PME Magazine - Edição 27 - janeiro 2023
José Esfola, diretor geral da Xerox Portugal, é a figura de capa da edição de janeiro. Descubra esta e outras entrevistas, assinando a revista em papel aqui: https://bit.ly/pme-magazine-assinatura
José Esfola, diretor geral da Xerox Portugal, é a figura de capa da edição de janeiro.
Descubra esta e outras entrevistas, assinando a revista em papel aqui: https://bit.ly/pme-magazine-assinatura
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EDIÇÃO ANO VII
FIQUE POR
DENTRO DE TODOS
OS NEGÓCIOS
EM
2023!
JANEIRO 2023 • TRIMESTRAL • EDIÇÃO 27
DIRETORA: MAFALDA MARQUES
PMEMAGAZINE.SAPO.PT
pmemagazine.sapo.pt
JOSÉ
ESFOLA
O grande legado
de inovação da Xerox
CDI PORTUGAL
@TUALIZA-TE
IMPULSIONA OS JOVENS
EMPREENDEDORES 06
ZENKLUB
A NECESSIDADE
DE INVESTIR EM
SAÚDE MENTAL 12
SPLINK
TECNOLOGIA DE
REALIDADE AUMENTADA
PARA OS ADEPTOS 36
02
Janeiro de 2023
pmemagazine.sapo.pt
ÍNDICE
Figura
de destaque
José Esfola
“Quando tratamos bem
as pessoas, estamos
a tratar bem o negócio”
ColorADD
na PME Magazine
A PME Magazine conta com
15 grandes secções, que servem
de guia estrutural para as temáticas
abordadas. De forma a tornar
a revista mais inclusiva, foi integrado
nas secções o sistema de
identificação de cores ColorADD.
Assim, cada secção conta com
uma cor diferente, identificada
com um símbolo que permite a
pessoas daltónicas identificarem
as cores que estão a ver.
Desenvolvido com base nas três
cores primárias, representadas
através de símbolos gráficos, o
código ColorADD assenta num
processo de associação lógica
que permite ao daltónico, através
do conceito da adição das cores,
relacionar os símbolos e facilmente
identificar toda a paleta de
cores. O branco e o preto surgem
para orientar as cores para as
tonalidades claras e escuras.
Azul
Vermelho
Verde
Roxo
Amarelo
Castanho
Laranja
Tons Claros
Tons Escuros
Branco
Cinza
Claro
Preto
Cinza
Escuro
Índice
04 BREVES
06 CASOS DE SUCESSO @tualiza-te e o
marketing digital nos negócios locais.
Adega de Borba e o investimento
na otimização de processos produtivos.
10 INVESTIMENTO Sandra Laranjeiro dos
Santos e o processo laboral na vertente
disciplinar.
Schroders Capital e a preocupação dos
investidores em ativos privados.
12 INTERNACIONAL O processo de
internacionalização da Apertex.
Zenklub, a plataforma digital que oferece
serviços no âmbito da saúde mental.
16 AMBIENTE Novas abordagens à
sustentabilidade.
18 RH A implementação da semana de
quatro dias nas empresas portuguesas.
20 BI Expense Reduction Analysts nomeia
Francisco Duarte como novo partner.
22 RESPONSABILIDADE SOCIAL
A diversidade etária em empresas
que operam em Portugal.
26 FIGURA DE DESTAQUE José Esfola
e o porquê da Xerox ser uma das
melhores empresas para trabalhar.
34 EMPREENDEDORISMO As compensações
além salário da Coverflex.
Splink e a ligação entre adeptos e equipas
através de realidade aumentada.
38 MEDIR PARA GERIR Os estudos
de mercado e a tecnologia.
Tiago Godinho e a gestão de pessoas
através da tecnologia.
40 MARKETING Sandra Pimenta e o
empreendedorismo feminino.
Susana Miranda e o impacto do valor da
marca profissional na carreira.
42 TECNOLOGIA Web Summit e a
internacionalização das empresas.
A nova robô da Beltrão Coelho.
47 AGENDA Building the Future e a aposta
no digital.
48 FORA D’HORAS Tranquilidade
a 45 minutos de Lisboa no Sóis
Montejunto Eco Lodge.
50 OPINIÃO Mariana Santos e as pessoas
nas empresas.
O cerne de tudo
são as pessoas
Comecemos pelo
título: as pessoas são
o cerne de tudo. Seja
nas relações pessoais
como profissionais,
são as pessoas e serão
sempre as pessoas
que farão a diferença.
Quando nos encontramos
indecisos sobre
qual empresa escolher, invariavelmente,
iremos pender para a empresa que melhor
recebeu/tratou o nosso pedido, mesmo que
o preço seja mais elevado em comparação
com a outra.
E é por isso que a primeira edição de 2023
se baseará em recursos humanos, sendo
que a figura de destaque é José Esfola,
diretor geral da Xerox Portugal, que por três
anos alcançou o prémio de melhor empresa
para trabalhar.
Fomos também perceber como as primeiras
empresas que adotaram a semana de quatro
dias em Portugal se estão a adaptar à novidade
e descobrir como a CDI Portugal utiliza a
tecnologia para proporcionar uma interligação
entre a população mais jovem e empresas
que necessitem de apostar no digital.
Por falar em tecnologia, falámos com os fundadores
da Splink, empresa que liga os adeptos
às equipas de futebol através de realidade
aumentada e conhecemos o novo robô da
Beltrão Coelho, a Kettybot.
Conheça estas e outras histórias na edição
que agora desvendamos.
Esperamos que 2023 seja o ano da recuperação
pós-pandemia, pelo que o desejo da PME
Magazine é que estes doze meses vos tragam
muitas alegrias.
Boas leituras e bons negócios!
Texto:
João Carreira
Editor
DIRETORA: Mafalda Marques EDITOR: João Carreira REDAÇÃO: Ana Rita Justo, Emanuelle Bezerra, Marta Godinho e Martim Gaspar
VÍDEO E FOTOGRAFIA: Nicolás Armoa, NortFilmes e João Filipe Aguiar DESIGN GRÁFICO: José Gregório Luís DIGITAL MANAGER: Gonçalo Figueira
e Pedro Silva COLABORARAM NESTA EDIÇÃO: Duncan Lamont, João Marques, Mariana Santos, Sandra Laranjeiro dos Santos, Susana Miranda
e Tiago Godinho ESTATUTO EDITORIAL (leia na íntegra em pmemagazine.sapo.pt) DIREÇÃO COMERCIAL - Daniel Marques EMAIL:
publicidade@pmemagazine.com PROPRIEDADE: Massive Media Lda. NIPC: 510 676 855 MORADA DA SEDE DA ENTIDADE PROPRIETÁRIA:
Rua da Meia Laranja, 14, 2660-532 Loures MORADA DO EDITOR: Avenida República da Bulgária, lt 15 - 2º A e B, 1950-375 Marvila, Lisboa REDAÇÃO:
Avenida República da Bulgária, lt 15 - 2º A e B, 1950-375 Marvila - Lisboa TELEFONE: 218 471 310 EMAIL: info@pmemagazine.com N.º DE REGISTO
NA ERC: 126819 EDIÇÃO N.º: 27 DEPÓSITO LEGAL N.º: 427738/17 ISSN: 2184-0903 TIRAGEM: 1000 exemplares IMPRESSÃO: Sprint Zona Industrial
Segulim, Rua José Pereira, Lote 3ª, 1685-635 Famões, Odivelas DISTRIBUIÇÃO: por assinatura anual PERIODICIDADE: Trimestral
Janeiro de 2023
pmemagazine.sapo.pt
03
BREVES
EMPRESAS DO BCSD PORTUGAL ACELERAM TRANSIÇÃO PARA BIOECO-
NOMIA CIRCULAR. A BCSD Portugal e mais de 60 empresas agregam-se num
manifesto e pedem que a COP15 da biodiversidade seja um momento de viragem
para o reconhecimento da importância da natureza para a economia mundial.
Implementado
Orçamento do
Estado para 2023
Foi a partir do dia 1 de janeiro de 2023
que foi implementado o documento
estratégico que aponta para o crescimento
mais sustentável da economia
e para a “consolidação das finanças
públicas” focado no futuro e no reforço
da “trajetória de crescimento” para
que o país “continue a convergir com
os países desenvolvidos da União Europeia”,
segundo o primeiro-ministro,
António Costa. O OE2023 conta com
71 propostas de alteração. Foram votadas
mais de 1.800 propostas.
50 propostas de alteração do PAN e Livre foram viabilizadas
Eco-Oil produz
fuel sustentável
com baixas emissões
de CO2
O Eco-Oil, empresa portuguesa dedicada
ao tratamento de águas contaminadas
em navios-tanque no porto de
Setúbal, e que produz o fuel sustentável
EcoGreen Power, é o único fuelóleo
que reduz comprovadamente as emissões
de CO2 na indústria em 99,75%
face ao combustível fóssil tradicional.
A empresa também já foi certificada
com o selo ISCC Plus (sistema internacional
de certificação para a sustentabilidade
e carbono).
Em 2022, o Continente reforçou a presença no
país com 16 novas lojas, criando cerca de 600
postos de trabalho
Portugal no top 20 dos países com melhor
reputação
A utilização do fuel EcoGreen Power produzido
pelo Eco-Oil evitou a emissão de 96 mil toneladas
de CO2 em 2021
Continente abre três
lojas no distrito de
Lisboa
O Continente chegou às 77 lojas no
distrito de Lisboa com as aberturas do
Continente Modelo Estoril, em Cascais,
o Continente Bom Dia Av. de Paris, em
Lisboa, e o Continente Bom Dia Vialonga,
em Vila Franca de Xira, reforçando
a posição da marca na região e criando
160 novos postos de trabalho.
Valor das faturas
de eletricidade
mantém-se em 2023
Apesar da companhia de eletricidade
Endesa passar a discriminar na fatura o
custo do Mecanismo de Ajuste Ibérico
da Eletricidade desde o passado dia 16
de janeiro, a mesma assegura os clientes
que vão reduzir os preços da eletricidade
este ano.
Janeiro de 2023
04 pmemagazine.sapo.pt
Mostramos-lhe
como foi...
Foi no passado mês
de outubro de 2022
que decorreu o evento
da 26.ª edição em
papel da PME Magazine
que contou com a
apresentação na Mostra
de Inovação, Emprego
e Investimento
no Pavilhão Paz e
Amizade, em Loures.
O evento contou com
a presença da figura
de capa da edição
de outubro, Mariana
Santos, administradora
e diretora-geral da
Kilom, que abordou
temas sobre a gestão
e prevenção de risco
nas empresas. A sessão
teve, ainda, em
vista a superação de
crise, os riscos e oportunidades
de uma fábrica
para a indústria
4.0 e a importância da
cooperação dos seus
colaboradores e de
todos os stakeholders,
principalmente em
momentos de crise.
Janeiro de 2023
pmemagazine.sapo.pt
05
CASOS DE SUCESSO
@TUALIZAR
VELHOS HÁBITOS
COM INTEGRAÇÃO
DOS MAIS NOVOS
O CDI (Center of Digital
Inclusion) é uma organização
não-governamental de
inclusão e inovação social
e digital, com presença
internacional. Tendo chegado
a Portugal em 2013, o objetivo
da entidade cifra-se em
transformar as vidas das
pessoas através da tecnologia.
Dentro das várias vertentes
que dispõe, a organização
apresenta agora a 3.ª edição
do projeto @tualiza-te, que
procura atrair jovens interessados
em marketing digital para
coordenar projetos de transformação
digital em negócios
locais na região de Valongo.
O
@tualiza-te surge a partir da atuação
do CDI Portugal com o projeto
Centro de Cidadania Digital de
Valongo como mais uma oportunidade de os
jovens adotarem as novas tecnologias como
o caminho a seguir, mais especificamente na
área do marketing digital. Ao mesmo tempo
que adquirem conhecimentos necessários
sobre esta área, os mesmos desenvolvem
projetos em contexto real para benefício de
negócios locais para que estes aproveitem
as vantagens da economia digital.
O projeto decorre na região de Valongo,
aliando-se ao município a fim de dinamizar
um espaço colaborativo que pretende instruir
e abrir a comunidade a tirar partido das
oportunidades do mundo digital, contribuindo
para uma cidade mais inovadora,
criativa e humana.
Através de formação certificada pelo
Centro de Formação do Porto, os partici-
pantes poderão integrar-se em diversas
áreas do marketing digital, nomeadamente,
gestão de projeto, gestão de website, redes
sociais, conteúdos digitais, campanhas de
comunicação digital e design, marketing
e publicidade, bem como a oportunidade
de fazer parte da transição digital dos
negócios da região.
Os participantes no projeto tendem a
ser jovens “Neet”, ou seja jovens que não
trabalham, não estudam ou não seguem
uma formação vocacional. Segundo Cláudia
Lima, gestora de projeto do programa Switch
to Innovation, “em 2020, em Portugal,
11% da população entre os 15 e os 29 anos
não trabalhava, não estudava e não estava
integrada em formação. Para além disso,
sabe-se que 23,9% dos jovens têm dificuldade
em entrar no mercado de trabalho”.
“Desta forma é essencial atrair jovens
para as áreas STEM [Science, Techno-
“
É essencial atrair
jovens para as
áreas STEM com
maior procura e
valorização pelo
mercado.
Cláudia Lima,
gestora
do projeto Switch
to Innovation
da CDI Portugal
”
Texto:
Martim Gaspar
Redação
Fotografia:
D. R.
Janeiro de 2023
06 pmemagazine.sapo.pt
CASOS DE SUCESSO
logy, Engineering and Math ou Ciências,
Tecnologia, Engenharia e Matemática, em
português], com maior procura e valorização
pelo mercado, possibilitando-lhes
uma experiência em novas áreas para que
encontrem outras perspetivas futuras.
Da mesma forma, ao desenvolverem os
seus projetos trabalham soft skills como
pensamento crítico, criatividade, trabalho
em equipa e comunicação, desenvolvendo
o seu portefólio de competências, o que
conduz a maior probabilidade de sucesso
de empregabilidade futura”, acrescenta.
Através do @tualiza-te é incentivado o
desenvolvimento de projetos em contexto
real pelos seus participantes, em equipas,
ocupando o papel de consultores, com
apoio de formadores especializados em
diferentes áreas de marketing digital para,
desta forma, desenvolverem aprendizagens
com impacto real nos pequenos negócios
locais. A aproximação dos jovens aos negócios
locais, potenciando oportunidades de
emprego futuras, permite aos empresários
acesso a ferramentas e outputs que, de outra
forma, não teriam acesso tão facilitado e o
papel dos participantes serve como de jovens
embaixadores para a economia digital,
contribuindo num projeto com propósito
de ajudar à promoção e ao crescimento dos
negócios locais.
“O projeto destaca-se pela relação de
parceria entre nós, CDI Portugal, a Câmara
Municipal de Valongo, o IEFP – Centro de
Emprego e Centro de Formação, assim
como com a associação empresarial numa
resposta articulada em prol da capacitação
e requalificação de jovens e adultos
desempregados para a área do marketing
digital”, refere Cláudia Lima.
Até ao momento, o projeto já contou com
duas edições que demonstraram resultados
positivos entre ambos os envolvidos (jovens
e comerciantes), com um total de 38 jovens
que se desafiaram a causar impacto positivo
na comunidade e 17 negócios locais
impactados pelo projeto.
Após as duas edições, foram criados e/
ou melhorados com novas funcionalidades,
apresentação e organização de nove websites,
atualizadas 13 redes sociais, realizadas nove
sessões de fotografia, criadas quatro lojas
online e efetuados quatro rebrandings, através
de criação de novos logótipos e melhorias
da imagem dos negócios.
Segundo os dados revelados após a realização
do projeto, 90% dos participantes
considerou os conhecimentos adquiridos
importantes para o seu desenvolvimento
profissional e pessoal, com 63% a rever-se a
trabalhar na área do marketing digital, 83%
aumentou o conhecimento sobre gestão de
conteúdos digitais, 78% sobre marketing
digital e 76% referiu satisfação geral com a
iniciativa. Para além do feedback positivo,
após o término do @tualiza-te, 66% dos
participantes encontra-se a trabalhar e/
ou estudar, originando oportunidade de
emprego direta.
