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Jornal Paraná Setembro 2023

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OPINIÃO<br />

O combustível do futuro<br />

É necessária uma política transversal, que aproveite as vocações naturais do País,<br />

reforçando a posição protagonista do Brasil na agenda de descarbonização global<br />

Por Luís Roberto Pogetti (*)<br />

Não há rota ou solução<br />

universal adaptável<br />

às necessidades de<br />

todos os países para<br />

a mobilidade de baixo carbono.<br />

O Brasil precisa de uma estratégia<br />

própria de incentivo à<br />

transição energética, que valorize<br />

o seu portfólio diversificado,<br />

que vai além da eletrificação<br />

pura dos motores, para<br />

limpar ainda mais de forma rápida<br />

e eficiente a sua a matriz<br />

de transportes.<br />

O mercado automotivo brasileiro<br />

é comercialmente relevante<br />

e vem há décadas sendo<br />

moldado por políticas de incentivo<br />

à eficiência dos motores,<br />

controle das emissões nos<br />

escapamentos e redução da<br />

intensidade de carbono dos<br />

combustíveis. Essas iniciativas<br />

devem ser pensadas de forma<br />

integrada, com valorização do<br />

papel que desempenham em<br />

favor do clima.<br />

A inteligência e o protagonismo<br />

do Brasil no uso de biocombustíveis<br />

é referência<br />

mundial. Cada vez mais países<br />

se inspiram na experiência brasileira,<br />

em particular a América<br />

Latina e a Ásia. O País lidera<br />

ainda uma valiosa parceria<br />

chamada Plataforma para o<br />

Biofuturo, que o conecta a outros<br />

21 países em esforços<br />

para a adoção de tecnologias<br />

sustentáveis de baixo carbono,<br />

com foco em soluções de<br />

base biológica.<br />

Alguns desses países usam<br />

um mecanismo chamado “padrão<br />

de combustíveis de baixo<br />

carbono” (em inglês LCFS),<br />

cuja versão nacional é o Programa<br />

RenovaBio. Graças a<br />

essa política tem havido a redução<br />

da pegada de carbono<br />

no ciclo de vida dos biocombustíveis.<br />

O etanol brasileiro,<br />

por exemplo, neutraliza até<br />

90% das suas emissões e,<br />

com ganhos de produtividade<br />

encaminhados, deve ser carbono<br />

zero brevemente.<br />

O ciclo de vida, respeitado nos<br />

sobreditos mecanismos, considera<br />

as emissões de carbono<br />

desde a produção do combustível<br />

até o seu consumo, o que<br />

é reconhecido como emissões<br />

do “poço a roda”. Ampliando o<br />

conceito para as emissões da<br />

mobilidade, deve ser estendida<br />

a medição de emissões desde<br />

a produção dos bens envolvidos<br />

(fabricação e logística) na<br />

mobilidade, na propulsão<br />

(combustível, energia, etc.)<br />

dos veículos e no completo<br />

descarte ao fim da vida útil dos<br />

bens e insumos, o que é denominado<br />

como emissões do<br />

“berço ao túmulo”.<br />

Portanto, em um primeiro estágio,<br />

é do “poço à roda” que<br />

se mede de maneira efetiva a<br />

emissão de gases de efeito estufa<br />

no setor de transportes,<br />

devendo evoluir inexoravelmente<br />

para medições de emissões<br />

do “berço ao túmulo”.<br />

Estas são as métricas ideais<br />

para se potencializar e valorizar<br />

a contribuição de uma economia<br />

na luta contra as mudanças<br />

climáticas, sendo uma<br />

lógica a ser reproduzida nos<br />

programas direcionados à indústria<br />

da mobilidade.<br />

De nada adianta rodar com um<br />

carro 100% elétrico, se a carga<br />

é dada por gerador 100% a<br />

diesel e, ainda, desconsiderar<br />

o impacto ambiental do descarte<br />

de suas baterias ao final<br />

da vida útil. Por isso, é preciso<br />

somar a contribuição dos biocombustíveis<br />

aos esforços das<br />

montadoras na agenda da descarbonização<br />

dos transportes.<br />

Nesse sentido, motores híbridos<br />

flex têm aderência em um<br />

mercado com ampla distribuição<br />

de etanol, que é o caso<br />

brasileiro. O biometano explorado<br />

do resíduo de produção<br />

de açúcar e etanol – perfeito<br />

exemplo de economia circular<br />

–, é uma alternativa já viável<br />

em um País que deve alcançar<br />

5,9 milhões de Nm3 dia de capacidade<br />

instalada até 2029,<br />

segundo a Associação Brasileira<br />

de Biogás (ABiogás). A<br />

célula de hidrogênio é uma realidade<br />

desde o ano passado,<br />

com perspectivas positivas<br />

para aplicação de etanol no<br />

processo.<br />

Adicionalmente, os biocombustíveis<br />

terão papel vital na<br />

descarbonização da mobilidade<br />

aérea e marítima, onde a<br />

eletrificação é mais complexa.<br />

O combustível de aviação sustentável<br />

(SAF) e o metanol<br />

verde são promissores e o<br />

Brasil com larga experiência<br />

em biocombustíveis tem plena<br />

capacidade para participar<br />

desses mercados.<br />

Por todos estes pontos, é evidente<br />

a necessidade de uma<br />

política transversal, que aproveite<br />

as vocações naturais do<br />

País, reforçando a posição<br />

protagonista do Brasil na agenda<br />

de descarbonização global.<br />

Sendo assim, parece vital e<br />

merecedor de elogios o esforço<br />

feito pelo Governo para a<br />

criação do Programa Combustível<br />

do Futuro, que abarca<br />

marcos regulatórios dessa<br />

agenda de descarbonização.<br />

Vemos com otimismo o encaminhamento<br />

pelo Governo<br />

desse importante projeto ao<br />

Congresso, onde certamente<br />

deverá ser bem recebido, pelo<br />

seu enorme potencial para garantir<br />

empregos, gerar renda,<br />

divisas e sustentar a competitividade<br />

do Brasil, usando o<br />

melhor custo-benefício para<br />

mitigação de gases de efeito<br />

estufa e neutralidade de emissões<br />

na mobilidade para a sociedade.<br />

(*) Presidente do Conselho<br />

da Copersucar<br />

2<br />

<strong>Jornal</strong> <strong>Paraná</strong>


CENTRO-SUL<br />

Mercado de etanol hidratado segue em alta<br />

Vendas totalizam 1,8 bilhão de litros em agosto, avanço de 20,57%. Já as vendas<br />

de etanol total foram de 2,95 bilhões de litros, variação positiva de 9,14%<br />

