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ABL-076 - Sonetos e rimas - L... - Academia Brasileira de Letras

ABL-076 - Sonetos e rimas - L... - Academia Brasileira de Letras

X � Luís Guimarães

X � Luís Guimarães Jr. atribuir-se à fortuna crítica de Sonetos e Rimas a nacionalização do vocábulo “parnasianismo” e correlatos. Sílvio Romero, por exemplo, não obstante critique a carência de nacionalismo no autor, detecta no volume “apuros e requintes de forma” (1943: 286, grifo do autor), entendendo-o como “um elo natural entre o romantismo brasileiro e o nosso parnasianismo” (1943: 285). José Veríssimo julga Sonetos e Rimas “um dos mais distintos livros da nossa poesia e não sei se não também um dos melhores exemplares do parnasianismo à francesa aqui” (1954: 302). Péricles Eugênio da Silva Ramos, por sua vez, alega que, em A Gazeta da Tarde de 22 de julho de 1882, Araripe Júnior, examinando a obra Luís Guimarães, chama pela primeira vez um escritor brasileiro de “parnasiano” (1979: 173). Posicionamento divergente é o de Manuel Bandeira, que, no prefácio à sua Antologia dos Poetas Brasileiros da Fase Parnasiana, defende que o termo só apareceria em 1886, “numa nota crítica de Alfredo de Sousa sobre um livro de versos de Francisco Lins” (1938: 8). Em todo caso, numa data ou noutra, o vínculo inaugural entre Guimarães Júnior e a oficialização do parnasianismo é assegurado pelo prefácio de Fialho D’Almeida à segunda edição de Sonetos e Rimas (1886) – mesmo ano registrado por Bandeira –, no qual o autor português declara explicitamente que “Luís Guimarães é um parnasiano” (1886: XVI). Como, entretanto, esse juízo do escritor português fora aludido por Araripe Júnior já no artigo de 1882, Péricles Eugênio aventa a hipótese de que o texto de Fialho, editado em livro em 1886, lograra circulação anterior, o que ratificaria a originalidade de Luís Guimarães tanto para o parnasianismo, quanto para o “parnasianismo”. Percorrendo essa trilha, João Pacheco destaca que, “em Sonetos e Rimas (1880), acentua-se a influência da nova escola [parnasiana]” (s/d: 24), constituindo seu autor “a mais clara voz deste período”. Wilson Martins, mais incisivo, observa que,

Sonetos e Rimas XI “a partir dos Sonetos e Rimas, a poesia brasileira, sem nada perder do calor emocional e da força expressiva, transformou-se numa arte da palavra” (1996: 90-1, grifo do autor). Pode-se aferir o relevo do poeta, além disso, pelo seu comparecimento nas mais importantes antologias desse estilo de época: na de Manuel Bandeira (1938), nas de Péricles Eugênio da Silva Ramos (1959 e 1967) e no Roteiro da Poesia Brasileira (2006), de Sânzio de Azevedo. A primeira edição de Sonetos e Rimas foi publicada em Roma, pela Tipografia Elzeviriana, e custeada pelo próprio autor, pois o editor Garnier hesitou em fazê-lo. Em 1886, sairia em Lisboa uma segunda, a cargo de Tavares Cardoso & Irmão – Editores. Reflexo do itinerário do diplomata Guimarães Júnior na Europa, essas impressões guardam mudanças relevantes: a retirada de um poema, a inclusão de dez (todos praticamente ligados à temática feminina) e a alteração de textos anteriores, além do importante prefácio de Fialho D’Almeida. As edições terceira e quarta, reproduzindo a de 1886, apareceriam respectivamente em 1914 e em 1925, ambas pela Livraria Clássica. Se, todavia, conforme apontou Fialho D’Almeida, os Sonetos e Rimas ajustavam-se à cadência parnasiana, também não deixavam de marcar passo no romantismo, arvorando-se numa dinâmica dupla de prospecção e de retrospecção, um cabo-de-guerra permanente, em que a força maior nunca suplanta a menor, produzindo um “livro desigual” (2004: 90). A julgar pela ênfase formalista e pela neutralidade genérica do título, predominaria na obra a inflexão parnasiana. Entretanto, como, “no caso brasileiro, não houve ruptura absoluta entre a inspiração romântica e a parnasiana” (1996: 90-1), já no pórtico do volume, inscreve-se uma dedicatória a Cecília Guimarães, esposa do poeta, “no dia de seus anos”; a oferta à cônjuge, recorrente no campo livresco, representaria mera cortesia protocolar, não fosse a insistência de Gui-

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