12.06.2023 Views

A Vida é uma viagem

Uma pesquisa que busca entender como é a relação entre a publicidade voltada ao setor de viagens e o público acima dos 60 anos, a partir de diálogo com as pessoas que fazem parte desta faixa etária.

Uma pesquisa que busca entender como é a relação entre a publicidade voltada ao setor de viagens e o público acima dos 60 anos, a partir de diálogo com as pessoas que fazem parte desta faixa etária.

SHOW MORE
SHOW LESS

You also want an ePaper? Increase the reach of your titles

YUMPU automatically turns print PDFs into web optimized ePapers that Google loves.



Com os avanços da medicina e

desenvolvimento de novas

tecnologias que são utilizadas para

melhorar a vida das pessoas, a

população mundial tem aumentado

sua expectativa de vida. Isso

aconteceu mesmo com a pandemia

de Covid-19, que acabou prejudicando

a expectativa de vida da população

mundial.

A expectativa média de vida do povo

brasileiro atualmente é de 77 anos. E

junto do aumento da expectativa de

vida há também o crescimento do

número de pessoas pertencentes a

faixa etária que configura o grupo 60+

ou a chamada terceira idade. Em

2022 a população com 60 anos ou

mais somava 31,5 milhões de pessoas.

Previsões da ONU apontam que o

Brasil contará com uma população

idosa de 66,5 milhões até 2050,

passando a ocupar o 5º lugar entre as

maiores populações idosas do

mundo.

Lorem ipsum

dolor sit amet,

Diversos dados consectetur demonstram que

estamos passando

adipiscing elit.

por uma

transformação na pirâmide etária

Aenean imperdiet

brasileira, em que cada vez mais a

população com purus 60 anos in sapien ou mais será

essencial para semper a economia. congue.

As pessoas Vivamus que fazem faucibus parte do

grupo com risus 60+ estão quis consumindo

cada vez mais, buscando lazer, novas

molestie

experiências e vivendo intensamente

hendrerit. Nam ac

essa nova fase de suas vidas. Isso

acontece pois pharetra esse justo grupo está

buscando viver com cada vez mais

qualidade, não apenas uma boa

saúde física, mas também levando

em conta a saúde mental.

Essa faixa etária tem sido tão ativa

financeiramente que o consumo

gerado por esse grupo foi batizado de

“economia prateada”, em

homenagem aos cabelos grisalhos

que são uma das características do

avanço da idade. Essa participação

econômica não seria diferente em

relação ao turismo.

2


SESSENTA +

A busca por explorar novos

horizontes vem crescendo cada vez

mais e o turismo é uma das

atividades que o público da terceira

idade tem usufruído. No último

levantamento realizado pelo

Ministério do Turismo, as pessoas

acima dos 60 anos são responsáveis

por 15% das viagens domésticas, ou

seja, realizadas em território nacional

e 10% das viagens internacionais.

Mas mesmo o turismo sendo uma

atividade de interesse do entre o

público 60+, essa é uma atividade

econômica - assim como diversas

outras - que depende de anúncios

publicitários para incentivar as

compras, porém a publicidade está

passando por um desafio: fazer com

que o público em questão se veja

representado nas publicidades.

Lorem ipsum

dolor sit amet,

Segundo um consectetur

estudo chamado “A

revolução da

adipiscing

longevidade”,

elit.

realizado

pela AlmapBBDO em conjunto com a

Aenean imperdiet

Qualibest, que ouviu 1.055 pessoas

pertencentes purus aos grupos in sapien ABC, acima

de 50 anos e semper de todas congue. as regiões do

Brasil, as pessoas Vivamus acima faucibus dos 50 anos

não se veem risus representadas quis

nas

publicidades.

molestie

Algumas hipóteses podem ser

hendrerit. Nam ac

levantadas com relação a isso, mas

segundo pesquisas pharetra acadêmicas*, justo um

dos principais motivos para as

pessoas desse grupo etário não se

sentirem representadas é a

percepção de que nossa publicidade

olha de maneira simplificada e

superficial para o envelhecimento.

Dessa forma acabamos abrindo

espaço para o uso de estereótipos, e é

importante ressaltar que se a

publicidade demonstra algum tipo de

estereotipia é porque isso está

presente em nossa sociedade

contemporânea também.

*MACHADO, C. M. Estereótipos e novos retratos do envelhecimento na publicidade: marcas brasileiras e o desafio de

criar identificação com o público da terceira idade. Portugal, Universidade Fernando Pessoa, 2020.

3


60+

Para saber um pouco mais sobre como as empresas retratam as pessoas do grupo 60+, foram

realizadas análises de conteúdos que podem ser encontrados nos sites das principais empresas do

ramo do turismo no Brasil.