Amoagem de canade-açúcar<br />

na segunda<br />

quinzena de<br />

agosto registrou<br />

crescimento de 5,22%, na<br />

comparação com o mesmo<br />

período do ciclo passado.<br />

Foram processadas 46,52<br />

milhões de toneladas contra<br />

44,21 milhões. No acumulado<br />

da safra 23/24, a moagem<br />

atingiu 406,64 milhões, ante<br />

366,69 milhões de toneladas<br />

registradas no mesmo período<br />

no ciclo 22/23 – avanço de<br />

10,90%.<br />

Na segunda quinzena de<br />

agosto permanecem em operação<br />

261 unidades produtoras<br />

na região Centro-Sul,<br />

sendo 244 unidades com processamento<br />

de cana, sete empresas<br />

que fabricam etanol a<br />

partir do milho e nove usinas<br />

flex. No mesmo período, na<br />

safra 22/23, havia 259 unidades<br />

produtoras em atividade.<br />

No que condiz à qualidade da<br />

matéria-prima, o nível de Açúcares<br />

Totais Recuperáveis (ATR)<br />

registrado na segunda quinzena<br />

de agosto foi de 153,93 kg por<br />

tonelada de cana-de-açúcar,<br />

contra 154,26 kg por tonelada<br />

na safra 22/23 – variação negativa<br />

de 0,21%. No acumulado da<br />

safra, o indicador marca o valor<br />

de 137,24 kg de ATR por tonelada<br />

(-0,57%).<br />

4<br />

<strong>Jornal</strong> <strong>Paraná</strong>


Produção de açúcar e etanol<br />

A produção de açúcar na segunda<br />

quinzena de agosto totalizou<br />

3,46 milhões de toneladas.<br />

Essa quantidade,<br />

quando comparada àquela<br />

registrada na safra 22/23 de<br />

3,15 milhões de toneladas,<br />

representa aumento de<br />

9,95%. No acumulado desde<br />

1º de abril, a fabricação do<br />

adoçante totaliza 26,15 milhões<br />

de toneladas, contra<br />

21,78 milhões de toneladas<br />

do ciclo anterior (+20,03%).<br />

Na segunda metade de agosto,<br />

2,31 bilhões de litros<br />

(+2,17%) de etanol foram<br />

fabricados pelas unidades do<br />

Centro-Sul. Do volume total<br />

produzido, o etanol hidratado<br />

alcançou 1,42 bilhão de litros<br />

(+8,13%), enquanto a produção<br />

de etanol anidro totalizou<br />

889,73 milhões de litros<br />

(-6,08%). No acumulado<br />

desde o início do atual ciclo<br />

agrícola até 1º de setembro,<br />

a fabricação do biocombustível<br />

totaliza 19,10 bilhões de<br />

litros (+6,26%), sendo<br />

11,17 bilhões de etanol hidratado<br />

(+1,61%) e 7,92 bilhões<br />

de anidro (+13,60%).<br />

Da produção total de etanol<br />

registrada na segunda quinzena<br />

de agosto, 10% foram<br />

provenientes do milho, cuja<br />

produção foi de 237,27 milhões<br />

de litros neste ano,<br />

contra 197,44 milhões de litros<br />

no mesmo período do<br />

ciclo 22/23 - aumento de<br />

20,17%. No acumulado desde<br />

o início da safra, a produção<br />

de etanol de milho atingiu<br />

2,47 bilhões de litros – avanço<br />

de 46,28% na comparação<br />

com igual período do ano<br />

passado.<br />

Mercado de CBios<br />

Dados da B3 registrados até<br />

o dia 8 de setembro indicam<br />

a emissão de 22,18 milhões<br />

de CBios em <strong>2023</strong>. Até a data<br />

supracitada, a parte obrigada<br />

do programa RenovaBio havia<br />

adquirido cerca de 54,91<br />

milhões de créditos de descarbonização.<br />

Esse valor<br />

considera o estoque de passagem<br />

da parte obrigada em<br />

2021 somada com os créditos<br />

adquiridos em 2022 e<br />

<strong>2023</strong>, até o momento, estejam<br />

eles ativos ou aposentados.<br />

O horizonte temporal selecionado<br />

cobre as aquisições<br />

que compreenderão os<br />

créditos utilizados para atendimento<br />

das metas de 2022,<br />

cujo prazo havia sido postergado,<br />

e <strong>2023</strong>.<br />

Cabe destacar que o prazo<br />

para cumprimento da meta<br />

referente ao ano de 2022 se<br />

encerra em 30 de setembro.<br />

As aposentadorias realizadas<br />

até o momento cobrem o<br />

equivalente a 94% da meta<br />

estabelecida para o ano em<br />

questão, cujo intervalo para<br />

cumprimento atingirá 21 meses,<br />

ante os 12 inicialmente<br />

previstos. O estoque em posse<br />

das distribuidoras indica<br />

que, ao menos de forma<br />

agregada, não haverá nenhum<br />

problema para o pleno<br />

cumprimento da obrigação<br />

com o Programa, até o prazo<br />

final.<br />

Vendas<br />

de etanol<br />

No mês de agosto, as<br />

vendas de etanol totalizaram<br />

2,95 bilhões de litros,<br />

o que representa uma variação<br />

positiva de 9,14%<br />

em relação ao mesmo período<br />

da safra 22/23. O<br />

volume comercializado de<br />

etanol anidro no período<br />

foi de 1,15 bilhão de litros<br />

- uma queda de 5,02% -<br />

enquanto o etanol hidratado<br />

registrou venda de<br />

1,80 bilhão de litros -<br />

avanço de 20,57%.<br />

No mercado doméstico,<br />

as vendas de etanol hidratado<br />

na segunda quinzena<br />

de agosto seguiram a tendência<br />

ascendente iniciada<br />

na primeira metade do<br />

mês, totalizando 1,61 bilhão<br />

de litros em agosto –<br />

variação de 15,35% em<br />

relação ao ano passado.<br />

No caso do etanol anidro,<br />

o movimento foi no sentido<br />

contrário, com uma<br />

variação negativa em<br />

6,84%, resultando em um<br />

volume de 1,00 bilhão de<br />

litros.<br />

O dado de venda das distribuidoras<br />

em agosto, divulgado<br />

pela Agência Nacional<br />

do Petróleo, Gás Natural e<br />

Biocombustíveis (ANP) ao<br />

final de setembro, poderá<br />

confirmar a robustez do<br />

consumo final do biocombustível<br />

sinalizado por essa<br />

variável precedente, que é a<br />

saída dos produtores. No<br />

ano de <strong>2023</strong>, o etanol hidratado<br />

representou, até<br />

julho, 17,50% da matriz de<br />

combustíveis nacional, em<br />

conteúdo energético. Há de<br />

se esperar um incremento<br />

nesse indicador advindo da<br />

maior competitividade conquistada<br />

pelo biocombustível<br />

no último mês.<br />

No acumulado da safra<br />

23/24, a comercialização<br />

de etanol soma 12,58 bilhões<br />

de litros, o que representa<br />

um aumento de<br />

2,70%. O álcool hidratado<br />

compreende uma venda<br />

no volume de 7,09 bilhões<br />

de litros (-2,36%), enquanto<br />

o anidro de 5,48<br />

bilhões (+10,08%).<br />

<strong>Jornal</strong> <strong>Paraná</strong> 5


CONGRESSO<br />

Frente Parlamentar do Etanol<br />

fortalecerá agenda ambiental<br />

Presidido pelo deputado federal Zé<br />

Vitor (PL-MG), grupo será focado<br />

na valorização do biocombustível<br />

na transição para baixo carbono<br />

Foto: CNA<br />

Oetanol ganha protagonismo<br />

na agenda<br />

energética do Congresso<br />

Nacional, com<br />

o lançamento da Frente Parlamentar<br />

do Etanol, dia 23/8, em<br />

Brasília. Presidida pelo deputado<br />

federal Zé Vitor (PL-MG), a<br />

Frente envolve mais de uma<br />

centena de parlamentares interessados<br />

na valorização do<br />

biocombustível e sua contribuição<br />

para a descarbonização da<br />

frota nacional.<br />

"Estamos aqui nesta Frente<br />

Parlamentar porque senadores<br />

e deputados entenderam a importância<br />

de trabalharmos não<br />

pelo setor, mas pelos benefícios<br />

que o setor tem gerado<br />

para o Brasil", afirmou o deputado<br />

Zé Vitor. "Devemos apoiar<br />

todos os elos dessa cadeia<br />

vital, fomentando um ambiente<br />

propício para a inovação tecnológica<br />

e políticas públicas eficazes",<br />

completou.<br />

O grupo vai substituir a antiga<br />

Frente Parlamentar em Defesa<br />

do Setor Sucroenergético, liderada<br />

pelo deputado federal<br />

paulista Arnaldo Jardim (Cidadania-SP),<br />

que abriu a cerimônia<br />

lembrando a importância<br />

do diálogo do Legislativo com<br />

o Executivo, órgãos de pesquisa<br />

e o setor privado para<br />

estimular o setor de biocombustíveis.<br />

A nova Frente Parlamentar terá<br />

como desafio ampliar as vantagens<br />

do etanol como fonte de<br />

energia limpa e benéfica ao<br />

meio ambiente, valorizando um<br />

produto nacional que reduz em<br />

até 90% as emissões de CO 2<br />

em relação à gasolina. Além<br />

disso, o setor gera mais de 2,1<br />

milhões de postos de trabalho<br />

diretos e indiretos em toda a<br />

cadeia de produção.<br />

"O Parlamento brasileiro dá<br />

mais uma demonstração de<br />

seu compromisso com a<br />

agenda ambiental, iniciada em<br />

2017 com o RenovaBio, o<br />

maior programa de descarbonização<br />

do mundo, que já evitou<br />

a emissão de 100 milhões<br />

de toneladas de CO 2 para a atmosfera",<br />

disse o presidente da<br />

União da Indústria de Cana-de-<br />

Açúcar e Bioenergia (Unica),<br />

Evandro Gussi.<br />

Ele também destacou o importante<br />

passo do Congresso com<br />

a aprovação, no ano passado,<br />

da Emenda Constitucional 123,<br />

que estabelece o diferencial de<br />

competitividade para o etanol<br />

no capítulo de Meio Ambiente<br />

da Constituição.<br />

No Brasil, o uso de etanol anidro<br />

na gasolina somado ao uso<br />

de etanol hidratado (E100) nos<br />

veículos flex evitaram que mais<br />

de 630 milhões de toneladas de<br />

CO 2 fossem lançadas à atmosfera<br />

nos últimos 20 anos. Atualmente,<br />

83% dos veículos leves<br />

funcionam tanto com gasolina<br />

quanto com etanol, ou com os<br />

dois em qualquer proporção.<br />

No cenário internacional, Gussi<br />

destacou a formação da Aliança<br />

Global para os Biocombustíveis.<br />

"Uma ideia que nasceu<br />

no âmbito do nosso setor no<br />

Brasil e foi ampliada para a esfera<br />

governamental dos países",<br />

lembrou Gussi.<br />

Produção ocupa 0,9% do território<br />

Lançamento da Frente<br />

O Brasil é o segundo maior<br />

produtor de etanol do mundo,<br />

atrás apenas dos Estados<br />

Unidos. Em todo o país,<br />

o cultivo de cana-de-açúcar<br />

e milho para a produção do<br />

biocombustível ocupa apenas<br />

0,9% do território nacional.<br />

Na safra 2022/<strong>2023</strong>, o volume<br />

produzido atingiu 31,2<br />

bilhões de litros. Desse total,<br />

4,43 bilhões de litros foram<br />

produzidos a partir do milho,<br />

que vem ampliando a participação<br />

e deve ultrapassar<br />

os 20% na atual safra.<br />

Paralelo ao movimento no<br />

Congresso, o governo federal<br />

apresentou em julho a<br />

proposta de ampliar a mistura<br />

de etanol na gasolina de<br />

27% para 30%, como parte<br />

do programa Combustível<br />

do Futuro. "O E30 é uma<br />

questão técnica para melhorar<br />

a qualidade da gasolina",<br />

disse o secretário de Petróleo,<br />

Gás Natural e Biocombustíveis<br />

do Ministério de<br />

Minas e Energia, Pietro<br />

Mendes.<br />

Mendes também destacou a<br />

adoção do princípio da neutralidade<br />

tecnológica nas rotas<br />

tecnológicas para a descarbonização,<br />

e reforçou a<br />

confiança do governo federal<br />

no etanol como aliado na<br />

transição energética. "O nosso<br />

inimigo é o carbono.<br />

Qualquer tecnologia que reduza<br />

as emissões de CO 2<br />

será levada em consideração",<br />

assegurou Mendes.<br />

A cerimônia de lançamento<br />

da Frente Parlamentar do<br />

Etanol também contou com<br />

a presença do secretário de<br />

Economia Verde, Descarbonização<br />

e Bioindústria do<br />

Ministério de Desenvolvimento,<br />

Rodrigo Rollemberg;<br />

do presidente da Associação<br />

das Indústrias Sucroenergéticas<br />

de Minas Gerais<br />

(Siamig) e da Bioenergia<br />

Brasil, Mário Campos; representantes<br />

das embaixadas<br />

da Espanha e da China<br />

e mais de 50 parlamentares.<br />

São apoiadoras da iniciativa<br />

a Federação dos Plantadores<br />

de Cana do Brasil (FE-<br />

PLANA), a Bioenergia Brasil,<br />

a Associação de Produtores<br />

de Açúcar, Etanol e Bioenergia<br />

(NovaBio), a Organização<br />

de Associações de<br />

Produtores de Cana do Brasil<br />

(ORPLANA), a União Nacional<br />

do Etanol de Milho<br />

(UNEM), a União Nordestina<br />

dos Plantadores de Cana<br />

(UNIDA) e a Confederação<br />

da Agricultura e Pecuária do<br />

Brasil (CNA), entre outras.<br />

6 <strong>Jornal</strong> <strong>Paraná</strong>


PROGRAMA<br />

Combustível do Futuro visa<br />

reduzir emissão de carbono<br />

Objetivo é acelerar a transição energética do Brasil, garantir as bases para<br />

