Quem é Quem nos Resíduos
Transforme seus PDFs em revista digital e aumente sua receita!
Otimize suas revistas digitais para SEO, use backlinks fortes e conteúdo multimídia para aumentar sua visibilidade e receita.
QUEM É QUEM<br />
NOS RESÍDUOS<br />
I
3<br />
QUEM É QUEM<br />
NOS RESÍDUOS<br />
I<br />
2023
4<br />
A REVISTA QUE<br />
DÁ VOZ A TODOS<br />
OS QUE ACREDITAM<br />
NUM MUNDO MAIS<br />
SUSTENTÁVEL<br />
Saiba mais em<br />
www.greensavers.pt
\\ EDITORIAL \\<br />
5<br />
Há muito dinheiro<br />
a ser “aterrado”!<br />
Cada português produz cerca de 1,4 kg de resíduos por dia — ou seja, dois milhões de toneladas por ano.<br />
A má notícia <strong>é</strong> que 56% deste “lixo” vai para o aterro comum. São rios de dinheiro deitados fora, al<strong>é</strong>m<br />
da poluição gerada, quando muitos deles poderiam ganhar uma nova vida, regressando ao estado de<br />
mat<strong>é</strong>ria-prima. Uma oportunidade de serem reaproveitados em vez de descartados. Por isso, quando<br />
olhar para o seu caixote do lixo, mude a perspetiva. Em vez de resíduos, veja tesouros escondidos. Diamantes em<br />
bruto.<br />
É fácil de provar. Veja-se o exemplo do fabrico de aparelhos eletrónicos. Estes utilizam uma variedade impressionante<br />
de materiais e muitos deles com um alto valor comercial. Numa tonelada de telemóveis velhos encontram-<br />
-se 340 gramas de ouro, 3,5 kg de prata e 140 de paládio — mais valioso do que o ouro e 130 kg de cobre. Se estes<br />
metais forem recuperados rendem cerca de 15 mil euros. Junte agora a mais-valia de pouparem a extração de<br />
recursos naturais. Basta reciclá-los e podem ser reintroduzidos no mercado.<br />
Outro exemplo, os biorresíduos e o óleo alimentar podem gerar combustível, ou melhor, biocombustível. Em Portugal,<br />
a Carris, só para citar um exemplo, já o faz. Este tipo de combustível permite reduzir em 84% as emissões de<br />
gases com efeito de estufa, comparativamente ao combustível fóssil tradicional e não foi preciso alterar os motores.<br />
Esta aposta na economia circular ajuda ainda a poupar o planeta da hipótese da contaminação da água. Um litro<br />
de óleo contamina cerca de 1000 litros de água quando algu<strong>é</strong>m o despeja pelo ralo da cozinha, ou envia para aterro.<br />
São números alarmantes.<br />
Segundo a Sociedade Ponto Verde, estamos longe das metas de reciclagem de resíduos urba<strong>nos</strong>. Nas embalagens,<br />
com exceção do vidro, a situação <strong>é</strong> um pouco diferente. A evolução tem sido notável no que diz respeito à reciclagem.<br />
As metas anuais do plástico e do papel/cartão já foram alcançadas no primeiro semestre de 2023. É o único<br />
fluxo urbano que cumpre as metas estabelecidas. Mas... as contas desta entidade estimam que estejamos a enterrar<br />
31 milhões de euros de recicláveis anualmente. Mat<strong>é</strong>ria-prima que pode e deveria voltar para o processo produtivo,<br />
mas não lhe dão esse destino. A economia linear — isto <strong>é</strong>, produção industrial em que há um esgotamento<br />
dos recursos naturais e em que os produtos são utilizados e, pouco tempo depois, descartados como resíduos, não<br />
reinará muito mais tempo. Os recursos esgotam-se. O caminho tem de ser outro. O lixo <strong>é</strong> um ativo que vale muito<br />
dinheiro. Para a tesouraria das empresas e para a sobrevivência do planeta. Por isso, da próxima vez que for deitar<br />
o lixo fora, lembre-se disso. Recicle. O dinheiro está nas suas mãos!<br />
Teresa Cotrim, jornalista<br />
// FICHA TÉCNICA<br />
DIRETOR GERAL Rog<strong>é</strong>rio Junior • DIRETORA EDITORIAL Ana Filipa Rego • COLABORADORES E REDAÇÃO Ana Filipa Rego, Alexandra Costa, Filipe Rações, Teresa<br />
Cotrim • DIREÇÃO DE COMUNICAÇÃO Marisa Silvestre • DIREÇÃO DE ARTE Sofia Marques • REVISÃO Lígia Mendes • IMAGENS Getty Images • PUBLICIDADE Mário<br />
Serra (mario.serra@greensavers.pt) • PERIODICIDADE Anual • TIRAGEM MÉDIA 15.000 exemplares • PROPRIEDADE | SEDE | EDITOR Green News Editora, LDA, Rua<br />
Cidade de Rabat, 41B, 1500-159 Lisboa, NIPC: 516292412, geral@greensavers.pt • IMPRESSÃO E ACABAMENTO Jorge Fernandes, LDA - Rua Quinta do Conde de<br />
Mascarenhas, 9, 2820-652 Charneca da Caparica • Revista distribuída gratuitamente com a Green Savers nº 12<br />
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023
6 \\ ÍNDICE \\<br />
08<br />
ENTREVISTA<br />
RECICLAGEM<br />
É PRECISO MUDAR O ATUAL<br />
MODELO DE GESTÃO<br />
São quase três d<strong>é</strong>cadas de trabalho.<br />
Mas a verdade <strong>é</strong> que, no que concerne à<br />
recolha de resíduos, Portugal ainda tem<br />
um longo caminho pela frente.<br />
24<br />
ENTREVISTA<br />
No SDR está tudo pronto a<br />
arrancar. Só falta a lei que<br />
regulará o sistema<br />
Os gover<strong>nos</strong> prometem, mas está difícil<br />
sair da gaveta. Entretanto, Portugal<br />
vai falhando as metas de reciclagem e<br />
perdem-se anualmente 240 milhões de<br />
euros de incentivo à reciclagem.<br />
32<br />
PORTUGAL recebe aviso de<br />
incumprimento da Comissão<br />
Europeia<br />
Continuamos a falhar as metas de reciclagem<br />
<strong>nos</strong> resíduos. Será que este<br />
puxão de orelhas vai mudar alguma<br />
coisa?<br />
34<br />
PLÁSTICOS & EMBALAGENS<br />
Prejuízo de 35 milhões de euros<br />
anualmente nas autarquias<br />
Portugal cumpre nas metas estipuladas<br />
para as embalagens de plástico,<br />
mas com as novas regras poderá pagar<br />
uma fatura elevada<br />
14<br />
RECICLAGEM<br />
Portugal aqu<strong>é</strong>m do seu potencial<br />
Processos de recolha ineficientes ou<br />
inexistentes, taxas de gestão de resíduos<br />
inadequadas, e falta de visão integrada.<br />
Alguns dos problemas que enfrentam<br />
as entidades que “tratam” dos resíduos<br />
portugueses.
\\ ÍNDICE \\<br />
7<br />
36<br />
COM UM INVESTIMENTO DE 18 MILHÕES<br />
DE EUROS, PORTUGAL CUMPRIRIA NO<br />
VIDRO<br />
38<br />
AS VÁRIAS VIDAS DO PAPEL<br />
40<br />
ESTARÁ PORTUGAL<br />
PREPARADO PARA A RECOLHA<br />
DOS BIORRESÍDUOS<br />
42<br />
RESÍDUOS ELECTRÓNICOS<br />
O LIXO VALIOSO!<br />
54<br />
FÓRUM DE LÍDERES<br />
1<br />
Qual a importância da Sustentabilidade<br />
2<br />
para a sua área/setor?<br />
Como perspetiva o futuro do setor da<br />
gestão de resíduos em Portugal?<br />
44<br />
PILHAS & BATERIAS COM NOVO<br />
REGULAMENTO<br />
46<br />
TRANSFORME O SEU ÓLEO EM<br />
NOVA MATÉRIA-PRIMA<br />
48<br />
HÁ SETE ANOS QUE A LEI<br />
PROSOLOS ESTÁ NA GAVETA<br />
50<br />
DESPIR O PLANETA<br />
62<br />
DIRETÓRIO<br />
Rumo a uma<br />
economia circular<br />
Reutilizar e reciclar os produtos permite retardar o uso dos<br />
recursos naturais, reduzir a perturbação das paisagens e dos<br />
habitats e ajudar a limitar a perda de biodiversidade.<br />
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023
8 \\ ENTREVISTA \\<br />
RECICLAGEM<br />
É PRECISO MUDAR O ATUAL<br />
MODELO DE GESTÃO<br />
SÃO QUASE TRÊS DÉCADAS DE TRABALHO. MAS A VERDADE É QUE, NO QUE CONCERNE<br />
À RECOLHA DE RESÍDUOS, PORTUGAL AINDA TEM UM LONGO CAMINHO PELA FRENTE.<br />
UM CAMINHO PARA O QUAL NUNO LACASTA, PRESIDENTE DA AGÊNCIA PORTUGUESA DO<br />
AMBIENTE (APA), DEFENDE UM MODELO SUSTENTADO DE RECOLHA SELETIVA DAS VÁRIAS<br />
FRAÇÕES DE RESÍDUOS.<br />
\\ Por Alexandra Costa<br />
No final do ano passado, Portugal definiu e levou a cabo<br />
uma mudança na estrat<strong>é</strong>gia de recolha de resíduos. No<br />
entanto, apesar da evolução, o país continua a falhar as<br />
metas estabelecidas pela Comissão Europeia. É certo<br />
que há diferenças <strong>nos</strong> tipos de resíduos. No entanto, em conversa com a<br />
Green Savers, o presidente da APA, Nuno Lacasta, revelou que a questão<br />
<strong>é</strong> mais abrangente e defende respostas integradas que, entre outras<br />
coisas, passem pela implementação de sistemas de recolha seletiva eficazes<br />
e pela promoção da participação do cidadão nesses sistemas.<br />
Como avalia a prestação de Portugal no que concerne à recolha e<br />
tratamento de resíduos?<br />
Portugal promoveu importantes mudanças a partir de 1996, desde o<br />
encerramento das lixeiras (em 1996 contabilizavam-se mais de três<br />
centenas de lixeiras), e a sua substituição por aterros controlados, que<br />
contemplam um conjunto de requisitos de proteção ambiental, à introdução<br />
de recolha seletiva para um crescente número de frações, ou<br />
ao incremento da valorização e reciclagem dessas frações. Procedeu-se<br />
ainda ao desenvolvimento de vários modelos de redes de recolha de resíduos,<br />
e investiu-se fortemente em infraestruturas de tratamento. Houve<br />
tamb<strong>é</strong>m uma aposta na sensibilização e educação da população para as<br />
mat<strong>é</strong>rias de recolha seletiva e, mais recentemente, para a prevenção de<br />
resíduos.<br />
As exigentes metas comunitárias têm vindo a determinar importantes<br />
desafios estrat<strong>é</strong>gicos e operacionais, vertidos <strong>nos</strong> Pla<strong>nos</strong> Estrat<strong>é</strong>gicos<br />
em mat<strong>é</strong>ria de resíduos, que colocam os municípios, os Sistemas de<br />
Gestão de <strong>Resíduos</strong> Urba<strong>nos</strong> (SGRU) e demais operadores de gestão de<br />
resíduos, perante a necessidade de uma muito forte articulação e integração<br />
das suas operações.<br />
Tamb<strong>é</strong>m no que respeita aos fluxos específicos de resíduos, tem vindo<br />
a ser muito reforçada a responsabilidade alargada do produtor, reconhecida<br />
cada vez mais como um pilar fundamental na gestão de resíduos.<br />
Importa, no entanto, reconhecer que a evolução verificada tem sido<br />
positiva, não obstante poder não ter sido tão rápida como gostaríamos.<br />
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023
\\ ENTREVISTA \\<br />
9<br />
As novas metas estabelecidas neste âmbito colocam<br />
à maioria dos Estados-Membros, incluindo<br />
a Portugal, desafios de grande complexidade, que<br />
exigem respostas integradas, desde a implementação<br />
de sistemas de recolha seletiva eficazes, à promoção<br />
da participação do cidadão nesses sistemas.<br />
Ainda sobre os resíduos, quais os desafios que<br />
Portugal tem de ultrapassar? O que a APA está<br />
a fazer para isso?<br />
A política comunitária em mat<strong>é</strong>ria de resíduos<br />
tem definido, ao longo dos tempos, objetivos e metas<br />
cada vez mais ambiciosos, que visam o desvio<br />
de resíduos de aterro e uma maior circularidade<br />
dos materiais, privilegiando em primeira linha a<br />
prevenção de resíduos.<br />
Para atingir estes objetivos e metas, Portugal<br />
tem ainda de percorrer um longo caminho, que<br />
passará por uma intervenção ao nível da melhoria<br />
dos tratamentos de resíduos, mas sobretudo<br />
por uma substituição do modelo atual de gestão,<br />
assente na recolha indiferenciada de resíduos,<br />
por um modelo sustentado de recolha seletiva<br />
das várias frações de resíduos. Esta alteração e<br />
o sucesso da estrat<strong>é</strong>gia estão fortemente dependentes<br />
da participação e adesão da população e<br />
do consumidor, o que exige uma campanha de<br />
comunicação adaptada ao tipo de população<br />
alvo a abordar e que considere as especificidades<br />
ao nível nacional, regional e mesmo local.<br />
Em 2018, foi publicado, a nível comunitário, o<br />
“Novo Pacote <strong>Resíduos</strong>”, que incluiu a revisão de<br />
um conjunto de Diretivas em mat<strong>é</strong>ria de resíduos,<br />
nomeadamente a Diretiva Quadro <strong>Resíduos</strong>,<br />
que datava de 2008, a Diretiva Aterros e a Diretiva<br />
Embalagens. De um modo geral, este conjunto<br />
de alterações legislativas visava melhorar a gestão<br />
de resíduos na União Europeia, transformando-a<br />
numa gestão sustentada dos materiais. Foram introduzidos<br />
novos desafios em mat<strong>é</strong>ria de resíduos<br />
urba<strong>nos</strong>, com objetivos mais claros e concretos e<br />
maior ambição nas metas estabelecidas. Desta alteração,<br />
há a destacar como principais desafios:<br />
1. Obrigação de recolha seletiva de biorresíduos<br />
at<strong>é</strong> 2023;<br />
2. Obrigação de recolha seletiva de resíduos<br />
têxteis e pequenas frações de resíduos perigosos<br />
dom<strong>é</strong>sticos at<strong>é</strong> 2025;<br />
3. Definição de medidas obrigatórias para prevenção<br />
de resíduos;<br />
4. Redução do desperdício alimentar;<br />
5. Reforço da promoção na hierarquia de<br />
resíduos;<br />
6. Reforço das restrições à deposição em aterro;<br />
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023
10 \\ ENTREVISTA \\<br />
7. Aumento dos quantitativos de resíduos de<br />
embalagem recolhidos seletivamente;<br />
8. Aumento dos quantitativos de <strong>Resíduos</strong> de<br />
Equipamentos El<strong>é</strong>tricos e Eletrónicos (REEE)<br />
recolhidos seletivamente.<br />
As metas a alcançar aumentam significativamente<br />
no período pós 2020 (*ver quadro).<br />
Para atingir os objetivos em causa, <strong>é</strong> essencial a<br />
participação da população, pois toda a separação<br />
dos resíduos terá de ser feita na sua própria casa.<br />
Neste sentido, o cidadão <strong>é</strong> o fator determinante<br />
para o sucesso ou fracasso da nova estrat<strong>é</strong>gia a implementar,<br />
pelo que <strong>é</strong> imprescindível a realização<br />
de campanhas de comunicação robustas e focadas<br />
no objetivo da recolha seletiva.<br />
Todos os outros intervenientes tamb<strong>é</strong>m têm<br />
que ser envolvidos, desde a conceção ao fabrico,<br />
à distribuição e comercialização, aos operadores<br />
2020 2025 2030 2035<br />
Preparação para reutilização e reciclagem 50% 55% 60% 65%<br />
Redução de resíduos alimentares 30% 50%<br />
<strong>Resíduos</strong> de Embalagens plástico 50% 55%<br />
<strong>Resíduos</strong> de Embalagens de madeira 25% 30%<br />
<strong>Resíduos</strong> de Embalagens de metais<br />
ferrosos<br />
70% 80%<br />
<strong>Resíduos</strong> de Embalagens de alumínio 50% 60%<br />
<strong>Resíduos</strong> de Embalagens de vidro 70% 75%<br />
<strong>Resíduos</strong> de Embalagens de papel e cartão 75% 85%<br />
Meta de recolha separada para garrafas<br />
de bebidas de plástico de uso único<br />
Deposição de RUB em aterro<br />
AS METAS A ALCANÇAR<br />
NO PERÍODO PÓS 2020<br />
35%<br />
(face a 1985)<br />
77%<br />
90%<br />
(2029)<br />
Deposição de resíduos em aterro 10%<br />
responsáveis pela gestão do resíduo, à administração<br />
e à sociedade no geral.<br />
A estrat<strong>é</strong>gia para o cumprimento por Portugal<br />
destas ambiciosas metas foi estabelecida no Plano<br />
Nacional de Gestão de <strong>Resíduos</strong> e no Plano Estrat<strong>é</strong>gico<br />
para a Gestão dos <strong>Resíduos</strong> Urba<strong>nos</strong>, que<br />
define metas específicas para cada um dos SGRU,<br />
bem como um conjunto de medidas que concorrem<br />
para o seu cumprimento, e responsabilidades<br />
dos diferentes atores.<br />
Encontra-se em curso uma articulação próxima<br />
com os municípios no sentido de identificar os<br />
respetivos contributos para os objetivos do SGRU<br />
que o integram. Em sequência, cada uma das entidades<br />
gestoras de resíduos urba<strong>nos</strong> – SGRU e municípios<br />
- deverá definir, no âmbito dos respetivos<br />
pla<strong>nos</strong> de ação (PAPERSU), e em articulação com<br />
as restantes, a trajetória associada ao cumprimento<br />
destes objetivos, atrav<strong>é</strong>s de medidas e ações,<br />
prazos e custos previstos.<br />
Não havendo modelos perfeitos, a constante avaliação<br />
e ajustes ao percurso delineado terão de ser<br />
efetuados ao longo do período de planeamento.<br />
Quando se fala de resíduos, o tema abarca<br />
não só a recolha por parte dos cidadãos como<br />
por parte das empresas. De que forma avalia<br />
a prestação destas duas vertentes?<br />
Relativamente ao cidadão, apesar dos equipamentos<br />
e infraestruturas de vários tipos para<br />
diferentes soluções e da implementação de várias<br />
redes de recolha, por parte dos Sistemas de<br />
Gestão de <strong>Resíduos</strong> Urba<strong>nos</strong> e municípios, e<br />
diversas campanhas de educação e sensibilização,<br />
verifica-se que a sua participação tem de ser<br />
reforçada, sendo este um foco prioritário de intervenção.<br />
Assim, para al<strong>é</strong>m da aposta em mais<br />
e melhor sensibilização para o tema, <strong>é</strong> essencial<br />
promover uma melhor separação dos resíduos,<br />
atrav<strong>é</strong>s da implementação de redes de recolha<br />
seletiva inovadoras e convenientes, assim como<br />
desenvolver instrumentos económicos que<br />
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023
\\ ENTREVISTA \\<br />
11<br />
Novas metas estabelecidas colocam<br />
à maioria dos Estados-Membros,<br />
incluindo a Portugal, desafios de<br />
grande complexidade que exigem<br />
respostas integradas, que passam<br />
pela implementação de sistemas de<br />
recolha seletiva eficazes e pela promoção<br />
da participação do cidadão<br />
nesses sistemas.<br />
permitam ao cidadão identificar o resíduo como<br />
um recurso.<br />
No caso das empresas, recai sobre elas a responsabilidade<br />
sobre a gestão do resíduo e o custo do<br />
seu encaminhamento para destino adequado.<br />
Assim, as empresas estão mais disponíveis para<br />
prevenir resíduos e proceder à sua segregação,<br />
uma vez que este comportamento evita custos. O<br />
Plano Estrat<strong>é</strong>gico para os <strong>Resíduos</strong> não Urba<strong>nos</strong><br />
(PERNU) estabelece, para o período at<strong>é</strong> 2030,<br />
um conjunto de objetivos no sentido de promover<br />
uma gestão adequada desta tipologia de resíduos,<br />
de acordo com a sua hierarquia, identificando<br />
medidas e ações a implementar por vários intervenientes,<br />
e fazer evoluir os números da reciclagem,<br />
incentivar a reutilização e desviar do aterro as frações<br />
com potencial de valorização.<br />
Portugal falha em cumprir as metas definidas<br />
pela Comissão Europeia no que diz respeito<br />
à recolha de resíduos. O que pode ser feito no<br />
sentido de alterar esta situação?<br />
Importa clarificar que Portugal não falha todas<br />
as metas estabelecidas em direito comunitário.<br />
No entanto, <strong>é</strong> necessário fazer um caminho de<br />
transição para uma economia mais circular, que<br />
potenciará o cumprimento das metas e promoverá<br />
a criação de valor a partir dos resíduos, apoiando<br />
concomitantemente uma estrat<strong>é</strong>gia de redução<br />
de utilização de recursos.<br />
Ultrapassar as barreiras atualmente sentidas em<br />
Portugal, no âmbito da transição para uma economia<br />
circular, exige a adoção de diferentes medidas<br />
e instrumentos de política, nomeadamente<br />
ao nível regulatório, económico e de informação/<br />
sensibilização.<br />
É importante garantir que o enquadramento<br />
legislativo e regulatório seja o adequado. Simplificar<br />
a legislação e reduzir a burocracia associada<br />
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023
12<br />
\\ ENTREVISTA \\<br />
Portugal não falha todas<br />
as metas estabelecidas<br />
em direito comunitário,<br />
no entanto importa fazer<br />
um caminho de transição<br />
para uma economia mais<br />
circular que potenciará o<br />
cumprimento de metas e<br />
promoverá a criação de<br />
valor a partir dos resíduos<br />
apoiando uma estrat<strong>é</strong>gia<br />
de redução na utilização<br />
de recursos.<br />
à regulamentação pode ter um impacto positivo<br />
na implementação de estrat<strong>é</strong>gias de economia<br />
circular.<br />
É igualmente importante criar ou alavancar<br />
instrumentos económicos, incentivos fiscais para<br />
a utilização de resíduos, subprodutos, materiais<br />
reciclados e reutilizados, e a modelação de prestações<br />
financeiras no âmbito da responsabilidade<br />
alargada do produtor.<br />
Tamb<strong>é</strong>m <strong>é</strong> necessário continuar a assegurar fontes<br />
de financiamento voltadas para a circularidade,<br />
incluindo o apoio ao investimento produtivo<br />
e à investigação e inovação, bem como o apoio às<br />
empresas na identificação e acesso a oportunidades<br />
de financiamento relevantes.<br />
Não me<strong>nos</strong> importante, a necessidade de continuar<br />
a alavancar estrat<strong>é</strong>gias no âmbito da educação,<br />
apostando numa maior integração dos<br />
princípios de economia circular <strong>nos</strong> currículos e<br />
melhorando a informação ao cidadão, mas tamb<strong>é</strong>m<br />
destinadas a aumentar as competências e<br />
conhecimentos de economia circular das empresas<br />
e organizações.<br />
Importa, ainda, salientar a importância de envolver<br />
ativamente todas as partes interessadas no<br />
processo de transição, no sentido de construir uma<br />
perspetiva partilhada, com a qual os vários atores<br />
se identifiquem, aumentando o seu compromisso<br />
para com as estrat<strong>é</strong>gias e soluções adotadas.<br />
Os recentes instrumentos de política ao nível europeu,<br />
como o Green Deal e o novo Plano de Ação<br />
para a Economia Circular, e outros mais específicos<br />
como a Diretiva <strong>Resíduos</strong> e a Diretiva dos<br />
Plásticos de Uso Único, já transpostas para o direito<br />
nacional, trazem consigo a disrupção que não<br />
podemos mais adiar e temos o dever de acompanhar.<br />
O que está em causa não <strong>é</strong> apenas melhorar<br />
a qualidade ambiental e o bem-estar social, mas<br />
tamb<strong>é</strong>m o posicionamento e a competitividade<br />
das empresas nacionais.<br />
Direcionar o investimento para fazer diferente,<br />
para efetivamente reduzir o consumo de<br />
mat<strong>é</strong>rias-primas e energia, sem comprometer a<br />
sustentabilidade das empresas e contribuindo at<strong>é</strong><br />
para aumentar a sua competitividade. É esse o caminho<br />
para o qual temos de apontar.<br />
A legislação nacional já tem como principal<br />
objetivo a transição para uma economia circular,<br />
assentando muitas das suas disposições na hierarquia<br />
de resíduos e privilegiando as operações<br />
mais nobres da hierarquia. Vem trazer alterações<br />
relevantes, por exemplo, no processo de desclassificação<br />
de resíduos, cujo procedimento tem vindo<br />
a ser reiteradamente identificado como um obstáculo<br />
à promoção de uma economia circular.<br />
No que respeita aos subprodutos, destaca-se a<br />
simplificação administrativa e a eliminação dos<br />
custos associados. O procedimento de classificação<br />
como subproduto torna-se auto-declarativo<br />
pelo produtor da substância ou associação do<br />
setor, desde que as condições para a sua desclassificação<br />
estejam devidamente validadas por laboratórios<br />
colaborativos reconhecidos pela FCT<br />
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023
\\ ENTREVISTA \\<br />
13<br />
ou centros tecnológicos que atuem no âmbito do<br />
processo produtivo em causa. Julga-se que este<br />
mecanismo irá potenciar a aplicação da figura de<br />
subproduto, <strong>nos</strong> vários setores de atividade.<br />
Ainda a salientar a referência expressa da nova<br />
legislação a espaços de experimentação e inovação<br />
que podem ser autorizados para testar novas<br />
utilizações para os resíduos/subprodutos, antes da<br />
sua classificação “final” como subproduto, criando<br />
assim um regime diferenciado e mais simplificado<br />
para a fase de I&D.<br />
No que diz respeito ao Fim do Estatuto do Resíduo,<br />
<strong>é</strong> introduzida a desclassificação caso a caso,<br />
que se aplica unicamente a um Operador de tratamento<br />
de resíduos, traduzindo-se num processo<br />
me<strong>nos</strong> complexo e me<strong>nos</strong> moroso.<br />
Outras formas de desclassificação de resíduos<br />
são a incorporação de resíduos na indústria transformadora,<br />
em substituição de mat<strong>é</strong>rias-primas, e<br />
os resíduos utilizados em processos que darão origem<br />
a um material sujeito a Marcação CE.<br />
Nos obstáculos identificados à economia circular,<br />
<strong>é</strong> tamb<strong>é</strong>m recorrentemente identificada a<br />
relutância por parte da indústria na aceitação de<br />
mat<strong>é</strong>rias-primas secundárias. Um dos fatores que<br />
<strong>nos</strong> permitirá promover a aceitação das mat<strong>é</strong>rias-<br />
-primas secundárias <strong>é</strong> o alargamento da recolha<br />
seletiva que <strong>nos</strong> próximos a<strong>nos</strong> terá impacto na<br />
quantidade e qualidade do material recuperado.<br />
Esta estrat<strong>é</strong>gia permitirá criar um mercado de<br />
mat<strong>é</strong>rias-primas secundárias, com uma oferta em<br />
quantidade e qualidade compatível com a procura<br />
da indústria, permitindo poupar recursos.<br />
Outro dos instrumentos em vigor, que potenciará<br />
este mercado, será a aplicação de metas de<br />
incorporação de mat<strong>é</strong>rias-primas secundárias,<br />
como por exemplo <strong>nos</strong> setores da construção e da<br />
embalagem, setores muito intensivos em consumo<br />
de materiais.<br />
Instrumentos económicos e fiscais encontram-<br />
-se tamb<strong>é</strong>m a ser avaliados neste âmbito, num<br />
contexto regulatório e de mercado.<br />
Pese embora as medidas a implementar, no sentido<br />
da promoção de uma maior retenção de mat<strong>é</strong>rias-primas<br />
secundárias na economia, importa<br />
continuar a investir na eficiência dos processos<br />
produtivos e na inovação, de modo a evitar desperdícios,<br />
sendo que o melhor resíduo <strong>é</strong> claramente<br />
o resíduo evitado. A adoção dos princípios subjacentes<br />
a uma economia circular encerra um enorme<br />
potencial para a sustentabilidade, sobretudo<br />
em contextos como o que estamos hoje a viver.<br />
É urgente que as atividades económicas implementem<br />
as mudanças necessárias e reforcem os<br />
seus compromissos. É urgente que o consumidor<br />
promova escolhas e adote comportamentos que<br />
permitam reduzir a produção de resíduos, optando<br />
por produtos mais sustentáveis e com um ciclo<br />
de vida me<strong>nos</strong> impactante.<br />
Importa que o cidadão entenda o resíduo como<br />
um recurso, segregando o mais possível as frações<br />
alvo e fomentando, assim, uma recuperação de<br />
mais materiais e de melhor qualidade. Importa<br />
que o setor dos resíduos contribua, investindo em<br />
maior eficácia e eficiência na recolha e no tratamento<br />
de resíduos.<br />
Enquanto, coletivamente, não formos de facto<br />
mais ambiciosos, não poderemos evoluir para uma<br />
sociedade e economia que regeneram e preservam<br />
recursos, em vez de os desperdiçar, e que prosperam<br />
dentro dos limites do planeta.<br />
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023
14 \\ RESÍDUOS \\<br />
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023
\\ RECICLAGEM \\<br />
15<br />
RECICLAGEM<br />
PORTUGAL AQUÉM DO SEU POTENCIAL<br />
PROCESSOS DE RECOLHA INEFICIENTES OU INEXISTENTES, TAXAS DE GESTÃO<br />
DE RESÍDUOS INADEQUADAS, E FALTA DE VISÃO INTEGRADA. ALGUNS DOS<br />
PROBLEMAS QUE ENFRENTAM AS ENTIDADES QUE “TRATAM” DOS RESÍDUOS<br />
PORTUGUESES E QUE CONDICIONAM O ATINGIMENTO DAS METAS DEFINIDAS<br />
PELA COMISSÃO EUROPEIA.<br />
\\ Por Alexandra Costa<br />
Analisar a evolução portuguesa de d<strong>é</strong>cadas de reciclagem<br />
de resíduos urba<strong>nos</strong> <strong>é</strong> uma sensação agridoce.<br />
Por um lado, <strong>é</strong> nítido que houve uma evolução.<br />
Mas, por outro, tamb<strong>é</strong>m <strong>é</strong> claro que o país<br />
não avançou tanto quanto poderia e que ainda há um longo<br />
caminho a percorrer.<br />
Como aponta Ana Trigo Morais, CEO da Sociedade Ponto<br />
Verde, “globalmente não estamos bem”. A executiva explica que<br />
Portugal está longe das metas de reciclagem de resíduos urba<strong>nos</strong>,<br />
mas no campo das embalagens, com exceção do vidro, a<br />
situação <strong>é</strong> bem diferente. Ou seja, a evolução tem sido notável<br />
no que diz respeito à reciclagem de embalagens, tanto assim<br />
<strong>é</strong> que as metas anuais do plástico e do papel/cartão já foram<br />
alcançadas no primeiro semestre de 2023. Aliás, este <strong>é</strong> o único<br />
fluxo urbano que cumpre.<br />
Opinião partilhada pela Zero que, nas palavras de Rui Berkemeier,<br />
considera que se mant<strong>é</strong>m o falhanço total na reciclagem<br />
de resíduos urba<strong>nos</strong>, resíduos el<strong>é</strong>tricos e eletrónicos, embalagens<br />
de produtos fitofarmacêuticos, sementes e biocidas, e pilhas.<br />
A verdade <strong>é</strong> que, e segundo dados da Agência Portuguesa do<br />
Ambiente, em 2021 foram produzidas em Portugal 5,04 milhões<br />
