Boletim_Warming_012
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Warming
Uma Newsletter do PELD – CRSC
Boletim 012 Junho 2023
https://doi.org/110.6084/m9.figshare.24049941 Foto: Geraldo W Fernandes
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Uma Newsletter do PELD – CRSC
Boletim 012 Junho 2023
Warming
Uma Newsletter do PELD – CRSC
Boletim 012 Junho 2023
Índice
1.
2.
3.
4.
5.
Editorial...............................................................................................
Como as plantas vão sobreviver ao clima do ano 2100?.........................
A importância das matas ciliares na proteção das abelhas das
orquídeas.............................................................................................
A importância da Cadeia do Espinhaço para a segurança hídrica no
Brasil...................................................................................................
Peld-CRSC nos eventos:
2
4
6
8
5.1
Peld-CRSC no lançamento do Centro de Conhecimento em
Biodiversidade...........................................................................
10
5.2
Peld-CRSC no II Congresso Internacional de Ciência, Biodiversidade e
Sustentabilidade (SciBioSus).........................................................
11
5.3
Peld-CRSC no Insect Week (Semana dos Insetos): O Incrível Mundo
dos Insetos.................................................................................
12
6.
A ciência que eu faço:
Dr. Frederico de Siqueira Neves..................................................
14
7. Produção científica do Peld-CRSC (2023/2ª Parte)................................... 15
Você tem novidades ou informações científicas sobre o nosso campo rupestre?
Então compartilhe em nossos boletins, entre em contato escaneando ao lado.
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Uma Newsletter do PELD – CRSC
Corrégo da Serra do Cipó
Junho 2023
Foto: Diego Castro
Warming
Uma Newsletter do PELD – CRSC
1. Editorial
A
12ª edição do boletim Warming
traz para o público resumos de
importantes contribuições do
nosso projeto de Pesquisas Ecológicas
de Longa Duração sobre os efeitos das
mudanças climáticas, sobre a diversidade
de abelhas da Serra do Cipó e
ainda sobre a importância das serras
que compõem a Cadeia de Montanhas
do Espinhaço para regulação hídrica
do nosso Brasil. Além disso, apresentamos
informações sobre a participação
da equipe Peld-CRSC em uma variedade
de eventos nos últimos meses, bem
como, o estreitamento de laços entre o
Peld-CRSC e um dos mais recentes Institutos
Nacionais de Ciência e Tecnologia
(INCT), o Centro de Conhecimento
em Biodiversidade.
O Peld-CRSC está vinculado a diversos
projetos de pesquisas que estudam
os efeitos advindos das mudanças climáticas
em plantas e animais, sobretudo
nos ambientes de montanhas. E
primeira matéria traz os resultados de
um dos mais recentes estudos sobre os
efeitos do aumento de temperatura e
CO2 na atmosfera no desenvolvimento
do girassol até a produção de sementes.
Além disso, o estudo mostra como
a fisiologia da planta também muda
com as mudanças climáticas, alertando
a população para os riscos que essas
mudanças têm no nosso dia a dia e
na segurança alimentar.
Como sabemos, o Peld-CRSC produz
estudos sobre a diversidade de
uma infinidade de animais que vivem
nas montanhas, dentre entre eles, as
abelhas das orquídeas. Em nossa segunda
matéria apresentamos uma pesquisa
muito completa que deixa clara
a importância das matas ripárias para
manutenção na diversidade desses insetos
polinizadores de diversas espécies
silvestres e de interesse agronômico e
florestal.
O Peld-CRSC também é responsável
por revelar a importância da preservação
das montanhas para a manutenção
do regime hidrológico. A terceira
matéria demostra o mais recente mapeamento
da regulação hídrica fornecida
pelas montanhas da Cadeia do
Espinhaço. Nesta matéria explicamos
como conservar nossas montanhas
pode nos resguardar de eventuais crises
relacionadas a falta de água.
A equipe Peld-CRSC continua engajada
em estreitar relações com grandes
instituições e principalmente com a sociedade.
No quadro “Peld nos Eventos”
trouxemos um resumo do envolvimento
da nossa equipe em importantes eventos
de extensão. O Peld-CRSC marcou
presença no evento de lançamento do
Centro de Conhecimento em Biodiversidade
e em um estande do II Congresso
Internacional de Ciência, Biodiversidade
e Sustentabilidade (SciBioSus)
ambos em Belo Horizonte. Além disso,
a equipe Peld-CRSC em parceria com
os organizadores do Insect Week (Semana
dos Insetos), participou de uma
exposição interativa a crianças e adultos
no Parque Mangabeira em Belo
Horizonte (MG).
Por fim, em nossa última matéria do
boletim, o quadro “A ciência que Eu
Faço”, trouxemos uma entrevista com
o Vice coordenador do Peld-CRSC, o
cientista Dr. Frederico de Siqueira Neves.
Boa leitura!
