Quem é Quem nas Energias Verdes 2024
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QUEM É QUEM<br />
NAS ENERGIAS VERDES<br />
I
QUEM É QUEM NAS<br />
ENERGIAS VERDES<br />
I<br />
<strong>2024</strong>
A REVISTA QUE DÁ VOZ A<br />
TODOS OS QUE CRIAM UM<br />
MUNDO MAIS SUSTENTÁVEL<br />
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\\ EDITORIAL \\<br />
5<br />
NÃO HÁ BELA<br />
sem senão!<br />
As energias verdes, renováveis ou limpas são a solução para o problema do aquecimento global e<br />
da escassez dos recursos naturais, disso ninguém duvida, mas não devemos ser como a avestruz<br />
e esconder a cabeça na areia porque, na verdade, nenhuma delas é totalmente inócua. São, de<br />
facto, um mal muito menor comparadas com o carvão, o gás ou o petróleo, mas também têm consequências<br />
ambientais e sociais. E, aquelas três palavras podem parecer sinónimos, mas não são. A energia renovável,<br />
regenera-se ao mesmo tempo, da sua utilização. A limpa, não emite gás efeito de estufa e a verde, tem menor<br />
impacto ambiental. Por isso, cada uma das energias eólica, hídrica, biomassa, hidrogénio verde, energia das<br />
ondas, solar, nuclear ou geotérmica pode ter ou não as três denominações.<br />
A biomassa é uma energia renovável porque ao queimar resíduos florestais, ou a madeira retirada da floresta,<br />
esta ao final de 40 anos será renovada por uma nova árvore, mas não é limpa porque ao ser queimada, por<br />
exemplo, numa central de biomassa ou se for transformada em pellets emite gases com efeito de estufa para<br />
o planeta quando está a produzir eletricidade ou calor. No caso da hídrica construir uma barragem implica<br />
deslocar populações, tendo por isso um impacto social. Ao alterar o curso natural de um rio para a sua<br />
construção tem consequências no ecossistema envolvente, prejudicando a vida aquática, a fauna e a flora da<br />
região, portanto tem impacto ambiental.<br />
A energia eólica também é renovável, afinal vem do vento e é limpa porque não emite gases com efeito de<br />
estufa, mas a sua instalação tem impacto visual, principalmente para quem vive ali perto, pode causar danos<br />
a aves e afetar a sua migração, além disso, provoca ruído (43 dB). As habitações mais próximas deverão estar<br />
a pelo menos 200 metros de distância. E poderíamos elencar motivos para todas. Por isso, é preciso haver um<br />
bom planeamento antes de se investir em qualquer uma das energias verdes, renováveis ou limpas. Já que se<br />
está a fazer gradualmente, que se faça com sabedoria. O importante é escolher o mal menor em cada situação<br />
para que a fatura não vá parar à conta das gerações futuras.<br />
Teresa Cotrim<br />
Jornalista<br />
// FICHA TÉCNICA<br />
DIRETOR GERAL Rogério Junior • DIRETOR EDITORIAL António Sarmento • COLABORADORES E REDAÇÃO Ana Filipa Rego, Filipe Rações, Teresa Cotrim • DIREÇÃO<br />
DE COMUNICAÇÃO Marisa Silvestre • DIREÇÃO DE ARTE Sofia Marques • IMAGENS Getty Images • PUBLICIDADE Mário Serra (mario.serra@greensavers.pt) • PE-<br />
RIODICIDADE Anual • TIRAGEM MÉDIA 15.000 exemplares • PROPRIEDADE | SEDE | EDITOR Green News Editora, LDA, Rua Cidade de Rabat, 41B, 1500-159 Lisboa,<br />
NIPC: 516292412, geral@greensavers.pt • IMPRESSÃO E ACABAMENTO Louresgráfica - Sociedade de Artes Gráficas, Lda • Revista distribuída gratuitamente com a<br />
Green Savers nº 14
6 \\ ÍNDICE \\<br />
08<br />
ENERGIAS VERDES<br />
EM REVISTA<br />
2023 foi um bom ano para as renováveis,<br />
tendo atingido picos históricos de<br />
produção e as metas nacionais são das<br />
mais ambiciosas a nível europeu, 49%<br />
em 2030.<br />
16<br />
ENTREVISTA<br />
“A luta contra o aquecimento<br />
global impõe a rápida redução do<br />
uso de combustíveis fósseis”<br />
Helena Freitas considera que, desde a COP<br />
inaugural, as discussões sobre petróleo e<br />
gás “foram sempre inconsequentes”, mas<br />
que a COP 28 “emendou essa orientação”.<br />
22<br />
ENERGIA RENOVÁVEL<br />
OU MORTE DA FLORESTA?<br />
Queimar madeira tem mais emissões<br />
por unidade de energia elétrica gerada<br />
do que o carvão. Será a biomassa assim<br />
tão verde?<br />
28<br />
VENTOS FAVORÁVEIS NAS<br />
