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Jornal Paraná Dezembro 2023

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OPINIÃO<br />

Qual o interesse do Brasil em fazer<br />

parte do cartel do petróleo, da Opep?<br />

Convite para integrar a organização<br />

petroleira não faz sentido<br />

econômico ou legal<br />

Por Vinicius Torres Freire<br />

OBrasil foi convidado a<br />

fazer parte do cartel<br />

do petróleo. Além de<br />

seus 13 integrantes, a<br />

Opep conta com um grupo<br />

mais informal de outros 10 associados<br />

desde 2016, a<br />

Opep+ (Opep Plus), com Rússia<br />

e México entre os países<br />

mais importantes.<br />

Para o Brasil, não tem sentido<br />

econômico fazer parte da Opep,<br />

além do fato de que seria impossível<br />

cumprir eventuais<br />

acordos de corte ou aumento<br />

de produção, que é o meio principal<br />

de ação do cartel. O governo<br />

não pode mandar a Petrobras,<br />

empresa de economia<br />

mista, e empresas privadas<br />

produzirem mais ou menos.<br />

Talvez a diplomacia brasileira<br />

veja algum interesse de conhecer<br />

mais intimamente os planos<br />

dos países petroleiros, que<br />

têm influência na política mundial.<br />

De resto, difícil ver alguma<br />

vantagem. Enfim, o Brasil nem<br />

sabe o que quer fazer do petróleo<br />

(vide as discussões, até<br />

agora irracionais, sobre a Foz<br />

do Amazonas, entre outras).<br />

Sejam quais forem as normas<br />

formais de funcionamento da<br />

Opep e de relacionamento com<br />

seus agregados, o objetivo fundamental<br />

do grupo é influenciar<br />

os preços do barril, claro, de<br />

modo a fazer com que a arrecadação<br />

de receitas petrolíferas<br />

pague as contas do país, de<br />

seus governos, que são muito<br />

mais dependentes do combustível<br />

do que o Brasil (onde, no<br />

entanto, a dependência cresce).<br />

No caso dos árabes, interessa<br />

que o barril seja cotado a um<br />

preço suficiente para bancar os<br />

programas de reforma econômica,<br />

que têm por objetivo reduzir<br />

a dependência do petróleo.<br />

Desde 2016, a Opep tenta arrumar<br />

novos parceiros. Foi<br />

quando surgiu a Opep+. Apesar<br />

de ainda controlar cerca de<br />

60% das exportações mundiais,<br />

a produção da Opep vem<br />

diminuindo de importância, graças<br />

ao avanço da extração de<br />

petróleo nos Estados Unidos,<br />

mas também a avanços no Canadá<br />

e no Brasil.<br />

Em 2010, Estados Unidos, Canadá<br />

e Brasil produziam 17,6%<br />

do total mundial de "petróleo<br />

bruto, gás e outros líquidos"<br />

