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Quem é Quem nos Resíduos

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QUEM É QUEM<br />

NOS RESÍDUOS<br />

I


3<br />

QUEM É QUEM<br />

NOS RESÍDUOS<br />

I<br />

2023


4<br />

A REVISTA QUE<br />

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\\ EDITORIAL \\<br />

5<br />

Há muito dinheiro<br />

a ser “aterrado”!<br />

Cada português produz cerca de 1,4 kg de resíduos por dia — ou seja, dois milhões de toneladas por ano.<br />

A má notícia <strong>é</strong> que 56% deste “lixo” vai para o aterro comum. São rios de dinheiro deitados fora, al<strong>é</strong>m<br />

da poluição gerada, quando muitos deles poderiam ganhar uma nova vida, regressando ao estado de<br />

mat<strong>é</strong>ria-prima. Uma oportunidade de serem reaproveitados em vez de descartados. Por isso, quando<br />

olhar para o seu caixote do lixo, mude a perspetiva. Em vez de resíduos, veja tesouros escondidos. Diamantes em<br />

bruto.<br />

É fácil de provar. Veja-se o exemplo do fabrico de aparelhos eletrónicos. Estes utilizam uma variedade impressionante<br />

de materiais e muitos deles com um alto valor comercial. Numa tonelada de telemóveis velhos encontram-<br />

-se 340 gramas de ouro, 3,5 kg de prata e 140 de paládio — mais valioso do que o ouro e 130 kg de cobre. Se estes<br />

metais forem recuperados rendem cerca de 15 mil euros. Junte agora a mais-valia de pouparem a extração de<br />

recursos naturais. Basta reciclá-los e podem ser reintroduzidos no mercado.<br />

Outro exemplo, os biorresíduos e o óleo alimentar podem gerar combustível, ou melhor, biocombustível. Em Portugal,<br />

a Carris, só para citar um exemplo, já o faz. Este tipo de combustível permite reduzir em 84% as emissões de<br />

gases com efeito de estufa, comparativamente ao combustível fóssil tradicional e não foi preciso alterar os motores.<br />

Esta aposta na economia circular ajuda ainda a poupar o planeta da hipótese da contaminação da água. Um litro<br />

de óleo contamina cerca de 1000 litros de água quando algu<strong>é</strong>m o despeja pelo ralo da cozinha, ou envia para aterro.<br />

São números alarmantes.<br />

Segundo a Sociedade Ponto Verde, estamos longe das metas de reciclagem de resíduos urba<strong>nos</strong>. Nas embalagens,<br />

com exceção do vidro, a situação <strong>é</strong> um pouco diferente. A evolução tem sido notável no que diz respeito à reciclagem.<br />

As metas anuais do plástico e do papel/cartão já foram alcançadas no primeiro semestre de 2023. É o único<br />

fluxo urbano que cumpre as metas estabelecidas. Mas... as contas desta entidade estimam que estejamos a enterrar<br />

31 milhões de euros de recicláveis anualmente. Mat<strong>é</strong>ria-prima que pode e deveria voltar para o processo produtivo,<br />

mas não lhe dão esse destino. A economia linear — isto <strong>é</strong>, produção industrial em que há um esgotamento<br />

dos recursos naturais e em que os produtos são utilizados e, pouco tempo depois, descartados como resíduos, não<br />

reinará muito mais tempo. Os recursos esgotam-se. O caminho tem de ser outro. O lixo <strong>é</strong> um ativo que vale muito<br />

dinheiro. Para a tesouraria das empresas e para a sobrevivência do planeta. Por isso, da próxima vez que for deitar<br />

o lixo fora, lembre-se disso. Recicle. O dinheiro está nas suas mãos!<br />

Teresa Cotrim, jornalista<br />

// FICHA TÉCNICA<br />

DIRETOR GERAL Rog<strong>é</strong>rio Junior • DIRETORA EDITORIAL Ana Filipa Rego • COLABORADORES E REDAÇÃO Ana Filipa Rego, Alexandra Costa, Filipe Rações, Teresa<br />

Cotrim • DIREÇÃO DE COMUNICAÇÃO Marisa Silvestre • DIREÇÃO DE ARTE Sofia Marques • REVISÃO Lígia Mendes • IMAGENS Getty Images • PUBLICIDADE Mário<br />

Serra (mario.serra@greensavers.pt) • PERIODICIDADE Anual • TIRAGEM MÉDIA 15.000 exemplares • PROPRIEDADE | SEDE | EDITOR Green News Editora, LDA, Rua<br />

Cidade de Rabat, 41B, 1500-159 Lisboa, NIPC: 516292412, geral@greensavers.pt • IMPRESSÃO E ACABAMENTO Jorge Fernandes, LDA - Rua Quinta do Conde de<br />

Mascarenhas, 9, 2820-652 Charneca da Caparica • Revista distribuída gratuitamente com a Green Savers nº 12<br />

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023


6 \\ ÍNDICE \\<br />

08<br />

ENTREVISTA<br />

RECICLAGEM<br />

É PRECISO MUDAR O ATUAL<br />

MODELO DE GESTÃO<br />

São quase três d<strong>é</strong>cadas de trabalho.<br />

Mas a verdade <strong>é</strong> que, no que concerne à<br />

recolha de resíduos, Portugal ainda tem<br />

um longo caminho pela frente.<br />

24<br />

ENTREVISTA<br />

No SDR está tudo pronto a<br />

arrancar. Só falta a lei que<br />

regulará o sistema<br />

Os gover<strong>nos</strong> prometem, mas está difícil<br />

sair da gaveta. Entretanto, Portugal<br />

vai falhando as metas de reciclagem e<br />

perdem-se anualmente 240 milhões de<br />

euros de incentivo à reciclagem.<br />

32<br />

PORTUGAL recebe aviso de<br />

incumprimento da Comissão<br />

Europeia<br />

Continuamos a falhar as metas de reciclagem<br />

<strong>nos</strong> resíduos. Será que este<br />

puxão de orelhas vai mudar alguma<br />

coisa?<br />

34<br />

PLÁSTICOS & EMBALAGENS<br />

Prejuízo de 35 milhões de euros<br />

anualmente nas autarquias<br />

Portugal cumpre nas metas estipuladas<br />

para as embalagens de plástico,<br />

mas com as novas regras poderá pagar<br />

uma fatura elevada<br />

14<br />

RECICLAGEM<br />

Portugal aqu<strong>é</strong>m do seu potencial<br />

Processos de recolha ineficientes ou<br />

inexistentes, taxas de gestão de resíduos<br />

inadequadas, e falta de visão integrada.<br />

Alguns dos problemas que enfrentam<br />

as entidades que “tratam” dos resíduos<br />

portugueses.


\\ ÍNDICE \\<br />

7<br />

36<br />

COM UM INVESTIMENTO DE 18 MILHÕES<br />

DE EUROS, PORTUGAL CUMPRIRIA NO<br />

VIDRO<br />

38<br />

AS VÁRIAS VIDAS DO PAPEL<br />

40<br />

ESTARÁ PORTUGAL<br />

PREPARADO PARA A RECOLHA<br />

DOS BIORRESÍDUOS<br />

42<br />

RESÍDUOS ELECTRÓNICOS<br />

O LIXO VALIOSO!<br />

54<br />

FÓRUM DE LÍDERES<br />

1<br />

Qual a importância da Sustentabilidade<br />

2<br />

para a sua área/setor?<br />

Como perspetiva o futuro do setor da<br />

gestão de resíduos em Portugal?<br />

44<br />

PILHAS & BATERIAS COM NOVO<br />

REGULAMENTO<br />

46<br />

TRANSFORME O SEU ÓLEO EM<br />

NOVA MATÉRIA-PRIMA<br />

48<br />

HÁ SETE ANOS QUE A LEI<br />

PROSOLOS ESTÁ NA GAVETA<br />

50<br />

DESPIR O PLANETA<br />

62<br />

DIRETÓRIO<br />

Rumo a uma<br />

economia circular<br />

Reutilizar e reciclar os produtos permite retardar o uso dos<br />

recursos naturais, reduzir a perturbação das paisagens e dos<br />

habitats e ajudar a limitar a perda de biodiversidade.<br />

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023


8 \\ ENTREVISTA \\<br />

RECICLAGEM<br />

É PRECISO MUDAR O ATUAL<br />

MODELO DE GESTÃO<br />

SÃO QUASE TRÊS DÉCADAS DE TRABALHO. MAS A VERDADE É QUE, NO QUE CONCERNE<br />

À RECOLHA DE RESÍDUOS, PORTUGAL AINDA TEM UM LONGO CAMINHO PELA FRENTE.<br />

UM CAMINHO PARA O QUAL NUNO LACASTA, PRESIDENTE DA AGÊNCIA PORTUGUESA DO<br />

AMBIENTE (APA), DEFENDE UM MODELO SUSTENTADO DE RECOLHA SELETIVA DAS VÁRIAS<br />

FRAÇÕES DE RESÍDUOS.<br />

\\ Por Alexandra Costa<br />

No final do ano passado, Portugal definiu e levou a cabo<br />

uma mudança na estrat<strong>é</strong>gia de recolha de resíduos. No<br />

entanto, apesar da evolução, o país continua a falhar as<br />

metas estabelecidas pela Comissão Europeia. É certo<br />

que há diferenças <strong>nos</strong> tipos de resíduos. No entanto, em conversa com a<br />

Green Savers, o presidente da APA, Nuno Lacasta, revelou que a questão<br />

<strong>é</strong> mais abrangente e defende respostas integradas que, entre outras<br />

coisas, passem pela implementação de sistemas de recolha seletiva eficazes<br />

e pela promoção da participação do cidadão nesses sistemas.<br />

Como avalia a prestação de Portugal no que concerne à recolha e<br />

tratamento de resíduos?<br />

Portugal promoveu importantes mudanças a partir de 1996, desde o<br />

encerramento das lixeiras (em 1996 contabilizavam-se mais de três<br />

centenas de lixeiras), e a sua substituição por aterros controlados, que<br />

contemplam um conjunto de requisitos de proteção ambiental, à introdução<br />

de recolha seletiva para um crescente número de frações, ou<br />

ao incremento da valorização e reciclagem dessas frações. Procedeu-se<br />

ainda ao desenvolvimento de vários modelos de redes de recolha de resíduos,<br />

e investiu-se fortemente em infraestruturas de tratamento. Houve<br />

tamb<strong>é</strong>m uma aposta na sensibilização e educação da população para as<br />

mat<strong>é</strong>rias de recolha seletiva e, mais recentemente, para a prevenção de<br />

resíduos.<br />

As exigentes metas comunitárias têm vindo a determinar importantes<br />

desafios estrat<strong>é</strong>gicos e operacionais, vertidos <strong>nos</strong> Pla<strong>nos</strong> Estrat<strong>é</strong>gicos<br />

em mat<strong>é</strong>ria de resíduos, que colocam os municípios, os Sistemas de<br />

Gestão de <strong>Resíduos</strong> Urba<strong>nos</strong> (SGRU) e demais operadores de gestão de<br />

resíduos, perante a necessidade de uma muito forte articulação e integração<br />

das suas operações.<br />

Tamb<strong>é</strong>m no que respeita aos fluxos específicos de resíduos, tem vindo<br />

a ser muito reforçada a responsabilidade alargada do produtor, reconhecida<br />

cada vez mais como um pilar fundamental na gestão de resíduos.<br />

Importa, no entanto, reconhecer que a evolução verificada tem sido<br />

positiva, não obstante poder não ter sido tão rápida como gostaríamos.<br />

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023


\\ ENTREVISTA \\<br />

9<br />

As novas metas estabelecidas neste âmbito colocam<br />

à maioria dos Estados-Membros, incluindo<br />

a Portugal, desafios de grande complexidade, que<br />

exigem respostas integradas, desde a implementação<br />

de sistemas de recolha seletiva eficazes, à promoção<br />

da participação do cidadão nesses sistemas.<br />

Ainda sobre os resíduos, quais os desafios que<br />

Portugal tem de ultrapassar? O que a APA está<br />

a fazer para isso?<br />

A política comunitária em mat<strong>é</strong>ria de resíduos<br />

tem definido, ao longo dos tempos, objetivos e metas<br />

cada vez mais ambiciosos, que visam o desvio<br />

de resíduos de aterro e uma maior circularidade<br />

dos materiais, privilegiando em primeira linha a<br />

prevenção de resíduos.<br />

Para atingir estes objetivos e metas, Portugal<br />

tem ainda de percorrer um longo caminho, que<br />

passará por uma intervenção ao nível da melhoria<br />

dos tratamentos de resíduos, mas sobretudo<br />

por uma substituição do modelo atual de gestão,<br />

assente na recolha indiferenciada de resíduos,<br />

por um modelo sustentado de recolha seletiva<br />

das várias frações de resíduos. Esta alteração e<br />

o sucesso da estrat<strong>é</strong>gia estão fortemente dependentes<br />

da participação e adesão da população e<br />

do consumidor, o que exige uma campanha de<br />

comunicação adaptada ao tipo de população<br />

alvo a abordar e que considere as especificidades<br />

ao nível nacional, regional e mesmo local.<br />

Em 2018, foi publicado, a nível comunitário, o<br />

“Novo Pacote <strong>Resíduos</strong>”, que incluiu a revisão de<br />

um conjunto de Diretivas em mat<strong>é</strong>ria de resíduos,<br />

nomeadamente a Diretiva Quadro <strong>Resíduos</strong>,<br />

que datava de 2008, a Diretiva Aterros e a Diretiva<br />

Embalagens. De um modo geral, este conjunto<br />

de alterações legislativas visava melhorar a gestão<br />

de resíduos na União Europeia, transformando-a<br />

numa gestão sustentada dos materiais. Foram introduzidos<br />

novos desafios em mat<strong>é</strong>ria de resíduos<br />

urba<strong>nos</strong>, com objetivos mais claros e concretos e<br />

maior ambição nas metas estabelecidas. Desta alteração,<br />

há a destacar como principais desafios:<br />

1. Obrigação de recolha seletiva de biorresíduos<br />

at<strong>é</strong> 2023;<br />

2. Obrigação de recolha seletiva de resíduos<br />

têxteis e pequenas frações de resíduos perigosos<br />

dom<strong>é</strong>sticos at<strong>é</strong> 2025;<br />

3. Definição de medidas obrigatórias para prevenção<br />

de resíduos;<br />

4. Redução do desperdício alimentar;<br />

5. Reforço da promoção na hierarquia de<br />

resíduos;<br />

6. Reforço das restrições à deposição em aterro;<br />

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023


10 \\ ENTREVISTA \\<br />

7. Aumento dos quantitativos de resíduos de<br />

embalagem recolhidos seletivamente;<br />

8. Aumento dos quantitativos de <strong>Resíduos</strong> de<br />

Equipamentos El<strong>é</strong>tricos e Eletrónicos (REEE)<br />

recolhidos seletivamente.<br />

As metas a alcançar aumentam significativamente<br />

no período pós 2020 (*ver quadro).<br />

Para atingir os objetivos em causa, <strong>é</strong> essencial a<br />

participação da população, pois toda a separação<br />

dos resíduos terá de ser feita na sua própria casa.<br />

Neste sentido, o cidadão <strong>é</strong> o fator determinante<br />

para o sucesso ou fracasso da nova estrat<strong>é</strong>gia a implementar,<br />

pelo que <strong>é</strong> imprescindível a realização<br />

de campanhas de comunicação robustas e focadas<br />

no objetivo da recolha seletiva.<br />

Todos os outros intervenientes tamb<strong>é</strong>m têm<br />

que ser envolvidos, desde a conceção ao fabrico,<br />

à distribuição e comercialização, aos operadores<br />

2020 2025 2030 2035<br />

Preparação para reutilização e reciclagem 50% 55% 60% 65%<br />

Redução de resíduos alimentares 30% 50%<br />

<strong>Resíduos</strong> de Embalagens plástico 50% 55%<br />

<strong>Resíduos</strong> de Embalagens de madeira 25% 30%<br />

<strong>Resíduos</strong> de Embalagens de metais<br />

ferrosos<br />

70% 80%<br />

<strong>Resíduos</strong> de Embalagens de alumínio 50% 60%<br />

<strong>Resíduos</strong> de Embalagens de vidro 70% 75%<br />

<strong>Resíduos</strong> de Embalagens de papel e cartão 75% 85%<br />

Meta de recolha separada para garrafas<br />

de bebidas de plástico de uso único<br />

Deposição de RUB em aterro<br />

AS METAS A ALCANÇAR<br />

NO PERÍODO PÓS 2020<br />

35%<br />

(face a 1985)<br />

77%<br />

90%<br />

(2029)<br />

Deposição de resíduos em aterro 10%<br />

responsáveis pela gestão do resíduo, à administração<br />

e à sociedade no geral.<br />

A estrat<strong>é</strong>gia para o cumprimento por Portugal<br />

destas ambiciosas metas foi estabelecida no Plano<br />

Nacional de Gestão de <strong>Resíduos</strong> e no Plano Estrat<strong>é</strong>gico<br />

para a Gestão dos <strong>Resíduos</strong> Urba<strong>nos</strong>, que<br />

define metas específicas para cada um dos SGRU,<br />

bem como um conjunto de medidas que concorrem<br />

para o seu cumprimento, e responsabilidades<br />

dos diferentes atores.<br />

Encontra-se em curso uma articulação próxima<br />

com os municípios no sentido de identificar os<br />

respetivos contributos para os objetivos do SGRU<br />

que o integram. Em sequência, cada uma das entidades<br />

gestoras de resíduos urba<strong>nos</strong> – SGRU e municípios<br />

- deverá definir, no âmbito dos respetivos<br />

pla<strong>nos</strong> de ação (PAPERSU), e em articulação com<br />

as restantes, a trajetória associada ao cumprimento<br />

destes objetivos, atrav<strong>é</strong>s de medidas e ações,<br />

prazos e custos previstos.<br />

Não havendo modelos perfeitos, a constante avaliação<br />

e ajustes ao percurso delineado terão de ser<br />

efetuados ao longo do período de planeamento.<br />

Quando se fala de resíduos, o tema abarca<br />

não só a recolha por parte dos cidadãos como<br />

por parte das empresas. De que forma avalia<br />

a prestação destas duas vertentes?<br />

Relativamente ao cidadão, apesar dos equipamentos<br />

e infraestruturas de vários tipos para<br />

diferentes soluções e da implementação de várias<br />

redes de recolha, por parte dos Sistemas de<br />

Gestão de <strong>Resíduos</strong> Urba<strong>nos</strong> e municípios, e<br />

diversas campanhas de educação e sensibilização,<br />

verifica-se que a sua participação tem de ser<br />

reforçada, sendo este um foco prioritário de intervenção.<br />

Assim, para al<strong>é</strong>m da aposta em mais<br />

e melhor sensibilização para o tema, <strong>é</strong> essencial<br />

promover uma melhor separação dos resíduos,<br />

atrav<strong>é</strong>s da implementação de redes de recolha<br />

seletiva inovadoras e convenientes, assim como<br />

desenvolver instrumentos económicos que<br />

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023


\\ ENTREVISTA \\<br />

11<br />

Novas metas estabelecidas colocam<br />

à maioria dos Estados-Membros,<br />

incluindo a Portugal, desafios de<br />

grande complexidade que exigem<br />

respostas integradas, que passam<br />

pela implementação de sistemas de<br />

recolha seletiva eficazes e pela promoção<br />

da participação do cidadão<br />

nesses sistemas.<br />

permitam ao cidadão identificar o resíduo como<br />

um recurso.<br />

No caso das empresas, recai sobre elas a responsabilidade<br />

sobre a gestão do resíduo e o custo do<br />

seu encaminhamento para destino adequado.<br />

Assim, as empresas estão mais disponíveis para<br />

prevenir resíduos e proceder à sua segregação,<br />

uma vez que este comportamento evita custos. O<br />

Plano Estrat<strong>é</strong>gico para os <strong>Resíduos</strong> não Urba<strong>nos</strong><br />

(PERNU) estabelece, para o período at<strong>é</strong> 2030,<br />

um conjunto de objetivos no sentido de promover<br />

uma gestão adequada desta tipologia de resíduos,<br />

de acordo com a sua hierarquia, identificando<br />

medidas e ações a implementar por vários intervenientes,<br />

e fazer evoluir os números da reciclagem,<br />

incentivar a reutilização e desviar do aterro as frações<br />

com potencial de valorização.<br />

Portugal falha em cumprir as metas definidas<br />

pela Comissão Europeia no que diz respeito<br />

à recolha de resíduos. O que pode ser feito no<br />

sentido de alterar esta situação?<br />

Importa clarificar que Portugal não falha todas<br />

as metas estabelecidas em direito comunitário.<br />

No entanto, <strong>é</strong> necessário fazer um caminho de<br />

transição para uma economia mais circular, que<br />

potenciará o cumprimento das metas e promoverá<br />

a criação de valor a partir dos resíduos, apoiando<br />

concomitantemente uma estrat<strong>é</strong>gia de redução<br />

de utilização de recursos.<br />

Ultrapassar as barreiras atualmente sentidas em<br />

Portugal, no âmbito da transição para uma economia<br />

circular, exige a adoção de diferentes medidas<br />

e instrumentos de política, nomeadamente<br />

ao nível regulatório, económico e de informação/<br />

sensibilização.<br />

É importante garantir que o enquadramento<br />

legislativo e regulatório seja o adequado. Simplificar<br />

a legislação e reduzir a burocracia associada<br />

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023


12<br />

\\ ENTREVISTA \\<br />

Portugal não falha todas<br />

as metas estabelecidas<br />

em direito comunitário,<br />

no entanto importa fazer<br />

um caminho de transição<br />

para uma economia mais<br />

circular que potenciará o<br />

cumprimento de metas e<br />

promoverá a criação de<br />

valor a partir dos resíduos<br />

apoiando uma estrat<strong>é</strong>gia<br />

de redução na utilização<br />

de recursos.<br />

à regulamentação pode ter um impacto positivo<br />

na implementação de estrat<strong>é</strong>gias de economia<br />

circular.<br />

É igualmente importante criar ou alavancar<br />

instrumentos económicos, incentivos fiscais para<br />

a utilização de resíduos, subprodutos, materiais<br />

reciclados e reutilizados, e a modelação de prestações<br />

financeiras no âmbito da responsabilidade<br />

alargada do produtor.<br />

Tamb<strong>é</strong>m <strong>é</strong> necessário continuar a assegurar fontes<br />

de financiamento voltadas para a circularidade,<br />

incluindo o apoio ao investimento produtivo<br />

e à investigação e inovação, bem como o apoio às<br />

empresas na identificação e acesso a oportunidades<br />

de financiamento relevantes.<br />

Não me<strong>nos</strong> importante, a necessidade de continuar<br />

a alavancar estrat<strong>é</strong>gias no âmbito da educação,<br />

apostando numa maior integração dos<br />

princípios de economia circular <strong>nos</strong> currículos e<br />

melhorando a informação ao cidadão, mas tamb<strong>é</strong>m<br />

destinadas a aumentar as competências e<br />

conhecimentos de economia circular das empresas<br />

e organizações.<br />

Importa, ainda, salientar a importância de envolver<br />

ativamente todas as partes interessadas no<br />

processo de transição, no sentido de construir uma<br />

perspetiva partilhada, com a qual os vários atores<br />

se identifiquem, aumentando o seu compromisso<br />

para com as estrat<strong>é</strong>gias e soluções adotadas.<br />

Os recentes instrumentos de política ao nível europeu,<br />

como o Green Deal e o novo Plano de Ação<br />

para a Economia Circular, e outros mais específicos<br />

como a Diretiva <strong>Resíduos</strong> e a Diretiva dos<br />

Plásticos de Uso Único, já transpostas para o direito<br />

nacional, trazem consigo a disrupção que não<br />

podemos mais adiar e temos o dever de acompanhar.<br />

O que está em causa não <strong>é</strong> apenas melhorar<br />

a qualidade ambiental e o bem-estar social, mas<br />

tamb<strong>é</strong>m o posicionamento e a competitividade<br />

das empresas nacionais.<br />

Direcionar o investimento para fazer diferente,<br />

para efetivamente reduzir o consumo de<br />

mat<strong>é</strong>rias-primas e energia, sem comprometer a<br />

sustentabilidade das empresas e contribuindo at<strong>é</strong><br />

para aumentar a sua competitividade. É esse o caminho<br />

para o qual temos de apontar.<br />

A legislação nacional já tem como principal<br />

objetivo a transição para uma economia circular,<br />

assentando muitas das suas disposições na hierarquia<br />

de resíduos e privilegiando as operações<br />

mais nobres da hierarquia. Vem trazer alterações<br />

relevantes, por exemplo, no processo de desclassificação<br />

de resíduos, cujo procedimento tem vindo<br />

a ser reiteradamente identificado como um obstáculo<br />

à promoção de uma economia circular.<br />

No que respeita aos subprodutos, destaca-se a<br />

simplificação administrativa e a eliminação dos<br />

custos associados. O procedimento de classificação<br />

como subproduto torna-se auto-declarativo<br />

pelo produtor da substância ou associação do<br />

setor, desde que as condições para a sua desclassificação<br />

estejam devidamente validadas por laboratórios<br />

colaborativos reconhecidos pela FCT<br />

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023


\\ ENTREVISTA \\<br />

13<br />

ou centros tecnológicos que atuem no âmbito do<br />

processo produtivo em causa. Julga-se que este<br />

mecanismo irá potenciar a aplicação da figura de<br />

subproduto, <strong>nos</strong> vários setores de atividade.<br />

Ainda a salientar a referência expressa da nova<br />

legislação a espaços de experimentação e inovação<br />

que podem ser autorizados para testar novas<br />

utilizações para os resíduos/subprodutos, antes da<br />

sua classificação “final” como subproduto, criando<br />

assim um regime diferenciado e mais simplificado<br />

para a fase de I&D.<br />

No que diz respeito ao Fim do Estatuto do Resíduo,<br />

<strong>é</strong> introduzida a desclassificação caso a caso,<br />

que se aplica unicamente a um Operador de tratamento<br />

de resíduos, traduzindo-se num processo<br />

me<strong>nos</strong> complexo e me<strong>nos</strong> moroso.<br />

Outras formas de desclassificação de resíduos<br />

são a incorporação de resíduos na indústria transformadora,<br />

em substituição de mat<strong>é</strong>rias-primas, e<br />

os resíduos utilizados em processos que darão origem<br />

a um material sujeito a Marcação CE.<br />

Nos obstáculos identificados à economia circular,<br />

<strong>é</strong> tamb<strong>é</strong>m recorrentemente identificada a<br />

relutância por parte da indústria na aceitação de<br />

mat<strong>é</strong>rias-primas secundárias. Um dos fatores que<br />

<strong>nos</strong> permitirá promover a aceitação das mat<strong>é</strong>rias-<br />

-primas secundárias <strong>é</strong> o alargamento da recolha<br />

seletiva que <strong>nos</strong> próximos a<strong>nos</strong> terá impacto na<br />

quantidade e qualidade do material recuperado.<br />

Esta estrat<strong>é</strong>gia permitirá criar um mercado de<br />

mat<strong>é</strong>rias-primas secundárias, com uma oferta em<br />

quantidade e qualidade compatível com a procura<br />

da indústria, permitindo poupar recursos.<br />

Outro dos instrumentos em vigor, que potenciará<br />

este mercado, será a aplicação de metas de<br />

incorporação de mat<strong>é</strong>rias-primas secundárias,<br />

como por exemplo <strong>nos</strong> setores da construção e da<br />

embalagem, setores muito intensivos em consumo<br />

de materiais.<br />

Instrumentos económicos e fiscais encontram-<br />

-se tamb<strong>é</strong>m a ser avaliados neste âmbito, num<br />

contexto regulatório e de mercado.<br />

Pese embora as medidas a implementar, no sentido<br />

da promoção de uma maior retenção de mat<strong>é</strong>rias-primas<br />

secundárias na economia, importa<br />

continuar a investir na eficiência dos processos<br />

produtivos e na inovação, de modo a evitar desperdícios,<br />

sendo que o melhor resíduo <strong>é</strong> claramente<br />

o resíduo evitado. A adoção dos princípios subjacentes<br />

a uma economia circular encerra um enorme<br />

potencial para a sustentabilidade, sobretudo<br />

em contextos como o que estamos hoje a viver.<br />

É urgente que as atividades económicas implementem<br />

as mudanças necessárias e reforcem os<br />

seus compromissos. É urgente que o consumidor<br />

promova escolhas e adote comportamentos que<br />

permitam reduzir a produção de resíduos, optando<br />

por produtos mais sustentáveis e com um ciclo<br />

de vida me<strong>nos</strong> impactante.<br />

Importa que o cidadão entenda o resíduo como<br />

um recurso, segregando o mais possível as frações<br />

alvo e fomentando, assim, uma recuperação de<br />

mais materiais e de melhor qualidade. Importa<br />

que o setor dos resíduos contribua, investindo em<br />

maior eficácia e eficiência na recolha e no tratamento<br />

de resíduos.<br />

Enquanto, coletivamente, não formos de facto<br />

mais ambiciosos, não poderemos evoluir para uma<br />

sociedade e economia que regeneram e preservam<br />

recursos, em vez de os desperdiçar, e que prosperam<br />

dentro dos limites do planeta.<br />

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023


14 \\ RESÍDUOS \\<br />

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023


\\ RECICLAGEM \\<br />

15<br />

RECICLAGEM<br />

PORTUGAL AQUÉM DO SEU POTENCIAL<br />

PROCESSOS DE RECOLHA INEFICIENTES OU INEXISTENTES, TAXAS DE GESTÃO<br />

DE RESÍDUOS INADEQUADAS, E FALTA DE VISÃO INTEGRADA. ALGUNS DOS<br />

PROBLEMAS QUE ENFRENTAM AS ENTIDADES QUE “TRATAM” DOS RESÍDUOS<br />

PORTUGUESES E QUE CONDICIONAM O ATINGIMENTO DAS METAS DEFINIDAS<br />

PELA COMISSÃO EUROPEIA.<br />

\\ Por Alexandra Costa<br />

Analisar a evolução portuguesa de d<strong>é</strong>cadas de reciclagem<br />

de resíduos urba<strong>nos</strong> <strong>é</strong> uma sensação agridoce.<br />

