Revista Newslab Edição 172
Revista Newslab Edição 172 - A Mídia Oficial do Diagnóstico Laboratorial Edição Julho 2022 www.newslab.com.br
Revista Newslab Edição 172 - A Mídia Oficial do Diagnóstico Laboratorial
Edição Julho 2022
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A Mídia Oficial do Diagnóstico Laboratorial<br />
Ano 29 - <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> - Julho 2022<br />
PRA QUEM<br />
ESTÁ SEMPRE<br />
EM MOVIMENTO,<br />
O FUTURO É<br />
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O constante movimento da Labtest<br />
em prol da vida se reflete cada vez<br />
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Pesquisa e Desenvolvimento, inovação<br />
e tecnologia. Não à toa, nestes 50 anos,<br />
vem preparando não só os alicerces da<br />
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Editorial<br />
Ano 29 - <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> - Julho 2022<br />
Prezado leitor,<br />
Aqui está mais uma edição preparada com muito<br />
entusiasmo para você.<br />
Também como destaque, em nossa coluna Direito e<br />
Saúde, discorremos sobre O DIREITO DO CONSUMIDOR<br />
E O LABORATÓRIO DE ANÁLISES CLÍNICAS.<br />
Apesar do pandemônio de viroses que teima em nos<br />
ameaçar, os eventos presenciais foram retomados<br />
com muito sucesso. Feiras, eventos e congressos<br />
importantíssimos marcaram o primeiro bimestre do<br />
mercado diagnóstico.<br />
E nós da NewsLab estamos fazendo o acompanhamento<br />
e levando tudo para você, caro leitor, sempre em<br />
primeira mão.<br />
Para esta edição, trazemos a cobertura do evento<br />
DIGITAL DAY da empresa alemã QIAGEN,<br />
multinacional líder em tecnologia para diagnósticos<br />
moleculares, que reuniu executivos e lideranças<br />
do setor para apresentar os benefícios da inovação<br />
às pesquisas e diagnósticos do país. A Nova Era da<br />
PCR, PCR digital, o QIAcuity, um sistema preciso e<br />
moderno que promete revolucionar o ecossistema<br />
de pesquisas e estudos relacionados aos diagnósticos<br />
laboratoriais do país.<br />
Nossa especialista em informações médicas, Andreza<br />
Martins, preparou para esta edição um artigo<br />
extraordinário sobre A IMPORTÂNCIA DA VITAMINA<br />
DE SUA DOSAGEM.<br />
Gostaríamos também de convidá-lo a visitar nossos<br />
canais on-line, todos estão de cara nova e cheios de<br />
novidades. No último ano, mais que dobramos nossa<br />
quantidade de leitores e seguidores on-line e convidamos<br />
você a fazer parte desse crescimento conosco.<br />
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atualizado com as últimas notícias. Por lá, você<br />
fica sabendo sobre as novidades de eventos,<br />
parcerias, produtos e trabalhos ligados à<br />
medicina diagnóstica.<br />
Curta, acompanhe nossos canais e compartilhe sua<br />
opinião conosco. A <strong>Revista</strong> NewsLab quer estar cada<br />
vez mais on-line e mais próxima de você!<br />
Luciene Almeida<br />
Editora Chefe<br />
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Ano 29 - <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> - Julho 2022<br />
NewsLab - Tel.: (11) 98357-9843<br />
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EXPEDIENTE<br />
Realização: NEWSLAB<br />
Conselho Editorial: Sylvain Kernbaum | revista@newslab.com.br<br />
Jornalista Responsável: Luciene Almeida | redacao@newslab.com.br<br />
Assinaturas: Daniela Faria (11) 98357-9843 | assinatura@newslab.com.br<br />
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<strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022
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Normas de Publicação<br />
para artigos e informes de mercado<br />
A <strong>Revista</strong> <strong>Newslab</strong>, em busca constante de novidades em divulgação científica, disponibiliza abaixo as normas para<br />
publicação de artigos, aos autores interessados. Caso precise de informações adicionais, entre em contato com a redação.<br />
A Mídia Oficial do Diagnóstico Laboratorial<br />
Ano 29 - <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> - Julho 2022<br />
Informações aos Autores<br />
A <strong>Revista</strong> <strong>Newslab</strong>, em busca constante de novidades<br />
em divulgação científica, disponibiliza abaixo as normas<br />
para publicação de artigos, aos autores interessados. Caso<br />
precise de informações adicionais, entre em contato com<br />
a redação.<br />
Informações aos autores<br />
Bimestralmente, a <strong>Revista</strong> NewsLab publica editoriais,<br />
artigos originais, revisões, casos educacionais, resumos de teses<br />
etc. Os editores levarão em consideração para publicação toda e<br />
qualquer contribuição que possua correlação com as análises<br />
clínicas, a patologia clínica e a hematologia.<br />
Todas as contribuições serão revisadas e analisadas pelos<br />
revisores. Os autores deverão informar todo e qualquer<br />
conflito de interesse existente, em particular aqueles de<br />
natureza financeira relativo a companhias interessadas<br />
ou envolvidas em produtos ou processos que estejam<br />
relacionados com a contribuição e o manuscrito apresentado.<br />
Acompanhando o artigo deve vir o termo de compromisso<br />
assinado por todos os autores, atestando a originalidade do<br />
artigo, bem como a participação de todos os envolvidos.<br />
Os manuscritos deverão ser escritos em português, mas com<br />
Abstract detalhado em inglês. O Resumo e o Abstract deverão<br />
conter as palavras-chave e keywords, respectivamente.<br />
As fotos e ilustrações devem preferencialmente ser<br />
enviadas na forma original, para uma perfeita reprodução.<br />
Se o autor preferir mandá-las por e-mail, pedimos<br />
que a resolução do escaneamento seja de 300 dpi’s, com<br />
extensão em TIF ou JPG.<br />
Os manuscritos deverão estar digitados e enviados<br />
por e-mail, ordenados em título, nome e sobrenomes<br />
completos dos autores e nome da instituição onde o estudo<br />
foi realizado. Além disso, o nome do autor correspondente,<br />
com endereço completo fone/fax e e-mail também<br />
deverão constar. Seguidos por resumo, palavras-chave,<br />
abstract, keywords, texto (Ex: Introdução, Materiais e<br />
Métodos, Parte Experimental, Resultados e Discussão,<br />
Conclusão) agradecimentos, referências bibliográficas,<br />
tabelas e legendas.<br />
As referências deverão constar no texto com o sobrenome<br />
do devido autor, seguido pelo ano da publicação, segundo<br />
norma ABNT 10520.<br />
As identificações completas de cada referência citadas no<br />
texto devem vir listadas no fim, com o sobrenome do autor em<br />
primeiro lugar seguido pela sigla do prenome. Ex.: sobrenome,<br />
siglas dos prenomes. Título: subtítulo do artigo. Título do livro/<br />
periódico, volume, fascículo, página inicial e ano.<br />
Evite utilizar abstracts como referências. Referências<br />
de contribuições ainda não publicadas deverão ser<br />
mencionadas como “no prelo” ou “in press”.<br />
Os trabalhos deverão ser enviados ao endereço:<br />
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A/C: Luciene Almeida – Redação<br />
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Pelo e-mail: redacao@newslab.com.br<br />
Ou em http://www.newslab.com.br/publique/<br />
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Contato<br />
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vários canais de comunicação para você, nosso leitor.<br />
REDAÇÃO: : Rua Doutor Guilherme Bannitz, 126, 8º Andar - Conj. 81 CV: 10543 Itaim Bibi, São Paulo, SP, 04532-060.<br />
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ordem alfabética<br />
Ano 29 - <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> - Julho 2022<br />
ANUNCIANTE PÁG. ANUNCIANTE PÁG.<br />
BASE CIENTÍFICA 09<br />
BECKMAN (DIV. LIFE SCIENCE) 06-07<br />
BIOCON 17<br />
BIOLAB BRASIL 03<br />
BIOMEDICA 13<br />
BUNZL SAUDE 21<br />
CELLAVISION 19<br />
DB<br />
4ª CAPA<br />
DIAGNO 159<br />
EBRAM 97<br />
ELBER GELADEIRA 29<br />
ERBA 53<br />
EUROIMMUN 69<br />
FIRSTLAB 83<br />
GREINER 195<br />
GRIFOLS 05<br />
GT GROUP BIOSUL 101<br />
GUPO PRIME<br />
3ª CAPA<br />
HAGELAB 143<br />
HAMILTON 57<br />
HERMES PARDININI 64-65<br />
HORIBA 2ª CAPA | 153<br />
INVITRO 60-61 | 133<br />
KOLPLAST 109<br />
LAB REDE 139<br />
LABMIG 75<br />
LABOR LINE 125<br />
LABTEST CAPA | 73<br />
LUMIRADX 113<br />
MOBIUS 87<br />
MP BIOMEDICALS 11<br />
NEWPROV 25<br />
NIHON KOHDEN 78-79 | 103<br />
PENSABIO 161<br />
PNCQ 157<br />
RENYLAB 119<br />
SARSTEDT 129<br />
SBAC 171<br />
SBM 173<br />
SBPC 178-179<br />
SHIFT 34-35-36-37-38<br />
SNIBE 95<br />
TBS BIDINGSITE 91<br />
VEOLIA 149<br />
VIDA BIOTECNOLOGIA 41<br />
WAMA 49<br />
ZYBIO 45<br />
ZYMO 15<br />
Conselho Editorial<br />
Prof. Humberto Façanha da Costa filho - Engenheiro, Mestre em Administração e Especialista em Análise de Sistemas | Dr. Dan Waitzberg - Associado do Departamento de Gastroenterologia da Fmusp. Diretor Ganep Nutrição<br />
humana | Prof. Angela Waitzberg - Professora doutora livre docente do departamento de patologia da UNIFESP | Prof. José de Souza Andrade Filho - Patologista no hospital Felício Rocho BH, membro da academia Mineira<br />
de Medicina e Professor de Patologia da Faculdade de Ciências Médicas do Minas Gerais | Fábia Regina Severiano Bezerra - Biomédica. Especialista em Gestão de Contratos pela Universidade Corporativa da Universidade de São<br />
Paulo. Auditora em Sistemas de Gestão da Qualidade: ISO 9001:15 e NBR ISO 14001:15, Organização Nacional de Acreditação (ONA). Auditora Interna da Divisão de Laboratórios do Hospital das Clínicas da Faculdade Medicina da<br />
Universidade de São Paulo | Luiz Euribel Prestes Carneiro – Farmacêutico-Bioquímico, Depto. de Imunologia e de Pós-Graduação da Universidade do Oeste Paulista, Mestre e Doutor em Imunologia pela USP/SP | Dr. Amadeo<br />
Saéz-Alquézar - Farmacêutico-Bioquímico | Prof. Dr. Antenor Henrique Pedrazzi – Prof. Titular e Vice-Diretor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto - USP | Prof. Dr. José Carlos Barbério – Professor Emérito da<br />
USP | Dr. Silvano Wendel – Banco de Sangue do Hospital Sírio-Libanês | Dr. Paulo C. Cardoso De Almeida – Doutor em Patologia pela Faculdade de Medicina Da USP | Dr. Zan Mustacchi – Prof. Adjunto de Genética da Faculdade<br />
Objetivo/UNIP | Dr. José Pascoal Simonetti – Biomédico, Pesquisador Titular do Depto de Virologia do Instituto Oswaldo Cruz - Fiocruz - RJ | Dr. Sérgio Cimerman – Médico-Assistente do Instituto de Infectologia Emílio Ribas e<br />
Responsável Técnico pelo Laboratório Cimerman de Análises Clínicas.<br />
Colaboraram nesta <strong>Edição</strong>:<br />
Humberto Façanha, Louise Fabri, Fábia Bezerra, Gleiciere Maia Silva, Jorge Luiz Silva Araújo-Filho, Luiz Arthur Calheiros Leite, Helena Varela de Araújo, Rafaele Loureiro, Bruna Garcia Nogueira, Fabiano de Abreu,<br />
Suzimara Tertuliano, Luciane Sarahyba, Cesar Higa Nomura, Giovanni Guido Cerri, Délio J. Ciriaco de Oliveira, André Márcio Murad, Diego Lourenço Rodrigues, Leonardo de Paula Souza, Luiz Felipe da Rocha<br />
Suzuki, Marco Aurélio Mendonça Novaes, Silvania Ramalho, Daniela Santos Silva, Karoline de Oliveira e Allyne Cristina Grando.<br />
8<br />
<strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022
RA QUEM<br />
STÁ SEMPRE<br />
M MOVIMENTO,<br />
ÍNDICE<br />
FUTURO É<br />
OGO AQUI.<br />
O constante movimento da Labtest<br />
em prol da vida se reflete cada vez<br />
mais nos seus investimentos em<br />
Pesquisa e Desenvolvimento, inovação<br />
e tecnologia. Não à toa, nestes 50 anos,<br />
vem preparando não só os alicerces da<br />
medicina diagnóstica do futuro,<br />
mas de uma saúde sempre presente.<br />
revista<br />
Ano 29 - <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> - Julho 2022<br />
$ 25,00<br />
MATÉRIA DE CAPA<br />
labtest.com.br<br />
70<br />
LABTEST<br />
Entrevista com o CEO Labtest,<br />
Alexandre Guimarães.<br />
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66 - Publieditorial em Destaque - Quiagen<br />
68 - Publieditorial em Destaque - Euroimmun<br />
74 - Fato Relevante<br />
76 - Neurociência em Foco<br />
80 - Medicina Genômica<br />
88 - Direito e Saúde<br />
90 - Análises Clínicas<br />
94 - Minuto Laboratório<br />
98 - Ciência, Pesquisa e Desenvolvimento<br />
100 - Diagnóstico por Imagem<br />
104 - Citometria de Fluxo<br />
106 - Coleta de Sangue<br />
116 - Labnews<br />
122 - Qualidade no Laboratório<br />
126 - Biossegurança<br />
132 - Hematologia<br />
134 - Logística Laboratorial<br />
136 - Informes de Mercado<br />
181 - Analogias em Medicina<br />
12<br />
ARTIGO CIENTÍFICO I<br />
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PARA PREVER PROGNÓSTICO EM<br />
TRANSPLANTE DE CÉLULAS TRONCO<br />
HEMATOPOIÉTICAS (TCHT)?<br />
32<br />
ARTIGO CIENTÍFICO II<br />
INCIDÊNCIAS DE INFECÇÕES POR<br />
ASPERGILLUS SP NO BRASIL<br />
50<br />
ARTIGO CIENTÍFICO III<br />
PROTEÍNA TAU E AS DOENÇAS<br />
NEURODEGENERATIVAS<br />
62<br />
GESTÃO LABORATORIAL<br />
LABORATÓRIOS CLÍNICOS: “QUO VADIS”?<br />
130<br />
LADY NEWS<br />
SCARPIN MICROSCÓPIO<br />
Autores: Dra. Karin Schmidt Rodrigues Massaro,<br />
Rodrigo Macedo, Bruno Stuart De Castro, Prof.<br />
Dr. Frederico Dulley, Profa. Dra. Maria Aparecida<br />
Shikanai Yasuda, Profa. Dra. Silvia Figueiredo Costa<br />
Autores: Felipe José Ferreira Gomes,<br />
Rondinele Ribeiro Motta.<br />
Autor: Fabiano de Abreu Rodrigues.<br />
Autor: Humberto Façanha da Costa Filho.<br />
Autora: Waldirene Nicioli.<br />
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PROGNÓSTICO EM TRANSPLANTE DE CÉLULAS TRONCO<br />
HEMATOPOIÉTICAS (TCHT)?<br />
Autores:<br />
Dra. Karin Schmidt Rodrigues Massaro¹<br />
Rodrigo Macedo²<br />
Bruno Stuart de Castro³<br />
Prof. Dr. Frederico Dulley4<br />
Profa. Dra. Maria Aparecida Shikanai Yasuda5<br />
Profa. Dra. Silvia Figueiredo Costa6<br />
1 Médica doutora do Departamento de Doenças Infecciosas e Parasitárias da<br />
Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, Brasil.<br />
2 Biomédico, São Paulo, Brasil.<br />
3 Biomédico, São Paulo, Brasil.<br />
4 Professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, médico<br />
responsável pelo Transplante de Medula Óssea da Faculdade de Medicina da<br />
Universidade de São Paulo, Brasil.<br />
5 Professora Titular do Departamento de Doenças Infecciosas e Parasitárias da<br />
Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, Brasil.<br />
6 Médica Livre-Docente do Departamento de Doenças Infecciosas e Parasitárias<br />
da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, LIM54, Brasil.<br />
* Imagem ilustrativa<br />
Resumo<br />
Introdução: OA morbimortalidade do transplante de células tronco<br />
hematológico (TCTH) ocorre devido às complicações infecciosas e<br />
constituem o maior problema clínico em receptores de TCTH.O papel<br />
do uso de biomarcadores em pacientes após TCTH ainda é controverso.<br />
Objetivos: Avaliar os valores séricos de biomarcadores interleucina 6 (IL-6),<br />
procalcitonina (PCT) e proteína C reativa (PCR) e fatores para óbito após TCTH.<br />
Metodologia: Estudo prospectivo conduzido em pacientes submetidos a<br />
TCTH em hospital universitário. Dados demográficos e clínicos, como idade,<br />
sexo, doença de base, tipo de transplante e condicionamento, mucosite,<br />
DECH, infecção (sítio, microrganismos e evolução clínica) e biomarcadores:<br />
IL-6, PCT e PCR) foram avaliados no dia na neutropenia constatada sem<br />
febre, no evento febril, 24 horas e 72 horas após o início da febre e 48 horas<br />
ou 5 dias se persistência da febre. Os dados clínicos e laboratoriais foram<br />
processados pelos programas SPSS e STATA, foram realizadas curvas ROC<br />
para determinar os pontos de corte dos biomarcadores. Os pacientes foram<br />
comparados quanto ao desfecho óbito até 30 dias do TCTH. As variáveis<br />
categóricas foram avaliadas utilizando o teste do Qui-quadrado e o teste T<br />
exato de Fisher. As variáveis contínuas foram avaliadas utilizando o teste nãoparamétrico<br />
de Mann-Whitney. Variáveis com p 140 pg/mL e PCR≥120 mg/L e os<br />
protetores foram Linfoma e acompanhamento ambulatorial. As variáveis<br />
independentes na análise MV associadas com óbito foram transplante<br />
alogênico e não aparentado, infecção por Gram-negativos, DHL≥390<br />
UI/L, ureia ≥25 mg/dL e PCR ≥120 mg/L. Conclusão: Dos biomarcadores<br />
avaliados, apenas a PCR ≥ 120 mg/L foi independentemente associada<br />
ao óbito, outros fatores de risco encontrados foram: tipo de transplante<br />
(alogênico e não aparentado), infecção por Gram-negativo, DHL≥390 UI/L<br />
e ureia ≥25 mg/dL. Esses achados reforçam a importância da prevenção de<br />
infecção por Gram-negativos nesta população de pacientes e mostram que<br />
a PCR é uma ferramenta barata e útil no acompanhamento dos pacientes..<br />
Palavras-chave: transplante de células tronco hematopoiéticas,<br />
neutropenia febril, mortalidade relacionada ao transplante de células tronco<br />
hematopoiéticas, procalcitonina, interleucina-6, proteína-C reativa.<br />
12 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022
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autoridades sanitárias no mundo todo depois que Organização Mundial da Saúde emitiu<br />
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Autores: Dra. Karin Schmidt Rodrigues Massaro 1 , Rodrigo Macedo 2 ,Bruno Stuart<br />
de Castro 3 , Prof. Dr. Frederico Dulley 4 , Profa. Dra. Maria Aparecida Shikanai Yasuda 5 ,<br />
Profa. Dra. Silvia Figueiredo Costa 6 .<br />
ARTIGO CIENTÍFICO I<br />
Introdução<br />
A morbidade e mortalidade devido às<br />
complicações infecciosas constituem<br />
o maior problema clínico em<br />
receptores de transplante de células<br />
tronco hematopoiéticas (TCTH) (Ochs<br />
et al. 1995; Sorely and Shea, 1997).<br />
Todos os pacientes que apresentem<br />
febre e neutropenia devem ser<br />
tratados prontamente e de forma<br />
abrangente com antibióticos de<br />
amplo espectro (Freifeld et al., 2011).<br />
Este tratamento agressivo reduz a<br />
mortalidade de 50% a 80% para<br />
10% a 40% (Love et al., 1980). Sepse,<br />
sepse grave, choque séptico e sepse<br />
com falência de múltiplos órgãos<br />
(FMO) são as mais importantes<br />
causas de morte em pacientes<br />
neutropênicos no pós-transplante.<br />
A morbimortalidade causada por<br />
infecção ocorre principalmente<br />
durante as três primeiras semanas<br />
após o TCTH (tempo de enxertia)<br />
(Poliquin, 1990). Vários marcadores<br />
inflamatórios como, proteína-C<br />
reativa (PCR), procalcitonina (PCT)<br />
e interleucina-6 (IL-6) já foram<br />
utilizados em estudos com pacientes<br />
neutropênicos (Ruokonen et al., 1999;<br />
Südhoff et al., 2000; Fleischhack et<br />
al., 2000; Persson et al., 2005). Um<br />
marcador ideal de desfecho nessa<br />
população seria aquele que indicasse<br />
no momento da febre, ou no máximo<br />
até 24 h após a mesma, os pacientes<br />
com risco potencial para mortalidade<br />
relacionada ao transplante (MRT).<br />
Poucos trabalhos existem na<br />
literatura, entretanto, para auxiliar a<br />
previsão do prognóstico na população<br />
de pacientes submetidos a TCTH e os<br />
trabalhos que existem avaliaram um<br />
número pequeno de pacientes.<br />
Logo, é preciso avaliar os valores<br />
séricos de biomarcadores (PCT,<br />
IL-6 e PCR) que possam identificar<br />
precocemente MRT em todos os<br />
pacientes pós TCTH imediato.<br />
Objetivos<br />
Avaliar os valores séricos de<br />
biomarcadores (IL-6, PCT e PCR) e<br />
fatores de risco para óbito após TCTH.<br />
Métodos<br />
Local do estudo<br />
O Hospital das Clínicas é um hospital<br />
universitário com 2.200 leitos e<br />
centro de referência para transplante<br />
autólogo e alogênico de célulastronco<br />
no Brasil. A unidade de<br />
transplante de medula óssea está<br />
localizada no Instituto Central do<br />
Hospital das Clínicas da Faculdade<br />
de Medicina de São Paulo (ICHC-<br />
FMUSP), Brasil e possui oito leitos. O<br />
ambulatório funciona das 7h às 19h,<br />
todos os dias da semana, inclusive<br />
finais de semana.<br />
Desenho do estudo<br />
Trata-se de um estudo observacional,<br />
com coleta prospectiva de dados.<br />
Foram incluídos 296 pacientes<br />
adultos consecutivos neutropênicos,<br />
submetidos a TCTH autólogo ou<br />
alogênico. Os mesmos estavam em<br />
regime de tratamento ambulatorial<br />
ou internados. O estudo foi conduzido<br />
entre agosto de 2008 a dezembro de<br />
2010.<br />
Critério de inclusão: Pacientes<br />
neutropênicos TCTH autólogos e<br />
alogênicos.<br />
Como neutropenia foi considerada<br />
a contagem de neutrófilos < 500/<br />
mm³ ou < 1.500/mm³ com declínio<br />
previsto para < 500/mm³ durante<br />
as próximas 48 horas (Freifeld et al.,<br />
2011). O uso de G-CSF no momento<br />
da coleta não excluiu o paciente. Caso<br />
o paciente fosse a óbito, não havia<br />
exclusão, e as amostras obtidas<br />
eram analisadas.<br />
14 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022
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de Castro 3 , Prof. Dr. Frederico Dulley 4 , Profa. Dra. Maria Aparecida Shikanai Yasuda 5 ,<br />
Profa. Dra. Silvia Figueiredo Costa 6 .<br />
ARTIGO CIENTÍFICO I<br />
Critério de exclusão: Foram excluídos os<br />
pacientes com febre claramente associada<br />
à transfusão de hemocomponentes ou<br />
hemoderivados e os que usaram soro<br />
antitimocítico pelo menos sete dias<br />
antes da coleta.<br />
Foram analisadas 1016 amostras de<br />
sangue. Estas foram colhidas de 3 a 5<br />
mL de sangue periférico ou de cateter<br />
venoso central (CVC), entre duas a<br />
seis horas após o início da febre da<br />
seguinte forma:<br />
- TUBO A:<br />
Dia da neutropenia constatada<br />
sem febre.<br />
- TUBO B:<br />
Evento febril constatado ou hipotermia<br />
(T < 35°C).<br />
- TUBO C:<br />
24 horas após o início da febre ou<br />
hipotermia.<br />
- TUBO D:<br />
72 horas após o início da febre ou<br />
hipotermia.<br />
- TUBO E:<br />
48 horas após a coleta do tubo D ou,<br />
em caso da persistência da febre,<br />
cinco dias, após a coleta do tubo D.<br />
No total foram coletadas 267<br />
amostras para análises de Tubos A,<br />
190 tubos para B, 188 para tubos C,<br />
186 para tubos D e 185 para tubos E.<br />
Caso o paciente iniciasse a neutropenia<br />
com febre ou hipotermia, não haveria<br />
TUBO A, iniciando a coleta no TUBO<br />
B. No caso de óbito, poderiam faltar<br />
dois ou mais tubos. Caso o paciente<br />
não desenvolvesse quadro febril, da<br />
mesma forma, só haveria TUBO A.<br />
Todos os pacientes foram avaliados<br />
quanto à existência de foco infeccioso<br />
quando desenvolveram febre e<br />
receberam antibioticoterapia de<br />
acordo com o protocolo vigente para<br />
neutropenia febril (Freifeld et al., 2011;<br />
Levin et al., 2009-2011). Uma avaliação<br />
clínica completa foi realizada para cada<br />
paciente desde o dia da neutropenia até<br />
sua evolução final (alta ou óbito), por<br />
meio do preenchimento prospectivo<br />
de uma ficha com dados clínicos e<br />
laboratoriais, visando à classificação<br />
do mesmo em grupos de acordo com<br />
o diagnóstico infeccioso. Esta avaliação<br />
incluiu: achados físicos, parâmetros<br />
hematológicos e bioquímicos; dados<br />
do transplante; culturas de sangue,<br />
urina, secreções e tecidos diversos;<br />
radiografias e tomografias de tórax,<br />
seios paranasais e abdômen sempre<br />
que considerado necessárias.<br />
Laboratório<br />
As amostras de sangue foram<br />
coletadas em dois tubos sem<br />
reagentes e centrifugados por 15<br />
minutos a 3.400 rpm (2.016 g) em<br />
um prazo máximo de até 60 minutos<br />
após a coleta, e armazenadas (duas<br />
alíquotas de cada soro) em freezer<br />
(temperatura de -20º C) no momento<br />
inicial. Posteriormente, os tubos<br />
congelados foram transferidos para<br />
o freezer -80°C. O outro tubo foi<br />
encaminhado para outro laboratório<br />
para realização da PCR. As medidas<br />
de PCT e IL-6 foram realizadas<br />
retrospectivamente, ao contrário das<br />
amostras de PCR que foram realizadas<br />
juntamente com outros dados<br />
laboratoriais (hemograma, DHL,<br />
ureia). Hemoculturas foram colhidas<br />
no momento da febre, mesmo na<br />
vigência de antibiótico profilático,<br />
bem como urina, secreção traqueal,<br />
líquor para cultura, cultura de locais<br />
suspeitos e exames de imagem,<br />
conforme o caso. Testes sorológicos<br />
foram também obtidos conforme<br />
indicação clínica. Foram realizadas<br />
antigenemia e PCR em tempo real para<br />
detecção de citomegalovírus (CMV)<br />
duas vezes por semana em todos os<br />
pacientes (internados e ambulatoriais).<br />
Exames de imunofluorescência direta<br />
16 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022
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Autores: Dra. Karin Schmidt Rodrigues Massaro 1 , Rodrigo Macedo 2 ,Bruno Stuart<br />
de Castro 3 , Prof. Dr. Frederico Dulley 4 , Profa. Dra. Maria Aparecida Shikanai Yasuda 5 ,<br />
Profa. Dra. Silvia Figueiredo Costa 6 .<br />
ARTIGO CIENTÍFICO I<br />
para influenza A, influenza B,<br />
parainfluenza e VSR, bem como PCR<br />
para influenza H1N1 também foram<br />
incluídos quando houve indicação<br />
clínica. Os pacientes foram seguidos<br />
até o término da neutropenia. Houve<br />
um hemograma inicial indicando o<br />
início da neutropenia, hemogramas<br />
diários de seguimento e hemograma<br />
indicativo do término da neutropenia<br />
(“pega” medular).<br />
A determinação quantitativa da PCR<br />
foi feita pela nefelometria (Dade-<br />
Behring N High Sensitivity CRP). O<br />
valor de referência fornecido pelo<br />
fabricante é < ou = 3,5 mg/L (Gabay<br />
e Kushner, 1999). Os níveis de PCT<br />
foram também determinados de<br />
maneira cega pelo uso de um ensaio<br />
imunoluminométrico (Brahms,<br />
PCT-Lumitest, Berlin, Alemanha).<br />
O valor de corte é 2 ng/mL (para<br />
imunocompetente). De forma<br />
também cega foram realizadas<br />
as dosagens séricas de IL-6 pelo<br />
imunoensaio enzimático (Biotrak<br />
human interleukin-6 ELISA, GE<br />
Healthcare, Reino Unido). Os valores<br />
esperados para soro variam de 0-149<br />
pg/mL (média 43 pg/mL). Todos os<br />
exames foram repetidos e confirmados<br />
de acordo com a padronização dos<br />
mesmos. Os resultados discrepantes<br />
foram repetidos em triplicata.<br />
Etiologia infecciosa foi classificada<br />
como bacteriana, fúngica ou viral<br />
somente quando confirmada por<br />
meio de cultura positiva ou teste<br />
diagnóstico apropriado. Os pacientes<br />
foram categorizados em três grupos:<br />
- GRUPO I: Afebris, não desenvolveram<br />
febre durante o estudo.<br />
- GRUPO II: Febre de origem<br />
indeterminada (FOI), ou seja, toda<br />
febre sem foco identificado, que<br />
continua depois de três a cinco dias<br />
de antibioticoterapia de amplo<br />
espectro (Pizzo et al., 1982; EORTC<br />
International Antimicrobial Therapy<br />
Cooperative Group, 1989).<br />
- GRUPO III: Infecção clínica<br />
comprovada e/ou microbiologicamente<br />
confirmada.<br />
A demanda de HMCs variou de acordo<br />
com cada situação clínica específica.<br />
Análise estatística<br />
Os dados clínicos e laboratoriais<br />
foram armazenados em uma planilha<br />
Excel® 2003 para processamento<br />
pelos programas SPSS e STATA, foram<br />
calculados média, mediana e desviopadrão.<br />
As variáveis categóricas foram<br />
avaliadas utilizando teste do Quiquadrado<br />
e o teste T exato de Fisher.<br />
As variáveis contínuas foram avaliadas<br />
utilizando o teste não paramétrico de<br />
Mann-Whitney.<br />
Foram comparados os grupos entre<br />
si e em relação a cada marcador<br />
estudado (PCT, PCR e IL-6). Foram<br />
calculados a sensibilidade, a<br />
especificidade, valores preditivos<br />
positivo e negativo e área sob a<br />
curva ROC para cada indicador,<br />
comparando os diferentes grupos:<br />
I, II e III em seus diferentes<br />
momentos (neutropenia afebril,<br />
momento da febre, 24 horas após<br />
o início da febre, 72 horas após o<br />
início da febre ou hipotermia e 48<br />
horas após a coleta do tubo D ou,<br />
em caso da persistência da febre,<br />
cinco dias após a coleta do tubo<br />
D). De acordo com a curva ROC<br />
de cada biomarcador (IL-6, PCT e<br />
PCR) foram definidos pontos de<br />
corte que apresentaram a melhor<br />
sensibilidade e especificidade nos<br />
diferentes momentos de avaliação<br />
em relação ao desfecho óbito.<br />
Também foi calculada a acurácia dos<br />
biomarcadores por meio de regressão<br />
logística feita 2 a 2 e com os três<br />
biomarcadores juntos no momento<br />
da febre e 24 horas após a febre.<br />
18 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022
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MM-128-08 2019-03-18
Autores: Dra. Karin Schmidt Rodrigues Massaro 1 , Rodrigo Macedo 2 ,Bruno Stuart<br />
de Castro 3 , Prof. Dr. Frederico Dulley 4 , Profa. Dra. Maria Aparecida Shikanai Yasuda 5 ,<br />
Profa. Dra. Silvia Figueiredo Costa 6 .<br />
ARTIGO CIENTÍFICO I<br />
Resultados<br />
Foram avaliadas 1016 amostras de<br />
soros de 296 pacientes. Os dados<br />
clínicos e laboratoriais dos mesmos<br />
foram analisados conforme Tabela 1.<br />
No grupo III (n=78) foram identificadas<br />
infecções localizadas (14,1%) e<br />
disseminadas (85,9%). Destas últimas,<br />
observamos: ICS (41,79%), sepse<br />
(17,91%), sepse grave (11,94%),<br />
choque séptico (10,44%) e sepse com<br />
FMO (17,9%). Quanto aos agentes<br />
encontrados: bactérias (33,3%), sendo<br />
o SCN o mais prevalente entre os Grampositivos<br />
e Pseudomonas aeruginosa<br />
e Klebsiella pneumoniae entre os<br />
Gram-negativos; vírus (24,4% com<br />
predomínio de vírus sincicial respiratório<br />
[VSR] e citomegalovirus [CMV]; fungos<br />
(6,3% com prevalência de Leveduras<br />
não albicans e mistas (26,9% sendo<br />
bactérias/fungos, bactérias/vírus e<br />
bactérias/fungos/vírus).<br />
Os biomarcadores foram comparados<br />
em relação à mucosite mostrando<br />
haver relação destes com a mesma<br />
somente na febre e 24 horas após<br />
a mesma para a IL-6 (média grupo<br />
VARIÁVEIS NÚMERO % MÉDIA/DP<br />
MEDIANA/<br />
MIN-MAX<br />
Presença de febre 190 64,18 - -<br />
Idade -<br />
Sexo<br />
- Masculino<br />
- Feminino<br />
Doença de base<br />
- Mieloma múltiplo<br />
- Linfoma não-Hodgkin<br />
- Leucemia aguda<br />
- Linfoma Hodgkin<br />
- Aplasia de medula<br />
- Outras**<br />
Doador do alogênico<br />
- Aparentado<br />
- Não-aparentado<br />
Compatibilidade (alogênico)<br />
- Fullmatch<br />
- Mismatch<br />
Condicionamento<br />
- Mieloablativo<br />
- Não-mieloablativo<br />
Grupos do estudo<br />
- Grupo I (Afebril)<br />
- Grupo II (FOI)<br />
- Grupo III*<br />
Duração da neutropenia<br />
- Grupo I (Afebril)<br />
- Grupo II (FOI)<br />
- Grupo III*<br />
Suporte hospitalar<br />
- Internação<br />
- Ambulatorial<br />
- Internação + ambulatorial<br />
156<br />
140<br />
98<br />
72<br />
59<br />
40<br />
15<br />
12<br />
74<br />
6<br />
69<br />
11<br />
231<br />
65<br />
106<br />
112<br />
78<br />
52,7<br />
47,3<br />
33,2<br />
24,4<br />
19,9<br />
13,5<br />
5,1<br />
3,9<br />
92,6<br />
7,4<br />
86,3<br />
13,7<br />
78<br />
22<br />
35,8<br />
37,8<br />
26,4<br />
- -<br />
49<br />
228<br />
19<br />
Tempo de transplante até a febre - -<br />
DECH<br />
- Grau I<br />
- Grau II<br />
- Grau III<br />
- Grau IV<br />
Mucosite<br />
- Grau I<br />
- Grau II<br />
- Grau III<br />
- Grau IV<br />
Óbitos<br />
- Não relacionados ao evento<br />
- Relacionados ao evento<br />
Tabela 1 - Características da população estudada<br />
5#<br />
1<br />
4<br />
0<br />
0<br />
210<br />
65<br />
84<br />
37<br />
24<br />
25<br />
2<br />
23<br />
16,6<br />
77<br />
6,4<br />
6<br />
0,3<br />
1,4<br />
0<br />
0<br />
70,9<br />
22,0<br />
28,4<br />
12,4<br />
8,1<br />
8,4<br />
0,6<br />
7,8<br />
42,37/14,24<br />
(anos)<br />
44/15-70<br />
(anos)<br />
- -<br />
- -<br />
- -<br />
-<br />
- -<br />
- -<br />
8,44/3,74<br />
10,69/5,59<br />
12,17/6,58<br />
-<br />
8/0-19<br />
9/0-28<br />
12/0-30<br />
- -<br />
6,43/3,72<br />
(dias)<br />
6/0-25<br />
(dias)<br />
- -<br />
- -<br />
* Infecção clínica e/ou microbiologicamente confirmada<br />
** Leucemia crônica (n=3, 1,0%), amiloidose (n=2, 0,7%), hemofagocitose (n=2, 0,7%),<br />
anemia de Fanconi (n=1, 0,3%), Linfoma/leucemia de células T do adulto (n=1, 0,3%0,<br />
mielofibrose (n=1, 0,3%), síndrome mielodisplásica (n=2, 0,7%);<br />
#<br />
calculado no total de alogênicos (80 casos)<br />
20 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022
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Profa. Dra. Silvia Figueiredo Costa 6 .<br />
ARTIGO CIENTÍFICO I<br />
sem mucosite 42,12 versus com<br />
mucosite 84,84; mediana grupo<br />
sem mucosite 21,87 versus com<br />
mucosite 35,23 com p=0,009); PCT<br />
(média grupo sem mucosite 0,64<br />
versus com mucosite 2,21; mediana<br />
grupo sem mucosite 0,17 versus com<br />
mucosite 0,57 com p=0,010) e para<br />
PCR (média grupo sem mucosite<br />
98,67 versus com mucosite 133,4;<br />
mediana grupo sem mucosite 91,80<br />
e grupo com mucosite 124,00 com<br />
p=0,045). Também não houve<br />
diferença significativa entre os grupos<br />
estudados e DECH no momento da<br />
febre, exceto em relação à PCT que<br />
apresentou valor significativamente<br />
maior no grupo sem DECH (média<br />
grupo sem DECH 0,95 dp 1,67 com<br />
mediana de 0,35 [min-máx 0,35-<br />
0,06] e grupo com DECH média 0,20<br />
dp 0,28 mediana de 0,08 [min-máx<br />
0,08-0,70] e p =0,034).<br />
A dosagem dos biomarcadores<br />
IL-6, PCT e PCR nos diversos<br />
momentos avaliados no estudo<br />
segundo a evolução para óbito<br />
associado ao evento é demonstrada<br />
na Tabela 2 abaixo.<br />
Tabela 3 - Análise bivariada de fatores de risco associados ao óbito<br />
em pacientes submetidos a TCTH<br />
Os biomarcadores foram analisados<br />
comparando os casos quando<br />
na presença ou não de mucosite<br />
mostrando haver relação destes com<br />
a mesma somente no momento da<br />
febre e 24 horas após a mesma para<br />
a IL-6 (média do grupo sem mucosite<br />
42,12 versus com mucosite 84,84;<br />
mediana grupo sem mucosite 21,87<br />
versus com mucosite 35,23 com<br />
p=0,009); PCT (média grupo sem<br />
mucosite 0,64 versus com mucosite<br />
2,21; mediana grupo sem mucosite<br />
0,17 versus com mucosite 0,57 com<br />
p=0,010) e para PCR (média grupo<br />
sem mucosite 98,67 versus com<br />
22 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022
mucosite 133,4; mediana grupo<br />
sem mucosite 91,80 e grupo com<br />
mucosite 124,00 com p=0,045.<br />
Também não houve diferença<br />
significativa entre os grupos<br />
estudados e DECH no momento da<br />
febre, exceto em relação à PCT que<br />
apresentou valor significativamente<br />
maior no grupo sem DECH (média<br />
grupo sem DECH 0,95 dp 1,67 com<br />
mediana de 0,35 [min-máx 0,5-<br />
0,06] e grupo com DECH média 0,20<br />
dp 0,28 mediana de 0,08 [min-máx<br />
0,08-0,070] e p=0,034).<br />
Tabela 4 - Análise bivariada das variáveis IL-6 e PCT em relação ao óbito<br />
ARTIGO CIENTÍFICO I<br />
Quanto à análise dos fatores de risco<br />
relacionados ao óbito, foi feita, como<br />
já descrito, a análise bivariada dos<br />
mesmos como visto na Tabela 3.<br />
A dosagem de IL-6 nos pacientes<br />
neutropênicos com TCTH apresentou<br />
moderada acurácia em predizer o<br />
óbito em pacientes após 72 horas do<br />
início da febre. (Gráfico 1 e Tabela5)<br />
A dosagem de PCR nos pacientes<br />
neutropênicos com TCTH apresentou<br />
moderada acurácia em predizer<br />
o óbito em pacientes com febre<br />
prolongada, e baixa acurácia em<br />
predizer o óbito em pacientes sem<br />
febre ou com até 72 horas de febre.<br />
(Gráfico 2 e Tabela 6)<br />
Os resultados das variáveis que<br />
foram para a análise multivariada<br />
são apresentados na tabela abaixo,<br />
sendo que também foram incluídos<br />
os valores de corte para as três últimas<br />
variáveis deste modelo.<br />
<strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022<br />
23
Autores: Dra. Karin Schmidt Rodrigues Massaro 1 , Rodrigo Macedo 2 ,Bruno Stuart<br />
de Castro 3 , Prof. Dr. Frederico Dulley 4 , Profa. Dra. Maria Aparecida Shikanai Yasuda 5 ,<br />
Profa. Dra. Silvia Figueiredo Costa 6 .<br />
ARTIGO CIENTÍFICO I<br />
Discussão<br />
O principal objetivo do estudo foi<br />
estabelecer quais os fatores de<br />
risco independente para desfecho<br />
óbito, estudando em especial os<br />
biomarcadores IL-6, PCT e PCR,<br />
durante a neutropenia imediata após<br />
TCTH. Até o momento, o papel dos<br />
biomarcadores como ferramentas<br />
úteis na condução da neutropenia<br />
febril ainda é questionável, o último<br />
guia da Infectious Disease Society<br />
of America (IDSA) não recomenda o<br />
uso desses biomarcadores (Freifeld<br />
et al., 2011). Em estudo recente em<br />
hospital de referência de São Paulo,<br />
o Gram-positivo mais prevalente foi<br />
o SCN, apesar da tendência atual de<br />
declínio do mesmo em detrimento<br />
das bactérias Gram-negativas<br />
(Mendes et al., 2012). O mesmo<br />
agente Gram-positivo foi o mais<br />
prevalente no nosso estudo (o local<br />
de pesquisa foi o mesmo). No mesmo<br />
estudo de Mendes et al houve o<br />
predomínio nítido de P. aeruginosa,<br />
especialmente em infecção de<br />
corrente sanguínea (ICS). Após a<br />
introdução da profilaxia antifúngica<br />
(especialmente fluconazol), a<br />
morbimortalidade por candidíase<br />
invasiva reduziu significativamente<br />
(Slavin et al., 1995). A incidência de<br />
aspergilose foi de 6,9 em 1000 dias<br />
Gráfico 1 - Curvas ROC comparando a acurácia dos diferentes momentos de<br />
coleta de IL-6 em predizer o óbito em pacientes neutropênicos com TCTH<br />
Tubo A: neutropenia sem febre; Tubo B: evento febril; Tubo C: 24 horas após o início da febre; Tubo D: 72 horas após o início da<br />
febre; Tubo E: 48 horas após a coleta do tubo D ou, em caso da persistência da febre, cinco dias após a coleta do tubo D.<br />
Tabela 5 - Áreas sob as curvas ROC dos diferentes momentos de coleta de IL-6 na<br />
predição de óbito em pacientes neutropênicos com TCTH<br />
de neutropenia no estudo de Mendes<br />
et al. (Mendes et al., 2012). Quanto<br />
aos vírus, a infecção mais comum no<br />
período pós-transplante imediato é o<br />
HSV reativado e vírus respiratório.<br />
No estudo agora apresentado,<br />
apesar da população estudada ser<br />
heterogênea (transplantes autólogos<br />
e alogênicos, condicionamentos<br />
mieloablativo e não mieloablativo,<br />
24 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022
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Autores: Dra. Karin Schmidt Rodrigues Massaro 1 , Rodrigo Macedo 2 ,Bruno Stuart<br />
de Castro 3 , Prof. Dr. Frederico Dulley 4 , Profa. Dra. Maria Aparecida Shikanai Yasuda 5 ,<br />
Profa. Dra. Silvia Figueiredo Costa 6 .<br />
ARTIGO CIENTÍFICO I<br />
pacientes internados e ambulatoriais),<br />
pudemos inferir algumas observações<br />
a partir dos resultados, levando em<br />
consideração o número de pacientes<br />
(296), o número de amostras de<br />
sangue estudadas (1016) e o fato do<br />
estudo ser prospectivo com análise<br />
de dados clínicos e laboratoriais em<br />
conjunto. Nossa casuística avaliou<br />
216 transplantes autólogos (73%),<br />
cuja doença de base predominante<br />
foi o mieloma múltiplo (n=98,<br />
33,2%) e 80 alogênicos (27%), cuja<br />
doença de base preponderante foi a<br />
leucemia aguda (n=59, 19,9%). A<br />
maior parte dos condicionamentos<br />
utilizou protocolos mieloablativos<br />
(78%). Dos pacientes com regimes<br />
mais agressivos, apenas seis fizeram<br />
uso de drogas depletoras de linfócitos<br />
T (globulina antitimocítica - ATG). Isto<br />
deve ser citado, uma vez que a PCT, a<br />
PCR e também a IL-6 apresentam valor<br />
limitado no diagnóstico de infecção<br />
durante a infusão de ATG (Pihusch<br />
et al., 2006; Brodska et al., 2009).<br />
No presente estudo, observamos um<br />
número grande de casos com mucosite<br />
(n=210, 70,9%) e não houve relação<br />
dos biomarcadores estudados com<br />
a mesma. No caso de DECH aguda,<br />
somente a PCT apresentou valor<br />
significativamente maior no grupo<br />
sem DECH (p=0,034). Apenas a PCT<br />
apresentou valor significativamente<br />
maior no grupo sem DECH durante<br />
o momento da febre, apesar do<br />
pequeno número de casos de DECH<br />
aguda (n=5).<br />
Gráfico 2 - Curvas ROC comparando a acurácia dos diferentes momentos de<br />
coleta de PCR em predizer o óbito em pacientes neutropênicos com TCTH<br />
Tubo A: neutropenia sem febre; Tubo B: evento febril; Tubo C: 24 horas após o início da febre; Tubo D: 72 horas após o início da<br />
febre; Tubo E: 48 horas após a coleta do tubo D ou, em caso da persistência da febre, cinco dias após a coleta do tubo D.<br />
Tabela 6 - Áreas sob as curvas ROC dos diferentes momentos de coleta de PCR na<br />
predição de óbito em pacientes neutropênicos com TCTH<br />
Tabela 7 - Análise multivariada de fatores de risco independentes para óbito em<br />
pacientes submetidos a TCTH<br />
26 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022
Como em nossos resultados, Ortega<br />
et al (2004). numa população de 100<br />
pacientes pós-TCTH (38 alogênicos e<br />
62 autólogos) avaliou a utilidade da<br />
PCR para monitorizar o diagnóstico<br />
diferencial e prognóstico de episódios<br />
de neutropenia febril em TCTH. A PCR<br />
foi medida a cada 48 h da admissão<br />
até a resolução do episódio febril.<br />
Na análise multivariada, a PCR no<br />
5º dia de tratamento foi um fator<br />
prognóstico independente para<br />
desfecho fatal, com sensibilidade de<br />
100%, especificidade de 87%, VPP e<br />
VPN de 30 a 100%, respectivamente.<br />
No nosso estudo também analisamos<br />
o significado prognóstico de cada<br />
marcador. Apesar dos avanços e<br />
melhorias no tratamento de suporte,<br />
o TCTH alogênico ainda apresenta<br />
alta toxicidade, com mortalidade<br />
relacionada ao transplante<br />
(MRT) entre 10-50% devido às<br />
