticos

ajudam-nos a recordar a frase da icónica

Coco Chanel, para quem “O preto tem tudo.

O branco também. A sua beleza é absoluta.

É perfeita harmonia.” Todos estes combinados

ganham especial brilho com os acessórios

da querida ‘Madam Sissi’, um nome

que é sinónimo de criatividade e que veio

para ficar. s

Agradecimento › SAVOYGARDEN

Carolina Rodrigues › naikerodrigues & Manuel Freitas

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saber março 2022

35


DICAS DE MODA

Lúcia Sousa

Fashion Designer Estilista › 914110291

WWW.luciasousa.com

FACEBOOK › LUCIA SOUSA-Fashion Designer estilista

Mariana Fernandes (4affection agency)

Pedro M.A.Faria › www.pedrofariaphotos.com

Evento › Moda Madeira

GREEN move

Um lindíssimo vestido verde! Este vestido,

desenhado por mim e apresentado

em desfile pela belíssima Mariana,

é uma peça única e exclusiva. O vestido

é longo, com três camadas sobrepostas

de tecido franzido em seda translúcida acompanha

o andar de form elegante e esvoaçante,

com movimento. A parte superior é larga com

uma renda aplicada à mão no decote em v,

transmitindo um look “gipsy” e descontraído. A

cor verde-azevinho é o “ex-líbris” deste vestido

de Moda de Autor. Tenha sempre um vestido

único desenhado para si. s

36 saber março 2022


saber março 2022

37


MAKEOVER

Mary Correia de Carfora

Maquilhadora Profissional › Facebook Carfora Mary Makeup

Um dia com...

Mariana Pita

Olá! Nesta edição, venho falar-

-vos da linda e talentosa Mariana

Pita, com quem tido o gosto

e o privilégio de trabalhar as

minhas produções. A Mariana tem apenas

21 anos e um enorme talento a fotografar.

Desde muito pequenina que a fotografia

a acompanha e fascina. “Acho que foram

os meus pais, que me estavam sempre a

fotografar nos nossos momentos em família,

que fizeram despertar em mim a paixão

pela fotografia”, conta. Com o passar dos

anos, foi sentido que fotografar era algo

que a fazia feliz. Em 2015, recebeu a sua

primeira câmara e, como podem imaginar,

ficou super feliz e sem palavras. Começou

a fotografar tudo o que via!. Em 2017, fez

um workshop com a Sandra Boloto ( aconselho

a verem o trabalho dela em @sandieboloto

) onde desenvolveu o conhecimento

sobre equipamento e técnica. Fez novo

workshop no qual aperfeiçoou conhecimentos

na fotografia avançada e, com isso,

arrancou para a fotografia “a solo”, iniciando-se

em trabalhos específicos relacionados

com moda, batizados e outros eventos.

Mas porque sempre gostou especialmente

de fazer fotografia de moda, em 2019, vai

para Lisboa onde entra no Instituto Português

de Fotografia para fazer o curso profissional

de fotografia. O curso permitiu-lhe

alargar horizontes profissionais e técnica,

aperfeiçoando-se nas áreas da moda, arquitetura,

publicidade e fotojornalismo. Com o

curso concluído em 2021 e em plena época

pandémica, regressa à Madeira onde continua

a desenvolver a fotografia em várias

frentes, realizando trabalhos para batizados,

festas de aniversário, sessões de família,

amigos e casais. É nestas áreas da fotografia

que a Mariana tem trabalhado e tem

sido bem sucedida, dado que, os seus trabalhos

são muito apreciados. Está também

apostada em desenvolver a fotografia

de estúdio e a fotografia autoral no sentido

de criar fotografias "fora da caixa" e, desta

forma, se afirmar como a verdadeira fotógrafa

que é. A fotografia é uma profissão

que deve de ser melhor reconhecida e respeitada.

A Mariana explica que, quando diz

que é fotógrafa, há a tendência de a desvalorizar,

que não é uma profissão a sério e

que não é importante. Nada mais errado.

