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Biomais_51Web

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Entrevista: Mercado da biomassa cresce no Brasil, mas precisa de atenção

DESENVOLVIMENTO E

SUSTENTABILIDADE

EMPRESA OFERECE SOLUÇÕES DE

QUALIDADE EM EQUIPAMENTOS PARA

MOVIMENTAÇÃO DE BIOMASSA

ECONOMIA

PORTO NO PARANÁ COMEÇA

EXPORTAÇÃO INÉDITA NO BRASIL DE

PELLETS DE MADEIRA PARA A EUROPA

PELO MUNDO

PESQUISADORES EUROPEUS COMEÇAM A PRODUZIR

ETANOL A PARTIR DE RESÍDUO MADEIREIRO


GERADOR DE AR QUENTE PARA

SECAGEM DE PRODUTOS

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SUMÁRIO

06 | EDITORIAL

Braço para produção

08 | CARTAS

10 | NOTAS

22 | ENTREVISTA

26 | PRINCIPAL

32 | PELO MUNDO

Madeira no tanque

38 | ECONOMIA

Do Brasil para o mundo

44 | MERCADO

Cenário positivo

50 | EVENTO

54 | ARTIGO

62 | AGENDA

66 | OPINIÃO

Sustentabilidade: preocupação

e verdade naquilo que fazemos

04 www.REVISTABIOMAIS.com.br


EDITORIAL

Na capa deste mês é estampado

maquinário da Rocha Equipamentos

para abastecimento de caldeiras, que

utilizam biomassa como combustível

BRAÇO PARA

PRODUÇÃO

A

produção de energia elétrica de origem renovável no Brasil é três vezes superior à mundial.

No país, 83% da eletricidade produzida vem de fontes renováveis. Já no mundo, essa proporção

chega a 27%. Com a biomassa cada vez mais inserida nas indústrias, oferecer soluções de

qualidade para a alimentação de combustível nas caldeiras é fundamental. Assim, a Rocha

Equipamentos trabalha há 12 anos para suprir essa demanda no mercado e busca continuar crescendo

para manter o status de referência no setor. Nesta edição, o Leitor também irá conferir uma entrevista

exclusiva com Alex Wellington dos Santos, presidente da ACR (Associação Catarinense de Empresas

Florestais) sobre as expectativas do mercado da biomassa no Brasil, além de reportagens especiais sobre

inovação, mercado e muito mais. Tenha uma excelente leitura!

EXPEDIENTE

ANO IX - EDIÇÃO 51 - JUNHO 2022

Diretor Comercial

Fábio Alexandre Machado

(fabiomachado@revistabiomais.com.br)

Diretor Executivo

Pedro Bartoski Jr

(bartoski@revistabiomais.com.br)

Redação

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Fabiana Tokarski - Supervisão

Crislaine Briatori Ferreira - Gabriela Bogoni

Larissa Purkotte - (criacao@revistareferencia.com.br)

Mídias Sociais

Cainan Lucas

Representante Comercial

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Cristiane Baduy

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ASSINATURAS

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Veículo filiado a:

A REVISTA BIOMAIS - é uma publicação bimestral e

independente, dirigida aos produtores e consumidores de

energias limpas e alternativas, produtores de resíduos para

geração e cogeração de energia, instituições de pesquisa,

estudantes universitários, órgãos governamentais, ONG’s,

entidades de classe e demais públicos, direta e/ou indiretamente

ligados ao segmento. A REVISTA BIOMAIS não se

responsabiliza por conceitos emitidos em matérias, artigos,

anúncios ou colunas assinadas, por entender serem estes

materiais de responsabilidade de seus autores. A utilização,

reprodução, apropriação, armazenamento de banco de dados,

sob qualquer forma ou meio, dos textos, fotos e outras

criações intelectuais da REVISTA BIOMAIS são terminantemente

proibídas sem autorização escrita dos titulares dos

direitos autorais, exceto para fins didáticos.

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CARTAS

CAPA

O empreendedorismo tem que ser sempre incentivado no Brasil. Exemplos de empresas que

começam do zero e chegam no alto têm que sempre ganharem espaço.

Marcelo Bueno – São Paulo (SP)

Foto: divulgação

ENTREVISTA

Que a pesquisa e a ciência no Brasil sigam sendo prioridade. Essa iniciativa do pessoal do SENAI (Serviço Nacional da

Indústria), no Mato Grosso do Sul, merece todo apoio!

Luciana Bastos – Uberlândia (MG)

INOVAÇÃO

A biomassa da madeira é um dos principais exemplos de como reaproveitar os resíduos produtivos. É uma verdadeira

mina de ouro.

Carlos Gesicki – Lages (SC)

MERCADO

Investimentos públicos em fontes renováveis são essenciais para mudanças concretas

na forma como a energia é tratada e oferecida ao consumidor no país.

Ana Luiza Salto – Campinas (SP)

Foto: divulgação

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NOTAS

ENERGIA LIMPA

A produção de energia elétrica de origem renovável no Brasil é três vezes superior à mundial. No país, 83% da eletricidade

produzida vem de fontes renováveis. Já no mundo, essa proporção chega a 27%. Os dados foram divulgados durante o

Seminário Energia, Desenvolvimento, Desafios e Oportunidades, promovido pela Firjan (Federação das Indústrias do Rio de

Janeiro) e o Cluster Tecnológico Naval do Rio de Janeiro, recentemente. O evento virtual reuniu autoridades e especialistas do

setor para debates sobre a produção energética do país e teve participação do ministro da Ciência, Tecnologia e Inovações,

Paulo Alvim. Ele avaliou que o país já é reconhecido como importante fonte geradora no cenário mundial em relação à segurança

energética e que o Brasil vem sendo referência em soluções diferenciadas no setor de óleo e gás. Na visão do ministro,

o Estado do Rio de Janeiro tem um papel diferenciado para a produção de novos combustíveis e energia limpa que deve ser

aproveitado. “O Rio de Janeiro não pode perder essa nova janela de oportunidade, quando falamos dos novos combustíveis

da produção limpa, ou seja, contribuição científica e tecnológica. É um diferencial que precisa ser potencializado, pois falamos

da geração de postos de trabalho, de renda, de nota fiscal, retomando um papel que o Rio de Janeiro sempre teve na área.”

Ainda no seminário, o ministro Paulo Alvim destacou os esforços para a produção de energia nuclear no país. "Não só

como alternativa de geração de energia, mas como aplicação das tecnologias nucleares na área de saúde, na área de alimentos,

ou seja, na sua diversidade de benefícios que traz para a sociedade.”

O secretário de Planejamento e Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia, Paulo César Magalhães

Domingues, mostrou o volume crescente de investimentos que vem ocorrendo no setor de energias limpas e renováveis. "Faremos

o maior leilão em termos de investimentos, serão mais de 15 bilhões lá na Bolsa de Valores de São Paulo. Ano que vem

vamos bater todos os recordes de citação de obras de transmissão. O total previsto vai chegar a R$ 50 bilhões de investimento,

já prevendo dois bipolos para o nordeste, para escoar a produção, já que o nordeste é um grande exportador de energia."

O diretor-geral da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), almirante Rodolfo Saboia, indicou

que o mercado de gás natural no Brasil tem passado por uma transformação ainda maior que o de petróleo, mas esbarra na

necessidade de uma estrutura maior para se desenvolver. “O Brasil carece enormemente de infraestrutura de gás natural.

Temos algumas centenas de vezes menos quilômetros de gasodutos que os EUA (Estados Unidos da América), do que a

Argentina. A gente já está vendo uma dinâmica diferente no mercado de gás natural, caminhando de um mercado que saiu

do monopólio de fato da Petrobras, para um outro com simplificações regulatórias, porque o regime agora não é mais de concessões,

agora é de autorizações, o que tem estimulado o mercado.”

Dados divulgados no seminário mostram que o Brasil é um país de energia limpa, com 46% de toda sua fonte vinda de

energia renovável, contra 14% no mundo. No setor de biocombustíveis, o país é o segundo maior produtor. A energia solar é a

fonte que mais aumentou de produção no país, atualmente na 13º posição mundial.

Foto: divulgação

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Foto: divulgação

AMAZÔNIA LEGAL

Moradores de regiões de difícil acesso, principalmente na Amazônia, utilizam geradores movidos a óleo diesel para produzir

energia elétrica. Além de custar caro, essa fonte é mais poluente. Para resolver essa situação, o Governo Federal publicou um decreto

que regulamenta o Pró-Amazônia Legal (Programa de Redução Estrutural de Custos de Geração de Energia na Amazônia Legal) e de

Navegabilidade do Rio Madeira e do Rio Tocantins, previsto na lei que autoriza o processo de desestatização da Eletrobras.

Durante 10 anos, o programa vai receber R$ 295 milhões anualmente da Eletronorte para serem investidos em projetos que

reduzam os custos de geração de energia elétrica sustentado pela CCC (Conta de Consumo de Combustíveis). A CCC é um encargo do

setor elétrico brasileiro pago por todas as concessionárias de distribuição e de transmissão de energia elétrica. O dinheiro é usado para

subsidiar os custos anuais de geração de Sistemas Isolados, que são áreas ainda não integradas ao SIN (Sistema Interligado Nacional).

Cerca de 3 milhões de habitantes atendidos por sistemas isolados nos Estados do Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia e Roraima

serão beneficiados pelo Pró-Amazônia Legal. “Normalmente, essas localidades, por serem mais afastadas, utilizam muito os combustíveis

fósseis, o diesel. E nem sempre é possível atender essas comunidades 24h (horas) por dia. A ideia, ao introduzir o programa é

substituir o combustível fóssil pelo uso de fonte renovável de energia, combustíveis renováveis, eficiência energética, trocando equipamentos

e melhorando o uso de energia nessas localidades mais afastadas e, se possível, integrar essas localidades ao SIN, utilizando

linhas de transmissão ou linhas de distribuição”, explica o diretor do Departamento de Planejamento Energético do MME (Ministério

de Minas e Energia), Thiago Prado.

De acordo com o MME, o programa vai beneficiar a população de forma geral. “O programa consegue atingir não só aqueles que

estão vivendo nas comunidades isoladas, mas também os consumidores do Sistema Interligado, porque partes desses custos são

suportados na nossa tarifa na conta de luz”, ressalta Thiago Prado.

Os recursos do Pró-Amazônia Legal também devem ser aplicados na implementação de medidas que aprimorem a navegabilidade

do Rio Madeira, que vai de Rondônia ao Amazonas, e o Rio Tocantins, que nasce em Goiás e passa pelos Estados de Tocantins,

Maranhão e Pará. O decreto também institui o CGPAL (Comitê Gestor do Pró Amazônia Legal), formado por representantes do MME, do

Ministério da Infraestrutura (Minfra), dos Estados e distribuidoras da Amazônia Legal, que possuam sistemas isolados e de representantes

dos consumidores.

O Comitê Gestor vai elaborar, anualmente, um plano de trabalho com ações a serem desenvolvidas para o próximo ano. O plano

também vai avaliar, propor diretrizes e definir ações para aplicação dos recursos. “Serão R$ 3 bilhões ao longo de 10 anos e o Governo

terá 15 anos para aplicar esse recurso. Caso esse recurso não seja aproveitado, vamos poder alocá-lo para a nossa Conta de Desenvolvimento

Energético, também visando reduzir a conta de energia elétrica”, conclui o diretor do Departamento de Planejamento Energético

do MME, Thiago Prado.