(segundo dados da "US Energy<br />

Information Administration", excluídos<br />

biocombustíveis). Em<br />

2022, 29,3% (nos EUA apenas,<br />

o aumento foi de 9,2 pontos<br />

percentuais). Mesmo considerando<br />

a baixa de produção no<br />

México e, ainda mais, na Venezuela,<br />

a participação desses<br />

países do continente passou de<br />

24,1% para 31,1% do total<br />

mundial<br />

A Opep não perde importância<br />

apenas por isso. O mundo se<br />

tornou relativamente menos dependente<br />

de petróleo (para cada<br />

tanto de PIB, se usa menos petróleo).<br />

Há perspectiva de contenção<br />

maior de consumo, no<br />

médio prazo, por acordos e políticas<br />

ambientais. Afora em<br />

caso de embargo dramático,<br />

como os árabes fizeram em<br />

1973, a influência do cartel na<br />

As decisões recentes do cartel não têm bastado<br />

para manter os preços em níveis que os interessem<br />

determinação de preços é e<br />

tende a ser menor.<br />

Há disputas na própria Opep.<br />

Arábia Saudita e Rússia (ao menos<br />

antes de guerra) têm mais<br />

folga para reduzir e aumentar<br />

produção. Outros países da organização<br />

têm dificuldade ou<br />

nenhum interesse em cumprir as<br />

cotas de aumento ou corte de<br />

produção, necessárias para o<br />

funcionamento eficaz do cartel.<br />

Por falar nisso, o convite ao<br />

Brasil ocorreu em uma reunião<br />

especialmente tumultuada da<br />

Opep, que não se acertou sobre<br />

cortes de produção adicionais,<br />

para 2024, nem soltou comunicado<br />

oficial conjunto do que<br />

pretende fazer.<br />

Além do mais, as decisões recentes<br />

do cartel não têm bastado<br />

para manter os preços em<br />

níveis que os interessem<br />

(acima de US$ 85 por barril do<br />

tipo Brent), que não aumentaram<br />

nem com a guerra na Palestina<br />

(frustrando também,<br />

mais uma vez, as ridiculamente<br />

erradas previsões dos analistas<br />

de petróleo).<br />

Fazer parte da Opep+ vai criar<br />

problema político para o Brasil?<br />

Sempre pode sair besteira. Mas<br />

México, parceiro comercial gigante<br />

e vizinho dos Estados<br />

Unidos, está no grupo dos associados.<br />

O México, porém,<br />

não faz campanha de liderança<br />

do "Sul Global".<br />

2<br />

<strong>Jornal</strong> <strong>Paraná</strong>


CICLO <strong>2023</strong>/24<br />

No <strong>Paraná</strong> colheita<br />

já é 19,5% maior<br />

A produção de açúcar foi de 2,682 milhões de toneladas e a de etanol foi de<br />

1,146 bilhão de litros, sendo 665,72 milhões de anidro e 480,74 milhões de hidratado<br />

