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edição de 16 de maio de 2022

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MAsteRchef AtRAi

MAis ANuNciANtes

Atração estreia

nesta terça (17)

com 13 marcas

dando suporte à

grade comercial do

programa exibido

pela Band. pág. 24

De OlhO NO exteRiOR, estúDiO DiveRsificA

Paramount+ Brasil quer internacionalizar

conteúdo e diversificar produção, inclusive

com adaptação de obras infantis. pág. 25

DROgARiAs pAchecO

ApReseNtA bel

Rede de farmácias,

do Grupo DPSP, terá

assistente virtual

para humanizar

relação com os

clientes nos canais

digitais. pág. 26

propmark.com.br ANO 57 - Nº 2894 - 16 de maio de 2022 R$ 15,00

inclusão digital é um dos

maiores desafios do brasil

Jadon Kelly/Unsplash

Nesta terça-feira (17) se comemora o Dia Mundial da internet, que propõe uma reflexão

sobre a rede. estudo recente da pWc/instituto locomotiva chamado O Abismo Digital no

Brasil aponta que menos de um terço da população pode ser considerada plenamente

conectada, de acordo com os padrões internacionais de avaliação. profissionais

ligados ao setor afirmam que a conectividade é uma questão crucial do século 21,

tão vital para uma vida plena quanto o acesso a água e a alimentos. pág. 14


8


editorial

Armando Ferrentini

aferrentini@editorareferencia.com.br

Conectividade é vital

Os mais jovens, nascidos a partir dos anos 2000, não têm ideia

do que é viver sem internet. Para fazer um trabalho escolar, por

exemplo, era preciso ir à biblioteca da cidade ou recorrer à enciclopédia

Barsa, que muitas famílias mantinham em casa.

Já os jornalistas faziam suas consultas nos chamados “arquivos” dos

veículos de comunicação, que mantinham os exemplares antigos dos

jornais e revistas para contextualizarem as suas matérias. E a população,

em geral, tinha acesso à informação apenas pela chamada mídia

tradicional. Não havia Google, Facebook, Twitter, Waze ou qualquer

outro dispositivo tão parte da vida de hoje.

Os mais velhos certamente também se lembram da dificuldade que era

dirigir em metrópoles como São Paulo. Era necessário consultar o guia

de ruas, que a maioria das pessoas tinha guardado no porta-luvas dos

seus carros. E para quem não tinha muita noção de geografia e direção,

nem é preciso dizer que paradas obrigatórias eram necessárias para indagar

estranhos nas ruas e pedir informação sobre o itinerário. Impossível

imaginar essa situação nos dias atuais.

Todos concordam que a internet, que se popularizou no país a partir do

fim dos anos 1990, melhorou – e muito – a vida de todos. Porém, saindo

da ‘bolha’, o Brasil ainda está muito atrás de países mais desenvolvidos

no quesito inclusão digital. Estudo recente da PWC/Instituto Locomotiva

chamado O Abismo Digital no Brasil aponta que menos de um terço

da população pode ser considerada plenamente conectada, de acordo

com os padrões internacionais de avaliação.

“Metade dos brasileiros (principalmente negros e pardos das classes C,

D e E) fica sem conexão por quase a metade do mês, sendo que 58% dos

brasileiros têm acesso à conectividade por celulares e não dispõem de

dispositivos adequados para se educar, consumir e exercer plenamente

sua cidadania”, relata Fernando Moulin, partner da Sponsorb.

Para o especialista em transformação digital, esse desafio somente será

superado ou mitigado com uma ampla agenda nas esferas pública e privada

de digitalização, que até o momento foi pouquíssimo discutida na

pré-campanha eleitoral à Presidência da República.

Segundo Moulin, o Brasil está extremamente atrasado numa questão

crucial do século 21, em que as nações mais competitivas e pujantes serão

aquelas que tiverem ampla conectividade e liderança tecnológica.

O especialista toca fundo na questão e fala que a conectividade é tão

vital para uma vida plena quanto o acesso a água e a alimentos.

Vale lembrar que a pandemia escancarou esse cenário quando vimos

pela televisão casos de crianças e jovens que não tinham acesso à internet

em casa e não podiam frequentar as aulas remotas. O garoto que

sentava em um banco de uma praça para usar o wi-fi do açougue que

ficava em frente para conseguir estudar, em uma pequena cidade de

Goiás, comoveu o Brasil.

No nosso país, para além dos desafios mundiais de regulamentação que

a internet traz, são necessários investimentos massivos em banda larga,

equipamentos de hardware, modernização de instituições de serviços

e educação em geral. Na semana em que se comemora o Dia Mundial

da Internet, em 17 de maio, o PROPMARK propôs uma reflexão ao

mercado publicitário sobre o tema e ouviu profissionais do setor para

falar também sobre tendências da rede.

***

Gastronomia

A Band exibe, a partir desta terça-feira (17), a 9ª edição do MasterChef

Brasil, programa gastrônomico de maior audiência da televisão brasileira.

A atração está com recorde de inscrições e 13 marcas patrocinadoras.

A área comercial da Band assegurou a presença de Britânia,

Cacau Show, Delícia, Seara e Diageo, como cotistas do plano Master;

Eisenbahn, NotCo, Outback, Royal Prestige e Selmi, no plano Chef;

além de Brastemp, no Top de 5 segundos, e Xantinon, com cota de

participação.

O Grupo Bandeirantes atravessa uma ótima fase. Além da acertada contratação

de Fausto Silva, que desde janeiro comanda o Faustão na Band

de segunda a sexta, e, segundo a emissora, em dois meses somou em

torno de 50 marcas anunciantes e mais de 250 ações na programação, o

grupo acaba de completar 85 anos de atuação.

as Mais lidas da seMana no ProPMark.CoM.br


Campanha do novo Polo

vira alvo de ataques

homofóbicos nas redes

Um post da Volkswagen sobre o novo Polo nas redes sociais

gerou ataques homofóbicos. A peça publicitária traz um casal

formado por dois homens em frente ao carro e com a legenda

“Sabe o que evoluiu junto com você? O Polo”.

4 16 de maio de 2022 - jornal propmark



A mudança para o Analytics 4 tem sido bem recebida pelos

profissionais, mas requer que as marcas comecem a se

movimentar para que não haja prejuízo de dados históricos.


O Young Lions 2022 anunciou os selecionados da etapa brasileira.

No total, o projeto escolheu 12 profissionais entre os mais de 400

inscritos em sete categorias.


novo Polo: o desafio da comunicação em

falar de diversidade no setor automotivo

Especialistas ouvidos pelo PROPMARK acerca de post do novo

VW Polo falaram sobre representatividade e a importância da

comunicação disruptiva nos dias de hoje.

lGPd, jornada do usuário e entregas:

o que esperar do Google analytics 4

Veja os selecionados

para o Young lions 2022

investimentos em anúncios nas

redes aumentam, mas engajamento

estaciona no instagram

Os gastos com redes sociais tiveram um crescimento de 21%

em relação ao mesmo período em 2021, revelou o levantamento

realizado pela plataforma em social marketing e care Emplifi.


18ª Edição

Festival Internacional de Criatividade

5-6

NOV

2022

NA ARCA

Desbloqueie

sua criatividade

pixelshow.co


Índice

especial dia

da internet

traz reflexões

A data é comemorada em 17 de

maio. Profissionais consultados

pelo PROPMARK falam sobre os

desafios da inclusão digital no

país e as tendências da rede.

pesquisas

marcas

capa

14

Unsplash

Fotos: Divulgação

nielsen mostra como

mulher usa mídia

Estudo realizado pela Nielsen, com apoio da

Opinion Box, traz olhar sobre como o sexo

feminino se relaciona com a mídia digital.

90% das mil pessoas que responderam

ao questionário online afirmaram que se

conectam diariamente na internet. pág. 21

enTreVisTa

digiTal

carrefour dá foco

em marca própria

O hipermercado congelou os preços de

cerca de seis mil itens de marca própria,

promovendo qualidade por um preço em

média 30% mais acessível na comparação

com produtos líderes, além de ofertar

também previsibilidade. pág. 27

grupo FreeBrands

expande negócio

O sócio-fundador Rafael Nasser, na foto ao

lado de Renato Radomysler, também sóciofundador,

fala sobre o crescimento do setor

de healthcare com a pandemia. O grupo,

que começou com o FreeCô, bateu recorde

de venda com lenços umedecidos. pág. 22

Tunad utiliza Trends

para medir buscas

O CSO Ricardo Monteiro explica que

ferramenta de AI calcula o volume de

buscas, minuto a minuto, no Google.

“Cruzando com os anúncios de TV, rádio,

lives e streamings, avaliamos as mensagens

que os consumidores captam”. pág. 20

editorial ................................................................4

conexões ...............................................................8

curtas ....................................................................9

quem Fez ............................................................10

inspiração ..........................................................11

esg no mKT .........................................................12

Opinião ................................................................13

especial dia da internet...................................14

digital .................................................................20

pesquisas ............................................................21

entrevista ...........................................................22

mídia ...................................................................24

marcas .................................................................26

We love mKT ......................................................28

supercenas .........................................................29

Última página ....................................................30

6 16 de maio de 2022 - jornal propmark


TEM GENTE FAZENDO COISA BOA.

MOSTRE QUE VOCÊ É UMA DELAS.

Prêmio Colunistas.

Pra quem não aceita

mediocridade.

Inscrições abertas

colunistas.com.br

Está na hora de agências, anunciantes, criadores,

fornecedores e veículos mostrarem que a comunicação

brasileira continua criativa de norte a sul do país.

Colunistas, há 55 anos valorizando quem

sai do lugar comum.


conexões

Instagram:

Pot: Campanha do Novo Polo vira

alvo de ataques homofóbicos

nas redes

Acho repugnante as manifestações

homofóbicas a essa campanha!

Andrea Siqueira Russi

dorinHo

Posicionamento da empresa é correto

sobre diversidade e inclusão,

mas fizeram de modo arriscado.

Não foi uma campanha da marca

VW, foi uma campanha do produto

Polo. O risco seria muito menor se

fosse institucional.

Marcelo Marsiglia Cavazzini

É assim que os homofóbicos aparecem.

Vyctor Hugo

Post: Felipe Neto: “Durante dois

anos eu não fechei com uma

única marca operacionalizada

no Brasil”

Poderia fechar mais contratos se

se comportasse mais como o irmão,

que não dá tanta polêmica.

Certo ou errado, ninguém quer polêmica

vinculada a sua marca.

Matheus Bizin

A justificativa para a falta de talento

dele agora é a política. É ruim, histérico

e sem graça. Se ele aceitasse

isso, doeria menos.

Tati Peterson

última Hora

eMPReeNDeDORISMO

Paloma Quintela (ex-

Lew’Lara\TBWA, J. Walter

Thompson e Wunderman,

na foto abaixo com o sócio

Gabriel Zanferrari) se

prepara para o lançamento

da Pontelo, agência 100%

digital focada em branding,

redes sociais e criação de

conteúdo para pequenos

e médios negócios.

DeMaNDa

“Durante a pandemia,

percebi uma grande

demanda de médicos

querendo expor seus

conhecimentos e, com

isso, ajudar quem estava

recluso em casa. Eu já

atendia alguns clientes e

marcas deste segmento

e, só no ano passado,

vi meu negócio crescer

mais de 50%, surgindo a

necessidade de ter um time

maior e profissionalizar

ainda mais nosso

trabalho”, diz Paloma.

PONTeLO

A Pontelo (significado:

ponte+elo) aproveitará,

nas palavras de Paloma,

“do grande potencial

da indústria health,

mas diversificando

o atendimento para

outros mercados”.

A agência já possui em

sua carteira clientes de

varejo, gastronomia e

academias. “Com atuação

100% remota e prezando

a proximidade entre as

pessoas, a agência chega

para focar no atendimento

taylor made, entregas

qualificadas e na geração

de negócios”. Gabriel

Zanferrari é ex-JWT e A

Madre Produtora Digital.

CaPITÃO FOCa

Felipe Parra (na foto acima

com o violão), músico,

produtor, compositor e

sócio da produtora de

música Capitão Foca, acaba

de lançar o álbum Estrela,

projeto 100% autoral, com

11 canções que produziu

durante a pandemia, entre

uma trilha e outra para

grandes anunciantes como

Nike, Netflix, Spotify,

Red Bull e outras.

O lançamento foi no

Teatro de Contêiner,

no Centro de São Paulo.

CeLeBRaÇÃO

No último dia 10, o Itaú

Unibanco participou da

cerimônia do encerramento

do pregão na Bolsa de Nova

York em comemoração aos

25 anos de listagem na Bolsa

de Valores de Nova York

(NYSE). Para marcar sua

boda de prata veiculou peça

out-of-home (foto abaixo)

na Times Square, um dos

símbolos da publicidade

OOH na Big Apple. As ações

do Itaú Unibanco foram as

mais negociadas na bolsa

norte-americana em 2021.