“Dizem que é só clicar no botão e já está

feita a fotografia mas não. Fotografar é uma

arte. Fotografar é "desenhar com a luz". É

ter um olhar especial e atento ao momento

que tem à sua frente, é saber fazer uma

boa composição e fazer um bom tratamento

de imagem também. Mas, no fundo, as

pessoas adoram fotografias e estão sempre

a fotografar, seja para colocar nas redes

sociais seja para mandar para familiares

no estrangeiro”. Aconselha a que se recorra

sempre a um fotógrafo para registar um

momento especial, como um aniversário, o

casamento, um open day, batizado ou primeira

comunhão porque, conforme explica,

“são nessas fotografias que podemos viajar

no tempo e recordar belos dias ou pessoas

que podem já não estar entre nós”. s

Mary de Carfora

Mariana Pita

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saber março 2022

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FASHION ADVISOR

JORGE LUZ

www.facebook.com/jorgeluz83/

Tendências para Primavera/Verão 2022:

O que vamos vestir?

C

om o mundo a tentar retomar a

normalidade depois da pandemia,

a moda também se reinventa e estimula

em como fazer as escolhas de

visuais para arrasar na estação que é a mais

florida do ano assim como a mais quente. As

tendências para a esta estação estão repletas

de cores, flores, conforto, estampados e

estilo. A cor que vai dominar em 2022 é a

Orchid Flower, um rosa vibrante. Fora essa,

ainda há outras cores apontadas como peças

chave que não podem faltar: atlantic

blue, um azul bem profundo; mango sorbet,

um laranja no tom da manga, laranja-

-escuro, rosa carmim, rosa roxo, amarelo

brilhante, verde limão, aquário, ouro e violeta.

Frescos, alegres, femininos, clássicos

para qualquer mulher, os vestidos voltam

em força em tamanho maxi, em tricô, com

renda, com manga bufante, vestido jeans...

Para complementar, os incontornáveis acessórios

anos 2000 (grandes colares, lenços

em cetim, cintos largos...). A regra é não ter

medo de experimentar e viver a esperança

de um mundo melhor e mais livre. s

Jorge Luz Jorge Luz Fernanda Barry

40 saber março 2022


saber março 2022

41


MOTORES

Novo Peugeot

308 - nascido

para liderar

Nélio Olim

Se os SUV são o segmento da moda

neste momento, as viaturas do segmento

C continuam a ser uma grande

fatia do mercado com uma grande

carteira de clientes. Por este motivo, surge a

terceira geração do bem sucedido Peugeot

308, que continua a história de um segmento

onde a Peugeot se estreou em 1985 com

o 309. Com recurso à plataforma EMP2, que

continua a ser usada e que é complementada

com uma suspensão dianteira MacPherson

e eixo de torção traseiro, o novo modelo

viu a distância entre eixos crescer em 5,5 cm

face à geração anterior. Esta decisão deveu-

-se ao facto do espaço na segunda fila de

bancos ser mais apertado em comparação

com a carrinha que tinha mais 11 cm entre

eixos. Já a versão carrinha conservou a medida

da anterior geração e chegará a Portugal

dentro de algum tempo. Este aumento

revela ganhos em termos de habitabilidade,

mas também em termos de carga. De referir

que os passageiros do banco traseiro passam

a dispor de saídas de ventilação diretas

e ligações USB dedicadas, além de muito

amplas bolsas nas portas traseiras. No exterior,

olhamos para um novo Peugeot com

design mais moderno e mais amadurecido,

equipado com faróis LED à frente e atrás e

pela enorme grelha de radiador, estreada na

Peugeot precisamente neste modelo, onde

apresenta o novo logótipo com grande destaque.

Na traseira destaca-se a faixa ótica a

toda a largura do carro. De regresso ao interior

do carro, assinalamos a instalação de

um sistema de info-entretenimento moderno

e ao nível da restante concorrência com

um ecrã tátil central de 10” (mais horizontal/

panorâmico do que antes), capaz de emitir

um bip sonoro para que tenhamos a certeza

de que foi recebida a ordem dada pelo sistema.

A instrumentação digital também seguiu

a mesma lógica de modernização, podendo

ter uma apresentação 3D a partir dos

níveis de equipamento mais altos, contribuindo

para modernizar toda a experiência

de quem conduz. Entre os bancos dianteiros

temos uma consola onde está colocada ou a

alavanca do seletor da caixa manual de seis

velocidades ou o comando da transmissão

automática de oito relações, dependendo

do caso. Nas versões híbridas plug-in, as

posições P (Park), R (Rear), N (Neutral) e D

(Drive) são acompanhadas do botão B (para

aumentar a recuperação de energia pela travagem),

enquanto nas unidades a gasolina

ou diesel o mesmo botão tem a letra M inscrita

e serve para forçar a utilização manual

da caixa de velocidades (através das patilhas

atrás do volante). Já o volante continua

a ser de tamanho “mini”, cortado em cima

e em baixo, mas agora dispõe de sensores

para saber se as mãos do condutor estão a

segurar o aro e, assim, permitir que os sistemas

de assistência à condução forneçam

os necessários avisos caso isso não aconteça.