uma reindustrialização verde, atrair investidores e o posicionar o país<br />

entre os principais produtores globais de energias de baixo carbono<br />

OPrograma Combustível<br />

do Futuro, lançado<br />

pelo governo federal,<br />

inclui o envio ao Congresso<br />

de um projeto de lei<br />

para regulamentar uma série de<br />

propostas, consolidando diversas<br />

políticas públicas para<br />

combustíveis e mobilidades de<br />

transporte com baixo carbono.<br />

O objetivo é aperfeiçoar os arcabouços<br />

regulatórios para<br />

acelerar a transição energética<br />

do Brasil, garantir as bases<br />

para a uma reindustrialização<br />

verde, atrair investidores e o<br />

posicionar o país entre os principais<br />

produtores globais de<br />

energias de baixo carbono,<br />

como alternativa às fontes fósseis.<br />

Com isso, o Brasil poderia<br />

se transformar em uma potência<br />

na produção de combustíveis<br />

renováveis. A estimativa é<br />

de que a implantação do conjunto<br />

de medidas para essa<br />

etapa da transição energética<br />

poderia movimentar R$ 250<br />

bilhões em investimentos no<br />

Brasil.<br />

Estão incluídas no Combustível<br />

do Futuro as seguintes medidas:<br />

Alternativas para integração<br />

entre produção de combustíveis<br />

e o seu uso nos veículos<br />

Integração entre a RenovaBio<br />

(Política Nacional de Biocombustíveis),<br />

o Programa Rota<br />

2030 - Mobilidade e Logística<br />

e o Programa Brasileiro de Etiquetagem<br />

(PBE Veicular), com<br />

o objetivo de mitigar as emissões<br />

de gás carbônico. Prevê a<br />

adoção de um processo de<br />

avaliação do ciclo de vida completo<br />

do combustível, pelo chamado<br />

"poço à roda", que monitora<br />

as emissões dos produtos<br />

energéticos usados nos modais<br />

de transportes incluindo<br />

todas as etapas, desde a extração<br />

da matéria-prima até o uso<br />

no veículo.<br />

Incentivo ao Diesel Verde produzido<br />

a partir de óleos vegetais<br />

Estabelece o Programa Nacional<br />

do Diesel Verde, produzido<br />

a partir de matérias-primas renováveis,<br />

como alternativa para<br />

reduzir a importação de diesel<br />

derivado de petróleo e ampliar<br />

a incorporação gradativa do<br />

diesel verde à matriz do Brasil.<br />

O percentual obrigatório de adição<br />

ao diesel fóssil será definida<br />

após o Conselho Nacional<br />

de Política Energética avaliar as<br />

condições de oferta do produto,<br />

incluindo a disponibilidade<br />

de matéria-prima, a capacidade<br />

e a localização. Além<br />

disso, o Conselho vai monitorar<br />

o impacto da participação mínima<br />

obrigatória no preço ao<br />

consumidor final e a competitividade<br />

nos mercados internacionais<br />

do diesel verde produzido<br />

internamente.<br />

Aumento da mistura de etanol<br />

à gasolina<br />

O Programa "E30" tem a meta<br />

de aumentar o teor de etanol na<br />

gasolina, hoje fixado entre 18%<br />

e 27,5%, para 22% e 30%, respectivamente,<br />

dependendo da<br />

constatação de sua viabilidade<br />

técnica.Um aumento da mistura<br />

de etanol anidro na gasolina<br />

daria um impulso de cerca<br />

de 5% para a produção do biocombustível,<br />

estimou o presidente<br />

da União da Indústria de<br />

Cana-de-açúcar (Unica), Evandro<br />

Gussi, ressaltando que a indústria<br />

não teria problema em<br />

elevar a oferta de etanol anidro.<br />

Redução de até 10% das<br />

emissões de gases de efeito<br />

estufa do setor aéreo<br />

Criação do ProBioQAV (Programa<br />

Nacional de Combustível<br />

Sustentável de Aviação)<br />

com o objetivo de incentivar à<br />

produção e uso de combustíveis<br />

sustentáveis de aviação. A<br />

meta é cortar as emissões de<br />

dióxido de carbono gradativamente<br />

no setor, de 1% de redução<br />

a partir de 2027 até 10%<br />

em 2037, com o aumento gradual<br />

da mistura ao querosene<br />

de aviação fóssil.<br />

Regulamentação dos combustíveis<br />

sintéticos<br />

Marco regulatório dos combustíveis<br />

sintéticos, mais conhecidos<br />

como e-Fuel, com a regulação<br />

feita pela Agência Nacional<br />

do Petróleo, Gás Natural e<br />

Biocombustíveis. Os e-Fuels<br />

são produzidos sem petróleo,<br />

utilizando como matéria-prima<br />

água, dióxido de carbono disponível<br />

na atmosfera e energia<br />

elétrica. Desse processo eletroquímico<br />

podem ser extraídos e-<br />

combustíveis na forma de gasolina,<br />

diesel ou qualquer outro<br />

similar de origem fóssil, assim,<br />

o seu uso não exige alterações<br />

nos atuais motores a combustão.<br />

O produto é testado pelas<br />

montadoras como alternativa<br />

para preservar a vida dos motores<br />

a combustão, mas a<br />

quantidade de energia exigida<br />

no processo de produção é tamanha<br />

que muitos especialistas<br />

acreditam que a alternativa<br />

não vai ser adotada em larga<br />

escala.<br />

Captura e estocagem geológica<br />

de dióxido de carbono<br />

Criação do marco regulatório<br />

das atividades que buscam a<br />

captura, transporte e estocagem<br />

geológica de dióxido de<br />

carbono. A técnica consiste em<br />

tirar o gás da atmosfera e injetá-lo<br />

em fendas geológicas<br />

dentro da terra, "enterrando" o<br />

gás de efeito estufa, processo<br />

já utilizado por inúmeros setores<br />

em diversos países.<br />

A Frente Parlamentar Mista do<br />

Biodiesel (FPBio) afirmou que<br />

pretende aprimorar no Congresso<br />

o projeto de lei do<br />

Combustível do Futuro, uma<br />

vez que há outras iniciativas<br />

legislativas com propostas semelhantes.<br />

Na avaliação da<br />

frente, o projeto do governo,<br />

elaborado pelo Ministério de<br />

Minas e Energia, não incorpora<br />

fatores como a evolução<br />

do teor da mistura do biodiesel<br />

ao óleo diesel e a criação de<br />

um sistema de rastreamento<br />

da qualidade do diesel B.<br />

<strong>Jornal</strong> <strong>Paraná</strong><br />

7


ARTIGO<br />

Etanol e híbrido flex precisam<br />

superar complexo de vira-latas<br />

Já passa da hora de o Brasil reconhecer sua vantagem bioenergética e incentivar<br />