de toneladas (t) de resíduos urba<strong>nos</strong> (RU), mais 0,6% do<br />
que em 2020, verificando-se um ligeiro aumento na produção,<br />
quando comparado com o ano anterior. Na prática, e feitas as<br />
contas, isto significa uma produção diária de 1,40 kg por habitante.<br />
O Relatório do Estado do Ambiente – REA 2022, da APA,<br />
refere ainda que, e no que diz respeito à reciclagem de fluxos<br />
específicos de resíduos (embalagens e resíduos de embalagens,<br />
óleos lubrificantes usados, pneus usados, resíduos de equipamento<br />
el<strong>é</strong>trico e eletrónico, resíduos de pilhas e acumuladores,<br />
veículos em fim de vida e resíduos de construção e demolição),<br />
as taxas de reciclagem obtidas em 2020 permitiram o cumprimento<br />
das metas globais definidas, exceto no caso de pneus<br />
usados, em que a taxa alcançada, 64%, ficou aqu<strong>é</strong>m da meta<br />
estabelecida (65%).<br />
Analisando especificamente o fluxo de resíduos de embalagens,<br />
foram produzidos aproximadamente 1,79 milhões de<br />
toneladas em 2020, tendo resultado numa taxa de reciclagem<br />
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023
16<br />
\\ RECICLAGEM \\<br />
de 60% e numa taxa de valorização de 69%.<br />
Por tipo de material de embalagem, os dados<br />
revelam que apenas as taxas de reciclagem de<br />
embalagem de vidro (53%) e de embalagens<br />
de metal (47%) não alcançaram, em 2020, as<br />
respetivas metas (de 60% e 50%, respetivamente).<br />
Já as taxas de reciclagem de embalagens de<br />
papel e cartão (66%), de embalagens de plástico<br />
(34%) e de embalagens de madeira (91%)<br />
ultrapassaram as metas de 60%, 22,5% e 15%,<br />
respetivamente.<br />
A produção de resíduos perigosos (RP) em<br />
Portugal registou, em 2020, cerca de 935 mil<br />
toneladas, o que corresponde a uma redução<br />
de 18% face a 2018, ano em que atingiu um<br />
máximo de cerca de 1 115 mil toneladas. A<br />
maior parte dos resíduos perigosos produzidos<br />
em Portugal tiveram origem em atividades de<br />
recolha, tratamento e eliminação de resíduos<br />
(40%). Dos resíduos perigosos tratados em<br />
2020, 67% foram sujeitos a operações de eliminação<br />
e 33% foram encaminhados para valorização.<br />
O total de rendimentos das entidades gestoras<br />
de resíduos, resultantes das prestações<br />
financeiras – ecovalor – assumidas pelo produtor<br />
pelos impactes ambientais associados<br />
aos respetivos produtos, foi de cerca de 118<br />
milhões de euros em 2020, o que representou<br />
um aumento de 29% face a 2019.<br />
No contexto dos “Riscos Ambientais”, a ficha<br />
temática seca avalia a ocorrência de períodos<br />
de redução da disponibilidade de água,<br />
considerando diferentes definições de seca:<br />
meteorológica, agrícola, agrometeorológica e<br />
hidrológica. O ano hidrológico de 2021/2022<br />
caracterizou-se por uma situação de seca meteorológica<br />
em todo o território. A 30 de setembro<br />
de 2022 a distribuição percentual por<br />
classes do Índice PDSI no território era a seguinte:<br />
3,3% em seca fraca, 64,3% em seca moderada,<br />
32,2% em seca severa e 0,2% em seca<br />
extrema. No final de setembro de 2022 mantinham-se<br />
todas as bacias hidrográficas em seca,<br />
destacando-se as bacias do Douro, Tejo, Ribeiras<br />
do Oeste, Sado e Guadiana em seca severa,<br />
e Mira em seca extrema.<br />
Em 2021, a base de dados de incêndios rurais<br />
registou, em Portugal continental, 8 186<br />
incêndios rurais (9 619 em 2020), que resultaram<br />
em 28 360 hectares de área ardida (67 170<br />
hectares em 2020). Na d<strong>é</strong>cada de 2012-2021, o<br />
ano de 2021 registou o valor mais reduzido em<br />
número de incêndios e o segundo valor mais<br />
reduzido de área ardida.<br />
Relativamente à linha de costa em situação<br />
de erosão, a comparação da linha de<br />
costa de 2010 com a de 2021 mostra que a<br />
extensão/comprimento afetada por erosão se<br />
mant<strong>é</strong>m relativamente inalterada. Não obstante,<br />
mant<strong>é</strong>m-se o processo erosivo para o<br />
interior em algumas das áreas previamente<br />
identificadas em 2010, tendo-se registado at<strong>é</strong><br />
2021 uma perda de território de cerca de 1,3<br />
km2 (130 ha).<br />
A grande questão, aponta a CEO da Sociedade<br />
Ponto Verde <strong>é</strong> que no que concerne aos<br />
resíduos urba<strong>nos</strong> que fazem parte da <strong>nos</strong>sa<br />
vida diária, e sendo mat<strong>é</strong>rias orgânicas, os el<strong>é</strong>tricos<br />
e eletrónicos, ou o mobiliário velho, falta<br />
reciclagem. Pior. “Em alguns casos, não existe<br />
sequer um fluxo definido, o que faz com que<br />
Portugal, globalmente, ainda envie para aterro<br />
cerca de 64% de todos os resíduos urba<strong>nos</strong> que<br />
produz”, afirma a executiva que acrescenta que<br />
isto <strong>é</strong> tão mais crítico quando o país tem como<br />
meta reduzir para 10% at<strong>é</strong> 2035 e há tamb<strong>é</strong>m<br />
um atraso significativo no que diz respeito a<br />
um sistema de recolha e preparação para reciclagem<br />
de biorresíduos - que deveria estar a<br />
funcionar at<strong>é</strong> ao final de 2023 e neste momento<br />
só existem projetos-piloto. “É preocupante<br />
porque 40% dos resíduos urba<strong>nos</strong> em Portugal<br />
são biorresíduos (restos de comida e mat<strong>é</strong>ria<br />
orgânica)”, conclui.<br />
Esta <strong>é</strong> uma situação que causa estranheza.<br />
Porque <strong>é</strong> que o sistema de recolha de embalagens<br />
funciona – na sua generalidade – mas os<br />
restantes não?<br />
“Hoje os cidadãos têm à sua disposição vários<br />
sistemas de recolha seletiva, onde se destaca<br />
uma rede nacional com mais de 70 mil ecopontos<br />
que, no caso de 71% dos portugueses<br />
está a 50 metros de sua casa. Os resultados têm<br />
sido muito positivos, mas porque o objetivo <strong>é</strong><br />
aumentar o nível de ambição, tem de se conseguir<br />
recolher seletivamente mais recicláveis<br />
não apenas <strong>nos</strong> atuais como em novos targets”,<br />
reflete Ana Trigo de Morais.<br />
A CEO da Sociedade Ponto Verde dá mesmo<br />
o exemplo das rolhas de cortiça, que “são<br />
um material de embalagem que pode vir a ser<br />
incorporado no processo de reciclagem da cortiça,<br />
se for depositada no vidrão em conjunto<br />
com as garrafas de vidro”. Esta <strong>é</strong> uma das conclusões<br />
do Estudo “Análise de Viabilidade de<br />
Recolha Seletiva de Rolhas de Cortiça” lidera-<br />
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023
\\ RECICLAGEM \\<br />
17<br />
“É preocupante porque<br />
40% dos resíduos urba<strong>nos</strong><br />
em Portugal são<br />
biorresíduos (restos de<br />
comida e mat<strong>é</strong>ria orgânica)”,<br />
Ana Trigo Morais,<br />
CEO da Sociedade<br />
Ponto Verde<br />
do pela Sociedade Ponto Verde, com o apoio de<br />
vários parceiros na cadeia de valor.<br />
PORTUGAL VERSUS O RESTO DA EUROPA<br />
Na primeira metade de 2023 os portugueses<br />
encaminharam para reciclagem um total de<br />
220.041 toneladas de embalagens, o que significa<br />
um aumento de 2,6% em comparação com<br />
igual período de 2022. Como aponta Ana Trigo<br />
Morais apenas o vidro fica aqu<strong>é</strong>m nas metas<br />
da reciclagem de embalagens. No caso das<br />
embalagens “Portugal está no grupo dos países<br />
que cumprem as metas a par de França, e acima<br />
de Espanha, por exemplo”.<br />
A taxa de reciclagem mais recente que está<br />
disponível no Eurostat <strong>é</strong> de 2020 e o valor para<br />
Portugal <strong>é</strong> de 59,5%. “Sendo a m<strong>é</strong>dia da UE de<br />
64%, o país não está assim tão distante e a previsão<br />
<strong>é</strong> que em próximos a<strong>nos</strong> Portugal suba<br />
no ranking - por causa dos esforços que têm de<br />
ser desenvolvidos para as futuras metas, mas<br />
tamb<strong>é</strong>m porque, ao dia de hoje, a estatística<br />
do Eurostat, no que respeita ao desempenho<br />
da reciclagem das embalagens, não possui o<br />
mesmo rigor e abrangência em todos os países”,<br />
constata Ana Trigo Morais.<br />
No entanto há que ter em conta o alerta da<br />
Comissão Europeia referente a Portugal: o<br />
país está em vias de não cumprir a meta de 55<br />
% de preparação para a reutilização e reciclagem<br />
dos seus resíduos urba<strong>nos</strong> at<strong>é</strong> 2025; e as<br />
metas relativas a alguns fluxos de resíduos de<br />
embalagens fixadas para 2025. A isto há ainda<br />
uma outra preocupação, revela a responsável<br />
pela Sociedade Ponto Verde: a divergência entre<br />
a taxa de deposição em aterro atualmente<br />
registada em Portugal e a meta de deposição<br />
em aterro de, no máximo, 10 % dos resíduos<br />
urba<strong>nos</strong> fixada para 2035.<br />
A análise dos números permite concluir que<br />
o país perde por não ter ainda conseguido<br />
montar sistemas de recolha seletiva para os<br />
fluxos de resíduos onde ainda não existe. Essa<br />
<strong>é</strong> a opinião de Ana Trigo Morais, que acrescenta<br />
que <strong>nos</strong> existentes <strong>é</strong> fundamental continuar<br />
a informar e a sensibilizar os cidadãos,<br />
aumentar a transparência e o nível de serviço<br />
que lhes <strong>é</strong> prestado, para que haja mais confiança<br />
e reciclem mais e melhor as suas embalagens<br />
no pós-consumo.<br />
OS RESÍDUOS MAIS “PROBLEMÁTICOS”<br />
O vidro <strong>é</strong> o resíduo que mais dificuldade tem<br />
em atingir as metas. Ou, por outras palavras,<br />
o que está mais distante dos valores definidos<br />
pela Comissão Europeia. O que se pretende <strong>é</strong><br />
chegar a 70% em 2025 e 75% em 2030.<br />
“Sabia que se cada cidadão reciclar, pelo me<strong>nos</strong>,<br />
mais duas garrafas de vidro, por mês, o<br />
país consegue alcançar, ou mesmo ultrapassar,<br />
este objetivo?”, reflete Ana Trigo Morais, que<br />
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023
18<br />
\\ RECICLAGEM \\<br />
acrescenta que, para isso acontecer, “há muito<br />
trabalho a fazer e temos de acelerar o ritmo”. A<br />
CEO da Sociedade Ponto Verde aponta a “falha”<br />
na recolha junto ao canal HORECA, setor<br />
onde são geradas as quantidades mais significativas<br />
de vidro para reciclagem. A executiva<br />
defende que deve existir uma maior aposta em<br />
novas formas para a deposição destes resíduos,<br />
que sejam mais cómodas e eficazes e mais<br />
vocacionadas para estes estabelecimentos comerciais.<br />
“Seria bom a SPV ser chamada para ir buscar<br />
as garrafas de vidro que ainda são encaminhadas<br />
para os resíduos indiferenciados. Foi nesta<br />
perspetiva que criamos um programa específico<br />
para o canal HORECA e o projeto piloto<br />
que foi implementado em seis municípios, <strong>nos</strong><br />
quais disponibilizamos<br />
contentores com braços mecânicos para facilitar<br />
a deposição das embalagens de vidro.<br />
Apresentou resultados muito positivos, com<br />
um aumento m<strong>é</strong>dio de 60% de recolha de vidro.<br />
Com mais financiamento e vontade, um<br />
projeto destes poderia ganhar escala nacional<br />
e beneficiar todo o país”, explica.<br />
A isto Rui Berkemeier arescenta a questão<br />
dos biorresíduos Só agora se começa a falar<br />
– e praticar – a recolha seletiva dos mesmos.<br />
Onde isso não acontece há todo um conjunto<br />
de resíduos (que poderiam ser aproveitados)<br />
que vão parar a aterros. Na verdade, esta recolha<br />
seletiva <strong>é</strong> quase inexistente, verificando-se<br />
apenas a recolha de 8% do total de biorresíduos<br />
(cerca de 147 mil toneladas).<br />
A Zero refere mesmo que há um fraco tratamento<br />
dos biorresíduos, que representam<br />
cerca de 40% do total dos resíduos<br />
produzidos nas<br />
<strong>nos</strong>sas casas e no<br />
com<strong>é</strong>rcio e serviços (cerca de 1,9 milhões de<br />
toneladas), o que significa que o tratamento<br />
dos biorresíduos foi efetuado apenas para 19%<br />
do potencial (cerca de 353 mil toneladas).<br />
ABORDAGEM INTEGRADA<br />
Na opinião de Ana Trigo Morais a única forma<br />
de resolver a questão da recolha de resíduos <strong>é</strong><br />
atrav<strong>é</strong>s de uma atuação em várias frentes. “Um<br />
consumo moderado, consciente e sustentável,<br />
não passa unicamente pela “Reciclagem”, pressupõe<br />
que, primeiro, seja feito o caminho do<br />
“Reduzir” e “Reutilizar”. Para tal, <strong>é</strong> fundamental<br />
apostar numa maior literacia Ambiental<br />
desde cedo, junto dos mais novos”, aponta.<br />
Rui Berkemeier acrescenta que <strong>é</strong> preciso<br />
solucionar dois problemas que desvirtuam<br />
o mercado. por um lado, a taxa de gestão de<br />
resíduos <strong>é</strong> muito reduzida, o que, como refere<br />
o ambientalista e a associação que representa,<br />
não desincentiva o envio de materiais recicláveis<br />
para aterro ou para incineração. A juntar<br />
a isto há ainda o desperdício de centenas de<br />
milhões de euros do último quadro comunitário<br />
de apoio, gastos de forma muito pouco<br />
criteriosa, muitas vezes favorecendo investimentos<br />
que só vão agravar as dificuldades<br />
de cumprimento das metas (contentores semienterrados,<br />
recolha de biorresíduos com<br />
sacos óticos misturados com os resíduos<br />
indiferenciados, maior capacidade para<br />
produzir combustíveis derivados de resíduos).<br />
Na prática as empresas não pagam o<br />
valor justo de taxa de gestão de resíduos<br />
– uma consequência <strong>é</strong> o constante<br />
d<strong>é</strong>fice das entidades (normalmente<br />
autárquicas) que fazem o tratamento<br />
dos resíduos – e, por outro lado, as coimas<br />
aos infratores são demasiadamente<br />
baixas. Ou seja, o crime compensa.
\\ ODS \\ 19<br />
DIAGRAMA DO SISTEMA<br />
DE ECONOMIA CIRCULAR<br />
CICLO BIOLÓGICO<br />
(ORGÂNICO)<br />
CICLO TÉCNICO<br />
(INDUSTRIAL)<br />
AGRICULTURA<br />
E COLETA<br />
RECURSOS<br />
RENOVÁVEIS<br />
RECURSOS<br />
FINITOS<br />
FABRICAÇÃO DOS<br />
COMPONENTES<br />
REGENERAÇÃO<br />
MATÉRIAS PRIMAS<br />
BIOQUÍMICAS<br />
MANUFATURA DOS PRODUTOS<br />
PROMOÇÃO DO SERVIÇO<br />
COMPARTILHAR<br />
RECICLAGEM<br />
REUTILIZAÇÃO E REDISTRIBUIÇÃO<br />
REMANUFATURA<br />
APROVEITAMENTO<br />
EM CASCATA<br />
MANUTENÇÃO<br />
BIOGÁS<br />
DIGESTÃO<br />
ANAERÓBICA<br />
EXTRAÇÃO DE MATÉRIAS<br />
PRIMAS BIOQUÍMICA<br />
CONSUMO<br />
USO<br />
O Diagrama do sistema de economia circular, conhecido como diagrama de borboleta, ilustra o fluxo contínuo de materiais<br />
numa economia circular. Existem dois ciclos principais – o ciclo t<strong>é</strong>cnico e o ciclo biológico. No ciclo t<strong>é</strong>cnico, os produtos e<br />
materiais são mantidos em circulação atrav<strong>é</strong>s de processos como reutilização, reparação, remanufatura e reciclagem. No<br />
ciclo biológico, os nutrientes dos materiais biodegradáveis são devolvidos à Terra para regenerar a natureza.
20 \\ ENTREVISTA \\<br />
SELO RESÍDUO ZERO<br />
“ASSEGURA QUE VALORIZAMOS PELO MENOS<br />
90% DE TODOS OS NOSSOS RESÍDUOS”<br />
COM ESTA CERTIFICAÇÃO, O GRUPO EL CORTE INGLÉS REFORÇA O COMPROMISSO<br />
COM A SOCIEDADE E MEIO-AMBIENTE ATRAVÉS DE UMA GESTÃO DE RESÍDUOS<br />
COMPROMETIDA COM O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL.<br />
OGrupo El Corte Ingl<strong>é</strong>s obteve a certificação<br />
Resíduo Zero da AENOR, tornando-se na<br />
primeira entidade privada em Portugal a obter<br />
esta certificação. Para atingir o objetivo de<br />
evitar o envio dos resíduos para aterro, foram<br />
otimizados recursos, redefinidos processo de recolha e separação<br />
de resíduos e encontrados novos canais de reutilização<br />
dos desperdícios gerados. Susana Santos diretora de Comunicação,<br />
Relações Institucionais e Sustentabilidade, falou<br />
com a Green Savers sobre a gestão de resíduos do Grupo.<br />
De que forma <strong>é</strong> que a certificação AENOR “Resíduo Zero”<br />
reforça o compromisso do El Corte Ingl<strong>é</strong>s com a sustentabilidade<br />
e a economia circular?<br />
O Projeto Resíduo Zero reforça o compromisso do Grupo El<br />
Corte Ingl<strong>é</strong>s para com a sociedade e meio-ambiente, atrav<strong>é</strong>s<br />
de uma gestão de resíduos comprometida com o desenvolvimento<br />
sustentável.<br />
O selo Resíduo Zero, certificado atribuído pela AENOR, assegura<br />
que valorizamos pelo me<strong>nos</strong> 90% de todos os <strong>nos</strong>sos<br />
resíduos, evitando que tenham como destino final o aterro.<br />
Trata-se de um certificado que ajuda as empresas a otimizar<br />
processos, com foco <strong>nos</strong> pontos de produção de resíduos, e<br />
com vista à promoção da Economia Circular.<br />
Em 2020, iniciámos o processo de implementação do Projeto<br />
e, em 2021, o El Corte Ingl<strong>é</strong>s tornou-se a primeira entidade<br />
privada em Portugal a obter esta certificação.<br />
Já em julho deste ano, alcançou-se a Certificação nas lojas<br />
Supercor e a segunda renovação dos centros de Lisboa e Gaia<br />
e dos Armaz<strong>é</strong>ns de Alcochete e Olival, com 98.7% dos resíduos<br />
produzidos em 2022 valorizados.<br />
Como <strong>é</strong> que a empresa conseguiu atingir este objetivo?<br />
A implementação deste projeto não faz com que deixem de<br />
ser gerados resíduos, mas permite uma gestão organizada dos<br />
mesmos, a sua preparação para reutilização e/ou transformação<br />
em mat<strong>é</strong>rias-primas e uma posterior reintrodução na<br />
cadeia de valor.<br />
Para se atingir o objetivo de evitar o envio dos resíduos para<br />
aterro, foram otimizados recursos, redefinidos processo de<br />
recolha e separação de resíduos, assim como, encontrados<br />
novos canais de reutilização dos desperdícios gerados, sejam<br />
eles alimentares, têxteis ou outros.<br />
Que ações implementadas durante o processo destacam?<br />
A jornada de sustentabilidade na empresa envolve várias<br />
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023
\\ ENTREVISTA \\<br />
21<br />
<strong>Resíduos</strong> gerados<br />
nas <strong>nos</strong>sas lojas<br />
Produtos com utilizações distintas<br />
BIO<br />
DIESEL<br />
COMPOSTO<br />
Residuo Resíduo<br />
CERO Zero<br />
Vestuário para reutilização.<br />
Extração de componentes para<br />
fabrico de novos produtos.<br />
REUTILIZAÇÃO<br />
RECICLAGEM<br />
PLÁSTICO<br />
TEXTIL<br />
RECICLÁVEL<br />
Produtos com a mesma utilização<br />
Valorização 90% ou mais<br />
áreas da <strong>nos</strong>sa organização mas, foi, desde logo,<br />
importante a definição da Sustentabilidade como<br />
um eixo-estrat<strong>é</strong>gico da política empresarial atrav<strong>é</strong>s<br />
do Plano Diretor de Sustentabilidade e Responsabilidade<br />
Social Corporativo 2021-2025.<br />
As ações implementadas significaram aplicar os<br />
princípios de Economia Circular no modelo de<br />
gestão de resíduos. Neste modelo, os resíduos<br />
tornam-se novos recursos que podem continuar<br />
a ser utilizados, ajudando assim a salvaguardar o<br />
ambiente atrav<strong>é</strong>s de uma gestão sustentável.<br />
Mudámos o modelo para circular, em vez de<br />
linear, onde os produtos acabavam no aterro.<br />
Agora, os resíduos são aproveitados em novos<br />
processos e, assim, são valorizados. Apostamos<br />
na valorização, em vez da eliminação. Trata-se<br />
de reutilizar e reciclar para dar uma nova vida<br />
ao maior número de recursos.<br />
Por exemplo, os resíduos de óleo alimentar gerados<br />
nas <strong>nos</strong>sas cafetarias são transformados<br />
em biodiesel (combustível) ou os excedentes alimentares<br />
dos <strong>nos</strong>sos supermercados integram<br />
a produção de novos produtos, como acontece<br />
com os <strong>nos</strong>sos projetos de economia-circular<br />
e social, “É Uma Cerveja”, uma cerveja artesanal<br />
produzida em parceria com a 8ª Colina e a<br />
Associação Crescer, que utiliza no processo de<br />
produção pão excedente das <strong>nos</strong>sas padarias, ou<br />
o projeto “É Um Sorvete”, produzido em parceria<br />
com a Nannarella e tamb<strong>é</strong>m a Associação<br />
Crescer, que utiliza fruta madura (Abacaxi e<br />
Banana) na produção de um sorvete de excelente<br />
qualidade. Graças a essa estrat<strong>é</strong>gia, reduzimos<br />
o desperdício e a produção de resíduos,<br />
para transformá-los em novas mat<strong>é</strong>rias primas<br />
ou produtos.<br />
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023
22<br />
\\ ENTREVISTA \\<br />
O que <strong>é</strong> que fazem à roupa que não podem<br />
vender?<br />
Temos neste momento dois canais para garantir<br />
que as coleções fora de campanha são reencaminhadas<br />
para as <strong>nos</strong>sas lojas de Oportunidades<br />
que temos em Portugal e Espanha, onde são<br />
vendidas a custo de oportunidade, e atrav<strong>é</strong>s de<br />
doações junto de instituições, que se dedicam a<br />
apoiar pessoas em situação vulnerável.<br />
Posso adiantar, que estamos a trabalhar numa<br />
terceira e quarta vias, que consideram, por um<br />
lado, a reciclagem de têxtil e fabrico de novos fios,<br />
que por sua vez, irão gerar nova mat<strong>é</strong>ria-prima, e<br />
reutilização, atrav<strong>é</strong>s da produção de novos produtos<br />
utilitários cuja produção ficará a cargo de<br />
parceiros sociais.<br />
Como <strong>é</strong> que a empresa trabalha para reduzir o<br />
desperdício alimentar?<br />
Trabalhamos há muito tempo com parceiros sociais<br />
no combate ao desperdício alimentar e erradicação<br />
da fome e, neste âmbito, diariamente<br />
em todas as <strong>nos</strong>sas lojas, recebemos instituições<br />
que fazem a recolha dos excedentes alimentares<br />
dos <strong>nos</strong>sos supermercados e área de pratos<br />
preparados.<br />
Em 2022, foram doadas mais de 85 toneladas<br />
“<br />
As coleções fora de<br />
campanha são<br />
reencaminhadas para<br />
as <strong>nos</strong>sas lojas de<br />
Oportunidades em<br />
Portugal e Espanha, ou<br />
são doadas a instituições.<br />
de alimentos, que correspondem a 171 mil refeições<br />
confecionadas as partir destas doações.<br />
É meramente um indicador da dimensão do trabalho<br />
diário que envolve várias equipas em colaboração<br />
com os <strong>nos</strong>sos parceiros.<br />
Em 2022, o El Corte Ingl<strong>é</strong>s Portugal aderiu ao<br />
Roteiro para a Descarbonização do Setor da<br />
Distribuição e ao Pacto do Porto para o Clima.<br />
O que <strong>é</strong> que destacam no âmbito da estrat<strong>é</strong>gia<br />
de redução das emissões de CO2?<br />
Reconhecendo que as alterações climáticas atuais<br />
e projetadas para o curto e m<strong>é</strong>dio prazo exigem<br />
elevado compromisso dos agentes públicos,<br />
privados e da sociedade em geral, na adoção de<br />
medidas de mitigação das emissões de Gases<br />
com Efeito de Estufa (GEE), a adesão ao Roteiro<br />
para a Descarbonização do setor de Distribuição<br />
e ao Pacto do Porto para o Clima, acabam<br />
por representar, para o El Corte Ingl<strong>é</strong>s, passos<br />
naturais, no âmbito dos compromissos do Grupo<br />
para com a sociedade, o meio-ambiente e a<br />
sustentabilidade do <strong>nos</strong>so planeta.<br />
Uma das <strong>nos</strong>sas prioridades <strong>é</strong> o progresso em<br />
direção às melhores práticas em mat<strong>é</strong>ria de<br />
ambiente. Para alcançar esse objetivo, trabalhamos<br />
diariamente para racionalizar e reduzir o<br />
consumo de recursos, otimizar a gestão de<br />
resíduos e, consequentemente, contribuir<br />
para a preservação do ambiente.<br />
Embora a pegada do retalho não seja, por si<br />
só, a mais relevante, <strong>é</strong> na relação com os fornecedores,<br />
por um lado, e com os consumidores,<br />
por outro, que ela se torna verdadeiramente<br />
decisiva. No primeiro caso porque<br />
os retalhistas têm um papel determinante<br />
na seleção dos fornecedores e de produtos<br />
que respeitem as melhores práticas e, na<br />
relação com os clientes, têm o poder de os<br />
ajudar a fazer as melhores escolhas e alertar<br />
para as características de cada produto.<br />
A operação do retalho tamb<strong>é</strong>m tende a evoluir<br />
no sentido de minimizar a sua própria<br />
pegada e de mitigar o seu efeito. Tem sido<br />
esta a <strong>nos</strong>sa política e este <strong>é</strong>, tamb<strong>é</strong>m, o <strong>nos</strong>so<br />
compromisso.<br />
Neste contexto, de transição energ<strong>é</strong>tica,<br />
a adesão ao roteiro e ao pacto são muito<br />
importantes, porque permitem uma maior<br />
visibilidade e escrutínio das atividades no<br />
seu conjunto. São documentos responsabilizadores<br />
para cada um dos operadores e<br />
tamb<strong>é</strong>m muito desafiantes.<br />
Estamos muito motivados, porque no âmbito<br />
da <strong>nos</strong>sa estrat<strong>é</strong>gia de sustentabilidade,<br />
mesmo antes da adesão ao roteiro e ao pacto,<br />
já vínhamos medindo a <strong>nos</strong>sa pegada de<br />
carbono das Emissões de âmbito 1 e 2 com<br />
vista à monitorização e definição de metas<br />
e, ao mesmo tempo, estávamos já a implementar<br />
medidas de redução dos consumos<br />
energ<strong>é</strong>ticos, atrav<strong>é</strong>s do aumento do número<br />
de veículos el<strong>é</strong>tricos responsáveis pelas entregas<br />
ao domicílio e da oferta de pontos de<br />
carregamentos para veículos el<strong>é</strong>tricos nas<br />
<strong>nos</strong>sas lojas, al<strong>é</strong>m do gradual aumento de<br />
consumo de energia verde.<br />
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023
ODS<br />
12<br />
CONSUMO E PRODUÇÃO SUSTENTÁVEIS<br />
OODS 12 procura promover um<br />
modelo económico mais consciente<br />
e responsável, que permita<br />
às gerações atuais satisfazer<br />
as suas necessidades sem comprometer a<br />
capacidade das gerações futuras de fazer o<br />
mesmo. Isto <strong>é</strong> fundamental para alcançar a<br />
sustentabilidade global.<br />
As principais metas do ODS 12 incluem:<br />
Gestão Sustentável de Recursos: A meta<br />
12.2 estabelece a necessidade de alcançar, at<strong>é</strong><br />
2030, o uso mais eficiente dos recursos naturais,<br />
como água, energia e materiais. Isto<br />
implica reduzir o desperdício e a poluição ao<br />
longo de todo o ciclo de vida dos produtos.<br />
Redução do Desperdício de Alimentos: O<br />
ODS 12.3 visa reduzir pela metade o desperdício<br />
de alimentos per capita at<strong>é</strong> 2030,<br />
ao longo de toda a cadeia de suprimentos, do<br />
produtor ao consumidor.<br />
Consumo e Produção Sustentáveis: O ODS<br />
12.1 procura implementar práticas de gestão<br />
sustentável nas empresas, incluindo a incorporação<br />
de sustentabilidade nas suas operações<br />
e cadeias de fornecimento.<br />
Conscientização e Educação: O ODS 12.8<br />
enfatiza a importância de informar e educar<br />
as pessoas sobre estilos de vida sustentáveis e<br />
o impacto das suas escolhas de consumo.<br />
Cooperação Internacional: O ODS 12.A<br />
incentiva os países desenvolvidos a ajudar os<br />
países em desenvolvimento a fortalecerem<br />
as suas capacidades científicas e tecnológicas<br />
relacionadas com a sustentabilidade.<br />
A importância do ODS 12 está relacionada<br />
com a necessidade urgente de mudar o <strong>nos</strong>so<br />
padrão de consumo e produção. O modelo<br />
atual, baseado no uso intensivo de recursos<br />
naturais e na produção de resíduos, <strong>é</strong> insustentável<br />
e causa da<strong>nos</strong> significativos ao meio<br />
ambiente.<br />
ADOTAR UMA ABORDAGEM MAIS SUSTENTÁ-<br />
VEL IMPLICA:<br />
Redução de <strong>Resíduos</strong>: Isto não apenas reduz<br />
a poluição, mas tamb<strong>é</strong>m economiza recursos<br />
e energia que seriam usados na produção<br />
de novos produtos.<br />
Uso Eficiente de Recursos: Melhorar a<br />
eficiência no uso de recursos como água e<br />
energia reduz os custos operacionais das<br />
empresas e diminui a pressão sobre os recursos<br />
naturais.<br />
Inovação:A busca por soluções sustentáveis<br />
impulsiona a inovação tecnológica e empresarial,<br />
criando oportunidades económicas.<br />
Respeito pelos Limites Planetários: A gestão<br />
sustentável dos recursos naturais ajuda<br />
a manter a saúde do planeta, garantindo que<br />
os limites planetários críticos não sejam ultrapassados.<br />
Qualidade de Vida: A mudança para um<br />
estilo de vida mais sustentável pode melhorar<br />
a qualidade de vida das pessoas, reduzindo<br />
o stress ambiental e melhorando a saúde.<br />
Equitativa. Para alcançar essas metas, <strong>é</strong> necessário<br />
o compromisso de gover<strong>nos</strong>, empresas,<br />
sociedade civil e indivíduos em todo<br />
o mundo.
