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Quem é Quem nas Energias Verdes 2024

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QUEM É QUEM<br />

NAS ENERGIAS VERDES<br />

I


QUEM É QUEM NAS<br />

ENERGIAS VERDES<br />

I<br />

<strong>2024</strong>


A REVISTA QUE DÁ VOZ A<br />

TODOS OS QUE CRIAM UM<br />

MUNDO MAIS SUSTENTÁVEL<br />

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\\ EDITORIAL \\<br />

5<br />

NÃO HÁ BELA<br />

sem senão!<br />

As energias verdes, renováveis ou limpas são a solução para o problema do aquecimento global e<br />

da escassez dos recursos naturais, disso ninguém duvida, mas não devemos ser como a avestruz<br />

e esconder a cabeça na areia porque, na verdade, nenhuma delas é totalmente inócua. São, de<br />

facto, um mal muito menor comparadas com o carvão, o gás ou o petróleo, mas também têm consequências<br />

ambientais e sociais. E, aquelas três palavras podem parecer sinónimos, mas não são. A energia renovável,<br />

regenera-se ao mesmo tempo, da sua utilização. A limpa, não emite gás efeito de estufa e a verde, tem menor<br />

impacto ambiental. Por isso, cada uma das energias eólica, hídrica, biomassa, hidrogénio verde, energia das<br />

ondas, solar, nuclear ou geotérmica pode ter ou não as três denominações.<br />

A biomassa é uma energia renovável porque ao queimar resíduos florestais, ou a madeira retirada da floresta,<br />

esta ao final de 40 anos será renovada por uma nova árvore, mas não é limpa porque ao ser queimada, por<br />

exemplo, numa central de biomassa ou se for transformada em pellets emite gases com efeito de estufa para<br />

o planeta quando está a produzir eletricidade ou calor. No caso da hídrica construir uma barragem implica<br />

deslocar populações, tendo por isso um impacto social. Ao alterar o curso natural de um rio para a sua<br />

construção tem consequências no ecossistema envolvente, prejudicando a vida aquática, a fauna e a flora da<br />

região, portanto tem impacto ambiental.<br />

A energia eólica também é renovável, afinal vem do vento e é limpa porque não emite gases com efeito de<br />

estufa, mas a sua instalação tem impacto visual, principalmente para quem vive ali perto, pode causar danos<br />

a aves e afetar a sua migração, além disso, provoca ruído (43 dB). As habitações mais próximas deverão estar<br />

a pelo menos 200 metros de distância. E poderíamos elencar motivos para todas. Por isso, é preciso haver um<br />

bom planeamento antes de se investir em qualquer uma das energias verdes, renováveis ou limpas. Já que se<br />

está a fazer gradualmente, que se faça com sabedoria. O importante é escolher o mal menor em cada situação<br />

para que a fatura não vá parar à conta das gerações futuras.<br />

Teresa Cotrim<br />

Jornalista<br />

// FICHA TÉCNICA<br />

DIRETOR GERAL Rogério Junior • DIRETOR EDITORIAL António Sarmento • COLABORADORES E REDAÇÃO Ana Filipa Rego, Filipe Rações, Teresa Cotrim • DIREÇÃO<br />

DE COMUNICAÇÃO Marisa Silvestre • DIREÇÃO DE ARTE Sofia Marques • IMAGENS Getty Images • PUBLICIDADE Mário Serra (mario.serra@greensavers.pt) • PE-<br />

RIODICIDADE Anual • TIRAGEM MÉDIA 15.000 exemplares • PROPRIEDADE | SEDE | EDITOR Green News Editora, LDA, Rua Cidade de Rabat, 41B, 1500-159 Lisboa,<br />

NIPC: 516292412, geral@greensavers.pt • IMPRESSÃO E ACABAMENTO Louresgráfica - Sociedade de Artes Gráficas, Lda • Revista distribuída gratuitamente com a<br />

Green Savers nº 14


6 \\ ÍNDICE \\<br />

08<br />

ENERGIAS VERDES<br />

EM REVISTA<br />

2023 foi um bom ano para as renováveis,<br />

tendo atingido picos históricos de<br />

produção e as metas nacionais são das<br />

mais ambiciosas a nível europeu, 49%<br />

em 2030.<br />

16<br />

ENTREVISTA<br />

“A luta contra o aquecimento<br />

global impõe a rápida redução do<br />

uso de combustíveis fósseis”<br />

Helena Freitas considera que, desde a COP<br />

inaugural, as discussões sobre petróleo e<br />

gás “foram sempre inconsequentes”, mas<br />

que a COP 28 “emendou essa orientação”.<br />

22<br />

ENERGIA RENOVÁVEL<br />

OU MORTE DA FLORESTA?<br />

Queimar madeira tem mais emissões<br />

por unidade de energia elétrica gerada<br />

do que o carvão. Será a biomassa assim<br />

tão verde?<br />

28<br />

VENTOS FAVORÁVEIS NAS<br />

ENERGIAS VEREDES<br />

Eólica e hídrica lideraram em 2023,<br />

mas o solar também cresceu 8,2%.<br />

Portugal está no bom caminho para<br />

atingir os objetivos até 2030


\\ ÍNDICE \\<br />

7<br />

30<br />

SOLAR<br />

GANHA TERRENO NAS<br />

ENERGIAS RENOVÁVEIS<br />

32<br />

VENTO<br />

O OURO VERDE DAS<br />

RENOVÁVEIS!<br />

34<br />

EÓLICA OFFSHORE<br />

AJUDARÁ A ENERGIA<br />

HÍDRICA A CRESCER<br />

36<br />

HIDROGÉNIO<br />

ESSENCIAL NA DESCARBONIZAÇÃO<br />

DA ECONOMIA<br />

38<br />

GEOTÉRMICA<br />

A ENERGIA QUE VEM DO<br />

INTERIOR DA TERRA<br />

40<br />

BIOMASSA<br />

A ENERGIA DOS NOSSOS<br />

ANTEPASSADOS<br />

42<br />

ENERGIA DAS ONDAS<br />

UM MERCADO EM POTENCIAL?<br />

44<br />

ENERGIA NA MOBILIDADE<br />

AUMENTA EM TODO O MUNDO<br />

48<br />

FÓRUM DE LÍDERES<br />

1<br />

2<br />

58<br />

De que forma a sua empresa/<br />

entidade está comprometida<br />

com as melhores práticas<br />

sustentáveis?<br />

Como perspetiva o futuro da<br />

gestão de Energia em Portugal?<br />

DIRETÓRIO<br />

Portugal e o forte investimento<br />

em renováveis<br />

Portugal é dos países que mais investe em energias renováveis,<br />

situando-se em terceiro lugar entre os países europeus<br />

que mais apostam <strong>nas</strong> energias limpas.


8 \\ ENERGIAS VERDES \\


\\ ENERGIAS VERDES \\<br />

9<br />

ENERGIAS VERDES<br />

EM REVISTA<br />

2023 FOI UM BOM ANO PARA AS RENOVÁVEIS, TENDO ATINGIDO PICOS HISTÓRICOS<br />

DE PRODUÇÃO E AS METAS NACIONAIS SÃO DAS MAIS AMBICIOSAS A NÍVEL<br />

EUROPEU, 49% EM 2030.<br />

\\ Por Teresa Cotrim<br />

Em 2023 Portugal alcançou uma impressionante<br />

capacidade renovável instalada e em operação,<br />

atingindo os 19 GW. “Quanto à produção renovável,<br />

também atingiu um recorde: todos os centros<br />

electroprodutores em Portugal Continental<br />

geraram um montante total de 44 128 GWh de eletricidade,<br />

sendo 70,7% provenientes de fontes renováveis, e alcançando<br />

um pico histórico na produção renovável”, diz Pedro Amaral<br />

Jorge, CEO da APREN, Associação Portuguesa de <strong>Energias</strong><br />

Renováveis, explicando ainda que esse resultado decorre do<br />

excelente portfolio de fontes de energia renovável que permitiu<br />

obter com a tecnologia eólica um contributo de 29%, seguida<br />

da hídrica com 27%, da energia solar fotovoltaica com 8,2%, e<br />

da biomassa com 6,6%.<br />

Para o CEO da APREN este foi também o ano em que foi<br />

revisto o Plano Nacional de Energia e Clima para 2030, resultando<br />

em metas renováveis significativamente mais ambiciosas.<br />

“O país visa agora instalar um total de 43,2 GW de potência<br />

renovável nos próximos sete anos, portanto, mais do dobro<br />

da potência atual”. Paralelamente, ao longo do ano, os preços<br />

da componente de energia no mercado de eletricidade ibérico<br />

apresentaram uma estabilização. “Apesar da ocorrência de períodos<br />

esporádicos de elevada volatilidade, com preços muito<br />

altos ou muito baixos, a tendência global apresentou uma realidade<br />

com valores médios muito inferiores face aos preços<br />

registados em 2022 resultantes da crise energética”.<br />

Destaca-se ainda o impressionante aumento de 43% na produção<br />

elétrica de fonte renovável solar, representando agora<br />

8,2% da produção anual total de eletricidade. Segundo Pedro<br />

Amaral Jorge esse incremento notável em 2023 foi impulsionado<br />

pelo considerável aumento de 1 GW de capacidade instalada<br />

nacional, solidificando a posição de Portugal no panorama<br />

das energias renováveis.<br />

O responsável da APREN refere ainda que foram publicados<br />

vários elementos no contexto do pacote europeu REPowerEU,<br />

incluindo a revisão da Diretiva Europeia das Renováveis<br />

(RED III), a reforma do mercado de eletricidade e o Net-Zero<br />

Industry Act e, no seguimento destas publicações, é esperado<br />

uma transposição para a legislação nacional evidenciando o alinhamento<br />

do país com as diretrizes europeias para a transição<br />

energética.<br />

As metas portuguesas em termos de quota de energias de<br />

fontes renováveis no consumo final bruto de energia são das<br />

mais ambiciosas a nível europeu. Segundo o PNEC2030 foram<br />

definidos os principais drivers para alcançar uma quota de 49%<br />

de renováveis no consumo final de energia em 2030.<br />

QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>


10<br />

\\ ENERGIAS VERDES \\<br />

Em 2023, “todos os centros<br />

electroprodutores<br />

em Portugal Continental<br />

geraram um montante<br />

total de 44 128<br />

GWh de eletricidade,<br />

sendo 70,7% provenientes<br />

de fontes renováveis,<br />

e alcançando um pico<br />

histórico na produção<br />

renovável”<br />

CUMPRIREMOS AS METAS EM 2030?<br />

Pedro Amaral Jorge, diz que a revisão do<br />

Plano Nacional de Energia e Clima 2030<br />

(PNEC2030) veio dar resposta ao Plano RE-<br />

PowerEU, lançado pela Comissão Europeia<br />

em resposta à ilegítima invasão da Ucrânia por<br />

parte da Rússia, e que pretendia garantir uma<br />

maior autonomia e independência energética<br />

bem como incrementar a segurança do abastecimento<br />

energético, proteger os cidadãos da<br />

excessiva volatilidade dos preços de energia e<br />

aumentar a competitividade do mercado interno,<br />

nomeadamente com a aposta no contínuo<br />

aumento da implementação de energias<br />

renováveis, na diversificação das cadeias de<br />

fornecimento e aumento da poupança e eficiência<br />

energética.<br />

O Ceo da APREN explica ainda que o novo<br />

PNEC 2030 atualizou as metas de eletricidade<br />

renovável de 27,5 GW para 43,2 GW até<br />

2030, incluindo as necessidades de eletricidade<br />

renovável para produção de hidrogénio verde<br />

e eletrificação de novos consumos, demonstrado<br />

o empenho de Portugal em cumprir as metas<br />

europeias e assegurar também uma maior<br />

competitividade interna do País face aos mercados<br />

internacionais.<br />

“Sendo muito ambiciosas, as metas estabelecidas<br />

pelo PNEC 2030 serão cumpridas se<br />

existir um ambiente favorável a toda a linha”.<br />

Para a APREN, uma das necessidades centrais<br />

é a existência de estabilidade regulatória do<br />

país que viabilize a concretização de projetos<br />

renováveis. É também urgente que sejam ultrapassados<br />

obstáculos como a agilização dos<br />

procedimentos no licenciamento, que só será<br />

possível através da capacitação das entidades<br />

responsáveis. No que se refere à fase de desenvolvimento,<br />

engenharia e licenciamento, é absolutamente<br />

imperativo simplificar e encurtar<br />

o processo de licenciamento em linha com as<br />

indicações definidas na Diretiva Europeia das<br />

Renováveis (REDIII), e, “para que tal aconteça,<br />

parece-nos incontornável que as intuições<br />

das quais o licenciamento depende, se adequem<br />

em termos de processos, procedimentos,<br />

capacidade de respostas, pessoas, competências,<br />

sistemas de informação, digitalização e<br />

modelo operacional e organizacional”.<br />

QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>


\\ ENERGIAS VERDES \\<br />

11<br />

Igualmente fundamental é também na opinião<br />

de Pedro Amaral Jorge assegurar o desenvolvimento<br />

de infraestruturas, como a RESP<br />

(Rede Elétrica de Serviço Público), que possibilitem<br />

a ligação ao mercado dos investimentos<br />

nos centros electroprodutores de renováveis.<br />

Por último, é essencial garantir que existe<br />

uma compatibilização dos usos do território,<br />

garantindo o desenvolvimento sustentável dos<br />

projetos e salvaguardando as necessidades de<br />

descarbonização com os interesses económicos<br />

e sociais locais aquando da implementação<br />

dos referidos centros electroprodutores.<br />

ELETRIFICAR O PAÍS SÓ COM ENERGIA RENO-<br />

VÁVEL, UTOPIA?<br />

O CEO da APREN, garante que a possibilidade<br />

de abastecer um país exclusivamente com<br />

energias renováveis não é uma utopia, mas um<br />

objetivo desejável e perfeitamente alcançável.<br />

Vários países estão a trabalhar para aumentar<br />

significativamente a participação de fontes renováveis<br />

<strong>nas</strong> suas matrizes energéticas, para<br />

atingir a neutralidade carbónica e aumentar<br />

simultaneamente a sua independência e segurança<br />

energética.<br />

“Tão alcançável que até já aconteceu em<br />

Portugal, temporariamente. O último episódio<br />

ocorreu entre 31 de outubro e 6 de novembro,<br />

período durante o qual as necessidades elétricas<br />

do país foram supridas a 100% por eletricidade<br />

renovável”.<br />

Pedro Amaral Jorge, explica que em dezembro<br />

de 2019, no âmbito do Pacto Ecológico<br />

Europeu, ficou estabelecido que a Europa deve<br />

ser o primeiro continente atingir a neutralidade<br />

carbónica. Este objetivo tornou-se juridicamente<br />

vinculativo quando o Parlamento e o<br />

Conselho Europeus adotaram a Lei do Clima<br />

em 2021. O objetivo intermédio de redução de<br />

emissões para 2030 também foi atualizado de<br />

40% para 55%.<br />

Segundo a APREN a UE está a rever atualmente<br />

um conjunto alargado de diplomas, a<br />

estabelecer novas leis e regulamentos que ajudarão<br />

a cumprir o objetivo de 2030 e assegurar<br />

o caminho até 2050, no que se refere à redução<br />

de emissões. “Este novo alinhamento já será<br />

refletido na legislação dos Estados-Membros,<br />

bem como <strong>nas</strong> relações exter<strong>nas</strong> com outros<br />