Já os comerciantes “demonstram abertura
para participarem e reconhecem a
importância que o mundo digital apresenta
atualmente no negócio e na possibilidade
de abrirem novos mercados, algo que o
período da pandemia veio ainda reforçar
mais”, afirma a organização.
“Muitos dos comerciantes revelam que
devido à carga de trabalho, não têm, muitas
vezes, o tempo necessário para se dedicarem
a desenvolver estes conceitos e a fazer
esta integração digital de forma autónoma,
pelo que veem como mais valia a ajuda dos
jovens”, conclui a organização.
Janeiro de 2023
pmemagazine.sapo.pt
07
CASOS DE SUCESSO
Ana Rita Justo
Redação
Fotografia:
Adega de Borba
“PRESERVAMOS COMO
COMPROMISSO PRODUZIR
UVAS E VINHOS DE FORMA
SUSTENTÁVEL”
“
A nossa previsão
de faturação
aponta para perto
de 15 milhões
de euros, tendo
como objetivo
crescer 5% para
o ano 2023.
Nuno Brito,
diretor geral
da Adega de Borba
”
Com 270 sócios e 2200 hectares de vinha,
a Adega de Borba tem assumido, nos
últimos anos, um investimento significativo
na otimização de processos produtivos tendo
em vista políticas mais sustentáveis. Falámos
com Nuno Brito, que assumiu a direção-geral
da empresa no ano passado, depois de
passar pelo mercado da consultoria e por
outras empresas de distribuição alimentar,
sobre os principais desafios sentidos no
contexto atípico que se vive e sobre as medidas
que fazem desta empresa, com quase 70 anos
de história, um caso de sucesso nacional.
P
ME Magazine – De que forma a Adega de Borba tem
modernizado a produção e as formas de trabalho?
Nuno Brito – O investimento em tecnologia de produção
e sistemas de apoio à gestão, bem como a melhoria contínua de
processos tem sido uma constante da vida da empresa, como
condição essencial para a sobrevivência e sucesso no mercado.
A Adega de Borba está igualmente certificada pelo Sistema de
Gestão de Qualidade e Segurança Alimentar (NP ISO 9001 e ISO
22000), assim como pela exigente norma de certificação IFS, que
nos permite concorrer ao fornecimento de cadeias internacionais
de distribuição.
PME Mag. – Quais as principais apostas atuais?
N. B. – Temos como pilares estratégicos, em primeiro lugar, a
promoção da notoriedade dos vinhos que produzimos, garantindo
a genuinidade e características únicas da sub-região dos vinhos de
Borba. Em segundo lugar, aprofundar a sustentabilidade ambiental
e social da Adega. Em terceiro lugar, apostar na internacionalização
dos nossos produtos e marcas. Por último, trabalhar a
eficiência de todos os processos, da vinha à garrafa e melhorar a
profissionalização e valorização dos nossos recursos humanos.
PME Mag. – Qual a vossa produção anual e qual o produto
mais vendido?
N. B. – A produção média anual da Adega de Borba ronda os
11 milhões de litros de vinho. A marca com maior presença no
mercado é o Adega de Borba DOC.
PME Mag. – Quantos colaboradores empregam e em que
áreas?
N. B. – Empregamos atualmente 70 pessoas, 51 das quais nas áreas
de vinificação, qualidade, linhas de engarrafamento e logística.
PME Mag. – Como é gerir uma cooperativa
e como gerem a relação entre todos
os viticultores?
N. B. – A Adega de Borba, enquanto
cooperativa, pauta-se por uma gestão
altamente profissional que em nada difere
de uma empresa privada, com práticas de
gestão ao nível de planeamento estratégico,
marketing, reporting e controlo de gestão
que assentam na eficiência e racionalidade
económica. A relação com os sócios
viticultores – cerca de 270 atualmente e
representando uma área total de vinha de
2200 hectares – é saudável e transparente,
procurando a Adega apoiá-los em termos
de aconselhamento das melhores práticas
de viticultura e formação técnica diversa.
Existe um conselho de administração eleito
pelos sócios, cujos elementos também são
viticultores, que em permanência assumem
as decisões estratégicas do negócio.
Nuno Brito é diretor geral da Adega de Borba desde 2021
Janeiro de 2023
08 pmemagazine.sapo.pt
CASOS DE SUCESSO
Produção para mercados externos representa 30%
da faturação
Produção anual é de 11 milhões de litros de vinho
PME Mag. – Como tem sido o impacto
da atual crise energética e do contexto
inflacionário para a Adega de Borba?
N. B. – Os impactos têm sido significativos,
como na maioria das indústrias – ao nível
da energia, da logística, das matérias-primas
e de todos os fatores de produção, em
particular do material de embalagem cujos
aumentos são superiores a 30%.
PME Mag. – Como tem corrido a aposta
no e-commerce?
N. B. – Para além da loja física em Borba,
que é um autêntico caso de sucesso, e que
dá suporte ao nosso projeto de enoturismo,
temos uma loja online, cujas vendas têm
vindo a crescer de ano para ano. Em conjunto
valem cerca de 5% da faturação.
PME Mag. – E na internacionalização,
quais os vossos mercados-alvo e que peso
têm as exportações no vosso negócio?
N. B. – As exportações de vinho da Adega
de Borba valem cerca de 30% do negócio
total, sendo os principais mercados Brasil,
Estados Unidos da América e França.
PME Mag. – Quais as vossas principais
políticas de sustentabilidade?
N. B. – Preservamos como compromisso
produzir uvas e vinhos de forma sustentável,
por forma a desenvolver produtos comercialmente
viáveis, com uma utilização racional
dos recursos ambientais e que promovam o
bem-estar social dos nossos colaboradores
e comunidades envolventes. Utilizamos
metodologias inspiradas no conceito de
economia circular, com vista à redução do
consumo de água e energia, recirculação
de recursos e reaproveitamento de resíduos.
Estamos certificados em Produção
Integrada e estamos na fase final de certificação
no programa PSVA – Programa de
Sustentabilidade de Vinhos do Alentejo.
Ao longo dos últimos anos, temos vindo
a investir fortemente na autossuficiência
energética, com investimentos na ordem
dos 400 mil euros.
PME Mag. – Qual a vossa previsão de
faturação para este ano e para 2023?
N. B. – A nossa previsão de faturação
aponta para perto de 15 milhões de euros,
tendo como objetivo crescer 5% para o
ano 2023.
PME Mag. – Que projetos novos estão
em cima da mesa?
N. B. – Os principais projetos centram-se
em investimentos visando o aumento de
capacidade de vinificação e armazenamento
de vinho, dotando a adega dos mais
modernos equipamentos disponíveis no
mercado. Temos, igualmente, projetos
de criação de novos conceitos e marcas e
projetos de melhoria da eficiência energética
e ambiental.
Janeiro de 2023
pmemagazine.sapo.pt
09
INVESTIMENTO
O PROCESSO LABORAL NA VERTENTE
DISCIPLINAR: O DIREITO E DEVER
DO TRABALHO(R)
O
processo disciplinar assume-se
no direito do trabalho como um
dos principais desafios para o
empregador: sendo um direito do mesmo é
muitas vezes esquecido e acaba por levar o
empregador a, em jeito de atalho de caminho,
“cortar sem direito” a relação laboral.
Mas em que consiste um processo disciplinar?
O processo disciplinar é um meio
de exercício do direito do empregador em
caso de violação de algum dos seguintes
deveres do trabalhador: a) respeitar e tratar
o empregador, os superiores hierárquicos,
os companheiros de trabalho e as pessoas
que se relacionem com a empresa, com
urbanidade e probidade; b) comparecer ao
serviço com assiduidade e pontualidade;
c) realizar o trabalho com zelo e diligência;
d) participar de modo diligente em ações
de formação profissional que lhe sejam
proporcionadas pelo empregador; e) cumprir
as ordens e instruções do empregador
respeitantes a execução ou disciplina do
trabalho, bem como a segurança e saúde
no trabalho, que não sejam contrárias
aos seus direitos ou garantias; f) guardar
lealdade ao empregador, nomeadamente
não negociando por conta própria ou alheia
em concorrência com ele, nem divulgando
informações referentes à sua organização,
métodos de produção ou negócios; g) velar
pela conservação e boa utilização de bens
relacionados com o trabalho que lhe forem
confiados pelo empregador; h) promover
ou executar os atos tendentes à melhoria
da produtividade da empresa; i) cooperar
para a melhoria da segurança e saúde no
trabalho, nomeadamente por intermédio
dos representantes dos trabalhadores eleitos
para esse fim; j) cumprir as prescrições sobre
segurança e saúde no trabalho que decorram
de lei ou instrumento de regulamentação
coletiva de trabalho.
O primeiro documento do processo
disciplinar é o auto de notícia, no qual se
descrevem vários comportamentos do
trabalhador visado. De seguida, deve ser
nomeado um instrutor do processo que será
quem irá conduzir o mesmo, nomeadamente
Texto:
Sandra Laranjeiro
dos Santos
Advogada
e mediadora
de conflitos
Fotografia:
LS Advogados, RL
“
O procedimento
disciplinar
com vista ao
despedimento,
é um procedimento
que é
orientado pelo
contraditório
e composto por
quatro fases:
acusação,
defesa,
instrução
e decisão.
Sandra Laranjeiro
dos Santos,
advogada
e mediadora
de conflitos
”
recolhendo depoimentos/declarações de testemunha, com vista
a fundamentar a nota de culpa a ser entregue ao trabalhador.
Aos depoimentos das testemunhas, que podem ser outros
trabalhadores, clientes, fornecedores que estejam envolvidos
com os acontecimentos que o empregador considere violadores
da relação laboral, deve-se seguir o relatório preliminar, elaborado
pelo instrutor do processo, no qual este descreve os factos
imputados ao trabalhador, denominado “arguido”, cabendo ao
instrutor propor a elaboração da nota de culpa ao empregador.
A nota de culpa corresponde, grosso modo, à acusação do
processo penal, dispondo o código do trabalho a este propósito que:
“No caso em que se verifique algum comportamento suscetível de
constituir justa causa de despedimento, o empregador comunica,
por escrito, ao trabalhador que o tenha praticado a intenção de
proceder ao seu despedimento, juntando nota de culpa com a
descrição circunstanciada dos factos que lhe são imputados”.
A falta de comunicação da intenção de despedimento na nota de
culpa origina, nos casos em que o procedimento disciplinar redunde
em despedimento, na ilicitude do despedimento, por invalidade
do mesmo. É, por isso, crucial que sempre que o procedimento
disciplinar possa (em abstrato) conduzir ao despedimento essa
menção se faça ab initio.
Recebida a acusação, o trabalhador arguido pode também,
arrolar testemunhas, para além de contestar os factos que lhe são
imputados – tudo isto no prazo máximo de 10 dias úteis.
Se o trabalhador arguido abdica de se defender, caberá ao
instrutor no relatório final, ponderar sobre se há prova bastante
para a aplicação de sanção disciplinar (que em última instância
pode ser o despedimento com justa causa), ou não.
Na decisão final, a entidade empregadora toma a decisão, no
âmbito do poder disciplinar que lhe é atribuído por lei, de despedir,
ou não, o trabalhador, podendo ainda: repreender o trabalhador
verbalmente ou por escrito; atribuir-lhe uma sanção pecuniária;
determinar a perda de dias de férias; suspender o trabalho com
perda de retribuição e de antiguidade.
Assim, podemos dizer que o procedimento disciplinar com
vista ao despedimento, é um procedimento que é orientado pelo
contraditório e composto por quatro fases: acusação, defesa,
instrução e decisão.
Recorde-se que o cumprimento de uma conduta profissional
é um dever do trabalhador, cabendo ao empregador exigir o
cumprimento desse seu direito.
10
Janeiro de 2023
pmemagazine.sapo.pt
INVESTIMENTO
Texto:
Duncan Lamont
Head of Strategic
Research da
Schroders
Fotografia:
Divulgação
DEVEM OS
INVESTIDORES
EM ATIVOS PRIVADOS
EUROPEUS
ESTAR PREOCUPADOS?
“ Mesmo que
2022 e 2023
sejam ambientes
de mercado
difíceis para
saídas, podem
ser boas
oportunidades
para adquirir
empresas
atrativas em
avaliações mais
atrativas.
Duncan Lamont,
Head of Strategic
Research da
Schroders
”
A
Schroders Capital tem examinado
cada caso de crise financeira
significativa desde 2008. Os dados
sugerem que os investidores em ativos
privados europeus podem manter a calma.
Com um panorama económico incerto,
muitos investidores estão a reavaliar a sua
afetação de ativos. Desde 2008, tem havido
momentos de incerteza para os investidores
em ativos privados europeus, alguns com
raízes locais, outros globais. Desde a grande
crise financeira, a crise da dívida da zona
euro, a anexação da Crimeia à Rússia, Brexit,
ameaças ao comércio global, Covid-19 e
muito mais.
Apesar destas crises, os investidores
em ativos privados europeus ganharam
rendimentos de dois dígitos em cada ano
de “vintage” durante este período, independentemente
do impacto da economia
europeia e dos mercados globais, incluindo
as recessões. Os desempenhos dos anos mais
recentes são menos significativos, uma vez
que os fundos ainda não amadureceram, mas
os investidores nos “vintages” de 2008-17
ganharam uma taxa média de rendimento
interno de 16% ao ano, e recuperaram uma
média de 1,8 vezes o seu dinheiro.
Uma razão pela qual o desempenho tem
sido tão resistente é que os fundos de ativos
privados beneficiam de uma “diversificação
no tempo”. O capital é mobilizado ao
longo de vários anos, em vez de tudo de
uma só vez. Isto reduz a sensibilidade aos
acontecimentos do mercado e significa que
o conceito de timing do mercado não faz
sentido quando se trata de afetar os ativos
privados. Do mesmo modo, os investidores
em ativos privados são detentores de ativos
a longo prazo sem pressão para desinvestir
se as condições de mercado não coincidirem
com a maximização do retorno.
Em vez de ser um momento para os investidores
se preocuparem com a afetação a
participações privadas, os anos de recessão
têm sido, na realidade, uma boa altura para
investir. É fácil compreender a intuição por
detrás disto: os fundos angariados em maus
momentos podem captar ativos a valores
deprimidos, à medida que uma recessão
se desenrola, e depois sair mais tarde na
fase de recuperação quando as avaliações
estão a aumentar. Mesmo que 2022 e 2023
sejam ambientes de mercado difíceis para
saídas, podem ser boas oportunidades para
adquirir empresas atrativas em avaliações
mais atrativas.
Há, também, o facto de haver muitos
potenciadores de valor que vão muito
além do crescimento económico europeu
ou do crescimento específico da indústria
nacional. Por exemplo, fusões e aquisições/
consolidação, inovação técnica, profissionalização
e modelos de negócio orientados
para a exportação. Estes podem gerar valor
mesmo num cenário macroeconómico
desafiante.
Janeiro de 2023
pmemagazine.sapo.pt
11
INTERNACIONAL
Texto:
Emanuelle
Bezerra
Redação
Fotografia:
Zenklub
Anecessidade de se investir em
bem-estar e saúde mental é cada
vez mais evidente. Segundo um
levantamento global feito pela Gympass,
83% das pessoas consideram o bem-estar
no trabalho um critério tão relevante
quanto o salário. Atentos a esta tendência,
os portugueses Rui Brandão e José Simões
criaram a Zenklub, uma plataforma digital
que oferece serviços diversos no âmbito da
saúde mental e bem-estar empresarial.
A ideia de criar a Zenklub surgiu após a
mãe de Rui Brandão passar por um burnout
e desenvolver bipolaridade. Os sócios,
então, decidiram oferecer atendimentos
psicológicos que ajudassem as pessoas a
prevenirem este tipo de problemas. Já José
Simões era cético em relação ao próprio
serviço e resolveu testá-lo pessoalmente.