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Uma Newsletter do PELD – CRSC
2. Como as Plantas Vão Sobreviver ao Clima do Ano 2100?
Figura 1. Girassóis cultivados em “cápsulas do tempo”; as câmaras que simulam as cindições atmosfériscas dos próximos anos. Foto: Maia, R.A.
A
s mudanças climáticas podem ser uma
das principais causas do desaparecimento
de espécies nos próximos anos
e causar efeitos nefastos em todo o planeta. O
mos sobreviver no futuro próximo?
Em um estudo inédito publicado em uma das
mais prestigiadas revistas de botânica do mundo,
Environmental and Experimental Botany, desta vez
demonstramos o impacto do aumento do dióxido
de carbono, combinado com altas temperaturas,
no desempenho do girassol. O Helianthus annuus
(nome científico) é um importante produto da indústria
do país, matéria prima para a produção de
óleos alimentícios e biodiesel. O cultivo tem aumentado
no Cerrado, bioma já castigado pela desertificação
e mapeado como um dos locais que
mais serão afetados pelo aumento da temperatura
e pela crise climática.
Mas além da importância econômica, outro fator
torna os girassóis um coringa para analisar a
sobrevivência do planeta. É a característica de metabolismo
dos girassóis no processo de fotossíntese.
Essa característica do girassol é similar a 84%
de todas as espécies de plantas do planeta (uma
aumento das temperaturas e da concentração
de gás carbônico (CO 2
) na atmosfera chegaram
aos maiores níveis já registrados. Com isso,
animais e plantas já estão ficando mais vulneráveis
e propensos à extinção. E não há mais
possibilidade de retornar aos padrões normais
do planeta. O que resta é descobrir formas de
sobreviver ao “novo normal”.
Para medir o impacto dessas transformações,
nós criamos as condições atmosféricas previstas
para o ano de 2100, com níveis mais altos de
CO 2
e temperaturas até 3ºC mais altas do que
a que temos atualmente. Nessas estufas, que
funcionam como cápsulas do tempo, cultivamos
plantas essenciais na alimentação e economia
brasileira para responder à questão: como vacategoria
chamada de C3). Isso significa que os
resultados com girassol indicam também o impacto
das emissões de carbono para a grande
maioria das plantas que temos ao nosso redor,
como soja, feijão, e muitas plantas dos nossos
jardins. Nós já utilizamos soja, milho e até lagartas
em estudos similares, demonstrando a
complexa interação entre as mudanças climáticas
e o comportamento das plantas.
Os girassóis foram inseridos em câmaras de
topo aberto, estruturas de acrílico com mais
de 2 metros de altura. Nessas câmaras, o gás
carbônico é injetado e monitorado, enquanto
o ambiente pode ser aquecido para simular as
condições de altas temperaturas que já estamos
enfrentando atualmente. O sistema é controlado
por instrumentos que avaliam os gases e o
calor a cada segundo.
E o que essas câmaras demonstraram é que
no “planeta do futuro”, com temperaturas mais
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altas e mais carbono na atmosfera, os girassóis
conseguiram se adaptar para realizar mais fotossíntese
e reduzir os danos causados pelo
clima. Mas, o custo dessa adaptação é muito
alto. As flores diminuíram de tamanho e passaram
a produzir muitas sementes vazias e pólen
é de pior qualidade. Até a cor das pétalas ficou
diferente.
As consequências disso vêm em cadeia. As
implicações podem ser desastrosas, já que flores
com cores diferentes podem não ser mais
atrativas para as mesmas espécies de polinizadores
e o pólen, principal fonte de nutrientes
para eles, afetaria diretamente centenas de insetos
e pássaros.
As implicações do estudo vão muito além do
laboratório. Os efeitos do aumento do CO 2
e
da temperatura no planeta podem resultar em
grandes impactos na biodiversidade, na economia
e na alimentação mundial, caso não
consigamos reverter as emissões de gases no
planeta. Compreender a extensão completa
desses efeitos é essencial para o desenvolvimento
de estratégias eficazes de mitigação e
otimização na produção de alimentos e sustentabilidade
agrícola diante das mudanças
climáticas.
Em um trabalho ainda em discussão com
cientistas de São Paulo, e parceiros do projeto
Peld, pretendemos num futuro próximo testar
mais algumas espécies de plantas do campo
rupestre e ampliar as possibilidades de entender
como será este impacto nas montanhas do
Brasil.
Veja
Maia, R. et al. 2023. Sunflower physiological
adjustments to elevated CO 2
and temperature do not
improve reproductive performance and productivity.
Environmental and Experimental Botany 213: 105448.
Escaneando o código ao
lado, você pode assistir uma
materia sobre este estudo
em no Jornal Minas da Rede
Minas.
Escaneando o código ao
lado, você pode assistir uma
materia sobre este estudo em
no Jornal Nacional da Rede
Globo.
Por:
Renata Maia
Doutoranda em Ecologia,
Conservação e Manejo
da Vida Silvestre pela
UFMG, Laboratório de
Ecologia Evolutiva e
Biodiversidade (LEEB).
Raíra Saloméa
Jornalista e Mestre em
Comunicação Científica
pela UFMG, Bolsista
do programa Rede
Pantanal.