mercados”.<br />

O Ceo da APREN adianta também que nacionalmente,<br />

parte destes objetivos podem ser<br />

já observados no PNEC2030 que salvaguarda<br />

o percurso nacional para a transição climática.<br />

No setor da produção de eletricidade, está previsto<br />

a incorporação de 85% de energia de diversas<br />

fontes renováveis até 2030, assim como<br />

23% para os transportes e 47% no aquecimento<br />

e arrefecimento. Além do PNEC2030, Portugal<br />

guia-se também pelo Roteiro para a Neutralidade<br />

Carbónica 2050 (RNC2050) que,<br />

embora desatualizado, assenta numa redução<br />

de emissões entre 85% e 90%, até 2050.<br />

“Dito isto, Portugal está focado em atingir<br />

os objetivos definidos pelos dois planos. É<br />

justo afirmar que existe um longo percurso a<br />

percorrer, mas o setor das energias renováveis,<br />

através da eletrificação direta e indireta, será<br />

um pilar, incontornável e fundamental”.<br />

CAPACIDADE INSTALADA, O QUE FALTA FAZER?<br />

Segundo as estatísticas rápidas da DGEG no<br />

final de novembro de 2023, a potência instalada<br />

em unidades de geração de energia elétrica,<br />

a partir de fontes renováveis, totalizou<br />

18 553 MW, dos quais 1 832 MW são referentes<br />

a instalações de produção descentralizada.<br />

Para instalar mais capacidade é necessário<br />

continuar a desburocratizar e digitalizar o<br />

processo de licenciamento, mas também assegurar<br />

que todas as entidades envolvidas no<br />

processo estão alinhadas e seguem as metodologias<br />

previstas legalmente. “Atualmente,<br />

QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>


12<br />

\\ ENERGIAS VERDES \\<br />

as iniciativas legislativas têm demonstrado a<br />

intenção do país desenvolver o setor, no entanto,<br />

as ferramentas necessárias para garantir<br />

a operacionalidade da nova regulamentação<br />

têm impedido a concretização de muitas disposições<br />

fundamentais para a concretização<br />

das metas”.<br />

Por último, na opinião de Pedro Amaral<br />

Jorge sem infraestrutura, ou sem visibilidade<br />

quanto aos prazos para concretização e cumprimento<br />

de prazos legais, torna-se mais difícil<br />

para os investidores assegurar o desenvolvimento<br />

e financiamento de projetos renováveis.<br />

“Para aumentar a captação de investimento<br />

no setor, é necessário acelerar o desenvolvimento<br />

da rede elétrica e a adequação dos processos<br />

de licenciamento às Diretivas e Regulamentos<br />

definidos e impostos pela Comissão<br />

Europeia, que caracteriza os projetos renováveis<br />

como sendo de interesse público”.<br />

E OS PROBLEMAS DE INTERMITÊNCIA E DAS<br />

BATERIAS?<br />

Este é um dos temas que mais preocupação<br />

tem levantado, mas segundo Pedro Amaral<br />

Jorge, Portugal dispõe de um portfolio invejável<br />

de fontes de energia renovável, permitindo<br />

que o sistema electroprodutor nacional seja<br />

composto por várias tecnologias de conversão<br />

de energia renovável em eletricidade com elevados<br />

níveis de complementaridade entre elas<br />

que quando complementado com a potência e<br />

energia de bombagem de algumas importantes<br />

centrais hídricas, proporciona uma importantíssima<br />

resiliência ao nosso sistema elétrico<br />

nacional assegurando o equilíbrio e balanço<br />

necessários.<br />

Tendo por base a rota de descarbonização<br />

da e com o necessário aumento da implementação<br />

de potência de tecnologias de conversão<br />

de recursos renováveis variáveis em eletricidade,<br />

será imperativo assegurar investimentos<br />

para soluções de flexibilidade, sejam estas asseguradas<br />

pelo consumo e pela produção, mas<br />

será também necessário aumentar a potência<br />

e energia dos sistemas de armazenamento incluindo<br />

a integração de baterias e armazenamento<br />

de hidrogénio verde como uma medida<br />

estratégica complementar ao parque de centrais<br />

hídricas com e sem bombagem.<br />

Neste momento, o PNEC2030 aponta ape<strong>nas</strong><br />

para 1 GW de capacidade de baterias, que,<br />

face aos 43,2 GW de potência renovável a instalar<br />

e operar, é claramente insuficiente para<br />

garantir a otimização da capacidade instalada.<br />

De acordo com o novo Plano de Ação para as<br />

Redes da Comissão Europeia, os operadores<br />

de rede devem avaliar as necessidades de flexibilidade<br />

dos seus sistemas energéticos ao<br />

planearem as redes, incluindo o potencial de<br />

armazenamento de energia necessário para assegurar<br />

a resiliência do sistema elétrico. Esta<br />

análise deve ainda respeitar o quadro legislativo<br />

revisto para o redesenho do mercado da<br />

eletricidade.<br />

ARMAZENAMENTO DE ENERGIA<br />

O armazenamento de energia é um dos problemas<br />

a mitigar quando se fala em energias renováveis.<br />

Segundo o Plano Nacional Energia e Clima<br />

2021-2030 (PNEC) é importante manter a<br />

aposta em sistemas de bombagem reversível <strong>nas</strong><br />

QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>


\\ ENERGIAS VERDES \\<br />

13<br />

“Portugal está focado em atingir os<br />

objetivos definidos pelos dois planos.<br />

É justo afirmar que existe um<br />

longo percurso a percorrer, mas o<br />

setor das energias renováveis, através<br />

da eletrificação direta e indireta,<br />

será um pilar, incontornável e<br />

fundamental”<br />

centrais hidroelétricas e procurar desenvolver<br />

outras soluções tecnológicas que passarão pela<br />

aplicação da tecnologia de baterias e das tecnologias<br />

associadas ao hidrogénio. “Uma parte significativa<br />

da nova capacidade de armazenamento<br />

deverá estar associada diretamente aos centros<br />

eletroprodutores renováveis, garantindo uma ligação<br />

a pontos de produção de hidrogénio renovável<br />

e posterior injeção <strong>nas</strong> redes de gás”.<br />

O mesmo documento prevê até 2030 um<br />

aumento da capacidade de armazenamento,<br />

através de hidroelétrica reversível com bombagem<br />

e da produção de hidrogénio renovável<br />

para injeção <strong>nas</strong> redes de gás, e numa fase mais<br />

avançada da década, um contributo das tecnologias<br />

de baterias. “Uma parte significativa<br />

da capacidade de armazenamento deverá estar<br />

associada às próprias instalações de produção<br />

via tecnologias eólica e solar, sendo o restante<br />

armazenamento dedicado. Refira-se que em<br />

procedimentos concorrenciais de atribuição<br />

de capacidade de produção de energia elétrica<br />

de origem fotovoltaica, em 2020, foram consideradas<br />

soluções com armazenamento de eletricidade<br />

acoplado”.<br />

Quanto a objetivos em termos do armazenamento<br />

energético no setor do gás natural e<br />

QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>


14<br />

\\ ENERGIAS VERDES \\<br />

“Sendo muito<br />

ambiciosas, as metas<br />

estabelecidas pelo<br />

PNEC 2030 serão<br />

cumpridas se existir um<br />

ambiente favorável a<br />

toda a linha”<br />

do petróleo e derivados de petróleo existem<br />

regras nacionais, decorrentes de legislação comunitária,<br />

para a criação de reservas de segurança,<br />

numa perspetiva de resposta a crises e<br />

emergência/disrupção do fornecimento destes<br />

produtos. O PNEC 2030, diz que a atual capacidade<br />

do armazenamento subterrâneo do<br />

Carriço permite o armazenamento da totalidade<br />

das reservas de segurança de gás natural<br />

previstas para os próximos anos (existindo<br />

ainda o armazenamento de GNL no terminal<br />

de GNL de Sines, que confere uma maior flexibilidade<br />

na operação do SNG), sendo de considerar,<br />

mediante as necessidades, que estas<br />

caver<strong>nas</strong> são 100% compatíveis com H2 e que<br />

as caver<strong>nas</strong> existentes podem ser convertidas<br />

para 100% H2. Entraram em funcionamento,<br />

durante o ano de 2022, os aproveitamentos<br />

hidroelétricos de Gouvães (880 MW), com<br />

bombagem, e Daivões (114 MW), tendo sido<br />

atingida a trajetória de evolução da capacidade<br />

instalada hidroelétrica com bombagem.<br />

QUE DESAFIOS NOS ESPERAM?<br />

Apesar do ano positivo de 2023 em termos de<br />

números, os maiores desafios do setor viram<br />

poucos desenvolvimentos e aumentou-se o nível<br />

de incerteza face ao desenvolvimento de novos<br />

projetos.<br />

Os números favoráveis resultam sobretudo<br />

de um ano hídrico favorável e da entrada<br />

de capacidade solar em operação, no entanto,<br />

estes valores ficam aquém do necessário para<br />

atingir o nível descarbonização e competitividade<br />

da economia portuguesa necessárias.<br />

A transição energética é fundamental para<br />

garantir um sistema energético seguro, uma<br />

economia competitiva e a descarbonização do<br />

setor. Esta irá ainda garantir a redução dos custos<br />

para o consumidor final e reduzir a vulnerabilidade<br />

e exposição às tensões geopolíticas.<br />

Para tal, é preciso garantir que as estratégias<br />

e regulamentação do setor são implementadas<br />

e se tornam operacionais, criando visibilidade<br />

à concretização dos projetos e garantindo, assim,<br />

que se mantém a atratividade de capital<br />

privado.<br />

Apesar das várias revisões legislativas no setor,<br />

existem disposições essenciais continuam<br />

por implementar, nomeadamente no licenciamento<br />

integral dos projetos, no que respeita à<br />

digitalização, agilização de procedimentos e<br />

redução dos pontos de contato. Igualmente a<br />

necessidade do planeamento de rede e gestão<br />

da mesma em consonância com as necessidades<br />

de integração de maior capacidade renovável,<br />

não têm visto os desenvolvimentos necessários<br />

e por último, a readaptação das entidades envolvidas,<br />

face às necessidades de hoje e futuras,<br />

também urge.<br />

O quadro atual económico de inflação<br />

elevada e política monetária mais restritiva<br />

ao mesmo tempo que temos um mercado<br />

de eletricidade com previsões de preços com<br />

bastante mais volatilidade, cria uma incerteza<br />

adicional aos investimentos futuros, principalmente<br />

no setor renovável que que se caracteriza<br />

por ser de capital intensivo com custos<br />

variáveis negligenciáveis.<br />

Assim, é urgente a criação de mecanismos<br />

de estabilidade, como aponta a reforma do<br />

mercado de eletricidade, aliados à previsibilidade<br />

de concretização do projeto em termos<br />

temporais, por forma a segurar as decisões de<br />

investimento. É preciso investir para criar valor,<br />

destacando-se que o setor da eletricidade<br />

renovável, com um quadro legítimo estável e<br />

visibilidade para implementação da estratégia<br />

atual, tem a capacidade através de investimento<br />

privado gerar mais de 200 mil empregos<br />

direto e indiretos técnicos e qualificados e ter<br />

uma contribuição de riqueza para o país que<br />

pode representar 5,9% do PIB até 2030.<br />

QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>


16 \\ ENTREVISTA \\<br />

HELENA FREITAS CONSIDERA QUE, DESDE A COP INAUGURAL, AS DISCUSSÕES SOBRE PETRÓLEO E<br />

GÁS “FORAM SEMPRE INCONSEQUENTES”, MAS QUE A COP 28 “EMENDOU ESSA ORIENTAÇÃO”.<br />

\\ Por Teresa Cotrim<br />

Helena Freitas é uma das biólogas mais conceituadas da Europa.<br />

Venceu o prémio Ernst Haeckel <strong>2024</strong>, promovido<br />

pela European Ecological Federation (EEF). É professora<br />

catedrática e investigadora da Universidade de Coimbra na<br />

área da Biodiversidade e é também Diretora do Parque de Serralves. Teve<br />

um percurso académico brilhante e numa entrevista inspiradora conta-<br />

-nos como superou as pedras que surgiram ao longo da sua caminhada.<br />

Nasceu em Famalicão, no campo. Pode contar-nos um pouco do seu<br />

dia-a-dia em criança?<br />

Nasci na aldeia de Mogege, concelho de Vila Nova de Famalicão, em casa<br />

dos meus avós maternos. No tempo das vindimas e era habitual passarmos<br />

umas sema<strong>nas</strong> na quinta dos avós; eu e as minhas irmãs. Aí desenhei os<br />

recantos mais doces da minha memória, guardei a expressão mais pura da<br />

natureza, e vivi as experiências de fraternidade mais intensas que recordo.<br />

A satisfação com que subia os montes mais íngremes, em busca de aventura.<br />

O tempo que era outro, ape<strong>nas</strong> fixado pela obrigação de não me atrasar<br />

para as refeições do dia. Um tempo que me deixava sentar num pedaço<br />

levantado de raiz, e sonhar tranquilamente, enquanto manuseava a caruma,<br />

e me metia com algum insecto mais indolente, como uns enormes<br />

escaravelhos que se escondiam debaixo de mantos de folhas dos carvalhos.<br />

Um tempo que me deixava sonhar, atraída pelos registos de um passado<br />

tantas vezes inscrito <strong>nas</strong> enormes pedras de granito que dominavam os<br />

caminhos. Bastava deixar fluir a imaginação, e era capaz de descrever os<br />

povos que ali tinham vivido há muito anos. Passava horas no cimo destes<br />

montes. Nos dias mais quentes, nunca descia sem passar pela mina de água<br />

que abastecia a casa e os campos. Uma água que corria fria, sempre límpida,<br />

e que me sabia muito melhor por beber assim, na frágil e pequenina<br />

concha das minhas mãos.<br />

Eram outros tempos?<br />

Era um tempo de imensa liberdade. Do entusiasmo da bicicleta aos percursos<br />

pelos montes que circundavam a casa. No Natal, divertia-me com<br />

o gelo que cobria a superfície dos tanques ou escorregava <strong>nas</strong> rampas de<br />

acesso às garagens; no verão, era o baloiço, jogos diversos e sobretudo a<br />

minha bicicleta. E sempre, sempre, muita fruta que eu própria colhia trepando<br />

às árvores. Brincava também à descoberta de trilhos ou registos<br />

antigos de presença humana. Procurávamos impressões <strong>nas</strong> rochas e acreditávamos<br />

estar no encalço de civilizações antigas. Um dos divertimentos<br />

favoritos, embora não autorizado, era saltar sobre o algodão armazenado<br />

na fábrica têxtil do meu avô.<br />

O seu pai esteve em Angola como magistrado em 1968, lembra-se desse<br />

tempo? Ainda lá viveu? Como foi passar de um contexto como Portugal<br />

para Angola?<br />

O meu pai esteve como magistrado de 1969 a 1972, julgo. Recordo pouco,<br />

ou pelo menos julgava que recordava pouco! Mas regressei a Angola<br />

há cerca de 10 anos e fui visitar Benguela e a casa onde vivi. Recordava<br />

detalhes que me surpreenderam e comoveram. Não foi fácil a transição,<br />

porque eu e uma das minhas irmãs ainda ficámos uns meses com os avós<br />

maternos, mais uma vez na minha aldeia, até ao regresso definitivo dos<br />

meus pais, em 1973. Acabei por concluir a 4.ª classe e realizar o respetivo<br />

QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>


\\ ENTREVISTA \\<br />

17<br />

exame numa realidade muito distinta: passei do colégio de S. José de<br />

Cluny, em Silva Porto para a escola primária de Mogege. Fui incumbida<br />

de ajudar os colegas, sendo uma privilegiada num contexto de<br />

grande pobreza.<br />

África tem uma natureza exuberante, forte, inesquecível, marcou-a?<br />

Muito e para sempre. África não é ape<strong>nas</strong> natureza; é um lugar<br />