Por um lado, <strong>é</strong> nítido que houve uma evolução.<br />

Mas, por outro, tamb<strong>é</strong>m <strong>é</strong> claro que o país<br />

não avançou tanto quanto poderia e que ainda há um longo<br />

caminho a percorrer.<br />

Como aponta Ana Trigo Morais, CEO da Sociedade Ponto<br />

Verde, “globalmente não estamos bem”. A executiva explica que<br />

Portugal está longe das metas de reciclagem de resíduos urba<strong>nos</strong>,<br />

mas no campo das embalagens, com exceção do vidro, a<br />

situação <strong>é</strong> bem diferente. Ou seja, a evolução tem sido notável<br />

no que diz respeito à reciclagem de embalagens, tanto assim<br />

<strong>é</strong> que as metas anuais do plástico e do papel/cartão já foram<br />

alcançadas no primeiro semestre de 2023. Aliás, este <strong>é</strong> o único<br />

fluxo urbano que cumpre.<br />

Opinião partilhada pela Zero que, nas palavras de Rui Berkemeier,<br />

considera que se mant<strong>é</strong>m o falhanço total na reciclagem<br />

de resíduos urba<strong>nos</strong>, resíduos el<strong>é</strong>tricos e eletrónicos, embalagens<br />

de produtos fitofarmacêuticos, sementes e biocidas, e pilhas.<br />

A verdade <strong>é</strong> que, e segundo dados da Agência Portuguesa do<br />

Ambiente, em 2021 foram produzidas em Portugal 5,04 milhões<br />

de toneladas (t) de resíduos urba<strong>nos</strong> (RU), mais 0,6% do<br />

que em 2020, verificando-se um ligeiro aumento na produção,<br />

quando comparado com o ano anterior. Na prática, e feitas as<br />

contas, isto significa uma produção diária de 1,40 kg por habitante.<br />

O Relatório do Estado do Ambiente – REA 2022, da APA,<br />

refere ainda que, e no que diz respeito à reciclagem de fluxos<br />

específicos de resíduos (embalagens e resíduos de embalagens,<br />

óleos lubrificantes usados, pneus usados, resíduos de equipamento<br />

el<strong>é</strong>trico e eletrónico, resíduos de pilhas e acumuladores,<br />

veículos em fim de vida e resíduos de construção e demolição),<br />

as taxas de reciclagem obtidas em 2020 permitiram o cumprimento<br />

das metas globais definidas, exceto no caso de pneus<br />

usados, em que a taxa alcançada, 64%, ficou aqu<strong>é</strong>m da meta<br />

estabelecida (65%).<br />

Analisando especificamente o fluxo de resíduos de embalagens,<br />

foram produzidos aproximadamente 1,79 milhões de<br />

toneladas em 2020, tendo resultado numa taxa de reciclagem<br />

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023


16<br />

\\ RECICLAGEM \\<br />

de 60% e numa taxa de valorização de 69%.<br />

Por tipo de material de embalagem, os dados<br />

revelam que apenas as taxas de reciclagem de<br />

embalagem de vidro (53%) e de embalagens<br />

de metal (47%) não alcançaram, em 2020, as<br />

respetivas metas (de 60% e 50%, respetivamente).<br />

Já as taxas de reciclagem de embalagens de<br />

papel e cartão (66%), de embalagens de plástico<br />

(34%) e de embalagens de madeira (91%)<br />

ultrapassaram as metas de 60%, 22,5% e 15%,<br />

respetivamente.<br />

A produção de resíduos perigosos (RP) em<br />

Portugal registou, em 2020, cerca de 935 mil<br />

toneladas, o que corresponde a uma redução<br />

de 18% face a 2018, ano em que atingiu um<br />

máximo de cerca de 1 115 mil toneladas. A<br />

maior parte dos resíduos perigosos produzidos<br />

em Portugal tiveram origem em atividades de<br />

recolha, tratamento e eliminação de resíduos<br />

(40%). Dos resíduos perigosos tratados em<br />

2020, 67% foram sujeitos a operações de eliminação<br />

e 33% foram encaminhados para valorização.<br />

O total de rendimentos das entidades gestoras<br />

de resíduos, resultantes das prestações<br />

financeiras – ecovalor – assumidas pelo produtor<br />

pelos impactes ambientais associados<br />

aos respetivos produtos, foi de cerca de 118<br />

milhões de euros em 2020, o que representou<br />

um aumento de 29% face a 2019.<br />

No contexto dos “Riscos Ambientais”, a ficha<br />

temática seca avalia a ocorrência de períodos<br />

de redução da disponibilidade de água,<br />

considerando diferentes definições de seca:<br />

meteorológica, agrícola, agrometeorológica e<br />

hidrológica. O ano hidrológico de 2021/2022<br />

caracterizou-se por uma situação de seca meteorológica<br />

em todo o território. A 30 de setembro<br />

de 2022 a distribuição percentual por<br />

classes do Índice PDSI no território era a seguinte:<br />

3,3% em seca fraca, 64,3% em seca moderada,<br />

32,2% em seca severa e 0,2% em seca<br />

extrema. No final de setembro de 2022 mantinham-se<br />

todas as bacias hidrográficas em seca,<br />

destacando-se as bacias do Douro, Tejo, Ribeiras<br />

do Oeste, Sado e Guadiana em seca severa,<br />

e Mira em seca extrema.<br />

Em 2021, a base de dados de incêndios rurais<br />

registou, em Portugal continental, 8 186<br />

incêndios rurais (9 619 em 2020), que resultaram<br />

em 28 360 hectares de área ardida (67 170<br />

hectares em 2020). Na d<strong>é</strong>cada de 2012-2021, o<br />

ano de 2021 registou o valor mais reduzido em<br />

número de incêndios e o segundo valor mais<br />

reduzido de área ardida.<br />

Relativamente à linha de costa em situação<br />

de erosão, a comparação da linha de<br />

costa de 2010 com a de 2021 mostra que a<br />

extensão/comprimento afetada por erosão se<br />

mant<strong>é</strong>m relativamente inalterada. Não obstante,<br />

mant<strong>é</strong>m-se o processo erosivo para o<br />

interior em algumas das áreas previamente<br />

identificadas em 2010, tendo-se registado at<strong>é</strong><br />

2021 uma perda de território de cerca de 1,3<br />

km2 (130 ha).<br />

A grande questão, aponta a CEO da Sociedade<br />

Ponto Verde <strong>é</strong> que no que concerne aos<br />

resíduos urba<strong>nos</strong> que fazem parte da <strong>nos</strong>sa<br />

vida diária, e sendo mat<strong>é</strong>rias orgânicas, os el<strong>é</strong>tricos<br />

e eletrónicos, ou o mobiliário velho, falta<br />

reciclagem. Pior. “Em alguns casos, não existe<br />

sequer um fluxo definido, o que faz com que<br />

Portugal, globalmente, ainda envie para aterro<br />

cerca de 64% de todos os resíduos urba<strong>nos</strong> que<br />

produz”, afirma a executiva que acrescenta que<br />

isto <strong>é</strong> tão mais crítico quando o país tem como<br />

meta reduzir para 10% at<strong>é</strong> 2035 e há tamb<strong>é</strong>m<br />

um atraso significativo no que diz respeito a<br />

um sistema de recolha e preparação para reciclagem<br />

de biorresíduos - que deveria estar a<br />

funcionar at<strong>é</strong> ao final de 2023 e neste momento<br />

só existem projetos-piloto. “É preocupante<br />

porque 40% dos resíduos urba<strong>nos</strong> em Portugal<br />

são biorresíduos (restos de comida e mat<strong>é</strong>ria<br />

orgânica)”, conclui.<br />

Esta <strong>é</strong> uma situação que causa estranheza.<br />

Porque <strong>é</strong> que o sistema de recolha de embalagens<br />

funciona – na sua generalidade – mas os<br />

restantes não?<br />

“Hoje os cidadãos têm à sua disposição vários<br />

sistemas de recolha seletiva, onde se destaca<br />

uma rede nacional com mais de 70 mil ecopontos<br />

que, no caso de 71% dos portugueses<br />

está a 50 metros de sua casa. Os resultados têm<br />

sido muito positivos, mas porque o objetivo <strong>é</strong><br />

aumentar o nível de ambição, tem de se conseguir<br />

recolher seletivamente mais recicláveis<br />

não apenas <strong>nos</strong> atuais como em novos targets”,<br />

reflete Ana Trigo de Morais.<br />

A CEO da Sociedade Ponto Verde dá mesmo<br />

o exemplo das rolhas de cortiça, que “são<br />

um material de embalagem que pode vir a ser<br />

incorporado no processo de reciclagem da cortiça,<br />

se for depositada no vidrão em conjunto<br />

com as garrafas de vidro”. Esta <strong>é</strong> uma das conclusões<br />

do Estudo “Análise de Viabilidade de<br />

Recolha Seletiva de Rolhas de Cortiça” lidera-<br />

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023


\\ RECICLAGEM \\<br />

17<br />

“É preocupante porque<br />

40% dos resíduos urba<strong>nos</strong><br />

em Portugal são<br />

biorresíduos (restos de<br />

comida e mat<strong>é</strong>ria orgânica)”,<br />

Ana Trigo Morais,<br />

CEO da Sociedade<br />

Ponto Verde<br />

do pela Sociedade Ponto Verde, com o apoio de<br />

vários parceiros na cadeia de valor.<br />

PORTUGAL VERSUS O RESTO DA EUROPA<br />

Na primeira metade de 2023 os portugueses<br />

encaminharam para reciclagem um total de<br />

220.041 toneladas de embalagens, o que significa<br />

um aumento de 2,6% em comparação com<br />

igual período de 2022. Como aponta Ana Trigo<br />

Morais apenas o vidro fica aqu<strong>é</strong>m nas metas<br />

da reciclagem de embalagens. No caso das<br />

embalagens “Portugal está no grupo dos países<br />

que cumprem as metas a par de França, e acima<br />

de Espanha, por exemplo”.<br />

A taxa de reciclagem mais recente que está<br />

disponível no Eurostat <strong>é</strong> de 2020 e o valor para<br />

Portugal <strong>é</strong> de 59,5%. “Sendo a m<strong>é</strong>dia da UE de<br />

64%, o país não está assim tão distante e a previsão<br />

<strong>é</strong> que em próximos a<strong>nos</strong> Portugal suba<br />

no ranking - por causa dos esforços que têm de<br />

ser desenvolvidos para as futuras metas, mas<br />

tamb<strong>é</strong>m porque, ao dia de hoje, a estatística<br />

do Eurostat, no que respeita ao desempenho<br />

da reciclagem das embalagens, não possui o<br />

mesmo rigor e abrangência em todos os países”,<br />

constata Ana Trigo Morais.<br />

No entanto há que ter em conta o alerta da<br />

Comissão Europeia referente a Portugal: o<br />

país está em vias de não cumprir a meta de 55<br />

% de preparação para a reutilização e reciclagem<br />

dos seus resíduos urba<strong>nos</strong> at<strong>é</strong> 2025; e as<br />

metas relativas a alguns fluxos de resíduos de<br />

embalagens fixadas para 2025. A isto há ainda<br />

uma outra preocupação, revela a responsável<br />

pela Sociedade Ponto Verde: a divergência entre<br />

a taxa de deposição em aterro atualmente<br />

registada em Portugal e a meta de deposição<br />

em aterro de, no máximo, 10 % dos resíduos<br />

urba<strong>nos</strong> fixada para 2035.<br />

A análise dos números permite concluir que<br />

o país perde por não ter ainda conseguido<br />

montar sistemas de recolha seletiva para os<br />

fluxos de resíduos onde ainda não existe. Essa<br />

<strong>é</strong> a opinião de Ana Trigo Morais, que acrescenta<br />

que <strong>nos</strong> existentes <strong>é</strong> fundamental continuar<br />

a informar e a sensibilizar os cidadãos,<br />

aumentar a transparência e o nível de serviço<br />

que lhes <strong>é</strong> prestado, para que haja mais confiança<br />

e reciclem mais e melhor as suas embalagens<br />

no pós-consumo.<br />

OS RESÍDUOS MAIS “PROBLEMÁTICOS”<br />

O vidro <strong>é</strong> o resíduo que mais dificuldade tem<br />

em atingir as metas. Ou, por outras palavras,<br />

o que está mais distante dos valores definidos<br />

pela Comissão Europeia. O que se pretende <strong>é</strong><br />

chegar a 70% em 2025 e 75% em 2030.<br />

“Sabia que se cada cidadão reciclar, pelo me<strong>nos</strong>,<br />

mais duas garrafas de vidro, por mês, o<br />

país consegue alcançar, ou mesmo ultrapassar,<br />

este objetivo?”, reflete Ana Trigo Morais, que<br />

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023


18<br />

\\ RECICLAGEM \\<br />

acrescenta que, para isso acontecer, “há muito<br />

trabalho a fazer e temos de acelerar o ritmo”. A<br />

CEO da Sociedade Ponto Verde aponta a “falha”<br />

na recolha junto ao canal HORECA, setor<br />

onde são geradas as quantidades mais significativas<br />

de vidro para reciclagem. A executiva<br />

defende que deve existir uma maior aposta em<br />

novas formas para a deposição destes resíduos,<br />

que sejam mais cómodas e eficazes e mais<br />

vocacionadas para estes estabelecimentos comerciais.<br />

“Seria bom a SPV ser chamada para ir buscar<br />

as garrafas de vidro que ainda são encaminhadas<br />

para os resíduos indiferenciados. Foi nesta<br />

perspetiva que criamos um programa específico<br />

para o canal HORECA e o projeto piloto<br />

que foi implementado em seis municípios, <strong>nos</strong><br />

quais disponibilizamos<br />

contentores com braços mecânicos para facilitar<br />

a deposição das embalagens de vidro.<br />

Apresentou resultados muito positivos, com<br />

um aumento m<strong>é</strong>dio de 60% de recolha de vidro.<br />

Com mais financiamento e vontade, um<br />

projeto destes poderia ganhar escala nacional<br />

e beneficiar todo o país”, explica.<br />

A isto Rui Berkemeier arescenta a questão<br />

dos biorresíduos Só agora se começa a falar<br />

– e praticar – a recolha seletiva dos mesmos.<br />

Onde isso não acontece há todo um conjunto<br />

de resíduos (que poderiam ser aproveitados)<br />

que vão parar a aterros. Na verdade, esta recolha<br />

seletiva <strong>é</strong> quase inexistente, verificando-se<br />

apenas a recolha de 8% do total de biorresíduos<br />

(cerca de 147 mil toneladas).<br />

A Zero refere mesmo que há um fraco tratamento<br />

dos biorresíduos, que representam<br />

cerca de 40% do total dos resíduos<br />

produzidos nas<br />

<strong>nos</strong>sas casas e no<br />

com<strong>é</strong>rcio e serviços (cerca de 1,9 milhões de<br />

toneladas), o que significa que o tratamento<br />

dos biorresíduos foi efetuado apenas para 19%<br />

do potencial (cerca de 353 mil toneladas).<br />

ABORDAGEM INTEGRADA<br />

Na opinião de Ana Trigo Morais a única forma<br />

de resolver a questão da recolha de resíduos <strong>é</strong><br />

atrav<strong>é</strong>s de uma atuação em várias frentes. “Um<br />

consumo moderado, consciente e sustentável,<br />

não passa unicamente pela “Reciclagem”, pressupõe<br />

que, primeiro, seja feito o caminho do<br />

“Reduzir” e “Reutilizar”. Para tal, <strong>é</strong> fundamental<br />

apostar numa maior literacia Ambiental<br />

desde cedo, junto dos mais novos”, aponta.<br />

Rui Berkemeier acrescenta que <strong>é</strong> preciso<br />

solucionar dois problemas que desvirtuam<br />

o mercado. por um lado, a taxa de gestão de<br />

resíduos <strong>é</strong> muito reduzida, o que, como refere<br />

o ambientalista e a associação que representa,<br />

não desincentiva o envio de materiais recicláveis<br />

para aterro ou para incineração. A juntar<br />

a isto há ainda o desperdício de centenas de<br />

milhões de euros do último quadro comunitário<br />

de apoio, gastos de forma muito pouco<br />

criteriosa, muitas vezes favorecendo investimentos<br />

que só vão agravar as dificuldades<br />

de cumprimento das metas (contentores semienterrados,<br />

recolha de biorresíduos com<br />

sacos óticos misturados com os resíduos<br />

indiferenciados, maior capacidade para<br />

produzir combustíveis derivados de resíduos).<br />

Na prática as empresas não pagam o<br />

valor justo de taxa de gestão de resíduos<br />

– uma consequência <strong>é</strong> o constante<br />

d<strong>é</strong>fice das entidades (normalmente<br />

autárquicas) que fazem o tratamento<br />

dos resíduos – e, por outro lado, as coimas<br />

aos infratores são demasiadamente<br />

baixas. Ou seja, o crime compensa.


\\ ODS \\ 19<br />

DIAGRAMA DO SISTEMA<br />

DE ECONOMIA CIRCULAR<br />

CICLO BIOLÓGICO<br />

(ORGÂNICO)<br />

CICLO TÉCNICO<br />

(INDUSTRIAL)<br />

AGRICULTURA<br />

E COLETA<br />

RECURSOS<br />

RENOVÁVEIS<br />

RECURSOS<br />

FINITOS<br />

FABRICAÇÃO DOS<br />

COMPONENTES<br />

REGENERAÇÃO<br />

MATÉRIAS PRIMAS<br />

BIOQUÍMICAS<br />

MANUFATURA DOS PRODUTOS<br />

PROMOÇÃO DO SERVIÇO<br />

COMPARTILHAR<br />

RECICLAGEM<br />

REUTILIZAÇÃO E REDISTRIBUIÇÃO<br />

REMANUFATURA<br />

APROVEITAMENTO<br />

EM CASCATA<br />

MANUTENÇÃO<br />

BIOGÁS<br />

DIGESTÃO<br />

ANAERÓBICA<br />

EXTRAÇÃO DE MATÉRIAS<br />

PRIMAS BIOQUÍMICA<br />

CONSUMO<br />

USO<br />

O Diagrama do sistema de economia circular, conhecido como diagrama de borboleta, ilustra o fluxo contínuo de materiais<br />

numa economia circular. Existem dois ciclos principais – o ciclo t<strong>é</strong>cnico e o ciclo biológico. No ciclo t<strong>é</strong>cnico, os produtos e<br />

materiais são mantidos em circulação atrav<strong>é</strong>s de processos como reutilização, reparação, remanufatura e reciclagem. No<br />

ciclo biológico, os nutrientes dos materiais biodegradáveis são devolvidos à Terra para regenerar a natureza.


20 \\ ENTREVISTA \\<br />

SELO RESÍDUO ZERO<br />

“ASSEGURA QUE VALORIZAMOS PELO MENOS<br />

90% DE TODOS OS NOSSOS RESÍDUOS”<br />

COM ESTA CERTIFICAÇÃO, O GRUPO EL CORTE INGLÉS REFORÇA O COMPROMISSO<br />

COM A SOCIEDADE E MEIO-AMBIENTE ATRAVÉS DE UMA GESTÃO DE RESÍDUOS<br />

COMPROMETIDA COM O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL.<br />

OGrupo El Corte Ingl<strong>é</strong>s obteve a certificação<br />

Resíduo Zero da AENOR, tornando-se na<br />

primeira entidade privada em Portugal a obter<br />

esta certificação. Para atingir o objetivo de<br />

evitar o envio dos resíduos para aterro, foram<br />

otimizados recursos, redefinidos processo de recolha e separação<br />

de resíduos e encontrados novos canais de reutilização<br />

dos desperdícios gerados. Susana Santos diretora de Comunicação,<br />

Relações Institucionais e Sustentabilidade, falou<br />

com a Green Savers sobre a gestão de resíduos do Grupo.<br />

De que forma <strong>é</strong> que a certificação AENOR “Resíduo Zero”<br />

reforça o compromisso do El Corte Ingl<strong>é</strong>s com a sustentabilidade<br />

e a economia circular?<br />

O Projeto Resíduo Zero reforça o compromisso do Grupo El<br />

Corte Ingl<strong>é</strong>s para com a sociedade e meio-ambiente, atrav<strong>é</strong>s<br />

de uma gestão de resíduos comprometida com o desenvolvimento<br />

sustentável.<br />

O selo Resíduo Zero, certificado atribuído pela AENOR, assegura<br />

que valorizamos pelo me<strong>nos</strong> 90% de todos os <strong>nos</strong>sos<br />

resíduos, evitando que tenham como destino final o aterro.<br />

Trata-se de um certificado que ajuda as empresas a otimizar<br />

processos, com foco <strong>nos</strong> pontos de produção de resíduos, e<br />

com vista à promoção da Economia Circular.<br />

Em 2020, iniciámos o processo de implementação do Projeto<br />

e, em 2021, o El Corte Ingl<strong>é</strong>s tornou-se a primeira entidade<br />

privada em Portugal a obter esta certificação.<br />

Já em julho deste ano, alcançou-se a Certificação nas lojas<br />

Supercor e a segunda renovação dos centros de Lisboa e Gaia<br />

e dos Armaz<strong>é</strong>ns de Alcochete e Olival, com 98.7% dos resíduos<br />

produzidos em 2022 valorizados.<br />

Como <strong>é</strong> que a empresa conseguiu atingir este objetivo?<br />

A implementação deste projeto não faz com que deixem de<br />

ser gerados resíduos, mas permite uma gestão organizada dos<br />

mesmos, a sua preparação para reutilização e/ou transformação<br />

em mat<strong>é</strong>rias-primas e uma posterior reintrodução na<br />

cadeia de valor.<br />

Para se atingir o objetivo de evitar o envio dos resíduos para<br />

aterro, foram otimizados recursos, redefinidos processo de<br />

recolha e separação de resíduos, assim como, encontrados<br />

novos canais de reutilização dos desperdícios gerados, sejam<br />

eles alimentares, têxteis ou outros.<br />

Que ações implementadas durante o processo destacam?<br />

A jornada de sustentabilidade na empresa envolve várias<br />

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023


\\ ENTREVISTA \\<br />

21<br />

<strong>Resíduos</strong> gerados<br />

nas <strong>nos</strong>sas lojas<br />

Produtos com utilizações distintas<br />

BIO<br />

DIESEL<br />

COMPOSTO<br />

Residuo Resíduo<br />

CERO Zero<br />

Vestuário para reutilização.<br />

Extração de componentes para<br />

fabrico de novos produtos.<br />

REUTILIZAÇÃO<br />

RECICLAGEM<br />

PLÁSTICO<br />

TEXTIL<br />

RECICLÁVEL<br />

Produtos com a mesma utilização<br />

Valorização 90% ou mais<br />

áreas da <strong>nos</strong>sa organização mas, foi, desde logo,<br />

importante a definição da Sustentabilidade como<br />

um eixo-estrat<strong>é</strong>gico da política empresarial atrav<strong>é</strong>s<br />

do Plano Diretor de Sustentabilidade e Responsabilidade<br />

Social Corporativo 2021-2025.<br />

As ações implementadas significaram aplicar os<br />

princípios de Economia Circular no modelo de<br />

gestão de resíduos. Neste modelo, os resíduos<br />

tornam-se novos recursos que podem continuar<br />

a ser utilizados, ajudando assim a salvaguardar o<br />

ambiente atrav<strong>é</strong>s de uma gestão sustentável.<br />

Mudámos o modelo para circular, em vez de<br />

linear, onde os produtos acabavam no aterro.<br />

Agora, os resíduos são aproveitados em novos<br />

processos e, assim, são valorizados. Apostamos<br />

na valorização, em vez da eliminação. Trata-se<br />

de reutilizar e reciclar para dar uma nova vida<br />

ao maior número de recursos.<br />

Por exemplo, os resíduos de óleo alimentar gerados<br />

nas <strong>nos</strong>sas cafetarias são transformados<br />

em biodiesel (combustível) ou os excedentes alimentares<br />

dos <strong>nos</strong>sos supermercados integram<br />

a produção de novos produtos, como acontece<br />

com os <strong>nos</strong>sos projetos de economia-circular<br />

e social, “É Uma Cerveja”, uma cerveja artesanal<br />

produzida em parceria com a 8ª Colina e a<br />

Associação Crescer, que utiliza no processo de<br />

produção pão excedente das <strong>nos</strong>sas padarias, ou<br />

o projeto “É Um Sorvete”, produzido em parceria<br />

com a Nannarella e tamb<strong>é</strong>m a Associação<br />

Crescer, que utiliza fruta madura (Abacaxi e<br />

Banana) na produção de um sorvete de excelente<br />

qualidade. Graças a essa estrat<strong>é</strong>gia, reduzimos<br />

o desperdício e a produção de resíduos,<br />

para transformá-los em novas mat<strong>é</strong>rias primas<br />

ou produtos.<br />

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023


22<br />

\\ ENTREVISTA \\<br />

O que <strong>é</strong> que fazem à roupa que não podem<br />

vender?<br />

Temos neste momento dois canais para garantir<br />

que as coleções fora de campanha são reencaminhadas<br />

para as <strong>nos</strong>sas lojas de Oportunidades<br />

que temos em Portugal e Espanha, onde são<br />

vendidas a custo de oportunidade, e atrav<strong>é</strong>s de<br />

doações junto de instituições, que se dedicam a<br />

apoiar pessoas em situação vulnerável.<br />

Posso adiantar, que estamos a trabalhar numa<br />

terceira e quarta vias, que consideram, por um<br />

lado, a reciclagem de têxtil e fabrico de novos fios,<br />

que por sua vez, irão gerar nova mat<strong>é</strong>ria-prima, e<br />

reutilização, atrav<strong>é</strong>s da produção de novos produtos<br />

utilitários cuja produção ficará a cargo de<br />

parceiros sociais.<br />

Como <strong>é</strong> que a empresa trabalha para reduzir o<br />

desperdício alimentar?<br />

Trabalhamos há muito tempo com parceiros sociais<br />

no combate ao desperdício alimentar e erradicação<br />

da fome e, neste âmbito, diariamente<br />

em todas as <strong>nos</strong>sas lojas, recebemos instituições<br />

que fazem a recolha dos excedentes alimentares<br />

dos <strong>nos</strong>sos supermercados e área de pratos<br />

preparados.<br />

Em 2022, foram doadas mais de 85 toneladas<br />

“<br />

As coleções fora de<br />

campanha são<br />

reencaminhadas para<br />

as <strong>nos</strong>sas lojas de<br />

Oportunidades em<br />

Portugal e Espanha, ou<br />

são doadas a instituições.<br />

de alimentos, que correspondem a 171 mil refeições<br />

confecionadas as partir destas doações.<br />

É meramente um indicador da dimensão do trabalho<br />

diário que envolve várias equipas em colaboração<br />

com os <strong>nos</strong>sos parceiros.<br />

Em 2022, o El Corte Ingl<strong>é</strong>s Portugal aderiu ao<br />

Roteiro para a Descarbonização do Setor da<br />

Distribuição e ao Pacto do Porto para o Clima.<br />

O que <strong>é</strong> que destacam no âmbito da estrat<strong>é</strong>gia<br />

de redução das emissões de CO2?<br />

Reconhecendo que as alterações climáticas atuais<br />

e projetadas para o curto e m<strong>é</strong>dio prazo exigem<br />

elevado compromisso dos agentes públicos,<br />

privados e da sociedade em geral, na adoção de<br />

medidas de mitigação das emissões de Gases<br />

com Efeito de Estufa (GEE), a adesão ao Roteiro<br />

para a Descarbonização do setor de Distribuição<br />

e ao Pacto do Porto para o Clima, acabam<br />

por representar, para o El Corte Ingl<strong>é</strong>s, passos<br />

naturais, no âmbito dos compromissos do Grupo<br />

para com a sociedade, o meio-ambiente e a<br />

sustentabilidade do <strong>nos</strong>so planeta.<br />

Uma das <strong>nos</strong>sas prioridades <strong>é</strong> o progresso em<br />

direção às melhores práticas em mat<strong>é</strong>ria de<br />

ambiente. Para alcançar esse objetivo, trabalhamos<br />

diariamente para racionalizar e reduzir o<br />

consumo de recursos, otimizar a gestão de<br />

resíduos e, consequentemente, contribuir<br />

para a preservação do ambiente.<br />

Embora a pegada do retalho não seja, por si<br />

só, a mais relevante, <strong>é</strong> na relação com os fornecedores,<br />

por um lado, e com os consumidores,<br />

por outro, que ela se torna verdadeiramente<br />

decisiva. No primeiro caso porque<br />

os retalhistas têm um papel determinante<br />

na seleção dos fornecedores e de produtos<br />

que respeitem as melhores práticas e, na<br />

relação com os clientes, têm o poder de os<br />

ajudar a fazer as melhores escolhas e alertar<br />

para as características de cada produto.<br />

A operação do retalho tamb<strong>é</strong>m tende a evoluir<br />

no sentido de minimizar a sua própria<br />

pegada e de mitigar o seu efeito. Tem sido<br />

esta a <strong>nos</strong>sa política e este <strong>é</strong>, tamb<strong>é</strong>m, o <strong>nos</strong>so<br />

compromisso.<br />

Neste contexto, de transição energ<strong>é</strong>tica,<br />

a adesão ao roteiro e ao pacto são muito<br />

importantes, porque permitem uma maior<br />

visibilidade e escrutínio das atividades no<br />

seu conjunto. São documentos responsabilizadores<br />

para cada um dos operadores e<br />

tamb<strong>é</strong>m muito desafiantes.<br />

Estamos muito motivados, porque no âmbito<br />

da <strong>nos</strong>sa estrat<strong>é</strong>gia de sustentabilidade,<br />

mesmo antes da adesão ao roteiro e ao pacto,<br />

já vínhamos medindo a <strong>nos</strong>sa pegada de<br />

carbono das Emissões de âmbito 1 e 2 com<br />

vista à monitorização e definição de metas<br />

e, ao mesmo tempo, estávamos já a implementar<br />

medidas de redução dos consumos<br />

energ<strong>é</strong>ticos, atrav<strong>é</strong>s do aumento do número<br />

de veículos el<strong>é</strong>tricos responsáveis pelas entregas<br />

ao domicílio e da oferta de pontos de<br />

carregamentos para veículos el<strong>é</strong>tricos nas<br />

<strong>nos</strong>sas lojas, al<strong>é</strong>m do gradual aumento de<br />

consumo de energia verde.<br />

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023


ODS<br />

12<br />

CONSUMO E PRODUÇÃO SUSTENTÁVEIS<br />

OODS 12 procura promover um<br />

modelo económico mais consciente<br />

e responsável, que permita<br />

às gerações atuais satisfazer<br />

as suas necessidades sem comprometer a<br />

capacidade das gerações futuras de fazer o<br />

mesmo. Isto <strong>é</strong> fundamental para alcançar a<br />

sustentabilidade global.<br />

As principais metas do ODS 12 incluem:<br />

Gestão Sustentável de Recursos: A meta<br />

12.2 estabelece a necessidade de alcançar, at<strong>é</strong><br />

2030, o uso mais eficiente dos recursos naturais,<br />

como água, energia e materiais. Isto<br />

implica reduzir o desperdício e a poluição ao<br />

longo de todo o ciclo de vida dos produtos.<br />

Redução do Desperdício de Alimentos: O<br />

ODS 12.3 visa reduzir pela metade o desperdício<br />

de alimentos per capita at<strong>é</strong> 2030,<br />

ao longo de toda a cadeia de suprimentos, do<br />

produtor ao consumidor.<br />

Consumo e Produção Sustentáveis: O ODS<br />

12.1 procura implementar práticas de gestão<br />

sustentável nas empresas, incluindo a incorporação<br />

de sustentabilidade nas suas operações<br />

e cadeias de fornecimento.<br />

Conscientização e Educação: O ODS 12.8<br />

enfatiza a importância de informar e educar<br />

as pessoas sobre estilos de vida sustentáveis e<br />

o impacto das suas escolhas de consumo.<br />

Cooperação Internacional: O ODS 12.A<br />

incentiva os países desenvolvidos a ajudar os<br />

países em desenvolvimento a fortalecerem<br />

as suas capacidades científicas e tecnológicas<br />

relacionadas com a sustentabilidade.<br />

A importância do ODS 12 está relacionada<br />

com a necessidade urgente de mudar o <strong>nos</strong>so<br />

padrão de consumo e produção. O modelo<br />

atual, baseado no uso intensivo de recursos<br />

naturais e na produção de resíduos, <strong>é</strong> insustentável<br />

e causa da<strong>nos</strong> significativos ao meio<br />

ambiente.<br />

ADOTAR UMA ABORDAGEM MAIS SUSTENTÁ-<br />

VEL IMPLICA:<br />

Redução de <strong>Resíduos</strong>: Isto não apenas reduz<br />

a poluição, mas tamb<strong>é</strong>m economiza recursos<br />

e energia que seriam usados na produção<br />

de novos produtos.<br />

Uso Eficiente de Recursos: Melhorar a<br />

eficiência no uso de recursos como água e<br />

energia reduz os custos operacionais das<br />

empresas e diminui a pressão sobre os recursos<br />

naturais.<br />

Inovação:A busca por soluções sustentáveis<br />

impulsiona a inovação tecnológica e empresarial,<br />

criando oportunidades económicas.<br />

Respeito pelos Limites Planetários: A gestão<br />

sustentável dos recursos naturais ajuda<br />

a manter a saúde do planeta, garantindo que<br />

os limites planetários críticos não sejam ultrapassados.<br />

Qualidade de Vida: A mudança para um<br />

estilo de vida mais sustentável pode melhorar<br />

a qualidade de vida das pessoas, reduzindo<br />

o stress ambiental e melhorando a saúde.<br />

Equitativa. Para alcançar essas metas, <strong>é</strong> necessário<br />

o compromisso de gover<strong>nos</strong>, empresas,<br />

sociedade civil e indivíduos em todo<br />

o mundo.