complicações maiores nos primeiros<br />
meses após o transplante (infecções,<br />
doença veno-oclusiva, DECH e<br />
pneumonite) (Anaissie, 2012). Os<br />
índices de comorbidade descritos<br />
por Sorror et al. (2005) evidenciaram<br />
um score válido e confiável antes do<br />
transplante que previu mortalidade<br />
não relacionada à recaída da doença<br />
e sobrevida. O Grupo Europeu para<br />
transplante de sangue e medula<br />
(EBMT) criou um score de risco que<br />
avaliou cinco fatores: idade, estágio<br />
da doença, tempo entre o diagnóstico<br />
e o transplante, tipo de doador e<br />
combinações do gênero do doador e<br />
receptor (Gratwohl et al., 2009).<br />
Procuramos algum fator de risco<br />
que pudesse prever desfecho fatal<br />
no decurso do transplante, além<br />
de estudar o comportamento<br />
dos biomarcadores. Na primeira<br />
análise bivariada permaneceram<br />
os seguintes fatores associados ao<br />
óbito em pacientes pós TCTH: idade<br />
(p=0,028); paciente em regime de<br />
internação (p
Autores: Dra. Karin Schmidt Rodrigues Massaro 1 , Rodrigo Macedo 2 ,Bruno Stuart<br />
de Castro 3 , Prof. Dr. Frederico Dulley 4 , Profa. Dra. Maria Aparecida Shikanai Yasuda 5 ,<br />
Profa. Dra. Silvia Figueiredo Costa 6 .<br />
ARTIGO CIENTÍFICO I<br />
doador é aparentado apresenta<br />
chance nove vezes maior de evolução<br />
para óbito do que os pacientes que<br />
realizaram transplante autólogo (OR:<br />
8,9 - IC a 95% e p
Autores: Dra. Karin Schmidt Rodrigues Massaro 1 , Rodrigo Macedo 2 ,Bruno Stuart<br />
de Castro 3 , Prof. Dr. Frederico Dulley 4 , Profa. Dra. Maria Aparecida Shikanai Yasuda 5 ,<br />
Profa. Dra. Silvia Figueiredo Costa 6 .<br />
ARTIGO CIENTÍFICO I<br />
(menor que o nosso), em pacientes<br />
autólogos e alogênicos, e demonstrou<br />
que a PCR no 5º dia de febre ≥16 mg/<br />
dL foi associada à morte por causas<br />
infecciosas com uma sensibilidade de<br />
100%, especificidade de 87%, VPP e<br />
VPN de 30 e 100%, respectivamente. O<br />
presente estudo é o único prospectivo<br />
que avaliou conjuntamente<br />
dados clínicos, laboratoriais e três<br />
biomarcadores (IL-6, PCT e PCR)<br />
com um número considerável de<br />
casos (296) e de amostras de sangue<br />
estudadas (1016) visando identificar<br />
os fatores de risco independentes<br />
para óbito após TCTH. Além disso, as<br />
análises dos biomarcadores foram<br />
realizadas em duplicata, e muitas<br />
vezes em triplicata. Existem também<br />
poucos estudos utilizando uma<br />
análise multivariada para tentar<br />
estabelecer quais os fatores de risco<br />
independentes para óbito (Schots et<br />
al., 2003), e muitos destes, com um<br />
número pequeno de amostras.<br />
Schots et al monitoraram os níveis<br />
de PCR e outras variáveis em 96<br />
adultos consecutivos submetidos a<br />
TCTH alogênico. Dosando do dia 0 a<br />
+5 (Schots et al., 2002). Somente<br />
os altos níveis de PCR (>50mg/L)<br />
(p0,3<br />
mg/dL em 28 pacientes) estavam<br />
associados significativamente com<br />
o desenvolvimento de infecção<br />
bacteriana na análise multivariada.<br />
Além disso, choque séptico e sepse<br />
com FMO foram exclusivamente<br />
observados em pacientes que<br />
tinham altos níveis de ferritina e/<br />
ou níveis aumentados de PCR. Em<br />
relação á mortalidade relacionada ao<br />
tratamento, um nível de PCR elevado<br />
no pré-transplante é considerado um<br />
fator de risco significante em dois<br />
30 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022
estudos (Artz et al., 2008; Kanda et<br />
al., 2010). O único estudo que avaliou<br />
os três biomarcadores e pode ser<br />
comparado com o presente estudo foi<br />
o estudo conduzido por Pihusch et al,.<br />
Nesse estudo os níveis séricos de PCR<br />
(5,2 mg/dL vs 7,8 mg/dL, p
ARTIGO CIENTÍFICO II<br />
INCIDÊNCIAS DE INFECÇÕES POR<br />
ASPERGILLUS SP NO BRASIL<br />
INCIDENCES OF ASPERGILLUS SP INFECTIONS IN BRAZIL<br />
Autores:<br />
Felipe José Ferreira Gomes1; Rondinele Ribeiro Motta1.<br />
1Faculdade Metropolitana Unidas - SP<br />
Fungos Aspergillus furmigattus em meio Sabouraund dextrose e microscopia fungica A. furmigattus<br />
Fonte: Laboratório de FMU – São Paulo; 2022<br />
Resumo<br />
As manifestações fônicas têm causado significativos impactos tanto no meio<br />
cultural como no social, devido às manifestações de contaminações através<br />
de suas mico toxinas carcinogênicas. As causas dessas infecções são, em<br />
muitos casos, a ingestão de alimentos contaminados, produzidos sem as<br />
devidas observações quanto às Boas Práticas Agrícolas (BPA) e Boas Práticas<br />
de Fabricação (BPF), tornando o ser humano alvo de contaminações fúngicas<br />
sendo que, os impactos podem ser ainda maiores em pacientes vulneráveis.<br />
Nestes, a aspergilose, tem causado diversas complicações, sendo que o<br />
órgão mais afetado é o pulmão, estendendo-se a outros órgãos também<br />
considerados importantes como coração, rim, trato gastrointestinal, fígado,<br />
etc. Diante do exposto, surgiu a necessidade de se pesquisar o assunto a<br />
partir da indagação: Qual a incidência de infecções causadas por Aspergillus<br />
sp, em pacientes imunodeprimidos? Trata-se de uma pesquisa exploratória<br />
de natureza descritiva a partir de pesquisa bibliográfica, em artigos<br />
científicos da base de dados Scientific Electronic Library Online – Scielo. O<br />
objetivo deste trabalho de revisão bibliográfica foi analisar a incidência de<br />
aspergilose no Brasil e os impactos causados pelos fungos Aspergillus sp<br />
em pacientes imunodeprimidos. Os resultados permitiram a constatação de<br />
que os pacientes imunodeprimidos internados em hospitais podem sofrer<br />
impactos graves decorrentes de infecções causadas por fungos oportunistas.<br />
A aspergilose pode comprometer órgãos essenciais, principalmente o pulmão<br />
e causar a morte de pacientes imunodeprimidos.<br />
Palavras-chave: Aspergillus; Infecções fúngicas; Aspergiloses.<br />
Abstract<br />
The theme of democratic and participative management in the<br />
educational environment is much discussed at the present time mainly<br />
in the context of evolution and contemporary changes. Faced with such<br />
changes, it is verified that the family's participation in the educational<br />
context has intensified over time, at the same time becoming very<br />
important for the development of the student. In view of the above,<br />
the need arose to research the subject from the question: How does the<br />
participation of the family in the democratic management of the school<br />
from studies in the field of education? This is a qualitative research<br />
of descriptive nature based on bibliographic research, in scientific<br />
articles from the Scientific Electronic Library Online - SciELO database.<br />
The purpose of the present work is, through the literature review, to<br />
analyze the importance of family participation from the perspective of a<br />
democratic and participatory management in the field of education. The<br />
results reinforce the importance of this relationship and the articulated<br />
work for the progress of educational processes.<br />
Keywords: Democratic management; Participation; Family-School.<br />
32 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022
Introdução<br />
O fungo Aspergillus sp. é oportunista,<br />
desenvolvem em alimentos como,<br />
por exemplo, rações e grãos. Tais<br />
como por exemplo, os portadores<br />
de HIV, neutropenia prolongada<br />
ARTIGO CIENTÍFICO II<br />
que na maioria dos casos gera<br />
alimentos podem ser contaminados<br />
e imunodeficiência primária e<br />
infecções respiratórias. Os fungos<br />
se as condições ambientais, de<br />
transplantados de pulmão e medula<br />
deste gênero se caracterizam pelos<br />
produção, armazenamento e<br />
óssea (SALES, 2009). Sendo que<br />
seus filamentos com hifas hialinas,<br />
métodos de processamento, não<br />
nos pacientes imunodeprimidos, o<br />
septos e ramificam-se em ângulo<br />
forem adequadas. Segundo Soares<br />
agravamento pode levar a óbito em<br />
agudo e se diferenciam em estruturas<br />
et al., (2013), as micotoxinas mais<br />
poucas horas (BANDE et al., 2012).<br />
reprodutivas denominadas conídios<br />
importantes são as aflotoxinas B1 e<br />
(POESTER et al., 2015).<br />
B2, Ocratoxinas A, respectivamente<br />
Diante do exposto, surgiu a<br />
produzidas por A. flavus; A.<br />
necessidade de se pesquisar o<br />
Carvalho (2013) descreve como<br />
fumigattus e A. brasilenses. As<br />
assunto a partir da indagação: Qual<br />
as principais espécies causadoras<br />
Aflatoxina B1 possuem alta<br />
a incidência de infecções causadas<br />
destas infecções: A. flavus, A. niger,<br />
instabilidade química de ionização,<br />
por Aspergillus sp, em pacientes<br />
A. nidulans, A. terreus e o principal A.<br />
sendo uma potente causadora<br />
imunodeprimidos, onde já foram<br />
fumigatus, além de outras espécies<br />
de intoxicação crônica com os<br />
identificadas vinte espécies de<br />
como, por exemplo, A. fusarium. E<br />
primeiros sintomas de febre, fadiga,<br />
Aspergillus com potencial de causar<br />
conforme Oliveira et al., (2013), as<br />
dor na região abdominal, falta de<br />
infecções em humanos. Dentre<br />
principais fontes de alimentação<br />
apetite, manifestações alérgicas,<br />
essas espécies a que causa mais<br />
desses microorganismos são<br />
aspergiloses cutâneas, endocardite<br />
infecções é o Aspergillus fumigatus,<br />
os alimentos, que ao serem<br />
fúngica, aspergiloses cerebral,<br />
sendo o responsável por 90% delas.<br />
deteriorados liberam micropartículas<br />
dentre outras patologias.<br />
(JIANG et al., 2013).<br />
que são catabolizadas, causando<br />
uma contaminação tóxica no<br />
Os Aspergillus sp. têm ampla<br />
Assim, o objetivo do presente<br />
alimento através de microenzimas<br />
distribuição na natureza e é<br />
trabalho de revisão bibliográfica foi<br />
denominadas micotoxinas. Estas<br />
responsável por graves infecções, seu<br />
analisar a incidência de aspergilose no<br />
micotoxinas são denominadas de<br />
contágio se dá por via aérea, sendo<br />
Brasil e os impactos causados pelos<br />
metabólitos secundários tóxicos<br />
que os pacientes imunodeprimidos<br />
fungos Aspergillus sp em pacientes<br />
de fungos ambientais que se<br />
são os mais comprometidos,<br />
imunodeprimidos.<br />
<strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022<br />
33
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Metodologia<br />
Esse trabalho foi realizado<br />
utilizando-se de conhecimentos<br />
próprios da pesquisa científica que<br />
tem como um de seus princípios<br />
conceber norte à experiência<br />
cotidiana, exigindo-se, portanto,<br />
habilidades quanto ao rigor do<br />
planejamento, conhecimento e<br />
normas científicas.<br />
Diante disso, optou-se por utilizar<br />
a base de dados eletrônicos Scielo<br />
utilizando recorte temporal (de<br />
2012 a 2022). Os artigos foram<br />
selecionados conforme os seguintes<br />
descritores: Aspergillus; Infecções<br />
fúngicas; Aspergiloses.<br />
Resultados<br />
ionizantes com baixo peso molecular.<br />
Estudos recentemente publicados<br />
apontam uma taxa de mortalidade<br />
entre 40% e 90% por Aspergiloses<br />
(BADIE et al, 2012; TANASE et al,<br />
2012). A aspergilose constitui uma<br />
das maiores infecções silenciosas,<br />
contribui também para infecções<br />
graves como a doença pulmonar<br />
ARTIGO CIENTÍFICO II<br />
Tal importância se deve ao fato<br />
de que, as constantes mudanças<br />
e transformações que ocorrem<br />
no mundo, sejam elas de ordem<br />
históricas, sociais, econômicas,<br />
etc., que fazem com que a<br />
pesquisa científica se torne como<br />
uma fonte de descoberta para o<br />
desenvolvimento de atividades<br />
que facilitam a prática de ações<br />
do nosso cotidiano, exigindo<br />
para isso, capacidade analítica e<br />
aprofundamento do conhecimento<br />
como construção contínua.<br />
Ampla urgência com as<br />
Aspergiloses<br />
As aspergiloses são obrigatoriamente<br />
invasivas e adquiridas através da<br />
inalação dos esporos, disseminandose<br />
rapidamente para outros órgãos.<br />
As toxinas são acumulativas e<br />
obstrutiva crônica (DPOC), com alto<br />
risco de parada cardiorrespiratória,<br />
devido à alta taxa de mortalidade<br />
relacionada à falta de cura e<br />
diagnóstico rápidos perante esta<br />
enfermidade (SAVH et al, 2013;<br />
MARTIN et al, 2012).<br />
Dessa forma, a importância do<br />
estudo de revisão bibliográfica<br />
está centrada na oportunidade de<br />
aprofundamento em pesquisas<br />
que dão oportunidade de<br />
verificar determinado assunto,<br />
comparando-o no tempo.<br />
Fonte: Próprio autor, 2022<br />
<strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022<br />
39
Autores: Diego Lourenço Rodrigues, Leonardo de Paula Souza, Luiz Felipe da Rocha<br />
Suzuki, Marco Aurélio Mendonça Novaes, Daniela Santos Silva.<br />
ARTIGO CIENTÍFICO II<br />
Incidências de infecções por<br />
espécies de Aspergillus spp<br />
As principais aflatoxinas são B1,<br />
B2, G1 e G2, dentre elas a B1 é a<br />
que possui maior poder toxigênico<br />
e carcinogênico ao humano, pois<br />
suas propriedades teratogênicas<br />
e mutagênicas são de grande<br />
ionização de cadeia de DNA<br />
intracelular (DRUMOND et al,<br />
2012; FASSBINDE et al, 2010). Nos<br />
achados clínicos gerais no Brasil<br />
constatou-se, entre as infecções,<br />
febres persistentes em cerca de<br />
70,8% da população brasileira,<br />
33,3% em imagens radiográficas<br />
apresentaram derrame pleural por<br />
Aspergillus fusarium e Aspergillus<br />
sp. A maior preocupação é com<br />
as infecções por A. flavus onde<br />
foi constatado que, cerca de<br />
12,5% da população desenvolvem<br />
câncer ao se contaminar por esse<br />
fungo e também constataram-se<br />
histórias de infecções em pacientes<br />
imunodeprimidos nosocomiais. Foi<br />
constatado que 29,1% desenvolvem<br />
pneumonia por Aspergillus<br />
fumigatus levando a efísema<br />
pulmonar, 8,3% desenvolvem<br />
doenças pulmonares obstrutivas<br />
crônicas por Aspergillus fusarium.<br />
Cerca de 120 casos de infecções<br />
Fonte: Próprio autor, 2022<br />
Tabela 1 - Taxa de complicações clínicas sobre espécies de Aspergillus no Brasil.<br />
Fonte: FURB - Universidade de Blumenau. Disponível em:<br />
https: //www.furb.br/especiais/download/298652-921519/Micotoxinas.pdf. Acesso em: 12 agosto, 2021<br />
no Brasil ocorrem nos pulmões em<br />
pacientes imunodeprimidos, com<br />
neutropenias, desvio à esquerda,<br />
comprometimentos medular com<br />
probabilidade de transplante de<br />
medula óssea (LUIZ et al, 2015;<br />
CABRAL GALEANO et al, 2015;<br />
AZANZA JR, 2014).<br />
40 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022
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Autores: Felipe José Ferreira Gomes1; Rondinele Ribeiro Motta1.<br />
ARTIGO CIENTÍFICO II<br />
Dentre os doentes contaminados<br />
com Aspergillus, 7% a 14% são<br />
imunodeprimidos e estão em<br />
tratamento, desses doentes,<br />
1% a 15% desenvolve fibrose<br />
cística pulmonar. Dos fungos<br />
relatados como invasivos temos:<br />
Aspergillus fumigatus e Aspergillus<br />
nidulans (KOUSHA et al 2011).<br />
Aspergillus flavus possui uma<br />
substância denominada aflatoxina,<br />
considerada uma das substâncias<br />
mais tóxicas já produzidas<br />
por seres microscópicos. Em<br />
humanos, aflatoxicose, desenvolve<br />
micotoxina encontrada em<br />
produtos alimentícios e é produzida<br />
por fungos filamentosos e tem sido<br />
grande causadora de nefrotóxica,<br />
hepatotóxica, teratogênica,<br />
carcinogênica e por possuir<br />
propriedades imunossupressoras,<br />
pode levar o indivíduo à morte.<br />
Sendo que hoje no Brasil, a<br />
contaminação por alimentos tem<br />
se tornado um grande problema,<br />
pois junto à falta de fiscalização nos<br />
Tabela 1 - Principais infecções causadoras por fatores de micotoxinas<br />
gêneros e espécies.<br />
Fonte: FURB - Universidade de Blumenau. Disponível em:<br />
https: //www.furb.br/especiais/download/298652-921519/Micotoxinas.pdf - Acesso em: 12 agosto, 2021.<br />
comércios públicos, desencadeia<br />
a falta de controle da prevenção<br />
fúngica (MAIA, 2011; AL-SHEIK,<br />
2014; AGÊNCIA NACIONAL DE<br />
VIGILÂNCIA SANITÁRIA, 2011;<br />
MINISTERIO DA SAUDE et al,).<br />
Abaixo segue o gráfico 1 e tabela<br />
1 para o melhor entendimento<br />
das infecções por espécies de<br />
Aspergillus spp.<br />
42 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022
Sabendo assim que as ‘’Aflatoxinas<br />
B1’’ são uma toxina concentrada,<br />
podem sofrer alterações que se refletem<br />
em diferentes formas e dife-<br />
Já Aflatoxina B2 ainda é uma<br />
aflatoxina em estudo, porém<br />
ARTIGO CIENTÍFICO II<br />
conhecidas como agentes naturais<br />
mais carcinogênicos devido a sua<br />
elevada hepatoxidade e a sua<br />
maior concentração no substrato,<br />
tendo estrutura química que<br />
lhes permitem sofrer bioativação<br />
através das enzimas p450,<br />
estes que formam os maiores<br />
metabólitos carcinogênicos.<br />
Logo, as “Fumosinas, ácido<br />
funsário e tricotecenos”, são as<br />
três substâncias inibidoras de<br />
sínteses protéica RNA e DNA,<br />
inibidora de mitoses e lise celular<br />
(TIBOLA et al, 2015).<br />
Esterigmatocistina é usualmente<br />
causadora de doenças agudas ou<br />
crônicas. Estes efeitos podem ser<br />
rentes graus de toxicidade. Por outro<br />
lado, e não menos importante, há<br />
que ter presente que as micotoxinas<br />
terão uma influência distinta no ser<br />
humano devido às múltiplas suscetibilidades<br />
próprias de cada indivíduo.<br />
A esterigmatocistina tem uma estrutura<br />
muito semelhante à da aflatoxina<br />
B1, uma vez que é o seu precursor<br />
biossintético (PEREIRA et al, 2014).<br />
Ocratoxina A, já é da fenilalanina,<br />
sendo a hidroxilas catalisa a<br />
hidroxilação de fenilalanina em<br />
tirosina, esta toxina se liga à<br />
proteínas plasmáticas fazendo com<br />
que as micotoxinas permaneçam<br />
no sangue, intoxicando o<br />
organismo, pois se aderem ao<br />
que desencadeia sérios riscos<br />
aos humanos, sendo da mesma<br />
família da toxina de A. flavus<br />
aflatoxina B1, obteve-se grandes<br />
taxas de infecções pulmonares<br />
na forma aguda, a estimativa é<br />
que deve se manifestar em até<br />
12% das pessoas com leucemia<br />
mieloide aguda, ou seja, pacientes<br />
imunodeprimidos. Segundo a<br />
pesquisa e levantamento realizado<br />
em oito hospitais públicos do<br />
país, Aspergillus fumigatus pode<br />
proliferar nos pulmões por meio<br />
de estratégias distintas, por<br />
causa da capacidade de escapar<br />
das defesas do organismo e dos<br />
principais antifúngicos, os azoles<br />
(GIACOMAZZI et al, 2016).<br />
carcinogênicos, mutagênicos, terato-<br />
tecido durante longo período<br />
Além disso, foram levantados três<br />
gênicos, estrogênicos, hemorrágicos,<br />
evitando o desenvolvimento de<br />
relatos clínicos sobre casos de<br />
nefro e hepatotóxicos, neurotóxicos<br />
suas funções e manutenções<br />
infecção de Aspergillus em pacientes<br />
e/ou imunossupressores. Dependen-<br />
normais do organismo e reparação<br />
imunodeprimidos encontrados na<br />
do do metabolismo, as micotoxinas<br />
celular (DINIZ et al, 2015).<br />
base de dados da plataforma Scielo.<br />
<strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022<br />
43
Autores: Felipe José Ferreira Gomes1; Rondinele Ribeiro Motta1.<br />
ARTIGO CIENTÍFICO II<br />
O Primeiro caso observado foi de<br />
um Homem de 62 anos, no 16º<br />
Grocott, com características<br />
de Aspergillus sp, e a TC de<br />
O terceiro caso é de um homem<br />
de 32 anos de idade que não<br />
dia de pós-transplante autólogo<br />
tórax, realizada dois dias após<br />
recebia atendimento médico<br />
de medula óssea por linfoma de<br />
a<br />
laringotraqueobroncoscopia<br />
desde o diagnóstico de HIV há<br />
células do manto, apresentando<br />
mostraram progressão da<br />
um ano. Em dezembro de 2006, o<br />
quadro de neutropenia febril<br />
doença. A cultura do lavado<br />
paciente foi internado no Hospital<br />
associada à tosse seca e dispnéia.<br />
bronco alveolar foi positiva para<br />
Universitário de São Paulo, em<br />
Foi solicitada tomografia<br />
Aspergillus sp.<br />
Ribeirão Preto, SP, com alterações<br />
computadorizada (TC) de tórax<br />
comportamentais e hiperemia<br />
para pesquisa de foco infeccioso,<br />
Segundo caso observado é de uma<br />
do olho esquerdo e descarga<br />
que demonstrou espessamento<br />
mulher de 33 anos diagnosticada<br />
purulenta. O paciente estava<br />
traqueobrônquico<br />
difuso<br />
com HIV em 1997. Em abril de<br />
confuso, com ptose palpebral<br />
associado à densificação da<br />
2001, a paciente pesava 40 kg e<br />
esquerda e candidíase oral. Os<br />
gordura mediastinal adjacente.<br />
se queixava de tosse persistente,<br />
laboratoriais eram os seguintes:<br />
O paciente foi submetido à<br />
expectoração fétida, febre e<br />
hemoglobina 6,6 g / dL; leucócitos<br />
laringotraqueobroncoscopia,<br />
dor na parte superior do tórax<br />
1500 células / µL; 800 neutrófilos<br />
sendo observadas, na traquéia<br />
direito. A paciente possuía uma<br />
/ PL; 194.000 plaquetas / µL; e<br />
e na árvore brônquica, placas<br />
carga viral do HIV1 de 220.000<br />
alanina aminotransferase 49 UI /<br />
esbranquiçadas aderidas à<br />
cópias / µL, e um infiltrado<br />
L. O nível da carga viral do HIV1<br />
parede, porém destacáveis, com<br />
inflamatório em todo o lobo do<br />
foi inferior a 50 cópias / ml e a<br />
mucosa subjacente friável. Foi<br />
pulmão direito, onde demonstrou<br />
contagem de CD4 + foi de 84<br />
colhido lavado bronco alveolar<br />
um grande aspergiloma com<br />
células / µL. A punção intra-ocular<br />
do lobo inferior esquerdo e<br />
invasão do parênquima pulmonar<br />
produziu material vítreo contendo<br />
foram realizadas biópsias que<br />
circundante. A. fumigatus<br />
Aspergillus. A TC do tórax mostrava<br />
revelaram a presença de hifas<br />
foi isolado do escarro e os<br />
uma cavidade de paredes espessas<br />
com bifurcação em 45°, coradas<br />
títulos de anti- Aspergillus que<br />
com aspergiloma periférico no<br />
pelo método histoquímico de<br />
permaneceram em 1:64.<br />
lobo superior direito.<br />
44 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022
Autores: Diego Lourenço Rodrigues, Leonardo de Paula Souza, Luiz Felipe da Rocha<br />
Suzuki, Marco Aurélio Mendonça Novaes, Daniela Santos Silva.<br />
ARTIGO CIENTÍFICO II<br />
Discussão<br />
Um indivíduo é infectado por<br />
Aspergillus flavus. Em humanos,<br />
aflatoxicose desenvolve necrose,<br />
hemorragia no fígado, proliferação<br />
do ducto biliar, hemorragia<br />
gastrointestinal, icterícia e letargia,<br />
em caso de ingestão grande de<br />
amendoim contaminado, leva o<br />
indivíduo a aflatoxicose, levando o<br />
paciente a câncer hepático ou a morte<br />
letal, obtendo os fungos A. flavus<br />
a capacidade de se desenvolverem<br />
em temperaturas altas com baixas<br />
atividades de água (MURUNGA,<br />
2014; CARDOSO FILHO, 2011). As<br />
aspergiloses pulmonares invasivas<br />
são agora uma das principais causas<br />
mortes. Os fungos responsáveis são A.<br />
fumigatus; A. nidulans, como mostra<br />
a figura de colônias e microscopia dos<br />
fungos do gênero Aspergillus spp, de<br />
maiores incidências de infecções.<br />
Figura 1 – (A) acima microscopia<br />
de A. furmigatus, abaixo em Agar<br />
sabourand dextrose, colônias com<br />
bordas azul camurça com pequeno<br />
orifício ao meio de sua característica;<br />
(B) Acima microscopia de A. flavus<br />
logo sua colônia em Agar sabourand<br />
dextrose bordas brancas e centro verde<br />
camurça; (C) Acima microscopia de<br />
A. brasilenses, hifas pretas definindo<br />
característica A. brasilienses, abaixo<br />
Fonte: Fiocruz disponível em: http://www.fiocruz.br/ioc/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?sid=187<br />
Agar batata dextrose colônia com<br />
bordas brancas de algodão e meio<br />
preto com pequenos pontos brancos,<br />
colônia carmuça negra; (D) acima<br />
microscopia de A. nidulans hifas<br />
septada bem fácil de separar seus<br />
micelos por isso seus sintomas mais<br />
rápidos, abaixo sua colônia em Agar<br />
batata dextrose verde musgo, bem<br />
elevado; (E) Acima A. funsarium sem<br />
micelos, contendo bastantes hifas<br />
septadas emaranhadas, abaixo sua<br />
colônia em Agar TSA aspecto de<br />
algodão doce rosa claro, bem de<br />
sua característica.<br />
No entanto, as terapias antifúngicas<br />
vêm sendo defendidas pelas<br />
equipes médicas em pacientes<br />
com aspergiloses, neutropênicos,<br />
com manifestação de febre<br />
que não respondem ao uso de<br />
antifúngicos de amplo espectro<br />
prescritos pelos médicos. Outro<br />
fator é que também a identificação<br />
dos fungos é demorada, pois<br />
depende do seu crescimento em<br />
meio de cultura de 7 a 10 dias.<br />
Os antifúngicos mais usados são<br />
Anfotericina B e Vanconazol,<br />
cerca de (68,8%). Sendo que o<br />
uso destes tem 50% somente<br />
de eficácia em pacientes fora da<br />
margem de imunodeprimidos<br />
(DENNING et al, 2015).<br />
Os órgãos primários, como o<br />
fígado, sua exposição à aflatoxina<br />
B1 de A. flavus, ocorre necrose<br />
hepática, degeneração lipídica,<br />
46 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022
que consequentemente resulta em<br />
pacientes com carcinoma hepáticos<br />
nosocomiais, já se tem referências<br />
de 20 ug/dl de aflatoxina<br />
permitida, porém esta referência<br />
não é admissível totalmente para<br />
alimentos, pois não está claro<br />
quanto ao risco no desenvolvimento<br />
de sérias patologias, sabendo<br />
que doses dessas micotoxinas<br />
são acumulativas para os seres<br />
humanos (LIAO et al, 2013).<br />
A contaminação por Aspergillus flavus<br />
através de ingestão de amendoim<br />
contaminado, permite que os fungos<br />
filamentosos invadam os tecidos<br />
hepáticos, renais e endócrinos, onde<br />
ali realizam mitoses, produzem e<br />
liberam aflatoxinas constantemente,<br />
por consequência, produzirá efeitos<br />
toxicogênicos no organismo do<br />
indivíduo, onde após o primeiro<br />
metabolismo de passagem pelo<br />
fígado, irá ocorrer a formação<br />
de metabólitos ativos tóxicos,<br />
aumentando a transformação do<br />
agente tóxico em agente toxicogênico<br />
deixando seu poder toxigênico duas<br />
vezes mais potente do que aflatoxina<br />
pura. Nesse aspecto, denominase<br />
uma contaminação indireta por<br />
toxina realizando a todo o momento<br />
a grande circulação sanguínea,<br />
lesando fígado e rins por sobrecarga<br />
de agentes toxicogênicos e alguns<br />
dias podem ocorrer lesões renais pela<br />
circulação da aflatoxina que se liga<br />
aos ácidos nucléicos principalmente<br />
ao DNA, onde ocorre então uma<br />
ligação covalente entre a molécula<br />
de aflatoxina e o DNA mitocondrial<br />
de célula do fígado após o ataque<br />
de milhões de aflatoxinas que estão<br />
pressentes na corrente sanguínea e<br />
veia porta hepático e por si próprio<br />
localizadas no fígado, com essa<br />
ligação ocorrem mutações onde<br />
alteram os códons, proteínas DNAdexoribonucleotidios,<br />
alterando<br />
assim a seqüência do DNA. Com essa<br />
sequência alterada a célula muda<br />
totalmente seu comportamento,<br />
passando a ser uma célula neoplásica,<br />
aumentando suas sínteses protéicas<br />
constantemente com freqüências e<br />
realizando mitoses descontroladas,<br />
causando o câncer hepático. Sabendo<br />
que a grande fonte de contaminação<br />
aos humanos de Aspergillus spp é o<br />
alimento e a segunda fonte hospitais<br />
e pacientes imunodeprimidos. Assim<br />
temos os fungos A. furmigatus; A.<br />
nodulans, hoje em dia, os maiores<br />
causadores das principais mortes<br />
pulmonares invasivas e osteomelites<br />
fungicas crônicas (SELIM et al, 2014;<br />
JIANG et al, 2013).<br />
Os sintomas das infecções são<br />
parecidos com os sintomas de<br />
outras doenças as demais, sintomas<br />
clínicos, porém em resultados de<br />
corticóides na infecção pulmonar<br />
por Aspergillus spp, para um melhor<br />
diagnostico é usada kit de ELISA<br />
(platéia Aspergillus EIA), onde<br />
são usadas para diagnósticos de<br />
aspergiloses invasivas referentes aos<br />
sintomas citados nesta pesquisa,<br />
baseada na técnica de sanduíche,<br />
utilizando anticorpos monoclonais,<br />
teste de pesquisa direta Ant - AG<br />
para Aspergillus spp, sabendo<br />
assim que estes testem reagem<br />
com diversas espécies A. flavus;<br />
A. brasilienses; A. funsariuns; A.<br />
fumigatus; A. nidulans (TÃNASE et<br />
al, 2012). Por imagem também é<br />
realizado diagnóstico em suspeita<br />
ARTIGO CIENTÍFICO II<br />
<strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022<br />
47
Autores: Diego Lourenço Rodrigues, Leonardo de Paula Souza, Luiz Felipe da Rocha<br />
Suzuki, Marco Aurélio Mendonça Novaes, Daniela Santos Silva.<br />
ARTIGO CIENTÍFICO II<br />
de sintomatologia pulmonar, assim<br />
o acometimento leva o aumento<br />
de muco, resultando em danos<br />
na parede brônquica, muco e<br />
bronquiectasias (ALVES et al,<br />
2016). Segue a imagem abaixo da<br />
aspergilose spp pulmonar:<br />
Figura 2<br />
Aspergilose broncopulmonar com<br />
espaçamento parental brônquico<br />
indicado pelas setas<br />
Fonte: Torres PPTS et al., 2022/ Doenças fúngicas: sinais e padrões tomográficos.<br />
Devido à falta e dificuldade com o<br />
tratamento da doença, associado<br />
à urgência de Aspergiloses, nos<br />
confirma mais ainda que os<br />
diagnósticos de aspergiloses<br />
venham sendo confirmados e<br />
diagnosticados em autópsia,<br />
alertando assim os pesquisadores<br />
e as equipes médicas que o<br />
diagnóstico precoce é essencial<br />
para um rápido tratamento<br />
da enfermidade, sendo isso<br />
possível com a facilidade de<br />
acesso a anticorpos prontos anti<br />
aspergiloses. As infecções por<br />
Aspergillus spp ainda consituem<br />
um grande desafio para a medicina,<br />
causando grande impacto na saúde<br />
Brasileira (MONTEIRO et al, 2012).<br />
Conclusão<br />
Portanto deve-se ressaltar que<br />
a flora principal microbiana de<br />
contaminação fúngica primária<br />
vem dos alimentos aos humanos,<br />
a segunda fonte de contaminação<br />
vem de meios nosocomias, sabendo<br />
assim que Aspergillus flavus é<br />
um dos menores causadores de<br />
infecções. Porém, suas causas<br />
patológicas são as mais urgentes e<br />
de grande impacto ao paciente com<br />
as infecções, causando necroses<br />
e neoplasias em órgãos. Deve se<br />
atentar que Aspergillus brasilenses<br />
vem sendo o terceiro no ranking de<br />
infecções sistêmicas e bronquites<br />
fúngicas, logo como segundo lugar<br />
de infecções apresenta Aspergillus<br />
nidulans e primeiros com maiores<br />
infecções pulmonares invasivos<br />
cronicas Aspergillus formigatus.<br />
Nesse contexto e índices neste<br />
ano de 2022, podemos alertar<br />
a vigilância sanitária a melhor<br />
fiscalização em indústrias<br />
alimentícias, a pesquisas de novas<br />
fórmulas de fármacos ou soros<br />
antifúngicos ou anti-aflatoxinas<br />
B1, na busca de melhorias para a<br />
saúde Brasileira.<br />
Confira a referência bibliográfica em:<br />
www.newslab.com.br/referencias-newslab<strong>172</strong><br />
48 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022
ARTIGO CIENTÍFICO II<br />
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<strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022<br />
49
ARTIGO CIENTÍFICO III<br />
PROTEÍNA TAU E AS DOENÇAS<br />
NEURODEGENERATIVAS<br />
Autor:<br />
Fabiano de Abreu Rodrigues<br />
* Imagem ilustrativa<br />
Resumo<br />
A proteína Tau faz parte da família das proteínas associadas aos<br />
microtúbulos (microtubule-associated proteins - MAP) e sua principal<br />
função é a de estabilizar os microtúbulos pela agregação da tubulina.<br />
Esta proteína atua no controle da dinâmica dos microtúbulos durante<br />
a maturação e o crescimento dos neuritos, sendo considerada a maior<br />
proteína do citoesqueleto e sua hiperfosforilação tem consequência<br />
nas funções biológicas e morfológicas nos neurônios. O objetivo do<br />
presente estudo é compreender as funções da proteína Tau, bem como<br />
sua relação com as doenças neurodegenerativas. Trata-se de uma<br />
revisão de literatura nos portais científicos SciELO, PubMed e Science<br />
Direct com os seguintes termos em português: neurociência, proteína<br />
tau, doenças neurodegenerativas e em inglês: neuroscience, tau<br />
protein, neurodegenerative diseases. As doenças neurodegenerativas<br />
estão associadas aos neurofilamentos e/ou agregados de proteína<br />
Tau e o processo de hiperfosforilação da proteína enriquece a<br />
formação destes agregados, consequentemente bloqueando o tráfego<br />
intracelular de proteínas neurotróficas e demais proteínas funcionais, e<br />
consequente perda ou diminuição do declínio no transporte axonal ou<br />
dendrítico nos neurônios.<br />
Palavras-Chave: Neurociência. Proteína tau. Doenças Neurodegenerativas.<br />
50 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022
Introdução<br />
Nos mamíferos, somente as pequenas<br />
proteína quinase não dirigida<br />
ARTIGO CIENTÍFICO III<br />
proteínas Tau, são encontradas<br />
por prolina e proteína quinase<br />
Proteínas Tau<br />
A proteína Tau é parte da família das<br />
proteínas associadas aos microtúbulos<br />
(microtubule-associated proteins -<br />
MAP) e exerce a função de estabilizar<br />
os microtúbulos pela agregação<br />
da tubulina (Pîrşcoveanu, 2017). O<br />
gene desta proteína está localizado<br />
no braço longo do cromossomo<br />
no cérebro, sendo assim, elas não<br />
apresentam nenhuma inserção<br />
3R em suas estruturas. Quando<br />
pensamos no cérebro adulto, são<br />
expressas as isoformas 3R e 4R.<br />
Sendo que a relação entre ambas é<br />
de 1:1, estando relacionadas com a<br />
neurodegeneração (Martin, 2013).<br />
dirigida por prolina (prolinedirected<br />
kinase) (Martin, 2013).<br />
Nos tecidos cerebrais, o estado de<br />
fosforilação da Tau é demonstrado<br />
a partir da ação conjunta de<br />
diversas quinases e fosfatases,<br />
sendo assim, algumas operam<br />
coordenadamente para regular<br />
17 (17q21) e possui 16 éxons. No<br />
Podem ser encontradas de maneira<br />
sua fosforilação (Martin, 2013).<br />
cérebro ela é caracterizada como uma<br />
solúvel ou insolúvel, sendo a última<br />
proteína solúvel, com seis isoformas<br />
encontrada nos filamentos helicoidais<br />
Funções e importância<br />
derivadas do splicing alternativo de<br />
RNAm e composta por 352 a 441<br />
resíduos de aminoácidos com peso<br />
molecular aproximado de 37 a 46<br />
kDa (Pîrşcoveanu, 2017). O splicing<br />
alternativo dos éxons 2, 3 e 10<br />
provém da presença de seis distintas<br />
isoformas que possuem, uma, duas<br />
ou nenhuma inserção no segmento<br />
pareados (FHP) que se encontram de<br />
seis a oito grupos fosfato por molécula<br />
de proteína Tau (Martin, 2013).<br />
In vitro, a fosforilação da Tau<br />
acontece através da ação de mais de<br />
dez quinases, ligadas nos sítios de<br />
treonina. Tais quinases, são divididas<br />
A proteína Tau atua no controle da<br />
dinâmica dos microtúbulos durante<br />
a maturação e o crescimento dos<br />
neuritos. Considerada assim, como<br />
a maior proteína do citoesqueleto,<br />
a hiperfosforilação da Tau atua<br />
diretamente nas funções biológicas<br />
e morfológicas nos neurônios<br />
aminoterminal (Martin, 2013).<br />
em dois grandes grupos de proteína:<br />
(Jouanne, 2017).<br />
<strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022<br />
51
Autor: Fabiano de Abreu Rodrigues<br />
ARTIGO CIENTÍFICO III<br />
Ela promove a relação entre a<br />
porém, sabe-se que ela atua na<br />
Enzima GSK-3β<br />
actina e os neurofilamentos,<br />
regulação da formação das sinapses,<br />
A glicogênio sintase quinase 3<br />
sugerindo uma inter-relação nos<br />
neuroplasticidade, e exportação de<br />
(GSK-3-β) é uma serino-quinase,<br />
microtúbulos com os demais<br />
ferro (Srivastava, 2019). Também<br />
que inicialmente foi isolada como<br />
componentes do citoesqueleto. Tais<br />
é precursora da proteólise do beta-<br />
uma enzima capaz de fosforilar<br />
interações permitem ligações entre<br />
amiloide, que é um peptídeo com<br />
e inativar a enzima glicogênio<br />
microtúbulos e mitocôndrias (Martin,<br />
37 a 49 aminoácidos com forma<br />
sintase. Em mamíferos existem duas<br />
2013). A maturação do sistema<br />
fibrilar amiloide, sendo sua principal<br />
formas da enzima GSK-3-β, sendo<br />
nervoso central, com a progressiva<br />
função compor as placas de amiloide<br />
codificadas em GSK3α e GSK3β. A<br />
ativação das fosfatases, ocorre por<br />
que se encontram no cérebro de<br />
primeira possui massa de 51kDa,<br />
meio da hiperfosforilação anormal<br />
indivíduos com doença de Alzheimer<br />
enquanto a segunda possui 47kDa.<br />
da proteína Tau, através da atividade<br />
(Srivastava, 2019).<br />
Essa diferença é graças a extensão<br />
das tauquinases, da subsensibilização<br />
rica em aminoácido glicina na região<br />
das suas fosfatases ou de ambos os<br />
As placas de beta-amiloide surgem do<br />
N-terminal da GSK3α (Mancinelli,<br />
mecanismos (Martin, 2013).<br />
acúmulo da proteína beta-amiloide<br />
2017). Apesar de haver uma<br />
(que é solúvel) no cérebro, formando<br />
alta homologia dentro de seus<br />
Proteína Beta-amiloide<br />
depósitos sólidos. Este acúmulo, surge<br />
domínios quinase (98%), os dois<br />
A proteína precursora de amiloide<br />
nas imagens do tecido cerebral como<br />
produtos compartilham somente<br />
(PPA) possui maior concentração nas<br />
borrões escuros, acontecendo fora das<br />
36% de identidade nos últimos 76<br />
sinapses dos neurônios. Sua principal<br />
células e muito antes dos primeiros<br />
resíduos de aminoácidos C-terminais<br />
função, ainda é desconhecida,<br />
sinais da doença (Gouras, 2015).<br />
(Mancinelli, 2017).<br />
52 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022
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Autor: Fabiano de Abreu Rodrigues<br />
ARTIGO CIENTÍFICO III<br />
Antigamente, acreditava-se que<br />
divisão celular, apoptose e função<br />
as funções da proteína Tau, bem<br />
a GSK3 fosse uma proteína<br />
dos microtúbulos (Yang, 2017).<br />
como sua relação com as doenças<br />
quinase com função confinada<br />
neurodegenerativas.<br />
ao metabolismo do glicogênio,<br />
Já foi demonstrado também que as<br />
porém atualmente, sabe-se que<br />
células desenvolvem mecanismos<br />
Desenvolvimento<br />
exerce importância na regulação de<br />
para parar a atividade da GSK3<br />
Trata-se de uma revisão de literatura<br />
diversas funções celulares, como por<br />
em resposta a diversos sinais que<br />
nos portais científicos SciELO, PubMed e<br />
exemplo a sinalização pela insulina,<br />
estão conectados de uma forma<br />
Science Direct, com os seguintes termos<br />
fatores de crescimento e nutrientes<br />
intrigante pela especificidade única<br />
em português: neurociência, proteína<br />
e a especificação dos destinos das<br />
desta enzima pelo substrato (Yang,<br />
Tau, doenças neurodegenerativas e<br />
células durante o desenvolvimento<br />
2017). Sendo assim, o objetivo do<br />
em inglês: neuroscience, Tau protein,<br />
embrionário, além de controle da<br />
presente estudo é compreender<br />
neurodegenerative diseases.<br />
Figura 1 - Diferenças esquemáticas entre um neurônio saudável (A) e um neurônio de um paciente com DA (B)<br />
Fonte: Adaptado de Rey, N.A. et al. 2016<br />
54 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022
Resultados<br />
segunda estuda as formas familiares<br />
Tau estabilizar os microtúbulos,<br />
ARTIGO CIENTÍFICO III<br />
Doença neurodegenerativa é o termo<br />
da doença, identificando genes<br />
comprometendo a dinâmica<br />
denominado para as doenças que<br />
defeituosos que causam diferentes<br />
microtubular e consequentemente o<br />
atacam o sistema nervoso. A principal<br />
variantes patológicas (Hou, 2019).<br />
transporte intraneuronal, apresentando<br />
característica e mais comum entre<br />
assim efeitos deletérios nos processos<br />
as patologias deste grupo é a morte<br />
Tais doenças com a associação de<br />
celulares (Rusek, 2019). Tais erros<br />
dos neurônios. Como exemplos<br />
neurofilamentos e/ou agregados<br />
na atuação da proteína podem<br />
mais comuns tem-se: doença de<br />
de proteína Tau são denominados<br />
alterar o transporte axonal, que são<br />
Alzheimer (DA), Parkinson, esclerose<br />
em quatro grupos: doença<br />
fatores primordiais para manter a<br />
múltipla, esclerose lateral amiotrófica<br />
poliglutamínica, doenças com<br />
homeostase neuronal. O processo para<br />
(ELA), Huntington (Hou, 2019)<br />
ubiquitina, tauopatias e alfa-<br />
regular a dinâmica dos microtúbulos<br />
sinucleinopatias (Hou, 2019). Sendo<br />
(estabilização e desestabilização)<br />
Atualmente vem surgindo um<br />
assim, o acúmulo intracelular da<br />
fator importante para que ocorra<br />
crescimento dos estudos em relação<br />
proteína Tau hiperfosforilada em<br />
a preservação da morfologia e das<br />
às doenças neurodegenerativas,<br />
neurônios ou células gliais, é um<br />
funções celulares (Rusek, 2019).<br />
seguindo duas linhas de pesquisa<br />
importante marcador biológico das<br />
principais: estudo da bioquímica<br />
tauopatias (Rusek, 2019).<br />
A adição da expressão da Tau, leva<br />
das lesões patológicas que definem<br />
a alterações na morfologia celular,<br />
e identificam a doença por seus<br />
A hiperfosforilação induz a diminuição<br />
diminuindo seu crescimento,<br />
componentes moleculares e a<br />
da capacidade de a proteína<br />