único. Não é possível contar ou explicar África. É possível mostrar<br />

imagens, mas há coisas que não se descrevem. Não se traduz o olhar<br />

profundo do ancião; em África, não há velhos..., o sorriso comovente<br />

da criança despida de tudo o que não é parte dessa condição, ou a<br />

força quente e meiga desta terra-mãe quando abraça o sol.<br />

Em África, voltamos a ser aquela criança que fomos. Em África, percebemos<br />

que o essencial está em nós, e na dádiva que somos uns para<br />

os outros. Uma força original que contagia, e nos faz querer sempre<br />

recomeçar. Começar de novo; como aquela criança adulta que um<br />

dia partiu à descoberta do mundo e iniciou a maior aventura da humanidade.<br />

Falando agora do curso que escolheu... Quando decidiu ir para<br />

Biologia?<br />

As circunstâncias ditaram em grande medida, mas gostava de ciências<br />

como a Física e a Biologia, mas a Biologia motivava-me pela<br />

compreensão e funcionamento dos sistemas vivos. Acreditava também<br />

que seria uma ciência determinante na aproximação do novo<br />

século.<br />

Alguém a inspirou? Tem uma referência?<br />

Julgo que muitas pessoas da minha geração foram de algum modo<br />

inspiradas pelos documentários que começaram a surgir, em particular<br />

nos anos 70 e 80 sobre a vida selvagem, os parques naturais.<br />

Destaco pessoas como David Attenborough, Jane Goodall, Rodríguez<br />

de La Fuente. Em Portugal, tenho sobretudo referências<br />

universitárias, destacando Jorge Paiva (UC), Fernando Catarino<br />

(FCUL) e João Santos Pereira (ISA, UL).<br />

Como foi o seu percurso académico?<br />

Fiz o doutoramento entre a Universidade de Coimbra e a Universidade<br />

de Bielefeld, na Alemanha. Neste período fiz também uma<br />

estadia Erasmus na Universidade de Siena, em Itália. Realizei depois<br />

um período de pós-doutoramento na Universidade de Stanford, nos<br />

Estados Unidos, entre 1994 e 1996. Doutorei-me em Ecologia em<br />

1993, Professora Associada em 1997, a agregação em Botânica em<br />

QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>


18<br />

\\ ENTREVISTA \\<br />

minha matriz de reflexão e de compreensão dos<br />

processos e do funcionamento da vida em geral.<br />

Recorro também a essa matriz cognitiva para<br />

compreender muita coisa da vida em sociedade.<br />

Conhecer os mecanismos que estão na base do<br />

investimento dos seres vivos na sobrevivência, na<br />

comunicação, na composição dos sistemas vivos,<br />

é fascinante. Nada é por acaso e como dizia a Rachel<br />

Carson: “In nature nothing exists alone”.<br />

2000, e Professora Catedrática desde 2003.<br />

Numa entrevista que deu ao jornal Público<br />

disse que teve uma carreira solitária... Como<br />

foi?<br />

No tempo em que iniciei os estudos em Ecologia<br />

não tinha muitos potenciais supervisores da<br />

minha dissertação em Portugal e ainda menos na<br />

Universidade de Coimbra, e fiz por isso uma opção<br />

muito determinada, mas relativamente solitária.<br />

Apresentei os meus trabalhos para defesa<br />

de forma autónoma, em particular as provas de<br />

equiparação ao mestrado, candidatei-me a bolsas<br />

para realizar o doutoramento na Alemanha,<br />

identificando eu mesma com quem queria trabalhar,<br />

partindo da leitura de artigos— não havia o<br />

recurso aos meios digitais de hoje, e fiz as minhas<br />

opções de forma muito solitária.<br />

Que obstáculos teve de ultrapassar? Por ser<br />

mulher foi mais difícil?<br />

Por ser mulher tive de facto alguns dissabores,<br />

em particular no início da carreira, mas foram<br />

ultrapassados com a segurança, o afeto familiar e<br />

a confiança que sempre me incutiram.<br />

Porque escolheu Ecologia no doutoramento?<br />

Foi imediatamente o meu interesse científico.<br />

Logo no 2.º ano percebi que essa seria a minha<br />

escolha e fui procurando no estrangeiro a forma<br />

de crescer nessa área. Comecei pelas provas<br />

equivalentes ao mestrado; estudando o papel da<br />

semente em ambientes extremos e preparei a minha<br />

ida para a Alemanha para iniciar um doutoramento<br />

nesta área. Candidatei-me a uma bolsa<br />

do, Serviço Alemão de Intercâmbio Académico<br />

(DAAD), o que na altura era um processo solitário<br />

e complexo.<br />

Sei que gosta de ecofisiologia... Porquê e o que<br />

podemos aprender com a natureza?<br />

Gosto de ecofisiologia desde sempre e é ainda a<br />

As plantas fascinam-na... Estão há cente<strong>nas</strong> de<br />

milhares de anos no planeta, são resilientes e<br />

colaborativas. Que lições podemos tirar destes<br />

organismos tão especiais?<br />

As plantas são seres vivos extraordinários. Fascinam-me<br />

em particular as árvores, mas de maneira<br />

geral as plantas: a reprodução, a dispersão, o<br />

metabolismo energético, a ocupação e o domínio<br />

da terra, a relação com outras formas de vida e<br />

a sua indispensabilidade para o êxito da vida tal<br />

como a conhecemos.<br />

Está sempre um passo à frente do tempo. Já<br />

doutorada, regressa à Alemanha, concorre a<br />

uma Bolsa na Universidade de Stanford, nos<br />

Estados Unidos, para estudar o impacto do<br />

carbono <strong>nas</strong> alterações globais.<br />

Quando concluí o doutoramento sobre a nutrição<br />

em halófitas, fascinam-me ambientes<br />

extremos e estas toleram por vezes elevadas<br />

concentrações de sal, tinha muito interesse em<br />

abordagens mais complexas/holísticas ao ecossistema.<br />

O projeto que se desenvolvia em Stanford,<br />

na estação biológica de Jasper Ridge e a<br />

supervisão de Harold Monney, uma das mentes<br />

mais brilhantes que conheci, pareceram-me o<br />

melhor enquadramento para desenvolver competências<br />

nesta área.<br />

Solicitei a bolsa à antiga Junta Nacional de Investigação<br />

Científica e Tecnológica (JNICT) e<br />

foi recusada numa primeira fase porque os avaliadores<br />

entenderam que estudar o impacto do<br />

QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>


\\ ENTREVISTA \\<br />

19<br />

“O impacto das Alterações<br />

Climáticas no planeta é<br />

gravíssimo e bem visível<br />

num tempo em que ainda<br />

estamos sob cenários<br />

de temperatura mais<br />

favoráveis”<br />

carbono nos ecossistemas não seria um tema<br />

pertinente no quadro das alterações climáticas,<br />

e a universidade de Stanford não teria o histórico<br />

adequado na área. Acabei por reclamar da<br />

decisão e foi-me concedida. Foi uma experiência<br />

preciosa e muito relevante para o meu percurso.<br />

Regressei à Europa e à universidade de Coimbra,<br />

mas não existiam ainda infraestruturas equiparáveis<br />

para dar continuidade a esta área de estudo<br />

— que nunca deixei de acompanhar.<br />

Qual o verdadeiro impacto das Alterações<br />

climáticas no planeta? Ainda vamos a tempo<br />

de dar a volta a este tema? O que é preciso ser<br />

feito?<br />

O impacto das Alterações Climáticas no planeta<br />

é gravíssimo e bem visível num tempo em que<br />

ainda estamos sob cenários de temperatura mais<br />

favoráveis. Se não formos capazes de manter o<br />

aumento da temperatura nos limites mínimos<br />

propostos no Acordo de Paris, o número e a magnitude<br />

dos eventos extremos será muito grande<br />

e afetará as sociedades mais vulneráveis e tipicamente<br />

mais frágeis do mundo.<br />

Mas mais preocupante do que a crise climática<br />

é a perda de Biodiversidade e parece que não se<br />

fala muito nesta crise?<br />

Infelizmente é uma crise menos conhecida e menos<br />

percecionada pelos cidadãos, mas será cada<br />

vez mais reconhecida pela gravidade imediata<br />

dos seus impactos. A avaliação global realizada<br />

pela Plataforma Intergovernamental de Políticas<br />

Científicas sobre a Biodiversidade e Serviços dos<br />

Ecossistemas (IPBES), em 2019 é muito clara:<br />

cerca de um milhão de espécies ameaçadas. Ora<br />

esta perda dramática terá fortíssimas implicações<br />

para os nossos quotidianos, destacando-se o<br />

sistema alimentar e a saúde.<br />

E Portugal? Como está em termos de Biodiversidade?<br />

Nas últimas duas décadas não se fez muito, e nos<br />

últimos anos em particular, o investimento foi<br />

sobretudo dirigido para o combate aos incêndios.<br />

Verificou-se uma reestruturação na orgânica<br />

do Instituto da Conservação da Natureza e das<br />

Florestas (ICNF) que espero venha a ter um a<br />

influência positiva na gestão e disponibilidade de<br />

recursos humanos nos territórios, mas é preciso<br />

muito mais para garantir a conservação da biodiversidade<br />

em Portugal.<br />

Em Portugal há espécies em vias de extinção?<br />

Há espécies ameaçadas de extinção e haverá<br />

sobretudo uma perda grande da diversidade populacional<br />

de muitas espécies, o que poderá ser<br />

um passo nesse sentido, pelo menos do seu desaparecimento<br />

no território nacional. De todo o<br />

modo, o ICNF em parceria com a comunidade<br />

científica, têm publicado alguns chamados livros<br />

vermelhos que identificam estas espécies para<br />

alguns grupos taxonómicos — em especial os<br />

mais estudados (plantas, vertebrados, mamíferos,<br />

peixes, invertebrados). Mas este esforço de<br />

monitorização deve ser contínuo e o combate às<br />

ameaças tem de ser efetivo e eficaz.<br />

É possível regredir a extinção de espécies?<br />

É possível prevenir a sua perda, respeitando a<br />

preservação dos habitats classificados, reduzindo<br />

as ameaças como as que decorrem das alterações<br />

climáticas, da introdução de espécies exóticas, ou<br />

da poluição de águas e solos. A perda de biodiversidade<br />

tem exatamente esse risco: é irreversível.<br />

Muitas espécies já só existem em cativeiro, o habitat<br />

já não é suficiente para as acolher e garantir<br />

recursos de sobrevivência.<br />

Atualmente é professora universitária e dirige<br />

o Parque de Serralves — 18 hectares de natureza<br />

e uma referência singular no património<br />

da paisagem em Portugal...<br />

É verdade. Não tenho exclusividade na minha<br />

relação laboral com a universidade de Coimbra<br />

e assumi a coordenação do Parque de Serralves,<br />

complementar e em regime parcial. É um parque<br />

belíssimo e é um privilégio coordenar uma equipa<br />

fantástica, dedicada e empenhada nos projetos<br />

de conservação da natureza, da educação<br />

ambiental, da capacidade para criar e assegurar<br />

um ambiente interdisciplinar, criativo e inspirador,<br />

de responsabilidade ambiental e cívica. Uma<br />

instituição à frente do seu tempo — “um farol”<br />

como muito bem disse Artur Santos Silva a propósito<br />

da celebração do centenário do parque,<br />

em 2023.<br />

Já foi também deputada. Como foi estar na<br />

política?<br />

Fui deputada por um período muito curto, na<br />

sequência de ter aceitado um desafio de António<br />

Costa, em 2015. Fui cabeça de lista como<br />

independente do Partido Socialista pelo círculo<br />

eleitoral de Coimbra. Sempre senti a necessidade<br />

e o gosto pela intervenção cívica e vou procurando<br />

participar na construção das soluções que<br />

me parecem mais justas no domínio das políticas<br />

ambientais e científicas. Dou muito valor à<br />

decisão informada e baseada <strong>nas</strong> evidências e,<br />

nesse sentido, admiti que poderia ser útil ao país,<br />

num tempo difícil da nossa história (pós-Troika).<br />

Estava então a concluir um mandato como<br />

vice-reitora da universidade de Coimbra e sentia<br />

a pressão sobre as universidades, numa absurda<br />

QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>


20<br />

\\ ENTREVISTA \\<br />

Desde a COP inaugural em Berlim, em 1995,<br />

o texto final negociado nunca reconheceu o<br />

que é cientificamente evidente: a luta contra o<br />

aquecimento global impõe a rápida redução do<br />

uso de combustíveis fósseis<br />

A nível político, na sua opinião, o Governo<br />

português tem tido cuidado <strong>nas</strong> matérias relacionadas<br />

com as Alterações Climáticas e a<br />

perda de Biodiversidade?<br />

No geral julgo que sim, mas sobretudo no plano<br />

dos compromissos internacionais. Diria que temos<br />

grande fragilidade no plano da preparação<br />

e implementação dos compromissos. O planeamento<br />

que hoje se exige e o conhecimento que<br />

o deve informar, impõe mais recursos humanos<br />

qualificados, consistência na intervenção, e uma<br />

organização e governança distintas.<br />

falta de apoio à universidade e à sua função na<br />

sociedade.<br />

Mas rapidamente percebi que a AR era um lugar<br />

mais adequado para quem de facto pretende fazer<br />

carreira política e muito menos executiva do<br />

que antecipava. A experiência foi relevante e dela<br />

guardo vários ensinamentos úteis.<br />

Mas para mim foi muito mais gratificante a oportunidade<br />

de coordenar a unidade de missão para<br />

a valorização do interior e coordenar o programa<br />

nacional de coesão territorial. Um privilégio conhecer<br />

melhor o meu país e elaborar um conjunto<br />

de medidas de combate à assimetria territorial.<br />

Considera ser fácil implementar as ideias?<br />

Que obstáculos sentiu?<br />

Infelizmente, não senti o apoio político que entendi<br />

indispensável ao estabelecimento da confiança<br />

necessária nos territórios e a quem os administra,<br />

condição indispensável para fazer um<br />

caminho consistente e continuado de combate à<br />

desigualdade. Mas as circunstâncias eram muito<br />

exigentes no plano da convergência político-partidária<br />

e admito que num outro tempo poderia<br />

ter sido diferente.<br />

O que mais poderia ser feito? Quais são os<br />

grandes problemas em matéria de sustentabilidade<br />

no nosso país?<br />

Esta questão é complexa e daria para uma longa<br />

entrevista. Estamos a enfrentar problemas gravíssimos<br />

no acesso à água, em particular para dar<br />

resposta a uma agricultura que está muitas vezes<br />

desajustada do contexto — qualidade do solo e<br />

disponibilidade efetiva de água. Esta sintonia da<br />

política ambiental e agrícola já deveria ter acontecido<br />

há décadas e permanece inefetiva. Temos<br />

também que planear a pressão que resultará da<br />

transição energética nos territórios e os conflitos<br />

que daqui surgirão com outros usos, desde logo<br />

a conservação de recursos naturais. A transição<br />

ecológica — desígnio da sustentabilidade — exige<br />

disponibilidade de dados, decisão informada,<br />

transparência, organização, planeamento, reforço<br />

da inteligência associada ao território. Diria ainda<br />

que o modelo de governança do país é desajustado<br />

aos novos tempos e esta questão não é nova. O<br />

país continua excessivamente centralizado.<br />

Venceu o prémio Ernst Haeckel <strong>2024</strong>, promovido<br />

pela European Ecological Federation<br />

(EEF), o que representou para si?<br />

Fiquei muito sensibilizada e mesmo comovida,<br />

porque senti como um prémio de reconhecimento<br />

de uma carreira não exatamente nos circuitos<br />

que dominam a ciência. Foi também o reconhecimento<br />

da intervenção no plano europeu da organização<br />

e progresso da ciência ecológica. Estou<br />

muito grata por isso também.<br />

Falando agora da COP, anunciaram um fundo<br />

de perdas e danos para ajudar os países mais<br />

QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>


\\ ENTREVISTA \\<br />

21<br />

pobres a fazer a transição. Qual a sua opinião<br />

sobre as conclusões desta COP realizada no<br />

Dubai?<br />

O ano de 2023 confirmou-se como o mais quente<br />

jamais registado, tornando mais evidente o impacto<br />

das alterações climáticas em todas as regiões<br />

do mundo. Tudo indica que o ano de <strong>2024</strong><br />

sublinhará esta tendência, tornando a opinião<br />

pública previsivelmente mais exigente na procura<br />

de respostas efetivas. A verdade é que os atuais<br />

compromissos dos países para reduzir as emissões<br />

de gases com efeito de estufa ainda colocam<br />

o planeta numa trajetória de aumento de 2,9°C<br />

acima da média pré-industrial.<br />

Desde a COP inaugural em Berlim, em 1995, o<br />

texto final negociado nunca reconheceu o que é<br />

cientificamente evidente: a luta contra o aquecimento<br />

global impõe a rápida redução do uso<br />

de combustíveis fósseis. Embora o carvão tenha<br />

recebido uma menção tímida no texto negociado<br />

em Glasgow em 2021, as discussões sobre petróleo<br />

e gás foram sempre inconsequentes. A COP<br />

28 emendou essa orientação e, pela primeira vez,<br />

reconheceu a necessidade de reduzir os combustíveis<br />

fósseis para a descarbonização das economias<br />

do mundo.<br />

Mas estas conclusões são mais um empurrar<br />

com a barriga, ou será desta que veremos as<br />

emissões de carbono a descer?<br />

A minha melhor expetativa é que este acordo seja<br />

consequente e que os países intensifiquem os esforços<br />

e superem as suas promessas no âmbito do<br />

acordo de Paris. Para cumprir as metas de 2 °C e<br />

1,5 °C, as emissões para 2030 devem ser reduzidas<br />

em pelo menos 28-42% (respetivamente) face<br />

aos cenários atuais. Alcançar essas metas depende<br />

do reforço da mitigação, concentrando-se na<br />

redução das emissões de gases com efeito de estufa,<br />

aproveitando as capacidades de armazenamento<br />

de carbono pela natureza e triplicando a<br />

capacidade global de energia renovável até 2030.<br />

A integração da natureza no equilíbrio global é<br />

fundamental.<br />

É verdade que a realização da COP no Dubai,<br />

sob a presidência petrolífera dos Emirados Árabes<br />

Unidos, suscitou a desconfiança generalizada<br />

sobre o seu potencial para alterar o curso da<br />

atual crise climática. Todavia, o reconhecimento<br />

do fim dos combustíveis fósseis e o incentivo ao<br />

fundo de perdas e danos, deixaram um sinal de<br />

esperança que devemos apoiar e consolidar.<br />

Vale a pena destacar que o dia inaugural da<br />

COP28 trouxe outro desenvolvimento promissor:<br />

um acordo histórico para ajudar as nações<br />

mais pobres e vulneráveis do mundo a combater<br />

os impactos irreversíveis da catástrofe climática.<br />

É preciso agora garantir operações transparentes<br />

e um acesso fácil e direto aos fundos para as<br />

comunidades vulneráveis para o êxito desta iniciativa.<br />

Para quando a COP que priorizará a biodiversidade?<br />

A mais importante conferência da década sobre<br />

biodiversidade (COP15) aconteceu no final de<br />

2022 em Montreal, no Canadá, e produziu um<br />

acordo histórico (Kunming-Montreal) — um<br />

novo quadro global para travar a erosão da biodiversidade<br />

até 2030. Entre outros objetivos e<br />

metas mensuráveis, destaco a proteção de pelo<br />

menos 30% de ecossistemas terrestres e marinhos<br />

até 2030; o restauro de 3 mil milhões de hectares<br />

(terra e mar); o empenho em travar a extinção<br />

de espécies causada pela atividade humana; um<br />

reforço da ligação entre a biodiversidade e o clima<br />

através de soluções baseadas na natureza. A<br />

COP 16 realizar-se-á em <strong>2024</strong> na Colômbia, um<br />

dos países que mais tem lutado pela priorização<br />

da biodiversidade no quadro da política ambiental<br />

global, e cujo compromisso com a Amazónia<br />

é muito relevante. Tenho grande expetativa nos<br />

resultados desta COP.<br />

Pode apontar três razões que tornam a biodiversidade<br />

sagrada para a vida na Terra...<br />

Os ecossistemas prestam vários serviços que beneficiam<br />

direta e indiretamente o bem-estar humano.<br />

Esses serviços incluem a polinização de culturas,<br />

a purificação da água, a regulação de doenças,<br />

a regulação climática, entre outros. A perda de<br />

biodiversidade levará ao declínio desses serviços,<br />

impactando a produtividade agrícola, a qualidade<br />

da água e a saúde humana. Para transformar os<br />

sistemas sociais e económicos e promover a resiliência<br />

face aos impactos climáticos, o mundo vai<br />

ter de salvaguardar a biodiversidade e investir em<br />

soluções baseadas na natureza.<br />

Como está Portugal a olhar e a preservar a sua<br />

biodiversidade? Pode dar um ou dois exemplos?<br />

O que merece nota negativa da sua parte?<br />

Portugal é um país biodiverso, com uma relevante<br />

rede de espaços protegidos (em distintas categorias),<br />

mas tem feito pouco para garantir a sua conservação<br />

efetiva. O nosso Parque Nacional (Gerês)<br />

— que integra uma Reserva da Biosfera Transfronteiriça<br />

—, tem feito um significativo esforço de<br />

conservação da biodiversidade, reforçando a capacidade<br />

de gestão e vigilância, mas as nossas zo<strong>nas</strong><br />

húmidas e as valiosas turfeiras estão muito desprezadas.<br />

Nota negativa tem a rede Natura 2000, uma<br />

rede ecológica europeia que ainda não mereceu a<br />

devida atenção dos poderes públicos. De forma<br />

positiva destaco o esforço recente na promoção das<br />

Reservas da Biosfera, com particular empenho nos<br />

arquipélagos da Madeira e dos Açores.<br />

Se pudesse chegar aos 10 milhões de portugueses<br />

num só desejo, o que pediria para fazer em<br />

<strong>2024</strong> visando melhorar a vida no planeta?<br />

Os tempos exigem uma relação renovada e cúmplice<br />

com a natureza, inspirada pela ecologia e pelo<br />

bem comum. Se cada português for embaixador<br />

da área protegida mais próxima, procurando conhecer<br />

e divulgar a sua biodiversidade, cuidará do<br />

planeta e das pessoas..<br />

QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>


22 \\ ENERGIA RENOVÁVEL \\<br />

ENERGIA<br />

RENOVÁVEL<br />

OU MORTE DA FLORESTA?<br />

QUEIMAR MADEIRA TEM MAIS EMISSÕES POR UNIDADE DE ENERGIA ELÉTRICA<br />

GERADA DO QUE O CARVÃO. SERÁ A BIOMASSA ASSIM TÃO VERDE?<br />

\\ Por Teresa Cotrim<br />

Passaram ape<strong>nas</strong> cerca de trinta anos até muitas famílias<br />

portuguesas rurais terem fogões a gás ou a<br />

eletricidade. A madeira é utilizada como fonte de<br />

energia para assegurar serviços essenciais de subsistência<br />

desde sempre. Cerca de um terço da população<br />

mundial, ou seja, perto de 2,4 mil milhões de pessoas, utilizam-na<br />

para ferver a água que bebem, cozinhar os alimentos e<br />

aquecer-se. Segundo dados da Organização para a Alimentação e<br />

Agricultura das Nações Unidas (FAO), a dependência de origem<br />

florestal é particularmente elevada em África (63%), na Ásia e<br />

Oceânia (38%) e na América Latina e Caraíbas (15%). Mas nem<br />

só as populações subdesenvolvidas, ou as afetadas por desastres<br />

naturais, ou crises humanitárias dependem da energia de origem<br />

vegetal. A FAO estima que pelo menos 88,5 milhões de pessoas,<br />

em especial na Europa e na América do Norte, encontrem nos<br />

materiais lenhosos a sua principal fonte de energia, utilizando-<br />

-a, por exemplo, para aquecimento. A lenha, incluindo pellets<br />

e briquetes, é utilizada em queima direta para aquecimento em<br />

lareiras ou em caldeiras que providenciam água quente, quer em<br />

contexto doméstico, quer em contexto industrial.<br />

Porém, o que está a acontecer segundo Filipe Duarte Santos,<br />

Presidente do Conselho Nacional do Ambiente e do Desenvolvimento<br />

Sustentável (CNADS), em Portugal e numa escala maior, a<br />

nível europeu é a “utilização de madeira — não de resíduos florestais,<br />

para produzir energia”, ou seja, a madeira boa está a ser usada<br />

como biocombustível e segundo Filipe Duarte Santos “é uma<br />

prática recomendada pelo Intergovernmental Panel on Climate<br />

Change (IPCC) com base no pressuposto de que a biomassa faz<br />

parte de um ciclo e, portanto, aqueles troncos de árvores que se<br />

queimam, mais tarde a floresta de onde estes vieram será regenerada.<br />

O dióxido de carbono será de novo resgatado da atmosfera”.<br />

O professor catedrático, contudo, defende que esta prática não é<br />

compatível, por um lado com o tempo que uma floresta demora<br />

a recuperar e por outro, com a urgência de cumprir as metas de<br />

aumento da temperatura estipuladas pelo Acordo de Paris. O que<br />

na sua opinião é diferente de queimar resíduos florestais ou mato.<br />

Mas há mais: um artigo científico publicado por várias cientistas,<br />

divulgou que o facto de se continuar a substituir as centrais<br />

térmicas a carvão por centrais térmicas de biomassa, ou seja, em<br />

vez de se fazer a combustão com o carvão, faz-se com a madeira<br />

QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>


\\ ENERGIA RENOVÁVEL \\<br />

23<br />

está-se a produzir mais emissões. “A madeira<br />

produz mais emissões por unidade de energia<br />

elétrica gerada do que o carvão”. O que acontece<br />

também quando se queima pellets.<br />

MAS O QUE É A BIOMASSA?<br />

O problema começa aqui. Para João Gonçalves,<br />

presidente do Centro PINUS, Associação<br />

sem fins lucrativos que reúne os principais<br />

agentes da Fileira do Pinho, faz falta uma definição<br />

sobre o que são os resíduos de exploração<br />

florestal. “É preciso encontrar uma definição<br />

que salvaguarde a madeira para usos mais<br />

nobres”. Opinião partilhada por Nuno Forner,<br />

da Associação Siatema Terrestre Sustentável<br />

(Zero) “a legislação refere que será publicada<br />

por portaria uma definição de “biomassa<br />

florestal residual”, o que ainda não aconteceu”.<br />

O ambientalista, refere também que “deveria<br />

ser clarificado em que condições a biomassa<br />

florestal residual poderá ser utilizada desde<br />

que garantida a sustentabilidade” como, por<br />

exemplo, utilizar resíduos florestais promovendo<br />

a valorização energética no final da<br />

cadeia; apoiar unidades ape<strong>nas</strong> com elevados<br />

níveis de eficiência, ou seja, que façam o aproveitamento<br />

da eletricidade e calor, e não o que<br />

sucede na maioria das unidades de produção,<br />

em que ape<strong>nas</strong> se aproveita a eletricidade,<br />

com uma eficiência abaixo dos 40%.<br />

Outra formas, na sua opinião, é utilizar os<br />

resíduos florestais secundários, ou seja, os resultantes<br />

do processo industrial quando estes<br />

não têm outra forma de valorização e por fim,<br />

recorrer a peque<strong>nas</strong> unidades de produção<br />

locais que poupam na logística, mais concretamente<br />

no transporte. A zero diz ainda que<br />

a legislação existente estabelece a promoção<br />

da energia a partir da biomassa, mas é “muito<br />

vaga sobre o que pode ser queimado nessas<br />

unidades. Não proíbe a queima de troncos,<br />

por exemplo, o que deixa uma brecha para<br />

que o possam fazer.<br />

João Gonçalves, diz que o importante é<br />

não se queimar árvores para produzir energia,<br />

quer em queima direta em centrais, quer na<br />

produção de pellets para posterior produção<br />

de energia em centrais ou mesmo na produção<br />

de pellets para gerar calor, quando muitas<br />

vezes, essa geração de calor gera menos valor<br />

do que a utilização da mesma madeira para<br />

outros fins mais duradouros. O Presidente do<br />

Centro PINUS realça que sendo a madeira<br />

um material renovável, reutilizável e reciclável,<br />

só cumpre a sua função plena quando se<br />

garante a sua circularidade em cadeias de valor<br />

que cumprem o princípio do uso em cascata.<br />

“Só deve ter como destino a queima, a<br />

madeira que não pode ser usada em produtos<br />

de maior valor acrescentado”.<br />

TIPOS DE BIOMASSA<br />

USADOS PARA<br />

FORNECER ENERGIA<br />

• Resíduos, incluindo-se nestes os resíduos<br />

florestais e os das indústrias da fileira<br />

florestal<br />

• Resíduos agrícolas e das industrias agroalimentares,<br />

bem como os seus efluentes.<br />

• Excreção animal proveniente das<br />

explorações pecuárias<br />

• Fracção orgânica dos resíduos sólidos<br />

urbanos<br />

• Esgotos urbanos<br />

• Culturas energéticas, incluindo as<br />

culturas de curta rotação.<br />

QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>


24<br />

\\ ENERGIA RENOVÁVEL \\<br />

2022, diz que houve um défice estrutural de<br />

madeira de pinho que representa já 56% do<br />

consumo industrial anual, com tendência a<br />

aumentar de forma significativa nos próximos<br />

anos, tendo consequências na atividade das<br />

indústrias desta fileira. “A queima de madeira<br />

para produção de energia ameaça milhares<br />

de empregos na fileira do pinho em Portugal,<br />

uma vez que a floresta portuguesa já não produz<br />

matéria-prima suficiente para abastecer as<br />

necessidades de todas as empresas existentes”.<br />

A utilização da biomassa para produção de<br />

energia conforme o Balanço Energético Sintético<br />

de 2022, elaborado pela Direcção-Geral<br />

de Energia e Geologia (DGEC), representou<br />

15,7% do consumo de energia primária em<br />

Portugal, sendo a região centro responsável<br />

por 69% da energia elétrica produzida no país a<br />

“<br />

É preciso encontrar<br />

uma definição<br />

que salvaguarde a<br />

madeira para usos<br />

mais nobres.<br />

João Gonçalves,<br />

presidente do Centro PINUS<br />

OS NÚMEROS FALAM POR SI!<br />

A verdade é que o desenvolvimento da indústria<br />

de base florestal em Portugal originou<br />

um setor com elevado Valor Acrescentado<br />

Nacional. Só a indústria do pinho abarca 80%<br />

dos postos de trabalho <strong>nas</strong> indústrias florestais<br />

(58.223 trabalhadores), numa amostra de<br />

8373 empresas. No total — com outras fileiras<br />

da madeira, este setor é responsável por cerca<br />

de 5% do PIB e, em 2022, por 9,1% das exportações<br />

nacionais, segundo dados do Instituto<br />

Nacional de Estatística. Mas os números estão<br />

comprometidos. O Presidente do Centro<br />

PINUS, citando o relatório de atividade de<br />

partir de biomassa, que inclui resíduos vegetais<br />

e licores sulfitivos. Mas será uma boa opção?<br />

Nuno Forner, da Associação Ambientalista<br />

Zero, diz não serem contra o aproveitamento<br />

de resíduos florestais, são contra, sim ao uso<br />

de madeira boa para queima. A questão prende-se,<br />

em grande medida, no que se considera<br />

QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>


\\ ENERGIA RENOVÁVEL \\<br />

25<br />

SEM REI<br />

NEM ROQUE!<br />

A floresta portuguesa ocupa 35,4% do<br />

país, com uma área de mais de três<br />

milhões de hectares, mas está <strong>nas</strong> mãos<br />

dos cidadãos, ou seja, 84,2% da floresta<br />

em Portugal está na posse de privados,<br />

13,8% em terrenos comunitários e<br />

ape<strong>nas</strong> 2% é gerida pelo estado. Segundo<br />

o documento Biomassa em Portugal,<br />

elaborado pela Zero, menos de 0,5% da<br />

cobertura florestal é floresta nativa, valor<br />

quatro vezes inferior à média da EU, sendo<br />

que a grande maioria são monoculturas<br />

com um número reduzido de espécies.<br />

Matos e pastagens (32%) constituem o<br />

segundo maior uso do solo, sendo que os<br />

arbustos ocupam (52%) dessas áreas. As<br />

áreas agrícolas correspondem a 24% da<br />

área continental.<br />

“A floresta está muito fragmentada. As<br />

conclusões de uma investigação do Grupo<br />

de trabalho de Propriedade Rústica são<br />

claras: temos 11,5 milhões de prédios<br />

rústicos em Portugal Continental. Temos<br />

mais prédios rústicos do que população”,<br />

constata Filipe Duarte Santos, afirmando<br />

ainda que 3,4 milhões são heranças<br />

indivisas — têm muitos herdeiros<br />

espalhados pelo mundo. “Isto não dá<br />

valor económico, por isso, conduz ao<br />

abandono”. Na sua opinião, deveria<br />

haver uma tentativa mais empenhada no<br />

sentido do emparcelamento para que a<br />

gestão da floresta fosse economicamente<br />

mais rentável.<br />

apto à queima. É neste ponto que a Associação<br />

Zero discorda: “a queima de biomassa florestal<br />

para produção de energia não é neutra<br />

em termos de carbono”. Segundo a associação,<br />

a queima de biomassa emite imediatamente<br />

grandes quantidades de gases com efeito de<br />

estufa, sendo que são necessárias décadas ou<br />

séculos para que as florestas cresçam novamente<br />

e sequestrem o carbono libertado pela<br />

queima, o que é demasiado tempo para contribuir<br />

efetivamente para o objetivo de 1,5.°C<br />

do Acordo de Paris. Isto sem esquecer que<br />

“compromete o potencial de mitigação das<br />

alterações climáticas das florestas” e que “o<br />

abate de árvores em larga escala para utilização<br />

de biomassa no setor energético contribui<br />

para a redução da capacidade de sequestro<br />

das florestas”.<br />

Para João Gonçalves tudo começa com<br />

a Diretiva Europeia (sobre as energias renováveis)<br />

de 2009 que considera as emissões de<br />

queima de madeira como sendo neutras. O<br />

responsável do Centro PINUS esclarece que<br />

a Diretiva, aquando da queima de madeira<br />

para a produção de energia, é considerada<br />

como neutra porque a madeira é renovável.<br />

“Demora é muito tempo”, aponta o executivo<br />

e acrescenta que “renovável não é sinónimo<br />

de sustentável”. Basta pensar que um pinheiro<br />

demora 40 a 50 anos a chegar à fase adulta.<br />

Portanto, na opinião de João Gonçalves, não<br />

é lógico pensar que a queima dessa árvore é<br />

algo neutro por ser possível plantar outra árvore<br />

no mesmo local. O executivo considera<br />

que deveria ser considerado todo o ciclo de<br />

vida da árvore, apontando que há falta de informação<br />

e que, na prática “estamos a pagar<br />

para que se queime árvores, que poderiam ser<br />

utilizadas em usos mais nobres, e com valor<br />

acrescentado”.<br />

A estes pontos negativos a Zero acrescenta<br />

outro: “a utilização de biomassa para<br />

produção de energia afasta o investimento<br />

de outras energias renováveis”. No entanto, o<br />

governo português parece ter uma visão diferente.<br />

Em outubro, o Conselho de Ministros<br />

aprovou o Plano de Ação da Estratégia Nacional<br />

de Combate à Pobreza 2022-2025. Decreto-lei<br />

que reformula os procedimentos relativos<br />

aos pedidos de instalação e exploração<br />

de novas centrais de valorização de biomassa.<br />

Em comunicado o governo afirmou que o<br />

diploma em causa “abre caminho ao lançamento<br />

concorrencial relativo à atribuição dos<br />

títulos de reserva de capacidade para injeção<br />

na rede elétrica de serviço público”. De referir<br />

que o diploma aprovado permite ao governo<br />

lançar um procedimento concorrencial destinado<br />

à atribuição dos títulos de reserva de<br />

capacidade para a injeção na rede elétrica de<br />

serviço público, no total de 60 MW e com o<br />

limite de 10 MW por cada central. E o certo<br />

é que, no mesmo mês, o Fundo Ambiental do<br />

Ministério do Ambiente e da Ação Climática<br />

lançou um Aviso de atribuição de apoio a projetos<br />

de geração de energia à escala local em<br />

peque<strong>nas</strong> centrais de biomassa, cuja dotação<br />

global é de dois milhões de euros.<br />

A grande questão — além de, segundo<br />

a Zero, ser falso que a queima de biomassa<br />

seja neutra em carbono — prende-se com<br />

o material que se queima. Para a associação<br />

“na realidade o que se constata no terreno é<br />

condizente com a exploração insustentável<br />

dos recursos florestais quando troncos de madeira<br />

de qualidade estão a ser queimados para<br />

produzir eletricidade ou a ser transformados<br />

em pellets de madeira para alimentar as necessidades<br />

de um mercado europeu ávido de<br />

matéria-prima para incinerar <strong>nas</strong> centrais de<br />

biomassa, agravando o défice de matéria-prima<br />

na indústria portuguesa”.<br />

O estudo da Biomassa em Portugal diz<br />

também que a estrutura florestal portuguesa<br />

QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>


26<br />

“<br />

Deveria<br />

ser clarificado em que<br />

condições a biomassa<br />

florestal residual poderá<br />

ser utilizada desde<br />

que garantida a<br />

sustentabilidade.<br />

Nuno Forner,Associação<br />

Siatema Terrestre Sustentável<br />

mudou nos últimos anos com ape<strong>nas</strong> três espécies<br />

— as de maior valor económico, a ocuparem<br />

75% da área florestal. São elas, o eucalipto<br />

(26%), o sobreiro (23%) e o pinheiro-bravo<br />

(23%). Os dois últimos são nativos de Portugal,<br />

enquanto o eucalipto é uma espécie exótica.<br />

Devido à indústria e pasta do papel o eucalipto<br />

passou a substituir o pinheiro, depois os<br />

incêndios também têm devastado esta espécie.<br />

E, foi precisamente, a partir de 2006 após a Implementação<br />

do Plano Nacional de Defesa das<br />

Florestas Contra Incêndios, que os sucessivos<br />

governos têm defendido a produção de energia<br />

a partir da biomassa florestal como forma de<br />

reduzir o risco de incêndio.<br />

Quanto à distribuição do consumo de madeira<br />

de pinho por setor, a serração representa<br />

42%, seguindo-se as Pellets com 20%, os painéis<br />

16%, o papel 13%, a biomassa 5% e por fim,<br />

o tratamento com 4%. João Gonçalves, remata:<br />

“o que me preocupa não é a biomassa porque<br />

essa indústria consegue produzir energia com<br />

vários resíduos — só recorre a madeira boa<br />

quando o preço da energia é compensador. Já<br />

as pellets só produzem com madeira boa. Não<br />

podem ter areias, nem cascas”, explica, dizendo<br />

que essa indústria tem tido muitos apoios por<br />

parte do Executivo e lamenta que parte do que<br />

é produzido nem seja para Portugal.<br />

PRINCIPAIS FACTOS SOBRE A<br />

INDÚSTRIA DE PELLETS EM PORTUGAL<br />

• Em 2021 mais de 1,5 milhões de toneladas de madeira foram usadas para produzir pellets em<br />

Portugal. Cerca de metade foram exportadas para centrais de produção de energia no norte da<br />