24<br />
\\ ENTREVISTA \\<br />
NO SDR ESTÁ TUDO PRONTO<br />
A ARRANCAR. SÓ FALTA A LEI<br />
QUE REGULARÁ O SISTEMA<br />
OS GOVERNOS PROMETEM, MAS ESTÁ DIFÍCIL SAIR DA GAVETA. ENTRETANTO, PORTUGAL VAI<br />
FALHANDO AS METAS DE RECICLAGEM E PERDEM-SE ANUALMENTE 240 MILHÕES DE EUROS DE<br />
INCENTIVO À RECICLAGEM.<br />
\\ Por Teresa Cotrim<br />
Antes da massificação do plástico, principalmente do<br />
uso único, o vidro era o mais utilizado. As pessoas<br />
compravam leite, cerveja e outras bebidas em garrafas<br />
de vidro, pagavam o depósito que depois lhes<br />
era devolvido com a entrega do frasco vazio. O Sistema<br />
de Depósito e Reembolso (SDR) <strong>é</strong> parecido. Leonardo Mathias,<br />
presidente da Associação SDR Portugal, entidade responsável pelo<br />
projeto, explica que se trata de um sistema de gestão de resíduos de<br />
embalagens de bebidas que consiste na cobrança de um valor de depósito<br />
no momento da venda (a antiga “tara ou caução”) que será<br />
reembolsado ao consumidor aquando da devolução das embalagens<br />
vazias.<br />
Este Sistema permitirá um aumento de embalagens recolhidas (taxa<br />
de retoma) e, na sua opinião ajudará no cumprimento das metas europeias<br />
de recolha e reciclagem de PET, alumínio e aço, tal como<br />
sucede <strong>nos</strong> países europeus que já implementaram este sistema.<br />
Contribuirá para uma maior qualidade ambiental e dos materiais<br />
reciclados, uma vez que a sua contaminação será menor. O sistema<br />
SDR permitirá reduzir 40% do littering (deitar lixo nas ruas) — o<br />
que implica uma diminuição entre 20 a 40 milhões de euros <strong>nos</strong><br />
respetivos custos de limpeza anuais, em Portugal. Permitirá ainda<br />
me<strong>nos</strong> deposição em aterro, me<strong>nos</strong> incineração e, consequentemente<br />
cidades mais limpas. Um sistema complementar ao sistema integrado<br />
já existente. Está tudo pronto. Só falta um pequeno, grande<br />
pormenor: a lei que regulará o sistema. Os gover<strong>nos</strong> prometem, mas<br />
está difícil sair da gaveta. Entretanto, Portugal vai falhando as metas<br />
de reciclagem e perde cerca de 240 milhões de euros de incentivo à<br />
reciclagem.<br />
O que <strong>é</strong> o Sistema de Depósitos e Reembolso (SDR)?<br />
Gostaria de começar por fazer um enquadramento do que se passa<br />
no <strong>nos</strong>so país. O último relatório do Desempenho Ambiental de<br />
2023, realizado pela OCDE, que analisa e avalia os progressos dos<br />
países quanto aos seus objetivos em mat<strong>é</strong>ria de política ambiental há<br />
três pontos que saltam à vista. O primeiro revela que Portugal regista<br />
um atraso relativamente à economia circular, o segundo que só em<br />
2020, o país gerou mais resíduos urba<strong>nos</strong> per capita do que a m<strong>é</strong>dia<br />
europeia e o terceiro <strong>é</strong> que Portugal <strong>é</strong> tamb<strong>é</strong>m um dos países com as<br />
mais elevadas taxas de deposição em aterro. Este <strong>é</strong> o <strong>nos</strong>so contexto.<br />
O <strong>nos</strong>so ponto de partida.<br />
Que modelo SDR propõe o SDR?<br />
O modelo que propomos de depósito e reembolso <strong>é</strong> uma solução que<br />
visa uma maior recolha e reciclagem de embalagens de bebidas de<br />
uso único. O próprio Secretário de Estado do Ambiente, Hugo Pires<br />
informou na <strong>nos</strong>sa conferência anual que at<strong>é</strong> ao final do primeiro<br />
semestre deste ano seria publicada a legislação, que enquadrava o<br />
futuro Sistema de Depósito e Reembolso.<br />
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023
\\ ENTREVISTA \\<br />
25<br />
Mas ainda não foi?<br />
Não, ainda não. Aguardamos a legislação que<br />
define o sistema. O Sistema de Depósito e Reembolso<br />
(SDR) para Portugal deveria estar a funcionar,<br />
de acordo com a Lei n.º 69/2018, de 26 de<br />
dezembro, desde o dia 1 de janeiro de 2022. Para<br />
que isto aconteça <strong>é</strong> necessária a publicação da regulamentação<br />
que defina e enquadre o SDR. Neste<br />
momento, com a revisão do Unilex, que tem<br />
implicações sobre a legislação que rege o setor dos<br />
resíduos e que, consequentemente, pode alterar o<br />
DL que institui o SDR.<br />
Se olharmos para os resultados do relatório Revisões<br />
do Desempenho Ambiental 2023 da OCDE<br />
e de outros que têm sido desenvolvidos e que<br />
apontam no sentido do que ainda <strong>é</strong> necessário fazer<br />
em Portugal, bem como a vontade aparente<br />
política deste governo e do anterior <strong>é</strong> uma pena<br />
este atraso porque precisamos de um enquadramento<br />
— e at<strong>é</strong> concordo que o governo tenha optado<br />
por um decreto-lei que dá mais força ao sistema<br />
e limita alguns litígios no futuro. Este atraso<br />
constante <strong>é</strong> que está a ferir bastante o país.<br />
A SDR já nasceu há três a<strong>nos</strong>... Já fizeram muito<br />
trabalho e algum investimento?<br />
A SDR nasce com uma carta de compromisso<br />
em 2019, em que junta por um lado retalhistas e<br />
por outro, embaladores e desde então tem havido<br />
um sem número de reuniões e audiências com<br />
membros do Governo e com várias entidades,<br />
como a APA, a Direção de Atividades Económicas,<br />
inclusivamente as Regiões Autónomas. Para<br />
demonstrar que este grupo existe foi constituído<br />
formalmente no dia 1 de setembro de 2022. Está<br />
disponível, tem os trabalhos feitos e está pronto<br />
para se candidatar à licença.<br />
Qual a estimativa para o número de depósitos?<br />
A <strong>nos</strong>sa estimativa prevê que possam ser depositados<br />
<strong>nos</strong> mais de 3600 pontos de recolha a<br />
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023
26<br />
\\ ENTREVISTA \\<br />
seja, em poder de compra e entendemos que o<br />
valor de dez cêntimos para todos os volumes —<br />
desde as pequeninas at<strong>é</strong> três litros ser o mesmo<br />
valor. Não podemos ser demasiado estritos. É<br />
mais uma arte do que propriamente uma ciência.<br />
Se for um valor muito alto podemos incentivar<br />
a alguma fraude e, se for muito baixo, podemos<br />
incentivar o desinteresse.<br />
instalar nas grandes superfícies (retalho e grossista),<br />
<strong>nos</strong> hot<strong>é</strong>is, restaurantes e caf<strong>é</strong>s e ainda<br />
em outras localizações estrat<strong>é</strong>gicas espalhadas<br />
pelo país, cerca de 43 mil toneladas de embalagens<br />
por ano, ou 2.123 milhões de unidades, ou<br />
seja, 35 mil toneladas de plástico PET depositadas<br />
anualmente, bem como 8,5 mil toneladas de<br />
alumínio e aço. Os países que já têm este sistema<br />
implementado têm uma recolha de 90%.<br />
E as embalagens de vidro? Não está previsto<br />
que sejam consideradas no Unilex para serem<br />
depositadas nestes sistemas?<br />
Não, mas aguardamos o enquadramento legal.<br />
No entanto, só para ter uma ideia, estima-se que<br />
os consumidores depositem por ano, 197 milhões<br />
de toneladas de vidro, o equivalente a 34 milhões<br />
de unidades.<br />
Depois de depositadas as embalagens...<br />
São recolhidas pelas entidades gestoras e reencaminhadas<br />
para centros de reciclagem, mas antes,<br />
os consumidores têm direito a reembolso.<br />
Que rondará os 10 cêntimos.<br />
Sim. O que fizemos foi uma análise em PP, ou<br />
Quando fala em fraude refere-se, por exemplo<br />
ao furto de embalagens para receber o<br />
dinheiro?<br />
Por exemplo, sim. Na lógica da logística inversa.<br />
Um camião que hoje distribui bebidas. Leva-as<br />
ao restaurante, ao caf<strong>é</strong> ou ao centro comercial e<br />
parte da <strong>nos</strong>sa estrat<strong>é</strong>gia <strong>é</strong> que muitas dessas empresas<br />
vão depois fazer a logística inversa, ou seja,<br />
vão tamb<strong>é</strong>m trazer as embalagens para depois as<br />
levarem aos centros de contagem. Não vão trazer<br />
ar. Vão ser transportadores de valores. A grande<br />
mudança de paradigma <strong>é</strong> que at<strong>é</strong> agora a gestão<br />
de resíduos em Portugal <strong>é</strong> feita essencialmente,<br />
ou medida à tonelagem. Agora estamos a falar de<br />
medir à unidade. Em termos de tonelagem o peso<br />
do PET e do alumínio ronda as 40 mil toneladas,<br />
mas em termos de unidades estamos a falar em<br />
2.2 mil milhões de unidades. Nós estamos preparados<br />
e o desafio <strong>é</strong> termos na rua, por ano, estes<br />
valores para uma cobertura universal do <strong>nos</strong>so<br />
país. Tem de abranger os 10 milhões de habitantes<br />
e os 17 milhões de turistas.<br />
Quais os resultados dos projetos piloto?<br />
Os vários projetos piloto realizados no país tiveram<br />
um enorme sucesso e vieram trazer dados<br />
importantes para a análise e estudo, inclusivamente,<br />
sobre o apoio da sociedade civil para o<br />
sistema. Os dois projetos piloto desenvolvidos<br />
pelo consórcio APIAM (Associação Portuguesa<br />
dos Industriais de Águas Minerais Naturais e de<br />
Nascente), PROBEB (Associação Portuguesa de<br />
Bebidas Refrescantes Não Alcoólicas) e APED<br />
(Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição)<br />
permitiram recolher, entre 2020 e 2022,<br />
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023
\\ ENTREVISTA \\<br />
27<br />
O Sistema de Depósito e Reembolso (SDR) para<br />
Portugal deveria estar a funcionar (…) desde o dia<br />
1 de janeiro de 2022. Para que isto aconteça <strong>é</strong> necessária<br />
a publicação da regulamentação que defina<br />
e enquadre o SDR<br />
mais de 22,6 milhões de embalagens, a que correspondem<br />
mais de 770 toneladas de embalagens<br />
encaminhadas para reciclagem. Ao todo,<br />
o reembolso do valor afeto a estas embalagens<br />
somou cerca de 700 mil euros.<br />
Os portugueses estão muito motivados para<br />
reciclar.<br />
Absolutamente. O último estudo que foi feito<br />
pela Observa, que <strong>é</strong> o Observatório de Ambiente<br />
do Instituto de Ciências Sociais de Lisboa, revela<br />
que 65% dos portugueses mostra que 65%<br />
dos portugueses mostra que tem intenção de<br />
devolver sempre as embalagens. Este estudo foi<br />
realizado em maio de 2021. Hoje considero que<br />
a estatística seria ainda mais elevada.<br />
“O mais difícil já está feito”, como referiu Paulo<br />
Ferrão, professor catedrático do Instituto<br />
Superior t<strong>é</strong>cnico e o Presidente do centro de<br />
estudos de Inovação, tecnologia e Políticas de<br />
Desenvolvimento na conferência deste ano da<br />
SDR?<br />
Sim. O setor juntou-se nesta missão. A indústria,<br />
as empresas, as operadoras, a administração<br />
e a sociedade civil. Só precisamos da legislação.<br />
E estamos constantemente a ser triturados<br />
com relatórios. O último de junho de 2023 da<br />
Comissão Europeia, o Waste Early Warning Report,<br />
diz que Portugal está em risco de não cumprir<br />
as metas de reciclagem para os próximos<br />
dois a<strong>nos</strong>. Em mat<strong>é</strong>ria de reutilização e reciclagem<br />
de resíduos urba<strong>nos</strong> estamos mal classificados<br />
e com dificuldade em alcançar essas metas.<br />
Quando o sistema SDR for implementado,<br />
como poderão ajudar a dar a volta a estes<br />
números?<br />
O sistema que propomos para as embalagens<br />
de uso único em Portugal, o que estimamos <strong>é</strong><br />
que os resíduos encaminhados para aterro em<br />
2019, estima-se que praticamente 58,5% seriam<br />
recicláveis. Uma curiosidade engraçada que<br />
medimos no que diz respeito às embalagens por<br />
cada minuto que o sistema de depósito e reembolso<br />
não <strong>é</strong> implementado são desperdiçadas<br />
em Portugal 2700 embalagens de bebidas que<br />
acabam ou incineradas, depositadas em aterro,<br />
ou perdidas no meio ambiente. Em Portugal são<br />
enviados 1.5 mil milhões de embalagens para<br />
inceneração ou deposição em aterro sanitário.<br />
Isso equivale a...<br />
Enche o estádio da Luz, provavelmente o de<br />
Alvalade, o das Antas. É gigantesco! Tamb<strong>é</strong>m<br />
de acordo com os tribunais de contas europeu,<br />
Portugal ocupa a quarta pior posição na transição<br />
para a economia circular na união europeia,<br />
com uma taxa de circularidade na ordem dos<br />
2,5%. É manifestamente pouco.<br />
Quantas entidades estão envolvidas no sistema<br />
SDR?<br />
Neste momento, estão envolvidas na SDR Portugal<br />
mais de 20 entidades entre acionistas e<br />
parceiros associados que incluem a Água do<br />
Fastio, Águas das Caldas de Penacova, Coca-<br />
-Cola, Coca-Cola Europacific Partners, Empresa<br />
das Águas do Areeiro, Empresa das Águas do<br />
Vimeiro, Empresa de Cervejas da Madeira, Font<br />
Salem Portugal, Monchique Mineral Water,<br />
Parmalat Portugal, SCC – Sociedade Central de<br />
Cervejas, Sumol+Compal, Super Bock Group,<br />
UNILEVER FIMA e as Associações APIAM<br />
e PROBEB e as insígnias Auchan, Intermarch<strong>é</strong>,<br />
Lidl, MCSonae, Pingo Doce, Mercadona,<br />
makro e Dia Portugal. Em termos de parcerias<br />
t<strong>é</strong>cnicas — e já gastámos mais de um milhão de<br />
euros em estudos – temos a Eunomia e a Earth<br />
Care, consultoras independentes para a área da<br />
sustentabilidade que têm sido responsáveis pela<br />
implementação de Sistema de Depósito e Reembolso<br />
por essa europa fora. Já fizeram vários<br />
estudos para Portugal e ajudaram, por exemplo,<br />
a definir o valor do depósito.<br />
É uma enorme operação de logística? Pretendem<br />
investir 100 milhões de euros...<br />
É uma enorme operação logística. Talvez a<br />
maior a ser feita em Portugal e uma operação<br />
financeira. Isto porque estarão na rua, digamos<br />
assim, se formos imaginar os 10 cêntimos por<br />
embalagem, 240 milhões de euros por ano. Caso<br />
as embalagens de vidro venham a ser consideradas<br />
no Unilex, esse valor ascende a cerca de 300<br />
milhões de euros, por ano. Dinheiro dos consumidores<br />
quando depositarem as embalagens no<br />
sitio certo.<br />
Quais são os vossos pla<strong>nos</strong>?<br />
Pretendemos ter uma rede de recolha junto dos<br />
retalhistas com as RVM, ou seja, Reverse Vending<br />
Machines, em vez de usarmos a moedinha<br />
para retirar, colocamos a garrafa e recebemos o<br />
dinheiro do depósito. Vamos ter 2750 máquinas<br />
em todos os retalhistas.<br />
Qual <strong>é</strong> o grande desafio para Portugal?<br />
Temos um canal Horeca muito forte — 79<br />
mil pontos, que representa cerca de 50% das<br />
embalagens do país, bem como lojas tradicionais<br />
— 12 mil. Este <strong>é</strong> o grande desafio do <strong>nos</strong>so<br />
país. Vamos instalar tamb<strong>é</strong>m cerca de mais<br />
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023
28<br />
\\ ENTREVISTA \\<br />
A <strong>nos</strong>sa estimativa prevê que possam ser depositados<br />
<strong>nos</strong> mais de 3600 pontos de recolha a instalar nas<br />
grandes superfícies (retalho e grossista), <strong>nos</strong> hot<strong>é</strong>is,<br />
restaurantes e caf<strong>é</strong>s e ainda em outras localizações estrat<strong>é</strong>gicas<br />
espalhadas pelo país, cerca de 43 mil toneladas<br />
de embalagens por ano<br />
mil máquinas, porque entendemos que devem<br />
participar todos os agentes e toda a comunidade,<br />
portanto <strong>é</strong> possível que hajam máquinas<br />
de recolha em portos, <strong>nos</strong> paços dos concelhos<br />
e outros para facilitar o cidadão. Para isso estabelecemos<br />
protocolos com a AHRESP - Associação<br />
da Hotelaria, Restauração e Similares<br />
de Portugal, APCC (Associação Portuguesa de<br />
Centros Comerciais), ADIPA (Associação dos<br />
Distribuidores de Produtos Alimentares), e temos<br />
con<strong>nos</strong>co tamb<strong>é</strong>m a APED, a APIAM e a<br />
PROBEB. O setor está sensibilizado para este<br />
efeito.<br />
Estes são os centros mais peque<strong>nos</strong>? Mas há<br />
mais investimento?<br />
Sim, estimamos ter pelo país o que se chamam<br />
de bulk centers que serão cerca de 30 e ainda<br />
centros de contagem, em Porto, Lisboa e Algarve.<br />
Os investimentos estimados para as RVM<br />
cifram-se entre 60 a 100 milhões de euros, para<br />
o bulk centers, entre 12 e 15 milhões de euros,<br />
os centros de contagem, 12 milhões de euros e<br />
<strong>nos</strong> sistemas de informação, 80 a 90 milhões de<br />
euros. A soma ronda os 150 milhões de euros.<br />
Vamos ter custos operacionais elevados por ano.<br />
Quais serão as vossas atividades?<br />
São cerca de sete atividades. Temos a produção,<br />
a comercialização, a retoma, a consolidação, a<br />
contagem, a triagem e a reciclagem. Teremos<br />
de definir padrões e normas operacionais e de<br />
prevenção de fraude, implementar sistemas e<br />
protocolos de comunicação e interação entre<br />
todos os agentes, portanto retalhistas, produtores,<br />
entidades de contagem, etc, inclusivamente<br />
de triagem e reciclagem. Manter as bases de dados<br />
de uma forma segura e confidencial e pensamos<br />
que deveríamos ter tamb<strong>é</strong>m a elaboração<br />
dos cader<strong>nos</strong> de encargos para todas as fases da<br />
cadeia de valor.<br />
Este sistema <strong>é</strong> central e sem fins lucrativos,<br />
como <strong>é</strong> que ganham dinheiro?<br />
O objetivo não <strong>é</strong> ganhar dinheiro e inclusivamente<br />
os regulamentos europeus que entrarão<br />
em vigor em 2025, <strong>é</strong> de transposição direta, por<br />
isso aconteça o que acontecer nesta data vamos<br />
ter de ter um sistema. O que tem sido os comparáveis<br />
em sistemas de depósito e reembolso com<br />
sucesso e com provas dadas, o modelo tem sido<br />
sempre este: uma associação sem fins lucrativos,<br />
que une por um lado os produtores e por outro,<br />
os retalhistas porque são as entidades que melhor<br />
conhecem o setor. Estas entidades já têm<br />
responsabilidade alargada do produtor. Este<br />
custo já existe. E as multas que vierem virão<br />
para estes agentes económicos.<br />
O porquê de fazer este sistema...<br />
É mais caro do que o sistema do SIGRE, sem<br />
dúvida, mas não só vai em contra às políticas<br />
cooperativas de sustentabilidade, mas preenche<br />
as obrigações que estes acionistas têm, que estes<br />
agentes económicos têm no âmbito da responsabilidade<br />
alargada do produtor e vai conseguir<br />
cumprir as metas. Portanto, de um lado custos<br />
para o funcionamento do sistema, do outro<br />
receitas que serão essencialmente a venda da<br />
reciclagem — este ponto <strong>é</strong> muito importante<br />
porque provavelmente atrav<strong>é</strong>s do ecodesign e<br />
voltando atrás a recolha à unidade possibilitará<br />
que os materiais seja muito mais pura, o valor<br />
deste material <strong>é</strong> mais elevado, pois vai ser um<br />
material muito puro — e tamb<strong>é</strong>m <strong>é</strong> financiado<br />
atrav<strong>é</strong>s dos depósitos não reclamados.<br />
Em que modelo se inspiraram?<br />
Atrav<strong>é</strong>s da Eunomia e da EarthCare, consultores<br />
da União Europeia tentámos adaptar e beber<br />
as melhores práticas de todos os sistemas.<br />
Temos possibilidades que não são comparáveis<br />
com os outros países. Olhamos sim para sistemas<br />
mais moder<strong>nos</strong>, mais comparáveis con<strong>nos</strong>co,<br />
como os da Eslov<strong>é</strong>nia ou o de Malta, porque<br />
têm uma componente de turismo grande e<br />
tamb<strong>é</strong>m de canal Horeca, e estes têm tido resultados<br />
surpreendentes logo ao fim de seis, sete<br />
meses. Estamos a adaptar o sistema — daí os<br />
avultados investimentos – para as necessidades<br />
de Portugal.<br />
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023
29<br />
E<br />
S<br />
G<br />
Environmental Social Governance<br />
POLUIÇÃO<br />
DO AR E ÁGUA<br />
GESTÃO<br />
DE RESÍDUOS<br />
PADRÕES NA CADEIA<br />
DE FORNECIMENTO<br />
SAÚDE E<br />
SEGURANÇA<br />
ÉTICA<br />
GOVERNANÇA<br />
CORPORATIVA<br />
IMPACTO NA<br />
BIODIVERSIDADE<br />
USO DE<br />
PLÁSTICOS<br />
DIREITOS DOS<br />
TRABALHADORES<br />
IMPACTO NA<br />
COMUNIDADE LOCAL<br />
DIVERSIDADE<br />
NA GESTÃO<br />
ESTRATÉGIA<br />
DE IMPOSTOS<br />
EFICIÊNCIA<br />
ENERGÉTICA<br />
IMPACTO CLIMÁTICO E<br />
COMPROMISSO ZERO LÍQUIDO<br />
DIREITOS<br />
HUMANOS<br />
PAGAMENTOS<br />
AOS EXECUTIVOS
30<br />
\\ ECONOMIA CIRCULAR \\<br />
O AMANHÃ DO PLANETA PASSA<br />
PELA PROMOÇÃO DA<br />
CIRCULARIDADE<br />
A PROMOÇÃO DA CIRCULARIDADE É UM DOS PILARES FUNDAMENTAIS DA<br />
ESTRATÉGIA DE SUSTENTABILIDADE DA MC. NESTE ÂMBITO, IDENTIFICAM<br />
TRÊS DIMENSÕES: AS EMBALAGENS DOS PRODUTOS, O DESPERDÍCIO<br />
ALIMENTAR E OS RESÍDUOS GERADOS NA OPERAÇÃO.<br />
AMC acredita que o amanhã do planeta tamb<strong>é</strong>m passa<br />
pela promoção da circularidade, uma dimensão cada<br />
vez mais visível nas suas operações, atrav<strong>é</strong>s da qual reduzem/evitam<br />
a produção de resíduos, potenciando<br />
a recolha e a reintegração de materiais no final do seu<br />
ciclo de vida, para reutilização ou reciclagem.<br />
Desta forma, a gestão de resíduos abrange não só os resíduos produzidos<br />
no âmbito da sua atividade, como os depositados pelos clientes.<br />
“Como retalhista alimentar, identificamos três dimensões que consideramos<br />
particularmente relevantes neste âmbito: as embalagens dos<br />
<strong>nos</strong>sos produtos, o desperdício alimentar e os resíduos gerados na <strong>nos</strong>sa<br />
operação. As embalagens desempenham um papel fundamental no<br />
desenvolvimento dos <strong>nos</strong>sos produtos, uma vez que afetam aspetos tão<br />
variados como o seu transporte, armazenamento e conservação, tendo<br />
um impacto direto na qualidade e na validade dos mesmos”, sublinha<br />
Mariana Pereira da Silva, Diretora de Sustentabilidade da MC.<br />
A responsável explica que, “apesar da importância das embalagens, estamos<br />
igualmente conscientes do impacto ambiental associado às suas<br />
utilizações de uso único. Por isso, temos vindo a modificá-las de forma<br />
a cumprir todas as suas funções, garantindo um uso mais eficiente dos<br />
recursos, promovendo a sua reutilização e reciclabilidade, e sensibilizando<br />
o consumidor, envolvendo-o na transição para um modelo cada<br />
vez mais circular”.<br />
No que diz respeito ao desperdício alimentar, na MC foi adotado um<br />
conjunto de mecanismos atrav<strong>é</strong>s dos quais “procuram uma gestão mais<br />
inteligente e eficaz do abastecimento, bem como um conjunto de mecanismos<br />
que <strong>nos</strong> permitem acelerar a venda de produtos que se aproximam<br />
da sua data de validade, juntamente com um programa de reaproveitamento<br />
e redistribuição de alimentos”, acrescenta Mariana Pereira<br />
da Silva.<br />
CONCEITO ECO SPOT<br />
Na gestão de resíduos, a MC implementou um conjunto de procedimentos<br />
que “visa, desde logo, prevenir a sua produção. Al<strong>é</strong>m disso, temos<br />
investido na criação de áreas, equipamentos e procedimentos que<br />
garantem uma melhor separação, armazenamento temporário e envio<br />
dos diferentes tipos de resíduos para operadores licenciados, assegurando<br />
a sua correta valorização”, afirma a responsável.<br />
Para dar resposta às necessidades crescentes na utilização da conveniência<br />
das lojas para a prestação de serviços de economia circular, a MC<br />
tem vindo a alargar o âmbito dos produtos em fim de vida que recolhe,<br />
nomeadamente as cápsulas de caf<strong>é</strong>, e a intervir de forma a melhorar os<br />
espaços existentes em loja para o efeito. “Nos últimos a<strong>nos</strong> a procura<br />
de cápsulas de caf<strong>é</strong> cresceu significativamente. Um desafio transversal<br />
a grande parte das marcas que produzem este tipo de cápsulas <strong>é</strong> não<br />
garantirem um destino final para as mesmas. Para dar resposta a este<br />
desafio, o Continente está a implementar em todas as suas lojas pontos<br />
de recolha de cápsulas de caf<strong>é</strong>. Tanto as cápsulas como as borras de caf<strong>é</strong><br />
serão encaminhadas para valorização. Já temos pontos de recolha em<br />
mais de 50 lojas e estimamos que at<strong>é</strong> ao final do ano tenhamos pontos<br />
de recolha em todas as <strong>nos</strong>sas lojas Continente, Continente Modelo e<br />
Continente Bom Dia. Na fase piloto do projeto, recolhemos cerca de<br />
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023
\\ ECONOMIA CIRCULAR \\<br />
31<br />
9 toneladas”, revela a Diretora de Sustentabilidade<br />
da MC.<br />
Paralelamente, em 2022 desenharam e testaram o<br />
conceito do Eco Spot. “Trata-se de um novo espaço<br />
onde os <strong>nos</strong>sos clientes encontram destino para<br />
um conjunto de resíduos - para al<strong>é</strong>m das cápsulas<br />
de caf<strong>é</strong>, podem depositar pilhas, lâmpadas, rolhas,<br />
entre outros - para os quais nem sempre existe uma<br />
resposta em escala e conveniente”, explica Mariana<br />
Pereira da Silva.<br />
CAMPANHA DO CADERNÃO<br />
Outro exemplo de teste de modelos inovadores<br />
de recolha de produtos em fim de vida, considerando<br />
a natureza e a especificidade dos negócios,<br />
<strong>é</strong> a campanha do Cadernão. Com esta<br />
campanha “desafiamos os <strong>nos</strong>sos clientes a entregar<br />
cader<strong>nos</strong> e livros escolares usados para<br />
reciclagem, assegurando que por cada tonelada<br />
recolhida serão plantadas 20 árvores. Fruto de<br />
uma parceria entre o Continente e a Oxford,<br />
esta campanha tem como objetivo sensibilizar<br />
e incentivar os <strong>nos</strong>sos clientes a reciclarem”, diz<br />
a responsável. Em 2022, a ação esteve presente<br />
em 40 lojas e permitiu recolher 12 toneladas de<br />
papel que foram encaminhadas para reciclagem<br />
e que dessa forma ganharam uma nova vida.<br />
Complementarmente foram plantadas 240 árvores.<br />
Em 2023 a campanha foi alargada a cerca<br />
de 250 lojas Continente, Continente Modelo,<br />
Continente Bom Dia e Note.<br />
No âmbito da gestão de resíduos, em 2022, a<br />
MC geriu 73 087 toneladas de resíduos. Registaram<br />
um aumento da taxa de valorização dos<br />
resíduos produzidos para 84,8% (mais 1,2 p.p.<br />
face a 2021). “Estamos comprometidos em assegurar<br />
a melhor separação e encaminhamento<br />
dos resíduos gerados na <strong>nos</strong>sa operação. Não<br />
sendo possível avançar com um valor, acreditamos<br />
que os investimentos que os diferentes operadores<br />
estão a realizar irão conduzir, progressivamente,<br />
a uma melhoria desta taxa”, afirma a<br />
Diretora de Sustentabilidade.<br />
“ROADMAP 2030” PARA ASSEGURAR A DES-<br />
CARBONIZAÇÃO<br />
No Continente, ambicionam assegurar a descarbonização<br />
das suas operações at<strong>é</strong> 2040. Como<br />
forma de atingir o objetivo proposto, a MC desenvolveu<br />
o “Roadmap 2030” “que <strong>nos</strong> tem guiado<br />
<strong>nos</strong> esforços e investimentos a realizar”, revela<br />
a responsável. Assenta em 4 áreas de atuação: “a<br />
implementação de medidas de ecoeficiência com<br />
o objetivo de reduzir ao máximo o <strong>nos</strong>so uso de<br />
energia; a eletrificação dos consumos; a alteração<br />
das <strong>nos</strong>sas centrais de frio; e o investimento na<br />
produção e aquisição de energia efetivamente<br />
produzida a partir de fontes renováveis”.<br />
Maria Pereira da Silva diz que “<strong>é</strong> notório o crescente<br />
interesse do consumidor com aspetos que<br />
vão para al<strong>é</strong>m da qualidade ou do preço dos produtos”<br />
e que o consumidor “está cada vez mais<br />
preocupado com a sua saúde, com a proveniência<br />
dos alimentos que consome e com o modo como<br />
foram produzidos”. A par desta crescente sensibilidade<br />
para o tema, acrescenta, “percebemos<br />
que ainda existe algum desconhecimento sobre<br />
o mesmo, em particular, alguma dificuldade em<br />
identificar crit<strong>é</strong>rios de descodificação do que <strong>é</strong> ou<br />
não <strong>é</strong> sustentável”.<br />
Dessa forma, conclui, “temos vindo a apostar em<br />
diferentes iniciativas e campanhas que visam aumentar<br />
a literacia do consumidor e que vão desde<br />
a criação da iconografia da reciclagem, à introdução<br />
do selo ‘Antes de Desperdiçar: Observar,<br />
Cheirar, Provar da Too Good To Go <strong>nos</strong> <strong>nos</strong>sos<br />
produtos, à campanha Dieta do Planeta ou à gamificação<br />
Poupe o Planeta em que desafiámos<br />
os clientes a fazerem escolhas mais responsáveis<br />
a cada ida ao supermercado”.<br />
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023
32<br />
\\ RESÍDUOS \\<br />
PORTUGAL<br />
PORTUGAL RECEBE AVISO DE<br />
INCUMPRIMENTO DA COMISSÃO EUROPEIA<br />
CONTINUAMOS A FALHAR AS METAS DE RECICLAGEM NOS RESÍDUOS. SERÁ QUE ESTE PUXÃO<br />
DE ORELHAS VAI MUDAR ALGUMA COISA?<br />
\\ Por Teresa Cotrim<br />
OEarly Warning Report divulgado pela Comissão Europeia,<br />
que analisa o progresso dos Estados-Membros<br />
no cumprimento das metas de reciclagem de resíduos<br />
para 2025, revela desafios e incumprimentos.<br />
“De modo geral, de acordo com a avaliação realizada pela Agência<br />
Europeia do Ambiente, a maioria dos Estados-Membros está<br />
em risco de não atingir as metas de reciclagem de resíduos urba<strong>nos</strong><br />
(55%) e de resíduos de embalagens (65%)”. Os países que<br />
vão chumbar em ambas as metas são a Bulgária, Gr<strong>é</strong>cia, Croácia,<br />
Chipre, Lituânia, Hungria, Malta, Polónia, Rom<strong>é</strong>nia e Eslováquia.<br />
Depois, oito países estão no caminho certo para cumprir<br />
o objetivo total das embalagens, mas falharão na reciclagem dos<br />
resíduos urba<strong>nos</strong>. É o caso da Estónia, Irlanda, Espanha, França,<br />
Letónia, Portugal, Finlândia e Su<strong>é</strong>cia. A salvar a honra europeia,<br />
estão a B<strong>é</strong>lgica, Ch<strong>é</strong>quia, Dinamarca, Alemanha, Itália, Luxemburgo,<br />
Países Baixos, Áustria e Eslov<strong>é</strong>nia.<br />
Perante este cenário, o relatório emite um alerta importante sobre<br />
a necessidade de uma ação mais efetiva para que se cumpram<br />
as metas de reciclagem estabelecidas. Ou seja, 55% de preparação<br />
para a reutilização e de reciclagem de resíduos urba<strong>nos</strong>, 65% de<br />
reciclagem de todos os resíduos de embalagens e metas de reciclagem<br />
de resíduos de embalagens específicas por material (75%<br />
para o papel e cartão, 70% para o vidro, 50% para o alumínio, 50%<br />
para o plástico e 25% para a madeira). “É fundamental que os Estados-Membros<br />
intensifiquem os seus esforços e tomem medidas<br />
mais eficazes, dando prioridade à implementação de políticas que<br />
estimulem a reciclagem e a economia circular”, lê-se no estudo.<br />
Segundo o Early Warning Report, os principais desafios para<br />
Portugal são a falta de infraestruturas para a recolha seletiva e<br />
o tratamento dos bioresíduos e de alguns fluxos de embalagens;<br />
falta de serviços de recolha com boa acessibilidade para alguns<br />
fluxos de resíduos em muitas zonas de Portugal e forte dependência<br />
da deposição em aterro e baixas taxas de captura de resíduos<br />
recicláveis no sistema de recolha seletiva. E deixam recomendações:<br />
“apoiar a preparação para a reutilização dos resíduos<br />
urba<strong>nos</strong> e os sistemas de reutilização de embalagens; melhorar a<br />
recolha seletiva de materiais e de diversas fracções de resíduos de<br />
embalagens (resíduos dom<strong>é</strong>sticos e não dom<strong>é</strong>sticos). Melhorar a<br />
acessibilidade da recolha seletiva de biorresíduos.<br />
Por fim, o mesmo relatório, salienta ainda a necessidade de aplicar<br />
e reforçar instrumentos económicos de incentivo à boa gestão de<br />
resíduos, como por exemplo, implementar um sistema obrigatório<br />
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023
\\ RESÍDUOS \\<br />
33<br />