Geraldo W Fernandes
Coordenador do Projeto
PELD Serra do
Cipó, Prof. Titular de
Ecologia pela UFMG
e Membro Titular da
Academia Brasileira de
Ciências.
Figura 2. As câmaras de topo aberto funcionam como cápsulas do tempo, simulando as condições
atmosféricas do planeta daqui a 77 anos. Arte: Kenedy-Siqueira, W.
Como citar:
Maia, R. A., Saloméa, R., Fernandes, G. W. 2023. Como as plantas
vão sobreviver ao clima do ano 2100?. In: Fernandes, G. W., Ramos
L., Saloméa, R., Kenedy-Siqueira, W. Warming 12:4-5. https://doi.
org/110.6084/m9.figshare.24049941
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3. A Importância das Matas Ciliares na Proteção das Abelhas das Orquídeas
Figura 1. Abelha de orquídia pousada em uma tampa de garrafa. Foto: Freitas, CD.
As abelhas das orquídeas despertam
grande fascínio, principalmente
aquelas pertencentes ao gênero
Euglossa, devido às suas cores metálicas
vibrantes, como azul, verde, violeta e
laranja, distintas das cores mais comuns
amarelo e preto da abelha africanizada.
Além disso, seu comportamento peculiar de
coletar fragrâncias naturais para cortejar
as fêmeas acrescenta ainda mais encanto
a essas abelhas. Essas espécies de abelhas
apresentam enorme importância ambiental,
desempenhando papel crucial na polinização
de um grande número de espécies de
plantas, principalmente a das orquídeas.
Elas são capazes de voar longas distâncias,
percorrendo até 40 km, o que lhes permite
polinizar espécies em regiões isoladas,
conectando as populações e manutendo a
diversidade biológica.
Na Serra do Espinhaço, o ambiente
montanhoso é conhecido por apresentar
uma notável diversidade de vegetação,
marcada pela presença de verdadeiras
ilhas de diferentes tipos de ambientes.
Esses fragmentos isolados se assemelham a
pequenos arquipélagos vegetais. Cada um
desses fragmentos pode abrigar comunidades
vegetais únicas e distintas, nas quais a ação
de polinizadores de longa distância, como as
abelhas das orquídeas, é fundamental para a
reprodução cruzada e a troca genética entre
as populações de plantas.
Por outro lado, esses ambientes
montanhosos do Espinhaço apresentam
condições ambientais extremas. À medida
que se sobe a montanha, as temperaturas
diminuem gradualmente, a radiação solar se
torna mais intensa, os solos tornam-se mais
rasos, entre outros fatores. O campo rupestre
é a vegetação dominante nas áreas secas
e caracteriza-se pelos arbustos esparsos e
pequenas árvores retorcidas. As condições
ambientais presentes nesse ambiente
desafiador são muito diferentes do ambiente
onde encontramos a maior diversidade de
abelhas das orquídeas, as florestas tropicais
úmidas.
O ambiente que mais se assemelha às
melhores condições para abrigar as abelhas
das orquídeas no Espinhaço são as matas
ciliares que ocorrem ao longo de todas as
faixas de altitude. Essas matas são mais
densas e compostas por árvores, e estão
sempre próximas a cursos d’água e nos
cânions.
Nosso estudo testamos a hipótese que
as matas ciliares desempenhassem um papel
fundamental como refúgio e provedoras
de recursos adicionais para as abelhas
das orquídeas, permitindo que elas se
deslocassem para áreas mais áridas. Esse
papel teria uma relevância ainda maior
durante a estação seca, já que é nesse
período que as flores presentes nestas áreas
dependem dos polinizadores para produzir
semenstes e perpetuar sua existência.
Para testar essa ideia, colocamos
armadilhas de perfume para atrair os
machos das abelhas das orquídeas tanto
nos ambientes úmidos (matas ciliares) como
nos ambientes ambientes áridos (cerrado
e campo rupestre) a cada 100 metros de
altitude, começando a 800 metros até o topo
em 1400m de altitude.
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Uma Newsletter do PELD – CRSC
A
B
para garantir a presença das abelhas das
orquídeas no ambiente.
C
D
O estudo deixou claro que as matas
ciliares pela sua formação florestal e umidade
constante, proporcionam um ambiente mais
estável e propício para a presença e atividade
das abelhas ao longo de todo o ano. Portanto,
essas matas ciliares desempenham um papel
vital na conservação da diversidade de
abelhas, especialmente durante a estação
seca, ao fornecer um refúgio e recursos
essenciais para esses polinizadores de grande
importância. As matas ciliares funcionam como
pontos de conexão e fonte de colonização
para os ambientes aridos, contribuindo para
a sobrevivência das abelhas e a manutenção
da diversidade biológica nessas paisagens
serranas de Minas.
E
F
Veja
Freitas, C.D., Novais, S. Santos-Júnior, J.E., Resende,
F.M., Oki, Y. & Fernandes, G. W. (2023) Distribution
patterns of orchid bees in xeric and mesic habitats on a
tropical mountaintop. Insect Conservation and Diversity,
16: 658-673.
