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ABL-076 - Sonetos e rimas - L... - Academia Brasileira de Letras

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36 � Luís Guimarães

36 � Luís Guimarães Jr. Um dia, enfim, o animal valente Resistindo aos martírios, – largamente Respirou a amplidão. A asa possante Abrir tentou de novo. Aberta estava A jaula colossal que o esperava: Forçoso era partir. Desde esse instante, Muda, sombria, a águia pensativa, Solene mártir, vítima cativa, Terror dos vis, e símbolo dos bravos, Pediu a morte a Deus, – pediu-a ansiosa, Longe, porém, da corte vergonhosa Desse covarde e baixo rei de escravos. Pediu a morte a Deus, o cataclismo, As convulsões elétricas do abismo, As batalhas do ar! Morrer num grito Vibrante, imenso, heroico, soberano, E rolar sobre as ondas do Oceano, Como um titão caído do infinito. Morrer livre, cercada de vitórias, Como suas asas – pavilhão de glórias – Inundadas da luz que o sol espalha: Ter o fundo do mar por catacumba, As orações do vento que retumba, E as ferventes espumas por mortalha.

Por isso, melancólica, tristonha, Como um gigante mórbido que sonha, Fitava, às vezes, o revolto Oceano Com esse olhar nublado e delirante, Com que saudava a César triunfante O moribundo gladiador romano. O comandante – urso do mar bondoso – Disse um dia ao escravo planturoso, Ao portador do imperial presente: “Leve-a ao convés. Verá que esse desmaio Basta para apagá-lo um brando raio Do largo sol no rúbido oriente”. Subiu então a jaula ao tombadilho: Do nato dia o purpurino brilho Salpicava de luz o céu nevado... E a águia, elevando a pálpebra dormente, Abriu as asas ao clarão nascente Como as hastes de um leque iluminado. O mar gemia, lôbrego e espumante, Açoitando o navio; – além – distante, Nas flamejantes bordas do horizonte, As matutinas névoas que ondulavam, Em suas várias curvas figuravam Os largos flancos triunfais de um monte. � Sonetos e Rimas 37

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