Atualmente, cerca de 25%

do volume total de ações

preferenciais do banco está

na forma de ADRs e são

negociadas nos EUA.

A criação é da Africa.

8 16 de maio de 2022 - jornal propmark


curtas

LEo BurnEtt dEstaca incLusão

ELEiçõEs 2022 ganham r$ 25 mi

gLoBo tEm nova fasE dE campanha

Equipe participa de jantar em prol da Casa Chama

A Leo Burnett Tailor Made é a única

agência de comunicação entre as 72 empresas

listadas na pesquisa Ethos/Época

de Inclusão. Equidade racial e direitos

LGBTI+ alcançaram índices acima da média.

“Este é um momento de celebração de

todos os esforços que vêm sendo construídos

nos últimos cinco anos”, diz Marcelo

Reis, co-CEO e CCO da Leo Burnett Tailor

Made. Marcio Toscani, co-CEO e COO da

agência, lembra que “o mundo contemporâneo

exige que as empresas estejam

atentas ao impacto que produzem na

sociedade. Esse olhar tem de estar dentro

e fora do negócio”.

rEino unido BanE pEças da adidas

Senado aprova aumento de gastos com propaganda

O governo federal terá R$ 25 milhões

a mais para gastar com publicidade nas

eleições de 2022. O aumento foi definido

no último dia 10 de maio, quando o Senado

aprovou o PL 4059/2021, que muda o

limite de gastos com propaganda em anos

eleitorais para órgãos dos governos federal,

estadual e municipal. O projeto ainda fala

sobre a contratação de serviços de comunicação

digital. Ficam vetados os pregões

eletrônicos, que permitiam a participação

de empresas sem capacitação técnica em

serviços especializados de comunicação.

O documento seguirá para a sanção presidencial.

nEtfLix LidEra EngajamEnto

Young Lions rEvELa prEmiados

Jason Blackeye/ Unsplash

Sayan Ghosh/Unsplash

Divulgação/Alexandre Virgilio

Divulgação/Agencia Brasil

Guto Costa/Globo/Divulgação

Do Plim ao Play mostra que conteúdos se conectam

Para mostrar o seu ecossistema composto

por canais de assinatura, TV aberta,

streaming e os produtos digitais, a Globo

apresenta a segunda fase da campanha

do plim ao play. O lançamento conta com

um filme que brinca com combinações

inusitadas de ativos da empresa, rimando

e criando uma métrica sonora na voz de

carlinhos Brown. A Globo quer mostrar

que os conteúdos se conectam e podem

ser acompanhados em diferentes telas e

lugares, onde e como o público desejar.

Segundo a emissora, o conceito traduz essa

diversidade e o extrapolar dos conteúdos

para além de suas marcas e plataformas.

Anúncio foi considerado ofensivo pela ASA

Filme da Adidas lançado em fevereiro

com diversos seios nus promoveu a

variedade de tops esportivos femininos

da marca, mas foi banido pela advertising

standards authority (ASA) do Reino Unido

sob a alegação de ser “prejudicial e ofensiva”.

Uso gratuito de nudez, objetificação

da mulher e acesso do conteúdo por crianças

estão entre as principais queixas. A

alemã se defendeu dizendo que as imagens

pretendiam “refletir e celebrar diferentes

formas e tamanhos e ilustrar a diversidade”.

A ASA argumenta que o conteúdo é

incomum no Twitter da grife, podendo

ofender os usuários da plataforma.

Investimento cresce, mas interações mostram queda

O perfil da Netflix é o primeiro em engajamento

no Instagram, com 68.940.468

interações em 248 posts, e segundo no

Facebook, com 3.023.326 interações em 315

posts. O gasto médio mensal por marca foi

de US$ 3.631 no primeiro trimestre de 2022,

alta de 21% em relação ao mesmo período

do ano passado. Mas as plataformas não

acompanham o avanço dos investimentos.

No Instagram, a taxa de engajamento permanece

estável, com cerca de 32 interações

por mil impressões, enquanto o Facebook

amargou queda de 17% no número médio

de curtidas, comentários e compartilhamentos.

Os dados são da Emplifi.

São 12 brasileiros entre 400 inscritos

Enzo Roncari (W3Haus) e Gabriel Rodriguez

(Monkey-Land), em Design; Letícia

Kohanoski (Tech and Soul) e Leonardo

Norato (Suno Paim), em Digital; Lais Castro

e Carol Garcia (Itaú), em Marketer; Gabriela

Godoy (Beontag) e Heloísa Miro Cardoso

(P&G), em PR; Angelo Giovanni (433 AG) e

Johann Stancik (Greenz), em Print; Erika

Moulin (AlmapBBDO), em Planejamento; e

Vivianne Santos (Africa), em Atendimento.

Esses são os 12 brasileiros escolhidos entre

os mais de 400 inscritos no Young Lions

2022. Eles criaram para as ONGs Vamos

Falar sobre o Luto (SP), Aliança de Mães

e Famílias Raras (PE) e Sol Maior (RS).

Diretor-presidente e jor na lis ta

res pon sá vel

Ar man do Fer ren ti ni

Editora-chefe: Kelly Dores

Editores: Neu sa Spau luc ci, Paulo

Macedo e Alê Oliveira (Fotografia)

Editores-assistentes: Janaina

Langsdorff e Vinícius Novaes

Editor especial: Pedro Yves

Repórteres: Carolina Vilela e Marcos

Bonfim

Revisor: José Carlos Boanerges

Edição de Arte: Adunias Bispo da Luz

Assistente de Arte: Lucas Boccatto

Departamento Comercial

Gerentes: Mel Floriano

mel@editorareferencia.com.br

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Monserrat Miró

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Ferrentini

tamf@editorareferencia.com.br

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as ma té rias as si na das não re pre sen tam ne ces sa ria men te a

opi nião des te jor nal, po den do até mes mo ser con trá rias a ela.

IMPRESSO EM CASA

jornal propmark - 16 de maio de 2022 9


quem fez

Paulo Macedo paulo@propmark.com.br

FOME

Reinventar a relação do consumidor no PDV

com Club Social reforça o conceito #Partiu-

PraNãoParar. Com auxílio da tecnologia, a

LBTM criou prateleira que se movimenta sozinha,

numa forma inovadora de apresentar

o produto. “Quando seu biscoito favorito vai

junto, nenhuma fome pode te parar”, diz Pedro

Utzeri, VP de Criação da agência.

LEO BURNETT TAILOR MADE

MONDELEZ BRASIL

Fotos: Divulgação

Título: A prateleira que não para; CCO: Marcelo Reis;

VP de criação e diretor de arte: Pedro Utzeri; diretora

de criação: Alessandra Sadock; redatores: Vinicius

Stanzione, Alpho Ramsay e Humberto Pacheco;

produtora: Prodigious; som: Squad; aprovação:

time de marketing da Mondelez.

CasEirO

Uma evolução do fermento. Essa é a proposta

do novo Super Fleischmann apresentado

em sachês individuais de 13 gramas. O

produto combina fermento biológico com

enzimas que contribuem para o crescimento

de 20% das fornadas caseiras. Comercial,

em exibição nas redes sociais da marca,

mostra que fazer pão não tem dificuldade.

BOLD

FLEISchMANN

Título: Vai dar pão; CCO: Daniele Marques; diretor

de criação: Lucas Maia; head of art: Leandro

Lemos e Leo Malaquias; produtora: Boiler

Filmes; diretor: Renan Rodrigues; aprovação:

Alexandre Salvador, Marianne Bellucci, Nathalia

Linari, Matheus Meira e Bianca Weschenfelder.

pós

Criada com olhar específico para o processo

de contratação de pessoas egressas do sistema

prisional, a Responsa aprovou campanha

que narra a história real de Rodolfo Maturana,

que enfrentou dificuldade para encontrar

emprego depois de sair da prisão. Ele se tornou

serralheiro e transformou a habilidade

negativa de arrombar carros em algo positivo.

PROPEG

RESPONSA

Título: Segunda chance; CCO: Emerson Braga; redatores:

Emerson Braga, Rafael Damy e Marcio

Naziazeno; diretor de arte: Gustavo Batinga;

RTVC: Juliana Leonelli; produtora: Santeria; som:

Cabaret; produtor musical: Guilherme Azem;

aprovação: Karine Vieira.

10 16 de maio de 2022 - jornal propmark


inspiração

obrigada!

Fotos: Arquivo Pessoal

“Não quero ficar falando do desafio inenarrável que é o de equilibrar

os pratos do dia a dia, de como fazemos mil coisas ao mesmo tempo”

Isabel Rudge

especial para o PROPMaRK

he damos as boas-vindas, boas-vin-

boas-vindas. Venha conhecer a

“Ldas,

vida. Eu digo que ela é gostosa. Tem o Sol

e tem a Lua, tem o medo e tem a rosa. Eu

digo que ela é gostosa. Tem a noite e tem o

dia, a poesia e tem a prosa, eu digo que ela

é gostosa…”

Esse é um trecho da música Boas-vindas,

do Caetano Veloso, que eu ouvia muito

sozinha na reta final das minhas duas gravidezes.

Apesar de estar tudo muito estranho e

de cabeça pra baixo, apesar do medo e das

incertezas de colocar novas pessoas nesse

mundo maluco em que estamos vivendo,

essa música era um convite simples para

que aqueles bebês tivessem uma boa e alegre

chegada, independentemente de tudo o

que estava rolando.

Eu tenho dois filhos pequenos e confesso

que sempre tive o sonho de ser mãe. Nunca

pensei na possibilidade de não ter filhos.

E essa foi uma escolha minha, que eu fiz

para a minha vida. Mas, até eu ter me tornado

mãe de fato, nunca tinha passado pela

minha cabeça que ter filhos iria me impor,

de forma tão rápida e intensa, novos cargos

e funções.

Não quero ficar falando do desafio inenarrável

que é o de equilibrar os pratos

do dia a dia, de como fazemos mil coisas

ao mesmo tempo e como a vida pessoal

acaba interferindo na vida profissional. Ser

mãe, ser mulher, ser profissional, ser filha,

ser foda.

Mas eu queria aproveitar e dizer que

fico feliz em saber que, mesmo que aos

poucos, estamos criando um ambiente de

trabalho mais acolhedor para todas que

são mães, dentro de um mercado que é tão

complexo.

No entanto, a real é que a função materna

nunca acaba, não tem um dia de folga.

Meus filhos precisam de carinho e atenção,

precisam ser trocados, precisam tomar banho,

comer, escovar os dentes e de ajuda

para dormir - todos os dias, independentemente

de como foi, o que eu passei ou

como está sendo o meu dia.

E meus filhos, por outro lado, não me

aceitam “pela metade”. Eles me querem

por inteira.

E é isso que tem me feito pensar cada

vez mais na relação que tenho com o meu

tempo, com o meu trabalho e com a minha

vida.

São meus filhos que diariamente me convidam

a viver um respiro diferente, a ver a

vida mais colorida e a rir no caos. São eles

que têm me lembrado todos os dias que o

que importa é ter presença, saber ver e viver

instantes e momentos, em segundos.

Meus filhos, sem dúvida, são a minha

maior inspiração, e aceitar esse convite diário

deles, de estar em presença com eles,

me faz crescer e querer fazer do mundo um

lugar melhor.

E voltando para o Caetano, boba era eu

que achava que estava dando as boas-vindas

para os meus filhos, quando, na verdade,

no fundo eu estava era dando boas-vindas

a mim mesma.

Meus filhos Chico e Pedro me trouxeram

coragem, paciência e propósito de vida,

eles estão me transformando em uma pessoa

e uma profissional melhor a cada dia

que passa. Com toda certeza, eu não estaria

onde estou, sem eles.

Isabel Rudge é head of client services da Dojo,

mãe do Francisco (4 anos) e do Pedro (2 anos)

jornal propmark - 16 de maio de 2022 11


ESG NO MKT

Dayne Topkin/Unsplash

A esperança está

nas empresas

Pesquisas demonstram que uma atuação

responsável e empática pode gerar mais lucro

Alexis Thuller PAgliArini

pesquisa anual Trust Barometer, da Edelman,

não deixa dúvidas: as empresas são

A

a única instituição de confiança no Brasil.

Sim, você está lendo direito. Nem as ONGs,

nem a mídia e muito menos os governos chegam

a patamares mínimos de confiança.

O governo teve apenas 39% de respondentes

com alguma confiança (o índice mínimo é

de 60% para garantir uma percepção de confiança).

A mídia, 48%. E as ONGs, 56%.

As empresas passaram raspando, com

61%, mas é nelas que se deposita a última

esperança de um mundo melhor. Se, por um

lado, o empresariado pode se ufanar dessa

percepção, por outro, deve se sentir pressionado

pela responsabilidade de levar nas costas

a carga de uma melhora do mundo que

habitamos.