Por:
Catarina Dias de Freitas
Figura 2. (A) Abelha da orquídea do gênero Euglossa de cor verde metálica (B) Abelha da orquídea
Eulaema cingulata dormindo dentro da armadilha de perfume (C) Mata ciliar em uma matriz de
vegetação xérica próxima a pedra do elefante 1200 m altitude. (D) Área de cerrado em 900 metros
de altitude. (E) Área mésica (mata ciliar) amostrada na estação seca (F) Área mésica na estação chuvosa.
Setas pretas mostram as armadilhas e a seta branca representa o ponto de referência (pedra)
que demarca a mesma área. Fotos: Freitas, C. D.
Ecóloga e Engenheira
Ambiental. Doutora
em Ecologia pela
UFMG.
O estudo inédito mostrou que diferentes
espécies de abelhas estavam presentes nas
faixas de altitude, mostrando preferências
específicas em relação às condições
ambientais encontradas em cada local. Na
estação chuvosa a maior número de espécies
destas abelhas foi encontrada nas altitudes
baixas onde o clima é mais quente e a
vegetação é mais densa. Entretanto, durante
a estação seca o maior número e abundância
de espécies das abelhas das orquídeas
foi encontrada nas altitudes intermediárias
da montanha onde há maior umidade neste
período do ano. O estudo mostrou também
que na estação seca o numero e abundância de
abelhas foi menor no ambiente seco do que no
ambiente úmido das matas ciliares. Mas com a
chegada das chuvas tanto os ambientes áridos
quanto os úmidos apresentaram a mesma
abundancia e número espécies de abelhas.
Portanto, deduzimos que a umidade e matas
mais fechadas são fatores muito importantes
Geraldo W Fernandes
Como citar:
Coordenador do Projeto
PELD Serra do
Cipó, Prof. Titular de
Ecologia pela UFMG
e Membro Titular da
Academia Brasileira de
Ciências.
Freiras, C. D. Fernandes, G. W. 2023. A Importância das Matas Ciliares
na Proteção das Abelhas das Orquídeas. In: Fernandes, G. W., Ramos
L., Saloméa, R., Kenedy-Siqueira, W. Warming 12:6-7. https://doi.
org/110.6084/m9.figshare.24049941
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4. A Importância da Cadeia do Espinhaço para a Segurança Hídrica no Brasil
Figura 1: Curso d’água na Serra do Cipós. Foto: Divulgação do Jornal de Uberaba.
O
fornecimento de água é um benefício
essencial para a vida no planeta
e é obtido da natureza. Sua disponibilidade
depende de diversos atributos ambientais
que variam de acordo com as regiões
do planeta. Uma dessas regiões de grande importância
é a Cadeia do Espinhaço, um grupo
de montanhas que se estende de Ouro Branco
em Minas Gerais até a Chapada de Diamantina
na Bahia, incluindo a Serra do Cipó. São
mais de 1200 de comprimento que variam de
100 a 200 km de largura! Apesar de guardar
alta biodiversidade e endemismo, essa região
enfrenta desafios decorrentes da intensa conversão
do uso da terra resultante do avanço
das atividades humanas. Como consequência,
a manutenção desse ecossistema e do bem-es-
tar das milhares de pessoas que dele dependem
está em risco.
Para que políticas e estratégias de conservação
e uso sustentável dos recursos naturais sejam
eficazes, é necessário que os tomadores de
decisões estejam dotados de boas informações.
Nesse sentido e com o objetivo de entender a dinâmica
da água na Serra do Espinhaço, também
chamada de regulação hídrica, utilizamos programas
computacionais para construir cenários,
modelagens e análises e assim melhor entender e
prever nossas ações sobre este recurso precioso.
O estudo revelou que a porção sul da Cadeia
do Espinhaço, localizada em Minas Gerais,
possui uma maior capacidade de fornecimento
hídrico em comparação com a porção norte,
presente no estado da Bahia. Essa conclusão
foi obtida a partir de três índices do processo
de modelagem, sendo eles: o fluxo rápido (escoamento
superficial da água que ocorre durante
ou logo após um evento de chuva), a recarga
local (que é a potencial contribuição de
uma região para a formação do curso hídrico)
e o fluxo base (que é a água que efetivamente
chega ao rio).
Para entender o porquê desse padrão de
distribuição da capacidade do Espinhaço em
fornecer água, analisamos quais seriam os
fatores e características ambientais que mais
influenciam esse processo. Vimos que a precipitação,
ou seja, a entrada de água no sistema
através de eventos de chuva, é o fator mais
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relevante, seguida por características do solo,
como a capacidade de escoamento, e pelo
uso da própria água pela vegetação. Essas
condições ambientais se diferenciam ao longo
da Cadeia do Espinhaço pelo fato de a região
estar localizada na convergência de três biomas
brasileiros, a Caatinga (caracterizada pelo
clima semiárido), o Cerrado e a Mata Atlântica
(ambos com climas tropicais e com maiores
ocorrências de eventos de chuva).