provocando assim alterações<br />
<strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022<br />
55
Autor: Fabiano de Abreu Rodrigues<br />
ARTIGO CIENTÍFICO III<br />
importantes na distribuição de<br />
de placas amiloides e emaranhados<br />
amiloides (A-beta) produzidos<br />
organelas que são conduzidas através<br />
neurofibrilares, tais como perdas<br />
por meio da clivagem da proteína<br />
das proteínas motoras dependentes<br />
sinápticas, degeneração neuronal<br />
precursora amiloide (APP) pela<br />
de microtúbulos (Bakota, 2016). A<br />
(apoptose), infiltrado inflamatório<br />
enzima alfa-secretase seguida da<br />
hiperfosforilação da Tau no citosol<br />
e angiopatia amiloide. As placas<br />
gama-secretase (via amiloidogênica)<br />
atua nos estágios iniciais do processo<br />
senis são depósitos extracelulares<br />
formando fragmentos peptídicos com<br />
de degeneração neurofibrilar,<br />
esféricos de agregados insolúveis<br />
alto potencial tóxico, pois podem<br />
induzindo mudanças em sua<br />
da proteína beta-amiloide, estando<br />
se agregar, gerando a formação de<br />
agregação (Bakota, 2016). A proteína<br />
localizadas no sistema límbico<br />
placas amiloides insolúveis.<br />
Tau, em indivíduos com doença de<br />
(hipocampo, córtex entorrinal,<br />
Alzheimer, não atua corretamente,<br />
amígdala e em algumas áreas<br />
Em indivíduos com doença de<br />
ela se separa dos microtúbulos e<br />
corticais e subcorticais) (Soria, 2019).<br />
Alzheimer, a A-beta-40 (peptídeo<br />
cria formas desorganizadas que<br />
beta-amiloide de 40 aminoácidos<br />
obstruem os mesmos, porém não<br />
Os agregados neurofibrilares são<br />
de extensão) é desenvolvida<br />
se sabe ainda o que provoca tais<br />
grupos intracitoplasmáticos de<br />
em pequenas quantidades,<br />
processos (Bakota, 2016).<br />
filamentos helicoidais pareados,<br />
enquanto há uma superprodução<br />
compostos pela proteína Tau<br />
de A-beta-42, que é mais tóxica<br />
O substrato neuropatológico da<br />
hiperfosforilada. As placas senis são<br />
devido seu potencial de agregação<br />
doença de Alzheimer é a presença<br />
provenientes de peptídeos beta-<br />
ser superior (Srivastava, 2019).<br />
56 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022
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57
Autor: Fabiano de Abreu Rodrigues<br />
ARTIGO CIENTÍFICO III<br />
Uma das funções da GSK3 é a regulação<br />
positiva no processo inflamatório,<br />
sendo importante devido a diversas<br />
doenças terem como característica<br />
comum a inflamação crônica. Como<br />
por exemplo: doenças psiquiátricas<br />
(com foco no transtorno do humor<br />
bipolar), doenças neurodegenerativas<br />
(doença de Alzheimer), diabetes e<br />
câncer (Srivastava, 2019).<br />
A inflamação na parte central do<br />
sistema nervoso é quantificada por<br />
meio da microglia e pelos astrócitos,<br />
assim como, as células que se<br />
infiltram, contribuindo para uma<br />
grande variedade de patologias,<br />
tais como: a esclerose múltipla,<br />
transtornos do humor e doenças<br />
neurodegenerativas, incluindo<br />
doença de Alzheimer. Essa<br />
inflamação periférica é mediada, em<br />
Figura 2 - Mecanismos de ação da GSK3<br />
Fonte: Adaptado de Martins, LM. 2013<br />
parte, por monócitos e macrófagos, e a<br />
GSK3 favorece condições inflamatórias<br />
como colite e artrite. Inflamação local,<br />
como a produção de citosina através<br />
dos adipócitos e pode contribuir<br />
Conclusão<br />
As proteínas Tau, produto de splicing<br />
alternativo (processo pelo qual éxons<br />
de um transcrito primário são clivados<br />
em locais diferentes na molécula<br />
ao desenvolvimento de diabetes de RNA recém-sintetizada) de um<br />
podendo ser influenciada pela GSK3<br />
ativa. A inflamação também pode<br />
contribuir para numerosos tipos de<br />
único gene, são abundantes nos<br />
neurônios do sistema nervoso central<br />
e responsáveis pela estabilidade dos<br />
câncer (Martins, 2013).<br />
microtúbulos (estruturas protéicas<br />
58 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022
ARTIGO CIENTÍFICO III<br />
que fazem parte do citoesqueleto e<br />
são formados pela polimerização das<br />
proteínas tubulina e almetralopina).<br />
Quando possuem defeito, não<br />
estabilizam bem os microtúbulos<br />
levando ao aparecimento de estados<br />
de demência.<br />
A presença de Aβ (Beta-amiloide)<br />
leva os neurônios a hiperfosforilar<br />
a proteína Tau de ligação do<br />
microtúbulo e este nível aumentado<br />
redistribui a Tau no interior do<br />
axônio para os dendritos e corpo<br />
celular gerando aglomerados; este<br />
processo vai resultar em disfunção ou<br />
morte neuronal levando a doenças<br />
neurodegenerativas.<br />
As placas, depósitos anormais de<br />
fragmentos de proteína, se agrupam<br />
entre os neurônios que contém<br />
um emaranhado neurofibrilar<br />
formado por filamentos torcidos<br />
de outra proteína. Essas placas<br />
são formadas quando pedaços de<br />
proteínas chamados beta-amiloide<br />
se agrupam, e sendo quimicamente<br />
“pegajosos” se juntando e formando<br />
placas. Os pequenos agrupamentos<br />
bloqueiam a sinalização entre os<br />
neurônios nas sinapses e podem<br />
ativar células do sistema imunológico<br />
causando inflamações e devorando<br />
células deficientes.<br />
A GSK-3 é uma serina-treonina<br />
quinase dirigida por prolina que foi<br />
inicialmente identificada como um<br />
agente fosforilador e inativador do<br />
glicogênio sintase. Duas isoformas,<br />
alfa e beta, mostram um alto grau de<br />
homologia de aminoácidos. GSK-3-<br />
Beta está envolvida no metabolismo<br />
energético, no desenvolvimento de<br />
células neuronais e na formação de<br />
padrões corporais. A GSK-3 tem sido<br />
objeto de pesquisas, uma vez que está<br />
relacionado a uma série de doenças,<br />
incluindo diabetes tipo 2, doença<br />
de Alzheimer, inflamação, câncer e<br />
transtorno bipolar.<br />
Sabendo-se destes efeitos, alguns<br />
estudos encontraram ligação do<br />
mineral lítio, encontrado em grãos,<br />
carne bovina, ovos e verduras, como<br />
efeito neuroprotetor inibindo a<br />
enzima GSK-3-Beta que tem um<br />
papel importante na degeneração<br />
de neurônios. Sugerindo que a<br />
inibição da atividade da GSK-3-Beta<br />
com tratamento crônico com lítio<br />
em neurônios hipocampais obtendo<br />
efeito contrário em neurônios corticais<br />
e sem alterações na proteína Tau.<br />
Confira a referência bibliográfica em:<br />
www.newslab.com.br/referencias-newslab<strong>172</strong><br />
<strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022<br />
59
GESTÃO LABORATORIAL<br />
LABORATÓRIOS CLÍNICOS: “QUO VADIS”?<br />
Por Humberto Façanha da Costa Filho<br />
As incertezas do mundo atual<br />
e, especialmente o mercado das<br />
análises clínicas, tornam pertinente<br />
a pergunta. Tenho escrito sobre este<br />
tema ao longo dos últimos anos e,<br />
por incrível que pareça, ele se torna<br />
cada vez mais atual. Ao me apropriar<br />
da expressão latina “Quo Vadis”,<br />
quero mostrar usando todo o seu<br />
simbolismo, a importância que os<br />
gestores devem dar ao mercado,<br />
quais são os caminhos que os<br />
laboratórios devem seguir para além<br />
da sobrevivência, buscarem os justos<br />
lucros, aumentando a produtividade,<br />
por conseguinte a competitividade<br />
com a devida redução do risco<br />
de insolvência. Cunhei nos livros<br />
que escrevi, as expressões “1ª e 2ª<br />
Disrupção” para identificar as grandes<br />
transformações ocorridas no mercado<br />
das análises clínicas. Ninguém duvida<br />
que nada é permanente e que<br />
somente os que tiverem capacidade<br />
de se adaptarem mais rapidamente às<br />
mudanças, sobreviverão. Contudo, é<br />
válido ressaltar as mudanças drásticas,<br />
aquelas que ocorrem em um período<br />
menor e que resultam em impactos<br />
mais significativos nos paradigmas<br />
vigentes. Foi o que aconteceu no fim<br />
do século passado (1ª disrupção)<br />
que marcou de forma indelével a<br />
ruptura do equilíbrio entre demanda<br />
e oferta de exames, causando uma<br />
queda geral na precificação dos<br />
exames. As causas fundamentais<br />
foram a produção industrial<br />
de exames e a socialização da<br />
medicina. Já na segunda década do<br />
século 21, temos a 2ª disrupção, onde<br />
os efeitos da primeira permanecem e,<br />
adicionalmente ocorre a 4ª revolução<br />
industrial, tipificada nas análises<br />
clínicas pela massificação dos Testes<br />
Laboratoriais Portáteis (TLP), também<br />
conhecidos como “Testes rápidos”;<br />
novos modelos de negócios (por<br />
exemplo, o Hilab, a telemedicina etc.);<br />
crescente avanços tecnológicos em<br />
dispositivos, equipamentos e serviços<br />
de monitoramento residencial; foco<br />
em telemetria, dispositivos, artefatos,<br />
sensores e outros equipamentos<br />
acoplados aos smartphones e<br />
voltados a personalização dos<br />
serviços de cuidado pessoal; soluções<br />
tecnológicas que irão exigir grande<br />
capacidade para lidar com enorme<br />
volume de dados aliada à velocidade<br />
de processamento, na área da saúde.<br />
Isto deverá proporcionar transformar<br />
rapidamente registros clínicos em<br />
informação para a tomada de decisão<br />
em favor dos pacientes. Sistemas<br />
de Apoio à Decisão - SAD; novos<br />
“entrantes” na área de auxílio ao<br />
diagnóstico médico: equipamentos<br />
que utilizam pequenos volumes de<br />
amostra (uma gota...) para realizar<br />
centenas de exames; laboratórios<br />
portáteis, exames remotos e junto aos<br />
pacientes, dentre outras características<br />
decorrentes, fundamentalmente,<br />
da “miniaturização” ocorrida nos<br />
processadores, na mecatrônica,<br />
na realidade ampliada, na internet<br />
das coisas, etc. Tudo isto, aliado<br />
às consequências da pandemia,<br />
está impactando profundamente o<br />
mercado dos laboratórios clínicos,<br />
criando novas exigências para serem<br />
atendidas: concorrências de novos<br />
entrantes no mercado, farmácias,<br />
clínicas populares e correlatos; a<br />
crescente conscientização da saúde<br />
pessoal deverá modificar o perfil de<br />
sociedade, com novas exigências e<br />
orientações dogmáticas em saúde;<br />
os laboratórios clínicos deverão sair<br />
da sede física para chegar junto aos<br />
pacientes, médicos, fornecedores e<br />
pagadores dos serviços (convênios...),<br />
através da conectividade eletrônica;<br />
deverá haver necessidade crescente<br />
de reduzir o prazo de entrega dos<br />
exames (menor tempo de resposta);<br />
necessidade da união entre os serviços<br />
de diagnósticos por imagem com<br />
os laboratórios clínicos, junções,<br />
fusões, aquisições buscando soluções<br />
ecologicamente corretas; deverá haver<br />
uma contínua pressão descendente<br />
de preços, no entanto, o mercado vai<br />
ser compensado por um aumento<br />
no volume; deverá ocorrer uma<br />
verticalização violenta do mercado<br />
das análises clínicas; incremento das<br />
fusões e aquisições gerando novos<br />
grandes conglomerados, ameaçando<br />
ainda mais os pequenos e médios<br />
62 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022
laboratórios. Pois bem, após essas<br />
duas disrupções detalhadas,<br />
resultou um mercado altamente<br />
desfavorável aos pequenos e<br />
médios laboratórios. Estes, para<br />
aumentar a chance de sobreviverem,<br />
deverão ter as características<br />
do que convencionei chamar de<br />
“LABORATÓRIO METAVERSO”.<br />
Adicionalmente, o Brasil e o mundo,<br />
estão entrando numa espiral de<br />
inflação crescente, acompanhada<br />
de uma estagnação do PIB, de uma<br />
forma geral, tornando muito possível<br />
a terrível estagflação (recessão em<br />
conjunto com inflação). Para os<br />
pequenos e médios laboratórios, a<br />
existência de um processo inflacionário<br />
em torno dos dois dígitos, poderá<br />
levar a uma situação de absoluto<br />
descontrole econômico e financeiro,<br />
inclusive, ocasionando uma onda<br />
de falência destas organizações. O<br />
motivo, a razão disto é muito simples,<br />
não obstante, a grave repercussão: as<br />
consequências das duas disrupções<br />
estão presentes, estão em vigência,<br />
portanto, OS PREÇOS DOS<br />
EXAMES CONTINUAM EM PLENA<br />
CONTENÇÃO, contudo, os CUSTOS<br />
FIXOS E VARIÁVEIS estão em<br />
PLENA EXPANSÃO. E, a capacidade<br />
de negociação dos pequenos<br />
e médios laboratórios é pífia<br />
perante o poder dos clientes<br />
institucionais (Governo Federal,<br />
Estadual e Planos de saúde em<br />
geral). A combinação destes fatores,<br />
se o CENÁRIO INFLACIONÁRIO persistir,<br />
fará os laboratórios enfrentarem A<br />
MAIOR CRISE DA HISTÓRIA, uma<br />
vez que, NÃO TÊM CAPACIDADE DE<br />
BARGANHAR com os referidos clientes,<br />
na mesma taxa de crescimento<br />
dos seus custos, sejam fixos ou<br />
variáveis, gerando um descompasso<br />
entre as receitas e os custos, com as<br />
consequências óbvias: redução dos<br />
lucros, prejuízos, endividamento,<br />
empréstimos bancários, inadimplência<br />
com fornecedores etc. Portanto,<br />
REZEM para que a inflação volte para<br />
patamares civilizados! Voltando<br />
a pergunta do título do artigo<br />
“Aonde vais”? Quais são os<br />
caminhos que os laboratórios<br />
devem seguir para além da<br />
sobrevivência, buscarem os<br />
justos lucros, aumentando a<br />
produtividade, por conseguinte<br />
a competitividade com a devida<br />
redução do risco de insolvência?<br />
Esta é a famosa pergunta de um milhão<br />
de dólares, creio que neste caso, vale<br />
até mais do que isto. Pessoalmente<br />
tenho refletido muito sobre este<br />
assunto e, tenho algumas pistas,<br />
algumas ideias que podem ajudar a<br />
minimizar o problema. Solucioná-lo<br />
na totalidade, não creio. Esta (solução)<br />
virá pelo próprio mercado. Esperando<br />
termos contribuído para os negócios<br />
na área das análises clínicas, nos<br />
despedimos até a próxima edição da<br />
revista NewsLab, onde debateremos<br />
as ideias citadas anteriormente e os<br />
laboratórios Metaverso.<br />
Boa sorte e sucesso!<br />
Humberto Façanha<br />
51-99841-5153<br />
humberto@unidosconsultoria.com.br<br />
www.unidosconsultoria.com.br<br />
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Desafios econômicos durante e pós pandemia?<br />
Humberto Façanha<br />
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PARA PEQUENOS E MÉDIOS LABORATÓRIOS!<br />
*Humberto Façanha da Costa Filho<br />
Professor e engenheiro, atualmente é articulista e consultor financeiro<br />
da SBAC, professor do Centro de Ensino e Pesquisa em Análises Clínicas<br />
(CEPAC) da Sociedade Brasileira de Análises Clínicas (SBAC) e professor<br />
do Instituto Cenecista de Ensino Superior de Santo Ângelo (IESA),<br />
curso de Pós-Graduação em Análises Clínicas.<br />
www.unidosconsultoria.com.br<br />
63
PUBLIEDITORIAL<br />
EM DESTAQUE<br />
DIGITAL DAY: A QIAGEN APRESENTOU SUA SOLUÇÃO DE PCR DIGITAL<br />
A PESQUISADORES DOS SETORES ACADÊMICO, PRIVADO E INDUSTRIAL, EM SÃO PAULO<br />
Multinacional líder em tecnologia para diagnósticos moleculares reuniu executivos e lideranças do setor para apresentar os benefícios<br />
associados à inovação da técnica de PCR, condição essa que impacta as pesquisas científicas em diversos âmbitos no país.<br />
No último dia 29 de junho, a QIAGEN,<br />
multinacional alemã, líder em tecnologia para<br />
diagnósticos moleculares, promoveu na capital<br />
paulista o Digital Day - a Nova Era da PCR.<br />
Reunindo executivos, pesquisadores e lideranças<br />
da área da saúde, a companhia apresentou sua<br />
solução de PCR digital, o QIAcuity, um sistema<br />
preciso e moderno que promete revolucionar o<br />
ecossistema de pesquisas e estudos relacionados<br />
aos diagnósticos laboratoriais do país.<br />
“Em primeiro lugar, ter a possibilidade de interagir<br />
novamente com nossos clientes e parceiros. Sentir o<br />
mercado e entender melhor as tendências, pontos<br />
de atenção e oportunidades. O Digital Day é um<br />
evento científico que busca compartilhar com nossos<br />
clientes o que há de mais avançado na tecnologia<br />
à serviço das ciências da vida. Seja no âmbito<br />
da pesquisa, clínica ou indústria, as inovações<br />
tecnológicas e digitais são fundamentais para<br />
acelerar os avanços da humanidade, e a QIAGEN<br />
traz no seu DNA a missão de entregar aos seus<br />
Afif Abdel – Diretor Global de Marketing Estratégico na QIAGEN.<br />
clientes soluções eficientes e integradas que buscam<br />
o melhoramento da vida em todos os seus aspectos.<br />
Eventos como esse nos ajudam nessa missão”,<br />
declara Paulo Eduardo Gropp, VP da QIAGEN<br />
na América Latina.<br />
De acordo com a participante do evento, Elisa<br />
Napolitano e Ferreira, pesquisadora do<br />
Grupo Fleury, os eventos científicos são sempre<br />
muito ricos, onde é possível trocar experiências<br />
com colegas da área e ouvir experiências de<br />
especialistas, a fim de manter a atualização<br />
essencial para o dia a dia de trabalho. “O evento foi<br />
uma imersão dentro de uma nova tecnologia para<br />
um novo patamar na biologia molecular. O encontro<br />
foi muito interessante para focar na metodologia,<br />
conhecer outras aplicações e possibilidades, o que<br />
traz muita informação para trabalhar na rotina do<br />
laboratório e pensar no desenvolvimento de novos<br />
testes aos pacientes”, destaca.<br />
Sistema de PCR digital da QIAGEN, QIAcuity<br />
Para Zilton Farias Meira de Vasconcelos,<br />
pesquisador em saúde pública do Instituto<br />
Fernandes Figueira (IFF - Fiocruz – RJ), “como<br />
pesquisador voltado à saúde materno-infantil, posso<br />
dizer que precisamos da tecnologia para melhoria<br />
dessa área no Brasil. Sem dúvida, foi um evento de<br />
grande importância para nós”, aponta.<br />
66 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022
Outro participante do evento, Mariano Gustavo<br />
Zalis, diretor de pesquisa e desenvolvimento<br />
do OC Precision Medicine, área do Grupo<br />
Oncoclínicas que engloba os laboratórios<br />
de anatomia patológica, genômica e inovação<br />
focados em oncologia, comenta que “estamos<br />
vivendo no mundo da medicina de precisão e nada<br />
mais importante do que ter uma tecnologia de<br />
pesquisa de altíssima precisão como a PCR digital,<br />
em um momento em que precisamos de grande<br />
sensibilidade para diagnósticos, especialmente os<br />
de câncer, para que sejam definidos os melhores<br />
tratamentos. Sem dúvida, é um grande evento<br />
para que todos entendam os benefícios de ter uma<br />
análise melhor em relação ao método. A QIAGEN<br />
está trazendo uma nova tecnologia para que os<br />
laboratórios brasileiros estejam no mesmo nível de<br />
outros países, isso é muito importante”.<br />
Segundo Guilherme Capiraço Campese,<br />
analista químico da MARS, eventos como<br />
o Digital Day contribuem com as iniciativas da<br />
empresa, assim como muitas outras vertentes em<br />
âmbito nacional. “A MARS em si é uma companhia<br />
de tamanho global, então, todos os novos<br />
desenvolvimentos, as novas tecnologias, todos os<br />
novos padrões que estão sendo aplicados têm uma<br />
capilaridade que envolve o globo. Toda criação de<br />
conexões de valor mútuo que fazemos, permitem<br />
que as parcerias mundiais fiquem muito mais fortes<br />
e impulsionem a chegada de muitas coisas novas<br />
para o Brasil”, evidencia.<br />
A revolução da PCR digital<br />
Devido à sua precisão e alto poder tecnológico,<br />
o QIAcuity está disponível para pesquisadores<br />
de diferentes áreas e centros de diagnósticos<br />
laboratoriais. É, por exemplo, uma ferramenta<br />
de rápida resposta aos estudos e investigações<br />
realizados por meio da dosagem de proteína C<br />
reativa (PCR), fundamental para entender estados<br />
inflamatórios de pacientes em quadros de risco de<br />
doença cardiovascular, como infarto e derrame<br />
cerebral, infecções bacterianas, artrite reumatóide,<br />
lúpus, vasculite e até mesmo casos de câncer (em<br />
especial o linfoma), entre outras situações de<br />
inflamação no organismo.<br />
Sistema de PCR digital da QIAGEN, QIAcuity<br />
Integrando três módulos em um único<br />
equipamento, o QIAcuity é baseado em<br />
nanoplacas, o que permite a geração de partições<br />
de maneira uniforme, sem variação de tamanho<br />
ou coalescência, o que aumenta ainda mais a<br />
robustez dos dados, pois mensura, precisamente,<br />
mesmo quantidades mínimas de DNA e RNA em<br />
testes de pesquisa para vírus, por exemplo. Além<br />
disso, o sistema é extremamente rápido quando<br />
comparado aos demais, sendo que da amostra ao<br />
resultado gasta-se aproximadamente duas horas,<br />
enquanto outros sistemas levam em torno de<br />
cinco a seis horas.<br />
Utilizado por institutos de monitoramento de<br />
águas residuais para fins epidemiológicos durante o<br />
período da pandemia, a solução foi essencial para o<br />
controle, acompanhamento e análise das redes de<br />
esgoto, ajudando a prever o aumento do número<br />
de casos da doença, o surgimento de uma nova<br />
cepa até então desconhecida, e ainda, auxiliando<br />
na adoção precoce de medidas preventivas contra a<br />
disseminação do vírus da Covid-19.<br />
“Para nós da QIAGEN, entregar soluções de<br />
qualidade é mais do que um objetivo, é nossa<br />
missão. A eficiência nos fluxos laboratoriais<br />
depende de soluções inovadoras e serviço de<br />
excelência. Nossa paixão é caminhar ao lado de<br />
nossos clientes, garantindo a eles todo o suporte<br />
tecnológico e conhecimento para que resultados<br />
confiáveis amparem suas decisões rotineiras.<br />
Como líderes globais no desenvolvimento de<br />
novas tecnologias, entendemos que somente<br />
seremos bem-sucedidos em nossa missão se<br />
assegurarmos que essa inovação tecnológica<br />
alcance todo e qualquer laboratório do país”,<br />
conclui Carolina Souza, Head de Marketing<br />
para Life Sciences, na QIAGEN.<br />
Sobre a QIAGEN<br />
A QIAGEN é uma multinacional alemã, especialista<br />
em tecnologia para diagnósticos moleculares,<br />
testes aplicados, pesquisa acadêmica e<br />
farmacêutica. Com mais de 5.900 colaboradores<br />
distribuídos em 25 países e parceiros comerciais<br />
em mais de 60 nações, a empresa oferece um<br />
portfólio de mais de 500 produtos entre kits<br />
consumíveis, instrumentos e bioinformática, que<br />
atendem às diversas necessidades globais, desde<br />
pesquisas acadêmicas a aplicações de saúde de<br />
rotina. Para mais informações, acesse:<br />
https://www.qiagen.com/us/<br />
PUBLIEDITORIAL<br />
EM DESTAQUE<br />
<strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022<br />
67
PUBLIEDITORIAL<br />
EM DESTAQUE<br />
EUROIMMUN E IDS ATUANDO JUNTAS<br />
NA AUTOIMUNIDADE<br />
A IDS, empresa do Grupo PerkinElmer acaba de lançar<br />
no mercado brasileiro kits para o diagnóstico de<br />
Doenças Autoimunes, pelo método de CLIA, totalmente<br />
automatizado através do equipamento IDS-iSYS<br />
(Quimioluminescência).<br />
Até o momento, o portfólio de autoimunidade<br />
compreende os seguintes testes:<br />
- ANA Screen: Triagem qualitativa de anticorpos IgG<br />
contra dsDNA, Centrômero B, SS-A/Ro (60 kDa e 52 kDa),<br />
SS-B/La, Sm, U1-snRNP (70 kDa, A and C), Scl-70, e Jo-1<br />
em amostras humanas de soro ou plasma (EDTA).<br />
- ENA Screen: É usado para a triagem qualitativa de<br />
anticorpos IgG direcionados contra SS-A/Ro (60 kDa e 52<br />
kDa), SS-B/La, Sm, U1-snRNP (70 kDa, A e C), Scl-70 e<br />
Antígenos Jo-1 em amostras humanas de soro ou plasma<br />
(EDTA).<br />
- dsDNA IgG: Determinação quantitativa de anticorpos<br />
IgG específicos direto no dsDNA em amostras humanas de<br />
soro ou plasma (EDTA).<br />
- SS-A/Ro: Determinação quantitativa dos anticorpos<br />
IgG específicos dirigidos contra SS-A/Ro em amostras<br />
humanas de soro ou plasma (EDTA).<br />
- SS-A/Ro 52 kDa: Determinação quantitativa dos<br />
anticorpos IgG específicos dirigidos contra a proteína<br />
SS-A/Ro 52 kDa em amostras humanas de soro ou plasma<br />
(EDTA-K3, Heparina-Na ou Citrato de Sódio).<br />
- SSA-A Ro 60 kDa: Determinação quantitativa dos<br />
anticorpos IgG específicos dirigidos contra a proteína<br />
SS-A/Ro 60 kDa em amostras humanas de soro ou plasma<br />
(EDTA-K3, Heparina-Na ou Citrato de Sódio).<br />
- SS-B/La: Determinação quantitativa dos anticorpos<br />
IgG específicos dirigidos contra SS-B/La em amostras<br />
humanas de soro ou plasma (EDTA).<br />
- Sm: Determinação quantitativa dos anticorpos IgG<br />
específicos dirigidos contra os antígenos Sm em amostras<br />
humanas de soro ou plasma (EDTA).<br />
- Scl-70: Determinação quantitativa dos anticorpos<br />
IgG específicos dirigidos contra o antígeno Scl-70 (DNA<br />
topoisomerase I) em amostras humanas de soro ou<br />
plasma (EDTA).<br />
- Jo-1: Determinação quantitativa dos anticorpos IgG<br />
específicos dirigidos contra o antígeno Jo-1 (histidiltRNA<br />
sintetase) em amostras humanas de soro ou plasma<br />
(EDTA).<br />
- U1-snRNP: É utilizado para a determinação quantitativa<br />
dos anticorpos IgG específicos dirigidos contra os<br />
antígenos U1-snRNP em amostras humanas de soro ou<br />
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68 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022
MATÉRIA DE CAPA<br />
ENTREVISTA COM O CEO LABTEST,<br />
ALEXANDRE GUIMARÃES<br />
Ao completar um ano na presidência da Labtest, Alexandre Guimarães conta os desafios enfrentados durante a pandemia, explica as manobras<br />
que a empresa fez nesse período pandêmico e revela os planos para um futuro que inclui: expansão da empresa para além do mercado de<br />
diagnóstico laboratorial, abertura para parcerias diversas e muito mais. “Um plano bem arrojado”, resume o CEO da Labtest.<br />
O Sr. assumiu a presidência da Labtest há<br />
um ano. Como foi o desafio de presidir<br />
uma empresa de 50 anos? Qual é a marca<br />
da sua gestão?<br />
Alexandre Guimarães: o desafio maior<br />
de liderar esse processo está associado às<br />
mudanças que estão acontecendo no mercado<br />
de diagnóstico laboratorial. O que a Labtest fez<br />
durante 40 anos, teve que, nos últimos 10 anos,<br />
repensar muita coisa. A pandemia também<br />
contribuiu para essa transformação gigante<br />
do mercado. As relações que o laboratório tem<br />
com o paciente e as que o paciente tem com a<br />
própria saúde mudaram muito! O conceito de<br />
conveniência também ganhou outro patamar!<br />
Tudo isso configurou um novo cenário de<br />
mercado nos últimos 10 anos.<br />
Uma empresa de 50 anos, que já tem seus<br />
processos definidos, que já tem uma certa<br />
estabilidade, também precisa se mexer. Então, o<br />
maior desafio foi trabalhar essa mudança, esses<br />
ajustes internos, para que pudéssemos nos<br />
adaptar às perspectivas externas. Eu diria que<br />
em termos de marca de gestão, um aspecto que<br />
nós enfatizamos muito ao longo desse período,<br />
e continuamos enfatizando, é aumentar a nossa<br />
agilidade, trazendo novas tecnologias através de<br />
parceiros, fornecedores, universidades e startups.<br />
Ou seja, nós decidimos trabalhar com o<br />
conceito de inovação aberta, buscando<br />
colaboração externa para aumentar a<br />
nossa agilidade. Isto vale para tudo: para<br />
desenvolver produtos, para redesenhar e<br />
modernizar processos. Então, acho que esse um<br />
ano à frente da presidência da Labtest foi muito<br />
marcado por esses aspectos. Há muito ainda o<br />
que ser feito, mas essa é a palavra de ordem.<br />
O Sr. assumiu a Labtest em meio à<br />
pandemia. Como foi enfrentar o desafio<br />
de presidir em condições adversas? Qual<br />
o aprendizado?<br />
Alexandre Guimarães: tivemos três pontos<br />
associados à pandemia que são muito fortes: o<br />
primeiro ponto é sobre como nossa Organização<br />
- com 220 colaboradores, funcionários indiretos,<br />
somando-se ainda seus familiares - vem<br />
lidando com a pandemia. Debatemos muito<br />
internamente sob o aspecto humano, com<br />
atenção à saúde física e mental de todos os<br />
envolvidos. Fazemos isso até hoje! Queremos<br />
70<br />
Labtest - www.labtest.com.br<br />
<strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022
saber como as pessoas estão se sentindo no<br />
trabalho, quais são suas expectativas, qual é<br />
o sentimento ligado à retomada do trabalho<br />
presencial em detrimento ao home-office, etc.<br />
Então, quando estabelecemos esse primeiro<br />
aspecto, estamos falando especialmente de<br />
pessoas, de como lidar e cuidar delas.<br />
MATÉRIA DE CAPA<br />
O segundo ponto está associado, de certa<br />
forma, à pergunta anterior, caindo novamente<br />
na necessidade de maior agilidade e na própria<br />
inovação aberta. A pandemia permitiu que nós<br />
experimentássemos este modelo fortemente.<br />
O avanço rápido da doença exigiu que a Labtest<br />
provesse soluções para o diagnóstico da COVID-19<br />
com muito mais agilidade. Esta “corrida” nos<br />
trouxe a oportunidade de aprender a inovar<br />
estreitando as relações com nossos fornecedores,<br />
entidades de pesquisa e startups para incorporar<br />
novas soluções ao nosso portfólio.<br />
O terceiro ponto faz referência ao próprio<br />
crescimento em si. Embora o mercado de<br />
diagnóstico convencional tenha sofrido um<br />
pouco no início da pandemia, a expansão<br />
devido à própria necessidade imposta pela<br />
doença foi imensa! Crescemos 35% nesse<br />
período, de 2020 para 2021. Junto com<br />
este crescimento vem as dores associadas<br />
como: a necessidade de mais pessoas; o<br />
estabelecimento de novos processos; a<br />
gestão da cadeia de suprimentos que<br />
foi muito afetada durante este período;<br />
e a própria estratégia financeira para<br />
suportar este crescimento. Foram muitos<br />
desafios em um curto espaço de tempo.<br />
Quais são os maiores desafios nesse<br />
novo cenário do mercado de saúde,<br />
em especial o mercado de diagnóstico<br />
laboratorial?<br />
Alexandre Guimarães: de fato, todo o setor<br />
de saúde teve uma imensa transformação. Nos<br />
últimos anos então, isso se acelerou: planos de<br />
saúde associados à hospitais, planos de saúde<br />
com outros planos, hospitais com laboratórios,<br />
grandes laboratórios com laboratórios médios,<br />
um nível de concentração muito forte, o que,<br />
evidentemente, impacta enormemente as<br />
estratégias mercadológicas da Labtest. Em<br />
primeiro lugar, nossos principais clientes, que<br />
são os laboratórios de pequeno e médio porte,<br />
vêm vivenciando intensas mudanças, seja<br />
pela própria consolidação, pela atuação dos<br />
laboratórios de apoio ou pela conjuntura de<br />
dificuldades logísticas e de custo.<br />
Temos então um cenário bastante adverso do<br />
ponto de vista de crescimento. Nossa estratégia<br />
para sobrepor estes desafios vem sendo a<br />
de criar soluções que possam proporcionar<br />
maior competitividade para estes laboratórios.<br />
<strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022<br />
Labtest - www.labtest.com.br<br />
71
MATÉRIA DE CAPA<br />
Isto exige muita criatividade, e flexibilidade.<br />
São questões que estamos trabalhando<br />
internamente. As soluções point of care, que<br />
ampliam a atuação do laboratório como<br />
prestador de serviço para clínicas, hospitais e até<br />
farmácias, é um exemplo destas estratégias.<br />
Se o paciente não está mais na recepção do<br />
laboratório, seja pela doença, pela conveniência<br />
ou outro motivo, pensamos em como a Labtest<br />
pode ajudar este laboratório a encontrar novos<br />
caminhos e buscar soluções para o atendimento.<br />
A questão é: qual o modelo de negócio e<br />
qual a forma ideal para continuar a atender<br />
esse paciente? Hoje, por exemplo, temos<br />
laboratórios, clientes nossos, que fazem um<br />
trabalho de diagnóstico associado à clínica,<br />
hospital e à farmácia. Então, esse laboratório<br />
não está perdendo cliente. A Labtest se tornou<br />
uma aliada para que este laboratório atenda<br />
seus pacientes, seja onde estiverem. A nossa<br />
estratégia é muito clara: a Labtest está<br />
auxiliando os laboratórios a entrar<br />
nesse novo mercado de saúde de forma<br />
competitiva e de forma a cativar o cliente.<br />
Como o Sr. está preparando a Labtest<br />
para os próximos anos sob sua gestão?<br />
Alexandre Guimarães: eu acho que o<br />
aspecto que abordei anteriormente, de<br />
agilidade baseada em inovação aberta, é o<br />
principal fato. Precisamos manter esse foco e<br />
construir, paulatinamente, modelos de negócios<br />
baseados em ecossistemas, onde empresas<br />
de diferentes portes, fornecedores, clientes,<br />
distribuidores, entidades de classe, instituições<br />
de ensino, governo e até concorrentes possam<br />
ajudar a criar valor no mercado de diagnóstico.<br />
Acreditamos que a Labtest será bem-sucedida<br />
se ela puder contribuir ou até mesmo orquestrar<br />
parte destes ecossistemas. Sozinhos temos<br />
nossas limitações, mas a união de forças de<br />
diversos stakeholders, dentro de um ecossistema<br />
de negócios funcional, é o que garantirá bons<br />
resultados nas próximas décadas.<br />
De forma concreta, trabalhamos na formação<br />
de pessoas preparando-as para um cenário<br />
competitivo e adverso, cuidamos do ambiente<br />
de trabalho para mantermos nossa atratividade<br />
e reter esses talentos, seguimos com nossos<br />
processos de educação continuada e,<br />
sobretudo, estamos cada vez mais ampliando<br />
nosso escopo de atuação.<br />
A Labtest vai se reposicionar no mercado?<br />
Pretende conquistar novos nichos de<br />
mercado, novas linhas de produto, novos<br />
mercados, novos produtos focados em<br />
Saúde?<br />
Alexandre Guimarães: estamos trabalhando<br />
para ampliar nossa atuação não só na linha de<br />
diagnóstico, mas também buscando parcerias<br />
para atuar no mercado de saúde como um todo.<br />
A grande movimentação do setor traz desafios<br />
e oportunidades para esta ampliação de escopo<br />
fora do diagnóstico in vitro.<br />
Este reposicionamento envolve não só reagentes<br />
e equipamentos, mas também outras soluções<br />
que possam agregar valor para o cliente. Este<br />
trabalho passa então pela ampliação de linhas<br />
de produto em relação ao porte dos laboratórios,<br />
por novos canais de distribuição e, até mesmo,<br />
por novos modelos de negócios.<br />
Qual a novidade para os próximos 50<br />
anos, teria como dar uma pista?<br />
Alexandre Guimarães: estamos planejando<br />
investimentos significativos tanto na indústria,<br />
no desenvolvimento de novos produtos,<br />
como na oferta de novas soluções para novos<br />
mercados. A demandas regulatórias e o alto<br />
padrão de qualidade e competitividade do<br />
mercado requer investimentos constantes da<br />
nossa parte. A maior dica que poderia dar é<br />
que nossa previsão de investimento para<br />
os próximos 5 anos é comparável ao<br />
volume investido nos últimos 50 anos.<br />
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<strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022
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FATO RELEVANTE<br />
UNIÃO DOS GRUPOS<br />
FLEURY E PARDINI ELEVA AS EMPRESAS<br />
A OUTRO PATAMAR DE RELEVÂNCIA NO<br />
MERCADO BRASILEIRO<br />
Os Grupos Fleury e Pardini, anunciaram<br />
recentemente a combinação de<br />
negócios das duas companhias,<br />
criando uma das maiores empresas de<br />
saúde do País em uma operação que<br />
se destaca pela complementaridade<br />
de negócios, serviços e atuação<br />
geográfica. As duas companhias<br />
juntas, somam 487 unidades de<br />
atendimento em 13 dos principais<br />
polos econômicos do País e 6,6 mil<br />
clientes lab-to-lab distribuídos por<br />
grande parte do território nacional.<br />
A Receita Bruta combinada das duas<br />
companhias, considerando o exercício<br />
de 2021, atinge R$ 6,4 bilhões.<br />
Consideradas empresas de referência<br />
em medicina diagnóstica, Grupo<br />
Fleury e Grupo Pardini processam<br />
248 milhões de exames anualmente<br />
por meio de 39 marcas, presentes<br />
nos mercados de São Paulo, Minas<br />
Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo,<br />
Rio Grande do Sul, Paraná, Goiás,<br />
Bahia, Pernambuco, Rio Grande do<br />
Norte, Pará, Maranhão, além do<br />
Distrito Federal. A presença nesses<br />
polos econômicos vem acompanhada<br />
de credenciamento com operadoras<br />
de saúde nos segmentos premium,<br />
intermediário e básico, trazendo<br />
grande diversificação de oferta e<br />
mercados atendidos. O grupo de<br />
profissionais totalizará 20,8 mil<br />
colaboradores e aproximadamente<br />
4,3 mil médicos.<br />
As Companhias estimam que a<br />
combinação dos negócios de Fleury e<br />
de Pardini gere um incremento anual<br />
de EBITDA da companhia combinada<br />
entre R$160 milhões e R$190 milhões.<br />
Assessoria de imprensa Grupo Fleury<br />
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NEUROCIENCIA EM FOCO<br />
ESTUDO DEFENDE QUE ESCLEROSE MÚLTIPLA<br />
É UMA COMPLICAÇÃO RARA DE INFECÇÃO POR VÍRUS<br />
Por Dr. Fabiano de Abreu Agrela Rodrigues<br />
O vírus Epstein-Barr (EBV) está<br />
na origem de algumas doenças.<br />
Segundo um estudo desenvolvido<br />
pela pesquisadora Sênior do<br />
grupo de Neuroepidemiologia<br />
do Departamento de Nutrição,<br />
da Escola de Saúde Pública T.H.<br />
Chan da Universidade de Harvard, Dra.<br />
Kassandra Munger, entre essas doenças<br />
está a Esclerose Múltipla (EM).<br />
Para tentar fazer uma ligação entre<br />
o vírus EBV e a EM, a pesquisadora<br />
desenvolveu um estudo entre os<br />
militares da ativa dos Estados<br />
Unidos. O repositório sérico do<br />
Departamento de Defesa armazena<br />
amostras séricas, com mais de 62<br />
milhões de amostras de mais<br />
de 10 milhões de militares. A<br />
maioria deles com várias amostras<br />
coletadas durante a carreira.<br />
A EM é uma doença clinicamente<br />
desqualificada entre os militares.<br />
A avaliação positiva, feita pelas<br />
agências de incapacidade física,<br />
acarreta no afastamento do serviço.<br />
A pesquisa se baseou na revisão dos<br />
prontuários dos profissionais com<br />
EM para confirmar o diagnóstico.<br />
O estudo foi desenhado como<br />
um caso controle aninhado<br />
prospectivo. Foi identificada no<br />
prontuário a data de início dos<br />
sintomas, a distribuição etária<br />
dos militares da ativa no estudo.<br />
A primeira amostra de sangue foi<br />
coletada por cerca dos 18 anos,<br />
já o início da esclerose múltipla<br />
ocorreu por volta dos 28 anos de<br />
idade. Nesse grupo foi identificada<br />
um coorte EBV-negativo.<br />
Nesse coorte negativo para<br />
o vírus, foram dosados anticorpos<br />
nas primeiras amostras<br />
disponibilizadas. Os militares<br />
ainda tiveram amostras de sangue<br />
testadas novamente usando<br />
o ensaio de Western Blotting.<br />
Nesses profissionais avaliados no<br />
estudo, 35 casos deram negativo<br />
no período basal e 107 eram EBVnegativo<br />
no período basal. Aqueles<br />
que não desenvolveram EM, mas<br />
tiveram infecção primária por EBV, a<br />
taxa de infecção foi mais baixa do que<br />
naqueles que desenvolveram a doença.<br />
Na terceira mostra, cerca de 60% dos<br />
controles havia soroconvertido, em<br />
comparação a cerca de 100% dos<br />
casos de EM. Nessa fase foi usado<br />
um vírus controle ou citomegalovírus<br />
(CMV), que é semelhante pela<br />
propagação. Foi observado a<br />
soroconversão entre os negativos na<br />
linha de base para CMV.<br />
A taxa de soroconversão foi similar<br />
em ambos os grupos e os casos<br />
CMV-negativos com ou sem EM<br />
tiveram a taxa de soroconversão<br />
igual infecção primária por<br />
EBV ligada a um risco 32 vezes<br />
maior de EM, em comparação<br />
àqueles que permaneceram com<br />
EBV-negativos. Também não foi<br />
observado aumento similar nos<br />
soroconvertido para CMV.<br />
Há uma possível associação reversa<br />
entre infecção do CMV e o risco de<br />
EM, mas isso exige mais pesquisas.<br />
Devemos considerar outros motivos<br />
para um risco 32 vezes maior de<br />
esclerose múltipla. Uma explicação<br />
são fatores de confusão, pois não<br />
há outro motivo que possa explicar<br />
esse risco elevado de associação<br />
entre EBV e EM. Outros riscos são<br />
genética, nutrição, vitamina D,<br />
obesidade, tabagismo. E se entre<br />
esses últimos motivos há uma<br />
associação de risco relativo com a<br />
doença, está entre 1,5 e 3, o que<br />
não explica um risco 32 vezes maior.<br />
76 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022
E mesmo o fator de confusão,<br />
precisaria de um aumento 60 vezes<br />
maior entre a infecção primária por<br />
EBV e EM. Nenhum fator atende a<br />
essa exigência.<br />
Outra consideração é a causalidade<br />
reversa. A esclerose múltipla aumenta<br />
o risco de ser infectado com EBV?<br />
Há uma desregulação imunológica<br />
geral na esclerose múltipla? Foi<br />
medido o nível sérico da proteína<br />
neurofilamento de cadeia leve (NfL),<br />
que é um biomarcador não-específico<br />
de dano neuro-axonal.<br />
Foram analisadas respostas de<br />
anticorpos no soro contra o vírus<br />
do viroma humano, usando a<br />
tecnologia VirScan, onde foram<br />
medidos anticorpos humanos<br />
contra 110.000 peptídeos de 200<br />
vírus, sendo possível ver a infecção<br />
por EBV antes do aumento na NfL,<br />
visto na esclerose. Os níveis de NfL<br />
não são diferentes nas amostras<br />
séricas e EBV-negativas.<br />
Já nos níveis de NfL medidos no<br />
mesmo momento ou na mesma<br />
amostra, mostra a positividade para<br />
EBV. Nas amostras EBV-positivas os<br />
níveis de NfL não são diferentes. Nos<br />
níveis de NfL após infecção por EBV<br />
são bem mais altos naqueles com<br />
esclerose múltipla.<br />
A variação de NfL interpessoal ao<br />
longo do tempo de algumas pessoas<br />
que desenvolveram esclerose<br />
múltipla tiveram uma amostra<br />
coletada após a soroconversão para<br />
EBV, demonstrando um aumento de<br />