Sim, a pressão é grande: a mesma pesquisa

mostra que muitos esperam que as empresas

preencham o vácuo deixado pelo governo.

68% dos respondentes declaram que os CEOs

devem interceder quando os governos não

resolvem os problemas da sociedade.

60% esperam que os CEOs tomem uma

iniciativa proativa, sem aguardar que os governos

ajam. E 54% acham que os CEOs devem

prestar contas ao público e não somente

à diretoria e acionistas das suas empresas.

Do lado dos consumidores, a pressão é

ainda maior: 73% dos consumidores acham

que têm poder para forçar as corporações a

agir. E a visão de dentro das empresas não é

menos pressionadora: 71% dos empregados

se julgam empoderados para forçar suas empresas

a atuar em benefício da sociedade.

Sabe o que significa tudo isso? O bastão da

responsabilidade foi passado para as empresas

e elas não têm para quem entregar. É com

elas mesmo!

Quando comecei a trabalhar – lá se vão

mais de 35 anos – ouvi dos meus patrões uma

advertência: devemos nos ater às questões

intrinsicamente inerentes ao nosso negócio.

Não devemos emitir opiniões quanto aos

problemas da sociedade. Muito menos ade-

rir a movimentos sociais. Pois é... Esse tempo

acabou. Agora, as empresas são cobradas

por um posicionamento e por um ativismo

corporativo.

Mesmo que isso lhes custe caro. Basta ver

o imbróglio da Disney em Orlando, se posicionando

perante um governo estadual (Flórida)

retrógrado e ultraconservador. A represália

veio forte, mas a empresa não abriu mão

das suas convicções.

Num mundo assolado por mudanças climáticas

preocupantes, pelo retorno de governos

ultranacionalistas e reacionários,

pela violência de uma guerra e o recrudescimento

da xenofobia e da intolerância e ainda

pelo desejo de igualdade, paz e justiça, “sobrou”

para as empresas.

Os consumidores tenderão a analisar

melhor a atitude da corporação antes de

decidir pela compra de um produto ou

serviço. Por outro lado, o mercado financeiro,

capitaneado pelo poderoso Larry

Fink, CEO do fundo de investimento Black

Rock, com carteira de mais de 1 trilhão de

dólares, cobra das empresas o tal do triple

bottom line, ou seja: um conjunto de

atividades que extrapola simplesmente o

resultado financeiro.

Que apresente ações em benefício das pessoas

e do planeta. É pressão de todos os lados.

E as empresas geram um efeito dominó,

ao exigir de seus fornecedores uma atuação

igualmente engajada.

Não à toa o acrônimo ESG invade implacavelmente

a pauta dos conselhos de administração

e da diretoria executiva das empresas.

Virou um mantra. A agenda ESG entrou de

vez no dia a dia dos executivos e não deve

sair de lá tão cedo. Porque a pressão deve

continuar e só crescer.

Inútil dormir, que a dor não passa. A notícia

boa é que tudo isso pode ser positivo para

a performance das empresas.

Pesquisas demonstram que, sim, essa atuação

responsável e empática pode gerar mais

lucro às empresas. Então é isso: empresários,

estamos com vocês! Podem agir, que nós aumentaremos

o nosso nível de confiança e de

preferência!

Alexis Thuller Pagliarini é sócio-fundador da ESG4

alexis@criativista.com.br

12 16 de maio de 2022 - jornal propmark


opinião

Alejandro Luengo/Unsplash

Web3: por uma

internet das pessoas

Paula Martini

Quando o filme O Dilema das Redes foi

lançado, no longínquo 2020, a influência

dos algoritmos sobre nossas vidas ganhou

mais visibilidade. Perfis foram excluídos.

Notificações, desligadas. Mudar nossa

relação com a internet demanda entendê-la

a partir de suas dinâmicas mais profundas

e vê-la como verbo, não como substantivo.

Demanda escavar até sua utopia-base:

de que seria autônoma – inserida no capitalismo,

porém com outras lógicas e dinâmicas.

O que chegou a se concretizar,

com colaboração em escala global e realmente

descentralizada: iniciativas wiki,

software livre, blogs, Creative Commons

e tantas mais.

O que perdemos, de lá pra cá? Basicamente,

os pilares da utopia: a

multiplicidade, a diversidade,

o hiperlink. Hoje compartilhamos

prints, não links. Quando

estamos imersos em transições

complexas, como a atual,

nossa percepção tende a ficar

embotada e perde-se perspectiva.

Mas lá em 2008, no livro

The Future of the Internet –

And How to Stop It, o professor

de Harvard Jonathan Zittrain

antevia o declínio da internet

“generativa” – uma plataforma no mais

amplo sentido, que convidava à criatividade

e à inovação, desenhada para aceitar

qualquer contribuição que seguisse regras

básicas –, rumo às plataformas proprietárias

que hoje habitamos.

A máxima de que “quando o serviço é

gratuito, o produto é você” assusta, mas,

na lógica do capitalismo de vigilância, não

somos só o produto, e sim a matéria-prima

para extração de conhecimento a partir dos

dados. Uma promessa/capacidade de intervir

nos próximos passos, já que o campo de

possibilidades é 100% mediado pelos algoritmos.

Esses que permeiam todas as relações

sociais e profissionais mediadas por

“A máximA de

que ‘quAndo

o serviço é

grAtuito,

o produto

é você’

AssustA”

tecnologias. Algoritmos são somente códigos,

e estão sob a mesma lei de direito autoral

que protege livros, músicas e filmes. A

Lei 9610/98 categoriza o código como “criação

do espírito” – assim, como a arte, algoritmos

também carregam os vieses e visões

de mundo do criador. Tecnologias não são

neutras: pessoas pensaram seu propósito,

desenharam a experiência do usuário, elaboraram

um algoritmo e decidiram quais

dados iriam alimentá-lo.

Resultado? Uma concentração de riqueza,

conhecimento e poder sem precedentes

na História. Se informação é poder,

quem detém informação sobre nós tem

poder sobre nós – e muitas vezes não sabemos

como funciona o jogo (ou que estamos

jogando). Uma assimetria de poder

que até se configura abusiva e deve ser

exposta. Tipo redução de danos no uso

de substâncias: a proposta não é

deixar de fazer, é fazer sabendo

onde se está pisando. Recentemente,

a iniciativa Internet das

Pessoas lançou a campanha O dia

em que você disse sim, criação da

VMLY&R, por um uso consciente

e seguro das tecnologias. A

IDP promove a educação digital,

orientando famílias, empresas e

escolas sobre aspectos humanos

da transformação digital: economia

da atenção, bolha dos algoritmos,

inteligência artificial, indústria dos

dados pessoais e privacidade.

Sem educação digital e regulação, só resta

alarmismo. E, enquanto engatinhamos

nesses temas, já adentramos as temáticas

do metaverso e descentralização da web3:

de usuários para criadores. Uma internet

generativa? Para agências e marcas, há

oportunidade de atuar com segmentação

e assertividade, promovendo valores como

transparência e ética. Ainda mais em tempos

de pós-verdade. Urge criarmos outros

como para esse grande o quê. E mirarmos

naquela utopia, sem otimismo cego. Pois,

como disse Eduardo Galeano, “a utopia serve

para que não deixemos de caminhar”.

Paula Martini é orientadora digital, palestrante e

idealizadora da iniciativa Internet das Pessoas

paula@internetdaspessoas.com.br

jornal propmark - 16 de maio de 2022 13


especial diA dA internet

Apesar dos avanços, atraso na

inclusão digital desafia o país

Profissionais da área falam das tendências do segmento e apontam que,

com a pandemia, ficou mais escancarada a diferença no acesso à rede

Alina Grubnyak/Unsplash

Dia Mundial da Internet levanta importantes questões como segurança, fake news, cobrança de conteúdo e publicidade, além da inclusão digital, ponto crucial no desenvolvimento

Neusa spaulucci

Ninguém sabe ao certo o motivo pelo

qual em 17 de maio é comemorado o

Dia Mundial da Internet, também conhecida

como Dia Mundial das Telecomunicações

e da Sociedade de Informação.

A única certeza que se tem é que a data

foi estabelecida pela ONU (Organização

das Nações Unidas) em janeiro de 2006, e

a ideia é refletir sobre as potencialidades e

desafios das novas tecnologias na vida de

todos. Sendo assim, nada melhor do que ir

ao mercado para ouvir a opinião dos profissionais

do setor para saber para onde vai,

com tanta pressa, a internet.

Os últimos acontecimentos, como a

possível volta do Orkut e a compra do

Twitter por Elon Musk, além da pressão

por regulamentação e o futuro das redes

sociais, sinalizam ainda mais agitação

pela frente.

O PROPMARK foi buscar junto a profissionais

da área algum sinal de fumaça sobre

a tendência da internet e das redes sociais.

Vini Chagas, head de design de conversas

da Dentsu International Brasil, fala que,

para ele, depois de tanta evolução, do crescimento

da importância e da mudança de

papel das redes sociais, é importante que se

olhe para elas com a responsabilidade e o

cuidado que inspiram.

“Não podemos compactuar com a transformação

de um aparato que está a serviço

da comunicação, entretenimento e tantas

outras frentes importantes, em máquinas

de desinformação e propagação de fake

news”, analisa.

Ele acredita que a principal reflexão que

o Dia da Internet deve trazer é o acesso à

“As mArcAs estão em um

movimento de entender

como tornAr suAs

mensAgens pAlAtáveis

e entregá-lAs como

entretenimento”

14 16 de maio de 2022 - jornal propmark


Fotos: Divulgação

Vini Chagas: “O conteúdo venceu” Cris Camargo: internet ganha impulso na pandemia Fernando Moulin: redes socias são evolução recente

tecnologia para além do seu importante

papel. Segundo ele, com a pandemia ficou

ainda mais escancarado o atraso na inclusão

digital, que acabou prejudicando muitas

pessoas.

“É um tema importante, que deve sair do

papel e das reflexões e virar políticas afirmativas,

que garantam a todos o direito a

usufruir de tecnologia”, diz.

Para ele, a inclusão digital é urgente, para

que todos possam ter as mesmas oportunidades.

As regulamentações são assuntos

igualmente urgentes para Chagas, pois elas

podem ajudar muito na preservação das

pessoas em relação à propagação de notícias

falsas, por exemplo.

“Mas o seu não-cumprimento precisa

ser penalizado para que sejam realmente

efetivas e não vejamos, como hoje, alguns

fomentando a desinformação impunemente”,

fala. Para ele, fake news se resolve com

regulamentação e, principalmente, punição

efetiva dos responsáveis.

Sobre a cobrança de conteúdo, Chagas

afirma: “O conteúdo venceu!”. Na opinião

dele, não é sobre “diminuir a dependência

de publicidade”, mas sobre como a publicidade

se transforma para fazer sentido

em um ambiente onde as pessoas não gostam

de #ad.

“As marcas estão em um movimento de

entender como tornar suas mensagens palatáveis

e entregá-las como entretenimento

para as pessoas em sua jornada digital”,

comenta. Para ele, é superdesafiador, mas

também é muito bom ver que isso já começa

a se tornar realidade.

Quando o questionamento gira em torno

do modelo do YouTube, que tem plano

pago para quem não quer ver propaganda

no meio da música, ele volta a falar que as

marcas devem começar a olhar para esses

produtos de entretenimento e entender

como fazer parte daquilo.

“É como os product placements em videoclipes

no próprio YT, por exemplo. As

marcas ali aparecem mesmo para os assinantes”,

conclui Chagas.

“teremos muitAs

mudAnçAs Antes

de entendermos melhor,

sob umA perspectivA

mAis AmplA, o pApel e A

influênciA plenA que

As redes sociAis têm”

impulso

Já Cris Camargo, CEO do IAB Brasil, lembra

que a inclusão digital – ou falta dela – é

um ponto que ganhou grande impulso durante

a pandemia da Covid-19, principalmente

nas áreas rurais.

Ela aponta números que mostram o

quanto a internet cresceu, apesar do efeito

nefasto da pandemia. “Foi um efeito rebote

positivo, porque as pessoas dependiam do

uso de novas plataformas”.

O IAB Brasil fez parceria com a Kantar

Ibope Media, que resultou no lançamento

do estudo Digital AdSpend e trouxe para o

mercado uma análise que apresentou o fortalecimento

da publicidade no digital.

O investimento acumulado foi de R$ 36,9

bilhões, considerando o ano de 2020 (R$

23,7 bilhões), e os seis primeiros meses de

2021 (R$ 13,2 bilhões).

Na análise comparativa de janeiro a

junho de 2021 com o mesmo período de

2020, o Digital AdSpend indicou que os investimentos

em publicidade digital tiveram

um crescimento de 25% no primeiro semestre

do ano.

