Sabor Amazônica
Livro de receitas, ingredientes e informações sobre a culinária amazônica
Livro de receitas, ingredientes e informações sobre a culinária amazônica
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Sabor
AMAZÔNICO
INGREDIENTES & RECEITAS
SUSAN GERBER-BARATA
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 1
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 2
Sabor
AMAZÔNICO
INGREDIENTES & RECEITAS
Concepção, Pesquisa, Fotos, Textos e Receitas
Susanne Gerber-Barata – susangeba@gmail.com
Todos os direitas reservados, copyright com Susanne Gerber-Barata
Agradecimentos: a Darcerleni da Rocha Queiroz por muitas explicações e dicas e
Tânia Loureiro Santos pela revisão do português. Além disso agradeço a todas as
pessoas, conhecidas ou desconhecidas, comerciantes, feirantes e outros que
aparecem em fotos ou citações do livro.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 3
Prefácio
A autora, tentando dar conta do inevitável e predominante ingrediente – o calor tropical - convida a desbravar
uma das últimas fronteiras. Degustar a Amazônia, ou melhor, uma parte inesperada dela, sua culinária! A culinária
amazônica é deslumbrante. A cozinha mais genuína do Brasil ainda é pouco conhecida. A autora escreveu esse
guia que primeiramente serve como registro, misturando informações, ambientes, reportagens e receitas.
Escreveu com um apetite guloso e olhar forasteiro. Tentou dar conta de uma culinária cheio de superlativos. São
mais de 2000 espécies de peixes, 300 ou mais tipos de frutos e frutas comestíveis, calcula-se que 150 variedades
de cogumelos comestíveis, 200 de mel silvestre, 90 tipos de pimentas nativas e muito cacau selvagem.
Partiu com bagagem leve, poucos conceitos e nenhum preconceito, sempre pronta a provar, descobrir e degustar.
Entregou-se de corpo e alma ao fascínio das riquezas culinárias ainda pouco exploradas. Nasceu a declaração de
amor inconstitucional à uma cozinha exuberante, cheia de cores, aromas e perfumes, muitos deles inesperados.
Respeitar, valorizar e honrar as tradições culinárias amazônicas é fundamental para ela. Agrega ao mesmo tempo
pitadas generosas de invenções e ousadias. Interpreta ingredientes, composições e as tradições locais de uma
maneira mais contemporânea.
“Comer a Amazônia um ato político e de
responsabilidade”
Na Amazônia, e não só lá, se perde – que paradoxo – todo dia um pouco de biodiversidade. Parte dessa
biodiversidade amazônica tão estupenda e elogiada é comestível. Perde-se dela para produzir certos alimentos.
Grande parte da população brasileira infelizmente permanece cética quanto à real importância da biodiversidade
para o desenvolvimento e também pela culinária de seu país. Historicamente a floresta foi e ainda é vista como
território que pode ser explorada de forma extrativista. Retira-se dele tudo que gera lucro a curto prazo. Vê-se
tudo que vem das florestas como atrasado, desprezível, de pouco valor. Conceito igualmente aplicado às costumes
alimentícias. Todos nós sabemos das consequências. Escrever e discutir sobre culinária, especialmente sobre
culinária amazônica se tornou, além de muito gostoso, um ato político.
Temos todos nós, mesmo sendo meros consumidores, nossa responsabilidade nisso. O que comemos está em
nossas mãos. Vamos virar o jogo! Vamos valorizar o que é nativo, do lugar, de terroir. Foi um nordestino, o cantor
Xangai que escreveu a música que compacta tudo que pode ser dito sobre esse tema: “Se a farinha (a amazônica
também) fosse americana....”.
A autora coloca a mão na massa. Primeiro tem que se conhecer para depois valorizar. O seu livro contradiz com
força que tudo que vem da floresta é desprezível e sem valor. Conhecer mais da Amazônia e sua culinária abrirá
portas. Somos todos Amazônia.
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Belém – Mercado Ver-o-peso
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Belém – Mercado Ver-o-peso
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Belém – Mercado Ver-o-peso
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Belém – Mercado Ver-o-peso
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Belém – Mercado Ver-o-peso
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Belém – Mercado Ver-o-peso
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Belém – Vendedor de peixe perto ao mercado Ver-o-peso
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Belém – Mercado de peixes Ver-o-peso
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Belém – Mercado Ver-o-peso
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Couve - Belém – Mercado Ver-o-peso
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Ervas medicinais e outras que condimentam, couve,
cariru e jambu – tudo que a horta oferece
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Belém – Mercado Ver-o-peso – ingredientes para
um cozidão ou para colocar no feijão
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Manaus, Mercado Adolfo Lisboa
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Manaus, Mercado Adolfo Lisboa
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Manaus, Mercado Adolfo Lisboa
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Manaus, Mercado Adolfo Lisboa
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Manaus, Mercado Adolfo Lisboa
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Manaus, mercado de peixes
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Arranjos e conjuntos
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Amarrados
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Embalagens tradicionais
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Medidores
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Litros
Litros
litros e conchas - medidores de quantidade
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Mercado 2000, Santarém
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Mercado 2000, Santarém
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Sabor
AMAZÔNICO
APRESENTAÇÃO
A receita desse livro-reportagem? Apetite!
Aquele apetite curioso, insaciável, livre de
conceitos ou preconceitos. Uma mente sempre
aberta, à procura de novas descobertas culinárias
capazes de estimular não só as papilas gustativas.
Curiosidade, muita curiosidade! Uma vez
instigada, se armou e fortaleceu com a quantia
necessária de informações e pesquisas, muitas
em loco.
Deparou-se aqui na Amazônia com uma forte e
inegável herança indígena, muito mais
preservada do que em outros lugares, mesmo
sendo renegada em partes. Renegada como
certos peixes que não se come por exemplo em
restaurantes. Mas a culinária resiste. Preserve as
tradições, não só na maneira do preparo dos
pratos, mas também no cuidado e apreço pelos
ingredientes locais, muitos deles pulando
diretamente da cozinha dos ancestrais indígenas
nas nossas panelas. Soma-se nisso todas as
adaptações engenhosas e sabidas de imigrantes
de todos os lados e muitos outros, todos bons de
garfo. O resultado? Uma coleção, meio
enciclopédia, meio resgate, meio receitas.
Entrelaçando o típico, a tradição com adaptações
mais contemporâneas, imaginadas, achadas,
provadas e aprovadas. Uma gringa, que nem
gringa é, encontrou, quem diria, exatamente
na Amazônia brasileira uma riqueza
indeterminável de ingredientes locais,
muitos deles ainda pouco
valorizados, explorados e comercializados.
Nasceu uma proposta ao mesmo tempo
apetitosa e didática, a qual visa a cantar em
uma reportagem ou como se diz, em prosa e
verso, as mil maravilhas das terras
amazônicas.
A culinária amazônica é selvagem, ousada e
original como poucas. Esconde inesperadas
descobertas, bem guardadas nos seios, no
colo ou – quem sabe? - no bucho dessa
densa selva amazônica. Destaca-se com a
carga de cestos e mais cestos, trançados
com sabedoria ancestral, transbordando,
explodido em mil cores: gamas intensas de
laranjas, amarelas, lilás, roxos e vinhos,
vermelhos suculentos e verdes, muitos
verdes. A cor apreciada por última ainda
mais esplêndida do que aquela vista por
primeiro. Iguarias colhidas nos pés e mais
pés de árvores desconhecidas.
Presenteando-nos com frutos, cocos, vagens
e nozes. Das terras colhem-se bacias,
punhados e maços de tubérculos e raízes
das mais variadas formas e gostos, na
companhia de legumes e verduras exóticos.
As águas do mar-dulce fervilham de peixes
transformados e conservados por sol e sal
como manda o costume milenar.
O nariz e a boca acarinham tragos, goles e
bocados bem medidos dos mais inesperados
perfumes e aromas, um mais improvável e
surpreendente que o outro. Quem duvida? O
entrelaçamento da Amazônia com as
especiarias é dos mais antigos. Litros,
frascos, garrafas e vasilhas transbordam de
caldos e sumos refrescantes e saborosos.
Cabe destaque a suas aromas, essências e
especiarias, sutis às vezes, ou prepotentes e
invasivos como a do cupuaçu. Ou delicado e
sofisticado como o bacuri cujo aroma
encanta até rainhas.
Na Amazônia tudo é sabor, aroma e
perfume. Sabores ricos e particulares,
lembranças inesquecíveis, impregnada na
memória olfativa e emotiva de qualquer
visitante. Aromas que envolvem o corpo,
acarinham as narinas e explodem com
prazeres inesperados na boca. Estamos no
céu, num céu bem tropical! Bom apetite!
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AMAZÔNICO
Sabor
INTRODUÇÃO
Este livro emana-se de uma descoberta, uma
descoberta bem particular. Essa descoberta
criou asas e pariu este conjunto, parte
informação, parte receitas de culinária. O
tema? A cozinha milenar, única da Amazônia,
sofisticada e refinada. Surgiu pesquisando,
perguntando, aprendendo, degustando e
enfim, também transgredindo, inventando e
brincando. Mistura-se, inevitavelmente, um
toque bem pessoal ao conjunto. Mais uma
estrangeira, uma a mais, a qual se entrega aos
encantos bem escondidos e preservados da
Amazônia da sua culinária riquíssima,
ingredientes inesperados, a grande maioria
nativa da Amazônia!
Sabor Amazônico - na Amazônia tudo é
cheiro, perfume, essência. Poucos lugares
cultivam e apreciam tanto os aromas. O
entrelaçamento da Amazônia com as
especiarias é muito antigo e não esconde
traços claros de um país colonizado,
subjugado e explorado. Uma parte do globo
que até hoje tem que gerar riqueza a
qualquer preço da qual pouco fica por aqui. A
Amazônia, a floresta, os rios e suas
habitantes, o conjunto todo foi visto por
muito tempo, em certos lugares é tido até
hoje, com primitivo e atrasado. Os forasteiras
exploradores colocaram no lugar da farinha,
da pupunha, do cará roxo e da macaxeira o
pão francês, o arroz, charque importado do
sul do país e recentemente a alface. Azeites
nativos como patauá foram gradualmente
substituídas por azeite de oliva, cuja árvore
foi domesticada lá no outro lado do globo há
milênios de anos.
Mas a herança indígena de tão forte que,
sorte nossa, sobreviveu. Até hoje perfuma e
condimenta as pimentas cheirosas e muito
aromáticas as comidas daqui. O tucupi,
elaborado da mandioca brava e o tucupi
preto estão aqui como sempre eram. O pato,
a chicória e onipresente o açaí e a farinha.
Aliás – as pesquisas recentes comprovam que
o mito da floresta intocada não se sustenta
mais. Muita dessa selva aparentemente
selvagem, assustadora e virgem é nada disso.
Parte dessa selva foi mexida e remexida por
mão humana. Onde tinha humanos sua mão
plantava, cultivava, escolhia, cultuava
preferências. O que mais tarde o
conquistador fez em outro nível, os
indígenas já faziam. Sempre levaram com
eles um caroço, uma semente, uma raiz.
Pensavam, que diferença, somente no
próprio sustento. Os exploradores
seguiam e seguem outro modelo.
Queriam matar saudades das comidas
das suas terras, mas também sempre
procuraram e avistaram riquezas futuras.
Contrabandeavam, enfiados em bolsos,
saquinhos ou caixas, sementes, vagens e
raízes. Plantaram todas, tanto nas terras
férteis amazônicas quanto aqueles alémmar.
Lamentamos somente que poucos
se entregaram ao trabalho ingrato de
domesticar árvores nativas ou de plantalas,
cultivá-las em escala maior.
Alguns exemplos? O café, vindo de bem
longe, entrou via caminhos tortos através
da Amazônia no Brasil. O caju, e muito
mais importante sua castanha, foi levado
embora daqui tanto quanto o cacau e
traz renda e prosperidade onde foi
cultivado em escala. Tem outras frutas
como por exemplo o abacaxi e a banana
pacovã cujo origem até hoje é incerto,
mas muitos acreditam que podem ter
nascidos na Amazônia.
Mas poucas bocas jamais perguntam ou
reclamam a origem. Nós aproveitamos tudo
que é gostoso. Dessa maneira a culinária
amazônica é como muitas outras, um grande
melting pot. Vai na panela o que está à mão,
também tudo o que os inúmeros imigrantes
trouxeram. Lembranças e hábitos
alimentares costumam ser bem enraizados,
mas muitas vezes precisam ser adaptadas,
ganham uma releitura com produtos locais, o
que tem a mão. Dessa maneira o moquém
indígena que defumava e secava para
preservar peixe e carnes, foi substituído pela
salga. O pirarucu começou a fingir ser
bacalhau. Os embutidos pularam da feijoada
na panela onde fervia há dias a maniva. E por
ai vai.
Hoje os tempos são outros. O que por um
lado precisa ser revisto, por outro lado se
revela uma benção. Aqui na Amazônia
sobreviveu milagrosamente tanta comida
renegada que agora pode ser redescoberta.
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Quem já provou aquela farinha d´água
artesanal sem igual nunca mais quer outra!
Farinha? Parece simplória, mas não é simples
não. Farinha de verdade é crocante,
levemente ácida, deliciosa! Eh, citada a
música do Xangai – “Se a farinha fosse
americana.... “
Encontram-se muitos ingredientes pouco
glamourosos mas não menos deliciosos por
aí. Já provou da infinita variedade de beijus,
com ou sem castanhas? Ai! Se fosse taco
mexicano.... Ainda dá para achar nos
mercados nos vastos interiores. Delícias que
todos logo, logo sumirão. Junto com os
imbatíveis cafés regionais, tão ricos em
calorias quanto em sabores!
Conheces o cará- roxo com sua cor
instigante? Mereceria ser famosíssimo!
Desapareceu no restante do país, não é
disponível o ano todo.
Registrar e quem sabe valorizar aquela parte
menos conhecida da Amazônia, até
renegada, é o objetivo. A autora é convicta
que só pode se proteger o que se conhece e
valoriza. Não só o açaí ou o jambu! O jambu
que a Dona Onete descreve em outra música
memorável tão contundente – “e a língua
treme, treme, treme!
Mas vamos por partes. O livro abre com a
base, o refogado. E como aqui ninguém gosta
de comida pálida, há os vermelhos vibrantes
do colorau e os vermelhos alaranjadas do
açafrão-da-terra, o indispensável cheiro
verde, cada lugar tem o seu conjunto. Há o
cominho, coentro, a chicória e as pimentas
sempre acompanhados de algum tipo de
alfavaca. Seus óleos essenciais ora
apimentam ora condimentam de maneira
muito agradável não só o tucupi.
As pimentas, verdadeiras filhas da terra,
umas tem o cheiro já no nome, são desde
tempos pré-coloniais indispensáveis!
O feijão, todo santo dia nos pratos brasileiros,
está redescobrindo variedades antigas como
o feijão manteiguinha, minúsculo, bege ou
escuro, quase preto. Há também feijão
vinagre de um vermelho de vinho com
olhinho branco. Exala, ao ser cozido, um leve
e apetitoso cheiro de vinagre. Igualmente
deliciosos os chamados feijões da praia da
grande família caubis, desenvolvidos
recentemente.
Contra a “ditadura do alface” vai a proposta
que valoriza tudo que é nativo, adaptado,
local ou mais chique de “terroir”. O hábito de
comer verduras e legumes deve ter sido
trazido pelos conquistadores, ainda é pouco
difundido. Mas para quem pesquisa, encontra
muitos PANC, plantas alimentícias não
convencionais, todas muito bem adaptadas às
condições climáticas não muito favoráveis a
tomate ou alface. Que tal provar uma das
invenções da autora, por exemplo uma salada
multicolorida só de legumes locais? Os
mesmos também não fazem feias assados no
forno.
No quesito especiarias tem muito a
redescobrir. O livro ousa e traz algumas
aromas “novas” como o cumaru,
recentemente reabilitado. O seu perfume já se
tornou queridinho dos chefs mais de
vanguarda, sempre com a devida precaução –
usam-se todas essas especiarias só para dar o
último toque, em quantidades de remédio.
Outro é a casca preciosa e a canela. Quem
viaja pelos interiores mais remotos aprende
apreciar o chá aromático o qual se prepara das
suas cascas ou das folhas. Novidade é a
priprioca. Faz sucesso com o seu cheiro cítrico.
O capítulo “riquezas das terras” abrange as
descobertas simples e inesperadas, muitas de
mera subsistência, ainda pouco valorizadas.
Não só distingue-se aqui no Norte entre
mandioca e macaxeira, a primeira brava,
venenosa, a segunda doce. A maioria deles
ainda é produzida completamente artesanal,
e há muitas variações delas. Parece simples,
mas é muito intrigante! Artesanais também
todas as farinhas, uns já com denominação
de origem. Há as farinhas d´águas que são
pubadas e combinam acidez delicada com
crocância sem igual. O segredo é fugir dos
sacos plásticos e consegui-los o mais fresco
possível. Há outros derivados da mandioca, a
maniva e o tucupi, duas iguarias que pularam
diretamente das panelas indígenas. Ou
tubérculos esquecidos como o pequeno ariá,
algo entre cenoura e batata, crocante e
delicioso. Está tudo lá da maniva, tucupi,
farinhas de todos os tipos, gomas e até o
exótico tarubá.
Tendo todas essas delícias à mão – que tal
preparar um café de manhã bem reforçado e
regional? Um manjar rico, pronto para iniciar
uma dia novo ou lanchar a tardinha. Na rua é
bastante simples. O carrinho de mão serve,
quase o dia todo, no máximo três opções de
mingau em panelas gigantes ou recipientes
de plástico contendo beijus afogados em
leite de coco e a gosto leite condensado. A
lista das bancas especializadas ou até de
padarias é literalmente interminável.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 34
Que droga! Tenho mesmo que me decidir,
escolher? Gostaria de comer e beber de tudo!
Sucos de todos os tipos, na época deles não
faltam nem pupunhas gordas e brilhosas ou e
cará-roxo. Os nativos sabem que tem que
acompanhar um café fresco, de preferência de
coador. Há inúmeras possibilidades de
tapiocas com ingredientes dos mais regionais
possíveis. Recomenda a combinação cabocla
de tucumã e banana pacovã ou um pé de
moleque assado na folha de bananeira.
Falta só o astro amazônico, o açaí que enfim
criou fama lá fora também. Mesmo que
ninguém nativo o comeria exatamente com
aquela granola ultradoce.... Açaí acompanha
tradicionalmente peixe frito, camarão salgado
ou um bom bife. Outros frutos de palmeiras,
cada um tem sua época, todos bastante
gordos e tanto de subsistência quanto de
substância como pupunha, tucumã, buriti, mas
também o piquiá entram nas cozinhas.
O próximo capítulo fala do sal, do sol e do
vento, enfim apresenta o que a maioria
aprecia, um bom peixe ou uma boa carne, com
prazer também conservado no sal. Dos peixes
são tantos que a autora lhes dedicou um outro
livro só deles. Se chama – PESCARIA
AMAZÔNICA -! Nesse aqui se concentrou em
alguns amostras como pirarucu tão apreciado,
acarí-bocó junto com avium, um minúsculo
camarão regional e camarão salgado, todos
indispensáveis nos pratos tradicionais como
tacacá, vatapá ou cariru paraense.
Falando de indispensável e festivo – além de
uma boa galinha caipira, um porco bem gordo
é o pato a quem cabe um lugar de destaque.
Os jabutis ou muçuãs felizmente, junto com
outros pratos de caça, desapareceram quase
por completo das mesas. O búfalo, importado,
com o seu leite e sua carne deliciosa, por
outro lado ganha espaço. Outro bichinho
quase domesticado são as abelhas nativas sem
ferrão. O seu mel com gostos surpreendentes
é bem valorizado
Mas os perfumes não param por aí. O
penúltimo capítulo apresenta uma parte dos
mais de 200 frutas comestíveis. São aromas
tão ricos e particulares com poder de viciar.
Quem já sentiu de longe o opulento cheiro de
um cupuaçu, ainda na casca! nunca mais o
esquece. O delicado, sofisticado paladar de um
bacuri. E o aroma intenso e deliciosamente
ácido do araçá. Um deles curiosamente
ganhou o apelido da Califórnia. –
Há o cacau, nativo da Amazônia, que está
reconquistando um lugar de destaque. Não
esquece de tomar um suco da sua polpa
fininha, branquíssima e delicada. Outras frutas,
uns nativos, outros trazidos e aclimatizados
como as laranjas antigas que ainda se
encontram nos quintais, são todas presentes
em doces e outras sobremesas e sorvetes.
E frutas em pratos salgados? Não só a banana
pacovã, a comprida, também combinam muito
bem com pratos salgados. A autora traça
caminhas ainda pouco exploradas quando
mostra que muitas delas dão um toque todo
especial usadas em marinadas, molhos ou
culis. Que tal retomar a tradição antiga de
fazer licores com eles? Ideias que não faltam.
O livro traz receitas tradicionais, mas também
ousa em reinterpretações e inovações às quais
o curioso paladar dos cozinheiros julgarão.
Que tal usar tubérculos, frutas e coquinhos em
saladas? Será que é um sacrilégio combinar
açaí ao arroz ou a um molho para peixe? Por
que não usar laranjas deliciosamente amargas
para geleias que qualquer inglês iria amar de
paixão?
Cristalizados não fazem feio no tal bolo inglês.
Cada ingrediente ganha uma parte explicativa,
satisfazendo a curiosidade não só dos/as
estrangeiros/as. Enfim, não só a autora queria
sempre saber onde todas essas comidas
fabulosas, tão estranhamente familiares ao
nosso paladar, nascerem. Quer compartilhar a
admiração e prestigiar uma cozinha única que
mereceria ser muito mais famosa do que ela
ainda é. Entrelaçando tudo isso, a autora
gostaria que tudo formasse no seu conjunto
um acordo opulento e barroco de um
banquete genuinamente amazônico! Deixando
todos com água na boca, os leitores, os nativos
mas especialmente aqueles que nunca pisaram
nestas terras abençoadas!
Bom apetite!
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Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 36
O que leva um nortista na viagem?
Leva, além da usual bagagem, um,
quem sabe dois isopores,
isopores transbordando de
guloseimas nativas. Isso, para
nada lhe faltará lá longe e claro,
também para matar a saudade de
outros agregados e expatriados.
Mais distante da Amazônia, mais se
valoriza uma simples farinha,
farinha d´água ou outra comida
bem regional, açaí, tucupi e
jambu. Cuidado com pescados!
Para peixes até há regras
específicas!
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Cozinha externa, comum no interior
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Conjuntas de panelas devidamente expostas numa cozinha de casa interioriana
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Cozinhas e apetrechos
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A verdadeira comida da selva, formigas
por exemplo, e as caças, aqui tracajá, ainda são
muito apreciadas, mesmo sendo banidos dos
circuitos oficiais.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata
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Sabor
AMAZÔNICO
A AUTORA
Sobre a autora
A autora Susanne Gerber-Barata é Suíça,
casado com um Paraense fanático,
responsável pela apresentação da culinária
nortista. Sempre cozinhou em casa e é
famosa para os seus geleias, biscoitos e
bolos. Publicou na Alemanha um livro sobre
culinária brasileira. De tão fascinada pela
culinária amazônica, os seus aromas e a
riqueza de outros ingredientes, resolveu de
juntar o seu dom culinário, a paixão
jornalística e as riquezas amazônicas para
escrever, cozinhar e fotografar o livro “Sabor
Amazônico” no qual colocou toda a essência
da mesma. Estadias prorrogadas e
ultimamente uma vivencia nas terras
amazônicas aprofundaram as informações e
lhe permitiam de não perder nenhum detalhe
dos costumes e receitas locais que ela coloca
ao alcance de todos com todo o respeito e
carinho de uma estrangeira.
T
Todas as comidas tradicionais
são marcados com um símbolo
Por fim quer pedir perdão e um olhar generoso
sobre o seu português que ainda precisa ser
lapidado um pouco. Obrigada. A autora
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Mercado 2000, Santarém, barracas que servem peixes na brasa
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 43
Sabor
AMAZÔNICO
INGREDIENTES SECRETOS
• Herança indígena Das referências indígenas na cozinha amazônica e
cabocla são muitos. Tudo que envolve a mandioca e os seus mil derivados e usos
tem origem nos povos nativos. Nativo também é o piracui, a farinha de peixe e o
uso de tantos coquinhos e castanhas além de tantas frutas, uma mais deliciosa do
que a outra páginas 125, 134, 183, 213, 224, 240, 271, 292, 307, 376, 387
• Umami Unami, o quinto gosto, além de doce, amargo, azedo e salgado,
reconhecido somente no ano 2000, descrito como complexo e delicioso, foi
detectado também no tucupi. Página 86, 224, 233
• Brasa e moquem A maneira de preparar carnes, aves e peixe tem forte
conotação indígena. Costume-se assar na brasa ou no forno qualquer carne, ave
ou peixe para depois ensopa-lo em caldos e molhos saborosos
página 97, 112, 113, 323, 467
• Cuia & panela de barro – Na Amazônia ninguém ousa em tomar o
saboroso tacacá em outro recipiente que não seja a cuia preta, muitas vezes
lindamente decorada. As panelas esculpidas por mãos talentosas acrescentam
autenticidade e beleza ao sabor só delas página 99, 135
• Sabores fortes e cores vivas Uns ingredientes da cozinha amazônica
desafiam o paladar. Difícil descrever os gostos terrosos e selvagens de algumas
frutas de palmeiras, todas muito nutritivas como açaí, tucumã e pupunha ou a
petulância do jambu. A pungência das pimentas, que é muito refinada, nunca se
sobrepõe a intensidade das especiarias indispensáveis e com personalidades
fortes. O coentro, a chicória e o cominho, que são, junto com colorau e sal a
alma da cozinha amazônica.
Como toda cozinha grande a amazônica também abusa dos contrastes. Aposta na
acidez acentuada de um bom tucupi. Acidez que também se encontra, bem mais
suave, na farinha d´água ou nuances mais fortes nas folhas da vinagreira, perfeito
para pratos com peixe e legumes. A mesma acidez que surpreende e encanta no
mel nativo e persuade o paladar degustando as frutas deliciosamente ácidas, por
exemplo a banana pacovã, o cupuaçu e o araçá. Nem se fala da acidez delicada
de todos os limões ou do refinado amargor de uma laranja da terra. Igualmente
delicioso o amargor do piquiá roído do caroço ou o amargor puro e delicado dos
nibs de cacau ou de cupuaçu. Páginas 65, 92, 108, 469, 501, 528
• Café-de-manhã-regional – tapiocas, mingau e
muito mais a partira da página 280
• Dos melhores pescados As águas doces, salgadas e salobras da
Amazônia oferecem dos melhores peixes e crustáceos, muito além do
extremamente versátil Pirarucu. Aprecia-se muito também qualquer peixe e
crustácea conservado no sal e seco ao sol. A partir da página 370
• Especiarias e óleos próprios Esquecidos, mas potentes, a Amazônia
dispõe de uma vasta gama de especiarias, azeites e óleos próprios. Uma riqueza
que ainda espera ser explorada e valorizada. página 140, 156, 360
• Frutas em exorbitância Além dos frutos das palmeiras, há uma
infinidade de frutas e castanhas amazônicas, cada uma com sua particularidade,
seu perfume e sabores particulares. A partir da página 461
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Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 45
Mãos na massa
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61
119
157
TEMPEROS & CORANTES
AROMAS SELVAGENS
VERDURAS & LEGUMES
193
280
240
307
SABOR FLORESTA
FARINHAS
CAFÉ REGIONAL
RIQUEZAS DAS TERRAS
369
408
ÁGUA, SAL, SOL &VENTO
EXUBERÂNCIA
DELÍCIAS DA FLORESTA
PASTOS & QUINTAIS
ÍNDICE
597 461
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 47
Índice Sabor Amazônico
Prefácio 04
Apresentação 32
Introdução 33-35
A autora 42
Ingredientes secretos 44
Índice geral 47
Índice detalhado 49
Tempero Amazônico 60
Açafrão-da-terra 66
Xô comida pálida 67
Arroz de camarão / Açorda de
Camarão 68
Peixe ao leite castanhas-de-caju 69
Peixe com couro crocante 70
Bebidas com açafrão-da-terra 71
Alfavacas 75
Cheiro-verde 76
Chicória 77
Coentro 78
Muito bem picado 79
Vinagretes criativas 80
Refogado não tão básico 81
Sucos & raspadinhas verdes 82
Salada de legumes cozidos ou de
feijão-de-praia verde 83
Caldo verde condimentada 84
Pirarucu salgado cru / Carpaccio
de pirarucu defumado 85
Suco verde / Arroz de chicória 86
Arubé - mostarda amazônica 87
Pirarara ao arubé com jambu /
Xaréu frito sobre cuscuz 88
Pitu no bafo / Arubé /
Galinha caipira no arubé 89
Urucu/Urucum – Colorau 92
Marinadas úmidas e secas 93
Arroz amazônico / Arroz toucinho 94
Colorau / Azeite de urucum / Arroz
malando de peixe 96
Pacu na folha de bananeira 98
Caldo express e caldeirada mista 99
Moqueca de camarão 100
Açúcar perfumado / Bolo de laranja101
com buttercream com colorau
Cominho e coentro em grão 102
Arroz de legumes / Salada de
repolhos / Pão caseiro 104
Chaparema com vinagrete / Ragout
de peixe com tempero nortista 105
Pimentão de gosto/regional 106
Pimenta-de-cheiro 109
Apimentados caseiros 110
Molho de pimenta e pimentão 112
Sardinha grelhada e tambaqui de
banda com molho picante 113
Camarão ao molho de pimentão 114
Frango ou peixe ao forno 115
Geléia de pimenta / Nuggets 116
Bolo de chocolate com pimenta 117
Verduras & legumes 119
Cariru/Caruru 126
Sopa e espernegado de cariru /
Massa express caseira 127
Feijão local 130
Trivial? – Extremamente versátil! 131
Salada de feijão manteiguinha /
Salada de feijão com pirarucu 132
Feijão com mocotó ou ossada 133
Trivial de feijão nortista 134
Jambu 135
Caldinho de tucupi / Pastéis 136
Pesto de jambu / Arroz paraense
em duas versões 137
Azeite ou vinagre aromatizado /
Licor de flor de jambu 138
Infusionando a Amazônia 141
Pirarucu confitado 142
Legumes confitados 143
Verduras & legumes regionais 146
Ratatouille amazônico / Salada
morna com picles e gremolata 147
Quiche com legumes 148
Dourada com vegetais ao forno 149
Vinagreira 150
Arroz e cuxá em três versões 151
Aruanã com gremolata / Legumes
variados com vinagreira 152
Pirarucu defumado assado 153
Xarope da flor de vinagreira / Flor de
vinagreira cristalizada / Frosting com
hibisco / Infusão hibisco 154
Aromas selvagens 157
A garrafada vai à mesa 160
Canela 161
Perfumes e sabores 162
Sericaia amazônica / Parfait
Perfumado / Sorvete de especiarias163
Casca-preciosa 164
Rabanada com casca preciosa /
Creme queimada amazônica 165
Bolo Rei amazônico 166
Cumaru 167
Xarope perfumado / Versões de
bolo podre/cuscuz de tapioca 168
Cuca simples com crumble 169
Bolo ou bolinho de especiarias 170
Biscoitos com especiarias 171
Embiriba / Imbiriba 172
Aperitivos amazônicos 173
Galinha caipira ao leite 174
Biscoitos de especiarias 175
Bem casados / Lembrancinhas para
festa infantil 178
Guloseimas amazônicas 179
Sinfonia de brigadeiros amazônicos 180
Trufas de frutas amazônicas /
Brigadeiro trufado de corte 181
Guaraná 184
Energético / Batida de guaraná /
Caipiguaraná / Ponche 185
Priprioca 186
Remédio, vinho ou licor? 187
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 48
Licor amazônico / Kir amazônico 188
Licor de priprioca / Amargo
Amazônico / Rabo de galo 191
Riqueza das terras 193
Batata-doce 195
Tucunaré ao forno / Batata-doce
frita ou assada 197
Purê de batata doce salgado / Sopa
ou molho condimentado laranja 197
Purê de batata-doce salgado ou
doce / Bolinhos de batata doce 198
Cará-roxo 200
Dupla de purê/homos / Salada com
cará roxo e molho arubé 201
Refresco com cará-roxo e iogurte /
Licor de cará-roxo 202
Batatas Ariá e cará-do-ar 203
Macaxeira 205
Brandade e escondidinho / Palitos
e chips de macaxeira 206
Beijus na folha de bananeira e
tapioca com castanhas-de-caju 208
Bolo de macaxeira simples 209
Bolo de macaxeira tradicional 210
Mandioca brava 211
Derivados 212
Maniva 213
Maniçoba 216
Pubação & tipiti 222
Tucupi 225
Tucupi – Umami 226
Tempero com temperamento 227
Ceviche amazônico / Aspic ou
petisco com tucupi e farinha 228
Molho tucupi pimenta / Caldeirada
paraense completa ao tucupi 229
Risoto do chefe a moda paraense 230
Charuto ou tucunaré ao tucupi 231
Peixe ou pato ao tucupi 232
Tucupi-preto – umami puro 233
Petisco de tapioca / Tucupi
preto caseiro 234
Arroz de legumes e berinjela / Salada
amazônica / Pele marinado 235
Arroz de malando / Arroz refogado
com tucupi preto, ovo e legumes 236
Ceviche amazônico ao tucupi preto /
Ventrecha de pirarucu marinada 237
Galinha caipira com tucupi preto 238
Farinhas pai d´égua 240
Farinhas & farinhas d´água 241
Variedade estupenda 242
Farinha d´água 243
Cada fornada é única 248
Colônia para consumidor 257
Numa mesa amazônica 258
Engrossando o caldo 259
Chibé / Caribé com fundo de peixe 259
Pirão receita básica / Mojica de
sobras de peixes 261
Crista de galo / sopa de ovo /
caldo de caridade 262
Farofas, crostas & cuscuz 263
Farofa de ovas e caranguejo 264
Farofa de piracuí / Paçoca de
pescada gó seca com banana 265
Rolinhos de pescada com farofa /
Farofa de beijucica 266
Pacu com farofa / Filé de pescada
gratinada com farofa 267
Cuscuz de farinha d´água 267
Nuggets ou escabeche 269
Pirarucu na casaca 270
Cuscuz de farinha Uarini com cozido
e chibé com mocotó e legumes 271
Beiijucicas 272
Canapés variados sob beijucica 273
Peixe com crosta de beijucica /
Salada de favas com pirarucu 274
Cruera 276
Cookie de cruera / Rosquinhas
tradicionais de cruera 276
Cookie de cruera 277
Tarubá & Caxiri 278
Café regional 280
Reforçado – café regional 281
Cuscuz de milho salgada ou doce 288
Goma de tapioca 289
Tapioca ou beiju? 293
Tapioca - receita básica 294
Tapioca - receita básica 295
Filé empanada na goma / Tapioca
recheada estilo mexicano 296
Tapioca gourmet 297
Farinha de tapioca 298
Mingau de jerimum ou de tapioca 299
Bolinhos salgados / Bolinhos ou
bolachas doces de tapioca 300
Pãezinhos de goma 301
Pão de fubá e goma de tapioca 302
Gelatina refrescante 303
Versões de bolo podre/cuscuz 303
Sabor Floresta 307
Vinho, caxiri e óleos 308
Açaí 319
Pudim de açaí / Granola ou barra 320
Arroz com açaí / Mingau de açaí /
Pão de açaí 321
Banquete caboclo 322
Pescada a moda cabocla / Jaraqui
frito com açaí 323
Carne na chapa com açaí branco 324
Bacaba 326
Buriti 328
Mingau salgado de buriti 329
Pirarucu ao vinho de buriti ou
fricassé tropical 330
Doce de buriti / Cheesecake 331
Inajá e Mucajá 333
Piquiá 335
Arroz de piquiá 336
Pupunha 337
Guacamole com pupunha / Cuscuz
paulista com camarão e pupunha 342
Purê de pupunha – variações 343
Purê de pupunha com feijão 344
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 49
Farofa de pupunha com linguiça 345
Panqueca de farinha de pupunha 346
Geleia de pupunha / Pudim / Bolo
/ Bolo rústico com pupunha 347-349
Bolinho de pupunha / Doces de
pupunha com especarias 350
Pão de polpa /farinha de pupunha 351
Musli amazônica / Granola ou barra 352
Tucumã-do-Amazonas 353
X-Caboquinho / Tapioca manauara 354
Tucumã-do-Pará 356
Caldeirada de pirarucu e tucumã /
Arroz amazônico com tucumã 357
Uxi 359
Óleos e manteigas vegetais 360
Cuscuz frio de farinha d´água 361
Legumes mistos assados no forno 362
Pescada frita molho de maracujá /
Purê de macaxeira com pesto 363
Filé de jaraqui a maneira do
mediterrâneo / Fricassé tropical 364
Pescada confitada / Conserva de
pirarucu em azeite com limão 365
Pão de duas vezes castanha / Bolo
de azeite de castanhas 366
Água, sal, sol e vento 369
Salgar pescado & camarão 373
Dessalgar peixe salgado 374
Camarão salgado e seco 375
Tacacá 376
Vatapá nortista com jambu 377
Caruru paraense / Camarão com
mamão verde / Moqueca 378
Avium 380
Ovo mexido ou fritada / Caldo de
avium com batata-doce e dendê 381
Bolinho / canapé de avium 382
Acari-bodó 383
Acari-bodó ao tucupi 384
Acari no sal grosso com salsa
verde / Acari-bodó escabeche 385
Moquear e depois ensopar 386
Piracuí 387
Bolinho / Burger de piracui 388
Arroz rico com piracuí, avium 389
Pirarucu 391
Pirarucu em mantas 395
Pirarucu salgado 398
Caldo cremoso / Caldo de pirarucu 399
Salada de pirarucu grão-de-bico /
Pirarucu salgado na água de coco 400
Caldeirada regional rica 402
Pirarucu escabeche / Pirarucu
salgado assado sobre feijão 403
Pirarucu defumado ao forno /
Pirarucu salgado à portuguesa 404
Versões de torta de pirarucu 405
Pastos e quintais 408
Galinha caipira 414
Do bico até a garra 417
Desfiar & pilar 418
Galinhada de galinha caipira 419
Pato 421
Pato laqueado com cupuaçu 422
Pato laqueado sobre farofa 424
Versões de arroz de pato 425/426
Vísceras & ossadas 437
Sal, salmoura e vinha d´alhos 438
Ossada ou mocotó com feijão 439
Caldo de mocotó, cozidão com
mocotó e panelada paraense 440
Feijoada a maneira nortista 443
Queijos regionais 447
Filé Marajoara / Canapés /
Romeo e Julieta nortista 449
Variações de baião de dois 450
Búfalo do Marajó 451
Muçuã de botequim / Cachorro
quente a la mode do Pará gourmet 452
Mel de abelha indígena 456
Batatas-doces, legumes mistos na
brasa glaciado com mel 457
Pão-doce com caramelo 458
Exuberância 461
Bem vindo acidez! 466
Frutas na brasa & na panela 467
Agridoce! 468
Marinar, laquear ou banhar 469
Purê & culis? 470
Café até a sobremesa 471
Sorvetes, sorbets e granitas 472
Cajuína, xaropes & shrubs 473
Amazônia embebida 475
Abricó do Pará 476
Versões de suco de abricot / Salada
de fruta refrescante 477
Abacaxi 479
Refrescos de abacaxi / Suco com
mamão e/ou manga / Aluá 480
Abacaxi na grelha / Ceviche de
abacaxi com hortelã e limão galego
/ Purê picante de abacaxi 481
Frango com chutney de abacaxi 482
Baba tropical 483
Abiu 484
Araçá e Araçá-boi 485
Suco de araçá-boi / Granita de
araçá-boi / Mousse de araçá 486
Banana-pacovã 487
Banana chip / Mingau de banana /
Banana-pacovã assada na casca 488
Moqueca de banana / Banana
assado e purê de banana pacovã 489
Cozidão a moda paraense 490
Banana flambada / Doce de banana
ou sorvete de banana / Cartola 491
Pudim invertido de banana 492
Bacuri 496
Compota de bacuri / Mousse de
bacuri / Granita de bacuri 497
Biribá 499
Cacau, suco e nibs de cacau 501
Suco de cacau / Licor de Cacau /
Meia-de-seda 502
Mousse de avocado e cacau /
Mousse de chocolate amazônico 503
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 50
Nibs ou chocolate em pó caseiro 505
Pão com café, cacau e nibs 506
Bolo de chocolate nibs 507
Cacauí 508
Cajá-Manga 509
Vinagrete de cajá-manga / Peixe
com culi de cajá-manga 510
Refresco / Xarope / Compota de
caja-manga / Granita de caja-manga 511
Pavê de caja-manga 512
Purê de cajá-manga / Purê doce-picante /
Torta ou tortinhas, doce-de-corte 513
Caju fruta 515
Cajuína / Vinagrete de caju 516
Burger de bagaço de caju ou
bolo de “carne” com ovo e piracui 517
Salpicão amazônico / Molho de
caju com tempero nortista 519
Strogonoff de caju / Moqueca 520
Compota de caju / Caipi-caju / Caju
afogado / Salada de frutas 521
Caju cristalizado - caju passa 522
Cajuzinhos / Doce de caju de
corte do bagaço de caju 523
Carambola 524
Salada regional / Peixe na grelha 525
Doce de carambola /
Caipi-carambola / Sangria tropical 526
Cupuaçu 528
Suco / Chutney de cupuaçu 529
Geléia/Doce de corte / Mousse /
Gelatina do caroço do cupuaçu 530
Carolinas com cupuaçu e chocolate 531
Verrine de cupuaçu e suspiros 532
Bolo naked com frosting cupuaçu 533
Nibs de cupuaçu / Pudim com nibs
/ Manteiga de cupulate 534
Licor de cupuaçu 535
Cubiú / Tomate-de-índio 536
Cutite 537
Mousse ou culi de cutite / Pão-doce
/ Brownie com culi de cutite 538
Cheesecake / Sorvete de cutite 539
Cítricos 542
Limão doce 543
Limão galego 545
Limão-cravo/capeta 546
Laranja-da-terra 548
Refrescos de cítricos / Suco verde
Xarope de citricos 549
Shrub – xarope com vinagre 550
Caipirinha ou saquerinha 551
Ceviche tradicional de filhote 552
Jaú com molho limão galego /
Risoto cítrico / Massa cítrica 553
Caldo de caranguejo / Pescada
amarela ao molho de laranja 554
Frango com especiarias e limão 555
Cuca de limão galego 556
Bolo de limão ou laranja 557
Compota/geleia de cítricos 558
Doce de laranja / Cítricos
Cristalizados 559
Bolo inglês frutas cristalizadas 560
Licor de limão-cravo/galego 561
Ingá 564
Jambo 565
Picles agridoces / Chutney de
jambo / Matrinchã na brasa 566
Compota ou geléia de jambo 567
Suspiro (Pavlova) com culi de jambo
/ Charlotte amazônica 568
Sorbet /Jambo cristalizado 569
Jenipapo 571
Suco de jenipapo / Vinagre com
jenipapo / Picles agridoces / Licor 572
Doce de corte / Jenipapo cristaliz. 573
Limão-de-Caiena 574
Picles agridoces / Chutney 575
Moqueca de camorim / Creme
cítrico de limão-da- Caiena 576
Maracujá-do-mato 579
Mari gordo- Umari 581
Murici 582
Salpicão caboclo / Chutney 583
Paté agridoce / Carne salteado
com molho de murici 584
Doce ou geléia / Licor de murici 585
Pajurá 586
Mousse de pajurá 587
Pitomba 588
Sapotilha 589
Taperebá 590
Chutney / Salada de mamão verde
com molho de taparebá 591
Asas de frango ao molho taperebá /
Surubim ao molho de taperebá 592
Geleia de taperebá em doces 593
Arranjos de frutas locais 594
Delícias da floresta 599
Castanha-de-caju 603
Leite de castanhas 604
Filhote no leite de castanhas 605
Jaú com castanhas e ajo blanco 606
Posta de camorim com crosta 607
Xinxim de galinha com avium 608
Bolo pé de moleque / Rosca salgada
recheado com pesto de castanhas 609
Rosca doce de castanhas 610
Torta gordice express com cajupassas,
mel-de-caju e castanhas 611
Biscoitos de castanha, laranja
cristalizada / Meia-luas de baunilha 612
Variações de paçocas / Sorvete de
banana com farofa doce 613
Castanha-do-Pará 618
Castanha-sapucaia 620
Pasta & pesto – pronto 621
Dourada com crosta de castanhas 623
Lasanha vegetariana com pesto 624
Pesto de azeitonas / Pesto de
azeitonas sob posta de pirarucu 625
Pudim com castanhas e crocante 626
Torta de castanha em duas versões 627
Bolo simples / Brownie 628
Biscoito paraense / Biscoitos 629
Comida de rua – popular 630
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 51
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 52
Brasas coletivas para assar feijão e peixe
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 53
Churrasqueiras de todas os tipos e gostos
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata
54
Fogões a lenha e outros, uns bem improvisados
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 55
Cozinhas individuais e coletivas
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 56
As tradicionais cuias também em formato oval
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 57
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 58
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 59
Tempero
AMAZÔNICO
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 60
Hortas caseiras suspensas, essas da várzea, são muito comuns
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 61
Pé de pimenta do reino
Cheiro verde e outros temperos numa minihorta
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 62
No barco em desuso cresce de tudo um pouco - couve, pimenta,
açafrão-da-terra e algum tipo de alfavaca
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 63
Vende-se os indispensáveis corantes açafrão-da-terra e colorau
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 64
Açafrão-da-terra
Origem
A cúrcuma, curcuma longa, popularmente chamada de açafrão-daterra
ou mangarataia, caule subterrâneo da família do gengibre,
tem origem asiática. Muito usado na Índia, normalmente em forma
de pó obtido da raiz seca e moída, é apreciado tanto para o seu
poder de colorir alimentos quanto agregar uma gama de outras
especiarias num conjunto harmonioso. Faz parte de muitos currys e
masalas intensamente coloridos ou dourados. Plantado em todo
território brasileiro para uso alimentar, condimento e para fins
medicinais, na Amazônia empresta sua cor dourada para farinhas e
tucupi, mas também é usado no preparo de outros alimentos.
Aroma
Empregado fresco, o açafrão-da-terra tem um aroma ligeiramente
picante com um agradável sabor terroso. Seco e moído o aroma se
torna mais complexo e amadeirado, levemente amargo e ácido.
Uso
A sua cor alaranjada, sozinha ou em combinação com colorau,
colore arroz e moquecas, tempera carnes pálidas com peixe e
frango e intensifica a cor da farinha e do tucupi. A folha também é
usada como tempero ou para embrulhar peixes que vão na grela.
Cuidado ao manusear o tubérculo! O açafrão-da-terra pode
manchar mãos e tecidos!
Clássico
No arroz, frango e peixadas, imitando a cor do açafrão verdadeiro
Exótico
Em pães e bolos com especiarias, macarrão, bebidas em geral e no
licor, gerando uma cor dourada.
Imperdível
Peixe com couro crocante ao leite de coco e açafrão-da-terra
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata J F M A M J J A S O N D
65
Ponto de partida
Xô comida pálida!
No Norte nenhuma cozinheira dispensa nem
colorau nem açafrão-da-terra para dar uma
“up” em qualquer peixe ou carne pálido/a. E quem já
dispensou os mesmos, sem saber dos seus poderes
como aconteceu com a autora - aprende na hora! O
caldo de peixe ou a caldeirada ficam sem vida, com
uma aparência quase cinzenta. Responsável pela
coloração intensa e mágica transformação para lá de
vermelho e com isso apetitosa são: Colorau
(extraído do semente do urucuzeiro), em pó ou diluído
em óleo ou vinagre, e açafrão-da-terra, fresco,
em forma de batatinhas, ou em pó para coloração
amarela. Claro, azeite de dendê, açafrão
verdadeiro ou umas colheradas de suco ou
concentrado de tomate podem ser
empregados com o mesmo fim. Colorau e açafrão
encontram-se em qualquer feira livre ou em lojas. No
banho-de-colorau predominam os preparos caseiros.
“Use o corante sempre junto
com algum tipo de gordura”
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata
Tanto colorau quanto açafrão em pó precisam de um
pouco de gordura para se dissolver bem. Dessa
maneira acrescenta-se ambos ao óleo ou azeite no
qual refogarão cebola e pimentão. Outra possibilidade
muito usada é aplica-los, muitas vezes junto com o
sal, diretamente sobre o peixe ou frango. Usa-se as
pontas dos dedos e aplica-se uma fina
camada colorida sobre o peixe ou frango
previamente lavado. A proteína descansa depois nessa
mistura. Depois frito ou assado é responsável por uma
crosta bronze-dourada.
66
Arroz de camarão salgado com açafrãoda-terra
e castanhas
1-2 punhados generosos de camarão salgado,
dessalgado de véspera, reserve os mais belos para
decorar
1 limão galego
2-3 dentes de alho em lâminas
Azeite
1 xícara de arroz
2 xícaras de caldo obtido com as aparas do camarão
3-4 pimentões regionais em listras
1 pedaço de gengibre ralado ou picado bem fino
1 pedaço de açafrão-da-terra fresco ralado ou
½ colher (chá) em pó
A gosto uma pitada de coentro e cominho
1 cheiro verde picado
Folhas de chicória
1 punhado de castanhas em lâminas, a gosto torradas
1 folha de louro
A gosto leite de coco para deixar o arroz mais cremoso
Dessalgue e descasque os camarões e os lava com
limão. Reserve uns camarões para decorar, descasque
e reserve as aparas. Doure as aparas num fio de azeite,
cubra com água e cozinhe até obter um caldo
saboroso. Descarte as aparas e reserve o caldo para
preparar o arroz. Para incrementar o sabor, passe o
líquido junto com as aparas pelo liquidificador antes de
passar pela peneira.
Para o arroz doure o alho num fio de azeite, acrescente
o arroz, refogue e depois complete com o caldo de
camarão, sal e a folha de louro. Cozinhe até o arroz
absorver todo o líquido. A parte, prepare um refogado
com o pimentão, gengibre, açafrão-da-terra e as outras
especiarias. Refogue bem e depois incorpore o
camarão e tempere a gosto. Acrescente o arroz e
refogue mais um pouco. Corrija os temperos, salpique
com cheiro verde, salpique com as castanhas em
lâminas e decore com os camarões reservados. Para
um arroz mais cremoso, incorpore um pouco de leite
de coco.
Açorda de camarão
600 g de camarão regional com
casca
1 limão galego
Azeite
4-6 fatias de pão dormido de boa
qualidade, rasgado em pedaços
1 cebola cortada em rodelas
3-5 pimentões regionais em
rodelas
3-5 dentes de alho picado
Sal, pimenta e açafrão-da-terra
fresco ou em pó a gosto
1 cheiro verde picado
Lave o camarão com limão,
descasque, (reserve as carapaças
e cabeças), tempere a gosto e
reserve por meia hora na
geladeira. Frite as carapaças e
cabeças num fio de azeite, cubra
com água e cozinhe em fogo
baixo até obter um caldo
perfumado. Passe o caldo pela
peneira, descarte as aparas e
regue o pão com o caldo. Espere
umidificar. Refogue a cebola
junto com o pimentão num fio de
azeite, junte açafrão-da-terra, sal
e pimenta, o alho, parte do cheiro
verde e continue refogando para
depois juntar ao pão. Com ajude
de um garfo ou com as mãos
misture até obter um purê
rústico. Aquece em fogo brando,
corrija os temperos e doure o
camarão num generoso fio de
aceite. Misture parte do camarão
a açorda pronta e use o restante
para decorar.
A gosto sirva com uma gema de
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata
ovo adicional que se incorpora a
67
mesa.
Peixe ao leite de castanhas-de-caju, açafrão e
especiarias em duas versões
1 cambada de bocó ou tambaqui
1 limão galego
Sal, pimenta e açafrão-da-terra a gosto
Azeite
1 cebola picada em meia-lua
1 punhado de pimentão regional cortado em listras
1 pedaço de gengibre picado bem fino
1 pedaço de açafrão-da-terra fresco ralado ou
1-2 colheres (chá) de açafrão em pó
Coentro e cominho moído ou em grãos a gosto
1-2 cravos
½ pau de canela
1 folha de louro
2-3 dentes de alho picado bem fino
1-2 tomates regionais cortados em meia-lua
1 – 1 ½ xícara (200-300 ml) de fundo de peixe
½ xícara (100 ml) de leite de coco
1 punhado de castanhas em lâminas
1 cheiro verde picado
Farinha d´água ou goma de tapioca para engrossar o molho
Lave o peixe com limão, tempere a gosto e guarde na geladeira por meia
hora. Corte o peixe ao meio ou em três e doure em um fio generoso de
azeite. Reserve. Refogue metade da cebola e do pimentão. Acrescente o
gengibre, o açafrão, o restante das especiarias, o alho, e metade do
tomate e do cheiro verde. Refogue mais um pouquinho e cubra com o
fundo de peixe. Levantou fervura, acrescente o peixe, tempere e cozinhe
em fogo lento até a carne do peixe se solta com facilidade da espinha.
Torre a castanha e reserve. Reserve o peixe, mantendo quente e guarde
o caldo para fazer o molho. Passe o caldo pelo liquidificador e reserve.
Refogue o restante da cebola, do pimentão, do tomate e do cheiro
verde. Junte o molho e para a versão da foto grande, incorpore o leite
de coco, corrija os temperos e engrosse a gosto com goma de tapioca,
previamente diluída em água fria ou farinha. Devolve o peixe e corrija os
temperos. Aquece por 2-3 minutos até todos os gostos se misturam,
salpique com as castanhas e o restante do cheiro verde. Sirva
acompanhado de arroz branco e beijucica.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata
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Peixe de couro ao leite de coco com couro crocante e legumes
1,5 kg de filé de peixe com o couro por ex. filhote, surubim ou jaú
1 limão galego
Sal, pimenta e colorau a gosto
Azeite
2-3 cebolas médias cortadas em anéis
4-6 dentes de alho picados
1 pedaço de gengibre picado
1 pedaço de açafrão-da-terra picado ou meia colher (chá) em pó
1-2 colheres (chá) de sementes de mostarda
1-2 colheres (chá) de sementes de coentro
Cominho a gosto
1 pimentão vermelho cortado em tiras
1 pimentão amarelo cortado em tiras
2 maços de maxixe, cortado em meia luas, cozidos
1 maço de coentro picado
300 g de tomate cortado em oito pedaços ao longo do comprimento
1 ½ copo (300 ml) de leite de coco
1-3 colher (sopa) de vinagre suave ou vinho branco
Lave o peixe com limão e tempere com sal, pimenta e colorau. Reserve por meia hora na geladeira.
Preaqueça o forno em 160 graus. Coloque o peixe com a pele para baixo em uma forma previamente
untada. Regue com mais azeite e asse no forno por 20 minutos ou até o peixe esteja quase no ponto. Com
cuidado solte a pele do peixe, coloque em uma outra forma e asse por 5 minutos debaixo da grelha ou
frite na frigideira até ficar bem crocante. Reserve. Em fio de azeite asse todos os temperos até levantem o
seu perfume. Junte a cebola, o gengibre, o pimentão e o alho e frite até murchar. Junte o leite de coco, o
vinagre ou vinho branco e metade do coentro e deixe encorpar em fogo brando. Nos últimos minutos
acrescente o tomate e o maxixe. Desfie o peixe em pedaços generosos. Corrija o tempero do molho.
Coloque um espelho do molho numa travessa e arranje o peixe por cima. Quebre o couro crispe do peixe
em pedaços generosos, sirva sobre o peixe e salpique com o coentro. Acompanha arroz branco, farinha e
beijucica.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata
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Bebidas com açafrão-da-terra
Combine abacaxi, limão, gengibre, manga, banana e a gosto
água gelada, água-de-coco, leite ou iogurte e bate no
liquidificador.
Xarope dourado
1-2 pedaços de açafrão-da-terra fresco
1 pedaço de 6-8 cm de gengibre
1 vagem de cumaru
Casca ralada e suco de ½ limão galego
1 ½ xícara de açúcar
1 xícara de água
Aqueça a água com o açúcar até que todo o açúcar esteja
dissolvido. Descasque o açafrão-da-terra e o gengibre e pique em
fatias. Cuidado, o açafrão mancha dedos e roupas! Acrescente as
fatias junto com o cumaru à calda de açúcar e cozinhe por 10
minutos ou até a caldo perfumou. Retire do fogo, corte a casca do
limão sem a parte branca e acrescente junto com o suco à calda
também. Misture bem, corrija especiarias e doçura e reserva por 2-
3 horas. Coe, coloque em garrafas previamente esterilizadas e use
a calda para perfumar bolos e tapiocas ou sirva gelada, diluída em
água gelada.
Licor dourado
1 pedaço de açafrão-da-terra fatiado
1 pedaço de gengibre descascado e fatiado
1/5 de noz mascavo picada em pedaços
1 pau de casca preciosa
1 colher (chá) de pimenta rosa ou pimenta-do-reino
½ l de vodca
1 xícara de água
1 xícara de açúcar
Cubra o açafrão descascado com a vodca e deixe-a colorir.
Alcançado o cor desejada, filtre, guarde o líquido e descarte o
açafrão. Lave os outros ingredientes, cubra com o líquido dourado
e deixe de infusão por um mês. Apure a água com o açúcar em fogo
brando por 15 minutos sem mexer até alcançar o ponto pérola
(108 graus). Filtre o álcool e misture, esfriado, ao xarope. Guarde
em garrafas previamente esterilizadas. Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 70
Um peixe fresquíssimo, cheiro verde e pimentas
coloridas – vamos pra cozinha!
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 71
As maneiras de amarros e ingredientes do cheiro-verde variem de região em região
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 72
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 73
Alfavacas
Origem
A família das alfavacas, espécies do gênero Ocimum, popularmente
também chamadas de manjeronas ou manjericão, são nativas da
Ásia tropical. A família é grande e abrange mais do que 30 espécies.
A alfavaca-do-mato, Ocimum Campechianum, (primeira foto meio
de cima), espécie brasileira, cresce em todo o território
espontaneamente, sendo bem apreciada como tempero na
Amazônia, especialmente para pratos com peixe. Parte
indispensável tanto no refogado quanto nas caldeiradas e
vinagretes, cabe-lhes o toque final em quase todas as comidas
salgadas nortistas. Também temperam tanto tucupi quanto
caldeiradas. Crescem na horta caseira tanto quanto incrementam,
ao lado da cebolinha e do coentro, as mini hortas no teto de
algumas embarcações ou as hortas suspensas na várzea.
Aroma
Cada folha tenra de alfavaca exala o seu aroma próprio: algumas
são mais apimentadas, outras trazem notas mentoladas ou
anisados.
Uso
Usado sempre muito fresco, cominam perfeitamente com alho e
não podem faltar nem na caldeirada nem no tucupi. As variedades
mais robustas costuma-se acrescentar já no refogado, iniciando o
preparo do prato. Variedades mais delicadas coloca-se ao fim.
Clássico
Em caldeiradas e no tucupi.
Exótico
Na salada, em vinagretes, acompanhando peixes.
Imperdível
Dá um toque refrescante a uma caipirinha com limão galego ou em
todos os tipos de pestos.
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Cheiro-verde
Origem
Mostra-me o seu cheiro-verde e eu teu digo de onde você vem!
Comprado na feira ou no supermercado, colhido no próprio quintal, o
cheiro-verde - que nome simbólico! - é um amarrado de temperos
verdes variados. Vem preso com barbante ou elástico ou até
embrulhado em jornal de ontem. Indispensável em qualquer prato
salgado pode entrar já no refogado ou é reservado para salpicar no
final, arredondando o prato. Cheiro-verde tempera tanto peixe quanto
carnes e é indispensável nos vinagretes que os acompanham.
No Norte contém, além de cebolinha, sempre muito coentro, nunca
salsa, algumas folhas de chicória e uns ramos de algum tipo de
manjericão ou alfavaca. Em Belém alguns pimentas de cheiro
coloridíssimas acrescentem a tão apreciada picância.
Aroma
O cheiro-verde e seu aroma fresco e cheio de temperos são a alma do
prato, o arredondaram, definem, junto com sal, pimenta e muitas
vezes cominho, o seu genuíno sabor nortista.
Uso
A maioria dos pratos salgados começa com um refogado o qual é
temperado com muito cheiro verde além de cebola, alho e pimentões
regionais onipresentes.
Clássico
Na caldeirada de peixe e no picadinho de carne tanto quanto no
vinagrete.
Exótico
Na salada. As saladas tipo alface ainda são raridades na mesa nortista.
Imperdível
Na caldeirada de peixe ou camarão e no tucupi.
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Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 75
Chicória
Origem
A chicória, também chamada de coentro do Pará, Eryngium
foetidum, provavelmente nativa da América tropical e das
Antilhas, cresce, completamente selvagem, em muitos lugares
do Brasil. Somente no Norte do país e na Amazônia peruana e
colombiana é usado como condimento, um tempero
indispensável em muitos pratos locais. Planta de ciclo bienal,
também tem propriedades medicinais.
Aroma
Já o nome coentrão indica que o cheiro da chicória lembra
coentro, e muito! Seu aroma é mais picante e intenso, para
alguns até desagradável, como já o nome em latim sugere.
Uso
Muitos pratos salgados amazônicos são temperados e
apimentados com o gosto característico de algumas folhas de
chicória. A chicória é sempre presente nos maços de cheiroverde
multiplicando o perfume do igualmente onipresente
coentro.
Clássico
Chicória é indispensável em qualquer prato que leva peixe,
tempere tanto tucupi quanto o tacacá.
Exótico
Usado num pesto com nota nortista ou em doses suaves
temperando numa colorida salada de legumes.
Imperdível
Arroz de chicória ou um bom vinagre temperado com algumas
folhas de chicória o que lhe impregna um sabor muito peculiar,
perfeito para usar em saladas.
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Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 76
Coentro
Origem
Folhas de coentro, sempre frescas, quase sempre reforçadas com
algumas folhas de chicória, são o tempero indispensável da cozinha
nortista que aposta em condimentos e temperos fortes e com
personalidade. O coentro, coriandrum sativum, é originário do Sul da
Europa, do Oriente Médio e da África do Norte deve ter sido trazido
além-mar pelos colonizadores. No Norte e Nordeste se tornou parte
indispensável dos pratos típicos.
Aroma
O seu odor é forte, único e cítrico e leva algumas pessoas a cultivar
um certo preconceito. O seu perfume é bastante parecido com o
aroma da chicória, porém menos floral.
Uso
O coentro tempera peixe, frango e carne, aplacando tanto o sal
quanto equilibrando os outros aromas. Ele corta o peso da gordura e
tem fama de ajudar eliminar metais pesados, por exemplo mercúrio,
do organismo. Não falta nunca nem na caldeirada nem no picadinho
de peixe ou carne.
Clássico
Faz parte indispensável do refogado com qual muitos pratos
regionais começam, equilibrando todos os sabores fortes e dá o
toque inconfundível no picadinho de carne.
Exótico
Combina perfeitamente com alho, camarão e castanhas –
ingredientes básicos dum pesto com tempero nortista e arredonda
uma salada de feijão-verde com bastante alho.
Imperdível
Em forma de pesto com avium ou camarão e castanhas.
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Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 77
Muito bem picado
A base para muitos pratos brasileiras
e especialmente nortista é uma
combinação bem picadinha
contendo cebola, tomate,
pimentão, cheiro verde e
alho – menor como o regional, ou
grande como o tradicional. A gosto
emprega-se pimentões em cores
variadas e cebola branca ou roxa a
gosto. O cheiro verde varia.
Aqui no Norte tudo
contém coentro &
chicória!
Algumas folhas de chicória e galhos
de algum tipo de alfavaca, além de
cebolinha e em alguns lugares
pimentas de cheiro. Alho, muito
bem picado, vai a gosto também.
Picado - receita básica
Azeite, óleo ou azeite de dendê
1 cebola picada bem fino
1 pimentão verde pequeno picado
bem fino
2-3 dentes de alho picados bem fino
1-2 tomates, picados bem fino
½ maço de cheiro verde picado
½ maço de coentro fresco picado
Outras ervas frescas como
manjericão, tomilho ou alecrim a
gosto
Colorau ou/e açafrão-da-terra o
último fresco ou em pó a gosto
Cominho e coentro em grãos a gosto
Gengibre a gosto
Sal e pimenta a gosto
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 78
Vinagretes criativas
Tempere-se os ingredientes da página anterior
com azeite, vinagre ou limão, sal e pimenta já
se obtém um vinagrete saboroso.
Tradicionalmente o vinagrete acompanha
peixe grelhado ou assado inteiro,
especialmente os mais gordurosos.
A gosto capricha-se um pouco mais do que no
refogado, fatiando a cebola, que tal usar uma
roxa? no mandolim, incorpore-se pimentões
de cores diferentes e/ou
acrescenta-se ao
vinagrete frutas
suculentas, bem picadas
que dão um toque tropical. Ideal é laranja,
abacaxi, manga, caju, jambo ou a
gosto. Mostarda, alcaparras,
azeitonas e mel são perfeitas para
vinagretes agridoces.
Receita vinagrete
1 cebola branca ou roxa picada bem fino
1 pimentão pequeno ou pimentão regional a
gosto, picado bem fino
1 pedaço de gengibre a gosto picado bem fino
ou ralado
1-2 tomates, picados bem fino
Azeitonas ou alcaparras picadas a gosto
Frutas como laranja, abacaxi, manga, caju ,
abacate ou jambo a gosto
½ maço de cheiro verde picado
½ maço de coentro fresco picado
Azeite ou leite de coco
Vinagre suave, suco de limão ou tucupi ácido a
gosto
Sal e pimenta a gosto
1 colher (chá) de mostarda a gosto
1 colher (chá) de mel a gosto
Misture todos os ingredientes escolhidos,
tempere a gosto, junte o azeite e o vinagre ou
suco de limão. Acompanha peixes e saladas,
servindo como molho.
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Refogado não tão básico
A base de inúmeros pratos
salgados brasileiros é o
refogado, os seus
ingredientes já descrito na página
anterior. Refogue-se a cebola e o
pimentão junto com colorau ou
açafrão num generoso fio de
óleo, azeite ou azeite de dendê,
baixe o fogo e acrescente o
restante dos ingredientes. Cada
cozinheira tem sua sequência e o
seu ingrediente secreto, no Norte
e Nordeste, cominho e muito
coentro, todas as tipos de
alfavaca, umas mais usados
com peixe, outras com carnes
e/ou gengibre.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata
Acentue o sabor
com um pouco de
gengibre muito
bem picado!
Junto com o refogado também
entre toucinho ou bacon
ou para pratos com peixe
piracui, avium ou
camarão, normalmente
salgado.
80
Sucos & raspadinhas verdes
Sucos verdes não só Servem para beber, mas também
para limpar o paladar –, saudáveis e apetitosos, se
aproveitam das infinitas possiblidades de juntar ervas,
legumes, frutas e até tubérculos. A fórmula uma fruta, por
exemplo abacaxi, ervas como manjericão ou coentro,
legumes, a mais verde de todas é a couve, combinam muito
bem até com batata-doce ou uma banana. Um cubinho de
gelo ou um pouco de spirulina ajudam manter a cor bem
verde vivo.
“Na cozinha tudo pode ser
reinterpretado”
Quem gosta de novidades – que tal experimentar por
exemplo uma raspadinha verde, aromática e bem
refrescante? Prepara-se um xarope doce de 1 : 1 de água e
açúcar, cozido até ponto de fio. Esfriado é batido com um ou
vários dos ingredientes seguintes: ervas como coentro,
alfavaca, chicória ou uma combinação entre eles, para
acentuar pimenta-de-cheiro, sal, limão e gengibre. Corrigido
os temperos e espalhado sobre um tabuleiro vai direto ao
freezer. Congelado é raspado com ajuda de um garfo é
servida imediatamente. Essa raspadinha cai perfeita,
servida entre uma sequência de pratos com
o propósito de limpar o paladar e prepara-lo para
novas sensações.
Outro ingrediente que poderia dar sorbets ou raspadinhas
interessantíssimos é tucupi ou tucupi preto, por exemplo em
combinação com farinha de tapioca.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 81
Caldo verde condimentada com camarão e beijucica
4-5 punhados de camarão fresco com casca ou metade camarão fresco, metade salgado, dessalgado
de véspera
1 limão galego
Fundo de camarão
Azeite
Aparas do camarão
2-3 copos de água
2-3 dentes de alho
½ cenoura ralada no ralo grosso
Caldo
2-3 copos de fundo das aparas do camarão
1 batata-doce branca ou amarela pequena, cozida
Azeite
1 punhado de pimentões regionais verdes
1 pedaço de gengibre picado
1 pedaço de açafrão-da-terra picado
Cominho e coentro em grãos a gosto
2 maços de coentro
3-4 folhas de chicória
Sal, pimenta a gosto
½ -1 colher (sopa) de suco de limão ou vinagre branco a gosto
Beijucica
Dessalgue o camarão, lave com limão, descasque e use as aparas para preparar um caldo de camarão.
Doure as carapaças num fio de azeite, acrescente o restante dos ingredientes e cubra com água.
Cozinhe em fogo brando por 15 minutos ou até obter um caldo perfumado. Peneira e reserve. Para o
caldo, torre as especiarias por poucos minutos até levantam o seu perfume. Reserve. Refogue o
pimentão junto com o gengibre e o açafrão num generoso fio de azeite. Acrescente as especiarias, o
caldo de camarão e a batata-doce. Passe junto com o coentro e a chicória pelo liquidificador até obter
um caldo cremoso. Devolve a panela, acrescente os camarões, aquece em fogo branco até todos os
sabores se uniram e o camarão mudou de cor. Corrija sal e temperos e sirva acompanhado de
beijucica, salpicado de coentro.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata
82
Pirarucu salgado cru com cebola e azeite de
coentro
400 g de pirarucu salgado, dessalgado de véspera
1 limão galego
1 cebola em rodelas
Dessalgue o pirarucu de véspera. No dia lave com limão, controle
o sal e corte com ajuda de uma faca bem afiada em lâminas muito
finas. Prepare o azeite de
coentro. Coloque os anéis de
cebola sobre o peixe e
derrame o molho sobre o
mesmo. Sirva acompanhado
de fatias de limão e beijucica
de entrada ou petisco.
Azeite de coentro
½-1 copo (100-200 ml) de
azeite de primeira qualidade
1 maço de coentro
3-4 folhas de chicória
Pimenta de cheiro a gosto
Suco e raspas da casca de
limão ou vinagre suave a
gosto
Sal e pimenta a gosto
Para o azeite de coentro pile
os ingredientes exceto o suco
de limão no pilão ou bate no
processador. Caso o pirarucu
é bem salgado, evite
acrescentar sal ao azeite. A
gosto tempere com raspas da
casca e suco de limão.
Carpaccio de pirarucu
defumado com azeite de ervas
e picles de cebola roxa
600 g de lombo de pirarucu defumado ou
salgado
Se for usar pirarucu salgado, dessalgue de
véspera em fatias ou lascas Corte o peixe com
faca bem afinada em lâminas ou desfie-o em
lascas generosas. Caso prefere, refogue as
lascas do peixe antes de usar num fio
generoso de azeite. Sirva o peixe ou com o
vinagrete ou acompanhado do azeite de
ervas.
Azeite de ervas
¼- ½ copo (50-100 ml) de azeite de ótima
qualidade
1 maço de manjericão ou coentro a gosto
½ dente de alho
Sal e pimenta a gosto
Prepare o azeite de ervas, pilando todos os
ingredientes no pilão ou processe no
processador. Corrija os temperos e reserve.
Picles de cebola roxa
2-3 cebolas roxas cortadas em fatias finas
1 pedaço de gengibre picado bem fino
½ - ¾ copo (100-150 ml) de água
½ - ¾ copo (100-150 ml) de vinagre suave
2 colheres (sopa) de sal grosso ou a gosto
2 colheres (sopa) de açúcar, rapadura ou
melado a gosto
A gosto pimenta de cheiro, coentro e
mostarda em grão
De véspera ou com mais antecedência
prepare o picles de cebola que precisa curar
na geladeira. Corte as cebolas e coloque em
vidros previamente esterilizados. Aquece o
restante dos ingredientes, equilibre acidez e
doçura e despeje sobre as cebolas até cobrir
por completo. Espere esfriar, tampe e deixe
curtir na geladeira por no mínimo 12 horas.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 83
Suco verde com coentro,
chicória e frutas
1 pedaço de abacaxi ou manga em
cubos
Ervas ou couve a gosto
1pedaço de batata-doce cozido a
gosto
1 copo de água, leite de castanhas ou
de coco a gosto
1 pitada de sal e
1 pedaço de gengibre a gosto
Açúcar ou mel a gosto
Misture todos os ingredientes no
liquidificador e consome em seguido
Vinagre aromatizado
3 ramos de manjericão ou alfavaca
3 folhas de chicória
½ l de vinagre suave
3 dentes de alho
½ colher (chá) de sementes de
mostarda
2-3 pimentas de cheiro, previamente
escaldadas
2 cravos
1 pedaço de pau de canela
½ colher (chá) de sal
Frascos previamente esterilizados
Escalde pimentas e dentes de alho.
Arrume todos os ingredientes em
frascos previamente esterilizados.
Esquente o vinagre junto com o sal e
derrame nos frascos. Lacre bem e
guarde em lugar fresco, esperando
curtir uma semana. Use em saladas,
molhos ou para temperar.
Arroz de
chicória
2 xícaras de arroz
branco cozido
2 maços de folhas de
chicória
¼ copo de azeite ou
água a gosto
Bata a chicória junto
com o líquido
escolhido e misture
ao arroz pronto. Sirva
de acompanhamento
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 84
Arubé - a mostarda amazônica
Conhecido com a “mostarda amazônica”,
o arubé, nada mais do que um tucupi
engrossado, mais espesso ou mais líquido e muito
bem temperado, é ideal para acompanhar
peixe, camarão ou frango assado ou
frito, mas combina também muito bem com
salada. Sua versão agridoce que leva mel é
perfeito para um hamburger ou um peixe curado.
Arubé
2-3 pimentões regionais vermelhos picados
2-3 dentes de alho ralados
1 pedaço de açafrão-da-terra fresco ou em pó
1 pedaço de gengibre ralado
Sal e pimenta a gosto
1 l de tucupi ácido ou a gosto água
1 cheiro verde picado
Sal a gosto
Pimenta de cheiro a gosto
Farinha d´água fina ou goma de tapioca para
engrossar
Refogue os pimentões junto com o alho, o açafrão,
o gengibre e sal. Acrescente o tucupi e o cheiro
verde e cozinhe 10-15 minutos. Dilua a goma em
um pouco de água fria e incorpore aos poucos ao
tucupi. Espere engrossar até obter uma pasta não
muito expressa, não muito rala. Corrija os temperos
e a gosto liquidifique ou passe por uma peneira
para ficar mais liso e cremoso.
Saladas regionais com molho arubé
Prepare saladas ao seu gosto com ingredientes
regionais como cará-roxo cozido em fatias, pepino,
tomate, couve picada ou rasgada e cheiro verde
picado.
Versão com beterrabas e cenouras, cruas ou
cozidas e cortadas em tiras ou cubinhos, gengibre
picado ou ralado e salpicado com castanhas
torradas. Sirva os dois tipos de salada com arubé, a
gosto incrementado com mel ou melaço.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 85
Pirarara salmourada ao molho arubé com jambu
800 g de pirarara ou outro peixe salmourado por ex. gurijuba
Limão galego
Sal, pimenta e colorau a gosto
1 xícara de arroz sete grãos
2 xícaras de água
1 maço de jambu sem talos
Coloque o peixe em uma salmoura com 1 l de água e 3-5 colheres de sal durante 2-3
dias. Lave com limão, tempere com pimenta e colorau e reserve. Prepare o arubé.
Prepare o arroz conforme descrito na embalagem. Quase
pronto, acrescente o jambu. Reserve alguns galho para decorar. Seque o peixe com
papel toalha e frite em um fio generoso de azeite até se desfaz com facilidade em lascas
firmes. Sirva sobre um espelho o molho acompanhado do arroz.
Xaréu frito sobre cuscuz de farinha d’ água, verduras regionais
e molho arubé
4 postas de xaréu
1 limão galego
Sal, pimenta e colorau a gosto
2-3 dentes de alho picado bem fino
½ maço de jambu ou cariru lavado, sem talos
1 maço de cheiro verde com alfavaca e coentro, somente as folhas
1-2 galhos de manjericão, somente as folhas
Cuscuz
1 xícara de farinha d’ água
½ xícara (100 ml) de fundo de peixe quente
½ xícara (100 ml) de leite de coco
Molho arubé
½ copo de arubé pronto adicional a gosto
½ laranja, casca raspada e suco
2 colheres (sopa) de mel de abelhas nativas
½ cheiro verde picado
Lave o peixe com limão, tempere a gosto e reserve por meia hora na geladeira. Para o
cuscuz aquece o fundo de peixe junto com o leite de coco e derrame aos poucos sobre a
farinha. Espere hidratar, soltando de vez em quando com um garfo, até alcança a
textura de um cuscuz. Tempere a gosto, coloque sobre um prato e espalhe as folhas das
verduras por cima. Seque o peixe com papel toalha e asse em um generoso fio de azeite
dos dois lados até a sua carne se solta com facilidade da espinha. Reserve, mantendo
quente. Sirva com molho arubé a gosto incrementando, o tornando agridoce. Equilibre a
doçura com a acidez. Sirva o peixe sobre a came de verduras, cubra com uma
Sabor
parte
Amazônico
do
- Susanne Gerber-Barata 86
molho e sirva o restante a parte.
Pitu no bafo com arubé e farofa
2-3 pitus com casca por pessoa dependendo do tamanho
1 limão galego
Sal
1 porção de arubé ou outro molho a gosto
Folhas de chicória para decorar
Fatias de laranja para decorar
Lave o pitu com limão, retire a cabeça e com ajuda de uma
faca o intestino. Reserve a
cabeça para fazer um caldo
de camarão, usado em outros
pratos. Tempere com sal e
reserve meia hora na
geladeira. Prepare o arubé e a
farofa, receitas ao lado.
Coloque o pitu numa panela,
acrescente um pouco de água
e uma pitada de sal. Tampe a
panela e cozinhe o pitu no
bafo em fogo brando
somente até ele mudou de
cor. Sirva o pitu sob as folhas
da chicória acompanhado da
farofa e do arubé, decorado
com galhos de coentro e
fatias de laranja.
Para mais crocância, salmoure
o pitu na casca durante
algumas horas.
Farofa
2 xicaras de farinha d´água
2-3 colheres (sopa) de
manteiga
1 cheiro verde picado
Sal e pimenta a gosto
1 laranja, raspas da casca e
fatias
Prepare a farofa. Derrete a
manteiga acrescente a
farinha e doure até ficar
crocante. Tempere a gosto
e misture com o cheiro
verde e as raspas da casca
da laranja. Reserve,
mantendo quente.
Arubé
½ l de tucupi ácido
1-2 dentes de alho
1 pedaço de gengibre
2-3 folhas de chicória ou outras ervas a gosto
Sal, pimenta e açafrão-da-terra a gosto
Goma ou farinha fina para engrossar
Para o arubé tempere bem o tucupi
incorporando alho, gengibre e chicória. Dilua a
goma em um pouco de água fria e acrescente ao
tucupi ou engrossa com a farinha. Reduz e
engrosse até obter um molho espesso e bem
condimentado. Reserva.
Galinha caipira no arubé
1 frango ou galinha caipira inteiro/a,
recortado/a ou pedaços, a gosto com pele
1 limão galego
2-3 colheres (sopa) de óleo neutro
1 ½ xícara de arubé pronto, não muito grosso
Tucupi, caso o molho engrossa muito
½ maço de jambu sem talos
Pimenta de cheiro a gosto
Lave os pedaços de frango com limão, seque
com papel toalha e tempere com açafrão-daterra
e sal a gosto. Reserve por meia hora na
geladeira. Prepare o arubé, temperando o
tucupi a gosto e engrossando com farinha
d´água ou goma de tapioca, o mantendo
cremoso. Preaqueça o forno em 220 graus.
Numa frigideira de fundo grosso aquece o óleo e
sele o frango dos dois lados, comece pelo lado
da pele. Sele durante 2-3 minutos até a pele
ficar bem dourada. Retire o frango. Derrame o
arubé numa forma refratária e coloque o frango
por cima. O frango deve ser coberto só até a
metade pelo molho. Coloque no forno e asse
por 25-30 minutos. Caso o arubé ressecar muito,
acrescente um pouco mais de tucupi. Nos
últimos 10 minutos acrescente o jambu e espere
murchar. Sirva acompanhado de arroz branco,
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata farinha d´água e pimenta-de-cheiro 87
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 88
Urucum de diversos tipos
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 89
Tonalidades de colorau
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 90
Urucu/Urucum
Colorau
Origem
O Urucuzeiro, bixa orellana, é um arbusto nativo das florestas
úmidas da América tropical. Os povos indígenas usam a semente
misturadas a diversos óleos para suas elaboradas pinturas
corporais. Inventaram assim o primeiro protetor solar,
propriedade aliás hoje comprovada. A indústria alimentícia usa
colorau, corante natural, em larga escala como corante, dando um
aspecto apetitoso a muitos embutidos e outros alimentos. No uso
caseiro nortista, colorau é indispensável para peixes e frango,
melhorando a palidez e responsável para crostas de cor apetitosa.
As sementes vermelho vivo escondidas em cápsulas moles,
defendidas com espinhos macias, liberam o seu corante potente
friccionadas ou piladas com fubá. Liberam os pigmentos
alaranjados ou avermelhados também aquecidos em óleo.
Aroma
A semente em si possui pouco aroma próprio, é floral ou lembra
menta.
Uso
O corante vermelho que envolve as sementes é misturado a fubá,
é tirado no pilão ou se solta no óleo ou vinagre dando um tipo de
vinho-de-colorau usado para deixar carnes pálidas mais apetitosas.
Clássico
Em pratos salgados e coroando frango, peixe e arroz.
Exótico
O seu vermelho vivo combina muito bem com arroz, açúcar, doces
ou licores, lhes dando um aspecto apetitoso.
Imperdível
Responsável pela coloração vermelho intenso do licor amazônico.
J F M A M J J A S O N D
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 91
Marinadas úmidas e secas
No Norte do país usa-se tradicionalmente tanto em
peixe quanto em frango um banho de sal e
colorau ou açafrão-da-terra, nada mais do
que uma marinada seca ou “rub”, tão na moda,
depois de uma boa esfregada com limão. Uns
acrescentem alho e gengibre outros diluem o corante
escolhido em óleo. Tem cozinheiros/as que não
dispensam cominho e até coentro em grão que
combinam muito bem também com peixe. A proteina
descansa meia hora na geladeira para tomar gosto.
Marinadas desse tipo não só agregam sabor, amaciam
as carnes e tiram qualquer pitiu, mas também alegram
os olhos, mudando a aparência meia pálida da proteína
resultando em crostas douradas.
“Variar, até ousar é sempre
bem vindo!“
Para cozinheiros menos tradicionais aqui a proposta de
uma marinada mais contemporânea, contendo, além de
alho e gengibre, cominho e coentro em
grãos e muito coentro fresco picado. Na
gastronomia de outros países junta-se açúcar ou mel
além de especiarias ao sal e a pimenta obrigatório.
Receitas que combinam perfeitamente com
ingredientes locais. Raspas da casca de limão e
especiarias também podem entrar nos preparos.
Aruanã marinado e assado escabeche
Marine as postas de aruanã com colorau, cominho e
coentro em grãos, sal, coentro e outras ervas frescas,
azeite e suco de limão, e asse no forno na panela de
barro.
Para o escabeche corte 1 ½ -2 cebolas em pétalas e 4-6
pimentões regionais coloridos em listras. Refogue num
generoso fio de azeite, tempere com sal e pimenta.
Acrescente 2-3 colheres (sopa) da marinada do peixe
e/ou a gosto 2-3 colheres de vinagre suave. Retire bem
os queimadinhos do fundo da frigideira e cozinhe em
fogo muito brando e sirva sobre o peixe.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 92
Arroz amazônico com colorau, castanhas,
banana pacovã, pupunha e castanhas
1 cebola picada
3 dentes de alho picados
1 punhado de pimentões regionais picados
1 colher (chá) de colorau em pó ou 1 colher (sopa) de azeite de
Urucum ou açafrão-da-terra
Sal e pimenta a gosto
1 xícara de arroz
2 xícaras de água
2-3 tucumãs e/ou pupunhas, o tucumã em tiras, a pupunha cozida e
descascada em tirinhas
2 bananas pavocã em rodelas
1 punhado de castanhas inteiras ou picados grosseiramente
1 cheiro verde picado
Azeite
Manteiga a gosto
Refogue a cebola junto com o pimentão num generoso fio de azeite
ou azeite de urucum. Acrescente alho e o arroz, metade dos
tucumãs ou pupunhas picadas e completa com a água. Tempere a
gosto e cozinhe até o arroz absorver todo o líquido. Frite as rodelas
da banana em azeite ou manteiga até dourar. Reserve. Na mesma
panela torre as castanhas e espere perfumar. Aquece o restantes
das pupunhas e frite levemente as tirinhas do tucumã. Sirva as
frutas sobre o arroz, salpicado com cheiro verde.
Arroz de toucinho com colorau
1 pedaço de toucinho ou bacon em cubos
1 colher (chá) de colorau
1 xícara de arroz
2 xícaras de água ou caldo de legumes
Sal e pimenta a gosto
Cheiro verde picado a gosto
Frite o toucinho em cubinhos na própria gordura numa frigideira ou
panela de fundo grosso. Reserve os cubinhos crocantes e acrescente
o colorau e o arroz lavado ao restante da gordura. Complete com
água e tempere a gosto. Cozinhe em fogo baixo até o arroz
absorveu todo o líquido. Corrija os temperos e sirva salpicado dos
cubinhos de toucinho e cheiro verde a gosto.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 93
Colorau em pó
1 colher (sopa) de óleo de soja ou de
girassol
250 g de sementes de urucum tirado
do involucre
250 g de fubá fino
Aqueça, mantém o fogo bem baixo, o
óleo junto com os sementes de
urucum. Espere aquecer bem, sempre
mexendo, para depois passar para um
pilão. Junte o fubá no pilão e pile juntos
até o fubá absorveu toda a cor
vermelho. Peneire e conserve o colorau
num vidro previamente esterilizado,
protegido da luz e bem lacrado. A gosto
acrescente adicional depois de
peneirado alho socado, sal e pimenta.
Azeite de urucum
300 g de sementes de urucum
1 litro de um óleo neutro por exemplo
girassol ou canola
Em banho-maria aqueça os
ingredientes por cerca 2 horas até todo
o pigmento passou pelo óleo. Coe e
guarde em vidros previamente
esterilizados. A gosto podem ser
acrescentados algumas pimentas de
cheiro aferventadas, folhas de chicória
e alho. Use o óleo colorido em todos os
preparos junto como refogado ou
como toque final sobre um prato
pronto.
Arroz malando de peixe com
colorau e tomate
Molho de tomate
3 dentes de alho
Azeite
1 lata de tomate pelado ou 4-5 tomates
frescos sem pele
Sal e pimenta a gosto
A gosto alecrim manjericão, orégano ou
tomilho
Doure o alho picado num generoso fio de
azeite. Acrescente o tomate, os temperos a
gosto e cozinhe lentamente em fogo baixo
até obter um molho de tomate consistente.