60% na NfL. Os níveis de NfL não<br />
mudaram nos controles, nem antes,<br />
durante ou após a infecção por EBV.<br />
Amostra pré e pós-início para casos<br />
e controles foram comparadas.<br />
A resposta dos anticorpos foi<br />
mais alta nos casos do que nos<br />
controles. Esse é o caso para ambas<br />
as amostras pré e pós-início da<br />
EM. Com outros peptídeos não há<br />
diferença na resposta imune.<br />
Isso sugere algo sobre a resposta<br />
imunológica da doença, ou seja,<br />
a resposta imune em pessoas com<br />
EM é específica para EBV. O número<br />
de perfídio do EBV é mais alto em<br />
casos x controle. O EBV se sobressai<br />
entre todos os vírus testados.<br />
Em conclusão, a EM é uma<br />
complicação rara da infecção por EBV.<br />
Nenhum outro fator de risco explica a<br />
associação entre EM e EBV. A maioria<br />
dos casos seria evitado com vacina<br />
adequada contra o vírus. O risco de<br />
EM tem aumentado por um número<br />
de fatores, como tabagismo, nutrição,<br />
vitamina D e obesidade infantil.<br />
Não há vacina para EBV. Mudanças<br />
comportamentais nesses três<br />
fatores evitaria 60% dos casos.<br />
A infecção por EBV precede o<br />
início subclínica da EM. Há uma<br />
resposta imune em amostras préclínicas<br />
que é direcionada ao EBV.<br />
Precisamos pesquisar a vacina e<br />
terapias anti-EBV em pessoas com<br />
esclerose múltipla.<br />
NEUROCIENCIA EM FOCO<br />
Autor:<br />
Dr. Fabiano de Abreu Agrela Rodrigues<br />
Sobre o Dr. Fabiano de Abreu<br />
www.deabreu.pt - www.pressmf.global - Instagram @fabianodeabreuoficial<br />
PhD, neurocientista, mestre em psicanálise, biólogo, historiador, antropólogo, com formações também em neuropsicologia, neurolinguística, inteligência artificial, neurociência aplicada à<br />
aprendizagem, filosofia, jornalismo, programação em python e formação profissional em nutrição clínica - Diretor do Centro de Pesquisas e Análises Heráclito; Chefe do Departamento de<br />
Ciências e Tecnologia da Logos University International, Professor e investigador na Universidad Santander de México; Membro da SFN - Society for Neuroscience, Membro ativo Redilat.<br />
Confira a referência bibliográfica em:<br />
www.newslab.com.br/referencias-newslab<strong>172</strong><br />
<strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022<br />
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MEDICINA GENÔMICA<br />
SEQUENCIAMENTO DE TERCEIRA GERAÇÃO:<br />
READS ULTRALONGOS<br />
Você já conhece a tecnologia de ponta quando o assunto é sequenciamento genético? Entenda sobre o<br />
Sequenciamento de Terceira Geração.<br />
Por João Bernardeli<br />
A invenção de tecnologias de<br />
sequenciamento genético permitiu<br />
que cientistas pudessem vislumbrar<br />
a sucessão de bases nitrogenadas<br />
presentes nos seres vivos, tirar<br />
conclusões a partir disso e dar passos<br />
adiante no entendimento da vida.<br />
O Sequenciamento de Nova Geração<br />
permitiu que os avanços e descobertas<br />
na área de genômica evoluíssem<br />
ainda mais rapidamente. Neste artigo<br />
discutiremos sobre como os métodos<br />
de sequenciamento evoluíram<br />
até o atual Sequenciamento de<br />
Terceira geração (sequenciamento<br />
de molécula única) e quais são<br />
as perspectivas para o futuro do<br />
sequenciamento genético.<br />
A evolução do sequenciamento<br />
O pontapé inicial no sequenciamento<br />
genético foi dado por Maxam e<br />
Gilbert na década de 70. Apesar<br />
disso, Frederick Sanger foi quem<br />
teve a brilhante ideia de fragmentar<br />
um DNA de interesse em todos os<br />
comprimentos possíveis e analisálo<br />
com o auxílio da eletroforese.<br />
Esse método ficou conhecido como<br />
Sequenciamento Sanger e ele<br />
constitui a maior parte do chamado<br />
Sequenciamento de Primeira Geração.<br />
Em seguida, com o advento da PCR e<br />
do emprego de lasers na pesquisa, bem<br />
como de computadores com maior<br />
capacidade de processamento, surgiram<br />
as técnicas de Sequenciamento de<br />
Segunda Geração (ou SGS – Second<br />
Generation Sequencing).<br />
Essas novas técnicas, embora<br />
possuam métodos variados, são<br />
caracterizadas pelo sequenciamento<br />
paralelo em massa automatizado,<br />
capaz de processar milhões ou até<br />
bilhões de fragmentos curtos de DNA<br />
por uma fração do tempo e dos custos<br />
dos métodos anteriores.<br />
Nos tempos atuais, a tecnologia na<br />
área da genômica está dando mais<br />
um grande passo ao dar origem ao<br />
Sequenciamento de Terceira Geração<br />
(TGS – Third Generation Sequencing),<br />
sendo vista por alguns pesquisadores<br />
como um verdadeiro renascimento<br />
dos métodos de sequenciamento<br />
genético de alta qualidade. Vejamos<br />
a seguir suas principais características.<br />
O Sequenciamento de Terceira<br />
Geração ou Sequenciamento de<br />
Leituras Longas<br />
A principal característica dessa classe<br />
de sequenciamento é sua capacidade<br />
de utilizar fragmentos longos de<br />
DNA, num processo chamado de<br />
80 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022
sequenciamento de molécula única<br />
(Single Molecule Sequencing – SMS).<br />
Enquanto o Sequenciamento de<br />
não são mais necessárias grandes<br />
quantidades de amostra, viabilizando<br />
tanto a análise de materiais de<br />
de Molécula Única em Tempo Real”<br />
(SMRT), capaz de identificar os<br />
nucleotídeos investigados no exato<br />
MEDICINA GENÔMICA<br />
Segunda Geração utiliza fragmentos<br />
difícil obtenção como também a<br />
momento em que são adicionados<br />
de DNA com tamanhos equivalentes a<br />
diminuição do erro causado pelo viés<br />
pela DNA-polimerase.<br />
algumas centenas de pares de bases,<br />
de amplificação.<br />
no SMS é possível fazer a leitura e<br />
O mecanismo de SMRT faz uso de<br />
análise de fragmentos de dezenas de<br />
Principais Plataformas de<br />
dNTPs marcados com fluoróforos.<br />
milhares destas.<br />
Sequenciamento de Terceira<br />
Na medida em que esses dNTPs são<br />
Geração<br />
incorporados à uma nova fita de<br />
Além disso, uma segunda particularidade<br />
DNA circular, um laser incide sobre<br />
do Sequenciamento de Terceira Geração<br />
Pacific Biosciences<br />
os marcadores, fazendo com que um<br />
é a eliminação da etapa de amplificação<br />
O primeiro equipamento de<br />
sinal fluorescente seja emitido.<br />
do material de interesse através da PCR,<br />
Sequenciamento de Terceira Geração<br />
diminuindo custos e também o tempo<br />
disponível no mercado foi o chamado<br />
Esse sinal é captado em tempo real<br />
de preparação da amostra.<br />
‘Sequel’, apresentado pela Pacific<br />
por um detector óptico que mede<br />
Biosciences ainda em 2010.<br />
sua intensidade e tempo, de tal modo<br />
Seja pela utilização de nucleotídeos<br />
que seus valores sejam traduzidos<br />
marcados e sua análise em tempo<br />
Este sequenciador utiliza uma<br />
em sequências específicas de bases<br />
real ou pelo emprego de nanoporos,<br />
tecnologia intitulada “Sequenciamento<br />
nitrogenadas.<br />
Representação esquemática da excitação de fluoróforos acoplados aos dNTPs e da emissão de<br />
sinais a serem captados. Fonte: Rhoads, 2015.<br />
<strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022<br />
81
MEDICINA GENÔMICA<br />
Representação esquemática da passagem de um ssDNA por um nanoporo capaz de detectar variações em sua<br />
corrente elétrica. Fonte: Wikimedia Commons, 2020.<br />
Quais são as principais<br />
características do sequenciador<br />
Pacific Biosciences?<br />
• Detectar bases modificadas, uma<br />
vez que o sinal detectado é uma<br />
função dependente do tempo de<br />
incorporação de dNTPs.<br />
• A possibilidade de leitura de fragmentos<br />
de até 50.000 pares de bases garante<br />
a montagem e sobreposição desses<br />
fragmentos com maior precisão.<br />
• Maior resolução de regiões<br />
repetitivas e de variantes estruturais.<br />
MinION: Oxford Nanopore<br />
Technologies<br />
Em 2014, um segundo sequenciador<br />
foi introduzido no mercado pela<br />
Oxford Nanopore Technologies. O<br />
sequenciador MinION, que possui o<br />
tamanho de um pendrive, faz uso<br />
de um nanoporo presente em uma<br />
membrana para realizar leituras.<br />
Seu mecanismo de funcionamento<br />
consiste em submergir a membrana<br />
em uma solução iônica e aplicar um<br />
potencial capaz de gerar uma corrente<br />
elétrica conhecida sobre o nanoporo.<br />
Em seguida, uma DNA-helicase ‘abre’<br />
a fita de DNA, tornando-a apta para<br />
atravessar o poro.<br />
Por fim, a passagem de cada um dos<br />
quatro tipos de nucleotídeos pelo<br />
poro gera variações características da<br />
corrente, que podem ser registradas<br />
por um detector semicondutor<br />
adequado e traduzidas em termos de<br />
bases nitrogenadas.<br />
82 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022
MEDICINA GENÔMICA<br />
Quais são os principais benefícios<br />
do sequenciador MinION?<br />
• Sua portabilidade dispensa a<br />
necessidade de um setup laboratorial<br />
complexo, podendo ser utilizado no<br />
trabalho de campo apenas com o<br />
auxílio de um laptop.<br />
• Velocidade: existem hoje ensaios<br />
baseados nessa plataforma que<br />
permitem a identificação de<br />
oncogenes em apenas cinco minutos.<br />
Diferenças entre os sequenciadores de primeira, segunda e terceira geração<br />
• A leitura de fragmentos grandes<br />
permite uma excelente abordagem<br />
para o sequenciamento de genomas<br />
que não possuem outro como<br />
referência (de novo assembly).<br />
É importante notar que novos<br />
sequenciadores estão em constante<br />
desenvolvimento, buscando aumentar<br />
suas capacidades de leitura, bem<br />
como diminuir taxas de erro e custo.<br />
Desse modo, tanto a Pacific Biosciences<br />
quanto a Oxford Nanopore Technologies<br />
já possuem novos sequenciadores de<br />
terceira geração, como o Sequel II e o<br />
PromethION, respectivamente.<br />
Qual a diferença entre<br />
sequenciamentos de primeira,<br />
segunda e terceira geração?<br />
Como citado anteriormente, a<br />
principal diferença das tecnologias de<br />
sequenciamento de terceira geração é<br />
sua capacidade de leitura de milhares<br />
de pares de bases por corrida. Mas,<br />
além dessa, quais são as outras<br />
características que as distinguem de<br />
suas antecessoras?<br />
Observemos a tabela a seguir, que<br />
considera diferentes equipamentos<br />
de diferentes épocas:<br />
Quais as vantagens e<br />
desvantagens da utilização do<br />
Sequenciamento de Terceira<br />
Geração?<br />
Uma das vantagens mais evidentes ao<br />
se utilizar um TGS é que suas leituras<br />
ultra longas permitem montagens de<br />
sequências com uma facilidade sem<br />
precedentes quando comparada com<br />
as tecnologias anteriores.<br />
Aliado a isso, sequenciadores de<br />
terceira geração possuem menor<br />
viés gerado pelo conteúdo GC, o que<br />
viabiliza leituras genômicas mais<br />
84 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022
uniformes, inclusive de regiões onde o<br />
Sequenciamento de Segunda Geração<br />
apresenta problemas para resolver.<br />
Estas novas tecnologias também<br />
permitiram novas análises em<br />
genomas diplóides, como a partir de<br />
haplótipos nos quais a contribuição<br />
materna e paterna para uma mesma<br />
região homóloga é diferente.<br />
De maneira ainda mais específica,<br />
o Sequenciamento de Terceira<br />
Geração permite um entendimento<br />
mais amplo em torno de haplótipos<br />
colapsados ou que possuem uma<br />
mistura paterna/materna, impedindo<br />
resultados que apontam quimerismo<br />
genético onde não há.<br />
Sendo assim, essas técnicas têm grande<br />
relevância não somente para a pesquisa<br />
mas também para a prática clínica.<br />
Ao se utilizar apenas uma molécula<br />
de DNA para o sequenciamento<br />
também se utiliza apenas uma<br />
DNA-helicase (ou apenas uma<br />
Por outro lado, o maior problema<br />
a ser superado pelas técnicas de<br />
DNA-polimerase). Isso se constitui<br />
num desafio pelo fato de que<br />
sequenciamento de terceira geração enzimas possuem limitações<br />
envolve sua grande taxa de erro<br />
de identificação de bases, que está<br />
termodinâmicas que, quando não<br />
respeitadas, tendem a resultar em<br />
relacionado com seus próprios desnaturação e, consequentemente,<br />
fundamentos técnicos.<br />
em erros de identificação.<br />
Representação esquemática das cinco variações estruturais sujeitas à detecção por TGS.<br />
MEDICINA GENÔMICA<br />
Isso abre caminhos para a detecção<br />
acurada de Variações Estruturais (SV –<br />
Structural Variations), hoje reconhecidas<br />
como tendo um papel biológico muito<br />
importante na diferenciação genética<br />
dos seres, juntamente com os SNPs.<br />
Essas detecções podem ser realizadas,<br />
atualmente, para cinco variações<br />
estruturais: inserções, deleções,<br />
duplicações, translocações e inversões.<br />
<strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022<br />
85
MEDICINA GENÔMICA<br />
Por fim, um segundo problema<br />
apresentado pelo Sequenciamento de<br />
Terceira Geração reside no campo da<br />
absoluta aos seus antecessores. Se é<br />
verdade que eles possuem grandes<br />
vantagens para algumas aplicações,<br />
objetivo realizar sequenciamentos<br />
em amostras biológicas intactas,<br />
dando grande espaço para a<br />
bioinformática. Uma vez que os sinais<br />
também é verdade que possuem<br />
pesquisa em genética com foco no<br />
a serem captados/armazenados são<br />
desvantagens para outras, em que o<br />
desenvolvimento embrionário.<br />
emitidos em alta velocidade, um grande<br />
Sequenciamento Sanger e o SGS se<br />
poder computacional se faz necessário<br />
saem melhor.<br />
Não sabemos, ainda, quais serão os<br />
para o processamento de dados.<br />
próximos passos das tecnologias de<br />
Por isso, é digno de nota que o<br />
sequenciamento, porém sabemos<br />
Dessa maneira, utilizar técnicas desse<br />
sequenciamento de terceira geração<br />
suas implicações: ainda mais<br />
tipo requer hardwares potentes, bem<br />
ainda está sob desenvolvimento<br />
conhecimento sobre os vários campos<br />
como softwares de sequenciamento<br />
e ainda tem bastante espaço para<br />
da genética humana e também da<br />
otimizados/desenvolvidos para essa<br />
melhora e, por isso, possivelmente não<br />
oncologia.<br />
finalidade.<br />
deixará tão cedo de ser a tecnologia de<br />
ponta em sequenciamento genético.<br />
O mapeamento mais adequado de<br />
O futuro do sequenciamento<br />
doenças genéticas, diagnósticos<br />
genético<br />
Apesar disso, já existem<br />
para essas doenças, mais programas<br />
As maneiras com que os cientistas<br />
candidatos para integrar a classe<br />
de medicina personalizada e avanços<br />
descobrem e analisam as sequências<br />
de sequenciadores de quarta<br />
no entendimento e tratamento<br />
de nucleotídeos presentes em genes<br />
geração, como, por exemplo, o<br />
do câncer são apenas alguns<br />
ou genomas inteiros mudaram<br />
sequenciamento genômico in-situ<br />
exemplos entre os tantos possíveis<br />
radicalmente ao longo do tempo,<br />
desenvolvido pelo MIT. Essa técnica<br />
com a evolução das técnicas de<br />
concedendo aos seres humanos uma<br />
de sequenciamento tem como<br />
sequenciamento genético.<br />
compreensão cada vez mais adequada<br />
sobre a vida e sobre como lidar com<br />
FONTE:<br />
questões de saúde que a rodeiam.<br />
Embora os sequenciadores de terceira<br />
geração tenham possibilitado aos<br />
cientistas que enxerguem mais<br />
longe, eles não são uma alternativa<br />
Varsomics<br />
União de soluções tecnológicas para a prática da medicina de precisão. Nossa missão é ser referência de excelência<br />
no desenvolvimento de soluções de bioinformática e prestação de serviços aplicados na área de diagnóstico clínico<br />
e de pesquisas acadêmicas, para auxiliar a comunidade científica a difundir cada vez mais o conhecimento.<br />
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www.newslab.com.br/referencias-newslab<strong>172</strong><br />
86 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022
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DIREITO E SAÚDE<br />
O DIREITO DO CONSUMIDOR<br />
E O LABORATÓRIO DE ANÁLISES CLÍNICAS<br />
Por Délio J. Ciriaco de Oliveira<br />
Prezado(a) Leitor(a), seja bem vindo(a) a esta análise jurídica!<br />
Atendimento ao público, realização<br />
de exames, fase pré analítica, fase<br />
analítica, pós exame, suporte e<br />
esclarecimentos, entre outros. Tudo<br />
isso está inserido no contesto do<br />
laboratório de análises clínicas, faz<br />
parte do dia a dia, esta no do DNA<br />
da unidade laboratorial e não é<br />
novidade nenhuma para você caro<br />
leitor, afinal é a sua expertise diuturna<br />
de trabalho. Mas ainda hoje, existem<br />
inúmeros questionamentos acerca da<br />
aplicabilidade do Código de Defesa<br />
do Consumidor, o qual o chamaremos<br />
pela sua abreviação de agora em<br />
diante, qual seja “CDC”, dúvidas das<br />
mais diversas, como exemplo dentre<br />
as recebemos a título de consulta<br />
em nosso escritório selecionamos<br />
algumas:<br />
a) Aplica-se o CDC ao paciente<br />
que realiza um exame, o qual meu<br />
laboratório terceirizo para o laboratório<br />
de apoio?<br />
b) O CDC se aplica em caso de alguma<br />
omissão da informação do paciente<br />
ou não cumprimento do protocolo<br />
correto para o exame?<br />
c) O paciente é menor de idade, aplica<br />
o CDC também?<br />
d) Não ocorreu falha alguma do<br />
meu laboratório, porém, meu serviço<br />
de “vallet”, abalroou o veículo do<br />
paciente, aplica o CDC?<br />
e) Meu laboratório fica dentro de uma<br />
unidade hospital, ele (laboratório)<br />
responde mesmo assim perante o<br />
paciente? Aplica-se o CDC neste caso?<br />
Esses e outros questionamentos são<br />
extremamente comuns e fazem parte<br />
muitas vezes do rol de dúvidas do gestor<br />
laboratorial e de sua equipe. Sendo assim,<br />
vamos entender um pouco melhor a<br />
dinâmica do entorno da relação jurídica<br />
Paciente X Laboratório.<br />
Aos olhos da área da saúde, a utilização<br />
da nomenclatura “PACIENTE” do<br />
laboratório é habitualmente utilizada,<br />
já aos olhos do Direito, utilizamos a<br />
nomenclatura CLIENTE.<br />
Pois bem, mas o dito “cliente”, o que<br />
seria na verdade?<br />
O Código de Defesa do Consumidor<br />
(CDC), é a Lei Federal 8078 de 1990,<br />
que caput de seus artigos 2º e 3º<br />
nos trás o conceito legal de quem<br />
é o CONSUMIDOR E quem é o<br />
FORNECEDOR DE SERVIÇOS, vejamos:<br />
Art. 2° Consumidor é toda<br />
pessoa física ou jurídica que<br />
adquire ou utiliza produto ou serviço<br />
como destinatário final.<br />
Art. 3° Fornecedor é toda pessoa<br />
física ou jurídica, pública ou<br />
privada, nacional ou estrangeira, bem<br />
como os entes despersonalizados, que<br />
desenvolvem atividade de produção,<br />
montagem, criação, construção,<br />
transformação, importação, exportação,<br />
distribuição ou comercialização de<br />
produtos ou prestação de serviços.<br />
Definidos os conceitos de consumidor<br />
e de prestador de serviços esculpidos<br />
na própria Lei, a conclusão lógica é que<br />
o seu (isso mesmo, a sua empresa)<br />
Laboratório de Análises Clínicas presta<br />
um serviço (consubstanciado na coleta<br />
de exames, orientação, e liberação de<br />
laudos), logo, sujeita-se a total<br />
aplicabilidade do CDC em relação<br />
ao seu Paciente (que é um<br />
CONSUMIDOR dos seus serviços).<br />
Nesse diapasão, todo e qualquer<br />
paciente (consumidor na verdade),<br />
desde o início da relação de prestação de<br />
serviços fornecida por seu Laboratório,<br />
sujeitam-se as partes (empresa e<br />
cliente) aos ditames do CDC.<br />
88 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022
O paciente do Laboratório, consome<br />
de fato o produto final que você<br />
tem a oferecer ao mesmo, o<br />
laudo, o resultado final de um exame.<br />
Seja ainda a amostra biológica coletada<br />
em sua sede, na sede terceirizada,<br />
na coleta domiciliar, não importa a<br />
origem, fato é, se o seu laboratório<br />
prestou um serviço ao paciente.<br />
Neste sentido, ainda que você trabalhe<br />
com todos, ou somente com alguns<br />
exames terceirizados e os envie ao<br />
Laboratório de apoio, sendo ainda<br />
o paciente um “menor de idade”,<br />
ou ainda, se o seu posto de coleta<br />
laboratorial esteja dentro de uma<br />
unidade hospitalar, em todas essas<br />
hipóteses seu laboratório responde<br />
por eventual falha nessa prestação de<br />
serviços (artigo 14 do CDC), aplicandose<br />
o CDC na relação jurídica.<br />
Na hipótese do “serviço de vallet” do<br />
seu laboratório, caso sua empresa<br />
o ofereça diretamente (exemplo:<br />
manobrista na porta de sua unidade,<br />
dirigindo os veículos, estacionamento,<br />
organizando os veículos, etc)<br />
seu Laboratório também poderá<br />
responder por quaisquer danos<br />
causados aos veículos dos pacientes.<br />
A preocupação e cautela por parte da<br />
sua empresa não pode e não deve se<br />
limitar somente em ter “a melhor área<br />
técnica”, focar somente na melhor<br />
e primorosa fase analítica ou pré<br />
analítica, é preciso destinar o olhar e<br />
as energias necessárias a sua equipe<br />
de atendimento e pós atendimento,<br />
sobretudo treinar a equipe, para que<br />
de fato compreenda a sistemática<br />
da sua empresa, desde o cadastro<br />
até a liberação do laudo, sob o olhar<br />
também do CDC e do atendimento ao<br />
consumidor do seu Laboratório.<br />
A você gestor / empresário da área<br />
laboratorial, não fique preocupado ou<br />
temeroso em relação a aplicabilidade<br />
do CDC na sua prestação de serviços,<br />
no que pese o próprio nome já nos<br />
dê a diretriz de quem a Lei deve<br />
proteger mais (Código de Defesa<br />
do Consumidor), costumamos<br />
mencionar que com o correto<br />
treinamento e compreensão por parte<br />
da equipe, a relação ficará certamente<br />
mais protegida, correta, evitando-se<br />
demandas judiciais.<br />
Inexoravelmente o consumidor é<br />
abrilhantado com uma proteção, mas<br />
isso não retira direitos e deveres dele<br />
em relação ao seu Laboratório, tão<br />
pouco o coloca em um patamar de<br />
“dono da razão”. Mas como não ficar<br />
refém do meu paciente e do CDC?<br />
A melhor resposta para tal, é<br />
proceder com um estudo, análise<br />
e muitas vezes rever os protocolos<br />
da sua empresa de maneira geral e<br />
com um olhar não somente técnico<br />
(pelo viés da saúde, das normas<br />
sanitárias, etc), mas sobretudo<br />
pelo olhar jurídico, de uma séria e<br />
confiável assessoria jurídica que<br />
possa compreender o seu Mundo<br />
laboratorial e realizar a simbiose<br />
devida entre a saúde e a legislação.<br />
Encerramos este artigo com a sede de<br />
transitar em mais alguns temas que<br />
ainda circundam o CDC e a prestação<br />
de serviços, o que certamente<br />
falaremos nas próximas edições.<br />
Obrigado e um grande abraço a todos!<br />
DIREITO E SAÚDE<br />
Autor:<br />
Délio J. Ciriaco de Oliveira<br />
Advogado em São Paulo, especialista em direito e processo do trabalho, especialista em direito contratual, especializando em advocacia consultiva, é<br />
sócio do escritório CIRIACO ADVOGADOS, localizado em São Paulo – Capital, é Professor de Pós Graduação em São Paulo-SP; São Luis do Maranhão-MA;<br />
Goiânia-GO e Palestrante, atuando na área da saúde, na defesa de empresas, clinicas e laboratórios.<br />
<strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022<br />
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ANÁLISES CLÍNICAS<br />
HIPERCALCEMIA ASSOCIADA AO CÂNCER<br />
Por Brunno Câmara<br />
A hipercalcemia (níveis aumentados de<br />
cálcio sérico) ocorre em até 30% dos<br />
pacientes com algum tipo de câncer.<br />
Esse aumento de cálcio é uma<br />
complicação de câncer em estágio<br />
avançado e representa um pior<br />
prognóstico para os pacientes.<br />
Os tipos de câncer mais comumente<br />
associados à hipercalcemia são:<br />
• Mieloma múltiplo<br />
• Câncer de pulmão de células não<br />
pequenas<br />
• Câncer de mama<br />
• Câncer de cabeça e pescoço de<br />
células escamosas<br />
• Câncer ovariano<br />
• Carcinomas uroteliais<br />
associada ao câncer tem sido<br />
classificada em quatro subtipos:<br />
• Humoral<br />
• Osteolítica local<br />
• Mediada por 1,25-dihidroxivitamina D<br />
• Hiperparatireoidismo ectópico<br />
A hipercalcemia humoral de<br />
malignidade e a hipercalcemia<br />
osteolítica local representam um<br />
espectro que inclui a maioria dos<br />
pacientes com hipercalcemia.<br />
Os casos de hipercalcemia mediada<br />
por 1,25-dihidroxivitamina D ou PTH<br />
correspondem a menos de 1% do total.<br />
Fisiopatologia - Hipercalcemia humoral de malignidade<br />
Fisiopatologia<br />
Hipercalcemia humoral de<br />
malignidade<br />
A condição conhecida como<br />
hipercalcemia humoral de malignidade<br />
é geralmente causada pela secreção<br />
tumoral da proteína relacionada ao<br />
paratormônio (PTHrP).<br />
Normalmente, a PTHrP é um fator de<br />
crescimento produzido localmente.<br />
O problema ocorre quando ela é<br />
sistematicamente secretada por<br />
tumores, o que acarreta em aumento<br />
da reabsorção óssea pelos osteoclastos.<br />
Com isso mais cálcio vai para a circulação.<br />
Classificação<br />
Historicamente, a hipercalcemia<br />
90 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022
Optilite ® melhora a eficiência<br />
Fluxo de trabalho<br />
Segurança dos resultados<br />
Menu de testes<br />
Gamopatias Monoclonais<br />
Freelite (cadeias leves livres kappa<br />
e lambda), Hevylite (cadeias<br />
leves+pesadas)<br />
Sistema Imune<br />
IgA, IgM, IgG, IgD e IgE, Suclasses de<br />
IgG e IgA, Sistema Complemento (CH50,<br />
C1 inativador, C1q, C2, C3c e C4)<br />
Sistema nervoso central<br />
Albumina, Freelite Mx, Cistatina e<br />
Imunoglobulinas no líquor.<br />
Nefrologia<br />
Cistatina, Microalbumina<br />
Beta-2-Microglobulina, Transferrina<br />
Proteínas Específicas<br />
PCR, ASO, Fator Reumatóide, Ferritina,<br />
Transferrina, Pré-Albumina, Ceruloplasmina,<br />
Haptoglobina, Alfa-1-Antitripisina,<br />
Alfa-1-Glicoproteína Ácida, Lipoproteína(a),<br />
entre outras.<br />
Freelite ® é marca registrada da empresa The Binding Site Group, Birmingham, Reino Unido
ANÁLISES CLÍNICAS<br />
Outro problema é o aumento da<br />
reabsorção renal de cálcio, já que<br />
nesse tecido há expressão do Receptor<br />
do tipo 1 para PTH-PTHrP (PTHR1). A<br />
consequência também é o aumento<br />
de cálcio na circulação.<br />
Hipercalcemia osteolítica<br />
Pacientes com hipercalcemia humoral<br />
de malignidade tipicamente tem<br />
poucas ou nenhuma metástase óssea.<br />
Hipercalcemia osteolítica<br />
Pacientes com hipercalcemia osteolítica<br />
têm muitas metástases ósseas,<br />
geralmente associadas a câncer de<br />
mama e mieloma múltiplo.<br />
do osso ultrapassa a capacidade de<br />
depuração renal de cálcio.<br />
Por isso, a hipercalcemia ocorre nesse tipo.<br />
natureza, também é humoral.<br />
Ela é causada pela produção tumoral<br />
de hormônios envolvidos no<br />
remodelamento ósseo.<br />
As células tumorais presentes no<br />
osso produzem citocinas que agem<br />
localmente estimulando a reabsorção<br />
óssea pelos osteoclastos e, ao mesmo<br />
tempo, inibindo os osteoblastos que<br />
fazem a renovação óssea.<br />
Hipercalcemia mediada por<br />
1,25 - dihidroxivitamina D<br />
Esse tipo de hipercalcemia, por<br />
Hipercalcemia mediada por 1,25 - dihidroxivitamina D<br />
Alguns tumores levam ao aumento<br />
da expressão do gene Cyp27B1 que<br />
codifica para a 1-α-hidroxilase.<br />
Como grande parte do esqueleto está<br />
comprometida por células tumorais,<br />
a quantidade de cálcio reabsorvido<br />
92 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022
ANÁLISES CLÍNICAS<br />
Essa enzima é a responsável pela<br />
conversão de 25-hidroxivitamina D<br />
em 1,25-dihidroxivitamina D.<br />
Hiperparatireoidismo ectópico<br />
O excesso de 1,25-dihidroxivitamina<br />
D aumenta a absorção intestinal de<br />
cálcio e também a reabsorção óssea,<br />
levando à hipercalcemia.<br />
Hiperparatireoidismo ectópico<br />
Como o nome sugere, nesse tipo, alguns<br />
raros tipos de tumores produzem PTH<br />
ao invés de produzir a PTHrP.<br />
É como se o tumor imitasse a glândula<br />
paratireoide. Só que em outros locais<br />
do corpo.<br />
O excesso de PTH produzido pelos<br />
tumores provoca a hipercalcemia.<br />
Cânceres da paratireoide também<br />
causam hipercalcemia por causa do<br />
aumento de secreção de PTH.<br />
Tratamento<br />
É baseado em três princípios básicos.<br />
O primeiro é corrigir o valor de cálcio,<br />
caso a albumina sérica esteja diminuída,<br />
e corrigir a depleção da volemia caso a<br />
desidratação esteja presente.<br />
O segundo é inibir a reabsorção<br />
óssea, com uso de bifosfonatos<br />
(induz a apoptose dos osteoclastos)<br />
ou de denosumab (anticorpo<br />
monoclonal que inibe os<br />
osteoclastos em diferentes etapas<br />
do seu desenvolvimento).<br />
O terceiro é estabelecer o tratamento<br />
efetivo para combater o câncer que<br />
está levando à hipercalcemia.<br />
Autor:<br />
Brunno Câmara<br />
Biomédico, CRBM-GO 5596, habilitado em patologia clínica e hematologia. Docente do Ensino Superior. Especialista em Hematologia e Hemoterapia pelo programa de<br />
Residência Multiprofissional do Hospital das Clínicas - UFG (HC-UFG). Mestre em Biologia da Relação Parasito-Hospedeiro (área de concentração: virologia). Criador e<br />
administrador do blog Biomedicina Padrão. Criador e integrante do podcast Biomedcast.<br />
Contato: @biomedicinapadrao<br />
Confira a referência bibliográfica em:<br />
www.newslab.com.br/referencias-newslab<strong>172</strong><br />
<strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022<br />
93
MINUTO LABORATÓRIO<br />
AUDITORIA INTERNA:<br />
DO AUDITOR AO AUDITADO - O QUE ESPERAR?<br />
Por Fábia Bezerra<br />
O Termo auditor tem origem latina<br />
(aquele que ouve) e seu surgimento é<br />
mais antigo do que se imagina.<br />
Há relatos de que povos antigos, em<br />
meados de 1314 na Inglaterra, já<br />
exerciam atividades parecidas.<br />
Foi durante a revolução industrial que<br />
a função do auditor, que até então se<br />
restringia a identificar erros, passou a<br />
ser vista como uma forma muito útil<br />
de mostrar, através de um relatório<br />
fiel, sobre dados financeiros. Tornandose<br />
uma ferramenta extremamente<br />
importante de controle e essencial após<br />
a instalação do sistema capitalista.<br />
Aqui no Brasil, foi reconhecida no final da<br />
década de 60 e fortalecida em meados de<br />
1973 pelo Banco Central do Brasil e de lá<br />
para cá, cresceu e se expandiu para todas<br />
as áreas e seguimentos profissionais.<br />
Aprendi ao longo da minha carreira<br />
que devemos trabalhar todos os dias<br />
como se fossemos ser auditados<br />
no dia seguinte, ou seja, uma<br />
auditoria nada mais é que uma<br />
foto do nosso momento, portanto,<br />
cumprir os protocolos (que nós<br />
mesmos definimos nos documentos<br />
corporativos) é no mínimo uma<br />
obrigação natural, assim como usar o<br />
crachá para entrar na empresa.<br />
Já me perguntaram algumas vezes:<br />
“Mas uma Auditoria interna não<br />
‘maquia‘ resultados a fim de defender<br />
os interesses da empresa?”<br />
Minha resposta sempre será a<br />
mesma: Não!<br />
Auditores são escolhidos por uma Alta<br />
gestão séria, justamente para serem<br />
os olhos do Dono.<br />
Portanto, nunca façam nada “para<br />
auditor ver”, nosso olhar já está<br />
treinado e qualquer sinal de processo<br />
inadequado, provavelmente iremos<br />
identificar. Não enganem e não se<br />
enganem, esse monitoramento<br />
é vital para a melhoria de nossos<br />
processos. Não tem caráter punitivo<br />
e sim, educativo.<br />
Além das Auditorias Externas que as<br />
empresas podem contratar e obterem<br />
selos dos mais variados (ONA, PALC,<br />
CAP, ISO, JCI e etc.), estão em alta<br />
também os chamados ‘Selos Internos’<br />
– que são Acreditações definidas<br />
pela Alta Gestão e Qualidade, onde<br />
profissionais escolhidos a dedo,<br />
são capacitados para auditarem a<br />
empresa, em todas as suas áreas e<br />
processos.<br />
E como formar uma Equipe de<br />
Auditoria Interna?<br />
Cada Empresa define seus critérios,<br />
que podem ir desde a assiduidade<br />
no trabalho, excluindo os que<br />
possuem atrasos, atestados e<br />
afastamentos; a escolhas por<br />
formação, prova ou convite direto.<br />
O importante é que o Auditor que<br />
será escolhido como Líder do grupo<br />
tenha pelo menos formação de<br />
alguma Acreditadora que atenda<br />
aos interesses do laboratório, como<br />
as que citei no início do texto, e que<br />
este seja capaz de multiplicar as<br />
Normas para o time de forma que<br />
consigam se desenvolver e aplicar<br />
nas auditorias internas.<br />
Passando esta fase, é hora de<br />
definir um escopo, como e com<br />
que periodicidade irá auditar sua<br />
equipe. Sugiro seguir as Normas da<br />
94 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022
MINUTO LABORATÓRIO<br />
Acreditadora que deseja possuir no<br />
futuro. Em seguida, elaborar um<br />
checklist com os itens das Normas<br />
ou criar um próprio que represente os<br />
pilares das Instituição na qual trabalha.<br />
Segue modelo:<br />
Após, faça um calendário para as<br />
Auditorias Internas durante o ano -<br />
em minha opinião pessoal, devem ser<br />
pelo menos semestrais.<br />
A cada Auditoria, faça um relatório<br />
com base no checklist e apresente os<br />
resultados para a Gestão e esta deve<br />
multiplicar às equipes, bem como<br />
definir planos de ações para cada não<br />
conformidade que por ventura for<br />
apontada e discutir as oportunidades<br />
de melhoria.<br />
Na Auditoria seguinte, analise os<br />
resultados e planos efetuados.<br />
Ao final do ciclo de Auditorias, as<br />
áreas recebem (ou não) seus selos<br />
de Qualidade Interna. Estes dados<br />
viram indicadores que devem ser<br />
apresentados para a Diretoria.<br />
Por fim, nosso trabalho como<br />
Auditor, além de descrever as não<br />
conformidades e oportunidades de<br />
melhorias, é sobretudo, no final do<br />
relatório, persuadir os leitores à Ação.<br />
Portanto: seja sucinto, transmita<br />
o conteúdo do seu relatório de<br />
maneira simples, destaque sempre<br />
os pontos fortes das áreas que<br />
avaliou, não negligencie o básico,<br />
escolha bem as palavras se quiser<br />
obter adesão ao que foi apontado<br />
e seja sempre cordial, na qualidade<br />
de Auditor ou Auditado.<br />
Autora:<br />
Fábia Bezerra<br />
Biomédica / Auditora Interna PALC / Gerente Nacional da Qualidade na Hapvida Diagnósticos<br />
Confira a referência bibliográfica em:<br />
www.newslab.com.br/referencias-newslab<strong>172</strong><br />
96 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022
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CIÊNCIA, PESQUISA E<br />
DESENVOLVIMENTO<br />
CIÊNCIA, PESQUISA E DESENVOLVIMENTO<br />
PARA A CONSTRUÇÃO DE UM FUTURO MELHOR<br />
Por Carla Freitas<br />
Resiliência – essa é uma capacidade<br />
que pessoas que trabalham com<br />
ciência devem ter e sem a qual não<br />
seria possível exercer a profissão.<br />
Hoje, como líder da área de<br />
Pesquisa e Desenvolvimento no<br />
Brasil da maior empresa global<br />
de saúde animal, digo que passei<br />
por situações ao longo da carreira<br />
que me fizeram acreditar ser essa a<br />
maior característica de alguém que<br />
escolhe a ciência como caminho.<br />
A ela, agrego outras – compromisso<br />
de impactar de maneira positiva a vida<br />
das pessoas, motivação para adquirir e<br />
compartilhar novos conhecimentos,<br />
capacidade de ordenar pensamentos<br />
e de seguir processos, além da<br />
motivação para enfrentar desafios<br />
constantes e inerentes à natureza de<br />
cada novo projeto.<br />
Eu me apaixonei pelas ciências<br />
da vida e, mais especificamente,<br />
pela biologia desde muito cedo.<br />
Costumo dizer que nasci bióloga<br />
e, embora possa parecer clichê,<br />
posso afirmar que o amor pelo<br />
que faço me motiva a exercer<br />
cada dia mais e melhor a<br />
minha profissão. Tenho ainda a<br />
satisfação de trabalhar com uma<br />
equipe extremamente talentosa<br />
que não mede desafios para<br />
produzir ciência de excelência,<br />
em prol da saúde animal.<br />
Nesses dois anos de pandemia,<br />
nunca se falou tanto a respeito<br />
de ciência, de seu valor e da<br />
importância de investimento na<br />
área. Os olhos e todos os esforços<br />
no mundo inteiro ficaram<br />
voltados ao desenvolvimento de<br />
tecnologias e ferramentas que<br />
pudessem conter o avanço de um<br />
inimigo totalmente desconhecido<br />
e invisível aos olhos humanos, e<br />
a figura do pesquisador ganhou<br />
notoriedade, em seu papel<br />
em apresentar soluções para<br />
necessidades reais em caráter de<br />
urgência – em favor da saúde e<br />
da vida. A ciência, que parecia<br />
algo tão distante da realidade<br />
das pessoas, tomou conta das<br />
rodas de conversa, dos noticiários<br />
e trouxe à tona oportunidades e<br />
grandes desafios.<br />
Pesquisadoras brasileiras tiveram<br />
destaque no combate ao SARS-<br />
CoV-2, causador da covid-19, e<br />
na divulgação de informações<br />
a respeito do assunto, como<br />
a biomédica Jaqueline Goes<br />
de Jesus, coordenadora do<br />
time de especialistas que fez<br />
o sequenciamento genômico<br />
do primeiro caso de covid-19<br />
98 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022
detectado no País em apenas<br />
48 horas, ou a imunologista<br />
Daniela Santoro, que está entre<br />
os 30 cientistas brasileiros que<br />
trabalham para criar um spray<br />
nasal que promete reforçar a<br />
imunidade contra a covid-19.<br />
Quem acompanhou as notícias<br />
pela TV dificilmente desconhece<br />
a microbiologista Natalia<br />
Pasternak, que esteve na linha<br />
de frente contra a desinformação<br />
não expositivo, presente no<br />
imaginário comum, caiu por<br />
terra no momento da pandemia.<br />
A troca de experiências e<br />
resultados nas estratégias de<br />
prevenção, combate e gestão<br />
de controle do vírus se deu em<br />
ordem global e em sinergia com<br />
muitas outras áreas e instâncias<br />
pública e privada. Em meio<br />
a um cenário catastrófico e<br />
pandêmico, ficou evidente que<br />
Entendo que quem opta<br />
por trabalhar com pesquisa<br />
e desenvolvimento está<br />
construindo o futuro e que todos<br />
deveriam se sentir à vontade<br />
para sugerir e trazer soluções<br />
às necessidades humanas e às<br />
dos demais seres vivos. Como<br />
alguém que já trilha essa<br />
jornada há um tempo, eu me<br />
vejo obrigada a fortalecer e<br />
a estimular quem demonstra<br />
CIÊNCIA, PESQUISA E<br />
DESENVOLVIMENTO<br />
sobre o vírus. Isso apenas para<br />
esforços conjuntos e integrados<br />
a vontade de caminhar junto,<br />
citar algumas, mas muitas outras<br />
entre governos, instituições de<br />
como num processo ativo e<br />
se sobressaíram nesse período.<br />
pesquisa, empresas e entidades<br />
contínuo para ampliar conexões<br />
internacionais foram cruciais<br />
e maximizar o impacto da<br />
Destaco também que a ideia de<br />
para a disponibilização e a<br />
ciência na vida das pessoas. A<br />
que o pesquisador ou de que<br />
viabilização, em tempo recorde,<br />
carreira científica nos abre as<br />
quem trabalha com pesquisa e<br />
de ferramentas de combate ao<br />
portas de um universo vasto e<br />
desenvolvimento tem, em geral,<br />
SARS-CoV-2 destinadas à saúde<br />
repleto de desafios, descobertas<br />
o perfil mais introspectivo e<br />
humana e à animal.<br />
e conhecimento.<br />
Autora:<br />
Carla Freitas<br />
Bióloga e Líder de Pesquisa e Desenvolvimento da Zoetis no Brasil.<br />
<strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022<br />
99
DIAGNÓSTICO POR IMAGEM<br />
DIAGNOSTICAR ALZHEIMER:<br />
QUANTO MAIS CEDO – E COM MAIS PRECISÃO –, MELHOR<br />
Tecnologias de imagem, como PET, e em exames de sangue, avançam a cada dia – e precisam chegar à saúde pública<br />
Por Giovanni G. Cerri<br />
Informação é o recurso mais<br />
estratégico de que se pode<br />
dispor. Essa afirmação pode soar<br />
um tanto redundante, já que<br />
vivemos justamente no que se<br />
convencionou chamar de “Era da<br />
Informação”. Mas exatamente por<br />
isso é oportuno que, de tempos<br />
em tempos, isso seja lembrado,<br />
principalmente no campo da saúde.<br />
E neste, o eixo central é dispor da<br />
informação o mais cedo possível –<br />
o que leva a cada vez mais, avanços<br />
tecnológicos para se chegar ao<br />
diagnóstico precoce.<br />
Um exemplo de grande desafio a<br />
obtenção do diagnóstico precoce,<br />
e do papel relevante do avanço<br />
da tecnologia nisso, é o mal de<br />
Alzheimer – doença que, no Brasil,<br />
atinge ou pode vir a atingir mais de<br />
1,2 milhão de pessoas, de acordo<br />
com dados do Ministério da Saúde.<br />
O Alzheimer é uma doença de<br />
difícil diagnóstico, para o qual não<br />
existe fórmula simples, e é aí que<br />
o avanço científico e tecnológico<br />
mostra sua importância. Em maio,<br />
um estudo de pesquisadores da<br />
Universidade da Califórnia detectou<br />
com um exame de sangue a enzima<br />
PHGDH – que, se encontrada em<br />
níveis elevados, sinaliza um risco<br />
elevado para Alzheimer.<br />
O Brasil apresentou um avanço<br />
importante na detecção precoce de<br />
Alzheimer em 2019, com o método<br />
desenvolvido por pesquisadores da<br />
Unicamp (Universidade Estadual de<br />
Campinas): a análise da morfologia<br />
(do formato) do cérebro, com o<br />
uso de imagens 3D geradas por<br />
ressonância magnética, permite<br />
apontar se a doença de Alzheimer já<br />
está em curso ou se há indicações<br />
de que possa vir a se desenvolver.<br />