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

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NOTAS

ITAIPU EM

REVISÃO

Representantes

do governo

afirmaram no

mês de junho, em

audiência pública

da Comissão de

Relações Exteriores

da Câmara dos

Deputados, que

o Brasil negocia a

redução da tarifa

de energia gerada

em Itaipu. No

acordo entre Brasil

e Paraguai para

construção da

usina, em 1973, foi

estipulada uma revisão dos termos para 50 anos depois, em 2023, quando a dívida da obra seria extinta. Mas, como a dívida

representa 66% da tarifa, a discussão entre os países pode representar redução já a partir deste ano. Também está sendo

discutida, por causa da revisão do acordo, a obrigatoriedade do país vizinho de vender para o Brasil a energia excedente de

Itaipu, sendo que cada um tem direito à metade da geração. Hoje, o Brasil compra 30% da parte paraguaia. Para o Paraguai,

a energia de Itaipu significa 85,6% do total consumido e para o Brasil, 8,4%. Na revisão do acordo, chamado de anexo C, o

Paraguai pode pedir para vender livremente a sua parte e esse é um dos pontos que devem ser negociados até agosto de

2023. O diretor-geral brasileiro da Itaipu Binacional, o contra-almirante Anatalício Risden Júnior, defendeu a redução da

tarifa, mas, segundo ele, o Paraguai quer manter o valor atual. Risden disse ainda que o Brasil tem estudos mostrando que o

Paraguai deve necessitar do total da sua parte na geração da usina só daqui a 10 anos.

O deputado Rubens Bueno (Cidadania-PR) questionou o impacto nas negociações de relatório da Controladoria-Geral

da República do Paraguai que aponta débito de US$ 3,8 bilhões da Eletrobras com a Itaipu. "A dívida teria sido contraída no

período de 85 a 97, quando o Brasil teria pago menos que US$ 17,10 por KW (Quilowatt) pela energia de Itaipu. A Controladoria

interpreta a atuação do Brasil como uma violação do tratado assinado em 1973 e que deve ter o anexo C renegociado”,

alertou.

O embaixador Pedro Miguel da Costa e Silva disse que uma auditoria nas contas da empresa teria que ser feita por uma

controladoria binacional para ser válida. Ele informou que a negociação com o Paraguai sofre alguma dificuldade por conta

de uma visão negativa da opinião pública paraguaia sobre o tema. “Tudo na usina é decidido por consenso entre brasileiros

e paraguaios, ou seja, o Brasil não decidiu nada sozinho e nem impôs nada ao Paraguai, mas há uma certa visão negativa

de alguns setores em relação ao papel do Brasil na construção e na gestão de Itaipu, que está longe de ser minoritária na

opinião pública paraguaia, infelizmente. E isso cria um ambiente um pouco mais difícil para as nossas negociações, porque

estimula algumas expectativas dificilmente realizáveis”, explicou.

O deputado Osmar Serraglio (PP-PR) solicitou às autoridades presentes a revisão da distribuição dos royalties de Itaipu

para compensar mais a cidade de Guaíra (PR). Segundo ele, a cidade perdeu a Cachoeira de Sete Quedas, que era a maior

do mundo, com a formação do lago de Itaipu em 1982. O deputado afirma que havia a promessa de que seria construída

outra usina na região, mas isso não aconteceu.

Foto: divulgação

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STARTUP

A startup de energia verde Nextron Energia deu início às operações neste mês, ao

mesmo tempo em que anunciou a captação de US$ 2,285 milhões (R$ 11,5 milhões).

O aporte foi liderado pelo Valor Capital Group e com participação da Barn Investimentos,

fundo de capital de risco focado em greentech. O investimento do tipo seed (para

alavancar a empresa) também teve participação de investidores-anjo, family offices,

fudadores e executivos C-level (alto cargo) de diversas concessionárias de energia do

Brasil. O dinheiro será destinado à contratação de pessoas, especialmente nas áreas de

tecnologia e novos negócios, para aumentar a equipe para 50 funcionários até o fim do

ano. A proposta da Nextron — fundada por Ivo O. Pitanguy e Roberto G. Hashioka — é

uberizar a energia verde, isto é, conectar o consumidor de energia residencial e comercial

a um projeto de energia renovável por meio de uma assinatura. "Viemos para unir as duas

pontas e democratizar o acesso à energia renovável no modelo de marketplace'', compara

Pitanguy no comunicado à imprensa. A promessa da empresa é reduzir a conta de luz

em até 20% sem a necessidade de instalar placas solares no telhado. No lançamento do

serviço via site e aplicativo, a Nextron conta com o fornecimento de duas usinas fotovoltaicas:

uma no Mato Grosso do Sul e outra no Rio de Janeiro. A expectativa é que, até o

fim do ano, a Climatech possa oferecer em torno de 200 MW (Megawatts), o suficiente

para abastecer cerca de 36 mil clientes (considerando uma estimativa de consumo médio

de energia elétrica mensal em torno de R$ 1.000).

Foto: divulgação

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

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NOTAS

ENERGIA RENOVÁVEL

Os clientes da Copel Mercado Livre já podem

comprovar que a energia adquirida no ambiente de

contratação livre provém de fonte renovável. A comercializadora

da companhia incluiu em seu portfólio

de produtos os I-RECs, certificados que atestam que o

cliente está consumindo energia proveniente de uma

matriz renovável, como eólica, solar, hidrelétrica ou

biomassa. “Com a aquisição dos I-RECs, as empresas

comprovam a origem da energia adquirida”, explica o

diretor-geral da Copel Mercado Livre, Fillipe Henrique

Neves Soares. “Atualmente, como o setor elétrico é

totalmente integrado, quem adquire energia no mercado

livre não sabe exatamente de onde ela vem. Com

a aquisição desses certificados, as empresas demonstram

seu compromisso com a sustentabilidade ao

comprovar que a energia que consomem provém de

uma fonte renovável.”

Os I-RECs (sigla em inglês para o modelo internacional

de certificados de energia renovável) fazem

parte de um sistema que permite rastrear o caminho

da energia, desde a geração até o cliente final. “Os

I-RECs são o produto ideal para as empresas que

precisam comprovar a origem de emissões do Escopo

2 – provenientes do consumo de energia elétrica

comprada do SIN (Sistema Interligado Nacional) – ou

então demonstrar ações de mitigação”, ressalta a superintendente

de compra e venda de energia da Copel

Mercado Livre, Ana Maria Antunes Guimarães.

A comercializadora da Copel passou a ofertar estes

certificados com o objetivo de atender as necessidades

e os compromissos dos consumidores do mercado

livre de energia. “Cada vez mais os investidores, os

clientes e a sociedade como um todo têm valorizado

práticas corporativas que priorizam a sustentabilidade

e ajudam a mitigar os efeitos das mudanças

climáticas”, diz a superintendente de governança e

sustentabilidade da Copel, Luísa Nastari. “A aquisição

dos I-RECs contribui para agregar valor aos produtos

e serviços das empresas ao comprovar que elas estão

comprometidas com práticas sustentáveis e alinhadas

à transição para uma matriz energética totalmente

renovável.”

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CRESCIMENTO SOLAR

A energia fotovoltaica em telhados está em expansão no país. Segundo dados da EPE (Empresa de Pesquisa

Energética), a previsão é que o setor movimente mais de R$ 100 bilhões em investimentos de 2022 a

2031. Entretanto, no Brasil, apenas 1,3 milhão de consumidores de eletricidade já experimentam os benefícios

dos painéis solares.

Para alavancar ainda mais esse crescimento, um dos desafios é desmistificar a ideia de que a tecnologia

não é acessível. Apesar do custo de um sistema residencial para uma casa com quatro pessoas girar em torno

de R$ 15 e R$ 30 mil, atualmente, há mais de 70 linhas de financiamento disponíveis para essa categoria de

produto.

De acordo com uma pesquisa, elaborada pela Adventures, em parceria com a fintech MFS (Meu Financiamento

Solar), maior plataforma digital para crédito fotovoltaico, 60% do público desconhece que existem

linhas de financiamento para energia solar. O levantamento entrevistou pessoas, físicas e jurídicas, com

interesse ou que pretendiam instalar painéis solares no próximo ano.

A pesquisa, que contou com uma amostra de mais de 500 pessoas de várias regiões do Brasil, ainda revela

que o principal motivo pelo interesse em painel solar é a redução das despesas com energia elétrica (61%),

seguido da preocupação em preservar o meio ambiente (38%).

Por ser uma tecnologia sustentável, a produção de energia elétrica por meio do sol não emite gases causadores

do aquecimento global. Além disso, o sistema fotovoltaico é um investimento que gera autonomia e

economia de dinheiro a curto e longo prazos.

Ainda conforme o estudo, ao escolherem a energia solar fotovoltaica, os consumidores prezam por

qualidade e durabilidade dos equipamentos, itens racionais que indicam preferência por um produto com

retorno financeiro de longo prazo. Os atributos com critério de muita importância, como preço, manutenção

e impacto no meio ambiente, também se destacam acima da média, indicando a preocupação em utilizar o

produto por um longo período.

Outro dado interessante é que 18% dos respondentes não lembram de ter visto ou escutado informações

e notícias relacionadas ao painel de energia solar, demonstrando haver espaço para amplificar a comunicação

sobre o tema.

Foto: divulgação

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NOTAS

Foto: divulgação

ALIANÇA 2.0

Uma iniciativa conjunta da Eletrobras, CNI (Confederação Nacional da Indústria) e Abrace (Associação dos Grandes

Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres) promete ajudar as empresas a reduzir o custo com

energia elétrica. A iniciativa, chamada de Programa Aliança 2.0 é voltada para aumentar os ganhos de eficiência energética

nos processos de produção industrial. Os interessados devem participar de uma chamada pública que analisará

as demandas.

O Aliança 2.0, que está inserido nas ações do Procel (Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica), visa a

atender 24 indústrias que fazem uso intensivo de energia em seus processos de produção. De 2022 a 2025, serão destinados

a essas indústrias R$ 20 milhões para o desenvolvimento de projetos de eficiência energética . Pelo programa,

as empresas selecionadas receberão, cada uma, R$ 400 mil e precisarão oferecer uma contrapartida no mesmo valor.

Além disso, as empresas terão que assumir o compromisso de implementar um plano de ação, construído junto com a

equipe técnica do projeto, para tornar os processos industriais mais eficientes do ponto de vista energético.

Podem participar do programa Aliança empresas de qualquer setor industrial com consumo mínimo de 10 MW

(Megawatts) médio de potência (87.600 MWh/ano) ou quantidade equivalente em energia térmica (gases e combustíveis).

