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PME Magazine - Edição 28 - abril 2023

Gustavo Barreto, membro da comissão executiva do Grupo Ageas Portugal, é a figura de capa da edição de abril. Descubra esta e outras entrevistas, assinando a revista em papel aqui: https://bit.ly/pme-magazine-assinatura

Gustavo Barreto, membro da comissão executiva do Grupo Ageas Portugal, é a figura de capa da edição de abril.
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EDIÇÃO ANO VII<br />

FIQUE POR<br />

DENTRO DE TODOS<br />

OS NEGÓCIOS<br />

EM<br />

<strong>2023</strong>!<br />

ABRIL <strong>2023</strong> • TRIMESTRAL • EDIÇÃO <strong>28</strong><br />

DIRETORA: MAFALDA MARQUES<br />

<strong>PME</strong>MAGAZINE.SAPO.PT<br />

pmemagazine.sapo.pt<br />

GUSTAVO<br />

BARRETO<br />

A adaptação do setor<br />

segurador ao contexto<br />

socioeconómico<br />

HELP-FLASH<br />

INOVAÇÃO<br />

NA PREVENÇÃO<br />

EM ESTRADA 08<br />

POWERDOT<br />

À CONQUISTA DA EUROPA<br />

A BORDO DE UM CARRO<br />

ELÉTRICO 12<br />

WELLBEING GAMES<br />

ESTIMULAR A CULTURA<br />

EMPRESARIAL ATRAVÉS<br />

DE JOGOS 25


02<br />

Abril de <strong>2023</strong><br />

pmemagazine.sapo.pt


ÍNDICE<br />

Figura<br />

de destaque<br />

Gustavo Barreto<br />

“O grande desafio para<br />

as <strong>PME</strong> é evoluir na vertente<br />

da inovação”<br />

ColorADD<br />

na <strong>PME</strong> <strong>Magazine</strong><br />

A <strong>PME</strong> <strong>Magazine</strong> conta com<br />

15 grandes secções, que servem<br />

de guia estrutural para as temáticas<br />

abordadas. De forma a tornar<br />

a revista mais inclusiva, foi integrado<br />

nas secções o sistema de<br />

identificação de cores ColorADD.<br />

Assim, cada secção conta com<br />

uma cor diferente, identificada<br />

com um símbolo que permite a<br />

pessoas daltónicas identificarem<br />

as cores que estão a ver.<br />

Desenvolvido com base nas três<br />

cores primárias, representadas<br />

através de símbolos gráficos, o<br />

código ColorADD assenta num<br />

processo de associação lógica<br />

que permite ao daltónico, através<br />

do conceito da adição das cores,<br />

relacionar os símbolos e facilmente<br />

identificar toda a paleta de<br />

cores. O branco e o preto surgem<br />

para orientar as cores para as<br />

tonalidades claras e escuras.<br />

Azul<br />

Vermelho<br />

Verde<br />

Roxo<br />

Amarelo<br />

Castanho<br />

Laranja<br />

Tons Claros<br />

Tons Escuros<br />

Branco<br />

Cinza<br />

Claro<br />

Preto<br />

Cinza<br />

Escuro<br />

Índice<br />

04 BREVES<br />

06 CASOS DE SUCESSO<br />

A evolução das Águas de Monchique.<br />

A prevenção dos acidentes com<br />

o Help-Flash.<br />

10 INVESTIMENTO Os fundos<br />

de investimento para startups.<br />

12 INTERNACIONAL Powerdot e o seu<br />

processo de internacionalização.<br />

Grupo José Neves constrói duas fábricas<br />

e cria parceria com italianos da Grifal.<br />

16 AMBIENTE Coopérnico e a comunidade<br />

de energia solar em Aveiro.<br />

As novas abordagens à conservação<br />

da vida marinha com a Biotech 350PPM.<br />

18 RH Adecco e a inovação organizacional.<br />

20 BI Nova diretora de recursos humanos<br />

do Grupo EAD é Élia Jesus.<br />

22 RESPONSABILIDADE SOCIAL<br />

JRS na ajuda aos migrantes.<br />

Wellbeing Games e a promoção do<br />

bem-estar empresarial através de jogos.<br />

O talento feminino no meio rural.<br />

26 FIGURA DE DESTAQUE<br />

Gustavo Barreto com a transformação<br />

digital e preocupação com<br />

cibersegurança no setor segurador.<br />

34 EMPREENDEDORISMO Unicorn Factory<br />

Lisboa chega à capital portuguesa.<br />

Oceania Eco Innovations e a substituição<br />

das opções de plástico descartável.<br />

38 MEDIR PARA GERIR Barómetro<br />

da <strong>PME</strong> <strong>Magazine</strong>.<br />

A importância da proteção de marcas<br />

comerciais.<br />

40 MARKETING CHATGPT<br />

A inovação na busca e disseminação<br />

de informação.<br />

42 TECNOLOGIA Importância<br />

da cibersegurança.<br />

Muito mais que um terminal de<br />

pagamentos com a tecnologia myPOS.<br />

47 AGENDA Longevity Med Summit<br />

traz investidores a Portugal.<br />

48 FORA D’HORAS O Japão transportado<br />

para o centro histórico de Viseu.<br />

50 OPINIÃO José Esfola e o crescimento<br />

centrado nas pessoas.<br />

Inovar<br />

a evoluir<br />

Inovação, inovação,<br />

inovação. É esta a<br />

palavra de ordem para<br />

<strong>2023</strong>. É quase uma<br />

regra não escrita que<br />

se não apostar na inovação,<br />

a sua empresa<br />

não evoluirá. E, por<br />

isso, também, este é<br />

o tema da <strong>PME</strong> <strong>Magazine</strong><br />

de <strong>abril</strong>. São vários os tipos de inovação,<br />

nomeadamente, desempenho, incremental,<br />

radical, sustentável, disruptiva, aberta, fechada<br />

e ágil e tentámos que todos tivessem lugar<br />

nas diferentes peças da <strong>28</strong>ª edição da revista.<br />

Assim, poderá encontrar temas como a internacionalização<br />

da maior cadeia de carregamentos<br />

de veículos elétricos, os casos de<br />

sucesso das Águas de Monchique ou da nova<br />

tecnologia Help Flash que tem como propósito<br />

ajudar nas urgências rodoviárias.<br />

Percebemos que medidas as empresas devem<br />

tomar no sentido de uma estratégia de<br />

inovação com a Ageas Seguros, como funcionarão<br />

os Wellbeing Games e de que forma<br />

poderão ajudar na cultura organizacional de<br />

uma empresa e conhecemos o trabalho meritório<br />

da JRS perante a crise dos refugiados<br />

que assola todo o mundo.<br />

Fomos, ainda, ao encontro de comunidades<br />

de energia renovável em Aveiro, descansámos<br />

num Ryokan em Viseu e, imagine-se,<br />

fomos em busca de unicórnios em Lisboa.<br />

Não acredita? Então espreite as próximas<br />

páginas.<br />

Boas leituras e bons negócios!<br />

Texto:<br />

João Carreira<br />

Editor<br />

DIRETORA: Mafalda Marques EDITOR: João Carreira REDAÇÃO: Filipa Ribeiro, Joana Mendes e Marta Godinho VÍDEO E FOTOGRAFIA: Nicolás Armoa,<br />

NortFilmes e João Filipe Aguiar DESIGN GRÁFICO: José Gregório Luís DIGITAL MANAGER: Gonçalo Figueira COLABORARAM NESTA EDIÇÃO:<br />

Alexandra Andrade, José Esfola, Mafalda Marques, Pedro Brito, Sandra Laranjeiro dos Santos e Tiago Reis Nobre ESTATUTO EDITORIAL (leia na íntegra<br />

em pmemagazine.sapo.pt) DIREÇÃO COMERCIAL - Daniel Marques EMAIL: publicidade@pmemagazine.com PROPRIEDADE: Massive Media Lda.<br />

NIPC: 510 676 855 MORADA DA SEDE DA ENTIDADE PROPRIETÁRIA: Rua da Meia Laranja, 14, 2660-532 Loures MORADA DO EDITOR: Avenida República<br />

da Bulgária, lt 15 - 2º A e B, 1950-375 Marvila, Lisboa REDAÇÃO: Avenida República da Bulgária, lt 15 - 2º A e B, 1950-375 Marvila - Lisboa<br />

TELEFONE: 218 471 310 EMAIL: info@pmemagazine.com N.º DE REGISTO NA ERC: 126819 EDIÇÃO N.º: <strong>28</strong> DEPÓSITO LEGAL N.º: 427738/17<br />

ISSN: 2184-0903 TIRAGEM: 1000 exemplares IMPRESSÃO: Sprint - Zona Industrial Segulim, Rua José Pereira, Lote 3ª, 1685-635 Famões, Odivelas<br />

DISTRIBUIÇÃO: por assinatura anual PERIODICIDADE: Trimestral<br />

Abril de <strong>2023</strong><br />

pmemagazine.sapo.pt<br />

03


BREVES<br />

REFORÇADA PLATAFORMA QUE OTIMIZA ANÚNCIOS NA AMAZON<br />

Bright Pixel Capital liderou a ronda de investimento Seria A, no valor de 5 milhões<br />

de dólares, num software para otimização de publicidade e operações para empresas<br />

que vendem na Amazon.<br />

Projeto português<br />

vence Iberian<br />

Festival Awards<br />

A Artbox VR venceu a categoria de<br />

Melhor Uso da Tecnologia na 7ª edição<br />

dos Iberian Festival Awards. O projeto<br />

português, distinguido entre as melhores<br />

soluções tecnológicas inovadoras<br />

na Península Ibérica, foi desenvolvido<br />

pelas empresárias Mónica Kahlo e Sílvia<br />

Raposo e consiste num espetáculo<br />

imersivo em realidade virtual através<br />

de uma box tecnológica de 30 centímetros.<br />

As obras saltam das molduras e ganham vida<br />

numa experiência em 360 graus com imagem,<br />

som e vídeo interativo através de um único<br />

aparelho<br />

Em maio de 2022, a Zome lançou também o<br />

Cryptohouses, o primeiro portal de uma rede<br />

imobiliária a listar imóveis em criptomoeda<br />

Imobiliária abre<br />

hub no metaverso<br />

A Zome anunciou a abertura do primeiro<br />

hub na plataforma de realidade<br />

virtual, tornando-se na primeira mediadora<br />

imobiliária portuguesa a fazê-lo.<br />

Para o visitar, basta que os clientes<br />

utilizem um browser à disposição na<br />

Experience Zone e visitem um imóvel<br />

no mundo virtual sem precisarem de<br />

sair da loja. A nova funcionalidade está<br />

ainda em desenvolvimento e poderá,<br />

no futuro, ser acessada através de um<br />

novo site, onde os clientes poderão<br />

visitar o hub a partir de qualquer lugar,<br />

precisando apenas de uns óculos de<br />

realidade virtual.<br />

Colocações de<br />

trabalho temporário<br />

aumentam<br />

Segundo o barómetro da Associação<br />

Portuguesa das Empresas do Sector<br />

Privado de Emprego e de Recursos<br />

Humanos, as colocações de trabalho<br />

temporário nos últimos meses de 2022<br />

registaram um aumento de 7% relativamente<br />

ao ano anterior, atingindo um<br />

total de 416.419 vagas. As empresas de<br />

fabricação de componentes e acessórios<br />

para veículos automóveis são as<br />

que mais continuam a contratar para<br />

este tipo de regime.<br />

O índice de trabalho temporário continuou a<br />

diminuir progressivamente e estabilizou no<br />

último trimestre de 2022.<br />

A tecnológica portuguesa tem apostado na internacionalização<br />

do negócio, principalmente<br />

nos mercados de Espanha, Bélgica, Itália,<br />

Holanda e Suíça<br />

Magic Beans<br />

distinguida como<br />

“Rookie Partner<br />

of the Year”<br />

A empresa portuguesa vocacionada<br />

para a prestação de serviços de aconselhamento<br />

em tecnologia para a cloud,<br />

Magic Beans, recebeu o reputado prémio<br />

da Google Cloud “pela elevada qualidade<br />

do seu trabalho, consistência e excelência<br />

na aposta da formação”. Em 2022,<br />

a empresa registou um crescimento<br />

de 75%.<br />

Abril de <strong>2023</strong><br />

04 pmemagazine.sapo.pt


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CASOS DE SUCESSO<br />

REVOLUÇÃO ALCALINA ELEVA<br />

ÁGUAS DE MONCHIQUE<br />

A Sociedade da Água de Monchique alcançou um investimento de 8,5 milhões de euros para as novas linhas de produção<br />

N<br />

as últimas décadas, a Sociedade da<br />

Água de Monchique (SAM) tornou-<br />

-se um dos principais players no<br />

segmento de águas minerais em Portugal<br />

ao passar de 16 colaboradores em 1992<br />

para cerca de 90 funcionários, atualmente.<br />

Em 2020, adotou um modelo de indústria<br />

4.0, apostando no desenvolvimento de<br />

soluções tecnológicas e ambientalmente<br />

sustentáveis, tendo alcançado um investimento<br />

de 8,5 milhões de euros destinado<br />

às novas linhas de produção, permitindo<br />

duplicar a capacidade de engarrafamento.<br />

Neste sentido, a empresa vai apresentar<br />

o primeiro “Relatório Anual de Sustentabilidade”,<br />

onde estará estipulado as diferentes<br />

ações e metas a atingir em termos<br />

de medidas sustentáveis. De acordo com o<br />

CEO da Sociedade da Água de Monchique,<br />

Vítor Hugo Gonçalves, a SAM é “a primeira<br />

marca de água em Portugal a apresentar<br />

este documento”.<br />

Espanha, França,<br />

Suíça, Bélgica,<br />

Países Baixos,<br />

Alemanha e<br />

Polónia, Guiné-<br />

-Bissau, Angola,<br />

Moçambique,<br />

Cabo Verde,<br />

Ilhas Maurícias,<br />

Ilha da Reunião,<br />

Arábia Saudita,<br />

China, Macau,<br />

Singapura,<br />

Canadá e EUA<br />

são os países<br />

onde é possível<br />

encontrar garrafas<br />

de Água de<br />

Monchique.<br />

“A Sociedade da Água de Monchique<br />

está assumidamente comprometida com<br />

a redução do impacto da sua atividade no<br />

planeta. Desde 2020 que incorporamos na<br />

composição de todas as nossas embalagens<br />

30% de rPET. Esta introdução permitiu dar<br />

uma nova vida a 290 toneladas de garrafas<br />

usadas e evitar a libertação de 290 toneladas<br />

de plástico virgem no ambiente. Este rácio<br />

de incorporação cumpre já a regulamentação<br />

da UE prevista para 2030”, esclarece.<br />

Outro dos objetivos é a eliminação do<br />

consumo de plástico retrátil na tara de<br />

cinco litros que permite poupar cerca de<br />

25 toneladas por ano, desde 2020. A redução<br />

em mais de 16% do peso do plástico<br />

do garrafão é outra medida adotada que<br />

representa uma poupança de 174 toneladas<br />

de plástico virgem.<br />

Já a introdução ao mercado da primeira<br />

garrafa de água portuguesa produzida<br />

integralmente a partir de plástico reciclado,<br />

Texto:<br />

João Carreira<br />

Editor<br />

Fotografia:<br />

Água de<br />

Monchique<br />

Abril de <strong>2023</strong><br />

06 pmemagazine.sapo.pt


CASOS DE SUCESSO<br />

O Nommo Smart Water Pump tem controlo total do fluxo<br />

Um dos objetivos é a eliminação do consumo de plástico retrátil na tara de cinco litros<br />

a Monchique Sport 100% ECO, permitiu dar<br />

uma nova vida a 32 toneladas de garrafas<br />

velhas (rPET), tornando-a numa embalagem<br />

100% reciclada e integralmente reciclável.<br />

“O consumo exclusivo de energia verde<br />

proveniente de fontes renováveis e a capacidade<br />

de geração de energia fotovoltaica<br />

para autoconsumo, na ordem dos 15%,<br />

é mais um importante contributo nesta<br />

“luta” pela neutralidade carbónica”, diz.<br />

A SAM integra ainda o Pacto Português<br />

para o Plástico e é cofundadora do Porto<br />

Protocol. Recentemente associou-se ao<br />

Electrão, estabelecendo uma parceria que<br />

visa a recolha, encaminhamento e a correta<br />

gestão dos resíduos colocados no mercado<br />

pela empresa.<br />

O CEO refere, ainda, que a marca irá<br />

“lançar, a curto prazo, a garrafa de PET<br />

mais sustentável da Península Ibérica”.<br />

No seguimento da aposta na indústria 4.0,<br />

a SAM contratou um diretor de inovação,<br />

A Água Monchique dispõe de três<br />

armazéns logísticos – um em<br />

Monchique, na unidade f<strong>abril</strong>,<br />

a Plataforma Logística em Portimão<br />

e outro em Silves, que ultrapassam<br />

os 10 mil m 2 e armazenamento para<br />

mais de oito mil paletes.<br />

digitalização e sustentabilidade e lançou<br />

a app myMonchique e um dispensador de<br />

água inteligente, o Nommo Smart Water<br />

Pump, com controlo total do fluxo, que<br />

pode também apreender os hábitos de<br />

consumo e encomendar automaticamente<br />

mais garrafões antes do consumidor ficar<br />

sem stock.<br />

“A digitalização é essencial no presente e<br />

no futuro das empresas e passa não só pela<br />

mudança de suportes e ferramentas, mas<br />

também pelo próprio modelo de negócio.<br />

É transversal a todos os departamentos<br />

-produção, logística, administrativo,<br />

comercial, recursos humanos, marketing<br />

– e assenta em três vetores fundamentais:<br />

modelo de negócio, processos internos<br />

e relação com o cliente e consumidores.<br />

A transformação digital representa uma<br />

oportunidade para as empresas se tornarem<br />

mais competitivas, mais eficientes<br />

na análise de dados e mais inteligentes na<br />

forma como se relacionam com os seus<br />

diferentes públicos”, alavancou.<br />

Relativamente à escalada dos preços<br />

referente à inflação, Vítor Hugo Gonçalves<br />

refere que a SAM também tem sentido os<br />

efeitos: “Todos nós temos sentido esse<br />

efeito. O crescente aumento dos custos<br />

operacionais como matérias-primas,<br />

eletricidade, gás e transportes no consumo,<br />

têm impacto na atividade das empresas.<br />

Fazemos uma análise rigorosa diária que<br />

nos permite ir ajustando a gestão a curto e<br />

médio prazo e que se prende com o controlo<br />

das despesas, uma gestão mais eficiente<br />

do stock, dos investimentos e dos vários<br />

recursos da organização, com o propósito<br />

de incrementar mais eficiência, tentando<br />

sempre evitar repercutir nos preços do<br />

nosso produto no mercado.”<br />

Outra das novidades deste ano foi a<br />

entrada no mercado da dermocosmética<br />

com o primeiro spray de água termal alcalina<br />

português. Tal permite à SAM a introdução<br />

numa nova área de negócio, num segmento<br />

que está “intrinsecamente ligado ao core e à<br />

filosofia da Água de Monchique”, finaliza.<br />

Abril de <strong>2023</strong><br />

pmemagazine.sapo.pt<br />

07


CASOS DE SUCESSO<br />

Texto:<br />

Marta Godinho<br />

Redação<br />

Fotografia:<br />

Help-Flash<br />

“ “Estamos<br />

confiantes que o<br />

Help-Flash pode<br />

ajudar a salvar<br />

vidas.”<br />

Mex Machado Santos,<br />

representante<br />

do Help-Flash em Portugal<br />

”<br />

O Help-Flash está já disponível nos pontos de combustível da Galp<br />

O FLASH QUE<br />

VEM PREVENIR<br />

ACIDENTES<br />

NA ESTRADA<br />

Os acidentes na estrada, nacionais<br />

e internacionais, são cada vez mais recorrentes.<br />

Estar ciente do pós-acidente requer atenção,<br />

cuidado e, muitas vezes, muito tempo. Por isso<br />

mesmo, o Help-Flash aparece como uma luz<br />

ao fundo do túnel com uma nova dimensão<br />

(mesmo que pequena) alternativa.<br />

O<br />

Help-Flash, em parceria com a Galp, criou um dispositivo<br />

portátil que foi criado precisamente de forma a proporcionar<br />

mais segurança nas estradas portuguesas em caso<br />

de avaria ou acidente. Este dispositivo vem com intenções de ficar<br />

e de vir a substituir os tradicionais triângulos de sinalização no<br />

universo português já este ano.<br />

Em entrevista à <strong>PME</strong> <strong>Magazine</strong>, Mex Machado Santos, representante<br />