24<br />

\\ ENTREVISTA \\<br />

NO SDR ESTÁ TUDO PRONTO<br />

A ARRANCAR. SÓ FALTA A LEI<br />

QUE REGULARÁ O SISTEMA<br />

OS GOVERNOS PROMETEM, MAS ESTÁ DIFÍCIL SAIR DA GAVETA. ENTRETANTO, PORTUGAL VAI<br />

FALHANDO AS METAS DE RECICLAGEM E PERDEM-SE ANUALMENTE 240 MILHÕES DE EUROS DE<br />

INCENTIVO À RECICLAGEM.<br />

\\ Por Teresa Cotrim<br />

Antes da massificação do plástico, principalmente do<br />

uso único, o vidro era o mais utilizado. As pessoas<br />

compravam leite, cerveja e outras bebidas em garrafas<br />

de vidro, pagavam o depósito que depois lhes<br />

era devolvido com a entrega do frasco vazio. O Sistema<br />

de Depósito e Reembolso (SDR) <strong>é</strong> parecido. Leonardo Mathias,<br />

presidente da Associação SDR Portugal, entidade responsável pelo<br />

projeto, explica que se trata de um sistema de gestão de resíduos de<br />

embalagens de bebidas que consiste na cobrança de um valor de depósito<br />

no momento da venda (a antiga “tara ou caução”) que será<br />

reembolsado ao consumidor aquando da devolução das embalagens<br />

vazias.<br />

Este Sistema permitirá um aumento de embalagens recolhidas (taxa<br />

de retoma) e, na sua opinião ajudará no cumprimento das metas europeias<br />

de recolha e reciclagem de PET, alumínio e aço, tal como<br />

sucede <strong>nos</strong> países europeus que já implementaram este sistema.<br />

Contribuirá para uma maior qualidade ambiental e dos materiais<br />

reciclados, uma vez que a sua contaminação será menor. O sistema<br />

SDR permitirá reduzir 40% do littering (deitar lixo nas ruas) — o<br />

que implica uma diminuição entre 20 a 40 milhões de euros <strong>nos</strong><br />

respetivos custos de limpeza anuais, em Portugal. Permitirá ainda<br />

me<strong>nos</strong> deposição em aterro, me<strong>nos</strong> incineração e, consequentemente<br />

cidades mais limpas. Um sistema complementar ao sistema integrado<br />

já existente. Está tudo pronto. Só falta um pequeno, grande<br />

pormenor: a lei que regulará o sistema. Os gover<strong>nos</strong> prometem, mas<br />

está difícil sair da gaveta. Entretanto, Portugal vai falhando as metas<br />

de reciclagem e perde cerca de 240 milhões de euros de incentivo à<br />

reciclagem.<br />

O que <strong>é</strong> o Sistema de Depósitos e Reembolso (SDR)?<br />

Gostaria de começar por fazer um enquadramento do que se passa<br />

no <strong>nos</strong>so país. O último relatório do Desempenho Ambiental de<br />

2023, realizado pela OCDE, que analisa e avalia os progressos dos<br />

países quanto aos seus objetivos em mat<strong>é</strong>ria de política ambiental há<br />

três pontos que saltam à vista. O primeiro revela que Portugal regista<br />

um atraso relativamente à economia circular, o segundo que só em<br />

2020, o país gerou mais resíduos urba<strong>nos</strong> per capita do que a m<strong>é</strong>dia<br />

europeia e o terceiro <strong>é</strong> que Portugal <strong>é</strong> tamb<strong>é</strong>m um dos países com as<br />

mais elevadas taxas de deposição em aterro. Este <strong>é</strong> o <strong>nos</strong>so contexto.<br />

O <strong>nos</strong>so ponto de partida.<br />

Que modelo SDR propõe o SDR?<br />

O modelo que propomos de depósito e reembolso <strong>é</strong> uma solução que<br />

visa uma maior recolha e reciclagem de embalagens de bebidas de<br />

uso único. O próprio Secretário de Estado do Ambiente, Hugo Pires<br />

informou na <strong>nos</strong>sa conferência anual que at<strong>é</strong> ao final do primeiro<br />

semestre deste ano seria publicada a legislação, que enquadrava o<br />

futuro Sistema de Depósito e Reembolso.<br />

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023


\\ ENTREVISTA \\<br />

25<br />

Mas ainda não foi?<br />

Não, ainda não. Aguardamos a legislação que<br />

define o sistema. O Sistema de Depósito e Reembolso<br />

(SDR) para Portugal deveria estar a funcionar,<br />

de acordo com a Lei n.º 69/2018, de 26 de<br />

dezembro, desde o dia 1 de janeiro de 2022. Para<br />

que isto aconteça <strong>é</strong> necessária a publicação da regulamentação<br />

que defina e enquadre o SDR. Neste<br />

momento, com a revisão do Unilex, que tem<br />

implicações sobre a legislação que rege o setor dos<br />

resíduos e que, consequentemente, pode alterar o<br />

DL que institui o SDR.<br />

Se olharmos para os resultados do relatório Revisões<br />

do Desempenho Ambiental 2023 da OCDE<br />

e de outros que têm sido desenvolvidos e que<br />

apontam no sentido do que ainda <strong>é</strong> necessário fazer<br />

em Portugal, bem como a vontade aparente<br />

política deste governo e do anterior <strong>é</strong> uma pena<br />

este atraso porque precisamos de um enquadramento<br />

— e at<strong>é</strong> concordo que o governo tenha optado<br />

por um decreto-lei que dá mais força ao sistema<br />

e limita alguns litígios no futuro. Este atraso<br />

constante <strong>é</strong> que está a ferir bastante o país.<br />

A SDR já nasceu há três a<strong>nos</strong>... Já fizeram muito<br />

trabalho e algum investimento?<br />

A SDR nasce com uma carta de compromisso<br />

em 2019, em que junta por um lado retalhistas e<br />

por outro, embaladores e desde então tem havido<br />

um sem número de reuniões e audiências com<br />

membros do Governo e com várias entidades,<br />

como a APA, a Direção de Atividades Económicas,<br />

inclusivamente as Regiões Autónomas. Para<br />

demonstrar que este grupo existe foi constituído<br />

formalmente no dia 1 de setembro de 2022. Está<br />

disponível, tem os trabalhos feitos e está pronto<br />

para se candidatar à licença.<br />

Qual a estimativa para o número de depósitos?<br />

A <strong>nos</strong>sa estimativa prevê que possam ser depositados<br />

<strong>nos</strong> mais de 3600 pontos de recolha a<br />

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023


26<br />

\\ ENTREVISTA \\<br />

seja, em poder de compra e entendemos que o<br />

valor de dez cêntimos para todos os volumes —<br />

desde as pequeninas at<strong>é</strong> três litros ser o mesmo<br />

valor. Não podemos ser demasiado estritos. É<br />

mais uma arte do que propriamente uma ciência.<br />

Se for um valor muito alto podemos incentivar<br />

a alguma fraude e, se for muito baixo, podemos<br />

incentivar o desinteresse.<br />

instalar nas grandes superfícies (retalho e grossista),<br />

<strong>nos</strong> hot<strong>é</strong>is, restaurantes e caf<strong>é</strong>s e ainda<br />

em outras localizações estrat<strong>é</strong>gicas espalhadas<br />

pelo país, cerca de 43 mil toneladas de embalagens<br />

por ano, ou 2.123 milhões de unidades, ou<br />

seja, 35 mil toneladas de plástico PET depositadas<br />

anualmente, bem como 8,5 mil toneladas de<br />

alumínio e aço. Os países que já têm este sistema<br />

implementado têm uma recolha de 90%.<br />

E as embalagens de vidro? Não está previsto<br />

que sejam consideradas no Unilex para serem<br />

depositadas nestes sistemas?<br />

Não, mas aguardamos o enquadramento legal.<br />

No entanto, só para ter uma ideia, estima-se que<br />

os consumidores depositem por ano, 197 milhões<br />

de toneladas de vidro, o equivalente a 34 milhões<br />

de unidades.<br />

Depois de depositadas as embalagens...<br />

São recolhidas pelas entidades gestoras e reencaminhadas<br />

para centros de reciclagem, mas antes,<br />

os consumidores têm direito a reembolso.<br />

Que rondará os 10 cêntimos.<br />

Sim. O que fizemos foi uma análise em PP, ou<br />

Quando fala em fraude refere-se, por exemplo<br />

ao furto de embalagens para receber o<br />

dinheiro?<br />

Por exemplo, sim. Na lógica da logística inversa.<br />

Um camião que hoje distribui bebidas. Leva-as<br />

ao restaurante, ao caf<strong>é</strong> ou ao centro comercial e<br />

parte da <strong>nos</strong>sa estrat<strong>é</strong>gia <strong>é</strong> que muitas dessas empresas<br />

vão depois fazer a logística inversa, ou seja,<br />

vão tamb<strong>é</strong>m trazer as embalagens para depois as<br />

levarem aos centros de contagem. Não vão trazer<br />

ar. Vão ser transportadores de valores. A grande<br />

mudança de paradigma <strong>é</strong> que at<strong>é</strong> agora a gestão<br />

de resíduos em Portugal <strong>é</strong> feita essencialmente,<br />

ou medida à tonelagem. Agora estamos a falar de<br />

medir à unidade. Em termos de tonelagem o peso<br />

do PET e do alumínio ronda as 40 mil toneladas,<br />

mas em termos de unidades estamos a falar em<br />

2.2 mil milhões de unidades. Nós estamos preparados<br />

e o desafio <strong>é</strong> termos na rua, por ano, estes<br />

valores para uma cobertura universal do <strong>nos</strong>so<br />

país. Tem de abranger os 10 milhões de habitantes<br />

e os 17 milhões de turistas.<br />

Quais os resultados dos projetos piloto?<br />

Os vários projetos piloto realizados no país tiveram<br />

um enorme sucesso e vieram trazer dados<br />

importantes para a análise e estudo, inclusivamente,<br />

sobre o apoio da sociedade civil para o<br />

sistema. Os dois projetos piloto desenvolvidos<br />

pelo consórcio APIAM (Associação Portuguesa<br />

dos Industriais de Águas Minerais Naturais e de<br />

Nascente), PROBEB (Associação Portuguesa de<br />

Bebidas Refrescantes Não Alcoólicas) e APED<br />

(Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição)<br />

permitiram recolher, entre 2020 e 2022,<br />

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023


\\ ENTREVISTA \\<br />

27<br />

O Sistema de Depósito e Reembolso (SDR) para<br />

Portugal deveria estar a funcionar (…) desde o dia<br />

1 de janeiro de 2022. Para que isto aconteça <strong>é</strong> necessária<br />

a publicação da regulamentação que defina<br />

e enquadre o SDR<br />

mais de 22,6 milhões de embalagens, a que correspondem<br />

mais de 770 toneladas de embalagens<br />

encaminhadas para reciclagem. Ao todo,<br />

o reembolso do valor afeto a estas embalagens<br />

somou cerca de 700 mil euros.<br />

Os portugueses estão muito motivados para<br />

reciclar.<br />

Absolutamente. O último estudo que foi feito<br />

pela Observa, que <strong>é</strong> o Observatório de Ambiente<br />

do Instituto de Ciências Sociais de Lisboa, revela<br />

que 65% dos portugueses mostra que 65%<br />

dos portugueses mostra que tem intenção de<br />

devolver sempre as embalagens. Este estudo foi<br />

realizado em maio de 2021. Hoje considero que<br />

a estatística seria ainda mais elevada.<br />

“O mais difícil já está feito”, como referiu Paulo<br />

Ferrão, professor catedrático do Instituto<br />

Superior t<strong>é</strong>cnico e o Presidente do centro de<br />

estudos de Inovação, tecnologia e Políticas de<br />

Desenvolvimento na conferência deste ano da<br />

SDR?<br />

Sim. O setor juntou-se nesta missão. A indústria,<br />

as empresas, as operadoras, a administração<br />

e a sociedade civil. Só precisamos da legislação.<br />

E estamos constantemente a ser triturados<br />

com relatórios. O último de junho de 2023 da<br />

Comissão Europeia, o Waste Early Warning Report,<br />

diz que Portugal está em risco de não cumprir<br />

as metas de reciclagem para os próximos<br />

dois a<strong>nos</strong>. Em mat<strong>é</strong>ria de reutilização e reciclagem<br />

de resíduos urba<strong>nos</strong> estamos mal classificados<br />

e com dificuldade em alcançar essas metas.<br />

Quando o sistema SDR for implementado,<br />

como poderão ajudar a dar a volta a estes<br />

números?<br />

O sistema que propomos para as embalagens<br />

de uso único em Portugal, o que estimamos <strong>é</strong><br />

que os resíduos encaminhados para aterro em<br />

2019, estima-se que praticamente 58,5% seriam<br />

recicláveis. Uma curiosidade engraçada que<br />

medimos no que diz respeito às embalagens por<br />

cada minuto que o sistema de depósito e reembolso<br />

não <strong>é</strong> implementado são desperdiçadas<br />

em Portugal 2700 embalagens de bebidas que<br />

acabam ou incineradas, depositadas em aterro,<br />

ou perdidas no meio ambiente. Em Portugal são<br />

enviados 1.5 mil milhões de embalagens para<br />

inceneração ou deposição em aterro sanitário.<br />

Isso equivale a...<br />

Enche o estádio da Luz, provavelmente o de<br />

Alvalade, o das Antas. É gigantesco! Tamb<strong>é</strong>m<br />

de acordo com os tribunais de contas europeu,<br />

Portugal ocupa a quarta pior posição na transição<br />

para a economia circular na união europeia,<br />

com uma taxa de circularidade na ordem dos<br />

2,5%. É manifestamente pouco.<br />

Quantas entidades estão envolvidas no sistema<br />

SDR?<br />

Neste momento, estão envolvidas na SDR Portugal<br />

mais de 20 entidades entre acionistas e<br />

parceiros associados que incluem a Água do<br />

Fastio, Águas das Caldas de Penacova, Coca-<br />

-Cola, Coca-Cola Europacific Partners, Empresa<br />

das Águas do Areeiro, Empresa das Águas do<br />

Vimeiro, Empresa de Cervejas da Madeira, Font<br />

Salem Portugal, Monchique Mineral Water,<br />

Parmalat Portugal, SCC – Sociedade Central de<br />

Cervejas, Sumol+Compal, Super Bock Group,<br />

UNILEVER FIMA e as Associações APIAM<br />

e PROBEB e as insígnias Auchan, Intermarch<strong>é</strong>,<br />

Lidl, MCSonae, Pingo Doce, Mercadona,<br />

makro e Dia Portugal. Em termos de parcerias<br />

t<strong>é</strong>cnicas — e já gastámos mais de um milhão de<br />

euros em estudos – temos a Eunomia e a Earth<br />

Care, consultoras independentes para a área da<br />

sustentabilidade que têm sido responsáveis pela<br />

implementação de Sistema de Depósito e Reembolso<br />

por essa europa fora. Já fizeram vários<br />

estudos para Portugal e ajudaram, por exemplo,<br />

a definir o valor do depósito.<br />

É uma enorme operação de logística? Pretendem<br />

investir 100 milhões de euros...<br />

É uma enorme operação logística. Talvez a<br />

maior a ser feita em Portugal e uma operação<br />

financeira. Isto porque estarão na rua, digamos<br />

assim, se formos imaginar os 10 cêntimos por<br />

embalagem, 240 milhões de euros por ano. Caso<br />

as embalagens de vidro venham a ser consideradas<br />

no Unilex, esse valor ascende a cerca de 300<br />

milhões de euros, por ano. Dinheiro dos consumidores<br />

quando depositarem as embalagens no<br />

sitio certo.<br />

Quais são os vossos pla<strong>nos</strong>?<br />

Pretendemos ter uma rede de recolha junto dos<br />

retalhistas com as RVM, ou seja, Reverse Vending<br />

Machines, em vez de usarmos a moedinha<br />

para retirar, colocamos a garrafa e recebemos o<br />

dinheiro do depósito. Vamos ter 2750 máquinas<br />

em todos os retalhistas.<br />

Qual <strong>é</strong> o grande desafio para Portugal?<br />

Temos um canal Horeca muito forte — 79<br />

mil pontos, que representa cerca de 50% das<br />

embalagens do país, bem como lojas tradicionais<br />

— 12 mil. Este <strong>é</strong> o grande desafio do <strong>nos</strong>so<br />

país. Vamos instalar tamb<strong>é</strong>m cerca de mais<br />

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023


28<br />

\\ ENTREVISTA \\<br />

A <strong>nos</strong>sa estimativa prevê que possam ser depositados<br />

<strong>nos</strong> mais de 3600 pontos de recolha a instalar nas<br />

grandes superfícies (retalho e grossista), <strong>nos</strong> hot<strong>é</strong>is,<br />

restaurantes e caf<strong>é</strong>s e ainda em outras localizações estrat<strong>é</strong>gicas<br />

espalhadas pelo país, cerca de 43 mil toneladas<br />

de embalagens por ano<br />

mil máquinas, porque entendemos que devem<br />

participar todos os agentes e toda a comunidade,<br />

portanto <strong>é</strong> possível que hajam máquinas<br />

de recolha em portos, <strong>nos</strong> paços dos concelhos<br />

e outros para facilitar o cidadão. Para isso estabelecemos<br />

protocolos com a AHRESP - Associação<br />

da Hotelaria, Restauração e Similares<br />

de Portugal, APCC (Associação Portuguesa de<br />

Centros Comerciais), ADIPA (Associação dos<br />

Distribuidores de Produtos Alimentares), e temos<br />

con<strong>nos</strong>co tamb<strong>é</strong>m a APED, a APIAM e a<br />

PROBEB. O setor está sensibilizado para este<br />

efeito.<br />

Estes são os centros mais peque<strong>nos</strong>? Mas há<br />

mais investimento?<br />

Sim, estimamos ter pelo país o que se chamam<br />

de bulk centers que serão cerca de 30 e ainda<br />

centros de contagem, em Porto, Lisboa e Algarve.<br />

Os investimentos estimados para as RVM<br />

cifram-se entre 60 a 100 milhões de euros, para<br />

o bulk centers, entre 12 e 15 milhões de euros,<br />

os centros de contagem, 12 milhões de euros e<br />

<strong>nos</strong> sistemas de informação, 80 a 90 milhões de<br />

euros. A soma ronda os 150 milhões de euros.<br />

Vamos ter custos operacionais elevados por ano.<br />

Quais serão as vossas atividades?<br />

São cerca de sete atividades. Temos a produção,<br />

a comercialização, a retoma, a consolidação, a<br />

contagem, a triagem e a reciclagem. Teremos<br />

de definir padrões e normas operacionais e de<br />

prevenção de fraude, implementar sistemas e<br />

protocolos de comunicação e interação entre<br />

todos os agentes, portanto retalhistas, produtores,<br />

entidades de contagem, etc, inclusivamente<br />

de triagem e reciclagem. Manter as bases de dados<br />

de uma forma segura e confidencial e pensamos<br />

que deveríamos ter tamb<strong>é</strong>m a elaboração<br />

dos cader<strong>nos</strong> de encargos para todas as fases da<br />

cadeia de valor.<br />

Este sistema <strong>é</strong> central e sem fins lucrativos,<br />

como <strong>é</strong> que ganham dinheiro?<br />

O objetivo não <strong>é</strong> ganhar dinheiro e inclusivamente<br />

os regulamentos europeus que entrarão<br />

em vigor em 2025, <strong>é</strong> de transposição direta, por<br />

isso aconteça o que acontecer nesta data vamos<br />

ter de ter um sistema. O que tem sido os comparáveis<br />

em sistemas de depósito e reembolso com<br />

sucesso e com provas dadas, o modelo tem sido<br />

sempre este: uma associação sem fins lucrativos,<br />

que une por um lado os produtores e por outro,<br />

os retalhistas porque são as entidades que melhor<br />

conhecem o setor. Estas entidades já têm<br />

responsabilidade alargada do produtor. Este<br />

custo já existe. E as multas que vierem virão<br />

para estes agentes económicos.<br />

O porquê de fazer este sistema...<br />

É mais caro do que o sistema do SIGRE, sem<br />

dúvida, mas não só vai em contra às políticas<br />

cooperativas de sustentabilidade, mas preenche<br />

as obrigações que estes acionistas têm, que estes<br />

agentes económicos têm no âmbito da responsabilidade<br />

alargada do produtor e vai conseguir<br />

cumprir as metas. Portanto, de um lado custos<br />

para o funcionamento do sistema, do outro<br />

receitas que serão essencialmente a venda da<br />

reciclagem — este ponto <strong>é</strong> muito importante<br />

porque provavelmente atrav<strong>é</strong>s do ecodesign e<br />

voltando atrás a recolha à unidade possibilitará<br />

que os materiais seja muito mais pura, o valor<br />

deste material <strong>é</strong> mais elevado, pois vai ser um<br />

material muito puro — e tamb<strong>é</strong>m <strong>é</strong> financiado<br />

atrav<strong>é</strong>s dos depósitos não reclamados.<br />

Em que modelo se inspiraram?<br />

Atrav<strong>é</strong>s da Eunomia e da EarthCare, consultores<br />

da União Europeia tentámos adaptar e beber<br />

as melhores práticas de todos os sistemas.<br />

Temos possibilidades que não são comparáveis<br />

com os outros países. Olhamos sim para sistemas<br />

mais moder<strong>nos</strong>, mais comparáveis con<strong>nos</strong>co,<br />

como os da Eslov<strong>é</strong>nia ou o de Malta, porque<br />

têm uma componente de turismo grande e<br />

tamb<strong>é</strong>m de canal Horeca, e estes têm tido resultados<br />

surpreendentes logo ao fim de seis, sete<br />

meses. Estamos a adaptar o sistema — daí os<br />

avultados investimentos – para as necessidades<br />

de Portugal.<br />

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023


29<br />

E<br />

S<br />

G<br />

Environmental Social Governance<br />

POLUIÇÃO<br />

DO AR E ÁGUA<br />

GESTÃO<br />

DE RESÍDUOS<br />

PADRÕES NA CADEIA<br />

DE FORNECIMENTO<br />

SAÚDE E<br />

SEGURANÇA<br />

ÉTICA<br />

GOVERNANÇA<br />

CORPORATIVA<br />

IMPACTO NA<br />

BIODIVERSIDADE<br />

USO DE<br />

PLÁSTICOS<br />

DIREITOS DOS<br />

TRABALHADORES<br />

IMPACTO NA<br />

COMUNIDADE LOCAL<br />

DIVERSIDADE<br />

NA GESTÃO<br />

ESTRATÉGIA<br />

DE IMPOSTOS<br />

EFICIÊNCIA<br />

ENERGÉTICA<br />

IMPACTO CLIMÁTICO E<br />

COMPROMISSO ZERO LÍQUIDO<br />

DIREITOS<br />

HUMANOS<br />

PAGAMENTOS<br />

AOS EXECUTIVOS


30<br />

\\ ECONOMIA CIRCULAR \\<br />

O AMANHÃ DO PLANETA PASSA<br />

PELA PROMOÇÃO DA<br />

CIRCULARIDADE<br />

A PROMOÇÃO DA CIRCULARIDADE É UM DOS PILARES FUNDAMENTAIS DA<br />

ESTRATÉGIA DE SUSTENTABILIDADE DA MC. NESTE ÂMBITO, IDENTIFICAM<br />

TRÊS DIMENSÕES: AS EMBALAGENS DOS PRODUTOS, O DESPERDÍCIO<br />

ALIMENTAR E OS RESÍDUOS GERADOS NA OPERAÇÃO.<br />

AMC acredita que o amanhã do planeta tamb<strong>é</strong>m passa<br />

pela promoção da circularidade, uma dimensão cada<br />

vez mais visível nas suas operações, atrav<strong>é</strong>s da qual reduzem/evitam<br />

a produção de resíduos, potenciando<br />

a recolha e a reintegração de materiais no final do seu<br />

ciclo de vida, para reutilização ou reciclagem.<br />

Desta forma, a gestão de resíduos abrange não só os resíduos produzidos<br />

no âmbito da sua atividade, como os depositados pelos clientes.<br />

“Como retalhista alimentar, identificamos três dimensões que consideramos<br />

particularmente relevantes neste âmbito: as embalagens dos<br />

<strong>nos</strong>sos produtos, o desperdício alimentar e os resíduos gerados na <strong>nos</strong>sa<br />

operação. As embalagens desempenham um papel fundamental no<br />

desenvolvimento dos <strong>nos</strong>sos produtos, uma vez que afetam aspetos tão<br />

variados como o seu transporte, armazenamento e conservação, tendo<br />

um impacto direto na qualidade e na validade dos mesmos”, sublinha<br />

Mariana Pereira da Silva, Diretora de Sustentabilidade da MC.<br />

A responsável explica que, “apesar da importância das embalagens, estamos<br />

igualmente conscientes do impacto ambiental associado às suas<br />

utilizações de uso único. Por isso, temos vindo a modificá-las de forma<br />

a cumprir todas as suas funções, garantindo um uso mais eficiente dos<br />

recursos, promovendo a sua reutilização e reciclabilidade, e sensibilizando<br />

o consumidor, envolvendo-o na transição para um modelo cada<br />

vez mais circular”.<br />

No que diz respeito ao desperdício alimentar, na MC foi adotado um<br />

conjunto de mecanismos atrav<strong>é</strong>s dos quais “procuram uma gestão mais<br />

inteligente e eficaz do abastecimento, bem como um conjunto de mecanismos<br />

que <strong>nos</strong> permitem acelerar a venda de produtos que se aproximam<br />

da sua data de validade, juntamente com um programa de reaproveitamento<br />

e redistribuição de alimentos”, acrescenta Mariana Pereira<br />

da Silva.<br />

CONCEITO ECO SPOT<br />

Na gestão de resíduos, a MC implementou um conjunto de procedimentos<br />

que “visa, desde logo, prevenir a sua produção. Al<strong>é</strong>m disso, temos<br />

investido na criação de áreas, equipamentos e procedimentos que<br />

garantem uma melhor separação, armazenamento temporário e envio<br />

dos diferentes tipos de resíduos para operadores licenciados, assegurando<br />

a sua correta valorização”, afirma a responsável.<br />

Para dar resposta às necessidades crescentes na utilização da conveniência<br />

das lojas para a prestação de serviços de economia circular, a MC<br />

tem vindo a alargar o âmbito dos produtos em fim de vida que recolhe,<br />

nomeadamente as cápsulas de caf<strong>é</strong>, e a intervir de forma a melhorar os<br />

espaços existentes em loja para o efeito. “Nos últimos a<strong>nos</strong> a procura<br />

de cápsulas de caf<strong>é</strong> cresceu significativamente. Um desafio transversal<br />

a grande parte das marcas que produzem este tipo de cápsulas <strong>é</strong> não<br />

garantirem um destino final para as mesmas. Para dar resposta a este<br />

desafio, o Continente está a implementar em todas as suas lojas pontos<br />

de recolha de cápsulas de caf<strong>é</strong>. Tanto as cápsulas como as borras de caf<strong>é</strong><br />

serão encaminhadas para valorização. Já temos pontos de recolha em<br />

mais de 50 lojas e estimamos que at<strong>é</strong> ao final do ano tenhamos pontos<br />

de recolha em todas as <strong>nos</strong>sas lojas Continente, Continente Modelo e<br />

Continente Bom Dia. Na fase piloto do projeto, recolhemos cerca de<br />

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023


\\ ECONOMIA CIRCULAR \\<br />

31<br />

9 toneladas”, revela a Diretora de Sustentabilidade<br />

da MC.<br />

Paralelamente, em 2022 desenharam e testaram o<br />

conceito do Eco Spot. “Trata-se de um novo espaço<br />

onde os <strong>nos</strong>sos clientes encontram destino para<br />

um conjunto de resíduos - para al<strong>é</strong>m das cápsulas<br />

de caf<strong>é</strong>, podem depositar pilhas, lâmpadas, rolhas,<br />

entre outros - para os quais nem sempre existe uma<br />

resposta em escala e conveniente”, explica Mariana<br />

Pereira da Silva.<br />

CAMPANHA DO CADERNÃO<br />

Outro exemplo de teste de modelos inovadores<br />

de recolha de produtos em fim de vida, considerando<br />

a natureza e a especificidade dos negócios,<br />

<strong>é</strong> a campanha do Cadernão. Com esta<br />

campanha “desafiamos os <strong>nos</strong>sos clientes a entregar<br />

cader<strong>nos</strong> e livros escolares usados para<br />

reciclagem, assegurando que por cada tonelada<br />

recolhida serão plantadas 20 árvores. Fruto de<br />

uma parceria entre o Continente e a Oxford,<br />

esta campanha tem como objetivo sensibilizar<br />

e incentivar os <strong>nos</strong>sos clientes a reciclarem”, diz<br />

a responsável. Em 2022, a ação esteve presente<br />

em 40 lojas e permitiu recolher 12 toneladas de<br />

papel que foram encaminhadas para reciclagem<br />

e que dessa forma ganharam uma nova vida.<br />

Complementarmente foram plantadas 240 árvores.<br />

Em 2023 a campanha foi alargada a cerca<br />

de 250 lojas Continente, Continente Modelo,<br />

Continente Bom Dia e Note.<br />

No âmbito da gestão de resíduos, em 2022, a<br />

MC geriu 73 087 toneladas de resíduos. Registaram<br />

um aumento da taxa de valorização dos<br />

resíduos produzidos para 84,8% (mais 1,2 p.p.<br />

face a 2021). “Estamos comprometidos em assegurar<br />

a melhor separação e encaminhamento<br />

dos resíduos gerados na <strong>nos</strong>sa operação. Não<br />

sendo possível avançar com um valor, acreditamos<br />

que os investimentos que os diferentes operadores<br />

estão a realizar irão conduzir, progressivamente,<br />

a uma melhoria desta taxa”, afirma a<br />

Diretora de Sustentabilidade.<br />

“ROADMAP 2030” PARA ASSEGURAR A DES-<br />

CARBONIZAÇÃO<br />

No Continente, ambicionam assegurar a descarbonização<br />

das suas operações at<strong>é</strong> 2040. Como<br />

forma de atingir o objetivo proposto, a MC desenvolveu<br />

o “Roadmap 2030” “que <strong>nos</strong> tem guiado<br />

<strong>nos</strong> esforços e investimentos a realizar”, revela<br />

a responsável. Assenta em 4 áreas de atuação: “a<br />

implementação de medidas de ecoeficiência com<br />

o objetivo de reduzir ao máximo o <strong>nos</strong>so uso de<br />

energia; a eletrificação dos consumos; a alteração<br />

das <strong>nos</strong>sas centrais de frio; e o investimento na<br />

produção e aquisição de energia efetivamente<br />

produzida a partir de fontes renováveis”.<br />

Maria Pereira da Silva diz que “<strong>é</strong> notório o crescente<br />

interesse do consumidor com aspetos que<br />

vão para al<strong>é</strong>m da qualidade ou do preço dos produtos”<br />

e que o consumidor “está cada vez mais<br />

preocupado com a sua saúde, com a proveniência<br />

dos alimentos que consome e com o modo como<br />

foram produzidos”. A par desta crescente sensibilidade<br />

para o tema, acrescenta, “percebemos<br />

que ainda existe algum desconhecimento sobre<br />

o mesmo, em particular, alguma dificuldade em<br />

identificar crit<strong>é</strong>rios de descodificação do que <strong>é</strong> ou<br />

não <strong>é</strong> sustentável”.<br />

Dessa forma, conclui, “temos vindo a apostar em<br />

diferentes iniciativas e campanhas que visam aumentar<br />

a literacia do consumidor e que vão desde<br />

a criação da iconografia da reciclagem, à introdução<br />

do selo ‘Antes de Desperdiçar: Observar,<br />

Cheirar, Provar da Too Good To Go <strong>nos</strong> <strong>nos</strong>sos<br />

produtos, à campanha Dieta do Planeta ou à gamificação<br />

Poupe o Planeta em que desafiámos<br />

os clientes a fazerem escolhas mais responsáveis<br />

a cada ida ao supermercado”.<br />

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023


32<br />

\\ RESÍDUOS \\<br />

PORTUGAL<br />

PORTUGAL RECEBE AVISO DE<br />

INCUMPRIMENTO DA COMISSÃO EUROPEIA<br />

CONTINUAMOS A FALHAR AS METAS DE RECICLAGEM NOS RESÍDUOS. SERÁ QUE ESTE PUXÃO<br />

DE ORELHAS VAI MUDAR ALGUMA COISA?<br />

\\ Por Teresa Cotrim<br />

OEarly Warning Report divulgado pela Comissão Europeia,<br />

que analisa o progresso dos Estados-Membros<br />

no cumprimento das metas de reciclagem de resíduos<br />

para 2025, revela desafios e incumprimentos.<br />

“De modo geral, de acordo com a avaliação realizada pela Agência<br />

Europeia do Ambiente, a maioria dos Estados-Membros está<br />

em risco de não atingir as metas de reciclagem de resíduos urba<strong>nos</strong><br />

(55%) e de resíduos de embalagens (65%)”. Os países que<br />

vão chumbar em ambas as metas são a Bulgária, Gr<strong>é</strong>cia, Croácia,<br />

Chipre, Lituânia, Hungria, Malta, Polónia, Rom<strong>é</strong>nia e Eslováquia.<br />

Depois, oito países estão no caminho certo para cumprir<br />

o objetivo total das embalagens, mas falharão na reciclagem dos<br />

resíduos urba<strong>nos</strong>. É o caso da Estónia, Irlanda, Espanha, França,<br />

Letónia, Portugal, Finlândia e Su<strong>é</strong>cia. A salvar a honra europeia,<br />

estão a B<strong>é</strong>lgica, Ch<strong>é</strong>quia, Dinamarca, Alemanha, Itália, Luxemburgo,<br />

