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Jornal Paraná Fevereiro 2024

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OPINIÃO<br />

O Brasil e o jogo das<br />

energias renováveis<br />

O que ainda faz falta é vontade política<br />

para evitar interesses contraditórios e<br />

enveredar pelo caminho certo<br />

Por Celso Ming<br />

Em <strong>2024</strong>, o País precisa<br />

superar a falta de vontade<br />

política e começar<br />

a definir regras para organizar<br />

o mercado de energia<br />

renovável ou perderá as oportunidades<br />

de liderar o mundo<br />

na transição energética.<br />

O Brasil terminará este ano entre<br />

os cinco países emergentes<br />

mais atraentes para investimentos<br />

em energias renováveis,<br />

como aponta o relatório<br />

Climatescope da Bloomberg-<br />

NEF. Somente em 2022, aportaram<br />

no País mais de US$25<br />

bilhões de investimentos direcionados<br />

para energias de fontes<br />

eólica e solar, atrás apenas<br />

dos Estados Unidos e da China.<br />

Primeiro, os avanços. Em sua<br />

análise, destaca o desenvolvimento<br />

no Brasil do mercado de<br />

geração própria de energia solar<br />

(geração distribuída, a BloombergNEF<br />

instalada em telhados<br />

de residências, condomínios,<br />

casas de comércio, fábricas<br />

e edifícios e terrenos adjacentes),<br />

que vai sendo construída<br />

por capitais formigas.<br />

Este é o principal impulsionador<br />

da energia limpa no<br />

Brasil.<br />

Mesmo com o fim gradual dos<br />

subsídios, a geração distribuída<br />

alcançou a marca de 25 gigawatts<br />

de potência instalada<br />

(equivalente a 1,8 usina de<br />

Itaipu), em grande impulsionada<br />

pelo barateamento dos<br />

módulos fotovoltaicos.<br />

Outro ponto positivo está na<br />

geração de empregos – o que<br />

indica certo fortalecimento na<br />

cadeia produtiva. Um relatório<br />

da Agência Internacional de<br />

Energia Renovável (Irena) em<br />

parceria com a Organização Internacional<br />

do Trabalho (OIT)<br />

mostrou que o Brasil gerou 1,4<br />

milhão de novos postos de trabalho<br />

na indústria de energias<br />

renováveis em 2022, última<br />

estatística disponível.<br />

Apesar desses números, ainda<br />

há muito a fazer, principalmente<br />

em garantir um ambiente<br />

com regras claras para que os<br />

recursos disponíveis no mercado<br />

internacional se sintam<br />

seguros para virem para cá.<br />

O Plano de Transformação<br />

Ecológica do governo é iniciativa<br />

ambiciosa que, no entanto,<br />

carece de força para sair do<br />

papel. Parece também não<br />

contar com uma coordenação<br />

alinhada e firme que evite os<br />

conflitos de interesse. A prova<br />

disso foi a lambança em que<br />

se transformou o projeto de lei<br />

das eólicas offshore aprovado<br />

na Câmara dos Deputados e<br />

que agora vai para exame no<br />

Senado.<br />

Há quem critique o desenvolvimento<br />

do mercado offshore,<br />

tendo ainda oportunidades em<br />

terra. No entanto, a Petrobras e<br />

outras petroleiras estão em<br />

alto-mar e criaram oportunidades<br />

únicas para o desenvolvimento<br />

de projetos que podem<br />

aproveitar a infraestrutura<br />

atual. O problema nesse projeto<br />

são os chamados jabutis<br />

contrabandeados na proposta,<br />

que beneficiaram usinas térmicas<br />

a carvão e gás, devem<br />

custar quase R$ 40 bilhões por<br />

ano que acabarão sendo despejados<br />

na conta de luz do<br />

consumidor comum.<br />

O Brasil terminará este ano entre<br />

os cinco países emergentes mais<br />

atraentes para investimentos em<br />

energias renováveis<br />

“O Brasil precisa de um marco<br />

regulatório que alavanque o<br />

setor, que envolverá portos,<br />

estaleiros, indústria naval, centros<br />

de pesquisa. Mas, do jeito<br />

que o projeto foi aprovado, ele<br />

cria inseguranças que não deveriam<br />

estar lá, explica o advogado<br />

Luís Fernando Priolli,<br />

sócio na área de Energia do Urbano<br />

Vitalino.<br />

Outra pauta ainda sem definição<br />

é a do hidrogênio sustentável.<br />

Câmara e Senado discutem<br />

simultaneamente projetos<br />

para o produto, sem alinhamento.<br />

Há pressa para o desenvolvimento<br />

desse mercado,<br />

não só pelo potencial financeiro<br />

que pode beneficiar o<br />

Brasil. Mas subsistem lacunas<br />

a preencher, como nas áreas<br />

de logística e de armazenamento.<br />

<strong>2024</strong> pode se tornar o ano em<br />

que o Brasil terá criado as regras<br />

para as energias renováveis.<br />

Mas o que ainda faz falta<br />

é vontade política para evitar<br />

interesses contraditórios, como<br />

os tais jabutis, e enveredar<br />

pelo caminho certo (Celso<br />

Ming com Pablo Santana)<br />

2<br />

<strong>Jornal</strong> <strong>Paraná</strong>


ETANOL<br />

Vendas ultrapassam<br />

3 bilhões de litros em janeiro<br />

Isso representa aumento de 38,22% em relação ao mesmo<br />

período da safra 22/23, sendo o maior desde outubro de 2020<br />

Amoagem de cana-deaçúcar<br />