Segundo a CNI, na primeira fase do programa, foram atendidas 12 plantas industriais dos setores siderúrgico,

químico, automobilístico e do cimento. A maioria dos projetos envolveu a otimização de processos, sem necessidade

de troca de equipamentos. “De um total de R$ 198 milhões em oportunidades de redução de consumo identificadas,

61% foram aprovadas e implementadas pelas empresas, gerando economia anual de R$ 122 milhões. Em termos energéticos,

evitou-se o consumo de 176 GWh (Gigawatts/hora) - o equivalente ao consumo mensal de quase 1,1 milhão de

residências -”, informou a CNI.

As inscrições tiveram início em maio, e o edital do programa é em caráter de chamada permanente, ou seja, só será

finalizado quando as 24 indústrias forem selecionadas. Para se inscrever no programa, basta acessar a página do Aliança

2.0. As empresas que participaram da primeira etapa poderão se candidatar novamente, desde que com plantas

industriais que não tenham sido selecionadas na edição anterior.

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Aumente sua

PRODUTIVIDADE!


Durabilidade Produtividade Economia

A DRV vem investindo em alta tecnologia para

inovação – o que resulta em melhoria dos

processos, aperfeiçoamento e desenvolvimento

de novos produtos para suprir as necessidades

do mercado de Biomassa, Florestal e Madeireiro.




SERRAS E FACAS INDUSTRIAIS


NOTAS

MODERNIZAÇÃO

Novas tecnologias levam à possibilidade de

uso de novos equipamentos que proporcionam

novas formas de serviços e de relações comerciais.

A exemplo da telefonia, o setor de energia

também passa por esse processo e, diante dele,

tem procurado atualizar a legislação. Este foi o

tema debatido recentemente, durante o Ciclo

de Palestras sobre Legislação e Políticas Públicas

– evento promovido pelo Ipea (Instituto de

Pesquisa Econômica Aplicada). “Quando se fala

em modernização e liberalização do setor elétrico,

na minha cabeça tem, na ponta, energia mais

barata para empresas e consumidores”, defende o

presidente do Ipea, Erik Alencar de Figueiredo, ao

dar início ao evento que teve, como foco central, o Projeto de Lei 414/2021 que, segundo o governo, pode ajudar a modernizar

o setor, caso seja aprovado. Entre as possibilidades previstas pelo projeto, está a de permitir ao pequeno consumidor, liberdade

para escolher quem será seu fornecedor de energia. Na teoria, caso haja um mercado realmente competitivo, a expectativa é

que a consequência disso sejam preços mais baixos para o consumidor final. Essa liberdade de escolha já é praticada por grandes

e médios consumidores – em geral, indústrias – que adquirem energia via livre mercado. O desafio será o de estender aos

pequenos consumidores essa possibilidade. Para que isso seja possível, no entanto, é necessário, antes de tudo, entender quem

é esse pequeno consumidor. “Temos muitos brasileiros com renda próxima a um salário mínimo. Isso reflete a vida mediana dos

brasileiros. E há brasileiros cuja despesa com energia elétrica é bastante expressiva em termos de orçamento. Para boa parte

desses brasileiros, pelo menos 10% da renda é comprometida com energia elétrica”, aponta o presidente do Ipea ao apresentar

alguns dos dados coletados pelo instituto.

Segundo ele, conhecer esses brasileiros cujas despesas com energia elétrica e com gás de cozinha são consideráveis “é vital

para que as pessoas que conduzem as políticas públicas no Brasil tornem essas políticas provedoras de bem-estar social.”

De acordo com um levantamento apresentado pelo diretor de Estudos e Políticas Regionais, Urbanas e Ambientais do Ipea,

Nilo Luiz Saccaro Junior, os indicadores de regulação do setor elétrico brasileiro estão muito abaixo dos observados nos países

integrantes da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico). “No setor de eletricidade, o valor indicador

do Brasil - 2,06 pontos, em uma escala onde, quanto menor for o número, melhor a situação - é 42% superior à média dos países

da OCDE, que era 1,45 ponto, enquanto a média dos cinco melhores países era 0,39. No setor de gás natural, os números são

ainda piores para o Brasil, que teve 2,99 pontos contra 1,35 da média da OCDE”, revelou no discurso.

Segundo a diretora de Programa da Secretaria Executiva do MME (Ministério de Minas e Energia), Camilla Fernandes, a

indústria de energia elétrica está passando por mudanças cada vez mais profundas não apenas no Brasil. “Essas mudanças são

inevitáveis. Estamos falando de fontes renováveis; soluções tecnológicas; novas formas de gerar energia; novos modelos de

negócio; novas formas de interação com o consumidor. É algo que já está acontecendo em todo o mundo”, explicou. Ela lembrou

que no Brasil já existem mais de 1 milhão de unidades com geração distribuída instaladas, que geram quase 11 GW (Gigawatts)

de energia. Geração distribuída é uma modalidade na qual a energia gerada em residências ou condomínios – a partir da energia

solar coletada via placas fotovoltaicas, por exemplo – pode ser repassada a outros consumidores. Essa energia repassada ao

sistema pode então compensar parte da energia consumida pela unidade que a gerou, diminuindo os gastos com a conta de

luz. “Energias renováveis descentralizadas de pequeno porte espalhadas já são uma realidade no Brasil”, destacou a secretária do

MME, ao elogiar uma outra medida prevista no PL 414: a possibilidade de os consumidores escolherem de quem comprarão a

energia elétrica. Segundo ela, na forma como se encontra, o projeto tem o apoio do ministério, uma vez que leva em conta todo

trabalho feito pelo órgão, além da atualização dos estudos, visando os avanços legais. “Aguardamos avanços no legislativo. O desafio

da implementação e organização do setor é, na verdade, o desafio de equilibrar consenso, porque precisamos de consenso

no setor, com segurança regulatória e estabilidade jurídica, além de cumprimento dos contratos, de qualidade, porque não dá

para ser amador nesse ambiente, e de tempo. São critérios que se opõem, mas mudar o normativo é realmente uma necessidade

que se impõe para atender a realidade no setor”, argumentou a secretária.

Foto: divulgação

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NOTAS

FORÇA DO SOL

As famílias do assentamento Padre Acácio, no sertão

paraibano – região com um dos mais altos índices

de incidência de sol do Brasil, descobriram na energia

solar uma forma de baratear a produção de alimentos

e garantir a segurança hídrica da comunidade. A área

de reforma agrária, situada no município de Malta, a

aproximadamente 330 km (quilômetros) da capital,

João Pessoa, sofre com a irregularidade das chuvas.

Registrando mais de 3,2 mil horas anuais de insolação,

a região foi escolhida para receber a Usina Solar

Malta. Pertencente ao Complexo Fotovoltaico Angico

e Malta e de posse da SPE Malta Energias Renováveis,

o empreendimento entrou em operação comercial no

segundo semestre de 2018 com capacidade instalada

de 27,2 MW (Megawatts) e 31,59 MW de potência

pico.

Os painéis fotovoltaicos foram implantados na

área comunitária do assentamento Padre Acácio em

agosto de 2021, por meio de projeto da Diocese da

Igreja Católica de Patos, município polo da região. A

energia solar obtida substituiu a energia elétrica na

alimentação da bomba hidráulica do poço que abastece

a comunidade. As famílias não tiveram nenhum

custo com o sistema.

De acordo com a presidente da associação dos

agricultores do assentamento, Giliane Garcia dos

Santos, a água do poço é utilizada para a irrigação das

lavouras de frutas (goiaba, mamão, pinha e acerola) e

para os animais de pequeno e grande porte (caprinos,

ovinos e bovinos) de 23 das 28 famílias do assentamento.

“Também aproveitamos para lavar pratos e

roupas e tomar banho. Só não para beber porque para

isso usamos a água de cisternas”, contou a agricultora,

acrescentando que a conta mensal de energia caiu de

cerca de R$ 30 para, no máximo, R$ 5.

A instalação do novo meio de geração de energia

solar foi uma surpresa para as famílias, segundo Giliane,

pois a comunidade não teria condições de investir

na tecnologia com recursos próprios. “A gente ficou

muito feliz porque não imaginava que nosso assentamento

pudesse ser contemplado com um projeto

como esse, mudou a nossa vida”, disse.

Foto: divulgação

20 www.REVISTABIOMAIS.com.br


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ENTREVISTA

Foto: divulgação

ENTREVISTA

ALEX

WELLINGTON

DOS SANTOS

Formação: Graduado em Engenharia

Florestal pela UNC (Universidade do

Contestado), com pós-graduação em

Engenharia de Produção pela UDESC

(Universidade do Estado de Santa Catarina)

e Gestão Florestal pela UFPR (Universidade

Federal do Paraná)

Cargo: Presidente da ACR (Associação

Catarinense de Empresas Florestais)

COMBUSTÍVEL

DO FUTURO

A

biomassa cada vez mais tem surgido como uma opção confiável para a produção

sustentável de energia. Além de ter alto poder calorífico e baixo teor de cinzas, ainda

possibilita a utilização de um material que seria descartado no meio ambiente.

A busca do setor produtivo é por maior fomento para que a biomassa continue

a ganhar não apenas no Brasil, mas seja cada vez mais aceita no mercado internacional, em

especial na Europa. O presidente da ACR (Associação Catarinense de Empresas Florestais), Alex

Wellington dos Santos, concedeu entrevista exclusiva a Revista BIOMAIS sobre o cenário da

matéria-prima no Brasil e como o combustível pode ser ainda mais inserido no país.

22 www.REVISTABIOMAIS.com.br


Uma das principais buscas das indústrias

no século XXI é o desenvolvimento sustentável.

Como a biomassa de madeira pode auxiliar

nesse objetivo?

Atualmente ouvimos diversas falas sobre

aquecimento global e os rumos ambientais do

mundo. Assim, a energia de biomassa está em

pauta, especificamente sobre o abastecimento

energético. Dessa forma, é importante entender

os impactos das diferentes formas de geração de

energia e emissões atmosféricas é aderir à opção

mais sustentável. Isso garante que uma empresa ou

negócio possa optar por um tipo de energia menos

agressivo ao meio ambiente, com muitas vantagens

no futuro para as novas gerações e (por que

não?), agora. A energia de biomassa de madeira é

uma energia gerada a partir do uso da biomassa

como matéria-prima, no caso a madeira (Eucalyptus

e Pinus são as mais comuns) ou outro vegetal. O

material é queimado em caldeiras ou aquecedores

para gerar calor. O aproveitamento da biomassa

para gerar energia elétrica, calor e biocombustível

está entre as melhores práticas de produção de

energia. É totalmente sustentável e diferentemente

dos combustíveis fósseis. Desenvolvimento

sustentável significa emissão zero, nos próximos 20

a 30 anos. Ressaltamos a importância da pesquisa

no desenvolvimento de projetos comprometidos

com gestões ambientais conscientes, eficientes e

aplicáveis à realidade brasileira.

O sul do Brasil é um dos principais polos

produtores de biomassa no Brasil. Como os

Estados conseguiram esse status e o que fazer

para evoluir ainda mais o setor?