Peixe
2 xícaras de fundo ou caldo de peixe obtido
com as aparas de peixe ou crustáceas.
400-600 g de postas de peixe ou sobras de
peixe
Aquece o fundo de peixe e cozinhe nele as
postas de peixe em fogo muito brando
(poché) até se desfazem com facilidade em
lascas firmes. Reserve o peixe e use o caldo
para preparar o arroz.
Arroz
3-4 dentes de alho picado
4-5 pimentões regionais sem sementes,
cortados em tiras
Azeite
Sal, pimenta e colorau a gosto
1- 1½ xícara de caldo de peixe quente
1 xícara de arroz, de preferência arbólio,
tipo indicado para risoto
1 xícara de sobras de peixes desfiados
Doure os pimentões junto com o alho e
colorau, sal e pimenta a gosto. Acrescente o
arroz, não precisa lavar! e doure.
Acrescente o molho de tomate e aos
poucos junte o fundo de peixe e cozinhe até
o arroz absorveu todos os líquidos. Corrija
os temperos e bem no final incorpore o
peixe já cozido e o cheiro verde. Sirva de
prato principal.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 94
Pacu no papel manteiga ou na folha de bananaeira
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata
95
T
Pacu no envelope de folha de bananeira
4-6 pacus limpos, ticados
1 limão galego
Sal, pimenta e colorau a gosto
Vegetais a gosto, por exemplo
1 batata-doce, cozida
4 maxixes pré-cozidos
1 cebola roxa cortada em 4 ou 8 partes
4 pimentões regionais inteiros ou em listras
1 pedaço de jerimum em palitos ou cubos
4-6 pupunhas cozidas
6 quiabos cortados ao longo do comprimento
1 maço de cheiro verde
1 punhado de folhas de vinagreira rasgadas ou picadas
Papel manteiga, uma cesta de bambou para cozimento sob vapor ou uma folha grande
de bananeira
Lave o peixe com limão, tempere a gosto e reserve por meia hora na geladeira. Antes de
assar recheie a sua cavidade abdominal com algumas ervas. Cozinhe todos os legumes
em água com sal al dente. Pré-aquece o forno em 200 graus. Para cada peixe forre um
quadrado de papel manteiga ou parte de uma folha de bananeira com as folhas da
vinagreira, coloque os legumes e depois o peixe por cima. Feche o papel ou a folha com
folga para o vapor e asse por 20-40 minutos, dependendo do tamanho do peixe no
forno, sob brasa ou sob vapor. Acompanha arroz, pimenta e farinha.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata
96
Caldo express e caldeirada mista de traíra e aruanã
Fundo de peixe
600 g de aparos de peixe ou crustáceas, carcaças, espinhaços e cabeças etc.
1 limão galego
Colorau, sal e pimenta a gosto, 1 cebola cortada em anéis
3-4 pimentões regionais cortados em anéis ou listras
1 pedaço de gengibre picado, azeite
T
1 copo de vinho branco
3-4 colheres de purê de tomate de boa qualidade
1 maço de cheiro verde picado
1 limão, raspas da casca e 1 fatia de decoração
Caldeirada
1 l de fundo de peixe elaborado com as aparas do peixe ou água
2-3 peixes da estação, por exemplo traíra e aruanã limpos, ticados, em pedaços
2-3 dentes de alho, 2 tomates cortados em cubos
Legumes da estação a gosto por ex. cenoura, jerimum, maxixe, quiabo e couve rasgada
Macaxeira, batata-doce ou outro tubérculo em cubos ou pré-cozidos
2-3 ovos cozidos a gosto
Leite de coco a gosto
1 pitada de cominho, 1-2 cravos, 1 folha de louro
1 maço de cheiro verde
1 cálice de conhaque a gosto
Farinha fina para engrossar a gosto
Lave as aparas e os peixes com limão. Tempere os peixes a gosto e reserve por meia
hora na geladeira. Prepare com as aparas o fundo de peixe. Refogue cebola, pimentão,
gengibre e parte do cheiro verde num generoso fio de azeite. Junte as aparas do peixe
e doure de todos os lados. Cubra com água e cozinhe em fogo muito brando por 15-20
minutos ou até obter um caldo de peixe perfumado. Passe pela peneira, reserve o caldo
e pedaços de peixe desfiados e descarte o restante. Aquece novamente, junte o vinho
branco e o purê de tomate e as especiarias e apure por 10-15 minutos até os sabores se
unem. Coloque os pedaços de peixe desfiado, corrija os temperos e sirva de entrada.
Para a caldeirada acrescente também o peixe e os legumes conforme o seu tempo de
cozimento e cozinhe lentamente em fogo muito baixo até todos os gostos se uniram e
o peixe se solta com facilidade das espinhas. Salpique com o restante do cheiro verde e
as raspas da casca de limão e sirva. A gosto pode selar os peixes antes de acrescentar
ao caldo. Se prefere um caldo mais encorpado, retire o peixe e alguns legumes
decorativos, bate o caldo no liquidificador e engrosse com farinha. Devolve o peixe e os
legumes, junte o conhaque, acrescente os ovos e sirva acompanhado de arroz e pirão.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata
97
Moqueca de camarão regional com pirão
800 g de camarão regional com casca
1 limão galego
3-4 dentes de alho picados bem fino
Sal, pimenta, colorau e/ou açafrão-da-terra a gosto
1 cebola cortada em anéis
Pimentões de diversas cores, verde, amarelo e vermelho ou pimentões regionais em cores variadas
Azeite
4-5 tomates regionais cortados em rodelas
1 pedaço de casca de limão desidratada
1 maço de cheiro verde picado
1 maço de coentro picado
1 copo (200 ml) de leite de coco caseiro ou industrializado
Azeite de dendê a gosto
T
Pirão
1 cebola picada
Caldo de camarão preparado com as aparas do camarão
Farinha a gosto
Sal, pimenta e colorau a gosto
Algumas horas antes de usar, lave o camarão ainda na carapaça e salgue generosamente. Deixe descansar na
geladeira. Na hora lave e descasque o camarão, reservando as cabeças e carapaças para preparar com 1 ou 2
xícaras de água e cheiro verde um perfumado fundo de camarão, receita abaixo. Lave o camarão com limão,
tempere com sal, pimenta e alho e reserve. Refogue a cebola junto com o pimentão e o colorau ou açafrão
num generoso fio de azeite e reserve. Unte uma panela de barro com azeite, leve ao fogo e espere aquecer.
Enquanto isso arrume alternado camadas com todos os ingredientes, começando com fatias de tomate,
refogado, camarão e parte do cheiro verde. Junte a casca de limão, regue com algumas colheradas do caldo
de camarão, tampe e espere levantar fervura. Baixe o fogo e cozinhe por 8-10 minutos. Acrescente o leite de
coco e o azeite de dendê, corrija os temperos, salpique com cheiro verde e sirva acompanhado de pirão,
preparado com o caldo feito das aparas do camarão.
Para o pirão prepare o caldo de camarão. Refogue as aparas do camarão, cubra com água e cozinhe em fogo
brando até obter um caldo perfumado. Filtre, descarte as aparas e reserve o caldo. Refogue a cebola num fio
de azeite, acrescente o caldo de camarão e um pouco de cheiro verde e engrosse aos poucos com a farinha
d´água até obter a consistência desejada. Corrija os temperos e sirva acompanhando a moqueca.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata
98
Açúcar
perfumado com
especiarias,
colorido com
colorau
½ xícara de açúcar
Raspas da casca de um
limão ou uma laranja
1-2 sementes de cumarus
1 pedaço de casca preciosa
ou canela
2-3 embiribas
1 colher (chá) de colorau
ou a gosto
Machuque as especiarias
levemente no pilão e
misture com o restante
dos ingredientes. Espere
perfumar o açúcar durante
alguns dias. Depois use
para salpicar salada de
frutas, sorvetes, pudins ou
bolo.
Também fica bonito de
decorar as bordas do copo
com uma fina camada de
açúcar perfumado. Por isso
mergulha primeiro a borda
na água e depois no
açúcar.
Bolo de laranja com
buttercream de merengue
suíço colorido com colorau
Prepare um bolo básico, regue com
suco, xarope ou licor de laranja e cubra
com a buttercream colorida.
Buttercream
1 xícara de açúcar (200 g)
3 claras
200 - 300 ml manteiga sem sal
temperatura ambiente em cubos
1 pitada de sal
1-2 colheres (sopa) de colorau
Raspas da casca de uma laranja
Prepare um banho-maria. Bate as claras
junto com o açúcar durante 4 minutos
sob o banho-maria ou até ao esfregar as
claras entre dois dedos não sente mais
nenhum grão de açúcar. Coloque na
batedeira e bate por 10 minutos em
velocidade alta. No final incorpore os
cubos de manteiga, um por um, aos
poucos, sempre batendo e por fim o
colorau até obter a cor desejada.
Continue batendo mesmo que a massa
parece talhada até obter um frosting
firme. Use bico ou decore a gosto com
pérolas de açúcar , raspas da casca de
laranja ou laranja cristalizada.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 99
Coentro e cominho em grão e moído
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 100
Cominho e coentro
em grão
Origem
Cominho, Cuminum cyminum e coentro, Coriandrum sativum em
grão ou moído no mesmo dia são medidos em garrafinhas
recortadas ou tampas, enchidas com uma colher da bacia de
plástico. A oferta se concentra no básico, mas as aromas que
perfumam o ar são intensas e irresistíveis. Tem freguesia que aposta
na praticidade – pede cominho e pimenta-do-reino, disponível em
grão ou moído, já misturado. Uns vendedores vendem juntos
colorau, açafrão-da-terra e cabeças de alho. Cominho e coentro são
originário do Oriente Médio, provavelmente do Egito antigo. Devem
ter chegado ao Brasil junto com os colonizadores, todos
apreciadores dos seus sabores intensos. Sabor intenso aliás que não
agrada a todos. O coentro em grão com seu gosto cítrico um
excelente aromatizador e vai muito bem em conjunto com outras
especiarias.
Aroma
O sabor forte e pungente do cominho não agrada a todos paladares.
Sem ser apimentado traz notas de anis e limão e um ligeiro
amargor. Os sementes de coentro são mais suáveis e discretas, ideal
em misturas.
Uso
Usado indiscriminadamente o sabor do cominho se sobrepõe às
outras especiarias, mas com sabedoria acrescenta notas
interessantes a preparos com carnes, peixes e até ao feijão diário.
Coentro combina bem com picles e em misturas e marinadas e
frutas cítricas.
Clássico
Em todos os pratos com carne e no feijão. No Norte também
tempera peixe e feijão.
Exótico
Bem dosado é perfeito para peixes, especialmente na marinada que
combina cominho, sementes de coentro e coentro fresco e suco de
limão.
Imperdível
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 101
Na sopa de peixe, no picadinho ou na salada de repolho.
J F M A M J J A S O N D
Arroz de legumes com cominho
1 maço de verduras e legumes vendidos juntos na feira por exemplo:
3-5 pimentões regionais em listras
2-3 maxixes em rodelas
1 maço de quiabos em rodelas ou listras
Uma dúzia de quiabos ou 1 quiabo de metro
Algumas folhas de couve ou uns galhos de cariru, jambu, espinafre
orelha de macaco ou vinagreira rascadas ou picados grosseiramente
Repolho branco ou roxo a gosto
1 pedaço de jerimum ou cenoura a gosto
1 pimenta de cheiro picada bem fina
1 pedaço de gengibre ralado
1 maço de cheiro verde
3 folhas de chicória ou coentro
1 galho de alfavaca
Sal e pimenta a gosto
Cominho a gosto
1 colher de azeite
2-3 dentes de alho
1 copo de arroz lavado
2 copo de água quente ou caldo de galinha
Escolha os legumes pela cor; opta pelo monocromático ou por uma
mistura bem colorida. Pique ou rale os legumes não muito fino para não
desaparecer. Aquece o azeite junto com o alho, sal e o cominho sem
dourar. Junte o pimentão e o gengibre e o arroz lavado. Refogue bem e
acrescente a água quente e os legumes de cozimento mais longo.
Cozinhe lentamente sob fogo baixo, acrescentando os outros legumes
aos poucos e até o arroz absorveu todo o líquido e os legumes estejam
cozidos. Corrige os temperos, salpique com cheiro verde e sirva de
acompanhamento ou prato principal.
Versões: Troque o cominho por outros especiarias ou use arroz integral
ou misturado com outros grãos.
Algumas colheradas do pesto combinam muito bem e acrescentam
proteínas ao prato.
Salada de dois repolhos com cominho
Fatie o repolho bem fino ou com ajuda de um mandolim. Tempere com
bastante coentro em grãos, sal grosso, pimenta a gosto, óleo neutro e
vinagre. Misture bem e reserve por uma hora. Sirva gelado.
Pão caseiro com sal grosso e sementes de cominho
e coentro
Prepare um pão simples achatado. Antes de assar regue com azeite e
salpique com sal grosso e sementes de cominho e coentro a gosto. 102
Chaparema com
vinagrete de cebola
roxa e cominho
6-8 chaparemas, limpos e
ticados
1 limão galego
2-3 dentes de alho
Sal e pimenta a gosto
Lave o peixe com limão,
tempere com sal, pimenta e
alho e deixe tomar gosto por
meia hora na geladeira.
Prepare uma brasa para grelhar
o peixe. Prepare a vinagrete.
Grelhe os peixes na brasa e os
regue ainda quente com a
vinagrete. Sirva de imediato ou
repousado durante uma noite
na geladeira.
Vinagrete
5-6 colheres (sopa) de azeite
½ cebola roxa cortada em
listras
1-2 colheres (sopa) de vinagre
branco suave
Cominho a gosto
Sal e pimenta a gosto
1 maço de coentro picado
Doure a cebola no azeite até
murchar, acrescente os outros
ingredientes e cozinhe por mais
um minuto. Tempere com sal,
pimenta e cominho, corrija os
temperos e reserve. Sirva sobre
o peixe.
T
Ragout de peixe com tempero
nortista picante
800 g de peixe cortado em cubos grandes
1 limão galego
3-4 dentes de alho
2 colheres (chá) cominho em grãos
1 colher (chá) de coentro em grãos
Pimenta de cheiro fresca ou seca
1 colher (chá) de grãos de pimenta-do-reino
¼ colher (chá) de cravo moído
1/3 copo (80 ml) de suco de limão
¼ copo (60ml) de suco de laranja
1/2 copo (120 ml) de vinho branco seco
1 punhado de pimentões regionais verdes,
amarelos e vermelhos
1 cebola roxa cortada em meia luas
Azeite
1-2 tomates regionais cortados ao longo do
comprimento em 8 pedaços
1 maço de coentro fresco
1 folha de alumínio.
Lave o peixe com limão e reserve. Pilha o alho, o
cominho e o coentro, as pimentas e o cravo em
um pilão até obter uma massa grossa e misture
com os sucos de limão e laranja. Deixe o peixe
descansar nessa mistura na geladeira por 30
minutos. Doure a cebola em um fio generoso de
azeite, acrescente o pimentão regional e frite
por alguns minutos até que fiquem macios.
Preaqueça o forno em 200 graus. Junte o peixe,
guarde a marinada e frite de todos os lados.
Transfere para uma forma própria para assar:
Forre o fundo com 2/3 dos legumes, coloque o
peixe, junte a marinada, o restante dos legumes
e o tomate. Tempere com sal e cubra com uma
folha de alumínio. Asse coberto por 15 minutos
e mais 10 minutos sem a folha de alumíno ou
até a carne do peixe se desfaz em lascas firmes.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 103
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata
Pimentão de
gosto/regional
Origem
Os pimentões doces são, igual tomate, a batata, a berinjela e o
jiló solonaceas. Parentes da pimentinha pertencem a gigante
família dos capsicuns. Seu formato e o tamanho varia muito de
região para região. Cultivados no Peru e México desde tempos
pré-históricos, levado pelo mundo por Cristóvão Colombo, há
36 espécies botânicas dessa família e só Capsicum annuum; C.
bacccatum; C. chinense; C. frutescens são domesticadas, outros
são semi-domesticados. A mais brasileira de todas, a Capsicum
chinense, é da Bacia Amazônia e indispensável na cozinha
nortista. Pequena, alongada, aromática, e pouco pungente é
chamada por diversos nomes populares como pimentão
regional ou pimentão-de-gosto. Tradicionalmente se dá
preferência aos exemplares bem verdes, imaturas.
Amadurecidas, se tornam amarela-esverdeadas ou –leitoso,
alaranjado ou vermelho vivo ou até roxo. Fazem parte de
qualquer refogado e também não faltam na vinagrete.
Aroma
O seu aroma lembra os pimentões, três ou quatro vezes
maiores. Dispensa-se as sementes e elas são aromáticas mas
pouco pungentes.
Uso
Refogado ou vinagrete, temperando tanto tucupi quanto todos
os pratos com peixe ou carne.
Clássico
Parte indispensável de qualquer refogado.
Exótico
Inteiros ou sem sementes, assados no forno, servidas quente ou
frio
Imperdível
Incrementando o molho de pimenta ou a geleia de abacaxi
104
J F M A M J J A S O N D
Pimentas muripi com as características dobradinhas
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 105
Pimenta-de-cheiro in natura ou ao tucupi
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 106
Pimenta-de-cheiro
& outras pimentas
Origem
Olho-de-peixe, murupi, periquito, jacitara, urubuquinha ou
simplesmente pimenta-de-cheiro - não há almoço amazônico
sem pimentas locais, uns bem “ardosas”! Uma das mais
apreciada e emblemática no Norte é a redondinha e colorida
pimenta-de-cheiro por arder pouco e exalar, ao ser
machucada, o seu perfume picante. As pimentas pertencem
às Américas! Espalharam-se com a colonização pelo mundo.
Fala-se de mais do que 90 tipos nativos. Os povos indígenas as
usavam e ainda usam em abundância, em quantidade e
ardência consideráveis e lhes atestam poderes muito além de
apimentar. Da mesma família dos pimentões, capsicum, as
pimentas se destacam através da presença marcante da
capsaicina, a substância responsável pela pungência
característica e fama de melhorar o estado de ânimo.
Aroma
Cada pimenta tem o seu próprio sabor e pungência mais ou
menos acentuada.
Uso
Numa mesa nortista nunca falta pimenta fresca, espremida
com o garfo ou em forma de molho de pimenta.
Clássico
Pimentas não faltam nunca na mesa nortista.
Exótico
Pimenta com chocolate ou brigadeiros gourmets.
Imperdível
Pimenta-de-cheiro fresca, espremida na hora e aquela na
geleia de pimenta com pimentão-regional e abacaxi.
J F M A M J J A S O N D
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 107
Apimentados caseiros
Adora uma pimenta? Simplesmente amassada com o
garfo, conservado em azeite, vinagre, cachaça ou a
maneira mais tradicional, no tucupi? Comida nortista
não existe sem pimenta! No lugar de compra-los prontos e
industrializados – eles tem a tendência se acumular na porta
da geladeira - elabora as suas com toque
personalizado! Ao preparar – sempre lembra-se de
manusear pimentas com luvas protetoras! Queimam,
também as mãos! Também não respire os vapores e fique
atento aos respingos!
Misture a pimenta da sua escolha com sal e
vinagre ou tucupi, liquidifica e aquece. Quem preza
cores vivas, incrementa, abusando de colorau ou açafrãoda-terra.
Alho também não faz feio. Espere borbulhar em
fogo baixo durante 20-30 minutos e guarde em recipientes
previamente esterilizado. Curado durante alguns dias, já
está pronto para uso. Sal e acidez são importante para
conservação do molho. Testado, incremente a gosto. A
autora recomenda usar além de pimentas regionais também
pimentões locais, gengibre, alho e tomates.
Especiarias e suco e casca raspada de limão e/ou frutas
como mamão, abacaxi e manga dão aquele toque. Para um
contraste a mais testa rapadura, mel, melado ou
açúcar – as combinações são infinitas e você decide as
graus do calor.
Coringas, esses molhos não fazem feia na brusqueta, na
tapioca ou no pão de hamburger. Prestam-se para marinar,
dando uma ótima crosta. Diluídos com vinho tinto, puré
de tomate ou simplesmente água vira molho picante para
cozinhar ou assar peixe ou frango. O molho mais doce, na
verdade mais uma geleia picante, é ótimo
acompanhamento que não só encanta pela cor mas também
pela picância inesperada.
108
Molho de pimentão e pimenta regional
acompanha peixe, frango e carne
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 109
Molho de pimenta de cheiro e pimentão
regional
8-12 pimentões regionais vermelhos, amarelos ou laranjas sem
sementes, grelhados
2-3 pimentões regionais verdes sem sementes, grelhados
4-6 dentes de alho
1 pedaço de gengibre
1 maço de coentro fresco
200 ml de azeite
1 colher (sopa) de suco de limão e casca ralada de 1 limão
e/ou a mesma quantidade vinagre de vinho tinto
4-6 pimentas de cheiro ou a gosto outros tipos de pimenta
2 folhas de louro
Coentro e cominho em grão a gosto
Colorau ou/e açafrão-da-terra a gosto
Cravo e canela em pó a gosto
Sal a gosto
1 colher (sopa) de açúcar mascavo a gosto
A gosto 1 colher de vinho de Porto ou cachaça
Grelha os pimentões junto com os dentes de alho. Corte em
pedacinhos e esmague junto com o azeite e as especiarias num
pilão ou no processador até obter até obter um purê bem picante.
Acrescente o vinagre ou o suco de limão e as raspas da casca e a
gosto o álcool e coloque num frasco previamente esterilizado,
bem fechado. Conserve em lugar fresco, escuro e seco. Depois
uma semana é pronto para temperar peixes, camarão, frango e
carnes.
Versão
Corte todos os ingredientes sólidos em pedacinhos. Refogue o
alho, os pimentões e pimentas, o colorau ou/e açafrão-da-terra, as
especiarias e as folhas de louro com um pouco de azeite no fogo
médio. Adicione a cachaça e baixe a temperatura. Adicione
vinagre, sal e o restante do azeite. Espere aquecer até começar a
borbulhar e cozinhe em fogo baixo durante 15-20 minutos. Se for
usar no lugar de vinagre suco e casca de limão, acrescente só
depois do cozimento. Coloque em vidros previamente esterilizado.
Feche bem e conserve em lugar fresco, escuro e seco. Depois uma
semana é pronto para marinar e temperar peixes, camarão, frango
e carnes.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 110
Sardinha grelhada sob molho picante
1 porção de molho de pimenta de cheiro e pimentão
regional (receita página anterior)
½ lata de tomate pelados
½ maço de coentro fresco
2-3 galhos de hortelã
1 cambada de sardinhas
1 limão galego
Sal e pimenta, colorau a gosto
Lave o peixe com limão, tempere a gosto e reserve
por meia hora na geladeira. Prepare o molho picante
conforme receita e incorpore os tomates. Cozinhe sob
fogo brando até engrossar. Asse a sardinha sob brasa
ou no forno e sirva sobre o molho.
Tambaqui de banda com molho
picante
1 porção do molho de pimenta de cheiro e pimentão
regional (receita página anterior)
1-2 tambaquis em banda
1 limão galego
Prepare uma porção do molho picante, receita página
anterior. Lave as bandas do peixe com limão e
tempere com metade do molho. Reserve durante
meia hora na geladeira. Asse sob brasa, pincelando de
vez em quando com o molho. Sirva acompanhado do
restante do molho e um vinagrete a gosto. Na foto o
vinagrete foi enriquecido com cubinhos de abacaxi.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 111
Camarão ao molho de pimentão regional
e pimenta de cheiro
1 kg de camarão regional descascado (reserve as aparas
para preparar um caldo de camarão, usado para outros
fins)
1 limão galego
Legumes a gosto como quiabo, pimentão e cebola roxa
Abacate em cubos
Batata-doce e cará-roxo cozido em cubos
Limão ou vinagre
Azeite
Sal e pimenta a gosto
Espetos de metal, se for usar de madeira, mergulhe
durante meia hora em água para não queimar
Prepare o molho com antecedência. No dia lave o
camarão com limão, lambuze com metade do molho e
espere marinar por no mínimo meia hora. Enquanto isso
prepare os acompanhamentos. Cozinhe o cará roxo ou
corte o quiabo no meio ao longo do comprimento. Espete
os espetos só de camarão ou misturado com pimentão e
cebola. Pincele o quiabo com um pouco de azeite e
tempere a gosto. Grelhe quiabo e espetinhos na grelha ou
na frigideira dos dois lados. Pincele de vez em quando
com um pouco de molho. Corte cará roxo, batata-doce
cozido, abacate e os outros ingredientes em cubos,
tempere a gosto e prepare uma salada morna. Sirva os
espetinhos sobre essa salada ou sobre os quiabos assados.
Acompanha o restante do molho.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 112
Frango ou peixe ao forno ao molho picante de pimenta
de cheiro e pimentão regional
1 frango ou galinha caipira em pedaços ou
800g – 1kg de postas de peixe de carne firme, por exemplo surubim
1 limão galego
1 porção do molho picante receita pagina anterior
Azeite
1 cheiro verde
Pimentas de cheiro a gosto
Corte o frango ou a galinha em pedaços. Lave com limão, seque com papel
cozinha e tempere com metade do molho picante. Espere marinar durante
algumas horas ou uma noite na geladeira. A gosto prepare um caldo com
miúdos e asas usado para o preparo de arroz, outro fins ou para diluir o molho.
Se for usar peixe, procede de mesma maneira, mas marine só meia hora. Com
as aparas do peixe prepare um fundo de peixe, descarte as aparas e reserve.
Preaqueça o forno em 220 graus. Coloque o frango ou as postas do peixe
sobre uma forma refratária untada e asse no forno até a carne se solta com
facilidade dos ossos. De vez em quando pincele com o restante do molho.
Para a versão mais caldosa, sele o frango ou o peixe dos dois lados num
generoso fio de azeite. Coloque numa forma refratária alta, previamente
untada. Misture o fundo de peixe ou o caldo de galinha com o restante do
molho. Completa a forma com esse líquido até metade das postas ou dos
pedaços e asse no forno até a carne se solta com facilidade dos ossos. Sirva
salpicado com cheiro verde e pimenta-de-cheiro. A gosto acompanha com
chutney de frutas e arroz branco.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 113
Geléia de pimenta
2 xícaras de pimentões
regionais bem vermelhos
em listras, sem sementes
2-3 pimentas de cheiro
ou a gosto
1 fatia generosa de 4-6
cm de abacaxi
3-4 colheres (sopa) de
açúcar ou a gosto
1 pitada de sal
Colorau a gosto
Pique as pimentas e
pimentões e retire as
sementes se preferir uma
pungência mais amena.
Pica o abacaxi e cozinhe
tudo em fogo brando
junto com o açúcar e o
restante dos ingredientes
até desmanchar.
Acrescente água se for
precisa. Passe pelo
processador e engrosse
até obter a consistência
desejada. Contrabalance
doçura e pungência,
corrija os temperos e
reserve.
Nuggets de pirarucu com crosta de
castanhas e geléia de pimenta
600 g de filé ou postas de pirarucu, livre de
espinhas
1 limão galego
Sal e pimenta a gosto
2-3 colheres (sopa) de farinha de trigo ou goma de
tapioca
2 ovos ou somente as claras levemente batidas
200 g de castanhas picadas grosseiramente ou em
lâminas
2 colheres (sopa) de manteiga
Lave o peixe com limão, tempere a gosto e reserve
por meia hora na geladeira. Prepare a geleia de
pimenta, receita ao lado. Preaqueça o forno em
180°. Forre uma forma refratária com papel
manteiga. Pique as castanhas e coloque num prato
fundo. Prossegue do mesmo jeito com a farinha
peneirada e os ovos levemente batidos. Tempere a
farinha com sal e pimenta. Seque o peixe com papel
toalha, corte em pedaços e passe cada pedaço
primeiramente pela farinha, depois pelo ovo e por
fim pelas castanhas. Coloque sobre a forma forrada.
Distribua a manteiga sobre os pedaços e asse no
forno por 15-20 minutos ou até a crosta dourar.
Sirva acompanhado da geléia de pimenta ou outro
molho a gosto. Acompanha salada fresca.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 114
Bolo cremoso de chocolate intenso com pimenta (sem farinha)
200 g de chocolate em barra, alta porcentagem de cacau e da melhor qualidade possível
200 g de manteiga
6 ovos separados em claras e gemas
200 g de açúcar
200 g de farinha de castanhas
60 g de cacau em pó da melhor qualidade
1 colher (chá) de extrato de baunilha
1 colher (sopa) ou a gosto de pimenta de cheiro em conserva no óleo
1 pitada de sal
Unte uma forma com manteiga e polvilhe com cacau. Reserve. Preqaueça o forno em 160 graus. Sob banho-maria
derrete o chocolate picado junto com a manteiga. Misture bem e espere esfriar um pouco. A parte bate as gemas
com o açúcar até obter um creme grosso e embranquecido. Incorpore primeiro a farinha de castanhas e o cacau e
depois a mistura de chocolate e manteiga e a baunilha. Por último bate as claras junto com a pitada de sal em
castelo. Com movimentos evolventes incorpore à massa. Coloque na forma untada e asse no forno durante mais
ou menos 30 minutos. A massa no interior do bolo não deve assar por completo e ficar molhado e cremoso. Antes
de desenformar, espere esfriar na forma.
Variações de decoração - ganache
100 g de chocolate amargo ou meio amargo a gosto picado ou chips
1/3 de xícara de creme de leite
1 colher (sopa) de manteiga
1 colher (sopa) de pimenta de cheiro em conserva ou a gosto
Pimentas de cheiro fresco ou secas para decorar
A gosto fleur-de-sel para decorar
Pimenta de cheira fresca ou conservado em óleo para apimentar a gosto
Coloque o chocolate picado numa vasilha. Aquece o creme de leite até antes do ponto de fervura e derrame sobre
o chocolate. Espere o chocolate derreter, mexendo de vez em quando. Incorpore a manteiga e espere esfriar fora
da geladeira. Esfriado leve mais ou menos 1 hora para firmar na geladeira.
O bolo fica mais húmido se for coberto e a gosto recheado com geleia levemente ácida, por exemplo de jambo. A
mesma volta a ser líquida se for aquecida.
Cobertura de chocolate
100 g de chocolate amargo picado
3 colheres de água quente
100 g de açúcar de confeiteiro
1 colher generosa (sopa) de manteiga
Aquece a água e coloque sobre o chocolate e espere derreter. Incorpore o restante dos ingredientes e espalhe
sobre o bolo. Decore a gosto.
O bolo também pode ser polvilhado com cacau em pó de ótima qualidade ou açúcar confeiteiro e decorado com
pimentas-de-cheiro. Quem não dispõe de pimentas frescas pode esmagar levemente pimentas rosas ou flocos de
pimenta.
115
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 116
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 117
Mercado 2000, Santarém Pará
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 118
VERDURAS
& legumes
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 119
Vendedor de legumes e verduras, Belém Pará
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 120
Vendedores ambulantes, Manaus, AM
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 121
Verduras, mercado Oriximiná e Belém
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 122
Mistura de legumes que vai na sopa, no peixe e no feijão
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 123
Cariru/Caruru
Origem
Cariru, Talinum triangulare, ou caruru,– nome idêntico ao prato
que hoje se cozinha com quiabo – é uma hortaliça tradicional e
genuinamente amazônico, mesmo sendo uma planta encontrada
em todo território nacional. Pertence a família dos Portulaceas.
Como o nome latim expressa, tem um talo carnudo, em parte
triangular, folhas tenras, oblongas e flores minúsculas lilás. Gosta
de meia sombra, é de fácil cultivo, resistente ao calor e uma
excelente fonte de minerais e vitaminas. Encontra-se em feiras
livres mais do interior.
Aroma
O gosto é parecido com espinafre, tendo um leve retrogosto com
um toque fugitivo e agradável amargor.
Uso
Substitui com louvor o espinafre, mesmo que o verde das suas
folhas seja menos intenso. Para preservar o mesmo, pode ser
branqueado antes do uso. Normalmente é cozido junto com o
feijão, refogado ou usado no cariru.
Clássico
Espernegado, refogado com ovo caipira, vira a assim chamada de
comida de reconvalescente. É possível substituir o quiabo pelo
cariru no prato com o mesmo nome. Combina muito bem com
peixe, galinha e é ideal para pratos vegetarianos ou saladas
cozidas.
Exótico
Branqueado ou cru em combinação com outras verduras em
saladas. As flores são bem decorativos e servem de enfeite.
Imperdível
Espernegado com um belo ovo caipira por cima ou na massa
express caseira com queijo.
J F M A M J J A S O N D
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 124
T
Sopa de cariru
1-2 maços de cariru
½ l de água
½ kg de macaxeira cozida e amassada
3-4 dentes de alho picadas ou 1/ cebola
3-4 pimentões regionais em listras
Azeite
Sal e pimenta e azeite a gosto
Doure o alho ou a cebola num fio de azeite,
acrescente o cariru, junte a água e a
mandioca. Esquente e passe pelo
liquidificador. Corrija os temperos e sirva.
Espernegado de cariru
Frite o cariru junto com 2-3 dentes de alho
picados no azeite até murchar. Tempere
com sal, noz-moscada e uma colher de
manteiga. Coloque um ovo por cima, tampe
e deixe firmar. A gosto incrementa com
cebola refogada, tomate e cheiro verde.
Massa express caseira com
cariru e queijo ralado
500 g de farinha de trigo
5 ovos
150-200 ml de água
¼ - ½ colher (chá) de sal
1 maço de cariru sem talos
½ maço de alfavaca
2-3 dentes de alho
100 – 150 g de queijo de búfala ou queijo
coalho ralado
2 l de água com 1 colher (chá) de sal
2-3 colheres (sopa) de manteiga
Uma espumadeira ou outro utensílio com
buracos
1- 2 colheres (sopa) de manteiga
Bata o cariru, a alfavaca, o alho e a água no
liquidificador. A gosto pode afervente o
cariru com água quente antes. Acrescente
os ovos, o sal e farinha, suficiente até
obter uma massa líquida que se solta em
pingos grossos da colher. Bate bem para
depois deixar descansar por 30 minutos.
Aqueça a água até ferver, salgue e pingue
a massa em porções pequenas através dos
buracos da espumadeira em pingos
grossos na água. Também é possível
espalhar uma camada numa tábua e cortála
em listras com ajuda de uma faca. Use
as costas da faca e a mantenha molhada.
Espere os pingos subir e após passado uma
fervura, retire. Acumule num refratário,
cobrindo cada camada com queijo,
mantendo quente. Continue até toda a [
massa terminar. Finalize com queijo e a
manteiga derretida e levemente
abronzeada ou sirva com cebola
caramelizada.
125
Conjunto pronto de legumes e verduras
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 126
legumes e verduras embalados em conjuntos prontos
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 127
Feijão local
Origem
Origem e domesticação do feijão divergem. Uns falam que o feijão
(Phaseolus vulgaris, L., Leguminosae) foi domesticado nas Américas,
descendo depois para América do Sul. Outros sustentam que os
primeiros feijões surgiram no Peru ou no México. Hoje um dos
principais alimentos da população brasileira, aprecia-se no Norte
muito o tipo caupi, Vigna unguiculata a qual pertencem tanto o
miudinho feijão manteiguinha de Santarém, Baixo Amazonas
quanto o feijão caupi bragantino, também chamado de feijão-depraia,
feijão-de-corda ou fradinho. O feijão do tipo caupi, planta
rústica com ciclo curto e pouco exigências ao solo, é de origem
africana. Melhorada pela Embrapa, hoje é plantado em cultivares
eretas que facilitam a colheita. O manteiguinha, miudinho, é hoje
um feijão valorizado e muito procurado, virando uma especialidade
de Santarém, PA. Cultivado quase exclusivamente em pequenas
propriedades é vendido em feiras livres. Tanto o feijão-de-praia
quanto o feijão manteiguinha, o primeiro três vezes maior do que o
segundo, são lisos, de cor creme com o típico olho escuro. Os dois
existem em outras cores, o caupi em verde, vermelho escuro e azul
e o manteiguinha em preto. Não produzem muito caldo, mas são
perfeito para um feijão tradicional saborosíssimo.
Aroma
De sabor frutado, leve e até doce, combinam perfeitamente com
peixes, especialmente com pirarucu por exemplo em saladas.
Uso
Verde ou seco desmancham com facilidade.
Clássico
Feijão do dia-a-dia saboroso com a típica pitada de cominho
Exótico
Na salada, temperadas com bastante alho, sal grosso e coentro.
Imperdível
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 128
Numa simples salada de feijão-verde com bastante alho e coentro
ou no baião-de-dois local com ou sem queijo coalho e rapadura.
Trivial? – Extremamente versátil!
Uma variedade estupenda de feijões e favas,
cada um com sabor próprio encontra-se aqui no
Norte. Muito popular são os feijões tipo
caupí com o seu característico olho branco de
anel preto, também chamados de feijão-decorda/-de-praia.
O feijão cor de vinho,
conhecido como feijão vinagre, uma
subclasse, também pertence a grande família.
Ao ser cozido exala um cheiro característico que
lembra vinagre.
Além do trivial e coloquial feijão de todo dia,
feijão também dá uma ótima entrada em forma
de paté. Só temperar bem e liquidificar. No
Baixo Amazonas serve-se muito baião-dedois
que fica mais sofisticado ainda com o
feijão manteiguinha de
Santarém. Como o seu nome já indica,
derrete na boca!
Varie o seu feijão do diaa-dia!
Saladas e sopas de feijão, sem ou com
couve e até com pirarucu salgado variam essa
leguminosa que raramente falta nas mesas
brasileiras. Aqui no Norte o costume é cozinhar
o feijão com ossada, mocotó ou
vísceras que dão cremosidade e muito
gosto. Muito comum também é cozinhar as
mais variados legumes junto com o
feijão.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 129
Salada de legumes cozidos ou de feijão-de-praia
verde
Legumes e verduras variados da estação ½ maço de jambu, couve, cariru
ou espinafre orelha de macaco
1 maço de feijão-de-metro e/ou 500 g de feijão-da-praia verde
4-6 pimentões regionais, cortados em listras
2-3 maxixes, cortados em rodelas
1 pedaço de jerimum em cubos
1 tomate em fatias
1-2 ovos cozidos, cortados em 6 pedaços
1-2 cará-roxos cozidos, cortados em rodelas
1 litro de água ou caldo de galinha
3-4 dentes de alho picado para a salada do feijão-de-praia
1 pepino em rodelas para a salada do feijão-de-praia
Azeitonas para a salada do feijão-de-praia
Cozinhe o feijão-de-metro ou o feijão verde bem cozido e tempere com
alho, sal e vinagre ainda quente. Cozinhe os tubérculos e os ovos,
descasque e pique. Lave e pique o restante dos legumes e cozinhe em
água com sal, a gosto com o alho ou no caldo de galinha até ficam al
dente, oferecendo ainda uma certa resistência aos dentes ao serem
mordidos. Rasgue as folhas e afervente. Combina legumes, tubérculos e
folhas e regue com parte do vinagrete.
Vinagrete
Azeite, vinagre, tucupi fervido ou tucupi preto a gosto
Sal grosso e pimenta a gosto
1 cebola picada bem fino
2-3 pimentões regionais picados bem fino
1 tomate picado bem fino
1 cheiro verde picado
Prepare o vinagrete, picando todos os ingredientes muito bem. Tempere
a gosto e sirva uma parte sobre os legumes e o restante a parte.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 130
Salada de feijão manteiguinha preto
2 xícaras de feijão manteiguinha cozido sem desmanchar
½ - 1 pepino em fatias
½ beterraba em cubinhos
1 cebola roxa em meia-lua
Molho a gosto
Misture o molho de preferência com o feijão ainda quente ou
morno, acrescente os outros ingredientes, corrijo os
temperos e sirva.
T
Salada de feijão manteiguinha com pirarucu
salgado e maionese caseira
400 g de pirarucu salgado ou defumado, dessalgado de
véspera
1 limão galego
Pimenta e colorau a gosto
Azeite
2 xícaras de feijão manteiguinha, cozido
1 cebola picada em meia luas
Azeite
1 maço de couve
Dessalgue o pirarucu de véspera, lave com limão e vire em
um pouco de azeite com colorau. Grelhe na brasa ou frite de
todos os lados. Desfie com ajuda de um garfo. Pique a couve
bem fino e misture com o feijão, a cebola e o pirarucu
desfiado. Corrija os temperos, regue com um fio de azeite e
sirva sobre uma folha de couve. Acompanha maionese
caseira.
Maionese caseira com alcaparras
1 gema de ovo fresco
1 colher (chá) de mostarda ou arubé
1 colher (chá) de suco de limão
½ copo (100 ml) de óleo vegetal (use óleo, azeite amarga)
1-2 colheres de alcaparras picadas
Sal, pimenta e limão a gosto
Junte a gema com a mostarda e o suco de limão com ajuda
de um batedor de arame. Acrescente aos poucos,
primeiramente pingando depois em um fio fino o óleo e
misture até obter a consistência de maionese. Pique as
alcaparras e misture a maionese. Corrija os temperos e sirva
acompanhando a salada.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 131
T
Feijão local com mocotó ou ossada
e legumes variados
2-3 xícaras de feijão demolhado se for necessário
1 kg de ossada ou espigo
Legumes da estação a gosto por exemplo jerimum,
beterraba, batata-doce, repolho, couve, cariru e
quiabo
Folhas frescas de vinagreira, ora-pro-nobis e/ou
cheiro verde
A gosto salga o mocotó ou a ossada de véspera.
No dia lava sob água corrente, seque e refogue em
óleo. Junte o feijão e a água e cozinhe juntos até o
feijão esteja no ponto. Corte os legumes em
pedaços ou cubos generosos e rasga as folhas ou
pique a couve fino. Cozinhe em separado ou junte
ao refogado e cozinhe dentro do feijão,
acrescentando conforme o seu tempo de
cozimento. Corrija os temperos e sirva quente.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 132
T
Trivial de feijão nortista - feijão manteiguinha
preto, farofa, ovo, cariru e vinagrete
Na mesa brasileira não pode faltar nunca o tão trivial com gostoso
arroz-feijão incrementado a gosto e com o que o poder aquisitivo
ou a vontade permitem. Na Amazônia aprecia-se os feijões
regionais, um mais gostoso do que o outro, na foto feijão
manteiguinha preto. Para ganhar mais substância, cozinha-se o
feijão ainda com ossada ou mocotó o que aumenta a cremosidade
e raramente falta uma generosa pitada de cominho e muito cheiro
verde. Para acompanhar simples farinha d´água ou uma farofa
crocante, por exemplo de ovo. Além do baião de dois, servido
rotineiramente em certos lugares no interior, também é bem
comum cozinhar o feijão junto com bastante legumes dos mais
variados. A tradicional couve é substituída por cariru, jambu,
vinagreira ou o que estiver a mão. No lugar de salada vinagrete ou
uma mistura de repolho, tomate, pepino, beterraba ou o que tiver
a mão, temperado com muita cebola.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 133
Jambu
Origem
O jambu, acmella oleracea, é nativo da Amazônia. Planta
rasteira, uma das mais icônicas da Amazônia, é famosa por sua
flor pequena e amarela a qual tremelica ou adormeça lábios,
língua e gengivas. Um formigar dos mais gostosos! Responsável
por esse efeito é a substância espilantol, também presente nas
folhas, mas com menor intensidade. Faz parte de muitos pratos
amazônicos e aparece em diversas variações nas feiras locais. O
seu gosto não varia muito e a flor famosa tem todas em comum.
Da flor se elabora também a famosa jamburana que traz o efeito
acima descrito em forma de licor ou aguardente.
Aroma
As folhas do jambu têm gosto próprio e bastante particular,
lembrando espinafre, embora mais apimentado e forte. As flores
tem gosto verde, levemente gordurosa e são responsáveis pela
sensação de adormecimento da língua.
Uso
É companheiro inseparável no tacacá e em muitos pratos com
tucupi ou no arroz paraense.
Clássico
Além do tacacá e no pato ao tucupi é usado no arroz de jambu,
feito com ou sem tucupi.
Exótico
O licor jamburana, apelido de “treme-treme” desenvolve todo o
poder anestésico e dito afrodisíaco, especialmente para
mulheres, das flores.
Imperdível
No tacacá com tucupi ácido ou no arroz com jambu.
J F M A M J J A S O N D
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 134
Caldinho de
tucupi
1 l de tucupi ácido ou
a gosto
3-4 dentes de alho
3-4 pimentões
regionais picados
1-2 folhas de chicória
1 cheiro verde picado
1 punhado de jambu
2-3 pimentas de
cheiro ou a gosto
Sal e açafrão-da-terra
a gosto
12 camarões salgados,
dessalgados, a gosto
Espetinhos para comer
Doure o alho e os
pimentões num fio de
azeite, acrescente o
tucupi, a chicória, o
cheiro verde e um
pouco de pimenta de
cheiro. Espere
levantar fervura e
depois cozinhe em
fogo brando por 10-15
minutos. Adicione o
jambu e espere
murchar. Junte o
camarão e sirva de
entrada ou tira gosto
em cujas individuais
acompanhado de
pimenta de cheiro.
O tacacá original leva
adicional goma de
tapioca.
T
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata
Pastéis de pirarucu
salgado com jambu
Massa
3 xícaras de farinha
1 -1 ½ copo de água ou fundo de
peixe
2 colheres (sopa) de óleo e óleo
neutro para fritar
1 colher (sopa) de sal
1 copo de licor de pinga
Misture a farinha com o sal, abre
um buraco no meio e acrescente
aos poucos os outros ingredientes.
Deixe descansar por 15 minutos
para depois abrir tão fino que
consegue. Corte em retângulos ou
quadrados e recheie a metade a
gosto. Dobre e feche, apertando
com um garfo. Frite em óleo
quente. Sirva com molho arubé e
molho vermelho ou a gosto.
Recheio de pirarucu e
jambu
1 cebola picada
2-3 pimentões regionais picados
Azeite
1 maço de jambu sem talos
400 g de pirarucu salgado,
dessalgado, desfiado
Sal, pimenta e cominho a gosto
Refogue cebola e pimentão num
generoso fio de azeite. Murchou,
acrescente o pirarucu e continue
dourando. Por fim junte o jambu,
espere abafar e esfriado, use
como recheio dos pastéis.
Recheio de pato e jambu
1 cebola picada
2-3 pimentões regionais em listras
Azeite
Sobras de pato desfiado
Siga a receita acima e troca o
pirarucu pelo pato desfiado.
135
Pesto de castanhas e jambu
½ copo de azeite
1-3 dentes de alho ou a gosto
1/2 maço de jambu sem talos
Sal e pimenta a gosto
1 punhado de castanhas ou a gosto
Parmesão a gosto
Coloque todos os ingredientes no processador e processe até obter um pesto ainda
rústico. Sirva sob torradas ou com arroz ou macarrão. Coberto com azeite se conserva
alguns dias na geladeira.
Arroz paraense em duas versões
300 g de camarão salgado, dessalgado de véspera
1 limão galego
Caldo de camarão
Aparas do camarão, azeite
1 cebola bem picada, 1 folha de louro
Sal e pimenta a gosto
Arroz paraense
3 dentes de alho bem picados
Azeite
1 xícara de arroz
1 xícaras de tucupi ácido
1 xicara de caldo de camarão
T
Sal a gosto
1 maço de folhas de jambu com ou sem flores nem talos
2 folhas de chicória bem picadas
1 pimenta de cheiro
Dessalga o camarão de véspera. Lave com limão e reserve alguns camarões inteiros para
decorar. Descasque os outros, reservando as aparas. Para fazer o caldo de camarão,
refogue a cebola no azeite, acrescente as cascas, refogue mais um pouco e depois cubra
com água. Cozinha por 15-20 minutos ou até obter um caldo perfumado. Peneire, reserve
o caldo e descarte as aparas. Use o caldo para preparar o arroz. Tempere o tucupi a gosto
e cozinhe por 10 minutos. Lave o arroz. Doure o alho num fio generoso de azeite,
acrescente o camarão descascado e o arroz. Refogue um pouco e depois acrescente o
tucupi e o caldo de camarão. Tempere a gosto. Ao levantar fervura, acrescenta as folhas
do jambu. Cozinhe o arroz em fogo baixo até o arroz absorveu todo o líquido. Mexe de
vez em quando para que o jambu se distribua por igual. Corrija os temperos, frite os
camarões restantes num fio de azeite e sirva por cima do arroz. Sirva como prato principal
ou como acompanhamento.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata
136
Azeite ou vinagre aromatizado com jambu
3-4 Pimentas de cheiro
4-5 dentes de alho
5-6 galhos de jambu
Azeite, óleo de girassol ou milho
ou vinagre de vinho suave
Esterilize as garrafas, lave todos os ingredientes e seque-os
com papel toalha. Tire com o devido cuidado os cabinhos das
pimentas, protegendo as mãos - pimentas podem queimar a
pele. Ferva o alho e as pimentas por 3 minutos cobertas com
água, 1 colher de vinagre e uma pitada de sal. Seque e arranje
todos os ingredientes nas garrafas. Complete com o líquido
escolhido. Após dois ou três dias filtre e use o azeite perfumado
para aromatizar peixe e arroz e o vinagre para saladas.
Licor de flor de jambu
20-30 flores de jambu
T
½ l de vodka
1 xícara de água
1 xícara de açúcar, rapadura ou
melaço de cana de boa qualidade
1 pedaço de gengibre a gosto
Lave as flores de jambu e coloque num recipiente esterilizado
de vidro. Cubra com a vodca e deixe de infusão por 20-30 dias.
Depois filtre, preservando a infusão alcoólica e as flores. Lave
os mesmos com a xícara de água e reserve. Apure a água junto
com o açúcar ou a rapadura no fogo brando até alcançar o
ponto pérola (108 Graus). Deixe esfriar para depois misturar ao
álcool aromatizado. A gosto devolve as flores e bebe com
moderação.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 137
Mistura de legumes e verduras
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 138
Ingredientes para ensopados de peixe ou carne
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 139
Infusionando a Amazônia
Muitas especiarias, ervas, colorau, pimentas
e até frutas como o jenipapo prestam para infusões em
óleo, azeite ou em vinagre - temperos
personalizados perfeitos para saladas e confitar legumes ,
peixes e frango. Com tantas especiarias amazônicas a
criatividade acha um vasto campo! Alfavacas, jambu
e chicória compartilham seus perfumes, transformam ,
juntos com um ou dois dentes de alho um vinagre
suave por completo (segunda garrafa à esquerda).
Interessante o contraste entre o ácido e o doce frutal no
vinagre infusionado com jenipapo (frasco bem à
esquerda).
Infusões em óleo e azeite são bem complexos.
Ingredientes frescos ou verdes devem primeiramente ser
esterilizados. Ingredientes secos como cascas, sementes,
folhas e raízes são aquecidos juntos com a gordura onde
logo liberam os seus óleos essenciais. Para aromas mais
delicados use um banho-maria . Um clássico é o azeite
de colorau (frasco vermelho em frente à direita) aqui
com alho e cominho. Na garrafa no meio foi infusionado
casca preciosa, embiriba e folhas de canela
junto com uma fina raspa de casca de limão-galego. O frasco
pequeno contém sementes de cominho e coentro junto
com raspas de açafrão-da-terra. Outra dica – usando as
especiarias inteiras a infusão fica mais leve. Quebrando ou
até macerando, os seus perfumes se intensificam. Todas as
infusões precisam de tempo para curtir e devem ser
guardadas na geladeira.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 140
Pirarucu confitado em azeite infusionado com
especiarias, acompanhado de legumes regionais
Azeite aromatizado
½ xícara de azeite de oliva ou suficiente para cobrir o peixe
Especiarias a gosto por exemplo:
1 pedaço de casca preciosa, uns sementes de embiriba e folhas de canela
junto com uma fina camada de casca de limão-galego e pimenta-decheiro
a gosto
ou
2 cravos-da-índia, 2 sementes de cardamomo, 1 semente de anisestrelado,
1/2 colher (chá) de pimenta-do-Reino e pimenta-rosa, 1 tira
larga de casca de limão galego, 2 folhas de um limoeiro galego e 3 folhas
de chicória
1 posta grande ou 4 postas menores de pirarucu fresco ou salmourado
1 limão galego
Sal e pimenta a gosto
1 bulbo de alho com casca, topo cortado
1 cebola cortado ao meio ou em 4 partes
Legumes da estação e regionais como pimentão, quiabo-de-metro,
jerimum, abobrinha e batata-doce
Para salmourar o peixe cubra com uma fina camada de sal ou use uma
salmoura. O sal intensifica o gosto do peixe e evita qualquer pitiu.
Prepare a infusão de azeite pelo menos 1 hora antes. Aquece, ou em
fogo bem moderado ou em banho-maria azeite e especiarias ou alho.
Aqueça durante alguns minutos e depois espere perfumar. Preaqueça o
forno a 120 graus. Lave o peixe e tempere a gosto. Escolha a forma
refratária em qual o peixe cabe bem apertado. Unte e forre com uma
camada de legumes. Coloque o peixe por cima, complete com o restante
dos legumes e regue com o azeite infusionado até o peixe ficar
submerso. Asse lentamente em temperatura baixíssima - o azeite não
deve ferver, por 1h –1 ½ h até o peixe se desfaz com facilidades em
lascas firmes. Sirva o peixe e os legumes regados com azeite,
acompanhado de arroz branco.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 141
Legumes confitados em azeite aromatizado
1 xícara de azeite ou óleo a gosto
Especiarias e/ou ervas a gosto por exemplo sementes de coentro e
cominho, pimenta-de-cheiro, alfavaca, folhas de louro ou canela, 1-
2 cravos, alecrim, casca-preciosa
3-4 dentes de alho
Cebola a gosto
Sal grosso
1 pacote de legumes e verduras de estação ou a gosto
Aquece as especiarias secas numa frigideira seca até levantam o seu
perfume. Acrescente o azeite e as ervas frescas e espere infusionar
em fogo muito brando por 10-15 minutos. Enquanto isso corte os
legumes e acomode bem apertados numa forma refretaria. Mais
apertado, menos azeite necessário. Tempere com sal e pimenta a
gosto e cubra por completo com o azeite. A gosto já descarte as
especiarias. Asse no forno preaquecido na temperatura mínima,
120 graus, durante 50 minutos até uma hora ou até todos os
legumes ficaram macios. Dependendo dos legumes também pode
cozinhar em banho-maria. Nesse caso recomenda-se de embrulhar
o vidro previamente esterilizado, preenchido com os legumes,
coberto por completo com azeite e hermeticamente fechado com
um guardanapo para não bater nas paredes. Aquece sob fogo baixo
no fogão ou no forno durante 1h – 1 ½ h. Espere esfriar dentro da
água. Sirva frio acompanhado de beijucica.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 142
Sementes e grãos postos para secar
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 143
Plantas alimentícias não convencionais das feiras regionais
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 144
Verduras & legumes
regionais
Origem
Sua origem muitas vezes é desconhecida e hoje são classificados como PANC –
Plantas Alimentícios Não Convencionais. Todos são verduras ou legumes
encontradas com certa facilidade, dependendo da safra, em feiras livres e
hortas caseiras dos vastos interiores amazônicas que escondem e com isso
preservam tesouros como o quiabo-de-metro, Trichosanthes cucumerina,
(primeira esquerda), o quiabo roxo, Abelmoschus esculentus, (meio esquerda),
a abóbora branca, Lagenaria siceraria, (abaixo, esquerda e meio a direita), o
espinafre-orelha-de-macaco, Alternanthera sessilis, (cima, direita), o feijão-demetro
ou feijão-cobra, Vigna unguiculata, de origem africano. Ora-pro-nobis,
pereskia aculeata carinhosamente também chamado de carne-de-pobre por
ser muito rica em proteína vegetal, e a sua versão amazônica Pereskia bleo,
nativa da América central, são da família dos cactos o que explica os seu
espinhos aguçados. Podem ser consumidos crus ou dão ótimos refogados. O
pequeno pepino listrado, Coccinia grandes, fica, quase amadurecido,
vermelho por dentro. De gosto surpreendente também é o espinafre-orelhade-macaco,
bem verde, firme e crocante. O quiabo-de-metro com suas listras
decorativas é tenro e adocicado e sem baba nenhuma ao contrário do quiabo
roxo. A abóbora branca redonda ou comprida tem gosto bastante neutro e
lembra de longe chuchu. O feijão-de-metro é um pouco menos suculento do
que vagens comuns. Todos enriquecem pratos acrescendo sabores diferentes
além de ser muito bem adaptado ao lugar, clima e local e com isso bem na
vanguarda das tendências alimentícias.
Aroma
Todos deliciosos e saborosos.
Uso
Cru ou cozido em saladas, sopas e em forma de acompanhamento.
Imperdível
Quiabo-de-metro refogado com alho e cebola, abóbora branca descascada e
cozida na água, bem temperado ou em forma de picles e espinafre orelha de
macaco crocante na salada e um bom refogado, com ou sem tomate de orapro-nobis,
queridos dos veganos, já que dispensa qualquer proteína animal.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 145
Ratatouille amazônico e temperos nortistas
2-3 berinjelas dependendo do tamanho, cortados em cubos e assados
Sal, colorau e pimenta a gosto
1 copos de tomates sem sementes ou 1 lata de tomate pelados
1 punhado de quiabo de metro cortado em pedaços não muito finos
1 cebola picada
3-4 pimentões regionais em listras, sem sementes
2-3 dentes de alho fatiados
Azeite
½-1 colher (chá) de grãos de cominho e coentro moídos ou pilados
Raspas e suco de ½ limão galego a gosto
1 cheiro verde picado
Primeiro corte as berinjelas em fatias grossas (2 cm), salgue generosamente dos dois lados
e reserve durante 30 minutos. Aqueça o forno em 200 graus. Lave as fatias de berinjela,
coloque num tabuleiro untado, regue com mais azeite e asse durante 30-35 minutos. Retire
e corte em cubos não muito finos e reserve. Refogue cebola junto com o pimentões num
generoso fio de azeite, colorau, sal e pimenta e as especiarias até dourarem. Acrescente o
alho, a folha de louro, o quiabo de metro e por fim o tomate. Cozinhe em fogo brando até
todos os sabores se misturarem e o quiabo amolecer. Acrescente a berinjela, tempere com
casca e suco de limão e uma parte do cheiro verde. Corrija os temperos e sirva quente ou
morno.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata
Salada morna com picles de cebola e gremolata
1 xícara de grão-de-bico cozido ou outro leguminosa a gosto
2-3 pimentões regionais em listras
1 pedaço de jerimum cozido, picado ou fatias de pupunha
1 maço de feijão-de-metro cozido
3-4 pepinos regionais
1 maço de espinafre orelha-de-macaco
1-2 tomates
Picles de cebola roxa
Misture todos os ingredientes e salpica com a gremolata
Gremolata
1 limão galego, casca ralada,
2 colheres (sopa) de pimenta rosa
1 colher (chá de grãos de pimenta diversas cores),
1 cheiro verde picado
A gosto 2-3 folhas de vinagreira e 2-3 galhos de manjericão picados
Sal e pimenta de cheiro a gosto
Para a gremolata rala cuidadosamente somente a parte amarela da casca do limão e
misture com o cheiro verde picado e as grãos de pimentas a gosto.
146
Quiche com legumes ou feijão de metro
Massa
2 xícaras (250g) de farinha de trigo
½ xícara (100 g) de manteiga sem sal gelada
1 ovo grande inteiro ou 2 pequenos
1 colher de chá de sal
1 colher de chá de fermento em pó
Legumes assados ou cozidos pimentão, quiabo, feijão de metro,
ora-pro-nobis ou outros legumes da estação
Recheio
3-4 ovos
½ xícara de leite ou creme de leite
Sal, pimenta e colorau a gosto
1 punhado de queijo ralado ou a gosto
Misture a manteiga gelada com ajuda de uma faca com a
farinha, o fermento e o sal. Trabalhe rápido. Acrescente o ovo e
sove somente até obter uma massa homogênea. Deixe a massa
descansar por 20 minutos em um lugar quente. Corte os
legumes em fatias finas e asse numa assadeira com bastante
azeite. Cozinhe o feijão de metro. Préaqueça o forno em 200
graus. Unte uma forma refratária, forre com a massa e espalhe
os legumes de maneira decorativa. Bate os ovos, separe uma
colher de sopa para pincelar as bordas da massa e misture o
restante com os outros ingredientes do creme com ajuda de um
garfo. Derrame sobre os legumes e asse até a massa dourar e o
creme firmar por mais ou menos 30 minutos.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 147
Dourada com vegetais ao
forno
800 g de filé de dourada
2 limões galegos
Sal, pimenta e colorau a gosto
Azeite
Legumes a gosto por ex.: feijão de metro e
maxixe pré-cozidos, alho na casca com
topo cortado, quiabo, cebola, pimentão
regional, jerimum, repolho roxo
Sal grosso
Lave o peixe com limão, tempere e deixe
tomar gosto por meia hora na geladeira.
Pré-cozinhe os legumes em água com sal.
Aquece o forno em 220 graus. Unte uma
forma refratária com bastante azeite,
espalhe o peixe e os legumes sobre a
mesma, salpique com sal grosso e regue
com azeite. Asse no forno até o peixe
mudou de cor e se parte em lascas firmes
e os legumes dourarem. Decore com fatias
de limão e sirva acompanhado de arroz e
farinha.
Um fio de mel de abelha nativa derramado
sobre os legumes ou um pouco de
cominho acrescentam um toque exótico.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 148
Vinagreira
Origem
A vinagreira ou azedinha, Hibiscus sabdariffa, da grande família
dos hibiscos, é usado na culinária em muitos lugares no mundo.
Em inglês se chama Rosella, o que faz referência à cor vermelha,
extraída da sua flor, tintando a groselha. De origem africana
oriental e tropical deve ter sido trazida pelos escravos ao Brasil.
No Norte encontra-se a planta com seus galhos eretos e flores
pálidas em muitas quintais e semi-selvagem em beiras de ruelas
de terra. Seus ramos com as folhas grandes e agradavelmente
ácidas também podem ser encontrada na feira. As folhas e
galhos tenros combinam muito bem com outras verduras ou em
preparos com peixe. O Maranhão faz deles um dos seus pratos
principais, o arroz de cuxá que combina arroz, vinagreira,
camarão seco e a gosto gergelim. O fino invólucro vermelha das
sementes também é comestível, pode ser cristalizado ou usado
para preparar geleia. Seco é usado para chás.
Aroma
O alto teor de vitamina C é responsável pelo gosto ácido tanto
da folha quanto da flor.
Uso
A folha combina muito bem com outros legumes. O invólucro da
semente fresco dá uma geleia interessante e seca a mesma é
usada para colorir infusões ou xaropes. Também pode ser
cristalizada com açúcar.
Clássico
No maranhense arroz com cuxá, na peixada ou misturado a legumes e
feijão.
Exótico
Na salada ou junto com legumes ou misturado à couve revogado.
Impregna sua cor e o gosto levemente ácido também a um frosting
para cobrir bolos e biscoitos.
Imperdível
Acrescentado a uma caldeirada de peixe no fim do cozimento.
J F M A M J J A S O N D
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 149
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata
Arroz e cuxá em três versões
Arroz de cuxá tradicional com camarão salgado
300 g de camarão salgado, dessalgado de véspera ou metade camarão fresco, metade
seco
1 limão
1 cheiro verde
1 xícara de arroz lavado
Azeite
3-4 dentes de alho picados
1½ xícaras de fundo de camarão elaborado com as aparas
T
½ xícara de vinho branco
Sal e pimenta a gosto
1 cebola cortada em anéis
2-3 pimentões regionais picados
1-2 maço de vinagreira picada, sem talos
2-3 colheres (sopa) de gergelim torrado
3-4 dentes de alho
Dessalgue o camarão na véspera. Lave com limão, descasque e prepare das aparas um
perfumado fundo de camarão. Descarte as aparas e reserve o caldo para preparar o
arroz. Doure o alho num fio de azeite, acrescente o arroz e complete com o fundo de
camarão e o vinho branco. Cozinhe até o arroz absorveu todo o líquido. A parte refogue
a cebola junto com o pimentão. Separe 1/3 para decorar o arroz e acrescente o camarão
ao restante. Refogue e por fim acrescente a vinagreira e se for necessário um pouco do
fundo de camarão. Complete com o gergelim e sirva o arroz decorado com o refogado e
a vinagreira com camarão.
Versão arroz e cuxá misturado
Prepare o arroz conforme descrito acima. Para o cuxá torre o gergelim e macere junto
com o alho em um pilão até obter uma pasta. Refogue a pasta em um fio de azeite, junte
um pouco do fundo de camarão e adicione as folhas da vinagreira. Refogue, se for
necessário acrescente um pouco de água. Junte o camarão - reserve alguns para decorar
– e misture a vinagreira delicadamente ao arroz. Corrige os temperos e sirva.
Pesto cuxá
1 maço de folhas de vinagreira sem talos
1 punhado de camarão seco, dessalgado de véspera ou avium
1 copo (200 ml) de azeite
1-2 dentes de alho a gosto
1-2 colheres de gergelim preto a gosto
Sal e pimenta a gosto
Pile ou liquidifique os ingredientes e junte ao arroz pronto. Decore com camarão puxado
no azeite.
150
Aruanã com gremolata de vinagreira e azeite de
castanhas
1-2 aruanã/s inteiro/s (660-800 g cada), descamados e ticado/s
1 limão galego
Marinada do peixe
1 cebola ralada
1 pedaço de gengibre ralado
4-5 dentes de alho espremidos
Sal, pimenta e colorau a gosto
Cominho e coentro em grãos a gosto
Azeite
5-6 tomates regionais
1 limão, fatias
Lave o peixe com limão. No pilão junte a cebola, o gengibre, o
alho, sal, pimenta e colorau, cominho e coentro a gosto e pile
até obter uma pasta. Misture essa pasta com 2-3 colheres
(sopa) de azeite. Esfregue a pasta no peixe, passe inclusive na
barriga e reserve por meia hora na geladeira. Preaqueça o
forno em 180 graus. Unte uma forma refratária,
suficientemente grande para abrigar os peixes inteiros, com
azeite. Forre o fundo com uma camada de tomate e fatias de
limão e coloque os peixes por cima. Regue com azeite e asse
por 20-30 minutos ou até a carne do peixe se solta com
facilidades das espinhas. Coloque o peixe sobre uma folha de
bananeira, retire com cuidado a pele e salpique a carne com a
gremolata. Regue com azeite de castanhas e sirva
acompanhado de arroz e farinha.
Gremolata
1 limão galego, casca ralada
2 colheres (sopa) de pimenta rosa ou pimenta-de-cheiro
1 colher (chá de grãos de pimenta diversas cores)
1 cheiro verde picado
A gosto 2-3 folhas de vinagreira e
2-3 galhos de manjericão picados
Sal e pimenta de cheiro a gosto
Azeite de castanhas
Para a gremolata rala cuidadosamente somente a parte
amarela da casca do limão e misture com o cheiro verde
picado e as grãos de pimentas a gosto. Sirva sobre o peixe.
Legumes variados com vinagreira
1 cebola picada
1-2 pimentões regionais picados em listras
1 pedaço de gengibre picado
Azeite ou manteiga
1 pedaço de jerimum picado em cubos
T
1 maço de quiabo picado
1 maço de maxixe picado
Outros legumes a gosto
1-2 ramos de vinagreira picada
Sal e pimenta
Cozinhe os legumes não muito moles, coberto com
água com sal. Use a água para outros fins e reserve
os legumes. Frite a cebola, o pimentão e o gengibre
num generoso fio de azeite generoso. Junte os
legumes exceto a vinagreira. Deixe tomar gosto,
junte a vinagreira, corrige os temperos e sirva de
acompanhamento.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 151
Pirarucu defumado assado no forno sob
cuscuz de farinha e legumes com azeite de
vinagreira
800 g de pirarucu defumado
Asse o pirarucu junto com os legumes no forno, regado com um
fio de azeite. Sirva peixe e legumes sobre uma cama de cuscuz
de farinha d´água, regado com o azeite de vinagreira.
Legumes da estação por exemplo:
Pimentões regionais de diversas cores
Cebolas cortadas em oito pedaços
Dentes de alho na casca com topo ou fundo cortado
Jerimum em meia luas
Quiabos cortados ao longo do comprimento
Tomates cortados ao longo do comprimento
Azeite
Sal grosso
Asse os legumes no forno junto com o peixe salpicado com sal
grosso e regado com um generoso fio de azeite.
Cuscuz de farinha de Uarini
1 xícara de farinha de boa qualidade, por ex. Uarini
½ copo (100 ml) de leite de coco ou caldo de peixe quente
Sal grosso a gosto
Hidrate a farinha com o/s líquido/s e solta com um garfo até
obter a consistência de um cuscuz. A gosto aquece na
cuscuzeira.
Azeite de vinagreira
1 punhado de folhas de vinagreira sem talos
½ dente de alho
Sal a gosto
1 copo de azeite
Bate todos os ingredientes juntos no liquidificador e sirva sobre
o peixe e os legumes.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 152
Xarope da flor de vinagreira
2 punhados de flores de vinagreira
1 ½ xícaras de açúcar
1 xícara de água
Retire as cápsulas com as sementes,
descarte e cubra as flores com a água
quente. Deixe de infusão até a água fique
bem colorido. Filtre e aquece a água junto
com o açúcar. Incorpore em fogo brando
até obter a consistência de xarope. Use
diluído com água ou para perfumar saladas
de frutas e outros doces. As flores cozidos
com água e açúcar viram excelente geleia.
Flor de vinagreira cristalizada
3-4 punhados de cálices das flores de
vinagreira sem as cápsulas
1 ½ xícaras de açúcar
1/2 xícara de água
Cozinhe as flores até a água foi toda
incorporado. Retire e seque ao sol ou em
um desidratador. Sirva de petisco.
Frosting de merengue suíço
com pó de flor de vinagreira
1 xícara de açúcar (200 g)
3 claras
2-3 colheres (sopa) hibisco em pó
Prepare um banho-maria. Bate as claras
junto com o açúcar durante 4 minutos sob o
banho-maria ou até ao esfregar as claras
entre dois dedos não sente mais nenhum
grão de açúcar. Coloque na batedeira e bate
por 10 minutos em velocidade alta. No final
incorpore o pó de hibisco. Use como
frosting em bolos ou cupcakes. Use bico ou
decore a gosto com pérolas de açúcar ou pó
de hibisco.
Infusão de flor de
vinagreira
Infusão básica
2-3 colheres (sopa) de
flor de vinagreira seca
1 pedaço de casca de um
cítrico
1 pau de canela
2-3 cravos
1 xícara de água
Açúcar, mel ou rapadura
a gosto
Aquece a água junto
com todos os
ingredientes e cozinhe
em fogo brando durante
2-3 minutos até a água
se colorir de rosa. Passe
pela peneira, dilua a
gosto e bebe quente ou
gelado.
Para o chá gelado espere
a infusão amornar e
acrescente gelo, abacaxi
e faias de limão galego a
gosto.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 153
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 154
Óleos, poções, garrafadas, ervas, sementes e
madeiras curam gripe ou estômago virado, aliviam
a alma ou temperam humores e até comida
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 155
AROMAS
selvagens
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 156
Ervas, mágicas, medicinais e/ou usadas na culinária
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 157
Cachaça e garrafadas com as mais variados ingredientes e poderes
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 158
A garrafada vai à mesa
As ervas e condimentos amazônicos, saber
indígena e caboclo, servem para fins
complementares que se sobrepõem.
A mesma erva trata o corpo quanto
a mente. Medicinal, também é usado em
banhos cheirosos e mágicos ou
envolve corpo e alma com fumaças
perfumadas, espanta males ou fecha o
corpo e é indispensável na produção de
perfumes caseiros cujo cheiro a
umidade amazônica só intensifica.
Ingeridas, garrafadas e licores
curam, ajudam na digestão ou até curam
males.
“Remédio , especiaria
ou aroma? A escolha é
sua!”
Nos vastos interiores aprecia-se muito chá
de casca-preciosa. As folhas, galhos e
madeiras da caneleira temperam
mingau e mungunzá e a fava tonca, nome
inglês do cumaru, não só virou base de
muitos e muitos tipos de perfumes, mas
também é bem vindo em cremes, bolos e
sorvetes. Embiriba, não só faz bem para
o estômago e digestão, mas também tem
todo um tempero próprio que combina
muito bem com cremes e doces. Formam
junto com outros ingredientes e ervas locais
um conjunto que merece ser redescoberto.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 159
Mas nunca esquece – use com moderação!
Canela
Origem
A canela, Cinnamomum zeylanicum, da família das
Lauráceas, é nativa de Sri Lanka, mas cresce ainda em
muitos quintais amazônicos preservados. As suas folhas e a
casca fornecem remédios caseiros contra dor de cabeça ou
de barriga. A folha dá uma infusão perfumadíssima e é
empregada para temperar mingau e sobremesas. A casca,
seca e moída, aromatiza, formando par clássico com o
cravo, as sobremesas e doces. Usa-se a interna casca do
tronco, descasando-o de dois em dois anos, enrolando a
casca em paus finos e seco aos sol, para obter a canela em
pau ou moída. Além disso, a caneleira antigamente era
considerada um símbolo de felicidade: As suas folhas
aromáticas forravam o chão em dias de casamentos ou
batizados.
Aroma
Quente e aromático, é doce e lembra madeira.
Uso
Localmente as folhas são muito usadas para perfumar
mungunzá ou outros mingaus. Em forma de especiaria para
condimentar carnes, chutneys, mas sobretudo, em doces.
Clássico
Sobre o mingau e bananas fritas.
Exótico
Dá um toque interessante em molhos de carnes e sua
infusão dá um ótimo kombucha.
Imperdível
Chá da folha da canela que perfuma toda a casa.
J F M A M J J A S O N D
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 160
Novos velhos perfumes e sabores
Saudade daquela sobremesa meio creme, meio pudim
perfumado de canela? Tem sobremesa mais
reconfortante e tradicional do que uma rabanada?
O cuscuz de tapioca ou uma sericaia, algo entre pudim e bolo
– todos eles, e os biscoitos também, ganham mais
nostalgia e ao mesmo tempo um ar todo contemporâneo
com as especiarias amazônicas deste capítulo. Especiarias da
terra, amazônicas, durante muito tempo quase esquecidas
ou no caso do cumaru, banidas, estão de volta
Especiarias locais e caseiras
revelam sabores inusitadas
Casca-preciosa faz muito bem não só no xarope de
especiarias que atualiza o reconfortante arroz-doce e o
manjar de tapioca - o famoso bolo podre na sua versão
mais contemporânea. Os dois ganham mais cremosidade
com uma gema extra! Especiarias infusionadas
em água ou leite, são a base criativa tanto para um
pudim ou um doce famoso, mas completamente fora de
moda, a sericaia. Zabligone, creme
caramelizado ou inglês combinam com bolos e
biscoitos e são atualizados com um crocante de castanhas
e personalizadas que se destacam com sua identidade
própria. Também no biscoito e no bolo clássico as
especiarias amazônicas são muito bem vindas!
Nunca esqueçe – use com moderação!
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 161
T
Sericaia amazônica
350 (500) ml de leite
Raspas de meio limão
A gosto escolha uma ou uma mistura de
especiarias para perfumar o leite
1 pau de preciosa
1 fava de cumaru
3-4 sementes de embiriba
1-2 folhas de canela ou
125 (200) g 1 xícara de açúcar
1 pitada de sal
75 g (1/2 xícara) de farinha de trigo ou farinha
de arroz
3 (6) ovos
A gosto canela em pó para cobrir o doce
Leve o leite com todas as especiarias
escolhidas até fervura, desligue e espere
infusionar. Separe os ovos e bata as gemas
junto com o açúcar até obter um creme
esbranquiçado. Peneire o leite e aos poucos
incorpore a farinha e o creme das gemas e a
pitada de sal. Leve ao forno e aqueça em fogo
médio, sempre batendo, até engrossar. Espere
amornar por completo. Preaqueça o forno em
200 graus e unte uma tigela de barro ou de
metal grande ou várias menores. Bate as claras
bem firmes e incorpore a massa com
movimentos envolventes. Transfira para as
formas e asse durante 20-30 minutos ou até
um palito enfiado no meio saia limpo. Sirva frio
e cubro a gosto com canela.
Versão: Infusione em água e misture aos
outros ingredientes
Parfait perfumado
com licor amazônico
3 gemas frescas
4 colheres de açúcar
4 colheres (sopa) de licor
amazônico
200 ml creme de leite fresco
3 claras frescas
1 pitada de sal
1 colher de açúcar
Forre uma forma retangular
para bolo com filme de
plástico. Misture as gemas com
o açúcar e o licor e bata até a
massa ficar bem clara e
arejada. Bata o creme de leite
até firmar e incorpore ao
creme com movimentos
envolventes. Bata as claras
junto com o sal em neve e
incorpore com o devido
cuidado e movimentos
envolventes a massa para
mantê-la arejada ao máximo.
Preencha a forma e leve ao
congelador por no mínimo 4
horas. Tire da forma e sirva
gelado. Regue a gosto com
mais licor.
Sorvete de especiarias
Para um sorvete de cumaru ou
outras especiarias siga a receita
acima, substituindo o licor por
½ -1 fava de cumaru, canela ou
embiriba ralada. Coloque em
forminhas ou copos e congele
por no mínimo 4 horas.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 162
Casca-preciosa
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata
Origem
A casca-preciosa, Aniba canelilla, uma árvore com madeira
e casca avermelhada e muito aromática, é nativa da
Amazônia. Pertence, junto com a canela e o pau-rosa, à
grande família das lauráceas, muitos delas com folhas e
madeiras perfumadas. Tanto folhas quanto casca e
madeira emanam um cheiro delicioso que lembra canela.
A árvore não é cultivada e compra-se cascas e madeiras
em pequenos amarrados nas feiras livres na secção das
ervas medicinais e mágicas já que a preciosa também tem
aplicações medicinais. A infusão preparada com as lascas é
localmente muito apreciada, mas como falta estudos de
toxidade, deve se tomar cautela, especialmente com o
consumo prorrogado.
Aroma
De um perfume quente, adocicado e intenso. Agradável e
com notas de rosas e canela, como já o nome indica.
Uso
Nos interiores da Amazônia, usa-se lascas da casca e da
madeira para preparar chás perfumados. Na medicina
popular a casca inteira ou moída serve entre outros fins
para estimular a digestão. Lascas também se prestam para
defumar peixe.
Clássico
Como infusão aromática.
Exótico
Perfumando xaropes, açúcar e licores e infusionado dá um
ótimo kombucha.
Imperdível
Ingrediente de um licor bem amazônico ou no xarope para
aromatizar uma tradicional rabanada.
163
J F M A M J J A S O N D
Rabanada perfumada
com casca preciosa
1 xícara de leite
2 colheres de sopa de açúcar
1 pedaço de casca seca de limão
e de laranja
1 pedaço de casca-preciosa
quebrado ou em lascas
3 ovos batidos
1 pitada de sal
12 fatias de pão dormido ou a
gosto brioche
Manteiga ou óleo para fritar
Açúcar confeiteiro para polvilhar
Esquente o leite com as cascas
de laranja e preciosa e cozinhe
em fogo brando até o leite
perfumou. Passe pela peneira,
descarte as cascas e coloque o
leite num recipiente raso. Bate
os ovos com uma pitada de sal e
coloque num outro recipiente
aberto. Corte o pão em fatias.
Numa frigideira, derreta a
manteiga. Passe as fatias de pão
primeiro pelo leite de depois
pelo ovo batido. Asse as fatias,
fritando aos poucos, dos dois
lados e depois escorra sob papel
cozinha. Esfriados, sirva
salpicados com açúcar
confeiteiro.
Versão: Dispense as especiarias
no leite e regue as fatias assadas
com xarope de açúcar
perfumado e polvilhe, antes de
Creme queimada amazônica
com crocante de castanhas
Leite infusionado com especiarias
200 ml de leite
1 colher (sopa) de açúcar
Alternativo ou em conjunto 1 fava de
cumaru ou 3-4 sementes de embiriba ou
1-2 folhas de canela ou
1 pedaço de casca preciosa
Caramelo
½ xícara (80 g) de açúcar
2 colheres (sopa) de água
Creme
Leite infusionado esfriado
2-3 colheres (sopa) de fécula de milha ou
batata
1 ovo fresco
200 ml de creme de leite
Para o leite infusionado pile as especiarias
num pilão ou quebre a mão. Aqueça o
leite junto com o açúcar e as especiarias
até levantar fervura. Desligue e espere
infusionar uns minutos. Peneire e reserve.
Para o caramelo aquece o açúcar junto
com a água. Ao levantar fervura abaixo o
fogo e espere até caramelizar. Mexe
somente a panela para não açucarar.
Obtido o caramelo, retire do fogo e
acrescente com muito cuidado o leite
infusionado. Devolva ao fogo e cozinhe
em fogo baixo até todo o caramelo se
dissolver. Para o creme misture o restante
do leite, a fécula e o ovo com ajuda de um
batedor de arame. Aos poucos acrescente
ao caramelo, sempre batendo, aquecendo
tudo em fogo médio. Ao começar
engrossar, retire imediatamente do fogo,
mas continue batendo durante mais ou
menos 2 minutos. Passe por uma peneira
e espere esfriar. Esfriado incorpore o
creme de leite. Decore com um gole de
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 164
creme de leite e crocante de castanhas.
Bolo Rei amazônico
2 colheres (sopa) de licor amazônico para hidratar
as frutas secas
200 g de manteiga em temperatura ambiente
½ colher (chá) de raspas da casca de uma laranja
½ colher (chá) de raspas da casca de um limão
200 g de açúcar cristal
4 ovos
500 g de farinha de trigo
1 colher (chá) de fermento em pó
1 pitada de sal
½ colher (chá)de casca preciosa ralada
½ colher (chá) de cardamomo moído
½ colher (chá) de cravo moído
200 g de uvas passas (claras e escuras)
100 g de frutas cristalizadas
100 g de amêndoas em lascas
50 g de castanhas do Pará picadas
50 g de tâmaras sem sementes, picadas
50 g de damascos picados
Calda: 3 colheres (sopa) do licor amazônico
2 colheres (sopa) de mel
Decoração
Frutas cristalizadas e castanhas
3 colheres (sopa) de açúcar confeiteiro
Suco de meio limão
Pique todas as frutas secas e hidrate com o licor, deixando amolecer por
no mínimo meia hora. Bata a manteiga junto com os ovos e o açúcar até
que fiquem bem embranquecidas. Acrescente a farinha, as raspas das
cascas da laranja e do limão, as frutas secas hidratadas e as castanhas.
Reserve algumas para decorar. Pré-aqueça o fogão em 180 graus. Unte
uma forma com buraco no meio, polvilhe com farinha e asse o bolo por 60
minutos ou até um palito enfiado no bolo saia limpo. Deixe esfriar dentro
da forma. Quando o bolo estiver morno, fure-o com um espeto para
churrasco. Misture o mel com o licor e umedeça o bolo. Tire da forma,
coloque no prato definitivo e decore com as frutas cristalizadas. Umidifica
o açúcar de confeiteiro com o suco de limão até obter a consistência de
um xarope grosso e pingue sobre todo o bolo. Espere secar e sirva.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 165
Cumaru
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata
Origem
O cumaru, Dipteryx odorata, é nativo da Amazônia, mas
ocorre também em alguns países da América Central.
Pertence, igual a casca-preciosa, a imensa família das
lauráceas, e fornece, além de uma das melhores madeiras de
lei, resistente e perfumada, também sementes com um
perfume sem igual. A sua fava, no exterior conhecida como
tonka bean, oferece um fixador poderoso para a indústria de
perfumaria e está sendo usado desde sempre aqui na
Amazônia em banhos-de-cheiro e em perfumes caseiros.
Recentemente (re-) descoberta para o uso culinário,
emprega-se essa semente lisa e dura, cor roxa escura no
preparo de doces.. O cheiro inconfundível vem da substância
cuamarina. A mesma pode ser tóxica se for ingerido em
grandes quantidades ou por tempo prorrogado. Recomendase
moderação e parcimôniano seu uso.
Aroma
Cada fava exala um perfume amadeirado e oriental, muito
Parecido com o cheiro de amêndoas amargas.
Uso
Em forma de infusão ou ralado em sobremesas, licores e
pratos de sabor exóticos.
Clássico
Incorporado aos cremes ou ralado perfuma as sobremesas.
Exótico
Combina muito bem com certos pratos indianos, chutneys
ou geleias.
Imperdível
Um gole do licor amazônico.
J F M A M J J A S O N D
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Xarope perfumado
1 xícara açúcar cristal
1 xícara de água
1 casca de laranja cortada sem a parte branca
1 raminho com folhas de um cítrico
1-2 sementes de cumaru ou
1 pau de casca preciosa ou
2-3 folhas de caneleira
1 semente de cumaru
2 sementes de embiriba
3 colheres de sopa de vinho de porto ou vinho tinto
A gosto dispensa água e açúcar e prepare a infusão só com vinho de porto
ou vinho tinto
Esquente todos os ingredientes juntos. Cozinhe sob fogo brando até
alcançar o ponto de um xarope aromático. Sirva acompanhado bolo pode,
mingau de farinha de tapioca, sericaia, cremes ou rabanada.
Versões de bolo podre/cuscuz de tapioca gelado
1 xicara de água
¼-½ xicara de açúcar ou a gosto
1 pitada de sal
1 ½-2 xicara de tapioca em flocos
¾ xicara de leite de coco
1-2 gemas a gosto
Misture a água com o açúcar e o sal, aquece até o açúcar se dissolveu por
completo e depois derrame sobre a tapioca. Espere descansar por alguns
minutos para depois misturar bem com o leite de coco. Coloque numa
forma grande ou forminhas individuais. Espere inchar por uma hora fora da
geladeira depois para firmar e 3-4 horas na geladeira. Sirva com o xarope
perfumado.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 167
Cuca simples com crumble amazônico de especiarias, castanhas e
farinha de tapioca
Massa
3 1/3 xícara (400 g) de farinha
2 colheres (chá) de fermento biológico em pó
1 copo (150-200 ml) de leite em temperatura ambiente
1 pitada de sal
½-3/4 xícara (100-150 g) de açúcar ou a gosto
1 ovo ou 2 gemas
3-4 colheres (sopa) (70-100 g) de manteiga em temperatura ambiente
Casca ralada de 1 limão
Manteiga para untar a forma
Cobertura crumble/farofa doce
2/3 xícara (120 g) de manteiga gelada em cubos
1 ½ xícaras (150 g) de farinha de trigo
½ xícara de aveias finas a gosto
½ xícara de farinha de tapioca a gosto
¾ xícara (120 g) de açúcar refinado ou mascavo
1 xícara de castanhas picadas
Raspas da casca de um limão ou laranja
Especiarias amazônicas em pó, por exemplo cumaru, preciosa e embiriba
Raspas da casca de um cítrico, laranja ou limão
A gosto 1-2 bananas pacovã em rodelas, outras frutas a gosto ou uma camada de geleia
entre massa e crumble
Peneire a farinha numa tigela. Faça uma depressão no meio e lá coloque o açúcar e o
fermento biológico. Regue com 1-2 colheres (sopa) de leite e misture superficialmente.
