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ABL-076 - Sonetos e rimas - L... - Academia Brasileira de Letras

ABL-076 - Sonetos e rimas - L... - Academia Brasileira de Letras

4 � Luís Guimarães

4 � Luís Guimarães Jr. errantes, a estes vortilhões da imaginação coletiva, a estas tendências sonoras da alma, sublimada por aspirações de mais generosa altura; chega e dá cor, acento, ironia e vida aos trechos anonimamente sentidos e colaborados por uma raça, ou simplesmente por uma geração. Tal é na poesia romântica o papel de Byron, de Schiller, de Madame de Staël, Thomaz Moore, Chateaubriand e Jean Paul, interpretando a inquietação atormentada, a febre delirante, e o frenético amor da sociedade do seu tempo. O público vem então maravilhosamente disposto a compreender essa poesia que ele propulsionou sem assinar e que reflete o seu momento psicológico, ao tempo que lhe está fortalecendo as tendências e lisonjeando as necessidades e as predileções. Idade de ouro para os poetas, aquela em que o público é inteiramente o contemporâneo da poesia vigente, e onde o sentimento individual do artista tem pouco a fazer numa obra tão intimamente enraizado no coração da turba 2 . 2 � Comme il ya dans la nature humaine une imbrisable unité, il est évident que l’oeuvre de littérature ou d’art conçue et produite ainsi par une necessité profonde doit manifester tout l’homme qui la conçoit et qui la produit, avec son sens particulier du monde et de lui-même, avec sa façon ou tendre ou amère de goûter le réel, avec son être enfin dans ce qu’il a de plus intime et de plus vrai. Mais cet être tient à son milieu par d’invisibles racines, comme une plante au coin de sol dont elle absorbe la sève. Donc, en se transcrivant dans son oeuvre, l’artiste se trouve avoir du coup transcrit quelque chose de ce milieu, une portion de cette grande âme contemporaine dont il est une des pensées, un peu du vaste coeur de sa génération dont les battements retentissent en lui. Il résulte de là que, si la poésie d’un poète se trouvait absolument en dehors de toute date et de toute époque, elle serait une oeuvre de mort, simple curiosité d’école, bonne à divertir des scoliastes, mais incapable de servir de pâture vivante à des hommes vivants. PAUL BOURGET [N. do A.] Como há na natureza humana uma unidade inextricável, é evidente que a obra literária ou artística, concebida e produzida por uma necessidade profunda, deve assim manifestar todo o homem que a concebeu e produziu, com sua percepção particular do mundo e de si mesmo, com sua maneira, terna ou amarga, de experimentar o real, com sua essência, enfim, mais íntima e mais verdadeira. Mas essa essência enreda-se em raízes invisíveis, como uma planta no solo do qual ela absorve a seiva. Assim, transcrevendo-se na obra, o artista transcreve ao mesmo tempo alguma coisa desse meio, uma parcela dessa grande alma contemporânea de que ele é uma das expressões, um pouco do vasto coração de sua geração, cujos batimentos nele ressoam. Resulta daí que, se a poesia de um poeta estivesse absolutamente fora de qualquer data ou época, ela se tornaria uma obra morta, mera curiosidade escolar, boa para divertir os escoliastas, mas incapaz de alimentar os homens vivos. [N. do O.]

Sonetos e Rimas 5 Este estado d’inteira adaptação entre a obra dum espírito e o espírito duma época dá-se quando a humanidade atravessa estados d’incerteza ou d’angústia, ou às horas de transição em que uma idade está morta, quando ainda outra mal vem alvorecendo. O poeta faz-se então o apóstolo da ansiedade geral, o profeta da aurora que nem boceja sequer ainda entre os escombros. É Leopardi em Recanati, aos vinte anos, pondo a sua tristeza de raquítico em versos febris e límpidos, e elevando-se por ela à expressão mais patética da dor. É Herculano em Plymouth, chorando as saudades da pátria crucificada ao miguelismo, ou inspirando as suas elegias nos conflitos liberais de 32 e 34. É Byron tentando esculpir, na selvageria das suas figuras, a revolta do gênio contra os pequenos moldes da sociedade artificial que lhe reprovava as excentricidades. Walter Scott, o clarificador da história, segundo Hazlitt, renovando o interesse histórico na literatura escocesa por um gênio de narrador sem rival. E Baudelaire, Musset, Rollinat e Richepin, exprimindo a saciedade cética e a inquietação nevrótica e doentia das nossas civilizações atuais. Porém, a crise passa, resolveu-se a dificuldade política, o cadafalso ou o exílio levaram o tirano que motivara a revolução. Na sua labutação incansável de mineiro, a humanidade depara com novos filões vitais que lhe avigorentam a trama, sacudindo-lhe a tristeza enervante. Uma outra era sorri. Aquele estado do ser moral coletivo evaporou-se e foi curado. E eis que a musa desflorada emurchece da frescura radiosa que primeiro fizera chispar cintilas nos corações opressos! Por forma que se escreverá desta poesia o que Guy Patin já dissera de certos remédios em moda – que era i-los tomando enquanto curavam. De fato, quem compreende hoje a musa católica de Chateaubriand? Onde reboa um eco sequer da poesia jacobita de Diana de Vernon? Que he-

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