Views
5 years ago

ABL-076 - Sonetos e rimas - L... - Academia Brasileira de Letras

ABL-076 - Sonetos e rimas - L... - Academia Brasileira de Letras

XII � Luís Guimarães

XII � Luís Guimarães Jr. marães Júnior em tocar na nota íntima, ecoada nos abundantes pronomes possessivos de primeira pessoa associados a entes familiares (cf. “Meu Pai”, “A meu Filho Gabriel”), na demarcação de ambientes domésticos (cf. “Alcova”, “Visita à Casa Paterna”), enfim, na poetização da intimidade: é, por exemplo, de “Guitarra” o verso “cantei o nosso amor e os nossos segredos”; em “Natal”, não se comemora o Natal de 25 de dezembro, mas um natal de 23 de outubro, o do poeta com sua esposa: “Hoje faz anos nosso Amor, Cecília”. A ênfase na atmosfera particular, destoante da universalidade parnasiana, confirma-se em “Página Íntima” (grifo nosso), texto sobre os filhos do casal e outra vez destinado “à minha mulher”. A presença ostensiva de Cecília em Sonetos e Rimas corrói a impassibilidade parnasiana e erige, em contrapartida, uma poesia essencialmente personalizada, bem ao gosto romântico, aproximando sujeito poético e autor, obra e vida. Acresce que, logo após a dedicatória, abre-se o livro com o nada parnasiano “Misticismo”, que estabelece intertextualidade com Dante e sua Beatriz: “Minha alma delirante / Pensa na dor de Dante / E pensa em Beatriz” (1880: 8). A parceria literária endossa a impregnação subjetiva, rechaçada pela objetividade do parnasianismo ortodoxo (e, diga-se de passagem, José Veríssimo confirmou ser Guimarães Júnior “um subjetivo, como todo verdadeiro lírico” (2005: 42)). Além de quebrar a aspereza do título Sonetos e Rimas, “Misticismo” é soneto vazado em hexassílabos, metro pouco usual no Monte Parnaso. A filiação romântica continua a germinar no catálogo das referências literárias, agenciando o livro, nas suas três partes, epígrafes indicadoras desse aspecto. Na abertura à primeira seção, por exemplo, comparecem Petrarca e Horácio, com versos de total entrega do sujeito lírico à amada, vassalagem corroborada no poema subsequente: “O coração que bate neste peito / E que bate por ti unicamente” (1880:

Sonetos e Rimas XIII 11). O substrato romântico brota com maior vigor na segunda parte, dedicada na íntegra aos “Poetas Mortos”, todos românticos; as epígrafes a essa seção, pinçadas em Horácio, Camões e Balzac, apostam na imortalidade do artista, que, graças à arte, se vai “da lei da morte libertando”, ideia habilmente dramatizada pela estratégia de glosar o mote dos poetas (mortos) em poemas (vivos). Nota-se, então, que, ao contrário dos propugnadores da “Ideia Nova”, empenhados na Batalha do Parnaso contra o passado romântico, Luís Guimarães Júnior acata nossa tradição literária, nela se inserindo por uma espécie de continuidade espiralar, em que o passado não poda, mas aduba a autenticidade criativa do poeta; evidência disso é o fato de, nessa segunda porção, Guimarães Júnior encerrar os sonetos (em redondilhas maiores ou em decassílabos) com os mesmos versos dos autores fixados em epígrafe, como se seus poemas ganhassem vida pelo incessante diálogo com os poetas mortos, sem prejuízo de sua voz própria. A assunção destemida da subjetividade como norteadora do processo criativo reaparece nas epígrafes à terceira parte, extraídas dos românticos Espronceda (“Conforme esté mi humor, porque a él me ajusto / Y allá van versos donde va mi gusto”) e Gonçalves de Magalhães (“Se não faço melhor, é que não posso”). Patenteia-se a configuração personalizada de SonetoseRimastambém no tratamento poético do exílio, tema da mesma forma embasado na biografia de Luís Guimarães, que, diplomata, viveu mais de vinte anos no exterior. Encena-se o isolamento do sujeito poético ou durante o doloroso afastamento da pátria (cf. “Fora da Barra” e “O Cruzeiro do Sul”), ou já na solidão da terra estrangeira (cf. “Nostalgia”, “Saudade das Montanhas” e “À Sombra dos Álamos”). No primeiro caso, enfeixam-se os poemas no início do livro, como se a obra acompanhasse pari passu a viagem do poeta, de quem a natureza romanticamente se compa-