Uma última nota para o sistema híbrido

que equipava a viatura que testámos e que

permite uma autonomia de 60 km exclusivamente

em modo elétrico, debitando no total

uns interessantes 225 cavalos de potência.

Assim a versão PHEV combina um bloco a

gasolina de 132 kw com um motor elétrico

de 81 kw. A apreciação geral é positiva e o

modelo acaba por ser apaixonante, já que a

sua estética e dinâmica acabam por cativar

quem tiver a oportunidade de se sentar ao

volante. De qualquer forma, pode descobrir

este novo modelo nas instalações da Autocrescente,

concessionário Peugeot para a

Madeira e escolher entre as soluções a gasolina,

diesel ou hibridas com uma gama de

preços que começa pouco acima dos 25000

euros para a versão a gasolina, 29000 euros

a diesel ou a partir de 37000 euros para versões

híbridas. s

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saber março 2022

43


agenda cultural

Agenda

Cultural

da Madeira –

MARço 2022

SECRETARIA REGIONAL DO TURISMO E CULTURA

D.R.

EXPOSIÇÕES

Pixabay [by Hermann Traub Pixabay]

“Máscaras do Mundo”

“A Rota do Linho”

Até 25 de março

No Centro Cívico do Estreito da Calheta

Da autoria de Jaime Andrade

A exposição que mostra as várias fases de

transformação da fibra do linho, tem por

objetivo promover o conhecimento dos processos

artesanais e das tecnologias de transformação

da planta do linho que, durante

séculos, fez parte da economia doméstica

das famílias da Madeira e Porto Santo, tendo

em vista a obtenção de matéria-prima

para a indumentária do povo.

“Sistema Circulatório”

Até 07 de abril

Na Galeria Espaçomar - Escola Básica e Secundária

Gonçalves Zarco

Um projeto de Martinho Mendes e David

Oliveira “que procura refletir acerca do papel

da água na modelação da paisagem

cultural da Madeira, reunindo diferentes

representações vinculáveis à sensibilidade

de quem habita, cultiva e projeta neste

território, e que problematizam, também, a

procura pelo equilíbrio entre o ser humano,

a cultura e o lugar.”

Até 04 de março

No Universo de Memórias João Carlos Abreu

Exposição alusiva à época carnavalesca. Esta

é uma forma de destacar algumas coleções

mais pequenas e específicas do acervo da

Instituição. Apesar de, a máscara ser o elemento

mais importante do Carnaval, ela é

usada nas diversas culturas, desde os primórdios

da humanidade, com diferentes

significados e utilizações e é, neste sentido

que durante as visitas guiadas que se realizam,

de segunda a sexta-feira que será dado

especial destaque às 70 máscaras provenientes

dos quatro cantos do mundo - América,

Europa, África e Ásia.

44 saber março 2022

“António Aragão:

a sua intervenção no estudo

e na defesa do património cultural

insular (2021)”

até 31 março

Na Biblioteca Municipal de São Vicente

Da responsabilidade da DRABM

Esta mostra revela, num conjunto de painéis

do trabalho que foi desenvolvido por António

Aragão, nomeadamente em recolhas

etnográficas, levantamentos de arquitetura

rural ou inventários artísticos de alguns concelhos.

“Impasse número vinte e um”

Até 22 de abril

Na Torre do Capitão - Núcleo Histórico e Museológico

de Santo Amaro

Mostra coletiva que resulta de uma iniciativa

de cooperação entre a Secretaria Regional

de Turismo e Cultura, através da Direção

Regional da Cultura e do MUDAS. Museu de

Arte Contemporânea da Madeira e a Universidade

da Madeira (Uma). Beatriz Henriques,

Cláudia Sousa, José Carlos Pereira,

Lícia Ferraz, Teresa Vieira, Tiago Pinto são os

artistas que integram esta exposição coletiva

de ex-alunos da UMa. Apresentam obras

de desenho, escultura, instalação, realizadas

com diversos materiais.


