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s304[online]

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Viagens com Saber: Islândia

Outono: o que vamos vestir?

Mariana

Machado

rosto do movimento

“Eu Visto Branco”

sensibiliza para

os miomas uterinos

Anos

€2,50 | N.º304 | ANO XXIV

mensal SETEMBRO 2022

5 602930 003431

Luís e Daniela

Conversas

com Sabor

Karla Vieira

Entrevista



sumario

04 ENTREVISTA

Tem a multiculturalidade no seu

‘ADN’ e assina com um ‘K’ o nome

próprio que é marca pessoal

reconhecida e respeitada no

panorama da moda nacional.

Karla Vieira, que até nasceu em

Moçambique, transporta a magia

e o espírito livre africano para os

desfiles e diferentes projetos em

que a sua criatividade é celebrada

a participar. Fomos saber como

tudo aconteceu...

07

08

10

cantinho da poesia

Regresso às aulas

EM ANÁLISE...

Andamos a ver isto bem?

CAPRICHOS DE GOES

A Literacia Ética sobre o

Património... Parte 2

12 madeira

António Cruz conversou

com Sérgio Nóbrega sobre a

Atlanticulture

14 Educação

Regresso às aulas...

15 media

A influencer Mariana Machado e o

Movimento “Eu Visto Branco”

16 psicologia

A Fantástica Idade dos Porquês!

34

18 actualidade

Márcio Amaro e a carreira musical

que não se esgota na Madeira

20

MADEIRA aves

Coruja-das-torres e Papa-ratos

12

22

28

conversas com sabor

Existem casais que são um

verdadeiro banquete de

conversas... Luís e Daniela

viajar com saber

Islândia

30 nutrição

Gravidez e alguns nutrientes-chave

31 imagem

Porque a Moda é relevante

32 decoração

Tendência Nordic Lodge

33

marcas icónicas

Chiclets

dicas de moda

Seeds

36 makeover

Maquilhagem – Ainda o Verão!

38

FASHION ADVISOR

Looks de transição para o outono

34

40 MOTORES

Rali ensombrado por tragédia

42 finanças

Maioria dos consumidores

portugueses prevê gastar até 50

euros em material escolar

43 cultura

Prémio Jovens Talentos

do Conservatório

44 instantâneo

Festa do Vinho

45 SOCIAL

52

54

À MESA COM... FERNANDO OLIM

ESTATUTO EDITORIAL

Pedido de desculpa:

Na Saber Madeira 303, edição de Agosto, na página

23 das Conversas com Sabor de Marco e Carla Gonçalves,

na terceira pergunta onde se fala do perfeccionismo

do Marco, na resposta saíu, incorrectamente,

preguiçoso. Ora, a palavra correcta é perfeccionista.

O Marco, de facto, não é de todo preguiçoso, antes

pelo contrário. Pelo que, o nosso pedido de desculpas

ao casal pelo lapso na transcrição, pois onde se

lê preguiçoso deverá ler-se perfeccionista, como se

constata ao longo da excelente conversa.

saber setembro 2022

3


ENTREVISTA

No Moda Madeira 2021,

apresentou uma coleção

inspirada nas suas raízes

africanas e portuguesas e

alicerçada na marca que

a representa e tornou

famosa:

KARLA VIEIRA®.

No início deste ano a

marca foi incluída nas

100 primeiras empresas

em Portugal inseridas

no modelo de negócio

circular.

Nascida em Moçambique,

em 1973, e estabelecida na

Madeira há mais de uma

década, Karla Vieira [assina

com a letra ‘K’ (capa) no

seu nome de batismo

(Carla)] experienciou

colaborações de renome,

como o gabinete de

tendências parisiense,

Promostyl, que editou

os seus trabalhos nos

cadernos de tendências.

O futuro da Moda

terá de passar pela

sustentabilidade, um

termo caro a esta designer

de moda que é licenciada

em Design de Moda pela

Faculdade de Arquitectura

de Lisboa e tem uma Pós-

Graduação em Consultoria

de Imagem do Instituto

Marangoni, Milão.

Karla

Vieira

Dulcina Branco

D.R. (direitos reservados)

4 saber setembro 2022


Há muito talento aqui na

região e acredito que a

nossa ilha caminha para

uma maior valorização

das peças exclusivas,

criativas e de autor

Tem a ‘Moda’ no seu ‘ADN’. O que é isto da

Moda, para si?

- Moda é uma forma de expressão de identidade.

É uma âncora que me centra nas minhas

raízes e me dá perspetiva para elevar

as minhas criações para além dos limites

pré-determinados e auto impostos pela sociedade.

A Moda é melíflua e tem a capacidade

de interligar o ser humano à harmonia

da natureza, aos sentimentos, emoções e à

liberdade de criar e expressar-se. Está em

constante mudança, desafia conceitos e formas

de vida. É onde posso me expressar,

ser criativa e livre. Sempre tive paixão pela

moda, pela roupa, pelos tecidos e a combinação

de cores, pelas linhas, e a conjunção entre

elas. A paixão pelos acessórios também

foi uma constante - são um complemento

ao vestuário, combinando formas, padrões

e cores múltiplas, sempre com atenção aos

detalhes para que cada peça seja única, jovial

e elegante ao mesmo tempo.

Que momentos destaca no seu percurso

profissional, enquanto designer de moda?

- Os meus primeiros trabalhos foram realizados

enquanto ainda tirava o curso, colaborando

com Eduarda Abbondanza no Moda

Lisboa, dupla Manuel Alves & José Manuel

Gonçalves, Revista Elle portuguesa e a Revista

Icon a Cuidado de M J Sachetti. Posteriormente,

após terminar o curso, procurei

novos desafios fora de Portugal e cheguei

à Promostyl, um dos mais conceituados gabinetes

de tendência de Paris, onde foram

editados os meus trabalhos nos cadernos

de tendências - um verdadeiro desafio e sonho

alcançado nessa altura. Em Espanha,

trabalhei como freelancer para a Bull Sails e

para a Barabu Cotton & Grafics, sendo responsável

pelas coleções Primavera/Verão e

Outono/Inverno. Entre os momentos mais

importantes da minha carreira profissional

destaco a constituição da minha marca, que

este este ano (2022) foi incluída nas 100 primeiras

empresas em Portugal inseridas no

modelo de negócio circular, através de uma

formação intensiva no Laboratório Nacional

de Energia e Geologia (LNEG) de Portugal

e patrocinada pelo CIRCO Hub Portugal, a

Agência Portuguesa do Ambiente (APA), o

Fundo do Ambiente e o IAPMEI. A formação

consistiu no desenvolvimento de um modelo

empresarial com base em conceitos de Economia

Circular e critérios de sustentabilidade

aplicados à criação de empresas e produtos

através do Desenho Circular. No CIRCO

Hub Portugal foi criado o primeiro produto

KARLA VIEIRA® focado no desenho circular

de fardas, inteiramente sustentáveis, para

hotéis e spas da Ilha da Madeira, e foram

apresentadas as primeiras ideias para transformar

completamente o modelo de negócio

atual em um modelo de negócio circular.

Para além disto, destaco ainda a formação e

experiência adquirida em França, Itália e Espanha,

bem como a participação em eventos

regionais, nacionais e internacionais, entre

os quais o Moda Madeira, Madeira, Flower

Collection e o Fashion Film Stoned.

Como é que foi criar a sua marca, o que a

distingue e a quem se dirige?

- Senti a vontade de criar uma marca própria

e de, também, trabalhar por conta própria,

sendo assim dona do meu tempo. Foi um

desafio, no sentido em que, o mercado em

que surgiu [Madeira] é pequeno, tornando-

-se assim a sua expansão mais demorada

e custosa. Teve uma dificuldade que foi ter

um pé de meia suficiente para investir no

marketing e divulgação. Teve um grande

apoio que foram os clientes [que passaram

a palavra]. No essencial, o multiculturalismo

é uma característica distintiva do meu trabalho,

expresso através da cuidadosa seleção

e combinação de cores e de padrões de

autoria própria, inspirados por tudo o que

é belo e magnânimo nas terras que levo

permanentemente no meu coração, nomeadamente

África, Portugal e Europa. As

minhas clientes são muito diversificadas e,

neste sentido, existe uma peça de vestuário

e de acessórios para cada faixa etária e

cada tipo de personalidade, são de diferentes

profissões, ocupações e personalidades,

apreciam a fidelidade, a qualidade, a versatilidade

e a intemporalidade que a marca

oferece, não só pelo conceito e criatividade

de cada peça, mas também pelo conceito

da recriação de novas peças a partir de uma

antiga criação KV.

A coleção que apresentou no Moda Madeira

2021 refletiu o seu trabalho de autor,

a multiculturalidade...

- Sim. A coleção Khanimambo, termo da língua

Changana, proveniente do sul de Moçambique,

significa “obrigado” e é assumido

como uma forma de gratidão, pelo legado e

pelo impacto que o continente africano teve

e tem na minha vida e no meu percurso

pessoal e profissional. A coleção de vestuário

e acessórios foi integralmente feita à

mão, e foi uma viagem de sensações, onde

a criatividade esteve patente na seleção

de cores, padrões e tecidos, nos detalhes

e nos pormenores. A paleta de cor albergara

os quentes das capulanas africanas.

Os verdes, mostardas e laranjas, ligados à

terra, que por sua vez foram foram complementados

com a escolha de tecidos, em

linho e em algodão. Khanimambo foi criada

para todas as mulheres que se vestem de

autenticidade, que se embelezam de cor e

exclusividade.

Os eventos de moda são montras privilegiadas

para os criadores?

- Sem dúvida. Este tipo de iniciativa é uma

mais-valia para os criadores madeirenses e

deve ser valorizado, divulgado e apoiado.

Tenho muito a agradecer à organização do

Moda Madeira, que me tem proporcionado

com a oportunidade de apresentar o meu

trabalho na ilha e além-fronteiras.

Para aprender ou evoluir é preciso sair da

ilha?

- A progressão na carreira requer formação

contínua e experiências diversas em várias

áreas, seja isso dentro ou fora da ilha, para

que possamos trazer esse conhecimento

connosco e adaptá-lo às nossas necessidades.

A mobilidade numa carreira na área

da moda traz consigo o alargamento de horizontes,

a atualização, o know-how e o reforço

do networking, que é tão importante

e necessário quando se vive numa ilha. Com

a internet a evoluir quase à velocidade da

luz, consegue-se estar no mundo sem nos

deslocarmos, o que ajuda muito, mas ter a

possibilidade de vivenciar toda uma cultura,

tradição e forma de estar diferente é, sem

dúvida, uma mais-valia emocional e profissional.

O que lhe diz o panorama da Moda madeirense?

- Parto da ideia de que em qualquer área de

trabalho deve haver abertura para o crescimento

e projeção de todos aqueles que trabalham

com excelência e com honestidade,

e o campo da Moda não é exceção. Além disso,

acredito firmemente na mentalidade da

abundância, ou seja, que há espaço para todos

os criativos, porque cada um de nós tem

algo único e original para oferecer. Há muito

talento na região e acredito que a nossa ilha

saber SETEMBRO 2022

5


Sempre tive paixão

pela moda, pela roupa,

pelos tecidos e a

combinação de cores,

pelas linhas, e a

conjunção entre elas

caminha para uma maior valorização das

peças exclusivas, criativas e de autor.

A mulher/homem madeirense gosta de

moda?

- Sim. A mulher madeirense moderna, lutadora

e preocupada com a sua beleza interior

e exterior sabe vestir-se e também sabe

procurar referências, pedir conselhos ou requerer

uma consultoria de imagem, a fim de

estar de acordo com as ocasiões especiais

em que participa. É uma mulher/homem

com bom gosto.

Quem gostaria ainda de vestir (uma celebridade,

um político, uma figura pública...)?

- Sinceramente, gostaria que todos pudessem

encontrar uma peça da marca com

a qual se identificassem e que a usassem

como uma pequena obra de arte. Tenho tido

a sorte de vestir clientes de renome e pessoas

valiosas e comuns que são anónimas. O

meu trabalho é dedicado a todas as mulheres,

independentemente da sua relevância

ou exposição pública na sociedade. É para

todas as mulheres que valorizam a criatividade,

tudo o que é feito à mão, tudo o que é

autêntico e tudo o que representa ser livre.

Qual é a sua peça de vestuário favorita

e qual é a peça que nunca pode faltar no

guarda-roupa feminino?

- Sempre adorei os vestidos. Acho-os um

“must have” em qualquer guarda roupa feminino.

É uma peça que enaltece a forma

feminina, concedendo-lhe, sensualidade,

elegância, sofisticação e versatilidade, porque

dependendo dos acessórios selecionados

(sapato, mala, colar, brincos etc) pode se

adaptar a um evento formal ou informal. O

que nunca pode faltar no guarda roupa feminino

são as peças intemporais, em cores monocromáticas

que podem ser mais ou menos

multifacetadas dependendo dos acessórios

escolhidos. Calças e uma saia preta, uma camisa

de manga comprida branca e um blazer,

são peças básicas que todas deveríamos

ter no nosso guarda-roupa. Conjugadas,

podem ser utilizadas para qualquer tipo de

evento social ou laboral com os acessórios

adequados. Acima de tudo, acho importante

que a mulher se vista de autenticidade, que

se embeleza de cor e exclusividade e procure

ser ela própria na hora de vestir.

Como decorre o seu processo criativo?

- Tenho sempre uma atmosfera enriquecida

com música e cor. Este espaço leva-me a estados

de espírito relaxados e pensamentos

mais fluidos dos quais emerge a maior parte

das minhas ideias. Defino a inspiração, o

tema a paleta de cor e os tecidos e começo

a desenhar à mão livre todas as ideias que

me vão surgindo. Seleciono aquelas ilustrações

que representam melhor o que quero

transmitir e passo ao draping ou à criação

dos moldes para depois passar ao fabrico

das peças. Decorrida esta fase, tudo é mais

prático, pois já tenho a base fundamental e

aí passo aos detalhes de acabamentos que,

no final, ajudam a demarcar e enaltecer uma

peça criativa e de autor.

Como foi trabalhar em contexto de pandemia

e que trabalhos está a desenvolver?

- Foi um desafio trabalhar no contexto da

pandemia, mas como tudo na vida, é preciso

mantermo-nos corajosos e consequentes

com os nossos compromissos, mesmo

na adversidade. Portanto, decidi continuar

criando e aportando soluções desde o meu

conhecimento e do meu pequeno campo de

ação fazendo máscaras quando eram mais

necessárias, especialmente no início da pandemia.

Pesquisei e procurei orientação junto

de amigos científicos, e consegui trazer uma

solução no início da pandemia. Mais tarde

criei umas máscaras coloridas a partir das

capulanas moçambicanas (tecidos oriundos

de Moçambique), um produto diferenciado

para o mercado, para agregar cor nessa

época tão cinzenta, embora também tenha

produzido máscaras monocromáticas. Pelo

meio, apresentei a minha última coleção

Khanimambo no Moda Madeira 2021, no

Mudas-Museu de Arte Contemporânea da

Madeira. Também foi possível estabelecer

as primeiras parcerias com empresas de

Portugal continental inseridas em projetos

de EC, com o objetivo de trabalharmos juntos

num projeto para o qual a marca KARLA

VIEIRA® terá a honra de realizar as fardas e

os acessórios com desenhos envolvidos nos

critérios da EC exclusivos. Em paralelo com

o design de moda, abracei um projecto familiar

que tem sido um constante estímulo

e aprendizagem.

O que lhe falta concretizar?

- Gostaria de me posicionar a nível internacional

com maior presença e procura e chegar

a mais público. Além disso, gostaria de

criar soluções e produtos na área da moda/

acessórios e da hotelaria, nomeadamente

uniformes e têxteis com base no design circular

e design thinking para me consolidar

como uma marca inteiramente sustentável.

s

A progressão na carreira

requer formação

contínua e experiências

diversas em várias áreas,

seja isso dentro ou fora

da ilha

6 saber setembro 2022


Cantinho da poesia

Rosa Mendonça

Escritora

facebook.com/rosa.6823mendonca/

[rosa mendonça autora]

REGRESSO

ÀS AULAS

Cheios de praia e diversão, de tanto descansar e de tanta pasmaceira

Há os que têm vontade de voltar, os que se irritam porque as férias estão a terminar

Os que têm receio por ser a primeira vez e os que morrem de saudades dos amigos

Mas para todos eles, o fim das férias de verão significa o regresso às aulas.

No primeiro ciclo tudo é comprado com antecedência e a oferta é mais que muita

É o primeiro contacto com o espaço escolar onde começa a instrução para toda a vida

Os professores são as pontes que, com mestria, conduzem ao conhecimento

Tanto entusiasmo com o material escolar novinho em folha, todo colorido

Acabado de chegar das papelarias das redondezas

Até a roupa, calçado e equipamento desportivo é tudo novo, a estrear

Não vêem a hora de começar o ano lectivo, ansiosos e em pulgas

Os pais fazem tudo ao seu alcance para dar o melhor que conseguem aos filhos

Em atmosfera de magia, abrir o livro pela primeira vez é inesquecível

Sentir o cheiro, folhear, manusear com cuidado e muita curiosidade

Uma montanha de questões fervilha na cabeça da miudagem

No segundo ciclo e, já experimentados, reutilizam e reciclam o material do ano anterior

As compras pesam cada vez mais na carteira dos pais, sobretudo a lista dos livros

A cada ano que passa os orçamentos escolares disparam

Desgastam pela quantidade absurda de material para cada disciplina

No terceiro ciclo aguardam com expectativa o resultado dos exames nacionais

Embrulhados nos sonhos que desejam escolher e realizar

Infernizam os progenitores com tantas possibilidades e indecisões

Uns não conseguem, resta-lhes a possibilidade de tentar melhorar no próximo ano

Outros, nota-se ao longe a alegria de entrar no ensino superior. O orgulho dos pais!