na segunda<br />

quinzena de janeiro na<br />

região Centro-Sul totalizou<br />

714,01 mil toneladas.<br />

Nesse mesmo período, no ano<br />

anterior, a quantidade processada<br />

foi de 307,30 mil toneladas.<br />

No acumulado da safra<br />

2023/ <strong>2024</strong>, a moagem atingiu<br />

646,05 milhões de toneladas,<br />

ante 543,14 milhões de toneladas<br />

registradas no mesmo período<br />

no ciclo 2022/2023 - um<br />

avanço de 18,95%.<br />

Operaram na segunda quinzena<br />

de janeiro 21 unidades produtoras<br />

na região Centro-Sul,<br />

sendo seis unidades com processamento<br />

de cana, sete empresas<br />

que fabricam etanol a<br />

partir do milho e oito usinas<br />

flex. No mesmo período, na safra<br />

22/23, operaram 13 unidades<br />

produtoras. Ao final da<br />

quinzena, uma unidade encerrou<br />

a moagem, enquanto no<br />

acumulado já se contabilizam<br />

249 unidades. No ciclo anterior,<br />

até 1º de fevereiro, 251 usinas<br />

haviam terminado com seu período<br />

de processamento.<br />

A qualidade da matéria-prima<br />

colhida acumulada desde o início<br />

da safra até a segunda metade<br />

de janeiro, mensurada em<br />

kg de ATR por tonelada de<br />

cana-de-açúcar processada,<br />

apresentou redução de 1,13%<br />

na comparação com o mesmo<br />

período do último ciclo agrícola,<br />

atingindo 139,54 kg de<br />

ATR por tonelada nesta safra.<br />

A produção de açúcar na segunda<br />

metade de janeiro foi de<br />

28,05 mil toneladas. No acumulado<br />

desde 1º de abril, a fabricação<br />

do adoçante totaliza<br />

42,13 milhões de toneladas,<br />

contra 33,56 milhões de toneladas<br />

do ciclo anterior<br />

(+25,52%).<br />

Na segunda quinzena de janeiro,<br />

313,39 milhões de litros<br />

(+46,91%) de etanol foram fabricados<br />

pelas unidades do<br />

Centro-Sul. Do volume total<br />

produzido, o etanol hidratado<br />

alcançou 218,96 milhões de litros<br />

(+113,28%), enquanto a<br />

produção de etanol anidro totalizou<br />

94,43 milhões de litros<br />

(+14,66%). No acumulado<br />

desde o início do atual ciclo<br />

agrícola até 1º de fevereiro, a<br />

fabricação do biocombustível<br />

totaliza 32,11 bilhões de litros<br />

(+15,05%), sendo 19,23 bilhões<br />

de etanol hidratado<br />

(+20,02%) e 12,88 bilhões de<br />

anidro (+8,33%).<br />

Da produção total de etanol registrada<br />

na segunda metade de<br />

janeiro, 89% foram provenientes<br />

do milho, cuja produção<br />

atingiu 280,10 milhões de litros<br />

neste ano, contra 200,65 milhões<br />

de litros no mesmo período<br />

do ciclo 22/23 - aumento<br />

de 39,60%. No acumulado<br />

desde o início da safra, a produção<br />

de etanol de milho atingiu<br />

5,17 bilhões de litros - expressivo<br />

avanço de 41,98% na<br />

comparação com igual período<br />

do ano passado.<br />

Vendas de etanol<br />

Mercado de CBios<br />

Dados da B3, até o dia 9 de<br />

fevereiro, indicam a emissão<br />

de 4,07 milhões de créditos<br />

em <strong>2024</strong>. Em posse<br />

da parte obrigada do programa<br />

RenovaBio há 37,84<br />

milhões de créditos de descarbonização<br />

- esse montante<br />

já é superior à meta<br />

estabelecida para o ano de<br />

2023, de 37,47 milhões de<br />

CBios, e cujo prazo de<br />

cumprimento se encerra<br />

em 31 de março.<br />

No mês de janeiro <strong>2024</strong>, as<br />

vendas de etanol totalizaram 3<br />

bilhões de litros, o que representa<br />

aumento de 38,22% em<br />

relação ao mesmo período da<br />

safra 22/23. Esse volume comercializado,<br />

puxado pelo forte<br />

aumento nas vendas de<br />

etanol anidro e hidratado na 2ª<br />

quinzena de janeiro, é o maior<br />

desde outubro de 2020. O volume<br />

comercializado de etanol<br />

anidro no período foi de 1,11<br />

bilhão de litros - aumento de<br />

1,34% - enquanto o etanol hidratado<br />

registrou venda de<br />

1,89 bilhão de litros - crescimento<br />

de 75,54%.<br />

No mercado doméstico, as vendas<br />

de etanol hidratado em janeiro<br />

totalizaram 1,77 bilhão de<br />

litros – variação de 75,59% em<br />

relação ao ano passado. A comercialização<br />

de etanol anidro,<br />

por sua vez, foi de 1,03 bilhão<br />

de litros - aumento de 6,48%.<br />

Com esse resultado, o volume<br />

comercializado no mercado interno<br />

ultrapassou a marca de<br />

2,8 bilhões de litros, o maior<br />

desde outubro de 2019.<br />

O resultado reverbera a competitividade<br />

do biocombustível<br />

nas bombas que já dura<br />

meses. Na última semana,<br />

dados da ANP apontam uma<br />

paridade média de 61,7%<br />

entre o preço do hidratado e<br />

da gasolina C.<br />

No acumulado da safra 23/24,<br />

a comercialização de etanol<br />

soma 26,95 bilhões de litros,<br />

representando um aumento de<br />

9,37%. O hidratado compreende<br />

uma venda no volume de<br />

16,27 bilhões de litros<br />

(+15,68%), enquanto o anidro<br />

de 10,68 bilhões (+0,99%).<br />

4 <strong>Jornal</strong> <strong>Paraná</strong>


CANA-DE-AÇÚCAR<br />

Safra 2023/24 é a<br />