“Augusto Cabrita

– Índia Portuguesa”

ensino através da arte. É um encontro fugaz

onde se vislumbra nos pequenos sinais captados

o índice do que importa a quem vemos

trabalhar na imagem. Na Porta não distinguimos

o trabalho das mãos e o caminho

a caminhar da vida das plantas, dos animais

e dos sonhos.

“Os Bettencourt Perestrelo

de Vasconcelos:

uma família e o seu arquivo”.

Até 30 de abril

No átrio do Arquivo e Biblioteca da Madeira

Esta exposição apresenta o arquivo da família

Bettencourt Perestrelo de Vasconcelos,

com mais de 300 documentos (séculos XVII

a XX), datados na sua maioria do Antigo Regime

e do Liberalismo e amplifica a informação

sobre os Perestrelos madeirenses. São

também integrados documentos de outros

fundos e instituições, que apontam outros

rumos de pesquisa para a área da Genealogia

e História das Famílias.

“O CIGANO – fogão de farelo”

Até 02 de julho

No átrio do Museu Etnográfico da Madeira

Exposição temporária, no âmbito do seu

projeto semestral “Acesso às Coleções em

Reserva”. Com o objetivo de proporcionar

uma maior rotatividade das coleções, o

museu dá continuidade ao projeto denominado

“Acesso às Coleções em Reserva”,

sendo apresentada, semestralmente, uma

nova temática. Neste semestre, o museu

recuperou e dá a conhecer, uma técnica

secular de cozinhar os alimentos. A lenha,

utilizada para cozinhar os alimentos, embora

abundante em algumas localidades foi,

em tempos mais remotos, um bem escasso,

devido à sua grande procura e utilização.

Para obtê-la, era necessário percorrer

longas distâncias nas serras e em lugares

inacessíveis. Foi então que surgiu o cigano,

utilizado um pouco por toda a ilha, uma forma

sábia de aproveitamento do farelo de

madeira, proveniente da laboração das carpintarias

e serragens. Este material, de difícil

combustão, tornava-se combustível, quando

prensado dentro de uma pedra de tufo,

construída para o efeito, ou, mais recentemente,

dentro de um recipiente em folha de

flandres, reutilizando-se as “latas de tinta”.

Até 16 de julho

No Museu de Fotografia da Madeira - Atelier

Vicente’s

Esta mostra reúne um conjunto de sublimes

imagens da Índia Portuguesa, captadas

em 1960 por Augusto Cabrita (1923-1993),

uma das maiores referências nacionais da

fotografia. Espólio, que nos chega através

do filho do autor, seu homónimo e também

fotógrafo, é exibido na nossa região pela primeira

vez.

“Formas Encontradas”

e “(Un) disclosed”

Até 31 de agosto

No MUDAS.Museu de Arte Contemporânea

da Madeira

“Formas Encontradas” de Sandra Baia com

curadoria de David Barro, e “(Un) Disclosed”

de Julião Sarmento com a curadoria de Benjamin

Weil.

OUTROS EVENTOS

“Porta”,

um filme de Francisco Janes

Até 05 de março

Na PORTA33

Projeções de terça a sábado

Às 17h00 | 18h00 | 19h00.

Uma curta metragem experimental, com

cerca de 30 minutos, que segue sons e visões

de um breve encontro no tempo com

as pessoas na Porta33 no seio das suas atividades.

“Porta”, constitui uma intervenção

documental descobrindo articulações com

a natureza do território em que a Porta33

opera, dos lugares e cultura que vem criando.

Dos primeiros traços do seu projeto de

futuro, na Escola do Porto Santo, e da sua

atividade de longo fôlego no Funchal, com o

Peça de teatro

“Pêssegos em Calda”

Dias 05 e 06 março

Na Casa da Cultura de Câmara de Lobos

De Miguel Mihura

Dia 5 | 20h00

Dia 6 | 16h00

Com os alunos do Curso Livre em Artes em

Teatro do Conservatório – Escola Profissional

das Artes da Madeira Eng.º Luiz Peter

Clode

Comédia

“Intimidade Indecente”