Foram analisadas as seguintes empresas: 123Milhas, a empresa que mais investiu em anúncios no

Brasil durante o ano de 2022; a Decolar, a maior plataforma digital voltada ao turismo da América

Latina; e a CVC, agência de viagens que opera no Brasil há mais de 50 anos e é uma das pioneiras do

ramo em nosso país.

Ao analisar as empresas acima, foi possível evidenciar que a representação da pessoa idosa não está

presente em seus anúncios. E essa escolha não é justificada, pois as representações de pessoas e

famílias jovens, inclusive com crianças, aparecem em diversos momentos. Ou seja, não há uma

escolha em não utilizar a representação de pessoas em suas imagens, mas há uma escolha explícita

sobre qual o perfil a ser representado.

Para entender um pouco mais sobre os efeitos dessa forma de publicidade, buscamos conversar

com as pessoas que podem nos contar um pouco mais sobre isso: pessoas que gostam de viajar,

viajam bastante e tem mais de 60 anos. A seguir você poderá conferir trechos das entrevistas que

foram realizadas:

4


ENTREVISTA #01

5


4 - Ao observar essas imagens, qual tipo de

sensação eles te despertam como

consumidor(a)?

Jussara da Rosa Zuffo,

aposentada e psicóloga, 70 anos

1 - Qual a frequência com que você viaja?

“...Já fui para os EUA, Orlando, Miami, Flórida com

meu marido. Fiz duas viagens com minha filha e

uma com meu filho junto e a minha nora. Nós

fomos para a Europa, fomos para Portugal,

Espanha, Holanda e para a França...Também teve

uma viagem que fomos somente eu e meu

marido, nós fomos para a Flórida e Las Vegas, só

nós dois, sem falar muito inglês, ele nada eu um

pouquinho só e conseguimos viajar. Foi em 2017.”

2 - Ao viajar, quem toma a decisão de destino,

valores, compra de passagens e afins?

“Na viagem que nós fizemos só eu e ele (o marido),

pra Flórida toda e para Las Vegas, foi uma escolha

nossa fazer essa viagem. Meu marido gosta de

viajar, mas os filhos nos direcionaram, dizendo

que é bom um lugar ou outro, mas a decisão de ir

era nossa, mas já tínhamos um roteiro, a princípio

eles é que fizeram as reservas de hotéis, mas aí

precisei aprender a lidar com o celular durante a

viagem para fazer novas reservas em outros

lugares que queríamos parar... Inclusive, eu gostei

porque tive a oportunidade de aprender muita

coisa, inclusive como chamar um Uber.”

3 - Por onde você costuma comprar suas

passagens e/ou pacotes de viagens?

“As viagens que realizamos me lembro das

passagens serem compradas direto com a

empresa aérea”

“Gostamos de viajar sem excursão, sem grupo, nós

preferimos viajar com o horário mais livre, sem

aqueles compromissos de estar em determinado

horário em um saguão do hotel.”

“As primeiras imagens mostram um local,

uma família, todos rindo em uma idade

adulta... Na imagem com idosos não me

mostram o local, não mostra uma imagem

bonita tanto quanto parecia no da família...

Ali não mostram imagens que sejam para

viajar.”

“As primeiras imagens me dão uma

sensação mais de alegria, as dos idosos a

sensação de que os idosos vão viajar, tô

fazendo uma propaganda pra pegar esse

público, mas não acreditando que esse

público vai viajar. E ao meu ver, o público

idoso de 60+, mesmo que com algumas

restrições em alguns momentos, é um

público que está viajando sim, gosta de

viajar e tem, muitas vezes, um poder

aquisitivo bom para viajar. Tá faltando,

talvez, um direcionamento maior das

empresas.”

“As primeiras imagens que apareceu a

família ali, enchem os olhos e essa imagem

aqui tá mostrando os idosos apenas, não tá

mostrando um lugar bonito, e você viaja já

com a primeira impressão do lugar bonito.

Então acho que isso motiva muito mais, eu

viajaria até muito mais... entusiasma muito

mais.”

“O mesmo entusiasmo que eles têm com

fazer coisas para jovens e para família, eles

deveriam ter com os idosos, apresentando

de um modo mais atraente, inclusive

oferecendo pacotes com ajuda,

disponibilizamos uma ajuda por WhatsApp,

acho que isso atrairia muito mais.”

6


5 - Você se recorda de alguma publicidade

voltada a viagens ou outro produto que te

influenciou em comprar passagens para uma

viagem? Se sim, o que te chamou a atenção?