mais produtiva em 15 anos<br />

De abril a dezembro no Centro-Sul, rendimento médio<br />

alcança 87,6 toneladas por hectare, segundo dados do CTC<br />

No fechamento da<br />

safra 2023/<strong>2024</strong>, a<br />

cana-de-açúcar na<br />

região Centro-Sul registrou<br />

produtividade média<br />

de 87,6 toneladas por hectare,<br />

10 toneladas a mais do que a<br />

média das últimas 15 safras<br />

(77,2 toneladas por hectare).<br />

Os dados são do Portal do<br />

Benchmarking do Centro de<br />

Tecnologia Canavieira (CTC) e<br />

constam do boletim De Olho<br />

Na Safra.<br />

As altas produtividades são<br />

consequência da excelente<br />

condição climática desta safra,<br />

com chuvas bem distribuídas e<br />

acima da média na maioria das<br />

regiões produtoras de cana.<br />

No mês de dezembro último,<br />

a qualidade da matéria-prima<br />

(ATR) foi inferior à observada<br />

na safra passada, reflexo da<br />

melhor distribuição das chuvas<br />

durante os meses passados.<br />

Porém, no acumulado da<br />

safra, o ATR se manteve dentro<br />

da média das últimas 15<br />

safras (134,5 kg/t).<br />

A produtividade agrícola do<br />

mês de dezembro seguiu a<br />

mesma tendência do acumulado<br />

e se mostrou superior à<br />

observada na safra passada<br />

(81 t/ha nessa safra contra<br />

69,8 t/ha na safra anterior).<br />

Na safra 2023/24, os destaques<br />

de produtividade ocorreram<br />

em Araçatuba, Piracicaba<br />

e São José do Rio Preto, que<br />

tiveram crescimentos de<br />

37,3%, 25,2% e 25%, respectivamente,<br />

em relação à safra<br />

anterior.<br />

O CTC – Centro de Tecnologia<br />

Canavieira é uma empresa de<br />

biotecnologia e inovação, líder<br />

global em ciência da cana-deaçúcar.<br />

Tem um dos maiores<br />

bancos de germoplasma de<br />

cana-de-açúcar do mundo,<br />

com mais de 4 mil variedades.<br />

Nos laboratórios em Piracicaba<br />

(SP) e Saint-Louis<br />

(Missouri-EUA), as equipes de<br />

cientistas desenvolvem trabalhos<br />

de ponta em melhoramento<br />

e engenharia genética.<br />

O portfólio da companhia<br />

reúne variedades de cana de<br />

alta produtividade e resistentes<br />

a pragas.<br />

Criado em 1969, CTC contribuiu<br />

nestes 50 anos de história<br />

para o avanço tecnológico<br />

do agronegócio nacional<br />

e a competitividade do<br />

setor sucroenergético, levando<br />

o Brasil à liderança<br />

mundial do setor, aumentando<br />

a produtividade para<br />

atendimento da demanda<br />

mundial de açúcar, proporcionando<br />

visibilidade ao etanol<br />

como um dos mais importantes<br />

biocombustíveis<br />

do mundo e a cogeração<br />

através do processamento<br />

da palha da cana (bioeletricidade).<br />

<strong>Jornal</strong> <strong>Paraná</strong> 5


REFERÊNCIA<br />

Adeus de Antonio<br />

de Padua Rodrigues<br />

Diretor da Unica por duas décadas, Padua teve carreira<br />

profissional ligada ao setor sucroenergético por quase 50 anos<br />

Uma das principais referências<br />

do setor<br />

sucroenergético brasileiro,<br />

o administrador<br />

Antonio de Padua Rodrigues,<br />

71, que participou de<br />

momentos cruciais para o setor,<br />

como o início do Proálcool,<br />

morreu dia 10/2. Padua,<br />

como conhecido no setor canavieiro,<br />

atuava na Unica<br />

(União da Indústria de Canade-Açúcar<br />

e Bioenergia) desde<br />

1990 e foi, entre 2003 e 2022,<br />

diretor-técnico da entidade. Ele<br />

morreu após tratamento contra<br />

câncer.<br />

"Como uma das lideranças<br />

mais relevantes, Antonio de<br />

Padua Rodrigues ficará marcado<br />

na história como um dos<br />

responsáveis pelo desenvolvimento<br />

do setor sucroenergético<br />

brasileiro. Para seus companheiros<br />

de trabalho, Padua<br />

será sempre lembrado por seu<br />

sorriso fácil, sabedoria e humanidade",<br />

informou a Unica,<br />

em nota.<br />

Bioenergia). O presidente da<br />

associação, Hugo Cagno Filho,<br />

classificou-o como um<br />

"grande ícone".<br />

"Padua lutava havia alguns<br />

anos contra um câncer e pôde<br />

prolongar sua existência, com<br />

muita luta e vontade de viver,<br />

ao longo dos últimos meses.<br />

Com certeza ficará eternamente<br />

gravado em nossas vidas<br />

e nas nossas memórias",<br />

disse o presidente da Udop.<br />

Roberto Perosa, secretário de<br />

Comércio e Relações Internacionais<br />

do Ministério da Agricultura,<br />

disse que a dedicação<br />

ao setor e legado na Unica<br />

"foram inestimáveis". "Perdi<br />

um grande amigo e mentor",<br />

afirmou.<br />

O Ceise-BR (Centro Nacional<br />

das Indústrias do Setor Sucroenergético<br />

e Biocombustíveis)<br />

também publicou nota de pesar<br />

lamentando a perda do administrador.<br />

Para o presidente da Alcopar,<br />

Miguel Tranin, é uma grande<br />

perda para o setor que sempre<br />

viu em Pádua uma forte liderança<br />

e uma pessoa estratégica<br />

na condução de processos<br />

e na tomada de decisões<br />

ligadas ao setor sucroenergético,<br />

sendo sempre ouvido por<br />