Reserve uns 10 minutos e espere o fermento reagir. Acrescente o restante do leite e
incorpore muito bem. Sove a mão ou com a batedeira durante 3-4 minutos. Incorpore agora
o ovo/as gemas e o sal. Continue sovando. Depois acrescente aos poucos a manteiga. Sova
entre cada cubo, quanto mais tempo leva, melhor o resultado final. A massa deve ficar macia
e brilhante. Cubra com pano e reserve por no mínimo duas horas. A massa deve dobrar de
tamanho. Depois de repousar, sove a massa um pouco e espalhe numa assadeira
previamente untada. Cubra novamente com o pano e espere novamente crescer durante 30
minutos. Preaqueça o forno em 180 graus. Prepare a cobertura, misturando todos os
ingredientes secos e por fim incorpore rapidamente a manteiga. Quanto mais irregular a
farofa fica, melhor. Espalhe por igual sobre o fundo e asse durante 35-40 minutos ou até
dourar. Sirva acompanhado de uma geleia ácida.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 168
Bolo ou bolinho de especiarias
1 copo de água infusionado com especiarias
Especiarias amazônicas como cumaru, casca preciosa e
embiriba, a gosto um pouco de pimenta-de-cheiro
1 ½ xícara de açúcar mascavo
4 ovos
2 colheres de cacau
3/4 copo de óleo neutro ou azeite de castanhas
2 ½ xícara de farinha
1 pitada de sal
Raspas da casca de laranja
2 colheres (chá) de fermento químico em pó
Glacé
½ xícara de açúcar impalpável/confeiteiro
2-2 ½ colheres (sopa) de líquido, água, licor ou suco de
laranja
Raspas das especiarias
Colorau
Quebre ou pile as especiarias escolhidas no pilão e
aquece junto com o açúcar e a água até obter uma
calda perfumada. Espere amornar. Preaqueça o forno
em 180 graus e unta uma ou várias formas refratária/s.
Bata a água aromatizada junto com os ovos e o óleo no
liquidificador. Coloque numa vasilha e acrescente o
restante dos ingredientes. Misture bem, acrescente
por fim o fermento e derrame na forma. Asse por 40
minutos ou até um palito sai limpo. Esfriado por
completo cubra com a cobertura e salpique com
raspas das especiarias e a gosto uma pitada de colorau.
Para o glacé acrescente aos poucos a água ou suco de
laranja e misture até obter uma cobertura bem grossa
que cubra as costas de uma colher por completa.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 169
Biscoitos com especiarias amazônicas
¾ xícara de açúcar mascavo
½ xícara de manteiga em temperatura ambiente
1 ½ xícaras de farinha de trigo
1 pitada de sal
3 colheres (chá) de especiarias mistas por exemplo
½ - 1 vagem de cumaru ralada
Folhas ou madeira de caneleira em pó
1 pitada de pimenta branca em pó ou pimenta de cheiro a gosto
1 colher (chá) de casca de preciosa ralada
2-3 embiribas em pó
½ colher (chá ) de sementes de coentro
½ colher (chá) de sementes de erva-doce a gosto
1 pitada de cravo a gosto
1 pedaço de gengibre ralado
1 pedaço de açafrão da terra ralado
½ colher (chá) de raspas de casca de laranja ou limão
1 colher (chá) de fermento químico
2-3 colheres (chá) de mel ou leite
Para decorar pimenta rosa pilada grosseiramente ou a mistura das
especiarias junto com colorau ou açafrão da terra
Misture todas as especiarias no pilão ou num moedor e moa. Reserve
uma pequena quantidade para salpicar os biscoitos prontos. Bate
manteiga e açúcar até ficar embranquecidos. Aos poucos incorpore a
farinha e o restante dos ingredientes, o mel/leite só a quantidade
necessária para formar uma massa elástica. Espere a massa descansar
por algumas horas ou uma noite. No outro dia preaqueça o forno em
200 graus. Abre a massa com rolo e recorte biscoitos a gosto com
ajuda de forminhas ou um copo. Decore com castanhas em lâminas ou
salpique com açúcar ou açúcar com especiarias antes ou depois de
assar durante 8-10 minutos ou até as bordas ficam crocantes. Caso
prefira salpicar com açúcar somente depois de terem assados - mais
quente os biscoitos, melhor.
Quem prefere um cookie mais mole, enrole a massa que nem
brigadeiro com mãos levemente untadas. Asse igualmente durante 8-
10 minutos e esfriados decore com açúcar impalpável misturado com
um pouco de suco de laranja ou limão. A gosto salpique com as
especiarias reservadas e um pouco de cúrcuma ou colorau.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 170
Embiriba / Imbiriba
Origem
Acha-se as pequenas sementes da embiriba ou imbiriba, Xylopia
amazônica, sementes altamente aromáticas de uma árvore nativa,
escondidas entre muitas outras «especarias» nas feiras livres. Só
procurar nas bancas amontoadas, cheio de mistérios, com mil e um
frasquinho, pacote e amarroados, contendo as mil e uma riquezas
das florestas. Pode ser de origem animal ou uma erva, sempre
servem para as mais variedades utilidades. Lá, junto com as ervas,
madeiras, seivas e banhos é vendida na secção dos remédios
tradicionais, ai se encontra a embiriba, remédio contra dores e
desarranjos estomacais, melhorando a digestão. A mesma também
não falha em empregar o seu aroma sutil à comidas salgadas e
doces. Como faltam estudos de toxicidade, aliás o caso de muitos
desses remédios tradicionais, recomenda-se moderação no seu uso
na culinária.
Aroma
A embiriba lembra canela, mas deixa na boca também um leve e
agradável toque final picante.
Uso
Usado em forma de infusão, posto em um saquinho de gaze,
removido depois do cozimento, ou triturada ou pilada, em caldas,
pudins, bolos, moída ou pilada, dá um sabor adocicado e quente as
doces ou a comida em geral. Na infusão com álcool libere uma cor
vermelho alaranjada.
Imperdível
No licor amazônico e em bolos
J F M A M J J A S O N D
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 171
Aperitivos
amazônicos
Castanhas de caju, farinha
de tapioca e beijucicas
formam um quarteto
apetitoso e crocante, ao
mesmo tempo
apimentado, salgado e
doce. Entram especiarias
amazônicos, corantes
naturais, sal, caramelo,
pimenta e muitas
especiarias ao seu gosto.
Servem de aperitivo, topping crocante para saladas e outros pratos ou
simplesmente para beliscar. A farinha de tapioca poderia ser substituída por
pipoca ou beijoucica quebrado em pedaços menores. Todos combinam muito
bem com o caramelo salgado e apimentado proposto.
Prepare um caramelo com açúcar branco ou mascado, rapadura e mel a gosto.
Tempere com pimentas diversas, sementes de coentro, cominho, mostarda e a
gosto embiriba, cumaru ou canela. Colore com colorau ou açafrão-da-terra e
salga na medida com sal grosso.
Se for usar beijoucica, umidifica primeiro e coloque alguns minutos no forno
para ficar bem crocante novamente. Na pipoca acrescente um pouco de
manteiga para intensificar o gosto.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 172
Galinha caipira ou frango ao leite de castanhas e
especiarias amazônicas
1 punhado generoso de castanhas-de-caju demolhadas uma noite
Água filtrada
Alternativo leite de coco
1 galinha caipira, cortada em pedaços
1 limão
Sal e pimenta
2-3 colheres (sopa) de manteiga ou azeite ou meia-meia
3-4 dentes de alho ou a gosto um bulbo inteiro, topo cortado
1 pedaço de gengibre fatiado
2-3 folhas de caneleira ou de preciosa
5-6 embiribas ou 2-3 cravos, levemente machucado
1-2 galhos de alfavaca
A gosto raspas da casca de limão
Para o leite de castanhas cubra as castanhas com água e espere
demolhar algumas horas. Corta a galinha nas juntas em pedaços,
lave com o limão e salmoure durante uma noite. No outro dia
descarta a salmoura ou aproveita parte dela para assar a galinha.
Para o leite das castanhas descarte a água e cubra as castanhas com
água fresca. Bate no liquidificador até obter um leite. A gosto passe
por um pano, reserve o leite, e use o bagaço para outros fins.
Preaqueça o forno em 220 graus. Numa frigideira doure todas as
partes da galinha num generoso fio de azeite ou meio azeite, meio
manteiga. Coloque os pedaços dourados numa panela refratária
com tampa. Na frigideira solta com ajuda de ½-1 xícara da salmoura
ou água todas os queimadinhos do fundo. Acrescente aos pedaços
de frango, junte as especiarias e o alho e asse no forno entre 2 ½-3
horas, a última meio hora destampado, até a carne se solta com
facilidade dos ossos. Acrescente mais salmoura ou água na medida
necessária. Para finalizar retire os pedaços de galinha , filtre o
molho e incorpore o leite de castanhas . Não esquente novamente
para não talhar. Corrija os temperos, devolve a galinha, acrescente
as castanhas picadas e sirva acompanhado de arroz branco e
legumes ou salada.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 173
Biscoitos de castanhas e especiarias
250g de açúcar impalpável
1 pitada de sal
2 ovos
150 g de castanhas moídas
1 vagem de cumaru ralada
1 pitada de noz-moscada ralada
1 pitada de pimenta branca em pó
1 colher (chá) de casca de preciosa ralada
1 pedaço de gengibre ralado
1 pedaço de açafrão da terra ralado
Casca de um limão galego ralado
350 g de farinha
1 colher (chá) de bicarbonato
Açúcar impalpável para polvilhar
Adicional 2 colheres de chocolate em pó para a massa
escura
Bata o açúcar com os ovos até a massa ficar
embranquecida. Acrescente as especiarias, o sal e a
farinha peneirada. Misture até obter uma massa firme.
Com as mãos forme bolinhos do tamanho de um
brigadeiro, passe pelo açúcar impalpável e coloque sob
uma forma forrada com papel manteiga. Deixe bastante
espaço entre um ou outro para que os biscoitos possam
se espalhar. Deixe crescer em forno pré-aquecido em 220
graus por 15-20 minutos até que a superfície rache. Se
mantêm frescos se guardados em uma lata por 2
semanas.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 174
Lembrancinhas lembram,
nomen est omen, de qualquer
festa memorável:
aniversários, casamentos, jubileus.
Tanto o conteúdo quanto a
embalagem devem lembrar do
acontecimento. As embalagens
nostálgicas propostas de papel
seda delicadamente
recortadas em cores
variadas e personalizados trazem,
misturadas a flores da mesma
tonalidade um ar retro. Embalam
biscoitos delicados ou bemcasados
perfumados com
xarope ou licor que são
cuidadosamente embalados em
celofane para depois receber um
tufe de papel seda. Essa
encantadora arte caseira de
embalagem já está
desaparecendo, substituído por
recortes pré-fabricados. Mas
individualistas curtem o toque
pessoal. Que tal escolher cores
alegres que combinam com flores
ou frutas frescas, se misturando
num arranjo alegre e tropical?!
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 175
Embrulho de papel seda dobrado e recortado
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 176
Bem casados ao xarope de cumaru,
recheados com doce de bacuri
Massa
5 ovos, separados em clara e gema
2 colheres (sopa) de açúcar
10 colheres (sopa) de farinha de trigo
1 colher (chá) de fermento em pó
1 pitada de sal
Raspas da casca de um limão
300 g de geleia de bacuri para rechear
Xarope
¼ de xícara de água morna
3 colheres (sopa) de licor ou vinho de porto
1 xícara de açúcar confeiteiro
1 vagem de cumaru
1 pedaço de canela
1 pedaço de casca de laranja
Separe os ovos e bata as gemas com o açúcar até ficarem bem
claras. Peneire e adicione a farinha e o fermento ao creme das
gemas e bata novamente. Adicione as raspas da casca do limão e
o sal e continue mexendo. Bata as claras em neve e acrescente
com delicadeza ao creme. Forre uma forma pequena com papel
manteiga e pingue com a ajuda de duas colheres pingos da
massa na forma, deixando suficientemente espaço entre cada
pingo ou asse a massa como um pão-de-ló. Asse por 10 min. em
forno preaquecido a 180 graus ou até as bordas dos biscoitos
estejam douradas. Tire ainda quente com ajuda de uma espátula
da forma. Esfrie sob uma grelha. Se for necessário corte em
cubos e cubra a metade dos biscoitos com a geleia e tampe com
um segundo biscoito. Deixe repousar por pelo menos duas
horas. Para a calda esquente a água com as especiarias até a
calda ficar perfumada. Acrescente o açúcar e o vinho e aqueça
sob fogo brando até obter uma calda espessa. Molhe os
biscoitos na calda e deixe novamente secar por 2-3 horas.
Embale individualmente em celofane e papel seda.
Lembrancinhas para festa
infantil, recheadas com creme
de manteiga
125 g de manteiga temperatura ambiente
125 g de açúcar confeiteiro
1 gema
Seguir a preparação dos biscoitos da página
anterior, dispensando o uso de álcool no
preparo da calda. Para o creme de
manteiga, bata todos os ingredientes até
obter um creme liso. Recheio os biscoitos.
Prepare a calda igual, dispensando o álcool,
regue, vire em açúcar cristal e embrulhe em
celofane e papel recortado a gosto.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 177
Guloseimas amazônicas
Todo mundo ama brigadeiros e trufas! Que tal produzir umas
versões gourmet e bem amazônicos? Quem decide o
ponto da massa gourmet é a cozinheira! Quer mais mole, tipo
brigadeiro de colher ou mais firme perfeito para enrolar? O toque
especial vem dos ingredientes locais. Cascas de todos os tipos de
laranjas e limões que crescem por ai, use raspas da casca e a
gosto um pouco de suco, dão um belo contraste ao doce. Murici
ou cutite fazem par perfeito com cacau. Cupuaçu, já é clássico.
Brigadeiros e trufas caseiras, gourmet,
fora da caixinha
Que tal aromatizar o seu brigadeiro com umas gotas de licor? Por
exemplo licor de flor de jambu? Ouse e apimenta o chocolate
com uma boa gota de pimenta-de-cheiro, tão aromático! Quem
aposta em elegância tem a difícil escolha entre tantas especiarias
amazônicas que dão uma roupagem completamente nova ao
brigadeiro. Agora é só caprichar ao enrolar e embalar. As trufas
recebem, além de castanhas de todos os tipos, um perfume, uma
especiaria extra.
Recheios de geleias caseiras de todas as frutas amazônicas
também não fazem feios. Repete a façanha e combina a fina casquinha
de chocolate com recheia de cupuaçu, jambo, murici ou
laranja? Cada mordida uma nova surpresa!
178
Sinfonia de brigadeiros amazônicos gourmet
Receita básica do brigadeiro
gourmet
1 colher (sopa) de goma de tapioca
peneirada
3 colheres (sopa) de creme de leite sem
soro
1 colher (sopa) de manteiga extra sem
sal
Um pouco de manteiga para enrolar
1 lata de leite condensado
1 colher (sopa) de cacau em pó sem
Açúcar da melhor qualidade
3 colheres (sopa) de granulado de
chocolate amargo
Polvilhe a goma sobre o creme de leite
e misture tudo, sem aquecer ainda.
Acrescente o restante dos ingredientes
e leve ao fogo brando numa panela de
fundo grosso. Aquece devagar,
mexendo sem parar. Continue em fogo
brando, sempre mexendo, até o creme
engrossar e obter a consistência de
brigadeiro mole ou mais firme o que
dura mais ou menos 10 minutos.
Acrescente os sabores desejados e
espere esfriar um pouco. Brigadeiro
mole já pode ser colocado no copo ou
servido em colheradas individuais sobre
uma colher. Brigadeiro tradicional
precisa ser mais firme. Role o mesmo
com as mãos untados com um pouco
de manteiga. Cubra com cacau, açúcar
confeiteiro, role no granulado, lâminas
ou pó de castanhas, experimente flocos
de coco ou cacau amargo. Sirva em
forminhas individuais. Leve a geladeira
para firmar, o que dura no mínimo 4
horas.
Sirva o brigadeiro um
pouco mais mole/líquido
na colher ou em
copinhos de cachaça
Brigadeiro de limão galego
1 receita básica de brigadeiro
1 limão galego, raspas da casca
3 colheres (sopa) de suco de limão galego ou a gosto
Cacau em pó para rolar
Esse brigadeiro de limão também fica excelente com
chocolate branco
Brigadeiro de murici
1 receita básica de brigadeiro
3 colheres (sopa) de polpa de murici
Cacau em pó para rolar
Brigadeiro com cupuaçu
1 receita básica de brigadeiro
3-4 colheres (sopa) de doce de cupuaçu
Cacau em pó para rolar
.
Brigadeiro com casca- preciosa e
embiriba
1 receita básica de brigadeiro
¼ - ½ colher (chá) de raspas de
Casca-preciosa e embiriba
Cacau em pó para rolar
Brigadeiro com pimenta-decheio
1 receita básica de brigadeiro gourmet
Pimenta de cheiro fresca ou em óleo a gosto
Pimenta-de-cheiro seca e pilado para misturar
aos cacau a gosto
Cacau em pó para rolar
Brigadeiro com açafrão-da-terra e especarias
1 receita básica de brigadeiro
1 pitada de flor de sal
1 limão galego, raspas da casca
1 pedaço de 2 cm de açafrão-da- terra
descascado e ralado
ou ½ colher (chá) de pó de açafrão-da-terra
¼ colher (chá) de casca-preciosa ralada
1 semente de cardamomo ralada
Cacau em pó para rolar
Brigadeiro com cumaru
1 receita básica de brigadeiro
½-1 fava de cumaru raspada
Castanhas picadas para rolar
Brigadeiro com licor de jambu
1 creme básico para brigadeiro
3-4 colheres (sopa) de licor de jambu
Cacau em pó para rolar
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 179
Trufas recheadas com geleia de frutas
amazônicas
300 g de chocolate amarga ou meio amargo de boa qualidade em
barra
Geléia de corte de frutas amazônicas como cupuaçu, jambo,
taperebá ou a gosto
Forminhas para trufas
Embalagem para trufas ou papel celofane e seda
Pique o chocolate e derrete em banho-maria. Forre as formas com
uma camada do chocolate e leve a geladeira para firmar. Firmado,
recheie a gosto e feche com outra camada de chocolate. Leve
novamente a geladeira e espere firmar. Embrulhe cada trufa
individualmente e aprecie.
Brigadeiro trufado de corte
200 g da melhor chocolate 70%
1 colher (sopa) de manteiga
1 colher (sopa) de mel nativo
2 colheres (sopa) de cacau em pó da melhor qualidade
100 g de creme-de-leite
2 punhados de castanhas-de-caju inteiros ou picados grosseiramente
Pique o chocolate e coloque num recipiente. Aquece o creme-deleite
até o ponto de fervura, retire do fogo e derrame sobre o
chocolate. Espere derreter. Incorpore o restante dos ingredientes,
espalhe numa forma untada e espere firmar na geladeira durante
algumas horas. Recorte em cubos e sirva. A gosto polvilhe com
cacau.
Quem prefere um doce mais adocicado substitua o creme-de-leite
por leite condensado e prepare com os mesmos ingredientes
restantes um brigadeiro. Espalhe igualmente e recorte após firmar.
A gosto adicione especiarias e/ou licor
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 180
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 181
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 182
Guaraná
Origem
O guaraná, paullinia cupana, um arbusto ou cipó lenhoso, de até 10 m
de altura, é nativo da Amazônia. Os índios descobriram as suas
propriedades estimulantes: O pó de guaraná contém três vezes mais
cafeína do que o café. Guaraná obtém-se das sementes que crescem
em cachos exuberantes. Alaranjado, expõem ao abrir, a semente
preta, lembrando um olho humano. A semente mágica goza da fama
de prorrogar a vida e manter o vigor sexual, além de oprimir a fome.
No interior da Amazônia ainda é vendido em forma de bastão e a
tradição manda que deve ser ralado com a língua de pirarucu.
Produções tradicionais de Guaraná se encontram em terras indígenas
Sateré-Mawé, que defumam o mesmo na produção e em Maués. Os
dois lugares já dispõe do zelo Guaraná com Identificação Geográfica
(IG) que valoriza o produto final.
Aroma
O pó é quase inodoro de consistência de uma madeira ralada. O gosto
do xarope de guaraná é agridoce e frutífero.
Uso
Bastão, pó ou xarope – 70% da produção do guaraná, está localizada
na cidade de Maués, onde tradicionalmente é processado em
refrigerantes. Os melhores são os regionais.
Clássico
Guaraná batido, puro com água ou misturado com açúcar para
mascarar o gosto. Xarope de guaraná em combinação com amendoim
ou castanhas e frutas da estação é carinhosamente apelido de
“levanta defunto” ou outros nomes ilustrativos.
Exótico
In natura.
Imperdível
O refrigerante de guaraná regional chamado “Baré”.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata
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183
Energético de guaraná
2 colheres (sopa) de xarope de guaraná
T
1 colher (sopa) de mel de abelha nativa
1 limão galego, suco
1 pedaço de gengibre ralado
1 colher (chá) de guaraná em pó
3-4 castanha de caju ou do Pará
1 colher (chá) de catuaba ralada
1 copo d’água gelada
Misture o xarope e o pó de guaraná com a água. Deixe descansar na geladeira por 5 minutos.
Acrescente os outros ingredientes e bata no liquidificador. Sirva gelado.
Batida energética de guaraná
Para uma batida siga a receita acima e acrescente 1-2 colheres de leite condensado e 1 cálice
de cachaça por pessoa . Chacoalhe bem na coqueteleira e sirva com gelo.
Caipiguaraná
½-1 limão galego
1 colher de xarope de guaraná
1 dose de cachaça
Cubos de gelo a gosto
Macera o limão junto com o xarope de guaraná, acrescente o restante dos ingredientes,
chacoalhe bem na coqueteleira e sirva gelado.
Ponche de frutas com xarope de guaraná
Pique frutas de estação, coloque num bowl, complete com xarope de guaraná, água mineral e
gelo. Sirva gelado.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 184
Priprioca
Origem
Uma das estreantes entre as ervas aromáticas amazônicas
descobertas pela culinária é a priprioca, cyperus
articulatus, um tipo de capim alto, com flores miúdas nas
pontas. Usado é o seu bulbo, a raiz, que forma uma
sequencia de tubérculos altamente cheirosos. Nativa da
Amazônia, a priprioca tradicionalmente se faz presente
nos perfumes caseiros e integra os banhos de cheiro que
servem tanto para limpar o corpo quanto atrair bons
fluidos ou sorte. Também é usado em amarrados,
espantando insetos e perfumando roupas e lenções.
Agora a sua
fragrância foi descoberta para o uso culinário.
Aroma
As batatinhas perfumadas liberam, ao serem cortadas,
uma fragrância leve, amadeirada, picante e com notas
florais. Fornecem um óleo essencial de cor avermelhada,
usada na indústria farmacêutica e cosmética.
Uso
O bulbo da priprioca com seu aroma de floresta, selvagem
e verde, se faz presente sendo extraído com álcool ou
empregado em licores ou caipirinhas. A batatinha fresca
também pode ser
usada ralada, sozinha ou em combinação com outros
aromas.
Clássico
Perfumando uma caipirinha.
Exótico
Usado em geleias, arroz-doce ou pudins.
Imperdível
No Bitter, licor deliciosamente amargo.
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Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 185
Remédio, vinho fortificante ou licor?
Ao extrair através de álcool propriedades medicinais
ou sabor, quem sabe os dois, se chega às
garrafadas, vinhos fortificantes e
licores. As aromas amazônicos, exóticos e ricos,
são a matéria-prima perfeita para compor o seu
destilado próprio. Muito pode ser
reinventado ou interpretado criando vermutes,
licores e bitteres, uns até com a fama de
afrodisíaco como aquele de jenipapo.
As formulações mantém
desde sempre um tanto de
magia e segredo.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata
Como sempre - moderação é o segredo!
Esses ingredientes selvagens carecem ainda de
estudos. Respeitado isso, muitas cascas, raízes e
folhas, usadas na medicina popular para chás ou
tinturas rendem resultados interessantíssimos! Quem
aposta numa velha nova vertente, essa dos
amargos, super da hora, encontra nas ervas
medicinais o que procura. Use aquelas que curam os
males de estômago e adocica na medida. Os
licores, por exemplo de frutas, exploram o
contraste entre azedo e doce equilibrando doçura e
acidez. Postos nas mesinhas dos salões, eram servidos
em conjuntinhos decorativos com copinhos de dois
goles. Vanguarda são as infusões sem álcool.
Aqui entram os xaropes e outros tipos de bases que
podem ser misturados a vontade.
Licor amazônico
1 pedaço de casca-preciosa em lascas
5 sementes de embiriba
2-3 sementes de cumaru
2-3 folhas da caneleira
1 pedaço de gengibre em fatias finas
1 pedaço de casca de laranja
1 pedaço de casca de limão
2 sementes de anis-estrelado
6 sementes de cardamomo
12 de sementes de pimenta rosa
Colorau para dar uma cor intensa
½ l de vodca ou álcool 90%
1 xícara de água
1 xícara de açúcar
Lave todos os ingredientes e quebre ou corte-as em pedaços não
muito pequenos. Cubra com a vodca e deixe de infusão num
lugar escuro por um mês. Depois um mês filtre, guarde a vodca
aromatizada e lave as especiarias com a xícara de água, descarte
as mesmas e aquece a água da lavagem junto com o açúcar no
fogo brando, apurando até alcançar o ponto pérola (108 graus).
Deixe esfriar para depois misturar ao álcool aromatizado. Guarde
em garrafas previamente esterilizadas.
Kir amazônico
Sirva meio cálice do licor misturado a uma taça de vinho branco
ou espumante.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 187
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 188
Licor de priprioca
10 bulbos de priprioca
Casca seca de um limão galego
e de uma laranja da terra
1 pedaço de gengibre fatiado
½ l de vodca ou álcool 90%
1 xícara de água
1 xícara de açúcar
Lave bem todos os ingredientes e quebre ou corte-os em pedaços não muito pequenos.
Cubra com o álcool e deixe de Infusão por um mês. Filtre e guarde o líquido, lave as
especiarias com a xícara de água antes de descarta-los. Esquente a água junto com o
açúcar e deixe apurando por 10 minutos. Esfriado, misture com o álcool aromatizado.
Amargo Amazônico
2 cravos
2 bulbos de priprioca
4-5 sementes de coentro
1 pedaço de casca de laranja
1 pedaço de casca de limão galego
1 maço de erva-cidreira
3-4 galhos de hortelã
1 pedaço de gengibre fatiado
1 pau de canela
1 fava de cumaru
3-4 sementes de cardamomo
1-2 sementes de anis-estrelado
300 ml de vodca
1 xícara de açúcar ou rapadura
1 xícara de água
Lave bem todos os ingredientes e quebre ou corte-os em pedaços não muito pequenos.
Cubra com o álcool e deixe de Infusão por um mês. Filtre e guarde o líquido, lave as
especiarias com a xícara de água antes de descarta-los. Esquente a água junto com o
açúcar e deixe apurando por 10 minutos. Esfriado, misture com o álcool aromatizado.
Guarde em garrafas de vidro previamente esterilizadas.
Rabo de galo
1/3 de amargo amazônico
2/3 de cachaça envelhecida no baril de madeira
Gelo e fatias de limão ou casca de laranja a gosto
Coloque o amargo num copo de fundo grosso e completa com a cachaça. Completa com
gelo, fatias ou casca de limão ou laranja.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 189
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 190
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 191
RIQUEZA
das terras
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 192
Batata-doce de todas as cores – roxa, laranja, branca ou beige
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 193
Origem
A origem da batata-doce, Ipomoea batatas, suas raízes carnudas se come, parece incerto, apesar
de muitas evidências indicarem o Sul do México e o Nordeste da América do Sul. De alto teor
energético, e espalhada por todos os trópicos e sub-trópicos, a batata-doce não é um tubérculo,
e sim uma raiz, das mais antigas usadas pelo homem. É muito pouco exigente e se desenvolve e
produz bem em condições de clima quente. Não tolera geadas e regiões de clima frio. Existem
mais de 1000 espécies de batatas-doces. É uma das raízes que mais salvou pessoas da fome. No
mercado encontram-se batatas-doces de pele branca, creme, amarela, rosada, avermelhada,
laranja, roxa ou brancacom polpas brancas, amarelas, rosadas, roxas e alaranjadas. A planta
rasteja no solo, forma além dos tubérculos que variam muito em forma e tamanho também
raízes normais.
Aroma
Leve e agradavelmente adocicado, uns são mais farinhentas do que outras.
Uso
De alto valor energético, combina tanto com pratos salgados quanto doces.
Clássico
Consumido com café, em forma de purê ou doce de batata-doce
Exótico
Assado na brasa ou no forno ou em forma de chip.
Imperdível
A alaranjada, assada lentamente direto na brasa.
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Batata-doce
Origem
A origem da batata-doce, Ipomoea batatas, cujas raízes carnudas
se come, parece incerto, apesar de muitas evidências indicarem o
Sul do México e o Nordeste da América do Sul. De alto teor
energético, e espalhada por todos os trópicos e sub-trópicos, a
batata-doce não é um tubérculo, e sim uma raiz, das mais antigas
usadas pelo homem. É muito pouco exigente e se desenvolve e
produz bem em condições de clima quente. Não tolera geadas e
regiões de clima frio. Existem mais de 1000 espécies de batatasdoces.
É uma das raízes que mais salvou pessoas da fome. No
mercado encontram-se batatas-doces de pele branca, creme,
amarela, rosada, avermelhada, laranja, roxa ou branca com
polpas brancas, amarelas, rosadas, roxas e alaranjadas. A planta
rasteja no solo, forma além dos tubérculos que variam muito em
forma e tamanho também raízes normais.
Aroma
Leve e agradavelmente adocicado, uns são mais farinhentas do
que outras.
Uso
De alto valor energético, combina tanto com pratos salgados
quanto doces.
Clássico
Consumido com café, em forma de purê ou doce de batata-doce
Exótico
Assado na brasa ou no forno ou em forma de chip.
Imperdível
A alaranjada, assada lentamente direto na brasa.
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Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 194
Tucunaré ao forno com batata-doce
2 tucunarés inteiros, ticados
1 limão galego
Sal, pimenta e colorau a gosto
Azeite
2-3 dentes de alho picados
1 pedaço de gengibre picado
1 cabeça de alho inteira, os dentes com casca, o topo cortado
2-3 cebolas roxas cortadas em 8 ao longo do comprimento
4-5 pimentas regionais inteiras
300 g de batata-doce pré-cozida, cortada em fatias
3-5 tomates cortados em 8 ao longo do comprimento
1 maço de coentro ou cheiro verde picado
Lave o peixe com limão, tempere a gosto com sal, pimenta, alho e
gengibre e reserve por meia hora na geladeira. Preaqueça o forno em 200
graus. Unte uma forma refratária, coloque uma cama de legumes e
batatas, acomode o peixe, acrescente o restante dos legumes, tempere a
gosto e regue com azeite. Asse no forno até o peixe se solta rcom
facilidade das espinhas. Salpique com cheiro verde e sirva acompanhado
de arroz branco.
Batata-doce frita ou assada
Corte a batata-doce em fatias ou chips mais finas, obtidas com um
mandolim ou pedaços maiores cortando ao longo do comprimento,
tempere a gosto, regue com azeite e asse no forno numa forma untada.
Se for fritar em óleo quente tempere ainda quente a gosto com cominho
e coentro em grãos e salpique com sal grosso ou sirva com um molho a
seu gosto.
Batata-doce assada na brasa
1-2 batatas-doces por pessoa
Folha de alumínio
Sal grosso a gosto
Lave as batatas, embrulhe em papel alumínio e asse diretamente na
brasa por 1h- 1 ½ horas. Para acelerar o cozimento, podem ser précozidas.
Sirva salpicado com sal grosso acompanhando churrasco ou
peixe.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 195
Purê de batata doce salgado com
vinagrete e pirarucu salgado
600 g de batata-doce
150 ml de leite de vaca ou leite de coco
Sal e pimenta a gosto
1 pitada de cravo
1 pitada de noz moscada
1-2 colheres (sopa) de manteiga
Cozinhe as batatas cobertas com água. Para manter a cor roxa da batatadoce
roxa, coloque uma colher de vinagre na água de cozimento.
Descasque e passe ainda morno pelo espremedor de batata ou amasse
com um garfo. Leve ao fogo, acrescente o leite e tempere com sal,
pimenta, cravo e noz moscada. Mexe até obter a consistência desejada,
incorpore a manteiga e sirva quente. Decore a gosto.
Sopa ou molho condimentado laranja
¼ colher (chá) de sementes de coentro e cominho
¼ colher (chá) de sementes de mostarda
1 pitada de noz-moscada
1 pitada de cravo em pó
Azeite
½ cebola picada
3-4 pimentões regionais vermelhos em listras
1 pedaço de gengibre
1-2 tomates regionais em cubos
Colorau a gosto ou
1 pedaço de açafrão-da-terra fresco ou em pó
2 dentes de alho picados
1-2 batata-doce laranja, cozida/s sem casca em cubos
½ xícara (100 ml) de leite de coco
½ xícara (100 ml) de caldo de peixe ou camarão ou água para a sopa
Sal, pimenta e colorau a gosto
1 maço de coentro fresco
Suco de limão ou vinagre a gosto
Para sopa ou molho, torre todas as especiarias até levantem o seu
perfume. Acrescente um generoso fio de azeite e a cebola, os pimentões,
o gengibre e o açafrão. Refogue. Junte o alho e o tomate. Refogue mais
um pouco e depois reúna todos os ingredientes restantes no
liquidificador. Reserve uns galhos de coentro ou um pouco do refogado
para decorar. Liquidifique, devolve a panela, aqueça em fogo brando,
corrija os temperos adicionando suco de limão ou vinagre a gosto. Sirva
com peixe desfiado ou legumes assados no forno.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 196
Purê de batata-doce salgado ou doce
600 g de batata-doce roxa, branca ou laranja
150 ml de leite de vaca ou leite de coco
Sal e pimenta a gosto (para a versão salgada)
1 pitada de cravo a gosto
1 pitada de noz-moscada a gosto
1-2 colheres (sopa) de manteiga
Para a versão doce, açúcar a gosto
Cozinhe as batatas cobertas com água. Para manter a cor roxa,
coloque um colher de vinagre na água de cozimento. Descasque e
passe ainda morno pelo espremedor de batata ou amasse com ajuda
de um garfo. Leve ao fogo, acrescente o leite e tempere a gosto. A
versão salgada leve sal, pimenta, cravo e noz-moscada. A versão doce
dispensa a pimenta e acrescente açúcar a gosto. Purê de batata-doce
combina com especarias como gengibre, cravo, canela, anis-estrelada
e erva-doce. Mexa até obter a consistência desejada, incorpore a
manteiga e sirva quente. Decore a gosto.
A versão doce é servida fria e pode ser adoçada adicionalmente com
mel de abelhas nativas ou leite condensado.
T
Bolinhos de batata doce
3 x 300 g de batata-doce de três cores branca, roxa e laranja
3 x 100 g de açúcar ou a gosto
1 pitada de cravo
100 ml de leite de coco fresco ou em garrafa
Açúcar para rola
Flocos de coco brancos finos para rola
Flocos de coco queimadas para rolar
Cravos inteiros para decorar
Cozinhe as batatas coberto com água, cada cor em separado. Para
manter o roxo, coloque um colher de vinagre na água de cozimento.
Descasque e passe ainda morno pelo espremedor de batata ou
amasse com um garfo, cada cor em separado. Leve cada cor em
separado ao fogo, acrescente o açúcar e o leite de coco e mexe até
soltar do fundo. Espere amornar e enrole os bolinhos. Role os
brancos no açúcar cristal e decore com um cravo. Role as outras
cores nos flocos de coco.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 197
´Cará-branco e roxo de todos os tamanhos e formas
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 198
Cará-roxo
Origem
A origem do cará-roxo, dioscorea alata e do cará-branco,
dioscorea trifida, ainda é duvidosa. O primeiro vem do Sudeste
asiático, o segundo é nativo da Amazônia. Existem inúmeras
variedades, das mais diversas variedades e formas e colorações
de roxo, uns com mais outros com menos seiva. Sua baba assusta
uns e a sua cor exótica encanta outros. Alguns carás exibem
casca roxa e polpa branca, outras mostrem em seu interior um
roxo intenso. Uma cor aliás, a qual revela as suas propriedades
antioxidantes, muito bem falada, as mesmas do açaí. Planta
trepadeira de folhas de um verde intenso, sobe nas árvores e
encontra-se em quintais e hortas caseiras. No interior ainda é
muito valorizado. - Caso isso não seja argumento suficiente – o
cará é ainda mais nutritivo do que a batata. Vende-se em feiras
livres.
Aroma
A polpa levemente granulosa lembra mais a batata-inglesa do
que a batata-doce da mesma cor roxa.
Uso
De fácil digestão, usa-se o cará no interior normalmente comer
no café de manhã ou no lanche da tarde.
Clássico
Com café de manhã ou a tarde.
Exótico
Devorado, no lugar de pão francês, em um café de manhã bem
caboclo.
Imperdível
Cozido, colorindo uma salada com legumes e verduras da
estação.
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Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata
199
Dupla de purê/homos ou sopa de cará roxo
3 dentes de alho picados
2 colheres (sopa) de azeite
800 gramas de cará roxo cozido
1/2 litro de água para a sopa
Ou 300 ml para o purê
1 ramo de coentro ou alfavaca
Cozinhe o cará em água com sal. Espere esfriar um pouco, descasque e amasse com um
garfo ou processe no processador. Doure o alho no azeite, acrescente o cará picado, a água
e tempere a gosto. Aquece, esperando engrossar um pouco. Para a sopa acrescente uma
quantidade maior de água. Refogue o pimentão junto com a couve num fio de azeite e
incorpore à sopa. Espere engrossar um pouco, corrige os temperos e sirva com algumas
gotas de limão a gosto.
Dupla de salada com cará roxo e molho arubé
3-5 bulbos de cará roxo cozidos, descascados
2-3 tomates regionais cortados em rodelas ou fatias
½ pepino, em rodelas
1 batata-doce laranja e branca cozida em rodelas ou cubos
1 cheiro verde picado
Coentro ou alfavaca picada, a gosto
Azeite e vinagre ou limão a gosto
Sal marinho
Ou arubé / molho de tucupi a gosto
Cozinhe os carás lavados, em água com sal até fiquem macios, mas ainda com uma certa
consistência. Descasque-os e corte-os em rodelas. Arranje todos os ingredientes no prato e
polvilhe com o sal marinho e as ervas. Regue com o molho escolhido e sirva acompanhando
carne ou peixe.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 200
Refresco com cará-roxo e iogurte
1-2 cará roxos cozidos, sem casca
½ copo de iogurte
½ copo de leite de coco
½ copo de água ou a gosto
Açúcar, mel e canela a gosto
Misture todos os ingredientes no liquidificador e sirva gelado.
Licor de cará-roxo
1 pedaço de casca preciosa
1 fava de cumaru
1 pedaço de pau de canela ou folhas de caneleira
5 sementes de cardamomo
1 semente anis-estrelado ou embiriba
1 cará roxo grande, cozida
½ l de vodca
1 xícara de água
1 xícara de açúcar
Lave bem todos os ingredientes e quebre ou corte-os em
pedaços não muito pequenos. Cubra com a vodca e deixa de
infusão por mais ou menos um mês. Filtre, e guarde o líquido
perfumado. Lave as especarias com a xícara de água e aqueça a
água junto com o açúcar em fogo brando, apurando até
alcançar o ponto pérola (108 graus ou 10-15 min.). Misture,
depois de frio com o álcool aromatizado e guarde em garrafas
previamente esterilizadas.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 201
Batatas Ariá e
cará-do-ar
Esquecidas e escondidas nos vastos quintais amazônicos
encontram-se essas duas hortaliças deliciosas. A pequena
batata ariá, Calathea allouia, arredondada e com casca
fina, nativa da Amazônia. Lembra uma batata-inglesa bem
mais crocante e é rico em amido. Cresce debaixo da terra e a
folha grande é decorativa de verde intenso. Além de
crocante e deliciosa, é adaptadíssimo aos condições locais e
com isso sendo redescoberta pouco a pouco. Especialmente
para pessoas ligadas a iguarias locais e outros que se
preocupam com o usa desfreado de agrotóxicos em outras
lavoras. Muito apreciada pela população indígena e hoje em
dia já aparece nas feiras livres, por exemplo em Manaus.
O cará-do-ar ou cará-moela, Dioscorea bulbifera,
por sua vez é uma trepadeira com folhas em forma de
coração, tem vasta produção de tubérculos aéreos. Sua
forma incomum lembra moelas. Nativa da África e Ásia
tropical é carnuda com casca marrom clara um pouco mais
espessa e carne levemente amarelada. Os dois tubérculos
são cozidos antes de consumo e substituem com louvor a
batata-inglesa em muitas receitas.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 202
Direta da roça para o consumidor
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 203
Macaxeira
Origem
Macaxeira ou mandioca? Aqui no Norte são raízes muito distintas!
A macaxeira é a parente mansa ou doce da mandioca, também
chamada de brava, por ser venenosa. A mansa se chama em latim
manihot utilissima, a brava manihot esculenta. Das duas, raízes
grossas e muito ramificadas de um arbusto alto, originário dos
Andes peruanos, existem inúmeras variedades. Uma planta de mil
e uma utilidades, de fácil adaptação a qualquer solo e pouco
exigente. A mandioca doce ou mansa não contém nenhum veneno
e chega em várias formas a mesa. Muito apreciada é o tipo
mandioca-manteiga, cujo nome já diz tudo. Normalmente a
macaxeira é usada cozida ou frita. Também faz parte de beijus e
bolos tradicionais, sem ou com castanhas. Também é transformada
em farinhas, farinhas de macaxeira, processadas num dia só sem
passar pelo processo de amolecer na água. A farinha d’água e o
tucupi geralmente são feitos a partir da mandioca brava.
Aroma
Bastante neutro lembra batata ou outros tubérculos.
Uso
Combina tanto com pratos salgados quanto com beijus, farinhas e
bolos.
Clássico
Frito, cozido ou em bolos.
Exótico
Cozida e servida fria em saladas.
Imperdível
A variedade chamada de macaxeira -manteiga e o bolo de
macaxeira simples
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Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 204
Brandade de pirarucu salgado e
escondidinho
Purê
500 g de macaxeira, batata-doce ou cará cozido,
espremido ainda quente
Sal, pimenta e noz moscada
2-3 colheres (sopa) de leite ou quanto basta
4 colheres (sopa) de azeite ou manteiga
Adicional para a brandade
800 g de pirarucu salgado, dessalgado de véspera
1 limão galego
3 folhas de louro
2-3 dentes de alho
4-5 grãos de pimenta rosa
1 maço de coentro picado
Refogado
1 cebola picada, 3-4 pimentões regionais picados
A gosto 2-3 tomates picados
Sal, pimenta e colorau a gosto
Adicional para o escondidinho
1 pedaço de bacon picado
500 g de carne moída de segunda
1 xícara de queijo ralado
Para a brandade escalde o o pirarucu dessalgado em
água com leite, alho e folha de louro para depois
cozinhar os tubérculos nesse mesmo líquido. Desfie
o pirarucu, prepare o refogado e incorpore tudo ao
purê. Decore com o coentro e a pimenta.
Para o escondidinho prepare o purê tubérculos e a
parte o recheio. Cozinhe o tubérculo em água com
sal. Espreme ainda quente e misture com o restante
dos ingredientes. Acrescente a gosto mais leite até
obter a consistência desejada. Refogue o bacon
picado, acrescente cebola, pimentão e tomate e por
fim a carne moída. Cozinhe durante alguns minutos.
Preaqueça o forno em 220 graus. Unte uma forma
refratária, coloque o recheio e cubra com o purê.
Salpique generosamente com o queijo ralado e asse
no forno até a superfície dourar.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata
Palitos e chips
de macaxeira
½ kg de mandioca, crua
para os chips, cozido
para o palitos
Sal a gosto
1 xícara (chá) de óleo
neutro
Sal grosso, páprica
doce ou picante a
gosto
Lava a mandioca,
Descasca e corta com
um cortador de batatas
ou no mandolim em
fatias bem finas. Lava
os chips e seque com
papel toalha. Para os
palitos corte a
macaxeira em palitos,
cozinhe e depois frite.
Para fritar esquenta o
óleo numa frigideira
até fique bem quente e
frita a mandioca,
remexendo
cuidadosamente de vez
enquanto até dourar
de todos os lados.
Retire com uma
espumadeira e deixa
escorregar sopre papel
toalha. Coloque sal e
adicional o tempero
escolhido, por exemplo
alecrim ou páprica e
sirva.
T
São delícias de outros tempos: Pé-de-moleque, beijus moles assados
e bolinhos de puba fritos - A massa ralada da macaxeira, pubada ou não, rende,
tanto quanto a goma ou a tapioca em flocos, pura, misturada com coco
ralado fresco ou castanhas, inúmeros tipos de bolos achatados e bolinhos, uns
assados na folha de bananeira outros fritos no óleo, um mais gostoso do que
o outro.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 206
Beijus na folha de bananeira e tapioca com castanhas-de-caju
1 kg de macaxeira ralada ou massa puba, espremida
1 punhado de castanhas picadas , nibs de cacau ou coco ralado fresco
1 pitada de sal
Açúcar, cravo e canela a gosto
Leite de castanhas ou de coco para dar liga
T
Descasque a macaxeira, rale num ralo não muito grosso e esprema ou use a massa pubada. Preaqueça o
forno em 220 graus. Misture com as castanhas picadas , nibs picados ou com o coco fresco ralado.
Tempere a gosto com sal e açúcar e um pouco de leite de castanhas ou coco. Espalhe a massa numa
forma previamente untada ou embrulhe porções menores em folhas de bananeira. Asse no forno até
um palito enfiado sai limpo.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 207
T
Bolo de macaxeira simples tipo pé de moleque
(sem ovo nem manteiga)
1 kg de macaxeira ralada, espremida ou massa puba - a massa
pubadada dá ao bolo uma acidez deliciosa
1 coco fresco, ralado
1 pitada de sal
Açúcar a gosto um pouco para espalhar na forma
Leite de coco para dar liga
A gosto folhas de bananeira para assar
Manteiga para untar a forma
Coco ralado ou macaxeira ralada para salpicar o bolo
Descasque a macaxeira, rale num ralo não muito grosso e esprema
bem num pano ou use massa pronta já pubada. Ralo o coco fresco e
misture 2/3 à macaxeira. Separe um pouco da macaxeira ou do coco
ralado para salpicar o bolo. Preaqueça o forno em 220 graus. Unte
um tabuleiro com manteiga e forra com açúcar. Tempere a massa
com sal e açúcar e um pouco de leite de coco e espalhe a mesma na
forma untada e salpique com o restante do coco ralado ou a
macaxeira. Asse no forno até um palito enfiado sai limpo. A
consistência do bolo é firme e levemente borrachudo, mas delicioso.
Quem prefere um bolo bem tradicional, embrulhe por completo em
folhas de bananeira antes de assar. A massa também pode ser
enriquecia com castanhas picadas ou aromatizado com cravo.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 208
T
Bolo de macaxeira tradicional com ovo e a gosto
castanhas
1/2 kg de macaxeira crua, ralada no ralo grosso ou fino, espremida
em um pano
Ou 3 xícaras de massa puba
4 ovos
¾ xícara (150 ml) de leite de coco
150 g de coco ralado (reserve a metade para decorar) a gosto
1 ½ xícara (250-300 g) de açúcar ou a gosto
1 colher (chá) de sal
125 g de manteiga derretida ou ¾ xícara de óleo
Bata os ovos com açúcar e depois acrescente os outros ingredientes,
reserve parte do coco para polvilhar, e bata bem até formar uma
massa lisa, mas um pouco mole. A gosto carameliza a forma. Leve ao
forno preaquecido a 180 graus e asse por 40-50 min. até o palito
enfiado sair limpo. Polvilhe com o restante do coco ralado a gosto.
Versões de bolo de mandioca
Acrescente 100 g de queijo canastra
Erva doce
Use no lugar do leite de coco xarope de água com açúcar
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 209
Mandioca brava
Origem
É um tubérculo rico em amido de um arbusto originário dos Andes
peruanos ou talvez do Brasil que tem inúmeras variedades. A lenda
indígena conta: Nascia sob a sepultura de uma criança, meio branca
meio índia, fruto de um crime um arbusto. Amargas lágrimas
derramadas sobre o pé tornaram a sua raiz venenosa. Ou como o
nome já diz, a mandioca brava ou amarga, manihot esculenta, é,
sem ser processada, impróprio para consumo. Contém o mortal
ácido cianídrico. Processamentos desenvolvidos pela população
indígena pré-cabraliano tornaram os derivados dessa raiz
comestível. Um deles é a pubação que mantém mandioca dias em
água corrente para depois ser ralada e torrada o que destrói o
veneno volátil que evapora em contato com o ar e as temperaturas
elevadas. De cultivo extremamente simples, provavelmente a
mandioca brava foi um elemento chave para o desenvolvimento de
sociedades populosos indígenas na Amazônia pré-cabraliana. Esse
tipo de mandioca é só plantado para obter farinha d´água.
Aroma
É amarga e imprópria para o consumo.
Uso
A mandioca brava fornece tucupi, farinha d’água, todos os tipos de
polvilho, no norte chamado de goma de tapioca, além de farinha de
tapioca, um tipo de sagu artesanal e outros produtos mais.
Clássico
A farinha d’água
Exótico
Tucupi e maniçoba, essa elaborada com a folha da mandioca.
Imperdível
Em forma de tapioca, beijou, bolo puba ou pé de moleque, assado
na folha de bananeira.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata
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210
Folha-Maniva-Maniçoba
O tubérculo da macaxeira pode ser cozido e frito ou assado, virando até bolo
O tubérculo da mandioca é ralado e espremido, virando tucupi – goma – farinha de tapioca
Farinha de muitos tipos diferentes
Macaxeira ou mandioca e derivados
Macaxeira ou mandioca,
mansa, sem veneno ou com, braba,
mortalmente tóxica, – conta-se que
existem mais do que 250 variedades
dessa raiz na Amazônia. Os “papachibés”
como os nativos se autotitulem,
sabem que estão
preservando uma raiz com mil
e uma utilidade, uma cultura
de culinária completamente
indígena que se desenvolveu no
mínimo cerca de 1000 anos antes da
era cristã. Um alimento básico
não-perecível extremamente
versátil que já alimentou com todos
os seus derivados, com certeza a
mais importante a farinha, já
muita, muita gente.
Além de saber lidar com a mandioca
brava, e sabidamente neutralizar o
seu veneno mortal, tornando-a
comestível, os povos amazônicos
sabem até hoje – nem da macaxeira
nem da mandioca se perde nada,
nadinha. Essas folhas e raízes
rendem: sumo, goma,
farinha de tapioca e
farina. Farinha e farinha
d´água, grossa e fina ou
ovinho, branca, bege ou amarela,
tanto de macaxeira quanto de
mandioca raramente faltam numa
mesa amazônica. Tem farinhas para
Tradições e sabedorias ancestrais, altamente complexas
todos os gostos – uns mais
crocantes, outros mais bagudas -
uma saborosa do que a outra.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 211
Folha de macaxeira,sendo moída para virar maniva
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 212
Maniva
Origem
A maniva, palavra tupi, descreve tanto a rama quanto as
folhas moídas da mandioca ou macaxeira com
preferência para aquelas da macaxeira por ser menos
amarga. Muito antes da era cristã, os indígenas já tinham
desbravado a técnica de eliminar seu veneno, seguida à
risca até hoje: Moídas, as folhas são cozidas lentamente
durante sete longos (!) dias seguidos, se torna
gradualmente mais escuras, quase pretas. Inconfundível
o cheiro que levanta dos panelões de barro, borbulhando
sob o calor intenso dos fogões a lenha. Ingrediente
principal da maniçoba, incorpora-se a massa das folhas
de cor lamacenta aos poucos as mesmas carnes usadas
na feijoada. Muito, muito bem cozido, torna-se prato
ícone local e presença obrigatória em muitos lares
paraenses no tradicional almoço do círio. Preparados
pelos povos indígenas também com peixes lisos, a
maniçoba moderna une num caldeirão só, ingredientes e
sabores verdadeiramente indígenas com outros
assimilados pelo colonizador.
Aroma
De sabor inexpressivo, as folhas assimilam os sabores das
carnes. A maniva é fonte de cálcio, sódio e ferro.
Uso
Vendida já pré-cozida, a maniva é ingrediente
indispensável na maniçoba, prato festivo típico do Norte.
Clássico
Maniçoba preparada com mocotó e vísceras, untuosa e
pouco gordurosa, bem paraense.
Exótico e imperdível
Trio Paraense – arroz, maniva e farinha d´água
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Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 213
A tradicional Maniçoba
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 214
Maniçoba
O preparo da maniçoba leva vários dias
1,5 kg de maniva de macaxeira ou mandioca, de preferência pré-cozida
3 folhas de louro
300 g de toucinho ou bacon em cubos
½ kg de costelinha de porco defumado
T
½ kg de charque devidamente dessalgado e escaldado
½ kg de linguiça calabresa em rodelas ou meia luas
½ kg de carne de boi cortado em pedaços, por exemplo músculo ou acém
1-2 grandes cebolas picadas
6 dentes de alho
6 folhas de chicória
1 cheiro verde
3 pimentas de cheiro
Azeite
Para uma maniçoba completamente autêntica devem entrar no preparo adicional no 4º ou 5º dia:
1 kg de ossada, espinhaço ou mocotó de boi cortada em pedaços menores devidamente salgadas
durante um noite ou mais. A sua cartilagem dá untuosidade, corpo e liga ao preparo. Uma camada
de sal aplicada durante uma noite realça o sabor e vísceras picadas, lavadas e escaldadas
1 cebola picada
2-3 dentes de alho picados
Colorau, sal, cominho e pimenta a gosto
1-2 folha/s de louro
1 limão, suco ou vinagre
Tripa ou bucho para feijoada, em tiras
1 limão, suco ou vinagre
A gosto orelha, focinho e pé de porco, devidamente salgado durante uma noite ou mais
No primeiro dia coloque a maniva para ferver, coberta com bastante água e as folhas de louro.
Cozinhe a maniva por vários dias em seguida em fogo brando, sempre repondo a água. Se for optar
para a maniçoba autêntica, salgue o mocotó e os outros ingredientes, todos devidamente lavadas,
com uma fina camada de sal e coloque uma noite na geladeira. No penúltimo dia refogue o toucinho
ou o bacon, acrescente à maniva e continue cozinhando em fogo baixo. No penúltimo dia lave o
mocotó e cozinhe na panela de pressão até solta do osso. Lave e escalde as vísceras e as outras
partes do porco e incorpore tudo isso junto com o mocotó inclusive caldo a maniçoba. No último
escalde o charque e as costelinhas e corte em pedaços. Refogue a cebola num fio generoso de
azeite e acrescente o alho, o restante das carnes e a linguiça. Sela e refogue bem, aproveitando bem
a crosta do fundo da panela. Junte a maniva e cozinha até as carnes amoleçam por completo e a
maniçoba ficou encorpada e escura. Sirva com arroz branco, farinha d‘água e pimenta de cheiro a
parte.
Trio Paraense – arroz, maniva e
farinha d´água
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 215
Descascando mandioca beiro rio. Uma parte já está pubando no barco.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 216
Parte, mais ou menos 1/3-
1/2 da mandioca vai para
pubar. Com ou sem
casca é deixada uns dias
na água para depois ser
misturado à mandioca
fresca, já ralada e
exprimida.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 217
Descascando mandioca fresca para mistura à pubada
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 218
Mandioca e macaxeira podem ser brancas ou amarelas
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 219
Descascada e lavada a mandioca vai ser ralada.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 220
Pubação & tipiti
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata
Pubar a mandioca com casca ou
descascada numa canoa velha, diretamente
no rio ou igarapé, o uso do tipiti, os
dois fazem parte da maneira
ancestral de obter farinha
d´água, são registros cada vez mais
raros. O processo nas casas de farinha aqui
no Norte ainda é pouco mecanizada e
trabalhoso. Muitos preferem comprar a
farinha no supermercado ou na feira. Mas o
costume de comer farinha ainda se
mantém.
O grande diferencial da farinha d´água do
Norte vem da pubação. Esse passo é
responsável pelo paladar levemente ácido,
muito gostoso e crocante do produto final e
também já deve eliminar uma parte do
veneno da mandioca. Existem os dois tipos
de pubação, com e sem casca. Se for
pubado com casca, essa se solta depois com
muito facilidade. É costume de misturar
mandioca pubada com
mandioca não pubada para o
preparo da farinha. Macaxeira e mandioca,
pubada ou não é ralada e depois colocado
na abertura do tipiti, fundamental não só
para obter a manipueira que pode virar o
delicioso tucupi, mas também para tirar
grande parte da umidade da massa ralada
antes que ela vai para o forno.
221
Tipiti feito de taquara. O seu trançado específico o torna retrátil como uma mola. Enchido
com a massa ralada e distorcido com ajuda de um pau e se espreme um líquido, a manipuera.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 222
222
A massa ralada da mandioca fresca vai para
o tipiti. O seu trançado elástico permite
que ele se alonga e fecha, sendo destorcido
com ajuda de um pau. A pressão espreme
um líquido, a manipueira que pode virar o
apreciado tucupi. Solto o trançado do
tipiti volta, igual mola ao seu estado inicial,
liberando o pré-produto para a farinha que
só precisa ser torrada. A manipuera/
manicuera ou é descartada ou vira tucupi.
Descansa algumas horas ou até azedar
enquanto a goma se senta no fundo do
recipiente. Esvazia-se o tucupi conforme
gosto ainda adocicado ou já deliciosamente
azedado que ainda precisa ser fervido por
um bom tempo, eliminando qualquer
vestígio de veneno.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 223
Tucupi
Origem
O tucupi, líquido de cor amarelo esverdeado, delicioso, é tirado
do tubérculo da mandioca brava, a venenosa. Parte
fundamental e genuinamente indígena da culinária nortista, o
tucupi faz parte de pratos icônicos como pato ao tucupi e
tacacá. A técnica da sua produção, desenvolvida pelos
indígenas, é aplicado até hoje. A mandioca pubada, deixada
três dias na água, é ralada e exprimida no tipiti ou num paneiro
a gosto junto com mandioca fresca. O tipiti, uma engenhosa
varra oca feito de folhas de palmeiras é pendurada e torcida,
liberando o suco, a manicuera. A manicuera descansa algum
tempo, acumulando no fundo a fina goma para tapiocas ou
beijus. Para virar tucupi passa por um processo de fervura que
destrói o seu veneno ou desencanta menos ou mais tempo,
dependendo da qualidade de tucupi que se quer obter:
algumas horas, tucupi doce ou uma noite, tucupi acedo.
Aroma
Deliciosamente floral ou ácido, com sabores de terra e da
floresta. O caldo vem temperado com sal e alho e o trio dos
temperos inabdicáveis: chicória, alfavaca e pimenta. Em
algumas regiões usa-se também tucupi adocicado.
Uso
Para ensopados, no clássico pato ao tucupi, leitão ou outras
partes do porco, em caldeiradas com peixes, camarão ou no
tacacá.
Clássico
Tacacá ou com pato e peixe ensopado no líquido.
Exótico
Na vinagrete ou no ceviche.
Imperdível
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata No tacacá em companhia inseparável da goma e do camarão 224
seco.
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O segredo do tucupi - Umami
Umami, o “quinto” gosto básico do
paladar humano se juntou desde 2000
aos já conhecidos doce, amargo, azedo
e salgado. A palavra umami é de origem
japonesa e pode ser traduzida como
delicioso ou saboroso,
ressaltando o umami é um gosto e não
um sabor - para perceber o gosto de
um alimentos, é necessário apenas o
paladar. Para perceber o sabor por
outro lado são necessários pelo menos
dois sentidos, por exemplo, o paladar e
o olfato.
O gosto dos tucupis a venda, ainda um
produto completamente
artesanal, varia muito. Encontra-se
tucupis com paladar mais floral, até
adocicado, outros descantados por mais
tempo mais ácidos, de sabor mais
ardidos, complexos ou deliciosamente
avinagrados. As variações dependem da
mandioca usada e de modificações no
tempo de decantamento. Sem pubação,
elaborada com mandioca colhida,
ralada e exprimida no mesmo dia, o
tucupi parece mais doce.
Normalmente emprega-se as variantes
bravas para obter tucupi. Por isso deve
se respeitar os costumes regionais.
Qualquer tucupi que entrou na cozinha
deve ser novamente fervido!
10-15 minutos numa panela de aço
inoxidável são suficiente. Panelas de
alumínio reagem com a acidez do
tucupi e o mesmo se torna acinzentado.
Esse procedimento elimina e destrói
qualquer vestígio de tóxicos que podem
ter sobrevivido eventualmente no
caldo.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 225
Tempero com temperamento
Uma das grandes qualidades do tucupi é o seu umami, sabor
complexo e rico, reforçado pelo alho e às ervas aromáticas. Esse
sabor conversa muito bem com quase tudo, arroz, peixe,
frango, porco. Óbvio que a cozinha indígena se aproveitou disso,
desenvolvendo várias delícias derivadas do tucupi. O mais simples, mas
nada simplório uso é conservar as saborosas pimentas nativas
no tucupi. Obtém-se um molho bem picante e bem saboroso. Certas
etnias aperfeiçoam o costume de cozinhar peixe no tucupi. No lugar de
servir o peixe junto com o tucupi, servem só o peixe e usam o tucupi para
uma próxima preparação de peixes. Dessa maneira o caldo de tucupi
engrossa e fica cada vez mais intenso no sabor. Outra maneira parecida
é engrossar o tucupi com a massa pubada que fica no tipiti ou na falta dela
com farinha d´água ou goma até obter um mingau ou molho mais ou
menos consistente. Arubé, como ele é chamado, pode ser ao mesmo
tempo molho ou tempero, também é comparada com um tipo de
mostarda amazônica. Genuinamente indígena o tucupi se torna
quando ele é reduzido ao máximo, durante horas, se tornando preto e de
consistência de um xarope concentrando todo o seu umami ao máximo. Se
for feito sob fogão a lenha ganha adicionalmente um leve e saboroso toque
de defumado. Tanto a arubé quanto o tucupi preto são temperados
adicionalmente com alho, pimentão regional, chicória e um ou dois tipos
de alfavaca. A gosto, a cozinheira atenta acrescente sal e açafrão-da-terra,
fresco em pó, intensificando sua coloração amarelo-esverdeada.
Na Venezuela também existe sua versão do tucupi preto
adocicada. Tanto o arubé quanto o tucupi preto dispõem de grande
poder de condimentar, concentrando todos os sabores do tucupi e podem
ser usados de inúmeras maneiras.
A receita para arubé e o seu uso em receitas se encontra n primeiro
capítulo junto com o cheiro verde e as alfavacas. Tucupi preto e receitas a
partir das próximas páginas.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 226
Ceviche amazônico com tucupi
Use para o seu ceviche no lugar de suco de limão tucupi azedo.
Aspic ou petisco com tucupi e farinha de
tapioca
400 g de peixe ou camarão salgado, dessalgado de véspera
1 limão galego
2 ½ -3 xicaras (300 g) de farinha de tapioca granulada
½ - ¾ xicara (100-150 ml) de fundo de peixe ou camarão,
dependendo da qualidade da tapioca
½ - ¾ xicara (100-150 ml) de tucupi ácido
1 xicara de leite de coco
½ cebola picada
3-4 pimentões regionais picados
3 dentes de alho em lâminas
Azeite
½ maço de jambu sem talos
Sal, pimenta e colorau a gosto
½ xicara (sopa) de goma de tapioca peneirada
3 colheres de manteiga temperatura ambiente
1 ovo batido
Dessalgue peixe ou camarão de véspera, lave com limão, reserve
as aparas e use aparas para elaborar um caldo perfumado. Coe,
descarte as aparas e umidifique a tapioca com o líquido.
Acrescente o tucupi e o leite de coco conforme a tapioca absorve
os líquidos. Mexe para tudo se misture muito bem e deixa
hidratar por 2-3 horas. A massa deve ficar úmida, mas firme.
Preaqueça o forno em 200 graus. Refogue a cebola junto com o
pimentão num fio generoso de azeite. Acrescente o alho, o cheiro
verde, o peixe ou camarão e o jambu e espere murchar. Tempere
e incorpore junto com a goma, a manteiga à massa da tapioca.
Corrija os temperos, acrescente o ovo batido e coloque em
forminhas ou espalhe num tabuleiro. Decore com camarão a
gosto. Asse no forno por 30-40 minutos ou até firmar. Recorte em
quadrados ou rodelas, decore a gosto e sirva de petisco. A massa
também pode ser frita em óleo ou simplesmente firmar na
geladeira igual um bolo podre salgado virando um aspic
refrescante, foto ao lado esquerdo abaixo.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata
227
Molho de tucupi com pimenta de cheiro
5-6 ou mais pimentas de cheiro sem cabinho
1 dente de alho amassado
Sal a gosto
2-3 colheres sopa de tucupi
Misture tudo exceto o tucupi no socador e soque bem. Acrescente o tucupi
fervido até formar a quantidade desejada de molho. Se desejar, passe por um
crivo. Para conservar ferva as pimentas interias ou socadas e o alho por 10-15
minutos no tucupi e guarde em frascos pré-esterilizados.
Caldeirada paraense completa ao tucupi
800g – 1 kg de postas de diversos peixes por ex. dourada e
filhote
1 posta de pirarucu salgado a gosto
1 punhado generoso de patas de caranguejo
200 g de mexilhão-do-mangue
1 punhado generoso de camarão regional
2-3 limões galegos
2 l de tucupi ácido, fervido
T
2-3 folhas de chicória
3-4 dentes de alho
4-6 pimentões regionais cortados em rodelas
1 cebola picada
Azeite
Sal, pimenta e açafrão-da-terra a gosto
4-6 dentes de alho picados
1 cheiro verde picado
1 maço de jambu sem talos
2-3 ovos cozidos
2-3 batatas-inglesas pré-cozidas cortadas em pedaços grandes
Pimenta de cheiro a gosto
Lave os peixes, o caranguejo e o mexilhão com limão, tempere a gosto e
reserve por meia hora na geladeira. Aquece o tucupi junto com a folha de
chicória, o alho e parte do cheiro verde. Numa panela funda, refogue a cebola
junto com o pimentão num generoso fio de azeite, acrescente as postas de
peixe, e frite de todos os lados. Reserve peixes mais sensíveis e acrescente
mais tarde. Junte o tucupi, solte bem as queimadinhos do fundo e cozinhe o
peixe em fogo muito brando até os mesmos se soltam com facilidade da
espinha. Quase no final do cozimento, incorpore o restante do cheiro verde, o
jambu, o camarão, mexilhão e caranguejo já que esses últimos têm carne
muito sensível e cozimento muito rápido. Corrija os temperos, complete com
ovo cozido e batata. Sirva acompanhado de arroz, farinha ou pirão e pimenta
de cheiro.
228
Risoto do chefe a moda paraense
Serve 6-8 pessoas
4-6 pitus com casca
2 punhados generosos de camarão regional com casca
400 g de pirarucu filhote em postas
400 g de surubim ou pescada amarela
2 punhados generosos de mexilhão
2 punhados de patas de caranguejo
1 limão galego
Sal e pimenta a gosto
Azeite
Óleo para fritar
1 cebola picada
3-4 dentes de alho picados
4-5 pimentões regionais cortados em rodelas
1 xicara de arroz
1-1 ½ xícaras de caldo de camarão e pitu preparado com as aparas, cabeças e cascas dos mesmos
1-1 ½ xicaras de tucupi ácido
3 folhas de chicória
2 dentes de alho
1 maço de jambu sem talos
1 cheiro verde picado
A gosto 1-2 colheres (sopa) e manteiga
Lava os peixes e os crustáceos com limão. Retire toda a areia do mexilhão. Retire as cabeças dos camarões e do
pitu, junte aparas de peixe se tiver disponível, refogue num fio de azeite, cubra com água e prepare um caldo
perfumado. Filtre, descarte as aparas e guarde o líquido. Tempere os peixes e os crustáceos com sal e pimenta e
reserve por meia hora na geladeira. Ferva o tucupi com as folhas de chicória e os dentes de alho durante alguns
minutos. Baixe o fogo do tucupi ao mínimo e cozinhe (poché) peixes muito sensíveis e a gosto também a pata do
caranguejo e o camarão a parte alguns minutos no líquido até mudem de cor e reserve. Prepare o arroz numa
panela com boca larga e pouco funda ou de barro. Aquece um fio de azeite, refogue a cebola junto com o
pimentão, acrescente o arroz e continue refogando por um minuto. Junte o caldo de camarão e o tucupi. Coloque
com cuidado as postas de peixe menos sensíveis, tempere a gosto e cozinhe por cinco minutos em fogo brando.
Aos poucos acrescente o jambu e o restante dos ingredientes conforme o seu tempo de cozimento. Evite mexer
muito e espere até o camarão e o pitu se tornam rosados, o peixe mudou de cor, se deixa partir com facilidade em
lascas firmes e o arroz absorveu quase todo o líquido. Corrija os temperos e a gosto incorpore a manteiga, coloque
o peixe previamente cozido no tucupi sobre o arroz, espere aquecer, salpique com cheiro verde e pimentas de
cheiro e sirva.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata
229
Charuto assado ao tucupi ou arubé
1 cambada de charutos limpas e ticadas
1 limão galego
Sal, pimenta e colorau a gosto
3-4 dentes de alho picado bem fino
Azeite
1 cebola picada
T
3-4 pimentões regionais picados
1 l de tucupi
1 maço de cheiro verde picado
Folhagens como jambu ou couve rasgada
Ou molho tipo arubé
Adicional farinha d’ água fina
Lave os peixes com limão, tempere com sal, pimenta e alho e reserve por 30
minutos na geladeira para tomar gosto. Asse os peixes sob brasa ou no forno.
Aquece o tucupi. Refogue a cebola e o pimentão em um generoso fio de azeite.
Acrescente o cheiro verde, junto com bastante chicória ao tucupi e espere
perfumar. Para preparar um molho tipo arubé, engrosse o tucupi temperado
com mandioca cozida, goma dissolvida em água fria ou farinha d´água até obter
a consistência de um mingau líquido. Murche as folhagens nesse molho e sirva
os peixes sobre o mesmo. Acompanha arroz, farinha, pimenta de cheiro e
beijucica.
A gosto acrescente um pouco de leite de coco ao molho.
Charuto assado ao tucupi ou arubé
Por pessoa
200 g de costela de tambaqui
1 limão galego
Sal, pimenta e colorau a gosto
1-2 copo/s de tucupi ou meio tucupi meio fundo de peixe
1 folha de chicória
1-2 dentes de alho
Farinha ou goma de tapioca para engrossar a gosto
Lave as costelas com o limão, tempere a gosto e reserve por meia hora na
geladeira. Ferve o tucupi com o alho e a chicória por 10 minutos e engrosse a
gosto com farinha ou goma. (Dissolve a goma em água fria antes de
acrescentar.) Asse as costelas na brasa. Sirva a costela acompanhada do molho
com arroz e farinha d´água.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata
230
T
Peixe ou pato ao tucupi
1 pato, 1,5-2kg ou
1 kg de peixe em postas ou um peixe inteiro
2 l de tucupi, de preferência ácido
Para o peixe um limão galego
1 maço de jambu sem os talos
5 dentes de alho
3 folhas de chicória
1 ramo de alfavaca
1 maço de cheiro verde
Prepare o pato conforme a receita do pato com
cupuaçu dispensando o cupuaçu até o pato amolece e
sua pele fica bem crocante. Enquanto o pato assa,
ferva o tucupi com todos os temperos. Corte o pato
em pedaços ou lave o peixe com limão. Asse ou frite o
peixe e acrescente-o ao tucupi fervendo, junto o
jambu e cozinhe lentamente até o pato ou o peixe
tomarem gosto. Sirva com arroz branco e pirão.
Da mesma maneira sirva-se também um lombo de
porco, pernil ou outras partes do porco assadas ao
tucupi.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 231
Tucupi-preto – umami puro
Imagina-se um tucupi bem temperado e
reduzido durante horas, de preferência
sobre um fogão a lenha! Muda lentamente de cor
e consistência, se torna cada vez mais escuro,
preto, de consistência viçosa. Adquira nesse
processo um leve sabor defumado que o torna
mais complexo ainda. Obtemos o tempero
genuinamente indígena que
concentra, completamente artesanal, todo o
umami do tucupi original, amarelo. É agora
usado para temperar os mais variados pratos. Sua
cor intensa dá um belo contraste num ceviche
de peixes amazônicos e vai muito bem
com limão e ervas. Também colora a crocante
telha de pele de peixe ou acompanha num
molho apimentado um dadinho de
tapioca. Que tal experimenta-lo tingindo o arroz,
transformando num arroz negro cheio de
legumes? Vai muito bem com legumes,
especialmente berinjela e marina tanto peixe
quanto galinha caipira. Falando em peixe –
acrescendo uma pequena quantidade de piracui,
avium ou camarão salgados ao molho tem o
potencial de acrescentar mais uma camada de
sabores e aumentar mais ainda o umami.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 232
Petisco de tapioca
Receita básica
300 g de tapioca granulada
200-300 g de queijo coalho ou de búfala ralado
300 ml de leite de vaca ou água + 300 ml leite de coco
Adicional a gosto
60 g de goma
2 ovos ligeiramente batidos
50 g de coco ralado
2 colheres de manteiga temperatura ambiente
3 dentes de alho em lâminas, a gosto refogado
Alfavaca e chicória picada a gosto
Sal, pimenta e colorau a gosto
½ xícara de castanhas picadas
Coloque a tapioca num tabuleiro ou forma redonda untado e
mistura com o queijo e a gosto os outros ingredientes, exceto
o ovo. Ferva os dois tipos de leite e derrame quente aos
poucos sobre a tapioca que deve absorver todo o líquido e
hidratar. Dependendo da qualidade da tapioca, precisa-se
menos ou mais leite para hidratar. Se for usar ovos, incorpore
à tapioca já hidratada. Espalhe bem e leve à geladeira e
espere firmar por uns 3 horas. Préaqueça o forno em 220
graus. Asse durante 30 – 35 minutos ou até dourar e recorte. A
gosto corte em quadrados ou retângulos antes de assar. Sirva
acompanhado de molho.
Tucupi reduzido caseiro
2 l de tucupi ácido
4-6 dentes de alho
4-6 folhas de chicória
1 cheiro verde
3-4 galhos de alfavaca
Sal e pimenta-de-cheiro a gosto
1 pedaço de gengibre a gosto
Açafrão-da-terra fresco ou em pó a gosto
Para reduzir o tucupi, procedimento que durará algumas horas, use uma panela com boca larga. Por precações
de saúde não use panela de alumínio. O alumínio pode reagir com acidez do tucupi, além de tornar o mesmo
acinzentado. Aquece todos os ingredientes juntos e reduz em fogo brando durante algumas horas. No início
modere com sal e pimenta e corrija os temperos vários vezes até alcançou uma consistência cremosa e o gosto
desejado. A cor mudará para um verde escuro.
Para obter a versão agri-doce também pode acrescentar açúcar mascavo ou rapadura ao tucupi ou usar tucupi
doce.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 233
Arroz de legumes e berinjela com
tucupi preto
Por pessoa meia berinjela ou a gosto
Sal e tucupi preto
2-3 pimentões regionais, cortados em listras
1 cebola picada
2-3 dentes de alho
1 pedaço de gengibre ralado ou picado
Azeite
Legumes, por exemplo 1 pedaço de jerimum em
cubos, 1 cenoura ralado no ralo grosso
2-3 maxixes cortados em rodelas, 3-4 quiabos ou
1 quiabo de metro cortados em rodelas
2 folhas de couve, cabo picado, as folhas rasgadas
2-3 galhos de espinafre de macaco, jambu ou
cariru sem talos, 3-4 folhas de vinagreira rasgado,
repolho branco ou roxo a gosto
1 cheiro verde picado
Sal, pimenta e cominho a gosto
1 copo de arroz lavado
2 copos de caldo de legumes ou água
Corte a berinjela ao meio e rasga a carne em
romboides sem ferir a pele. Cubra com bastante
sal e guarde por meia hora. Lave o sal embora e
tempere generosamente com tucupi preto. Rale a
cenoura bem grosso, corte a abóbora em cubos,
parte os pimentões e quiabos em 3-4 pedaços, os
maxixes em rodelas, sempre lembrando que
alguns legumes levam mais tempo para cozinhar.
Refogue cebola, pimentão e gengibre num fio de
azeite. Junte o arroz, refogue e acrescente os
legumes mais firmes e o caldo de legumes ou a
água. Tempere a gosto e cozinhe em fogo baixo
até o arroz absorveu todo o líquido. Enquanto
isso asse a berinjela numa frigideira dos dois lados
até ficar macia. Reserve. Acrescente as folhagem
ao arroz bem perto do fim do cozimento e espere
murchar. Corrige os temperos, acrescente o
cheiro verde e sirva.
Salada amazônica com
molho de tucupi preto e
murici
2 copo de feijão manteiguinha cozido
1-2 dentes de alho em lâminas
1 batata-doce cozida em cubos
1 pedaço de jerimum cozido em cubos
½ pepino cortado em fatias
1-2 pimentões regionais em listras
½ maço de espinafre-de-macaco,
folhas sem talos
1 cheiro verde picado
Cozinhe o feijão, a batata-doce e o
jerimum e tempera ainda quente com
sal, pimenta, alho e
cebola. Esfriado, misture com o
restante dos ingredientes.
Molho de tucupi preto e murici
¼ copo de polpa de murici sem carroço
1-2 colheres (chá) de tucupi preto
Sal, pimenta e cominho a gosto
2 colheres (sopa) de azeite
Vinagre suave ou suco de limão/laranja
a gosto
Mel ou açúcar mascavo a gosto
Misture todos os ingredientes,
equilibre salgado, acidez e doçura e
sirva sobre a salada.
Pele marinado com tucupi
preto assado no forno - Use a
pele bem limpa em pedaços maiores
ou recortada. Coloque numa marinada
de sal, pimenta, tucupi preto e
cominho a gosto. Regue com azeite e
espere marinar na geladeira por 2-3
horas. Asse no forno em 160° até ficar
crocante. Sirva acompanhado de
vinagrete de abacaxi, tomate,
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata pimentão e cebola roxa. 234
Arroz de malando com tucupi preto
2-3 dentes de alho
1 pedaço de gengibre picado ou ralado
Legumes da estação a gosto na foto quiabo assado, jerimum, espinafre-demacaco
e feijão-de-metro
Azeite
Sal e pimenta a gosto
1 xícara de arroz
3 xícaras de água ou caldo de galinha a gosto
2-3 colheres (sopa) de tucupi preto
Para decorar pepino regional em rodelas e folhas de ora-pro-nobis
1 cheiro verde picado
Corte o quiabo ao meio e asse dos dois lados numa frigideira com um pouco
de azeite. Reserve. Doure o alho junto com o gengibre num generoso fio de
azeite. Acrescente o arroz e continue refogando. Por fim coloque os legumes,
o líquido escolhido e o tucupi-preto. Tempere a gosto e cozinhe em fogo
médio até o arroz seja al-dente, oferecendo uma certa resistência aos dentes.
Ele não deve absorver todo o líquido. Corrija os temperos e salpique com
folhas de espinafre-de-macaco e ora-pro-nobis e o pepino em fatias.
Arroz refogado com tucupi preto, ovo e legumes
1-2 xícaras de arroz pronto
2-3 dentes de alho
2-3 pimentões regionais em listras finas
1 quiabo de metro em rodelas
½ maço de espinafre-de-macaco
2-3 ovos
2-3 colheres (chá) de tucupi preto
1 panela wok
Pimenta de cheiro a gosto
Na panela wok ou num frigideira doure o alho junto com o pimentão num
generoso fio de azeite. Junte os legumes e refogue até ficaram a gosto al
dente ou mais macios. Reserve. Acrescente um novo generoso fio de azeite e
frite rapidamente os ovos batidos. Reserve. Por fim num novo fio de azeite
junte o arroz e a gosto o tucupi preto. Frite um pouco e por fim devolve
todos os outros ingredientes. Aquece tudo junto, sempre mexendo por um
minuto ou até todos os gostos se misturaram. Decore com a pimenta de
cheiro e sirva.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 235
Ceviche amazônico ao tucupi preto
150 g de peixe firme em cubos, na foto surubim, congelado
fresquíssimo*
Leite de tigre amazônico
1 limão galego, raspas da casca e suco
½ copo de caldo de peixe caseiro elaborado com as aparas
do peixe
¼ - ½ de cebola roxa picada
1 pedaço de gengibre picado
1-2 pimentas vermelhas picadas bem fino
1 dente de alho picado bem fino
1 pimenta de cheiro ou a gosto
Sal marinho e pimenta a gosto
½ maço de coentro
2-3 folhas de chicória ou alfavaca a gosto
2 cubos de gelo
2-3 colheres (sopa) ou a gosto de tucupi preto
Acompanha a gosto
Cebola roxa cortada em anéis
1-2 cará brancos ou roxos cozidos em rodelas
4-5 folhas verdes
2 espigas de milho verde cozidas
1 batata-doce ou macaxeira cozida
Cozinhe todos os legumes em água com sal e corte em
rodelas, cubinhos ou fatias. Reserve. Pique o peixe em cubos
ou tiras e coloque numa vasilha de louça ou de vidro.
Possíveis aparas rendem um saboroso caldo de peixe ou
podem ser acrescentados ao leite de tigre. Para o leite de
tigre bate todos os ingredientes, – reserve alguns galhos de
coentro para decorar – juntos com 1-2 cubos de gelo no
liquidificador. Corrija a acidez e o sal. Com ajuda de um garfo
espreme uma pimenta-de-cheio no fundo do recipiente
escolhido e regue com o leite de tigre. Coloque o restantes
dos ingredientes por cima, decore com cheiro verde, cebola,
gengibre e os acompanhamentos escolhidos. Sirva de
entrada. A mesa, misture tudo com o leite de tigre e espere
até o peixe mudou de cor.
*Para prevenir qualquer infecção com parasitas transmitida
pelo consumo de peixe cru, recomenda-se congelar o peixe
por no mínimo 48 h antes de usa-lo.
Ventrecha de pirarucu
marinada no tucupi preto
1 ventrecha de pirarucu
Marinada
3-4 colheres (sopa) de vinagre suave ou a
gosto
1 pedaço de 3 cm de gengibre
1 pedaço de 3 cm de açafrão-da-terra
1 fatia de abacaxi
1 pitada generosa de sementes de cominho e
coentro
¼ colher (chá) de sal ou a gosto
1-2 pimentas-de-cheiro ou a gosto
3 colheres (sopa) de cachaça
3 colheres (sopa) de tucupi preto ou a gosto
1-2 colheres (sopa) ou a gosto de mel ou
açúcar mascado
2 colheres (sopa) de óleo neutro
Misture tudo no liquidificador e use direto
para marinar o peixe ou a gosto aquece e
reduz em fogo brando durante 20—30
minutos. Esfriado use para marinar o peixe
durante 30 min.-3 horas. Se prefere um
molho mais encorpado, dilua 1-2 colheres
(sopa) de maisena ou goma de tapioca em
um pouco de água fria e incorpore ao molho.
Asse o peixe marinado no forno até se desfaz
com facilidade em lascas firmes. Sirva
acompanhado de arroz de açafrão-da-terra.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 236
Galinha caipira com cominho, coentro
e tucupi preto
1 galinha caipira cortado em pedaços
Marinada
1-2 colher/es (sopa) de tucupi preto
1 colher (sopa)de mel de abelha nativa
1 colher (sopa) de vinagre suave
2 colheres (sopa) de água
½ colher (chá) de coentro e cominho em grãos, pilados
1 folha de louro
2 cravos
1 pedaço de gengibre cortado em palitos finos
2-3 dentes de alho picados
Refogado
3 pimentões regionais em listras
1 cebola picada
Óleo vegetal
Água
Corte a galinha em pedaços e separe a gordura. Se for necessário
lave com limão ou vinagre. Prepare a marinada pilando cominho e
coentro e mistura com o restante dos ingredientes. Regue o frango
com essa marinada e espere descansar algumas horas ou uma
noite. Derrete a gordura reservada e derrete em 3 colheres (sopa)
de óleo. Retire os pedaços da galinha da marinada , reserve a
mesma e doure aos poucos de todos os lados nesse óleo. Reserve e
refogue na mesma gordura o refogado. Devolve a galinha,
acrescente a marinada e completa com um pouco de água para
não queimar. Sempre precisar acrescente mais água e cozinhe em
fogo baixo lentamente durante 2-3 horas ou até a galinha se solta
com facilidade dos ossos. Corrija os temperos e sirva acompanhado
de purê de macaxeira ou arroz branco.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 237
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 238
FARINHAS
pai d´égua
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 239
Mandioca, macaxeira, branca, amarela – tudo vira farinha
Sob uma fogeira numa chapa de aço a massa ralada é constantemente remexida e jogada para o alhto.
Peneirado e esfriada a farinha pronta é colocada em sacos a espero de consumidor final
Farinhas & farinhas d´água
Herança indígena pura, o Brasil
inteiro produz farinha. Obtém-se
farinha de muitos tipos e de
inúmeros matérias
primas. Aqui na Amazônia se
distinga basicamente entre a
farinha normal e a
farinha d´agua, a última
derivada da base da mandioca
brava, venenosa. Existem por
volta de 250 variedades
de mandiocas e
macaxeiras, uns mais
brancas, outros bem amarelas, e
essas resultam numa infinidade
de farinhas artesanais
amazônicas.
As fotos das páginas seguintes
mostram o processo de fazer
farinha sem pubação.
(Pubação é o processo no qual
parte da mandioca/macaxeira
fica uns dias submersa em água.)
A pubação é responsável por
uma certa acidez e parcialmente
pela crocância do resultado final.
Farinhas de muitos tipos, todas muito apreciadas, tanto as
de macaxeira quanto aquelas da mandioca, ainda são
um tipo de pão amazônico.
240
Variedade estupenda
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata
Chamam-nas carinhosamente de
“Biscoito”, “Especial”,
“Carimã”, “Pura” ou
“Suruí”. Uns são famosas como
aquela de Uarini, Amazonas,
Cruzeiro do Sul, Acre ou
Bragança, Pará, três farinhas que
aliás já tem o seu próprio IP
(indicação de procedência,
comparável com a IG, indicação
geográfica). Falta incluir a farinha de
Santarém, Pará no circuito!
Quem acha que farinha e farinha
d´água seja coisa simples, se
engana! Não só existem mais do que
250 variedades de
mandioca no Brasil. Quem as
consome a farinha não de litro, mas
de uma, duas sacas por semana,
tem cada um a sua preferida. Faz
questão de comprar sempre fresca, no
dia que chegam do interior, da
colônia as remessas de farinha
novíssimas, crocantíssimas.
A baguda ou grossa
normalmente é a mais cara, mesmo
que coloca em perigo as obturações
dos dentes. Farinha é aprecia
acompanhando quase tudo, não só
açaí e até combina com frutas e
doces. Dependendo do uso, sai
também média ou fina, a “farofa”,
própria para o preparo de qualquer
tipo de comida com o mesmo nome
ou ideal para engrossar caldos. Na
produção nada se perde. As sobras
bagudas demais se pila, dando
cruera, perfeito para um ótimo
mingau ou bolinhos e rosquinhas.
241
Origem
A farinha d’água, genuinamente amazônica, leve, saborosa e crocante é
o pão diário dos menos favorecidos. Comem a misturado ao café de manhã e ela acompanha todas as
outras refeições. O nome farinha d’água origina no processo. Parte da mandioca brava amolece e
fermenta na água por vários
dias para depois ser misturada à mandioca
fresca previamente espremida para retirar
o tucupi. As duas são raladas junto.
Novamente espremida e bem sequinha,
são torradas nas chapas enormes dos
fogões, alimentados a lenha.