Todos os anos acontece o primeiro dia de aulas

Cada um vai carregando com seus sonhos

Mas tantos sonhos que, se abanar muito, acabam por baralhar e fundir

Os olhos despertam para tudo e os sentidos ficam mais apurados

São conduzidos para o universo fértil do conhecimento, há tanto para explorar

Em qualquer parte do país o movimento é outro com o regresso às aulas

Os transportes públicos transbordam com tantos seres em busca de saber

À porta da escola os pais entregam seus filhos para serem alguém na vida

Cresce a azáfama e até é preciso polícia escolar para orientar o trânsito

Um contexto diferente das gerações passadas. As gerações sem mordomias

As gerações que não se queixavam porque não podiam, nem servia de nada

As que não desperdiçaram porque não tinham e sabiam reutilizar o pouco que havia

As gerações que superaram com a força dos braços cada obstáculo

As gerações que não temiam o caminho. Muito pelo contrário

Foram gerações que souberam o valor da amizade e da partilha

Foram gerações que não temiam a palavra sustentabilidade

Porque não precisavam de muito para serem felizes

Talvez a nostalgia e as memórias enraizadas façam de nós velhos

Mas a verdade é que conquistámos muito com um punhado de nada

Agora, o desafio é bem maior: zelar pela conquista e honrar os antepassados.

Estudem e deixem este mundo um pouco melhor!

s

D.R.

saber setembro 2022

7


em análise...

Francisco Gomes

Analista político

Andamos

a ver

isto bem?

Seria útil ter presente a ideia

de que há coisas que não vale

a pena procurar fora de nós,

pois lá não as encontraremos.

Se as procurarmos dentro de

nós, polindo a pedra bruta que

somos até que a mesma se

transforme numa pedra cúbica

com melhor uso e perfeição,

talvez tenhamos mais sucesso.

Carolina rodrigues

Uma das aprendizagens mais difíceis

que tenho feito na vida é

a de aprender a diferença entre

Religião e Fé e de perceber que

uma pessoa de Fé não tem, necessariamente,

de ser uma pessoa de enorme religiosidade.

Estamos perante conceitos

e atitudes extremamente distintas, mas

porque vivemos num mundo que trata os

dois conceitos como sinónimos e porque

nos é transmitido, em especial na infância,

que a única manifestação válida da Fé é

aquele que tem lugar dentro de templos,

sob a orientação de alguém consagrado

para esse fim, perceber a referida diferença

pode ser um processo longo, desgastante

e recheado de conflitos, especialmente

internos. Porém, no fim, vivê-lo e procurar

superá-lo tem sido uma das mais importantes

estradas espirituais que tenho trilhado.

Obviamente, não faço estas observações

porque já tenha, de forma alguma,

concluído o trilho ou, tão pouco, adquirido

uma noção completa dos elos que nos

unem à dimensão espiritual que é definida,

com Justiça e Perfeição, pelo Grande Arquitecto

do Universo. Digo-o, apenas, porque,

na imensidão da ignorância com que sigo

no meu caminho, tenho acumulado pequeninas

lições que têm trazido significado e

propósito a onde antes existiam apenas as

inatas tendências para o egoísmo e para

a racionalização de tudo, incluindo aquilo

que não pode ser racionalizado, mas apenas

sentido. Entre essas lições, está certamente

a de que a grandeza Daquele que

tudo criou não está, apenas, no interior

das paredes de um edifício. Pelo contrário,

mais facilmente encontramo-la nas montanhas,

nos bosques, nos rios, nas praias

e em tantos os outros lugares de beleza e

de paz que esse Grande Arquitecto criou

para expressar o Seu carinho por nós. Da

mesma forma, aprendi que, para assimilar

plenamente a Sua mensagem, não temos,

obrigatoriamente, de recitar versos ou textos

que foram escolhidos por alguém em

séculos idos. Mais facilmente sentimo-la

no olhar de amigos sinceros, no abraço dos

filhos, no momento passado com quem

tem o nosso coração e em tantos outros

instantes onde o Amor verdadeiro impera.

E se esse Arquitecto é, verdadeiramente,

Amor Puro, que não critica, nem irrita, nem

julga, nem condena, nem castiga, então de

que é que serve vivermos debaixo de um

manto de auto-comiseração e penúria,

como se isso nos aproximasse Dele? E se

foi esse Arquitecto que nos fez e que nos

encheu de paixões, de sentimentos, de

necessidades, de livre-arbítrio e até de incoerências,

então como é que Ele poderia

criar um lugar para queimar todos os Seus

filhos que não se comportam bem para o

8 saber setembro 2022


conhecimentocientifico.com

resto da Eternidade? Que tipo de Grande

Arquitecto poderia fazer isso?. Somos absolutamente

livres, pois é assim que fomos

feitos. Livres para sair pelo mundo, para

disfrutar a vida, para apreciar tudo o que o

Arquitecto fez para nós. Somos livres para

procurar riquezas, sem nos sentirmos culpados

por isso. Somos livres para termos

o melhor deste mundo e para o termos

em abundância. Mas também somos livres

para fazer da nossa vida um céu ou

um inferno. A única coisa que nos é pedida

é que não façamos aos outros o que não

queremos para nós. E é tão simples quanto

isso. De que serve crer, supor, imaginar e

louvar, batendo incessantemente no peito,

quando Aquele que tudo criou não é um

ególatra? Se nos sentimos verdadeiramente

gratos por tudo o que temos, então que

o demonstremos cuidando bem de nós

mesmos, da nossa saúde, das nossas relações

e dos que nos estão próximo. Se nos

sentimos verdadeiramente gratos, então

que honremos os nossos pais, sendo dignos

do carinho que nos deram e que nos

dão. Que respeitemos os equilíbrios ambientais

do mundo. Que falemos com coragem

e lutemos com determinação contra

aqueles que preferem ter um planeta de

guerras, extremismos e ganâncias. Se nos

sentimos verdadeiramente gratos, que expressemos

a nossa sincera alegria perante

o fascínio da vida e que não sintamos o

dever de repetir, como papagaios, ideias e

‘ensinamentos’ que nada têm a ver com a

vida de paz, esperança, alegria e plenitude

espiritual e material que o Grande Arquitecto

pensou e preparou para nós. Como é

natural, a estrada continua e andá-la acaba

por ser a única via para quem anseia a

serenidade que advêm de saber estar na

vida em harmonia com os outros e em sintonia

com a Força que nos orienta. Nesse

processo, seria útil ter presente a ideia de

que há coisas que não vale a pena procurar

fora de nós, pois lá não as encontraremos.

Se as procurarmos dentro de nós, polindo

a pedra bruta que somos até que a mesma

se transforme numa pedra cúbica com melhor

uso e perfeição, talvez tenhamos mais

sucesso. E talvez sejamos mais felizes. s

saber setembro 2022

9


CAPRICHOS DE GOES

Diogo goes

Professor do Ensino Superior e Curador

A Literacia

Ética sobre o

Património e a

Paisagem como

instrumento

de desenvolvimento

sustentável

– Parte 2

Se foram demonstrados os

“dividendos políticos” colhidos

pelas décadas da “política

do betão”, instituída pelas

oligarquias do poder vigente,

também são mensuráveis os

impactos (contraproducentes)

da “betonização”, na

impermeabilização dos solos, na

descaracterização da paisagem

natural e dos centros históricos,

nomeadamente no traçado

arquitetónico e urbanístico.

O

Objetivo 11º da “Agenda 2030”

reitera o imperativo do fortalecimento

de “esforços para proteger

e salvaguardar o património

cultural e natural”, tendo em vista a redução

significativa do número de mortes e de

pessoas afetadas por catástrofes, aluviões e

incêndios (INE, 2021). Mas, o espaço público,

ironicamente, tornou-se privado (e pouco

democrático)! Desde há várias décadas

que, um pouco por todo o mundo, o património

e o território foram sucessivamente

dissecados, e reiteradamente, privatizados

ou concessionados em favor de grandes

empreendimentos imobiliários e hoteleiros

(Bueno Carvajal, 2021; Cadela, 2007; Muxi,

2004; Stavrides, 2016/2021; Thörn, 2011),

monopolistas da especulação financeira,

que desestruturaram os microssistemas

económicos regionais, colocando em causa

a coesão social e territorial e a efetivação

do direito a uma habitação condigna, para

todos (Artigo 7º, da Lei n.º 83/2019, de 3 de

setembro). Se foram demonstrados os “dividendos

políticos” colhidos pelas décadas

da “política do betão”, instituída pelas oligarquias

do poder vigente, também são mensuráveis

os impactos (contraproducentes)

da “betonização”, na impermeabilização dos

solos, na descaracterização da paisagem natural

e dos centros históricos, nomeadamente

no traçado arquitetónico e urbanístico. A

este propósito, urge lembrar que, a sucessiva

impermeabilização dos solos e subsolos

nos centros históricos e nas periferias das cidades,

a diminuição das áreas ajardinadas, o

estreitamento dos leitos dos cursos hídricos

ou fluviais e a falta de planeamento territorial,

são alguns dos fatores que, associados

às alterações climáticas, contribuem para

agravar os impactos de aluviões, inundações

e incêndios, que põem em causa a segurança

e a qualidade de vida dos residentes e visitantes.

Segundo Quintal (1999), citado por

Silva, Almeida e Gomes (2010), ao longo do

século passado, registaram-se vinte e duas

aluviões no arquipélago da Madeira, treze

das quais ocorreram depois de 1970. Os autores

apontam que o aumento da incidência

neste último período pode estar relacionado

10 saber setembro 2022


com os impactos da “crescente impermeabilização

do solo e subsolo, e com a ocupação,

estreitamento e modificação do perfil dos

leitos das ribeiras” (Silva, Almeida e Gomes,

2010), conforme já referido neste artigo. No

plano da intervenção educativa, apresentam-se

duas propostas que poderão contribuir

para a sensibilização da crítica sobre o

estado de desenvolvimento do território: a

implementação de ações de educação comunitária,

em contextos não-formais, para

aprendizagem ética sobre a paisagem e sobre

o património e a abordagem em contexto

letivo, de cenários de catástrofe (Manzon

Lupo, 2021; Silva, Almeida e Gomes, 2006;

2010), enquanto conteúdos interdisciplinares.

No plano da ação política, persiste a

urgência de efetivar um eficaz planeamento

do território e da paisagem paralelamente

a uma “gestão integrada dos recursos hídricos”

(Silva, Almeida e Gomes, 2010). O apoio

à manutenção da paisagem agrícola e de caminhos

pedonais tradicionais, a preservação

das práticas tradicionais cultivo, a salvaguarda

da diversidade da paisagem arbórea, são

preponderantes na prevenção e mitigação

das catástrofes, que afetam um qualquer

destino turístico. A Lei de Bases da Habitação

(Lei nº 83/2019, de 3 de setembro), no seu

Artigo 14º, reconhece a garantia de que, o

direito universal à habitação condigna, compreende

também a existência de um habitat

que assegure condições de salubridade, segurança,

qualidade ambiental e integração

social, nomeadamente, “contribuindo para

a qualidade de vida e bem-estar dos indivíduos

e para a constituição de laços de vizinhança

e comunidade, bem como para a

defesa e valorização do território e da paisagem,

a proteção dos recursos naturais e a

salvaguarda dos valores culturais e ambientais”

(Artigo 14º, nº2). Considera-se por isso,

que são incumbências dos setores públicos,

assegurar a efetivação dos direitos referentes

à manutenção e salvaguarda do habitat,

nomeadamente: a qualificação do espaço

público urbano (nº4, alínea b); a salvaguarda

da qualidade ambiental e a proteção adequada

contra riscos ambientais, naturais

ou antrópicos (nº4, alínea c); e a proteção e

preservação das características do território

e da paisagem que lhe conferem identidade

cultural própria; (nº5, alínea c). A adulteração

da experiência sensorial da Paisagem

e do Património, por parte de habitantes e

visitantes, além de pôr em causa a autenticidade

dos lugares, retira-lhes vantagem competitiva

diferenciadora, colocando em causa

modelos de desenvolvimento assentes nas

práticas de lazer e turismo. (continua) s

Desenho “Madonna vai ao talho e encontra Fernando

Pessoa”, de Diogo Goes

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saber setembro 2022

11


madeira

António Cruz

gentilmente cedidas pelo entrevistado

Sérgio Nóbrega

Por vezes cruzo-me com pessoas que levam a

empatia no olhar e nos sorrisos. Que levam em

si uma aura de ternura e tranquilidade que não

quero deixar passar ao lado. Pessoas que, afinal, me

despertam curiosidade e me fazem querer saber algo

mais acerca delas. Sérgio Nóbrega é, definitivamente,

uma dessas pessoas. Uma pessoa que tem o condão

de ter boas ideias, de ser empreendedor, de ser um

sonhador. Mas um sonhador com provas dadas, ou

seja, com sonhos concretizados. Ou seja, com obra

feita. Empresário também, criativo de mão cheia,

mentor de vários projectos, e objectivamente um

que nos traz a esta conversa: o Altanticulture. Uma

conversa serena e pragmática, uma troca de ideias

com energias positivas tendo o futuro como meta

alcançável, ou não fosse a Atlanticulture uma ponte

de intenções. Ou um mapa-mundi aberto à inovação

na área da cultura, e a língua portuguesa como fio

condutor entre continentes.

A Atlanticulture nasce da necessidade de construir pontes

e dar espaço aos criativos culturais que têm o Atlântico

como denominador comum. De onde surge a ideia e como

a conseguiu materializar?

R: O principal desafio é unir o eixo atlântico que fala Português

através da sensibilização da defesa e aproximação dos agentes

da cultura e industrias criativas. Para o efeito, contamos

com acções de aproximação com empreendedores, artistas e

figuras de excelência das nossas sociedades atlânticas, onde

discutimos os desafios do mundo globalizado, as respostas a

um mundo que deve privilegiar o mérito, o talento e a capacidade

de inovação daqueles que se dedicam a criar, inovar

e mudar as nossas sociedades. O mundo da lusofonia, com

mais de 250 milhões de falantes da língua portuguesa, pela

sua riqueza cultural, é um palco privilegiado para desenhar as

respostas necessárias à construção de uma ordem mundial

em que a globalização como a conhecemos pode ser francamente

alterada. Nesse sentido, o programa de trabalhos que

temos vindo a desenvolver não pretende impactar pelo “soundbite”

, mas sim tocando ao “coração” de todos os presentes

para que se tornem portadores da palavra e embaixadores

desta causa nos seus países. Esta cimeira está alicerçado num

conjunto de temáticas que pretendem mudar consciências,

alertar para novas oportunidades e para o papel que o eixo

atlântico pode desempenhar numa nova consciência da geopolítica

que interferirá, inevitavelmente, com a Economia. As

respostas devem, por isso, ser pensadas e integradas num

universo atlântico, em que as soluções devem ser preparadas

para quando convocámos os agentes culturais, criativos e económicos

possam dizer presente. O legado deixado por várias

gerações é “tudo o que nos une” no presente, para que saibamos

escrever o futuro para que todos possamos ser parte.

Para além disso, suportamos toda a actividade na nossa plataforma

multimeios que está 95% concluída, mas já em operação

há cerca de um ano, www.atlanticulture.com

Para além das cimeiras que viram agora terminada a sua

5ª edição, o que é que, de concreto e objectivamente, já foi

conseguido em termos práticos?

R: Temos protocolos de cooperação com três Governos de

três países da CPLP: Cabo Verde, Guiné Bissau e São Tomé

e Principe, protocolos esses que visam, entre outras coisas,

inserir na nossa plataforma multi-meios o mapeamento dos

agentes das industrias criativas de cada país. Estamos ainda

a desenvolver esforços para que a Cimeira se realize em cada

um dos continentes do triângulo atlântico Europa, África e

América, sempre com a língua portuguesa como alicerce.

E o que é que ainda não foi alcançado desde que esta ideia

tomou corpo e ganhou alma e que passados quase 5 anos

desde a sua criação já gostaria de ter conseguido?

R: Este é um trabalho de “formiguinha”, porque como sabe os

países da CPLP vivem em constante alteração de interlocutores,

por vezes o trabalho de anos é deitado fora por existir

uma mudança, por isso temos vindo a mudar a nossa estratégia,

identificando um rosto para a cooperação em cada país,

que possa, além de contribuir para a nossa causa, ser o próprio

o motor da ação na sua área geográfica.

Se tiver que tirar uma conclusão do todo das 5 cimeiras já

realizadas, que conclusão tiraria?