17 a 20 MARÇO | 21h00

Encenação: Guilherme Leme Garcia

Elenco: Eliane Giardini e Marcos Caruso

M/14

DIAS 17 e 18

Auditório do Centro de Congressos do Casino

da Madeira

DIAS 19 e 20

Auditório do MUDAS.Museu de Arte Contemporânea

da Madeira

Intimidade Indecente poderia ser catalogada

como uma comédia romântica. Mas é

muito mais do que isso. É uma história de

amor. É a história de um casal, dos seus encontros

e desencontros. Mariano e Roberta

separam-se aos 50 anos, mas guiados pelas

voltas da vida continuam sempre de alguma

forma ligados. A encenação dispensa

artifícios. Os espectadores acompanham

os seus reencontros ao longo dos anos seguintes

embalados numa interpretação absolutamente

encantadora e surpreendente.

Paixão, sexo, traição, amor, preconceito são

alguns dos ingredientes desta história que

promete emocionar as plateias e conquistar

o público em Portugal.

s

saber março 2022

45


Instantâneo

Oanuncio exposto numa parede de um restaurante do Funchal é ilucidativo de uma realidade laboral que se

acentuou com a pandemia: as empresas têm dificuldade em preencher vagas por falta de profissionais qualificados.

Um estudo apresentado em outubro de 2021 pela ManpowerGroup Employment Outlook Survey

concluiu que seis em cada 10 empresas portuguesas tem dificuldades em preencher as vagas que lançam para

o mercado. O mercado de trabalho encontra-se “em valores máximos históricos de escassez de talento, com organizações

dos mais diferentes setores a sentir dificuldade em encontrar os candidatos com as competências específicas que

procuram”, diz Rui Teixeira, Chief Operations Officer do ManpowerGroup Portugal. O setor da construção civil é aquele

onde a escassez de talento é mais sentida, seguido dos setores do comércio grossista e retalhista, restauração, hotelaria

e indústria. Formação e desenvolvimento, flexibilidade de horários e aumentos salariais são os elementos da proposta

de valor em que apostam as empresas nacionais para atrair talento. s

Dulcina branco o liberal executivedigest.sapo.pt

46 saber março 2022


LUGARES DE CÁ

SOCIAL

Vigília pela paz na Ucrânia

juntou fiéis na Sé do Funchal

› Abertura de mostra do fotógrafo Augusto Cabrita no Museu de Fotografia Atelier Vicentes

› Secretaria Regional do Turismo e Fundação Cecília Zino lançam o “Passaporte Cecília Zino”

› Entrega dos prémios do Concurso Amador de Fotografia no Museu de Fotografia

› ISAL organizou a 2.ª edição da conferência Think+ 2022

› Governo Regional assinalou um ano da vacinação contra a covid-19

› Galeria Anjos Teixeira tem patente ao público mostra de fotografia de Octávio Passos

› Fundação Social Bancária entregou donativo à Associação de Paralisia Cerebral Madeira

› Concurso Regional de Cocktails Madeira 2022 no Mercado dos Lavradores

› Exposição “Levadas da Madeira” na sede do Instituto de Florestas e Conservação da Natureza

› Vigília pela paz juntou fiéis na Sé do Funchal

› Exposição “Máscaras do Mundo” no Museu Universo de Memórias João Carlos Abreu

saber março 2022

47


social

“Índia Portuguesa”

O Museu de Fotografia da Madeira – Atelier Vicente’s tem patente

ao público até 16 de julho, esta mostra do fotógrafo Augusto

Cabrita. A abertura de “Índia Portuguesa” contou com a presença

do filho e do neto do autor, também eles chamados Augusto

António Cabrita, e do secretário regional de Turismo e Cultura,

Eduardo Jesus. A mostra reúne cerca de 50 fotografias a preto

e branco, captadas no ano de 1960, aquando de uma viagem

pela Índia portuguesa. Augusto Cabrita, que faleceu em 1993, é

considerado um dos expoentes máximas da fotografia contemporânea

portuguesa. Participou como diretor de fotografia de

vários filmes e documentários, foi realizador e produtor e, como

fotógrafo, participou em vários concursos nacionais e internacionais

de fotografia. Foi agraciado com o grau de comendador da

Ordem do Infante D. Henrique em 1985, tendo-lhe sido atribuído

diversos prémios e troféus. s

DB

SRTC

“Passaporte Cecília Zino”