Isso leva mais rapidez e precisão<br />
ao diagnóstico – e em se tratando<br />
de Alzheimer, saber o quanto<br />
antes é fundamental.<br />
O uso de exames de imagem, como<br />
o PET (tomografia por emissão de<br />
pósitrons, na sigla em inglês), é<br />
outra ferramenta de grande valor<br />
na medicina diagnóstica. Segundo a<br />
plataforma especializada Medscape,<br />
essa ferramenta fez com que mais de<br />
60% dos médicos que a usaram para<br />
detectar placas amiloides no cérebro<br />
dos pacientes mudaram o tratamento<br />
(tais placas são sinal fundamental da<br />
doença de Alzheimer).<br />
A expectativa, diz o Medscape, era de<br />
que isso seria o caso em apenas 30%<br />
dos tratamentos. Isso acontece porque<br />
o uso de PET torna os resultados muito<br />
mais precisos. Um dos médicos ouvidos<br />
pela plataforma ressalta que, antes do<br />
exame, mais de 70% dos pacientes que<br />
o realizaram tinham um diagnóstico<br />
de Alzheimer como o mais provável.<br />
Mais uma vez, o conhecimento<br />
precoce das condições dos pacientes<br />
permitiu adotar estratégias mais<br />
eficazes e mais precisas.<br />
100 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022
DIAGNÓSTICO POR IMAGEM<br />
Eficiência e rapidez são possíveis<br />
O emprego das tecnologias<br />
de Radiologia do Hospital das<br />
porque, como pilar das novas<br />
tecnologias aplicadas à saúde<br />
está a IA (inteligência artificial). O<br />
aprendizado de máquina está na<br />
ponta dos avanços da tecnologia<br />
de ponta em diagnósticos é a<br />
aplicabilidade nos serviços públicos<br />
de saúde. Trata-se de um desafio<br />
nada trivial, uma vez que os custos<br />
envolvidos são consideráveis, mas<br />
também de preparo técnico e<br />
Clínicas) tenha viabilizado a<br />
realização de PET em pacientes<br />
do SUS (Sistema Único de Saúde),<br />
esse tipo de exame não é oferecido<br />
na rede pública.<br />
da informação, e já é possível, por<br />
investimentos em infraestrutura.<br />
É preciso fazer com que todos os<br />
exemplo, avaliar pacientes com<br />
suspeita de Alzheimer através da<br />
fala – não só por meio de fatores<br />
como a velocidade da fala do<br />
paciente, mas mesmo através<br />
Em 2020, o American College<br />
of Radiology e a Alzheimer's<br />
Association lançaram nos EUA<br />
um programa de uso de PET para<br />
tratar pacientes com distúrbios de<br />
memória – e a iniciativa teve foco<br />
brasileiros tenham acesso ao que há<br />
em mais moderno em diagnóstico<br />
– e não só quanto à doença de<br />
Alzheimer, mas de qualquer outra<br />
condição de saúde, como diabetes,<br />
câncer, cardiopatias, para citar apenas<br />
do conteúdo de conversas com<br />
em participantes afro-americanos<br />
algumas –, até porque o investimento<br />
pessoas em conversas telefônicas.<br />
Essa avaliação cognitiva foi feita em<br />
2020 no Japão, com um software<br />
de IA, num intervalo de dois meses<br />
de ligações para pessoas a partir de<br />
e latinos beneficiários dos sistemas<br />
Medicare e Medicaid (que são<br />
os planos de saúde públicos dos<br />
EUA). Os custos envolvidos seriam<br />
reembolsados pelos dois sistemas.<br />
No Brasil, embora o projeto<br />
na prevenção tem potencial de poupar<br />
gastos com tratamento. No campo da<br />
saúde, a tecnologia avança para que a<br />
prevenção se torne a linha mestra no<br />
atendimento às pessoas. Afinal, como<br />
há muito a sabedoria popular já sabe:<br />
65 anos de idade.<br />
Cíclotron, do InRad (Instituto<br />
é melhor prevenir do que remediar.<br />
Autor:<br />
Giovanni Guido Cerri<br />
Médico, é presidente do Conselho do Instituto de Radiologia e presidente do Conselho de Inovação (InovaHC) do Hospital<br />
das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Foi diretor da FMUSP, diretor-geral do Instituto do Câncer do Estado de São<br />
Paulo (Icesp) e secretário de Estado da Saúde de São Paulo.<br />
102 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022
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CITOMETRIA DE FLUXO<br />
O QUE É CITOMETRIA DE FLUXO ESPECTRAL?<br />
Por Helena Varela de Araújo, Margareth Fernandes, Rafaele Loureiro Azevedo e Bruna Garcia Nogueira<br />
Desde o início da citometria de<br />
fluxo, décadas atrás, os avanços<br />
tecnológicos têm concentrado-se<br />
predominantemente em refinar<br />
e simplificar o uso de esquemas<br />
ópticos existentes. Embora úteis<br />
para a comunidade científica, os<br />
citômetros convencionais apresentam<br />
certa dificuldade de aumentar a<br />
dimensionalidade dos dados para<br />
cada amostra.<br />
Os citômetros de fluxo convencionais<br />
utilizam filtros de passagem de banda<br />
e detectores de luz para capturar o<br />
pico de emissão de fluorescência,<br />
tendo um único detector e filtro<br />
dedicados para cada fluorocromo,<br />
necessitando da compensação<br />
para eliminar a sobreposição de<br />
fluorocromos vizinhos.<br />
A citometria fluxo espectral,<br />
por sua vez, demonstrada pela<br />
primeira vez pelo Dr. Paul Robinson<br />
na Universidade de Purdue em<br />
2004 (Robinson, 2004), captura<br />
o espectro de emissão de<br />
fluorescência em toda a faixa de<br />
comprimento de onda de luz visível.<br />
Figura1. Diagrama de citometria de fluxo espectral completo: A luz emitida pela amostra é coletada e passada por múltiplos arranjos ópticos,<br />
uma metodologia chamada Divisão Seletiva de Múltiplos Comprimentos de Onda (CWDM) presente nos citômetros Cytek® Aurora e Northern<br />
Lights. Cada laser possui uma matriz de detectores e cada matriz tem conjunto de detectores, (CWDM) montados em vários arranjos<br />
e fotodiodos de avalanche (APDs). A Citometria de Fluxo de espectro total captura todo o espectro de emissão de cada molécula fluorescente<br />
em uma faixa definida de comprimentos de onda, usando detectores de luz altamente sensíveis. Cada fluorocromo possui uma assinatura<br />
espectral única que o identifica e permite a caracterização de alto rendimento de mais de 40 parâmetros em um único nível de célula de uma<br />
amostra. Os Citômetros de Fluxo da Cytek® Aurora e Northen lights podem ser equipados com 3 a 5 lasers (até 67 parâmetros) e 1 a 3 lasers<br />
(43 parâmetros), respectivamente.<br />
O primeiro citômetro de fluxo<br />
espectral foi lançado pela Sony<br />
Biotechnology em 2012, utilizando<br />
prismas com detectores PMT para<br />
coletar e amplificar luz além da<br />
capacidade dos citômetros de fluxo<br />
convencionais.<br />
Em 2017, a Cytek Biosciences<br />
apresentou o Citômetro de Fluxo de<br />
Espectro Total (Full Spectrum Flow<br />
Cytometry – FSFC) Cytek® Aurora<br />
com várias melhorias no sistema<br />
de fluidos e óptica de excitação<br />
e emissão. A singularidade da<br />
tecnologia de citometria de fluxo<br />
de espectro total dos equipamentos<br />
da Cytek está no design óptico<br />
onde, utiliza detectores de<br />
semicondutores aprimorados e<br />
na análise computacional para<br />
medição espectral completa de<br />
vários fluorocromos que emitem<br />
sinais luminosos com comprimento<br />
de onda na faixa de 360-830 nm.<br />
Cada laser possui uma matriz<br />
de detectores e cada matriz tem<br />
conjunto de detectores, tecnologia<br />
chamada de Divisores Seletivos<br />
de Vários Comprimentos de Onda<br />
(CWDM), montados em diversos<br />
arranjos e fotodiodos de avalanche<br />
(APDs) para coletar luz e convertê-la<br />
em sinais elétricos. Fig1<br />
104 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022
Os APDs têm baixo ruído eletrônico e<br />
alta eficiência quântica, especialmente<br />
em comprimentos de onda mais altos<br />
com um alcance dinâmico adequado<br />
para muitas aplicações de fluxo. Isso<br />
se traduz em seus sinais negativos<br />
sendo baixos e apertados e seus sinais<br />
positivos sendo mais brilhantes.<br />
Nos citômetros de fluxo de espectro<br />
total, cada fluorocromo possui uma<br />
assinatura espectral única que o<br />
identifica. Assim, mesmo fluorocromos<br />
altamente sobrepostos podem ser<br />
usados no mesmo painel, o que<br />
aumenta a flexibilidade no desenho de<br />
painéis multicoloridos complexos para<br />
análise imunofenotípica por citometria<br />
de fluxo. Fig.1<br />
Por fim, podemos citar os benefícios da<br />
citometria de fluxo de espectro total:<br />
• Maior flexibilidade na escolha dos<br />
fluorocromos para montar painéis<br />
multicoloridos.<br />
• Captura da autofluorescência<br />
de qualquer amostra altamente<br />
fluorescente, e remoção dessa<br />
autofluorescência dos dados, permitindo<br />
melhor visualização das células de<br />
interesse e análise dos resultados.<br />
• O citômetro de fluxo espectral requer<br />
menos lasers para a análise de mais cores.<br />
• É ideal para caracterização de<br />
populações de baixa frequência e<br />
amostras com baixo número de<br />
células, analisando milhões de células<br />
em menos tempo.<br />
Dessa maneira, a citometria de espectro<br />
completo possibilita maior rendimento<br />
na análise multiparamétrica, em um<br />
único tudo, de até 40 parâmetros para<br />
a caracterização de células isoladas em<br />
suspensão. Esta tecnologia combina<br />
alta sensibilidade, capacitando novas<br />
aplicações com maior flexibilidade<br />
para a escolha de marcadores e melhor<br />
resolução. Como mais marcadores<br />
podem ser avaliados simultaneamente,<br />
a citometria espectral auxilia<br />
a solucionar os problemas de<br />
amostragem limitada, aumentando a<br />
quantidade das informações e trazendo<br />
maior resolução para as análises.<br />
CITOMETRIA DE FLUXO<br />
Confira a referência bibliográfica em:<br />
www.newslab.com.br/referencias-newslab<strong>172</strong><br />
Autoras:<br />
Helena Varela de Araújo<br />
Biomédica graduada pela UFRN e pela University of Kent.<br />
Especialista em hematologia e citometria de fluxo pelo<br />
Hospital Albert Einstein. Tem MBA em Gestão de Saúde e<br />
diploma em Comunicação e Marketing. Assistente técnica<br />
do laboratório de citometria de fluxo do Whitehead<br />
Institute, MIT. Fundadora, administradora, criadora de<br />
conteúdo e professora do @HemoFlow.<br />
Rafaele Loureiro de Azevedo<br />
Bióloga graduada pela Universidade Estácio de Sá,<br />
CRBio/RJ 121828/02-D. Especialista em hematologia<br />
pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Mestre em<br />
Imunobiológicos por BioManguinhos/Fundação Oswaldo<br />
Cruz. Atualmente é analista de inovação e operações<br />
farmacêuticas da Fiocruz/RJ. Tem experiência em<br />
Controle de Qualidade, Citometria de Fluxo e expressão de<br />
anticorpos monoclonais in vitro. É criadora de conteúdo e<br />
professora do @HemoFlow.<br />
Bruna Garcia Nogueira<br />
Farmacêutica graduada pela UnB, CRF/SP 95286.<br />
Especialista em Hematologia pelo Hospital Albert<br />
Einstein, com aperfeiçoamento em Citometria de<br />
Fluxo pelo Hospital das Clínicas da FMUSP. Analista<br />
especializada em citometria de fluxo no Hospital<br />
Albert Einstein. Criadora de conteúdo e professora<br />
do @HemoFlow<br />
Margareth Fernandes, PhD<br />
Gerente de Produtos da DBR Biotech. Graduada em<br />
Biomedicina pela UMC, mestre em Parasitologia pelo<br />
ICB -USP e doutora em Hematologia pela Faculdade<br />
de Medicina da USP.<br />
<strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022<br />
105
COLETA DE SANGUE<br />
NÃO CONFORMIDADES NA<br />
COLETA DE SANGUE<br />
*Continuação da Serie Publicada na <strong>Newslab</strong> <strong>Edição</strong> 171<br />
Por: Suzimara Tertuliano e Luciane Sarahyba<br />
21 - Sequência incorreta da ordem de<br />
coleta dos tubos de acordo com CLSI para<br />
resultados de exames fidedignos<br />
A sequência de tubos deve ser respeitada<br />
durante a coleta de exames laboratoriais, pois<br />
cada tubo contém, em seu interior, aditivo/<br />
anticoagulante específico para determinado<br />
analito. A agulha para coleta de sangue tem<br />
duas pontas, sendo uma inserida no paciente<br />
e a outra distal que é recoberta por uma<br />
borracha protetora que perfura a tampa do<br />
tubo permitindo coletas múltiplas em punção<br />
única. Caso ocorra a inversão da ordem de<br />
coleta pode ocorrer a transferência do aditivo ou<br />
anticoagulante para o tubo subsequente através<br />
da ponta da agulha distal podendo interferir nos<br />
resultados dos exames laboratoriais.<br />
CLSI GP41 ED7:2017 Collection of Diagnostic Venous Blood Specimens by Venipuncture. 7 th Edition<br />
22 - Não seguir as limitações da seleção do local ao coletar<br />
amostra de sangue venoso<br />
23 - Posição incorreta para coleta de sangue<br />
Os braços das cadeiras devem ser ajustáveis<br />
para proporcionar o posicionamento do braço<br />
e antebraço adequado à punção venosa para<br />
cada paciente, oferecendo conforto e segurança.<br />
Recomenda-se que a posição do descanso de braço<br />
seja levemente inclinada para baixo e estendida,<br />
formando uma linha direta do ombro para o pulso<br />
do cliente/paciente. O braço deve estar apoiado<br />
firmemente pelo descanso e o cotovelo não deve<br />
estar dobrado. Importante ter uma leve curvatura<br />
para evitar a hiperextensão do braço. Esta posição<br />
é importantíssima para o êxito da punção venosa.<br />
- item 6.2.1 CLSI GP41 ED7:2017<br />
Fonte: adaptada de CLSI, 2018. Recomendações da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial(SBPC/ML) : boas práticas em<br />
laboratório clínico Pag. 200<br />
106 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022
24 - Desconhecer a técnica de punção venosa<br />
É a punção de uma veia com a finalidade de obter<br />
amostra de sangue para análise laboratorial ou<br />
infundir fluidos, sangue e medicamentos.<br />
Para reduzir o risco de efeitos adversos aos<br />
pacientes, é necessário que os profissionais de<br />
saúde que realizam a punção venosa tenham<br />
conhecimento da anatomia, domínio da<br />
técnica para examinar cuidadosamente o local<br />
da punção e a escolha do calibre da agulha de<br />
acordo com as condições clínicas do paciente, e<br />
que sejam treinados e qualificados.<br />
25 - Não seguir o passo a passo ANTES da<br />
coleta de sangue (punção venosa)<br />
• Ser realizada por um profissional com<br />
conhecimento da anatomia para examinar<br />
cuidadosamente o local da punção<br />
• Organizar o ambiente para o atendimento,<br />
mantendo-o limpo para receber o paciente<br />
• Recomendar a apresentação do profissional da<br />
saúde ao paciente;<br />
• Solicitar ao paciente documento com foto que<br />
comprove a sua identificação;<br />
• Ter um dispositivo de segurança nas agulhas e<br />
os escalpes para coleta de sangue definidos pela<br />
NR 32/2005 e portaria Nº 1748 de agosto de<br />
2011, Ministério do Trabalho e Emprego;<br />
• Abrir os insumos na frente do paciente e/ou<br />
acompanhante;<br />
• Higienizar as mãos com água e sabão ou<br />
fricção de álcool a 70 % de acordo com as<br />
recomendações da Anvisa, seguindo os 5<br />
momentos citados acima.<br />
COLETA DE SANGUE<br />
Boas práticas em flebotomia protegem tanto os<br />
profissionais de saúde como os pacientes.<br />
• Informar como será o procedimento e<br />
certifique-se de que o paciente compreendeu,<br />
Sistema fechado<br />
• Técnica recomendada pela CLSI GP41<br />
ED7:2017 Collection of Diagnostic Venous Blood<br />
Specimens by Venipuncture. 7 th Edition;<br />
• Possibilidade de coleta múltiplas;<br />
• Facilidade no manuseio dos tubos;<br />
• Padronização de volume e aditivos;<br />
• Garantia da qualidade da amostra e do<br />
resultado final;<br />
• Ausência de manipulação de amostra;<br />
• Descarte seguro.<br />
tranquilize-o em caso de ansiedade e pergunte<br />
o que o deixaria mais à vontade durante este<br />
procedimento;<br />
• Obter consentimento verbal para realizar o<br />
procedimento;<br />
• Informar referente ao recebimento do laudo e<br />
tempo em que os exames estarão prontos<br />
• Conferir os exames solicitados com as etiquetas<br />
emitidas pelo código de barras na frente do<br />
• Calçar as luvas de procedimento;<br />
As luvas são eficazes para prevenir a<br />
contaminação das mãos dos profissionais de<br />
saúde e para ajudar a reduzir a transmissão de<br />
agentes patogênicos;<br />
O uso de luvas não substitui a necessidade de<br />
higienização das mãos;<br />
Utilizar técnica correta de calçamento e remoção.<br />
Sistema Aberto<br />
paciente e acompanhante e apresentar para<br />
conferência dos dados informados;<br />
Vantagem<br />
• Facilidade no manuseio da seringa pelo<br />
profissional de saúde;<br />
• Coleta arterial;<br />
• Coleta com maior facilidade pediátrica e geriátrica.<br />
• Verificar a condição de jejum, restrições<br />
alimentares, hipersensibilidade ao látex ou ao<br />
antisséptico, fobias ou se alguma vez desmaiou<br />
durante injeções ou coletas de sangue anteriores;<br />
Desvantagem<br />
• Manipulação do Material biológico;<br />
• Risco de contaminação durante transferência<br />
/ descarte;<br />
• Maior possibilidade de formação de coagulação,<br />
hemólise e fibrina na amostra;<br />
• Maior Incidência de recoletas;<br />
• Maior incidência de acidentes.<br />
• Selecionar tubos, agulhas, escalpes e demais<br />
insumos para a coleta de sangue, verificando<br />
possíveis defeitos, prazo de validade, lote na<br />
presença do paciente. Em caso de uso de escalpe<br />
verificar se é isento de látex e de Ftalatos;<br />
• Escolher o calibre da agulha de acordo com as<br />
condições clínicas do paciente;<br />
• Usar óculos de proteção;<br />
Coloque sobre o rosto e os olhos e verifique o<br />
ajuste.<br />
<strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022<br />
107
COLETA DE SANGUE<br />
• Posicionar o braço do cliente/paciente de<br />
maneira confortável e que permita a coleta com<br />
segurança inclinando-o para baixo e estendido,<br />
formando uma linha direta do ombro até o pulso<br />
do paciente<br />
Veias do Dorso da mão<br />
Utilizadas quando as Veias do Membro Superior<br />
não estão disponíveis ou são inacessíveis.<br />
Indicadas: veias do arco dorsal do metacarpo<br />
26 - Garroteamento prolongado<br />
O garrote é um constritor e deve ser utilizado<br />
para aumentar a pressão intravascular em<br />
uma extremidade por um período limitado,<br />
com tensão suficiente para tornar as veias<br />
proeminentes sem interromper a circulação<br />
e deve ser aplicado aproximadamente 7,5<br />
centímetros ou 4 dedos acima do local de<br />
punção respeitando o tempo de uso de até 1<br />
minuto e deve ser retirado no momento em que<br />
agulha é introduzida no acesso venoso.<br />
• Selecionar o local para punção<br />
Acessos venosos:<br />
Veias do Membro Superior<br />
Veias na parte inferior do punho não devem ser<br />
utilizadas porque, assim como elas, os nervos<br />
e tendões estão próximos à superfície da pele<br />
nessa área.<br />
Dorso dos pés<br />
Recomenda-se que o torniquete ser<br />
preferencialmente isento de látex.<br />
Recomendamos que a coleta seja realizada<br />
preferencialmente sem garroteamento,<br />
especialmente em pacientes com as veias<br />
visíveis, utilizando este somente quando<br />
necessário<br />
O tempo excessivo de garroteamento pode causar<br />
hemólise e hemoconcentração, interferindo<br />
diretamente no resultado de alguns exames.<br />
O local da punção mais indicado é a fossa ante<br />
cubital<br />
A fossa antecubital apresenta dois formatos<br />
anatômicos mais comuns:<br />
O formato em H apresenta as veias: cefálicas,<br />
cubital mediana e basílica.<br />
O formato em M exibe as veias: cefálica, cefálica<br />
mediana, basílica mediana e basílica.<br />
Embora qualquer veia do membro superior<br />
apresente condições de ser puncionada, as veias<br />
cubital mediana (formato em H) e mediana<br />
(formato em M) são as preferenciais para a<br />
coleta de sangue venoso.<br />
Locais alternativos, tais como tornozelos<br />
ou extremidades inferiores, não devem ser<br />
utilizados sem a permissão do médico, devido<br />
ao potencial significativo de complicações<br />
médicas, por exemplo: flebites, tromboses ou<br />
necrose tissular.<br />
As veias de membros inferiores não devem ser<br />
utilizadas a menos que seja absolutamente<br />
necessário, em virtude do risco de embolias e<br />
tromboflebites.<br />
Atenção:<br />
Se o paciente relatar a sensação de<br />
choque elétrico, o procedimento deve ser<br />
interrompido imediatamente. No caso de<br />
formação de hematomas, a coleta também<br />
deve ser interrompida e o local da punção<br />
deve ser pressionado vigorosamente por pelo<br />
menos 5 minutos.<br />
Segundo o documento GP41-CLSI recomendase<br />
o torniquete de uso único para evitar a<br />
propagação de infecções.<br />
De acordo com Item 2.9.3.1 CLSI GP41<br />
ED7:2017 Collection of Diagnostic Venous Blood<br />
Specimens by Venipuncture. 7 th Edition devido à<br />
prevalência de Staphylococcus aureus resistente<br />
à meticilina e outros patógenos em torniquetes<br />
usados anteriormente, os torniquetes de<br />
uso únicos são recomendados para evitar a<br />
propagação de infecções adquiridas nos serviços<br />
de saúde e, como alternativa, os pacientes<br />
internados podem receber um torniquete na<br />
admissão para ser utilizado exclusivamente em<br />
seus procedimentos de acesso venoso. A política<br />
e os procedimentos de controle de infecção da<br />
Instituição devem ser seguidos.<br />
108 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022
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COLETA DE SANGUE<br />
Há no mercado um dispositivo, que pode auxiliar<br />
na coleta, facilitando a visualização de veias,<br />
podendo eliminar os efeitos da aplicação do<br />
torniquete.<br />
• Aguardar a evaporação total do álcool antes<br />
de perfurar a pele, pois o paciente pode sentir<br />
sensação de ardência e a presença de álcool<br />
pode causar hemólise levando a alteração em<br />
• Evitar a retirada precoce do tubo, aguardando<br />
até que o tubo de coleta esteja preenchido<br />
e seu volume indicado seja atingido. Manter<br />
a proporção ideal entre sangue e aditivo. O<br />
alguns analitos comprometendo os resultados.<br />
não preenchimento dos tubos com o volume<br />
• Não abanar e nem soprar o local de punção<br />
de sangue indicado pode causar diluição,<br />
• Abrir o lacre da agulha ou escalpe de coleta<br />
coagulação e fibrina na amostra;<br />
múltipla de sangue em frente ao paciente;<br />
• Realizar homogeneização por inversão<br />
27 - Movimento de abrir e fechar a mão<br />
A contração do músculo do antebraço, movimento<br />
de abrir e fechar mão, associada ao torniquete,<br />
potencializa a elevação do potássio sérico.<br />
• Retirar a proteção que recobre a agulha de<br />
coleta na frente do paciente;<br />
• Estender a pele do cliente/paciente auxilia<br />
manter o vaso sanguíneo bem fixado<br />
durante a troca dos tubos, conforme as<br />
instruções do fabricante do tubo, para evitar<br />
microcoágulo e hemólise<br />
beneficiando a punção.<br />
• “Não bater na veia com 2 dedos”<br />
• Manter o bisel da agulha voltado para cima<br />
• Realizar a punção com o ângulo de no<br />
máximo 30°. Utilizar o calibre da agulha ou<br />
escalpe adequado<br />
Este procedimento que é comum na sala de<br />
coleta, quando o paciente é incorretamente<br />
orientado a “abrir e fechar a mão”, não deve ser<br />
realizado.<br />
28 - Não seguir o passo a passo DURANTE<br />
a coleta de sangue (punção venosa)<br />
Após selecionar o local da punção<br />
• Fazer antissepsia do local a ser puncionado<br />
com gases umedecidas com álcool etílico a<br />
70% em movimentos circulares do centro<br />
para a periferia. Não tocar mais o local. Um<br />
paciente sem antissepsia correta pode receber<br />
contaminação externa;<br />
• Interromper o procedimento imediatamente<br />
caso o paciente relatar a sensação de choque<br />
elétrico. No caso de formação de hematomas, a<br />
coleta também deve ser interrompida e o local<br />
da punção deve ser pressionado por pelo menos<br />
5 minutos;<br />
• Inserir o primeiro tubo completamente.<br />
• Retirar o torniquete, quando o sangue começar<br />
a fluir dentro do primeiro tubo, continuar a coleta<br />
• Retirar a agulha após a coleta do último<br />
tubo e acionar o dispositivo de segurança<br />
imediatamente. Com o auxílio da gaze,<br />
comprimir o local da punção por um período<br />
de até 2 minutos. Para pacientes em uso<br />
de anticoagulante comprimir por até 10<br />
minutos evitando a formação de hematomas e<br />
sangramentos;<br />
• Colocar curativo no local da punção e verificar a<br />
integridade do local;<br />
realizando a troca dos tubos sucessivamente,<br />
seguindo a sequência da ordem para coleta<br />
múltipla de diversos analitos por punção única<br />
de acordo com a GP41-CLSI. A sequência<br />
deve ser respeitada para não ocasionar a<br />
contaminação cruzada por aditivo no tubo<br />
subsequente e consequentemente acarretar em<br />
variações nos resultados.<br />
110 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022
• Orientar que o paciente mantenha a<br />
compressão local sem dobrar o braço;<br />
• Descartar a agulha imediatamente após sua<br />
remoção do braço do paciente, em recipiente<br />
30 - Transferência Inadequada da Amostra<br />
• Não puncionar o tubo<br />
Penetração parcial na veia<br />
Extravasamento de sangue<br />
COLETA DE SANGUE<br />
para materiais perfuro cortantes;<br />
• Recomenda-se identificar os tubos após a<br />
coleta com etiquetas de código de barras na<br />
frente do paciente,<br />
• Retirar e descartar as luvas.<br />
• Anotar a identificação do profissional que<br />
realizou o procedimento, data e hora de coleta<br />
e colocar na posição vertical;<br />
• Realizar anotação do procedimento no<br />
formulário da Instituição ou prontuário<br />
conforme protocolo definido;<br />
• Recomendamos informar qual o membro que<br />
realizou a punção, a quantidade de punções<br />
e se teve alguma intercorrência durante o<br />
procedimento;<br />
• Liberar o paciente, fornecendo o protocolo de<br />
atendimento e orientando para não dobrar o<br />
braço;<br />
• Realizar a higienização das mãos.<br />
• Não transferir vários tubos de uma vez<br />
31 - Intercorrências na punção<br />
O bisel encostado na parede superior da veia,<br />
interrompendo o fluxo sanguíneo<br />
Colabamento venoso<br />
A pressão do torniquete pode provocar<br />
colabamento<br />
Colabamento venoso, retirar ou afrouxar o<br />
torniquete, para permitir o restabelecimento<br />
da circulação. Em seguida, retroceder um<br />
pouco a agulha, para permitir que o fluxo<br />
sanguíneo desobstrua.<br />
29 - Não seguir o passo a passo DEPOIS da<br />
coleta de sangue (punção venosa)<br />
Identificação dos tubos após a coleta e benefícios<br />
nesse processo<br />
• A identificação dos dados do paciente deve<br />
ser realizada sobre a etiqueta do fabricante,<br />
facilitando assim a visualização macroscópica de<br />
preenchimento total do tubo e alterações como<br />
lipemia e hemólise.<br />
• Recomenda-se que o profissional registre sua<br />
identificação, data e hora de coleta;<br />
• Apresentar ao paciente e/ou acompanhante<br />
a identificação dos tubos após a coleta para a<br />
conferência de seus dados;<br />
• Segurança na identificação do paciente e<br />
amostras com dois momentos de conferência<br />
antes e após da coleta de materiais biológicos<br />
• Na ausência de vácuo no tubo, o mesmo é<br />
descartado;<br />
• Havendo ocorrência na punção venosa, sendo<br />
necessário a repunção, efetua-se a troca do tubo,<br />
agulha e/ ou escalpe, preserva-se a etiqueta do<br />
paciente;<br />
Parte posterior da agulha está encostada na<br />
parede da veia.<br />
Transfixação<br />
Agulha ultrapassa a parede venosa inferior<br />
32 - Contaminação por via de infusão<br />
intravenosa<br />
O sangue deve ser coletado do braço oposto<br />
quando um fluido intravenoso está sendo<br />
administrado no braço do paciente.<br />
Não coletar sangue de um ponto de acesso<br />
venoso periférico existente, porque esta prática<br />
pode gerar hemólise, contaminação, presença<br />
de líquido intravenoso e medicação. Esses fatores<br />
podem comprometer os resultados dos exames.<br />
As amostras de sangue obtidas de qualquer tipo<br />
de Amostra de sangue de dispositivo de acesso<br />
vascular (DAV) podem potencialmente estar<br />
contaminadas com fluidos e / ou medicamentos,<br />
o que produzirá resultados errôneos nos testes.<br />
A retirada de um volume de descarte pode<br />
ajudar a reduzir os problemas com amostras<br />
contaminadas por fluidos ou medicamentos<br />
<strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022<br />
111
COLETA DE SANGUE<br />
Os profissionais devem ter concluído um<br />
treinamento completo e documentado antes<br />
de coletar sangue dos DAVs. Seguir a política e<br />
protocolos da Instituição.<br />
33 - Coleta pós Transfusão<br />
É recomendável que o laboratório seja informado<br />
quando o paciente recebeu a infusão e a data e<br />
hora de coleta das amostras biológicas<br />
A hemoglobina e/ou hematócrito deve (m)<br />
ser mensurado (s) antes e 1 a 2 horas após a<br />
transfusão.<br />
34 - Coleta pós Contraste<br />
Sempre que houver opção, o paciente deve ser<br />
orientado a não realizar coletas para exames em<br />
situações diferentes daquelas do dia a dia.<br />
Coletas realizadas após contraste para exames de<br />
imagem, como os de ressonância, apresentam<br />
redução acentuada dos níveis de cálcio.<br />
Meios de contraste são substâncias de natureza<br />
química diversa, utilizados em muitos exames<br />
de diagnóstico por imagem.<br />
Para evitar interferência no resultado de exames<br />
laboratoriais a recomendação é que a coleta de<br />
sangue ocorra antes da realização do uso dos<br />
meios de contraste dos exames de imagem.<br />
Sugerimos que o paciente informe ao<br />
laboratório que realizou exames de imagem<br />
com administração de contraste, o Médico do<br />
laboratório poderá avaliar cada caso em que<br />
tenha ocorrido uso prévio de contraste, antes da<br />
coleta dos exames.<br />
35 - Amostras Hemolisadas<br />
• Escolher o calibre da agulha adequado<br />
às condições clínicas do paciente evitando<br />
utilização de agulha de grosso calibre, que<br />
permita a entrada do sangue com rapidez e<br />
força contra a parede do tubo; e o uso de agulhas<br />
finas, o que força a passagem do fluxo de sangue<br />
na abertura estreita do lúmen da agulha;<br />
• Aguardar a evaporação do álcool antes de<br />
perfurar a pele;<br />
• Aplicar o torniquete com a finalidade de<br />
evidenciar a rede venosa e não interromper a<br />
circulação por um curto período, recomenda-se<br />
não mais que 1 minuto e ser aplicado 7,5 cm<br />
acima do local da punção;<br />
• Evitar realizar a coleta acima e abaixo de<br />
infusão de fluidos ou de um dispositivo de<br />
acesso vascular pois possível contaminação da<br />
amostra com fluidos, hemólise;<br />
• Recomendar não coletar em regiões com<br />
hematoma ou equimose;<br />
• Realizar a punção com o bisel da agulha<br />
voltado para cima em ângulo de 30 graus, inserir<br />
o primeiro tubo a vácuo; quando o sangue<br />
começar a fluir dentro do tubo, desgarrotear;<br />
e realizar a troca dos tubos sucessivamente,<br />
seguindo a ordem de coleta;<br />
• Realizar o preenchimento do tubo até que<br />
o volume máximo indicado seja atingido<br />
(proporção ideal entre sangue e aditivo);<br />
• Realizar a homogeneização suavemente<br />
(inversão) dos tubos contento anticoagulante e<br />
o com aditivos imediatamente entre as trocas<br />
dos tubos conforme as instruções do fabricante<br />
do tubo, para evitar microcoágulo e hemólise;<br />
• Recomendar a permanência dos tubos na<br />
posição vertical após a coleta (retração do<br />
coágulo);<br />
• Homogeneizar os tubos após a coleta de<br />
sangue, é recomendado aguardar a retração de<br />
coágulo em casos de necessidade de obtenção<br />
de soro, pois se a formação do coágulo ainda<br />
estiver incompleta pode ocasionar à ruptura<br />
celular (hemólise) e/ou formação de fibrina.<br />
Seguir a recomendação do fabricante referente<br />
ao tempo de espera da retração do coagulo após<br />
a coleta para realizar a centrifugação realizando<br />
a padronização;<br />
• Monitorar a velocidade de centrifugação,<br />
não usar o freio da centrífuga com o intuito de<br />
interromper a centrifugação dos tubos;<br />
• Recomendar que as amostras não devam<br />
estar em contato direto com o gelo, pelo risco<br />
de congelamento e de hemólise, quando o<br />
analito a ser dosado necessitar da conservação<br />
refrigeração;<br />
• Armazenar corretamente a amostra de acordo<br />
com o manual de Coleta do laboratório;<br />
• Usar insumos de qualidade e de acordo com<br />
as normas técnicas vigentes. A recomendação<br />
do CLSI é pela utilização do sistema fechado,<br />
composto por um dispositivo que permita a<br />
aspiração do sangue diretamente da veia através<br />
do vácuo e/ou aspiração, utilizando agulha<br />
ou escalpe de duas pontas que se conectam<br />
diretamente ao tubo de análise para onde o<br />
sangue é drenado;<br />
• Evitar a coleta de sangue com seringa, há<br />
estudos que comprovam que a taxa de hemólise<br />
é superior utilizando este produto, caso não seja<br />
possível realizar alguns cuidados para diminuir o<br />
risco de hemólise:<br />
• Puxar o sangue delicadamente para dentro<br />
da seringa, e transferir imediatamente ao tubo<br />
com o cuidado para que o sangue deslize pela<br />
parede do tubo com auxílio de um dispositivo<br />
para transferência. Não aplicar pressão negativa<br />
na seringa com o sangue já dentro da mesma;<br />
• Evitar a transferência ativa causando hemólise<br />
devido a força utilizada para o esvaziamento do<br />
sangue dentro da seringa;<br />
• Certificar que a agulha esteja adaptada à<br />
seringa<br />
• Evitar aspirar o sangue muito rápido para<br />
dentro da seringa e transferir o sangue para o<br />
tubo sem tirar a agulha da seringa<br />
• Métodos de transporte: os sistemas de<br />
transporte pneumático ou outras condições de<br />
transporte que produzam turbulência e trauma<br />
das hemácias dentro dos tubos também são<br />
causas de hemólise. Estudos demonstram<br />
que foram encontrados menos percentuais de<br />
hemólise nas amostras transportadas por meios<br />
convencionais versus as amostras transportadas<br />
por tubos pneumáticos;<br />
• Não realizar transporte inadequados de<br />
amostra que sofrem com a exposição à<br />
luz, temperaturas, tempo, carga mecânica,<br />
armazenamento de sangue total durante vários<br />
dias à temperatura ambiente. Procure seguir<br />
sempre as legislações vigentes<br />
112 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022
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COLETA DE SANGUE<br />
36 - Amostras Coaguladas 39 - Coleta de amostra inadequada/<br />
recipiente inadequado<br />
Volume de amostra inadequado/insuficiente,<br />
tubo inadequado para o parâmetro solicitado.<br />
44 - Amostras Lipêmicas<br />
Proporção inadequada sangue/anticoagulante<br />
e/ou homogeneização incorreta<br />
37 - Proporção inadequada entre<br />
sangue e anticoagulante / Volume<br />
inferior de sangue<br />
Proporção inadequada sangue/ativador<br />
de coágulo e/ou centrifugação precoce<br />
causa fibrina e ao colocar a amostra em um<br />
equipamento, este pode aspirar filetes de<br />
fibrinas de amostra de soro ou gel em um tubo<br />
de baixo volume, que as vezes são praticamente<br />
imperceptíveis visualmente. É possível que haja<br />
obstrução da agulha de aspiração da amostra<br />
podendo comprometer o funcionamento dos<br />
equipamentos.<br />
38 - Coleta de amostra Insuficiente<br />
Quando não é contemplada a quantidade<br />
de tubos/recipientes de acordo com a<br />
solicitação médica.<br />
Ocorre no momento da triagem/ cadastro de<br />
exames pelos recepcionistas e ausência de<br />
conferência dos tubos e pedido medico onde<br />
constam a relação de exames solicitados<br />
pelos profissionais de saúde no momento<br />
da coleta de sangue, levando ao retrabalho,<br />
necessidade de recoleta com a convocação<br />
do paciente, gastos excessivos, demora no<br />
resultado, comprometendo o tratamento e<br />
conduta clínica.<br />
40 - Contaminação do tubo<br />
Deve ser respeitada a Sequência da ordem de<br />
coleta dos tubos de acordo com a CLSI evitando<br />
a contaminação cruzada entre os aditivos no<br />
tubo subsequente. Por exemplo, ao coletar o<br />
tubo de ácido etilenodiamino tetra-acético<br />
(EDTA) antes do tubo com ativador de coágulo,<br />
pode-se causar elevação nos níveis de potássio.<br />
41 - Troca de Tubo/amostras<br />
Este item tem grande impacto e é um dos<br />
objetos de processos judiciais, onde a entrega<br />
de resultados de exames de pessoa distinta<br />
ou resultado que não condiz com a patologia<br />
clínica, acarretando em angustia e sofrimento<br />
caracterizando danos morais. Para a averiguação<br />
do ocorrido, há a necessidade de o paciente<br />
submeter-se à nova coleta do exame.<br />
A gestão da qualidade deve seguir políticas,<br />
dando ênfase em treinamentos na correta<br />
identificação do paciente e da amostra.<br />
42 - Perda e extravio do tubos/ amostras<br />
A atenção no cuidado com o cliente/paciente,<br />
permanece depois que a punção é realizada,<br />
cuidando para que não haja extravios ou descarte<br />
do material coletado de forma equivocada. Para<br />
minimizar este risco, é importante o controle<br />
da rastreabilidade, monitoramento durante<br />
o procedimento, treinamento da equipe<br />
contemplando as fases pré-analítica, analítica<br />
e pós analítica, evitando recoleta e processos<br />
judiciais.<br />
43 - Amostras solicitadas e não coletadas<br />
-Tubo sem material<br />
Gera grande insatisfação aos pacientes,<br />
gerando recoleta, demora no resultado<br />
consequentemente atraso no tratamento, custo,<br />
reclamação do paciente.<br />
Lipemia é a turbidez do soro ou plasma causada<br />
pela elevação de lipoproteínas, O excesso de<br />
lipídios ou gorduras na corrente sanguínea.<br />
Esse fenômeno faz com que o plasma ou<br />
soro apareça turvo ou leitoso, A ingestão de<br />
alimentos gordurosos pode provocar lipemia de<br />
moderada a intensa, como por exemplo, o jejum<br />
recomendado para a coleta de hemograma de<br />
4 horas. Esta recomendação se deve à lipemia<br />
que a ingestão de alimentos gordurosos pode<br />
provocar e interferir na contagem de leucócitos,<br />
plaquetas, eritrócitos, e elevar muito a dosagem<br />
de hemoglobina<br />
Caso o serviço opte por liberar esses resultados,<br />
a alteração lipêmica deve ser sinalizada no<br />
laudo, para que o médico solicitante tome<br />
conhecimento.<br />
45 - Amostra fora da temperatura<br />
recomendada<br />
Transporte de amostras biológicas<br />
inadequado<br />
Seguindo a legislação vigente, cumprindo<br />
as disposições de normas técnicas, além de<br />
outros dispositivos legais: Agência Nacional<br />
de Vigilância Sanitária (Anvisa), Agência<br />
Nacional de Transportes Terrestres (ANTT),<br />
Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente)<br />
e Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC).<br />
O material biológico humano deve ser<br />
114 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022
acondicionado de modo a preservar a sua<br />
integridade e a estabilidade, bem como a<br />
segurança do pessoal envolvido durante o<br />
processo de transporte, mantendo o registro e o<br />
controle da temperatura.<br />
A Resolução RDC Nº 504, de 27 de maio de 2021,<br />
foi elaborada com a finalidade de estabelecer<br />
padrões sanitários para o transporte de material<br />
biológico de origem humana em suas diferentes<br />
modalidades e formas, esta legislação dispõe<br />
sobre boas práticas para garantir a segurança,<br />
minimizar os riscos sanitários e preservar a<br />
integridade do material transportado.<br />
Esta Resolução se aplica a todo remetente,<br />
transportador, destinatário e demais envolvidos<br />
no processo de transporte de material biológico<br />
humano, sem prejuízo do disposto em outras<br />
normas vigentes específicas a cada material e<br />
modo de transporte e revoga três RESOLUÇOES:<br />
• RDC nº 66, de 21/12/2009;<br />
• RDC nº 20, de 10/04/2014;<br />
• RDC nº 30, de 23/05/ 2014;<br />
Leia a integra :<br />
https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/resolucaordc-n-504-de-27-de-maio-de-2021-323008631<br />
46 - Rastreabilidade das amostras<br />
biológicas<br />
É a identificação, acompanhamento e<br />
monitoramento da amostra e dos insumos<br />
utilizados, em todas as fases do processo<br />
laboratorial, entre eles: data e o horário de<br />
chegada do paciente ao laboratório e emissão<br />
de senha, data e o horário e o profissional que<br />
realizou o cadastro e a coleta, o profissional que<br />
realizou anotação em caso de intercorrência<br />
clínica durante a coleta, o horário e o profissional<br />
que realizou o transporte de amostra, o horário<br />
e o profissional que recebeu a amostra na área<br />
técnica, bem como todos os insumos utilizados<br />
no procedimento.<br />
A rastreabilidade auxilia no controle de<br />
eventuais erros e garantia da segurança, eficácia<br />
e qualidade das análises laboratoriais.<br />
47 - Considerações Finais<br />
Foram mencionadas nesta Série algumas ações<br />
para evitar erros na coleta de sangue.<br />
A importância de seguir as boas práticas da<br />
qualidade, processos bem definidos para<br />
identificação de falhas, estudo de causa raiz<br />
e adoção de ações corretivas e preventivas<br />
para garantir a confiabilidade de resultados,<br />
evitando necessidade de recoleta e até um<br />
diagnóstico errôneo com potencial impacto na<br />
condução clínica, investigações desnecessárias,<br />
tratamentos inadequados, diminuição de custos<br />
e prevenção de processos jurídicos de pacientes.<br />
O assunto apresenta um detalhamento tão tênue<br />
e profundo que discorreríamos um tratado, o<br />
que não é o objeto aqui. É fundamental ter como<br />
foco a segurança do profissional e do paciente,<br />