Em relação à distribuição por tipo de dispositivo,

mobile e desktop, os números ficaram

bem próximos ao mesmo período de

2020, cujos anúncios publicados em mobile

representaram 73% do share total.

Fernando Moulin, partner da Sponsorb,

professor e especialista em negócios, transformação

digital e experiência do cliente,

acha excelente ter um Dia Mundial da Internet

com o propósito de pensar sobre a

tecnologia.

Para ele, todas as vezes em que se busca

refletir acerca do papel absolutamente

transformador que a internet desempenha

em cada minuto das vidas das pessoas, em

uma sociedade cada vez mais conectada –

inclusive no tocante à necessidade urgente

de se integrar os “excluídos digitais” no

conjunto das inexoráveis mudanças trazidas

pela tecnologia nas vidas de todos.

“É impossível conceber um mundo melhor

e mais desenvolvido sem o apoio da

tecnologia e da digitalização – e estar consciente

também dos riscos trazidos por essas

soluções é fundamental para que possamos

reduzi-los, aumentando as possibilidades

do emprego positivo de tudo que a internet

nos traz de melhor”, analisa.

AmAdurecimento

Para Moulin, é importante ter a perspectiva

que as redes sociais ainda são uma inovação

muito recente, sob uma ótica histórica.

“A maioria das soluções hoje utilizadas

massivamente em todo o mundo tem menos

de 15, 20 anos de existência”, lembra

ele, acrescentando: “Neste contexto, acho

que ainda haverá um amplo processo de

amadurecimento da consciência e uso das

redes sociais pelas pessoas, organizações

em geral e governos – por exemplo, em relação

à adequação dos termos de uso às legislações

do ‘mundo real’, da maior reflexão

sobre o uso exacerbado das redes sociais e

seus impactos na saúde mental, privacidade

verso exposição excessiva”.

Ele diz também que antevê um amplo

processo de consolidação, integração, novas

redes que surgirão e outras que certamente

deixarão de ser relevantes em um

futuro próximo.

“Ainda teremos muitas mudanças antes

de entendermos melhor, sob uma perspectiva

mais ampla, o papel e influência plena

jornal propmark - 16 de maio de 2022 15


especial diA dA internet

Fotos: Divulgação

Abel Reis: inclusão digital é um grande desafio

que as redes sociais têm e deixarão de ter

em nossas vidas. As mudanças no Twitter

se encontram neste contexto”, avalia.

Em relação ao possível retorno do Orkut,

Moulin vê correlação com um movimento

mais amplo em termos de tendência social,

com certos grupos buscando em suas

referências de memórias passadas maior

solidez e clareza para enfrentar as rápidas

e incompreensíveis mudanças da era em

que se vive.

“Este é um processo clássico na evolução

das artes, moda, música, e não haveria por

que ser diferente com as redes sociais: conforme

os anos passam, algumas referências

do passado que tenham deixado de existir,

mas ainda contêm um grande número de

fãs e admiradores no presente, sempre terão

seu apelo e seu público cativo. Isso também

acontece fora da internet (um exemplo

é o anunciado retorno da marca Mesbla ao

mercado varejista brasileiro)”, explica.

Abismo

Mas o grande desafio para ele reside na

inclusão digital. O partner da Sponsorb se

ancora em estudo recente da PWC/Instituto

Locomotiva chamado O Abismo Digital no

Brasil, que aponta que menos de um terço

da população pode ser considerada plenamente

conectada, de acordo com os padrões

internacionais de avaliação.

“E estes brasileiros são predominantemente

pessoas brancas das classes A e

B. Enquanto isso, metade dos brasileiros

(principalmente negros e pardos das classes

C, D e E) fica sem conexão por quase a

metade do mês, sendo que 58% dos brasileiros

somente têm acesso à conectividade

por celulares e não dispõem de dispositivos

adequados para se educar, consumir e exercer

plenamente sua cidadania”, relata.

Ele acredita que esse desafio somente

será superado ou mitigado com uma ampla

agenda nas esferas pública e privada de

digitalização, que, infelizmente, “até o momento

foi pouquíssimo discutida na pré-

-campanha eleitoral”.

João Passarinho: perigo das fake news

“grAndes plAyers do

setor enfrentArão

pressão por mudAnçAs no

regime de propriedAde

de dAdos de usuários

e de conteúdos”

“Haverá a necessidade de massivos investimentos

em banda larga, equipamentos

de hardware, modernização de instituições

de serviços e educação em geral, e muito

mais. É uma questão gravíssima e, no atual

ritmo, somente será resolvida em décadas

– o que deixará o Brasil extremamente atrasado

numa questão crucial do século 21, em

que as nações mais competitivas e pujantes

serão aquelas que tiverem ampla conectividade

e liderança tecnológica. Há muito por

fazer. Conectividade é tão vital para uma

vida plena quanto o acesso a água e a alimentos”,

argumenta ele.

Caroline Capitani: há imensas diferenças regionais

desconectAdos

Abel Reis, sócio-diretor da UOTZ, aposta

que no futuro as redes sociais terão seu modelo

de audiências e de negócios drasticamente

redesenhados pela consolidação das

tecnologias da web 3.0.

“Significa que os grandes players do setor

enfrentarão pressão por mudanças no

regime de propriedade de dados de usuários

e de conteúdos produzidos por criadores

e publishers”, garante.

Para Reis, a inclusão digital também segue

como um grande desafio no Brasil. Ele

recorre à recente pesquisa da PWC, que

mostra que o país tem mais de 33 milhões

de desconectados, pessoas sem acesso à

internet, grupo composto predominantemente

por homens, não alfabetizados, idosos

e categorizados como classes C, D e E.

“O Brasil mantém ainda mais de 41 milhões

de pessoas com acesso médio de 19

dias no mês, grupo composto por moradores

da região Norte e Nordeste, com celular

pré-pago, menos escolarizados, negros

oriundos das classes D e E”, revela.

Já Caroline Capitani, VP de inovação

e negócios da Ilegra, empresa global de

design, inovação e software, acredita que

é provável que nos domicílios de pessoas

em situação de vulnerabilidade social os

integrantes tenham até mais acesso a smartphones

do que a água potável e serviços

básicos.

“Porém, precisamos reforçar que há

imensas diferenças regionais e sociais, que

fazem com que a gente não passe a pensar

em um único Brasil. Outro aspecto importante

é que as pessoas precisam ter acesso

a computadores com banda larga para realizar

tarefas mais complexas – inclusão digital

não é simplesmente acesso a telefone

com internet, que nos permite atividades

mais simples. Mas, à medida que o tempo

passa, vai tendo uma maioria tardia que

está ingressando, as novas gerações ensinando

as mais velhas e consequentemente

vai aumentando a inclusão. Vejo avanço,

sim, mas estamos falando de diferenças regionais

e sociais grandes no nosso país que

precisam ser consideradas”, declara.

Ela vê os movimentos da internet, como

a volta do Orkut, também com otimismo.

Caroline encara como um resgate, uma tentativa

de trazer de volta uma rede que fez

muito sucesso, envolvendo o saudosismo,

pois teve uma legião de usuários. “Uma

tentativa de fazer uma frente com as redes

sociais que estão em evidência nos últimos

anos. Resgate, saudosismo é algo cíclico

como a moda, que vai e vem”, compara.

ZonAs livres

João Passarinho Netto, vice-presidente

de estratégia criativa da Jotacom, acredita

que o Dia da Internet é uma data interessante

para promover a inclusão digital e

fomentar as interações e dinâmicas entre

universo virtual e real. Ele diz concordar

com o propósito de provocar essa reflexão

sobre a tecnologia, cada vez mais impres-

16 16 de maio de 2022 - jornal propmark


Zizo Papa: estamos simbolicamente conectados

cindível na vida de todos.

Sobre a volta do Orkut ele fala que as

redes sociais vão cada vez mais caminhar

para “zonas livres” de conteúdo, com todas

as vantagens e perigos que podem acontecer

em um cenário de livre arbítrio.

“Vantagens pela liberdade de expressão

e perigo pelas fake news imputadas em larga

escala. Apesar de acreditar numa regulamentação

mínima e obrigatória em relação

ao lado criminal, o propósito das redes

sempre foi liberdade, possibilidade, inovação

e expressão”, arrisca.

Para ele, a inclusão digital também é fundamental

e é um caminho sem volta. “A popularização

de acessos abertos deve se tornar

uma realidade, assim como em países

mais desenvolvidos se tornou algo comum.

É quase que uma obrigação (e interesse) ter

cidades inteligentes e conectadas”, analisa.

Segundo Passarinho Neto, em um primeiro

momento, houve a “onda” da popularização

do mobile, agora se deve seguir

para um acesso de qualidade, que permita a

idealização dos conceitos de web 3 que potencializarão

as possibilidades de interação

Léo Andrade: maior discrepância, maior o abismo

entre humanos e máquinas, evoluções de

aprendizado e até geração extra de riqueza

e oportunidades.

Zizo Papa, CEO e sócio-fundador da

Trace Brasil, arrisca dizer que não há mais

como distinguir a humanidade da exponencialidade

tecnológica. “Estamos simbioticamente

conectados”, diz sobre o propósito

do Dia Mundial da Internet.

Para ele, mais que uma reflexão sobre a

data, é preciso entender a fundo o impacto

que essa evolução traz para a condição humana.

“Como nos relacionamos e trabalhamos.

As questões éticas e regulatórias sobre

as múltiplas transformações que testemunhamos.

As mudanças comportamentais,

sociais e o impacto que isso tem na nossa

saúde física e mental”, destaca.

Sobre os movimentos que a internet vive

hoje, com a volta do Orkut e a compra do

Twitter, Papa busca na fala do ex-presidente

americano Barak Obama, semana

passada em Stanford, para expressar o que

pensa a respeito: “as redes são ferramentas

e como tais devem, necessariamente, ser

apoio para construção e evolução e não o

contrário, involução e destruição”.

trAnsfomAção

Papa também aponta que a inclusão passa

“pela radical e completa transformação

da base educacional dos países”.

“Infelizmente ainda existe muita política

ao redor do tema mais importante para

o futuro do país. A revolução educacional

da base automaticamente promoveria essa

inserção pois os mecanismos de transformação

estariam programados no DNA das

novas gerações”, diz.

Renan Mota, founder e co-CEO da Corebiz,

acredita que a inclusão digital tenha

acontecido até mais rápido do que ele imaginou,

mas ainda acha que deveria ter acontecido

muito antes.

“Ter acesso ao digital é diferente de

quem usa ou não bem a tecnologia. Diminuímos

um pouco a questão da falta de acesso,

por ser mais barato ter um computador

ou smartphone, além da internet estar mais

em conta e isso tende a aumentar o número

de usuários, contudo, o mais importante é

como as pessoas realmente usam essa tecnologia”,

lembra Mota.

Segundo ele, as pessoas, muitas vezes,

usam mais as redes sociais. “Acho que se

elas usassem melhor o digital, seria bom

para o país como um todo, mas é difícil

saber o prazo disso. Temos um processo

ainda muito grande de transformação. Mas

continuo otimista e creio que no futuro as

pessoas vão aprender cada vez mais sobre a

boa convivência online”.

Léo Andrade, influenciador e especialista

em tecnologia, referência em low-code

e no-code no Brasil e autor dos e-books

gratuitos A Revolução Low-Code e Citizen

Developers, o tema inclusão digital é “bem

complexo porque depende do acesso à informação”.

“Encurtar essa distância depende de

Renan Mota: diminuição da falta de acesso

“sou otimistA, creio

que no futuro As

pessoAs vão Aprender

cAdA vez mAis sobre A

boA convivênciA online”

ações que tornem a internet acessível para

todos. E quando falamos de internet, estão

inclusos dispositivos para acessá-la. Quanto

mais discrepância houver no país, maior

será o abismo. É um assunto complexo e

polêmico, pois trata-se de ter acesso à internet

de qualidade através de dispositivos

igualmente capacitados. O grande problema

é que estamos num Brasil desigual”.

O Dia da Internet para Marcelo Pincherle,

vice-presidente de operações do GDB, deve

ser de reflexão mesmo, pois é fundamental.

Segundo ele, a internet tem sido uma das

bases da atual sociedade e permeia boa parte

(senão quase a totalidade) das decisões.

“Proporcionou o encurtamento das

distâncias, disparou a eficiência de diver-

Marcelo Pincherle: gigante fonte transformadora

jornal propmark - 16 de maio de 2022 17


especial diA dA internet

sos processos e foi nossa grande aliada na

pandemia. Mas é nela também que fomentamos

nossos vícios, suportamos ações

violentas e temos alguns de nossos piores

comportamentos. Como tudo na vida, deve

ser encarada com equilíbrio e moderação,

fazendo-se, portanto, muito necessário refletirmos

sobre qual direção devemos seguir

nesse avanço inevitável da rede mundial

de computadores”, analisa.