Constantemente remexidas, secam, se
torando farinha. Existem inúmeros tipos
de farinha: amarelas umas, brancas
outras, muito finas ou bem bagaçadas,
estas últimas as mais apreciadas. Também
há farinha de macaxeira. Uma das mais
famosas farinhas é a farinha de Uarini que
forma bolinhas menores ou maiores.
Degusta-se a farinha antes de comprar
pegando um punhado com os dedos,
jogando-o direto na boca. Cada mercado
tem um dia de semana específico no qual
chega a farinha fresquíssima.
Aroma
Seca, mas crocante, levemente ácida.
Uso
Versátil, ajeita-se tanto como sopa, pirão,
farofa ou acompanha qualquer prato
salgado ou até açaí.
Clássico
Para farofas ou com peixe.
Exótico
Chibé, a sopa refrescante.
Imperdível
O pirarucu na casaca ou a mujica,
ensopado tradicional, aromatizado com
avium ou piracuí.
Farinha d´água
Origem
A farinha d’água, genuinamente amazônica, leve, saborosa e
crocante é o pão diário dos menos favorecidos. Comem a misturado
ao café de manhã e ela acompanha todas as outras refeições. O
nome farinha d’água origina no processo. Parte da mandioca brava
amolece e fermenta na água por vários dias para depois ser
misturada à mandioca fresca previamente espremida para retirar o
tucupi. As duas são raladas junto. Novamente espremida e bem
sequinha, são torradas nas chapas enormes dos fogões, alimentados
a lenha. Constantemente remexidas, torrando, se tornam farinha.
Existem inúmeros tipos de farinha: amarelas umas, brancas outras,
muito finas ou bem bagaçadas, estas últimas as mais apreciadas.
Também há farinha de macaxeira. Uma das mais famosas farinhas é
a farinha de Uarini que forma bolinhas menores ou maiores.
Degusta-se a farinha antes de comprar pegando um punhado com
os dedos, jogando-o direto na boca. Cada mercado tem um dia de
semana específico no qual chega a farinha fresquíssima.
Aroma
Seca, mas crocante, levemente ácida.
Uso
Versátil, ajeita-se tanto como sopa, pirão, farofa ou acompanha
qualquer prato salgado ou até açaí.
Clássico
Para farofas ou com peixe.
Exótico
Chibé, a sopa refrescante.
Imperdível
O pirarucu na casaca ou a mujica, ensopado tradicional,
aromatizado com avium ou piracuí.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 242
Para fazer uma leva de
farinha se junta a família ou
a comunidade inteira. Cada
um se encarrega de um dos
muitos passos do processo..
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 243
Descascada, a macaxeira ou mandioca é lavada
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 244
Macaxeiras ou mandiocas sendo raladas
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 245
Ralada, a macaxeira ou mandioca vai para o tipiti ou a prensa.
Dependendo da qualidade de mandioca ou macaxeira, se retire a
manipuera ou o tucupi que descansa para depois ser fervido.
246
Cada fornada é única
O processo tradicional de plantar macaxeira
ou mandioca para depois se juntar em grupos,
famílias, agregados, vizinhos e fazer uma
farinhada comunitária para consumo próprio
está se perdendo com a chegada das
modernidades e comodidades das cidades. As
prensas manuais assumem o lugar do
tipiti. Abandonam-se cada vez mais as casas
de farinha - o trabalho é braçal, árduo e
quente. Desaparece, junto, uma parte da
expertise. Raramente encontram-se por
exemplo ainda os cestos e paneiros
forrados com folhas de bananeiras muito mais
ecológicos do que os sacos de plástico. Um dia
alguém perceberá que o plástico murchará a
farinha antes do tempo.
Nessa farinhada que além disso é um ato
coletivo, empregando muitas mãos, a
macaxeira ralada é exprimida na prensa (foto
grande à esquerda) e não no tipiti como os
rolos nas fotos a direita acima. A manipuera
hoje em dia é desperdiçado. Antigamente foi
usado para impregnar chão e paredes das
casas e dessa maneira matava pragas e
insetos. Depois ralado a macaxeira passa por
uma peneira que retira caroços muito grande
antes de ir para a chapa com fogo para ser
torrado.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 247
Ralada e já passada por tupiti ou prensa que retira
parte da umidade da macaxeira/mandioca vai para o forno
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 248
O forno, aquecido a lenha, recebe a macaxeira/mandioca ralada e peneirada
e já mais seca onde ela é Sabor torrada, Amazônico - Susanne se tornando Gerber-Barata farinha.
249
A farinha torra lentamente, sendo remexido e
jogado para cima constantemente. Passa pela
peneira e caroços maiores viram, pilados crueira.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 250
Mandioca pubada, a casca se solta com facilidade e apetrechos para fazer farinha
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 251
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 252
Embalagens tradicionas de farinha. O saquinho
penduradocontém uma amostra do conteúdo do cesto.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 253
Até hoje tem famílias que consomem uma ou vários sacos de farinha por semana
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 254
Da colônia para o consumidor
Na produção de
farinha há de tudo
– tem farinha
completamente
industrializada, mas
nos interiores
e das colônias
ainda persiste a
produção
completamente
artesanal. Todo
dia chegam, aqui
no porto de
Santarém, sacos e
mais sacos de
farinha
fresquíssima. Cada
saco é
devidamente
identificado
com o nome de
quem a produziu.
Tem freguesia que
só compra de um
certo produtor,
jurando que aquela
farinha é a
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 255
melhor....
Mais bagudas, mais finas – quem sabe d coisa, degusta lá
mesmo, jogando um punhado com jeito, direto na boca.
Farinha Uarani, também é chamado de farinha
ovinha por lembrar muito ovas de peixe, é
originário do município do mesmo nome.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 256
Numa mesa amazônica
Esmaga-se
com ajuda de um
garfo, no fundo do
prato ou na cuia,
uma pimenta,
acrescenta uns
gotas de
limão, uma
pitada de sal e um
fio de azeite.
Depois põe-se a
farinha d’água e o
restante da
comida.
Numa mesa amazônica
nunca falta, jamais faltará
uma farinha, aquela farinha. Ela
combina com quase tudo,
engrossa o açaí, é servido com o
peixe, amolece no café de manhã,
vira chibé ou caribé, farofa,
engrossa a sopa e acompanha até
uma fruta, por exemplo melancia ou
abacate. Tem quem não dispensa
uma farinha para comer com docede-leite.
Nunca faltarão também as
pimentas, indispensáveis,
vermelhas, amarelas, laranjas ou até
roxas. Ardidas ou suáveis,
pungentes ou de cheiro,
perfumando frescas ou conservadas
em óleo, tucupi, vinagre ou cachaça,
apimentando qualquer comida local.
Acostumado a comida com bastante
sal o Nortista também não despreza
umas fatias de limão,
especialmente em pratos com peixe.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 257
Engrossando o caldo
T
Chibé, caribé, mojica, caldo de caridade
& pirão - os nomes são tão nativos como o
ingrediente principal, a farinha. Chibé e caribé são
pratos muito simples, um frio o outro quente que
ganham sofisticação sendo preparado com perfumado
caldo ou fundo de peixe. A mojica, uma grossa e
deliciosa sopa é a perfeita reciclagem para sobras de
peixe. Feito em dois minutos com ingredientes que
qualquer despenca contém, dá um jantar que agrada
todos. Caldos de peixe encorpados com farinha, todos
preferencialmente preparados com um perfumado
fundo de peixe são ótimos pratos e além disso
extremamente reconfortantes. O mesmo fundo,
elaborado com aparas de peixe ou crustáceas, faz toda a
diferença no paladar dos outros pratos, especialmente
no pirão, na açorda ou no vatapá. O caldode-caridade,
nada mais do que um pirão
incrementado, por sua vez lembra muito da açorda
portuguesa, igualmente saborosos, nas quais a
farinha é substitui o pão dormido. As últimas por sua vez
são parentes íntimos dos vatapás, cuja base é a
reciclagem sofisticada de pão dormido, previamente
amolecido com fundo de peixe ou crustáceas. Pratos de
origem africano que são preparados com azeite de
dendê, leite de coco e muito coentro. Também tem a
variação com castanhas moídas que os deixam mais ricos
ainda. Capriche nos acompanhamentos, um belo
refogado, umas pimentas de cheiro, um ovo cozido,
cheiro verde ou uma gema misturada a mesa para
alegrar e disfarçar a aparência lá de simplória.
258
Chibé
Chibé e nada mais do que água fresca engrossada com farinha e o papa-chibé o apelido
lá de jocoso/pejorativo para um interiorano. Tradicionalmente o chibé também pode ser
preparado com os vinhos de frutas da estação por exemplo açaí, bacaba, umari,
pupunha ou tucumã. Na casa cabocla toma-se a farinha também com café. Para uma
versão mais sofisticada usa-se água gelada, esfregue-se uma pimenta na cuia, e quem
sabe um dente de alho, antes de colocar a farinha, tempere com sal, chicória e coentro.
A versão quente, ótima comida de doente, neutra e regenerativa, se chama caribé.
Caribé com fundo de peixe
1 ou mais pimentas de cheiro frescas
1 litro de fundo de peixe ou crustáceas fervendo
Sal a gosto
T
1 dente de alho
1 cebola roxa média picada bem fina
2 colheres (sopa) de coentro picado bem fino
2 folhas de chicória, picada bem fina
2 folhas de vinagreira picadas bem finas
10 colheres (sobremesa) de farinha d’água
1 colher (sopa) de avium seco a gosto
Corte o dente de alho ao meio e esfregue nas cuias nas quais o caribé será servido.
Machuque, com ajuda de um garfo, no fundo de cada cuia uma pimenta de cheiro.
Adicione o fundo de peixe fervendo, sal e os demais ingredientes, menos a farinha.
Misture bem. Finaliza distribuindo uma colher generosa de farinha d’água pelas cuias.
Deixe descansar um pouco até a farinha amoleceu, sem perder totalmente a sua
textura. Sirva imediatamente.
Versão: Doure o alho e a cebola num colher generosa de azeite, manteiga ou azeite de
dendê, acrescente a farinha, espere torrar e depois complete com o fundo de peixe.
Tempere a gosto e aqueça até obter um caldo ralo perfumado. Sirva em cuias
esfregadas com alho e pimenta, salpicado com as ervas.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 259
T
Pirão de fundo de peixe – receita
básica
1 l de caldo de peixe ou camarão elaborado com as
aparas do peixe ou crustáceas
1 cebola picada
3-4 pimentões regionais picados em listras finas
1 pedaço de gengibre picado ou ralado
Sal, pimenta e colorau ou açafrão-da-terra
2-3 dentes de alho picados
1 tomate picado bem fino
1 folha de louro
Farinha quanto basta mais ou menos 250 g
1 cheiro verde picado
Aquece o caldo de peixe. A parte refogue cebola,
pimentão e gengibre junto com o corante escolhido
num generoso fio de azeite. Junte alho, tomate e
metade do cheiro verde e continue refogando.
Termine com o caldo de peixe. Tempere a gosto e
cozinhe alguns minutos até todos os gostos se
integram. Aos poucos incorpore a farinha, esperando a
mesma engrossar o caldo. Continue mexendo até
obter a consistência desejada, corrija os temperos e
salpique com o restante do cheiro verde. Acompanha
caldeirada e moqueca de peixe ou camarão.
Versão com ovo
4-5 ovos cozidos
Espere o pirão engrossar e antes de servir decore com
os ovos, inteiros ou cortados ao meio ou em quatro.
Mojica de sobras de peixes
Os mesmos ingredientes do pirão, mas o preparo fica
mais líquido. Adicional: 2-3 xícaras de aparas ou sobras
de peixe ou crustáceas de refeições anteriores,
desfiadas
Siga a receita do pirão. Antes de incorporar o fundo de
peixe, refogue as sobras de peixe ou crustáceas.
Depois incorpore o fundo de peixe. Ao juntar a farinha,
mantém a mojica mais líquida com aspecto de uma
sopa. Corrija os temperos, sirva decorado com os ovos
e as pimentas, salpique Sabor Amazônico com cheiro verde - Susanne e sirva Gerber-Barata
quente e lanche ou jantar.
260
T
Crista de galo / sopa de ovo / caldo de caridade
Os nomes divergem de região para região, os ingredientes são livres, uma
proteína, de preferência reaproveitada e desfiada, um saboroso refogado e
farinha suficiente para dar o ponto. Ah, não esquece da cor, colorau ou
açafrão ou os dois são responsável pela aparência apetitosa.
1 cebola picada
4-5 pimentões regionais picados
1 pedaço de gengibre picado a gosto
Azeite
Sal, pimenta e colorau a gosto
3-4 dentes de alho picados
1 tomate picado
300 g de carne moído ou peixe desfiado
2 l de água fervendo
3 copos de farinha de mandioca ou suficiente para dar a
consistência desejada
3-4 ovos levemente batidos
1 cheiro verde picado
Pimenta de cheiro a gosto
Refogue a cebola, o pimentão e o gengibre num fio de azeite,
acrescente colorau, alho e o tomate e espere murchar. Junte a
carne moída ou o peixe desfiado e frite bem. Complete com a
água, tempere a gosto e cozinhe por dez minutos sob fogo
baixo para todos os ingredientes se uniram. Aos poucos junte a
farinha ao caldo, esperando engrossar até alcançar o ponto
desejado. Incorpore o cheiro verde e o ovo levemente batido.
Mexe até o ovo firmar, corrija os temperos e sirva quente,
acompanhado de pimenta de cheiro.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 261
Farofas, crostas & cuscuz
Farofas, das mais tradicionais à mais moderninhas,
são uma boa dica para incrementar o feijão do dia-adia
ou acompanhar outros pratos, mesmo sendo um
acompanhamento um pouco mais rustico. Um espelho
de farinha temperada, um cuscuz de farinha d´água ou
uma farofa colorida recebem muito bem qualquer
Assado, pato ou peixe frito. Capricha nas farinhas
diferenciadas como a ovinho ou beijucicas
quebradas grosseiramente! Isso valoriza ainda
mais o toque regional. Farofas também são perfeitas
para rechear peixe ou pato antes de Assar, se
tornando uma delícia a parte. Durante o cozimento a
farofa absorve todos os sucos deliciosos do peixe ou
do pato e a gordura destilada.
Farinha amolecida com leite de coco vira, soltinha, um
tipo de cuscuz amazônico, servido frio ou
quente. Além disso são deliciosas coberturas ou
crostas, mais compactas ou mais soltas, de repente
incrementada com castanhas, alho, pimentas, frutas
como banana pacovã e/ou raspas de casca de limão ou
colorida com azeite de dendê garante muito sabor
extra. Outro prato tradicional é o pirarucu na
casaca. A casaca feita de farinha é amolecida com
pouco de leite de coco ou fundo de peixe. Combina
com o salgado do peixe e a doçura da banana pacovã!
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 262
Farofa de ovas e carne de caranguejo
com farofa amanteigada
½ kg de carne de caranguejo desfiada
ou ovas de peixe
1 limão galego
½ cebola picada
3-4 pimentões regionais picados bem fino
2-3 tomates maduros e firmes, sem sementes e bem
picados
2-3 colheres (sopa) de azeite ou manteiga
Sal , pimenta e colorau a gosto
1 cheiro verde picado
T
Farofa
2 xícaras de farinha d´água fina para farofa
4-5 colheres (sopa) de manteiga
Sal a gosto
1 limão em fatias para servir
A gosto as casquinhas do caranguejo para servir
Lave a carne do caranguejo cuidadosamente e
rápido com um pouco de suco de limão e reserve. O
mesmo procedimento vale para as ovas. Refogue a
cebola junto com o pimentão. Acrescente o tomate
picado, espere suar um pouco para depois
acrescenta a carne de caranguejo ou as ovas.
Refogue mais um ou dois minutos, a carne é muito
delicada, tempere a gosto e acrescente o restante
da manteiga e a farinha. E espere torrar um pouco
para incorporar no fim o cheiro verde. Caso prefere
servir a carne a parte, prepare a farofa a parte e
adicione o cheiro verde a carne de caranguejo ou a
ova. Para a farofa derreta a manteiga e junte a
farinha. Tempere a gosto e torre, sempre mexendo
até a farofa fica bem crocante. Corrija os temperos e
sirva ou na própria carapaça do caranguejo ou a
carne do mesmo acompanhado da farofa.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 263
Farofa de piracuí com banana pacovã
Siga a receita abaixa e troca a gó por dois ou três punhados de piracui
previamente catado, sem espinhas e hidratado
Acrescente 2-3 bananas pacovã em fatias ou cubos, douradas na manteiga
e decore com anéis de cebola refogado no colorau ou azeite de dendê.
Paçoca de pescada gó seca com banana pacovã
500 g de manta de peixe seco por ex. pescada gó, dessalgada de véspera
1 limão galego
1½ xícara de farinha de mandioca fina
4-6 colheres (sopa) de azeite, azeite de dendê ou manteiga
½ cebola roxa picada
3-4 pimentões regionais vermelhos picados
2 dentes de alho picados
T
1 pimenta de cheiro picada
Sal e pimenta do reino a gosto
1 pitada de cominho a gosto
1 banana pacovã madura cortada em cubos
1 cheiro verde picado
3-4 galhos de coentro para decorar
Dessalgue as mantas de peixes de véspera. No dia lave com limão, escalde
e desfie o peixe ou a gosto, pile no pilão e reserve. Refogue cebola,
pimentão e colorau num generoso fio de azeite ou azeite de dendê, junte
o alho e depois o peixe desfiado ou pilado, tempere a gosto e continue
refogando. Caso prefira servir a farinha a parte, torre a mesma em 2-3
colheres (sopa) de manteiga e reserve. Caso não, incorprore a farinha e
refogue até ficar bem crocante. Doure a banana de todos os lados , guarde
alguns para decorar e por fim junte a farinha, o refogado e o cheiro verde.
Corrija os temperos. Sirva em cuias e decore com o coentro. Caso prefira
uma paçoca mais fina, pile a farinha junto com o peixe no pilão e siga
depois a receita.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 264
Rolinhos de pescada recheados
com farofa de dendê e
leite de coco
6-8 filés de pescada, sem pele
1 limão galego
1 cebola picada
Sal e pimenta a gosto
Palitos
Lave o peixe com limão, tempere a gosto e
reserve por 30 minutos na geladeira.
Prepare a farofa, receita ao lado. Coloque
parte da farofa numa forma refratária
previamente untada. Preaqueça o forno em
180 graus. Enrole o peixe, recheie com o
restante da farofa, segure com um palito e
coloque sobre a camada de farofa. Repita
até todos os filés são recheados. Asse no
forno por 15-20 minutos ou até o peixe
mudou de cor, ficando embranquecido e se
desfaz com facilidade em lascas firmes.
Salpique com um pouco de coentro e sirva
acompanhado de salada da estação.
Farofa de dendê e leite de coco
2-3 colheres (sopa) de azeite de dendê
1 punhado de pimentões regionais cortados
em listras
1 maço de cheiro verde picado
1 banana pacovã picada
2 xícaras de farinha fina para farofa
Sal e pimenta a gosto
200 ml leite de coco
Para a farofa refogue a cebola e o pimentão
em um generoso fio de azeite de dendê.
Junte a banana e aos poucos farinha e
misture bem. Regue com o leite de coco,
espere um pouco até tufar, tempere a gosto
e reserve.
Farofa de
beijucica
2-3 colheres (sopa) de
manteiga
1 cebola roxa em
listras
A gosto 3-4 pimentões
regionais picados em
listras
Cheiro verde a gosto
Sal e pimenta a gosto
2 xícaras de beijucica
quebrado
Coloque o beijou entre
uma toalha e quebra
em pedaços não muito
pequenos. Doure a
cebola junto com o
pimentão na manteiga.
Acrescente o beiju
quebrado, parte do
cheiro verde e
tempere a gosto.
Doure até ficar
crocante. Se preferir
uma farofa mais
crocante ainda,
coloque durante
alguns minutos no
forno quente.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 265
Pacu na brasa com farofa de ervas e limão
6-8 pacus limpos, ticados
1 limão galego, casca ralado sem parte branca e suco
Se preferir, substitua a casca de limão por laranja ou limão cravo.
Sal, pimenta e colorau a gosto
Lave o peixe com limão, tempere a gosto e reserve por 30 minutos
na geladeira. Hidrate a farinha aos poucos com o leite de coco,
soltando com ajuda de um garfo. Asse o peixe na brasa ou no forno
até a sua cor mude de transparente para leitoso e a carne se parte
em lascas firmes. Incorpore o restante dos ingredientes à farofa e
salpique com a mesma e sirva.
Farofa de ervas e limão
½ xícara de farinha d´água para farofa
½ xícara de leite de coco ou quanto basta
1-2 colheres (sopa) de azeite ou manteiga derretida
2 dentes de alho espremidos
1 pedaço de gengibre ralado
1 limão galego, casca ralada e suco a gosto
1 maço de cheiro verde picado
Algumas folhas de chicória picadas
½ maço de alfavaca picada
Alguns galhos de hortelã picados a gosto
Sal e pimenta a gosto
Se preferir uma farofa morna, doure o alho e o gengibre no azeite
ou na manteiga, junte a farinha e mexe até obter uma farofa. Tire
do fogo e misture com o restante das ervas, casca ralada e suco de
limão a gosto e tempere com sal e pimenta.
Filé de pescada gratinada com farofa
800 g de filé de pescada ou outro peixe do seu agrado
1 limão galego
Sal e pimenta a gosto
Lave o peixe com limão, tempere a gosto e reserve por meia hora
na geladeira. Unte uma forma refratária, preaqueça o forno em 220
graus e prepare a farofa da receita acima. Forre a forma com uma
camada da farofa, acomode o peixe por cima a termine com outra
camada de farofa. A gosto acrescente flocos de manteiga e asse no
forno até o peixe se desfaz em lascas firmes e a farofa dourar.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 266
Cuscuz de farinha d´água com peixe assado e
vegetais ao forno
Cuscuz de farinha d´água
½ kg de farinha d´água não muito graúda
400-500 ml de leite de coco, fundo de peixe ou camarão ou meio-meio
Cominho e coentro a gosto
Sal e pimenta a gosto
1 colher (sopa) de manteiga
1 pedaço de gengibre picado
Adicional
1 cambada de peixes fritos, por ex. charutos ou jaraquis
ou
Camarão regional frito
Legumes da estação por exemplo:
1 cabeça de alho, cortado o topo
2 cebolas, cada cortada em 8 pedaços ou ralados no ralo grosso
12 pimentões regionais de diversas cores, inteiros ou corado na metade sem
sementes
4-5 tomates cortados em 4 ou 8 pedaços
1 batata-doce cozida, cortada em rodelas
1-2 cenouras cortadas em palitos grossos
1 maço de feijão de metro cozido
2-3 beterrabas cortadas em 8 pedaços
½ jerimum pequeno, cortado em fatias
1 xícara de feijão ou grão-de-bico cozido
1 pimenta de cheiro picada
½ maço de cheiro verde picado
Limão a gosto
Prepare peixe ou camarão e asse os legumes no forno que leva 30-40
minutos. Preaqueça o forno em 200 graus, espalhe os legumes, os dentes de
alho na casca e a cebola numa forma, regue com bastante azeite, tempere a
gosto e asse. Cozinhe feijão ou grão-de-bico. Em uma vasilha tempere a
farinha com sal e pimenta e hidrata aos poucos com o leite de coco ou fundo
de peixe aquecido, soltando com um garfo até obter a consistência desejada.
Reserve, mantendo aquecido. Com tudo pronto misture o cheiro verde e a
manteiga derretida ao cuscuz. Amontoe o mesmo no meio de um prato
redondo e empilhe todos os outros ingredientes de maneira decorativa e
sirva quente de prato principal. Também pode ser servido frio, misturado com
legumes picados e camarão.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 267
T
Nuggets ou iscas empanada na farinha de Uarini escabeche agridoce
ou com maionese caseira
600 g de filé de pirarucu ou surubim, cortado em listras de 2 cm ou em triângulos
1 limão galego
Sal e pimenta a gosto
2-3 colheres (sopa) de goma de tapioca ou farinha de trigo
2 ovos ou somente as claras, batido com um garfo
Farinha Uarini fino ou outra farinha d´água quanto basta
Óleo vegetal quanto basta para fritar
Maionese caseira ou outro molho ou vinagrete a gosto
Folhas verdes, por exemplo de bananeira ou mamoeiro para servir
Lave o peixe com limão, tempere a gosto e reserve por meia hora na geladeira. Prepare o molho
escolhido e reserve. Coloque a goma de tapioca peneirada, o ovo batido e a farinha Uarini cada um
num prato. Tempere a farinha Uarini com sal e pimenta. Aquece o óleo. Seque os filés com ajuda de
papel toalha, passe primeiro pela tapioca, depois pelo ovo batido e por fim pela farinha Uarini até
fiquem bem empanados. Bate levemente e frite aos poucos no óleo quente. Escorra sob papel toalha,
mantendo quente. Corte ao meio e sirva. No caso do molho escabeche, regue o peixe ainda quente
com o vinagrete e sirva quente ou frio, curtido durante algumas horas ou uma noite na geladeira.
Vinagrete agridoce
1 pedaço de gengibre picado
2-3 tomates picados bem fino
2-3 pimentões regionais, picados bem fino
1 cheiro verde picado
½ cebola picada a gosto
Sal e pimenta a gosto
2-3 colheres (sopa) de vinagre branco suave ou limão
5-6 colheres (sopa) de azeite / 1-2 colheres (sopa) de mostarda picante ou arubé
1-2 colheres (sopa) de mel de abelha nativa
Pique todos os ingredientes do vinagrete, misture com azeite, vinagre e tempere a gosto com sal,
pimenta, mostarda ou arubé e mel, equilibrando acidez, doçura e picância. Reserve. Regue o peixe
quente com o vinagrete.
Maionese caseira
1 gema de ovo fresco, temperatura ambiente
1 colher (chá) de mostarda ou arubé
1 colher (chá) de suco de limão
100 ml de óleo vegetal (use óleo, azeite amarga o preparo)
Sal e pimenta a gosto
Misture a gema à mostarda ou ao arubé com ajuda de um batedor de arame ou no liquidificador.
Acrescente, sempre batendo manualmente ou no liquidificador, aos poucos, primeiramente pingando,
depois em fio fino, o óleo até obter a consistência desejada de maionese.
A gosto misture com algumas gotas de suco de limão, alcaparras cortadas ou folhas picadas de
vinagreira. Corrija os temperos e sirva acompanhando os nuggets.
268
Pirarucu na casaca
1 kg de pirarucu salgado, dessalgado de véspera
1 limão galego
Azeite
Farofa
1 copo (200 ml) de leite de coco caseiro ou industrializado
½ kg de farinha d´água para farofa ou farinha uarini
3 cebolas grandes em rodelas
5-6 dentes de alho picados
3-4 pimentões regionais cortados em listras
1 maço de cheiro verde picado
3 folhas de chicória picadas
1 pimenta de cheiro ou a gosto
2-4 colheres (sopa) de manteiga
3 bananas pacovas em fatias
12 de azeitonas pretas para decorar a gosto
1-2 ovos cozidos para decorar a gosto
Dessalgue o pirarucu de véspera. Lave com o limão e escalde com água
quente ou cozinhe em fogo baixo coberto com água. Retire a pele e
espinhas e desfie em lascas generosas. Hidrate a farinha com o leite de
coco. Refogue a cebola junto com o pimentão num fio de azeite.
Acrescente as lascas do pirarucu, doure um pouco para tomar gosto,
junte metade do cheiro verde e reserve. Derreta metade da manteiga e
acrescente aos poucos a farinha hidratada. Tempere a gosto e reserve.
Doure as fatias da banana na manteiga restante e reserve. Preaqueça o
forno em 220 graus. Unte uma forma refratária com azeite e uma
camada fina de farinha. Continue camadas alteradas de pirarucu
desfiado, bananas e farofa. Termine com fatias de banana, regue com
azeite, decore com as azeitonas e os ovos partidos. Sirva de imediato
ou leve para coroar no forno por mais ou menos 20 minutos. Antes de
servir salpique com cheiro verde. Acompanha arroz branco e salada
verde e arroz branco.
T
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata
269
Cuscuz de farinha Uarini com cozido e caribé com mocotó e
legumes
Para o cozidão escolhe mocotó, carnes da sua preferência, se for necessário,
dessalgadas, as carnes frescas marinadas numa vinha d´alho, embutidos e mocotó a
gosto
Escolhe legumes da estação como pimentão regional, repolho, maxixe, batata ou
outros tipos de tubérculos, cenoura, jerimum, abobrinha, feijão-de-metro, couve,
cariru ou vinagreira e complete com milho verde, banana pacovã verde, com casca,
mamão verde, cheiro verde ou outros a gosto
1-2 ovos a gosto
De véspera coloque as carnes secas e salgadas de molho, trocando a água diversas
vezes. As carnes frescas podem ser marinadas numa vinha d´alho e o mocotó
coberto com uma fina camada de sal, tudo para realçar o gosto e amaciar carnes
menos nobres.
No dia, tire as carnes dos líquidos, seque e sele de todos os lados numa panela com
fundo grosso. Reserve. Sele os embutidos na mesma panela e reserve. Por último,
prepare, usando sempre a mesma panela, um refogado com cebola, pimentão
regional, alho, tomate, colorau e cominho a gosto. Dissolve bem os queimadinhos
no fundo. Por fim devolve as carnes, respeitando o seu tempo de cozimento e
complete com água. Tempere a gosto com folha de louro, cravo e pimenta. Cozinhe
as carnes até ficar bem macios. Hidrata a farinha a gosto ou com leite de coco ou
com caldo do cozido e espere tufar. A parte, cozinhe os legumes da estação
escolhidos ou adicionando conforme o seu tempo de cozimento à carne. Por fim,
junte os ovos ao cozidão, incorpore folhas com couve rasgada, cariru e/ou
vinagreira, corrija os temperos e cozinhe em fogo brando por mais alguns minutos
até que todos os gostos se misturem. Sirva o cozidão sobre o cuscuz de farinha.
Para o caribé prepare o cozido com mais água e no final engrosse com farinha fina
para farofa ou a modo indígena com goma, previamente diluído em água fria.
270
Existem inúmeras variações de beijucicas
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 271
Beiijucicas
Uma coisa típica dos interiores, já bem mais raro nas mesas
nas cidades, sãos os inúmeros tipos de beijucicas (foto
grande) beiijucica, beiju-açu, beijou seco ou
mole. Um tipo de biscoito seco amazônico, versátil, neutro
e gostoso, encontradas ainda em feiras livres, que mostram o
que se comia antes da chegada do pão francês e o que os
indígenas comem até hoje de acompanhamento. Uns são de
massa bem fina, desmanchando na boca de tão tenra.
Uns são muito maiores, mais moles ou grossos, outros bem
duros, picados em bocados, um tipo de chips
amazônico. Os nomes, preparos e matéria primas variam
de região em região. Beijus acompanham, igual pão, todas as
refeições e lanches. São feitos da farinha tanto da macaxeira
quanto da mandioca ou da goma, uns pubados outros
misturados com castanhas. Normalmente são assados nos
tachos gigante no mesmo onde se torra a farinha. Uns depois
precisam ser secos aos sol e todos duram bastante tempo.
Hoje em dia, uma releitura possível, acompanham uns
patés bem amazônicas ou servem como canapé com
cobertura deliciosa que podem ser comidas com uma mão
só. Esfarelados sobre saladas ou em forma de uma
crosta acrescentam crocância a muitos pratos.
Os seus já murcharam? Salpique com uns pingos d´ água
e espere se recuperar no forno aquecido em 200 graus. Uns
minutos são suficientes para eles voltam a brilhar, crocante e
leve.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 272
•
Canapés variados sob beijucica - Beijucicas menores inteiras, maiores repartidas
em pedaços menores trazem aromáticos refogados de ovas, caranguejo ou
avium. O finger-food perfeito, servido de entrada ou no lugar de outros petiscos.
Combine com o que estiver a mão – sobrou peixe grelhado? Desfie em lascas generosas e
sirva sobre um molho de pimentão e tomate bem apimentado. Sobrou pirarucu
salgado? Desfie, combina com um vinagrete bem temperado e coloque junto com algumas
folhas verdes entre pedaços de beijucica. Boa combinação também é beijucica, pesto e
carne ou peixe desfiado. Tudo que cabe num sanduiche, por exemplo um ovo mexido,
também pode ser servido sob beijucica.
Caso seus beijucicas já perderam um pouco da sua crocância, espalhe os mesmos sobre
uma forma e salpique com água. Asse alguns minutos no forno até voltam ser bem crocantes.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 273
Posta de peixe com
crosta de beijucica e
castanhas
800 g de filé de pirarara ou outro
peixe firme em postas
1 limão galego
Sal, pimenta e cominho a gosto
Crosta
2 punhados de castanhas
picadas não muito fino
2 punhados de beijucica
quebrados em pedaços Sal,
pimenta, cominho e colorau
Azeite ou manteiga suficiente
para dar liga
1 cheiro verde picado
Raspas de casca de limão a gosto
Lave o peixe com limão, tempere
a gosto e reserve por meia hora
na geladeira. Preaqueça o forno
em 200 graus. Seque o peixe
com papel toalha coloque num
tabuleiro untado e prepare a
crosta. Quebre o beijucica em
pedaços não muito pequenos e
misture com as castanhas, o
cheiro verde e as raspas da casca
de limão e colorau ou dendê a
gosto. Tempere, regue com
azeite até dar liga e coloque
sobre o peixe, apertando bem.
Asse o peixe no forno durante
20-30 minutos. Sirva peixe
acompanhado de legumes
assados sobre o purê de banana.
Salada de favas com pirarucu
salgado e beterraba
½ kg de pirarucu salgado, dessalgado de
véspera ou pirarucu defumado
1 limão galego
Sal e pimenta a gosto
300 g de grãos: favas, feijão de
manteiguinha ou grão-de-bico cozidos
3 dentes de alho picados bem fino
1-2 beterrabas cozidas ou assadas no
forno, em cubinhos
1 cebola roxa média picada
1 maço cheiro verde picado
Azeite e vinagre ou limão a gosto
Raspas de casca de limão a gosto
Beijucicas frescos quebrados
Na véspera, deixe o pirarucu e os grãos
de molho. No dia lave o pirarucu com
limão e escalde com água fervente ou
cubra com água e cozinhe um pouco em
fogo baixo. Esfriado, desfie em lascas
generosas, tempere com parte da cebola,
pimenta, azeite e vinagre e reserve. Se for
usar pirarucu defumado, desfie e frite
num fio de azeite. Cozinhe os grãos e a
beterraba até ficarem bem macios, mas
não desmanchem. A beterraba também
fica excelente, assada no forno. Tempere
os dois, ainda quente, com alho, sal e
pimenta, azeite e vinagre e parte do
cheiro verde. Misture o pirarucu às favas
e a beterraba, acrescente o restante da
cebola e do cheiro verde e corrija os
temperos. A gosto salpique, antes de
servir, com os beijucicas, quebrados em
pedaços e acrescente um pouco de casca
de limão ralada. Caso os beijus não foram
muito crocantes, aquece-os antes no
forno, pingado com um pouco de água.
Dessa maneira eles ficam crocantes de
novo. Sirva de lanche ou entrada.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 274
Cruera/carimã
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata
Duma farinhada nada se perde. Passase
a farinha ralada ou já torrada por
uma peneira e separa-se os caroços
maiores. Os mesmos são secos ao sol
ou passam pelo forno. Depois vão para
o pilão onde viram, bem pilados,
cruera ou carimã fininha que
até parece pó. Como a cruera é livre
de glúten, vira um ingrediente bem
interessante e nativo não só para os
tradicionais mingaus e
biscoitos rápidos e bem caseiros,
mas também pode substituir muito
bem outras farinhas. O cookie da
receita a seguir fica delicioso e com um
croque extra sem nenhuma farina de
trigo. A crueira tem gosto e
consistência bem diferente da goma,
que se torna mais gelatinosa entrando
em contato com água, também é
perfeito para engrossar arubé.
275
Cookie glutenfree de
cruera
250 g de manteiga, temperatura
ambiente
200 ml de leite condensado
2 ½ copo de farinha/cruera
1 pitada de sal
Açúcar a gosto
Baunilha
Adicional castanhas, chocolate,
nibs ou cacau etc.
Unte um tabuleiro ou forre com
papel manteiga. Junte todos os
ingredientes numa vasilha e
misture bem com as mãos. A
gosto incremente a massa com
castanhas, chocolate picada ou
cacau. Com ajuda das mãos
forme bolinhos do tamanho de
um brigadeiro grande, coloque
no tabuleiro e achata com a mão
ou ajuda de um garfo. Reserve
por 30 minutos na geladeira para
firmar. Preaqueça o forno em
180 graus. Asse os cookies
durante 10-12 minutos ou até as
bordas começam a dourar
levemente. A cruera não permite
que o biscoito fique muito
dourado. Espere esfriar no
tabuleiro.
T
Rosquinhas tradicionais de cruera
salgadas ou doces
1 xícara de cruera
Água, leite de vaca ou de coco suficiente para
dar ponto
Açúcar ou rapadura a gosto, a rapadura deve ser
previamente dissolvida na água
1 pitada de sal
1-2 colheres (sopa) de óleo ou manteiga a gosto
Óleo para fritar – as rosquinhas podem ser
assadas no forno também. As rosquinhas mais
claras foram assadas no forno, as mais escuras
fritas no óleo.
Coloque a cruera em uma vasilha, tempere com
sal e escalde-a colocando o liquido escolhido,
água pura ou temperada, água com rapadura ou
leite, fervente sobre a massa. Amasse com as
mãos e corrige a consistência acrescentando
mais líquido ou mais cruera até a massa
desgruda da mão e se deixar formar. A gosto
também pode incorporar a massa um pouco de
óleo ou manteiga. Enrole as rosquinhas e asse no
forno até dourar ou frite em porções no óleo.
Seque sobre papel cozinha.
Versão I
Elabore uma infusão com cravo, canela ou erva
doce e açúcar ou e incorpore fervente à cruera.
Versão II
Use leite de vaca ou leite de coco fervente para
escaldar a massa. Adoça a gosto.
Versão III
Incorpore 1-2 ovos ou/e queijo a massa já
esfriada.
Rosquinhas de crueira, preferencialmente
salgado e quente, são consumidos pelos
ribeirinhos e caboclos ao fim da tarde.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 276
Cookie de cruera com chip de
chocolate ou castanhas
¾ xícara de manteiga sem sal, temperatura ambiente
1 pitada generosa de sal
½ xícara de açúcar mascavo ou rapadura ralada
½ xícara de açúcar branco ou menos
1 ovo e 1 gema
2 xícaras de cruera
1 colher (chá) de fermento químico
Extrato de baunilha
1 ¼ copos de chips de chocolate amargo ou meio
amargo ou castanhas picadas
Bate a manteiga, o sal e os dois tipos de açúcar até a
massa fica embranquecida. Incorpore o ovo e a gema
e por fim a cruera, o fermento e o extrato de
baunilha. A massa ficará firme e quebradiça. Por fim
incorpore metade do ingrediente adicional escolhido.
Reserve a outra metade para decorar os cookies.
Unte um tabuleiro ou forre com papel manteiga.
Com ajuda das mãos role bolinhos, coloque no
tabuleiro e achate cada um com ajuda das mãos.
Salpique com o restante do chocolate ou castanhas e
leve à geladeira. Espere firmar durante no mínimo 30
minutos. Preaqueça o forno em 180 graus e depois 10
minutos asse os biscoitos durante 10-12 minutos ou
até dourarem.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 277
Tarubá & caxiri
A bebida leitosa chamada de
tarubá, é mais uma herança
deixado pelos povos indignas.
Encontra-se em feiras do interior.
De cor amarela ou branca,
dependendo da macaxeira da qual
deriva, é misturado às
características folhas verdes do
curumi ou curumin-cará, Ravenala
guaianensis. Obter tarubá e mais
ainda caxiri, o seu parente
alcóolico, é trabalhoso. Esprema-se
a macaxeira ralada no tipiti e
forma-se da massa beijusaçus,
beijus gigantes, assados em chapas
de ferro maior ainda. Os beijus
deita-se molhado com água ou
manicuera doce sobre uma cama
de folhas de palmeira salpicado
com as folhas do curumi e coberto
com mais palha. A massa descansa
por uma certa sequência de dias.
Também pode ser regado uma
segunda vez com caldo de cana. O
tempo determina se uma
fermentação alcoólica se inicia ou
não. A massa obtida é diluída com
água. De aroma agradável, leitoso e
suavemente doce.
Outras bebidas parecidas se
chamam mocoroó, pajuari,
tiquira ou caxiri. Os preparos
variam, mas normalmente contém
beijus feitos da massa que fica no
tipiti, amolecido ou fermentados
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 278
em água e misturado com tipos de
cará branco ou roxo.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 279
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 280
CAFÉ
regional
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 281
Reforçado – café regional
Pupunha alaranjada, cará-roxo ou
macaxeira-manteiga? Todos muito bem
cozidos, quase desmanchando. Tem. Há dos mais
diversos mingaus, de tapioca, de banana
verde, mungunzá ou buriti. Tem também
aquele de açaí, reaproveitando açaí azedado que é
misturado a arroz, igualmente no mingau de jerimum.
Pé-de-moleque, assado na folha de bananeira?
Disponho. Queres um cuscuz de milho, leve e
arejado, cor de gema de ovo ou uma das tapiocas
simples, só com manteiga ou recheado com ovo frito?
Tudo bem reforçado, regado com colheradas de leite
de coco suculento ou, melhor ainda, coberto de
riachinhos dulcíssimos de puro leite condensado – tão
indispensável quanto o leite em pó no café de manhã
de rua. Café regional pouco come-se em casa
nem em prato de porcelana. Sirva-se em copos de
plástico descartável, em cuias e sob folhas de
bananeira. São inúmeras mulheres prendadas que
vendem em frente da sua casa ou na rua mesmo as
suas guloseimas. As feiras livres também dispõem de
secções fixas e muito bem frequentadas. Nas suas
barraquinhas as variedades são maiores ainda. É a
freguesia que manda! Preenche-se um formulário
escolhendo não só que tipo de suco deseja, mas
também encara a difícil escolha entre tantas recheios
para sua tapioca ou a sanduba. Minutos depois
é só curtir.
Ambulantes, sempre muito bem humorados
encontram-se nas ruas dos interiores nos centros
movimentados. Em carinhos-de-mão adaptados ou
outros veículos sob rodinhas que substituam os
tabuleiros de antigamente, dão um jeito de levar uma
merenda reforçada para os seus fregueses. A tardinha
reaparecem novamente.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 282
Vendedor ambulante de mingau
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 283
Café regional - fartura e variedade
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 284
Mingau de banana verde, munguzá e outras delícias!
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Comida de rua que cai bem em qualquer horário
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 286
Café regional servido no barco de linha
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 287
Sucos de todos os tipos e cores um mais exótico o que o outro
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 288
T
Cuscuz de milho em versão salgada
ou doce
Por pessoa 1/3 - ½ xícara de milharina ou farinha
de milho em flocos para cuscuz
1 pitada generosa de sal ou a gosto
1/3 xícara de água
1 cuscuzeira ou um pano de prato limpo
Manteiga a gosto
Acompanha na versão salgada a gosto ovo frito e
queijo coalho frito e uma pitada de páprica ou
pimenta
A versão doce é regada com uma mistura de leite
de vaca e leite de coco e coco ralado
Misture milharina com sal e aos poucos com a
água até a milharina ficar com textura de areia
molhada. Espere hidratar durante alguns minutos.
Abastece o fundo da cuscuzeira com água,
encaixe a peneira e preencha com a milharinha
umidificada. Não aperte e deixe a miharinha bem
solta. Tampe e leve ao fogo. Reduz o fogo quando
a água começa a evaporar. Se for usar o pano,
amarre bem e pendure numa colher de pau sobre
uma panela com vapor. Espere cozinhar por mais
ou menos 10 minutos. Retire, coloque a manteiga
e sirva acompanhado dos ingredientes escolhidos.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 289
Goma de tapioca
Origem
Tanto a mandioca quanto a macaxeira fornecem um amido branco e
fino que nem pó, chamado de fécula, goma ou polvilho. Para obter a
goma, a manipueira, o líquido obtido da mandioca ralada, é
espremido no tipiti ou na prensa. A massa grossa que permanece
para trás vira farinha. O caldo espremido, a manipueira, decanta num
recipiente até a goma se senta no fundo. O líquido que sobra, o
tucupi, é retirado com cuidado. A goma, uma massa já compactada
mas ainda úmida, é passada por uma peneira e vendida como
matéria-prima da tapioca. A goma, seca pode ser armazenada por
muito tempo, é mais um produto desenvolvido pelos indígenas que
eram capazes de elaborar vários derivados de uma única macaxeira
ou mandioca. A goma úmida, ou re-umidificada (foto esquerda)
aglutina sozinha pelo calor e vira tapiocas um tipo de panqueca fina e
beijucicas deliciosas. Quanto mais clara a cor do amido de mandioca,
melhor é a sua qualidade, indicando se a mandioca utilizada na sua
fabricação era velha ou nova e mais ou menos limpa.
Aroma
O gosto delicado e neutro da goma lembra vagamente outras
farinhas ou amido de milho ou fécula de batata.
Uso
Muito versátil, transformado em tapioca ou beijucica, vira goma no
tacacá e combina com quase tudo. Goma também é utilizado na
indústria, especialmente na de tecidos, de papéis, de colas, de tintas,
de embutidos de carne, de cervejas e de alimentos.
Clássico
Em forma de tapioca
Exótico
A goma do tacacá, translúcida e viçosa.
Imperdível
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata
Tapioca úmida salpicada com coco e castanha
290
Goma já hidratada e passada pela peneira
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 291
Goma para tapioca pronta para uso
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 292
Tapioca com castanhas feita na hora no tacho de ferro
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 293
Tapioca ou beiju?
T
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata
Pequenas panquecas brancas ou
tortas moles gigantes – quando
se fala de beiju ou tapioca existe
muita diversidade, não há certo e errado.
Cada região, cada povo indígena faz sua
versão, dá um nome próprio. A diferença
básica é que a tapioca normalmente é
feita de goma e beiju por meio da
massa da macaxeira. Mas também
há receitas que misturam os dois. Péde-moleque
por sua vez é assado
na folha da bananeira. Para todos
os preparos peneiram primeiro ou a massa
da macaxeira ou da goma umidificada para
formar grumos que depois espalhados
sobre uma chapa quente aderem,
formando uma massa só. Uns beijus até
secam ao sol. É muito comum misturar
flocos de coco ou castanhas à massa. Uma
delícia a parte são as tapiocas
molhadas vendidas nas ruas. (Última
foto a direita abaixo) Saborosas, fofas e
cheia de flocos de coco fresquíssimos
coma-se as mesmas com as mãos, um
lanchinho rápido ou uma sobremesa bem
nativa.
294
Tapioca - receita básica
T
Tapioca – receita básica
15 porções
500 g de goma de mandioca
Água suficiente para cobrir a goma (250-300 ml)
Farinha para secar
1 colher (chá) de sal
Manteiga a gosto
Leite de coco para molhar
Flocos de coco para polvilhar
Açúcar a gosto
Outros tipos de recheio a gosto
Cubra a goma na véspera por completo com água. Deixe-a
decantar. No outro dia a goma se „sentou“ no fundo.
Descarte, com muito cuidado, toda a água e seque a
superfície da goma com um pano ou uma fina camada de
farinha a qual absorve toda a umidade restante. Quebre a
massa em pedaços e passe por uma peneira, se quiser,
peneire diretamente numa frigideira aquecida. Acrescente
sal a gosto e espalhe o pó rapidamente formando uma fina
camada que nem uma panqueca. Asse dos dois lados por
mais ou menos um minuto. Passe um pouco de manteiga e
enrole ainda quente ou recheie a gosto. Tradicionalmente
serve-se a tapioca sob folhas de bananeira ou embrulhada
em pedaços da mesma. Para molhar a tapioca, aqueça-se
leite de vaca ou de coco ou uma mistura dos dois, com ou
sem açúcar, e derrame com cuidado sobre a tapioca.
Salpique-se com flocos de coco e a gosto com castanhas
previamente torradas que também podem ser
incorporadas à massa no início.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 295
Filé de pescada em
borboleta, empanada na
goma com temperos
nortistas sob jambu
4 pescadas, abertas em borboleta
1 limão galego
Sal e pimenta a gosto
1 xícara de goma de tapioca seca (se
for usar a úmida, reduz a quantidade
de água)
1 ovo batido
1-2 colher/es (chá) de cominho e
coentro em grão ou em pó
¼ colher (chá) de açafrão-da-terra em
pó ou colorau
¾ copo (185 ml) de água morna ou
água com gás
Óleo neutro para fritar
1-2 maços de jambu sem talos
1-2 dentes de alho
1 limão, suco e raspas da casca
Lave os peixes com o limão, tempere com sal
e pimenta e reserve por meia hora na
geladeira. Misture a goma com o ovo, sal,
açafrão ou colorau e os outros temperos.
Acrescente, batendo com batedor de
arame, aos poucos a água, somente
suficiente até obter uma massa elástica.
Deixe-a descansar por 10 minutos. Escalde o
jambu, tempere com o alho, sal e pimenta e
reserve, mantendo quente. Em uma
frigideira esquente dois dedos do óleo.
Seque o peixe com papel toalha, passe pela
massa e doure no óleo quente. Escorre o
excesso de óleo colocando o peixe sobre
outro papel toalha. Ponha o jambu numa
travessa, arranje o peixe por cima, regue
com um pouco de suco de limão e raspas da
casca a gosto e sirva acompanhado de salada
de batata-doce ou arroz branco.
Tapioca recheada a estilo
mexicano com peixe desfiado,
legumes e abacate
Goma de tapioca já hidratada, suficiente
para 4 tapiocas
Sal
Recheio
2 punhados de peixe cozido, desfiado ou
sobras de peixe, assados na brasa,
desfiados
Legumes diversos por ex. cenoura,
maxixe, feijão de metro, cozidos
½ batata-doce cozida, cortada em cubos
1-2 pimentões regionais assados no
forno
½ manga, cortada em cubos
½ abacate cortado em fatias
Folhas verdes para servir
Molho de iogurte ou maionese
1 limão, fatias para decorar e suco
1 laranja, fatias para decorar e suco
1 colher (chá) de alcaparras picadas
1 colher (chá de azeitonas picados
1 pedaço de gengibre ralado
1/3 xícara de maionese caseira ou
iogurte
1 punhado de cheiro verde
1 punhado de coentro
Pimenta de cheiro a gosto
Cominho a gosto
Sal e pimenta a gosto
Desfie o peixe e reserve. Corte os
legumes e as frutas e espreme um pouco
de suco de limão sobre o abacate para
não escurecer. Misture todos os
ingredientes do molho, tempere com
suco de limão e laranja, sal e pimenta até
a acidez seja equilibrada. Asse as
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata
tapiocas, dobre ao meio e recheie com
296
legumes, peixe, frutas e cheiro verde a
Tapioca gourmet
Prepare a tapioca conforme a receita da página anterior.
Sugestões para recheios salgados
• Manteiga e fleur do sel
• Manteiga, leite de castanha e lâminas de castanhas
• Manteiga e ovo frito ou mexido
• Coco e queijo de coalho ou queijo do Marajó
• Tucumã com queijo coalho ou queijo do Marajó
• Pupunha com queijo de coalho ou queijo do Marajó
• Manteiga, bananas pacovã fritas e queijo de coalho
• Carne seca desfiada e queijo de coalho
• Carne seca desfiada e banana pacovã frita
• Açaí, alho, alfavaca, pimentão regional, sal, azeitonas processados no
liquidificador (foto à esquerda em cima)
Sugestões para recheios doces
• Doce de cupuaçu
• Doce de buriti
• Queijo coalho e doce de buriti
• Doce de laranja da terra e regado com licor de laranja da terra e coco
(foto esquerda, meio)
• Cacau e laranja em fatias e licor de laranja
• Castanhas caramelizadas e regado com xarope de cumaru
• Açaí grosso e leite condensado
• Castanhas de caju e regado com mel de caju
• Banana pacovã e chocolate derretido
• Ricota, ovo, açúcar, café e cardamomo
• Banana pacovã frita e doce de buriti derretido (foto esquerda, em baixo)
Tapioca molhada com castanhas
Goma umidificada para tapioca
1 colher de chá de sal
Castanhas em lâminas para decorar
Folhas de bananeira para servir
Leite para molhar
1 copo de água, leite de vaca ou de coco ou metade-metade açúcar ou a
gosto
Castanhas em lâminas a gosto para salpicar
Prepare uma ou várias tapiocas. Aquece o líquido escolhido e derrame
sobre a tapioca. Espere tufar. Antes de servir, salpique com coco ralado e
as castanhas.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 297
Farinha de tapioca de granulação mais fina ou mais grossa
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 298
Farinha de tapioca
Origem
Farinha de tapioca, flocos irregulares branquinhos e levíssimos
acompanham qualquer tigela de açaí. Com elevado teor de amido,
pouca proteína, os bolinhos irregulares cheia de ar de tamanhos
bem variados são um alimento calórico, ingredientes principal do
bolo podre, engrossam mingau ou viram dadinhos de tapioca e
outros guloseimas bem amazônicos. Combinam com salgado ou
doce, já que o seu gosto é bem neutro. A tapioca granulada é outro
derivado da tão versátil mandioca, elaborada a partir da fécula da
mesma, até hoje num processo completamente artesanal numa
técnica que já deve ter sido desenvolvida pelos povos indígenas.
Pressionados sobre um tecido, a goma úmida é aglutinada com
movimentos leves e giratóros das mãos, formando grânulos. Esses
grânulos espocam numa chapa quente, constantemente revirados,
saltando como pipoca. Depois passam por um forno onde secam
por completo.
Aroma
O seu gosto é relativamente neutro. Delicadamente crocantes,
explodem na boca lembrando flocos de arroz.
Uso
Muito versátil, é acrescentado ao açaí e é ingrediente principal do
delicioso cuscuz de tapioca, do mingau, pudim e sorvete de tapioca,
os últimos sempre molhados com leite ou leite de coco.
Clássico
Acompanha tradicionalmente, sem ou com adição de açúcar, o
vinho de açaí.
Exótico
Tão antiquado quanto delicioso: mingau de tapioca ou cuscuz de
tapioca, também chamado de bolo podre.
Imperdível
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata
Mingau de tapioca, sorvete de tapioca ou sorvete paraense: açaí
299
com farinha de tapioca.
T
Mingau de jerimum ou de
tapioca com castanhas e
nibs
Esquerda: Prepare um mingau com
farinha de tapioca ou arroz cozido em
água com sal, jerimum cozido na água
com sal ou assado no forno. Misture,
acrescente leite de coco ou de
castanhas, espere engrossar
novamente e adoce a gosto com
açúcar, mel nativo ou rapadura.
Salpique com castanhas
caramelizadas.
Direita: Prepare um mingau com
farinha de tapioca, água e sal.
Engrossou, incorpore leite de coco ou
de castanhas. Espere engrossar
novamente e salpique com castanhas
e nibs de cacau. Adoce a gosto com
açúcar, mel nativo ou rapadura.
Versão: Rala uma banana pacovão no
ralo grosso, cozinhe em água com sal
até amolecer. Incorpore leite de
castanhas ou de coco e farinha de
tapioca. Adoce a gosto com açúcar,
mel nativo ou rapadura. Espere
engrossar e salpique com castanhas e
nibs de cacau.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 300
Bolinhos salgados com farinha de tapioca e
queijo coalho
1 ½ xícara (300g) de farinha de tapioca
1 xícara de leite ou leite de coco, suficiente para molhar a massa
sem encharcar, dependendo da qualidade da farinha de tapioca
½ xícara de óleo ou azeite, para uma cor mais intensa, substitua por
azeite de dendê
Sal e pimenta a gosto
1 xícara de goma (polvilho doce) peneirado
½ xícara de queijo coalho ralado
2 ovos
Coloque a tapioca em um recipiente, aqueça o leite escolhido junto
com o óleo e derrame sobre os flocos. Deixe descansar por meia
hora, mexendo de vez em quando. Esfriado e tufado, incorpore o
restante dos ingredientes. Dependendo da tapioca, acrescente mais
líquido ou mais flocos até obter uma massa cremosa, mas firme.
Preaqueça o forno em 180 graus. Forma bolinhos e asse por 20 - 30
minutos ou até dourarem. Sirva morno ou frio.
Bolinhos ou bolachas doces de tapioca com
flocos de coco
1- 1 ½ xicara de tapioca em flocos
2-3 colheres de goma peneirada
½ xícara de coco ralado fresco
T
1- 1 ½ xícara de leite de coco morno
2 ovos ligeiramente batidos
2 colheres de manteiga temperatura ambiente
ou 50 ml de óleo neutro
1 pitada de sal
2-4 colheres (sopa) de açúcar a gosto
Coloque a tapioca numa vasilha, aqueça o leite de coco e derrame
quente sobre a tapioca. Deixe hidratar por aproximadamente 30
minutos. Bata os ovos com o sal, a manteiga derretida e o coco
ralado. Acrescente junto com a goma peneirada à tapioca molhada e
amasse. Dependendo da tapioca, corrige com mais líquido ou com
mais flocos até obter uma massa cremosa mas firme. Preaqueça o
forno em 220 graus. Unte uma forma com manteiga e polvilhe com
farinha. Com a ajuda de duas colheres ou das mãos forme bolinhos
ou bolachas redondas e coloque com um certo espaço entre eles na
forma. Asse por uns 30 minutos ou até os bolinhos fiquem firme por
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata fora.
301
Pãezinhos de goma com
temperos nortistas
3 xícaras (4500 g) de goma/polvilho de
tapioca seca - se for usar já molhada, reduza
o líquido
1 ½ copo de água, leite, cerveja ou até tucupi
¼ copo de azeite, óleo ou manteiga
Sal marinho a gosto
Colorau ou azeite de dendê para dar uma cor
mais apetitosa
2-3 ovos
Pimenta, coentro e cominho em grãos ou em
pó a gosto
Farinha de tapioca a gosto
Dissolva a goma com 2-3 colheres de água fria
para não formar bolotas. Leve o líquido escolhido
junto com o óleo ou a gordura e o sal ao fogo,
aqueça até levantar fervura e incorpore a goma.
Aqueça, usando fogo brando, mexendo sempre
até a massa se solta do fundo da panela. Espere
esfriar. Preaqueça o forno em 180 graus. Adicione
aos poucos e restante dos ingredientes escolhidos
à massa já esfriada. Corrija o sal e sove até a
massa esteja bem arejada. Unte uma forma, forma
bolinhos ou bisnagas, espalhe no tabuleiro com
espaço suficiente entre eles para crescer, salpique
a gosto com farinha de tapioca, sal grosso ou
cominho e asse por 10-15 minutos ou até dourem
levemente por fora, mas fiquem macios por
dentro.
Versão
Para dar uma cor apetitosa a massa, o óleo
poderia ser substituído por azeite de dendê, o
líquido pode variar, usando tucupi ou cerveja.
Colorau, açafrão-da-terra, cará-roxo ou ervas
poderiam ser incorporados à massa. No lugar de
pãezinhos individuais, a massa também poderia
ser assada num anel redondo.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 302
Pão de fubá e goma de tapioca de fermentação
prorrogada
1 xícara de fubá ou xerém de milho
¾ xícara de água fervente
1 xícara de goma de tapioca
2 xícaras de farinha de trigo
½ saché de fermento biológico
1 colher (chá) de sal ou a gosto
2 colheres (sopa) de azeite
1 – 1 ¼ de xícara de água
A gosto erva-doce em grão ou pó
Farinha de tapioca para salpicar
Se for usar fubá, escalde com água fervente e reserve por meia hora. Se for usar
xerém, cozinhe na água até amolecer. Espere esfriar e siga a receita. Coloque a
goma de tapioca e a farinha numa vasilha grande. Junte o fermento e misture
muito bem. Acrescente o fubá hidratado ou cozido e o sal, misture e incorpore
aos poucos o restante da água e, a gosto, azeite e açúcar. Dependendo da
umidade dos ingredientes, a massa precisa de mais ou menos água do que
indicado. A massa obtida deve ter a consistência elástica e desgrudar da mão.
Alcançado a consistência ideal, cubra a massa com pano e espere crescer
durante uma noite, entre 12 e no máximo 18 horas num lugar sem corrente de
ar e quentinho, sem mexer. Passou esse tempo a massa deve ter triplicado de
volume e é cheia de ar e meio grudenta. Dobre as bordas da massa com ajuda
de um garfo ou pão-duro sobre o seu meio. Unte a forma ou panela de ferro a
usar com óleo e acomode a massa. Salpique com farinha ou fubá ou a gosto com
farinha de tapioca e espere crescer novamente durante 30 minutos. Preaqueça
o forno durante 15 minutos em temperatura máxima. Aplique um corte
superficial na massa e asse o pão durante 30-40 minutos. O pão é assado
quando emite um som oco ao ser batido com uma colher de pau. Retire da
forma e espere esfriar por completo sobre uma grade.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 303
Gelatina refrescante de
farinha de tapioca com geleias ou
xaropes de frutas ou de guaraná e
limão
2 x 1 copo de água morna
Mais ou menos 1 xícara de farinha de tapioca
3-4 colheres (sopa) de xarope ou geleia de frutas da
estação, açaí ou xarope de guaraná a gosto
Açúcar a gosto
Especiarias como canela ou cumaru a gosto
Raspas da casca e suco de 1-2 limões galegos
Açúcar a gosto
Cubra a tapioca com a metade da água morna e
espere hidratar por 30 minutos. Dissolve o xarope
ou a geleia e as especiarias escolhidas em ½ l de
água, acrescente a tapioca e as raspas da casca do
limão. Leve ao fogo brando, aqueça, sempre
mexendo, até a tapioca ficar translúcida. No final
incorpore o suco de limão. Espere firmar numa
vasilha grande ou vasilhas individuais durante 2-3
horas na geladeira. Sirva bem gelado, servido com
geleia adicional ou regado com xarope de guaraná.
Para o crocante de tapioca carameliza açúcar,
misture ainda quente com tapioca em flocos e
castanhas. Espalhe num papel manteiga. Esfriado,
quebre em pedaços e salpique o doce.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 304
T
Versões de bolo podre/cuscuz
de tapioca gelado
1 xicara de água ou uma parte de açaí
¼-½ xicara de açúcar ou a gosto
1 pitada de sal
1 ½-2 xicara de farinha de tapioca
¾ xicara de leite de coco ou metade leite de
coco, metade açaí
1-2 gemas a gosto
Coco fresco ralada para salpicar a gosto
Leite condensado ou mel para regar
Açaí a gosto
Misture a água com o açúcar e o sal, aquece
até o açúcar se dissolveu por completo e
depois derrame sobre a tapioca. Espere
descansar por alguns minutos para depois
misturar bem com o leite de coco. Coloque
numa forma grande ou forminhas
individuais. Espere inchar por uma hora fora
da geladeira depois para firmar e 3-4 horas
na geladeira. A gosto incorpore a gema para
mais cremosidade. Salpique com o coco
ralado, versão I, ou regue antes de servir
com leite condensado ou mel, versão II. A
versão III combina cuscuz de açaí e leite de
coco com calda de açaí grosso.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 305
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 306
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 307
Sabor
floresta
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 308
Vinho, caxiri e óleos – os fortificantes
De “vinho” pouco tem – mas tradicionalmente
chama-se as polpas bem consistentes,
obtidas de frutos de palmeiras de
“vinho”. O açaí, o mais famoso, já ganhou o
mundo. Mas além do arroxeado e branco do açaí
tem muito mais. Bate-se vinhos desse tipo também
de bacaba, pataua, tucumã, pupunha
e buriti, todos com a consistência mais para
mingau do que para suco, todos igualmente
substancial, muito rico em gorduras e com isso
bombas energéticas e calóricas. Dos mesmos
coquinhos também extraiem-se óleos
interessantíssimos, infelizmente perdidos no
tempo. Toma-se esses vinhos, substituem
tranquilamente uma refeição, junto com farinha
d´água ou de tapioca, acompanhando peixe,
camarão ou carnes salgadas. As mesmas polpas
se tornam, fermentadas, feito por exemplo
de massa de pupunha previamente cozida, caxiri,
caxiri de frutas.
Usava-se essas polpas antigamente, especialmente
obtidas de tucumã ou do buriti, tanto para ensopar
peixe quanto carnes e caças. Os dois não só
agregam uma cor alaranjada extremamente
apetitosa, mas também gorduras e substância ao
prato. A releitura desses molhos vai com mais
calma. Usa com base do prato no lugar de água um
fundo de peixe, camarão ou galinha, obtido das
aparas e ossos. Junta-se um bom refogado e
incorpora-se o tal vinho de frutos a gosto e aos
poucos, sempre lembrando que uns vinhos,
especialmente a bacaba e o pautauá, são bem
substanciais. Combina muito bem com peixes ou
carnes mais magras mas com certa personalidade,
por exemplo galinha caipira ou pato. Ideal é
salmourar a proteína previamente durante uma
noite. Depois só equilibrar bem a acidez e gosto
frutal do vinho.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 309
Recipientes dos mais lindos e ecológicos
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 310
Batedeiras de
Sabor
açaí
Amazônico
anunciando
- Susanne Gerber-Barata
o seu produto
311
Açaí branco
Açaí branco – uma delícia exclusiva e rara
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 312
Açaizeiros
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 313
Pegar os cachos de qualquer palmeira lá no alto, nas fotos do
açaizeiro, é um trabalho arriscado que exige muita habilidade. Para
subir, os pés seguram uma tala formada por exemplo de um saco
amarrado. Depois o mateiro desce já com o cacho não mão.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 314
Açaí – o coquinho é envolto com uma fina camada de polpa
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 315
A feira do açaí de Belém madruga. Quando raia
o dia, já foi tudo vendido. Açaí é muito perecível.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 316
Açaí das ilhas em volta de Belém é tido com um dos melhores. As
tradicionais embalagens ainda persistem, mantém a mercadoria fresca.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 317
As últimas unidades de açai esperando para serem levadas.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 318
Açaí – da Amazônia para o mundo
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 319
Açaí
Origem
O açaizeiro, euterpe precatori, variedade do Amazonas ou
euterpe oleracea, variedade do Pará, pertence à Amazônia. Diz o
ditado: - Quem vem ao Pará, parou, tomou açaí e ficou! -
Palmeira esguia, alcança 30 metros de altura, fornece cachos
cheios de coquinhos envoltos de uma fina casca dura é
arroxeada, quase negra. Essa casca, amolecida na água, é
esfregada manualmente ou batida na despolpadora. O líquido
obtido em várias espessuras, grosso, médio e ralo tem
superpoderes antioxidantes. Toma-se açaí tradicionalmente
acompanhado de farinha e farinha de tapioca e com peixe frito,
camarão ou carnes salgadas. Também é servido de sobremesa.
Muito perecível, o açaí tirado de manhã, a noite já tende a
azedar, é o motivo porque as vendas fecham quando a produção
do dia foi vendida. Sujeito a oscilações de safra, o seu preço varia.
Igualmente delicioso, mas difícil de encontrar é o açaí branco,
uma variedade de cor esverdeada.
Aroma
Complexo, com gosto da floresta e da terra com um toque
metálico.
Uso
Muito nutritivo e energético, riquíssimo em antocianina, toma-se
no Norte raramente açaí congelado e jamais com granola.
Clássico
Açaí puro combina com peixe frito. Doce aparece em forma de
sorvete e pudim.
Exótico
Com peixe frito ou no delicioso mingau com arroz, mingau
salgado – uma refeição bem cabocla.
Imperdível
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata
Provar açaí branco, disponível só entre julho e janeiro.
320
J F M A M J J A S O N D
Pudim de tapioca e açaí
1 lata de leite condensado
5 ovos
2 lata de açaí (medida de leite condensado
1 lata de farinha de tapioca
1 pitada de sal
Farinha de tapioca para decorar
Preaqueça o forno em 180 graus. Bata ovo, leite condensado e açaí no
liquidificador. Incorpore a tapioca e coloque numa forma de pudim untada. Asse
em banho-maria durante 40-50 minutos ou até firmar. Decore com farinha de
tapioca.
Granola ou power-barra-tropical
1 xícara de aveias em flocos médios + 1 xícara de aveias em flocos finos
1 xícara de farinha de tapioca
Frutas secas bem picadas a gosto
1 punhado de castanhas-de-caju picados grosseiramente
1 punhado de flocos de coco
2-3 colheres de óleo neutro, de coco ou manteiga a gosto
1 pitada de sal
Raspas de casca de limão e laranja a gosto
Suco de ½ limão e laranja
3 colheres (sopa) de xarope de guaraná ou melaço
3 colheres (sopa) de açaí
Se for necessário 2-3 colheres (sopa) de água
Especiarias como canela, cardamomo e/ou cravo a gosto
Preaqueça o forno em 150 graus e forra uma forma com papel manteiga. Junte
numa vasilha todos os ingredientes secos inclusive o sal e as raspas de casca de
limão e laranja. Numa panela aqueça o óleo junto com o xarope, o açaí a água e
as bananas até todos os ingredientes se misturaram. Incorpore os ingredientes
secos. Equilibre doçura com acidez. Espalhe na forma e asse no forno durante 15-
20 minutos.
Para formar barras, compacte bem e não mexa mais. Esfriado recorte em barras.
Para obter granola, remexe de vez em quando para não aglutinar muito. Espere
esfriar por completo antes de guardar em potes.
Bowl de açaí com farinha de tapioca, farinha de cará-roxo e frutas
da estação
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata
Arroz salgado com açaí
Prepare um arroz branco com alho, sal e um fio de azeite. Quando todo
o líquido for absorvido, incorpore 1 copo de açaí. Corrija os temperos e
sirva acompanhando peixes ou carnes.
Mingau de açaí
Acrescenta-se o açaí a um mingau de tapioca ou a um arroz branco,
reaproveitando um açaí já levemente azedo. Pode ser consumido
temperado com sal ou adoçado com açúcar a gosto. É tradicionalmente
servido na hora do jantar.
T
Pão de açaí
3 xícaras de farinha de trigo
1 – 1 ½ colher (chá) de fermento biológico seco
2-3 colheres (sopa) de água morna
1 xícara de polpa de açaí
2 colheres (sopa) de azeite
1 ¼ - 1 ½ colher (chá) de sal ou a gosto
Farinha de trigo para polvilhar a bancada
A gosto farinha de tapioca para salpicar
Peneire a farinha e dilua o fermento na água morna. Misture com a
farinha e o restante dos ingredientes, exceto o açaí. Trabalhe rápido,
não precisa sovar. Incorpore o açaí aos poucos, sempre misturando
muito bem. Dependendo da umidade que a massa já tem, precisa de
mais ou menos açaí do que indicado. A massa obtida deve ter a
consistência elástica e desgrudar da mão. Alcançado a consistência ideal,
cubra a massa com pano e espere crescer durante uma noite, entre 12 e
no máximo 18 horas num lugar sem corrente de ar e quentinho sem
mexer. Passou esse tempo a massa deve ter triplicado de volume e é
cheia de ar e meio grudenta. Dobre as bordas da massa com ajuda de
um garfo ou pão-duro sobre o seu meio. Polvilhe a bancada com farinha
e elabore pãezinhos individuais ou um pão grande, formando um rolo
que depois é destorcido lembrando uma raíz. Transfere para um
tabuleiro untado. Espere crescer durante meia hora. A gosto unte a
superfície com água ou azeite e salpique com farinha de tapioca.
Preaqueça o forno durante 15 minutos em temperatura máxima. Asse o
pão durante 30-40 minutos. O pão está assado quando ele emite um
som oco ao ser batido com uma colher de pau. Retire do forno e espere
esfriar por completo sobre uma grade.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 322
Banquete caboclo
T
A região amazônica dispõe de
uma riqueza de peixes
de água doce
inestimável que vai muito
além de pirarucu e tambaqui.
Peixes menores, não
são menos deliciosos, mas
renegados sem motivo
aparente, só por terem mais
espinhas, como pacu, bocó,
tambaqui, matrinchã, arraia e
charutinhos bem novinhos,
são perfeitos para serem
assados na brasa como
é costume em muitas casas
beiro rio. Dá-se preferência
para os peixes mais gordos já
que os mesmos assem sem
ressecar nas brasas. Os
nativos acompanham com
punhados de farinha d´água e
de tapioca, beijucica, litros de
açaí, limão e pimenta regional.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 323
Posta de pescada a
moda cabocla
4-6 postas ou filés de peixe de
carne firme
1 limão galego
Sal, pimenta e colorau a gosto
3-4 dentes de alho, picados bem
fino
Azeite
Farinha de trigo para empanar a
gosto
4 folhas de chicória
Molho de açaí
½ cebola roxa cortada em anéis
½ cebola roxa picada
2-3 pimentões regionais picados
4 dentes de alho bem picados
1 pedaço de gengibre a gosto
1 pimenta de cheiro bem picada
2-3 folhas de chicória bem
picadas
1 copo (200 ml) de açaí grosso
½ maço de cheiro verde picado
Lave o peixe com o limão,
tempere a gosto e reserve meia
hora na geladeira. Para o molho
refogue a cebola num fio de
azeite, acrescente o alho e o
gengibre e continue refogando.
Incorpore o açaí, passe pelo
liquidificador, corrige os
temperos e reserve. Seque as
postas de peixe com papel toalha
e asse em azeite até se desfaz
com facilidade em lascas firmes.
Reserve, mantendo quente.
Doure na mesma frigideira o alho
e reserve. Coloque um espelho do
molho no prato, põe o purê e o
peixe por cima. Decore com a
folha de chicória cheiro verde e
cebola em anéis ou salpique com
o alho dourado.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata
Jaraqui frito com
açaí
6-8 jaraquis médios
inteiros, limpos e ticados
1 limão galego
Sal, pimenta-do-reino e
colorau a gosto
6 dentes de alho
amassados
4-5 colheres (sopa) de
goma de tapioca ou
farinha fina
1 xícara de óleo neutro
para fritar
½ l de açaí por pessoa
Farinha de tapioca e
farinha d´água a gosto
Lave os peixes com limão.
Tique cada peixe (Aplique
com uma faca pequenos
golpes não muito
profundos no corpo do
peixe, diagonal a espinha.
Tempere com sal,
pimenta-do-reino e alho
e reserve na geladeira
por meia hora para tomar
gosto. Seque com papel
cozinha e passe pela
goma de tapioca ou pela
farinha. Aquece
suficientemente óleo em
uma frigideira para cobrir
o peixe e doure os peixes
ao poucos de todos os
lados. Repouse sobre
papel cozinha e sirva
acompanhado de açaí,
farinha de tapioca e
farinha d´agua.
T
Carne de sol na chapa com açaí
branco
800 g de carne de sol ou a gosto charque,
previamente dessalgado, de boa procedência
Colorau e pimenta a gosto
1 cebola cortada em anéis
6-8 dentes de alho ou a gosto
Azeite
½ l de açaí por pessoa
Farinha de tapioca granulada
Farinha d’água
Escalde e frite a carne picada e sirva sobre uma
camada verde acompanhado de açaí, farinha de
tapioca e farinha d´água.
T
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 325
Cachos de bacaba ainda imatura
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 326
Bacaba
Origem
A bacabeira, Oenocarpus bacaba, palmeira majestosa, alcança
uma altura de 12 metros, é nativa da Amazônia. Igual no açaizeiro
os seus frutos nascem em cachos grandes, mas o coquinho é mais
amarronzado e mais graúdo e sua polpa mais oleosa e doce do
que o açaí. Normalmente o coquinho amadurece quando a safra
do açaí já está terminando. Chamado pelo caboclo de “forte”
devido ao seu elevado teor de gordura. Obtém-se da fina casca do
coquinho escuro amolecida em água amassada manualmente ou
na batedeira do açaí um líquido pardo que se toma da mesma
maneira do açaí, puro, misturado com farinha d´água ou farinha
de tapioca, a gosto adocicado. Nas casas especializadas sinalizam
bandeiras as delícias do dia: Bandeira branca - bacaba, bandeira
vermelha - açaí.
Aroma
Complexo, lembra terra, florestas e nozes.
Uso
É de oferta sazonal e irregular - a planta não é domesticada.
Frutifica normalmente depois do açaí. É batido a mão, foto ao lado
ou na mesma máquina do açaí resultando num vinho
amarronzado. Recomenda-se moderação no consumo!
Clássico
Puro, com peixe ou adocicado, também em forma de sorvete.
Exótico
Acompanhando peixe frito – a perfeita refeição cabocla.
Imperdível
Puro, no máximo com um pouco de açúcar e farinha de tapioca.
J F M A M J J A S O N D
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 327
Buriti frutos, cachos e suportes para cuias da folha de buriti
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 328
Buriti
Origem
Buriti, Mauritia vinifera, ou miriti, Mauritia flexuosa são duas
espécies quase idênticas com a diferença que o miriti cresce mais
alto com frutos maiores. Ambos pertencem ao Norte da América
do Sul, são das palmeiras mais majestosas e preferem ter os pés
na água. Crescem frondosas em alagados, várzeas ou igarapés. O
miriti se concentra na bacia do Amazonas. Já o buriti acha-se em
Maranhão, Goiás, Mato Grosso e Pará. As frutas ovais, cobertos
de escamas brilhantes de cor castanho-alaranjada ou amarelado
são do tamanho de uma palma de mão. Nascem em grandes
cachos e escondem uma camada de polpa adocicada e oleosa de
um laranja forte, campeã em teor de carotenóides. Coma-se essa
polpa em certas regiões durante a entressafra do açaí. Além disso
extrai-se da massa um óleo comestível. Os talos bem leves das
folhas são usados para confecção de artesanato.
Aroma
A polpa tem aroma fructuoso, lembrando ameixas ou laranjas, é
adocicada porém bem substancial e oleosa.
Uso
Além do óleo faz-se da polpa vinhos, refrescos com alta
concentração de vitamina C, sorvetes e o doces de corte. Usa-se o
Fruto muito peresível somente bem escuro, quase roxo.
Clássico
Mingau de arroz e buriti, salgado e de cor alaranjado e doce de
corte.
Exótico
Uso do óleo de cor vermelho sangue para fritar peixe ou carne. A
carne do porco do mato fica alaranjada quando se deleita da
fruta. Costuma-se preparar também carnes no vinho do fruto.
Imperdível
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata
Doce de corte, delicado e levemente ácido.
329
J F M A M J J A S O N D
T
Mingau salgado de buriti com
arroz ou farinha de tapioca
1 xícara de arroz
ou ½ xícara de tapioca em flocos
2-3 xícaras de água
1/4 de colher (chá) de sal ou a gosto
½ xícara de polpa de buriti
Cozinhe o arroz com água até absorver todo
líquido e no caso da farinha de tapioca a mesma
ficar translúcida. Amoleça o buriti bem maduro
para que as escamas se soltem com facilidade
na água morna. Retirado toda a casca, retire a
polpa com ajuda de uma colher. Passa a polpa
por uma peneira e acrescente a gosto ao arroz
ou mingau de tapioca. Complete com água até
obter a consistência desejada e cozinhe até
todos os sabores se misturem. Sirva na cuia e
adoce a gosto.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 330
Pirarucu ao vinho de buriti ou fricassé tropical de pirarucu
salgado
1 posta grande ou 4 postas individuais de pirarucu fresco ou salmourado
Para o fricassé pirarucu salgado, dessalgado de véspera
1 limão galego
Sal, pimenta e colorau a gosto
Azeite
Vinho de buriti
½ xícara de polpa de buriti ou a gosto 3-4 buritis bem moles
1 cebola picada
2-3 pimentões regionais picados
1 l de fundo de peixe ou camarão para o fricassé 1 xícara
Sal e pimenta
1 cheiro verde picado
Limão cravo em fatias para decorar
1 ovo cozido para decorar
Na véspera, salmoure o peixe ou cubra com uma fina camada de sal. Para o fricassé
dessalgue o pirarucu. Escolhe frutos de buriti bem maduros cuja casca se solta com
facilidade. Deixe os frutos de molho em água morna. Quando estiverem moles,
retire a polpa e coe. Reserve. No dia lave o peixe com limão e se ele for fresco,
tempere a gosto e reserve por meia hora na geladeira. Numa cataplana ou forma
refratária sele o peixe de todos os lados num fio de azeite e reserve. Se for assar no
forno, preaqueça o forno em 220 graus. Na mesma panela refogue a cebola junto
com o pimentão num outro fio de azeite. Acrescente a polpa de buriti e 2/3 do
fundo de peixe. Tempere a gosto e espere levantar fervura. Devolva o peixe que
deve ser coberto pelo molho até a metade. Asse no forno ou fecha a cataplana e
cozinhe por 25-45 minutos dependendo da altura da posta. Controle de vez em
quando se precisa acrescentar mais líquido. No final do cozimento acrescente o
cheiro verde. Corrija os temperos e sirva acompanhado de arroz branco, farinha e
pimenta de cheiro a gosto. Para o fricassé escalde e desfie o pirarucu. Prepare o
vinho de buriti com menos líquido e aqueça o pirarucu desfiado nesse molho. Sirva
acompanhado de arroz branco ou pirão, elaborado com fundo de peixe.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 331
Doce de buriti
Polpa de buriti ou frutas bem maduras
Açúcar a gosto
Aguarde os buritis amadurecer bem, soltando parcialmente
a sua casca em forma de escamas. Coloque em água morna
e demolhe até que a casca se soltar com facilidade. Retire
toda a casca e raspa com ajuda de uma colher a camada de
polpa do caroço. Pesa a acrescente a mesma medida da
polpa em açúcar. A gosto acrescente suco e casca de limão
galego. Apure em fogo brando até obter a consistência
desejada. Use como geleia, doce de corte ou para
cobertura de cheese cake.
Cheesecake com cobertura de
doce de buriti
150 g de biscoitos maisena triturados
50 g de manteiga sem sal
300 g de cream cheese
200 g de açúcar
3 ovos
200 ml de creme de leite fresco
Casca raspada de 1 limão
200 g de doce de buriti
Suco de um limão
2-3 colheres (sopa) de água
Derreta a manteiga e quebre os biscoitos ou no
processador ou dentro de um saco plástico com o rolo de
macarrão. Umedeça as migalhas com a manteiga e forre o
fundo e as laterais de uma forma redonda alta com um aro
removível com a mistura e deixe ficar firme na geladeira.
Bata o cream cheese junto com o açúcar até ficar cremoso.
Adicione os ovos e o creme de leite e as raspas de limão.
Coloque a massa na forma e leve ao forno pré-aquecido em
180 graus e asse por mais ou menos 50 minutos. A massa
deve obter uma consistência gelatinosa e firme. Espere
esfriar algumas horas na geladeira antes de desenformar.
Dilua o doce de buriti com a água e o suco de limão e
espalhe por cima do bolo. Leve à geladeira, decore a gosto
e sirva gelado.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 332
Inajá - um dos inúmeros coquinhos com polpa comestível
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 333
Inajá e Mucajá
O coquinho mucujá, acrocomia aculeata (foto grande
esquerda), fruto de uma palmeira solitária baixa, alcança 10
metros de altura, é brasileira e cresce em cachos frondosos de
até 60 quilos. O tronco e o pedúnculo do cacho são recobertos
de espinhos finos, muito agudos. De casca lenhosa de cor
esverdeada ou amarronzada o coquinho redondo é do
tamanho de uma bola de pingue-pongue. A polpa amarela
envolvendo o caroço preto é comestível e de sabor agradável,
lembrando pão fresco. Debaixo da casca esconde uma fina
camada de polpa adocicada e oleosa, bem aderida ao carroço,
apelida de chiclete caboclo por causa da sua consistência e
elasticidade. Consumido in natura é roída com os dentes. Teria
potencial no uso culinário ou como muitas outras palmeiras na
produção de óleo ou palmito. Extrai-se da sua amêndoa um
óleo comestível fino parecido com azeite de oliva. Localmente
é usado na fabricação de sorvetes.
O Inajá, Attalea maripa, (fotos no meio) é outra palmeira
comestível nativa da região Norte, especialmente abundante
em Roraima e Amapá onde é tido como praga. Planta rústica
carece de espinhos e se adapta super bem a solos pobres e é
resistente ao fogo. Alcança até 20 metros de altura, fornece
um palmito nobre e os frutos tem, debaixo de uma fina casca,
uma polpa suculenta e comestível de cor amarela-laranja. Da
sua amêndoa extrai-se uma óleo amarelo. A casca resistente
muito decorativa que cobre o cacho ( foto meio abaixo) tem
formato de barquinho, é usado para fazer artesanato.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 334
Piquiá na árvore
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 335
Piquiá
Origem
O piquiá, Caryocar villosum, é uma majestosa árvore da Amazônia,
uma as maiores, quase extinta, fornece madeira valiosa. Seu tronco
alcança diâmetros superiores a 2-3 m. É bem diferente do pequi,
Caryocar brasiliense, de pequeno porte, nativo do Cerrado, tido com
mais saboroso. O fruto do piquiá é recolhido no chão. Arredondado,
do tamanho duma laranja tem casca grossa, mole, de cor de terra
marrom-acinzentada que racha ao amadurecer. Os bagos amarelogema,
cobertos com uma camada fina de polpa de um sabor
particular, gorduroso e com um amargor interessante, cobre o
caroço, o mesmo é difícil de quebrar. Quem quer aproveitar a
amêndoa do caroço, bem oleaginosa, deve se resguardar – ela é
bem protegido por perigosos espinhos. Localmente muito
apreciado, é cozidos em água com sal e consumido no café de
manhã ou na merenda. Também é cozido no arroz. Tido como
temperamental, muitos piquiázeiros não fornecem frutas todos os
anos. A polpa também fornece uma gordura amarelada da
consistência de vaselina, de cheiro e gosto agradável e bem neutro
que poderia servir como manteiga vegetal para veganos.
Aroma
A polpa é oleosa, de cheiro e sabor incomum e leve amargor
delicioso.
Uso
Come-se a polpa cozida em água com sal. O óleo bem amarelo, de
consistência de vaselina e gosto bastante neutro, é apreciado para
fritar peixe e poderia servir de manteiga vegetal.
Clássico
De merenda, cozido em água com sal, roído do carroço e no arroz.
Imperdível
Cozido e roído do caroço.
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Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 336
T
Arroz de piquiá
3-4 piquiás maduras, sem casca
3-4 dentes de alho
Azeite
1 xícara de arroz
2 xícaras de água
1 cheiro verde
Açafrão-da-terra a gosto
Descasque os piquiás. Refogue o alho em um fio de azeite, junte os piquiás e o arroz,
continue refogando até dourar e acrescente a água e o sal. Para um arroz bem amarelo
acrescenta-se açafrão-da-terra fresco ou em pó. Cozinhe em fogo baixo até o arroz
absorver todo o líquido e o piquiá esteja macia. Salpique com cheiro verde e sirva de
acompanhamento.
Versão
Cozinhe o piquiá ou piqui em água com sal abundante. Com ajuda de uma colher ou faca
raspa os caroços. Prepare o arroz e acrescente no meio do cozimento a polpa raspada.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 337
Cachos e mais cachos de pupunha amadurecendo
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 338
Pupunha madura no cacho
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 339
Pupunha, da gorda! Acaba de chegar!