ENERGIAS VEREDES<br />
Eólica e hídrica lideraram em 2023,<br />
mas o solar também cresceu 8,2%.<br />
Portugal está no bom caminho para<br />
atingir os objetivos até 2030
\\ ÍNDICE \\<br />
7<br />
30<br />
SOLAR<br />
GANHA TERRENO NAS<br />
ENERGIAS RENOVÁVEIS<br />
32<br />
VENTO<br />
O OURO VERDE DAS<br />
RENOVÁVEIS!<br />
34<br />
EÓLICA OFFSHORE<br />
AJUDARÁ A ENERGIA<br />
HÍDRICA A CRESCER<br />
36<br />
HIDROGÉNIO<br />
ESSENCIAL NA DESCARBONIZAÇÃO<br />
DA ECONOMIA<br />
38<br />
GEOTÉRMICA<br />
A ENERGIA QUE VEM DO<br />
INTERIOR DA TERRA<br />
40<br />
BIOMASSA<br />
A ENERGIA DOS NOSSOS<br />
ANTEPASSADOS<br />
42<br />
ENERGIA DAS ONDAS<br />
UM MERCADO EM POTENCIAL?<br />
44<br />
ENERGIA NA MOBILIDADE<br />
AUMENTA EM TODO O MUNDO<br />
48<br />
FÓRUM DE LÍDERES<br />
1<br />
2<br />
58<br />
De que forma a sua empresa/<br />
entidade está comprometida<br />
com as melhores práticas<br />
sustentáveis?<br />
Como perspetiva o futuro da<br />
gestão de Energia em Portugal?<br />
DIRETÓRIO<br />
Portugal e o forte investimento<br />
em renováveis<br />
Portugal é dos países que mais investe em energias renováveis,<br />
situando-se em terceiro lugar entre os países europeus<br />
que mais apostam <strong>nas</strong> energias limpas.
8 \\ ENERGIAS VERDES \\
\\ ENERGIAS VERDES \\<br />
9<br />
ENERGIAS VERDES<br />
EM REVISTA<br />
2023 FOI UM BOM ANO PARA AS RENOVÁVEIS, TENDO ATINGIDO PICOS HISTÓRICOS<br />
DE PRODUÇÃO E AS METAS NACIONAIS SÃO DAS MAIS AMBICIOSAS A NÍVEL<br />
EUROPEU, 49% EM 2030.<br />
\\ Por Teresa Cotrim<br />
Em 2023 Portugal alcançou uma impressionante<br />
capacidade renovável instalada e em operação,<br />
atingindo os 19 GW. “Quanto à produção renovável,<br />
também atingiu um recorde: todos os centros<br />
electroprodutores em Portugal Continental<br />
geraram um montante total de 44 128 GWh de eletricidade,<br />
sendo 70,7% provenientes de fontes renováveis, e alcançando<br />
um pico histórico na produção renovável”, diz Pedro Amaral<br />
Jorge, CEO da APREN, Associação Portuguesa de <strong>Energias</strong><br />
Renováveis, explicando ainda que esse resultado decorre do<br />
excelente portfolio de fontes de energia renovável que permitiu<br />
obter com a tecnologia eólica um contributo de 29%, seguida<br />
da hídrica com 27%, da energia solar fotovoltaica com 8,2%, e<br />
da biomassa com 6,6%.<br />
Para o CEO da APREN este foi também o ano em que foi<br />
revisto o Plano Nacional de Energia e Clima para 2030, resultando<br />
em metas renováveis significativamente mais ambiciosas.<br />
“O país visa agora instalar um total de 43,2 GW de potência<br />
renovável nos próximos sete anos, portanto, mais do dobro<br />
da potência atual”. Paralelamente, ao longo do ano, os preços<br />
da componente de energia no mercado de eletricidade ibérico<br />
apresentaram uma estabilização. “Apesar da ocorrência de períodos<br />
esporádicos de elevada volatilidade, com preços muito<br />
altos ou muito baixos, a tendência global apresentou uma realidade<br />
com valores médios muito inferiores face aos preços<br />
registados em 2022 resultantes da crise energética”.<br />
Destaca-se ainda o impressionante aumento de 43% na produção<br />
elétrica de fonte renovável solar, representando agora<br />
8,2% da produção anual total de eletricidade. Segundo Pedro<br />
Amaral Jorge esse incremento notável em 2023 foi impulsionado<br />
pelo considerável aumento de 1 GW de capacidade instalada<br />
nacional, solidificando a posição de Portugal no panorama<br />
das energias renováveis.<br />
O responsável da APREN refere ainda que foram publicados<br />
vários elementos no contexto do pacote europeu REPowerEU,<br />
incluindo a revisão da Diretiva Europeia das Renováveis<br />
(RED III), a reforma do mercado de eletricidade e o Net-Zero<br />
Industry Act e, no seguimento destas publicações, é esperado<br />
uma transposição para a legislação nacional evidenciando o alinhamento<br />
do país com as diretrizes europeias para a transição<br />
energética.<br />
As metas portuguesas em termos de quota de energias de<br />
fontes renováveis no consumo final bruto de energia são das<br />
mais ambiciosas a nível europeu. Segundo o PNEC2030 foram<br />