A Secretaria Regional de Turismo e Cultura assinou um protocolo

de cooperação com a Fundação Cecília Zino com vista à concretização

do projeto “Passaporte Cecília Zino”. Estimular crianças

e jovens com idades compreendidas entre os 10 e os 18 anos

a visitarem centros de exposições, museus ou espaços culturais

da Região, sobretudo aqueles que possuam programação de

exibições ou exposições temporárias, é o objetivo do protocolo

estabelecido. Com a assinatura deste protocolo passam a estar

integrados na iniciativa três museus e dois centros culturais tutelados

pela SRTC, através da Direção Regional da Cultura, nomeadamente

o Museu Quinta das Cruzes, a Casa-Museu Frederico

de Freitas, o Museu Etnográfico da Madeira, o Centro Cultural da

Quinta Magnólia e a Torre do Capitão - Núcleo Histórico e Museológico

de Santo Amaro. Assinaram o protocolo o vice-presidente

do Conselho de Administração da Fundação Cecília Zino, João

Sá Mota, e o secretário regional de Turismo e Cultura, Eduardo

Jesus. Os “passaportes” estão disponíveis nos locais em causa

sendo que, a partir do final de junho 2022, os passaportes que

tenham mais de12 carimbos habilitar-se-ão a diversos prémios

que serão depois sorteados. s

DB

SRTC

48 saber março 2022


Concurso de Fotografia

O Museu de Fotografia da Madeira - Ateliê Vicentes

recebeu a cerimónia de entrega dos prémios do Concurso

Amador de Fotografia, uma iniciativa da Galeria

Marca de Água que foi organizada em parceria com

a Secretaria Regional de Turismo e Cultura. Na cerimónia

estiveram presentes o Secretário Regional de

Turismo e Cultura, Eduardo Jesus, a Diretora Regional

de Cultura, Teresa Brazão e o curador da Marca de

Água, Diogo Goes. Foram premiados Paulo Fernandes

(1º prémio); Fernando Fortes (2º prémio); e Ana Ferreira

(3º prémio). Todos os concorrentes receberam

certificados de participação e kits com livros alusivos

à Fotografia. s

DB

Cortesia Museu de Fotografia da Madeira - Ateliê Vicentes / SRTC

Conferência Think+ 2022

O Instituto Superior de Administração

e Línguas (ISAL) organizou e recebeu a

2ª edição da “Think+ 2022 International

Conference on Tourism, Teaching and

Technology: a Comprehensive Approach”

e que foi organizada em parceria

com Instituto Iberoamericano de Compliance,

o Centro de Estudos de Bioética

e a Ponte Editora. A iniciativa reuniu

63 investigadores oriundos de 8 países,

nomeadamente Brasil, Croácia, Grécia,

Índia, Itália, Paquistão, Portugal e República

Checa. s

DB

Joana Martins / Cortesia ISAL

saber março 2022

49


social

Um ano de vacinação

contra a COVID-19

O Governo Regional da Madeira assinalou

no dia 13 de fevereiro de 2022, um ano

de vacinação contra a covid-19 no Centro

de Vacinação do Funchal instalado no Madeira

Tecnopolo. A informação divulgada

na página da rede social Meta (Facebook)

do Governo Regional dá conta que foram

contabilizados 360 dias a vacinar sem interrupções;

os únicos dias em que o centro

esteve encerrado foram: dia 24, 25, 26, 31

de dezembro e dia 01 de janeiro de 2022.

Foram mais de 500 mil vacinas administradas

por uma eficaz equipa multidisciplinar

coordenada pela enfermeira Ana Gouveia.

Passado um ano, a Madeira apresenta uma

taxa de vacinação de 90 por cento, o que

inclui a vacinação de mais de cinco mil

crianças com idades entre os 5 e 11 anos.