  • Page 1: Coleção Afrânio Peixoto Academia
  • Page 4 and 5: Academia Brasileira de Letras Luís
  • Page 6 and 7: COLEÇÃO AFRÂNIO PEIXOTO ACADEMIA
  • Page 8 and 9: VIII � Luís Guimarães Jr. voga
  • Page 10 and 11: X � Luís Guimarães Jr. atribuir
  • Page 14 and 15: XIV � Luís Guimarães Jr. dece:
  • Page 16 and 17: XVI � Luís Guimarães Jr. Amor
  • Page 18 and 19: XVIII � Luís Guimarães Jr. nos
  • Page 20 and 21: XX � Luís Guimarães Jr. vela a
  • Page 22 and 23: XXII � Luís Guimarães Jr. Ratif
  • Page 25 and 26: � Nota editoral E sta publicaçã
  • Page 27: � Sonetos e Rimas Aere Perennius
  • Page 30 and 31: 4 � Luís Guimarães Jr. errantes
  • Page 32 and 33: 6 � Luís Guimarães Jr. róis de
  • Page 34 and 35: 8 � Luís Guimarães Jr. que exul
  • Page 36 and 37: 10 � Luís Guimarães Jr. nenhum
  • Page 38 and 39: 12 � Luís Guimarães Jr. elegant
  • Page 40 and 41: 14 � Luís Guimarães Jr. tadupas
  • Page 42 and 43: 16 � Luís Guimarães Jr. teriam
  • Page 44 and 45: 18 � Luís Guimarães Jr. sões d
  • Page 47: A Cecília Guimarães No dia de seu
  • Page 50 and 51: 24 � Luís Guimarães Jr. Ó doce
  • Page 52 and 53: Nel mezzo del mio cor Madonna siede
  • Page 55 and 56: OEsquife Rosa d’amor, rosa purpú
  • Page 57 and 58: Fora da Barra Adeus! Adeus! Nas cer
  • Page 59 and 60: VisitaàCasaPaterna A minha Irmã I
  • Page 61 and 62: AMortedaÁguia A bordo vinha uma á
  • Page 63 and 64:

    Por isso, melancólica, tristonha,

  • Page 65 and 66:

    Sobre o barco pairou ainda, - e al

  • Page 67 and 68:

    A Minhas Irmãs. Meu Pai Cai a flor

  • Page 69 and 70:

    Noite Tropical Desceu a calma noite

  • Page 71 and 72:

    Natal - 23 de outubro de 1879 - Ei-

  • Page 73 and 74:

    Os Boêmios Os boêmios vão cantan

  • Page 75 and 76:

    Quem sabe? Na atroz romagem, Como c

  • Page 77 and 78:

    AAvó Ao noturno clarão da lâmpad

  • Page 79 and 80:

    Hora de Amor Reunimo-nos todos no t

  • Page 81 and 82:

    Arte Poética A Poesia és tu... N

  • Page 83 and 84:

    Diva Quando ela, trêmula e pura, C

  • Page 85 and 86:

    Súplicas Maternas A milionária ex

  • Page 87 and 88:

    OFarol Corta o navio as águas encr

  • Page 89 and 90:

    Tudo nos causa quebrantos E emoçõ

  • Page 91 and 92:

    O Danúbio Azul -“Desçamos ao ja

  • Page 93 and 94:

    MadrugadanaRoça Dentro da sombra m

  • Page 95 and 96:

    Dum Polo a Outro Vejo-te ao pé de

  • Page 97 and 98:

    Dia de Finados Por entre as largas

  • Page 99 and 100:

    Amar e Ser Amada Si Satanás pudies

  • Page 101 and 102:

    Paisagem O dia frouxo e lânguido d

  • Page 103 and 104:

    Mata Virgem Eu perdi-me na mata ime

  • Page 105 and 106:

    O Sol no Mar As grossas ondas quebr

  • Page 107 and 108:

    Miguel Ângelo e Moisés A RODOLFO

  • Page 109 and 110:

    O Filho A vida dele era uma gargalh

  • Page 111 and 112:

    Idade Média No seu terraço a pál

  • Page 113 and 114:

    Paris Fluctuat nec mergitur Flutua,

  • Page 115 and 116:

    E como os crentes que da falta isen

  • Page 117 and 118:

    Ernesto A minha Irmã Luiza. Foste

  • Page 119 and 120:

    E a voz da escrava como um ai de mo

  • Page 121 and 122:

    ABordo À noite a bordo quando tudo

  • Page 123 and 124:

    ABela Disse o nababo amoroso: - “

  • Page 125 and 126:

    OPiano Febril, nervosa, exausta, el

  • Page 127 and 128:

    No Álbum de Stanislao D’Atri, AR

  • Page 129 and 130:

    1872. Tu, ó querida, cujo belo nom

  • Page 131 and 132:

    As Vozes da Noite A A. CARLOS GOMES

  • Page 133 and 134:

    Versos de Stecchetti * Estala-me a

  • Page 135 and 136:

    Nas longas noites de luar brilhante

  • Page 137 and 138:

    Mal respirei, porém! Quando dormia

  • Page 139 and 140:

    Certo caíra além no mar profundo

  • Page 141 and 142:

    Veneza Não és a mesma, ó flor de

  • Page 143 and 144:

    O Coliseu Enquanto a Noite, que a c

  • Page 145 and 146:

    Nera Aos sinistros clarões de Roma

  • Page 147:

    As Duas Forças Duas águias solene

  • Page 150 and 151:

    Dignum laude virum Musa vetat mori.

  • Page 152 and 153:

    126 � Luís Guimarães Jr. Casimi

  • Page 154 and 155:

    128 � Luís Guimarães Jr. Álvar

  • Page 156 and 157:

    130 � Luís Guimarães Jr. Varela

  • Page 158 and 159:

    132 � Luís Guimarães Jr. Franco

  • Page 160 and 161:

    134 � Luís Guimarães Jr. Bruno

  • Page 162 and 163:

    136 � Luís Guimarães Jr. José

  • Page 165 and 166:

    TERCEIRA PARTE

  • Page 167 and 168:

    Per Amica Silentia... Pelas ondas d

  • Page 169 and 170:

    O que eu te disse nem o sei agora!

  • Page 171 and 172:

    A Hora do Repouso O mundo inteiro e

  • Page 173 and 174:

    Enlevo Quando eu contemplo os olhos

  • Page 175 and 176:

    Pois esses brancos Amores Alívio d

  • Page 177 and 178:

    AJangada Cinco paus mal seguros e e

  • Page 179 and 180:

    Aos Estados Unidos (No Centenário

  • Page 181 and 182:

    À Mulher Americana Cabe a ti o pra

  • Page 183 and 184:

    Arrulhos de Namorados -Não vês aq

  • Page 185 and 186:

    Tranças Amadas O cabelo é tal e q

  • Page 187 and 188:

    Noturno Del vostro bel cantar m’i

  • Page 189 and 190:

    Aspásia Tu és famosa, ó bela, é

  • Page 191 and 192:

    ACapela Está postada à beira mar:

  • Page 193 and 194:

    OViajante Quando da tarde a aragem

  • Page 195 and 196:

    Um dia aos seus ouvidos delicados S

  • Page 197 and 198:

    O sol vibrava as crepitantes setas

  • Page 199 and 200:

    Às vezes - só - em frente do dese

  • Page 201 and 202:

    Guitarra Cantei, ó bela, os dotes

  • Page 203 and 204:

    No entanto, nada fulgura Mais que o

  • Page 205 and 206:

    AumaCega IMITADO DO ITALIANO. Não

  • Page 207 and 208:

    Inverno Nas noites enregeladas, Nas

  • Page 209 and 210:

    Miss Perfection Era mimosa como um

  • Page 211 and 212:

    À Beira-Mar Le crepuscule est tris

  • Page 213 and 214:

    Señorita Não tem a neve dos Andes

  • Page 215 and 216:

    ACarta A cartinha gentil que me esc

  • Page 217 and 218:

    Cantiga Meu coração é um pobre U

  • Page 219 and 220:

    Incógnita Et vera incessu patuit D

  • Page 221 and 222:

    ALuanoMar Et, dans le ciel couleur

  • Page 223 and 224:

    G. CARDUCCI * OBoi Amo-te, ó manso

  • Page 225 and 226:

    A sertaneja morena Bonita, forte, p

  • Page 227 and 228:

    Minha rede é perfumada Como a folh

  • Page 229 and 230:

    Longe dos Homens A.C. Deixemos, sim

  • Page 231 and 232:

    Confidência “Ama!” è la voce

  • Page 233 and 234:

    Satanás Quando Satã, o Arcanjo fu

  • Page 235 and 236:

    E sonhou... O futuro horrífico e s

  • Page 237 and 238:

    Sorrento Nós chegamos à tarde...

  • Page 239 and 240:

    Deste à terra ingrata e rude, No t

  • Page 241 and 242:

    OBeijodaMorta ♠ Cresce a invernos

  • Page 243 and 244:

    Êxtase ♠ Olha-me assim, Madona..

  • Page 245 and 246:

    Venus Victrix ♠ De que profundos

  • Page 247 and 248:

    Paquita ♠ Como um fugaz suspiro,

  • Page 249 and 250:

    ALucindaSimões ♠ Quando percorre

  • Page 251:

    APÊNDICE

  • Page 254 and 255:

    228 � Luís Guimarães Jr. - “E

  • Page 256 and 257:

    230 � Luís Guimarães Jr. 1 �

  • Page 259 and 260:

    ÍNDICE Apresentação . . . . . .

  • Page 261 and 262:

    � Sonetos e Rimas 235 A Borralhei

  • Page 263 and 264:

    � Sonetos e Rimas 237 Duas Sombra

  • Page 265:

    � Composto em Monotype Centaur 11

Poesia - Academia Brasileira de Letras
Prosa - Academia Brasileira de Letras
Centenários - Academia Brasileira de Letras
Prosa - Academia Brasileira de Letras
Prosa - Academia Brasileira de Letras
Poesia Estrangeira - Academia Brasileira de Letras
Poesia - Academia Brasileira de Letras
O estouro da boiada - Academia Brasileira de Letras
Guardados na Memória - Academia Brasileira de Letras
Sala de Videoconferência - Academia Brasileira de Letras
Guardados da Memória - Academia Brasileira de Letras
Prosa 1 - Academia Brasileira de Letras
Poesia - Academia Brasileira de Letras
Prosa - Academia Brasileira de Letras
Poesia - Academia Brasileira de Letras
Prosa (3) - Academia Brasileira de Letras
Prosa 2 - Academia Brasileira de Letras
Diverse Lingue - Academia Brasileira de Letras
Memória Futura - Academia Brasileira de Letras
Poesia Estrangeira - Academia Brasileira de Letras
Culto da Imortalidade - Academia Brasileira de Letras
Ciclo dos Fundadores da ABL - Academia Brasileira de Letras
REVISTA BRASILEIRA 70 - Academia Brasileira de Letras
Prosa - Academia Brasileira de Letras
Poesia - Academia Brasileira de Letras
Prêmio Sen. José Ermírio de Moraes - Academia Brasileira de Letras
Guardados da memória - Academia Brasileira de Letras
prosa - Academia Brasileira de Letras
Poesia - Academia Brasileira de Letras
Poesia - Academia Brasileira de Letras