sua visão ampla e ponderada.<br />

“Padua sempre foi um grande<br />

amigo que nos ensinou muito.<br />

Que Deus conforte toda a família”,<br />

afirma.<br />

A morte de Padua foi lamentada<br />

nas redes sociais por entidades<br />

ligadas ao setor, como<br />

a Udop (União Nacional da<br />

"Hoje faleceu Antônio de<br />

Padua, um dos grandes especialistas<br />

do setor sucroenergético.<br />

Tive a honra de trabalhar<br />

com ele várias vezes quando<br />

era diretor geral do antigo<br />

Ícone (hoje Agroicone), sendo<br />

a Unica associação na qual ele<br />

foi diretor por muitos anos,<br />

uma das apoiadoras do instituto",<br />

afirmou André Nassar,<br />

presidente-executivo da Abiove<br />

(Associação Brasileira das<br />

Indústrias de Óleos Vegetais).<br />

Padua ingressou no extinto<br />

IAA (Instituto do Açúcar e Álcool)<br />

em 1976 e participou<br />

dos primeiros anos da implementação<br />

do Proálcool - programa<br />

nascido em 1975 como<br />

alternativa à crise do petróleo<br />

de dois anos antes - e<br />

atuou no Programa Nacional<br />

de Melhoramento da Cana-de-<br />

Açúcar.<br />

Antes de chegar à Unica, passou<br />

por associações como a<br />

Sociedade de Produtores de<br />

Açúcar e de Álcool, Orplana<br />

(Organização das Associações<br />

de Produtores de Canade-Açúcar<br />

do Brasil), Associação<br />

dos Usineiros e Associação<br />

das Indústrias do Açúcar<br />

e do Álcool.<br />

Na Unica, teve como destaque<br />

a atuação que resultou na<br />

aprovação pelo Congresso da<br />

lei que permitiu misturar 22%<br />

de etanol anidro na gasolina –<br />

hoje o índice é de 27%. Foi<br />

também um dos idealizadores<br />

do Consecana (que contempla<br />

os preços nos diversos segmentos<br />

do setor), sistema<br />

então inédito de pagamento<br />

aos produtores de cana-deaçúcar,<br />

em 1999, que trouxe<br />

harmonia entre produtores e<br />

indústria jamais vista anteriormente.<br />

Em novembro, Padua foi homenageado<br />

pela Udop em<br />

Araçatuba (SP) com o Troféu<br />

da Agroenergia, entregue a autoridades<br />

de "reconhecimento<br />

inigualável" no setor. Antes,<br />

em outubro de 2022, já tinha<br />

recebido homenagem na 22ª<br />

Conferência Internacional Datagro,<br />

na capital paulista, pela<br />

atuação na cadeia sucroenergética.<br />

6 <strong>Jornal</strong> <strong>Paraná</strong>


VAI DE ETANOL<br />

UNICA lança campanha de<br />

incentivo ao uso de etanol<br />

O foco é esclarecer dúvidas do consumidor final e<br />

acelerar a transição energética da matriz brasileira<br />

AUnião da Indústria de<br />

Cana-de-Açúcar e<br />

Bioenergia (Unica),<br />

que representa as<br />

usinas de açúcar e etanol, lançou<br />

em janeiro uma campanha<br />

para incentivar o consumo<br />

do biocombustível no<br />

país. Segundo a entidade, o<br />

foco é esclarecer dúvidas do<br />

consumidor final e acelerar a<br />

transição energética da matriz<br />

brasileira.<br />

A iniciativa, que conta com o<br />

bordão “Vai de Etanol”, será<br />

veiculada em rádio e TV, além<br />

de usar influenciadores nas<br />

redes sociais. Os vídeos e<br />

spots da campanha abordam<br />

os benefícios do etanol para o<br />

meio ambiente, economia e<br />

sociedade. O biocombustível<br />

é renovável, produzido a partir<br />

de fontes sustentáveis e<br />

gera menos emissões de<br />

gases poluentes do que a gasolina.<br />

“A campanha ocorre em decorrência<br />

da necessidade urgente<br />

de acelerar a substituição<br />

dos combustíveis fósseis<br />

por biocombustíveis, reduzindo<br />

a emissão dos gases que<br />

provocam o efeito estufa”, explica<br />

Evandro Gussi, presidente<br />

da UNICA.<br />

A campanha também busca<br />

esclarecer dúvidas e mitos<br />

sobre o etanol. Entre as informações<br />

equivocadas relacionadas<br />

ao biocombustível estão<br />

possíveis prejuízos aos<br />

motores pelo uso do biocombustível,<br />

a necessidade de intercalar<br />

os combustíveis ou<br />

mesmo esperar que um acabe<br />

para poder usar o seguinte, e<br />

o funcionamento prejudicado<br />

nos períodos de temperaturas<br />

mais baixas.<br />

“Pesquisas indicam que ainda<br />

existe desconhecimento sobre<br />

as vantagens do uso de etanol<br />

nos veículos. Além de esclarecer<br />

essas dúvidas, os filmes<br />

tratam dos benefícios ambientais,<br />

sociais e econômicos<br />

que o biocombustível tem”,<br />

afirma Gussi.<br />

O site da campanha, vaideetanol.com.br,<br />

também reúne informações<br />

sobre o etanol,<br />

incluindo uma calculadora que<br />

mostra quanto de CO2 as<br />

pessoas deixam de emitir ao<br />

abastecer com etanol. “Acreditamos<br />

que a campanha terá<br />

grande impacto e contribuirá<br />

para o aumento do consumo<br />

de etanol no Brasil”, afirma<br />

Patrícia Audi, diretora-executiva<br />

da UNICA.<br />

São diversas as vantagens do<br />

uso do etanol de cana-de-açúcar,<br />

o combustível mais limpo<br />

do mundo. Entre elas: melhoria<br />

da qualidade do ar e, consequentemente,<br />