“Queríamos democratizar o acesso à terapia
e logo de início percebemos que 60% das
pessoas que utilizavam o serviço, nunca
tinham feito terapia antes. Eu mesmo
iniciei o processo terapêutico para testar o
serviço que estava a oferecer e os resultados
de autoconhecimento foram imensos. Na
primeira consulta, acreditei não ter nada a
dizer. Depois, o tempo era sempre curto”.
A Zenklub mantém o foco no Brasil e
atuou durante os anos de 2016 e 2017 em
Portugal. Mas, como explica José Simões, o
mercado português ainda não estava pronto
para absorver estas novas necessidades dos
trabalhadores. “Estivemos por dois anos
em Portugal. Criámos um polo tecnológico
“NÃO ADIANTA A EMPRESA
OFERECER TERAPIA SE O
AMBIENTE DE TRABALHO
É TÓXICO”
que continua a atuar. Mas o nosso modelo
de negócio encontrou muitas barreiras no
nosso país de origem por motivos diversos”,
conta José Simões.
As dificuldades enfrentadas pelos sócios
em Portugal foram desde o custo da terapia
até questões culturais. “Em Portugal, nós
teríamos de mudar o nosso modelo de
negócio e, no lugar de facilitar o acesso à
terapia, com uma rede de parceiros, tería-
mos de contratar profissionais para tornar o
preço viável para o cliente final. Além disso,
também enfrentámos os preconceitos e
uma certa rejeição cultural aos cuidados
com a saúde mental, especialmente no
âmbito corporativo”.
Entretanto, José Simões diz que a empresa
considera que há uma tendência de mudança
neste cenário. “Quando começámos, mesmo
no Brasil onde as pessoas tendem a ser mais
12
Janeiro de 2023
pmemagazine.sapo.pt
INTERNACIONAL
Segundo José Simões, os dados são absolutamente
confidenciais e as empresas que
utilizam os serviços da Zenklub nunca terão
acesso ao que os funcionários reportam.
“Não é possível saber quem se queixou de
quê, mas, como exemplo, se só mulheres
relatam um determinado problema numa
empresa, talvez seja preciso criar mais
políticas inclusivas e de valorização para
este grupo, mas também sanar um problema
de discriminação de género. Ou se isso
acontece só com pessoas mais velhas e etc.
Criamos esses serviços corporativos, pois
não adianta a empresa oferecer terapia se o
ambiente de trabalho é tóxico”, completa.
José Simões
e Rui Brandão,
fundadores
da Zenklub
abertas, ainda havia um certo estigma
associado a ajuda psicológica, mas, hoje a
saúde mental é um dos temas que está na
ordem do dia”, enfatiza. E os números da
empresa comprovam. O volume de consultas
realizadas pela Zenklub cresceu 1059% de
2019 para 2021. “O sucesso no Brasil dá-se
pela valorização do autocuidado que o
brasileiro tem tanto em relação ao corpo, à
saúde como um todo e agora, também, em
relação a questões emocionais e psíquicas”.
Atualmente o modelo de negócio da
Zenklub evoluiu e, além de oferecer suporte
terapêutico, desenvolveu outras ferramentas
que ajudam as empresas a sanar problemas
que podem comprometer a saúde corporativa.
A empresa lançou a Care Team Zenklub
e ainda o Índice de Bem-Estar Corporativo
(IBC) e o Índice de Maturidade de Bem-Estar
Corporativo (IMBC). Estas são soluções
criadas a partir de dados para mensurar
o que mais afeta o bem-estar e saúde dos
trabalhadores e dar insights de melhorias
para as empresas.
A Zenklub espera agora consolidar estes
serviços de consultoria para saúde corporativa
no Brasil e, num segundo momento,
expandir para a América Latina e Portugal.
“Claro que queremos voltar a operar no nosso
país. Mas queremos consolidar os nossos
serviços corporativos no Brasil. Em Portugal,
fica a aprendizagem e, para mim, a vitória
pessoal de ver a minha família, especialmente
o meu pai, engajado e beneficiando
dos serviços de terapia. Como costumo
dizer, nem todo o mundo precisa de ir ao
ginásio. Mas faz bem a todas as pessoas ir
ao ginásio. O mesmo acontece com terapia.
Nem todo o mundo precisa de terapia, mas
todas as pessoas podem beneficiar caso o
façam”, completa.
“Logo de início
percebemos que 60%
das pessoas que
utilizavam o serviço,
nunca tinham feito
terapia antes.”
José Simões e Rui Brandão,
fundadores da Zenklub
Janeiro de 2023
pmemagazine.sapo.pt
13
INTERNACIONAL
Texto:
Ana Rita Justo
Redação
Fotografia:
Apertex
TÊXTEIS-LAR
PORTUGUESES
CONQUISTAM
O MUNDO COM
A APERTEX
Um pouco por todo o mundo,
a Apertex vai deixando a marca
made in Portugal associada
aos têxteis-lar com uma qualidade
que já é reconhecida.
A empresa quase centenária
nasceu em Guimarães e quer
continuar no percurso de
internacionalização, agora
com cautelas devido à guerra
e à crise energética.
É
em Guimarães que encontramos
a Apertex, fábrica portuguesa de
têxteis-lar que nasceu em 1928 pelas
mãos de Francisco Ribeiro e que, hoje, prossegue
o seu legado com o neto, Fernando
Pereira, na direção-geral. Inicialmente
criada para dar resposta às necessidades
locais, a Apertex foi crescendo e, atualmente,
exporta para todo o mundo.
Cerca de 90% da produção da fábrica
portuguesa segue caminhos fora de
Portugal, contando com um total de 60
colaboradores que dão vida aos têxteis
jaquard, que vão desde os produtos de
cama e decoração, mesa, banho e têxteis
para hotelaria. O algodão e o linho são as
matérias-primas de eleição, mas foi com a
seda que a Apertex começou a sua operação,
fabricando essencialmente colchas.
Hoje, a fábrica tem capacidade para
produzir cerca de 20 mil colchas por mês e
aponta aos mercados internacionais, onde
a alta gama têxtil é reconhecida, nomeadamente
Estados Unidos e Canadá, para
onde segue 35% da produção, seguindo-se
o mercado espanhol como o segundo mais
relevante, com 30% da produção.
“Estamos um pouco por todo o mundo no
mercado de alta gama. Quando procuram
algo diferenciado e com qualidade acabam
David Ribeiro é diretor comercial e de marketing
da Apertex
por vir parar a Portugal, Itália, entre
outros”, afiança David Ribeiro, diretor
comercial e de marketing da Apertex, na
empresa desde 2015.
Apenas 10% do fabrico sai para o mercado
com marca própria, enquanto os restantes
90% seguem o seu caminho nas diferentes
marcas que contam com a Apertex como
fornecedora.
Neste sentido, David Ribeiro congratula-
-se porque hoje as marcas mais facilmente,
colocam na etiqueta que o produto foi
fabricado em Portugal, sublinhando, que
“a marca made in Portugal vende” a nível
internacional.
“Antigamente, havia medo de referir
que o produto era feito em Portugal e
colocava-se ‘fabricado na Europa’, mas
hoje [as empresas] já fazem questão de
“ Não consigo
dar um preço
a um cliente e
dizer-lhe que vai
ser válido para
o próximo ano.
Esta crise afeta
todos os
continentes
e está a afetar
mais aqueles
com quem nós
trabalhávamos
com maior
volume.
David Ribeiro,
diretor comercial e de
marketing da Apertex
”
14
Janeiro de 2023
pmemagazine.sapo.pt
INTERNACIONAL
“ Antigamente,
havia medo
de referir que o
produto era feito
em Portugal e
colocava-se
‘fabricado na
Europa’,
mas hoje
[as empresas]
já fazem questão
de colocar
‘made in
Portugal’.
David Ribeiro,
diretor comercial e de
marketing da Apertex
”
colocar ‘made in Portugal’”, sublinha
David Ribeiro.
Contudo, o diretor explica que ainda há
algum preconceito em referir que o design
é feito em Portugal: “Tem de se investir
muito mais em marketing. Enquanto assim
for, infelizmente temos mais a perder se
batermos o pé do que se ignorarmos estas
habilidades”.
Guerra e crise energética
afetam operação
Antes da invasão da Rússia à Ucrânia,
ambos os países representavam, também,
uma fatia importante na exportação da
Apertex e o diretor considera que esta foi
“uma perda muito grande” para a empresa.
A par da guerra, também a crise energética
veio afetar a operação, com os preços
das matérias-primas a dispararem e a
condicionarem o preço final apresentado
ao mercado.
“Não consigo dar um preço a um cliente e
dizer-lhe que vai ser válido para o próximo
ano. Esta crise afeta todos os continentes
e está a afetar mais aqueles com quem
nós trabalhávamos com maior volume”,
acrescenta. Só no último ano, a fatura
da luz da Apertex quadruplicou, apesar
de terem sido adicionados à estrutura da
fábrica 700 metros quadrados em painéis
solares. “Se retirar os painéis solares, esse
valor deveria ser 10, 12 vezes superior”,
segundo as contas de David Ribeiro.
Apesar dos constrangimentos, a empresa
tem em curso um plano de expansão, que
prevê o alargamento da fábrica dos atuais
quatro mil metros quadrados para oito mil
metros quadrados e que deverá estar finalizado
durante este ano, permitindo, numa
primeira fase, um aumento produtivo entre
os 30% e os 40% face à capacidade atual.
“Esta ampliação vai trazer outras opções
em termos de processo produtivo que não
tínhamos até então. Acima de tudo, vai
permitir-nos alargar o nosso parque de
teares”, concretiza.
Depois de faturar perto de cinco milhões
de euros em 2021, a Apertex terá terminado
2022 com valores semelhantes ao do
ano anterior. O aumento do número de
trabalhadores também está a ser equacionado,
mas David Ribeiro fala sobre
2023 com cautelas e de olhos postos na
sustentabilidade do negócio. “É o mercado
que manda em nós. Se as necessidades do
mercado não o permitirem não podemos
pôr em causa as pessoas que temos cá.”
Empresa produz
cerca de 20 mil
colchas por mês,
sendo que
a maioria
da produção
da Apertex
ruma ao mercado
internacional
Janeiro de 2023
pmemagazine.sapo.pt
15
AMBIENTE
NOVAS ABORDAGENS
À SUSTENTABILIDADE
POR UM FUTURO MELHOR
Texto:
Martim Gaspar
Redação
Fotografia:
Trash4goods
“Mais
de 50% dos
resíduos
colocados em
ecopontos
amarelos
encontram-se
contaminados.”
A Trash4goods pretende implementar um sistema de pontos para recompensar quem recicla
Afonso Ravasco,
COO da Trash4goods
O
tema da sustentabilidade é um
dos tópicos mais aclamados na
atualidade, com eventos e figuras
públicas dedicadas à discussão deste assunto.
A verdade é que, no presente, caminhamos
para um futuro com possíveis catastróficas
consequências ambientais, em grande parte
devido ao modelo de constante consumo
da nossa sociedade. Para aliviar o problema
em mãos, organizações como Fruta Feia e
Trash4goods surgem com iniciativas para
contribuir para uma sociedade com menos
desperdício e mais sustentável.
Segundo o COP27, cimeira mundial sobre
o ambiente que contou com a participação
de vários líderes mundiais em outubro deste
ano, verificou-se que se as indústrias não
reduzirem pelo dobro as suas emissões
de gases com efeito estufa até 2030, as
consequências ambientais podem vir a
ser irreversíveis.
Além das enormes quantidades de poluição
produzida pela indústria, é importante
não descurar a poluição criada nas nossas
atividades quotidianas. Seja poluição dos
transportes ou doméstica, qualquer tipo de
poluição põe em causa o meio ambiente.
Todos podem contribuir para aliviar este
problema. Praticar reciclagem ou recorrer
a transportes públicos são exemplos. No
entanto, muitas das vezes consideramos
que este trabalho não vale o esforço, visto
não nos sentirmos motivados por uma
possível recompensa no final do dia.
”
16
Janeiro de 2023
pmemagazine.sapo.pt
AMBIENTE
De momento, a Trash4goods está presente em Lisboa, mas com planos de expansão
Neste contexto, surgem organizações
como a Fruta Feia e Trash4goods, que
pretendem aumentar a consciência dos
cidadãos para a sustentabilidade ao mesmo
tempo que reaproveitam desperdícios ou
fornecem vantagens para a prática da
reciclagem, oferecendo aos cidadãos a sua
própria “recompensa”.
A Fruta Feia é um projeto com nove
anos de idade que endereça o problema
do desperdício de fruta e hortícolas pura
e exclusivamente pela sua aparência. É
uma organização sem fins lucrativos,
auto-sustentável, que conta com o apoio
de 600 agricultores que vendem os seus
produtos mais “feios” à organização e uma
equipa de 16 trabalhadores que dinamiza a
ação da organização. A ideia para o projeto
surge quando Isabel Lopes, fundadora da
organização, após discutir sobre a temática
com agricultores, apercebeu-se do tamanho
do problema quanto ao desperdício de
fruta e hortícolas.
O projeto consiste na compra de produtos
que seriam desperdiçados por agricultores,
que são arranjados em forma de cabazes com
destino aos consumidores. A luta contra
este problema acaba por passar pela criação
de uma cadeia alternativa entre produtor e
consumidor, na qual a organização procura
estimular os agricultores a darem um
novo fim aos seus possíveis desperdícios,
ao mesmo tempo que os consumidores
assumem um compromisso para com a
organização no consumo dos seus produtos
através dos cabazes semanais. O objetivo
desta organização passa por sensibilizar
a comunidade sobre esta problemática,
consciencializando e sensibilizando as
autoridades e entidades decisoras locais
relacionadas com o assunto e a partir de
iniciativas para combater este tipo de
problemas. Além de programas de sensibilização,
a Fruta Feia é também responsável
por um programa de atividades em escolas
para sensibilizar também os mais novos.
Já a Trash4goods é uma empresa que se
integra no meio digital, incentivando os
utilizadores da sua aplicação digital a reciclar
mais, em troca de prémios. Segundo Afonso
Ravasco, COO da Trash4goods, “mais de
50% dos resíduos colocados em ecopontos
amarelos encontram-se contaminados,
sendo postos no ecoponto errado principalmente,
ou algum tipo de plástico, que
não deve ser colocado nesse ecoponto acaba
por ter como destino final, esse ecoponto.
O facto de os resíduos serem vistos apenas
como lixo e não matéria-prima, influencia
o comportamento ambiental de muitas
pessoas, o que, por sua vez, serve como
um fator prejudicador na eficiência da
reciclagem”.
Atualmente, o sistema de premiação
do projeto baseia-se em competições
sustentáveis, a partir das quais conforme
a quantidade de lixo reciclado por parte do
utilizador, este ocupará uma posição num
ranking ao qual estará determinado um
prémio. A empresa pondera implementar,
no futuro, o clássico sistema de pontos que
poderá ser usado numa loja definida, procurando
expandir o repertório de prémios que
poderá oferecer ao utilizador da aplicação.
Assim, o Trash4goods surge “para ensinar
as pessoas a reciclarem mais e melhor”,
procurando implementar em Portugal alguns
mecanismos de reciclagem já estabelecidos
em países como a Alemanha, entre eles,
o sistema Rivers Vending Machines, que
consiste numa máquina posicionada em
locais como supermercados que oferece a
oportunidade a todas pessoas de trocarem
o seu lixo, maioritariamente garrafas de
plástico ou vidro, por dinheiro. Porém, este
sistema ainda faz parte dos planos futuros
da organização.
De momento, a Trash4goods possui
300 utilizadores e os pontos de recolha de
lixo encontram-se espalhados por zonas
de maiores aglomerados em Lisboa, com
maior foco em escolas.
Futuramente, a empresa espera expandir-se
também para lojas, bem como
reciclar diferentes tipos de resíduos como
os eletrónicos.
