ESPECIAL MÚSICOS GUINEENSES - Musica da Guine-Bissau

gumbe.com

ESPECIAL MÚSICOS GUINEENSES - Musica da Guine-Bissau

ECO da Voz di Paz

Boletim Informativo

FILOMENO LOPES

Nasci em Bolor e cresci em Suzana

e actualmente vivo e trabalho

em Roma, na Itália. Sou escritor,

jornalista da Rádio Vaticano e

professor de filosofia da comunicaçao

na Pontifícia Universidade

Urbaniana de Roma, na Universidade

La Sapienza di Roma, e Professor

de Antropologia cultural,

social e filosofica do Centro Unitário

Missionário da Conferência

Episcopale Italiana em Verona.

Quanto à minha relaçao com a

música, devo dizer que iniciei

quando estava ainda na Guiné-

Bissau, compondo música litúrgica,

cantada portanto durante as

celebrações litúrgicas nas igrejas

católicas da Guiné-Bissau. Foi um

modesto contributo ao processo

da inculturaçao da liturgia na

Guiné-Bissau. Mas a música passou

a representar algo de importante

na minha vida após o conflito

armado que abalou o nosso

país em Junho de 1998.

Quis desde cedo dar o meu contributo

à edificação de uma

cultura de paz e de reconciliação

na Guiné-Bissau, mas com

uma visão digamos panafricana.

Iniciei esta sensibilizaçao musical,

logo que voltei da África do

Sul, onde estive durante algum

tempo hospedado pela Fundaçao

Desmond Tuto, estudando tudo

quanto ocorria do processo de

Comissão de Verdade e Reconciliação,

para depois poder procurar

uma forma mais viável de dar

o meu contrubuto para a mesma

causa no meu país e noutras partes

do continente africano. Ora,

tendo em conta que um país

como a Guiné-Bissau onde a cultura

do diálogo praticamente era

inexistente. A partir do momento

em que se falou na necessidade

de instituir uma Comissão de Verdade

e Reconciliação também na

Guiné-Bissau, achei oportuno iniciar

uma campanha de senbilização

ao tema em geral da cultura

e paz e reconciliação, utilizando

a música e o audivisual como

instrumentos privilegiados para

essa tarefa.

Tentei então logo com a publicação

do primeiro álbum “Cercu

Iabri” percorrer algumas cidades

(Bissau, Bula, Bafata e

Cantchungo), em colaboração

com a diocese de Bissau e mais

tarde também de Bafatá, iniciar

essa experiência de auscultação

do grito da história, que são as

populações mais desfavorecidas

e que normalmente nunca são

interpeladas nos processos sóciopolíticos

do país. Assim fiz com o

segundo album “Child Eyes” e é a

mesma intenção que motiva a recente

publicação do novo álbum

“Djemberém”.

Portanto a música neste momento

para mim e a arte em geral,

constitui um importante instrumento

para tentar dar o meu

modesto contributo na edificação

da cultura da paz, reconciliaçao

e reconstrução do nosso país e do

continente africano em geral. Ao

mesmo tempo, como escritor, a

música é ocasião para massificar

conceitos filosóficos e torná-los

acessíveis ao grande público.

A Guiné quer Paz, a solução está em MIM

Página 33

Por conseguinte, os meus votos

para a Guiné-Bissau é que cedo a

paz volte e o país volte a ser um

lugar humanamente habitável;

que consigamos sair o mais cedo

possível da cultura da “Anthropologie

de la colère” em que estamos

desde há varios anos mergulhados.

Este nao é só um augúrio mas

para mim é também um empenho:

continuar a trabalhar em projectos

artísticos e musicais em

torno do tema da paz, justiça,

reconciliação e desenvolvimento.

De facto, o próximo álbum

tem como objectivo, reforçar a

ideia da consciência histórica,

da purificação da nossa memória

histórica e também a recuperação

da nossa memória histórica

como condiçao para voltarmos a

ser um povo, uma nação unida e

fraterna, que sempre fomos em

outros tempos e que eu vivi até o

ano em que saí da Guiné-Bissau,

em Agosto de 1984.

Similar magazines