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 340
Pupunhas - umas gigantes, outras menores, umas bem gordas, outras mais farinhentas
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 341
Pupunha
Origem
A pupunheira, bactris gasipaes, pertence às florestas de várzea e
alagadas do continente americano. Bem substancial e com um gosto
que lembra uma batata gordurosa, acredita-se que a pupunha
desempenhava um papel importante na alimentação das civilizações
pré-cabralianas, integrando os pomares plantados pela população
indígena. A palmeira pupunheira tem tronco fino de 20 m de altura e
não entrega os seus frutos facilmente. Defende-os com violentos
anéis espinhosos. Somente parcialmente domesticada, encontram-se
nas feiras livres pupunhas muito distintas em tamanho, uns três
vezes maior do que outras, e cor: verdes, amarelas, alaranjadas até
em vermelho vivo. A pupunheira fornece também um excelente
palmito. Os indígenas aproveitaram até a flor dela. Apurada por três
dias é cozida com água para depois ser pilada e a massa obtida é
servida com peixe.
Aroma
Cozido em água com sal, lembra batata ou macaxeira, alguns porém
bem mais substanciais, outros mais farinhentas.
Uso
Rica em vitamina e muito nutritiva, faz parte do café da manhã ou do
chá da tarde interiorano. É ideal para purês, doces e bolos. O caroço
contém uma castanha comestível.
Clássico
Com café, substituindo o pão.
Exótico
Em purês, pudins e bolos.
Imperdível
Simples, cozido em água. Compre-a misturada, com frutos de vários
cachos para apreciar as variedades.
J F M A M J J A S O N D
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 342
Guacamole
com pupunha
1-2 punhados de
pupunha, descascada
sem caroço, picados
2-3 tomates picados
1 abacate bem
maduro, a polpa
picado
1 maço de coentro
picado
1 limão, suco
Sal grosso e pimenta
a gosto
Azeite a gosto
1 cebola cortada em
anéis
Amasse o abacate
com um garfo, regue
com o suco de limão
e misture com o
restante dos
ingredientes. Deixe
tomar gosto na
geladeira por 30
minutos e sirva
gelado.
Cuscuz paulista com camarão
salgado, avium e pupunha
300 g de avium fresco ou salgado
200 g de camarão salgado, dessalgado de véspera,
descascado
1 limão galego
1 folha de louro
½ cebola picada
1 colher (sopa) de manteiga
2 ovos cozidos cortados em rodelas
3-4 tomates, cortadas em rodelas, o restante picado
12 azeitonas, cortadas em rodelas
1 maço de maxixe cozido, cortado em rodelas
250 g de flocos de milho
½ copo (100 ml) de leite de coco
1 cebola cortada em rodelas
3-4 dentes de alho picados
6-8 pimentões regionais cortados em anéis
1 cheiro verde picado
Sal e pimenta a gosto
2-3 colheres (sopa) de dendê
250 g de farinha d´água para farofa
Lave o avium e o camarão com limão. Descasque o
camarão e reserve as aparas. Prepare um fundo de
camarão. Refogue as aparas num fio de azeite. Cubra
com água, acrescente a cebola e a folha de louro e
cozinhe em fogo brando por 20-30 minutos. Filtre,
descarte as aparas e reserve o caldo. Unte uma forma
anel com a manteiga e forre o fundo com ovo,
tomate, maxixe e azeitonas a gosto. Reserve. Hidrate
os flocos de milho com o leite de coco. Refogue os
anéis de cebola e o pimentão em um fio de azeite.
Acrescente o alho, doure mais um pouco e depois
junte o avium. Espere mudar de cor e depois
acrescente o camarão e o cheiro verde. Corrija os
temperos e finalize com o óleo de dendê. Reserve.
Aqueça o fundo de camarão e incorpore aos poucos
os flocos de milho e a farinha até obter um pirão
grosso. Incorpore o refogado de avium e o tomate
picado, corrija os temperos e põe com cuidado na
forma previamente forrada. Aperte bem para não
fiquem bolhas de ar. Espere esfriar na geladeira, vire
e sirva sobre uma folha de couve de entrada.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 343
Purê de pupunha - variações
• Purê de pupunha,
Acompanhamento
• Purê de pupunha
com camarão salgado
– prepare o purê de
pupunha com fundo
obtido das aparas do
camarão
• Homus de
pupunha – purê frio e
bem temperado usado
com sanduíches ou
com legumes crus
picados em listras
• Gratinado de
pupunha - prepare o
purê de pupunha,
misture com legumes
da estação, cubra com
queijo e leva ao forno
para gratinar.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 344
Versões com purê de pupunha
Purê de pupunha
2-3 xícaras de pupunha
Azeite ou óleo de dendê
1 cebola picada
3-4 pimentões regionais picados
em listras
3-4 dentes de alho
½ cheiro verde
1 copo americano de leite de coco,
água ou fundo de peixe a gosto
Cozinhe as pupunhas cobertas
com água com sal e uma
colher de óleo. Quando estiverem moles, espere esfriar e
descasque-os e retire o caroço. Amasse com um garfo ou no
processador até obter um purê rústico. Reserve. Prepare um
refogado: Doure a cebola e o pimentão num fio de azeite,
acrescente o alho e os temperos e continue refogando. Aos
poucos incorpora o purê de pupunha e o leite ou caldo
escolhido e o cheiro verde. Tempere com sal e pimenta e mexa
até obter um purê liso. Sirva de acompanhamento.
Sanduíche vegetariano
com homus de pupunha
Pão a gosto,
1 porção de purê de pupunha
preparado com leite de coco e
gengibre, frio
1 receita de pesto a gosto,
legumes assados no forno da
estação
Recorte o pão ao meio, aplique
uma generosa camada do homus
de pupunha, cubra com os
legumes assados e decore com o
pesto. Sirva gelado.
Bobó de pupunha com
camarão
600 – 800 g de camarão salgado
ou fresco
1 limão galego
Azeite
1 cebola picada
3-4 pimentões regionais picados
3-4 dentes de alho
Açafrão-da-terra a gosto
2-3 tomates picados
Sal e pimenta a gosto
1 cheiro verde picado
½ - 1 colher de coentro moído
ou a gosto
2-3 colheres (sopa) de azeite de
dendê
200 ml de leite de coco
3 xícaras de pupunha cozida,
descascada, sem caroço
Lave o camarão com limão. Descasque e reserve as cabeças e as
cascas. Cubra os mesmos com água e cozinhe por 15-20 minutos
ou até obter um caldo perfumado. Tempere o camarão com sal
e pimenta e reserve. Num fio generoso de azeite refogue a
cebola e o pimentão. Junte o alho, o tomate, as especiarias e
metade do cheiro verde. Refogue bem e depois acrescente o
camarão. Refogue por poucos minutos até que o camarão mude
de cor. Reserve o camarão e junte na mesma panela a pupunha
picada, o leite de coco e aos poucos o caldo do camarão. Passe
pelo processador até obter um purê. De volta à panela, junte o
camarão. Reserve alguns para decorar. Apure até obter a
consistência desejada, tempere com o dendê, corrija os outros
temperos e sirva com arroz branco, decorado com o camarão e
salpicado com o restante do cheiro verde.
Gratinado de pupunha
300 ml de água ou meio leite
meio água
1 ½ xícara de pupunha farinhenta
cozida, picada sem carroço e sem
casca ou farinha de pupunha
Sal e pimenta a gosto
2-3 pimentões regionais em
listras
1 pedaço de gengibre a gosto
2-3 dentes de alho picados
Azeite ou azeite de dendê
Legumes da estação a gosto por
exemplo, a gosto pré-cozidos
½ cenoura cortada em meia luas
1 punhado de feijão de metro
cortado em pedaços
1 fatia de jerimum, cortada em
cubos
½ berinjela cortada em rodelas
2 folhas de couve, cariru
rasgadas em pedaços grandes
1 cheiro verde
Queijo ralado a gosto
Aquece a água com uma generosa pitada de sal. Ao levantar
fervura, incorpore a pupunha, sempre mexendo e cozinhe até
engrossar, formando um mingau. Reserve. Cozinhe em água
com sal todos os legumes, exceto o tomate, não muito mole.
Unte uma forma refratária e preaqueça o forno em 180 graus.
Refogue a cebola e o pimentão em um fio de azeite. Junte o
alho e continue dourando. Misture todos os ingredientes,
inclusive o refogado, metade do cheiro verde, com o mingau
de pupunha. Corrija os temperos e coloque na forma untada e
salpique com o queijo ralado. Asse no forno por 40 minutos
ou até dourar. Sirva quente.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 345
Purê de pupunha
com feijão preto e
ovo estrelado
1 porção de purê de
pupunha conforme receita
anterior
1 porção de feijão preto
1 ovo estrelado por pessoa
Folhas de vinagreira para
decorar
Sirva o purê de pupunha
com o feijão e coloque um
ovo estrelado por cima. O
purê de pupunha pode
substituir o arroz ou a
farinha já que faz parte do
mesmo grupo de
alimentos.
Farofa de pupunha com
linguiça
600 g de linguiça, sem pele,
picada
Azeite
1 cebola picada
5-6 pimentões regionais picados
3-4 dentes de alho
2 xícaras de pupunhas cozidas e
picadas bem fino
Sal e pimenta a gosto
1 cheiro verde picado
Doure a linguiça sem pele e
picada num fio de azeite até fique
bem torrada. Reserve. Na mesma
panela refogue num fio de azeite
a cebola e o pimentão até
murchar. Junte o alho e devolve a
linguiça e espere os sabores se
misturem em fogo brando. Junte
a pupunha e doure mais um
pouco. Salpique com o cheiro
verde e sirva com arroz branco e
farinha.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 346
Panqueca de farinha de pupunha
4 ovos
¼ xícara de leite de coco ou de vaca
1 xícara de pupunha em farinha
ou meio farinha de pupunha e meia farinha de trigo
2 colheres de manteiga derretida
Sal a gosto
2 colheres (chá) de fermento em pó
Bate os ovos, junte o leite, continue batendo e acrescente
aos poucos o restante dos ingredientes. A massa deve ficar
leve e se soltar em pingos grandes da colher. Unte uma
chapa ou frigideira e pingue a massa na chapa quente ou
frigideira. Espere dourar, vire e doure do outro lado.
Sirva a versão salgada com cebola caramelizada, bacon e
banana.
A versão doce leva com mel de abelha, melaço ou doce de
butiti ou banana frita, mel nativo e nibs de cacau .
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 347
Pupunha muito além do tradicional - geleia, farinha e bolo
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 348
Pudim, bolo, pão e granola de diversos tipos, todos com farinha de pupunha
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 349
Geleia de pupunha
500 g de pupunha sem caroço
400 g de açúcar ou a gosto
Caramelize o açúcar, acrescente
a pupunha picada e um pouco
de água. Cozinhe até obter o
ponto desejado de geleia. A
gosto passe por uma peneiro ou
pelo liquidificador.
Pudim rústico de
pupunha
½ xícara de açúcar
2 xícaras de pupunha cozidas e
amassadas
2 xícaras de leite de coco
5 ovos
1 colher (sopa) de manteiga
1 copo de açúcar
2 colheres (sopa) de farinha de
trigo
1 pitada de sal
1 laranja, casca e suco
1 pitada de anis estrela/cumaru
ou embiriba
Flocos de coco a gosto
Bata a pupunha e o leite no processador até obter um purê
bem liso ou use farinha de pupunha. Reserve algumas
pupunhas para decorar. Em uma tigela junte a manteiga, o
açúcar, as especiarias e as gemas e incorpore tudo muito bem.
Bata as claras em neve. Misture todos os ingredientes,
acrescentando o trigo e por fim com movimentos envolventes
e muita delicadeza as claras em neve. Caramelize uma forma
de pudim ou asse numa forma untada no forno pré-aquecido
em 180ºC por 30 minutos. Esfriado vire e decore a gosto.
Bolo básico de pupunha
Versão 1 x comum, Verão 2 com
chocolate e 3 com bananas
2 copos de pupunha cozida e
amassada
2 copos de leite de coco ou leite
comum
5-6 ovos
1-3 colher/es de sopa de
manteiga ou margarina
2 colheres de sopa de açúcar ou a
gosto
2-4 colheres de sopa de farinha
de trigo
1-2 colher (chá) de fermento
químico
1 pitada de sal
Colorau a gosto
Adicional a gosto flocos de coco,
cacau de boa qualidade ou
bananas, metade colocada na
massa, o restante para decorar
No liquidificador, adicione, a
pupunha e o leite e bata por 5
minutos, reserve. Em uma tigela,
misture a manteiga, o açúcar e as
gemas e bata até formar um
creme homogêneo. Adicione à
mistura da tigela a pupunha e o
leite batidos no liquidificador,
acrescentando o trigo e as claras
em neve e bata levemente até
formar uma massa lisa.
Acrescente a gosto coco ralado,
cacau ou a banana e misture
muito bem. Em uma forma
untada com manteiga, adicione a
massa e leve ao forno, préaquecido,
por 30 min. . Decore
com as pupunhas.
Bolo rústico com
pupunha e aveia com
calda de mel
100 g de manteiga derretida
50-100 g de açúcar mascavo
ou mel ou melaço a gosto
3 ovos
300 g de pupunha cozida e
ralada
100 ml de iogurte sem sabor
100 ml de leite de coco
200 g de aveias finas
1 colher (chá) de fermento
químico
½ colher (chá) de sal
1 boa pitada de embiriba
1 pitada de noz mascada
Calda de mel
125 ml de vinho branco doce ou
xarope de açúcar
3-4 colheres (sopa) de mel
1 colher de manteiga
1 limão, raspas da casca
Aquece o forno em 180 graus. Rala ou triture a pupunha até
fica uma farofa. Bate a manteiga junto com o açúcar até obter
uma massa lisa. Acrescenta aos poucos a pupunha, os ovos e o
iogurte. Junte o restante dos ingredientes, só misturando o
necessário e coloca em uma forma untada retangular ou
redonda. Asse por mais ou menos 45 minutos ou até um palito
enfiado no bolo sai limpo. Espere o bolo esfriar por 15 minutos
na forma, depois sob uma grelha. Sirva com mel de abelha
nativa, melaço ou calda de mel.
Para a calda de mel aquece o vinho junto com o mel e a
manteiga. Sob fogo baixo deixe engrossar até a consistência
desejada e adicione as raspas de limão. Ao servir, derrame
sobre o bolo e decore com algumas pupunhas cozidas.
350
Bolinho de pupunha e batatadoce
com laranja e especarias
130 g de batatas-doces assadas no forno
200 g de farinha de pupunha
1 colher (chá) de fermento químico
½ colher (chá) de cardamomo moído ou a
gosto embiriba em pó
1 pitada de sal
3 ovos
4 colheres (sopa) de mel
80 g de manteiga temperatura ambiente
1 pedaço de gengibre
½ laranja, raspas da casca e suco
100 ml de leite de coco
1 pitada de açafrão da terra
Crocante de castanha da pupunha
1 punhado de castanhas de pupunha picadas
3-4 colheres de açúcar
Embrulhe a batata em papel alumínio e asse
no forno até ficar bem cozido, mais ou menos
45-60 minutos. Esfriado, descasque, passe
pelo espremedor e misture o purê com a
pupunha e as especarias. Acrescente o
restante dos ingredientes, coloque em
forminhas previamente untadas no forno e
asse até dourarem por cima, por mais ou
menos 30 minutos.
Caramelize o açúcar com uma colher de água,
coloque as castanhas e derrete sobre o bolo
antes de servir.
Doces de pupunha com
especarias
1 kg de pupunha
100 g de mel
150 g de açúcar mascavo
1 colher (sopa) de licor
1 pitada generosa de cravo em pó
½ colher (chá) de canela em pó
½ colher (chá) de embiriba em pó
1 pitada generosa casca preciosa
½ cumaru em pó
1 pitada de sal
Água ou leite quanto basta
Cozinhe a pupunha em água com
sal, descasque, retire o caroço.
Guarde 1/3 do açúcar e da canela
ou substitua por cacau em pó.
Processe a pupunha no
processador junto com o mel, o
açúcar e as especarias e se
precisar um pouco de água ou
leite até obter uma massa lisa e
firme. Se a massa ficar muito
líquida, seque em um panela até
desprende do fundo. Abre a massa
e recorte pequenos doces com
ajuda de uma moldura. Coloque
sobre um tabuleiro para secar por
no mínimo 5 horas e salpique com
o restante do açúcar misturado
com a canela.
Alternativo:
Salpique com cacau em pó de boa
qualidade
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 351
Pão de preguiçosa de polpa ou farinha de pupunha
3 xícaras de farinha de trigo
1 – 1 ½ colher (chá) de fermento biológico seco
1 xícara de polpa de pupunha cozida, sem carroço - pupunhas com casca fina
aproveita-se a casca ou farinha de pupunha
2 colheres (sopa) de azeite
1 ¼ - 1 ½ colher (chá) de sal ou a gosto
Mais ou menos 1 xícara de água filtrada
Farinha de trigo para polvilhar a bancada e o pão
A gosto
1 colher (sopa) de colorau, açúcar ou mel
Cozinhe a pupunha com sal. Se for necessário descasque e retire o carroço. Passe pelo
espremedor de batata ou processe no processador. Meça a polpa obtida e acrescente
farinha peneirada na proporção 1:2, 1 medida de pupunha e no mínimo 2 de farinha
de trigo. Antes de acrescentar a polpa, misture a farinha com o fermento. A gosto
junte açúcar. Acrescente o azeite, sal e aos poucos a água. Trabalhe rápido, não
precisa sovar muito. Incorpore a água aos poucos, sempre misturando muito bem.
Dependendo da umidade da pupunha, a massa precisa de mais ou menos água do que
indicado. A massa obtida deve ter a consistência elástica e desgrudar da mão.
Alcançado a consistência ideal, cubra a massa com pano e espere crescer durante uma
noite, entre 12 e no máximo 18 horas num lugar sem corrente de ar e quentinho, sem
mexer. Passou esse tempo a massa deve ter triplicado de volume e é cheia de ar e
meio grudenta. Dobra as bordas da massa com ajuda de um garfo ou pão-duro sobre o
seu meio. Sobre a bancada de trabalho polvilhada com farinha elabore pãezinhos
individuais ou um pão grande. Se a massa se tornou muito líquida, incorpora um
pouco de farinha. Para o efeito marmorizado dos pãezinhos, rola a massa na farinha e
transfere para um tabuleiro untado. Para o pão destorcido forma um rolo e gira ele
vários vezes sobre si mesmo. Espere os pãezinhos ou o pão novamente crescer
durante meia hora. Preaqueça o forno durante 15 minutos em temperatura máxima.
Asse os pãezinhos durante 30 minutos. Um pão grande leva um pouco mais de tempo.
O pão está assado quando ele emite um som oco ao ser batido com um colher de pau.
Retire do forno e espere esfriar por completo sobre uma grade.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 352
Musli amazônica
1 copo de farinha de tapioca
1 xícara de aveias em flocos médios
1 xícara de aveias em flocos finos
A gosto farinha de pupunha, cará-roxo ou buriti
¼ de copo de coco ralado
½ de copo de castanhas-de-caju, picadas grosseiramente,
½ de copo de castanhas-do-Pará, picadas
¼ de copo de sementes de jerimum, torradas
¼ de copo de sementes de maracujá do mato, secados aos sol
¼ copo de rodelas de banana pacovã, secados aos sol
Misture farinha de tapioca com farinha de pupunha, frutas
secas ou cristalizadas, castanhas a gosto com sementes de
maracujá do-mato e sementes de jerimum. Sirva acompanhado
de iogurte e açaí a gosto. Adoce com mel nativo e complete
com frutas frescas da estação.
Versão granola ou barra de cereal caseira
Acrescente adicional
Raspas de casca de limão e laranja a gosto
Casca ralada de um limão ou uma laranja e suco das mesmas
3 colheres (sopa) de óleo neutro, manteiga ou óleo de coco
3 colheres (sopa) de xarope de guaraná ou melaço
3 colheres (sopa) de açaí
1 pitada de sal
Especiarias como embiriba, cumaru ou canela a gosto
Preaqueça o forno em 150 graus e forre uma forma com papel
manteiga. Junte numa vasilha todos os ingredientes secos,
inclusive o sal e as raspas de casca de limão e laranja. Numa
panela aqueça o óleo junto com o xarope, o açaí e se for
necessário água e as bananas até todos os ingredientes se
misturarem. Incorpore os ingredientes secos. Equilibre doçura
com acidez. Espalhe na forma e asse no forno durante 15-20
minutos. Para a barra de cereal caseira a massa deve ficar bem
compacta para depois não mexer mais. Esfriado, é só cortar em
barras. Para obter granola, remexe de vez em quando para não
aglutinar muito. Espere esfriar por completo antes de guardar
em potes.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 353
Tucumã-do-Amazonas
Origem
O tucumã é nativo da Amazônia onde existem variedades bem
distintas desse coquinho saboroso. O tucumã-do-Amazonas,
Astocaryum tucumae, é uma palmeira baixa que fornece
coquinhos médios, redondos, do tamanho de uma bola de ping
pong, com a característica casca fina e verde-amarelada. Ela
esconde uma camada de polpa comestível não muito espessa de
cor alaranjada, bastante oleosa e pouca fibrosa. Muito popular
no estado do Amazonas e na capital Manaus, é vendido o ano
todo com pico de colheita entre fevereiro e agosto. Encontra-se
em qualquer esquina e nas feiras livres, muitas vezes já
descascado e com a polpa cortada em lascas. Tem gosto
particular, amadeirado sem ser doce. Coquinhos de tucumã são
uma excelente fonte de vitamina A.
Aroma
Come-se a fina polpa do coquinho cujo gosto fibroso lembra
madeiras oleaginosas.
Uso
Muito nutritivo, come-se o tucumã cru, nas mais variadas
combinações em sanduíches, tapiocas e até no suco.
Clássico
In natura, cortado em lascas do caroço.
Exótico
No X-tudo, carinhosamente apelido de X-caboquinho que
combina tucumã, queijo, burger, banana pacovã, ovo ou o que a
freguesia desejar.
Imperdível
Um café de manhã bem amazonense: Tapioca com queijo, ovo,
banana e tucumã.
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Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 354
X-Caboquinho
1 pão francês ou outro tipo de pão a gosto
1 punhado de lascas de tucumã-do-Amazonas
1-2 fatias de queijo-do-Marajó, queijo coalho ou
outro queijo a gosto
½ colher (sopa)de manteiga
1 tomate em rodelas ou folha verde a gosto
Corte o pão ao meio, passe a manteiga e torre-o
levemente. Frite as fatias do queijo à parte. Monte o
sanduíche a gosto combinando todos os
ingredientes.
Tapioca manauara com tucumã, queijo coalho e
banana pacova
2 punhados de goma de tapioca, suficiente para duas tapiocas
Rodelas ou fatias de banana pacovã
Manteiga
1 punhado de lascas de tucumã
Fatias de queijo a sua escolha ou ralado no ralo grosso
T
Doure a banana na manteiga e reserve. Asse as tapiocas.
Depois viradas, recheie a primeira a gosto com todos os
ingredientes e fecha com a segunda tapioca. Aqueça com a
panela tampada, em fogo muito baixo, até o queijo derreter.
Corte em pedaços e sirva.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 355
Casquinha fina e gordurosa com sabor próprio
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 356
Tucumã-do-Pará
Origem
O tucuma-do-Pará, Astocaryum vulgre, nativo da Amazônia, é
típico de regiões alagadas e da várzea. Cresce numa palmeira
baixa que alcança até 20 metros de altura. Considerada de
crescimento agressivo, é uma planta pioneira, resistente ao fogo
com capacidade de rebrota após queimadas. Seu cacho de
um laranja intenso e frondoso se destaca de longe. Os
coquinhos, defendidos com espinhos ferozes, longos e
pontiagudos são menores do aqueles do tucumã-do-Amazonas
de cor muito mais intensa. A fina camada de polpa que envolve o
coquinho é bem fibrosa e agradavelmente adocicada.
Normalmente recolhido do chão e apreciado in natura,
simplesmente roído do caroço, mas também não faz feio em
sobremesas e sorvetes. Fornece um óleo com valor comercial,
contendo muita vitamina A como já a sua cor laranja indica.
Aroma
Coma-se a fina camada de polpa do coquinho que é de um
laranja intenso e de uma doçura agradável porém oleosa.
Uso
Contém três vezes mais vitamina A do que a cenoura e é rico em
gorduras. A polpa aproveita-se para bebidas, licores e sorvetes.
Clássico
Ao natural, normalmente em forma de refresco ou em
sobremesas e sorvetes.
Exótico
Suco de tucumã, um refresco bem substancial.
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Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata
357
Tucumã - suco, sorvete e com iogurte
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 358
Caldeirada de pirarucu e tucumã
800 g de pirarucu salgado, dessalgado de véspera ou outro
peixe por exemplo surubim em postas
1 limão galego
Sal, pimenta, colorau ou açafrão-da-terra a gosto
Azeite
1 cebola grande
4-6 pimentões regionais cortados em listras
1 pedaço de gengibre picado
Azeite
2-3 dentes de alho
2 tomates cortados em cubos
Legumes da estação a gosto por ex. cenoura, jerimum,
maxixe, quiabo, couve ou cariru
Macaxeira, batata-doce ou outro tubérculo em cubos
1 pitada de cominho, 1-2 cravos, 1 folha de louro
1 maço de cheiro verde picado
1 l de fundo de peixe elaborado dos aparas do peixe
½ copo (100 ml) de vinho branco
3-6 tucumãs, casca recortado do carroço, em listras finas
Farinha fina para engrossar a gosto
Dessalgue o pirarucu de véspera. No dia escalde com água
quente e desfie em lascas generosas. Se for usar peixe
fresco lave o com limão, tempere a gosto e reserve por 30
minutos na geladeira. Prepare o fundo de peixe usando
cabeças e aparas dos peixes. Refogue a cebola com os
pimentões, o gengibre e as lascas do tucumã num generoso
fio de azeite. Junte o alho, colorau ou açafrão, metade do
cheiro verde e as especarias, refogue mais um pouco e
reserve. A parte, já na panela fundo, sele o peixe de todos os
lados. Reserve o peixe, acrescente o refogado e o vinho, a
metade do cheiro verde e o fundo de peixe. Solte bem o
fundo da panela e cozinha em fogo brando por 5-10 minutos
ou até todos os gostos se misturarem. Devolve o peixe,
acrescente os legumes conforme o seu tempo de cozimento
e cozinhe em fogo bem brando por 10-15 minutos ou até o
peixe se solta com facilidade das espinhas. Se for usar peixe
salgado, cozinhe o fundo de peixe com os legumes e
acrescente o peixe desfiado só no final do preparo. Se
prefere um caldo mais encorpado, retire o peixe e alguns
legumes decorativos, bate o caldo no liquidificador e
engrosse a gosto com farinha. Devolve o peixe e os legumes
corrija os temperos, salpique com o restante do cheiro
verde e sirva acompanhado de farinha ou pirão e arroz.
Arroz amazônico com
tucumã e jambu
3 dentes de alho bem picados
Azeite
1 xícara de arroz
1 xícara de água
1 xicara de caldo de camarão
ou de legumes ou água
Sal a gosto
1 maço de folhas de jambu ou
cariru com ou sem flores sem
talos
2 folhas de chicória
2-3 pimentas de cheiro
3-5 tucumãs, polpa picada
Lave o arroz. Doure o alho
num fio generoso de azeite e
acrescente o arroz. Refogue
um pouco e depois
acrescente água ou o caldo
escolhido. Tempere a gosto.
Ao levantar fervura, junte as
folhas do jambu e o tucumã
em listras. Cozinhe o arroz em
fogo baixo até o arroz
absorver todo o líquido. Mexe
de vez em quando para que o
jambu se distribua por igual.
Corrija os temperos e sirva o
arroz como prato principal ou
acompanhamento.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 359
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata
Uxi
Origem
O uxi, Endopleura uchi, fruto oval de cor marrom-marmorizado,
genuinamente amazônico, cresce numa árvore de grandes
dimensões, pode alcançar 40 metros de altura, que habita as
florestas de terra firme. Carinhosamente apelidado de fruta de
pobre, não faz muita firula para chamar atenção ou ser
descoberta. Esconde debaixo da casca quebradiça cor de terra
uma fina camada de alguns milímetros de polpa cheirosa,
bastante oleosa, apreciada por crianças e aqueles cuja alma se
preserva um lado infantil. Roída diretamente do caroço,
normalmente é consumido in natura. A polpa também fornece
um óleo que lembra azeite em consistência e sabor. Muito
perecível com a tendência de mofar rápido, pode ser
conservado por mais tempo coberto com água na geladeira. É
vendido em feiras livres do interior ou beira rua por vendedores
ambulantes.
Aroma
A polpa oleosa e levemente arenosa tem gosto de banana
misturada com nozes, mas também lembra floresta, casca e
terra.
Uso
Ao natural, refrescos, doces pastosos, licores e sorvetes.
Também poderia fornecer óleos para consumo alimentício ou
para cosméticos.
Clássico
Roído direto do caroço.
Exótico
O óleo, produzido artesanalmente.
Imperdível
In natura
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360
Óleos e manteigas vegetais
Óleo de castanha
Azeite de pataua
Azeite de buriti
Essenciais em qualquer cozinha, azeites, óleos e manteigas
acrescentam e acentuam sabor, são responsáveis por crostas
apetitosas e aqui no Norte também para colorir, alegrar os olhos e
fazer salivar a boca. Gorduras não só intensificam todos os sabores
dos alimentos ou agregam aromas próprios distintos, mas também
são responsáveis por emulsões cremosos e aquele brilho acetinado.
Falta agora (re)descobrir a estupenda variedade de
azeites, óleos e manteigas amazônicas!
Ainda reservados para uns poucos apreciadores ou moradores
locais – são mais um tesouro a ser descoberto. Os seus sabores
particulares e benefícios para a saúde são únicos.
Tecnicamente divididos em dois grupos, o primeiro grupo aguenta
altas temperaturas, é perfeito para selar ou fritar como por
exemplo óleo de tucumã e buriti. O óleo de tucumã, aliás, é obtido
de duas maneiras. O primeiro vem da polpa, alaranjado e com
gosto bastante intenso, o segundo, o óleo do caroço é translúcido,
Azeite de tucumã
de gosto mais neutro e viçoso. Azeite de buriti, de um
vermelho intenso, é de sabor neutro e frutal. Óleo de coco, com
gosto bem particular, também aguenta altas temperaturas. Mais
neutro, de gosto e propriedades comparável ao azeite de oliva, o
azeite de patauá, um óleo fino de cor dourada ou
esverdeada com gosto agradável, substitui com primor o azeite.
Óleo de coco
Manteiga de cupuaçu
Gordura de piquiá
Gorduras mais pastosas como a gordura de piquiá de um
amarelo ensolarado e gosto agradável de frutas ou a
manteiga de cupuaçu, obtido do carroço, bastante
neutro, devem ser mais sensíveis com temperaturas altas, mas
substituem manteigas animais em pratos
vegetarianos. Outro azeite sensível é o óleo da
castanha. De cor ambar tem validade de uso curto, mas
compensa com seu delicioso perfume, levemente doce de
castanhas. É ideal para saladas ou legumes. Na foto faltam óleo
de bacaba e de açaí, obtido tanto da polpa quanto da
amêndoa e o óleo de bacuri. Esses óleos todos são
comercializados no mercado – infelizmente sua qualidade
raramente atende às exigências sanitárias de alimentos.
361
Cuscuz frio de farinha d´água com legumes, feijão e castanhas com
molho de laranja e azeite de castanhas
1 xícara de farinha d´água
150 ml de leite de coco
1 copo de suco de laranja
1 maço de couve picado ou rasgado
1 pedaço de repolho roxo picado bem fino
1 cará roxo cozido em cubinhos
1 beterraba cozida em cubinhos
½ maço de maxixe cozido e picado
1 xícara de feijão-da-praia verde, cozido
1 punhado de castanhas torradas
Sal e pimenta a gosto
1 maço de cheiro verde picado
Molho
1 colher de mel
4 colheres (sopa) de suco de laranja
1-2 colheres (sopa) suco de limão a gosto
4 colheres (sopa) de azeite
1 dente de alho
1 cheiro verde picado
Hidrate a farinha com o leite de coco e o suco de laranja e espere tufar. Tempere com sal e
pimenta. Cozinhe o feijão, o maxixe, o jerimum e outros legumes a gosto à parte. Pique os
outros legumes. Amolece o repolho misturando uma colher de sal e uma de açúcar ao repolho
picado. Deixe descansar e depois lave e seque em papel toalha. Se preferir, refogue a couve
picada. Misture todos os ingredientes com a farinha tufada, regue com o molho, salpique com
o cheiro verde e as castanhas e sirva de entrada ou acompanhamento.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 362
Legumes mistos, alho e
cebola assados no forno
½ jerimum cortada em fatias ou cubos
2-3 tomates, cortadas ao longo do
comprimento
1 punhado de pimentões com cabo
1-2 cabeças de alho cortado o topo
3 cebolas roxas cortadas em 8 pedaços
1 maço de quiabo cortado ao longo do
comprimento
1 maço de maxixe pré-cozido
Azeite
Sal grosso
Corte todos os legumes, o alho e as
cebolas e espalhe em uma forma
refratária untada com azeite. Preaqueça
o forno em 220 °. Regue os legumes com
azeite e salpique com sal grosso. Asse
por 30-40 minutos ou até fiquem bem
dourados. Sirva quente ou frio de
entrada ou acompanhamento.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 363
Pescada frita sob espinafre-de-macaco
com molho de maracujá e farofa de
farinha Uarini
1 kg de pescada, filé ou aberta em borboleta com pele
1 limão galego
Sal e pimenta a gosto
Coentro, galhos para decorar
1 maço de espinafre orelha de macaco sem talos
3-4 dentes de alho dourados
Lave o peixe com limão, tempere com sal e pimenta e
reserve por meia hora na geladeira. Murche o
espinafre com pouco de água. Doure o alho a parte e
misture a metade com o espinafre. Tempere a gosto e
reserve. Seque o peixe com papel toalha, passe pela
farinha e doure num generoso fio de azeite. Sirva
sobre uma cama de espinafre, salpicado do restante
do alho, acompanhado do molho e da farofa.
Farofa
1 ½ xicara de farinha de Uarini
2-3 colheres (sopa) de manteiga
Sal e pimenta a gosto
Para a farofa doure a farinha na manteiga, tempere e
reserve, mantendo quente.
Molho de maracujá
1-2 dentes de alho espremidos
1-2 colheres (chá) de açafrão-da-terra
1 ½ colher (sopa) de gengibre ralado bem fino
1 pimenta de cheiro picada bem fino
1 pimentão regional vermelho picado bem fino
1 colher (sopa) de cachaça
3-4 colheres (sopa) de fundo de peixe
Suco de ½ maracujá com ou sem sementes
Suco de ½ laranja
1 colher (chá) de mel ou a gosto
1 pitada de cominho moído
Pimenta regional a gosto
Para o molho doure o alho junto com o gengibre,
açafrão e a pimenta num fio de azeite. Junte todos os
líquidos. Reduza em fogo brando até engrossar, junte
o mel e tempere a gosto. Equilibre acidez, doçura e
picânçia e reserve.
Purê de
macaxeira com
pesto e azeite de
castanhas
Purê de macaxeira
2-3 macaxeiras , de
preferência macaxeiramanteiga,
cozidas,
espremidas ainda
quentes
Leite quanto basta
Sal e pimenta a gosto
1 pitada de noz-moscada
Pesto
3-3 dentes de alho
1 maço de coentro,
manjericão ou alfavaca a
gosto
1 punhado de castanhasde-caju
ou –do-Pará
½ copo (100 ml) de
azeite de castanha
Pimenta a gosto
Parmesão ralado fresco a
gosto
Prepare o purê de
macaxeira misturando a
macaxeira espremida
ainda quente com o leite
até obter a consistência
desejada. Tempere com
sal e noz-moscada e
reserve. Para o pesto
coloque todos os
ingredientes no
processador e processe
até obter um pesto
rústico ou a gosto. Sirva
sobre o purê e regue
com um generoso fio de
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata azeite de castanhas. 364
Filé de jaraqui a maneira do
mediterrâneo
1-2 cambadas de peixes menores*, de
preferência peixes gordos sardinha, jaraqui*
Sal grosso suficiente para salgar o peixe
Vinagre suave suficiente para cobrir os peixes
1 cebola cortada em anéis
Grãos de pimenta do reino a gosto
2-3 folhas de louro e cravo a gosto
Azeite de ótima providência
Cheiro verde a gosto
Para servir azeitonas pretas, fatias de ovos
cozidos, pimentas de cheiro e tomates a
gosto
Acomode os peixes inteiros limpos ou já
filetados num recipiente, colocando uma
camada de sal sobre cada camada de peixe.
Reserve por no mínimo uma até três horas
na geladeira. O sal deixará a carne do peixe
mais firme. Lave e enxugue o peixe para
depois cobrir por completo com vinagre ou
suco de limão o que vai “cozinhar” a carne
do peixe e amolecer as espinhas finas.
Deixe-o nessa marinada por 12 horas, uma
noite ou a gosto. Mais tempo fica marinando,
mais ácido o peixe se torna. A gosto
incrementa a marinada com cebola em anéis,
pimentões regionais e especiarias como
pimenta em grãos, folhas de louro e cravo.
Lave o peixe, corta a sua cabeça e o abre em
borboleta. Retire a espinha dorsal e coloque
na marinada final. Use azeite de melhor
qualidade e a gosto cheiro verde e alho
picado bem fino e envolve cada camada de
filé. Reserve por 12 horas na geladeira e sirva
de entrada ou petisco. Peixe conservado
dessa maneira, coberto com azeite, dura até
um mês na geladeira.
*Para prevenir infecção com parasitas
transmitida pelo consumo de peixe cru,
recomenda-se congelar o peixe por no
mínimo 48 h antes de usa-lo.
Fricassé tropical
400 g de surubim em cubos
400 g de camarão regional
1 punhado de avium
1 limão galego
Sal, pimenta e açafrão-da-terra
Azeite
5-6 dentes de alho picados
1-1 ½ copo (200-300 ml) de fundo de
camarão ou peixe
½ copo (100 ml) de leite de coco 1
maço de cheiro verde picado
2-3 colheres (sopa) de óleo de
tucumã, buriti ou azeite de dendê
1 cheiro verde picado
Lave o peixe, o camarão e o avium
com limão. Descasque o camarão e
reserve as aparas para o fundo.
Tempere peixe e camarão a gosto e
guarde por meia hora na geladeira.
Para o fundo refogue todas as aparas
num fio de azeite, cubra com água e
cozinhe por 15-20 minutos até obter
um caldo perfumado. Descarte as
aparas e reserve o caldo. Para o
picadinho doure o alho num generoso
fio de azeite. Reserve. Seque o peixe
com papel cozinha e sele o mesmo na
mesma frigideira. Tomou cor,
acrescente o camarão e o avium e
continue selando por 2-3 minutos.
Reserve. Prepare o molho na mesma
frigideira. Coloque 1 copo do fundo de
peixe, o alho e metade do cheiro
verde. Tempere e espere reduzir um
pouco. Junte o leite de coco e o azeite
de tucumã ou buriti, corrija os
temperos e espere engrossar um
pouco. Devolva peixe, camarão e
avium na molho e aqueça até todos os
sabores se unirem. Salpique com
cheiro verde e sirva acompanhado de
arroz preparado com cubinhos de
pimentão e tomate.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 365
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata
Pescada confitada no azeite de castanhas com
castanhas-de-caju
1 filé (800 g - 1kg) de pescada ou outro peixe branco suave por exemplo
pirarucu, filhote ou dourada
1 limão galego
Sal e pimenta a gosto
1 copo de azeite extra virgem, azeite de castanha ou quanto basta
A gosto 2-3 punhados de castanhas-do-Pará ou de caju picados não muito fino
Folhas verdes, na foto ora-pro-nóbis
Lave o peixe com limão, tempere a gosto e reserve por meia hora na
geladeira. Preaqueça o forno em 120 graus. Unte uma forma na qual o peixe
cabe bem apertado, coloque o peixe e cubra por completo com o azeite. Asse
lentamente em fogo baixo, o azeite não deve ferver, até o peixe se desfaz
com facilidade em lascas firmes. Salpique com as castanhas e folhas verdes a
gosto. Sirva acompanhado de arroz branco e legumes.
Conserva de pirarucu em azeite com limão e cominho
1 kg de pirarucu salgado, dessalgado de véspera ou outro peixe de carne
firme, filé
2 limões galegos, casca ralada de um
Sal e pimenta a gosto
Óleo neutro ou azeite quanto basta
2-3 pimentas de cheiro
5-6 pimentões regionais
1 folha de louro
2-3 cravos
1 ramo de alecrim ou outras ervas
Cominho e coentro em grãos a gosto
5-6 dentes de alho em lâminas
Vidros com fecho hermético, previamente esterilizado
De véspera dessalgue o pirarucu e esterilize o vidro a ser usado. No dia lave o
peixe com limão, escalde, desfie e empilhe alterando com o restante dos
ingredientes escolhidos no frasco. Mais apertado, menos azeite necessário.
Cubro por completo com azeite ou óleo. Retire todas as bolhas de ar e feche
hermeticamente. Envolva o vidro com uma toalha para não estalar, coloque
em uma panela alta, cubra o vidro até a boca com água e aqueça lentamente
sob fogo baixo no fogão ou no forno durante 1h – 1 ½ h. Espere esfriar dentro
da água. Sirva frio acompanhado de beijucica.
Peixe conservado dessa maneira se mantém, hermeticamente fechado, em
perfeito estado por 6 meses. Uma vez aberto, guarde na geladeira, sempre
coberto com azeite e consome rápido.
366
Pão de duas vezes castanha -
castanhas e azeite de castanhas
3 xícaras de farinha de trigo branco
1 xícara (mais ou menos) de água morna
3 colheres (sopa) de fermento biológico em pó
3 colheres (sopa) de azeite de castanhas
1 punhado generoso de castanhas-do-Pará
picados grosseiramente
½ colher (sopa) de sal ou a gosto
Dissolva o fermento por completa em meia
xícara de água morna. Coloque a farinha, o
azeite, o sal e as castanhas numa vasilha,
acrescente a água com o fermento e começa a
sovar. Incorpore aos poucos o restante da água
até obter uma massa lisa mas bem mole. Cubra
com um pano e espere crescer por no mínimo
uma hora ou até uma noite. Retire a massa e
coloque sobre uma superfície enfarinhada,
Coma as mãos enfarinhadas, parte em duas
partes e, sem sovar novamente! estique a
massa até formam dois pães compridos.
Transfere com cuidado para um tabuleiro
forrado com papel manteiga. Espere crescer
novamente durante 30 Minutos. Ao mesmo
tempo pré-aquece o forno na temperatura
máxima. Baixo o fogo para 220 coloque o pão
no forno e espirre uma névoa de água
diretamente no pão e no forno ou pincele o pão
com água. Isso garante uma boa crosta. Asse
durante 25-30 minutos. Repita o procedimento
mais duas ou três vezes enquanto o pão assa.
Bolo de azeite de
castanhas, servido
com mel nativo
1 ½ xícara (300g) de açúcar
4 ovos
1 copo (200 ml) de leite
3/4 copo (180ml) de azeite
de castanhas
2 ½ xícara (300g) de
farinha
1 pitada de sal
½ colheres (chá) de
essência de baunilha
2 colheres (chá) de
fermento em pó
Açúcar de confeiteiro
Preaqueça o forno em 180
graus e unta uma ou duas
forma/s refratária/s. Bata
o açúcar, os ovos, o leite e
o óleo no liquidificador.
Acrescente o restante dos
ingredientes e continue
misturando. Por fim
incorpore o fermento e
derrame na forma. Asse
por 40 minutos ou até um
palito enfiado sai limpo.
Sirva salpicado com açúcar
e regado com mel nativo.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 367
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 368
Camarões salgados separados por proveniência e tamanho
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 369
ÁGUA, SAL,
sol &vento
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 370
Avium e camarão salgado e seco – ingrediente fundamental para muitos pratos
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 371
Além de camarão também se salga todo o tipo de peixe.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 372
Preserva-se no sal uma parte da pescaria
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 373
Salgar pescado & camarão
Salmourar ou salgar ou defumar pescados ou
crustáceas, alimentos altamente perecíveis, são métodos de
conservação e preservação muito tradicionais, aqui na
Amazônia e ainda muito presentes devido à condições climáticas
desfavoráveis locais. Demanda, infelizmente, que está sendo atendida
de maneira completamente artesanal. Os resultados obtidos com a
salga são muito díspares tanto no sabor e na salinidade quanto na
durabilidade, sem entrar em detalhes de higiene e estocagem. A salga
do peixe carece urgentemente de padronização e modernização
imprescindível para manter a tradição viva e para se destingir num
mercado além da demanda local. Destaque cabe destaque ao pirarucu,
localmente comparado ao bacalhau. Pirarucu salgado é parte
indispensável em pratos tradicionais e festivos, contribuindo com seu
sabor particular, insubstituíveis por produtos frescos. A salga é
responsável para gostos queridos, descritos pelos nativos como
complexos, lembrando mar e maresia.
Do ponto de vista fitossanitário deve se considerar que o sal e o calor
do sol formam uma barreira impenetrável. Nenhum fator externo
consegue superá-la, preservando o peixe ou camarão próprio para o
consumo. Peixe salgado e seco deve ser dessalgado por no mínimo
12-24 horas como manda a tradição e depois escaldado ou aquecido
para poder ser consumido ou desfiado.
Cobrir um peixe com uma fina
camada de sal ou mergulhar numa
salmoura dá sobrevida ao mesmo e
evita o famoso pitiu.
Para paladares desacostumados aos gostos locais, recomenda-se de
seguir as receitas da terra que intuitivamente “neutralizam” o excesso
de sal, já que combinado peixe salgado normalmente com farinha
d´água ou algum tipo de tubérculo além do uso de leite de vaca ou de
coco.
374
Dessalgar peixe salgado
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata
Para se tornar comestível, peixe salgado necessita
de ser dessalgado. Hidratando a posta, o filé
salgado, o pescado recupera não só uma parte do
volume que perdeu, mas também perde o
excesso de sal. A dessalga começa com uma boa
lavagem sob água corrente para
primeiramente retirar o sal acumulado na
superfície. Depois o peixe deve mergulhar
em muita água fria, trocada com
regularidade, mais ou menos a cada 3-4
horas. Essa troca da água se torna necessária
porque a água que retira o sal do peixe, se satura.
Saturada, a água não consegue absorver o
restante do sal que o peixe ainda contém no seu
interior.
O tempo de dessalgue varia. Depende da altura
das postas e da qualidade do peixe e pode levar
de algumas horas até três dias. Durante
a dessalga o peixe deve ser guardado na
geladeira. No Norte do país prova-se uma lasca de
peixe para saber se já dessalgou suficientemente.
Tradicionalmente escalda-se peixe salgado,
especialmente quando se pretende desfia-lo antes
de usar. O peixe dessalgado pode ser escaldado
em água, vinho ou leite. Importante é observar
que o líquido escolhido não deve ferver,
mas permanecer durante o cozimento um pouco
antes do ponto de ebulição. Espere o peixe
cozinhar em fogo brando por 8 a 12 minutos e
deixe esfriar no líquido antes de desfiar. 375
Camarão salgado e seco
Origem
Salgar, secar e defumar peixe ou o camarão são métodos
ancestrais. A salga preserva um alimento altamente perecível,
acrescentando novos, complexos sabores bem característicos. O
resultado são ingredientes apreciadíssimos, indispensáveis da
culinária nortista, parte de pratos tradicionais como tacacá,
vatapá e caruru. Camarões secos podem ser encontrados em
qualquer feira livre, com ou sem casca, e são classificados de
acordo com o seu tamanho (pequeno, médio e grande) e sua
proveniência. Podem ser regionais ou do mar. O camarão salgado
infelizmente ainda é um produto altamente artesanal. De origens
muito distinto, varia muito no paladar, no sal e nas condições de
higiene. Aprecia-se a combinação de camarões secos com açaí e
farinha.
Aroma
A salga acrescente aromas fortes e complexos de marisco e
maresia ao camarão. Paladares desacostumados poderiam
desaprova-los.
Uso
O costume local manda acrescentar os camarões do tacacá sem
dessalga prévia. O preparo de outros pratos exige uma dessalga.
Camarão é tido como remoso, desaconselhado para pessoas
reconvalescentes.
Clássico
No tacacá, vatapá e caruru.
Exótico
No tacacá, iscado com um palito e devorado com casca.
Imperdível
Um bom tacacá tomado na rua na tradicional cuia preta.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 376
Tacacá
250 g de camarão salgado com casca sem cabeça ou a gosto
1 limão galego
1 l de tucupi ácido, aferventado e temperado
2-3 dentes de alho picados
T
2 folhas de chicória
½ maço de alfavaca
½ colher (chá) de sal ou a gosto
1-2 pimentas de cheiro
½ maço de jambu, sem talos
½ xícara de goma de mandioca
2 ½ xícaras de água ou fundo de camarão
Lave o camarão salgado com limão. A gosto dessalgue e retire a cabeça. A cabeça
pode ser usada para elaborar um fundo de camarão usado para o preparo da goma.
Tempere o tucupi a gosto com alho, chicória, alfavaca e pimenta, aquece e cozinhe
em fogo brando por alguns minutos até perfumar. Afervente o jambu com pouca
água quente até que fique macio. Reserve. Aqueça as duas xícaras de água ou fundo
de camarão com sal. Dissolva a goma em um pouco de água fria e incorpore aos
poucos ao caldo. Espere engrossar, mexendo sem parar, até obter um mingau
transparente e grosso.
Sirva o tacacá em cuias pretas na seguinte sequência: meia concha de tucupi, uma
concha de goma, uma concha de tucupi, um punhado de jambu e por cima alguns
camarões. Pimenta de cheiro coloque-se a gosto e os camarões são retirados com
ajuda de um palito. A tradição manda comer os camarões inteiros, com casca e tudo,
sobra só o rabo.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata
377
Vatapá nortista com jambu
600 g de camarão salgado, dessalgado na véspera ou
metade camarão salgado, metade camarão fresco
1 limão galego
Caldo de camarão
½ cebola picada
2-3 pimentões regionais picados
3 dentes de alho
2 tomates picados
1 folha de louro
Vatapá
600 g de pão dormido de boa qualidade em fatias ou migalhas
½ cebola picada
2-3 pimentões regionais picados
3 dentes de alho
1-2 tomates picados
1 copo (200 ml) de leite de coco
2-3 colheres (sopa) de dendê ou a gosto
Sal, pimenta e colorau ou açafrão-da-terra a gosto
1 maço de cheiro verde
1 maço de jambu sem talos
2-3 dentes de alho
Sal e pimenta a gosto
2 xícaras de arroz branco cozido
Tucupi para molhar a gosto
Na véspera dessalgue o camarão com bastante água. Lave com limão e
descasque, reservando as aparas. Reserve o camarão e cubra as aparas
com água, acrescente o alho, a cebola, o pimentão, o tomate e a folha de
louro e cozinhe em fogo brando por meia hora até obter um caldo
perfumado. Rasga o pão dormido, filtre o caldo de camarão e descarte os
sólidos ou se preferir – triture com as aparas no liquidificador, filtre e
regue o pão com o líquido. Espere umidificar. Escalde o jambu com água
quente. Doure o alho num fio de azeite, acrescente o jambu e tempere a
gosto. Reserve. Refogue a cebola junto com o pimentão num generoso
fio de azeite. Acrescente o alho, o tomate e no final o camarão e o cheiro
verde. Reserve alguns camarões para decorar. Processo o pão dormido
junto com o refogado até obter um purê rústico. Incorpore o leite de
coco e o dendê, corrija os temperos e aquece até todos os gostos se
misturaram. Sirva acompanhado de arroz branco, jambu e decorado com
os camarões reservados. Molhe o jambu com tucupi a gosto.
T
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata
378
T
Caruru paraense com quiabo ou cariru
600 g de camarão salgado, dessalgado de véspera
1 limão galego
Caldo de camarão
Aparas do camarão, ½ cebola e ½ cheiro verde,
T
Azeite e 1 folha de louro, água
Caruru
½ cebola,
3-4 pimentas regionais em rodelas
3-4 dentes de alho, 2-3 tomates picados
20 quiabos cortados em rodelas e/ou 1-2 maços de cariru picado
1 copo de farinha d´água fina para farofa, 2-3 colheres (sopa) de azeite de dendê
1 cheiro verde picado
Dessalgue o camarão de véspera. No dia lave-o com limão e descasque-o, reservando as
aparas. Doure as mesmas em um fio generoso de azeite. Cubra com água, acrescente a
folha de louro e o cheiro verde e cozinhe em fogo baixo por 15-20 minutos. Filtre,
reserve o caldo e descarte as aparas. Para o caruru refogue a cebola junto com o
pimentão num generoso fio de azeite. Acrescente o alho e o tomate, continue
refogando e por fim coloque o quiabo ou cariru, o camarão e parte do cheiro verde.
Guarde um pouco do camarão, do tomate e do cheiro verde para decorar. Junte o caldo
de camarão aos poucos e cozinhe em fogo brando até o quiabo ou o cariru quase
desmanchem. Incorpore a farinha aos poucos, esperando engrossar e tempere a gosto.
Termine juntando o azeite de dendê, acerte os temperos e sirva. Decore a gosto e sirva
acompanhado de arroz branco.
Camarão salgado ensopado com mamão verde
400 g de camarão salgado, dessalgado
1 mamão verde sem sementes, cortados em espaguete
1 cebola cortada em anéis, 2-3 pimentões regionais cortados em listras
Azeite, pimenta-de-cheiro a gosto
Dessalgue o camarão, descasque e reserve as aparas. Cubra as aparas com água e
cozinhe em fogo brando até obter um caldo perfumado. Descarte as aparas e reserve o
caldo. Rale o mamão e prove. Se for muito amargo, escalde em várias águas até
diminuir o amargor. Depois cozinhe no caldo do camarão até ficar macio. Refogue a
cebola e o pimentão num generoso fio de azeite, acrescente o mamão em espaguete e
parte do caldo. Cozinhe até todos os sabores se misturam e sirva com um camarão por
cima acompanhado de arroz, farinha e pimenta de cheiro.
Moqueca de camarão salgado com mamão
Use os mesmos ingredientes da receita acima, mas completa com tomate em fatias,
leite de coco e azeite de dendê. No lugar de refogar, coloque camadas dos ingredientes
379
na panela de barro e cozinhe até todos os gostos se misturam e o mamão ficou macio.
Aviu ou Avium é um microcamarão delicioso, aqui vendido salgado
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 380
Avium
Origem
O avium ou aviú, Acetes americanus e marinus, é um crustáceo
minúsculo, um tipo de micro-camarão de aproximadamente 8mm.
É um crustáceo da água doce de ocorrência extremamente
regional e sazonal. O seu aroma é delicado, muito parecido com o
aroma de camarão fresco ou seco, porém mais elegante. Come-se
o avium inteiro devido o seu tamanho minúsculo. Ele preserva o
seu sabor delicioso em muitos pratos nos quais pode substituir o
camarão. Trazido pelas primeiras cheias dos rios Tapajós em
Santarém e Tocantins em Cametá a partir de março até outubro é
vendido por um curto período fresco. Exibe a mesma cor
transparente acinzentada de camarões maiores. Depois
desaparece e se encontra, até o fim do estoque, somente cozido e
salgado (Santarém) ou salgado e desidratado (Cametá) em toda a
região amazônica em feiras livres.
Aroma
Aroma delicado, muito parecido com o do camarão.
Uso
O avium substitui com primor o camarão e todos os pratos.
Clássico
Na mojica e no bolinho de avium.
Exótico
No vatapá ou açorda, feito de pão adormecido.
Imperdível
Na mojica, a simples sopa elaborada de farinha aromatizada com
avium.
J F M A M J J A S O N D
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 381
Ovo mexido ou
fritada com avium
6 ovos, de preferência caipiras
2 colheres (sopa) de água
mineral com gás
200 g de aviúm seco/salgado
1 limão galego
½ cebola picada em listras
1-2 dentes de alho picados
bem fino
1-2 pimentões regionais
vermelhos, picados bem fino
2 colheres (sopa) de azeite ou
manteiga
1 cheiro verde picado
Sal e pimenta a gosto
1-2 tomates a gosto
Lava o avium com limão, teste
a salinidade e seque sob papel
toalha. Bata todos os ovos
com ajuda de um garfo junto
com a água mineral. Tempere
a gosto com sal, pimenta e
cheiro verde. Refogue o alho e
o pimentão num fio de azeite
ou na manteiga, acrescente o
avium, refogue mais um
pouco e depois junte o ovo
batido. Para o ovo mexido,
remexe tudo com cuidado até
o ovo começa a se firmar.
Para a fritada coloque a massa
numa forma refratária grande
ou formas de cup cakes
individuais untadas e leve ao
forno por 20-25 minutos ou
até dourar.
Sirva acompanhado de
beijucica ou recheie tapiocas
com o ovo mexido.
Caldo de avium com
batata-doce e dendê
600 g avium fresco ou salgado,
dessalgado
1 limão galego
2 cebolas picadas
3-5 pimentões regionais picados
1 pedaço de gengibre ralado
Colorau a gosto
3-4 dentes de alho picados
3 xícaras de água ou fundo de camarão
1 folha de louro
1 cálice de cachaça ou vinho branco
1-2 cravos-da-índia
Azeite
Sal e pimenta a gosto
½-1 batata-doce ou macaxeira cozida,
amassada
1 maço de cheiro verde picado
1 maço de coentro picado
1 colher (sopa) de azeite de dendê
Lave o avium com limão e prove o sal.
Se for muito salgado, deixe dessalgar
coberto com água, trocada
frequentemente ou escalde com água
quente. Refogue as cebolas junto com
o pimentão, o gengibre e colorau a
gosto num fio generoso de azeite de
dendê. Junte o alho e o avium e
continue refogando. Acrescente a água,
a folha de louro, a cachaça ou o vinho,
os cravos e metade do cheiro verde e
do coentro. Ao levantar fervura, baixe o
fogo e deixe cozinhar em fogo brando
por alguns poucos minutos. Retire o
avium e reserve. Reduz o caldo em fogo
baixo por mais 20 minutos. Engrosse
com a batata-doce ou macaxeira.
Devolve o avium, corrija sal e pimenta e
sirva com um fio de azeite de dendê e o
restante do cheiro verde e coentro por
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata cima de entrada ou lanche. 382
T
Bolinho de macaxeira recheado com avium com molho
de pimenta-de-cheiro canapé de avium
Recheio/cobertura para o canapé
600 g de avium
1 limão galego
1 cebola picada
4-5 pimentões regionais picados bem fino
3 dentes de alho picados
Sal, pimenta e colorau a gosto
1 tomate regional picado bem fino
1 cheiro verde picado
Massa
600 g de macaxeira, cará branco ou batata-doce cozido, espremido ainda
quente
Sal e pimenta a gosto
Azeite
A gosto farinha de rosca ou farinha d’ água
2 claras levemente batidas
Óleo neutro para fritar
Lave o avium com o limão. No pilão pile metade do alho com um pouco de
suco de limão, sal, pimenta e metade do cheiro verde. Regue o avium com
esse tempero e reserve. Cozinhe a macaxeira bem mole e seque sob fogo
baixo até perder toda a umidade. Passe ainda quente pelo espremedor de
batata ou passe junto com os outros ingredientes pelo processador. Num fio
generoso de azeite refogue a cebola, os pimentões e o alho. Reserve a
metade. Na outra metade acrescente o tomate e o avium e refogue por
poucos minutos. Tempere a gosto, junte metade do cheiro verde e reserve o
recheio ou sirva sob beijucica. No processador junte a macaxeira, a metade
do refogado reservado, metade do cheiro verde, tempere a gosto e processe
até obter uma massa não muito lisa e seca. Corrija o tempero e abre a massa
na mão. Se a massa for muito úmida, corrige com um pouco de farinha.
Coloque uma colherada do recheio no meio e feche o bolinho. Continue até
todos os ingredientes acabarem. Frite em óleo quente ou se preferir uma
textura mais crocante ainda, passe pelas claras e depois a farinha e frite.
Molho de pimenta
1 punhado de pimentas de cheiro, azeite e sal a gosto
Para o molho de pimenta processe todos os ingredientes e sirva
acompanhado os bolinhos, decorados com limão e cheiro verde. Sirva de
petisco ou entrada.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 383
Acari-bodó
Origem
Popularmente conhecidos como cascudos, a família dos
loricariidae, abrange mais de 200 espécies. Muito apreciado
na Amazônia, o Acari ou Acari-bodó, Liposarcus Pardalis, é um
peixe médio, alcançando 50 cm de comprimento. De aparência
pré-diluviana e olhos fundos, tem o corpo inteiro coberto por
várias fileiras de placas ósseas, ricamente ornamentadas com
pequenas listras ou pintas. É vegetariano e se alimenta de
detritos orgânicos, raspando com a boca posta no lado inferior as
pedras dos fundos. Vive no substrato mole. Na seca, enterra-se na
lama e consegue sobreviver por várias horas fora da água. Ao se
reproduzir, cuida da sua prole construindo ninhos. Algumas
espécies mantêm os ovos aderidos aos lábios. Compra-se acari
muito fresco. Nas feiras aparece ainda vivo. Muito piracui, farinha
de peixe, é preparada com acari.
Aroma
Devido a sua carapaça não entrega a sua carne rosada com
facilidade. Uma vez alcançada, é deliciosa e sem espinhas com
leve toque térreo.
Uso
Grelhado sob carvão direto na couraça, frito e ensopado ou no
tucupi.
Clássico
Grelhado com pimenta e farinha.
Exótico
Ovas de acari.
Imperdível
O acari-bodó escabeche, feito com azeite, vinagre e muito
tempero.
J F M A M J J A S O N D
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 384
Acari-bodó ao tucupi
1 ½ kg de acari ou outro peixe cascudo, cortado ao meio, muito fresco
1 limão galego
1 ½-2 l de tucupi ácido
3-4 dentes de alho em lâminas
Açafrão-da-terra fresco ou em pó a gosto
T
3-4 pimentas de cheiro
Azeite
4 ramos de alfavaca
4 folhas de chicória
Azeite
Sal e pimenta a gosto
1 maço de jambu sem talos
Lave o peixe com limão e escalde-o com água fervente. Descarte a água e reserve o peixe. Aquece o
tucupi. Refogue o pimentão junto com o açafrão num generoso fio de azeite e junte ao tucupi.
Tempere com pimenta de cheiro, alfavaca e chicória, cozinhando em fogo brando até todos os
gostos se misturarem. Acrescente o peixe, espere levantar fervura, reduza o fogo e cozinhe sob fogo
brando até o peixe se soltar com facilidade da carapaça. Acrescente o jambu já no fim do cozimento.
Corrija os temperos e sirva acompanhado de arroz branco, farinha e pimenta de cheiro.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata
385
Acari no sal grosso com
salsa verde
6-8 acaris bem frescos
1 limão galego
1 ½ -2 kg de sal
Água ou clara de ovo
Lave o peixe com limão. Preaqueça o
forno em 220 graus. Misture o sal com
a água ou a clara de ovo até ficar uma
pasta. Forre uma forma refratária com
uma camada de sal, põe os peixes por
cima e cubra com outra camada de sal.
Asse no forno por 30-40 minutos ou
até que o sal formar uma crosta firme.
Retire do forno e espere o peixe
descansar por 5 minutos. Retire a
crosta de sal por completo e aprecie a
carne do peixe, retirando-a com ajuda
de uma colher. Acompanhe de um
molho da sua escolha, por ex. salsa
verde.
Salsa verde com hortelã
1 maço de coentro e/ou outras ervas
com manjericão, alfavaca, hortelã ou
da sua escolha, picados
1 punhado de castanhas picadas
2-3 pimentões regionais picados
½ xícara de azeite
Sal e pimenta a gosto
Misture todos os ingredientes,
tempere a gosto e sirva acompanhando
o peixe assado no sal.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata
Acari-bodó escabeche
1 ½ kg de acari ou outro peixe cascudo
1 colher (chá) ou mais de sal marinho
Suco e raspas de 1 limão galego
ou ½ xícara (100 ml) de vinagre de arroz
2 folhas de louro
6 dentes de alho em lâminas
2 cebolas em rodelas
1 punhado de pimentões em listras
2 tomates em rodelas
1 colher (sopa) de pimenta em grãos
4 pimentas de cheiro
4 ramos de alfavaca
2 ½ xícara (500 ml) de óleo ou azeite
1 cálice de cachaça
1 cálice de vinagre a gosto
Lava os peixes muito bem. Escalde-os com
água quente e retire os filés com a ajuda de
uma colher. Para ficar mais estético,
preserve os rabos dos peixes. Unte o fundo
da panela de pressão com bastante azeite e
forre com tomate, pimentão, cebola, alho e
um pouco de cheiro verde. Lave o peixe com
limão ou vinagre e tempere com sal,
pimenta e colorau a gosto. Coloque uma
camada de peixe, outra de tomate, cebola,
pimentão, alho e cheiro verde e continue até
todos os ingredientes acabem. Acrescente a
folha de louro e os outros condimentos,
regue com a cachaça, o azeite e vinagre a
gosto. Cozinha sob pressão, começando com
fogo alto. Quando começar a apitar, conta
10-15 minutos e baixo o fogo. Espere esfriar
por completo com a panela fechada. – Fica
melhor ainda no dia seguinte! Sirva quente
ou frio, salpicado com cheiro verde e raspas
da casca de limão, acompanhado de pão,
torradas ou beijucica.
Conserva-se coberto com azeite em um
vidro previamente esterilizado por algumas
semanas.
Moquear e depois ensopar
Moquear, moquém, nada mais do que
uma brasa sobre qual se coloca com certa
distância uma jirau de galhos, é a maneira
mais simples de preservar
proteínas por alguns dias, se
aproveitando tanto do calor do fogo
quanto da sua fumaça. Peixes ou carnes
de caça, os primeiros normalmente
inteiros, só eviscerados mas com
carapaça ou escamas ou protegidos por
folhas, assam lentamente, sendo
defumados e ressecados.
Técnica ancestral e indígena da
conservação, hoje ainda é usada no
preparo do piracui. Obtém-se dessa
maneira uma proteína desidratada/
defumada que se preserva durante
bastante tempo. Para tornar a proteína
novamente comestível, ela é desfiada
ou no caso do piracui esfarelada e
novamente hidratada, normalmente
cozido em algum líquido
aromático, por exemplo, em tucupi.
Resquícios desse hábito de assar/defumar
peixe e carne é no costume de assar
tanto pato quanto carnes para depois
ensopá-los por exemplo no tucupi.
Outra técnica de assar peixes e camarões
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata
na brasa, chamada de popeka, é
embalá-los em folhas de bananeira, de
caju, cupuaçu ou outras folhas e amarrar
o embrulho com ajuda de cipós. Os
pacotinhos estão sendo assados no jirau
de galhos ou enterrados diretamente nas
cinzas. Quando as folhas se tornam
pretas, o peixe ou camarão está prontos.
387
Piracuí
Origem
Seco, cheio de espinhas finas, pedaços de placas ósseas e com
cheiro forte de peixe salgado, o piracui (pira = peixe; cuí =
farinha) é nada mais do que uma fofa farinha, uma farinha de
peixe. Produto único da região amazônica resulta de um método
tradicionalíssimo, milenar, desenvolvido pelos indígenas. Surgiu
como recurso de conservação, tendo o peixe também disponível
nas épocas das águas grandes com escassez de peixe. Alimento
leve, mas nutritivo, ótima fonte de proteína, garante, junto com
a farinha d’ água, a subsistência e serve até de rancho em
excursões por dentro da floresta. Obtido de maneira artesanal, é
elaborado com os peixes acari ou tamuatá e outros peixes, até
jacaré. Para obter piracui, o peixe fresco é assado e defumado
sob moquem, desfiado e socado no pilão. Depois é desidratada
em tachos de barro ou fornos abertos, adiciona-se sal e o piracui
é pronto para ser comercializado. Vende-se piracui por Litro e os
nativos recomendam, de degustar um bocado antes de comprar.
Aroma
O aroma do piracuí é bastante forte, lembrando peixe salgado. O
piracuí. O piracui feito de acari é mais fibroso e de sabor intenso,
o de tamuatá mais fino e de sabor mais suave.
Uso
Usa-se piracui substituindo camarão ou peixe salgado em farofas
e bolinhos.
Clássico
Na mojica, no arroz ou no bolinho.
Exótico
Puro ou com farinha.
Imperdível
Uma boa mojica com piracuí.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 388
Bolinho de piracui
Refogado
2-3 punhados de piracui, livre de espinhas e
ossos, hidratado
1 punhado de avium
Ou 500 g de pirarucu, dessalgado, desfiado
Ou sobras de peixe assado
1 limão galego
1 cebola picada
4-5 pimentões regionais picados bem fino
1 pedaço de gengibre a gosto
3 dentes de alho picados
Sal, pimenta, colorau e cominho a gosto
1 tomate regional picado bem fino
1 cheiro verde picado
Massa
600 g de macaxeira, cará branco ou batata-doce cozido,
espremido ainda quente
Azeite, sal e pimenta a gosto
A gosto farinha de rosca, farinha de tapioca ou farinha d’ água
2 claras levemente batidas
Óleo neutro para fritar
Limpe o piracuí, lave com limão e hidrate por 2-3 horas. Lave o
avium com limão. Cozinhe a macaxeira bem mole e seque sob
fogo baixo até perder toda a umidade. Passe ainda quente
pelo espremedor de batata ou junto com os outros
ingredientes pelo processador. No pilão pile metade do alho
com um pouco de suco de limão, sal, pimenta, colorau e
cominho a gosto. Num fio generoso de azeite refogue cebola,
pimentões, gengibre e os temperos pilados. Acrescente
tomate, piracuí e avium ou o peixe escolhido e refogue por
poucos minutos. Tempere a gosto e reserve. No processador
junte a macaxeira, o refogado reservado e metade do cheiro
verde. Tempere a gosto e processe até obter uma massa não
muito lisa e seca. Corrija o tempero e forme os bolinhos. Se a
massa for muito úmido, corrige com um pouco de farinha.
Continue até todos os ingredientes acabam. Role os bolinhos
na farinha de tapioca ou na farinha d´água e aperte bem.
Aqueça 2-3 dedos de óleo e frite os mesmos até dourarem.
Sirva com molhos diversos.
Caso prefera uma textura mais crocante ainda, passe pelas
claras e depois a farinha e frite. Sirva de entrada,
acompanhado de molho de pimenta e limão e decore com um
pouco e cheiro verde.
T
Burger de piracui
2 xícaras de sobras de peixe, livre de
espinhos e desfiados
200 g de pão dormido, esmigalhado
½ - 1 xícara (100-200 ml) de fundo de
peixe
1 cebola picada
Sal e pimenta a gosto
1 cheiro verde picado
Coentro a gosto
Óleo vegetal para fritar
Salada de batata-doce morna
2-3 batatas-doces
½ copo (100 ml) de caldo de galinha
ou de legumes
Azeite e vinagre branco a gosto
Sal grosso e pimenta a gosto
1 cheiro verde picado
Picles de pepino ou maxixe a gosto
Esmigalhe o pão e coloque numa
vasilha. Aqueça o caldo de peixe,
derrame aos poucos sobre o pão e
espere hidratar. O pão deve absorver
toda a umidade, evitando que o
hamburger desmancha. Desfie o peixe
com ajuda de um garfo. Misture com
o pão amolecido e o restante dos
ingredientes, tempere com sal e
pimenta, forme burgeres ou
almôndegas e os achate. Aquece dois
dedos de óleo e frite todos em várias
porções até dourar dos dois lados ou
os asse no forno.
Para a salada de batata-doce cozinhe
a batata. Descasque e corte em fatias.
Aqueça o caldo de galinha e derrame
sobre a batata morna. Tempere a
gosto com sal, pimenta, azeite e
vinagre. A gosto acrescente picles
picados. Sirva morna, acompanhando
o burger de peixe.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 389
Arroz rico com piracuí, avium e camarão salgado
2 punhados de piracui, limpo e hidratado
1 punhado generoso de avium fresco ou salgado, dessalgado
1 punhado de camarão salgado, dessalgado
1 limão galego
1 xícara de arroz
Azeite
2-3 dentes de alho
2 xícaras de caldo de peixe ou camarão obtido das aparas do camarão
A gosto substituir o caldo de peixe por ½ xícara de vinho branco
1 cebola picada
2-3 pimentões regionais picados
Sal, pimenta, cominho e colorau a gosto
1 tomate regional picado
1 cheiro verde picado
Casca de limão ralada para salpicar
Limpe o piracui e hidrate. Lave com limão. Escalde o avium e camarão, lave com limão e
descasque o camarão, reservando as cascas. Prepare com as cascas um caldo de camarão,
descarte as aparas e use o caldo para fazer o arroz. Para o arroz doure o alho num fio de
azeite, junte o arroz, doure um pouco e depois acrescente os líquidos escolhidos. Tempere
a gosto e cozinhe em fogo baixo até o arroz absorver todo o líquido. A parte prepare um
refogado. Refogue a cebola, o pimentão junto com o colorau e cominho a gosto num fio
generoso de azeite. Acrescente o tomate e parte do cheiro verde. Corrija os temperos.
Espere encorpar todos os gostos juntar o piracuí, o avium e o camarão (reserve os mais
bonitos para decorar) e refogue bem até ficar bem sequinho. Incorpore o refogado com
cuidado ao arroz, corrija os temperos e sirva salpicado com casca ralada de limão e
decorado com fatias de limão, o restante do cheiro verde e os camarões. Acompanha peixe
ou é servido como prato principal.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 390
Pirarucu com menino
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata
391
Pirarucu
Origem
O colossal pirarucu, Arapaima gigas, o nome diz tudo, é
um dos mais apreciados peixes da Amazônia. Gigante de
verdade, é o maior peixe de escamas da água doce –
alcança facilmente 3 metros de comprimento e um peso
de 200 kg ou mais. Tem corpo alongado e cilíndrico,
cabeça achatada e boca igualmente grande. Com fama
de mostrar bastante personalidade, vive na bacia
amazônica em águas rasas de rios e lagos onde ele se
alimenta de outros peixes e caranguejos. Dispõe de dois
sistemas respiratórios distintos. Possui, além das
brânquias, responsáveis pela respiração debaixo da água,
Um tipo de pulmão o que o obriga a subir à superfície em
intervalos regulares de 10 ou 15 minutos para captar ar.
Presa fácil do arpão do pescador a sua espera. O melhor
pirarucu fresco vem da região de Santarém e de outras
cidades do interior do Baixo Amazonas. Quem aposta em
sustentabilidade compra o pirarucu do projeto Instituto
Mamirauá, Amazonas.
Aroma
Carne muito saborosa praticamente sem espinhas e
muito apreciada
Uso
Apropriado para muitos preparos mas não muito
recomendado para por na grelha
Clássico
Pirarucu na caldeirada ou no tucupi
Exótico
No sashimi ou ceviche, tendo garantia do seu frescor
Imperdível
Posta com crosta de farinha ou pesto
J F M A M J J A S O N D
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 392
Posta gigante de Pirarucu
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata
393
A escama do Pirarucu, também gigante, era usado antigamente como
lixa de unha. Sua língua áspera rala até hoje bastão de guaraná.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata
394
Posta de pirarucu sendo cortada
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata
395
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata
Pirarucu em mantas
Origem
Ele é tido como “bacalhau da Amazônia”. Sua carne quase sem
nenhuma espinha convence pelo sabor e suculência. O pirarucu
chega tradicionalmente já recortado em mantas impressionantes ao
mercado. Um pirarucu, gigante de 60 kg rende mais ou menos 40 kg
de manta - pura carne nobre. As mantas são divididas em costelas,
ventrechas, filés, lombo e outras partes, todas cobiçadas. As mais
apreciadas são as mais gordurosas. Aproveita-se quase tudo do
peixe: cabeça, pele e carcaça rendem ensopados ricos. Uma parte
considerável é salgada.
Ao se reproduzir durante a seca, o pirarucu forma casais. O macho
constrói um ninho no qual a fêmea desova. Durante a incubação e
durante os meses seguintes cuida da sua prole com muito
desempenho. Os estoques de pirarucu vêm sofrendo grandes
pressões devido a sobrepesca predatória e o pirarucu está em
perigo, mas já existem projetos bem-sucedidos de manejo
sustentável.
Aroma
Carne muito saborosa, praticamente sem espinhas, muito apreciada,
mas maior o peixe, maior a rigidez da sua carne
Uso
Aprecia-se muito a gordurosa ventrecha e a cabeça, assada na brasa
Clássico
Escabeche, de preferência de sobras
Exótico
Pirarucu salgado de casaca
Imperdível
A combinação de pirarucu fresco ou salmourado com feijão
manteiguinha de Santarém
Defeso entre dezembro até maio dependendo da região
J F M A M J J A S O N D
396
Mantas de pirarucu salgado secando
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata
397
Óbidos. Uma singular manta de pirarucu ao relento
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 398
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata
Pirarucu salgado
Origem
Parte significativo de pirarucu fresco é salgado, encontrado em
todas as feiras livres e mercados amazônicos na secção
especializada em peixes salgados e secos. Lá vende-se o ano todo
os indispensáveis e caros ingredientes de muitos pratos festivos
amazônicos: peixes diversos conservados no sal e carro-chefe, o
pirarucu, em mantas ou rolos, o melhor vem do Baixo Amazonas,
além de camarão seco, piracui e avium. A salga acontece de
maneira completamente artesanal e dessa maneira varia
enormemente em sabor, salinidade e qualidade - um tesouro
local pouco explorado. Até isso melhorar, o processo da salga
continua igual a aquele já usado durante o tempo do império:
Antes de ser salgado, o peixe gigante é eviscerado e escamado.
Abre-se o peixe por completo e retira-se a espinha dorsal. Peixes
maiores e mais grossos recorta-se em mantas. Esfregue-se com a
mão uma generosa camada de sal fino sobre o filé. Peixes menos
gordurosos são mais indicados para serem salgados. Recomendase
“neutralizar” o peixe combinando-o com farinha e usar leite ou
leite de coco. Salvo por pouco do perigo de extinção, é hoje já
criado em pisciculturas.
Aroma
Como em todos os peixes e crustáceos, a salga agrega novos,
complexos aromas, localmente muito apreciados.
Uso
Rei dos peixes, usa-se numa gama infinita de pratos.
Clássico
Na caldeirada, no tucupi, frito, assado ou desfiado. Exótico
Pirarucu de casaca com bananas pacovã.
Imperdível
Grelhado acompanhado de açaí.
J F M A M J J A S O N D
399
Caldo cremoso de pirarucu salgado
500 g de pirarucu ou outro peixe salgado,
dessalgado em cubos ou listras ou sobras de
peixe fresco
1 copo de leite de coco ou de leite de vaca
1 limão galego
Sal e pimenta a gosto
2-3 dentes de alho picados
1 folha de louro, 1-2 cravos
½-1 xícara de batatas-doces sem casca, em
cubos
2 ½ copo de fundo de peixe ou de água
2-3 colheres (sopa) de manteiga
1 colher de farinha de trigo
3-4 dentes de alho picados
1 colher (sopa) de vinagre branco ou
½ copo (100 ml) de vinho branco seco
½ xícara de batatas-doces ou macaxeira, cozidas
e exprimidos
3-4 galhos de coentro, chicória, cebolinha,
alfavaca, hortelã ou outras ervas a gosto,
picados
1 cheiro verde picado
½ maço de vinagreira ou jambu sem talos
4-6 galhos de hortelã para servir
Dessalgue o peixe de véspera. Lave com limão e
escalde no leite junto com louro e cravo. Desfie
e cozinhe a batata bem mole no mesmo leite.
Retire, descarte o leite e amasse a batata com
ajuda de um garfo. Aqueça o caldo de peixe ou a
água com 1/3 das ervas e tempere a gosto.
Misture a manteiga com a farinha até obter uma
pastinha. Refogue a mesma, dourada, incorpore
vinho ou vinagre e acrescente ao caldo de peixe
ou a água. Levantou fervura, abaixe o fogo,
incorpore as batatas, tempere a gosto e espere
engrossar e ganhar uma textura aveludada. No
final do cozimento acrescente as lascas de
pirarucu e as folhas de vinagreira ou jambu.
Corrija os temperos e sirva salpicado com o
restante das ervas, acompanhado de beijucica.
Caldo de pirarucu
salgado
400 g de pirarucu salgado,
dessalgado de véspera
1 limão galego
Azeite
3 xícaras de caldo de peixe ou
camarão elaborado das aparas ou
Simplesmente água
1 cebola picada
1 colher (sopa) de azeite de dendê
1 colher (sopa) de açafrão-da-terra
Sal e pimenta a gosto
3 dentes de alho picados
1 batata-inglesa ou batata-doce,
cozida e amassada ou farinha
d´água fina para engrossar
¼ copo (50 ml) de leite de coco
1 maço de coentro a gosto
Dessalgue o pirarucu de véspera,
lave com limão e escalde. Cozinhe
a batata bem mole e amasse ainda
quente. Refogue a cebola num fio
de azeite de dendê, junte açafrão e
alho e continue refogando.
Adicione o pirarucu desfiado,
espere tomar gosto, adicione parte
do cheiro verde e tempere a
vontade. Adicione o caldo/a água,
incorpore a batata ou engrosse
com farinha até obter a
consistência desejada. Cozinhe em
fogo brando até todos os sabores
se unirem, acrescente uma parte
do leite de coco, corrija os
temperos, salpique com cheiro
verde e sirva adicionando em cada
prato ou copo o restante do leite
de coco.
Pescaria Amazônica - Susanne Gerber-Barata 400
Pirarucu salgado na
água de coco
600-800 g de postas de peixe
Salgado, por exemplo pirarucu,
dessalgado
1 limão galego
Azeite
1 cebola picada em meia luas
4-6 pimentões regionais
½ copo (100 ml) de fundo de
peixe
½ copo (100 ml) de vinho branco
2-3 tubérculos regionais, cozidos
1 maço feijão de metro e outros
legumes da estação por exemplo
1 cenoura cortada em rodelas
1 maço de maxixe em gomos,
jerimum e folhas de couve rasgada
1- 1 ½ copo (200 – 300 ml) de
água de coco
1 maço de cheiro verde picado
Dessalgue o peixe de véspera. No dia
lave o peixe com limão e escalde com
água fervente. Corte em pedaços ou
desfie em lascas generosos e reserve.
Refogue a cebola junto com o
pimentão num generoso fio de azeite.
Acrescente o vinho branco e o fundo
de peixe. Levantou fervura, incorpore
aos poucos os legumes conforme o
seu tempo de cozimento e cozinhe
em fogo baixo até os legumes fiquem
“al dente”, oferecendo, a serem
mordidos, uma certa resistência aos
dentes. Por fim junte os tubérculos, o
peixe e a água de coco. Cozinhe em
fogo bem brando, espere até todos os
gostos se misturarem, corrija os
temperos, salpique com cheiro verde
e sirva acompanhado de arroz
branco.
T
Salada de pirarucu
salgado com grão-debico
600 g de pirarucu ou outro peixe
salgado, dessalgado, escaldado e
desfiado
1 limão galego
2 xícaras de grão-de-bico,
alternativo favas ou feijão local,
por exemplo manteiguinha, cozido
Sal grosso a gosto
Azeite a gosto
1 cebola roxa ou branca em listras
1 dente de alho espremido
1 pepino cortado em meia luas
2 ovos cozidos, cortados em
rodelas
Sal e pimenta a gosto
Vinagre, suco de limão e azeite
4 folhas de vinagreira, couve e
repolho roxo para decorar
1 maço cheiro verde
De véspera dessalgue o peixe e
coloque os grãos de molho. No dia
cozinhe os grãos na panela de
pressão
até ficarem bem macios, mas não
desmanchem. Ainda quente
tempere
com o alho espremido, sal grosso e
azeite. Lave o peixe com limão e
escalde com água fervente.
Controle
o teor de sal. Se for muito salgado,
repita o procedimento. Esfriado,
desfie com ajuda de um garfo ou se
preferir, grelha sob brasa ou frite
num
generoso fio de azeite com
colorau.
Junte todos os ingredientes exceto
o
ovo, tempere com mais azeite e
vinagre a gosto e misture
cuidadosamente. Corrija os
temperos,
salpique com cheiro verde, decore
com o ovo e sirva ainda morno
sobre
as folhas de vinagreira, da couve ou
do repolho roxo. Acompanha
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata maionese caseira. 401
Rica caldeirada regional com peixe, camarão, caranguejo e ovo
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata
402
Caldeirada regional rica
800 g de peixes diversos por ex.: costeleta de tambaqui, pescada amarela em postas, arraia em postas, pirarucu
fresco ou salgado em postas, peixes menores inteiros como charuto, jaraqui ou sardinha
200 g de mexilhão regional
200 g de camarão regional
100 g de camarão grande
200 g de patinhas de caranguejo
Avium a gosto
2-3 limões galegos
Sal, pimenta e colorau a gosto
Azeite
3 cebolas cortadas ao longo do comprimento em 8 pedaços
3-5 dentes de alho cortados ao meio
6-8 pimentões regionais de diversas cores
T
3 tomates regionais cortados ao longo do comprimento em
8 pedaços
5 batatas-inglesas pré-cozidas, cortadas em 6 pedaços
1 folha de louro
1 cheiro verde picado
1 colher (sopa) de vinagre suave
2 xícaras (400 ml) de fundo de peixe ou camarão ou
1 ½ xícara (300 ml) de fundo de peixe e
½ xícara (100 ml) de vinho branco
2 ovos cozidos
Lave os peixes e crustáceas com limão, tempere a gosto e reserve por meia hora na geladeira. Cozinhe um fundo
das aparas de peixe e carcaças e cabeças dos camarões. Refogue-os mesmos em azeite, cubra com água e cozinhe
em fogo bem baixo até perfumem o caldo. Descarte as aparas e reserve o caldo. Regue o fundo de uma panela
com tampa que fecha hermético ou uma cataplana com azeite, coloque uma camada de legumes e depois
alterando camadas de peixe, legumes e cheiro verde até acabaram todos os ingredientes. Regue com o caldo e o
vinagre, acrescente a folha de louro, tampe e cozinhe em fogo bem brando por 10-15 minutos. Quando o peixe
está quase cozido acrescente os ingredientes mais delicados como camarão, mexilhão e pata de caranguejo.
Tampe novamente e espere cozinhar por completo. Corrija os temperos do molho e sirva com o restante do
cheiro verde e os ovos cozidos por cima. Acompanha arroz branco, farinha e pimenta de cheiro.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata
403
Pirarucu escabeche
6-8 postas ou cubos de pirarucu ou outro
peixe firme
1 limão galego
Sal, pimenta e cominho a gosto
Farinha de trigo para empanar o peixe
Azeite
Escabeche
4-5 dentes de alho
1-2 folhas de louro
1-2 cebolas roxas cortadas ao longo do
comprimento em 8 pétalas
6-8 pimentões regionais verdes sem
sementes cortados ao meio
Pimenta de cheiro a gosto
½ -1 copo (100-200 ml) de vinagre suave
1 copo (200 ml) de vinho branco ou fundo de
peixe
1 cheiro verde picado
Lave o peixe com o limão e tempere a gosto.
Reserve por meia hora na geladeira. Para o
escabeche liquide metade do pimentão
junto com o vinagre e o vinho branco no
liquidificador e reserve. Aquece o alho e as
folhas de louro num fio generoso de azeite
até perfumar. Retire as folhas de louro e
reserve. Seque o peixe com papel toalha e
passe pela farinha de trigo. Doure o peixe no
azeite perfumado de todos os lados até ele
obter uma crosta gostosa e se desfazer com
facilidade em lascas firmes. Reserve. Refogue
a cebola e o restante do pimentão cortado
ao meio no mesmo azeite do peixe. Dissolve
bem as queimadinhos no fundo. Acrescente
o pimentão liquidificado junto com o vinagre
e o vinho, devolve a folha de louro, tempere
a gosto e espere o molho reduzir um pouco
sob fogo brando. Coloque o peixe numa
vasilha de vidro ou de louça. Corrija os
temperos do molho e regue o peixe com o
mesmo, acrescente as pimentas de cheiro,
tampe e guarde por algumas horas na
geladeira. Sirva quente ou frio,
acompanhado de arroz branco.