Com uma produção<br />

19,5% maior do<br />

que o total esmagado<br />

no período<br />

anterior, a safra <strong>2023</strong>/24 de<br />

cana-de-açúcar no <strong>Paraná</strong> já<br />

totalizou 34.654.098 toneladas<br />

até o dia 1 de dezembro<br />

contra 28.995.567 toneladas<br />

na safra 2022/23, superando<br />

até mesmo os 32,665<br />

milhões de toneladas esperados<br />

pela Alcopar inicialmente,<br />

afirma o presidente<br />

da Associação, Miguel Tranin.<br />

Apesar das chuvas mais frequentes,<br />

típicas de anos de<br />

El Niño no Sul do Brasil, algumas<br />

unidades encerraram<br />

a colheita ainda na segunda<br />

quinzena de outubro. Buscando<br />

esmagar o máximo<br />

possível da cana-de-açúcar<br />

disponível no campo, outras<br />

usinas devem colher até o<br />

dia 20 de dezembro, se as<br />

condições climáticas permitirem.<br />

Mas, a expectativa,<br />

comenta Tranin, é que as<br />

usinas deixem algumas lavouras<br />

de cana-de-açúcar<br />

bisarem, retomando a colheita<br />

já em meados de<br />

março, antes do início oficial<br />

da safra, que se dá em abril.<br />

A produção acumulada de<br />

açúcar no período foi de<br />

2,682 milhões de toneladas,<br />

contra os 2,076 milhões de<br />

toneladas até 1 de dezembro<br />

de 2022. E a de etanol total<br />

foi de 1,146 bilhão de litros,<br />

sendo 665,72 milhões de litros<br />

de anidro e 480,74 milhões<br />

de litros de hidratado.<br />

O rendimento industrial<br />

(ATR/Tc) no acumulado é de<br />

138,26 Kgs, comparado<br />

com resultado do período<br />

anterior de 134,07 Kgs/ATR,<br />

um aumento de 3,1%.<br />

Como tradicionalmente ocorre<br />

no <strong>Paraná</strong>, um volume<br />

maior de cana-de-açúcar<br />

vem sendo destinado a produção<br />

de açúcar, 58,5%, movimento<br />

amparado pelas<br />

condições favoráveis de mercado<br />

da commodity, finaliza-<br />

Tranin.<br />

<strong>Jornal</strong> <strong>Paraná</strong> 3


CANA-DE-AÇÚCAR<br />

Centro-Sul já moeu 16% a mais<br />

No acumulado da safra 23/24, a moagem atingiu 619,26 milhões, ante<br />

534,14 milhões de toneladas registradas no mesmo período no ciclo 22/23<br />

Amoagem de cana-deaçúcar<br />

na segunda<br />

quinzena de novembro<br />

registrou crescimento<br />

de 46,14%, na comparação<br />

com o mesmo período do ciclo<br />

passado. Foram processadas<br />

23,90 milhões de toneladas<br />

contra 16,36 milhões. No acumulado<br />

da safra 23/24, a moagem<br />

atingiu 619,26 milhões,<br />

ante 534,14 milhões de toneladas<br />

registradas no mesmo período<br />

no ciclo 22/23 - avanço<br />

de 15,94%.<br />

Operaram na segunda quinzena<br />

de novembro 218 unidades<br />

produtoras na região Centro-<br />

Sul, sendo 201 unidades com<br />

processamento de cana, oito<br />

empresas que fabricam etanol<br />

a partir do milho e nove usinas<br />

flex. No mesmo período, na<br />

safra 22/23, operaram 141 unidades<br />

produtoras. Nesta quinzena,<br />

30 unidades encerram a<br />

moagem, enquanto no acumulado<br />

já se contabilizam 78 unidades.<br />

No ciclo anterior, até 30<br />

de novembro, 178 usinas haviam<br />

terminado com seu período<br />

de processamento. Para a<br />

próxima quinzena, está previsto<br />

que mais 98 unidades produtoras<br />

encerarão a safra.<br />

No que condiz à qualidade da<br />

matéria-prima, o nível de Açúcares<br />

Totais Recuperáveis<br />

(ATR) registrado na segunda<br />

quinzena de novembro foi de<br />

132,07 kg por tonelada de<br />

cana-de-açúcar, contra 139,60<br />

kg por tonelada na safra 22/23<br />

– variação negativa de 5,40%.<br />

No acumulado da safra, o indicador<br />

marca o valor de<br />

140,25 kg de ATR por tonelada<br />

(-0,61%).<br />

