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Viva e Deixe Viver - Histórias de quem conta histórias - Porto Alegre - 18 anos

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Coor<strong>de</strong>nação Geral<br />

Valdir Cimino<br />

Diagramação<br />

Luana Mesquita<br />

Assistente<br />

Ana Paula Monteiro<br />

Coor<strong>de</strong>nação Editorial<br />

Nome<br />

Revisão<br />

Maria Elisete Pinto e Simone Santos<br />

Ilustrações<br />

Paulo Zilberman<br />

Impressão<br />

Nome<br />

Todos os direitos reservados. Nenhuma parte <strong>de</strong>sta edição po<strong>de</strong> ser utilizada ou reproduzida, em<br />

qualquer meio ou forma, mecânico ou eletrônico, sem prévia autorização da Associação <strong>Viva</strong> e<br />

<strong>Deixe</strong> <strong>Viver</strong>.


Prefácio I<br />

“DOS MILAGRES<br />

O milagre não é dar vida ao corpo extinto,<br />

Ou luz ao cego, ou eloquência ao mudo...<br />

Nem mudar água pura em vinho tinto...<br />

Milagre é acreditarem nisso tudo!”<br />

Mario Quintana<br />

Este livro inicia a sua jornada com a apresentação da Associação <strong>Viva</strong> e <strong>Deixe</strong><br />

<strong>Viver</strong> que nasce em agosto <strong>de</strong> 1997 com a MISSÃO <strong>de</strong> promover a arte <strong>de</strong><br />

<strong>conta</strong>r <strong>histórias</strong>, formando <strong>conta</strong>dores <strong>de</strong> <strong>histórias</strong>, cidadãos conscientes da<br />

importância do acolhimento e que produzem bem-estar a partir <strong>de</strong> valores<br />

hum<strong>anos</strong> como empatia, ética e afeto.<br />

Plantando sementes <strong>de</strong> cultura através da promoção da leitura e do lúdico<br />

criativo na saú<strong>de</strong>, impactando crianças, adolescentes e suas famílias, ganha<br />

respeito dos profissionais e da socieda<strong>de</strong>. Com o passar dos <strong>anos</strong> abre espaço<br />

natural para fortalecer a figura emblemática do <strong>conta</strong>dor <strong>de</strong> <strong>histórias</strong>,<br />

habilitando-o para o mundo educacional, on<strong>de</strong> a responsabilida<strong>de</strong> pessoal tem<br />

o po<strong>de</strong>r <strong>de</strong> construir relações humanizadas.<br />

A <strong>Viva</strong> é reconhecida como uma Organização da Socieda<strong>de</strong> Civil que<br />

<strong>de</strong>senvolve cidadãos para o cumprimento do trabalho voluntário <strong>de</strong> maneira<br />

consciente, comprometida e constante, sendo referência na produção <strong>de</strong><br />

cultura, conteúdos e pesquisas através <strong>de</strong> suas ativida<strong>de</strong>s <strong>de</strong> ensino continuado.<br />

A Multiplicação pelo Brasil se dá <strong>de</strong> forma orgânica e organizada por seres<br />

preocupados com o propósito <strong>de</strong> garantir e valorizar um mundo melhor para<br />

todos.<br />

Acreditamos que sonhar e i<strong>de</strong>alizar um país com o maior número <strong>de</strong> leitores,<br />

se<strong>de</strong>ntos por conhecimento, amor e esperança, nos libertará da opressão e<br />

garantirá, principalmente para as crianças, nosso futuro, mais oportunida<strong>de</strong>s e<br />

qualida<strong>de</strong> <strong>de</strong> vida.<br />

Desejo parabenizar com muito orgulho todos aqueles que participaram da<br />

construção da <strong>Viva</strong> em <strong>Porto</strong> <strong>Alegre</strong>, nestes <strong>18</strong> <strong>anos</strong> <strong>de</strong> existência, e louvar<br />

aqueles que continuam acreditando na multiplicação das boas <strong>histórias</strong>.<br />

Valdir Cimino<br />

Fundador e Conselheiro Administrativo


Prefácio II<br />

O capítulo gaúcho da <strong>Viva</strong> chega a maior ida<strong>de</strong>, que notícia incrível!<br />

Realmente tempo para se comemorar o impacto positivo que esse projeto<br />

causou em milhares <strong>de</strong> vidas, inclusive a minha, e essa história é a que quero<br />

<strong>conta</strong>r.<br />

Voltando <strong>de</strong> <strong>Porto</strong> <strong>Alegre</strong> para São Paulo em 2004, lembro <strong>de</strong> estar a procura<br />

<strong>de</strong> uma causa, a i<strong>de</strong>ia era aportar meus conhecimentos na área <strong>de</strong> gestão para<br />

algo que fosse <strong>de</strong> encontro aos meus valores. An<strong>de</strong>i por vários lugares, conheci<br />

projetos belíssimos, gente séria, mas nada tocava a minha alma. Até que um dia<br />

um amigo falou sobre um projeto <strong>de</strong> <strong>conta</strong>ção <strong>de</strong> <strong>histórias</strong> para crianças<br />

hospitalizadas, aí a magia estava feita, cultura, estímulo, leitura e crianças.<br />

Bati na porta da <strong>Viva</strong> com a pergunta:<br />

Vamos levar pra <strong>Porto</strong> <strong>Alegre</strong>? A resposta afirmativa foi dada <strong>de</strong> forma muito<br />

assertiva pelo Valdir e sua equipe, uma missão incrível colocada em prática <strong>de</strong><br />

forma séria e profissional era o que esse administrador precisava para<br />

embarcar <strong>de</strong> corpo e alma.<br />

Eu precisaria <strong>de</strong> muitas páginas para falar sobre as experiências incríveis<br />

usando esse avental colorido, sobre as crianças que me <strong>de</strong>ixaram lições ainda<br />

mais incríveis e que levarei pra sempre no coração, das amiza<strong>de</strong>s que nasceram<br />

por lá e permanecem, e que também hoje atingiram a maior ida<strong>de</strong>, gente que<br />

embarcou nesse sonho e levou luz e carisma tão necessários para validar um<br />

projeto então <strong>de</strong>sconhecido por esses pagos.<br />

Fico feliz em ter trazido a semente <strong>de</strong> uma árvore <strong>de</strong> lobos maus e<br />

chapeuzinhos, <strong>de</strong> bruxas e fadas, on<strong>de</strong> os frutos são nada menos que valores<br />

hum<strong>anos</strong>, <strong>de</strong>sses cada vez mais necessários para o mundo. E no fim da história,<br />

aquele cara que só pensava em ajudar, acabou recebendo muito, a <strong>Viva</strong><br />

<strong>de</strong>finitivamente me tornou uma pessoa melhor mostrou que solidarieda<strong>de</strong> po<strong>de</strong><br />

trazer sentido e transformar muitas vidas. Serei sempre grato por isso.<br />

Denis Escu<strong>de</strong>ro<br />

Responsável por implantar<br />

<strong>Viva</strong> e <strong>Deixe</strong> <strong>Viver</strong>em <strong>Porto</strong> <strong>Alegre</strong>


Prefácio III<br />

Durante minha trajetória profissional, trabalhando na gestão <strong>de</strong> um HOSPITAL<br />

PEDIÁTRICO, tive o prazer e a honra <strong>de</strong> conhecer e conviver com a ONG <strong>Viva</strong><br />

e <strong>Deixe</strong> <strong>Viver</strong> como parceiros <strong>de</strong> diversos projetos tanto no planejamento como<br />

na execução <strong>de</strong>stes. Neste período inúmeros sonhos foram construídos e se<br />

tornaram realida<strong>de</strong>, movidos pelo amor e <strong>de</strong>dicação das pessoas envolvidas<br />

nesta missão.<br />

A partir <strong>de</strong>sta experiência posso afirmar com convicção da importância dos<br />

<strong>conta</strong>dores <strong>de</strong> <strong>histórias</strong> que, através da sua atuação abrangem crianças,<br />

adolescentes, pais, acompanhantes e equipe <strong>de</strong> saú<strong>de</strong>, transformando e<br />

humanizando o ambiente hospitalar.<br />

Atuando em <strong>Porto</strong> <strong>Alegre</strong> <strong>de</strong>s<strong>de</strong> 2004 a <strong>Viva</strong> e <strong>Deixe</strong> viver, através <strong>de</strong> seus<br />

voluntários, celebra a arte <strong>de</strong> ler, brincar e <strong>conta</strong>r <strong>histórias</strong> para crianças e<br />

adolescentes hospitalizados com o objetivo <strong>de</strong> através da ludicida<strong>de</strong>, alegrar e<br />

humanizar o ambiente hospitalar. Des<strong>de</strong> então tem firmado parcerias com<br />

instituições e pessoas que acreditam no trabalho voluntário e na humanização<br />

da saú<strong>de</strong>, consi<strong>de</strong>rando esses preceitos imprescindíveis para um atendimento<br />

integral e <strong>de</strong> qualida<strong>de</strong> às crianças e adolescentes que buscam assistência<br />

hospitalar e ambulatorial.<br />

Ao completar <strong>18</strong> <strong>anos</strong> <strong>de</strong> ativida<strong>de</strong>s no Rio Gran<strong>de</strong> do Sul, movidos pelo<br />

privilégio <strong>de</strong> melhorar o dia a dia das crianças e adolescentes internados ou em<br />

tratamento ambulatorial, a <strong>Viva</strong> e <strong>Deixe</strong> <strong>Viver</strong> cria o livro "Historias <strong>de</strong> <strong>quem</strong><br />