Diversos momentos marcaram o processo

de vacinação contra a covid-19 na Madeira,

conforme mostram as imagens a seguir

apresentadas. s

DB Governo Regional da Madeira

e Secretaria Regional de Saúde e Proteção Civil

50 saber março 2022


“Espreitando na diáspora”

A Galeria Anjos Teixeira tem patente ao público, até ao dia

19 de abril, um conjunto de imagens da autoria do fotógrafo

madeirense Octávio Passos. “Espreitando na Diáspora”

intitula esta exposição que abre o ciclo de programação

dedicada à diáspora madeirense no espaço situado na

rua João de Deus, no Funchal. O programador artístico da

galeria Anjos Teixeira, o fotógrafo David Francisco, explicou

que apresentar o trabalho de Octávio Passos – que há

alguns anos trabalha e reside na cidade do Porto – era incontornável

nesta iniciativa dedicada à diáspora. Por sua

vez, Octávio Passos considerou ser esta mais uma prova

de reconhecimento do seu trabalho, já por diversas vezes

premiado nacional e internacionalmente. s

DB

David Francisco

Entrega de donativo à APCM

O presidente do Sindicato Nacional dos Quadros e Técnicos

Bancários, Paulo Gonçalves Marcos, entregou simbolicamente

um donativo da Fundação Social Bancária à APCM - Associação

de Paralisia Cerebral da Madeira. O donativo, no valor de dois

mil euros, insere-se na estratégia de apoio social da Fundação,

onde se inserem os apoios a Instituições Particulares de Solidariedade

Social como a APCM. Cristina Reis Andrade, vice-presidente

da APCM, representou a instituição nesta iniciativa. s

DB

cortesia Francisco Crujo

saber março 2022

51


social

Concurso Regional

de Cocktails 2022

As competições de cocktails estão de regresso e, desta vez, com a

realização do Concurso Regional de Cocktails, uma organização da

Associação Barmen da Madeira, com o apoio da Câmara Municipal

do Funchal que decorreu no Mercado dos Lavradores. Em competição

estiveram diversos profissionais que representaram diversos espaços

de restauração. Promover os produtos regionais e selecionar

os oito barmen que irão representar a Madeira no próximo campeonato

nacional que decorre no próximo mês de abril no Algarve, foram

objetivos deste concurso. O vencedor nacional representará Portugal

no Campeonato Mundial de Cocktails que se realizará em outubro na

ilha de Cuba. Os oito barmen madeirenses selecionados foram: Carlos

França, Mafalda Fernandes, Luís Soares, Debora Santos, Eusébio

Silva, Cesar Figueira, Márcio Rodrigues e Pedro Moreira. s

DB

ABM (Fotografia Júlio Castro)

52 saber março 2022


Vigília pela Paz juntou

fiéis na Sé do Funchal

A Sé do Funchal acolheu a Vigília de Oração pela Unidade e pela Paz

na Ucrânia e na Rússia, promovida pelas igrejas católica, anglicana,

luterana e presbiteriana, e contou com o presidente do parlamento

madeirense, José Manuel Rodrigues, e o Representante da República

para a Madeira, Irineu Barreto. A intervenção militar russa na Ucrânia

parou o mundo na madrugada de 24 de fevereiro de 2022, às 3h30.

Num comentário à invasão, o presidente do Governo Regional, Miguel

Albuquerque, disse que a guerra entre a Rússia e a Ucrânia terá

implicações na Região, sobretudo ao nível das operações turísticas

aéreas que a Região mantém com Kiev e com Moscovo. Na Madeira

vivem 413 russos e 328 ucranianos. s

DB

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saber março 2022

53


social

“Mais Visão”

O salão nobre do Governo Regional acolheu a apresentação do

programa de Saúde “+Visão Crianças e Jovens”, programa este

que visa apoiar todas as crianças (até aos 14 anos), com uma

comparticipação monetária de €150 na aquisição de óculos com

graduação. Este programa está em vigor nas óticas aderentes.

A vice-presidente do IASAÚDE, Rubina Silva, apresentou ainda o

programa “Mais Visão Sénior que, desde a sua implementação,

em outubro de 2019, já abrangeu mais de 1200 beneficiários e

permitiu comparticipar mais de 181 mil euros em aros e lentes

graduadas. A cerimónia contou com a presença de vários órgãos

de direção dos serviços e organismos de Saúde e Proteção Civil. s

DB

Governo Regional da Madeira

“Levadas da Madeira”

A Secretária Regional de Ambiente, Recursos Naturais e Alterações

Climáticas, Susana Prada, inaugurou na sede do Instituto

de Florestas e Conservação da Natureza a exposição itinerante

“Levadas da Madeira”. Desenvolvida pelo IFCN no âmbito da

Candidatura das Levadas a Património Mundial da UNESCO, a

exposição surge como forma de divulgar a candidatura e de informar

os cidadãos e visitantes sobre o rico património que as

levadas encerram e que contam a história da Madeira. “Levadas

da Madeira” está patente ao público na sede do IFCN, sendo que

após este período irá circular por diversos locais e eventos da

região. s

DB

Teresa Gonçalves (SRA)

54 saber março 2022


“Máscaras do Mundo”

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O Museu Universo de Memórias João Carlos

Abreu apresentou ao público a exposição “Máscaras

do Mundo”, iniciativa esta inserida na temática

carnavalesca que estamos a celebrar.