Para ele, a internet tem sido uma gigantesca

força transformadora, por ser, provavelmente,

a maior fonte de informação que

se tem hoje, acaba sendo o principal veículo

para a difusão de novos processos, ideias

e negócios em todo o mundo.

“Prover, de alguma forma, o acesso amplo

à rede, deveria ser objetivo de todos

nós. Ideias transformadoras virão desse

processo e o encurtamento das distâncias –

não apenas físicas – acontecerá.”

Conforme palavras dele, as diferenças de

idade, nacionalidade, renda ou cultura já

são radicalmente reduzidas através da tecnologia,

permitindo à sociedade um olhar

mais horizontal e democrático nesse sentido.

“Instituições públicas, privadas, grandes

empresários e a sociedade em geral devem

batalhar mais para garantir a máxima

inclusão digital, sabendo que as próximas

grandes ideias e soluções para eternos problemas

do mundo virão de lá”, conclui.

“Acredito bAstAnte numA

revolução dA publicidAde

no formAto de conteúdo”

cobrAnçA

Sobre os movimentos em

torno da cobrança de concontexto

real e fluido. Seria uma era de menos

‘call to action’ e mais sutileza na comunicação.

A marca que fica no inconsciente

organicamente. Dessa forma pode surgir

um modelo híbrido com publicidade sutil,

com conteúdo patrocinado sem forçar a

barra”, explica.

Caroline Capitani acredita ser bem ruim

cobrar pelo conteúdo, uma vez que pode

impedir a pessoa de consumir informação

relevante.

“Não deixa de ser uma atitude de exclusão.

E você pagar uma série de assinaturas

diante do cenário econômico que nos encontramos

é para poucos. A experiência e

o acesso à informação serão prejudicados.

Eu, particularmente, sou contra. Entendo

que os veículos precisam ser remunerados,

mas há necessidade de se

pensar em fontes de receita alternativas.

Cobrar é uma iniciativa

excludente”, argumenta.

Conforme opinião de Caroline,

opções como do

YouTube ou até Spotify,

LinkedIn, entre outros,

que usam o modelo freemium,

não obstruem o acesso e cobram

pelo nível de personalização. “É

mais democrático e inclusivo.

Freemium é uma alternativa

interessante como modelo de

negócio”, opina.

Ao contrário da maioria,

Zizo Papa acha necessária a

conscientização que conteúdo

relevante tenha valor. “É produto.

Ou seja, há que se remunerar

sempre a produção dos mesmos, seja por

maneiras cada vez mais sofisticadas de inserção

de publicidade seja cobrando”. Para

ele, o modelo híbrido, publicidade e cobrança

de conteúdo, tem se mostrado uma

alternativa promissora.

Marcelo Pincherle concorda com a opinião

de Zizo Papa quanto ao modelo híbrido

para se sustentar.

“Acredito muito em modelos

híbridos, que de forma transparente

oferecerem diferentes

valores aos seus

consumidores.

Aqueles que que

buscam ambientes mais exclusivos e imersivos

dentro de conteúdos deverão buscar

soluções pagas por isso, mas a grande maioria

vai optar por modelos mais tradicionais,

com publicidade. Se nós, como indústria da

propaganda, fizermos cada vez um trabalho

melhor com relação à experiência dos usuários,

respeito à privacidade e transparência

aos processos, certamente influenciaremos

nesse processo. Esta transformação depende

de nós e é importante para financiar a

produção de futuros conteúdos, realizações

e experiências que estão por vir”.

Clay Banks/Unsplash

teúdo, diminuindo a dependência das plataformas

da publicidade, Abel Reis acredita

ser uma tendência irreversível que deve

beneficiar muito da expansão do uso das

moedas virtuais.

“Os atuais incumbentes da indústria digital

vêm praticando modelos mais tradicionais.

Novos formatos surgirão”, declara.

Já João Passarinho Netto não acredita na

generalização da cobrança de todo conteúdo,

pois isso “acabará limitando o acesso às

infinitas fontes por razões óbvias de custo”.

“Acredito bastante numa revolução

da publicidade no formato de conteúdo.

Anúncios orgânicos, bem inseridos num

Inclusão digital é fundamental para o desenvolvimento do país, dizem especialistas ligados ao segmento de internet

18 16 de maio de 2022 - jornal propmark


ações de conscientização deveriam continuar

num programa “always on”, até que

de fato todos tenham absorvido as regras e

normas de maneira quase que cultural.

Caroline Capitani, VP de inovação e negócios

da ilegra, concorda que as fake news

são uma praga, que está associada a uma

característica de consumo da informação

muito imediatista, porque as pessoas não

se aprofundam, elas leem e passam adiante,

reproduzem aquele conhecimento sem

verificar as fontes. “Pelo imediatismo, pelas

bolhas sociais - se a notícia reforça aquilo

em que acreditamos, a tendência é encaminhar

nos grupos e nos círculos que participamos.

Percebo algumas iniciativas, como

de um movimento que participei, chamado

A Fonte, que visa a combater fake news,

que estimula a verificação das informações

antes de reproduzi-las. Mas é um trabalho

de formiguinha, que requer uma conscientização

maior e é uma boa forma de fazer

isso nas escolas e faculdades, ampliando o

debate para que elas não tomem grandes

proporções e prejudiquem nossa leitura de

mundo”, avalia.

Zizo Papa, CEO e sócio-fundador da Trace

Brasil, vai além quando se fala em segurança

na internet. Ele lembra que não há progresso

na desordem e no caos. “Isso nada tem a ver

com restrição. Mas enquanto houver mecanismos

de propagação do crime e terrorismo,

usando tecnologia, acho natural criar-se

barreiras de proteção e impedimento de tais

ações”. Mas quando se trata de notícias falfake

news e segurança pedem

regulamentação e compromisso

Jacob Owens/Unsplash

Fake news e segurança na internet são

dois assuntos mais do que atuais, que

chegam a dar gastura nos profissionais ligados

ou não à área. Abel Reis, sócio-diretor

da UOTZ, por exemplo, afirma que sem regulamentação

legal e compromisso claro

dos players globais de mídia e tecnologia

não haverá como tornar os ambientes digitais

mais seguros do ponto de vista transacional

e de dados.

Já sobre a praga das notícias falsas, Reis

indica que o caminho para conscientizar a

população é o da educação nas escolas para

crianças e adolescentes. “Compromisso de

todos os media tech players e publishers

de grande porte com campanhas intensas e

permanentes de educação das audiências.

Políticas públicas que desestimulem a propagação

de fake news”, decreta.

Para João Passarinho Netto, vice-presidente

de estratégia criativa da Jotacom, no

futuro a segurança deverá cada vez mais

ser contratada como algo complementar, à

parte, como seguros veiculares, de vida e

saúde, pois a tendência é que as brechas de

segurança aumentem conforme a inclusão

digital escale, com mais “especialistas” explorando

os ambientes, mais usuários interconectados

e maior fragilidade dos novos

entrantes. “A regulamentação deverá reger

as normas básicas para humanos e até mesmo

para a inteligência artificial”, opina.

Para as fake news ele acha também que

uma regulamentação básica deverá reger

os princípios de moral, ética e crime, mas

sas ele é categórico: “rejeitar conteúdo raso

sem origem e sem fonte”. “Conscientizar-

-se do critério necessário para se informar.

Identificar uma notícia falsa hoje não é difícil.

Suspeite quando a origem não está clara.

Não é à toa que existe a expressão ‘comprar

gato por lebre’. Sempre fomos conscientizados

a nos informar sobre o que compramos

e consumimos”, comenta.

Já Renan Mota, founder e co-CEO da Corebiz,

acha que regulamentação não protege

de fato, só dificulta um pouco mais a

insegurança em si, pois, no fim, aquele que

quer cometer algum tipo de crime online

acaba dando uma volta. “O que acredito é

que deveríamos ter mais informações, pois

muitas pessoas ainda não sabem utilizar a

internet. Eu particularmente acesso a internet

o dia inteiro, para inúmeras funções, e

nunca sofri ataques, pois sei como as coisas

funcionam um pouco mais do que a maioria

das pessoas. Se cada vez mais as pessoas tivessem

informação, tudo melhoraria.

Para Léo Andrade, influenciador e especialista

em tecnologia, fake news sempre

existiu, ou seja, a velha fofoca. “Quando digo

fofoca, é ‘fofoca de mentira’. Existe a ‘fofoca

de verdade’ e a que aumenta, conhecida

como ‘telefone sem fio’. Creio que a melhor

maneira de combater isso é com uma educação.

A partir do momento em que o assunto

‘tecnologia’ for ensinado desde a educação

básica, pode-se ajudar no entendimento das

pessoas para identificar um conteúdo como

fake news”, orienta.

Ns

jornal propmark - 16 de maio de 2022 19


digital

Plataforma de moment marketing

sincroniza campanhas online e offline

Ricardo Monteiro: “Analisamos qualitativamente quais mensagens os consumidores captam em determinada inserção”

REPOSITIONING

OR DIE!

"Antes de colocar todos os novos e

revolucionários gadgets nas velhas

molduras que temos em nossas

cabeças, é preciso jogar a velha

moldura fora", Peter Drucker

Planejamento e Reposicionamento

Estratégicos Sob a Ótica do Mercado

(11) 3231-3998/2339

madiamundomarketing.com.br

(11) 98990-0346

Divulgação

Tunad usa Trends,

que cruza buscas do

Google com anúncios

de múltiplos canais

Posicionada como a única plataforma de

moment marketing do Brasil, trazendo

uma solução que possibilita a otimização

de campanhas publicitárias e faz a sincronização

dos universos online e offline,

com a mensuração dos resultados de conversão,

a Tunad trabalha performance e

business intelligence.

“Criamos a Trends, ferramenta exclusiva

construída a partir de machine learning,

que calcula o volume de buscas absolutas,

minuto a minuto, no Google. Cruzando com

os anúncios de TV, rádio, lives e streamings,

podemos analisar de forma qualitativa quais

mensagens-chave e conteúdos os consumidores

captam em determinada inserção; e

de forma quantitativa em que programas,

canais, dias da semana e horários os consumidores

se engajam melhor com cada marca,

categoria e geram melhores resultados”,

explica Ricardo Monteiro, CSO e COO.

O executivo exemplifica o funcionamento

da ferramenta lembrando que, quando

as pessoas veem ou ouvem algo que lhes interessa,

a primeira reação é pegar o celular

e fazer uma busca no Google. Segundo ele,

a busca é o primeiro e mais importante call-

-to-action, antes de chegarmos ao número

de pageviews ou aumento de uma meta,

porque permite avaliar a qualidade de um

conteúdo e o que as pessoas entenderam

dele. “Com isso, as marcas conseguem analisar

o potencial de um criativo e seu grau

de entendimento, seja na TV, no rádio, em

uma live ou streaming do YouTube. E no

momento que uma inserção é veiculada,

podemos sincronizar e otimizar as campanhas

online de diversas mídias”.

De acordo com Monteiro, a apuração

dos resultados é feita a partir de modelos

de mensuração e Sync que abrangem desde

veiculações online em lives, streamings

de YouTube, Facebook, até CTV para canais

como Pluto, VIX, Spotify e Deezer. “Além,

é claro, de podermos avaliar TV aberta, TV

paga e rádio. Desta forma, conseguimos

mensurar e comparar o resultado em múltiplos

canais de mídia”, complementa ele.

Entre os clientes da Tunad estão Santander,

P&G, SKY, Nespresso, Rede Record,

Afiliadas Globo, Avon, Vivo, Claro e Honda.

Também fazem parte do board da empresa

Cesar Sponchiado, founder e CEO; Ederson

Facin e Jeanderson Machado (DEV).

20 16 de maio de 2022 - jornal propmark


pesquisas

Nielsen observa como as mulheres

consomem mídia digital no Brasil

Estudo feito em parceria com a Opinion Box revela que elas priorizam

música, notícias e séries, mas fazem restrição às barreiras no trabalho

Paulo Macedo

pesquisa Elas: comportamentos e barreiras,

realizada pela Nielsen no primei-

A

ro trimestre deste ano, com apoio da Opinion

Box, traz à tona um olhar sobre como

o sexo feminino se relaciona com a mídia

digital. 90% das mil pessoas que responderam

ao questionário online afirmaram

que se conectam diariamente na internet

e também 90% responderam que utilizam

o telefone móvel, seguido de 4% de notebook,

3% de desktop e 2% de tablet. “Fenômeno

nas redes sociais, os influenciadores/

famosos e vlogs conquistam maior parte

da atenção das consumidoras com idade

entre 24 e 45 anos. Em amplo crescimento,

os serviços de streaming têm conquistado

o público brasileiro. A pesquisa também

revela que conteúdos on demand são os

preferidos por 70% do público entre 24 e 35

anos”, detalha a Nielsen/Opinion Box.