Peixe coberto com o molho escabeche se
mantém fresco na geladeira por vários dias.
T
Pirarucu salgado assado
sobre feijão
800 g de pirarucu salgado, dessalgado de
véspera
1 limão galego
Sal, pimenta, coentro em grãos e colorau
a gosto
Azeite
1 cebola picada
3-4 dentes de alho picados
4-5 pimentões regionais picados
500 g de feião de corda fresco
Legumes da estação como quiabo,
jerimum, maxixe, cenoura, couve
2-3 folhas de vinagreira picadas a gosto
1 cheiro verde picado
De véspera, dessalgue o pirarucu. No dia
lave o pirarucu com limão e escalde com
água fervente ou cozinhe em fogo
brando coberto com água. Separe os
pedaços mais bonitos e desfie o
restante. Reserve. Cozinhe o feijão e os
legumes a parte em água com sal até
fiquem “al dente”, oferecendo uma
certa resistência ao dentes ao serem
mordidos. Refogue a cebola e o
pimentão em um fio de azeite com
colorau, acrescente o alho e continue
refogando. Junte o pirarucu desfiado,
doure um pouco e depois misture com o
feião e os legumes. Corrija os temperos,
salpique com o cheiro verde e mantém
quente. A parte doure as postas de
pirarucu em um generoso fio de azeite
com colorau, corrija os temperos e sirva
sobre o feijão. Acompanha arroz branco.
Versão
Frite o pirarucu escaldado em dois dedos
de óleo vegetal.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 404
Pirarucu defumado
ao forno com leite de
coco e legumes
800 g de pirarucu defumado
Legumes da estação por
exemplo brócolis, cebola,
quiabo, pimentão regional,
batata-doce ou macaxeira,
assado no forno ou cozidos
em água com sal
Molho de leite de coco
1-2 dentes de alho
1 copo (200 ml) de leite de
coco caseiro ou
industrializado
½-1 copo (100-200 ml) de
fundo de peixe
1 folha de louro
Sal grosso e pimenta de cheiro
a gosto
Noz-moscada ou cominho em
grãos a gosto
Asse pirarucu sozinho ou
junto com os legumes regados
com azeite e salpicado com
sal grosso no forno. Aquece o
leite de coco junto com o
fundo de peixe, o alho e a
folha de louro. Tempere a
gosto, espere reduzir um
pouco. Coloque o peixe
assado junto com os legumes
no molho. Corrija os temperos
e sirva acompanhado de arroz
e farinha d´água.
T
Pirarucu salgado à
portuguesa
600-800 g de pirarucu salgado,
dessalgado de véspera
1 limão galego
1 l de leite de vaca ou de coco
1 folha de louro
1 dente de alho
Azeite
2-3 cebolas cortadas em anéis ou
partidos e assados
3-4 batatas inglesas cozidos, sem pele,
cortados em rodelas
4 ovos cozidos
12 azeitonas portuguesas pretas
1 cheiro verde picado
Na véspera dessalgue o pirarucu. No
dia lave o pirarucu com limão. Aqueça
o leite com a folha de louro e o dente
de alho. Acrescente o pirarucu e
cozinhe em fogo brando até ele se
desmanche com facilidade. Retire o
peixe e use o leite para cozinhar as
rodelas de batata. Não as cozinhe
muito mole, verificando o sal. Reserve
as batatas e um pouco de leite.
Preaqueça o forno a 180 graus. Desfie
o peixe em lascas generosas e reserve.
Doure a cebola em um fio de azeite.
Unte uma forma refratária e recheia
em camadas. Começa com as batatas,
coloque por cima o peixe desfiado e
termina com cebola e ovos. Regue
com bastante azeite e um pouco do
leite, salpique com metade do cheiro
verde, os ovos partidos e as azeitonas.
Doure por mais ou menos 10 minutos
no forno. Salpique com o restante do
cheiro verde e sirva acompanhado de
arroz e farinha d´água.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 405
Versões de torta de pirarucu
Massa
250 g de farinha de trigo
100 g de manteiga sem sal, gelada ou banha de porco
1 ovo grande inteiro ou 2 pequenos
1 colher de chá de sal
1 colher de chá de fermento em pó
Recheio de pirarucu defumado
300 g de pirarucu defumado ou salgado, dessalgado
200 g de camarão salgado, dessalgado e descascado
300 g de sobras de peixe cozidas, desfiadas
1 limão galego, raspas da casca e suco da metade
Azeite
1 cebola branca ou roxa picada
3-4 pimentões regionais, várias cores, em cubinhos
Sal, pimenta, pimenta de cheiro e colorau a gosto
1 cheiro verde ou coentro a gosto, picado
Cobertura de cebola caramelizada
T
1 cebola cortada em anéis
2 colheres (sopa) de açúcar
Recheio pirarucu salgado, tomate, ovo e azeitonas adicional
1 xícara de molho de tomate bem temperado
2 ovos cozidos partidos em quatro
2-3 tomates em rodelas
1 cebola roxa cortada em anéis
12 azeitonas pretas
1 gema para pincelar as tiras
2 ovos batidos
1 copo (200 ml) de leite ou a gosto creme de leite
De véspera dessalgue o pirarucu. Para a segunda versão prepare um molho de tomate caseiro. Para as duas
versões prepare a massa. Coloque farinha, o fermento, o sal e a manteiga numa tábua e misture picando com
ajuda de uma faca. Trabalhe rápido, acrescente o ovo e sove a massa somente o necessário e até ficar
homogênea. Cubra com um pano e espere descansar por 20 minutos em um lugar não muito frio. Lave o peixe
com limão, escalde e desfie. Preaqueça o forno em 200 graus. Unte uma forma refratária, forre com a massa e
espalhe o molho de tomate por cima. Cubra com os outros ingredientes, terminando com o tomate, a cebola,
o ovo e as azeitonas. Recorte ou role tiras com a massa restante e decore a torta. Regue tudo com azeite,
pincele as tiras com gema a gosto e asse no forno até a massa dourar por mais ou menos 30 minutos.
Para a primeira versão refogue a cebola junto com os pimentões, acrescente peixe e camarão e refogue mais
um pouco. Tempere a gosto e espalhe sobre a massa. Caramelize lentamente a cebola junto com o açúcar e
espalhe sobre o peixe. Com ajuda de um garfo bata os ovos junto com o leite, tempere a gosto e derrame
sobre a massa. Decore com sobras da massa e asse. Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata
406
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 407
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 408
PASTOS
&quintais
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 409
Porco, pato & galinha, todos caipiras
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 410
Carneiros no porto
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 411
Galo e galinhas caipiras
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 412
Caça, mas pega nunca
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 413
Galinha caipira
Origem
Se chamam “gigante negro” ou simplesmente de “caipira comum”
e fazem parte de alguma das aproximadamente 300 raças de
galinhas, gallus gallus domesticus, que existem no mundo,
domesticadas há muito tempo. Muitos quintais amazónicos com
chão batido ou arenoso são povoadas por esse tipo de galinha,
livres, felizes e soltas compartilham em convívio amigável o
mesmo espaço com patos e até urubus, exibindo a beleza das suas
plumagens brilhantes das mais variadas cores e desenhos. Ave
rústica, criado de subsistência tanto pelos ovos quanto para a sua
carne saborosa e cobiçada, se alimentam o dia todo,
constantemente revirando o chão, ciscando, e os galos cantam
madrugadas adentro. Quem já provou sua carne escura, suculenta
e cheia de sabores, mais dura do que o frango industrializado que
só pode viver uns 25 dias ao contrário das 60-80 dias da galinha
caipira, e ainda tem pouquíssimo peito, não resiste, mesmo que o
preço seja bem mais salgado. Será recompensado, especialmente
sabendo preparar a galinha como se fazia antigamente, de
preferência salmourada uma noite para depois ser cozida
lentamente e com bastante caldo.
Aroma
O ovo caipira se destaca por sua gema amarela intensa. Galinhas
caipiras tem carne rica em sabores complexos, porém muito mais
dura do que a carne dos frangos de granja.
Uso
Em todos os pratos com ovo ou frango. Aproveite e cozinhe das
aparas um perfumado caldo para sopas ou arroz
Clássico
Galinha caipira ensopada ou, no lugar de um pato, assado na
grelha para depois ser cozido no tucupi.
Exótico
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 414
Salmourado e depois assado no arubé ou no tucupi preto
Imperdível
Transporte de galinhas
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 415
Patos ou galinhas viajando com destino incerto
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 416
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 417
Do bico até a garra
Aproveitar todo o alimento,
especialmente de um bicho que tinha que
morrer, hoje em dia se impõe. Chamado de
focinho até o rabo ou no quesito
galinha e pato algo como do bico até a
garra. É vale muito a pena! Partes
desprezados, pés, pescoço, asinhas e outros
dão, junto com qualquer osso um perfumado
caldo cheio de colágeno, muito saudável,
concentrando todo o gosto e sabor da ave.
Saboreado em forma de sopa ou usado no
preparo por exemplo de arroz, transforma
qualquer prato.
Para uma cor bem
apetitosa acrescenta
colorau ou açafrão-daterra
ao caldo da sopa!
Quer ainda mais sabor e carnes super
saborosas e macias? Coloque o pato ou a
galinha caipira, para lá de duro, durante uma
noite numa salmoura ou vinha
d´alhos! Pode ser um simples água com
sal ou uma sofisticada vinha d’alhos,
contendo componentes ácidos como
vinho, vinagre ou limão, ervas e
especiarias a gosto para acrescentar
suculência, maciez, novos sabores, além de
uma pele crocantíssima. Depois de ser
retirado da salmoura, a ave deve ser lavada.
Para que a pele ficar crocante, tem que ser
seca antes de assar! Depois só seguir a receita,
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata recomenda-se somente moderação no sal.
418
Desfiar & pilar
Muçuã de botequim, carne louca,
roupa velha e o tradicional salpicão são
todos preparados com algum tipo de carne
desfiada. O salpicão da foto ao lado, uma
releitura, combina fatias de caju suculentas,
frango desfiado, cenoura em lascas e cheiro
verde, servido sob repolho roxo. No lugar da
maionese um creme de castanhas de caju.
Desfia-se proteínas pelos mais diversos motivos.
Desfiar peixe resolve qualquer problema
espinhento de vez e quem não gosta de se
atracar num osso fica com a carne desfiada muito
bem atendido. Além disso faz render a
proteína, e muito, ou ajuda em dar roupa
nova reaproveitando qualquer sobra!
Antigamente levava-se proteínas piladas junto
com a farinha para longos dias de caça ou pesca
- são refeições substanciais e práticas. Diluídas em
água rendem ótimos ensopados que na Amazônia
se chamam mojicas.
Proteína pilada junto com farinha vira paçoca.
A mesma também pode ser adocicada, pilando
castanhas de todos os tipos torradas com o
que tem a mão, sal, açúcar e farinha ou fubá.
Rende e se conserva por mais tempo.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 419
Galinhada de galinha caipira com açafrão-da-terra
Caldo de galinha
1 galinha caipira cortada em pedaços ou a gosto um frango
1 limão galego
Colorau, sal e pimenta a gosto
Azeite
1 l de água
1 cebola cortado em 4 partes
1 folha de louro
2-3 cravos
½ de cheiro verde
Galinhada
1 cebola cortada em pétalas ou listras
3-4 pimentões regionais cortados em listras
1 pedaço de açafrão-da-terra, descascado e ralado ou 1 colher (chá) de açafrão-da-terra em pó ou/e colorau
Cominho e coentro, sementes pilados ou em pó a gosto
Azeite
3-4 dentes de alho em lâminas
1 tomate em cubinhos
½ de cheiro verde
1 xícara de arroz lavado
2 xícaras de caldo de galinha reservado
Legumes a gosto como
1 chuchu
3-4 maxixes
1 cenoura
1 pedaço de jerimum
¼ de um pimentão vermelho regional
1 cheiro verde
A gosto salmoura a galinha uma noite. No dia corte a galinha em pedaços e lave com o limão. Tempere com
colorau, sal e pimenta e doure de todos os lados num fio de azeite. Cubra com água, acrescente a cebola, o louro e
os cravos e cozinhe lentamente ou a gosto na pressão até ficar macia o que pode durar 1 ½-2 ½ h. Reserve os
pedaços da galinha e use o caldo para preparar o arroz. Para a galinhada refogue a cebola, os pimentões, o açafrão
e as especiarias num generoso fio de azeite. Acrescente o alho, o tomate picado e metade do cheiro verde, depois
o arroz e continue refogando. Mede 2 xícaras do caldo de galinha reservado e junte. Cozinhe o arroz lentamente
até ele absorver todo o líquido. Corrige os temperos e a cor que deve ser de um laranja vivo, adicionando a gosto
mais colorau ou açafrão-da-terra. Terminado o arroz, devolve os pedaços da galinha, espere tomar gosto, salpique
com cheiro verde e sirva.
Versão
Elabore o caldo de galinha usando as partes menos nobres como pescoço, asinha e pé. Cozinhe as partes mais
nobres no caldo obtido. Reserve parte dele para preparar o arroz.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 420
O típico pato caipira
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 421
Pato
Origem
O pato-do-mato, cairina moschata, um pato preto, foi
domesticado pelos índios da América do Sul porque apreciavam a
sua carne com gosto de caça e coloração marrom clara. Durante a
domesticação foi-se perdendo a sua cor preta original e hoje os
patos exibem plumagem de diversas cores, muitas vezes
misturadas com branco. As características verrugas vermelhas sob
o bico aliás, se mantiveram. Patos assados são um dos pontos
altos de qualquer data festiva nortista, especialmente apreciados
assados e depois cozidos ao tucupi. Em quintais ou mesmo nas
ruas das colônias do interior encontram-se esses patos, livres,
felizes, criados no meio de galinhas caipiras.
Aroma
De um gosto bem mais intenso do que a carne de frango,
lembrando caça, tanto a carne quanto os ossos desse tipo de pato
exibem uma cor marrom clara. Sendo criado livremente, a sua
carne é bastante dura o que deve ser considerado no preparo.
Recomenda-se de salmourar ou marinar o pato antes de assar.
Uso
Ensopado ou assado para depois ser cozido no tucupi ou desfiado
para se misturar com arroz ou virar recheio de pastel delicioso.
Clássico
Em dia de festa - pato ao tucupi ou arroz de pato.
Exótico
Assado, coberto por uma camada de doce de cupuaçu ou araçá,
frutas ácidas amazônicas – versão local do pato à laranja.
Imperdível
Assado e ensopado ao tucupi.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 422
Pato laqueado com cupuaçu
1 pato inteiro, limpo de mais ou menos 2,5 kg
Suco de 1 limão galego
Vinha d´alhos
¼ copo de azeite
3 colheres (sopa) de vinagre tinto ou a gosto
1 xícara de água
1 pequena cebola picada
3 dentes de alho, picados
3-4 cravos
2-3 folhas de louro
Coentro e cominho em grãos a gosto
½ maço de coentro ou manjericão picado
½ colher (chá) de sal grosso
Azeite
Laqueado do pato
1 copo de polpa de cupuaçu ou de taperebá passada pelo liquidificador
1 pedaço de gengibre ralado
½ xícara de óleo vegetal
2-3 colheres (sopa) de mel de abelhas nativas
Sal e pimenta a gosto
3 folhas de chicória picadas
3 pimentas de cheiro picadas
½ maço de cheiro verde picado
Frutas da estação para decorar
Folhas de caneleira ou outras folhas para decorar
½ kg de farinha torrada em 4-5 colheres (sopa) de manteiga
1 cheiro verde
Lave o pato com limão. Se o pato for de criação livre, o coloque durante uma noite numa vinha d´álhos. Para a
vinha d´álhos misture todos os ingredientes. Acrescente água suficiente para cobrir todo o pato. No outro dia
escalde o pato na vinha d´alhos até ele amolecer um pouco. Se for muito duro, coloque na panela de pressão.
Prepare o laqueado, misturando todos os ingredientes. Reserve. Retire o pato da vinha d´álhos, descarte o
líquido, seque o pato com papel toalha e sele-o de todos os lados num generoso fio de azeite. Preaqueça o forno
em 220 graus. Unte uma assadeira com borda alta e reserve. Coloque o pato na assadeira e lambuze o mesmo
por inteiro com o laqueado. Coloque no forno e asse durante 1 ½ - 2 horas dependendo do tamanho do pato.
Pincele o laqueado em intervalos regulares sobre o pato até ele exibir um bronzeado dourado. Com os miúdos,
algumas frutas e bastante cheiro verde prepare uma farofa. Sirva o pato sobre uma cama de farofa, decore com
as folhas e as frutas. Acompanha arroz branco e salada.
Das sobras do pato prepara-se um delicioso arroz de pato. 423
Pato laqueado sob farinha
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 424
T
Pato laqueado sobre farofa de miúdos de pato e
frutas da estação
Prepare o pato conforme descrito nas páginas anteriores. Cozinhe os
miúdos junto com o pato ou prepare a parte um caldo com as partes
menos nobres. Retire as partes, desfie e pique bem fino e reserve. Use o
caldo no preparo de arroz.
Farofa de miúdos e frutas da estação
1 cebola picada em anéis
3-5 pimentões regionais em listras
1 pedaço de gengibre em listras a gosto
2-3 dentes de alho
2-3 colheres (sopa) de manteiga
Os miúdos do pato e outros partes menos nobres desfiados
2 xícaras de farinha d´água fina
Sal e pimenta a gosto
1 cheiro verde picado
Frutas da estação
Refogue a cebola junto com o pimentão e o gengibre. Acrescente o alho e
as partes do pato. Refogue bem e incorpore, por fim, a farinha. Tempere a
gosto e doure a farinha. A gosto acrescente couve picada, banana pacovã
ou outras frutas a farofa. No lugar de servir com frutas frescas, as mesmas
frutas também podem ser douradas na manteiga. Salpique com cheiro
verde e sirva a farofa como cama para o pato.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 425
Versões de arroz de pato, com cebola caramelizada, com tucupi e jambu e com laranja
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 426
Versões de arroz de pato
Arroz de pato caipira com
jambu e cebolas
caramelizadas
Arroz
2-3 dentes de alho picado
Azeite
Sal e pimenta a gosto
1 xícara de arroz
2 xícaras de água fervente ou caldo
dos miúdos ou ossos do pato
1 maço de jambu, lavado, sem talos
Sal e pimenta a gosto
Azeite
Refogado
3-4 pimentões regionais picados
Sobras de pato assado (veja receita
três páginas atrás)
Cebola caramelizada
2-3 cebolas cortadas em anéis
1-2 colheres (sopa) de açúcar
2 colheres (sopa) de manteiga
Sal a gosto
Desfie as sobras de pato, a gosto preservando uma ou outra
parte para decorar. Prepare a cebola caramelizada. Derreta a
manteiga, acrescente o açúcar e um pouco de sal e espere sob
fogo baixo caramelizar lentamente. Reserve. Para o arroz
refogue o alho num fio generoso de azeite, junte o arroz lavado,
continue refogando e termine com sal e a água ou o caldo de
pato. Levantou fervura, continue em fogo baixo. Acrescente o
jambu e espere até o arroz absorver todo o líquido. A parte
refogue o pimentão num fio de azeite, acrescente as sobras do
pato e espere aquecer. Misture as sobras com cuidado ao arroz.
Corrija os temperos e sirva o arroz de pato com a cebola
caramelizada por cima. Acompanha salada.
Arroz de pato com tucupi
e jambu
Arroz
2-3 dentes de alho picados
3-4 pimentões regionais cortados
em listras
1 pedaço de açafrão-da-terra,
descascado e ralado ou 1 colher
(chá) de açafrão-da-terra em pó
Azeite
3-4 dentes de alho em lâminas
1 tomate em cubinhos
½ de cheiro verde
1 xícara de arroz lavado
2 xícaras de tucupi ou meio tucupi,
meio caldo de pato
Desfie as sobras de pato e preserve algumas partes mais bonitas
inteiras, por exemplo as coxas, para decorar. Para o arroz
refogue o alho num fio generoso de azeite, junte o arroz lavado,
continue refogando e termine com sal e o tucupi ou meio-meio
caldo de pato e tucupi. Levantou fervura, continue em fogo
baixo. Acrescente o jambu e espere até o arroz absorver todo o
líquido. A parte refogue o pimentão num fio de azeite,
acrescente as sobras do pato e espere aquecer. Misture as
sobras com cuidado ao arroz. Corrija os temperos e sirva o arroz
de pato acompanha de salada.
T
Arroz de pato com
laranja
Arroz
3-4 dentes de alho picados
3-4 pimentões regionais cortados
em listras
Cominho e coentro, sementes
piladas ou em pó a gosto
Azeite
1 xícara de arroz lavado
2 xícaras de caldo de água ou caldo
de pato
1 laranja, raspas da casca e suco
1 cheiro verde
Desfie as sobras do pato e reserve algumas partes mais bonitas
para decorar. Refogue o alho num fio de azeite, acrescente o
arroz, continue refogando e depois cubra com a água ou o
caldo de pato e salgue. Cozinhe em fogo médio até o arroz
absorver todo o líquido. A parte refogue o pimentão num
generoso fio de azeite. Acrescente as sobras do pato e refogue
junto. Incorpore o refogado ao arroz junto com as raspas e o
suco da laranja. Corrija os temperos, decore com fatias de
laranja e pimenta de cheiro. Salpique com cheiro verde e sirva.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 427
A festa será grande e comunitária
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 428
Advinha o destino do boi
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 429
Mercado de carnes, Ver-o-peso, Belém
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 430
Mercado de carne, mirante e vista
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 431
Mercado de carne
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 432
Carne exposta a venda, mercado de carne, Ver-o-peso, Belém
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 433
Viçarás, procuradas não só para feijoada e panelada, mas muitas outras delícias
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 434
Açougue no interior
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 435
O Rei do Mocotó e seus bichos de estimação
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 436
Açougue Deus é fiel
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 437
Vísceras & ossadas
Nos mercados do Norte o mercado de carne é bem
especializado. Até parece que segue o movimento
“do Focinho até o Rabo”. O mesmo vê como
questão de hora de comer tudo do bicho que tinha
que morrer para o nosso prazer de mesa. Vendem-se
numa banca só as carnes frescas ou verdes no jargão
local. Ao lado há as bancas especializadas em
vísceras e outras partes mais ordinárias. São
compradas por tradição e claro, também por falta de
poder aquisitivo. Mas quem sabe aproveitá-las sem
preconceito abre novos e inesperados
horizontes culinárias! O mocotó ou
ossada vão para o feijão, para a feijoada ou sua
amiga maniçoba onde se juntam ao bucho,
ficando responsável para dar sabor, liga e
untuosidade! O melhor? Não pesam no prato!
Panelada, grossa e substancial, é prato famoso da
baixa gastronomia, também não dispensa nem
mocotó nem bucho. Quem aposta no sarapatel,
bem temperado, a gosto levemente avinagrado,
fígado ou coração, acha todos os ingredientes superfrescos
nessas barracas. Especialmente coração é
uma carne absolutamente subestimada.
Galinha caipira ou um festivo pato?
Encontram-se em outra barraca. Ainda tem gente que
gosta de levar o bichinho ainda vivo para casa ou
abatido na hora. Carnes salgadas e
defumadas, os embutidos tão apreciados?
Todos tem sua barraca.
De focinho até o rabo ou nadadeira também vale para
os peixes. Acho que ganharia a cabeça de peixe,
um belo esqueleto de pirarucu de graça?
Engano! Leve engano! São muito apreciados! O
espinhaço já vem salgado para ganhar mais gosto
ainda. As cabeças vão para o ensopado ou são assadas
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata na grelha. Chupar com gula todas essas carnes
438
gelatinosas tem seu preço!
Sal, salmoura e vinha d´alhos
Uma fina camada de sal aplicada em peixe
fresquíssimo não só evita qualquer pitiu, mas
também agrega sabor. A mesma lógica funciona
para vísceras, mocotó, orelha, focinho
e rabo, aquelas partes do porco responsáveis pela
untuosidade da feijoada ou peças de carne inteiras.
Especialmente para porco ou carnes duras
vale apostar numa salmoura ou vinha d´alhos,
costume trazida da terrinha. Intensificam o sabor
próprio da carne, acrescentam sabores novos e
mantêm a carne suculenta. E a pele por exemplo de
um pernil de porco fica extra crocante! Só lavar e
depois secar cuidadosamente antes de levar a brasa.
A componente ácida da vinha d´alhos e as ervas
combinam, claro, com muito alho. O céu é o limite.
Testa acrescentar a mesma quantidade sal
e açúcar na salmoura e completa com bebidas
alcoólicas. Ervas frescas, cascas e suco de cítricos,
paus de canela, folhas de louro, cravos, grãos de
pimenta, um pouco machucados, são super bem
vindos.
Receita básica vinha d´alhos
1 folha de louro, 2-3 cravos
½ copo de vinagre branco ou suco de limão galego
1 copo de vinho branco ou tinto de boa qualidade
Alho, sal/açúcar e pimenta ou especiarias a gosto
Água limpa para cobrir
Salmoure-se a proteína durante algumas horas ou
uma noite inteira. Depois lava-se a carne e a gosto
descarta a salmoura ou aproveita parte ou tudo dela
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata para cozinhar a carne.
439
T
Ossada ou mocotó e bucho de boi com feijão e legumes
1 kg de ossada, espinhaço ou mocotó e bucho de boi
1 limão galego ou vinagre para lavar
Sal, colorau/açafrão-da-terra, cominho e coentro a gosto
Pimenta de cheiro a gosto
Refogado
Azeite
1 cebola picada
1 pedaço de gengibre picado
3-4 pimentões regionais picados
3-4 dentes de alho picados
2 folhas de louro
2-3 cravos a gosto
2 xícaras de feijão demolhado de véspera
Água
Legumes a gosto por exemplo:
1 beterraba em cubos
1 tomate picado
1 maço de maxixe picado
1 maço de espinafre-de-macaco sem talos
1 cheiro verde picado
Folhas de ora-pro-nobis para decorar
A gosto algum tipo de linguiça cortada em rodelas
Tempere a ossada ou o mocotó/bucho de véspera com uma fina camada de
sal e colorau a gosto. Guarde algumas horas na geladeira. No outro dia lave
com água e limão e reserve. Mocotó e bucho devem ser escaldados. Também
de véspera, cubra o feijão com água e espere demolhar. Prepare o refogado,
dourando numa panela funda a cebola junto com o gengibre e os pimentões.
Acrescente colorau/açafrão-da-terra, a ossada e doure de todos os lados. Aos
poucos pingue água e solte a crosta do fundo da panela. Junte o feijão e as
especiarias e cubra com água. Cozinhe lentamente até o feijão amolecer.
Conforme o seu tempo de cozimento acrescente aos poucos os legumes
também: primeiro a beterraba, depois o maxixe e por fim o tomate e o
espinafre. Continue cozinhando até o feijão ficar bem mole, acrescente o
cheiro verde e sirva acompanhando arroz e carne. Como o mocotó e o bucho
levam muito mais tempo, é melhor cozinhar primeiro o mocotó até amolecer,
de preferência na panela de pressão. Na metade do tempo do cozimento
acrescente o bucho bem picado. Bem mole, espere esfriar, retire o excesso de
gordura e acrescente agora o feijão, e a gosto a linguiça refogada. Cozinhe até
todos os gostos se misturarem. No final do preparo acrescente o cheiro verde
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata e decore com as folhas de ora-pro-nobis. 440
Caldo de mocotó, cozidão com mocotó e panelada
paraense
1 kg misturado de bucho, tripa, cortado bem miúdo e mocotó de boi ou só
mocotó cortado em rodelas
1 limão ou vinagre para lavar
Água
Para o cozido dispensa bucho e tripa e use só o mocotó e adicional carnes e
embutidos e legumes da estação a seu gosto
Refogado
Óleo ou azeite
1 cebola grande picada
T
Açafrão e/ou colorau a gosto
3-4 dentes de alho picado
3-4 pimentões regionais vermelhos em listras
1 tomate picado
Pimenta de cheiro, sal, cominho e coentro a gosto
3 folhas de louro
1 cheiro verde picado
A gosto as partes do boi podem ser cobertas com uma camada de sal e
guardadas uma noite na geladeira. No dia lave as vísceras e os ossos com limão
e vinagre. Depois cubra com água e escalde todas as partes do boi. Descarte a
água e prepare o refogado. Doure a cebola junto com o pimentão num fio de
azeite. Junte açafrão/colorau, especiarias e sal se for necessário, o tomate e o
alho e continue refogando. Junte às partes escaldadas do boi na panela de
pressão, cubra com água e cozinhe até o mocotó solte do osso e o bucho está
macio o que pode levar bastante tempo. Espere esfriar para poder retirar o
excesso de gordura.
Para a sopa de mocotó pique as carnes mais miúdas ainda, corrija os
temperos e sirva de entrada reconfortante salpicado com cheiro verde.
Engrosse a gosto com farinha.
Para o cozidão reserve o mocotó e cozinhe as carnes e os legumes escolhidos
no caldo obtido. Recomenda-se cozinhar tudo à parte, respeitando o tempo de
cozimento de cada ingrediente e só depois juntar e aquecer o conjunto para os
sabores se misturarem.
Para a panelada use menos água e sirva com ou sem osso a gosto salpicado
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 441
com cheiro verde.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 442
Sessão de carnes e embutidos salgados e
defumados, ingredientes procurados para
maniçoba e feijoada
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 443
Feijoada a maneira nortista
½ kg de ossada ou mocotó, cortado em pedaços menores
½ kg de vísceras, tripas e/ou dobradinha picado em pedaços
2-3 limões ou vinagre
Orelha, rabo e focinho de porco a gosto
Sal, pimenta e cominho a gosto
Óleo
1 kg de feijão preto (ou por pessoa um bom punhado) junto
com a água na qual foi demolhado
150 de bacon picado em cubinhos
300 g de carne seca, dessalgada em cubos
300 g de costelinha e/ou lombo de porco
300 g de calabresa, linguiça portuguesa ou paio em rodelas
2-3 cebolas picadas
8 dentes de alho, picados
3-4 folhas de louro
2-3 maços de cheiro verde
Acompanhamentos como couve, farofa, arroz e laranja a gosto
Prepare a feijoada com um ou dois dias de antecedência.
A gosto cubra a ossada um ou dois dias antes com uma camada
de sal e guarde na geladeira. A mesma coisa pode ser feita com
orelha, rabo e focinho e as vísceras, antes devidamente limpas e
lavados com limão. Um dia antes de cozinhar, coloque o feijão
de molho e as partes salgadas para dessalgar. No dia lave o
mocotó e rabo e focinho, doure num fio de azeite, cubra com
água, junte as especiarias e cozinhe, por ser na panela de
pressão, até a carne se solta do osso. Escalde as vísceras e as
carnes salgadas, caso precise. Cozinhe o feijão com uma ou duas
folhas de louro em separado ou já junto com as carnes salgadas
mais duras e a orelha. Doure o bacon e a linguiça, junte cebola e
mais tarde o alho e continue refogando. Bem refogado
acrescente, junto com as vísceras, um após o outro, ao feijão.
Por fim incorpore o mocotó e cozinhe tudo até todos os gostos
se misturarem. Acerte os temperos e reserve. No dia da feijoada
prepare todos os acompanhamentos e aqueça a feijoada. Sirva
quente. Acompanha farinha ou farofa, pimenta de cheiro,
couve, arroz e laranja.
T
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 444
Os búfalos do Marajó andem soltos sobre a ilha
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 445
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 446
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 447
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata
Queijos regionais
Origem
São três queijos tradicionais, feito do leite cru que disputam a
prevalência nortista, todos queijos com pouco maturação: Queijo
de búfala do Marajó, suave e cremoso, queijo coalho, um pouco
mais ácido e com mais sal e o rico e bem untuoso queijo manteiga.
O queijo manteiga é feito de leite cru sem adição de coalho e é um
queijo amanteigado, de massa amarelada e casca um pouco rija.
Típico do Nordeste brasileiro, o queijo coalho ficou famoso ao ser
vendido em espetinhos assados na brasa. Na sua preparação se
adiciona coalho ou outras enzimas coagulantes ao leite. Demora a
derreter e fica com uma casquinha gostosa ao ser assado. O queijo
de Marajó é produzido de maneira muito simples de leite de búfala
desnatado, vale lembrar que a legislação permite até 40% de leite
bovino no queijo declarado de leite de búfala e de fermentação
espontânea. Esse tipo de queijo está a caminho para o registro de
indicação geográfica.
Aroma
O queijo de búfala tem gosto suave e doce do leite de búfala. O
queijo manteiga tem aroma e cor amanteigada e textura cremosa.
O queijo coalho é mais salgado com leve toque de acidez e massa
bem firme.
Uso
São queijos bastante neutros e combinam com salgado e doce.
Clássico
Filé de carne de búfalo com queijo de búfala
Exótico
Queijo de búfala assado com mel e banana
Imperdível
Queijo de búfala ou de manteiga puro, com um beijucica fresco ou
de sobremesa com doces regionais tipo Romeo e Julieta nortista
448
Queijo manteiga – uma delícia rara
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 449
T
Filé Marajoara
800 g de carne de búfalo em bife ou filé
Colorau, sal e pimenta a gosto
Azeite
300 g de queijo de búfalo ralado no ralo
grosso
½ cebola em meias-luas ou anéis
Tempere a carne com colorau, sal e
pimenta e reserve. Doure a cebola em
um fio de azeite e reserve. Em outro fio
de azeite frite a carne de um lado até
dourar. Vire e doure do outro lado.
Retire a carne, acrescente um pouco de
água para o molho e devolve a carne à
panela. Cozinhe até o ponto desejado.
Cubra com o queijo, tampe e espere até
o queijo derreter. Sirva com as cebolas.
Acompanha arroz branco e legumes.
Canapés de beijucica com pupunha,
tomate e queijo de búfala
Por pessoa 2 beijucicas quadrados
1 pupunha descascada, cortada ao meio, sem caroço
2 fatias de tomate
2 fatias de queijo de búfala
Monte o beijucica de seguinte maneira. Beijucica,
tomate, pupunha e queijo. Leve ao forno e gratine até
o queijo derreter. Sirva de entrada sob uma folha
verde.
Romeo e Julieta nortista
Combina por pessoa uma bela fatia do queijo da sua
escolha com uma compota ou um doce de corte de
frutas regionais como cupuaçu ou taperebá e sirva de
sobremesa.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 450
T
Variações de baião de dois
A simples mistura de uma parte igual de arroz
com uma parte de feijão, os dois cozidos e
bem temperados a gosto, permite bastante
variações. Começa com a escolha do feijão.
Além do tradicional feijão de praia ou o
minúsculo e regional feijão manteiguinha,
pode-se apostar em mais contraste, usando a
variante preta do manteiguinha ou o
vermelho feijão vinagre. Agora só falta
bastante coentro fresco e pronto o
acompanhamento básico.
Baião de dois rico: arroz, feijão,
queijo coalho, banana pacovã e
rapadura
Para transformar o simples baião em prato
principal, por exemplo para vegetarianos,
acrescente uma generosa porção de queijo
coalho ralado no ralo grosso ou fatias fritas ou
assadas na manteiga de banana pacovã. Para
amantes de mais contraste, aposta na
rapadura! Ralada, ela derrete e se mistura aos
outros sabores.
Para uma versão mais rica ainda acrescente
toucinho, carne seca em cubos ou desfiado e
linguiça frita cortada em rodelas. Dessa
maneira vira prato principal substancial e bem
regional.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 451
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata
Búfalo do Marajó
Origem
O búfalo, um bovino do gênero bubalus, é bastante dócil,
paciente e muito bem adaptado na Ilha do Marajó onde formam
o maior rebanho desses animais no Brasil. Introduzido na ilha no
final do século passado, é originário da Índia e da Itália. Algumas
fontes descrevem que foi um acidente, um naufrágio que deixou
os primeiros animais no Marajó, outras argumentam com
simples motivos comerciais. Hoje os búfalos fazem parte do
pitoresco da região, e pertençam a quatro raças diferentes o
que pode ser observado facilmente. Perfeitamente acostumado
à regiões pantanosas e inundadas, o búfalo é criado tanto para
trabalhar, ser montado sendo um meio de transporte
alternativo, atração turística e quanto por sua carne, leite e
claro, o famoso queijo do Marajó. Búfalos encontram-se numa
parte da ilha desamarrados, pastando livremente ou se
refrescando nos inúmeros alagados e pântanos.
Aroma
O leite da búfala é mais doce do que o leite da vaca, os queijos
cremosos e leves. Muito apreciado é também o iogurte. O gosto
da carne é parecido com carne de boi, mas ganhando em maciez
com teor de gordura menor.
Uso
Leite, iogurte ou queijo. A carne tem o mesmo uso da carne de
boi.
Clássico
O bife acebolado, um assado suculento ou no picadinho.
Exótico
Um generoso bife de búfalo grelhado com uma fatia de queijo
gratinado por cima.
Imperdível
Iogurte de leite de búfala ou um suculento cachorro quente
paraense gourmet que leva carne de búfalo picado, uma
452
generosa pitada de cominho e muito coentro fresco.
Muçuã de botequim
1-1,5 kg de músculo, de búfalo ou
de boi, em cubos
1 limão galego ou uma vinha
d´alhos a gosto
1 cebola picada
1 pimentão regional picado bem
fino
Azeite
Sal, pimenta, colorau e cominho a
gosto
2-3 dentes de alho
1 tomate bem picado
2 cravos
1 folha de louro
1 cheiro verde picado
Farofa
3-4 colheres (sopa) de manteiga
500 g de farinha d’água fina para
farofa ou cuscuz
Sal e pimenta a gosto
Lave a carne com água e limão. A
gosto deixe descansar uma noite
numa vinha d´alhos. Refogue a
cebola junto com o pimentão e o
colorau num fio de azeite e sele a
carne de todos os lados. Cubra
com água, junte o alho, as
especiarias, o cheiro verde e o
tomate e cozinhe em fogo baixo
lentamente ou na panela de
pressão até a carne e ficar bem
macia, pronta para desfiar. Retire
a carne, desfie, retorne ao caldo e
reserve. A parte derreta a
manteiga e torre a farinha na
mesma, tempere a gosto e sirva a
carne junto com a farofa. Decore a
gosto.
T
Cachorro quente a la mode do
Pará gourmet
Vinagrete
1 tomate picado bem fino
2-3 pimentões picados bem fino
½ maço de coentro picado
Vinagre suave ou suco de limão
Azeite
Sal e pimenta a gosto
Picadinho
1 cebola picada
3-4 pimentões regionais cortados em tiras
Azeite
Sal, pimenta, cominho e colorau a gosto
3 dentes de alho picados
800 g de carne de búfalo moída
1 folha de chicória
2-3 tomates regionais picados
1 folha de louro
1 pão para cachorro quente ou baguete
1 colher (chá) de manteiga ou maionese
Prepare o vinagrete com tomate, pimentão,
coentro, azeite, vinagre, sal e pimenta e
reserve. Doure a cebola junto com o
pimentão num fio generoso de azeite.
Acrescente o alho, colorau e cominho a
gosto, tempere e junte a carne moída. Asse
muito bem para depois adicionando um
pouco de água, o tomate e a folha de louro
e a chicória. Cozinhe em fogo baixo por 5-10
minutos, acrescentando mais água se for
necessário. Corrija os temperos. Corte o pão
ao meio e torre na manteiga derretida ou
passe dos dois lados uma fina camada de
maionese. Arrume o pão num prato,
recheie com a carne moída e regue com o
vinagrete. Salpique com algumas folhas de
coentro.
Variações:
• Uma fatia generosa de queijo de Marajó
derretido na manteiga
• Acrescente um pouco de jambu escaldado
à carne moída
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 453
Street-food
Apelido de “churrasquinho de gato” – lanches
rápidos e ambulante há em cada esquina
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 454
Espetinho de todos os tipos sempre acompanhados de farofa
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 455
Mel de abelhas nativas, todos sem ferrão, abre novas oportunidades culinárias
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 456
Mel de abelha indígena
Origem
Se chamam jatíi, uruçú, jupará, canudo, jurupura, moça branca ou
mosquito, todas abelhas nativas, todas do gênero melípona sp,
que soma por volta de 130 espécies. Fascinantes, produzem cada
uma um mel distinto com aroma e cor próprios. Indispensável na
polinização das florestas amazônicas, são abelhas selvagens ou
semi-domesticadas, popularmente chamadas de abelhas doces
por não dispor do ferrão da abelha europeia, introduzida. As
abelhas nativas são muito menos produtivas do que as abelhas
introduzidas. O seu mel silvestre se destaca pela acidez alta e uma
gama variada e surpreendente de gostos diversos e complexos
além de ser muito mais líquido. O termo meio-domesticadas se
explica por haver registros de tempos pré-cabralianos sobre
indígenas que manejavam e até hoje manejam abelhas, já que
apreciam muito o seu mel. As abelhas modernas habitam
casinhas de madeira os quais preenchem com seus ninhos de
estruturas engenhosas - cada espécie tem sua maneira particular
de construir. O mel nativo, coletado durante a floração no verão
entre julho a dezembro, é muito procurado no mercado e obtém
altos preços.
Aroma
Mais ácido do que o comum, uns até com um leve traço alcoólico,
obtido por fermentação natural, são méis muito complexos.
Uso
Muito usado como remédio, por exemplo em feridas, e também
muito apreciado como alimento, substituindo o açúcar.
Clássico
Consumido in natura
Exótico
Usado no lugar de açúcar para adoçar ou dar um toque agridoce
por exemplo em legumes assados na brasa.
Imperdível
Ser surpreendido com os sabores diversos dos méis nativos
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 457
Batatas-doces, legumes mistos e bananas pacovã assados
na brasa com vinagrete e glaciados com mel
1 batata-doce pré-cozida, com casca em fatias
½ jerimum cortada em fatias ou cubos
1-2 berinjela/s em fatias, a gosto previamente salgado
Jiló cortado ao longo do comprimento
1-2 bananas pacovã com casca, cortado ao longo do comprimento
A gosto adicional
1 punhado de pimentões com cabo, 1-2 cabeças de alho cortado o topo
3 cebolas roxas cortadas em 8 pedaços, 2-3 tomates, cortadas ao longo do
comprimento, 1 maço de quiabo cortado ao longo do comprimento, 1 maço de
maxixe pré-cozido
Azeite
Sal grosso
Mel nativo para glaciar
Precozinhe a batata-doce. A gosto cubra as fatias da berinjela com uma fina camada
de sal e reserve durante meia hora. Depois lave sob água corrente. Unte uma forma
refratária e preaqueça o forno em
220 °. Corte todos os legumes escolhidos, o alho e as cebolas e a banana e espalhe
na forma. Regue com bastante azeite e salpique com sal. Asse por 30-40 minutos ou
até fiquem bem dourados. Regue com um fino fio de mel. Sirva quente ou frio de
entrada ou acompanhamento.
Os mesmos legumes também podem ser assados sobre brasa.
Vinagrete verde
1 ½ - 2 dentes de alho, picado bem miudinho
1 colher (sopa) de alcaparras picadas, A gosto algumas azeitonas verdes picados
1 pedaço de gengibre picado
½ cheiro verde picado, ½ maço de coentro picado
½ maço de alfavaca picado, 2-3 galhos de hortelã picados
2-3 folhas de vinagreira picadas
2-3 pimentas de cheiro picadas
1 colher de mostarda picante ou arubé a gosto
Sal grosso, pimenta e colorau a gosto
8 colheres (sopa) de azeite
3 colheres de vinagre suave ou suco de limão galego
Raspas da casca de meio limão galego
1-2 colheres de mel nativo a gosto
Pique todos os ingredientes bem miudinho, misture, tempere a gosto,
equilibrando salgado, ácido e doce e sirva acompanhando os legumes. Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 458
Pão-doce com caramelo de castanhas
3 1/3 xícara (400 g) de farinha
2 colheres (chá) de fermento biológico em pó
1 copo (200 ml) de leite em temperatura ambiente
1 pitada de sal
¼ - ½ xícara (50g) de açúcar ou a gosto
1 ovo
3-4 colheres (sopa) (50g) de manteiga em temperatura ambiente
Casca ralada de 1 limão
Cobertura
2 xícaras de castanhas-de-caju picadas grosseiramente
4 colheres (sopa) de mel, 4 colheres (sopa) (125 g) de manteiga
½ xícara (100 g) de açúcar mascavo ou a gosto
3 colheres (sopa) de creme-de-leite
Recheio de buttercream alemã tipo creme pâtisserie
500 ml de leite, 90 g de açúcar
Baunilha, 1 pitada de sal
45 g de maizena
3 gemas
320 g de manteiga, temperatura ambiente
Misture um pouco de leite com o açúcar, o sal, a maizena e as gemas. Acrescente o restante do
leite e aqueça sob fogo médio até começar a borbulhar. Espere engrossar. Tira do fogo e espere
esfriar até alcançar a temperatura ambiente. Bate a manteiga até obter um creme
embranquecido. Passe a massa por uma peneira e incorpore aos poucos, colherada por colherada,
à manteiga.
Para a massa peneire a farinha numa vasilha grande. Faça uma depressão no meio. Para ativar o
fermento, acrescente nessa depressão o fermento, um pouco de açúcar e um pouco de leite.
Misture o fermento com o açúcar e o leite e espere 10-15 minutos até o fermento começar a
reagir. Agora misture a massa com o restante do leite e o açúcar, acrescentando aos poucos. Sove
com a mão ou na máquina até a massa se solta da parede da vasilha. Em porções acrescente a
manteiga e continue sovando até a massa fica bem elástica. Cubra com um pano e reserve por 2
horas até a massa dobrar do tamanho. A gosto trabalha a massa novamente e espere dobrar de
novo para ela ficar mais lisa ainda. Também pode esperar a massa dobrar durante uma noite,
guardando a mesma na geladeira. Unte uma forma retangular ou redonda com bastante manteiga
e espalhe uma camada de 2-4 cm da massa ou coloque bolinhos em formas de cupcake, forradas
com quadrados de papel manteiga. Espere a massa dobrar e enquanto isso prepare a cobertura.
Preaqueça o forno em 180 graus. Para a cobertura aqueça o açúcar devagar até derreter.
Incorpore todos os outros ingredientes até todas as castanhas estejam bem envolvidas. Espere
esfriar e depois espalhe a cobertura sobre a massa ou os bolinhos e asse durante 25-30 minutos ou
até a massa dourar. Espere esfriar sobre uma grade.
A gosto recorte o bolo mais alto e recheie com creme pâtisserie bem firme ou outro recheio a seu
gosto.
459
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 460
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 461
Exuberância
AMAZÔNICA
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 462
Fartura de frutas regionais,
uma mais exótica do que a outra
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 463
Palmas e mais palmas de bananas chegando
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 464
Vende-se melancia, melancia doce que nem mel
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 465
Dois mastros – um repleto de frutas locais – hoje há festa! Essa festeja o Divino
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 466
Bem vindo acidez!
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata
Contrastes e combinações inusitadas como o uso de
frutas em pratos salgados são uma tendência! As
frutas amazônicas – estima-se que existem uns 200
delas – tem muito a contribuir. A sugestão para
iniciante é esconder a fruta suculenta e bem
picadinha, por exemplo, num vinagrete ou
acompanhar uma salada local ou até um peixe
na grelha com algumas fatias de frutas, por
exemplo carambola, manga ou abacaxi. Está à procura
de uma entrada diferente? Que tal fazer um patê
de murici, pajurá e até de pupunha? Sal, uma
colherzinha de vinagre ou suco de limão e ervas
amazônicas, tudo bem amassado e servido com uns
deliciosos beijus – nasceu um paté agridoce bem
agradável.
Um toque de acidez para realçar e sublinhar os
sabores complexos do prato? Substitua limão ou
vinagre por uma fruta, uma fruta ácida! Que tal
experimentar um ceviche com um molho de
maracujá ou de taperebá? Quem gosta de
experimentar aposta no ceviche vegetariano
deliciosamente refrescante com ou sem peixe e fatias
finas de abacaxi, jambo, banana ou caju. Os dois
últimos, a banana e o caju, também não fazem feio
em moquecas com ou sem camarão e peixe.
Polpa do caju substitui com glamour a carne ou o
camarão no tradicional vatapá e rende saborosos
hamburgeres. O seu molho precisa de um extra?
Experimenta polpa ou suco de fruta para acrescentar
notas novas ao preparo. Arroz combina muito bem
com raspinhas e suco de limão ou laranja. Também
vale a pena tentar arroz de murici!
Acompanhamentos mais ousados ainda? Aposte num
purê de abacaxi ou banana! Combinam
467
Frutas na brasa & na panela
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata
Já experimentou o que uma simples brasa
pode fazer para as frutas amazônicas?
Caramelizam, tanto quanto os legumes,
muito bem! Banana-pavocâ, já bem
madura, vai sob brasa mantendo a casca
protetora para ficar divina! Abacaxi,
com ou sem canela, e outras frutas,
carambola, manga, cítricos
ganham crostinhas deliciosas.
Farofas aproveitam-se do sabor e
da suculência das frutas misturadas
nelas. No Oeste do Pará se serve a
farofa de piracuí sempre com
pedaços de banana e o pirarucu na
casaca também abusa delas. Verde, a
banana pacovã tanto quanto o mamão
também entram no cozidão.
O peixe frito ganha novos ares com
suculentas pedaços de manga e
limão-da-Caiena. Na caponata
e no salpicão roubam cajupassas
com louvar o lugar das
tradicionais uva-passas. Um toque bem
amazônico!
468
Nem ácido nem doce, agridoce!
Acompanhamentos agridoces, nem muito ácidos,
nem doces em excesso, complexos, são
extremamente versáteis. Não só hamburgeres
adoram a companhia de um picles, ketchup ou
chutney. Tanto no ketchup quanto no chutney
contrastam frutas com acidez, sal e especiarias bem
picantes que combinam perfeitamente com
brusquetas, galinha, pato, carne e
queijos. Esses molhos, todos caseiros, permitem
muita criatividade! Você escolhe a fruta e só investe
um pouco de tempo na cozinha. A fórmula para os
chutneys, de origem indiano, é simples: a base
são frutas, a manga é a mais usada, ou
combinações de frutas ou legumes, vinagre, açúcar,
sal, especiarias e bastante pimenta - quem prepara
decide qual dos sabores predomina. Começa com
cebola e pimentões, escolha a fruta e combina com
sabedoria gengibre, canela, cravo, sementes de
mostarda, coentro, cardamomo, louro e alho.
Especiarias locais também não fazem feia. Deixa-se
mimar pelo perfume exótico da panela! Colocados
em potes de vidro com fecho hermético, podem ser
aproveitados por bastante tempo. Um trago de álcool
também ajuda na conservação.
Na mesma onda vão os picles ácidos e
agridoces. Quem diz que só pepino pode ir para a
salmoura? Muitos tipos de legumes e frutas ganham
sobrevida em conservas. Geleias também
descobrem novos sabores. Que tal uma de abacaxi
com pimentão e pimenta? Verdadeiros coringas
combinam com tanta coisa, transformando qualquer
lanche com pouco esforço em pratos gourmet.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 469
Marinar, laquear ou banhar
Molhos que se prezam apostam num toque
ácido, cítrico. No quesito acidez o pomar
amazônico tem muito a oferecer! Que tal
substituir limão ou vinagre por polpas de frutas
ácidas ou incorporar polpa de frutas à
marinadas e molhos? Cubiú, também chamado de
tomate do índio, taperebá ou caja-manga
se impõem. O segredo? Equilibrar com sabedoria o
sabor do peixe ou da carne com a acidez e o sabor
frutal do vinho e arredondar com sal e pimenta de
cheiro. A acidez de diversas frutas corta e equilibra a
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata
gordura de uma barriga de porco ou uma
costelinha suína, por exemplo, com cajámanga.
Para gostos mais orientais, contrabalança a
acidez com mel, açúcar ou rapadura. Aves e cortes
suínos, mas também certos peixes mais encorpados
apreciam esse contraste. Uma delicada sopa de
caranguejo fica mais redonda com gotas de
suco de laranja e raspas da casca. A carne do
pato relaxa sendo marinada com cupuaçu,
taperebá, cubiu ou abacaxi. Quem quer
experimentar mesmo tenta uma carne picada
na faca com molho de murici!
470
Purê & culis?
Todo mundo conhece purês feitos de
tubérculos ou legumes. Esse clássico não
só pode ser elaborado com os tubérculos
amazônicos como cará-roxo, mas também
com frutas. Bananas, pupunha e até
abacaxi surpreendem. A banana pacovã com
sua acidez bem equilibrada já é servida em forma
de purê em alguns restaurantes. Cabe ao
cozinheiro a decisão da consistência do purê,
mais rústico, só amassado com um garfo, ou
perfeitamente liso, até incorporando manteiga e
leite. Mais ousado só elaborar algo entre purê e
molho chamado de culi. Polpas de frutos de
palmeiras e outras, umas mais gordurosas, todas
pouco doces como butiti, tucumã,
murici, pajurá são opções interessantes e
bem ousadas. Podem ser diluídos em fundos de
peixe ou galinha para se tornarem mais leves.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 471
Café até a sobremesa
Frutas frescas, a Amazônie dispõe de uns 200
(!!!!) deles, uma mais exótica do que a outra, são
sempre um deslumbre. Vão bem em forma de sucos,
deliciosamente ácidos e perfumados e dão ótimos
saladas de frutas. Que tal incluir na próxima uns
muricis, um pajurá ou outra fruta nativa da estação?
Bem picadinhos acompanham tanto o musli, no
café de manhã como fecham o almoço.
Menos conhecidos são mousses sem derivados de
leite. Bate-se a polpa de frutas mais consistentes só
com açúcar ou um pouco de leite de coco. Leve e
deliciosa! Frutas mais aguadas viram coulis
elegantes, um tipo de molho doce que pode ter
inúmeras utilidades como colorir e temperar uma
salada de fruta ou uma pavlova. Engrossado sob
fogo, reguem tanto mingau, arroz doce ou
milkshake. Sorbets, sorvetes ou granitas caseiras
Quem quer preservar, aposta em compotas,
geleias e doces, mais pastosas ou de corte. Os
últimos combinam muito bem com um pedaço de
queijo manteiga da terra – enfim, quem diz que
Romeo e Julieta sempre tem que ser com goiabada?
Além disso recheiam com louvor bolos ou
verrines. são perfeitos para o clima tropical
amazônico. Cristalizados e secos se conservam
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 472
por muito mais tempo e ainda rendem uma boa
decoração.
Sorvetes, sorbets e granitas
Cupuaçu ou sapotilha, açaí, castanha,
bacuri ou uxi? Toda a riqueza da
Amazônia cabe num sorvete –
uma riqueza inigualável! Murici,
araçá ou taperebá? Difícil de decidir!
Prova todas já que tem enquanto
tem! As frutas locais tem
estações bem definidas e os
sabores acabam logo! Dá
preferência ao exótico, esnobe o
comum! Morango e sonho de valsa
tem em qualquer lugar! Açaí também
não faz feio. Combinação clássica é
com sorvete de tapioca, disponível
também na mistura dos dois sabores
no tradicional mestiço ou
paraense.
Quer fazer em casa?
Começa com uma
granita que não
precisa de
maquinário
sofisticado.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata
A diferença entre sorvete e
sorbet? Sorvete, o clássico mistura
a fruta com açúcar, leite e ovo. O
sorbet por sua vez é mais leve, leva a
fruta, açúcar e se for necessário um
pouco de água. Sorbet também não
precisa ser necessariamente doce. Há
apostas agridoces e salgadas.
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Cajuína, xaropes & shrubs
Frutas frescas amazônicas rendem, todo
nativo sabe, excelentes sucos. Quer
preservar um pouco da colheita bem
perecível? Elabore xaropes e os seus
irmãs deliciosamente ácidas os shrubs,
tudo caseiro? Bem doce, açúcar conserva,
livre de outros conservantes, as pessoas
querem saber o que bebem. Xaropes
concentram o aroma das frutas.
Aqui na Amazônia encontra-se ainda
deliciosos cítricos, cada um com
acidez ou amargor próprio, todos orgânicos.
Limões se conservam muito bem
também no sal como é costume em
Marrocos. Usa-se só a polpa que é
acrescentado, bem picadinho, a pratos com
peixe e frango! Perfeito para xaropes
também são polpas de frutas ácidas como
taperebá ou cupuaçu que contrastem muito
bem com a doçura do açúcar Quem gosta
de mais acidez, acrescente um tantinho de
vinagre, obtendo o tal de shrub,
extremamente refrescante. Xaropes e
shrubs também são perfeitos para
misturar drinques, sem ou com
álcool. Começa com as caipirinhas! Já
tentou uma de taperebá ou caju? Sucesso
garantido! Mas a grande tendência é
deixar o álcool do lado. Caju, a
fruta por exemplo rende uma bebida
chamada cajuína 100% natural, sem
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata
nenhuma adição de açúcar.
474
Amazônia embebida
A fruta inteira, sua polpa, álcool, álcool de cereais ou
simplesmente vodca, açúcar e água – quádruplo perfeito
que lentamente se transforma em bebida, também
conhecida como licor! Os mais tradicionais devem ser o
licor de jenipapo e murici. Recomendo também licor
de frutas um pouco mais ácidas com cupuaçu ou leves
como caju. Que tal elaborar o seu próprio licor de
cacau? Delícia. Só frutas com aromas mais leves com
araçá ou jambu são menos indicados. O seu aroma não
resiste por muito tempo. Além de frutas quase tudo pode
ser infusionado, ervas, especiarias até grãos. O
céu é o limite! Começa simples ou prepare extratos
individuais dos mais diversas frutas e tipos que depois
podem ser misturados a gosto. Apreciados puros também
servem de base sofisticada para um próximo drinque,
aperitivo ou digestivo. Flores de jambu embebidas
em álcool são usadas para jamburanas caseiras.
Também tem licores muito saborosos com cascas de
cítricos, puro ou misturado com especiarias que se
aproveitam dos deliciosos óleos essenciais escondidos na
casca. Colorau, açafrão-da-terra e até jambu e cará-roxo
colorem com suas cores vivas.
Uma vez infusionado os ingredientes escolhidos e coados,
só diluir com um xarope de açúcar. Você decide o grau de
doçura! Mais ideias no início do livro junto com as
especiarias amazônicas que dão além de licores uns
amargos interessantíssimos.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 475
Frutas de todos os tipos, uns mais comuns, outras bem
exóticas, alegram olho e paladar
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 476
Abricó do Pará
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata
Origem
O abricó do Pará, Mammea americana, é da mesma família do
Bacuri, porém muito mais generoso com sua polpa. É nativo da
Amazônia, das Antilhas e do México. O fruto, uma bola grossa e
carnosa de 5 a 13 cm de diâmetro, encontram-se frutas do
tamanho de um limão pequeno ou gigantes, lembrando o
punho de um boxeador, é pouco atraente por fora. A casca
rugosa que se desprende facilmente, esconde a generosa e
carnuda camada de carne cor de damasco, abricot em francês,
a qual lhe deve emprestado o nome, e no meio uma a três
sementes. Encontra-se nas feiras livres e é plantado em quintais
escondidos. É uma fruta muito querida especialmente em
Belém, Pará.
Aroma
A polpa do Abricó é adocicada, o seu gosto agradável lembra
manga e vagamente o do damasco, mas sua polpa é mais firme
e carnuda, consistente e sem fiapos.
Uso
Consumido in natura, sem ou com açúcar, processado para
refrescos, cremes, compotas, geleias ou sorvetes.
Clássico
Normalmente é devorado in natura, mas combina
perfeitamente com outras frutas locais, acrescentando a sua cor
forte em saladas de frutas bem tropicais.
Exótico
Acrescentado à saladas verdes ou comido, um belo contraste,
com queijos.
Imperdível
Bem maduro, coletado direto do pé e devorado in natura.
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Versões de suco de abricot
1 copo de polpa de abricot picado sem casca, sem carroço
2 copos de água gelada
1-2 galhos de carmelitana ou erva-cidreira
Ou
Uns gotas de molho de pimenta
Açúcar, mel ou melaço a gosto
Pedras de gelo a gosto
Bate todos os ingredientes junto no liquidificador, coe se
for necessário, e sirva gelado.
Salada de fruta refrescante
Frutas diversas da estação por exemplo:
Abacaxi, abricó, araçá-boi, carambola, banana, caju, manga
e/ou mamão, pajurá e ingá
1 copo de suco de araçá-boi, taperebá, limão ou maracujá
Açúcar, melaço ou mel nativo a gosto
Lascas de castanha do Pará ou de castanha de caju ou
sapucaia
Galhos de hortelã ou carmelitana
Na foto tem abricó, manga, ajirú, limão-da-caiena com
sementes de romã, castanhas picadas e mel de abelha
nativa
A escolha das frutas deve equilibrar doçura e acidez, cor e
consistências das polpas das frutas. Mais colorido, mais
exótico fica a salada.
Lave as frutas, descasque-as se for necessário e corte-as em
pedaços não muito pequenos. Frutas com a tendência de
escurecer, tendo contato com o ar, devem ser regadas de
imediato com suco de limão ou outro suco ácido escolhido.
Coloque todas as frutas numa vasilha, adoça a gosto, um
toque especial dá o açúcar perfumado, veja receita no
urucum. Regue com o suco escolhido. Misture e guarde na
geladeira. Antes de servir salpique com as castanhas em
lâminas e decore com um galho de carmelitana.
Folhas verdes, por exemplo de bananeira, formam um
contraste interessante com o colorido das frutas.
Para adultos regue com 1-2 cálices de licor da sua escolha. 478
Abacaxi no pé
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 479
Abacaxi
Origem
O abacaxizeiro, Ananas comosus, da família das bromélias,
pertence aos Américas tropicais e subtropicais e cresce bem ao
redor do mundo em todos os climas quentes e secos. O berço do
abacaxi deve ter sido a região do Rio Negro e Rio Orinoco. Parece
que já os nativos o plantaram em suas hortas, bem antes da
chegada dos colonizadores. A planta decorativa com suas folhas em
forma de lança, espinhosas, alcançando a altura de mais ou menos
um metro, produz uma fruta por vez, coroada com o característico
tufo de folhas. Tanto a coroa quanto os filhotes que nascem no seu
pé, dão, cortadas e replantadas, origem a uma nova planta.
Aroma
O abacaxi esconde se sua polpa é mais ácido ou mais doce. No
Norte do Brasil prefere-se tradicionalmente a fruta doce. A sua
polpa refrescante e suculenta acrescente um toque exótico a
qualquer salada de fruta.
Uso
Refrescos, sobremesas e pratos de sabor exótico.
Clássico
Ao natural, em forma de refresco ou sorvete.
Exótico
Ceviche de abacaxi ou servido com carnes, onde dá um toque
refrescante e tropical.
Imperdível
O refresco o qual combina polpa de abacaxi, limão galego e ervacidreira
ou coroando a torta baba ao licor com salada de fruta
tropical.
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Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 480
T
Refrescos de abacaxi
1 pedaço generoso de abacaxi ,sem casca em
cubos
½ limão galego com casca e sem sementes ou a
gosto só o suco
1 ramo de carmelitana, erva-cidreira ou capimlimão
1 litro de água gelada
Açúcar a gosto
Cubos de gelo a gosto
Lave o limão e as ervas. Retire galhos grossos e
descasque o abacaxi e corte em cubos ou
pedaços. Coloque tudo no liquidificador,
complementa com água e bate. Coa, adoça a
gosto e sirva com cubos de gelo e decorado com
pedaços da fruta.
Versões
Misture uns galhos de hortelã ao suco de
abacaxi
Aluá da casca do abacaxi
Casca de um abacaxi bem maduro, bem
lavada
1 ½ l de água
½ xícara de açúcar mascavo
2 cravos-da-India
Canela a gosto
½ colher (chá) de gengibre ralado
1 limão galego, suco
Coloque a casca do abacaxi junto com os
outros ingredientes, exceto o suco de
limão, num recipiente de vidro com
tampa. Espere fermentar, fora da
geladeira, durante pelo menos um dia.
Depois leve para ferver e bata, esfriado
no liquidificador. Coe, acrescente o suco
de limão e sirva gelado.
Suco de abacaxi com mamão e/ou
manga
Para um suco multi-fruta substituí as ervas por
frutas como mamão, manga ou goiaba bem
madura.
.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 481
Abacaxi na grelha
Corte um abacaxi ao meio ou em 4 partes,
salpique com sal grosso e coloque sobre uma
grelha quente. Asse sem mexer até aparecem
as marcas da grelha. Acompanha, junto com
molho de pimenta, peixes ou carnes,
especialmente as mais gordurosas.
A gosto polvilhe o abacaxi com canela, cominho
ou outras especiarias em pó.
Ceviche de abacaxi
com hortelã e limão
galego
1 abacaxi descascado,
cortado em lâminas finas ou
cubos
1 pimentão regional picado
em cubinhos
1 limão galego, suco e raspas
da casca, fatias para decorar
Sal grosso e pimenta a gosto
1 cebola roxa ou branca
picada em listras
Pimenta-de-cheiro picada
3-4 galhos de hortelã
Folhas de coentro a gosto
Descasque e pique a fruta
em lâminas finas. Regue com
suco de limão, salpique com
sal grosso, casca de limão e
misture com a cebola picada
e a pimenta. Sirva gelado.
Purê picante de abacaxi com postas de peixe
1 fatia de abacaxi de 6-8 cm sem casca, picada
1 cebola picada
4-5 pimentões regionais verdes, picados
Azeite
2-3 dentes de alho
1 pedaço de gengibre picado
Sal e pimenta a gosto
2-3 colheres (sopa) de vinagre de vinho branco suave
Goma de tapioca ou farinha fina para engrossar
1 cheiro verde picado
Para o purê pique o abacaxi e
os outros ingredientes não
muito fino. Refogue a cebola
junto com o pimentão em um
fio de azeite. Acrescente o
alho, o gengibre e o abacaxi.
Cozinhe em fogo brando até o
abacaxi incorporar todos os
sabores. Tempere com sal e
pimenta a gosto, acrescente o
vinagre e metade do cheiro
verde e reduza um pouco.
Passe pelo processador para
obter um purê, devolve a
panela e reduz mais um
pouco. Caso prefira um purê
mais espesso, engrosse com
um pouco de goma de tapioca
peneirada, previamente
dissolvida em um pouco de
água fria ou farinha fina.
Corrija os temperos e sirva
acompanhado peixe frito ou
assado.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 482
Frango com molho de pimenta de cheiro e pimentão regional assado no
suco de limão e laranja acompanhado de chutney de abacaxi
1 frango médio ou 1 galinha caipira, cortada em pedaços ou sobrecoxas de frango
1 limão galego
1 porção de molho de pimenta de cheiro e pimentão regional preparado com pimentão vermelho e
açafrão-da-terra, receita página 112
1/3 copo (80 ml) de suco de limão
¼ copo (60 ml) de suco de laranja
1/2 copo (120 ml) de vinho branco seco ou caldo de galinha caseiro
1 maço de coentro fresco picado
Com antecedência prepare o molho de pimenta e o chutney. Lave o frango com limão, seque com ajuda
de papel cozinha e lambuze com metade do molho. Marine durante algumas horas na geladeira.
Preaqueça o forno em 200 graus. Unte uma forma refratária. Sele o frango aos poucos numa frigideira
num fio generoso de azeite de todos os lados até a pele ficar bem dourada. Reserve. Na mesma frigideira
prepare o molho juntando o suco de limão, laranja, vinho branco, o coentro e o restante do molho.
Aqueça com cuidado para soltar todos os queimadinhos do fundo da frigideira. Corrija os temperos.
Coloque o frango dourado na forma refratária, complete até a metade com o molho e asse lentamente
por 20-25 minutos. Pincele a pele de vez em quando com o molho. Quando a carne do frango se solta
com facilidade do osso, retire os pedaços e a gosto reduz o molho. Corrija os temperos e devolve o frango
e sirva acompanhado de chutney de abacaxi, arroz branco e salada.
Chutney de abacaxi
1 cebola em lascas
2-3 pimentões regionais em lascas
1 pedaço de gengibre em lascas
Azeite
3-4 dentes de alho picados
1 fatia generosa de abacaxi em cubos
½ colher (chá) de sementes de cominho e coentro
¼ colher (chá) de pimenta-do-reino ou pimenta-de-cheiro
Sal a gosto
2-3 colheres (sopa) de vinagre suave
1-2 colheres (sopa) de açúcar mascavo
Refogue cebola, pimentão e gengibre num generoso fio de azeite. Acrescente o restante dos ingredientes
e cozinhe em fogo brando até o abacaxi murchar e todos os sabores se unirem. Contrabalança o sabor da
fruta com a picância das especiarias, a acidez e a doçura. Sirva acompanhando o frango.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 483
Baba tropical ao licor amazônico ou
xarope de frutas
250 g de farinha de trigo
2-3 pitadas de sal
20 g de fermento biológico fresco ou um
saquinho de fermento seco
80 g de manteiga derretida
100 ml de leite, temperatura ambiente
70 g de açúcar
2 ovos
Calda
125 g de açúcar
250 ml de água
1 cálice de licor ou xarope de fruta se tiver
crianças comendo
Salada de fruta de frutas da estação
1 limão, suco e raspas da casca
Folhas de bananeira ou mamão para servir
Derreta a manteiga e espere esfriar. Peneire a farinha
numa vasilha, faça uma depressão no meio e lá
adicione uma colher de açúcar e o fermento
biológico fresco. Deixe descansar até o fermento se
dissolver. Acrescente a manteiga em temperatura
ambiente, o leite e por fim a farinha. Misture todos
os ingredientes. Em outra vasilha bata o açúcar com
os ovos até que fiquem embranquecidos. Misture
com o restante da massa que deve ficar lisa e líquida.
Unte e enfarinhe uma forma com buraco no meio e
coloque a massa. Cubra com um pano e espere
dobrar de volume em lugar quente e protegido.
Preaqueça o forno em 180 graus e asse o bolo por 30
min. Desenforme o bolo já frio. Antes de servir,
devolve a forma e regue com o xarope ou o licor
desejado. Desenforme sobre uma travessa
suficientemente larga forrada a gosto com folhas
verdes e decore com a salada de frutas da estação.
Salpique com raspas da casca de limão. Regue os
pedaços cortados à mesa com o restante do líquido
escolhido.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 484
Abiu
Origem
O abiu, Pouteria caimito, é de origem amazônica, mas também
cresce na mata atlântica e pertence à família das Sapotáceas.
Espécie completamente selvagem, as suas frutas de um amarelo
esverdeado crescem em árvores de médio a grande porte, são
plantados em pomares domésticos ou achadas na mata. A forma e
o aroma das frutas varia muito. Pode ser oval ou redondo, do
tamanho de uma maçã, sempre exibindo o característico bico
apontoado. A sua casca é lisa e brilhosa e a polpa, perfeitamente
amadurecida, é deliciosa. Porém, consumido antes do tempo, a
casca libera um leite, um látex branco e viscoso, o qual funciona
como uma cola natural, aderindo os lábios, motivo de muita piada.
Umas gotas de óleo vegetal resolvem o problema. Cada fruta
contém três ou quatro caroços escuros, contendo um óleo
medicinal.
Aroma
A polpa branca e gelatinosa do abiu é de um doce agradável, com
um fundo azedo, mas varia muito.
Uso
Muito perecível, come-se o abiu normalmente in natura.
Clássico
In natura ou em forma de geleia.
Exótico
Em forma de refresco ou de remédio: a polpa é usada para
Curar doenças crônicas do pulmão.
Imperdível
Uma fruta dulcíssima devorada no ponto perfeito da maturação.
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Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 485
Araçá e Araçá-boi
Origem
Contradizendo os nomes lá de pomposo, o araçá-boi ou araçá-da-
Califórnia, Eugenia stipitata, cresce numa arboreta nativa da
Amazônia ocidental. Fruta genuinamente amazônica é muito
apreciada na região. A fruta do tamanho de uma laranja grande
tem pele aveludado e fina, protegendo a polpa deliciosamente
ácida e muito perfumada, no meio bem aderidas, às caraterísticas
sementes redondas.Muito delicado e altamente perecível, cresce
em muitas quintais, e é vendida em feiras livres. A aroreta
frutifica até três vezes ao ano. Perde parte do seu perfume
delicado ao ser aquecido.
Pertence a grande família das Myrtaceaes, a mesma da goiaba e
de outros araçás como essas das outras fotos, cada uma com
perfume, formato e cor diferente, originário da América tropical e
subtropical, abrangendo por volta de 100 espécies.
Aroma
O perfume que as frutas maduras exalam lembra, de longe, limão,
porém é mais complexo e mais frutífero. O aroma e a deliciosa
acidez se preservam bem em refrescos, mousses e sorvete.
Uso
Refrescos, mousses e sorvetes.
Clássico
Suco ou sorvete que preservam a delicada acidez.
Exótico
Em culis salgados e crus para carnes e peixes grelhados.
Imperdível
Refresco, sorbet ou sorvete.
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Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 486
Suco de araçá-boi
Misture a polpa da fruta lavada,
as sementes recortadas, com
açúcar a gosto e água gelada. Bate
no liquidificador e sirva.
Granita de araçá-boi
½ - 1 xícara de polpa de araçá sem
sementes
1 copo de açúcar
1 copo de água
Cozinhe o açúcar com a água
durante mais ou menos 10
minutos até dissolver todo o
açúcar. Esfriado misture com a
fruta ou polpa. Espalhe sobre um
tabuleiro que cabe no seu
congelador. Congele 1 hora ou até
a massa está quase congelada.
Raspe com ajuda de um garfo até
formar a granita. Devolva ao
congelador e congele novamente.
Repita o procedimento até a
granita firmar. Sirva
imediatamente e decore a gosto.
Mousse de araçá-pera
ou de araça-da-
Califórnia
2 latas creme de leite
ou
1 lata creme de leite,
1 lata de leite de vaca
2 latas de polpa de araçá
Açúcar ou leite condensado a
gosto
Tirinhas da polpa para enfeitar
Lave as frutas, retire as
sementes e coloque a polpa, o
creme de leite, e 2-3 colheres de
sopa de açúcar no liquidificador
e bata até obter um creme liso
mas ainda com pequenos
pedaços da fruta. Espere firmar
na geladeira durante 2-3 horas
antes de servir e enfeite a gosto.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 487
Banana-pacovã
Origem
As bananas, uma das frutas mais apreciadas que existem em
inúmeras variedades, pertencem todas ao gênero das musas. A
sua origem divide os estudiosos. Uns falam que as bananas devem
ter surgido no Sudoeste da Ásia. Outros se referem aos registros
dos primeiros visitantes os quais relatam, ao chegar ao Norte do
Brasil, encontraram nas terras amazônicas um tipo de banana
assustadoramente comprida. Nunca antes tinham avistado uma
banana tão alongada. Descrição que cai que nem uma luva sobre a
regional banana com nome popular de banana-pacovã ou bananacomprida.
Os maiores alcançam facilmente o comprimento de um
antebraço. Esse tipo de banana só torna-se comestível, sendo
cozida ou assada. Devorado crua, predomina o seu acentuado
sabor adstringente que desaparece ao cozinhar ou assar a banana.
Muito versátil, prepara-se da banana-comprida ainda verde por
completa o delicioso mingau de banana ou o tradicional cozidão.
Amadurecida, sua casca quase negra sinaliza que agora a fruta se
tornou adocicada, preservando sua deliciosa e característica
acidez.
Aroma
Mais complexo, mais ácido e também de um gosto mais frutífero
do que outras bananas.
Uso
Verde, raspada com colher, dá um ótimo mingau, bem madura,
quase preta é perfeito para assar ou processada em chips de
banana.
Clássico
Mingau de banana verde e chips salgados de banana.
Exótico
Purê de banana, acompanhando pratos salgados. A moqueca de
bananas, para os vegetarianos sem peixe, faz muito sucesso.
Imperdível
Mingau de banana verde e moqueca de banana.
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Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 488
Banana chip
3 bananas pacovã não muito maduras
Óleo vegetal para fritar
Sal ou açúcar e canela a gosto
Descasque as bananas, corte com um descascador de legumes
ou o mandolin em tiras ou lascas finas. Lave as mesmas, seque
com papel toalha e frite em óleo vegetal neutro. Espere esfriar
sob papel toalha para absorver o excesso de óleo. Salgue ou
adoce a gosto.
Mingau de banana verde
1 – 2 bananas pacovã verdes, sem casca
Água
Sal
½ copo de leite de coco ou de castanhas
½ copo de farinha de tapioca
Açúcar, mel nativo e rapadura ou leite condensado a gosto
Rala a banana pacovã verde no ralo grosso, cozinhe em água
com sal até amolecer. Retire a espuma que se forma. Aos
poucos Incorpore o leite de coco ou de castanhas e a farinha
de tapioca. Cozinhe em fogo bem brando até a farinha de
tapioca se tornar translúcida. Adoce a gosto com açúcar, mel
nativo ou rapadura. Para servir salpique com castanhas e
cacau ou a gosto.
Usando a banana num ponto mais madura, obtém-se um
mingau igualmente delicioso que até dispensa o açúcar.
Banana-pacovã assada na casca
Por pessoa: 1 banana-pacovã bem madura, a casca quase
preta
Asse a banana inteira ou cortada ao meio ou em pedaços ou
na brasa ou no forno até a casca escurecer bem e a polpa ficar
mole. Sirva quente ou fria.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 489
Moqueca de peixe, banana pacovã,
macaxeira e açafrão-da-terra
1 kg de surubim em postas, prepare com as aparas do
peixe um fundo de peixe para o pirão
1 limão galego
Sal, pimenta açafrão-da-terra fresco, ralado ou ½ colher
(chá) em pó a gosto
Azeite
1 cebola cortada em rodelas
3-4 pimentões regionais
3-4 tomates cortados em rodelas ou em listras
1 pedaço de gengibre ralado
1 pitada de sementes de coentro
1 pitada de cominho em pó
1-2 macaxeiras cozidas cortadas em palitos
1-2 banana pacovã não muito madura, em rodelas
1 cheiro verde picado
½ copo (100 ml) de leite de coco
Azeite de dendê a gosto
1 cheiro verde picado
Lava as postas de peixe com limão, tempere com alho,
sal, pimenta e açafrão-da-terra e guarde por 30 minutos
na geladeira. Misture 3 colheres (sopa) de azeite com o
gengibre ralado, o coentro e o cominho e um pouco de
açafrão. Unte a panela de barro com uma parte desse
azeite, coloque sobre o fogo e forre o fundo da panela
com rodelas de tomates, cebola e pimentão. Se preferir a
cebola e o pimentão mais digesto, frite-os antes de
colocar. Regue com um pouco de azeite temperado e um
pouco do cheiro verde. Continue com camadas de peixe,
macaxeira e banana. Repita a sequência das camadas até
todos os ingredientes acabam. Tempere cada camada a
gosto. Termine com tomate, cebola, pimentão e banana.
Salpique com um pouco de cheiro verde e regue com o
restante do azeite temperado. Cozinhe em fogo baixo
com panela tampada sem mexer por 10-15 minutos ou
até o peixe se desfaz com facilidade em lascas firmes.
Quando comece a formar líquido, chacoalha a panela
levemente. No meio do cozimento acrescente o leite de
coco e no fim o azeite de dendê a gosto. Corrija os
temperos, salpique com o restante do cheiro verde e
sirva com arroz branco, pirão aromatizado com o fundo
de peixe elaborado com as aparas do mesmo..
Banana assado e
purê de banana
pacovã
Cebola roxa
2-3 bananas maduras
Sal
Açafrão-da-terra
Leite de coco a gosto
2-3 galhos de cheiro
verde
Purê de banana pacovã e
batata-doce
2 bananas pacovã
1 batata-doce média
cozida sem casca em
rodelas
1 colher (sopa) de
manteiga
Sal e pimenta a gosto
¼ xícara de caldo de
galinha ou de peixe
Cheiro verde a gosto
Descasque as bananas e
a batata, corte em
rodelas e frite na
manteiga até que
estejam bem macios.
Acrescente o caldo e
amasse tudo com um
garfo ou passe por uma
peneira. Acerte o sal e a
pimenta e acrescente as
ervas. Acompanha peixes
ou carnes.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 490
T
Cozidão a moda paraense com carne de boi
porco, embutidos, legumes da estação, milho
e banana verde
Escolhe as carnes da sua preferência, se for necessário,
dessalgadas, as carnes frescas marinadas numa vinha d´alho,
embutidos e mocotó a gosto
Escolhe legumes da estação como pimentão regional, repolho,
maxixe, batata ou outros tipos de tubérculos, cenoura, jerimum,
abobrinha, feijão-de-metro, couve, cariru ou vinagreira e
complete com milho verde, banana pacovã verde, com casca,
mamão verde, cheiro verde ou outros a gosto
De véspera coloque as carnes secas e salgadas de molho,
trocando a água diversas vezes. As carnes frescas podem ser
marinadas numa vinha d´alho e o mocotó coberto com uma fina
camada de sal, tudo para realçar o gosto e amaciar carnes
menos nobres.
No dia, tire as carnes dos líquidos, seque e sele de todos os
lados numa panela com fundo grosso. Reserve. Sele os
embutidos na mesma panela e reserve. Por último, prepare,
usando sempre a mesma panela, um refogado com cebola,
pimentão regional, alho, tomate, colorau e cominho a gosto.
Dissolve bem os queimadinhos no fundo. Por fim devolve as
carnes, respeitando o seu tempo de cozimento e complete com
água. Tempere a gosto com folha de louro, cravo e pimenta.
Cozinhe as carnes até ficar bem macios. A parte, cozinhe os
legumes da estação escolhidos ou adicionando conforme o seu
tempo de cozimento à carne. Por fim, junte 2-3 ovos ao cozidão,
incorpore folhas com couve rasgada, cariru e/ou vinagreira,
corrija os temperos e cozinhe em fogo brando por mais alguns
minutos até que todos os gostos se misturem. Descasque o ovo,
salpique com cheiro verde e sirva acompanhado de arroz branco
e a gosto pirão.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 491
Banana assada e flambada
Por pessoa: uma banana-pacovã bem madura
Raspas da casca e suco de 1-2 laranjas
Raspas da casca e suco de ½ limão galego ou limão-cravo
3-4 colheres (sopa) de manteiga
Açúcar e canela a gosto
Cachaça ou cognac para flambar
Corte as bananas em fatias ao longo do comprimento. Doure na manteiga,
acrescente os dois tipos de suco e açúcar a gosto e reduza um pouco em fogo
baixo. Regue com a cachaça ou cognac, acenda um fósforo e flambe. Polvilhe
com a canela e raspas da casca de limão ou laranja. Sirva quente.
Doce de banana ou sorvete de banana caramelizada
2-3 bananas pacovã bem maduras, sem casca, inteiras
1 xícara (chá) de creme de leite fresco
1 limão galego, raspas da casca e suco
2-3 colheres de açúcar para caramelizar
Especiarias como canela ou embiriba a gosto
Castanhas de caju ou rodelas de banana para decorar
Descasque as bananas e leve ao freezer para congelar. Prepare com o açúcar
um caramelo. Alcançou a cor desejada, tire do fogo e acrescente com muito
cuidado o creme de leite. Mexe até dissolver todo o caramelo. Reserve. Pique
as bananas bem congeladas e liquidifique junto com o restante dos
ingredientes no liquidificador. Sirva imediatamente ou congele novamente até
firmar bem. Decore a gosto.
Cartola com melaço
1 pedaço, mais ou menos 100 g de um queijo regional
1-2 bananas pacovã bem maduras
Manteiga ou manteiga de garrafa
Rapadura ralada a gosto ou melaço
Grelhe a banana na manteiga e reserve. Na mesma manteiga grelhe o queijo.
Derreta a rapadura e caramelize ou use melaço e regue a banana e o queijo
com a mesma. Sirva de sobremesa.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 492
Pudim invertido de batata doce e
banana
3-4 colheres (sopa) de açúcar para caramelizar a forma
300 g de banana pacovã em rodelas
300 g de batata-doce cozida e espremida
200 g de ricota
3 ovos
½ xícara de leite
½ xícara de leite de coco
1 colher (sopa) de manteiga
2-3 colheres açúcar a gosto
1 limão, casca de meia ralada, suco
1 pedaço de gengibre ralado
1 colher (chá) de bicarbonato
1 anis estrelado ou 2-3 embiribas
1 pitada de noz-moscada
Cozinhe e esprema a batata-doce ainda quente.
Reserve. Preaqueça o forno em 180 graus. Derrete o
açúcar diretamente na forma ou numa frigideira. Gira
a forma para caramelizar por completo. Forre com
rodelas ou fatias de banana e reserve. Prepare o
pudim, misturando todos os ingredientes. Espalha
sobre a banana e asse em banho-maria por 45 min até
1 hora ou até um palito enfiado sai limpo. Para
desenformar aqueça a forma rapidamente e vira o
pudim na forma definitiva.
Usando açúcar mascavo o caramelo fica muito mais
escuro.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 493
Tipos de bacuri selvagem
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 494
Árvore e flor do bacuri
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 495
Muita casca, pouquíssima polpa - o cobiçadíssimo - bacuri
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 496
Bacuri
Origem
O bacuri, platonia insignis, fruta emblemática do Norte da
Amazônia, especialmente da Ilha do Marajó, é originária da
Amazônia. Fruto oval de casca muito grossa de cor amarelocitrino,
cresce numa árvore alta, procurada por sua madeira
empregada na indústria naval por não apodrecer. Raramente é
cultivado, mesmo a polpa sendo muito procurada. Com frutas
que variam muito tanto em tamanho, cor, formato quanto em
qualidade de polpa, a última forma uma camada finíssima branca
envolvendo as sementes. Para obter um quilo da preciosa polpa,
conhecida por seu sabor particular, elegante e refinado, precisase
raspar os caroços de inúmeros buritis. Alguns frutos contém
entre os sementes uma língua de polpa, o apreciado “filhote de
Bacuri”. Tanta a casca quanto as sementes contém uma resina
poderosa que grude em mãos e facas. Antes do consumo, o fruto
precisa descansar alguns dias. Os raízes do bacurizeiro rebrota
espontaneamente resultando em novas árvores e podem dessa
maneira se alastrar e cobrir campos grandes.
Aroma
A polpa branca e macia é muito delicada, frutal, levemente ácida,
aromática e elegante.
Uso
Da polpa prepara-se refrescos, compotas e mousses, bombons e
sorvetes.
Clássico
Mousse, geleia e bombons.
Exótico
Puro para apreciar toda a complexidade dos sabores.
Imperdível
Mousse ou sorvete equilibrando cuidadosamente acidez e açúcar.
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Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata
497
T
Compota de bacuri
500 g de polpa de bacuri
300 - 500 g de açúcar ou a gosto
1-2 xícaras de água
Aqueça a polpa do bacuri junto com a
água e o açúcar até levantar fervura.
Desligue o fogo e deixe descansar em
uma vasilha até o dia seguinte. No
próximo dia separe a polpa e reduza a
água restante por 10 minutos.
Acrescente de novo à polpa de novo e
apure a compota até o ponto desejado.