Países Baixos, Áustria e Eslov<strong>é</strong>nia.<br />

Perante este cenário, o relatório emite um alerta importante sobre<br />

a necessidade de uma ação mais efetiva para que se cumpram<br />

as metas de reciclagem estabelecidas. Ou seja, 55% de preparação<br />

para a reutilização e de reciclagem de resíduos urba<strong>nos</strong>, 65% de<br />

reciclagem de todos os resíduos de embalagens e metas de reciclagem<br />

de resíduos de embalagens específicas por material (75%<br />

para o papel e cartão, 70% para o vidro, 50% para o alumínio, 50%<br />

para o plástico e 25% para a madeira). “É fundamental que os Estados-Membros<br />

intensifiquem os seus esforços e tomem medidas<br />

mais eficazes, dando prioridade à implementação de políticas que<br />

estimulem a reciclagem e a economia circular”, lê-se no estudo.<br />

Segundo o Early Warning Report, os principais desafios para<br />

Portugal são a falta de infraestruturas para a recolha seletiva e<br />

o tratamento dos bioresíduos e de alguns fluxos de embalagens;<br />

falta de serviços de recolha com boa acessibilidade para alguns<br />

fluxos de resíduos em muitas zonas de Portugal e forte dependência<br />

da deposição em aterro e baixas taxas de captura de resíduos<br />

recicláveis no sistema de recolha seletiva. E deixam recomendações:<br />

“apoiar a preparação para a reutilização dos resíduos<br />

urba<strong>nos</strong> e os sistemas de reutilização de embalagens; melhorar a<br />

recolha seletiva de materiais e de diversas fracções de resíduos de<br />

embalagens (resíduos dom<strong>é</strong>sticos e não dom<strong>é</strong>sticos). Melhorar a<br />

acessibilidade da recolha seletiva de biorresíduos.<br />

Por fim, o mesmo relatório, salienta ainda a necessidade de aplicar<br />

e reforçar instrumentos económicos de incentivo à boa gestão de<br />

resíduos, como por exemplo, implementar um sistema obrigatório<br />

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023


\\ RESÍDUOS \\<br />

33<br />

De modo geral, de acordo<br />

com a avaliação realizada<br />

pela Agência Europeia do<br />

Ambiente, a maioria dos Estados-Membros<br />

está em risco<br />

de não atingir as metas de<br />

reciclagem de resíduos urba<strong>nos</strong><br />

(55%) e de resíduos de<br />

embalagens (65%)<br />

de pagamento em função da produção de resíduos,<br />

implementar um sistema de consignação<br />

(depósito para embalagens de plástico e metais<br />

das bebidas), aumentar a tributação sobre a deposição<br />

em aterro e por fim, continuar a desenvolver<br />

infraestruturas de tratamento de resíduos<br />

com as ações preferenciais da hierarquia dos<br />

resíduos — aumentando a capacidade de tratamento<br />

dos biorresíduos, apoiando a compostagem<br />

dom<strong>é</strong>stica e assegurando o pr<strong>é</strong>-tratamento<br />

dos resíduos encaminhados para aterro.<br />

Tamb<strong>é</strong>m a associação ambientalista Zero, citada<br />

pela agência LUSA emitiu um comunicado,<br />

sublinhando que o Plano Estrat<strong>é</strong>gico para os<br />

<strong>Resíduos</strong> Urba<strong>nos</strong> para 2030 (PERSU2030)<br />

obriga os municípios a elaborar at<strong>é</strong> ao fim do<br />

ano os seus Pla<strong>nos</strong> de Ação, para aplicar à escala<br />

local as metas nacionais. E explica que as recomendações<br />

enviadas abordam a importância<br />

de se efetuar um diagnóstico da situação,<br />

adaptar os regulamentos municipais, alterar os<br />

tarifários para que se beneficiem os cumpridores<br />

e penalize quem não participa.<br />

Recomendam ainda valorizar o tratamento<br />

dos biorresíduos na origem, adotar modelos<br />

de recolha de elevada eficiência e apostar na<br />

prevenção e reutilização. E para que os pla<strong>nos</strong><br />

municipais tenham sucesso lembra alguns<br />

princípios base, como o de que o melhor resíduo<br />

<strong>é</strong> o que não <strong>é</strong> produzido, que <strong>é</strong> atrav<strong>é</strong>s<br />

de políticas públicas que se produzem me<strong>nos</strong><br />

resíduos, que se deve privilegiar o tratamento<br />

de proximidade do resíduo, ou que deve haver<br />

responsabilização pela produção de resíduos<br />

indiferenciados.<br />

Nas propostas enviadas às autarquias a Zero recomenda<br />

a adaptação do regulamento municipal,<br />

integrando a obrigatoriedade da separação<br />

na origem e adequada deposição dos resíduos<br />

<strong>nos</strong> recipientes disponibilizados pelo Município,<br />

bem como as contraordenações específicas por<br />

incumprimento.<br />

Tamb<strong>é</strong>m importante <strong>é</strong> a caracterização física dos<br />

resíduos por município, que ajuda nas metas mas<br />

tamb<strong>é</strong>m na prevenção, e o tratamento na origem<br />

dos biorresíduos. A compostagem comunitária<br />

deve ser priorizada para zonas de elevada densidade<br />

populacional, e a compostagem dom<strong>é</strong>stica<br />

<strong>é</strong> aconselhada principalmente para zonas rurais<br />

ou periurbanas.<br />

Lembra ainda a Zero que os municípios podem<br />

tamb<strong>é</strong>m adotar estrat<strong>é</strong>gias de recolha de alguns<br />

fluxos especiais, nomeadamente têxteis, resíduos<br />

de equipamentos el<strong>é</strong>tricos e eletrónicos,<br />

mobiliário, óleos alimentares usados ou mesmo<br />

têxteis sanitários, e que o objetivo central de toda<br />

a política deve ser a prevenção da produção de<br />

resíduos. A Greensavers nas páginas seguintes<br />

analisa os principais resíduos, desde têxteis, equipamentos<br />

eletrónicos, pilhas, embalagens, plástico,<br />

vidro, óleos, pneus, biorresíduos, resíduos<br />

perigosos e papel.<br />

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023


34<br />

\\ PLÁSTICOS / EMBALAGENS \\<br />

PREJUÍZO DE<br />

35 MILHÕES DE EUROS<br />

ANUALMENTE NAS AUTARQUIAS<br />

PORTUGAL CUMPRE NAS METAS ESTIPULADAS PARA AS EMBALAGENS DE PLÁSTICO,<br />

MAS COM AS NOVAS REGRAS PODERÁ PAGAR UMA FATURA ELEVADA<br />

\\ Por Teresa Cotrim<br />

Ameta de reciclagem estabelecida<br />

(50%) para embalagens de plástico<br />

parece ser a mais exigente,<br />

uma vez que 19 países da União<br />

Europeia correm o risco de não<br />

cumprir, segundo o relatório Early Warning<br />

Report divulgado recentemente pela Comissão<br />

Europeia. A boa notícia <strong>é</strong> que neste resíduo<br />

Portugal cumpre as metas estabelecidas. Rui<br />

Berkmeier, t<strong>é</strong>cnico de resíduos na associação<br />

ambientalista Zero, levanta, contudo, uma<br />

questão: “No lixo há duas vezes mais embalagens<br />

de plástico do que as que são declaradas.<br />

O sistema das embalagens está completamente<br />

desvirtuado em termos de balanço financeiro.<br />

“Na prática, o sistema implementado em Portugal,<br />

define a responsabilidade alargada ao<br />

produtor. O que significa que a empresa que<br />

coloca o produto no mercado <strong>é</strong> responsável por<br />

financiar o sistema de recolha e tratamento da<br />

embalagem quando chega ao fim de vida”.<br />

O problema, segundo o ambientalista, <strong>é</strong> que<br />

as empresas não estão a financiar na íntegra os<br />

custos — como era suposto, da recolha seletiva<br />

e da triagem. Por exemplo, “só nas câmaras do<br />

sistema da Empresa Geral de Fomento (EGF)<br />

há um prejuízo de 20 milhões de euros por ano,<br />

o que se alargado a todas as câmaras do país poderá<br />

rondar os 35 milhões de euros”, por isso, na<br />

sua opinião, o eco valor deveria ser aumentado.<br />

Mas os portugueses têm feito um esforço.<br />

“Quanto às embalagens de plástico, reciclaram<br />

mais, comparativamente com o ano anterior.<br />

Cada português reciclou, em m<strong>é</strong>dia, 9,2 kg de<br />

embalagens de plástico, o que representa um<br />

aumento de 3%, em comparação com os 8,9<br />

kg reciclados, per capita, em 2021. Mesmo assim<br />

há um longo caminho a percorrer face às<br />

exigentes metas que o país tem que continuar<br />

a cumprir”, defende Pedro Nazareth, Ceo do<br />

Eletrão, que adianta ainda que o Electrão encaminhou<br />

para reciclagem 55 mil toneladas de<br />

embalagens usadas, dando assim o seu contributo<br />

para o desígnio nacional da reciclagem de<br />

embalagens.<br />

No entanto, o CEO do Electrão tamb<strong>é</strong>m considera<br />

que a recolha de embalagens usadas tem<br />

crescido marginalmente muito alinhada com<br />

o crescimento do consumo. “Os números da<br />

recolha e reciclagem evidenciam que o atual<br />

modelo de recolha, ancorado no ecoponto e<br />

na recolha porta-à-porta realizada pelos municípios,<br />

muito assente no civismo e voluntarismo<br />

ambiental dos cidadãos, está esgotado.<br />

Há cerca de uma d<strong>é</strong>cada que estamos a reciclar<br />

sensivelmente metade das embalagens que<br />

consumimos”.<br />

Algo tem ainda de ser feito, pois existe uma<br />

obrigatoriedade dos Estados Membros pagarem<br />

à União Europeia uma taxa pela quantidade<br />

de embalagens de plástico não recicladas. A<br />

Agência portuguesa do Ambiente está a fazer<br />

a contabilização deste valor e em Portugal este<br />

poderá cifrar-se acima dos 100 milhões de euros.<br />

Fica a pergunta: quem pagará esta fatura?<br />

Mas há já algum caminho feito. Elsa Agante,<br />

Team Líder de Sustentabilidade e Energia da<br />

DECO PROTESTE, realça que “as embalagens<br />

que já não podemos reutilizar e que separamos<br />

vão ser úteis para fabricar novos produtos, em<br />

alguns casos totalmente diferentes” e citando<br />

os números da Sociedade Ponto Verde e do<br />

World Wide Fund For Nature (WWF), explica<br />

que no caso das embalagens PET ou PEAD<br />

“duas garrafas de bebidas podem dar origem a<br />

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023


\\ PLÁSTICOS / EMBALAGENS \\<br />

35<br />

“No lixo há duas vezes<br />

mais embalagens de<br />

plástico do que as<br />

que são declaradas. O<br />

sistema das embalagens<br />

está completamente<br />

desvirtuado em termos<br />

de balanço financeiro”,<br />

Rui Berkmeier da Zero<br />

um cachecol, três dão para fabricar uma t-shirt<br />

e dez, uma mochila de poli<strong>é</strong>ster. Já 60 embalagens<br />

de gel de banho dão para produzir um regador.<br />

Por<strong>é</strong>m, nem todas as embalagens de plástico<br />

são tão amigáveis da reciclagem. Os plásticos<br />

mistos são os mais problemáticos porque existem<br />

poucos recicladores no país, caso dos pacotes<br />

de batatas fritas, embalagens de iogurte sólido<br />

ou pacotes de manteiga. “O desafio <strong>é</strong> grande<br />

porque não têm um fluxo específico, quando<br />

encaminhados para os recicladores, mas podem<br />

gerar bancos de jardim — são precisos 100 kg<br />

de plásticos mistos”. Há soluções para algumas<br />

embalagens, mas para outras ainda há muitos<br />

problemas a resolver.<br />

ATÉ 2040 A POLUIÇÃO POR PLÁSTICO PODE<br />

SER REDUZIDA EM 80% A NÍVEL MUNDIAL<br />

O relatório Turning off the Tap: How the world<br />

can end plastic pollution and create circular<br />

economy, divulgado pelo PNUMA, Programa<br />

das Nações Unidas para o Meio Ambiente,<br />

entre várias conclusões, afirma: “a poluição<br />

plástica pode ser reduzida em 80%, at<strong>é</strong> 2040,<br />

se países e empresas fizerem uma mudança<br />

profunda nas suas políticas, práticas e no mercado”.<br />

Por<strong>é</strong>m, isto só será possível se todos<br />

alinharem pela mesma bitola. Este relatório<br />

apresenta uma esp<strong>é</strong>cie de roteiro para reduzir<br />

drasticamente a poluição por plástico via uma<br />

abordagem circular. No geral, a mudança para<br />

uma economia circular envolveria poupanças<br />

na ordem dos 1,27 triliões de dólares. Junte-se<br />

ainda a criação de 700 mil empregos at<strong>é</strong> 2040.<br />

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023


36<br />

\\ VIDRO \\<br />

COM UM INVESTIMENTO DE 18 MILHÕES<br />

DE EUROS, PORTUGAL CUMPRIRIA<br />

NO VIDRO<br />

BASTAVAM DOIS ANOS PARA QUE O VIDRO ENTERRADO NOS ATERROS<br />

PASSASSE A SER ENTREGUE À INDÚSTRIA VIDREIRA, VOLTANDO A SER<br />

MATÉRIA-PRIMA<br />

\\ Por Teresa Cotrim<br />

Ameta de reciclagem do vidro <strong>é</strong> de 75% at<strong>é</strong> 2025,<br />

mas Portugal só cumpriria as metas “se cada<br />

português reciclasse duas garrafas de vidro”,<br />

contabiliza Ana Trigo Morais, CEO da Sociedade<br />

Ponto Verde. A recolha seletiva de embalagens em<br />

Portugal aumentou 3% no primeiro trimestre de 2023, mas<br />

no caso do vidro houve um retrocesso de 2%, segundo dados<br />

do Sistema Integrado de Gestão de <strong>Resíduos</strong> de Embalagens<br />

(SIGRE), divulgados pela Sociedade Ponto Verde (SPV). “A<br />

reciclagem de vidro no mesmo período foi de aproximadamente<br />

me<strong>nos</strong> uma tonelada do que no primeiro trimestre de<br />

2022, invertendo uma tendência de crescimento observada<br />

ao longo dos últimos dois a<strong>nos</strong>”. De acordo com o comunicado<br />

da Sociedade Ponto Verde a atual taxa de reciclagem<br />

nacional deste material <strong>é</strong> de 56%, sendo “fundamental uma<br />

maior mobilização por parte de todos os portugueses”.<br />

Na opinião de Ana Trigo Morais <strong>é</strong> preciso adequar a rede de<br />

recolha de vidro às necessidades reais do país e sobretudo ao<br />

canal Horeca, ou seja, Hotelaria e Restauração, que não tem<br />

à sua disposição um sistema eficiente de recolha de vidro. “O<br />

sistema que está desenhado de ecopontos verdes <strong>é</strong> um sistema<br />

que <strong>é</strong> usado e desenhado para os lares, para o consumo<br />

da casa”, considera e 40% do consumo está precisamente no<br />

canal Horeca, logo <strong>é</strong> necessário redesenhar a estrutura de<br />

recolha.<br />

A Sociedade Ponto Verde apresentou ao Governo, um estudo<br />

e um projeto que carece de um investimento de 18 milhões<br />

de euros, mas Ana Trigo Morais, afiança que em dois a<strong>nos</strong><br />

Portugal conseguiria cumprir as metas, mas para isso seria<br />

necessário fazer uma transformação profunda. “Na verdade,<br />

este investimento seria recuperado atrav<strong>é</strong>s da indústria<br />

vidreira”, considera, continuando “vai-se buscar muito valor<br />

porque todo o vidro será entregue à indústria vidreira, que<br />

em Portugal <strong>é</strong> muito forte”. Os players “estão muito bem organizados<br />

e essa mat<strong>é</strong>ria-prima seria muito importante, uma<br />

vez que estão neste momento a importá-la do exterior, enquanto<br />

nós estamos a mandá-la diretamente para o aterro”,<br />

lamenta. Na sua opinião, o bom exemplo das embalagens<br />

tem de ser seguido nesta fileira, “at<strong>é</strong> porque os portugueses já<br />

demonstraram que estão disponíveis para reciclar”.<br />

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023


\\ VIDRO \\<br />

37<br />

Portugal só cumpriria<br />

as metas “se cada português<br />

reciclasse duas<br />

garrafas de vidro”, Ana<br />

Trigo Morais, CEO da<br />

Sociedade Ponto Verde<br />

VIDRO<br />

UM DESÍGNIO EUROPEU<br />

E PORTUGAL ESTÁ NA MIRA!<br />

QUE VIDRO RECICLAR?<br />

O vidro coloca-se no ecoponto verde. Deve colocar garrafas, frascos<br />

e boiões de vidro. Os restantes vidros, como espelhos partidos ou<br />

porcelanas devem ir para o lixo comum, pois têm uma composição<br />

química diferente que resiste às temperaturas elevadas onde os vidros<br />

derretem. Sabia que se colocar loiças ou vidros de janelas pode<br />

inviabilizar todo um lote de vidro reciclado? Por isso, lâmpadas, pirex,<br />

copos de vidro ou cristal, espelhos, ampolas de medicamentos,<br />

pratos ou chávenas de cerâmica devem ser ainda colocados no lixo<br />

comum porque ainda não há forma de os valorizar. A boa notícia <strong>é</strong><br />

que o vidro <strong>é</strong> infinitamente reciclável: ao reciclar poupam-se mat<strong>é</strong>rias-primas<br />

originais (para produzir uma tonelada de vidro, basta<br />

uma tonelada de casco de vidro, em comparação com 1,2 toneladas<br />

de mat<strong>é</strong>rias-primas originais), reduz-se o consumo de energia (por<br />

cada 10% de casco de vidro incorporado, reduzem-se 2,5% de energia),<br />

diminuiu-se a emissão de CO2 e a deposição em aterro.<br />

A Plataforma Vidro + nasceu para incentivar a recolha de<br />

vidro e aumento da reciclagem deste resíduo. Trata-se de<br />

uma plataforma colaborativa que junta entidades ligadas<br />

ao setor e que dá forma ao Plano de Ação Português, da<br />

iniciativa europeia denominada Close the Glass Loop, que<br />

conta com a Federação Europeia do Vidro de Embalagem<br />

(FEVE), como uma das entidades dinamizadoras. “Este<br />

projeto reúne diferentes organizações europeias, do ciclo<br />

de vida das embalagens de vidro, para recolher 90% das<br />

embalagens de vidro colocadas no mercado, at<strong>é</strong> 2030,<br />

num esforço adicional para consolidar a economia circular<br />

europeia, com a adoção do Acordo Verde Europeu para o<br />

crescimento sustentável”, referem no seu site.<br />

Este objetivo europeu, com estrat<strong>é</strong>gias de abordagem<br />

distintas por país, segundo a sua realidade, <strong>é</strong> alicerçado<br />

pelos Pla<strong>nos</strong> de Ação nacionais. Foram definidos sete<br />

países prioritários — o Reino Unido, França, Itália, Espanha,<br />

Alemanha, Polónia e Portugal, no seu conjunto responsáveis<br />

por mais de 80% dos cerca de 20% de embalagens de<br />

vidro que, atualmente, ainda não são recicladas, na União<br />

Europeia. A Plataforma Vidro + terá de agilizar este plano<br />

de ação com o apoio de toda a cadeia de valor.<br />

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023


38<br />

\\ PAPEL \\<br />

AS VÁRIAS VIDAS<br />

DO PAPEL<br />

O CIDADÃO PODE AJUDAR A SUPERAR AS METAS ESTIPULADAS<br />

PELA UNIÃO EUROPEIA, BASTA COLOCAR O PAPEL CERTO NO<br />

ECOPONTO AZUL<br />

\\ Por Teresa Cotrim<br />

Afileira das embalagens de papel<br />

cartão <strong>é</strong> aquela que evidencia<br />

melhor desempenho”, afirma<br />

Pedro Nazareth, CEO do Electrão.<br />

Uma das suas maiores<br />

vantagens <strong>é</strong> que o papel pode ser reciclado<br />

várias vezes (veja caixa Quantas vidas tem<br />

o papel). Segundo dados do Sistema Integrado<br />

de Gestão de <strong>Resíduos</strong> de Embalagens<br />

(SIGRE), no primeiro trimestre de 2023, foram<br />

encaminhadas para reciclagem 36.620<br />

toneladas de papel/cartão (mais 9% do que<br />

no mesmo período do ano anterior). Segundo<br />

a Sociedade Ponto Verde (SPV), o crescimento<br />

mais significativo verificou-se nas embalagens<br />

de cartão para alimentos líquidos<br />

(ECAL), cuja reciclagem ascendeu às 2.161<br />

toneladas (mais 10%).<br />

“Estes dados revelam um aumento de reciclagem<br />

nas escolas, no qual há um volume<br />

mais significativo de pacotes de bebidas, e<br />

que estas estão a ser depositadas corretamente<br />

no ecoponto amarelo, fruto de ações<br />

educativas promovidas pela Sociedade Ponto<br />

Verde junto de alu<strong>nos</strong> e professores”, considera<br />

no seu comunicado a instituição privada<br />

sem fins lucrativos, com a responsabilidade<br />

pelo encaminhamento para reciclagem e<br />

valorização dos resíduos de embalagens que<br />

resultam do grande consumo.<br />

Esta <strong>é</strong> uma fileira muito importante. Sabia<br />

que quando se produz papel reciclado, poupa-se<br />

duas a três vezes mais energia do que<br />

produzir papel a partir de fibra vegetal. Mais:<br />

a cada tonelada reciclada, poupa-se entre 15<br />

a 20 árvores. Metade de uma árvore dá para<br />

produzir 1500 folhas de papel. No entanto,<br />

o único componente da madeira utilizado na<br />

produção <strong>é</strong> a fibra da celulose, que se retira<br />

das árvores como o eucalipto. O que garante<br />

a resistência do papel são as ligações químicas<br />

entre as fibras. No processo de reciclagem,<br />

alguns pap<strong>é</strong>is não podem ser reciclados,<br />

se estiverem, por exemplo, sujos porque vão<br />

afetar essas ligações químicas, impedindo a<br />

produção de material com qualidade.<br />

Esta <strong>é</strong> a explicação porque nem todo o papel<br />

pode ir para o papelão, veja abaixo as caixas<br />

sobre o que pode ou não colocar no ecoponto<br />

azul. Só para entender porquê, imagine um<br />

guardanapo. Quando o utiliza como <strong>é</strong> muito<br />

absorvente pode ficar sujo com gordura<br />

da comida, por exemplo, então se o colocar<br />

no ecoponto azul, este pode contaminar os<br />

outros pap<strong>é</strong>is e desta forma estará a atrasar,<br />

al<strong>é</strong>m disso, atrasará o processo de reciclagem,<br />

porque na estação de triagem terão de os separar<br />

e verificar se não contaminaram os outros<br />

pap<strong>é</strong>is, o que pode levar ao desperdício.<br />

Elsa Agante, Team Leader da área da Sustentabilidade<br />

e Energia da DECO PROTESTE,<br />

diz que com as novas especificações t<strong>é</strong>cnicas<br />

para a reciclagem, estabelecidas pela Agência<br />

Portuguesa do Ambiente, há mais embalagens<br />

que agora podem ser deixadas no<br />

ecoponto azul. “Para registo: passam a ser<br />

encaminhadas para a reciclagem embalagens<br />

de papel que sejam revestidas por um polímero<br />

em apenas uma das faces e que tenham<br />

uma quantidade de papel ou cartão superior<br />

a 85%”. No entanto, adverte que continuam a<br />

não poder sê-lo todas aquelas cuja quantidade<br />

destes materiais seja inferior àquela percentagem,<br />

ou que tenham revestimento nas<br />

duas faces.<br />

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023


\\ PAPEL \\<br />

39<br />

O QUE COLOCAR NO ECOPONTO AZUL?<br />

Sacos de papel das compras; Brochuras de instruções de montagem ou utilização de<br />

equipamentos, por exemplo; Folhetos publicitários; Caixas de jogos; Caixas de<br />

cartão – de cereais, bolachas, detergentes; Caixas<br />

de fósforos; Caixas de pizza (se não tiverem<br />

gordura); Envelopes, papel de escrita e<br />

de impressão; Rolo interior do papel<br />

higi<strong>é</strong>nico e do papel de cozinha;<br />

Sacos de comida para animais;<br />

Revistas e jornais; Caixas para<br />

ovos; Invólucros de cartão de packs<br />

garrafas ou iogurtes, por exemplo;<br />

Bilhetes – de transportes, de<br />

espetáculos; Papel de embrulho.<br />

O QUE NÃO<br />

COLOCAR NO<br />

ECOPONTO AZUL?<br />

Papel sujo; Caixas de cartão com gordura;<br />

Lenços, papel de cozinha e guardanapos<br />

de papel; Papel plastificado; Papel<br />

autocolante; Papel de alumínio; Papel de<br />

lustro; Sacos de cimento; Embalagens de<br />

produtos químicos; Toalhetes e fraldas.<br />

Fonte: Recicla<br />

QUANTAS VIDAS TEM O PAPEL?<br />

O papel não <strong>é</strong> todo igual. As suas fibras vão perdendo<br />

propriedades a cada novo ciclo de reciclagem<br />

e, por isso, o número de vezes que pode ser<br />

submetido a esse processo <strong>é</strong> limitado. Mas há<br />

boas notícias: como refere um artigo do site My<br />

Planet, um estudo recente veio demonstrar que<br />

a fibra celulósica de Eucalyptus globulus permite<br />

cinco vezes mais ciclos de reciclagem do<br />

que fibras de outras esp<strong>é</strong>cies. O estudo, sobre<br />

o desempenho de pastas para pap<strong>é</strong>is de embalagem,<br />

com o título “Recycling performance<br />

of softwood and hardwood unbleached kraft<br />

pulps for packaging papers”, foi desenvolvido<br />

por investigadores da Universidade da Beira<br />

Interior (UBI), com o apoio do RAIZ – Instituto de<br />

Investigação da Floresta e Papel (Laboratório de<br />

R&D detido pela The Navigator Company, Universidade<br />

de Aveiro, Universidade de Coimbra e<br />

Universidade de Lisboa, atrav<strong>é</strong>s do Instituto Superior<br />

de Agronomia). Avaliou o potencial de reciclabilidade<br />

de diferentes fibras para perceber<br />

de que forma a reciclagem altera a sua estrutura<br />

e propriedades físicas e químicas.<br />

Os resultados foram publicados na Tappi Journal,<br />

revista científica reconhecida internacionalmente<br />

há mais de 60 a<strong>nos</strong>, e confirmam<br />

conclusões anteriores a que a Tokyo University<br />

of Agriculture and Technology tinha chegado<br />

em 2001: as fibras da esp<strong>é</strong>cie Eucalyptus globulus<br />

são capazes de suportar, no mínimo, cinco<br />

vezes mais ciclos de reciclagem do que fibras de<br />

outras esp<strong>é</strong>cies, sem perderem características<br />

de alto desempenho.<br />

Fonte: My Planet<br />

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023


40<br />

\\ BIORRESÍDUOS \\<br />

ESTARÁ PORTUGAL PREPARADO<br />

PARA A RECOLHA DOS<br />

BIORRESÍDUOS?<br />

NÃO, MAS FEITAS AS MUDANÇAS NECESSÁRIAS É POSSÍVEL ENTRAR NA LISTA DOS CUMPRIDORES<br />

\\ Por Teresa Cotrim<br />

Todos produzimos biorresíduos em <strong>nos</strong>sas casas.<br />

Quando deitamos fora os restos dos alimentos —<br />

verduras, frutas, cascas de ovo, ou por exemplo, as<br />

folhas das plantas que temos <strong>nos</strong> <strong>nos</strong>sos vasos ou<br />

jardins, e estes representam, em m<strong>é</strong>dia, 40% do <strong>nos</strong>so caixote<br />

de “lixo comum”. Ao degradarem-se, al<strong>é</strong>m do mau odor ainda<br />

contaminam outros resíduos, como as embalagens, por exemplo.<br />

Portugal tem falhado quase sempre as m<strong>é</strong>tricas no que toca aos<br />

resíduos. Cada português produz cerca de 1,4 kg de resíduos por<br />

dia — ou seja, dois milhões de toneladas por ano. A má notícia<br />

<strong>é</strong> que 56% deste “lixo” vai para o aterro comum. Pois <strong>é</strong>, mas<br />

isto terá de mudar porque a recolha seletiva de biorresíduos em<br />

Portugal Continental será obrigatória a partir de 1 de janeiro<br />

de 2024, o que exigirá uma nova forma de trabalhar por parte<br />

dos 278 municípios e operadores e uma alteração <strong>nos</strong> hábitos e<br />

comportamentos de todos os portugueses.<br />

O Plano Nacional de Gestão de <strong>Resíduos</strong> 2030 (PNGR) e o<br />

Plano Estrat<strong>é</strong>gico para os <strong>Resíduos</strong> Urba<strong>nos</strong> 2030 (PERSU),<br />

aprovados em março têm como finalidade levar Portugal a<br />

adotar uma economia mais circular e defendem que estaremos<br />

preparados para o fazer já no final de 2023. Mas estará mesmo<br />

Portugal preparado? Afinal há 20 a<strong>nos</strong> que não saímos dos 19%!<br />

Há um longo caminho a percorrer.<br />

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023


\\ BIORRESÍDUOS \\<br />

41<br />

PROPOSTA PARA RECOLHA DOS<br />

BIORRESÍDUOS<br />

Há dois modelos de recolha: o de porta-a-porta e um<br />

sistema de recolha na via pública com controle de acesso<br />

aos contentores do indiferenciado e dos biorresíduos.<br />

Para os biorresíduos, a Associação Zero propõe que os<br />

peque<strong>nos</strong> contentores (máximo 120 litros), previamente<br />

disponibilizados aos utilizadores, são recolhidos e<br />

despejados nas ilhas de compostagem comunitária (ou em<br />

contentores contíguos de acesso restrito a determinados<br />

utilizadores) ou no contentor dos biorresíduos tamb<strong>é</strong>m com<br />

acesso restrito, sendo que este terá elevada frequência de<br />

recolha (3 ou mais dias por semana numa fase inicial). No<br />

caso do contentor de rua com acesso restrito, com cartão<br />

ou chave, o utilizador poderá efetuar o acesso sempre que<br />

necessário, sem limitações.<br />

Na recolha seletiva de biorresíduos, e uma vez que este tipo<br />

de resíduos tem características de maneio me<strong>nos</strong> favoráveis<br />

(<strong>é</strong> putrescível, cria líquidos e odores, em particular nas<br />

<strong>é</strong>pocas do ano mais quentes) <strong>é</strong> muito aconselhável que o<br />

Município pondere oferecer sacos compostáveis, já que<br />

esta pequena atenção <strong>é</strong> fundamental para garantir taxas<br />

de adesão à separação mais elevadas. Limitar o acesso ao<br />

contentor dos biorresíduos poderá ser muito importante,<br />

uma vez que poderão ser criadas bonificações específicas<br />

no tarifário para quem aderir ou mais utilizar este serviço,<br />

gerando dinâmica de adesão e de menor utilização do<br />

contentor do indiferenciado.<br />

Fonte: Associação ZERO<br />

SOLUÇÃO COMPLEMENTAR<br />

À RECOLHA<br />

Al<strong>é</strong>m da proposta de recolha dos biorresíduos, a Zero, em comunicado<br />

enviado à GreenSavers, explica ainda a importância de uma solução<br />

complementar à recolha, de baixo custo, com reduzida dificuldade t<strong>é</strong>cnica e<br />

com impacte ao nível da redução do transporte de resíduos com as respetivas<br />

implicações em termos de poupanças económicas e ambientais. Para isso,<br />

indicam que cada zona ou bairro possa passar a contar com uma ilha de<br />

compostagem comunitária dimensionada para o seu potencial de produção<br />

de biorresíduos, desde que haja espaço público, normalmente uma área<br />

verde, próxima da habitação e de fácil acesso — esta deverá ser gerida por<br />

operadores com formação para o efeito.<br />

O cidadão poderá aderir à compostagem dom<strong>é</strong>stica, receber um compostor<br />

e comprometer-se a fazer o tratamento dos biorresíduos ao nível dom<strong>é</strong>stico<br />

— escolhendo não participar na recolha de biorresíudos comunitária.<br />

Deverá ainda ser generalizada a recolha de resíduos verdes de particulares.<br />

Sempre que possível, a Zero sugere ainda a aquisição de bio- trituradores<br />

ou outros equipamentos equivalentes (fixos ou móveis) no sentido de evitar<br />

a queima de sobrantes agrícolas e florestais, que está na origem de uma<br />

parte significativa das ignições de fogos rurais e de poluição atmosf<strong>é</strong>rica que<br />

geram impactes na saúde.<br />

A Zero, diz, ainda, que deve ser criado um sistema de incentivos — integrado<br />

no tarifário, que mais tarde poderá ser PAYT. Por fim, caso o Município não<br />

possua recursos huma<strong>nos</strong> suficientes para gerir toda esta atividade, podem<br />

ser desenhadas soluções criativas de proximidade, envolvendo as Juntas<br />

de Freguesia ou associações locais, desde que haja partilha dos benefícios<br />

financeiros das poupanças obtidas com a redução de custos com a recolha, o<br />

tratamento e a TGR.<br />

Fonte: Associação ZERO<br />

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023


42<br />

\\ RESÍDUOS ELECTRÓNICOS \\<br />

RESÍDUOS ELETRÓNICOS<br />

O LIXO VALIOSO!<br />

PORTUGAL AINDA SÓ RECICLA 31%. NÃO ESTÁ A CUMPRIR METAS, DANDO<br />

ORIGEM A UM MERCADO PARALELO COM CONSEQUÊNCIAS AMBIENTAIS<br />

\\ Por Teresa Cotrim<br />

Estima-se que na Europa, 11 em 72 itens eletrónicos existentes<br />

numa residência já não são usados ou estão danificados.<br />

Se estes aparelhos fossem reciclados diminuiria a<br />

necessidade de extrair novos recursos como ouro ou cobre,<br />

economizando as emissões de dióxido carbono em comparação com a<br />

mineração de metais virgens e poupavam-se as reservas de mat<strong>é</strong>rias-<br />

-primas naturais. As Nações Unidas estimam que, at<strong>é</strong> 2050, em todo o<br />