4 <strong>Jornal</strong> <strong>Paraná</strong>


Produção de açúcar e etanol<br />

A produção de açúcar na segunda<br />

metade de novembro totalizou<br />

1,40 milhão de toneladas.<br />

Essa quantidade, quando<br />

comparada àquela registrada na<br />

safra 22/23 de 1,04 milhão de<br />

toneladas, representa aumento<br />

de 35,03%. No acumulado<br />

desde 1º de abril, a fabricação<br />

do adoçante totaliza 40,82 milhões<br />

de toneladas, contra<br />

33,05 milhões de toneladas do<br />

ciclo anterior (+23,50%). A<br />

despeito do aumento, o mix<br />

produtivo na quinzena privilegiou<br />

a produção de etanol frente<br />

ao adoçante. Esse movimento<br />

é comum nesta etapa da safra,<br />

quando a qualidade da matériaprima<br />

se deteriora e o ATR<br />

passa a ser composto por uma<br />

maior quantidade de açúcares<br />

redutores, que impedem a fabricação<br />

do açúcar.<br />

Na segunda quinzena de novembro,<br />

1,25 bilhão de litros<br />

(+39,91%) de etanol foram fabricados<br />

pelas unidades do<br />

Centro-Sul. Do volume total<br />

produzido, o etanol hidratado alcançou<br />

778,19 milhões de litros<br />

(+98,55%), enquanto a<br />

produção de etanol anidro totalizou<br />

469,52 milhões de litros (-<br />

6,07%). No acumulado desde o<br />

início do atual ciclo agrícola até<br />

1º de dezembro, a fabricação<br />

do biocombustível totaliza<br />

29,85 bilhões de litros<br />

(+11,87%), sendo 17,71 bilhões<br />

de etanol hidratado<br />

(+14,74%) e 12,14 bilhões de<br />

anidro (+7,94%).<br />

Da produção total de etanol registrada<br />

na segunda quinzena<br />

de novembro, 21% foram provenientes<br />

do milho, cuja produção<br />

foi de 257,75 milhões de litros<br />

neste ano, contra 196,81<br />

milhões de litros no mesmo período<br />

do ciclo 22/23 - aumento<br />

de 30,97%. No acumulado<br />

desde o início da safra, a produção<br />

de etanol de milho atingiu<br />

4,05 bilhões de litros - avanço<br />

de 41,98% na comparação<br />

com igual período do ano passado.<br />

Vendas de etanol<br />

No mês de novembro, as<br />

vendas de etanol totalizaram<br />

2,82 bilhões de litros, o que<br />

representa aumento de<br />

16,13% em relação ao mesmo<br />

período da safra 22/23.<br />

O volume comercializado de<br />

etanol anidro no período foi<br />

de 1,11 bilhão de litros - aumento<br />

de 0,94% - enquanto<br />

o etanol hidratado registrou<br />

venda de 1,72 bilhão de litros<br />

- crescimento de 28,61%.<br />

No mercado doméstico, as<br />

vendas de etanol hidratado<br />

em novembro totalizaram<br />

1,59 bilhão de litros - variação<br />

de 27,21% em relação<br />

ao ano passado. Desde<br />

agosto, quando o biocombustível<br />

passou a ganhar<br />

competitividade mais intensamente<br />

nas bombas, o<br />

crescimento médio em relação<br />

ao ano anterior foi de expressivos<br />

22,17%.<br />

Tal movimento deve permanecer<br />

inerte uma vez que os<br />

dados de preços de revenda<br />

publicados pela Agência Nacional<br />

de Petróleo, Gás Natural<br />

e Biocombustíveis (ANP)<br />

para a semana que se encerrou<br />

em 09/12 indicam que<br />

nas cidades correspondentes<br />

a 61% do consumo nacional<br />

de combustíveis, o<br />

etanol hidratado tem apresentado<br />

paridades atrativas.<br />

No estado de São Paulo esse<br />

percentual atinge 100% do<br />

consumo.<br />

A respeito das vendas de etanol<br />

anidro, o volume comercializado<br />

foi de 938,96 milhões<br />

de litros, o que representa<br />

uma variação negativa<br />

de 1,86%. Vale mencionar<br />

que um volume de exportações<br />

robusto contribuiu para<br />

o resultado do mês, o qual<br />

totalizou 291,07 milhões de<br />

litros, que representa um aumento<br />

de 31,29%.<br />