<strong>conta</strong> historias".<br />

A proposta é <strong>de</strong> que os voluntários <strong>conta</strong>dores possam relatar suas vivências,<br />

casos e momentos pitorescos vividos durante as <strong>conta</strong>ções <strong>de</strong> historias.<br />

Tenho certeza, prezado leitor, que esta leitura além <strong>de</strong> agradável e emocionante<br />

irá trazer a todos a oportunida<strong>de</strong> <strong>de</strong> se transformar como ser humano e na<br />

forma <strong>de</strong> ver o mundo. Se permita esta experiência.<br />

Ótima leitura!<br />

Lana Cvirkun Urbanskyy<br />

(Enfermeira) Hospital Santo Anônio<br />

<strong>Porto</strong> <strong>Alegre</strong>


APRESENTAÇÃO<br />

Uma criança hospitalizada é, antes <strong>de</strong> tudo, uma criança. Assim sendo,<br />

<strong>de</strong>ve ser respeitada, amada e fortalecida e uma história po<strong>de</strong> ajudar a passar<br />

por essa fase ruim ou ainda colaborar para que os pequenos transformem a sua<br />

permanência no hospital em algo não tão dolorido e triste. E é neste momento<br />

que entram os <strong>conta</strong>dores <strong>de</strong> <strong>histórias</strong>. E neste ano <strong>de</strong> 2022 em que a <strong>Viva</strong> e<br />

<strong>Deixe</strong> <strong>Viver</strong> em <strong>Porto</strong> <strong>Alegre</strong> comemora <strong>18</strong> <strong>anos</strong>, queremos <strong>de</strong>ixar registrado<br />

neste livro momentos <strong>de</strong> <strong>18</strong> <strong>conta</strong>dores que vivenciaram <strong>histórias</strong> incríveis com<br />

estas crianças e adolescentes. Serão relatos on<strong>de</strong> a emoção levará o leitor a<br />

perceber a importância <strong>de</strong>ste projeto e o entendimento da <strong>conta</strong>ção <strong>de</strong> <strong>histórias</strong><br />

como algo além do prazer e da alegria.<br />

Viaje com nossos <strong>conta</strong>dores nestes relatos cheios <strong>de</strong> emoção e sensibilida<strong>de</strong>,<br />

nosso objetivo é que o leitor se inspire e acredite que o <strong>conta</strong>r <strong>histórias</strong> po<strong>de</strong><br />

ser tido como um instrumento <strong>de</strong> transformação <strong>de</strong> uma realida<strong>de</strong>, tanto do<br />

paciente quanto do <strong>conta</strong>dor.<br />

“Sempre haverá amor,<br />

sempre haverá o bem,<br />

numa via <strong>de</strong> mão dupla<br />

com a força <strong>de</strong> um trem.<br />

Alguém ajuda você<br />

e você ajuda alguém.”<br />

Bráulio Bessa<br />

Com amor,<br />

Idione Klein da Rosa<br />

Coor<strong>de</strong>nadora da <strong>Viva</strong> e <strong>Deixe</strong> <strong>Viver</strong><br />

<strong>Porto</strong> <strong>Alegre</strong>


SUMÁRIO<br />

Uma história <strong>de</strong> amor.........................................................<br />

...É a vida..........................................................................<br />

As vezes bruxa, às vezes fada.............................................<br />

O pequeno leitor................................................................<br />

Amor colorido...................................................................<br />

Mas eu quero!....................................................................<br />

Um dia especial.................................................................<br />

Cocô no trono....................................................................<br />

Assembleia dos bichos e João.............................................<br />

Uma forma <strong>de</strong> agra<strong>de</strong>cer.....................................................<br />

Pura magia.........................................................................<br />

Família <strong>conta</strong>giante...........................................................<br />

Pupilo................................................................................<br />

O sonho <strong>de</strong> Duda................................................................<br />

A cor do amor....................................................................<br />

Cantei, encantei <strong>de</strong> rir e...Chorei!.......................................<br />

O Susto..............................................................................<br />

Agra<strong>de</strong>cimento...................................................................<br />

06<br />

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40


UMA HISTÓRIA<br />

DE AMOR<br />

Autora:<br />

Assema Moura<br />

Contadora <strong>de</strong> <strong>Histórias</strong> no Hospital da Criança Santo Antônio <strong>Porto</strong> <strong>Alegre</strong><br />

<strong>Viva</strong> e <strong>Deixe</strong> <strong>Viver</strong><br />

06


E<br />

ra uma vez, uma senhora <strong>de</strong> cinquenta e poucos <strong>anos</strong> que queria muito<br />

participar da Associação <strong>Viva</strong> e <strong>Deixe</strong> <strong>Viver</strong>. Ela se inscreveu, fez o curso <strong>de</strong><br />

capacitação e, finalmente no dia 25 <strong>de</strong> maio <strong>de</strong> 2006, recebeu seu tão esperado<br />

jaleco. A felicida<strong>de</strong> foi imensa. Agora seria uma <strong>conta</strong>dora <strong>de</strong> <strong>histórias</strong> no<br />

Hospital da Criança Santo Antônio em <strong>Porto</strong> <strong>Alegre</strong>.<br />

Com seu jaleco, tudo se transformava. Na sacola, um mundo mágico com<br />

os livros <strong>de</strong> <strong>histórias</strong>.<br />

As primeiras <strong>conta</strong>ções foram <strong>de</strong> <strong>de</strong>ixar seu coração bater mais forte <strong>de</strong><br />

tanto medo e emoção. Medo <strong>de</strong> não correspon<strong>de</strong>r ao que ela esperava fazer e<br />

emoção por sentir que estava atingindo seus objetivos, tornando assim o<br />

ambiente hospitalar mais alegre e humanizado! As <strong>conta</strong>ções eram realizadas em<br />

vários locais, tais como quartos, UTI, saguão, ambulatórios e sala <strong>de</strong> recreação.<br />

Certo dia, pela manhã, no sexto andar, essa <strong>conta</strong>dora chegou a um quarto<br />

e começou a cantar. No outro quarto ao lado, um pequeno paciente, ouvindo a<br />

voz da <strong>conta</strong>dora, correu em sua direção e passou a acompanhá-la em todos os<br />

lugares a que ela se dirigia. Quando no quarto do pequeno acompanhante, ele se<br />

sentou no seu leito e, antes que a <strong>conta</strong>dora começasse a falar, ele pediu para<br />

fazer a <strong>conta</strong>ção junto com ela. Foi espantoso porque ele se lembrava <strong>de</strong> tudo que<br />

escutara e ajudou muito na hora do teatro, quando os pacientes pu<strong>de</strong>ram<br />

interpretar as personagens das <strong>histórias</strong>.<br />

Em uma das <strong>histórias</strong> em que no final os porcos chafurdavam na lama, ele<br />

perguntou à <strong>conta</strong>dora:<br />

-Tia, tu sabes por que os porcos chafurdam na lama?<br />

A <strong>conta</strong>dora respon<strong>de</strong>u:<br />

- Ah, <strong>de</strong>ve ser porque a lama é fofinha e gostosa para se atirar em cima!<br />

E ele respon<strong>de</strong>u:<br />

- Não tia, os porcos têm a pele muito fininha e a lama serve <strong>de</strong> protetor solar<br />

para eles!<br />

- Meu Deus, disse a <strong>conta</strong>dora, como tu sabes isso?<br />

-Vejo documentários na tv, respon<strong>de</strong>u o amiguinho, lá ela explica tudo...<br />

Quantas lembranças <strong>de</strong> momentos maravilhosos vividos e cheios <strong>de</strong> amor.<br />

<strong>Viva</strong> e <strong>Deixe</strong> <strong>Viver</strong><br />

07


...É A VIDA<br />

Autora:<br />

Maria Elisete Berlato Pinto<br />

Contadora <strong>de</strong> <strong>Histórias</strong> no Hospital da Criança Santo Antônio <strong>Porto</strong> <strong>Alegre</strong><br />

<strong>Viva</strong> e <strong>Deixe</strong> <strong>Viver</strong><br />

08


F<br />

ui professora <strong>de</strong> adolescentes e adultos por 42 <strong>anos</strong>.<br />

Antes mesmo <strong>de</strong> me aposentar (2013) das escolas e universida<strong>de</strong>, entrei como<br />

voluntária na associação VIVAEDEIXEVIVER (2012) e se incorporaram novas<br />

e lindas <strong>histórias</strong>.<br />

Pois bem, quando das <strong>conta</strong>ções <strong>de</strong> <strong>histórias</strong>, percebem-se reações diferenciadas<br />

das crianças a cada história <strong>conta</strong>da, porém, há uma que me tirou o fôlego e<br />

nunca me saiu da memória.<br />

Numa terça feira, pela manhã, me dirigi ao 6º andar <strong>de</strong>stinado ao SUS e entrei<br />

num quarto, me apresentei e perguntei se queriam ouvir uma história! Nesse local<br />

estavam cinco crianças assim dispostas: em duas camas próximas às janelas, duas<br />

outras camas localizadas à minha direita e uma cama à esquerda <strong>quem</strong> entra no<br />

quarto. Mostrei os livros (5) para que as crianças escolhessem a história.<br />

Unanimemente escolheram “QUAL É A COR DO AMOR?”. Diga-se <strong>de</strong><br />

passagem: amo essa história.<br />

No quarto, posicionei-me entra as camas a fim <strong>de</strong> que todas as crianças<br />

pu<strong>de</strong>ssem ouvir e ver as gravuras do livro facilmente. Contei a história “Qual é a<br />

cor do amor? <strong>de</strong> Linda Strachan, ed. Brinque-Book,” mostrando as gravuras<br />

bastante elucidativas da narrativa. Havia um silêncio no quarto.<br />

Os pais ficaram observando. Uma menina bem em minha frente gemia e acenava<br />

negativamente com a cabeça. Os olhinhos das crianças <strong>de</strong> todas as camas se<br />

espichavam para ver as gravuras.<br />

Ao finalizar, perguntei se gostaram e muitas respon<strong>de</strong>ram que sim acenando com<br />

a mão ou a cabeça ou falando que sim.<br />

Quando terminei a história, eu disse: “bem, a tia agora vai <strong>conta</strong>r hist...”...ops,<br />

fui interrompida por uma menininha, aquela que gemia e acenava negativamente,<br />

quando disse que as respostas estavam erradas, ela disse então<br />

-É certo é que a cor do amor só po<strong>de</strong> ser a VIDA, né tia.....ugh....<br />