“Muito além de entender os comportamentos

de consumo para o setor de mídia

e marketing, nosso principal mercado, a

Nielsen tem a inclusão como um de seus

principais valores. Nos posicionamos usando

a nossa técnica de pesquisa para que

possamos ter ambientes e mercados mais

eficientes, mas que também inclua todas as

pessoas. Nos mais de 50 países que a Nielsen

está presente, esta é uma questão muito

relevante”, explica Sabrina Balhes, líder

de measurement da Nielsen Brasil.

Em relação ao consumo de mídia, as

mulheres utilizam internet de forma mais

assídua; são as que mais acompanham influenciadores

e pessoas famosas nas redes

sociais, principalmente as que têm entre 24

e 45 anos. Costumam consumir principalmente

música, notícias, séries e conteúdo

relacionado a saúde e beleza.

“Já na parte da carreira, encontramos

os principais pontos de atenção. Em entrevistas

de emprego, as mulheres são mais

perguntadas sobre terem filhos do que

os homens. Adicionalmente, mais da metade

delas relatou que foi perguntado com

quem elas deixariam os seus filhos e 23%

acreditam que isso atrapalhou a entrevista.

Em relação a uma gravidez, 88% delas acreditam

que a possibilidade de engravidar é

considerada um motivo para não contratá-

-las. O objetivo é apontar tanto os comportamentos

deste público em relação ao consumo

de mídia digital quanto às barreiras

que enfrentam no mercado de trabalho”,

acrescenta Sabrina.

“48% das mulheres

afirmam já ter

presenciado

mansplaining no

trabalho (versus 26%

dos homens)”

Sabrina Balhes é líder de measurement da Nielsen Brasil

Fotos: Divulgação

Essas barreiras são muitas, como explica

Sabrina. “Nossa pesquisa se aprofundou

em entender a ocorrência de dois fenômenos:

mansplaining e manterrupting. Quando

perguntamos sobre a tentativa de um

homem elucidar algo a uma mulher, sem

considerar que já o saiba, 48% das mulheres

afirmam já ter presenciado mansplaining

no trabalho (versus 26% dos homens).

Quando o assunto é interrupção (tanto

sobre ser interrompida quanto presenciar

outras colegas de trabalho sendo interrompidas),

54% das mulheres reconhecem já

terem presenciado manterrupting no ambiente

de trabalho”, contextualiza a executiva

da Nielsen.

Como isso afeta a publicidade e decisões

estratégicas? Sabrina responde: “Dada à

crescente atenção que o tema diversidade

vem ganhando nos últimos tempos, tornou-

-se comum ver mais conversas, iniciativas

e até campanhas sobre o tema da inclusão.

Tudo isso é muito relevante e necessário,

porém não se pode restringir a diversidade

a mostrar todos os tipos de corpos nos criativos,

pois a questão é muito mais profunda

do que isso. Quando perguntadas sobre

a opinião a respeito de marcas que fazem

publicidade apoiando causas sociais, 51%

avaliam que tal ação é motivada por interesse

próprio e não pela causa em si. Por

fim, cabe lembrar que a equidade de gênero

é uma questão que só se resolve quando

todos tomam parte, não é uma luta apenas

das mulheres, mas também das muitas das

interseccionalidades envolvidas”.

jornal propmark - 16 de maio de 2022 21


eNtRevista

Rafael NasseR

sócio-fundador da FreeBrands

a paNdemia tRouxe

Novos hábitos de

higieNe pessoal

Rafael Nasser é empresário formado em administração de

empresas pela FGV, começou a carreira profissional como

analista financeiro. Paralelamente ao trabalho, resolveu

empreender e abrir, em 2010, o Studio D’ Essence, fabricante

de essências voltadas ao marketing olfativo. A dupla jornada durou três

anos, até sair do mercado financeiro e passar a cuidar exclusivamente

da sua empresa. Em abril de 2015, resolveu ampliar o ramo de atuação e

criou a FreeCô, que produz bloqueador de odores ruins nos banheiros,

e se mostrou um negócio mais rentável. A atuação no mercado crescia,

ampliou a operação abrindo a FreeCô Pro e, logo na sequência, a

Free Wipes. Todas elas hoje estão reunidas no Grupo FreeBrands.

Nesta entrevista, ele fala de assuntos ligados ao setor de healthcare,

como e-commerce, estratégia pontos de vendas, marketing olfativo,

comportamento, bem-estar e higiene no período pós-pandemia.

PEDRO YVES

O segmento de higiene pessoal apresentou crescimento

de 4,7% em 2021 - dados levantados pela

ABIHPEC (Associação Brasileira da Indústria de

Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos), entidade

que representa as empresas do setor. Qual a

relação desse desempenho com os cuidados contra

a Covid-19?

A relação é direta! Estamos, de fato, ainda

vivendo uma época de transformação no

segmento devido a diversos fatores, mas a

pandemia é, sem dúvida, o motivo principal.

Além do aumento exponencial da preocupação

com a higiene pessoal, podemos

destacar os avanços acelerados na ciência

médica, o boom de tecnologias escaláveis

e o crescimento do movimento dos cuidados

e da prevenção de doenças. A pandemia

trouxe novos hábitos de higiene pessoal e

reforçou outros antigos. Passado o pico de

contaminações ficam evidentes esses hábitos,

cada vez mais presentes em nosso dia

a dia. Existem vários exemplos de subcategorias

que explodiram, como a de lenços

umedecidos antissépticos para as mãos.

Um produto até então considerado de segunda

necessidade, transformou-se em

uma alternativa de melhor qualidade para o

álcool em gel.

As vendas cresceram como nos diversos PDVs

(e-commerce, farmácias, supermercados)? E

como foi o desempenho de cada um desses canais

durante o período da pandemia?

Todos os canais de vendas foram beneficiados

nesse segmento. Mesmo os pontos de

venda físicos, como farmácias e supermercados.

Por serem considerados PDVs de serviços

essenciais, eles não fecharam durante esse

período e, assim, causaram picos de consumidores,

estoques zerados de alguns produtos

etc. Mas o grande destaque, sem dúvida, foi

o crescimento acelerado dos canais digitais,

muito acima das projeções pré-pandemia. O

setor, que já vinha se estruturando há tempos

para os ambientes digitais, teve de acelerar

essa estruturação devido à demanda gerada.

E o impacto é grande, pois não está relacionado

apenas a ter e-commerces mais bem preparados

em termos de usabilidade etc., mas

também toda cadeia logística e de entregas

precisou ser repensada.

As vendas de cosméticos e perfumaria, por seu

lado, caíram 2,8%, segundo o mesmo levantamento

da associação do setor. Isso reflete o quê? As

pessoas, por ficarem mais isoladas, cuidaram menos

da aparência?

A queda dos segmentos de cosméticos e

perfumaria está mais relacionada a priorida-

des de consumo. O isolamento contribuiu,

claro, mas acreditamos que em menor proporção.

Acho que o principal fator está relacionado

à priorização de gastos. A massa de

consumidores foi impactada por diminuição

ou até perda de renda, isso faz com que naturalmente

exista uma priorização de consumo.

Pandemia, menos renda, compro um perfume

ou lenço antisséptico que não costumava

comprar? Compro uma maquiagem ou um sabonete

antisséptico que é um pouco mais caro

que o “tradicional” que eu comprava? Sem

dúvida o isolamento contribuiu, mas acredito

que o fator renda teve um impacto maior.

Quais são os produtos carros-chefes da Freebrands?

Desde 2015 à disposição dos consumidores,

o FreeCô é o primeiro bloqueador de odores

sanitários do país. O produto surgiu a partir da

longa experiência olfativa de seus sócios criadores.

A linha de FreeCô é nosso carro-chefe

e conta com as fragrâncias Original, Lavanda,

Especiarias, Tutti-Frutti, Maçã e Canela,

Camomila, Soft (talco) e Secret (exclusiva da

marca), além dos formatos Premium, Pocket

e Pro. Além da sua função de eliminar o mau

cheiro do “número dois” dos banheiros, também

elimina bactérias dos vasos sanitários,

um atributo muito difundido durante o período

de pandemia. Compondo seu portfólio,

a FreeBrands conta com outras três marcas:

Free Wipes, de lenços antissépticos para higienizar

as mãos; Free Bite, gel pós-picada

de insetos que alivia a dor e a coceira; e o Kissu,

spray bucal portátil contra o mau hálito.

O Free Wipes é um exemplo claro do impacto

da pandemia no segmento. A marca foi lançada

seis meses antes da crise sanitária e ainda

estava em fase de introdução no mercado,

com vendas de 10 mil unidades por mês. No

primeiro mês “oficial” da pandemia no Brasil

(março/2020) foi o produto mais vendido da

companhia, atingindo 1 milhão de unidades

em apenas um mês. Nos meses seguintes, o

FreeCô retomou o seu protagonismo, mas o

Free Wipes, hoje, é o segundo produto em volume

de vendas entre as quatro marcas atuais

da FreeBrands.

“O desafiO dO

pós-pandemia é

a cOnsOlidaçãO

desses nOvOs

hábitOs criadOs

na pandemia”

22 16 de maio de 2022 - jornal propmark


“marketing

OlfativO é um

segmentO pOucO

explOradO

nO brasil”

Quais as perspectivas do mercado brasileiro

para o período de pós-pandemia que está se iniciando?

Você aposta no crescimento de algum

produto ou setor específico?

Graças ao aumento da preocupação da

população em relação aos cuidados pessoais

e à aceleração do mercado e das indústrias,

a expectativa é de forte crescimento

nas principais frentes do segmento. Embora

um ano eleitoral traga incertezas históricas,

a expectativa é de retomada/crescimento

para setores que apresentaram quedas

(como os de cosméticos e perfumaria, por

exemplo), mas também é o momento da

consolidação de subcategorias que ganharam

protagonismo durante a pandemia

(produtos antissépticos e de higiene pessoal),

muito por conta da permanência dos

novos hábitos que foram criados durante a

crise sanitária. Criar hábito/recorrência de

consumo sustentável sempre foi um dos

principais desafios das empresas de produtos

de consumo, e no nosso segmento não

podia ser diferente. Trabalhamos geralmente

no médio e longo prazos. A pandemia do

coronavírus acelerou drasticamente esse

cenário, trazendo um novo desafio pós-

-pandemia, que é a consolidação desses novos

hábitos.

Divulgação

Como você decidiu entrar para o ramo de perfumaria

e cosméticos, sendo que, na época em

que abriu o Studio D’ Essence trabalhava num

ramo totalmente diferente que é o mercado financeiro?

Sempre tivemos um grande foco e vontade

em empreender. Durante o tempo que

trabalhávamos no mercado financeiro, buscávamos

trazer ideias que já existiam mundo

afora para o Brasil. Com o mercado de

serviços em alta na época, vimos uma grande

oportunidade no mercado de marketing

olfativo, por se tratar de uma novidade e um

foco de importância muito pouco explorado

em nosso país. Além disso, sabíamos que

o Brasil era um dos maiores consumidores

de perfumaria e cosméticos do mundo, que

havia um grande espaço para aumentar o

marketing olfativo, sentindo que ainda era

um segmento pouco explorado no mercado

brasileiro.

jornal propmark - 16 de maio de 2022 23


mídia

masterChef busca fluidez para que

publicidade seja palatável na grade

Campanha Fogo e Paixão, criada pela in-house da Band, é inspirada

no clássico homônimo do cantor Wando; 13 marcas estarão presentes

Paulo Macedo

Com o maior número de inscrições

desde o seu lançamento

em 2014, a 9ª edição do

MasterChef Brasil, franquia da

Endemol, estreia nesta terça-

-feira (17) com a ideia de que

as 13 marcas patrocinadoras

tenham suas mensagens recebidas

pela audiência de forma

feliz, fluida e palatável.

Nesse sentido, como esclarece

a diretora do programa,

Marisa Mestiço, a identidade da

atração precisa contribuir para

fortalecer a credilidade que os

anunciantes precisam transmitir

para os consumidores. “As

marcas estão presentes nas provas

como parte do conteúdo,

que envolve a competição dos

participantes”, destaca Marisa.

A área comercial da Band já

assegurou presença de Britânia,

Cacau Show, Delícia, Seara e

Diageo, como cotistas do plano

Master; Eisenbahn, NotCo, Outback,

Royal Prestige e Selmi, no

plano Chef; além de Brastemp,

no Top de 5 segundos, e Xantinon,

com cota de participação.

Para promover o lançamento

do programa, a in-house da

emissora desenvolveu a campanha

Fogo e Paixão, que tem

como trilha o clássico homônimo

do cantor Wando. A parte

digital terá apoio da Vibra.