Mas porque é importante saber sobre a dinâmica
da água nessa cadeia de montanhas?
A resposta é simples: por que o Espinhaço possui
um papel fundamental para a segurança
hídrica no Brasil. Essas montanhas abrigam
cabeceiras de importantes rios ou contribuem
substancialmente para a perenidade dos mesmos,
dentre eles o rio São Francisco, o Doce
e o Jequitinhonha. Esses rios fornecem água
para mais de 400 municípios brasileiros!
Esse é o primeiro estudo que temos conhecimento
que mapeou a regulação hídrica
na Cadeia do Espinhaço. Os resultados
encontrados proporcionaram um avanço na
compreensão dos fatores que influenciam
a produção de água e sua manutenção no
sistema, possibilitando maior confiança para
proposição de medidas de conservação e
preservação de áreas estratégicas para a produção
de água. Além disso, o estudo destaca
a importância da ciência na produção de conhecimento
e de uma abordagem que integra
estratégias de manejo ambiental e planejamento
espacial na tomada de decisões que
visam promover a conservação e garantir a
segurança hídrica e o bem-estar das populações
nesta região.
Veja
Callisto, M., Gonçalves, J. F., & Ligeiro, R. (2016).
Water resources in the rupestrian grasslands of the
Espinhaço mountains. In Ecology and Conservation
of Mountaintop Grasslands in Brazil (pp. 87–102).
Springer International Publishing
Callisto, M., et al. (2019). A Humboldtian Approach
to Mountain Conservation and Freshwater Ecosystem
Services. In Frontiers in Environmental Science (Vol. 7).
Frontiers Media S.A.
Fernandes, G. W. (2016). Ecology and conservation
of mountaintop grasslands in Brazil. In Ecology and
Conservation of Mountaintop Grasslands in Brazil.
Springer International Publishing.
Por:
Bianca Lima
Bacharel em Ciências
Biológicas pela UFMG
Fernando Rezende
Pesquisador no Instituto
Internacional para
Sustentabilidade (IIS).
Biólogo, Mestre em
Ecologia pela UFMG
e Doutor em Ecologia
e Evolução pela UFG.
Geraldo W Fernandes
Coordenador do Projeto
PELD Serra do
Cipó, Prof. Titular de
Ecologia pela UFMG
e Membro Titular da
Academia Brasileira de
Ciências.
Figura 2: Mapa do índice de recarga local, que é a água que infiltra no solo e tem o potencial
de formar o fluxo que chega aos rios. Quanto maior o valor, maior o potencial da região em
formar a recarga local. Mapa: Bianca Lima.
Como citar:
Lima, B., Rezende, F., Fernandes, G. W. 2023. Como as plantas vão
sobreviver ao clima do ano 2100?. In: Fernandes, G. W., Ramos L.,
Saloméa, R., Kenedy-Siqueira, W. Warming 12:8-9. https://doi.
org/110.6084/m9.figshare.24049941
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Uma Newsletter do PELD – CRSC
5.1 Peld-CRSC no lançamento do Centro de Conhecimento em Biodiversidade
Figura 1. Palestrantes do evento “Agenda da Sustentabilidade ambiental na era da Biodiversidade”. Foto: Saloméa, R.
No dia 07 de junho de 2023 o Projeto Ecológico
de Longa Duração dos Campos Rupestres
e Serra do Cipó (Peld-CRSC) participou
do workshop de lançamento do Centro de
Conhecimento em Biodiversidade, um evento internacional
com foco em sustentabilidade e biodiversidade.
No evento “Agenda da Sustentabilidade
ambiental na era da Biodiversidade” foi difundida
a marca do Centro e de seus principais apoiadores
para grandes instituições e pesquisadores do Brasil
e do mundo, momento de conexões e estabelecimentos
de parcerias cruciais para a consolidação
do Centro e desenvolvimento de suas atividades.
O Workshop contou com a presença de
pesquisadores de referência, como Bráulio Dias,
professor da UnB e membro da Convenção sobre
Diversidade Biológica da Organização das Nações
Unidas, para abordar o tema “Biodiversidade no
Brasil e as metas da ONU”; e Evaldo Vilela, titular
da Cátedra Luiz de Queiroz de Agricultura (ESALQ/
USP) e ex-presidente do CNPq.
Na oportunidade o coordenador do Peld-
-CRSC e do Centro Prof. Dr. Geraldo Fernandes
fez a apresentação dos objetivos e metas em sua
palestra de abertura “Um centro de Conhecimento
em Biodiversidade para o megadiverso
Brasil”, onde ressaltou a importância de avaliar
e monitorar de forma integrada as mudanças na
biodiversidade e no funcionamento dos ecossistemas
brasileiros. Monitoramento que já vem
sendo consolidado no sítio Peld-CRSC. O Centro
surge como uma ponte entre a academia e a iniciativa
privada para aproximar o conhecimento
científico da aplicação técnica no setor industrial,
comercial e financeiro e para apoiar governo e
mercado no alcance dos Objetivos de Desenvolvimento
Sustentável da ONU até 2030.