Surpresa, respondi:<br />

- Sim, sim, falei e engoli saliva com resposta da menina. Despedi-me e sai do<br />

quarto muito pensativa sobre aquela situação!<br />

- Meu Deus uma criança doente valoriza a vida <strong>de</strong>ssa forma apesar do estado em<br />

que se encontra. É a vida sim.<br />

<strong>Viva</strong> e <strong>Deixe</strong> <strong>Viver</strong><br />

09


AS VEZES BRUXA,<br />

ÀS VEZES FADA<br />

Autora:<br />

Naraiana Freitas<br />

Contadora <strong>de</strong> <strong>histórias</strong> no Hospital da Criança Santo Antônio<br />

<strong>Porto</strong> <strong>Alegre</strong><br />

<strong>Viva</strong> e <strong>Deixe</strong> <strong>Viver</strong><br />

10


V<br />

iva é assim como o poema, a <strong>Viva</strong> é sempre um recomeçar. O que sentimos? Não tem<br />

nome. O que vivenciamos? Não tem nome.<br />

Bom, vamos lá! Tentar transmitir em palavras todas as emoções sentidas.<br />

Como <strong>de</strong> costume, o grupo <strong>Viva</strong> <strong>Porto</strong> <strong>Alegre</strong>, realiza um Festival <strong>de</strong> <strong>Histórias</strong>, um<br />

encontro geralmente num final <strong>de</strong> semana, com todos os <strong>conta</strong>dores da <strong>Viva</strong>, em alguns<br />

eventos especiais do ano: Páscoa, Dia das crianças e Natal, por exemplo, para que se<br />

realizem dramatizações <strong>de</strong> <strong>histórias</strong> nos quartos. Anterior ao dia, os voluntários se<br />

encontram, para <strong>de</strong>cidir e treinar qual história será apresentada em comum acordo, sempre<br />

com muito cuidado, muito estudo e muita competência. Chamamos nossa fotógrafa (a<br />

melhor do sul), vestimos nossos a<strong>de</strong>reços conforme a história. Essa ação é sempre um<br />

gran<strong>de</strong> evento, uma gran<strong>de</strong> gincana, cujo objetivo é levar muito amor às crianças.<br />

Pois bem, em um <strong>de</strong>terminado dia, o coor<strong>de</strong>nador da Associação ligou para minha casa e<br />

disse que precisávamos pensar em uma ação para tirar as crianças dos quartos, pois eles<br />

precisavam caminhar e se exercitar. Pensamos em muitas coisas e uma que achei “brilhante<br />

i<strong>de</strong>ia, era eu me vestir <strong>de</strong> bruxa e passar nos quartos, convidando as crianças para uma<br />

<strong>conta</strong>ção <strong>de</strong> história no saguão do hospital”.<br />

Tudo lindo e lá fomos. Passamos no primeiro quarto, entrei e convi<strong>de</strong>i os pacientes para<br />

<strong>de</strong>scerem comigo até o saguão do hospital para ouvirem uma história. Rapidamente, um<br />

menino agarrou seu oxigênio e pulou da cama dizendo:<br />

- “Vamos bruxa, eu quero!”.<br />

Saímos corredor a fora. Ele com o oxigênio <strong>de</strong> arrasto e com muita vonta<strong>de</strong> <strong>de</strong> ouvir<br />

<strong>histórias</strong>. No quarto 510, se não estou enganada, – eu já achando que estava encantando<br />

corações – bati à porta e me apresentei. De repente, um menino se virou, <strong>de</strong>u um grito <strong>de</strong><br />

assustado. Eu tentei ficar calma, comecei a tirar a minha roupa e disse:<br />

- “Calma, é a Nana…” Pra quê? Mais apavorado ele ficava. Fiquei imaginando o que<br />

passava na cabeça <strong>de</strong>le: uma bruxa? bruxa feia! Não sei. Saí logo dali, respirei fundo e fui a<br />

outro quarto, ao abrir a porta, vejo muitas Barbies e as cumprimento. Antes <strong>de</strong> finalizar o<br />

oi, uma Barbie voou na minha cabeça e uma menina gritou:<br />

- “Sai pra lá sua horrorosa, te o<strong>de</strong>io!<br />

- Ufa! Respirei. Muitos po<strong>de</strong>riam ficar chateados, mas a <strong>Viva</strong> tem um trabalho tão<br />

extraordinário que faz a gente compreen<strong>de</strong>r o po<strong>de</strong>r <strong>de</strong> um NÃO da criança. Resolvemos<br />

então, no andar seguinte, mudar a estratégia. Troquei <strong>de</strong> roupa e me vesti <strong>de</strong> fada. Confesso<br />

que prefero as bruxas, mas vamos lá! Lá estava eu linda, com flores na cabeça para chamar<br />

as crianças do último andar.<br />

Ao entrar no quarto, uma moça nos olhou e disse:<br />

- “Cuidado com aquele menino da cama do fundo, ele adora agarrar e abraçar.”<br />

Aproximamo-nos e o menino, me chamou, dizendo:<br />

-“Vem mais perto, fadinha quero ver a flor da tua cabeça”.<br />

Ao me aproximar, ele me puxou com toda sua força e disse:<br />

- “Vem fadinha, <strong>de</strong>ixa eu te dar um beijo na boca pra ver se eu viro príncipe!” Foi uma<br />

loucura, eu tentando fugir e ele tentando me beijar. Olhei para ele e disse as palavras<br />

mágicas, explicando que a partir daquele dia ele se transformaria no mais belo príncipe do<br />

hospital. E seguimos rindo, felizes dos episódios ocorridos. Ah, as <strong>histórias</strong>? As <strong>histórias</strong><br />

foram <strong>conta</strong>das no saguão e tivemos muito sucesso. A maioria das crianças que podiam<br />

ouvir história brincaram com fadas, bruxas, palhaços, abelhas, personagens, fazendo com<br />

que a magia da <strong>conta</strong>ção <strong>de</strong> <strong>histórias</strong> os levassem para um lugar sem dor, sem medo, sem<br />

sofrimento, on<strong>de</strong> tudo é possível!<br />

Nosso objetivo foi alcançado: colocar um sorriso no rosto <strong>de</strong> cada uma daquelas crianças e<br />

fazer com que todos os sapos virassem príncipes.<br />

Ah, sobre o menino do quarto 510? Sim, ele <strong>de</strong>sceu e se divertiu muito. Ufa!<br />

<strong>Viva</strong> e <strong>Deixe</strong> <strong>Viver</strong><br />

11


O PEQUENO<br />

LEITOR<br />

Autora:<br />

Nelci Pereira Cesar<br />

Contadora <strong>de</strong> <strong>Histórias</strong> no Hospital da Criança Santo Antônio<br />

<strong>Porto</strong> <strong>Alegre</strong><br />

<strong>Viva</strong> e <strong>Deixe</strong> <strong>Viver</strong><br />

12


N<br />

uma manhã <strong>de</strong> sábado fui ao hospital Santo Antônio <strong>conta</strong>r <strong>histórias</strong> para as<br />

crianças que estão hospitalizadas. Neste dia, a <strong>conta</strong>ção aconteceu no 5º. andar.<br />

De todos os quartos em que contei <strong>histórias</strong>, o que mais me chamou atenção foi<br />

on<strong>de</strong> estava um menino <strong>de</strong> 2 (dois) <strong>anos</strong> Ele estava acompanhado pelo pai.<br />

Quando entrei no quarto, observei que o garoto estava sentado no leito com olhar<br />

que parecia curioso. Apresentei-me, perguntei se queria que eu <strong>conta</strong>sse uma<br />

história. A resposta foi positiva. Comecei a <strong>conta</strong>r uma história escolhida pelo<br />

garoto. A medida que <strong>conta</strong>va a história, ia mostrando as ilustrações. O menino<br />

observava sem tirar os olhos do livro.<br />

Quando terminei a <strong>conta</strong>ção da história, o pequeno começou a chorar.<br />

-Será que não gostou? Logo pensei. Mas lembrei que estava mostrando interesse<br />

quando eu <strong>conta</strong>va a história.<br />

Abri o livro novamente, então, e foi como uma mágica: o garoto parou <strong>de</strong><br />

chorar. Com essa atitu<strong>de</strong> <strong>de</strong>le, entendi que queria mais <strong>histórias</strong>. E assim contei<br />

mais uma, e outra e outra. No final o garoto começou a chorar novamente.<br />

- O que fazer, pensei já preocupada. Foi então que tive uma i<strong>de</strong>ia, sai do quarto,<br />

higienizei o livro e retornei dizendo:<br />

- Olha só, esse livro é para você! Dei um livro <strong>de</strong> presente ao garoto. Com isso,<br />

ele parou <strong>de</strong> chorar e pu<strong>de</strong> ver a alegria em seu rosto.<br />