Mundo, sejam produzidas 120 milhões de toneladas de resíduos el<strong>é</strong>tricos<br />

e eletrónicos. Por ano.<br />

Elsa Agante, Team Leader de Sustentabilidade e Energia da DECO<br />

PROTESTE, diz que Portugal não está bem nas estatísticas. “Os últimos<br />

dados da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), revelam que as<br />

metas estão longe de ser cumpridas”. A Diretiva Europeia diz que, 65%<br />

dos equipamentos eletrónicos descartados devem ser encaminhados<br />

para tratamento e reciclagem. Rui Berkemeier, da ZERO, Associação<br />

Sistema Terrestre Sustentável, afiança que o problema está no modelo<br />

do sistema de gestão de resíduos. “O Estado passou a responsabilidade<br />

de cumprir as metas da UE para as três entidades gestoras — Eletrão,<br />

E-Cycle e ERP, que teriam o compromisso de recolher e tratar estes resíduos,<br />

mediante o recebimento de uma taxa que o consumidor paga no<br />

ato da compra, a ecotaxa. “Só que isto não está a funcionar”.<br />

Para o ambientalista a responsabilidade principal deste fracasso pertence<br />

ao Minist<strong>é</strong>rio do Ambiente e da Ação Climática (MAAC) que<br />

ignora as denúncias da ZERO sobre as graves situações que ocorrem<br />

neste setor. Na sua opinião, uma dessas lacunas <strong>é</strong> a MAAC permitir<br />

que os produtores de Equipamentos El<strong>é</strong>tricos<br />

e<br />

Eletrónicos (EEE) coloquem estes produtos no<br />

mercado, pagando muito pouco às Entidades Gestoras<br />

dos REEE para garantir a sua adequada recolha e<br />

tratamento, quando chegam à fase de resíduos, como seria sua obrigação<br />

legal. “As metas não têm sido cumpridas porque continuam a aceitar um<br />

ecovalor muito baixo, que deveria ser quatro vezes mais. Não recolhem<br />

porque não têm dinheiro para o fazer. Devia haver mais pr<strong>é</strong>mio para<br />

quem separa, devia haver mais pontos de recolha. Há cidades que não<br />

têm um único ponto de recolha”, lamenta.<br />

Para o CEO do Electrão, Pedro Nazareth o que <strong>é</strong> verdadeiramente diferente<br />

no caso português <strong>é</strong>, por um lado, uma fiscalização praticamente<br />

inexistente e consequente que atue sobre os operadores do mercado paralelo<br />

e, por outro, tamb<strong>é</strong>m <strong>nos</strong> diferencia e penaliza a contabilização<br />

feita dos equipamentos el<strong>é</strong>tricos usados processados por estes operadores.<br />

“Portugal apenas reporta a Bruxelas os equipamentos usados que<br />

são recolhidos seletivamente e reciclados em unidades especializadas<br />

para o efeito, tal como obriga a legislação europeia, enquanto outros<br />

países reportam todos os equipamentos el<strong>é</strong>ctricos usados que foram<br />

processados, mesmo quando não existem garantias de que a descontaminação<br />

obrigatória dos componentes perigosos foi acautelada, o que <strong>é</strong><br />

frequente no processamento destes equipamentos pelos operadores do<br />

mercado paralelo”, explica. Por este motivo, isso justifica, na sua opinião,<br />

que Portugal tenha aparecido como um dos piores classificados num recente<br />

índice divulgado pelo Eurostat.<br />

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023


\\ RESÍDUOS ELECTRÓNICOS \\<br />

43<br />

É publico que existe um<br />

conjunto de operadores<br />

que desvia e processa<br />

ilegalmente resíduos<br />

dos canais formais de<br />

recolha com graves<br />

prejuízos para a saúde<br />

pública, ambiente e economia”,<br />

Pedro Nazareth,<br />

CEO do Electrão<br />

“O Electrão, enquanto entidade gestora com a<br />

maior quota de mercado, tem dado o seu contributo<br />

para a melhoria dos resultados globais”. Em<br />

2022, o Electrão enviou para reciclagem mais<br />

de 23 mil toneladas de equipamentos el<strong>é</strong>tricos<br />

usados, mais 40% do que em 2021, ano em que<br />

foram recolhidas mais de 17 mil toneladas. “Este<br />

aumento muito expressivo da reciclagem deve-se<br />

à continuidade da expansão do número de locais<br />

da rede de recolha do Electrão, ao comprometimento<br />

e profissionalização dos diferentes parceiros<br />

que <strong>nos</strong> permitem servir melhor o cidadão<br />

português e ao contributo específico dos operadores<br />

de gestão de resíduos com quem foi reforçada<br />

a colaboração em 2022”, explica.<br />

MERCADO PARALELO, O QUE FAZER?<br />

O problema <strong>é</strong> mais complexo do que parece. “A<br />

lei diz que quem vende equipamentos tem de<br />

receber os velhos do consumidor, mas depois<br />

as coisas não se passam bem assim. Por exemplo,<br />

quem vende frigoríficos contrata empresas<br />

transportadoras para entregar o novo e ficam<br />

com a responsabilidade de trazer o velho, no<br />

entanto, essas companhias acabam por muitas<br />

vezes, encaminhá-los para sucateiros ilegais, não<br />

sendo cumprido a obrigação”, diz Rui Berkemeier,<br />

continuando no exemplo dos frigoríficos:<br />

“Apenas 25% são recolhidos e tratados legalmente,<br />

e os restantes? Onde estão?”, questiona, adiantando<br />

que há um mercado paralelo em Portugal.<br />

“Muitos vão parar à sucata, após retirarem-lhes<br />

o que tem valor comercial, como o motor compressor.<br />

Fora os que vão parar aos pinhais, deixando<br />

o gás ir para a atmosfera, causando aquecimento<br />

global”.<br />

Uma constatação feita tamb<strong>é</strong>m por Pedro Nazareth:<br />

“É publico que existe um conjunto de operadores<br />

que desvia e processa ilegalmente resíduos<br />

dos canais formais de recolha com graves prejuízos<br />

para a saúde pública, ambiente e economia”.<br />

Segundo um estudo realizado pela Electrão, três<br />

em cada quatro equipamentos usados colocados<br />

na via pública são desviados dos serviços municipais<br />

de recolha. “Para travar este fenómeno <strong>é</strong><br />

essencial reforçar os serviços de recolha destes<br />

resíduos e apostar em ações de fiscalização”, afirma.<br />

O CEO do Eletrão refere ainda os comportamentos<br />

incorretos que ainda se registam, por<br />

parte de empresas e cidadãos, como a mistura de<br />

equipamentos el<strong>é</strong>tricos usados com outros resíduos,<br />

ou a colocação de peque<strong>nos</strong> equipamentos<br />

el<strong>é</strong>tricos no lixo indiferenciado que contribuem<br />

para agilizar esta situação.<br />

Na sua opinião, os resultados globais só irão<br />

melhorar quando todos os agentes da cadeia de<br />

valor — consumidores, autarquias, empresas,<br />

distribuição, administração central — se envolverem<br />

neste desígnio, desenvolvendo todos<br />

os esforços na sua área de responsabilidade. O<br />

Electrão está atento a este aspeto, por isso desenvolveu<br />

o site Ondereciclar.pt. Neste endereço o<br />

consumidor pode verificar qual o local mais próximo<br />

para entregar vários tipos de resíduos: desde<br />

equipamentos el<strong>é</strong>tricos usados, pilhas e baterias,<br />

passando por pneus, veículos em fim de vida<br />

e óleos lubrificantes usados. Para o ambientalista<br />

da Zero a forma de melhorar a recolha seria criar<br />

um sistema de depósito. “Cada vez que o consumidor<br />

devolvesse o equipamento velho receberia<br />

o valor do depósito”, explica, acreditando que<br />

este sistema de intensivo, apesar de complexo,<br />

decerto daria bons frutos. Rui Berkemeier contou<br />

à GreenSavers que a Zero falou com a APA<br />

e que a solução passará por dar um incentivo às<br />

entidades de Solidariedade Social. No entender<br />

do ambientalista “não vai funcionar. O incentivo<br />

devia ser dado diretamente ao consumidor, via<br />

entidade gestora. Só assim o transportador não o<br />

poderia desviar”, acredita.<br />

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023


44<br />

\\ PILHAS E BATERIAS \\<br />

PILHAS & BATERIAS<br />

COM NOVO REGULAMENTO<br />

EM 2022, O ELECTRÃO RECOLHEU E ENCAMINHOU PARA RECICLAGEM MAIS DE 282 TONELADAS<br />

DE PILHAS E BATERIAS PORTÁTEIS, MAIS 14% DO QUE NO ANO ANTERIOR<br />

\\ Por Teresa Cotrim<br />

Onovo regulamento de pilhas e baterias acaba de ser publicado<br />

no Jornal da União Europeia. Este documento, que visa<br />

toda a cadeia de valor, entrou em vigor em Agosto em todos<br />

os Estados-Membros. Segundo Pedro Nazareth, CEO<br />

do Electrão, o novo regulamento traz mudanças que vão<br />

impactar no dia a dia das pessoas. “Em breve o cidadão poderá substituir<br />

com mais facilidade as pilhas e as baterias em todos os equipamentos,<br />

prolongando a vida útil dos seus aparelhos. As novas pilhas e baterias<br />

passarão a ser feitas com materiais reciclados, evitando a dependência<br />

de países terceiros”. Segundo a Comissão Europeia, cerca de 98% das mat<strong>é</strong>rias-primas<br />

críticas, como o níquel, lítio, cobalto ou chumbo, proveem<br />

de países fora da União Europeia. “Al<strong>é</strong>m disso, estas novas diretrizes<br />

deixam antever a enorme ambição em prolongar o período de vida útil<br />

destes equipamentos atrav<strong>é</strong>s da sua reutilização. Por exemplo, uma bateria<br />

de um veículo el<strong>é</strong>trico pode ser reutilizada para armazenagem de<br />

energia num sistema fotovoltaico, o que constitui uma novidade”, diz Pedro<br />

Nazareth. No entanto, a Europa e nomeadamente Portugal precisará<br />

de investimentos avultados para concretizar esta nova regulamentação.<br />

Depois, <strong>é</strong> preciso que o consumidor comece a colocar estes resíduos<br />

<strong>nos</strong> locais certos. “O Electrão, enquanto entidade gestora responsável<br />

pela recolha e encaminhamento para reciclagem de pilhas e baterias<br />

usadas, está muito empenhado em melhorar os resultados”, promete.<br />

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023


\\ PILHAS E BATERIAS \\<br />

45<br />

98% DAS MATÉRIAS-PRIMAS CRÍTICAS, COMO O<br />

NÍQUEL, LÍTIO, COBALTO OU CHUMBO, PROVEEM<br />

DE PAÍSES FORA DA UNIÃO EUROPEIA<br />

EXISTEM ATUALMENTE MAIS DE SEIS MIL LOCAIS<br />

DISPONIBILIZADOS PELO ELECTRÃO, ONDE PODEM<br />

SER DEPOSITADAS PILHAS E BATERIAS USADAS<br />

EM 2022 O ELECTRÃO RECOLHEU E ENCAMINHOU<br />

PARA RECICLAGEM MAIS DE 282 TONELADAS DE<br />

PILHAS E BATERIAS PORTÁTEIS<br />

NA HOLANDA, QUEM RECICLAR 10 PILHAS DE<br />

UMA VEZ, ENTRA NUM SORTEIO DE VÁRIOS<br />

PRÉMIOS, COM VOUCHERS DE 1000 EUROS PARA<br />

VIAGENS<br />

Estes equipamentos, alguns com componentes<br />

nocivos, acabam muitas vezes por<br />

ser depositados no lixo indiferenciado,<br />

inviabilizando por completo o processo de<br />

reciclagem e com graves impactos negativos.<br />

“As pilhas contêm elementos perigosos,<br />

como mercúrio, chumbo ou cádmio, e se<br />

descartadas indevidamente podem causar<br />

graves impactos na saúde, nomeadamente<br />

problemas <strong>nos</strong> rins e <strong>nos</strong> sistemas nervoso,<br />

neurológico e digestivo”, alerta.<br />

Sabia que uma pilha demora cem a<strong>nos</strong> a<br />

decompor-se no meio ambiente? E 99% das<br />

pilhas e baterias são recicláveis. Existem<br />

atualmente mais de seis mil locais disponibilizados<br />

pelo Electrão, onde podem ser<br />

depositadas pilhas e baterias usadas. Atrav<strong>é</strong>s<br />

do site www.ondereciclar.pt <strong>é</strong> possível<br />

saber quais são esses locais e obter mais<br />

informações sobre tema. Para aumentar as<br />

quantidades recolhidas o Electrão desenvolve<br />

diversas campanhas que envolvem<br />

as forças vivas da sociedade, desde bombeiros<br />

a escolas, passando por agrupamentos<br />

de escuteiros, entre outros. Em 2022 o<br />

Electrão recolheu e encaminhou para reciclagem<br />

mais de 282 toneladas de pilhas<br />

e baterias portáteis, o que representa um<br />

aumento de 14% face ao ano anterior. No<br />

total, entre pilhas e baterias, portáteis e industriais,<br />

foram recolhidas 644 toneladas.<br />

Tal como os equipamentos el<strong>é</strong>tricos, tamb<strong>é</strong>m<br />

as pilhas e baterias usadas são encaminhadas<br />

para operadores de tratamento<br />

que asseguram a correta remoção das<br />

substâncias perigosas de forma a proteger<br />

a saúde e o ambiente e a reciclagem dos<br />

restantes materiais. Estas mat<strong>é</strong>rias-primas<br />

críticas estão a merecer a atenção da<br />

União Europeia que pretende promover<br />

uma maior autonomia de abastecimento,<br />

em parte garantida por via da reciclagem.<br />

Uma bateria de um<br />

veículo el<strong>é</strong>trico pode<br />

ser reutilizada para<br />

armazenagem de<br />

energia num sistema<br />

fotovoltaico, o que<br />

constitui uma novidade”,<br />

Pedro Nazareth<br />

A reciclagem destes equipamentos permite<br />

recuperar materiais como o magn<strong>é</strong>sio que<br />

serve para a agricultura, ou o aço e o níquel<br />

que podem ser usados na produção de novos<br />

materiais.<br />

Desde setembro de 2022, todos os membros<br />

da União Europeia tinham de recolher<br />

e reciclar, 45% de todas as pilhas<br />

vendidas. Segundo dados da Agência Portuguesa<br />

do Ambiente, em 2021, Portugal<br />

atingiu apenas uma taxa de recolha de pilhas<br />

e acumuladores portáteis de 19,5%,<br />

mas há países que já conseguiram chegar<br />

à meta dos 45%, caso da B<strong>é</strong>lgica, Holanda,<br />

Su<strong>é</strong>cia e Dinamarca. Sabe como conseguiram<br />

atingir boas notas? Na B<strong>é</strong>lgica, há um<br />

sistema de incentivo nas escolas. Por cada<br />

quilo de pilhas recolhido, são dados pontos<br />

aos alu<strong>nos</strong> que podem ser trocados por material<br />

desportivo, ou bilhetes para eventos<br />

culturais. Já na Holanda, quem reciclar 10<br />

pilhas de uma vez, entra num sorteio de vários<br />

pr<strong>é</strong>mios, com vouchers de 1000 euros<br />

para viagens. São a cenoura que atrai a ida<br />

ao pilhão! Se quer aumentar os números de<br />

reciclagem de pilhas e baterias, então Portugal<br />

tem de seguir estes exemplos.<br />

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023


46<br />

\\ ÓLEOS \\<br />

TRANSFORME O SEU ÓLEO EM<br />

NOVA MATÉRIA-PRIMA<br />

É DOS RESÍDUOS MAIS POLUENTES, MAS RECICLADO VOLTA A SER UM ÓLEO BASE,<br />

OU SEJA PODE VOLTAR A AJUDAR A PRODUZIR NOVOS PRODUTOS<br />

\\ Por Teresa Cotrim<br />

Portugal produz anualmente 65 milhões de litros<br />

de óleo alimentar. Segundo a Agência Portuguesa<br />

do Ambiente (APA), “um litro de óleo dom<strong>é</strong>stico<br />

deitado no ralo da cozinha contamina um milhão<br />

de litros de água”. Mas não fica por aqui. O óleo provoca impermeabilização<br />

do solo, contribuindo para o aumento de<br />

cheias, causa da<strong>nos</strong> hídricos e quando entra em processo de<br />

decomposição, liberta gases que causam mau cheiro e faz<br />

efeito de estufa. Provoca tamb<strong>é</strong>m o entupimento dos tubos<br />

nas redes dos esgotos, aumentando at<strong>é</strong> 45% os custos de tratamento,<br />

dificultando o trabalho das Estações de Tratamento<br />

de Águas Residuais (ETAR).<br />

Por outro lado, “mil litros de óleos alimentares usados permitem<br />

produzir entre 920 a 980 litros de biodiesel, combustível<br />

que apresenta índices de emissão de dióxido de carbono que<br />

podem ser 80% mais baixos dos que são emitidos ao utilizar<br />

gasóleo”, contabiliza a APA. Podem ainda ser aproveitados<br />

para fazer sabão, velas aromáticas, verniz, tintas, só para dar<br />

alguns exemplos. Em Portugal, o produtor <strong>é</strong> responsável pelos<br />

resíduos que gera e pelo seu destino final, mas o consumidor<br />

tamb<strong>é</strong>m tem de contribuir. Elsa Agante, Team Leader<br />

da área de sustentabilidade e energia da DECO PROTES-<br />

TE, diz que devia haver mais recolha, uma vez que estes são<br />

muito importantes para a economia circular, evitando, por<br />

exemplo, o consumo de mat<strong>é</strong>ria-prima virgem, como acontece<br />

com os biocombustíveis.<br />

A principal rede de recolha e valorização de óleos alimentares<br />

usados (OAU) em Portugal já chega a perto de cinco milhões<br />

de residentes. E isto porque foi um ano de crescimento<br />

no circuito montado pela Hardlevel, Energias renováveis,<br />

do norte ao sul do País. O operador, que dispõe do sistema<br />

tecnologicamente mais avançado e abrangente em território<br />

nacional, “conseguiu em 2022 expandir em mais de 14% os<br />

pontos de recolha, que estão espalhados por 40 novos municípios<br />

que agora fazem parte da rede de coleta” (com oleões<br />

sensorizados e alimentados por pain<strong>é</strong>is fotovoltaicos), face<br />

à realidade de 2021, revela Salim Karmali, administrador e<br />

cofundador da Hardlevel, com o seu irmão, Karim Karmali,<br />

citado em comunicado à GreenSavers. São agora 140 os<br />

concelhos que participam no fluxo de reciclagem de gorduras<br />

alimentares dom<strong>é</strong>sticas do grupo empresarial (eram 100 no<br />

final de 2021).<br />

Numa cadeia de processamento ambiental agora com um<br />

total de 2850 contentores de recolha OAU. “Traçámos como<br />

meta para 2023 conseguir chegar a um total de 165 concelhos<br />

na <strong>nos</strong>sa rede de recolha e 3300 pontos de descarte<br />

instalados, sobretudo com a nova geração de oleões, que são<br />

fabricados inteiramente nas <strong>nos</strong>sas instalações, inclusive na<br />

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023


\\ ÓLEOS \\<br />

47<br />

Mil litros de óleos alimentares<br />

usados permitem produzir<br />

entre 920 a 980 litros de<br />

biodiesel, combustível que<br />

apresenta índices de emissão<br />

de dióxido de carbono que<br />

podem ser 80% mais baixos<br />

dos que são emitidos ao<br />

utilizar gasóleo<br />

sua componente mais tecnológica”, sublinha o coadministrador<br />

da Hardlevel. Os objetivos para este ano representam<br />

assim uma projeção de crescimento de 18%<br />

nas parcerias e 16% na rede de oleões.<br />

E O ÓLEO DO CARRO?<br />

Para Rui Berkemeier, t<strong>é</strong>cnico da Zero especialista em<br />

resíduos, a gestão dos óleos lubrificantes, que são dos<br />

resíduos mais perigosos, está muito melhor do que há<br />

uns a<strong>nos</strong>. A mudança de óleo do carro, por exemplo, <strong>é</strong><br />

feita na oficina, que, regra geral, tem recolha seletiva.<br />

O problema maior surge quando esta <strong>é</strong> feita em casa.<br />

No caso dos óleos, o sistema de responsabilidade <strong>é</strong><br />

alargado ao produtor, ou seja, quem produz e vende<br />

<strong>é</strong> o responsável pela recolha e tratamento. Para controlar<br />

este mercado foi criada a Sogilub — Sociedade<br />

de Gestão Integrada de Óleos Lubrificantes Usados,<br />

por isso, as empresas, como as oficinas podem pedir<br />

para recolher o óleo que mudam dos automóveis,<br />

sendo este depois encaminhado para reciclagem. A<br />

boa notícia <strong>é</strong> que este volta a ser usado, como óleo de<br />

base, por um processo de destilação, podendo depois<br />

levar outros aditivos, evitando o consumo de novos<br />

recursos fósseis, nomeadamente o petróleo com todos<br />

os impactes ambientais, al<strong>é</strong>m de ter ainda outros<br />

aproveitamentos. Portugal já tem, inclusive, uma fábrica<br />

de regeneração deste tipo de óleos e está prestes<br />

a abrir outra. “Somos dos países europeus que mais<br />

temos investido nesta área”, afirma.<br />

COMO FAZER<br />

E ONDE ENTREGAR?<br />

• Escolha uma garrafa de plástico usada e coloque um<br />

autocolante identificando o tipo de óleo usado;<br />

• Coloque o óleo usado nesta garrafa com a ajuda de um<br />

funil. Só após arrefecer;<br />

• Quando a garrafa ou garrafão estiverem cheios, entregueos<br />

num supermercado ou hipermercado que tenha oleões<br />

— contentores alimentares amarelos.<br />

• Os óleos que deve reciclar: azeite, óleo de girassol, de<br />

palma, de soja, de coco, abacate, amendoim e linhaça.<br />

• O que não deve colocar no oleão: margarina, manteiga,<br />

óleos de motor e óleos lubrificantes.<br />

• .Este <strong>é</strong> um dos links (https://ecomovimento.pt/mapa-dosoleoes/)<br />

onde pode ver quais os oleões mais próximos de<br />

si.<br />

• Se precisar de solicitar a recolha de óleos usados visite o<br />

site www.ecolub.pt e na “informação: recolha de Óleos<br />

Usados”, saberá o que tem de fazer. Pode tamb<strong>é</strong>m enviar<br />

um email para geral@ecolub.pt ou ligar 808203040.<br />

• Pode tamb<strong>é</strong>m informar-se com a Hardlevel em www.<br />

hardlevel.pt, ou pelos telefones 936298796 ou<br />

220163302.<br />

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023


48<br />

\\ RESÍDUOS PERIGOSOS \\<br />

HÁ SETE ANOS QUE A LEI ProSOLOS<br />

ESTÁ NA GAVETA<br />

O CARGO MUDA DE MÃOS E TODOS DIZEM QUE ESTA LEI É PARA SER APROVADA, MAS<br />

QUANDO? E A LEI DA ABERTURA DE MERCADO À GESTÃO DOS RESÍDUOS PERIGOSOS?<br />

\\ Por Teresa Cotrim<br />

Em junho deste ano, a Zero, Associação Sistema<br />

Terrestre Sustentável, pediu uma reunião com o<br />

Secretário de Estado do Ambiente, Hugo Polido<br />

Pires, devido à promessa do Governo — na altura,<br />

pela ex-Secretária de Estado do Ambiente,<br />

Inês Costa, da garantia da publicação da legislação ProSolos<br />

— Prevenção da Contaminação e Remediação dos Solos,<br />

tendo-lhes sido dito que esta era uma prioridade da política<br />

ambiental do anterior executivo e que transitara para o atual<br />

Governo. Aliás, esta lei esteve em consulta pública em 2015<br />

e, desde altura, continua dentro da gaveta.<br />

“Os meses decorrem e a lei ainda não foi aprovada. Andamos<br />

nisto há sete a<strong>nos</strong>”, lamenta Rui Berkemeier, t<strong>é</strong>cnico da Zero<br />

e especialista em resíduos, garantindo que esta lei <strong>é</strong> fundamental<br />

por vários motivos como, por exemplo, obrigaria a<br />

condicionar a venda de terre<strong>nos</strong>, onde estivessem instaladas<br />

atividades de risco de poluição do solo, e à apresentação de<br />

um relatório com o estado de contaminação desse solo, pelo<br />

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023


\\ RESÍDUOS PERIGOSOS \\<br />

49<br />

proprietário, ficando assim responsável pelos<br />

eventuais custos de descontaminação. “Desta<br />

forma, esta legislação reduziria a ocorrência de<br />

situações em que os novos proprietários descobrem<br />

que afinal os solos dos terre<strong>nos</strong> adquiridos<br />

estão contaminados e já não podem responsabilizar<br />

o anterior proprietário”, explica.<br />

Esta lei obrigaria ainda a fazer uma avaliação<br />

da contaminação do solo por parte dos proprietários<br />

dos terre<strong>nos</strong> onde funcionaram atividades<br />

de risco ambiental. “Com esta medida, seria<br />

drasticamente reduzida a ocorrência de situação<br />

em que, por impossibilidade de identificação de<br />

quem foram os responsáveis pela poluição do<br />

solo, acaba por ser o Estado muitas vezes a arcar<br />

com os custos para resolver esses passivos ambientais”,<br />

reitera.<br />

Portugal <strong>é</strong> um dos poucos países da União Europeia<br />

sem legislação específica sobre solos contaminados.<br />

Um estudo realizado pela Agência<br />

Portuguesa do Ambiente, em 2017, concluiu que<br />

Portugal ganharia cerca de 25 milhões de euros<br />

em 6 a<strong>nos</strong>, em resultado da publicação da ProSolos,<br />

aos quais se acrescentam ganhos ambientais<br />

e de saúde pública. A Zero destacou tamb<strong>é</strong>m<br />

em comunicado a importância da criação de um<br />

Atlas da Qualidade do Solo, onde estariam referenciadas<br />

as situações de risco de contaminação<br />

do solo, possibilitando às autoridades delinear,<br />

com maior conhecimento da realidade no terreno,<br />

as políticas para a prevenção e remediação da<br />

poluição do solo.<br />

Outro tema em cima da mesa foi a acesa discussão<br />

da abertura de mercado da gestão de resíduos<br />

perigosos, ou seja, da concorrência aos CIRVER<br />

– Operadores de Centros Integrados de Recuperação<br />

Valorização e Eliminação de <strong>Resíduos</strong> Perigosos.<br />

Atualmente são duas empresas a operar<br />

em Portugal, a Ecodeal e a Sisav, contudo “que<br />

quem quiser entrar no mercado terá de demonstrar<br />

capacidade económica, financeira e t<strong>é</strong>cnica<br />

e cumprir as mesmas exigências de quem já está<br />

a operar no mercado”, explica Rui Berkemeier,<br />

ou seja, “só permitirão a entrada no mercado, a<br />

operadores que tenham instalações iguais às da<br />

CIRVER”, remata. Estes terão tamb<strong>é</strong>m de comprovar<br />

a viabilidade do projeto e ter autorização<br />

pr<strong>é</strong>via municipal. No entanto, <strong>é</strong> muito importante<br />

salientar que a lei ainda não foi publicada e as<br />

licenças do CIRVER acabam a 8 de novembro!<br />

Por fim, na mesma reunião citada acima, o Executivo<br />

prometeu à Associação Zero criar a recolha<br />

de resíduos perigosos a nível dom<strong>é</strong>stico<br />

— como por exemplo, pesticidas, colas, vernizes,<br />

algumas tintas, termómetros de mercúrio,<br />

pilhas, equipamentos eletrónicos, entre outros.<br />

Ainda nada foi criado. Outra promessa foi a criação<br />

de um sistema de recolha de seringas tamb<strong>é</strong>m<br />

a nível dom<strong>é</strong>stico. Há muitas pessoas em<br />

autocuidado, que necessitam de injetáveis para<br />

se tratar e tamb<strong>é</strong>m neste campo ainda não há recolha<br />

seletiva. Segundo a linha de reciclagem foi<br />

criado pela Associação de Farmácias de Portugal<br />

(AFP), o projeto seringas só no agulhão. Neste<br />

projeto, as farmácias dispõem de um contentor, o<br />

agulhão, onde os cidadãos podem deixar as suas<br />

seringas usadas. “O projeto <strong>é</strong> desenvolvido em<br />

parceria com a empresa especializada na gestão<br />

de resíduos hospitalares, Stericycle, que faz a recolha<br />

dos contentores e o tratamento dos resíduos,<br />

respondendo assim à falta de soluções seguras<br />

e ecológicas para recolha de seringas usadas”, explica<br />

a linha da reciclagem. Claro, que os custos<br />

são um dos entraves, por<strong>é</strong>m o Governo pode<br />

passar a fatura para quem produz, como sucede<br />

com outros tipos de resíduos perigosos.<br />

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023


50<br />

\\ TÊXTIL \\<br />

DESPIR O<br />

PLANETA<br />

A NÍVEL EUROPEU, O SETOR TÊXTIL É O 4.º COM MAIOR IMPACTO<br />

NO AMBIENTE E NAS ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS, MAS ESTÁ A MUDAR<br />

\\ Por Teresa Cotrim<br />

“A<br />

moda <strong>é</strong> uma indústria vibrante que emprega<br />

centenas de milhões de pessoas, gera receitas<br />

significativas e toca quase todos e em quase todos<br />

os lugares”, lê-se no estudo A New Textiles<br />

Economy: Redesigning fashions future, elaborado<br />

pela Ellen Macarthur Foundation, em parceria com a H&M,<br />

a Nike e a Fundação C&A. Por<strong>é</strong>m, na última d<strong>é</strong>cada, a moda transformou-se<br />

numa indústria globalizada. “As peças são pensadas num<br />

país, confecionadas noutro e vendidas para todo o mundo”. O consumo<br />

disparou, mas as roupas passaram a ser consideradas descartáveis.<br />

Conforme revela o site “Onde Reciclar”, “todos os a<strong>nos</strong>, em<br />

m<strong>é</strong>dia, cada europeu consome 26 quilos de têxteis, dos quais 11 são<br />

eliminados após serem usados apenas sete ou oito vezes. Quando<br />

estes são descartados, na Europa, 87% são incinerados ou acabam<br />

em aterros. Apenas 10% permanece no mercado como usado”.<br />

Elsa Agante, team leader da área de sustentabilidade e energia da<br />

DECO PROTESTE, acrescenta que, em 2020, foram utilizadas<br />

175 milhões de toneladas de mat<strong>é</strong>rias-primas para produzir roupa,<br />

sapatos e têxteis para a casa. Segundo a Comissão Económica das<br />

Nações Unidas, 40% das roupas que temos <strong>nos</strong> armários não são<br />

usadas e a Agência Portuguesa<br />

do Ambiente (APA) revela<br />

que, só em Portugal, são deitadas<br />

fora 200 mil toneladas de roupa por<br />

ano, que acabam em aterros ou vão para<br />

incineração. Este valor representa cerca de<br />

4,65% de todos os resíduos produzidos, ou seja,<br />

cerca de cinco milhões de toneladas.<br />

INDÚSTRIA TÊXTIL DEPENDE DE<br />

RECURSOS NÃO RENOVÁVEIS<br />

O estudo da Macarthur Foundation revela ainda que a indústria<br />

têxtil depende sobretudo de recursos não renováveis (98 milhões<br />

de toneladas, por ano), incluindo petróleo para produzir fibras<br />

sint<strong>é</strong>ticas, fertilizantes para cultivar algodão e químicos para produzir,<br />

tingir e finalizar fibras e têxteis. A estes factos, acrescenta-se<br />

os 93 mil milhões de metros cúbicos de água usados pela produção<br />

têxtil, o facto dos resíduos industriais e tintas usadas poderem<br />

poluir rios ou contaminarem cursos de água e a libertação<br />

de microfibras de plásticos das roupas, que são posteriormente<br />

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023


\\ TÊXTIL \\<br />

51<br />

“<br />

A reciclagem<br />

apresenta uma<br />

nova chance para a<br />

indústria da moda<br />

reaver mais de 100<br />

mil milhões de<br />

dólares em materiais<br />

desperdiçados pelo<br />

sistema todos os a<strong>nos</strong><br />

IMPACTO AMBIENTAL<br />

DOS MATERIAIS TÊXTEIS<br />

DURANTE O CICLO DE VIDA<br />

A Deco levou a cabo um estudo para testar o<br />

impacto ambiental — ao longo de todo o seu ciclo<br />

de vida — de vários materiais têxteis (camisolas e<br />

calças).<br />

Que fases do ciclo de vida das camisolas têm<br />

maior impacto ambiental? Primeiro a produção,<br />

depois a utilização.<br />

FONTE: Estudo Proteste, Deco<br />

64%<br />

Produção<br />

33%<br />

Utilização<br />

3%<br />

Distribuição<br />

ingeridas pelos peixes <strong>nos</strong> ocea<strong>nos</strong>. Já pensou que<br />

pode estar a comer uma parte das suas calças?<br />

Ou t-shirt? Mas os consumidores podem ajudar.<br />

Segundo um artigo da Zero, Associação Sistema<br />

Terrestre Sustentável, “se estendermos nove meses<br />

à vida das roupas, reduzimos a pegada de carbono,<br />

água e resíduos entre 20% a 30%.”<br />

Face à gravidade do problema, a União Europeia<br />

sinalizou o setor têxtil como prioritário e<br />

assinalou a urgência de uma mudança de estrat<strong>é</strong>gia<br />

e adoção de têxteis mais sustentáveis e circulares.<br />

Para Elsa Agante, tudo pode mudar quando<br />

for criada uma entidade gestora para o setor<br />

têxtil, tal como existe para as embalagens com um<br />

ecovalor associado. Segundo a Diretiva <strong>Resíduos</strong>,<br />

a partir de 1 de janeiro de 2025, a recolha seletiva<br />

de têxteis passará a ser obrigatória em todos<br />

os países da UE. As marcas produtoras vão ter de<br />

investir na durabilidade, reutilização, reparabilidade,<br />

não toxicidade e redução da libertação de<br />

microfibras, sendo fortemente penalizado quem<br />

insistir no modelo linear atual.<br />

O relatório da Macarthur Foundation refere, por<br />

isso, uma janela de oportunidade, concluindo “que<br />

a reciclagem apresenta uma nova chance para a<br />

indústria da moda reaver mais de 100 mil milhões<br />

de dólares em materiais desperdiçados pelo sistema<br />

todos os a<strong>nos</strong>”. A Fundação defende um novo<br />

modelo para o setor, assente <strong>nos</strong> pilares da economia<br />

circular, onde as roupas entram de novo na<br />

economia, após o seu uso, passando a ser vistas<br />

como mat<strong>é</strong>ria-prima e não desperdício.<br />

PEQUENOS GESTOS PODEM MELHORAR O<br />

DESEMPENHO AMBIENTAL<br />

Mas cada um de nós tem de fazer o seu papel.<br />

Decerto já viu espalhados pela cidade os contentores<br />

de roupa e sapatos. São de várias cores:<br />

amarelos, verde-escuro, brancos, azul-claro e verde-alface.<br />

Pois <strong>é</strong> aí que tem de colocar o que já não<br />

usa. O estudo da Proteste diz que com este gesto<br />

melhora em 11% o desempenho ambiental. Nos<br />

centros comerciais, há lojas com programas de recolha<br />

de têxteis, como <strong>é</strong> o caso da C&A, atrav<strong>é</strong>s<br />

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023


52<br />

\\ TÊXTIL \\<br />

QUANTO TEMPO TEM DE SER USADO<br />

PARA COMPENSAR O DANO AMBIENTAL?<br />

Elsa Agante,<br />

Team Leader da área da<br />

sustentabilidade da<br />

DECO PROTESTE<br />

do projeto we take it back, que aceita malas,<br />

cintos, têxteis dom<strong>é</strong>sticos e roupa. A Zara instalou<br />

contentores em algumas lojas, onde recolhe<br />

roupa, calçado e acessórios, prometendo<br />

dar-lhes outra vida. A H&M criou o programa<br />

de recolha de têxteis para transformar roupas<br />

velhas em pa<strong>nos</strong> de limpeza ou em fibra, que<br />

darão origem a novos produtos. As peças podem<br />

tamb<strong>é</strong>m transformar-se em materiais de<br />

isolamento ou amortecimento para a indústria<br />

automóvel. Esta marca lançou ainda, em Estocolmo,<br />

um programa de aluguer de roupa com<br />

peças da sua coleção Conscious Exclusive.<br />

O Grupo Auchan criou em algumas lojas o<br />

espaço ReUse— uma parceria que fez com a<br />

MyCloma, uma plataforma online de venda<br />

de roupa em segunda mão. Já a Sonae MC, em<br />

- 6 meses - Nylon 100% reciclado<br />

0 meses - Nylon<br />

+ 3 meses - Poli<strong>é</strong>ster 100% reciclado<br />

+ 5 meses - Elastano<br />

+ 8 meses - Vinil<br />

+ 9 meses - Poli<strong>é</strong>ster<br />

+ 10 meses - Couro Sint<strong>é</strong>tico<br />

+ 1 ano e 5 meses - Cânhamo<br />

+ 1 ano e 8 meses - Viscose<br />

+ 1 ano e 9 meses - Linho<br />

+ 2 a<strong>nos</strong> e 1 mês - Algodão biológico & Ganga Biológica<br />

+ 3 a<strong>nos</strong> e 10 meses - Algodão & Ganga<br />

+ 10 a<strong>nos</strong> e 3 meses - Lã<br />

“<br />

Todos os a<strong>nos</strong>, em<br />

m<strong>é</strong>dia, cada europeu<br />

consome 26 quilos de<br />

têxteis, dos quais 11<br />

são eliminados após<br />

serem usados apenas<br />

sete ou oito vezes. 87%<br />

são incinerados ou<br />

acabam em aterros.<br />

+ 14 a<strong>nos</strong> e 10 meses - Seda<br />

+ 23 a<strong>nos</strong> e 9 meses - Couro<br />

FONTE: Estudo Proteste, Deco<br />

parceria com a Retry lançou o projeto ReStyle,<br />

em outubro de 2022, e está a expandir o<br />

conceito.<br />

Há tamb<strong>é</strong>m várias plataformas online onde<br />

pode vender a sua roupa, tais como a Vinted,<br />

a Micolet, a MyCloma, a reCloset, a Retry, a<br />

Wallapop, a Roupeiro ou a OLX. Pode ainda<br />

encontrar várias lojas físicas onde pode vender<br />

a sua roupa, como as lojas Escolhido a<br />

Dedo, Loja Baú, A outra face da Lua, Quartier<br />

Latin, 4 R`S, Paradoxo, Heartcore, Já, Mon<br />

Père Vintage, Wild at Heart, Kid to Kid e Dar<br />

e Vender. Ofertas e soluções não faltam!<br />

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023


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Das empresas aos cidadãos, acompanhamos o<br />

impacto das <strong>nos</strong>sas ações para o Planeta.<br />

Analisamos a sustentabilidade em<br />

todas as vertentes, apresentando<br />

uma visão global do país e do mundo.