Veja
Escaneando código ao lado,
você pode assistir ao evento
completo pelo canal do Youtube
do Centro de Conhecimento
em Biodiversidade.
Por:
Geraldo W Fernandes
Coordenador do Projeto
PELD Serra do
Cipó, Prof. Titular de
Ecologia pela UFMG
e Membro Titular da
Academia Brasileira de
Como citar:
Ciências.
Letícia Ramos
Bióloga e Mestre em
Ciências
Biológicas
pela Unimontes, Doutora
em Ecologia pela
UFMG, Bolsista do
programa PELD-CRSC.
Ramos, L., Fernandes, G.W. 2023. Peld-CRSC no lançamento
do Centro de Conhecimento em Biodiversidade.
In: Fernandes, G. W., Ramos L., Saloméa, R.,
Kenedy-Siqueira, W. Warming 12:10-11. https://doi.
org/110.6084/m9.figshare.24049941
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Uma Newsletter do PELD – CRSC
5.2 Peld-CRSC no II Congresso Internacional de Ciência, Biodiversidade e Sustentabilidade (SciBioSus)
Figura 1. Palestrantes do evento “Agenda da Sustentabilidade ambiental na era da Biodiversidade”. Foto: Souza, D. C. L.
OProjeto Ecológico de Longa
Duração dos Campos Rupestres
e Serra do Cipó (Peld-CRSC)
marcou presença no stand
do Centro de Conhecimento em Biodiversidade
durante o II Congresso Internacional
de Ciência, Biodiversidade e
Sustentabilidade (SciBioSus 2023), que
aconteceu do dia 04 a 07 de junho na
Universidade Federal de Minas Gerais,
no Campus Pampulha em Belo Horizonte.
No stand foram expostos as últimas
edições do Warming, os boletins de divulgação
científica desenvolvidos pelo Peld.
Também foram exibidos vídeos explicativos
dos diversos projetos desenvolvidos
pela rede de pesquisadores do projeto
da Serra do Cipó. Foi um momento leve
de trocas de experiências, difusão dos
conhecimentos e de despertar o interesse
de novos cientistas.
O congresso SciBioSus tem como
propósito trazer um olhar multidisciplinar
para a relação entre a biodiversidade e
a sustentabilidade e buscar alternativas
sustentáveis para o desenvolvimento da
Ciência. Foi proposto e organizado pela
Pró-Reitoria de Pesquisa da UFMG e
pela Associação de Universidades Grupo
Montevideo. O evento contou com uma
programação dinâmica com várias sessões
simultâneas para troca de experiências
e aprendizado.
Veja
Escaneando código ao lado,
você pode conhecer mais
sobre a importância do
Centro de Conhecimento em
Biodiversidade.
Por:
Geraldo W Fernandes
Coordenador do Projeto
PELD Serra do
Cipó, Prof. Titular de
Ecologia pela UFMG
e Membro Titular da
Academia Brasileira de
Como citar:
Ciências.
Letícia Ramos
Bióloga e Mestre em
Ciências
Biológicas
pela Unimontes, Doutora
em Ecologia pela
UFMG, Bolsista do
programa PELD-CRSC.
Ramos, L., Fernandes, G.W. 2023. Peld-CRSC no II Congresso
Internacional de Ciência, Biodiversidade e Sustentabilidade
(SciBioSus). In: Fernandes, G. W., Ramos
L., Saloméa, R., Kenedy-Siqueira, W. Warming 12:12-
13. https://doi.org/110.6084/m9.figshare.24049941
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Uma Newsletter do PELD – CRSC
5. 3 Peld-CRSC no Insect Week (Semana dos Insetos): O Incrível Mundo dos Insetos
Figura 1. Todos os expositores do evento científico “O incrível mundo dos insetos”. Foto: Divulgação InsectWeek.
O
PELD-CRSC participou da exposição
científica “O incrível mundo dos
insetos”, realizada no dia 24 de junho
no parque das Mangabeiras, em Belo Horizonte.
As crianças e adultos que visitaram a
mostra puderam conhecer coleções de insetos
variados, manusear equipamentos científicos e
observar borboletas, abelhas, formigas, besouros
e libélulas nas lupas microscópicas.
Alguns desses insetos são exemplares da
diversa riqueza da Serra do Cipó e fazem parte
das coleções entomológicas vinculadas ao
PELD. De forma lúdica, as crianças tiveram
um “papo com cientistas” e puderam perguntar
todas as suas curiosidades sobre a profissão e
sobre o diverso mundo dos insetos.
Figura 2. Dois dos representantes do Peld-CRSC na exposição “O Incrível Mundo dos Insetos”, Letícia
Ramos a esquerda, e Walisson K. Siqueira a direita. Foto: Pereira, C.C.