Mercado<br />

No acumulado da safra 23/<br />

24, a comercialização de etanol<br />

soma 21,04 bilhões de litros,<br />

representando um aumento<br />

de 5,79%. O hidratado<br />

compreende uma venda no<br />

volume de 12,40 bilhões de<br />

litros (+7,32%), enquanto o<br />

anidro de 8,64 bilhões<br />

(+3,67%).<br />

de CBios<br />

Dados da B3 registrados até<br />

o dia 8 de dezembro indicam<br />

a emissão de 32,43<br />

milhões de CBios em <strong>2023</strong>.<br />

Em posse da parte obrigada<br />

do programa RenovaBio há<br />

cerca de 26,75 milhões de<br />

créditos de descarbonização.<br />

Esse valor considera o<br />

estoque de passagem da<br />

parte obrigada em 2021 somada<br />

com os créditos adquiridos<br />

em 2022 e <strong>2023</strong>,<br />

até o momento, subtraída a<br />

meta referente ao ano de<br />

2022.<br />

<strong>Jornal</strong> <strong>Paraná</strong> 5


DESTAQUE<br />

Grupo Maringá comemora prêmios<br />

Pela primeira vez o Grupo Maringá é Selo Ouro do Programa Brasileiro<br />

GHG Protocol e CFO Eduardo Lambiasi é personalidade do setor<br />

OGrupo Maringá celebra<br />

mais uma importante<br />

conquista<br />

este ano: o Selo<br />

Ouro do Programa Brasileiro<br />

GHG Protocol, em reconhecimento<br />

à qualidade dos dados<br />

do inventário de emissões de<br />

Gases de Efeito Estufa (GEEs)<br />

de 2022. Esses dados foram<br />

apresentados no Registro Público<br />

de Emissões (RPE), e<br />

passaram por asseguração de<br />

uma empresa independente.<br />

O objetivo do programa é reconhecer<br />

e incentivar as empresas<br />

brasileiras a se comprometerem<br />

de forma efetiva<br />

em monitorar e reduzir as<br />

emissões de GEEs. Isso mostra<br />

que transparência e sustentabilidade<br />

são pilares dos<br />

negócios do Grupo Maringá.<br />

A diretoria parabenizou a<br />

todos por mais essa conquista.<br />

Mais recentemente, o CFO do<br />

Grupo Maringá, Eduardo Lambiasi,<br />

foi indicado entre as<br />

personalidades do setor para<br />

a categoria Melhores Gestores,<br />

do 20º Prêmio Visão Agro<br />

Brasil. O executivo foi homenageado<br />

durante a cerimônia<br />

realizada no dia 7 de dezembro,<br />

em Ribeirão Preto (SP).<br />

Meio Ambiente<br />

A preocupação com o meio<br />

ambiente está no DNA do<br />

Grupo Maringá. Em celebração<br />

ao Dia do Rio, 24/11, o<br />

Grupo Maringá promoveu diversas<br />

ações para a preservação<br />

dos cursos d’água da<br />

bacia do rio Paranapanema<br />

que circundam a Usina Jacarezinho,<br />

no norte do <strong>Paraná</strong>,<br />

e a Maringá Ferro-Liga, em<br />

Itapeva (SP), suas empresas<br />

dos setores sucroenergético<br />

e siderúrgico, respectivamente.<br />

Além disso, são desenvolvidas<br />

iniciativas de<br />

educação ambiental junto às<br />

comunidades dessas regiões<br />

com o objetivo de alertar a<br />

sociedade sobre a escassez<br />

de água e a importância de<br />

se preservar os recursos fluviais<br />

para a vida de pessoas,<br />

da fauna e da flora.<br />

Bom de Nota<br />

Lançado no final de outubro, o projeto Bom de Nota, idealizado pela APEC SUL, que<br />

beneficia crianças e adolescentes com aulas gratuitas de futsal, conta com o apoio do<br />

Grupo Maringá e da Goal Projetos, na cidade de Jacarezinho (PR). No evento de lançamento,<br />

realizado no Centro da Juventude, estiveram presentes o prefeito da cidade,<br />

Marcelo Palhares, autoridades locais, a equipe da Goal Projetos e representantes da<br />

Usina Jacarezinho – os gerentes Administrativo (Leandro Bacon) e de RH (Rogério<br />

Braga), e a supervisora de Comunicação, Responsabilidade Social e Diversidade & Inclusão<br />

(Renatta Giraldi). O Grupo Maringá acredita que ações socioesportivas e culturais<br />