Mousse de bacuri
2 latas creme de leite ou
1 lata creme de leite e 1 lata de leite
Açúcar a gosto
Polpa de bacuri: 2 vezes a lata do creme
de leite
Misture, se preferir no liquidificador,
todos os ingredientes até formar uma
mousse lisa. Antes de servir espere
firmar na geladeira.
Granita de bacuri
½ de uma xícara de açúcar
¾ de uma xícara de água
2 xícaras (chá) de polpa de bacuri
Açúcar para a borda dos recipientes
Misture o açúcar com a água e leve ao fogo médio e reduza por 10
minutos até obter uma calda bem rala. Espere esfriar e acrescente a
polpa de bacuri. Liquidifique até ficar com a consistência lisa. Espalhe a
massa numa assadeira grande e leve ao congelador. Quando a camada
da massa estiver quase congelada, raspe-a com um garfo formando o
granito. Devolva ao congelador por mais uma hora e raspe novamente.
Escolha os recipientes, molhe a sua borda na água e depois no açúcar.
Raspe a granita uma última vez e distribua nos recipientes. Sirva
mediatamente.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 498
Biribá, fruta da família das atas
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 499
Biribá
Origem
O biribá, rollinia deliciosa ou mucosa, é uma ata bem distinta da
grande família das Anonáceas que incluem a pinha ou fruta-doconde,
a graviola e pindaíba. A fruta do biribá é muito querida na
região, mesmo sendo bastante delicado e mais perecível do que
as outras atas. É coberto com os característicos cornos moles e
se encontra em muitos pomares domésticos da Amazônia.
Alcançando a cor amarela-esverdeada sinaliza que é pronto para
consumo. Uma vez tocada, a casca a mesma se torna
rapidamente preta. Expõe debaixo da casca cornuda uma polpa
mole, deliciosa e mucilaginosa, envolvendo inúmeras sementes
de coloração castanha escura. Árvore de média porte com
crescimento rápido, dando frutos a partir do 3ª ano, suponha-se
que o biribá vêm da região Amazônica, da fronteira entre Brasil e
Peru. Vendido em feiras livres ou por ambulantes na rua chama
atenção por sua aparência extraterrestre.
Aroma
De sabor delicado e fresco lembra de longe melão com um leve
toque de baunilha.
Uso
Come-se a sua cremosa polpa normalmente in natura.
Clássico
Devorado em colheradas in natura.
Exótico
Acompanhando em forma de um couli cru um delicado peixe.
Imperdível
Comida in natura no ponto exata de maturação.
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Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 500
Fruto do cacau e cacau em pó
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 501
Cacau, suco e
nibs de cacau
Origem
Descobertas recentes levam a acreditar que o cacaueiro,
Theobroma cacao, parente próximo do cupuaçu, seja brasileiro,
originário das bacias dos rios Orenoco e Amazonas de onde se
espalhou pela América Central e Sul. Planta de sub-bosque que
aprecia a cobertura vegetal de árvores maiores é tida como
“bebida dos deuses”. Foi usado pelas populações indígenas como
moeda ou com fins terapêuticos e religiosos, particularmente os
astecas. Descoberto por Colombo em 1502 chega em 1585 à
Europa onde até hoje faz muito sucesso. Uma das tendências é o
chocolate obtido de cacau com terroir. Nesse quesito, a
Amazônia, especialmente o estado do Pará, recuperou produção,
hoje ultrapassando a Bahia. Em Tomé-Açu e na Transamazônica,
por exemplo em Medicilândia, cultiva-se cacau de excelente
qualidade que ganha prémios lá fora. Além disso coleta-se
sistematicamente cacau nativo e selvagem nos rios amazônicos,
famoso por seus aromas surpreendentes. Junto com a
industrialização da produção do cacau aparecem suculentos
subprodutos: polpa de cacau, elaborado com a camada branco
leitosa que envolve a semente e os nibs, amêndoas fermentadas.
Aroma
O suco de cacau possui sabor muito agradável, lembrando bacuri
ou graviola. Os nibs tem o gosto complexo de cacau puro.
Uso
Cacau e chocolate são clássico. Do suco se faz geleia, doces e
licores e os decorativos nibs enriquecem, inteiros ou triturados,
bolos, shakes e cremes.
Clássico
Suco e nibs, cacau in natura.
Imperdível
Suco e nibs, cacau in natura.
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Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 502
Suco da polpa do cacau
½ copo de polpa de cacau
1 copo de água
Açúcar, mel ou rapadura a gosto
Cubos de gelo a gosto
Misture todos os ingredientes no
liquidificador, adoce a gosto e sirva gelado.
Licor de Cacau
1 xícara de cacau de ótima qualidade
1 xícara de cachaça ou vodca
1 xícara de açúcar
1 xícara de água
A gosto 1 pedaço de casca de laranja ou 1-2
favas de cumaru ou sementes de embiriba
Misture o cacau com o álcool e especiarias e
espere perfumar durante 14 dias em lugar
escuro. Chacoalhe de vez em quando. Aquece
a água junto com o açúcar e reduz em fogo
brando por mais ou menos 10 minutos.
Esfriado, misture com o álcool perfumado.
Meia-de-seda
1 cálice de leite condensado, leite de
coco ou creme de leite
½ cálice de cachaça ou conhaque
1 cálice de licor de cacau
Gelo a gosto
Misture todos os ingredientes e sirva
gelado.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 503
Mousse de chocolate
fit de avocado e cacau
com crocante de
castanhas
2 abacates bem maduros,
descascados e picados
½ xícara de castanhas, moídas
2 colheres (sopa) de cacau em
pó de boa qualidade
1 pitada de sal
50 g de chocolate amargo,
derretido
1-2 colheres (sopa) de mel ou
melaço a gosto
½ xícara de leite ou iogurte
grego tradicional
1 punhado de castanhas picadas
grosseiramente
Cacau em pó para polvilhar
Derreta o chocolate em banhomaria.
Coloque junto com todos
os outros ingredientes exceto a
castanha picada no processador
e bate até obter um creme liso.
Coloque o creme em tigelas
individuais ou uma tigela grande
e polvilhe com cacau em pó e
salpica com a castanha picada.
Sirva gelado.
Crocante de castanhas
Caramelize as castanhas em 4-5
colheres (sopa) de açúcar.
Esfriadas quebre em pedaços e
use para decorar a mousse.
Mousse de chocolate
com toque amazônico
250 g de chocolate em barra da
melhor qualidade, 70% de cacau
4 ovos
1 pitada de sal
80 g ou a gosto de açúcar
refinado
125 ml de creme de leite fresco
2 colheres (sopa) de água, café
expresso ou licor amazônico
Pimenta-de-cheiro ou
especiarias ou raspas da casca
de laranja a gosto
Quebra o chocolate em pedaços
e derrete devagar sob um
banho-maria. Separe os ovos e
bate as claras junto com a pitada
de sal e parte do açúcar em
neve firme. Bate o creme de
leite e reserve os dois. Com as
gemas e o líquido/especiarias
escolhidos coloque numa tigela
de metal sobre outro banhomaria
e bate com ajuda de um
batedor de arame até engrossar.
Engrossou, retire do fogo e
incorpore rapidamente o
chocolate. Depois em duas vezes
o creme de leite e por fim em
três porções as claras em neve.
Use uma espátula e trabalha
com movimentos envolventes
para não perder o ar
incorporado. Coloque no
recipiente definitivo e reserve
por no mínimo 3 horas na
geladeira.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 504
Nibs ou chocolate em pó caseiro obtidos das sementes do cacau
Retire a polpa das amêndoas e seque-as na medida possível. Para fermentar as amêndoas, é importante que elas
perdem a capacidade de germinar. Tradicionalmente isso acontece numa panela de barro com um peso sobre as
sementes. A tampa é vedada com um lenço, ou folha de bananeira. Lá as sementes devem fermentar durante 3-
5 dias. Controle de vez em quando se o cheiro é de álcool e a fermentação ocorre sem problemas. Também
podem ser colocadas em barris plásticos vedados. Uma mangueira conecta o ambiente interno a uma garrafa de
água a fim retirar todo o ar gerado na fermentação. Depois disso, seque as amêndoas ao sol por 2-3 dias ou num
desidratador e em seguida torre no forno com fogo bem baixo, mexendo de vez em quando. Retire a casca e
quebre em pedaços. Use os nibs inteiros, quebrados ou ralados na massa de biscoitos ou para decoração. Pilado
no pilão se obtém um pó de chocolate caseiro que pode ser usado em bolos, biscoitos ou dissolvido em leite.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 505
Pão de fermentação prorrogada
com café, cacau e nibs
3 xícaras de farinha de trigo branca
3 colheres (chá) de fermento biológico
2-3 colheres (sopa) de açúcar mascavo
4-5 colheres (sopa) de cacau de boa qualidade
3-4 colheres (sopa) de nibs de cacau
1 colher (chá) de sal
2 colheres (sopa) de manteiga ou óleo neutro
1 xícara de café forte, temperatura ambiente
½ - ¾ xícara de chocolate em barra de boa
previdência, picado em pedaços bem grossos
Dissolva o fermento em um pouco do café morno
junto com 1 colher de açúcar. Misture todos os
ingredientes secos, os nibs, o cacau e o chocolate e
por fim incorpore aos poucos o fermento
dissolvido e o café até a massa fica homogenia e
desgrude da forma. Cubra com pano e espere
crescer num lugar arejado e sem corrente de ar
por 12-15 horas. De vez em quando dobra as
bordas da massa sobre o meio e espere que a
mesma voltar a crescer. Salpique a superfície de
trabalho com farinha de trigo. Retire a massa da
vasilha, rola na farinha e forma o pão. Coloque
sobre um tabuleiro, aplique com uma faca muito
afiada cortes no pão e espere novamente crescer
durante uns 30 minutos. Preaqueça o forno em
220 graus durante 15 minutos. Asse o pão durante
35-40 minutos. O pão está pronto quanto emite
um som oco ao ser batido com uma colher de pau.
O mesmo tipo de pão fica delicioso com raspas de
casca de laranja ou laranja cristalizada, e/ou
castanhas no lugar de nibs, foto a esquerda.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 506
Bolo com castanhas em lascas e pedaços de chocolate amargo
com castanhas e nibs
200 g de farinha
200 g de manteiga
200 g de açúcar
200 g de cacau
6 ovos
1 colher (chá) de fermento em pó
1 pitada de sal
100 g de castanhas picadas
1 tablete de chocolate amargo
2 colheres (sopa) de leite
1 punhado de castanhas em lâminas para decorar
Preaqueça o forno em 220 graus. Unte uma forma com buraco no meio. Derreta a
manteiga em banho-maria. Raspe o chocolate com uma faca lisa e guarde as raspas.
Pique 2/3 do chocolate não muito fino. Separe as castanhas para decorar e pique o
restante grosseiramente. Separe os ovos e bata açúcar e gemas até obter um creme
embranquecido. Incorpore manteiga e farinha, chocolate e castanhas. Bata as claras em
neve e junte cuidadosamente em movimentos envolventes à massa. Coloque a massa
na forma untada e asse por 40-50 minutos ou até um palito enfiado sair limpo. Derreta
o restante do chocolate junto com duas colheres de leite e espalhe sobre o bolo.
Decore com as raspas de chocolate e as castanhas cortadas em lâminas.
Cobertura tipo “frosting” de chocolate
1 ¼ copo (140 g) de manteiga temperatura ambiente
4 ½ copos (500 g) de açúcar de confeiteiro
1 colher (sopa) de extrato de baunilha
½ copo (60 g) de cacau em pó sem açúcar da melhor qualidade
2-2 ½ colheres (chá) (30-35 ml) de água ou leite
Para a cobertura bate a manteiga até ficar macia. Aos poucos adicione metade do
açúcar e misture até ficar cremoso. Acrescente a baunilha e metade da água ou leite e
continue batendo. Acrescente, aos poucos, o restante dos ingredientes, sempre
batendo até obter a consistência desejada. Recheia e cubra o bolo a gosto.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata
507
Cacauí
Origem
O cacauízeiro, Theobroma speciosum, parente selvagem e
desconhecido do cacau, e do cupuaçu, é nativa da Amazônia. Os
frutos crescem numa árvore com tronco estreito e copa pequena
que pode atingir 15 m de altura. Popularmente também chamado
de cacau-de-macaco ou cacau-jacaré raramente é cultivado. Os
seus frutos cata-se na mata e eles são vendidos beira rua ou em
feiras do interior. A casca do fruto é mole, mas lenhosa e forma
uma cápsula de mais ou menos 12 cm que esconde as sementes,
bem organizadas e envoltas por uma fina camada de polpa
suculenta de gosto floral e delicado. Entre setembro e outubro o
tronco se redescobre com cachos de pequenas flores vermelhopúrpura
que exalam forte odor de limão e também são
comestíveis.
Aroma
A polpa tem sabor delicado, fresco e levemente cítrico.
Uso
Come-se a polpa in natura. A semente fornece um cacau e
chocolate excelente, mas que nunca foi testado comercialmente.
Clássico
Chupando o carroço in natura ou a polpa transformada em suco.
Exótico
Uso das flores comestíveis.
Imperdível
Chupar a polpa do cacauí in natura.
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Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 508
Cajá-Manga
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata
Origem
O cajázeiro, Spondias dulcis, é original da Polinésia, mas se
espalhou para todo Norte e Nordeste do Brasil. Na região da
Amazônia conhece-se a fruta como taberebá-do-sertão ou
cajarana. A árvore alta e majestosa, mas também existe a versão
anão. A fruta longuinha e oval do comprimento de um dedo, é
muito perecível, mudando de um dia para outro de cor para
azedar logo em seguida. Consumida em perfeita maturação, sua
polpa mole e suculenta é de um azedo agradável e rico em
vitamina C e ferro além de muitas fibras. As duas ou três
centímetros de polpa debaixo de uma fina casca brilhosa e lisa
envolvem um estranho endocarpo revestido de espinhos macios e
irregulares que lembra um novelo de lã. Alguns cajá-mangas
soltam uma resina. Vendidas nas feiras livres, originando muitas
vezes de pomares domésticos.
Aroma
Um amarelo forte sinaliza que a suculenta e refrescante polpa
com gosto agridoce e aromática está no ponto.
Uso
Cru usado em refrescos, cozido é perfeito para compotas, sorvetes
e doces e doces de corte.
Clássico
Refrescos e doces.
Exótico
Em forma de vinagrete ou molho salgado.
Imperdível
O refresco, ideal também em combinação com outras frutas e o
doce de corte, que preserva uma acidez suável.
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509
Vinagrete de cajá-manga
1 xícara de polpa de cajá-manga em cubinhos
1 cebola picada bem fino
1 cheiro verde picado bem fino
Folhas de chicória e alfavaca a gosto, bem picada
2-3 colheres de vinagre japonês
5 colheres de azeite extra virgem
Sal marinho, pimenta regional e pimenta rosa a gosto
Lave as frutas, descasque e corte a polpa dos cajámangas
do caroço. Pique em listras e depois em cubos.
Pique todos os outros ingredientes, misture, tempere
a gosto e sirva acompanhando legumes cozidos ou
assados, peixes e carnes.
Peixe com culi de cajá-manga
1- 1 ½ de postas de peixe por pessoa
1 limão galego
Sal e pimenta a gosto
Culi de caja-manga
8 colheres (sopa) de polpa de cajá-manga
3-4 dentes de alho picados
Azeite
5 colheres de vinho branco seco
3 colheres vinagre suave
100 g de manteiga bem gelada em cubos
½ maço de cheiro verde picado
2 folhas de chicória picadas
Pimenta-do-reino ou pimenta rosa em grãos
Lave as postas de peixe com limão, tempere a gosto e
reserve por meia hora na geladeira. Cozinhe as postas
no vapor ou embrulhado numa folha de alumínio.
Descasque as cajá-mangas e corte a polpa do novilho
interior. Passe no liquidificador e depois por uma
peneira e reserve. Para o molho refogue o alho num
fio de azeite. Acrescente o vinho e o vinagre e reduza
pela metade. Incorpore a manteiga e por fim
acrescente a polpa. Leve até o ponto de fervura e
desligue o fogo. Tempere com sal, pimenta e o cheiro
verde. Cubra o peixe com o molho, salpique com os
grãos de pimenta e sirva com arroz branco ou arroz de
açaí ou purê de cará roxo.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 510
Refresco de caja-manga
1 punhado de caja-mangas ou polpa
Água e cubos de gelo
Açúcar a gosto
Bata a polpa cortada do nódulo da cajamanga
com água. Adoce a gosto e sirva
gelado.
Xarope de caja-manga
2 xícaras de água
2 xícaras de açúcar
2 xícaras de polpa de cajá-manga
2 limões galegos, suco e raspas da casca
1 pedaço de canela ou preciosa a gosto
Leve a água com o açúcar e a especiaria
ao fogo e reduz durante 10 minutos.
Incorpore o restante dos ingredientes e
apure até obter um xarope perfumado.
Sirva diluída em água ou sob a granita.
Compota de caja-manga
2 xícara de água
2 xícaras de açúcar
1 pedaço de casca de limão ou laranja
1 pedaço de canela ou casca preciosa a
gosto
10 cajá-mangas inteiros ou
2 xícaras de polpa
Leve ao fogo a água, o açúcar e a
especiaria escolhida e reduza em fogo
baixo até obter um xarope perfumado.
Descasque os cajá-mangas e apure no
xarope até que fiquem bem macios. Sirva
gelado. Rói-se ou recorta-se a polpa do
endocarpo. Caso prefere um doce só com
a polpa, siga a receita do purê na página
seguinte.
Granita de caja-manga e
gengibre com xarope de
caja-manga
1 kg de polpa de cajá-manga
300-500 g de açúcar ou a gosto
300 ml de água
1 pedaço de gengibre ralado
Suco de um limão galego
Leve o açúcar com a água ao fogo
médio e apure até o açúcar se
dissolver por completo. Reduza por
mais alguns minutos até formar uma
calda bem rala. Deixe esfriar,
acrescente o suco de limão, o
gengibre e a polpa do cajá-manga.
Bata no liquidificador e derrame
numa camada fina num tabuleiro ou
recipiente grande que cabe no seu
congelador. Leve ao congelador por
2 a 3 horas, ou até a camada
congelar. Raspa com ajuda de um
garfo em granita, devolve ao
congelador e espera firma
novamente. Repita o procedimento
até a consistência lhe agradar.
Coloque em copos individuais, regue
com xarope e sirva imediatamente.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 511
Pavê de purê de caja-manga com creme-inglês
Purê de cajá-manga
1200 g de cajá-mangas
700-1000 g de açúcar ou a gosto
Suco de um limão galego a gosto
Lave as cajá-mangas e cozinhe as frutas inteiras cobertas com água
até que fiquem bem macias e começam a desmanchar. Retire as
cascas e passe as frutas por uma peneira, obtendo um purê.
Descarte o bagaço, acrescente o restante dos ingredientes e apure
em fogo brando, de preferência numa panela de aço-inox e boca
larga até obter a consistência desejada. Separe uma prova, espere
esfriar e corrija o açúcar até equilibrar acidez e doçura.
Creme-inglês
½ l de leite
3 colheres (sopa) de açúcar
1 colher (sopa) de fécula de milho ou batata
2 ovos frescos
Dissolva a fécula no leite frio, acrescente o açúcar e os ovos. Com
ajuda de um batedor de arame misture muito bem e leve ao fogo
médio. Continue mexendo e aquecendo bem devagar até a massa
começar a engrossar. Começou a engrossar, tire do fogo e continue
mexendo por mais dois minutos. Passe por uma peneira, cubra e
espere esfriar durante mais ou menos 2 horas.
Pavê
1 porção de creme-inglês
2 xícaras de purê de caja-manga
1 pacote de biscoitos de champagne ou sobras de bolo
Prepare o purê de caja-manga e o creme-inglês com antecedência.
Com o purê e o creme frio, monte o pavê. Forre uma forma com
sobras de bolo ou biscoitos de champagne. Altere camadas de
creme-inglês, purê e biscoitos de champagne. Decore a gosto e
sirva gelado.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 512
Purê de cajá-manga
1200 g de cajá-mangas
700-1000 g de açúcar ou a gosto
Suco de um limão galego a gosto
Lave as cajá-mangas e cozinhe as frutas inteiras cobertas com água até que fiquem bem
macias e começam a desmanchar. Retire as cascas e passe as frutas por uma peneira,
obtendo um purê. Descarte o bagaço, acrescente o restante dos ingredientes e apure
em fogo brando, de preferência numa panela de aço-inox e boca larga até obter a
consistência desejada. Separe uma prova, espere esfriar e corrija o açúcar até equilibrar
acidez e doçura.
Doce de corte de cajá-manga
Para o doce de corte continue reduzindo o purê em porções pequenas cozidas em
panelas de boca larga constantemente mexendo. Alcançando a cor âmbar e começa a
soltar do fundo da panela, espalhe o doce sobre uma pedra ou forma na espessura de 1
cm ou menos e seque ao sol durante dois ou três dias. Recorte as formas desejadas e
vire no açúcar cristal. Guarde em latas fechadas.
Purê de cajá-manga doce-picante
Segue a receita do purê de caja-manga e acrescente antes de apurar um pedaço de 4-6
cm de gengibre ralado, 2-3 cravos e uma fava de cumaru. Apure até alcançar a
consistência desejada.
Torta ou tortinhas com purê de cajá-manga e doce-de-corte em
forma de flores de cajá-manga
Pão-de-ló
1 xícara (chá) de manteiga, temperatura ambiente
1 1/3 de xícara (chá) de açúcar
8 ovos
2 1/4 de xícaras (chá) de farinha de trigo
1 colher (sopa) de fermento químico em pó
Açúcar confeiteiro para polvilhar
Aqueça o forno em temperatura média (180 graus). Separe os ovos. Bata a manteiga
com o açúcar, acrescente as gemas, a farinha e o fermento, misturando bem. Bata as
claras em neve e adicione com delicadeza e movimentos envolventes à massa. Despeje a
massa em uma forma redonda para a torta ou retangular para os docinhos menores ao
lado, previamente untada e enfarinhada e asse por 30 minutos ou até enfiando um
palito, ele saia seco. Deixe esfriar e desenforme. Para o bolo grande corte o pão-de-ló ao
meio e recheie e regue com o purê. Para os menores corte com ajuda de uma forma ou
copo discos da massa. Recheie dois ou três com o purê, empilhe e decore a gosto.
Polvilhe com o açúcar confeiteiro. Sirva acompanhado do restante do purê. 513
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata
Riquezas amazônicas servidas numa barquinha de inajá
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 514
Caju fruta
Origem
O cajueiro, árvore de médio porte, alcança 10 m de altura, é
nativo da costa Norte e Nordeste do Brasil. Existem diversas
espécies botânicas: Anacardium occidentale, o Caju-do-mato,
giganteum e o Caju-açu – A. spruceanum. Parcialmente
domesticada, cresce em qualquer terreno seco, arenoso e
pedregoso. O cajueiro presenteia logo com dois frutos
distintos: a castanha de caju, com seu poder de fazer germinar
germinar novos cajueiros e o suculento caju, um pseudofruto.
Os seus frutos e castanhas variam muito, uns são gigantes,
outros minúsculos como o caju-do-mato. O caju que segura a
castanha-de-caju, na verdade é um pseudofruto, bastante
sensível e perecível. Sua pele brilha cores vivas, vermelha,
laranja ou amarela e a polpa é mole e suculenta. Distingue-se
entre caju ácido que pode conter bastante tanino o que a
torna travoso e caju doce. A castanha-de-caju contém uma
resina cáustica que queima a pele e precisa ser assada ou
fervida antes de liberar a sua amêndoa doce.
Aroma
A polpa e o suco do caju é muito suculento e aromático,
porém adstringente, dependendo do caju usado. Para
preparar doces, prefere-se os cajus mais ácidos porque a
acidez contrasta e realça a doçura do açúcar.
Uso
O fruto é usado em refrescos, compotas, doces cristalizados.
Clássico
Refresco, cajuína e doces cristalizados.
Exótico
Polpa usada em picadinhos e refogados.
Imperdível
Caipirinha de caju e o caju-passa, caju cristalizado
J F M A M J J A S O N D
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 515
Suco de caju vira cajuína – passo-a-passo
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 516
Cajuína
10 cajus
1 copo de água
1 colher (chá) gelatina em pó sem
sabor
Dissolva a gelatina conforme
descrito na embalagem em água
fervente. Reserve e espere esfriar.
Elabore um suco de caju bem
concentrado e passe por uma
peneira. O bagaço rende um
ingrediente perfeito para pratos
vegetarianos como hamburger ou
doce-de-corte. Adicione a gelatina
dissolvida ao suco e espere alguns
minutos até o mesmo começar a
formar flocos. Retire os flocos
maiores e filtre o suco com um filtro
de café ou um pano. Engarrafe em
garrafas de vidro previamente
esterilizadas e bem vedadas.
Termine o procedimento
pasteurizando o suco. Coloque as
garrafas, de preferência
hermeticamente fechadas, num
banho-maria. Aquece durante 30
minutos em fogo baixo ou médio e
espere até o líquido adquire uma cor
âmbar. Hermeticamente fechado a
cajuína se preserva por três meses
ou mais. Sirva gelada.
O bagaço vira um saboroso burger
ou substituto de carne em vatapá e
outros pratos vegetarianos além de
doce de corte.
Vinagrete de caju
2-3 cajus, ácidos ou doces a
gosto, picados
1 cebola roxa cortada em
meias-luas
2-3 pimentões regionais
picados
1 tomate regional picado
1 cheiro verde picado
Sal, pimenta, azeite e
Vinagre ou suco de limão
Misture todos os
ingredientes, corrija os
temperos e sirva
acompanhado burger, carne
ou peixes.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 517
Burger de bagaço de caju vegetariano ou
bolo de “carne” com ovo e piracui
2 xícaras de piracui, livre de espinhos, hidratado por algumas
Horas – dispensa para o burger vegetariano
1 limão galego, casca ralada e suco de ½ limão
200 g de pão dormido
100-200 ml de fundo de peixe ou leite
1-2 xícaras de bagaço de caju bem seco (sobras de cajuína ou
de suco de caju)
1 cebola picada
Sal e pimenta a gosto
1 cheiro verde picado
Coentro a gosto
Farinha d´agua para dar o ponto
Óleo para fritar
Hidrate o piracui por algumas horas e lave com limão.
Dispensa para o burger vegetariano. Pique o pão. Aqueça o
caldo de peixe ou o leite e derrame sobre o pão. Deixe
umidificar por 10-15 minutos. Misture com o restante dos
ingredientes, tempere com sal e pimenta e forme búrgeres,
almôndegas ou um bolo, recheado com ovo cozido.
Acrescente farinha d´água se a massa for muito úmida.
Aquece meio dedo de óleo e frite os búrgeres achatados e
frite-os até dourarem dos dois lados ou asse no forno na
forma de bolo.
Sem o piracui, se obtém uma ótima versão de hambúrguer
caseiro vegetariano.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 518
Salpicão amazônico com caju fruto, caju-passas e molho de castanha de caju
com temperado
4 coxas e sobrecoxas de frango, cozidas e desfiadas
1 cravo
1 folha de louro
1 l de água
Sal e pimenta a gosto
1 repolho roxo, folhas rasgadas e 1 xícara de repolho ralado ou picado fino
1 pepino cortado em fatias finas
1 cenoura cortada em espaguete
½ beterraba cortada em espaguete
2-3 frutas de caju ou outras frutas cortados em meia-luas a gosto
3-4 caju-passas cortadas em cubinhos
Ovo cozido a gosto
1 cheiro verde picado a gosto
Cubra o frango com água, acrescente o cravo, o louro, sal e pimenta e cozinhe até pode ser desfiado com ajuda
de um garfo. Use o caldo para outros fins e desfie a carne. Prepare o molho conforme descrito abaixo. Pique
todos os ingredientes e forre um prato com as folhas do repolho rasgadas. Coloque os ingredientes sobre as
folhas e sirva o molho a parte. A gosto misture com o molho antes de distribuir sobre as folhas. Decore a gosto e
sirva gelado.
Molho de caju com tempero nortista
¾ copo de água
1 copo de castanhas de caju cruas
½ -1 dente de alho a gosto
1 pedaço de açafrão-da-terra fresco ou ½ colher (chá) em pó
1 pedaço de gengibre a gosto
1 colher de óleo neutro a gosto
½ colher (chá) de cominho em grãos ou em pó
½ colher (chá de coentro em grãos ou em pó
1 pitada de cravo
1 pitada generosa de canela
Pimenta de cheiro fresca ou curado a gosto
Sal a gosto
Colorau para decorar
Na véspera, coloque as castanhas de molho. No dia guarde a água das castanhas e junte as castanhas com todos
os outros ingredientes, exceto a água, no liquidificador. Começa a bater devagar, acrescentando a água aos
poucos conforme necessário para obter um molho cremoso. Corrija os temperos e a picância e sirva
acompanhado o salpicão ou outras receitas. 519
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata
Strogonoff de caju ao
leite de castanhas de caju
2 punhados de castanhas para o
leite de castanhas resultando em
100-150 ml de leite de castanhas
ou creme de leite
8-12 de cajus, dependendo do
tamanho, de preferência doces
½ cebola cortada em meia-lua
¼ de pimentão vermelho em tiras
3-4 dentes de alho
1 pedaço de gengibre ralado
½ copo americano de água ou caldo
de legumes
1 colher (sopa) de mostarda
Páprica ou colorau a gosto
½ cheiro verde
Azeite
Sal e pimenta
1 punhado de castanhas de caju
Na véspera cubra as castanhas com
água. No outro dia bate junto com
a água no liquidificador, passe por
um pano e reserve o leite. Doure a
cebola em um fio de azeite.
Acrescente o pimentão, o gengibre
e o alho picado. Refogue até
murchar, acrescente o caju em tiras
ou cubos e frite um pouco. Coloque
a água, a mostarda, o cheiro verde,
sal e pimenta e cozinhe até que
todos os ingredientes estejam
macios. Reduza o fogo ao mínimo e
acrescenta sal, pimenta e páprica e
por fim o leite de castanhas. Corrige
os temperos evitando que o molho
levanta fervura para não talhar o
leite. Torre as castanhas em uma
frigideira até levantar seu perfume
e salpique o stroganoff com as
castanhas e um pouco de páprica.
Acompanha arroz integral ou
branco.
Moqueca de caju com
macaxeira
3 tomates regionais em rodelas
5-6 cajus ácidos, inteiros ou
cortados em rodelas
2-3 pimentões em rodelas
1-2 pedaços de macaxeira
cozidos, em rodelas
1 cebola cortada em anéis
3-4 dentes de alho picado
1 pedaço de gengibre picado
Azeite
2 colheres (sopa) de colorau ou
açafrão-da-terra
Sal e pimenta a gosto
1 maço de cheiro verde picado
200 ml de leite de coco
Azeite de dendê a gosto
Unte a panela de barro
com azeite e forre com
camadas alternadas de tomate,
caju, pimentão, macaxeira,
cebola, alho, gengibre, cheiro
verde e coentro até acabem
todos os ingredientes. Reserve
um pouco de cheiro verde para
finalizar. Tempere cada camada
com um pouco de sal, pimenta
e açafrão. Leve ao fogo, tampe
a panela e espere suar.
Acrescente o leite de coco sem
remexer as camadas, somente
girando a panela. Tampe
novamente e espera cozinhar
em fogo bem baixo por 10-15
minutos. Acrescente o azeite de
dendê a gosto, corrija os
temperos e sirva a moqueca
acompanhado de arroz e pirão.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 520
Compota de caju ou caju em calda
1 kg de caju, de preferência ácidos
2 xícaras de açúcar cristal
2 xícaras de suco de caju ou 2 xícaras de água
Raspas da casca de um limão galego a gosto
Especiarias a gosto
Fure os cajus lavados com um garfo e esprema o suco.
Cozinhe o suco junto com o açúcar e as especiarias até
formar um xarope perfumado. Adicione os cajus
espremidos e cozinhe em fogo brando sem mexer até
os cajus amoleceram. Passando pelo liquidificador, vira
geleia de caju.
Caipi-caju ou caju-amigo
2-3 cajus cortados em fatias
1 colher (sopa) de açúcar ou a gosto
5 cubos de gelo e 1 dose de cachaço ou vodca a gosto
Retire as castanhas e corte as frutas em fatias. Macere
as fatias junto com o açúcar em um copo grande.
Adicione o restante dos ingredientes, chacoalhe e sirva.
Caju afogado e licor de caju
4-6 cajus inteiros com casca
1 litro de álcool de cereais ou vodca
Lave as frutas e coloque-as em um recipiente de vidro
e cubra totalmente com o álcool. Feche hermeticamente e
espere curtir protegido da luz por 4-5 semanas. Passe o
líquido por uma peneira e guarde numa garrafa bonita.
para o licor de caju adicional
1 copo de água
1 copo de açúcar cristal
Siga os passos do álcool aromatizado. Peneiro o líquido
aromatizado, descarte os cajus e guarde o álcool aromatizado.
Aqueça a água com o açúcar. Apure em fogo brando até
alcançar o ponto pérola (108 graus ou cerca 15 min). Esfriado
misture ao álcool aromatizado.
Salada de frutas amazônicas
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 521
Escolhe as melhores frutas da estação, coloque numa vasilha e
sirva gelado. Sirva com mel de caju, açúcar e suco de limão.
T
Caju cristalizado - caju passa
45 cajus
2 kg de açúcar cristal
6 xícaras de açúcar
Açúcar mascavo a gosto para envolver o caju pronto
Lave os cajus, retire as castanhas e fure cada caju com um
garfo. Esprema-os com a mão e reserve o suco para outros
fins. Cubra com água e ferva 3 minutos contados após
levantar fervura. Descarte a água e esprema-os novamente
um por um. Junte açúcar e água, leve ao fogo numa panela
com boca larga, aqueça até que todo o açúcar se dissolver,
acrescente o caju e cozinhe em fogo mínimo por 30
minutos com panela tampada. Retire do fogo e repita o
processo por mais dois ou três dias em seguida. Se a calda
secar ou engrossar muito antes de ficar pronto, acrescente
um pouco de água. No último a calda deverá estar bem
espessa (um tipo de mel de caju) e os cajus bem vidrados e
de cor âmbar. Guarde a calda e seque os cajus cobertos
com filó no sol ou num secador até que fiquem bem secos,
sem endurecer. Secos, guarde em vidros ou latas e passe a
gosto no açúcar mascavo. Se os cajus voltam a apresentar
umidade, retorne-os ao sol por mais alguns dias. Sirva a
calda com biscoitos ou sorvete, ou numa verrine com
creme inglês, foto ao lado.
A calda que já deve ter alcançada o ponto de xarope, é
ótima para temperar sorvete, mingau ou acompanhar
bolos mais secos.
Mel de caju
A calda que sobra é chamada de mel de caju. Esse mel
pode ser reciclado com cada leve de cajus na receita
acima, ficando cada vez mais espesso e doce e com intenso
gosto de caju. Sirva com iogurte, tapioca ou biscoitos e
pingue sobre uma salada de frutas.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 522
Cajuzinhos
1-2 xícara de bagaço de
caju
1 lata de leite condensado
1/3 xícara de mel de caju
Açúcar para rolar o
cajuzinho
Castanhas de caju inteiras
ou picados para decorar
Lave muito bem o caju,
retire a castanha (guardea
para torrar) e se for
necessário pique-o e
processe o fruto junto
com um pouco de água no
processador. Deixe a polpa
escorrer, reservando o
suco para outros fins. Use
para cada duas xícaras de
bagaço 1 lata de leite
condensado e 1/3 de mel
de caju (calda que sobra
cozinhado o caju). Leve
todos os ingredientes
numa panela aberta ou no
tacho de cobre ao fogo.
Espere engrossar, sempre
mexendo, sob fogo
brando, até dar ponto.
Para acertar o ponto,
pingue um pouco do doce
num copo com água. Se a
água se mantém limpa, o
doce está no ponto para
ser moldado. Esfriada,
enrole entre as mãos em
formato de cajuzinho,
passe pelo açúcar e decore
com uma castanha de
caju.
T
Doce de caju de
corte do bagaço de
caju
½ kg de bagaço de caju (use
o suco para outros fins)
½ -1 copo do suco da
própria fruta
300-400 g de açúcar
conforme gosto
Cravo e canela a gosto
Açúcar para polvilhar
Lave os cajus, fure cada um,
esprema-os e use o suco
para outros fins, guardando
um pouco para regular a
espessura do doce. Bate o
bagaço no processador até
ficar bem homogêneo.
Coloque junto com o açúcar
numa panela com boca
grande e aquece. Ao
levantar fervura, abaixe o
fogo e acrescente meio copo
do suco. Cozinhe
lentamente em fogo baixo,
acrescentando sempre
quando começar a secar,
mais um pouco do suco.
Continue mexendo e
apurando até que a massa
se desprenda do fundo da
panela e sua cor ficar ambar.
Espalhe sobre uma pedra de
mármore ou outra superfície
lisa, previamente açucarada.
Espere secar, recorte em
cubos ou forma bolinhos e
os envolva por completo
com açúcar. Guarde em
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata
vidros em lugar seco ou na
523
geladeira.
Carambola
Origem
A carambola, averrhoa carambola, vem da Ásia, trazida além-mar
por navegantes – uma fruta a mais do intercâmbio fértil de frutas
tropicais. A árvore de pequeno porte gosta de climas quentes e
se adaptou muito bem ao Brasil. De pele envernizada cuja cor
varia entre verde, amarelo ou alaranjado com polpa crocante e
em abundância, a fruta exibe, cortada em rodelas, a forma de
uma estrela, o que a predestina à fins decorativos. Com seu
paladar agridoce combina tanto com pratos salgados quanto com
sobremesas. A carambola contém ácido oxálico. Por isso
recomenda-se o uso moderado da fruta. Pessoas com problemas
renais devem evitá-la.
Aroma
In natura o sabor da carambola tende ser ácido, mas existem
variedades com frutas muito doces e suculentas.
Uso
Suco, doce ou mais para fins decorativos em saladas ou saladas
de fruta.
Clássico
Usa-se a polpa para fazer refrescos, doces e sorvetes.
Exótico
Na caipirinha, como molho para saladas ou peixe.
Imperdível
Um doce de carambola aromatizado com especiarias ou
carambola caramelizada.
J F M A M J J A S O N D
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 524
Salada regional com caju e carambola
1 maço de espinafre de macaco sem talos
2-3 cará roxos, cozidos, sem casca, em rodelas
½-1 batata-doce branca ou laranja, cozida, cortada em
meia luas
1 punhado de frutas do caju doces ou ácidos a gosto,
cortado em rodelas ou meia luas
1 punhado de tomate cereja cortado ao meio
1-2 carambolas em fatias
1 punhado de xerém de castanhas de caju
1 cheiro verde picado ou as folhas rasgadas
Molho
Sal e pimenta a gosto
Azeite
Vinagre balsâmico ou de maçã ou suco de limão a gosto
Sal marinho
Pimenta de cheiro a gosto
Cozinhe os carás e a batata-doce separadamente em
água com sal não muito mole. Descascados, corte-os em
rodelas ou cubos. Pique o restante dos ingredientes e
forre o recipiente escolhido com uma camada de
espinafre-de-macaco. Coloque o restante dos
ingredientes por cima, salpique com o caju, a carambola
e as folhas do cheiro verde. Prepare o molho, ou tempere
na mesa a gosto.
Peixe na grelha com carambola e
pimenta-de-cheiro
Decore o peixe grelhado com carambolas, a gosto
caramelizados na grelha, pimentas-de-cheiro, cheiroverde
e fatias de limão antes de servir.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 525
Doce de carambola
T
1 kg de carambolas
½ kg – 1 kg de açúcar cristal ou a gosto
1-2 copos de água
1-2 sementes de cardamomo e anis estrelado
Recorte uma fina tirinha ao longo de cada nervura (ponta da estrela) da
carambola e descarte. Corte a fruta em rodelas e cubra com o açúcar.
Tampe e guarde na geladeira durante uma noite. No outro dia o açúcar se
transformou em calda. Reserve as frutas e engrosse a calda em fogo
brando. Coloque as frutas junto com as especiarias na calda e apure até as
frutas ficam cozidas por completo.
Carambola cristalizada
Siga a receita acima, mas use açúcar mascavo. Cozinhe a fruta durante três
dias seguidos, durante 30 minutos, depois deixe esfriar na calda. Retire as
frutas e seque ao sol ou num desidratador
Caipi-carambola com maracujá
1 carambola madura, cortada em fatias
½ - 1 maracujá, polpa
1-3 colher (sopa) de açúcar ou a gosto
5 cubos de gelo
1 dose de cachaça ou vodca
Macere as fatias de carambola junto com o açúcar, adicione o restante dos
ingredientes, chacoalhe na coqueteleira e sirva gelada decorada com uma fatia
de carambola.
Sangria tropical
3 laranjas, 4-5 fatias da fruta, suco do restante, a gosto casca ralada
1 limão galego, casca ralada e 2-3 fatias, suco do restante
1 carambola em fatias
1 manga em cubos
1-2 goiabas em fatias
2-3 fatias de abacaxi em triângulos
2-3 colheres (sopa) de açúcar (50 g) ou a gosto, 1 pau de canela
25 ml de conhaque
1 garrafa de vinho tinto de boa qualidade
Cubos de gelo a gosto
Corte todas as frutas, raspe a casca dos cítricos, corte em fatias e espreme o suco.
Coloque as frutas junto com o açúcar e o conhaque no recipiente escolhido e
espere macerar por 10 minutos. Acrescente o restante dos ingredientes,
acrescente cubos de gelo a gosto e sirva frio.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 526
A maneira antiga – cupuaçu cortado a mão
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 527
Cupuaçu
Origem
O cupuaçuzeiro, Theobroma grandiflorum, parente próximo do
cacaueiro, é de origem amazônica. Cresce na terra firme numa
árvore baixa que alcança 10 metros de altura. Planta muito
prestigiada e querida na região Norte, cativa com seu fruto oval
de casca lenhosa, de perfume intenso, perceptível de longe,
mesmo com o fruto completamente intacto. Um aroma
inconfundível que encanta uns e repele outros, especialmente
os quais não estão acostumados a perfumes tão exuberantes,
exóticos e frutais. Debaixo da casca aveludada do fruto
cilíndrico ou arredondado que varia de tamanho, esconde-se a
polpa branquíssima. De sabor agridoce, a polpa adere
firmemente às cerca de 50 sementes graúdas e tem que ser
recortada do caroço com ajuda de uma tesoura. As frutas estão
maduras quando caem no chão. Arranha-se a sua polpa e
observa-se se o fundo do arranhão está verde, se garante dessa
maneira que a fruta está em perfeito estado para consumo.
Aroma
Altamente aromático e deliciosamente ácido com um perfume
frutal intenso que não se perde ao ser processado.
Uso
Refrescos, doces, sorvetes e bombons.
Clássico
Refresco, mousse e sorvete
Exótico
Em coberturas de bolo ou molhos ou laqueando um pato.
Imperdível
Pato glacê de cupuaçu ou licor leitoso de cupuaçu.
J F M A M J J A S O N D
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 528
Suco da polpa de
cupuaçu
½ copo de polpa de cupuaçu
1 copo de água
Açúcar, mel ou rapadura a
gosto
Cubos de gelo a gosto
Misture todos os
ingredientes no liquidificador
e sirva gelado.
Chutney agridoce de cupuaçu
1 cebola picada em listras
2-4 dentes de alho
1 pedaço de gengibre picado
1-2 pimentas de cheiro ou a gosto
Azeite
2 copos de polpa de cupuaçu
1 xícara (200 g) ou a gosto de açúcar
branco ou mascavo
½ copo de vinagre de arroz
2 folhas de louro
2 folhas de canela
2 sementes de embiriba
A gosto canela, cravo, sementes de
mostarda e coentro
Potes de vidro com fecho hermético
previamente esterilizados
Refogue a cebola, o alho e o gengibre num
fio de azeite. Acrescente a polpa e o
restante dos ingredientes e cozinhe em
fogo baixo até todos os sabores se
misturarem. Corrija acidez, picância e
doçura. A gosto passa a varinha mágica
(retire antes as especiarias) e sirva
acompanhando peixes, aves e carnes. Fica
perfeito também com petiscos ou
hamburger.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 529
Geléia/Doce de corte de cupuaçu tradicional
500 g de polpa de cupuaçu
300-500 g de açúcar a gosto
Caramelize o açúcar, usando uma panela com boca larga. A gosto
derrete o açúcar sozinho ou adicional com duas colheres (sopa) de
água. Caramelizou num caramelo claro, acrescente, muito cuidado dos
respingos quente, a polpa. Cozinhe lentamente sob fogo baixo, sempre
mexendo, até obter a consistência de geleia, foto a esquerda acima, o
ponto de doce, foto do meio ou de corte, usado para rechear o
bombom, foto esquerdo abaixo.
Mousse de cupuaçu com geleia de cupuaçu,
chocolate e nibs
2-3 colheres (sopa) de chocolate amargo picado
200 ml ou 1 xícara de creme de leite
200 ml ou 1 xícara de leite de vaca
Açúcar a gosto (3-5 colheres (sopa) cheias
400 ml ou 2 xícaras de polpa de cupuaçu
¾ xícara de doce de cupuaçu, receita acima
Nibs para decorar
Para decorar o/s recipientes derrete o chocolate picado sob banhomaria.
Forre o/s mesmos com o chocolate e espere firmar na
geladiera. Prepare o mousse. Misture o creme de leite, o leite e a polpa
de cupuaçu no liquidificador até formar uma massa lisa. Coloque no/s
recipientes com chocolate, leve à geladeira durante 2-3 horas para
firmar. Antes de servir decore com o doce de cupuaçu e os nibs.
Gelatina do caroço do cupuaçu
Caroços de cupuaçu com restos da polpa
Água filtrada e açúcar a gosto
Gelatina incolor, sem sabor
Corte a polpa do cupuaçu, separe os caroços e os cubra com água.
Reserve durante uma noite na geladeira. Filtre a água e descarte os
caroços. Adoce a água a gosto e reduza em fogo brando. Dissolva a
gelatina conforme descrita na embalagem, acrescente ao xarope
perfumado com cupuaçu e espere firmar na geladeira.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 530
Carolinas recheadas com cupuaçu cobertas de
chocolate e raspas de chocolate
Carolinas
1 copo (200 ml) de água
4 colheres rasos (sopa), (70 g) de manteiga sem sal
1 xicara (125 g) de farinha de trigo
4 ovos
1 pitada de sal
Recheio
400 g de polpa de cupuaçu
200-300 g de açúcar a gosto
Caramelize o açúcar, acrescente a polpa a e apure em fogo brando,
mexendo sempre até soltar do fundo da panela. Espere esfriar e use como
recheio.
Cobertura
100 g chocolate amargo
100 ml creme de leite ou leite integral
2 colheres (sopa) de mel
Leve a água, a manteiga e o sal ao fogão e aqueça até o ponto de fervura.
Acrescente, de uma vez só, a farinha de trigo, mexendo bem. Continue
mexendo e aqueça a mistura durante alguns minutos até que a massa se
desprender do fundo da panela. Preaqueça o forno em 220 graus. Espere
amornar, bata os ovos levemente com um garfo e incorpore, aos poucos, à
massa. Misture até ficar lisa e homogênea. Unte uma assadeira com
manteiga e polvilhe com farinha. Forme com a ajuda de duas colheres ou um
saco de confeitar bolinhos e coloque-os na forma com espaço suficiente
entre eles. Asse por cerca de 30-40 minutos sem abrir o forno – os bolinhos
poderiam parar de crescer. Desligue o forno e deixe-os esfriar, os primeiros
10 minutos dentro do forno, depois sobre uma grelha. Corte as carolinas ao
meio e recheie com o doce de cupuaçu. Empilhe uma sobre as outras,
edificando uma torre. Raspe com ajuda de uma faca raspas da barra de
chocolate e reserve. Derreta o restante do chocolate junto com o leite e o
mel em banho-maria. Espere esfriar um pouco e depois derrame sobre a
torre de carolinas. Salpique com as raspas de chocolate e sirva em seguida.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 531
Verrine de mousse de cupuaçu, calda de café
e chocolate com suspiros de cupuaçu
Suspiros de cupuaçu
5 claras de ovos frescos, temperatura ambiente
1 pitada de sal
1 xícara de açúcar de confeiteiro
1 colher (chá) de vinagre de maçã ou de arroz
1 colher (chá) de fécula
2-3 colheres de polpa ou doce de cupuaçu
Forre uma forma refratária com papel manteiga. Preaqueça o forno em 120 graus. Bata as claras na
batedeira, começando pela velocidade mínima e aumentando aos poucos. Ao ponto de picos
começa a incorporar em intervalos grandes o sal e, colher por colher, o açúcar. Continue batendo
até a massa se tornar brilhante e firme. Ao esfregar umas gotas da massa entre dois dedos não
deve se mais perceber nenhum grau de açúcar. Dilua a fécula no vinagre e incorpore a massa. Por
fim acrescente o cupuaçu. A massa deve ser lisa e muito firme. Com ajuda de duas colheres ou um
saco de confeiteiro coloque pingos ou rodelas no tabuleiro. Abaixe a temperatura do forno para
80-100 graus ou coloque uma colher de pau na porta, e coloque os para assar ou melhor secar.
Dependendo do tamanho, os suspiros estão prontos depois de 60-80 minutos e devem ser
sequinhos por fora e puxa-puxa por dentro. Espere esfriar dentro do forno.
Calda de café e chocolate
2-3 colheres de amido
1 colher (sopa) de água fria
1 xícara de café extraforte
2-3 colheres (sopa) de chocolate em barra meia amarga quebrada em pedaços ou ralada
Para a calda de café dilua a fécula na água fria para não formar grumos. Prepare o café e incorpore
a fécula ao café. Leve junto com o chocolate ao forno e espere engrossar. Esfriada, guarde na
geladeira para firmar um pouco.
Creme de cupuaçu
200 ml ou 1 xícara de creme de leite
200 ml ou 1 xícara de leite de vaca
Açúcar a gosto (3-5 colheres (sopa) cheias
400 ml ou 2 xícaras de polpa de cupuaçu
Doce de cupuaçu para camadas e para finalizar
Biscoitos de champagne a gosto
Misture o creme de leite, o leite e a polpa de cupuaçu no liquidificador até formar uma massa
lisa. Leve à geladeira durante 2-3 horas para firmar. Para montar o doce altere camadas de
suspiro, biscoito de champagne, calda de café e chocolate, creme de cupuaçu e doce de cupuaçu.
Decore com raspas de chocolate e suspiro. Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata
532
Bolo naked recheado com doce de cupuaçu ou com
frosting de cupuaçu
Bolo
1 ½ xícara (300g) de açúcar
4 ovos
1 copo (200 ml) de leite
3/4 copo (180 ml) de óleo neutro ou azeite
2 ½ xícara (300 g) de farinha de trigo
1 pitada de sal
½ colheres (chá) de essência de baunilha
2 colheres (chá) de fermento em pó
Doce de cupuaçu
500 g de polpa de cupuaçu para rechear
400-500 g de açúcar a gosto
Cobertura
Açúcar confeiteiro ou ganache de chocolate com raspas de chocolate ou
cupulate
Para o doce de cupuaçu caramelize o açúcar, acrescente a polpa e cozinhe
até obter a consistência desejada. Para o bolo preaqueça o forno em 180
graus e unte uma, duas ou duas forma/s refratária/s. Bata o açúcar, os ovos,
o leite e o óleo no liquidificador. Acrescente o restante dos ingredientes e
continue misturando. Por último acrescente o fermento e derrame a massa
na forma. Asse por 40 minutos ou até um palito enfiado sair limpo. Recheie
com duas ou três camadas de doce de cupuaçu e decore a gosto.
Frosting de cupuaçu
200 g de polpa de cupuaçu
3-5 colheres (sopa) de água
½ xícara de açúcar
2 claras
1 pitada de sal
Cacau em pó a gosto
Aquece água com açúcar apurando até o ponto de fio. Incorpore a polpa e
cozinhe até obter uma geléia de cupuaçu. Bata as claras na batedeira com o
restante do açúcar em neve bem firme. Acrescente a geleia quente, deixe a
escorrendo pelas laterais, batendo em velocidade baixa. Continue batendo
até a tigela amornar e o frosting alcançou uma consistência firme. Recheie e
cubra o bolo com o frosting e decore a gosto, na foto com cacau em pó.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 533
Nibs do caroço do cupuaçu
Recorte a polpa do caroço e use para
outros fins. Coloque os caroços limpos
numa panela de barro, coloque um peso
sobre eles, vede com um lenço e tampe a
panela. Deixe fermentar por 3-5 dias.
Controle de vez em quando se o cheiro é
de álcool e a fermentação ocorre sem
problemas. Seque os caroços ao sol por 2-
3 dias ou em um desidratador. Torre no
forno, fogo bem baixo, mexendo de vez
em quando. Quebre em pedaços e separe
da casca. Use os nibs em natura, para
biscoitos ou para decoração. Pilado no
pilão se obtém o pó de cupuolate
Pudim de tapioca com nibs de
cupuaçu
150-200 g de farinha de tapioca
1 xícara de algum tipo de leite
1-2 colheres de leite condensado ou leite
coco
1 pitada de sal
Açúcar a gosto
1 gema de ovo
A gosto 1 pitada de cumaru ralado
½ copo de nibs do caroço de cupuaçu
Aqueça os dois tipos de leite, junte a
tapioca, o açúcar e o sal e espere
engrossar em fogo baixo. Mexe até os
flocos se tornarem translúcidos. Tire o
fogo e incorpore a gema de ovo. Coloque
em forminhas ou uma forma grande e
espere firmar na geladeira. Vire e sirva
salpicado dos nibs de caroço de cupuaçu.
Manteiga de cupulate
com castanhas de caju
½ copo de castanhas de caju
hidratadas
½ copo de nibs do caroço de
cupuaçu
1-2 colheres de leite condensado
ou leite coco
1 pitada de sal
Açúcar a gosto
A gosto 1 pitada de cumaru
ralado
Cubra as castanhas com água e
deixe algumas horas de molho.
Descarte a água e moa as
castanhas junto com uma parte
do líquido escolhido até obter
uma consistência cremosa. Mais
poderoso o processador esteja,
melhor. Acrescente os nibs de
cupuaçu e aos poucos mais
líquido conforme a consistência
desejada. continue moendo até
obter uma manteiga lisa e
compacta. Moa pulsando ou com
intervalos para não aquecer ou
queimar o processador. Derreta o
chocolate e acrescente junto com
os outros ingredientes e sirva a
manteiga com pão no café de
manhã ou use em forma de
recheio para tapiocas ou
rocamboles. Guarde num vidro
fechado na geladeira.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 534
Licor de cupuaçu leitoso ou transparente
1 xícara de polpa de cupuaçu sem caroço
½ l de vodca ou álcool de cereais
1 xícara de água
1 xícara de açúcar
Cubra a polpa do cupuaçu com o álcool e deixe de
infusão num lugar escuro por mais ou menos um mês.
Depois siga as receitas abaixo.
Licor leitoso
Esquente a água junto com o açúcar em fogo brando, apurando até alcançar o
ponto pérola (108 graus), ou mais ou menos 15 minutos. Bata o álcool
aromatizado junto com a polpa no liquidificador. Esfriado, misture os dois
líquidos. Guarde numa garrafa decorativa previamente esterilizada. Espere
curar por dois ou três dias e sirva gelado.
Licor transparente
Esquente a água junto com o açúcar em fogo brando, apurando até alcançar o
ponto pérola (108 graus), ou mais ou menos 15 minutos. Filtre o álcool
aromatizado com um filtro de café, guarde o líquido e descarte a polpa.
Esfriado, misture os dois líquidos. Guarde numa garrafa decorativa previamente
esterilizada. Espere curar por dois ou três dias e sirva gelado.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 535
Cubiú / Tomate-de-índio
Origem
A cor do cubiú maduro, (Solanum sessiliflorum), também
chamado de tomate de índio, varia entre amarelo, vermelho e
laranja, e sua forma e tamanho são bastante distintos. Originário
do ocidente da Amazônia, domesticado pelos Índios précolombianos,
cresce num arbusto da família das Solonéceas com
ciclo anual. Jovem prefere a sombra de outras plantas para
crescer. É usado pelas populações tradicionais tanto como
alimento quanto medicamento, por exemplo no combate à
anemia. Graças a sua casca dura é muito resistente ao transporte
e se conserva durante bastante tempo na geladeira. Vendido em
feiras livres do interior.
Aroma
A casca dura envolve uma carne suculenta e aguada,
saborosa,mas bastante ácida.
Uso
Cubiú pode ser consumido ao natural - normalmente é
descascado antes do uso - em forma de refrescos ou cozido,
acompanhado peixes ou carnes ou processado em chutneys e
geleias já que o seu alto teor de pectina é muito alto.
Clássico
Refrescos ou geleias
Exótico
Excelente para fazer chutneys
Imperdível
A sua acidez agradável contrasta muito bem tanto com chutney
quanto com geléia
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Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 536
Cutite
A fruta de casca fina e esverdeada que, quando madura, expõe
fissuras que deixam transparecer polpa firme, levemente
farinhenta, de perfume exótico e de cor amarela gema, se chama
cutite, pouteria macrocarpa. É da família dos Sapotaceaes,
parente da lúcuma, pouteria lucuma, fruta muito apreciada no
Peru. Originária das zonas costeiras do Pará e do Maranhão, a
cutite é mais uma fruta esquecida, encontrada exclusivamente em
quintais antigos. Do tamanho de um ovo, mas completamente
redondo ou com bico, tem sementes muito escuras, quase negras
e brilhantes. Bastante perecível, também é parente do abiu com o
qual partilha o famoso látex que pode, consumindo frutas ainda
não completamente maduras, aderindo os lábios. Árvore grande,
alcança 30 metros de altura. Cai da árvore ainda verde e pode ser
consumida depois de 2-3 dias já bem molengo e com a casca
rachada.
Aroma
De sabor perfumado e exótico e textura levemente farinhenta,
mas naturalmente muito doce, lembra paçoca de amendoim com
creme.
Uso
Come-se cutite normalmente in natura
Clássico
Inspirado na cozinha peruana dá um creme de cor de gema de ovo
delicioso, ideal para rechear bolos ou misturar ao cheesecake.
Interessante também para fazer sorvete.
Exótico
In natura
Imperdível
Cheesecake com cutite e cobertura de chocolate
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Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 537
Mousse ou culi de
cutite
Misture a polpa de cutite
bem maduro com leite ou
leite de coco e açúcar até
obter uma mousse ou um
culi. Sirva com brownie de
chocolate.
Pão-doce recheado
com polpa de cutite
e cacau
1 receita de massa de pãodoce,
veja receita nas
castanhas. A massa é
aberta, recortada em
quadrados e recheada.
Recheio: Polpa de cutite,
açúcar e cacau
Seque bem o recheio,
coloque a forma em pé na
vertical e altere camadas da
massa com o recheio. Asse
no forno pré-aquecido a
220 graus durante 50 – 60
minutos. A gosto cobre com
um fio de cobertura de
chocolate ou de açúcar
confeiteiro.
Brownie com culi
de cutite
150 g de chocolate amargo de
ótima qualidade
150 g de manteiga
150 g de cacau em pó
4 ovos
1 pitada de sal
150-200 g de açúcar
150 g de farinha
Preaqueça o forno em 180
graus e unte uma forma
quadrada de 23 x 23. Derreta o
chocolate junto com a manteiga
em banho-maria. Bata os ovos e
o açúcar até que fiquem
embranquecidos. Junte a
farinha e o cacau em pó,
passando por uma peneira,
acrescente o fermento e o sal.
Misture com delicadeza e por
fim coloque o chocolate e a
manteiga já esfriados. Espalhe
na forma e asse durante 20-25
min.. Os brownies devem ser
crocantes por fora e macios e
cremosos por dentro. Espere
esfriar e corte em retângulos ou
quadrados. Sirva acompanhado
de culi ou mousse de cutite.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 538
Cheesecake de cutite com cobertura de chocolate
Fundo
150 g de biscoitos maisena triturados
50 g de manteiga sem sal
2 colheres (sopa) de chocolate em pó de boa qualidade
Recheio
400 g de cream cheese, por exemplo Philadelphia
2 copos de polpa de cutite
100 g de açúcar ou a gosto
4 ovos
200 ml de creme de leite fresco
Cobertura de chocolate
½ copo de leite
½ copo de leite condensado
1 colheres (sopa) de manteiga
2-3 colheres de chocolate em pó de boa qualidade
Derreta a manteiga e quebre os biscoitos ou no processador ou dentro de
um saco plástico com o rolo de macarrão em migalhas. Misture com o
chocolate em pó. Umedeça as migalhas com chocolate em pó com a
manteiga e forre o fundo laterais de uma forma redonda alta com um aro
removível com a mistura. Aperte bem com o fundo de um copo e espere
firmar na geladeira. Preaqueça o forno em 180 graus. Bata o cream cheese
junto com o açúcar até ficar cremoso. Adicione os ovos, o creme de leite e a
polpa de cutite. Continue batendo até a massa fique bem arejada e coloque
na forma. Leve ao forno e asse por 30-40 minutos ou até a massa obter uma
consistência gelatinosa. Espere esfriar algumas horas na geladeira antes de
desenformar. Para a cobertura dilua numa panela o chocolate em pó no
leite, coloque no fogão e misture com o restante dos ingredientes. Aquece
devagar e engrosse em fogo baixo, sempre mexendo. Coloque um pingo
sobre um pires e espere esfriar. Se ele, esfriado, se firmar, derreta a calda
quente sobre o bolo, espalhe e espere endurecer na geladeira. Sirva gelado.
Sorvete de cutite
2 xícaras de polpa de cutite
Água ou leite suficiente para obter um creme liso
Açúcar a gosto
Bate a polpa do cutite junto com um pouco do líquido escolhido no
liquidificador. Acrescente líquido aos poucos até obter uma consistência
cremosa. Coloque em forminhas e leve ao congelador. Sirva gelado.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 539
Descasca-se as laranjas devagar, aplique um golpe e chupa-se o suco doce.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 540
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata
541
Cítricos
Origem
Estima-se que existem mais ou menos 100 espécies de cítricos
diferentes no mundo. Os cítricos silvestres originam da Índia e do
Sudeste do Himalaia. Suponha-se que acharam o seu caminho até
a região do Mediterrâneo, de onde se espalharam pelo mundo.
Devem ter sido os navegantes e colonizadores que trouxeram
consigo os cítricos para o Brasil. Frutas de muitas funções,
especialmente por suas propriedades medicinais, encontra-se nas
feiras livres e nos quintais tradicionais ainda diversos tipos de
cítricos em perigo de esquecimento. Pés de laranja-da-terra,
citrus aurantium fornecem frutas grandes com casca rugosa e
polpa alaranjada. A laranja-da-terra, de um amargor delicioso, é
conhecida por suas propriedades medicinais. Outro cítrico, o
limão galego, citrus aurantiflia, tem frutos do mesmo tamanho,
com cascas amarelas e perfumadas. E por fim encontra-se um
limão menor, de casca fina e acidez refrescante, o limão-cravo ou
vinagre, citrus limonia.
Aroma
Cada fruta tem o seu próprio aroma, uns mais cítricos e
refrescantes, outros deliciosamente amargos.
Uso
Todas são fontes ideais de vitamina C além do uso medicinal.
Clássico
Refrescos, batidas com casca, casca cristalizada e raspas da casca.
Exótico
Geleia com um delicioso toque de amargor.
Imperdível
Limonada, batida com casca e caipirinhas e batidas.
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Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 542
Limão doce
Origem
O limão doce encontrado na Amazônia raramente aparece nas
feiras, é encontrado nos quintais domésticos do tipo antigo.
Lembra, em formato e cor, o limão siciliano. Esse último é
apontado como aquele limão que mais se assimila aos cítricos
originais, Citrus medica, que deram origem às mais ou menos 70
tipos e híbridos: limões e limas ácidas como o limão Taiti ou, mais
frutais como o limão galego, limas mais doces como as cidras e
outras gostosamente amargas, laranjas tanto doces quanto
deliciosamente amargas, tangerinas e pomelos, hoje espalhados
pelo mundo. Fruto importante, milenar, cada um com sua
particularidade, sempre tido também como medicinal, não só
pelo seu alto teor de vitamina C, tem sua origem na Ásia. Na índia
e no Sudeste do Himalaio ainda é possível encontrar variedades
silvestres. O limão doce com casca enrugada que se torna
amarelo-claro quando amadurece e formato oblongo é
encontrado em vários tamanhos. Tem bico típico e sua casca se
solta com facilidade. Como todos os cítricos as suas folhas e
cascas contém óleos essenciais
Aroma
É de uma suculência refrescante com uma doçura agradável.
Uso
Seu suco acentua o sabor de peixes e carnes vermelhas. Batido
junto com a casca, resulta numa limonada deliciosa.
Clássico
Suco, obtido, batendo a fruta junto com a casca.
Exótico
Casquinhas cristalizadas ou limão conservado no sal.
Imperdível
Uma excelente fruta para batidas como caipirinha.
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Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata
543
Limão Galego, um limão tradicional, delicioso, mas muito perecível
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 544
Limão galego
Origem
O limão galego, citrus aurantifolia, origina, com os outros cítricos,
da Ásia. O limão galego, um limão bastante grande, de casca
grossa, rugosa e amadurecido de um amarelo intenso e bastante
perecível, é usado no Norte quase unicamente para esfregar em
peixes e aves. É chamado de “lavar” o peixe ou o frango, lhes
tirando através do seu sumo qualquer vestígio de “pitiú”,
(expressão local para descrever o cheiro de peixe ou outros
cheiros desagradáveis). Devido essa tradição, deve ter sobrevivido
aqui na Amazônia. No Sul do país existem outros tipos de limão
com o mesmo nome. Encontra-se em quintais e é vendido em
feiras livres. Fruta bastante sensível, se decompõe muito mais
rápido do que limões produzidas em escala industrial, mas tem
uma acidez muito agradável.
Aroma
Perfume e gosto de um limão clássico, mas com menos acidez e
de um aroma mais frutífero e complexo, ideal para sucos e
limonadas batidas com ou sem casca.
Uso
A sua casca dá um licor saboroso, sua folha tempera carnes e
molhos e a casca dá um “limoncello” excelente.
Clássico
É quase exclusivamente usado para “lavar” peixes e frango.
Exótico
Doces, compotas, geléias e licores com o sabor agradável do
limão.
Imperdível
Limonada, batida com pedaços da casca ou na caipirinha. Perfeito
com arroz ou no molho cítrico acompanhando massas.
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Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 545
Limão-cravo/capeta
Origem
O limão-cravo, citrus limonia, também chamado de limãovinagre,
-tanja, -capeta ou -rosa, é o irmão mais rústico e pobre
do limão Taiti. Pela sua aparência, com casca alaranjada e fina
que se aproxima do vermelho, é comum que o confundam com
uma pequena laranja. Classificado como limão, é um híbrido
entre tangerina e cidra, originária da Índia. Seu sabor e o aroma
são bem marcantes e de uma acidez interessante, muito
requisitados para marinar carnes e substituir o vinagre em
saladas. Do seu suco, aliás, fermentado, produzia-se antigamente
um vinagre caseiro. Fruta de quintal sem produção industrial,
bastante perecível e ainda com casca muitas vezes afetada por
uma bactéria, inofensiva para seres humanos, parece pouco
atrativo, no entanto é um dos cítricos mais suculentos.
Aroma
É de uma acidez refrescante e frutífera, mas acentuada.
Uso
Batido com casca, dá uma limonada deliciosa. Raspas da casca e
suco servem para aromatizar bolos e cremes. Carnes gordas de
pato ou porco combinam muito bem com a sua acidez
dominante, facilitando a digestão das carnes.
Clássico
Usado para temperar carnes mais gordurosas ou no molho de
salada.
Exótico
Carnes gordurosas de porco ou pato cozido no seu suco ou
temperados com um pedaço de casca seca.
Imperdível
Uma excelente fruta para batidas como caipirinha.
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Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 546
Laranja da terra, medicinal e deliciosamente amarga
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 547
Laranja-da-terra
Origem
A laranja-da-terra citrus aurantium, é uma laranja grande, de
aparência bem rústica, arredondada ou achatada com casca de
grossura média, bem rugosa. Um pouco tosca, parece com as
primeiras laranjas que foram domesticadas. A sua polpa alaranjada
revela um sumo de um amargor elegante. Sabor hoje esquecido
pela maioria que dá preferência a laranjas muito mais doces. Tido
como medicinal, antigamente recomendava-se de chupar laranjada-terra
para mulheres grávidas e reconvalescentes, um uso que
igualmente está sendo esquecido, mesmo que os cítricos não só são
conhecidos pelo alto teor de vitamina C, mas também são fontes de
minerais como cálcio, potássio, fósforo, magnésio, entre
outros. Bastante perecível, encontra-se laranjas-da-terra em
quintais e nas feiras livres dos interiores.
Aroma
Prevalece o amargor complexo sobre a acidez do sumo.
Uso
Além de uso medicinal e fonte de vitamina C, a laranja-da-terra é
ideal para todo o tipo de doce, especialmente aqueles que
aproveitam também a casca – geleia, compota ou cristalizada,
sempre preservando um leve amargor. Flor e folhas são usadas para
chás e a folha para temperar.
Clássico
Todos os tipos de doces, xarope, limonada e caipirinha.
Exótico
Geleia ou doce, preservando um leve amargor contrastando com o
doce.
Imperdível
O suco e o doce da laranja-da-terra o qual equilibra a doçura do
açúcar com o amargor natural da fruta ou a caipirinha igualmente
deliciosa.
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Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 548
Refrescos de cítricos locais
Todos os cítricos encontrados na Amazônia dão
excelentes refrescos. Também oferecem boa
companhia misturadas a outras frutas, realçando o
seus sabores. Combinam com cajá-manga, mamão,
manga e até com couve, especiarias e pimenta.
1-2 limões galegos, de preferência limão de
produção orgânica.
Açúcar ou mel nativo a gosto
Água , água mineral ou chá preto a gosto
Cubos de gelo a gosto
1 galho de hortelã, alfavaca ou manjericão a gosto
Bata o cítrico inteiro com casca, açúcar a gosto e água no
liquidificador. Coe e sirva com um galinho de alfavaca ou hortelã.
Suco verde
½ limão galego, suco e raspas da casca a gosto
1-2 folhas de couve ou espinafre
1 galho de hortelã, carmelitana ou coentro
1 pedaço de gengibre picado
1 copo de água mineral
Cubos de gelo a gosto
Açúcar ou mel a gosto
Bata a laranja inteira com casca, açúcar a gosto e água no
liquidificador. Coe e sirva com um galhinho de hortelã e um
pedaço de limão.
Xarope de limão cravo ou galego
1 xícara de água
1 xícara de açúcar
10-12 limões cravo ou galego
Lave os limões muito bem e rala a fina casca, sem chegar à parte
branca. Reserve a casca. Aqueça a água junto com o açúcar e
aquece até todo o açúcar se dissolver. Esprema todos os limões e
acrescente o suco junto com as raspas da casca ao líquido.
Cozinhe durante 5 minutos em fogo brando. Espere perfumar por
mais 5 minutos, coe e depois coloque em garrafas previamente
esterilizadas. Sirva diluído com água ou sirva acompanhando
sorvete.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 549
Xaropes ou shrubs de frutas amazônicas
Polpa de fruta e açúcar são ideais para elaborar um xarope, preservando o perfume de
uma fruta por mais tempo e preparar refrescos caseiros surpreendentes sem álcool. Nos
shrubs, de influência americana, há um pouco de vinagre (!) suave, dando aquele toque
especial, bem refrescante, além de se aproveitar que o vinagre é um ótimo conservante.
A fórmula básica parte de 2 xícara de frutas ou polpa combinando com 1-2 xícara
de açúcar e vinagre suave a gosto. Se a polpa está muito grossa, pode ser diluida com
água. A gosto, as frutas podem primeiramente ser marinadas tanto no açúcar quanto no
vinagre para depois serem cozidas e apuradas em fogo bem baixo até obter a
consistência de um xarope. A gosto incrementa com especiarias, gengibre, colorau,
açafrão-da-terra ou até uma pimenta-de-cheiro. Xaropes perfumados são usados
em drinques refrescantes, diluídos com água gelada com ou sem gás e cubos de
gelo. Ficam também ótimos sobre uma salada de fruta.
Xarope de casca de limão, limão-cravo ou laranja
Para preparar esse xarope, use as raspas da casca de 6-10 limões ou de outros cítricos,
dependendo do tamanho por
1 xícara de açúcar ou a gosto
½ xícara de vinagre suave ou meio água, meio vinagre.
Misture as raspas com o açúcar, esprema o suco das frutas e depois reduza em fogo
brando junto com o vinagre até obter a consistência de um xarope. Guarde na geladeira.
Shrub – xarope com vinagre - de limão cravo
3-4 colheres (sopa) de vinagre de maça ou japonês de boa qualidade
½ xícara de água
½- ¾ xícara de açúcar ou a gosto dependendo da acidez das frutas
4-6 limões cravos, raspas da casca e suco ou outro limão ou fruto a gosto
Colorau a gosto
Misture o vinagre com a água e o açúcar e cozinhe em fogo brando até todo o açúcar se
desenvolver. Acrescente o restante dos ingredientes e reduza até obter a consistência de
um xarope. Use para preparar bebidas ou coquetéis. Sirva gelado.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 550
Caipirinha ou
saquerinha de cítricos
locais
Todos os cítricos encontrados
na Amazônia dão excelentes
batidas com caráter próprio.
½ - 1 limão galego ou outros
cítricos como laranja-da-terra
ou limão-cravo cortados em
fatias
1-3 colher (sopa) de açúcar
branco, mascavo ou rapadura
5 cubos de gelo
1 dose de vodca, cachaça ou
saque a gosto
Pimenta, gengibre, rapadura
ou especiarias a gosto
Coloque as fatias do cítrico
junto com o açúcar num copo
grande. Reserve uma fatia para
decorar. Mascare com um
amassador e adicione os outros
ingredientes. Chacoalhe na
coqueteleira e sirva decorado
com uma fatia do cítrico
escolhido.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 551
Ceviche tradicional de filhote
150g de filhote fresquíssimo* por pessoa + as aparas do peixe
1 limão galego para lavar as aparas
Leite de tigre
½ copo de caldo de peixe preparado com as aparas do peixe, também pode ser
substituído por água ou leite de coco ou de castanhas
2-3 cubos do peixe cortado
1 limão galego, raspas da casca e suco ou outro suco ácido, maracujá, cajamanga
etc.
1 pedaço de gengibre picado
1 dente de alho picado bem fino
1 pimenta de cheiro
Sal marinho a gosto
½ maço de coentro, reserve algumas folhas para decorar
2 cubos de gelo
¼ - ½ de uma cebola roxa cortada em rodelas
Pimentão regional cortado em listras finas
Acompanha a gosto
1-2 cará brancos ou roxos cozidos em rodelas
4-5 folhas verdes
2 espigas de milho verde cozidas
1 batata-doce ou macaxeira cozida
Prepare com as aparas do peixe um saboroso caldo de peixe: Lava os aparas
com limão, cubra com água, acrescente a gosto alho e cheiro verde e cozinhe
em fogo brando até obter um caldo perfumado. Coe o caldo, descarte as aparas
e espere esfriar. Pique o peixe em cubos ou tiras e coloque numa vasilha de
louça ou de vidro. Prepare o leite de tigre: Bate o caldo de peixe e dois ou três
cubos de peixe no liquidificador junto com o restante dos ingredientes e regue
o peixe com ele. Acrescente a cebola roxa e o pimentão vermelho. Misture
bem e finalize com folhas de coentro e raspas da casca de limão a gosto. Sirva a
moda peruana acompanhado da salada, do milho e dos tubérculos.
*Para prevenir qualquer infecção com parasitas transmitida pelo consumo de
peixe cru, recomenda-se congelar o peixe por no mínimo 48 h antes de usa-lo.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata
552
Jaú com molho cremoso
de limão galego
600 g de postas ou filé de jaú ou
outro peixe fino a gosto
1 limão galego
Sal e pimenta a gosto
Azeite
Molho de limão galego
½ - 1 copo (150 – 200 ml) de fundo
de peixe
½ copo (100 ml) de vinho branco
seco
1 limão galego, fatias e 2-3 colheres
(sopa) de suco de limão ou a gosto,
raspas da casca a gosto
½ dente de alho espremido
1-2 gemas de ovo
Sal e pimenta a gosto
Folhas de alfavaca ou coentro a
gosto
Lave o peixe com limão, tempere a
gosto e reserve por meia hora na
geladeira. Seque com papel toalha
e doure o peixe num generoso fio
de azeite de todos os lados. Para o
molho aqueça o fundo de peixe
junto com o vinho e o alho a gosto
num banho-maria (uma vasilha sob
vapor). Acrescente o suco de limão
e as gemas, batendo sem parar
com um batedor de arame. Espere
o molho arejar e engrossar. Sirva o
peixe sobre um espelho de molho,
decore com fatias de limão e folhas
de alfavaca. Sirva acompanhado de
arroz branco e salada.
Risoto cítrico
3 dentes de alho em lâminas
Azeite
1 xícara de arroz próprio para
risoto (grão redondo)
1 xícara de vinho branco
1 xícara de água quente
Suco e raspas da casca de 1/4
limão galego ou a gosto
3 colheres (sopa) de creme de
Leite ou manteiga a gosto
Sal e pimenta-do-reino em grão
Prepare um risoto com vinho
branco e água. No final incorpore
raspas da casca e suco de limão e
creme de leite a gosto. Salpique
com pimenta em grão levemente
Machucada raspas do limão.
Molho cítrico para
massa
Raspas e suco de 2-3 limões
galego ou cravo dependendo do
tamanho, a gosto
½ copo de azeite de ótima
qualidade ou manteiga
½ xícara de queijo parmesão,
ralado na hora, de ótima
qualidade
2-3 colheres da água do
cozimento do macarrão
2-3 galhos de manjericão a gosto
Sal e pimenta a gosto
1 copo de creme de leite
2-3 l de água
Sal e pimenta a gosto
Pimenta rosa e camarão a gosto
500 g de talharim ou outra pasta a
gosto
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 553
Caldo de caranguejo com suco de
laranja
Fundo das aparas do caranguejo
8-10 caranguejos inteiros, alternativo, patas de
Caranguejo, aparas de caranguejos
1 limão galego
Prepare das aparas do caranguejo um perfumado
caldo. Para obter o máximo de sabor, quebre as
carapaças. Cubra com água e cozinhe até perfumar.
Descarte as aparas, reserve o caldo.
Para o caldo adicional
Azeite ou 2-3 colheres (sopa) de manteiga
½ cebola roxa em listras
3-5 pimentões regionais cortados em listras
1 tomate regional picado em cubinhos
Sal, pimenta e açafrão-da-terra a gosto
1 cenoura ralada no ralo grosso
2-3 dentes de alho a gosto
1 ½-2 xicaras (300-400 ml) de caldo obtido do
cozimento das aparas do caranguejo,
½ xícara (100 ml) de vinho branco seco
A gosto massa ou patas de caranguejo
2-3 folhas de chicória
1 maço cheiro verde ou coentro picado
1-2 pimentas de cheiro
1-2 colheres (sopa) de farinha d´água fina
1 cenoura cortada em listras ou ralada no ralo
grosso
½ -1 xicara (100-200 ml) de suco de laranja, raspas
da casca
Refogue a cebola junto com o alho e metade do
cheiro verde e a cenoura. Acrescente o tomate e
completa com o vinho branco e caldo obtido das
aparas. Reduza em fogo brando. Tempere a gosto e
engrosse com farinha d´água. A parte derreta a
manteiga e doure levemente a carne ou massa do
caranguejo com todo o cuidado para não ressecar a
carne sensível. Tempere e depois acrescente ao
caldo junto com o suco e as raspas da laranja. Corrija
os temperos, salpique com cheiro verde e sirva.
Postas de pescada
amarela ao molho de
laranja
800 g de postas de pescada amarela
ou outro peixe fino
1 limão galego
Sal e pimenta a gosto
Fatias de laranja para decorar
Molho de laranja com creme
de leite
2 laranjas, suco e casca ralada de
uma
½ copo (100 ml) de vinho branco
½ copo (100 ml) de fundo de peixe
½ copo (100 ml) de creme de leite
2 gemas
Listras de cebola roxa para decorar
Doure as postas de peixe no azeite
ou asse no forno. Enquanto isso
prepare o molho. Aquece vinho
branco e fundo de peixe,
aproveitando a mesma frigideira que
selou os peixes. Acrescente o fundo
de peixe e casca e suco de laranja.
Aquece até levantar fervura,
tempere a gosto, baixo o fogo e
reduz um pouco. Regue as postas
com uma colher da mistura.
Incorpore o creme de leite ao molho,
tire do fogo para incorporar, sempre
batendo com um batedor de arame
a gema. Volte ao fogo bem brando
ou coloque sobre um banho-maria,
corrige os temperos e continue
batendo até engrossar e alcançar a
consistência desejada. Sirva as
postas de peixe sobre um espelho do
molho, decore com fatias de laranja
e listras de cebola roxa. Acompanha
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata arroz branco e legumes. 554
Conserva de limão á
Maroquinha no sal
Limões de vários tipos a gosto
Sal grosso em abundância
A gosto 1 pau de canela, 3
cravos, 5-6 sementes de
coentro, 3-4 sementes de
pimenta e 1 folha de louro,
azeite
Mergulhe os limões 24 horas
em água limpa caso quaira
amolecer um pouco a casca.
Recorte em cruz ao longo do
comprimido sem desprender os
gomos. Enche com sal grosso e
arranje bem apertado num copo
de vidro. Acrescente mais um
pouco de sal e feche. Guarde
num lugar escuro e fresco e vire
o vidro de vez em quando. A
gosto acrescente os
temperos.Depois que os limões
curtiram alguns dias pode cobrir
com azeite. A conserva está
pronta após 30 dias. Para usá-la
retire uma fatia, lave com água,
descarte a polpa e aproveita
somente a casca, cortada em
lascas finas. Combina muito
bem com saladas, peixe, frango
e massa.
Frango no forno
aromatizado com
especiarias e limão
1 frango cortado em pedaços
1 limão galego
Marinada
3-4 dentes de alho
1 pedaço de gengibre
Açafrão-da-terra e/ou colorau ou
páprica a gosto
Sal e pimenta
Azeite
¼ colher (chá) de cominho e coentro em
grãos ou a gosto
1 folha de louro
Azeite
1 pau de canela ou folhas de caneleira
1 cebola cortada em listras
3-4 pimentões regionais em listras
½ xícara de água
12 azeitonas pretas
Limão em conserva, casca cortada em
lascas finas
Corte o frango e lave com limão.
Prepare a marinada pilando todos os
ingredientes. Esfregue sobre todo o
frango e reserve por 3-4 horas na
geladeira. Preaqueça o forno em 220
graus. Numa frigideira aqueça um
generoso fio de azeite e sele o frango
de todos os lados. Transfere para uma
forma refratária acrescente o pau de
canela. Na gordura do frango refogue
uma cebola e os pimentões regionais.
Acrescente a água e solte todos os
queimadinhos do fundo. Derrame junto
com os legumes sobre o frango e
acrescente as azeitonas e as lascas de
limão e coloque no forno. Asse durante
30-45 minutos ou até o frango se soltar
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata com facilidade dos ossos. 555
Cuca de limão galego
Filés de limão
1-2 limões galegos
½ xícara (100 g) de açúcar
Cobertura tipo crumble
½ xícara (100 g) de açúcar
1 pitada de sal
Casca raspada de ½ limão
2-3 colheres (sopa) (80g) de manteiga gelada em cubinhos
1 xícara (120 g ) de farinha de trigo
2 colheres (sopa) dos filés de limão
Massa
3 ovos
½ colher (chá) de extrato de baunilha
Raspas da casca de 1 limão
2/3 de xícara (165g) de manteiga derretida dou óleo
¾ xícara (120 g) de açúcar
1 pitada de sal
1 1/3 xícara (165 g) de farinha de trigo
1 colher (chá) de fermento químico
Decoração de açúcar
3-4 coheres (sopa) de açúcar impalpável
Suco de limão suficiente para empalpar
Retire as raspas da casca de 1 limão e reserve. Corte a casca, retire recortando ao
longo dos membranos os filés e espreme todo o suco. Salpique com o açúcar e
espere até todo o açúcar se dissolveu. Prepare a cobertura. Misture açúcar, sal e
metade das raspas da casca do limão. Acrescente a manteiga e misture tudo até
obter grumos. Por fim incorpore 1-2 colheres (sopa) dos filés/do suco reservado,
somente até se formam grumos maiores. Reserve na geladeira. Preaqueça o forno
em 170 graus, unte uma forma e prepare a massa. Misture os ovos com o extrato
de baunilha. Bate a manteiga ou o óleo na batedeira junto com o açúcar e as
raspas da casca do limão até embranquecer. Acrescente aos poucos os ovos e bate
até obter uma massa bem arejada. Incorpore a farinha, o restante dos filés de
limão e por último o fermento químico. Derrame na forma e salpique com a
cobertura. Asse no forno durante 45- 50 mintos ou até um palito infiado sai limpo.
Espere esfriar na forma. Prepare a decoração. Misture aos poucos suficiente suco
de limão ao açúcar até obter uma cobertura não muito líquida. Derrame sobre o
bolo já esfriado e espere firmar. Corte em cubos e sirva.
Pão de Preguiçoso - Susanne Gerber-Barata 556
Bolo de limão ou laranja de sabor
intenso
1 laranja lima, laranja-da-terra ou limão-galego
inteira, com casca, mas sem sementes, de
preferência orgânica
3 ovos
1 xícara de óleo
2 xícaras de farinha de trigo
1 pitada de sal
1 1/2 xícaras de açúcar
1 colher (chá) de fermento químico
Decoração
2 laranjas ou limões, de preferência orgânicas
1 xícara de açúcar
½ xícara de água
Lave a laranja com casca muito bem, corte em
pedaços e retire as sementes. Preaqueça o
forno em 180 graus. Bate a laranja com casca e
tudo junto com os ovos, o óleo e uma pitada de
sal. Misture com o restante dos ingredientes e
coloque numa forma untada. Asse por 40-45
minutos ou até um palito enfiado sai limpo.
Para a decoração cozinhe açúcar e água até
obter um xarope grosso. A gosto cozinhe fatias
de laranja ou limão ou só a casca sem a parte
branca junto ou salpique com raspas frescas da
casca. Regue o bolo com o xarope, decore com
as fatias de laranja e espere firmar.
Versão: Polvilhe com açúcar confeiteiro e
decore com raspas da casca.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 557
Compota/geleia de cítricos
amazônicos
1 kg de cítrico da sua escolha
Na foto cidra, limão galego,
limão-cravo e laranja-da-terra
800 g de açúcar ou mais,
a gosto
Água
Dê Preferências a limões orgânicos, a casca
será processada junto. Lave ou higienize os
limões, limas ou laranjas e corte com casca
ou use unicamente a casca. Cubra por
completo com água. Reserve por 1-3 dias na
geladeira, trocando a água em intervalos
regulares para eliminar parcialmente o seu
amargor. Mais trocas de água, menos
amargor. No ponto desejado pique as fatias
ou cascas e retire e guarde as sementes que
servem para gelificar. Aquece a fruta junto
com ½ xícara de água numa panela de boca
larga, acrescente e açúcar a gosto aos
poucos. Amarre as sementes numa trouxinha
com pano limpo e acrescente também.
Cozinhe lentamente em fogo brando até as
cascas amolecerem. Apure até o ponto
desejado, para compota mais líquido do que
para geléia e equilibre amargor e doçura.