mitigação com mapeamento de riscos, definição<br />
de sistemática, envolvimento de equipe<br />
multidisciplinar, definição de indicadores, e<br />
utilizar as não conformidades / incidentes como<br />
fonte de história e melhoria continua.<br />
FONTE: Suzimara & Sarahyba<br />
Consultoria em Análises Clínicas, Implantação<br />
e Validação de Testes Diagnósticos e<br />
Processos, Qualidade e Acreditação, Gestão<br />
de Risco, Gestão Ambiental e Segurança<br />
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Treinamento e Educação Continuada. Desde<br />
2012 a S&S contribui gerando valores em<br />
saúde através de suas atividades.<br />
COLETA DE SANGUE<br />
Confira a referência bibliográfica em:<br />
www.newslab.com.br/referencias-newslab<strong>172</strong><br />
Autoras:<br />
Suzimara Aparecida Vicente Tertuliano de Oliveira<br />
Enfermeira. Habilitação Médico-Cirúrgico e Licenciatura pela UNIARARAS. Sócia<br />
fundadora da Empresa Suzimara & Sarahyba Consultoria e Treinamento Ltda. Consultora<br />
para projetos em Patologia Clínica, Gestão Laboratorial e Gestão da Qualidade. Atuou<br />
como Gestora e Coordenadora de Enfermagem da Divisão de Laboratório Central do<br />
Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (DLC-<br />
HCFMUSP) e do Laboratório do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP). Co-<br />
Fundadora da coleta ambulatorial no Laboratório do Insituto do Cancer do Estado de São<br />
Paulo (ICESP). Auditora Interna em Sistemas de Gestão da Qualidade: ISO 9001: 2015,<br />
ISO 14001: 2015, OHSAS 18001:2007, Programa de Acreditação de Laboratórios Clínicos da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/<br />
Medicina Laboratorial (PALC-SBPC/ML) e Programa de Acreditação do College of American Pathologists (CAP).<br />
Luciane de Carvalho Sarahyba da Silva<br />
Biomédica. Graduada pela Universidade de Mogi das Cruzes (UMC). Sócia Fundadora da<br />
Empresa Suzimara & Sarahyba Consultoria e Treinamento Ltda. Co-fundadora da Seção de<br />
Biologia Molecular da Divisão de Laboratório Central do Hospital das Clínicas da Faculdade de<br />
Medicina da Universidade de São Paulo (DLC-HCFMUSP). Especialista em gestão e coordenação<br />
em processos de biologia molecular e administração laboratorial. MBA em Gestão em Saúde<br />
pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Pós-graduação lato senso em Patologia Clínica pela<br />
Universidade de São Paulo (USP). Pós-graduação lato senso em Administração Hospitalar pela<br />
EAESP-FGV. Membro do Comitê da Qualidade da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML). Auditora pelo<br />
Programa de Acreditação do Colégio Americano de Patologistas (CAP) em Biologia Molecular, auditora nos Sistemas de Gestão da Qualidade:<br />
Programa de Acreditação de Laboratórios Clínicos da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (PALC-SBPC/ML), ISO<br />
9001:2015, ISO 14001:2015, OHSAS 18001:2007.<br />
<strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022<br />
115
LABNEWS<br />
A IMPORTÂNCIA DA VITAMINA D<br />
E SUA DOSAGEM<br />
Por Andreza Patricia Marinho de Souza Martins<br />
Quando pensamos em vitamina D,<br />
na maioria das vezes a associamos<br />
à saúde óssea, não é mesmo? Claro<br />
que uma das suas funções realmente<br />
é melhorar a mineralização dos<br />
ossos, assim como diminuir o risco<br />
de osteoporose através da regulação<br />
da produção do paratormônio.<br />
Mas neste texto, vou mostrar<br />
para vocês um outro universo<br />
relacionado à vitamina D.<br />
De onde vem a vitamina D?<br />
Uma das formas de termos essa<br />
biomolécula disponível no corpo<br />
humano é através da dieta, que<br />
corresponde a cerca de 10% a 20%<br />
do total no nosso organismo. A maior<br />
fonte dietética vem da vitamina<br />
D3 de origem animal, também<br />
chamada de colecalciferol, estando<br />
presente principalmente em peixes<br />
gordurosos, como salmão e o atum,<br />
na gema do ovo, fígado, leite e em<br />
alguns queijos. De origem vegetal<br />
temos a vitamina D2 - ergosterol -<br />
encontrada em grande quantidade<br />
nos cogumelos. Os outros 80% a<br />
90%, diga-se, a maior parte da<br />
vitamina D circulante, advém da<br />
síntese endógena que ocorre nas<br />
camadas profundas da epiderme.<br />
Mas como ocorre essa síntese<br />
endógena?<br />
Tudo começa com uma próvitamina<br />
existente na pele, a 7<br />
dehidroicolesterol (proveniente<br />
do colesterol) que ao ser exposta a<br />
luz solar é clivada fotoquimicamente<br />
à pré-vitamina D3, e esta por ser<br />
termolábil, sofre um rearranjo na<br />
estrutura molecular, dependendo<br />
da temperatura, em colecalciferol<br />
(vitamina D 3). Para que esse processo<br />
dê início, é preciso que recebamos<br />
a luz solar direta dos raios<br />
ultravioleta B (UVB), e que esses<br />
comprimentos de onda estejam entre<br />
290 e 315 nanômetros.<br />
Para se tornar uma vitamina ativa, o<br />
colecalciferol, que é lipossolúvel,<br />
é carreado até o fígado por proteínas<br />
ligadoras de vitamina D. No fígado, pela<br />
ação de enzimas do complexo citocromo<br />
P450, sofre hidroxilação e é convertida<br />
em 25-hidroxi-colecalciferol, ou<br />
também conhecida como calcidiol, uma<br />
forma de reserva da vit.D.<br />
E agora, acabou? Não! O calcidiol<br />
recém formado, vai para os rins,<br />
onde é transformado na forma ativa<br />
da vitamina, que é o calcitriol<br />
(1,25(OH)2D).<br />
E qual o destino do calcitriol? Para<br />
ter atividade o calcitriol precisa ter<br />
afinidade por receptores específicos<br />
para a vitamina D ativa (VDR). E<br />
para que vocês tenham uma ideia,<br />
nós seres humanos temos milhares<br />
desses receptores espalhados pelos<br />
núcleos celulares do corpo humano,<br />
o que explica as inúmeras funções<br />
116 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022
LABNEWS<br />
que a vitamina D desempenha na<br />
nossa fisiologia e homeostase. Só para<br />
terem uma ideia, o calcitriol tem mais<br />
de 900 genes-alvos em potencial,<br />
correspondendo a cerca de 3% do<br />
genoma humano.<br />
Mas, como eu sei quanto eu<br />
tenho de vitamina D no sangue?<br />
Quando se quer saber como estão os<br />
níveis de vit. D no sangue, quantificamos<br />
os níveis de Calcidiol no sangue, pois<br />
como expliquei acima, essa é a forma<br />
de reserva no corpo humano.<br />
Mas porque não dosamos a<br />
forma ativa, o calcitriol?<br />
As principais razões para não usarmos<br />
a dosagem de calcitriol são: a) sua<br />
meia-vida, que é curta, de cerca de 4<br />
a 6 horas, enquanto a do calcidiol<br />
tem meia-vida de 2 a 3 semanas. b)<br />
Por que eventualmente quando temos<br />
deficiência de vitamina D, o calcitriol<br />
poder estar normal, uma vez que,<br />
quando temos hipovitaminose D,<br />
fazemos hipocalcemia, e essa situação<br />
estimula a síntese de paratormônio<br />
(PTH), que estimula a produção da<br />
enzima 1-α-hidroxilase, que consome<br />
e converte a calcidiol em calcitriol.<br />
Dando a ideia de normalidade.<br />
Então, quais seriam os valores<br />
de referência da vitamina D?<br />
Os valores de calcidiol podem ser<br />
expressos em nmol/L ou ng/mL (1 ng/<br />
mL corresponde a 2,496 nmol/L). Em<br />
2017, a Sociedade Brasileira de Patologia<br />
Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML)<br />
anunciou que haveria uma mudança<br />
em relação aos valores de referência<br />
da Vitamina D. Até esta época, eram<br />
considerados normais valores acima de<br />
30 ng/ml, porém, atualmente vêm sendo<br />
aceitos valores a partir de 20 ng/ml.<br />
Veremos a seguir o posicionamento<br />
e uma série de considerações que o<br />
departamento de metabolismo ósseo<br />
e mineral da Sociedade Brasileira<br />
de Endocrinologia e Metabologia<br />
(SBEM) fez em relação às modificações<br />
dos valores de referência:<br />
• O valor maior do que 20 ng/mL é<br />
o que seria desejável em geral para a<br />
população saudável;<br />
• Entre 30 e 60 ng/mL seria o ideal para<br />
os grupos de maior risco como idosos,<br />
gestantes, pacientes portadores de<br />
osteomalácia, com hiperparatireoidismo<br />
secundário, raquitismos, osteoporose,<br />
doenças inflamatórias, doenças<br />
autoimunes, pacientes renais crônicos e<br />
pré-bariátricos;<br />
• Entre 10 e 20 ng/mL já seria<br />
considerado um valor baixo, e<br />
com maior risco de aumentar a<br />
remodelação óssea e, com isso ter<br />
perda de massa óssea, além do risco<br />
de fraturas e osteoporose;<br />
• Menor do que 10 ng/mL seria um<br />
valor muito baixo e com risco super<br />
alto de evoluir com alterações como a<br />
osteomalácia e o raquitismo.<br />
• Valores acima de 100 ng/mL são<br />
considerados elevados, com risco de<br />
hipercalcemia e intoxicação.<br />
<strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022<br />
117
LABNEWS<br />
Figura 1<br />
Quais são os destinos da<br />
vitamina D no corpo humano?<br />
De uma forma sistêmica, a forma<br />
ativa da vitamina D, o calcitriol, se liga<br />
aos receptores de vitamina D (VDR)<br />
espalhados pelo corpo humano. Nas<br />
células dos vasos sanguíneos, reduz a<br />
inflamação; liga-se às células brancas<br />
(defesa), aumentando a motilidade<br />
e fortalecendo a imunidade; na<br />
mama, cólon e próstata, inibe a<br />
proliferação de tumores malignos;<br />
melhora a produção de insulina e<br />
a tolerância a glicose, diminuindo<br />
consequentemente a resistência<br />
à insulina. Reduz a renina e como<br />
consequência regula a pressão<br />
arterial e previne a hipertrofia<br />
do músculo cardíaco; na medula,<br />
estimula a formação de hemácias, já<br />
nos intestinos aumenta a absorção<br />
de cálcio e fósforo, assim como<br />
regula a produção da serotonina<br />
intestinal, modulando o humor e o<br />
ciclo circadiano. Regula a produção<br />
de paratormônio, reduzindo o risco<br />
de osteoporose, melhorando a<br />
mineralização óssea. Protege nosso<br />
organismo de doenças autoimunes e<br />
respiratórias. (FIGURA 1)<br />
118 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022
LABNEWS<br />
Já no sistema nervoso central, o<br />
calcitriol aumenta a síntese de<br />
serotonina pela indução da expressão<br />
gênica da enzima triptofano<br />
hidroxilase (THP2) que converte<br />
triptofano em serotonina. Influencia<br />
também na expressão dos<br />
transportadores que recaptam a<br />
serotonina (SERT).<br />
Figura 2<br />
O triptofano, que é um aminoácido<br />
essencial somente encontrado nos<br />
alimentos, ao ser absorvido, cai na<br />
corrente sanguínea, atravessa a<br />
barreira hematoencefálica e lá sofre<br />
ação de uma enzima chave que<br />
o converte em serotonina. Então<br />
dependemos do aporte dietético e<br />
da ação enzimática da triptofano<br />
hidroxilase (TPH2). A vitamina D<br />
aumenta a produção de TPH2 e é de<br />
extrema importância na produção<br />
de serotonina, na recaptação e no<br />
catabolismo (FIGURA 2).<br />
A deficiência de vitamina D então<br />
pode levar a diminuição deste<br />
neurotransmissor, o que pode também<br />
influenciar nos níveis de melatonina,<br />
podendo levar às alterações de humor,<br />
sono, ingestão de carboidratos, etc.<br />
Desta forma, o acompanhamento<br />
das concentrações de vitamina D são<br />
extremamente importantes quando<br />
falamos de sintomas depressivos.<br />
Um estudo recente mostra a melhora<br />
do quadro depressivo de pacientes<br />
suplementados com a vitamina D, mas<br />
é sempre importante lembrar que as<br />
respostas ao estresse são individuais.<br />
O calcitriol tem interação<br />
cronobiológica, regulando o ciclo<br />
circadiano. A diminuição dos níveis de<br />
calcitriol leva à alterações endócrinas<br />
metabólicas, devido à diminuição<br />
da serotonina e melatonina. Menos<br />
calcitriol, menos serotonina, o que<br />
aumenta o risco de depressão.<br />
Como a vitamina D tem ação<br />
antiinflamatória, a sua deficiência<br />
pode desencadear a depressão pelo<br />
aumento de citocinas pró inflamatórias<br />
que alteram a síntese e transmissão de<br />
serotonina.<br />
Desta forma, a deficiência desta<br />
vitamina pode:<br />
• Aumentar o risco de câncer de mama,<br />
próstata e cólon;<br />
• Diminuir a imunidade;<br />
• Alterar a formação de hemácias e<br />
leucócitos;<br />
• Aumentar o risco da formação de<br />
placas de ateroma (gordura) nas<br />
artérias;<br />
• Levar ao aumento da pressão arterial<br />
e como consequência à hipertrofia<br />
cardíaca (altera os níveis de renina);<br />
• Aumenta o risco de tolerância a<br />
glicose e a diabetes do tipo 2, pois<br />
altera os níveis glicêmicos e a recepção<br />
da insulina;<br />
120 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022
LABNEWS<br />
• Levar ao desenvolvimento de<br />
desordens endócrino metabólicas;<br />
• Aumentar o risco de osteoporose, pois<br />
influência nos níveis de paratormônio;<br />
• Aumentar o risco de quadros<br />
inflamatórios;<br />
• Alterar a saúde intestinal, diminuindo<br />
a absorção de cálcio e fósforo.<br />
• Aumentar o risco de depressão,<br />
alterações do sono, do ciclo<br />
circadiano, etc.<br />
• Aumentar o risco de doenças<br />
autoimunes e respiratórias. Estudos<br />
recentes relacionam a asma à<br />
deficiência de vitamina D.<br />
A vitamina D e a COVID-19<br />
Durante a pandemia, por conta<br />
do isolamento, as pessoas se<br />
expuseram menos aos raios solares.<br />
Em consequência disso tiveram os<br />
níveis diminuídos de vitamina D.<br />
Isso ainda é uma realidade, pois a<br />
pandemia não acabou.<br />
Como foi mostrado anteriormente,<br />
devido à deficiência, as pessoas ficaram<br />
mais expostas à infecções respiratórias,<br />
doenças auto imunes, depressão,<br />
transtornos de humor e até mesmo a<br />
um agravamento da COVID-19.<br />
O que foi observado em inúmeros<br />
estudos durante a pandemia, é que a<br />
diminuição dos níveis de vitamina D, que<br />
tem uma ação anti-inflamatória, pode<br />
aumentar os níveis de citocinas, que<br />
no caso da COVID-19 estão associadas<br />
a danos nos pulmões, insuficiência<br />
respiratória e até mesmo à morte.<br />
Em casos positivos para Sars-Cov-2<br />
deve ser sugerido a dosagem de<br />
vitamina D, pois uma vez identificada<br />
a deficiência, o indivíduo iniciaria<br />
a suplementação, evitando vários<br />
transtornos.<br />
Pudemos perceber a importância da<br />
vitamina D para a nossa vida, imunidade<br />
e até mesmo saúde mental, por isso,<br />
independentemente de alimentação,<br />
suplementação ou exposição solar,<br />
devemos eventualmente fazer a<br />
dosagem dela no sangue, para assim,<br />
caso seja necessário, fazer a reposição.<br />
De hipótese alguma ingira vitamina<br />
D sem o acompanhamento de um<br />
profissional da saúde. O excesso pode<br />
gerar toxicidade e até mesmo danos<br />
hepáticos graves.<br />
Autora:<br />
Andreza Patricia Marinho de Souza Martins<br />
Biomédica multidisciplinar, formada na UNIRIO, mestre em química biológica pela UFRJ. Mestrado na área de biologia molecular, em diagnóstico de<br />
dengue por RT-PCR em tempo real. Escritora na área de farmácia para editora Sanar saúde. Copywriter na Clinicarx. Idealizadora do canal @uniprofimulti,<br />
que tem a finalidade de unir profissionais através da multidisciplinaridade.<br />
Confira a referência bibliográfica em:<br />
www.newslab.com.br/referencias-newslab<strong>172</strong><br />
<strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022<br />
121
QUALIDADE NO<br />
LABORATÓRIO<br />
O IMPACTO DO TEMPO DE SEPARAÇÃO<br />
DAS AMOSTRAS BIOLÓGICAS NOS EXAMES LABORATORIAIS<br />
Por Kelly C. Gabriel<br />
A importância dos exames<br />
laboratoriais para a conduta correta<br />
do paciente é um tema muito<br />
importante a ser pautado, uma vez<br />
que são eles que definem 70% das<br />
decisões médicas. Para garantia do<br />
resultado do laudo final é importante<br />
que todas as etapas sejam realizadas<br />
com qualidade, seguindo todas as<br />
orientações para cada exame.<br />
Com o avanço da tecnologia, a<br />
tendência é que haja uma diminuição<br />
na variação analítica, entretanto,<br />
surge um novo desafio na variação<br />
pré-analítica, sendo esta a maior<br />
porcentagem de erros impactantes<br />
no laboratório, alguns estudos<br />
demonstram que esse percentual<br />
varia de 40 a 68% dos erros.<br />
Na fase pré-analítica alguns fatores<br />
devem ser avaliados com atenção,<br />
como identificação do paciente, coleta<br />
adequada, ordem dos tubos corretos,<br />
agulha de calibre adequado, tempo de<br />
garrote, homogeneização da amostra,<br />
e outros fatores.<br />
O tempo de estabilidade das amostras<br />
coletadas é um fator importante<br />
que deve ser respeitado, para isto,<br />
é necessário que os profissionais<br />
entendam a particularidade de cada<br />
exame. De acordo com Guder, a<br />
estabilidade das amostras é definida<br />
como a capacidade de manter<br />
os valores e as propriedades<br />
biológicas da amostra dentro dos<br />
limites pré estabelecidos, sob<br />
condições específicas.<br />
122 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022
Ainda faltam estudos e<br />
conscientização dos profissionais<br />
sobre este assunto, mas é importante<br />
o entendimento de que conhecer<br />
esse processo pode contribuir sobre<br />
tudo para o tratamento correto e<br />
ágil do paciente.<br />
QUALIDADE NO<br />
LABORATÓRIO<br />
Entre os aspectos que estão<br />
envolvidos na garantia da<br />
estabilidade da amostra está o<br />
tempo de contato do soro ou plasma<br />
com as células sanguíneas, uma vez<br />
que atualmente, muitos laboratórios<br />
são responsáveis por realizar a coleta<br />
e direcioná-la para o setor técnico,<br />
que por muitas vezes fica em outra<br />
localidade, município ou cidade.<br />
Quais analitos seriam então<br />
afetados por este contato<br />
prolongado entre soro e plasma<br />
com as células sanguíneas?<br />
Para responder essa pergunta<br />
precisamos entender que o tempo<br />
mínimo para a retração do coágulo<br />
é de 20 a 30 minutos, segundo<br />
Burtis e Ashwood, podendo esse<br />
tempo ser maior em pacientes que<br />
fazem uso de anticoagulantes.<br />
Segundo as Recomendações do<br />
National Committee for Clinical<br />
Laboratory Standards (NCCLS),7<br />
indica-se um intervalo de 1 hora<br />
entre a coleta da amostra e a<br />
separação do soro ou plasma e um<br />
tempo máximo de 2 horas. Em<br />
alguns casos em particular, o tempo<br />
de separação recomendado deve ser<br />
inferior a 2 horas.<br />
<strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022<br />
123
QUALIDADE NO<br />
LABORATÓRIO<br />
Entre os analitos que podem<br />
apresentar resultados alterados<br />
com esta interferência, estão:<br />
ACTH, cortisol, catecolaminas, lactato,<br />
homocisteína e cálcio iônico em<br />
amostras à temperatura ambiente<br />
(estável por 96 horas a 4°C).<br />
Tempo de separação do soro<br />
dentro de 2 horas à temperatura<br />
ambiente:<br />
Glicose, potássio, fósforo, DHL.<br />
Tempo de separação do soro<br />
dentro de 6 horas à temperatura<br />
ambiente:<br />
Albumina, bicarbonato, cloro, peptídeo<br />
C, HDL-colesterol, LDL-colesterol, ferro,<br />
proteínas totais.<br />
Ainda, segundo um estudo de<br />
Zhang e colaboradores, ALT, AST,<br />
fosfatase alcalina, aldostero- 99 na<br />
amilase, bilirrubina, cálcio, creatinina,<br />
ceruloplasmina, CK, CK-MB, cortisol,<br />
estradiol, ferritina, folato, gama<br />
glutamiltransferase, HCG, haptoglobina,<br />
IgA, IgE, IgG, IgM, prolactina, sódio,<br />
tiroxina, transferrina, testosterona,<br />
uréia, ácido úrico, vitaminas A e B12,<br />
se mantêm estáveis no intervalo de até<br />
24 horas à temperatura ambiente (18 a<br />
25°C), mesmo sem a separação do soro.<br />
E como solucionar as variáveis relacionadas ao tempo de<br />
separação das amostras?<br />
O ideal é que quando houver variáveis de deslocamento entre a<br />
coleta e a separação da amostra que estas sejam transportadas no<br />
tempo adequado para a sua separação, caso isso não seja possível,<br />
o recomendado é não transportar a amostra de sangue total, mas<br />
realizar a separação da amostra previamente ao transporte.<br />
Autora:<br />
Kelly C. Gabriel<br />
Biomédica. Especialista em Auditoria e Gestão da Qualidade, Gestão em Saúde Pública e Docência do Ensino Superior. Pós graduada em Bioquímica<br />
Clínica. Mestranda em Clínica Médica. Docente em Ensino Superior. Coordenadora da Qualidade em Laboratório de Urgência e Emergência.<br />
Contato @kellycristiane_biomed<br />
Confira a referência bibliográfica em:<br />
www.newslab.com.br/referencias-newslab<strong>172</strong><br />
124 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022
BIOSSEGURANÇA<br />
MEDIDAS DE BIOSSEGURANÇA<br />
EM AMBIENTES DE SAÚDE:<br />
FICAR SÓ NO PAPEL NÃO VALE!<br />
Por: Gleiciere Maia Silva e Jorge Luiz Silva Araújo-Filho.<br />
Biossegurança pode ser definida<br />
como um conjunto de procedimentos<br />
e normas que tem como objetivo<br />
minimizar ou até eliminar os riscos<br />
para manutenção da saúde do<br />
profissional e dos demais envolvidos<br />
na atividade de atenção à saúde.<br />
Os trabalhadores que atuam na área da<br />
saúde, durante a assistência ao paciente<br />
ou na manipulação de produtos e<br />
amostras biológicas, estão expostos<br />
a inúmeros riscos ocupacionais<br />
causados por fatores químicos, físicos,<br />
mecânicos, biológicos, ergonômicos<br />
e psicossociais, que podem ocasionar<br />
doenças e acidentes ocupacionais. O<br />
profissional da saúde está exposto a um<br />
risco maior de adquirir determinadas<br />
infecções do que a população em geral.<br />
Atualmente questiona-se por que<br />
é tão fácil falar em Biossegurança e<br />
é tão difícil implantá-la. Embora as<br />
estatísticas comprovem que trabalhar<br />
corretamente, seguindo as normas de<br />
Boas Práticas, reduzam os acidentes<br />
de trabalho, prolongue a vida do<br />
trabalhador, gere menos despesas<br />
para o empregador e benefícios para<br />
todos em geral inclusive ao meio<br />
ambiente. Pesquisas evidenciam que<br />
os conhecimentos técnicos sobre os<br />
conceitos e normas de Biossegurança<br />
são importantes para o profissional ter<br />
segurança nos processos, bem como,<br />
para executar melhores práticas e<br />
saber atuar em emergências.<br />
Mesmo com tantas informações<br />
sobre a importância da prevenção,<br />
ainda é difícil conseguir que as<br />
pessoas mudem seu comportamento<br />
e resolvam usar das normas de<br />
segurança. Algumas hipóteses que<br />
poderiam ser discutidas a esse respeito<br />
são: questão comportamental,<br />
cultural, social, falta de informações,<br />
ou a falta de compromisso.<br />
A busca pela qualidade é de longe,<br />
hoje umas das maiores exigências de<br />
quem procura os serviços de saúde,<br />
procura-se por bons profissionais,<br />
ambientes acolhedores que reflitam<br />
higiene, funcionários competentes<br />
com capacidade de interagir com os<br />
pacientes/clientes. O fornecimento<br />
de cuidados de saúde satisfatórios,<br />
de maneira desejável tem obrigatória<br />
intersecção com a adoção de medidas<br />
de biossegurança.<br />
126 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022
BIOSSEGURANÇA<br />
O maior número de acidentes vem<br />
da falta ou do uso inadequado de<br />
Equipamentos de Proteção Individual<br />
(EPI’s) e dos Equipamentos de<br />
Proteção Coletiva (EPC’s), e ainda,<br />
alguns ambientes não dispõe<br />
desses equipamentos, embora<br />
seja assegurando pela Norma<br />
Regulamentadora número 6 do<br />
Ministério do Trabalho e Emprego<br />
(MTE). Outros preferem não usar,<br />
alegando diversos motivos desde<br />
inconveniência no uso, diminuição<br />
da sensibilidade, no caso de luvas,<br />
dificuldade de respirar, no caso<br />
das máscaras, falta de destreza e<br />
nervosismo, e contribuindo com os<br />
riscos de acidentes, observa-se longas<br />
jornadas de trabalho, grande número<br />
de plantões, grande quantidade de<br />
pacientes para serem atendidos.<br />
Contornar a situação após o acidente<br />
é sempre mais caro do que preveni-la.<br />
Como fica a questão psicológica<br />
desses profissionais, divididos<br />
entre fazer o que é certo ou sofrer<br />
algum tipo de acidente que pode<br />
custar-lhes a vida? Com o intuito de<br />
promover a saúde dos trabalhadores<br />
da saúde, foi aprovada a Norma<br />
Regulamentadora 32 (NR 32), para<br />
trabalhadores regidos pela CLT, que<br />
tem por finalidades a implementação<br />
de medidas de proteção a saúde dos<br />
trabalhadores dos serviços de saúde.<br />
Diante dessa problemática o<br />
presente texto tem o objetivo de<br />
avaliar as ações de biossegurança<br />
em ambientes de atenção à saúde,<br />
se os mesmos seguem as normas e<br />
diretrizes preconizadas pelos órgãos<br />
competentes além de promover<br />
uma discussão sobre as dificuldades<br />
de implantação dessas normas nos<br />
ambientes de atenção à saúde.<br />
Após uma avaliação de vários<br />
ambientes de atenção à saúde,<br />
constatou-se que todos dos<br />
ambientes já receberam em algum<br />
momento visita para inspeção de<br />
agentes da Vigilância Sanitária.<br />
Constatou-se que os órgãos<br />
fiscalizadores, ANVISA e MTE, tem<br />
se mostrado presente na fiscalização<br />
dos estabelecimentos de saúde.<br />
Na área de Biossegurança, a<br />
ANVISA trabalha no controle de<br />
riscos resultantes de pesquisas<br />
ou aplicações feitas com material<br />
biológico, adequação dos<br />
padrões de segurança e processos<br />
de trabalho das instituições.<br />
Nesse contexto, o princípio da<br />
precaução apresenta-se como<br />
um instrumento indispensável à<br />
proteção do meio ambiente e da<br />
saúde dos seres vivos.<br />
<strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022<br />
127
BIOSSEGURANÇA<br />
Os programas e ações descritas nas<br />
Normas Regulamentadoras (NR’s) e<br />
nas Resoluções da Diretoria Colegiada<br />
(RDC’s) tem como principais<br />
preocupações as ações voltadas para<br />
Diante dos resultados obtidos<br />
verificou-se que os profissionais<br />
consideram a Biossegurança uma<br />
área de fundamental importância na<br />
prevenção dos riscos nos ambientes<br />
Ressaltamos que apesar dos<br />
serviços avaliados apresentarem<br />
as deficiências relatadas, sabe-se<br />
que inúmeros serviços seguem a<br />
manutenção da saúde humana e<br />
de atenção à saúde, porém esses<br />
biossegurança, e são referência e<br />
do meio ambiente, e os resultados<br />
referentes a presença desses<br />
conhecimentos em algumas<br />
instituições não são bem difundidos.<br />
orgulho para os respectivos setores.<br />
programas nos ambientes de saúde.<br />
Apesar dos estabelecimentos possuírem<br />
É necessária uma ampla discussão<br />
Porém em todos os ambientes<br />
os documentos “impressos” dos<br />
entre órgãos governamentais,<br />
avaliados foram encontrados<br />
profissionais e até gestores que não<br />
conheciam os programas, documentos<br />
programas exigidos, como PGRSS,<br />
PCMSO, POP’s, entre outros, muitas vezes<br />
o que está escrito difere das observações<br />
instituições acadêmicas, trabalhadores<br />
e empregadores da área da<br />
e ações definidas como obrigatórios<br />
in loco, além dos trabalhadores<br />
saúde sobre estratégias para uma<br />
nos serviços. E ficou claro, que nos<br />
não conseguirem compreender<br />
efetiva prática de biossegurança<br />
ambientes que possuíam esses<br />
programas, eles não passavam de uma<br />
exigência burocrática, e não passavam<br />
a importância dessas exigências,<br />
constatando que a Biossegurança<br />
continua sem sair do papel sem se tornar<br />
e consequente minimização dos<br />
acidentes ocupacionais e das Infecções<br />
de documentos arquivados na gaveta.<br />
uma prática cotidiana.<br />
Relacionadas à Assistência à Saúde.<br />
Autores:<br />
Gleiciere Maia Silva<br />
(@profa.gleicieremaia)<br />
Biomédica, Especialista em Micologia, Mestre em Biologia<br />
de Fungos e Doutoranda em Medicina Tropical.<br />
Jorge Luiz Silva Araújo-Filho<br />
(@dr.biossegurança)<br />
Biólogo, mestre em patologia, doutor em biotecnologia;<br />
palestrante e consultor em biossegurança.<br />
Contato: jorgearaujofilho@gmail.com<br />
128 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022
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LADY NEWS<br />
SCARPIN MICROSCÓPIO<br />
Por Waldirene Nicioli<br />
Recentemente, no maior<br />
Congresso Brasileiro da área<br />
laboratorial, que aconteceu<br />
em Fortaleza/CE, o Examinare<br />
Análises Clínicas recebeu a<br />
Comenda Scarpin Microscópio<br />
como Laboratório Destaque<br />
2021/2022.<br />
A premiação, na sua 4ª edição, foi<br />
entregue pela OFAC - Organização<br />
Feminina de Análises Clínicas,<br />
e foi resultado de 2 etapas<br />
de votação. Foram quase mil<br />
votantes de todo o país, e com<br />
49,7% dos votos, o Examinare<br />
levou o tão cobiçado “sapatinho<br />
vermelho” para casa.<br />
No Centro de Eventos do<br />
Ceará, Waldirene Nicioli ficou<br />
emocionada com a premiação<br />
e ressaltou a importância para<br />
o setor: “Representa muito para<br />
um laboratório de pequeno porte<br />
e do interior, pois demonstra<br />
que não é necessário estar em<br />
um grande centro nem ser uma<br />
megaunidade para prestar um<br />
serviço de excelência!”<br />
“Nos sentimos extremamente<br />
felizes e honrados por sermos<br />
não apenas citados, mas<br />
indicados por quem entende, por<br />
especialistas e profissionais da<br />
área”; diz a diretora técnica.<br />
O Laboratório EXAMINARE está<br />
instalado em Peabiru/PR e<br />
completou em 01 de julho 12<br />
anos. Sua jornada iniciou com a<br />
construção de seus 350 m², onde<br />
além da recepção, há 2 salas de<br />
espera, 3 box de coleta, sala de<br />
coleta pediátrica, ginecológica<br />
e sala de espera com poltronas<br />
reclináveis para repouso, e<br />
área técnica. Toda estrutura foi<br />
minunciosamente planejada<br />
para ter acessibilidade total, não<br />
possuindo um único degrau.<br />
Oferece área coberta e planejada<br />
para coleta Drive Thru.<br />
Vem sendo notado por sua<br />
constante inovação e atualização<br />
na área laboratorial. Além de<br />
uma excelente estrutura física,<br />
130 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022
LADY NEWS<br />
surpreende por seus protocolos<br />
de atendimento, experiência<br />
do cliente, e preocupação com<br />
a sustentabilidade, educação<br />
ambiental e uso de energia<br />
renovável. Responsabilidade<br />
social também está no DNA do<br />
laboratório, com participação<br />
e realização de eventos que<br />
ampliam sua missão de apoiar<br />
a saúde preventiva e auxiliar no<br />
diagnóstico.<br />
Um diferencial é o incentivo aos<br />
clientes a procurar o laboratório logo<br />
após a consulta, desta forma, com<br />
o pedido em mãos é possível dar<br />
todas as orientações sobre jejum,<br />
realização de exercícios físicos,<br />
consumo de bebida alcoólica e uso<br />
de medicamentos, dentre outras,<br />
diminuindo consideravelmente<br />
assim alterações pré-analíticas.<br />
Também é realizado o agendamento<br />
da coleta o mais próximo do<br />
retorno ao médico, garantindo<br />
rapidez no dia do atendimento,<br />
pois a maioria dos dados já está em<br />
sistema, e entregando ao médico<br />
um resultado recente.<br />
Dentre os setores que brilham os<br />
olhos, está a Gestão da Qualidade,<br />
que garante a confiabilidade dos<br />
resultados dos exames através da<br />
Certificação de Acreditação pelo<br />
Sistema Nacional de Acreditação<br />
- DICQ.<br />
Orgulhosa, a proprietária finaliza:<br />
“Envolvemos toda a equipe<br />
para uma entrega impecável ao<br />
cliente, estamos aqui para fazer a<br />
diferença, por isso temos o jeito<br />
Examinare de atender”.<br />
Autora:<br />
Waldirene Nicioli<br />
Farmacêutica Bioquímica, Especialista em Farmacologia Clínica, Especialista em Análises Clínicas e Toxicológicas, Proprietária<br />
Examinare de Análises Clínicas, Auditora Líder do DICQ - Sistema Nacional de Acreditação, Membro da Central de Negócios do<br />
Grupo ACB - Análises Clínicas Brasil, Umas das fundadoras da OFAC Brasil - Organização Feminina de Análises Clínicas<br />
<strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022<br />
131
HEMATOLOGIA<br />
COMO IDENTIFICAR BLASTOS?<br />
Por Dr. Luiz Arthur Calheiros Leite. PhD<br />
Blastos são células jovens e<br />
imaturas presentes frequentemente<br />
em extensões sanguíneas e<br />
medulares de pacientes com<br />
leucemias agudas. A citologia<br />
dos blastos é peculiar, visto que<br />
estas células possuem múltiplos<br />
nucléolos evidentes, citoplasma<br />
escasso e levemente basofílico,<br />
núcleo grande com cromatina<br />
nuclear variando entre fina e densa.<br />
Outros blastos possuem o núcleo<br />
denso ou cromatina nuclear<br />
condensada ou fechada, típicas de<br />
linfoblastos, com pouco citoplasma.<br />
Estas células são vistas no sangue<br />
periférico de pacientes com leucemia<br />
linfoblástica aguda (LLA).<br />
Vale destacar que quando são<br />
encontrados blastos com bastonete<br />
de Auer, grânulos citoplasmáticos,<br />
deve-se fazer uma observação,<br />
pois estes achados são comuns em<br />
lâminas de pacientes com leucemia<br />
mieloide aguda (LMA).<br />
Os blastos devem ser contados<br />
dentro da diferencial dos leucócitos,<br />
e toda vez que forem identificados,<br />
devem ser comunicados aos<br />
médicos, pois leucemias agudas<br />
são doenças agressivas, e que<br />
sem o devido tratamento levam o<br />
paciente a óbito.<br />
Figura 1 – Blastos com cromatina fina e nucléolos evidentes em um caso de LMA.<br />
Coloração de May-Grunwald Giemsa. x1000.<br />
Figura 2 – Blastos com cromatina condensada e esboços de nucléolos em um<br />
paciente com LLA. Coloração de May-Grunwald Giemsa. x1000.<br />
Autor<br />
Dr. Luiz Arthur Calheiros Leite, Ph.D.<br />
Especialista e Mestre em Hematologia, UNIFESP, Doutor em Bioquímica, UFPE. Professor de Pós-graduação e<br />
Coordenador em Hematologia. As imagens foram capturadas e cedidas pelo próprio autor.<br />
132 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022
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LOGÍSTICA LABORATORIAL<br />
AS OPERAÇÕES LOGÍSTICAS DO<br />
GRUPO PRIME ESTÃO A TODO VAPOR NO RIO DE JANEIRO!<br />
A unidade situada em Duque de Caxias, na Baixada<br />
Fluminense, conta com uma estrutura moderna<br />
para garantir um fluxo de estoque organizado e<br />
contínuo, principalmente na área da saúde.<br />
Quando falamos de logística para a saúde, a<br />
organização é um item indispensável. Ainda<br />
mais em um cenário como o Rio de Janeiro e<br />
sua região metropolitana, que juntos somam<br />
aproximadamente 10 milhões de habitantes. Nesse<br />
contexto, a gestão do transporte e armazenamento<br />
dos equipamentos médicos hospitalares deve ser<br />
feita por mãos especializadas no assunto.<br />
Com quase duas décadas de experiência e<br />
uma equipe altamente capacitada, o Grupo<br />
Prime é especialista na logística de materiais<br />
e equipamentos relacionados à área da saúde,<br />
com certificação ANVISA. E a filial carioca segue<br />
o mesmo padrão de qualidade nas operações,<br />
garantindo a distribuição logística dos grandes<br />
hospitais e laboratórios do Rio de Janeiro.<br />
A Unidade Grupo Prime - Duque de<br />
Caxias está estabelecida em uma<br />
área total de 4.115m², sendo destes,<br />
3.600m² de área fabril. E esse tamanho<br />
todo permite mais versatilidade nas<br />
operações de armazenagem, com opção<br />
de organização para até 5.000 posições<br />
paletes que solucionam o fluxo de<br />
pequenos, médios e grandes estoques.<br />
134 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022
LOGÍSTICA LABORATORIAL<br />
Além do amplo espaço que garante mais<br />
segurança nas atividades, a filial ainda<br />
conta com equipamentos de última geração<br />
e softwares inteligentes que automatizam<br />
processos operacionais, otimizando a<br />
produtividade em cada etapa.<br />
Mas a logística focada na área da saúde<br />
requer alguns cuidados especiais em relação<br />
aos serviços de transporte e armazenamento<br />
convencionais. E quem se disponibiliza<br />
a atender esse mercado precisa ter uma<br />
estrutura preparada com controle da<br />
temperatura ambiente.<br />
A filial carioca do Grupo Prime dispõe de<br />
uma frota com veículos refrigerados e câmara<br />
<strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022<br />
fria de 150 m² para receber cargas com<br />
necessidades específicas de conservação.<br />
E não é só no assunto saúde que o Grupo<br />
Prime tem autoridade. A unidade de Duque<br />
de Caxias também é especializada na<br />
logística de equipamentos de tecnologia<br />
para a área das telecomunicações, com<br />
soluções especializadas no transporte e<br />
armazenamento desses materiais.<br />
A unidade do Grupo Prime no Rio de<br />
Janeiro está estrategicamente localizada<br />
no Condomínio GLP, que fica na Rodovia<br />
Washington Luiz, 20755 - Galpão 24, Módulo<br />
4, Vila Santo Antônio, em Duque de Caxias.<br />
Quer conhecer as operações logísticas do<br />
Grupo Prime de perto?<br />
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135
INFORMES DE MERCADO<br />
Esta Seção é um espaço publicitário dedicado para a divulgação e ou explanação<br />
dos produtos e lançamentos do setor.<br />
Área exclusiva para colaboradores anunciantes.<br />
Mais informações: comercial@newslab.com.br<br />
QUICKSTAR E LINHA QUICKTEST:<br />
EFICIÊNCIA E QUALIDADE<br />
A In Vitro Diagnóstica sempre foi destaque no<br />
mercado brasileiro de diagnóstico in vitro por<br />
ser inovadora. Portanto, lança no mercado<br />
um equipamento moderno, adaptável as<br />
necessidades do mercado brasileiro e com<br />
configurações diferenciadas que otimizam a<br />
rotina laboratorial.<br />
O QuickSTAR é um equipamento de<br />
imunofluorescência, para leitura quantitativa e<br />
qualitativa, que alinha alta tecnologia, qualidade<br />
e praticidade em todas as suas funcionalidades.<br />
O seu portfólio de produtos – linha QuickTEST<br />
é exclusivo e apresenta características<br />
diferenciadas e seguras.<br />
Além de esteticamente bonito e leve, a bateria<br />
interna garante mobilidade e alta eficiência<br />
longe das tomadas, o que possibilita um<br />
rápido e confiável diagnóstico em qualquer<br />
lugar. Pensando ainda na agilidade, embora<br />
seja pequeno e semiautomático, possui<br />
uma tecnologia inigualável através da sua<br />
funcionalidade que permite a leitura simultânea<br />
de testes multiparâmetros. Todas as suas<br />
características foram desenhadas utilizando<br />
alta tecnologia e o seu software em português<br />
permite um fácil entendimento e manuseio.<br />
Pensando ainda em facilitar a rotina laboratorial,<br />
através de resultados confiáveis e seguros, mas<br />
mantendo as características que diferem testes<br />
comuns de um verdadeiro “point of care testing”,<br />
a linha de produtos QuickTEST, dedicada para<br />
uso no equipamento QuickSTAR, apresenta<br />
vantagens que facilitam a coleta de amostra<br />
e a execução do teste. Dentre essas vantagens<br />
destacamos que não é necessário pré-diluição<br />
de amostras, que é possível utilizar sangue total<br />
e que os protocolos para execução e leitura dos<br />
testes são padronizados.<br />
O QuickSTAR foi desenvolvido nos mínimos<br />
detalhes, com diferenciais exclusivos que<br />
garantem o seu destaque como um produto<br />
moderno, competitivo e de alta qualidade. Com<br />
um portfólio completo, a linha QuickTEST<br />
engloba diversos parâmetros: marcadores<br />
cardíacos, marcadores inflamatórios, marcadores<br />
tumorais, doenças respiratórias, doenças<br />
infecciosas, função renal, função digestiva,<br />
tireoide, diabetes, alergia, vitamina, derrame<br />
cerebral e detecção de drogas.<br />
Como parte da linha que contribui neste cenário<br />
de enfrentamento da COVID-19, a In Vitro destaca:<br />
COVID-19 Ag - Kit para detecção do antígeno<br />
SARS-CoV-2 causador da COVID-19.<br />
COVID-19 nAb - Kit para detecção de<br />
anticorpos neutralizantes anti-SARS-CoV-2,<br />
importante para o monitoramento do nível<br />
de anticorpos que neutralizam a virulência do<br />
vírus causador da COVID-19.<br />
D-Dímero – Kit para detecção de<br />
D-Dímero, fundamental para diagnóstico e<br />
acompanhamento do quadro trombótico de<br />
pacientes com COVID-19.<br />
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136 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022
KIT DE PCR DA ALTONA DIAGNOSTICS É UTILIZADO EM<br />
ESTUDO DOS PRIMEIROS CASOS DE VARÍOLA DO MACACO<br />
EM HUMANOS, IDENTIFICADOS NA ALEMANHA.<br />
INFORME DE MERCADO<br />
Em 6 de junho de 2022, foi publicado artigo<br />
preliminar que analisou dois casos de infecção<br />
por varíola do macaco (Monkeypox – MPX),<br />
na Alemanha, em homens que tiveram sexo<br />
com outros homens (HSH). O kit de PCR<br />
RealStar® Orthopoxvirus PCR Kit 1.0<br />
da altona Diagnostics foi utilizado em uma<br />
primeira testagem por ter capacidade de<br />
detectar Orthopoxvirus de diferentes espécies<br />
e em seguida as amostras foram confirmadas<br />
por um PCR específico para varíola do macaco<br />
(Monkeypox – MPX).<br />
Os dois casos detectados na Alemanha não<br />
estão associados a viagens para a África onde<br />
o vírus é endêmico em animais. Em ambos<br />
os casos o vírus foi isolado do conteúdo das<br />
pústulas da pele. Isso confirma a importância<br />
do contato próximo (pele) como a principal<br />
via de transmissão. Também, a detecção do<br />
MPXV em sêmen humano foi descrita pela<br />
primeira vez nesse trabalho.<br />
O kit RealStar® Orthopoxvirus PCR Kit 1.0 auxilia na pesquisa do vírus<br />
da varíola do macaco em humanos.<br />
Escaneie o QRCode abaixo e confira o<br />
estudo completo:<br />
O kit RealStar® Orthopoxvirus PCR Kit<br />
1.0 faz parte do amplo portfólio de testes<br />
da altona Diagnostics para uso em pesquisa<br />
(RUO), para detectar doenças infecciosas<br />