impactos na<br />

saúde pública, geração de emprego<br />

e renda na cidade e no<br />

campo, arrecadação de impostos<br />

que proporcionam<br />

mais investimentos nas cidades<br />

e melhoria na qualidade de<br />

vida de milhões de brasileiros.<br />

“O uso do biocombustível representa<br />

redução de até 90%<br />

nas emissões de gases que<br />

agravam o efeito estufa, respeitando<br />

todas as normas de<br />

qualidade do ar, o que é bom<br />

para todo mundo, no planeta<br />

inteiro. O etanol faz bem para<br />

o carro, ao aumentar a potência<br />

e deixar o motor limpo por<br />

mais tempo. É bom para o<br />

Brasil, por movimentar a economia<br />

do país, gerando emprego<br />

e renda para milhares<br />

de pessoas. Por ser a opção<br />

mais barata na hora de abastecer,<br />

é bom para o seu bolso.<br />

E é bom para o planeta. Produzido<br />

de forma sustentável,<br />

o etanol protege o meio ambiente”,<br />

aponta a campanha.<br />

<strong>Jornal</strong> <strong>Paraná</strong> 7


SOCIAL<br />

Santa Terezinha emprega<br />

venezuelanos para suas operações<br />

A empresa recebeu 15 famílias, com 65 pessoas, e 18 contratados na<br />

modalidade Vaga de Emprego Sinalizada da Estratégia de Interiorização<br />

AUsina Santa Terezinha<br />

dá um importante<br />

passo no seu caminho<br />

de inclusão e<br />

responsabilidade social com a<br />

contratação de migrantes da<br />

Venezuela para reforçar o time<br />

em suas operações.<br />

Neste primeiro momento, a<br />

empresa recebeu 15 famílias,<br />

com 65 pessoas, e 18 contratados<br />

na modalidade Vaga de<br />

Emprego Sinalizada da Estratégia<br />

de Interiorização. O grupo<br />

inclui 34 crianças e adolescentes<br />

entre 2 e 15 anos de idade.<br />

A iniciativa marca o compromisso<br />

da UST com o respeito<br />

às pessoas e a geração de empregos.<br />

Foram meses de preparação<br />

e cuidados, junto à<br />

Força-Tarefa Logística Humanitária<br />

Operação Acolhida, resposta<br />

humanitária do Governo<br />

Brasileiro, e a Agência da ONU<br />

para as Migrações (OIM).<br />

Os trabalhadores venezuelanos<br />

chegaram ao Aeroporto de Curitiba/PR,<br />

vindos de Boa Vista/<br />

RR, onde fica a Operação<br />

Acolhida para receber os migrantes<br />

no Brasil. O grupo seguiu<br />

em três ônibus de Curitiba<br />

para as cidades de Paranacity,<br />

Tapejara e Ivaté, na região Noroeste<br />

do <strong>Paraná</strong>.<br />

O projeto foi apresentado pela<br />

UST e OIM às três Prefeituras,<br />

para que as famílias tenham<br />

um melhor acolhimento nas cidades,<br />

e as administrações<br />

municipais foram muito receptivas<br />

à iniciativa.<br />

As 15 famílias foram incluídas<br />

no benefício da empresa: casas<br />

em comodato. Todas as<br />

casas foram mobiliadas e disponibilizados<br />

utensílios necessários<br />

para o dia a dia. As famílias<br />

estão sendo acompanhadas<br />

por assistentes sociais<br />

e participarão de projetos de<br />

integração na UST.<br />

Uma jornada repleta de inclusão,<br />

trabalho e produtividade,<br />

fortalecendo a nossa tradicional<br />

diversidade étnica, que nos<br />

torna um país acolhedor, culturalmente<br />

rico e diverso.<br />

8 <strong>Jornal</strong> <strong>Paraná</strong>


JANEIRO BRANCO<br />

Cooperval promove a saúde<br />

mental no ambiente de trabalho<br />

Os participantes foram<br />

incentivados a refletir sobre suas<br />

emoções, buscar apoio quando<br />

necessário e desenvolver<br />

habilidades de autocuidado<br />

No mês dedicado à<br />

conscientização<br />

sobre a saúde mental,<br />

mais de cem<br />

funcionários de diversas áreas<br />

da Cooperval Cooperativa<br />

Agroindustrial Vale do Ivaí<br />

Ltda, com sede no município<br />

de Jandaia do Sul, no Norte<br />

do <strong>Paraná</strong>, se uniram em uma<br />

iniciativa significativa: o Janeiro<br />

Branco. Nesse período,<br />

o foco foi direcionado para a<br />

promoção do bem-estar emocional<br />

e psicológico dos colaboradores.<br />

Ao longo de janeiro, esses colaboradores<br />

se engajaram em<br />

um programa abrangente,<br />

composto por oito módulos<br />

que totalizaram 128 horas de<br />

carga horária. Esses módulos<br />

foram cuidadosamente elaborados<br />

para abordar diferentes<br />

aspectos relacionados à saúde<br />

mental, desde o entendimento<br />

dos próprios sentimentos<br />

até estratégias práticas<br />

para lidar com o estresse<br />

e a pressão do cotidiano profissional<br />

e pessoal.<br />

Os participantes foram incentivados<br />

a refletir sobre suas<br />

emoções, buscar apoio quando<br />

necessário e desenvolver<br />

habilidades de autocuidado.<br />

Essa iniciativa não apenas impactou<br />

positivamente os funcionários<br />

individualmente,<br />

mas também fortaleceu o espírito<br />

de equipe e a cultura organizacional,<br />

segundo os organizadores.<br />

Neste Janeiro Branco, para os<br />

participantes, mais do que<br />

nunca, fica evidente que cuidar<br />

da saúde mental é uma<br />

responsabilidade de todos. O<br />