Janeiro de 2023
pmemagazine.sapo.pt
17
RH
360IMPRIMIR INOVA
AO ADOTAR SEMANA
DE 4 DIAS E TRABALHO
100% REMOTO
“
Implementamos
medidas que
nos diferencie
no mercado
e nos torne
uma empresa
competitiva não
apenas no que
diz respeito
a lucro, mas
também no
desejo das
pessoas
de colaborarem
connosco
Sofia Patrão Alves,
head de Recursos
Humanos da 360imprimir
O
governo português apresentou, no
último novembro, o projeto-piloto
que prevê a semana de quatro
dias de trabalho para as empresas privadas
que poderá, num segundo momento,
ser estendido à administração pública. A
iniciativa deve começar em junho de 2023
e o governo não oferecerá contrapartidas
financeiras. As empresas que se voluntariarem
para a experiência poderão impor
um expediente de 32, 34 e 36 horas, sem
prejuízo de salário para o trabalhador. Mas,
já há quem tenha instituído o encurtamento
da semana de trabalho antes mesmo do
projeto ser lançado pelo governo. É o caso
da 360imprimir, gráfica online de referência
no mercado em Portugal.
Texto:
Emanuelle
Bezerra
Redação
Fotografia:
360imprimir
A empresa é uma das pioneiras ao implementar
a semana laboral mais curta e já
havia incutido o trabalho 100% remoto.
A iniciativa de reduzir a carga laboral
teve início a 10 de outubro de 2022 e será
monitorizada trimestralmente, com os seus
resultados divulgados para todo o mercado.
A 360imprimir é, entretanto, uma voz
dissonante no mercado português. Segundo
um inquérito da Associação Empresarial
de Portugal (AEP) divulgado no dia 18
de novembro, 90% dos empresários não
aprovam a implementação da semana de
quatro dias de trabalho. Para eles, a medida
beneficia apenas os trabalhadores e pode
gerar impactos negativos nos lucros das
empresas. Para o estudo foram ouvidos
1.130 empresários e apenas 10% deles
acreditam que a medida poderá ser muito
benéfica e 30% deles dizem que a semana
encurtada não beneficiará nenhuma das
partes. A redução da jornada de trabalho
sem corte salarial é rejeitada por 94% dos
entrevistados.
Contudo, a 360imprimir está confiante
na escolha de priorizar o bem-estar dos
funcionários. De acordo com Sofia Patrão
Alves, head de Recursos Humanos, pouco
mais de um mês após a implementação, a
empresa pode dizer que é uma experiência
muito positiva. “Os nossos colaboradores
estão bastante satisfeitos e nós não podíamos
estar mais felizes com o feedback que temos
obtido. Existe um sentimento de orgulho em
fazer parte da 360imprimir, uma empresa
que consideram não só evoluída em termos
de tecnologias, como também em termos
de políticas de recursos humanos”.
A diretora de recursos humanos aponta
ainda que houve uma certa surpresa por
parte dos colaboradores ao receber a notícia
da mudança da rotina e o impacto positivo
na comunicação e produtividade pôde ser
sentido imediatamente. “Uma das nossas
maiores preocupações é a retenção de talentos
e, por isso, implementamos medidas que
18
”
Janeiro de 2023
pmemagazine.sapo.pt
RH
nos diferencie no mercado e nos torne uma
empresa competitiva não apenas no que
diz respeito a lucro, mas também no desejo
das pessoas de colaborarem connosco”,
complementa.
Já em relação à decisão de operar remotamente,
a empresa diz que foi um processo
natural após a chegada da pandemia.
“Quando as regras de confinamento abrandaram,
pedimos a todos os colaboradores
o regresso ao escritório e a verdade é que
tivemos a maior taxa de saída da empresa
nessa altura. Foi nesse momento que nos
apercebemos que tínhamos de mudar e
evoluir, adotar um modelo de trabalho
que permitisse estar 100% remotamente
era importante para as pessoas. Após
a decisão da adoção deste modelo começámos
a pensar ‘o que mais podemos fazer?’
e assim chegamos à semana de quatro dias”.
Entre os benefícios que a medida traz
para a empresa, a 360imprimir lista,
além da retenção de talentos, a atratividade
em perfis técnicos e especializados,
o que traz motivação e produtividade.
A empresa implementou o modelo por conta
própria e irá avaliar apenas internamente
os resultados, sem se inscrever no projeto
do governo.
“ Quando as
regras de
confinamento
abrandaram,
pedimos
a todos os
colaboradores
o regresso ao
escritório e a
verdade é que
tivemos a maior
taxa de saída da
empresa
nessa altura.
Sofia Patrão Alves,
head de Recursos
Humanos da 360imprimir
”
Sofia Patrão Alves, head de Recursos Humanos da 360imprimir
Janeiro de 2023
pmemagazine.sapo.pt
19
BI
Texto:
Martim Gaspar
Redação
Fotografia:
Divulgação
Expense
Reduction
Analysts nomeia
Francisco
Miranda Duarte
como novo
partner
A
Expense Reduction Analysts,
consultora especializada em
otimização de custos e gestão
de compras acolhe Francisco Miranda
Duarte como o seu novo partner.
Com mais de 20 anos de percurso
em cargos de administração e gestão
financeira, Francisco Miranda Duarte
irá utilizar as suas competências para
aumentar a competitividade da rede
de clientes da consultora em Portugal
e proporcionará aos CEO e CFO a
oportunidade de otimizarem recursos
e potencializarem a rentabilidade e eficiência
das empresas portuguesas.
Francisco Miranda Duarte, partner da Expense Reduction Analysts
O novo head of
hybrid and multicloud
da Devoteam é Nuno
Vieira da Silva
Com mais de 20 anos de carreira,
Nuno Vieira da Silva assume o cargo
de head of hybrid and multicloud da
Devoteam em Portugal. A consultora
focada em estratégia digital, plataformas
tecnológicas e cibersegurança,
anunciou a nomeação de Nuno Vieira
da Silva para o cargo, em que ficará
responsável pela estratégia e pelo desenvolvimento
de negócio de soluções
de cloud híbrida e multicloud.
Hugo Dias é o novo
head of digital business
development da LBC
Hugo Marques Dias é agora o novo
head of digital business development
da LBC. A nomeação tem como objetivo
reforçar o crescimento da consultora
na prestação de serviços de transformação
digital a nível nacional
e internacional, área na qual a empresa
já possui experiência com 250 projetos
integrados nos setores público e privado
em 16 países, incluindo Bélgica,
Brasil, Espanha, EUA, Gana, México,
Ruanda e Suíça, além de Portugal.
Angelini Pharma
nomeia Jacopo Andreose
como diretor geral
Jacopo Andreose assume o cargo
de diretor-geral da Angelini Pharma,
empresa farmacêutica que opera nas
áreas do brain health, incluindo saúde
mental e epilepsia, e do consumer
healthcare, que fazem parte da Angelini
Industries, um grupo multi-negócios
italiano. Jacopo Andreose, que ocupará
o cargo a partir de 6 de fevereiro,
conta com 20 anos de experiência profissional
em altos cargos de direção na
indústria farmacêutica.
20
Janeiro de 2023
pmemagazine.sapo.pt
BI
Stéphanie Paix é a nova
CEO de Global Financial
Services do Groupe BPCE
O Conselho de Administração de Global
Financial Services nomeou Stéphanie
Paix como Chief Executive Officer
(CEO) desta área de negócio do Groupe
BPCE, sucedendo no cargo a Nicolas
Namias. Stéphanie Paix integrava já
a Comissão Executiva do grupo, como
responsável pela área de Risco, assumindo
agora este desafio.
Ana Veríssimo é a nova
chief operating officer
da Marsh e da Mercer
Portugal
A Marsh e a Mercer acabam de reforçar
a sua estrutura organizacional em
Portugal com a nomeação de Ana Veríssimo
para o cargo de chief operating
officer. Foco na melhoria de processos
das áreas de negócio em ambas as
empresas, impulsionar mudanças
transformacionais e promoção de mais
sinergias entre diferentes equipas serão
as prioridades da nova responsável
pelas operações.
O novo responsável da
SAP Global Business Line
da Inetum é Mário Oliveira
Mário Oliveira é formado em engenharia
de sistemas e computadores pelo
Instituto Superior Técnico, foi consultor
na CSC Ploenzke e na Sigil, onde
se especializou no software de gestão
SAP e substitui, agora, Francisco Febrero
que deixa o cargo por razões
pessoais. O novo responsável desempenhava
funções como administrador
com foco sobre o delivery.
RESPONSABILIDADE SOCIAL
DUAS EMPRESAS,
UMA POLÍTICA
A diversidade etária é uma das políticas
que mais tem surgido ao longo dos tempos
alicerçada às novas e antigas empresas.
A Volkswagen e a Sonae são exemplos
de empresas que chegaram ao topo com
caraterísticas empresariais cada vez mais
baseadas nas pessoas e nos seus
colaboradores de diferentes gerações.
Texto:
Marta Godinho
Redação
Fotografia:
Volkswagen
e Sonae
“ Os nossos
jovens
ajudam-nos
a criar mais
sinergias entre
as diferentes
áreas e
os mais seniores
trazem muito
da sua vasta
experiência e
conhecimento
de negócio
que ajudam os
mais juniores
a crescer.
Mafalda Visitação,
learning & development
specialist da Volkswagen
Digital Solutions
”
Mafalda Visitação,
learning & development
specialist da Volkswagen
Digital Solutions
D
entro das empresas Volkswagen Digital Solutions e da
Sonae, é possível encontrar uma diversidade de colaboradores
bastante vasta, que se prende por gerações como os
Baby Boomers, nascidos no final da década de 40, que valorizam
a experiência e o tempo na mesma empresa, a Geração X, entre
os anos de 1960 e 1980, que são aqueles que resistem ao novo por
conta da combinação de conceitos antigos com um mundo onde
tudo é bem mais transitório, a Geração Y nasceu junto com o
surgimento da tecnologia e dos negócios, entre as décadas de 1980
e 2000, e que são considerados os “multitask” ou seja, executam
várias tarefas ao mesmo tempo e a Geração Z que são os jovens
nascidos no final da década de 1990 e nos anos 2000.
A Sonae, a multinacional que gere um portefólio diversificado
de negócios nas áreas de retalho, serviços financeiros, tecnologia,
imobiliário, telecomunicações e com atividade em mais de 60
países, consegue crescer e realizar diariamente o seu trabalho
graças a uma equipa de 55 mil colaboradores, em Portugal e
no estrangeiro. Aqui premeia-se o mérito e competências com
valores baseados na inclusão e diversidade que contribuiu, não
22
Janeiro de 2023
pmemagazine.sapo.pt
só para o desenvolvimento do grupo, como
para o volume de negócios superior a mil
milhões de euros e a criação de mais de
750 postos de trabalho, dados referidos
em entrevista com Teresa Cabral Menezes,
people & leadership manager na Sonae. Na
Sonae, “40% dos colaboradores têm menos
de 30 anos, 47% têm entre 30 e 50 anos e
13% têm 50 anos ou mais”, provando que
a inclusão etária é um dado assente nas
instalações da empresa e que existem,
atualmente, quatro gerações distintas na
força de trabalho da mesma. “Procuramos
tirar partido de sinergias entre gerações, que
têm perspetivas e experiências diferentes,
o que nos permite explorar o potencial da
diversidade. Reconhecemos o potencial
da inovação que vem dessas diferentes
perspetivas na resolução de problemas”.
“Acreditamos
no valor da longevidade
das pessoas no
grupo e das suas
mais-valias para
o crescimento
dos negócios
e integração dos
novos colaboradores.”
Teresa Cabral Menezes,
people & leadership manager na Sonae
Equipa Volkswagen
Digital Solutions
Janeiro de 2023
pmemagazine.sapo.pt
23
RESPONSABILIDADE SOCIAL
Equipa da SONAE no Web Summit 2022
Como forma de retenção e desenvolvimento
de talento etário, a Sonae aposta em diversos
programas que englobam as gerações que
aí se processam. Dispõem do Programa
Contacto, destinado a jovens finalistas de
licenciatura e mestrado e que permite aos
jovens iniciarem a sua vida profissional no
Grupo Sonae, e no âmbito da integração e
desenvolvimento destes trainees promovem
o trabalho direto com líderes dos negócios
mais velhos, criando oportunidades de
cooperação e aprendizagem entre gerações.
“Acreditamos no valor da longevidade das
pessoas no grupo e das suas mais-valias para
o crescimento dos negócios e integração
dos novos colaboradores”. É de reforçar,
ainda, que trabalhar com diferentes gerações
é uma mais-valia para a empresa e que
“contar com equipas diversas e inclusivas é
uma das vantagens desta diversidade, pois
permite-nos conhecer melhor os vários
clientes e antecipar as suas necessidades”.
Teresa Cabral Menezes garantiu que a
cultura própria e preocupação social são
Equipa Volkswagen Digital Solutions
24
Janeiro de 2023
pmemagazine.sapo.pt
RESPONSABILIDADE SOCIAL
os fatores que os guiam “na criação de um
futuro mais sustentável para as próximas
gerações” e que “este caminho de criação
de valor económico, social e natural
assentará sempre nas nossas pessoas e
na sua diversidade”, o que se traduz num
investimento permanente no seu desenvolvimento,
como na atribuição de mais de
um milhão de horas anuais em formação
aos colaboradores, o que resulta numa
atualização do conhecimento e reforço da
agilidade das equipas para se adaptarem e
acompanharem a transformação do mundo.
Igualmente à Sonae, a Volkswagen Digital
Solutions (VWDS), o hub tecnológico do
Grupo Volkswagen, reúne, atualmente,
uma equipa de profissionais focados na
inovação e desenvolvimento digital do
grupo e dispõe de 40% dos trabalhadores
até aos 30 anos.
Em entrevista, Mafalda Visitação, do
departamento de learning & development da
Volkswagen Digital Solutions, afirma que
não se guiam particularmente por faixas
“ Procuramos
equilibrar as
equipas para
responder às
necessidades
do negócio.
Mafalda Visitação,
learning & development
specialist da Volkswagen
Digital Solutions
”
etárias: “[Guiam-se] por alcançarmos
equipas diversas e intergeracionais que
são o resultado de contratações nacionais
e internacionais, e de perfis jovens e outros
com maior experiência e maturidade”,
sendo que todas as suas equipas têm por
base a diversidade, seja ela etária, cultural,
de género, de background profissional,
entre outras. A empresa apresenta uma flat
hierarchy (quando existem poucas posições
de gestão intermédia entre a equipa e a
liderança) o que tem contribuído para a
interligação de diferentes faixas etárias e
relações de proximidade e aprendizagem
maiores.
Como forma de alavancar a diversidade
etária, a VWDS criou programas destinados
à contratação jovem, como é o caso da Junior
Academy que iniciou em setembro de 2022
com a segunda edição e com a entrada de
14 novos graduados em início de carreira.
Esta é uma das provas de que são “uma
empresa em crescimento que necessita
de perfis mais juniores que trazem ideias
novas e vontade de fazer acontecer, aliado a
perfis mais seniores que trazem experiência,
know-how e conhecimento” e que procura
“equilibrar as equipas para responder às
necessidades do negócio”.
Mafalda Visitação destaca que todos
os projetos da empresa dão possibilidade
tanto a jovens como seniores e reforça que
a diversidade etária traz muitos benefícios
seja à VWDS como a tantas outras empresas.
“Vamos manter o nosso registo de fomentar
a diversidade, seja ela de que natureza for.
Os nossos jovens ajudam-nos a criar mais
sinergias entre as diferentes áreas (muito
devido à promoção desta interligação
durante o onboarding da Junior Academy) e
os mais seniores trazem muito da sua vasta
experiência e conhecimento de negócio
que ajudam os mais juniores a crescer”,
destacando que os diferentes níveis de
senioridade podem advir pelos fatores de
conhecimento, experiência e background,
sem ser necessariamente sobre a idade.