baseadas em PCR em tempo real. Para mais<br />
informações sobre os nossos produtos para<br />
uso em pesquisa e também sobre os kits<br />
comerciais registrados no Brasil, entre no<br />
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<strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022<br />
137
INFORME DE MERCADO<br />
LAB REDE: A VERDADEIRA EXTENSÃO DO SEU LABORATÓRIO<br />
Conheça um pouco mais sobre o Lab Rede, empresa mineira que está há 22 anos no mercado laboratorial,<br />
com a proposta de trabalhar lado a lado com os laboratórios.<br />
Fazer parte do Lab Rede é ter um parceiro que vai<br />
muito além da execução de exames. É fazer parte<br />
de uma empresa que oferece diversos benefícios<br />
para seus membros. É usufruir de capacitação<br />
de equipe, consultorias especializadas, suporte<br />
de uma assessoria médica e científica que é<br />
referência no país, e parcerias exclusivas. Ser<br />
membro Lab Rede é ter mais que a execução de<br />
exames: é ter um parceiro que é a VERDADEIRA<br />
EXTENSÃO do seu laboratório.<br />
O Lab Rede conta com uma equipe altamente<br />
capacitada em sua assessoria médica e científica,<br />
composta por especialistas que proporcionam<br />
um atendimento diferenciado e proativo para dar<br />
suporte e resolução técnica a toda a rede. Oferece<br />
ainda profissionais especialistas em soluções<br />
como tecnologia da informação, com expertise<br />
em sistemas e integração, marketing, jurídico,<br />
controladoria e financeiro.<br />
Disponibiliza também o REDE DIGITAL,<br />
plataforma de educação continuada com diversos<br />
treinamentos, relatórios de acompanhamento e<br />
certificados para membros e seus colaboradores.<br />
Todos os processos da empresa são monitorados<br />
de ponta-a-ponta, desde o cadastro das<br />
amostras até a liberação dos resultados,<br />
proporcionando mais segurança em todos<br />
os processos laboratoriais. O Lab Rede conta<br />
com uma logística monitorada em parceria<br />
com operadores logísticos qualificados, que<br />
asseguram a conformidade em todas as rotas<br />
atendidas. Tudo isto reflete em agilidade nas<br />
entregas. Nos últimos 12 meses a empresa obteve<br />
uma média de 92% dos resultados de exames<br />
disponibilizados antes do prazo acordado.<br />
A qualidade sempre norteou a atuação do Lab<br />
Rede. Todos os processos são frequentemente<br />
auditados e verificados pelas principais entidades<br />
acreditadoras do setor, que atestam o alto padrão<br />
de desempenho através da manutenção dos<br />
selos ONA Nível III, PALC e DICQ.<br />
O foco do trabalho do Lab Rede é o fortalecimento<br />
de seus membros, prezando pelo princípio da<br />
não-concorrência. Ao compor esta rede, cada<br />
membro conta com a certeza de que participará<br />
de uma empresa que trabalha diariamente pela<br />
perpetuidade de seu negócio. Uma empresa<br />
que tem o propósito de gerar cada dia mais<br />
oportunidades para que seus membros tenham<br />
relevância no mercado laboratorial de sua<br />
região. Afinal, essa é nossa missão: “Propiciar<br />
aos membros da REDE sustentabilidade e<br />
independência em sua atuação no mercado.”<br />
Faça parte do Lab Rede e leve seu laboratório<br />
para um novo patamar!<br />
138 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022
Ser membro Lab Rede é poder<br />
contar com um parceiro que é<br />
a verdadeira EXTENSÃO do<br />
seu laboratório!<br />
EQUIPE ALTAMENTE CAPACITADA<br />
Contamos com profissionais com larga experiência na área laboratorial, garantindo resultados com qualidade<br />
e precisão. Nossa assessoria médica e científica possui especialistas que proporcionam um atendimento<br />
diferenciado e proativo para suporte e resolução técnica para toda a rede.<br />
QUALIDADE E CONFIANÇA QUE GERAM RESULTADOS<br />
Operamos com rigorosos processos de qualidade, validados pelas acreditações ONA Nível III, PALC e DICQ,<br />
utilizando as melhores e mais reconhecidas tecnologias e metodologias da área laboratorial.<br />
PROCESSOS RASTREÁVEIS<br />
Monitoramento ponta a ponta, desde o cadastro das amostras até a liberação dos resultados, proporcionando<br />
mais segurança e conformidade em todos os processos laboratoriais.<br />
AGILIDADE<br />
Nos últimos 12 meses tivemos uma média de 92% dos resultados de exames entregues antes do prazo padrão.<br />
LOGÍSTICA<br />
Logística monitorada e rastreada em parceria com operadores logísticos, que garantem qualidade e<br />
conformidade em todas as rotas atendidas.<br />
NÃO CONCORRÊNCIA<br />
Nossa missão é manter nossa REDE independente e fortalecida, atuando de forma sustentável em sua região.<br />
TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO<br />
Suporte especializado de profissionais especialistas em soluções de tecnologia da informação, com expertise<br />
em sistemas e integração.<br />
EDUCAÇÃO CONTINUADA<br />
Através do REDE DIGITAL, plataforma de desenvolvimento de equipes, oferecemos diversos treinamentos,<br />
relatórios de acompanhamento e certificados para membros da Rede.<br />
E MAIS...<br />
Além disso, proporcionamos suporte nas áreas de marketing, jurídico, controladoria e financeiro.<br />
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INFORME DE MERCADO<br />
INTERPRETE DADOS DE FORMA RÁPIDA, INTUITIVA E<br />
SEM CÁLCULOS COMPLEXOS COM A DGE-AUC<br />
A ultracentrifugação com gradiente de densidade<br />
(DGUC) tem sido considerada uma tecnologia<br />
básica que fornece purificação de alta resolução<br />
de vários materiais em terapia gênica, incluindo<br />
AAV, adenovírus e plasmídeos, desde escalas de<br />
bancada até escalas de fabricação. DGUC separa<br />
partículas por meio de densidade flutuante e é bem<br />
conhecido por separar eficientemente materiais<br />
desafiadores, como capsídeos virais vazios,<br />
intermediários e cheios. Embora tradicionalmente<br />
usada para purificação, essa abordagem foi<br />
recentemente adaptada para fins analíticos de<br />
apoio à terapia gênica usando uma ultracentrífuga<br />
analítica (AUC), como a Optima AUC.<br />
A AUC de equilíbrio de gradiente de densidade<br />
(DGE-AUC) é um método analítico altamente<br />
simplificado que oferece os mesmos benefícios de<br />
alta resolução que sua contraparte em escala de<br />
preparação, juntamente com inúmeras vantagens<br />
sobre os métodos atuais de velocidade de<br />
sedimentação (SV) padrão ouro. O DGE-AUC com<br />
gradientes de CsCl é passível de AAV, adenovírus e<br />
outras partículas virais grandes, fornecendo dados<br />
de alta resolução com amostra significativamente<br />
menor (> 30X de sensibilidade) do que SV-<br />
AUC e permite prontamente o uso de análise de<br />
vários comprimentos de onda sem comprometer<br />
a qualidade dos dados. Além disso, a DGE AUC é<br />
agnóstica de sorotipo com interpretação e análise<br />
intuitivas (não requer software AUC especializado)<br />
e, portanto, está pronta para beneficiar uma ampla<br />
gama de usuários de terapia genética e vetor<br />
viral onde os métodos analíticos tradicionais são<br />
insuficientes.<br />
Com a DGE-AUC, você tem mais dados,<br />
simplicidade, rapidez, sintonização e rendimentos.<br />
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140 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022
OFEREÇA EM SEU LABORATÓRIO O TESTE MAIS<br />
EFICIENTE PARA A DETECÇÃO DO HPV: O PCR<br />
O HPV é considerado uma infecção sexualmente<br />
transmissível. Responsável pelos casos de câncer<br />
do colo do útero, sendo que os subtipos 16<br />
e 18. Porém o HPV pode ainda causar outras<br />
complicações para as mulheres, como cânceres do<br />
ânus, vulva, vagina e orofaringe, assim como as<br />
doenças cardiovasculares.<br />
INFORME DE MERCADO<br />
Quando não identificado e tratado, o vírus pode<br />
ainda passar de mãe para filho no momento do<br />
parto, tendo o potencial de desenvolvimento da<br />
papilomatose respiratória juvenil, mesmo que<br />
em raras ocasiões, causadas principalmente pelos<br />
subtipos 6 e 11.<br />
Esse cenário poderia ser revertido já que existem<br />
vacinas e métodos contraceptivos disponíveis<br />
gratuitamente pelo SUS. Infelizmente, a taxa<br />
de adesão vacinal está abaixo do esperado nos<br />
principais estados brasileiros, o que causa sérias<br />
preocupações e consequências. Para não vermos<br />
esses números aumentarem, precisamos reforçar<br />
as campanhas e oferecer cuidados de excelência.<br />
Contudo, as vacinas disponíveis no SUS são<br />
somente para os subtipos de HPV 16 e 18,<br />
e temos outros 17 subtipos oncogênicos<br />
frequentes que podem emergir, já que não<br />
estão cobertos pela vacina.<br />
Portanto, é fundamental que o seu laboratório<br />
tenha disponíveis os Painéis PCR para HPV,<br />
mais sensíveis que o popular teste de captura<br />
híbrida, e capazes de determinar o genótipo<br />
exato do agente infeccioso.<br />
O Laboratório de Apoio Base Científica oferece<br />
painéis usando a metodologia de PCR em tempo<br />
real que realizam a detecção e a genotipagem<br />
de HPV de alto de baixo risco. Neste painel estão<br />
inclusos os tipos 16 e 18, responsáveis por cerca<br />
de 70% dos cânceres cervicais; e os tipos 6 e 11,<br />
encontrados em 90% dos condilomas genitais e<br />
papilomas laríngeos, considerados não oncogênicos.<br />
Maior eficiência com cobertura dos<br />
planos de saúde<br />
Várias pesquisas já foram publicadas mostrando a<br />
maior eficiência do teste PCR na detecção do HPV ,<br />
sendo também um excelente exame preventivo de<br />
câncer de colo de útero.<br />
Além disso, os testes PCR para HPV estão elencados<br />
no Rol da ANS com o código TUS 40314154, e<br />
possuem cobertura dos planos de saúde, o que<br />
facilita o acesso dos pacientes a essa metodologia.<br />
O laboratório Base Científica conta com duas versões<br />
de testes para HPV por PCR:<br />
- Painel para detecção e genotipagem de HPV de<br />
alto e baixo risco: detecção simultânea de 28 tipos<br />
de HPV (19 de alto risco e 9 de baixo risco).<br />
- Painel para detecção e genotipagem de HPV de<br />
alto risco: detecção simultânea de 14 tipos de HPV<br />
de alto risco.<br />
Além dos painéis de PCR para detecção de HPV,<br />
o Laboratório Base Científica também oferece<br />
aos seus apoiados o teste de captura híbrida,<br />
tradicionalmente prescrito pelos médicos para<br />
detecção de HPV de alto e baixo risco. Também<br />
possui vários testes moleculares direcionados à<br />
saúde da mulher.<br />
Acesse e saiba mais:<br />
www.basecientifica.com.br<br />
Leia o artigo completo:<br />
Saúde da Mulher - 4 exames que o seu laboratório<br />
precisa ter.<br />
<strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022<br />
141
INFORME DE MERCADO<br />
HAGELAB – CONSOLIDAÇÃO É O PRÓXIMO PASSO<br />
Agora vamos para a consolidação<br />
do produto e da Marca<br />
Depois de iniciar um ousado projeto e<br />
determinados a realizar essa entrega ao<br />
mercado, finalmente apresentamos de forma<br />
completa a HAGELAB.<br />
Nosso objetivo é sempre tratar o assunto:<br />
gestão, qualidade, diminuição de desperdícios,<br />
entre inúmeros outros pontos os quais<br />
possamos ajudar, de forma leve, informativa,<br />
simples e acessível.<br />
Entregamos soluções, produtos e serviços<br />
compatíveis com todas as empresas que<br />
querem ter um salto de gestão em seus<br />
processos da cadeia de frios, equipamentos e<br />
inventários.<br />
HAGELAB, uma empresa que chegou cheia<br />
de energia e inovação, repleta de tecnologia<br />
e conhecimento, junção de profissionais<br />
inovadores e com larga experiência de<br />
mercado, jovens com visão tecnológica<br />
juntamente a profissionais experientes com a<br />
mais alta expertise a favor do mercado, ou seja,<br />
a HAGELAB é completa.<br />
Depois de sermos testados, validados e acima<br />
de tudo vistos com respeito, graças a entregas<br />
com implantações extremamente complexas<br />
que realizamos e atendendo com qualificações<br />
e validações que o mais alto nível de qualidade<br />
pode exigir, podemos garantir que somos a<br />
solução para o mercado de logística e transporte<br />
de refrigerados e congelados precisava. (não<br />
realizamos os transportes, oferecemos solução<br />
para quem o faz).<br />
Hoje além de produtos exclusivos, tecnologia<br />
própria de criação de softwares leves, rápidos,<br />
responsivos, amigáveis e seguros, estamos<br />
com o desenvolvimento e a montagem de<br />
hardwares próprios.<br />
Isso dará aos nossos clientes mais independência<br />
e possibilidades de personalização com a<br />
gestão do tamanho da sua necessidade.<br />
Monitoramento e controle de transporte de<br />
amostras biológicas, reagentes, medicamentos,<br />
vacinas, amostras para pesquisas, entre todos<br />
os outros tipos de materiais que necessitam<br />
desse cuidado, estamos aptos a atendê-los.<br />
Além de relatórios completos de temperatura,<br />
rotas, deslocamentos e viagens, entregamos<br />
também a roteirização com ordens de serviços<br />
e acompanhamentos em tempo real.<br />
Para fechar o pacote de soluções, temos<br />
o inventário de todos os bens que quiser<br />
cadastrar e acompanhar.<br />
Traga sua necessidade e tenha a solução.<br />
Rogério Diniz<br />
Diretor Comercial e Novos Negócios<br />
rogerio@hagelab.com.br<br />
Ailton Flavio Moreira Junior<br />
Engenheiro Eletrônico/Eletricista Especialista<br />
em Engenharia Clínica MBA FGV – Gestão<br />
Empresarial<br />
Wender Fernandes<br />
Tecnólogo em Redes e Analista de<br />
Desenvolvimento Tecnológico Pesquisa e<br />
desenvolvimento de Hardware / Processamento<br />
de Dados IoT<br />
Eliel Oliveira<br />
Engenheiro Civil / Cientista de Dados<br />
Computacionais / Processamento de Dados IoT<br />
Carlos H. Monteiro<br />
Publicitário, Especialista em Inovação, Experiência<br />
do Usuário e Arquitetura da Informação UX<br />
142 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022
INFORME DE MERCADO<br />
LumiraDx SARS-CoV-2 & Flu A/B<br />
DIFERENCIAÇÃO SIMULTÂNEA DE ANTÍGENOS VIRAIS DE SARS-COV-2<br />
E INFLUENZA A E/OU INFLUENZA B<br />
Devido a semelhança dos sintomas, a<br />
confluência de casos de Covid-19 com os casos<br />
de gripe pode ser inicialmente confundida,<br />
assim o diagnóstico diferencial é fundamental<br />
para a identificação e tratamento das Síndromes<br />
Respiratórias Agudas.<br />
A COVID-19 é uma doença infecciosa causada<br />
pelo coronavírus SARS-CoV-2 e tem como<br />
principais sintomas febre, cansaço e tosse seca.<br />
O vírus Influenza A e B vulgarmente conhecidos<br />
como os agentes causadores da "gripe", causam<br />
uma infecção viral contagiosa, com sintomas<br />
semelhantes aos casos de COVID-19, sendo<br />
ambas transmitidas através de tosse e espirros<br />
com gotículas contendo o vírus ativo.<br />
O teste LumiraDx SARS-CoV-2 & Flu A/B consiste<br />
num ensaio rápido e totalmente automatizado,<br />
de imunofluorescência microfluídica por<br />
captura magnética para uso na Plataforma<br />
LumiraDx, utilizado para a detecção qualitativa<br />
e diferenciação simultânea de antígenos virais<br />
de SARS-CoV-2 e Influenza A e/ou Influenza<br />
B, através de amostras de swab nasal. Os<br />
resultados podem ser impressos ou enviados<br />
para o sistema de gerenciamento Connect<br />
Manager LDx, conexão por aplicativo via<br />
internet (iOS e Android), via Bluetooth através<br />
do Connect Hub LDx e conexão via cabo de rede<br />
pelo EHR Connect, através do LIS ou HIS.<br />
Identifique prontamente uma possível<br />
infecção por SARS-CoV-2 Ag, com um ensaio<br />
microfluídico rápido que fornece resultados<br />
práticos, comparáveis aos de laboratório, em 12<br />
minutos, para pacientes com suspeita de gripe<br />
e/ou COVID-19.<br />
Para mais informações, entre em contato<br />
através do e-mail faleconosco@lumiradx.com<br />
ou (11) 5185- 8181.<br />
Rápido • Preciso • Conectado<br />
144 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022
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ANTIBIOGRAMA<br />
O antibiograma é um teste que oferece<br />
como resultado padrões de resistência ou<br />
susceptibilidade de uma bactéria específica a vários<br />
antimicrobianos (antibióticos ou quimioterápicos).<br />
Os resultados do antibiograma são interpretados e<br />
usados para tomar decisões sobre tratamento.<br />
(32) 3331-4489<br />
INFORME DE MERCADO<br />
O método mais usado na rotina laboratorial é o da<br />
disco-difusão do antimicrobiano. Nessa técnica,<br />
uma suspensão padronizada do organismo em<br />
teste é espalhada na superfície do meio de cultura.<br />
O antimicrobiano, impregnado em um disco de<br />
papel de filtro, é colocado sobre o meio de cultura<br />
inoculado com a bactéria.<br />
A interpretação da susceptibilidade se baseia<br />
na medida do halo de inibição do crescimento<br />
bacteriano formado ao redor do disco. É importante<br />
notar que microrganismos que apresentarem<br />
resistência in vitro também serão resistentes in<br />
vivo. Por outro lado, microrganismos apresentando<br />
sensibilidade in vitro podem ser resistentes in vivo.<br />
A determinação da suscetibilidade aos<br />
antimicrobianos (TSA ou antibiograma) é<br />
uma das principais tarefas do laboratório de<br />
microbiologia clínica. Em muitas situações, sob<br />
o ponto de vista do clínico, os resultados do<br />
antibiograma são considerados mais importantes<br />
do que a própria identificação do micro-organismo<br />
envolvido no processo infeccioso. Em parte, isso<br />
pode ser explicado pelo aumento mundial de<br />
microorganismos multirresistentes, o que limita<br />
a opção terapêutica. Como consequência o<br />
laboratório deve dar prioridade não só à produção<br />
de dados precisos, mas também deve liberar<br />
laudos que sejam facilmente interpretáveis.<br />
O ágar Mueller-Hinton Renylab foi especialmente<br />
desenvolvido para a realização do antibiograma<br />
em disco-difusão.<br />
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<strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022<br />
145
INFORME DE MERCADO<br />
CELLAVISION: CONHEÇA OS BENEFÍCIOS DA<br />
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA CONTAGEM<br />
DIFERENCIAL DE LEUCÓCITOS<br />
A utilização da inteligência artificial na medicina<br />
diagnóstica parece ser um caminho sem volta. A<br />
cada dia nos deparamos com novos equipamentos<br />
no mercado utilizando a inteligência artificial a<br />
favor de um diagnóstico mais robusto. Muitas<br />
são as vantagens de sua aplicação, entre elas, o<br />
ganho de consistência, produtividade, redução de<br />
resultados falsos negativos, entre outras.<br />
Os equipamentos CellaVision contam com<br />
uma rede neural artificial proprietária capaz de<br />
identificar células de sangue periférico e pré<br />
classificá-las com taxa de acerto muitíssimo<br />
elevada, colocando o laboratorista em um<br />
excelente ponto de partida para a análise. É como<br />
se já saíssemos oitenta metros à frente em uma<br />
corrida de cem metros rasos.<br />
Em um estudo publicado por Briggs e colaboradores<br />
no International Journal of Hematology, os<br />
autores compararam os resultados da contagem<br />
diferencial de leucócitos realizada manualmente<br />
versus a pré classificação automatizada pelo<br />
equipamento CellaVision. O resultado fornecido<br />
pela automação obteve concordância de 89,2%<br />
(tabela). Isso significa que o laboratorista iniciaria<br />
sua análise já com 89,2% das células classificadas<br />
corretamente, precisando apenas revisar aquilo<br />
que a automação lhe forneceu.<br />
Observando as três classes celulares predominantes<br />
(neutrófilos, linfócitos e monócitos), mais de<br />
97,3% das células foram corretamente classificadas<br />
pelo sistema CellaVision. Como estas células<br />
representam de 90% a 95% das células de um<br />
esfregaço típico de uma rotina, a pré classificação<br />
pelo CellaVision realmente acelera o processo de<br />
revisão das lâminas, permitindo ao profissional<br />
despender mais tempo proporcional para o<br />
estudo de células imaturas e células anormais.<br />
Desta forma, o CellaVision contribui muito para o<br />
aumento da produtividade laboratorial e redução<br />
do tempo de entrega do exame.<br />
Ainda com relação ao aumento da produtividade<br />
laboratorial, um estudo publicado no Journal of<br />
Clinical Pathology demonstrou que equipamentos<br />
CellaVision reduzem significativamente o tempo<br />
de revisão por lâmina. Ceelie e colaboradores<br />
avaliaram o tempo de revisão de duzentas<br />
lâminas realizadas por nove profissionais, primeiro<br />
utilizando a microscopia manual e em um segundo<br />
momento, a automação CellaVision. O resultado<br />
encontrado foi uma redução de 50% no tempo<br />
de revisão dos esfregaços. O tempo economizado<br />
poderia ser aplicado em outras atividades dentro<br />
do laboratório, permitindo o uso racional dos<br />
recursos humanos, conclui os autores.<br />
Outra vantagem da automação da contagem<br />
diferencial de leucócitos é o elevado nível de<br />
padronização dos processos, o que conduz ao<br />
ganho de consistência das análises. A variação<br />
interlaboratorial na classificação celular é sempre uma<br />
grande preocupação dos gestores de laboratórios. Ao<br />
se adotar a automação com o CellaVision a variação<br />
interlaboratorial é reduzida drasticamente uma vez<br />
que os laboratoristas avaliarão o mesmo conjunto de<br />
células de um determinado esfregaço.<br />
Referências:<br />
Int J Lab Hematol. 2009 Feb;31(1):48-60. doi: 10.1111/j.1751-<br />
553X.2007.01002.x. Epub 2007 Dec 20.<br />
Journal of Clinical Pathology. 2007 Jan;60(1):72-9<br />
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146 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022
CORANTES HEMATOLÓGICOS TRADICIONAIS RÁPIDOS<br />
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INFORME DE MERCADO<br />
Uma nova geração de corantes rápidos,<br />
mantendo a metodologia tradicional e<br />
garantindo o desempenho.<br />
• Tempo reduzido;<br />
• Coloração tradicional;<br />
• Resposta de coloração excelente;<br />
• Acompanha tampão para o preparo de<br />
água, garantindo o ótimo desempenho;<br />
• Melhor custo x benefício.<br />
Em 1897, Paulo Erlich utilizou pela primeira<br />
vez corantes derivados da anilina para corar<br />
as células sanguíneas. Ele classificou estes<br />
corantes em ácidos, básicos e neutros. As<br />
combinações destes corantes se tornaram a<br />
base para as colorações de Romanowsky.<br />
Dimitri Leonidovich Romanowsky modificou a<br />
técnica de Erlich usando uma mistura aquosa<br />
de eosina Y e azul de metileno oxidado. Como<br />
esta solução não era estável, James Homer<br />
Wright introduziu o metanol como solvente<br />
e fixador prévio da extensão sanguínea.<br />
Gustav Giemsa padronizou as soluções<br />
corantes e adicionou glicerol para aumentar a<br />
solubilidade e estabilidade.<br />
Todas as colorações desenvolvidas por Wright,<br />
por Giemsa, por Richard May e Ludwig<br />
Grünwald e por William Boog Leishman<br />
receberam a denominação de colorações<br />
derivadas de Romanowsky.<br />
Todas estas colorações são chamadas de corantes<br />
tradicionais e utilizadas na rotina laboratorial,<br />
como descrito, há muito tempo. Mas são corantes<br />
que têm um tempo de técnica em torno de 15<br />
a 20 minutos. Um tempo bastante prolongado<br />
em relação ao tempo em que um contador<br />
hematológico realiza o hemograma.<br />
A Newprov traz uma nova versão dos corantes<br />
de Leishman e Wright, uma versão que mantém<br />
a mesma tradição de qualidade, mas em um<br />
tempo bastante reduzido. Esta nova versão,<br />
chamada de Leishman e Wright rápidos, têm<br />
um tempo de coloração de 4 minutos. Com uma<br />
vantagem a mais, o corante (tanto Leishman<br />
como Wright) vêm acompanhados de uma<br />
solução tampão pH 6,8. O conjunto, corante<br />
+ tampão, garante a mesma qualidade de<br />
coloração que a técnica tradicional.<br />
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<strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022<br />
147
INFORME DE MERCADO<br />
A CARNE GRELHADA É SEGURA PARA COMER?<br />
Pesquisadores investigam a influência do<br />
cozimento da carne e do teor de gordura na<br />
bioacessibilidade de hidrocarbonetos policíclicos<br />
aromáticos em carnes grelhadas.<br />
Os hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (HPAs)<br />
são produtos químicos que se formam quando a<br />
carne é cozida em altas temperaturas – quando a<br />
gordura e os sucos pingam nas chamas enquanto<br />
assam, fritam ou grelham. Essas substâncias<br />
também podem se formar durante outros<br />
processos de preparação de alimentos, como<br />
secagem e defumação.<br />
A exposição a HPAs na dieta está ganhando<br />
preocupação devido ao risco que esses produtos<br />
químicos podem representar para a saúde humana.<br />
Em experimentos de laboratório, descobriu-se que<br />
os HPAs causam alterações no DNA que podem<br />
aumentar o risco de câncer. Como resultado, a<br />
Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer<br />
(AIPC) classificou alguns desses produtos químicos<br />
como conhecidos, possíveis ou provavelmente<br />
cancerígenos para humanos.<br />
Avaliar a quantidade de uma substância liberada<br />
dos alimentos no trato gastrointestinal durante o<br />
processo de digestão – ou sua bioacessibilidade<br />
– é uma ferramenta importante para medir seu<br />
potencial risco à saúde. Mas, atualmente, faltam<br />
informações disponíveis sobre a bioacessibilidade<br />
dos HPAs em carnes grelhadas.<br />
Medindo a bioacessibilidade<br />
Em um novo estudo, publicado no International<br />
Journal of Environmental Research and Public<br />
Health, os cientistas avaliaram a bioacessibilidade<br />
de HPAs em frango e carne grelhados com<br />
diferentes graus de cozimento (tempo de<br />
cozimento) em diferentes partes do trato<br />
gastrointestinal.1 Eles também estudaram a<br />
relação entre o teor de gordura de carnes grelhadas<br />
e a bioacessibilidade dessas substâncias.<br />
Os pesquisadores mediram 15 HPAs em amostras<br />
de frango e carne grelhadas usando cromatografia<br />
líquida de alta eficiência (HPLC) – antes e depois<br />
da digestão usando saliva, sucos gástricos,<br />
intestinais e biliares.<br />
A equipe encontrou 30,73 ng/g de HPAs totais em<br />
carne bovina e 70,93 ng/g de HPAs totais em frango<br />
antes da digestão. A bioacessibilidade dos HPAs<br />
variou entre carne grelhada e frango, com aqueles<br />
em carne grelhada exibindo bioacessibilidade<br />
relativamente maior. A maior bioacessibilidade<br />
dessas substâncias foi após a digestão estomacal,<br />
seguida da digestão intestinal e depois salivar. Além<br />
disso, a bioacessibilidade dos HPAs aumentou com<br />
o aumento do grau de cozimento – e eles foram<br />
positivamente correlacionados com os teores de<br />
gordura da carne grelhada.<br />
Os pesquisadores usaram água purificada<br />
gerada a partir de um sistema de purificação de<br />
água de laboratório ELGA PURELAB® para seus<br />
experimentos, minimizando o risco de adição de<br />
contaminantes que podem afetar seus resultados.<br />
Riscos potenciais a longo prazo<br />
Comer carne grelhada, grelhada e defumada<br />
contribui com uma proporção substancial da<br />
ingestão total de HPAs, uma vez que esses<br />
alimentos estão ganhando popularidade. Os<br />
pesquisadores estimaram a ingestão dietética<br />
diária (DI) de HPAs através do consumo de carne e<br />
frango grelhados – descobrindo que isso também<br />
foi afetado pelo grau de cozimento da carne, o<br />
que poderia representar um risco de câncer pelo<br />
consumo a longo prazo de carnes grelhadas.<br />
No geral, esses achados ajudam a revelar a influência<br />
do cozimento da carne e do teor de gordura na<br />
bioacessibilidade e bioacumulação de HPAs. Esses<br />
achados devem ser empregados na avaliação do<br />
risco à saúde da exposição humana a esses produtos<br />
químicos a partir do consumo de carnes grelhadas<br />
em diferentes graus de cozimento.<br />
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1. Hamidi EN, et al. Bioaccessibility of Polycyclic<br />
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The Effects of Meat Doneness and Fat Content. Int J<br />
Environ Res Public Health 2022;19(2):736 https://<br />
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148 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022
INFORME DE MERCADO<br />
SUCESSO TOTAL: NEGÓCIOS E NOVOS PRODUTOS<br />
A Nihon Kohden iniciou os negócios de IVD<br />
em 1972 e tem desenvolvido equipamentos<br />
eletrônicos médicos de ponta, atendendo a<br />
linha humana e veterinária. Os analisadores<br />
hematológicos da série Celltac são distribuídos em<br />
mais de 120 países em todo o mundo.<br />
Como desenvolvedores de tecnologia,<br />
apresentamos no 47º Congresso Brasileiro<br />
de Análises Clínicas (CBAC) as novas linhas<br />
de equipamentos Celltac. Neste evento a<br />
NIHON KOHDEN DO BRASIL apresentou ao<br />
público dois novos equipamentos que fazem<br />
parte do portfólio de soluções para o setor<br />
hematologia dos laboratórios de todo o Brasil,<br />
com autonomia para laboratórios de pequeno,<br />
médio e grande porte, são eles:<br />
Foto: Equipe IVD NIHON KOHDEN BRASIL com a nova linha Celltac<br />
• Equipamento Celltac Alpha+ (MEK-1305)<br />
• Equipamento Celltac G+ (MEK-9200)<br />
Ambos os equipamentos vêm com parâmetros<br />
adicionais como Índice de Mentzer e RDWI para o<br />
melhor diagnóstico da causa da anemia microcítica,<br />
P-LCC e P-LCR para identificar precisamente a<br />
presença de Macroplaquetas, plaquetas gigantes e<br />
agregação plaquetária e especificamente na linha<br />
MEK-13XX foi adicionado o parâmetro NLR que<br />
é um importante marcador para prognostico em<br />
casos de COVID-19, dentre outras patologias.<br />
A Linha Celltac Alpha, contempla os<br />
equipamentos MEK-6500J/K, MEK-6550J/K<br />
Veterinário e MEK-1305. Este último é um<br />
diferencial por ser o único equipamento automático<br />
com diferencial de leucócitos em 3 partes e<br />
análise automática de VHS através da tecnologia<br />
CiRHEX. Esse equipamento foi projetado para<br />
simplificar ao máximo a realização do hemograma<br />
e da Velocidade de Hemossedimentação (VHS)<br />
sem custo adicional para o Laboratório, pois suas<br />
principais vantagens são:<br />
• Sistema unificado de aspiração e de sensores para<br />
liberar ambos os testes (hemograma e VHS).<br />
• Maior rapidez nos resultados, pois o hemograma<br />
e VHS são liberados em até (2) dois minutos.<br />
• Facilita a rotina pois utiliza o mesmo tubo para<br />
realizar os testes.<br />
• Diminui o risco de contaminação, pois não<br />
há necessidade de vidros e/ou outros tipos de<br />
materiais para aspiração do sangue.<br />
• Corrige VHS pelo hematócrito e pela temperatura<br />
do Laboratório.<br />
• Alta sensibilidade e precisão.<br />
Já o equipamento MEK-9200 (Celltac G+) traz<br />
consigo todas as qualidades que destacaram a<br />
linha G e ainda adiciona a leitura automática de<br />
reticulócitos, através da tecnologia DynaScatter<br />
Laser + HEM488. A contagem de reticulócitos por<br />
fluorescência, também facilita a rotina laboratorial<br />
já que reduz drasticamente o tempo desprendido<br />
no método manual e seus erros intrínsecos. Além<br />
disso, o equipamento libera parâmetros específicos<br />
que indicam o grau de fluorescência pelo grau<br />
de maturação dos reticulócitos, que é usado para<br />
controle das doenças agudas e crônicas, emergências<br />
médicas e cirurgias. A contagem de reticulócitos<br />
é relevante para classificação fisiopatológica<br />
da anemia e permite avaliar a capacidade de<br />
eritropoiese na medula óssea.<br />
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150 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022
LANÇAMENTO DO MEK-1305 CELLTAC α+,<br />
ANALISADOR AUTOMATIZADO HEMATOLÓGICO E VHS<br />
A NIHON KOHDEN DO BRASIL lançou o MEK-<br />
1305 (Celltac α+), um analisador automatizado<br />
para hemograma e VHS. O MEK-1305 é o<br />
primeiro analisador hematológico do mundo que<br />
pode medir a contagem sanguínea completa<br />
(CBC), incluindo o diferencial de 3 partes de<br />
glóbulos brancos e a velocidade de sedimentação<br />
eritrocitária simultaneamente.<br />
INFORME DE MERCADO<br />
A NIHON KOHDEN desenvolveu o MEK-1305<br />
baseado no conceito de fornecer resultados de testes<br />
mais rápidos e precisos, que são importantes para<br />
a compreensão da condição clínica dos pacientes.<br />
A VHS é a taxa de sedimentação dos glóbulos<br />
vermelhos e é medida internacionalmente,<br />
principalmente em países em desenvolvimento<br />
para triagem e acompanhamento de inflamações<br />
como reumatismo e doenças infecciosas como<br />
tuberculose. O método de medição convencional<br />
da VHS leva pelo menos 60 minutos, mas o MEK-<br />
1305 realiza medições simultâneas de VHS e CBC<br />
em um tempo aproximado de 2 minutos. Como<br />
os resultados do teste podem ser confirmados<br />
imediatamente após a coleta de sangue, esperase<br />
que contribua para o diagnóstico preciso das<br />
condições da doença e a tomada de decisão para<br />
o tratamento na prática clínica.<br />
O equipamento é equipado com a exclusiva<br />
tecnologia CiRHEX TM da Nihon Kohden para<br />
medição de VHS.<br />
vermelhos e formação de rouleaux) obtido pela<br />
unidade de medição de VHS. Os resultados de VHS<br />
no MEK-1305 são altamente correlacionados com<br />
os valores do método Westergren, que foi usado<br />
como método de referência.<br />
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Não são necessários reagentes adicionais porque<br />
o valor de VHS de 1 hora exibido no MEK-1305 é<br />
gerado com base no hematócrito (HCT) e volume<br />
corpuscular médio (MCV) obtido da medição de<br />
CBC, bem como no silectrograma (uma forma de<br />
onda que representa a intensidade da luz que passa<br />
pelo sangue, que vai se modificando ao longo do<br />
tempo após o início da agregação de glóbulos<br />
<strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022<br />
151
INFORME DE MERCADO<br />
HORIBA Medical Brasil inova e disponibiliza ferramenta para<br />
avaliação da identificação de células sanguíneas – QSP<br />
• Usuários ilimitados<br />
• Cada gerente de laboratório estabelece o protocolo<br />
de controle e escolhe as lâminas a serem analisadas<br />
pela equipe responsável pelo exame das lâminas.<br />
• Semanalmente, um caso pode ser examinado.<br />
• O programa QSP emite relatórios personalizados<br />
para garantir uma rastreabilidade perfeita.<br />
O software QSP é uma ferramenta para imagens<br />
de alta definição, didática e muito intuitiva.<br />
Ele oferece ao pessoal do laboratório o<br />
exame das lâminas sanguíneas, que são digitalizadas<br />
e avaliadas previamente. Permite ao<br />
laboratório avaliar a capacidade dos potenciais<br />
examinadores<br />
O QSP é mais do que um atlas citológico…<br />
Usa casos clínicos reais fornecidos por<br />
médicos aprovados.<br />
Com casos normais e patológicos.<br />
Vantagens<br />
Treinamento contínuo dos analistas de laboratório<br />
• 6 slides digitais por mês.<br />
• O laboratório pode definir sua própria classificação<br />
de células.<br />
• Avaliação de WBC, RBC e PLT classificação e /<br />
ou morfologias.<br />
• Identificação incorreta de células.<br />
• Relatórios com desempenho individual pontuação.<br />
• Fácil de usar<br />
• Não há necessidade de material adicional (baseado<br />
em PC).<br />
É elaborado um relatório individual da classificação<br />
que mostra<br />
• Um índice da sensibilidade média das células<br />
corretamente classificadas em relação<br />
à referência.<br />
• Uma classificação imediata de TP, TN, FP, FN e<br />
os cálculos associados da relação sensibilidade<br />
e precisão<br />
• Imagens de células que não combinam com a<br />
classificação de referência.<br />
• As observações do leitor e do gerente.<br />
• As ações corretivas associadas.<br />
Benefícios<br />
• Padronização da leitura manual das lâminas<br />
ao microscópio.<br />
• Aumentando a confiabilidade dos resultados<br />
finais.<br />
• Ajudar novos técnicos a melhorar seu nível e se<br />
tornarem confiantes.<br />
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seu nível.<br />
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152 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022
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INFORME DE MERCADO<br />
A IMPORTÂNCIA DO FREELITE MX® PARA O DIAGNÓSTICO<br />
PRECOCE DA ESCLEROSE MÚLTIPLA<br />
Um dos exames da Binding Site tem atuação<br />
fundamental no diagnóstico de uma das principais<br />
doenças que afetam o sistema nervoso central:<br />
a Esclerose Múltipla. Trata-se do Freelite Mx®,<br />
mais específico, sensível, confiável, rápido e fácil<br />
de execução quando comparado aos exames<br />
mais tradicionais para a análise dessa e de outras<br />
patologias. Tais qualidades advém do fato de o<br />
Freelite Mx® ser capaz de identificar a mais ínfima<br />
quantidade de cadeia leve livre em uma amostra<br />
de líquor retirada do espaço intratecal – aquele<br />
dentro de nossa coluna onde a medula está<br />
contida – região de difícil acesso e análise.<br />
Como funciona<br />
Alguns estudos demonstram que portadores<br />
da Esclerose Múltipla apresentam aumento<br />
considerável da cadeia leve livre kappa no líquor:<br />
cerca de 60 vezes maior do que o do grupo<br />
controle. Por isso, o Freelite Mx® tem sido cada<br />
vez mais recomendado e utilizado no diagnóstico<br />
da doença, em conjunto com outros exames mais<br />
tradicionais para Esclerose Múltipla, como o de<br />
bandas oligoclonais, índice de IgG, índice de<br />
albumina e também a ressonância magnética. A<br />
alta sensibilidade do Freelite Mx® é uma grande<br />
vantagem, uma vez que ele apresenta resultados<br />
objetivos e quantitativos, diferente dos demais,<br />
cuja análise muitas vezes é difícil, nem sempre<br />
clara – e passa por critérios subjetivos. Assim, por<br />
exemplo, mesmo que o resultado dê negativo em<br />
um exame de bandas oligoclonais, o Freelite Mx®,<br />
devido à sua sensibilidade, consegue detectar<br />
qualquer alteração. O exame da Binding Site<br />
também pode ser usado no auxílio do diagnóstico<br />
e na diferenciação de outras patologias do sistema<br />
nervoso central, como a síndrome clínica isolada,<br />
meningite, encefalite, síndrome de Guillain-Barré,<br />
neuroborreliose, polineuropatia, entre outras<br />
doenças crônicas.<br />
Sobre o Freelite® Mx e onde encontrar o<br />
exame<br />
O Freelite® foi aprovado em 2001 pelo FDA<br />
(Food and Drug Administration), aprovado pela<br />
ANVISA em 2010-11 e considerado biomarcador<br />
em 2014 pelo Grupo Internacional de Trabalho<br />
do Mieloma, ou seja, é o exame de escolha para<br />
o diagnóstico e monitoramento do Mieloma<br />
Múltiplo e ainda outras gamopatias monoclonais.<br />
Após anos de padronização e validação, em 2006,<br />
foi lançado então o Freelite Mx®, com valores de<br />
referência específicos para as amostras de líquor;<br />
que também possibilita a utilização de amostras<br />
de soro e urina. O Mx, aliás, vem do termo em<br />
inglês “multiple matrix assays” (ensaios de matriz<br />
múltipla). Ambos utilizam a plataforma Optilite®<br />
para a análise automatizada dos testes. O exame<br />
está disponível no Laboratório Neurolife e no<br />
Laboratório Senne Liquor.<br />
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154 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022
EXAMES MOLECULARES DE ALTA COMPLEXIDADE ESTÃO<br />
CADA VEZ MAIS ACESSÍVEIS NO PAÍS<br />
Um dos setores do mercado que mais evoluiu<br />
nos últimos anos foi o da medicina diagnóstica,<br />
novas tecnologias permitiram que exames fossem<br />
realizados em larga escala, com menos tempo,<br />
maior precisão e garantindo a qualidade. Dentro<br />
do universo laboratorial, a área da genética se<br />
destacou e ganhou investimentos e inovações,<br />
com equipamentos mais modernos e o uso de<br />
inteligência artificial. Um exemplo, é o laboratório<br />
de apoio DB Molecular, especializado em biologia<br />
molecular, genética e citogenética e atuante no<br />
modelo de mercado B2B.<br />
Para atender a demanda, o DB Molecular<br />
investiu em setores internos para trazer<br />
ganhos em produtividade e qualidade. O setor<br />
de infecciosas foi um deles, movidos pela alta<br />
dos testes de covid-19, um novo olhar sobre<br />
esses exames moleculares foi preciso. “Com<br />
a pandemia, houve um foco muito grande<br />
nessa área, não só para nossos clientes,<br />
que já sabiam da existência dos exames<br />
moleculares para diagnóstico de infecciosas,<br />
mas também para o público final, que ficou<br />
mais familiarizado com esses testes, e passou<br />
a exigi-los também”, conta Isabella Ortiz,<br />
gerente de produto do DB Molecular.<br />
O grande investimento do setor ficou por conta de<br />
um novo maquinário, o Alinity m, da Abbot, que<br />
processa exames relacionados a IST, HPV, hepatites<br />
virais e HIV. Com essa tecnologia o laboratório<br />
consegue liberar resultados em no máximo 48<br />
horas, a partir do momento que essa amostra<br />
chega no laboratório. Desde a implementação<br />
da plataforma o setor já apresentou ganhos em<br />
capacidade produtiva. “O Alinity m traz mais<br />
flexibilidade em nossa rotina, temos menos custo<br />
de produção e cortamos o prazo de entrega para<br />
o cliente pela metade. Não é só o nosso parceiro<br />
que ganha, o paciente e o médico também são<br />
beneficiados com a liberação de resultados com<br />
maior rapidez e segurança. Isso ajuda em tomadas<br />
de decisões mais assertivas na prática clínica e<br />
diagnósticos precoces para um tratamento mais<br />
eficaz”, complementa Isabella.<br />
Outro setor que foi totalmente reformulado<br />
recentemente foi a citogenética. A área é<br />
fundamental nos diagnósticos de alterações<br />
cromossômicas e de doenças onco-hematológicas,<br />
a citogenética do DB Molecular foi pioneira<br />
na implementação de uma inteligência<br />