Apesar de as redes sociais

exercerem influência no conteúdo,

elas não são fundamentais

para as diretrizes do

MasterChef. “O pano de fundo

é a gastronomia. Podemos ter

insights, alguns para uma nova

temporada, mas a ideia é ter

bons pratos para que o vencedor

seja avaliado pelos jurados

Helena Rizzo, Henrique Fogaça

e Erick Jacquin pelos atributos

culinários”, pondera Marisa,

que vê o ambiente competitivo

como natural.

“A gastronomia é importante,

sim, mas os integrantes

usam estratégias para vencer.

E são elas que vão prevalecer.

Cada competidor precisa ficar atento à cesta de ofertas expostas em supermercado montado no estúdio e com tempo para escolhas

Henrique Fogaça, Helena Rizzo e Erick Jacquin comandam com Ana Paula Padrão

O nível dos cozinheiros é muito

bom e ninguém veio para

fazer amizade. A competição

será mais acirrada do que nunca,

com dinâmicas novas, mas

sem perder a essência original”,

acrescenta Marisa.

Além da grade na Band, os 17

episódios também serão exibidos

às sextas-feiras nos canais

Discovery Home & Health e no

Discovery. Os anunciantes presentes

vão poder impactar as

pessoas de 65 milhões de domicílios

que a rede Band atinge.

O processo seletivo é orien-

Fotos: Divulgação/Renato Pizzutto

“As mArcAs estão

presentes nAs

provAs como pArte

do conteúdo,

que envolve A

competição”

tado por profissionais de gastronomia.

Só após o terceiro filtro,

de acodo com a âncora Ana

Paula Padrão, há o envolvimento

da direção e dos jurados. Mas

com a preocupação básica de

trazer diversidade das várias regiões

do país e faixa etária entre

20 e 50 anos, por exemplo. “A

atração fala diretamente com a

família brasileira e isso faz com

que tenha uma prerrogativa diferenciada

nesse segmento”,

finaliza Cris Moreira, diretor-

-geral da Band São Paulo.

24 16 de maio de 2022 - jornal propmark


mídia

Paramount+ investe na ‘exportação’

de conteúdo e na diversificação

Recente produção dos estúdios que vai nessa linha é As Seguidoras e já

começam a rodar adaptação do livro infantil Marcelo, Marmelo, Martelo

NeuSA SpAulucci

grande objetivo hoje da Paramount+ no

O Brasil é a internacionalização de conteúdo

nacional e também a diversificação.

Estes são dois pontos bem marcados por

Tereza Gonzalez, ex-Porta dos Fundos e

hoje diretora-sênior do VIS Brasil, divisão

de estúdios da Paramount.

“Temos uma preocupação importante

com a diversificação de conteúdo, porque

queremos falar com todos os públicos”,

argumenta. Um dos produtos de sucesso

do estúdio é a série As Seguidoras, recém-

-lançada pela Paramount+. Detalhe: essa é

a primeira produção brasileira de ficção original

da Paramount+, que chegou em março

ao catálogo do streaming.

Produzida pelo Porta dos Fundos em

conjunto com o VIS Américas, a série é

protagonizada pela atriz Maria Bopp, mais

conhecida como Blogueirinha do Fim do

Mundo. As Seguidoras foi criada por Manuela

Cantuária e dirigida por Mariana Youssef

ao lado de Mariana Bastos. É uma combinação

de suspense e humor que conta a história

de Liv (Maria Bopp), uma influenciadora

digital que leva sua obsessão por conquistar

seguidores às últimas consequências,

até virar uma serial killer.

As Seguidoras junto com El Primero de

Nosotros foram destaque no painel da Fresh

TV, na 59ª edição da MIPTV, em Cannes.

Tereza lidera o desenvolvimento de

produção de streaming e linear para a Paramount

no Brasil, também atua na negociação

de vendas de conteúdo VIS no país

e entrega toda a produção de formatos longos

no Brasil e internacionalmente, incluindo

a globalização do Porta dos Fundos, que,

aliás, já decolou para outros países.

Ela conta que está entusiasmada com a

aquisição dos direitos audiovisuais da coletânea

de livros de sucesso da escritora

Ruth Rocha, Marcelo, Marmelo, Martelo,

para produção mundial de conteúdo infantojuvenil.

A produção é da VIS, em parceria

com a Coiote.

Esta é a primeira vez que a autora licencia

e autoriza que os seus personagens

sejam retratados no audiovisual e demais

cenários. Marcelo, Marmelo, Martelo apresenta

uma aventura espelhada entre o passado

e o presente das crianças do bairro

do Caramelo.

Segundo Federico Cuervo, vice-presidente

sênior do VIS, Marcelo, Marmelo,

Martelo entretém diversas gerações de

Cena de As Seguidoras, primeira produção brasileira de ficção original da Paramount+

“Temos uma preocupação

imporTanTe com

a diversificação

de conTeúdo”

Tereza Gonzalez: preocupação com a diversificação

Fotos: Divulgação

crianças e famílias. O executivo se diz muito

feliz em trazer o personagem, as histórias

e os temas universais que a obra contempla.

Tereza também comemora a nova parceria

e afirma que tem nas mãos conteúdos

muito brasileiros com grande potencial de

fazer sucesso lá fora. Essa é uma das produções

da cultura nacional que o VIS prepara

para ganhar o mundo.

A autora Ruth Rocha tem mais de 180 livros

publicados, em 50 anos de carreira. O

livro Marcelo, Marmelo, Martelo, lançado

em 1976, tem mais de 55 edições, é um sucesso

de crítica e público, sendo utilizado

nas escolas de todo o Brasil.

Com humor irreverente e linguagem de

fácil comunicação, Ruth Rocha já vendeu

mais de 40 milhões de livros, dos quais 2

milhões em outros países. Já foi traduzida

para 25 línguas e recebeu inúmeros prêmios

e condecorações nacionais e internacionais.

Tereza trata a Paramount+ com uma

usina de ideias, que vai produzir de tudo.

Segundo ela, a Paramount é ainda uma empresa

jovem no Brasil e investe pesado na

diversificação de conteúdo. “Vamos do infantil,

passando pela comédia, até o terror”,

afirma a executiva.

O VIS é um dos maiores produtores de

conteúdo espanhol e a Paramount+ está

disponível nos Estados Unidos, Canadá,

Austrália, América Latina e também nos

países Nórdicos.

jornal propmark - 16 de maio de 2022 25


marcaS

DPSP apresenta influenciadora

digital da Drogarias Pacheco

Bel atuará no Rio de Janeiro, berço da rede, mas a Drogaria São Paulo

também deve anunciar a sua assistente virtual nas próximas semanas

Janaina Langsdorff

nova geração de assistentes

A virtuais ganha a Bel, influenciadora

digital da Drogarias

Pacheco, rede que nasceu

no Rio de Janeiro há 130 anos,

e hoje pertencente ao Grupo

DPSP, dono também da Drogaria

São Paulo. A marca paulistana

também deve lançar o

seu avatar nas próximas semanas,

fortalecendo a jornada de

transformação do grupo criado

em 2011 a partir da fusão de

ambas as cadeias de farmácias.

Presente em oito estados,

com 1,4 mil lojas, a empresa

ainda opera no e-commerce, televendas

e pelo aplicativo. “As

vendas digitais já representam

quase 10% do faturamento”,

conta Andrea Sylos, diretora-

-comercial e de marketing do

Grupo DPSP.

Criada por uma equipe multidisciplinar,

a assistente Bel

tem o propósito de humanizar

o atendimento para estabelecer

no digital o mesmo acolhimento

e confiança já conhecidos

nas lojas físicas.

Com 34 anos, a influenciadora

digital é farmacêutica, negra

e vem da periferia carioca. Traz

na personalidade batalhadora e

carismática a garra da mulher

brasileira. “A Bel está sendo

tratada como uma profissional,

que acaba de se juntar ao nosso

quadro de 26 mil colaboradores”,

contextualiza Andrea.

Hoje, o Grupo DPSP possui

cerca de cinco mil farmacêuticos,

metade em cada rede.

“Eles são o coração da nossa

empresa”, pontua Andrea. A

estratégia valoriza o trabalho

desse profissional, que historicamente

esbanja os mais elevados

índices de engajamento

entre os moradores do entorno

das drogarias.

Essa relação foi acentuada

durante a pandemia da Covid-19,

que colocou as farmácias

no holofote da jornada

de saúde. Mais do que vender

Fotos: Divulgação

Andrea Sylos, diretora-comercial e de marketing do Grupo DPSP, aposta na assistente virtual Bel para humanizar o atendimento digital

Com 34 anos, a

influenCiadora

digital Bel é

farmaCêutiCa,

negra e vem da

periferia CarioCa

produtos, elas prestaram assistência,

aumentando o compromisso

de atender bem seja qual

for o canal.

Com modelagem 3D assinada

pela Caraminholas, Bel

começou a aparecer no último

dia 9 de maio no Instagram, Facebook,

Twitter e nos canais de

pós-venda da Drogarias Pacheco.

Nas duas semanas anteriores,

teasers convidavam o público

a adivinhar quem estava

chegando.

Além do Rio de Janeiro,

a conexão com os colaboradores

e clientes ocorrerá de

forma gradativa também no

Espírito Santo, Minas Gerais,

Distrito Federal, Goiás e Paraná,

mercados onde a bandeira

está presente.

Temas ligados a saúde, bem-

-estar, prevenção e tratamentos

estão entre os conteúdos disseminados

por Bel, que espelha

os atributos da marca. “Combinamos

o cuidado do farmacêutico

e o posicionamento da

Pacheco com evolução e maturidade

omnichannel”, reforça

Andrea.

ExPEctativa

O Grupo DPSP não revela números,

mas Andrea garante que

este é um dos principais projetos

do marketing da companhia

em 2022. “O potencial de alcance

no setor de saúde é elevado”,

acredita a executiva.

Bel vai anunciar dicas de

serviços e produtos farmacêuticos,

e também interagir

com influenciadores e clientes

da Drogarias Pacheco. Estará

presente em ações especiais e

ofertas da rede, e comentará

assuntos de interesse geral em

evidência na internet.

O lançamento do projeto

ocorreu durante convenção

com mais de dois mil gestores

do Grupo DPSP, realizada nos

dias 3 e 4 de maio, no Anhembi,

em São Paulo.

26 16 de maio de 2022 - jornal propmark


marcas

carrefour promove marca própria

para preservar poder de compra

Cenário de inflação e queda de renda leva rede francesa a congelar

os preços de cerca de seis mil itens com valores 30% mais baratos

Janaina Langsdorff

inflação esvazia o carrinho do supermercado

e acende a luz vermelha nas vendas

A

do varejo. Segundo o Índice de Preços ao

Consumidor Amplo (IPCA) divulgado pelo

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

(IBGE), o acumulado é de 12,13% nos últimos

12 meses. O sufoco fez o Carrefour congelar

os preços de cerca de seis mil itens de marca

própria, promovendo qualidade por um preço

em média 30% mais acessível na comparação

com produtos líderes, além de ofertar

também previsibilidade.

“Os esforços de marketing vieram no sentido

de acalmar e trazer segurança psicológica

em meio a um cenário de incertezas”, explica

Daniel Milagres, diretor de marketing do Carrefour,

que assumiu o cargo em plena pandemia.

A participação da marca própria nas

vendas líquidas da varejista cresceu 50% nos

últimos dois anos. De 2018 para 2021, a representatividade

saltou de 12,7% para 19,4%.

A estratégia mantém a boa vizinhança

com a indústria. “A marca própria é colocada

como opção, e não deixamos de promover

parceiros e líderes. A relação é de proximidade

e entendimento”, assegura Milagres. Na

ponta da relação de consumo, o Carrefour

prepara os times para abordagens de chão

de loja, envolvendo mudanças que vão desde

a gramatura de produtos ou embalagens

até o repasse de preços, mantendo um fluxo

transparente de informações. “Somos um elo

da mesma corrente, não dá para transferir

a responsabilidade para os clientes”, comenta

Milagres.

O Dia da feira, realizado às quarta e quintas-feiras,

e a cesta básica também ganharam

atenção, acolhendo o conceito global

Act for food, cujo propósito é levar alimentos

de qualidade a preços acessíveis. No Brasil,

o Carrefour trabalha com a Publicis, que cuida

de branding. Opera ainda uma área de

mídia e martech, que vem mudando a maneira

de fazer varejo. Há cinco anos, 41% da

verba de marketing era voltada à impressão

de folhetos.

Hoje, a entrega vai pelo WhatsApp ou pelo

QR code da loja, e a automatização de estudos

comportamentais possibilita montar

ofertas assertivas. Nos últimos dois anos, o

Carrefour já poupou 96 mil árvores. “O Brasil

é reconhecido como case global de digitalização”,

revela Milagres. Já a in-house de conteúdo

e criação, com mais de 50 pessoas, elabora

peças contemplando a jornada de compra

do consumidor no ambiente omnichannel.