12 saber setembro 2022


Um desejo? Ter um espaço

digno no Funchal para

o desenvolvimento de

conceitos e conteúdos

culturais diferenciadores

que possam ser o motor de

uma “engrenagem” futurista

das indústrias criativas da

Madeira para o Mundo

R: De um ponto de vista qualitativo, é importante destacar a diversidade

de ideias que foram apresentadas ao longo das 5 edições e que

se constituem como um enorme activo que possuímos e disponibilizámos

aos Governos com quem trabalhamos todos os anos e que

convergem quanto à necessidade de expandir a cultura e as industrias

criativas transversalmente a grupos etários e faixas sócio económicas,

investindo e recrudescendo conteúdos culturais e respectivas

dinâmicas, e que passam pela valorização do vasto e rico património

cultural que o eixo atlântico possui, bem como de todas as figuras de

relevo e percursores da arte, cultura e industrias criativas. Aborda-

-se constantemente a parca motivação de grupos etários mais jovens

para participar em programas culturais, pelo que urge pensar em programas

que cativem este público, apostando em conteúdos culturais

direccionados que façam a diferença, apostando na formação e capacitação

cultural dos jovens, quer através do incentivo à participação,

bem como na acessibilidade e gratuitidade de conteúdos culturais.

Sendo importante pensar na cultura como ferramenta imprescindível

à educação e formação do SER. Outrossim a necessidade de profissionalização

e capacitação dos profissionais na área da Cultura e Indústrias

criativas e a possibilidade da criação de uma solução que permita

a mobilidade cultural entre as ilhas deste eixo atlântico, podendo

constituir um mercado que necessita urgentemente de trabalhar em

rede, mas também porquanto, ao rentabilizar os equipamentos culturais

existente, apostamos numa política de criação e formação de

novos públicos valorizando, manifestamente, os autores/artistas e as

nossas tradições culturais, bem como os da sua rede de agentes culturais

lusófonos.

Dificuldades e facilidades com que se tem deparado ao longo deste

trajecto?

R: A maior dificuldade reside na mobilidade para a operacionalização

desta causa, implica viagens, tempo, mapeamento, contacto presencial

e confiança, por isso é um projeto que não pode ser executado

em uma ou duas décadas, é um projecto de uma vida que envolve

persistência, dedicação, altruísmo e captação de novos portadores da

mensagem. Por outro lado, quando íamos em “velocidade de ponta”,

fomos “ceifados” por uma pandemia que nos obrigou a ficar em casa,

e que quase nos obrigou a deitar a toalha ao chão. Estamos, por isso,

a dar uns passos atrás para poder seguir em frente.

Ao olhar para a Atlanticulture daqui a uma meia dúzia de anos o

que é que o faria sorrir e sentir-se orgulhoso?

R: Daqui a meia dúzia, ter o projeto a funcionar em pleno em Cabo

Verde, Guiné Bissau, São Tomé e Príncipe e Angola, havendo a rotação

da cimeira por esses países, com um pacote turístico/ cultural que

ajudasse através do mesmo a dar a conhecer novos públicos e a fazer

crescer o nosso “movimento”.

Quem é o Sérgio Nóbrega para além deste fantástico projecto?

R: É alguém que se auto-realiza cada vez que consegue abrir um bocadinho

de caminho para o bem comum, um apaixonado pelas suas

filhas e um eterno colecionador de momentos de celebração da vida.

Uma palavra de agradecimento para...

R: Todas as famílias que, quando olham para os seus a optarem pela

área da cultura e industrias criativas, que muitas vezes precisam de

ter um segundo trabalho além da actividade que realmente os fazem

sentir inteiros, e que os sentem como “maluquinhos” por trabalharem

de muitas vezes de borla ou “sem reconhecimento”, os continuam a

incentivar a não desistir, são muitos deles os responsáveis por haver

cada vez mais agentes de transformação social, através dos talentos

das áreas da cultura e industrias criativas, muitas vezes substituindo

o estado na sua obrigação social. Felizmente que, na Madeira, temos

políticos com uma visão diferente e inclusiva.

Um Desejo?

R: Ter um espaço digno no Funchal para o desenvolvimento de conceitos

e conteúdos culturais diferenciadores que possam ser o motor

de uma “engrenagem” futurista das indústrias criativas da Madeira

para o Mundo. Um espaço onde se possam realizar, testar e colecionar

momentos que nos façam reflectir e ajudar a avançar nas mais

diversas áreas das indústrias criativas. s

saber setembro 2022

13


EDUCAÇÃO

Tânia Fernandes

Tânia Fernandes

Professora especializada

Doutorada em Psicologia de Educação

Regresso

às aulas…

A

pós o período de férias de verão,

voltamos novamente à rotina e

mais um ano escolar se avizinha. O

regresso às aulas possibilita, para

alguns alunos, o contacto com um mundo

desconhecido e é marcado pela descoberta

de outros colegas, outros professores, novas

aprendizagens e até mesmo de uma nova

escola. No entanto, para outros promove o

reencontro com os colegas, onde desenvolvem

novas brincadeiras, aprendizagens e vivências.

O início do ano escolar é pautado por

alguma ansiedade e agitação, principalmente

das crianças mais pequenas, que anseiam rever

os amigos e sentem saudades da euforia

das horas do recreio. Os alunos mais crescidos

já não sentem o mesmo entusiasmo e

adrenalina, não regressando à escola com

tanta vontade e emoção. Na realidade todos,

pequenos e graúdos, têm que regressar à

escola, transportando uma brisa com uma

grande dosagem de expetativas, objetivos e

sonhos. Logo desde o início, é fundamental

introduzir a rotina escolar e gerir os horários,

de modo a se conciliarem com as atividades

extracurriculares que se iniciam normalmente

nas mesmas datas. As atividades

extracurriculares devem ser parte integrante

da rotina dos alunos, como por exemplo o

desporto, o teatro, a música ( dança, canto,

toque de instrumento musical), ... Estas atividades

são benéficas para a saúde física e

mental, ajudando grandemente na atenção/

concentração, na retenção de informação,

na capacidade auditiva, no desenvolvimento

do vocabulário, na melhoria das estruturas

frásicas, na amplificação de conhecimentos

sobre diferentes temáticas, na eficiência do

sono,... Muitas vezes, alguns pais receiam

com a colocação de seus educandos nessas

atividades, devido ao tempo dispendido, temendo

que lhes falte tempo para se dedicarem

aos estudos. A investigação aponta para

a importância destas atividades com um impacto

benéfico e significativo nos resultados

escolares dos alunos, competindo-lhes a perceção

da área de interesses do seu educando,

de modo a selecionarem a atividade mais

adequada à especificidade individual. Nos

primeiros dias de regresso à escola, a criança

ainda não possui o hábito de se levantar

cedo e dispender algum tempo para se preparar.

Um truque é colocar o despertador

10 ou 15 minutos mais cedo do que a hora

necessária, com o intuito de serem realizadas

as tarefas atempadamente e com calma,

evitando o stress matinal. Adiantar, 10 ou 15

minutos, os relógios existentes nos diferentes

compartimentos da casa é uma ótima

dica para chegar à escola mais cedo e com

tudo preparado previamente. Obviamente

que os horários tornam-se mais rígidos e

com menos flexibilidade em período escolar

tornando imperioso que a criança se habitue

gradualmente aos horários estipulados: horas

para dormir, para acordar, para tomar as

refeições, para a higiene pessoal, ... Claro que

é crucial compensar a criança doseando com

momentos de relaxamento e de brincadeira,

principalmente ao fim de semana, como estímulo

ao esforço efetuado durante a semana.

Outra dica não menos importante que a anterior

é a preparação do lanche, da mochila

e das peças de vestuário a usar no dia seguinte.

Estes devem ser preparados antecipadamente

no dia anterior, responsabilizando

a criança desde cedo para estes hábitos,

evitando dispender tempo matinal com essa

preocupação. Outro truque para criar rotinas

com o regresso ao tempo escolar diz respeito

à realização dos trabalhos de casa. Estes

são excelentes para levar a criança a entrar

na rotina, embora seja uma atividade pouco

atrativa. A realização dos trabalhos de casa

ou tarefas de revisão solicitados pelos pais

apresentam-se como uma responsabilidade

do foro da criança, tornando-a mais autónoma.

Não obstante isso, é fulcral que os pais

não deixem de dar apoio escolar, pelo que

devem se sentar com os filhos para ajudá-los

nas primeiras tarefas e no final verificarem

os trabalhos efetuados. Em suma, o regresso

às aulas é um momento de pleno entusiasmo

com horizontes que se avizinham, espelhando

a aquisição de conhecimentos e sorrisos

que espreitam com sucesso de todos,

baseados numa rotina que tem de ficar bem

sedimentada. s

14 saber setembro 2022


media

Julho foi o mês da consciencialização para os miomas

uterinos pelo que, no âmbito da temática, a campanha ‘WTF:

Mulheres que falam de miomas’ desafiou os portugueses a

participarem no Movimento “Eu Visto Branco”, que consistiu

em vestir-se de branco e publicar a fotografia nas redes

sociais, utilizando o hashtag #euvistobranco. O vestido branco

é internacionalmente associado aos miomas uterinos, uma

vez que a maioria das mulheres não gosta de usar branco

devido às hemorragias menstruais abundantes relacionadas

com a doença. Desta forma, “procurou-se passar uma

mensagem de esperança e de força a todas as mulheres que

sofrem diariamente com esta doença, para que quebrem o

silêncio e procurem ajuda médica”, explicou o comunicado

do Movimento “Eu Visto Branco” e que esteve presente nas

redes sociais Meta (Facebook) e Instagram com diferentes

protagonistas. Neste caso, as influenciadoras Mariana

Machado, Catarina Rochinha e a Psicóloga e Sexóloga Tânia

Graça, que desafiaram os seus seguidores a apoiar a causa

através da partilha da foto ou da campanha nas redes sociais.

À revista Saber Madeira, a influenciadora e empresária

Mariana Machado falou do seu trabalho e da importância de

contribuir para a causa nas suas redes sociais.

Mariana Machado -

“Eu Visto Branco”

Como é que recebeu o convite

para participar nesta campanha

e que mensagem/apelo

transmitiu no âmbito da mesma?

- A campanha “Mulheres que falam

de Miomas” foi-me apresentada

pela minha agência What

About e, logo de imediato, aceitei.

Sabia que era um assunto

importante, e como o meu público

é maioritariamente feminino,

achei necessário informar e

dar a conhecer os Miomas Uterinos.

Recebi várias mensagens

de mulheres que sofrem desta

doença, e sinto que o facto de

ter apoiado a causa foi muito

importante para elas e também

para dar a conhecer a outras

mulheres que não conheciam a

mesma.

O facto de ser ‘influenciadora’

torna-a mais eficaz em termos

de passar a mensagem...

- Sem dúvida, e é uma forma

mais “fácil” de conseguir chegar

a mais gente. O facto de ter uma

plataforma com muito público

torna-se mais importante para

falar sobre este tipo de assuntos

e informar.

Enquanto influenciadora, que

causas e mensagens opta por

partilhar com os seus seguidores?

- Tento sempre passar aos

meus seguidores mensagens

que apelem à força de vontade,

de superação e de acreditarmos

que, com trabalho e dedicação,

todos somos capazes de

concretizar os nossos sonhos e

objetivos. A vida pode mudar

e temos de agarrar as oportunidades

que a vida nos dá. De

uma forma geral, o meu conteúdo

é maioritariamente sobre

dicas de lifestyle, moda, restaurantes,

hotéis e viagens.

É uma atividade em ascensão

a de influenciadora e que, no

seu caso, desenvolveu como?

- Sou natural do Porto, tenho 34

anos e sou licenciada em Enfermagem.

Sempre tive gosto pela

comunicação e pela partilha.

Tinha a minha profissão [enfermeira]

e, em 2015, comecei no

blogue com uma amiga, onde

começámos a partilhar conteúdos

relacionados com moda,

viagens, lifestyle, surgindo mais

tarde o Instagram, individualmente.

Comecei a colocar fotos,

onde o maior destaque era a

moda, e comecei a conseguir

parcerias com marcas. A partir

daí foi surgindo naturalmente

mas também como muito

trabalho, tanto meu como do

meu marido, que também arriscou

e que atualmente trabalha

comigo, como fotógrafo (para

conseguirmos estar no digital a

tempo inteiro). Hoje, estou mais

focada no Instagram, nunca deixando

o blog, e trabalho com

várias marcas nacionais e internacionais,

para além das duas

marcas de roupa que criei [Caio

e a Marielas]. s

mulheres_que_falam_de_miomas

Dulcina Branco

gentilmente cedidas por Raquel Nabais

e Carolina Marques (lpmcom.pt)

saber setembro 2022

15


psicologia

SOCIAL

João Miguel

Rodrigues

João Miguel Macedo Rodrigues

Psicólogo Social e das Organizações e

Orientação Profissional Jovens

joaomiguelpsicologia@gmail.com

D.R.

A Fantástica

Idade dos

Porquês!

Como referi no primeiro artigo

sobre Educação, estimular

e reforçar positivamente

constituem atitudes essenciais

para quem tem funções

educativas.

Não! Não é Asneira!. Olha, a Bola

da Lua Não Cai…

No último artigo, falei sobre os

castigos, se seriam úteis e até didáticos

e quando deveremos castigar uma

criança, ou Não!. Este artigo, penso eu,

revela isso mesmo. Daí a primeira frase

do mesmo que diz: Não, Não é Asneira,

perante o que ele fez, presenciei e, depois

da minha voz e dedos bem levantado(a)s…

percebi que, de facto, não era asneira, apesar

de o parecer ser… Mas então o que é

que ele fez?. Estava eu a retirar a roupa da

varanda, no lado detrás do apartamento,

local escuso, sem luz e sem gente, quando

o meu filhote agarrou na bola e atirou de

um primeiro andar para baixo, (daí o meu

gesto, a minha voz e, a resposta dele)!. Já

vão perceber o porquê, que por vezes analisar

e perceber se há incorreção ou apenas

curiosidade, não é Preciso Castigar!. Retorqui:

Como não é asneira? E se estivesse

alguém lá em baixo e levasse com a bola

na cabeça gostavas?. - Mas neste lado não

há ninguém. E insistiu: não é uma asneira!.

Seguidamente, perguntou-me enquanto

apontava para o céu escuro: - Sabes o Que

é Aquilo? . - Sei!

- Diz!

- É a Lua!

- Pois é respondeu ele, ao que logo eu retorqui:

Então se sabes porque perguntas? Não

tem lógica nem piada nenhuma…

- Ah, mas tem, disse ele!

“A Bola da Lua Não Cai”! E, sabes porque é

que ela não cai?

Claro que sei! “o que lhe fui dizer”, pois não

tinha a resposta logo ali.

Mas antes vais buscar a bola lá em baixo.

- Vamos, vamos…

- Não vais tu.

- Mas está muito escuro, vou amanha de

manhã.

Mas lá fui com e, lá encontrou a bola e trouxe-a

(pois era importante para poder explicar

e não sabia como, o “porquê que a bola

da lua não caía”.

Depois de chegar a casa, pedi para ele colocar

a bola na palma da Mão e retirar (a palma

logo de seguida). A Bola Caiu. Depois na

outra, depois pedi para agarrar a bola com

as duas mãos, e largá-la! A bola caiu. Depois

pedi que colocasse a bola em cima da mesa

e perguntei, a bola cai?

- Não!

Depois ainda tive a paciência de amarrar a

bola a um fio e pedi que segurasse no fio

com os dedos e, novamente perguntei a

bola cai?

- Não!

- E agora abre os dedos! O que aconteceu?

A bola caíu.

Não é que ele me pediu para ir de novo á

varanda olhar de novo para a lua e disse-

16 saber setembro 2022


-me: Mas não estou a ver nem mesas, nem

mãos, nem fios nem nada!

Voltamos para dentro, e disse-lhe. Pois é

não tem. Mas agora sabes que para a tua

bola não cair, tem de haver qualquer coisa

que a segura, pode ser uma mesa, uma mão

ou as duas mãos ou um fio… com a Lua é a

mesma coisa. Mas, o problema para mim,

é que seguidamente veio aquela pergunta,

aquela pergunta que me “lixou”, porque não

tinha bem presente a sua resposta que foi:

“e a Coisa Que Segura a Bola da Lua Não

Tem Nome..?”. Perguntei-lhe porque queria

saber, pois notei uma curiosidade acompanhada

de uma preocupação ao que me disse:

Depois eu Digo-te!. A confirmar o acabei

de referir, mais tarde quando na hora de ir

dormir pediu-me: Olha pai, estudas um bocadinho

para descobrir qual é o nome da

coisa que segura a bola da Lua, e dizes-me

logo amanhã?

Claro, que sim! Ao ouvir a minha resposta,

como que um peso lhe fosse retirado, subiu

para a cama, animado e adormeceu pouco

tempo depois.

Lá comecei a pensar a pensar e, depois de

descobrir ainda tinha de lhe explicar para

que ele percebesse.

Foi a Primeira coisa que me perguntou

quando acordou, descobriste o nome da

coisa?

- Descobriiii!

- Eu sabia, que tu ias estudar e descobrir.

E agora qual é o nome?

- Chama-se Gravidade! Pedi que ele repetisse,

mas de seguida expliquei que a lua

não caia, porque estava muito, muito, muito

longe.

Se tivesse mais perto, havia uma força chamada

gravidade que fazia com que a lua

caísse. Como a Bola da lua está muito longe,

essa força não existe e, é por isso que a bola

da lua fica lá em cima quieta e, não cai.

Para ver se tinha percebido, solicitei que me

repetisse o que tinha ouvido, e, até que a

explicação foi razoável e, apesar disso, ainda

me pediu se poderia escrever numa das

folhas do seu caderno.