Para além disto, existe uma grande
ambição em continuar a acolher várias
nacionalidades e culturas, uma vez que
contemplam “pessoas de mais de 29
países como Alemanha, Brasil, Escócia,
Egito, África do Sul, Índia, Estados Unidos
entre outros.
Só assim é possível atingir um equilíbrio
diverso que resulta no bom funcionamento
de qualquer equipa em qualquer
empresa”.
Janeiro de 2023
pmemagazine.sapo.pt
25
FIGURA DE DESTAQUE
Quando tratamos bem
as
pessoas,
estamos a tratar bem
o negócio – José Esfola
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Janeiro de 2023
pmemagazine.sapo.pt
FIGURA DE DESTAQUE
José Esfola é,
atualmente, o diretor
geral da Xerox
Portugal, uma das
melhores empresas no
que toca à inovação
e gestão de recursos
humanos. Em conversa
com a PME Magazine,
conta-nos quais
os segredos para
alcançar este nível de
produtividade
e engajamento dos
colaboradores.
P
ME Magazine (PME Mag.) – Chegar à direção da
Xerox Portugal estava no seu plano de carreira?
Quando deu conta que esta era uma possibilidade
real?
José Esfola (J. E.) – No fundo, não sou assim
tão calculista que tivesse um objetivo muito claro
ou definido desde que comecei a trabalhar. Praticamente, o meu
primeiro emprego foi aqui na Xerox. De qualquer forma, temos
muitos e bons exemplos de carreiras internas de sucesso e claro
que, a dado momento, passei a gerir a área de vendas que veio a
tornar-se mais relevante dentro daquilo que é o nosso resultado
e que começou a materializar esta possibilidade que veio a acontecer
há uns anos atrás.
PME Mag. – A que atribui a sua escalada de sucesso dentro
da Xerox?
J. E. – Há um poema do Miguel Torga que me vai ajudar a
responder. É o prelúdio que diz que o destino destine e eu tenho
de fazer o resto. E comigo passou-se muito isso. Eu venho de uma
família muito dedicada a negócios, comércio, praticamente nasci
dentro de uma mercearia e também de uma loja de eletrodomésticos
e de negócios, que ainda continuam a existir hoje com outra
Texto:
João Carreira
Editor
Fotografia:
João Filipe Aguiar
A sede da
Xerox Portugal
situa-se em Lisboa
dimensão, e sempre andei por ali. Fiz venda ambulante com os
meus avós quando tinha seis, sete anos. Ia buscar uma mala de
cartão e ia à mercearia colher uns produtos para ser eu próprio a
fazer a venda, porque as pessoas achavam engraçado e acabavam
por comprar. Tudo isso desenvolveu uma aptidão, creio eu, pelas
vendas. Também provavelmente com um ADN aqui à mistura.
Nunca vivi com o meu pai, mas ele também sempre foi muito
dedicado aos negócios e teve várias empresas. Portanto, tudo isso
acho que me ajudou a criar esse espírito e paixão pelo negócio.
Janeiro de 2023
pmemagazine.sapo.pt
27
FIGURA DE DESTAQUE
“ Há sempre uma
fronteira entre o
que é desejável
e o que é a realidade
e a nós
cabe-nos gerir
a realidade com
os olhos postos
naquilo que deveria
ser o desejável.
José Esfola,
diretor geral da Xerox
Portugal
”
Lembro-me de ser adolescente e estar
nessas lojas e passar o tempo a folhear as
páginas amarelas a ver empresas, atividade
de empresas, logótipos. Depois desenhava
o logótipo do que seria a minha empresa.
Portanto, todo esse caminho que eu fui
percorrendo desde muito cedo (praticamente
desde que nasci) ajudou a construir
essa paixão pelo negócio.
PME Mag. – Já desde pequeno tinha
essa aptidão?
J. E. – Sim, depois tive a felicidade de
entrar para a Xerox. Procurava um emprego
de vendedor, porque queria mesmo ser
vendedor. Às vezes até fico chocado quando
as pessoas veem isso como algo depreciativo,
mas queria mesmo ser vendedor.
Entrei para a Xerox e a Xerox era, na altura,
a melhor escola de vendas que existia e, a
partir daí, como dizia o Ronaldo “é fácil
ter paixão pelo que faço”, fazer melhor
todos os dias e, uma coisa que acho muito
importante, que é nunca parar de aprender
ou de querer aprender.
PME Mag. – O que é que o motivou a
crescer aqui dentro da Xerox?
J. E. – Como disse há pouco, nós temos
muitos exemplos de carreiras internas de
José Esfola integrou
a Xerox desde
muito cedo
28
Janeiro de 2023
pmemagazine.sapo.pt
FIGURA DE DESTAQUE
sucesso. Temos uma política de reconhecer
um estado de espírito de empresa, que parece
algo esotérico, mas existe esse espírito de
reconhecer o mérito e premiar os resultados.
Nós sempre tivemos isso. Temos muita
competitividade interna, que achamos nós,
saudável, mas que também nos empurra
para ser bons e cada vez melhores ou tentar
ser cada vez melhores.
PME Mag. – De que forma é que os líderes
com os quais trabalhou impulsionaram a
sua carreira dentro desta empresa?
J. E. – Ao fim de 34 anos (que completei
há dias), claro que muitos. Correndo o
risco de ser injusto para alguns, penso que
a direção da companhia à altura dos meus
primeiros tempos de Xerox influenciou
determinantemente. Várias pessoas em
diferentes níveis hierárquicos, em diferentes
funções que me moldaram profissionalmente.
Na altura, tínhamos uma estrutura
muito mais piramidal do que temos hoje.
Agora somos mais lean. Essa direção liderada
pelo Nuno Melícias Correia, um nome
icónico da Xerox em Portugal, e depois tinha
pessoas como Silva Santos, Costa Pinto,
Rogério Fangueiro. Como disse, corro o
risco de falhar alguns. Rui Brito, Francisco
Paquete, tudo pessoas que me ajudaram a
construir e a moldar-me profissionalmente
e, de alguma forma, também ao fim destes
anos todos, de certeza, na personalidade.
PME Mag. – Em termos de inovação, quais
é que foram as principais transformações
que tem visto na Xerox nos departamentos
por onde passou?
J. E. – Eu não sou muito do auto-elogio ou
das medalhas a mim próprio, mas acho que
criar um espírito vencedor, querer sempre
fazer melhor do que o que tínhamos feito
antes (que se mantém adaptado àquilo que
é hoje a geração com quem trabalhamos)
acho que, também, enquanto líderes, há
sempre uma fronteira entre o que é desejável
e o que é a realidade e a nós cabe-nos gerir
a realidade com os olhos postos naquilo
que deveria ser o desejável. E também
conseguir um capital de credibilidade. Eu
tento muito que as pessoas que trabalham
comigo tenham essa consciência de que
é preciso ser credível. Quando nós temos
credibilidade, as pessoas podem não gostar
da mensagem, mas não matam o mensageiro,
é essa a ideia.
PME Mag. – Como é que avalia a educação
da Xerox Portugal nas necessidades e
reivindicações dos trabalhadores ao longo
destes 20 anos? E qual é que foi o papel do
CEO neste processo?
J. E. – Isto num ambiente multinacional,
o papel nessa matéria é sempre muito de
moderador e desafiador. No fundo, tentar
implementar ou adaptar localmente aquilo
que são diretrizes corporativas que nos são
colocadas, diariamente, nessas matérias.
Nós, em Portugal, concorremos por quatro
vezes ao prémio de melhor empresa para
trabalhar. Conseguimos três primeiros
lugares e um segundo, portanto alguma
coisa fizemos bem nessa matéria. E, por
outro lado, nós, enquanto país, já passámos
momentos muito difíceis em Portugal,
“
Os clientes são
pessoas, os
nossos parceiros
são pessoas,
os nossos
colaboradores
são pessoas,
os negócios
são as pessoas.
Não tenho outra
forma de o dizer.
Quando
tratamos bem
as pessoas,
estamos a tratar
bem o negócio.
José Esfola,
diretor geral da Xerox
Portugal
”
Janeiro de 2023
pmemagazine.sapo.pt
29
FIGURA DE DESTAQUE
e na Xerox sempre conseguimos alguma
estabilidade de negócio. Creio que isso
se deve muito a essa preocupação com as
pessoas, com o bem-estar social, com o
equilíbrio social. Isso sempre foi muito
premente. Mesmo ainda não sendo muito
um assunto do dia a dia.
PME Mag. – Durante este percurso na
Xerox, a tecnologia ganhou ainda mais
importância na vida quotidiana. Como é
que a Xerox se adaptou e contribuiu neste
processo em Portugal?
J. E. – A Xerox tem uma história de inovação.
No fundo, nasceu de uma inovação à
época (que era o processo de xerógrafo,
xerografia, a capacidade de imprimir a
seco) e continua a ter um grande legado
de inovação. Nós temos uma filosofia de
trazer produtos e serviços novos para o
mercado, não só para aquilo que é o posto
de trabalho num ambiente de escritório e
as interações entre pessoas, tecnologia e
documentos físicos e digitais vindo para o
mundo de hoje, mas também na indústria
gráfica com produtos inovadores que fomos
lançando ao longo do tempo e serviços
que acompanham esses lançamentos de
produtos. Eu não consigo distinguir entre
“Eu sou um fervoroso
adepto do “mais
liberdade, mais
responsabilidade”.
Estamos a incutir um
espírito de accountability
ou de responsabilização,
definindo objetivos,
focando naquilo que são
as prioridades e depois
dando às pessoas
a oportunidade
de melhor gerirem
esse seu equilíbrio
de trabalho-vida.”
José Esfola,
diretor geral da Xerox Portugal
outros países e Portugal, se nós fomos mais
ou menos efetivos. O facto é que em Portugal
nós somos o líder de mercado em muitos dos
segmentos em que atuamos e dispomos aqui
de um centro de competências há vários
anos que serve a nossa atividade corporativa
na área de managed print services, ou seja,
serviços geridos de impressão e que serve a
nossa atividade nos países da região em que
estamos inseridos (Europa, Médio Oriente
e África). Isso é também uma demonstração
que nós, enquanto país e enquanto
empresa em Portugal, conseguimos trazer
conhecimento, inovação e criar emprego
também, um objetivo muito interessante
que conseguimos com este centro aqui
em Lisboa.
PME Mag. – Como é que a Xerox se
adequa ao modelo GLOCAL nos padrões
globais e aplicados às necessidades locais
dos portugueses?
J. E. – Como dizia há pouco, moderando e
desafiando. No fundo, apresentando sempre
ideias e iniciativas locais que possam ser
também depois colocadas noutros países.
No fundo, tentando ser uma filial ativa e
não apenas um bypass daquilo que são as
políticas corporativas.
Janeiro de 2023
30 pmemagazine.sapo.pt
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FIGURA DE DESTAQUE
Na Xerox sempre
conseguimos alguma
estabilidade de
negócio e creio que
isso se deve muito
a essa preocupação
com as pessoas, com
o bem-estar, com o
equilíbrio social.
José Esfola,
diretor geral da Xerox Portugal
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Janeiro de 2023
pmemagazine.sapo.pt
FIGURA DE DESTAQUE
uma gestão preocupada com a satisfação do
trabalhador colabora com estes resultados?
J. E. – Os clientes são pessoas, os nossos
parceiros são pessoas, os nossos colaboradores
são pessoas, os negócios são as pessoas.
Não tenho outra forma de o dizer. Quando
tratamos bem as pessoas, estamos a tratar
bem o negócio.
PME Mag. – Que conselho é que daria a
um jovem em início de carreira?
J. E. – Gostava que saísse a pergunta de um
milhão que eu gostava de dar esses conselhos
aos meus filhos ou que eles os ouvissem,
pelo menos (risos). Mas acho que, ao fim de
alguns anos, nós vamos tendo a noção que
o tempo passa mesmo a correr. O tempo
passa muito depressa e o importante para a
vida pessoal, e se calhar profissional, é que
nós devemos preocuparmo-nos da forma
como lidamos com as coisas que nos vão
acontecendo e não com as coisas que nos
acontecem. Preocuparmo-nos em lidar
“aconteceu isto. O que é que eu vou fazer?”
com o que me aconteceu. É o conselho que
eu daria, sem querer ser exaustivo e Velho
do Restelo.
PME Mag. – A Xerox oferece benefícios
e adota políticas de bem-estar, até tendo
sido recentemente premiada por esses
esforços. Acredita que o chamado salário
emocional faz os trabalhadores serem mais
produtivos?
J. E. – Acredito, mas acredito que também
há muitas outras variáveis. Essa é apenas
uma das peças do puzzle. Acho que dentro
dessas variáveis ou desafios, e olhando para
nós, para dentro, uma empresa com tantos
anos de mercado, temos hoje uma estrutura
laboral com várias gerações. Pessoas que
têm diferentes motivações, diferentes
necessidades. Portanto, acho que é um
desafio para nós, enquanto gestores de
pessoas, e para a organização em si também,
adaptarmos ou conseguirmos corresponder
aos anseios de cada uma dessas gerações.
Penso que o temos conseguido fazer ao
longo dos tempos.
PME Mag. – Como é que a Xerox
compensa a “pressão” de produtividade
e a flexibilização para oferecer ao trabalhador
equilíbrio qualidade-vida?
J. E. – Eu sou um fervoroso adepto do
“mais liberdade, mais responsabilidade”.
Estamos a incutir um espírito de accountability
ou de responsabilização, definindo
objetivos, focando naquilo que são as
prioridades e depois dando às pessoas a
oportunidade de melhor gerirem esse seu
equilíbrio de trabalho-vida.
PME Mag. – A Xerox é uma das filiais
com maior desempenho em termos de
produtividade, como referiu. Como é que
José Esfola
Nascido em 1966, em Águas de
Moura, conta com mais de 20 anos
de experiência em funções de gestão
e liderança, em vários contextos
e mercados. Frequentou o programa
Academia de Executivos do
INSEAD (Executive Academy Program),
o VP Development Program
do centro de liderança CREATIVA
(Center for Creative Leadership –
USA) e o Programa Avançado de
Gestão para Executivos (PAGE) da
Universidade Católica Portuguesa
e conta ainda com experiência
acumulada de mais de três décadas
na Xerox Portugal, onde foi responsável
por várias áreas comerciais a
nível nacional. Em 2017, assumiu o
cargo de Iberia Channels general
manager para, em 2018, assumir
a direção geral da Xerox Portugal
com o objetivo de reforçar o desempenho
da operação em território
luso que está ao nível das melhores
a nível mundial em termos de produtividade.
Janeiro de 2023
pmemagazine.sapo.pt
33
EMPREENDEDORISMO
Texto:
Marta Godinho
Redação
Fotografia:
Coverflex
COVERFLEX:
UMA QUESTÃO
DE COMPENSAÇÃO
A Coverflex, empresa
de soluções e ofertas
de compensação além salário,
chegou ao mercado português
para apresentar soluções
de gestão de compensação
muito mais flexíveis
e pragmáticas para as
empresas. Nuno Pinto,
um dos fundadores da
marca, explica-nos como
surgiu o negócio e como
este se tem desenvolvido.
A
Coverflex é uma empresa de soluções
de gestão de compensação
que une todas as componentes
da compensação além salário. A criação
da mesma surgiu com uma ideia lançada
por cinco amigos: Nuno Pinto (ex-Kide),
Luís Rocha (ex-TUI Musement), Miguel
Santo Amaro (ex-Uniplaces), Rui Carvalho
(ex-Unbabel) e Tiago Fernandes (ex-Bitmaker).
Juntos uniram experiências passadas
para um novo negócio que assentou na base
da problemática de como acrescentar um
novo benefício à oferta anual sem precisar
de perder tempo a falar, negociar e escolher
diversos fornecedores, até gerir esse novo
benefício numa outra oferta.
Nos dias que correm, a forma como se
trabalha está a alterar, mas a compensação,
seja ela salarial, de bónus, ações e benefí-
Os fundadores
da Coverflex:
Nuno Pinto, Luís Rocha,
Miguel Santo Amaro,
Rui Carvalho
e Tiago Fernandes
(da esquerda para
a direita)
34
Janeiro de 2023
pmemagazine.sapo.pt
EMPREENDEDORISMO
cios não se altera há décadas, prática essa
considerada “rígida e ultrapassada” por
Nuno Pinto, cofundador e CEO da Coverflex.