“Na época do verão, eu queria muito comprar

um biquíni, uma roupa de praial e o colorido

das é propagandas ali me chamou a

atenção, e eu nunca tinha comprado pela

internet e nesse momento acabei comprando

porque o colorido e o modelo e tal

conseguiram me chamar a atenção, acabei

comprando. E a mensagem foi clara sobre o

que eles estavam vendendo.”

“Comprei porque a mensagem era bem

clara.”

6 – Qual a maior dificuldade que você já

enfrentou em viagens?

“Quando as pessoas viajam só contam o que

é bom e o que é bonito, geralmente não

contam os perrengues, então eu vou contar o

que aconteceu comigo: voltei do café e fui me

vestir, e eu estava responsável pela doleira

onde estávamos guardando o dinheiro,

fizemos o check out e fomos visitar um local

que era distante do hotel e quando fui ao

banheiro desse local eu percebi que estava

sem a doleira, sai do banheiro branca...

Acabamos conseguindo recuperar a doleira

depois de algum tempo, mas isso ficou como

um marco da nossa viagem para Las Vegas.”

7 – O que viajar significa para você?

“Liberdade. Liberdade e alegria, é

descontração, saúde, acho que são essas as

palavras. Acho que é isso.”

"teve uma viagem que fomos somente

eu e meu marido, nós fomos para a

Flórida e Las Vegas, só nós dois, sem

falar muito inglês, ele nada eu um

pouquinho só e conseguimos viajar.

Foi em 2017.”

7


ENTREVISTA #02

8


Yara do Rocio Bonat Trevisan,

professora aposentada e psicóloga, 66 anos

Pergunta 1

“Passei a viajar mais depois da aposentadoria,

antes eu ia mais para a praia mesmo, mas depois

da aposentadoria é que passei a fazer viagens

mais longas... E ao menos uma vez ao ano faço

uma viagem um pouco maior...”

Pergunta 2

“Geralmente sou eu quem define o destino,

ultimamente tem sido em função dos filhos, mas

antes era por curiosidade mesmo de conhecer

outros lugares... “

“Em 2009 foi a primeira vez que meu marido e eu

fomos para a Europa, em Portugal, daí fui eu

quem organizou tudo. Pegamos uma excursão,

então foi muito mais fácil, então foi muito

tranquilo. Depois disso fizemos mais excursões

onde conhecemos Paris, Londres e a Itália de cima

a baixo, porque naquela época o meu objetivo

principal era ir para a cidade de origem da minha

família, Mezzano, no Trentino, na Itália.”

“Então, esse era o grande objetivo da minha vida,

era ir para a Itália e ir para a cidade de origem do

meu bisavô, e fazer isso foi a realização de um

sonho.”

“Quando eu organizei tudo, já tinha internet e eu

olhava aquelas montanhas e dizia que queria

estar lá, e quando vi eu estava lá! Foi muito

emocionante!”

Pergunta 3

“Geralmente, principalmente com viagens

internacionais, eu tenho um agente de viagens, ou

em alguns momentos minha filha é quem compra

quando o destino é onde ela está. E algumas que

são nacionais eu já me arrisquei comprando pela

internet, comprei pela Decolar, reserva de hotel

pelo Booking, então já fiz algumas compras por

conta própria, mas ainda acho um pouco

arriscado, mas parece algo fácil.”

“Quando eu organizei tudo, já

tinha internet e eu olhava aquelas

montanhas e dizia que queria estar

lá, e quando vi eu estava lá!

Foi muito emocionante!”

9


Pergunta 4

“Eu gosto de viajar e todos os anúncios acabam

me chamando a atenção por ser sobre algo que

eu gosto, então eu já tenho uma identificação

com o tema. Agora, talvez a primeira imagem,

onde não tem ninguém, tenha me chamado mais

a atenção, por estar em aberto ali. Parece que

existe um caminho ali e eu posso querer ir por

aquele caminho. Gostei muito dessa imagem por

parecer um convite, porque nela você não limita

a idade de ninguém, há uma ideia de roteiro ali,

mas ao mesmo tempo tem um caminho que

pode te levar adiante. Foi a imagem que eu mais

gostei. Incrível, né? É exatamente onde não tem

ninguém (risos).”

“No momento em que você insere uma pessoa,

parece que já está colocando um ‘limite de idade’,

é como se dissesse: aquela excursão é para quem

tem criança, por exemplo, ou aquele ali é só para

gente velha. Mas o que está em nossa sociedade

muitas vezes é isso, ‘será que está limitado? Será

que é algo direcionado para aquela faixa etária?

Aqui (primeira imagem), está em aberto.”

Pergunta 5

“Me lembro da 123Milhas, não lembro ao certo,

mas que faz um convite que passa uma

segurança, dizendo que você pode comparar tal e

tal coisa, e dizendo que eles podem te ajudar, já

direcionando para que você possa fazer uma

escolha melhor, mais consciente.”