À tarde, quando chegou a casa, todo risonho,

disse-nos: - Sabes, antes de eu explicar

porque que a bola da lua não caía eu

perguntei á professora/educadora se sabia

e, ela ficou toda vermelha e não sabia…

(enquanto se ria, e ria e ria)… e ainda nos

contou que ela depois, tinha-lhe dito que a

lua não caía porque “Deus” não queria. Perguntei

o que fizeste: Ri, Deu-me, Vontade de

Rir…

- E ela como reagiu?

- Penso que Não Gostou muito! Mas se ela(s)

telefonarem, vocês explicam está bem?

Pois, foi aí que ele tirou o caderninho do

bolso do bibe e disse: não é nada disso é

por causa da Gravidade! Lá tentou explicar

e mostrou o papel que lhe tinha escrito.

Tornei a questionar o porquê, dos miúdos

trazerem perguntas para casa…E foi aí que

percebi o porquê da preocupação anterior

e perguntei-lhe, onde foste arranjar aquela

pergunta?

Era o Trabalho para casa! (Fiquei louco

como se diz na gíria)! É que, na escola existem

três cestinhos com perguntas, umas

fáceis outras mais ou menos e, a que eu escolhi

era do cesto das mais difíceis.

Confesso que fiquei contente, mas ao mesmo

tempo senti-me completamente manipulado,

pois o menino Miguel Eloy, escolhia

perguntas do cesto das mais difíceis e assim

depois lá fazia o seu brilharete á custa de

quem? De nós, Pai e Mãe.

Porquê este artigo?

Porque todos nós sabemos que as crianças

entre os 3,5 e os 4,5/5 anos, são muito curiosas,

pretendem saber um pouco de tudo,

mas sobretudo o Porquê das coisas, a Causa

das coisas! Daí a Conhecida e Fantástica

Idade dos Porquês. É como se a nossa natureza

humana, detentora de conhecimento e

auto-regulação interna nos deseja preparar

para o desenvolvimento do sistema nervoso

central, ou seja, o nosso cérebro. Com

aquelas inúmeras perguntas, absorve muito

mais informação, mas essencialmente

desenvolve o raciocínio lógico, indutivo e

dedutivo que, como sabemos, é determinante

para analisarmos a nossa realidade

e tirarmos conclusões, o que acontece por

volta dos 5, 6, 7 anos, precisamente quando

as nossas crianças entram para a escola.

Não é fantástico este nosso organismo? Por

isso, nós, pais, ao respondermos, estamos

a estimular as nossas crianças e, nesta fase

dos porquês, deveremos sempre responder,

primeiro com calma, com entusiasmo e,

essencialmente com lógica às questões por

ele(s) colocadas. Mesmo que não saibamos

naquele momento, é extremamente importante

que averiguemos ou perguntemos e,

logo que possível, retomemos a conversa/a

pergunta e expliquemos. O que é que isto

pode proporcionar, quer em nós pais, quer

nos nossos filhos, e, na relação entre pais e

filhos? Querem fazer uma listinha? Façam-

-na, pois ao fazê-la estão a programar o vosso

cérebro para o fazerem.

Na criança, ela vai sentir-se mais valorizada,

porque ouvida, mais motivada, mais alegre

e entusiasta, vai ter com certeza uma maior

autoestima e confiança acrescidas, não

é isso que desejamos incutir nas nossas

crianças?

Por outro lado, por ser ouvida, atendida e

melhor ser-lhe dada a informação, os laços

entre eles e nós pais reforçam-se e, a sua

sociabilidade é estimulada. Não é extraordinário?

E com que imagem as nossas eles ficam de

nós pais e educadores?

Muito provavelmente com uma imagem

muito positiva, pois somos ouvintes, pois

damos valor à sua curiosidade, melhor ainda,

ajudamo-los a perceberem a relação entre

as coisas, ou seja, estamos a desenvolvê-

-los no verdadeiro sentido da palavra.

Como referi no primeiro artigo sobre Educação,

estimular e reforçar positivamente

constituem atitudes essenciais para quem

tem funções educativas. Que tal, quando estivermos

todos juntos ou quando os formos

deitar, elogiarmos pelas perguntas feitas,

elogiar a sua Curiosidade e, até a Inteligência.

“… Fazes bem em perguntar, assim ficas a

saber mais, ficas mais inteligente e Isso é

muito, muito importante”.

Daí a Razão deste simples artigo, para mostrar

o título que lhe encabeça.

“… a Fantástica Idade dos Porquês!

É difícil Fazer Isto? INFORMAR e ESCLARE-

CER?

Claro que não! Por isso estou a escrever um

livrinho manual para pais), e que se intitula

“Educar Até Pode Ser Fácil” e, o é de facto.

Gratidão, por terem lido este simples artigo,

até o próximo que vai continuar a ser sobre

Educação!. s

saber setembro 2022

17


ATUALIDADE

Márcio Amaro

Dulcina Branco

gentilmente cedidas por Márcio Amaro

É dos artistas musicais

madeirenses que mais atua

para a diáspora, onde leva

a alegria e a tradição nas

canções que apresenta e que

aglutinam muitos madeirenses

com as suas atuações. Márcio

Amaro nasceu na Camacha

– terra de grandes tradições,

nomeadamente musicais,

e aí absorveu o saber e à

vontade com que canta para o

público que o acarinha. Nesta

entrevista à Saber Madeira, o

artista que outrora deu corpo

– com grande sucesso – ao

personagem ‘Zé do Bexiga’

fala da aventura musical que

iniciou há 20 anos e que já o

levou a pisar muitos palcos

dentro e fora da Madeira.

18 saber setembro 2022

Quem é o Márcio Amaro e como é que a

música acontece na sua vida?

- Sou natural da Camacha, onde nasci em

1980. Ali cresci e estudei até ao secundário.

Depois fiz conservatório - curso de Teatro/

Interpretação. A música, a música essa sempre

quis vir ter comigo! Desde criança, quem

me rodeava, tinha gosto por música. Não

sou descendente de músicos, ou vizinho

de instrumentistas/cantores mas ouvia-se

música nas portas do lado. Fui trabalhador

muito novo, a minha terra era conhecida

como a capital do vime (da cultura também).

Desde os 8 anos que trabalhei numa “tenda”

e aprendi a fazer algumas peças artesanais

com o vime. A nossa companhia, neste

árduo e “curvado” trabalho, era a rádio.

Tocava de manhã à noite e eu, cantarolava

as músicas que passavam nas estações. Era

uma brilhante forma de passar o tempo e de

aliviar o cansaço.

O Márcio é dos artistas musicais madeirenses

que mais tem atuado na diáspora.

Como se sente a atuar para os nossos

emigrantes e o que lhe dizem e sentem os

nossos madeirenses lá fora? Têm saudades

da terra, querem voltar...?

- A minha aventura pelo mundo começou

há 20 anos. Travei grandes e bonitos conhecimentos

com milhares de conterrâneos,

milhares de portugueses emigrantes que

abriram as suas portas e os seus corações,

encorajando-me também para este caminho

difícil da indústria musical. Eu fui sempre

um amigo, que trazia/levava um abraço

de Portugal, um “pedacinho” da nossa terra

e ouvia os seus corações partidos, por vezes

em lágrimas, por estarem longe dos seus.

A maioria quer sempre voltar. A maioria,

se pudesse, voltava todos os meses, mas a

razão que os levou para fora não os deixa

voltar tão assiduamente. Vieram rebentos

das suas relações e muitos construíram laços

e raízes que torna difícil o regresso às

suas origens. Há também quem esteja tão

longe, tão longe, que as horas de distância

e os valores das ligações são quase sinais

proibidos!.

Como é que está a ser verão musical 2022,

a nível de atuações?

- Este Verão tem correspondido às minhas

expectativas. Trabalhei muito durante os 2

anos de ausência de espetáculos para que

agora surgissem oportunidades. Elas surgiram

e a minha agenda está bem preenchida.

Contudo, tenho pena que não se resuma

mais a Portugal. Tive de aceitar convites para

sair. Este Verão já estive na Inglaterra, Austrália,

Estados Unidos, e tenho ainda uma

mão cheia de saídas. A Madeira veste-se de


Trabalhei muito durante

os 2 anos de ausência

de espetáculos para

que agora surgissem

oportunidades, elas

surgiram e a minha

agenda está bem

preenchida

festa por estas alturas, quase diariamente,

mas há pouca diversidade na escolha da

animação, há pouca escolha nos projetos

de originais como o meu e outros. Nós trabalhamos

duro e gastamos muito dinheiro

para produzir coisas nossas. Falta-nos mais

portas abertas. Tenho conseguido isso no

estrangeiro, mesmo em Portugal continental,

nas televisões, etc,...mas quero crescer

mais no meu País!.

Como é que viveu o período da pandemia?

- A pandemia não foi saudável para ninguém.

Estive doente algum tempo, fui dos

primeiros a ser contaminado, mas não

baixei os braços. Até hoje posso dizer que

produzi duas mãos cheias de temas novos.

E isso enchia-me de vida - a mim e a todos

os que me seguem, pois fui uma boa companhia

para eles e eles para mim. Senti que

ajudei muitos a superar este tempo cinzento,

mas só superei porque tinha do outro

lado um público fantástico que me desafiava

sempre a fazer mais. Esse povo que vos falo,

foi ele também que suportou praticamente

todas as despesas de produção das minhas

músicas “era covid”.

O que gostaria de vir a concretizar e que

ainda não concretizou a nível da sua carreira

musical (um disco de originais, uma

atuação com um artista, um concerto

numa grande sala emblemática...)? Gostaria

de vir a apostar na carreira a nível

internacional?

- O meu foco, meu objetivo, é poder fazer

um concerto 100% original. Tenho material

suficiente para isso. Estava no bom caminho

há dois anos atrás. Com a pandemia, tive

de “recomeçar”. Vou encaixando aqui e ali

um tema meu para o público ir conhecendo.

Não posso também mudar tudo de um

momento para outro. Comecei por ser um

artista de entretenimento, era quase como

um poeta de karaoke e não posso, de repente,

tirar essa parte tão animada e divertida

que eu dava aos meus espectadores.

Tem outra atividade profissional para

além da música?

- Trabalho exclusivamente só na área da

música.

Como vê o atual panorama musical madeirense?

- A Madeira tem muito talento. Nos últimos

anos “nasceram” muitos bons artistas. O

artista madeirense começou a aperfeiçoar

mais o seu trabalho. A internet e o acesso

aos meios de comunicação também foram

muito importantes para este crescimento.

Hoje temos muitos nossos representantes

nas tvs nacionais e a realizarem concertos

no Continente e Ilhas. Acho também, que

por um ou outro ter-se destacado levou a

que mais artistas trabalhassem para poderem

ter igual reconhecimento.

O humor é outra das suas facetas. As pessoas

ainda o associam à personagem do

Zé do Bexiga?

- Já não tanto. Quis apagar/camuflar um

pouco essa parte da minha história. Não

porque tenha sido má - foi muito engraçado

fazer esse trabalho, mas porque a ligação

que tinha à política era muito perigosa. Eu

precisava de ter um caminho livre e mostrar

às pessoas que posso trabalhar para qualquer

um. Hoje visto um fato, amanhã dispo

e visto outro. Importante é seres um bom

profissional e passares essa imagem. Estive

muito tempo a ver portas fechadas e lutei

muito para que se fossem abrindo.

O que gosta de fazer quando não está a

trabalhar?

- Sou apaixonado também por desporto

e gastronomia. Adoro jogar à bola com os

amigos, mesmo sem grande jeito, andar a

pé, corrida, e o Padel, que foi um desporto

que descobri agora durante a pandemia. Estar

em casa e poder criar uma boa ementa é

também um dos meus prazeres. E para que

seja brilhante, tem de ser partilhada com a

família e amigos e bem degustada. s

Fui sempre um amigo

que trazia/levava

um abraço de Portugal,

um “pedacinho”

da nossa terra e ouvia

os seus corações partidos

[emigrantes madeirenses]

saber setembro 2022

19


MADEIRA AVES

JOSÉ FRADE

Fotógrafo autoditata

José Frade nasceu no concelho

de Cascais. Trabalha no sector

automóvel mas foi a sua paixão

pela fotografia, principalmente a

fotografia de natureza, que o fez

aprofundar os seus conhecimentos

sobre as aves e consequentemente

aderir ao grupo "Aves de Portugal

Continental", grupo esse criado

pelo Armando Caldas, mas, como

membro desde o primeiro dia,

foi convidado pelo fundador, em

conjunto com ele, administrar

o referido grupo, vendo aí uma

oportunidade para partilhar os

seus conhecimentos e incentivar as

pessoas à protecção da natureza.

Dulcina Branco

José Frade,

administrador do grupo “Aves de Portugal Continental”,

que gentilmente nos cede as fotos que ilustram

esta rubrica

agriculturaemar.com

Festival Birdwatching

de Sagres

É

o maior evento nacional de natureza

e das aves e realiza-se entre os

dias 1 e 5 de Outubro de 2022. Este

ano, a ave do cartaz é o emblemático

alcatraz (Morus bassanus). O Festival

Birdwatching de Sagres cumpre este ano a

13.ª edição com propostas variadas: saídas

de campo, passeios de barco, minicursos

temáticos, palestras, ateliers de educação

ambiental, sessões de anilhagem e de monitorização,

caminhadas, cursos de fotografia,

visitas guiadas históricas ou observação

de golfinhos. A 13ª edição consecutiva deste

evento nacional de natureza e das aves

coincide com a procura dos territórios de

invernada por espécies variadas, e entre

elas está o alcatraz, que pode ser observado

a partir do Cabo de São Vicente. O alcatraz

é a maior ave marinha que se avista em

águas portuguesas, também conhecida por

ganso-patola. Famosa pelos espectaculares

mergulhos no oceano, esta ave entra agilmente

na água a grande velocidade. Um espectáculo

a que os participantes do festival

podem assistir, na altura em que estas aves

migratórias se preparam para se dirigir a

Sul do Atlântico, para darem seguimento

ao seu percurso migratório. s

20 saber setembro 2022


Coruja-das-torres (Tyto alba)

Uma ave da família Tytonidae.

Distribui-se por toda a Europa

(exceto na Fino-escandinavia),

a maior parte da África, exceto o Saara.

Residente na Madeira,

onde ocorre a subespécie schmitzi,

endémica da ilha.

Papa-ratos (Ardeola ralloides)

Ave da família Ardeidae.

A sua distribuição vai desde o sul da Europa

e Ásia Central até à região do Mar Aral (estival),

assim como na zona tropical de África

e no Norte de África (residente e invernante).

Na ilha da Madeira ocorre ocasionalmente.

saber setembro 2022

21


CONVERSAS COM SABoR

&

Entrevista António Barroso Cruz

gentilmente cedidas pelos entrevistados

Luís

Daniela

Existem casais que são um verdadeiro banquete

de conversas para as quais uma revista inteira não

chegaria. E existem lugares tão imbuídos de magia,

de encanto, e de uma energia tão sã e positiva que

não apetece arredar. Luís e Daniela são o exemplo da

primeira afirmação. A Casa dos Sonhos a constatação

da segunda. Repletos de vida e de vivências, repletos

de projectos e de mundo, preenchidos por um estilo

de vida saudável e uma atitude cúmplice e de partilha

com o resto do mundo, têm pergaminhos geográficos

e literários que enchem o olho e a alma. E assim se

passaram horas de conversa com um sabor único. E

assim se fica a saber um pouco mais (porque ainda

longe do tudo) de um casal que faz da vida um lugar

positivo e optimista. E assim se vai além na abordagem

de alguns assuntos que tocam os sentidos e fazem

pensar. Obviamente que no ambiente encantado da

Casa dos Sonhos. Onde mais...?

22 saber setembro 2022


AC: Assumo que, isto por conversas

anteriores que tivemos, que ambos

tenham “coisas” para resolver com a

Madeira. Aliás, tu Luís e tu também

Daniela, mencionaram a palavra fazer

as pazes com a Madeira. A que é que se

referem exactamente quando falam em

fazer as pazes com a Madeira? A pergunta

é válida para ambos.

L.: Deixo primeiro para as senhoras que é

para não dizerem que sou mal-educado

[risos]

D.: Então, fazer as pazes com a Madeira...

Estive na Madeira há muito tempo. Há

mais de 15 anos, seguramente, e na altura

em que fui houve coisas que me chocaram

e que me fizeram não querer voltar à

Madeira. Uma delas foi, primeiro, terem

muitos hotéis, muito betão, e ao lado desses

mesmos hotéis tu vês pessoas a passar

dificuldades, a viver em barracos. E aquilo

chocou-me! Com tanto dinheiro na ilha e

não há algum para canalizar para aquela

gente e proporcionar melhores condições

de vida? O outro aspecto foi em Câmara

de Lobos. Como todos os turistas fomos lá

beber uma poncha, não é a poncha que está

em questão, mas o ambiente que rodeia a

poncha, e o que me chocou não foi ver as

pessoas a beber mas foi ver crianças a beber

álcool com muito pouca idade. Não sei se é

essa a realidade agora, mas vi isso na altura

e mexeu comigo. Desde então nunca mais

voltei à Madeira.