A forma que os cinco empreendedores
encontraram para alterar a existência de
múltiplos prestadores de compensação, falta
de transparência, informação fiável e flexibilidade
foi a criação de uma plataforma de
gestão de benefícios all-in-one: a solução de
compensação flexível que permite às empresas
reduzir custos e maximizar o potencial
de rendimentos dos seus colaboradores.
A Coverflex distingue-se por responder às
necessidades de dois protagonistas distintos:
“as empresas, que podem agregar a gestão
da compensação para além do salário:
benefícios, seguros, subsídio de refeição
e descontos exclusivos; e, por outro, os
colaboradores, possibilitando desbloquear
todo o seu potencial de rendimentos,
personalizar o seu pacote de compensação
e escolher onde e como querem gastar o seu
orçamento naquilo que mais lhes convém,
usando o seu cartão pessoal VISA e a aplicação”,
explica Nuno Pinto.
A utilização da plataforma da marca
é intuitiva e inclusiva, uma vez que “se
adapta às diferentes necessidades e distintos
momentos da vida de cada um dos Coverflexers”.
O ponto diferenciador da empresa é a
componente tecnológica que permite utilizar
a Coverflex através de um cartão inteligente
que aplica a mesma tecnologia dos cartões
refeição a outros setores do mercado.
Desta forma, pelo saldo da carteira digital
da Coverflex, pode-se pagar as despesas
de um almoço num restaurante, fazer as
compras da semana num supermercado
físico ou online - gastando do seu saldo de
alimentação -, emitir um cheque creche
ou até aviar uma receita numa farmácia
- deduzidos no saldo de benefícios. Estas
pequenas ações tornam a marca na “única
plataforma realmente flexível, que não exige
pré-escolhas em matéria de benefícios:
a Coverflex disponibiliza uma “bolsa de
benefícios”, acordada entre a empresa e o
colaborador, e é o trabalhador que gere a
sua conta neste “banco do colaborador”.
A Coverflex trabalha de forma remota
que já conta com diversidade geográfica
em sete países distintos, nomeadamente,
Portugal, Espanha, Reino Unido, Itália,
Países Baixos, Alemanha e Brasil, sendo
que ainda não apresenta escritórios físicos.
A empresa apoia todos os seus trabalhadores
ao fornecer 500 euros para “ajudar
a construir o seu escritório ideal em casa”
e o acesso a 1.000 euros que podem ser
gastos “em despesas relacionadas com a
lógica de trabalho remoto, seja em viagens,
alojamento, aluguer de escritório/coworking
ou telecomunicações”.
Para o futuro, Nuno Pinto tem várias
surpresas por revelar para os gestores de
recursos humanos e para continuar a crescer
no mercado português até chegar à liderança
neste setor. Ademais, internacionalizar a
marca para os mercados italiano e espanhol
em 2023 que vai necessitar de uma expansão
da equipa, a adaptação do produto a cada
mercado e desenvolver e melhorar soluções
da Coverflex (leasing automóvel, dias de
férias extra, e muitos outros) para “alargar
o leque de benefícios disponíveis e, assim,
as possibilidades de utilização da Coverflex
aos nossos utilizadores”.
“ A forma como
se trabalha está
a alterar, mas a
compensação,
seja ela salarial,
de bónus, ações
e benefícios não
se altera há
décadas. É rígida
e ultrapassada.
Nuno Pinto,
cofundador e CEO
da Coverflex
”
Janeiro de 2023
pmemagazine.sapo.pt
35
EMPREENDEDORISMO
COM A SPLINK, MARCAR
GOLO É PARA TODOS
Já imaginou como é o soar de
um ruído de uma multidão, a
sensação de estar num espaço
que alberga milhares e
milhares de pessoas, a possibilidade
de estar no meio dos
craques e trilhar os mesmos
espaços que estes utilizam
na véspera e dias de jogo? A
startup portuguesa Splink quer
demonstrar que é possível
experienciar tudo isto, sem sair
de casa, através da tecnologia
de realidade aumentada.
A
empresa surgiu formalmente
em 2022 depois de um rebranding
da marca e lançamento do
novo produto, a MyJersey, mas o projeto
começou a dar os primeiros passos no início
de 2020 quando os três fundadores, Dulce
Guarda, Ivan Braz e Hugo Matinho (que já
se conheciam de projetos anteriores) se
juntaram para criar uma startup na área
do futebol e do desporto em geral.
“A primeira ideia veio da cabeça do
nosso CEO e fundador Ivan Braz, que no
passado jogou futebol semi-profissional
e percebeu que pouco havia que ligasse
os fãs ao seu clube e jogadores preferidos,
além dos dias de jogo ou datas especiais.
E quis, por isso, criar algo que ligasse os fãs
todos os dias e sem restrições”, explicou
Dulce Guarda, cofundadora em entrevista
à PME Magazine.
A MyJersey trata-se de uma réplica 3D,
de menores dimensões, de uma camisola
oficial de futebol com um twist: a integração
de tecnologia de realidade aumentada.
Através deste ‘boneco’, que na prática é
uma camisola oficial de um dos jogadores
da respetiva seleção, o utilizador é transportado
para um mundo digital interativo,
com tecnologia de realidade aumentada, na
qual, através de uma app, é possível replicar
fotografias com os craques preferidos,
realizar uma tour pelos estádios, aceder aos
balneários, ao centro de treinos ou mesmo
“entrar” dentro dos autocarros das equipas.
O mundial de futebol
ajudou a que a empresa se posicionasse
no mercado tecnológico e
desportivo e, de acordo com a fundadora,
houve uma atenção maior das pessoas para
as suas seleções: “Neste momento temos
percebido que com o mundial de futebol as
pessoas têm estado realmente mais atentas
às seleções de cada país. E sempre que há
jogos das respetivas equipas, nota-se que
os fãs vão ao site, procuram os jogadores
que mais gostam ou aqueles que marcam
golos e tendem a adquiri-los. Por isso, o
feedback tem sido positivo e construtivo!
Muitos fãs falam connosco para pedir novos
jogadores ou novas equipas. E nós estamos
a trabalhar para tal acontecer.”
Entre as equipas que marcaram presença
no mundial, a Splink tem já no seu portefólio
a parceria com as seleções de Portugal,
Brasil, Espanha, México e Qatar. Na seleção
nacional portuguesa, estão disponíveis as
camisolas de Cristiano Ronaldo, Pepe, João
Félix e Rafael Leão, entre outras. Já na seleção
canarinha, é possível obter as camisolas de
Vinícius Júnior, Lucas Paquetá, Richarlison,
Marquinhos, Antony, Fred e do guarda-redes
Ederson, enquanto na seleção espanhola
estão disponíveis os colecionáveis de
Sergio Busquets, Pedri, Unai
Simon, Morata e Daniel
Carvajal. Do México,
destaque para os colecionáveis
de Ochoa e Lozano
e do Qatar de Akram Afif e
Hasan Al-Haydos.
Quanto aos clubes, a empresa, para
já, conta com parcerias com Sport Lisboa
e Benfica, Futebol Clube do Porto, Sporting
Clube de Portugal e Clube de Futebol Estrela
da Amadora, a nível nacional, sendo que,
a nível internacional, podemos encontrar
colecionáveis do Atlético de Madrid e do
Valência. Há ainda a coleção Legends, onde
será possível adquirir os colecionáveis de
Eusébio ou Paulo Futre, por exemplo.
Contudo, a ideia da fundadora é expandir:
“Para já queremos focar nos mercados
estratégicos do futebol europeu como
36
Janeiro de 2023
pmemagazine.sapo.pt
EMPREENDEDORISMO
Texto:
João Carreira
Editor
Fotografia:
Splink
Fundadores da
Splink: Ivan Braz,
Dulce Guarda e
Hugo Matinho
“ Queremos
criar uma
comunidade
desportiva
que esteja
ligada 365 dias
entre si.
Através da utilização
da app é possível
tirar fotografias
com os craques
preferidos
Reino Unido, França, Alemanha e Itália
e, no início do próximo ano, como parte
da nossa estratégia, fechar parcerias com
clubes brasileiros. Mais tarde, queremos,
com certeza, entrar no mercado dos Estados
Unidos da América, bem como começar a
pensar noutros desportos, como basquetebol
e desportos motorizados.”
A tecnologia é algo intrínseco na empresa,
pelo que Dulce Guarda considera que a
mesma estará cada vez mais enraizada,
daí a aposta neste produto: “[a tecnologia
de realidade aumentada] É uma tecnologia
que, embora não seja nova, ainda
está por explorar. Não só no futebol, mas
também noutras áreas e noutros mercados.
O público em geral ainda não utiliza
a realidade aumentada no seu dia a dia,
nem as empresas oferecem opções para
que o público o faça. Por isso, ainda existe
muito por fazer e por explorar nesta área.
Acreditamos que a realidade aumentada
poderá ser algo útil no dia a dia de qualquer
um e que pode ajudar não só empresas,
mas também as pessoas em diversas áreas
(saúde, shopping, desporto, etc.).”
Quanto à tecnologia NFT, a cofundadora
refere que “está a ser equacionada”, mas
que tal como a realidade aumentada que não
está totalmente explorada, sente o mesmo,
ou ainda mais, perante a tecnologia NFT.
No desporto acreditamos em algo feito para
os fãs e, por isso, queremos esperar e ter
algo concreto e feito para os mesmos, tal
como é a nossa missão com a Splink. Além
disso, queremos que, tal como a realidade
aumentada, os nossos NFT estejam ligados
ao produto físico”, explicou.
O objetivo da startup portuguesa é claro:
“Fazer da Splink uma marca de renome no
mercado dos colecionáveis, bem como na
área da realidade aumentada no futebol.
Queremos oferecer aos fãs produtos únicos
e experiências exclusivas e aos clubes dar a
conhecer quem são os seus fãs, não apenas
os sócios, mas todos os adeptos e assim criar
uma comunidade desportiva que esteja
ligada 365 dias entre si.”
Dulce Guarda,
cofundadora da Splink
”
Janeiro de 2023
pmemagazine.sapo.pt
37
MEDIR PARA GERIR
GESTÃO DE PESSOAS
ATRAVÉS DA TECNOLOGIA
Texto:
Tiago Godinho
Head Nova SBE
Digital Lab &
Cybergym
Fotografia:
Nova SBE
“Vivemos num
ponto de não
retorno: estamos
a deixar de ter
pessoas para
gerir ferramentas
e a ter
ferramentas para
gerir pessoas.”
Tiago Godinho,
head of digital lab
& cybergym
da Nova SBE
U
tilizar ferramentas para resolver o nosso quotidiano é
uma característica tão antiga quanto a nossa existência
enquanto espécie. Porém, ao longo dos séculos, a velocidade
a que adotamos ferramentas tem vindo a tornar-se cada
vez maior, sobretudo no mundo hiperconectado em que vivemos.
Não estranha, por isso, que vejamos aparecer todos os dias novas
ferramentas, muitas vezes extraordinariamente específicas, que
pretendem resolver todo o tipo de problemas.
Vivemos num ponto de não retorno: estamos a deixar de ter
pessoas para gerir ferramentas e a ter ferramentas para gerir
pessoas. Não há nada de apocalíptico nesta afirmação. As unidades
fundamentais da construção das organizações continuarão a ser as
pessoas, mas a mesma realidade digital que nos impõe um ambiente
de mercado ambíguo, competitivo e acelerado fornece-nos hoje
as ferramentas que precisamos para melhor gerir os recursos mais
importantes: a nossa capacidade cognitiva e o tempo.
As plataformas digitais que ajudam a gerir
os recursos humanos e o fluxo de trabalho
podem ser determinantes para a competitividade
das empresas, mas também podem
ter implicações que importa considerar.
Por um lado, ajudam a envolver a equipa
em momentos-chave da concretização de
um trabalho, permitindo a coordenação
de diferentes pessoas. Fornecem também
dados quase em tempo real, o que só seria
possível no passado através de trocas de
e-mails ou reuniões de ponto de situação.
O tempo poupado pela facilidade em ver
o estado do projeto e gestão de pipeline de
cada um dos intervenientes permitem-nos
atingir um maior nível de eficiência – um
ponto fulcral numa era dominada pelos
dados. Além disto, há ainda o benefício de
permitirem o trabalho em qualquer altura,
a partir de qualquer lado.
Contudo, estas plataformas também
podem acarretar alguns riscos. Há o perigo
de as interações no seio das equipas se tornarem
num exercício meramente analítico e os
funcionários apenas num número despersonalizado.
Um gestor pode considerar que
apenas precisa destas ferramentas para
gerir a produtividade dos colaboradores
e esquecer-se de que existe uma forte
componente humana em cada tarefa. Por
outro lado, o mero facto de termos aplicações
como o Teams e o Outlook no telemóvel
pode distorcer as barreiras entre o pessoal
e o profissional e fazer surgir a falsa sensação
de que os colaboradores devem estar
disponíveis a qualquer altura.
No Digital Experience Lab da Nova SBE,
o nosso objetivo é sensibilizar para estes
acréscimos de valor e desafios, porque, no
fim do dia, a adoção de ferramentas e de
tecnologia será sempre tanto mais eficaz
quanto maior for a clareza que as pessoas
tiverem sobre as suas oportunidades e implicações.
É importante continuar a trabalhar
na transição digital nas organizações, mas
esta deve ser pensada caso a caso e sempre
alicerçada em dados concretos e fiáveis.
Porque a tecnologia pode representar uma
vantagem competitiva interessante, quando
bem utilizada.
38
Janeiro de 2023
pmemagazine.sapo.pt
MEDIR PARA GERIR
Texto:
João Ricardo
Marques
Direção
da APODEMO
Fotografia:
APODEMO
A TECNOLOGIA, AS
PESSOAS, AS RELAÇÕES,
AS EMPRESAS E OS
ESTUDOS DE MERCADO
C
ada vez mais, em lazer ou em trabalho,
não dispensamos a utilização
da tecnologia, não somos capazes
de o fazer. Seja vista como uma ameaça ou
uma oportunidade, dependendo de cada
um e de cada situação, o dia a dia da nossa
sociedade, dos nossos consumidores, das
nossas empresas passa, todos os dias, pela
utilização da tecnologia.
A utilização do circuito integrado ou
impresso, para muitos apenas comparável
à utilização da roda, tornou-se uma parte
integrante do nosso dia a dia em tudo o
que fazemos desde o despertador que nos
acorda de manhã até aos processadores de
imagem do nosso smartphone que, atrevo-
-me a dizer, são o nosso último objeto de
consulta antes de nos deitarmos.
Deste modo, torna-se impensável não
incorporar tecnologia na nossa atividade de
estudos de mercado, em que, na essência,
estudamos pessoas e relações entre elas
e com o mundo que as rodeia. Talvez o
exemplo mais recente seja o
que culminou com a pandemia
em que literalmente ficámos
“privados” do contacto
pessoal direto e “tudo” passou a
depender ainda mais da tecnologia.
Até 2012, contavam-se pelos
dedos de uma mão o número de
empresas de estudos de mercado
que utilizavam regularmente a
tecnologia eletrónica na produção
dos seus trabalhos, 10 anos depois
todas as empresas usam a internet, os questionários
online, as videoconferências, as
“apps” e toda uma panóplia de ferramentas
que foram desenvolvidas para suprir essa
limitação que as circunstâncias pandémicas
nos impuseram a todos. Neste momento
ninguém duvida que não utilizar essas
ferramentas na produção dos estudos de
mercado é altamente limitador da qualidade
de serviço que podemos prestar aos
nossos clientes.