Ele ficou folheando e folheado o livro bem faceiro.<br />

Neste dia, meu coração ficou leve e a alma grata por po<strong>de</strong>r oportunizar<br />

momentos <strong>de</strong> alegria e entretenimento a uma criança.<br />

<strong>Viva</strong> e <strong>Deixe</strong> <strong>Viver</strong><br />

13


AMOR<br />

COLORIDO<br />

Autora:<br />

Rosangela Silveira <strong>de</strong> Matos<br />

Contadora <strong>de</strong> <strong>Histórias</strong> no Hospital da Criança Santo Antonio<br />

<strong>Porto</strong> <strong>Alegre</strong><br />

<strong>Viva</strong> e <strong>Deixe</strong> <strong>Viver</strong><br />

14


M<br />

uitas foram as vezes que fiz esta pergunta:<br />

- Qual é a cor do amor?<br />

Algumas <strong>de</strong>sta forma, outras precisaram ser adaptadas conforme o público leitor. Agora<br />

chegou a minha vez <strong>de</strong> respon<strong>de</strong>r. QUAL É A COR DO AMOR QUE SINTO PELA VIVA<br />

E DEIXE VIVER?<br />

Vou <strong>conta</strong>r um pouco <strong>de</strong> como surgiu o meu amor pela <strong>Viva</strong>.<br />

Tudo começou há 8 <strong>anos</strong> quando uma colega <strong>de</strong> trabalho, a eterna Sininho me incentivou a<br />

participar da <strong>Viva</strong> e <strong>Deixe</strong> e <strong>Viver</strong>. Disse que a <strong>Viva</strong> tinha tudo a ver comigo e que eu iria<br />

amar fazer parte <strong>de</strong>sta família linda. No início, fiquei muito em dúvida porque não sabia<br />

exatamente como era e como eu teria tempo para me <strong>de</strong>dicar. Ela, gentilmente, me<br />

presenteou com o Curso <strong>de</strong> Formação porque acreditava o quanto eu iria gostar. Ainda na<br />

formação conheci muitas <strong>histórias</strong> <strong>de</strong> vida dos colegas, dos pacientes, dos acompanhantes e<br />

muitas <strong>histórias</strong> <strong>de</strong> literatura infantil.<br />

Sabe o que significa amor à primeira vista? Foi o que senti ao conhecer o livro “Qual é a<br />

Cor do Amor?” <strong>de</strong> Linda Strachan. Esta história fez e faz parte <strong>de</strong> quase todos os meus<br />

momentos como voluntária da <strong>Viva</strong>. Ela representa muito para mim porque cada cor citada<br />

na história é um acontecimento que vivi e vivo neste “meu fazer o bem”.<br />

Assim <strong>de</strong>monstro o meu amor em ser voluntária <strong>de</strong>sta Associação:<br />

Ver<strong>de</strong> – sempre tenho esperança <strong>de</strong> ver a melhora <strong>de</strong> uma criança após a <strong>conta</strong>ção <strong>de</strong> uma<br />

história;<br />

Azul – sei o quanto aquele momento po<strong>de</strong> tranquilizar uma criança internada no hospital ou<br />

que ainda está aguardando uma consulta médica;<br />

Amarelo – ver a alegria <strong>de</strong> uma criança, <strong>de</strong> um acompanhante que representa muito o meu<br />

propósito <strong>de</strong> estar num <strong>de</strong>terminado espaço no hospital;<br />

Vermelho – AMOR pelo que faço;<br />

Brilhante – nada é mais gratificante ver o brilho nos olhos <strong>de</strong> cada pessoa que vê ou ouve<br />

uma história;<br />

Branco – vejo o quanto a minha presença po<strong>de</strong> levar a paz <strong>de</strong>ntro daquele ambiente pesado;<br />

Cor-<strong>de</strong>-rosa – penso que posso fazer a diferença, <strong>conta</strong>ndo uma história a um paciente ou<br />

acompanhante que estão tão fragilizados;<br />

Laranja – a minha alegria, minha energia po<strong>de</strong> ser um “remedinho” naquele momento;<br />

Todas as cores - é como diz o livro... “O Amor é toda cor, é tudo em todo o lugar.”<br />

É isso que sinto quanto estou <strong>conta</strong>ndo <strong>histórias</strong>.<br />

Nada mais importa quando existe amor, quando se faz com amor.<br />

<strong>Viva</strong> e <strong>Deixe</strong> <strong>Viver</strong><br />

15


MAS EU<br />

QUERO<br />

Autora:<br />

Lisete Massena<br />

Contadora <strong>de</strong> <strong>Histórias</strong> na AACD<br />

<strong>Porto</strong> <strong>Alegre</strong><br />

<strong>Viva</strong> e <strong>Deixe</strong> <strong>Viver</strong><br />

16


C<br />

erta ocasião entro em um quarto do Hospital Santo Antônio em que havia duas<br />

camas.<br />

Na primeira, um bebê <strong>de</strong> poucos dias dormia no bercinho e sua mãe ressonava na<br />

cama ao lado.<br />

Caminhei até a outra cama que encontrei vazia e ao espiar o bercinho ao lado,<br />

que também estava vazio, percebi a presença <strong>de</strong> uma mãezinha que estava<br />

<strong>de</strong>itada numa cama abaixo da janela. Ela tinha seu bebê <strong>de</strong> alguns meses<br />

dormindo sobre seu colo <strong>de</strong> barriguinha para baixo.<br />

Cumprimentei-a e comentei:<br />

- Que pena os bebês dormem e nem vão querer ouvir minhas <strong>histórias</strong>. Ao que<br />

ela prontamente respon<strong>de</strong>u;<br />

- Mas eu quero.<br />

Fiquei meio embasbacada com a espontaneida<strong>de</strong> <strong>de</strong>la, mas prontamente atendi<br />

seu pedido.<br />

Perguntei-lhe mostrando alguns livros qual história ela preferia e ela disse;<br />

Qualquer uma, eu não conheço nenhuma.<br />

Contei-lhe umas três <strong>histórias</strong> e ao fim perguntei-lhe se havia gostado e ela<br />

respon<strong>de</strong>u:<br />

- Gostei muito, nunca ninguém leu <strong>histórias</strong> para mim. Muito obrigada, você não<br />

imagina o quanto você me <strong>de</strong>ixou feliz hoje.<br />

Saí daquele quarto com sentimentos contraditórios.<br />

Feliz pelo <strong>de</strong>ver cumprido e sentindo o peso da responsabilida<strong>de</strong> que temos ao<br />

<strong>conta</strong>r <strong>histórias</strong>.<br />

Triste <strong>de</strong> saber que alguém com quase 30 <strong>anos</strong> nunca havia ouvido a leitura <strong>de</strong><br />

uma história infantil.<br />

Que bom que a VIVA e Eu estávamos lá nesse dia e pu<strong>de</strong>mos satisfazer o <strong>de</strong>sejo<br />

daquela mãezinha.<br />

<strong>Viva</strong> e <strong>Deixe</strong> <strong>Viver</strong><br />

17


UM DIA<br />

ESPECIAL<br />

Autora:<br />

Elsa Verçoza Xavier Filha<br />

Contadora <strong>de</strong> <strong>Histórias</strong> no Hospital da Criança Santo Antônio<br />

<strong>Porto</strong> <strong>Alegre</strong><br />

<strong>Viva</strong> e <strong>Deixe</strong> <strong>Viver</strong><br />

<strong>18</strong>


D<br />

entro da UTI do Hospital Santo Antônio em <strong>Porto</strong> <strong>Alegre</strong>, conheci os<br />

Contadores <strong>de</strong> <strong>Histórias</strong> da <strong>Viva</strong>. Meu sobrinho, com apenas 2 meses, estava<br />

internado. Quando eu estava lá, entraram duas <strong>conta</strong>doras <strong>de</strong> <strong>histórias</strong> e vieram<br />

até o leito on<strong>de</strong> ele estava.<br />

Assim que as <strong>conta</strong>doras se aproximavam, fui observando os jalecos coloridos, o<br />

sapo, o chapéu na cabeça, os livros cheios <strong>de</strong> imagens coloridas nas mãos e,<br />

principalmente, o brilho nos olhinhos <strong>de</strong> meu sobrinho. Ele ficou atento a tudo<br />

que elas faziam, prestava atenção em cada página virada e em cada palavra que<br />

ouvia. Foi então que <strong>de</strong>cidi que queria muito ser uma <strong>conta</strong>dora <strong>de</strong> <strong>histórias</strong>.<br />

Entre muitas vivências por que passei, uma <strong>de</strong>las me chamou muito atenção que<br />

foi a <strong>de</strong> um adolescente com síndrome <strong>de</strong> down, (que irei chamá-lo aqui <strong>de</strong><br />