A conscientização sobre o impacto ambiental

da queima de combustíveis fósseis aumentou

consideravelmente a busca por fontes alternativas,

entre elas a energia de biomassa. Entre as vantagens

estão: custo reduzido, menor emissão de

gases poluentes, fácil conversão e transporte, alta

disponibilidade de matéria-prima e alta capacidade

de aproveitamento dos resíduos. Em 2021, o

volume de biomassa florestal atingiu cerca de 155

milhões de m³ (metros cúbicos). A grande maioria é

consumida nos próprios parques industriais. Cerca

de 3% deste total é exportado. No ano passado o

país atingiu a marca de 1,7 milhão de toneladas, o

que representou um valor de US$ 148 milhões. Os

principais destinos foram: China, Portugal e Japão,

que juntos representam 90% do total.

Santa Catarina é um dos principais produtores

de madeira no Brasil e tem conseguido

ampliar a sua área plantada. Como é realizado

esse trabalho?

O Estado tem a silvicultura como característica

histórica e cultural. O plantio de árvores para fins

industriais atravessa gerações. A tendência é que

essa prática cresça ainda mais, com a inovação e

formação técnica. Por isso destacamos a importân-

É importante entender os impactos

das diferentes formas de geração de

energia e emissões atmosféricas é

aderir à opção mais sustentável

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

23


ENTREVISTA

O aproveitamento da

biomassa para gerar

energia elétrica, calor

e biocombustível está

entre as melhores

práticas de produção de

energia

O poder público deveria

ser protagonista,

criando um plano de

desenvolvimento de

florestas plantadas e

oferecendo linhas de

financiamento com juros

baixos

cia de estarmos próximos às entidades de ensino

e pesquisa. A ACR (Associação Catarinense de

Empresas Florestais) tem uma história com mais de

46 anos na representação das empresas nas pautas

ligadas ao setor. Isso passa pela oferta de cursos,

busca a apresentação de cases de sucesso e fortalecimento

das relações interinstitucionais. Assim,

o setor cresce estruturado, trazendo benefícios

ao setor ligado à biomassa. Sendo devidamente

estudada e valorizada, a biomassa deixa de ser vista

como um problema causador de impacto ambiental,

como na década passada, mas sim como

um subproduto, ou um produto com crescimento

exponencial. Acreditamos que em pouco tempo

teremos indústrias para geração de energia com

biomassa, com possibilidade de atender a demanda

e potencial de crescimento dos Estados. O setor

de biomassa cresce, tanto em volume quanto em

agregação de valor. Os pellets de madeira, por

exemplo, são um biocombustível altamente inovador.

Tem alto poder calorífico e baixo teor de cinza.

É muito bem aceito no mercado energético europeu,

altamente exigente quanto às características

do produto. O volume de produção deste produto

no Brasil cresceu de 185 mil toneladas (2016) para

700 mil toneladas (2021), resultando em aumento

de 378% em um período de 5 anos.

Até que ponto o poder público trabalha para

que a biomassa possa ser mais inserida como

combustível em mais Estados no Brasil?

O poder público deveria ser protagonista,

criando um plano de desenvolvimento de florestas

plantadas e oferecendo linhas de financiamento

com juros baixos. Assim, os Estados teriam políticas

e eixos estratégicos para nortear a riqueza florestal,

absorvendo a matéria-prima e convertendo em

produtos para o mercado interno e para exportação,

a exemplo da região sul, conhecida pela

diversidade industrial.

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REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

27


PRINCIPAL

A

biomassa cada vez mais está inserida nas indústrias

brasileiras. A necessidade de uma

fonte de combustível que una qualidade de

queima e menor impacto ambiental coloca

essa matriz energética em foco.

“A biomassa é renovável, e muitas indústrias já produzem

seu próprio combustível, sendo autossuficientes.

É um mercado que está crescendo bastante, com

muitas empresas migrando do combustível fóssil para

biomassa”, complementa Roberto Rocha, sócio-diretor

da Rocha Equipamentos.

Além disso, a biomassa ainda vai de encontro com

outro item, o do desenvolvimento sustentável. O combustível

é gerado a partir de subprodutos das indústrias,

restos de móveis e construções, florestas renováveis,

entre outros resíduos orgânicos e animais.

Dentro desse cenário, a Rocha Equipamentos atua

desde 2010, oferecendo às indústrias equipamentos

para movimentação de biomassa, principalmente com

a finalidade de alimentar e abastecer caldeiras que se

utilizam deste combustível para geração de calor. Nesses

12 anos, a empresa tem se consolidado como uma

das referências no segmento.

Roberto Rocha trouxe para a empresa instalada na

cidade de Rio do Sul (SC) a experiência adquirida em

mais de 10 anos de atuação no departamento técnico

e de vendas em outras empresas do segmento.

“Em 2010 nasceu a Rocha Equipamentos, focada na

alimentação de caldeiras e movimentação de biomassa,

mas com o objetivo de fornecer soluções funcionais

e simples, um nicho que estava carente de fornecedores

especializados”, explica Roberto Rocha.

28

www.REVISTABIOMAIS.com.br


Como muitas empresas, a Rocha Equipamentos

começou literalmente dentro de casa, e foi se estabelecendo

pouco a pouco. Em 2012, a indústria deu um salto

com o primeiro escritório em uma sala comercial e a

contratação dos primeiros colaboradores, inicialmente

para os departamentos de compras, projetos e PCP.

Em 2013 a Rocha Equipamentos deu mais um passo

importante, adquiriu um terreno e iniciou a construção

da sede própria. O local permitiu maior autonomia

para a indústria, e em 2014, iniciou a produção dos seus

equipamentos com mão de obra própria, finalizando a

necessidade de terceirizar a fabricação. Essa mudança

trouxe uma melhoria na qualidade e nos prazos, além

de um melhor gerenciamento dos processos.

“Hoje possuímos um terreno com 10 mil m2 (metros

quadrados), sendo 2 mil m2 de área construída. Alguns

processos como usinagem e dobra, continuamos com

a cultura de terceirização. Hoje contamos com 30 colaboradores

diretos, e empresas parceiras para realizar

os processos de montagem mecânica e elétrica, sendo

que algumas destas têm a Rocha Equipamentos como

seu principal cliente”, pontua Valci Luciana da Silva, sócia-diretora

da empresa.

“Hoje possuímos um terreno

com 10 mil m2, sendo 2 mil

m2 de área construída, com

30 colaboradores diretos, e

empresas parceiras para realizar

os processos de montagem

mecânica e elétrica

Valci Luciana da Silva,

sócia-diretora da empresa

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 29


PRINCIPAL

Os produtos da Rocha Equipamentos podem transportar

todos os tipos de biomassa. Além dos tradicionais

cavacos de madeira, a empresa já desenvolveu

projetos para cascas de arroz, castanha, palha de milho,

casca de babaçu, fibra de palma, lodo sanitário, lodo de

estação de tratamento, e ainda, lenha em metro.

Nos últimos anos a empresa aumentou a participação

no segmento de transporte das cinzas que são

geradas pelo processo de queima nas fornalhas das

caldeiras. Hoje esta linha de equipamentos já contribui

com uma fatia considerável no faturamento da empresa.

A Rocha Equipamentos, ainda, trabalha com projetos

especiais para o transporte de materiais como:

grãos, ração, minérios, sacarias, além do mercado de

peças de reposição dos equipamentos, que já estão em

funcionamento, serviços e retrofitting de equipamentos

antigos ou de outros fabricantes.

ENGENHARIA DE QUALIDADE

Atualmente a Rocha Equipamentos atende todo o

Brasil, nesses 12 anos de existência conta com quase

200 clientes e instalações, e, para conseguir oferecer

equipamentos de qualidade, conta com uma equipe

de profissionais com grande experiência, garantindo

assim maior qualidade e confiança em seus equipamentos.

“Nosso foco sempre foi o simples e o funcional, e

não, de fornecer grandes obras, com volume grande

de produção. Você instala, faz o start-up, ajusta se há

necessidade, e tudo funciona”, explica Roberto Rocha.

As indústrias que utilizam energia térmica no seu

processo produtivo, buscam sempre por equipamentos

de alta confiança, afinal, se essa energia for interrompida,

toda produção também para, inclusive, com

perda de matéria-prima em algumas situações. O sistema

de alimentação abastece essas máquinas térmicas,

30 www.REVISTABIOMAIS.com.br


logo, se falta combustível, o processo na empresa é paralisado,

reforçando a relevância de uma alimentação

confiável e bem projetada.

Como a Rocha Equipamentos cresceu em um curto

período de tempo, o planejamento para o segundo

semestre é de reorganizar a produção e os processos

para essa nova realidade, elaborando procedimentos

padronizados e as instruções de trabalho. O objetivo é

diminuir o tempo de produção, retrabalho e desperdício

de matéria-prima.

Investir em pessoas também está nos planos da

empresa, além de reestruturação do departamento de

vendas de peças, com objetivo de aumentar o faturamento

nessa área.

"Quando o cliente esquece

que existe na sua empresa

um sistema de alimentação

de biomassa, é sinal de que

os equipamentos não estão

lhe gerando incômodos,

prejuízos, nem manutenção"

Roberto Rocha,

sócio-diretor da empresa

“Queremos cada vez mais vender soluções práticas,

funcionais e confiáveis. Quando o cliente esquece que

existe na sua empresa um sistema de alimentação de

biomassa, é sinal de que os equipamentos não estão

lhe gerando incômodos, prejuízos, nem manutenção. É

aí que temos certeza que nosso objetivo foi alcançado

com sucesso”, resume Roberto Rocha, sócio-diretor.

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

31


PELO MUNDO

MADEIRA

NO TANQUE

32 www.REVISTABIOMAIS.com.br


PESQUISADORES FINLANDESES E

ALEMÃES DESENVOLVERAM MÉTODO

PARA APROVEITAR RESÍDUOS

MADEIREIROS COMO MATÉRIA-PRIMA

NA PRODUÇÃO DE ETANOL

FOTOS DIVULGAÇÃO

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

33


PELO MUNDO

P

esquisadores da TUM (Universidade Técnica

de Munique), na Alemanha, em parceria

com a LUT (Universidade de Tecnologia

Lappeenranta-Lahti), na Finlândia, desenvolveram

um novo processo para a produção de etanol

utilizando resíduos de madeira como matéria-prima.

Segundo os cientistas, o material a ser usado

pode ser obtido por meio da combinação das sobras

de áreas florestais e hidrogênio — proveniente de

um processo de eletrólise da água — permitindo

que o excesso dessa eletricidade seja utilizado na

produção do etanol. "O processo geral consiste

principalmente em subprocessos tecnicamente maduros.

No entanto, a hidrogenação do ácido acético

para produzir etanol é uma abordagem totalmente

nova", explica o doutorando em energias renováveis

da Universidade Técnica de Munique, Daniel Klüh,

autor principal do estudo.

Baseando-se nos valores de cada matéria-prima

no decorrer do ano de 2020 — e não nos preços

praticados pelo mercado atualmente — os pesquisadores

avaliaram a viabilidade econômica do novo

34 www.REVISTABIOMAIS.com.br


método de produção de etanol. Eles também levaram

em consideração a cotação do álcool comum —

obtido por meio da fermentação de açúcares.