Março 2023
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Uma Newsletter do PELD – CRSC
O evento faz parte da Semana Internacional
dos Insetos, organizada pela Sociedade Britânica
de Entomologia, que realiza mostras em diversas
partes do mundo. Em Belo Horizonte, a proposta
foi desenvolvida por professores e estudantes de
graduação e pós-graduação da UFMG em parceria
com a Fundação de Parques Municipais e
Zoobotânica (FPMZB).
A mostra busca sensibilizar a população,
principalmente as crianças, sobre a importância
dos insetos para o equilíbrio dos ecossistemas e
produção de alimentos, e mostrar o papel das
áreas verdes urbanas como refúgios para algumas
espécies. As atividades foram ministradas e
monitoradas por alunos, pesquisadores e professores
dos laboratórios de ecologia da UFMG,
muitos deles vinculados ao PELD-CRSC.
Por:
Letícia Ramos
Bióloga e Mestre em
Ciências Biológicas
pela Unimontes, Doutora
em Ecologia pela
UFMG, Bolsista do
programa PELD-CRSC.
Walisson Kenedy Siqueira
Biólogo e Mestre em
Ciências Biológicas
pela Unimontes, Doutor
em Ecologia pela
UFMG, Bolsista do programa
PELD-CRSC.
Como citar:
Figura 3. Interações entre os expositores cinetíficos e a comunidade. Foto: Divulgação InsectWeek.
Ramos, L., Kenedy-Siqueira, W. 2023. O incrível mundo
dos insetos. In: Fernandes, G. W., Ramos L., Saloméa,
R., Kenedy-Siqueira, W. Warming 12:14-15.
https://doi.org/110.6084/m9.figshare.24049941
Março 2023 Página 13
Warming
Uma Newsletter do PELD – CRSC
10. A ciência que eu faço: Dr. Frederico de Siqueira Neves
é a atuação como formador de recursos humanos,
tanto na graduação quanto na pós-graduação.
Estamos sempre aprendendo e muitas vezes
influenciando nas decisões dos estudantes, uma
atividade fundamental e renovadora.
EW: Porque você decidiu ser cientista?
Figura 1. Dr. Frederico de Siqueira Neves.
Editorial Warming (EW): Conte um pouco
sobre você.
Sou pai da Malu, casado com a Ju, praticante
do jiu-jtsu e motociclista. Sou biólogo,
professor, e pesquisador da Universidade
Federal de Minas Gerais. Me formei como
técnico de Patologia Clínica no Colégio Técnico
(COLTEC/UFMG), posteriormente como Biólogo
com ênfase em Ecologia (UFMG). Cursei o
mestrado em Entomologia (UFV) e doutorado
em Ecologia Conservação e Manejo da Vida
Silvestre (ECMVS/UFMG). Atuei como professor
por sete anos na Universidade Estadual de
Montes Claros no Norte do Estado de Minas
Gerais e em 2011 tomei posse como docente
no departamento de Genética, Ecologia e
Evolução (ICB/UFMG). Fui coordenador do
programa de Ecologia (ECMVS) no meu departamento
e posteriormente tive uma excelente
experiência de um período sabático, onde permaneci
por três meses no Instituto de Ecologia
(INECOL/México) e por oito meses na George
Washington University (GW/EUA). Uma das
principais atividades profissionais que destaco
Quando estava cursando o 2º ano do 2º
grau técnico no COLTEC/UFMG, tive a oportunidade
de fazer um estágio sob orientação do
Prof. Alan Lane de Melo, na Parasitologia da
UFMG. Lá colaborei em um trabalho que foi
enviado para o Congresso de Zoologia, que
ocorreu em Porto Alegre (1996). Essa experiência
mudou a minha perspectiva de vida, tudo
aquilo era novidade! Assisti palestras de vários
grupos diferentes, incluindo insetos, mamíferos
terrestres e aquáticos, entre outros. Fiquei
maravilhado com aquele mundo e ali decidi que
gostaria de seguir aquele caminho, me tornar
um “cientista”. Nesse mesmo evento conheci
o Prof. Geraldo Wilson Fernandes, que era o
docente responsável pelo ônibus que transportou
os estudantes da UFMG para o congresso,
sempre muito alegre, educado e prestativo.
Entrei no curso de Ciências Biológicas em 1998,
e mais uma vez fui a um congresso de Zoologia,
desta vez em Recife. Um pouco mais experiente,
acompanhei mais de perto os trabalhos de
Ecologia, e decidi procurar o Prof. Geraldo que
estava novamente presente no evento, que me
aceitou no seu laboratório, onde permaneci até
o final da graduação. Ao longo do curso tive
cada vez mais a certeza que estava fazendo o
que gostava, e que gostaria de dar continuidade
em pesquisas utilizando insetos como objetos de
estudo. Assim continuo até hoje...
EW: Porque escolheu estudar Biologia?
O que me motivou a cursar biologia foram
os trabalhos de campo, e ao mesmo tempo as
pesquisas envolvendo os organismos em campo,
particularmente os insetos. O que é interessante é
que eu dizia que não gostaria de ser “professor”,
mas ao longo do curso tive oportunidades de
lecionar disciplinas como professor substituto em
escolas estaduais e entendi a importância de atuar
na formação de pessoas. As oportunidades continuaram
surgindo e segui essa carreira de Biólogo
Junho 2023
Página 14
Warming
Uma Newsletter do PELD – CRSC
Produção Científica do
Peld-CRSC (2023/2º parte)
e docente, e atualmente estou muito realizado.
EW: O que você faz hoje em dia? Explica um
pouco sobre sua linha de pesquisa.
Atualmente atuo principalmente como Professor
na Universidade Federal de Minas Gerais,
lecionando na graduação e na pós-graduação
em Ecologia, Manejo e Conservação da Vida
Silvestre (ECMVS). Atuo também como docente
na pós-graduação da Universidade Estadual
de Montes Claros (Unimontes). A minha linha
de pesquisa busca entender os padrões de distribuição
e os processos espaço-temporais que
determinam a diversidade de insetos terrestres,
bem como as suas interações e os serviços ecossistêmicos
associados. Tenho como perspectiva
entender os efeitos de mudanças climáticas e
do uso do solo nesses padrões, particularmente
em sistemas associados a montanhas tropicais.
Venho trabalhando também em monitoramentos
em áreas impactadas por distúrbios causados
pelo homem, utilizando os insetos como bioindicadores.
Meus projetos principais são desenvolvidos
em montanhas tropicais, como a Cadeia
do Espinhaço, mas também atuo em pesquisas
que envolvem insetos associados a outros Biomas
brasileiros. Entre estes, destaco as Cabrucas
na Mata Atlântica do Sul do estado da Bahia,
e as Matas Secas do Norte do estado de Minas
Gerais e Paraíba. Também tive a oportunidade
de trabalhar em colaboração com colegas
estrangeiros associados a outros sistemas, como
as florestas secas (tropical dry forests), florestas
úmidas e áreas montanhosas no México, sempre
envolvendo insetos.
EW: Como você enxerga o futuro dessa área
que você trabalha?
O monitoramento da biodiversidade
desempenha um papel cada vez mais essencial
para promover o bem-estar da humanidade e
fornecer conhecimento crucial sobre os impactos
das mudanças climáticas e do uso do solo pelo
ser humano. Em particular, a biodiversidade
de insetos e os serviços ecossistêmicos que
eles prestam estão ganhando reconhecimento,
refletindo-se em sua crescente valorização no
mercado econômico. Observo uma demanda
cada vez maior por biólogos especializados
em restauração ecológica e no monitoramento
dessas atividades, destacando a relevância da
atuação desses especialistas em biomonitoramento.
Tanto no âmbito acadêmico quanto no
setor de consultorias ambientais, a procura por
profissionais com conhecimentos nessa área
tende a aumentar significativamente. Com esse
panorama, fica evidente que o mercado global
compreende a importância da biodiversidade
e dos serviços ecossistêmicos que ela oferece.
Como citar:
Consequentemente, há uma tendência de
valorização dos biólogos e ecólogos, que se
tornarão cada vez mais protagonistas nesse
mercado em expansão. Além disso, considero
importante ressaltar a necessidade de transmitir
esse conhecimento para a sociedade em geral.
Aqueles que não estão diretamente envolvidos
na área acadêmica devem compreender a
importância do trabalho realizado pelos cientistas,
a fim de valorizar e conservar o mundo
em que vivemos. Assim, a divulgação científica
desempenha um papel fundamental. Eu prevejo
um crescimento significativo nesse campo, no
sentido de ampliar o alcance e a compreensão
Por:
Geraldo W Fernandes
Coordenador do Projeto
PELD Serra do
Cipó, Prof. Titular de
Ecologia pela UFMG
e Membro Titular da
Academia Brasileira de
pública das questões relacionadas à biodiversidade
e à conservação ambiental.
Ciências.
Letícia Ramos
Bióloga e Mestre em
Ciências
Biológicas
pela Unimontes, Doutora
em Ecologia pela
UFMG, Bolsista do
programa PELD-CRSC.
Ramos, L., Fernandes, G.W. 2023. A ciência que eu
faço: Dr. Frederico de Siqueira Neves. In: Fernandes,
G. W., Ramos L., Saloméa, R., Kenedy-Siqueira, W.
Warming 12:16-17. https://doi.org/110.6084/m9.figshare.24049941
Boscolo, D. Nobrega, R., Ferreira, P.A. et
al. 2023. Atlantic flower-invertebrate interactions:
A data set of occurrence and
frequency of floral visits. Ecology 104:
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Lamounier, A., Negreiros, D., Fernandes,
G.W. 2023. Effects of fire frequency regimes
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Freitas, C.D., Novais, S. Santos-Júnior,
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Bianca Lima. 2023. Mapeamento da
regulação hídrica no Espinhaço G.
Wilson Fernandes. Monografia (Ciências
Biológicas, Universidade Federal de
Minas Gerais). Orientador: Fernandes,
G.W. Co-orientador: Rezende, F.
Junho 2023 Página 15
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Junho 2023