Varejista trabalha com o conceito global act for food, que no Brasil ganha o reforço do conceito faz Carrefour

a companhia deve

somar r$ 144 milhões

no combate ao racismo

estrutural no

brasil em três anos

Daniel Milagres é diretor de marketing do Carrefour

Fotos: Divulgação

O Carrefour ainda traz a alma do feirante

para o negócio. Cada loja tem um perfil nas

redes sociais. O gerente digital, um funcionário

do estabelecimento, atua como influencer,

interagindo com a comunidade. Ele

ainda ajuda a decifrar preferências, do hipermercado

aos modelos de conveniência, atacarejo

ou e-commerce.

“O consumidor mixa cada vez mais os canais,

mas o hipermercado ainda é uma das

nossas fortalezas”, pontua Milagres. Seja

qual for a escolha o convite Faz Carrefour

permeia toda a rede. A frase não saiu da boca

das pessoas e retornou como assinatura oficial

da marca após dez anos.

Transparência

A morte de João Alberto Silveira Freitas em

uma loja do Carrefour em Porto Alegre, no

dia 19 de novembro de 2020, deixou lições,

e vem transformando a marca em agente de

mudança. A companhia deve somar R$ 144

milhões no combate ao racismo estrutural no

Brasil ao longo de três anos.

Entre programas de empreendedorismo

e desenvolvimento de lideranças negras, o

Carrefour já distribuiu mais de dez mil bolsas

de estudo, acelerou a carreira de 300 profissionais

e treinou funcionários, além de internalizar

600 agentes de segurança. A cadeia

de fornecedores foi redesenhada para absorver

pequenos empreendedores negros, mas a

transformação segue em curso.

jornal propmark - 16 de maio de 2022 27


we

mkt

Steve Harvey/Unsplash

Amor pela cidade

“Cause I’m in a New York state of mind...”

Billy Joel

Francisco alberto Madia de souza

No ano de 1954, com alguns amigos de

faculdade, o designer Milton Glaser

fundou o Push Pin Studios, uma espécie de

fortaleza reveladora e redentora da história

do design, assumidamente influenciado

por toda a história visual da humanidade.

Já em 1967, criou, para o hoje octogenário

Bob Dylan, o pôster histórico de sua coletânea

de hits. Em 1968, o ano onde se inicia

a inflexão da história da humanidade, cria

a revista da cidade, em que se espelharam

centenas de revistas de cidades pelo mundo,

a New York Magazine. Glaser nasceu

no Bronx, recebeu a Medalha Nacional das

Artes das mãos de Barack Obama, e morreu

no em 26 de junho de 2020, no mesmo dia

em que nasceu, de derrame cerebral, aos 91

anos de idade.

Mas sua obra maior, talvez, que segue

mais viva do que nunca, a conotação de

amor que emprestou à cidade, quando

criou a monumental logomarca I Love New

York. Um I mais um coração vermelho,

mais NYC, no ano de 1977, quando a cidade

enfrentava sua maior crise: decadência,

violência, insegurança, e tentando trazer

de volta os turistas.

De certa forma a semente multiplicou-se

e, assim, bilionários apaixonados procuram

sempre uma oportunidade para investir

e valorizar a ilha/cidade. Um ano antes

da pandemia, num dos maiores investimentos

de todos os tempos, foi inaugurado

o projeto Hudson Yards, um investimento

de US$ 25 bilhões, hotéis, edifícios, shopping

centers, tendo como centro o The Vessel,

uma torre de observação no formato

de vaso voltado para o céu com milhares

de degraus.

No ano passado, sexta-feira, dia 21 de

maio, um novo empreendimento foi aberto

ao público, também bancado por um bilio-

nário apaixonado pela cidade. Little Island,

um parque flutuante sobre o Rio Hudson,

ancorado em 132 enormes tulipas de concreto,

com caminhos, flores, anfiteatro,

vista deslumbrante, espaços para os que

visitam ou moram na cidade tomar sol e fazer

piqueniques, outra criação do arquiteto

inglês Thomas Heatherwick, o mesmo que

criou o complexo Hudson Yards.

E como se não bastasse, no fim de

outubro, o Summit – o novo e revolucionário

observatório da cidade, localizado

no edifício One Vanderbilt, ao lado do espetacular

monumento a Art Deco, a Grand

Central Station. E agora, neste ano, no mês

de abril, a Steinway Tower finalmente concluída

e entregue, o edifício mais fino do

mundo, com 472,4 metros de altura, numa

proporção alucinante entre largura e altura

de 24:1, com 84 andares, e construído sobre

o edifício tombado onde um dia foi a sede

da empresa que produz o mais emblemático

e legendário dentre todos os pianos, o

Steinway.

Ou seja, amigos, a sementinha plantada

por Milton Glaser, I Love New York, floresceu

e frutificou. Mais que plantada, e de

certa forma traduzida porque anos antes

muitos americanos já manifestavam seu

amor pela cidade, com obras monumentais

como o Rockefeller Center, o Chrysler Building,

o The Empire State Building e muitas

outras mais. E no fim do ano passado, a

inauguração do mais moderno e instigante

observatório da “Cidade Que Nunca Dorme”,

da cidade como disse e compôs Billy

Joel, NY State Of Mind...

Talvez, sem medo de errar, hoje pudéssemos

afirmar que Nova York é a cidade

mais amada de todo o mundo. Coberta de

razões e merecimentos. E tudo isso sintetizado,

magistralmente, na criação antológica

de Milton Glaser.

Yes, I, We, Love NYC...

Francisco Alberto Madia de Souza

é consultor de marketing

famadia@madiamm.com.br

28 16 de maio de 2022 - jornal propmark


supercenas

Paulo Macedo paulo@propmark.com.br

Fotos: Divulgação

Manuel Nogueira, fundador e diretor de cena da produtora Magma, liderou time de profissionais na campanha global do smartphone Edge com auxílio da italiana Federica Intelisano

EFEITOS

A produtora brasileira Magma é a responsável pela produção dos

comerciais da campanha global da Motorola para o produto Edge,

lançado no ano passado, que agora ganha reforço. O projeto teve

a direção de Manuel Nogueira, que contou com a participação da

artista italiana Federica Intelisano nos efeitos visuais. Ela já colaborou

com trabalhos publicitários para Nike, Versace, Prada, Hugo

Boss e Gatorade. “O comercial traz uma perspectiva sutil entre a

realidade e o digital, em que o produto se torna uma ferramenta

de entretenimento, comunicação e expressão pessoal, expandindo

novas possibilidades, sendo um verdadeiro aliado do consumidor

em suas tarefas do dia a dia. O filme representa muito do que a

Motorola vem construindo nos últimos anos: design, tecnologia e

uma postura irreverente e positiva”, detalha Nogueira.

ELENCO

A Surreal Hotel Arts reforça elenco de diretores de cena com

a chegada de Ivi Roberg, Aisha Mbikila e Luigi Parisi. Além do

trio, que se junta a nomes como Carlão Busato e Lu Vilaça, Andréia

Matos é anunciada como diretora criativa da produtora.

A antropóloga Beatriz Accioly Lins aborda exposição indevida de mulheres na internet

Ivi Roberg, Aisha Mbikila e Luigi Parisi, com Andréia Matos como diretora de criação

EXPOSIÇÃO

A exibição de imagens íntimas feminas nas redes sociais está

em elevação mesmo estando previstas penas pela Lei Maria da

Penha em adendo feito em 2018. O assunto foi abordado pela

antropóloga e pesquisadora da USP Beatriz Accioly Lins no livro

Caiu na Net: Nudes e Exposição de Mulheres na Internet. Lançamento

da Editora Telha, a obra expõe um tipo de violência que

a autora define como chantagem. A tipificação penal em 2013,

quando houve o ‘boom’ dos celulares no país. “À época, pegamos

emprestado o termo ‘pornografia de vingança’ da língua

inglesa, na falta de termos uma nomenclatura nossa.”

jornal propmark - 16 de maio de 2022 29


última página

Javardh/Unsplash

Calma, isso passa!

FLAVIO WAITEMAN

Era uma vez num lugar muito, muito distante,

uma agência de publicidade onde

havia um grandeder. Genial, ele criou

uma das melhores agências do mundo e era

conhecido por ser muito exigente com os

trabalhos que sua empresa colocava na rua

para seus clientes.

Num determinado dia nessa belíssima

agência um jovem talento recém-contratado

apresenta suas ideias numa reunião de

criação com todas as áreas da agência juntas,

inclusive com esse dono da

agência. As ideias eram muito

boas. O rapaz brilhou e levou elogios

à altura.

O grandeder disse a ele que as

ideias eram incríveis, que ele era

um gênio e um dia seria sócio da

agência. O novato ficou eufórico e,

ao terminar a reunião, falou com

seu chefe direto e expressou sua

animação. O diretor de criação,

um craque e muito experiente,

com expressão de quem lhe dava

um grande conselho, recomendou: calma,

isso passa!

Algum tempo depois o criativo, que havia

conquistado prestígio, respeito e uma ótima

reputação no mercado, estava novamente

numa reunião de criação para o principal

cliente da agência. Ele dá o seu melhor, apresenta

para o time da agência suas campanhas,

que ele acreditava serem incríveis e fariam

um grande sucesso.

“A gente não

é. A gente

está. Você

‘está’ o seu

cArgo. Você

não ‘é’ A suA

posição nA

empresA”

Mas, para sua surpresa, a reação ao seu trabalho

não foi o que ele esperava. Ele ouviu do

grandeder da empresa, com a mesma intensidade

de outrora, que aquelas ideias eram

horríveis, medíocres e não estavam à altura

da empresa. E ouviu uma ordem: refaça imediatamente.

O rapaz ficou arrasado e se achou

o pior dos piores. Ele se sentiu acabado. Foi

até seu diretor de criação pedir as contas. O

diretor de criação com toda a sua experiência

e sapiência aconselhou-o com um sorriso: calma,

isso passa!

A gente é aquilo que a gente entrega hoje.

O tanto que você se esforça em resolver os

problemas dos clientes usando criatividade

e legítimo interesse profissional, é o que você

terá nesse dia.

E o craque sabe que quem bate todos os penalties,

uma hora erra. Equipe é

mais do que importante. A gente

não é. A gente está. Você “está” o

seu cargo. Você não “é” a sua posição

na empresa.

Ou melhor, você não ‘é’ o seu

momento atual. Você é você construído

em vários momentos de

vale ou de pico durante toda sua

carreira. Você “está” estagiário,

diretor, analista ou C-Level, mas

na verdade é pai, marido e ser humano.

E por mais genial ou ruim que seja a sua

performance, o que lembram da gente é justamente

sobre o que a gente é, não sobre o cargo

ou posição que já se teve. Seu cargo às vezes

pede que você tome decisões ou seja reponsável

por processos inteiros, mas isso não quer

dizer que você é o “melhor na sala”. Absolutamente.

A frase “Narciso acha feio o que não é espelho”

é algo que a gente ouve e curte na música

de Caetano, mas que dói um pouco quando a

gente sente aprendendo na vida. O sucesso,

passa. O fracasso, passa. Basta você seguir em

frente de trabalho em trabalho sem perder o

entusiasmo. Comemore, chore, mas saiba de

uma coisa: calma, isso passa!

Flavio Waiteman é CCO/founder da Tech and Soul

flavio.waiteman@techandsoul.com.br

30 16 de maio de 2022 - jornal propmark


Marcello Barbusci

Para toda boa criação

há uma referência.

We transforme your dream

Na

em

sua

in realidade a reality

impressão

on no paper. papel.

também.

Nós transformamos seu sonho

Nós We transformamos transforme your seu dream sonho

em in realidade a reality on no paper. papel.

“The “A qualidade quality do of paper papel e and o processo the printing de impressão process

são nossas are our prioridades priorities para for the a melhor best delivery.” entrega.”

Tiago Ferrentini - Executive Diretor executivo director

“The “A qualidade quality do of paper papel e and o processo the printing de impressão process

são nossas are our prioridades priorities para for the a melhor best delivery.” entrega.”

Tiago Ferrentini - Executive Diretor executivo director

Targeted Revistas Newspapers Jornais e Didatic Livros Catalogs Catálogos and e Paper Papel

segmentadas magazines Tablóides Tabloids Didáticos books yearbooks anuários recycled reciclado

Targeted Revistas

segmentadas magazines

Jornais We etransforme Didatic Livros Catalogs Catálogos your and e dream Paper Papel

Tablóides Tabloids Didáticos books yearbooks anuários recycled reciclado

in a reality on paper.

Newspapers

For Para For more maiores more information, informações call call us ligue us on on +55 para +55 11 11 2065 0766

ou envie or drop um or us drop e-mail an us email para an email orcamento@referenciagrafica.com.br

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