do Help-Flash em Portugal, fala-nos sobre o produto<br />

que pode vir a substituir os tradicionais<br />

triângulos de sinalização e a continuação<br />

na aposta no mercado português em <strong>2023</strong>.<br />

<strong>PME</strong> <strong>Magazine</strong> (<strong>PME</strong> Mag.) - Como<br />

se concretizou a parceria com a Galp?<br />

Mex Machado Santos (M. M. S.) - A<br />

Galp tem uma qualidade inquestionável<br />

e uma notoriedade muito forte. Quando<br />

alinhámos a estratégia comercial para<br />

Portugal foi das marcas que gostaríamos de<br />

ter como parceiros. O produto Help-Flash<br />

pode proporcionar aos seus clientes a possibilidade<br />

de terem ainda mais segurança nas<br />

estradas portuguesas em caso de avaria<br />

ou acidente.<br />

<strong>PME</strong> Mag. - De que forma é que funciona<br />

o dispositivo luminoso de segurança?<br />

M. M. S. - A luz Help-Flash é um dispositivo<br />

portátil que se pode guardar no<br />

porta-luvas ou na porta lateral da viatura.<br />

Quando acionado, emite uma luz cor de<br />

laranja giratória com 360º permitindo<br />

uma visibilidade a mais de um quilómetro<br />

de distância em qualquer condição meteorológica<br />

como chuva intensa, nevoeiro, neve,<br />

etc. Suporta ventos até 185 km/h, ou seja,<br />

assim que alguém tenha um furo, falta de<br />

gasolina, uma avaria ou até um acidente,<br />

qualquer condutor/a pode, de imediato,<br />

Abril de <strong>2023</strong><br />

08 pmemagazine.sapo.pt


CASOS DE SUCESSO<br />

acionar a luz. Para isso, basta colocá-la no tejadilho do carro<br />

e, graças ao seu sistema de magnetismo patenteado, aciona-se<br />

automaticamente alertando todos os outros condutores da via<br />

pública que existe uma viatura imobilizada.<br />

<strong>PME</strong> Mag. - Este dispositivo pode vir a substituir e, até<br />

melhorar, os tradicionais triângulos de sinalização?<br />

M. M. S. - Sim, exatamente isso. Em Espanha, a lei foi aprovada<br />

para que, em 2026, o produto Help-Flash Smart passe a ser<br />

obrigatório, pois todos os testes provaram a sua enorme eficácia e<br />

está também a ser analisado pelas autoridades da União Europeia.<br />

Quando apresentámos o produto, 97% das pessoas acharam uma<br />

excelente ideia e mencionaram que já viram viaturas paradas na<br />

estrada onde o triângulo estava caído no chão causado pelo vento,<br />

pela velocidade de um camião que passou perto do triângulo ou<br />

mesmo pela dificuldade que alguns condutores possam ter na sua<br />

montagem. Existem ainda outras razões como o forte nevoeiro<br />

onde só vemos o triângulo e a viatura mesmo quando estamos a<br />

passar muito perto do “perigo”. Por outro lado, devíamos também<br />

pensar mais nas outras pessoas como, por exemplo, as que têm<br />

mobilidade reduzida que ao utilizarem o triângulo vão ter uma<br />

dificuldade acrescida. Com o Help-Flash conseguem fazê-lo em<br />

apenas sete segundos.<br />

<strong>PME</strong> Mag. - Sente que em Portugal este sistema vai ser<br />

rapidamente adotado?<br />

M. M. S. - Depende sempre das autoridades de segurança<br />

portuguesas, mas estamos confiantes que pode ajudar imenso a<br />

salvar vidas, pois em Portugal 41% dos acidentes fatais ocorrem<br />

ao anoitecer ou durante a noite e 12% dos acidentes fatais são<br />

atropelamentos. Sem dúvida, os condutores estão mais protegidos<br />

se não saírem das suas viaturas e com o triângulo correm muito<br />

mais risco de atropelamento e com menos<br />

visibilidade para com os outros condutores.<br />

<strong>PME</strong> Mag. - Depois da Galp, há plano<br />

para continuar a apostar no mercado<br />

português?<br />

M. M. S. - Sim, não temos dúvidas<br />

disso, pois Portugal tem muito potencial.<br />

Basta verificar o parque nacional dos<br />

automóveis: os números provam isso<br />

mesmo e se considerarmos, por<br />

exemplo, que as motos atualmente não<br />

têm nenhuma obrigatoriedade de sinalização<br />

em caso de avaria, o que coloca em risco os<br />

motociclistas. Portugal tem muito potencial<br />

e os portugueses, por norma, aderem muito<br />

bem a novas tecnologias. É de reparar que<br />

o triângulo não tem desenvolvimento há<br />

mais de 40 anos e todos sabemos o quanto<br />

os veículos evoluíram nos últimos 20 anos.<br />

Assim, este, sem dúvida alguma, é um<br />

produto que faz todo o sentido.<br />

<strong>PME</strong> Mag. - No que concerne aos<br />

termos legais, a luz Help-Flash está de<br />

acordo com a lei? É possível a utilização<br />

do produto por parte de qualquer pessoa?<br />

Como funciona essa questão?<br />

M. M. S. - Sim, está de acordo com a lei<br />

portuguesa. A luz Help-Flash na verdade é<br />

um complemento de segurança, pois ajuda<br />

a que o veículo fique visível em apenas sete<br />

segundos a todos os outros condutores<br />

que circulam na via. A lei permite a sua<br />

utilização, porém o que ainda acontece<br />

atualmente é que em Portugal todos os<br />

condutores ainda têm de colocar o triângulo,<br />

por enquanto.<br />

Por exemplo, em Espanha, o triângulo<br />

vai deixar de existir.<br />

<strong>PME</strong> Mag. - Quais são os planos futuros<br />

para o Help Flash?<br />

M. M. S. - Temos imensos planos associados<br />

a tecnologia e alguns desses projetos<br />

já passaram a fase de protótipos e estão em<br />

testes, inclusive em Portugal, com grandes<br />

empresas nacionais como companhias<br />

de seguros, empresas de transporte de<br />

grandes dimensões, etc. Posso dizer que,<br />

muito em breve, teremos novidades e que<br />

os condutores terão avisos no Google Maps<br />

e Waze de perigos na estrada. O potencial<br />

é imenso e vai ajudar muito na prevenção<br />

de acidentes, atropelamentos nas estradas<br />

e rápida assistência médica e em viagem,<br />

caso seja necessário. Sempre que pudermos<br />

utilizar tecnologia para salvar vidas, devemos<br />

fazê-lo. Um negócio que não produz<br />

ou contribui nada para além de dinheiro,<br />

é um pobre negócio.<br />

“<br />

“A luz Help-Flash,<br />

na verdade, é um<br />

complemento<br />

de segurança,<br />

pois ajuda a que<br />

o veículo fique<br />

visível em<br />

apenas sete<br />

segundos a<br />

todos os outros<br />

condutores que<br />

circulam na via”<br />

Mex Machado Santos,<br />

representante<br />

do Help-Flash em Portugal<br />

”<br />

Abril de <strong>2023</strong><br />

pmemagazine.sapo.pt<br />

09


INVESTIMENTO<br />

Texto:<br />

Sandra Laranjeiro<br />

dos Santos<br />

Advogada<br />

e mediadora<br />

de conflitos<br />

Fotografia:<br />

LS Advogados, RL.<br />

D. R.<br />

O QUE SE ESPERA<br />

DOS FUNDOS<br />

DE INVESTIMENTO<br />

SIFIDE PARA<br />

AS STARTUPS<br />

E SCALEUPS?<br />

“<br />

As startups serão<br />

brindadas com<br />

um regime fiscal<br />

aplicável<br />

à remuneração<br />

assente em<br />

opções de<br />

aquisição de<br />

participações<br />

sociais pelos<br />

trabalhadores de<br />

startups, o que<br />

é um ponto<br />

positivo.<br />

O<br />

final de 2012 foi presenteado com<br />

a apresentação na Assembleia da<br />

República de uma proposta de lei,<br />

pelo governo, que anunciava um conjunto<br />

de novas regras para a promoção do ecossistema<br />

das startups e scaleups em Portugal,<br />

bem como redefinia as regras do sistema<br />

de incentivos fiscais em investigação e<br />

desenvolvimento empresarial (SIFIDE II).<br />

O “mercado tremeu”, na medida em que<br />

muitas empresas estavam em fase de subscrição<br />

de fundos de investigação e desenvolvimento<br />

empresarial e com o anunciar<br />

da mudança das regras de jogo, a incerteza<br />

instalou-se. Os desconhecimentos do teor<br />

das novas normas anunciadas pelo conselho<br />

de ministros, em finais de dezembro de 2022,<br />

levaram muitos investidores a retrair-se<br />

nas contribuições para um fundo SIFIDE II,<br />

com receio que o direito ao benefício fiscal<br />

vigente (em 2022) viesse a ser restringido<br />

por normas posteriores (anunciadas no<br />

final do ano, mas com impacto nos anos de<br />

cumprimento do investimento).<br />

Com efeito, “ao mexer” nas regras que<br />

estabelecem obrigações e restrições aos<br />

fundos SIFIDE II, o governo deixou<br />

a incerteza aos investidores<br />

sobre o funcionamento do<br />

fundo e os benefícios fiscais<br />

ao mesmo associados.<br />

Se esta alteração foi, na nossa<br />

humilde opinião, pejorativa e, mais<br />

uma vez, geradora de instabilidade<br />

e criação de insegurança para os investidores,<br />

o anúncio de novas regras para a<br />

promoção do ecossistema das startups e<br />

scaleups em Portugal foi a “cenoura para o<br />

el dourado anunciado” – vejamos.<br />

Primeiro, há que esclarecer o que distingue<br />

startups de scaleups.<br />

Enquanto a proposta de lei faz uma análise<br />

exaustiva ao critério de startups (art.<br />

2.º), o conceito de scaleups (art. 3.º)<br />

é reconduzido aos anos de existência<br />

da empresa – esta terá<br />

de exercer a atividade<br />

há mais de 10 anos<br />

– e ao número de<br />

trabalhadores<br />

(mais de<br />

Sandra Laranjeiro<br />

dos Santos,<br />

advogada<br />

e mediadora<br />

de conflitos<br />

”<br />

10<br />

Abril de <strong>2023</strong><br />

pmemagazine.sapo.pt


INVESTIMENTO<br />

250 trabalhadores), tendo de registar<br />

um volume de negócios superior a 50<br />

milhões de euros, mas ainda assim, reunir<br />

as condições necessárias para a obtenção<br />

da certificação tech visa, nos termos da<br />

Portaria n.º3<strong>28</strong>/2018, de 19 de dezembro.<br />

Dada a dimensão real do mercado nacional,<br />

iremos focar-nos abaixo nas startups.<br />

Para estas empresas (cujo período de<br />

atividade tem de ser inferior a 10 anos; têm<br />

de empregar pelo menos 25 trabalhadores<br />

em Portugal e ter, ao todo, menos de 250<br />

trabalhadores; ter um volume de negócios<br />

anual inferior a 50 milhões de euros; e<br />

cumprir uma das seguintes condições:<br />

Ser considerada como empresa inovadora<br />

com um elevado potencial de desenvolvimento,<br />

com um modelo de negócio,<br />

e desenvolvimento ou certificação do<br />

processo de reconhecimento de empresas<br />

do setor da tecnologia; ter concluído, pelo<br />

menos, uma ronda de financiamento de<br />

capital de risco por entidade legalmente<br />

habilitada para o investimento em capital<br />

de risco sujeita à supervisão da Comissão<br />

do Mercado de Valores Mobiliários, ou de<br />

autoridade congénere; ter sido objeto da<br />

aportação de instrumentos de capital ou<br />

quase capital por parte de investidores<br />

que não sejam acionistas fundadores da<br />

empresa, nomeadamente por business<br />

angels, certificados pelo IA<strong>PME</strong>I – Agência<br />

para a Competitividade e Inovação, I.P; ter<br />

recebido investimento do Banco Português<br />

de Fomento, ou de um dos fundos por este<br />

geridos, ou de um dos seus instrumentos<br />

de capital ou quase capital.<br />

O novo diploma dilui o critério da inovação,<br />

associado ao modelo de negócios ou<br />

aos produtos produzidos e à escalabilidade<br />

do negócio, e decorrente do seu funcionaprodutos<br />

ou serviços inovadores, enquadrando-se<br />

nos termos definidos pela<br />

Portaria n.º195/2018, de 5 de julho; Ser<br />

reconhecida pela ANI – Agência Nacional<br />

de Inovação, S.A., como idónea na<br />

prática de atividades de investigação<br />

mento meramente alternativo com critérios<br />

empresariais (por exemplo, como o investimento<br />

anterior por business angels), na<br />

génese das startups.<br />

As (novas) startups serão brindadas com<br />

um regime fiscal aplicável à remuneração<br />

assente em opções de aquisição de participações<br />

sociais pelos trabalhadores de<br />

startups, o que é um ponto positivo.<br />

Esperemos pela publicação da lei para<br />

escalpelizar o seu regime e apurar a (nova)<br />

realidade que espera os investidores.<br />

“ Os desconhecimentos<br />

do teor<br />

das novas<br />

normas<br />

anunciadas pelo<br />

conselho<br />

de ministros,<br />

em finais<br />

de dezembro<br />

de 2022,<br />

levaram muitos<br />

investidores<br />

a retrair-se nas<br />

contribuições<br />

para um fundo<br />

SIFIDE II.<br />

Sandra Laranjeiro<br />

dos Santos,<br />

advogada<br />

e mediadora<br />

de conflitos<br />

”<br />

Abril de <strong>2023</strong><br />

pmemagazine.sapo.pt<br />

11


INTERNACIONAL<br />

“ O investimento<br />

por parte<br />

da Antin tem<br />

como objetivo<br />

acelerar o nosso<br />

crescimento<br />

e expansão nos<br />

seis mercados<br />

onde atuamos<br />

na Europa.<br />

José Maria Sacadura,<br />

general manager<br />

da Powerdot<br />

”<br />

A empresa foi, recentemente, alvo de um investimento oriundo de França no valor de 150 milhões de euros<br />