L.: No meu caso estou muito habituado a

este contraste nos países que visito, com

casas em que até viraram património, como

acontece em Buenos Aires. Hoje em dia

os bairros viraram património e oferecem

arte – e isto está a acontecer nos Açores,

mais exactamente em Rabo de Peixe,

com projetos culturais. As pessoas sem

perderem a essência delas, a viverem com

algumas condições e uma componente

cultural muito elevada, pelo que na altura

isso a mim não me impressionou. Fazia

parte de um processo, porque também a

zona da Ribeira do Porto onde havia muita

droga não nos aproximávamos, e hoje em

dia essa imagem desapareceu, e a Ribeira

ganhou força, como Lisboa há 10 anos na

Rua Augusta e Parque das Nações, onde

havia droga e delinquência, e hoje em dia

tudo isso mudou. E penso que na Madeira

há esta mudança, pelo tenho esta abertura

de voltar à Madeira e sentir que de certeza

que em 10 anos se fez uma mudança brutal

como teve o Porto e como teve Lisboa.

AC: A boa notícia é que essa questão das

crianças que andam na rua a beber já

não existe, desapareceu. A má notícia é

que, entretanto, apareceram muitos mais

hotéis. Reforçaram as toneladas de betão,

mas também apareceram projetos muito

interessantes, mesmo hoteleiros, que fogem

ao conceito do massificado e, felizmente,

vamos por aí. Daniela, por detrás da figura

pública em que te transformaste, quem és

tu para além da Daniela que é projetada

através da comunicação social e das redes

sociais?

D.: É uma pergunta interessante. Quem sou

eu? Tenho sempre dificuldade em responder

a isso. Costumo dizer: eu sou eu. Tá

respondido. [risos]... A verdade é que somos

muito mais. O que somos na realidade é

difícil de exprimir. É algo que se sente muito

mais interiormente. Acho que é ‘indizível’.

Mas quem sou eu em termos de papel

social? Fui enfermeira durante muitos anos,

mais de 20 anos no IPO do Porto. Foi o meu

primeiro trabalho e fui até ao fim, embora

tenha trabalhado noutros hospitais, e até

gostava, mas sempre fiquei sempre com

aquela ideia de “e se experimentasse outras

coisas”…então experimentei as consultas,

o bloco operatório mas voltava sempre ao

mesmo que era onde eu gostava mesmo de

estar. Mas paralelamente a esse trabalho de

enfermagem, que sempre foi visto por mim

como trabalhar na saúde, comecei a perceber

que estava a trabalhar um bocadinho no

controlo de danos ao invés de trabalhar na

saúde. Então, a partir daí comecei a estudar

outras matérias. Primeiro, comecei por tirar

o curso de Shiatsu, que era para ajudar os

meus pacientes no hospital a ultrapassarem

os processos da quimioterapia sem terem

de precisar de uma prescrição médica,

através de uma massagem, do toque, mas

depressa compreendi que não era bem o

que eu pensava porque os doentes são tão

frágeis que um simples toque pode magoar

– conta-se pelos dedos as vezes que fiz

massagens de shiatsu no hospital, mas foi

isso que me abriu portas, os horizontes,

no sentido de que existe um outro mundo

além da medicina convencional. A partir daí

comecei a estudar outras matérias. Comecei

a interessar-me pelo ioga, como praticante

e não como professora, e o ioga levou a

tornar-me vegetariana. Mas podemos ser

vegetarianos e comer muito mal e eu fui

uma vegetariana a comer muito mal. O único

critério era não comer proteína animal, mas

não tinha em consideração que o prato

precisava de equilíbrio, nem sabia o que isso

era, eu não tinha essa noção nem eu nem

a maior parte dos profissionais de saúde

porque não ensinam isso no curso, com

excepção do curso de nutrição. Então o meu

corpo passou por grandes alterações físicas,

tanto físicas e estruturais, como emocionais.

Havia momentos em que estava super

bem e logo a seguir estava irritada, triste e

deprimida. E fisicamente também, ou seja, o

meu corpo estava em desequilíbrio. E foi aí

que percebi. Um amigo falou-me do poder

curativo da comida, do poder do alimento, e

falou-me do Instituto Macrobiótico Francisco

Varatojo e fez-se luz. Fiquei curiosa, fui ouvir

o Francisco Varatojo, fiz uma consulta com

ele, inscrevi-me no curso e, Eureka!

AC: Quando olho para ti [Daniela] sinto toda

uma felicidade que te envolve, tudo em ti é

sorriso. É possível esse estado permanente

de felicidade?

D.: É, porque é uma coisa que vem de

dentro. Não é uma coisa que tu treinas. Não

é fingido. Qual é a origem da felicidade?

O que descobri é que estás feliz quando

tu estiveres presente. Quando estás no

aqui e agora não há problemas, é a minha

percpeção, é a minha experiência. Sempre

que estou presente em tudo aquilo que

estou a fazer, estou feliz. É inato, vem de

dentro. Aconselho-te a ler Nathan Tan

porque é brutal, o ensinamento dele é

mesmo brutal e tem só o facto de tu estares

em presença.

AC.: Que é como a maioria das pessoas

não consegue estar, que é estar.

D.: É isso mesmo.

Tens quatro livros publicados tendo a

gastronomia saudável como tema central

das tuas publicações. Resumidamente,

como abordas cada um desses livros?

D.: Tenho dois livros: o Viagens da Comida

Saudável e o Sabores de Viajante, de

saber setembro 2022

23


abordagem semelhante. É pegar na

gastronomia local e contar um bocadinho

da história do local e da história que nós

fazemos, da nossa rota, e entrar nessas

cozinhas e contar a sua história e das que

me agradaram mais e transformá-las em

receitas mais locais, mais sazonais, até mais

saudáveis – de acordo com aquilo que é para

mim mais consciente e natural. Em Receitas

da Índia, corto o produto lácteo e substituo

por uma bebida vegetal como a soja.

Depois tenho o Cozinhar com Amor, que

recebeu o prémio de melhor livro do mundo

de receitas fáceis. Não era esse o objetivo -

receber o prémio - nem sabia que existia tal

prémio. O objectivo desse livro foi mostrar

que é exequível para qualquer pessoa

comer desta forma e, por isso, convidei

várias pessoas que desempenham vários

papéis sociais, como uma apresentadora

de televisão, o CEO de uma empresa, um

viajante, uma dona de uma empresa, uma

professora de feng shui, uma professora

de meditação, uma mãe de 4 filhos, que é

mesmo para mostrar que não é por falta

de tempo mas que é por falta de vontade

que se pode comer de forma simples e

saudável, de forma que coloquei receitas

fáceis e não sabia o impacto que iria ter. O

meu último livro é o Cozinha das Emoções

e é para mostrar que existe a tal relação

que senti quando comecei, entre aquilo que

ingerimos, a saúde dos nossos órgãos e as

nossas emoções.

AC.: Luís, a Casa dos Sonhos é a

materialização diria que espiritual, e

também material, de um sonho. O que é

que lá se passa?

L.: Na Casa dos Sonhos passa-se o que se

passou na minha vida. Basicamente viajo

pelo mundo mas cresci num bairro onde as

vizinhas me chamavam porque a minha mãe

me estava a chamar, a gente frequentava as

casas uns dos outros, e então o que tentei

fazer com a Casa dos Sonhos foi replicar

esse ambiente de aldeia – porque também

cresci no ambiente de aldeia, e nas aldeias as

portas estão abertas. No Alentejo, na casa do

meu avô, as pessoas para passarem de uma

rua para outra passavam no pátio da nossa

casa e isto era uma coisa normalíssima e o

que quis trazer para o Casa dos Sonhos foi o

espírito daquilo que nós somos. Mas trazer

o espírito humanizado que se foi perdendo,

hoje fechamos tudo e já ninguém entra em

casa com medo, ou então se é convidado e

leva um amigo a pessoa desconfia porque

não o conhece. Antigamente o amigo do

amigo era nosso amigo também. A Casa dos

Sonhos transmite este ambiente de aldeia,

das ribeiras, da serra. Por isso as pessoas de

todo o país vêm cá e apaixonam-se por este

espaço simples. No fundo, o que fizemos foi

humanizar.

AC.: Realizam retiros na Casa dos Sonhos

[frequentei recentemente um desses

retiros]. Que tipo de soluções é que as

pessoas procuram quando procuram

retiros da Casa dos Sonhos?

L.: Na minha forma de sentir acho que as

pessoas estão um bocadinho cansadas, há

uma certa tensão e um certo stress que a

sociedade lhes impôs. Perderam aquele

lado de fazer uma caminhada à beira-mar,

de partilhar, de conviver. De tentar viver

um bocadinho mais humanizado. O que

elas vêm aqui procurar é essa partilha.

Sinto isso. Vêm pessoas de todo o lado e

verificamos que vêm numa busca. Querem

estar mais sossegadas, querem estar em

família, querem fazer banhos de ribeira,

querem fazer passeios na natureza, e não

nos esquecemos da parte cultural, da parte

gastronómica, da parte espiritual, que está

tanto na moda e que hoje é uma coisa

normal.

AC.: A Casa dos Sonhos acaba por ser um

dos teus sonhos, mas também tens uma

Casa das Viagens, que de certa forma é a

tua projeção da condição de viajante. O

que é que faz a Casa das Viagens?

L.: A Casa das Viagens é resultado de uma

necessidade, ou seja, temos a Zen Family

que programa viagens ‘diferentes’ por

decorrerem em locais em que as pessoas

não se aventuram muito, com rotas que

neste caso são identificadas por mim e pela

Daniela. Estamos há 25 anos no mercado

e o mercado era o quê? Era aqueles países

onde todas as agências iam e que estavam

na moda e então, neste caso, com a Zen

Family, fui sempre criando rotas ‘fora

da caixa’ e com as quais me identificava.

Lançámos a Patagónia, Machu Picchu,

Marrocos (deserto), Butão, Índia (a parte

mais a sul), Goa, o Japão, agora a Islândia.

E aí aparece a Casa das Viagens, desta

necessidade de lançar rotas fora da caixa e

também porque não basta só lançar as rotas

porque a seguir vem a parte burocrática.

Éramos uma empresa de animação turística

e precisávamos de uma agência de viagens,

por isso o produto da Zen Family está dentro

da Casa das Viagens que é uma agência

convencional que tem tudo o que as outras

agências têm em e para todo o tipo de

pessoas. Sendo que tem uma outra parte de

cerca de 20% de pessoas que querem fazer

uma viagem diferente. A Zen Family aparece

nesse processo e a Casa das Viagens decorre

do processo burocrático da coisa.

É um nome muito feliz, Casa das Viagens.

L.: É.

AC.: Olhando para vocês, enquanto

casal, aquilo que transmitem é o de uma

relação perfeita, o casal protótipo, no

bom sentido. Não se chateiam um com o

outro?

L.: Ambos já tivemos uma relação anterior

e então quando se sai de um casamento e

vamos para outro há determinadas coisas

que não queremos ter nas nossas vidas, pelo

que é mais fácil ultrapassar os problemas.

Quando vamos para uma relação nova, no

nosso caso há 10 anos, queremos ser como

e quem somos, e isto é o princípio de tudo.

Também nos chateamos, mas aquilo dura

pouco, estamos enervados, mas é uma

tensão diferente. Hoje em dia parece que

estar enervado é querer matar o outro, mas

não, estar enervado no meu caso significa

estar incomodado com uma situação. E

quando estamos chateados um com o outro

acontece uma coisa engraçada: sou aquele

que vai por todo o lado e quer agarrar tudo

e a Daniela põe-me no lugar, “ó fofo, isso são

coisas a mais, calma”. Então conseguimos

ter esta ligação e é muito bom. Gosto de

viajar, de cozinhar e de ajudar na cozinha,

ela também me ajuda nas viagens – está

tudo interligado: viagens e cozinha.

D.: É semelhante.

L.: Porque passamos muito tempo juntos,

mesmo muito tempo. Conseguimos estar

sozinhos um com o outro.

D.: Quando o Luís diz que vimos de outra

relação, e há coisas que não queremos, uma

das coisas que não queremos é fingir. Então,

quando a gente gosta, gosta e quando não

gosta diz que não gosta e o outro percebeu

e não tem de ficar chateado. Acho que é por

aí e tem resultado.

AC.: Foste enfermeira no IPO,

nomeadamente na área de

transplantação de medula óssea. Por

entre tantos casos de sucesso que te

passaram pelas mãos, qual é o que é uma

referência para ti?

D.: Há vários, passou muita gente, lembrome

de um senhor no início quando comecei

a trabalhar há mais de 20 anos, e na UCI

(unidade de cuidados intensivos) que era

quase uma certidão de óbito para quem lá

entrava, era muito raro um doente voltar

aos nossos serviços e houve um senhor - e

isto marcou-me – que esteve na UCI muito

tempo e depois recuperou, e a felicidade

do senhor era tanta, mas tanta que ele

queria chamar os jornais todos e a televisão,

para anunciar que continuava vivo. Esse

foi, realmente, um momento marcante.

Tenho muitos casos, principalmente com

adolescentes e crianças que acabaram por

24 saber setembro 2022


falecer, mas que ficou uma ligação. Ficou

uma ligação grande.

AC.: Sonhador, és reconhecidamente um

sonhador, mas para além de sonhador

o que mais importa no sonho é a

concretização do mesmo. Qual o sonho

que se segue?

L.: Tenho o sonho, que surgiu no período

da pandemia e o facto de termos ficado

‘confinados’ na nossa aldeia, onde vivemos

- uma aldeia de 27 pessoas em que grande

parte é de gente envelhecida. E fazendo

as contas, concluí que a aldeia em dez

anos vai acabar porque os mais velhos vão

morrendo, e com isto a vivência da aldeia

e a sua cultura vai acabar. Como é possível

que isto acabe? E então tenho o sonho,

que já transmiti ao nosso Presidente - que

é fantástico – dizendo-lhe que vou fazer

disto um exemplo nacional. Ou seja, uma

aldeia do interior de Portugal que ao invés

de perder gente está a duplicar a população.

Não temos de ficar agarrados a padrões

passados, mas ter pessoas que sonham

como eu, em que cada um tem a sua casa

mas sabe que se bater à porta do vizinho ele

abre e oferece ovos e legumes... Há pessoas

que não vivem aqui mas têm cá a casa dos

pais e dizem “vou à minha aldeia” e é este

o espírito. A minha vontade agora, o sonho

maior, é que isto ganhe alguma ligação ao

mundo e sirva de exemplo.

AC.: Dos lugares por onde passaste, onde

é que te sentes melhor? Onde achas que

fica o teu lugar no mundo?

L.: Sou muito sazonal, quero dizer com

isto que se estiver em outubro, novembro,

começo a pensar muito em ir para as Ásias,

a Machu Picchu em novembro, que é uma

época boa para viajar até à Patagónia, mas

chega a fevereiro e só penso na Índia, e então

só me apetece estar na Índia, em março

só me apetece estar em Bali, no Nepal, e

gosto de ir para o Butão naquela época. É

por épocas. É como em Portugal: está calor,

apetece-me ir para a praia. No inverno,

gosto de sair de Portugal e ir para outros

países porque aqui, nessa altura, as pessoas

entristecem e ficam muito fechadas. Nessa

altura apetece-me expandir.

AC.: Daniela, o que é que faz com

que a maioria das pessoas ande

distraída daquilo a que se denomina de

gastronomia ou culinária saudável?

D.: É a oferta e o marketing. Tens montes

de produtos super publicitados, até como

saudáveis, e quando vais ver, na realidade

não é bem assim. Mesmo pessoas que têm a

preocupação de comer melhor e de acordo

com as necessidades do corpo, muitas

vezes são iludidas pela embalagem, pelo

marketing. E é falta de informação.

AC.: Uma das sugestões que dás é ler

sempre os rótulos. Os rótulos espelham o

produto que se tem nas mãos.

D.: Sim, e não é ler as calorias ou a informação

nutricional, mas ler os ingredientes, o que lá

está. Costumo dizer a toda a gente: queres

comer comida a sério escolhe alimentos

que não têm publicidade. Comida de

verdade não precisa de publicidade. Não

vês publicidade aos brócolos, nem ao arroz

integral, nem às cenouras. Todo o resto, se

precisa de publicidade…lê o rótulo, duvida,

verifica o que lá está.

L.: Gosto de uma expressão que usas muito

e que é: se quiseres comer comida, e a

gente reconhece pelas nossas comidas em

Portugal que são muito antigas, leva a tua

bisavó ao supermercado e tudo o que ela

não reconhece como comida, não compres

pois não é comida.

AC.: Sei que ages à tua escala, e dentro

daquilo que te é possível já andas a

inverter o rumo das coisas. Mas imagina

que amanhã és responsável, a nível

do país ou à escala global, por uma

única decisão que tenhas de tomar

relativamente à inversão deste rumo.

Que medida tomarias para que as pessoas

começassem a comer melhor?

D.: Primeira medida: excluir tudo o que é

produto processado.

AC.: É então disto que se trata. A pergunta

poderá ser idiota – mais uma [risos] - mas

para ti, Luís, quando um dia regressares

a este mundo (sei que acreditas nisso)

como gostarias de regressar?

L.: Gosto muito da versão que está cá

agora. Gosto muito da minha versão. Como

é a minha reencarnação? Como gostaria

de regressar? Uma coisa do género mais

consciente, sabendo eu que cada dia é uma

evolução como ser humano, mas acima de

tudo, respeitando o outro, gostava de uma

versão em que eu fosse menos julgador –

de fazer por fazer, simplesmente - porque

às vezes estou ainda naquela parte do

julgamento, da comparação.

AC.: Bateste algum tipo de recorde hoje?

L.: Bati o recorde do meu número de dias

consecutivos vivo.