54<br />

\\ FÓRUM DE LIDERES \\<br />

1<br />

2<br />

FÓRUM DE LÍDERES<br />

De que forma a sua empresa/entidade<br />

está comprometida com as melhores<br />

práticas sustentáveis?<br />

Como perspetiva o futuro do setor da gestão<br />

de resíduos em Portugal?<br />

Implementar a economia circular <strong>é</strong> dos maiores desafios ambientais do País. No ranking europeu,<br />

Portugal aparece como o quarto pior, com uma taxa de circularidade de apenas 2,5%<br />

e, segundo a avaliação realizada pela Agência Europeia do Ambiente, a maioria dos Estados-Membros<br />

está em risco de não atingir as metas de reciclagem de resíduos urba<strong>nos</strong> e de<br />

resíduos de embalagens.<br />

Os pla<strong>nos</strong> sobre a produção de resíduos urba<strong>nos</strong> e reciclagem, publicados este ano em Diário da<br />

República, pretendem prevenir, at<strong>é</strong> 2030, a produção de resíduos ao nível da quantidade e da perigosidade<br />

e aumentar a reutilização da reciclagem.<br />

O Plano Estrat<strong>é</strong>gico para os <strong>Resíduos</strong> Urba<strong>nos</strong> para 2030 (PERSU2030) irá dar continuidade à aplicação<br />

da política nacional de resíduos, orientando os agentes envolvidos para a implementação de<br />

ações que permitam ao país estar alinhado com as políticas e orientações comunitárias, contribuir<br />

para o aumento da prevenção, reciclagem e outras formas de valorização dos resíduos urba<strong>nos</strong>, com a<br />

consequente redução de consumo de mat<strong>é</strong>rias-primas naturais de recurso limitado.<br />

Este plano irá focar-se na prevenção da produção de resíduos e na recolha seletiva, tendo particular<br />

atenção às novas frações: resíduos têxteis, resíduos perigosos e biorresíduos. Será ainda dada relevância<br />

à promoção do uso dos materiais provenientes de resíduos (combustível derivado de resíduos,<br />

composto, recicláveis recuperados, biogás e cinzas/escórias).<br />

Neste Fórum de Líderes, as principais instituições do setor no <strong>nos</strong>so país revelam de que forma estão<br />

comprometidas com estes desígnios e explicam a sua visão sobre o futuro.<br />

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023


\\ FÓRUM DE LIDERES \\<br />

55<br />

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023


56<br />

\\ FÓRUM DE LIDERES \\<br />

1 1<br />

JOSÉ MANUEL RIBEIRO<br />

Presidente do Conselho<br />

de Administração, LIPOR<br />

SUSANA SANTOS<br />

Diretora de Comunicação, Relações<br />

Institucionais e Sustentabilidade, ECI<br />

1<br />

Na LIPOR, adotamos o conceito da Sustentabilidade como a âncora da<br />

<strong>nos</strong>sa Estrat<strong>é</strong>gia de Negócio. Acreditamos firmemente que ao fazê-lo<br />

atrav<strong>é</strong>s da Sustentabilidade, estamos a criar mais valor e a gerar maior<br />

impacto na Comunidade e, simultaneamente, permitir-<strong>nos</strong> ser mais relevantes<br />

e competitivos.<br />

É na Agenda de Sustentabilidade da LIPOR que refletimos a <strong>nos</strong>sa dinâmica<br />

e corporizamos a resposta a grandes desafios do <strong>nos</strong>so negócio,<br />

incorporando crit<strong>é</strong>rios ESG. Nela configuramos os temas materiais da<br />

<strong>nos</strong>sa Organização, contando com o contributo das <strong>nos</strong>sas Partes Interessadas,<br />

e na qual ainda associamos o <strong>nos</strong>so alinhamento com os Objetivos<br />

de Desenvolvimento Sustentável (ODS). É atrav<strong>é</strong>s desta abordagem<br />

à Sustentabilidade, que robustecemos as <strong>nos</strong>sas políticas sociais,<br />

ambientais e compromissos de governance, sempre com a responsabilidade<br />

que <strong>nos</strong> compete e a transparência que <strong>nos</strong> caracteriza, rumo à<br />

concretização do <strong>nos</strong>so propósito de “Todos os dias construirmos um<br />

mundo melhor”.<br />

2<br />

O setor dos resíduos em Portugal, enfrenta enormes desafios e uma necessidade<br />

de definitivamente encarar o resíduo como um recurso, aproveitando,<br />

assim, todas as oportunidades que esta “visão” pode alavancar.<br />

O atual modelo, construído em finais do s<strong>é</strong>culo passado e “ajustado” ao<br />

longo dos últimos 20 a<strong>nos</strong>, precisa de se reinventar, at<strong>é</strong> pelos indicadores<br />

que apresenta, baixas taxas de reciclagem e de valorização orgânica,<br />

e cerca de 55% de resíduos depositados em Aterro. Será importante<br />

revermos todo o planeamento e se as opções estrat<strong>é</strong>gicas que foram<br />

definidas pelos Gover<strong>nos</strong> e que os Sistemas de Gestão de <strong>Resíduos</strong> e<br />

as Câmaras Municipais foram chamados a executar, e verificarmos se<br />

tiveram m<strong>é</strong>rito ou se ocorreram erros que seria bom não se repetirem.<br />

1<br />

A Sustentabilidade ocupa um lugar central na <strong>nos</strong>sa<br />

estrat<strong>é</strong>gia empresarial e, por conseguinte, no Plano<br />

Diretor de Sustentabilidade e Responsabilidade Social<br />

Corporativa 2021-2025, aprovado pelo Conselho de<br />

Administração do Grupo, que tem como referência o<br />

European Green Deal.<br />

Neste contexto, como empresa responsável, o El Corte<br />

Ingl<strong>é</strong>s tem vindo a trabalhar para implementar nas<br />

suas operações e relação com todos os stakeholders as<br />

melhores práticas em mat<strong>é</strong>ria social, ambiental e de<br />

boa governação (ESG).<br />

Para isso, levamos a cabo várias ações alinhadas com a<br />

Agenda 2030 da Nações Unidas, que pretendem contribuir<br />

para todos os Objetivos de Desenvolvimento<br />

Sustentável (ODS), e que apresentam 5 linhas ação:<br />

produção e consumos sustentável; digitalização verde;<br />

ação para o clima; cultura empresarial; boa governança.<br />

2<br />

No atual contexto das alterações climáticas, e dos seus<br />

impactos, <strong>é</strong> necessário garantir o compromisso de todos<br />

na alteração das práticas empresariais e dos consumidores<br />

em geral na produção e gestão dos resíduos.<br />

O princípio de precaução recomenda que <strong>nos</strong> empenhemos<br />

profundamente nas alterações de comportamentos<br />

das populações, na criação de uma Economia<br />

mais circular, e no aumento da capacidade de valorização<br />

energ<strong>é</strong>tica dos resíduos.<br />

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023


\\ FÓRUM DE LIDERES \\<br />

57<br />

3<br />

ANA TRIGO MORAIS<br />

CEO, Sociedade Ponto Verde<br />

1<br />

MANUEL SIMÕES<br />

Diretor Geral, ECODEAL<br />

1<br />

A Sociedade Ponto Verde nasceu há quase três d<strong>é</strong>cadas com a ambição de pôr Portugal<br />

a reciclar e, portanto, o <strong>nos</strong>so compromisso com as melhores práticas em mat<strong>é</strong>ria de<br />

Sustentabilidade e de promoção da economia circular em Portugal, mant<strong>é</strong>m-se desde<br />

então.<br />

Criámos um sistema de gestão de resíduos de embalagens que funciona e hoje 70% dos<br />

lares portugueses já coloca as suas embalagens <strong>nos</strong> ecopontos. Mas <strong>é</strong> preciso mais para<br />

que o país esteja mobilizado para conseguir cumprir, globalmente, com as metas de<br />

reciclagem.<br />

É com total empenho e uma postura de colaboração, que trabalhamos com os <strong>nos</strong>sos<br />

clientes, apoiando a investigação e na aplicação das ferramentas de ecodesign às embalagens;<br />

que propomos soluções globais para melhorar o serviço que <strong>é</strong> prestado ao cidadão<br />

– desde a digitalização a sistemas PAYT; que apelamos a uma maior transparência<br />

de todo o processo; e investimos em campanhas de comunicação para maior literacia<br />

Ambiental.<br />

2<br />

Gostava de ver um setor cada vez mais moderno, inovador e tecnológico, que se transformasse<br />

num caso de estudo para outros países, pelos bons exemplos e pelo cumprimento<br />

das metas da reciclagem, mas ao dia de hoje antevejo o futuro com alguma apreensão.<br />

A reciclagem <strong>é</strong> muito mais do que colocar os resíduos de embalagens <strong>nos</strong> ecopontos -<br />

onde estamos globalmente bem -, e a atual avaliação aos fluxos específicos de resíduos<br />

urba<strong>nos</strong> mostra que já devia existir um sentido de urgência no país muito maior.<br />

Neste sentido, face a todos os compromissos que o país tem nesta mat<strong>é</strong>ria, <strong>é</strong> determinante<br />

conseguir executar os pla<strong>nos</strong> estrat<strong>é</strong>gicos, como o PERSU 2030, atrav<strong>é</strong>s do uso<br />

de mais meios e recursos, e de mais capacidade de investimento.<br />

O desejável seria conseguirmos converter o setor dos resíduos num setor de recursos,<br />

conseguindo, dessa forma, promover o desenvolvimento económico, social e ambiental.<br />

1<br />

A ECODEAL está comprometida nas suas instalações<br />

industriais com as melhore tecnologias/práticas<br />

disponíveis/sustentáveis. Ente elas<br />

podemos enumerar o aproveitamento da Água<br />

para utilização como água de processo, a Reutilização<br />

de embalagens após descontaminação/<br />

lavagem, foi substituída a iluminação existente<br />

por iluminação mais eficiente e procedeu-se à<br />

Instalação de pain<strong>é</strong>is fotovoltaicos.<br />

2<br />

A Ecodeal defende que a gestão de resíduos deve<br />

ter em conta que o resíduo pode ser um recurso<br />

fazer parte de um circuito de economia circular,<br />

sendo que para isso cada vez mais <strong>é</strong> necessário<br />

segregar na origem e tratar separadamente os<br />

diferentes tipos de resíduos procurando as melhores<br />

soluções entre os seus clientes e parceiros.<br />

Só uma solução personalizada e dedicada em<br />

cada cliente permitirá o sucesso desta missão.<br />

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023


58 \\ FÓRUM DE LIDERES \\<br />

1 1<br />

EMÍDIO PINHEIRO<br />

Presidente do Conselho<br />

de Administração, EGF<br />

PAULO PRAÇA<br />

Presidente da Direção, ESGRA<br />

1<br />

A EGF orgulha-se de ter compromissos de sustentabilidade no seu ADN,<br />

faz parte da <strong>nos</strong>sa atividade, porque a EGF existe para garantir mais qualidade<br />

de vida aos cidadãos, assegurando um serviço público essencial que<br />

valoriza o ambiente, a comunidade e os seus trabalhadores, atrav<strong>é</strong>s da<br />

valorização dos resíduos e dos recursos que são de todos nós.<br />

Mas porque <strong>é</strong> quando se concretiza que se tornam visíveis as boas práticas,<br />

dou alguns exemplos concretos: o investimento muito substancial<br />

em novas instalações de valorização de resíduos ou em modernização<br />

de instalações existentes; a implementação de pla<strong>nos</strong> de racionalização<br />

e maximização da produção de energia a partir de fontes renováveis; a<br />

otimização da reutilização da água residual; o trabalho muito relevante<br />

de educação e sensibilização ambiental desenvolvido junto das comunidades;<br />

a implementação de códigos de <strong>é</strong>tica e conduta empresarial<br />

transversais a todo o Grupo. São apenas 5 exemplos de um grande conjunto<br />

de iniciativas que dão forma a relevância à atividade da EGF – a<br />

empresa líder e de referência no tratamento e valorização de resíduos<br />

em Portugal.<br />

2<br />

Será com certeza um futuro desafiante para o qual <strong>é</strong> preciso ambição,<br />

coragem e capacidade de concretização. Deveremos começar por mudar<br />

a vossa pergunta – o futuro da gestão de recursos em Portugal, e não o<br />

futuro da gestão de resíduos. Mudemos o paradigma e encontramos soluções<br />

para gerir recursos, com o foco na economia circular e na implementação<br />

de soluções sustentáveis para o país. A EGF está empenhada<br />

em concretizar soluções inovadoras e sustentáveis que permitam uma<br />

maior qualidade de vida para os cidadãos, com espírito de cooperação<br />

e de unidade com todas as partes interessadas. Acreditamos que <strong>é</strong> com<br />

objetivos coletivos e em equipa que se alcançam as maiores realizações.<br />

1<br />

Na medida em que a missão da ESGRA visa a promoção dos interesses<br />

dos seus associados no âmbito da gestão e tratamento de resíduos urba<strong>nos</strong><br />

de modo a contribuir para o desenvolvimento sustentável do País<br />

numa economia circular, toda a sua atividade encontra-se vocacionada<br />

para promover as melhores práticas sustentáveis atrav<strong>é</strong>s do acompanhamento<br />

permanente e atento do desenvolvimento das políticas públicas,<br />

quer a nível nacional quer comunitário, bem como da evolução tecnologia<br />

e da inovação em mat<strong>é</strong>ria de gestão de resíduos.<br />

Enquanto Associação consideramos fundamental alocar todos os meios<br />

ao <strong>nos</strong>so dispor para acompanhar a evolução das políticas que regem este<br />

setor e não só, bem como os avanços da tecnologia e inovação de modo a<br />

contribuir para a sua disseminação, fundamentalmente, junto dos <strong>nos</strong>sos<br />

Associados, com o propósito de constituir uma mais valia para a sua atualização<br />

permanente do que sejam as melhores práticas ao nível dos processos<br />

produtivos e avanço tecnológico que permitam o desenvolvimento<br />

da sua atividade com o melhor custo benefício em termos ambientais e<br />

de valorização de recursos.<br />

2<br />

Neste momento, esperamos sobretudo que setor tenha futuro necessariamente<br />

melhor que o presente que se apresenta muito difícil e exigente.<br />

Com efeito, o setor da gestão de resíduos urba<strong>nos</strong> em Portugal enfrenta<br />

atualmente muitos desafios e objetivos obrigatórios muito exigentes que<br />

se afiguram de difícil concretização caso não sejam adotadas as políticas<br />

adequadas para os alcançar, o que exige a alocação efetiva e em tempo<br />

útil de meios, não só financeiros, mas tamb<strong>é</strong>m de recursos mobilizadores<br />

para a mudança de paradigma, do lugar e da importância que o tema dos<br />

resíduos ocupa, neste momento, quer ao nível das políticas públicas quer<br />

da sociedade em geral.<br />

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023


\\ FÓRUM DE LIDERES \\<br />

59<br />

1 1<br />

FILIPE MANUEL VENTURA ARAÚJO<br />

Presidente do Conselho de Administração,<br />

Porto Ambiente<br />

PEDRO NAZARETH<br />

CEO, Electrão<br />

1<br />

Enquanto responsáveis pela gestão do Pacto<br />

do Porto para o Clima, que visa alcançar a<br />

neutralidade carbónica na cidade at<strong>é</strong> 2030, o<br />

<strong>nos</strong>so compromisso com a sustentabilidade <strong>é</strong><br />

diário e reflete-se na operação e no envolvimento<br />

da comunidade. Exemplos disso são o<br />

enfoque na recolha seletiva de biorresíduos,<br />

no uso de água reutilizada na lavagem do<br />

espaço público, na descarbonização e renovação<br />

da frota de recolha e de varredura, na<br />

criação de equipas de sensibilização ambiental<br />

dedicadas, ao dispor dos comerciantes e<br />

dos munícipes em geral e, não me<strong>nos</strong> importante,<br />

na criação de um programa para<br />

crianças e jovens, focado na redução, reutilização<br />

e reciclagem.<br />

2<br />

Este <strong>é</strong> um setor em constante mudança e<br />

com desafios que irão intensificar-se <strong>nos</strong><br />

próximos a<strong>nos</strong>, decorrentes do crescimento<br />

da atividade económica, da maior exigência<br />

das populações e das novas metas plasmadas<br />

nas orientações estrat<strong>é</strong>gicas para esta<br />

atividade.<br />

O caminho exige o envolvimento de todos<br />

num percurso que deverá aliar inovação, informação<br />

e sensibilização a uma permanente<br />

capacidade de adaptação e reinvenção.<br />

1<br />

A promoção de práticas sustentáveis, particularmente na dimensão ambiental, <strong>é</strong> o principal foco<br />

do sector da gestão de resíduos. Esta área <strong>é</strong> decisiva para o esforço de cumprimento de vários dos<br />

Objectivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 das Nações Unidas, nomeadamente<br />

“Cidades e Comunidades Sustentáveis” (ODS 11), “Produção e Consumo Sustentáveis” (ODS12) e<br />

“Proteger a Vida Marinha” (ODS14).<br />

Reciclar e tratar resíduos permite preservar recursos materiais ao evitar o consumo de mat<strong>é</strong>rias-primas<br />

virgens. Ao mesmo tempo a actividade deste sector acautela a protecção da saúde pública e do<br />

ambiente ao garantir o tratamento adequado de algumas mat<strong>é</strong>rias poluentes presentes <strong>nos</strong> produtos<br />

que consumimos.<br />

A reciclagem representa hoje tamb<strong>é</strong>m uma estrat<strong>é</strong>gia de reforço da soberania europeia e da autosuficiência<br />

das cadeias de valor pelo contributo que pode dar ao nível da recuperação de determinadas<br />

mat<strong>é</strong>rias-primas críticas, indispensáveis na produção das tecnologias da transição energ<strong>é</strong>tica.<br />

Tornar a economia mais circular, seja por extensão do tempo de vida dos produtos, seja por tornar<br />

os sistemas de reciclagem mais eficientes, significa tamb<strong>é</strong>m um contributo expressivo à mais urgente<br />

e central questão ambiental: a mitigação climática.<br />

2<br />

A gestão de resíduos em Portugal tem que caminhar no sentido de uma colaboração cada vez mais<br />

estreita entre os vários intervenientes que participam nas cadeias de valor. Isto aplica-se a todos os<br />

fluxos de resíduos, mas tem particular peso nas tipologias que o Electrão gere - embalagens, pilhas<br />

e equipamentos el<strong>é</strong>ctricos usados. Há um papel de destaque reservado ao consumidor, mas a responsabilidade<br />

tamb<strong>é</strong>m está do lado das empresas, operadores de gestão de resíduos, municípios,<br />

retalhistas, empresas de instalação e manutenção e as entidades fiscalizadoras.<br />

O esforço de reciclagem, reutilização e consciencialização para o uso moderado dos recursos tem<br />

que acontecer não só porque as metas europeias assim o ditam, mas como forma de mitigar as alterações<br />

climáticas. O produto final será sempre o resultado da actuação deste conjunto de actores.<br />

A gestão de resíduos do futuro terá, necessariamente, que ser cada vez mais eficiente, aproveitando<br />

com inteligência todas as sinergias e favorecendo o reaproveitamento de recursos numa economia<br />

cada mais circular.<br />

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023


60 \\ FÓRUM DE LIDERES \\<br />

1<br />

MARIANA PEREIRA DA SILVA<br />

Diretora de Sustentabilidade, MC<br />

11<br />

CLIMÉNIA SILVA<br />

Diretora-Geral, Valorpneu<br />

1<br />

Enquanto retalhista líder, presente em todo o território nacional, com<br />

impacto na vida das comunidades em que <strong>nos</strong> inserimos e das famílias<br />

que visitam regularmente as <strong>nos</strong>sas lojas, sabemos que <strong>é</strong> <strong>nos</strong>so dever encontrar<br />

e implementar programas que procurem minimizar o impacto<br />

da <strong>nos</strong>sa atividade, bem como iniciativas que contribuam para transformação<br />

da <strong>nos</strong>sa cadeia de valor - atuando como catalisador, alinhando a<br />

cadeia de abastecimento em torno das dimensões materiais e das melhores<br />

práticas, promovendo maior transparência e potenciando comportamentos<br />

mais sustentáveis, junto do consumidor. Com este posicionamento<br />

temos a ambição de democratizar, progressivamente, o acesso a uma<br />

cesta mais saudável e sustentável, focando a <strong>nos</strong>sa ação em 4 áreas: Ação<br />

Climática, Circularidade, Produção sustentável e Oferta Responsável.<br />

Sabemos que temos ainda um longo caminho pela frente, mas tamb<strong>é</strong>m<br />

sabemos que a cada novo dia temos novas oportunidades para transformarmos<br />

o <strong>nos</strong>so propósito, a <strong>nos</strong>sa ambição em ações concretas e em impacto<br />

positivo.<br />

2<br />

Nos próximos a<strong>nos</strong>, para fazer face aos ambiciosos objetivos e metas definidas<br />

para o sector dos resíduos em Portugal, num quadro de crescente<br />

circularidade e descarbonização da economia, teremos de revisitar a forma<br />

como a gestão de resíduos <strong>é</strong> assegurada ao longo de toda a cadeia de<br />

valor, dando lugar à criação de um ecossistema verdadeiramente circular,<br />

fortemente ancorado na ciência, na inovação e na tecnologia. Apenas<br />

com um esforço concertado entre todas as partes interessadas será possível<br />

endereçar de forma assertiva e consequente os muitos desafios que<br />

já hoje conhecemos. Uma articulação que permita apostar desde logo na<br />

redução da produção de resíduos, investir em sistemas e modelos de recolha<br />

e triagem mais eficazes e na sua subsequente reciclagem e valorização.<br />

1<br />

Em mais de 20 a<strong>nos</strong> de atividade, a Valorpneu tem demonstrado<br />

o seu empenho na prestação de um serviço de qualidade para fechar,<br />

de forma sustentável e equilibrada o ciclo de vida dos pneus,<br />

com o reforço e o desenvolvimento das operações vitais ao SGPU,<br />

nomeadamente prevenção, recolha, preparação para reutilização,<br />

reciclagem e valorização dos pneus usados. Continua assim<br />

a assumir o compromisso com os princípios orientadores do desenvolvimento<br />

sustentável, assentes na proteção do ambiente, na<br />

criação de valor e na qualificação de recursos huma<strong>nos</strong> no âmbito<br />

do SGPU, assim como na procura da melhoria contínua do desempenho<br />

do sistema integrado e dos seus parceiros. A Valorpneu<br />

tem realizado simultaneamente campanhas de sensibilização<br />

junto dos cidadãos para alertar para o correto uso dos pneus, de<br />

forma a prolongar o seu tempo de vida útil. Desta forma, as <strong>nos</strong>sas<br />

campanhas pretendem alertar os cidadãos para o impacto positivo<br />

que as práticas sustentáveis no seu dia- a- dia podem ter na economia<br />

circular.<br />

2<br />

A gestão de resíduos em Portugal tem vindo a lidar com constantes<br />

desafios e a Valorpneu fazendo parte do ecossistema, não<br />

<strong>é</strong> exceção. Por exemplo a proposta da Comissão Europeia sobre a<br />

proibição do granulado de borracha no enchimento dos campos de<br />

relva sint<strong>é</strong>tica que poderá resultar em impactos significativos na<br />

cadeia de tratamento. Em resposta a estes acontecimentos, a Valorpneu<br />

encontra-se a reinventar e a acompanhar todas as evoluções<br />

e tendências da sociedade por forma a continuar a contribuir para<br />

a economia circular no <strong>nos</strong>so país e a garantir a sustentabilidade<br />

do sistema integrado.<br />

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023


\\ FÓRUM DE LIDERES \\<br />

61<br />

1<br />

ANABELA BARROSO<br />

CEO, EC3R<br />

11<br />

TOMÁS JOAQUIM DE OLIVEIRA SERRA<br />

Presidente, AVALER<br />

1<br />

A EC3R tem desde o seu nascimento a preocupação em recuperar, tratar e dar um fim<br />

digno aos resíduos, no caso, os óleos alimentares usados que durante d<strong>é</strong>cadas foram<br />

descartados de forma indevida, tendo um impacto ambiental negativo, nomeadamente<br />

na contaminação dos ocea<strong>nos</strong>. Provavelmente todos já ouvimos a c<strong>é</strong>lebre frase “um litro<br />

de óleo usado contamina um milhão de litros de água”, mas <strong>é</strong> preciso passar das palavras<br />

às ações e fazer com que nenhum estabelecimento Horeca ou habitação descarte<br />

indevidamente este resíduo tão prejudicial ao ambiente. Este <strong>é</strong> o foco da <strong>nos</strong>sa empresa,<br />

queremos fazer cada vez mais, melhor e abranger mais território. Ainda no âmbito da<br />

<strong>nos</strong>sa responsabilidade ambiental, toda a <strong>nos</strong>sa frota de veículos utiliza um combustível<br />

mais ecológico (eco diesel) fornecido por um dos <strong>nos</strong>sos parceiros, que permite<br />

uma redução de 18% das emissões de gases com efeito de estufa. Em resumo diria que o<br />

<strong>nos</strong>so objetivo <strong>é</strong> poluir me<strong>nos</strong> e evitamos mais poluição.<br />

2<br />

Entendemos que toda a população está consciente que chegamos a um ponto sem retorno,<br />

<strong>é</strong> imperativo antes de mais reduzir a produção de resíduos, nomeadamente embalagens<br />

de uso único, e, sempre que seja inevitável a produção de um resíduo, devemos<br />

por todas as formas e tecnologias existentes proceder a sua reutilização.<br />

Temos hoje, a nível nacional, tecnologias muito avançadas, das quais destacamos o<br />

biodiesel, principal destino dos óleos alimentares usados que recolhemos diariamente,<br />

mas tamb<strong>é</strong>m o bioetanol e biogás, tecnologias que terão um peso muito relevante na<br />

redução da <strong>nos</strong>sa pegada ecológica, particularmente na reciclagem da mat<strong>é</strong>ria orgânica.<br />

No que diz respeito a <strong>nos</strong>sa área de atuação, esperamos que o futuro traga mais profissionalismo<br />

ao setor. Nesse sentido continuamos a investir em plataformas que <strong>nos</strong><br />

permitem saber exatamente onde o resíduo <strong>é</strong> gerado, convertido e garantir que toda a<br />

cadeia respeita os pressupostos necessários da atividade.<br />

Acreditamos num futuro mais verde e por isso temos uma política de sensibilização e<br />

educação ambiental focada nas gerações mais jovens.<br />

Reduzir, Reutilizar e Reciclar: mais que um lema, <strong>é</strong> a <strong>nos</strong>sa essência.<br />

1<br />

Desde a sua criação, a AVALER enquanto Associação<br />

que representa as entidades que em Portugal possuem<br />

sistemas integrados de gestão de <strong>Resíduos</strong> Sólidos Urba<strong>nos</strong>,<br />

incluindo valorização energ<strong>é</strong>tica, tem desenvolvido<br />

um vasto conjunto de atividades e iniciativas destinadas<br />

a contribuir para a melhoria contínua da atividade das<br />

suas Associadas atrav<strong>é</strong>s do estudo e implementação das<br />

melhores formas de tratamento dos resíduos sólidos urba<strong>nos</strong><br />

em termos de promoção e proteção do meio ambiente.<br />

2<br />

Portugal continua a depositar em aterro mais de 50% dos<br />

resíduos urba<strong>nos</strong> produzidos, com pesadas consequências<br />

tanto do ponto de vista de impacto ambiental como<br />

do esforço que terá que desenvolver para que em 2035<br />

cumpra a meta de deposição em aterro de apenas 10%<br />

da totalidade dos resíduos produzidos, as perspetivas não<br />

podem ser outras se não de preocupação.<br />

Portugal tem perdido muito tempo em resistir a aumentar<br />

a capacidade da valorização energ<strong>é</strong>tica de resíduos<br />

que poderia ter tido um papel muito maior no cumprimento<br />

das metas de desvio de aterro, à semelhança<br />

das melhores práticas europeias e mundiais, dada a sua<br />

fiabilidade enquanto solução tecnologicamente madura,<br />

eficiente e ambientalmente segura, com a dupla vertente<br />

de tratar de resíduos e produzir um bem de inestimável<br />

valor, a energia. a garantir a sustentabilidade do sistema<br />

integrado.<br />

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023


62<br />

\\ DIRETÓRIO \\<br />

DIRETÓRIO<br />

Rumo a uma<br />

economia circular<br />

Todos os a<strong>nos</strong> produzem-se 2,2 mil milhões de toneladas de lixo na União Europeia (UE).<br />