O menor valor conseguido durante a modelagem

foi de € 0,65 (cerca de R$ 3,50) por litro, com

um custo de biomassa equivalente a € 20 (cerca de

R$ 106) por megawatt/hora produzido. Com essa

técnica, o volume de produção estimado seria de

aproximadamente 42 t (toneladas) de etanol por

ano. “Uma razão para a alta lucratividade é que o rendimento

do etanol é muito maior em comparação

“Precisamos desenvolver

novos catalisadores

e reatores, além da

construção de um

sistema piloto que seja

economicamente viável”

Matthias Gaderer, coautor do estudo

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

35


PELO MUNDO

com o processo tradicional de fermentação de palha

ou madeira. Nosso sistema hidrogenado produz de

1.350L a 1.410L (litros) de etanol, em comparação

com os 200L ou 300L obtidos no processamento da

biomassa seca”, acrescenta o professor Kristian Melin,

coautor do estudo.

Segundo os pesquisadores, o uso de eletricidade

verde para alimentar o processo de eletrólise pode

produzir um combustível com baixo teor de dióxido

de carbono, reduzindo a emissão de gases causadores

do efeito estufa em até 75% — em comparação

com combustíveis fósseis como a gasolina. Além

disso, esse etanol sustentável poderia ser misturado

"Nosso sistema

hidrogenado produz de

1.350L a 1.410L de etanol,

em comparação com os

200L ou 300L obtidos

no processamento da

biomassa seca"

Kristian Melin, coautor do estudo

36 www.REVISTABIOMAIS.com.br


à gasolina em uma proporção de 10%, para amenizar

os poluentes presentes no sistema de abastecimento

de automóveis comuns, ou até substituir o óleo

diesel em veículos maiores, usados para o transporte

de cargas pesadas. “Para comercializar este produto,

é necessário melhorar ainda mais o grau de maturidade

tecnológica. Precisamos desenvolver novos

catalisadores e reatores, além da construção de um

sistema piloto que seja economicamente viável”,

aponta o professor de energias renováveis Matthias

Gaderer, outro coautor do estudo.

"A hidrogenação do

ácido acético para

produzir etanol é uma

abordagem totalmente

nova"

Daniel Klüh, doutorando em energias

renováveis da UTM

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

37


ECONOMIA

38 www.REVISTABIOMAIS.com.br


DO BRASIL PARA

O MUNDO

PORTO PONTA

DO FÉLIX IRÁ

EMBARCAR 120

MIL TONELADAS

DE PELLETS DE

MADEIRA ATÉ O

FINAL DE 2022

FOTOS ROBERTO MEIRELES

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

39


ECONOMIA

A

ntonina (PR) foi o destino escolhido para

realizar uma operação inédita no Brasil de

exportação de pellets de madeira à granel.

Ao todo, 120 mil toneladas devem passar

pelo Porto Ponta do Félix, totalizando 9 navios até

o fim do ano. A carga - que até então era exportada

por contêineres - está sendo embarcada pelo método

bulk, com custos operacionais menores.

O produto é fabricado em Santa Catarina e será

desembarcado na Itália - com destino à Dinamarca

-, onde será utilizado como insumo em sistemas de

calefação. A primeira exportação foi de 15 mil toneladas,

realizada em dezembro de 2021 e o sucesso

da operação resultou em um novo contrato para

mais navios em 2022. “Combinamos com um pool de

fornecedores da região sul, capitaneado por um deles,

que foi o principal produtor desse comprador lá fora.

O contrato foi feito com o europeu, com a empresa

Dinamarquesa, que faz essa distribuição na Europa

e que fez o desenvolvimento dessa nova logística. A

logística nova consiste em receber a carga a granel na

Itália e distribuir em barcaças para outras regiões da

Europa”, explica o presidente do Porto Ponta do Félix,

Gilberto Birkhan.

40 www.REVISTABIOMAIS.com.br


“Existe uma perspectiva

muito positiva do mercado

acerca do produto, visto

que a nova logística deu

certo”

Gilberto Birkhan, presidente do

Porto Ponta do Félix

O Porto Ponta do Félix aponta que uma das

principais vantagens de operar, exportar ou importar

por Antonina é a possibilidade de customização das

operações. No caso dos pellets, o porto se adapta às

necessidades do cliente, atendendo ao fluxo e rotina

operacional logística que ele necessita de maneira

personalizada. A carga a granel é armazenada em

recinto alfandegado, sendo enviada para um único

porto na Europa - determinado pelo cliente - e que vai

distribuir a carga ao restante do continente utilizando

barcaças.

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 41


ECONOMIA

A expansão em infraestrutura deve ampliar a atual

capacidade estática de 270 mil toneladas para 430 mil

toneladas, até início de 2023.

Além disso, o Porto Ponta do Félix também tem

como objetivo oferecer alternativas para redução de

custos operacionais dos clientes. O método de operação

break bulk, utilizado neste embarque dos pallets,

tem apresentado custos inferiores às movimentações

feitas por contêineres atualmente. “Somos especialistas

nesse tipo de carga, assim como no método break

bulk (carga que pode ser contada em unidades). A

gente está atingindo outros players do setor madeireiro,

principalmente os que trabalham com compensado,

serragem e placas - produtos que a gente deve

começar a movimentar muito em breve. Ambas as

cargas desse setor florestal estão no nosso radar para

os próximos períodos”, projeta Gilberto.

“A logística nova consiste

em receber a carga a

granel na Itália e distribuir

em barcaças para outras

regiões da Europa”

Gilberto Birkhan, presidente do

Porto Ponta do Félix

Para que se tenha ideia, durante a segunda semana

de abril, o preço do contêiner de 40 pés chegou a

US$ 7,945.31, de acordo com a empresa especialista

em consultoria marítima, Drewry Shipping Consultants.

O índice composto caiu 1,2% na semana, mas

continua 62% maior do que há um ano.

42 www.REVISTABIOMAIS.com.br


O pellet é feito a partir dos subprodutos da madeira.

Considerados importantes recursos energéticos,

os pellets são formados por resíduos de biomassa

vegetal, como a maravalha de madeira, a serragem, o

bagaço de cana-de-açúcar, entre diversos outros.

Compactos, sua geometria regular é apresentada

no formato de pequenos cilindros entre 6 mm e 8

mm (milímetros) de diâmetro e de 10 mm a 40 mm de

comprimento.

Essa característica garante um baixo teor de umidade,

o que permite maior densidade energética, ou

seja, mais eficiência. Segundo a Associação Brasileira

das Indústrias de Biomassa, o pellet de madeira pode

ser utilizado como um biocombustível granulado que

tem em sua composição uma biomassa vegetal.

“Certamente a região sul tem muito potencial para

desenvolver, basta dizer que a Europa consome praticamente

tudo o que se produz e demanda mais. Prova

disso é que nós estamos negociando neste momento

um contrato de 3 anos e podendo ser prorrogável, em

volumes maiores, volume praticamente dobrando a

partir dos próximos anos”, avalia Gilberto Birkhan.

Para formar os pellets, essa biomassa é moída e

compactada, resultando em um produto resistente ao

apodrecimento ou fermentação. Assim, são fonte de

energia renovável e limpa, sendo resultado de combustível

sólido gerado a partir de biomassa florestal e

resíduos de processamento de madeira. Na Europa, os

pellets são utilizados em lareiras e sistemas de aquecimento,

evitando o uso recorrente de combustíveis

derivados do petróleo e evitando maiores danos ao

meio ambiente. “Existe uma perspectiva muito positiva

do mercado acerca do produto, visto que a nova

logística deu certo. A gente conseguiu fazer com que

tivesse sucesso nessa ponta a ponta. Toda a logística

desde a saída da produção, até a distribuição lá no

consumidor final europeu”, detalha sobre a logística,

Gilberto Birkhan.

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

43


MERCADO

CENÁRIO

POSITIVO

INDÚSTRIA DO PELLET

APRESENTA CRESCIMENTO

EM TODO MUNDO,

APOIADA EM NECESSIDADE

DE DESENVOLVIMENTO

SUSTENTÁVEL

FOTOS DIVULGAÇÃO

44 www.REVISTABIOMAIS.com.br


REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

45


MERCADO

O

s mercados industriais de pellets de madeira

vêm crescendo a uma taxa anual

de cerca de 1,66 milhão de toneladas

métricas por ano de 2010 a 2021. Esse

índice está sendo alcançado muito graças à preocupação

global com o meio ambiente, que fomenta a

busca de combustíveis oriundos de fontes renováveis

e do desenvolvimento sustentável.

Os pellets de madeira podem atuar de forma

complementar a outros modais renováveis como as

energias eólica e solar, que ainda buscam consolidação

como fonte elétrica primária a nível global.

“O Brasil pode ter um papel fundamental para as

mudanças climáticas em função da grande disponibilidade

de biomassa. Mas precisa dar exemplo

mundial em utilizar na matriz energética a biomassa

em substituição dos combustíveis fósseis como o

carvão, coque, gás natural e diesel por uma fonte

zero carbono como a biomassa de origem florestal

e da madeira”, explica Celso Oliveira, presidente da

ABIB Brasil (Associação Brasileira das Indústrias de

Biomassa, Bioenergia e Pellets) e diretor do Instituto

Brasileiro de Pellets.

Muitos países têm substituído o carvão por pellet

fuel de origem sustentável nas estações geradoras a

carvão existentes, em especial na Ásia e na Europa.

Ainda há expectativa que o Canadá e os EUA (Estados

Unidos da América) também possam estimular

políticas para a utilização desse tipo de fonte de

combustível. Essa tendência de aumento na procura

pelos pellets exige atenção para a oferta do produto

no mercado. Os principais usuários de produtos

florestais são os produtores de madeira, papel e

celulose, laminação, embalagens e compensados.

46 www.REVISTABIOMAIS.com.br


Os produtores de pellets utilizam os subprodutos

dessas indústrias e toras que não são adequadas

para eles. “O setor industrial brasileiro com interesse

na descarbonização precisa urgentemente mudar a

matriz energética para a biomassa. Temos hoje disponíveis

mais de 80 milhões de resíduos florestais e

da madeira e 1.100 bilhões de resíduos da agricultura

sem uso comercial no Brasil, que poderiam suprir

a demanda industrial de energia”, prossegue Celso

Oliveira.

A expectativa do mercado é que a demanda

aumente 8,9% de 2021 a 2022 e outros 14,8% de

2022 a 2023. Em 2023, uma nova demanda modesta

nos EUA e Canadá à medida que as políticas de

descarbonização evoluem. Japão e Alemanha devem

adicionar cerca de 1 milhão de toneladas por ano

de demanda em 2023. Já em um cenário em que as

políticas dos EUA, Alemanha e Japão evoluam nos

próximos 5 anos, a demanda por pellets pode crescer

a uma taxa anual de 3,73 milhões de toneladas.

“O poder público deveria

em primeiro lugar criar

uma legislação com

benefícios fiscais para a

produção e o consumo

de biomassa peletizada”

Celso Oliveira, presidente da ABIB Brasil

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47


MERCADO

BRASIL NO TOPO

No Brasil existem regiões com elevado potencial

de biomassa. No norte e nordeste existe um grande

volume de biomassa da agricultura, agroindustrial

e sucroenergético que poderiam ser convertidos

em energia. O Pará detém um volume expressivo

de resíduos como o açaí e a castanha e áreas do

extrativismo florestal que poderiam ser convertidas

em energia. No Maranhão existe o babaçu, no Ceará

o coco verde, Alagoas e Pernambuco os resíduos das

usinas e na Bahia há maciços florestais que geram

um grande quantitativo de biomassa que poderia ter

melhor aproveitamento.