POWERDOT À CONQUISTA<br />

DE UMA EUROPA ELÉTRICA<br />

A<br />

Powerdot é uma empresa portuguesa<br />

de pontos de carregamento<br />

para veículos elétricos que nasceu<br />

em 2018 fruto de uma conversa entre dois<br />

amigos sobre este tipo de automóveis,<br />

tendo como intuito assegurar a instalação,<br />

gestão e manutenção de carregadores para<br />

veículos, de forma 100% gratuita.<br />

Diferencia-se ainda por estar integrada<br />

na rotina dos condutores, como explica<br />

o general manager, José Maria Sacadura:<br />

“Começámos a olhar para o ecossistema<br />

dos veículos elétricos e foi-nos muito claro<br />

que o crescimento da rede de carregamento<br />

não estava a acompanhar a popularidade<br />

crescente desta opção de mobilidade. Além<br />

disso, identificámos uma oportunidade<br />

para repensar a conveniência do carregamento.<br />

E foi assim que criámos não só o<br />

nosso modelo de negócio, mas também<br />

o conceito de destination charging. Para<br />

isso, investimos, instalámos e asseguramos<br />

a gestão de pontos de carregamento<br />

para veículos elétricos nos espaços onde<br />

as pessoas passam, naturalmente, o seu<br />

tempo: centros comerciais, supermerca-<br />

Texto:<br />

João Carreira<br />

Editor<br />

Fotografia:<br />

D. R.<br />

12<br />

Abril de <strong>2023</strong><br />

pmemagazine.sapo.pt


INTERNACIONAL<br />

Já há vários centros comerciais com pontos de carregamento Powerdot<br />

dos, hotéis, restaurantes, ginásios, etc.”<br />

A empresa foi, recentemente, alvo de um<br />

investimento oriundo de França no valor<br />

de 150 milhões de euros. “O investimento<br />

por parte da Antin tem como objetivo<br />

acelerar o nosso crescimento e expansão<br />

nos seis mercados onde atuamos na Europa:<br />

Portugal, Espanha, França, Polónia, Bélgica<br />

e Luxemburgo. Desta forma, conseguimos<br />

assegurar todos os custos inerentes à instalação<br />

dos pontos de carregamento, sem<br />

qualquer custo para o parceiro”, explica.<br />

As necessidades do utilizador de veículos<br />

elétricos estão na génese da premissa, mas<br />

também as necessidades dos parceiros,<br />

neste caso, os proprietários dos parques<br />

de estacionamento. Assim sendo, “existe<br />

o carregador certo para o local certo, e,<br />

por isso, investimos tempo e recursos<br />

para trabalhar de perto com os parceiros,<br />

no sentido de encontrar a melhor opção<br />

para cada caso. Desenvolvemos também<br />

soluções digitais que permitem ao dono<br />

do parque ter total acesso aos dados da<br />

nossa operação nos seus espaços”, reforça,<br />

lembrando que quando a Powerdot surgiu<br />

a proposta de valor era “disruptiva”.<br />

Parceiros a 100 anos<br />

Quando questionado como funciona a<br />

instalação gratuita, José Maria Sacadura<br />

refere que o segredo está em “perceber as<br />

necessidades dos parceiros e dos utilizadores”.<br />

“Avaliamos a potencial procura e<br />

dimensionamos a nossa proposta para se<br />

adequar ao tipo de atividade do proprietário<br />

do parque. E, quando chegamos à<br />

formulação que faz sentido para todas<br />

as partes, investimos e acompanhamos<br />

a instalação e a operação do primeiro ao<br />

último momento”, refere.<br />

É prática da empresa que os parceiros<br />

estejam no centro das preocupações dos<br />

responsáveis, pelo que estes olham para os<br />

proprietários dos parques não na tradicional<br />

“A infraestrutura<br />

de carregamentos tem<br />

de dar resposta quando<br />

e onde é necessária”<br />

José Maria Sacadura,<br />

general manager da Powerdot<br />

ótica de fornecedor-cliente, mas como<br />

parceiros a 100 anos, no que refere à partilha<br />

de lucros. “Os parceiros estão no centro das<br />

nossas preocupações e prioridades e, como<br />

tal, é mais do que justo serem recompensados<br />

pela cooperação e incentivados a continuar<br />

a trabalhar connosco”, sublinha.<br />

De modo a encontrar um ponto Powerdot,<br />

o responsável lembra que basta usar uma<br />

das mais populares aplicações de mapa ou<br />

aplicações de carregamento que rapidamente<br />

aparecerá, reforçando que estão presentes<br />

onde os utilizadores de veículos elétricos<br />

passam o tempo: centros comerciais,<br />

supermercados, lojas de especialidade,<br />

restaurantes, hotéis, entre outros.<br />

“É inequívoco que o veículo elétrico<br />

tem um papel fundamental na redução<br />

de emissões de CO2 associadas à mobilidade.<br />

Mas, para tal acontecer, tem de se<br />

tornar numa opção viável. E, para isso, a<br />

infraestrutura de carregamentos tem de<br />

dar resposta quando é necessária e, acima<br />

de tudo, onde é necessária. A Powerdot<br />

sintetizou esta ambição de ajudar a cumprir<br />

metas ambientais na sua missão: acelerar<br />

a mobilidade sustentável”, diz José Maria<br />

Sacadura.<br />

O objetivo da Powerdot é que, até ao<br />

final de 2025, haja 19 mil pontos de carregamento<br />

em funcionamento na Europa, o<br />

que implicará um investimento de cerca<br />

de 300 milhões de euros. Para tal, a equipa<br />

passará de 100 colaboradores, no final de<br />

2022, para 180 em <strong>2023</strong>.<br />

“Hoje em dia já é possível ir de Lisboa<br />

a Bruxelas de carro e apenas carregar em<br />

pontos Powerdot”, conclui.<br />

Abril de <strong>2023</strong><br />

pmemagazine.sapo.pt<br />

13


INTERNACIONAL<br />

CIAO GRUPO<br />

JOSÉ NEVES!<br />

Empresa anuncia joint venture com<br />

italianos da Grifal e a construção de duas<br />

novas unidades industriais em Guimarães<br />

e em Vila Nova da Barquinha.<br />

E<br />

specialista no setor da embalagem<br />

há 40 anos, o Grupo José Neves<br />

anunciou a criação de uma nova<br />

unidade industrial durante o ano de <strong>2023</strong>,<br />

em Guimarães, junto às atuais instalações.<br />

Mas as novidades não ficam por aqui, pois<br />

foi, também, celebrada uma joint venture<br />

entre o Grupo José Neves e o grupo italiano<br />

Grifal para a produção em Portugal do<br />

cartão canela da marca cArtù. A gestão<br />

operacional e comercial e o apoio administrativo<br />

serão assegurados pelo grupo<br />

José Neves, enquanto a Grifal fornecerá<br />

as linhas de canelado e o know-how para<br />

a produção do cArtù.<br />

Esta aliança vem “reforçar o posicionamento<br />

do Grupo José Neves no mercado e irá<br />

permitir ampliar o volume de oportunidades,<br />

conquistar novos mercados e aumentar<br />

o market share, de acordo com a estratégia<br />

de crescimento delineada”, avança José<br />

Neves, CEO e fundador do grupo. Já Fabio<br />

Gritti, presidente e CEO do Grupo Grifal,<br />

reforça que “o entendimento entre duas<br />

realidades distantes geograficamente,<br />

mas semelhantes em termos de história,<br />

reputação e competências, presentes no<br />

coração da Europa e que acreditam no<br />

valor da inovação sustentável é a base<br />

desta parceria que perdurará por muito<br />

tempo, gerando importantes sucessos<br />

compartilhados”.<br />

O facto de os dois grupos partilharem<br />

valores, competências e culturas organizacionais<br />

similares ajudou a selar esta<br />

parceria e a tomar esta decisão de investimento<br />

que se enquadrava na estratégia de<br />

crescimento delineada para os próximos<br />

anos do grupo José Neves, de acordo com<br />

o próprio.<br />

Atualmente, o grupo emprega 110 pessoas<br />

e registou uma faturação consolidada de<br />

24 milhões de euros em 2022, contra 19<br />

milhões em 2021, o que representa um<br />

crescimento de 26,3%. No que toca às<br />

“ O facto de<br />

os dois grupos<br />

partilharem<br />

valores,<br />

competências<br />

e culturas<br />

organizacionais<br />

similares ajudou<br />

a selar esta<br />

parceria.<br />

José Neves,<br />

CEO e fundador<br />

do Grupo José Neves<br />

”<br />

14<br />

Abril de <strong>2023</strong><br />

pmemagazine.sapo.pt


INTERNACIONAL<br />

Atualmente,<br />

o grupo emprega<br />

110 pessoas<br />

exportações, conseguiu duplicar em 2022<br />

as receitas geradas no exterior, fixadas em<br />

cinco milhões de euros, algo que representou<br />

20,8% do total das vendas. Em<br />

<strong>2023</strong>, ano do 40.° aniversário, estimam<br />

crescimentos em linha face ao período<br />

homólogo.<br />

Sobre a nova unidade f<strong>abril</strong>, esta tem<br />

uma capacidade de produção anual prevista<br />

de 14,4 milhões de metros quadrados de<br />

cartão canelado cArtù, deverá criar 50<br />

postos de trabalho e faturar 10 milhões de<br />

euros num prazo de quatro a cinco anos.<br />

O investimento resultante desta parceria<br />

está estimado em 6 milhões de euros.<br />

“A construção arranca no primeiro<br />

trimestre deste ano e estimamos que a<br />

nova fábrica possa estar operacional no<br />

final do segundo semestre”, avança.<br />

Quando questionado sobre os próximos<br />

passos para a empresa, José Neves fez<br />

referência a outra abertura de fábrica,<br />

neste caso em Vila Nova da Barquinha:<br />

“Além deste investimento, temos outros<br />

a decorrer que nada têm a ver com esta<br />

parceria, mas que fazem parte da nossa<br />

estratégia de crescimento, como é o caso<br />

da nova unidade industrial em Vila Nova<br />

da Barquinha e que contempla um investimento<br />

de 5 milhões de euros. Com foco<br />

na inovação tecnológica e na sustentabilidade<br />

ambiental, o projeto em Vila Nova da<br />

Barquinha tem como objetivos principais<br />

a otimização da cadeia de valor a vários<br />

níveis e aumentar a relação de proximidade<br />

com os nossos clientes.”<br />

Relativamente a constrangimentos<br />

provocados pela pandemia e agora pela<br />

guerra, José Neves, não tem mãos a medir:<br />

“O aumento dos custos energéticos, a falta<br />

de mão de obra qualificada, as burocracias<br />

e entropias ao investimento e a excessiva<br />

carga fiscal (Portugal é dos países onde a<br />

carga fiscal mais aumentou) constituem<br />

os maiores desafios para a indústria de<br />

embalagens, que depois de uma pandemia<br />

se viu obrigada a lidar com as consequências<br />

nefastas da guerra na Ucrânia. Tudo isto<br />

veio ditar um cenário de instabilidade,<br />

volatilidade e incerteza económica, levando<br />

a constrangimentos ao longo de toda a<br />

cadeia de valor. O impacto da inflação e a<br />

subida das taxas de juro são outros fatores<br />

que se irão refletir no poder de compra e<br />

na atração de investimento, originando<br />

um abrandamento económico, tanto em<br />

termos horizontais como verticais. Sendo<br />

a embalagem um produto transversal a<br />

todos os setores de atividade, assistimos a<br />

alterações no comportamento de compra<br />

de uma forma generalizada, com uma forte<br />

tendência para a procura de alternativas<br />

mais eficientes que permitam às empresas<br />

continuar a ser competitivas no mercado.”<br />

“Com as metas ambientais estabelecidas<br />

pelo Plano Nacional de Energia e Clima 2030<br />

(PNEC 2030), questões como a sustentabilidade<br />

ambiental, transição energética,<br />

valorização dos ativos ambientais e economia<br />

circular, vieram abrir portas a novas<br />

oportunidades nos campos da inovação<br />

e diferenciação para uma economia mais<br />

resiliente e com maior valor agregado. E é<br />

aqui que podemos fazer a diferença, com<br />

a apresentação ao mercado de soluções<br />

eco-responsáveis e que vão ao encontro<br />

das necessidades específicas de cada setor.<br />

Na verdade, a ecoeficiência representa para<br />

nós uma oportunidade de crescimento,<br />

diferenciação e competitividade”, finaliza.<br />

O grupo José Neves iniciou a sua atividade<br />

em 1983 com a transformação e comercialização<br />

de papéis e comercialização<br />

de fitas adesivas, permanecendo até aos<br />

dias de hoje nas mãos do seu fundador<br />

José Neves.<br />

Texto:<br />

João Carreira<br />

Editor<br />

Fotografia:<br />

Grupo José<br />

Neves<br />

“ O projeto<br />

em Vila Nova da<br />

Barquinha tem<br />

como objetivos<br />

principais<br />

a otimização<br />

da cadeia<br />

de valor<br />

a vários níveis<br />

José Neves,<br />

CEO e fundador<br />

do Grupo José Neves<br />

”<br />

Abril de <strong>2023</strong><br />

pmemagazine.sapo.pt<br />

15


AMBIENTE<br />

COOPÉRNICO<br />

DE OLHOS POSTOS<br />

NUM FUTURO<br />

SUSTENTÁVEL<br />

Texto:<br />

João Carreira<br />

Editor<br />

Fotografia:<br />

D. R.<br />

Os membros poderão realizar transações de compra e venda de energia diretamente entre si<br />