desejo de todos é que o legado<br />

do Janeiro Branco inspire<br />

um compromisso contínuo<br />

com o bem-estar emocional,<br />

não apenas no ambiente<br />

profissional, mas em todas as<br />

esferas da vida.<br />

10


CAPACITAÇÃO<br />

Cooperativa aproveita entressafra<br />

e investe em sua equipe<br />

Com a Bolsa Qualificação oferece uma oportunidade valiosa<br />

para o desenvolvimento profissional e pessoal a seus colaboradores<br />

Em meio à entressafra,<br />

período estratégico<br />

para investimentos<br />

em aprimoramento<br />

para boa parte das usinas e<br />

destilarias do <strong>Paraná</strong>, a Cooperval<br />

Cooperativa Agroindustrial<br />

Vale do Ivaí Ltda, com<br />

sede no município de Jandaia<br />

do Sul, no Norte do <strong>Paraná</strong><br />

está liderando uma iniciativa<br />

notável de qualificação profissional:<br />

o Programa de Qualificação<br />

Nacional (Bolsa Qualificação).<br />

Com 103 participantes distribuídos<br />

em 9 turmas distintas,<br />

este programa intensivo oferece<br />

uma oportunidade valiosa<br />

para o desenvolvimento<br />

profissional e pessoal a seus<br />

colaboradores em parceria<br />

com o Senai, Senar, Senat e o<br />

Sescoop PR.<br />

De janeiro a março, os participantes<br />

são imersos em 180<br />

horas de treinamento especializado<br />

em suas áreas de interesse.<br />

Os cursos oferecidos<br />

abrangem uma variedade impressionante<br />

de habilidades,<br />

desde formação para motoristas<br />

até soldagem, informática<br />

básica e saúde e qualidade de<br />

vida. Além disso, cursos especializados,<br />

como tratorista,<br />

operador de carregadeira e<br />

colhedora visam atender às<br />

demandas específicas do<br />

mercado local, preparando os<br />

participantes para os desafios<br />

práticos do mundo do trabalho.<br />

Destacam-se também os cursos<br />

focados em segurança<br />

no trabalho, como a brigada<br />

rural e as normas regulamentadoras<br />

NR 17 e NR 35. Esses<br />

cursos não apenas visam<br />

proteger a saúde e o bemestar<br />

dos trabalhadores, mas<br />

também promover uma cultura<br />

de segurança e responsabilidade<br />

dentro da cooperativa.<br />

Um ponto fundamental do<br />

Bolsa Qualificação é que a<br />

adesão ao programa minimizou<br />

a necessidade de demissão<br />

dos empregados durante<br />

a entressafra e possibilitou a<br />

busca por cursos de formação<br />

profissional, preparando<br />

melhor o trabalhador para o<br />

exercício de sua atividade, segundo<br />

os diretores da Cooperval.<br />

Tem direito à bolsa o<br />

trabalhador que estiver com o<br />

contrato de trabalho suspenso<br />

em função de participação em<br />

curso ou programa de qualificação<br />

profissional oferecido<br />

pelo empregador. Esta envolve<br />

atividades de educação profissional<br />

e deve ter conteúdos<br />

relacionados com as atividades<br />

da empresa.<br />

Instituída pelo governo federal<br />

em 2001, a Bolsa Qualificação<br />

é uma modalidade do seguro-desemprego<br />

concedida<br />

ao trabalhador com contrato<br />

de trabalho suspenso, conforme<br />

convenção ou acordo<br />

coletivo, e que esteja matriculado<br />

em curso ou programa<br />

de qualificação profissional<br />

oferecido pelo empregador. O<br />

valor desta é calculado como<br />

o seguro-desemprego, baseado<br />

na média dos três últimos<br />

salários recebidos.<br />

<strong>Jornal</strong> <strong>Paraná</strong> 11


O Valor Bruto da Produção<br />

Agropecuária recuou 2,6% no<br />

ano passado ante 2022, passando<br />

de R$ 1,286 trilhão<br />

para R$ 1,25 trilhão, informou<br />

a Confederação da Agricultura<br />

e Pecuária do Brasil (CNA). Na<br />

agricultura, a queda do valor<br />

bruto da produção foi de<br />

0,6%, para R$ 852 milhões.<br />

Já o valor bruto da pecuária<br />

diminuiu 6,6%, para R$ 400,5<br />

milhões. Apesar da ótima produção,<br />

os preços caíram de<br />

forma significativa.<br />

DOIS<br />

Valor Bruto<br />

PONTOS<br />

A economia brasileira encerrou<br />

2023 e começou <strong>2024</strong><br />

muito devagar, quase parando,<br />

o que confirmaria, por<br />

ora, a expectativa de um crescimento<br />

neste ano que deve<br />

chegar apenas à metade daquele<br />

do ano passado - cerca<br />

de 1,5%, ante 3% em 2023.<br />

Economia<br />

La Niña<br />

Institutos e consultorias estimam<br />

que foi negativa ou<br />

muito baixa a taxa de crescimento<br />

do PIB (Produto Interno<br />

Bruto) no último trimestre de<br />

2023 em relação aos três<br />

meses anteriores. Para o primeiro<br />

trimestre de <strong>2024</strong>, a expectativa<br />

é a mesma.<br />

Balança comercial<br />

A balança comercial brasileira acumulou superávit de 6,527 bilhões de dólares em janeiro,<br />

conforme a Secretaria de Comércio Exterior, o que representa um aumento de<br />

185,6% em relação ao saldo registrado no mesmo mês do ano passado. Este foi o maior<br />

saldo comercial para meses de janeiro desde o início a série histórica da secretaria, em<br />

1989. O desempenho de janeiro de <strong>2024</strong> foi resultado de exportações de US$ 27 bilhões<br />

de dólares, contra importações de US$ 20,5 bilhões de dólares. A projeção é de que as<br />

exportações brasileiras este ano atinjam US$ 348,2 bilhões de dólares, um valor 2,5%<br />

superior ao visto em 2023, enquanto as importações devem somar US$ 253,8 bilhões<br />

de dólares, 5,4% acima do visto no ano passado.<br />

Temperatura global<br />

Após um 2023 escaldante, a<br />

temperatura global em janeiro<br />

de <strong>2024</strong> foi a mais alta já registrada<br />

para o mês. Segundo<br />

o observatório climático europeu<br />

Copernicus, a temperatura<br />

média mundial foi de<br />

13,14°C, ficando 0,12°C<br />

acima da temperatura do janeiro<br />

mais quente até então,<br />

em 2020. O índice também<br />

foi 0,70°C superior à média<br />

para janeiro registrada entre<br />

1991 e 2020. Este foi o oitavo<br />

mês consecutivo em que o<br />

recorde de temperatura para<br />

o respectivo mês do ano foi<br />

quebrado. O último ano - que<br />

quebrou todos os recordes e<br />

foi o mais quente em 125 mil<br />

anos - foi marcado por eventos<br />

climáticos extremos, como<br />

a seca histórica que atingiu<br />

a amazônia, os gigantescos<br />

incêndios florestais no<br />

Canadá e os alagamentos na<br />

China.<br />

O Instituto Nacional de Meteorologia<br />

(Inmet) prevê o enfraquecimento<br />

do fenômeno<br />

climático El Niño nos próximos<br />

meses e a possibilidade<br />

(50%) da ocorrência do La<br />

Niña no segundo semestre.<br />

Segundo o relatório do Inmet,<br />

a intensidade do El Niño deve<br />

passar de forte, classificação<br />

O Brasil bateu recorde de geração<br />

de energia limpa em<br />

2023, com 93,1% de toda a<br />

energia gerada vindo de fontes<br />

renováveis. Os dados são<br />

da Câmara de Comercialização<br />

de Energia Elétrica. No<br />

total, foram gerados 70,2 mil<br />

megawatts médios (MWm)<br />

no ano passado, por meio de<br />

usinas hidrelétricas, eólicas,<br />

solares e de biomassa. As<br />

hidrelétricas respondem por<br />

mais da metade da energia<br />

Energia<br />

atual, para fraca a partir de<br />

abril. Após, o El Niño deve variar<br />

de moderado a fraco e as<br />

temperaturas devem atingir a<br />

neutralidade de abril a junho,<br />

com 66% de probabilidade.<br />

Para o segundo semestre, o<br />

Inmet vê probabilidade acima<br />

de 50% de ocorrência do fenômeno<br />

climático La Niña.<br />

gerada em 2023, com 50 mil<br />

MWm – um crescimento de<br />

1,2% em relação a 2022. Já<br />

as usinas de geração eólica<br />

e solar somaram 13 mil<br />

MWm, o que representa uma<br />

alta de 23,8% em relação a<br />

2022. Já a geração de energia<br />

a partir da biomassa,<br />

principalmente a partir do<br />

bagaço da cana-de-açúcar,<br />

foi de 3,2 MWm – aumento<br />

de 9,6% em relação ao ano<br />

anterior.<br />

12<br />

<strong>Jornal</strong> <strong>Paraná</strong>


Consumo de<br />

combustíveis<br />

Etanol de milho<br />

A produção de etanol hidratado<br />

deve ficar praticamente<br />

estável na safra <strong>2024</strong>/25 do<br />

Centro-Sul, somando 20 bilhões<br />

de litros, graças a um<br />

avanço nos volumes do combustível<br />

fabricado a partir do<br />

milho, já que a safra de cana<br />

tende a recuar na nova temporada,<br />

de acordo com a<br />

consultoria StoneX. A produção<br />

de hidratado de milho deverá<br />

crescer 30,2% para 5<br />

bilhões de litros, enquanto a<br />

fabricação do mesmo tipo de<br />

combustível a partir da cana<br />

deverá cair 7,8%, para 15 bilhões<br />

de litros, também com<br />

usinas de cana destinando<br />

mais matéria-prima para produzir<br />

açúcar, com preços<br />

mais interessantes do que o<br />

Biodiesel<br />

combustível. Mesmo com a<br />

queda da fabricação de etanol<br />

hidratado de cana, a produção<br />

total (considerando o<br />

milho) ficaria quase estável<br />

na comparação com os 20,1<br />

bilhões de litros da safra anterior<br />

(2023/24), que se encerra<br />

em abril no centro-sul,<br />

principal região produtora do<br />

país.<br />

O Brasil fechou 2023 com recorde<br />

nas vendas de combustíveis<br />

e repetiu um padrão<br />

de consumo maior de gasolina<br />

sobre o etanol, que fechou<br />

o ano com a menor<br />

participação no mercado de<br />

veículos desde 2017. As vendas<br />

do derivado da cana começaram<br />

a se recuperar no<br />

fim do ano, mas o setor vê<br />

uma mudança de hábito do<br />

consumidor como um desafio,<br />

principalmente diante da<br />

expectativa de safra recorde.<br />

Segundo a ANP, o país consumiu<br />

em 2023 129,6 bilhões<br />

de litros de combustíveis líquidos,<br />

alta de 4,8% em relação<br />

ao ano anterior. A conta<br />

considera as vendas de gasolina,<br />

diesel, etanol e óleo<br />

combustível. No mercado automotivo,<br />

as vendas de gasolina<br />

e etanol subiram 6,2%,<br />

para 62,2 bilhões de litros. A<br />

alta foi puxada pela gasolina,<br />

cujas vendas cresceram<br />

6,9%. O mercado de etanol<br />

hidratado, seu principal concorrente,<br />

teve aumento bem<br />

menor, de 4,5%. Considerando<br />

o etanol anidro, a ANP<br />

estima que a participação do<br />

biocombustível nesse mercado<br />

ficou em 46%, contra<br />