podem transformar o futuro.<br />

Respeito e<br />

valorização<br />

O Grupo Maringá tem o compromisso<br />

com o respeito e a<br />

valorização de todas as identidades<br />

nos negócios da empresa.<br />

Por isso sempre faz<br />

questão de celebrar o Dia da<br />

Consciência Negra, 20/11. A<br />

data reforça a importância da<br />

diversidade étnico-racial,<br />

além da necessidade de fomentar<br />

reflexões sobre inclusão<br />

e educação a respeito do<br />

assunto.Dentre as ações do<br />

Programa Identidade, que estimula<br />

a diversidade e inclusão<br />

no Grupo Maringá, foi<br />

criado um grupo de afinidade<br />

focado na temática étnico-racial,<br />

com o objetivo de<br />

apoiar, acolher e incentivar a<br />

participação dos colaboradores,<br />

bem como promover<br />

ações de conscientização<br />

durante o ano inteiro.<br />

6 <strong>Jornal</strong> <strong>Paraná</strong>


ETANOL DE MILHO<br />

Coamo investe<br />

R$ 1,67 bi em usina<br />

A capacidade instalada permitirá que a cooperativa<br />

industrialize 20% do milho recebido dos produtores<br />

ACoamo Agroindustrial<br />

Cooperativa, maior<br />

cooperativa agrícola<br />

do Brasil, põe em<br />

prática um velho sonho, o de<br />

construir uma indústria de produção<br />

de etanol de milho. Com<br />

isso, a cooperativa intensifica<br />

a verticalização e coloca na<br />

sua lista de agregação de valor<br />

mais um produto. Com sede<br />

em Campo Mourão (PR), a<br />

cooperativa tem 31 mil associados<br />

e está nos estados do<br />

<strong>Paraná</strong>, Santa Catarina e Mato<br />

Grosso do Sul.<br />

Devido ao aumento de produção<br />

de grãos, a cooperativa<br />

planeja investir R$ 3,5 bilhões<br />

no período de 2024 a 2026.<br />

Deste total, R$ 1,67 bilhão<br />

deve ser investido na indústria<br />

de etanol de milho. A unidade<br />

industrial será construída em<br />

Campo Mourão e terá capacidade<br />

de processamento de<br />

1.700 toneladas de milho por<br />

dia, podendo produzir 258 milhões<br />

de litros/ano de etanol e<br />

180 mil toneladas/ano do coproduto<br />

do processamento<br />

DDG (do inglês, grãos secos<br />

de destilaria), usado na fabricação<br />

de ração.<br />

A capacidade instalada permitirá<br />

que a cooperativa industrialize<br />

20% do milho recebido<br />

dos produtores. Atualmente, o<br />

percentual é de apenas 2%, e<br />

o cereal é destinado à produção<br />

de ração. Os recebimentos<br />

de milho da Coamo estão estimados<br />

em 3,34 milhões de toneladas<br />

em <strong>2023</strong>, volume próximo<br />

do registrado em 2022.<br />

Airton Galinari, presidente-executivo<br />

da Coamo, diz que a indústria<br />

de etanol permitirá uma<br />

maior verticalização do cereal.<br />

Segundo ele, a cooperativa industrializa<br />

de 40% a 45% da<br />

soja recebida dos produtores,<br />

e a industrialização do trigo<br />

varia de 30% a 35%. "Com<br />

isso, conseguimos agregar<br />

mais valor ao produto e remunerar<br />

melhor o cooperado."<br />

O investimento da cooperativa<br />

na produção de etanol provindo<br />

do milho ocorre em um momento<br />

de grande expansão<br />

desse setor, principalmente no<br />

Centro-Oeste. Os dados mais<br />

recentes da Conab (Companhia<br />

Nacional de Abastecimento) indicam<br />

que 18 de cada 100 litros<br />

de etanol produzidos no<br />

país já vêm do milho.<br />

A cooperativa terá uma novidade<br />

também na energia utilizada,<br />

atualmente toda comprada.<br />

Com a nova indústria<br />

de etanol será montada uma<br />

caldeira e um gerador com<br />

capacidade de fornecimento<br />

de 30 MW. A sobra de energia<br />

movimentará as indústrias de<br />

fiação de algodão, processamento<br />

de soja, fábrica de<br />

margarina, torrefação de café,<br />

produção de ração e moinho<br />

de trigo. A caldeira será alimentada<br />

por eucaliptos provindos<br />

de reflorestamento, fechando,<br />

assim, o ciclo de<br />

uma energia totalmente renovável,<br />

diz Galinari.<br />

8 <strong>Jornal</strong> <strong>Paraná</strong>


Brasil e Japão dialogam, em<br />

Tóquio, sobre produção de<br />

