Turbo Frotas & Comerciais 55
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#55 MARÇO 2024 | 2,90€ (CONT.)
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BYD ATTO 3
BERNARDO
VILLA
SMART
“EMPRESAS
SÃO APOSTA”
OHM 3.5 EV
ATAQUE
CHINÊS
MAXUS T90 EV
AS NOVAS APOSTAS
ENTREVISTA
EXCLUSIVO
BMC EM
PORTUGAL
CAMIÕES ELÉTRICOS
NUNO JACINTO
LEASYS PORTUGAL
“GESTORA
DE FROTAS
MULTIMARCA”
OFERTA EXISTE.
FALTAM INCENTIVOS
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#55
Sumário
APRESENTAÇÃO
4 Ford Transit Courier
PERSPETIVA
42 Smart
NOVIDADES
8 Nissan Interstar
10 Mercedes-Benz Sprinter
12 Kia PBV
14 Volvo FH Aero
15 BMC
ESPECIAL
30 Camiões elétricos
DOSSIER CHINESES
46 BYD
56 Ohm
58 Maxus
TÉCNICA
64 Lubrificantes
Editorial
INVASÃO
ANUNCIADA
D
esde a década de ’90 do século passado que a
União Europeia tem vindo a introduzir normas de
emissões cada vez mais restritivas. Num primeiro
momento, o impacto até foi positivo para os fabricantes
europeus, já que o custo de desenvolvimento de novos
motores de combustão e soluções de tratamento de pósescape
era elevado, obrigando alguns fabricantes asiáticos
a abandonarem o Velho Continente ou a estabelecerem
acordos para o fornecimento de tecnologias que não
dominavam, como o diesel, que "reinava" no mercado
europeu. Com o evoluir dos tempos, as normas tornaramse
mais restritivas e para agravar as coisas surgiu o
“Dieselgate”, que tornou o motor diesel numa solução a
combater, precisamente quando tinha atingido o seu mais
elevado nível de sofisticação tecnológica e de eficiência.
Por pressão dos ambientalistas, a União Europeia aprovou
a norma Euro 7, que acabou por não ser restritiva como se
previa inicialmente, assim como a proibição da venda de
veículos ligeiros de combustão a partir de 2035, enquanto
nos pesados os fabricantes chegaram a um acordo para
que o mesmo sucedesse a partir de 2040. Contudo,
no processo de transição para a mobilidade elétrica, a
indústria europeia ainda está atrasada tecnologicamente
e não dispõe do mesmo acesso a matérias-primas, o que
não acontece no Extremo Oriente, onde os fabricantes
chineses, confrontados com algum arrefecimento
económico e estagnação nas vendas de veículos, viram
nas exportações para a Europa como uma solução para
a sobrecapacidade de produção, naquela que já é uma
invasão anunciada.
CARLOS MOURA PEDRO
JORNALISTA / JURADO IVOTY E IPUA
PROPRIETÁRIO E EDITOR
TERRA DE LETRAS
COMUNICAÇÃO LDA
NPC 508735246
CAPITAL SOCIAL 10 000 €
CRC CASCAIS
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JÚLIO SANTOS (60% DO CAPITAL)
FÁTIMA SANTOS (40% DO CAPITAL)
GERENTE JÚLIO SANTOS
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CARLOS MOURA PEDRO
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MARÇO 2024 FROTAS & COMERCIAIS 3
novidades
FORD TRANSIT COURIER
IMAGEM FAZ
A DIFERENÇA
A segunda geração do Transit Courier cresceu em todas as
dimensões face à anterior, oferecendo um volume útil de carga
de 2,9 m3 e uma imagem muito própria
TEXTO CARLOS MOURA PEDRO
Muitos comerciais que
partilham a mesma plataforma
apresentam
frequentemente uma
imagem exterior muito
semelhante, sendo, por
vezes, difícil de identificar os modelos das
diferentes marcas. A nova geração do Ford
Transit Courier procura fugir a essa tendência
e é uma das honrosas exceções, já que
se carateriza por um estilo muito próprio,
inspirado no universo dos SUV, em geral, e
do Explorer norte-americano, em particular.
A secção frontal é dominada por uma grelha
elevada e vertical, que se encontra ladeada
pelos grupos óticos que albergam os faróis
de médios e máximos. As luzes de circulação
diurna em LED, por seu lado, estão separadas
e encontram-se por baixo do capot.
O novo Transit Courier foi desenvolvido a
partir da plataforma do Fiesta / Puma, mas
que foi “esticada” ao máximo para permitir
um incremento da distância entre-eixos de
20,3 centímetros para 2,69 metros e de 18
centímetros no comprimento exterior para
4,34 metros. A altura máxima também aumentou
5,7 centímetros para 1,83 metros e
a largura 3,6 centímetros para 1,80 metros
(2,08 metros com espelhos). Isto significa
que deixou se posicionar no segmento B dos
comerciais ligeiros, mas na faixa inferior
do segmento C, passando a haver alguma
sobreposição de produto com a versão de
chassis curto do novo Transit Connect, desenvolvido
em parceria com a Volkswagen,
embora a marca defenda que os dois modelos
têm caraterísticas diferentes.
MAIS VOLUME ÚTIL
O crescimento das dimensões externas,
associado às projeções curtas da carroçaria
e à forma de caixa da secção traseira,
permitiu aumentar significativamente
o compartimento de carga: 18,1 centímetros
no comprimento para 1,80 metros; 3,6
4 FROTAS & COMERCIAIS MARÇO 2024
2,9 M3
VOLUME ÚTIL
100 CV
1.5 ECOBLUE
TRANSIT CONNECT
Diesel ou PHEV
5,7 L/100 KM
CONSUMO ANUNCIADO
QUANDO?
JÁ
AMBIENTE
DIGITAL
O painel de bordo
é dominado por
um quadro de
instrumentos digital
e por um ecrã tátil
de 8". O habitáculo
tem apenas dois
lugares e o travão
de estacionamento
continua a ser
mecânico
centímetros na largura, passando a ser de
1,22 metros entre as cavas das rodas; 5,7
centímetros na altura para 1,25 metros.
Como consequência, o volume útil de carga
aumentou 25% para 2,9 m3 num compartimento
de carga que permite acomodar até
duas europaletes.
Caso seja necessário transportar objetos
mais longos como tábuas, tubos ou escadas
é possível utilizar uma abertura na
parte inferior da divisória fixa, permitindo
aumentar o comprimento interno até aos
2,67 metros. O acesso ao compartimento
de carga é assegurado por uma porta lateral
deslizante com uma largura de 52,8
centímetros e uma altura de 1,07 metros,
e por duas portas traseiras assimétricas de
batente com ângulo de abertura até 180º.
A capacidade de carga na versão diesel é de
531 quilos, estando disponível, em opção,
uma variante de carga útil elevada de até 854
quilos, equipada com molas de tara dupla.
MATERIAIS ROBUSTOS
Ao contrário de muitos concorrentes do segmento,
o habitáculo do Transit Courier tem
apenas dois lugares, o que se traduz num
maior espaço disponível para os ocupantes.
A
lém da Courier Connect, Ford Pro
também vai comercializar este
ano a nova geração do Transit
Connect, modelo desenvolvido ao
abrigo de uma parceria com a Volkswagen
Veículos Comerciais, pelo que partilha a plataforma
e muitos elementos da carroçaria com o
Volkswagen Caddy. A gama vai estar disponível
em dois comprimentos de carroçaria, com 4,5
metros e 4,8 metros, permitindo disponibilizar
volumes úteis de carga de 3,1 m3 ou 3,7 m3,
respetivamente. As versões longas podem acomodar
duas europaletes no compartimento de
carga. A carga útil máxima é de 820 kg e a capacidade
de reboque de 1500 kg, permitindo
aos clientes rebocar uma vasta gama de equipamentos
de apoio à sua atividade.
O Transit Connect mantém a oferta diesel, baseada
no motor 2.0 EcoBlue, que será proposto
em níveis de potência de 102 cv e 122 cv.
Ambas as motorizações podem ser associadas
a uma caixa manual de seis velocidades, mas a
mais potente também estará disponível com
caixa de dupla embraiagem e/ou tração integral.
Caso contrário, a potência é transmitida
às rodas dianteiras.
O Transit Courier estreia ainda uma motorização
híbrida plug-in (PHEV), que combina
um motor a gasolina de 1,5 litros, um motor
elétrico e uma bateria de alta potência. O sistema
desenvolve uma potência de 150 cv e
um binário de 350 Nm, enquanto a autonomia
anunciada é de 110 quilómetros. A carga útil
máxima é de 770 kg.
O Transit Connect entra em produção nesta
primavera, com as primeiras entregas das versões
diesel previstas para o verão. As versões
PHEV chegam no último trimestre deste ano.
MARÇO 2024 FROTAS & COMERCIAIS 5
novidades
FORD COURIER TRANSIT
O painel de bordo foi projetado para ser robusto
e resistente, não sendo de estranhar
que muitos dos plásticos sejam duros ao
toque. Tal como no Transit Custom existem
acabamentos em preto com aspeto mais
sofisticado que envolvem os comandos
mais importantes. Por outro lado também
se nota a ausência de botões para regular
a climatização, obrigando o condutor a recorrer
ao ecrã tátil de 8”, onde corre o sistema
de multimedia SYNC 4 da Ford, o qual
permite a ligação sem fios a Apple CarPlay
e Android Auto.
O Transit Courier é proposto em duas motorizações
a gasolina 1.0 EcoBoost com
100 cv e 125 cv e uma diesel 1.5 EcoBlue de
100 cv, sendo esta última a que terá maior
expressão no mercado nacional. Assim, no
contacto dinâmico efetuado nos arredores
de Barcelona escolhemos esta última versão
para uma primeira avaliação.
Dinamicamente, o Transit Courier oferece
um comportamento bastante interessante.
A isto não será estranha a sua proximidade
com o Fiesta / Puma. A direção é relativamente
pesada em comparação com alguns
concorrentes. O pisar na estrada é firme e a
suspensão consegue digerir com eficácia as
irregularidades do piso, mas a unidade ensaiada
tinha um lastro de meia carga atrás.
O conjunto motor e caixa de velocidades
revelou-se adequado para o tipo de utilização
do Transit Courier, embora nos arranques
em subida com carga venha ao de
cima a elevada relação peso / potência. A
tração é assegurada pelas rodas dianteiras.
Em termos de consumo, o computador de
bordo da unidade ensaiada registou uma
média de 5,8 l/100 km, pouco acima dos
5,7 l/100 km anunciados.
TRÊS NÍVEIS
DE EQUIPAMENTO
O Transit Courier é proposto no mercado
nacional em três níveis de equipamento
- Ambiente, Trend e Active - com preços
para as versões diesel de 25 659 euros, 27
643 euros e 28 800 euros, respetivamente.
A primeira proposta dirige-se aos clientes
que prescindem de uma porta lateral,
dotação que se encontra na versão Trend,
juntamente com uma maior dotação de
equipamento. O aventureiro nível Active
VOLUME ÚTIL
DE 2,9 M3
O Transit
Courier cresceu
relativamente à
geração anterior,
o que se reflete no
compartimento de
carga que apresenta
um comprimento
de 1,80 metros e
oferece um volume
útil de 2,9 m3. A
motorização diesel
de 1,5 litros tem 100
cv e está associada
a uma caixa de
velocidades manual
alarga as características de design tipo
SUV com molduras exclusivas nos arcos
das rodas, chapas de proteção dianteiras
e traseiras, barras de tejadilho e jantes de
liga leve pretas de 17 polegadas com elementos
maquinados.
Para cumprir o regulamento europeu GSR2,
todas as Transit Courier contam com avançados
sistemas de apoio à condução:
Manutenção na Faixa, assistência de Pré-
Colisão, assistência Inteligente à Velocidade
e sensores de estacionamento traseiros.
O novo Transit Courier já está em produção
na fábrica da Ford Otosan de Craiova,
na Roménia, e a gama será reforçada este
ano com a verão elétrica E-Transit Courier. /
6 FROTAS & COMERCIAIS MARÇO 2024
novidades
NISSAN INTERSTAR
DIESEL E ELÉTRICO
A Nissan está a preparar o lançamento, no terceiro trimestre, da
nova geração do Interstar que será disponibilizada em versões
diesel, com tração dianteira e traseira, e elétricas
Desenvolvido com base numa
plataforma desenhada de
raiz para permitir acomodar
diferentes tipos de cadeias
cinemáticas, o novo Nissan
Interstar vai chegar ao mercado
no terceiro trimestre deste ano.
A nova geração do comercial de grandes dimensões
da Nissan vai ter uma estrutura
de gama simplificada para permitir à marca
responder mais eficazmente às necessidades
do mercado. Assim, a oferta vai ser baseada
em vários tipos de carroçaria - furgão,
combi, chassis-cabina - várias combinações
de comprimentos e alturas. Nos furgões estão
previstos os derivativos L2H2 (10,8 m3),
L3H2 (14 m3) e L4H3 (17 m3).
Com o objetivo de aproveitar o histórico da
antiga Cabstar, a Nissan também vai dar
uma atenção especial aos chassis-cabi-
INSPIRAÇÃO
AMERICANA
O design da secção
frontal foi inspirado
nos camiões
norte-americanos,
nem faltando a
designação do
modelo por baixo do
capot. A carroçaria
foi otimizada
em função da
aerodinâmica. A
garantia geral é de
cinco anos
8 FROTAS & COMERCIAIS MARÇO 2024
4
MOTORES DIESEL
1,6 TON
CARGA ÚTIL EV
420 KM
AUTONOMIA EV
QUANDO?
TERCEIRO TRIMESTRE
TOYOTA
Oferta revista
e ampliada
na, apostando nos derivativos L2 e L3, com
comprimentos exteriores de 5,68 metros
e 6,31 metros, respetivamente. Com apoio
de transformadores certificados, a Nissan
também vai apostar na disponibilização de
soluções “chave na mão”, designadamente
em veículos do tipo de caixa aberta basculante
ou contentor fechado.
Apesar de ter sido desenvolvido no seio da
Aliança Renault-Nissan-Mitsubishi, o Interstar
procura distinguir-se do seu “primo” Renault
Master, com a adoção de uma identidade própria,
baseada na nova linguagem V-Motion da
Nissan. As linhas exteriores são inspiradas
nos camiões norte-americandos, não faltando
mesmo o nome do modelo por cima de
uma grelha elevada com barras horizontais,
ladeadas por grupos óticos com assinatura
luminosa em forma de C.
Ao contrário do Nissan Townstar, o novo
Interstar mantém a oferta de motorizações
diesel que, segundo a marca. irão continuar
a dominar as vendas no segmento a curto
e médio prazo, com cerca de 90% do total.
Assim, as versões de tração traseira serão
propostas em níveis de potência de 150 cv e
170 cv, disponíveis também com nova caixa
automática ZF de nove velocidades, e as de
tração dianteira virão com 105 cv ou 130 cv.
O Interstar também vai ser proposto em versões
elétricas e serão disponibilizadas duas
opções de motor / bateria: 87 kW e 40 kWh,
com autonomia de até 180 quilómetros; 105
kW e 96 kWh, com alcance de até 420 quilómetros.
Em qualquer dos casos, o binário
máximo do motor é sempre de 300 Nm, o que
promete valores interessantes de aceleração
para este tipo de veículos.
O Interstar vai ter uma garantia geral de cinco
anos ou 160 mil quilómetros para as versões
térmicas, enquanto nas elétricas é de oito
anos ou 160 mil quilómetros. A comercialização
do novo Nissan Interstar está prevista
para o terceiro trimestre deste ano, quer
para as versões térmicas, quer elétricas. /
C
om a introdução de um modelo novo no segmento
dos furgões grandes (Proace Max) e a
atualização da gama de furgões médios e compactos
(Proace e Proace City), a Toyota renovou
e ampliou toda a sua oferta de comerciais ligeiros. Mas a
marca nipónica não ficou por aí, já que dotou a pick-up Hilux
com uma motorização híbrida suave com tecnologia de 48V.
Marca distintiva de toda a família Proace é o novo design
da secção frontal que sublinha a identidade da Toyota e
transmite uma primeira impressão agradável, graças a
uma superfície mais limpa. Os comerciais da Toyota recebem
a mais recente tecnologia LED e algumas versões
contam mesmo com jantes de liga leve.
O maior comercial da Toyota Professional passou a ser o
Proace Max, que está disponível em três configurações,
duas distâncias entre-eixos, três comprimentos e três alturas
de tecto. Além de motorizações diesel, este modelo
será proposto numa versão elétrica a bateria com uma
autonomia de até 420 km em ciclo WLTP.
À semelhança dos seus “primos” da Stellantis, os modelos
Proace e Proace City também receberam atualizações que
incidiram no capítulo estético e também na cadeia cinemática.
O furgão médio viu aumentar a autonomia da versão
elétrica em 20 quilómetros para até 350 quilómetros
na bateria de 75 kWh, continuando disponível a de 50 kWh.
O derivativo longo oferece um volume útil de 6,6 m3 e uma
capacidade de carga até 1400 kg. A versão elétrica do furgão
compacto Proace City também viu a autonomia aumentar
50 quilómetros em relação ao modelo atual, para
330 quilómetros. Este modelo oferece um volume útil de
4,4 m3 e, dependendo da motorização, oferece uma carga
útil de uma tonelada. Todas estas as versões dos furgões
da Toyota têm três lugares na cabina.
O Proace recebe ainda uma nova versão CrewCab que permite
transportar cinco pessoas e ainda alguma carga. A
nova variante distingue-se por alguns apontamentos mais
requintados com o painel de bordo Mistral Black, assentos
e apoios de braços em pele, apoios de cabeça ajustáveis.
O segundo banco de três lugares é fixo e o compartimento
de carga conta com um espaço por baixo do assento para
permitir o transporte de objetos mais longos.
MARÇO 2024 FROTAS & COMERCIAIS 9
novidades
MERCEDES-BENZ SPRINTER / ESPRINTER
CHEGA EM ABRIL
A Mercedes-Benz Vans renovou e atualizou a gama de comerciais de
grandes dimensões, quer nas versões de combustão, quer elétricas
AMercedes-Benz Vans anunciou
o início da comercialização da
renovada gama de comerciais
de grandes dimensões. A versão
elétrica, denominada eSprinter, foi aquela
que recebeu alterações mais profundas, já
que passou a ser proposta em dois tipos de
carroçaria - furgão e chassis-cabina -, dois
comprimentos exteriores e três capacidades
de bateria. Em função das necessidades, o
operador poderá optar por mais autonomia
ou capacidade de carga.
O furgão estará disponível, numa primeira
fase, com capacidades de bateria de 56
kWh ou 113 kWh, chegando mais tarde uma
terça opção com 81 kWh. A autonomia pode
chegar aos 440 quilómetros em ciclo WLTP
ou até 530 quilómetros em ciclo urbano.
À semelhança dos restantes comerciais
elétricos da Mercedes-Benz Vans, o novo
eSprinter pode receber carregamentos em
corrente contínua numa potência de até
115 kW e alterna. A versão com bateria de
56 kWh pode recuperar entre 10% a 80%
em cerca de 28 minutos, enquanto para a
de 113 kWh são necessários cerca de 42
minutos. O motor elétrico está disponível
em dois níveis de potência de 100 kW (136
cv) e 150 kW (204 cv).
ESPRINTER
COM MAIS
AUTONOMIA
A versão elétrica
do Sprinter viu a
autonomia aumentar
até aos 440
quilómetros com
a bateria de maior
capacidade. A opção
elétrica estendese
aos derivativos
chassis-cabina. Toda
a gama recebe nova
geração do sistema
MBUX
A atualização da gama estendeu-se igualmente
aos modelos com motorizações de
combustão. Por baixo do capot encontra-
-se um bloco diesel de quatro cilindros de
2,0 litros (OM654) que está disponível em
quatro níveis de potência: 114 cv, 150 cv,
170 cv e 190 cv. Os propulsores podem ser
acoplados a caixas manuais de seis velocidades
ou automáticas de nove relações.
Os novos Mercedes-Benz Sprinter e eSprinter
recebem a mais recente geração do sistema
MBUX, que é de série e inclui um ecrã
tátil de 10,25”. A marca alemã reivindica que
a capacidade de processamento da informação
é mais rápida, enquanto o menú de
navegação também melhorou. /
10 FROTAS & COMERCIAIS MARÇO 2024
novidades
COMERCIAIS KIA
PV5 LIDERA OFENSIVA
A Kia revelou a nova gama de comerciais elétricos PBV -
Platform Beyond Vehicles e o ponta de lança será o PV5,
um modelo de dimensões médias
AKia revelou um ambicioso
plano para lançar uma
gama de comerciais elétricos,
baseada em quatro
comprimentos de chassis
e vários tipos de carroçarias.
O novo portefólio de comerciais da marca
sul-coreana vai arrancar com o PV5, um
furgão de dimensões médias com um preço
de lançamento de aproximadamente 35
mil euros. A marca irá construir uma nova
fábrica na Coreia do Sul para produzir este
veículo, estando previsto que saiam da linha
de montagem 150 mil unidades até 2026,
quando o PV5 entrar em comercialização. A
nova unidade fabril foi projetada para construir
apenas veículos da família PBV e irá usar
um processo de produção feito à medida e
flexível que possibilitará aumentar o volume
até às 300 mil unidades.
O PV5 vai ter um comprimento exterior de
4,7 metros e estará disponível em versões de
tecto normal ou alto. A gama contará ainda
com um derivativo de seis lugares e um táxi
autónomo. Em termos de dimensões será ligeiramente
mais curto do que um Ford Transit
Custom, mas a altura parece ser semelhante.
Isso indicia que o furgão poderá ter um volume
útil de carga ligeiramente inferior a 6,3 m3.
A Kia não avançou dados relativos à linha motriz
elétrica da gama PV5, mas os modelos
serão construídos com base numa versão
adaptada da plataforma E-GMP, que atualmente
é utilizada pelos modelos Kia EV6 e
EV9. Contudo, a gama PV5 irá usar um sistema
elétrico de 400V em vez de 800V.
12 FROTAS & COMERCIAIS MARÇO 2024
NOVO COMERCIAL IVECO
Hyundai fornece
plataforma
REGRESSO
A Kia vai voltar aos comerciais na Europa com
a nova gama PBV, que será apresentada ao
público no salão IAA Transportation 2024 em
Hannover. O primeiro modelo a chegar será o
PV5, de dimensões médias
A oferta da família PVB será reforçada numa
segunda fase por um modelo maior, designado
PV7, e por um veículo totalmente autónomo,
denominado PV1.
Aqueles produtos deverão ser lançados entre
2027 e 2032, contando com capacidades
de condução autónoma de nível 4 com funções
de mobilidade baseada em Inteligência
Artificial. Também está planeado o lançamento
de um quarto modelo urbano, chamado
PV3, mas o seu lançamento ainda não tem
data prevista. /
B
aseado na sua plataforma Global eLCV, a Hyundai Motor Company
vai fornecer um veículo comercial ligeiro à Iveco, o qual será
comercializado no mercado europeu, com um posicionamento
abaixo do eDaily.
A cerimónia de assinatura do contrato foi realizada recentemente na sede
do construtor sul-coreano em Seul, onde estiveram presentes Jaehoon
Chang, presidente e CEO da Hyundai Motor Company, Ken Ramirez, vice-
-presidente executivo e diretor do negócio global de veículos comerciais
e hidrogénio da Hyundai Motor Company, Gerrit Marx, CEO do Iveco Group,
e Luca Sra, presidente da unidade de negócio de camiões do Iveco Group.
O novo comercial elétrico com a marca Iveco será o primeiro modelo de
exportação a utilizar a nova Plataforma Global de Veículos Comerciais
Ligeiros Elétricos (eLCV) da Hyundai. Trata-se de uma arquitetura dedicada
concebida para veículos comerciais ligeiros elétricos com peso
bruto entre 2,5 e 3,5 toneladas, abaixo, portanto, do atual Iveco eDaily,
que se posiciona no segmento das 3,5 às 7,5 toneladas.
O novo modelo da Iveco poderá ter como principais concorrentes o
Citroën ë-Jumpy, Fiat E-Scudo, Ford E-Transit Custom, Maxus eDeliver
7, Mercedes-Benz eVito, Opel Movano Electric, Peugeot E-Expert, Toyota
Proace EV, Volkswagen E-Transporter, entre outros.
A nova plataforma vai contar com a mais recente tecnologia da Hyundai
para a nova geração de VEB (Veículos Elétricos a Bateria), com uma conceção
de piso rebaixado que proporciona uma maior facilidade de utilização
na colocação e transporte de mercadoria. A plataforma Global eLCV
da Hyundai foi desenvolvida para se adaptar às necessidades de veículos
construídos para fins específicos (Purpose Built Vehicles).
Ao abrigo do acordo assinado com o Iveco Group, a Hyundai Motor Company
irá fabricar o chassis-cabina, que será adaptado, carroçado e comercializado
pelo fabricante italiano através dos seus canais de venda no
mercado europeu.
O novo comercial elétrico da Iveco, baseado na plataforma Global eLCV
da Hyundai, vai ser revelado na edição deste ano do Salão Internacional
de Veículos Comerciais - IAA Transportation 2024 - que se realiza nos
pavilhões da Feira de Hannover, entre os dias 16 e 22 de setembro. /
MARÇO 2024 FROTAS & COMERCIAIS 13
novidades
VOLVO FH AERO
MENOS 5%
DE CONSUMO
A Volvo Trucks reforçou
a oferta do Volvo FH
com uma nova versão da
cabina, denominada Aero,
destinada a melhorar a
aerodinâmica e a eficiência
Aproveitando a recente revisão do
regulamento comunitário relativo
às dimensões e pesos dos
veículos pesados de mercadorias,
a Volvo Trucks desenvolveu uma nova
versão da cabina do Volvo FH, que se carateriza
por apresentar uma forma mais
aerodinâmica, fruto de uma ampliação em
24 centímetros.
Aquela extensão da cabina do novo Volvo FH
Aero teve como objetivo melhorar a aerodinâmica
e diminuir o consumo, mas também
proporcionar uma maior estabilidade
em condições de ventos fortes.
O Volvo FH Aero conta ainda com uma nova
interpretação da conhecida face Volvo Iron
Mask, de grandes dimensões e facilmente
identificável - a maior de sempre num camião
moderno da marca sueca - bem como
a Volvo Spread Word Mark, revelando que se
trata do mais recente modelo da Volvo Trucks.
Para a eficiência aerodinâmica contribuiu
igualmente o novo sistema de retrovisores
digitais, que substitui os espelhos retrovisores
convencionais, abrindo o campo visual
para o condutor, melhorando a segurança
do condutor e dos utentes da estrada.
Os novos modelos Aero serão propostos em
quatro versões: FH Aero, FH Aero Electric,
FH Aero a gás e FH16 Aero. O Volvo FH Aero
será comercializado em quatro variantes.
Independentemente da linha motriz, todas
REI DA POTÊNCIA
O camião mais
potente do mercado
passa a ser o Volvo
FH16 Aero, equipado
com motor de seis
cilindros em linha de
17 litros com 780 cv.
as versões beneficiarão de uma redução do
consumo de energia até 5%, maior autonomia
e um nível superior de segurança e experiência
de condução.
A Volvo Trucks introduziu igualmente um
novo motor diesel de 17 litros no Volvo FH16
Aero, que desenvolve 780 cv, roubando,
assim, o título de camião mais potente do
mercado ao Scania R730. Este propulsor
está preparado para utilizar biocombustíveis,
incluindo HVO e B100, e também será
proposto com 600 cv e 700 cv. /
14 FROTAS & COMERCIAIS MARÇO 2024
BMC TRUCKS
ENTRADA EM PORTUGAL
A BMC vai ser o segundo fabricante turco de pesados de
mercadorias a entrar no mercado nacional, com uma
oferta que inclui tratores 4x2 e rígidos 6x2, 6x4 e 8x4
Aoferta de veículos pesados de
mercadorias em Portugal vai
ser reforçada com a chegada
da BMC, um dos principais fabricantes
turcos com mais de 300 mil veículos
produzidos desde 1964. A marca está
presente em mais de 80 países e disponibiliza
uma extensa gama de camiões e autocarros,
fabricados numa moderna unidade
industrial em Izmir Pinarbasi.
Aquela fábrica foi projetada para produzir
com elevada flexibilidade muitos modelos de
veículos pesados com diferentes configurações.
Todo o processo de desenvolvimento
obedece aos mais padrões internacionais.
Para o mercado nacional, a marca vai iniciar
atividade com a comercialização de camiões
da gama Tügra, os quais utilizam componentes
dos principais fabricantes internacionais:
motores Cummins ou FPT Cursor,
caixas de velocidades ZF Traxon com ou
sem Intarder, sistemas de travagem Wabco
e eixos traseiros Meritor.
A oferta BMC vai incluir tractores 4x2, com
cabina alta e duas camas (Elegance) ou
baixa, equipados com motores FPT Cursor
de 11 litros com 460 cv e transmissão automática
de 12 velocidades. A suspensão
é de molas parabólicas no eixo traseiro e
pneumática no dianteiro, contando com
barra estabilizadora em ambos os eixos.
Para aplicações ligadas a transporte regional
e construção, a BMC disponibiliza camiões
rígidos nas configurações 6x2, 6x4 e
8x4, com cabina curta ou longa, equipados
com motores diesel Cummins de 320 cv ou
de 400 cv, caixa manual ou automática de
nove ou 16 velocidades, respetivamente.
A dotação de série compreende volante ajustável,
regulador da velocidade de cruzeiro,
rádio leitor de MP3 e Bluetooth, faróis com
luzes LED, chave com telecomando, entre
outros. Nos opcionais destaque para o ecrã
multimedia de 7” (de série no trator Tügra
Elegance), jantes em alumínio, frigorífico, indicador
de caixa por eixo. Em termos de preços,
o representante em Portugal da marca
BMC, a SJ Auto - Distribuição Automóvel,
refere que vão ser competitivos face aos
principais concorrentes. /
TRATORES E CONSTRUÇÃO
Numa primeira fase, a BMC vai apostar nos
tractores 4x2 e nos chassis de carga 6x2, 6x4
e 8x4 para transporte regional e construção
MARÇO 2024 FROTAS & COMERCIAIS 15
notícias
VCL & PESADOS
Renault Trucks
E-Tech em
produção
STELLANTIS PRO
MAIS HIDROGÉNIO
A
Stellantis Pro vai alargar a gama
de veículos comerciais a hidrogénio
ao segmento de dimensões
grandes e também vai aumentar
a capacidade de produção nos de
dimensões médias. O reforço da oferta e o
aumento da produção interna à escala interna
daquelas tipologias de viaturas em
Gliwice (Polónia) e Hordain (França), respetivamente,
tem o objetivo de consolidar
a posição como líder incontestável em
termos de propulsão de zero emissões em
veículos comerciais na Europa.
"A ação de trazer para o mercado os furgões
médios a células de combustível de
hidrogénio e juntar-lhes os furgões grandes
a células de combustível nas nossas linhas
de produção é uma prova do nosso compromisso
de manter a liderança e a vanguarda
na tecnologia de hidrogénio e disponibilizá-la
aos nossos clientes mais exigentes”, refere
Jean-Michel Billig, Chief Technology Officer
da Stellantis, Desenvolvimento de Veículos
a Células de Combustível de Hidrogénio. As
versões a hidrogénio estão vocacionadas
para utilizações mais intensivas e baseiam-
-se na tecnologia usada nas variantes elétricas
a bateria, mas oferecem vantagens
adicionais em termos de tempos de reabastecimento,
sem comprometer a capacidade
de carga útil.
A Stellantis anuncia uma autonomia de até
400 quilómetros e um tempo de reabastecimento
de hidrogénio inferior a quatro
minutos para os furgões médios e para os
de maiores dimensões de até 500 quilómetros
e um abastecimento em cinco minutos.
A Stellantis Pro irá disponibilizar um total
de oito furgões de dimensões médias
e grandes, que serão equipados com a
tecnologia de pilha de combustível a hidrogénio,
os quais serão produzidos internamente:
Citroën ë-Jumpy / ë-Jumper,
Fiat Professional E-Scudo / E-Ducato, Opel
Vivaro Electric / Movano Electric e Peugeot
E-Expert / E-Boxer.
A
Renault Trucks iniciou
a produção dos
camiões elétricos
E-Tech T e C na fábrica de
Bourg-en-Bresse. Os veículos
são montados na mesma
linha dos seus congéneres
de combustão, sendo
posteriormente transferidos
para um espaço dedicado de
5200 m2, onde operadores
e técnicos qualificados
realizam as operações
técnicas específicas de
eletrificação, nomeadamente
a montagem da Unidade de
Propulsão Elétrica (UDE) e a
instalação da transmissão
e das baterias. Os veículos
voltam depois ao processo
de produção em série, com
testes de desempenho
e ensaios em pista para
garantir a fiabilidade e
qualidade. Os Renault
Trucks E-Tech T e C cobrem
praticamente todas as
aplicações de construção e
distribuição de longo curso.
Com um peso bruto de até
44 toneladas, os Renault
Trucks E-Tech T e C estão
disponíveis nas versões
trator 4x2 e 6x2, com cabina
longa. Na configuração rígida,
estão disponíveis em trator
4x2, 6x2 e 8x4, com cabina
curta ou longa, com onze
opções de distâncias entre
eixos, variando de 3.900
a 6.700 mm. Os Renault
Trucks E-Tech T e C podem
ser equipados com dois ou
três motores elétricos que
desenvolvem uma potência
combinada de até 490 kW
(660 cv).
16 FROTAS & COMERCIAIS MARÇO 2024
DAIMLER TRUCK
VISION ZERO
A
Daimler Truck introduziu em toda a
sua gama sistemas de assistência
com o objetivo de apoiar o condutor
e permitem cumprir o novo Regulamento
Geral de Segurança (GSR), que entra em
vigor a partir de julho de 2024. Com os seus
sistemas mais recentes, a Daimler Truck,
apresenta, em alguns casos, requisitos ainda
mais avançados, quando comparados
com os requisitos legais. Entre os exemplos
destaque para os sistemas de assistência
Active Brake 6, Active Sideguard Assist 2, o
Front Guard Assist, o Active Drive Assist 3
ou o Assistente de Sinais de Trânsito.
A Daimler Truck foi pioneira no desenvolvimento
de sistemas de segurança como o
Active Brake 1 (ABA) em 2006, que permitia
ao camião iniciar uma travagem a fundo
dentro dos limites do sistema. Outro marco
importante foi o ABA5, disponível desde
2020, que reage a pessoas em movimento
não apenas com uma travagem parcial,
mas, também, a fundo. Em 2018 foi introduzido
o Active Drive Assist que possibilita
a condução semiautónoma (Nível 2) num
camião de série. Em junho de 2021 foi o
primeiro fabricante a introduzir no mercado
o Active Sideguard Assist (ASGA) com
intervenção na travagem.
IVOTY E IPUA
PRÉMIOS PARA FORD
Luís Simões com
medalha Ecovadis
A Luís Simões foi
distinguida pelo quinto ano
consecutivo com a Medalha
de Ouro Ecovadis, que
reflete o desempenho em
2023. A empresa obteve
uma pontuação três pontos
acima de 2022, naquela
que é uma demonstração
da idoneidade das ações
desenvolvidas no âmbito
do plano estratégico de
sustentabilidade. No caso
da Luís Simões foram
avaliadas operações de
transporte.
A
s réplicas dos troféus de
“International Van of the Year” de
2024 e de “International Pick-Up
Award” de 2024-2025, atribuídos aos modelos
Transit Custom e Ranger, respetivamente,
foram formalmente entregues a
Antonio Chicote e Susana Viñuela Martin, da
equipa de comunicação da Ford Lusitana,
pelo jurado nacional dos referidos prémios,
Carlos Moura Pedro, responsável editorial
da revista “Turbo Frotas & Comerciais”.
“Para a Ford é um enorme orgulho ter
sido distinguida pelos membros do júri
do “International Van of the Year” e do
“International Pick-Up Award”, refere Antonio
Chicote, responsável de comunicação da
Ford Lusitana. “Para os clientes também
é importante o reconhecimento da Transit
Custom como o seu veículo de trabalho
preferido no segmento de uma tonelada e
da Ranger como viatura não só de trabalho,
mas também de lazer”.
Segundo o responsável, esta dupla distinção
reforça o “compromisso da Ford de ter uma
gama de veículos comerciais que permitam
à marca continuar a manter a sua posição
de liderança na Europa", que já no seu oitavo
ano consecutivo. Segundo o responsável
de comunicação da Ford, os novos Transit
Custom e Ranger estão a registar uma elevada
recetividade por parte dos clientes de
Portugal e Espanha.
MARÇO 2024 FROTAS & COMERCIAIS 17
notícias
AFTERMARKET
Objetivo da
Euromaster são
600 centros
A
Euromaster pretende
que a sua rede atinja
os 600 centros na
Península Ibérica até 2026,
já que esse é um número
considerado estratégico
para cumprir um dos seus
objetivos: prestar serviço
a 75% da frota de veículos
ligeiros em circulação e a 80%
dos camiões. Atualmente
a rede é constituída por
constituída por 524 oficinas,
das quais 88 localizadas
em Portugal, enquanto as
restantes estão divididas
entre Espanha e Andorra.
Entretanto, a rede
Euromaster tem vindo a
trabalhar para se afirmar
como uma das referências
nas redes de oficinas, tendo
registado um aumento da sua
quota de mercado em 2023,
tendo fechado o ano com
mais de 10% nos veículos
ligeiros e mais de 15% nos
veículos industriais (camiões).
Em 2023, a Euromaster
concretizou alguns objetivos
estratégicos, como a
consolidação do modelo
de franchising, ao atingir
409 centros abertos na
Península Ibérica (88 oficinas
franchisadas em Portugal e
321 em Espanha).
No ano passado foi criado um
MarketPlace ou ferramenta
digital, que está a centralizar
a gestão de compras de todas
as peças sobressalentes e
pneus, trazendo eficiência
e competitividade a todas
as oficinas da rede. A
Euromaster refere que
prosseguiu a sua aposta na
digitalização como elemento
diferenciador da rede.
AXALTA
MEGATENDÊNCIAS
DA REPINTURA
A
Axalta Coating Systems reuniu
clientes e parceiros de negócio para
dar a conhecer as megatendências
na área da repintura automóvel,. De acordo
com João Calha, Key Account da Axalta
Coating Systems, existem três megatendências
que vão influenciar o negócio da
repintura automóvel nos próximos anos:
consolidação, sustentabilidade e escassez
de mão-de-obra. Isso está a obrigar
os intervenientes no negócio a alterar os
seus modelos de negócio, assistindo-se a
um crescimento dos grandes grupos por
aquisições e fusões.
Na área da sustentabilidade, as oficinas que
se quiserem manter competitivas terão de
investir em tecnologia para disponibilizarem
soluções mais sustentáveis porque a medição
das emissões de dióxido de carbono
vai ser uma realidade muito em breve e terá
um impacto financeiro sobre os operadores
económicos através da aplicação de taxas de
carbono. A escassez de mão-de-obra é outro
problema com se debate o setor e irá obrigar
a alteração do modelo de negócio para atrair
novos profissionais para a árera da repintura.
Com o objetivo de ajudar as oficinas a minimizar
estes impactos, a Axalta Coating
Systems tem vindo a desenvolver soluções
tecnológicas que permitam acelerar o processo
de repintura, tornando-o mais fácil e
rentável. Uma das soluções já disponíveis
no mercado consiste na patenteada tecnologia
“Fast Cure Low Energy”, que foi concebida
para reduzir o consumo de energia
na cabina de pintura, ao mesmo tempo que
assegura reparações da melhor qualidade.
O sistema inclui aparelho e verniz de secagem
rápida com baixo consumo de energia.
A Axalta Coating Systems refere que a tecnologia
“Fast Cure Low Energy” permite reduzir
os custos de energia de secagem por
gás direto em aproximadamente 75% com
base num ciclo de secagem normal de 30
minutos a 60ºC.
O sistema "Fast Cure Low Energy" utiliza a
humidade, bem como a temperatura para
acelerar todo o processo de secagem. A
Axalta Coating Systems reivindica que este
é o único sistema de repintura que permite
s temperaturas de 60ºC, 40ºC ou mesmo
a 20ºC, sem comprometer a qualidade
de reparação.
Outra novidade da Axalta Coating Systems
consiste na máquina de mistura totalmente
automática Axalta Irus Mix, que garante
cores e trabalhos muito precisos com embalagens
originais Axalta, maximizando a
rendibilidade e minimizando o impacto sobre
o ambiente. Os primeiros equipamentos
já estão em funcionamento em alguns
países europeus, estando prevista a instalação
da primeira máquina Axalta Irus Mix
em Portugal ainda este ano.
18 FROTAS & COMERCIAIS MARÇO 2024
Cintas de
amarração
Wurth
A Würth reforçou a sua
gama de cintas de fixação
e amarração, que se
distinguem pela utilização
de materiais de alta
qualidade para garantir
não só segurança e
durabilidade, mas também
na versatilidade, para
responder às necessidades
de diferentes aplicações.
As cintas de fixação
da Wurth também se
caraterizam pela facilidade
de utilização.
EXIDE
BATERIAS DE USO PROFISSIONAL
A Exide desenvolveu a sua gama de
baterias para reduzir o risco de
avarias e proporcionar aos seus
clientes uma vantagem competitiva através
da disponibilização de opções para
qualquer tipo de utilização, oferecendo um
desempenho líder na categoria e o menor
custo total de propriedade.
Os produtos da Exide Technologies são
projetados para serem os mais avançados
do setor e a empresa foi a primeira
a introduzir no mercado baterias de alta
resistência à vibração. em função do tipo
de operação é recomendável fazer a opção
mais adequada em termos de tência à vibração, resistência aos ciclos e
resis-
potência de arranque.
Para aplicações mais exigentes, a Exide
propõe a bateria EndurancePRO EFB, do-
tada com a tecnologia HVR (High Vibration
Resistance que um proporciona um elevado
nível de robustez e risco minimizado
de falha inesperada e prematura. Já para
aplicações mais exigentes em veículos
comerciais, a Exide disponibiliza a bateria
Tudor Endurance+ Pro Gel, cuja tecnologia
assegura uma profundidade de descarga
de 90%.
Anticongelantes
Fricofin Fuchs
A Fuchs renovou a gama
de anticongelantes
Fricofin, cuja formulação
inclui novos fluidos que
respeitam as normas
europeias e garantem
perfis de performance
mais avançados. Com
o objetivo de manter a
temperatura adequada
do motor, os engenheiros
da Fuchs realizaram uma
revisão das formulações
para permitir cumprir das
exigências dos fabricantes
OEM e das condições de
segurança.
ZF AFTERMARKET
GAMA DE E-FLUIDS DUPLICA
A
pós o lançamento da primeira gama
de soluções de reparação para a
transmissão elétrica com os novos
kits de reparação para a acionamentos
elétricos, a ZF Aftermarket expandiu a sua
família de óleos ZF Lifeguard para veículos
híbridos e elétricos, tendo duplicado a sua
oferta, cobrindo mais de 50% dos veículos
eletrificados na Europa. O fabricante alemão
refere que os E-Fluids ZF Lifeguard
oferecem uma proteção abrangente. Os
fluidos inovadores reduzem a pressão sobre
os componentes sujeitos a grandes
esforços graças às suas propriedades anti-desgaste
e à capacidade de evitar curtos-circuitos
elétricos. Para maximizar a
eficiência e oferecer máxima resistência
à oxidação, o ZF Lifeguard eFluid 1 e 2 foi
especialmente projetado com a tecnologia
Thermo Control Augmented.
MARÇO 2024 FROTAS & COMERCIAIS 19
notícias
AFTERMARKET
DT SPARE PARTS
GAMA DE MOTORES DE ARRANQUE
Catálogos
Mann-Filter
2024-2026
A Mann+Hummel lançou os
novos catálogos da Mann-
Filter para 2024-2026,
que incluem cerca de 5000
filtros de ar para mais de
67 500 veículos. Os novos
catálogos trazem mais de
125 novos tipos de filtros
para ligeiros, camiões e
veículos de todo-o-terreno,
complementando a ampla
gama de filtros com
qualidade do equipamento
original. Os catálogos
impressos têm mais de
3200 páginas e também
estão disponíveis em
formato PDF interativo.
Oportefólio da DT Spare Parts inclui
uma gama completa de motores
de arranque para veículos das
marcas DAF, Ford, Iveco, MAN, Mercedes-
Benz, Renault Trucks, Scania e Volvo Trucks.
Além disso também disponibiliza peças de
substituição individuais como interruptores
solenóides, pinhões, escovas de carvão
e kits de reparação. A empresa refere
que podem ser encontrados mais de
200 produtos nesta categoria no Partner
Portal da Diesel Technic, acedendo ao menú
“Equipamentos elétricos”.
Para esclarecer os profissionais das oficinas
acerca da instalação correta de um
motor de arranque, a Diesel Technic publicou
um video no seu canal online “Parts
Specialists”, onde são dados conselhos e
sugestões. Segundo explica o técnico Kevin,
a qualidade dos produtos da DT Spare Parts
é continuamente verificada e testada. A
bancada de teste do arranque é usada para
“verificar se o produto está de acordo com
o Diesel Technic Quality System. Se houver
algum problema no arranque do motor a bateria
será verificada primeiro. Ela deve ser
revista para se saber se existe ácido suficiente.
Em seguida, os terminais da bateria
devem ser verificados quanto à oxidação e
à tensão. Se a bateria não apresentar problemas,
verifica-se a fonte de alimentação
do motor de arranque.
Em primeiro lugar deve ser verificado o cabo
que liga a bateria ao motor de arranque”,
explica o especialista em peças Lars no vídeo
da oficina, que mostra a substituição
do motor de arranque num camião. Uma
verificação adicional é feita na unidade de
controle de partida enquanto o motor dá
partida. “Se não for detetada qualquer falha
na alimentação de tensão do arranque,
pode ser que exista uma avaria esteja”,
continua o Parts Specialist. Um contato
solto é uma falha frequente. Para evitar
este tipo de problema, os contatos devem
ser apertados com o torque correto.
Outra razão para problemas com o motor
de arranque são quando os cabos sofrem
fricção. Pode causar curtos-circuitos ou
problemas de contato.
TechAlliance
lança TechDoc
One
A TechAlliance lançou
o sistema de gestão
de informaação de
produto baseado na
nuvem, TechDoc One,
concebido para habilitar
os fabricantes de
peças a gerir dados de
catálogo em tempo quase
real, assegurando um
tratamento integrado a
nível global. Trata-se de
uma plataforma central e
abrangente que permite
obter, gerir e utilizar
informação exata acerca
de produtos, ajudando, a
lidar com a complexidade e
diversidade das normas do
setor automóvel.
OSRAM
TRUCKSTAR LED H7
AOsram introduziu no mercado a
lâmpada Truckstar LED H7, que
consiste numa solução de retrofit
para luzes de máximos e médios que foi
especialmente desenvolvida para camiões
e veículos comerciais. A tecnologia LED de
última geração proporciona maior visibilidade
e segurança. Com a sua temperatura
de cor de 6.000 K, esta lâmpada LED retrofit
branca fria tem até 230% mais brilho,
produzindo 50% menos encandeamento.
A lâmpada tem um design resistente a vibrações
e também dura até cinco vezes
mais, graças à tecnologia LED. Com a sua
tecnologia LED de ponta, a Osram está a
estabelecer novos padrões em luzes de
máximos e médios para camiões, autocarros,
veículos de emergência e veículos de
transporte. Em comparação com as lâmpadas
convencionais de halogéneo, estas
lâmpadas LED retrofit consomem até 75%
menos energia e convencem graças à tecnologia
LED e ao design especialmente desenvolvido
e resistente a vibrações, concebido
para a gama de 24V e "heavy duty”.
20 FROTAS & COMERCIAIS MARÇO 2024
VALORPNEU
METAS SUPERADAS EM 2023
O
objetivo da Valorpneu para a recolha
de pneus usados em 2023 foi
largamente superado, tendo ido
bastante além das metas estabelecidas
a nível nacional. No ano passado, foram
colocadas 98 701 toneladas de pneus no
mercado nacional e geradas 75 925 tone-
ladas de pneus usados, sendo que 83 579
toneladas foram recolhidas e tratadas no
âmbito do SGPU.
Reflexo da recuperação do mercado de
viaturas, a colocação de pneus no mercado
registou um aumento de 3% face ao
ano anterior. A reciclagem foi a operação
mais representativa, tendo sido sujeitas a
esta operação 64 631 toneladas de pneus
usados e enviadas para valorização energética
16 447 toneladas que foram utilizadas
como combustível.
Os materiais reciclados foram reintroduzidos
na economia, voltando a ser fontes de
valor. O granulado e pó de borracha provenientes
da indústria da reciclagem de pneus
foi maioritariamente aplicado em pavimentos
diversos e no enchimento dos relvados
sintéticos, sendo cerca de 56% exportado.
Quanto à preparação para reutilização foram
recauchutadas 1702 toneladas e reutilizadas
799 toneladas de pneus usados no
âmbito do SGPU. Nos recauchutadores nacionais
foram ainda recauchutados pneus
usados, correspondendo a 2567 toneladas
com origem no estrangeiro e 5895 toneladas
sobre pneus que não se constituíam
resíduo, prolongando a vida útil do produto
e economizando recursos naturais.
Glasurit lança
portefólio
EcoBalance
A Glasurit, marca de tintas
de repintura da BASF,
lançou a gama EcoBalance
para a repintura de
veículos pesados, com
nove produtos que cobrem
todo o processo. Os
novos produtos foram
desenvolvidos para poupar
matérias-primas fósseis
e estão certificados para
proporcionarem uma
redução significativa nas
emissões. A nova gama
pode ser combinada co,
produtos existentes
usados para reparação e
pintura de pesados.
CROMAX EZ+
NOVA BASE BICAMADA
A
nova base bicamada aquosa da
Cromax é a EZ+ que se carateriza
pela facilidade de utilização,
sendo aplicada num processo sem intervalo
de espera entre demãos. A Cromax
EZ+ consiste numa evolução da clássica
bicamada da Cromax, tendo sido desenvolvida
par assegurar um extraordinário
desempenho de cor e relação qualidade/
preço às oficinas. A nova base bicamada
Cromax EZ+ está disponível em inovadoras
garrafas espremíveis e fáceis de usar, que
têm capacidades de 100 ml, 350 ml e 800
ml, sendo fabricadas com 50% de plástico
reciclado. Além disso, as garrafas não necessitam
de máquina agitadora par serem
utilizadas. Só têm de ser colocadas numa
prateleira e homogeneizá-las antes da utilização,
agitando. O controlo da dosagem
das garrafas proporciona aos pintores precisão
total no momento da preparação da
cor e permite aproveitar até à última gota
a tinta das garrafas, minimizando assim
o desperdício.
No lançamento, foram apresentadas oito
tintas especiais Cromax EZ+ e 13 tintas
chamadas híbridas em garrafas de 100
ml, sendo que estas podem ser utilizadas
de forma conveniente no sistema Cromax
EZ+ bem como no sistema Cromax Pro de
elevada produtividade.
TotalEnergies
junta-se à Point S
A TotalEnergies
Lubrificants estabeleceu
um acordo de parceria
com a rede Point S para
melhorar o serviços
aos seus clientes a
nível internacional. A
multinacional gaulesa
fornecerá os seus
lubrificantes de elevado
desempenho, incluindo
os óleos de motor
Quartz, a rede global de
revendedores de pneus
e centros de reparação
da Point S, a qual é
constituída atualmente por
6185 pontos em 51 países
nos cinco continentes.
MARÇO 2024 FROTAS & COMERCIAIS 21
notícias
FROTAS
Arval volta a
Crescer em 2023
ESTUDO AYVENS
ELÉTRICOS EM ALTA
Os veículos elétricos estão a ganhar
preferência nas frotas das
empresas devido aos custos de
utilização mais baixos, segundo
revela o Estudo Mobility Guide 2023 da
Ayvens, a nova marca de mobilidade global
que resulta da união da LeasePlan e da ALD
Automotive. Aquele estudo faz uma análise
abrangente para melhor compreende a mobilidade
elétrica e a maturidade de cada país
na transição para a sua adoção.
Reunindo indicadores de 46 países, a análise
foi efetuada a partir da percentagem das
vendas que os veículos elétricos representam
em cada país, a dimensão e qualidade
da infraestrutura de carregamento, os incentivos
fiscais existentes, os custos reais
de utilização comparados com os veículos
térmicos e a diversidade de modelos disponíveis,
entre outros.
De acordo com os dados recolhidos no estudo
verifica-se uma aceleração no crescimento
das vendas de veículos elétricos, confirmando
que a eletrificação já é uma megatendência.
A Ayvens sublinha que a “questão já não é ‘se’,
a eletrificação irá acontecer, mas com que
rapidez é que esta se concretizará”, levando
em conta os múltiplos desafios que ainda se
colocam à indústria automóvel e as incertezas
que condicionam a tomada de decisão pelos
compradores. Dos 46 países analisados, 11
são considerados na categoria “Desenvolvido”,
reflexo de uma adesão mais relevante aos veículos
elétricos a bateria e condições favoráveis
para uma maior eletrificação. A Noruega
surge em primeiro lugar nesta classificação
com 81 pontos, seguindo-se a Áustria com
69 e os Países Baixos com 68.
Portugal surge na 11ª posição com 57 pontos
e é o líder na categoria dos países “Em
Transição”, a apenas três pontos do Reino
Unido que ocupa a 10ª posição com 60 pontos
e fecha o lote dos países “Desenvolvidos”.
Portugal obteve a pontuação máxima no indicador
paridade dos custos totais de utilização,
isto é, os veículos elétricos a bateria
para empresas oferecem custos de utilização
inferiores aos veículos térmicos de segmento
equivalente.
O estudo refere que o nosso país apresenta
um crescimento assinalável no indicador de
infraestruturas de carregamento, sendo um
daqueles na Europa com uma maior evolução
no último ano, com especial destaque para
os carregadores rápidos cujo número mais
que duplicou.
O Mobility Guide 2023 da Ayvens regista que a
paridade dos custos totais de utilização dos
veículos elétricos a bateria teve uma melhoria
significativa em países como a Espanha,
a Bélgica, a Itália, a Irlanda e a Polónia. Além
disso já se verificou que passou a ser mais
económico conduzir uma viatura elétrica em
países como França, Áustria ou Noruega.
frota de veículos
A alugados da Arval
registou um crescimento
de 6,7% em 2023 em
comparação com 2022,
sendo agora superior a 1,7
milhões de viaturas em
todo o mundo. Os veículos
elétricos a bateria registaram
um crescimento de 85%
para 166 363 viaturas e no
último trimestre de 2023
representaram 22% das
encomendas de veículos
novos. Tendo estabelecido
uma meta de 350 mil
veículos elétricos a bateria
e um objetivo global de 700
mil veículos eletrificados
alugados até 2025,
contribuindo para a redução
das emissões de dióxido de
carbono da frota em 35% em
comparação com 2020, a
Arval conseguiu dar um passo
importante nesse sentido em
2023.
Também em Portugal, o ano
de 2023 foi positivo para a
Arval, com um crescimento
da frota de 12%, bastante
acima do mercado. “O ano foi
marcado pela celebração de
novas parcerias estratégicas
com fabricantes automóveis
e grandes distribuidores
que vêm reforçar o nosso
compromisso com a
transição energética” explica
José Pedro Pinto, diretorgeral
da Arval Portugal.
“Fomos precursores no
lançamento em Portugal
de produtos de mobilidade
alternativa como o renting de
e-bikes e iniciámos também
a atividade de Re-lease,
para o segmento de viaturas
usadas".
22 FROTAS & COMERCIAIS MARÇO 2024
SIXT COMPRA À STELLANTIS
Acordo até 2026
Stellantis vai fornecer até 250 mil veículos das suas
A marcas à Sixt até 2026, ao abrigo de um acordo estabelecido
entre ambas as partes, cujo valor estimado é de
vários milhões de euros. Os clientes da Sixt vão ter ao dispor
um leque alargado de veículos das marcas Alfa Romeo,
Chrysler, Citroën, Dodge, DS Automobiles, Fiat, Jeep, Lancia,
Opel, Peugeot, Ram, Vauxhall e Maserati. As entregas compreendem
modelos de todos os segmentos.
MUDANÇAS NO EUROPCAR IBERIA
Nova liderança
on Santiago é o novo diretor do Europcar Mobility Group
R Iberia, ficando responsável por todas as atividades e marcas
de aluguer do Grupo (Europcar, Goldcar e Ubeeqo). O novo
responsável junta-se ao negócio ibérico, após 12 anos como
Diretor Geral do Europcar Mobility Group Austrália e Nova
Zelândia. Nas novas funções será apoiado por Isabel Martinez,
nomeada Diretora Geral Adjunta e Diretora Comercial para
a Ibéria, responsável pela gestão do negócio em Portugal.
LEASYS PORTUGAL
Acelerador “MyEvo”
om o objetivo de ajudar a acelerar o processo de transição
energética das frotas, a Leasys Portugal lançou
C
uma solução integrada de aluguer operacional e carregamento
de veículos elétricos, denominada “MyEvo”. O novo
produto reúne num único pacote não só o financiamento em
renting da viatura elétrica, mas também um vasto conjunto
de possibilidades que vão desde a instalação de um carregador,
ao fornecimento de um cartão de carregamento para
a rede pública e à disponibilização de relatórios com análises
integradas. O myEVO resultou de uma parceria entre a
Leasys Portugal e a EDP Comercial.
SCHNEIDER ELECTRIC
85 Cupra Leon Sportstourer
Schneider Electric Portugal incorporou na sua frota 85
A veículos Cupra Leon Sportstourer 1.4 e-Hybrid com 204
cv, naquele que é um passo significativo rumo à eletrificação
desta empresa especialista global em gestão de energia e
automação. Esta escolha com baixas emissões demonstra
o compromisso da Schneider Electric Portugal com a redução
significativa das emissões de carbono e a procura por
uma maior eficiência operacional. Com um design interior
sofisticado e de alta qualidade, o Leon Sportstourer oferece
conforto e controlo superiores para uma melhor experiência
de condução para todos os colaboradores.
MARÇO 2024 FROTAS & COMERCIAIS 23
PERSPETIVA
NUNO JACINTO - LEASYS PORTUGAL
“VAMOS
TRABALHAR
COM TODAS
AS MARCAS”
A Leasys Portugal assume-se
como uma gestora de frotas
multimarca e tem fortes
ambições de crescimento.
A abordagem ao mercado
vai assentar em três canais:
direto, Grupo Stellantis e
parcerias
TEXTO CARLOS MOURA PEDRO
N
a sequência da fusão entre
a LeasePlan e da ALD
Automotive, a operação
desta última foi adquirida
por uma “joint-venture”
constituída pelo Grupo
Stellantis e o Crèdit Agricole. Como resultado
surgiu a “nova” Leasys Portugal. O diretor
geral da gestora de frotas Nuno Jacinto
garante que para os clientes tudo fica igual
pois a estratégia dos acionistas passa por
uma perspetiva multicanal e multimarca.
“Não somos uma cativa, mas uma gestora
de frotas multimarca”. A abordagem ao
mercado será efetuada através de três canais:
Leasys Mobility (direto), Leasys Net
(grupo Stellantis) e parcerias.
“Mantivemos
tudo exatamente
como estava:
a qualidade
dos serviços,
as equipas,
os sistemas
informáticos. Não
houve impacto no
serviço”
Uma das medidas impostas pela Autoridade
da Concorrência para aprovar a aquisição
da Leaseplan pela ALD Automotive consistiu
na alienação da operação desta última
em Portugal. Porque motivo houve a necessidade
de se proceder a essa operação?
No ano passado, a ALD Automotive adquiriu
a LeasePlan a nível internacional. Como consequência
das leis da concorrência da União
Europeia houve seis países onde essa integração
não pode ser feita porque a quota de
mercado combinada era demasiado grande,
tendo sido decidida a venda das operações
onde a dimensão fosse inferior. Uma delas
foi em Portugal. Sendo a LeasePlan maior,
a ALD Automotive ficou com esta última
e decidiu vender a sua operação no país.
24 TURBO COMERCIAIS MARÇO 2024
Como decorreu o processo de integração
da ALD Automotive Portugal e da Leasys?
Passámos por um processo de venda que
demorou vários meses e com vários interessados.
A operação portuguesa acabou por
ser comprada por uma nova joint-venture
entre os grupos Stellantis e Crédit Agricole,
numa lógica de aumento de penetração
nos mercados onde já estavam presentes
e desenvolvimento em países onde estavam
ausentes. Portugal está incluído neste
processo. A partir de 1 de agosto, a ALD
Automotive Portugal passou a fazer parte
do grupo Leasys, que tem estes dois acionistas
de referência.
Para os clientes da ALD Automotive, quais
são as consequências em termos de contratos
existentes? Haverá diferenças?
Na génese fica tudo igual, mas há diferenças.
Os clientes vão poder contar com um operador
de referência que reforça a sua posição,
enquanto segundo operador no mercado
nacional. Além disso, aumentamos a nossa
quota de mercado e constituímos uma
alternativa sólida como já sucedia no pas-
Leasys Portugal irá abordar o
A mercado através de três canais
diferentes. O primeiro é chamado
canal direto, cujo trabalho
de prospeção e gestão de contas é
assegurado pelas equipas comerciais.
“Essa abordagem tem uma
marca chamada Leasys Mobility”,
afirma Nuno Jacinto, diretor-geral
da Leasys Portugal.
O segundo canal é o Leasys Net
que tem a missão de acompanhar
a rede Stellantis, constituindo mais
um braço de vendas para disponibilizar
a oferta de renting aos clientes
Stellantis através da sua rede de
concessionários. “Quando o cliente
se dirige à rede Stellantis e está à
procura de uma solução de renting
será a Leasys a ser proposta a esse
cliente”, esclarece Nuno Jacinto.
“Trata-se de uma equipa distinta
com uma marca distinta”, sublinha.
A Leasys Portugal manteve a política
de parcerias da ALD Automotive
Portugal que se destina a entidades
que queiram promover mais
uma forma de utilização da viatura
junto dos seus clientes através de
um produto de renting: marcas de
automóveis, bancos, seguradoras,
comercializadores online, grupos de
concessionários, concessionários
ABORDAGEM AO MERCADO
Três canais de venda
individuais. “Um dos nossos objetivos
é continuar a dinamizar essa
vertente. Neste canal de parcerias
temos duas formas de atuação: o
cliente pode ter a sua própria marca
(white labeling) e temos toda a
capacidade de formatar toda a comunicação
com os seus clientes de
acordo com a marca que esse parceiro
quer ter; ou se não tiver essa
ambição, ou necessidade, trabalhamos
com uma marca chamada
Be Renting”, refere o diretor-geral
da Leasys Portugal. “Isto dá uma
capacidade e uma abrangência em
termos de mercado enorme através
de canal direto, das parcerias, que
vamos continuar a ter não só com
o Grupo Stellantis, mas, também,
com empresas do Crédit Agricole
presentes em Portugal, e do próprio
Grupo Stellantis. Por isso temos
uma ambição de crescimento nos
próximos dois anos muito exigente
e ambiciosa, mas acreditamos
que cada vez iremos conseguir ter
uma posição de relevo no mercado
nacional”.
MARÇO 2024 TURBO COMERCIAIS 25
PERSPETIVA
NUNO JACINTO - LEASYS PORTUGAL
sado. Isso é uma grande vantagem para os
nossos clientes que também já começaram
a sentir que não houve qualquer disrupção
nos serviços prestados. Mantivemos tudo
exatamente como estava: a qualidade dos
serviços, as equipas, os sistemas informáticos.
Não houve qualquer impacto na qualidade
e na tipologia do serviço. Os nossos
clientes também podem contar com um
grupo altamente ambicioso e sólido, quer
em termos de inovação, quer de eficiência.
A ALD Automotive Portugal servia como
“white label” para algumas marcas em
termos de financiamento. Isso irá manter-
-se ou haverá alterações?
Quando a ALD Automotive Portugal foi integrada
no Grupo Leasys tínhamos a consciência
que havia uma perceção associada
ao facto de ser uma cativa. A Leasys é fruto
da fusão entre a Free2Move Lease, que era
a cativa do Grupo Stellantis, e a Leasys, cativa
da FCA. Essa operação aconteceu em
abril do ano passado e em agosto deu-se a
aquisição da ALD Automotive em Portugal.
Sabíamos que, no mercado, poderíamos
estar a ser conotados como uma nova cativa
dentro do Grupo. Por esse motivo tomamos
a decisão no dia 20 de novembro
de comunicar ao mercado qual era a nossa
“Hoje em dia, os
nossos carros
“verdes”, onde incluo
apenas os híbridos
plug-in e os elétricos,
já representam 19%
da nossa frota e 39%
da nova produção.
O nosso objetivo
para 2024 é chegar
aos 45% da nova
produção”
estratégia e ambição em termos de negócio.
Temos dois acionistas, a Stellantis - um
dos maiores construtores de automóveis a
nível mundial - e o banco Crédit Agricole. A
estratégia do Grupo passa por uma perspetiva
multicanal e multimarca para o mercado.
Portanto, não somos uma cativa, mas
uma gestora de frotas multimarca, como já
era a ALD Automotive Portugal no passado.
Aliás, a ex-equipa da ALD Automotive transitou
para a nova estrutura e veio acrescentar
esse conhecimento. Continuaremos
a trabalhar com todas as marcas e todos
os players no mercado nacional. Nada mudou
face ao que era a estratégia da ALD
Automotive no passado. Muda quanto à
estratégia anterior da Leasys como cativa
até dia 1 de agosto.
Com a nova estratégia, a Leasys Portugal
tem a ambição de crescer?
Em 2003, a ALD Automotive ocupava a sexta
posição no mercado português. Passados
quase 20 anos já estava na segunda posição.
Todas aquelas disrupções não tiveram
qualquer impacto na quota de mercado das
várias gestoras de frota, pois todas mantiveram
as suas posições. A ALD Automotive
tinha vindo a crescer enquanto segunda
gestora de frotas, com taxas de crescimen-
VEÍCULOS COMERCIAIS
“Ambição de fazer mais”
s veículos comerciais representam 25% do
O total dos contratos da Leasys Portugal, mas
Nuno Jacinto, considera que ainda há margem
para progressão. “Temos ambição de fazer mais
porque há capacidade de crescimento”. Este segmento
registou uma variação positiva nos últimos
anos, principalmente depois da pandemia, devido
ao fenómeno do comércio eletrónico. “Além disso
também queremos que os comerciais tenham
uma maior representatividade na nossa frota até
por uma questão de equidade e de risco do nosso
negócio”.
Não obstante, o segmento de comerciais ser mais
exigente e com muitas especificidades, Nuno
Jacinto acredita que a Leasys Portugal está preparada
para responder ao mercado.
“Nos veículos comerciais existem duas abordagens
diferentes: os veículos “standard”, mais simples
porque as nossas equipas estão habilitadas
a trabalhar este produto; e os transformados.
Estes últimos são um tema de desenvolvimento
do nosso lado. Acredito que é uma das sinergias
que poderemos ter com o Grupo Stellantis. Termos
bons parceiros para ajudarmos os nossos clien-
tes a obter um produto “chave na mão”.” Na tipologia
de clientes também há dois targets distintos:
aquele que já sabe o que quer e tem os seus
próprios parceiros, sendo a gestora de frotas um
veículo no processo; ou aquele que está à procura
de uma solução para as suas necessidades. “Aí
também poderemos melhorar com bons parceiros,
disponibilizando aos clientes uma solução chave
na mão, já com a transformação feita”, sublinha.
26 TURBO COMERCIAIS MARÇO 2024
to claramente acima da média do mercado
nos últimos dez anos. É isso que vamos
continuar a fazer e com uma vantagem adicional:
além do canal direto e das parcerias,
que já tínhamos, passámos a contar com a
rede Stellantis para promover o nosso produto.
A Stellantis representa 14 marcas e é
o maior construtor automóvel em Portugal
em termos de quota de mercado. Para a
Leasys Portugal, isto é uma oportunidade
de crescimento. Temos uma abrangência
de canais que os concorrentes não têm. A
Leasys tem objetivos ambiciosos e tem de
ser competitiva em termos de preços, mas
principalmente quer ser reconhecida pelo
mercado como a melhor operadora ao nível
da qualidade de serviço. Essa é a marca que
queremos deixar nos próximos dois anos.
Na abordagem aos clientes não haverá
o risco da Leasys Portugal privilegiar as
marcas detidas pelo Grupo Stellantis?
Principalmente no canal direto e nas grandes
contas dos clientes corporate, a Leasys
Portugal tem de ter uma perspetiva multimarca
com base numa abordagem TCO.
Queremos que o cliente tome a decisão
consciente e devidamente informado com
base naquilo que é a melhor solução para a
sua frota, para cada segmento de utilizadores
da sua política de viaturas e, no limite,
até utilizador a utilizador. É o melhor do
mercado que temos para disponibilizar aos
clientes. Em última instância, a decisão é
do cliente. A Leasys está cá para trazer a
perspetiva do especialista e do processo
de consultadoria. Se não for assim estamos
a comprometer aquilo que é a nossa
abordagem multimarca. Isso não vamos
fazer. Isto não desvirtua o facto de existirem
sinergias com o Grupo Stellantis que
vamos procurar usufruir.
Em que se vão traduzir essas sinergias?
Há várias, mas salientaria duas. Em primeiro
lugar, temos a ambição de desenvolver,
através dos nossos outros parceiros - bancos,
promotores online, campanhas no site
institucional -, uma oferta dirigida a um
segmento, constituído por particulares,
empresários em nome individual, pequenas
e médias empresas, que estão bastante
atentos às campanhas. Naturalmente que,
nessa perspetiva, há sinergias que podem
ser encontradas com o Grupo Stellantis.
Em segundo lugar temos sinergias operacionais,
nomeadamente em termos de
serviço, que podemos disponibilizar aos
nossos clientes em termos de assistência.
Devemos utilizar estruturas comuns que
venham trazer melhor serviço aos nossos
clientes e melhores condições, assim como
sinergias financeiras para as duas partes.
“A Leasys Portugal tem de ter uma
perspetiva multimarca com base numa
abordagem TCO. Queremos que o cliente
tome a decisão consciente e devidamente
informado com base naquilo que é a melhor
solução para a sua frota”
Apesar da pressão das marcas, muitos
clientes ainda preferem veículos diesel.
Como responder a essa procura?
Não “diabolizamos” o diesel nem acreditamos
que uma solução é a melhor em todos
os casos. O pilar da decisão é o TCO e
aquilo que se ajusta à necessidade de cada
política de frotas e no limite a cada utilizador.
Mas este é um processo imparável
e queremos fazer parte dele. O Grupo também
tem objetivos a cumprir, assim como
preocupações ambientais. Hoje em dia, os
nossos carros “verdes”, onde incluo apenas
os híbridos plug-in e os elétricos, já representam
19% da nossa frota e 39% da nova
produção. O objetivo para 2024 é chegar
aos 45% da nova produção.
Os diesel ainda têm um peso significativo?
Ainda têm, mas a evolução de 19% da nossa
frota para 39% da nova produção significa
que os “carros verdes” estão a ganhar quota
aos veículos diesel e gasolina. A Leasys
pode ajudar de duas formas. Em primeiro
lugar pelas vantagens do nosso produto. O
cliente que pretende fazer esta transição
vai optar naturalmente pelo renting pelo
simples facto de não ter riscos associados
a essa operação. Não temos a certeza
qual vai ser o valor dos carros elétricos
daqui a três ou quatro anos. E pelo facto do
risco estar do nosso lado temos um papel
importantíssimo neste processo. Em fase
de incerteza económica, financeira e da
transição energética, os clientes procuram
um solução que o permita fazer de forma
estável e controlar a estrutura de custos
afeta à frota. A Leasys é um parceiro ideal.
A segunda forma de ajudarmos é através
da disponibilização de serviços associados
que lhes permite uma transição fácil, simples
não só do ponto de vista da empresa
mas do próprio utilizador. Começamos com
o E-Switch. No contrato de um elétrico podemos
fornecer uma viatura a combustão
durante um período de tempo para as suas
necessidades (viagens maiores, férias).
Entretanto lançamos a solução MyEvo, um
ecossistema que permite que os utilizadores
possam passar por este processo de
uma forma simples e integrada.
Qual é a grande preocupação da Leasys
Portugal em termos de “mix” de frota?
Queremos ter uma frota equilibrada em termos
de segmentos e tipologias, com elétricos,
híbridos, híbridos plug-in, comerciais,
carros de gama baixa, média e alta. Não
nos queremos concentrar numa única fatia
de negócio. Todas as marcas, todos os
modelos e todas as tipologias são importantes
para a Leasys. /
MARÇO 2024 TURBO COMERCIAIS 27
ENSAIO
FORD TRANSIT CUSTOM VAN 300 L1 ECOBLUE 136 CV
DIESEL DE ACESSO À GAMA
A nova geração da Ford Transit Custom mantém as
motorizações diesel e a versão de entrada na gama já
conta com uma dotação de série interessante
TEXTO CARLOS MOURA PEDRO
O
nível de equipamento Trend associado
à motorização turbodiesel
de 2,0 litros de 136 cv
constitui a versão de acesso em
Portugal da nova geração da Ford Transit
Custom, eleita “International Van of the
Year” de 2024 por um painel de jornalistas
da imprensa especializada, onde Portugal
está representado através da Turbo Frotas
& Comerciais.
A segunda geração do furgão de dimensões
médias da Ford apresenta linhas da
carroçaria otimizadas aerodinamicamente
e juntamente com uma área frontal reduzida
obteve-se uma coeficiente até 13%
inferior relativamente ao modelo anterior.
A versão de chassis curto tem um comprimento
exterior pouco superior a cinco
metros, uma distância entre-eixos de 3,10
metros, uma largura de dois metros sem
espelhos de dois metros (2,78 metros com
espelhos) e uma altura ao solo de 14 centímetros.
O compartimento de carga oferece
um volume útil de 5,8 m3, graças à combinação
de um comprimento interno de 2,38
metros, uma largura de 1,78 metros, sendo
de 1,39 metros entre os arcos das rodas, e
uma altura de 1,43 metros.
A acessibilidade ao compartimento de carga
é assegurada por duas portas de batente,
simétricas, que abrem em ângulos de 90º
ou 180º. A abertura da porta lateral, com
largura de 1,03 metros e altura de 1,30
metros, passou a ser uma das referências
da categoria e conta com um degrau de
acesso integrado para facilitar a entrada. A
nova plataforma permitiu diminuir a altura
do piso de carga para os 57,5 centímetros.
MAIS EQUIPAMENTO
O habitáculo conta com um ecrã tátil de 13”
no centro do painel de bordo, onde corre o
sistema de infoentretenimento SYNC 4, que
também inclui o assistente de voz Alexa. À
frente dos olhos do condutor encontra-se
um painel de instrumentos digital de 8”,
sendo os diferentes parâmetros do mesmo
acedidos através de comandos no volante
multifunções.
O travão de estacionamento passou a ser
elétrico, eliminando a alavanca física tradicional
entre os bancos.
A dotação de série é uma das melhores da
categoria, não faltando o assistente de
manutenção na faixa de rodagem, alerta
de sentido contrário, câmara de visão traseira,
controlo de cruzeiro inteligente com
reconhecimento de sinais de trânsito, sensor
de chuva e luminosidade com controlo
de médios e máximos, assistente de estacionamento
traseiro e dianteiro, assistente
de pré-colisão dianteiro com detetor de
peões, entre outros.
28 FROTAS & COMERCIAIS MARÇO 2024
No capítulo mecânico continua disponível
o motor diesel EcoBlue de 2,0 litros com
136 cv, tendo recebido alterações que permitiram
reduzir o consumo de combustível
até 6%. No final do ensaio, o computador
de bordo indicou um valor de 7,6 l/100 km.
Em termos dinâmicos, a potência de 136 cv
debitada propulsor de 2,0 litros revelou-se
suficiente para fazer deslocar um veículo
que pesa em vazio quase 1,9 toneladas, enquanto
a caixa manual de seis velocidades
poderia ser mais precisa.
Todos estes equipamentos vêm com um
custo, já que os aumentaram relativamente
à geração anterior. A versão de entrada FT
L1 Van Trend 2.0 EcoBlue de 136 cv e caixa
manual está disponível a partir de 45 889
euros. Com a inclusão de alguns opcionais
na unidade ensaiada como o Pacote Zona
de Carga, o Pacote Bancos Trend AGR -
passageiro duplo, climatizador bizona com
aquecimento, jantes de liga leve de 16”, entre
outros, elevam o custo final de aquisição
para 48 966 euros. /
FORD TRANSIT
CUSTOM VAN 300 L1
TREND ECOBLUE 136 CV
PREÇO 48 966 €
MOTOR DIESEL 4 CIL. 1995 CC
POTÊNCIA 136 CV - 3000
ÀS 3500 RPM
BINÁRIO 360 NM
TRANSMISSÃO DIANT.; 6 VEL. MAN.
COMP./LARG./ALT. 5,05/2,03/1,96 M
DISTÂNCIA ENTRE-EIXOS 3,10 M
PESO BRUTO 3000 KG
TARA 1893 KG
VOLUME ÚTIL 5,7 M3
ACEL 0 - 100 KM/H 11,0S
VEL MAX 177 KM/H
CONSUMO 7,2 (7,6*) L/100 KM
EMISSÕES 173 G/KM
IUC 56,57 €
* MEDIÇÕES TURBO FROTAS & COMERCIAIS
TCO
PVP 48 966€
VR 24 875€
DEP 24 091€
MAN 1200 €
CUST COMB 9612€
UTILIZ 34 903€
PVP - Preço de Venda ao Público. Não inclui
negociação da marca. / VR - Valor Residual /
DEP - Depreciação / MAN - Custos com manutenção
programada (exclui pneus) / COM -
Custos com combustível e/ou energia / UTIL
- Custo total de utilização para a totalidade
do contrato. Todos os valores em Euros para
a duração considerada (4 anos / 80.000 km)
RENTING
ERA
DIGITAL
Mesmo a
versão de
entrada da
gama, Trend,
conta com
uma dotação
de série
interessante,
destacandose
o painel de
instrumentos
digital e o
ecrã digital
na consola
central.
Costas do
assento
central
podem
tornar-se
numa mesa
de apoio
653,99 € / 48 MESES / 80 000 KM
Valores não incluem IVA. Serviços incluídos:
Manutenção TOP, Pneus ilimitados,
Seguro, Veículo de substituição
e Assistência em Viagem.
MATERIAIS / CONDUÇÃO
PREÇO / CAIXA MANUAL
MARÇO 2024 FROTAS & COMERCIAIS 29
especial camiões elétricos
TRANSIÇÃO EM CURSO
GRANDES
DESAFIOS
A eletrificação chegou aos pesados de mercadorias,
mas os desafios ainda são muitos para
a transição energética. E a autonomia até
pode ser o menor deles todos
TEXTO CARLOS MOURA PEDRO
30 FROTAS & COMERCIAIS MARÇO 2024
A
partir de 2040, os
construtores de
pesados vão deixar
de comercializar
camiões novos
com motor de
combustão interna,
ao abrigo de um
acordo estabelecido entre os principais fabricantes
que integram a ACEA (Associação
dos Construtores Europeus de Automóveis):
DAF Trucks, Daimler Truck (Mercedes-Benz),
Ford Trucks, Iveco, MAN, Scania e Volvo.
Com aquele compromisso, os fabricantes de
veículos pesados de mercadorias procuram
cumprir as orientações da União Europeia
para a descarbonização do transporte rodoviário
de mercadorias e a neutralização das
emissões de dióxido de carbono até 2050.
Uma das subscritoras daquele acordo é a
Volvo Trucks, a qual “reconhece o papel vital
dos principais intervenientes no setor
de transporte na liderança dos esforços
para reduzir a pegada de carbono”, segundo
afirma Pedro Oliveira, CEO da Auto Sueco
Portugal.
O responsável do distribuidor exclusivo da
Volvo Trucks, sublinha que “ao colaborar com
parceiros da indústria, a marca fortalece o
seu compromisso com a sustentabilidade
e reforça a sua posição como líder em soluções
de transporte com um mais elevado
nível de consciência ambiental”.
Por sua vez, Sebástian Figueroa, diretor-geral
da Scania Ibérica, considera igualmente
que a “mobilidade elétrica será a principal
alternativa na Europa no futuro”, adiantando
que “com as economias de escala será
possível diminuir os custos e muitas empresas
vão apostar em veículos elétricos”.
Enquanto isto não acontece, a marcas desenvolveram
todos os tipos de tecnologias
para disponibilizar aos clientes a que melhor
se adapte às suas necessidades: veículos
híbridos, a gás, motores diesel mais
eficientes com uma poupança de combustível
superior a 10% e, além disso, já estão
preparados para utilizarem biocombustíveis
como o HVO, os quais reduzem as emissões
de dióxido de carbono até 90%.
Para acelerar o processo de transição energética,
os fabricantes fizeram um apelo aos
MARÇO 2024 FROTAS & COMERCIAIS 31
especial camiões elétricos
TRANSIÇÃO EM CURSO
decisores políticos para a implementação de
um conjunto de medidas que, entre outras,
incluem o aumento do preço dos preços dos
combustíveis fósseis, a aplicação de taxas
rodoviárias com base nas emissões de dióxido
de carbono e a adoção de uma extensa
infraestrutura para carregamento de
camiões elétricos a bateria e a hidrogénio.
Os fabricantes, por seu lado, reforçaram o
investimento no desenvolvimento de camiões
elétricos, os quais começam a chegar
ao mercado, embora os desafios para
a sua implementação ainda sejam muitos.
“À medida que as vendas de camiões pesados
elétricos com baterias começam a
crescer na Europa, Portugal está também
a dar os primeiros passos neste processo.
Estão já em operação, no mercado nacional,
as primeiras unidades Volvo 100% elétricas”,
salienta o CEO da Auto Sueco Portugal.
APOIOS INEXISTENTES
Apesar da oferta já existir e da autonomia
ser suficiente para determinados tipos de
aplicações - distribuição pesada, cross-docking,
construção, transporte regional ou
mesmo nacional -, ainda se levantam muitos
desafios. “A grande maioria das empresas
de transporte ainda não está preparada
para a transição energética,” refere Virgílio
Alexandre Faustino, Diretor de Recursos de
Transporte da Luís Simões. “Para além do
forte investimento necessário, o facto de o
custo total de propriedade (TCO) das viaturas
elétricas ainda ser elevado e a inexistência
de uma rede de postos de carregamento
de potência elevada tornam complexa a sua
utilização. Todos estes fatores dificultam a
adoção de viaturas pesadas elétricas pelas
empresas de transportes”, sublinha.
Segundo o responsável da Luís Simões, em
primeiro lugar “cada empresa deve avaliar
a viabilidade para efetuar a eletrificação da
sua frota: capacidade financeira de investimento,
verificar se os fluxos de serviço são
compatíveis com as autonomias das viaturas
elétricas e adequá-los se necessário, verificar
se os tempos de repouso e/ou carga
e descarga são suficientes para proceder
aos carregamentos das baterias com vista
a aumentar autonomia”. “Obviamente o
setor necessita de apoios estatais que lhe
permitam atenuar os fortes investimentos
necessários, assim como o desenvolvimento
de uma rede pública de postos de
carregamento elétrico de potência elevada”,
acrescenta Virgílio Alexandre Faustino.
Opinião idêntica tem Pedro Oliveira, CEO
da Auto Sueco Portugal, afirmando que na
maior parte dos países europeus a “existência
de incentivos públicos tem impulsionado
o processo de transformação”,
adiantando que a inexistência desses incentivos
em Portugal “tem constituído um
enorme constrangimento à adopção destas
soluções por parte da quase totalidade dos
operadores de transporte de mercadorias”.
Por sua vez, Sandra Resende, diretora-geral
MERCEDES-BENZ eACTROS 600
Autonomia de 500 km
Aversão de produção do Mercedes-Benz eActros
600 vai chegar no final deste ano. Com
este modelo, a marca alemã pretende ser a nova
referência no transporte rodoviário de mercadorias
em termos de tecnologia, sustentabilidade,
design e rendibilidade para os operadores. A bateria
com capacidade superior a 600 kWh e um
novo eficiente eixo elétrico permitem percorrer
até 500 quilómetros sem carregamentos intermédios.
Segundo a Mercedes-Benz Trucks, o eActros
600 pode efetuar mais de mil quilómetros por dia,
graças a um carregamento durante a paragem
obrigatória do tempo de condução e mesmo sem
carregamentos com potência de um megawatt. O
construtor alemão sublinha que cerca de 60% das
viagens diárias de longo curso têm menos de 500
quilómetros, o que significa que a infraestrutura
de carregamento nas instalações da empresa e
nos pontos de carga e descarga é suficiente para
essas situações. Para as restantes, a Mercedes-
Benz Trucks defende que a implementação de uma
rede de carregamento pública é fundamental para
a viabilidade dos camiões elétricos no transporte
de longo curso na Europa. Além de carregamentos
CCS com potências até 400 kW, o eActros 600
permitirá mais tarde o recurso à tecnologia MCS
(carregamento a um megawatt).
32 FROTAS & COMERCIAIS MARÇO 2024
VOLVO FE ELECTRIC
Primeiro
RSU em
Leiria
O setor do transporte rodoviário de
mercadorias necessita de apoios para
atenuar os fortes investimentos necessários
da Iveco Portugal, também confirma que o
nosso país é um dos que “menos apoios dá”
para a transição energética. “Se queremos
ser um país “verde”, o nosso Governo deveria
dar incentivos, a nível de isenção de
impostos e dos subsídios à aquisição dos
veículos. Por exemplo, na Alemanha, os veículos
pesados com energias verdes não pagam
portagens. Em Espanha existem linhas
de financiamento em que se dá uma compensação
na diferença de custo entre um
veículo com energias alternativas e diesel”.
INTERESSE EXISTE
Interesse em camiões elétricos por parte dos
operadores existe, segundo afirma Sandra
Resende, diretora-geral da Iveco Portugal.
“Temos clientes a pedir informações sobre
camiões elétricos porque estão a ser
questionados pelos seus próprios clientes.
Cada vez mais existe uma consciência para
contribuir para o ambiente. Isso reflete-se
nas imposições que sentem,” acrescenta.
À semelhança da Iveco Portugal, que recentemente
apresentou o Iveco S-eWay, também
a Auto Sueco Portugal e a Galius referem
que a Volvo Trucks e a Renault Trucks
têm vindo a receber pedidos de informação
por parte dos operadores. “É já muito sensível
um grande interesse de muitos deles,
por estas mesmas soluções”, afirma Pedro
Oliveira, da Auto Sueco Portugal. Por sua
vez, José Bruno Osório, diretor comercial
da Galius, acrescenta que apesar de alguns
clientes apresentarem “uma natural
curiosidade por estas soluções elétricas, a
realidade de preço (sem incentivos) ainda
constitui um entrave”.
Para o diretor comercial da Galius, empresa
que distribui a Renault Trucks, “nas condições
atuais, sem a existência de incentivos
de apoio à aquisição, o custo total de
Oprimeiro camião elétrico da
Volvo Trucks entregue em
Portugal teve como destino a
EcoAmbiente - Serviços e Meio
Ambiente, empresa responsável
pela recolha de resíduos e limpeza
urbana do concelho de Leiria.
Aquela foi a primeira viatura elétrica
financiada por um operador
privado no nosso país, dedicada
ao circuito urbano, tendo sido
também a primeira carroçada em
Portugal. O Volvo FE Electric, equipado
com uma caixa para resíduos
urbanos, montada pela Olimec,
representante em Portugal da
marca Farid, foi especificado com
o apoio da equipa de engenharia
de produto e do gestor comercial
da Auto Sueco Portugal.
O investimento da EcoAmbiente
nesta viatura é apontado como
necessário para um percurso que
visa a transição energética e o
diálogo com a autarquia de Leiria
para a discussão do plano de transição
inerente ao contrato.
Para o município de Leiria, a nova
viatura pesada elétrica marcará
uma nova maneira de estar nas cidades,
com reflexo nas questões
ambientais e de poupança. A sua
atribuição ao serviço de Leiria é
considerada como um prémio pela
confiança depositada pela autarquia
no desafio que a empresa
aceitou com o contrato.
MARÇO 2024 FROTAS & COMERCIAIS 33
utilização continua a ser mais elevado do
que um diesel equivalente”. O responsável
refere que, no entanto e em determinados
contextos, “os veículos elétricos podem
ter um apelo particular; seja pelo facto de
as emissões de CO2 serem contabilizadas
como um custo seja pela existência de zonas
de acesso interdito nos grandes centros
urbanos onde apenas os veículos “Zero
Emissões” possam entrar”.
O diretor-geral da Scania Ibérica, Sebastian
Figueroa, também reconhece que, “mesmo
onde existem apoios, o TCO de um veículo
elétrico ainda é superior em aproximadamente
10% ao de um congénere diesel”.
O responsável acredita que daqui a cinco
anos, o TCO de um tractor elétrico “será
similar ao de um diesel, graças às encomias
de escala na produção e à evolução
do custo da energia”.
Os camiões
elétricos vão
começar a ser
utilizados, em
primeiro lugar,
na distribuição
e na recolha de
resíduos
DISTRIBUIÇÃO E RSU
No mercado nacional, os primeiros camiões
elétricos vão entrar pelos segmentos da
distribuição urbana e recolha de resíduos
sólidos, encontrando-se algumas unidades
já em operação, designadamente do
Fuso eCanter, MAN eTGM e Volvo FE Electric.
Na opinião de Virgílio Alexandre Faustino,
Diretor de Recursos de Transporte da Luís
Simões, as “viaturas de 3.5 toneladas e 7,5
toneladas são as apresentam maior facilidade
de eletrificação. São maioritariamente
frotas para serviços last mile, em área
urbana, com melhor acesso à rede elétrica
de carregamento e onde as autonomias são
suficientes – ou, pelo menos, não comprometem
a normal execução dos serviços”.
O responsável de um dos maiores operadores
ibéricos de transportes e logística
considera que para outros tipos de operações,
a autonomia anunciada pelas marcas
“infelizmente não é suficiente”, salientando
que apesar de se registarem “incrementos
significativos, no serviço de longo curso só
é possível utilizar este tipo de viaturas em
trajetos muito bem “trabalhados”. Para além
da questão da autonomia, é de especial relevo
a necessidade de que exista uma rede
de postos de carregamento que permita
carregamentos rápidos, sem obrigar à imobilização
excessiva da viatura,”
LUÍS BARROSO - MOBI.E
1588 postos até 2030
om base num estudo promovido pela MOBI.E
C no âmbito da aprovação do Regulamento
Europeu para Infraestruturas de Combustíveis
Alternativos vão ser instalados 1588 pontos de
carregamento no nosso país que possam permitir
o carregamento de veículos pesados. O investimento
previsto ascende a 126,4 milhões de euros.
“Este estudo é um primeiro grande contributo
nacional que vai permitir estruturar os investimentos
nas infraestruturas para satisfazer as
perspetivas de necessidades dos veículos de combustíveis
alternativos, designadamente, elétricos
e hidrogénio, até 2050, ano em que Portugal está
comprometido em atingir a neutralidade carbónica”,
afirma Luís Barroso, presidente da MOBI.E.
“Naturalmente, um dos temas tratados está relacionado
com a cobertura das necessidades de
carregamento para veículos pesados, prevendo-se
um investimento gradual até 2030 em postos de
carregamento com potências iguais ou superiores
a 350 kW”. O presidente da MOBI.E acredita que os
primeiros postos de carregamento poderão vir a
estar disponíveis ainda este ano, sendo possível
que isso venha a acontecer no porto de Lisboa,
dando sequência à assinatura de um protocolo
de colaboração com vista à eletrificação da frota
de transporte de mercadorias.
Relativamente à localização de hubs de carregamento
para veículos pesados, Luís Barroso
afirma que o estudo procurou fazer uma “análise
abrangente, mas, naturalmente, não suficientemente
detalhada que permita identificar hubs ou
a sua localização”. O responsável acredita que, a
exemplo da experiência da infraestrutura de carregamento
que constitui a atual rede MOBI.E, “é
expectável que se comece por instalar postos de
carregamento individuais e dispersos geograficamente,
de forma a dar uma maior amplitude
de cobertura à rede e que, com o crescimento do
parque de veículos pesados, alguns desses postos
de carregamento venham a evoluir para hubs
de carregamento”.
34 FROTAS & COMERCIAIS MARÇO 2024
Por seu lado, José Bruno Osório, diretor comercial
da Galius, acredita que os camiões
elétricos se “vulgarizarão primeiro nos segmentos
RSU e na distribuição urbana / regional”,
já que o “caráter mais previsível das
rotas, a mais baixa velocidade média de
circulação e o “regresso à base” no final do
dia para carregar permitirão que os veículos
elétricos mais facilmente substituam os
veículos convencionais Diesel. Nestas condições,
com o devido estudo prévio especificação
de veículo vs rota, as autonomias
são suficientes”.
A Volvo Trucks considera prioritários os segmentos
em que a procura por soluções de
transporte sustentáveis é mais evidente e
onde os benefícios de uma operação com
camiões elétricos são mais pronunciados.
“Isso inclui áreas urbanas e regionais com
ou sem restrições ambientais, como zonas
de baixas emissões ou áreas sensíveis
ao ruído, onde os camiões elétricos podem
oferecer vantagens significativas em termos
de redução de emissões e uma operação
mais silenciosa”, afirma Pedro Oliveira.
Para o nosso país, a marca sueca vai apostar
sobretudo nos veículos afetos a recolha
de resíduos sólidos urbanos, distribuição
urbana, transporte de mercadorias de
curta distância e as operações de logística
sensíveis ao meio ambiente, como a
construção urbana ligeira e o transporte
regional entre centros logísticos. Para o
efeito, a Volvo Trucks dispõe de uma oferta
muito completa e um dos seus modelos, o
Volvo FH Electric, foi mesmo recentemente
distinguido com o prestigiado prémio de
“International Truck of the Year”.
“É reconfortante observar que muitos clientes
têm encontrado na oferta elétrica da
Volvo Trucks uma capacidade mais do que
adequada para atender às suas necessidades
específicas”, reconhece Pedro Oliveira.
“No entanto, é crucial também ressaltar o
nosso compromisso em garantir que todos
os clientes encontrem soluções personalizadas
que respondam às suas necessidades
individuais de autonomia”.
TCO PRECISA DE MELHORAR
O CEO da Auto Sueco Portugal, Pedro Oliveira,
destaca igualmente as vantagens ambientais
dos camiões elétricos. “Com zero emissões
durante a operação, os nossos clientes
podem contribuir ativamente para a redução
da poluição e a melhoria da qualidade
do ar, além de demonstrar um compromisso
sólido com a sustentabilidade e a responsabilidade
ambiental.”
O Diretor de Recursos de Transporte da Luís
Simões, Virgílio Alexandre Faustino, acredita
que num futuro próximo o camião elétrico
será solução nas operações de longo curso,
igualando o TCO de uma viatura diesel, mas
neste momento ainda é superior (seja diesel
ou HVO), obrigando a um “planeamento
muito justo dos fluxos, dos locais de carregamento
e da duração do mesmo, de modo
a não comprometer os tempos de condução
e de execução dos serviços”.
Virgílio Alexandre Faustino, da Luís Simões,
também está convicto que nos próximos
anos se assistirá a uma “uma melhoria significativa
das viaturas elétricas com a introdução
das baterias de estado sólido, bem
como a diminuição dos tempos de carregamento,
o que permitirá utilizar este tipo
de viaturas em longo curso com eficácia e
eficiência”. O responsável da Luís Simões
defende que para acelerar o processo serão
necessárias “isenções ou reduções fiscais
na aquisição das viaturas e dos carregadores
elétricos, assim como nos investimentos
com vista à criação de infraestruturas
para postos de carregamentos elétricos”.
“A infraestrutura para viaturas elétricas
de mercadorias, a par dos elevados investimentos,
é um dos principais entraves à
adoção dos veículos elétricos – e não apenas
em Portugal”, sublinha Virgílio Alexandre
Faustino. da Luís Simões. “Temos de pensar
as dificuldades existentes a nível europeu,
nomeadamente a fragilidade da rede de postos
de carregamento elétrico em Espanha,
país no qual as empresas de transporte portuguesas
operam em larga escala”.
O Diretor de Recursos de Transporte da Luís
Simões considera que “a não existência
desta rede, associada à ainda baixa autonomia
dos elétricos, inviabiliza a utilização
desta tipologia de veículos nos fluxos ibéricos.
Assim, é crítico o desenvolvimento de
uma rede de carregamento elétrico pan-
-europeia, adequada a veículos pesados
de mercadorias”. /
MARÇO 2024 FROTAS & COMERCIAIS 35
especial camiões elétricos
MERCADO
CONHEÇA
A OFERTACumprindo
Os principais fabricantes de pesados presentes no
mercado nacional já têm em comercialização camiões
elétricos e a oferta deverá ser reforçada
TEXTO CARLOS MOURA PEDRO
as diretivas
da União
Europeia para a
descarbonização
do transporte rodoviário
de mercadorias
e a neutralização
das
emissões de dióxido de carbono, os construtores
de pesados têm vindo a desenvolver
camiões elétricos a bateria ou a hidrogénio,
quer com motor de combustão,
quer com pilha de combustível.
Após a primeira fase de testes para validação
do produto e das suas caraterísticas,
36 FROTAS & COMERCIAIS MARÇO 2024
DAF TRUCKS
Gama cresce
Amarca holandesa concluiu a eletrificação da sua gama de camiões:
o DAF XD, na versão rígida (FA e FAN), tem um peso bruto
de 18 ou 26 toneladas e pode ser equipado com um motor elétrico
da Paccar, que está disponível em níveis de potência de 170 kW aos
350 kW, alimentado por baterias LFP de 315 kWh a 525 kWh, que
permitem percorrer até 500 km. A DAF comercializa os tratores elétricos
XD Electric e XF Electric, com motorizações de 270 kW a 350
kW e autonomias até 400 km. O membro mais recente da família é
o XB, destinado a distribuição urbana e disponível com pesos brutos
de 12, 16 e 19 toneladas. O motor elétrico oferece potências de
120 kW a 190 kW e a autonomia chega aos 250 km.
FORD TRUCKS
Generation F
as marcas passaram a uma segunda etapa
que consistiu na introdução de protótipos
em clientes selecionados para avaliação dos
veículos em condições reais de operação.
Após todo esse processo, os novos modelos
entraram em produção em série e muitas
vezes na mesma linha de montagem dos
congéneres diesel, começando a ser lançados
gradualmente no mercado europeu.
Atualmente, todas as marcas presentes no
mercado nacional já comercializam camiões
elétricos, com pesos brutos desde as 7,5
toneladas às 64 toneladas. Algumas acabaram
de chegar ao nosso país. Conheça
aqui as principais propostas das marcas./
AFord Trucks apresentou no IAA Transportation de 2022 o seu
primeiro camiões elétrico. Este camião oferece uma carga útil
de 18 a 26 toneladas e, segundo as estimativas do fabricante, permitirá
reduzir os custos com energia para quase metade em comparação
com os veículos de combustão interna. A Ford Trucls lançou
o seu movimento “Generation F” que inclui uma rota para a promoção
de soluções de transporte de emissões zero, assim como novas
especificações e caraterísticas que visam posicionar a marca como
uma das líderes mundiais no design, desenvolvimento e produção
de viaturas pesadas. O objetivo é que 50% das suas vendas sejam
de veículos de emissões zero - a bateria ou hidrogénio - em 2030.
MARÇO 2024 FROTAS & COMERCIAIS 37
especial camiões elétricos
MERCADO
FUSO
Pioneiro
IVECO
S-eWay primeiro
OFuso eCanter foi um dos primeiros camiões elétricos
a chegar ao mercado, tendo a segunda geração sido
lançada no ano passado. Mantendo o conceito tradicional
de cab-over-engine, é proposto em duas versões de cabina,
seis distâncias entre-eixos, três opções de bateria
(41,3 kWh, 82,6 kWh e 123,9 kWh), quatro pesos brutos.
O Fuso eCanter recebeu uma nova linha motriz que compreende
um motor elétrico, disponível em dois níveis de
potência, de 110 kW e 129 kW.
Iveco apresentou no final de 2023 o seu primeiro
A camião elétrico de gama alta, o S-eWay. A primeira
variante a chegar ao mercado é o tractor 4x2, equipado
com motor elétrico de 480 kW, alimentado por uma bateria
com 738 kWh, a qual proporciona uma autonomia de
até 500 quilómetros. A marca italiana refere que é possível
recuperar até 100 quilómetros de autonomia em menos
de 20 minutos num posto de 350 kW. Para carregar
entre 20% a 80% são necessários cerca de 90 minutos.
JAC MOTORS
iJAC 7.5
Fundada na China na década de 1960 e
detida em 50% pelo Volkswagen Group,
a JAC Motors produz uma gama completa
de veículos, desde ligeiros de passageiros
a pesados de mercadorias, sendo pioneira
em camiões elétricos, nos quais trabalha
há 20 anos. A marca acaba de entrar
em Portugal com o iJAC 7.5, um chassis
de carga com peso bruto de 7,5 toneladas
que está preparado para receber todos os
tipos de carroçarias, desde simples caixas
de carga geral até compactadoras. Este
camião elétrico vem equipado com uma
bateria de 107 kWh que permite percorrer
até 230 quilómetros, sendo possível recuperar
até 171 quilómetros de autonomia em
cerca de 48 minutos num posto de carga
rápida com potência de 82 kW.
MAXUS
Novo reforço
MERCEDES-BENZ
Duas opções
Maxus está presente no segmento dos camiões elétricos
com peso bruto de 7,5 toneladas, com o EH300,
A
que tem um comprimento de chassis de 5,8 metros e largura
de 2,2 metros. A linha motriz inclui um motor elétrico
com 110 kW (150 cv), o qual é alimentado por um
pack de quatro baterias com capacidade total de 127,74
kWh. De acordo com a Maxus, o EH300 oferece uma autonomia
de até 213 quilómetros em ciclo WLTP e mais de
400 quilómetros em regime urbano.
Para operações de distribuição urbana ou regional, a
Daimler Truck disponibiliza o Mercedes-Benz eActros
300 e eActros 400, com packs de baterias de três ou quatro
módulos, com capacidade total de 336 kW ou 448 kW
e uma autonomia de até 300 ou 400 km, respetivamente.
O Mercedes-Benz eActros 300 pode ser carregado numa
estação com potência de até 160 kW, demorando cerca
de uma hora a recuperar entre 20% a 80% da bateria, ou
cerca de 1h30 minutos no caso do eActros 400.
38 FROTAS & COMERCIAIS MARÇO 2024
MAN
Aposta forte
SCANIA
Três cabinas
Oprimeiro camião elétrico da MAN foi o eTGM, com
peso bruto de 26 toneladas e autonomia de até 190
quilómetros, que está vocacionado para operações de
distribuição urbana e construção ligeira. Entretanto, a
marca alemã desenvolveu o MAN eTruck, cuja linha motriz
modular pode incluir até seis packs de bateria com capacidade
até 480 kWh, que fornecem energia a um motor
elétrico que é proposto em níveis de potência de 254 kW,
330 kW ou 400 kW. As versões de produção do MAN eTruck
receberam as designações eTGX e eTGS, oferecendo
uma autonomia de até 800 km, com carregamento CCS
com potência de até 375 kW. Mais tarde será disponibilizado,
em opção, o novo sistema MCS, com potência até
um megawatt.
Aeletrificação na Scania começou com o lançamento
das versões elétricas dos camiões destinados a
aplicações urbanas (distribuição, recolha de resíduos,
porta-contentores). Com peso bruto de 29 toneladas, os
camiões estão disponíveis com cabinas L, P e G, em diversas
configurações (4x2, 6x2, 6x2*4). O motor elétrico
desenvolve uma potência máxima de 295 kW. Com opção
do pacote de nove baterias, a autonomia pode chegar aos
250 quilómetros. A oferta foi reforçada com o lançamento
dos modelos para transporte regional, com cabinas R
e S, homologados com um peso bruto até 64 toneladas.
VOLVO TRUCKS
Camião do ano
RENAULT TRUCKS
Mil unidades
Renault Trucks foi uma das primeiras a desenvolver
A camiões elétricos na Europa, tendo já produzido mais
de 1000 unidades de 16, 19 e 26 toneladas na fábrica de
Blainville, em França. Para aplicações de distribuição urbana
e municipais, a marca propõe os modelos D E-Tech,
com autonomia de até 560 quilómetros, e D Wide E-Tech,
alcance superior a 300 quilómetros. Recentemente foi iniciada
a produção do T E-Tech para distribuição regional e
C E-Tech para construção.
Oconstrutor sueco foi o primeiro a apresentar no mercado
nacional a sua gama de camiões elétricos. O FL
Electric de dois eixos, com peso bruto de 16,7 toneladas,
potência até 130 kW e autonomia de até 450 km, e o FE
Electric com três eixos, peso bruto de 27 toneladas, potência
contínua até 225 kW e autonomia até 300 quilómetros.
A Volvo Trucks também já produz em série as versões
elétricas do Volvo FM, FMX e FH, os quais estão homologados
com peso bruto até 44 toneladas. Estes modelos
estão equipados com motores elétricos que desenvolvem
uma potência de 490 kW, sendo a gestão assegurada por
uma caixa I-Shift. A bateria de 540 kWh oferece uma autonomia
de até 300 quilómetros.
MARÇO 2024 FROTAS & COMERCIAIS 39
DOSSIER
CHINESES NA EUROPA
ANO DO
DRAGÃO
Os chineses estão a vir em força para a Europa e o ano
de 2024 está a ser marcado por uma forte ofensiva
de veículos produzidos naquele país. Neste dossier
damos a conhecer as perspetivas de algumas das
marcas e também alguns modelos que já testamos
Quinto dos doze signos
do Zodíaco chinês,
o Dragão está
associado à força,
saúde, harmonia e
sorte. 2024 é precisamente
o Ano do
Dragão, que coincide
com uma forte ofensiva dos fabricantes
chineses na Europa e que já está a deixar os
construtores do Velho Continente “à beira
de um ataque de nervos”.
Ao contrário de outros mercados, como da
América Latina, as marcas chinesas não
estão a entrar com produtos baratos de
entrada de gama, mas. sim, com veículos
elétricos, tecnologicamente evoluídos, em
com um elevado nível de qualidade não só
de construção, mas também dos materiais
DENZA 7 AIWAYS U5 SMART #1 OHM 3.5T EV BYD ATTO 3
40 FROTAS & COMERCIAIS MARÇO 2024
utilizados. Diz a sabedoria popular que o
“Diabo está nos detalhes” e isso também
se nota nalgumas funcionalidades dos veículos
chineses, que ainda não têm o nível
de requinte e sofisticação tecnológica dos
ocidentais, mas essa questão será rapidamente
ultrapassada, já que os orientais
são conhecidos por aprenderem depressa.
A vontade dos fabricantes chineses de entrarem
no mercado europeu já não é nova.
Quem se deslocou aos recentes salões de
comerciais e passageiros na Alemanha - IAA
Transportation em 2022 e IAA Mobility em
2023 - teve a oportunidade de constatar que
as marcas chinesas estavam presentes em
força e que era só uma questão de tempo
até entrarem no mercado. A “nova” Smart
é um claro exemplo desta nova realidade.
Os fabricantes chineses começaram a entrar
com os comerciais e autocarros, talvez
para avaliar a recetividade de um mercado
onde impera mais a racionalidade do que a
emoção, através das marcas BYD e Maxus.
Outras já anunciaram a sua intenção de se
implantarem no Velho Continente como a
Dongfeng e a Foton.
Após os comerciais, as marcas chinesas
também lançaram uma forte ofensiva nos
ligeiros de passageiros e não se pode dizer
que vêm aí porque já cá estão. Algumas
insígnias já eram, ou passaram a ser, familiares
aos portugueses como a BYD, a
MG ou a Smart (estas duas últimas de origem
europeia, mas detidas na totalidade ou
parcialmente por construtores chineses),
mas outras eram ilustres desconhecidas,
como a Dongfeng, a Seres, a Forthing ou
a Leapmotor.
Atualmente já se encontram em comercialização
as marcas Aiways, BYD, MG e a smart,
mas já estão na calha para virem para o nosso
país, como a Voyah, Dongfeng e M-Hero.
Neste dossier damos a conhecer algumas
das propostas que já se encontram disponíveis,
designadamente nos ligeiros de
passageiros e comerciais. Será de referir
que esta ofensiva chinesa não vai parar por
aqui, já que outros fabricantes anunciaram
a intenção de virem para o mercado europeu,
com produtos tecnologicamente evoluídos
e preços competitivos, embora não
tão baratos como muitos poderiam julgar. /
MAXUS T90 EV MG 4 EV SERES 3 YANGWENG U8
MARÇO 2024 FROTAS & COMERCIAIS 41
PERSPETIVA
BERNARDO VILLA - CEO SMART PORTUGAL
“TEMOS OS
RESIDUAIS MAIS
ELEVADOS”
A Smart quer vir a ser uma das referências no segmento
elétrico premium, sendo o mercado empresarial uma
das principais apostas. Conforto e elevados valores
residuais estão entre os principais argumentos
TEXTO CARLOS MOURA PEDRO FOTOS INTERSLIDE / PAULO MARIA
Resultante de uma joint-
-venture entre a Mercedes-
Benz e a Geely, a “nova”
Smart está de regresso ao
mercado como uma marca
para a mobilidade elétrica.
Os modelos Smart #1 e #3 são os primeiros
a serem lançados, mas a oferta deverá
ser reforçada a médio prazo. A questão da
marca se tornar elétrica não é nova, segundo
explica Bernardo Villa, CEO da Smart
Portugal. “Já em 2019, a Smart foi uma
das primeiras a nível mundial a anunciar a
decisão de converter todo o portefólio em
elétrico”, afirma, acrescentando que agora
a “principal diferença consiste na joint-
-venture entre a Mercedes-Benz e a Geely,
a qual, no entanto, manteve o ADN que esteve
sempre subjacente à marca Smart”.
Contudo, Bernardo Villa sublinha que a
Smart “evoluiu e cresceu, não só em termos
de dimensões, mas, também, tecnológicos”,
o que resultou num novo posicionamento
no mercado. “Mantém o mesmo
ADN, a sua personalidade, mas está mais
madura e tecnológica, graças à parceria
industrial com a Geely. Enquanto anteriormente,
era detida integralmente pela
Mercedes-Benz (Daimler), atualmente temos
uma gestão bicéfala.Creio que conseguimos
ter o melhor dos dois mundos com
esta dualidade na gestão e na produção: a
experiência da Mercedes-Benz em termos
de design, conceção e desenvolvimento de
uma viatura; e depois toda a parte tecnológica
e flexibilidade de fabrico que nos dá o
parceiro chinês e a produção nesse país,”
sublinha.“Com esta gestão bicéfala conseguimos
oferecer um SUV cem por cento
elétrico premium com um estilo manifes-
tamente marcante e atual ao que se junta
uma qualidade de construção e espaço interior
que eu não vejo no segmento onde
está inserida a Smart,” refere o entrevistado.
“Com esta nova geração vamos ser
claramente o “benchmark” nos segmentos
comparáveis em termos de caraterísticas:
segurança passiva e ativa, habitabilidade,
espaço interior, tecnologia e equipamento”.
Entre os principais argumentos, Bernardo
Villa refere a autonomia superior a 400
quilómetros em circuito misto e a rapidez
de carregamento, graças a um carregador
de bordo de 22 kW. “Não são muitos
os nossos concorrentes no segmento
que têm este tipo de oferta. Isso permite
a uma empresa carregar a 22 kW nas suas
próprias instalações”. Além disso também
existe a possibilidade de carregar em corrente
contínua até 150 kW, possibilitando
a recuperação entre 10% a 80% do nível
de carga em menos de meia hora.
MOTOR DA MUDANÇA
Como principais concorrentes da nova
Smart, Bernardo Villa aponta todas as viaturas
do segmento B e C, sejam de combustão
ou elétricas. “A partir do momento
em que a marca se torna 100% elétrica não
há volta a dar. Só temos de andar para a
frente. Começamos no final do ano passado
com o lançamento do Smart #1 e agora,
em março, segue-se Smart #3. Este último
é um SUV-B com dimensões ligeiramente
maiores que vem aumentar a oferta nos
segmentos B e C. Consideramos os particulares
e sobretudo as empresas como
um “motor” para esta mudança de paradigma”,
esclarece o entrevistado. Para a
Smart Portugal, o mercado empresarial é
uma aposta que a marca está a fazer, já
que, incluindo os ENI’s (Empresários em
Nome Individual) representa 70% do total
de vendas.“O nosso portefólio de produto,
que, para já, compreende dois modelos, responde
às necessidades das frotas nestes
segmentos premium, estando direcionado
para as primeira, segunda e terceira linhas
das empresas”, refere Bernardo Villa.
“Temos um conjunto de elementos tecnológicos
que fazem com que estes modelos
sejam perfeitos para frotas, começando
logo pela “app” Hellosmart que permite
a partilha automática do carro com até
seis utilizadores” sublinha o entrevistado.
“Numa pequena e média empresa é uma
vantagem permitir partilhar a chave digital.
As viaturas smart vêm apenas como uma
42 FROTAS & COMERCIAIS MARÇO 2024
DOIS NÍVEIS DE
EQUIPAMENTO
O Smart #1 é o
primeiro modelo
de nova geração
a entrar em
comercialização.
Para as empresas,
tranquilo, a marca vai
apostar nos níveis de
equipamento Pro+ e
Premium
chave física e uma digital. Se esta última
for partilhada com seis pessoas, em termos
de “pool” de frota consegue-se ter
um melhor aproveitamento das viaturas”.
PROXIMIDADE COM O CLIENTE
O posicionamento de preço e as condições
comerciais favoráreis para as empresas
estão integrados na estratégia da Smart
para as frotas. “Já temos em prática na
rede de agentes condições comerciais que
obviamente tendem a privilegiar as empresas
que apostam na marca”, confirma
o CEO da Smart Portugal.
“Quanto maior for o volume de aquisição
ou exposição da marca dentro da empresa
melhores serão as condições comerciais”.
A proximidade com o cliente, em termos de
MARÇO 2024 FROTAS & COMERCIAIS 43
PERSPETIVA
BERNARDO VILLA - CEO SMART PORTUGAL
venda e assistência, é considerada como
prioritária para a marca e nesse capítulo
a Smart Portugal mantém a infraestrutura
de parte da rede da Mercedes-Benz.
“Sabemos que um dos principais elementos
na aquisição é a confiança e a segurança.
Ao estarmos associados em Portugal e na
Europa aos nossos “irmãos” da Mercedes-
Benz damos claramente um sinal de confiança
ao mercado e sobretudo às empresas”,
explica Bernardo Villa.
Para as frotas, um aspeto relevante será o
sistema de manutenção gratuito nos primeiros
três anos ou 60 mil quilómetros.
“Pode acontecer a uma empresa adquirir
um carro a 36 meses e não ter de fazer
qualquer revisão”, afirma Bernardo Villa.
“Ou a quatro anos e ter apenas uma revisão.
Isso, por si só, é uma vantagem quando
vamos calcular os custos operacionais
de utilização da viatura”.
Além disso, os veículos Smart vêm com
uma garantia de dez anos ou 200 000 quilómetros
para a bateria e componentes do
motor elétrico.
RESIDUAIS ELEVADOS
As viaturas elétricas representam um investimento
inicial superior às viaturas de
combustão e esse acréscimo deve ser
compensado por custos de utilização mais
baixos, que permitam tornar numa opção
mais interessante financeiramente. “Há
um factor fundamental numa compra racional
que é saber quanto se vai pagar de
renda”, afirma Bernardo Villa. “Se tiver uma
viatura com um residual muito elevado,
isto significa que a componente financeira
num aluguer operacional ou num leasing se
torna mais competitiva do que outra que
até eventualmente seja mais barata na
aquisição”, refere o entrevistado. “Ao que
eu sei, o Smart #1 e #3 são os modelos
com maior valor residual do mercado. Isto
significa que em termos de custo total de
propriedade são mais competitivos do que
a concorrência, incluindo a combustão”.
Na área do financiamento para particulares
ou pequenas e médias empresas, a Smart
estabeleceu uma parceria europeia com
a ALD Automotive, que agora é a Ayvens,
passando a LeasePlan a ser a intermediária
financeira em Portugal, estando também
integrada na plataforma de marketplace da
marca. “Ao entrar no site, um cliente particular
ou uma pequena empresa pode sair
automaticamente do processo de aquisição
com uma cotação. Todo o processo é
online, desde a cotação, simulações até a
própria assinatura digital dos contratos.
Tudo integrado numa única plataforma”.
Relativamente às grandes empresas, o
contacto é assegurado pelas gestoras
de frotas.“A Smart trabalha com todos os
clientes, todas as gestoras de frotas, todos
os bancos, todas as instituições”, sublinha
Bernardo Villa. “Cada cliente é livre de trazer
a sua entidade financeira para o negócio.
Não discriminamos qualquer parceiro”.
GANHAR NOTORIEDADE
Após o lançamento dos dois primeiros
modelos, o CEO da Smart Portugal refere
que o primeiro grande objetivo da marca
é alcançar a notoriedade, mostrando
às pessoas que a Smart cresceu e já não
44 FROTAS & COMERCIAIS MARÇO 2024
“O nosso
objetivo é
virmos a ser
uma referência
neste
segmento
premium de
viaturas cem
por cento
elétricas”.
é o fortwo.“Mas o importante é dar a conhecer
estes novos produtos. Temos-nos
apercebido que as pessoas vêem os carros,
gostam deles, mas não sabem que são
Smart”, reconhece o entrevistado. “Este é
um trabalho que temos de fazer enquanto
importador. Depois disso temos de iniciar
um trabalho profundo com a rede de agentes
para dar a experimentar estas viaturas
às empresas. O nosso objetivo é virmos a
ser uma referência neste segmento premium
de viaturas cem por cento elétricas.
Estou convencido que rapidamente vamos
entrar nas principais frotas e ter uma participação
ativa neste mercado”.
Relativamente ao futuro, a Smart irá alargar
o seu portefólio com o lançamento de
um terceiro modelo e a ofensiva de produto
irá prosseguir nos próximos três anos.
“Todos os produtos que vamos apresentar
estão adequados para clientes frotistas”,
afirma Bernardo Villa. “Cada vez são mais
as empresas que têm carros de função e
para essa tipologia a Smart terá sempre um
produto para cada segmento”, garante. /
SOLUÇÕES DE CARREGAMENTO
Parcerias com
DCS e ABB
Aoferta de produto da Smart vai ser acompanhada
por soluções de carregamento, graças a uma parceria
pan-europeia com a DCS - Digital Charging
Solutions. “Todas as viaturas que deixam a fábrica
já vêm com um pré-registo e um cartão da DCS”, afirma
Bernardo Villa, CEO da Smart Portugal. “O cliente regista-se
e tem acesso a mais de 360 mil postos de carregamento em
toda a Europa”. O responsável sublinha que outra vantagem
daquela parceria consiste na integração na “app” Hellosmart,
permitindo uma compatibilidade total entre a “app” de carregamento
e do carro, possibilitando o controlo de uma e da
outra, permitindo fazer as viagens com um planeamento de
carregamento. O CEO da Smart Portugal salienta que o sistema
da Mobi.E já está integrado na rede da DCS.
Se o cliente não tiver já uma infraestrutura de carregamento
para veículos elétricos, a Smart também assegura uma solução,
tendo estabelecido, para esse efeito, uma parceria europeia
com a ABB. “Obviamente que é mais económico fazer
carregamentos em casa ou na empresa do que numa rede
pública e esta última deve ser usada em complemento a uma
infraestrutura própria de carregamento”, afirma Bernardo
Villa, acrescentando que quem não dispõe dessa possibilidade
terá de carregar na rede pública.
Ao abrigo da parceria com a ABB, o cliente que inicia a jornada
de aquisição de um veículo da marca poderá adicionar uma
“wallbox” no “marketplace” da plataforma da Smart. “A partir
desse momento, o processo é despoletado internamente para
a ABB e ainda antes da chegada do carro, aquela empresa entra
automaticamente em contacto com o cliente para tentar
perceber se são necessárias soluções de carregamento do
tipo “plug & play” ou outras já vocacionadas para frotas de
maiores dimensões, com balanceamento de cargas”, explica
o CEO da Smart Portugal. “A ABB está na plataforma como
parceira oficial da marca a nível europeu e tem todas as competências
e capacidades para servir o cliente”, acrescenta.
MARÇO 2024 FROTAS & COMERCIAIS 45
DOSSIER
CHINESES NA EUROPA
BYD PORTUGAL
GAMA “PREMIUM” ACESSÍVEL
O segmento empresarial é considerado fundamental para o
desempenho da BYD em Portugal, cuja oferta tem vindo a ser
alargada, quer nos ligeiros de passageiros, quer nos comerciais
N
o seio do universo Salvador
Caetano, a BYD assume-se como
uma marca elétrica, tendo arrancado
a operação com ligeiros de
passageiros e que recentemente se estendeu
aos comerciais ligeiros. Atendendo ao
peso do segmento empresarial nas vendas
de veículos, este é considerado “fundamental
para o contínuo desenvolvimento
da marca”, segundo afirma Rita Pessanha,
diretora de Comunicação de Marketing e
Relações Públicas da BYD Portugal.“O segmento
empresarial deverá representar mais
de 70% das vendas, incluindo muitas empresas
em linha com a realidade do tecido
empresarial nacional. Temos já disponível
uma tipologia de produto 100% direcionada
para estes clientes, como parte da linha
BYD Professional”, explica a responsável
do distribuidor desta marca chinesa para o
mercado nacional. “Teremos uma estratégia
de aproximação direta, através da atual
rede de concessionários, com uma cobertura
geográfica, até agora, em 14 distritos”.
A estratégia da BYD passa ainda pela disponibilização
às empresas de soluções financeiras
e de renting. “Temos vindo a trabalhar
com as gestoras de frotas, com o objetivo
de oferecer rendas competitivas no mercado”,
refere Rita Pessanha. “Queremos igualmente,
utilizando o “know how” da Salvador
Caetano e das empresas dedicadas à mobilidade
elétrica, oferecer soluções de valor
acrescentado aos nossos clientes, onde se
inclui a avaliação / aconselhamento e instalação
das infraestruturas necessárias à
eletrificação das suas frotas”.
No que se refere aos modelos da marca mais
direcionados para o mercado empresarial,
46 FROTAS & COMERCIAIS MARÇO 2024
BYD
PROFESSIONAL
Para o segmento
empresarial foi
desenvolvida a linha
BYD Professional e a
primeira tipologia de
produto direcionada
para esses clientes é
o comercial elétrico
ETP3
a diretora de Comunicação de Marketing e
Relações Públicas da BYD Portugal considera
que todos estão vocacionados para este
segmento, mas sublinha que as versões de
entrada da gama BYD Dolphin e BYD Atto
“têm caraterísticas que os colocam nas
preferências das empresas”. Igualmente o
mais recente modelo BYD Seal tem vários
atributos, entre os quais o nível de equipamento
e autonomia, para ganhar uma fatia
relevante junto do sector empresarial.
FIABILIDADE E SEGURANÇA
Os modelos da BYD têm um posicionamento
“premium” acessível, onde se inclui um
elevado equipamento de série disponível
em todos os modelos face ao nível de preço,
combinando tecnologia de ponta, motores
avançados, elevada qualidade de engenharia
de produção. “A fiabilidade e segurança
são outras vantagens que derivam de um
forte investimento em pesquisa e desenvolvimento,
nomeadamente as baterias
“Blade”, que são 50% mais eficientes em
espaço, oferecendo maior segurança e tempo
de vida, e que equipam inclusivamente
outros fabricantes de automóveis”, esclarece
a responsável.
Na área das frotas, a BYD Portugal está
igualmente a apostar na eletrificação das
frotas das entidades públicas e a recente
entre aos Serviços Partilhados do Ministério
da Saúde foi um exemplo a repetir.
“A experiência do Ministério da Saúde foi de
enorme relevância para a marca, não só pela
dimensão da frota, mas também pelo seu
significado”, afirma Rita Pessanha. “O sector
publico está a fazer a transição energética
das suas frotas e são empresas de interesse
estratégico, principalmente pela visibilidade
e confiança que podem dar a uma marca
estreante a operar no mercado nacional”.
A aposta mais recente foi a entrada da marca
no segmento dos comerciais elétricos
com o BYD ETP3, o qual se posiciona neste
segmento como uma proposta justa de
valor, sendo um exemplo daquilo que a BYD
consegue oferecer: muita tecnologia e equipamento
ao melhor preço.
“No entanto, assumimos que temos ainda
um longo caminho para fazer nos comerciais,
uma vez que à data apenas temos um
modelo disponível” sublinha Rita Pessanha,
acrescentando que no final do ano a oferta
de comerciais BYD será reforçada com
mais um modelo. /
MARÇO 2024 FROTAS & COMERCIAIS 47
ENSAIO
AIWAYS U5 PRIME
PRIMEIRA VAGA
O Aiways U5 foi um dos pioneiros da ofensiva de automóveis
elétricos chineses no mercado nacional, surpreendendo pelo
espaço, qualidade e autonomia
TEXTO CARLOS MOURA PEDRO
Um dos primeiros automóveis elétricos
chineses a chegar ao mercado
nacional foi o Aiways U5, um
SUV elétrico com comprimento
exterior de 4,68 metros, que rapidamente
conquistou o mercado empresarial, designadamente
o subsegmento TVDE, devido
a uma competitiva combinação de preço,
qualidade, espaço, fiabilidade e autonomia.
Apesar da marca Aiways ter vindo a atravessar
algumas dificuldades em termos de
estrutura acionista e de ter mesmo interrompido
a produção, este modelo ainda se
mantém em comercialização, com condições
bastante interessantes para as frotas.
Posicionado como um SUV de dimensões
médias, o Aiways U5 carateriza-se, desde
logo, pela estética vanguardista que lhe
garante uma personalidade distinta, destacando-se
a secção frontal sólida, onde sobressai
uma assinatura luminosa futurista,
reforçada pelos puxadores das portas que
se destacam da carroçaria, ao que se juntam
jantes de dimensões de 19 polegadas.
A longa distância entre-eixos de 2,80 metros
e a colocação da bateria sob o piso permitiu
disponibilizar uma elevada habitabilidade,
designadamente nos lugares traseiros, além
de uma bagageira que oferece um volume
útil de 432 litros, mais 107 litros por baixo
do piso falso, ou então 1555 litros, com
o rebatimento dos assentos traseiros. Por
baixo do capot dianteiro encontra-se mais
um espaço de arrumação, com 45 litros.
O habitáculo surpreende pelo rigor na construção,
sendo a qualidade dos materiais variável,
mas perceção geral é boa. Existem plásticos
macios e pele sintética de bom toque.
Um apontamento de sofisticação é proporcionado
pelo revestimento em preto brilhante
da consola flutuante onde se encontra o
seletor giratório dos programas de condu-
ção, o botão do travão de estacionamento
elétrico ou uma “tampa” com os comandos
táteis da climatização. A parte superior da
consola central é dominada por um ecrã tátil
de 12,3”, que tem uma organização simples,
mas não tem muitas funcionalidades.
O painel de instrumentos é dividido em três
partes como um tríptico, mas os painéis laterais
não são fáceis de ler.
CONSUMO ANUNCIADO E REAL
O Aiways U5 recebeu um motor elétrico,
instalado sob o eixo dianteiro, que desenvolve
uma potência de 204 cv (150 kW) e
um binário de 310 Nm, permitindo acelerar
dos 0 aos 100 km/h em 7,8 segundos
e alcançar uma velocidade máxima de 160
km/h. A energia é fornecida por uma bateria
de 63 kWh que anuncia uma autonomia de
400 km em ciclo combinado WLTP, graças
a um consumo combinado de 17 kWh/100
48 FROTAS & COMERCIAIS MARÇO 2024
k, que se aproxima muito dos 17,3 kWh/100
km registados pelo computador de bordo
durante o ensaio. O Aiways U5 oferece três
modos de condução - Normal, Eco e Sport -
três níveis de recuperação de energia - High,
Medium e Low - mas a intensidade retenção
não varia muito, nunca chegando a ser um
“e-pedal” que imobiliza o carro.
Proposto por 51 058 euros (com IVA) ou
41 510 euros (sem IVA) e com um nível de
equipamento bastante completo, onde não
faltam os mais avançados sistemas de assistência,
o Aiways U5 Prime constitui uma
solução elétrica muito competitiva face à
concorrência em termos de relação preço
/ qualidade. /
QUALIDADE
A BORDO
Os materiais
utilizados
convencem pela
qualidade geral num
interior cararterizado
pelo ambiente
digital. O painel de
bordo é dominado
por um ecrã tátil.
que poderia ter mais
funcionalidades,
e por um quadro
de instrumentos
digital, que tem a
originalidade de estar
dividido em três, mas
a informação nas
secções laterais não
é de fácil leitura. O
sistema de ativação
do cruise control,
localizado no volante,
poderia ser mais
intuitivo
AIWAYS U5 PRIME
PREÇO 51 058 €
MOTOR ELÉTRICO
POTÊNCIA 150 KW (204 CV)
BINÁRIO 310 NM
TRANSMISSÃO AUTO, 1 VEL.
BATERIA 63 KWH
COMP./LARG./ALT. 4,68/1,87/1,70 M
DIST. ENTRE EIXOS 2,80 M
PESO 2135 KG
MALA 432 - 1555 L
ACEL. 0 – 100 KM/H 7,8S
VEL. MAX. 160 KM/H
CONSUMO WLTP 17,0
(17,3*) KW/100 KM
EMISSÕES 0 G/KM
IUC 0,00 €
MEDIÇÕES TURBO FROTAS & COMERCIAIS
TCO
PVP 51 058€
VR 24 712€
DEP 26 346 €
MAN 295 €
CUST COMB 5229€
UTILIZ 31 870€
PVP - Preço de Venda ao Público. Não inclui
negociação da marca. / VR - Valor Residual /
DEP - Depreciação / MAN - Custos com manutenção
programada (exclui pneus) / COM -
Custos com combustível e/ou energia / UTIL
- Custo total de utilização para a totalidade
do contrato. Todos os valores em Euros para
a duração considerada (4 anos / 80.000 km)
RENTING
691,79€ / 48 MESES / 40 000 KM
Valores não incluem IVA. Serviços incluídos:
Manutenção TOP, Pneus ilimitados,
Seguro, Veículo de substituição
e Assistência em Viagem.
EQUIPAMENTO / MATERIAIS
CRUISE CONTROL / REGENERAÇÃO
MARÇO 2024 FROTAS & COMERCIAIS 49
ENSAIO
BYD ATTO 3 DESIGN
AMBIENTE TECNOLÓGICO
Espaço, conforto, tecnologia, design e preço competitivo são alguns
dos fatores que tornam o BYD Atto 3 numa opção interessante para
as empresas que pretendem um SUV de segmento C
TEXTO CARLOS MOURA PEDRO
Recém-chegada a Portugal, a BYD
iniciou a atividade no mercado
nacional com uma forte ofensiva
de produto que se estende ao
mercado empresarial. Uma das apostas
para este segmento é o Atto 3, um SUV-C
com comprimento exterior de 4,60 metros,
autonomia de até 420 km em ciclo WLTP e
preços a partir de 41 990 euros, perfeitamente
ajustados à realidade nacional em
termos fiscais.
O BYD Atto 3 foi desenvolvido a partir da
plataforma dedicada para veículos elétricos,
denominada e-Platform 3.0 que inclui
uma bateria em formato de lâmina (Blade
Battery) com capacidade de 60,5 kWh, que
alimenta um motor elétrico que oferece
uma potência de 150 kW (204 cv) e um binário
de 310 Nm, sendo a tração assegurada
pelas rodas dianteiras. Os modelos da
BYD são fabricados na China, mas o estilo
tem a assinatura de designers europeus,
que procuraram ir ao encontro dos gostos
dos consumidores do Velho Continente. A
imagem exterior é caraterizada por linhas
suaves e elegantes que conferem uma aparência
sofisticada, com uma secção frontal
marcada por faróis afilados e uma grelha
dianteira subtil. As linhas fluidas estendem-
-se ao longo da carroçaria, criando uma
sensação de movimento e dinamismo, que
se prolonga até ao habitáculo.
PORMENORES INVULGARES
O interior, por sua vez, apresenta um piso
totalmente plano, com reflexos positivos
ao nível da habitabilidade. A longa distância
entre-eixos de 2,72 metros permitiu disponibilizar
um amplo espaço para as pernas,
quer para os ocupantes dos lugares
dianteiros, quer dos traseiros. O ambiente
a bordo do Atto 3 corresponde ao que se
espera de um automóvel elétrico: painel
de instrumentos pequeno, mas com toda
a informação, ecrã rotativo de 15,6”, equipamento
completo. Os pormenores fazem
igualmente a diferença com o revestimento
claro do painel de bordo e das portas. Este
é agradável ao toque, mas levanta dúvidas
quanto à sua resistência à exposição solar.
Igualmente sui generis são as bolsas das
portas com elásticos posicionados como
cordas de guitarra.
O motor elétrico de 204 cv revelou-se suave
e progressivo, permitindo ao Atto 3 acelerar
dos 0 aos 100 km/h em 7,3 segundos.
Em função do tipo de condução estão disponíveis
três modos - Eco, Normal e Sport
-, que podem ser selecionados na base da
consola, assim como os dois níveis de intensidade
de regeneração de energia, Normal
e High, embora a diferença seja pouca, assim
como os ganhos de autonomia. O con-
50 FROTAS & COMERCIAIS MARÇO 2024
BYD ATTO 3 DESIGN
PREÇO 41 990 €
(43 490 € VERSÃO ENSAIADA)
MOTOR ELÉTRICO
POTÊNCIA 150 KW (204 CV)
BINÁRIO 310 NM
TRANSMISSÃO DIANTEIRA,
AUTO, 1 VEL.
COMP./LARG./ALT. 4,46/1,88/1,62 M
DISTÂNCIA ENTRE-EIXOS 2,72 M
PESO 1825 KG
MALA 440 - 1338 L
ACEL 0 - 100 KM/H 7,3 S
VEL. MAX 160 KM/H
CONSUMO WLTP 16,2
(17,8) KW/100 KM
CAPACIDADE DA BATERIA 60.5 KWH
AUTON. ELÉTRICA 420 KM
EMISSÕES 0 G/KM
IUC 0,00 €
* MEDIÇÕES TURBO FROTAS & COMERCIAIS
DESIGN
INVULGAR
O habitáculo do Atto
apresenta algumas
caraterísticas pouco
habituais como
um ecrã central
rotativo ou a base
da consola central
com um seletor
dos programas
de condução que
faz lembrar o dos
aviões. O painel
de instrumentos é
mínimo, mas tem
toda a informação.
Espaço a bordo
também não falta
TCO
PVP 43 990€
VR 21 291€
DEP 22 699€
MAN 210 €
CUST COMB 5126 €
UTILIZ 28 035 €
PVP - Preço de Venda ao Público. Não inclui
negociação da marca. / VR - Valor Residual /
DEP - Depreciação / MAN - Custos com manutenção
programada (exclui pneus) / COM -
Custos com combustível e/ou energia / UTIL
- Custo total de utilização para a totalidade
do contrato. Todos os valores em Euros para
a duração considerada (4 anos / 80.000 km)
RENTING
584,05 € / 48 MESES /40 000 KM
Valores não incluem IVA. Serviços incluídos:
Manutenção TOP, Pneus ilimitados,
Seguro, Veículo de substituição
e Assistência em Viagem.
HABITABILIDADE / AUTONOMIA
SUSPENSÃO / DIREÇÃO
sumo de energia, por sua vez, registado
durante o ensaio foi de 17,8 kWh/100 km.
A autonomia real encolheu 50 km face ao
anunciado, mas é mais que suficiente para
a maioria das utilizações.
Por outro lado, a suspensão do tipo
McPherson nos dois eixos tem dificuldades
em gerir as transferências de massas,
enquanto a direção revelou-se pouco
comunicativa com o eixo dianteiro. Mas a
segurança nunca está em causa porque
o Atto 3 dispõe dos mais avançados sistemas
de assistência, incluindo o Active
Cruise Control ou o assistente de manutenção
de faixa.
Disponível por 43 490 euros, a versão ensaiada
do Atto 3, Design, destaca-se pela
oferta de equipamento, completa, a apresentação
competente e custos de utilização
competitivos. Mesmo à medida das frotas
e a concorrência que se cuide. /
MARÇO 2024 FROTAS & COMERCIAIS 51
ENSAIO
SMART #1 PREMIUM
REGRESSO EM GRANDE
A Smart está de volta ao mercado com o #1, um SUV elétrico
com autonomia de até 440 km, que aposta no espaço e no
equipamento para conquistar o segmento empresarial
TEXTO CARLOS MOURA PEDRO
D
etida em partes iguais pela germânica
Mercedes-Benz e pela
chinesa Geely, responsáveis pelo
design e produção, respetivamente,
o #1 é o primeiro modelo da “nova”
Smart, que acaba de ser lançado no mercado
nacional. Uma das apostas da marca
para este SUV elétrico com comprimento
exterior de 4,27 metros e uma altura de 1,64
metros é o segmento empresarial, graças
a um posicionamento de preço ajustado à
fiscalidade nacional.
A ligação à Mercedes-Benz está patente
nas linhas da carroçaria, destacando-se
os grupos óticos em forma de V e os farolins
traseiros unidos por barras luminosas
inspiradas nos modelos EQ. Mas o Smart
#1 tem uma identidade muito própria, cuja
imagem sofisticada é sublinhada pelas formas
arredondadas da carroçaria e por alguns
detalhes como a parte final da linha de
tecto, que faz lembrar um boné de baseball.
Desenvolvido a partir da plataforma SEA
(Sustainable Engineering Architecture) da
Geely, o smart #1 tem uma distância entre
eixos de 2,75 metros - superior aos 2,70
metros de comprimento total do smart
fortwo de segunda geração - e um piso
totalmente plano, permitindo disponibilizar
uma generosa habitabilidade para os
ocupantes da fila traseira, com muito espaço
para os ocupantes. A bagageira oferece
um volume útil de 313 litros, ao que
se junta um compartimento por baixo do
piso e um outro na frente por baixo do capot
com um volume de 15 litros.
HABITÁCULO MINIMALISTA
Minimalista é o interior, destacando-se o
ecrã tátil de 12,8” que concentra todas as
funcionalidades, mesmo aquelas a que se
acede por uns botões sensíveis ao toque -
climatização, definições, modos de condução
(Eco, Comfort e Sport), obrigando, no
entanto, o condutor a desviar os olhos da
estrada. Mesmo os faróis de nevoeiro têm
de ser ligadas através do ecrã tátil. As informações
mais relevantes relativamente
à condução encontram-se num pequeno
painel de instrumentos digital de 9,2”, perfeitamente
visível pelo meio do volante, e
no “head-up” display.
O habitáculo apresenta um nível de acabamento
superior, destacando-se os plásticos
macios e o material aborrachado que
reveste o interior dos compartimentos de
arrumação da consola central.
O Smart #1 oferece uma posição de condução
elevada e para iniciar a marcha, basta
acionar uma haste atrás do volante no lado
direito, entrando logo em funcionamento o
motor elétrico, o qual disponibiliza uma potência
de 272 cv (200 kW) e um binário de
52 FROTAS & COMERCIAIS MARÇO 2024
SMART #1
PREMIUM
PREÇO 44 450 €
MOTOR ELÉTRICO
POTÊNCIA 200 KW (272 CV)
BINÁRIO 343 NM
TRANSMISSÃO TRAS.; AUTO, 1 VEL.
COMP./LARG./ALT. 4,27/1,/1,82/1,63 M
DISTÂNCIA ENTRE-EIXOS 2,75 M
PESO 1350 KG
MALA 313 L
ACEL 0 - 100 KM 6,7S
VEL. MAX 180 KM/H
CONSUMO WLTP 17,1
(17,1*) KW/100 KM
CAPACIDADE DA BATERIA 62 KWH
AUTON. ELÉTRICA 420 KM
EMISSÕES 0 G/KM
IUC 0,00 €
* MEDIÇÕES TURBO FROTAS & COMERCIAIS
BOTÕES?
Os botões
físicos quase
não existem
no Smart
#1. Para o
bem e para
o mal, todas
as funções
são acedidas
através do
grande ecrã
tátil de 12,8"
TCO
PVP 44 450€
VR 21 514€
DEP 22936 €
MAN 0€
CUST COMB 4925€
UTILIZ 27 861€
PVP - Preço de Venda ao Público. Não inclui
negociação da marca. / VR - Valor Residual /
DEP - Depreciação / MAN - Custos com manutenção
programada (exclui pneus) / COM -
Custos com combustível e/ou energia / UTIL
- Custo total de utilização para a totalidade
do contrato. Todos os valores em Euros para
a duração considerada (4 anos / 80.000 km)
RENTING
583,23€ / 48 MESES / 40 000 KM
Valores não incluem IVA. Serviços incluídos:
Manutenção TOP, Pneus ilimitados,
Seguro, Veículo de substituição
e Assistência em Viagem.
HABITABILIDADE / AUTONOMIA
MALA / COMANDOS ECRÃ TÁTIL
ESPAÇO
GENEROSO
A secção traseira
do Smart #1 tem
um design que
faz lembrar os
modelos elétricos da
Mercedes-Benz. O
carregador de bordo,
de série, é de 22 kW.
A longa distância
entre-eixos e o piso
plano permitiram
disponibilizar um
amplo espaço,
sobretudo atrás.
O volume útil da
bagageira poderia
ser mais generoso
343 Nm. A tração é assegurada pelas rodas
traseiras, sendo possível acelerar dos
0 aos 100 km/h em 6,7 segundos. O motor
elétrico é alimentado por uma bateria com
capacidade útil de 62 kWh, a qual anuncia
uma autonomia de 440 km, embora o alcance
registado durante o ensaio tenha sido
de 384 km. O consumo médio de energia
indicado pelo computador de bordo foi de
17,1 kWh/100 km, valor idêntico ao anunciado
pela marca.
A combinação de um preço competitivo de
44 450 euros para o nível de equipamento
Premium com um baixo consumo de energia,
a oferta de manutenção nos primeiros
três anos e um elevado valor residual permite
ao Smart #1 oferece um baixo custo
total de utilização de 27,86 euros por cada
cem quilómetros percorridos para um período
48 meses. /
MARÇO 2024 FROTAS & COMERCIAIS 53
DOSSIER
CHINESES NA EUROPA
JAC MOTORS
ÚLTIMA
MILHA
A JAC Motors
Ibérica iniciou
atividade
em Portugal
com camiões
elétricos de
7,5 toneladas
que estão
vocacionados
para operações
de distribuição
OiJAC 7.5T é o primeiro modelo da
JAC Motors a ser comercializado
no mercado nacional. Trata-se
de um camião elétrico com peso
bruto de 7,5 toneladas e autonomia superior
a 230 quilómetros que está vocacionado
para operações de distribuição.
O chassis está preparado para receber todos
os tipos de carroçaria, desde simples
caixas de carga geral ou basculantes para
transporte de garrafas até gruas, bem como
caixas refrigeradas, compactadoras ou veículos
blindados.
A JAC Motors foi fundada na China na década
de “60, sendo detida pelo Volkswagen
Group, que em 2017 adquiriu 50% do capital
e aumentou o seu investimento na divisão
de veículos elétricos1 para 75% em 2021.
Numa aposta estratégica focada na eletrificação
e na tecnologia, a JAC Motors Iberia
iniciou a sua operação em Espanha em meados
de 2022, tendo obtido uma receção surpreendente
entre os operadores do setor.
Entre os clientes da JAC Motors encontram-
-se importantes municípios, operadores
multinacionais e pequenas e médias empresas
de entrega. Empresas como a Nike,
Makro, Mahou, Danone, Aquaservice e município
de Barcelona já adotaram os camiões
OPERAÇÃO EM ESPANHA E PORTUGAL
A Jac Motors iniciou a atividade em Espanha, onde obteve uma boa receção, e estendeu a
sua operação a Portugal. A aposta inicial é num camião elétrico com peso bruto de 7500 kg
elétricos JAC nas suas operações diárias.
Segundo cálculos da JAC Motors Iberia, um
camião iJAC 7.5T pode evitar a emissão de
aproximadamente 20 toneladas de dióxido
de carbono por ano em comparação com
um congénere térmico. Outra vantagem
consiste numa redução até 50% nas manutenções,
avarias e incidentes em comparação
com equivalentes diesel, o que
tem um impacto direto no TCO (Total Cost
of Ownership - Custo total de aquisição e
operação do veículo)./
54 FROTAS & COMERCIAIS MARÇO 2024
ASSINE
A TURBO
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ESTÁ A BENEFICIAR
DE UM DESCONTO
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EXMOS. SENHORES POR DÉBITO NA CONTA ABAIXO INDICADA, QUEIRAM PROCEDER, ATÉ NOVA COMUNICAÇÃO,
AOS PAGAMENTOS DAS SUBSCRIÇÕES QUE VOS FOREM APRESENTADAS PELA VASP PREMIUM.
A SUBSCRIÇÃO RENOVAR-SE-Á AUTOMATICAMENTE ATÉ MINHA INDICAÇÃO EM CONTRÁRIO.
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TRANSFERÊNCIA BANCÁRIA PAGAMENTO PARCELAR (SEM DIREITO A BRINDE)
PAGA COMODAMENTE EM 3 OU 6 PRESTAÇÕES | 1 ANO = 3X 19,7€ | 2 ANOS = 6X 17,84€
A SUBSCRIÇÃO RENOVAR-SE-Á AUTOMATICAMENTE ATÉ MINHA INDICAÇÃO EM CONTRÁRIO.
Banco ___________________________________________Balcão ___________________________________________________
Nome do titular _____________________________________________________________________________________________
IBAN __________________________________________________________________SWIFT/BIC __________________________
Assinatura (DO TITULAR DA CONTA) _____________________________________________________________ DATA ___ / ___ / _____
REFERÊNCIA MULTIBANCO é favor contatar a Linha de Atendimento (214 337 036)
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DOSSIER
CHINESES NA EUROPA
OHM 35 EV
VOCAÇÃO URBANA
A oferta de comerciais ligeiros no mercado nacional foi reforçada
com a chegada do Ohm 35 EV, chassis-cabina elétrico com peso
bruto de 3500 kg e autonomia de até 337 km em ciclo urbano
D
etida pela Hiab dos Países Baixos
- fabricante das gruas com o mesmo
nome -, centro de pesquisa e
desenvolvimento em Itália, sede
em Singapura e produção na China, a Ohm
é a mais recente marca de veículos comerciais
ligeiros a entrar no mercado português.
Fundada em 2021, a Ohm dedica-se à conceção
e produção de veículos comerciais elétricos
para aplicações ligadas à distribuição
urbana e serviços municipais. A estrutura do
chassis foi otimizada para facilitar a instalação
dos mais diversos tipos de carroçarias,
incluindo contentores fechados, com
ou sem frio, caixas abertas, equipamentos
de recolha de resíduos sólidos, entre outros.
O seu primeiro modelo, que já se encontra
disponível para encomenda, é o Ohm 35 EV,
um chassis-cabina elétrico, homologado
com peso bruto de 3500 quilos. O chassis
de aço reforçado com estrutura clássica de
travessas e longarinas oferece uma capacidade
de carga sem carroçaria até 2000 kg
ou entre 1000 kg a 1500 kg, após carroçamento.
O comprimento do total em chassis
é de 4,89 metros, a largura de 1,76 metros
e a altura da cabina de 2,00 metros. A distância
entre-eixos é de três metros. Estas
dimensões vocacionam-no para operação
em centros urbanos históricos, onde predominam
as ruas estreitas.
O Ohm 35 EV está equipado com dois packs
de bateria de fosfato de ferro e lítio
(LiFePO4), que se encontram localizados
em ambos os lados do chassis, que garantem
uma autonomia de até 241 quilómetros
56 FROTAS & COMERCIAIS MARÇO 2024
PESO BRUTO DE 3500 KG
A combinação de uma largura exterior de 1,76
metros e um peso bruto de 3500 kg são ideais
para operações em centros históricos
em ciclo WLTP ou 337 km em ciclo urbano,
para um peso total do veículo de 2143 kg.
4,89 M
COMPRIMENTO
86 KW
MOTOR
241 KM
AUTONOMIA WLTP
QUANDO?
MARÇO 2023
MOTOR DE 86 KW
A bateria fornece energia a um motor elétrico,
localizado no eixo traseiro, que desenvolve
uma potência máxima de 86 kW e
um binário de 3150 Nm. Para não penalizar
o consumo energético, a velocidade máxima
está limitada a 90 km/h,. Para recuperar a
capacidade de carga da bateria, o Ohm 35
oferece a possibilidade de carregamento em
corrente alterna, com potência até 7 kW, ou
contínua, até 80 kWh. Nesta última opção
bastam 40 minutos para carregar a bateria
dos 20% aos 90%. O consumo médio de
energia anunciado é de 24,6 kWh/100 km.
O habitáculo do Ohm 35 oferece uma lotação
para dois ocupantes. O ambiente a bordo é
caraterizado pela simplicidade e robustez,
mas nota-se que houve um cuidado especial
na utilização de materiais agradáveis
à vista, sendo de destacar que a qualidade
percecionada está em linha com os produtos
europeus. O equipamento de série inclui
ar condicionado manual, vidros elétricos,
direção assistida elétrica, rádio, sistema
multimedia com ecrã tátil localizado no topo
da consola central. Este último fornece um
conjunto de informações como o estado do
veículo ou do ar condicionado, a velocidade
média, assim como da bateria. O painel
de instrumentos possui um pequeno ecrã
TFT que concentra dados relevantes para a
condução como a velocidade instantânea,
programa de condução selecionado, autonomia
restante, voltagem total da bateria.
À semelhança de outros veículos do segmento,
a posição de condução é elevada,
estando os comandos ao fácil alcance. O
ajuste do assento do condutor é manual,
mas o volante não é ajustável. Para ligar
o veículo, basta rodar a chave na ignição,
de forma tradicional, enquanto o travão de
estacionamento, localizado entre os assentos,
é mecânico. Os três programas de
condução R- N - D são selecionados através
de um comando giratório localizado
na base da consola central. A condução é
semelhante à de qualquer outro elétrico,
bastando carregar no pedal do acelerador
ou no pedal do travão. A dinâmica é semelhante
à de qualquer outro veículo elétrico
com estas caraterísticas.
O Ohm 35 EV já se encontra disponível para
encomenda, com preços a partir de 60 mil
euros (mais IVA). /
MARÇO 2024 FROTAS & COMERCIAIS 57
DOSSIER
CHINESES NA EUROPA
MAXUS PORTUGAL
PLENA OPERAÇÃO
A Maxus foi uma das primeiras marcas chinesas a lançar
comerciais elétricos e no ano passado conseguiu mesmo a
liderança no segmento dos furgões médios e grandes
U
ma das primeiras marcas chinesas
a entrar no mercado nacional foi a
Maxus, que tem vindo a reforçar a
sua oferta. Além dos furgões elétricos
eDeliver3 e eDeliver9, a gama acabou
de ser alargada com a introdução da primeira
pick-up elétrica no nosso país, T90EV, e
também de um camião elétrico com peso
bruto de 7,5 toneladas, o EH300. De acordo
com Francisco Morais, diretor de marketing
da Maxus Portugal, o balanço da operação
da marca no nosso país desde abril de 2022
tem sido “muito positivo e animador, deixando
as expetativas bem altas para o futuro”.
Após todos os constrangimentos de produção
e logística que afetaram a indústria
automóvel, a Maxus foi a marca líder
de vendas nos segmentos de furgões elétricos
de médias e grandes dimensões no
ano de 2023 com os modelos eDeliver3 e
eDeliver9. “Apesar do segmento ser ainda
relativamente pequeno, a tendência da
mobilidade aponta para um crescimento
exponencial e a Maxus está já em plena
operação e com capacidade de resposta
face ao expectável aumento da procura no
mercado”, afirma Francisco Morais. “Por sua
vez, ter uma operação com uma ofensiva de
produto considerável e ousada na entrada
em novos segmentos, como aconteceu em
2023, faz-nos encarar o futuro do negócio
com grande otimismo,” acrescenta o responsável
da Maxus Portugal.
Uma das caraterísticas dos comerciais elétricos
da Maxus mais valorizadas pelos clientes
tem sido a autonomia. “A transição para
viaturas elétricas requer uma nova abordagem
de utilização, onde a autonomia é um
aspeto fundamental e onde a Maxus se po-
58 FROTAS & COMERCIAIS MARÇO 2024
siciona de forma muito competitiva”, explica
Francisco Morais. “A par da autonomia,
a capacidade de carga e a assistência são
também fatores fundamentais e em relação
aos quais a marca tem correspondido
de forma eficiente”, sublinha.
GAMA ALARGADA
A Maxus tem
vindo a alargar
continuamente a sua
gama de veículos
comerciais elétricos.
Após o lançamento
dos furgões eDeliver
3 e eDeliver 9,
seguiram-se a
pick-up T90 EV e o
camião EH300. Ainda
este ano chegará
o eDeliver 7, que se
posiciona no centro
dos segmento dos
comerciais médios
NOVOS PRODUTOS
Entretanto, a Maxus estendeu a sua oferta
ao segmento das pick-up elétrica dos camiões
elétricos. Segundo Francisco Morais,
a resposta do mercado tem “sido muito
positiva” em ambos os produtos. “A nova
T90 EV tem tido um conjunto alargado de
potenciais clientes interessados em mais
informações sobre consumos e custo total
de propriedade de uma solução pioneira no
segmento e que poderá responder às necessidades
de viaturas de trabalho tradicionalmente
a combustão”, refere o diretor de
marketing da Maxus Portugal. “As unidades
vendidas têm demonstrado cumprir com as
expetativas e a perspetiva de futuro é iniciar
um ritmo de aquisição inovador e transformador
no mercado das pick-up”.
No que respeita ao novo EH300, a oferta de
uma solução 100% elétrica no segmento
dos camiões de 7,5 toneladas tem recebido
“grande interesse por parte de clientes
frotistas, maioritariamente no segmento da
distribuição, tendo já sido firmadas encomendas
e entregas a clientes das primeiras
unidades”, salienta o responsável.
A ofensiva de produto da Maxus irá continuar
em 2024 com a introdução, no segundo
trimestre, de novos modelos para responder
à crescente procura do segmento
dos furgões elétricos, estando previsto o
lançamento do eDeliver 7. /
MARÇO 2024 FROTAS & COMERCIAIS 59
ENSAIO
BYD ETP3
SUPERAR A EXPETATIVAS
Furgão elétrico compacto da BYD, o ETP3 consegue superar as
expetativas em termos qualidade de materiais, equipamento e preço.
Sofisticação tecnológica é aspeto a melhorar
TEXTO CARLOS MOURA PEDRO
P
resente até muito recentemente
apenas no mercado dos ligeiros
de passageiros elétricos, a BYD
Portugal decidiu estender a sua
oferta aos comerciais elétricos, começando
pelo BYD ETP3, um furgão de dimensões
compactas com comprimento exterior de
4,46 metros, largura de 1,72 metros e altura
de 1,88 metros.
O acesso ao compartimento de carga é assegurado
por duas portas laterais, que são
de série, e por um portão basculante. A combinação
de um comprimento interno de 1,9
metros, uma largura de 1,2 metros e uma
altura de 1,2 metros permite disponibilzar
um volume útil de 3,5 m3. O piso tem revestimento
antiderrapante em liga de alumínio,
sendo a capacidade de carga de 805 quilos.
A área de carga encontra-se separada da
zona de condução através de uma divisória
metálica com óculo. Como o ETP tem uma
largura exterior mais reduzida, isso significa
que o habitáculo só está preparado para
receber dois assentos. Mas por outro lado
permite disponibilizar um espaço generoso
para os ocupantes, que vão bem instalados
em bancos com pele sintética e aquecimento.
Os materiais utilizados no painel de bordo
surpreendem pela qualidade e consistência.
A parte superior da consola central acomoda
um ecrã tátil, mas que não oferece muitas
funcionalidades, à exceção da ligação
Bluetooth a smartphone, da sintonização
das estações de rádio ou acesso às imagens
da câmara traseira. A consola central
possui entradas para cartões microSD e
USB-A, assim como comandos físicos para
o sistema de ar condicionado. A dotação de
série inclui sistema de arranque sem chave
e travão de estacionamento elétrico, cujos
comandos se encontram próximos do seletor
dos programas de condução no centro
da consola central.
FRACA REGENERAÇÃO
O posto de condução é relativamente elevado,
mas as possibilidades de regulação
do banco e da coluna da direção permitem
encontrar com facilidade a melhor posição.
O BYD ETP3 vem equipado com um motor
elétrico que desenvolve uma potência de
100 kW (136 cv) e um binário de 180 Nm.
Como o veículo pesa em vazio 1640 quilos,
as prestações são apenas as suficientes
para uma utilização urbana, como indica a
aceleração dos 0 aos 100 km/h em 13 segundos.
A velocidade máxima está mesmo
limitada a 100 km/h. O motor elétrico
é alimentado por uma bateria Blade de LFP
com capacidade de 44,9 kWh. No início do
60 FROTAS & COMERCIAIS MARÇO 2024
BYD
ETP3
PREÇO 33 087 €
MOTOR ELÉTRICO 100 KW (134 CV)
BINÁRIO 180 NM
TRANSMISSÃO AUTO, 1 VEL.
COMP./LARG./ALT. 4,46/1,72/1,88 M
DISTÂNCIA ENTRE-EIXOS 2,73 M
PESO BRUTO 2420 KG
TARA 1640 KG
CARGA ÚTIL 780 KG
VOLUME ÚTIL 3,5 M3
CONSUMO 16,7 (17,8*) KWH/100
EMISSÕES 0 G/KM
IUC 0,00 €
* MEDIÇÕES TURBO FROTAS & COMERCIAIS
TUDO NO
DEVIDO LUGAR
O furgão compacto
da BYD oferece uma
lotação para dois
ocupantes. A consola
central possui um
pequeno ecrã tátil,
mas o painel de instrumentos
tem um
visual clássico. Os
materiais utilizados
no habitáculo têm
um aspeto agradável
à vista
TCO
PVP 33 087€
VR 16 808€
DEP 16 279€
MAN 210€
CUST COMB 5411€
UTILIZ 21 899€
PVP - Preço de Venda ao Público. Não inclui
negociação da marca. / VR - Valor Residual /
DEP - Depreciação / MAN - Custos com manutenção
programada (exclui pneus) / COM -
Custos com combustível e/ou energia / UTIL
- Custo total de utilização para a totalidade
do contrato. Todos os valores em Euros para
a duração considerada (4 anos / 80.000 km)
RENTING
562,81 € /48 MESES /40 000 KM
Valores não incluem IVA. Serviços incluídos:
Manutenção TOP, Pneus ilimitados,
Seguro, Veículo de substituição
e Assistência em Viagem.
PREÇO / DUAS PORTAS LATERAIS
DOIS LUGARES / REGENERAÇÃO
ensaio, o computador de bordo indicava
uma autonomia 280 km, mas no final esta
ficou ligeiramente acima dos 250 quilómetros.
O consumo de energia registado foi
de 17,8 kWh/100 km, o que se traduz num
custo de 6,74 euros em carregamento na
rede pública ou 3,56 euros se for doméstico,
segundo dados da UVE. O ETP3 só tem
um programa de condução e dispõe de um
sistema de regeneração de energia que poderia
ser mais eficiente, já que só consegue
ganhar (pouca) autonomia em fortes desacelerações
em descidas.
A relação preço-equipamento é um dos argumentos
do ETP3 porque o valor de 33 087
euros, deverá “sensibilizar” as empresas
mais sensíveis ao custo de investimento
inicial. Para quem tem de fazer autoestrada,
este modelo foi homologado como Classe 1,
mas com identificador Via Verde. /
MARÇO 2024 FROTAS & COMERCIAIS 61
ENSAIO
MAXUS T90 EV
JOGAR POR ANTECIPAÇÃO
Com uma autonomia de 330 km, a Maxus T90 EV é a primeira pick-up
elétrica à venda na Europa, mas o seu sucesso pode ser condicionado
pela tração traseira e preço elevado
TEXTO CARLOS MOURA PEDRO
Previsivelmente, o segmento das
pick-up deverá ser um dos últimos
a ser eletrificado. Não obstante,
a Maxus quis antecipar-se
à concorrência ao lançar o primeiro modelo
elétrico desta categoria no mercado
nacional. Na sua essência, a T90 EV é uma
pick-up de cabina dupla e cinco lugares de
dimensões médias, com um comprimento
exterior de 5,35 metros, uma distância
entre-eixos longa de 3,16 metros e uma
largura de 1,90 metros.
Uma das suas peculiaridades será a disposição
da sua linha motriz. O tradicional
compartimento do motor acomoda os sistemas
elétricos em substituição do bloco
diesel, mas como a bateria tem uma capacidade
bastante elevada, de 88,6 kWh, esta
teve de ser instalada por baixo do chassis.
Como consequência, o sistema de tração
integral do T90 teve de ser eliminado e a
relativa maior altura ao solo deixa à vista
a caixa da bateria.
A tração está a cargo de um motor elétrico
montado no eixo traseiro e que fica mais
abaixo do que o diferencial, reduzindo a altura
útil ao solo a uns modestos 18,7 centímetros,
enquanto os ângulos de ataque
e saída não vão além de 27º e 24º.
A bateria anuncia uma autonomia de até
330 quilómetros em ciclo WLTP ou 417 km
em ciclo urbano. O carregamento pode ser
efetuado em corrente alterna a 11 kW em
7h30m ou em corrente contínua a 80 kW
em apenas 45 minutos.
Passando ao habitáculo, este apresenta um
painel de bordo com um design contemporâneo,
não faltando um ecrã tátil de 10,25”
na consola central, que controla a maioria
das funções, com exceção da climatização,
que possui botões físicos dedicados na parte
inferior. Os comandos principais são uma
mistura de convencional e moderno. Existe
um canhão da ignição para inserir a chave
e um travão de estacionamento mecânico
entre os bancos. A qualidade geral do habitáculo
é razoável, assim como o nível de
construção, sendo utilizada uma combinação
de plásticos rijos e revestimentos a
imitar pele, nas portas e nos bancos.
INVESTIMENTO ELEVADO
Dinamicamente, o motor elétrico, com 177
cv (130 kW) de potência e 310 Nm de binário,
assegura uma razoável agilidade a
um veículo que pesa em vazio quase 2,4
toneladas. Em função das necessidades,
62 FROTAS & COMERCIAIS MARÇO 2024
o utilizador tem à disposição três modos
de condução - Eco, Normal e Power - ativados
por botões ao lado do seletor dos
programas de condução. O sistema de regeneração
também não é dos mais eficientes.
Em termos de consumo de energia, o
computador de bordo registou uma média
de 18,6 kWh/100 km, o que se traduz num
custo de 7,10€ por cada cem quilómetros
em carregamento na rede pública a um
preço médio de kWh de 0,38 € (dados da
UVE) ou 3,72 € em carregamento doméstico
a preço médio de 0,20 €.
No que se refere ao preço de venda ao público,
a pick-up elétrica da Maxus está disponível
por 81 381 euros, valor em linha com
concorrentes diesel do segmento mais equipados,
com melhor qualidade e com mais
capacidades em fora de estrada.
O preço elevado vem acompanhado com
uma lista de equipamento relativamente
interessante, que compreende ar condicionado,
câmara traseira, sensores de estacionamento
traseiros, sensores de luminosidade
e chuva, bancos em pele artificial,
luzes de circulação diurna./
QUALIDADE
VARIÁVEL
A cabina dupla
constitui uma
mistura entre
moderno e
convencional, sendo
utilizados materiais
de qualidade variável.
A consola central
possui um ecrã
tátil, mas o painel
de instrumentos é
clássico. Os bancos
são em pele sintética
MAXUS T90 EV
PREÇO 81 381 €
MOTOR ELÉTRICO 130 KW (177 CV)
BINÁRIO 310 NM
TRANSMISSÃO AUTO, 1 VEL.
BATERIA 88,55 KWH
COMP./LARG./ALT. 5,35/1,90/1,81 M
DISTÂNCIA ENTRE-EIXOS 3,16 M
PESO BRUTO 3300 KG
TARA 2375 KG
CARGA ÚTIL 925 KG
CONSUMO WLTP ND (18,6*)
KW/100 KM
EMISSÕES 0 G/KM
IUC 0,00 €
TCO
PVP 81 381€
VR 41 342€
DEP 40 039€
MAN 295 €
CUST COMB 5537€
UTILIZ 45 871€
PVP - Preço de Venda ao Público. Não inclui
negociação da marca. / VR - Valor Residual /
DEP - Depreciação / MAN - Custos com manutenção
programada (exclui pneus) / COM -
Custos com combustível e/ou energia / UTIL
- Custo total de utilização para a totalidade
do contrato. Todos os valores em Euros para
a duração considerada (4 anos / 80.000 km)
RENTING
998,63€/48 MESES /40 000 KM
Valores não incluem IVA. Serviços incluídos:
Manutenção TOP, Pneus ilimitados,
Seguro, Veículo de substituição
e Assistência em Viagem.
IMAGEM / AUTONOMIA
SISTEMA DE REGENERAÇÃO
MARÇO 2024 FROTAS & COMERCIAIS 63
técnica
ÓLEOS LUBRIFICANTES
A OPÇÃO
CERTA
Escolher o óleo certo garante o
bom funcionamento do motor,
melhora a eficiência de combustível
e ajuda a evitar despesas com
reparações no futuro
N
ão obstante o aumento da penetração
dos veículos elétricos nas
frotas, o parque circulante ainda
continua a ser dominado por viaturas
de combustão interna, quer
sejam a gasóleo, quer sejam a gasolina.
Quando se trata da manutenção
da viatura, a escolha do
óleo mais indicado é tão importante
com a própria substituição do mesmo.
O motor é um dos componentes mais importantes na
manutenção de um veículo térmico, incluindo os híbridos
“puros” e os híbridos plug-in, sendo essencial uma boa
condição, tendo em conta o serviço, a carga, a especificação,
a viscosidade.
Para um motor funcionar corretamente, deve ser constantemente
abastecido com óleo, já que as partículas
finas contidas no combustível o podem deteriorar. Num
propulsor bem lubrificado, estas acabam por se misturar
com o óleo, ficando, em seguida e de forma mais fácil,
presas no filtro de óleo.
Por esse motivo é muito importante substituir o óleo do
motor, assim como o respetivo filtro, de forma regular,
para manter o seu bom funcionamento.
A utilização de um produto não adequado poderá ainda originar
problemas relacionados com o regime de lubrificação
e/ou compatibilidade com sistemas auxiliares como,
por exemplo, os sistemas de tratamento de escape dos
veículos automóveis.
Se o óleo não for o adequado para o equipamento ou indicado
para um determinado tipo de serviço podem ocorrer
avarias, desgastes dos componentes e alguns danos graves,
o que conduz a uma diminuição da operacionalidade
da viatura ou mesmo paragens indesejadas e, eventualmente,
dispendiosas.
TRÊS CATEGORIAS DE ÓLEOS
Em função do tipo de veículo existem diferentes categorias
de óleo do motor. Para viaturas mais antigas ou menos
complexas tecnologicamente, a escolha mais económica
é o óleo mineral. Derivado diretamente do petróleo bruto
tem sido o padrão da indústria ao longo dos anos. Apesar
de ser mais acessível tem a desvantagem de ser menos
eficiente em termos de desempenho em comparação
MAIOR VIDA ÚTIL
A utilização do óleo
lubrificante mais
adequado para cada
tipo de aplicação
permite aumentar a
longevidade do motor
e a própria eficiência
de combustível, com
reflexos diretos nos
custos totais de
propriedade
64 FROTAS & COMERCIAIS MARÇO 2024
com especificações tecnologicamente mais evoluídas. O
óleo mineral é recomendado para motores mais antigos
ou veículos que não enfrentam regularmente condições
extremas de condução.
Uma segunda alternativa será o óleo semissintético, que
procura ser uma solução de compromisso entre custo e
desempenho. Basicamente consiste numa mistura entre
óleo mineral e sintético, oferecendo uma proteção melhor
do que o primeiro, mas continua a ser mais acessível do
que o sintético. Este lubrificante será a opção mais racional
para quem pretende melhorar o desempenho do motor
sem um custo excessivo.
A terceira alternativa tecnologicamente mais evoluída é
o lubrificante sintético. Estes óleos são preparados em
laboratório para garantirem o melhor desempenho e fo-
MARÇO 2024 FROTAS & COMERCIAIS 65
técnica
ÓLEOS LUBRIFICANTES
Para um motor funcionar
corretamente deve ser
abastecido constantemente
com óleo, já que as partículas
finas do combustível
o podem deteriorar
ram criados para trabalhar eficazmente em temperaturas
extremas. Os óleos sintéticos não só asseguram uma
lubrificação excecional como também prolongam a vida
útil do motor. Estes lubrificantes estão vocacionados para
os automóveis modernos de elevado desempenho e também
naquelas situações em que as condições de condução
são mais exigentes.
Além do tipo de óleo também se deverá levar em conta a
viscosidade, a qual consiste na capacidade de fluir a diferentes
temperaturas. Assim, um lubrificante que tenha
a nomenclatura 10W 40, o 10 é a fluidez e o W significa
Inverno (winter). Quer dizer que a fluidez no inverno é
normal-baixa (de acordo com os padrões SAE), quando se
trata de arrancar com o veículo frio (quanto menor esse
índice, mais fácil), ao passo que o 40 representa o nível
de viscosidade indicado do óleo, quando o motor atinge a
temperatura ideal a quente.
CÓDIGO API
Segundo o API (American Petroleum Institute), todos os
óleos de motor dividem-se em duas categorias, cada uma
contendo várias classes: S para motores a gasolina; C
para motores a gasóleo. Na maior parte dos países, existem
quatro classes aprovadas para cada tipo de motor.
Na gasolina é o caso do SJ (para motores fabricados antes
de 2001), SL (adequado para propulsores produzidos
antes de 2004), SM (construídos em 2010 e anteriormente)
e SN (motores a partir de 2010).
No que respeita ao Diesel, os óleos de grau C são mais
complexos. O CH-4, introduzido em 1998, é adequado para
motores que funcionam com combustível de alta qualidade
com conteúdo de enxofre até 0,5% de peso; o CI-4, introduzido
em 2002, garante uma proteção fiável do motor e
do sistema de escape dos depósitos de fuligem e evita o
desgaste prematuro dos seus elementos.
Já o CJ-4 possui uma estabilidade à temperatura elevada,
resistência à oxidação e vida útil mais longa, enquanto o
CK foi desenvolvido para proteção de motores produzidos
a partir de 2017, podendo ser usados opcionalmente em
modelos de motores anteriores.
A escolha do óleo mais adequado não é apenas uma questão
de preferência pessoal, mas deve ser baseada nas
especificações do veículo e nas condições em que opera.
Por esse motivo será recomendável consultar o manual
para verificar as indicações do fabricante sobre o tipo e a
viscosidade do óleo, assim como os intervalos de mudança.
Ao seguir estas recomendações é possível assegurar
que irá funcionar da melhor forma possível e prolongar a
sua vida útil.
A utilização do óleo mais indicado é importante para garantir
o bom funcionamento do motor, assim como melhorar
a eficiência de combustível e evitar despesas com
reparações no futuro. Um pequeno investimento adicional
num óleo de qualidade pode trazer benefícios significativos
a longo prazo para o veículo, bem como para a sua
disponibilidade operacional./
66 FROTAS & COMERCIAIS MARÇO 2024
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