De modo geral, de acordo<br />
com a avaliação realizada<br />
pela Agência Europeia do<br />
Ambiente, a maioria dos Estados-Membros<br />
está em risco<br />
de não atingir as metas de<br />
reciclagem de resíduos urba<strong>nos</strong><br />
(55%) e de resíduos de<br />
embalagens (65%)<br />
de pagamento em função da produção de resíduos,<br />
implementar um sistema de consignação<br />
(depósito para embalagens de plástico e metais<br />
das bebidas), aumentar a tributação sobre a deposição<br />
em aterro e por fim, continuar a desenvolver<br />
infraestruturas de tratamento de resíduos<br />
com as ações preferenciais da hierarquia dos<br />
resíduos — aumentando a capacidade de tratamento<br />
dos biorresíduos, apoiando a compostagem<br />
dom<strong>é</strong>stica e assegurando o pr<strong>é</strong>-tratamento<br />
dos resíduos encaminhados para aterro.<br />
Tamb<strong>é</strong>m a associação ambientalista Zero, citada<br />
pela agência LUSA emitiu um comunicado,<br />
sublinhando que o Plano Estrat<strong>é</strong>gico para os<br />
<strong>Resíduos</strong> Urba<strong>nos</strong> para 2030 (PERSU2030)<br />
obriga os municípios a elaborar at<strong>é</strong> ao fim do<br />
ano os seus Pla<strong>nos</strong> de Ação, para aplicar à escala<br />
local as metas nacionais. E explica que as recomendações<br />
enviadas abordam a importância<br />
de se efetuar um diagnóstico da situação,<br />
adaptar os regulamentos municipais, alterar os<br />
tarifários para que se beneficiem os cumpridores<br />
e penalize quem não participa.<br />
Recomendam ainda valorizar o tratamento<br />
dos biorresíduos na origem, adotar modelos<br />
de recolha de elevada eficiência e apostar na<br />
prevenção e reutilização. E para que os pla<strong>nos</strong><br />
municipais tenham sucesso lembra alguns<br />
princípios base, como o de que o melhor resíduo<br />
<strong>é</strong> o que não <strong>é</strong> produzido, que <strong>é</strong> atrav<strong>é</strong>s<br />
de políticas públicas que se produzem me<strong>nos</strong><br />
resíduos, que se deve privilegiar o tratamento<br />
de proximidade do resíduo, ou que deve haver<br />
responsabilização pela produção de resíduos<br />
indiferenciados.<br />
Nas propostas enviadas às autarquias a Zero recomenda<br />
a adaptação do regulamento municipal,<br />
integrando a obrigatoriedade da separação<br />
na origem e adequada deposição dos resíduos<br />
<strong>nos</strong> recipientes disponibilizados pelo Município,<br />
bem como as contraordenações específicas por<br />
incumprimento.<br />
Tamb<strong>é</strong>m importante <strong>é</strong> a caracterização física dos<br />
resíduos por município, que ajuda nas metas mas<br />
tamb<strong>é</strong>m na prevenção, e o tratamento na origem<br />
dos biorresíduos. A compostagem comunitária<br />
deve ser priorizada para zonas de elevada densidade<br />
populacional, e a compostagem dom<strong>é</strong>stica<br />
<strong>é</strong> aconselhada principalmente para zonas rurais<br />
ou periurbanas.<br />
Lembra ainda a Zero que os municípios podem<br />
tamb<strong>é</strong>m adotar estrat<strong>é</strong>gias de recolha de alguns<br />
fluxos especiais, nomeadamente têxteis, resíduos<br />
de equipamentos el<strong>é</strong>tricos e eletrónicos,<br />
mobiliário, óleos alimentares usados ou mesmo<br />
têxteis sanitários, e que o objetivo central de toda<br />
a política deve ser a prevenção da produção de<br />
resíduos. A Greensavers nas páginas seguintes<br />
analisa os principais resíduos, desde têxteis, equipamentos<br />
eletrónicos, pilhas, embalagens, plástico,<br />
vidro, óleos, pneus, biorresíduos, resíduos<br />
perigosos e papel.<br />
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023
34<br />
\\ PLÁSTICOS / EMBALAGENS \\<br />
PREJUÍZO DE<br />
35 MILHÕES DE EUROS<br />
ANUALMENTE NAS AUTARQUIAS<br />
PORTUGAL CUMPRE NAS METAS ESTIPULADAS PARA AS EMBALAGENS DE PLÁSTICO,<br />
MAS COM AS NOVAS REGRAS PODERÁ PAGAR UMA FATURA ELEVADA<br />
\\ Por Teresa Cotrim<br />
Ameta de reciclagem estabelecida<br />
(50%) para embalagens de plástico<br />
parece ser a mais exigente,<br />
uma vez que 19 países da União<br />
Europeia correm o risco de não<br />
cumprir, segundo o relatório Early Warning<br />
Report divulgado recentemente pela Comissão<br />
Europeia. A boa notícia <strong>é</strong> que neste resíduo<br />
Portugal cumpre as metas estabelecidas. Rui<br />
Berkmeier, t<strong>é</strong>cnico de resíduos na associação<br />
ambientalista Zero, levanta, contudo, uma<br />
questão: “No lixo há duas vezes mais embalagens<br />
de plástico do que as que são declaradas.<br />
O sistema das embalagens está completamente<br />
desvirtuado em termos de balanço financeiro.<br />
“Na prática, o sistema implementado em Portugal,<br />
define a responsabilidade alargada ao<br />
produtor. O que significa que a empresa que<br />
coloca o produto no mercado <strong>é</strong> responsável por<br />
financiar o sistema de recolha e tratamento da<br />
embalagem quando chega ao fim de vida”.<br />
O problema, segundo o ambientalista, <strong>é</strong> que<br />
as empresas não estão a financiar na íntegra os<br />
custos — como era suposto, da recolha seletiva<br />
e da triagem. Por exemplo, “só nas câmaras do<br />
sistema da Empresa Geral de Fomento (EGF)<br />
há um prejuízo de 20 milhões de euros por ano,<br />
o que se alargado a todas as câmaras do país poderá<br />
rondar os 35 milhões de euros”, por isso, na<br />
sua opinião, o eco valor deveria ser aumentado.<br />
Mas os portugueses têm feito um esforço.<br />
“Quanto às embalagens de plástico, reciclaram<br />
mais, comparativamente com o ano anterior.<br />
Cada português reciclou, em m<strong>é</strong>dia, 9,2 kg de<br />
embalagens de plástico, o que representa um<br />
aumento de 3%, em comparação com os 8,9<br />
kg reciclados, per capita, em 2021. Mesmo assim<br />
há um longo caminho a percorrer face às<br />
exigentes metas que o país tem que continuar<br />
a cumprir”, defende Pedro Nazareth, Ceo do<br />
Eletrão, que adianta ainda que o Electrão encaminhou<br />
para reciclagem 55 mil toneladas de<br />
embalagens usadas, dando assim o seu contributo<br />
para o desígnio nacional da reciclagem de<br />
embalagens.<br />
No entanto, o CEO do Electrão tamb<strong>é</strong>m considera<br />
que a recolha de embalagens usadas tem<br />
crescido marginalmente muito alinhada com<br />
o crescimento do consumo. “Os números da<br />
recolha e reciclagem evidenciam que o atual<br />
modelo de recolha, ancorado no ecoponto e<br />
na recolha porta-à-porta realizada pelos municípios,<br />
muito assente no civismo e voluntarismo<br />
ambiental dos cidadãos, está esgotado.<br />
Há cerca de uma d<strong>é</strong>cada que estamos a reciclar<br />
sensivelmente metade das embalagens que<br />
consumimos”.<br />
Algo tem ainda de ser feito, pois existe uma<br />
obrigatoriedade dos Estados Membros pagarem<br />
à União Europeia uma taxa pela quantidade<br />
de embalagens de plástico não recicladas. A<br />
Agência portuguesa do Ambiente está a fazer<br />
a contabilização deste valor e em Portugal este<br />
poderá cifrar-se acima dos 100 milhões de euros.<br />
Fica a pergunta: quem pagará esta fatura?<br />
Mas há já algum caminho feito. Elsa Agante,<br />
Team Líder de Sustentabilidade e Energia da<br />
DECO PROTESTE, realça que “as embalagens<br />
que já não podemos reutilizar e que separamos<br />
vão ser úteis para fabricar novos produtos, em<br />
alguns casos totalmente diferentes” e citando<br />
os números da Sociedade Ponto Verde e do<br />
World Wide Fund For Nature (WWF), explica<br />
que no caso das embalagens PET ou PEAD<br />
“duas garrafas de bebidas podem dar origem a<br />
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023
\\ PLÁSTICOS / EMBALAGENS \\<br />
35<br />
“No lixo há duas vezes<br />
mais embalagens de<br />
plástico do que as<br />
que são declaradas. O<br />
sistema das embalagens<br />
está completamente<br />
desvirtuado em termos<br />
de balanço financeiro”,<br />
Rui Berkmeier da Zero<br />
um cachecol, três dão para fabricar uma t-shirt<br />
e dez, uma mochila de poli<strong>é</strong>ster. Já 60 embalagens<br />
de gel de banho dão para produzir um regador.<br />
Por<strong>é</strong>m, nem todas as embalagens de plástico<br />
são tão amigáveis da reciclagem. Os plásticos<br />
mistos são os mais problemáticos porque existem<br />
poucos recicladores no país, caso dos pacotes<br />
de batatas fritas, embalagens de iogurte sólido<br />
ou pacotes de manteiga. “O desafio <strong>é</strong> grande<br />
porque não têm um fluxo específico, quando<br />
encaminhados para os recicladores, mas podem<br />
gerar bancos de jardim — são precisos 100 kg<br />
de plásticos mistos”. Há soluções para algumas<br />
embalagens, mas para outras ainda há muitos<br />
problemas a resolver.<br />
ATÉ 2040 A POLUIÇÃO POR PLÁSTICO PODE<br />
SER REDUZIDA EM 80% A NÍVEL MUNDIAL<br />
O relatório Turning off the Tap: How the world<br />
can end plastic pollution and create circular<br />
economy, divulgado pelo PNUMA, Programa<br />
das Nações Unidas para o Meio Ambiente,<br />
entre várias conclusões, afirma: “a poluição<br />
plástica pode ser reduzida em 80%, at<strong>é</strong> 2040,<br />
se países e empresas fizerem uma mudança<br />
profunda nas suas políticas, práticas e no mercado”.<br />
Por<strong>é</strong>m, isto só será possível se todos<br />
alinharem pela mesma bitola. Este relatório<br />
apresenta uma esp<strong>é</strong>cie de roteiro para reduzir<br />
drasticamente a poluição por plástico via uma<br />
abordagem circular. No geral, a mudança para<br />
uma economia circular envolveria poupanças<br />
na ordem dos 1,27 triliões de dólares. Junte-se<br />
ainda a criação de 700 mil empregos at<strong>é</strong> 2040.<br />
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023
36<br />
\\ VIDRO \\<br />
COM UM INVESTIMENTO DE 18 MILHÕES<br />
DE EUROS, PORTUGAL CUMPRIRIA<br />
NO VIDRO<br />
BASTAVAM DOIS ANOS PARA QUE O VIDRO ENTERRADO NOS ATERROS<br />
PASSASSE A SER ENTREGUE À INDÚSTRIA VIDREIRA, VOLTANDO A SER<br />
MATÉRIA-PRIMA<br />
\\ Por Teresa Cotrim<br />
Ameta de reciclagem do vidro <strong>é</strong> de 75% at<strong>é</strong> 2025,<br />
mas Portugal só cumpriria as metas “se cada<br />
português reciclasse duas garrafas de vidro”,<br />
contabiliza Ana Trigo Morais, CEO da Sociedade<br />
Ponto Verde. A recolha seletiva de embalagens em<br />
Portugal aumentou 3% no primeiro trimestre de 2023, mas<br />
no caso do vidro houve um retrocesso de 2%, segundo dados<br />
do Sistema Integrado de Gestão de <strong>Resíduos</strong> de Embalagens<br />
(SIGRE), divulgados pela Sociedade Ponto Verde (SPV). “A<br />
reciclagem de vidro no mesmo período foi de aproximadamente<br />
me<strong>nos</strong> uma tonelada do que no primeiro trimestre de<br />
2022, invertendo uma tendência de crescimento observada<br />
ao longo dos últimos dois a<strong>nos</strong>”. De acordo com o comunicado<br />
da Sociedade Ponto Verde a atual taxa de reciclagem<br />
nacional deste material <strong>é</strong> de 56%, sendo “fundamental uma<br />
maior mobilização por parte de todos os portugueses”.<br />
Na opinião de Ana Trigo Morais <strong>é</strong> preciso adequar a rede de<br />
recolha de vidro às necessidades reais do país e sobretudo ao<br />
canal Horeca, ou seja, Hotelaria e Restauração, que não tem<br />
à sua disposição um sistema eficiente de recolha de vidro. “O<br />
sistema que está desenhado de ecopontos verdes <strong>é</strong> um sistema<br />
que <strong>é</strong> usado e desenhado para os lares, para o consumo<br />
da casa”, considera e 40% do consumo está precisamente no<br />
canal Horeca, logo <strong>é</strong> necessário redesenhar a estrutura de<br />
recolha.<br />
A Sociedade Ponto Verde apresentou ao Governo, um estudo<br />
e um projeto que carece de um investimento de 18 milhões<br />
de euros, mas Ana Trigo Morais, afiança que em dois a<strong>nos</strong><br />
Portugal conseguiria cumprir as metas, mas para isso seria<br />
necessário fazer uma transformação profunda. “Na verdade,<br />
este investimento seria recuperado atrav<strong>é</strong>s da indústria<br />
vidreira”, considera, continuando “vai-se buscar muito valor<br />
porque todo o vidro será entregue à indústria vidreira, que<br />
em Portugal <strong>é</strong> muito forte”. Os players “estão muito bem organizados<br />
e essa mat<strong>é</strong>ria-prima seria muito importante, uma<br />
vez que estão neste momento a importá-la do exterior, enquanto<br />
nós estamos a mandá-la diretamente para o aterro”,<br />
lamenta. Na sua opinião, o bom exemplo das embalagens<br />
tem de ser seguido nesta fileira, “at<strong>é</strong> porque os portugueses já<br />
demonstraram que estão disponíveis para reciclar”.<br />
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023
\\ VIDRO \\<br />
37<br />
Portugal só cumpriria<br />
as metas “se cada português<br />
reciclasse duas<br />
garrafas de vidro”, Ana<br />
Trigo Morais, CEO da<br />
Sociedade Ponto Verde<br />
VIDRO<br />
UM DESÍGNIO EUROPEU<br />
E PORTUGAL ESTÁ NA MIRA!<br />
QUE VIDRO RECICLAR?<br />
O vidro coloca-se no ecoponto verde. Deve colocar garrafas, frascos<br />
e boiões de vidro. Os restantes vidros, como espelhos partidos ou<br />
porcelanas devem ir para o lixo comum, pois têm uma composição<br />
química diferente que resiste às temperaturas elevadas onde os vidros<br />
derretem. Sabia que se colocar loiças ou vidros de janelas pode<br />
inviabilizar todo um lote de vidro reciclado? Por isso, lâmpadas, pirex,<br />
copos de vidro ou cristal, espelhos, ampolas de medicamentos,<br />
pratos ou chávenas de cerâmica devem ser ainda colocados no lixo<br />
comum porque ainda não há forma de os valorizar. A boa notícia <strong>é</strong><br />
que o vidro <strong>é</strong> infinitamente reciclável: ao reciclar poupam-se mat<strong>é</strong>rias-primas<br />
originais (para produzir uma tonelada de vidro, basta<br />
uma tonelada de casco de vidro, em comparação com 1,2 toneladas<br />
de mat<strong>é</strong>rias-primas originais), reduz-se o consumo de energia (por<br />
cada 10% de casco de vidro incorporado, reduzem-se 2,5% de energia),<br />
diminuiu-se a emissão de CO2 e a deposição em aterro.<br />
A Plataforma Vidro + nasceu para incentivar a recolha de<br />
vidro e aumento da reciclagem deste resíduo. Trata-se de<br />
uma plataforma colaborativa que junta entidades ligadas<br />
ao setor e que dá forma ao Plano de Ação Português, da<br />
iniciativa europeia denominada Close the Glass Loop, que<br />
conta com a Federação Europeia do Vidro de Embalagem<br />
(FEVE), como uma das entidades dinamizadoras. “Este<br />
projeto reúne diferentes organizações europeias, do ciclo<br />
de vida das embalagens de vidro, para recolher 90% das<br />
embalagens de vidro colocadas no mercado, at<strong>é</strong> 2030,<br />
num esforço adicional para consolidar a economia circular<br />
europeia, com a adoção do Acordo Verde Europeu para o<br />
crescimento sustentável”, referem no seu site.<br />
Este objetivo europeu, com estrat<strong>é</strong>gias de abordagem<br />
distintas por país, segundo a sua realidade, <strong>é</strong> alicerçado<br />
pelos Pla<strong>nos</strong> de Ação nacionais. Foram definidos sete<br />
países prioritários — o Reino Unido, França, Itália, Espanha,<br />
Alemanha, Polónia e Portugal, no seu conjunto responsáveis<br />
por mais de 80% dos cerca de 20% de embalagens de<br />
vidro que, atualmente, ainda não são recicladas, na União<br />
Europeia. A Plataforma Vidro + terá de agilizar este plano<br />
de ação com o apoio de toda a cadeia de valor.<br />
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023
38<br />
\\ PAPEL \\<br />
AS VÁRIAS VIDAS<br />
DO PAPEL<br />
O CIDADÃO PODE AJUDAR A SUPERAR AS METAS ESTIPULADAS<br />
PELA UNIÃO EUROPEIA, BASTA COLOCAR O PAPEL CERTO NO<br />
ECOPONTO AZUL<br />
\\ Por Teresa Cotrim<br />
Afileira das embalagens de papel<br />
cartão <strong>é</strong> aquela que evidencia<br />
melhor desempenho”, afirma<br />
Pedro Nazareth, CEO do Electrão.<br />
Uma das suas maiores<br />
vantagens <strong>é</strong> que o papel pode ser reciclado<br />
várias vezes (veja caixa Quantas vidas tem<br />
o papel). Segundo dados do Sistema Integrado<br />
de Gestão de <strong>Resíduos</strong> de Embalagens<br />
(SIGRE), no primeiro trimestre de 2023, foram<br />
encaminhadas para reciclagem 36.620<br />
toneladas de papel/cartão (mais 9% do que<br />
no mesmo período do ano anterior). Segundo<br />
a Sociedade Ponto Verde (SPV), o crescimento<br />
mais significativo verificou-se nas embalagens<br />
de cartão para alimentos líquidos<br />
(ECAL), cuja reciclagem ascendeu às 2.161<br />
toneladas (mais 10%).<br />
“Estes dados revelam um aumento de reciclagem<br />
nas escolas, no qual há um volume<br />
mais significativo de pacotes de bebidas, e<br />
que estas estão a ser depositadas corretamente<br />
no ecoponto amarelo, fruto de ações<br />
educativas promovidas pela Sociedade Ponto<br />
Verde junto de alu<strong>nos</strong> e professores”, considera<br />
no seu comunicado a instituição privada<br />
sem fins lucrativos, com a responsabilidade<br />
pelo encaminhamento para reciclagem e<br />
valorização dos resíduos de embalagens que<br />
resultam do grande consumo.<br />
Esta <strong>é</strong> uma fileira muito importante. Sabia<br />
que quando se produz papel reciclado, poupa-se<br />
duas a três vezes mais energia do que<br />
produzir papel a partir de fibra vegetal. Mais:<br />
a cada tonelada reciclada, poupa-se entre 15<br />
a 20 árvores. Metade de uma árvore dá para<br />
produzir 1500 folhas de papel. No entanto,<br />
o único componente da madeira utilizado na<br />
produção <strong>é</strong> a fibra da celulose, que se retira<br />
das árvores como o eucalipto. O que garante<br />
a resistência do papel são as ligações químicas<br />
entre as fibras. No processo de reciclagem,<br />
alguns pap<strong>é</strong>is não podem ser reciclados,<br />
se estiverem, por exemplo, sujos porque vão<br />
afetar essas ligações químicas, impedindo a<br />
produção de material com qualidade.<br />
Esta <strong>é</strong> a explicação porque nem todo o papel<br />
pode ir para o papelão, veja abaixo as caixas<br />
sobre o que pode ou não colocar no ecoponto<br />
azul. Só para entender porquê, imagine um<br />
guardanapo. Quando o utiliza como <strong>é</strong> muito<br />
absorvente pode ficar sujo com gordura<br />
da comida, por exemplo, então se o colocar<br />
no ecoponto azul, este pode contaminar os<br />
outros pap<strong>é</strong>is e desta forma estará a atrasar,<br />
al<strong>é</strong>m disso, atrasará o processo de reciclagem,<br />
porque na estação de triagem terão de os separar<br />
e verificar se não contaminaram os outros<br />
pap<strong>é</strong>is, o que pode levar ao desperdício.<br />
Elsa Agante, Team Leader da área da Sustentabilidade<br />
e Energia da DECO PROTESTE,<br />
diz que com as novas especificações t<strong>é</strong>cnicas<br />
para a reciclagem, estabelecidas pela Agência<br />
Portuguesa do Ambiente, há mais embalagens<br />
que agora podem ser deixadas no<br />
ecoponto azul. “Para registo: passam a ser<br />
encaminhadas para a reciclagem embalagens<br />
de papel que sejam revestidas por um polímero<br />
em apenas uma das faces e que tenham<br />
uma quantidade de papel ou cartão superior<br />
a 85%”. No entanto, adverte que continuam a<br />
não poder sê-lo todas aquelas cuja quantidade<br />
destes materiais seja inferior àquela percentagem,<br />
ou que tenham revestimento nas<br />
duas faces.<br />
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023
\\ PAPEL \\<br />
39<br />
O QUE COLOCAR NO ECOPONTO AZUL?<br />
Sacos de papel das compras; Brochuras de instruções de montagem ou utilização de<br />
equipamentos, por exemplo; Folhetos publicitários; Caixas de jogos; Caixas de<br />
cartão – de cereais, bolachas, detergentes; Caixas<br />
de fósforos; Caixas de pizza (se não tiverem<br />
gordura); Envelopes, papel de escrita e<br />
de impressão; Rolo interior do papel<br />
higi<strong>é</strong>nico e do papel de cozinha;<br />
Sacos de comida para animais;<br />
Revistas e jornais; Caixas para<br />
ovos; Invólucros de cartão de packs<br />
garrafas ou iogurtes, por exemplo;<br />
Bilhetes – de transportes, de<br />
espetáculos; Papel de embrulho.<br />
O QUE NÃO<br />
COLOCAR NO<br />
ECOPONTO AZUL?<br />
Papel sujo; Caixas de cartão com gordura;<br />
Lenços, papel de cozinha e guardanapos<br />
de papel; Papel plastificado; Papel<br />
autocolante; Papel de alumínio; Papel de<br />
lustro; Sacos de cimento; Embalagens de<br />
produtos químicos; Toalhetes e fraldas.<br />
Fonte: Recicla<br />
QUANTAS VIDAS TEM O PAPEL?<br />
O papel não <strong>é</strong> todo igual. As suas fibras vão perdendo<br />
propriedades a cada novo ciclo de reciclagem<br />
e, por isso, o número de vezes que pode ser<br />
submetido a esse processo <strong>é</strong> limitado. Mas há<br />
boas notícias: como refere um artigo do site My<br />
Planet, um estudo recente veio demonstrar que<br />
a fibra celulósica de Eucalyptus globulus permite<br />
cinco vezes mais ciclos de reciclagem do<br />
que fibras de outras esp<strong>é</strong>cies. O estudo, sobre<br />
o desempenho de pastas para pap<strong>é</strong>is de embalagem,<br />
com o título “Recycling performance<br />
of softwood and hardwood unbleached kraft<br />
pulps for packaging papers”, foi desenvolvido<br />
por investigadores da Universidade da Beira<br />
Interior (UBI), com o apoio do RAIZ – Instituto de<br />
Investigação da Floresta e Papel (Laboratório de<br />
R&D detido pela The Navigator Company, Universidade<br />
de Aveiro, Universidade de Coimbra e<br />
Universidade de Lisboa, atrav<strong>é</strong>s do Instituto Superior<br />
de Agronomia). Avaliou o potencial de reciclabilidade<br />
de diferentes fibras para perceber<br />
de que forma a reciclagem altera a sua estrutura<br />
e propriedades físicas e químicas.<br />
Os resultados foram publicados na Tappi Journal,<br />
revista científica reconhecida internacionalmente<br />
há mais de 60 a<strong>nos</strong>, e confirmam<br />
conclusões anteriores a que a Tokyo University<br />
of Agriculture and Technology tinha chegado<br />
em 2001: as fibras da esp<strong>é</strong>cie Eucalyptus globulus<br />
são capazes de suportar, no mínimo, cinco<br />
vezes mais ciclos de reciclagem do que fibras de<br />
outras esp<strong>é</strong>cies, sem perderem características<br />
de alto desempenho.<br />
Fonte: My Planet<br />
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023
40<br />
\\ BIORRESÍDUOS \\<br />
ESTARÁ PORTUGAL PREPARADO<br />
PARA A RECOLHA DOS<br />
BIORRESÍDUOS?<br />
NÃO, MAS FEITAS AS MUDANÇAS NECESSÁRIAS É POSSÍVEL ENTRAR NA LISTA DOS CUMPRIDORES<br />
\\ Por Teresa Cotrim<br />
Todos produzimos biorresíduos em <strong>nos</strong>sas casas.<br />
Quando deitamos fora os restos dos alimentos —<br />
verduras, frutas, cascas de ovo, ou por exemplo, as<br />
folhas das plantas que temos <strong>nos</strong> <strong>nos</strong>sos vasos ou<br />
jardins, e estes representam, em m<strong>é</strong>dia, 40% do <strong>nos</strong>so caixote<br />
de “lixo comum”. Ao degradarem-se, al<strong>é</strong>m do mau odor ainda<br />
contaminam outros resíduos, como as embalagens, por exemplo.<br />
Portugal tem falhado quase sempre as m<strong>é</strong>tricas no que toca aos<br />
resíduos. Cada português produz cerca de 1,4 kg de resíduos por<br />
dia — ou seja, dois milhões de toneladas por ano. A má notícia<br />
<strong>é</strong> que 56% deste “lixo” vai para o aterro comum. Pois <strong>é</strong>, mas<br />
isto terá de mudar porque a recolha seletiva de biorresíduos em<br />
Portugal Continental será obrigatória a partir de 1 de janeiro<br />
de 2024, o que exigirá uma nova forma de trabalhar por parte<br />
dos 278 municípios e operadores e uma alteração <strong>nos</strong> hábitos e<br />
comportamentos de todos os portugueses.<br />
O Plano Nacional de Gestão de <strong>Resíduos</strong> 2030 (PNGR) e o<br />
Plano Estrat<strong>é</strong>gico para os <strong>Resíduos</strong> Urba<strong>nos</strong> 2030 (PERSU),<br />
aprovados em março têm como finalidade levar Portugal a<br />
adotar uma economia mais circular e defendem que estaremos<br />
preparados para o fazer já no final de 2023. Mas estará mesmo<br />
Portugal preparado? Afinal há 20 a<strong>nos</strong> que não saímos dos 19%!<br />
Há um longo caminho a percorrer.<br />
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023
\\ BIORRESÍDUOS \\<br />
41<br />
PROPOSTA PARA RECOLHA DOS<br />
BIORRESÍDUOS<br />
Há dois modelos de recolha: o de porta-a-porta e um<br />
sistema de recolha na via pública com controle de acesso<br />
aos contentores do indiferenciado e dos biorresíduos.<br />
Para os biorresíduos, a Associação Zero propõe que os<br />
peque<strong>nos</strong> contentores (máximo 120 litros), previamente<br />
disponibilizados aos utilizadores, são recolhidos e<br />
despejados nas ilhas de compostagem comunitária (ou em<br />
contentores contíguos de acesso restrito a determinados<br />
utilizadores) ou no contentor dos biorresíduos tamb<strong>é</strong>m com<br />
acesso restrito, sendo que este terá elevada frequência de<br />
recolha (3 ou mais dias por semana numa fase inicial). No<br />
caso do contentor de rua com acesso restrito, com cartão<br />
ou chave, o utilizador poderá efetuar o acesso sempre que<br />
necessário, sem limitações.<br />
Na recolha seletiva de biorresíduos, e uma vez que este tipo<br />
de resíduos tem características de maneio me<strong>nos</strong> favoráveis<br />
(<strong>é</strong> putrescível, cria líquidos e odores, em particular nas<br />
<strong>é</strong>pocas do ano mais quentes) <strong>é</strong> muito aconselhável que o<br />
Município pondere oferecer sacos compostáveis, já que<br />
esta pequena atenção <strong>é</strong> fundamental para garantir taxas<br />
de adesão à separação mais elevadas. Limitar o acesso ao<br />
contentor dos biorresíduos poderá ser muito importante,<br />
uma vez que poderão ser criadas bonificações específicas<br />
no tarifário para quem aderir ou mais utilizar este serviço,<br />
gerando dinâmica de adesão e de menor utilização do<br />
contentor do indiferenciado.<br />
Fonte: Associação ZERO<br />
SOLUÇÃO COMPLEMENTAR<br />
À RECOLHA<br />
Al<strong>é</strong>m da proposta de recolha dos biorresíduos, a Zero, em comunicado<br />
enviado à GreenSavers, explica ainda a importância de uma solução<br />
complementar à recolha, de baixo custo, com reduzida dificuldade t<strong>é</strong>cnica e<br />
com impacte ao nível da redução do transporte de resíduos com as respetivas<br />
implicações em termos de poupanças económicas e ambientais. Para isso,<br />
indicam que cada zona ou bairro possa passar a contar com uma ilha de<br />
compostagem comunitária dimensionada para o seu potencial de produção<br />
de biorresíduos, desde que haja espaço público, normalmente uma área<br />
verde, próxima da habitação e de fácil acesso — esta deverá ser gerida por<br />
operadores com formação para o efeito.<br />
O cidadão poderá aderir à compostagem dom<strong>é</strong>stica, receber um compostor<br />
e comprometer-se a fazer o tratamento dos biorresíduos ao nível dom<strong>é</strong>stico<br />
— escolhendo não participar na recolha de biorresíudos comunitária.<br />
Deverá ainda ser generalizada a recolha de resíduos verdes de particulares.<br />
Sempre que possível, a Zero sugere ainda a aquisição de bio- trituradores<br />
ou outros equipamentos equivalentes (fixos ou móveis) no sentido de evitar<br />
a queima de sobrantes agrícolas e florestais, que está na origem de uma<br />
parte significativa das ignições de fogos rurais e de poluição atmosf<strong>é</strong>rica que<br />
geram impactes na saúde.<br />
A Zero, diz, ainda, que deve ser criado um sistema de incentivos — integrado<br />
no tarifário, que mais tarde poderá ser PAYT. Por fim, caso o Município não<br />
possua recursos huma<strong>nos</strong> suficientes para gerir toda esta atividade, podem<br />
ser desenhadas soluções criativas de proximidade, envolvendo as Juntas<br />
de Freguesia ou associações locais, desde que haja partilha dos benefícios<br />
financeiros das poupanças obtidas com a redução de custos com a recolha, o<br />
tratamento e a TGR.<br />
Fonte: Associação ZERO<br />
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023
42<br />
\\ RESÍDUOS ELECTRÓNICOS \\<br />
RESÍDUOS ELETRÓNICOS<br />
O LIXO VALIOSO!<br />
PORTUGAL AINDA SÓ RECICLA 31%. NÃO ESTÁ A CUMPRIR METAS, DANDO<br />
ORIGEM A UM MERCADO PARALELO COM CONSEQUÊNCIAS AMBIENTAIS<br />
\\ Por Teresa Cotrim<br />
Estima-se que na Europa, 11 em 72 itens eletrónicos existentes<br />
numa residência já não são usados ou estão danificados.<br />
Se estes aparelhos fossem reciclados diminuiria a<br />
necessidade de extrair novos recursos como ouro ou cobre,<br />
economizando as emissões de dióxido carbono em comparação com a<br />
mineração de metais virgens e poupavam-se as reservas de mat<strong>é</strong>rias-<br />
-primas naturais. As Nações Unidas estimam que, at<strong>é</strong> 2050, em todo o<br />
Mundo, sejam produzidas 120 milhões de toneladas de resíduos el<strong>é</strong>tricos<br />
e eletrónicos. Por ano.<br />
Elsa Agante, Team Leader de Sustentabilidade e Energia da DECO<br />
PROTESTE, diz que Portugal não está bem nas estatísticas. “Os últimos<br />
dados da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), revelam que as<br />
metas estão longe de ser cumpridas”. A Diretiva Europeia diz que, 65%<br />
dos equipamentos eletrónicos descartados devem ser encaminhados<br />
para tratamento e reciclagem. Rui Berkemeier, da ZERO, Associação<br />
Sistema Terrestre Sustentável, afiança que o problema está no modelo<br />
do sistema de gestão de resíduos. “O Estado passou a responsabilidade<br />
de cumprir as metas da UE para as três entidades gestoras — Eletrão,<br />
E-Cycle e ERP, que teriam o compromisso de recolher e tratar estes resíduos,<br />
mediante o recebimento de uma taxa que o consumidor paga no<br />
ato da compra, a ecotaxa. “Só que isto não está a funcionar”.<br />
Para o ambientalista a responsabilidade principal deste fracasso pertence<br />
ao Minist<strong>é</strong>rio do Ambiente e da Ação Climática (MAAC) que<br />
ignora as denúncias da ZERO sobre as graves situações que ocorrem<br />
neste setor. Na sua opinião, uma dessas lacunas <strong>é</strong> a MAAC permitir<br />
que os produtores de Equipamentos El<strong>é</strong>tricos<br />
e<br />
Eletrónicos (EEE) coloquem estes produtos no<br />
mercado, pagando muito pouco às Entidades Gestoras<br />
dos REEE para garantir a sua adequada recolha e<br />
tratamento, quando chegam à fase de resíduos, como seria sua obrigação<br />
legal. “As metas não têm sido cumpridas porque continuam a aceitar um<br />
ecovalor muito baixo, que deveria ser quatro vezes mais. Não recolhem<br />
porque não têm dinheiro para o fazer. Devia haver mais pr<strong>é</strong>mio para<br />
quem separa, devia haver mais pontos de recolha. Há cidades que não<br />
têm um único ponto de recolha”, lamenta.<br />
Para o CEO do Electrão, Pedro Nazareth o que <strong>é</strong> verdadeiramente diferente<br />
no caso português <strong>é</strong>, por um lado, uma fiscalização praticamente<br />
inexistente e consequente que atue sobre os operadores do mercado paralelo<br />
e, por outro, tamb<strong>é</strong>m <strong>nos</strong> diferencia e penaliza a contabilização<br />
feita dos equipamentos el<strong>é</strong>tricos usados processados por estes operadores.<br />
“Portugal apenas reporta a Bruxelas os equipamentos usados que<br />
são recolhidos seletivamente e reciclados em unidades especializadas<br />
para o efeito, tal como obriga a legislação europeia, enquanto outros<br />
países reportam todos os equipamentos el<strong>é</strong>ctricos usados que foram<br />
processados, mesmo quando não existem garantias de que a descontaminação<br />
obrigatória dos componentes perigosos foi acautelada, o que <strong>é</strong><br />
frequente no processamento destes equipamentos pelos operadores do<br />
mercado paralelo”, explica. Por este motivo, isso justifica, na sua opinião,<br />
que Portugal tenha aparecido como um dos piores classificados num recente<br />