Em Portugal, são produzidos anualmente cerca de 5 milhões de toneladas de resíduos<br />

urba<strong>nos</strong>. A UE encontra-se atualmente a atualizar a sua legislação relativa à gestão de<br />

resíduos para promover a mudança de uma economia linear para uma economia circular. E o papel<br />

de todas as empresas <strong>é</strong> fulcral para esta transição.<br />

Na prática, a economia circular implica a redução do desperdício ou dos resíduos ao mínimo.<br />

Reutilizar e reciclar os produtos permite retardar o uso dos recursos naturais, reduzir a<br />

perturbação das paisagens e dos habitats e ajudar a limitar a perda de biodiversidade.<br />

As empresas portuguesas estão empenhadas em promover essa circularidade e, apesar de<br />

o país continuar a falhar as metas estabelecidas pela Comissão Europeia, há muitas empresas<br />

no bom caminho. Conheça alguns dos bons exemplos no diretório que lhe apresentamos<br />

neste suplemento.<br />

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023


\\ DIRETÓRIO \\<br />

63<br />

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023


64 \\ DIRETÓRIO \\<br />

BOARD<br />

APEMETA APOIA O SETOR EMPRESARIAL<br />

Carlo Igl<strong>é</strong>zias<br />

Presidente da Direção<br />

CONTACTOS<br />

Sede (Lisboa)<br />

Campo Grande, 294, 2.º Esq.º e Dt.º<br />

1700-097 Lisboa<br />

t. +351 217 506 000<br />

e. comunicacao.imagem@apemeta.pt<br />

AAPEMETA –Associação Portuguesa de<br />

Empresas de Tecnologias Ambientais, <strong>é</strong><br />

uma associação empresarial privada e sem<br />

fins lucrativos, fundada em 1989 e formalmente<br />

constituída em 1991, com o objetivo de apoiar a<br />

atividade empresarial do setor das tecnologias associadas<br />

à sustentabilidade e ambiente, divulgar e<br />

reforçar as suas competências.<br />

Com Estatuto de Entidade de Utilidade Pública<br />

desde 2006 e Organização Não Governamental<br />

de Ambiente, registada na APA – Agência<br />

Portuguesa do Ambiente a APEMETA aposta<br />

na contínua capacitação do setor atrav<strong>é</strong>s da<br />

formação, seminários e projetos nacionais de<br />

apoio a ações coletivas de qualificação, empreendedorismo<br />

e internacionalização colaborando<br />

em vários projetos internacionais financiados<br />

pela União Europeia.<br />

Atualmente conta com mais de 200 entidades<br />

associadas, atuando na defesa dos seus interesses<br />

e estimulando o seu desenvolvimento por via<br />

do incentivo à inovação, e ao estabelecimento de<br />

complementaridades e sinergias, com o objetivo<br />

de divulgar as suas competências, quer nacional,<br />

quer internacionalmente onde conta com uma<br />

rede de mais de 70 instituições parceiras, cobrindo<br />

sobretudo mercados consolidados na Europa e<br />

mercados emergentes na Europa, África, Am<strong>é</strong>rica<br />

do Sul e Central.<br />

A APEMETA tem o seu sistema de Gestão da<br />

Qualidade certificado segundo a Norma ISO<br />

9001:2015, sendo tamb<strong>é</strong>m uma entidade formadora<br />

certificada pela DGERT – Direção Geral do<br />

Emprego e das Relações de Trabalho.<br />

Delegação (Porto)<br />

Rua da Alegria n.º 1988, Sala 4<br />

4200-024 Porto<br />

t. +351 226 062 025<br />

e. geral.porto@apemeta.pt<br />

www.apemeta.pt<br />

www.ambienteportugal.pt<br />

www.facebook.com/APEMETA<br />

www.linkedin.com/company/apemeta/<br />

ÁREAS DE ATUAÇÃO<br />

/ Seminários, Workshops e Reuniões;<br />

/ Ações de formação;<br />

/ Informação especializada;<br />

/ Divulgação do Setor/Empresas;<br />

/ Apoio a projetos;<br />

/ Apoio t<strong>é</strong>cnico;<br />

/ Apoio Jurídico;<br />

/ Apoio à gestão;<br />

/ Apoio à Empregabilidade;<br />

/ Apoio à Internacionalização.<br />

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023


\\ DIRETÓRIO \\<br />

65<br />

BOARD<br />

ASSOCIAÇÃO DE ENTIDADES DE VALORIZAÇÃO<br />

DE RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS<br />

A<br />

AVALER - Associação de Entidades de Valorização<br />

Energ<strong>é</strong>tica de <strong>Resíduos</strong> Sólidos Urba<strong>nos</strong>,<br />

<strong>é</strong> uma Associação sem fins lucrativos,<br />

de âmbito nacional, que tem por missão a promoção<br />

da sustentabilidade na gestão de resíduos<br />

urba<strong>nos</strong> e o apoio às suas Associadas na prossecução<br />

desse objetivo, que vem desenvolvendo, desde<br />

a sua constituição, em 2005, relevantes atividades<br />

de interesse geral no âmbito da promoção e proteção<br />

do meio ambiente, atrav<strong>é</strong>s do estudo e implementação<br />

das melhores formas de tratamento<br />

dos resíduos sólidos urba<strong>nos</strong> por parte das entidades<br />

suas associadas e da comunidade em geral.<br />

Para o efeito, serve de plataforma para a troca de<br />

experiências e divulgação dos avanços científicos,<br />

t<strong>é</strong>cnicos e práticos da produção de energia a partir<br />

da incineração de resíduos urba<strong>nos</strong>.<br />

É compromisso da AVALER defender com frontalidade<br />

e transparência a sua visão estrat<strong>é</strong>gica<br />

para a gestão de resíduos urba<strong>nos</strong>, segundo a<br />

qual a reciclagem de qualidade e a valorização<br />

energ<strong>é</strong>tica são opções complementares que, em<br />

conjunto, contribuem para evitar a deposição de<br />

resíduos urba<strong>nos</strong> em aterro, na procura de uma<br />

maior sustentabilidade e circularidade na gestão<br />

de resíduos.<br />

A AVALER tem como associadas as empresas<br />

que em Portugal possuem sistemas integrados de<br />

gestão de resíduos urba<strong>nos</strong>, incluindo valorização<br />

energ<strong>é</strong>tica: a Valorsul - Valorização e Tratamento<br />

de <strong>Resíduos</strong> Sólidos das Regiões de Lisboa e do<br />

Oeste, S.A., responsável pelo tratamento e valorização<br />

dos resíduos urba<strong>nos</strong> produzidos em 19<br />

Municípios da Grande Lisboa e da Região Oeste;<br />

a LIPOR – Serviço Intermunicipalizado de Gestão<br />

de <strong>Resíduos</strong> do Grande Porto, responsável<br />

pela gestão, valorização e tratamento dos <strong>Resíduos</strong><br />

Urba<strong>nos</strong> produzidos em oito municípios<br />

do Grande Porto, a ARM - Águas e <strong>Resíduos</strong> da<br />

Madeira, S.A., responsável pela gestão de resíduos<br />

da Região Autónoma da Madeira e a TE-<br />

RAMB – Empresa Municipal de Gestão e Valorização<br />

Ambiental da Ilha Terceira, EM, que gere<br />

os resíduos urba<strong>nos</strong> da Ilha Terceira, na Região<br />

Autónoma dos Açores.<br />

ÁREA DE ATUAÇÃO<br />

/ Gestão e valorização energ<strong>é</strong>tica de resíduos<br />

urba<strong>nos</strong><br />

Tomás Joaquim de Oliveira Serra<br />

Presidente<br />

Valorsul<br />

Sónia Alexandra Valadão da Silva<br />

Vice-Presidente<br />

Teramb<br />

Amílcar Magalhães de Lima<br />

Gonçalves<br />

Vice-Presidente:<br />

ARM<br />

CONTACTOS<br />

Plataforma Ribeirinha da CP<br />

Est. Mercadorias da Bobadela<br />

2696-801 São João da Talha<br />

avaler@avaler.pt<br />

www.avaler.pt<br />

ÁGUA POTÁVEL<br />

E SANEAMENTO<br />

CIDADES E<br />

COMUNIDADES<br />

SUSTENTÁVEIS<br />

ACÇÃO<br />

CLIMÁTICA<br />

INDÚSTRIA,<br />

INOVAÇÃO E<br />

INFRAESTRUTURAS<br />

PRODUÇÃO<br />

E CONSUMO<br />

SUSTENTÁVEIS<br />

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023


66 \\ DIRETÓRIO \\<br />

BOARD<br />

A SUSTENTABILIDADE MUDA A CIDADE<br />

A<br />

Porto Ambiente <strong>é</strong>, desde 2017, responsável<br />

pela gestão de resíduos urba<strong>nos</strong> e limpeza do<br />

espaço público no Porto, contribuindo para a<br />

melhoria da qualidade de vida de todos os que residem,<br />

visitam, trabalham ou estudam na cidade.<br />

PACTO DO PORTO PARA O CLIMA<br />

Em 2022 a empresa assumiu a gestão do Pacto<br />

do Porto para o Clima, iniciativa que conta com<br />

o Alto Patrocínio da Presidência da República,<br />

convocando todos para o alcance da meta da neutralidade<br />

carbónica na cidade at<strong>é</strong> 2030.<br />

Atrav<strong>é</strong>s de uma s<strong>é</strong>rie de iniciativas que visam<br />

mobilizar todos os setores e forças vivas da cidade,<br />

mas tamb<strong>é</strong>m da sociedade civil, são já mais de<br />

200 subscritores das mais reputadas instituições<br />

e organizações empresariais da cidade e da região,<br />

de áreas como a academia, justiça, educação, telecomunicações,<br />

construção, indústria, ONGs, 3º.<br />

setor, desporto, ciência, saúde, cultura.<br />

MAIS CIRCULARIDADE<br />

Acreditamos que uma cidade mais sustentável <strong>é</strong><br />

uma cidade mais circular e, nesse domínio, lançamos,<br />

em 2021, o projeto pioneiro de recolha<br />

de orgânicos, que assenta na valorização destes<br />

resíduos em composto devolvido aos solos para<br />

enriquecimento dos mesmos. São já mais de 34<br />

mil famílias, que contribuíram para uma redução<br />

de 2500 toneladas de resíduos alimentares<br />

enviados para o indiferenciado, atrav<strong>é</strong>s da sua<br />

valorização em composto orgânico. At<strong>é</strong> ao final<br />

do ano prevê-se a cobertura global de toda a cidade,<br />

disponibilizando-se para o efeito mais de<br />

900 contentores.<br />

SENSIBILIZAÇÃO AMBIENTAL<br />

Em 2019 iniciamos um serviço pioneiro e ímpar de<br />

sensibilização ambiental, com equipas que atuam,<br />

diariamente, na prevenção, redução de produção e<br />

correta separação e deposição de resíduos, atrav<strong>é</strong>s<br />

de ações pedagógicas e formativas. Fornecer as ferramentas<br />

certas, apostar em relações de proximidade<br />

e disponibilizar informação e meios potencia<br />

a mudança de comportamentos e gera uma atividade<br />

económica mais sustentável na cidade.<br />

DESCARBONIZAÇÃO DA OPERAÇÃO<br />

Conscientes do <strong>nos</strong>so papel enquanto líder pelo<br />

exemplo no desafio da descarbonização, está em<br />

curso uma profunda mudança, atrav<strong>é</strong>s do investimento<br />

de cerca de 10 milhões de euros na aquisição<br />

de equipamentos e viaturas mais sustentáveis,<br />

usadas para as atividades diárias de limpeza<br />

urbana e recolha de resíduos.<br />

Passaremos a dispor de soluções, na sua maioria<br />

el<strong>é</strong>tricas, de suporte à atividade da limpeza do<br />

espaço público, nomeadamente equipamentos de<br />

varredura, para uma maior eficiência.<br />

No caso da recolha, o investimento visa a modernização<br />

da frota, privilegiando soluções mais sustentáveis,<br />

com veículos movidos a gás natural, bem<br />

como otimizar o serviço prestado aos munícipes.<br />

ÁREAS DE ATUAÇÃO<br />

/ Gestão de resíduos urba<strong>nos</strong><br />

/ Limpeza do espaço público, incluindo as<br />

atividades de limpeza de fachadas, varredura<br />

e lavagem de ruas e limpeza de praias.<br />

/ Fiscalização e sensibilização ambiental<br />

Filipe Manuel Ventura Camões de<br />

Almeida Araújo<br />

Presidente do Conselho de<br />

Administração<br />

Luís Andr<strong>é</strong> Fernandes Bragança<br />

de Assunção<br />

Vice-Presidente do Conselho<br />

de Administração<br />

Maria Helena de Amaral Arcos<br />

Vilasboas Tavares<br />

Vogal do Conselho de Administração<br />

CONTACTOS<br />

Empresa Municipal de<br />

Ambiente do Porto, E.M., S.A.<br />

Rua de S. Dinis, 249<br />

4250-434 Porto<br />

+351 228 348 770<br />

geral@portoambiente.pt<br />

www.portoambiente.pt<br />

ENERGIAS<br />

RENOVÁVEIS<br />

E ACESSÍVEIS<br />

CIDADES E<br />

COMUNIDADES<br />

SUSTENTÁVEIS<br />

ACÇÃO<br />

CLIMÁTICA<br />

TRABALHO DIGNO<br />

E CRESCIMENTO<br />

ECONÓMICO<br />

PRODUÇÃO<br />

E CONSUMO<br />

SUSTENTÁVEIS<br />

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023


\\ DIRETÓRIO \\<br />

67<br />

BOARD<br />

HÁ DUAS DÉCADAS A TRABALHAR<br />

PARA UM MUNDO MELHOR<br />

A<br />

Valorpneu <strong>é</strong> uma entidade privada, sem fins<br />

lucrativos, que tem por objetivo organizar e<br />

gerir o Sistema Integrado de Gestão de Pneus<br />

Usados (SGPU) em Portugal, assente na responsabilidade<br />

alargada dos produtores de pneus. No<br />

desenvolvimento da sua atividade a Valorpneu<br />

assume o compromisso com os princípios orientadores<br />

do desenvolvimento sustentável, assentes<br />

na proteção do ambiente, na criação de valor e<br />

na qualificação de recursos huma<strong>nos</strong> do sistema<br />

que gere. O cumprimento destes princípios, são<br />

essenciais para o <strong>nos</strong>so contributo para uma economia<br />

circular.<br />

A Valorpneu tem como missão principal:<br />

• Organizar e gerir a recolha, transporte e o<br />

encaminhamento para destino final adequado<br />

dos pneus usados que anualmente são gerados<br />

no território nacional;<br />

• Promover a investigação e o desenvolvimento<br />

de novos m<strong>é</strong>todos para o tratamento dos pneus<br />

usados e de novas aplicações;<br />

• Desenvolver ações de comunicação e sensibilização<br />

com vista a estimular alterações comportamentais<br />

motivadoras de práticas corretas<br />

relativamente aos pneus novos e usados e<br />

recetividade aos materiais resultantes da sua<br />

valorização.<br />

Na prossecução da sua missão, a Valorpneu envolve<br />

todos os colaboradores e operadores do<br />

SGPU, procurando melhorar continuamente<br />

o seu desempenho, nomeadamente na área da<br />

qualidade e ambiente, promovendo a melhoria<br />

do desempenho dos operadores da rede SGPU e<br />

assume, como um dos seus princípios de gestão, o<br />

compromisso na prestação de um serviço de qualidade<br />

de forma a garantir a conformidade com<br />

todas as suas obrigações.<br />

Em duas d<strong>é</strong>cadas de atividade em prol dos pneus<br />

usados, a Valorpneu tem demonstrado o seu empenho<br />

na prestação de um serviço de qualidade<br />

para fechar, de forma sustentável e equilibrada o<br />

ciclo de vida dos pneus, com o reforço e o desenvolvimento<br />

das operações vitais ao SGPU, nomeadamente<br />

prevenção, recolha, preparação para reutilização,<br />

reciclagem e valorização dos pneus usados.<br />

Queremos transmitir à comunidade a importância<br />

da reutilização destes resíduos atrav<strong>é</strong>s de<br />

diversas aplicações do granulado de borracha<br />

de pneus usados entre outras. Desde o início da<br />

<strong>nos</strong>sa atividade temos comunicado aos cidadãos<br />

a necessidade de adotarem práticas de prevenção<br />

no uso dos pneus no seu dia-a-dia como forma de<br />

aumentar o seu tempo de vida útil.<br />

Tudo, em prol de um ambiente melhor e da criação<br />

de novas vidas para os pneus!<br />

Clim<strong>é</strong>nia Silva<br />

Diretora-Geral<br />

CONTACTOS<br />

Av.ª Torre de Bel<strong>é</strong>m, 29<br />

1400-342 Lisboa<br />

+351 210 513 651<br />

valorpneu@valorpneu.pt<br />

www.valorpneu.pt<br />

linkedin.com/company/valorpneu/<br />

www.instagram.com/valorpneu/<br />

ÁREAS DE ATUAÇÃO<br />

/ Gestão de resíduos.<br />

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023


68 \\ DIRETÓRIO \\<br />

LISTAGEM<br />

UM PILAR NA GESTÃO<br />

DE FIM DE VIDA DOS PRODUTOS<br />

Electrão apoia modelos de negócio cada vez mais circulares e sustentáveis<br />

Mais de 1800 empresas confiam<br />

e transferem para o Electrão as<br />

responsabilidades pela gestão<br />

de fim de vida dos seus produtos.<br />

Esta <strong>é</strong> uma responsabilidade das<br />

empresas que colocam produtos no<br />

mercado, cada vez mais presente<br />

<strong>nos</strong> diferentes sectores de actividade<br />

económica, mas que <strong>é</strong> normalmente<br />

transferida para as entidades gestoras<br />

dos sistemas de reciclagem, como<br />

o Electrão, que asseguram a operação<br />

e financiamento destes sistemas.<br />

O Electrão gere atualmente três sistemas<br />

de reciclagem: embalagens,<br />

pilhas e equipamentos el<strong>é</strong>ctricos<br />

usados e beneficia já de quase duas<br />

d<strong>é</strong>cadas de experiência de concepção,<br />

implementação e gestão destes<br />

sistemas, o que permite potenciar<br />

economias de escala e conferir maior<br />

eficiência aos processos de gestão de<br />

fim de vida dos produtos.<br />

O Electrão promove campanhas de<br />

educação ambiental dirigidas ao público<br />

em geral, mas desenvolve, paralelamente,<br />

iniciativas direcionadas<br />

às empresas aderentes, muitas das<br />

quais participam no desafio da recolha<br />

de resíduos e integram a rede de<br />

locais de recolha do Electrão.<br />

O Electrão disponibiliza tamb<strong>é</strong>m<br />

um serviço gratuito de recolha de pilhas<br />

e equipamentos el<strong>é</strong>ctricos usados<br />

junto de empresas produtoras<br />

destes resíduos, mesmo aquelas que<br />

não são suas clientes. Isto porque todas<br />

as empresas têm a responsabilidade<br />

de encaminhar correctamente<br />

estes tipos de resíduos e comprovar<br />

que lhes dão um destino adequado.<br />

O serviço de recolha disponibilizado<br />

pelo Electrão funciona em<br />

todo o país, incluindo ilhas.<br />

ÁREAS DE ATUAÇÃO<br />

/ Entidade gestora de embalagens, pilhas e equipamentos el<strong>é</strong>ctricos usados<br />

BOARD<br />

Pedro Nazareth CEO // Ricardo Furtado Director Geral<br />

CONTACTOS<br />

Rua Afonso Praça 6 – 1400-402 Lisboa<br />

+351 214 169 020<br />

geral@electrao.pt<br />

Abrantaqua<br />

Urbanização dos Pláta<strong>nos</strong>,<br />

Lote 2-D, Loja B<br />

2200-025 Abrantes<br />

t. 241 331 562<br />

e. geral@abrantaqua.pt<br />

w. www.abrantaqua.pt<br />

Agere , Empresa de Águas<br />

Efluentes e <strong>Resíduos</strong><br />

de Braga E.M<br />

Praça Conde Agrolongo, 115<br />

4700-312 Braga<br />

t. 253 205 000<br />

e. agere@agere.pt<br />

w. agere.pt<br />

Água São Martinho<br />

Rua Nova da Telha, 327<br />

4821-909 Fafe<br />

t. 253 459 000<br />

e. geral@aguasmartinho.com<br />

w. www.aguasmartinho.com<br />

Águas da Azambuja<br />

Rua Teodoro Jos<strong>é</strong> da Silva, 37<br />

2050-335 Azambuja<br />

t. 263 002 470<br />

e. geral@aguasdaazambuja.pt<br />

w. www.aguasdaazambuja.pt<br />

Águas da Covilhã<br />

Rua Ruy Faleiro, n.º 111<br />

6201-905 Covilhã<br />

t. 275 310 810<br />

e. geral@aguasdacovilha.pt<br />

w. www.aguasdacovilha.pt<br />

Águas da Figueira<br />

Rua Dr. Mendes Pinheiro<br />

3080-032 Figueira da Foz<br />

t. 233 401 450<br />

e. geral@aguasdafigueira.com<br />

w. www.aguasdafigueira.com<br />

Águas da Região de Aveiro<br />

Travessa Rua da Paz nº 4<br />

3800-587 Aveiro<br />

t. 234 910 200<br />

e. adra@adp.pt<br />

w. www.adra.pt<br />

Águas da Serra<br />

Rua Senhora da Estrela, 20<br />

6200-454 Boidobra<br />

t. 275 313 260<br />

e. aguasdaserra@ags.pt<br />

w. www.aguasdaserra.pt<br />

Águas da Teja<br />

Av.ª Comunidades Europeias<br />

N.º 39<br />

6420-044 Trancoso<br />

t. 271 829 000<br />

e. aguasdateja@aguasdateja.pt<br />

w. www.aguasdateja.org<br />

Águas de Alenquer<br />

Rua Sacadura Cabral,<br />

22 C - R/C<br />

2580-371 Alenquer<br />

t. 263 731 217<br />

e. geral@aguasdealenquer.pt<br />

w. www.aguasdealenquer.pt<br />

Águas de Barcelos<br />

Rua Rosa Ramalho, n.º 9/A<br />

4750-331 Barcelos<br />

t. 253 813 814<br />

e. geral@aguasdebarcelos.pt<br />

w. www.aguasdebarcelos.pt<br />

Águas de Carrazeda<br />

Rua Vitor Guilhar, 90 - 92<br />

5140-103 Carrazeda de Ansiães<br />

t. 278 617 736<br />

e. geral@aguasdecarrazeda.pt<br />

w. www.cm-carrazedadeansiaes.pt<br />

Águas de Cascais<br />

Estrada da Malveira, 1237<br />

Aldeia de Juso,<br />

2750-836 Cascais<br />

t. 214 838 300<br />

e. geral@aguasdecascais.pt<br />

w. www.aguasdecascais.pt<br />

Águas de Coimbra<br />

Rua da Alegria, 111<br />

3000-018 Coimbra<br />

t. 239 096 000<br />

e. geral@aguasdecoimbra.pt<br />

w. www.aguasdecoimbra.pt<br />

Águas de Fafe<br />

Largo 1.º de Dezembro<br />

4820-142 Fafe<br />

t. 253 700 020<br />

e. geral@aguasdefafe.pt<br />

w. www.aguasdefafe.pt<br />

Águas de Gaia<br />

Rua 14 de Outubro, 343<br />

4431-954 Vila Nova de Gaia<br />

t. 223 770 460<br />

e. info@aguasgaia.pt<br />

w. www.aguasdegaia.pt<br />

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023


\\ DIRETÓRIO \\<br />

69<br />

VALORIZAR E GERIR RESÍDUOS<br />

NO GRANDE PORTO<br />

ALIPOR - Associação de Municípios para a Gestão Sustentável de <strong>Resíduos</strong><br />

do Grande Porto – foi fundada em 1982 como Associação de Municípios<br />

e gere, valoriza e trata resíduos urba<strong>nos</strong> produzidos pelos oito municípios<br />

que a integram: Espinho, Gondomar, Maia, Matosinhos, Porto, Póvoa de Varzim,<br />

Valongo e Vila do Conde. Ao mesmo tempo continuamos a partilhar boas<br />

práticas, complementadas com campanhas de sensibilização junto da população.<br />

Tratamos, todos os a<strong>nos</strong>, cerca de 500 mil toneladas de resíduos urba<strong>nos</strong> produzidos<br />

por cerca de 1 milhão de habitantes.<br />

Sustentamo-<strong>nos</strong> <strong>nos</strong> moder<strong>nos</strong> conceitos de gestão de resíduos, que preconizam<br />

a adoção de sistemas integrados e a minimização da deposição de resíduos<br />

em Aterro. Por isso, desenvolvemos uma estrat<strong>é</strong>gia integrada de gestão baseada<br />

em quatro componentes principais: a Valorização Multimaterial, a Valorização<br />

Orgânica e a Valorização Energ<strong>é</strong>tica, complementadas por um Aterro Sanitário<br />

para receção dos rejeitados dos processos e de resíduos previamente preparados.<br />

E este universo cresceu de forma natural e abraçamos, cada vez mais, novos projetos<br />

e serviços, reforçando assim o <strong>nos</strong>so caminho estrat<strong>é</strong>gico. Inspiram-<strong>nos</strong> os<br />

princípios da Economia Circular e, assim, gerimos diariamente os resíduos que<br />

recebemos e agregamos os três pilares do Desenvolvimento Sustentável: ambiental,<br />

económico e social. Ao longo dos últimos a<strong>nos</strong>, o <strong>nos</strong>so trabalho tem<br />

sido celebrado com diferentes pr<strong>é</strong>mios e reconhecimentos, incentivando-<strong>nos</strong> a<br />

continuar a trabalhar para um futuro cada vez mais sustentável. Olhar para trás<br />

orgulha-<strong>nos</strong>, olhar o presente honra-<strong>nos</strong>, pensar e imaginar o futuro desafia-<strong>nos</strong>!<br />

ÁREAS DE ATUAÇÃO<br />

/ Recicláveis / Energia / Nutrimais<br />

BOARD<br />

Dr. Luís Miguel Oliveira Monteiro Canelas – Administrador, Espinho // Dra. Ana<br />

Luísa Gomes – Administradora, Gondomar // Dra. Marta Peneda – Administradora,<br />

Maia // Engª Manuela Álvares - | Administradora, Matosinhos // Engº Filipe<br />

Araújo – Administrador, Porto // Engº Aires Pereira – Administrador, Póvoa de<br />

Varzim // Dr. Jos<strong>é</strong> Manuel Ribeiro - Presidente do Conselho de Administração,<br />

Valongo // Eng.ª Sara Lobão – Administradora, Vila do Conde // Dr. Fernando<br />

Leite – Administrador-Delegado<br />

CONTACTOS<br />

LIPOR - Associação de Municípios para Gestão Sustentável de <strong>Resíduos</strong> do Grande Porto<br />