AC.: À semelhança de tanta gente,

também passaste por uma situação de

doença cancerígena, da qual estás hoje

para contá-la. Como se processou essa

volta de 180 graus na tua vida? O que é

que trazes dessa experiência?

L.: Sim, estive do outro lado. Mas dessa

experiência trago a pergunta: porquê é que

atraíste essa doença? Acredito muito que

atraímos a doença. Não tem a ver só com os

hábitos de vida, com o que comemos. Toda a

gente olhava para nós e dizia que tínhamos

a vida perfeita. Neste sentido, perguntavame

como é que, com uma vida perfeita,

atraio um cancro na língua. Vi o que é que a

língua faz - a língua é comunicação e então,

se calhar, a forma como andava a comunicar

para o mundo não era a melhor forma, na

minha intimidade, nas minhas relações, eu

fugia aos problemas. Na relação de homemmulher,

acabava a relação, não falava sobre

o problema e ia viajar. Fugia ao problema

e ia viajar. Para mim foi isso. Disseram-me

que tinha o nível 4 e que iam ver o que ia

acontecer. O que fiz foi saber sobre casos

de sucesso de pessoas que tiveram o nível

4 de cancro e que recuperaram. O meu

pensamento foi: se há um que recupera, eu

também poderei ser esse caso de sucesso.

saber setembro 2022

25


Na altura houve um caso de sucesso de

um fumador (o meu caso não foi devido ao

cigarro), sabia que a equipa que tinha estado

com ele era uma equipa do Brasil que estava

com um tratamento revolucionário. O que

aconteceu foi avançar com o tratamento

e vamos ver o que acontece. Posso dizer

que foi entrar com os dois pés ao contrário

porque numa segunda-feira detetam o

cancro de nível 4, quarta-feira marcam a

introdução do cateter e nesse episódio

tenho uma obstrução do sangue (é uma

situação de alta mortalidade). Só que

naquele dia tinha alguém a operar na sala

ao lado, um cardiologista que me abriu logo

e que conseguiu que fosse drenado e com

isso me salvou. Nesse processo de 7 horas

em que vou para o outro lado, e quando vou

para o outro lado – toda a gente relata que

quando vamos para o outro lado, vamos

em paz – lembro-me perfeitamente que

queria voltar. Queria voltar, e então ouvia as

máquinas e alguém a dizer «não se apague».

Agora, a piada disto é que recupero, vou

para o quarto e toda a gente a dizer «você é

o cara mais sortudo do mundo». Senti logo

que se não tinha morrido naquele momento

é porque não iria morrer. A partir daí foi todo

um processo de cura. Estive dois anos sem

andar, pois o excesso de químio destruiume

o parte do corpo e a minha curiosidade

foi, de novo, procurar casos de sucesso no

mundo, e apareceu uma senhora de 95

anos que sobreviveu a um cancro de nível 4

aos 90 e que aos 95 anos era professora de

ioga. Uau! Outra questão foi tentar perceber

emocionalmente porque atraí a doença?

Sempre fui uma pessoa que andou pelo

mundo e agora tinha sido obrigado a travar?

Percebi que, se calhar, não estava a ir nas

melhores direções, nas melhores escolhas e

percebi que tinha de parar. E foi espetacular!

Hoje faço palestras motivacionais para

pessoas que querem ter próteses bilaterais,

falo do cancro de uma forma muito natural

e, sobretudo, falo na primeira pessoa. Acho

que tinha de viver a experiência na primeira

pessoa para dá-la como testemunho Por

vezes a gente espera que a doença chegue

para tomar determinada decisão.

AC.: És um caso de sucesso, a todos os

níveis. Tens algum refúgio, Daniela, seja

ele físico, seja ele espiritual? Foges para

algum sítio?

D.: A minha casa é um refúgio, na realidade.

Quando quero estar sozinha, gosto de estar

em casa. Ou então no sítio que conheceste

[Secret Garden] lá em baixo, e que é um

local onde gosto bastante de ir e de estar lá

a ouvir os passarinhos, a natureza.

AC.: Qual consideras ser o maior

reconhecimento que te fizeram pela tua

caminhada? A tua caminhada pós IPO?

[há pouco mencionaste o reconhecimento

pelo teu livro ser considerado o melhor

do mundo em receitas fáceis em 2018]

D.: Sim. No ano a seguir, o meu novo livro

– Sabores de Viajante, recebeu o prémio

nacional de melhor livro de saúde e comida

e que, confesso, até me deu mais gozo do

que o anterior, o de melhor livro de receitas

fáceis. Ok, é bom, mas eu gosto sempre

mais da versão de ligar a nossa saúde

a uma alimentação saudável. O melhor

reconhecimento é o passa a palavra, em

que todos os dias vês pessoas que vêm

recomendadas por outras, ou até mesmo

por médicos, e vêm para a minha consulta

para adquirirem hábitos mais saudáveis e

conseguirem recuperar a [boa] saúde.

L.: Tiveste um convite da China...

D.: Sim, tive um convite da China para

cozinhar para os 10 melhores chefs

mundiais. Eles queriam oferecer uma

proposta diferente.

L.: Para que se perceba, estamos a falar de

um Óscar, não de actor mas da cozinha,

ou seja, é um evento que é realizado por

chefs franceses e que nesse ano decorreu

na China. Está lá tudo o que tem que ver

com alimentação. Está lá todo o tipo de

comida e estão lá chefs de todo o mundo.

Estivemos quatro dias com 500 pessoas

entre as quais são eleitas as melhores e,

no nosso caso, como foi o caso da Dani, ela

estava dentro de uma categoria e então é

do tipo ‘Hollywood’ «e os nomeados são...».

Neste caso era a portuguesa que passou por

um processo mundial, chegou ali e venceu

a categoria. Foi tudo um processo como se

fosse a entrega dos Óscares. Quem está lá é

a nata da cozinha mundial.

AC.: Um pai com 81 anos e uma mãe com

26 saber setembro 2022


78 que estão sempre presentes neste

quadro familiar e neste conceito que

vocês criaram. Qual a importância que

ambos têm neste processo?

L.: Quando vou para várias culturas no

mundo, se estamos em África, a gente sabe

que são os sobas que mandam nas aldeias,

se estamos no Peru a gente sabe quem é que

manda ali, que dizer, há sempre um ancião,

a avó, por exemplo, era a matriarca da

família. Isso hoje mudou um pouco porque

os netos fazem o que querem dos avós e

eles dão-lhes tudo, ou seja, mudou todo um

conceito. Tenho um respeito enorme pelos

meus pais e observamos que eles andando

connosco nestes projetos melhoram a sua

saúde. Um exemplo: o meu pai há 3 anos,

então com 78 anos, foi o viajante mais velho

a viajar pelo Nepal e a minha mãe tinha 75.

Não é para qualquer pessoa. O meu pai foi

e parecia o mais jovem dentro do grupo,

por causa do espírito dele. Então sinto que

tudo isto lhes traz saúde e acho que as

pessoas mais velhas deviam ser integradas,

mas integradas não como peso na vida,

como muitas vezes passa na comunicação

social, mas sim como leveza na vida. Acho

que contactando com pessoas diferentes

eles também recebem muito. Nas festas

árabes que fazia nos meus eventos por

Portugal inteiro e os levava, toda a gente

os conhecia. Não sou um menino do papá

ou da mamã que levava os pais atrás, nada

disso. Propunha a aventura e eles eram os

primeiros a avançar.

AC.: O teu pai, dentro da sua faixa etária,

e segundo sei, é o único vegetariano em

Portugal.

L.: Digo isto em todas as entrevistas:

encontrem na geração do meu pai, um

alentejano de gema, que seja vegetariano,

que faça as suas aulas de ioga e que nunca

tenha bebido álcool. Independentemente

disso gostava de conhecer essa geração

dos oitenta anos do meu pai, juntá-los a

todos e depois perceber o que é que têm

em comum, se têm muita saúde ou se têm

mais saúde do que o meu pai. O meu pai é

um exemplo de muita saúde, não gosta de

ir ao médico e se o faz quase que é para dar

conselhos de saúde aos médicos, «olhe que

você anda com um ar cansado e se estou cá

é para fazer uns exames» [risos]

AC.: Para completar este quadro temos

também o teu irmão Vasco que, entre

outras experiências, viveu uns tempos

num templo taoista, na China. O que

é que o Vasco acrescenta a todo este

processo com as suas experiências?

L.: Acrescenta muita coisa porque quem

vem à Casa dos Sonhos tem o meu irmão por

perto. O meu irmão foi sempre vindo atrás,

temos oito anos de diferença e eu levava-o

para as viagens, era guia de viagem e puxava

por ele, mas percebi a determinada altura

que cada um tem o seu caminho e, nesse

caminho, o meu irmão fez uma escolha de ir

para a China, que era um sonho de criança,

para estudar o taoismo. Tudo o que vemos

da medicina tradicional, desde o tai chi,

o kung fu das artes marciais, todas essas

filosofias vêm desta arte com cinco mil anos

- os taoistas, então, eram vistos como os

sábios de toda a China - e o meu irmão foi

lá beber, na ‘fonte’ -. Esteve lá algum tempo

e voltou para viver como mestre taoista.

Aprendeu toda uma filosofia e hoje tem esta

missão quase impossível, ou possível (não há

impossíveis), que é trazer todo um espírito

taoista e toda uma filosofia e como é que isto

se adapta à Europa. E ele acrescenta muito

porque com as aulas de tai chi, que até estão

na moda, assim como de chi kung, também

na moda, é um sobretudo um terapeuta.

No fundo ele faz isto como terapia porque

as pessoas vêm com as suas patologias e

uma série de problemas e o Vasco ajuda. Ele

acrescenta valor com a sua experiência, é um

comunicador nato, é muito mais organizado

nos seus pensamentos do que eu, que sou

mais vago. O Vasco vai mais ao fundo das

questões porque é esse o estilo dele e as

pessoas percebem. E então acrescenta

muito valor consegue passar o mesmo tipo

de mensagem, ou quase o mesmo tipo de

mensagem, que eu, mas de forma diferente.

Porque a vida é isto, todos nós andamos

a passar o mesmo tipo de mensagens de

formas diferentes e queremos que todos

sejam iguais para passarem uma mensagem

igual. Eu posso passar uma mensagem igual

de forma diferente.

AC.: Uma palavra para resumires a tua

vida.

D.: Viagem.

AC.: Uma frase para resumires a tua vida.

L.: Sou um Tom Sawyer. Vejo-me como um

Tom Sawyer.

AC.: Algo que eu deveria ter abordado

e que por esquecimento ou por

desconhecimento, não abordei e que

vocês queiram trazer para a conversa?

L.: Dois pontos (:) ambos vivemos daquilo

que gostamos de fazer; num dos livros

da Daniela há uma passagem em que ela

começa a estudar alimentação e depois sai

do IPO, larga a alimentação e entra para a

saúde, como costuma dizer, e transmite isso

através dos seus livros e das suas palestras

e das suas consultas, através das viagens,

dos retiros. É como ela passa a questão da

alimentação e, finalizando, ela começou

pela alimentação da boca, mas hoje, para

ela, a alimentação é muito mais do que isso.

D.: A alimentação é bem mais do que isso.

L.: É porque vamos também pelas emoções,

pelo lado espiritual.

D.: Ou seja, ele ficou doente porque se

alimentava mal.

L.: Sim, de diversas formas e tu presenciaste

isso. Ao viajarmos pelo mundo vimos

determinados povos que nos surpreendem

pela forma como se alimentam, achamos

que até nem são as mais adequadas, mas

respiram saúde porque têm outras coisas

que nós não temos. Têm uma casa e uma

família que harmoniza, dão-se com pessoas

que harmonizam e então acho que isso é

crucial, e isto é uma área que a Dani explora

bem nas suas atividades.

AC.: Muito obrigado a ambos.

L.: Muito obrigado, até me abriu o apetite.

s

saber setembro 2022

27


viajar coM saber

ANTÓNIO CRUZ

AUTOR E VIAJANTE › antonio.cruz@abreu.pt

Islândia

A Islândia, esse pedaço de terra gelada e cortada pelo

fogo que sempre me fascinou e alimentou a minha

sede de conhecê-la. Esse lugar de trolls e de vikings,

moldado pela brutalidade dos elementos, salpicado

pela obra do Homem e bonito como poucos. Mais

área territorial do que Portugal e apenas 370 mil

habitantes. É considerado o país mais seguro do

mundo e o terceiro da lista dos povos mais felizes.

1] Como não sê-lo quando diariamente nos podemos cruzar com

paisagens repletas de maravilhamentos e serenidades?

António cruz › António Cruz escreve de acordo com a antiga ortografia

1]

28 saber setembro 2022


2]

3]

2] Ou quando o bom gosto estético invade os nossos sentidos

e nos permite a contemplação de algo que representa a

perfeição?

3] Reijkavik, a capital, é um dos mais correctos exemplos de

irreverência, intervenção e alegria de viver. Uma paz que vem de

dentro, do âmago dos habitantes que vivem num dos lugares em que

os elementos da natureza podem roçar os extremos. E os opostos.

4] 5]

4] Um país que vive entre o gelo e o fogo, poderoso nas matérias

que fazem dele o mais vulcânico dos lugares, de entranhas vivas e

sempre presentes no olhar, no olfacto, na força que vem de uma

realidade telúrica não despicienda.

6] Um país esmagadoramente luterano que deixa no mais ermo dos

lugares um espaço onde as comunidades isoladas se possam reunir na

procura de algo que as transcende. [na imagem a que é considerada a

mais antiga das igrejas islandesas cobertas por trufa]

5] A Islândia é, toda ela, um catálogo vivo de uma natureza tudo

menos morta. Um catálogo que nos é dado a conhecer à medida

dos quilómetros que vamos percorrendo, e que nesta viagem que

desenhei, totalizarem 1800.

7]

6]

7] Thingvellir é o lugar onde tudo começou, ou seja, foram

aqui lançados os fundamentos da actual nação no ano de 930,

precisamente onde a falha tectónica separa a placa continental

americana da da eurásia.

saber setembro 2022

29


nutrição

Alison Karina

de Jesus

Alison Karina de Jesus

Nutricionista (2874N)

facebook.com/nutricionalmentebem

instagram.com/nutricionalmentebem

info@nutricionalmentebem.com

https://nutricionalmentebem.com/

D.R.

Gravidez e alguns nutrientes-chave

Durante a gravidez, quer a mãe quer

o bebé em desenvolvimento enfrentam

alguns riscos de saúde,

por isso mesmo é muito importante

que a mulher seja informada mesmo

antes da gravidez e haja um acompanhamento

ao longo deste período. Já é grande

a evidência que mostra que a saúde do filho

é em grande parte, programada durante a

sua vida intrauterina, pelo que uma gravidez

bem monitorizada acarreta vantagens

para a mãe e para a saúde futura do seu filho.

As necessidades nutricionais da grávida

aumentam para apoiar o desenvolvimento

do bebé bem como o próprio metabolismo

da mãe. Por conseguinte, as recomendações

alimentares e nutricionais devem ser

adaptadas a cada mulher, tendo em contas

as diferenças individuais. Por isso mesmo, é

que é recomendável que pratique um estilo

de vida saudável, que deve iniciá-lo mesmo

antes da gravidez. Isto para garantir a saúde

da mãe e reduzir o risco de complicações e

de algumas doenças no bebé. Nos últimos

100 anos tem-se verificado um aumento da

medicalização durante a gravidez, sendo a

nutrição um dos pontos mais importantes

da gravidez. O ácido fólico (vitamina B9)

atua na divisão celular, síntese proteica e

reparação do ADN. Desempenha um papel

crucial na redução do risco de desenvolvimento

de malformações do tubo neural do

bebé. Aconselha-se o aumento do consumo

de hortofrutícolas ricos nesta vitamina,

bem como a utilização de cereais integrais

(pão integral, massa e arroz integrais) e leguminosas

(lentilhas, ervilhas, feijão, grão-

-de-bico, favas, tremoços). Muitas vezes, é

necessário recorrer à toma de suplementos.

Idealmente, a suplementação deverá

ser iniciada três meses antes da conceção

e mantem-se durante os primeiros três meses

de gravidez (1º trimestre). O ferro em

combinação com o sódio, potássio e água,

ajuda a aumentar o volume sanguíneo e

prevenir a anemia. É um mineral protagonista

no metabolismo energético no desenvolvimento

do sistema nervoso do bebé.

A deficiência deste mineral pode causar o

risco de baixo peso do bebé ao nascimento,

prematuridade e mortalidade perinatal

e perturbações na formação e organização

neuronial. As principais fontes de ferro são

alimentos de origem animal como: carne,

peixe; leguminosas como: feijão e grão-de-

bebeabril.com

-bico e hortícolas de folhas verde escuro:

couves, espinafres, agrião. De maneira a

aumentar a absorção de ferro, é fundamenta

incluir uma fonte de vitamina C (por

exemplo sumo de laranja ou de limão natural,

fruta cítricas: kiwi, laranja, tangerina)

ao almoço e jantar; Evitar a ingestão de chá

ou café às refeições principais (consumir

1-2 horas antes ou depois) e misturar diferentes

fontes de ferro (carne ou peixe com

leguminosas ou vegetais). Lembre-se que

uma alimentação equilibrada e saborosa

vai ajudá-la a manter-se saudável durante

a gravidez, facilitar o trabalho de parto e a

construir os alicerces essenciais para o crescimento

saudável do seu filho. s

30 saber setembro 2022


IMAGE consulting

instagram.com/qvestir.marisafaria/

facebook.com/QvestirConsultoriaImagem/

www.q-vestir.com/

info@q-vestir.com

D.R.