índice divulgado pelo Eurostat.<br />
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023
\\ RESÍDUOS ELECTRÓNICOS \\<br />
43<br />
É publico que existe um<br />
conjunto de operadores<br />
que desvia e processa<br />
ilegalmente resíduos<br />
dos canais formais de<br />
recolha com graves<br />
prejuízos para a saúde<br />
pública, ambiente e economia”,<br />
Pedro Nazareth,<br />
CEO do Electrão<br />
“O Electrão, enquanto entidade gestora com a<br />
maior quota de mercado, tem dado o seu contributo<br />
para a melhoria dos resultados globais”. Em<br />
2022, o Electrão enviou para reciclagem mais<br />
de 23 mil toneladas de equipamentos el<strong>é</strong>tricos<br />
usados, mais 40% do que em 2021, ano em que<br />
foram recolhidas mais de 17 mil toneladas. “Este<br />
aumento muito expressivo da reciclagem deve-se<br />
à continuidade da expansão do número de locais<br />
da rede de recolha do Electrão, ao comprometimento<br />
e profissionalização dos diferentes parceiros<br />
que <strong>nos</strong> permitem servir melhor o cidadão<br />
português e ao contributo específico dos operadores<br />
de gestão de resíduos com quem foi reforçada<br />
a colaboração em 2022”, explica.<br />
MERCADO PARALELO, O QUE FAZER?<br />
O problema <strong>é</strong> mais complexo do que parece. “A<br />
lei diz que quem vende equipamentos tem de<br />
receber os velhos do consumidor, mas depois<br />
as coisas não se passam bem assim. Por exemplo,<br />
quem vende frigoríficos contrata empresas<br />
transportadoras para entregar o novo e ficam<br />
com a responsabilidade de trazer o velho, no<br />
entanto, essas companhias acabam por muitas<br />
vezes, encaminhá-los para sucateiros ilegais, não<br />
sendo cumprido a obrigação”, diz Rui Berkemeier,<br />
continuando no exemplo dos frigoríficos:<br />
“Apenas 25% são recolhidos e tratados legalmente,<br />
e os restantes? Onde estão?”, questiona, adiantando<br />
que há um mercado paralelo em Portugal.<br />
“Muitos vão parar à sucata, após retirarem-lhes<br />
o que tem valor comercial, como o motor compressor.<br />
Fora os que vão parar aos pinhais, deixando<br />
o gás ir para a atmosfera, causando aquecimento<br />
global”.<br />
Uma constatação feita tamb<strong>é</strong>m por Pedro Nazareth:<br />
“É publico que existe um conjunto de operadores<br />
que desvia e processa ilegalmente resíduos<br />
dos canais formais de recolha com graves prejuízos<br />
para a saúde pública, ambiente e economia”.<br />
Segundo um estudo realizado pela Electrão, três<br />
em cada quatro equipamentos usados colocados<br />
na via pública são desviados dos serviços municipais<br />
de recolha. “Para travar este fenómeno <strong>é</strong><br />
essencial reforçar os serviços de recolha destes<br />
resíduos e apostar em ações de fiscalização”, afirma.<br />
O CEO do Eletrão refere ainda os comportamentos<br />
incorretos que ainda se registam, por<br />
parte de empresas e cidadãos, como a mistura de<br />
equipamentos el<strong>é</strong>tricos usados com outros resíduos,<br />
ou a colocação de peque<strong>nos</strong> equipamentos<br />
el<strong>é</strong>tricos no lixo indiferenciado que contribuem<br />
para agilizar esta situação.<br />
Na sua opinião, os resultados globais só irão<br />
melhorar quando todos os agentes da cadeia de<br />
valor — consumidores, autarquias, empresas,<br />
distribuição, administração central — se envolverem<br />
neste desígnio, desenvolvendo todos<br />
os esforços na sua área de responsabilidade. O<br />
Electrão está atento a este aspeto, por isso desenvolveu<br />
o site Ondereciclar.pt. Neste endereço o<br />
consumidor pode verificar qual o local mais próximo<br />
para entregar vários tipos de resíduos: desde<br />
equipamentos el<strong>é</strong>tricos usados, pilhas e baterias,<br />
passando por pneus, veículos em fim de vida<br />
e óleos lubrificantes usados. Para o ambientalista<br />
da Zero a forma de melhorar a recolha seria criar<br />
um sistema de depósito. “Cada vez que o consumidor<br />
devolvesse o equipamento velho receberia<br />
o valor do depósito”, explica, acreditando que<br />
este sistema de intensivo, apesar de complexo,<br />
decerto daria bons frutos. Rui Berkemeier contou<br />
à GreenSavers que a Zero falou com a APA<br />
e que a solução passará por dar um incentivo às<br />
entidades de Solidariedade Social. No entender<br />
do ambientalista “não vai funcionar. O incentivo<br />
devia ser dado diretamente ao consumidor, via<br />
entidade gestora. Só assim o transportador não o<br />
poderia desviar”, acredita.<br />
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023
44<br />
\\ PILHAS E BATERIAS \\<br />
PILHAS & BATERIAS<br />
COM NOVO REGULAMENTO<br />
EM 2022, O ELECTRÃO RECOLHEU E ENCAMINHOU PARA RECICLAGEM MAIS DE 282 TONELADAS<br />
DE PILHAS E BATERIAS PORTÁTEIS, MAIS 14% DO QUE NO ANO ANTERIOR<br />
\\ Por Teresa Cotrim<br />
Onovo regulamento de pilhas e baterias acaba de ser publicado<br />
no Jornal da União Europeia. Este documento, que visa<br />
toda a cadeia de valor, entrou em vigor em Agosto em todos<br />
os Estados-Membros. Segundo Pedro Nazareth, CEO<br />
do Electrão, o novo regulamento traz mudanças que vão<br />
impactar no dia a dia das pessoas. “Em breve o cidadão poderá substituir<br />
com mais facilidade as pilhas e as baterias em todos os equipamentos,<br />
prolongando a vida útil dos seus aparelhos. As novas pilhas e baterias<br />
passarão a ser feitas com materiais reciclados, evitando a dependência<br />
de países terceiros”. Segundo a Comissão Europeia, cerca de 98% das mat<strong>é</strong>rias-primas<br />
críticas, como o níquel, lítio, cobalto ou chumbo, proveem<br />
de países fora da União Europeia. “Al<strong>é</strong>m disso, estas novas diretrizes<br />
deixam antever a enorme ambição em prolongar o período de vida útil<br />
destes equipamentos atrav<strong>é</strong>s da sua reutilização. Por exemplo, uma bateria<br />
de um veículo el<strong>é</strong>trico pode ser reutilizada para armazenagem de<br />
energia num sistema fotovoltaico, o que constitui uma novidade”, diz Pedro<br />
Nazareth. No entanto, a Europa e nomeadamente Portugal precisará<br />
de investimentos avultados para concretizar esta nova regulamentação.<br />
Depois, <strong>é</strong> preciso que o consumidor comece a colocar estes resíduos<br />
<strong>nos</strong> locais certos. “O Electrão, enquanto entidade gestora responsável<br />
pela recolha e encaminhamento para reciclagem de pilhas e baterias<br />
usadas, está muito empenhado em melhorar os resultados”, promete.<br />
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023
\\ PILHAS E BATERIAS \\<br />
45<br />
98% DAS MATÉRIAS-PRIMAS CRÍTICAS, COMO O<br />
NÍQUEL, LÍTIO, COBALTO OU CHUMBO, PROVEEM<br />
DE PAÍSES FORA DA UNIÃO EUROPEIA<br />
EXISTEM ATUALMENTE MAIS DE SEIS MIL LOCAIS<br />
DISPONIBILIZADOS PELO ELECTRÃO, ONDE PODEM<br />
SER DEPOSITADAS PILHAS E BATERIAS USADAS<br />
EM 2022 O ELECTRÃO RECOLHEU E ENCAMINHOU<br />
PARA RECICLAGEM MAIS DE 282 TONELADAS DE<br />
PILHAS E BATERIAS PORTÁTEIS<br />
NA HOLANDA, QUEM RECICLAR 10 PILHAS DE<br />
UMA VEZ, ENTRA NUM SORTEIO DE VÁRIOS<br />
PRÉMIOS, COM VOUCHERS DE 1000 EUROS PARA<br />
VIAGENS<br />
Estes equipamentos, alguns com componentes<br />
nocivos, acabam muitas vezes por<br />
ser depositados no lixo indiferenciado,<br />
inviabilizando por completo o processo de<br />
reciclagem e com graves impactos negativos.<br />
“As pilhas contêm elementos perigosos,<br />
como mercúrio, chumbo ou cádmio, e se<br />
descartadas indevidamente podem causar<br />
graves impactos na saúde, nomeadamente<br />
problemas <strong>nos</strong> rins e <strong>nos</strong> sistemas nervoso,<br />
neurológico e digestivo”, alerta.<br />
Sabia que uma pilha demora cem a<strong>nos</strong> a<br />
decompor-se no meio ambiente? E 99% das<br />
pilhas e baterias são recicláveis. Existem<br />
atualmente mais de seis mil locais disponibilizados<br />
pelo Electrão, onde podem ser<br />
depositadas pilhas e baterias usadas. Atrav<strong>é</strong>s<br />
do site www.ondereciclar.pt <strong>é</strong> possível<br />
saber quais são esses locais e obter mais<br />
informações sobre tema. Para aumentar as<br />
quantidades recolhidas o Electrão desenvolve<br />
diversas campanhas que envolvem<br />
as forças vivas da sociedade, desde bombeiros<br />
a escolas, passando por agrupamentos<br />
de escuteiros, entre outros. Em 2022 o<br />
Electrão recolheu e encaminhou para reciclagem<br />
mais de 282 toneladas de pilhas<br />
e baterias portáteis, o que representa um<br />
aumento de 14% face ao ano anterior. No<br />
total, entre pilhas e baterias, portáteis e industriais,<br />
foram recolhidas 644 toneladas.<br />
Tal como os equipamentos el<strong>é</strong>tricos, tamb<strong>é</strong>m<br />
as pilhas e baterias usadas são encaminhadas<br />
para operadores de tratamento<br />
que asseguram a correta remoção das<br />
substâncias perigosas de forma a proteger<br />
a saúde e o ambiente e a reciclagem dos<br />
restantes materiais. Estas mat<strong>é</strong>rias-primas<br />
críticas estão a merecer a atenção da<br />
União Europeia que pretende promover<br />
uma maior autonomia de abastecimento,<br />
em parte garantida por via da reciclagem.<br />
Uma bateria de um<br />
veículo el<strong>é</strong>trico pode<br />
ser reutilizada para<br />
armazenagem de<br />
energia num sistema<br />
fotovoltaico, o que<br />
constitui uma novidade”,<br />
Pedro Nazareth<br />
A reciclagem destes equipamentos permite<br />
recuperar materiais como o magn<strong>é</strong>sio que<br />
serve para a agricultura, ou o aço e o níquel<br />
que podem ser usados na produção de novos<br />
materiais.<br />
Desde setembro de 2022, todos os membros<br />
da União Europeia tinham de recolher<br />
e reciclar, 45% de todas as pilhas<br />
vendidas. Segundo dados da Agência Portuguesa<br />
do Ambiente, em 2021, Portugal<br />
atingiu apenas uma taxa de recolha de pilhas<br />
e acumuladores portáteis de 19,5%,<br />
mas há países que já conseguiram chegar<br />
à meta dos 45%, caso da B<strong>é</strong>lgica, Holanda,<br />
Su<strong>é</strong>cia e Dinamarca. Sabe como conseguiram<br />
atingir boas notas? Na B<strong>é</strong>lgica, há um<br />
sistema de incentivo nas escolas. Por cada<br />
quilo de pilhas recolhido, são dados pontos<br />
aos alu<strong>nos</strong> que podem ser trocados por material<br />
desportivo, ou bilhetes para eventos<br />
culturais. Já na Holanda, quem reciclar 10<br />
pilhas de uma vez, entra num sorteio de vários<br />
pr<strong>é</strong>mios, com vouchers de 1000 euros<br />
para viagens. São a cenoura que atrai a ida<br />
ao pilhão! Se quer aumentar os números de<br />
reciclagem de pilhas e baterias, então Portugal<br />
tem de seguir estes exemplos.<br />
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023
46<br />
\\ ÓLEOS \\<br />
TRANSFORME O SEU ÓLEO EM<br />
NOVA MATÉRIA-PRIMA<br />
É DOS RESÍDUOS MAIS POLUENTES, MAS RECICLADO VOLTA A SER UM ÓLEO BASE,<br />
OU SEJA PODE VOLTAR A AJUDAR A PRODUZIR NOVOS PRODUTOS<br />
\\ Por Teresa Cotrim<br />
Portugal produz anualmente 65 milhões de litros<br />
de óleo alimentar. Segundo a Agência Portuguesa<br />
do Ambiente (APA), “um litro de óleo dom<strong>é</strong>stico<br />
deitado no ralo da cozinha contamina um milhão<br />
de litros de água”. Mas não fica por aqui. O óleo provoca impermeabilização<br />
do solo, contribuindo para o aumento de<br />
cheias, causa da<strong>nos</strong> hídricos e quando entra em processo de<br />
decomposição, liberta gases que causam mau cheiro e faz<br />
efeito de estufa. Provoca tamb<strong>é</strong>m o entupimento dos tubos<br />
nas redes dos esgotos, aumentando at<strong>é</strong> 45% os custos de tratamento,<br />
dificultando o trabalho das Estações de Tratamento<br />
de Águas Residuais (ETAR).<br />
Por outro lado, “mil litros de óleos alimentares usados permitem<br />
produzir entre 920 a 980 litros de biodiesel, combustível<br />
que apresenta índices de emissão de dióxido de carbono que<br />
podem ser 80% mais baixos dos que são emitidos ao utilizar<br />
gasóleo”, contabiliza a APA. Podem ainda ser aproveitados<br />
para fazer sabão, velas aromáticas, verniz, tintas, só para dar<br />
alguns exemplos. Em Portugal, o produtor <strong>é</strong> responsável pelos<br />
resíduos que gera e pelo seu destino final, mas o consumidor<br />
tamb<strong>é</strong>m tem de contribuir. Elsa Agante, Team Leader<br />
da área de sustentabilidade e energia da DECO PROTES-<br />
TE, diz que devia haver mais recolha, uma vez que estes são<br />
muito importantes para a economia circular, evitando, por<br />
exemplo, o consumo de mat<strong>é</strong>ria-prima virgem, como acontece<br />
com os biocombustíveis.<br />
A principal rede de recolha e valorização de óleos alimentares<br />
usados (OAU) em Portugal já chega a perto de cinco milhões<br />
de residentes. E isto porque foi um ano de crescimento<br />
no circuito montado pela Hardlevel, Energias renováveis,<br />
do norte ao sul do País. O operador, que dispõe do sistema<br />
tecnologicamente mais avançado e abrangente em território<br />
nacional, “conseguiu em 2022 expandir em mais de 14% os<br />
pontos de recolha, que estão espalhados por 40 novos municípios<br />
que agora fazem parte da rede de coleta” (com oleões<br />
sensorizados e alimentados por pain<strong>é</strong>is fotovoltaicos), face<br />
à realidade de 2021, revela Salim Karmali, administrador e<br />
cofundador da Hardlevel, com o seu irmão, Karim Karmali,<br />
citado em comunicado à GreenSavers. São agora 140 os<br />
concelhos que participam no fluxo de reciclagem de gorduras<br />
alimentares dom<strong>é</strong>sticas do grupo empresarial (eram 100 no<br />
final de 2021).<br />
Numa cadeia de processamento ambiental agora com um<br />
total de 2850 contentores de recolha OAU. “Traçámos como<br />
meta para 2023 conseguir chegar a um total de 165 concelhos<br />
na <strong>nos</strong>sa rede de recolha e 3300 pontos de descarte<br />
instalados, sobretudo com a nova geração de oleões, que são<br />
fabricados inteiramente nas <strong>nos</strong>sas instalações, inclusive na<br />
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023
\\ ÓLEOS \\<br />
47<br />
Mil litros de óleos alimentares<br />
usados permitem produzir<br />
entre 920 a 980 litros de<br />
biodiesel, combustível que<br />
apresenta índices de emissão<br />
de dióxido de carbono que<br />
podem ser 80% mais baixos<br />
dos que são emitidos ao<br />
utilizar gasóleo<br />
sua componente mais tecnológica”, sublinha o coadministrador<br />
da Hardlevel. Os objetivos para este ano representam<br />
assim uma projeção de crescimento de 18%<br />
nas parcerias e 16% na rede de oleões.<br />
E O ÓLEO DO CARRO?<br />
Para Rui Berkemeier, t<strong>é</strong>cnico da Zero especialista em<br />
resíduos, a gestão dos óleos lubrificantes, que são dos<br />
resíduos mais perigosos, está muito melhor do que há<br />
uns a<strong>nos</strong>. A mudança de óleo do carro, por exemplo, <strong>é</strong><br />
feita na oficina, que, regra geral, tem recolha seletiva.<br />
O problema maior surge quando esta <strong>é</strong> feita em casa.<br />
No caso dos óleos, o sistema de responsabilidade <strong>é</strong><br />
alargado ao produtor, ou seja, quem produz e vende<br />
<strong>é</strong> o responsável pela recolha e tratamento. Para controlar<br />
este mercado foi criada a Sogilub — Sociedade<br />
de Gestão Integrada de Óleos Lubrificantes Usados,<br />
por isso, as empresas, como as oficinas podem pedir<br />
para recolher o óleo que mudam dos automóveis,<br />
sendo este depois encaminhado para reciclagem. A<br />
boa notícia <strong>é</strong> que este volta a ser usado, como óleo de<br />
base, por um processo de destilação, podendo depois<br />
levar outros aditivos, evitando o consumo de novos<br />
recursos fósseis, nomeadamente o petróleo com todos<br />
os impactes ambientais, al<strong>é</strong>m de ter ainda outros<br />
aproveitamentos. Portugal já tem, inclusive, uma fábrica<br />
de regeneração deste tipo de óleos e está prestes<br />
a abrir outra. “Somos dos países europeus que mais<br />
temos investido nesta área”, afirma.<br />
COMO FAZER<br />
E ONDE ENTREGAR?<br />
• Escolha uma garrafa de plástico usada e coloque um<br />
autocolante identificando o tipo de óleo usado;<br />
• Coloque o óleo usado nesta garrafa com a ajuda de um<br />
funil. Só após arrefecer;<br />
• Quando a garrafa ou garrafão estiverem cheios, entregueos<br />
num supermercado ou hipermercado que tenha oleões<br />
— contentores alimentares amarelos.<br />
• Os óleos que deve reciclar: azeite, óleo de girassol, de<br />
palma, de soja, de coco, abacate, amendoim e linhaça.<br />
• O que não deve colocar no oleão: margarina, manteiga,<br />
óleos de motor e óleos lubrificantes.<br />
• .Este <strong>é</strong> um dos links (https://ecomovimento.pt/mapa-dosoleoes/)<br />
onde pode ver quais os oleões mais próximos de<br />
si.<br />
• Se precisar de solicitar a recolha de óleos usados visite o<br />
site www.ecolub.pt e na “informação: recolha de Óleos<br />
Usados”, saberá o que tem de fazer. Pode tamb<strong>é</strong>m enviar<br />
um email para geral@ecolub.pt ou ligar 808203040.<br />
• Pode tamb<strong>é</strong>m informar-se com a Hardlevel em www.<br />
hardlevel.pt, ou pelos telefones 936298796 ou<br />
220163302.<br />
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023
48<br />
\\ RESÍDUOS PERIGOSOS \\<br />
HÁ SETE ANOS QUE A LEI ProSOLOS<br />
ESTÁ NA GAVETA<br />
O CARGO MUDA DE MÃOS E TODOS DIZEM QUE ESTA LEI É PARA SER APROVADA, MAS<br />
QUANDO? E A LEI DA ABERTURA DE MERCADO À GESTÃO DOS RESÍDUOS PERIGOSOS?<br />
\\ Por Teresa Cotrim<br />
Em junho deste ano, a Zero, Associação Sistema<br />
Terrestre Sustentável, pediu uma reunião com o<br />
Secretário de Estado do Ambiente, Hugo Polido<br />
Pires, devido à promessa do Governo — na altura,<br />
pela ex-Secretária de Estado do Ambiente,<br />
Inês Costa, da garantia da publicação da legislação ProSolos<br />
— Prevenção da Contaminação e Remediação dos Solos,<br />
tendo-lhes sido dito que esta era uma prioridade da política<br />
ambiental do anterior executivo e que transitara para o atual<br />
Governo. Aliás, esta lei esteve em consulta pública em 2015<br />
e, desde altura, continua dentro da gaveta.<br />
“Os meses decorrem e a lei ainda não foi aprovada. Andamos<br />
nisto há sete a<strong>nos</strong>”, lamenta Rui Berkemeier, t<strong>é</strong>cnico da Zero<br />
e especialista em resíduos, garantindo que esta lei <strong>é</strong> fundamental<br />
por vários motivos como, por exemplo, obrigaria a<br />
condicionar a venda de terre<strong>nos</strong>, onde estivessem instaladas<br />
atividades de risco de poluição do solo, e à apresentação de<br />
um relatório com o estado de contaminação desse solo, pelo<br />
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023
\\ RESÍDUOS PERIGOSOS \\<br />
49<br />
proprietário, ficando assim responsável pelos<br />
eventuais custos de descontaminação. “Desta<br />
forma, esta legislação reduziria a ocorrência de<br />
situações em que os novos proprietários descobrem<br />
que afinal os solos dos terre<strong>nos</strong> adquiridos<br />
estão contaminados e já não podem responsabilizar<br />
o anterior proprietário”, explica.<br />
Esta lei obrigaria ainda a fazer uma avaliação<br />
da contaminação do solo por parte dos proprietários<br />
dos terre<strong>nos</strong> onde funcionaram atividades<br />
de risco ambiental. “Com esta medida, seria<br />
drasticamente reduzida a ocorrência de situação<br />
em que, por impossibilidade de identificação de<br />
quem foram os responsáveis pela poluição do<br />
solo, acaba por ser o Estado muitas vezes a arcar<br />
com os custos para resolver esses passivos ambientais”,<br />
reitera.<br />
Portugal <strong>é</strong> um dos poucos países da União Europeia<br />
sem legislação específica sobre solos contaminados.<br />
Um estudo realizado pela Agência<br />
Portuguesa do Ambiente, em 2017, concluiu que<br />
Portugal ganharia cerca de 25 milhões de euros<br />
em 6 a<strong>nos</strong>, em resultado da publicação da ProSolos,<br />
aos quais se acrescentam ganhos ambientais<br />
e de saúde pública. A Zero destacou tamb<strong>é</strong>m<br />
em comunicado a importância da criação de um<br />
Atlas da Qualidade do Solo, onde estariam referenciadas<br />
as situações de risco de contaminação<br />
do solo, possibilitando às autoridades delinear,<br />
com maior conhecimento da realidade no terreno,<br />
as políticas para a prevenção e remediação da<br />
poluição do solo.<br />
Outro tema em cima da mesa foi a acesa discussão<br />
da abertura de mercado da gestão de resíduos<br />
perigosos, ou seja, da concorrência aos CIRVER<br />
– Operadores de Centros Integrados de Recuperação<br />
Valorização e Eliminação de <strong>Resíduos</strong> Perigosos.<br />
Atualmente são duas empresas a operar<br />
em Portugal, a Ecodeal e a Sisav, contudo “que<br />
quem quiser entrar no mercado terá de demonstrar<br />
capacidade económica, financeira e t<strong>é</strong>cnica<br />
e cumprir as mesmas exigências de quem já está<br />
a operar no mercado”, explica Rui Berkemeier,<br />
ou seja, “só permitirão a entrada no mercado, a<br />
operadores que tenham instalações iguais às da<br />
CIRVER”, remata. Estes terão tamb<strong>é</strong>m de comprovar<br />
a viabilidade do projeto e ter autorização<br />
pr<strong>é</strong>via municipal. No entanto, <strong>é</strong> muito importante<br />
salientar que a lei ainda não foi publicada e as<br />
licenças do CIRVER acabam a 8 de novembro!<br />
Por fim, na mesma reunião citada acima, o Executivo<br />
prometeu à Associação Zero criar a recolha<br />
de resíduos perigosos a nível dom<strong>é</strong>stico<br />
— como por exemplo, pesticidas, colas, vernizes,<br />
algumas tintas, termómetros de mercúrio,<br />
pilhas, equipamentos eletrónicos, entre outros.<br />
Ainda nada foi criado. Outra promessa foi a criação<br />
de um sistema de recolha de seringas tamb<strong>é</strong>m<br />
a nível dom<strong>é</strong>stico. Há muitas pessoas em<br />
autocuidado, que necessitam de injetáveis para<br />
se tratar e tamb<strong>é</strong>m neste campo ainda não há recolha<br />
seletiva. Segundo a linha de reciclagem foi<br />
criado pela Associação de Farmácias de Portugal<br />
(AFP), o projeto seringas só no agulhão. Neste<br />
projeto, as farmácias dispõem de um contentor, o<br />
agulhão, onde os cidadãos podem deixar as suas<br />
seringas usadas. “O projeto <strong>é</strong> desenvolvido em<br />
parceria com a empresa especializada na gestão<br />
de resíduos hospitalares, Stericycle, que faz a recolha<br />
dos contentores e o tratamento dos resíduos,<br />
respondendo assim à falta de soluções seguras<br />
e ecológicas para recolha de seringas usadas”, explica<br />
a linha da reciclagem. Claro, que os custos<br />
são um dos entraves, por<strong>é</strong>m o Governo pode<br />
passar a fatura para quem produz, como sucede<br />
com outros tipos de resíduos perigosos.<br />
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023
50<br />
\\ TÊXTIL \\<br />
DESPIR O<br />
PLANETA<br />
A NÍVEL EUROPEU, O SETOR TÊXTIL É O 4.º COM MAIOR IMPACTO<br />
NO AMBIENTE E NAS ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS, MAS ESTÁ A MUDAR<br />
\\ Por Teresa Cotrim<br />
“A<br />
moda <strong>é</strong> uma indústria vibrante que emprega<br />
centenas de milhões de pessoas, gera receitas<br />
significativas e toca quase todos e em quase todos<br />
os lugares”, lê-se no estudo A New Textiles<br />
Economy: Redesigning fashions future, elaborado<br />
pela Ellen Macarthur Foundation, em parceria com a H&M,<br />
a Nike e a Fundação C&A. Por<strong>é</strong>m, na última d<strong>é</strong>cada, a moda transformou-se<br />
numa indústria globalizada. “As peças são pensadas num<br />
país, confecionadas noutro e vendidas para todo o mundo”. O consumo<br />
disparou, mas as roupas passaram a ser consideradas descartáveis.<br />
Conforme revela o site “Onde Reciclar”, “todos os a<strong>nos</strong>, em<br />
m<strong>é</strong>dia, cada europeu consome 26 quilos de têxteis, dos quais 11 são<br />
eliminados após serem usados apenas sete ou oito vezes. Quando<br />
estes são descartados, na Europa, 87% são incinerados ou acabam<br />
em aterros. Apenas 10% permanece no mercado como usado”.<br />
Elsa Agante, team leader da área de sustentabilidade e energia da<br />
DECO PROTESTE, acrescenta que, em 2020, foram utilizadas<br />
175 milhões de toneladas de mat<strong>é</strong>rias-primas para produzir roupa,<br />
sapatos e têxteis para a casa. Segundo a Comissão Económica das<br />
Nações Unidas, 40% das roupas que temos <strong>nos</strong> armários não são<br />
usadas e a Agência Portuguesa<br />
do Ambiente (APA) revela<br />
que, só em Portugal, são deitadas<br />
fora 200 mil toneladas de roupa por<br />
ano, que acabam em aterros ou vão para<br />
incineração. Este valor representa cerca de<br />
4,65% de todos os resíduos produzidos, ou seja,<br />
cerca de cinco milhões de toneladas.<br />
INDÚSTRIA TÊXTIL DEPENDE DE<br />
RECURSOS NÃO RENOVÁVEIS<br />
O estudo da Macarthur Foundation revela ainda que a indústria<br />
têxtil depende sobretudo de recursos não renováveis (98 milhões<br />
de toneladas, por ano), incluindo petróleo para produzir fibras<br />
sint<strong>é</strong>ticas, fertilizantes para cultivar algodão e químicos para produzir,<br />
tingir e finalizar fibras e têxteis. A estes factos, acrescenta-se<br />
os 93 mil milhões de metros cúbicos de água usados pela produção<br />
têxtil, o facto dos resíduos industriais e tintas usadas poderem<br />
poluir rios ou contaminarem cursos de água e a libertação<br />
de microfibras de plásticos das roupas, que são posteriormente<br />
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023
\\ TÊXTIL \\<br />
51<br />
“<br />
A reciclagem<br />
apresenta uma<br />
nova chance para a<br />
indústria da moda<br />
reaver mais de 100<br />
mil milhões de<br />
dólares em materiais<br />
desperdiçados pelo<br />
sistema todos os a<strong>nos</strong><br />
IMPACTO AMBIENTAL<br />
DOS MATERIAIS TÊXTEIS<br />
DURANTE O CICLO DE VIDA<br />
A Deco levou a cabo um estudo para testar o<br />
impacto ambiental — ao longo de todo o seu ciclo<br />
de vida — de vários materiais têxteis (camisolas e<br />
calças).<br />
Que fases do ciclo de vida das camisolas têm<br />
maior impacto ambiental? Primeiro a produção,<br />
depois a utilização.<br />
FONTE: Estudo Proteste, Deco<br />
64%<br />
Produção<br />
33%<br />
Utilização<br />
3%<br />
Distribuição<br />
ingeridas pelos peixes <strong>nos</strong> ocea<strong>nos</strong>. Já pensou que<br />
pode estar a comer uma parte das suas calças?<br />
Ou t-shirt? Mas os consumidores podem ajudar.<br />
Segundo um artigo da Zero, Associação Sistema<br />
Terrestre Sustentável, “se estendermos nove meses<br />
à vida das roupas, reduzimos a pegada de carbono,<br />
água e resíduos entre 20% a 30%.”<br />
Face à gravidade do problema, a União Europeia<br />
sinalizou o setor têxtil como prioritário e<br />
assinalou a urgência de uma mudança de estrat<strong>é</strong>gia<br />
e adoção de têxteis mais sustentáveis e circulares.<br />
Para Elsa Agante, tudo pode mudar quando<br />
for criada uma entidade gestora para o setor<br />
têxtil, tal como existe para as embalagens com um<br />
ecovalor associado. Segundo a Diretiva <strong>Resíduos</strong>,<br />
a partir de 1 de janeiro de 2025, a recolha seletiva<br />
de têxteis passará a ser obrigatória em todos<br />
os países da UE. As marcas produtoras vão ter de<br />
investir na durabilidade, reutilização, reparabilidade,<br />
não toxicidade e redução da libertação de<br />
microfibras, sendo fortemente penalizado quem<br />
insistir no modelo linear atual.<br />
O relatório da Macarthur Foundation refere, por<br />
isso, uma janela de oportunidade, concluindo “que<br />
a reciclagem apresenta uma nova chance para a<br />
indústria da moda reaver mais de 100 mil milhões<br />
de dólares em materiais desperdiçados pelo sistema<br />
todos os a<strong>nos</strong>”. A Fundação defende um novo<br />
modelo para o setor, assente <strong>nos</strong> pilares da economia<br />
circular, onde as roupas entram de novo na<br />
economia, após o seu uso, passando a ser vistas<br />
como mat<strong>é</strong>ria-prima e não desperdício.<br />
PEQUENOS GESTOS PODEM MELHORAR O<br />
DESEMPENHO AMBIENTAL<br />
Mas cada um de nós tem de fazer o seu papel.<br />
Decerto já viu espalhados pela cidade os contentores<br />
de roupa e sapatos. São de várias cores:<br />
amarelos, verde-escuro, brancos, azul-claro e verde-alface.<br />
Pois <strong>é</strong> aí que tem de colocar o que já não<br />
usa. O estudo da Proteste diz que com este gesto<br />
melhora em 11% o desempenho ambiental. Nos<br />
centros comerciais, há lojas com programas de recolha<br />
de têxteis, como <strong>é</strong> o caso da C&A, atrav<strong>é</strong>s<br />
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023
52<br />
\\ TÊXTIL \\<br />
QUANTO TEMPO TEM DE SER USADO<br />
PARA COMPENSAR O DANO AMBIENTAL?<br />
Elsa Agante,<br />
Team Leader da área da<br />
sustentabilidade da<br />
DECO PROTESTE<br />
do projeto we take it back, que aceita malas,<br />
cintos, têxteis dom<strong>é</strong>sticos e roupa. A Zara instalou<br />
contentores em algumas lojas, onde recolhe<br />
roupa, calçado e acessórios, prometendo<br />
dar-lhes outra vida. A H&M criou o programa<br />
de recolha de têxteis para transformar roupas<br />
velhas em pa<strong>nos</strong> de limpeza ou em fibra, que<br />
darão origem a novos produtos. As peças podem<br />
tamb<strong>é</strong>m transformar-se em materiais de<br />
isolamento ou amortecimento para a indústria<br />
automóvel. Esta marca lançou ainda, em Estocolmo,<br />
um programa de aluguer de roupa com<br />
peças da sua coleção Conscious Exclusive.<br />
O Grupo Auchan criou em algumas lojas o<br />
espaço ReUse— uma parceria que fez com a<br />
MyCloma, uma plataforma online de venda<br />
de roupa em segunda mão. Já a Sonae MC, em<br />
- 6 meses - Nylon 100% reciclado<br />
0 meses - Nylon<br />
+ 3 meses - Poli<strong>é</strong>ster 100% reciclado<br />
+ 5 meses - Elastano<br />
+ 8 meses - Vinil<br />
+ 9 meses - Poli<strong>é</strong>ster<br />
+ 10 meses - Couro Sint<strong>é</strong>tico<br />
+ 1 ano e 5 meses - Cânhamo<br />
+ 1 ano e 8 meses - Viscose<br />
+ 1 ano e 9 meses - Linho<br />
+ 2 a<strong>nos</strong> e 1 mês - Algodão biológico & Ganga Biológica<br />
+ 3 a<strong>nos</strong> e 10 meses - Algodão & Ganga<br />
+ 10 a<strong>nos</strong> e 3 meses - Lã<br />
“<br />
Todos os a<strong>nos</strong>, em<br />
m<strong>é</strong>dia, cada europeu<br />
consome 26 quilos de<br />
têxteis, dos quais 11<br />
são eliminados após<br />
serem usados apenas<br />
sete ou oito vezes. 87%<br />
são incinerados ou<br />
acabam em aterros.<br />
+ 14 a<strong>nos</strong> e 10 meses - Seda<br />
+ 23 a<strong>nos</strong> e 9 meses - Couro<br />
FONTE: Estudo Proteste, Deco<br />
parceria com a Retry lançou o projeto ReStyle,<br />
em outubro de 2022, e está a expandir o<br />
conceito.<br />
Há tamb<strong>é</strong>m várias plataformas online onde<br />
pode vender a sua roupa, tais como a Vinted,<br />
a Micolet, a MyCloma, a reCloset, a Retry, a<br />
Wallapop, a Roupeiro ou a OLX. Pode ainda<br />
encontrar várias lojas físicas onde pode vender<br />
a sua roupa, como as lojas Escolhido a<br />
Dedo, Loja Baú, A outra face da Lua, Quartier<br />
Latin, 4 R`S, Paradoxo, Heartcore, Já, Mon<br />
Père Vintage, Wild at Heart, Kid to Kid e Dar<br />
e Vender. Ofertas e soluções não faltam!<br />
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023
ASSINE JÁ<br />
assinaturas.greensavers.pt<br />
1 ano<br />
assinatura digital<br />
€9,00<br />
versão em papel<br />
€13,90<br />
2 a<strong>nos</strong><br />
assinatura digital<br />
€17,10<br />
versão em papel<br />
€26,60<br />
NÃO PERCA<br />
NENHUMA EDIÇÃO DA<br />
GREEN SAVERS<br />
Das empresas aos cidadãos, acompanhamos o<br />
impacto das <strong>nos</strong>sas ações para o Planeta.<br />
Analisamos a sustentabilidade em<br />
todas as vertentes, apresentando<br />
uma visão global do país e do mundo.