A<br />

Coopérnico é uma cooperativa portuguesa de energias<br />

renováveis e faz parte do projeto COMSOLVE, que se<br />

encontra a criar uma comunidade de energia solar, no<br />

município de Ílhavo, em Aveiro, com integração de veículos<br />

elétricos com o objetivo de apostar na mobilidade e criar os<br />

“prosumidores”, i. e., consumidores que produzem a sua própria<br />

energia. Isto permitirá que quem integre a comunidade possa<br />

carregar e partilhar veículos, sendo que essa energia passará a<br />

ser de todos os membros que a irão autoconsumir coletivamente.<br />

O projeto inclui a produção descentralizada de eletricidade a<br />

partir de painéis fotovoltaicos e a partilha de energia produzida<br />

por membros da comunidade, permitindo o desenvolvimento<br />

do paradigma dos mercados de energia centrados no papel de<br />

“prosumidores”.<br />

Nesse ecossistema comunitário, os membros poderão realizar<br />

transações de compra e venda de energia diretamente entre si, de<br />

forma segura e distribuída. Estas transações são baseadas em tecno-<br />

“ O envolvimento<br />

e empoderamento<br />

dos cidadãos<br />

através da<br />

constituição de<br />

comunidades<br />

de energia<br />

é fundamental.”<br />

Ana Rita Antunes,<br />

diretora geral<br />

da Coopérnico<br />

”<br />

logias blockchain e modelos peer-to-peer,<br />

sendo que é também utilizada inteligência<br />

artificial e aprendizagem automática para<br />

previsão de consumos domésticos e para<br />

identificação de padrões de utilização por<br />

parte dos detentores de veículos elétricos.<br />

A entidade gestora terá, também, o<br />

papel de otimizar o balanço energético da<br />

comunidade, avaliando, em tempo real, o<br />

preço de compra e venda de eletricidade em<br />

rede de distribuição e tomando decisões de<br />

armazenamento, compra de energia para<br />

consumo futuro ou venda de excedente<br />

produzido.<br />

De acordo com Ana Rita Antunes, diretora<br />

geral da Coopérnico, “a ideia surgiu na<br />

sequência da primeira conferência internacional<br />

sobre comunidades de energia (CER)”,<br />

em 2019, onde os vários parceiros do então<br />

futuro projeto COMSOLVE verificaram a<br />

necessidade de estender o conceito para<br />

incluir uma mistura de edifícios públicos<br />

e privados, bem como a integração da<br />

mobilidade elétrica no contexto das CER.<br />

Quanto ao envolvimento dos cidadãos,<br />

Ana Rita Antunes, não tem dúvidas: “O<br />

envolvimento e empoderamento dos<br />

cidadãos através da constituição de comunidades<br />

de energia é fundamental para<br />

estes poderem usufruir dos benefícios da<br />

transição energética e sentirem que fazem<br />

parte da solução para um mundo mais<br />

descarbonizado.”<br />

A diretora do Coopérnico lembrou ainda<br />

que “a aposta na sustentabilidade deixou de<br />

ser uma preocupação de garantia de sobrevivência<br />

da espécie humana e passou a ser,<br />

também, uma questão de cariz económico<br />

essencial para a resiliência do setor empresarial.<br />

Depender de recursos renováveis<br />

produzidos localmente é fundamental para<br />

assegurar a continuidade das empresas”.<br />

O objetivo principal é propiciar benefícios<br />

ambientais, económicos e sociais aos seus<br />

membros e localidades onde opera, em vez<br />

de lucros financeiros.<br />

16<br />

Abril de <strong>2023</strong><br />

pmemagazine.sapo.pt


AMBIENTE<br />

“ A nossa<br />

abordagem<br />

é sustentável<br />

de muitas<br />

maneiras.”<br />

Dr. Ludger Weß,<br />

CSO e co-fundador<br />

da 350PPM Biotech<br />

”<br />

PASSO A PASSO<br />

RUMO À CONSERVAÇÃO<br />

MARINHA<br />

A Marinin é produzida por uma bactéria marinha que<br />

se alimenta exclusivamentede CO2 e utiliza hidrogénio<br />

como fonte de energia<br />

Aconservação marinha é um dos<br />

grandes desafios que se colocam<br />

no que toca à sustentabilidade<br />

do planeta e a empresa de biotecnologia<br />

350PPM Biotech anunciou que o seu primeiro<br />

produto, Marinin, pode funcionar como um<br />

contributo importante para a conservação<br />

da vida marinha e para a preservação<br />

da floresta tropical e da biodiversidade<br />

oceânica.<br />

A Marinin é produzida por uma bactéria<br />

marinha que se alimenta exclusivamente<br />

de CO2 e utiliza hidrogénio como fonte de<br />

energia. Neste sentido, pode substituir quase<br />

completamente ingredientes controversos<br />

como farinha de peixe ou soja em rações<br />

convencionais para aquacultura. Este foi o<br />

resultado de várias semanas de ensaios de<br />

alimentação de salmão e camarão realizados<br />

pela Pontus Research, em Aberdare, no<br />

Reino Unido. Os planos para a construção<br />

de uma unidade f<strong>abril</strong> estão a entrar em<br />

jogo, pelo que a empresa está, atualmente,<br />

a planear construir uma fábrica piloto em<br />

Sines, em Portugal, que utilizará CO2 do<br />

seu parceiro Maiken Foods para produzir<br />

a Marinin. Como passo seguinte, a 350<br />

PPM construirá uma fábrica industrial na<br />

cidade portuária portuguesa para ajudar a<br />

preencher a lacuna proteica. Isto porque a<br />

Europa está, de momento, 70% dependente<br />

das importações de proteínas do estrangeiro.<br />

Os oceanos do mundo estão em perigo<br />

porque cada vez mais peixes pequenos<br />

e outros animais (“bycatch”) estão a ser<br />

capturados para produzir farinha de peixe<br />

para alimentar peixes de aquacultura. Por<br />

exemplo, cardumes inteiros dos chamados<br />

“peixes industriais”, tais como arenque,<br />

anchovas e enguias são pescados. Mexilhões,<br />

lulas e outras espécies de peixe também<br />

acabam em farinha de peixe.<br />

A crescente procura de farinha e óleo<br />

de peixe está a ameaçar os seus stocks.<br />

A título de exemplo, para produzir um quilo<br />

de salmão em aquacultura, é necessário<br />

muito mais de um quilo de peixe selvagem,<br />

apesar de todos os esforços para encontrar<br />

substitutos. Além disso, a soja é utilizada<br />

principalmente como substituto, sendo que<br />

a crescente procura global deste produto<br />

está a ameaçar as florestas tropicais da<br />

América do Sul e da Ásia.<br />

“Acreditamos que temos uma solução para<br />

este problema”, disse Erwin Jurtschitsch,<br />

CEO e co-fundador da 350PPM Biotech.<br />

“Como novidade mundial, mostrámos<br />

que o nosso produto pode substituir quase<br />

completamente a farinha de peixe e a soja,<br />

os ingredientes ecologicamente mais<br />

questionáveis na alimentação dos peixes.<br />

Em vez de sobrepescar os oceanos, peixe<br />

e camarão poderiam ser cultivados em<br />

terra, sem utilizar a controversa captura<br />

acessória”.<br />

“A nossa abordagem é sustentável de<br />

muitas maneiras”, disse o Dr. Ludger Weß,<br />

CSO e co-fundador da 350PPM Biotech.<br />

“Utilizamos CO2 de fontes artificiais e<br />

hidrogénio gerado com eletricidade verde”.<br />

O nosso processo praticamente não requer<br />

terra, pouca água e pode produzir ração<br />

completamente independente da estação<br />

do ano, do tempo e do clima. Além disso,<br />

não deixamos resíduos nocivos”, finaliza.<br />

A empresa de biotecnologia foi fundada<br />

em Hamburgo, na Alemanha, em 2020<br />

e abriu uma filial em Lisboa, em <strong>2023</strong>.<br />

Texto:<br />

João Carreira<br />

Editor<br />

Fotografia:<br />

D. R.<br />

Abril de <strong>2023</strong><br />

pmemagazine.sapo.pt<br />

17


RH<br />

Texto:<br />

Alexandra<br />

Andrade<br />

country manager<br />

da Adecco<br />

Portugal<br />

Fotografia:<br />

D. R.<br />

COMO INOVAR NA MUDANÇA<br />

ORGANIZACIONAL DE UMA<br />

EMPRESA?<br />

A<br />

inovação é importante no desenvolvimento<br />

de uma estratégia eficaz<br />

e benéfica para as empresas e é<br />

essencial que estas percebam a influência<br />

da cultura organizacional no decorrer do<br />

processo.<br />

As empresas deparam-se com constantes<br />

inovações de mercado, sejam tecnológicas,<br />

sociais ou profissionais e são obrigadas a<br />

reajustarem-se e fazer mudanças constantes.<br />

Os gestores são impactados com estas<br />

questões prementes e têm de ser rápidos e<br />

flexíveis de forma a adaptarem-se aos novos<br />

desafios e dificuldades, definindo objetivos<br />

estratégicos e assumindo a excelência como<br />

filosofia de gestão nos valores partilhados<br />

através da cultura organizacional.<br />

A mudança organizacional é entendida<br />

como a adaptação às necessidades<br />

do mercado, causada pela influência do<br />

ambiente externo ou interno. A cultura da<br />

inovação e a tecnologia podem ser consideradas<br />

estimulantes para impulsionar a<br />

mudança organizacional e é aqui que os<br />

gestores devem colocar as suas fichas.<br />

“ A cultura<br />

organizacional<br />

é a base de cada<br />

empresa.<br />

Alexandra Andrade,<br />

country manager<br />

da Adecco<br />

Portugal<br />

Tipos de mudança organizacional<br />

Cada empresa terá a sua maneira própria<br />

de definir e implementar a sua estratégia<br />

de mudança organizacional. Dentro desta<br />

existem quatro tipos: incremental, transformacional,<br />

evolucionária e revolucionária.<br />

A mudança organizacional incremental<br />

é a mais recorrente e a mais fácil de implementar.<br />

O grande foco é o uso de inovação<br />

e tecnologia. Isso pode acontecer em novos<br />

sistemas, controlo de ponto, implementação<br />

de novas rotinas e novos projetos.<br />

A mudança organizacional transformacional<br />

é considerada, como o próprio nome<br />

indica, transformadora. O seu grande objetivo<br />

é modificar e transformar o ambiente,<br />

os processos, a estrutura e até mesmo as<br />

pessoas ou profissionais. Esta mudança é<br />

utilizada em crises e em necessidades de<br />

reposicionar o mercado, alterando todos os<br />

parâmetros da empresa, correndo o risco<br />

de os colaboradores terem dificuldade em<br />

assimilar a situação.<br />

Criatividade<br />

torna os líderes<br />

mais inclusivos<br />

Relativamente à mudança organizacional<br />

evolucionária, surge através de um propósito<br />

especial, o objetivo em questão é adequar a<br />

evolução da empresa no mercado, para que<br />

o seu crescimento não origine problemas,<br />

as necessidades dos clientes sejam atendidas<br />

e a empresa esteja sempre à frente dos<br />

concorrentes. Esta mudança aplica-se na<br />

18<br />

”<br />

Abril de <strong>2023</strong><br />

pmemagazine.sapo.pt


RH<br />

definição de novos objetivos e na realização<br />

de um novo projeto.<br />

Revolucionária. É assim que é caracterizada<br />

a mudança organizacional mais<br />

impactante comparativamente às restantes.<br />

É considerada uma reflexão intensa no<br />

posicionamento no mercado. Esta mudança<br />

Inovação organizacional<br />

nas empresas<br />

A cultura organizacional é a base de cada<br />

empresa e é fundamental que cada colaborador<br />

se identifique com a mesma. Quando a<br />

cultura organizacional da empresa é ativa e<br />

participativa, permite que os colaboradores<br />

vejam como seus os objetivos e metas de<br />

negócio da entidade. Qualificar e preservar<br />

essas pessoas são os principais objetivos<br />

quando se implementa a estratégia de<br />

A inovação é um auxílio<br />

para todas as empresas<br />

que pretendam ter uma<br />

posição de destaque<br />

e alcançar uma maior<br />

competitividade.<br />

é considerada renovadora e positiva, na<br />

medida em que a empresa fica completamente<br />

diferente.<br />

inovação organizacional, promovendo um<br />

ambiente empresarial adequado. Segundo<br />

o estudo da Adecco “Global Workforce of<br />

the Future”, no que toca à emergência de<br />

requalificação, “os empregadores esforçam-se<br />

por manter as suas equipas, e no<br />

contexto de mudança suscitada por estas<br />

tendências, isso significa tornar a requalificação<br />

e a upskilling uma parte fundamental<br />

da estratégia de retenção de cada empresa”,<br />

daí a importância de uma adaptação por<br />

parte das empresas dispostas a inovar.<br />

A inovação é um auxílio para todas as<br />

empresas que pretendam ter uma posição de<br />

destaque e alcançar uma maior competitividade.<br />

Para que esta inovação se desenvolva<br />

é necessário implementar métodos para<br />

que o desempenho dos funcionários altere<br />

e os objetivos sejam alcançados.<br />

De acordo com o mesmo estudo, 70% dos<br />

trabalhadores consideram que os empregadores<br />

têm do seu lado a responsabilidade de<br />

assegurar um futuro de trabalho melhor, pelo<br />

que “compete às organizações intensificarem-se<br />

e provarem aos trabalhadores que a<br />

sua empresa é o melhor local possível para<br />

se prepararem para o futuro do trabalho”.<br />

Para que as empresas mantenham o seu<br />

posicionamento e estejam ativas no mercado,<br />

é necessário ajustar todos os processos de<br />

desenvolvimento e incluir a inovação nos<br />

mesmos. Os processos de inovação serão<br />

fortalecidos através de uma boa gestão do<br />

departamento de recursos humanos, com<br />

o intuito de desenvolver as áreas em que é<br />

necessário atuar. Algumas das estratégias<br />

para impulsionar a inovação nas empresas<br />

são a promoção do reconhecimento<br />

financeiro e profissional, oferta de boas<br />

condições de trabalho, promoção de uma<br />

gestão participativa, criação de ferramentas<br />

de comunicação interna, desenvolvimento<br />

de um ambiente que dê espaço à criatividade<br />

que envolva todas as pessoas, horários mais<br />

flexíveis e disponibilização de formação e<br />

atualização de conhecimentos.<br />

Valorizar o colaborador é fulcral para<br />

alcançar uma cultura organizacional forte<br />

e sustentada, capaz de elevar a empresa a<br />

novos patamares.<br />

Abril de <strong>2023</strong><br />

pmemagazine.sapo.pt<br />

19


BI<br />

Texto:<br />

Joana Mendes<br />

Redação<br />

Fotografia:<br />

<strong>PME</strong> <strong>Magazine</strong>,<br />

D. R.<br />

Élia Jesus<br />

é a nova diretora<br />

de recursos<br />

humanos<br />

do Grupo EAD<br />

O<br />

Grupo EAD, que<br />

engloba EAD, Papiro<br />

e Fin-Prisma anunciou<br />

a contratação de<br />

Élia Jesus como nova<br />

diretora de recursos<br />

humanos, gerindo mais de 200<br />

colaboradores nas três empresas<br />

do grupo. Élia Jesus é licenciada<br />

em Gestão de Recursos Humanos<br />

pela ESCE, Escola Superior<br />

de Ciências Empresariais e conta<br />

com um mestrado em Sociologia<br />

Económica e das Organizações,<br />

vertente de Sociologia da Empresa<br />

pelo ISEG.<br />

Élia Jesus, diretora de recursos humanos da EAD.<br />

Pedro Madeira Rodrigues<br />

assume direção de<br />

marketing e comunicação<br />

da Minsait<br />

Pedro Madeira Rodrigues é o novo<br />

diretor de marketing e comunicação<br />

da Minsait. O licenciado pelo Instituto<br />

Superior de Ciências Sociais e Políticas<br />

da Universidade Técnica de Lisboa foi<br />

diretor geral da Câmara de Comércio<br />

e Indústria Portuguesa. O novo diretor<br />

tem colaborado com a consultora<br />

desde 2019, incluído no mercado de<br />

indústria na empresa.<br />

Fernando Chaves<br />

é o líder da nova equipa<br />

de consultoria de risco<br />

da Marsh Portugal<br />

Formado em Marketing Empresarial<br />

pelo IPAM e em Sustainable Finance<br />

pelo ISEG, Fernando Chaves faz parte<br />

da Marsh Portugal desde 2003 e possui<br />

uma vasta experiência em cargos<br />

de liderança, em particular nas áreas<br />

de business development, crédito,<br />

marketing e comunicação e vendas.<br />

Google Cloud nomeia<br />

Sofia Marta como<br />

nova country manager<br />

em Portugal<br />

Sofia Marta conta com mais de 20 anos<br />

de experiência nas áreas de consultoria<br />

e tecnologia em várias empresas,<br />

tendo sido agora nomeada como nova<br />

country manager da Google Cloud em<br />

Portugal. As suas principais responsabilidades<br />

serão a liderança do negócio<br />

e o crescimento no mercado.<br />

20<br />

Abril de <strong>2023</strong><br />

pmemagazine.sapo.pt


BI<br />

Pedro Gomes é o novo<br />

CEO da Teleperformance<br />

em Portugal<br />

Pedro Gomes, licenciado em Línguas<br />

e Literaturas Modernas pela Universidade<br />

do Porto, conta com mais de 25<br />

anos de experiência na área da gestão<br />

da experiência do cliente e é agora o<br />

novo CEO da Teleperformance Portugal.<br />

Passou pelos vários níveis de gestão<br />

e áreas de suporte até, mais recentemente,<br />

ter assegurado as funções<br />

de chief operating officer e chief client<br />

solutions officer na empresa.<br />

Patrícia Santos é a nova<br />

diretora de marketing<br />

da Claranet Portugal<br />

Patrícia Santos é a nova diretora de<br />

marketing da Claranet e conta com<br />

mais de 20 anos de experiência em<br />

marketing e comunicação. As suas<br />

principais responsabilidades serão<br />

auxiliar na concretização da visão de<br />

futuro do negócio da Claranet e consolidar<br />

a marca a nível nacional.<br />

Óscar Afonso é eleito<br />

o novo diretor da<br />

Faculdade de Economia<br />

da Universidade do Porto<br />

Óscar Afonso, professor catedrático da<br />

Faculdade de Economia da Universidade<br />

do Porto, foi eleito pelo Conselho<br />

de Representantes da Faculdade como<br />

novo diretor da instituição de ensino.<br />

O sucessor de José Varejão tem como<br />

objetivo fortalecer a posição da FEP<br />

perante as restantes universidades.


RESPONSABILIDADE SOCIAL<br />

E SE FOSSE EU?<br />

Texto:<br />

Mafalda Marques<br />

Diretora<br />

Fotografia:<br />

<strong>PME</strong> <strong>Magazine</strong><br />

O Serviço Jesuíta aos Refugiados (JRS) lançou, em janeiro, a campanha “E se<br />

fosse eu?”, com o objetivo de sensibilizar o país para a condição vulnerável<br />

a que os migrantes estão sujeitos. A campanha foi concebida pela agência<br />

de comunicação e marketing, Media em Movimento.<br />

A campanha<br />

é sustentada<br />

por vídeos com<br />

testemunhos reais<br />

de migrantes<br />

“ Devido<br />

à guerra, o país<br />

recebeu 50<br />

mil ucranianos<br />

num só ano.<br />

Mafalda Marques,<br />

diretora<br />

”<br />

S<br />

egundo o Relatório Estatístico do<br />

Asilo de 2022, Portugal é o segundo<br />

país da União Europeia que mais<br />

recebe refugiados e, no ano passado,<br />

acolheu mais refugiados do que nos últimos<br />

10 anos. Devido à guerra, o país recebeu 50<br />

mil ucranianos num só ano. Mesmo assim,<br />

ainda há estigmas a serem superados nas<br />

relações com os estrangeiros que precisam<br />

de abrigo por enfrentarem situações de<br />

emergência nos seus países de origem.<br />

Deste modo, a campanha EPIC | JRS – E<br />

se fosse Eu? é um convite à reflexão do<br />

público. O conteúdo baseia-se em situações<br />

reais vividas pelos migrantes como<br />

“E se fosse eu a reduzir a minha vida a uma<br />

mochila?” ou “E se fosse eu perdido num<br />

mar de solidão?” estando a divulgação<br />

no site da JRS Portugal e nas redes sociais<br />

Instagram e Facebook.<br />

A campanha digital incluiu ainda um<br />

conjunto de infografias sustentadas em<br />

dados estatísticos relativos à população<br />

refugiada com vista a conduzir o público a<br />

pensar na dura realidade que esta atravessa.<br />

Por último, a campanha é ainda sustentada<br />

por vídeos com testemunhos reais, sejam de<br />

migrantes, como de cidadãos portugueses<br />

sobre situações, para os portugueses hipotéticas,<br />

a que os migrantes são obrigados a<br />

ultrapassar na busca de uma vida melhor.<br />

A campanha é necessária, uma vez que,<br />

na avaliação do presidente do JRS, André<br />

Costa Jorge, “o crescimento do número<br />

de deslocados e de refugiados em <strong>2023</strong><br />

é quase uma certeza pela intensificação<br />

dos conflitos e a potencial escassez de<br />

alimentos”. A previsão é fundamentada<br />

nos alertas da ONU, por isso, André Costa<br />

Jorge assinala que é importante continuar<br />

“o investimento na capacidade de acolhimento<br />

sobretudo de população refugiada<br />

que continuará a chegar a Portugal na lógica<br />

de solidariedade europeia”.<br />

Esta campanha integra-se no projeto<br />

europeu EPIC (European Platform for Integrating<br />

Cities). O EPIC pretende encontrar<br />

soluções a nível local para os desafios de<br />

integração dos migrantes em áreas como<br />

a habitação, a integração laboral, política,<br />

entre outras. Através do diálogo com as<br />

principais partes envolvidas na integração<br />

dos migrantes, visa a construção de políticas<br />

e iniciativas conjuntas.<br />

A campanha digital<br />

incluiu um conjunto<br />

de infografias sustentadas<br />

em dados estatísticos<br />

relativos à população<br />

refugiada<br />

22<br />

Abril de <strong>2023</strong><br />

pmemagazine.sapo.pt


Saiba mais:<br />

TIMIDEZ?<br />

OU PERTURBAÇÃO<br />

AGUDA DE STRESS?<br />

NÃO É FÁCIL DIAGNOSTICAR DOENÇAS<br />

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pode dar-lhes apoio especializado.<br />

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RESPONSABILIDADE SOCIAL<br />

PROGRAMA TALENTA<br />

ELEVA MULHER<br />

NO MEIO RURAL<br />

Texto:<br />

João Carreira<br />

Editor<br />

Fotografia:<br />

D. R.<br />

O programa foi lançado em 2021 e tem como propósito empoderar as empreendedoras rurais<br />

Q<br />

uase 50% da população rural é<br />

constituída por mulheres e, com o<br />

objetivo de continuar a contribuir<br />

para o seu futuro, a Corteva Agriscience<br />

e a Confederação dos Agricultores de<br />

Portugal (CAP) premiaram, pela terceira<br />

vez, novos projetos desenvolvidos por<br />

mulheres empreendedoras, contribuindo<br />

para o seu desenvolvimento e elevando o<br />

papel importante das mulheres no setor<br />

agroalimentar português.<br />

O programa foi lançado em 2021 e tem<br />

como propósito empoderar as empreendedoras<br />

rurais e capacitar os seus projetos com<br />

formação e financiamento, contribuindo<br />

para a sua expansão. Esta iniciativa pioneira<br />

em Portugal soma já cerca de 200 inscrições<br />

de mulheres rurais na agricultura, das quais,<br />

nesta 3ª edição, foram eleitos três novos<br />

projetos, que resultaram numa vencedora<br />

e duas finalistas.<br />

Ana Veríssimo é a vencedora da 3ª edição<br />

com o projeto “Olive” que visa a criação<br />

de um produto feito a partir dos resíduos<br />

resultantes da poda das oliveiras,<br />

reutilizando esta matéria-prima para a<br />

produção de misturas solúveis para bebidas<br />

aromáticas e medicinais. O projeto atua em<br />

quatro eixos: saúde, social, económico e<br />

ambiental, onde junta a economia circular<br />

e a sustentabilidade.<br />

Uma das finalistas foi a empreendedora<br />

rural Sílvia Martins, com o projeto “Sentidos<br />

da Terra”, que envolve a produção,<br />

comercialização e transformação de plantas<br />

medicinais, aromáticas e condimentares<br />

com certificação em modo de produção<br />

biológica, na zona de Vila Verde, Gomide.<br />

O último galardão de finalista foi entregue<br />

a Sílvia Santos pelo seu projeto “Legumaria”,<br />

que se dedica à produção biológica<br />

e cultivo de rebentos orgânicos, ricos em<br />

proteínas, micronutrientes e antioxidantes<br />

para uso alimentar na ilha de Santa<br />

Maria, Açores, cujo objetivo é expandir a<br />

produção e conseguir ter uma maior rede<br />

de distribuição.<br />

Durante o evento, Clara Serrano, vice-<br />

-presidente da Unidade Comercial do Sul da<br />

Europa na Corteva Agriscience destacou que<br />

“os desafios das mulheres rurais aumentam<br />

todos os anos. A instabilidade económica,<br />

as desigualdades de género, os impactos<br />

da guerra na Europa e a subida dos preços<br />

da energia trouxeram novas dificuldades<br />

cada vez mais difíceis de suportar”. As três<br />

vencedoras vão ter acesso a um programa<br />

de formação (e-commerce, redes sociais,<br />

plano de negócios, técnicas comerciais, etc.)<br />

promovido pela CAP para dotar os projetos<br />

de mais ferramentas de trabalho e métricas<br />

de sucesso e a vencedora irá receber ainda<br />

um apoio financeiro de cinco mil euros.<br />

24<br />

Abril de <strong>2023</strong><br />

pmemagazine.sapo.pt


RESPONSABILIDADE SOCIAL<br />

PROMOVER BEM-ESTAR<br />

EMPRESARIAL E AJUDAR<br />

O PRÓXIMO<br />

A<br />

promoção do bem-estar empresarial<br />

e a criação de laços entre<br />

colaborador e empresa, através<br />

de atividades de superação, diversão e<br />

teambuilding, são o mote para a primeira<br />

edição dos Wellbeing Games, a decorrer<br />

no próximo dia 2 de junho, no Estádio<br />

Universitário, em Lisboa.<br />

O evento funcionará como uma valorização<br />

de locais de trabalho saudáveis e<br />

promotores de bem-estar. Neste sentido,<br />

Tiago Santos, CEO da Workwell e promotor<br />

da iniciativa, refere que “estes momentos<br />

irão elevar as empresas que participarem<br />

a um novo patamar, tendo em conta o<br />

engagement esperado por parte dos colaboradores<br />

das mesmas”.<br />

“Este é um movimento que pretende<br />

agregar as pessoas, pô-las em contacto<br />

com o seu bem-estar e oferece aqui a<br />

oportunidade única de participação em<br />

atividades de cariz individual, de grupo,<br />

em formato competitivo, de lazer e de<br />

relaxamento”, finalizou.<br />

A expetativa da organização é que mais<br />

de 100 empresas e 2000 colaboradores<br />

participem nos Wellbeing Games, sendo que<br />

o intuito é estimular uma cultura empresarial<br />

assente em valores como cooperação,<br />

trabalho de equipa, empatia, sentimento<br />

de pertença, superação e forte responsabilidade<br />

social. O programa previsto está<br />

dividido em três áreas: a desportiva, com<br />

modalidades como o futebol, basquetebol,<br />

corrida, caminhada, voleibol e padel;<br />

área wellness, com masterclasses de yoga<br />

e mindfulness e workshops de bem-estar; e<br />

área de “jogos sem fronteiras”, com jogos<br />

menos convencionais e mais estimulantes<br />

de cooperação entre equipas. Haverá ainda<br />

zonas de descanso e networking.<br />

A iniciativa vai contribuir para a Associação<br />

Romã Azul, através da recolha de<br />

bens no dia do evento, revertendo uma<br />

percentagem do valor de entrada de cada<br />

participante.<br />

A associação tem como objetivo zelar,<br />

apoiar e contribuir para a promoção de<br />

Há modalidades para todas as condições fisicas dos inscritos<br />

Texto:<br />

João Carreira<br />

Editor<br />

Fotografia:<br />

D. R.<br />

jovens, bem como de outros setores sociais<br />

carenciados, coadjuvando os serviços<br />

públicos competentes e outras instituições<br />

ou entidades num espírito de empreendedorismo,<br />

solidariedade e colaboração.<br />

Assim sendo, a Romã Azul pode elaborar,<br />

desenvolver, promover e implementar<br />

projetos de apoio social, criar equipamentos<br />

visando diversas valências, tais como<br />

infantários, jardins de infância, casas de<br />

acolhimento e abrigo e atividades culturais,<br />

educacionais, recreativas e desportivas,<br />

como atividades de tempos livres e, ainda,<br />

de preparação profissional para inserção<br />

profissional e social. Os Wellbeing Games<br />

são organizados pela Workwell, especialista<br />

na implementação de programas e<br />

bem-estar nas organizações e tem o apoio<br />

oficial do Instituto Português do Desporto<br />

e da Juventude, Fundação do Desporto e<br />

Associação de Atletas Olímpicos.<br />

Abril de <strong>2023</strong><br />

pmemagazine.sapo.pt<br />

25


FIGURA DE DESTAQUE<br />

O grande desafio<br />

para as<br />

<strong>PME</strong><br />

é evoluir na vertente<br />

da inovação<br />

– Gustavo Barreto<br />

26<br />

Abril de <strong>2023</strong><br />

pmemagazine.sapo.pt


FIGURA DE DESTAQUE<br />

Texto:<br />

João Carreira<br />

Editor<br />

Fotografia:<br />

João Filipe Aguiar<br />

Gustavo Barreto, membro da Comissão Executiva do Grupo Ageas Portugal<br />

Cibersegurança,<br />

transformação<br />

digital, inovação e<br />

preocupação com o<br />

bem-estar, no que toca<br />

às ofertas para as<br />

empresas, são os<br />

grandes desafios que<br />

se colocam no setor<br />

dos seguros.<br />

E<br />

m conversa com Gustavo Barreto, membro da<br />

Comissão Executiva do Grupo Ageas Portugal,<br />

fomos perceber a importância de um eficaz seguro<br />

para a sobrevivência das empresas, no que toca não<br />

só ao bem-estar dos colaboradores, como também<br />

relativamente às mais recentes ameaças cibernéticas<br />

e qual a melhor forma de integrar a transformação digital<br />

na cultura organizacional das mesmas.<br />

<strong>PME</strong> <strong>Magazine</strong> (<strong>PME</strong> Mag.) - Gostaríamos de começar por<br />