Eduardo).<br />

Quando a<strong>de</strong>ntrei no quarto, no sexto andar, lá estava aquele meninão com um<br />

sorriso largo no rosto e com uma penugem no rosto assinalando que logo nasceria<br />

um bigo<strong>de</strong>. Perguntei se ele queria ouvir uma história que logo veio sorrindo e<br />

disse:<br />

- Quem vai <strong>conta</strong>r a história hoje sou eu, rapidamente pegou o livro que estava<br />

em minhas mãos, me pegando <strong>de</strong> surpresa.<br />

Começou a <strong>conta</strong>r uma linda e maravilhosa história, mas ele não sabia ler, porém<br />

em cada gravura do livro ia criando a história <strong>de</strong>le, da cabecinha <strong>de</strong>le e,<br />

fantasticamente, <strong>de</strong>senrolava muito bem cada <strong>de</strong>talhe que via e vibrava com<br />

todos os animais que estavam naquelas páginas, escolhendo nomes para todos<br />

eles, quanto mais animais apareciam mais Eduardo se <strong>de</strong>slumbrava e continuava<br />

a história com maestria se imaginando ali <strong>de</strong>ntro daquela fábula que ele mesmo<br />

havia criado. A história se passava numa floresta com lagos, jacarés, pássaros e<br />

muitos outros animais. Eu estava maravilhada com a história <strong>de</strong> Eduardo e com a<br />

<strong>de</strong>senvoltura e rapi<strong>de</strong>z <strong>de</strong>le em criar tantos personagens que nem percebi que a<br />

<strong>conta</strong>dora <strong>de</strong> <strong>histórias</strong> ali era eu, foi quando o ouvi dizer:<br />

- E agora todos os animais da floresta vão se reunir para ouvir as <strong>histórias</strong> do<br />

menino que é especial e que contou uma história para a tia <strong>de</strong> aparelho e óculos<br />

vermelho.<br />

No final da história, disse ele sorri<strong>de</strong>nte e perguntando:<br />

- Gostou?<br />

– Adorei Eduardo, eu respondi.<br />

Agra<strong>de</strong>ci imensamente por aquela linda história, recolhi o livro e guar<strong>de</strong>i com<br />

cuidado para que fosse higienizado e fui <strong>de</strong>scendo as escadas pensando que meu<br />

dia foi especial.<br />

<strong>Viva</strong> e <strong>Deixe</strong> <strong>Viver</strong><br />

19


COCÔ NO<br />

TRONO<br />

Autora:<br />

Liziane Hennemann<br />

Contadora <strong>de</strong> <strong>Histórias</strong> no Hospital da Criança Santo Antônio<br />

<strong>Porto</strong> <strong>Alegre</strong><br />

<strong>Viva</strong> e <strong>Deixe</strong> <strong>Viver</strong><br />

20


E<br />

m um belo domingo <strong>de</strong> sol, como <strong>de</strong> costume, fui <strong>conta</strong>r <strong>histórias</strong> na UTI do<br />

Hospital da Criança Santo Antônio. Naquele dia, foram muitas as <strong>conta</strong>ções e, a<br />

última <strong>de</strong>las, <strong>de</strong>parei-me com um adolescente <strong>de</strong> 16 <strong>anos</strong>. Eu estava inclinada a<br />

<strong>conta</strong>r uma história a ele, mas também até esperava uma negativa do guri, pois o<br />

gurizinho estava jogando no celular e sabe-se que este aparelho é um sério<br />

concorrente aos <strong>conta</strong>dores <strong>de</strong> <strong>histórias</strong>. As enfermeiras me incentivaram a fazer<br />

a abordagem, dizendo que ele era muito receptivo.<br />

Para minha surpresa, o garoto além <strong>de</strong> aceitar o convite para ouvir uma história,<br />

escolheu o livro “Cocô no trono”, da Editora Companhia das Letrinhas. Contei a<br />

história e rimos muito: eu, o guri, o pai <strong>de</strong>le e as enfermeiras que me observavam<br />

<strong>de</strong> longe. Ao final da <strong>conta</strong>ção, perguntei se ele queria ouvir outra história e ele<br />

me respon<strong>de</strong> meio sem jeito:<br />

- Não, eu quero ir ao banheiro!<br />

Depois disso, fiquei sabendo que o garoto não conseguia evacuar a dois dias.<br />

Após a história o milagre aconteceu!<br />

- Quem sabe a história serviu <strong>de</strong> “estímulo” para o adolescente, eu falei.<br />

A risada foi geral e as enfermeiras ainda me agra<strong>de</strong>ceram pela “força”!<br />

Obrigada <strong>Viva</strong> e <strong>Deixe</strong> <strong>Viver</strong>, por po<strong>de</strong>r em meio a fadas, duen<strong>de</strong>s,<br />

princesas e seres mágicos <strong>de</strong> todos os reinos, fazer com que sejamos portadores<br />

<strong>de</strong> educação, estímulos e principalmente amor.<br />

<strong>Viva</strong> e <strong>Deixe</strong> <strong>Viver</strong><br />

21


ASSEMBLEIA DOS<br />

BICHOS E JOÃO<br />

Autora:<br />

Soraya Borowski Paim<br />

Contadora <strong>de</strong> <strong>Histórias</strong> na Kin<strong>de</strong>r Centro <strong>de</strong> Integração da Criança Especial<br />

<strong>Porto</strong> <strong>Alegre</strong><br />

<strong>Viva</strong> e <strong>Deixe</strong> <strong>Viver</strong><br />

22


E<br />

ra um Natal qualquer.<br />

Minha história é a respeito <strong>de</strong> um festival <strong>de</strong> <strong>histórias</strong> que dramatizamos em<br />

datas específicas como dia das crianças, Páscoa, Natal. Este festival é quando os<br />

participantes da ONG se reúnem em grupo para dramatizar <strong>de</strong>terminada história<br />

<strong>de</strong> acordo com o grupo.<br />

Num <strong>de</strong>sses festivais, conheci João (nome fictício), um menino esperto <strong>de</strong> uns<br />

seis <strong>anos</strong>. Nessa ocasião, a história escolhida pelo grupo foi a Assembleia dos<br />

Bichos. A narradora <strong>conta</strong>va e introduzia a personagem e, conforme falavam os<br />

bichos. Cada <strong>conta</strong>dor assumiam suas falas, e, automaticamente a canção<br />

correspon<strong>de</strong>nte: ora <strong>de</strong> um sapo, ora do cachorro, do boi, das baratas... Eu era a<br />

borboleta. No final entrava São Francisco encerrando a narração.<br />

João, um menino, interagia com o grupo, pois adorava ouvir as <strong>histórias</strong>.<br />

Ele cantava conosco. Fomos aos quartos e João sempre junto porque estava<br />

melhorzinho e podia caminhar, ia sempre cantando, porém não entrava nos<br />

quartos. Ele permanecia no corredor, embora ouvíssemos a voz <strong>de</strong>le cantando.<br />

No fim do corredor, ele passou a ser ajudante do Papai Noel, pois era<br />

época <strong>de</strong> Natal e distribuíamos presentes (livros) aos pacientes.<br />

Dias <strong>de</strong>pois uma colega se encontrou com a mãe <strong>de</strong> João, ela contou que<br />

internou uma criança, no seu mesmo quarto, que chorava muito, foi quando João<br />

puxou a escadinha e contou ao amigo a história da assembleia dos bichos,<br />

cantado as músicas.<br />

Como é gratificante saber que plantamos uma sementinha no coração <strong>de</strong><br />

João.<br />

<strong>Viva</strong> e <strong>Deixe</strong> <strong>Viver</strong><br />

23


UMA FORMA DE<br />

AGRADECER<br />

Autora:<br />

Suzana Motta<br />

Contadora <strong>de</strong> <strong>Histórias</strong> no Hospital da Criança Santo Antônio<br />

<strong>Porto</strong> <strong>Alegre</strong><br />

<strong>Viva</strong> e <strong>Deixe</strong> <strong>Viver</strong><br />

24


Q<br />

uando penso em <strong>histórias</strong> para <strong>conta</strong>r, penso em <strong>histórias</strong> que contei e <strong>histórias</strong><br />

que vivi. Li em algum lugar que <strong>conta</strong>dores <strong>de</strong> <strong>histórias</strong> são os alto-falantes dos<br />

livros e os ouvintes são viajantes no tempo e no espaço.<br />

Sou <strong>conta</strong>dora <strong>de</strong> <strong>histórias</strong>. Cada história <strong>conta</strong>da, é uma emoção vivida.<br />

As reações são únicas e os momentos são ímpares como saliento a seguir:<br />

Com os adolescentes, o assunto <strong>de</strong>ve ser variado: livros, filmes, jogos, música e<br />

canto estão presentes. Para eles, a <strong>conta</strong>ção é um olhar fixo que nunca foi dado<br />

por ninguém, um bater palmas animado e feliz.<br />

Com os menores, o mundo do faz do <strong>conta</strong>, da grita, da dança, pula e bate<br />

palmas, mesmo quando o dia “está chuvoso”. E também em palavras: “…a tia do<br />

sum, sum, sá…”<br />

Com os bem pequeninos, a alegria vem em forma <strong>de</strong> perninhas e bracinhos<br />

sacudindo, o balbucio e a tentativa <strong>de</strong> acompanhar faz sair bolinhas da boca. O<br />

bico, muitas vezes, voa longe.<br />

Pois bem, eu não tenho uma história específica e engraçada para <strong>conta</strong>r e<br />

também não tenho uma triste história sobre as cotações. O que tenho são alegrias,<br />

momentos especiais, emocionantes e que aquecem os corações dos <strong>conta</strong>dores,<br />

dos ouvintes, dos acompanhantes e, muitas vezes, da equipe.<br />

Minha primeira <strong>conta</strong>ção <strong>de</strong> <strong>histórias</strong> no Hospital da Criança Santo<br />

Antônio, dia 19/11/2014 às 10h, no 8° andar, para oito crianças, sendo que uma<br />

<strong>de</strong>las não quis ouvir a história.<br />

- Por quê?<br />

- Não sei. Apenas a respeitei...<br />

Assim é a <strong>Viva</strong> e <strong>Deixe</strong> <strong>Viver</strong>, Educação, Respeito e Amor!<br />

<strong>Viva</strong> e <strong>Deixe</strong> <strong>Viver</strong><br />

25


PURA<br />

MAGIA<br />

Autora:<br />

Rosana Colombo<br />

Contadora <strong>de</strong> <strong>Histórias</strong> na Kin<strong>de</strong>r - Centro <strong>de</strong> Integração da Criança Especial<br />

<strong>Porto</strong> <strong>Alegre</strong><br />

<strong>Viva</strong> e <strong>Deixe</strong> <strong>Viver</strong><br />

26


M<br />

inha caminhada com a <strong>Viva</strong> é só emoção.<br />

Iniciei em 2014 no Hospital Santo Antônio, mas logo migrei para a Kin<strong>de</strong>r-<br />

Centro <strong>de</strong> Integração da Criança Especial.<br />

E então, a Magia aconteceu. A Kin<strong>de</strong>r aten<strong>de</strong> crianças com <strong>de</strong>ficiências<br />

múltiplas, com limitações mo<strong>de</strong>rada e grave, em situação <strong>de</strong> vulnerabilida<strong>de</strong><br />

social, conce<strong>de</strong>ndo-lhes a inclusão social.<br />

Assim sendo, não existe uma HISTÓRIA única, não existe uma criança única,<br />

não existe um dia que não seja especial.<br />

Me sinto abençoada e agra<strong>de</strong>cida em dividir momentos tão especiais com a<br />

Fernanda, Ana, Beatriz, Gabriel, Nathan, Kailane, Lucas entre tantos outros.<br />

São tantos aprendizados, tantas lições que todos nós passam, cada qual se<br />

expressando <strong>de</strong> sua forma, com um sorriso, com um abraço, com um toque <strong>de</strong><br />

mão, até mesmo , um cheiro no pescoço , enfim, momentos <strong>de</strong> pura Magia.<br />

Sou muito grata por esta oportunida<strong>de</strong>, <strong>de</strong> po<strong>de</strong>r compartilhar <strong>de</strong>ssas emoções<br />

com tanta amorosida<strong>de</strong>. Saio <strong>de</strong> lá com o coração transbordando <strong>de</strong> emoção.<br />

Obrigada VIVA Obrigada KINDER.<br />

<strong>Viva</strong> e <strong>Deixe</strong> <strong>Viver</strong><br />

27


FAMÍLIA<br />

CONTAGIANTE<br />

Autora:<br />

Anita Costa e Ériko Costa<br />

Contadores <strong>de</strong> <strong>Histórias</strong> no Hospital da Criança Santo Antônio<br />

<strong>Porto</strong> <strong>Alegre</strong><br />

<strong>Viva</strong> e <strong>Deixe</strong> <strong>Viver</strong><br />

28


E<br />

ra uma vez uma família que adora livros e boas <strong>histórias</strong>. A mamãe, em um<br />

passeio na floresta da Internet, procurando um serviço voluntário para espalhar o<br />

amor que estava sobrando em sua casa, encontrou uma árvore maravilhosa, com<br />

frutos lindos e resolveu conhecer melhor...<br />

Eu Anita, já tinha ouvido falar do trabalho da <strong>Viva</strong> e <strong>Deixe</strong> <strong>Viver</strong>, mas em 2016<br />

<strong>de</strong>scobri a Associação <strong>Viva</strong> e <strong>Deixe</strong> <strong>Viver</strong>. Nem preciso dizer que foi amor à<br />

primeira vista, como acontece com os príncipes e princesas dos mais belos contos<br />

<strong>de</strong> fadas.<br />

Como disse no início, <strong>quem</strong> <strong>conta</strong> um conto, aumenta um ponto, em<br />

seguida, veio o Érico.... Mas é ele <strong>quem</strong> vai escrever aqui... Pois bem! Des<strong>de</strong> o<br />

início acompanhei a Anita, vivendo um pouquinho daquela magia,<br />

acompanhando cada carinha nova a<strong>de</strong>ntrando nas <strong>histórias</strong>, e quando percebi já<br />

era o sonoplasta do grupo! Música também é história! Até que chegou o meu<br />

momento <strong>de</strong> contribuir um pouco mais, e recebi o convite na nossa fada<br />

madrinha para fazer parte dos <strong>conta</strong>dores <strong>de</strong> história do <strong>Viva</strong> e <strong>Deixe</strong> <strong>Viver</strong>!<br />

Mais recentemente, o nosso ponto aumentou mais um pouquinho, pois<br />

nosso filho Bernardo, interessado na onda <strong>de</strong> amor que envolve nossa família a<br />

cada dia <strong>de</strong> trabalho voluntário na <strong>Viva</strong>, começou a participar do jeitinho <strong>de</strong>le.<br />

Fez participações especiais nas formaturas <strong>de</strong> novos voluntários, dou uma<br />

história sua para a Bisbilhoteca <strong>Viva</strong> (A Bruxa Costureira).<br />

Um momento que marcou para sempre o nosso coração aconteceu na UTI.<br />

Estávamos <strong>conta</strong>ndo <strong>histórias</strong> para uma menina linda, com olhos que brilhavam<br />

como duas esmeraldas atentam nas aventuras da Lagarta Comilona, e a equipe <strong>de</strong><br />

enfermagem foi realizar um procedimento. Perguntamos para nossa doce ouvinte<br />

se ela queria que eu esperasse a enfermeira terminar para continuar a história e<br />

ela pegou na minha mão e disse: “Continua, por favor, assim eu esqueço da dor.”<br />

E foi assim durante três <strong>histórias</strong>, fizemos vozes diferentes, cantamos e usamos<br />

todos os recursos que apren<strong>de</strong>mos nos cursos e vivências da <strong>Viva</strong>, po<strong>de</strong>ndo<br />

presenciar o po<strong>de</strong>r curativo das <strong>histórias</strong>.<br />

Esperamos continuar <strong>conta</strong>ndo alguns contos e aumentando um ponto <strong>de</strong><br />

cada vez, para que as <strong>histórias</strong> da <strong>Viva</strong> envolvam cada vez mais pessoas,<br />

formando uma re<strong>de</strong> <strong>de</strong> amor pela cultura e pelas pessoas.<br />

Associação <strong>Viva</strong> e <strong>Deixe</strong> <strong>Viver</strong><br />

29


PUPILO<br />

Autora:<br />

Ana Paula Bortolotti<br />

Contadores <strong>de</strong> <strong>Histórias</strong> no Hospital da Criança Santo Antônio<br />

<strong>Porto</strong> <strong>Alegre</strong><br />

<strong>Viva</strong> e <strong>Deixe</strong> <strong>Viver</strong><br />

30


M<br />

inha história não começa com “era uma vez”, minha história começa com<br />

uma vivência, não a minha, mas a <strong>de</strong> um novo <strong>conta</strong>dor que eu acompanhava.<br />

A ansieda<strong>de</strong> <strong>de</strong>les estava a mil, pois era visível a alegria e o nervosismo que<br />

tomava <strong>conta</strong> <strong>de</strong> todos, além das muitas dúvidas que se traduziam em muitas<br />

perguntas.<br />

Estávamos entre dois veter<strong>anos</strong> para quatro novos <strong>conta</strong>dores. Eu fui para um<br />

andar e o outro veterano foi para outro, cada um com um novato, enquanto os<br />

outros dois ficaram escolhendo livros e conversando para diminuir o nervosismo.<br />

Um tempo <strong>de</strong>pois nos encontramos e enchemos <strong>de</strong> elogios nossos “pupilos”. Em<br />

seguida, fomos acompanhar os outros dois que haviam ficado aguardando.<br />

Esses eram mais animados e nós nos <strong>de</strong>ixamos <strong>conta</strong>giar, dançamos, fizemos<br />

imitações e cantamos, até pelos corredores, fazendo rir as pessoas que passavam<br />

por nós. Novamente cada um foi para um andar e combinamos que nos<br />

encontraríamos na UTI.<br />

Eu imaginava que o meu <strong>conta</strong>dor novato fosse uma pessoa tímida, porém tive<br />

uma grata surpresa. Ele se revelou uma pessoa muito divertida, engraçada e<br />

inteligente que não parava <strong>de</strong> fazer perguntas e que ria <strong>de</strong> si mesmo.<br />

-Preciso fazer alguma vacina para ser <strong>conta</strong>dor? Falou o novato. Com isso,<br />

perguntei:<br />

-Tua carteirinha não está em dia?<br />

-Sim, mas vai saber né!?<br />

Eu comecei a rir muito da cara <strong>de</strong>le <strong>de</strong> medo <strong>de</strong> ficar doente ou passar algo para<br />

alguém. Estava gravada na testa, como diz o ditado popular.<br />

Concor<strong>de</strong>i com ele que era muito bom ter precaução e expliquei que não iríamos<br />

visitar quarto restrito, bem como lhe orientei referente as placas <strong>de</strong> restrições.<br />

Contei a primeira história para ele sentir como era, mas nem precisava, porque<br />

ele logo se mostrou um ótimo <strong>conta</strong>dor e confesso que fiquei encantada ouvindoo<br />

<strong>conta</strong>r a história do livro <strong>de</strong> Jean Clau<strong>de</strong>, TALVEZ EU SEJA UM<br />

ELEFANTE.<br />

O menino acamado nesse quarto estava com o pai. Ficou encantado com a<br />

história, porque fez muitas perguntas sobre a história, prontamente respondidas<br />

pelo meu pupilo. Anda na UTI, alegramos uma mãe que estava com seu filho e,<br />

por alguns instantes, esboçou um sorriso e nos <strong>de</strong>monstrou gratidão por<br />

trazermos um pouco <strong>de</strong> alegria ao seu coração.<br />

Finalmente encerramos as <strong>conta</strong>ções. Foi um dia inesquecível para mim, pois me<br />

senti muito orgulhosa <strong>de</strong>sses novos <strong>conta</strong>dores, em especial a esse pupilo que<br />

cativou a mim e as crianças e ainda teria muitas <strong>histórias</strong> para <strong>conta</strong>r.<br />

<strong>Viva</strong> e <strong>Deixe</strong> <strong>Viver</strong><br />

31


O SONHO<br />

DE DUDA<br />

Autor:<br />

Leonardo Schnei<strong>de</strong>r<br />

Contador <strong>de</strong> <strong>Histórias</strong> na AACD<br />

<strong>Porto</strong> <strong>Alegre</strong><br />

<strong>Viva</strong> e <strong>Deixe</strong> <strong>Viver</strong><br />

32


E<br />

sta foi uma das experiências <strong>de</strong> leitura compartilhada mais emocionante que<br />

vivenciei no voluntariado. Cheguei meio esbaforido à AACD em um dia<br />

conturbado e já fui saudado com um cântico efusivo da Maria Eduarda, uma<br />

querida menina ca<strong>de</strong>irante.<br />

Muito alegre e animada, ela cantava:<br />

- “O tio das historinhas! O tio das historinhas!”.<br />

Mais tar<strong>de</strong>, em meio ao enredo <strong>de</strong> um livro, Duda lembrou que, dias antes, havia<br />

sonhado com nossa família <strong>de</strong> <strong>conta</strong>doras. Foi narrando aos poucos esse outro<br />

enredo, onírico, cheio <strong>de</strong> <strong>de</strong>talhes e fantasias. Em seu sonho, eu era um rei com<br />

três rainhas: a mãe <strong>de</strong>la, a Taís, (minha esposa), a Manuela (minha filha) e ela.<br />

Duda era uma fada que voava com asas <strong>de</strong> borboleta. A mãe tomou uma poção e<br />

crescia sem parar, feito uma mulher gigante. Daí chegou um dragão na pracinha<br />

on<strong>de</strong> estávamos e <strong>de</strong>vorou todos nós, mas uma bruxa boa (uma recreacionista<br />

voluntária da AACD) abriu a barriga da fera e nos salvou.<br />

A mãe explicou que, quando a menina gosta das pessoas, as leva junto na cabeça<br />

e no coração. Que lindo saber que nossas <strong>histórias</strong> mexem tanto com sua<br />

imaginação a ponto <strong>de</strong> nos escalares no elenco dos seus sonhos!<br />

Enquanto a querida guria <strong>conta</strong>va as cenas fantasiosas que lembrava, sorria e<br />

dizia que foi muito divertido. Ainda bem que eu, sob meu jaleco colorido estava<br />

fantasiado com óculos vermelhos para disfarçar meus olhos marejados.<br />

Agra<strong>de</strong>ço à <strong>Viva</strong> por oferecer pronto um pacote perfeito para <strong>quem</strong> gosta <strong>de</strong><br />

livros, crianças e solidarieda<strong>de</strong>, uma poção mágica que enfeitiça gente do bem,<br />

turma com um astral ótimo, uma energia acolhedora que faz o coração sorrir.<br />

Pessoas <strong>de</strong> ida<strong>de</strong>s variadas, <strong>de</strong> qualquer posição política, agnósticas e <strong>de</strong> religiões<br />

diversas, todas são bem-vindas se vibrarem na mesma sintonia no que mais<br />

interessa, colocando em primeiro lugar a alegria e o bem-estar dos pequenos em<br />

situação tão <strong>de</strong>licada e vulnerável.<br />

Vale a pena compartilhar com os eventuais leitores (por eles e pelas crianças<br />

potencialmente beneficiadas pela a<strong>de</strong>são <strong>de</strong> novos <strong>conta</strong>dores) a oportunida<strong>de</strong> <strong>de</strong><br />

conhecerem esse trabalho fantástico que faz tão bem à alma. Estamos todos<br />

interligados. <strong>Viva</strong> e <strong>de</strong>ixe viver!<br />

<strong>Viva</strong> e <strong>Deixe</strong> <strong>Viver</strong><br />

33


A COR<br />

DO AMOR<br />

Autora:<br />

Cleonice Santos Condotta<br />

Contadora <strong>de</strong> <strong>Histórias</strong> no Hospital da PUC<br />

<strong>Porto</strong> <strong>Alegre</strong><br />

<strong>Viva</strong> e <strong>Deixe</strong> <strong>Viver</strong><br />

34


E<br />

ra uma tar<strong>de</strong>, como outra qualquer, no Hospital da Criança Santo Antônio, em<br />

<strong>Porto</strong> <strong>Alegre</strong> fui até nossa salinha da ONG <strong>Viva</strong>, coloquei meu jaleco, separei<br />

meus livros preferidos e fui visitar os pacientes em alguns quartos. Chegando a<br />

um <strong>de</strong>les, havia um menino <strong>de</strong> 4 ou 5 <strong>anos</strong> ali internado.<br />

Ao entrar no quarto, me apresentei e perguntei se eu po<strong>de</strong>ria <strong>conta</strong>r uma<br />

história.<br />

- Sim, ele falou.<br />

Contei algumas <strong>histórias</strong> e, para encerrar a visita, contei uma história <strong>de</strong> meus<br />

livros preferidos: Qual é a cor do Amor? De Linda Strachan.<br />

Antes <strong>de</strong> <strong>conta</strong>r esta história, sempre pergunto aos ouvintes se eles sabem qual é<br />

a cor do amor? Os meninos normalmente dizem que é “vermelho”; as meninas<br />

em geral dizem que o amor “é rosa!”.<br />

Nesse dia, porém, o menino ficou me olhando e não disse nada. Então comecei<br />

a <strong>conta</strong>r a história do elefantinho cinzento que queria saber qual era a cor do<br />

amor. Ele andava e perguntava a todos os bichos que encontrava pelo caminho.<br />

Nada o convencia.<br />

E quando chegou na parte em que a mãe do elefantinho diz a ele que o amor são<br />

todas as cores, o menino começou a pular na cama e disse:<br />

- Olha mãe, é o arco-íris! O amor é da cor do arco-íris, que nem aquele que<br />

apareceu lá em casa!<br />

Agora, sempre que vejo um arco-íris lembro-me da história do elefantinho e do<br />

menino, que espero nunca esqueça que o amor está em todas as cores e em todo o<br />

lugar!<br />

<strong>Viva</strong> e <strong>Deixe</strong> <strong>Viver</strong><br />

35


CANTEI, ENCANTEI<br />

DE RIR E... CHOREI!<br />

Autora:<br />

Renata Carine Pereira<br />

Contadora <strong>de</strong> <strong>Histórias</strong> Hospital da Criança Santo Antônio<br />

<strong>Porto</strong> <strong>Alegre</strong><br />

<strong>Viva</strong> e <strong>Deixe</strong> <strong>Viver</strong><br />

36


E<br />

ra um dia <strong>de</strong> <strong>conta</strong>ção como qualquer outro, olhos brilhando, com friozinho na<br />

barriga ao bater em cada porta, <strong>histórias</strong> arrumadas, repertório <strong>de</strong> canções<br />

ensaiado...<br />

Espera? – repertório <strong>de</strong> canções ensaiado?<br />

Sim, essa <strong>conta</strong>dora ama cantar para os bebês especialmente. E o relato <strong>de</strong> hoje<br />

aconteceu exatamente por <strong>conta</strong> disso.<br />

Bato na porta, peço licença, me i<strong>de</strong>ntifico e já com a minha “visão tun<strong>de</strong>rcats<br />

além do alcance” já percebo duas crianças. Uma menina <strong>de</strong> uns 6/7 <strong>anos</strong> e um<br />

bebê...<br />

Silêncio...a menina me olha, pergunto se posso <strong>conta</strong>r uma história e ela pergunta<br />

se tem alguma <strong>de</strong> princesa. Respondo que sim e que para aquecer gosto antes <strong>de</strong><br />

cantar, se ela aceita cantar comigo enquanto me dirijo ao bebê e começo a cantar<br />

para ele.<br />

A menina fica animada, se arruma na caminha e me olha curiosa e cantarola<br />

comigo enquanto canto para o bebe na cama ao lado. Vejo só o topo da cabeça do<br />

bebê. Bem cabeludinho. Vejo um acesso <strong>de</strong> soro no bracinho <strong>de</strong>le. Vi que o soro<br />

estava vazio, mas continuei.<br />

Neste quarto havia duas acompanhantes, pensei: uma para cada criança! – elas<br />

riam... riam tanto...<br />

Quando a música terminou, a menina diz:<br />

- “tia, tu sabe que o Bebé é a minha boneca né...?”<br />

E eu embalo no riso com toda a turma do quarto, ri tanto que chorei!<br />

Juro que não percebi que era uma boneca, aí... como é bom <strong>conta</strong>r<br />

<strong>histórias</strong>...como é bom levar a alegria..., mas valeu a pena!!!<br />

<strong>Viva</strong> e <strong>Deixe</strong> <strong>Viver</strong><br />

37


O SUSTO<br />

Autora:<br />

Idione Klein da Rosa<br />

Coor<strong>de</strong>nadora da Associação <strong>Viva</strong> e <strong>Deixe</strong> <strong>Viver</strong> RS<br />

Contadora <strong>de</strong> <strong>Histórias</strong> na APAE <strong>de</strong> Triunfo<br />

<strong>Viva</strong> e <strong>Deixe</strong> <strong>Viver</strong><br />

38


E<br />

ra uma vez, em um dia <strong>de</strong> Valores (dia em que todos os <strong>conta</strong>dores formam<br />

grupos e esses grupos se apresentam cada um sendo um personagem da história),<br />

do ano <strong>de</strong> 2006 meu grupo foi pela primeira vez na UTI. Até esta data nenhum<br />

<strong>conta</strong>dor tinha ido lá ainda.<br />

Entramos, fomos bem recebidos com alegria pela equipe. Olhamos para um lado<br />

e nos <strong>de</strong>paramos com uma mãe cujo olhar <strong>de</strong>monstrava tristeza e solidão, olhos<br />

fixos no nada e, ao seu lado, um bebezinho que estava dormindo.<br />

Apresentamo-nos e perguntamos se eles queriam ouvir uma história. Os olhos da<br />

mãe se encheram <strong>de</strong> lágrimas, e toda feliz concordou. Iniciamos então a<br />

<strong>conta</strong>ção, sendo que cada personagem da história com sua fala e sua entrada,<br />

quando, <strong>de</strong> repente, ouvimos um barulho que nos assustamos. Foi assim:<br />

PIIIIIIIIIIIIIIII... Nossos corações quase pararam <strong>de</strong> susto, nos olhamos<br />

apavorados e olhamos para a mãezinha, porém ela estava muito tranquila e ainda<br />

pediu para que continuássemos a história. Sem enten<strong>de</strong>rmos nada continuamos<br />

em um misto <strong>de</strong> pânico e expectativa. Foi então que entrou uma enfermeira e<br />

trocou o soro. Era um sinal apenas, nos olhamos e enten<strong>de</strong>mos que o tão<br />

apavorante PIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII, assinalava que o soro havia terminado.<br />

Ao terminar a nossa história, olhamos para a mãezinha que agora estava com<br />

um brilho <strong>de</strong> alegria nos olhos, nos <strong>de</strong>spedimos e saímos. Quando estávamos no<br />

corredor, sentamos, olhamos um para o outro e começamos a chorar e a rir sem<br />

parar a partir do que passamos com aquela <strong>conta</strong>ção.<br />

Nosso grupo se chamava Esperança e, naquele momento, percebemos o quanto<br />

fizemos a diferença naquele lugar e que estávamos prontos para encarar qualquer<br />

dificulda<strong>de</strong> que encontrássemos pela frente.<br />

<strong>Viva</strong> e <strong>Deixe</strong> <strong>Viver</strong><br />

39


AGRADECIMENTOS<br />

Autora:<br />

Magda Mello<br />

Contadora <strong>de</strong> <strong>histórias</strong> no Hospital da Criança Santo Antônio<br />

<strong>Porto</strong> <strong>Alegre</strong><br />

<strong>Viva</strong> e <strong>Deixe</strong> <strong>Viver</strong><br />

40


N<br />

este ano <strong>de</strong> 2022, aqui no Rio Gran<strong>de</strong> do Sul, comemoramos <strong>18</strong> <strong>anos</strong> <strong>de</strong><br />

Associação <strong>Viva</strong> e <strong>Deixe</strong> <strong>Viver</strong>, sempre com compromisso, consciência e<br />

constância, nossos três Cs que norteiam este exercício <strong>de</strong> cidadania para que a<br />

nossa atuação voluntária seja encarada com serieda<strong>de</strong>.<br />

Este foi o sonho <strong>de</strong> Valdir Cimino, que há 25 <strong>anos</strong>, fundou a Associação <strong>Viva</strong> e<br />

<strong>Deixe</strong> <strong>Viver</strong>. Queremos te agra<strong>de</strong>cer que por todos estes <strong>anos</strong>, on<strong>de</strong> está tua<br />

<strong>de</strong>dicação transformou a vida <strong>de</strong> milhares <strong>de</strong> pessoas, <strong>de</strong>s<strong>de</strong> equipe da saú<strong>de</strong>,<br />

pacientes, familiares e voluntários.<br />

Agra<strong>de</strong>cer a todos aqueles que doam seu tempo, seu sorriso, seu amor, seu<br />

carinho, sua disposição, seu horário, para fazer feliz, para ser útil para alegrar o<br />

outro. Nossos voluntários, que não me<strong>de</strong>m esforços para que a <strong>Viva</strong> e <strong>Deixe</strong><br />

<strong>Viver</strong> permaneça viva aqui no sul. Temos a certeza <strong>de</strong> que contribuímos para a<br />

humanização da saú<strong>de</strong>, construindo um espaço mais acolhedor e saudável.<br />

Nosso total agra<strong>de</strong>cimento á AACD <strong>Porto</strong> <strong>Alegre</strong>, ao Hospital São Lucas da<br />

PUC, á Kin<strong>de</strong>r – Centro <strong>de</strong> Integração da Criança Especial, a APAE da cida<strong>de</strong> <strong>de</strong><br />

Triunfo e ao Hospital da Criança Santo Antônio que acolhem nossos voluntários<br />

com muito amor e respeito por este trabalho.<br />

Queremos ainda <strong>de</strong>ixar eternizado neste livro, nosso agra<strong>de</strong>cimento a Magda<br />

Mello (Im memorian), nosso anjo que se tornou exemplo <strong>de</strong> como o trabalho<br />

voluntário <strong>de</strong>ve ser encarado com serieda<strong>de</strong>, <strong>de</strong>dicação e <strong>de</strong> como po<strong>de</strong>mos<br />

transformar vidas.<br />

Últimos <strong>de</strong>poimentos registrados em nosso diário Digital:<br />

2019<br />

- Um Garoto <strong>de</strong> 9 <strong>anos</strong>, <strong>de</strong>ficiente visual, que estava com a avó, muito alegre e<br />

comunicativo, quis ouvir muitas <strong>histórias</strong> e interagiu bastante com todas. Além<br />

das <strong>histórias</strong>, cantamos várias cantigas infantis, com ele e a avó. Ele sabia todas<br />

as letras e, bem feliz, afirmava: “Foi minha avó <strong>quem</strong> me ensinou.” Passamos<br />

momentos alegres com eles e nem sentimos o tempo passar.<br />

- Hoje foi um dia diferente, pois houve a participação <strong>de</strong> um adulto. Um senhor<br />

<strong>de</strong> meia ida<strong>de</strong> que se juntou a nós para ouvir as <strong>histórias</strong> que contávamos para as<br />

crianças. Eu estava iniciando a <strong>conta</strong>r a história "A dona galinha e o ovo <strong>de</strong><br />

Páscoa”, ele chegou, na sua ca<strong>de</strong>ira <strong>de</strong> rodas e parou para escutar. Quando<br />

terminei aplaudiu e disse sorrindo que está ele não conhecia e que gostou muito.<br />

<strong>Viva</strong> e <strong>Deixe</strong> <strong>Viver</strong><br />

41


E o resultado disso é que faz mais bem aqueles que ajudam do que aos ajudados, é formidável,<br />

gratificante, <strong>de</strong> uma alegria que transborda o coração.<br />

Idione Klein da Rosa<br />

Coor<strong>de</strong>nadora do Estado do Rio Gran<strong>de</strong> do Sul<br />

<strong>Viva</strong> e <strong>Deixe</strong> <strong>Viver</strong><br />

42


Assema Moura<br />

História: Uma história<br />

<strong>de</strong> amor<br />

Maria Elisete<br />

Berlato Pinto<br />

História: ...É a vida<br />

Naraiana Freitas<br />

História: As vezes<br />

bruxa, às vezes fada<br />

Nelci Pereira Cesar<br />

História: O pequeno<br />

leitor<br />

Rosangela Silveira<br />

<strong>de</strong> Matos<br />

História: Amor colorido<br />

Lisete Massena<br />

História: Mas eu<br />

quero<br />

Elsa Verçoza<br />

Xavier Filha<br />

História: Um dia especial<br />

Liziane Hennemann<br />

História: Cocô no<br />

trono<br />

Soraya Borowski Paim<br />

História: Assembleia<br />

dos bichos e João<br />

Suzana Motta<br />

História: Uma forma<br />

<strong>de</strong> agra<strong>de</strong>cer<br />

Rosana Colombo<br />

História: Pura magia<br />

Anita Costa<br />

e Ériko Costa<br />

História: Família<br />

<strong>conta</strong>giante<br />

Ana Paula Bortolotti<br />

História: Pupilo<br />

Leonardo Schnei<strong>de</strong>r<br />

História: O sonho<br />

<strong>de</strong> duda<br />

Cleonice Santos<br />

Condotta<br />

História: A cor do amor<br />

Renata Carine Pereira<br />

História: Cantei,<br />

encantei <strong>de</strong> rir e...<br />

chorei!<br />

Idione Klein da Rosa<br />

História: O susto<br />

Magda Mello<br />

História:<br />

Agra<strong>de</strong>cimentos<br />

<strong>Viva</strong> e <strong>Deixe</strong> <strong>Viver</strong><br />

43


WWW.VIVAEDEIXEVIVER.ORG.BR<br />

@vivae<strong>de</strong>ixeviverpoa<br />

@Associacao<strong>Viva</strong>e<strong>Deixe</strong><strong>Viver</strong><strong>Porto</strong><strong>Alegre</strong>RS

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