“Para eu comprar algo levo em conta o respeito

ao consumidor, não uma coisa de quero te vender

isso a qualquer custo, eu quero que entendam

que eu sou uma pessoa, que me tratem como

alguém importante que tem as suas preferências.

Uma publicidade que respeite a pessoa, as

diferenças entre as pessoas e que apresente

apenas a juventude, quem tem poder aquisitivo,

mas que faça um convite para todo mundo para

comprar determinado produto, de maneira que

faça ser mais fácil essa compra.”

Pergunta 6

“Mas a pior foi ano passado retornando dos EUA,

eu estava mancando, tenho problema no quadril,

mesmo assim me movimentei bastante na

viagem, não queria saber de descansar. Mas nesse

retorno, mudaram o portão e nós estávamos ali

sentadinhos em Guarulhos e do nada mudam o

portão, mudaram de um extremo do aeroporto

para o outro, e eu mancando atravessei o

aeroporto, o problema é que chegando lá,

mudaram o portão novamente, sei que eu

atravessei uma duas vezes o aeroporto e

mancando. Na verdade, acaba sendo mais

estressante o aeroporto do que o voo.”

“Nunca me aconteceu nada grave, mas todo

mundo passa por algum perrengue.”

“Mas uma das maiores dificuldades sempre é o

idioma.”

Pergunta 7

“Ahhh, aprendizagem, essa é a primeira coisa

para mim: aprender. Conhecer lugares, conhecer

pessoas, aprender a lidar com a tecnologia...E

viajei a primeira vez de avião com quase 40 anos

e para entender como funcionava a bandeja, o

banheiro, enfim, foi um processo de estimulação

cognitiva maravilhoso para mim.”

10


ENTREVISTA #03

11


Vera Regina Glock,

aposentada, 62 anos

Pergunta 1

“Ao menos 2 vezes por mês eu viajo para

algum lugar, vou bastante para a praia, São

Paulo, Arapongas, enfim.”

Pergunta 2

“Sou eu que decido.”

Pergunta 3

“Compro tudo com um agente de viagens que

sempre me atendeu.”

Pergunta 4

“Esse mar me lembra o Caribe e me faz

sonhar em voltar para lá e ver toda essa

beleza.”

“Olha, pra ser sincera eu iria comprar algo

com esse anúncio (anúncio com idosos),

porque eu tenho uma sensação de que já vivi

e que não consigo acompanhar um pessoal

mais novo.”

“Acredito que a CVC e todas as outras

empresas deveriam ter um pacote especial

para pessoas com mais idade.”

“Viajei várias vezes com um grupo que

atendia na Espanha e Portugal e eles

atendiam a gente muito melhor do que

empresas daqui.”

Pergunta 5

“Muitas vezes eu sonhava em estar em algum

lugar com paisagens bonitas e comendo algo

bom, quando essas eram as imagens de um

anúncio eu me interessava, exatamente por

conseguir me imaginar nesse lugar. É isso que

me chama a atenção.”

“Toda vez que eu pensei em viagem é com

pessoas alegres e com paisagens bonitas.”

Pergunta 6

“Acho que a maior dificuldade que eu tive foi

com relação à linguagem, eu não falo

nenhuma outra língua, mesmo assim eu

nunca tive medo de viajar, pra mim tudo

parece uma aventura sempre.”

Pergunta 7

“Significa realizar sonhos, de conhecer novos

lugares que eu já vi em alguma TV ou cartaz,

conhecer lugares novos.”

“Significa realizar sonhos, de

conhecer novos lugares que eu já

vi em alguma TV ou cartaz,

conhecer lugares novos.””

12


Ao dialogar com pessoas que fazem parte do grupo de 60 anos ou mais, é possível perceber que há

um equívoco na forma como as empresas entendem ser o melhor formato para realizar um diálogo

com esse público em anúncios publicitários.

Com as respostas obtidas nas entrevistas, dá perceber que o principal fator de rejeição é o fato de

haver um delimitador de idade para viajar, que as pessoas são divididas apenas por suas faixas

etárias e não por aquilo que se sentem capazes de fazer.

É preciso repensar isso, entender que os sentimentos que a publicidade suscita devem ser de

aspirações para um futuro. Não à toa a imagem sem pessoas foi a preferida das entrevistadas. Para

aprofundar o estudo, seria essencial uma continuidade da pesquisa buscando respostas em outras

faixas etárias.

Por ora, podemos dizer que não estamos falando sobre uma necessidade de representação, mas

sim de uma necessidade de reinvenção e compreensão de quais são os novos perfis que compõem

o grupo 60+.

13



Hooray! Your file is uploaded and ready to be published.

Saved successfully!

Ooh no, something went wrong!