54<br />
\\ FÓRUM DE LIDERES \\<br />
1<br />
2<br />
FÓRUM DE LÍDERES<br />
De que forma a sua empresa/entidade<br />
está comprometida com as melhores<br />
práticas sustentáveis?<br />
Como perspetiva o futuro do setor da gestão<br />
de resíduos em Portugal?<br />
Implementar a economia circular <strong>é</strong> dos maiores desafios ambientais do País. No ranking europeu,<br />
Portugal aparece como o quarto pior, com uma taxa de circularidade de apenas 2,5%<br />
e, segundo a avaliação realizada pela Agência Europeia do Ambiente, a maioria dos Estados-Membros<br />
está em risco de não atingir as metas de reciclagem de resíduos urba<strong>nos</strong> e de<br />
resíduos de embalagens.<br />
Os pla<strong>nos</strong> sobre a produção de resíduos urba<strong>nos</strong> e reciclagem, publicados este ano em Diário da<br />
República, pretendem prevenir, at<strong>é</strong> 2030, a produção de resíduos ao nível da quantidade e da perigosidade<br />
e aumentar a reutilização da reciclagem.<br />
O Plano Estrat<strong>é</strong>gico para os <strong>Resíduos</strong> Urba<strong>nos</strong> para 2030 (PERSU2030) irá dar continuidade à aplicação<br />
da política nacional de resíduos, orientando os agentes envolvidos para a implementação de<br />
ações que permitam ao país estar alinhado com as políticas e orientações comunitárias, contribuir<br />
para o aumento da prevenção, reciclagem e outras formas de valorização dos resíduos urba<strong>nos</strong>, com a<br />
consequente redução de consumo de mat<strong>é</strong>rias-primas naturais de recurso limitado.<br />
Este plano irá focar-se na prevenção da produção de resíduos e na recolha seletiva, tendo particular<br />
atenção às novas frações: resíduos têxteis, resíduos perigosos e biorresíduos. Será ainda dada relevância<br />
à promoção do uso dos materiais provenientes de resíduos (combustível derivado de resíduos,<br />
composto, recicláveis recuperados, biogás e cinzas/escórias).<br />
Neste Fórum de Líderes, as principais instituições do setor no <strong>nos</strong>so país revelam de que forma estão<br />
comprometidas com estes desígnios e explicam a sua visão sobre o futuro.<br />
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023
\\ FÓRUM DE LIDERES \\<br />
55<br />
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023
56<br />
\\ FÓRUM DE LIDERES \\<br />
1 1<br />
JOSÉ MANUEL RIBEIRO<br />
Presidente do Conselho<br />
de Administração, LIPOR<br />
SUSANA SANTOS<br />
Diretora de Comunicação, Relações<br />
Institucionais e Sustentabilidade, ECI<br />
1<br />
Na LIPOR, adotamos o conceito da Sustentabilidade como a âncora da<br />
<strong>nos</strong>sa Estrat<strong>é</strong>gia de Negócio. Acreditamos firmemente que ao fazê-lo<br />
atrav<strong>é</strong>s da Sustentabilidade, estamos a criar mais valor e a gerar maior<br />
impacto na Comunidade e, simultaneamente, permitir-<strong>nos</strong> ser mais relevantes<br />
e competitivos.<br />
É na Agenda de Sustentabilidade da LIPOR que refletimos a <strong>nos</strong>sa dinâmica<br />
e corporizamos a resposta a grandes desafios do <strong>nos</strong>so negócio,<br />
incorporando crit<strong>é</strong>rios ESG. Nela configuramos os temas materiais da<br />
<strong>nos</strong>sa Organização, contando com o contributo das <strong>nos</strong>sas Partes Interessadas,<br />
e na qual ainda associamos o <strong>nos</strong>so alinhamento com os Objetivos<br />
de Desenvolvimento Sustentável (ODS). É atrav<strong>é</strong>s desta abordagem<br />
à Sustentabilidade, que robustecemos as <strong>nos</strong>sas políticas sociais,<br />
ambientais e compromissos de governance, sempre com a responsabilidade<br />
que <strong>nos</strong> compete e a transparência que <strong>nos</strong> caracteriza, rumo à<br />
concretização do <strong>nos</strong>so propósito de “Todos os dias construirmos um<br />
mundo melhor”.<br />
2<br />
O setor dos resíduos em Portugal, enfrenta enormes desafios e uma necessidade<br />
de definitivamente encarar o resíduo como um recurso, aproveitando,<br />
assim, todas as oportunidades que esta “visão” pode alavancar.<br />
O atual modelo, construído em finais do s<strong>é</strong>culo passado e “ajustado” ao<br />
longo dos últimos 20 a<strong>nos</strong>, precisa de se reinventar, at<strong>é</strong> pelos indicadores<br />
que apresenta, baixas taxas de reciclagem e de valorização orgânica,<br />
e cerca de 55% de resíduos depositados em Aterro. Será importante<br />
revermos todo o planeamento e se as opções estrat<strong>é</strong>gicas que foram<br />
definidas pelos Gover<strong>nos</strong> e que os Sistemas de Gestão de <strong>Resíduos</strong> e<br />
as Câmaras Municipais foram chamados a executar, e verificarmos se<br />
tiveram m<strong>é</strong>rito ou se ocorreram erros que seria bom não se repetirem.<br />
1<br />
A Sustentabilidade ocupa um lugar central na <strong>nos</strong>sa<br />
estrat<strong>é</strong>gia empresarial e, por conseguinte, no Plano<br />
Diretor de Sustentabilidade e Responsabilidade Social<br />
Corporativa 2021-2025, aprovado pelo Conselho de<br />
Administração do Grupo, que tem como referência o<br />
European Green Deal.<br />
Neste contexto, como empresa responsável, o El Corte<br />
Ingl<strong>é</strong>s tem vindo a trabalhar para implementar nas<br />
suas operações e relação com todos os stakeholders as<br />
melhores práticas em mat<strong>é</strong>ria social, ambiental e de<br />
boa governação (ESG).<br />
Para isso, levamos a cabo várias ações alinhadas com a<br />
Agenda 2030 da Nações Unidas, que pretendem contribuir<br />
para todos os Objetivos de Desenvolvimento<br />
Sustentável (ODS), e que apresentam 5 linhas ação:<br />
produção e consumos sustentável; digitalização verde;<br />
ação para o clima; cultura empresarial; boa governança.<br />
2<br />
No atual contexto das alterações climáticas, e dos seus<br />
impactos, <strong>é</strong> necessário garantir o compromisso de todos<br />
na alteração das práticas empresariais e dos consumidores<br />
em geral na produção e gestão dos resíduos.<br />
O princípio de precaução recomenda que <strong>nos</strong> empenhemos<br />
profundamente nas alterações de comportamentos<br />
das populações, na criação de uma Economia<br />
mais circular, e no aumento da capacidade de valorização<br />
energ<strong>é</strong>tica dos resíduos.<br />
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023
\\ FÓRUM DE LIDERES \\<br />
57<br />
3<br />
ANA TRIGO MORAIS<br />
CEO, Sociedade Ponto Verde<br />
1<br />
MANUEL SIMÕES<br />
Diretor Geral, ECODEAL<br />
1<br />
A Sociedade Ponto Verde nasceu há quase três d<strong>é</strong>cadas com a ambição de pôr Portugal<br />
a reciclar e, portanto, o <strong>nos</strong>so compromisso com as melhores práticas em mat<strong>é</strong>ria de<br />
Sustentabilidade e de promoção da economia circular em Portugal, mant<strong>é</strong>m-se desde<br />
então.<br />
Criámos um sistema de gestão de resíduos de embalagens que funciona e hoje 70% dos<br />
lares portugueses já coloca as suas embalagens <strong>nos</strong> ecopontos. Mas <strong>é</strong> preciso mais para<br />
que o país esteja mobilizado para conseguir cumprir, globalmente, com as metas de<br />
reciclagem.<br />
É com total empenho e uma postura de colaboração, que trabalhamos com os <strong>nos</strong>sos<br />
clientes, apoiando a investigação e na aplicação das ferramentas de ecodesign às embalagens;<br />
que propomos soluções globais para melhorar o serviço que <strong>é</strong> prestado ao cidadão<br />
– desde a digitalização a sistemas PAYT; que apelamos a uma maior transparência<br />
de todo o processo; e investimos em campanhas de comunicação para maior literacia<br />
Ambiental.<br />
2<br />
Gostava de ver um setor cada vez mais moderno, inovador e tecnológico, que se transformasse<br />
num caso de estudo para outros países, pelos bons exemplos e pelo cumprimento<br />
das metas da reciclagem, mas ao dia de hoje antevejo o futuro com alguma apreensão.<br />
A reciclagem <strong>é</strong> muito mais do que colocar os resíduos de embalagens <strong>nos</strong> ecopontos -<br />
onde estamos globalmente bem -, e a atual avaliação aos fluxos específicos de resíduos<br />
urba<strong>nos</strong> mostra que já devia existir um sentido de urgência no país muito maior.<br />
Neste sentido, face a todos os compromissos que o país tem nesta mat<strong>é</strong>ria, <strong>é</strong> determinante<br />
conseguir executar os pla<strong>nos</strong> estrat<strong>é</strong>gicos, como o PERSU 2030, atrav<strong>é</strong>s do uso<br />
de mais meios e recursos, e de mais capacidade de investimento.<br />
O desejável seria conseguirmos converter o setor dos resíduos num setor de recursos,<br />
conseguindo, dessa forma, promover o desenvolvimento económico, social e ambiental.<br />
1<br />
A ECODEAL está comprometida nas suas instalações<br />
industriais com as melhore tecnologias/práticas<br />
disponíveis/sustentáveis. Ente elas<br />
podemos enumerar o aproveitamento da Água<br />
para utilização como água de processo, a Reutilização<br />
de embalagens após descontaminação/<br />
lavagem, foi substituída a iluminação existente<br />
por iluminação mais eficiente e procedeu-se à<br />
Instalação de pain<strong>é</strong>is fotovoltaicos.<br />
2<br />
A Ecodeal defende que a gestão de resíduos deve<br />
ter em conta que o resíduo pode ser um recurso<br />
fazer parte de um circuito de economia circular,<br />
sendo que para isso cada vez mais <strong>é</strong> necessário<br />
segregar na origem e tratar separadamente os<br />
diferentes tipos de resíduos procurando as melhores<br />
soluções entre os seus clientes e parceiros.<br />
Só uma solução personalizada e dedicada em<br />
cada cliente permitirá o sucesso desta missão.<br />
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023
58 \\ FÓRUM DE LIDERES \\<br />
1 1<br />
EMÍDIO PINHEIRO<br />
Presidente do Conselho<br />
de Administração, EGF<br />
PAULO PRAÇA<br />
Presidente da Direção, ESGRA<br />
1<br />
A EGF orgulha-se de ter compromissos de sustentabilidade no seu ADN,<br />
faz parte da <strong>nos</strong>sa atividade, porque a EGF existe para garantir mais qualidade<br />
de vida aos cidadãos, assegurando um serviço público essencial que<br />
valoriza o ambiente, a comunidade e os seus trabalhadores, atrav<strong>é</strong>s da<br />
valorização dos resíduos e dos recursos que são de todos nós.<br />
Mas porque <strong>é</strong> quando se concretiza que se tornam visíveis as boas práticas,<br />
dou alguns exemplos concretos: o investimento muito substancial<br />
em novas instalações de valorização de resíduos ou em modernização<br />
de instalações existentes; a implementação de pla<strong>nos</strong> de racionalização<br />
e maximização da produção de energia a partir de fontes renováveis; a<br />
otimização da reutilização da água residual; o trabalho muito relevante<br />
de educação e sensibilização ambiental desenvolvido junto das comunidades;<br />
a implementação de códigos de <strong>é</strong>tica e conduta empresarial<br />
transversais a todo o Grupo. São apenas 5 exemplos de um grande conjunto<br />
de iniciativas que dão forma a relevância à atividade da EGF – a<br />
empresa líder e de referência no tratamento e valorização de resíduos<br />
em Portugal.<br />
2<br />
Será com certeza um futuro desafiante para o qual <strong>é</strong> preciso ambição,<br />
coragem e capacidade de concretização. Deveremos começar por mudar<br />
a vossa pergunta – o futuro da gestão de recursos em Portugal, e não o<br />
futuro da gestão de resíduos. Mudemos o paradigma e encontramos soluções<br />
para gerir recursos, com o foco na economia circular e na implementação<br />
de soluções sustentáveis para o país. A EGF está empenhada<br />
em concretizar soluções inovadoras e sustentáveis que permitam uma<br />
maior qualidade de vida para os cidadãos, com espírito de cooperação<br />
e de unidade com todas as partes interessadas. Acreditamos que <strong>é</strong> com<br />
objetivos coletivos e em equipa que se alcançam as maiores realizações.<br />
1<br />
Na medida em que a missão da ESGRA visa a promoção dos interesses<br />
dos seus associados no âmbito da gestão e tratamento de resíduos urba<strong>nos</strong><br />
de modo a contribuir para o desenvolvimento sustentável do País<br />
numa economia circular, toda a sua atividade encontra-se vocacionada<br />
para promover as melhores práticas sustentáveis atrav<strong>é</strong>s do acompanhamento<br />
permanente e atento do desenvolvimento das políticas públicas,<br />
quer a nível nacional quer comunitário, bem como da evolução tecnologia<br />
e da inovação em mat<strong>é</strong>ria de gestão de resíduos.<br />
Enquanto Associação consideramos fundamental alocar todos os meios<br />
ao <strong>nos</strong>so dispor para acompanhar a evolução das políticas que regem este<br />
setor e não só, bem como os avanços da tecnologia e inovação de modo a<br />
contribuir para a sua disseminação, fundamentalmente, junto dos <strong>nos</strong>sos<br />
Associados, com o propósito de constituir uma mais valia para a sua atualização<br />
permanente do que sejam as melhores práticas ao nível dos processos<br />
produtivos e avanço tecnológico que permitam o desenvolvimento<br />
da sua atividade com o melhor custo benefício em termos ambientais e<br />
de valorização de recursos.<br />
2<br />
Neste momento, esperamos sobretudo que setor tenha futuro necessariamente<br />
melhor que o presente que se apresenta muito difícil e exigente.<br />
Com efeito, o setor da gestão de resíduos urba<strong>nos</strong> em Portugal enfrenta<br />
atualmente muitos desafios e objetivos obrigatórios muito exigentes que<br />
se afiguram de difícil concretização caso não sejam adotadas as políticas<br />
adequadas para os alcançar, o que exige a alocação efetiva e em tempo<br />
útil de meios, não só financeiros, mas tamb<strong>é</strong>m de recursos mobilizadores<br />
para a mudança de paradigma, do lugar e da importância que o tema dos<br />
resíduos ocupa, neste momento, quer ao nível das políticas públicas quer<br />
da sociedade em geral.<br />
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023
\\ FÓRUM DE LIDERES \\<br />
59<br />
1 1<br />
FILIPE MANUEL VENTURA ARAÚJO<br />
Presidente do Conselho de Administração,<br />
Porto Ambiente<br />
PEDRO NAZARETH<br />
CEO, Electrão<br />
1<br />
Enquanto responsáveis pela gestão do Pacto<br />
do Porto para o Clima, que visa alcançar a<br />
neutralidade carbónica na cidade at<strong>é</strong> 2030, o<br />
<strong>nos</strong>so compromisso com a sustentabilidade <strong>é</strong><br />
diário e reflete-se na operação e no envolvimento<br />
da comunidade. Exemplos disso são o<br />
enfoque na recolha seletiva de biorresíduos,<br />
no uso de água reutilizada na lavagem do<br />
espaço público, na descarbonização e renovação<br />
da frota de recolha e de varredura, na<br />
criação de equipas de sensibilização ambiental<br />
dedicadas, ao dispor dos comerciantes e<br />
dos munícipes em geral e, não me<strong>nos</strong> importante,<br />
na criação de um programa para<br />
crianças e jovens, focado na redução, reutilização<br />
e reciclagem.<br />
2<br />
Este <strong>é</strong> um setor em constante mudança e<br />
com desafios que irão intensificar-se <strong>nos</strong><br />
próximos a<strong>nos</strong>, decorrentes do crescimento<br />
da atividade económica, da maior exigência<br />
das populações e das novas metas plasmadas<br />
nas orientações estrat<strong>é</strong>gicas para esta<br />
atividade.<br />
O caminho exige o envolvimento de todos<br />
num percurso que deverá aliar inovação, informação<br />
e sensibilização a uma permanente<br />
capacidade de adaptação e reinvenção.<br />
1<br />
A promoção de práticas sustentáveis, particularmente na dimensão ambiental, <strong>é</strong> o principal foco<br />
do sector da gestão de resíduos. Esta área <strong>é</strong> decisiva para o esforço de cumprimento de vários dos<br />
Objectivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 das Nações Unidas, nomeadamente<br />
“Cidades e Comunidades Sustentáveis” (ODS 11), “Produção e Consumo Sustentáveis” (ODS12) e<br />
“Proteger a Vida Marinha” (ODS14).<br />
Reciclar e tratar resíduos permite preservar recursos materiais ao evitar o consumo de mat<strong>é</strong>rias-primas<br />
virgens. Ao mesmo tempo a actividade deste sector acautela a protecção da saúde pública e do<br />
ambiente ao garantir o tratamento adequado de algumas mat<strong>é</strong>rias poluentes presentes <strong>nos</strong> produtos<br />
que consumimos.<br />
A reciclagem representa hoje tamb<strong>é</strong>m uma estrat<strong>é</strong>gia de reforço da soberania europeia e da autosuficiência<br />
das cadeias de valor pelo contributo que pode dar ao nível da recuperação de determinadas<br />
mat<strong>é</strong>rias-primas críticas, indispensáveis na produção das tecnologias da transição energ<strong>é</strong>tica.<br />
Tornar a economia mais circular, seja por extensão do tempo de vida dos produtos, seja por tornar<br />
os sistemas de reciclagem mais eficientes, significa tamb<strong>é</strong>m um contributo expressivo à mais urgente<br />
e central questão ambiental: a mitigação climática.<br />
2<br />
A gestão de resíduos em Portugal tem que caminhar no sentido de uma colaboração cada vez mais<br />
estreita entre os vários intervenientes que participam nas cadeias de valor. Isto aplica-se a todos os<br />
fluxos de resíduos, mas tem particular peso nas tipologias que o Electrão gere - embalagens, pilhas<br />
e equipamentos el<strong>é</strong>ctricos usados. Há um papel de destaque reservado ao consumidor, mas a responsabilidade<br />
tamb<strong>é</strong>m está do lado das empresas, operadores de gestão de resíduos, municípios,<br />
retalhistas, empresas de instalação e manutenção e as entidades fiscalizadoras.<br />
O esforço de reciclagem, reutilização e consciencialização para o uso moderado dos recursos tem<br />
que acontecer não só porque as metas europeias assim o ditam, mas como forma de mitigar as alterações<br />
climáticas. O produto final será sempre o resultado da actuação deste conjunto de actores.<br />
A gestão de resíduos do futuro terá, necessariamente, que ser cada vez mais eficiente, aproveitando<br />
com inteligência todas as sinergias e favorecendo o reaproveitamento de recursos numa economia<br />
cada mais circular.<br />
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023
60 \\ FÓRUM DE LIDERES \\<br />
1<br />
MARIANA PEREIRA DA SILVA<br />
Diretora de Sustentabilidade, MC<br />
11<br />
CLIMÉNIA SILVA<br />
Diretora-Geral, Valorpneu<br />
1<br />
Enquanto retalhista líder, presente em todo o território nacional, com<br />
impacto na vida das comunidades em que <strong>nos</strong> inserimos e das famílias<br />
que visitam regularmente as <strong>nos</strong>sas lojas, sabemos que <strong>é</strong> <strong>nos</strong>so dever encontrar<br />
e implementar programas que procurem minimizar o impacto<br />
da <strong>nos</strong>sa atividade, bem como iniciativas que contribuam para transformação<br />
da <strong>nos</strong>sa cadeia de valor - atuando como catalisador, alinhando a<br />
cadeia de abastecimento em torno das dimensões materiais e das melhores<br />
práticas, promovendo maior transparência e potenciando comportamentos<br />
mais sustentáveis, junto do consumidor. Com este posicionamento<br />
temos a ambição de democratizar, progressivamente, o acesso a uma<br />
cesta mais saudável e sustentável, focando a <strong>nos</strong>sa ação em 4 áreas: Ação<br />
Climática, Circularidade, Produção sustentável e Oferta Responsável.<br />
Sabemos que temos ainda um longo caminho pela frente, mas tamb<strong>é</strong>m<br />
sabemos que a cada novo dia temos novas oportunidades para transformarmos<br />
o <strong>nos</strong>so propósito, a <strong>nos</strong>sa ambição em ações concretas e em impacto<br />
positivo.<br />
2<br />
Nos próximos a<strong>nos</strong>, para fazer face aos ambiciosos objetivos e metas definidas<br />
para o sector dos resíduos em Portugal, num quadro de crescente<br />
circularidade e descarbonização da economia, teremos de revisitar a forma<br />
como a gestão de resíduos <strong>é</strong> assegurada ao longo de toda a cadeia de<br />
valor, dando lugar à criação de um ecossistema verdadeiramente circular,<br />
fortemente ancorado na ciência, na inovação e na tecnologia. Apenas<br />
com um esforço concertado entre todas as partes interessadas será possível<br />
endereçar de forma assertiva e consequente os muitos desafios que<br />
já hoje conhecemos. Uma articulação que permita apostar desde logo na<br />
redução da produção de resíduos, investir em sistemas e modelos de recolha<br />
e triagem mais eficazes e na sua subsequente reciclagem e valorização.<br />
1<br />
Em mais de 20 a<strong>nos</strong> de atividade, a Valorpneu tem demonstrado<br />
o seu empenho na prestação de um serviço de qualidade para fechar,<br />
de forma sustentável e equilibrada o ciclo de vida dos pneus,<br />
com o reforço e o desenvolvimento das operações vitais ao SGPU,<br />
nomeadamente prevenção, recolha, preparação para reutilização,<br />
reciclagem e valorização dos pneus usados. Continua assim<br />
a assumir o compromisso com os princípios orientadores do desenvolvimento<br />
sustentável, assentes na proteção do ambiente, na<br />
criação de valor e na qualificação de recursos huma<strong>nos</strong> no âmbito<br />
do SGPU, assim como na procura da melhoria contínua do desempenho<br />
do sistema integrado e dos seus parceiros. A Valorpneu<br />
tem realizado simultaneamente campanhas de sensibilização<br />
junto dos cidadãos para alertar para o correto uso dos pneus, de<br />
forma a prolongar o seu tempo de vida útil. Desta forma, as <strong>nos</strong>sas<br />
campanhas pretendem alertar os cidadãos para o impacto positivo<br />
que as práticas sustentáveis no seu dia- a- dia podem ter na economia<br />
circular.<br />
2<br />
A gestão de resíduos em Portugal tem vindo a lidar com constantes<br />
desafios e a Valorpneu fazendo parte do ecossistema, não<br />
<strong>é</strong> exceção. Por exemplo a proposta da Comissão Europeia sobre a<br />
proibição do granulado de borracha no enchimento dos campos de<br />
relva sint<strong>é</strong>tica que poderá resultar em impactos significativos na<br />
cadeia de tratamento. Em resposta a estes acontecimentos, a Valorpneu<br />
encontra-se a reinventar e a acompanhar todas as evoluções<br />
e tendências da sociedade por forma a continuar a contribuir para<br />
a economia circular no <strong>nos</strong>so país e a garantir a sustentabilidade<br />
do sistema integrado.<br />
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023
\\ FÓRUM DE LIDERES \\<br />
61<br />
1<br />
ANABELA BARROSO<br />
CEO, EC3R<br />
11<br />
TOMÁS JOAQUIM DE OLIVEIRA SERRA<br />
Presidente, AVALER<br />
1<br />
A EC3R tem desde o seu nascimento a preocupação em recuperar, tratar e dar um fim<br />
digno aos resíduos, no caso, os óleos alimentares usados que durante d<strong>é</strong>cadas foram<br />
descartados de forma indevida, tendo um impacto ambiental negativo, nomeadamente<br />
na contaminação dos ocea<strong>nos</strong>. Provavelmente todos já ouvimos a c<strong>é</strong>lebre frase “um litro<br />
de óleo usado contamina um milhão de litros de água”, mas <strong>é</strong> preciso passar das palavras<br />
às ações e fazer com que nenhum estabelecimento Horeca ou habitação descarte<br />
indevidamente este resíduo tão prejudicial ao ambiente. Este <strong>é</strong> o foco da <strong>nos</strong>sa empresa,<br />
queremos fazer cada vez mais, melhor e abranger mais território. Ainda no âmbito da<br />
<strong>nos</strong>sa responsabilidade ambiental, toda a <strong>nos</strong>sa frota de veículos utiliza um combustível<br />
mais ecológico (eco diesel) fornecido por um dos <strong>nos</strong>sos parceiros, que permite<br />
uma redução de 18% das emissões de gases com efeito de estufa. Em resumo diria que o<br />
<strong>nos</strong>so objetivo <strong>é</strong> poluir me<strong>nos</strong> e evitamos mais poluição.<br />
2<br />
Entendemos que toda a população está consciente que chegamos a um ponto sem retorno,<br />
<strong>é</strong> imperativo antes de mais reduzir a produção de resíduos, nomeadamente embalagens<br />
de uso único, e, sempre que seja inevitável a produção de um resíduo, devemos<br />
por todas as formas e tecnologias existentes proceder a sua reutilização.<br />
Temos hoje, a nível nacional, tecnologias muito avançadas, das quais destacamos o<br />
biodiesel, principal destino dos óleos alimentares usados que recolhemos diariamente,<br />
mas tamb<strong>é</strong>m o bioetanol e biogás, tecnologias que terão um peso muito relevante na<br />
redução da <strong>nos</strong>sa pegada ecológica, particularmente na reciclagem da mat<strong>é</strong>ria orgânica.<br />
No que diz respeito a <strong>nos</strong>sa área de atuação, esperamos que o futuro traga mais profissionalismo<br />
ao setor. Nesse sentido continuamos a investir em plataformas que <strong>nos</strong><br />
permitem saber exatamente onde o resíduo <strong>é</strong> gerado, convertido e garantir que toda a<br />
cadeia respeita os pressupostos necessários da atividade.<br />
Acreditamos num futuro mais verde e por isso temos uma política de sensibilização e<br />
educação ambiental focada nas gerações mais jovens.<br />
Reduzir, Reutilizar e Reciclar: mais que um lema, <strong>é</strong> a <strong>nos</strong>sa essência.<br />
1<br />
Desde a sua criação, a AVALER enquanto Associação<br />
que representa as entidades que em Portugal possuem<br />
sistemas integrados de gestão de <strong>Resíduos</strong> Sólidos Urba<strong>nos</strong>,<br />
incluindo valorização energ<strong>é</strong>tica, tem desenvolvido<br />
um vasto conjunto de atividades e iniciativas destinadas<br />
a contribuir para a melhoria contínua da atividade das<br />
suas Associadas atrav<strong>é</strong>s do estudo e implementação das<br />
melhores formas de tratamento dos resíduos sólidos urba<strong>nos</strong><br />
em termos de promoção e proteção do meio ambiente.<br />
2<br />
Portugal continua a depositar em aterro mais de 50% dos<br />
resíduos urba<strong>nos</strong> produzidos, com pesadas consequências<br />
tanto do ponto de vista de impacto ambiental como<br />
do esforço que terá que desenvolver para que em 2035<br />
cumpra a meta de deposição em aterro de apenas 10%<br />
da totalidade dos resíduos produzidos, as perspetivas não<br />