perguntar de que forma é que a transformação digital tem impactado<br />

o setor segurador?<br />

Gustavo Barreto (G. B.) - Acho que a transformação acabou<br />

por impactar todos os setores de atividade, na medida em que<br />

os clientes, cada vez mais, fazem uma procura digital quer seja<br />

de viagens, quer seja no seu dia a dia, ou mesmo na componente<br />

dos serviços financeiros. Naturalmente, todos os atores tiveram<br />

que se ajustar tanto no meio digital, como no meio físico. Nós<br />

acreditamos muito que é esta presença “phygital”, como nós<br />

costumamos dizer, que faz a diferença, porque nalguns casos<br />

temos clientes que pretendem fazer a sua compra 100% online.<br />

E há a necessidade, também, das próprias empresas, no caso do<br />

setor empresarial, de fazerem essa mudança. E aí, o que é que nós<br />

vemos em Portugal? Vemos que ainda há poucas <strong>PME</strong> a terem<br />

negócio e-commerce, no entanto, já têm uma presença digital<br />

cada vez mais marcante. Depois, uma outra vertente que também<br />

é fundamental nas empresas é o seu posicionamento ao nível<br />

daquilo que é o capital humano. Por exemplo, as pessoas dizem<br />

que para entrar numa empresa, a primeira pergunta que fazem é<br />

se é possível trabalhar de uma forma híbrida, trabalhar uma parte<br />

em casa e outra no escritório. No caso do Grupo Ageas Portugal,<br />

já tínhamos tomado essa decisão antes da própria pandemia que<br />

veio, naturalmente, acelerar esta transformação digital e isto<br />

Abril de <strong>2023</strong><br />

pmemagazine.sapo.pt<br />

27


FIGURA DE DESTAQUE<br />

“ Tivemos, nos<br />

últimos anos,<br />

um forte<br />

crescimento<br />

ao nível dos<br />

seguros<br />

de saúde<br />

Gustavo Barreto,<br />

membro da Comissão<br />

Executiva do Grupo<br />

Ageas Portugal<br />

”<br />

é algo não só para a captação de talento, mas<br />

também para a sua retenção. As empresas<br />

têm que se ajustar a esta realidade. Por<br />

outro lado, a importância de estarmos<br />

presentes naquilo que é o cliente final e<br />

dar essa possibilidade de conveniência,<br />

porque nós queremos estar onde o cliente<br />

está. Pode estar na internet, mas também<br />

estar com atendimento personalizado e,<br />

muitas vezes, essa presença é determinante<br />

que aconteça também ao nível dos<br />

nossos parceiros de negócio que podem<br />

trabalhar diretamente em atendimento<br />

presencial ou fazer venda consultiva remota.<br />

Portanto, todos os desenvolvimentos que<br />

pretendemos fazer têm sido transversais<br />

ao setor. É importante dotar ferramentas<br />

para que os nossos parceiros de negócio<br />

estejam presentes na sua loja, a atender<br />

presencialmente os clientes, mas, também,<br />

possam estar a acompanhar o seu negócio<br />

digital e a promovermos essa vertente.<br />

Diria que vai haver um incremento claro<br />

no negócio digital. Vemos isso na nossa<br />

situação, já cerca de trinta e cinco milhões<br />

de euros da nossa faturação é proveniente<br />

do negócio puramente digital. Temos de<br />

estar preparados e creio que o estamos.<br />

<strong>PME</strong> Mag. - Considera que as <strong>PME</strong><br />

portuguesas estão consciencializadas<br />

para a inovação que a atualidade exige?<br />

G. B. - Sim, diria que estão e devem estar<br />

cada vez mais. Não só numa perspetiva de<br />

diferenciação da sua proposta de valor, para<br />

se diferenciarem e, nesse ponto, a componente<br />

de inovação é determinante, como<br />

também podem utilizar a inovação para<br />

serem mais eficientes. Nesta perspetiva,<br />

diria que o grande desafio para as <strong>PME</strong> é<br />

evoluir nesta vertente da inovação para<br />

conseguirem chegar a mais clientes, para<br />

oferecer outro tipo de soluções e trazerem<br />

conveniência para aquilo que são as<br />

necessidades cada vez mais prementes dos<br />

mesmos. Na componente digital, vemos as<br />

<strong>PME</strong> portuguesas mais ou menos no meio da<br />

tabela daquilo que é o posicionamento no<br />

mercado europeu, um pouco, mais atrás se<br />

calhar, naquilo que é o e-commerce puro,<br />

mas, se calhar numa presença mais digital<br />

também alavancada pelo posicionamento do<br />

próprio consumidor português e, também,<br />

do consumidor europeu.<br />

<strong>PME</strong> Mag. - Em comparação com outros<br />

mercados estrangeiros, como caracteriza<br />

o setor dos seguros em Portugal?<br />

G. B. - O setor é, primeiro, muito resiliente.<br />

É um mercado que, por um lado,<br />

é maduro nalgumas vertentes, mas, por<br />

outro lado, ainda tem muito potencial de<br />

crescimento, na medida em que a penetração<br />

de seguros em Portugal ainda é inferior à<br />

média europeia. Tivemos, nos últimos anos,<br />

um forte crescimento ao nível dos seguros<br />

de saúde, tem sido o ramo que tem crescido<br />

mais, com crescimentos a dois dígitos e aí,<br />

obviamente que o setor tem trazido para<br />

o mercado soluções bastante inovadoras,<br />

olhando, não só para a componente da<br />

proteção, mas também para a componente<br />

da prevenção que é uma vertente fundamental.<br />

Por exemplo, há muita inovação ao<br />

A sede da Ageas<br />

Seguros em Portugal<br />

situa-se no Parque das<br />

Nações, em Lisboa<br />

<strong>28</strong><br />

Abril de <strong>2023</strong><br />

pmemagazine.sapo.pt


FIGURA DE DESTAQUE<br />

nível do médico online. No caso da Médis,<br />

lançámos o médico online com a nossa<br />

app e uma experiência completamente<br />

integrada e cerca 95% dos clientes que<br />

utilizam médico online expressam elevada<br />

satisfação na utilização. É muito prático. É<br />

muito prático não só para o cliente, mas,<br />

por exemplo, um seguro de saúde de uma<br />

empresa é também bom para o colaborador,<br />

na medida em que o colaborador pode ter<br />

a sua consulta, não tem que se deslocar<br />

do seu local de trabalho até ao médico e,<br />

portanto, isto em termos de produtividade<br />

tem um impacto muito relevante para as<br />

“ Em Portugal,<br />

apenas 15% das<br />

apólices<br />

de seguro<br />

multirriscos têm<br />

cobertura<br />

de fenómenos<br />

sísmicos<br />

Gustavo Barreto,<br />

membro da Comissão<br />

Executiva do Grupo<br />

Ageas Portugal<br />

”<br />

empresas. No setor da saúde, há um forte<br />

crescimento, já temos quase três milhões de<br />

portugueses com seguros de saúde. Depois,<br />

temos alguma baixa penetração naquilo<br />

que é o seguro de patrimoniais e também<br />

nos seguros pessoais, isto é, no seguro de<br />

vida. Há uma procura grande naquilo que<br />

é o seguro de vida associado ao crédito<br />

habitação, mas, por exemplo, naquilo que é<br />

o seguro de vida para empresas ainda temos<br />

um caminho grande e, ao mesmo tempo, é<br />

uma grande oportunidade. Porquê? Porque<br />

especialmente neste contexto inflacionista,<br />

onde as empresas começam a ter<br />

dificuldades em reter os colaboradores,<br />

ter um seguro de saúde ou um seguro de<br />

vida que complementa a oferta pode ser<br />

o fator decisivo para a família do colaborador.<br />

Caso aconteça alguma fatalidade é,<br />

realmente, algo que pode ser diferenciador<br />

e cada vez mais empresas estão a procurar<br />

soluções desse género para complementar<br />

os benefícios para os seus colaboradores.<br />

<strong>PME</strong> Mag. - Focou aqui neste contexto<br />

socioeconómico... Como lida uma seguradora<br />

num contexto socioeconómico<br />

como o que vivemos nos últimos anos com<br />

pandemia e guerra?<br />

G. B. - Sim, foram anos muito desafiantes.<br />

Na medida em que, por um lado, havia<br />

uma ameaça, ‘Como é que vamos estar<br />

perto dos clientes?’ se não tínhamos este<br />

atendimento presencial e, neste ponto, as<br />

redes comerciais adaptaram-se de uma<br />

forma espetacular, conseguiram fazer todo<br />

o serviço de uma forma remota e digital.<br />

Os clientes também perceberam essa<br />

nova realidade. Nós ajustámos processos<br />

e produtos e fomos dos primeiros a fazê-lo<br />

no mercado. E depois, obviamente que, do<br />

ponto de vista daquilo que são os desafios<br />

para nós enquanto seguradora, foi estar<br />

muito perto dos clientes naqueles momentos<br />

em que precisavam. Do ponto de vista do<br />

cliente, a pandemia e a própria componente<br />

da guerra criam, também, uma necessidade<br />

de maior proteção, porque vimos<br />

uma série de fatalidades, quer na área da<br />

saúde, quer na área do próprio património.<br />

Ainda agora tivemos esta fatalidade na<br />

Turquia, por exemplo, com um tremor de<br />

terra com danos enormes. Por exemplo,<br />

em Portugal, apenas 15% das apólices<br />

de seguro multirriscos têm cobertura de<br />

fenómenos sísmicos e, portanto, há aqui<br />

uma oportunidade grande e, também, um<br />

maior awareness dos clientes para a necessidade<br />

de proteção, quer na saúde, quer<br />

Abril de <strong>2023</strong><br />

pmemagazine.sapo.pt<br />

29


FIGURA DE DESTAQUE<br />

para a sua vida ou para o seu património.<br />

Diria que há desafios e oportunidades que<br />

se levantam nesta vertente.<br />

<strong>PME</strong> Mag. - Terminaram as inscrições<br />

para a 3º edição do Prémio Inovação em<br />

Prevenção. O que leva uma companhia de<br />

seguros a querer premiar inovação?<br />

G. B. - O facto de a Ageas Seguros lançar<br />

a terceira edição do prémio Inovação<br />

em Prevenção para <strong>PME</strong> deriva de uma<br />

necessidade de consciencialização para o<br />

tema da gestão de risco. Nós sabemos que<br />

empresas que têm a componente de gestão<br />

de risco bem embebida naquilo que são as<br />

suas práticas, os seus procedimentos, se<br />

têm mais resiliência, têm mais sucesso, no<br />

caso de um problema acontecer. Portanto,<br />

essa é uma componente determinante que<br />

pretendemos mostrar. Promover que haja<br />

uma gestão de risco eficaz. Por cada 300<br />

incidentes que acontecem todos os dias nas<br />

empresas, um gera um acidente grave. Logo,<br />

se conseguirmos eliminar ou ir eliminando<br />

os vários incidentes, conseguimos adiar a<br />

ocorrência de um incidente grave ou até<br />

eliminar. O foco é fazer com que haja uma<br />

promoção junto das empresas, quer seja ao<br />

nível do seu edifício, do chão de fábrica, o<br />

“ Queremos,<br />

através deste<br />

prémio,<br />

promover<br />

práticas que<br />

criem<br />

e promovam a<br />

sustentabilidade<br />

Gustavo Barreto,<br />

membro da Comissão<br />

Executiva do Grupo<br />

Ageas Portugal<br />

”<br />

que seja, de forma a evitar acidentes na componente das pessoas,<br />

isto é, assegurar que as pessoas, realmente, têm incentivos para o<br />

bem-estar físico, mas também, na componente da saúde mental<br />

e, finalmente, também, a nível do ambiente, pois sabemos que<br />

também é importante. Vivemos em sociedade e é importante<br />

o nosso peso e o que as empresas fazem, o impacto que têm no<br />

ambiente. Queremos, também através deste prémio, promover<br />

práticas que criem e promovam a sustentabilidade. Já ao nível do<br />

ambiente, temos imensos casos de empresas que sabem que têm<br />

algumas componentes no seu processo que não são propriamente<br />

as mais amigas para o ambiente e criam mecanismos para prevenir,<br />

ou até mitigar totalmente, quer através de construção com<br />

materiais sustentáveis ou através de economia circular, de forma a<br />

minorar ou até eliminar o impacto negativo que têm no ambiente.<br />

É por isso que uma seguradora como a Ageas Seguros quer estar<br />

e promover este prémio, na medida em que queremos que mais<br />

e melhores práticas sejam partilhadas, de forma que consigamos<br />

inspirar as empresas e que possamos nivelar por cima este tipo<br />

de atuação. Temos tido mais de 200 inscrições nestas últimas<br />

duas edições do prémio e inúmeras práticas muito interessantes<br />

e, realmente, inspiradoras para o tecido empresarial português.<br />

<strong>PME</strong> Mag. - Então o feedback das últimas edições tem sido<br />

positivo...<br />

G. B. - Sim, o feedback tem sido muito positivo. Temos, inclusivamente,<br />

empresas que ganham e que foram distinguidas por essas<br />

práticas e que depois utilizam o prémio para a sua própria comunicação<br />

institucional, porque percebem que é um reconhecimento.<br />

Algumas delas fazem-no de forma natural, mas, se calhar, até não<br />

Abril de <strong>2023</strong><br />

30 pmemagazine.sapo.pt


o comunicavam, daí que nós estejamos a<br />

convidar as empresas e todas as <strong>PME</strong>, entre<br />

cinco milhões de faturação e cinquenta<br />

milhões de faturação que se candidatem ao<br />

Prémio de Inovação em Prevenção da Ageas<br />

Seguros. Isto não é ficção científica, não é<br />

preciso fazer coisas muito fora da caixa. É<br />

só apenas coisas que, provavelmente, são<br />

impactantes para reduzir acidentes para<br />

promover o bem-estar. Temos exemplos<br />

ao nível do ambiente, da economia circular,<br />

de promover que as pessoas utilizem<br />

veículos elétricos ou refeições saudáveis,<br />

workshops, etc. Portanto, há uma série de<br />

iniciativas que as empresas hoje, a maior<br />

parte delas já as faz, e, provavelmente, têm<br />

um impacto maior do que elas pensam.<br />

Se puderem participar e partilhar essas<br />

boas práticas, creio que inspiram outras<br />

Gustavo Barreto já trabalhou nos Países Baixos e na Bélgica<br />

empresas e, no fundo, fazemos com que o<br />

tecido empresarial português, esteja mais<br />

alerta para os benefícios da gestão do risco.<br />

<strong>PME</strong> Mag. - Face aos recentes ciberataques<br />

que têm ocorrido contra grandes<br />

empresas que políticas têm implementado<br />

para evitar um possível ciberataque?<br />

G. B. - Bom, esse é um tema que está na<br />

ordem do dia. Todos vimos o que aconteceu<br />

em 2022, em instituições com elevada<br />

dimensão e com uma robustez enorme.<br />

Todas as pessoas estão vulneráveis a este<br />

risco. Enquanto empresa, temos uma equipa<br />

dedicada ao tema da cibersegurança, e<br />

toda a nossa infraestrutura está protegida<br />

com vários níveis de segurança. Estamos<br />

a ser atacados todos os dias e em todas as<br />

empresas isso acontece. Assim sendo, temos<br />

criadas várias barreiras que nos permitem ir<br />

endereçando e prevenindo estes ataques, de<br />

forma a evitar que cheguem a um impacto<br />

determinante. Só para ter uma ideia, os<br />

dados de saúde, hoje, valem quatro vezes<br />

mais do que um dado financeiro de uma<br />

pessoa. Obviamente, especialmente para<br />

empresas que tenham dados de saúde que é<br />

o caso também de uma seguradora e dados<br />

financeiros, isto é determinante. Portanto,<br />

temos, enquanto seguradora e empresa,<br />

tomado medidas, mas, acima de tudo, o que<br />

importa é a formação dos colaboradores.<br />

Temos um conjunto de cursos e testes recorrentes<br />

para os colaboradores, pois grande<br />

parte das ameaças e das vulnerabilidades<br />

acabam por ser as próprias pessoas que os<br />

geram, porque partilham uma password<br />

que não deviam, clicam num link que não<br />

deviam, etc. Nós fazemos recorrentemente<br />

testes e é isso que também pretendemos<br />

através da nossa oferta para clientes, quer<br />

empresariais, quer individuais. Fazer com<br />

que esta proteção e prevenção aconteça,<br />

antes de acontecer o acidente, sendo que,<br />

obviamente, também temos a componente<br />

de indemnização, caso haja danos em<br />

terceiros, também podemos proteger as<br />

empresas e as pessoas, caso aconteça uma<br />

ameaça e um risco em concreto.<br />

<strong>PME</strong> Mag. - A Ageas Seguros tem apostado<br />

na inovação como um meio para fazer<br />

crescer e desenvolver a seguradora?<br />

G. B. - Sim, diria que é um pilar determinante.<br />

Recentemente, lançámos novas<br />

ofertas ao nível da Médis, estamos a lançar o<br />

Médis Dental e o Médis Light para empresas,<br />

que são uma oferta muito dirigida a um<br />

segmento específico de empresas que, por<br />

alguma razão, não consegue ter um seguro<br />

mais compreensivo, mas, ainda assim, quer<br />

confiar na Médis para a proteção da saúde dos<br />

seus colaboradores. Também para empresas,<br />

lançámos o ano passado uma solução de<br />

cibersegurança para empresas. E este aqui<br />

é, claramente, uma oferta determinante.<br />

Tem havido um aumento enorme naquilo<br />

que são os incidentes de cibersegurança em<br />

Portugal, e em tudo o mundo, em rigor, e é<br />

muito importante que as <strong>PME</strong> portuguesas<br />

tenham proteção adequada. E aqui, com<br />

muita frontalidade, não é uma questão se<br />

vai acontecer, é quando é que vai acontecer.<br />

O nosso convite é que as pessoas vejam a<br />

nossa oferta para cibersegurança e comprem<br />

um seguro para ciber risco. Porquê? Porque<br />

a nossa oferta não aborda apenas a proteção<br />

caso aconteça, mas até mais importante que<br />

isto e até mais ligado à prevenção, faz um<br />

Abril de <strong>2023</strong><br />

pmemagazine.sapo.pt<br />

31


FIGURA DE DESTAQUE<br />

Temos uma<br />

presença, em termos<br />

de inovação, muito<br />

abrangente e<br />

continuamos a<br />

apostar para que<br />

consigamos ter esse<br />

desafio como<br />

o primeiro pilar<br />

do nosso<br />

desenvolvimento.<br />

Gustavo Barreto,<br />

membro da Comissão<br />

Executiva do Grupo<br />

Ageas Portugal<br />

32<br />

Abril de <strong>2023</strong><br />

pmemagazine.sapo.pt


FIGURA DE DESTAQUE<br />

diagnóstico de quais são as fragilidades que<br />

aquela empresa tem, de forma a evitar que<br />

aconteça um ataque cibernético naquela<br />

empresa. Sentimos é que ainda há pouca<br />

apetência para as empresas, não estão<br />

despertas para isto e só depois, muitas vezes<br />

quando acontece é que nos consultam, pois,<br />

‘casa roubada, trancas à porta’, mas aí as<br />

empresas já tiveram os danos e repare, o<br />

dano de uma empresa poder estar duas,<br />

três semanas sem servir os seus clientes,<br />

sem poder pagar aos seus fornecedores,<br />

é um dano reputacional enorme. Temos<br />

muitas outras ofertas, como por exemplo,<br />

o nosso seguro trade para multirriscos em<br />

empresas, considerado um dos melhores<br />

seguros do mercado. Temos uma presença,<br />

em termos de inovação, muito abrangente e<br />

continuamos a apostar para que consigamos<br />

ter esse desafio como o primeiro pilar do<br />

nosso desenvolvimento.<br />

<strong>PME</strong> Mag. - Para terminar quero perguntar<br />

se gostaria de acrescentar algo mais?<br />

G. B. - O Grupo Ageas Portugal e a Ageas<br />

Seguros, em concreto, têm estado muito<br />

presentes naquilo que é o segmento empresarial.<br />

Temos uma oferta muito alargada<br />

desde as responsabilidades, acidentes de<br />