suas próprias soluções para descarbonizar emissões dos meios de transporte<br />

Por Pedro Kutney (*)<br />

Cunhada em 1958 pelo<br />

jornalista e dramaturgo<br />

Nelson Rodrigues,<br />

a expressão<br />

complexo de vira-latas ilustra a<br />

inferioridade que os brasileiros<br />

enxergam em si próprios, como<br />

cães sem raça definida e sem<br />

valor monetário que vagam à<br />

cata de comida virando latas de<br />

lixo. O tal complexo aparece em<br />

várias áreas do cenário nacional,<br />

do futebol - que inicialmente inspirou<br />

a teoria rodriguiana com a<br />

derrota humilhante da Copa de<br />

1950 - aos avanços tecnológicos<br />

desenvolvidos aqui.<br />

Uma das vítimas do complexo<br />

de vira-latas é o etanol brasileiro,<br />

sua evolução no sistema<br />

flex bicombustível etanol-gasolina<br />

e o avanço para o powertrain<br />

híbrido flex, combinado<br />

com a propulsão elétrica. São<br />

todas criações brasileiras que<br />

colocam o País à frente do resto<br />

do mundo em velocidade e eficiência<br />

para reduzir e descarbonizar<br />

as emissões de gases de<br />

efeito estufa dos veículos, mas<br />

o viralatismo nacional muitas<br />

vezes classifica estas soluções<br />

como atraso ou fracasso.<br />

Muito ao contrário, não faltam<br />

evidências que o uso de biocombustíveis,<br />

puros ou aliados<br />

à eletrificação, é a mais eficiente<br />

e rápida das soluções conhecidas<br />

para descarbonizar as<br />

emissões dos meios de transporte,<br />

especialmente quando se<br />

considera o ciclo de vida completo<br />

da produção, distribuição<br />

e uso dos combustíveis, dos<br />

veículos e, quando é o caso, de<br />

suas baterias de propulsão.<br />

POLÍTICA PÚBLICA<br />

NECESSÁRIA<br />

Nesse sentido, já passa da hora<br />

de o Brasil reconhecer sua vantagem<br />

bioenergética e incentivar<br />

suas próprias soluções para<br />

descarbonizar emissões. O País<br />

precisa estabelecer com urgência<br />

políticas públicas não só<br />

para reduzir o custo de veículos<br />

de baixa emissão, inclusive<br />

adotando isenções para modelos<br />

a etanol puro, híbridos ou<br />

não, mas também é fundamental<br />

tornar o preço do etanol<br />

competitivo na bomba de abastecimento.<br />

Este é o estímulo<br />

que falta.<br />

Calcula-se que dos 34,9 milhões<br />

de veículos flex em circulação<br />

no País somente 30% rodam<br />

com etanol hidratado puro,<br />

o E100, porque o preço do biocombustível<br />

é desvantajoso em<br />

relação à gasolina na maior<br />

parte do território nacional.<br />

Mesmo assim esta porção<br />

equivale a 10,5 milhões de carros<br />

que neutralizam cerca de<br />

90% das emissões de CO2, reabsorvidas<br />

nas próprias plantações<br />

de cana.<br />

Graças ao domínio de quarenta<br />

anos na produção de etanol<br />

combustível de vinte anos da<br />

tecnologia flex, mesmo sem incentivos<br />

e subutilização do biocombustível,<br />

o Brasil já tem<br />

maior frota de baixo carbono do<br />

mundo, volume que sob o<br />

prisma do viralatismo alguns<br />

chamam de fracasso.<br />

Visto pelo prisma de solução<br />

que ninguém mais tem disponível<br />

à mão no mundo, faria enorme<br />

e imediata diferença a redução<br />

do preço do etanol para o<br />

Brasil quase zerar emissões de<br />

carbono da frota de veículos<br />

leves.<br />

EVIDÊNCIAS<br />

Não faltam estudos e pesquisas<br />

que apontam a eficiência descarbonizante<br />

do biocombustível<br />

brasileiro, que se torna ainda<br />

mais efetiva quando combinada<br />

com eletrificação em modelos<br />

híbridos flex. No início deste ano<br />

a Stellantis conduziu ensaios<br />

com um Jeep Renegade com<br />

8 <strong>Jornal</strong> <strong>Paraná</strong>


motor 1.3 turboflex. Abastecido<br />

com etanol, E100, e equipado<br />

com um simulador da Bosch, o<br />

carro percorreu mais de 240<br />

quilômetros nas pistas de testes<br />

da planta de Betim, MG, para<br />

medir sua emissão de CO2 no<br />

conceito poço à roda, considerando<br />

a produção, distribuição<br />

e uso do combustível.<br />

O resultado foi a emissão de<br />

25,79 kg de CO2 nos 240 quilômetros<br />

percorridos com<br />

E100, menos da metade dos<br />

60,64 kg emitidos com uso da<br />

gasolina brasileira E27, misturada<br />

com 27% de etanol. O Renegade<br />

com E100 também<br />

emitiu menos do que os 30,41<br />

kg de CO2 que seriam colocados<br />

na atmosfera por um carro<br />

100% elétrico que usa energia<br />

gerada pela matriz europeia,<br />

mas um BEV, Battery Electric<br />

Car, emite menos, 21,45 kg de<br />

CO2, quando é alimentado pela<br />

eletricidade gerada no Brasil,<br />

cerca de 80% proveniente de<br />

fontes renováveis e neutras em<br />

carbono.<br />

Segundo cálculos da Unica,<br />

União da Indústria da Cana,<br />

considerando o ciclo completo<br />

do poço à roda - inclui o plantio<br />

e colheita da cana, seu processamento,<br />

transporte e distribuição,<br />

além do uso nos carros -,<br />

um veículo alimentado exclusivamente<br />

com E100 brasileiro<br />

emite apenas 37 gramas de<br />

CO2 por quilômetro, valor menor<br />

do que os 54 gCO2/km um<br />

modelo a elétrico bateria com a<br />

matriz europeia, e quase igual<br />

aos 35 gCO2/km de um BEV<br />

alimentado pela energia energia<br />

mais limpa gerada no Brasil.<br />

Especialistas apontam que a<br />

combinação do biocombustível<br />

com a eletrificação é a solução<br />

mais eficiente. Um modelo híbrido<br />

flex, como o Toyota Corolla<br />

já produzido no país desde<br />

2019, apresenta a melhor relação<br />

de eficiência: abastecido só<br />

com etanol tem emissão de 29<br />

gCO2/km. Esta vantagem é<br />

ainda mais ampliada quando se<br />

leva em conta o ciclo de vida do<br />

veículo, seu combustível e sua<br />

bateria. Um recente artigo científico,<br />

já antecipado por esta coluna,<br />

elaborado por pesquisadores<br />

da Unicamp identifica o<br />

tamanho desta vantagem.<br />

Segundo este estudo, em 160<br />

mil quilômetros de utilização,<br />

um veículo elétrico, recarregado<br />

com energia gerada no Brasil,<br />

deixa para trás pegada de carbono<br />

equivalente a 16,7 toneladas<br />

de CO2 emitidos ao longo<br />

do ciclo, sendo que a maior<br />

parte desta emissão vem do<br />

berço, originada na fabricação<br />

do produto, com 6 toneladas de<br />

CO2, e de suas baterias, com<br />

5,8 t/CO2.<br />

Já um híbrido fechado, recarregado<br />

só pelo motor a combustão<br />

- tecnologia que viralatistas<br />

chamam de ultrapassada -,<br />

abastecido com E100 emite<br />

12,4 t/CO2 em 160 mil quilômetros,<br />

e emitiria ainda menos, 9,5<br />

t/CO2 se usasse gás biometano<br />

- outro biocombustível em pleno<br />

crescimento no Brasil.<br />

Já Toyota faz outra conta que<br />

ilustra a eficiência do biocombustível<br />

aliado à eletrificação:<br />

uma bateria utilizada em um<br />

carro elétrico equivale a 53 baterias<br />

de um Corolla híbrido flex,<br />

ou a seis de um híbrido plug-in.<br />

Isto significa que 53 Corolla eletrificados<br />

abastecidos com<br />

E100 evitam a emissão de<br />

1.590 gramas de CO2 por quilômetro<br />