Já o centro-oeste possui um grande indicativo

dos resíduos da agricultura como a palha do milho e

da soja e os plantios florestais que geram biomassa

que podem ser convertidos em energia. O mesmo

“Mas pelo potencial de

biomassa florestal e da

madeira existente na

região sul deveríamos

ter uma maior produção

industrial”

48 www.REVISTABIOMAIS.com.br


ocorre na região sudeste onde são encontrados

milhares de toneladas de resíduos do café, algodão

e amendoim. Minas Gerais e São Paulo detêm as

maiores florestas plantadas de eucalipto que geram

resíduos. Quando se trata do sul do Brasil nota-se

que existe um aproveitamento mediano dos resíduos

da agricultura e agroindustrial, que tem grande

disponibilidade no Paraná (milho, soja, feijão, trigo) e

no Rio Grande do Sul (casca de arroz). Por outro lado,

a biomassa de origem florestal e da madeira possui

um maior aproveitamento na produção de briquete

e de pellets. “Mas pelo potencial de biomassa florestal

e da madeira existente na região sul deveríamos

ter uma maior produção industrial. E não podemos

deixar de expor que existe na região um grande mercado

consumidor de pellets (setor avicultura, cerâmica,

hotelaria). O setor empresarial no sul do Brasil

trabalha na produção e no consumo, mas não detém

nenhum tipo de incentivo (tributário e financeiro)

dos poderes públicos”, adverte Celso Oliveira.

Dessa forma, a biomassa peletizada é o principal

produto do gênero de exportação do Brasil,

como ocorre em países como Portugal, Letônia e

no Vietnã. A Guerra entre Rússia e Ucrânia ainda

possibilita oportunidades para suprir o mercado

energético europeu. “O poder público deveria em

primeiro lugar criar uma legislação com benefícios

fiscais para a produção e o consumo de biomassa

peletizada e para que as empresas venham a mudar

a matriz energética por uma fonte zero carbono. Em

segundo lugar, deveria criar uma linha especial de

crédito de inovação para incentivar a produção de

pellets. E finalmente um envolvimento do Inmetro

com universidades para termos aqui um laboratório

para a certificação de qualidade dos pellets produzidos

no Brasil”, aponta Celso Oliveira.

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

49


EVENTO

BIOENERGIA

EM FOCO

FOTOS DIVULGAÇÃO

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EVENTO REÚNE ESPECIALISTAS

PARA DISCUTIR CENÁRIO

OTIMISTA E MERCADO

PROMISSOR PARA

INVESTIMENTOS NA ÁREA

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

51


EVENTO

A

XXVIII edição da FENASUCRO & AGRO-

CANA – maior evento mundial voltado

exclusivamente ao setor de bioenergia

— foi lançada oficialmente na última semana

de maio, com destaque para o cenário otimista

e mercado promissor, incentivados, principalmente,

pelos investimentos em sustentabilidade e novos

projetos industriais. “Com a demanda cada vez mais

forte por sustentabilidade, o setor de bioenergia se

prepara para uma escalada de investimentos, devido

ao crescimento de seus produtos e subprodutos”,

explica Paulo Montabone, diretor da feira. “Isso

porque, nos últimos anos, a indústria de bioenergia

investiu grande parte de seus recursos em manutenção

de seus equipamentos. Agora, novos projetos e

nichos de mercado ganham evidência e receberão

investimentos em larga escala, como é o caso da

construção de novas usinas de biogás, de etanol de

milho e de etanol de segunda geração”, completa o

diretor da feira.

Ainda segundo Montabone, o setor é referência

em sustentabilidade, principalmente com os

biocombustíveis. “Já são cerca de 70 países que

estão utilizando o biocombustível como mistura, por

exemplo. O que faz com que o volume de negociação

no mercado tenha um desempenho melhor e

mais favorável do que nos outros anos”, enfatiza.

Reflexo do otimismo e do momento positivo, a

feira já está com todos os espaços comercializados

e tem uma expectativa de gerar R $ 5 bilhões em

negócios, iniciados durante o evento. Mais de 42 mil

visitantes/compradores vindos de 15 países e todos

os Estados do Brasil, são aguardados.

Ambientalmente sustentável, a produção de

biogás a partir dos resíduos de cana-de-açúcar é

um novo ativo das usinas sucroenergéticas, atrai

novos investimentos e terá destaque na FENASUCRO

& AGROCANA 2022. De acordo com a ABIOGÁS,

atualmente o Brasil desperdiça 100 milhões de m³

(metros cúbicos) de metano renovável por dia, que

52 www.REVISTABIOMAIS.com.br


equivalem a 35% da energia elétrica consumida no

país e 70% do diesel. Um verdadeiro pré-sal caipira,

já que cada usina de cana-de-açúcar tem a escala de

um poço de petróleo do pré-sal.

Com o ambiente regulatório favorável para a

expansão do biogás, a meta da ABIOGÁS é chegar

à produção de 30 milhões de m³/dia até 2030, que

é 30% do potencial atual. “Assim como o biogás, o

etanol de segunda geração, bem como, o futuro

hidrogênio verde, estão viabilizando negócios. São

todos subprodutos da cana que voltam, agregando

dentro das indústrias valores que não existiam. Um

movimento fantástico do setor de bioenergia no

Brasil e, mais importante, demandando e exportando

nossa biotecnologia para o exterior”, enfatiza

Montabone.

A FENASUCRO & AGROCANA contará com quatro

macrossetores: Bioenergia, Agrícola (Agrocana),

Indústria e Transporte e Logística, que devem reunir

algo em torno de três mil produtos de marcas internacionais

e nacionais.

Em 2022, além das tradicionais rodadas de

negócios realizadas durante o evento, a FENASUCRO

& AGROCANA inova com o formato virtual destas

rodadas, que começa desde agora. Já que todo esse

intercâmbio está sendo viabilizado pela plataforma

TRENDS 2.0, por meio de encontros digitais acontecendo

como um aquecimento antes da feira.

Os eventos de conteúdo também estão confirmados

nos quatro dias de Feira, com a presença

de grandes e renomadas entidades do setor como

STAB, DATAGRO, UNICA, etc. A programação poderá

ser acompanhada pelo site da feira. “Sem contar

que teremos geração de conteúdo ao longo do ano

todo com a plataforma TRENDS 2.0. Com uma maior

interação e troca de experiências para a comunidade

da bioenergia. Com destaque para o mês de junho,

devido à realização do Agribusiness Summit, que tratará

sobre produção de alimentos e sustentabilidade”,

reforça o diretor da FENASUCRO & AGROCANA.

HÁ MAIS DE TRÊS DÉCADAS,

ESPECILIZADA EM EQUIPAMENTOS

PARA RECEPÇÃO, CLASSIFICAÇÃO,

PROCESSAMENTO, ARMAZENAGEM

E MOVIMENTAÇÃO DE BIOMASSA

TECNOLOGIA,

EFICIÊNCIA E

CONFIABILIDADE


ARTIGO

EFICIÊNCIA ENERGÉTICA

E EMPODERAMENTO

DAS SUAS POLÍTICAS

PÚBLICAS

54 www.REVISTABIOMAIS.com.br


VERÔNICA DIAS MOREIRA GALLOTTI

FOTOS DIVULGAÇÃO

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

55


ARTIGO

RESUMO

S

ustentável, sustentabilidade e desenvolvimento

sustentável são termos importantes e oportunos

atualmente, pois o ser humano por muitas

décadas usou desenfreadamente os recursos

naturais, desconsiderando as consequências ambientais.

Assim, muitas das intervenções humanas para atender às

suas necessidades acabaram colocando-o na situação de

ameaçar a sua própria permanência, pois a busca de um

desenvolvimento econômico sem precedentes, materializado

através de uma tecnologia cada vez mais voltada para

a acumulação econômica, traz consequências negativas ao

meio ambiente. A energia elétrica é um fator importante

para impulsionar o crescimento econômico, necessário à

melhoria de vida de grande parte da população mundial.

Para que o crescimento econômico e a proteção ambiental

não estejam dissociados, é necessário o seu envolvimento

com a evolução sustentável e com a busca e aprimoramento

de instrumentos para alcançá-lo. Com isso, este trabalho

tem o objetivo de mostrar a integração entre a política de

eficiência energética e ambiental em dois casos internacionais

que são uns dos mais avançados nesse aspecto e

o caso do Brasil, comparando-os. Procurou-se abordar a

reforma do setor elétrico, principalmente no que se refere

às implicações para a política de eficiência energética e

ambiental, ressaltando o valor da atuação do Estado como

regulador e regulamentador dos atos que dizem respeito

a essas políticas. Por fim, concluiu-se que a política de

eficiência energética requer a união de parcerias do setor

público com o setor privado e que a participação social

também é indispensável para a melhoria da eficiência,

além de elucidar sugestões de programas de eficiência

energética para o Brasil.

Palavras-chaves: Eficiência Energética, Política pública,

Sustentabilidade, Desenvolvimento Sustentável.

INTRODUÇÃO

Por muito tempo, a economia global enxergou o

planeta como uma fonte infinita de recursos, isso quer

dizer, como um subsistema dessa economia. A energia é

necessária para a produção, transporte, uso final e descarte

de qualquer bem ou serviço. Muitas de nossas necessidades

são supridas por serviços energéticos: iluminação,

refrigeração, condicionamento ambiental e tratamento de

água e esgoto, entre outros. Por isso, a energia é essencial

para o desenvolvimento humano de um país.

Nos países desenvolvidos, o principal motivo para

que haja implementação de eficiência energética é por

causa dos benefícios ambientais que essa implementação

traz, já que cada vez mais o conceito de sustentabilidade

é bem-visto pela população. O conceito do programa de

Eficiência Energética Sustentável é baseado no tripé: eficiência

energética, sustentabilidade e política energética,

que deve ser articulado de forma integrada, com apoios

sincronizados de forma a obter os benefícios pretendidos.

A relação entre programas de eficiência (água, energia,

reciclagem) proporciona a economia de recursos naturais.

Quando se investe em eficiência energética, há um retorno

de cerca de 20 a 25% dos recursos no curto prazo e no longo

prazo pode existir mais de 100% de retorno, além dos

ganhos ambientais. Para que haja consolidação, sucesso e

melhoria da eficiência na política, deve-se ter uma união

do setor público, setor privado e a participação social. As

últimas décadas do século 20 foram de transformações

com o uso mais consciente dos recursos naturais, refletindo

tanto nas políticas públicas quanto nas exigências da

população. Após décadas de consumo sem consciência,

causou esgotamento de recursos naturais e desconsideração

com as consequências ambientais. Nesse campo, o

setor energético passa a ser muito importante por causa

dos efeitos negativos ao meio ambiente e às populações,

causados por projetos de grande porte, desperdício, ineficiência

de sua produção e de uso.

