ESPECIAL MÚSICOS GUINEENSES - Musica da Guine-Bissau

gumbe.com

ESPECIAL MÚSICOS GUINEENSES - Musica da Guine-Bissau

Página 3 ECO da Voz di Paz Boletim Informativo

EDITORIAL

«Rimando Músicas e Paz e

Ouvindo o Eco da Voz di Paz do Artista»

No longo percurso que a Guiné-Bissau teve na senda da guerra, a música rimou com a

paz.

Feridos nas suas almas sensíveis, os artistas guineenses cantaram a paz durante a

guerra e o cansaço em tempos de mortandade. Uma das emblemáticas canções desta

postura foi o lendário “Ke ki mininu na tchora?” de José Carlos Schwarz. O artista,

debruçado sobre a mais frágil das vítimas, interroga-se sobre a crueldade gratuita da

guerra, manifestando repúdio pelo “sangui ki kansa odja”. Ele não enaltece uma guerra

justa de libertação em confronto com uma guerra injusta de dominação. Ele denuncia

simplesmente os horrores da guerra que faz vítimas inocentes e magoa até a lagoas de

lágrimas.

Este repúdio da guerra voltou com o clamor de

um imenso pranto no coro das lamentações levantadas

pela guerra fratricida de 7 de Junho. O

caminho que vai desta data fatídica de 1998 até

ao presente momento, está pavimentado de canções

de paz que ilustram o profundo amor dos

artistas pela paz.

Uma rápida revista dos repertórios mostra que

quase todos os músicos guineenses cantaram a

paz na última década. Cada um à sua maneira,

com a sua sensibilidade, fez ouvir sonoridades da

paz tão almejada para a pátria amada, carente

de quietude.

Há, portanto, um consenso das filhas e filhos da Guiné em torno da paz como bem

comum. Desta constatação nasceu a ideia de promover acções conjuntas dos artistas

a favor da paz. Que melhor acção comum do que organizar um coro de artistas pela

paz? Um coro em que cada um possa cantar a sua partição livremente, afirmando a sua

personalidade, enaltecendo as suas aspirações, comunicando as suas vibrações íntimas,

desvendando a sua maneira única de pensar, sentir, amar o seu país e dizendo por

palavras genuinamente próprias a beleza que encerra a paz e só se vê com o coração.

Para fazer esta colectânea do sentir da paz, a Voz di Paz, sem exclusiva, mas também

sem pretensão de exaustividade, interrogou muitos artistas. Os que aceitaram partilhar

connosco o seu sentir da paz fazem aqui ouvir o Eco da sua Voz di Paz.

FAFALI KOUDAWO

Director da “Voz di Paz”

Similar magazines