podem ser outras se não de preocupação.<br />
Portugal tem perdido muito tempo em resistir a aumentar<br />
a capacidade da valorização energ<strong>é</strong>tica de resíduos<br />
que poderia ter tido um papel muito maior no cumprimento<br />
das metas de desvio de aterro, à semelhança<br />
das melhores práticas europeias e mundiais, dada a sua<br />
fiabilidade enquanto solução tecnologicamente madura,<br />
eficiente e ambientalmente segura, com a dupla vertente<br />
de tratar de resíduos e produzir um bem de inestimável<br />
valor, a energia. a garantir a sustentabilidade do sistema<br />
integrado.<br />
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023
62<br />
\\ DIRETÓRIO \\<br />
DIRETÓRIO<br />
Rumo a uma<br />
economia circular<br />
Todos os a<strong>nos</strong> produzem-se 2,2 mil milhões de toneladas de lixo na União Europeia (UE).<br />
Em Portugal, são produzidos anualmente cerca de 5 milhões de toneladas de resíduos<br />
urba<strong>nos</strong>. A UE encontra-se atualmente a atualizar a sua legislação relativa à gestão de<br />
resíduos para promover a mudança de uma economia linear para uma economia circular. E o papel<br />
de todas as empresas <strong>é</strong> fulcral para esta transição.<br />
Na prática, a economia circular implica a redução do desperdício ou dos resíduos ao mínimo.<br />
Reutilizar e reciclar os produtos permite retardar o uso dos recursos naturais, reduzir a<br />
perturbação das paisagens e dos habitats e ajudar a limitar a perda de biodiversidade.<br />
As empresas portuguesas estão empenhadas em promover essa circularidade e, apesar de<br />
o país continuar a falhar as metas estabelecidas pela Comissão Europeia, há muitas empresas<br />
no bom caminho. Conheça alguns dos bons exemplos no diretório que lhe apresentamos<br />
neste suplemento.<br />
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023
\\ DIRETÓRIO \\<br />
63<br />
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023
64 \\ DIRETÓRIO \\<br />
BOARD<br />
APEMETA APOIA O SETOR EMPRESARIAL<br />
Carlo Igl<strong>é</strong>zias<br />
Presidente da Direção<br />
CONTACTOS<br />
Sede (Lisboa)<br />
Campo Grande, 294, 2.º Esq.º e Dt.º<br />
1700-097 Lisboa<br />
t. +351 217 506 000<br />
e. comunicacao.imagem@apemeta.pt<br />
AAPEMETA –Associação Portuguesa de<br />
Empresas de Tecnologias Ambientais, <strong>é</strong><br />
uma associação empresarial privada e sem<br />
fins lucrativos, fundada em 1989 e formalmente<br />
constituída em 1991, com o objetivo de apoiar a<br />
atividade empresarial do setor das tecnologias associadas<br />
à sustentabilidade e ambiente, divulgar e<br />
reforçar as suas competências.<br />
Com Estatuto de Entidade de Utilidade Pública<br />
desde 2006 e Organização Não Governamental<br />
de Ambiente, registada na APA – Agência<br />
Portuguesa do Ambiente a APEMETA aposta<br />
na contínua capacitação do setor atrav<strong>é</strong>s da<br />
formação, seminários e projetos nacionais de<br />
apoio a ações coletivas de qualificação, empreendedorismo<br />
e internacionalização colaborando<br />
em vários projetos internacionais financiados<br />
pela União Europeia.<br />
Atualmente conta com mais de 200 entidades<br />
associadas, atuando na defesa dos seus interesses<br />
e estimulando o seu desenvolvimento por via<br />
do incentivo à inovação, e ao estabelecimento de<br />
complementaridades e sinergias, com o objetivo<br />
de divulgar as suas competências, quer nacional,<br />
quer internacionalmente onde conta com uma<br />
rede de mais de 70 instituições parceiras, cobrindo<br />
sobretudo mercados consolidados na Europa e<br />
mercados emergentes na Europa, África, Am<strong>é</strong>rica<br />
do Sul e Central.<br />
A APEMETA tem o seu sistema de Gestão da<br />
Qualidade certificado segundo a Norma ISO<br />
9001:2015, sendo tamb<strong>é</strong>m uma entidade formadora<br />
certificada pela DGERT – Direção Geral do<br />
Emprego e das Relações de Trabalho.<br />
Delegação (Porto)<br />
Rua da Alegria n.º 1988, Sala 4<br />
4200-024 Porto<br />
t. +351 226 062 025<br />
e. geral.porto@apemeta.pt<br />
www.apemeta.pt<br />
www.ambienteportugal.pt<br />
www.facebook.com/APEMETA<br />
www.linkedin.com/company/apemeta/<br />
ÁREAS DE ATUAÇÃO<br />
/ Seminários, Workshops e Reuniões;<br />
/ Ações de formação;<br />
/ Informação especializada;<br />
/ Divulgação do Setor/Empresas;<br />
/ Apoio a projetos;<br />
/ Apoio t<strong>é</strong>cnico;<br />
/ Apoio Jurídico;<br />
/ Apoio à gestão;<br />
/ Apoio à Empregabilidade;<br />
/ Apoio à Internacionalização.<br />
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023
\\ DIRETÓRIO \\<br />
65<br />
BOARD<br />
ASSOCIAÇÃO DE ENTIDADES DE VALORIZAÇÃO<br />
DE RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS<br />
A<br />
AVALER - Associação de Entidades de Valorização<br />
Energ<strong>é</strong>tica de <strong>Resíduos</strong> Sólidos Urba<strong>nos</strong>,<br />
<strong>é</strong> uma Associação sem fins lucrativos,<br />
de âmbito nacional, que tem por missão a promoção<br />
da sustentabilidade na gestão de resíduos<br />
urba<strong>nos</strong> e o apoio às suas Associadas na prossecução<br />
desse objetivo, que vem desenvolvendo, desde<br />
a sua constituição, em 2005, relevantes atividades<br />
de interesse geral no âmbito da promoção e proteção<br />
do meio ambiente, atrav<strong>é</strong>s do estudo e implementação<br />
das melhores formas de tratamento<br />
dos resíduos sólidos urba<strong>nos</strong> por parte das entidades<br />
suas associadas e da comunidade em geral.<br />
Para o efeito, serve de plataforma para a troca de<br />
experiências e divulgação dos avanços científicos,<br />
t<strong>é</strong>cnicos e práticos da produção de energia a partir<br />
da incineração de resíduos urba<strong>nos</strong>.<br />
É compromisso da AVALER defender com frontalidade<br />
e transparência a sua visão estrat<strong>é</strong>gica<br />
para a gestão de resíduos urba<strong>nos</strong>, segundo a<br />
qual a reciclagem de qualidade e a valorização<br />
energ<strong>é</strong>tica são opções complementares que, em<br />
conjunto, contribuem para evitar a deposição de<br />
resíduos urba<strong>nos</strong> em aterro, na procura de uma<br />
maior sustentabilidade e circularidade na gestão<br />
de resíduos.<br />
A AVALER tem como associadas as empresas<br />
que em Portugal possuem sistemas integrados de<br />
gestão de resíduos urba<strong>nos</strong>, incluindo valorização<br />
energ<strong>é</strong>tica: a Valorsul - Valorização e Tratamento<br />
de <strong>Resíduos</strong> Sólidos das Regiões de Lisboa e do<br />
Oeste, S.A., responsável pelo tratamento e valorização<br />
dos resíduos urba<strong>nos</strong> produzidos em 19<br />
Municípios da Grande Lisboa e da Região Oeste;<br />
a LIPOR – Serviço Intermunicipalizado de Gestão<br />
de <strong>Resíduos</strong> do Grande Porto, responsável<br />
pela gestão, valorização e tratamento dos <strong>Resíduos</strong><br />
Urba<strong>nos</strong> produzidos em oito municípios<br />
do Grande Porto, a ARM - Águas e <strong>Resíduos</strong> da<br />
Madeira, S.A., responsável pela gestão de resíduos<br />
da Região Autónoma da Madeira e a TE-<br />
RAMB – Empresa Municipal de Gestão e Valorização<br />
Ambiental da Ilha Terceira, EM, que gere<br />
os resíduos urba<strong>nos</strong> da Ilha Terceira, na Região<br />
Autónoma dos Açores.<br />
ÁREA DE ATUAÇÃO<br />
/ Gestão e valorização energ<strong>é</strong>tica de resíduos<br />
urba<strong>nos</strong><br />
Tomás Joaquim de Oliveira Serra<br />
Presidente<br />
Valorsul<br />
Sónia Alexandra Valadão da Silva<br />
Vice-Presidente<br />
Teramb<br />
Amílcar Magalhães de Lima<br />
Gonçalves<br />
Vice-Presidente:<br />
ARM<br />
CONTACTOS<br />
Plataforma Ribeirinha da CP<br />
Est. Mercadorias da Bobadela<br />
2696-801 São João da Talha<br />
avaler@avaler.pt<br />
www.avaler.pt<br />
ÁGUA POTÁVEL<br />
E SANEAMENTO<br />
CIDADES E<br />
COMUNIDADES<br />
SUSTENTÁVEIS<br />
ACÇÃO<br />
CLIMÁTICA<br />
INDÚSTRIA,<br />
INOVAÇÃO E<br />
INFRAESTRUTURAS<br />
PRODUÇÃO<br />
E CONSUMO<br />
SUSTENTÁVEIS<br />
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023
66 \\ DIRETÓRIO \\<br />
BOARD<br />
A SUSTENTABILIDADE MUDA A CIDADE<br />
A<br />
Porto Ambiente <strong>é</strong>, desde 2017, responsável<br />
pela gestão de resíduos urba<strong>nos</strong> e limpeza do<br />
espaço público no Porto, contribuindo para a<br />
melhoria da qualidade de vida de todos os que residem,<br />
visitam, trabalham ou estudam na cidade.<br />
PACTO DO PORTO PARA O CLIMA<br />
Em 2022 a empresa assumiu a gestão do Pacto<br />
do Porto para o Clima, iniciativa que conta com<br />
o Alto Patrocínio da Presidência da República,<br />
convocando todos para o alcance da meta da neutralidade<br />
carbónica na cidade at<strong>é</strong> 2030.<br />
Atrav<strong>é</strong>s de uma s<strong>é</strong>rie de iniciativas que visam<br />
mobilizar todos os setores e forças vivas da cidade,<br />
mas tamb<strong>é</strong>m da sociedade civil, são já mais de<br />
200 subscritores das mais reputadas instituições<br />
e organizações empresariais da cidade e da região,<br />
de áreas como a academia, justiça, educação, telecomunicações,<br />
construção, indústria, ONGs, 3º.<br />
setor, desporto, ciência, saúde, cultura.<br />
MAIS CIRCULARIDADE<br />
Acreditamos que uma cidade mais sustentável <strong>é</strong><br />
uma cidade mais circular e, nesse domínio, lançamos,<br />
em 2021, o projeto pioneiro de recolha<br />
de orgânicos, que assenta na valorização destes<br />
resíduos em composto devolvido aos solos para<br />
enriquecimento dos mesmos. São já mais de 34<br />
mil famílias, que contribuíram para uma redução<br />
de 2500 toneladas de resíduos alimentares<br />
enviados para o indiferenciado, atrav<strong>é</strong>s da sua<br />
valorização em composto orgânico. At<strong>é</strong> ao final<br />
do ano prevê-se a cobertura global de toda a cidade,<br />
disponibilizando-se para o efeito mais de<br />
900 contentores.<br />
SENSIBILIZAÇÃO AMBIENTAL<br />
Em 2019 iniciamos um serviço pioneiro e ímpar de<br />
sensibilização ambiental, com equipas que atuam,<br />
diariamente, na prevenção, redução de produção e<br />
correta separação e deposição de resíduos, atrav<strong>é</strong>s<br />
de ações pedagógicas e formativas. Fornecer as ferramentas<br />
certas, apostar em relações de proximidade<br />
e disponibilizar informação e meios potencia<br />
a mudança de comportamentos e gera uma atividade<br />
económica mais sustentável na cidade.<br />
DESCARBONIZAÇÃO DA OPERAÇÃO<br />
Conscientes do <strong>nos</strong>so papel enquanto líder pelo<br />
exemplo no desafio da descarbonização, está em<br />
curso uma profunda mudança, atrav<strong>é</strong>s do investimento<br />
de cerca de 10 milhões de euros na aquisição<br />
de equipamentos e viaturas mais sustentáveis,<br />
usadas para as atividades diárias de limpeza<br />
urbana e recolha de resíduos.<br />
Passaremos a dispor de soluções, na sua maioria<br />
el<strong>é</strong>tricas, de suporte à atividade da limpeza do<br />
espaço público, nomeadamente equipamentos de<br />
varredura, para uma maior eficiência.<br />
No caso da recolha, o investimento visa a modernização<br />
da frota, privilegiando soluções mais sustentáveis,<br />
com veículos movidos a gás natural, bem<br />
como otimizar o serviço prestado aos munícipes.<br />
ÁREAS DE ATUAÇÃO<br />
/ Gestão de resíduos urba<strong>nos</strong><br />
/ Limpeza do espaço público, incluindo as<br />
atividades de limpeza de fachadas, varredura<br />
e lavagem de ruas e limpeza de praias.<br />
/ Fiscalização e sensibilização ambiental<br />
Filipe Manuel Ventura Camões de<br />
Almeida Araújo<br />
Presidente do Conselho de<br />
Administração<br />
Luís Andr<strong>é</strong> Fernandes Bragança<br />
de Assunção<br />
Vice-Presidente do Conselho<br />
de Administração<br />
Maria Helena de Amaral Arcos<br />
Vilasboas Tavares<br />
Vogal do Conselho de Administração<br />
CONTACTOS<br />
Empresa Municipal de<br />
Ambiente do Porto, E.M., S.A.<br />
Rua de S. Dinis, 249<br />
4250-434 Porto<br />
+351 228 348 770<br />
geral@portoambiente.pt<br />
www.portoambiente.pt<br />
ENERGIAS<br />
RENOVÁVEIS<br />
E ACESSÍVEIS<br />
CIDADES E<br />
COMUNIDADES<br />
SUSTENTÁVEIS<br />
ACÇÃO<br />
CLIMÁTICA<br />
TRABALHO DIGNO<br />
E CRESCIMENTO<br />
ECONÓMICO<br />
PRODUÇÃO<br />
E CONSUMO<br />
SUSTENTÁVEIS<br />
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023
\\ DIRETÓRIO \\<br />
67<br />
BOARD<br />
HÁ DUAS DÉCADAS A TRABALHAR<br />
PARA UM MUNDO MELHOR<br />
A<br />
Valorpneu <strong>é</strong> uma entidade privada, sem fins<br />
lucrativos, que tem por objetivo organizar e<br />
gerir o Sistema Integrado de Gestão de Pneus<br />
Usados (SGPU) em Portugal, assente na responsabilidade<br />
alargada dos produtores de pneus. No<br />
desenvolvimento da sua atividade a Valorpneu<br />
assume o compromisso com os princípios orientadores<br />
do desenvolvimento sustentável, assentes<br />
na proteção do ambiente, na criação de valor e<br />
na qualificação de recursos huma<strong>nos</strong> do sistema<br />
que gere. O cumprimento destes princípios, são<br />
essenciais para o <strong>nos</strong>so contributo para uma economia<br />
circular.<br />
A Valorpneu tem como missão principal:<br />
• Organizar e gerir a recolha, transporte e o<br />
encaminhamento para destino final adequado<br />
dos pneus usados que anualmente são gerados<br />
no território nacional;<br />
• Promover a investigação e o desenvolvimento<br />
de novos m<strong>é</strong>todos para o tratamento dos pneus<br />
usados e de novas aplicações;<br />
• Desenvolver ações de comunicação e sensibilização<br />
com vista a estimular alterações comportamentais<br />
motivadoras de práticas corretas<br />
relativamente aos pneus novos e usados e<br />
recetividade aos materiais resultantes da sua<br />
valorização.<br />
Na prossecução da sua missão, a Valorpneu envolve<br />
todos os colaboradores e operadores do<br />
SGPU, procurando melhorar continuamente<br />
o seu desempenho, nomeadamente na área da<br />
qualidade e ambiente, promovendo a melhoria<br />
do desempenho dos operadores da rede SGPU e<br />
assume, como um dos seus princípios de gestão, o<br />
compromisso na prestação de um serviço de qualidade<br />
de forma a garantir a conformidade com<br />
todas as suas obrigações.<br />
Em duas d<strong>é</strong>cadas de atividade em prol dos pneus<br />
usados, a Valorpneu tem demonstrado o seu empenho<br />
na prestação de um serviço de qualidade<br />
para fechar, de forma sustentável e equilibrada o<br />
ciclo de vida dos pneus, com o reforço e o desenvolvimento<br />
das operações vitais ao SGPU, nomeadamente<br />
prevenção, recolha, preparação para reutilização,<br />
reciclagem e valorização dos pneus usados.<br />
Queremos transmitir à comunidade a importância<br />
da reutilização destes resíduos atrav<strong>é</strong>s de<br />
diversas aplicações do granulado de borracha<br />
de pneus usados entre outras. Desde o início da<br />
<strong>nos</strong>sa atividade temos comunicado aos cidadãos<br />
a necessidade de adotarem práticas de prevenção<br />
no uso dos pneus no seu dia-a-dia como forma de<br />
aumentar o seu tempo de vida útil.<br />
Tudo, em prol de um ambiente melhor e da criação<br />
de novas vidas para os pneus!<br />
Clim<strong>é</strong>nia Silva<br />
Diretora-Geral<br />
CONTACTOS<br />
Av.ª Torre de Bel<strong>é</strong>m, 29<br />
1400-342 Lisboa<br />
+351 210 513 651<br />
valorpneu@valorpneu.pt<br />
www.valorpneu.pt<br />
linkedin.com/company/valorpneu/<br />
www.instagram.com/valorpneu/<br />
ÁREAS DE ATUAÇÃO<br />
/ Gestão de resíduos.<br />
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023
68 \\ DIRETÓRIO \\<br />
LISTAGEM<br />
UM PILAR NA GESTÃO<br />
DE FIM DE VIDA DOS PRODUTOS<br />
Electrão apoia modelos de negócio cada vez mais circulares e sustentáveis<br />
Mais de 1800 empresas confiam<br />
e transferem para o Electrão as<br />
responsabilidades pela gestão<br />
de fim de vida dos seus produtos.<br />
Esta <strong>é</strong> uma responsabilidade das<br />
empresas que colocam produtos no<br />
mercado, cada vez mais presente<br />
<strong>nos</strong> diferentes sectores de actividade<br />
económica, mas que <strong>é</strong> normalmente<br />
transferida para as entidades gestoras<br />
dos sistemas de reciclagem, como<br />
o Electrão, que asseguram a operação<br />
e financiamento destes sistemas.<br />
O Electrão gere atualmente três sistemas<br />
de reciclagem: embalagens,<br />
pilhas e equipamentos el<strong>é</strong>ctricos<br />
usados e beneficia já de quase duas<br />
d<strong>é</strong>cadas de experiência de concepção,<br />
implementação e gestão destes<br />
sistemas, o que permite potenciar<br />
economias de escala e conferir maior<br />
eficiência aos processos de gestão de<br />
fim de vida dos produtos.<br />
O Electrão promove campanhas de<br />
educação ambiental dirigidas ao público<br />
em geral, mas desenvolve, paralelamente,<br />
iniciativas direcionadas<br />
às empresas aderentes, muitas das<br />
quais participam no desafio da recolha<br />
de resíduos e integram a rede de<br />
locais de recolha do Electrão.<br />
O Electrão disponibiliza tamb<strong>é</strong>m<br />
um serviço gratuito de recolha de pilhas<br />
e equipamentos el<strong>é</strong>ctricos usados<br />
junto de empresas produtoras<br />
destes resíduos, mesmo aquelas que<br />
não são suas clientes. Isto porque todas<br />
as empresas têm a responsabilidade<br />
de encaminhar correctamente<br />
estes tipos de resíduos e comprovar<br />
que lhes dão um destino adequado.<br />
O serviço de recolha disponibilizado<br />
pelo Electrão funciona em<br />
todo o país, incluindo ilhas.<br />
ÁREAS DE ATUAÇÃO<br />
/ Entidade gestora de embalagens, pilhas e equipamentos el<strong>é</strong>ctricos usados<br />
BOARD<br />
Pedro Nazareth CEO // Ricardo Furtado Director Geral<br />
CONTACTOS<br />
Rua Afonso Praça 6 – 1400-402 Lisboa<br />
+351 214 169 020<br />
geral@electrao.pt<br />
Abrantaqua<br />
Urbanização dos Pláta<strong>nos</strong>,<br />
Lote 2-D, Loja B<br />
2200-025 Abrantes<br />
t. 241 331 562<br />
e. geral@abrantaqua.pt<br />
w. www.abrantaqua.pt<br />
Agere , Empresa de Águas<br />
Efluentes e <strong>Resíduos</strong><br />
de Braga E.M<br />
Praça Conde Agrolongo, 115<br />
4700-312 Braga<br />
t. 253 205 000<br />
e. agere@agere.pt<br />
w. agere.pt<br />
Água São Martinho<br />
Rua Nova da Telha, 327<br />
4821-909 Fafe<br />
t. 253 459 000<br />
e. geral@aguasmartinho.com<br />
w. www.aguasmartinho.com<br />
Águas da Azambuja<br />
Rua Teodoro Jos<strong>é</strong> da Silva, 37<br />
2050-335 Azambuja<br />
t. 263 002 470<br />
e. geral@aguasdaazambuja.pt<br />
w. www.aguasdaazambuja.pt<br />
Águas da Covilhã<br />
Rua Ruy Faleiro, n.º 111<br />
6201-905 Covilhã<br />
t. 275 310 810<br />
e. geral@aguasdacovilha.pt<br />
w. www.aguasdacovilha.pt<br />
Águas da Figueira<br />
Rua Dr. Mendes Pinheiro<br />
3080-032 Figueira da Foz<br />
t. 233 401 450<br />
e. geral@aguasdafigueira.com<br />
w. www.aguasdafigueira.com<br />
Águas da Região de Aveiro<br />
Travessa Rua da Paz nº 4<br />
3800-587 Aveiro<br />
t. 234 910 200<br />
e. adra@adp.pt<br />
w. www.adra.pt<br />
Águas da Serra<br />
Rua Senhora da Estrela, 20<br />
6200-454 Boidobra<br />
t. 275 313 260<br />
e. aguasdaserra@ags.pt<br />
w. www.aguasdaserra.pt<br />
Águas da Teja<br />
Av.ª Comunidades Europeias<br />
N.º 39<br />
6420-044 Trancoso<br />
t. 271 829 000<br />
e. aguasdateja@aguasdateja.pt<br />
w. www.aguasdateja.org<br />
Águas de Alenquer<br />
Rua Sacadura Cabral,<br />
22 C - R/C<br />
2580-371 Alenquer<br />
t. 263 731 217<br />
e. geral@aguasdealenquer.pt<br />
w. www.aguasdealenquer.pt<br />
Águas de Barcelos<br />
Rua Rosa Ramalho, n.º 9/A<br />
4750-331 Barcelos<br />
t. 253 813 814<br />
e. geral@aguasdebarcelos.pt<br />
w. www.aguasdebarcelos.pt<br />
Águas de Carrazeda<br />
Rua Vitor Guilhar, 90 - 92<br />
5140-103 Carrazeda de Ansiães<br />
t. 278 617 736<br />
e. geral@aguasdecarrazeda.pt<br />
w. www.cm-carrazedadeansiaes.pt<br />
Águas de Cascais<br />
Estrada da Malveira, 1237<br />
Aldeia de Juso,<br />
2750-836 Cascais<br />
t. 214 838 300<br />
e. geral@aguasdecascais.pt<br />
w. www.aguasdecascais.pt<br />
Águas de Coimbra<br />
Rua da Alegria, 111<br />
3000-018 Coimbra<br />
t. 239 096 000<br />
e. geral@aguasdecoimbra.pt<br />
w. www.aguasdecoimbra.pt<br />
Águas de Fafe<br />
Largo 1.º de Dezembro<br />
4820-142 Fafe<br />
t. 253 700 020<br />
e. geral@aguasdefafe.pt<br />
w. www.aguasdefafe.pt<br />
Águas de Gaia<br />
Rua 14 de Outubro, 343<br />
4431-954 Vila Nova de Gaia<br />
t. 223 770 460<br />
e. info@aguasgaia.pt<br />
w. www.aguasdegaia.pt<br />
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023
\\ DIRETÓRIO \\<br />
69<br />
VALORIZAR E GERIR RESÍDUOS<br />
NO GRANDE PORTO<br />
ALIPOR - Associação de Municípios para a Gestão Sustentável de <strong>Resíduos</strong><br />
do Grande Porto – foi fundada em 1982 como Associação de Municípios<br />
e gere, valoriza e trata resíduos urba<strong>nos</strong> produzidos pelos oito municípios<br />
que a integram: Espinho, Gondomar, Maia, Matosinhos, Porto, Póvoa de Varzim,<br />
Valongo e Vila do Conde. Ao mesmo tempo continuamos a partilhar boas<br />
práticas, complementadas com campanhas de sensibilização junto da população.<br />
Tratamos, todos os a<strong>nos</strong>, cerca de 500 mil toneladas de resíduos urba<strong>nos</strong> produzidos<br />
por cerca de 1 milhão de habitantes.<br />
Sustentamo-<strong>nos</strong> <strong>nos</strong> moder<strong>nos</strong> conceitos de gestão de resíduos, que preconizam<br />
a adoção de sistemas integrados e a minimização da deposição de resíduos<br />
em Aterro. Por isso, desenvolvemos uma estrat<strong>é</strong>gia integrada de gestão baseada<br />
em quatro componentes principais: a Valorização Multimaterial, a Valorização<br />
Orgânica e a Valorização Energ<strong>é</strong>tica, complementadas por um Aterro Sanitário<br />
para receção dos rejeitados dos processos e de resíduos previamente preparados.<br />
E este universo cresceu de forma natural e abraçamos, cada vez mais, novos projetos<br />
e serviços, reforçando assim o <strong>nos</strong>so caminho estrat<strong>é</strong>gico. Inspiram-<strong>nos</strong> os<br />
princípios da Economia Circular e, assim, gerimos diariamente os resíduos que<br />
recebemos e agregamos os três pilares do Desenvolvimento Sustentável: ambiental,<br />
económico e social. Ao longo dos últimos a<strong>nos</strong>, o <strong>nos</strong>so trabalho tem<br />
sido celebrado com diferentes pr<strong>é</strong>mios e reconhecimentos, incentivando-<strong>nos</strong> a<br />
continuar a trabalhar para um futuro cada vez mais sustentável. Olhar para trás<br />
orgulha-<strong>nos</strong>, olhar o presente honra-<strong>nos</strong>, pensar e imaginar o futuro desafia-<strong>nos</strong>!<br />
ÁREAS DE ATUAÇÃO<br />
/ Recicláveis / Energia / Nutrimais<br />
BOARD<br />
Dr. Luís Miguel Oliveira Monteiro Canelas – Administrador, Espinho // Dra. Ana<br />
Luísa Gomes – Administradora, Gondomar // Dra. Marta Peneda – Administradora,<br />
Maia // Engª Manuela Álvares - | Administradora, Matosinhos // Engº Filipe<br />
Araújo – Administrador, Porto // Engº Aires Pereira – Administrador, Póvoa de<br />
Varzim // Dr. Jos<strong>é</strong> Manuel Ribeiro - Presidente do Conselho de Administração,<br />
Valongo // Eng.ª Sara Lobão – Administradora, Vila do Conde // Dr. Fernando<br />
Leite – Administrador-Delegado<br />
CONTACTOS<br />
LIPOR - Associação de Municípios para Gestão Sustentável de <strong>Resíduos</strong> do Grande Porto<br />
Rua da Morena, 805 , 4435-746 Baguim do Monte<br />
Apartado 1510, 4435-996 Baguim do Monte<br />
+351 229 770 100<br />
info@lipor.pt / www.lipor.pt/pt<br />
Águas de Gondomar<br />
Rua 5 de Outubro, 112<br />
4420-086 Gondomar<br />
t. 224 660 200<br />
e. geral@aguasdegondomar.pt<br />
w. www.aguasdegondomar.pt<br />
Águas de Our<strong>é</strong>m<br />
Rua Dr. Francisco Sá Carneiro<br />
n.º 66 D – Loja A<br />
2490-548 Our<strong>é</strong>m<br />
t. 249 540 010<br />
e. aguas.ourem@bewater.com.pt<br />
w. www.ourem-bewater.com.pt<br />
Águas de Paços de Ferreira<br />
Rua Dr. Leão Meireles, 94<br />
4590-586 Paços de Ferreira<br />
t. 255 860 560<br />
e. geral@adpf.pt<br />
w. www.aguasdepacosferreira.pt<br />
Águas de Paredes<br />
Rua de Timor, 27,<br />
4580-015 Paredes<br />
t. 255 788 530<br />
e. aguas.paredes@bewater.com.pt<br />
w. www.paredes-bewater.com.pt<br />
Águas de Portugal<br />
Rua Visconde de Seabra, 3<br />
1700-421 Lisboa<br />
t. 212 469 400<br />
e. info@adp.pt<br />
w. www.adp.pt<br />
Águas de S. João<br />
Avenida da Liberdade<br />
Edifício da Câmara Municipal<br />
3701-956 S. Joao da Madeira<br />
t. 256 100 700<br />
e. geral@aguasdesjoao.pt<br />
w. www.aguasdesjoao.pt<br />
Águas de Santar<strong>é</strong>m<br />
Praça Visconde Serra do Pilar<br />
2001-904 Santar<strong>é</strong>m<br />
t. 243 305 050<br />
e. geral@aguasdesantarem.pt<br />
w. www.aguasdesantarem.pt<br />
Águas de Santo Andr<strong>é</strong><br />
Cerca da Água<br />
Rua dos Cravos<br />
7500-999 Vila Nova de Santo Andr<strong>é</strong><br />
t. 269 708 240<br />
e. geral.adsa@adp.pt<br />
w. www.adsa.pt<br />
Águas de Valongo<br />
Av. 5 de Outubro, 306<br />
4440-503 Valongo<br />
t. 224 227 390<br />
e. aguas.valongo@bewater.com.pt<br />
w. www.valongo-bewater.com.pt<br />
Águas de Vila Real de Santo António<br />
Zona Industrial de Vila Real de Santo<br />
António, Lote 46<br />
8900-216 Vila Real de Santo António<br />
t. 281 249 510<br />
e. advrsa.geral@aguas-vrsa.pt<br />
w. www.aguas-vrsa.pt<br />
Águas do Algarve<br />
Rua do Repouso, 10<br />
8000-302 Faro<br />
t. 289 899 070<br />
e. geral.ada@adp.pt<br />
w. www.aguasdoalgarve.pt<br />
Águas do Alto Alentejo<br />
Praça da República – Edifício do<br />
Mercado<br />
Municipal<br />
7400-232 Ponte de Sor<br />
t. 242 001 040<br />
e. geral@aguasdoaltoalentejo.pt<br />
w. www.aguasdoaltoalentejo.pt<br />
Águas do Alto Minho<br />
Rua Frei Bartolomeu Mártires n.º 156<br />
4904-878 Viana do Castelo<br />
t. 258 806 900<br />
e. geral.adam@adp.pt<br />
Águas do Baixo Mondego e Gândara<br />
Rua Dr. Francisco Luís Coutinho Solar<br />
dos Pinas<br />
3140-256 Montemor-o-Velho<br />
t. 239 246 600<br />
e. geral@abmg.pt<br />
w. www.abmg.pt<br />
Águas do Centro Litoral<br />