trabalho e vida e saúde. Consideramos que<br />

temos uma oferta muito forte e robusta para<br />

este segmento. Depois, por outro lado, temos<br />

apostado muito naquilo que é a prevenção.<br />

Acreditamos que essa é a chave. Agora qual<br />

Gustavo Barreto<br />

Formado em Gestão de Empresas<br />

pela Universidade Católica<br />

Portuguesa, em Lisboa,<br />

complementado pelo Programa<br />

Avançado de Gestão, pela Insead,<br />

em Fontainebleau, Gustavo Barreto<br />

faz parte da comissão executiva das<br />

sociedades que compõem o Grupo<br />

Ageas Portugal: Ageas Portugal<br />

Holdings, Ageas Seguros, Ageas<br />

Vida, Ocidental Seguros e Médis<br />

e é o atual membro da comissão<br />

executiva do Grupo Ageas Portugal.<br />

Já com três décadas de carreira<br />

onde desempenhou diferentes<br />

funções, desde estratégia<br />

e inovação, business intelligence<br />

e marketing e distribuição,<br />

em diversos canais de venda,<br />

a nível internacional, Gustavo<br />

Barreto assumiu funções como<br />

business analyst na Eureko,<br />

nos Países Baixos, e enquanto<br />

diretor regional de marketing<br />

e oferta, na Ageas Continental<br />

Europe, na Bélgica.<br />

é o benefício para os clientes? Obviamente<br />

que, enquanto seguradora, se nós tivermos<br />

uma empresa em igualdade de circunstâncias,<br />

se tivermos uma empresa que tenha<br />

mecanismos de prevenção e procedimentos<br />

de prevenção maiores em termos daquilo<br />

que é a segurança no trabalho, daquilo<br />

que é a segurança das suas instalações,<br />

obviamente que o prémio de seguro é mais<br />

baixo do que uma empresa que não tenha<br />

mecanismos de segurança contra incêndio,<br />

até da cibersegurança significa que há um<br />

risco maior naquela empresa e, portanto,<br />

a importância da prevenção e a gestão do<br />

risco é realmente determinante para uma<br />

empresa. Já agora, para finalizar, segundo a<br />

Agência Europeia para a Saúde e Segurança<br />

no Trabalho, um euro investido em prevenção<br />

o retorno é de 2,2 euros, portanto é um<br />

ótimo investimento, daí esta importância<br />

da prevenção para as empresas.<br />

Ainda em relação ao tema da inovação,<br />

gostaria de realçar dois programas que temos<br />

no Grupo Ageas Portugal para promover a<br />

inovação. Por um lado, a inovação externa,<br />

com ligação a startups onde temos um<br />

programa que é o Insure. O que fazemos<br />

é convidar startups de todo o mundo<br />

para responder a alguns desafios que lhes<br />

colocamos e fazemos aqui um trabalho em<br />

conjunto. Há um júri de seleção e depois, em<br />

função disso, temos um conjunto de finalistas.<br />

Neste momento, temos cerca de cinco<br />

finalistas a trabalhar temas específicos para<br />

endereçar aquilo que é a inovação nalguns<br />

desafios estratégicos que temos no Grupo<br />

Ageas Portugal e, desta forma, conseguimos<br />

estar com uma presença muito próxima em<br />

termos de inovação naquilo que melhor se<br />

faz em todo o mundo. Depois, em segundo<br />

lugar, temos também o Inside que é um<br />

programa que tenta promover a inovação<br />

através do empreendedorismo dos nossos<br />

próprios colaboradores. Também aqui, mais<br />

uma vez, convidamos os colaboradores a<br />

apresentarem um projeto e a desenvolverem<br />

o mesmo, de modo que seja possível<br />

captar algumas oportunidades de inovação<br />

naquilo que existe no mercado. Temos, neste<br />

momento, também, quatro projetos que<br />

foram selecionados para a fase final em que<br />

a equipa de colaboradores está a desenvolver<br />

estas oportunidades e que esperemos<br />

que, em breve, se consigam materializar<br />

numa proposta de valor para chegarem<br />

ao mercado. Estas são duas componentes<br />

essenciais no nosso posicionamento em<br />

termos de inovação em Portugal.<br />

Abril de <strong>2023</strong><br />

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33


EMPREENDEDORISMO<br />

HAVERÁ UNICÓRNIOS<br />

À SOLTA EM LISBOA?<br />

É<br />

óbvio que o título deste texto é uma<br />

brincadeira, ainda assim, desde o<br />

final de janeiro que a capital portuguesa<br />

conta com a Unicorn Factory Lisboa,<br />

uma plataforma de programas e hubs inspirados<br />

pelas melhores práticas internacionais<br />

que pretende suportar startups e scaleups<br />

na criação de produtos e modelos de negócio<br />

sólidos, desenvolvendo processos eficientes,<br />

com o intuito de alcançar um crescimento<br />

acelerado e sustentado.<br />

Um destes programas é o Scaling Up<br />

e desde cedo se percebeu que o mesmo<br />

seria um sucesso, pois atraiu quatro vezes<br />

mais candidaturas que as vagas existentes<br />

no programa. No total, candidataram-se<br />

33 scaleups, startups já numa fase mais<br />

avançada de crescimento, para um total de<br />

oito vagas. Em conjunto, 79% das candidaturas<br />

tinham operações em Lisboa e um<br />

investimento levantado de 45 milhões de<br />

euros e mais de 840 colaboradores, pelo<br />

que a qualidade das mesmas foi bastante<br />

elevada.<br />

“O número e a qualidade das candidaturas<br />

ao programa de Scaling Up da Unicorn<br />

Factory Lisboa ultrapassou as nossas expetativas<br />

e demonstram o potencial que o<br />

programa tem para apoiar o crescimento<br />

das scaleups, bem como a atratividade do<br />

ecossistema empreendedor da cidade e<br />

nacional”, fez referência o diretor executivo<br />

da Startup Lisboa e da Unicorn Factory<br />

Lisboa, Gil Azevedo.<br />

“O nosso objetivo é ajudar estas empresas<br />

a maximizar o seu potencial de crescimento<br />

e, desta forma, ter um forte impacto económico<br />

para Lisboa e para o país, atraindo mais<br />

inovação, investimento e emprego”, disse.<br />

Scaling Up Program<br />

O programa tem um percurso de aprendizagem<br />

dividido em cinco pilares, nomeadamente,<br />

capacitação imersiva, board<br />

de mentores, parcerias corporativas,<br />

internacionalização e comunidade, sendo<br />

que ao longo de oito meses, os escolhidos<br />

percorrem um currículo prático, imersivo<br />

e personalizado, com o intuito de alcançar<br />

uma experiência de aceleração focada no<br />

crescimento.<br />

Gil Azevedo é o diretor executivo da Unicorn Factory Lisboa<br />

Com efeito, o Scaling Up Program<br />

pretende desenvolver as competências<br />

críticas de equipas de liderança, assim<br />

como apoiar na resolução de vários desafios<br />

de crescimento, apoiando na evolução em<br />

Portugal e no estrangeiro. O programa conta<br />

com o suporte de especialistas, mentores<br />

e o know-how de uma lista de mais de 30<br />

empresas mais relevantes no nosso país e<br />

de acesso a investimento através de uma<br />

rede de mais de 25 investidores.<br />

E quem são os escolhidos?<br />

Foi através da avaliação dos perfis e<br />

entrevistas, tendo por base os critérios<br />

de admissão ao programa, que incluem o<br />

estágio de desenvolvimento, investimento<br />

angariado relevante, equipa forte e estruturada,<br />

produto ou serviço em comercialização<br />

e tração de crescimento, bem como<br />

a adequação ao programa para efeitos de<br />

capacidade de apoio dos parceiros, potencial<br />

Texto:<br />

João Carreira<br />

Editor<br />

Fotografia:<br />

D. R.<br />

“ O número<br />

e a qualidade<br />

das candidaturas<br />

ao programa<br />

de Scaling Up<br />

da Unicorn<br />

Factory Lisboa<br />

ultrapassou<br />

as nossas<br />

expetativas.<br />

Gil Azevedo,<br />

diretor executivo<br />

da Startup Lisboa<br />

e da Unicorn Factory<br />

Lisboa<br />

”<br />

34<br />

Abril de <strong>2023</strong><br />

pmemagazine.sapo.pt


EMPREENDEDORISMO<br />

O presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, esteve presente na inauguração<br />

de negócio futuro e planos de expansão<br />

internacional, que foram encontrados os<br />

oito integrantes do Scaling Up Program.<br />

O Bairro, uma foodtech/retailtech, que<br />

se caracteriza por ser um operador de fullfillment<br />

que se especializa na distribuição<br />

urbana tanto para quick-commerce quanto<br />

para a logística de e-commerce. Tem como<br />

objetivo ajudar as empresas a simplificar a<br />

logística, diminuir os custos e poupar tempo<br />

com a sua tecnologia. Está já a operar em<br />

Marrocos e Portugal.<br />

A fintech HollyWally, primeira plataforma<br />

no mundo de “wallet-as-a-service” que<br />

combina adaptabilidade, capacidade de<br />

expansão e experiência otimizada do usuário<br />

com a criação de uma carteira móvel para<br />

qualquer organização.<br />

A healthtech portuguesa Knok que propõe<br />

uma transformação digital dos cuidados de<br />

saúde, ao criar uma solução de inteligência<br />

artificial que identifica a frequência cardíaca,<br />

respiratória e a pressão arterial do paciente<br />

durante a vídeo consulta. Expandiu-se<br />

para o Brasil e tem clientes em 12 países de<br />

quatro continentes.<br />

A adtech portuguesa Leadzai, uma plataforma<br />

de aquisição de clientes que ajuda<br />

pequenos negócios a colocar anúncios<br />

online com maior prevalência em Portugal,<br />

Espanha, Bélgica e América Latina.<br />

A ORNA, uma solução de gestão de<br />

incidentes cibernéticos pronta a usar que<br />

automatiza todo o processo de resposta a<br />

incidentes e mitigação de riscos.<br />

A foodtech portuguesa Pleez que ajuda,<br />

desde 2020, os restaurantes a otimizar<br />

a presença nas plataformas de entregas,<br />

aumentando as vendas até 15%.<br />

A Sensei, retailtech nacional que utiliza<br />

o poder da visão computacional, fusão<br />

de sensores e algoritmos de inteligência<br />

artificial para criar lojas autónomas e<br />

revolucionar a indústria do retalho.<br />

E, finalmente, a Zharta, empresa portuguesa<br />

de web3 DeFi que está a desenvolver o<br />

novo mercado de capitais, fornecendo uma<br />

infraestrutura financeira para o metaverso.<br />

O propósito é criar liquidez no mercado<br />

NFT ao permitir empréstimos em tempo<br />

real através da criação de um mercado<br />

entre quem procura liquidez, utilizando<br />

os seus NFT como colateral, ajudando a<br />

eliminar a burocracia na atribuição de<br />

crédito. Este é um dos projetos que mais<br />

expetativa traz à capital portuguesa e levou<br />

a que o presidente da Câmara de Lisboa,<br />

Carlos Moedas, tenha referido na própria<br />

apresentação da Unicorn Factory Lisboa e<br />

do Scaling Up Program que “este projeto<br />

tem o potencial de tornar Lisboa a capital<br />

da inovação”.<br />

Esteja atento, pode ser que ao passear<br />

pela cidade das sete colinas, dê de caras<br />

com um destes seres místicos conhecidos<br />

por unicórnios.<br />

Abril de <strong>2023</strong><br />

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35


EMPREENDEDORISMO<br />

SUSTENTABILIDADE IMERSA EM<br />

SACOS DESFEITOS COM ÁGUA<br />

Adepta da produção e do consumo responsável, a Oceania Eco-Innovations desenvolveu<br />

um material cujo intuito é substituir as opções de plástico descartável no mercado. O objetivo,<br />

garante o CEO, Manuel Carvalhosa, não é só reduzir o uso daquele que é uma das maiores<br />

ameaças para o planeta, como também diminuir a sua circulação nos oceanos.<br />

F<br />

oi em 2019 que Manuel Carvalhosa,<br />

juntamente com a sua parceira,<br />

decidiu começar a investigar novas<br />

soluções ecológicas para substituir os sacos<br />

tradicionais de polietileno e polipropileno.<br />

“Sou uma pessoa muito ligada ao mar e<br />

comecei a perceber o problema do plástico<br />

nos oceanos e como isso afetava a fauna<br />

marinha. Houve um dia em que vi o documentário<br />

“Plastic Paradise: The Great Pacific<br />

Garbage Patch”, e fiquei em choque com as<br />

ilhas que são formadas por todos os tipos<br />

de plásticos provenientes dos continentes<br />

e dos descartes de navios”.<br />

A cada minuto é usado, aproximadamente,<br />

um milhão de sacos de plástico, segundo a<br />

Agência Portuguesa do Ambiente, e Portugal<br />

está na lista dos países que mais os utiliza.<br />

Sensibilizada pelo problema e incentivada<br />

pela inovação, a Oceania desenvolveu os<br />

sacos hidrossolúveis, uma nova alternativa<br />

aos sacos tradicionais.<br />

Começou pela ráfia natural e pelo amido<br />

de milho, mas rapidamente percebeu que<br />

não eram soluções tão sustentáveis. Até<br />

que encontrou o PVA (álcool polivinílico),<br />

também usado para revestir as pastilhas<br />

da máquina de lavar a loiça, uma matéria<br />

hidrossolúvel com características únicas<br />

em versatilidade e fabrico. “O PVA é uma<br />

resina sintética fabricada com características<br />

hidrofílicas, ou seja, é atraído por água<br />

para a sua deterioração, é biodegradável<br />

e compostável”, explica o fundador da<br />

empresa, Manuel Carvalhosa.<br />

A Oceania Eco-Innovations tem desenvolvido<br />

vários tipos de sacos, fabricados<br />

em dois formatos: em film e em tecido<br />

não tecido. A primeira opção é a que visa<br />

substituir as opções de plástico descartável<br />

no mercado, desde sacos de alças, sacos<br />

higiénicos para cães, sacos de expedição<br />

ou para lavandaria. Já os hydrobags (sacos<br />

solúveis em água) são feitos em tecido não<br />

tecido, uma coleção ousada que incentiva o<br />

Marco Horácio, novo rosto da marca, juntou amigos na luta pelos oceanos sem plástico<br />

36<br />

Abril de <strong>2023</strong><br />

pmemagazine.sapo.pt


EMPREENDEDORISMO<br />

Texto:<br />

Filipa Ribeiro<br />

Redação<br />

Fotografia:<br />

D. R.<br />

Fundadores da<br />

Splink: Ivan Braz,<br />

Dulce Guarda e<br />

Hugo Matinho<br />

Através da utilização<br />

da app é possível<br />

tirar fotografias<br />

com os craques<br />

preferidos<br />

“ Sou uma<br />

pessoa muito<br />

ligada ao mar<br />

e comecei<br />

a perceber<br />

o problema<br />

do plástico<br />

nos oceanos<br />

e como isso<br />

afetava a fauna<br />

marinha.<br />

Manuel Carvalhosa,<br />

fundador da Oceania<br />

Eco-Innovations<br />

”<br />

consumidor a usá-la o máximo<br />

de vezes no seu dia a dia.<br />

A inovação está na fácil e<br />

rápida maneira de descartar<br />

os sacos, sem prejudicar o<br />

meio ambiente. Uma vez que<br />

são solúveis em água, quando<br />

considerar que não têm mais<br />

uso, basta colocá-los em água<br />

quente e desaparecerão em<br />

segundos. Isto porque o carbono<br />

dos sacos decompõe-se por<br />

meio de um processo de oxidação<br />

para formar cadeias de<br />

polímero oxidados menores,<br />

que se decompõe ainda mais<br />

no fluxo de águas residuais para<br />

formar dióxido de carbono e<br />

água. Desta forma, não estará<br />

a criar resíduos em aterros,<br />

porque as partículas biodegradam-se<br />

em vez de persistirem<br />

no meio ambiente.<br />

“Acreditamos que ao fabricar<br />

embalagens e sacos de uso<br />

único com este material, seremos uma<br />

mais-valia na proteção dos ecossistemas e<br />

da fauna marinha, visto que estes se deterioram<br />

facilmente em contacto com a água,<br />

resultando numa biomassa mineralizada.<br />

E essas pequenas partículas não absorvem<br />

ou acumulam toxinas como acontece nos<br />

microplásticos hidrofóbicos tradicionais”,<br />

explica o CEO da Oceania Eco-Innovations.<br />

Além de serem livres de polietileno e de<br />

polipropileno, os sacos são fabricados a<br />

diferentes temperaturas para resistir à chuva,<br />

degradam-se em 180 dias, apresentam uma<br />

maior elasticidade em relação aos plásticos<br />

tradicionais e não criam microplásticos. No<br />

entanto, são sensíveis à humidade, pelo que<br />

é aconselhável protegê-los de sujidade,<br />

poeira, arranhões e danos leves, e dentro<br />

de ambientes com temperatura controlada.<br />

A mais recente aposta desta empresa<br />

são os sacos higiénicos para cães, os Sacos<br />

Chiquinho. A ideia surgiu pela paixão de<br />

Manuel Carvalhosa por animais e por perceber<br />

que, no dia a dia, as pessoas usavam<br />

sacos higiénicos em plástico para apanhar<br />

a matéria orgânica. “Na minha perspetiva<br />

não faz sentido, principalmente porque<br />

são usados milhares de sacos de plásticos<br />

para dejetos por dia. E os Sacos Chiquinho<br />

são um bem essencial para cuidarmos das<br />

necessidades dos nossos animais sem que<br />

isso prejudique o meio ambiente”, esclarece.<br />

A empresa nota uma evolução da consciencialização<br />

dos consumidores, mas<br />

lamenta que ainda falte percorrer um longo<br />

caminho. “Ainda não estão preparados<br />

para pagar por produtos sustentáveis neste<br />

ramo, infelizmente os preços de produção<br />

e das próprias matérias-primas são mais<br />

caros”, refere.<br />

“Acredito que tem a ver essencialmente<br />

com o poder económico. O país ainda não<br />

está preparado para estas questões, deve<br />

existir mais comunicação, mais consciencialização<br />

e benefícios fiscais, tanto<br />

a empresas como particulares, de forma<br />

a incentivar opções mais sustentáveis nos<br />

diferentes ramos”, apela o fundador.<br />

Manuel Carvalhosa sente que ainda não<br />

está a ser feito o necessário em prol de uma<br />

mudança benéfica para o planeta. “Trata-se<br />

de um problema sistémico e é necessário<br />

responsabilizarem-se sobre isso”, conclui.<br />

Para já, encontra-se esperançoso dado que<br />

a partir de 1 de junho de <strong>2023</strong> entra em vigor<br />

a proibição de venda e disponibilização de<br />

sacos de plástico ultraleves.<br />

A pensar no futuro, a Oceania Eco-Innovations<br />

revela vontade em aliar os próximos<br />

produtos às novas tecnologias e garantir<br />

inovação nas matérias sustentáveis<br />

desenvolvidas para o mercado português<br />

no futuro, sempre com o objetivo final<br />

de consciencializar a população a adotar<br />

comportamentos mais sustentáveis.<br />

Abril de <strong>2023</strong><br />

pmemagazine.sapo.pt<br />

37


MEDIR PARA GERIR<br />

Texto:<br />

Pedro Brito<br />

Associate Dean<br />

Nova SBE (Executive<br />

Director for<br />

Executive Education<br />

& Business<br />

Transformation<br />

Fotografia:<br />

Nova SBE,<br />

<strong>PME</strong> <strong>Magazine</strong><br />

CRENÇAS QUE<br />

LIMITAM O CRESCIMENTO<br />

E A COMPETITIVIDADE<br />

DO PAÍS<br />

Como é que Portugal pode crescer e tornar-se<br />

mais produtivo e competitivo se tantas <strong>PME</strong><br />

não sentem a urgência ou a relevância<br />

de investir em temas tão críticos como<br />

a exportação e internacionalização,<br />

a sustentabilidade, a gestão de risco<br />

ou transformação digital? O foco quase<br />

exclusivo nas receitas e resultados de curto<br />

prazo limita a sua capacidade em<br />

se prepararem para o futuro.<br />

S<br />

Segundo a terceira edição do Barómetro <strong>PME</strong> <strong>Magazine</strong>,<br />