SAF a partir do etanol e descarbonização<br />

do setor aéreo.<br />

Workshop promovido pela<br />

Unica, Ministério das Relações<br />

Exteriores do Brasil, ApexBrasil<br />

e Ministério da Economia do<br />

Japão reuniu especialistas em<br />

Tóquio com o objetivo de proporcionar<br />

uma oportunidade<br />

de cooperação e diálogo entre<br />

especialistas, formuladores de<br />

políticas, reguladores e representantes<br />

da indústria do Japão<br />

e do Brasil sobre o potencial<br />

do etanol no desenvolvimento<br />

de SAF, que pode contribuir<br />

com cerca de 65% da<br />

redução de emissões necessária<br />

para o transporte aéreo<br />

atingir a neutralidade de CO2<br />

em 2050 – o que exigirá um<br />

aumento maciço na produção<br />

de combustível sustentável de<br />

DOIS<br />

SAF<br />

aviação. O Japão tem uma<br />

das metas mais ambiciosas<br />

para a implementação de SAF<br />

como estratégia para a descarbonização<br />

do transporte<br />

aéreo. O governo japonês estabeleceu<br />

mandado para uso<br />

PONTOS<br />

de 10% de SAF em 2030, para<br />

voos internacionais em aeroportos<br />

japoneses. E estima<br />

que a demanda por combustível<br />

sustentável de aviação<br />

pode chegar a 1,7 bilhão de litros<br />

por ano.<br />

Carbono<br />

As negociações climáticas da<br />

COP28 não conseguiram fechar<br />

um acordo sobre novas<br />

regras que permitiriam o lançamento<br />

de um sistema central<br />

para que países e empresas<br />

começassem a compensar<br />

suas emissões de carbono<br />

e a comercializar essas<br />

compensações. A União Europeia,<br />

o México e a Associação<br />

Independente da América Latina<br />

e do Caribe rejeitaram uma<br />

proposta de acordo, negociada<br />

ao longo de duas semanas na<br />

cúpula climática, que teria estabelecido<br />

regras fundamentais<br />

para a aprovação de projetos<br />

de compensação em um<br />

sistema centralizado administrado<br />

pela ONU. Os Estados<br />

Unidos estavam com a maioria<br />

dos países que pressionaram<br />

pela adoção do acordo, dizendo<br />

que as exigências de regras<br />

mais rígidas seriam<br />

onerosas a muitos países em<br />

de- senvolvimento com meios<br />

limitados para supervisionar e<br />

regulamentar os projetos. A UE<br />

desejava regras que colocassem<br />

as compensações de carbono<br />

em linha com os altos<br />

padrões estabelecidos pelo<br />

próprio sistema de comércio<br />

de emissões do bloco.<br />

COP30<br />

Após duas semanas de intensas negociações e muita pressão da sociedade civil e de<br />

nações petroleiras, a COP28 chegou ao fim, em Dubai. Mesmo dois anos antes da<br />

COP30, edição brasileira da conferência do clima da ONU (Organização das Nações Unidas),<br />

os resultados definidos agora têm um impacto direto na cúpula que deverá ser realizada<br />

em Belém em 2025. O principal objetivo desta COP nos Emirados Árabes era<br />

entregar um balanço geral das ações climáticas tomadas até hoje, que será usado na<br />

atualização das metas climáticas dos países.Segundo o Acordo de Paris, isso terá que<br />

ser feito até 2025, quando o Brasil sediará o evento. Mas existem pendências que podem<br />

complicar o processo, como a indefinição sobre de que forma os países desenvolvidos<br />

irão apoiar as nações emergentes na transição energética.<br />

Índia<br />

Índia está planejando desencorajar<br />

o desvio da produção<br />

de açúcar para etanol como<br />

parte dos esforços para garantir<br />

oferta suficiente do<br />

adoçante no mercado local. O<br />

menor desvio para o etanol<br />

ajudará o segundo maior produtor<br />

mundial de açúcar a aumentar<br />

a produção do adoçante,<br />

que deverá cair devido<br />

às chuvas abaixo do normal<br />

nos principais estados produtores.<br />

O governo poderá pedir<br />

às usinas que não usem o<br />

caldo de cana-de-açúcar e<br />

melaço com alto teor de B –<br />

um subproduto com níveis<br />

mais elevados de sacarose –<br />

para produzir etanol.<br />

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<strong>Jornal</strong> <strong>Paraná</strong>