Europa, sendo a central do Reino Unido, Drax a maior consumidora (23%).<br />

• Embora a produção de pellets esteja a diminuir, em 2023 também recuou. Está em concurso a<br />

instalação de 60 megawatts para produzir eletricidade e aproveitar calor.<br />

• Em Portugal os produtores de pellets receberam pelo menos 100 milhões de euros de<br />

financiamento desde 2008, com a maioria destes fundos a serem encaminhados para fábricas<br />

que vendem para as centrais de produção de eletricidade no norte da Europa.<br />

• Os aumentos das matérias-primas prejudicaram os produtores de pellets, mas a invasão da<br />

Ucrânia pela Rússia fez disparar os preços do gás, mas também o preço dos pellets porque<br />

a Europa reduziu a dependência do gás russo e proibiu a importação de pellets de madeira<br />

daquele país.<br />

• Estima-se que em 2021 Portugal produziu 815 mil toneladas de pellets de madeira — foram<br />

exportadas 510 mil toneladas, a maioria das exportações para Reino Unido (220 mil toneladas),<br />

Espanha (127 mil toneladas), Dinamarca (121 mil toneladas) e Holanda (40 mil toneladas).<br />

• Mais de metade da produção de pellets em Portugal teve como destino a produção de calor<br />

na indústria e setor residencial. A outra metade foi queimada <strong>nas</strong> centrais de carvão que foram<br />

convertidas e outras centrais de queima de biomassa para produção de eletricidade no Reino<br />

Unido, na Dinamarca e na Holanda.<br />

• Em Portugal existem 26 fábricas de pellets, 16 das quais são de grande escala (mais de 40<br />

mil toneladas por ano) e 10 são pequenos produtores (menos de 40 mil toneladas por ano).<br />

• A capacidade instalada é de 1,7 milhões de toneladas por ano, correspondendo a 3 milhões<br />

de toneladas de madeira.<br />

• O pinheiro-bravo é a principal espécie usada pelos produtores de pellets e a maior parte da<br />

matéria-prima vem do abate de árvores, em cortes finais ou intermédios. O consumo de pinho<br />

em 2021, foi 57% acima da capacidade de produção, mas com a abertura de duas novas<br />

fábricas, em 2022 e a reabertura de outra que esteve fechada, decerto os números serão mais<br />

elevados, uma vez que a capacidade de produção representou um aumento de 50%.<br />

• Fontes secundárias de matéria-prima como os “subprodutos de serração”, como serrim, estilha<br />

e costaneira, constituem 25%.<br />

Fonte: Barómetro Anual, Indústria dos Pellets, 2022, Associação Zero<br />

QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>


27<br />

ODS<br />

7<br />

ENERGIA LIMPA E ACESSÍVEL<br />

OObjetivo de Desenvolvimento<br />

Sustentável (ODS) 7, definido<br />

pelas Nações Unidas, é<br />

assegurar o acesso confiável,<br />

sustentável, moderno e a preço acessível à<br />

energia para todos até 2030. Este objetivo é<br />

fundamental para o progresso mundial, pois<br />

o acesso à energia afeta vários aspetos do<br />

desenvolvimento humano e económico, incluindo<br />

saúde, educação, segurança alimentar,<br />

igualdade de género, redução da pobreza<br />

e mitigação das alterações climáticas.<br />

O ODS 7 é composto por várias metas específicas<br />

que visam não ape<strong>nas</strong> melhorar o<br />

acesso à energia, mas também aumentar a<br />

proporção de energia renovável no mix energético<br />

global e melhorar a eficiência energética.<br />

Algumas dessas metas incluem:<br />

Até 2030, assegurar o acesso universal a<br />

serviços de energia acessíveis, confiáveis<br />

e modernos. Isto significa que todos os habitantes<br />

do planeta devem ter acesso a serviços<br />

de energia suficientes, seguros e de alta<br />

qualidade, a custos que não impeçam outras<br />

necessidades básicas.<br />

Aumentar substancialmente a participação<br />

de energias renováveis na matriz energética<br />

global. O foco é promover fontes de<br />

energia como solar, eólica, hidroelétrica e<br />

biomassa, reduzindo a dependência de combustíveis<br />

fósseis, que são os principais contribuintes<br />

para as emissões de gases com efeito<br />

de estufa.<br />

Duplicar a taxa global de melhoria da<br />

eficiência energética. O que envolve investimentos<br />

em tecnologias que permitem o<br />

mesmo nível de atividade com menos energia,<br />

melhorando assim a eficiência com que a<br />

energia é utilizada em todos os setores.<br />

Aumentar a cooperação internacional<br />

para facilitar o acesso à pesquisa e tecnologia<br />

de energia limpa. A colaboração internacional<br />

é crucial para o desenvolvimento e<br />

distribuição de tecnologias de energia renovável<br />

e eficiência energética, especialmente<br />

nos países em desenvolvimento.<br />

Expandir a infraestrutura e a tecnologia<br />

para fornecer serviços de energia modernos<br />

e sustentáveis para todos nos países em<br />

desenvolvimento. Para tal são necessários<br />

investimentos em infraestrutura de energia<br />

renovável e na modernização da infraestrutura<br />

energética para torná-la mais sustentável<br />

e eficiente.<br />

O sucesso na realização do Objetivo de Desenvolvimento<br />

Sustentável 7 é um passo crítico<br />

para alcançar outros ODS, pois o acesso<br />

à energia limpa e acessível desempenha um<br />

papel vital na promoção de oportunidades de<br />

educação e emprego, na redução da pobreza,<br />

no apoio à inovações industriais e tecnológicas,<br />

e na mitigação das alterações climáticas.<br />

O progresso em direção a este objetivo exige<br />

esforços conjuntos de governos, setor privado,<br />

sociedade civil e comunidade internacional.<br />

Este ODS é reconhecido como um dos<br />

pilares fundamentais para o progresso humano<br />

e desenvolvimento económico.<br />

QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>


28 \\ INTRODUÇÃO \\<br />

VENTOS FAVORÁVEIS NAS<br />

ENERGIAS<br />

VERDES<br />

EÓLICA E HÍDRICA LIDERARAM EM 2023, MAS O SOLAR TAMBÉM CRESCEU 8,2%. PORTUGAL<br />

ESTÁ NO BOM CAMINHO PARA ATINGIR OS OBJETIVOS ATÉ 2030<br />

\\ Por Teresa Cotrim<br />

Oano de 2023 foi bom para as energias renováveis, tendo<br />

estas atingido o máximo histórico, muito devido a um<br />

ano favorável em termos de regime hídrico e ao aumento<br />

da geração solar fotovoltaica. Segundo a Associação Portuguesa<br />

de <strong>Energias</strong> Renováveis (APREN), a produção<br />

renovável solar aumentou, na ordem dos 43%, passando a representar<br />

8,2% da produção anual total da eletricidade em Portugal . Já a produção<br />

de eletricidade a partir de combustíveis fósseis teve uma redução<br />

de 15% face ao total de eletricidade do ano 2022; além disso, os preços<br />

de mercado de eletricidade estabilizaram em 2023. A nível nacional,<br />

foi também submetida a revisão ao Plano Nacional de Energia e Clima<br />

(PNEC2030), com novas metas para as renováveis, significativamente<br />

mais ambiciosas, passando de um total de 27,5 GW de potência renovável<br />

instalada até 2030, para 43,2 GW.<br />

Quanto ao desempenho da eletricidade renovável em 2023, a<br />

APREN garante que todos os centros electroprodutores de Portugal<br />

Continental produziram, em 2023, um total de 44.128 GWh<br />

(gigawatts por hora) de eletricidade, proveniente em 70,7% de fonte<br />

renovável, atingindo um máximo histórico de produção renovável.<br />

“Este total foi maioritariamente suportado pela tecnologia eólica, que<br />

representou 29%, seguido da tecnologia hídrica com 27%, o solar fotovoltaico<br />

com 8,2% e a biomassa com 6,6%”.<br />

Para a APREN, o ano de 2023 ficou também marcado pela publicação<br />

de vários elementos no âmbito do pacote legislativo europeu<br />

REPowerEU, que surgiu com o objetivo de reduzir a dependência dos<br />

combustíveis fósseis, em particular os russos, e acelerar a transição<br />

para as energias renováveis, para um sistema energético mais resiliente<br />

e seguro. Foi também lançada, em março, a consulta pública para<br />

o Net-Zero Industry Act, com uma proposta que prova o compromisso<br />

da Comissão Europeia em assegurar um papel de lideranla na<br />

transição para tecnologias com emissões nulas, assegurando assim os<br />

objetivos do REPowerEU.<br />

A mesma fonte anunciou ainda que posteriormente, foi publicada,<br />

em abril, a terceira versão da Diretiva das Renováveis (RED III),<br />

que estabelece a meta de incorporação renovável no consumo final de<br />

energia para 2030 de 42,5%, com um complemento indicativo adicional<br />

de 2,5% que permitirá atingir os 45%, para o qual todos os Estados-<br />

-Membros devem contribuir. Para tal, a RED III incorpora uma série<br />

de novos objetivos e desenvolvimentos a temas já em curso, tais como:<br />

• Integração de energia renovável nos edifícios;<br />

• Levantamento das zo<strong>nas</strong> necessárias ao cumprimento das metas<br />

2030;<br />

• Definição das zo<strong>nas</strong> de aceleração de implementação de energias<br />

renováveis;<br />

QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>


\\ INTRODUÇÃO \\<br />

29<br />

• Maior participação pública;<br />

• Definição das zo<strong>nas</strong> para infraestruturas de rede e de armazenamento;<br />

• Simplificação dos procedimentos de concessão de licenças;<br />

• Adequação dos recursos das autoridades competentes;<br />

• Classificação de projetos de energia renovável enquanto projetos<br />

de interesse público superior.<br />

Foi também publicado, no mesmo mês, o ato delegado relativo ao<br />

princípio da adicionalidade, que com a RED III, estabeleceram<br />

novas metas para a produção de hidrogénio verde e os princípios<br />

necessários para a produção de RFNBOs (combustíveis renováveis<br />

de origem não biológica). Consequentemente, foi lançado<br />

um leilão piloto europeu em novembro de 2023, em que as candidaturas<br />

dos projetos estão abertas até dia 8 de fevereiro, conta<br />

com 800 milhões de euros para projetos de produção de hidrogénio<br />

verde com uma potência mínima de 5 MW. Dos critérios de<br />

avaliação do leilão destaca-se a preferência de os equipamentos<br />

serem produzidos na Europa, assegurando o alinhamento com<br />

o NZIA.<br />

“A nível nacional, avançou-se com a simplificação dos processos<br />

de licenciamento ambiental, com a publicação do Decreto-<br />

-Lei n.º 11/2023, que tinha já sido anunciado pelo Governo em<br />

2022, enquanto novo pacote de medidas do SIMPLEX. Este diploma<br />

veio eliminar várias situações em que seria necessária uma<br />

análise caso-a-caso, a redefinição de limiares que sujeitam os projetos<br />

à necessidade de Avaliação de Impacte Ambiental (AIA), e<br />

a eliminação de AIA para a produção de hidrogénio verde”, diz a<br />

APREN.<br />

Portugal está a apostar em várias frentes que irão assegurar a<br />

transição energética, nomeadamente através do desenvolvimento<br />

do setor eólico offshore. Neste sentido, o Grupo de Trabalho<br />

dedicado ao offshore, criado pelo Governo ainda em 2022, no<br />

qual a APREN é parte integrante, continuou os seus trabalhos<br />

durante 2023, para garantir que até 2030 estarão atribuídos 10<br />

GW de potência de ligação e serão instalados 2 GW de capacidade.<br />

QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>


30<br />

\\ ENERGIA SOLAR \\<br />

SOLAR<br />

GANHA TERRENO NAS<br />

ENERGIAS RENOVÁVEIS<br />

ENERGIA SOLAR FOTOVOLTAICA DEVE CRESCER 6,5% EM PORTUGAL ATÉ 2029 E A<br />

APOSTA NOS PAINÉIS FLUTUANTES JÁ ESTÁ A ACONTECER. O ALENTEJO É A REGIÃO<br />

MAIS COBIÇADA<br />

\\ Por Teresa Cotrim<br />

Portugal é dos países da Europa com melhores<br />

condições para o aproveitamento da energia solar.<br />

Por cá, o sol brilha cerca de 300 dias por ano.<br />

As regiões portuguesas com maior radiação são o<br />

Algarve, o Alentejo e a Madeira. No entanto, a produção não<br />

é sempre igual ao longo do ano, nem do dia. O pico de produção<br />

mais rentável ocorre entre as 11h00 e as 16h00, entre<br />

maio e setembro. Francisco Ferreira, presidente da Zero, Associação<br />

Sistema Terrestre Sustentável, acredita que esta será<br />

a principal fonte de energia renovável para gerar energia elétrica.<br />

“Em 2035, esperamos atingir os 100% de fornecimento<br />

de eletricidade, através das renováveis. A energia solar será a<br />

melhor opção”.<br />

As notícias são animadoras. Segundo um comunicado da<br />

REN, Redes Energéticas Nacionais, em julho de 2023, 10%<br />

do consumo de eletricidade do país foi oriundo da energia<br />

solar, uma percentagem record até agora. A Associação de<br />

<strong>Energias</strong> Renováveis (APREN) também refere que a produção<br />

renovável solar aumentou, na ordem dos 43%, passando<br />

a representar 8,2% da produção total de eletricidade em Portugal,<br />

resultante do aumento significativo da capacidade<br />

instalada.<br />

COMO SE PRODUZ A LUZ DO SOL?<br />

A produção de eletricidade usando o sol é possível utilizando<br />

painéis solares fotovoltaicos ou painéis solares térmicos. “No<br />

primeiro caso, as células fotovoltaicas ao receberem raios solares<br />

transformam-nos em eletricidade. No segundo usam-se<br />

espelhos que concentram a luz solar para aquecer um fluido,<br />

gerando vapor que faz rodar as pás de uma turbina, criando<br />

um movimento de rotação do eixo do gerador que produz<br />

eletricidade. O sol também pode ser usado para aquecer as<br />

águas domésticas, ou de processos industriais evitando o uso<br />

de eletricidade, ou gás”, explica o site da APREN, Associação<br />

de <strong>Energias</strong> Renováveis.<br />

A análise Portugal Solar Energy & Market Size, da Mordor<br />

Intelligence, empresa de estudos de mercado, revelou que<br />

o mercado português de energia solar entre <strong>2024</strong> e 2029 deve<br />

QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>


\\ ENERGIA SOLAR \\<br />

31<br />

Em 2035, esperamos<br />

atingir os 100% de<br />

fornecimento de<br />

eletricidade, através das<br />

renováveis. A energia<br />

solar será a melhor<br />

opção<br />

Francisco Ferreira,<br />

presidente da Zero<br />

registar uma Taxa de Crescimento Anual Composto<br />

(CAGR) de mais de 6,5%. No médio prazo,<br />

os principais impulsionadores do mercado<br />

incluem um aumento da procura de energia, os<br />

esforços para reduzir a dependência da geração<br />

de energia baseada em combustíveis fósseis e o<br />

decréscimo do custo da energia solar fotovoltaica<br />

e sistemas associados.<br />

O estudo da Mordor Intelligence diz ainda<br />

que o aumento dos investimentos em parques<br />

solares e as políticas governamentais devem<br />

também contribuir para alcançar estes objetivos.<br />

O encerramento de duas centrais de carvão<br />

em Portugal em 2021 também proporcionou<br />

oportunidades de investimentos para os operadores<br />

de energia solar. Os principais players<br />

do mercado nacional, são ainda citando o mesmo<br />

estudo, a SGS AS, a Voltalia, a Acciona, a<br />

Gesto Energia e a Iberdrola. Há, contudo, um<br />

pequeno entrave ao possível crescimento da<br />

energia solar, “a adoção de outras fontes alternativas<br />

de energias limpas, caso da eólica”.<br />

APOSTA NACIONAL EM SOLAR FLUTUANTE<br />

Nacionalmente está a ser feita uma aposta no<br />

solar flutuante, em complemento e alternativa<br />

ao instalado no solo. O objetivo é procurar áreas<br />

não terrestres contínuas significativas com painéis<br />

solares, recorrendo à utilização de albufeiras<br />

dos aproveitamentos hidroelétricos. Assim<br />

evita-se a ocupação de outras áreas em terra,<br />

úteis para outras atividades como a agricultura<br />

ou pastorícia, e pode aproveitar-se a ligação à<br />

rede elétrica já existente, sendo que as centrais<br />

hidroelétricas não a utilizam de forma contínua,<br />

visto que há mais sol quando há menos<br />

chuva e vice-versa.<br />

Um estudo da Universidade de Évora, divulgado<br />

pela agência Lusa, conclui que a potência<br />

instalada em sistemas fotovoltaicos flutuantes<br />

colocados em superfícies de água, como lagos<br />

ou barragens, “consegue exceder a meta nacional<br />

de 7 gigawatts (GW) definida no Plano<br />

Nacional Energia e Clima (PNEC) 2030 para a<br />

energia fotovoltaica em Portugal. “A análise dos<br />

resultados sugere, que regionalmente é o Alentejo<br />

que apresenta maior potencial nesta área,<br />

quer em superfície de água existente, quer ao<br />

nível do recurso solar, com 32% do total da área<br />

nacional disponível, principalmente devido à<br />

barragem do Alqueva”.<br />

O mesmo estudo aponta ainda que a região<br />

Centro representa 27%. Já a 3ª maior área disponível<br />

está na região de Lisboa e Vale do Tejo,<br />

com 15%. Os principais desafios desta energia<br />

passam pela gestão de continuidade e qualidade<br />

do abastecimento e na aposta da digitalização.<br />

QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>


32<br />

\\ ENERGIA EÓLICA \\<br />

VENTO<br />

O OURO VERDE DAS RENOVÁVEIS!<br />

A ENERGIA EÓLICA É A QUE MAIS TEM CONTRIBUÍDO PARA A PRODUÇÃO DE<br />

ELETRICIDADE VERDE EM PORTUGAL. A PRÓXIMA APOSTA É O MAR<br />

\\ Por Teresa Cotrim<br />

<strong>Quem</strong> não se lembra das histórias de mitologia grega<br />

contadas no livro Odisseias de Homero? Em<br />

que este foi presenteado com um saco cheio de<br />

ventos de Éolo, que tinha o poder de os levantar<br />

ou acalmar pois, parece que Portugal também<br />

recebeu uma oferta semelhante. Em 2023, mesmo<br />

as barragens tendo água para produzir energia, foi o vento<br />

quem mais contribuiu 60% para as energias renováveis em<br />

Portugal. Neste momento a energia eólica está no pódio das<br />

energias limpas.<br />

As vantagens da energia eólica são várias: é 100% limpa, é renovável<br />

desde que haja vento, ajuda a combater o aquecimento<br />

global, a produção de gases com efeito de estufa e as alterações<br />

climáticas. Por isso, é uma das apostas na descarbonização.<br />

As desvantagens são precisar de vento para produzir eletricidade,<br />

senão as pás não giram. O ruído é incomodativo para<br />

quem habita junto a um parque eólico, interferem com as aves<br />

e morcegos que colidem com as pás. Nas épocas de migração de<br />

pássaros é preciso ter atenção para não afetar as suas rotas. O<br />

impacto visual em áreas naturais também deve ser acautelado.<br />

Segundo a ONG ambie num relatório divulgado em outubro<br />

e citado pelo Observador, Portugal é um dos 10 Estados<br />

Membros da União Europeia (EU) onde o desenvolvimento da<br />

energia eólica está alinhado com o cumprimento das metas do<br />

Acordo de Paris (CAP) para 2030. Atualmente, diz a WWF, a<br />

EU tem mais de 200 GigaEatt (GW) de capacidade instalada<br />

de energia eólica em terra e no mar, fornecendo 16% da procura<br />

de eletricidade, mas considera ser necessário mais do que<br />

duplicar esta capacidade até 2030 para cumprir o novo objetivo<br />

de 42,5% de energias renováveis”.<br />

A capacidade eólica em Portugal é constituída quase exclusivamente<br />

por geração em terra, existindo ape<strong>nas</strong> um parque<br />

eólico offshore localizado na costa de Viana do Castelo, com<br />

uma capacidade instalada de 25 MW. Segundo dados do IEP,<br />

QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>


\\ ENERGIA EÓLICA \\<br />

33<br />

SABIA QUE PODE PRODUZIR<br />

ENERGIA EÓLICA EM CASA?<br />

Tem é de instalar uma turbina eólica<br />

residencial, ou aerogerador residencial ligado<br />

à rede doméstica. As vantagens relativamente<br />

aos painéis solares é que não está tão<br />

dependente das horas do dia para produzir<br />

energia, isto porque durante a noite também<br />

há vento. O problema é o espaço.<br />

infraestrutura tecnológica de apoio ao tecido<br />

empresarial, atualmente em Portugal existem<br />

cerca de 250 empreendimentos eólicos,<br />

correspondendo a uma potência instalada de<br />

cerca de 5,3 GW. Do total de parques eólicos,<br />

19% estão com idade a variar entre os 15 e os<br />

20 anos. “Caso não se verifique investimento, o<br />

setor eólico irá diminuir drasticamente”, referem<br />

numa análise “O Futuro da Energia Eólica<br />

em Portugal”, talvez por isso o governo esteja a<br />

apostar no mar.<br />

CORRIDA AO OURO VERDE<br />

Os ventos de 2023 foram promissores para a<br />

energia eólica offshore, ou seja, sobre o mar.<br />

O país teve o primeiro leilão com a ambição<br />

de instalar 10 gigawatts (GW) até 2030. O<br />

Governo identificou zo<strong>nas</strong> ao longo da costa<br />

portuguesa — Viana do Castelo (1GW),<br />

Leixões (500MW), Figueira da Foz (2GW),<br />

Ericeira e Sines, concretizando aquilo que o<br />

consórcio Windplus, constituído pela Ocean<br />

Winds (parceira entre a EDP Renováveis e a<br />

Engie), a Repsol e a Principle Water, implementou<br />

em Viana do Castelo, quando instalou<br />

em 2020 a primeira infraestrutura de energia<br />

eólica flutuante em Portugal, o parque Windfloat<br />

Atlantic num investimento de 125 milhões<br />

de euros.<br />

As novas instalações offshore vão necessitar que<br />

sejam construídas infraestruturas e estruturas de<br />

apoio, desenvolvidas competências de instalação<br />

e de manutenção e preparadas as conexões destes<br />

parques à rede. Como explica um artigo da revista<br />

Instalador. Há dois tipos de tecnologias, as plataformas<br />

fixas e as flutuantes. As do mar do Norte<br />

são fixas. Estas precisam de profundidade inferior<br />

a 30m e são geralmente colocadas a 30 Km da costa.<br />

“Em Portugal, estima-se que se possa instalar<br />

entre 1.4 GW a 3.5 GW de geração eólica offshore<br />

em plataformas fixas, até uma profundidade de 40<br />

m. As plataformas flutuantes conseguem ir mais<br />

fundo, ou seja, podem ser instaladas até profundidades<br />

de 200m e Portugal tem um potencial de<br />

40GW para este tipo de solução”, revela a mesma<br />

fonte. Para que a energia eólica chegue a bom porto<br />

são necessários avultados investimentos e as<br />

políticas, e regulamentos têm de acompanhar a<br />

evolução sob pena de se conseguir consórcios interessados<br />

nestes projetos, por isso para evitar ventos<br />

contrários é preciso antecipar tempestades.<br />

QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>


34<br />

\\ ENERGIA HÍDRICA \\<br />

EÓLICA<br />

OFFSHORE<br />

AJUDARÁ A ENERGIA HÍDRICA<br />

A CRESCER<br />

DURANTE ANOS AS BARRAGENS FORAM A PRINCIPAL FONTE DE ENERGIA, MAS<br />

HOJE AS CENTRAIS HIDROELÉTRICAS SÃO FUNDAMENTAIS NO ARMAZENAMENTO<br />

\\ Por Teresa Cotrim<br />

Portugal tem em funcionamento cerca de 120 Peque<strong>nas</strong><br />

Centrais Hidroelétricas (CE), com potência<br />

igual ou menor a 10MW e mais 15 CE com potência<br />

compreendida entre 10 MW e os 30 MW. Todas<br />

juntas somam uma capacidade instalada total<br />

superior a 660 MW. Mas deveriam ser otimizadas ao nível do armazenamento<br />

de energia. Por exemplo: quando há produção em<br />

excesso, está-se a produzir energia que não é usada, então a água<br />

pode ser bombeada para montante, voltando a ser utilizada para<br />

produzir energia.<br />

Os números apontam para um aproveitamento positivo da tecnologia<br />

hídrica. Como realça a Associação Portuguesa de <strong>Energias</strong><br />

Renováveis (APREN), se analisarmos os últimos nove anos — de<br />

2014 até fevereiro do presente ano de 2023 —, Portugal aumentou<br />

a capacidade hídrica de 5.570 MW para 8.121 MW mais 31%. E<br />

se, durante muito tempo a hídrica foi a principal fonte de energia<br />

em Portugal, ocupa atualmente o segundo lugar do pódio atrás da<br />

eólica, tendo em 2023 contribuído com 27% <strong>nas</strong> estatísticas das<br />