artificial, na qual existente em apenas dois<br />
laboratórios brasileiros.<br />
INFORME DE MERCADO<br />
“A Citogenética é um setor de alta complexidade<br />
e muito conhecido pela rotina manual ou quase<br />
artesanal. Com um time altamente capacitado e<br />
qualificado, o maior custo operacional desse setor<br />
é a mão de obra. Levando isso em consideração,<br />
<strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022<br />
155
INFORME DE MERCADO<br />
o DB buscou alternativas e investiu em tudo o<br />
que há disponível no mercado para automação<br />
desse setor, desde capturadores automáticos<br />
de imagens até uma inteligência artificial que<br />
acelera o processo de análise, sempre mantendo<br />
a qualidade. Em pouco tempo de uso, comprovou<br />
um ganho de produtividade de até 30% por<br />
analista. Toda essa tecnologia empregada, entrega<br />
ao DB um setor otimizado e financeiramente<br />
saudável.”, explica Antoniella Cobacho, gerente do<br />
setor de Citogenética do DB Molecular.<br />
O DB Molecular faz parte do grupo DB<br />
Diagnósticos, único laboratório exclusivo de<br />
apoio do país, com capilaridade nacional e líder<br />
de mercado. “Apesar de trabalharmos com alta<br />
complexidade diagnóstica, e estarmos localizados<br />
em São Paulo, nosso modelo de mercado nos<br />
permite levar toda essa tecnologia a lugares mais<br />
remotos, alcançando uma população, que muito<br />
provavelmente, não teria como realizar esses<br />
exames sem se deslocarem, o que torna o acesso<br />
aos testes mais democrático”, finaliza Isabella.<br />
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<strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022<br />
Tijuca - Rio de Janeiro/RJ
INFORME DE MERCADO<br />
CONTROLE HEMATOLÓGICO: O PRIMEIRO PASSO PARA UM<br />
HEMOGRAMA CONFIÁVEL<br />
Por: Adriana Fontes e Thaís C. Miranda<br />
O setor de hematologia é fundamental em um<br />
laboratório clínico, uma vez que o hemograma,<br />
principal exame da área, permite a avaliação<br />
qualitativa e quantitativa dos hemocomponentes,<br />
considerados essenciais no diagnóstico e no<br />
acompanhamento de diversas doenças. Tendo em<br />
vista a relevância desse exame na esfera clínica,<br />
faz-se necessário estabelecer um controle de<br />
qualidade (CQ) nos laboratórios.<br />
O sistema de CQ adotado deve minimizar os erros<br />
comuns de uma análise e, consequentemente,<br />
elevar a segurança na emissão do seu resultado.<br />
Para tanto, este sistema é dividido em duas<br />
vertentes: o Controle Externo de Qualidade (CEQ)<br />
e o Controle Interno de Qualidade (CIQ). O CEQ, ou<br />
controle interlaboratorial, visa avaliar a exatidão<br />
dos resultados de exames, por meio da execução<br />
de Ensaios de Proficiência. Já o CIQ, ou controle<br />
intralaboratorial, permite a identificação de falhas<br />
no sistema analítico e a promoção de medidas<br />
corretivas quando necessário. A RDC 302/2005 da<br />
ANVISA, que dispõe sobre o Regulamento Técnico<br />
para funcionamento de Laboratórios Clínicos,<br />
preconiza que para o CIQ devem ser utilizados<br />
controles hematológicos comerciais, aprovados<br />
pela própria agência sanitária.<br />
Dessa forma, na rotina do laboratório, é<br />
imprescindível o emprego de controles<br />
hematológicos, cujos resultados devem ser<br />
registrados e avaliados de acordo com os limites<br />
previamente estabelecidos. A recomendação é usar<br />
ao menos dois níveis de concentração das amostrascontrole<br />
na rotina laboratorial. No entanto, no setor<br />
de hematologia, faz-se necessário a aplicação de<br />
maior número de níveis de controles, a fim de<br />
assegurar a reprodutibilidade dos resultados.<br />
É importante ressaltar que são produtos sensíveis<br />
e perecíveis, sendo assim, a utilização de forma<br />
incorreta pode prejudicar a estabilidade do<br />
produto, interferindo no monitoramento do CIQ e<br />
afetando, consequentemente, a confiabilidade dos<br />
resultados fornecidos pelo Laboratório Clínico.<br />
A adoção do controle interno de qualidade em<br />
conjunto com ensaios de proficiência, calibradores<br />
e análises realizadas por profissionais qualificados,<br />
promove um maior controle da fase analítica, visto<br />
que auxilia na identificação de erros no processo,<br />
facilitando a adoção de medidas corretivas que<br />
irão assegurar um diagnóstico mais preciso, além<br />
de garantir um melhor atendimento e um retorno<br />
mais eficiente à população.<br />
Referências Bibliográficas:<br />
ANVISA. AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA.<br />
Resolução da diretoria colegiada - RDC Nº 302, de 13 de<br />
outubro de 2005.<br />
CHAVES, C. D. Controle de qualidade no laboratório de<br />
análises clínicas. Jornal Brasileiro de Patologia e Medicina<br />
Laboratorial, v. 46, n. 5, p. 352-352, 2010.<br />
DA SILVA, P. H. et al. Hematologia laboratorial: teoria e<br />
procedimentos. Artmed Editora, p. 41-43. 2015.<br />
DE OLIVEIRA,C. A.; MENDES,M. E. Gestão da Fase Analítica<br />
do Laboratório como assegurar a qualidade na prática.<br />
ControlLab. v. 1, p. 95-110. 2010<br />
DE OLIVEIRA,C. A.; MENDES,M. E. Gestão da Fase Analítica<br />
do Laboratório como assegurar a qualidade na prática.<br />
ControlLab. v. 2, p.97-120. 2011<br />
DE OLIVEIRA,C. A.; MENDES,M. E. Gestão da Fase Analítica<br />
do Laboratório como assegurar a qualidade na prática.<br />
ControlLab. v. 3, p.47-60. 2012<br />
DO NASCIMENTO, R. M., et al. A importância do<br />
hemograma no pré-natal para o curso técnico em análises<br />
clínicas. p. 1-388–416, 2021.<br />
MARTELLI, A. Gestão da qualidade em laboratórios de<br />
análises clínicas. Journal of Health Sciences, 2011.<br />
Tel : +55 31- 3489-5100<br />
158 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022
PARA UMA NOVA VIDA, UMA NOVA CASA.<br />
A VIDA BIOTECNOLOGIA APRESENTA SUA NOVA PLANTA FABRIL.<br />
Localizada em Belo Horizonte, em terreno de<br />
10 mil m² e com 8.800 m² de área construída,<br />
o novo parque será o maior da América Latina<br />
para o IVD.<br />
INFORME DE MERCADO<br />
Isso é coragem para evoluir e tecnologia para<br />
transformar.<br />
Em conjunto com a nova sede, a empresa traz,<br />
para consolidar seu posicionamento no mercado<br />
e para sustentar o crescimento, um novo sistema<br />
de gestão empresarial e uma nova estrutura<br />
organizacional com processos mais ágeis e<br />
confiáveis e adequados a realidade demandada<br />
pelo mercado. O processo fabril e de expedição<br />
logística será dotado de automação até então<br />
ainda não implementado no Brasil.<br />
E é nesse ritmo que a nova fábrica da VIDA<br />
Biotecnologia se aproxima de sua inauguração.<br />
Uma estrutura completa, projetada e executada<br />
nos mais altos padrões qualidade de produção e<br />
distribuição. Tudo isso vai proporcionar, à nossa<br />
equipe e a todos os nossos parceiros, uma nova<br />
experiência no segmento. Fique de olho em<br />
nossas redes para saber tudo sobre nossa nova<br />
fábrica e sobre nossos produtos e serviços.<br />
Imagens meramente ilustrativas<br />
<strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022<br />
159
INFORME DE MERCADO<br />
PCR – PROTEÍNA C-REATIVA<br />
IMPORTANTE MARCADOR CARDÍACO E DOENÇAS INFLAMATÓRIAS<br />
A Proteína C-Reativa (PCR) é produzida pelo<br />
fígado, e considerada um marcador de fase<br />
aguda, pois seus níveis aumentam quando há<br />
uma inflamação ou infecção no organismo,<br />
podendo, também, estar alterada em<br />
manifestações críticas de doenças inflamatórias,<br />
como artrite reumatoide, lúpus ou vasculite.<br />
Desde o início da pandemia pelo Coronavírus<br />
o PCR está sendo utilizado para a detecção do<br />
grau de avanço da doença e da intensidade da<br />
inflamação respiratória.<br />
Existem diferentes metodologias para dosagem<br />
de PCR, e a Ebram possui em seu portfolio 3 delas,<br />
que são o PCR Látex por aglutinação direta, o Turb<br />
PCR por turbidimetria e o Turb PCR Ultrassensível,<br />
que também utiliza o método de turbidimetria,<br />
mas é destinado à outra finalidade.<br />
Diferença entre PCR Látex e Turb PCR<br />
O PCR Látex é um teste manual realizado em<br />
placa por aglutinação de partículas de látex,<br />
para a determinação qualitativa e semiquantitativa<br />
de PCR na amostra. Ao observar<br />
um resultado positivo após 2 minutos da reação,<br />
sabe-se que há níveis superiores a 6mg/L<br />
de PCR no soro e através da técnica semiquantitativa<br />
é possível identificar qual a faixa<br />
de concentração presente na amostra como, por<br />
exemplo, 12, 24, 48, 96, 192, 384mg/L.<br />
O kit de Turb PCR utiliza a metodologia de<br />
turbidimetria para a detecção do PCR no soro,<br />
técnica quantitativa, realizada em analisadores<br />
bioquímicos automáticos. A técnica envolve a<br />
utilização de partículas de látex, poliestireno<br />
revestido com anticorpos anti-PCR, que ao<br />
reagir com a PCR presente na amostra, formam<br />
imunocomplexos responsáveis por gerar a<br />
turbidez da solução. A técnica de turbidimetria<br />
é mais precisa por definir a concentração exata<br />
de PCR na amostra.<br />
O protocolo indicado por laboratórios de referência<br />
consiste na utilização da técnica de aglutinação<br />
como triagem, e em caso de resultados positivos,<br />
na realização da dosagem através do método de<br />
turbidimetria para confirmação e determinação<br />
exata da concentração.<br />
Diferença entre PCR e o PCR Ultrassensível<br />
A metodologia para determinação de PCR na<br />
amostra do kit de PCR ultrassensível é a mesma<br />
utilizada no Turb PCR, os dois kits pertencem a<br />
linha de Turbidimetria da Ebram, e a diferença<br />
entre eles é a finalidade do teste.<br />
Um discreto aumento da PCR é um fator de<br />
risco cardiovascular, portanto enquanto o<br />
PCR normal é utilizado como marcador de<br />
inflamações e infecções de fase aguda, o<br />
PCR ultrassensível indica especificamente a<br />
inflamação dos vasos sanguíneos causada pelo<br />
acúmulo de gordura nas artérias, tornandose<br />
um importante marcador cardíaco para<br />
prevenção e acompanhamento de doenças<br />
arteriais. Concentrações baixíssimas de<br />
PCR podem ser detectadas pelo método<br />
ultrassensível tornando o ensaio capaz de<br />
diagnosticar a inflamação crônica subclínica<br />
e predizer o risco de doenças cardiovasculares<br />
em pessoas aparentemente saudáveis.<br />
Para mais informações sobre os kits para<br />
dosagem de PCR da Ebram, entre no site ou<br />
em contato com nossa equipe de vendas.<br />
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Telefone: (11) 2291-2811<br />
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160 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022
como a MGI vai elevar o seu<br />
laboratório para o próximo nível:<br />
Os sequenciadores G50 e G400 estão rodando em<br />
laboratórios pelo Brasil e têm sido usados como<br />
ferramenta para o diagnóstico e determinação de<br />
novas variantes de SARS-CoV-2.<br />
sequenciador mgi DNBSEQ-G50<br />
Com soluções adaptáveis e flexíveis, os<br />
equipamentos podem ser usados para<br />
sequenciamento de baixo, médio e alto<br />
número de amostras, e aplicados para transcriptoma,<br />
exoma, genoma, sequenciamento de<br />
microrganismos, painel germinativo ou<br />
somático, análise de NIPT e de CNV, entre outras<br />
sequenciador DNBSEQ-G400<br />
Além disso, a MGI oferece soluções que vão desde a extração de material genômico,<br />
preparo automatizado de biblioteca, sequenciamento e análise de dados que podem ser<br />
usados de forma autônoma ou totalmente integrados para simplificar o seu laboratório.<br />
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INFORME DE MERCADO<br />
DENGUE: BOAS PRÁTICAS PARA REALIZAÇÃO DO TESTE<br />
SOROLÓGICO<br />
A dengue é uma velha conhecida da população<br />
brasileira, com os primeiros casos registrados no<br />
século XIX. Em uma campanha contra a febre<br />
amarela em 1903, o mosquito transmissor tanto<br />
de febre amarela e dengue foi erradicado. Assim,<br />
não houve surtos da doença no Brasil até 1981.<br />
A partir da década de 1980 a dengue voltou a<br />
ser uma preocupação, principalmente quando<br />
surgiu a epidemia de casos hemorrágicos, em<br />
que o paciente apresenta sintomas mais graves<br />
e risco de morte.<br />
Por isso, todos os anos a partir de março<br />
até agosto, a tendência é de crescimento de<br />
número de casos e motivo de alerta para a toda<br />
a população.<br />
Notificação compulsória<br />
Os casos suspeitos de dengue devem ser<br />
notificados ao Ministério da Saúde e testados<br />
para confirmação. Dessa forma, é possível<br />
realizar medidas de controle nas comunidades<br />
que mais apresentarem casos.<br />
A comprovação laboratorial das infecções<br />
pelo vírus da dengue acontece por meio do<br />
isolamento do agente ou pelo emprego de<br />
métodos sorológicos, com a demonstração da<br />
presença de anticorpos da classe IgM.<br />
Como realizar o teste sorológico?<br />
A FirstLab tem em seu portfólio o Teste Rápido para<br />
Dengue. É um teste imunocromatográfico que<br />
realiza a determinação quantitativa dos anticorpos<br />
IgG e IgM dos vírus da dengue tipo I, II, III e IV, por<br />
meio de amostras de sangue, soro e plasma.<br />
Confira o passo a passo do teste realizado<br />
por punção capilar (sangue total):<br />
- Perfure o dedo com uma lanceta estéril. Limpe<br />
o primeiro sinal de sangue;<br />
- Esfregue suavemente o dedo para formar<br />
uma gota arredondada de sangue sobre o<br />
local da punção.<br />
- Encoste a extremidade do tubo capilar na gota<br />
para que o sangue suba por capilaridade até a<br />
risca, colhendo aproximadamente 10 microlitros.<br />
- Adicione a amostra no cassete, no orifício<br />
identificado por “S”, utilizando o tubo capilar.<br />
- Adicione 3 gotas da solução tampão no orifício<br />
identificado por “B”, aguardando a completa<br />
absorção de cada gota antes de adicionar a<br />
próxima.<br />
- Inicie a contagem do tempo e realize a leitura<br />
em 15 minutos.<br />
Confira o passo a passo do teste realizado com<br />
soro ou plasma:<br />
- Realize a punção venosa, de preferência<br />
utilizando sistema fechado (agulha/escalpe a<br />
vácuo) para diminuir o risco de interferentes préanalíticos.<br />
Amostras hemolisadas ou lipêmicas<br />
não podem ser utilizadas.<br />
- Colete o sangue em tubos para soro (ativador<br />
de coágulo) ou plasma (EDTA ou heparina).<br />
- Siga as recomendações do fabricante do tubo de<br />
coleta com relação às inversões e centrifugação<br />
para separação do soro ou plasma.<br />
- Pipete 10 microlitros de soro/plasma e adicione<br />
no cassete, no orifício identificado por “S”.<br />
- Adicione 3 gotas de solução tampão no orifício<br />
identificado por “B”, aguardando a completa<br />
absorção de cada gota antes de adicionar a<br />
próxima.<br />
- Inicie a contagem do tempo e realize a leitura<br />
em 15 minutos.<br />
Entre em contato com a equipe comercial da<br />
FirstLab para adquirir o teste rápido de dengue<br />
ou outros itens para realização do teste, como<br />
lanceta ou tubo de coleta.<br />
Saiba mais sobre essas novidades FirstLab<br />
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162 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022
A BIOMÉDICA TRAZ SOLUÇÕES INOVADORAS COM TESTES<br />
DE PCR EM TEMPO REAL<br />
A técnica de Biologia Molecular está<br />
crescendo cada vez mais e é utilizada para<br />
identificar uma diversidade muito grande<br />
de doenças infecciosas, hereditárias, câncer,<br />
entre outros, revolucionando o mercado de<br />
diagnóstico. Com isso, a Biomedica, uma das<br />
empresas brasileiras pioneiras no segmento,<br />
traz soluções inovadoras e de alta tecnologia<br />
para promover cada vez mais a técnica da<br />
Biologia Molecular.<br />
INFORME DE MERCADO<br />
Em breve será lançado no mercado brasileiro<br />
o kit VIASURE Monkeypox Virus Real Time<br />
PCR, para detecção do vírus Monkeypox.<br />
Esse vírus tem sido monitorado pelas<br />
diversas autoridades sanitárias no mundo<br />
todo depois que Organização Mundial da<br />
Saúde emitiu alerta sobre casos da doença<br />
em países não endêmicos.<br />
A Monkeypox é uma doença causada pelo<br />
vírus Monkeypox do gênero Orthopoxvirus<br />
e família Poxviridae. A transmissão pode<br />
ocorrer de pessoa para pessoa através do<br />
contato direto próximo com lesões (vesículas)<br />
e mucosas, fluidos corporais e até mesmo<br />
através de gotículas respiratórias expelidas<br />
no ar. O período de incubação pode variar<br />
de 5 a 21 dias. A doença é muitas vezes<br />
auto limitada e os sintomas geralmente<br />
desaparecem espontaneamente dentro de 5 a<br />
21 dias após o início.<br />
O kit de detecção VIASURE Monkeypox Virus<br />
Real Time PCR foi projetado para a identificação<br />
qualitativa de DNA do vírus Monkeypox em soro,<br />
fluido de vesícula/pele cutânea, fluido de feridas<br />
e swab de indivíduos suspeitos de infecção pelo<br />
vírus Monkeypox.<br />
Os principais objetivos da vigilância e<br />
investigação de casos de varíola no contexto<br />
atual são identificar rapidamente casos, grupos e<br />
as fontes de infecção o mais rápido possível, a fim<br />
de fornecer atendimento clínico ideal, isolar casos<br />
para evitar transmissão adicional, identificar e<br />
gerenciar contatos e adaptar métodos eficazes<br />
de controle e prevenção com base nas vias de<br />
transmissão mais comumente identificadas.<br />
Nesse sentido, a PCR é o teste laboratorial<br />
preferido por sua acurácia e sensibilidade.<br />
EM BREVE LANÇAMENTO:<br />
Kit VIASURE Monkeypox de detecção Real Time<br />
PCR com todos os recursos e confiabilidade da<br />
linha VIASURE da Certest.<br />
Kits prontos e de fácil uso.<br />
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<strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022<br />
163
INFORME DE MERCADO<br />
PLACA DE PETRI: A HISTÓRIA POR TRÁS DO ITEM<br />
INOVADOR QUE REVOLUCIONOU A MICROBIOLOGIA<br />
Mesmo quem trabalha completamente fora<br />
da área de biológicas ou da saúde, quando<br />
vê aquele recipiente circular e transparente,<br />
logo faz uma associação à laboratórios,<br />
bactérias e ciência. Afinal, a placa de Petri<br />
é utilizada em infinitas áreas de importância<br />
global como o diagnóstico de várias doenças,<br />
o controle de qualidade de alimentos,<br />
medicamentos e cosméticos, a descoberta<br />
de novas drogas, o estudo do mecanismo de<br />
ação de fármacos, o melhoramento genético,<br />
entre tantas outras aplicações.<br />
No entanto, nem todos conhecem a história<br />
por trás desse produto tão difundido no mundo<br />
todo. Antigamente, a cultura bacteriana<br />
era feita em tubos de vidro inclinados. Foi<br />
então que o microbiologista Robert Koch<br />
teve a ideia de associar placas de vidro, um<br />
sistema que chamou de “câmara úmida”. Um<br />
tempo depois, seu assistente Julius Petri<br />
quis aprimorar o modelo de seu mentor e<br />
utilizou duas placas de vidro com diâmetros<br />
diferentes para que se encaixassem. Assim,<br />
Petri conseguiu reduzir as contaminações e<br />
melhorar a troca gasosa do sistema anterior,<br />
publicando seus achados em 1887. Dessa<br />
maneira, apesar de vários outros cientistas do<br />
mesmo período reivindicarem a autoria pela<br />
criação desse sistema de cultivo, as placas<br />
de vidro circulares ficaram mundialmente<br />
conhecidas como Placas de Petri.<br />
E, então, como surgiram as placas de Petri<br />
descartáveis? Ah, isso é com a gente! Há quase<br />
60 anos, a Greiner foi a pioneira na fabricação de<br />
placas de Petri de plástico, o que tornou a vida dos<br />
microbiologistas muito mais fácil e segura tanto<br />
em termos de confiabilidade de resultados quanto<br />
para sua manipulação, armazenamento e descarte.<br />
Atualmente, as placas de Petri Greiner Bio-One<br />
são as mais leves do mercado o que, além de<br />
empregar uma menor quantidade de matéria<br />
prima em sua produção, gera muito menos<br />
resíduo. Isso é bom tanto para o ambiente<br />
quanto para o cliente que se beneficia com<br />
a redução do custo de descontaminação<br />
de resíduos. Com suas medidas padrão de<br />
90x15mm, as placas de Petri são fabricadas em<br />
poliestireno de altíssima qualidade o que resulta<br />
em excelente transparência ótica e planaridade.<br />
Seu design permite tanto a troca gasosa<br />
eficiente quanto o empilhamento seguro,<br />
além de ser compatível com os principais<br />
equipamentos automatizados disponíveis no<br />
mercado. E, para fechar com chave de ouro a<br />
lista de qualidades dessa estrela, nossas placas<br />
de Petri são esterilizadas por radiação ionizante<br />
do tipo E-Beam, um processo no qual o produto<br />
fica exposto por menos tempo, não deixa<br />
resíduos, evita efeitos de envelhecimento do<br />
poliestireno e é considerado mais sustentável<br />
que outras técnicas. Mais um ponto para o meio<br />
ambiente e para a segurança!<br />
Essa é a Greiner-Bio One, que trouxe a<br />
tecnologia e o know-how consagrados<br />
mundialmente para suprir a pesquisa e a<br />
indústria brasileira com a melhor placa de<br />
Petri do mercado. Para saber mais sobre esse<br />
e outros produtos de nosso portifólio, acesse<br />
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Greiner Bio-One<br />
A Greiner AG, sediada em Kremsmünster, na<br />
Áustria, está dividida em três áreas de atuação.<br />
A Greiner Packaging fabrica embalagens<br />
plásticas para os setores alimentícios, dentre<br />
outros, enquanto a Neveon é líder global na<br />
produção de espumas integradas e flexíveis,<br />
compostas de poliuretano com uma ampla<br />
gama de aplicações. A Greiner Bio-One é um<br />
player global no campo da tecnologia médica<br />
e life sciense.<br />
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164 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022
INFORME DE MERCADO<br />
GRUPO KOLPLAST, 34 ANOS.<br />
UMA HISTÓRIA DE PROTAGONISMO, INOVAÇÃO E FOCO NA SAÚDE.<br />
Inicialmente apenas Kolplast, o hoje, Grupo<br />
Kolplast, foi fundado em 1988 na cidade<br />
de São Paulo, Brasil. Nascia mais do que<br />
simplesmente uma indústria de insumos<br />
médico-hospitalares. Desde o início, o Grupo<br />
Kolplast se vocacionou a oferecer soluções<br />
materializadas na forma de produtos. Com essa<br />
proposta e olhos atentos e permanentemente<br />
voltados para as necessidades de seus<br />
clientes, o Grupo percorreu uma trajetória<br />
vitoriosa, trazendo consigo referências de<br />
inovação, praticidade, produtos de qualidade<br />
superior e serviços de excelência.<br />
O Grupo Kolplast é fabricante das marcas<br />
Kolplast, CellPreserv e Vagispec. Seu portfólio<br />
focado em soluções para o laboratório<br />
cresceu muito nos últimos anos. O Sistema<br />
CellPreserv, metodologia nacional para<br />
Citologia em base líquida, é a evolução da<br />
citologia no laboratório, pois permite maior<br />
precisão diagnóstica, sistema automatizado,<br />
a preparação de 45 lâminas por hora, além<br />
de possibilitar exames moleculares com a<br />
mesma coleta. O mix de produtos voltados<br />
a coleta de material biológico também tem<br />
crescido e nas vésperas de comemorar seus 34<br />
anos de existência, o Grupo Kolplast apresenta<br />
ao mercado o Kolplagene, produto ideal para<br />
coleta e transporte de material biológico<br />
para exame genético. O kit é composto por<br />
01 Swab de espuma, com espuma sintética<br />
e 01 tubo laboratorial de 10ml com 1ml de<br />
solução. Além de possuir as vantagens da<br />
fabricação nacional, a inovação deste produto<br />
é preservar a amostra de DNA e RNA por até<br />
30 dias em temperatura ambiente.<br />
É solução aos desafios enfrentados pelos<br />
laboratórios, como custo de transporte e<br />
complexidade no manejo das amostras<br />
coletadas, afinal, nosso compromisso é fazer<br />
a diferença, entregando ao mercado soluções<br />
inovadoras para a saúde.<br />
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166 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022
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Extração de DNA e RNA de Forma Rápida e<br />
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para aplicações de sequenciamento de nova<br />
geração (NGS). A preparação de bibliotecas<br />
totalmente automatizada pode ser otimizada<br />
e personalizada de acordo com a necessidade<br />
do laboratório, podendo processar de 1 até 96<br />
amostras sem intervenção do usuário.<br />
A Hamilton Company conta com vários<br />
métodos já validados para kits de distintas<br />
marcas:<br />
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• Roche-KAPA<br />
• PacBio<br />
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• Twist Bioscience<br />
• Thermo Fisher Scientific<br />
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<strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022<br />
167
INFORME DE MERCADO<br />
TUBERCULOSE: DIAGNÓSTICO RÁPIDO E PRECISO DIRECIONA<br />
AO TRATAMENTO ADEQUADO<br />
A tuberculose é uma doença que sempre esteve<br />
nas principais pautas de discussão sobre a saúde<br />
pública no Brasil e em diversos países, por ser<br />
considerada uma das mais antigas da história.<br />
Estima-se que até 2020, nove milhões de pessoas<br />
tenham sido acometidas pela doença e 1,3 milhão<br />
morreram em decorrência da enfermidade.<br />
Afetando principalmente os pulmões, a doença<br />
é transmitida por via respiratória, através de<br />
espirros, tosse e até mesmo da fala. Estima-se que<br />
uma pessoa com tuberculose pode infectar, em<br />
média, outras quinze em um ano. Após 15 dias de<br />
tratamento, o risco de transmissão é muito baixo.<br />
O diagnóstico precoce, juntamente com a triagem<br />
sistemática de contatos e grupos de risco, são<br />
umas das apostas da Organização Mundial da<br />
Saúde (OMS) para erradicar os casos.<br />
Uma grande ameaça ao cenário de infecção pela<br />
doença é a ocorrência da tuberculose resistente.<br />
Esse caso exige um tratamento complexo, longo e<br />
muitas vezes tóxico para os pacientes, reduzindo a<br />
chance de cura em até 50%.<br />
Soluções da Mobius<br />
A Mobius Life Science apresenta as linhas<br />
Genotype MTBDRplus e Genotype MTBDRsl<br />
que detectam o Complexo M. tuberculosis e os<br />
genes de resistência aos fármacos de 1º e 2ª<br />
linha do tratamento. Estas linhas são baseadas na<br />
tecnologia de PCR e DNA-STRIP, que em poucas<br />
horas permite resultado seguro e confiável<br />
a partir de amostras clínicas respiratórias e<br />
amostras de cultura.<br />
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168 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022
CLOSTRIDIOIDES difficile<br />
COPROSTRIP TM GDH + TOXINA A + TOXINA B<br />
Habitante comum da flora do colo em<br />
lactentes humanos e, às vezes, em adultos. A<br />
espécie-tipo Clostridioides difficile, conhecido<br />
como Clostridium difficile.<br />
INFORME DE MERCADO<br />
O bacilo anaeróbio gram-positivo Clostridium<br />
difficile é o principal agente causador de<br />
diarreia associada a antibióticos e colite<br />
Pseudomembranosa. Esse patógeno é capaz de<br />
causar doenças que podem ser graves ou fatais se<br />
não forem diagnosticadas a tempo e tratadas. A<br />
exposição a antibióticos é o principal fator de risco<br />
para a infecção por C. difficile. A infecção pode se<br />
desenvolver se a flora gastrointestinal normal for<br />
interrompida pela antibioticoterapia e uma pessoa<br />
adquirir C. difficile, produtora de toxinas.<br />
Os principais fatores de virulência do C. difficile<br />
são as Toxinas A e B. Essas toxinas mostram alta<br />
sequência e homologia funcional. A Toxina A foi<br />
descrita como uma enterotoxina que danifica os<br />
tecidos e atrai neutrófilos e monócitos e a Toxina<br />
B como uma citotoxina potente que degrada as<br />
células epiteliais do cólon.<br />
A maioria das cepas virulentas produz ambas<br />
as Toxinas, no entanto, as cepas da Toxina A<br />
negativa/positiva da Toxina B também são<br />
capazes de causar doenças.<br />
A glutamato desidrogenase de Clostridium difficile<br />
(GDH) é uma enzima produzida em grandes<br />
quantidades por todas as cepas toxigênicas<br />
e nãotoxigênicas, tornando-o um excelente<br />
marcador para o organismo.<br />
Com uma sensibilidade e especificidade >99%,<br />
faz com que o CoproStrip TM GDH + Toxina A +<br />
Toxina B seja considerado um produto de extrema<br />
qualidade, garantindo confiabilidade e segurança.<br />
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qualidade.<br />
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toda a linha de centrífugas e equipamentos<br />
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<strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022<br />
169
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sendo altamente recomendado para<br />
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formulação livre de fosfato, o ES 7X é<br />
ambientalmente seguro podendo, após o<br />
uso, ser descartado sem tratamento.<br />
De fácil utilização, o ES 7X é uma solução líquida<br />
disponível em diversas apresentações na forma<br />
concentrada e também como solução pronta para<br />
uso. Apresenta PH neutro, não sendo necessário<br />
enxague neutralizante após o uso, além de ser<br />
menos agressivo para as mãos.<br />
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diversas vantagens, a limpeza no dia a dia de<br />
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170 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022
INFORME DE MERCADO<br />
<strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022<br />
171
INFORME DE MERCADO<br />
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comportamento no mercado digital, e entende<br />
a importância de manter o relacionamento em<br />
todos os canais, deste modo, o Portal Bunzl Saúde,<br />
visa oferecer uma melhor experiência de compra<br />
aos seus clientes, onde quer que eles estejam.<br />
O Portal Bunzl Saúde atende empresas, profissionais<br />
e estudantes da área e até mesmo pessoas físicas,<br />
disponibilizando um amplo portfólio com marcas<br />
consolidadas que se destacam pela credibilidade<br />
na atuação das linhas diagnóstica e hospitalar,<br />
apresentando ao mercado produtos certificados por<br />
padrões nacionais e internacionais de qualidade.<br />
A proposta é oferecer aos clientes facilidade ao<br />
comprar, diferenciando as lojas por segmentos de<br />
negócios: Laboratório, Hospital, Dental, Veterinário,<br />
Home Care, Estética, Farmácia e Estudante,<br />
tornando possível o máximo de aproveitamento<br />
das potencialidades dos produtos, seja para o uso<br />
do estabelecimento ou abastecimento de estoque.<br />
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internacional do Clinical & Laboratory Standards<br />
Institute (CLSI) e apresenta diversas vantagens<br />
para o profissional e o paciente. Ao longo dos anos<br />
a técnica veio sendo aprimorada e hoje temos<br />
uma tecnologia inovadora, a Agulha a Vácuo<br />
Flashback que tem uma câmara transparente para<br />
visualização do sangue no momento da punção,<br />
com isso é possível visualizar o exato momento<br />
em que a agulha penetrou a veia evitando que<br />
no ato da coleta o profissional encaixe o tubo no<br />
sistema a vácuo sem ter conseguido atingir a veia<br />
do paciente.<br />
A Agulha Flashback proporciona todos os<br />
benefícios já conhecidos na coleta de sangue<br />
a vácuo adicionando mais praticidade no<br />
atendimento e redução do desconforto do<br />
paciente, tem disponível diversos calibres da<br />
agulha beneficiando principalmente pacientes<br />
com acessos difíceis como crianças, pacientes<br />
em terapia medicamentosa, quimioterápicos e<br />
pessoas com acesso venoso difícil.<br />
A Agulha a Vácuo Flashback GT Group possui bisel<br />
trifacetado, siliconizada e é esterilizada por óxido<br />
de etileno, com qualidade garantida e atestada.<br />
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<strong>172</strong> <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022
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múltiplos dispositivos, em tempo real.<br />
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e controlador de imagens FPGA 2: garantia de<br />
velocidade.<br />
Operação tanto para transferência de imagens,<br />
como para arquivamento de fotos e gravação<br />
de vídeos. Opção de configuração para mostrar<br />
tela bipartida, com uma foto escolhida dentre<br />
qualquer do arquivo de um lado e a imagem<br />
ao vivo do outro.<br />
Medições (permite calibração direta com o software<br />
presente na câmera, sem necessidade de uso<br />
conjunto com computador: linhas retas, retângulos,<br />
círculos, polígonos, pontilhado, círculo concêntrico,<br />
círculo duplo, ângulo, área, comprimento,<br />
circunferência, distância entre pontos).<br />
Compatibilidade à instalação em<br />
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Nikon: compatível com toda linha Eclipse;<br />
Olympus: compatível com toda linha BX e CX;<br />
Zeiss: compatível com o instrumento Primo Star.<br />
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174 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022
CONHEÇA O XL 640 PLUS – ANALISADOR DE BIOQUÍMICA<br />
TOTALMENTE AUTOMATIZADO<br />
INFORME DE MERCADO<br />
O novo XL 640 chegou ao mercado com um<br />
novo software intuitivo e poderoso com uma<br />
interface de fácil utilização e controle. O<br />
analisador de bioquímica oferece várias funções<br />
que simplificam o trabalho do laboratório. A Erba<br />
Mannheim será uma das únicas no mercado a<br />
oferecer nível de automação nos testes em um<br />
equipamento desse porte.<br />
O XL 640 plus é ideal para laboratórios clínicos de<br />
tamanho médio com 70-250 amostras/dia.<br />
Características principais:<br />
- Aumenta a produtividade e o tempo de entrega.<br />
- Máxima precisão nos resultados de laboratório.<br />
- Alto desempenho e eficiência<br />
POR QUE ESCOLHER A ERBA MANNHEIM?<br />
A Erba Brasil oferece sistemas da linha de<br />
Bioquímica totalmente automatizados.<br />
Incorporando recursos de última geração,<br />
esses analisadores são sistemas robustos e<br />
orientados para o desempenho, aumentando<br />
a produtividade e o rendimento do laboratório.<br />
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Segunda à sexta-feira das 08:00 às 18:00h<br />
(horário de Brasília)<br />
Sábado de 08:00 às 13:00h (horário de Brasília) –<br />
apenas por telefone para atendimento a chamados<br />
de Suporte Técnico e Assessoria Científica.<br />
<strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022<br />
175
INFORME DE MERCADO<br />
A IMPORTÂNCIA EM ESCOLHER O EQUIPAMENTO DE<br />
CONSERVAÇÃO PARA LABORATÓRIO<br />
Escolher o equipamento de armazenamento ou<br />
transporte para o laboratório, com a mais alta<br />
tecnologia, é essencial. Este produto permite<br />
a automação dos processos, agrega valor e<br />
credibilidade ao laboratório, garante a segurança<br />
na refrigeração, sem perda de material.<br />
Com o intuito de trazer segurança e qualidade nos<br />
processos, desenvolvemos produtos para atender<br />
às necessidades do setor, com um vasto portfólio de<br />
câmaras e freezers científicos. O grande diferencial<br />
da Elber Medical, é uma oferta completa para toda<br />
a Cadeia de Frio, com modelos de transporte e<br />
estacionários, para aplicação durante os trajetos<br />
entre unidades ou fixos no laboratório.<br />
Todos esses equipamentos são desenvolvidos<br />
para manter a temperatura homogênea e<br />
controlada e registrar automaticamente os<br />
dados do período de conservação no intervalo<br />
programado. São regulamentados pela Anvisa,<br />
com Sistema de Gestão certificado pela ISO<br />
13485, além de comportar diferentes opcionais<br />
de segurança, em casos de oscilações de energia,<br />
além de outros contratempos.<br />
• Discador telefônico: sistema de alarme<br />
para realizar chamadas telefônicas sempre que<br />
a temperatura atingir níveis fora do especificado,<br />
ocorrer falta de energia ou a porta da câmara<br />
ficar aberta.<br />
• Sistema de emergência: bateria recarregável<br />
adicionada para permitir autonomia total da<br />
câmara de 6 a 72 horas, em caso de queda de<br />
energia convencional.<br />
• Data logger: emissão de relatórios e gráficos<br />
de performance da temperatura e eventos da<br />
câmara, inclusive retroativos, para evitar falhas<br />
na operação;<br />
Esses e outros serviços foram criados com a<br />
tecnologia Elber Medical para garantir o principal<br />
objetivo dos laboratórios, o de proporcionar um<br />
serviço seguro e eficiente para a sociedade.<br />
• Elber SIS: com este sistema é possível<br />
acessar todas as informações e gráficos<br />
emitidos pela câmara remotamente por<br />
smartphones, tablets e outros.<br />
• Memória interna: sistema de segurança<br />
e armazenamento de informações das<br />
configurações, como também de dados já<br />
obtidos sobre o conteúdo armazenado;<br />
Saiba mais:<br />
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176 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022
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<strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022<br />
177
INFORME DE MERCADO<br />
LABMIG 10 ANOS<br />
É com muita alegria e gratidão que celebramos<br />
nossa primeira década. Há dez anos que nossa<br />
história cresce junto as histórias de nossos<br />
colaboradores, clientes e parceiros.<br />
Muita responsabilidade e confiança no trabalho<br />
fez com que a Labmig fosse criada há 10 anos<br />
atrás, além de empreendedorismo com uma<br />
grande pitada de coragem.<br />
A confiança de grandes instituições em nosso<br />
trabalho nos sinaliza que a aventura da Labmig<br />
está apenas começando. Que venham mais<br />
décadas e aniversários para serem comemorados.<br />
Alcançamos esse marco porque temos<br />
profissionais competentes e talentosos que<br />
acreditam no nosso potencial e aceitaram o<br />
desafio de superar-se a cada dia.<br />
Conseguir crescer e manter-se em um mercado<br />
tão competitivo, com empresas sérias que<br />
nos inspiram e também trabalham com<br />
produtos de qualidade é mais um motivo para<br />
comemorar. As novas parcerias e a confiança de<br />
nossos colaboradores só reforçam que estamos<br />
no caminho certo e é apenas o começo de uma<br />
história de sucesso.<br />
Com todas as dificuldades inerentes ao se<br />
montar uma empresa de diagnóstico no<br />
Brasil, elevado ao nível de competência e de<br />
grande capacidade de nossos concorrentes<br />
conseguimos não apenas existir por anos, mas<br />
viver para realizar sonhos.<br />
As dificuldades do dia a dia são encaradas por<br />
nós como desafios e com muita personalidade<br />
a Labmig sempre os enfrentou.<br />
O trabalho incansável, agressivo e comprometido<br />
por parte dos colaboradores nos deixa a certeza<br />
que estamos no caminho certo. Mudamos o<br />
rumo algumas vezes, agora com novos projetos e<br />
parcerias, mas o objetivo é o mesmo de sempre:<br />
atender de forma especial nossos clientes.<br />
Labmig 10 anos: tradição do passado, força<br />
no presente e olho no futuro.<br />
Gilles Oliver- Sócio Diretor.<br />
Camila Sales - Gerente.<br />
Temos hoje grandes empresas parceiras,<br />
fornecedoras que entregaram a nós, Labmig,<br />
a responsabilidade de representar suas marcas<br />
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180 <strong>Revista</strong> NewsLab <strong>Edição</strong> <strong>172</strong> | Julho 2022
ANALOGIAS EM MEDICINA<br />
ANALOGIAS EM MEDICINA<br />
O Sr. Turíbio Todo, seleiro, surgiu com<br />
um quadro de “língua geográfica” (ingl.<br />
geographic tongue), que são placas<br />
avermelhadas na superfície lingual e de<br />
evolução para a cura espontânea, em geral<br />
sem tratamento. Raramente associa-se a<br />
certas hipovataminoses (niacina). É também<br />
chamada de glossite migratória benigna.<br />
O político Zé Bebelo sentiu-se indisposto e<br />
com náuseas e vômitos. Ao exame clínico,<br />
apresentou sinal do “piparote positivo”. Este<br />
sinal é indicativo de derrame peritonial ou<br />
hidroperitônio (ascite). Deverá ser submetido<br />
a outros métodos propedêuticos para<br />
esclarecimento.<br />
O grande chefe Riobaldo Tatarana apareceu<br />
com manifestações de “gota úrica” (Lat.<br />
Gutta), doença dolorosa relacionada<br />
ao metabolismo do ácido úrico e com<br />
comprometimento de articulações<br />
(artropatias). Segundo estatísticas, 95% dos<br />
casos de gota ocorrem no sexo masculino.<br />
O especial e misterioso jagunço Diadorim<br />
surgiu com lesão no antebraço direito<br />
com aspecto de “doença do jardineiro” ou<br />
esporotricose. Trata-se de uma micose<br />
do gênero Sporothrix, mais comum em<br />
jardineiros e trabalhadores rurais em contato<br />
com espinhos, outros vegetais e o solo. O<br />
tratamento é curável com antimicótico.<br />
Ilustração “língua geográfica” livro do Autor -<br />
Analogias no Ensino Médico<br />
O jagunço Sô Candelário fazia suas “higienes”<br />
mais de madrugada, evitando contato com<br />
outros companheiros (jagunços), preocupado<br />
com a suspeita de “hanseníase” ou mal de<br />
Lázaro. Hoje a doença é tratável e curável.<br />
Procure não usar a palavra lepra.<br />
O Sr. Lalino e familiares (não jagunços)<br />
desenvolveram doença em pele com muito<br />
prurido (coceira). Feito o diagnóstico de<br />
sarna ou escabiose, o ácaro da mesma, deve<br />
ser tratado simultaneamente em todos os<br />
indivíduos, pois a pessoa que permanece<br />
doente contamina as demais. É a sarna “tipo<br />
pingue-pongue”.<br />
Observação: Personagens de livros de João<br />
Guimarães Rosa.<br />
José de Souza Andrade-Filho<br />
Patologista no Hospital Felício Rocho-BH; membro da<br />
Academia Mineira de Medicina e Professor Emérito de<br />
Patologia da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais.<br />
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