As causas que incentivam um país a estabelecer

programas de eficiência energética são, principalmente,

de ordem econômica (diminuição de custos) e energético

(segurança no suprimento de energia elétrica). A maioria

dessas são subordinadas ao Ministério do Meio Ambiente

e órgãos afins, e seus objetivos centrais são: promover a

melhoria da qualidade de vida das populações e do meio

ambiente, através de programas de eficiência energética,

como o estímulo ao uso de fontes renováveis de energia,

incentivos financeiros para isolamento térmico, etc). Alguns

exemplos são a Australian Greenhouse Office (AGO),

Office of Energy Efficiency and Renewable Energy (EERE),

Energy Saving Trust (EST), a Agence de l’Environement et la

Matrise de Energie (ADEME) –, entre outras.

OBJETIVO

O objetivo deste trabalho é avaliar o que os países

têm feito para mudar a situação de consumo desenfreado,

principalmente após as reformas do setor elétrico ocorridas

majoritariamente nos anos 90 nos países citados neste

trabalho. Introduzir os conceitos de eficiência energética,

política energética, desenvolvimento e sustentabilidade,

diferenciando-os. Para chegar à abordagem de alguns

56 www.REVISTABIOMAIS.com.br


equisitos/prerrogativas necessários para a implementação

da eficiência energética, principalmente no Brasil, como

instrumento de política ambiental ou de desenvolvimento

sustentável e trazendo as medidas de eficiência energética

que têm sido adotadas em dois casos internacionais, Reino

Unido e Estados Unidos.

METODOLOGIA

O trabalho segue a metodologia exploratória de coleta

de informações e de dados para seu desenvolvimento e

obtenção de resultados (MOTA-ROTH e HENDGES, 2010).

Utiliza-se levantamentos em fontes secundárias, com

informações bibliográficas e documentais e tem o objetivo

de reunir informações sem intenção de testar hipóteses.

Um levantamento bibliográfico foi feito a partir de autores

consagrados, pesquisas em órgãos da área de sustentabilidade

energética, desenvolvimento energético e realizado

marcando conceitos, pensamentos e abordagens, apresentados

em forma de discussão e contraposição dos registros

dos autores pesquisados, buscando-se delimitar em definições

os conceitos de sustentabilidade, desenvolvimento e

política energética. Além de estabelecer uma proposta de

requisitos para a implementação da eficiência, formatação

para o objeto principal de análise deste trabalho, através

dos estudos das regulamentações do setor elétrico, implementadas

no final do século XX e início do século XXI.

EFICIÊNCIA ENERGÉTICA, SUSTENTABILIDADE E

DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

O conceito de eficiência energética tem sido cada vez

mais discutido e aplicado devido à mudança de conscientização

com os recursos naturais. A definição de eficiência

energética exprime produzir mais, ou no mínimo o mesmo,

com menos, continuando com as mesmas características

de antes, como por exemplo sua qualidade.

O objetivo de toda política energética deve ser contribuir

para o desenvolvimento sustentável da sociedade.

Para ter o aumento da eficiência energética e uma efetiva

transformação no futuro, deve haver a implementação de

políticas efetivas de energias e demais programas com

desenvolvimento de tecnologia, instrumentos, transferência

de conhecimento, existindo, assim, esforços contínuos

de pesquisa e desenvolvimento em tecnologias e práticas

para aumento da eficiência energética.

Mesmo com o conceito de desenvolvimento sustentável

sendo cada vez mais reconhecido e imprescindível,

existe, ainda, uma contrariedade entre a teoria e a maioria

das ações existentes a esse respeito. Na prática, ainda ocorre

a prioridade para o crescimento econômico através do

consumo crescente de bens e da exploração dos recursos

naturais não renováveis.

É importante diferenciar os conceitos de sustentabilidade

e desenvolvimento. Sustentabilidade de acordo com

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

57


ARTIGO

Horbach (2005) e Dempsey et al. (2011) é a reunião de três

tipos de interesses simultâneos e em equilíbrio, compreendendo

o aspecto ambiental, econômico e social. Já

para Faber, Jorna e Van Engelen (2005) a sustentabilidade

compreende um equilíbrio e as interações mútuas entre o

objeto e seu ambiente de apoio, sem efeitos prejudiciais a

ambos.

Enquanto o conceito de desenvolvimento sustentável

é “aquele que atende às necessidades do presente

sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras

atenderem às suas próprias necessidades” (WCED, 1987,

p. 19). O termo, desenvolvimento sustentável, refere-se a

uma série de processos e práticas, envolvendo ação, e tem

como foco melhorar a qualidade da vida humana (WCED,

1987; BLEWITT, 2008; UNSGHLPS, 2012), fornecendo uma

visão de longo prazo “[…] para erradicar a pobreza, reduzir

a desigualdade e tornar o crescimento inclusivo, e produção

e consumo mais sustentável” (UNSGHLPS, 2012, p. 6).

Portanto, para alcançar a sustentabilidade de um determinado

sistema, necessita-se da utilização do processo de

desenvolvimento sustentável.

Conforme o consumo de energia cresce na maioria dos

países desenvolvidos e em muitos países em desenvolvimento,

devido ao crescimento populacional e pela maior

demanda das populações pelo uso da energia, existem

duas preocupações principais relacionadas ao crescimento

do consumo de energia. A primeira refere-se à viabilização

do atendimento dessa demanda crescente e, a outra, à

sustentabilidade ambiental desse processo.

Para que produza a mesma quantidade de bens,

utilizando-se de menor quantidade de energia e consequentemente

menos recursos naturais, deve-se utilizar a

energia de forma mais eficiente e priorizar o uso de energia

proveniente de fontes renováveis, tais como a hidráulica,

biomassa, solar, eólica, fotovoltaica, entre outras.

O uso eficiente dos recursos é importante tanto pelo

lado ambiental como pelo econômico, utilizar a energia

de forma ineficiente proporciona prejuízos em qualquer

economia resultando em impactos ambientais de nível

local, regional e global. O sistema de energia sustentável se

inicia pelo uso eficiente dos recursos (como: usá-los com

sabedoria) e continua com o aumento do uso de recursos

renováveis e o uso controlado de não renováveis em

tecnologias avançadas.

O uso mais eficiente dos recursos naturais apresenta

importantes vantagens como: desaceleramento do seu

esgotamento e diminuição da poluição. Com essas vantagens,

podem resultar custos mais baixos para as empresas

e para a sociedade, que não precisará arcar com os custos

das perturbações sociais e ambientais no futuro.

O desenvolvimento no progresso da eficiência energética

diminui a necessidade de aumentar a capacidade

geradora e novos investimentos, assim, libera recursos para

empregar em medidas de proteção ambiental, de segurança,

melhoria das geradoras já existentes, em tecnologias

limpas, entre outras.

Na área do setor energético, a sustentabilidade

demanda significativas mudanças no campo da geração,

na distribuição e no uso final da energia. Com isso, há o

consumo maior de fontes renováveis e a diminuição do

uso de combustíveis fósseis na matriz energética em nível

mundial. Reis e Silveira (2000, p. 37) citam algumas propostas

energéticas para o desenvolvimento sustentável:

• Diminuição do uso de combustíveis fósseis e maior

uso de tecnologias e combustíveis renováveis;

• Aumento da eficiência do setor energético desde a

produção até o consumo;

• Mudanças no setor produtivo visando o aumento da

eficiência no uso dos materiais, transporte e combustíveis;

• Desenvolvimento tecnológico do setor energético, na

perspectiva de encontrar alternativas ambientais benéficas.

• Redefinição das políticas energéticas aspirando, por

um lado, ao favorecimento da formação de mercados para

tecnologias ambientalmente benéficas e, por outro lado,

à cobrança dos custos ambientais de alternativas não

sustentáveis;

• Incentivo ao uso de combustíveis menos poluentes.

Crescentemente, as tomadas de decisões nas políticas

de desenvolvimento são influenciadas por questões ambientais.

Isso acontece por causa de forças legais, econômicos,

normativos e acordos internacionais, conjuntamente

pela necessidade do próprio meio ambiente, que tem

mostrado exaustão dos recursos, desastres ambientais,

aumento dos custos ambientais e danos à saúde devido às

intervenções que direta ou indiretamente contribuem para

a sua degradação.

Além da iniciativa dos governos de estabelecerem

políticas públicas, devem, também, ser estimuladas as

iniciativas que objetivem provocar um novo comportamento

em relação ao meio ambiente, buscando uma

mudança cultural nas sociedades, para que o uso seja mais

consciente. Isto pode ser alcançado, por exemplo, por

meio de maciças campanhas educativas, marketing, lobby.

Estas práticas são consideradas como política pública, pois

trabalham em prol da sociedade como um todo.

58 www.REVISTABIOMAIS.com.br


Bursztyn (2001, p. 69-75) indica, além de um Estado

atuante e a participação da sociedade nas decisões públicas,

outros três fatores em que as políticas públicas podem

e devem atuar em prol do desenvolvimento sustentável,

são:

• Intervenção reguladora do Estado de modo a ambientalizar

as decisões baseadas exclusivamente em fatores

econômicos;

• Inserção da dimensão ambiental na educação, de

modo a conscientizar a sociedade;

• E combate à exclusão social.

Na Grã-Bretanha temos o caso de organizações

ambientais privadas. São associações civis voluntárias,

privadas com fins públicos e, assim, aptas a participarem

da formulação e implementação de políticas públicas. Existem

outros casos, como nos países europeus e na América

do Norte, onde há a participação de partidos verdes. O

objetivo desses partidos era buscar mudanças sociais fundamentais

e de amplo espectro, enfatizando as questões

ambientais, criados particularmente para representar um

eleitorado mais responsável com as questões ambientais.

“O Brasil, por mais

que tenha elaborado

um plano nacional de

Eficiência Energética

em 2011, não

implementou medidas

efetivas para promover

a utilização racional de

energia”

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REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

59


ARTIGO

CONCLUSÃO

Este trabalho tem como importância mostrar a diferenciação

entre sustentabilidade, desenvolvimento sustentável,

eficiência energética, política energética, entre outros

conceitos inseridos atualmente para um desenvolvimento

mais sustentável.

Também mostrou que devido às mudanças no setor

elétrico, tanto brasileiro quanto mundial, e a introdução

do mercado competitivo, o meio ambiente entra como um

elemento imprescindível de diferenciação. Por exemplo,

caso uma empresa tenha preocupações com o meio

ambiente, sustentabilidade ambiental, eficiência energética

e atendimento às necessidades sociais com certeza

se diferenciará das demais, por conta dessa consciência

ambiental.

Essas mudanças de conscientização ambiental datam,

principalmente, na década de 90, conforme explicado ao

longo do trabalho, quando se deu o Acordo de Mudanças

Climáticas na Rio-92. Essa época foi caracterizada pelas

reformas do setor elétrico de alguns países, neste trabalho

foram apresentadas as reformas do Reino Unido, EUA

(Estados Unidos da América) e Brasil. Foi ilustrado que para

a abertura do mercado competitivo, o Estado deverá atuar

tendo papel regulamentador das ações que, de alguma

forma, interfiram no meio ambiente e/ou na vida da sociedade.

A realização da eficiência energética altera valores

e comportamentos sociais, o que exige – além da regulamentação

e fiscalização, atividades inerentes ao poder

público – a necessidade de incentivar economicamente

aqueles que aderirem aos programas de eficientização, ou

inserir desincentivos econômicos para aqueles que não

colaborarem. Esses incentivos se dão através dos incentivos

fiscais e financeiros.