energias limpas.<br />

PRÓS E CONTRAS<br />

O impacto ambiental e social desta categoria de energia, principalmente<br />

durante a fase de construção, é grande, nomeadamente<br />

com inundações de áreas, alterações nos regimes dos rios a jusante,<br />

alteração de habitats, deslocação de povoações e elevados custos<br />

de instalação e desativação. O licenciamento ambiental nesta<br />

área é muito exigente, com medidas que, por vezes, inviabilizam<br />

o projeto, em termos financeiros. Outro senão é a inconstância e<br />

a escassez hídrica, principalmente em anos de seca. Por exemplo,<br />

em 2022, apesar de cerca de 40% na capacidade instalada ser hídrica,<br />

só 14% da energia produzida teve esta origem. Mas segundo<br />

a APREN mesmo em anos de seca as centrais de bombagem


\\ ENERGIA HÍDRICA \\<br />

35<br />

desempenham um importante papel na gestão<br />

do recurso hídrico, visto que quando existe<br />

potencial de capacidade excedentária de produção<br />

de eletricidade em períodos de baixo<br />

consumo recorre-se a esta solução para transferir<br />

eletricidade de uns períodos para outros,<br />

através da bombagem de água de um reservatório<br />

inferior para outro situado a uma cota mais<br />

elevada.<br />

Há mais pontos a favor. Gera emprego e novas<br />

infraestruturas locais. É uma energia limpa,<br />

que não produz gases com efeitos de estufa nem<br />

outros agentes poluentes. Ajuda a estabilizar a<br />

energia colocada na rede elétrica, permitindo<br />

que esta responda rapidamente a picos de procura<br />

e a quebras substanciais noutras formas<br />

de produção. Contribui para a redução da dependência<br />

energética exterior, materializada<br />

na menor importação de combustíveis fósseis<br />

(petróleo, gás natural e carvão) e contribui<br />

para Portugal atingir compromissos e metas internacionais,<br />

nomeadamente estabelecidas no<br />

Protocolo de Quioto, no Acordo de Paris e na<br />

legislação comunitária.<br />

A regularização dos caudais, o controlo das<br />

cheias, o combate a incêndios, a constituição de<br />

reservas estratégicas de recursos hídricos, com<br />

papel crucial para aumentar a capacidade de<br />

regularização de regime de escoamento e, dessa<br />

forma, compensar o incremento da sua variabilidade<br />

(cheias e secas), as atividades turísticas e<br />

recreativas são outras mais-valias. A cereja no<br />

topo do bolo é que ape<strong>nas</strong> em dois minutos, as<br />

barragens com albufeira podem atingir a sua<br />

potência máxima e conseguem ter a máquina<br />

parada em sete segundos. Já uma central térmica<br />

a gás natural, por exemplo, se estiver parada<br />

leva seis a 12 horas até atingir a sua capacidade<br />

máxima e vários dias a parar por completo. Por<br />

fim, um novo caminho parece estar a abrir-se<br />

para a energia hídrica. Se até agora esta era<br />

produzida ape<strong>nas</strong> via barragens, com a energia<br />

eólica offshore abre-se um novo mercado. Atualmente<br />

Portugal dispõe de 25 MW de capacidade<br />

eólica offshore instalada, por isso ainda<br />

terá se soprar muito vento até atingir os 10GW<br />

de potência de ligação e 2GW de capacidade<br />

<strong>nas</strong> oito zo<strong>nas</strong> idealizadas pelo governo.


36<br />

\\ HIDROGÉNIO \\<br />

HIDROGÉNIO<br />

ESSENCIAL NA DESCARBONIZAÇÃO DA ECONOMIA<br />

PORTUGAL QUER PRODUZIR 5,5 GW DE HIDROGÉNIO VERDE ATÉ 2030,<br />

MAS SÓ VALERÁ A PENA QUANDO ESTE TIVER BAIXO TEOR DE CARBONO<br />

\\ Por Teresa Cotrim<br />

Anoção de que a descarbonização da economia vai<br />

necessitar de mais do que a eletrificação dos vários<br />

setores já tem alguns anos. Não é por acaso que, em<br />

julho de 2020, a Comissão Europeia propôs uma<br />

Estratégia do Hidrogénio para uma Europa com<br />

Impacto Neutro no Clima, para acelerar o desenvolvimento de hidrogénio<br />

limpo. O objetivo foi o de assegurar o seu papel como fator<br />

essencial na definição e implementação de um sistema energético<br />

neutro em termos climáticos até 2050. Noção que, um ano mais<br />

tarde, mais precisamente a maio de 2021 foi comprovada através da<br />

aprovação de um relatório onde os eurodeputados sublinharam que<br />

só o hidrogénio verde — produzido a partir de fontes renováveis,<br />

poderá contribuir, de forma sustentável, para alcançar a neutralidade<br />

climática a longo prazo.<br />

O porquê do hidrogénio verde? O documento elaborado pela<br />

Comissão Europeia é claro: o hidrogénio pode ser utilizado como<br />

matéria-prima, combustível e vetor de transporte ou armazenamento<br />

de energia e tem muitas aplicações possíveis nos setores da<br />

QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>


\\ HIDROGÉNIO \\<br />

37<br />

indústria, dos transportes, da energia e dos edifícios.<br />

Mas, mais importante, “quando utilizado,<br />

não emite CO2 e liberta quantidades diminutas<br />

de poluentes atmosféricos”. Por outras palavras,<br />

é a solução ideal “para descarbonizar os processos<br />

industriais e os setores económicos em que<br />

a redução das emissões de carbono é urgente e<br />

difícil de alcançar”.<br />

A verdade é que hoje o hidrogénio representa<br />

uma pequena fração do cabaz energético mundial<br />

e da UE, e é ainda largamente produzido a<br />

partir de combustíveis fósseis, nomeadamente<br />

de gás natural ou de carvão, o que resulta na<br />

libertação de 70 a 100 milhões de toneladas de<br />

CO2 por ano na UE. Face a Isto a estratégia<br />

estabelecida passa por promover o hidrogénio<br />

renovável, utilizando principalmente energia<br />

eólica e solar para a sua produção. Como aponta<br />

a Comissão Europeia, a opção pelo hidrogénio<br />

renovável baseia-se na grande capacidade industrial<br />

europeia de produção de eletrolisadores, na<br />

criação de novos postos de trabalho e apoiará<br />

um sistema energético integrado, com uma boa<br />

relação custo-eficácia.<br />

Atualmente já foram anunciados diversos<br />

projetos no hidrogénio verde. O governo português,<br />

por exemplo, anunciou no ano passado,<br />

que quer produzir 5,5 GW até 2030. Um valor<br />

que a Associação Zero contestou, considerando<br />

exagerado. “A injeção de hidrogénio na rede<br />

de gás natural é um enorme erro de eficiência e<br />

prolonga o uso de combustíveis fósseis. A prioridade<br />

no uso de hidrogénio verde, produzido a<br />

partir de fontes renováveis, deve ser a utilização<br />

em sectores industriais onde a combustão a altas<br />

temperaturas seja imprescindível e onde tenha<br />

lugar uma substituição do uso de combustíveis<br />

fósseis por hidrogénio no processo”, afirmou a<br />

Zero.<br />

Já este ano, a Comissão Europeia aprovou em<br />

fevereiro auxílios estatais de 6,9 mil milhões de<br />

euros de sete Estados-membros da União Europeia<br />

(UE), incluindo Portugal, para aposta<br />

no hidrogénio ‘verde’, prevendo-se a instalação<br />

de 790 MW de eletrolisadores no território<br />

português.<br />

Em comunicado, o executivo comunitário indica<br />

que aprovou, “ao abrigo das regras da UE<br />

em matéria de auxílios estatais, um terceiro projeto<br />

importante de interesse europeu comum<br />

para apoiar as infraestruturas de hidrogénio”,<br />

denominado de Hy2Infra e que abrange Portugal,<br />

bem como França, Alemanha, Itália, Países<br />

Baixos, Polónia e Eslováquia.<br />

De acordo com os dados de Bruxelas, o<br />

Hy2Infra abrangerá uma “grande parte da cadeia<br />

de valor do hidrogénio”, apoiando a implantação<br />

de 3,2 gigawatts (GW) de eletrolisadores<br />

em grande escala para produzir hidrogénio renovável<br />

e a instalação de condutas de transporte<br />

e distribuição de hidrogénio, novas e reutilizadas,<br />

com cerca de 2.700 quilómetros.<br />

Em Portugal, prevê-se a instalação de 790 megawatt<br />

de eletrolisadores, num projeto que conta<br />

com a empresa portuguesa Winpower.<br />

O estudo“Green molecules: the imminent revolution<br />

of the employment market in Europe”,<br />

realizado pelo ManpowerGroup e pela Cepsa e<br />

apresentado em janeiro na reunião do Fórum<br />

Económico Mundial em Davos (Suíça), revela<br />

que os novos combustíveis renováveis, como o<br />

hidrogénio verde ou os biocombustíveis, poderão<br />

criar 1,7 milhões de novos empregos e um<br />

crescimento do PIB europeu de 145 mil milhões<br />

de euros até 2040.<br />

Segundo a mesma fonte, o relatório prevê que<br />

Espanha liderará, <strong>nas</strong> próximas duas décadas, a<br />

produção de hidrogénio verde e o crescimento<br />

do emprego associado. A indústria espanhola ligada<br />

às moléculas verdes gerará mais de 116.000<br />

empregos nesta década e 181.000 em 2040, o que<br />

corresponde a 11% do emprego total gerado na<br />

UE e no Reino Unido. Em termos de crescimento<br />

económico (PIB), o sector contribuirá com<br />

mais 15.600 milhões de euros até 2040, o que representaria<br />

um aumento de 1% do PIB em 2022.<br />

A aposta no hidrogénio não ocorre ape<strong>nas</strong><br />

na Europa. No início do ano, a consultora<br />

Capegemini apresentou as cinco principais<br />

tendências tecnológicas para <strong>2024</strong>, onde o Hidrogénio<br />

com baixo teor de carbono aparecia<br />

destacado, como uma alternativa credível aos<br />

combustíveis fósseis. Como explica a consultora,<br />

o hidrogénio tem sido apontado como<br />

uma alternativa de combustível limpo porque<br />

produz ape<strong>nas</strong> água quando é queimado. No<br />

entanto, a produção tradicional de hidrogénio<br />

consome muita energia e depende frequentemente<br />

de combustíveis fósseis. A evolução para<br />

o hidrogénio com baixo teor de carbono procura<br />

resolver estas questões, recorrendo à energia<br />

renovável ou nuclear para alimentar a eletrólise<br />

da água, dividindo-a em hidrogénio e oxigénio<br />

com zero emissões de carbono. Os avanços<br />

realizados na tecnologia dos eletrolisadores,<br />

incluindo o desenvolvimento de membra<strong>nas</strong><br />

de permuta protónica (PEM) e eletrolisadores<br />

de óxido sólido, têm melhorado a eficiência e a<br />

reduzir custos. No entanto, o hidrogénio com<br />

baixo teor de carbono além de ainda não ser<br />

uma alternativa competitiva neste momento,<br />

enfrenta outros desafios como a fiabilidade e a<br />

escala. Países e empresas em todo o mundo estão<br />

a investir massivamente no hidrogénio com<br />

baixo teor de carbono para alcançarem a meta<br />

da neutralidade carbónica, para reduzirem o<br />

seu custo num futuro próximo.<br />

QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>


38<br />

\\ ENERGIA GEOTÉRMICA \\<br />

ENERGIA<br />

QUE VEM DO INTERIOR DA<br />

TERRA<br />

EM PORTUGAL AINDA SÓ OS AÇORES EXPLORARAM ESTA FONTE DE ENERGIA,<br />

MAS HÁ PLANOS PARA SE APROVEITAR O KNOW HOW DOS ISLANDESES<br />

ATRAVÉS DE UMA PARCERIA<br />

\\ Por Teresa Cotrim<br />

Aenergia geotérmica é a energia calorífica que se encontra<br />

armazenada na Terra. Apareceu no início<br />

do século XX e tem sido utilizada em poucas zo<strong>nas</strong><br />

do planeta. Os países com historial de produção<br />

de energia hidrotérmica são os Estados Unidos, Filipi<strong>nas</strong> e Islândia.<br />

Mas de onde vem esta energia? A sua origem vem do<br />

calor primordial da sua formação há 4,5 mil milhões de anos.<br />

“Este calor conjuntamente com o que se gera em consequência<br />

de diversos fenómenos térmicos que se produzem no interior<br />

da Terra, nomeadamente o calor libertado pela cristalização<br />

do núcleo, pelos movimentos diferenciais entre as diferentes<br />

camadas que constituem a Terra, e ainda como resultado da<br />

desintegração de isótopos radioativos presentes <strong>nas</strong> rochas que<br />

constituem a crosta e o manto, origina um fluxo até à superfície”,<br />

explica Mário Guedes, especialista em energia.<br />

A energia geotérmica é aproveitada através da presença de<br />

um fluído, normalmente água, que transporta o calor do interior<br />

da Terra para a superfície. “A geotermia convencional é<br />

caracterizada pelo armazenamento num reservatório geotérmico,<br />

o qual pode ser utilizado para produção de eletricidade<br />

ou para o aquecimento. Este calor armazenado, é designado por<br />

entalpia, ou seja, a energia máxima de um sistema termodinâmico<br />

na forma de calor”, esclarece. Mário Guedes, explica ainda<br />

que os reservatórios geotérmicos são classificados em função da<br />

temperatura a que se encontra o fluído transportador de calor,<br />

em reservatórios de Alta Entalpia (na qual a temperatura é superior<br />

a 150.ºC), Média Entalpia (com a temperatura entre os<br />

100.ºC e os 150.ºC) e Baixa Entalpia (quando o fluído se encontra<br />

a temperaturas inferiores a 30.ºC).<br />

ENERGIA GEOTÉRMICA NO MUNDO<br />

A energia geotérmica satisfaz atualmente cerca de 0,4% das<br />

necessidades de energia elétrica do mundo. Segundo o estudo<br />

Geotermia, energia renovável em Portugal da Direção Geral<br />

de Energia e Geologia, em Portugal esse valor, estatisticamente,<br />

é também de 0,4%, mas devido ao contexto geológico<br />

do país está concentrado no arquipélago dos Açores, onde<br />

existem três centrais, duas mas Ilhas de S. Miguel e uma na<br />

ilha Terceira, onde a produção alcança 42% das necessidades<br />

elétricas da ilha e cerca de 22% das do arquipélago. No<br />

QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>


\\ ENERGIA GEOTÉRMICA \\<br />

39<br />

entanto, esta fonte de energia pode ser importante no<br />

aproveitamento de calor, a nível industrial e, por exemplo,<br />

no aquecimento doméstico.<br />

O mesmo documento revela que no que respeita aos<br />

usos diretos, além das aplicações balneoterápicas e balneológicas,<br />

lúdicas, recreativas, funcionais e até gastronómicas,<br />

em curso em Portugal Continental e nos Açores,<br />

o interesse das <strong>nas</strong>centes termais para outras aplicações<br />

geotérmicas vem da década de 70 do século passado. “A<br />

primeira realização geotérmica em Portugal para usos<br />

diretos foi realizada <strong>nas</strong> Caldas de Chaves para climatização<br />

da piscina municipal, sendo depois alargado a dois<br />

hotéis da cidade”, diz o estudo da Direção Geral de Energia<br />

e Geologia. Outros projetos foram realizados noutros<br />

polos termais portugueses, em São Pedro do Sul, Monção,<br />

Longroiva, Alcafache, Aregos e Caldas da Rainha, mas o<br />

mesmo estudo indica que o crescimento tem sido tímido.<br />

Segundo a agência LUSA, António Costa visitou uma<br />

das maiores centrais de produção de energia geotérmica<br />

no mundo, a Geothermal Power Plant, com 303<br />

megawatts de capacidade instalada. Para Ana Fontoura<br />

Gouveia, Secretário de Estado da Energia, citada pela<br />

LUSA “podemos aprender com a longa experiência que<br />

os islandeses têm na área da geotermia, potenciando<br />

assim os nossos recursos nacionais. Esta é uma área que<br />

será muito importante para Portugal atingir as suas metas<br />

climáticas, designadamente a neutralidade carbónica em<br />

2045”. A mesma fonte revela ainda que a Islândia quer<br />

expandir a sua produção eólica, constituindo desta forma<br />

uma oportunidade para as empresas nacionais.<br />

Esta energia renovável tem custos de investimento<br />

mais elevados do que as outras fontes de energias verdes,<br />

além disso, têm ainda o risco geológico associado. No entanto,<br />

os cenários de crescimento económico mundial<br />

nos próximos anos decerto precisarão de outras fontes de<br />

energia para fazer face à procura das condições de sustentabilidade<br />

no que toca à produção de energia. É mais uma<br />

possibilidade para a panóplia de energias verdes.<br />

QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>


40<br />

\\ BIOMASSA \\<br />

Biomassa<br />

A ENERGIA DOS NOSSOS ANTEPASSADOS<br />

JÁ OS HOMENS DAS CAVERNAS A UTILIZAVAM PARA SE AQUECER<br />

E COZINHAR OS ALIMENTOS. MAS DE ONDE VEM ESTA ENERGIA?<br />

\\ Por Teresa Cotrim<br />

Para a Direção-Geral de Energia e Geologia<br />

(DGEG), biomassa é a matéria orgânica,<br />

quer seja de origem vegetal, quer seja animal,<br />

que pode ser utilizada como fonte de<br />

energia. Por outras palavras, os tipos de biomassa usados<br />

para fornecer energia incluem: resíduos, incluindo-se<br />

nestes os resíduos florestais e os das indústrias da fileira<br />

florestal; os resíduos agrícolas e das indústrias agroalimentares<br />

bem como os seus efluentes; excreta animal<br />

proveniente das explorações pecuárias; a fração orgânica<br />

dos resíduos sólidos urbanos; esgotos urbanos; e culturas<br />

energéticas incluindo as culturas de curta rotação.<br />

A DGEG acrescenta ainda que a biomassa pode ser<br />

diretamente queimada para gerar calor e/ou, eletricidade<br />

ou convertida em óleo ou gás para produção de<br />

biocombustíveis sólidos, líquidos e gasosos que poderão<br />

ser usados como combustíveis em vários setores, incluindo<br />

os transportes; e que a Bioenergia é um recurso<br />

energético renovável e representa, presentemente,<br />

cerca de 11% do consumo de energia primária mundial<br />

constituindo o único recurso energético com carbono<br />

que se pode considerar emissor neutro de CO2.<br />

O Plano Nacional Energia e Clima 2021-2030<br />

(PNEC 2030), diz que a biomassa florestal é um importante<br />

recurso endógeno, pelo que a valorização<br />

energética, em determinadas condições, é uma solução<br />

que contribui para criar valor no setor florestal. “A valorização<br />

energética de biomassa é também considerada,<br />

numa perspetiva de gestão florestal, como uma<br />

forma de prevenção de incêndios florestais”, considera<br />

o PNEC 2030. O mesmo documento refere ainda que<br />

a biomassa florestal é um importante recurso endógeno,<br />

pelo que a valorização energética, em determinadas<br />

condições, é uma solução que contribui para a quota<br />

de energia de fontes renováveis. “A estratégia passa por<br />

descarbonizar os consumos térmicos existentes e promover<br />

a eficiência energética, nomeadamente através<br />

da promoção da instalação de peque<strong>nas</strong> centrais térmicas<br />

descentralizadas a biomassa (ex.: cogeração), de<br />

menor dimensão e que não colocam tanta pressão em<br />

termos de disponibilidade de biomassa e do sistema<br />

energético”.<br />

Mas nem todos estão de acordo! A Associação Ambientalista<br />

Zero afirma que a queima de biomassa florestal<br />

para fins energéticos é frequentemente apelidada<br />

“falsa energia renovável”, porque não passa nos critérios<br />

básicos: não tem baixas emissões, não é limpa e o potencial<br />

renovável é questionável.<br />

FONT<br />

QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>


\\ BIOMASSA \\<br />

41<br />

VANTAGENS DO USO<br />

DE BIOMASSA<br />

• As centrais elétricas que utilizam biomassa não contribuem<br />

para o aumento dos níveis de gases com efeito estufa (GEE).<br />

O nível de CO2 gerado no processo de combustão de<br />

biocombustíveis não é superior à quantidade de CO2<br />

produzida durante o processo de transformação natural<br />

das plantas (fotossíntese).<br />

• A biomassa é uma fonte de energia limpa e renovável. A<br />

energia principal provém do sol, e a biomassa que resulta<br />

de plantas ou algas pode crescer outra vez num período<br />

relativamente curto. Árvores, culturas e resíduos sólidos<br />

estão sempre disponíveis e podem ser geridos de forma<br />

sustentável.<br />

• Se as plantações forem mantidas de forma sustentável,<br />

podem ajudar a compensar as emissões de carbono através<br />

da absorção de dióxido de carbono. Muitas matérias-primas<br />

podem ser colhidas em terras marginais ou pastagens,<br />

onde não competem com culturas alimentares.<br />

Fonte: EDP<br />

DESVANTAGENS<br />

DA BIOMASSA<br />

• O elevado consumo de eletricidade e de calor é um dos<br />

argumentos contra as centrais elétricas alimentadas a biomassa. O<br />

próprio processo de produção é demorado e requer a utilização de<br />

tecnologias e equipamentos caros, o que gera custos significativos<br />

e sobrecarrega o ambiente.<br />

• A biomassa é uma matéria-prima com um valor calorífico<br />

inferior ao do carvão ou do gás natural. Cerca de 50% da biomassa<br />

é composta por água, que é perdida no processo de conversão<br />

energética. Alguns cientistas e engenheiros estimam que não é<br />

economicamente viável transportar biomassa a uma distância<br />

superior a 160 quilómetros do local onde é processada.<br />

• A queima de biomassa liberta monóxido de carbono, dióxido de<br />

carbono, óxidos de nitrogénio e outros poluentes e partículas.<br />

Se esses poluentes não forem capturados e reciclados, a queima<br />

de biomassa pode exceder a quantidade de poluentes libertados<br />

pelos combustíveis fósseis.<br />

• Como resultado da combustão de biomassa em caldeiras, são<br />

também geradas grandes quantidades de cinzas, o que requer a<br />

remoção frequente e a limpeza das instalações de aquecimento.<br />

ES DE BIOMASSA<br />

• Pellets, aparas e palha (fontes de biomassa) requerem<br />

armazenamento adequado. Se não forem devidamente<br />

acondicionados, absorvem rapidamente humidade e a sua<br />

eficiência degrada-se.<br />

• Se algumas das fontes de biomassa não forem repostas tão<br />

rapidamente quanto são utilizadas, podem tornar-se não<br />

renováveis. Por exemplo, uma floresta pode levar cente<strong>nas</strong> de<br />

anos para se restabelecer.<br />

• Os terrenos usados para culturas de biocombustível, como milho<br />

e soja, ficam indisponíveis para o cultivo de alimentos ou para<br />

acolher habitats naturais.<br />

Fonte: EDP<br />

QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>


42<br />

\\ ENERGIA DAS ONDAS \\<br />

ENERGIA<br />

DAS ONDAS<br />

UM MERCADO EM POTENCIAL?<br />

PORTUGAL TEM MUITO MAR, MAS ATÉ AGORA A EÓLICA OFFSHORE É A GRANDE<br />

APOSTA. A ENERGIA DAS ONDAS É OUTRA VERTENTE A DESENVOLVER APESAR DO<br />

ELEVADO INVESTIMENTO<br />

\\ Por Teresa Cotrim<br />

Àmedida que os países, Portugal incluído, fazem a<br />

transição dos combustíveis fosseis para as energias<br />

renováveis a aposta <strong>nas</strong> várias formas existentes<br />

aumenta, incluindo o aproveitamento dos<br />

oceanos. E aqui há duas possibilidades: a eólica<br />

offshore onde Portugal tem, na opinião de Aaron Smith, Chief<br />

Commercial Officer da Principle Power, uma enorme oportunidade<br />

para tirar partido das suas vantagens naturais. Em<br />

causa o anúncio da Principle Power sobre ser responsável pela<br />

construção do primeiro parque eólico flutuante na Europa<br />

continental e a primeira iniciativa eólica offshore em Portugal,<br />

como parte do consórcio WindPlus. Situado a 20 km da costa<br />

de Viana do Castelo, as três turbi<strong>nas</strong> eólicas gigantes do Wind-<br />