46,3% do ano anterior. É o<br />

menor patamar desde os 44%<br />

de 2017. Em 2019, melhor<br />

ano, chegou a 54%.<br />

As empresas de biodiesel<br />

entregaram às distribuidoras<br />

no ano passado 7,34<br />

bilhões de litros do biocombustível,<br />

quase 20%<br />

acima do volume comercializado<br />

em 2022 e 7,7%<br />

superior ao seu melhor<br />

desempenho até então, registrado<br />

em 2021, disse a<br />

Associação dos Produtores<br />

de Biocombustíveis do<br />

Brasil, a partir dos dados<br />

consolidados do mercado<br />

de biodiesel em 2023 pela<br />

Agência Nacional do Petróleo,<br />

Gás Natural e Biocombustíveis.<br />

O aumento da<br />

mistura de 10% de biodiesel<br />

para 12% (B12), anunciado<br />

no começo do ano<br />

passado, não pegou o setor<br />

de surpresa porque já<br />

estava preparado para,<br />

com os investimentos feitos,<br />

atender uma demanda<br />

de B15, conforme evolução<br />

prevista em resolução<br />

anterior e interrompida em<br />

abril de 2021.<br />

Ambiente<br />

Renováveis<br />

Estudo do Observatório de<br />

Conhecimento e Inovação em<br />

Bioeconomia da Fundação<br />

Getúlio Vargas mostrou que a<br />

presença do biodiesel na matriz<br />

de ciclo diesel ajudou a<br />

evitar a emissão de 4,4 milhões<br />

de toneladas de CO2<br />

equivalentes no segundo trimestre<br />

de 2023, quando a<br />

mistura obrigatória do biocombustível<br />

cresceu para<br />

12%. “Estamos prontos para<br />

avançar até pelo menos B20,<br />

beneficiando no curto prazo<br />

os grandes centros urbanos<br />

sem mudança em motores e<br />

custos em novas infraestruturas<br />

de abastecimento”, disse<br />

o diretor o superintendente da<br />

Aprobio, Julio Cesar Minelli.<br />

As energias renováveis vão<br />

ultrapassar, em 2025, o carbono<br />

como principal fonte de<br />

geração de eletricidade no<br />

mundo, afirmou a Agência Internacional<br />

de Energia. Esse<br />

tipo de energia, principalmente<br />

a solar fotovoltaica,<br />

poderia gerar mais de um<br />

terço da eletricidade, passando<br />

do total de 30% em<br />

2023 para 37% em 2026, indicou<br />

o relatório "Eletricidade<br />

<strong>2024</strong>". O percentual permitiria<br />

compensar amplamente o<br />

forte crescimento da demanda<br />

elétrica nas economias<br />

avançadas, como dos<br />

Estados Unidos e de países<br />

europeus. A mesma situação<br />

pode ocorrer na China, que<br />

atualmente produz mais da<br />

metade da eletricidade mundial<br />

a partir do carvão, embora<br />

haja incertezas relacionadas<br />

ao clima e seu impacto<br />

nas represas, assim<br />

como na evolução da recuperação<br />

econômica, indica o<br />

relatório.<br />

<strong>Jornal</strong> <strong>Paraná</strong><br />

13


CANA SUMMIT<br />

Evento em Brasília discute<br />

o futuro da cana-de-açúcar<br />

Orplana vai reunir, em abril, produtores, poder público, pensadores e pesquisadores<br />

para falar de sustentabilidade e viabilidade econômica da produção nacional<br />

Os produtores de<br />

cana-de-açúcar no<br />

Brasil movimentaram,<br />

em 2023, mais<br />

de R$ 43,7 bilhões e produziram<br />

mais de 240 milhões de<br />

toneladas de cana, conforme<br />

dados da ORPLANA - Organização<br />

das Associações de<br />

Produtores de Cana-de-Açúcar<br />

do Brasil. Para mostrar o<br />

potencial do setor, apresentar<br />

tendências e debater o futuro<br />

da cadeia sucroenrgética, a<br />

organização promoverá o<br />

Cana Summit nos dias 10 e<br />

11 de abril, no CICB (Centro<br />

Internacional de Convenções<br />

do Brasil), em Brasília/DF.<br />

O evento, pensado e desenvolvido<br />

para os produtores de<br />

cana-de-açúcar e pessoas ligadas<br />

ao setor, espera reunir<br />

500 participantes. "A ideia é<br />

despertar o poder da canade-açúcar<br />

ao reunir produtores,<br />

associações, cooperativas,<br />

governo, empresas de<br />

insumos e instituições financeiras<br />

para chamar a atenção<br />

para o setor", destaca o CEO<br />

da Orplana, José Guilherme<br />

Nogueira. "O Cana Summit<br />

faz sua estreia como referência<br />

de mercado e sustentabilidade<br />

para os produtores e<br />

demais players do setor", reforça.<br />

A programação do Cana<br />

Summit prevê fóruns com lideranças<br />

políticas, painéis<br />

sobre as temáticas sucroenergéticas<br />

e a apresentação<br />

de um raio-x dos produtores<br />

de cana do Brasil.<br />

"O objetivo é apresentar as últimas<br />

tendências do setor e<br />

do mercado, por meio da<br />

abordagem detalhada da evolução<br />

dos novos ciclos de<br />

produção da cana, além de<br />

explorar os desenvolvimentos<br />

em cana-de-açúcar sustentável",<br />

explica o CEO da Orplana.<br />

Comprometido com a sustentabilidade,<br />

o Cana Summit<br />

também é um evento CO2<br />

zero, por meio da utilização<br />

dos créditos de carbono dos<br />

produtores de cana-de-açúcar.<br />

A ORPLANA é a maior representante<br />

de canavicultores do<br />

Brasil e do mundo e atua com<br />

o compromisso estratégico<br />

de garantir a eles um futuro<br />

seguro, rentável e sustentável.<br />

A entidade reúne 33 associações<br />

em seis estados<br />

brasileiros, que somam mais<br />

de 59 milhões de toneladas<br />

de cana.<br />

14

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