Foi uma forma de destacar algumas coleções

específicas do acervo da Instituição e também

de mostrar que a máscara, apesar de ser o elemento

mais importante do Carnaval, é usada

em diversas culturas desde os primórdios da

humanidade. s

DB

SRTC

saber março 2022

55


À MESA COM...

As sugestões de

FERNANDO OLIM

A

Inter Magazine a as Edições do Gosto lançaram um conjunto

de ideias que indicam as tendências na restauração

e na gastronomia no presente ano. O aumento de

pratos dedicados ao mundo vegetal, com os cogumelos

como o produto em destaque, as reservas online, os novos

restaurantes fora de portas, a partilha de conhecimentos entre

chefs, a cozinha enquanto arte e a cozinha africana são algumas

das tendências sugeridas e às quais devemos estar atentos neste

ano de 2022. s

PRODUÇÃO FERNANDO OLIM

DULCINA BRANCO

FERNANDO OLIM

magazineluiza

56 saber março 2022


entrada

Tábua de queijos

Tábua de queijos diversos (Camembert, Roquefort,

Mozzarella, São Miguel Açores, etc.) dispostos numa

travessa e acompanhado por frutos tropicais diversos

como maracujá, groselha e morangos. Sirva esta

entrada de queijos no acompanhamento de “drinks”.

prato

principal

Peixe grelhado

O cherne grelhado finaliza com pimenta preta e sal

marinho. Acompanha com risoto de espargos, tinta

de choco e legumes cozidos a gosto.

sobremesa

Espetadinhas

de presunto e fruta

Estas espetadinhas de fruta são preenchidas com pêra

– previamente cozida, e pêssego, e finalizam com tiras

de presunto. Pode criar estas espetadinhas com frutas

diversos a gosto e finalize com uma tira de presunto.

saber março 2022

57


ESTATUTO EDITORIAL

Estatuto Editorial

A Revista Saber Madeira é uma revista mensal

de informação geral que dá, através do texto

e da imagem, uma ampla cobertura dos mais

importantes e significativos acontecimentos

regionais, em todos os domínios de interesse,

não esquecendo temáticas que, embora saindo

do âmbito regional, sejam de interesse geral,

nomeadamente para os conterrâneos espalhados

pelo mundo.

É um projeto jornalístico e dirige-se essencialmente

aos quadros médios e de topo, gestores,

empresários, professores, estudantes, técnicos

superiores, profissionais liberais, comerciantes,

industriais, recursos humanos e marketing.

Identifica-se com os valores da autonomia, da

democracia pluralista e solidária, defendendo

o pluralismo de opinião, sem prejuízo de poder

assumir as suas próprias posições.

Mais do que a mera descrição dos factos, tenta

descortinar as razões por detrás dos acontecimentos,

antecipando tendências, oportunidades

informativas.

Pauta-se pelo princípio de que os factos e

as opiniões devem ser claramente separadas:

os primeiros são intocáveis e as segundas são

livres.

Como iniciativa privada, tem como objetivo o

lucro, pois só assim assegura a sua independência

editorial e económico-financeira face aos

grupos de pressão.

Através dos seus acionistas, direção, jornalistas

e fotógrafos, rege-se, no exercício da sua

atividade, pelo cumprimento rigoroso das normas

éticas e deontológicas do jornalismo.

A Revista Saber Madeira respeita os princípios

deontológicos da imprensa e a ética profissional,

de modo a não poder prosseguir apenas fins

comerciais, nem abusar da boa fé dos leitores,

encobrindo ou deturpando a informação.

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Matriculado na Conservatória Registo

Comercial de Lisboa

Sede: Parque Empresarial Zona Oeste - PEZO,

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Sócio-gerente com mais de 10% do capital:

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Sede do Editor

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Director

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Redação

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Secretária de Redação

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Novo Acordo Ortográfico]

58 saber março 2022


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