Float Atlantic erguem-se 185 m acima da superfície do oceano.<br />

A outra possibilidade reside na energia das ondas. Uma tecnologia<br />

que já está a ser trabalhada há vários ano e que, no caso<br />

português, começa agora a passar da fase de teste para a fase<br />

operacional. Em 2019, a primeira unidade do parque de energia<br />

das ondas de Peniche foi, segundo a finlandesa AW Energy,<br />

instalada com êxito no fundo do mar. Na altura o seu CEO,<br />

Christopher Ridgewell, confirmou que a unidade era a primeira<br />

para produzir energia à escala comercial. Mais recentemente,<br />

em 2021, a sueca CorPower anunciou um investimento<br />

de 7,3 milhões de euros no HiWave-5, projeto localizado em<br />

Viana do Castelo.<br />

Mas essas não são as únicas localizações com potencial. A<br />

Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) identificou<br />

igualmente Aljezur, Sines, Cascais, Nazaré, Figueira da Foz,<br />

Aveiro e Leixões. Como explica a instituição, considera-se que,<br />

em Portugal, é fraco o recurso em termos de amplitude e correntes<br />

de maré (explorado em regiões com uma costa afunilada),<br />

assim como em termos de gradiente de salinidade (potencial<br />

em estuários de grande dimensão) e é nulo em termos de<br />

gradiente térmico (só em zo<strong>nas</strong> tropicais). O que não significa<br />

que o potencial de produção de energia seja inexistente.<br />

Ao longo dos anos têm sido feitos vários projetos pilotos.<br />

No entanto, a própria DGEG aponta que “até hoje, a eletricidade<br />

produzida pelos dispositivos de conversão de energia das<br />

ondas ou das correntes marítimas que é injetada na rede de<br />

distribuição não chega para compensar os elevados custos de<br />

QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>


\\ ENERGIA DAS ONDAS \\<br />

43<br />

VANTAGENS<br />

• É uma energia renovável.<br />

• Não produz qualquer tipo de poluição.<br />

• Estão menos dependentes das condições<br />

da costa.<br />

• Estão menos dependentes das condições<br />

da costa.<br />

DESVANTAGENS<br />

• Instalações de potência reduzida;<br />

• Requer uma geometria da costa especial e<br />

com ondas de grande amplitude.<br />

• Impossibilita a navegação (na maior parte<br />

dos casos).<br />

• A deterioração dos materiais pela exposição<br />

à água salgada do mar.<br />

desenvolvimento da tecnologia, do equipamento<br />

e das respetivas instalação, operação<br />

e manutenção no mar”. Opinião partilhada<br />

pela Agência Internacional de Energia, que<br />

aponta que “a energia das ondas poderia satisfazer<br />

todas as necessidades de eletricidade<br />

do mundo se fosse devidamente explorada”.<br />

O problema reside... no elevado investimento<br />

exigido. Sendo que as tecnologias, na opinião<br />

da Agência, ainda não atingiram o nível<br />

de maturidade necessário.<br />

No entanto, acrescenta a DGEG, dadas as<br />

vantagens que a energia das ondas e das correntes<br />

marítimas podem oferecer, continua a<br />

ser um setor bastante ativo. Isto porque como<br />

é possível antecipar, com razoável rigor e antecedência,<br />

a ondulação e as correntes marítimas,<br />

a quantidade de eletricidade gerada pode<br />

ser prevista e essa caraterística é importante<br />

no contexto do sistema energético do país,<br />

contribuindo para reduzir a dependência de<br />

fontes despacháveis e armazenamento.<br />

MÉTODOS DE CAPTAÇÃO<br />

DA ENERGIA DAS ONDAS<br />

• Absorvedores flutuantes: são boias<br />

gigantes compostas por turbi<strong>nas</strong>.<br />

• Atenuadores: referem-se a dispositivos<br />

longos e segmentados, conectados às bombas<br />

hidráulicas.<br />

• Terminais: são torres instaladas na costa<br />

marítima. Em cada torre, há uma turbina.<br />

Dispositivos overtopping: referem-se a grandes<br />

caixas, como balsas, que flutuam no mar.<br />

QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>


44 \\ MOBILIDADE \\<br />

Energia na<br />

Mobilidade<br />

AUMENTA EM TODO O MUNDO<br />

A MOBILIDADE ELÉTRICA DE VIATURAS LIGEIRAS É JÁ UMA REALIDADE. CADA VEZ MAIS<br />

EMPRESAS RENOVAM A SUA FROTA. NO TRANSPORTE DE MERCADORIAS A SOLUÇÃO<br />

PASSA PELA CHAMADA ÚLTIMA MILHA PORQUE NO MÉDIO/LONGO CURSO AINDA NÃO HÁ<br />

ALTERNATIVA AO DIESEL.<br />

\\ Por Teresa Cotrim<br />

Oconceito de mobilidade elétrica está cada vez mais presente<br />

na vida dos portugueses. Seja pela venda de viaturas<br />

elétricas — só para se ter uma ideia, em dezembro de<br />

2023 foram matriculados 5.501 veículos 100% elétricos,<br />

de todas as categorias, novos e importados usados, um<br />

número recorde a fechar mais um ano de acentuado crescimento da<br />

Mobilidade Elétrica — pela utilização de outros tipos de locomoção<br />

elétrica (bicicletas e trotinetes) dentro das cidades, ou pela crescente<br />

renovação das frotas.<br />

Mas vamos por partes. Quanto aos veículos ligeiros de passageiros,<br />

há vários anos que as viaturas elétricas — as 100% ou híbridas — têm<br />

conquistado os consumidores. Os números não mentem! No ano passado,<br />

por exemplo, as vendas de veículos 100% elétricos novos cresceram<br />

91,7% relativamente ao ano 2022. Na verdade, 2023 foi um ano<br />

recorde para a venda destes veículos, verificando-se uma tendência<br />

crescente desde 2010. Nessa altura, Portugal tinha um parque de cerca<br />

de mil viaturas elétricas. O ano passado terminou com mais de 228<br />

mil. É fácil perceber a evolução. Mesmo porque, a par do crescente<br />

número de modelos disponíveis no mercado, houve também todo um<br />

investimento na criação de uma infraestrutura de postos de carregamento<br />

— embora haja ainda muito trabalho pela frente, nomeadamente<br />

ao nível da criação de uma infraestrutura europeia integrada.<br />

Mas isto não significa que esteja tudo feito ou que só haja pontos positivos.<br />

A infraestrutura de postos de carregamento ainda não está<br />

completa, embora aumente todos os dias, ainda há preocupações com<br />

a questão das baterias, nomeadamente o seu fim de vida, a capacidade<br />

das viaturas começa a ser interessante, mas ainda insuficiente para<br />

quem esteja o dia todo na estrada, e, principalmente, embora as energias<br />

renováveis já sejam uma constante, ainda não asseguram 100% da<br />

produção. Ou seja, é possível que uma pessoa, com uma viatura elétrica,<br />

esteja a abastecer energia produzida por fontes fósseis.<br />

A MOBILIDADE NA LOGÍSTICA<br />

A grande questão, quando se associa a palavra sustentabilidade à mobilidade<br />

(elétrica) reside no transporte, nomeadamente de mercadorias.<br />

E principalmente na questão do médio/longo curso. Na chamada<br />

última milha a questão não se põe porque são percursos curtos que<br />

facilmente podem utilizar viaturas elétricas ou a chamada mobilidade<br />

leve. Não, o problema reside <strong>nas</strong> distâncias maiores. Porque a verdade<br />

é que hoje não há (ainda) uma solução elétrica, ou mais precisamente<br />

QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>


\\ MOBILIDADE \\<br />

45<br />

uma alternativa ao diesel e também não é algo<br />

que se possa dispensar. As mercadorias precisam<br />

de chegar do ponto A ao B.<br />

A isto associações como a Zero apontam que<br />

a solução é apostar numa combinação de meios<br />

de transporte, nomeadamente entre comboio e<br />

camião elétrico, servindo este último para completar<br />

o primeiro e o último trajeto das mercadorias.<br />

A associação acredita que isto permitirá<br />

diminuir a montante as necessidades de produção<br />

de energia renovável, que não são totalmente<br />

negligenciáveis. Mas isso só será possível se os vários<br />

países investirem na criação de plataformas<br />

logísticas adequadas.<br />

E isto é importante porque os números indicam<br />

que indústria global de logística contribui<br />

com 11% das emissões mundiais. Outro número<br />

revela que os veículos de transporte de mercadorias<br />

são responsáveis por cerca de um quarto das<br />

emissões dos transportes rodoviários na União<br />

Europeia. Números que mostram, de forma clara,<br />

a necessidade de apoiar o setor na sua descarbonização.<br />

Enquanto não há possibilidade de trocar os<br />

camiões movidos a motores de combustão por<br />

elétricos, a aposta das empresas passa por investir<br />

<strong>nas</strong> atividades adjacentes. É o caso da otimização<br />

e automação dos armazéns e na otimização<br />

das rotas e do espaço vazio dentro dos camiões.<br />

A APOL – Associação Portuguesa de Operadores<br />

Logísticos, lembra que a Estratégia de Mobilidade<br />

Sustentável e Inteligente da Comissão<br />

Europeia pretende reduzir 90% das emissões<br />

dos transportes até 2050. O objetivo, aponta a<br />

associação, é tornar o transporte de mercadorias<br />

mais ecológico através de soluções como o transporte<br />

ferroviário, marítimo de curta distância<br />

ou por vias navegáveis interiores e intermodais.<br />

Aqui, claramente, entra a questão da otimização<br />

das rotas, onde, refere a APOL, o uso de tecnologia<br />

é um contributo indispensável para assegurar<br />

a sustentabilidade, nomeadamente na criação de<br />

algoritmos e monitorização do trânsito, da duração<br />

e distância da viagem, da condução e da própria<br />

manutenção dos veículos.<br />

A isto a Zero acrescenta que a Comissão propôs<br />

instalar pontos de carregamento e de abastecimento<br />

a intervalos regulares <strong>nas</strong> principais<br />

QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>


46<br />

\\ MOBILIDADE \\<br />

A ESTRATÉGIA DE MOBILIDADE SUSTENTÁVEL<br />

E INTELIGENTE DA COMISSÃO EUROPEIA<br />

PRETENDE REDUZIR 90% DAS EMISSÕES DOS<br />

TRANSPORTES ATÉ 2050<br />

A COMISSÃO PROPÔS INSTALAR PONTOS<br />

DE CARREGAMENTO E DE ABASTECIMENTO<br />

A INTERVALOS REGULARES NAS PRINCIPAIS<br />

AUTOESTRADAS: A CADA 60 KM PARA O<br />

CARREGAMENTO ELÉTRICO E A CADA 150 KM<br />

PARA O ABASTECIMENTO DE HIDROGÉNIO<br />

NO ANO DE 2023 AS VENDAS DE VEÍCULOS<br />

100% ELÉTRICOS NOVOS CRESCERAM 91,7%<br />

RELATIVAMENTE AO ANO 2022<br />

autoestradas: a cada 60 km para o carregamento<br />

elétrico e a cada 150 km para o abastecimento de<br />

hidrogénio.<br />

Enquanto isso não acontecer, a falta de uma<br />

infraestrutura de carregamento ou de abastecimento<br />

de hidrogénio adequada ao longo das rotas<br />

de longo curso continuará a ser um entrave à<br />

massificação da mobilidade elétrica no transporte<br />

de mercadorias. Isso e os custos iniciais elevados<br />

de aquisição de veículos elétricos de longo curso,<br />

assim como o número (ainda)insuficiente de plataformas<br />

logísticas que permitam uma combinação<br />

funcional entre transporte rodoviário e ferroviário.<br />

O PAPEL DOS FABRICANTES<br />

A maioria dos fabricantes, se não todos, tem anunciado<br />

investimentos em investigação e desenvolvimento<br />

de camiões elétricos. A Ford Trucks, por<br />

exemplo, divulgou, no final do ano passado, a sua<br />

estratégia para a transição energética e que passa<br />

pela adoção do hidrogénio e baterias. Para chegar a<br />

2030, com 50% de veículos carbono zero, alcançando<br />

os 100% em 2040, a marca de veículos pesados<br />

de mercadorias apresentou, na altura, o protótipo<br />

do E-Truck Ford Trucks, planeando comercializar<br />

as primeiras unidades já em <strong>2024</strong>, mas também os<br />

caminhos alternativos disponibilizados pela marca<br />

até a indústria chegar ao pleno da transição energética<br />

em 2040.<br />

O E-Truck Ford Trucks, primeiro camião elétrico<br />

da marca, distingue-se por várias características,<br />

como uma autonomia até 300km; configuração de<br />

eixos 4x2 e 6x2; velocidade de carregamento em<br />

75 minutos; capacidade de bateria 392 KWH;<br />

e sistema Connectruck. O CEO da Ford Trucks<br />

Portugal, Bruno Oliveira, detalhou que esta pri-<br />

QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>


\\ MOBILIDADE \\<br />

47<br />

Em dezembro de 2023 foram matriculados 5.501<br />

veículos 100% elétricos, de todas as categorias, novos<br />

e importados usados, um número recorde a fechar<br />

mais um ano de acentuado crescimento da Mobilidade<br />

Elétrica.<br />

meira versão foi desenvolvida para o short mile,<br />

ou seja, para funcionar em espaços citadinos. O<br />

primeiro protótipo do E-Truck, que vai estar em<br />

exposição no show-room da Ford Trucks Portugal<br />

em Alverca durante o próximo mês, se encontra<br />

adaptado com uma caixa de recolha de resíduos<br />

para sólidos urbanos.<br />

Bruno Oliveira, CEO da Ford Trucks Portugal,<br />

tem tentado passar a mensagem de que os prazos<br />

definidos pela Comissão Europeia são irrealistas<br />

e que é um erro “colocar tudo no mesmo saco”.<br />

O executivo acredita que o futuro passa pelo hidrogénio<br />

e pelas baterias, nomeadamente as ‘fuel<br />

cell’ e o hidrogénio com motores térmicos. “No<br />

entanto, até chegarmos a esse nível de disponibilidade<br />

tecnológica, existem vários pequenos passos<br />

que podem ser dados sempre no âmbito de<br />

aumentar a eficiência energética do transporte e,<br />

por sua vez, reduzir a pegada carbónica”, acrescenta.<br />

Entre os vários constrangimentos que o setor<br />

dos transportes (onde se inclui os fabricantes) enfrenta<br />

destaca-se o investimento na regulamentação<br />

Euro 7, infraestruturas que acompanhem<br />

a tecnologia dos equipamentos, não só físicas, e<br />

o sistema de financiamento. “Se uma viatura de<br />

carbono neutro tiver um custo de aquisição quatro<br />

ou cinco vezes superior ao de uma viatura<br />

convencional de um motor térmico, quer dizer<br />

que os bancos têm de estar preparados para esse<br />

crescimento”, alertou Bruno Oliveira. O responsável<br />

advertiu ainda para o impacto que o encargo<br />

financeiro da transição energética vai ter junto do<br />

cliente final: “Isto vai chegar a todos nós, exceto<br />

se existirem incentivos a esta transição energética<br />

para minimizar o impacto do aumento dos custos.<br />

Julgo que todos estão conscientes que o custo de<br />

transporte por tonelada vai aumentar”.<br />

QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>


48<br />

FÓRUM DE LÍDERES<br />

1<br />

2<br />

De que forma a sua empresa/entidade<br />

está comprometida com as melhores<br />

práticas sustentáveis?<br />

Como perspetiva o futuro da<br />

gestão de Energia em Portugal?<br />

A transição energética é a substituição gradual de fontes de energia por outras mais eficientes, disponíveis<br />

ou baratas e, atualmente, ganha uma maior preponderância, porque, mais do que fornecer<br />

energia ao mundo, procura-se reduzir as emissões poluentes na atmosfera e combater as alterações<br />

climáticas, intensificadas pelo uso de combustíveis fósseis.<br />

Reconhecendo a inevitabilidade da transição energética dada a urgência climática e a necessidade<br />

de mudança do paradigma económico, em particular, no que toca aos combustíveis fósseis, Portugal<br />

assumiu, de forma clara, o compromisso da transição energética, com o objetivo de redução das<br />

suas emissões de gases com efeito de estufa.<br />

O país tem um Roteiro para a Neutralidade Carbónica 2050 (RNC2050) e um Plano Nacional<br />

de Energia e Clima 2030 (PNEC2030). O primeiro estabelece a trajetória a seguir para atingir a<br />

neutralidade carbónica em 2050, identificando as opções custo eficazes para atingir aquele fim em<br />

diferentes cenários de desenvolvimento socioeconómico. O PNEC apresenta uma visão de curto-médio<br />

prazo, onde se define nomeadamente como meta para 2030 que 80 % da eletricidade<br />

consumida seja de origem renovável.<br />

Neste fórum de líderes, instituições do nosso país revelam de que forma estão comprometidas com<br />

estes desígnios e explicam a sua visão para o futuro.<br />

QUEM É QUEM NA SUSTENTABILIDADE \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>


49


50<br />

\\ FÓRUM DE LIDERES \\<br />

1<br />

JOÃO AMARAL<br />

Country Manager<br />

Portugal Voltalia<br />

1<br />

A Voltalia é uma empresa com missão, pelo que o<br />

seu compromisso com as melhores práticas ambientais<br />

vai além do seguimento da regulamentação<br />

no setor.<br />

Abraçamos a produção de energia a partir de fontes<br />

renováveis, com ênfase na energia solar fotovoltaica,<br />

na eólica e hídrica, contribuindo para a<br />

redução das emissões de gases de efeito estufa e<br />

para a mitigação das mudanças climáticas. Além<br />

disso, a Voltalia desenvolveu metodologias adicionais<br />

para contabilizar as emissões de gases de<br />

efeito de estufa, tendo o cuidado de contabilizar o<br />

mais ínfimo detalhe, tal como a movimentação de<br />

solo ou a escolha do operador de transportes.<br />

No que diz respeito às comunidades, a Voltalia<br />

procura estabelecer parcerias positivas com as comunidades<br />

locais onde opera, contribuindo para<br />

o seu desenvolvimento socioeconómico. Assim,<br />

encontramos uma forma constante melhorar as<br />

nossas operações e minimizar o seu impacto ambiental,<br />

ao mesmo tempo que contribuir para a<br />

transição energética e para um mundo mais verde<br />

e sustentável.<br />

2<br />

A transição energética é crucial e urgente. O futuro<br />

da gestão de energia em Portugal depende da<br />

flexibilidade: consumir quando a energia existir<br />

em excesso, igualmente armazenando-a, e regrar o<br />

consumo a energia de fontes renováveis for mais<br />

escassa, sem com isto estar ape<strong>nas</strong> dependente de<br />

uma lógica de preço e de procura-oferta, já que a<br />

crescente consciencialização e sobre as mudanças<br />

climáticas e a literacia sobre eletricidade estão a<br />

evoluir positivamente.<br />

É um gigantesco desafio: reduzir a nossa dependência<br />

dos combustíveis fósseis, adaptar hábitos,<br />

promover a eficiência energética e integrar fontes<br />

renováveis de forma mais abrangente, onde a flexibilização<br />

e tolerância a interrupções será desafiante.<br />

A sustentabilidade tem de ser o foco de todas as<br />

políticas energéticas, além da necessidade de políticas<br />

de apoio e incentivos para impulsionar a adoção<br />

de práticas mais sustentáveis.<br />

Mais concretamente, sobre a gestão de energia<br />

em Portugal, o papel do concedente, do regulador,<br />

do gestor global, dos operadores e produtores, e<br />

também dos consumidores tem que ser afinado<br />

na perfeição, pois cada ator depende do próximo,<br />

mantendo em conta que a flexibilidade de cada um<br />

se ajustar é fundamental para o bem de todos. É<br />

pois um desafio que deve ser encarado por todos<br />

os stakeholders como urgente e necessário, mas<br />

repleto de oportunidades. Com investimentos inteligentes<br />

e um compromisso sério com a sustentabilidade,<br />

podemos construir um futuro energético<br />

mais limpo, seguro e resiliente para as gerações<br />

futuras.<br />

QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>


\\ FÓRUM DE LIDERES \\<br />

51<br />

2<br />

PEDRO LIMA<br />

CEO, Solarshop<br />

1<br />

A Solarshop tem colocado em prática várias ações que reforçam o compromisso<br />

com a sustentabilidade. Desde o início da nossa atividade que investimos em tecnologias<br />

sustentáveis para reduzir o consumo de energia. O consumo de energia elétrica<br />

através de painéis solares e a disponibilidade de uma numerosa frota de veículos<br />

100% elétricos são exemplos de práticas que adotamos, no dia a dia da empresa.<br />

Estas práticas, apesar de reduzirem o impacto ambiental, incentivam os colaboradores<br />

a mudarem as suas preferências energéticas e hábitos de consumo, para uma<br />

abordagem mais responsável e consciente.<br />

Para além da aposta na sensibilização dos comportamentos dos colaboradores para<br />

reduzir o consumo de energia, a Solarshop aposta também numa gestão mais responsável<br />

dos resíduos e na reciclagem de materiais, como é exemplo do reaproveitamento<br />

de baterias de veículos elétricos para novas soluções de sistemas energéticos.<br />