Para provar o ponto e a doçura, separe um
pouco da geléia num pires. Espere esfriar já
que a geléia alcança sabor e consistência
definitivos somente fria. Guarde em vidros
previamente esterilizados e sirva
acompanhado pão ou bolo ou de sobremesa.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 558
Doce de laranja e limões e laranjas cristalizados
Laranja em calda
Laranjas ou limões de tipos antigas com casca mole, de preferência
orgânicos, não muito grandes
Açúcar quanto basta
Pau de canela a gosto
Cravo a gosto
Água
1 lixa ou ralador fino
Escolhe umas laranjas menores com casca grossa e mole. Lave e
higienize as laranjas e lixe toda a casca com a lixa. Cubra com água,
leve ao fogo e cozinhe até levantar fervura. Descarte a água e repita
o procedimento 5 -7 vezes ou até o amargor da casca seja do seu
agrado. Mais trocas de água, menos amargor. Também pode deixar
as laranjas dois ou três dias cobertas com água, trocado 2 vezes ao
dia para tirar o amargor. A parte prepare uma calda de açúcar com
partes iguais de água (por ex. uma xícara) e de açúcar (igualmente 1
xícara) com canela e cravo a gosto. Quando o açúcar for dissolvido
por completo, acrescente as laranjas cortadas ao meio. Cozinhe
lentamente até que as cascas fiquem com aspecto vitrificado. Sirva
frio de sobremesa, com ou sem queijo, a gosto.
Cítricos cristalizados
Cascas de cítricos orgânicos ou fatias inteiras
Retire qualquer parte branca da casca do cítrico escolhido. Corta
cada casca em tiras finas. Cobre com água e leve para ferver.
Descarte a água e repita o procedimento até retirou o amargor em
parte ou por completo a gosto. Se preferir rodelas, seria melhor
cobrir as rodelas não muito finas com água e deixar de molho
durante 1 – 2 dias, trocando a água para diminuir o amargor. A
parte prepare uma calda de açúcar com partes iguais de água (por
ex. uma xícara) e de açúcar (igualmente 1 xícara) com canela e cravo
a gosto. Quando o açúcar for dissolvido por completo, acrescente as
cascas picadas ou as fatias. Cozinhe lentamente até as cascas ou
fatias fiquem com aspecto vitrificado. O processo também pode ser
repetido durante vários dias. Prontos, retire o limão e seca, coberto
por véu, alguns dias ao sol ou num secador. O líquido dá um xarope
aromatizado. Para guardá-los vire-os, já secos, em açúcar cristal.
Guarda em recipientes fechados em lugar escuro.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 559
Bolo inglês com frutas cristalizadas caseiras
250 g de manteiga em
temperatura ambiente
250 g de açúcar
4 ovos (claras separadas das gemas)
250 g de farinha de trigo
1 pitada de sal
1 colher (chá) de bicarbonato
½ xícara de limão cristalizado picado
Limão cristalizado para decorar
200 g de açúcar impalpável
Casca ralada de um limão
2 colheres (chá) de suco de limão
Preaqueça o forno em 200 graus e unte e enfarinhe
uma forma retangular. Bata a manteiga com as
gemas até obter um creme esbranquiçado.
Acrescente o açúcar e bata novamente. Junte o sal, a
farinha e as frutas cristalizadas picadas. Reserve
alguns para decorar e misture muito bem. Bata as
claras em neve e junte delicadamente em
movimentos circulares a massa. Por fim incorpore o
bicarbonato e asse no forno por 20 a 25 minutos ou
até um palito enfiado sair limpo. Misture o açúcar
com as raspas e o suco de limão e decore o bolo a
gosto.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 560
Licor de limão-cravo/galego com especiarias
4 limões-cravos inteiros, com
casca, cortados em quatro
10 grãos de pimenta do reino
1 pedaço de gengibre em fatias
1 pau de canela
2-3 sementes de cardamomo
2-3 sementes de anis estrelado
Vodca
1 xícara de água
1 xícara de açúcar
Use, se for possível, frutas orgânicas. Lave muito bem as frutas
e corte com casca em quatro partes. Empilhe junto com as
especiarias e o gengibre num recipiente de vidro com tampa,
previamente esterilizado. Cubra por completo com a vodca.
Coloque a tampa e vede bem para não entrar nenhum ar.
Espere macerar em lugar fresco e escuro por 4-5 semanas.
Depois peneire e guarde o líquido. Descarte as frutas e as
especiarias. Aquece a água junto com o açúcar. Apure em fogo
brando até alcançar o ponto pérola. (108 graus ou mais ou
menos 15 min.) Cuidado, não mexa, senão açucara. Se passar
do ponto, vira caramelo. Espere o xarope de açúcar esfriar por
completo para depois misturar com o álcool aromatizado.
Guarde em garrafas previamente esterilizadas. Deixe descansar
por uns dias antes de servir. Armazene em lugar fresco
protegido da luz.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 561
Diversos tipos de ingá
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 562
Ingá mari-mari
Flor ingá-cipó
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 563
Ingá
Origem
Os ingás, o nome ingá, indígena, se refere a vagens que contém
sementes em abundância. Existem mais do que 130 espécies
desses vagens selvagens, por ex. o inga cinnamomea, ingá-açu
Inga spectabilis, (meio esq e mari-mari, e cassia leiandra, (baixo
esq.). Todos os ingás crescem em árvores de grande porte e
pertencem à gigante família dos leguminosas. São todos
invólucros engenhosos, uns produzem vagens curtas e finas,
outras longas, espessas, grossas ou achatadas, explorando as mais
diversas formas e maneiras de embrulhar uma semente. Além do
embrulho cuidadoso, as mesmas sementes são encobertas por
uma adocicada polpa que lembra algodão-doce, aderente às
sementes. Essa polpa não só é apreciada por morcegos, que com
isso são responsáveis para sua proliferação, mas também por
muitos nativos que a roem com gosto das sementes. De cor
verde musgo, comprido, distorcido e com os sulcos característicos
as vagens do ingá-cipó, inga edulis, (dir.), podem alcançar o
comprimento de um metro, normalmente não ultrapassando 10-
30 cm.
Aroma
A polpa adocicada ou com um leve toque de menta no caso do
mari-mari, é de consistência espessa.
Uso
Come-se os diversos tipos de ingá in natura.
Clássico
É apreciado como sobremesa.
Exótico
Cada ingá fornece um outro sabor.
Imperdível
Partilhar, arrancar o caroço e roer os bagos.
J F M A M J J A S O N D
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata
564
Jambo
Origem
As densas copas piramidais dos jambeiros, Eugenia
malaccensis, espécie exótica, se destacam no paisagismo de
muitos centros urbanos na Amazônia e no Nordeste. Árvore de
porte médio, alcança 20 metros de altura, é da família das
Myrtaceas. Trazidas num florescente tráfico de biodiversidade
da Ásia, esbanjam, tanto em flor quanto com frutas, cores
exuberantes. Suas pétalas forram o chão aos seus pés
adornando com densos tapetes em branco, rosa, fúcsia,
amarelo ou purpúrea. Os frutos, em forma de pêra repetem as
cores fortes. De casca fina e polpa normalmente branca,
suculenta, crocante, comestível e levemente adocicada,
envolve uma única semente globosa. O fruto, bastante
perecível, encontra-se em feiras livres, na rua ou nos quintais
amazônicos.
Aroma
A polpa do fruto piramidal de 6-7 cm de comprimento tem com
gosto bem suave, meio adocicado, meio ácido, lembrando
rosas.
Uso
Come-se o jambo in natura ou em forma de compotas, sorvetes
e licores de cores intensas.
Clássico
Compota de cor rosada.
Exótico
Agridoce em conservas e em chutneys com cores expressivas.
Imperdível
Jambo agridoce servido com peixe grelhado e sorvete com um
toque de limão de cor de rosa.
J F M A M J J A S O N D
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 565
Picles agridoces de
jambo
400 g de jambo vermelho
1 pedaço de gengibre
ralado grosso
3 dentes de alho
100 g de açúcar
50 ml vinagre (de arroz,
de vinho tinto ou
balsâmico)
2-3 sementes de
cardamomo
5 grãos inteiros de
pimenta
2-3 sementes de
cardamomo e anisestrelado
Corte o jambo em fatias
decorativas do caroço.
Aquece os líquidos junto
com as especiarias.
Acrescenta o jambo e o
restante dos ingredientes
e cozinha em fogo brando
até os pedaços do jambo
estejam moles. Corrija os
temperos e guarde em
vidros previamente
esterilizados. Sirva com
hambúrguer ou carnes.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata
Chutney de jambo
400 g de jambo vermelho
1 cebola roxa picada
2-3 dentes de alho picados
Azeite
1 pedaço de gengibre em lascas ou ralado
4-5 colheres (sopa) de açúcar ou a gosto
2-3 colheres (sopa) de vinagre balsâmico
Sal e pimenta a gosto
5 grãos inteiras de pimenta rosa ou/e outras
pimentas levemente machucadas
3-4 sementes de cardamomo
1-2 sementes de anis estrela
Água se for necessário
Recorte o jambo em fatias do caroço. Refogue a
cebola junto com o gengibre num fio de azeite,
acrescente o alho, junte o jambo, as especiarias,
o açúcar e o vinagre e um pouco de água se for
necessário. Cozinhe em fogo brando até que os
pedaços do jambo estejam moles, mas ainda
firmes. Equilibre picância com doçura e acidez e
guarde em vidros previamente esterilizados.
Matrinchã na brasa com chutney
agridoce de jambo
2-3 matrinchãs dependendo do tamanho,
com ou sem escamas, sem escamas, ticadas
1 limão galego
Sal, pimenta e colorau a gosto
2-3 dentes de alho picados
1 pepino em lâminas para decorar
1 folha de bananeira ou mamoeiro
Lave o peixe com limão, tempere a gosto e
reserve por meia hora na geladeira. Prepare o
chutney. Asse o peixe sobre a brasa e sirva sobre
a folha de bananeira, puro ou coberto com o
chutney e decorado com as fatias de pepino.
Acompanha arroz branco, beijucica e farinha.
566
Compota ou geléia de jambo
1 kg de jambo vermelho
1 xícara de água ou vinho
500 g de açúcar
Suco e raspas da casca de
½ limão galego
1 copo (licor) de vodca
Retire o caroço do jambo lavado e pique. Ferva o
açúcar e a água em uma panela de inox até o açúcar
se dissolver por completo. Acrescente os pedaços da
fruta e cozinhe em fogo brando até que fiquem
macios e alcançam a consistência desejada.
Acrescente a casca e o suco de limão quando estiver
quase pronto. Para uma geleia uniforme, processe
no processador. Acrescente a vodca e sirva gelado
puro ou sob mingau.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 567
Suspiro (Pavlova) com frutas frescas,
compota de jerimum e culi de jambo
Suspiro
5 claras de ovos frescos, temperatura ambiente
1 pitada de sal
1 xícara de açúcar de confeiteiro
1 colher (chá) de vinagre de maçã ou de arroz
1 colher (chá) de fécula
A gosto umas gotas de extrato de baunilha
Acompanhamento
Frutas frescas da estação
Na foto 2 punhados de jambu vermelho cortados em cubos
e para o culi
1-2 maracujás
4-6 colheres de doce de jerimum ou mnaga
2 ramos de carmelitana ou hortelã
Chantilly fresco batido a gosto
Forre uma forma refratária com papel manteiga. Preaqueça
o forno em 120 graus. Bata as claras na batedeira,
começando pela velocidade mínima e aumentando aos
poucos. Ao ponto de picos começa a incorporar em
intervalos grandes o sal e, colher por colher, o açúcar e a
baunilha. Continue batendo até a massa se tornar brilhante
e firme. Ao esfregar umas gotas da massa entre dois dedos
não deve se mais perceber nenhum grau de açúcar. Dilua a
fécula no vinagre e incorpore por fim. A massa deve ser lisa
e muito firme. Com ajuda de duas colheres ou um saco de
confeiteiro coloque pingos ou rodelas no tabuleiro. A gosto
forma “ninhos” com paredes mais altas e depressões no
meio que depois podem ser preenchidos com as frutas.
Abaixa a temperatura do forno para 80-100 graus ou
coloque uma colher de pau na porta, e coloque os para
assar ou melhor secar. Dependendo do tamanho, os
suspiros estão prontos depois de 60-80 minutos e devem
ser sequinhos por fora e puxa-puxa por dentro. Espere
esfriar dentro do forno.
A parte prepare um culi de frutas da sua escolha, na foto
jambu vermelho, batido com um pouco de água, suco de
limão e açúcar e uma compota. Esfriado recheia o suspiro
com a compota e as frutas frescas e regue com o culi e o
maracujá.
Charlotte amazônica
Creme inglês
500 ml de leite
2 favas de cumaru
1 pedaço de casca preciosa
Raspas da casca de meio limão
galego
2-3 gemas
2-3 ovos inteiros
50 g de açúcar ou a gosto
1 pitada de sal
1 colher (sopa) de amido de milho
ou goma de tapioca
150 ml de creme de leite
Licor ou xarope de jambo a gosto
200 g biscoitos de champanhe
300 g de compota de jambo
Jambo fresco para decorar
Dissolva o amido em um pouco de
leite frio. Aqueça o leite restante
com as especiarias, desligue e
espere perfumar. Bata gemas, ovos,
raspas, sal e açúcar até o creme
esteja bem embranquecido. Aqueça
o leite sem especiarias novamente.
Incorpore o amido. Fora do fogo
acrescente aos poucos ao creme de
ovo, batendo com um batedor de
arame. Devolva à fogão, aqueça em
fogo médio, sempre batendo até o
creme engrossar. Frio misture com o
creme de leite. Forre o fundo e os
laterais de uma taça com os
biscoitos embebidos com licor ou
xarope. Altere camadas de
compota e creme. Decore com o
jambo fresco. Leve à geladeira e
sirva bem gelado.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 568
Sorbet de jambo
1 kg de jambo branco ou vermelho
1 xícara de água ou vinho tinto leve
1 xícara ou mais de açúcar confeiteiro
Suco de ½ limão
Raspas da casca de ½ limão
1 copo (licor) de vodca ou cachaça
Aqueça a água junto com o açúcar por
mais ou menos 15 min. sem mexer.
Junte a polpa do jambo ao xarope de
açúcar e cozinhe em fogo brando por 5
minutos. Passe no liquidificador,
acrescente as raspas e o suco de limão e
a vodca. Coloque para congelar. Depois
de 2-3 horas bata de novo e congele.
Repita duas ou três vezes. Coloque em
vasilhas individuais e sirva gelado.
Jambo cristalizado
1 kg de jambo vermelho
1 xícara de água ou vinho
1 ½ xícaras de açúcar
Suco e raspas da casca de ½ limão
galego
1 copo (licor) de vodca
Retire o caroço do jambo lavado e
pique. Ferva o açúcar e a água em
uma panela de inox até que o
açúcar se dissolver por completo.
Acrescente os pedaços da fruta e
cozinhe em fogo brando até fique
macio e o líquido quase
absorvido. Junte a vodca e o suco
e a casca ralado do limão nos
últimos 5 minutos do cozimento.
Retire os pedaços e seque ao sol.
Se preferir, vire seco no açúcar.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 569
Jenipapo na árove
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 570
Jenipapo
Origem
O Jenipapeiro, Genipa americana, pertence à América tropical
onde ele prefere as regiões de várzea. Também é cultivado em
quintais - não só pelo seu fruto, mas também pela seiva do fruto
verde. O nome jenipapo significa em Tupi-Guarani fruta que serve
para pintar. O líquido obtido do fruto imaturo se torna, entrando
em contato com o ar, preto-azulado e é usado pelos povos
originários desde sempre para suas pinturas corporais e para
embelezar os seus artefatos com motivos tradicionais. As frutas
maduras ovais ou redondos com casca opaca exalam um cheiro
particular, amadas por uns, odiadas por outros, se consegue entre
outubro a abril. Normalmente são colhidas do chão e vendidas em
feiras livres. Conservam-se muito bem durante bastante tempo,
se tornando cada vez mais doces.
Aroma
O jenipapo, uma fruta pouco atrativa e muitas vezes enrugada,
exala um cheiro forte, ocre, doce e bem particular. A polpa,
envolvendo as inúmeras sementes, é suculenta, adocicada com
leve acidez.
Uso
Refrescos e licor, compotas e doces cristalizados. Tem fama de
combater a anemia e ser afrodisíaco.
Clássico
Sucos e doces.
Exótico
Frita na manteiga e adoçado com açúcar e salpicado com canela
em pó.
Imperdível
O licor de jenipapo cultua a fama de ser afrodisíaco, mas também
ajuda na digestão.
J F M A M J J A S O N D
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 571
Suco de jenipapo com limão
1-2 jenipapos sem casca sem sementes
1 limão, raspas da casca e suco a gosto
Açúcar ou mel e gelo a gosto
Bate a polpa de jenipapo com suco de limão e
açúcar a gosto.
Vinagre infusionado com jenipapo
Fatias ou polpa de jenipapo suficiente para um
vidro previamente esterilizado
Vinagre suave para completar
Alho e ervas a gosto
Arrume o jenipapo junto com o alho e as ervas
no vidro e cubra com o vinagre. Espere curtir
duas semanas, filtre e usa em saladas
Picles agridoces mistos com
jenipapo
5-6 jenipapos sem casca, sem sementes
1-2 pimentões regionais vermelhos
5-6 dentes de alho em lâminas
½ litro de água
½ copo de vinagre de arroz
1 colher (chá) de grãos de mostarda
1 galho de alfavaca
½ xícara de açúcar
1 ½ colher (sopa) de sal
Pimenta em grãos ou pimentas de cheiro a gosto
Descasque o jenipapo, tire o miolo e corte em
tirinhas. Corte as pimentas em listras. Ferva a
água com o alho, o açúcar e o sal até o açúcar se
dissolveu. Acrescente o jenipapo e o restantes
dos ingredientes. Cozinhe em fogo médio por 10
min.. Filtre e guarde o líquido e arrume as frutas
e especiarias em vidros previamente
Esterilizados e complete com o líquido. Espere
curtir durante alguns dias na geladeira antes de
servir.
Licor de jenipapo
3-4 jenipapos inteiros
descascados ou miolos de 6-8
jenipapos
1 pau de canela
5 sementes de cardamomo
1 litro de álcool de cereais ou
vodca
1 copo de água
1 copo de açúcar cristal
Lave as frutas e descasca-as.
Coloque em um recipiente de
vidro previamente
esterilizado e cubra com o
álcool. Vede para não entrar
ar. Espere descansar por 4-5
semanas em um lugar
provido de luz. Passe o
líquido por uma peneira,
guarda-o e descarte as frutas.
Esquente a água com o
açúcar. Apure em fogo
brando até alcançar o ponto
pérola (108 graus ou mais ou
menos 15 min.). Esfriado por
completo, mistura ao álcool
aromatizado. Coloque em
garrafas esterilizadas e
guarda em um lugar fresco,
protegido da luz. Sirva depois
das refeições como digestivo.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 572
T
Doce de corte de jenipapo
1 kg de jenipapo
1 xícara de água
1 kg de açúcar
Descasque os jenipapos, tire o miolo e corte em pedaços. esquente a
água com o açúcar até esse esteja dissolvido e acrescente as frutas.
Apure, mexendo, até desgrudar do fundo da panela. Coloque no
liquidificador ou passe por uma peneira para virar uma pasta uniforme.
Polvilhe uma superfície lisa com açúcar e espalhe a massa na espessura
de 5 mm. Seque ao sol coberto com tule. Seco, corte em retângulos
ou quadrados e passe os mesmos em açúcar cristal.
Jenipapo cristalizado
6 jenipapos maduros
1 xícara de água
6 colheres de açúcar
Açúcar para polvilhar
Corte os jenipapos lavados e descascados em tiras. O miolo pode ser
aproveitado em licores. Aqueça a água com o açúcar até o açúcar se
dissolveu. Acrescente os jenipapos e cozinhe em fogo brando por uns
10 minutos. Escorra a água e passe as tirinhas no açúcar. Arrume numa
grade, cubra com véu e coloque para secar ao sol o que leva alguns
dias. O líquido pode adoçar bolos ou sorvetes.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 573
Limão-de-Caiena
Origem
Encontrado em quintais antigos, o seu uso está caindo em
esquecimento, o limão-de-Caiena, Averrhoa bilimbi, original do
Sudeste da Ásia, é uma arvoreta decorativa, parente da
carambola. Os seus frutos que lembram pepinos gordinhos
brotam do tronco onde crescem em cachos decorativos. Com
casca mole verde neon e formato ovalado, o fruto alcança entre
4-10 cm de comprimento e tem acidez pronunciada. Consta que
foi introduzido no Brasil através da capital da Guiana Francesa
Caiena. Contém, igual a carambola, alto nível de oxalato de
potássio e dessa maneira não deve ser consumido todos os dias,
nem durante períodos prorrogados e ser evitado por quem tem
problemas renais. Contém altas doses de vitamina C e é bastante
perecível.
Aroma
Frutinhos com polpa suculenta de uma acidez acentuada que
lembra uma mistura entre picles e limão.
Uso
Sucos e caipirinhas. Antigamente substitui limão e vinagre. Podem
ser usados em vinagretes, picles ácidos e agridoces e geleias. Na
Bahia se chama Bilimbi, e está ainda muito aparecido, sendo por
exemplo usado na moqueca.
Clássico
Sucos e substituindo limão.
Exótico
Dá uma geleia interessante.
Imperdível
Na caipirinha ou numa moqueca.
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Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 574
Picles agridoces de limãode-Caiena
com jenipapo
5-6 jenipapos sem casca, sem
sementes
1-2 pimentões regionais vermelhos
5-6 dentes de alho em lâminas
½ litro de água
½ copo de vinagre de arroz
1 colher (chá) de grãos de mostarda
1 galho de alfavaca
½ xícara de açúcar
1 ½ colher (sopa) de sal
Pimenta em grãos ou pimentas de
cheiro a gosto
Descasque o jenipapo, tire o miolo e
corte em tirinhas. Corte as pimentas
em listras. Ferva a água com o alho,
o açúcar e o sal até o açúcar se
dissolveu. Acrescente o jenipapo e o
restantes dos ingredientes. Cozinhe
em fogo médio por 10 min.. Filtre e
guarde o líquido e arrume as frutas e
especiarias em vidros previamente
esterilizados. Deixe esfriar um pouco
e acrescente o líquido. Sirva após ter
curtido na geladeira por alguns dias.
Chutney de limão-de-Caiena
2 xícaras de limão-de-Caiena picado
1 cebola roxa picada
2-3 dentes de alho picados
Azeite
1 pedaço de gengibre em lascas ou
ralado
4-5 colheres (sopa) de açúcar ou a gosto
2-3 colheres (sopa) de vinagre balsâmico
Sal e pimenta a gosto
5 grãos inteiras de pimenta rosa ou/e
outras pimentas levemente machucadas
3-4 sementes de cardamomo
1-2 sementes de anis estrela
Água se for necessário
Pique o limão-da-Caiena em fatias.
Refogue a cebola junto com o gengibre
num fio de azeite, acrescente o alho,
junte o limão-da-Caiena, as especiarias, o
açúcar e o vinagre e um pouco de água
se for necessário. Cozinhe em fogo
brando até os pedaços do limão-de-
Caiena estejam moles, mas ainda firmes.
Equilibre picância com doçura e acidez e
reserve. Sirva acompanhado entradas e
carnes.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 575
Moqueca de camorim com limão-de-
Caiena
800 g de camorim em postas ou filé
Aparas do peixe para preparar um fundo para o pirão
1 limão galego
Sal, pimenta e colorau ou açafrão-da-terra a gosto
Azeite
3-4 dentes de alho picados bem fino
1 cebola cortada em anéis
3 pimentões de cores distintas, verde, amarelo e
vermelho ou pimentão regional de diversas cores,
cortados em anéis
4-5 tomates cortados em rodelas
1 punhado de limão-da-Caiena cortados em rodelas
1 maço de cheiro verde picado
1 maço de coentro picado
½ - 1 copo (100-200 ml) de leite de coco
Azeite de dendê a gosto
Lave as postas do peixe com limão, tempere a gosto
e reserve por meia hora na geladeira. Aquece a
panela de barro, regado com um generoso fio de
azeite. Forre o fundo da panela com uma camada de
tomate, cebola e pimentão. Tempere com sal,
pimenta e açafrão. Continua as camadas com peixe,
algumas rodelas do limão-de-Caiena. Continue com
as camadas alteradas até todos os ingredientes
acabaram, terminando com uma camada de tomate,
cebola, pimentão e limão-de-Caiena. Salpique com
metade do cheiro verde, tampe e espere levantar
fervura. Reduz o fogo e cozinhe em fogo brando por
10 minutos. Acrescente o leite de coco e o azeite de
dendê a gosto e continue cozinhando até o peixe se
desfaz em lascas firmes. Corrija os temperos e sirva
acompanhado de pirão, preparado com as aparas do
peixe.
Para o pirão use o fundo feito das aparas do peixe.
Doure cebola, acrescente o fundo de peixe e
engrosse o mesmo com farinha até obter a
consistência desejada. Tempere a gosto e sirva junto
com a moqueca.
Creme cítrico de limãoda-
Caiena
2 colheres (sopa) de maisena
1 copo (200 ml) de água
6 colheres (sopa) de açúcar
3-5 limões-de-Caiena,
dependendo do tamanho, alguns
para decorar
200 g de creme de leite sem soro
Dissolve a maisena na água fria,
leve ao fogo aquece, sempre
mexendo, até começa a
engrossar. Tire do fogo, passe por
uma peneira e derrame numa
tigela. Espere esfriar e guarde por
mais ou menos meio hora.
Repousado bate junto com o
limão e o creme de leite no
liquidificador, equilibre doçura e
acidez e coloque na vasilha ou
em copos, espere firmar, decore
a gosto e sirva gelado.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 576
Mangaba, deliciosamente ácida
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 577
Maracujá-do-mato aberto
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 578
Maracujá-do-mato
Origem
Existem muitas espécies de maracujá, dos mais variados
tamanhos, cores e sabores que crescem espontaneamente nas
Américas tropicais e subtropicais. Uns são doces outros de acidez
acentuada. Trepadeiras vigorosas que preferem solos pobres, tem
flores chamativas de cores vivas e muito decorativas. O maracujádo-mato
(passiflora nitida), maracujá pequeno de flor azul é nativo
da Amazônia, onde cresce em capoeiras e bordas de florestas. É
apreciado por sua polpa tem casca grossa cuja cor varia entre
amarelo e laranja e sementes escuras, cobertas de uma
substância translúcida e gelatinosa de sabor agradável. Encontrase
em feiras livres do interior já que é pouco cultivado. A sua casca
contém uma pectina natural sem sabor, perfeita para engrossar
qualquer tipo de geléia.
Aroma
Agradável, suave, ligeiramente doce e com perfume de frutas.
Uso
Come-se o maracujá do mato in natura ou em forma de refrescos.
A casca seca e triturada é uma ótima fonte de pectina sem sabor.
Clássico
In natura
Exótico
Na salada.
Imperdível
In natura.
J F M A M J J A S O N D
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 579
Diversos tipos de Umaris
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 580
Mari gordo - Umari
Origem
O fruto ou semente mari ou umari, um fruto já quase esquecido, é
originário da Amazônia e cresce numa árvore de média porte
proveniente de matas de terras firmes não alagadas, porém,
úmidas. Existem dois tipos de umari: O umari, Poraqueiba
paraenses, de cor laranja e o umari, Poraqueiba sericea, de
coloração roxo profundo que pode se tornar até preto brilhante. A
segunda variedade é mais cultivada no estado do Amazonas,
tradicionalmente nos quintais. Os frutos ovalados do tamanho de
um ovo de galinha ou um pouco maior entre 4-10 cm tem casca
lustrosa e mole. No seu interior tem uma semente branca, não
muito dura, recoberta por uma casca lenhosa fina, de cor amarela,
envolvida por uma fina camada de polpa oleosa, aromática e
comestível, lembrando uma manteiga vegetal. É encontrado
somente em feiras livres e normalmente é consumido in natura.
Aroma
Tem cheiro e sabor característico, pronunciado e agradável com
gosto levemente terroso e consistência que lembra manteiga.
Uso
In natura, misturado à farinha dá água ou amassado é passado no
pão no lugar de manteiga.
Clássico
Roído da carroço ou misturado a farinha.
Imperdível
Consumido in natura.
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Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 581
Murici
Origem
O muricizeiro, Byrsonima crassifolia, é uma árvore miudinha,
nativa do Norte/Nordeste do Brasil. Filho da terra, o muricizeiro
é uma planta bem rústica, resistente ao alagamentos anuais de
certas regiões e prefere terra pobre e arenosa. Como muitas
outras frutas do Norte o murici não é domesticado. Existem
muitas variedades com frutas bem distintas entre eles, uns
menores, outras graúdas, todas gordurosas e com forte aroma
bem característico que também pode variar muito de árvore
para árvore ou região. Muito apreciada, especialmente pelos
povos originários da Amazônia, tem frutas pequenas, de um
amarelo intenso, do tamanho de uma azeitona bem pequena. A
polpa gordurosa com casca firme envolve uma única semente
preta.
Aroma
De um aroma particular, agridoce e com teor de gordura
elevado, a polpa de algumas variedades tem gosto que lembra
queijo. Outras frutas podem ser adstringente.
Uso
Rico em vitamina C, usa-se a polpa carnosa para sucos, sorvetes,
geleias e doces. Antes do uso é amolecido em água para depois
ser passado por uma peneira ou amassado com a mão.
Clássico
Sucos e doces os quais preservam o sabor exótico e levemente
ácido do fruto.
Exótico
In natura, em forma de paté ou no molho da carne salteado.
Imperdível
Em forma de licor ou salgado no salpicão ou no molho de carne.
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Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 582
Salpicão caboclo
2 peitos de frango cozidos e desfiados
Legumes cozidos a gosto por ex. maxixe, feijão de metro
1 maço de quiabo cortado ao meio ao longo do comprimento
1 cenoura ralada no ralo grosso
1 cebola roxa cortada em anéis
½ maço de orelha de macaco
1 batata doce cortada em cubos
4-5 colheres (sopa) de chutney de murici
1 cheiro verde picado
Cozinhe o peito de frango, os legumes e a batata doce em água com sal.
Prepare o chutney de murici. Esfriado, desfie o peito de frango. Grela os
quiabos e rale a cenoura. Misture todos os ingredientes e acrescente o
chutney de murici. Decore com a cebola roxa e salpique com cheiro verde.
Sirva acompanhado do restante do chutney de murici.
A gosto acrescente castanhas torradas em lâminas ou cubos de abacaxi.
Chutney de murici com burger de bagaço de caju
2 copos de polpa de murici
3-4 colheres (sopa) de vinagre
1 cebola roxa picada
3-4 pimentões regionais em listras
2-3 dentes de alho em lâminas
1 pedaço de gengibre
Açafrão-da-terra em pó ou fresco
Pimenta do reino em grãos
2-3 cravos
Sal
1-2 colheres (sopa) de açúcar
Doure a cebola junto com o pimentão e gengibre em um fio de azeite.
Acrescente o restante dos ingredientes e cozinhe em fogo baixo até obter
uma pasta. Contrabalance doce com salgado e picante.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 583
Paté agridoce de
murici com carne
desfiado
2 copos de murici
deixado de molho de
véspera
2 colheres (sopa) de
rapadura ou mel
1-2 dentes de alho
1 colher (chá) de sal
1-2 colheres (sopa) de
vinagre balsâmico ou
tucupi preto
Pimentas de cheiro a
gosto
2-3 colheres (sopa) de
água
Retire os caroços do
murici e liquidifique junto
com os outros
ingredientes.
Sirva acompanhando
churrasco ou carne de sol
na chapa ou desfiado ou
no lugar de maionese em
hambúrguer ou
sanduiche.
Carne salteado com molho de
murici
600 g de carne entremeada, por ex.
bananinha, cortada em tiras ou iscas
1-2 cebolas roxas cortadas em 8 partes
4-6 pimentõezinhos regionais cortados em
4 ao longo do comprimento
2-3 tomates cortados em 8 ao longo do
comprimento
Sal e pimenta a gosto
Óleo para fritar
1 cheiro verde picado
Vinha d´alhos
3 colheres (sopa) de vinagre balsâmico
Água quanto basta
1-2 pimenta/s de cheiro picada/s
3-4 dentes de alho picados
1 colher (sopa) de açúcar mascavo ou
rapadura ralada
Tucupi preto a gosto
2-3 folhas de louro
2-3 cravos
Molho
½ copo de polpa de murici ou frutas
amolecidas, sem caroço
Sal e pimenta a gosto
De véspera ou algumas horas antes coloque
a carne na vinha d’alhos. Acrescente água
suficiente para cobrir a carne. No outro dia
aquece uma panela alta tipo wok, coloque
regue com óleo e frite as tiras da carne em
pequenas porções em fogo alto. Reserve e
repita o mesmo procedimento com a
cebola, o pimentão e o tomate. Os três
devem ficar ainda crocantes. Reserve. Na
mesma panela junte a vinha d’alhos e a
polpa de murici. Misture bem o molho,
rapando bem as crostas da panela.
Liquidifique, corrige os temperos, devolve a
carne e os legumes a panela e aquece tudo
junto. Salpique com o cheiro verde e sirva
acompanhado de arroz.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 584
Doce ou geléia de murici
500 g de murici com caroço ou polpa
400 g de açúcar ou a gosto
Tire os caroços das frutas e apure a polpa junto
com o açúcar. Mexe até alcançar o ponto
desejado. Se quiser um doce mais pastoso, passe
pelo liquidificador.
Licor de murici
5 cravos
1 pedaço de casca preciosa
1 xícara de murici inteiro
½ l de vodca ou álcool de cereais
1 xícara de água
1 xícara de açúcar
Lave bem as frutas e as coloque em um
recipiente. Acrescente as especiarias e cubra
com o álcool. Deixe de infusão num lugar escuro
por um mês. Filtre e guarde o líquido. Lave as
frutas com a xícara de água e coloque-a, junto
com o açúcar, em fogo brando. Apure até
alcançar o ponto pérola (108 graus). Deixe esfriar
para depois misturar ao álcool aromatizado. As
frutas podem ser aproveitadas ou descartadas.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 585
Pajurá
Origem
O pajurazeiro ou pajurazeiro da mata, couepia bracteosa, uma árvore
de tronco fino, de porte média para grande e com folhagens densas e
escuras, é nativa da Amazônia. Plantado é somente encontrado nos
arredores de Santarém e Manaus, constando que com isso já pode ter
passado por uma certa domesticação. O seu fruto oval de casca rugosa
é de textura áspera e de cor marrom parda salpicada de maneira bem
decorativa de branco. A fruta, normalmente encontrada no chão,
amadurece rapidamente em dois ou três dias e se decompõe com a
mesma rapidez, entrando em fermentação o que muitas vezes impede
a comercialização do fruto em escala profissional. Maduro, pronto
para consumo, exala um perfume frutal, bem particular. A fina casca
racha e libera facilmente a polpa amarela escura de mais ou menos
um centímetro de espessura e consistência farinácea, granulada e
muito adocicada que envolve uma grande semente. Fruto de quintal é
vendida em feiras livres ou beira rua.
Aroma
De uma aromo frutuoso, muito adocicado e particular, lembrando
baunilha. Apolpa de mais ou menos um centímetro tem consitências
granulada e um pouco farinhenta.
Uso
Da polpa faz-se sucos, doces e sorvetes.
Clássico
Em forma de sorvete, encontrado em sorveterias locais.
Exótico
Comida in natura do pé da árvore ou na mousse de pajurá
Imperdível
Em forma de sorvete ou doce.
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Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 586
Mousse de pajurá
6-8 pajurás, dependendo do tamanho, no ponto perfeito de maturação
1 colpo de leite de coco
1 pedaço de rapadura, mel ou açúcar mascavo a gosto
Chocolate em pó para polvilhar
Descasque os pajurás, retire a polpa do caroço e misture com o restante
dos ingredientes no liquidificador. Adoce a gosto e salpique com o
chocolate. Sirva gelado de sobremesa acompanhado de biscoitos.
Para transformar a mesma massa em sorbet, só congelar e bater três ou
quatro vezes a cada três horas para dar mais cremosidade.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 587
Pitomba
Origem
A pitombeira, talisia esculenta, uma árvore de médio porte com
cachos de frutos decorativos, é nativo da Amazônia Ocidental, de
onde se espalhou pelo Brasil. As frutas pequenas do tamanho de
um tomate cereja com casca áspera e fina crescem em cachos em
quintais ou lugares públicos e são vendidos amarados em feixes
com 3-4 cachos decorativos nas feiras livres e por vendedores
ambulantes na rua. A casca dura da fruta é fácil de ser aberta e
libera uma fina camada de polpa suculenta e doce envolvendo um
caroço grande. Fruto perecível deve ser consumido
imediatamente após a compra. Os sementes tem propriedades
medicinais.
Aroma
Aromático, cítrico com um toque de doçura, a fina camada de
polpa comestível é gelatinosa, quase transparente e envolve uma
ou duas sementes.
Uso
Descascado e consumido in natura ou em forma de licor.
Clássico
In natura
Exótico
Acompanhando um pato assado ou na salada de frutas
Imperdível
In natura
J F M A M J J A S O N D
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 588
Sapotilha
Origem
A sapotilha, fruto do sapozeiro, achras sapota, arredondado ou
oval e oblongo, vem do México e da América Central. No Brasil a
árvore é comum no Norte e no Nordeste onde é muito valorizado.
A fruta delicada de casca fina e áspera é de cor amarelado-parda.
Apanhado no momento certo, ainda duro, costume amolecer em
poucos dias. A polpa firme, de cor creme-amarelada e textura
levemente arenosa e granulado envolve várias sementes
pequenas e escuras. Da sua casca pode-se extrair um látex que
fornece uma goma de mascar com o nome de chicle. Encontra-se
em freiras livres já que deve ser pouco a plantação profissional.
Aroma
O seu aroma lembra uma pera sucosa, adocicada, sem nenhuma
acidez.
Uso
Normalmente se consome a sapotilha in natura, mas ela dá um
delicioso sorvete ou suco.
Clássico
Comido in natura.
Exótico
Combina perfeitamente com queijos mais fortes.
Imperdível
Como sorbet ou in natura
J F M A M J J A S O N D
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 589
Taperebá
Origem
O taperebá ou cajá, Spondias mombin, é da família das Anacardiaceade e é
originaria da região amazônica até Rio de Janeiro, ao longo da costa. É
parente do umbu e da ciriguela, Spondias purpurea, uma fruta mais
avermelhado e claramente menos ácida (foto do meio, cuia de trás). A
árvore é alta, pode alcançar 30 metros e o seu fruto oblongo e miúdo, varia
bastante em tamanho e polpa, nasce em cachos. Maduro é de um amarelo
dourado. A fina camada de polpa suculenta, deliciosamente ácida adere a
um caroço fibroso e mole fica debaixo de uma fina casca, elástica e lisa. O
fruto exala um cheiro inconfundível, ácido e perfumado. Sendo muito
perecível, precisa ser processado logo após a colheita. Acha-se taperebá em
feiras livres e em forma de polpa, em muitos supermercados.
Aroma
Ácido, perfumado, suculento e refrescante - o aroma do taperebá lembra
vagamente certos cítricos, mas é mais fructal.
Uso
A polpa alaranjada é muito usada para sorvetes e refrescos. A sua
acentuada acidez e seu aroma de fruta combinam muito bem com mousses
e xaropes. Contém muita pectina e dá uma excelente geléia.
Clássico
Usa-se a polpa para fazer refrescos e sorvetes.
Exótico
Na caipirinha, como molho para saladas ou peixe ou em sorbets, sorvete
que não contém leite.
Imperdível
Em forma de sorbet.
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Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 590
Chutney de taperebá
400 g de polpa de taperebá
1 cebola roxa picada
2-3 dentes de alho picados
1 pedaço de gengibre em lascas
ou ralado
3-4 pimentões regionais
vermelhos em listras
Azeite
4-5 colheres (sopa) de açúcar
branco ou mascavo ou a gosto
2-3 colheres (sopa) de vinagre
Sal e pimenta a gosto
5 grãos inteiras de pimenta rosa
ou/e outras pimentas locais a
gosto, levemente machucadas
3-4 sementes de cardamomo
1-2 sementes de anis- estrelado
ou embiriba
Água se for necessário
Refogue a cebola junto com o
gengibre e os pimentões num
fio de azeite, acrescente o alho,
refogue mais um pouco para
depois acrescentar o restante
dos ingredientes. Complete com
um pouco de água se for
necessário. Cozinhe em fogo
brando até todos os gostos se
misturam. Corrija os temperos,
equilibrando picância com
doçura e acidez. A gosto retire
as especiarias e passe pelo
liquidificador. Reserve e sirva
acompanhando hambuger,
queijo ou carnes.
Salada de mamão verde com
molho de taparebá
2-3 xícaras de mamão verde ralado no ralo
grosso ou em espaguete (mandolim)
3-4 pimentões regionais cortados em listras,
sem sementes
1 cebola roxa cortada em meia luas
2 punhados de agrião ou outra salada verde
1 punhado generoso de ervas a gosto
Coentro, hortelã
1 limão galego em fatias para decorar
1 punhado generoso de castanhas ou
amendoim
Camarão frito a gosto
Pimentas para decorar
Rale o mamão e testa o amargor. Se for
muito amargo, escalde com água quente
até agrada. Misture todos os ingredientes
da salada, salpique com as ervas e decora
com as fatias de limão. Sirva acompanhado
do molho picante com suco de taperebá.
Molho com suco de taperebá
2-3 colheres de suco ou polpa de taperebá
1 colher (chá) de açúcar mascavo ou a gosto
1 dente de alho amassado
3 colheres (sopa) de azeite ou óleo neutro
Sal grosso a gosto
1-2 pimentas olho de peixe ou outras
regionais, picadas bem finas
1 colher (chá) de tucupi preto
A gosto 2-3 camarões salgados
Misture todos os ingredientes e equilibre
picância, salgado, doce e ácido. Se quer
incorporar o camarão salgado, bate todos
os ingredientes, o camarão só lavado, junto
no liquidificador e sirva acompanhando a
salada.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 591
Asas de frango ao molho
agridoce de taperebá
1 kg de asas de frango
1 limão galego
Marinada/molho
4-6 pimentões regionais, de preferência
vermelhos, picados
1 cebola picada
Azeite
1-2 dentes de alho espremidos
1 ½ colher (sopa) de gengibre ralado
Pimenta de cheiro a gosto
Sal e pimenta a gosto
Colorau a gosto
1 ½ copo de polpa de taperebá
concentrada
2-3 colheres (chá) de rapadura, mel ou
açúcar mascavo ou a gosto
Cominho e coentro em pó a gosto
1-2 colheres (chá) de goma ou maisena
diluída em 2 colheres (sopa) de água
fria para engrossar a gosto
Espinafre orelha de macaco para servir
Lave o frango com limão, tempere a
gosto e reserve. Prepare a marinada.
Refogue cebola e pimentão num fio de
azeite. Acrescente a polpa de taperebá
e concentra em fogo baixo. Reduzido,
acrescente a rapadura, cominho e
coentro e a gosto para engrossar mais a
goma. Equilibre acidez com doçura e
picância. Reserve metade da marinada
e pincele as asas com a segunda
metade. Grelha sob brasa ou no forno
até dourar. Pincele de vez em quando
com mais um pouco de marinada. Sirva
com o restante da marinada decoradas
com uns galhos de espinafre de
macaco.
Postas de surubim ao molho
agridoce de taperebá e
vinagrete de legumes
800 g de postas de surubim ou outro
peixe firme
1 limão galego
Molho/marinada
4-6 pimentões regionais, picados
1 cebola picada
Pimenta de cheiro a gosto
Sal, pimenta regional e colorau a gosto
1 copo de polpa de taperebá
concentrada
½ colher (chá) de tucupi preto
2-3 colheres (chá) de mel nativo,
rapadura ou açúcar mascado ou a gosto
Cominho e coentro em pó a gosto
½ - 1 colher (chá) de goma ou maisena
diluída em 2 colheres (sopa) de água fria
Prepare a marinada. Lave o peixe com
limão e marine meia hora na marinada.
Retire o peie e asse no forno ou sob
brasa
Vinagrete de legumes
2-3 pimentões regionais picados em
listras finas
½ cebola picada em meias-luas finas
A gosto 1 pedaço de abobrinha, jerimum
ou cenoura, maxixe ou outros legumes
cortados em espaguete
½ maço de espinafre-de-macaco
2 colheres (sopa) de vinagre
4-5 colheres (sopa) de azeite
Sal e pimenta regional a gosto
Aquece vinagre e azeite junto até
levantar fervura e derrame sobre os
legumes picados. Reserve por 10
minutos. Corrija os temperos e sirva o
peixe sobre a vinagrete e as folhas
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata
verdes.
592
Geléia e sorbet de taperebá, cuca e quadradinho com geleia de taperebá
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 593
Geleia de taperebá em doces
Calda ou geléia de
taperebá
½ xícara (chá) de açúcar
ou à gosto
1 xícara (chá) de suco de
taperebá concentrado
Aqueça o suco junto com
o açúcar e reduza em
fogo brando até alcançar
a consistência de uma
calda rala ou, reduzindo
mais, o ponto de geléia.
Para testar o ponto e a
doçura, pingue uma gota
sobre um pires. Espere
esfriar por completo. Se
O pingo ficar firme,
alcançou o ponto de
geléia. Guarde em copos
de vidro previamente
esterilizados.
Em ponto de calda
também pode ser
congelado e dá um
sorbet maravilhoso.
Cuca rápida de
taperebá
¾ xícara (150 g)
manteiga gelada em
cubos
2 xícaras (240 g) de
farinha de trigo
½ - ¾ xícara (120 g) de
açúcar
A gosto 2-3 colhers de
flocos de coco,
castanhas moídas
ou flocos de aveia e
raspas de uma casca de
laranja e noz-moscada
Geléia de taperbá
Misture todos os ingredientes com ajuda das mãos
rapidamente até formam um tipo de farelo. Forre o fundo de
uma forma refratária untada com 2/3 da massa. Compacta e
levanta uma borda em volta. Preaqueça o forno em 200 graus.
A gosto cubra depois o fundo com 2-3 colheres (sopa) de
flocos de coco ou castanhas moídas. Depois aplica a geleia
numa camada generosa. A geleia também poderia ser
substituída por compota de fruta. Salpique com flocos do
restante da massa e asse durante mais ou menos 35 minutos
ou até o fundo firmar e a cobertura ficar crocante.
Quadradinhos
de taperebá
6 ovos
200 g de açúcar
4 colheres de água
300 g de farinha de
trigo
1 colher (sopa) de
fermento químico
1 colher de manteiga
2 colheres de água com
gás
Raspas da casca de um
limão
Pérolas de açúcar
Preaqueça o forno em 180 graus. Forre uma forma retangular
pequena com papel manteiga. Bata os ovos com o açúcar e a
água por 10 minutos até todo o açúcar esteja dissolvido.
Peneire a farinha e o fermento e junte a massa. Misture tudo
com a casca de limão e coloca na forma. Asse no forno por 20
minutos ou até as bordas começam a bronzear e um palito
enfiado na massa sai seco. Deixe a massa esfriar e depois corte
em quadradinhos. Se quiser, corte na horizontal e recheie com
a geleia ou regue ainda com a calda de taperebá.
Calda de taperebá
1 xícara de açúcar confeiteiro
500 ml de suco de tapereba concentrado
Aqueça o suco junto com o açúcar e reduza até a consistência
de um xarope. Coloque os quadradinhos sob uma grade e
regue com a calda. Deixe secar algumas horas e cubra com
uma camada da geléia e decore a com uma pérola de açúcar.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 594
Arranjos transbordando de frutas locais
Um barquinho de inajá ou outra cascão de fruto de palmeira, folhas gigantes, verde exuberante, costela de
adão ou aquelas de uma bananeira, decorativos que nem esses do mamoeiro, um cesto tradicional ou uma
bela fruteira – qualquer um consegue elaborar um arranjo exótico. Junta-se isso às frutas deslumbrantes,
locais e da estação - mais Amazônica, melhor! Pronto – um belo e opulento arranjo para ensinar um pouco
sobre riquezas locais e sua abundância de cores, formas e perfumes.
As frutas, in natura, cortados em pedaços apetitosos, convidam a serem apreciadas, saboreadas e
devoradas. E não esquece das diversas castanhas! Sobrou? As mesmas frutas combinam perfeitos em
saladas de frutas ou coloram bebidas, uma água simples com limão, caipirinhas exóticas ou um simples
sem ou com álcool. Transformados em refrescos cheios de sabor, igualmente garantem o sucesso.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 595
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 596
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 597
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Delícias
da
FLORESTA
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 599
Castanha-de-caju
Origem
Existem diversas espécies de cajueiros, Anacardium occidentale,
descritos na fruta do caju e com isso inúmeros tipos de castanhas-decaju.
É árvore de tamanho médio originário da costa do Norte e
Nordeste do Brasil que adora terreno seco, arenoso, pedregoso. A
sua castanha é mais um dos frutos que foi levando num tráfico de
biodiversidade além-mar, chegando até a África e a Ásia, onde hoje a
Índia é um dos maiores produtores. A castanha crua, pendurada
como um pequeno rim no fim do fruto do caju, um pseudofruto,
também lembra uma orelha carnuda. Cada castanha esconde, sob
uma película grossa e altamente tóxica, com poder de queimar a
pele, sua castanha saborosa, rica em proteínas e carboidratos com o
poder de germinar um novo cajueiro. Para alcançar a semente, a
castanha precisa ser cozida ou queimada sob brasas descascada,
tirado a fina película interna para depois ser aproveitada o que
explica o seu preço elevado.
Aroma
A castanha tem o suave gosto de nozes e combina com pratos
salgados e doces.
Uso
Salgada é um ótimo aperitivo, torrada e moído substitua outras
castanhas ou nozes e incremente bolos e biscoitos. Localmente
muito apreciada é a paçoca de castanhas. Atualmente a
castanha-de-caju é muito usado na cozinha vegetariana e vegana.
Clássico
Salgada em forma de aperitivo ou doce em bolos e biscoitos.
Exótico
Em finas lascas acompanhando peixe, no arroz ou na salada verde ou
de frutas.
Imperdível
No bolinho de peixe e na lasanha vegetariana.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata
J F M A M J J A S O N D
600
Para alcançar a castanha comestível a castanha crua é torrada sob fogo
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 601
As castanhas torradas são abertas e descascadas
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 602
6
5
4
1 Caju – fruto e castanha
2 Castanha crua com casca
3
3 Castanha queimada no fogo com casca
4 Castanha aberta ainda com invólucro
5 Castanha completamente descascada
2
6 Paçoca de castanha
1
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 603
Leite de castanhas
Leites de castanhas são conhecidos coringas da
cozinha amazônica. Obtém-se leites muito saborosos
de todas as castanhas, aqui no Norte a tradição manda de
usar castanhas muito frescas, chamadas de castanhasde-leite
para lhes retirar um leite embranquecido que é
transformado em molhos leves e saborosos que combinam
muito bem com pratos salgados de peixe ou carne.
Atendendo a forte procura para leites veganas e
vegetarianas é a castanha-de-caju que vai na
frente para uso diário, já que a castanha-do-Pará sofre certos
restrições por conter muito selênio e por causa disso não deve
ser comida em grandes quantidades. É da castanha-do-caju
que também se elabora queijos completamente “animal-free”
com demanda crescente.
Acrescente leites de castanha
caseira somente no final do
preparo e aquece só um pouco.
Eles tem a tendência de se
separar e coalhar.
Para um leite-de-castanha caseiro pode-se usar
castanhas-de-leite ou castanhas já mais velhas, cobertas om
água limpa e hidratadas durante algumas horas. Descarta-se a
água, completa com a quantidade necessária para bater as
castanhas no liquidificador. Passa-se o líquido depois por um
coador ou pano fino. O bagaço serve para elaborar queijos ou
pode ser acrescentado em outros pratos.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 604
Filhote poché no leite de castanhas
800 g de filhote em postas, a gosto salmourado ou
salgado durante uma noite ou peixe defumado
1 limão galego
Sal e pimenta a gosto
¾- 1 copo (150-200 ml) de leite de castanhas
Legumes da estação por exemplo
1 maço de maxixe
1 cenoura cortada em rodelas ou fatias
2-3 batatas-doces laranjas ou fatias de jerimum
½ maço de jambo
½ maço de feijão e metro
½ cheiro verde
Fundo de peixe
Aparas como carcaça, cabeça, rabo de peixe
1 cebola picada
3-4 pimentões regionais picados
3-4 dentes de alho picados
1 ½ litro de água
Sal e pimenta a gosto
½ cheiro verde picado
Prepare o fundo de peixe. Refogue a cebola junto
com o pimentão num fio de azeite, doure todos os
aparos de peixe e cubra com a água. Acrescente o
restante dos ingredientes, tempere a gosto e
cozinhe em fogo baixo até obter um caldo
perfumado. Filtre, descarte os aparos e transfere o
líquido (mais ou menos 2-3 xícaras) para uma panela
de barro. Precozinhe os legumes com cozimento
mais prorrogado ou asse peixe e legumes no forno.
Caso prefere poché, aqueça o fundo em fogo bem
baixo, introduz legumes e peixe conforme o seu
tempo de cozimento. Mantém o caldo em fogo bem
baixo e espere o peixe mudar de cor e se desfaz
com facilidade em lascas e os legumes ficam macias.
Por último acrescente o leite de castanhas, espere
aquecer sem levantar fervura para não talhar,
corrija os temperos, salpique com o cheiro verde e
sirva acompanhado de arroz. Se for assar no forno,
sirva o peixe e os legumes sobre um espelho
generoso do caldo.
T
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata
605
Jaú com castanhas e ajo blanco
800 g de jaú em filés ou rodelas e aparas de peixe
1 limão galego
Sal e pimenta a gosto
1 punhados de castanhas, de preferência de leite, em lâminas, torradas
Azeite
Lave o peixe com o limão, tempere a gosto e reserve por meia hora na geladeira. Prepare o leite de
castanhas e reserve. O bagaço obtido pode ser incorporado ao molho. Com as aparas prepare um
perfumado caldo de peixe. Derrame o mesmo ainda fervendo sobre o miolo de pão e espere
hidratar. Reserve. Seque o peixe com papel toalha e sele dos dois lados em um generoso fio de
azeite. Reserve, mantendo quente. Prepare o molho e sirva o peixe sobre um espelho do mesmo,
salpicado de com as castanhas em lâminas e o restante do cheiro verde. Acompanha arroz sete
grãos e salada.
Ajo blanco - molho cremoso de miolo de pão
2-3 colheres (sopa) de manteiga
2-3 dentes de alho picados
½-1 xícara (100-200 ml) de fundo de peixe obtido com as aparas do peixe
1-2 miolos de pães brancos dormidos
½ - 1 xícara (100-200 ml) de leite de castanhas de leite, leite de coco ou creme de leite a gosto
Sal e pimenta a gosto
1 cheiro verde picado
Com as aparas prepare um perfumado caldo de peixe. Derrame o mesmo ainda fervendo sobre o
miolo de pão e espere hidratar. Reserve. Torre as castanhas em lâmina e reserve. Para o molho
doure o alho na manteiga, tempere, acrescente o fundo de peixe com o miolo de pão hidratado, o
bagaço das castanhas a gosto e metade do cheiro verde. Reduza um pouco em fogo brando para
depois incorporar, já fora do fogo para não talhar, o leite de castanhas. Corrige os temperos. Caso
preferir um molho mais liso, passe pelo liquidificador.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 606
Posta de camorim com crosta de alho e castanhas
4 postas ou files (800 g) de camorim
1 limão galego
Sal, pimento e colorau a gosto
Abobora branca em fatias, cozida
Azeite
1-2 batatas-doces ou batatas-inglesas pré-cozidas, em fatias
1-2 maços de quiabo cortado ao meio ao longo do comprimento
Lave o peixe com limão, tempere com sal, pimento e colorau a gosto e
reserve por meia hora na geladeira. Preaqueça o forno em 180 graus. Unte
uma forma refratária generosamente com azeite, corta a batata descascada
em rodelas e espalha na forma. Salpique com sal. Coloque as postas do
peixe por cima. Prepare a crosta, receita ao lado e espalhe sobre o peixe.
Leve ao forno por 15-20 minutos ou até o peixe mudou de cor e se desfaz
com facilidade em lascas firmes e a crosta fique bem dourada. Enquanto
doure, frite o quiabo em um pouco de azeite, tempere e sirva junto com a
abobrinha acompanhando o peixe.
O mesmo peixe fica perfeito cozido na cataplana. Para obter uma crosta
crocante, coloque o peixe por alguns minutos debaixo da grelha.
Crosta
½ xícara (50 g) de castanhas-de-caju ou do Pará em lâminas
3-4 dentes de alho em lâminas
1 clara de ovo levemente batido
Sal, pimenta e colorau a gosto
Para a crosta misture a clara de ovo com as lâminas de alho e castanhas,
tempere a gosto e espalhe sobre o peixe.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata
607
Xinxim de galinha com avium e castanhas
1 galinha ou frango caipira, cortado na juntas em pedaços
1 limão, casca e suco
Salmoura
2-3 folhas de louro
2-3 cravos
Sal e pimenta a gosto
T
2-3 dentes de alho picados não muito fino
Água quanta basta
Molho xinxim
1 copo de vinho branco ou água
¼ xícara de azeite de dendê
1-2 cebolas picadas
3-4 pimentões regionais ou 1 grande pimentão
1 pedaço de 5 cm de gengibre descascado e/ou
1 pedaço de açafrão-da-terra ralado
150 g de avium ou camarão, salgado, dessalgado
1-2 tomates picados
Raspas da casca de limão ou limão preservado no sal
½-1 maço de coentro
Sal e pimenta a gosto
½ xícara de xerém de castanhas-de-caju
A gosto
Leite de coco
Pimentas-de-cheiro
Camarão frito
Dessalgue o avium. Se for usar camarão, a gosto descasca-lo. Corte a galinha
em pedaços e lave com limão. Prepare a salmoura com todos os ingredientes e
cubra a galinha com a mesma. Reserve uma noite na geladeira. No outro dia
descarte a salmoura, seque a galinha e doure numa panela fundo de todos os
lados num generoso fio de azeite de dendê. Acrescente o vinho ou a água e
cozinhe lentamente em fogo baixo até a carne se solta dos ossos. Prepare o
molho. Refogue a cebola, o pimentão e o gengibre num fio de azeite de dendê.
Acrescente aos poucos o restante dos ingredientes e completa com o líquido
do cozimento da galinha. Corrija os temperos e aquece os pedaços da galinha
no molho até tomaram gosto. Incorpore o leite de coco a gosto, salpique com
cheiro verde ou alguns castanhas picadas ou camarão frito. Acompanha arroz
branco e bastante pimenta-de-cheiro.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 608
Bolo pé de
moleque de
macaxeira com
castanha sem ovo
1 kg de macaxeira fresca
ralada
1 xícara de leite de coco
1 pedaço de rapadura a
gosto
2 colheres de manteiga
derretida
1 pitada de sal
1 punhado de castanhas
picadas
Castanhas para decorar
Cravo e erva-doce a gosto
Derreta a rapadura com
um pouco de água no
fogo. Misture a macaxeira
com o restante dos
ingredientes. Acrescente a
rapadura derretida, aos
poucos e por fim a pitada
de sal e as especiarias a
gosto. Se a massa ficar
muito mole, acrescente
mais um pouco de
macaxeira ralada.
Preaqueça o forno em 220
graus. Despeje em uma
forma retangular ou
redondo e decore com as
castanhas. O bolo está
pronto quando um palito
enfiado sai limpo. O bolo
não cresce e fica igual um
pudim firme.
Rosca salgada recheado com pesto de
castanhas e espinafre
Massa básica
3 1/3 xícara (400 g) de farinha de trigo
1 copo (220 ml) de leite ou água ou meia-meia
2 colheres (chá) de fermento biológico
2 ovos ou só as gemas
3 colheres (sopa) (60 g) de manteiga sem sal
½ colher (chá) de sal
Dissolva o fermento em um pouco do leite morno.
Peneire a farinha numa tigela. Faça uma cavidade no
meio e derrame o leite com o fermento e os ovos na
mesma. Incorpore e aos poucos para depois adicionar o
líquido escolhido e o restante dos ingredientes até obter
uma massa macia que se desprende das mãos. Sove
bastante e depois cubra a massa com um pano e espere a
massa dobrar de tamanho, mais ou menos 30 minutos.
Prepare o recheio. Abre a massa com ajuda de um rolo
em forma retangular. Recheie, enrole firme e corte o rolo
em rodelas de 2-3 dedos. Coloque as rodelas num
tabuleiro untado com certo espaço entre eles para poder
crescer. Para a rosca corte no meio ao longo do
comprimento em duas partes para formar a mesma.
Coloque as duas metades lado a lado. Sobreponha as
pontas firmemente e depois entrelace as duas tiras,
formando uma trança. Por fim une as pontas. A parte
aberta fica por cima. Transfere para um tabuleiro untado,
cubra com um pano e espere a massa crescer
novamente. Preaqueça o forno em 180 graus. Pincele a
superfície com azeite ou uma gema batida com um pouco
de água. A gosto salpique com castanhas. Asse por 35-40
minutos. Ao sair do forno pincele com um pouco de
manteiga. Sirva quente ou frio.
Recheio salgado tipo pesto
2-3 dentes de alho
2 maços de espinafre-de-macaco, jambu, cariru ou couve
picado
1 punhado generoso de castanhas-de-caju ou outras
picadas grosseiramente
Sal a gosto
¼-1 ½ copo de azeite
Processe todos os ingredientes no processador, corrija os
temperos e use para rechear.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 609
Rosca doce de castanhas e caju-passas
3 1/3 xícara (400 g) de farinha de trigo
Ou
2 1/3 xícaras de farinha de trigo
1 xícara de batata-doce cozida e espremida ainda quente
1 copo (220 ml) de leite ou água ou meia-meia
2 colheres (chá) de fermento biológico (¾ saquinho de fermento biológico seco ou ¾ cubos de fermento
biológico fresco)
3 colheres (sopa) (60 g) de manteiga sem sal
2 ovos ou só as gemas
¼ xícara (50 g) de açúcar
½ colher (chá) de essência de baunilha ou raspas da casca de um limão
Recheio
2 punhados de castanhas-de-caju picados grosseiramente
2 copo de caju-passas picados bem fino
2-3 colheres (sopa) de açúcar mascavo
3-4 colheres (sopa) de creme de leite
Cobertura doce
4 colheres (sopa) de açúcar de confeiteiro
1 colher (sopa) de água ou suco de limão
Dissolva o fermento em um pouco do leite morno junto com 1 colher de açúcar. Peneire a farinha numa
tigela. Faça uma cavidade no meio e derrame o leite com o fermento e os ovos na mesma. Incorpore e aos
poucos para depois adicionar o líquido escolhido e o restante dos ingredientes até obter uma massa macia
que se desprende das mãos. Sove bastante e depois cubra a massa com um pano e espere a massa dobrar
de tamanho, mais ou menos 30 minutos. Prepare o recheio. Abre a massa com ajuda de um rolo em forma
retangular. Recheie, enrole firme e corte o rolo no meio ao longo do comprimento em duas partes.
Coloque as duas metades lado a lado. Sobreponha as pontas firmemente e depois entrelace as duas tiras,
formando uma trança. A parte aberta fica por cima. Transfere para um tabuleiro untado, cubra com um
pano e espere a massa crescer novamente. Preaqueça o forno em 180 graus. Pincele a superfície da trança
com uma gema batida com um pouco de água ou cubra, somente depois de assado, com a cobertura de
açúcar de confeiteiro. Asse por 35-40 minutos. Caso opte pela a cobertura de açúcar, misture os
ingredientes e pincele a rosca ainda quente com a cobertura. Sirva morno ou frio.
Versão bolo de rosquinhas
Prepare a mesma massa da rosca, e recheie com uma generosa camada de manteiga, açúcar mascavo e
farinha de castanha de caju. Enrole firme e corte em rodelas. Coloque as rodelas com bastante espaço
entre elas numa forma refratária previamente untada. Cubra a rosca novamente com um pano e espere a
massa crescer e as rosquinhas se acomodam. Para terminar, siga as instruções da receita acima.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 610
Torta gordice express com cajupassas,
mel-de-caju e castanhas
200 g de biscoitos de maisena, trituradas
100 g de manteiga sem sal, temperatura
ambiente
1 pitada de sal
1 punhado generoso de castanhas de caju
grosseiramente picadas
1 xícara de mel de caju
1 pitada generosa de sal ou flor de sal
200 ml de creme de leite
Caju-passas picadas a gosto
Triture a bolacha no processador, acrescente a
manteiga em temperatura ambiente e a pitada de
sal e amasse até ficar homogêneo. Forre o fundo e
mais ou menos 2 cm das laterais de uma forma
refratária com a massa e asse no forno
preaquecido em 180 graus por 15 minutos. Espere
esfriar por completo. Para o recheio aqueça o mel
de caju e acrescente com muito cuidado –
extremamente quente - o creme de leite e a
generosa pitada de sal. Espere engrossar sob fogo
brando por 15-20 minutos e junte as castanhas as
caju-passas grosseiramente picadas. Espalhe a
massa caramelizada ainda quente sobre o fundo já
completamente esfriado. Frio, leva a torta à
geladeira e sirva gelada.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 611
Biscoitos de castanha,
laranja cristalizada e
chocolate
50 g de manteiga
3-4 colheres de sopa de açúcar
ou a gosto
1 pitada de sal
150 – 200 ml de creme-de-leite
2-3 colheres de sopa de mel
120 g de castanhas picados
grosseiramente
50-100 g cada de casca de
laranja e casca de limão
Cobertura de chocolate
Derrete a manteiga junto com
açúcar, sal, creme de leite e mel.
Aquece com cuidado em fogo
brando até a mistura engrossar
um pouco. Adicione os
ingredientes restantes e misture
bem. Pré-aqueça o forno a 120
graus. Com a ajuda de uma
colher, coloque pequenas
montes sobre um tabuleiro
forrado com papel manteiga,
mantendo-os bem separadas.
Pressione um pouco par baixo e
asse por cerca de 10 minutos.
Retire da bandeja ainda quente
e, após esfriar, cubra metade ou
um lado com a cobertura de
chocolate.
Meia-luas de baunilha com
castanhas
125 g de açúcar confeiteiro
1 pitada de sal
1 colher (chá) extrato de baunilha
170 g de castanhas, moídas
1 ¼ xícara (300 g) de farinha branca
2 ½ xícaras (250 g) de manteiga, temp. ambiente
A gosto 2 gemas de ovo, para que a massa fique
mais maleável perdendo um pouca da crocância
Açúcar confeiteiro para polvilhar
Bata a manteiga na batedeira até esbranquiçar.
Adicione o açúcar, a baunilha e o sal e mexa até a
massa ficar leve (aprox. 4 minutos). Misture as
castanhas e a farinha à massa, sem trabalhar
muito a mesma. Reserve 1 hora num lugar fresco.
Variante 2: Misture açúcar de confeiteiro com sal,
castanhas e farinha. Adicione a manteiga em
pequenos pedaços e trabalhe rapidamente até
formar uma massa. Reserve na geladeira por pelo
menos duas horas.
Separe pequenas porções da massa, forme um
rolinho, divida em pedaços e forme as meia-luas
com pontas afiladas. Deixe descansar uma noite
na geladeira e depois asse no forno a 175 graus
por 10-15 minutos. As meia-luas ficarão
embranquecidas. Antes do imediatamente depois
de assar vire os mesmos na açúcar de confeiteiro.
As meia-luas também podem ser recortadas com
ajuda de um copo. Abra a massa, recorte um
círculo e depois corte, sobrepondo o copo, a meialua.
Os biscoitinhos também podem ser pinceladas
com ovo batido para depois serem viradas no
açúcar e depois assados.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 612
Variações de paçocas de castanha-de-caju
Paçoca tradicional
Pile no pilão ou no processador partes iguais de farinha d´água fina e castanhas-de-caju.
Tempere a gosto com sal e açúcar ou rapadura. Pile todos os ingredientes até obter um pó.
Sirva acompanhando saladas de fruta, frutas frescas da estação, mungunzá, outros mingaus ou
sorvete.
Variações: Carameliza as castanhas antes de pilar com açúcar ou misture com farinha de
tapioca, nibs de cacau ou chocolate em pó ou faça brigadeiro com a massa da paçoca.
Marzipã à moda brasileira
100 g de castanhas-de-caju pilados ou triturados até se tornam um pó bem fino
1 pitada generosa de sal
60 g de açúcar de confeiteiro ou a gosto
3 colheres de água de rosas ou xarope de açúcar neutro aromatizado com uma fava de cumaru
Pile ou triture as castanhas junto com o açúcar até se tornarem pó, igualmente paçoca.
Acrescente aos poucos o xarope até a massa fica maleável. Espere descansar e elabore as
formas desejadas. Se errar o ponto, aquece em fogo muito baixo e espere secar um pouco.
Sorvete de banana com farofa doce de castanhas-de-caju
2-3 bananas pacovã sem casca
2 xícaras (chá) de creme de leite fresco
1 limão galego, raspas da casca e suco
Rodelas de banana para decorar
Descasque as bananas e leve ao freezer para congelar. Prepare a farofa doce. Bem congelados
pique a banana e misture no liquidificador com o creme de leite e o suco de limão e bata até
obter um creme rústico. Forre uma forma maior ou copos individuais com uma camada da
farofa, reserve o restante para decorar. Coloque o creme por cima e leva para congelar
novamente. Congelado, completa com a farofa e uma fatia de banana e sirva.
Farofa doce
3 colheres (sopa) de manteiga sem sal gelada em cubos
3 colheres (sopa) de açúcar mascavo ou branco
3 colheres (sopa) de aveias finas ou médias
5-6 colheres (sopa) de farinha de castanhas
2 colheres (sopa) de castanhas picadas grosseiramente
Mistura com as mãos, espalhe sobre um tabuleiro e asse no forno por 10 minutos ou até ficar
crocante
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 613
Castanheira
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 614
Flor da castanheira e castanehrias em campos abertos
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 615
Castanha-do-Pará
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 616
Bloco de madeira talhado para descascar castanhas-do-Pará
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 617
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata
Castanha-do-Pará
Origem
A castanheira, bertholletia excelsa, com seu fruto valioso e
apreciadíssimo, é nativa da floresta amazônica. Árvore simbólica,
uma majestosa castanheira se destaca de longe, alcança 50 metros
e se sobrepõe a todas as outras ao seu redor. De ciclo reprodutivo
complexo, solta-se, 14 meses após a polinização de uma abelha
grande, o ouriço, uma bola lenhosa de casca extremamente dura,
com até 15 cm de diâmetro. Pode pesar até 1,5 kg e contém entre
12-22 castanhas, por sua vez envoltas numa casca dura. Amêndoas
da castanhas recém caídas, muito doces e crocantes, são chamadas
de castanhas-de-leite. Nas safras de castanhas se alteram ciclos de
superprodução com outros de falta de castanha. No Brasil a
maioria das castanhas vem de extrativismo, há no momento
poucos plantios. Antigamente uma dos produtos de exportação
mais importantes da Amazônia, hoje o mercado é abastecido pela
Bolívia.
Aroma
Delicado o aroma da castanha lembra outras nozes, em especial
avelãs. As castanhas de leite são mais doces e crocantes do que as
castanhas mais maduras ou torradas.
Uso
Muito rico em óleos e minerais são usados em biscoitos e bolos
finos. Por conter muito selênio, um mineral, as castanhas do Pará
devem ser consumidas com moderação.
Clássico
Bolos, biscoitos e sorvetes.
Exótico
Peixe ao leite das castanhas de leite.
Imperdível
Peixe ao leite de castanhas bem novas.
J F M A M J J A S O N D
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Ouriço de castanha-sapucaia com tampa e rasgado ao meio
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 619
Castanha-sapucaia
Origem
O sapucaizeiro,Lecythis pisonis (ou Lusitta), da mesma família da
castanha-do-Pará, pode, mesmo sendo originário da Amazônia,
encontrado na Mata Atlântica. Árvore majestosa que alcança até
40 metros de altura, esbanja beleza, especialmente quando está
em flor: cobre-se por completa com uma nuvem de flores rosaazuladas.
Os ouriços gigantes com formato de um chapéu
alongado aparecem após mais ou menos 10 meses, pesando
alguns quilos. Ao contrário da castanha-do-Pará soltam, ao
amadurecer, uma tampa, liberando as castanhas
engenhosamente armazenadas no seu interior. De casca lenhosa,
aparecem nas feiras livres por temporadas curtas. Muito
perecíveis, precisam ser consumidas rapidamente.
Aroma
As castanhas são muito aromáticas, crocantes e macias,
adocicadas e agradavelmente oleaginosas.
Uso
Rica em gorduras, tem ótimos teores de proteína. Come-se as
castanhas cruas, torradas ou trituradas. Aprecia-se também o
assim chamado „umbigo“ da castanha, a parte branca sem casca.
Clássico
Apreciadas direto no pé.
Exótico
Luxuoso seria tirar o seu óleo.
Imperdível
Apreciada in natura ou em tortas.
J F M A M J J A S O N D
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 620
Pasta & pesto - pronto
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata
Os mais diversos pestos dão conta do recado de
uma cozinha contemporânea, rápida e
fresca: são elaborados em dois
minutos! Contendo ingredientes nobres e
saborosos, tem o poder de transformar qualquer
macarrão, batata, purê ou legumes em prato
festivo. Também são perfeitos para gratinar uma
massa ou um pescado. Nada mais do que uma
pasta feita de ervas aromáticas, alho, castanhas e
muito azeite, a gosto se acrescente, igual no
original, queijo parmesão de boa providência.
Ricas em proteínas, as castanhas são
perfeitas para quem quer consumir
menos carne.
As receitas deste livro apostam em pestos
regionais que combinam castanhas, ervas
típicas nortistas como chicória e coentro ou
vinagreira com avium ou camarão seco para
dar aquele toque extra. A inspiração veio do
molho baiano xinxim que pila bem pilado
coentro com amendoim e camarão seco e deve ser
de origem africana.
Outra pasta, dessa vez feita de azeitonas, vem da
França. Chama-se tapenade. Leva no seu
preparo azeitonas, tradicionalmente pretas, que
podem ser substituídas por azeitonas verdes ou
tomate seco na mesma proporção das castanhas,
ervas e azeite a gosto. 621
Variações de pestos com massa e batata-doce
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 622
Dourada com crosta de coentro, avium e
castanhas
800 g de postas ou filés de dourada ou outro peixe de carne firme
1 limão galego
Sal e pimenta
2-3 colheres (sopa) de farinha d´água
Crosta
1-2 punhados de aviúm fresco ou salgado
3-5 dentes de alho
1 maço de coentro
3-4 folhas de chicória
1 punhado de castanhas de caju ou do Pará
1 copo (200 ml) de azeite
Pimenta a gosto
Lave o peixe e o avium com limão. Tempere o peixe a gosto
e reserve por meia hora na geladeira. Prepare o pesto.
Processe todos os ingredientes no pilão ou no
processador até obter uma pasta rústica ainda com
pedaços de castanhas. Corrige os temperos e o sal e
reserve. Preaqueça o forno em 200 graus. Unte uma
forma refratária, cubra o fundo com a farinha e acomode
o peixe sobre a mesma. Cubra com o pesto e asse no
forno durante 20-30 minutos ou até o peixe se desfaz
com facilidade em lascas firmes. Sirva acompanhado de
arroz branco e legumes, decorado com galhos de
coentro.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 623
Lasanha vegetariana com pesto de castanhas-de-caju
600 g de massa para lasanha tradicional ou integral
Azeite
1 cebola picada
½-1 cenoura ralada no ralador grosso
1 pedaço de jerimum ou abobrinha ralada no ralador grosso
1 maço de couve folhas rasgadas
Pimentão em listras a gosto
Pesto
2-3 dentes de alho
1 punhado de castanhas
1 maço de coentro ou manjericão
½ xícara de azeite
Sal a gosto
Bechamel
2 colheres (sopa) de manteiga
2-3 colheres (sopa) de farinha de trigo
1 ½ copo de leite ou meio leite, meio água do cozimento da lasanha
Noz moscada a gosto
300 g de ricota
300 g de mozzarella em fatias
Parmesão ralado a gosto
Cozinhe a lasanha al dente em água com sal em abundância. Escorra e reserve. Refogue a
cebola em um fio de azeite, junte os legumes ralados e espere murchar. Tempere a gosto
e reserve. Prepare o pesto processando todos os ingredientes, castanhas, azeite, ervas,
alho e sal. Reserve. Prepare a bechamel. Derrete a manteiga, junte a farinha peneirada,
cozinhe por 1-2 minutos e depois incorpore o leite, usando um batedor de arame. Se for
muito espesso, coloque a água do macarrão. Espere engrossar cozinhado em fogo baixo e
reserve. Preaqueça o forno em 220 graus. Unte uma forma refratária com azeite, coloque
uma fina camada de bechamel e depois uma camada de lasanha. Continue com uma
camada de couve, tempere a gosto, salpique com a ricota esmigalhada e cubra com
lasanha. Continue com uma camada de legumes, depois lasanha, depois pesto, lasanha,
etc. até todos os ingredientes estejam usados. Termine com pesto, cubra com as fatias de
mozzarella, bechamel e salpique com queijo parmesão. Asse no forno até dourar e sirva
quente.
O mesmo pesto pode ser servido com maccarão.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 624
Pesto de azeitonas com castanhas
1 punhado generoso de castanhas-de-caju picados grosseiramente
1 punhado generoso de azeitonas pretas picadas grosseiramente
2-3 colheres (sopa) de azeite
Sal e pimenta a gosto
Pique todos os ingredientes na faca, mais rústico, e sirva sobre massa ou
nhoque ou passe pelo triturador e sirva de entrada com beijucica, em forma
de crostinis ou sobre peixe.
Pesto de azeitonas pretas com castanhas sob posta de
pirarucu acompanhado de molho de pimentão e
tomate
Molho de pimentão e tomate
2 punhados de pimentões regionais vermelhos sem sementes
3-4 tomates regionais cortados em gomos
1-2 cebola roxa
1 cabeça de alho com casca, cortado o topo
Sal, pimenta e colorau a gosto
Para o molho espalhe o pimentão sem sementes, o tomate, cortado em
gomos, a cebola cortada em 4 partes ao longo do comprimento e o alho, os
dentes na casca, o fundo cortado, numa forma refratária untada. Regue com
bastante azeite e salpique com sal grosso. Asse por 30-40 minutos ou até
amolecer bem. Esprema o alho da casca e triture junto com os outros
ingredientes. Aqueça tudo junto, corrija os temperos e reserve.
4-6 postas de pirarucu
1 limão galego
Azeite
1 porção do pesto receita acima
Lave o peixe com limão, tempere a gosto e reserve. Preaqueça o forno em
220 graus e asse os legumes para o molho, receita acima. Nos últimos 10-15
minutos que os legumes assam, coloque o peixe, ainda sem a pasta de
azeitonas, também no forno, regado com bastante azeite. Prepare a pasta
de azeitonas, receita acima. Aqueça a mesma, corrija os temperos e reserve.
Reparta o molho em pratos individuais, coloque uma posta de peixe por
cima e cubra com a pasta de azeitonas. Decore com um galho de coentro e
sirva acompanhado de arroz branco.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata
625
Pudim com castanhas e crocante de
castanhas
200 g de castanhas moídas + 100 g de castanhas picadas
grosseiramente
200 ml leite de castanhas ou de coco
100 ml de leite de vaca
100 g açúcar
5 ovos
40 g manteiga sem sal
1 pitada de sal
1/2 xícara de açúcar mascavo para o caramelo
Moía as 200 g de castanhas. Pique o restante para decorar.
Derreta ½ xícara de açúcar até alcançar o ponto de caramelo e
carameliza uma forma de pudim e espere esfriar. Preaqueça o
forno em 220 graus. Bata as castanhas moídas juntas com o leite
de coco e de vaca, o açúcar, o sal e os ovos no liquidificador e
despeje na forma de pudim. Cubra a mesma com folha de
alumínio e assa em banho-maria por uma hora ou até um palito,
enfiado no pudim, sai limpo. pique o restante das castanhas em
lâminas e torre no forno ou em uma frigideira até dourar.
Desenforme o pudim frio, aquecendo a forma rapidamente
sobre a boca do forno para derreter o caramelo. Salpique com
as castanhas. A gosto caramelize as castanhas também para
depois triturar.
T
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 626
Torta de castanha em duas versões sem farinha de
trigo
Versão sem cacao
6-7 ovos
1 copo (180 g) de açúcar
2 copos (220 g) de castanhas moídas
1 limão galego, raspas da casca
1 pitada de sal
Canela a gosto
Açúcar de confeiteiro ou castanhas em lâminas para decorar
Versão com cacao
6-7 ovos
1 copo (180 g) de açúcar
2 copos (220 g) de castanhas moídas
2 colheres (sopa) de cacau ou chocolate em pó de ótima qualidade
1 laranja, raspas da casca
1 pitada de sal
Canela a gosto
Cacau para decorar
Unte uma forma e polvilhe com farinha de amêndoas ou com cacau para a
segunda versão. Preaqueça o forno em 180 graus. Misture para a primeira
versão a farinha de castanhas com as raspas de limão, o sal e a canela a gosto.
Para segunda versão acrescente o cacau. Bate os ovos por bastante tempo até
que fiquem bem aerados, aumentam o volume e mudam de cor. Incorpore o
açúcar aos poucos e por fim acrescente, a mão e com ajuda de uma espátula, o
restante dos ingredientes em movimentos envolventes e com bastante cuidado
em preservar o ar incorporado. Coloque na forma e polvilhe a gosto com as
castanhas em lâminas. Asse em forno a 180º por aproximadamente 30-35
minutos. Esfriado, polvilhe com açúcar de confeiteiro ou cacau. Elabore uma
decoração a gosto.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 627
Bolo simples de castanha
250 g de manteiga
500 g de farinha
4 ovos
400 g de açúcar
Raspas da casca e suco de um limão
galego ou ½ colher (chá) de essência
de baunilha
1 pitada de sal
1 colher (chá) de fermento em pó
100 g de castanhas grosseiramente
picadas ou em lâminas (use um
mandolim)
Açúcar de confeiteiro para salpicar
Castanhas em lâminas para enfeitar
Unte uma forma redonda de 30 cm
ou da sua escolha com manteiga e
salpique com farinha. Preaqueça o
forno em 180 graus. Derreta a
manteiga junto com o sal. Pique a
castanha ou corte em lâminas com
ajuda de um mandolim. Bata a
manteiga junto com o açúcar até a
massa ficar embranquecida.
Continue batendo, adicionando um
ovo de vez. Incorpore bem e em
porções acrescente a farinha
peneirada. Incorpore o restante dos
ingredientes e coloque na forma.
Asse por mais ou menos 40 minutos
ou até que um palito enfiado saia
limpo. Esfriado, retire da forma,
salpique com açúcar confeiteiro e
enfeite com castanhas em lâminas.
Brownie com castanhas
e nibs
150 g de chocolate amargo de ótima
qualidade
150 g de manteiga
150 g de cacau em pó
4 ovos
1 pitada de sal
150-200 g de açúcar
150 g de farinha
100 g de castanhas sapucaias em
lâminas
Preaqueça o forno em 180 graus e
unte uma forma quadrada de 23 x
23. Derreta o chocolate junto com a
manteiga em banho-maria. Bata os
Ovos junto com e o açúcar até que
fiquem embranquecidos. Junte a
farinha e o cacau em pó, passando
por uma peneira, acrescente o
fermento e o sal. Misture com
delicadeza e por fim coloque o
chocolate e a manteiga já esfriados.
Espalhe na forma, salpique com as
castanhas e asse durante 20-25 min..
Os brownies devem ser crocantes
por fora e macios e cremosos por
dentro. Espere esfriar e corte em
retângulos ou quadrados.
Versão
Incorpore as castanhas à massa e
polvilhe os pedaços já cortados com
chocolate em pó.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 628
Biscoito paraense
150 g de manteiga
2 ovos, separados em
gemas e claras
250 g de farinha
½ colher (sobremesa) de
fermento em pó
100 g de açúcar mascavo ou
a gosto
1 pitada de sal
Cobertura
150-200 g de castanhas
picadas ou em lâminas
As claras dos 2 ovos
separados
Açúcar a gosto
Separe os ovos. Reserve as
claras para a cobertura.
Misture a manteiga com o
açúcar, o sal e as gemas e
bata até esbranquiçar.
Junte a farinha e o
fermento e misture até que
a massa ficar homogênia.
Preaqueça o forno em 200
graus. Forme bolinhos e
passe pela clara, pela
castanha e depois pelo
açúcar. Asse os biscoitos
por mais ou menos 25
minutos ou até fiquem
dourados.
Biscoitos de castanha
300 g de castanhas moídas
6 gotas de óleo de amêndoa
amarga ou a gosto
Alternativo raspas da casca e
suco de cítricos locais
150g de açúcar confeiteiro
3-4 claras de ovo batidas
brevemente
1 pitada de sal
100 g de açúcar de confeiteiro
para salpicar
Bata as claras rapidamente,
sem ficar em neve. Misture as
castanhas, o açúcar e o extrato
de amêndoa amarga ou raspas
e suco de algum cítrico para
depois incorporar
cuidadosamente à clara de
ovo. A massa não deve ficar
muito mole. Se for necessário
adicione um pouco de farinha
de castanhas. Forme bolinhas
do tamanho desejado. Deixe
secar por 2-3 horas ou durante
a noite. Passe no açúcar de
confeiteiro e coloque em uma
assadeira forrada com papel
manteiga. Asse no forno
preaquecido a 150 graus por
aproximadamente 18-20
minutos. Os biscoitos devem
ficar crocantes por fora e
macios por dentro.
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata
629
Comida de rua – popular e global
Extremamente popular e com uma
oferte estupenda, a mesma engloba
tanto influências de fora quanto
sabores bem locais, são as
comidinhas da rua. Já pensou
por puro gula cruzar metade da
cidade, de carro! atrás de um
tacacá ou cachorro quente
paraense? Naquele do seu
Rosário, oferecido em praça pública,
ele é temperado com muito coentro
e cominho! Também oferece aquele
pernil.... No horário do rush
encara-se filas! São verdadeiras
praças de alimentação que fazem
invejo a aquelas dos shoppings, com
no máximo um ventilador.
Cozinheiras localmente famosas dão
sobrevida aos tradicionais vatapás
e maniçobas. Falta comer aquele
peixe frito com uma generosa
tigela de açaí! Servem lá nos
mercados bem locais, as mesas
simples e as cadeiras capengas. E
tudo segue regras! Mingau só de
manhã e a tardinha. Tacacá só a
partir do horário do almoço. Os
interiores são mais globalizados:
Vatapá, salpicão, uns
croquetes e pizza. Tudo frito,
muito maionese e ketchup, bem em
conta. A noite surgem mais opções.
As mesas se espremam nas calçadas
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata
e no quintal e a freguesia é convicta
630
e fiel.
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Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 633
Cardápio extenso de um bar em Manaus
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 634
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 635
Restaurante Ver-o-peso
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Lanchonete móvel em praça em Belém
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Lanchonete móvel na calçada em Belém
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Lanchonete num quintal Santarém
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Lanchonete beira rio Belém
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Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 644
Sabor Amazônico - Susanne Gerber-Barata 645
Sabor
AMAZÔNICO
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