Há vários aspetos importantes que
resultam de todo este desenvolvimento
“forçado”, no entanto gostaria neste
artigo de me centrar sobretudo em dois
deles: a aceleração da velocidade com
que se conseguem obter estudos/dados/
insights e a redução dos custos envolvidos
nessa obtenção. Numa palavra, a que não
quero atribuir qualquer significado político,
trata-se da “democratização” dos estudos
de mercado. Com efeito, hoje qualquer
empresa pode aceder de uma forma rápida
a especialistas do setor que, como auxílio
destas novas tecnologias, podem oferecer,
a um custo relativamente mais reduzido do
que anteriormente, respostas a questões/
dúvidas de gestão. Em particular, esta
renovação tecnológica permite, nomeadamente
às PME, que são a maioria do
tecido empresarial português, aceder
com custos muito em conta e de uma
forma célere aos seus clientes/potenciais
clientes para os consultar sobre
questões que tenham, nomeadamente
procurando conhecê-los melhor e ir
mais ao encontro das suas necessidades
e preferências sem correr tantos riscos que
muitas vezes têm custos elevados.
Em conclusão, a utilização das tecnologias
é cada vez maior, torna os serviços
dos estudos de mercado mais acessíveis a
todos, deixando de ser apanágio exclusivo
das grandes empresas e permitindo uma
concorrência mais eficaz por parte das
PME.
Janeiro de 2023
pmemagazine.sapo.pt
39
MARKETING
MULHERES.COM
NA RÁDIO MARGINAL
Texto:
Mafalda Marques
Diretora
Fotografia:
PME Magazine
Aos sábados, na rádio
Marginal, das 12 às 13 horas,
vai para o ar o Mulheres.com,
um programa leve e descontraído
cujos protagonistas
impactam a sociedade com
os seus projetos, ambições,
superações, causas e ideais.
Em conversa com Sandra
Pimenta, promotora do
programa, fizemos o balanço
dos cinco anos desta aventura
editorial.
P
ME Magazine - Como surgiu o
projeto Mulheres.com?
Sandra Pimenta (S. P. ) - A minha
paixão pela rádio é mais do que epidérmica,
(...) tudo isto acabou por imprimir a vontade
de desenhar um programa de autora que
primasse pela diferença. Foi assim que
nasceu o programa que é hoje uma marca
registada com um propósito maior, e que
por isso, não irá ficar só pela rádio e pela
sua revista digital, a M magazine.
PME Mag. - Qual o propósito do Mulheres.com?
S. P. - Mais do que um espaço onde salientamos
o papel de várias personalidades
nacionais (...) partilhamos modos de ver
e de viver, opiniões, emoções em forma de
histórias, vozes que nos motivam e elevam.
Mais do que um programa, é um modo de
estar ‘onde inspiração se escreve com M’.
PME Mag. - Que tipo de estórias conta
em entrevista?
S. P. – Os convidados contam a sua
história, falam porque sentiram necessidade
de mudar as suas vidas profissionais,
dos desafios, inseguranças e receios, mas
acima de tudo, das superações, convicções,
metas e conquistas, dos seus afetos, gostos e
preferências e dos seus sonhos. Muito mais
do que uma biografia conversada.
PME Mag. - Qual o balanço dos cinco
anos do Mulheres.com?
S. P. – O balanço é muito positivo. O
programa cresceu, a notoriedade aumenta
diariamente, (...) e, sobretudo, cresceu da
forma certa - com verdade e com credibilidade
- o que é um resultado muito positivo
e a melhor devolução de todo o empenho
e dedicação com que o fazemos, acima de
tudo, pelo respeito que temos por estas
“bravas guerreiras” que arriscam e viram
as suas vidas para se sentirem realizadas
e mais felizes.
PME Mag. - Para onde caminha o projeto?
S. P. – Enquanto programa queremos
surpreender sempre, dentro do possível,
oferecendo também mais informação que
seja útil e importante para quem nos ouve,
quer seja através de rubricas que vamos
incluindo e possam ser interessantes e
fazer a diferença, quer através de ilustrações
sonoras e outras ideias que vamos
sonorizando.
Enquanto marca, estamos a trabalhar
vários projetos e parcerias para que a nossa
comunidade continue a crescer, para que
cada vez mais pessoas se identifiquem com
o conceito, e para fazer surgir conteúdos e
obras significantes e impactantes, no sentido
de acrescentar sempre algo importante.
“Mais do que
um programa,
é um modo de
estar onde
inspiração
se escreve
com M.”
Sandra Pimenta,
promotora do programa
Mulheres.com
Janeiro de 2023
40 pmemagazine.sapo.pt
MARKETING
O IMPACTO DO
VALOR DA MARCA
PROFISSIONAL
NO DESENVOLVIMENTO
DE CARREIRA
Texto:
Susana Miranda
career manager
e fundadora
do SM Group
Fotografia:
Rui Valido
É
É cada vez mais evidente a partilha
de ideias e opiniões sobre o dilema
personal vs. professional branding
nos temas de desenvolvimento de carreira.
Ao longo dos meus 30 anos de carreira
como headhunter e career advisor, defendi
sempre que a “confiança e orgulho na nossa
carreira” é uma das principais características
que nos diferenciam em processos
de recrutamento e de reconhecimento de
valor. Quem não deve não teme, já dizia o
ditado. Um candidato com índices elevados
de confiança no seu valor de mercado
consegue apresentar com maior clareza e
naturalidade o seu percurso profissional
e conquistas obtidas ao longo da
carreira, sem hesitações no discurso,
refletindo-se até no seu registo corporal
(postura e presença).
Nunca foi tão importante, afinal, definir
que marca pessoal e profissional
estamos a deixar nos mercados. Nesta
época de regresso pós-pandemia,
devemos ter espaço na agenda para parar
e analisar sobre o que fizemos nestes dois
anos de career standby ou career change. E que
este regresso nos relembre da importância
de manter um percurso profissional nítido,
ativo e proativo com os mercados onde nos
envolvemos ou queremos envolver.
O valor de mercado reflete-se em vários
sinais, como por exemplo, nos convites
que recebemos ao longo da carreira, não
só para novos empregos, mas também para
participarmos em projetos que nos dignifiquem
e fortaleçam como profissionais.
Por outro lado, a recomendação surge pela
marca que deixamos por onde passamos,
junto de chefias, colegas, clientes e até da
relação que construímos, por exemplo,
junto dos nossos fornecedores.
Em processos de mentoria de carreira,
é fundamental (e cada vez mais) a preocupação
com a forma como o profissional
se apresenta junto dos seus interlocutores
e a segurança e confiança que transmite.
A nossa carreira não é só o CV sofisticado
ou o perfil LinkedIn que apresentamos,
mas sim num todo, dado que somos uma
marca pessoal-profissional. E essa marca
tem de ser cuidada.
Uma das formas mais eficazes (resultados
imediatos) para otimizar a sua presença
no mercado é manter proximidade com
a sua rede de contactos e otimizar a sua
presença de forma estratégica na plataforma
LinkedIn (rede profissional digital
de emprego e negócios).
Deixo algumas ideias práticas que permitem
analisar de que forma está a sua presença
no mercado:
O seu perfil de LinkedIn está atualizado
e com uma foto corporativa de
qualidade?
Dinamiza os seus contactos (online
ou offline? Ex: colegas de curso e de
trabalho)?
É presença periódica em eventos de
business networking?
Escreve artigos da sua área
de especialização e publica
periodicamente?
Pesquisa e segue no
LinkedIn mentores e especialistas
da sua área profissional?
Sabem o que dizem sobre
si?
Tem o seu pitch preparado?
É recomendado para novos
empregos ou convidado para ser
orador ou mentor?
Analisa e interage com quem visita
o seu perfil LinkedIn?
Partilha posts (seus ou de outros)
com assuntos interessantes para o
público em geral?
Seja analítico face ao seu valor de
mercado e à marca pessoal e profissional
que deixa ao longo de toda a sua carreira
profissional. Seja genuíno e intrínseco e
o seu verdadeiro valor será reconhecido
pelo mercado.
Janeiro de 2023
pmemagazine.sapo.pt
41
TECNOLOGIA
Texto:
Mafalda Marques
Diretora
Fotografia:
Web Summit
WEB SUMMIT 2022 COM
OS OLHOS NA EXPANSÃO
INTERNACIONAL
A sexta edição da Web Summit em Portugal tratou os temas
tecnologia e sustentabilidade de uma forma transversal, mas deu
espaço a entidades estrangeiras para promoverem os seus países
como mercados-alvo para as empresas. Um teste para
a internacionalização.
O evento
albergou mais
de 70 mil pessoas,
em Lisboa
A
confirmação dos cerca de 71 mil
participantes na sétima edição da
Web Summit em Lisboa validou que
o evento reúne as tendências mundiais de
tecnologia, inovação e sustentabilidade.
No entanto, o que nos chamou a atenção
nesta edição foi a quantidade de entidades
estrangeiras que se ativaram no recinto para
promover os seus países como mercados
de internacionalização. Desde o Brasil, ao
Reino Unido e até à Áustria, vários foram
os stands repletos de tecnologia para visitas
virtuais aos países e aumentar o networking.
Tudo em nome do negócio.
O Reino Unido esteve representado pela
embaixada britânica em Lisboa através do
departamento de comércio e investimento.
O objetivo foi ajudar as empresas britânicas
a exportar para Portugal, mas também
atrair as empresas portuguesas a estabelecerem-se
no Reino Unido, refira-se uma
presença física e não a exportação. Manuela
Diniz, gestora de investimento comercial,
adiantou que as empresas portuguesas têm
interesse especial no Reino Unido por ser
uma superpotência tecnológica”, referiu.
A Apex Brasil é a agência brasileira de
promoção de exportações e investimentos
e organizou no pavilhão Brasil, de forma
coordenada com outros parceiros, como
o Sebrae, a promoção do Brasil inovador
através de empresas com soluções globais
fora da caixa e maturidade no ecossistema
de inovação.
“Trouxemos uma delegação de 70 empresas,
muitas delas estão expondo como startup
no evento e todas têm interesse em internacionalizar
para Portugal e para a Europa
e fizemos uma agenda com as mesmas
para reuniões com potenciais clientes com
investidores apresentando o ecossistema
português e tudo o que precisam de saber
para, de facto, abrir uma operação local”,
explicou Karina Bazuchi, responsável de
42
Janeiro de 2023
pmemagazine.sapo.pt
TECNOLOGIA
expansão internacional na APEX Brasil. A Apex é vinculada ao
Ministério das Relações Exteriores no Brasil e ajudam a entrada
de empresas nesse ecossistema. Têm ainda um memorando de
entendimento com a AICEP que é uma instituição muito similar
à Apex no Brasil, com várias outras empresas portuguesas e
consultorias.
A Áustria fez-se representar em dose tripla: a Advantage Austria,
a ABA (Austrian Business Agency) e o Vienna Business Agency.
Em consórcio, estas entidades públicas quiseram mostrar o que
o país tem a oferecer para quem procura a expansão.
Esther Maca, em representação da Advantage Austria, é conselheira
comercial na Embaixada da Áustria em Portugal e representou
as 400 empresas austríacas para fazer negócios no estrangeiro.
O Vienna Business Agency é a organização de desenvolvimento
económico e de promoção de investimentos da cidade de Viena.
“No ano passado fornecemos 65 milhões de euros de fundos não
diluídos a empresas sediadas em Viena, num sistema de financiamento
para além do financiamento federal”, segundo Ute
Sdadlbauer. A Austrian Business Agency (ABA) representada
por Michaela Lausaeger, mostrou os três pilares atrativos do país:
Invest in Austria (apoiando investidores estrangeiros), o Work in
Austria (atração de talento estrangeiro), e o Film in Austria (apoio
Os vários
palcos do evento
receberam mais
de 1.000 oradores
“Trouxemos
uma delegação
de 70 empresas,
muitas delas
estão expondo
como startup no
evento e todas
têm interesse em
internacionalizar
para Portugal
e para a Europa.”
Karina Bazuchi,
responsável de expansão
internacional na APEX
Brasil
à indústria cinematográfica. “Fizemos o
nosso melhor para ter o nosso primeiro
stand aqui e promover a Áustria e as suas
nove regiões”, explicou.
Portugal esteve bem representado com a
Invest Madeira, que trouxe nove empresas e
cinco startups alfa, mas os custos associados
não permitiram trazer muito mais, sendo que
a diretora Ana Filipa Ferreira, em conjunto
com o governo regional da Madeira, tudo
fizeram para a atração de investimento e
alavancar as empresas nacionais para o
mercado internacional.
“Trouxemos a startup Madeira porque é
onde está a incubadora e trouxemos a SDM
(Sociedades de Desenvolvimento da Madeira)
que é o nosso centro internacional de negócios
(...) fomos muito mais procurados no
pós-covid a todos os níveis, o imobiliário
cresceu, as tecnologias cresceram, somos
pioneiros nos nómadas digitais (...) mais
de 6.000, inclusive muitos deles já estão
a comprar casa e isso para nós faz todo
o sentido”.
A Câmara Municipal de Matosinhos fez-se
representar por Fernanda Fraga que esteve
focada em divulgar os vários programas
do município, como o BluAct. “Quisemos
aproveitar a oportunidade do Web Summit
para contactar várias cidades e países e
criar relações que nos permitam ajudar as
nossas empresas a internacionalizar, a ter
um ponto de entrada lá. Por outro lado,
também estamos a falar com algumas
empresas, como a Google ou Amazon, que
já têm um pacote de benefícios para novas
empresas e promover as fundadas dentro
de Matosinhos”, adiantou.
O IAPMEI, enquanto coordenador da
Enterprise Europe Network em Portugal,
dinamizou a quinta edição do Lisbon
Beyond Summit, um evento mediador que
se realiza anualmente, em paralelo à Web
Summit. O Lisbon Beyond Summit 2022
teve como objetivo potenciar o encontro
entre empresas, startups, institutos de
investigação, universidades e os demais
stakeholders do ecossistema empreendedor,
tendo como principais tópicos fintech, deep
technologies, digitalization; industry 4.0 e
5.0, e-health, cybersecurity, entre outros.
O Brasil será o próximo destino da Web
Summit mas o CEO, Paddy Cosgrove, na
conferência de imprensa assumiu estar em
conversações com o Dubai e querer explorar
as opções em Beijing. Mantém ainda os
planos para África que pode acontecer em
2025 ou 2026.
Janeiro de 2023
pmemagazine.sapo.pt
43
TECNOLOGIA
Texto:
João Carreira
Editor
Fotografia:
Beltrão Coelho
A Kettybot
é dirigida aos
setores da
restauração
e retalho
A inovação tem sido algo
intrínseco à atividade da
Beltrão Coelho desde a sua
génese. Neste sentido, a
empresa portuguesa dedicada
à inovação tecnológica
no contexto empresarial,
decidiu enveredar pelo
caminho da robótica
e abrir uma secção própria
para o efeito.
A mais recente robô a chegar
à “família” é a Kettybot, cujas
principais características são
direcionadas para os setores
da restauração e do retalho.
A PME Magazine foi descobrir,
em conjunto com Bruno
Coelho, responsável da secção
de robótica da empresa, quais
as funcionalidades do novo
equipamento e de que forma
os robôs poderão ajudar
a atividade humana
no mercado de trabalho.
A FAMÍLIA ROBÓTICA
CONTINUA A CRESCER
A
atividade da Beltrão Coelho
sempre se pautou por estar atenta
às mais recentes tecnologias e à
forma como as mesmas podem melhorar
ou facilitar o dia a dia das nossas empresas.