rodado, volume dezessete<br />

vezes maior do que os 90<br />

gramas evitados por um único<br />

BEV cuja capacidade da bateria<br />

equivale a de 53 híbridos.<br />

MEIO OU FIM<br />

DO CAMINHO?<br />

A partir destas várias medições<br />

e constatações já há quem defenda<br />

que o veículo híbrido fechado<br />

com motor a etanol não<br />

é um caminho intermediário<br />

para a eletrificação total, mas<br />

sim o fim desta rota, o topo da<br />

montanha.<br />

Professor e chefe do laboratório<br />

de genômica e bioenergia da<br />

Unicamp, Gonçalo Pereira é<br />

uma das vozes que tentam<br />

transformar o complexo de viralatas<br />

em inteligência competitiva,<br />

inclusive lembrando que<br />

um vira-lata também é uma espécie<br />

híbrida: “No quesito inteligência<br />

o que pode ser mais<br />

esperto do que um vira-lata<br />

amarelo?”<br />

Ao comparar a hibridização dos<br />

veículos com a agropecuária,<br />

em que espécies híbridas são<br />

melhores, mais resistentes e<br />

produtivas, o professor Gonçalo<br />

faz a seguinte ponderação:<br />

“Ouvimos o tempo todo que os<br />

híbridos seriam uma alternativa<br />

de transição até o BEV, sem<br />

perceber que os híbridos são o<br />

ponto final, o ponto ideal, o máximo<br />

que poderemos alcançar.<br />

É exatamente isso que ocorre<br />

na agropecuária, por exemplo,<br />

em que a produção de alimentos<br />

que permite a nossa sobrevivência<br />

é feita a partir de<br />

híbridos”.<br />

Em que pese o fato de veículos<br />

elétricos a bateria, no momento,<br />

serem a melhor solução disponível<br />

para descarbonizar as<br />

emissões de veículos em países<br />

da Europa, China e Estados<br />

Unidos, existem evidências de<br />

que a combinação de eletrificação<br />

com biocombustíveis tem<br />

enorme potencial de contribuição<br />

para conter o aquecimento<br />

global - e neste cenário o Brasil<br />

tem a vantagem de ser um rodriguiano<br />

país híbrido de viralatas.<br />

(*) <strong>Jornal</strong>ista especializado<br />

em economia, finanças e indústria<br />

automotiva<br />

<strong>Jornal</strong> <strong>Paraná</strong><br />

9


CANAVIAL<br />

Tecnologia no combate a incêndios<br />

A Usina Santa Terezinha<br />

realiza ações de prevenção,<br />

monitoramento e combate<br />

aos incêndios investindo<br />

em recursos tecnológicos<br />

AUsina Santa Terezinha,<br />

maior empresa do setor<br />

sucroenergético<br />

do sul do país, investe<br />

em ações de prevenção, monitoramento<br />

e combate de incêndios<br />

em suas regiões de operação.<br />

A empresa investe em uma<br />

tecnologia que monitora e detecta<br />

focos de incêndios em<br />

seus canaviais. Esse sistema<br />

funciona em tempo real, via satélite<br />

e durante as 24 horas do<br />

dia. Os alertas são recebidos<br />

indicando os locais de incêndio,<br />

condições climáticas, localização<br />

e rota de caminhões<br />

disponíveis para auxiliar no<br />

combate.<br />

Essa tecnologia é disponibilizada<br />

em um aplicativo nos celulares<br />

da equipe da empresa,<br />

visando maior agilidade nos<br />

processos após um alerta de<br />

incêndio.<br />

Pensando na prevenção de incêndios<br />

nas lavouras de canade-açúcar,<br />

a Usina Santa Terezinha<br />

possui em suas colhedoras<br />

um sistema de combate a<br />

incêndio, que aciona um agente<br />

extintor eficaz. É um mecanismo<br />

utilizado pelos operadores,<br />

que são treinados para<br />

melhor eficácia nessas situações<br />

emergenciais.<br />

A empresa conta com mais de<br />

200 brigadistas treinados em<br />

suas unidades e mais de 20<br />

caminhões pipa exclusivos,<br />

com atenção redobrada para<br />

essa estação do ano em que a<br />

temperatura, vento e umidade<br />

do ar são mais propícios para<br />

a propagação dos incêndios.<br />

No mês de agosto, a Usina<br />

Santa Terezinha prestou suporte<br />

para combater incêndios<br />

criminosos em áreas de reserva<br />

legal próximas às suas<br />

operações e no entorno da Reserva<br />

Biológica das Perobas,<br />

no município de Tuneiras do<br />

Oeste/PR.<br />

Além das áreas rurais, há também<br />

uma expertise para apoio<br />

ao combate a incêndios nas<br />

áreas industriais, como neste<br />

mês de setembro, que houve<br />

um suporte da Usina Santa Terezinha<br />

para uma situação de<br />

incêndio em uma cooperativa<br />

de Maringá/PR.<br />

A partir dessa estrutura da Brigada<br />

de Incêndio e veículos, a<br />

empresa contribui com a preservação<br />

da fauna, flora e<br />

áreas de preservação permanente;<br />

conservação das plantações<br />

de grandes, médios e<br />

pequenos produtores; e preservação<br />

da saúde e vida das famílias<br />

da comunidade rural.<br />

A Usina Santa Terezinha foi fundada<br />

em 1964 e é uma empresa<br />

brasileira de capital fechado<br />

com negócios no setor sucroenergético,<br />

presente no <strong>Paraná</strong><br />

e Mato Grosso do Sul. Sua história<br />

iniciou no município de<br />

Maringá (PR), produzindo e comercializando<br />

açúcar VHP, etanol<br />

(anidro e hidratado) e bioletricidade.<br />

Sete unidades produtivas estão<br />

ativas com suas atividades<br />

agroindustriais divididas em<br />

três clusters UST (UST Norte,<br />

UST Centro e UST Sul), sendo<br />

capaz de gerar uma força de<br />

trabalho de mais de 7 mil pessoas<br />

em mais de 35 municípios<br />

dos dois estados, mantendo-se<br />

assim como uma das<br />

maiores empresas do segmento<br />

Açúcar e Álcool da região<br />

Sul do Brasil.<br />

Maior exportadora de açúcar<br />

com sede na região Sul, possui<br />

dez unidades produtivas no estado<br />

do <strong>Paraná</strong> e um projeto<br />

greenfield (Usina Rio <strong>Paraná</strong><br />

S.A) no Mato Grosso do Sul,<br />

com sede corporativa e terminal<br />

logístico em Maringá e terminal<br />

rodoferroviário em<br />

Paranaguá.<br />

Mais informações:<br />

www.usacucar.com.br<br />

Unidos Contra o Fogo<br />

A Usina Santa Terezinha possui<br />

o projeto Unidos contra o<br />

Fogo, a fim de receber informações<br />

relacionadas aos incêndios<br />

criminosos em suas<br />

operações agrícolas. Qualquer<br />

pessoa pode denunciar quem<br />

pratica incêndios criminosos<br />

nos canaviais da empresa na<br />

sua região de atuação (região<br />

noroeste do <strong>Paraná</strong>), contribuindo<br />

com a redução dos<br />

riscos para a comunidade da<br />

área rural e colaborando para<br />

o desenvolvimento sustentável<br />

da região.<br />

Como participar? Tendo alguma<br />

prova, pode ser foto,<br />

vídeo ou informação que<br />

possa ser comprovada, envie<br />

para (44) 99737-7018 e após<br />

a verificação e comprovação<br />

do conteúdo, você pode receber<br />

uma recompensa, no<br />

valor de R$ 3.000,00 (três mil<br />

reais). Você pode fazer a sua<br />

parte, não se omita.<br />

O Unidos contra o Fogo é um<br />

projeto do Grupo SP Segurança<br />

em parceria com Usina<br />

Santa Terezinha.<br />

10<br />

<strong>Jornal</strong> <strong>Paraná</strong>


PREVENÇÃO<br />

Treinamento de combate a incêndios<br />

A Usina Jacarezinho, em parceria com a São Luiz, simulou extinção de pontos de fogo no<br />

canavial envolvendo colaboradores de diversas áreas e brigadistas<br />

AUsina Jacarezinho,<br />

empresa do Grupo<br />

Maringá que produz<br />

cana-de-açúcar, etanol<br />

e energia a partir da biomassa<br />

no norte do <strong>Paraná</strong>,<br />

realizou, junto com a vizinha<br />

Usina São Luiz, um Simulado<br />

de Combate a Incêndios. A<br />

ação anual é parte do Plano de<br />

Auxílio Mútuo (PAM), associação<br />

voluntária entre empresas<br />

e o poder público para ampliar<br />

a segurança contra incêndios<br />

e outros incidentes.<br />

Realizada em área de transição<br />

entre a fazenda da Usina Jacarezinho<br />

e a Usina São Luiz, a<br />

simulação teve uma hora e<br />

meia de duração, com foco no<br />

combate ao fogo no canavial,<br />

para que não atingisse o pasto<br />

ou a Área de Preservação Permanente<br />

(APP), além de oferecer<br />

mais segurança aos funcionários<br />

das duas usinas e à<br />

população da região.<br />

Para treinar os profissionais<br />

que atuam na linha de frente,<br />

foram utilizados caminhão de<br />

combate a incêndios e tambores<br />

com bagaço de canade-açúcar,<br />

material adequado<br />

para ser ateado fogo de<br />

forma controlada e segura.<br />

Participaram 17 pessoas, entre<br />

brigadistas, colaboradores<br />

das equipes de Segurança<br />

do Trabalho, Meio Ambiente<br />

e Comunicação, e encarregados<br />

de combate a incêndios.<br />

O treinamento é uma exigência<br />

da Polícia Militar Ambiental do<br />

Estado de São Paulo e deve ser<br />

feito anualmente por todas as<br />

empresas com atividades<br />

agrossilvipastoril. O Plano de<br />

Auxílio Mútuo combina empresas<br />

próximas, para que, em<br />

caso de necessidade, uma<br />

possa ajudar a outra em situações<br />

como incêndios e acidentes<br />

na região, diminuindo a<br />

extensão dos prejuízos materiais<br />

ou de vidas humanas. Apesar<br />

de se localizar no <strong>Paraná</strong>, a<br />

Usina Jacarezinho adquiri cana<br />

de plantações paulistas, por<br />

isso, pertence ao PAM.<br />

Além da colheita mecanizada,<br />

a Usina Jacarezinho organiza<br />

durante todo o ano ações de<br />

educação ambiental e campanhas<br />

de prevenção a incêndios<br />

entre os colaboradores e<br />

com a comunidade.<br />

O Grupo Maringá atua nos setores<br />

sucroenergético, produzindo<br />

açúcar, etanol, levedura<br />

e energia e no setor siderúrgico,<br />

fabricando ferro-liga de<br />

manganês. Com 75 anos de<br />

tradição, a Usina Jacarezinho<br />

e, agora, a Maringá Energia,<br />

trabalham de forma integrada<br />

para fornecer alimento e energia<br />

limpa e renovável aos<br />

mercados nacional e internacional.<br />

Na siderurgia, o Grupo atua há<br />

mais de 40 anos, produzindo<br />

ferroligas de manganês de alto<br />

padrão, matéria-prima essencial<br />

para a fabricação de aço,<br />

por meio da Maringá Ferro-<br />

Liga S/A, localizada em Itapeva<br />

(SP).<br />

12<br />

<strong>Jornal</strong> <strong>Paraná</strong>


CANA-DE-AÇÚCAR<br />

Produtividade na Jacarezinho<br />

supera a do Centro-Sul<br />

Resultado é fruto do uso de tecnologia, boas práticas agroindustriais,<br />

apoio a agricultores locais e capacitação de colaboradores<br />

AUsina Jacarezinho,<br />

produtora de açúcar,<br />

etanol, levedura e bioenergia<br />

a partir da<br />

cana-de-açúcar do Grupo Maringá<br />

localizada no norte do<br />

<strong>Paraná</strong>, vem colhendo sucessivos<br />

recordes de produtividade<br />

a cada safra.<br />

Na safra 22/23, a empresa registrou<br />

moagem de 2,56 milhões<br />

de toneladas de canade-açúcar<br />

- o segundo melhor<br />

índice da história -, com 90 toneladas<br />

colhidas por hectare<br />

(TCH), o melhor índice dos últimos<br />

seis anos e 23% superior<br />

à média das unidades produtivas<br />

do Centro-Sul, que foi de<br />

73, conforme dados do Centro<br />

de Tecnologia Canavieira (CTC).<br />

Até julho da safra 23/24, a<br />

Usina Jacarezinho já registrou a<br />

moagem de 1,35 milhões, com<br />

expectativa de fechar a safra<br />

com 2,6 milhões de toneladas<br />

de cana-de-açúcar e 99,6 toneladas<br />

colhidas por hectare<br />

(TCH), enquanto a média do<br />

Centro-Sul publicada pelo CTC<br />

no mesmo período deste ano<br />

esteve no patamar de 90,6.<br />

Desde a criação do departamento<br />

de Produtores Integrados<br />

de Cana, em 2016, a<br />

Usina Jacarezinho já ampliou<br />

em 7,13% o volume de Açúcar<br />

Total Recuperado (ATR).<br />

Criado exclusivamente para<br />

atender às demandas dos<br />

produtores locais, em apoio à<br />

usina, o PIC oferece todo o<br />

suporte técnico a cerca de<br />

250 agricultores de 18 municípios,<br />

desde a sistematização<br />

da área, o planejamento<br />

varietal, preparo de solo, plantio<br />

da cana-de-açúcar, tratos<br />

culturais, recomendação de<br />

insumos, levantamento de<br />

pragas e doenças até o planejamento<br />

da colheita no momento<br />

ideal do ciclo da cultura.<br />

Nos últimos dois anos, a<br />

Usina Jacarezinho tem investido<br />

na verticalização do canavial,<br />

ou seja, o aumento da<br />

produção sem acréscimos na<br />

área de colheita, que se mantêm<br />

em cerca de 11 mil hectares<br />

de terras próprias e de<br />

parceiros e quase 17 mil hectares<br />

de produtores integrados.<br />

Preservação<br />

do solo<br />

O uso da cama aviária, um<br />

fertilizante orgânico completo,<br />

que substitui a adubação<br />

química (NPK) das soqueiras,<br />

compostagem de<br />

torta de filtro, resíduo da<br />

mistura do bagaço moído e<br />

do lodo da decantação, que<br />

contém grande quantidade<br />

de nutrientes, e a aplicação<br />

localizada da vinhaça, contribuem<br />

com a nutrição e reduzem<br />

os custos de manutenção<br />

da lavoura.<br />

O tráfego controlado nos<br />

canaviais da Usina Jacarezinho<br />

evita a compactação<br />

do solo e o pisoteio das linhas<br />

de cana. A Usina adota<br />

o Método Interrotacional<br />

Ocorrendo Simultaneamente<br />

(MEIOSI), sistema de cultivo<br />

que inclui a intercalação<br />

da lavoura com culturas de<br />

soja e crotalária.<br />

Outra importante medida foi<br />

a antecipação da safra em<br />

uma semana em relação ao<br />

inicialmente planejado. A<br />

medida foi necessária para<br />

mitigar os efeitos do maior<br />

volume de chuvas previsto<br />

para o segundo semestre<br />

de <strong>2023</strong>.<br />

<strong>Jornal</strong> <strong>Paraná</strong><br />

13


A Aliança Global para os Biocombustíveis<br />

foi lançada durante<br />

a cúpula do G20, em<br />

Nova Déli, sob liderança de<br />

Brasil, Estados Unidos e Índia,<br />

os três maiores produtores<br />

nesse campo. A iniciativa, que<br />

conta com mais 16 países,<br />

busca promover a produção e<br />

consumo de combustíveis<br />

como o etanol no mundo, em<br />

especial em economias em<br />

desenvolvimento do Sul Global,<br />

dentro de uma agenda de transição<br />

energética para fontes<br />

menos poluentes. A iniciativa<br />

foi comemorada pelo Itamaraty<br />

DOIS<br />

Aliança Global<br />

PONTOS<br />

e pelo setor privado brasileiro,<br />

que consideram que os biocombustíveis<br />

têm tido seu potencial<br />

pouco valorizado, frente<br />

a outras opções mais caras,<br />

como carros elétricos.<br />

A Revista Forbes traz a Lista Forbes de Bilionários Brasileiros <strong>2023</strong>. No total, são 280 pessoas<br />

no ranking, donas de patrimônios pessoais que somam um total de R$ 1,522 trilhão, 15,35%<br />

do PIB do Brasil, que foi de R$ 9,992 trilhões em 2022, segundo o IBGE. Com base no ranking<br />

geral, a Forbes Agro fez um recorte dos setores diretamente ligados à produção do<br />

campo e à agroindústria e também considerou patrimônios de origem no segmento de logística<br />

que opera no setor. No ranking deste ano há 61 agrobilionários, donos de um patrimônio<br />

pessoal de R$ 196,2 bilhões. Esse valor representa 8% do total da lista, tomando por<br />

base o PIB Agro de R$ 2,45 trilhões calculado Cepea, que considera a cadeia de produção<br />

incluindo insumos, agropecuária, indústria e serviços. A Forbes Agro também fez um recorte<br />

em oito setores, sendo que a dupla grãos e carnes respondem por R$ 71,06 bilhões.<br />

Primeira montadora a produzir<br />

carros híbridos no País, há dez<br />

anos, e mais recentemente os<br />

híbridos flex, a Toyota iniciou<br />

testes internos utilizando etanol<br />

em conjunto com a tecnologia<br />

híbrida plug-in, que utiliza<br />

um motor elétrico que pode<br />

ser carregado na tomada e um<br />

a combustão, nesse caso<br />

usando etanol. Em paralelo, a<br />

Agro bilionários<br />

Teste<br />

empresa também estuda o<br />

uso do etanol em modelos a<br />

célula de combustível. Os testes<br />

estão alinhados com os<br />

planos para o próximo ciclo de<br />

investimento do grupo no Brasil,<br />

que deve incluir a produção<br />

nacional de veículos híbridos<br />

plug-in flex fuel, que poderão<br />

ser abastecidos também com<br />

gasolina.<br />

Transição<br />

A montadora Stellantis acredita<br />

que os carros à combustão<br />

continuarão rodando até<br />

2050, tornando necessárias<br />

medidas para conter suas<br />

emissões de carbono até que<br />

sejam totalmente substituídos<br />

pelos veículos elétricos.<br />

Terceira maior montadora do<br />

mundo em vendas e proprietária<br />

de marcas como Fiat,<br />

Peugeot e Jeep, a empresa<br />

anunciou que testes feitos<br />

com a gigante saudita do petróleo<br />

Aramco mostraram<br />

que 24 tipos de motores à<br />

combustão em veículos europeus<br />

produzidos desde<br />

2014 podem usar ecombustíveis<br />

sem precisar de adaptações.<br />

Aquecimento<br />

A mais abrangente avaliação já<br />

feita sobre o andamento do<br />

combate à crise climática<br />

aponta que, apesar de avanços<br />

ao redor do mundo desde a<br />

assinatura do Acordo de Paris,<br />

em 2015, muito mais é necessário.<br />

O planeta não caminha<br />

para limitar o aquecimento ao<br />

Há regiões do Brasil em que a<br />

tendência de temperaturas máximas<br />

já está até 3°C acima do<br />

que era registrado na década<br />

de 1960, aponta uma análise<br />

do Inpe (Instituto Nacional de<br />

Pesquisas Espaciais). O trabalho<br />

compara a tendência de<br />

temperaturas máximas registrada<br />

na década de 1960 com<br />

a tendência de máximas no período<br />

2010-20. Regiões do<br />

Norte e Nordeste apresentam<br />

uma concentração elevada de<br />

áreas com significativo crescimento<br />

da tendência de temperatura<br />

máxima. Tal concentração<br />

ressoa outros estudos<br />

Calor<br />

preferível 1,5°C ou a 2°C. Levando<br />

em conta os anúncios<br />

na última conferência climática,<br />

a indicação é que a humanidade<br />

está rumo a um aumento<br />

de 2,4°C a 2,6°C na<br />

temperatura média global em<br />

relação aos níveis anteriores à<br />

Revolução Industrial.<br />

sobre os possíveis impactos da<br />

crise climática no Brasil. Recentemente,<br />

a partir de simulações<br />

em computador, a Nasa<br />

traçou como o planeta ficará<br />

com um aumento de 2°C na<br />

média da temperatura terrestre<br />

- em comparação à média de<br />

temperatura do período pré-industrial<br />

(1850-1900). Entre as<br />

regiões mais afetadas do<br />

mundo aparecem o Norte e o<br />

Centro-Oeste brasileiros, com<br />

possibilidade de diminuições<br />

de chuva, perda da umidade relativa<br />

do ar e avanço do chamado<br />

risco de grandes incêndios.<br />

Inadimplência<br />

Um levantamento do Serasa<br />

Experian, que considera as 27<br />

unidades federativas do país,<br />

revelou que, em julho deste<br />

ano, 28% dos produtores rurais<br />

brasileiros estavam inadimplentes.<br />

Esse número pode ser<br />

considerado baixo, pois, quando<br />

comparado com toda a população<br />

negativada, o índice<br />

chegou a 43,7%. De acordo<br />

com o estudo, curiosamente, a<br />

idade é um fator determinante<br />

sobre a negativação no campo.<br />

Os dados mostram que os trabalhadores<br />

rurais que possuem<br />

mais de 60 anos possuem<br />

menor inadimplência, enquanto<br />

aqueles que possuem entre 18<br />

e 25 anos marcaram níveis<br />

mais altos. Na análise por região,<br />

é possível observar que o<br />

Sul registrou o menor nível de<br />

negativação, com apenas 15%<br />

dos trabalhadores do campo<br />

com nome no vermelho. Em<br />

sequência, vêm Sudeste<br />

(24,6%), Centro-Oeste<br />

(30,4%), Nordeste (33,8%) e<br />

Norte (40,1%).<br />

14<br />

<strong>Jornal</strong> <strong>Paraná</strong>


O Brasil nunca exportou<br />

tanto petróleo quanto em<br />

<strong>2023</strong>. De janeiro até julho,<br />

dado mais recente, o país<br />

vendeu para o exterior 1,526<br />

milhão de barris por dia, em<br />

média. O saldo, diferença<br />

entre exportações e importações,<br />

até agora foi de 1,216<br />

milhão de barris - menor que<br />

Petróleo<br />

o recorde anterior, de 2020,<br />

1,332 milhão de barris. No<br />

entanto, o saldo do valor de<br />

vendas e compras externas<br />

de petróleo, derivados e gás<br />

é neste ano a maior da história,<br />

cerca de US$ 12 bilhões<br />

até julho, ante os US$<br />

9,8 bilhões do mesmo período<br />

do ano passado.<br />

Subsídios<br />

Os subsídios globais aos combustíveis fósseis atingiram um total recorde de US$ 7 trilhões<br />

em 2022, enquanto os governos corriam para proteger os consumidores do aumento<br />

de preços da energia desencadeado pela invasão da Ucrânia pela Rússia, estima<br />

o FMI. O estudo afirma que os subsídios ao carvão, petróleo e gás natural em 2022 foram<br />

equivalentes a 7,1% do PIB global. Isso representou mais do que os governos gastaram<br />

em educação e dois terços dos gastos em saúde.<br />

Etanol<br />

A produção nacional de canade-açúcar<br />

deverá atingir 653<br />

milhões de toneladas na safra<br />

<strong>2023</strong>/24, conforme dados divulgados<br />

pela Conab. Deste<br />

volume, 590 milhões virão do<br />

Centro-Sul. Se as estimativas<br />

da Conab se confirmarem, a<br />

produção desta safra superará<br />

em 7% a da anterior. O<br />

órgão oficial estima que a<br />

produção de açúcar oriunda<br />

de cana atingirá 41 milhões<br />

de toneladas, 11% a mais do<br />

que no período anterior. A<br />

produção de etanol de cana<br />

supera em 4,5% a de 2022/<br />

23, e vai a 27,7 bilhões de litros.<br />

Um dos destaques é a<br />

oferta de etanol vinda de<br />

milho, que já soma 6,1 bilhões<br />

de litros, 37% acima do<br />

volume da safra de 2022/23.<br />

Ao somar esse volume, a<br />

produção do combustível<br />

oriundo do cereal já atinge<br />

22% do de cana-de-açúcar.<br />

Petrobras<br />

O diretor de Exploração e Petróleo<br />

da Petrobras, Joelson<br />

Falcão Mendes, afirmou que a<br />

estatal prevê a manutenção<br />

das reservas de petróleo ao<br />

mesmo tempo em que promoverá<br />

a transição energética. O<br />

O Brasil alcançou a sétima colocação<br />

no ranking de melhor<br />

desempenho do Produto Interno<br />

bruto (PIB) no segundo<br />

trimestre de <strong>2023</strong> ante o primeiro<br />

trimestre de <strong>2023</strong>, segundo<br />

os cálculos da agência<br />

de classificação de risco Austin<br />

Rating. A Austin já prevê que a<br />

economia brasileira possa retornar<br />

ainda neste ano ao grupo<br />

de dez maiores economias do<br />

mundo. O PIB brasileiro cresceu<br />

0,9% no segundo trimestre<br />

ante o primeiro trimestre do<br />

ano, segundo o IBGE. Na lista,<br />

que inclui dados de 46 países,<br />

Top 10<br />

executivo prevê a continuidade<br />

das operações de exploração<br />

e produção de petróleo para<br />

as próximas quatro décadas,<br />

com uma tendência de deslocamento<br />

gradual da demanda<br />

por produtos sustentáveis.<br />

o Brasil ficou atrás apenas do<br />

desempenho do Japão (1,5%),<br />

Eslovênia (1,4%), Taiwan<br />

(1,4%), Costa Rica (1,3%), Turquia<br />

(1,3%) e Malásia (1,0%).<br />

O crescimento da atividade<br />

econômica brasileira no segundo<br />

trimestre superou o de<br />

países como China (0,8%), Indonésia<br />

(0,8%), México (0,8%),<br />

Estados Unidos (0,6%) e Coreia<br />

do Sul (0,6%). Com a projeção<br />

atual de resultado do PIB para<br />

este ano, o Brasil voltaria a fazer<br />

parte do grupo das dez maiores<br />

economias do mundo já em<br />

<strong>2023</strong>.<br />

A Caramuru Alimentos, empresa<br />

brasileira que é uma das<br />

líderes no mercado de processamento<br />

de soja, milho, girassol<br />

e canola, acaba de anunciar<br />

que iniciou a comercialização<br />

do etanol hidratado de soja<br />

produzido em seu complexo<br />

industrial de Sorriso, em Mato<br />

Grosso. A iniciativa da produção<br />

do biocombustível etanol,<br />

com a matéria-prima soja, é<br />

pioneira na indústria global.<br />

Conforme comunicado da<br />

companhia, o etanol é produzido<br />

a partir do melaço de soja,<br />

resultante do processamento<br />

da Proteína Concentrada de<br />

De soja<br />

Soja. Neste processo, todo o<br />

potencial dessa matéria-prima<br />

é reaproveitado com alta eficiência<br />

energética, minimizando<br />

os impactos ambientais. A unidade<br />

industrial de Sorriso tem<br />

capacidade anual de 9,5 milhões<br />

de litros de etanol hidratado.<br />

Destes, 72% serão comercializados<br />

no mercado interno<br />

brasileiro e 28% consumidos<br />

na planta como insumos.<br />

<strong>Jornal</strong> <strong>Paraná</strong><br />

15


PREVENÇÃO<br />

Cooperval participa do <strong>Setembro</strong> Amarelo<br />

O suicídio é uma triste realidade e um importante problema de saúde<br />

pública que atinge o mundo todo e gera grandes prejuízos à sociedade<br />

Durante o mês de setembro,<br />

a Cooperval<br />

- Cooperativa Agroindustrial<br />

Vale do Ivaí<br />

Ltda., com sede no município<br />

de Jandaia do Sul, tem realizado<br />

uma série de ações de<br />

conscientização nos diversos<br />

setores da empresa visando a<br />

prevenção ao suicídio. <strong>Setembro</strong><br />

Amarelo é uma campanha<br />

brasileira iniciada em 2015, e<br />

o mês de setembro foi escolhido<br />

para a campanha porque,<br />

desde 2003, o dia 10 de setembro<br />

é o Dia Mundial de Prevenção<br />

do Suicídio.<br />

O suicídio é uma triste realidade<br />

e um importante problema de<br />

saúde pública que atinge o<br />

mundo todo e gera grandes<br />

prejuízos à sociedade e todos<br />

devem atuar ativamente na<br />

conscientização da importância<br />

que a vida tem e ajudar na<br />

prevenção. Os especialistas<br />

dizem que é importante falar<br />

sobre o assunto para que as<br />

pessoas que estejam passando<br />

por momentos difíceis e de<br />

crise busquem ajuda e entendam<br />

que a vida sempre vai ser<br />

a melhor escolha.<br />

De acordo com a Organização<br />

Mundial da Saúde, dados de<br />

2019, são registrados mais de<br />

700 mil suicídios em todo o<br />

mundo, sem contar com os<br />

episódios subnotificados, que<br />

podem elevar o número a 1<br />

milhão de casos. No Brasil, os<br />

registros se aproximam de 14<br />

mil casos por ano, ou seja, em<br />

média 38 pessoas cometem<br />

suicídio por dia. Entre os jovens<br />

de 15 a 29 anos, o suicídio<br />

foi a quarta causa e morte<br />

depois de acidentes no trânsito,<br />

tuberculose e violência interpessoal.<br />

Embora os números estejam<br />

diminuindo em todo o mundo,<br />

os países das Américas vão na<br />

contramão dessa tendência,<br />

com índices que não param de<br />

aumentar, segundo a OMS. Em<br />

países da Europa, houve um<br />

declínio nas taxas de suicídio e<br />

observou-se um aumento dessas<br />

taxas em paiśes do Leste<br />

Asiático, América Central e<br />

Ameŕica do Sul. Segundo dados<br />

da Secretaria de Vigilância<br />

em Saúde divulgados pelo Ministério<br />

da Saúde em setembro<br />

de 2022, entre 2016 e 2021<br />

houve um aumento de 49,3%<br />

nas taxas de mortalidade de<br />

adolescentes de 15 a 19 anos,<br />

chegando a 6,6 por 100 mil, e<br />

de 45% entre adolescentes de<br />

10 a 14 anos, chegando a 1,33<br />

por 100 mil.<br />

As taxas variam entre países,<br />

regiões e entre homens e mulheres.<br />

No Brasil, 12,6% a cada<br />

100 mil homens em comparação<br />

com 5,4% por cada 100<br />

mil mulheres, morrem devido<br />

ao suicídio. As taxas entre os<br />

homens são geralmente mais<br />

altas em países de alta renda<br />

(16,6% por 100 mil). Para as<br />

mulheres, as taxas de suicídio<br />

mais altas são encontradas em<br />

países de baixa-média renda<br />

(7,1% por 100 mil).<br />

As estatísticas mostram que<br />

praticamente 100% de todos<br />

os casos de suicídio estavam<br />

relacionados às doenças mentais,<br />

principalmente não diagnosticadas<br />

ou tratadas incorretamente.<br />

Dessa forma, a<br />

maioria dos casos poderia ter<br />

sido evitada se esses pacientes<br />

tivessem acesso ao tratamento<br />

psiquiátrico e informações<br />

de qualidade.<br />

16<br />

<strong>Jornal</strong> <strong>Paraná</strong>

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