Marisa Faria

Consultora de Imagem

Porque a Moda

é relevante

Da próxima vez que escolheres

a roupa para te vestires ou para

comprar, vale a pena tirar uns

segundos para pensar nisto, pois,

aquilo que irás transmitir através

da tua imagem pode ajudar-te

a expressar melhor quem és

ou pode estar a dificultar esse

processo e afastar-te ainda mais

das tuas metas.

D.R.

Cada pessoa no mundo percebe a

moda de uma maneira diferente

mas numa coisa estamos todos de

acordo: é que ela representa a maneira

como alguém se veste e expressa o

seu estilo. A moda é universal e pode incluir

várias conexões culturais e espirituais. Diferentes

partes do mundo seguem tendências

diferentes e, frequentemente, a moda

é influenciada pelas coisas que gostamos,

não gostamos e como nos sentimos. O que

é importante ressalvar é o facto de que a

moda não se resume apenas a itens caros

e roupas de marca. Se pensarmos bem,

cada pessoa mostra muito mais através

daquilo que veste do que apenas os próprios

itens do vestuário. Podemos dizer

que cada peça, cada detalhe tem por detrás

uma mensagem secreta que não está

escrita nem é dita. A moda é a forma de

auto-expressão, em que cada peça de roupa

que vestimos e a forma como a usamos

e combinamos é uma forma de expressar

a própria individualidade e personalidade.

A moda permite-nos mostrar ao mundo

como nos sentimos e como queremos ser

vistas. Para algumas pessoas, a moda é andar

por aí com roupas lindas, extravagantes

e caras - mas isso é apenas o lado superficial.

Se pensarmos bem, existe muito mais

por detrás disso. Existe uma vontade de se

afirmar, de ser valorizada, de se destacar,

de ser admirada e de pertencer a algo com

o qual se identifica ou ambiciona. É, portanto,

uma maneira de alguém comunicar algo

muito mais importante e maior. Basta pensar

que antes da década de 1920, a grande

maioria das mulheres estava constantemente

em casa e não estava particularmente

envolvida na sociedade. A situação, entretanto,

mudou para melhor e, através

das suas roupas, elas expressaram a sua

conquista e felicidade. Foi exatamente isso

que a moda lhes permitiu naquela época e

que, felizmente, ainda faz. As roupas que

vestimos são mais do que simples bocados

de tecido que escolhemos. São, acima de

tudo, uma maneira eficaz de mostrar como

nos sentimos, como nos valorizamos, como

levamos a vida, no que acreditamos, o que

priorizamos, e a nossa atitude em relação

ao mundo. Da próxima vez que escolheres

a roupa para te vestires ou para comprar,

vale a pena tirar uns segundos para pensar

nisto, pois, aquilo que irás transmitir

através da tua imagem pode ajudar-te a

expressar melhor quem és ou pode estar

a dificultar esse processo e afastar-te ainda

mais das tuas metas. Por esta razão, tantas

pessoas atualmente investem cada vez

mais na sua imagem, da mesma forma que

investem na sua formação e no seu autodesenvolvimento.

Em suma, e sem tirar a

importância que tem investir na sua formação,

uma pessoa que tenha uma boa imagem,

congruente com os seus objetivos e

a sua individualidade e com boas soft skills

(habilidades comportamentais, competências

sociais), consegue mais facilmente alcançar

sucesso na sua vida do que alguém

com apenas a formação. s

saber setembro 2022

31


DECORAÇÃO

Tendência Nordic Lodge

ANordic Lodge é uma tendência mundial na decoração de

interiores. Baseado no minimalismo, o estilo nórdico é pautado

pelo visual maioritariamente ‘clean em tons de branco

e com pequenos apontamentos-chave de cor que quebram

a monotonia e transmitem a personalidade do estilo decorativo. A

Nordic Lodge é uma tendência marcada pela coexistência de elementos

vintage e modernos em perfeita harmonia. As peças com

linhas retas em metal, como os aparadores ou mesas de apoio, combinam

na perfeição com cadeirões de estilo vintage em veludo e com

uma cor marcante. Conjuga a funcionalidade e o glamour num estilo

inconfundível em pormenores de decoração como jarras ou vasos,

com sofás ou mesa de refeições. s

Maria camacho

Tânia Tadeu (taniatadeu@taylor365.pt), Dora Sousa (dorasousa@redoute.pt)

32 saber setembro 2022


MARCAS ICÓNICAS

A história desta marca

que é referência mundial

na produção de pastilhas

elásticas associa-se a outras

histórias bem mais antigas e

que tem a ver com a prática

de mascar goma na antiga

civilização maia. Apesar

da goma de mascar – a

pastilha elástica tal como

a conhecemos - ter sido

inventada em 1848, foi no

início do século 20, quando

Frank H. Fleer, proprietário

de uma empresa de mesmo

nome, resolveu recobrir

a goma de mascar com

confeito (uma espécie de

casca feita de amêndoa),

que a Chiclets foi criada. O

sucesso foi tão grande que

anos depois, em 1914, a marca seria comprada pela

empresa American Chicle Company, fundada pelo

inventor nova iorquino Thomas Adams, justamente

o inventor da goma de mascar. Foi o início da

gigantesca empresa Adams. Surgem novos tipos e

novas marcas de pastilhas. Em 1928, Walter Diemer

cria a primeira goma que faz bolas. Sem perceber

de química, misturou os ingredientes certos com

um corante e distribuiu as pastilhas uma noite após

o Natal. A partir daí, o rosa consagra-se como cor

preferencial das gomas de mascar. A marca Chiclets

dispara em todo o mundo na altura da Segunda

Guerra Mundial, quando foi dada aos soldados e

à população em geral para alívio do stress diário

sentido na época. A Chiclets chega a Portugal em

1934 através da Torrefacção Lusitana que se torna

uma referência por ter sido a primeira marca de

pastilhas elásticas a investir em comunicação de

produto. O grupo português Táxi celebriza-a com a

música Chiclete, de 1981, que se assumiu como uma

crítica à “sociedade de consumo imediato”. O single

tornou-se um dos hits de maior sucesso da música

portuguesa. Actualmente, a Chiclets pertencente

ao grupo Cadburry e é a número dois em termos de

vendas em Portugal. Num mercado liderado pela

Trident, também da Cadburry, a Chiclets detém

o segundo lugar com 7,1 por cento do mercado

de venda de pastilhas elásticas para adultos em

Portugal, sendo consumidas, sobretudo, por jovens

entre os 18 e os 24 anos. s

Maria Camacho

mundodasmarcas.com e wikipédia

saber SETEMBRO 2022

33


DICAS DE MODA

Lúcia Sousa

WWW.luciasousa.com

luciasousainfo@gmail.com

FACEBOOK › LUCIA SOUSA-Fashion Designer estilista

Mariana Fernandes (4affection agency)

Cabelo › Hulli Baxtter

Pedro Faria

Evento › Madeira Flower Collection

Seeds

OMassaroco foi o mote para o desenvolvimento

da coleção desenhada

para o evento Madeira Flower Collection,

integrado na Festa da Flor. Este

coordenado é composto por uma saia e top.

A lindíssima saia com muito tecido de corte ao

viés, em tecido chiffon e esvoaçaste.

Em toda a saia destaca-se o desenho do Massaroco,

pintado à mão por mim. O top é em tecido acamurçado

e de cor lilás, assim como o cós da saia.

Uma linda sinfonia de cores e peças originais e

confortáveis como podemos ver na lindíssima

manequim Mariana Fernandes.

Faça a sua encomenda e brilhe! s

34 saber setembro 2022


saber setembro 2022

35


MAKEOVER

Mary Correia de Carfora

Maquilhadora Profissional › Facebook Carfora Mary Makeup

Um dia com...

Maquilhagem

Ainda oVerao!...

Estamos em setembro mas em que

os dias ainda são de verão, cheios

de cor e alegria e, como tal, a maquilhagem

também pode acompanhar!

Tons alegres coloridos para as meninas mais

extrovertidas destacam uma estação de festa

e diversão!. Cores, misturas e texturas

podem garantir uma maquilhagem diferente

e, ao mesmo tempo, muito utilizada! Quando

o cabelo e a Makeup estão em sintonia, qualquer

vestimenta encaixa! Tons que realçam

as cores dos olhos, técnicas que conseguem

de uma forma ténue acertar o mais indicado

para embelezar ainda mais os rasgos de cada

pessoa! No fim de contas, a maquilhagem é

arte! Para mim, cada rosto é um lenço onde

posso, sem dúvida, deixar rolar a minha imaginação!

Espero que gostem! Divirtam-se!. s

Mary de Carfora

36 saber setembro 2022


Produção Mary Carfora

MODELO Eduarda Correia

saber setembro 2022

37


FASHION ADVISOR

JORGE LUZ

www.facebook.com/jorgeluz83/

Looks de transição para o outono

J

á estamos em setembro, o verão está

a despedir-se mas os dias frios ainda

estão longe, pelo que, todos os anos

deparamo-nos com o mesmo dilema:

conseguir looks que não sejam demasiado

quentes, nem demasiado frios, quando os

dias começam a ficar mais frescos. É possível

adaptar as roupas mais leves aos dias

outonais, e jogar com as sobreposições, de

forma a conseguir estar bem para o dia e

não passar frio nas manhãs e fins de tarde.

Os vestidos compridos, cheios de cor e padrões

florais e goemétricos, continuam a

ser uma excelente opção. Combine-os com

botins, botas de cano alto e ténis. s

Jorge Luz Jorge Luz Matilde Vasconcelos

38 saber setembro 2022


saber setembro 2022

39


MOTORES

Rali

ensombrado

por tragédia

Nélio Olim

Nelson Martins E D.R. (direitos reservados)

Depois de dois anos de pandemia,

marcados pelas restrições, máscaras

e distanciamentos, a 63ª edição

do Rali Vinho Madeira, teve tudo

para ser uma grande festa. E foi quase até

ao último momento.

O público voltou a se deslocar em massa

para acompanhar o rali nos habituais pontos

de passagem e a organização voltou a

repetir os normais avisos, especialmente

para o posicionamento dos espectadores

que quiseram acompanhar a prova.

Desde o Shakedown, na manhã de quinta

feira, até à última classificativa, e com particular

destaque para a prova da Avenida do

Mar, as enchentes repetiram-se classificativa

após classificativa, com muitas homenagens

ao piloto Pedro Paixão, recentemente

falecido vítima de acidente rodoviário.

Depois de uma super especial que trouxe à

Avenida do Mar milhares de espectadores

famintos por ralis, a sexta feira de competição

terminou com muito ruido, não fosse

uma reviravolta na liderança do rali e uma

penalização a Alexandre Camacho a serem

os principais motivos. Tudo porque, na segunda

passagem pelo Palheiro Ferreiro, o

despiste de Alejandro Cachón, gerou indignação

a Miguel Nunes, piloto que perdeu

preciosos segundos a aferir o estado da

equipa acidentada, enquanto que Alexandre

Camacho, que seguia atrás de Miguel Nunes

não abrandou perante o despiste. Reunido

o Colégio de Comissários, foi decidida uma

penalização de 11,3 segundos a Alexandre

Camacho, tempo este que representa a vantagem

do piloto em relação a Miguel Nunes

na segunda passagem pelo Palheiro Ferreiro.

Com esta decisão, Camacho ficava a 19,3

segundos de Bruno Magalhães, líder do Rali

Vinho Madeira, depois de uma fantástica

segunda passagem por Santana, onde pulverizou

a vantagem que Alexandre Camacho

e Pedro Calado traziam. As condições

climáticas, com alguma chuva e nevoeiro,

penalizaram Alexandre Camacho, que quis

gerir e defender a vantagem conquistada ao

longo do dia, contrastando com Bruno Magalhães,

que fez uma classificativa de ‘faca

nos dentes’, superando a concorrência e

terminando o dia a liderar, como aliás tinha

começado. No entanto, à exceção das duas

últimas classificativas, onde o piso se apresentou

molhado e escorregadio, Alexandre

Camacho dominou a prova durante todo o

primeiro dia, consolidando a liderança de

classificativa em classificativa.

O madeirense entrou a vencer logo na primeira

classificativa da sexta feira, na primeira

passagem pelo Campo de Golfe, reduzindo

para uma décima de segundo a diferença

para Bruno Magalhães, que ‘amanheceu’ na

liderança fruto do triunfo na super especial

da Avenida do Mar.

Na terceira prova especial de classificação,

Alexandre Camacho ‘saltou’ para a liderança,

deixando Bruno Magalhães a 1,1 segundos,

liderando a prova por seis classificativas

consecutivas, construindo uma vantagem

robusta, onde chegou aos 15,3 segundos

de diferença para Bruno Magalhães, na penúltima

classificativa. Na derradeira prova

especial de sexta feira, em Santana, Alexandre

Camacho procurou gerir a vantagem,

correndo com precaução, pois o piso estava

molhado e os pneus que apresentava na viatura

eram mais duros, para piso seco. Essa

gestão acabou por custar a liderança da

prova, com Bruno Magalhães a saltar para o

topo da classificação, tendo agora 8 segundos

de vantagem sobre o madeirense, o que

deixava tudo em aberto para as oito classificativas

de um sábado que se anunciava

muito competitivo e onde todos os pilotos

tinham de andar ao seu melhor ritmo, evitando

cometer erros...

O sábado mostrava-se um dia longo e duro,

com a caravana a trocar o norte da ilha pela

zona Oeste, levando os pilotos a aumentar o

ritmo competitivo, para encurtar as distâncias

para os seus mais diretos adversários,

como foi o caso de Alexandre Camacho que

perseguiu Bruno Magalhães, tentando anular

a controversa penalização atribuída pelo

Colégio de Comissários. Entretanto, um outro

madeirense fazia também por merecer

atenções, já que era dele a vitória nessa classificativa:

Miguel Nunes, muito veloz na segunda

etapa, foi mesmo o melhor em todos

os troços cronometrados, ganhando por

isso todas as classificativas do dia anterior.

Na primeira passagem pela Ponta do Sol,

Miguel Nunes, também num Skoda Fabia,

voltou a ser o mais rápido e Alexandre Camacho

voltou a reduzir a desvantagem para

40 saber setembro 2022


Bruno Magalhães, e em apenas duas provas

especiais já tinha encurtado a distância

em cerca de metade. Já na Ponta do Pargo,

Alexandre Camacho diminuiu novamente

a margem para o primeiro lugar de Bruno

Magalhães, que ficou a apenas 6,4 segundos

de distância. O piloto do Skoda, que era

o detentor do recorde nesta classificativa,

com 5:46,8, retirou três décimas a essa marca,

terminando 12.ª PEC com 5:46,5. O novo

recorde não durou muito tempo, porém, já

que Miguel Nunes estabeleceu o novo melhor

tempo, com 5:44,6.

A reviravolta quando, na primeira passagem

pelo Rosário, Alexandre Camacho ultrapassou

Magalhães, ficando ainda com uma vantagem

de 2,7 segundos. O piloto continental,

que também procurava a quinta vitória no

Rali Vinho Madeira, acabou por ir do ‘céu ao

inferno’ em apenas meio dia, e viu-se obrigado

a desistir depois de perder uma roda

dianteira no final da segunda passagem pela

Ponta do Sol. Entretanto, Miguel Nunes, que

continuava a levar de vencida todas as classificativas,

conquistava também posições na

tabela geral, e depois de começar o dia em

quinto lugar, ascendera já à segunda posição.

Nas últimas duas provas especiais de classificação,

os lugares do topo mantiveram--

-se inalterados, apesar do ‘forcing’ final de

Miguel Nunes, que também chegara a estar

a mais de 20 segundos de Alexandre Camacho,

e que, mesmo assim, fechou o rali

com uma desvantagem de apenas 11,5 segundos.

No último lugar do pódio ficou José

Pedro Fontes (Citroën C3 Rally2), com uma

diferença de 22,1, mas que saiu da Madeira

a comandar o Campeonato de Portugal de

Ralis. Armindo Araújo (Skoda Fabia Rally2)

ficou em quarto lugar, seguido de Bernardo

Sousa (Citroën C3 Rally2). Miguel Correia

(6.º), Ricardo Teodósio (7.º), Simone Campedelli

(8.º), Paulo Meireles (9.º) e Paulo Neto

(10.º) completaram os 10 primeiros lugares.

Chegou assim ao fim um Rali Vinho Madeira

de algumas reviravoltas, com Alexandre

Camacho a vencer a prova rainha do automobilismo

madeirense pela quinta vez, tornando-se

assim no recordista absoluto de

triunfos na prova. s

saber setembro 2022

41


FINANÇAS

Maioria dos consumidores portugueses prevê

gastar até 50 euros em material escolar

Estudo realizado pela Escolha do Consumidor

revela como vão os portugueses

enfrentar o regresso às aulas

dos seus filhos neste ano letivo

2022/2023. A Escolha do Consumidor realizou

um estudo online, de 22 a 26 de agosto,

com o objetivo de saber como os consumidores

vão gerir o seu orçamento familiar

neste regresso às aulas. A gratuitidade dos

livros escolares que abrange todo o ensino

obrigatório público tem-se revelado uma

grande ajuda às famílias, que durante o mês

de agosto começaram já a usar os vouchers

emitidos pela plataforma MEGA, aliviando

os custos do regresso às aulas. Assim:

• A maioria dos portugueses prevê gastar

até 50 euros em livros e material escolar

• 1/3 prevê gastar até 100 euros

• 68% costuma comprar o material em supermercados/hipermercados

• Quase metade dos inquiridos pretende colocar

os seus filhos em 2 actividades extracurriculares.