feita em fevereiro de <strong>2023</strong>, com recurso a cerca de 1000<br />

empresas, 60% das <strong>PME</strong> diz não ter interesse em exportar,<br />

quase 79% das empresas não se sentem pressionadas relativamente<br />

à emergência climática, mais de 86% não utiliza ferramentas de<br />

gestão de risco e a maioria não reconhece nenhuma necessidade<br />

em utilizá-las e 71,8% das empresas não realizou qualquer investimento<br />

em transformação digital.<br />

Muitos gestores e empresários continuam a revelar atuar sob<br />

crenças que poderão limitar o seu crescimento e, potencialmente,<br />

a sua sobrevivência.<br />

Primeira crença: “Para além de termos poucos recursos, não<br />

temos escala para nos internacionalizarmos.”<br />

Muitas <strong>PME</strong> possuem recursos financeiros e humanos limitados<br />

para investir em novos mercados e estabelecer relações comerciais<br />

internacionais ou responder a pedidos de grande volume. Mas se<br />

assim é, porque é que estas empresas não se unem a outras nesta<br />

jornada de internacionalização, diluindo<br />

o risco e aumentando o proveito para as<br />

partes? A falta de incentivos financeiros<br />

e as barreiras linguísticas associadas são<br />

outras “desculpas” para muitas empresas<br />

ignorarem a oportunidade de exportar e<br />

internacionalizar. Os decisores das <strong>PME</strong><br />

têm de compreender que só com mais<br />

conhecimento e formação sobre os desafios à<br />

exportação, como a logística internacional,<br />

regulação ou barreiras comerciais, e apenas<br />

com uma atitude colaborativa, juntando-se<br />

a outras organizações e ganhar escala, é<br />

que será possível crescer de forma sustentável.<br />

O receio de perder controlo pode ser<br />

reduzido e os benefícios para as empresas<br />

é exponencialmente superior à tradicional<br />

estratégia de sobrevivência focada apenas<br />

no território nacional.<br />

Segunda crença: “O tema sustentabilidade<br />

não é algo que impacte o meu negócio<br />

de forma direta.”<br />

A Diretiva Europeia de Relato Não Financeiro<br />

(2014/95/EU), exige que empresas com<br />

mais de 250 funcionários relatem informações<br />

sobre o seu desempenho em áreas como<br />

meio ambiente, direitos humanos, questões<br />

sociais, diversidade e combate à corrupção.<br />

As <strong>PME</strong> que trabalhem para estas empresas<br />

de grande dimensão como fornecedores ou<br />

subcontratados vão estar muito expostas<br />

na medida que estas empresas vão exigir às<br />

<strong>PME</strong> práticas de sustentabilidade similares.<br />

As pequenas e médias empresas que não<br />

as cumprirem poderão sentir o impacto<br />

diretamente nas receitas e capacidade de<br />

atrair talento qualificado, uma vez que as<br />

grandes empresas passarão, cada vez mais,<br />

a selecionar parceiros que respeitem estas<br />

orientações.<br />

Estes dois exemplos têm algo em comum:<br />

o nível de conhecimento e formação que os<br />

decisores de muitas <strong>PME</strong> demonstram ter é<br />

ainda muito limitado. Por isso, acredito que<br />

o acesso das <strong>PME</strong> a educação de qualidade<br />

é fator crítico para a competitividade das<br />

empresas e do nosso país.<br />

38<br />

Abril de <strong>2023</strong><br />

pmemagazine.sapo.pt


MEDIR PARA GERIR<br />

MARCAS 5.0<br />

A OPORTUNIDADE VERSUS<br />

VULNERABILIDADE<br />

N<br />

o mundo atual, a inovação é fundamental<br />

para o sucesso económico e<br />

a proteção de marcas desempenha<br />

um papel crucial nesse processo. As marcas<br />

são a identidade visual de um negócio,<br />

a sua personalidade e a forma como os<br />

consumidores reconhecem e se conectam<br />

com ele. Como tal, proteger as marcas é<br />

essencial para garantir a integridade dos<br />

negócios e a lealdade dos clientes.<br />

Embora a proteção de marcas comerciais<br />

seja essencial para todas as empresas,<br />

é particularmente importante para as<br />

pequenas e médias empresas. As <strong>PME</strong><br />

têm recursos limitados para investir em<br />

marketing e publicidade, sendo mais difícil<br />

estabelecer uma identidade de marca e<br />

ganhar a confiança do consumidor. Uma<br />

marca forte pode ajudar a equilibrar a<br />

balança, fornecendo às <strong>PME</strong> o poder de<br />

estabelecer uma identidade única e se<br />

destacar no mercado.<br />

As <strong>PME</strong> são também mais vulneráveis à<br />

falsificação e violação de marcas. Os falsificadores<br />

muitas vezes, visam as empresas<br />

de menor dimensão porque presumem que<br />

essas empresas são menos propensas a<br />

ter recursos para proteger as<br />

suas marcas, resultando<br />

na quebra de vendas,<br />

prejudicando a sua<br />

reputação junto dos<br />

consumidores que<br />

compram produtos<br />

falsificados<br />

sem saber.<br />

No contexto<br />

socioeconómico<br />

atual, a<br />

proteção de<br />

marcas é<br />

mais importante<br />

do que<br />

nunca. Com<br />

o aumento da<br />

globalização e da<br />

competição interna-<br />

cional, é vital que as empresas protejam as<br />

suas marcas para garantir a sua competitividade,<br />

pensando sempre num mercado<br />

global ou, pelo menos, regional. No caso<br />

das marcas portuguesas devem, sempre<br />

que possível, vender para todo o espaço da<br />

União Europeia e proteger as suas marcas<br />

a nível regional.<br />

A digitalização da economia facilitou a<br />

contrafação e falsificação de marcas, sendo<br />

crucial a maior proteção possível das marcas<br />

e uma vigilância ativa nas principais plataformas<br />

para garantir que os seus direitos<br />

não são violados por terceiros.<br />

A proteção de marcas é um motor para a<br />

criação de empregos e o desenvolvimento<br />

económico de qualquer país. Ao investir<br />

em novas marcas e criar novos produtos<br />

e serviços, estamos a contribuir para o<br />

crescimento da economia. E isso não é<br />

apenas importante para as empresas em<br />

si, mas também para a comunidade como<br />

um todo. O crescimento económico resulta<br />

em mais empregos, mais oportunidades e<br />

uma economia mais forte.<br />

Concluindo, e para melhor demonstrar<br />

a importância da proteção de marcas<br />

nos dias de hoje com um exemplo real,<br />

recentemente foi lançado o ChatGPT,<br />

uma tecnologia de inteligência artificial<br />

que está a revolucionar o mundo. Em<br />

poucas semanas, após o seu lançamento,<br />

a empresa teve um crescimento brutal<br />

de utilizadores e exposição mediática a<br />

nível global, com uma particularidade:<br />

tinham apenas protegido a sua marca nos<br />

Estados Unidos. Nas semanas seguintes,<br />

foram feitos pedidos da sua marca por todo<br />

o mundo, por terceiros, que tentaram<br />

aproveitar-se desta distração ou falta de<br />

preparação. Este é apenas um exemplo<br />

atual do que pode acontecer, nos dias<br />

de hoje, quando não protegemos corretamente<br />

os nossos direitos. Não significa<br />

que não podemos contestar estes claros<br />

aproveitamentos, mas o preço a pagar<br />

poderá ser bastante elevado.<br />

Texto:<br />

Tiago Reis Nobre,<br />

Managing Partner<br />

na Inventa<br />

Fotografia:<br />

D. R.<br />

Abril de <strong>2023</strong><br />

pmemagazine.sapo.pt<br />

39


MARKETING<br />

Texto:<br />

Mafalda Marques<br />

Diretora<br />

Fotografia:<br />

<strong>PME</strong> <strong>Magazine</strong>,<br />

D. R.<br />

CHATGPT A INOVAÇÃO<br />

NA BUSCA E DISSEMINAÇÃO<br />

DE INFORMAÇÃO<br />

Tudo mudou desde o dia 30 de novembro de 2022, aquando do lançamento<br />

do ChatGPT pela OpenAI. A rapidez da sua evolução e aplicação desenfreadas,<br />

deixa um vazio legal que importa debater, sem falar do sentimento de não<br />

sabermos mais quem escreve o quê. Importa alertar para os riscos na busca<br />

e disseminação de informação.<br />

O<br />

ChatGPT é um modelo de linguagem<br />

que usa inteligência artificial<br />

(IA) para gerar respostas<br />

semelhantes às humanas para perguntas e<br />

declarações. Em termos de busca e divulgação<br />

de informações, o ChatGPT e outras<br />

ferramentas de IA podem desempenhar<br />

um papel significativo nas empresas,<br />

personalizando o conteúdo.<br />

No entanto, tem riscos associados como<br />

o facto de recorrer a fontes não confiáveis,<br />

fake news, conteúdo patrocinado, fornecendo<br />

informações incorretas.<br />

Para mitigar estes riscos, é importante<br />

verificar as fontes confiáveis de informação<br />

e avaliar cuidadosamente a credibilidade<br />

das mesmas. Isso pode envolver a verificação<br />

da reputação do site ou do autor<br />

e a verificação de factos. Além disso, é<br />

importante estar ciente do potencial de<br />

conteúdo patrocinado, que geralmente é<br />

publicado para promover um determinado<br />

produto ou serviço. Ao buscar informações<br />

é importante avaliar a credibilidade da fonte<br />

e avaliar os conflitos de interesse.<br />

Compete aos utilizadores garantir que<br />

estão a fornecer e avaliar as fontes confiáveis<br />

de informação. Embora o ChatGPT<br />

possa ser útil para ajudar em tarefas como<br />

a verificação de factos ou no resumo de<br />

pesquisas, ele não substitui o pensamento<br />

crítico e a avaliação humana. Portanto, é<br />

importante que os utilizadores usem o seu<br />

próprio julgamento e pensamento crítico<br />

ao procurar e disseminar informações.<br />

O ChatGPT é, ainda, uma ferramenta<br />

poderosa para empresas que procuram<br />

gerar leads de negócios, automatizando<br />

determinadas tarefas e ter interações<br />

personalizadas com potenciais clientes.<br />

No entanto, é importante usá-lo de forma<br />

responsável e ética, garantindo que os<br />

clientes sabem que estão a interagir com<br />

um sistema de IA e que os seus dados estão a<br />

ser usados de forma transparente e segura.<br />

Com tanta personalização, automação e a<br />

necessidade da verificação dos conteúdos,<br />

vejo um ponto positivo na evolução<br />

da IA, a acessibilidade da informação a<br />

pessoas com deficiência. As tecnologias<br />

de reconhecimento de fala e conversão<br />

de texto em fala permitem que as pessoas<br />

com deficiência auditiva ou visual acedam<br />

a informações que, de outra forma, seriam<br />

difíceis ou impossíveis de obter.<br />

A IA veio transformar a forma como<br />

procuramos e divulgamos informações<br />

e conteúdos, tornando o processo mais<br />

personalizado, eficiente e inteligente.<br />

Embora existam desafios<br />

e considerações éticas que acompanham<br />

o uso da IA, ela tem o<br />

potencial de melhorar muito<br />

a nossa capacidade de<br />

aceder e compartilhar<br />

informações<br />

na era digital.<br />

“É importante<br />

verificar as<br />

fontes confiáveis<br />

de informação<br />

e avaliar a<br />

credibilidade<br />

das mesmas”<br />

Mafalda Marques,<br />

Diretora<br />

Abril de <strong>2023</strong><br />

40 pmemagazine.sapo.pt


TECNOLOGIA<br />

Texto:<br />

Filipa Ribeiro<br />

Redação<br />

Fotografia:<br />

<strong>PME</strong> <strong>Magazine</strong>,<br />

D. R.<br />

ALIAR A TECNOLOGIA<br />

À CIBERSEGURANÇA PARA<br />

UM MUNDO VIRTUAL<br />

MAIS SEGURO<br />

A cibersegurança e a privacidade assumem um papel cada vez mais preponderante nas empresas e organizações<br />

Portugal continua a ser<br />

um dos países com<br />

maior risco de ataques<br />

cibernéticos. Por receio<br />

e perante um mundo<br />

corporativo cada mais vez<br />

inseguro, a Banema, que<br />

trabalha o mercado dos<br />

derivados de madeira, foi<br />

à procura de uma nova<br />

ferramenta que permitisse<br />

garantir a segurança dos<br />

seus dados. A VisionWare<br />

desenvolveu-a e explica-nos<br />

em que consiste.<br />

A<br />

Banema, empresa dedicada à comercialização de produtos<br />

de madeiras, nasceu em 1986. Começou por disponibilizar<br />

serviços aos setores da carpintaria e da construção civil,<br />

mas rapidamente estendeu o portfólio ao mobiliário e decoração<br />

de interiores.<br />

Com vista à inovação e sustentabilidade, a Banema foi alargando<br />

o negócio, implementando-o no mundo online. Porém, face às<br />

recentes declarações do Secretário de Estado da Digitalização e<br />

da Modernização Administrativa, Mário Campolargo, sobre os<br />

mais de 170 operadores de serviços essenciais em incumprimento<br />

da lei da cibersegurança, e de onde resultaram 69 processos de<br />

contraordenação, e aos recentes ataques informáticos com caráter<br />

mediático em 2022, desafiou a VisionWare a criar uma ferramenta<br />

para assegurar a proteção da sua informação.<br />

A VisionWare, fundada em 2005, acredita que a digitalização<br />

e o recurso a softwares, aliados a estratégias que envolvam a<br />

cibersegurança, são uma necessidade real e diária para manter<br />

a atividade regular das empresas, sem riscos indesejados de<br />

falhas ou quebras na continuidade dos negócios. “As soluções<br />

tecnológicas permitem às empresas responder aos desafios da<br />

melhor forma, sendo um valioso aliado para qualquer empresa,<br />

em qualquer setor, ao permitir que os decisores tenham uma visão<br />

completa dos negócios e possam, inclusive, antecipar possíveis<br />

cenários de risco”, explica António Veiga, partner & board member<br />

da VisionWare.<br />

42<br />

Abril de <strong>2023</strong><br />

pmemagazine.sapo.pt


TECNOLOGIA<br />

Assim, esta empresa implementou na Banema um modelo de<br />

governance que consiste num processo contínuo de avaliação do<br />

nível de risco de cibersegurança assente em múltiplos métodos<br />

de auditoria, realizados a todos os sistemas em vigor na organização.<br />

Uma dinâmica que irá obrigar a um esforço constante de<br />

adaptação dos critérios e mecanismos de segurança, mas que já<br />

permite avaliar resultados. “A informação da Banema está mais<br />

segura e protegida de possíveis ameaças e riscos. Registámos um<br />

incremento substancial na robustez das plataformas tecnológicas<br />

e uma evolução significativa em termos de processos e procedimentos<br />

que suportam a nossa atividade”, garante o administrador<br />

da empresa dedicada à comercialização de produtos de madeiras,<br />

Joaquim Neves.<br />

Esta é uma nova e mais atualizada prática que a Banema e a<br />

VisionWare pretendem promover, no sentido de consciencializar<br />

e preparar as organizações, independentemente da sua dimensão,<br />

tipo ou setor de atividade, para a segurança da informação<br />

e para o Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados. Perante<br />

a vulnerabilidade da nova era digital, a implementação deste<br />

regulamento, além da mitigação dos riscos de incumprimento<br />

da lei, serve também para minimizar os riscos de as organizações<br />

sofrerem ciberataques.<br />

Algo para o qual as organizações têm de estar atentas, aumentando<br />

o nível de capacitação, o grau de maturidade e a literacia<br />

digital, e até tomando conhecimento de diretivas e obrigações<br />

“As soluções<br />

tecnológicas<br />

permitem<br />

às empresas<br />

responder aos<br />

desafios da<br />

melhor forma”<br />

António Veiga,<br />

partner and board<br />

member da VisionWare<br />

legais, como o Regime Jurídico da Segurança<br />

do Ciberespaço. “Apesar de haver muita<br />

estrada a percorrer, já é notório que as<br />

<strong>PME</strong> ganharam uma maior sensibilidade e<br />

recetividade em ouvir as abordagens sobre a<br />

importância de implementar um modelo que<br />

reforce a cibersegurança. A transformação<br />

digital está a alterar a natureza da gestão<br />

das empresas, sendo determinante que os<br />

gestores a percebam como fator categórico<br />

para a competitividade dos seus negócios.<br />

Ignorá-la, significará apenas ficar para trás”,<br />

argumenta António Veiga, da VisionWare.<br />

A cibersegurança e a privacidade assumem<br />

um papel cada vez mais preponderante nas<br />

empresas e organizações, na proteção dos<br />

seus ativos e dos titulares dos dados pessoais.<br />

Mas “apesar dos esforços do governo português<br />

e da maior atenção e sensibilização da<br />

sociedade civil, os ciberataques continuam<br />

a ser uma grande preocupação no país”.<br />

A proposta de António Veiga é que Portugal<br />

continue a reforçar as infraestruturas de<br />

cibersegurança e a desenvolver estratégias<br />

eficazes, através do reconhecimento<br />

de quais as maiores vulnerabilidades do<br />

sistema, no sentido de investir esforços<br />

para as mitigar. “Vivemos uma realidade<br />

onde dispomos de ferramentas que facilitam<br />

qualquer pessoa a lançar um ciberataque<br />

com relativa probabilidade de sucesso”,<br />

lamenta o representante.<br />

O Secretário de Estado Mário Campolargo<br />

já avançou que está a ser desenhada, no<br />

quadro da nova diretiva europeia, uma<br />

nova Estratégia Nacional de Segurança do<br />

Ciberespaço. A empresa de segurança de<br />

informação explica que este projeto consiste<br />

na criação e aplicação de regras baseadas<br />

nas boas práticas do mundo digital, onde<br />

a administração pública, operadores de<br />

infraestruturas críticas, operadores de<br />

serviços essenciais e prestadores de serviços<br />

digitais têm de adotar estas medidas, sob<br />

pena de poderem sofrer elevadas coimas por<br />

não corresponderem ao nível de segurança<br />

exigido à sua atividade.<br />

Assim, uma boa parcela do tecido empresarial<br />

português, a par do Estado, está<br />

obrigada a ter um plano formal de segurança<br />

e a notificar o Centro Nacional de<br />

Cibersegurança (CNCS) sempre que haja<br />

um incidente com impacto relevante ou<br />

substancial. Mas alerta que é necessário<br />

que ambas as partes implicadas tenham a<br />

capacidade para responder a estas exigências<br />

sem condicionar o seu desempenho, “tão<br />

crucial para o país”, conclui, António Veiga.<br />

Abril de <strong>2023</strong><br />

pmemagazine.sapo.pt<br />

43


TECNOLOGIA<br />

Texto:<br />

Filipa Ribeiro<br />

Redação<br />

Fotografia:<br />

myPOS,<br />

<strong>PME</strong> <strong>Magazine</strong><br />

myPOS, MUITO MAIS<br />

DO QUE UM TERMINAL<br />

DE PAGAMENTO<br />

A missão é proporcionar a cada empresa os benefícios<br />

da inovação e de tecnologias modernas, de modo a solucionar<br />

os desafios no momento do pagamento.<br />

A<br />

empresa nasce em 2014 com o<br />

objetivo de criar uma plataforma<br />

personalizada que disponibilizasse<br />

um sistema de pagamento mais acessível<br />

às pequenas e médias empresas. Assim<br />

surgiu a myPOS, concebida para ajudar<br />

na economia GIG (economia alternativa<br />

resultado da flexibilização do mercado de<br />

trabalho na nova era digital) e em negócios<br />

com características sazonais, de modo a<br />

evitar taxas mensais, comissões bancárias<br />

ou dificuldades a nível do fluxo de caixa ao<br />

aceitar pagamentos com cartão.<br />

“É de facto uma solução muito prática para<br />

um pequeno comércio, que encontra nas<br />

soluções mais tradicionais algum obstáculo,<br />

nomeadamente uma mensalidade e um<br />

contrato de fidelização e, para quem tenha<br />

um negócio mais pontual, torna-se difícil<br />

subscrever uma solução com esta natureza.<br />

Com a myPOS, um comerciante que, durante<br />

um mês, não está ativo, não tem custos”,<br />

explica, Pedro Osório de Castro, country<br />

manager Portugal da empresa.<br />

A plataforma caracteriza-se pela sua<br />

“omnicanalidade”, isto é, permite a qualquer<br />

cliente receber os pagamentos de<br />

todos os canais de negócio, tanto por um<br />

canal presencial através de terminais, como<br />

através de uma app instalada no telemóvel<br />

que permite que o dispositivo receba pagamentos<br />

como se fosse um terminal. Para<br />

além disto, todos os terminais são também<br />

equipados com um cartão de dados que<br />

A plataforma<br />

caracteriza-se pela<br />

sua “omnicanalidade”<br />

44<br />

Abril de <strong>2023</strong><br />

pmemagazine.sapo.pt


Transmissões<br />

em Direto<br />

Filmes<br />

Corporativos<br />

Cobertura<br />

de Eventos<br />

Vídeo<br />

Marketing<br />

C r i e o s s e u s c a n a i s d e c o m u n i c a ç ã o n a i n t e r n e t ,<br />