2<br />

As últimas notícias sobre a aposta de Portugal em energias renováveis têm sido<br />

bastante positivas e a perspetiva é que o nosso país continue a apostar em estratégias<br />

para a descarbonização e sustentabilidade.<br />

A Solarshop acredita que iremos testemunhar um aumento cada vez maior da produção<br />

de energia renovável, sendo que Portugal tem-se tornado cada vez mais uma<br />

potência no sector renovável, no que à criação de conhecimento e de inovação tecnológica<br />

diz respeito.<br />

Temos verificado, também, um aumento da procura de necessidades e soluções<br />

energéticas para sectores comerciais, industriais e também residenciais, algo que<br />

demonstra a mudança de comportamentos de consumo de energia por parte do<br />

público português.<br />

Em suma, o futuro da gestão de Energia em Portugal perspetiva-se promissor e<br />

apresenta uma oportunidade única para o país se tornar no líder da transição energética<br />

global.<br />

QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>


52<br />

\\ FÓRUM DE LIDERES \\<br />

3<br />

PEDRO AMARAL JORGE<br />

Presidente da Direção, APREN<br />

1<br />

A principal missão da APREN, enquanto Associação Portuguesa de<br />

<strong>Energias</strong> Renováveis, passa pela coordenação e representação dos interesses<br />

comuns dos seus Associados na promoção das <strong>Energias</strong> Renováveis<br />

no setor da eletricidade. Defendemos que a adoção de energias renováveis<br />

em paralelo com a eletrificação direta e indiretamente os consumos<br />

energéticos, é por si só das práticas mais sustentáveis que irão assegurar a<br />

descarbonização neste setor.<br />

Enquanto Associação sem fins lucrativos, a APREN agrupa, no seu conjunto<br />

de associados, pessoas singulares e coletivas, autorizados a produzir<br />

eletricidade a partir de renováveis, representando cerca de 90% do total<br />

da potência instalada de fontes de produção de eletricidade renovável em<br />

Portugal. Não só reúne vários produtores do setor como também representa<br />

entidades interessadas no desenvolvimento de energias renováveis<br />

em Portugal.<br />

Os contributos das renováveis para a sustentabilidade têm-se tornado<br />

cada vez mais evidentes, com inúmeros benefícios para a sociedade, economia<br />

e ambiente, dos quais se destacam:<br />

• 9,7 Mt de emissões de CO2 evitadas;<br />

• Uma poupança em importações de combustíveis fósseis de 1 950 M€3;<br />

• Uma poupança em importações de eletricidade de 626 M€4;<br />

• Uma poupança em licenças de emissão de CO2 de 750 M€, reflexo do<br />

preço médio anual das licenças de 85,3 €/tCO2;<br />

• Uma poupança por efeito da ordem de mérito de 7 014 M€.<br />

Dada a importância das energias renováveis, em 2023, foram atualizadas<br />

novas políticas para promover a descarbonização ao nível europeu e<br />

nacional. A última atualização foi feita durante a elaboração da terceira<br />

Diretiva Europeia das Renováveis (RED), que eleva o compromisso da<br />

Comissão Europeia em aumentar a quota do consumo final bruto de<br />

energia proveniente de fontes de energia renováveis (FER), concretamente<br />

através de uma meta obrigatória de pelo menos 42,5% até 2030.<br />

Adicionalmente, o Parlamento e o Conselho concordaram com uma série<br />

de metas setoriais (indústria, transporte, edifícios, aquecimento e refrigeração),<br />

algumas das quais de natureza vinculativa, enquanto outras são<br />

ape<strong>nas</strong> indicativas.<br />

A nível nacional, também o PNEC 2030 registou alterações. As novas<br />

medidas comprometem Portugal a reduzir 55% das emissões para os gases<br />

de efeitos estufa, especificamente 23% nos transportes. Portugal compromete-se<br />

também a cumprir uma quota de consumo de energias renováveis<br />

de 85% de eletricidade, 47% no aquecimento e arrefecimento e 23%<br />

no setor dos transportes, até 2030.<br />

A APREN desenvolve ainda várias atividades periódicas e pontuais de<br />

promoção das energias renováveis e de sustentabilidade, apoiando os<br />

seus associados. A Associação orienta e cria parcerias com organismos<br />

oficiais e outras entidades congéneres nacionais e internacionais, participando<br />

na elaboração de políticas energéticas para Portugal e promovendo<br />

o aproveitamento e valorização dos recursos renováveis para produção de<br />

eletricidade contribuindo para a descarbonização da economia e para a<br />

transição energética.<br />

2<br />

Em 2023, a incorporação renovável atingiu um máximo histórico, devido<br />

a um ano favorável em termos de regime hídrico e eólico, mas também<br />

pela evolução da geração solar renovável. A produção renovável solar<br />

aumentou na ordem dos 43%, passando a representar 8,2% da produção<br />

anual total de eletricidade em Portugal, devido a um aumento da capacidade<br />

instalada.<br />

Considerando as metas ambiciosas previstas na revisão do PNEC 2030,<br />

que apontam para cerca de 43 GW de capacidade instalada renovável até<br />

2030, estima-se que a parcela da eletricidade no setor energético estará<br />

QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>


\\ FÓRUM DE LIDERES \\<br />

53<br />

4<br />

ANTÓNIIO GONÇALVES PEREIRA<br />

ecoMood Portugal<br />

significativamente descarbonizada, à frente do aquecimento<br />

e arrefecimento e dos transportes.<br />

Para continuarmos nesta direção, Portugal necessita, no<br />

futuro próximo, de fazer melhorias e de acelerar processos<br />

nos vários setores. Torna-se imperativo impulsionar<br />

a eletrificação em todas as esferas e setores, aproveitando<br />

a energia limpa e competitiva que pode ser produzida<br />

no território nacional devido à localização estratégica<br />

favorável. Também é necessário alterar radicalmente o<br />

modelo de apoios, incentivando as tecnologias como é o<br />

caso do armazenamento.<br />

A implementação de baterias deve ser desenvolvida a<br />

todos os níveis, não só em grande escala como rede de<br />

distribuição ou de transporte, mas também para o produtor/consumidor<br />

individual, promovendo assim a flexibilidade<br />

e independência energética de todos os consumidores.<br />

A nível industrial, a adoção de energias renováveis, paralelamente<br />

com o hidrogénio verde, será fundamental<br />

para assegurar um consumo energético limpo deste<br />

setor, deixando de depender tão significativamente de<br />

combustíveis fósseis para os seus processos de produção.<br />

Também no setor dos transportes, o hidrogénio verde<br />

poderá vir a ter um papel relevante, conjuntamente com<br />

o aumento de veículos elétricos.<br />

Desta forma, reforça-se que o caminho passa pela eletrificação<br />

direta e indireta dos consumos energéticos,<br />

aumentando significativamente a quota de renováveis<br />

nos vários setores, com o setor elétrico a demonstrar o<br />

grande potencial que Portugal tem.<br />

1<br />

A Ecomood Portugal é uma associação sem fins lucrativos com a missão social<br />

de promover mentalidades, comportamentos e soluções sustentáveis. Portanto,<br />

mais até do que estarmos comprometidos em vivermos e exercermos a nossa actividade<br />

de forma sustentável, no nosso dia-a-dia tentamos ter um papel social<br />

activo na promoção de práticas sustentáveis. Do indivíduo à empresa, da escola<br />

aos governantes, tentamos todos sensibilizar para melhorarem os seus hábitos.<br />

E, sempre que possível, fazêmo-lo de forma prática e positiva, proporcionando a<br />

experimentação de soluções sustentáveis, como acontece, por exemplo, nos nossos<br />

eventos Green Experience. Mas também dando destaque a bons exemplos, que é a<br />

abordagem prioritária das nossas pági<strong>nas</strong> ECOnversas no Facebook e Instagram.<br />

2<br />

Infelizmente, permitimos que a nossa rede energética e o principal distribuidor<br />

fossem retirados ao essencial serviço público e entregues a interesses privados e,<br />

pior ainda, com participação importante de outro Estado. Isto criou um grave<br />

problema na gestão da nossa energia, que não vejo como conseguiremos corrigir.<br />

Ainda assim, na Ecomood trabalhamos diariamente para promover a democracia<br />

energética. Defendemos que a base do sistema energético deve centrar-se numa<br />

captação para consumo de proximidade e não em mega projectos de gigantesco<br />

impacto ambiental, que dificilmente será compensado. Há que apostar <strong>nas</strong> comunidades<br />

de energia, no autoconsumo colectivo, em soluções comunitárias, municipais,<br />

regionais. E na autossuficiência dos grandes consumidores, para não continuarem<br />

a sobrecarregar a rede, que deve ter como objectivo tornar-se um backup<br />

e não a razão primeira de todo o sistema. E é por isso que, por exemplo, estamos,<br />

com outros colectivos e cidadãos, na organização das primeiras Jornadas para a<br />

Democracia Energética, que acontecerão em Lisboa em Maio próximo. Porque a<br />

energia tem de ser considerada um bem de primeira necessidade, gerido por princípios<br />

de serviço público. Porque sustentabilidade ambiental sem sustentabilidade<br />

social de pouco ou nada vale.<br />

QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>


54<br />

\\ FÓRUM DE LIDERES \\<br />

1<br />

A nossa missão principal é a DIVULGAÇÃO E PROMOÇÃO da MOBILIDADE ELÉTRICA.<br />

A UVE promove a adoção de veículos elétricos como uma alternativa sustentável aos veículos<br />

convencionais, destacando os benefícios ambientais e económicos. A substituição de um veículo<br />

a combustão por um veículo elétrico não vai resolver, por si, todo os problemas das sociedades<br />

atuais, e por isso a UVE promove todos os tipos de mobilidade elétrica, desde a mobilidade suave<br />

até à utilização de transportes públicos eletrificados.<br />

A UVE trabalha para influenciar políticas governamentais que incentivem a mobilidade elétrica:<br />

incentivos para a compra de veículos elétricos e investimentos em infraestrutura de carregamento.<br />

Junto de todos os intervenientes do mercado promovemos e sugerimos as melhores<br />

soluções para os utilizadores tendo em conta as práticas mais sustentáveis.<br />

A informação é fundamental, precisa, credível e verdadeira, e o exemplo prático que os associados<br />

da UVE transmitem, marca a diferença. Tentamos, permanentemente, chegar a novos<br />

auditórios e promover junto deles a mobilidade elétrica relatando as nossas experiências reais e<br />

quotidia<strong>nas</strong>.<br />

Mantemos o foco num cenário onde os veículos elétricos sejam acessíveis a todos e desempenhem<br />

um papel fundamental na construção de um ambiente mais sustentável. A bicicleta, o autocarro,<br />

o comboio, precisam de entrar <strong>nas</strong> nossas vidas, e é vital para o planeta que partilhamos.<br />

2<br />

5<br />

PEDRO FARIA<br />

Presidente do Conselho Diretivo da UVE<br />

- Associação de Utilizadores de Veículos<br />

Elétricos<br />

Com os compromissos de redução das emissões de gases com efeito de estufa, é fundamental que<br />

a produção de energia elétrica continue o caminho da descentralização, permitindo a geração<br />

local fotovoltaica inteligente, e integrando tecnologias emergentes como o armazenamento por<br />

baterias de escala de rede e o V2G (Vehicle to Grid). O V2G é a nosso ver uma tecnologia com<br />

muito futuro neste âmbito, pois permite que uma enorme capacidade de armazenamento de<br />

energia (no limite, o número de VE em Portugal multiplicado pela capacidade média das suas<br />

baterias) seja aproveitada para estabilizar a rede e absorver toda a energia gerada por fontes<br />

renováveis, que por serem intermitentes pode não ser imediatamente consumida na rede, sendo<br />

armazenada pelas baterias dos VE. Tudo isto exige um grande investimento nos sistemas de gestão<br />

da rede elétrica, que devem começar desde já a estar preparados para este cenário.<br />

QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>


\\ FÓRUM DE LIDERES \\<br />

55<br />

6<br />

LUÍS NUNES<br />

COO Prio Supply, Membro da Comissão Executiva PRIO<br />

1<br />

Na PRIO, a sustentabilidade está no cerne de tudo o que fazemos, é parte integral do nosso ADN. Desde<br />

o primeiro momento em que chegámos ao mercado, há 17 anos, a PRIO sabia que tinha de se pautar pela<br />

diferença e que a sustentabilidade tinha de estar no centro do negócio. Do ECO Diesel, mais eficiente, disponível<br />

de Norte a Sul do país e com uma incorporação de energia renovável de 15%, acima do que se verifica<br />

no gasóleo convencional, passando pelo ZERO Diesel, para frotas e com 0% de combustíveis fósseis, ao<br />

ECO Bunkers para o setor marítimo, desenvolvemos soluções para os mais diversos clientes. O investimento<br />

feito ao longo dos anos no centro de produção em Ílhavo torna-nos líderes na produção de biocombustíveis<br />

a partir de matérias-primas residuais na Península Ibérica e reflete também a forma como apostamos<br />

continuamente na inovação, procurando aplicar as melhores práticas sustentáveis em toda a nossa oferta<br />

e operação. Queremos ser líderes da transição energética acessível e trabalhamos para isso todos os dias.<br />

2<br />

Para a PRIO há três fatores essenciais – e que na verdade têm norteado desde o início a nossa forma de<br />

estar no mercado.<br />

O primeiro é a inovação. Nenhum setor é estanque, como sabemos, mas setores tão transversais como o da<br />

energia têm uma responsabilidade acrescida pela sua importância social e económica, mas também pelo<br />

contributo ativo que têm de ter na construção de um futuro mais verde. Na PRIO estamos conscientes que<br />

o futuro se trabalha no presente, com investimento, conhecimento e desenvolvimento tecnológico. O nosso<br />

centro de produção em Ílhavo é reflexo desta nossa aposta contínua em melhorar.<br />

O segundo é a descarbonização/transição energética e como a alcançar. Na PRIO acreditamos no mix<br />

energético: uma indústria mais verde não acontece simplesmente por decreto ou suportado numa só solução.<br />

Devemos trabalhar em diversas frentes, razão pela qual fomos pioneiros na mobilidade elétrica ao<br />

mesmo tempo que continuamos a desenvolver combustíveis cada vez mais verdes e eficientes. A transição<br />

energética tem de ter em conta o parque automóvel existente no país e permitir que mais pessoas participem,<br />

já, neste desafio da descarbonização.<br />

O terceiro é poder entregar este mix energético, fruto de inovação em Portugal e preparada para fazer a<br />

transição energética já hoje de forma acessível aos nossos clientes. Nós acreditamos que a transição energética<br />

com produtos inovadores deve e pode chegar a todos de forma económica e competitiva, e isso é a nossa<br />

preocupação constante, chegar a mais clientes com soluções diferenciadas e económicas.<br />

QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>


56<br />

\\ FÓRUM DE LIDERES \\<br />

7<br />

FERNANDO MARTIN-NIETO<br />

Head of Decentralized Solution, Capwatt<br />

1<br />

A Capwatt <strong>nas</strong>ceu com um compromisso intrínseco com a sustentabilidade, concentrando-se em<br />

vários pilares:<br />

• Participação Ativa dos Colaboradores: Envolvemos os nossos colaboradores na tomada de<br />

decisões, reconhecendo a importância da diversidade de perspetivas.<br />

• Soluções Eficientes de Energia: Comprometemo-nos a fornecer cogerações e soluções de<br />

alta eficiência para a geração de energia industrial, visando eficiência operacional e redução<br />

do impacto ambiental.<br />

• Integração Comunitária: Parte de um grande grupo empresarial, o nosso compromisso estende-se<br />

à comunidade, refletindo-se no apoio ao desenvolvimento sustentável local.<br />

Além disso, a Capwatt promove ativamente a mobilidade sustentável, adotando, há vários anos,<br />

uma frota de viaturas 100% elétricas.<br />

Com conhecimento técnico, expandimos as nossas áreas de atuação para o desenvolvimento de<br />

combustíveis sustentáveis (Biometano, Metanol renovável, H2 verde) e projetos de autoconsumo<br />

fotovoltaico, colaborando com clientes e parceiros na descarbonização e transição energética.<br />

Todas as iniciativas são apoiadas por transparência, submetendo as nossas práticas a auditorias<br />

exter<strong>nas</strong> para garantir o cumprimento rigoroso de normas ambientais. Comprometidos em evoluir<br />

constantemente, lideramos o caminho para um futuro mais sustentável.<br />

2<br />

Acreditamos que Portugal enfrenta desafios significativos, tanto a curto quanto a longo prazo. A<br />

regulação desempenha um papel crucial na consecução dos objetivos de descarbonização, e esta<br />

deveria passar pela redução dos prazos administrativos e pelo estímulo a soluções sustentáveis que,<br />

atualmente, não são financeiramente viáveis para a generalidade das empresas. A sustentabilidade,<br />

para nós, vai além da perspetiva ambiental, incluindo também a sustentabilidade financeira.<br />

O suporte às tecnologias emergentes deve originar-se em políticas que capacitam as empresas a<br />

descarbonizar, aumentar a eficiência e manter a competitividade num contexto global.<br />

Destacamos a eficiência energética como um elemento crucial, e defendemos a adoção de ferramentas<br />

já existentes na Europa, como os Certificados de Poupança Energética, que incentivam o<br />

desenvolvimento de soluções com payback sustentável a longo prazo.<br />

QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>


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GREEN SAVERS<br />

Das empresas aos cidadãos, acompanhamos o<br />

impacto das nossas ações para o Planeta.<br />

Analisamos a sustentabilidade em<br />

todas as vertentes, apresentando<br />

uma visão global do país e do mundo.


\\ DIRETÓRIO \\<br />

DIRETÓRIO<br />

Portugal e o forte<br />

investimento em renováveis<br />

Portugal é dos países que mais investe em energias renováveis, situando-se em terceiro lugar<br />

entre os países europeus que mais apostam <strong>nas</strong> energias limpas. 2023 pode, de resto, ser classificado<br />

como um ano histórico para Portugal, já que no mês de julho, a produção de energia<br />

solar atingiu os 10% do consumo total de eletricidade, o que segundo dados da REN, foi a<br />

primeira vez que a energia solar ultrapassou a barreira dos dois dígitos no abastecimento de<br />

eletricidade em território nacional.<br />

E a produção de energia renovável em Portugal tem atingido novos máximos neste início de ano, tendo<br />

sido atingidos valores recorde nos últimos dois dias na hídrica e na solar. Às 12h00 de dia 12 de março,<br />

atingiu-se um novo pico de produção de energia solar, com 1976 MW. Em relação à produção de energia<br />

hidroelétrica, o novo máximo histórico, de 7280 MW, foi atingido às 22h15 de 11 de março, ultrapassando<br />

o anterior máximo de 6907 MW, registado a 28 de fevereiro.<br />

Entre 1 de janeiro e 12 de março deste ano as renováveis abasteceram 86% do consumo nacional. Estes<br />

registos confirmam que Portugal tem mantido uma trajetória sustentável na progressiva incorporação de<br />

fontes renováveis endóge<strong>nas</strong>, enquanto mantém os objetivos primordiais de segurança de abastecimento<br />

e de qualidade de serviço<br />

Espera-se, por isso, que a implementação de fontes de energia renovável na produção de eletricidade, em<br />

particular o solar e o eólico, continuem em bom ritmo<br />

As empresas portuguesas estão empenhadas em manter esse ritmo e, apesar de estarmos muito longe de<br />

alcançar a meta de desenvolvimento sustentável da ONU, que tem por objetivo garantir energia limpa e<br />

acessível para todos até 2030, há muitas entidades no bom caminho. Conheça alguns dos bons exemplos<br />

que lhe apresentamos neste suplemento.<br />

QUEM É QUEM NA SUSTENTABILIDADE \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>


\\ DIRETÓRIO \\<br />

59


60<br />

\\ DIRETÓRIO \\<br />

BOARD<br />

UM PLAYER INTERNACIONAL COM O PROPÓSITO<br />

DE “MELHORAR O MEIO AMBIENTE GLOBAL,<br />

PROMOVENDO O DESENVOLVIMENTO LOCAL”<br />

João Amaral<br />

CTO & Country Manager,<br />

Voltalia Portugal<br />

AVoltalia é uma empresa global líder em energia<br />

renovável, comprometida em impulsionar<br />

a transição energética para um futuro<br />

mais sustentável. Com uma presença significativa<br />

em Portugal e em todo o mundo, a sua missão é<br />

fornecer soluções energéticas inovadoras e eficientes,<br />

baseadas em fontes limpas e renováveis,<br />

como solar, eólica, hidroelétrica e biomassa.<br />

Com mais de 1.880 funcionários, a Voltalia<br />

desenvolve a sua atividade junto dos seus clientes<br />

em 20 países e 3 continentes. Atualmente, tem<br />

uma capacidade de produção, em funcionamento<br />

e em construção, de mais de 2,85 GW e uma<br />

carteira de projetos em desenvolvimento que<br />

representam uma capacidade total de 16,1 GW.<br />

Em Portugal desde 2015, a Voltalia conta com<br />

mais de 350 colaboradores a trabalhar para o país<br />

e para outras geografias onde o Grupo também<br />

opera. Ao longo dos anos, tem construído e operado<br />

uma vasta gama de projetos renováveis, contribuindo<br />

para reduzir as emissões de carbono e<br />

promover a independência energética. Através<br />

da sua experiência e compromisso com a excelência,<br />

forne energia sustentável de forma confiável<br />

e rentável, ajudando a impulsionar o desenvolvimento<br />

económico e social das comunidades onde<br />

está presente.<br />

Enquanto empresa com Propósito pretende<br />

melhorar o ambiente mundial através da promoção<br />

do desenvolvimento local. Nesse sentido, tem<br />

vindo a desenvolver, construir e operar centrais<br />

de energias renováveis, para si e para terceiros,<br />

tanto em países mais desenvolvidos como nos<br />

emergentes.<br />

Além disso, a Voltalia está continuamente a<br />

investir em investigação e desenvolvimento para<br />

impulsionar a inovação no setor energético, procurando<br />

constantemente novas formas de maximizar<br />

a eficiência e minimizar o impacto ambiental<br />

das suas operações. É seu objetivo atuar<br />

para a produção de energias renováveis acessíveis<br />

a todos, através da contribuição direta para o<br />

combate às alterações climáticas e de uma eletricidade<br />

verde acessível e de qualidade. Na Voltalia<br />

acredita-se firmemente que o futuro da energia<br />

está <strong>nas</strong> renováveis, e está empenhada em liderar<br />

esse caminho, contribuindo para um mundo<br />

mais limpo e sustentável para as gerações futuras.<br />

CONTACTOS<br />

Avenida do Marechal Gomes<br />

da Costa, nº 1177<br />

4150-360 Porto<br />

+351 220 191 000<br />

info.voltalia@voltalia.com<br />

ENERGIAS<br />

RENOVÁVEIS<br />

E ACESSÍVEIS<br />

PRODUÇÃO E<br />

CONSUMO<br />

SUSTENTÁVEIS<br />

PROTEGER<br />

A VIDA<br />

TERRESTRE<br />

TRABALHO DIGNO<br />

E CRESCIMENTO<br />

ECONÓMICO<br />

ACÇÃO<br />

CLIMÁTICA<br />

QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>


61<br />

EFICIÊNCIA E SUSTENTABILIDADE<br />

DE MÃOS DADAS<br />

ACapwatt é uma empresa inovadora que promove soluções integradas<br />

de energia, contribuindo para o paradigma energético sustentável.<br />

Estamos presentes em Portugal, México, Espanha e Itália, contamos<br />

com um amplo portfólio de projetos operacionais e somos reconhecidos<br />

como produtores de energia independentes.<br />

Atuamos em três pilares essenciais: desenvolvimento de projetos renováveis<br />

de grande escala, combustíveis renováveis (biometano e metanol)<br />

e soluções de energia descentralizadas, das quais destacamos a cogeração,<br />

soluções térmicas renováveis, autoconsumo fotovoltaico, serviços de<br />

eficiência de energética e comercialização de eletricidade e gás natural,<br />

também de origem renovável.<br />

A sustentabilidade está na base dos nossos valores e na forma como pensamos<br />

o negócio. Assumimos o compromisso diário de cuidar do meio<br />

ambiente e contribuir para a melhoria da comunidade na qual estamos<br />

inseridos.<br />

Ajudamos os nossos clientes a melhorar o seu desempenho e a descarbonizar<br />

a sua atividade. Impulsionamos a transição energética, oferecendo<br />

soluções que têm benefícios como a redução de custos energéticos, o<br />

aumento da eficiência energética, a capacidade de produção de energia<br />

descentralizada e a redução da pegada ecológica.<br />

CONTACTOS<br />

powering your business<br />

Lugar do Espido – Via Norte, Apartado 3053, 4471-907 Maia<br />

+351 220 110 055<br />

capwatt@capwatt.com / www.capwatt.com<br />

LISTAGEM<br />

Accenture<br />

Av. Eng. Duarte Pacheco Torre<br />

1-16 piso<br />

1070-101 Lisboa<br />

t. 213 803 500<br />

e. info@accenture.com<br />

w. www.accenture.com<br />

Ageas Portugal<br />

Companhia de Seguros, S.A<br />

Praça Principe Perfeito, Nº 2<br />

1990-278 Lisboa<br />

t. 217 943 039<br />

e. geral@ageas.pt<br />

w. www.ageas.pt<br />

Aldi Portugal - Supermercados, Lda<br />

Rua Ponte dos Cavalos, 155<br />

2870-674 Montijo<br />

t. 800 420 800<br />

e. geral@aldi.pt<br />

w. www.aldi.pt<br />

Altice Portugal, S.a<br />

Avenida Fontes Pereira de Melo, 40<br />

1050-123 Lisboa<br />

t. 215 002 000<br />

e. sustentabilidade@telecom.pt<br />

w. www.telecom.pt<br />

Ambiprime<br />

Estrada de Paço de Arcos 66 e 66A<br />

2735-336 Cacém<br />

t. 210 920 656<br />

e. geral@ambiprime.com<br />

w. www.ambiprime.com<br />

Apcer - Associação Portuguesa de<br />

Certificação<br />

Rua António Bessa Leite, 1430,<br />

1º Esq.<br />

4150-074 PORTO<br />

t. 229 993 600<br />

e. info@apcer.pt<br />

w. www.apcer.pt<br />

Aqualogus<br />

Rua do Mar da China N.º 1 Esc. 2.4<br />

1990-137 Lisboa<br />

t. 21 752 01 90<br />

e. geral@aqualogus.pt<br />

w. www.aqualogus.pt<br />

ArtSolar<br />

Rua António Nobre nº 55<br />

2870-021 Montijo<br />

t. 960 355 175<br />

e. info@artsolar.pt<br />

w. www.artsolar.pt<br />

ASCENDI O&M, S.A<br />

Praça Mouzinho de Albuquerque<br />

197, 4100-360 Porto<br />

t. 229 767 767<br />

e. info@ascendi.pt<br />

w. www.ascendi.pt<br />

Associação CECOLAB<br />

Collaborative Laboratory Towards<br />

Circular Economy<br />

Rua Nossa Sra. Da Conceição, nº 2<br />

3405-155 Oliveira do Hospital<br />

t. 238 011 400<br />

e. circular@cecolab.pt<br />

w. www.cecolab.pt<br />

AVALER, Associação Entidades de<br />

Valorização Energética Resíduos<br />

Sólidos Urbanos<br />

Plataforma Ribeirinha da CP - Estação<br />

de Mercadorias da Bobadela<br />

2696-801 Loures<br />

t. 218 443 849<br />

e. avaler@avaler.pt<br />

w. www.avaler.pt<br />

Biorumo, Consultoria em<br />

Ambiente e Sustentabilidade, Lda.<br />

Rua do Carvalhido, 155<br />

4250-102 Porto<br />

t. 228 349 580<br />

e. geral@biorumo.com<br />

w. www.biorumo.com<br />

BioSmart, Soluções Ambientais,<br />

S.A.<br />

Rua de Tomar, n.º 80<br />

2495-185 Santa Catarina da Serra<br />

t. 244 749 100<br />

e. geral@biosmart.pt<br />

w. www.biosmart.pt<br />

Bright Solar<br />

Edifício Eco Business Center<br />

Rua Aníbal Bettencourt, 7<br />

2790-225 Carnaxide<br />

t. 212 454 656<br />

e. info@bright-solar.pt<br />

w. www.bright-solar.pt<br />

Brisa Auto-Estradas de Portugal,<br />

S.A<br />

Quinta da Torre da Aguilha<br />

Edifício Brisa<br />

2789-522 São Domingos de Rana<br />

t. 210 730 300<br />

e. servico.cliente@brisa.pt<br />

w. www.brisa.pt<br />

QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>


62 \\ DIRETÓRIO \\<br />

As últimas notícias sobre a aposta de Portugal<br />

em energias renováveis têm sido bastante positivas<br />

e a perspetiva é que o nosso país continue<br />

a apostar em estratégias para a descarbonização<br />

e sustentabilidade.<br />

A Solarshop acredita que iremos testemunhar<br />

um aumento da produção de energia renovável,<br />

sendo que Portugal tem-se tornado cada<br />

vez mais uma potência no sector renovável, no<br />

que à criação de conhecimento e de inovação<br />

tecnológica diz respeito.<br />

Existe também um aumento da procura de<br />

necessidades e soluções energéticas para<br />

sectores comerciais, industriais e residenciais,<br />

algo que demonstra a mudança de comportamentos<br />

de consumo de energia por parte do<br />

público português.<br />

Em suma, o futuro da gestão de Energia em<br />

Portugal perspetiva-se promissor e apresenta<br />

uma oportunidade única para o país se tornar<br />

no líder da transição energética global.<br />

Casais<br />

Engenharia e Construção, S.A<br />

R do Anjo 27<br />

4700-565 Mire de Tibães<br />

t. 218 959 014<br />

e. casais@casais.pt<br />

w. www.casais.pt<br />

Catavento<br />

Beloura Business Center:<br />

Rua dos Navegantes Bloco 7, 1ºD<br />

2710-297 Linhó - Sintra<br />

t. 214 212 345<br />

e. geral@catavento.pt<br />

w. www.catavento.pt<br />

Cirelius<br />

Rua da Cancela Velha nº 26,<br />

4430-660 Vila Nova de Gaia<br />

t. 227 843 817<br />

e. info@cirelius.pt<br />

w. www.cirelius.pt<br />

BOARD<br />

Pedro Lima<br />

CEO<br />

André Pedro<br />

Manager<br />

ÁREAS DE ATUAÇÃO<br />

/ <strong>Energias</strong> renováveis<br />

/ Distribuidores fotovoltaicos<br />

/ Soluções energéticas<br />

/ Mobilidade elétrica<br />

/ Desenvolvimento sustentável<br />

CONTACTOS<br />

Sede: Armaz. M, S/N,<br />

EN348, Rua principal<br />

3240-408 Junqueira, Portugal<br />

+351 236 032 787,<br />

E. geral@solarshop.pt<br />

W. www.solarshop.pt<br />

Cms, Lda<br />

Rua do Pinhal Novo,<br />

Nº 49<br />

2845-256 Amora<br />

t. 210 958 100<br />

e. geral@@cmsportugal.com<br />

w. www.cms.law<br />

CP - Comboios de Portugal, Epe<br />

Calçada do Duque, Nº 14<br />

1249-109 Lisboa<br />

t. 808 109 110<br />

e. cp@cp.pt<br />

w. www.cp.pt<br />

Ctt - Correios de Portugal S.A<br />

Avenida Dom João II,<br />

Nº 13<br />

1999-001 Lisboa<br />

t. 210 471 616<br />

e. geral@ctt.pt<br />

w. www.ctt.pt<br />

DAPE<br />

Rua Professor Doutor Henrique de<br />

Barros, n.º 28<br />

Centro Empresarial de Braga •<br />

Ferreiros<br />

4705-319 Braga • Portugal<br />

t. 253 286 351<br />

e. geral@dape.pt<br />

w. www.dape.pt<br />

Deloitte Technology, S.A<br />

Avenida Engenheiro Duarte<br />

Pacheco, Nº 7<br />

1070-100 Lisboa<br />

t. 210 422 500<br />

e. pt@deloitte.com<br />

w. www2.deloitte.com<br />

dstGroup<br />

Rua do Alecrim, nº 75<br />

2 andar<br />

1200-015 Lisboa, Portugal<br />

t. 213 429 131<br />

e. energia@dstsgps.com<br />

w. www.dstsolar.com<br />

Dstelecom, S.A<br />

Rua dos Pitancinhos<br />

4700-727 Braga<br />

t. 253 009 910<br />

e. euquerofibra@dstelecom.pt<br />

w. www.dstelecom.pt<br />

EcoChoice<br />

Rua Dr Manuel Simões Barreiros<br />

nº 58 - 2º<br />

3260 424 Figueiró dos Vinhos<br />

t. 213 879 413<br />

e. apoio@ecochoice.pt<br />

w. www.ecochoice.pt<br />

Ecosativa<br />

Consultoria Ambiental, Lda<br />

Urbanização Pinhal do Moinho,<br />

Lote 11 - 1º F<br />

7645-294 Vila Nova de Milfontes<br />

t. 283 959 906<br />

e. info@ecosativa.pt<br />

w. www.ecosativa.pt<br />

EDP<br />

Gestão da Produção da<br />

Energia, S.A<br />

Av. 24 de Julho, 12<br />

1249-800 Lisboa<br />

t. 210 012 500<br />

e. edpproducao@edp.pt<br />

w. www.edp.com<br />

EFACEC<br />

Parq. Empresarial Arroteia Poente<br />

Apartado 1018<br />

4466-952 S. Mamede de Infesta<br />

t. 229 562 300<br />

e. sgps@efacec.pt<br />

w. www.efacec.pt<br />

Electrão - Associação de Gestão de<br />

Resíduos<br />

Restelo Business Center, Bloco 5 - 4A<br />

Av. Ilha da Madeira, 35<br />

1400-203 Lisboa<br />

t. 214 169 020<br />

e. geral@electrao.pt<br />

w. www.electrao.pt<br />

Enat<br />

EN nº10 Km 137,4<br />

Entrada Bairro Estacal Novo nº 5<br />

2690-366 Santa Iria da Azóia<br />

t. 217 784 112<br />

e. lisboa@enat.pt<br />

w. www.enat.pt<br />

Enercasa<br />

Rua Padre Manuel Guimarães n 57,<br />

Braga<br />

t. 253088408<br />

e. geral@enercasa.pt<br />

w. www.enercasa.pt<br />

Enerpower - Energia e ambiente<br />

Rua Dr. Francisco Duarte, 110 – lj 6<br />

4715-018 Braga<br />

e. geral@enerpower.pt<br />

w. www.enerpower.pt<br />

Enerepo<br />

Herdade Cuncos do Meio<br />

7050-677 Silveiras<br />

t. 266 891 280<br />

e. info@enrepo.com<br />

w. www.enrepo.com<br />

Energia Lateral<br />

Inovisa - Tapada da Ajuda,<br />

1349-017 Lisboa<br />

t. 910 319 271<br />

e. geral@energialateral.pt<br />

w. www.energialateral.pt<br />

Endesa Energia S.A.<br />

Qnt. da Fonte, Ed. D. Manuel I,<br />

Piso 0, Ala B, 2770-203 Paço de Arcos<br />

t. 800 10 10 33<br />

e. geral@endesa.pt<br />

w. www.endesa.pt<br />

QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>


\\ DIRETÓRIO \\<br />

63<br />

CONTACTOS<br />

Sede: Edifício D. Maria I, Piso 0, Ala A/B<br />

2770-229 Paço de Arcos<br />

+351 214 268 700<br />

Delegação Norte: Rua B – Z.I. da Varziela, Lote 50 e 51<br />

Árvore | 4480-620 Vila do Conde<br />

+351 351 214 268 790<br />

E. info@daikin.pt // W. www.daikin.pt<br />

CONTACTOS<br />

Estrada Nacional 356/1<br />

km 5,8 – Alcogulhe<br />

2400-821 Azoia – Leiria<br />

+351 244 830 800<br />

E. geral@prf.pt // W. www.prf.pt<br />

Engiciclo<br />

Av. Capitão Meleças, Nº 99,<br />

c/v Esq.<br />

2615-099 Alverca<br />

t. 219578596<br />

e. geral@engiciclo.pt<br />

w. www.engiciclo.pt<br />

FuturSolutions<br />

Av. Prof. Vieira Natividade, Lte 5 -<br />

74-B<br />

2460-071 Alcobaça<br />

t. 262 582 553<br />

e. info@futursolutions.pt<br />

w. www.futursolutions.pt<br />

Grosvenor House Of Investments,<br />

Scr, S.A<br />

Avenida da Liberdade, 129-B, Sala 7<br />

1250-140 Lisboa<br />

t. 213 261 598<br />

e. customerenquiries@grosvenor.com<br />

w. www.grovesnor.com<br />

Lidl & Companhia<br />

Rua Pé de Mouro,<br />

n.º 18 - Linhó<br />

2714-510 Sintra<br />

t. 219 102 254<br />

e. sustentabilidade@lidl.pt<br />

w. www.lidl.pt<br />

Electropoças<br />

Rua Monsenhor José de Magalhães de<br />

Sousa nº 36, Britelo,<br />

4890 - 233, Celorico de Basto<br />

t. 962 877 701<br />

e. info@electropocas.pt<br />

w. www.electropocas.pt<br />

Finerge, S.A<br />

Avenida D. Afonso Henriques,<br />

n. 1345<br />

4450-017 Matosinhos<br />

t. 226 080 180<br />

e. info.geral@finerge.pt<br />

w. www.finerge.pt<br />

FEUP - Faculdade de Engenharia<br />

da Universidade do Porto<br />

Rua Dr. Roberto Frias<br />

4200-465 PORTO<br />

t. 225 081 411<br />

e. incoming@fe.up.pt<br />

w. www.fe.up.pt<br />

FonteSolar<br />

Rua Ana Teixeira da Silva,<br />

nº 40, Cave<br />

4700-254 Braga<br />

t. 934 780 702<br />

e. geral@fontesolar.com<br />

w. www.fontesolar.com<br />

GALP<br />

R. Tomás da Fonseca piso 5<br />

1600-209 Lisboa<br />

t. 21 724 2500<br />

e. geral@galp.com<br />

w. www.galp.com<br />

Gavedra<br />

Zona Industrial Vale da Goita,<br />

Rua João Rufino, 16- Paúl<br />

2560-232 Torres Vedras<br />

t. 261 330 400<br />

e. geral@gavedra.pt<br />

w. www.gavedra.pt<br />

Gedoc<br />

PCI Creative Science Park<br />

Edifício Mat., salas 2.2.8 e 2.2.9<br />

3830-352 Ílhavo, Portugal<br />

t. 234 040 475<br />

e. geral@gedoc.pt<br />

w. www.gedoc.pt<br />

Greenvolt<br />

<strong>Energias</strong> Renováveis, S.A<br />

Rua Manuel Pinto de Azevedo,<br />

Nº 818<br />

4100-320 Porto<br />

t. 228 346 502<br />

e. sede@greenvolt.pt<br />

w. www.greenvolt.pt<br />

Iberdrola<br />

Estrada da Luz 90D<br />

1600-160 Lisboa<br />

t. 800 660 060<br />

e. iberdrola@iberdrola.pt<br />

w. www.iberdrola.pt<br />

ISQ<br />

Instituto de Soldadura e Qualidade<br />

Av. Prof. Cavaco Silva, 33 Taguspark<br />

2740-120 Porto Salvo<br />

t. 214 228 100<br />

e. info@isq.pt<br />

w. www.isq.pt<br />

Jerónimo Martins, SGPS, SA<br />

Rua Actor António Silva, 7<br />

1649-033 Lisboa<br />

t. 217 532 000<br />

e. provedoria@jeronimo-martins.pt<br />

w. www.jeronimomartins.com<br />

Kpmg & Associados<br />

Sociedade de Revisores Oficiais<br />

de Contas S.A<br />

Av. Fontes Pereira de Melo,<br />

Nº 41, 15º<br />

1069-006 Lisboa<br />

t. 210 110 000<br />

e. info@home.kpmg<br />

w. home.kpmg<br />

Lobosolar<br />

Rua Aníbal Tavares 11<br />

Apartado 332<br />

7005-872 Évora<br />

t. 266 771 427<br />

e. comercial@lobosolar.com<br />

w. www.lobosolar.com<br />

MegaJoule<br />

Travessa Honório Lima, 16<br />

4465-171 São Mamede de Infesta<br />

t. 220915480<br />

e. megajoule@megajoule.pt<br />

w. www.megajoule.pt<br />

Metropolitano de Lisboa, E.P.E<br />

Avenida Fontes Pereia de Melo, 28<br />

1050-122 Lisboa<br />

t. 213 500 115<br />

e. atendimento@metrolisboa.pt<br />

w. www.metrolisboa.pt<br />

Movitrom<br />

Av. Pedro Alvares Cabral<br />

Centro Empresarial Sintra<br />

Estoril V, Armazém E32<br />

2710-263 Sintra<br />

t. 21 910 90 18<br />

e. info@movitrom.com<br />

w. www.movitrom.com<br />

QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>


64 \\ DIRETÓRIO \\<br />

CONTACTOS<br />

Av. dos Estados Unidos da América,<br />

55 - 1749-061 Lisboa, Portugal<br />

+351 210 013 500<br />

W. www.ren.pt<br />

CONTACTOS<br />

Quinta da Fonte<br />

Edifício D. Maria I, Piso 2, Ala B<br />

2770-229 Paço d’Arcos - Portugal<br />

+351 214 403 200<br />

E. geral@trustenergy.pt // W. www.trustenergy.pt<br />

Noctula<br />

Quinta da Alagoa, lote 222<br />

1º Frt.<br />

3500-606 Viseu<br />

t. 232 436 000<br />

e. info@noctula.pt<br />

w. www.noctula.pt<br />

Novambiente<br />

Largo António Vaz<br />

Mascarenhas, 10<br />

8375-104 S. Bartolomeu de Messines<br />

t. 282 330 474<br />

e. info@novambiente.com<br />

w. www.novambiente.com<br />

Norquente - <strong>Energias</strong> Renováveis<br />

Zona Industrial Larinho,<br />

Lt. 29, Larinho, Bragança<br />

t. 279 252 847<br />

e. geral@norquente.pt<br />

w. www.norquente.pt<br />

OVO Solutions, Soluções<br />

Ambientais SA<br />

Estrada dos Espanhóis S/N,<br />

CCI 7515,<br />

Venda do Alcaide<br />

2955-250 Pinhal Novo<br />

t. 212 328 760<br />

e. geral@ovosolutions.com<br />

w. www.ovosolutions.com<br />

Portclima<br />

Avenida da Liberdade, 110 – 1º<br />

1269-046 Lisboa<br />

t. 914 383 288<br />

e. geral@portclima.com<br />

w. www.portclima.com<br />

Prio Energy, S.A<br />

Terminal de Granais Líquidos,<br />

Lote B, Porto de Aveiro<br />

3834-908 Ílhavo<br />

t. 234 393 090<br />

e. info@prioenergy.com<br />

w. www.prioenergy.com<br />

Resul<br />

Rua D. Nuno Álvares Pereira,<br />

Bloco 1 – 2 Escritório 3<br />

2695-167 Bobadela<br />

t. 218 394 980<br />

e. geral@resul.pt<br />

w. www.resul.pt<br />

Sernis<br />

Quinta do Carreiro, Lote 14<br />

4700-154 Braga<br />

t. 253 300 440<br />

e. sernis@sernis.com<br />

w. www.sernis.com<br />

Servitis<br />

Rua Industrial das Lages, Nº 63<br />

4410-312 Canelas<br />

t. 227 863 050<br />

e. geral@servitis.pt<br />

w. www.servitis.pt<br />

SGS ICS Serviços Internacionais<br />

de Certificação, Lda.<br />

Rua Cesina Adães Bermudes, Lote<br />

11, N.º 1<br />

1600-604 Lisboa<br />

t. 217 104 200<br />

e. pt.info@sgs.com<br />

w. www.sgs.pt<br />

Siemens S.A<br />

R Irmãos Siemens Nº 1-1 A<br />

Venteira<br />

2720-093 Amadora<br />

t. 214 178 000<br />

e. internetrequest.pt@siemens.com<br />

w. www.siemens.com<br />

Solindigos<br />

Rua das mi<strong>nas</strong> 79<br />

4410 - 053 V.N. Gaia<br />

t. 22 092 47 51<br />

e. geral@solindigos.pt<br />

w. www.solindigos.pt<br />

Turbomar Energia<br />

R. da Garagem 8,<br />

2790-078 Carnaxide<br />

t. 214 168 410<br />

e. www.turbomar.pt<br />

w. geral@turbomar.pt<br />

Vinci Energies Portugal, S.A<br />

Edificio Atlantis, avenida D. João II,<br />

Nº 44 C, 5º Andar<br />

1990-095 Lisboa<br />

t. 214 258 000<br />

e. geral@vinci-energies.pt<br />

w. www.vinci-energies.pt<br />

Vodafone Portugal<br />

Comunicações Pessoais S.A<br />

Avenida Dom João II, Nº 36, 8º<br />

1998-017 Lisboa<br />

t. 911 691 300<br />

e. info@vodafone.pt<br />

w. www.vodafone.pt<br />

WS Energia<br />

Taguspark, Edifício Tecnologia II, 46<br />

2740 - 257 Porto Salvo<br />

t. 214 212 190<br />

e. geral@ws-energia.com<br />

w. www.ws-energia.com<br />

XZ Consultores SA<br />

Rua da Cruz, 3A, Loja J<br />

4705-406 Celeirós<br />

t. 253 257 007<br />

e. geral@xzconsultores.pt<br />

w. www.xzconsultores.pt<br />

Zor Thermal<br />

Advanced Products Portugal<br />

Rua Eng. Frederico Ulrich 3210<br />

Piso 2, Sala 214<br />

4470-605 Maia<br />

t. 229 538 567<br />

e. aa@zor-thermal.com<br />

w. zor-thermal.com<br />

Gostava de ver<br />

a sua empresa<br />

aqui listada?<br />

Envie-nos as suas<br />

informações para<br />

geral@greensavers.pt<br />

As informações deste diretório foram recolhidas pela Green Savers em março de <strong>2024</strong>. Somos alheios a alterações que possam ter ocorrido, ou venham a ocorrer.<br />

A listagem é representativa das companhias a operar em Portugal com forte foco na sustentabilidade, mas não inclui a totalidade das empresas existentes.<br />

QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>


QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS<br />

atualize os seus dados<br />

para a próxima edição<br />

Envie os seus dados para<br />

geral@greensavers.pt


INDÚSTRIA<br />

TECNOLOGIA INOVAÇÃO


QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES

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