Rua da Morena, 805 , 4435-746 Baguim do Monte<br />

Apartado 1510, 4435-996 Baguim do Monte<br />

+351 229 770 100<br />

info@lipor.pt / www.lipor.pt/pt<br />

Águas de Gondomar<br />

Rua 5 de Outubro, 112<br />

4420-086 Gondomar<br />

t. 224 660 200<br />

e. geral@aguasdegondomar.pt<br />

w. www.aguasdegondomar.pt<br />

Águas de Our<strong>é</strong>m<br />

Rua Dr. Francisco Sá Carneiro<br />

n.º 66 D – Loja A<br />

2490-548 Our<strong>é</strong>m<br />

t. 249 540 010<br />

e. aguas.ourem@bewater.com.pt<br />

w. www.ourem-bewater.com.pt<br />

Águas de Paços de Ferreira<br />

Rua Dr. Leão Meireles, 94<br />

4590-586 Paços de Ferreira<br />

t. 255 860 560<br />

e. geral@adpf.pt<br />

w. www.aguasdepacosferreira.pt<br />

Águas de Paredes<br />

Rua de Timor, 27,<br />

4580-015 Paredes<br />

t. 255 788 530<br />

e. aguas.paredes@bewater.com.pt<br />

w. www.paredes-bewater.com.pt<br />

Águas de Portugal<br />

Rua Visconde de Seabra, 3<br />

1700-421 Lisboa<br />

t. 212 469 400<br />

e. info@adp.pt<br />

w. www.adp.pt<br />

Águas de S. João<br />

Avenida da Liberdade<br />

Edifício da Câmara Municipal<br />

3701-956 S. Joao da Madeira<br />

t. 256 100 700<br />

e. geral@aguasdesjoao.pt<br />

w. www.aguasdesjoao.pt<br />

Águas de Santar<strong>é</strong>m<br />

Praça Visconde Serra do Pilar<br />

2001-904 Santar<strong>é</strong>m<br />

t. 243 305 050<br />

e. geral@aguasdesantarem.pt<br />

w. www.aguasdesantarem.pt<br />

Águas de Santo Andr<strong>é</strong><br />

Cerca da Água<br />

Rua dos Cravos<br />

7500-999 Vila Nova de Santo Andr<strong>é</strong><br />

t. 269 708 240<br />

e. geral.adsa@adp.pt<br />

w. www.adsa.pt<br />

Águas de Valongo<br />

Av. 5 de Outubro, 306<br />

4440-503 Valongo<br />

t. 224 227 390<br />

e. aguas.valongo@bewater.com.pt<br />

w. www.valongo-bewater.com.pt<br />

Águas de Vila Real de Santo António<br />

Zona Industrial de Vila Real de Santo<br />

António, Lote 46<br />

8900-216 Vila Real de Santo António<br />

t. 281 249 510<br />

e. advrsa.geral@aguas-vrsa.pt<br />

w. www.aguas-vrsa.pt<br />

Águas do Algarve<br />

Rua do Repouso, 10<br />

8000-302 Faro<br />

t. 289 899 070<br />

e. geral.ada@adp.pt<br />

w. www.aguasdoalgarve.pt<br />

Águas do Alto Alentejo<br />

Praça da República – Edifício do<br />

Mercado<br />

Municipal<br />

7400-232 Ponte de Sor<br />

t. 242 001 040<br />

e. geral@aguasdoaltoalentejo.pt<br />

w. www.aguasdoaltoalentejo.pt<br />

Águas do Alto Minho<br />

Rua Frei Bartolomeu Mártires n.º 156<br />

4904-878 Viana do Castelo<br />

t. 258 806 900<br />

e. geral.adam@adp.pt<br />

Águas do Baixo Mondego e Gândara<br />

Rua Dr. Francisco Luís Coutinho Solar<br />

dos Pinas<br />

3140-256 Montemor-o-Velho<br />

t. 239 246 600<br />

e. geral@abmg.pt<br />

w. www.abmg.pt<br />

Águas do Centro Litoral<br />

ETA da Boavista<br />

Av. Dr. Luís Albuquerque<br />

3030-410 Coimbra<br />

t. 239 980 900<br />

e. geral.adcl@adp.pt<br />

w. www.aguasdocentrolitoral.pt<br />

Águas do Douro e Paiva<br />

Edifício Scala, Rua de Vilar,<br />

nº 235, 5º<br />

4050-626 Porto<br />

t. 226 059 300<br />

e. geral.addp@adp.pt<br />

w. www.addp.pt<br />

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023


70 \\ DIRETÓRIO \\<br />

A SUSTENTABILIDADE É UM PILAR<br />

CENTRAL NA MISSÃO E ATIVIDADE<br />

DA SOCIEDADE PONTO VERDE<br />

FICHA TÉCNICA<br />

ASociedade Ponto Verde (SPV)<br />

tem como missão contribuir<br />

para a promoção da Economia<br />

Circular atrav<strong>é</strong>s do Sistema Integrado<br />

de Gestão de <strong>Resíduos</strong> de<br />

Embalagens (SIGRE) assente num<br />

forte compromisso com a Inovação<br />

e I&D, a Literacia Ambiental e a<br />

Cidadania Ativa. A SPV desempenha<br />

um papel importante na<br />

sensibilização da população para<br />

a importância da reciclagem e da<br />

adoção de práticas mais sustentáveis,<br />

atrav<strong>é</strong>s de campanhas de<br />

informação e educação ambiental,<br />

incentivando a separação correta<br />

dos resíduos utilizados. Somos<br />

uma empresa privada, Sociedade<br />

anónima, que não distribui lucros<br />

aos seus acionistas, com a responsabilidade<br />

pelo encaminhamento<br />

para reciclagem e valorização dos<br />

resíduos de embalagens que resultam<br />

do grande consumo, apoiando<br />

a conceção de embalagens cada vez<br />

mais circulares e propondo novas<br />

formas de melhorar os seus processos<br />

de recolha, separação e tratamento.<br />

A SPV <strong>é</strong> líder de mercado<br />

e serve atualmente 8200 clientes<br />

entre micro, pequenas, m<strong>é</strong>dias e<br />

grandes empresas.<br />

António Nogueira Leite – Presidente do Conselho de Administração da SPV<br />

Ana Trigo Morais – CEO/Administradora Delegada da SPV<br />

CONTACTOS<br />

Rua João Chagas, 53, 1ºDTO, 1495-764 Cruz Quebrada<br />

+351 210 102 400<br />

www.pontoverde.pt // www.pontoverdelab.pt<br />

Águas do Interior Norte<br />

Av. Rainha Santa Isabel, n.º 1<br />

5000-434 Vila Real<br />

t. 309 101 101<br />

e. geral@adin.pt<br />

w. www.adin.pt<br />

Águas do Lena<br />

Rua Infante Dom Fernando<br />

Lote 10 - C<strong>é</strong>lula B<br />

2440-901 Batalha<br />

t. 244 764 080<br />

e. aguasdolena@aguasdolena.pt<br />

w. www.aguasdolena.pt<br />

Águas do Marco<br />

Travessa Eng. Adelino Amaro Costa,<br />

nº<br />

83 RC Dtº<br />

4630-231 Marco de Canaveses<br />

t. 255 538 350<br />

e. geral@aguasdomarco.pt<br />

w. www.aguasdomarco.pt<br />

Águas do Norte<br />

Rua Dom Pedro de Castro, n.º 1A<br />

5000-669 Vila Real<br />

t. 259 309 370<br />

e. geral.adnorte@adp.pt<br />

w. www.adnorte.pt<br />

Águas do Ribatejo<br />

Rua Gaspar Costa Ramalho, 38<br />

2120-098 Salvaterra de Magos<br />

t. 263 509 400<br />

e. geral@aguasdoribatejo.com<br />

w. www.aguasdoribatejo.com<br />

Águas do Tejo Atlântico<br />

ETAR de Alcantara, Avenida de Ceuta<br />

1300-254 Lisboa<br />

t. 213 107 900<br />

e. geral.adta@adp.pt<br />

w. www.aguasdotejoatlantico.adp.pt<br />

Águas do Vale do Tejo<br />

Rua Dr. Francisco Pissarra de Matos,<br />

nº.21, R/C<br />

6300-693 Guarda<br />

t. 271 225 317<br />

e. geral.advt@adp.pt<br />

w. www.advt.pt<br />

Águas do Vouga<br />

Estrada Nacional n.º1 Lugar Feira<br />

Nova<br />

3850-200 Albergaria-a-Velha<br />

t. 234 520 090<br />

e. avouga@aguasdovouga.pt<br />

w. www.aguasdovouga.pt<br />

Águas e Energia do Porto<br />

Rua Barão de Nova Sintra, 285<br />

4300-367 Porto<br />

t. 225 190 800<br />

e. geral@aguasdoporto.pt<br />

w. www.aguasdoporto.pt<br />

Águas Públicas da Serra da Estrela<br />

Praceta os 12 de Inglaterra,<br />

n.º 11<br />

6270-465 Seia<br />

t. 238 310 230<br />

e. geral@apdse.pt<br />

w. www.apdse.pt<br />

Águas Públicas do Alentejo<br />

Rua Doutor Aresta Branco, 51<br />

7800-310 Beja<br />

t. 284 101 100<br />

e. geral.agda@adp.pt<br />

w. www.agda.pt<br />

Aldi Portugal<br />

Supermercados, Lda<br />

Rua Ponte dos Cavalos, 155<br />

2870-674 Montijo<br />

t. 800 420 800<br />

e. geral@aldi.pt<br />

w. www.aldi.pt<br />

ALG - Tratamento de Águas<br />

Rua Dr. Francisco Sá Carneiro, 25A<br />

4780-448 Santo Tirso<br />

t. 252 861 305<br />

e. geral@alg.pt<br />

w. www.alg.pt<br />

Ambiosfera Lda<br />

Edifício Sines Tecnopolo Z.I.L II Lote<br />

122-A<br />

7520-309 Sines<br />

t. 215 873 741<br />

e. geral@ambiosfera.com<br />

w. www.ambiosfera.com<br />

AMBIRUMO, Projetos Inovação<br />

e Gestão Ambiental, Lda.<br />

Av. General Norton de Matos,<br />

63 E<br />

1495-148 Alg<strong>é</strong>s<br />

t. 213 978 255<br />

e. geral@ambirumo.pt<br />

w. www.ambirumo.pt<br />

Amorim Cork Composites, SA<br />

Rua de Meladas, 260<br />

4536-902 Mozelos<br />

t. 227 475 300<br />

e. acc@amorim.com<br />

w. amorimcorkcomposites.com/pt<br />

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023


\\ DIRETÓRIO \\<br />

71<br />

A EC3R e sustentabilidade andam de<br />

mão dadas há mais de 10 a<strong>nos</strong>. A empresa<br />

tem como principal atividade a<br />

recolha de óleos alimentares, usados<br />

em restaurantes, hot<strong>é</strong>is, coletividades<br />

e municípios, que são depois<br />

reencaminhados para a produção de<br />

biocombustíveis, missão essencial<br />

para garantir um destino nobre a este<br />

resíduo, evitar a contaminação dos<br />

ocea<strong>nos</strong> e promover a utilização de<br />

energias renováveis.<br />

CONTACTOS<br />

T. +351 253 094 799<br />

E. geral@ec3r.pt // W. www.www.ec3r.pt<br />

BeWater<br />

Avenida Conde Valbom, nº30- 3º<br />

1050-068 Lisboa<br />

t. 211 552 700<br />

e. bewater@bewater.com.pt<br />

w. www.bewater.com.pt<br />

Biorumo, Consultoria em<br />

Ambiente e Sustentabilidade, Lda.<br />

Rua do Carvalhido, 155<br />

4250-102 Porto<br />

t. 228 349 580<br />

e. geral@biorumo.com<br />

w. www.biorumo.com<br />

BioSmart, Soluções<br />

Ambientais, S.A.<br />

Rua de Tomar, n.º 80<br />

2495-185 Santa Catarina da Serra<br />

t. 244 749 100<br />

e. geral@biosmart.pt<br />

w. www.biosmart.pt<br />

Bondalti Chemicals, S.A<br />

Lagoas Park-Edif. 6, 2º B<br />

2740-244 Porto Salvo<br />

t. 210 058 600<br />

e. bondalti@bondalti.com<br />

w. www.bondalti.com<br />

BOARD<br />

Anabela Barroso<br />

Diretora Geral<br />

Nuno Lemos<br />

CEO<br />

ÁREAS DE ATUAÇÃO<br />

/ Gestão de resíduos<br />

Central de Cervejas<br />

Estrada da Alfarrobeira<br />

2625-244 Vialonga<br />

t. 219 528 600<br />

e. scc@centralcervejas.pt<br />

w. www.centralcervejas.pt<br />

CELPA<br />

Associação da Indústria Papeleira<br />

Rua Marquês Sá da Bandeira,<br />

74 - 2.º, 1069-076 Lisboa<br />

t. 217 611 510<br />

e. celpa@celpa.pt<br />

w. www.celpa.pt<br />

Cimpor<br />

Indústria de Cimentos S.A<br />

Avª Jos<strong>é</strong> Malhoa, Nº22,<br />

Pisos 6 A<br />

111099-020 Lisboa<br />

t. 213 118 100<br />

e. geral@cimpor.com<br />

w. www.cimpor.pt<br />

Consulai, Consultoria<br />

Agro-Industrial Lda<br />

Rua Fernando Namora,<br />

Nº 28, 1º Esq.<br />

7800-502 Beja<br />

t. 284 098 214<br />

e. mkt_team@consulai.com<br />

w. www.consulai.pt<br />

Cortadoria Nacional de Pêlo S.A<br />

Avenida 1º de Maio, 64<br />

3700-227 São João da Madeira<br />

t. 256 815 030<br />

e. mail@cortadoria.pt<br />

w. www.cortadoria.pt<br />

CVR<br />

Centro para a Valorização<br />

de <strong>Resíduos</strong><br />

Campus de Azur<strong>é</strong>m da Universidade<br />

do Minho<br />

4800-058 Guimarães<br />

t. 253 510 020<br />

e. geral@cvresiduos.pt<br />

w. www.cvresiduos.pt<br />

Delta Caf<strong>é</strong>s<br />

Avenida Calouste Gulbenkian,<br />

Nº 15<br />

7370-025 Campo Maior<br />

t. 218 624 700<br />

e. ambiente@delta-cafes.pt<br />

w. www.gruponabeiro.com<br />

Doya Ambiental<br />

Av da. Da Liberdade Nº 36, 6º<br />

1250-145 Lisboa<br />

t. 211 217 661<br />

e. geral@doyaambiental.com<br />

w. www.doyaambiental.com<br />

ECOGESTUS<br />

<strong>Resíduos</strong>, Estudos e<br />

Soluções, Lda.<br />

Rua D. Afonso IV, 23<br />

3080-328 Figueira da Foz<br />

t. 233 109 034<br />

e. contacto@ecogestus.com<br />

w. www.ecogestus.com/pt<br />

Ecoib<strong>é</strong>ria<br />

Reciclados Ib<strong>é</strong>ricos, SA<br />

Travessa Sebastião Fernandes,<br />

n.º 60 Ribeirão<br />

4760-706 Vila Nova Famalicão<br />

t. 252 372 462<br />

e. info@ecoiberia.pt<br />

w. www.ecoiberia.pt/<br />

ECOMETAIS - Sociedade de<br />

Tratamento e Reciclagem, SA<br />

Avenida da Siderurgia Nacional,<br />

1 Edifício Sn<br />

2840-075 Aldeia de Paio Pires<br />

t. 212 275 500<br />

e. ecometais@ecometais.com<br />

w. www.valorcar.pt<br />

ECOSATIVA - Consultoria<br />

Ambiental, Lda<br />

Urbanização Pinhal do Moinho,<br />

Lote 11 - 1º F<br />

7645-294 Vila Nova de Milfontes<br />

t. 283 959 906<br />

e. info@ecosativa.pt<br />

w. www.ecosativa.pt<br />

E-CYCLE<br />

Associação de Produtores de EEE<br />

Rua dos Pláta<strong>nos</strong>, 197, Ed. AIMMAP<br />

4100-414 Porto<br />

t. 934 750 131<br />

e. geral@e-cycle.pt<br />

w. www.e-cycle.pt<br />

EGEO Tecnologia e Ambiente SA<br />

R. 25 de Abril 1,<br />

Qnt. da Francelha de Baixo<br />

2685-368 Prior Velho<br />

t. 211 556 000<br />

e. geral@egeo.pt<br />

w. www.egeo.pt<br />

El Corte Ingl<strong>é</strong>s<br />

Grandes Armaz<strong>é</strong>ns SA<br />

Av. António Augusto de Aguiar, 31<br />

1069-413 Lisboa<br />

t. 213 532 020<br />

e. apoio.lojaonline@elcorteingles.pt<br />

w. www.elcorteingles.pt<br />

Empresa Municipal de Ambiente<br />

do Porto, E.M., SA<br />

Rua de S. Dinis, 249<br />

4250-434 Porto<br />

t. 228 348 770<br />

e. geral@portoambiente.pt<br />

w. www.portoambiente.pt<br />

Enhidrica, Consultores de<br />

Engenharia Ambiental, Lda<br />

Rua Dr. Carlos Pires Felgueiras,<br />

98 - 3º E, 4470-157 Maia<br />

t. 229 414 445<br />

e. enhidrica@enhidrica.com<br />

w. www.enhidrica.com<br />

EPAL<br />

Av. da Liberdade, 24<br />

1250-144 Lisboa<br />

t. 213 251 000<br />

e. geral.epal@adp.pt<br />

w. www.epal.pt<br />

ERSAR<br />

Rua Tomás da Fonseca,<br />

Torre G - 8º, 1600-209 Lisboa<br />

t. 210 052 200<br />

e. geral@ersar.pt<br />

w. www.ersar.pt<br />

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023


72 \\ DIRETÓRIO \\<br />

A ECODEAL – Gestão Integral de <strong>Resíduos</strong><br />

Industriais, SA, fundada em<br />

2005, <strong>é</strong> uma empresa que atua na área<br />

do ambiente, designadamente em<br />

gestão de resíduos. Det<strong>é</strong>m a licença de<br />

exploração do centro integrado de recuperação,<br />

valorização e eliminação de<br />

resíduos perigosos – CIRVER ECODE-<br />

AL, localizado no concelho da Chamusca,<br />

assumindo-se como especialista<br />

em gestão de resíduos perigosos.<br />

Nos termos da legislação relativa à<br />

Prevenção e Controlo Integrados da<br />

Poluição foi concedida à ECODEAL o<br />

TUA 2018.<br />

CONTACTOS<br />

Eco-parque do Relvão, Rua Pinhal do Duque, 2140-671 Carregueira, Chamusca<br />

T. +351 249 749 030<br />

E. geral@ecodeal.pt // W. www.ecodeal.pt<br />

ERP Portugal<br />

Associação Gestora de <strong>Resíduos</strong><br />

Rua D. Dinis Bordalo Pinheiro, 467 B<br />

2645-539 Alcabideche<br />

t. 219 119 630<br />

e. info@erp-portugal.pt<br />

w. www.erp-recycling.pt<br />

Esposende Ambiente<br />

Travessa Conde Agrolongo,<br />

N.º 10<br />

4740-245 Esposende<br />

t. 253 969 380<br />

e. geral@esposendeambiente.pt<br />

w. www.esposendeambiente.pt<br />

Euro Separadora<br />

Environment<br />

and Recycling S.A.<br />

Rua das Fontainhas,<br />

Nº 48<br />

4730-020 Braga<br />

t. 253 380 020<br />

e. geral@euroseparadora.pt<br />

w. www.euroseparadora.pt<br />

BOARD<br />

Manuel Simões<br />

Diretor Geral<br />

ÁREAS DE ATUAÇÃO<br />

/ Gestão integrada de<br />

resíduos<br />

/ Descontaminação de solos<br />

/ Serviços t<strong>é</strong>cnicos de<br />

gestão de resíduos<br />

/ Limpezas industriais<br />

/ Recolha e transporte de<br />

resíduos<br />

FAGAR - Faro<br />

Rua Prof. Norberto Silva, 8<br />

8004-002 Faro<br />

t. 289 860 900<br />

e. mail@fagar.pt<br />

w. www.fagar.pt<br />

Fapil - Indústria, SA<br />

R. Alto do Matoutinho,<br />

n.º 5 - Apartado 8<br />

2669-909 Malveira<br />

t. 219 828 008<br />

e. geral@fapil.pt<br />

w. www.fapil.pt<br />

FREETILIZER, Com<strong>é</strong>rcio<br />

de Equipamentos e Serviços<br />

Integrados, Lda.<br />

Rua do Rio Novo, n.º 450<br />

4495-145 Póvoa de Varzim<br />

t. 252 240 490<br />

e. geral@pipemasters.pt<br />

w. www.pipemasters.pt<br />

Gintegral - Gestão Ambiental, SA<br />

Rua Avelino Barros, 282<br />

4490-479 Póvoa de Varzim<br />

t. 252 688 444<br />

e. geral.gintegral@gintegral.pt<br />

w. www.gintegral.pt<br />

Hychem, Química Sustentável, S.A<br />

Rua Engenheiro Cl<strong>é</strong>ment Dumoulin<br />

2625-106 Póvoa de Santa Iria<br />

t. 219 534 000<br />

e. geral@hychem.com<br />

w. www.hychem.pt<br />

Indaver Portugal, SA<br />

Rua Central Park,<br />

Edifício 2 - 4º andar C<br />

2795-242 Linda-a-Velha<br />

t. 219 405 039<br />

e. info@indaver.pt<br />

w. www.indaver.pt<br />

Interecycling, Sociedade de<br />

Reciclagem, SA<br />

Z. Industrial do Lajedo,<br />

Apartado 8<br />

3465-157 Santiago de Besteiros<br />

t. 232 857 040<br />

e. info@interecycling.com<br />

w. www.interecycling.com<br />

Jerónimo Martins, SGPS, SA<br />

Rua Actor António Silva, 7<br />

1649-033 Lisboa<br />

t. 217 532 000<br />

e. provedoria@jeronimo-martins.pt<br />

w. www.jeronimomartins.com<br />

Lactogal - Produtos Alimentares<br />

S.A<br />

R. do Campo Alegre, Nº 830, 4º A 7º<br />

4150-171 Porto<br />

t. 226 070 000<br />

e. geral@lactogal.pt<br />

w. www.lactogal.pt<br />

Lidl & Companhia<br />

Rua P<strong>é</strong> de Mouro, n.º 18 - Linhó<br />

2714-510 Sintra<br />

t. 219 102 254<br />

e. sustentabilidade@lidl.pt<br />

w. www.lidl.pt<br />

Maiambiente, EM<br />

Rua 5 de Outubro, 359<br />

4475-302 Milheirós<br />

t. 800 202 639<br />

e. geral@maiambiente.pt<br />

w. www.maiambiente.pt<br />

Mercadona<br />

Irmãdona Supermercados, Lda.<br />

Avenida Padre Jorge Duarte, n.º 123<br />

4430-946 Vila Nova de Gaia<br />

t. 221 201 000<br />

e. sugestoes@mercadona.com<br />

w. www.mercadona.pt<br />

Neutroplast, Indústria de<br />

Embalagens, SA<br />

Z. Industrial, Casal da Espinheira,<br />

Lt. 10<br />

2590-057 Sobral Monte Agraço<br />

t. 261 940 100<br />

e. neutroplast@neutroplast.com<br />

w. www.neutroplast.com<br />

Novo Verde, Sociedade Gestora<br />

de <strong>Resíduos</strong> de Embalagem, SA<br />

Rua São Sebastião,<br />

n.º 16 - Cabra Figa<br />

2635-448 Rio de Mouro<br />

t. 219 119 630<br />

e. info@novoverde.pt<br />

w. www.novoverde.pt<br />

OVO Solutions, Soluções<br />

Ambientais SA<br />

Estrada dos Espanhóis<br />

S/N, CCI 7515, Venda do Alcaide<br />

2955-250 Pinhal Novo<br />

t. 212 328 760<br />

e. geral@ovosolutions.com<br />

w. www.ovosolutions.com<br />

R3Natura, Lda.<br />

Rua do Monte, Centro de Negócios<br />

de Oleiros<br />

4730-325 Vila Verde<br />

t. 253 320 110<br />

e. info@r3natura.pt<br />

w. www.r3natura.pt<br />

Rduz<br />

Gestão Global de <strong>Resíduos</strong>, S.A<br />

Zona Industrial Argvai<br />

Lotes 4, 5, 6 e 22<br />

4490-232 Póvoa de Varzim<br />

t. 252 622 495<br />

e. geral@rduz.pt<br />

w. www.rduz.pt<br />

Recivalongo - Gestão de <strong>Resíduos</strong>, Lda<br />

Vale da Cobra, S/N Apartado 54<br />

4440-339 Valongo<br />

t. 224 154 663<br />

e. recivalongo@recivalongo.pt<br />

w. www.recivalongo.pt<br />

Recypolym, Lda.<br />

Z.I.M. Adiça<br />

3460-070 Tondela<br />

t. 232 816 007<br />

e. info@recypolym.com<br />

w. www.recypolym.com<br />

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023


\\ DIRETÓRIO \\<br />

73<br />

Fundada em 2009, a ESGRA – Associação<br />

para a Gestão de <strong>Resíduos</strong> defende<br />

o exercício da atividade de gestão de resíduos<br />

urba<strong>nos</strong> alinhado com um modelo<br />

de desenvolvimento estrat<strong>é</strong>gico, sustentável<br />

e baseado na economia circular. Temos<br />

como missão a promoção dos interesses<br />

dos <strong>nos</strong>sos associados bem como<br />

a investigação e valorização de recursos<br />

que promovam o País como território de<br />

desenvolvimento económico e ambientalmente<br />

sustentável.<br />

ÁREAS DE ATUAÇÃO<br />

/ Gestão de resíduos urba<strong>nos</strong><br />

CONTACTOS<br />

Rua Rodrigues Sampaio, nº 19, 5º A<br />

1150-278 Lisboa<br />

T. +351 214 240 221<br />

E. geral@esgra.pt // W. www.esgra.pt<br />

Residuos do Nordeste, Eim, S.A<br />

Rua Fundação Calouste Gulbenkian<br />

5370-340 Mirandela<br />

t. 278 201 570<br />

e. geral@residuosdonordeste.pt<br />

w. www.residuosdonordeste.pt<br />

Rovensa, S.A<br />

Alameda dos Ocea<strong>nos</strong>, lote 1.06.1.1<br />

D, 3.º A<br />

1990-207 Lisboa<br />

t. 213 222 750<br />

e. info@rovensa.com<br />

w. www.rovensa.com<br />

Sacentro - Com<strong>é</strong>rcio de<br />

Têxteis, SA<br />

Estr. Octácio Pato,<br />

Nº 177,<br />

Ed. A, Arm. 3<br />

2785-723 Cascais<br />

t. 210 046 870<br />

e. customercare@sacoor.com<br />

w. www.sacoor.com<br />

Saint - Gobain Portugal, S.A<br />

Rua da Carreira Branca,<br />

Zona Industrial de Taboeira<br />

3800-055 Aveiro<br />

BOARD<br />

Paulo Praça<br />

Presidente da Direção<br />

Cátia Borges<br />

Vice-presidente da Direção<br />

Carlos de Andrade Botelho<br />

Vice-presidente da Direção<br />

Carla Velez<br />

Secretária Geral<br />

t. 234 101 010<br />

e. info.portugal@saint-gobain.com<br />

w. www.saint-gobain.pt<br />

Sair da Casca<br />

Praça Marquês de Pombal,<br />

nº14<br />

1250-162 Lisboa<br />

t. 213 558 296<br />

e. sdc@sairdacasca.com<br />

w. www.sairdacasca.com<br />

SGS ICS Serviços Internacionais<br />

de Certificação, Lda.<br />

R. Cesina Adães Bermudes,<br />

Lt. 11,<br />

N.º 1, 1600-604 Lisboa<br />

t. 217 104 200<br />

e. pt.info@sgs.com<br />

w. www.sgs.pt<br />

Silvex Indústria de Plásticos<br />

e Pap<strong>é</strong>is, SA<br />

Quinta da Brasileira, lote 10<br />

2130-999 Benavente<br />

t. 263 519 180<br />

e. comercial@silvex.pt<br />

w. www.silvex.pt<br />

SIMARSUL<br />

ETAR da Quinta do Conde<br />

Estrada Nacional 10<br />

2975-403 Quinta do Conde<br />

t. 265 544 000<br />

e. geral.simarsul@adp.pt<br />

w. www.simarsul.adp.pt<br />

SIMAS de Oeiras e Amadora<br />

Av. Dr. Francisco Sá Carneiro,<br />

19 Urb. Moinho das Antas<br />

2784-541 Oeiras<br />

t. 214 460 231<br />

e. mcpaiva@simas-oeiras-amadora.pt<br />

w. www.smas-oeiras-amadora.pt<br />

SIMDOURO<br />

Rua do Ribeirinho, 706<br />

4415-679 Lever<br />

Vila Nova de Gaia<br />

t. 220 109 300<br />

e. geral.simdouro@adp.pt<br />

w. www.simdouro.pt<br />

Sistragua<br />

Rua Principal 76<br />

2100-016 Azervadinha<br />

t. 934 199 064<br />

e. geral@sistragua.com<br />

w. www.sistragua.com<br />

Sirplaste - Sociedade Industrial<br />

de Recuperados de Plástico, SA<br />

Urb. Ind. da Santeira,<br />

LT 76, n.º 16, Santeira,<br />

2480-410 Porto de Mós<br />

t. 244 870 073<br />

e. sirplaste@sirplaste.pt<br />

w. www.sirplaste.pt<br />

SM de Abrantes<br />

Via Industrial 1,<br />

Lote 65<br />

2200-480 Abrantes<br />

t. 241 360 120<br />

e. geral@smabrantes.pt<br />

w. www.smabrantes.pt<br />

SM de Alcobaça<br />

Rua da Liberdade<br />

2460-060 Alcobaça<br />

t. 262 580 900<br />

e. geral@sm-alcobaca.pt<br />

w. www.smalcobaca.pt<br />

SM de Castelo Branco<br />

Av. Nuno Alvares, 32 - R/C<br />

6000-083 Castelo Branco<br />

t. 272 340 500<br />

e. geral@sm-castelobranco.pt<br />

w. www.sm-castelobranco.pt<br />

SM de Nazar<strong>é</strong><br />

Av. Vieira Guimarães<br />

Ed. Paços do Concelho<br />

2450-951 Nazar<strong>é</strong><br />

t. 262 561 153<br />

e. geral@sm-nazare.pt<br />

w. www.cm-nazare.pt<br />

SM de Setúbal<br />

Av, 5 de Outubro<br />

Edifício Bocage<br />

n.º 146 e 148 - 2.ºC<br />

2900-309 Setúbal<br />

t. 265 247 810<br />

e. geral@sms-setubal.pt<br />

w. www.mun-setubal.pt<br />

SMAS de Almada<br />

Praceta Ricardo Jorge,<br />

2 - 2A<br />

2800-709 Almada<br />

t. 212 726 000<br />

e. geral@smasalmada.pt<br />

w. www.smasalmada.pt<br />

SMAS de Caldas da Rainha<br />

Prç. 25 de Abril<br />

Edíficio Paços do Concelho<br />

2500-110 Caldas da Rainha<br />

t. 262 240 002<br />

e. tecnica@smas-caldas-rainha.pt<br />

w. www.smas-caldas-rainha.pt<br />

SMAS de Leiria<br />

Rua da Cooperativa Nº2<br />

2410-256 Leiria<br />

t. 244 817 300<br />

e. geral@smas-leiria.pt<br />

w. www.smas-leiria.pt<br />

SMAS de Mafra<br />

Rua Constância Maria<br />

Rodrigues, n.º 19<br />

2640-389 Mafra<br />

t. 261 816 650<br />

e. geral@smas-mafra.pt<br />

SMAS de Montijo<br />

Av. dos Pescadores<br />

2870-114 Montijo<br />

t. 212 327 768<br />

e. smas.montijo@mun-montijo.pt<br />

w. www.mun-montijo.pt/pages/498<br />

SMAS de Peniche<br />

Rua 13 de Infantaria,<br />

19-21<br />

2520-256 Peniche<br />

t. 262 780 050<br />

e. smaspeniche@cm-peniche.pt<br />

w. www.cm-peniche.pt/smas<br />

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023


74 \\ DIRETÓRIO \\<br />

SMAS de Torres Vedras<br />

Edifício Multisserviços<br />

Av. 5 de Outubro<br />

2560-270 Torres Vedras<br />

t. 261 336 500<br />

e. geral@smastv.pt<br />

w. www.smastv.pt<br />

SMAS de Vila Franca de Xira<br />

Av. Pedro Vitor, 5<br />

2600-221 Vila Franca de Xira<br />

t. 263 200 600<br />

e. geral@smas-vfxira.pt<br />

w. www.smas-vfxira.pt<br />

SMAS de Viseu<br />

R. Conselheiro Afonso de Melo<br />

3510-024 Viseu<br />

t. 232 470 670<br />

e. geral@smasviseu.pt<br />

w. www.smasviseu.pt<br />

SMAT de Portalegre<br />

Rua Guilherme Gomes Fernandes,<br />

n.º 28, 7300-186 Portalegre<br />

t. 245 307 401<br />

e. smatp@cm-portalegre.pt<br />

w. www.cm-portalegre.pt<br />

SMEAS de Maia<br />

R. Dr. Carlos Felgueiras<br />

4471-909 Maia<br />

t. 229 430 800<br />

e. smas-maia@smasmaia.pt<br />

w. www.smasmaia.pt<br />

Sogrape Vinhos, S.A<br />

Rua 5 de Outubro, 4527<br />

4430-809 Avintes<br />

t. 227 850 300<br />

e. sogrape@sogrape.com<br />

w. sogrape.com<br />

Soja de Portugal, SGPS, SA.<br />

EN 109 - Lugar da Pardala<br />

3880-728 São João OVR<br />

t. 256 581 100<br />

e. geral@sojadeportugal.pt<br />

w. www.sojadeportugal.pt<br />

Somincor - Sociedade Mineira<br />

de Neves-Corvo, S.A<br />

Santa Bárbara de Padrões,<br />

Apartado 12<br />

7780-409 Castro Verde<br />

t. 286 689 000<br />

e. geral.somincor@lundinmining.com<br />

w. somincor.com.pt<br />

SOPINAL - Indústria de<br />

Equipamentos e Contentores, S.A.<br />

Rua do Vale da Relva, 188, Relva,<br />

Vila Chã<br />

3730-657 Vale de Cambra<br />

t. 256 410 770<br />

e. sopinal@sopinal.pt<br />

w. www.sopinal.pt<br />

SPV , Sociedade Gestora de <strong>Resíduos</strong><br />

de Embalagens, SA<br />

Edifício Infante D. Henrique,<br />

Rua João Chagas, 53 - 1º Dto<br />

1495-764 Cruz Quebrada<br />

t. 210 102 400<br />

e. info@pontoverde.pt<br />

w. www.pontoverde.pt<br />

Stericycle Portugal Lda.<br />

Rua Fernando Pessoa, n.º 8 C<br />

2560-241 Torres Vedras<br />

t. 261 320 300<br />

e. ambimed@ambimed.pt<br />

w. www.stericycleportugal.pt<br />

Super Bock Bebidas, S.A.<br />

Via Norte Leça do Balio<br />

Apartado 1044<br />

4465-955 S. Mamede de Infesta<br />

t. 229 052 100<br />

e. apoio.clientes@superbockgroup.com<br />

w. www.superbock.pt<br />

Tabaqueira<br />

Empresa Industrial de<br />

Tabacos, S.A<br />

Avª Alfredo da Silva, Nº 35<br />

2639-002 Rio de Mouro<br />

t. 219 157 700<br />

e. tabaqueira@tabaqueira.pt<br />

w. www.tabaqueira.pt<br />

The Navigator Company, S.A<br />

Av. Fontes Pereira de Melo, 27<br />

1050-117 Lisboa<br />

t. 219 017 300<br />

e. info@thenavigatorcompany.com<br />

w. www.thenavigatorcompany.com<br />

Tratolixo, Tratamento de <strong>Resíduos</strong><br />

Sólidos, EIM, SA<br />

Ecoparque da Trajouce,<br />

Estr. 5 de Junho, nº 1<br />

2785-155 São Domingos de Rana<br />

t. 214 459 500<br />

e. residuos@tratolixo.pt<br />

w. www.tratolixo.pt<br />

Unicer Águas<br />

Via Norte - Leça do Baldio<br />

4466-955 S. Mamede de Infesta<br />

t. 229 052 100<br />

e. sbg.direto@superbockgroup.com<br />

w. www.superbockgroup.com<br />

Valorcar, Sociedade de Gestão<br />

de Veículos em Fim de Vida, Lda.<br />

Av. Torre de Bel<strong>é</strong>m, 29<br />

1400-342 Lisboa<br />

t. 213 011 766<br />

e. valorcar@valorcar.pt<br />

w. www.valorcar.pt<br />

Valorpneu - Sociedade de<br />

Gestão de Pneus Lda<br />

Avª Torre de Bel<strong>é</strong>m, 29<br />

1400-342 Lisboa<br />

t. 213 032 303<br />

e. valorpneu@valorpneu.pt<br />

w. www.valorpneu.pt<br />

Veolia<br />

Estrada de Paço de Arcos, 42<br />

2770-129 Paço de Arcos<br />

t. 214 404 700<br />

e. geral@veolia.pt<br />

w. www.veolia.pt<br />

Verallia Portugal, S.A.<br />

Rua da Vidreira, 68<br />

3090-641 Figueira da Foz<br />

t. 233 403 100<br />

e. info@verallia.com<br />

w. pt.verallia.com<br />

VIMÁGUA<br />

Rua do Rei Pegu, 172 S. Sebastião<br />

4810-025 Guimarães<br />

t. 253 439 560<br />

e. vimagua@vimagua.pt<br />

w. www.vimagua.pt<br />

Vitrus Ambiente EM SA<br />

Av. Cónego Gaspar Estaço<br />

n.º 606<br />

4810-266 Guimarães<br />

t. 253 424 740<br />

e. geral@vitrusambiente.pt<br />

w. www.vitrusambiente.pt<br />

W2V, SA<br />

Rua das Alminhas, 900<br />

4810-608 Guimarães<br />

t. 253 092 334<br />

e. fcastro@w2v.pt<br />

w. w2v.pt<br />

Waste To Me Lda.<br />

Av. 25 Abril nº 61 C<br />

2840-400 Torre da Marinha<br />

t. 216 065 895<br />

e. geral@wastetome.com<br />

w. www.wastetome.com<br />

Watercare - Tratamento De Águas<br />

Centro Empresarial de Alverca<br />

Corpo A - Fracção 5 (E)<br />

2615-187 Alverca<br />

t. 219 108 700<br />

e. geral@aquaservice.pt<br />

w. www.aquaservice.pt<br />

Watertech<br />

Rua Casal do Cego, Armaz<strong>é</strong>m 2,<br />

Frac. A<br />

2415-315 Leiria<br />

t. 244 872 354<br />

e. comercial@watertech.pt<br />

w. www.watertech.pt<br />

XZ Consultores SA<br />

Rua da Cruz, 3A, Loja J<br />

4705-406 Celeirós<br />

t. 253 257 007<br />

e. geral@xzconsultores.pt<br />

w. www.xzconsultores.pt<br />

Gostava de ver<br />

a sua empresa<br />

aqui listada?<br />

Envie-<strong>nos</strong> as suas<br />

informações para<br />

geral@greensavers.pt<br />

As informações deste diretório foram recolhidas pela Green Savers em setembro de 2023. Somos alheios a alterações que possam ter ocorrido, ou venham a ocorrer.<br />

A listagem <strong>é</strong> representativa das companhias a operar em Portugal com forte foco na sustentabilidade, mas não inclui a totalidade das empresas existentes.<br />

QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS \ GREEN SAVERS \ 2023


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