ETA da Boavista<br />
Av. Dr. Luís Albuquerque<br />
3030-410 Coimbra<br />
t. 239 980 900<br />
e. geral.adcl@adp.pt<br />
w. www.aguasdocentrolitoral.pt<br />
Águas do Douro e Paiva<br />
Edifício Scala, Rua de Vilar,<br />
nº 235, 5º<br />
4050-626 Porto<br />
t. 226 059 300<br />
e. geral.addp@adp.pt<br />
w. www.addp.pt<br />
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023
70 \\ DIRETÓRIO \\<br />
A SUSTENTABILIDADE É UM PILAR<br />
CENTRAL NA MISSÃO E ATIVIDADE<br />
DA SOCIEDADE PONTO VERDE<br />
FICHA TÉCNICA<br />
ASociedade Ponto Verde (SPV)<br />
tem como missão contribuir<br />
para a promoção da Economia<br />
Circular atrav<strong>é</strong>s do Sistema Integrado<br />
de Gestão de <strong>Resíduos</strong> de<br />
Embalagens (SIGRE) assente num<br />
forte compromisso com a Inovação<br />
e I&D, a Literacia Ambiental e a<br />
Cidadania Ativa. A SPV desempenha<br />
um papel importante na<br />
sensibilização da população para<br />
a importância da reciclagem e da<br />
adoção de práticas mais sustentáveis,<br />
atrav<strong>é</strong>s de campanhas de<br />
informação e educação ambiental,<br />
incentivando a separação correta<br />
dos resíduos utilizados. Somos<br />
uma empresa privada, Sociedade<br />
anónima, que não distribui lucros<br />
aos seus acionistas, com a responsabilidade<br />
pelo encaminhamento<br />
para reciclagem e valorização dos<br />
resíduos de embalagens que resultam<br />
do grande consumo, apoiando<br />
a conceção de embalagens cada vez<br />
mais circulares e propondo novas<br />
formas de melhorar os seus processos<br />
de recolha, separação e tratamento.<br />
A SPV <strong>é</strong> líder de mercado<br />
e serve atualmente 8200 clientes<br />
entre micro, pequenas, m<strong>é</strong>dias e<br />
grandes empresas.<br />
António Nogueira Leite – Presidente do Conselho de Administração da SPV<br />
Ana Trigo Morais – CEO/Administradora Delegada da SPV<br />
CONTACTOS<br />
Rua João Chagas, 53, 1ºDTO, 1495-764 Cruz Quebrada<br />
+351 210 102 400<br />
www.pontoverde.pt // www.pontoverdelab.pt<br />
Águas do Interior Norte<br />
Av. Rainha Santa Isabel, n.º 1<br />
5000-434 Vila Real<br />
t. 309 101 101<br />
e. geral@adin.pt<br />
w. www.adin.pt<br />
Águas do Lena<br />
Rua Infante Dom Fernando<br />
Lote 10 - C<strong>é</strong>lula B<br />
2440-901 Batalha<br />
t. 244 764 080<br />
e. aguasdolena@aguasdolena.pt<br />
w. www.aguasdolena.pt<br />
Águas do Marco<br />
Travessa Eng. Adelino Amaro Costa,<br />
nº<br />
83 RC Dtº<br />
4630-231 Marco de Canaveses<br />
t. 255 538 350<br />
e. geral@aguasdomarco.pt<br />
w. www.aguasdomarco.pt<br />
Águas do Norte<br />
Rua Dom Pedro de Castro, n.º 1A<br />
5000-669 Vila Real<br />
t. 259 309 370<br />
e. geral.adnorte@adp.pt<br />
w. www.adnorte.pt<br />
Águas do Ribatejo<br />
Rua Gaspar Costa Ramalho, 38<br />
2120-098 Salvaterra de Magos<br />
t. 263 509 400<br />
e. geral@aguasdoribatejo.com<br />
w. www.aguasdoribatejo.com<br />
Águas do Tejo Atlântico<br />
ETAR de Alcantara, Avenida de Ceuta<br />
1300-254 Lisboa<br />
t. 213 107 900<br />
e. geral.adta@adp.pt<br />
w. www.aguasdotejoatlantico.adp.pt<br />
Águas do Vale do Tejo<br />
Rua Dr. Francisco Pissarra de Matos,<br />
nº.21, R/C<br />
6300-693 Guarda<br />
t. 271 225 317<br />
e. geral.advt@adp.pt<br />
w. www.advt.pt<br />
Águas do Vouga<br />
Estrada Nacional n.º1 Lugar Feira<br />
Nova<br />
3850-200 Albergaria-a-Velha<br />
t. 234 520 090<br />
e. avouga@aguasdovouga.pt<br />
w. www.aguasdovouga.pt<br />
Águas e Energia do Porto<br />
Rua Barão de Nova Sintra, 285<br />
4300-367 Porto<br />
t. 225 190 800<br />
e. geral@aguasdoporto.pt<br />
w. www.aguasdoporto.pt<br />
Águas Públicas da Serra da Estrela<br />
Praceta os 12 de Inglaterra,<br />
n.º 11<br />
6270-465 Seia<br />
t. 238 310 230<br />
e. geral@apdse.pt<br />
w. www.apdse.pt<br />
Águas Públicas do Alentejo<br />
Rua Doutor Aresta Branco, 51<br />
7800-310 Beja<br />
t. 284 101 100<br />
e. geral.agda@adp.pt<br />
w. www.agda.pt<br />
Aldi Portugal<br />
Supermercados, Lda<br />
Rua Ponte dos Cavalos, 155<br />
2870-674 Montijo<br />
t. 800 420 800<br />
e. geral@aldi.pt<br />
w. www.aldi.pt<br />
ALG - Tratamento de Águas<br />
Rua Dr. Francisco Sá Carneiro, 25A<br />
4780-448 Santo Tirso<br />
t. 252 861 305<br />
e. geral@alg.pt<br />
w. www.alg.pt<br />
Ambiosfera Lda<br />
Edifício Sines Tecnopolo Z.I.L II Lote<br />
122-A<br />
7520-309 Sines<br />
t. 215 873 741<br />
e. geral@ambiosfera.com<br />
w. www.ambiosfera.com<br />
AMBIRUMO, Projetos Inovação<br />
e Gestão Ambiental, Lda.<br />
Av. General Norton de Matos,<br />
63 E<br />
1495-148 Alg<strong>é</strong>s<br />
t. 213 978 255<br />
e. geral@ambirumo.pt<br />
w. www.ambirumo.pt<br />
Amorim Cork Composites, SA<br />
Rua de Meladas, 260<br />
4536-902 Mozelos<br />
t. 227 475 300<br />
e. acc@amorim.com<br />
w. amorimcorkcomposites.com/pt<br />
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023
\\ DIRETÓRIO \\<br />
71<br />
A EC3R e sustentabilidade andam de<br />
mão dadas há mais de 10 a<strong>nos</strong>. A empresa<br />
tem como principal atividade a<br />
recolha de óleos alimentares, usados<br />
em restaurantes, hot<strong>é</strong>is, coletividades<br />
e municípios, que são depois<br />
reencaminhados para a produção de<br />
biocombustíveis, missão essencial<br />
para garantir um destino nobre a este<br />
resíduo, evitar a contaminação dos<br />
ocea<strong>nos</strong> e promover a utilização de<br />
energias renováveis.<br />
CONTACTOS<br />
T. +351 253 094 799<br />
E. geral@ec3r.pt // W. www.www.ec3r.pt<br />
BeWater<br />
Avenida Conde Valbom, nº30- 3º<br />
1050-068 Lisboa<br />
t. 211 552 700<br />
e. bewater@bewater.com.pt<br />
w. www.bewater.com.pt<br />
Biorumo, Consultoria em<br />
Ambiente e Sustentabilidade, Lda.<br />
Rua do Carvalhido, 155<br />
4250-102 Porto<br />
t. 228 349 580<br />
e. geral@biorumo.com<br />
w. www.biorumo.com<br />
BioSmart, Soluções<br />
Ambientais, S.A.<br />
Rua de Tomar, n.º 80<br />
2495-185 Santa Catarina da Serra<br />
t. 244 749 100<br />
e. geral@biosmart.pt<br />
w. www.biosmart.pt<br />
Bondalti Chemicals, S.A<br />
Lagoas Park-Edif. 6, 2º B<br />
2740-244 Porto Salvo<br />
t. 210 058 600<br />
e. bondalti@bondalti.com<br />
w. www.bondalti.com<br />
BOARD<br />
Anabela Barroso<br />
Diretora Geral<br />
Nuno Lemos<br />
CEO<br />
ÁREAS DE ATUAÇÃO<br />
/ Gestão de resíduos<br />
Central de Cervejas<br />
Estrada da Alfarrobeira<br />
2625-244 Vialonga<br />
t. 219 528 600<br />
e. scc@centralcervejas.pt<br />
w. www.centralcervejas.pt<br />
CELPA<br />
Associação da Indústria Papeleira<br />
Rua Marquês Sá da Bandeira,<br />
74 - 2.º, 1069-076 Lisboa<br />
t. 217 611 510<br />
e. celpa@celpa.pt<br />
w. www.celpa.pt<br />
Cimpor<br />
Indústria de Cimentos S.A<br />
Avª Jos<strong>é</strong> Malhoa, Nº22,<br />
Pisos 6 A<br />
111099-020 Lisboa<br />
t. 213 118 100<br />
e. geral@cimpor.com<br />
w. www.cimpor.pt<br />
Consulai, Consultoria<br />
Agro-Industrial Lda<br />
Rua Fernando Namora,<br />
Nº 28, 1º Esq.<br />
7800-502 Beja<br />
t. 284 098 214<br />
e. mkt_team@consulai.com<br />
w. www.consulai.pt<br />
Cortadoria Nacional de Pêlo S.A<br />
Avenida 1º de Maio, 64<br />
3700-227 São João da Madeira<br />
t. 256 815 030<br />
e. mail@cortadoria.pt<br />
w. www.cortadoria.pt<br />
CVR<br />
Centro para a Valorização<br />
de <strong>Resíduos</strong><br />
Campus de Azur<strong>é</strong>m da Universidade<br />
do Minho<br />
4800-058 Guimarães<br />
t. 253 510 020<br />
e. geral@cvresiduos.pt<br />
w. www.cvresiduos.pt<br />
Delta Caf<strong>é</strong>s<br />
Avenida Calouste Gulbenkian,<br />
Nº 15<br />
7370-025 Campo Maior<br />
t. 218 624 700<br />
e. ambiente@delta-cafes.pt<br />
w. www.gruponabeiro.com<br />
Doya Ambiental<br />
Av da. Da Liberdade Nº 36, 6º<br />
1250-145 Lisboa<br />
t. 211 217 661<br />
e. geral@doyaambiental.com<br />
w. www.doyaambiental.com<br />
ECOGESTUS<br />
<strong>Resíduos</strong>, Estudos e<br />
Soluções, Lda.<br />
Rua D. Afonso IV, 23<br />
3080-328 Figueira da Foz<br />
t. 233 109 034<br />
e. contacto@ecogestus.com<br />
w. www.ecogestus.com/pt<br />
Ecoib<strong>é</strong>ria<br />
Reciclados Ib<strong>é</strong>ricos, SA<br />
Travessa Sebastião Fernandes,<br />
n.º 60 Ribeirão<br />
4760-706 Vila Nova Famalicão<br />
t. 252 372 462<br />
e. info@ecoiberia.pt<br />
w. www.ecoiberia.pt/<br />
ECOMETAIS - Sociedade de<br />
Tratamento e Reciclagem, SA<br />
Avenida da Siderurgia Nacional,<br />
1 Edifício Sn<br />
2840-075 Aldeia de Paio Pires<br />
t. 212 275 500<br />
e. ecometais@ecometais.com<br />
w. www.valorcar.pt<br />
ECOSATIVA - Consultoria<br />
Ambiental, Lda<br />
Urbanização Pinhal do Moinho,<br />
Lote 11 - 1º F<br />
7645-294 Vila Nova de Milfontes<br />
t. 283 959 906<br />
e. info@ecosativa.pt<br />
w. www.ecosativa.pt<br />
E-CYCLE<br />
Associação de Produtores de EEE<br />
Rua dos Pláta<strong>nos</strong>, 197, Ed. AIMMAP<br />
4100-414 Porto<br />
t. 934 750 131<br />
e. geral@e-cycle.pt<br />
w. www.e-cycle.pt<br />
EGEO Tecnologia e Ambiente SA<br />
R. 25 de Abril 1,<br />
Qnt. da Francelha de Baixo<br />
2685-368 Prior Velho<br />
t. 211 556 000<br />
e. geral@egeo.pt<br />
w. www.egeo.pt<br />
El Corte Ingl<strong>é</strong>s<br />
Grandes Armaz<strong>é</strong>ns SA<br />
Av. António Augusto de Aguiar, 31<br />
1069-413 Lisboa<br />
t. 213 532 020<br />
e. apoio.lojaonline@elcorteingles.pt<br />
w. www.elcorteingles.pt<br />
Empresa Municipal de Ambiente<br />
do Porto, E.M., SA<br />
Rua de S. Dinis, 249<br />
4250-434 Porto<br />
t. 228 348 770<br />
e. geral@portoambiente.pt<br />
w. www.portoambiente.pt<br />
Enhidrica, Consultores de<br />
Engenharia Ambiental, Lda<br />
Rua Dr. Carlos Pires Felgueiras,<br />
98 - 3º E, 4470-157 Maia<br />
t. 229 414 445<br />
e. enhidrica@enhidrica.com<br />
w. www.enhidrica.com<br />
EPAL<br />
Av. da Liberdade, 24<br />
1250-144 Lisboa<br />
t. 213 251 000<br />
e. geral.epal@adp.pt<br />
w. www.epal.pt<br />
ERSAR<br />
Rua Tomás da Fonseca,<br />
Torre G - 8º, 1600-209 Lisboa<br />
t. 210 052 200<br />
e. geral@ersar.pt<br />
w. www.ersar.pt<br />
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023
72 \\ DIRETÓRIO \\<br />
A ECODEAL – Gestão Integral de <strong>Resíduos</strong><br />
Industriais, SA, fundada em<br />
2005, <strong>é</strong> uma empresa que atua na área<br />
do ambiente, designadamente em<br />
gestão de resíduos. Det<strong>é</strong>m a licença de<br />
exploração do centro integrado de recuperação,<br />
valorização e eliminação de<br />
resíduos perigosos – CIRVER ECODE-<br />
AL, localizado no concelho da Chamusca,<br />
assumindo-se como especialista<br />
em gestão de resíduos perigosos.<br />
Nos termos da legislação relativa à<br />
Prevenção e Controlo Integrados da<br />
Poluição foi concedida à ECODEAL o<br />
TUA 2018.<br />
CONTACTOS<br />
Eco-parque do Relvão, Rua Pinhal do Duque, 2140-671 Carregueira, Chamusca<br />
T. +351 249 749 030<br />
E. geral@ecodeal.pt // W. www.ecodeal.pt<br />
ERP Portugal<br />
Associação Gestora de <strong>Resíduos</strong><br />
Rua D. Dinis Bordalo Pinheiro, 467 B<br />
2645-539 Alcabideche<br />
t. 219 119 630<br />
e. info@erp-portugal.pt<br />
w. www.erp-recycling.pt<br />
Esposende Ambiente<br />
Travessa Conde Agrolongo,<br />
N.º 10<br />
4740-245 Esposende<br />
t. 253 969 380<br />
e. geral@esposendeambiente.pt<br />
w. www.esposendeambiente.pt<br />
Euro Separadora<br />
Environment<br />
and Recycling S.A.<br />
Rua das Fontainhas,<br />
Nº 48<br />
4730-020 Braga<br />
t. 253 380 020<br />
e. geral@euroseparadora.pt<br />
w. www.euroseparadora.pt<br />
BOARD<br />
Manuel Simões<br />
Diretor Geral<br />
ÁREAS DE ATUAÇÃO<br />
/ Gestão integrada de<br />
resíduos<br />
/ Descontaminação de solos<br />
/ Serviços t<strong>é</strong>cnicos de<br />
gestão de resíduos<br />
/ Limpezas industriais<br />
/ Recolha e transporte de<br />
resíduos<br />
FAGAR - Faro<br />
Rua Prof. Norberto Silva, 8<br />
8004-002 Faro<br />
t. 289 860 900<br />
e. mail@fagar.pt<br />
w. www.fagar.pt<br />
Fapil - Indústria, SA<br />
R. Alto do Matoutinho,<br />
n.º 5 - Apartado 8<br />
2669-909 Malveira<br />
t. 219 828 008<br />
e. geral@fapil.pt<br />
w. www.fapil.pt<br />
FREETILIZER, Com<strong>é</strong>rcio<br />
de Equipamentos e Serviços<br />
Integrados, Lda.<br />
Rua do Rio Novo, n.º 450<br />
4495-145 Póvoa de Varzim<br />
t. 252 240 490<br />
e. geral@pipemasters.pt<br />
w. www.pipemasters.pt<br />
Gintegral - Gestão Ambiental, SA<br />
Rua Avelino Barros, 282<br />
4490-479 Póvoa de Varzim<br />
t. 252 688 444<br />
e. geral.gintegral@gintegral.pt<br />
w. www.gintegral.pt<br />
Hychem, Química Sustentável, S.A<br />
Rua Engenheiro Cl<strong>é</strong>ment Dumoulin<br />
2625-106 Póvoa de Santa Iria<br />
t. 219 534 000<br />
e. geral@hychem.com<br />
w. www.hychem.pt<br />
Indaver Portugal, SA<br />
Rua Central Park,<br />
Edifício 2 - 4º andar C<br />
2795-242 Linda-a-Velha<br />
t. 219 405 039<br />
e. info@indaver.pt<br />
w. www.indaver.pt<br />
Interecycling, Sociedade de<br />
Reciclagem, SA<br />
Z. Industrial do Lajedo,<br />
Apartado 8<br />
3465-157 Santiago de Besteiros<br />
t. 232 857 040<br />
e. info@interecycling.com<br />
w. www.interecycling.com<br />
Jerónimo Martins, SGPS, SA<br />
Rua Actor António Silva, 7<br />
1649-033 Lisboa<br />
t. 217 532 000<br />
e. provedoria@jeronimo-martins.pt<br />
w. www.jeronimomartins.com<br />
Lactogal - Produtos Alimentares<br />
S.A<br />
R. do Campo Alegre, Nº 830, 4º A 7º<br />
4150-171 Porto<br />
t. 226 070 000<br />
e. geral@lactogal.pt<br />
w. www.lactogal.pt<br />
Lidl & Companhia<br />
Rua P<strong>é</strong> de Mouro, n.º 18 - Linhó<br />
2714-510 Sintra<br />
t. 219 102 254<br />
e. sustentabilidade@lidl.pt<br />
w. www.lidl.pt<br />
Maiambiente, EM<br />
Rua 5 de Outubro, 359<br />
4475-302 Milheirós<br />
t. 800 202 639<br />
e. geral@maiambiente.pt<br />
w. www.maiambiente.pt<br />
Mercadona<br />
Irmãdona Supermercados, Lda.<br />
Avenida Padre Jorge Duarte, n.º 123<br />
4430-946 Vila Nova de Gaia<br />
t. 221 201 000<br />
e. sugestoes@mercadona.com<br />
w. www.mercadona.pt<br />
Neutroplast, Indústria de<br />
Embalagens, SA<br />
Z. Industrial, Casal da Espinheira,<br />
Lt. 10<br />
2590-057 Sobral Monte Agraço<br />
t. 261 940 100<br />
e. neutroplast@neutroplast.com<br />
w. www.neutroplast.com<br />
Novo Verde, Sociedade Gestora<br />
de <strong>Resíduos</strong> de Embalagem, SA<br />
Rua São Sebastião,<br />
n.º 16 - Cabra Figa<br />
2635-448 Rio de Mouro<br />
t. 219 119 630<br />
e. info@novoverde.pt<br />
w. www.novoverde.pt<br />
OVO Solutions, Soluções<br />
Ambientais SA<br />
Estrada dos Espanhóis<br />
S/N, CCI 7515, Venda do Alcaide<br />
2955-250 Pinhal Novo<br />
t. 212 328 760<br />
e. geral@ovosolutions.com<br />
w. www.ovosolutions.com<br />
R3Natura, Lda.<br />
Rua do Monte, Centro de Negócios<br />
de Oleiros<br />
4730-325 Vila Verde<br />
t. 253 320 110<br />
e. info@r3natura.pt<br />
w. www.r3natura.pt<br />
Rduz<br />
Gestão Global de <strong>Resíduos</strong>, S.A<br />
Zona Industrial Argvai<br />
Lotes 4, 5, 6 e 22<br />
4490-232 Póvoa de Varzim<br />
t. 252 622 495<br />
e. geral@rduz.pt<br />
w. www.rduz.pt<br />
Recivalongo - Gestão de <strong>Resíduos</strong>, Lda<br />
Vale da Cobra, S/N Apartado 54<br />
4440-339 Valongo<br />
t. 224 154 663<br />
e. recivalongo@recivalongo.pt<br />
w. www.recivalongo.pt<br />
Recypolym, Lda.<br />
Z.I.M. Adiça<br />
3460-070 Tondela<br />
t. 232 816 007<br />
e. info@recypolym.com<br />
w. www.recypolym.com<br />
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023
\\ DIRETÓRIO \\<br />
73<br />
Fundada em 2009, a ESGRA – Associação<br />
para a Gestão de <strong>Resíduos</strong> defende<br />
o exercício da atividade de gestão de resíduos<br />
urba<strong>nos</strong> alinhado com um modelo<br />
de desenvolvimento estrat<strong>é</strong>gico, sustentável<br />
e baseado na economia circular. Temos<br />
como missão a promoção dos interesses<br />
dos <strong>nos</strong>sos associados bem como<br />
a investigação e valorização de recursos<br />
que promovam o País como território de<br />
desenvolvimento económico e ambientalmente<br />
sustentável.<br />
ÁREAS DE ATUAÇÃO<br />
/ Gestão de resíduos urba<strong>nos</strong><br />
CONTACTOS<br />
Rua Rodrigues Sampaio, nº 19, 5º A<br />
1150-278 Lisboa<br />
T. +351 214 240 221<br />
E. geral@esgra.pt // W. www.esgra.pt<br />
Residuos do Nordeste, Eim, S.A<br />
Rua Fundação Calouste Gulbenkian<br />
5370-340 Mirandela<br />
t. 278 201 570<br />
e. geral@residuosdonordeste.pt<br />
w. www.residuosdonordeste.pt<br />
Rovensa, S.A<br />
Alameda dos Ocea<strong>nos</strong>, lote 1.06.1.1<br />
D, 3.º A<br />
1990-207 Lisboa<br />
t. 213 222 750<br />
e. info@rovensa.com<br />
w. www.rovensa.com<br />
Sacentro - Com<strong>é</strong>rcio de<br />
Têxteis, SA<br />
Estr. Octácio Pato,<br />
Nº 177,<br />
Ed. A, Arm. 3<br />
2785-723 Cascais<br />
t. 210 046 870<br />
e. customercare@sacoor.com<br />
w. www.sacoor.com<br />
Saint - Gobain Portugal, S.A<br />
Rua da Carreira Branca,<br />
Zona Industrial de Taboeira<br />
3800-055 Aveiro<br />
BOARD<br />
Paulo Praça<br />
Presidente da Direção<br />
Cátia Borges<br />
Vice-presidente da Direção<br />
Carlos de Andrade Botelho<br />
Vice-presidente da Direção<br />
Carla Velez<br />
Secretária Geral<br />
t. 234 101 010<br />
e. info.portugal@saint-gobain.com<br />
w. www.saint-gobain.pt<br />
Sair da Casca<br />
Praça Marquês de Pombal,<br />
nº14<br />
1250-162 Lisboa<br />
t. 213 558 296<br />
e. sdc@sairdacasca.com<br />
w. www.sairdacasca.com<br />
SGS ICS Serviços Internacionais<br />
de Certificação, Lda.<br />
R. Cesina Adães Bermudes,<br />
Lt. 11,<br />
N.º 1, 1600-604 Lisboa<br />
t. 217 104 200<br />
e. pt.info@sgs.com<br />
w. www.sgs.pt<br />
Silvex Indústria de Plásticos<br />
e Pap<strong>é</strong>is, SA<br />
Quinta da Brasileira, lote 10<br />
2130-999 Benavente<br />
t. 263 519 180<br />
e. comercial@silvex.pt<br />
w. www.silvex.pt<br />
SIMARSUL<br />
ETAR da Quinta do Conde<br />
Estrada Nacional 10<br />
2975-403 Quinta do Conde<br />
t. 265 544 000<br />
e. geral.simarsul@adp.pt<br />
w. www.simarsul.adp.pt<br />
SIMAS de Oeiras e Amadora<br />
Av. Dr. Francisco Sá Carneiro,<br />
19 Urb. Moinho das Antas<br />
2784-541 Oeiras<br />
t. 214 460 231<br />
e. mcpaiva@simas-oeiras-amadora.pt<br />
w. www.smas-oeiras-amadora.pt<br />
SIMDOURO<br />
Rua do Ribeirinho, 706<br />
4415-679 Lever<br />
Vila Nova de Gaia<br />
t. 220 109 300<br />
e. geral.simdouro@adp.pt<br />
w. www.simdouro.pt<br />
Sistragua<br />
Rua Principal 76<br />
2100-016 Azervadinha<br />
t. 934 199 064<br />
e. geral@sistragua.com<br />
w. www.sistragua.com<br />
Sirplaste - Sociedade Industrial<br />
de Recuperados de Plástico, SA<br />
Urb. Ind. da Santeira,<br />
LT 76, n.º 16, Santeira,<br />
2480-410 Porto de Mós<br />
t. 244 870 073<br />
e. sirplaste@sirplaste.pt<br />
w. www.sirplaste.pt<br />
SM de Abrantes<br />
Via Industrial 1,<br />
Lote 65<br />
2200-480 Abrantes<br />
t. 241 360 120<br />
e. geral@smabrantes.pt<br />
w. www.smabrantes.pt<br />
SM de Alcobaça<br />
Rua da Liberdade<br />
2460-060 Alcobaça<br />
t. 262 580 900<br />
e. geral@sm-alcobaca.pt<br />
w. www.smalcobaca.pt<br />
SM de Castelo Branco<br />
Av. Nuno Alvares, 32 - R/C<br />
6000-083 Castelo Branco<br />
t. 272 340 500<br />
e. geral@sm-castelobranco.pt<br />
w. www.sm-castelobranco.pt<br />
SM de Nazar<strong>é</strong><br />
Av. Vieira Guimarães<br />
Ed. Paços do Concelho<br />
2450-951 Nazar<strong>é</strong><br />
t. 262 561 153<br />
e. geral@sm-nazare.pt<br />
w. www.cm-nazare.pt<br />
SM de Setúbal<br />
Av, 5 de Outubro<br />
Edifício Bocage<br />
n.º 146 e 148 - 2.ºC<br />
2900-309 Setúbal<br />
t. 265 247 810<br />
e. geral@sms-setubal.pt<br />
w. www.mun-setubal.pt<br />
SMAS de Almada<br />
Praceta Ricardo Jorge,<br />
2 - 2A<br />
2800-709 Almada<br />
t. 212 726 000<br />
e. geral@smasalmada.pt<br />
w. www.smasalmada.pt<br />
SMAS de Caldas da Rainha<br />
Prç. 25 de Abril<br />
Edíficio Paços do Concelho<br />
2500-110 Caldas da Rainha<br />
t. 262 240 002<br />
e. tecnica@smas-caldas-rainha.pt<br />
w. www.smas-caldas-rainha.pt<br />
SMAS de Leiria<br />
Rua da Cooperativa Nº2<br />
2410-256 Leiria<br />
t. 244 817 300<br />
e. geral@smas-leiria.pt<br />
w. www.smas-leiria.pt<br />
SMAS de Mafra<br />
Rua Constância Maria<br />
Rodrigues, n.º 19<br />
2640-389 Mafra<br />
t. 261 816 650<br />
e. geral@smas-mafra.pt<br />
SMAS de Montijo<br />
Av. dos Pescadores<br />
2870-114 Montijo<br />
t. 212 327 768<br />
e. smas.montijo@mun-montijo.pt<br />
w. www.mun-montijo.pt/pages/498<br />
SMAS de Peniche<br />
Rua 13 de Infantaria,<br />
19-21<br />
2520-256 Peniche<br />
t. 262 780 050<br />
e. smaspeniche@cm-peniche.pt<br />
w. www.cm-peniche.pt/smas<br />
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023
74 \\ DIRETÓRIO \\<br />
SMAS de Torres Vedras<br />
Edifício Multisserviços<br />
Av. 5 de Outubro<br />
2560-270 Torres Vedras<br />
t. 261 336 500<br />
e. geral@smastv.pt<br />
w. www.smastv.pt<br />
SMAS de Vila Franca de Xira<br />
Av. Pedro Vitor, 5<br />
2600-221 Vila Franca de Xira<br />
t. 263 200 600<br />
e. geral@smas-vfxira.pt<br />
w. www.smas-vfxira.pt<br />
SMAS de Viseu<br />
R. Conselheiro Afonso de Melo<br />
3510-024 Viseu<br />
t. 232 470 670<br />
e. geral@smasviseu.pt<br />
w. www.smasviseu.pt<br />
SMAT de Portalegre<br />
Rua Guilherme Gomes Fernandes,<br />
n.º 28, 7300-186 Portalegre<br />
t. 245 307 401<br />
e. smatp@cm-portalegre.pt<br />
w. www.cm-portalegre.pt<br />
SMEAS de Maia<br />
R. Dr. Carlos Felgueiras<br />
4471-909 Maia<br />
t. 229 430 800<br />
e. smas-maia@smasmaia.pt<br />
w. www.smasmaia.pt<br />
Sogrape Vinhos, S.A<br />
Rua 5 de Outubro, 4527<br />
4430-809 Avintes<br />
t. 227 850 300<br />
e. sogrape@sogrape.com<br />
w. sogrape.com<br />
Soja de Portugal, SGPS, SA.<br />
EN 109 - Lugar da Pardala<br />
3880-728 São João OVR<br />
t. 256 581 100<br />
e. geral@sojadeportugal.pt<br />
w. www.sojadeportugal.pt<br />
Somincor - Sociedade Mineira<br />
de Neves-Corvo, S.A<br />
Santa Bárbara de Padrões,<br />
Apartado 12<br />
7780-409 Castro Verde<br />
t. 286 689 000<br />
e. geral.somincor@lundinmining.com<br />
w. somincor.com.pt<br />
SOPINAL - Indústria de<br />
Equipamentos e Contentores, S.A.<br />
Rua do Vale da Relva, 188, Relva,<br />
Vila Chã<br />
3730-657 Vale de Cambra<br />
t. 256 410 770<br />
e. sopinal@sopinal.pt<br />
w. www.sopinal.pt<br />
SPV , Sociedade Gestora de <strong>Resíduos</strong><br />
de Embalagens, SA<br />
Edifício Infante D. Henrique,<br />
Rua João Chagas, 53 - 1º Dto<br />
1495-764 Cruz Quebrada<br />
t. 210 102 400<br />
e. info@pontoverde.pt<br />
w. www.pontoverde.pt<br />
Stericycle Portugal Lda.<br />
Rua Fernando Pessoa, n.º 8 C<br />
2560-241 Torres Vedras<br />
t. 261 320 300<br />
e. ambimed@ambimed.pt<br />
w. www.stericycleportugal.pt<br />
Super Bock Bebidas, S.A.<br />
Via Norte Leça do Balio<br />
Apartado 1044<br />
4465-955 S. Mamede de Infesta<br />
t. 229 052 100<br />
e. apoio.clientes@superbockgroup.com<br />
w. www.superbock.pt<br />
Tabaqueira<br />
Empresa Industrial de<br />
Tabacos, S.A<br />
Avª Alfredo da Silva, Nº 35<br />
2639-002 Rio de Mouro<br />
t. 219 157 700<br />
e. tabaqueira@tabaqueira.pt<br />
w. www.tabaqueira.pt<br />
The Navigator Company, S.A<br />
Av. Fontes Pereira de Melo, 27<br />
1050-117 Lisboa<br />
t. 219 017 300<br />
e. info@thenavigatorcompany.com<br />
w. www.thenavigatorcompany.com<br />
Tratolixo, Tratamento de <strong>Resíduos</strong><br />
Sólidos, EIM, SA<br />
Ecoparque da Trajouce,<br />
Estr. 5 de Junho, nº 1<br />
2785-155 São Domingos de Rana<br />
t. 214 459 500<br />
e. residuos@tratolixo.pt<br />
w. www.tratolixo.pt<br />
Unicer Águas<br />
Via Norte - Leça do Baldio<br />
4466-955 S. Mamede de Infesta<br />
t. 229 052 100<br />
e. sbg.direto@superbockgroup.com<br />
w. www.superbockgroup.com<br />
Valorcar, Sociedade de Gestão<br />
de Veículos em Fim de Vida, Lda.<br />
Av. Torre de Bel<strong>é</strong>m, 29<br />
1400-342 Lisboa<br />
t. 213 011 766<br />
e. valorcar@valorcar.pt<br />
w. www.valorcar.pt<br />
Valorpneu - Sociedade de<br />
Gestão de Pneus Lda<br />
Avª Torre de Bel<strong>é</strong>m, 29<br />
1400-342 Lisboa<br />
t. 213 032 303<br />
e. valorpneu@valorpneu.pt<br />
w. www.valorpneu.pt<br />
Veolia<br />
Estrada de Paço de Arcos, 42<br />
2770-129 Paço de Arcos<br />
t. 214 404 700<br />
e. geral@veolia.pt<br />
w. www.veolia.pt<br />
Verallia Portugal, S.A.<br />
Rua da Vidreira, 68<br />
3090-641 Figueira da Foz<br />
t. 233 403 100<br />
e. info@verallia.com<br />
w. pt.verallia.com<br />
VIMÁGUA<br />
Rua do Rei Pegu, 172 S. Sebastião<br />
4810-025 Guimarães<br />
t. 253 439 560<br />
e. vimagua@vimagua.pt<br />
w. www.vimagua.pt<br />
Vitrus Ambiente EM SA<br />
Av. Cónego Gaspar Estaço<br />
n.º 606<br />
4810-266 Guimarães<br />
t. 253 424 740<br />
e. geral@vitrusambiente.pt<br />
w. www.vitrusambiente.pt<br />
W2V, SA<br />
Rua das Alminhas, 900<br />
4810-608 Guimarães<br />
t. 253 092 334<br />
e. fcastro@w2v.pt<br />
w. w2v.pt<br />
Waste To Me Lda.<br />
Av. 25 Abril nº 61 C<br />
2840-400 Torre da Marinha<br />
t. 216 065 895<br />
e. geral@wastetome.com<br />
w. www.wastetome.com<br />
Watercare - Tratamento De Águas<br />
Centro Empresarial de Alverca<br />
Corpo A - Fracção 5 (E)<br />
2615-187 Alverca<br />
t. 219 108 700<br />
e. geral@aquaservice.pt<br />
w. www.aquaservice.pt<br />
Watertech<br />
Rua Casal do Cego, Armaz<strong>é</strong>m 2,<br />
Frac. A<br />
2415-315 Leiria<br />
t. 244 872 354<br />
e. comercial@watertech.pt<br />
w. www.watertech.pt<br />
XZ Consultores SA<br />
Rua da Cruz, 3A, Loja J<br />
4705-406 Celeirós<br />
t. 253 257 007<br />
e. geral@xzconsultores.pt<br />
w. www.xzconsultores.pt<br />
Gostava de ver<br />
a sua empresa<br />
aqui listada?<br />
Envie-<strong>nos</strong> as suas<br />
informações para<br />
geral@greensavers.pt<br />
As informações deste diretório foram recolhidas pela Green Savers em setembro de 2023. Somos alheios a alterações que possam ter ocorrido, ou venham a ocorrer.<br />
A listagem <strong>é</strong> representativa das companhias a operar em Portugal com forte foco na sustentabilidade, mas não inclui a totalidade das empresas existentes.<br />
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS<br />
atualize os seus dados<br />
para a próxima edição<br />
Envie os seus dados para<br />
geral@greensavers.pt
INDÚSTRIA<br />
TECNOLOGIA INOVAÇÃO
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS