15.04.2024 Views

Biomais_62Web

Create successful ePaper yourself

Turn your PDF publications into a flip-book with our unique Google optimized e-Paper software.

Entrevista José Carlos Haas Junior revela sobre a produção de pellets de eucalipto<br />

TECNOLOGIA<br />

PARA PELLETS<br />

EMPRESA MULTINACIONAL<br />

DESENVOLVEU EQUIPAMENTO<br />

PARA PELLETS DE MADEIRA QUE<br />

GARANTE MELHOR RENDIMENTO<br />

PELLET TECHNOLOGY<br />

MULTINATIONAL COMPANY HAS<br />

DEVELOPED WOOD PELLET<br />

PRODUCTION EQUIPMENT THAT<br />

GUARANTEES BETTER YIELDS<br />

ENERGIA<br />

GERAÇÃO DE ENERGIA BATEU<br />

RECORDE EM 2023 E TENDÊNCIA<br />

É SEGUIR EM ALTA<br />

MERCADO<br />

ASSOCIAÇÃO INCENTIVA PRODUÇÃO DE<br />

BIOMASSA FLORESTAL EM GOIÁS


ITECNOLOGIA EXCLUSIVA<br />

PAT EN T E<br />

MTAB


SUMÁRIO<br />

06 | EDITORIAL<br />

Inovação para<br />

biomassa<br />

08 | CARTAS<br />

10 | NOTAS<br />

24 | ENTREVISTA<br />

36 | PRINCIPAL<br />

42 | BIOMASSA<br />

Recorde de geração de<br />

energia<br />

48 | PRODUÇÃO<br />

Biomassa em Goiás<br />

54 | CRESCIMENTO<br />

58 | ARTIGO<br />

64 | AGENDA<br />

66 | OPINIÃO<br />

Gerenciamento de equipes:<br />

como melhorar os resultados<br />

dos times?<br />

04 www.REVISTABIOMAIS.com.br


EDITORIAL<br />

A tecnologia para<br />

peletizadoras Twin Track,<br />

exclusiva da CPM, é o<br />

destaque da capa desta<br />

nova edição da <strong>Biomais</strong>.<br />

INOVAÇÃO PARA<br />

BIOMASSA<br />

A<br />

nova edição da Revista REFERÊNCIA BIOMAIS traz como destaque principal a tecnologia Twim Track, da multinacional de<br />

origem norte-americana CPM. A empresa, que foi pioneira na fabricação de peletizadora, desenvolveu a tecnologia que<br />

garante mais rentabilidade e menor consumo de energia para fabricação de pellets de madeira. Na editoria de Entrevista,<br />

conversamos com o diretor executivo da Haas Madeira, José Carlos Haas Junior. A empresa lançou recentemente o pellet de<br />

eucalipto, após 8 anos de pesquisa sobre a matéria-prima que era considerada inapropriada para produção de pellets. O mercado de<br />

biomassa no Estado de Goiás, e o crescimento do uso da biomassa para geração de energia no Brasil, são temas de outras reportagens<br />

publicadas nesta edição. Ainda temos notícias com informações sobre ações para redução da emissão de carbono, ações de incentivo<br />

para redução no consumo de energia, entre outros demais temas. Desejamos uma leitura proveitosa!<br />

IN THE SEARCH FOR INNOVATION<br />

T<br />

he latest issue of the REFERÊNCIA Madeira Industrial highlights Gaidzinski Máquinas, a company that manufactures finishing equipment<br />

for the housing and decorative woodworking industry. Recognized by its customers as a reliable company committed to presenting<br />

the best solutions, Gaidzinski completes 45 years with its trajectory marked by the incessant search for industrial innovation.<br />

Today, the Company, which is headquartered in the South of the State of Santa Catarina, is present in the four corners of the world. In<br />

the Interview Section, we spoke with Fernando Nunes Gouveia, Coordinator of the Forest Products Laboratory (LPF), who told us about the developments<br />

already presented by the LPF team. The issue also features an article about the Napi Wood Tech technical mission to Germany, the<br />

preparations for the 10th Formóbile, and the projection that the machinery and equipment market is growing. In addition, the issue features<br />

news about the economy, exports, and wood products. Pleasant reading!<br />

EXPEDIENTE<br />

ANO XI - EDIÇÃO 62 - ABRIL 2024<br />

Diretor Comercial/Commercial Director:<br />

Fábio Alexandre Machado<br />

(fabiomachado@revistabiomais.com.br)<br />

Diretor Executivo/Executive Director:<br />

Pedro Bartoski Jr<br />

(bartoski@revistabiomais.com.br)<br />

Redação/Writing:<br />

Gisele Rossi<br />

(jornalismo@revistabiomais.com.br)<br />

Dep. de Criação/Graphic Design:<br />

Fabiana Tokarski - Supervisão -<br />

Karla Shimene - Julia Harumi<br />

(criacao@revistareferencia.com.br)<br />

Dep. Comercial/Sales Departament:<br />

Gerson Penkal<br />

(comercial@revistabiomais.com.br) Fone: +55 (41) 3333-1023<br />

Tradução / Translation: John Wood Moore<br />

Dep. de Assinaturas/Subscription:<br />

(assinatura@revistabiomais.com.br) - 0800 600 2038<br />

ASSINATURAS<br />

0800 600 2038<br />

A REVISTA BIOMAIS é uma publicação da JOTA Editora<br />

Rua Maranhão, 502 - Água Verde - Cep: 80610-000 - Curitiba (PR) - Brasil<br />

Fone/Fax: +55 (41) 3333-1023<br />

www.jotaeditora.com.br<br />

A REVISTA BIOMAIS - é uma publicação bimestral e independente,<br />

dirigida aos produtores e consumidores de energias limpas<br />

e alternativas, produtores de resíduos para geração e cogeração de<br />

energia, instituições de pesquisa, estudantes universitários, órgãos<br />

governamentais, ONG’s, entidades de classe e demais públicos,<br />

direta e/ou indiretamente ligados ao segmento. A REVISTA BIOMAIS<br />

não se responsabiliza por conceitos emitidos em matérias, artigos,<br />

anúncios ou colunas assinadas, por entender serem estes materiais de<br />

responsabilidade de seus autores. A utilização, reprodução, apropriação,<br />

armazenamento de banco de dados, sob qualquer forma ou meio, dos<br />

textos, fotos e outras criações intelectuais da REVISTA BIOMAIS são<br />

terminantemente proibídas sem autorização escrita dos titulares dos<br />

direitos autorais, exceto para fins didáticos.<br />

REVISTA BIOMAIS is a bimonthly and independent publication, directed<br />

at clean alternative energy producers and consumers, producers of residues<br />

used for energy generation and cogeneration, research institutions, university<br />

students, governmental agencies, NGO’s, class and other entities, directly and/<br />

or indirectly linked to the Segment. REVISTA BIOMAIS does not hold itself<br />

responsible for concepts contained in materials, articles, ads or columns signed<br />

by others; these are the responsibility of their authors. The use, reproduction,<br />

appropriation, databank storage, in any form or means, of the text, photos<br />

and other intellectual property of REVISTA BIOMAIS are strictly forbidden<br />

without written authorization of the holder of the authorial rights, except for<br />

educational purposes.<br />

06 www.REVISTABIOMAIS.com.br


A Benecke é uma tradicional fabricante de<br />

caldeiras, máquinas para o segmento madeireiro<br />

e sistemas de secagem de grãos direto e indireto.<br />

Ao longo dos nossos 70 anos de mercado e<br />

presença em 21 países, com um parque fabril de<br />

18.500 metros quadrados, a Benecke estabeleceu<br />

uma sólida reputação, atendendo diversos<br />

mercados ao redor do mundo com mais de 5.400<br />

equipamentos vendidos.<br />

Com uma engenharia qualificada, aliada ao uso<br />

do software ANSYS e compromisso com a<br />

excelência e qualidade, nos posicionando como<br />

líder indiscutível no mercado.<br />

Projetamos e desenvolvemos toda a automação<br />

dos equipamentos, desta forma conseguimos o<br />

melhor rendimento e uma assistência técnica<br />

remota ágil.<br />

A unidade Caldeira é voltada para qualquer<br />

indústria que necessite de água quente, vapor<br />

saturado, superaquecido ou óleo térmico.<br />

Customizamos a caldeira de acordo com a<br />

necessidade da indústria, oferecendo soluções<br />

sustentáveis e com a garantia de qualidade,<br />

eficiência energética e confiabilidade de um<br />

produto robusto.<br />

Processos verticalizados em todas as áreas<br />

da indústria, garantindo mais qualidade no<br />

produto final entregue ao cliente.<br />

Caldeiras Flamotubulares e<br />

Aquatubulares, com capacidade<br />

produtiva de até 60ton/h e até 45 bar de<br />

pressão.<br />

Projetos customizados de acordo com a sua<br />

necessidade, garantindo qualidade e<br />

principalmente a confiabilidade em quem<br />

carrega 70 anos de experiência no mercado.


CARTAS<br />

PRINCIPAL<br />

Muito bacana a reportagem sobre a Andritz. Uma empresa com atuação global que vê<br />

oportunidade no nosso Brasil.<br />

Antônio Fontana – Farroupilha (RS)<br />

Foto: divulgação<br />

BIOMASSA<br />

Importante estabelecer parcerias com unidades de pesquisa, como a da reportagem que cita a Embrapa e Arefloresta,<br />

para podermos conhecer melhor nossos produtos e reduzir riscos.<br />

Teodoro Fanceli – Campo Grande (MS)<br />

ENTREVISTA<br />

A transição energética é uma pauta mundial e é bom ver que a geração de energia eólica<br />

também tem crescido no Brasil.<br />

Gláucia Blum – Campos de Goytacazes (RJ)<br />

ECONOMIA<br />

Espero que o mercado livre de energia contribua efetivamente para redução da conta.<br />

Os valores andam muito altos.<br />

Idalina Camargo – São Paulo (SP)<br />

Foto: divulgação<br />

www.revistabiomais.com.br<br />

na<br />

mí<br />

energia<br />

biomassa<br />

dia informação<br />

@revistabiomais<br />

/revistabiomais<br />

Publicações Técnicas da JOTA EDITORA<br />

08 www.REVISTABIOMAIS.com.br


NOTAS<br />

SENAI NA AMAZÔNIA<br />

A construção de um instituto multi institucional no Brasil, para o desenvolvimento de soluções voltadas<br />

à transição energética e à biodiversidade a partir das riquezas da Amazônia, foi discutida no Senado,<br />

em Brasília (DF). O Imeb (Instituto da Margem Equatorial Brasileira), como foi batizado o futuro complexo,<br />

será implantado no Estado do Amapá pelo Instituto SENAI (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial)<br />

de inovação em energias renováveis, sediado no Rio Grande do Norte e principal referência do SENAI no<br />

Brasil para pesquisa, desenvolvimento e inovação em energia eólica, solar e sustentabilidade, incluindo<br />

novas tecnologias em hidrogênio e combustíveis avançados. O Imeb “deverá adotar um modelo de operação<br />

multi institucional, agregando universidades, institutos de pesquisa, institutos de inovação do SENAI<br />

e empresas que tenham interesse no investimento e no resultado voltados à sociedade, a partir da riqueza<br />

amazônica”, explica o diretor do SENAI-RN e do<br />

ISI-ER, Rodrigo Mello. “Certamente ali nascerá<br />

um instituto que impactará muito positivamente<br />

o meio ambiente, para uma transição<br />

energética justa, respeitando a biodiversidade<br />

do Brasil”, garante Rodrigo.<br />

Foto: SENAI (RN)<br />

Foto: divulgação<br />

10 www.REVISTABIOMAIS.com.br


A ComBer possui uma linha completa<br />

de automatizadores e fornalhas a cavaco<br />

para melhorar ainda mais o rendimento de<br />

seu secador de cereais. A empresa trabalha<br />

com atendimentos personalizados a partir<br />

das necessidades dos clientes.<br />

É uma empresa de Rio Verde-GO, pioneira e<br />

líder nacional em seu segmento, que há mais<br />

de 10 anos fornece soluções em secagem de<br />

grãos para todo o Brasil.<br />

Os automatizadores ComBer CBI e LBI ganham destaque pela sua eficiência.<br />

Confira alguns benefícios:<br />

• Redução da mão de obra e seus passivos;<br />

• Estabilidade da temperatura de secagem<br />

e aumento da produtividade do secador;<br />

• Melhoria na qualidade do grão seco;<br />

• Redução dos gastos com manutenção<br />

de fornalhas.<br />

www.comber.com.br<br />

(64) 3018-2522


NOTAS<br />

USINA TERMELÉTRICA NO PARANÁ DEVE<br />

CONTINUAR OPERANDO<br />

O governo federal está em busca de alternativas para a manutenção da UTE (usina termelétrica) de Figueira.<br />

Localizada no norte do Paraná, a unidade foi desativada pela Copel (Companhia Paranaense de Energia), que<br />

devolveu a concessão à União. Segundo o deputado estadual Luiz Claudio Romanelli (PSD), o MME (Ministério de<br />

Minas e Energia) pretende que a usina, instalada na década de 1960, continue operando. O parlamentar esteve<br />

em Brasília (DF) para participar de uma audiência com o secretário nacional de energia elétrica, Gentil Nogueira<br />

de Sá Júnior. “O secretário foi muito propositivo e pretende que a usina continue operando”, afirmou Romanelli.<br />

“Encontramos um ambiente de resolução no governo federal e saímos da reunião esperançosos da manutenção<br />

do funcionamento da termelétrica de Figueira”, emendou o deputado. Ainda segundo ele, a viabilidade do uso<br />

do carvão como combustível da usina depende da aprovação pelo senado do projeto de lei número 11.247/2018,<br />

que já passou pela câmara dos deputados. Isso porque um dos artigos da lei prevê a extensão do prazo para o<br />

fornecimento da energia gerada por usinas movidas a carvão até 2050. A medida atende as térmicas de Candiota<br />

(RS) e Figueira (PR), que têm contratos em vigor somente até 2028. A Copel, por sua vez, sustenta que a devolução<br />

da concessão faz parte da estratégia de descarbonização das operações da companhia, que já havia sido<br />

anunciada em 2023, e também segue diretrizes do setor energético nacional para mitigar emissões de gases que<br />

provocam o efeito estufa, para atender os ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável), da ONU.<br />

Foto: Prefeitura de Figueira (PR)<br />

12 www.REVISTABIOMAIS.com.br


NOTAS<br />

USO DE ETANOL ALAVANCA ENERGIA LIMPA<br />

Ter atenção com o uso de energia limpa, a fim de reduzir os efeitos do aquecimento global e a<br />

poluição, é mais do que fundamental. Por isso, o Sistema Fiems (Federação das Indústrias do Estado de<br />

Mato Grosso do Sul) está apostando no etanol, biocombustível mais limpo do mundo, para abastecer<br />

sua frota de veículos flex, e garantir uma redução de 207 toneladas de carbono emitidas por ano na<br />

atmosfera, equivalente a 35,44% do consumo (em 2023). A medida, além de proteger o meio ambiente,<br />

também irá contribuir para o desenvolvimento da indústria no Estado, como aponta o chefe de<br />

gabinete da presidência da Fiems, Robson Del Casale. “A transição considera pontos bem importantes,<br />

afinal, parte deste etanol é produzido no Estado, gerando emprego e fortalecendo a indústria”.<br />

Complementando a fala, o presidente do conselho da Biosul (Associação dos Produtores de Bioenergia<br />

do Mato Grosso do Sul), Amaury Pekelman, afirmou que esse compromisso valoriza a produção local,<br />

podendo ser um importante agente de sustentabilidade e substituição dos combustíveis fósseis.<br />

Foto: divulgação<br />

14 www.REVISTABIOMAIS.com.br


Empresa pertencente ao Grupo Gaboardi, especializada na fabricação de<br />

máquinas e equipamentos para produção de biomassa (pellet) e ração<br />

animal desde 1968, atendendo também demandas e necessidades no reparo<br />

e fabricação de peças de reposição do setor.<br />

www.gell.ind.br<br />

BR116-KM 180 | São Cristóvão do Sul - SC<br />

Fone: +55 (49) 3253-1100<br />

Fone: +55 (49) 9 9927-5926<br />

E-mail: comercial.gell@gaboardi.com.br


NOTAS<br />

PESQUISA E INOVAÇÃO EM BIOMASSA<br />

Para incentivar a área de ciência e pesquisa no ramo das indústrias de energia, a ISI Biomassa (Instituto<br />

Senai de Inovação em Biomassa) sediou recentemente, em Três Lagoas (MS), a CT&I (Conferência<br />

Livre de Ciência, Tecnologia e Informação), onde foram feitos importantes debates sobre o papel<br />

das empresas no futuro da geração de energia sustentável no país. O evento foi realizado como um<br />

preparatório para a V Conferência Nacional, a ser sediada em Brasília entre os dias 4 e 6 de junho deste<br />

ano, com o tema: CT&I para um Brasil Justo, Sustentável e Desenvolvido. Dando jus a esta temática, o<br />

diretor da ISI Biomassa, João Gabriel Marini, afirmou no evento que a geração de energia a partir de<br />

resíduos agroflorestais tem um potencial que vai além da energia, e esse potencial pode ser estudado<br />

pelas empresas. “Temos estudado muitas tecnologias de descarbonização da indústria e recebendo<br />

investimentos muito grandes para encontrar o aproveitamento das biomassas geradas na produção”,<br />

explica Marini. Diversas empresas e importantes representantes de órgãos governamentais do Mato<br />

Grosso do Sul também compareceram ao evento, e destacaram as importantes frentes que a indústria<br />

deve tomar para a produção, inovação e consumo de ciência no país.<br />

Foto: divulgação<br />

16 www.REVISTABIOMAIS.com.br


Aponte sua câmera e<br />

veja como é o<br />

funcionamento do<br />

Piso Móvel Hyva!<br />

®<br />

Líder no segmento, o Piso Móvel Hyva<br />

é de fácil instalação e o sistema ideal<br />

para carregamentos e descarregamentos<br />

horizontais, garantindo a segurança e a agilidade<br />

no transporte de diversos materiais.<br />

PRATICIDADE,<br />

AGILIDADE E<br />

ECONOMIA<br />

em suas cargas e<br />

descargas horizontais<br />

Venha visitar o stand da Hyva na Agrishow!<br />

Te esperamos para trocar experiencias e<br />

soluções para sua empresa! nº F11D1<br />

R. Ernesto Zanrosso, 2794 – Caxias do Sul -RS<br />

+55 (54) 3209 3464 | +55 (54) 3209 3400<br />

@hyvadobrasil<br />

hyva.com


NOTAS<br />

ENERGIA EM EDIFÍCIOS<br />

Buscar alternativas sustentáveis ao consumo e geração de energia é uma das principais pautas na<br />

gestão de cidades, visto que, cada vez mais, casas dão lugares a prédios e edifícios, que utilizam muito<br />

mais energia. O setor de edificações é responsável por 50% do consumo de energia elétrica no Brasil,<br />

segundo dados do MME (Ministério de Minas e Energia), e, tendo isso em mente, o Procel (Programa<br />

Nacional de Conservação de Energia Elétrica) oferece o Selo Procel Edifica, que incentiva e atesta o uso<br />

de práticas e tecnologias que melhoram a eficiência energética sustentável, tanto para a etapa de projeção<br />

e construção, como para a etapa de operação e manutenção do edifício. A edificação deve atender<br />

às regulamentações do Procel, que estabelece normas de sistemas eficientes de iluminação, climatização,<br />

isolamento térmico, monitoramento do consumo de energia, dentre outros aspectos. A utilização<br />

sustentável de energia é essencial, e incentivos como este impulsionam ainda mais sua prática: No<br />

último ano, 26 selos Procel Edifica foram concedidos no país, o maior desde o período pré-pandêmico.<br />

Foto: Emanoel Caldeira<br />

18 www.REVISTABIOMAIS.com.br


NOTAS<br />

INVESTIMENTOS NA REDE<br />

A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) realizou no final de março, na B3 (bolsa<br />

de valores brasileira), em São Paulo (SP), um leilão para definir as empresas responsáveis<br />

pela construção e manutenção de 6,4 mil km (quilômetros) de linhas de transmissão em 14<br />

Estados. A previsão é que sejam investidos R$ 18,2 bilhões em 69 empreendimentos, com a<br />

geração de 34,9 mil empregos diretos. Os Estados com obras previstas no leilão são Alagoas,<br />

Bahia, Ceará, Mato Grosso do Sul, Maranhão, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio<br />

de Janeiro, Rio Grande do Norte, Santa Catarina, São Paulo e Tocantins. Segundo a Aneel, dos<br />

15 lotes propostos, seis têm investimento previsto superior a R$ 1 bilhão. O prazo para operação<br />

comercial dos empreendimentos varia de 36 a 72 meses, para concessões por 30 anos,<br />

contados a partir da celebração dos contratos. Foram concedidos à iniciativa privada 15 lotes<br />

de linhas de transmissão em 14 Estados. As obras visam à expansão da rede básica, além de<br />

ampliar as margens para conexão de novos empreendimentos de geração de energia.<br />

Foto: divulgação<br />

20 www.REVISTABIOMAIS.com.br


Mais que<br />

uma fábrica:<br />

Engenharia<br />

aplicada para<br />

todo projeto.<br />

Conheça todo nosso trabalho,<br />

descubra mais em: burntech.ind.br


ITECNOLOGIA EXCLUSIVA<br />

PAT EN T E<br />

MTAB


ENTREVISTA<br />

Foto: divulgação<br />

ENTREVISTA<br />

JOSÉ CARLOS<br />

HAAS JUNIOR<br />

Formação: Engenharia de Produção na Unisc (Universidade Federal de<br />

Santa Cruz do Sul); MBA em Gestão Empresarial pela FGV (Fundação<br />

Getúlio Vargas); pós em Economia Circular em TU Delft - Technology,<br />

Policy and Management, na Holanda, entre outros.<br />

Education: Production Engineering at the Federal University of Santa<br />

Cruz do Sul (Unisc); MBA in Business Management from the Getúlio Vargas<br />

Foundation (FGV); and postgraduate studies in Circular Economy and<br />

Technology, Policy, and Management at the Delft University of Technology -<br />

in the Netherlands, among others.<br />

Cargo: Diretor executivo da Haas Madeira / Coordenador do Comitê de<br />

Paletes e Embalagens da Abimci (Associação Brasileira da Indústria de<br />

Madeira Processada Mecanicamente).<br />

Function: Executive Director of Haas Madeira and Coordinator of the Pallets<br />

and Packaging Committee of the Brazilian Association of the Mechanically<br />

Processed Wood Industry (Abimci).<br />

PELLETS DE<br />

EUCALIPTO<br />

EUCALYPTUS PELLETS<br />

C<br />

om mais de 50 anos de atividade no mercado,<br />

a Haas Madeira é uma empresa familiar sediada<br />

em Venâncio Aires (RS), especialista em paletes.<br />

Recentemente, a empresa começou a produzir<br />

pellets de eucalipto, após 8 anos de pesquisas. A empresa<br />

transpôs barreiras, pesquisou as propriedades do eucalipto,<br />

desenvolveu o produto e colocou no mercado. Em entrevista<br />

para a Revista REFERÊNCIA BIOMAIS, o diretor executivo José<br />

Carlos Haas Junior, que também é coordenador do Comitê<br />

de Paletes e Embalagens da Abimci (Associação Brasileira da<br />

Indústria de Madeira Processada Mecanicamente) conta sua<br />

trajetória na empresa e como foi o processo para desenvolver<br />

os pellets de eucalipto, aproveitando resíduos produzidos na<br />

própria empresa, além de abordar a importância do comitê<br />

para padronização dos produtos.<br />

W<br />

ith over 50 years in the market, Haas Madeira<br />

is a family-owned company located in Venâncio<br />

Aires (RS), specializing in the manufacture<br />

of pallets. After eight years of research, the<br />

Company began producing eucalyptus pellets. The Company<br />

overcame obstacles, researched the properties of eucalyptus,<br />

developed the product, and brought it to market. In an<br />

interview with REFERÊNCIA <strong>Biomais</strong>, José Carlos Haas Junior,<br />

Executive Director, who is also the Coordinator of the Pallets<br />

and Packaging Committee of the Brazilian Association of<br />

the Mechanically Processed Wood Industry (Abimci), tells<br />

us about his career at the Company and how the process of<br />

developing eucalyptus pellets using waste produced in-house<br />

came about, as well as the importance of the Committee in<br />

standardizing products.<br />

24 www.REVISTABIOMAIS.com.br


PELETIZAÇÃO<br />

DE EUCALIPTO<br />

E MADEIRA<br />

DURA<br />

A maior capacidade instalada<br />

para produção de pellets<br />

no país é KAHL<br />

Distribuidor e representante exclusivo<br />

Kahl Brasil


ENTREVISTA<br />

A sua experiência como executivo empresarial ajudou<br />

a te alçar ao cargo de coordenador do Comitê de Paletes e<br />

Embalagens da Abimci?<br />

A Haas Madeiras é uma empresa familiar que recentemente<br />

fez 50 anos. Quando nasci, a empresa já existia e sempre<br />

acompanhei meu pai na sua trajetória profissional. Em 2007,<br />

comecei a trabalhar na empresa. Conciliei meus estudos<br />

com os compromissos profissionais, trabalhei em diferentes<br />

setores para conhecer o negócio e dar continuidade. A Haas<br />

faz paletes de madeira desde o início dos anos 1980. Vivi<br />

essa trajetória, as várias etapas do palete no Brasil, a criação<br />

da primeira associação, depois veio a Anapem (Associação<br />

Nacional dos Produtores de Paletes e Embalagens de Madeira).<br />

As associações nacionais sempre tiveram alguma dificuldade<br />

para desempenhar seu papel e faz alguns anos que trabalhamos<br />

com a Abimci. E enquanto fazia esse trabalho na Abimci,<br />

chegou um momento de repensar o que a Anapem fazia e veio<br />

a sugestão de abrir um comitê dentro da Abimci, compartilhar<br />

a mesma estrutura, o que acabou sendo mais representativo<br />

pela força que a associação tem.<br />

Quais os desafios do trabalho do Comitê dentro da<br />

Abimci?<br />

No comitê, os desafios geram oportunidades. O Brasil é um<br />

país continental, que depende muito da logística e o palete<br />

está diretamente relacionado a isso e ao armazenamento.<br />

A grande questão é que no palete, assim como em outras<br />

frentes, o Brasil não é muito bom de formalização e padronização,<br />

não costuma seguir normas, o que faz o setor ser, de certa<br />

forma, precário, bastante informal, sem um regramento explícito<br />

para operação. O nosso grande desafio é criar uma norma<br />

nacional, que está em desenvolvimento e será o ponto base<br />

para, a partir daí, trabalharmos a padronização. Ter uma regulamentação<br />

para que se alinhe o discurso entre o consumidor de<br />

palete, o transportador, o armazenador, o fabricante de palete,<br />

o fabricante da madeira serrada, para que todos falem a mesma<br />

língua e com isso traga ganhos para toda sociedade. Desde<br />

ganhos econômicos de produtividade, de competitividade, de<br />

segurança, um ganho real para todos.<br />

Did your experience as a business manager help you<br />

become the Coordinator of Abimci’s Pallets and Packaging<br />

Committee?<br />

Haas Madeiras is a family business that recently celebrated<br />

50 years in operation. When I was born, the Company<br />

already existed, and I followed my father in his professional<br />

career. I started working for the Company in 2007. I combined<br />

my studies with my professional commitments and<br />

worked in different areas to get to know the Company and<br />

keep it going. Haas has been manufacturing wooden pallets<br />

since the early 1980s. I have seen this evolution, the different<br />

stages of the pallet in Brazil, the creation of the first association,<br />

and later the creation of the National Association<br />

of Producers of Wooden Pallets and Packaging (Anapem).<br />

National associations have always had some difficulties<br />

in performing their role, and we have been working with<br />

Abimci for a few years now. While I was doing this work with<br />

Abimci, the time came to rethink what Anapem was doing,<br />

and the suggestion came to open a committee within Abimci<br />

to share the same structure, which ended up being more<br />

representative given the strength of Abimci.<br />

What are the challenges in the work of the Abimci<br />

Pallets and Packaging Committee?<br />

At the Committee, challenges create opportunities.<br />

Brazil is a continental country that relies heavily on logistics,<br />

and pallets are directly related to this as well as to storage.<br />

The big problem is that in the Pallet Sector, as in other areas,<br />

Brazil is not very good at formalization and standardization;<br />

it does not usually follow norms, which means that<br />

the Sector is somewhat precarious and quite informal, with<br />

no explicit rules of operation. Our big challenge is to create<br />

a national standard, which is under development and will<br />

be the base from which we can work on standardization.<br />

A standard is needed to align the discourse between the<br />

pallet consumer, the transporter, the warehouser, the pallet<br />

manufacturer, and the sawmill so that everyone is speaking<br />

the same language, bringing benefits to society as a whole,<br />

from economic gains in productivity, competitiveness, and<br />

safety to real benefits for everyone.<br />

Temos a cadeia total e na produção da madeira se gera<br />

biomassa, cavaco e serragem. Optamos por entrar no mercado<br />

de pellet de madeira para ter mais segurança na nossa operação<br />

26 www.REVISTABIOMAIS.com.br


A AFIAÇÃO CHEGOU<br />

EM UM OUTRO NÍVEL!<br />

Nova Afiadora de facas Energy:<br />

alta performance com um<br />

simples toque na tela.<br />

Máquina totalmente automática<br />

com sistema de comando CNC,<br />

SIEMENS TOUCH SCREEN, e<br />

com o novo Sistema de<br />

separação de resíduos, que<br />

garante uma afiação livre de<br />

resíduos ferrosos.<br />

SIEMENS TOUCH SCREEN<br />

SERRAS E FACAS INDUSTRIAIS


ENTREVISTA<br />

O que levou a Haas Madeiras a atuar no setor de biomassa<br />

e pellets?<br />

Na Haas, entendemos que é mais estratégico para o nosso<br />

negócio ser detentor de toda cadeia de produção. Nosso trabalho<br />

começa lá na floresta, eventualmente temos a propriedade<br />

e consequentemente, a gerência. Desde o corte florestal,<br />

transporte, serraria própria, montagem própria e depois entrega<br />

do produto final. Como temos a cadeia total e na produção<br />

da madeira, geramos biomassa, cavaco e serragem, produtos<br />

que comercializamos há muito tempo e optamos por entrar<br />

no mercado de pellet de madeira para ter mais segurança na<br />

operação. Entendíamos que em determinados momentos<br />

a venda de serragem, especialmente, tinha algumas dificuldades.<br />

Dependíamos da construção civil, de outros clientes,<br />

e às vezes tinha dificuldade na comercialização do produto.<br />

Buscamos uma alternativa em que pudéssemos processar<br />

essa serragem dentro de nossa gerência. Hoje com pellet de<br />

madeira, mesmo que não tenha facilidade de venda, temos<br />

facilidade de estocagem, o que não acontece com a serragem.<br />

Se tornou um negócio a mais, uma frente de trabalho onde<br />

convertemos produto de baixíssimo valor agregado em um<br />

produto mais nobre.<br />

A Haas é pioneira na fabricação de pellets de eucalipto.<br />

Como chegou a este produto?<br />

Trabalhamos exclusivamente com eucalipto. Enquanto<br />

estávamos fazendo a pesquisa do que poderíamos fazer com<br />

a serragem, diversos produtos foram cogitados, e quando cogitamos<br />

o pellet veio uma restrição, porque tinha um conhecimento<br />

no mercado de que era impossível fazer pellet de eucalipto.<br />

Procuramos entender, porque não dava e nos deparamos<br />

com vários entraves, desde densidade, característica de fibra,<br />

padrão químico, dureza, poder calorífico, resíduos, desgaste de<br />

matriz. Foram diversos argumentos dizendo que era impossível<br />

fazer o pellet de eucalipto, com matéria-prima 100% de<br />

eucalipto, que é o nosso caso. E fomos ver os argumentos para<br />

entender o porquê disso. Alguns eliminamos rapidamente.<br />

Vimos que eram mitos, na prática não se concretizava e outros<br />

tivemos que fazer desenvolvimento técnico. Fizemos uma longa<br />

pesquisa de máquinas, equipamentos, tecnologias de secagem,<br />

tecnologias de matriz, forma de trabalhar com partículas<br />

de serragem, e uma a uma fomos superando as dificuldades<br />

e chegamos a conclusão de que não havia mais um impeditivo<br />

técnico para se produzir. Dentre as opções que tínhamos<br />

cogitado para processar nossa serragem, entendemos que era<br />

viável fazer o pellet de eucalipto e assim investimos. Foi uma<br />

pesquisa de 8 anos, que partiu das premissas que criamos<br />

anteriormente e hoje o pellet está comercializado no mercado<br />

e sendo bem aceito.<br />

What led Haas Madeiras to enter the Biomass and<br />

Pellet Sectors?<br />

At Haas, we understand that it is more strategic for our<br />

business to own the entire production chain. Our work starts<br />

in the forest, which we ultimately own and manage, and<br />

continues through harvesting, transportation to our sawmill,<br />

assembly, and delivery of the finished product. Since we<br />

have the whole chain and we produce biomass, wood chips,<br />

and sawdust, products that we have been selling for a long<br />

time, we decided to enter the wood pellet market in order<br />

to have more security in our operations. In particular, we<br />

found that the sale of sawdust was difficult at various times.<br />

We were dependent on the construction industry and other<br />

customers, so sometimes it was not easy to sell the product.<br />

We were looking for an alternative where we could process<br />

this sawdust ourselves. Today, with wood pellets, even if it is<br />

not easy to sell them, it is easy to store them, which is not the<br />

case with sawdust. It has become an additional business, a<br />

work front, where we transform a low-value product into a<br />

higher-value product.<br />

Haas is a pioneer in the production of eucalyptus<br />

pellets. How did you develop this product?<br />

We only work with eucalyptus. When we looked at what<br />

we could do with sawdust, we looked at different products.<br />

When we looked at pellets, there was a limitation because<br />

there was a perception in the marketplace that it was<br />

impossible to make eucalyptus pellets and that it could not<br />

be done. We tried to understand why it was not possible<br />

and came up with several obstacles, from density to fiber<br />

characteristics, chemical standards, hardness, calorific<br />

value, residues, and die wear. Various arguments implied<br />

that it was impossible to make eucalyptus pellets from 100%<br />

eucalyptus raw material, which is our case. And we looked<br />

at the arguments to understand why. We quickly dispelled<br />

some of them. We saw that there were myths that were not<br />

true in practice and others for which we had to develop<br />

technical solutions. We did a lot of research on machinery,<br />

equipment, drying technologies, die technologies, and ways<br />

of working with sawdust particles, and one by one, we overcame<br />

the difficulties and came to the conclusion that there<br />

were no more technical obstacles to production. Among the<br />

options we had considered for processing our sawdust, we<br />

realized that it was feasible to produce eucalyptus pellets,<br />

so we invested. It was an eight-year research project based<br />

on the premises we had previously created, and today, the<br />