A implementação de instrumentos econômicos por

meio de criação de incentivos financeiros e fiscais acarretam

maior facilidade de implementação de eficiência

energética com redução de consumo, menor gasto público

(energia, meio ambiente, saúde, etc.). Os instrumentos econômicos

favorecem aquelas pessoas/empresas que ainda

não se motivaram para as ações de eficientização, mas que

passam a adotarem por meio de incentivos.

Como visto, a legislação do Reino Unido, instituída em

2001, prioriza a eficiência energética no setor residencial

e está intrinsecamente ligada às questões ambientais. Em

termos legais, a legislação americana é bastante avançada

em eficiência energética, tendo sido instituída desde a

década de 1970 e desde então, vem sendo constantemente

atualizada.

A experiência internacional evidencia o apoio dos

governos às ações de eficiência energética na indústria.

Alguns exemplos são treinamento e disponibilização

de informações, renúncia fiscal, condições especiais de

financiamento, imposição de níveis mínimos de eficiência

e obrigatoriedade de avaliação e monitoramento do

consumo de energia. Todas essas medidas podem ser

implementadas ou intensificadas no Brasil.

Cabe ressaltar que embora esses países adotem cada

vez mais políticas de eficiência energética, ainda pode se

conseguir melhoras substanciais se forem implementadas

políticas complementares. A introdução dos programas de

eficiência energética induz investimentos em processos industriais

avançados, iluminação, aparelhos mais eficientes,

veículos movidos a combustíveis mais eficientes, tecnologias

de energias renováveis, usinas de geração de energia

mais limpas, entre outras.

Com a reestruturação do setor energético brasileiro,

faz-se necessário uma atuação mais incisiva por parte das

políticas e de meio ambiente e de energia, de forma que

as ações de eficiência energética também passem a fazer

parte da nova política energética e da instrumentação

de planejamento e gestão ambiental. Até o momento, o

foco das políticas públicas em eficiência energética tem

sido os consumidores residenciais. A participação do setor

industrial nos programas e financiamentos é muito pequena.

Porém, a indústria é o maior consumidor de energia

e, desta forma, é um setor com grande potencial para

contribuir para o alcance da meta assumida pelo governo

brasileiro no âmbito do acordo da ONU firmado em 2015

“Por muito tempo,

a economia global

enxergou o planeta

como uma fonte

infinita de recursos,

isso quer dizer, como

um subsistema dessa

economia”

60 www.REVISTABIOMAIS.com.br


sobre mudanças climáticas. Um dos poucos programas

que é destinado para a indústria no Brasil é o Programa

Rota 2030, que tem como público-alvo o setor automotivo.

O programa tem o objetivo de zerar a alíquota que

existia sobre as importações de produtos que não tinham

componentes similares sendo feitos no Brasil. Com a

contrapartida de que os mesmos recursos (2% do valor dos

componentes importados) serão obrigatoriamente aplicados

nos seis projetos prioritários definidos pelo Conselho

Gestor. Esse valor vai ser investido, de forma anual, em P&D

(Pesquisa e Desenvolvimento).

O Brasil, por mais que tenha elaborado um plano nacional

de Eficiência Energética em 2011, não implementou

medidas efetivas para promover a utilização racional de

energia. Assim como em países desenvolvidos internacionais,

o Brasil deve implantar medidas para encorajar o crescimento

econômico a partir de investimento em eficiência

energética, mostrando como novos modelos de negócio,

inovações tecnológicas e medidas de economia de energia

podem aumentar a competitividade das empresas. Alguns

exemplos de medidas que poderiam ser implementadas

são disponibilizar mecanismos de financiamento para

a Eficiência Energética, classificar as instalações industriais

de acordo com sua eficiência, permitindo, assim, a

comparação com outras instalações similares no país da

mesma maneira que faz com os equipamento domésticos,

determinar padrões mínimos obrigatórios de eficiência

energética para um maior número de equipamentos,

estipular padrões regulatórios de conservação e gerenciamento

energéticos dos processos industriais, disponibilizar

sessões de treinamentos em medidas de conservação de

energia. Assim, o país irá se encaminhar para uma união

possível entre política ambiental e energética, como nos

casos internacionais apresentados. Porém para isso o país

deverá ter vontade política, competência técnica, mobilização

social, economicidade, sustentabilidade das políticas,

entre outras condições.

Link de acesso: https://www.nucleodoconheci-

mento.com.br/engenharia-eletrica/energetica-

-e-empoderamento

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA

61


AGENDA

JUNHO 2022

ECOENERGY

Data: 7 a 9

Local: São Paulo (SP)

Informações: feiraecoenergy.com.br/16/

DESTAQUE

SENDI VITÓRIA

Data: 21 a 24

Local: Serra (ES)

Informações: www.sendi.org.br/

AGOSTO 2022

Imagem: divulgação

XIII CONGRESSO BRASILEIRO DE

PLANEJAMENTO ENERGÉTICO

Data: 24 a 26

Local: Formato híbrido

Informações: www.xiiicbpe.com.br/

SETEMBRO 2022

ENERGY SOLUTIONS SHOW

Data: 27 a 29

Local: São Paulo (SP)

Informações: www.energysolutionsshow.com.br/

pt/home.html

OUTUBRO 2022

BRAZIL WINDPOWER

Data: 18 a 20

Local: São Paulo (SP)

Informações: https://www.brazilwindpower.com.br/

pt/home.html

FENASUCRO & AGROCANA

Data: 16 a 19 de agosto

Local: Sertãozinho (SP)

Informações:

www.fenasucro.com.br/pt-br.html

A Fenasucro & Agrocana, uma das maiores

e mais engajadas comunidades do setor

de bioenergia do mundo, reúne marcas e

profissionais dos principais pilares da matriz

energética e de todos os elos da cadeia

produtiva de bioenergia. Durante 365 dias ao

ano a marca cria experiências, apresenta tendências,

facilita networking e oferece conteúdo

técnico e profissional. Através de pesquisas

periódicas realizadas junto à comunidade,

a Fenasucro & Agrocana entende e prioriza

os mais importantes interesses de cada elo

da cadeia produtiva para oferecer conteúdo,

produtos e soluções que se encaixam melhor

a cada fase do ano em suas diversas plataformas

– sejam presenciais ou digitais.

62 www.REVISTABIOMAIS.com.br


Evento online

De 12 a 15 de julho 2022

Estúdio de transmissão: Auditório do IBAMA Sede - Brasília(DF)

www.congressoflorestal-cfb.com.br

REALIZAÇÃO

PATROCÍNIOS CONFIRMADOS

-ES

EMPRESAS ORGANIZADORAS


OPINIÃO

Foto: divulgação

SUSTENTABILIDADE:

PREOCUPAÇÃO E

VERDADE NAQUILO

QUE FAZEMOS

S

oluções sustentáveis não podem ser enfeites em

eventos. A sustentabilidade não pode ser usada

como uma vitrine para a mídia, mas deve ser uma

verdade e uma conduta para que as pessoas a experimentem

e vivenciem, de modo a difundir essa cultura para o

maior número de indivíduos.

Meu grande legado é fazer da sustentabilidade algo natural,

trazendo esse conceito para perto de mim, da empresa

em que trabalho e de todas as pessoas que conheço, desmistificando-a

como algo distante e impossível e que só serviria

se fosse impecável. Para mim, sustentabilidade é tudo aquilo

que está ao nosso alcance, que pode e deve ser feito para

não agredir (ou, muitas vezes, para agredir menos) o meio

ambiente. Neste ano, participamos da Agrishow, uma das

maiores feiras agrícolas do mundo. Os eventos corporativos

e feiras se tornam uma grande oportunidade para que as

empresas participantes promovam e instituam suas opções

sustentáveis no momento de expor.

Muito diferente de uma ação greenwashing, temos uma

preocupação e uma verdade naquilo que fazemos, e não

divulgamos isso, porque não é sobre marketizar, é sobre

viver o que se propõe e acredita. Por isso, neste artigo estou

dividindo um pouco das minhas escolhas, com o intuito de

incentivar outros executivos que também possam surfar nesta

onda. Torna-se tudo muito fácil depois que é assimilado no

cotidiano.

Para começar, a questão não é somente com quais

materiais se faz o estande, mas sim o que se faz com todo o

material depois que a feira acaba. Onde se joga tudo e o que é

reaproveitado. É um novo mindset. Nesta feira, nosso estande

foi construído com algumas alternativas ecofriendly, com o

uso de estruturas de madeira de reflorestamento, compensados,

painéis de material reciclado e mantas, entre outras

preferências de materiais. Tudo foi construído de maneira

sustentável? Não, muita coisa infelizmente não tem material

disponível no mercado para substituição e muito menos com

valores absorvíveis dentro do budget para o evento. Também

não permito que a aparência seja rústica ou alternativa demais.

As pessoas confundem o sustentável com alternativo.

Mas esse não é o diferencial que desejo explorar. Isso é

apenas o compartilhamento das minhas escolhas.

O importante é que, como temos muitos eventos dentro

do nosso planejamento este ano, todo o material que usamos,

na estrutura e decoração, será reaproveitado nos demais que

faremos; assim, no término de cada evento não jogaremos

tudo fora tendo de fazer de novo no seguinte. Isso é uma

mudança e um diferencial.

Quanto aos resíduos gerados, o lixo, tudo foi separado e,

em parceria com ONGs locais, foi recolhido e distribuído. Na

comunicação visual, foram utilizadas bases de tecidos pet

reciclados, impressos por sublimação, o que visualmente não

mostra alteração – como já mencionei, não marketiza e não

sinalizamos isso, mas é nossa contribuição consciente ao meio

ambiente.

Sobre A&B, como nossa empresa tem o DNA da brasilidade

como um de seus pilares, sempre optamos por diferentes

experiências que remetam a diferentes cantos do Brasil.

Optamos por um coffee break orgânico e o principal: de produção

local. Assim, valorizamos e incentivamos o consumo e

a produção local, sem falar na geração de emprego. Isso deve

ser uma preocupação de todos.

Para os nossos brindes, como tratava-se de uma feira

agro, criamos uma versão moderna do embornal. O embornal

era usado antigamente por andarilhos para o transporte de

alimentos e sementes. Então, criamos um modelo estilizado

para o nosso brinde, com material de tecido pet, e também

oferecemos copos de fibra de coco. Hoje todo o material foi

desmontado e encaminhado para receber ajustes e limpezas

para a próxima montagem. Agora, o melhor e mais importante

de tudo: não gastamos absolutamente nem um centavo a

mais por fazer essas escolhas.

Acho que a mudança do mundo é esta. Todo mundo faz

um pouco, o que está ao seu alcance e, assim, um pouco vira

muito.

Por Daniela Robledo

Diretora de Marketing na empresa SOL Copérnico Energias Renováveis

66 www.REVISTABIOMAIS.com.br


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SERRAS E FACAS INDUSTRIAIS

Unidos por um propósito: fornecer facas de

alta performance para a maior atividade

produtiva do Brasil - o Agronegócio.

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