• A natação e o futebol são as atividades

mais procuradas

• 48% dos inquiridos têm um orçamento

mensal entre 50 e 100 euros para apoio ao

estudo ou atividades.

Para a compra do respetivo material escolar

e livros, 35% dos consumidores prevê gastar

até 50 euros, 33% pretende gastar até 100

euros e 32% até 200 euros. Curiosamente,

82% dos inquiridos prefere comprar presencialmente

e 18% comprar online. Quanto

ao local de compra, 68% costuma comprar

o material em super/hipermercados, 19%

em papelarias (comércio local) e 13% refere

que têm preferência em lojas especializadas

ou outro tipo de locais de venda destes artigos.

No âmbito das atividades extracurriculares,

foi também questionado o número

de atividades extracurriculares, 47% pretende

colocar o/os seu/s filho/s em duas, 35%

prevê colocar numa atividade apenas e 18%

conta com três ou mais atividades, sendo a

natação e o futebol os desportos mais escolhidos

pelos consumidores. 48% dos inquiridos

têm um orçamento familiar mensal para

apoio/explicações/atividades entre 50 a 100

euros, 27% opta por gastar mais de 100 euros

mensais e 25% da população pretende

despender apenas até 50 euros. Ainda segundo

os dados obtidos, 73% dos inquiridos

refere que os filhos vão frequentar o ensino

público, 24% menciona o ensino privado e

4% o ensino cooperativo.

Sobre o Estudo:

Este questionário foi respondido por um

universo de 75% do sexo feminino e 25%

do sexo masculino. Quanto às idades compreendidas

dos inquiridos: 46% têm entre

35 a 44 anos, 29% entre 25 a 34 anos, 12%

entre 45 a 54 anos, a faixa etária mais nova

(18 a 24 anos) corresponde a 8% e 5% corresponde

a consumidores com idades acima

dos 55 anos. 64% destes consumidores

estão localizados na zona da Grande Lisboa,

22% na zona do Porto e a restante percentagem

encontra-se distribuída em vários pontos

do país.

Sobre a Escolha do Consumidor:

A Escolha do Consumidor é o sistema de

avaliação de marcas nº1 em Portugal. Lidera

todos os índices (notoriedade, credibilidade,

isenção e transparência e motivação de

compra) junto dos consumidores portugueses

(estudo More Março.2021), com 90% de

notoriedade. A Escolha do Consumidor e a

Escolha dos Profissionais são as preferidas

e mais credíveis para as marcas em Portugal.

A Escolha do Consumidor e Escolha dos

Profissionais são os únicos sistemas de avaliação

de marcas com certificação ISO 9001

em gestão de qualidade. A ConsumerChoice

desenvolve em Portugal os sistemas de avaliação

Escolha do Consumidor, Escolha dos

Profissionais, Escolha Sénior, Boa Escolha e

agora a Escolha Ética, sendo líder de mercado

neste sector de sistemas de avaliação por

consumidores. Saiba mais em: http://www.

escolhadoconsumidor.com. s

Vanessa da Trindade

(Senior Communication Consultant Youngnetworkgroup)

D.R. (Direitos Reservados)

42 saber setembro 2022


CULTURA

Prémio Jovens Talentos

do Conservatório

- Vencedores da 1.ª edição do concurso

Os prémios serão entregues no dia

28 de outubro de 2022, no âmbito

da Gala do Conservatório, que

decorrerá no Auditório do Centro

de Congressos da Madeira (Casino).

Rafael António

Pliousnin Kyrychenko

Daniel Perzhan

OConservatório – Escola Profissional

das Artes da Madeira,

Eng.º Luiz Peter Clode anunciou

os vencedores da 1.ª edição do

Prémio Jovens Talentos do Conservatório.

Este Prémio, conforme a nota de imprensa

[31 de julho de 2022] do Conservatório,

“tem como missão intensificar as ligações

com a geração mais nova que se formou

no Conservatório e significa um voto de

confiança na sua qualidade. Tem também

o objetivo de lançar um desafio no sentido

de lhes possibilitar uma contribuição ativa

em prol da melhoria da atividade artística,

pedagógica e científica da Região. Ao longo

dos mais de 75 anos da sua atividade pedagógica

e artística, o Conservatório tem

acolhido e formado com sucesso milhares

de jovens. Além de ter cumprido com a sua

missão de formar cidadãos para as artes,

sobretudo no âmbito da música, o êxito da

sua atividade é testemunhado pelo facto

de muitos dos ex-alunos do Conservatório

terem regressado à sua casa-mãe como

excelentes professores e outros terem continuado

a sua atividade artística e pedagógica,

no continente e no estrangeiro, com

resultados assinaláveis. Assim, num sentido

mais lato, a comunidade educativa da

escola abrange igualmente todos os seus

ex-alunos, dos quais a escola se orgulha”.

Cumprindo com o objetivo de reforçar os

laços com os seus ex-alunos, e também o

de incentivar a excelência entre aqueles

que ainda se encontram no final do seu

percurso educativo no Conservatório, organizou-se

o concurso destinado especificamente

a eles, ou seja, o 1.º Prémio Jovens

Talentos do Conservatório que teve a parceria

da Orquestra Clássica da Madeira. O

júri do concurso foi constituído por Carlos

Gonçalves, Rui Miguel Rodrigues, Norberto

Gomes, Robert Andres e Francisco Loreto.

Na categoria Interpretação, o 1.º Prémio

no valor de 1200 € foi para Rafael António

Pliousnin Kyrychenko (FOTO1), que executou

uma obra concertante com a Orquestra

Clássica da Madeira num concerto que

decorreu no Teatro Municipal Baltazar Dias

e que foi dirigido pelo maestro madeirense

Luís Andrade. O 2º prémio, no valor de

600 €, foi para Daniel Bolba e o 3º prémio,

no valor de 300 €, foi para Emídio André da

Silva Costa. Na categoria Composição, o 1.º

Prémio no valor de 1200 € foi para Daniel

Perzhan (FOTO2), e o 2º prémio no valor de

600 € foi para Afonso Tomás Rodrigues

Martins. s

Dulcina Branco

Conservatório

- Escola Profissional das Artes da Madeira

saber setembro 2022

43


Instantâneo

Festa do Vinho

Éum dos grandes cartazes turísticos do destino Madeira este

evento que presta tributo ao precioso néctar e à sua incontestável

importância socioeconómica. Por altura das vindimas, que

acontece em finais de agosto e inícios de setembro, o evento

procura recriar velhos hábitos da população madeirense associados

aos seculares preceitos das lides vitícolas. Os festejos deste evento,

que se realiza desde o fim dos anos setenta do século passado, acontecem

entre o Funchal e o Estreito de Câmara de Lobos, onde encerra

com as tradicionais vindimas. s

Dulcina branco

Cicero Castro

44 saber setembro 2022


SOCIAL

Terceira edição dos ‘Clássicos

na Magnólia’ abrilhantou

os jardins da Quinta Magnólia

› Banco Alimentar Contra a Fome da Madeira assinalou o seu 10.º aniversário

› Concerto dos 46 anos da Assembleia Legislativa da Madeira homenageou músicos madeirenses

› Átrio da Câmara Municipal do Funchal recebeu exposição retrospetiva do Rally Vinho Madeira

› Concurso ‘Miss Queen Madeira’ trouxe beleza ao jardim do Centro Cívico de São Martinho

› Mostra Regional do Trigo e do Chícharo realizou-se no centro da freguesia da Quinta Grande

› Associação Barmen da Madeira comemorou os seus 52 anos com homenagens e alertas

saber setembro 2022

45


social

Clássicos na Magnólia 2022

Os jardins da Quinta Magnólia voltaram a receber este evento da

Secretaria Regional de Turismo e Cultura. Com entrada gratuita,

foram muitos os que estiveram nesta que foi a terceira edição

deste evento dedicado aos automóveis clássicos mais antigos

existentes na Madeira, abrangendo as décadas de 10, 20 e 30

do século XX. Além dos automóveis em exposição, a iniciativa

incluiu animação diversa, com figurantes vestidos a rigor, complementado

com um Momento Charlie Chaplin, dois concertos

musicais e as conversas “Tertúlias dos Clássicos”, transmitido na

TSF/Madeira. A organização voltou a proporcionar, como na edição

anterior, viagens gratuitas entre o centro do Funchal até à

Quinta Magnólia e Lido, num autocarro clássico, o ‘Chevrolet’ LQ

1/1 Ton da Empresa de Automóveis do Caniço. Esta edição foi

também uma oportunidade para que as pessoas mostrassem os

seus dotes artísticos no desenho ou na fotografia, tendo sido organizados

concursos para os melhores trabalhos nestas áreas. s

DB

O.L.C. (Cicero Castro)

46 saber setembro 2022


Aniversário Banco Alimentar

Contra a Fome Funchal

O Banco Alimentar Contra a Fome da Madeira celebrou o seu

10.º aniversário num evento em que marcaram presença diversas

entidades regionais. A instituição, cujas instalações se situam

na freguesia de Santo António, é atualmente presidida por Fátima

Aveiro. Estão atualmente em atividade 19 Bancos Alimentares

Contra a Fome em todo o país e que têm como missão lutar

contra o desperdício, recuperando excedentes alimentares para

os levar para os mais carenciados, mobilizando pessoas e empresas

que a título voluntário se associam à causa. s

DB

ALRAM

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saber setembro 2022

47


social

Espetáculo “Grandes Músicos

Madeirenses”

Músicos madeirenses foram homenageados no espetáculo

“Grandes Músicos Madeirenses”, que assinalou os 46 anos

da Assembleia Legislativa da Madeira, a 19 de julho, no largo

da Capela de Santo António da Mouraria, junto ao edifício da

Assembleia Legislativa Regional. Entre os homenageados estiveram

nomes como o Conjunto Académico João Paulo, Tony

Amaral, Gabriel Cardoso, Sérgio Borges, Tony Amaral, Max, Luís

Filipe Aguiar, João Luís Mendonça e o Conjunto Zenith, entre

outros. Os temas foram interpretados por Vânia Fernandes,

Sofia Relva, Joaquim Machado, Emma Dias e Laura Silva, acompanhados

pela banda formada por Xico Martins (piano e arranjos),

Saúl Ferreira (teclados), Aloísio Atouguia (bateria), Rodolfo

Cró (guitarra) e Igor Capelo (baixo), sob a direção musical de

Paulo Ferraz. O concerto foi de entrada livre e transmitido em

direto na RTP-M. s

DB

ALRAM

48 saber setembro 2022


Miss Queen Madeira

Foi com “casa cheia” que os Jardins do

Centro Cívico de São Martinho receberam

a Gala Miss Queen Madeira 2021, depois

do adiamento fruto da pandemia, num

evento que teve muita beleza e “glamour”

e abrilhantado com as atuações da violinista

Joana Quintal e da Academia de Dança

Artemotion. O evento, sob a égide da organização

Miss Queen Madeira, teve como

parceiro institucional a Junta de Freguesia

de São Martinho e destinou-se a apoiar a

APPDA-Madeira. Sofia Fernandes, a representar

o concelho de Santa Cruz, foi eleita

Miss Queen Madeira 2021, Bárbara Brasão,

do concelho de Santa Cruz, a 1ª. Dama, e

Laura Menezes, do concelho do Funchal,

a 2ª. Dama. Na categoria Miss Teen Madeira,

Lisa Luís, proveniente do concelho

de Santana, conquistou a coroa Miss Teen

Madeira 2021, Maria Andrade, do concelho

do Funchal, foi eleita a 1ª. Dama Miss Teen

Madeira, e Nicole Góis, do concelho de São

Vicente, recebeu a faixa da 2ª Dama Miss

Teen Madeira. s

DB

Pedro Vasconcelos

Exposição do Rally Vinho da Madeira

No âmbito do Rally Vinho Madeira

2022, o átrio da Câmara Municipal

do Funchal apresentou ao público

uma exposição sobre o Rally

Vinho da Madeira que teve diversos

motivos de interesse. Desde

logo, porque estiveram em exposição

todos os cartazes de todas

as edições da prova, bem como

dezenas de miniaturas de diversas

viaturas que participaram, nesta

emblemática prova, ao longo dos

anos. Teve uma zona dedicada ao

piloto Pedro Paixão, recentemente

falecido. Este ano, o parque fechado

do Rally Vinho da Madeira

ficou, pela primeira vez, no centro

da cidade, mais precisamente na

Praça do Município, trazendo «a

festa do rally para toda a gente»,

como explicou o presidente da Câmara

Municipal do Funchal, Pedro

Calado. s

DB

CMFX

saber setembro 2022

49


social

“Mostra Regional

do Trigo e do Chícharo”

A Casa do Povo da Quinta Grande promoveu a “Mostra Regional

do Trigo e do Chícharo”, na praceta 24 Julho, localizada no centro

da freguesia da Quinta Grande, em Câmara de Lobos. O certame

agrícola regressou este ano ao seu formato tradicional com

a presença de público e feirantes, bem como com as barracas de

comes e bebes e muita animação, nomeadamente musical.s

DB

O.L.C. (Cicero Castro)

50 saber setembro 2022


Parabéns,

Associação Barmen

da Madeira!

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A Associação de Barmen da Madeira comemorou

os seus 52 anos reunindo entidades

oficiais e associados na sua sede,

isto numa altura em que o presidente

Alberto Silva defendeu a necessidade de

encontrar um mecanismo para resolver

os baixos salários e a falta de mão obra

na Hotelaria, “não deixando que os jovens

saiam da ilha à procura trabalho”

e prometeu continuar a apostar nas formações

gratuitas aos Barmen associados

e incentivar os jovens que escolham a

profissão e participam nas atividades da

mesma. A ABM agradeceu, também, a renovação

do contrato entre a câmara municipal

do Funchal e a Associação na continuação

do bar situado no Mercado dos

Lavradores, tendo ainda homenageado

quatro barmen que já estão na reforma,

nomeadamente Anacleto Abreu, José

Melim, Mário Abreu e Vicente Daniel. s

DB

Júlio Silva Castro

saber setembro 2022

51


À MESA COM...

As sugestões de

FERNANDO OLIM

O

meu sincero agradecimento à RTP-M, que me

tem recebido para apresentar alguns dos meus

pratos, e um especial obrigado à apresentadora

Xana Abreu, que no seu programa da tarde na

televisão regional tem contribuido, com o profissionalismo

e a simpatia que a caracteriza, para a divulgação dos

profissionais e produtos madeirenses. É com muito gosto e

honra que participo no programa televisivo. s

PRODUÇÃO FERNANDO OLIM

DULCINA BRANCO

FERNANDO OLIM

internet

52 saber setembro 2022


entrada

Bandeja de beterraba

com laranja

Uma entrada simples e saudável para estes dias que

ainda são de calor. Disponha numa bandeja as rodelas

de beterraba e em que o centro é composto por rodelas

de laranja. Finalize com um pequeno ramo de salsa.

prato

principal

Bandeja de grão

com fiambre

O grão de bico cozido acompanha com cebola fina

picada e salsa picada. Misture com fiambre cortado

em pequenos cubos e finalize com tomate cherry,

folha de hortelã e fio de azeite.

sobremesa

Manjar Branco

Um pudim de baunilha, a gosto, e neste caso preparado

com gelatina, leite de coco e creme de leite, e ao qual foi

adicionado coco ralado e ameixas sem caroço em calda.

saber setembro 2022

53


ESTATUTO EDITORIAL

Estatuto Editorial

A Revista Saber Madeira é uma revista mensal

de informação geral que dá, através do texto

e da imagem, uma ampla cobertura dos mais

importantes e significativos acontecimentos

regionais, em todos os domínios de interesse,

não esquecendo temáticas que, embora saindo

do âmbito regional, sejam de interesse geral,

nomeadamente para os conterrâneos espalhados

pelo mundo.

É um projeto jornalístico e dirige-se essencialmente

aos quadros médios e de topo, gestores,

empresários, professores, estudantes, técnicos

superiores, profissionais liberais, comerciantes,

industriais, recursos humanos e marketing.

Identifica-se com os valores da autonomia, da

democracia pluralista e solidária, defendendo

o pluralismo de opinião, sem prejuízo de poder

assumir as suas próprias posições.

Mais do que a mera descrição dos factos, tenta

descortinar as razões por detrás dos acontecimentos,

antecipando tendências, oportunidades

informativas.

Pauta-se pelo princípio de que os factos e

as opiniões devem ser claramente separadas:

os primeiros são intocáveis e as segundas são

livres.

Como iniciativa privada, tem como objetivo o

lucro, pois só assim assegura a sua independência

editorial e económico-financeira face aos

grupos de pressão.

Através dos seus acionistas, direção, jornalistas

e fotógrafos, rege-se, no exercício da sua

atividade, pelo cumprimento rigoroso das normas

éticas e deontológicas do jornalismo.

A Revista Saber Madeira respeita os princípios

deontológicos da imprensa e a ética profissional,

de modo a não poder prosseguir apenas fins

comerciais, nem abusar da boa fé dos leitores,

encobrindo ou deturpando a informação.

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Redação

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54 saber setembro 2022

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