pellet is well-accepted in the market.<br />

28 www.REVISTABIOMAIS.com.br


Fone: +55 47 3520-2500<br />

Rua dos Vereadores, 410 - Itoupava - Rio do Sul - SC - Brasil<br />

www.engecasscaldeiras.com.br


ENTREVISTA<br />

Qual o diferencial do pellet de eucalipto?<br />

É uma nova frente de matéria-prima. O mercado está<br />

demandando tecnologias, energias verdes e o pellet é uma<br />

tecnologia com bastante potencial, tanto para redução de<br />

custo, quando se fala em substituição de energia elétrica,<br />

quanto no controle de temperatura, na redução de mão de<br />

obra, quando se substitui a utilização da lenha, sem se falar na<br />

redução de GEE (gases do efeito estufa). O pellet é um produto<br />

que tem bastante apelo, com espaço para crescer. Por outro<br />

lado, a disponibilidade de pinus, madeira utilizada para se produzir<br />

o pellet, é limitada. Ou seja, de um lado temos potencial<br />

de crescimento e do outro uma restrição de oferta. Quando<br />

entramos com uma nova matéria-prima, nos deparamos com o<br />

novo, uma nova disponibilidade e acreditamos que a utilização<br />

do eucalipto é a única forma de multiplicar rapidamente a<br />

produção de pellet no Brasil e no mundo. Estamos quebrando<br />

um paradigma bem importante e abrindo uma nova porta que<br />

entendemos ser um diferencial.<br />

Recentemente a Haas Madeiras esteve participando<br />

da Progetto Fuocco, na Itália, onde apresentou o pellet de<br />

eucalipto. Como foi a aceitação do produto no exterior?<br />

Foi nossa primeira participação nesta feira em Verona, e a<br />

aceitação do produto foi superior ao que esperávamos. Foi um<br />

produto que chamou atenção, um produto novo. Entre tantos<br />

expositores, fomos os únicos com pellet de eucalipto, de certa<br />

forma acabamos fazendo história por lá. Os consumidores<br />

tiveram uma reação muito positiva, tanto ao pellet, como com<br />

a Haas. Porque no fim, o pellet acaba seguindo padrões de normas<br />

muito similares, com um desempenho já conhecido, mas<br />

a forma como chegamos até ele na Haas foi especial. O nosso<br />

processo vem desde a floresta. Temos parceria com pequenos<br />

produtores para produção certificada FSC. A energia elétrica<br />

que utilizamos para produzir o pellet é totalmente de fonte<br />

renovável e temos um trabalho que entendemos que é único<br />

no mundo. Trata-se de uma parceria com empresa recicladora,<br />

que a cada embalagem de palete que a gente coloca no mercado,<br />

essa empresa recicladora retira dois da sociedade. Não<br />

quisemos ser neutro nessa questão. Fomos além, quisemos ser<br />

What sets eucalyptus pellets apart?<br />

It is a new raw material front. The market is demanding<br />

green energy technologies, and pellets are a technology<br />

with great potential, both in terms of cost reduction when it<br />

comes to replacing electricity and in terms of temperature<br />

control and labor reduction when it comes to replacing the<br />

use of firewood, not to mention carbon reduction. Pellets<br />

are an attractive product with room to grow. In addition,<br />

the availability of pine, the wood traditionally used to<br />

make pellets, is limited. So, we have growth potential on<br />

the one hand and a supply constraint on the other. When<br />

we introduce a new raw material, we face something new:<br />

a new availability. We believe that using eucalyptus is the<br />

only way to rapidly multiply pellet production in Brazil and<br />

worldwide. We are breaking a very important paradigm and<br />

opening a new door, which we believe is a differentiator.<br />

Haas Madeiras recently participated in Progetto<br />

Fuocco in Italy, where eucalyptus pellets were presented.<br />

How was the product received abroad?<br />

It was the first time we participated in this trade fair in<br />

Verona, and the reception of the product was greater than<br />

we expected. It was a new product that attracted everyone’s<br />

attention. Among so many exhibitors, we were the only ones<br />

with eucalyptus pellets, so in a way, we made history there.<br />

Consumers had a very positive reaction, both to the pellet<br />

and to Haas. The pellet follows very similar standards, with<br />

a performance that is already known, but the way we got<br />

there at Haas was special. Our process begins in the forest.<br />

We have a partnership with small producers for FSC-certified<br />

production, the electricity we use to make the pellets comes<br />

entirely from renewable sources, and we have a project that<br />

we believe is unique in the world, which is a partnership with<br />

a recycling company. For every pallet we put on the market,<br />

the recycling company takes the equivalent of two out of<br />

society. We did not want to be neutral on this issue; we wanted<br />

to go further and be positive for the world. Plastic, which<br />

could theoretically be a pollutant, we have a solution. If our<br />

end users recycle the packaging they receive, we end up<br />

Com pellet de madeira, mesmo que não tenha facilidade de venda, temos<br />

facilidade de estocagem, o que não acontece com a serragem. Se tornou<br />

um negócio a mais, uma frente de trabalho onde convertemos produto<br />

de baixíssimo valor agregado em um produto mais nobre<br />

30 www.REVISTABIOMAIS.com.br


ENTREVISTA<br />

positivos para o mundo. O plástico, em tese que poderia ser<br />

poluidor, a gente soluciona, ainda se nosso consumidor final<br />

reciclar essa embalagem, que ele recebe, acabamos reciclando<br />

três embalagens para cada uma que colocamos na natureza.<br />

Esse contexto inteiro da Haas foi percebido com muito bons<br />

olhos e voltamos satisfeitos da Itália. Também foi um momento<br />

importante para ver o que outros produtores estão fazendo.<br />

É um mercado bastante competitivo, tem produtores de excelente<br />

qualidade e voltamos também com vários deveres de<br />

casa para avançar no processo produtivo e comercialização.<br />

Qual é a quantidade de produção mês do pellet de<br />

eucalipto da Haas Madeiras?<br />

A fábrica atualmente tem capacidade para 2 mil toneladas<br />

de pellets por mês e está apta para dobrar a produção, o que<br />

deve acontecer dentro de 2 anos, passando para produção de<br />

4 mil toneladas mês.<br />

Além do eucalipto, a empresa produz pellets de outras<br />

madeiras também?<br />

Os pellets da Haas são exclusivamente de eucalipto. Mas<br />

no grupo temos uma trader que comercializa o pellets de<br />

pinus, compra de outros produtores do Brasil e faz a exportação.<br />

Mas, a nossa produção é exclusivamente de eucalipto.<br />

Como vê o mercado de pellets no Brasil?<br />

Ainda bastante incipiente. Não faz muito tempo que<br />

conhecemos essa tecnologia. Estamos na etapa de educar<br />

o mercado, ensinar o que é o pellet, e nesse período inicial<br />

é normal que tenha muitos altos e baixos. Ainda carece de<br />

padronização, tem produtos de qualidade boa, mas outros<br />

muito ruins. Eventualmente faltam equipamentos adequados,<br />

ainda tem gargalos técnicos do ponto de vista de produção<br />

e de consumo para serem solucionados. O mercado precisa<br />

amadurecer em termos de para que serve o pellet, quais<br />

tipos de pellets servem e para qual finalidade. De forma geral,<br />

olhando a médio e longo prazo, acredito bastante no mercado<br />

brasileiro, especialmente quando se fala em diversos setores<br />

do agro, comércio de grande porte e indústria.<br />

E sobre a expectativa de exportação desse produto?<br />

A exportação brasileira é estratégica. Porque o grande mercado<br />

consumidor do pellet é a Europa, onde o inverno é no<br />

período oposto ao Brasil. O consumo por aqui ainda está muito<br />

relacionado ao frio, ao inverno. Quando é verão no Brasil, na<br />

Europa demanda calor, então a exportação é importante para<br />

o produtor brasileiro que quer manter sua venda regular. Eventualmente,<br />

alguns produtores optam por estocar o produto ou<br />

até parar a produção no verão e trabalhar só no inverno. Mas<br />

recycling three packages for every one we put into nature.<br />

This whole context was very well received at Haas, and we<br />

came back from Italy satisfied. It was also an important moment<br />

to see what other manufacturers are doing. It is a very<br />

competitive market; there are producers of excellent quality<br />

pellets, and we also came back with a lot of homework to<br />

move forward in the production and marketing process.<br />

How many eucalyptus pellets does Haas Madeiras<br />

produce each month?<br />

The factory currently has a capacity of two thousand<br />

tons of pellets per month and is ready to double production<br />

to four thousand tons per month, which should happen<br />

within two years.<br />

Does the Company make pellets from other woods<br />

besides eucalyptus?<br />

Haas pellets are made exclusively from eucalyptus. But<br />

in the Group, we have a trading company that sells pine pellets.<br />

We buy them from other producers in Brazil and export<br />

them. But our production is only eucalyptus.<br />

How do you see the Brazilian pellet market?<br />

It is still in its infancy. We have not known about this technology<br />

for very long. We are in the phase of educating the<br />

market and teaching it what pellets are, and in this initial<br />

phase, it is normal for there to be many ups and downs. There<br />

is still a lack of standardization, and there are products<br />

of good quality and others that are very poor. Finally, there<br />

is a lack of suitable equipment, and technical bottlenecks<br />

still need to be solved in terms of production and consumption.<br />

The market needs to mature in terms of what pellets<br />

are used for, what types of pellets are used, and for what<br />

purpose. In general, in the medium and long term, I am a big<br />

believer in the Brazilian market, especially when it comes to<br />

the different sectors like agriculture, large commercial, and<br />

industrial.<br />

What are the expectations for the export of this<br />

product?<br />

Brazilian exports are strategic. The big consumer market<br />

for pellets is Europe, where the winter is the opposite of that<br />

in Brazil. Consumption is still very much linked to cold and<br />

winter. When it is summer in Brazil, it is cold in Europe, and<br />

heating is needed, so exporting is important for Brazilian<br />

producers who want to maintain regular sales. Finally,<br />

some producers choose to store the product or even stop<br />

production during the Brazilian summer and work only in<br />

the winter. However, I see the European market as strategic,<br />

32 www.REVISTABIOMAIS.com.br


ENTREVISTA<br />

entendo o mercado europeu como estratégico e é um setor<br />

que vem crescendo nos últimos anos. O Brasil passou a ser um<br />

importante fornecedor.<br />

Quais as principais dificuldades que o setor de biomassa<br />

enfrenta?<br />

Carecemos de um planejamento de médio e longo prazo.<br />

Quando se fala de biomassa florestal, isso não se faz de um dia<br />

para o outro. É necessário um planejamento de longo prazo<br />

e esse planejamento requer interesse público, financiamento,<br />

trabalho técnico. Não é só na floresta que acontece assim. O<br />

planejamento não é o forte do Brasil. Aqui as coisas vão acontecendo<br />

e se resolvendo no andar da carruagem. Infelizmente,<br />

para quem quer buscar melhores resultados, o florestal não é<br />

o melhor modelo. Temos regiões que são polos consumidores,<br />

também polo florestal. Isso requer que grandes consumidores<br />

e fábricas façam seus maciços e parcerias, ou estejam dentro<br />

de um hub que tenha oferta e demanda de madeira de forma<br />

balanceada. Vejo dificuldades de um planejamento de médio<br />

e longo prazo, especialmente para empresas de pequeno e<br />

médio porte, pela ausência de financiamento disponível para<br />

se fazer o seu maciço. É um setor que demanda muito investimento.<br />

As florestas custam muito e têm uma dinâmica de<br />

financiamento específico, porque demandam de carência de<br />

8 anos a 15 anos e não é acessível achar esses financiamentos<br />

no mercado.<br />

Quais as principais vantagens da biomassa de madeira?<br />

A utilização de biomassa, quando se fala de floresta, é<br />

diversa. Tem a biomassa pellet, biomassa cavaco, a biomassa<br />

serragem, mas falando de biomassa de forma geral, ela<br />

é verde, usando o termo ESG, nada se compara a utilização<br />

de cavaco para geração de energia térmica em uma grande<br />

indústria, por exemplo. É verde, porque reduz a emissão de<br />

GEE quando substitui carvão, GLP e ainda o custo da utilização<br />

de biomassa em um indústria é muito menor do que utilizando<br />

outras alternativas do mercado. Entendo a biomassa como<br />

estratégica para a competitividade econômica e também para<br />

redução na emissão de GEE.<br />

and it is a market segment that has been growing in recent<br />

years. Brazil has become an important supplier.<br />

What are the main difficulties facing the Biomass<br />

Sector?<br />

We need to plan for the medium and long term. Forest<br />

biomass cannot be produced overnight. It requires long-term<br />

planning, public interest, funding, and technical<br />

studies. This does not only happen in the forest. Planning<br />

is not Brazil’s strong point. Here, things happen and are<br />

solved as they happen. Unfortunately, forestry is not the<br />

best model for those who want to achieve better results. We<br />

have regions that are consumer hubs and forest hubs. This<br />

requires large consumers and factories to set up their massive<br />

installations and partnerships or to be within a hub with<br />

a balanced wood supply and demand. I see difficulties in<br />

medium- and long-term planning, especially for small- and<br />

medium-sized companies, due to the lack of funds available<br />

to build their plantations. It is a Sector that requires a lot of<br />

investment. Forests cost a lot and have a specific financing<br />

dynamic because they require a grace period of eight to 15<br />

years, and it is not easy to find this financing for the Brazilian<br />

market.<br />

What are the main benefits of using wood biomass?<br />

When it comes to forestry, the use of biomass is diverse.<br />

There is pellet biomass, there is chip biomass, and there is<br />

sawdust biomass, but when it comes to biomass in general,<br />

it is green to use the ESG term; there is nothing like using<br />

chips to generate thermal energy in a large company, for<br />

example. It is green because it reduces greenhouse gas<br />

emissions when it replaces coal and LPG, and the cost of<br />

using biomass in an industry is much lower than using<br />

other alternatives on the market. I see biomass as a strategy<br />

for economic competitiveness and also for reducing GHG<br />

emissions.<br />

Entramos com uma nova matéria-prima e acreditamos que a utilização<br />

do eucalipto é a única forma de multiplicar rapidamente a produção de<br />

pellet. Estamos quebrando um paradigma bem importante e abrindo<br />

uma porta que será um diferencial<br />

34 www.REVISTABIOMAIS.com.br


CPM, o seu parceiro em produtividade,<br />

reduzindo custos com operação!<br />

Vida útil<br />

prolongada<br />

Otimização no controle de processo<br />

Expressiva redução de custos<br />

Otimização no<br />

controle de processo<br />

Rolos Lubrificados a Óleo<br />

Vida útil prolongada<br />

dos rolamentos;<br />

Menor custo com<br />

manutenção;<br />

Maior disponibilidade<br />

de equipamento;<br />

Redução expressiva no<br />

consumo de lubrificante;<br />

Temperatura nos rolos<br />

135 o C<br />

Temperatura média dos rolos<br />

Redução de temperatura<br />

35°C<br />

de redução de<br />

temperatura<br />

135 o C<br />


PRINCIPAL<br />

QUALIDADE<br />

EM PELLETS<br />

EMPRESA PIONEIRA<br />

NA FABRICAÇÃO<br />

DE PELETIZADORA<br />

CONTINUA INOVANDO<br />

COM A TECNOLOGIA<br />

TWIN TRACK<br />

FOTOS DIVULGAÇÃO<br />

36 www.REVISTABIOMAIS.com.br


REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA<br />

37


PRINCIPAL<br />

D<br />

e origem norte-americana, a CPM iniciou<br />

sua história como fabricante de prensas manuais<br />

voltadas para o mercado de vinhos, e<br />

hoje, desenvolve equipamento para pellets<br />

de madeira e outras aplicações do mercado que garante<br />

melhor rendimento com tecnologias inovadoras no<br />

setor. Presente no Brasil, com uma unidade para atender<br />

a América do Sul, a empresa é reconhecida pelos<br />

produtos que atendem as demandas de todas as aplicações<br />

possíveis da indústria de processamento com<br />

máquinas resistentes e confiáveis. Com sede em Waterloo,<br />

Iowa - EUA (Estados Unidos da América), a CPM<br />

projeta e fabrica uma ampla variedade de peletizadoras,<br />

equipamentos de processamento de sementes<br />

oleaginosas, extrusoras de dupla rosca e equipamentos<br />

térmicos em escala industrial.<br />

Pioneira na fabricação de equipamentos e com<br />

mais de 80 anos de mercado, a CPM foi responsável<br />

pela fabricação da primeira peletizadora comercial do<br />

mundo, em 1931 e desde então, vem liderando projetos<br />

e fabricando peletizadoras de qualidade mundial<br />

com os menores custos operacionais e o maior valor<br />

agregado a longo prazo. Para a área de pellets de madeira,<br />

um dos diferenciais da empresa é o Twin Track,<br />

um equipamento da linha Pellet Mill que apresenta<br />

uma tecnologia que transforma o processo de produção,<br />

garantindo redução no consumo de energia,<br />

qualidade do pellet e aumento da capacidade da peletizadora.<br />

QUALITY IN<br />

PELLETS<br />

PIONEERING PELLET MILL<br />

MANUFACTURER CONTINUES<br />

TO INNOVATE WITH TWIN<br />

TRACK TECHNOLOGY<br />

O<br />

f North American origin, CPM began its<br />

history as a manufacturer of manual presses<br />

aimed at the wine market, and today,<br />

it develops equipment for wood pellets<br />

and other market applications, guaranteeing better performance<br />

with innovative technologies in the industry.<br />

Present in Brazil, with a unit to serve South America, the<br />

Company is recognized for products that meet the demands<br />

of all possible applications in the processing industry<br />

with resistant and reliable machines. Headquartered<br />

in Waterloo, Iowa, CPM designs and manufactures<br />

a wide range of pellet mills, oilseed processing equipment,<br />

twin-screw extruders, and thermal equipment on<br />

an industrial scale.<br />

A pioneer in equipment manufacturing with more<br />

than 80 years in the marketplace, CPM was responsible<br />

for building the world’s first commercial pellet mill<br />

A Twin Track melhora a<br />

alimentação ao longo<br />

da largura da matriz, os<br />

pellets são distribuídos<br />

50% à esquerda e à direita,<br />

o que proporciona melhor<br />

distribuição, promovendo um<br />

desgaste mais uniforme<br />

Evandro Magnus, diretor da CPM<br />

na América do Sul<br />

38<br />

www.REVISTABIOMAIS.com.br


PESQUISA PARA EVOLUIR<br />

A tecnologia Twin Track representa um avanço<br />

significativo na produção de pellets, oferecendo uma<br />

solução inovadora que aumenta a capacidade de produção<br />

e reduz a pegada de carbono. A criação desta<br />

tecnologia foi motivada pela necessidade de otimizar<br />

o processo de peletização, tornando-o mais eficiente e<br />

sustentável.<br />

A Twin Track foi desenvolvida pela CPM, empresa<br />

pioneira no setor de peletizadoras. Através de uma<br />

pesquisa extensiva e testes rigorosos, a equipe de engenheiros<br />

da CPM identificou que o uso de dois rolos<br />

com trilhos independentes poderia melhorar significativamente<br />

a eficiência do processo. Cada rolo executa<br />

um único e longo impulso por revolução da matriz, diferentemente<br />

das máquinas convencionais de dois ou<br />

três rolos, que realizam múltiplos impulsos. Além disso,<br />

o aumento de 43% no número de furos em cada matriz<br />

permite uma camada mais ampla de material, resultando<br />

em um maior número de pellets por revolução.<br />

in 1931. Since then, it has led the way in designing and<br />

building world-class pellet mills with the lowest operating<br />

costs and the highest long-term value. In the wood<br />

pellet segment, one of the Company’s differentiators<br />

is the Twin Track, from the pellet mill line that features<br />

technology that transforms the production process,<br />

guaranteeing a reduction in energy consumption, pellet<br />

quality, and an increase in pellet mill capacity.<br />

RESEARCH FOR DEVELOPMENT<br />

Twin Track technology represents a significant advancement<br />

in pellet production, offering an innovative<br />

solution that increases production capacity and reduces<br />

the carbon footprint. The creation of this technology<br />

was motivated by the need to optimize the pelletizing<br />

process, making it more efficient and sustainable.<br />

CPM, a pioneer in the pelletizing industry, developed<br />

Twin Track. Through extensive research and rigorous<br />

testing, CPM’s team of engineers determined that the<br />

use of two rollers with independent tracks could signi-<br />

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA 39


PRINCIPAL<br />

Com a Twin Track, estamos<br />

revolucionando o interior<br />

das peletizadoras. Nossa<br />

tecnologia patenteada não<br />

apenas aumenta a capacidade<br />

de produção em até 20%, mas<br />

também garante a qualidade<br />

consistente dos pellets, ao<br />

mesmo tempo em que reduz<br />

o consumo de energia<br />

Evandro Magnus, diretor da CPM<br />

na América do Sul<br />

MELHORES RESULTADOS<br />

Os resultados dos testes em operações reais de<br />

moinhos mostraram que a Twin Track pode reduzir o<br />

consumo de energia em até 240.000 kWh (quilowatts<br />

por hora) por ano por peletizadora, com uma correspondente<br />

redução de emissões de CO2 (gás carbônico)<br />

de até 96.240 kg (quilogramas) por ano, para uma<br />

operação de 6 toneladas por hora e 8 mil toneladas por<br />

ano. Além disso, a tecnologia proporciona uma melhoria<br />

no tempo de retenção dentro da matriz, permitindo<br />

um controle mais eficaz sobre a pressão, temperatura<br />

e tempo de retenção - fatores críticos para a qualidade<br />

dos pellets.<br />

O diretor da CPM na América do Sul, Evandro Magnus,<br />

explica o funcionamento do Twin Track: “Com a<br />

Twin Track, estamos revolucionando o interior das peletizadoras.<br />

Nossa tecnologia patenteada não apenas<br />

aumenta a capacidade de produção em até 20%, mas<br />

também garante a qualidade consistente dos pellets,<br />

ao mesmo tempo em que reduz o consumo de energia.<br />

A Twin Track melhora a alimentação ao longo da largura<br />

da matriz, os pellets são distribuídos 50% à esquerda<br />

e à direita, o que proporciona melhor distribuição na<br />

matriz, promovendo um desgaste mais uniforme. Estamos<br />

orgulhosos de oferecer uma solução que não só<br />

ficantly improve process efficiency. Each roller delivers a<br />

single, long pulse per die revolution, as opposed to conventional<br />

two- or three-roller machines that deliver multiple<br />

pulses. In addition, the 43% increase in the number<br />

of holes in each die allows for a wider layer of material,<br />

resulting in a greater number of pellets per revolution.<br />

BETTER RESULTS<br />

The results of tests in real mill operations have<br />

shown that Twin Track can reduce energy consumption<br />

by up to 240 thousand kWh per pellet mill per year, with<br />

a corresponding reduction in CO2 emissions of up to<br />

96.,24 tons per year for an operation of six tons per hour<br />

and eight thousand tons per year. In addition, the technology<br />

provides an improvement in die residence time,<br />

allowing more effective control of pressure, temperature,<br />

and residence time-critical factors for pellet quality.<br />

Evandro Magnus, CPM Director for South America,<br />

explains how Twin Track works: “With Twin Track, we are<br />

revolutionizing the inside of pellet mills. Our patented<br />

technology not only increases production capacity by<br />

up to 20% but also ensures consistent pellet quality while<br />

reducing energy consumption. Twin Track improves<br />

feed across the width of the die, distributing pellets 50%<br />

left and right for better distribution in the die and more<br />

40 www.REVISTABIOMAIS.com.br


melhora a eficiência operacional, mas também contribui<br />

para um futuro mais verde”, completa Evandro.<br />

QUALIDADE EM PELLETS<br />

Além da tecnologia Twin Track, a CPM está presente<br />

no crescente mercado de pellets oferecendo peletizadoras,<br />

moinhos de martelos e equipamentos que garantem<br />

mais qualidade para o produto, custos operacionais<br />

mais baixos, redução no consumo de energia,<br />

fácil manutenção e operação. “Além disso é um modelo<br />

com design compacto e robusto, que proporciona economia<br />

de espaço, economia significativa de energia e<br />

redução na emissão de CO2”, garante Evandro Magnus.<br />

uniform wear. We are proud to offer a solution that not<br />

only improves operational efficiency but also contributes<br />

to a greener future,” adds Magnus.<br />

QUALITY IN PELLETS<br />

In addition to Twin Track technology, CPM is present<br />

in the growing pellet market with pellet mills, hammer<br />

mills, and equipment that guarantee higher product<br />

quality, lower operating costs, reduced energy consumption,<br />

and easy maintenance and operation. “Added<br />

to all this, Twin Track is a model with a compact and<br />

robust design that saves space, significantly saves energy,<br />

and reduces CO2 emissions,” says Magnus.<br />

É um modelo com design compacto e<br />

robusto, que proporciona economia de<br />

espaço, economia significativa de energia e<br />

redução na emissão de CO2<br />

Evandro Magnus, diretor da CPM<br />

na América do Sul<br />

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA<br />

41


BIOMASSA<br />

RECORDE DE<br />

GERAÇÃO<br />

DE ENERGIA<br />

EM 2023, A FONTE<br />

RENOVÁVEL E LIMPA<br />

CONTRIBUIU COM 3.218 MW<br />

MÉDIOS, COM DESTAQUE<br />

PARA O BAGAÇO DA<br />

CANA-DE-AÇÚCAR<br />

FOTOS DIVULGAÇÃO<br />

42 www.REVISTABIOMAIS.com.br


REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA<br />

43


BIOMASSA<br />

A<br />

geração de energia a partir da biomassa<br />

bateu o recorde de contribuição ao SIN<br />

(Sistema Interligado Nacional) em 2023.<br />

Foram 3.218 MWm (megawatts médios),<br />

o que significou 4,6% de toda a demanda de energia<br />

consumida no ano passado. As informações são da<br />

CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica),<br />

vinculada ao MME (Ministério de Minas e Energia). O<br />

SIN é o sistema hidrotérmico para produção e transmissão<br />

de energia elétrica, coordenado e controlado<br />

pelo ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico).<br />

“Estamos atuando em várias frentes, para seguir como<br />

referência de energia limpa em todo o mundo. Em<br />

2023, 93,6% da nossa eletricidade foi gerada a partir<br />

de fontes renováveis, o que reforça o Brasil como<br />

liderança mundial na transição energética”, destacou o<br />

ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira.<br />

O recorde anterior foi registrado no ano de 2020,<br />

quando a geração média das usinas de biomassa<br />

ficou em 3.140 MWm. Em 2023, houve acréscimo na<br />

capacidade instalada de biomassa de 223 MW e, para<br />

2024, o incremento esperado é de 1.155 MW, o que representará<br />

o maior valor da série histórica. Em 2023, a<br />

contribuição da biomassa à geração de energia variou<br />

de 3,2% a 4,9% ao longo dos meses.<br />

EMPREENDIMENTOS DE BIOMASSA<br />

Conforme o levantamento, são 637 empreendimentos<br />

movidos a biomassa espalhados por todo o<br />

Brasil. A maioria deles (422) utiliza bagaço de cana-<br />

-de-açúcar, com uma potência total de 12.410 MW. O<br />

material é obtido após o esmagamento da cana para<br />

obtenção de álcool, como o etanol combustível e as<br />

bebidas alcóolicas, ou para a fabricação de açúcar.<br />

Sendo a cana-de-açúcar um componente importante<br />

para a geração de energia em duas etapas, tanto no<br />

transporte, quanto na geração de energia.<br />

Os resíduos florestais são o combustível de 76<br />

usinas, que geram 820 MW. A lenha, material utilizado<br />

na queima em termelétricas, que pode ter origem<br />

em florestas nativas ou de reflorestamento, move 13<br />

empreendimentos, contribuindo com uma potência<br />

de 263 MW. O biogás contribui com uma potência de<br />

201 MW.<br />

44 www.REVISTABIOMAIS.com.br


www.metalsulindustrial.com<br />

PROJETO<br />

PARA PRODUÇÃO DE<br />

PELLETS<br />

Sistemas de processamento<br />

completos para secagem de<br />

biomassa destinado para<br />

produção de pellets<br />

(49) 9 8806-7493 | 9 8817-2113<br />

(49) 3353 6101<br />

Rua 05, Distrito Industrial Sérgio, Anestor Davi<br />

nº 26 - Bairro Industrial - Xaxim - SC


BIOMASSA<br />

O licor negro, subproduto gerado pela indústria de<br />

papel e celulose, é o combustível de apenas 22 empreendimentos,<br />

mas que são capazes de gerar 3.334 MW,<br />

sendo a segunda maior potência entre as subfontes da<br />

biomassa.<br />

EXPANSÃO DA GERAÇÃO<br />

No ano passado, a expansão da geração de energia<br />

registrada em todo o Brasil foi de 10.300 MW, o<br />

maior da série histórica. No total, 291 usinas entraram<br />

em funcionamento. O maior número (140) corresponde<br />

a eólicas, que produziram 4.919,0 MW, sendo<br />

responsáveis por 47,65% da expansão da matriz.<br />

Em segundo lugar, estão as 104 novas usinas<br />

solares fotovoltaicas, que geraram 4.070,9 MW. Além<br />

destas, 33 termelétricas, 11 pequenas hidrelétricas<br />

e três centrais geradoras hidrelétricas compõem as<br />

usinas que entraram em operação no ano de 2023.<br />

Em 2023, foram gerados<br />

3.218 MW médios a<br />

partir de biomassa, o que<br />

significou 4,6% de toda<br />

a demanda de energia<br />

consumida no ano<br />

passado<br />

46 www.REVISTABIOMAIS.com.br


FAÇA UMA COTAÇÃO CONOSCO<br />

Rua Walter Erich Obenaus S/N<br />

89107-000 Pomerode - SC<br />

+55 (47) 3334-1388 (47) 99180-1663<br />

www.walterfundicao.com.br


PRODUÇÃO<br />

BIOMASSA<br />

EM GOIÁS<br />

ASSOCIAÇÃO BUSCA<br />

ESTIMULAR PRODUÇÃO<br />

DE BIOMASSA DE<br />

MADEIRA NO ESTADO<br />

DO CENTRO-OESTE PARA<br />

ATENDER A DEMANDA<br />

FOTOS DIVULGAÇÃO<br />

BIOMASS IN THE<br />

STATE OF GOIÁS<br />

ASSOCIATION SEEKS TO<br />

STIMULATE WOOD BIOMASS<br />

PRODUCTION IN MIDWESTERN<br />

STATE TO MEET DEMAND<br />

48 www.REVISTABIOMAIS.com.br


A<br />

busca por fontes de energia renovável tem crescido<br />

e estimulado ações para reduzir as emissões<br />

de GEE (gases de efeito estufa) e aproveitar todo<br />

resíduo possível para geração de energia. O<br />

Estado de Goiás não tem tradição na silvicultura, mas é um<br />

importante produtor agroindustrial, cujas indústrias, em sua<br />

grande maioria, se utilizam da biomassa para geração de<br />

energia.<br />

Com a corrida para aumentar a geração de energia renovável,<br />

várias frentes estão sendo organizadas. O governo<br />

de Goiás anunciou que está com dois projetos de destaque<br />

na área de energia neste ano de 2024, que são os programas<br />

T<br />

he search for renewable energy sources has increased,<br />

stimulating actions to reduce greenhouse gas emissions<br />

(GHG) and use all possible wastes to generate<br />

energy. The State of Goiás does not have a forestry<br />

tradition, but it is an important agro-industrial producer, and<br />

most companies in the State use biomass to generate energy.<br />

Several fronts are being organized in the race to increase<br />

renewable energy production. The Government of Goiás<br />

has announced that it has two outstanding energy projects<br />

for 2024: the Energy Efficiency and the Energy Matrix<br />

Programs, under the responsibility of the General Secretariat<br />

of Government (SGG) through the Sub-Secretariat of Energy,<br />

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA<br />

49


PRODUÇÃO<br />

Eficiência Energética e Matriz Energética, sob a responsabilidade<br />

da SGG (Secretaria Geral de Governo), por meio<br />

da subsecretaria de Energia, Telecomunicações e Cidades<br />

Inteligentes. Os projetos visam reduzir o custo com energia<br />

elétrica e estimular o desenvolvimento de matriz energética<br />

renovável.<br />

E o setor produtivo, por meio da Goflor (Associação de<br />

Produtos e Consumidores de Florestas Plantadas do Estado<br />

de Góias) tem buscado incentivar o plantio de árvores no<br />

centro-oeste do Brasil, visando suprir o consumo de biomassa<br />

para as indústrias do Estado.<br />

MATÉRIA-PRIMA<br />

O presidente da Goflor e da Comissão de Silvicultura da<br />

Faeg (Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás), Walter<br />

Vieira Rezende, vem atuando para estimular o desenvolvimento<br />

de florestas plantadas para atender a demanda. “A<br />

produção florestal de Goiás, historicamente, esteve muito<br />

mais relacionada a produção de energia e não aos produtos<br />

de madeira ou celulose como nas outras potências florestais<br />

do Brasil. Nossas grandes indústrias de laticínios e de secagem<br />

de grãos precisam muito da energia gerada pelo calor<br />

das caldeiras para entregar seus produtos e essa indústria é<br />

que foi primordialmente alimentada pelo segmento florestal<br />

de Goiás. Essa produção quase exclusiva para energia fez<br />

Telecommunications, and Smart Cities. The Projects aim to<br />

reduce the cost of electricity and promote the development of<br />

a renewable energy matrix.<br />

The Productive Sector, through the Association of Products<br />

and Consumers of Planted Forests in the State of Goiás<br />

(Goflor), has sought to promote the planting of trees in the<br />

Midwest of Brazil to provide biomass for the State’s industries.<br />

RAW MATERIALS<br />

Walter Vieira Rezende, President of Goflor and the Forestry<br />

Commission of the Goiás Federation of Agriculture and Livestock<br />

(Faeg), has been working to promote the development of<br />

planted forests to meet demand. “Goiás’ forestry production<br />

has historically been much more related to energy production<br />

than to wood or cellulose products, like other forestry powers<br />

in Brazil. Our large dairy and grain drying industries need a<br />

Queremos que Goiás atinja<br />

um nível de equilíbrio<br />

entre produção e demanda<br />

para que não precisemos<br />

buscar a maior parte do<br />

nosso consumo de outros<br />

Estados<br />

Walter Vieira Rezende,<br />

presidente da Goflor<br />

50 www.REVISTABIOMAIS.com.br


PRODUÇÃO<br />

com que a oferta crescesse de maneira exponencial e a<br />

demanda se manteve, o que levou muitos produtores a<br />

abandonarem a silvicultura e partirem para culturas de<br />

produção anual”, contextualiza Walter. “Hoje compramos<br />

de Minas Gerais a biomassa para atender a demanda que<br />

temos. Estamos entre os três primeiros Estados brasileiros<br />

em número de usinas de cana-de-açúcar e todas elas são alimentadas<br />

por termoelétrica, que utilizam o próprio bagaço<br />

da cana e a biomassa de madeira para gerar energia”, explica<br />

o presidente da Goflor.<br />

Diante desse quadro, a associação tem trabalhado no<br />

fomento da atividade, buscando o apoio do poder público e<br />

criando um bom ambiente para a produção florestal. “Quero<br />

ressaltar que quando falamos nesse fomento junto ao poder<br />

público não estou falando de dinheiro, mas sim legislações<br />

favoráveis e que nos auxiliem a mostrar que a silvicultura é<br />

possível”, defende Walter Rezende. “A biomassa é o mercado<br />

mais promissor de todos os mercados relacionados a silvicultura<br />

para o Estado. Hoje temos valores que giram de R$<br />

450 a R$ 570 a tonelada de biomassa. Os grandes frigoríficos<br />

e empresas de laticínios também utilizam o aquecimento<br />

de caldeiras, que são alimentadas com biomassa e por isso<br />

estamos buscando ampliar a nossa produção. Queremos<br />

que Goiás atinja um nível de equilíbrio entre produção e<br />

demandas para que não precisemos buscar a maior parte do<br />

nosso consumo de outros Estados. Por isso estamos incentivando<br />

internamente. Nosso plano é ter plantios modelo<br />

que estejam próximos às usinas e atendam nossa indústria”,<br />

pontua Walter Rezende.<br />

lot of the energy generated by the heat from the boilers to<br />

produce their products, and the forestry segment in Goiás has<br />

primarily fed this industry. This almost exclusive production<br />

for energy meant that supply grew exponentially and demand<br />

remained the same, leading many producers to abandon forestry<br />

and switch to annual crops,” explains Rezende. “Today,<br />

we need to buy biomass from the State of Minas Gerais to<br />

meet our needs. We are among the top three Brazilian states<br />

in terms of the number of sugarcane mills, and all of them are<br />

powered by thermoelectric plants that use sugarcane bagasse<br />

and wood biomass to generate energy,” explains the Goflor<br />

President.<br />

Faced with this situation, the Association has been<br />

working to promote the activity, seeking support from public<br />

authorities, and creating a good environment for forestry<br />

production. “I want to emphasize that when we talk about<br />

promoting this with public authorities, I am not talking about<br />

money but about favorable legislation that will help us show<br />

that forestry is possible,” defends Rezende. “Biomass is the<br />

most promising of all forest-related markets for the State.<br />

Today, we have values of around R$ 450 to R$ 570 per ton of<br />

biomass. Large meatpacking plants and dairy companies<br />

also use biomass to heat their boilers, so we want to expand<br />

our production. We want Goiás to reach a level of balance<br />

between production and demand so that we do not have to<br />

import most of our consumption from other states. That is<br />

why we are promoting this internally. We plan to have model<br />

plantations close to the mills that serve our industry,” says<br />

Rezende.<br />

52 www.REVISTABIOMAIS.com.br


CRESCIMENTO<br />

GERAÇÃO DISTRIBUÍDA<br />

BATE RECORDE NO<br />

BRASIL<br />

FOTOS DIVULGAÇÃO<br />

54 www.REVISTABIOMAIS.com.br


POTÊNCIA INSTALADA<br />

CHEGOU A 28 GW, O<br />

QUE COMPROVA O<br />

AVANÇO CRESCENTE<br />

DO PAÍS NA GERAÇÃO<br />

DISTRIBUÍDA DE ENERGIA<br />

LIMPA E SUSTENTÁVEL<br />

A<br />

geração de energia limpa e sustentável é<br />

uma marca do Brasil e continua avançando.<br />

No último mês de março a GD (geração<br />

distribuída) de energia bateu novo recorde<br />

e alcançou 28 GW (gigawatts) de potência instalada, resultante<br />

de micro e minigerações distribuídas de energia<br />

solar. Em 2023, o país registrou 7,4 GW de acréscimo<br />

na capacidade instalada, segundo a Aneel (Agência Nacional<br />

de Energia Elétrica). Os dados da agência levam<br />

em consideração os sistemas próprios de produção de<br />

energia nas residências e empresas. Conforme dados da<br />

ABGD (Associação Brasileira de Geração Distribuída), a<br />

potência de 28 GW equivale à produção de duas usinas<br />

hidrelétricas de Itaipu.<br />

Este número representa um marco para o cenário<br />

energético e a tendência é aumentar ainda mais, visto<br />

que a instalação de usinas próprias vem crescendo<br />

entre consumidores individuais e entre empresas que<br />

constroem fazendas solares, fornecendo energia mais<br />

barata ao consumidor final. Os números comprovam o<br />

crescimento e a popularização da GD no país. Atualmente,<br />

dos 5.570 municípios do Brasil, 5.547 possuem<br />

instalação de geração distribuída e a quantidade de<br />

sistemas instalados é de 2.466.416, que no conjunto<br />

geraram 28 GW de potência no último mês de março.<br />

São dados que destacam a adoção de fontes de energia<br />

limpa, promovendo a sustentabilidade ambiental.<br />

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA<br />

55


CRESCIMENTO<br />

NOVAS MODALIDADES<br />

O chamado aluguel de energia solar tem sido<br />

uma tendência no setor de energia solar distribuída,<br />

inovando o mercado e garantindo conta de luz mais<br />

barata para os consumidores. O serviço funciona como<br />

um modelo de assinatura de energia elétrica, em que os<br />

créditos gerados pela produção servem para descontar<br />

no valor final da conta de luz. Essa estratégia de geração<br />

de energia elétrica por meio de placas solares fotovoltaicas<br />

em terrenos vem ganhando espaço em cidades<br />

do Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo. Os consumidores<br />

que aderem à assinatura têm as vantagens da<br />

energia solar sem precisarem instalar as placas em suas<br />

casas ou estabelecimentos.<br />

Segundo dados da ABGD, atualmente, há mais de<br />

100 companhias oferecendo esse tipo de serviço, impulsionado<br />

pelas mudanças regulatórias da Lei 14.300<br />

de 2022, que instituiu o marco legal da microgeração<br />

e minigeração distribuída, o sistema de compensação<br />

e o programa de energia renovável social. A legislação<br />

possibilitou que, empresas de geração distribuída que<br />

tivessem realizado o pedido de acesso às redes das<br />

concessionárias de energia até janeiro de 2023, tives-<br />

-sem isenção dos encargos setoriais e de custos, como<br />

os ligados ao transporte de energia até o final de 2045.<br />

“Esse cenário abre um importante espaço para a ampliação<br />

e a democratização da geração de energia solar<br />

distribuída no Brasil, uma das principais causas que<br />

apoiamos na ABGD”, comenta o presidente executivo da<br />

associação, Carlos Evangelista.<br />

MAIS CRESCIMENTO<br />

Para 2024, a ABGD tem a proposta de concentrar-se<br />

no avanço do setor elétrico, com ênfase na renovação,<br />

eficiência, acessibilidade, sustentabilidade e integração<br />

com inteligência artificial, abordando questões regulatórias,<br />

aprimoramento profissional, inovação tecnológica<br />

e sistemas de armazenamento e assim consolidar<br />

e expandir os avanços da geração distribuída. Tendo<br />

como parâmetro o acréscimo de 7,4 GW da capacidade<br />

instalada alcançado no ano passado, a ABGD espera<br />

que nesse ano haja expansão semelhante, alcançando<br />

um total instalado de mais de 33,2 GW em todo o país,<br />

representando um aporte de R$ 37 bilhões.<br />

Tendo como parâmetro<br />

o acréscimo de 7,4 GW<br />

da capacidade instalada<br />

alcançado no ano passado,<br />

a ABGD espera que nesse<br />

ano haja expansão,<br />

alcançando um total<br />

instalado de mais de 33,2<br />

GW em todo o país<br />

56 www.REVISTABIOMAIS.com.br


ARTIGO<br />

ESTOQUE DE CARBONO<br />

E DE BIOMASSA<br />

EM VEGETAÇÃO COM<br />

DIFERENTES ESTÁGIOS DE<br />

REGENERAÇÃO E ALTERAÇÕES<br />

ANTRÓPICAS EM ÁREA URBANA<br />

FOTOS DIVULGAÇÃO<br />

58 www.REVISTABIOMAIS.com.br


YURI ROMMEL VIEIRA ARAÚJO<br />

UFPB (Universidade Federal da Paraíba)<br />

ZHAYNE CHRISTINA GONÇALVES MOREIRA<br />

UFPB (Universidade Federal da Paraíba)<br />

ARINALDO INÁCIO DAS NEVES<br />

Secretaria Municipal do Meio Ambiente de João Pessoa (PB)<br />

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA<br />

59


ARTIGO<br />

RESUMO<br />

O<br />

estudo teve como objetivo quantificar<br />

o estoque de carbono e biomassa em<br />

vegetação com diferentes estágios de<br />

regeneração e alterações antrópicas em<br />

área urbana. Para a obtenção dos resultados foi realizado<br />

o inventário florestal de seis áreas com diferentes<br />

características fitofisionômicas, grau de antropização e<br />

estágio de regeneração. Para a quantificação de estoque<br />

de carbono e biomassa foram utilizadas equações<br />

alóctones adaptadas para floresta estacional semidecidual.<br />

Das seis áreas, duas foram classificadas como<br />

estágio médio de regeneração, uma em estágio médio<br />

inicial e três em estágio inicial. O estoque de biomassa<br />

abaixo do solo encontrado variou entre 28,66 t/ha e<br />

0,12 t/ha e acima do solo entre 155,75 t/ha e 0,67 t/<br />

ha, dependendo do estágio de regeneração e grau de<br />

antropização. O estoque de carbono total variou entre<br />

88,51 tC/ha e 0,38 tC/ha, conforme a fitofisionomia da<br />

área. A vegetação em estágio médio inicial apresentou<br />

maior média de biomassa arbórea e carbono estocado<br />

em comparação aos demais estágios de regeneração.<br />

O fuste apresentou o maior estoque médio de carbono,<br />

seguida pelos galhos e raízes. Com os resultados, foi<br />

possível concluir que as áreas que apresentaram vegetação<br />

com características mais próximas dos remanescentes<br />

florestais, apresentam maior capacidade de<br />

estoque de biomassa e carbono. As áreas em estágio<br />

médio inicial absorvem maior quantidade de carbono<br />

e biomassa por hectares, e em estágio inicial, pouca<br />

capacidade. À medida que um remanescente florestal<br />

passa por um processo de antropização e de degradação,<br />

reduz sua função de sequestrar e estocar.<br />

60 www.REVISTABIOMAIS.com.br


INTRODUÇÃO<br />

O aumento da concentração de CO2 (gás carbônico)<br />

na atmosfera, a partir da Revolução Industrial, seus<br />

respectivos efeitos sobre a população e o ambiente<br />

vêm se tornando cada vez mais relevante e preocupante,<br />

sendo um desafio para a sociedade mitigá-los<br />

(Freitas Júnior, 2017). O acréscimo entre 1ºC e 3ºC<br />

(graus Celsius) na temperatura média global, acima dos<br />

valores registrados na década de 1990, poderá beneficiar<br />

algumas regiões do planeta, no entanto, trará custos<br />

econômicos e sociais em outras partes (IPCC, 2019).<br />

Uma das ações antrópicas que contribuem para<br />

a emissão de CO2 na atmosfera são as alterações da<br />

cobertura vegetal, mais especificamente o desmatamento<br />

e as queimadas, onde as mudanças provocadas<br />

pela fragmentação florestal e redução de áreas nativas,<br />

resultam na perda de funções ecológicas, incluindo<br />

a produção de oxigênio, estoque e captura de CO2<br />

(Dantas et al., 2017).


ARTIGO<br />

Estudo mostra que a interação existente entre a<br />

floresta e o estoque de carbono absorvido está diretamente<br />

ligada com o estágio de regeneração, onde a<br />

vegetação de estágio avançado de regeneração apresenta<br />

uma capacidade maior de absorção de carbono,<br />

em comparação a de estágio médio (Diniz et al., 2015).<br />

MATERIAL E MÉTODO<br />

O estudo foi realizado no município de João Pessoa<br />

(PB), localizado na zona costeira da região nordeste do<br />

Brasil. Insere-se dentro dos domínios da Mata Atlântica<br />

de cobertura vegetal, predominantemente, de floresta<br />

estacional semidecidual.<br />

Apresenta uma classificação climática de bioclima<br />

3dth, segundo Köppen-Geiger, referente ao clima de<br />

regime mediterrâneo ou nordestino subseco, na faixa<br />

climática do tipo As’ descrita como clima quente e<br />

úmido. Com relação à precipitação, a máxima ocorre<br />

entre os meses de maio e julho, com médias anuais<br />

de 1.896 mm (milímetros). As temperaturas variam de<br />

21°C a 30°C, e umidade relativa de 73% e 82% (Souza,<br />

Silva & Silva, 2016).<br />

CONCLUSÃO<br />

As áreas que apresentam uma cobertura vegetal<br />

com características mais próximas dos remanescentes<br />

florestais (áreas A1, A2 e A3) apresentaram maior<br />

capacidade de estoque de biomassa e carbono por<br />

hectares, em comparação as áreas antropizadas ou em<br />

processo de alteração (áreas A4, A5 e A6).<br />

Os locais com uma cobertura vegetal em estágio<br />

médio ou inicial/médio apresentaram os maiores<br />

resultados de estoque de carbono e de biomassa por<br />

hectare, cumprindo com a sua função ecológica. As<br />

áreas com vegetação em estágio inicial de regeneração<br />

apresentam pouco potencial de absorção e estocagem<br />

de carbono e biomassa por unidade de área.<br />

À medida que um remanescente florestal passa<br />

62 www.REVISTABIOMAIS.com.br


Os locais com uma<br />

cobertura vegetal<br />

em estágio médio<br />

ou inicial/médio<br />

apresentaram os<br />

maiores resultados de<br />

estoque de carbono<br />

e de biomassa por<br />

hectare, cumprindo<br />

com a sua função<br />

ecológica<br />

por um processo antrópico e degradatório, perdendo<br />

suas características naturais, a função ecossistêmica de<br />

sequestro de carbono e acúmulo de biomassa se reduz.<br />

A estrutura vegetal que absorve maior quantidade<br />

de carbono foi o fuste. A quantidade de carbono<br />

estocado total médio por indivíduos foram maiores nas<br />

áreas A5 e A6, tratando-se de locais antropizados.<br />

Uma estratégia que o município de João Pessoa<br />

tem para contribuir com a redução do aquecimento e<br />

sequestro dos GEE (gases de efeito estufa) é mediante<br />

a criação de parques e UC de áreas que apresentem<br />

cobertura florestal nativa e realizando o reflorestamento<br />

de áreas degradadas.<br />

Para acessar esse conteúdo na<br />

íntegra acesse o QRcode ao lado:<br />

REVISTA + BIOMASSA + ENERGIA<br />

63


AGENDA<br />

MAIO 2024<br />

DESTAQUE<br />

CIBIO 2024 – CONGRESSO INTERNACIONAL<br />

DE BIOMASSA<br />

Data: 29 e 30<br />

Local: FIEP – Curitiba (PR)<br />

Informações:<br />

https://www.congressobiomassa.com/site/<br />

CBENS - CONGRESSO BRASILEIRO DE<br />

ENERGIA SOLAR<br />

Data: 27 a 30<br />

Local: Natal (RN)<br />

Informações:<br />

https://www.abens.org.br/evento.php?evento=3<br />

JUNHO 2024<br />

HYDROGEN AMÉRICAS<br />

Data: 11 a 12<br />

Local: Washington D.C., EUA (Estados Unidos da América)<br />

Informações:<br />

https://www.hydrogen-americas-summit.com/<br />

EUBCE – EUROPEAN BIOMASS<br />

CONFERENCE & EXHIBITION<br />

Data: 24 a 27<br />

Local: Marselha (França)<br />

Informações: https://www.eubce.com/<br />

BIOTECH FAIR E<br />

CONGRESSO<br />

DE BIOENERGIA+<br />

Data: 4 a 6 de junho de 2024<br />

Local: Porto Alegre (RS)<br />

Informações:<br />

https://congressodebioenergia.com.br/<br />

O Congresso Internacional de Bioenergia<br />

acontece juntamente com BIOTECHFAIR - Feira<br />

Internacional de Tecnologia em Bioenergia e<br />

Biocombustíveis -, ocupando mais de 10 mil m2<br />

(metros quadrados) do Centro de Eventos da<br />

Fiergs (Federação das Indústrias do Estado do<br />

Rio Grande do Sul), em Porto Alegre (RS). O evento<br />

é consolidado como um importante fórum de<br />

discussões sobre energias renováveis do Brasil e<br />

América Latina.<br />

64 www.REVISTABIOMAIS.com.br


VEM AÍ!<br />

02 DE DEZEMBRO - CURITIBA (PR)<br />

PATROCINADORES:<br />

ASSOCIAÇÃO DO COMÉRCIO E INDÚSTRIA DE<br />

MADEIRAS E DERIVADOS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO<br />

SERRAS E FACAS INDUSTRIAIS<br />

envimat<br />

www<br />

revistareferencia.com.br<br />

comercial@revistareferencia.com.br


OPINIÃO<br />

Foto: divulgação<br />

GERENCIAMENTO DE<br />

EQUIPES: COMO MELHORAR<br />

OS RESULTADOS DOS TIMES?<br />

À<br />

medida que os modelos de locais de trabalho<br />

evoluem, também se aperfeiçoam os termos e<br />

práticas utilizados pelas empresas. Nos últimos<br />

anos, o trabalho híbrido disparou. A missão dos<br />

líderes e esforço de gestão mais dinâmica dos times para<br />

potencializar os resultados vem se tornando cada vez mais<br />

desafiadores.<br />

As organizações estão começando a entender que uma<br />

equipe de sucesso não é apenas o resultado de compartilhar<br />

um espaço físico ou de indivíduos trabalhando isoladamente<br />

de forma eficiente. Para proteger e reter os melhores<br />

talentos, a implementação de práticas ágeis está se tornando<br />

rotina em todas as áreas.<br />

Com a crescente demanda por flexibilidade, transparência<br />

e engajamento entre os funcionários, o gerenciamento<br />

de trabalho colaborativo tornou- se uma prática essencial<br />

para o sucesso das organizações.<br />

A gestão colaborativa do trabalho, também conhecido<br />

como CWM (Collaborative Work Management), é a prática<br />

de gerenciar uma equipe de maneira a promover a comunicação<br />

e o trabalho em colaboração. É uma abordagem que<br />

enfatiza a importância de trabalhar em conjunto – mesmo<br />

que os membros da equipe estejam em locais separados<br />

usando dispositivos diferentes – para um objetivo comum,<br />

em vez de trabalhar em silos ou abordagens individualistas.<br />

O gerenciamento de trabalho colaborativo envolve a<br />

criação de um ambiente em que todos da equipe possam<br />

compartilhar ideias, recursos e feedbacks e trabalhar juntos<br />

para atingir um bom desempenho coletivo dentro de uma<br />

empresa. No entanto, sendo um conceito da era digital, não<br />

se manifestou por meio de materiais como papel e canetas.<br />

O CWM surgiu pelo domínio de plataforma de softwares.<br />

O gerenciamento eficaz do trabalho colaborativo requer<br />

uma compreensão clara da dinâmica da equipe, pontos fortes<br />

e fracos individuais e a capacidade de criar uma cultura<br />

de confiança e respeito. Essa abordagem também requer o<br />

uso de ferramentas e tecnologias que permitam que todos<br />

se comuniquem e colaborem de forma eficaz, independentemente<br />

de sua localização ou fuso horário. As principais<br />

características do gerenciamento de trabalho colaborativo<br />

passsam por: comunicação aberta e transparente, colaboração<br />

e trabalho em equipe, compartilhamento de recursos,<br />

tecnologia colaborativa, flexibilidade e adaptabilidade.<br />

Com tantas características construtivas disponíveis, já<br />

é de se imaginar a infinidade de benefícios que CWM pode<br />

trazer. Em primeiro lugar, incentiva o trabalho em equipe e a<br />

comunicação, cruciais para o sucesso de qualquer organização.<br />

Quando as pessoas trabalham juntas, elas podem<br />

compartilhar ideias, debater e resolver problemas com mais<br />

eficiência. Isso, por sua vez, leva ao aumento da produtividade<br />

e a melhores resultados.<br />

Em segundo lugar, essa gestão promove a responsabilidade<br />

e a transparência. Quando os colaboradores trabalham<br />

de forma colaborativa, é mais provável que eles assumam<br />

suas tarefas e responsabilidades. Em terceiro lugar, a gestão<br />

do trabalho colaborativo pode melhorar o envolvimento dos<br />

funcionários e a satisfação no trabalho. Os resultados de um<br />

estudo de Stanford mostraram que sentir que você faz parte<br />

de uma equipe de pessoas trabalhando em uma tarefa,<br />

torna as pessoas mais motivadas ao enfrentar desafios.<br />

E como último e possivelmente um dos maiores benefícios,<br />

o CWM aumenta a produtividade da equipe. Com uma<br />

gestão mais eficiente, as equipes podem trabalhar de forma<br />

mais produtiva, otimizando o tempo e cumprindo os prazos,<br />

e atingindo os resultados estabelecidos.<br />

C<br />

M<br />

Y<br />

CM<br />

MY<br />

CY<br />

CMY<br />

K<br />

Por Hermínio Gonçalves<br />

CEO da SoftExpert Brasil<br />

Foto: divulgação<br />

66 www.REVISTABIOMAIS.com.br


A FACA<br />

GIGANTE<br />

DO AGRO<br />

SERRAS E FACAS INDUSTRIAIS

Hooray! Your file is uploaded and ready to be published.

Saved successfully!

Ooh no, something went wrong!