f i q u e m a i s p e r t o d o s s e u s c l i e n t e s .<br />

www.nortfilmes.pt


TECNOLOGIA<br />

permite a utilização do mesmo, não só<br />

em Portugal, como também no espaço<br />

económico europeu.<br />

Através da myPOS, o cliente consegue<br />

controlar a aceitação de todo o tipo de<br />

pagamentos. Na plataforma, pode exportar<br />

as transações em tempo real, uma vez<br />

que a liquidação é instantânea; pode, para<br />

efeitos de reconciliação contabilística,<br />

fazer a exportação dos valores de todas as<br />

transações pelo valor bruto e depois das<br />

comissões à parte; e consegue ver, não<br />

só as transações globais, como terminal<br />

a terminal.<br />

Uma das mais recentes apostas da empresa<br />

é a possibilidade de o cliente criar uma loja<br />

online. “O que nós fornecemos é que, dentro<br />

da plataforma a que o cliente acede por ser<br />

nosso cliente, tem um género de estrutura<br />

do que pode ser uma loja online. No fundo,<br />

é uma funcionalidade que permite criar<br />

produtos, das variantes desses produtos, e<br />

depois facilitar a adesão a essa plataforma<br />

que funciona como uma loja online”, conta,<br />

Pedro Osório de Castro.<br />

Resumidamente, serve como uma alternativa<br />

à criação de um site “porque, muitas<br />

vezes, há clientes que não querem suportar<br />

esse custo e, assim, esta é uma forma de<br />

trazer pequenos negócios para o mundo do<br />

online”. Para além desta funcionalidade,<br />

ainda permite o envio de pagamentos<br />

Pedro Osório de Castro é o country manager em Portugal<br />

da myPOS<br />

“Com a myPOS,<br />

um comerciante que,<br />

durante um mês, não<br />

está ativo, não<br />

tem custos.”<br />

Pedro Osório de Castro,<br />

country manager Portugal da myPOS<br />

através de um link, onde permitirá que o<br />

cliente, à distância, possa também fazer<br />

o pagamento.<br />

Os terminais myPOS destinam-se a todos<br />

os negócios que tenham um consumidor final<br />

e que precisem de aceitar pagamentos. Este<br />

é um sistema disponibilizado para pequenas<br />

e médias empresas, mas que também se abre<br />

a grandes mercados: “Qualquer negócio que<br />

tenha necessidade de aceitar pagamentos<br />

pode ser nosso cliente, desde um empresário<br />

numa empresa individual que faz serviços<br />

ao domicílio, até uma empresa que tenha<br />

uma frota para fazer entregas ao domicílio<br />

com centenas de viaturas.”<br />

Com este tipo de serviços, Pedro Osório<br />

de Castro destaca, não uma empresa específica,<br />

mas um setor como caso de sucesso: o<br />

transporte de passageiros, “nomeadamente<br />

o táxi, em que nós conseguimos ter uma<br />

penetração bastante interessante porque<br />

conseguimos permitir que esse setor, com a<br />

nossa solução, não só receba os pagamentos,<br />

mas também emita a fatura do serviço”.<br />

No âmbito de algumas exigências que<br />

foram feitas para este setor no que diz<br />

respeito à faturação, o manager garante que<br />

a myPOS proporciona uma solução em que<br />

os clientes têm um terminal que lhes permite<br />

receber pagamentos, fazer a faturação e<br />

receber serviços, algo que se deve também<br />

ao facto de possuírem algumas ligações<br />

ao software dos chamados despachos que<br />

lhes permite receber também os pedidos<br />

de serviço no terminal.<br />

Com os olhos postos no futuro, a empresa<br />

tem perspetivas de crescimento positivas,<br />

nomeadamente de penetrar em mais setores<br />

de atividade, como no ramo da logística,<br />

que requer uma grande mobilidade. “É um<br />

setor que nós entendemos que tem um bom<br />

potencial e que tem espaço para evoluir”,<br />

reflete, Pedro Osório de Castro.<br />

Ao combinar as últimas tecnologias<br />

de pagamento, a myPOS contribui para<br />

aquilo que designa “um novo mundo de<br />

pagamentos construído sobre a inovação,<br />

flexibilidade e oportunidades de<br />

crescimento”, através de soluções com<br />

componentes tecnológicas e que oferece<br />

ao cliente uma ferramenta de gestão que<br />

lhe permite receber os pagamentos de<br />

todos os canais de negócios “num modelo<br />

flexível em termos de custos”. O foco da<br />

empresa é agora investido em continuar<br />

a fornecer mais terminais de pagamento,<br />

novos serviços e locais para cobertura de<br />

estabelecimentos.<br />

46<br />

Abril de <strong>2023</strong><br />

pmemagazine.sapo.pt


AGENDA<br />

MAI<br />

Fotografias: Divulgação<br />

04 e 05<br />

Pavilhão Carlos Lopes<br />

Lisboa<br />

24 a 26<br />

Leiria<br />

THINK CONFERENCE<br />

A Think Conference tem como objetivo reunir os melhores<br />

especialistas em marketing digital, empreendedorismo,<br />

redes sociais e startups. Com uma seleção de oradores de<br />

alto nível, o evento promete um painel de especialistas com<br />

a presença de empreendedores de sucesso, vários CEO de<br />

startups avaliadas em milhões de euros, figuras públicas e<br />

profissionais de renome no mundo digital.<br />

Mais em:<br />

thinkconf.pt<br />

<strong>2023</strong> LONGEVITY MED SUMMIT<br />

Portugal será o anfitrião, pela primeira vez, do maior evento<br />

do mundo na área de medicina de longevidade, reunindo<br />

investidores que, entre si, somam mais de 10 mil milhões de<br />

dólares. Este evento trará ao nosso país alguns dos maiores<br />

investidores e fundos de investimento internacionais. Durante<br />

dois dias será possível assistir a conferências, palestras,<br />

pitches de startups e ativações com foco na longevidade,<br />

na medicina regenerativa, nutrição e terapias. Esta primeira<br />

edição prevê, ainda, momentos de networking entre oradores,<br />

participantes e investidores do setor.<br />

Mais em:<br />

longevitymedsummit.com<br />

27 e 29<br />

Matosinhos<br />

Porto<br />

QSP SUMMIT<br />

O QSP Summit contará com 50 oradores nacionais e internacionais,<br />

uma área de exposição com mais de 140 expositores<br />

e 3000 participantes e abordará as áreas de marketing<br />

e gestão.<br />

05 e 06<br />

Centro Cultural<br />

de Lisboa<br />

MARKETING MASTERS<br />

O maior evento de marketing digital em Portugal contará<br />

com dezenas de oradores nacionais e internacionais nas<br />

diversas áreas de empreendedorismo e marketing digital<br />

de língua portuguesa, desde o email marketing à área de<br />

performance. O evento abordará temáticas como criação e<br />

promoção de infoprodutos, publicidade paga, estratégias<br />

de construção de audiência nas redes sociais, marketing de<br />

influência, funis de venda, entre outros temas.<br />

Mais em:<br />

marketingmasters.pt<br />

Mais em:<br />

qspsummit.pt<br />

JUN<br />

Abril de <strong>2023</strong><br />

pmemagazine.sapo.pt<br />

47


FORA D`HORAS<br />

Texto:<br />

Mafalda Marques<br />

Diretora<br />

Fotografia:<br />

Viseu Ryokan,<br />

<strong>PME</strong> <strong>Magazine</strong><br />

Viseu<br />

Ryokan<br />

é o primeiro hotel<br />

japonês em Portugal<br />

Viseu<br />

Ryokan<br />

Localização:<br />

Rua Direita n.º 143,<br />

3500-117, Viseu<br />

viseuryokan.com<br />

Reconhecidos como um<br />

dos tipos de alojamento<br />

mais antigos do mundo,<br />

os ryokan são, desde sempre,<br />

associados à hospitalidade<br />

dos seus proprietários.<br />

Conheça este conceito vindo<br />

diretamente do Japão para...<br />

Viseu.<br />

N<br />

estas históricas hospedarias,<br />

onde noutros<br />

tempos se alojaram<br />

samurais, comerciantes<br />

e nobres, o acolhimento<br />

dos seus hóspedes é<br />

bem tradicional. Ao chegar a um ryokan,<br />

as diferenças relativamente às unidades<br />

hoteleiras ocidentais são notórias. Os<br />

hóspedes são convidados a usar um<br />

par de chinelos para circular nas áreas<br />

comuns da unidade, por exemplo. Nos<br />

quartos, nada é deixado ao acaso e o<br />

ambiente nipónico de lazer e descontração<br />

é garantido através de comodidades<br />

como o chão em tatami ou os confortáveis<br />

futon (tipo de colchão usado na<br />

A localização<br />

é no centro<br />

histórico<br />

de Viseu<br />

48<br />

Abril de <strong>2023</strong><br />

pmemagazine.sapo.pt


Existe a possibilidade<br />

dos hóspedes participarem<br />

em workshops de origami<br />

FORA D`HORAS<br />

Ambientes<br />

minimalistas são<br />

imagem de marca<br />

dos Ryokan<br />

Imagem de marca<br />

da milenar e tão<br />

intensa cultura<br />

japonesa, o ryokan<br />

é a materialização<br />

do omotenashi:<br />

um sentimento<br />

profundamente<br />

enraizado no povo<br />

japonês, que vai muito<br />

além da hospitalidade<br />

e que, para os<br />

japoneses, se refere<br />

ao ato de servir bem<br />

que vem do coração.<br />

cama japonesa). Ao dispor dos hóspedes<br />

existe também um yukata, a tradicional<br />

indumentária japonesa que se assemelha<br />

a um kimono, e que pode usar durante a<br />

estadia, não só no interior dos quartos,<br />

mas também nas áreas comuns da unidade,<br />

como o SPA e jardim. Inspirado<br />

nos tradicionais onsen (banhos termais<br />

japoneses), no SPA do Viseu Ryokan<br />

poderá encontrar uma sauna, hidromassagem<br />

e serviço de massagens. O am-<br />

biente calmo e relaxante promete ser um<br />

refúgio da azáfama do dia a dia. Naquele<br />

que é o primeiro ryokan em Portugal<br />

e um dos primeiros do mundo fora do<br />

Japão, encontrará um perfeito equilíbrio<br />

entre a cultura e costumes nipónicos e<br />

a nossa própria história. Ganhando forma<br />

num prédio com mais de 300 anos,<br />

localizado no centro histórico de Viseu,<br />

o Viseu Ryokan ambiciona ser uma perfeita<br />

simbiose de tradições e, por isso,<br />

optaram por se manterem fiéis às linhas<br />

arquitetónicas desta casa centenária e<br />

manter visíveis as antigas paredes de<br />

pedra e vigas de madeira centenárias,<br />

onde se acumulam histórias sem fim e<br />

que, agora, ganham uma nova vida. O<br />

Viseu Ryokan é a materialização do sonho<br />

de um dos seus fundadores: trazer<br />

para Portugal uma das melhores experiências<br />

das suas viagens pelo mundo,<br />

a cultura nipónica. A história remonta a<br />

2008 quando, numa viagem ao Japão,<br />

ficou hospedado num típico ryokan. De<br />

tão intensa que foi aquela experiência,<br />

naquele país longínquo, nasceu a ambição<br />

de, um dia, replicar aquela sensação<br />

numa cidade portuguesa. O tempo<br />

passou, o sonho não desapareceu, antes<br />

pelo contrário, cresceu e foi partilhado.<br />

Algures em 2016, um encontro de vontades<br />

de um casal corajoso e aventureiro<br />

levou-os a estabelecer o projeto para a<br />

implementação daquele que seria o primeiro<br />

ryokan em Portugal, o primeiro no<br />

mundo inteiro fora do Japão. Desde esse<br />

dia, até ao dia da inauguração do espaço,<br />

um longo percurso foi percorrido.<br />

Desde os estudos intensivos da cultura<br />

japonesa às visitas a vários ryokan no Japão,<br />

tudo culminou na total restauração<br />

de um dos prédios mais antigos do centro<br />

histórico de Viseu e na sua cuidada<br />

e detalhada transformação num típico e<br />

moderno ryokan japonês. O investimento<br />

total foi de cerca de 250 mil euros, em<br />

quartos com numeração em japonês<br />

(Ichi, Ni, San, Go, Ranku, Nana, Hachi)<br />

de um ao oito, exceto o número quatro<br />

(shi) que excluíram, por ser o número da<br />

pouca sorte no Japão. Na experiência de<br />

showcooking os hóspedes têm oportunidade<br />

de assistir à confeção da refeição e<br />

podem satisfazer algumas curiosidades<br />

dentro desse âmbito. Já a experiência<br />

de origami é dirigida a todas as pessoas,<br />

sejam hóspedes ou clientes externos<br />

de Viseu. Este workshop oferece uma<br />

experiência dinâmica e interativa, onde<br />

se aprende, de forma muito eficaz, um<br />

pouco desta arte japonesa.<br />

Abril de <strong>2023</strong><br />

pmemagazine.sapo.pt<br />

49


OPINIÃO<br />

NÃO EXISTE<br />

CRESCIMENTO SEM<br />

INOVAÇÃO NEM<br />

TRANSFORMAÇÃO<br />

SEM TECNOLOGIA CENTRADA<br />

NAS PESSOAS<br />

Texto:<br />

José Esfola,<br />

Diretor Geral da<br />

Xerox Portugal<br />

Fotografia:<br />

João Filipe Aguiar,<br />

D. R.<br />

N<br />

ão existem dúvidas de que, perante<br />

os desafios que o atual contexto<br />

mundial apresenta às empresas,<br />

o foco dos decisores estará na procura de<br />

elementos de inovação que possibilitem<br />

revolucionar a forma como se trabalha<br />

e o modo como se cria riqueza de forma<br />

sustentável.<br />

Tanto analistas de mercado como decisores,<br />

concordam que tornar efetiva a<br />

utilização da tecnologia é crucial para a<br />

estabilidade da economia e que o principal,<br />

desafio está efetivamente na capacidade de<br />

realizar as mudanças necessárias para que<br />

as empresas se mantenham competitivas.<br />

Acredito que o próximo conjunto de<br />

inovações resultará do cruzamento entre<br />

o mundo físico e o digital e será esta ponte<br />

que possibilitará a criação de experiências<br />

diferenciadoras aos clientes.<br />

É unanimemente aceite que existem<br />

três pilares fundamentais da inovação ao<br />

serviço do crescimento das empresas e da<br />

melhoria da experiência do cliente. Por um<br />

lado, todas as ferramentas relacionadas com<br />

o RPA (Robotic Process Automation), são<br />

fundamentais para automatizar os fluxos<br />

de trabalho e acelerar a tomada de decisão.<br />

Será, por isso, fundamental para garantir ganhos de eficiência<br />

que aumentem a satisfação dos clientes e garantam a sua fidelização<br />

que as empresas tenham a capacidade de integrar nos seus<br />

processos de trabalho, ferramentas de Appification (tarefas baseadas<br />

em apps), IoT (Internet das Coisas) e IA (inteligência artificial).<br />

Se pensarmos nos novos modelos de serviço ao cliente, baseados,<br />

por exemplo, em realidade aumentada, vemos como a generalização<br />

da ligação da tecnologia à cloud, associada à capacidade<br />

de comunicação em tempo real, é um excelente exemplo desta<br />

integração.<br />

Noutro campo, a capacidade de utilizar ferramentas digitais<br />

para criar experiências de comunicação cada vez mais personalizadas,<br />

abrem um mundo de novas oportunidades às empresas.<br />

Seja pela capacidade de desenhar produtos/serviços à medida das<br />

necessidades dos clientes, seja pela possibilidade de comunicar<br />

individualmente, no tempo certo e pelo canal mais adequado.<br />

Um bom exemplo desta integração, foi a capacidade de convocatória<br />

registada para o processo de vacinação contra a Covid-19.<br />

Um terceiro pilar, que pode ser até visto como devendo estar<br />

acima de todos os outros, é a capacidade de desenhar produtos e<br />

serviços centrados no ser humano.<br />

O desafio centra-se na capacidade de chegar ao mercado com<br />

soluções fáceis de utilizar e baseadas em interfaces intuitivos,<br />

tendo em conta que as pessoas precisam de facilitadores e não<br />

de barreiras.<br />

Se pudermos resumir o contributo que a inovação traz hoje<br />

às empresas, é que não existe crescimento sem inovação, nem<br />

transformação sem tecnologia centrada nas pessoas.<br />

50<br />

Abril de <strong>2023</strong><br />

pmemagazine.sapo.pt


A revista das<br />

<strong>PME</strong> portuguesas<br />

pmemagazine.sapo.pt<br />

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Abril de <strong>2023</strong><br />

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51


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10<br />

ANOS<br />

DESIGN<br />

GRÁFICO<br />

E MULTIMÉDIA<br />

Produção de materiais<br />

de comunicação;<br />

Design Gráfico;<br />

Design Digital;<br />

Design Multimédia;<br />

de<br />

Boas<br />

Notícias<br />

52<br />

Abril de <strong>2023</strong><br />

pmemagazine.sapo.pt<br />

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