Energias renováveis<br />

O último ano foi repleto de notícias<br />

sobre energia que parecem<br />

animadoras. O mundo já instalou<br />

mais de 1 terawatt de capacidade<br />

de painéis solares - o<br />

suficiente para abastecer toda a<br />

União Europeia. As compras de<br />

veículos elétricos estão aumentando:<br />

mais de 1 milhão de veículos<br />

foram vendidos nos Estados<br />

Unidos neste ano, com<br />

uma estimativa de 14 milhões<br />

vendidos em todo o mundo. E,<br />

observando o rápido crescimento<br />

da energia eólica, das<br />

baterias e de tecnologias como<br />

bombas de calor, é possível<br />

pensar que a luta contra a mudança<br />

climática pode estar indo<br />

bem. Mas, o aumento das energias<br />

renováveis não foi suficiente<br />

para substituir os combustíveis<br />

fósseis. Espera-se<br />

que as emissões globais de<br />

dióxido de carbono provenientes<br />

de combustíveis fósseis aumentem<br />

em 1,1% em <strong>2023</strong>,<br />

segundo a análise do Global<br />

Carbon Project. As energias renováveis<br />

estão crescendo a níveis<br />

recordes, mas os combustíveis<br />

fósseis também continuam<br />

crescendo a níveis recordes.<br />

A diretoria do BNDES aprovou<br />

novas regras proibindo que proprietários<br />

rurais com "dívidas<br />

ambientais" possam tomar empréstimos<br />

junto ao banco. A<br />

medida faz parte de um novo<br />

posicionamento socioambiental<br />

da instituição que quer acelerar<br />

investimentos relacionados à<br />

economia verde. Antes, um<br />

proprietário rural solicitava a<br />

linha de crédito por meio de<br />

uma empresa. Dessa forma, o<br />

BNDES corria o risco de liberar<br />

recursos caso outra companhia<br />

BNDES<br />

do mesmo grupo econômico tivesse<br />

sofrido autuação por<br />

danos ambientais. A partir de<br />

agora, as pesquisas serão feitas<br />

pelo documento do tomador.<br />

O banco fará cruzamentos<br />

societários para verificar se há<br />

algum passivo registrado. Segundo<br />

o banco, a contratação<br />

só poderá ser autorizada se<br />

forem adotadas medidas efetivas<br />

quanto à regularização do<br />

embargo, em observância aos<br />

requisitos estabelecidos na legislação<br />

ambiental.<br />

Perspectiva neutra<br />

As perspectivas para o setor sucroenergético da América Latina em 2024 são neutras,<br />

segundo a Fitch Ratings. Em relatório, a agência afirma que a previsão é sustentada pela<br />

perspectiva de uma forte geração de fluxo de caixa e pela manutenção da alavancagem<br />

relativamente estável, apesar dos investimentos mais altos em lavouras de cana. A Fitch<br />

estima que os preços internacionais do açúcar devam permanecer elevados, com uma<br />

média 23,5 centavos de dólar por libra-peso em 2024, uma leve redução em comparação<br />

com a média de 24,6 cents por libra-peso projetada para <strong>2023</strong>.<br />

O governo federal concedeu<br />

R$ 80,95 bilhões em subsídios<br />

para auxiliar os produtores<br />

de petróleo, carvão mineral<br />

e gás natural no país em<br />

2022. Isso representou uma<br />

alta de 19,6% frente aos R$<br />

67,7 bilhões do ano anterior,<br />

segundo números divulgados<br />

pelo Instituto de Estudos<br />

Socioeconômicos. Esses são<br />

recursos que saíram diretamente<br />

do orçamento da União<br />

para incentivar o setor e também<br />

quantias que o governo<br />

deixou de arrecadar em impostos,<br />

devido a regimes de<br />

tributação especiais e programas<br />

de isenção. O objetivo foi<br />

Subsídios<br />

garantir aos consumidores um<br />

preço menor na aquisição dos<br />

produtos. As desonerações de<br />

combustíveis fósseis, nos cálculos<br />

do Inesc, somaram R$<br />

40,7 bilhões em 2022, contra<br />

R$ 12,6 bilhões no ano anterior.<br />

A McLaren Racing concordou<br />

em comprar créditos de carbono<br />

de projetos de reflorestamento<br />

na Amazônia e de<br />

iniciativas de remoção de CO2<br />

no Reino Unido e nos Estados<br />

Unidos como parte de sua<br />

tentativa de zerar suas emissões<br />

líquidas até 2040. A<br />

McLaren<br />

equipe tem como objetivo reduzir<br />

suas emissões em 90%<br />

até 2040. Para os 10% restantes,<br />

ela implementará iniciativas<br />

como a compensação de<br />

carbono. A empresa não revelou<br />

quanto estava investindo<br />

em seu novo “Programa de<br />

Contribuição Climática”.<br />

<strong>Jornal</strong> <strong>Paraná</strong><br />

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