“Desde a área da fotografia, à informática
e audiovisuais, passando pelas soluções
de impressão com softwares próprios,
sempre estivemos na vanguarda. Essa
preocupação com a tecnologia e a vontade
de ser pioneiros, levou-nos a olhar para
a robótica como uma oportunidade de
preparar o futuro”, explica Bruno Coelho,
responsável da secção de robótica. A empresa
acredita que esta vertente se imporá cada
vez mais na sociedade, daí que tenha feito
esta aposta: “Não temos dúvidas de que, à
semelhança do que já vai acontecendo
O equipamento
possui um ecrã
de grandes dimensões
na parte frontal
44
Janeiro de 2023
pmemagazine.sapo.pt
Transmissões
em Direto
Filmes
Corporativos
Cobertura
de Eventos
Vídeo
Marketing
C r i e o s s e u s c a n a i s d e c o m u n i c a ç ã o n a i n t e r n e t ,
f i q u e m a i s p e r t o d o s s e u s c l i e n t e s .
www.nortfilmes.pt
TECNOLOGIA
O novo equipamento
já se encontra em várias
superfícies comerciais
noutros países, especialmente asiáticos, os
robôs de serviços vão estar cada vez mais
presentes nas nossas empresas como forma
de colaborar com os humanos nas tarefas
mais pesadas ou rotineiras, enquanto os
liberta para funções mais criativas. Esse
futuro tem de ser preparado hoje. Daí que
tenhamos decidido investir nesta área de
negócio, iniciando este caminho que nos
parece acertado e inevitável.”
O responsável refere que “falta algum
atrevimento por parte dos decisores”, pois
“são ainda poucos aqueles que procuram
realmente inovar”, alertando que “Portugal
está a ficar atrasado em relação a outros
países onde tem havido uma aposta maior
nestas tecnologias. “Falta às empresas em
geral perceberem que os robôs são soluções
que rapidamente se pagam a elas próprias
e que podem vir a dar uma grande ajuda
aos colaboradores”, conclui.
A problemática dos robôs virem “roubar”
a mão de obra humana é desconstruída
pelo especialista que
refere que o que deverá haver
é uma complementação da
mesma. Por exemplo, “a
restauração e hotelaria,
para o qual este robô foi
pensado, são áreas de atividade
que enfrentam uma
escassez de mão de obra
qualificada. Nestes casos,
um robô é uma grande ajuda
e permite que os colaboradores
se foquem no cliente
e deixem que seja o robô
a entregar ou levantar os
pratos e levá-los para a
copa. Enquanto o robô faz
a tarefa pesada ou rotineira,
o colaborador pode estar a
dar total atenção ao cliente,
o que aumenta a satisfação
de ambos. Acho que os robôs
vêm substituir o tipo de
profissões que os humanos
gostam menos de fazer.
Vem permitir uma maior
criatividade e criar novas
profissões”, sublinha.
Apesar de não ser
um robô de carga,
a Kettybot pode ser
implementada em qualquer
espaço onde haja necessidade de transporte
de algum objeto, dado que permite uma
carga máxima de 30 kg. Destaca-se ainda
pelo grande ecrã que poderá ser utilizado
para serviços de publicidade e marketing.
“A Kettybot vem complementar a oferta
que já disponibilizamos. Já tínhamos
lançado a Bellabot para as áreas de hotelaria
e restauração, mas esta é uma solução mais
económica que se adequa à restauração,
hotelaria e também ao retalho. É muito
ágil e consegue ‘trabalhar’ em espaços
mais pequenos”, explica Bruno Coelho.
O novo equipamento possui duas bandejas
de encaixe e um cesto de recolha na parte
traseira da sua estrutura, o que permite
a realização de múltiplas entregas numa
só viagem, sendo que, tanto as bandejas
como o cesto são removíveis, tem um ecrã
de grandes dimensões e a capacidade de
mapear diferentes percursos em simultâneo,
adaptando-se, por isso, a diferentes
disposições de um espaço. A Kettybot está
também programada para detetar obstáculos,
necessitando apenas de um raio de
55cm “livres” para se mover. Já o formato
aerodinâmico permite à robô maior velocidade
para entregas mais rápidas e ágeis.
A nova coqueluche da Beltrão Coelho
tem, também, um módulo de interação por
voz que recorre a algoritmos de inteligência
artificial. Este módulo está também equipado
com tecnologia avançada de cancelamento
de eco, supressão de ruídos e eliminação da
reverberação, tornando eficaz a conversação
com o robô em ambientes mais barulhentos.
“Este novo equipamento destaca-se,
sobretudo, pelo grande ecrã e pode proporcionar
uma comunicação muito mais
apelativa e eficaz. E isso pode ocorrer num
restaurante para promover pratos, por
exemplo, numa grande superfície comercial
para promover lojas, cupões de desconto,
promoções ou num hotel para promover
serviços”, finaliza, Bruno Coelho.
E quando perguntámos o que mais podemos
esperar desta nova robô, o responsável
da Beltrão Coelho responde-nos com bom
humor: “Uma grande vontade de trabalhar,
dado que já está disponível para entrega.
Depois, podemos esperar da Kettybot uma
solução que vem preencher uma lacuna
no que diz respeito à mão de obra, uma
preciosa ajuda para atrair mais clientes
e um elemento incansável (só precisa de
carregar a bateria) para colaborar com o
staff na arte de bem servir.”
A Kettybot já se encontra disponível
para venda, através de um valor total de
6. 500 euros sem IVA ou por renting com
preços a partir de 131 euros mensais.
46
Janeiro de 2023
pmemagazine.sapo.pt
AGENDA
JAN
Fotografias: Divulgação
25 e 26
online através da
plataforma e app BTF
FEV
24
Estufa Fria, Parque
Eduardo VII, Lisboa
1 a 5
FIL - Lisboa
MAR
BUILDING THE FUTURE 2023
A 5.ª edição do evento Building The Future
apresenta o reforço na aposta do digital, juntamente
com a missão de potenciar pessoas e
empresas através da tecnologia e reúne decisores,
líderes, profissionais da área tecnológica,
investigadores, programadores e empreendedores.
Em 2023, o programa vai incidir, sobretudo,
na reflexão sobre o impacto da atualidade
na construção do futuro e pela Teoria do Caos,
com foco na discussão sobre os desafios pós-
-pandemia, a guerra e as crises energética e
climática.
Mais em:
buildingthefuture.pt
12 a 14
FIL - Lisboa
F EV
FOOD AFFAIR 2023
A Lisbon Food Affair, que ocupará a FIL, vem
albergar o setor alimentar em Portugal que
aposta na internacionalização de alimentos e
bebidas, de equipamentos, serviços e tecnologias
para a distribuição e para o canal Horeca.
DEFI RETREAT
EUROPE 2023
O encontro inaugural
do DeFi Retreat que
junta líderes e profissionais
da Europa vai
ter lugar, este ano, em
Lisboa. Este evento
conta com uma série
de encontros intimistas
que acontecem
anualmente nos EUA
e que reúne executivos,
investidores,
reguladores, empresários
e profissionais
de finanças e tecnologia.
Trata-se de um
networking íntimo
com discussões sobre
as novas inovações
no campo da tecnologia,
oportunidades e
desafios em torno da
interseção de Crypto,
Web3, DeFi e TradFi.
Mais em:
intechretreat.com
BOLSA TURISMO LISBOA,
TRAVEL MARKET 2023
A 32.ª edição do evento Bolsa Turismo Lisboa
vai apresentar um espaço de mercado que
associa a procura e oferta da montra de diversidade
e qualidade da oferta turística nacional
para todos os profissionais deste setor. O ano
de 2023 vem trazer à FIL um espaço de componente
da oferta formativa neste setor, aplicação
das últimas tendências de mercado e concorrência
turística, de forma a tornar a oferta nacional
cada vez mais inovadora e competitiva.
Para o público é a forma de conhecer novos
destinos, soluções e empresas.
Mais em:
btl.fil.pt
Mais em:
lisbonfoodaffair.fil.pt
Janeiro de 2023
pmemagazine.sapo.pt
47
FORA D`HORAS
Texto:
João Carreira
Editor
Fotografia:
Sóis Montejunto
Eco Lodge
A tranquilidade
abraça-se em
Alenquer
Sóis
Montejunto
Eco Lodge
Localização:
Caminho do Fole,
2580-438
Alenquer
É difícil explicar por palavras
o sentimento de tranquilidade
que invade as emoções de
quem coloca os pés no Sóis
Montejunto Eco Lodge pela
primeira vez e é essa a beleza
deste espaço. A PME Magazine
foi descobrir um dos
diamantes mais recentes
da tão conceituada hotelaria
nacional e perceber como
um conceito que parece
tão simples se tornou,
rapidamente, num dos
espaços preferidos
dos portugueses.
F
ica a 45 minutos de Lisboa,
mas parece que entramos
num mundo completamente
diferente onde o
tempo leva o seu tempo
a passar e podemos até
ouvir o bater das asas das
andorinhas tal é o silêncio.
Foi com um investimento “para cima de
um milhão de euros” que os investidores,
amantes de ciclismo, avançaram para o
Sóis Montejunto, conta-nos Madalena
Falé, assessora de comunicação do espaço.
“Os investidores são amantes de
ciclismo e a Serra de Montejunto é aquilo
a que nós, tradicionalmente, chamamos
de Meca do ciclismo em Portugal.
Eles vieram pedalar para a zona e constataram
que a paisagem é divinal.
A partir daí, começaram a sonhar em
criar um empreendimento aqui, até porque
o concelho de Alenquer, do ponto
A ideia dos investidores
é crescer a
curto/médio prazo.
De momento,
é possível albergar
24 pessoas
48
Janeiro de 2023
pmemagazine.sapo.pt
Durante a estadia, é possível realizar
a marcação de visitas de enoturismo
com empresas vizinhas
FORA D`HORAS
de vista turístico, apenas tinha alojamento
local, casas de recuperação, etc., e
era necessário ter um tipo de oferta diferente
que pudesse captar pessoas para
virem para cá”, explicou. As habitações
são em formato glamping, algo que tem
sido bastante bem aceite pelos visitantes:
“Tem [sido bem aceite] até porque
achamos que a população portuguesa
e estrangeira, no que diz respeito ao
turismo, foi mudando um pouco o seu
rosto. Depois, com o aparecimento da
pandemia, veio reforçar que as pessoas
quisessem fazer turismo em sítios mais
sossegados. Este conceito alia tudo isto:
o conforto, a segurança, a qualidade e
um contacto mais direto com a natureza.
O feedback que temos dos nossos
hóspedes é: ‘o que é isto?’. É o sossego
absoluto, é a paz, é o relaxamento que
queremos proporcionar.” O Sóis Montejunto
celebrou, também, várias parcerias
com empresas que se encontram nas
imediações, pelo que é possível alugar
bicicletas para passeio em estrada com
ou sem acompanhamento, marcar passeios
a cavalo, escalada na serra, trilhos
que podem ser feitos com ou sem guia,
sendo que foi já feita uma vindima na vinha
vizinha ao empreendimento. Dentro
deste, os hóspedes poderão usufruir de
piscina de água quente, sauna, jácuzi de
água aquecida a lenha ao ar livre, massagens
ou, ainda, aulas de ioga.
“O que temos também de muito importante
são parcerias com diversas quintas
do concelho para possibilitar a hóspedes
nossos que queiram fazer uma visita
de enoturismo e estar por dentro deste
conceito. E porquê? Porque estamos
num local onde reina o vinho e a vinha”,
explicou. Quanto ao ambiente que rodeia
o hotel, a vista é direta para a Serra
de Montejunto, pelo que quem visitar o
topo, poderá verificar toda a paisagem
que se direciona para Lisboa e se olhar
para o outro lado, verá as Berlengas.
“A 20 minutos temos as praias da Zona
Oeste. No topo da Serra de Montejunto,
que neste momento está numa fase de
reabilitação, encontra-se a antiga fábrica
do gelo. Depois, mesmo em Alenquer,
existem alguns museus que as pessoas
podem visitar”, concluiu a assessora. O
que diferencia o Sóis Montejunto é “a
comunhão com a natureza. As características
do próprio empreendimento que
utiliza materiais amigos do ambiente.
É toda a envolvência. É o silêncio. Às
vezes, é preciso escutar o silêncio e é
tão bom. Quanto à questão ambiental,
o Sóis Montejunto dispõe de uma central
de tratamento de água própria que,
depois de tratada, é reutilizada no sistema
de regas. A estrutura também está
preparada para receber empresas, num
âmbito de eventos corporativos, pois
existe um domo que consegue juntar no
mesmo espaço entre 30 a 40 pessoas.
Aí a própria empresa pode fazer uma
atividade com os seus colaboradores e o
hotel proporciona todo o apoio que seja
necessário. “Na vertente empresarial, é
fantástico ver essas pessoas que vêm
em grupos empresariais que chegam e
que a reação que têm é ‘uau’. Ou seja,
eles vêm para uma reunião de trabalho,
mas este sítio faz com que acabem por
se envolver no próprio local e por estar
com toda a atenção para a empresa,
porque estão num sítio onde só lhes é
transmitida paz. Este é um caminho a
manter, pois as empresas que nos estão
a descobrir, estão a adotar-nos, mesmo.
O feedback tem sido este. Quase que
digo que na ótica do utilizador tradicional
é o poder experienciar momentos
diferenciadores. Na ótica empresarial é
as pessoas estarem completamente concentradas,
sem se sentirem fechadas”,
finaliza. O Sóis Montejunto [na altura da
entrevista, em novembro] tem dois meses
e meio, mas, a ideia é a curto, médio
prazo crescer. Aumentar a tipologia
de oferta aos clientes e crescer ainda
mais.
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OPINIÃO
(RE) APRENDER
PESSOAS
Texto:
Mariana Santos
Diretora geral
da Kilom
Fotografia:
João Filipe Aguiar
V
ivemos com pessoas, de pessoas
e para as pessoas. Seres individuais,
diferentes e recíprocos na
sua convivência diária. “Pessoas” é um
termo tão amplo no seu significado como
complexo na sua compreensão.
Costuma-se dizer que as empresas são
feitas de pessoas. E não posso estar mais
de acordo. É o ativo mais importante e
determinante na performance das empresas
no mercado.
Se pensarmos quem são as pessoas mais
importantes numa empresa, eu diria, sem
qualquer dúvida ou hesitação, os porteiros
e os rececionistas. Para todos os que nos
contactam seja qual for o meio, digital,
presencial ou telefónico, estas são as pessoas
responsáveis por formar a primeira impressão
junto de quem nos visita ou contacta. E
diz a psicologia que as primeiras impressões
são as mais importantes na criação de uma
relação, condicionando-a logo à partida, e
as mais difíceis de alterar ao longo do tempo.
Não serão, então, estas as pessoas a quem
devemos dar mais atenção e formação?
Verdade. Mas depois vem o produto ou
serviço que se encarrega de definir os moldes
da nossa interação com o consumidor ou
intermediário. E mais uma vez, estamos
na mão de quem contratamos para nos representar. Os nossos
colaboradores são quem define a qualidade, a consistência e o
posicionamento dos nossos produtos ou serviços.
Certamente se qualquer um de nós for a um restaurante soberbo,
altamente bem qualificado nas reviews, com um chefe de topo,
e ao ser servido questionar o que está a comer, se o empregado
não souber responder ou proferir algo como “deixe-me só ir
perguntar ao chefe”, não vamos ficar muito satisfeitos. E vejam
só que ainda nem provámos a comida.
Cada vez mais, o departamento de recursos humanos tem
de estar alinhado com a estratégia principal da empresa. É um
setor que não se pode resumir a processamentos de salários ou
análises de absentismo. Tem de ir além do que é a sua atividade
base para que seja dado o significado e a importância que têm as
pessoas nas empresas.
O desafio do futuro, e tendo em conta a conjuntura atual de
elevada rotação de colaboradores nas empresas, o fim dos “empregos
para a vida” e a dificuldade em contratar no mercado de trabalho,
passa, necessariamente, por reaprender a individualidade e as
motivações dos que por nós fazem a nossa casa.
Conseguiremos ser uma empresa com futuro sem pessoas alinhadas
com a nossa visão de crescimento? Conseguiremos alcançar o
posicionamento que desejamos se os nossos colaboradores não o
reconhecem dentro das quatro paredes onde diariamente trabalham?
Conseguiremos agir e reagir às adversidades do mercado,
se não tivermos as nossas pessoas vestidas com a nossa camisola?
Tenho muitas dúvidas que sim e, por isso, é hora de calçar os
sapatos de quem por nós caminha e ambicionar juntos um futuro
próspero.
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Janeiro de 2023
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