definidos os principais drivers para alcançar uma quota de 49%<br />
de renováveis no consumo final de energia em 2030.<br />
QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>
10<br />
\\ ENERGIAS VERDES \\<br />
Em 2023, “todos os centros<br />
electroprodutores<br />
em Portugal Continental<br />
geraram um montante<br />
total de 44 128<br />
GWh de eletricidade,<br />
sendo 70,7% provenientes<br />
de fontes renováveis,<br />
e alcançando um pico<br />
histórico na produção<br />
renovável”<br />
CUMPRIREMOS AS METAS EM 2030?<br />
Pedro Amaral Jorge, diz que a revisão do<br />
Plano Nacional de Energia e Clima 2030<br />
(PNEC2030) veio dar resposta ao Plano RE-<br />
PowerEU, lançado pela Comissão Europeia<br />
em resposta à ilegítima invasão da Ucrânia por<br />
parte da Rússia, e que pretendia garantir uma<br />
maior autonomia e independência energética<br />
bem como incrementar a segurança do abastecimento<br />
energético, proteger os cidadãos da<br />
excessiva volatilidade dos preços de energia e<br />
aumentar a competitividade do mercado interno,<br />
nomeadamente com a aposta no contínuo<br />
aumento da implementação de energias<br />
renováveis, na diversificação das cadeias de<br />
fornecimento e aumento da poupança e eficiência<br />
energética.<br />
O Ceo da APREN explica ainda que o novo<br />
PNEC 2030 atualizou as metas de eletricidade<br />
renovável de 27,5 GW para 43,2 GW até<br />
2030, incluindo as necessidades de eletricidade<br />
renovável para produção de hidrogénio verde<br />
e eletrificação de novos consumos, demonstrado<br />
o empenho de Portugal em cumprir as metas<br />
europeias e assegurar também uma maior<br />
competitividade interna do País face aos mercados<br />
internacionais.<br />
“Sendo muito ambiciosas, as metas estabelecidas<br />
pelo PNEC 2030 serão cumpridas se<br />
existir um ambiente favorável a toda a linha”.<br />
Para a APREN, uma das necessidades centrais<br />
é a existência de estabilidade regulatória do<br />
país que viabilize a concretização de projetos<br />
renováveis. É também urgente que sejam ultrapassados<br />
obstáculos como a agilização dos<br />
procedimentos no licenciamento, que só será<br />
possível através da capacitação das entidades<br />
responsáveis. No que se refere à fase de desenvolvimento,<br />
engenharia e licenciamento, é absolutamente<br />
imperativo simplificar e encurtar<br />
o processo de licenciamento em linha com as<br />
indicações definidas na Diretiva Europeia das<br />
Renováveis (REDIII), e, “para que tal aconteça,<br />
parece-nos incontornável que as intuições<br />
das quais o licenciamento depende, se adequem<br />
em termos de processos, procedimentos,<br />
capacidade de respostas, pessoas, competências,<br />
sistemas de informação, digitalização e<br />
modelo operacional e organizacional”.<br />
QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>
\\ ENERGIAS VERDES \\<br />
11<br />
Igualmente fundamental é também na opinião<br />
de Pedro Amaral Jorge assegurar o desenvolvimento<br />
de infraestruturas, como a RESP<br />
(Rede Elétrica de Serviço Público), que possibilitem<br />
a ligação ao mercado dos investimentos<br />
nos centros electroprodutores de renováveis.<br />
Por último, é essencial garantir que existe<br />
uma compatibilização dos usos do território,<br />
garantindo o desenvolvimento sustentável dos<br />
projetos e salvaguardando as necessidades de<br />
descarbonização com os interesses económicos<br />
e sociais locais aquando da implementação<br />
dos referidos centros electroprodutores.<br />
ELETRIFICAR O PAÍS SÓ COM ENERGIA RENO-<br />
VÁVEL, UTOPIA?<br />
O CEO da APREN, garante que a possibilidade<br />
de abastecer um país exclusivamente com<br />
energias renováveis não é uma utopia, mas um<br />
objetivo desejável e perfeitamente alcançável.<br />
Vários países estão a trabalhar para aumentar<br />
significativamente a participação de fontes renováveis<br />
<strong>nas</strong> suas matrizes energéticas, para<br />
atingir a neutralidade carbónica e aumentar<br />
simultaneamente a sua independência e segurança<br />
energética.<br />
“Tão alcançável que até já aconteceu em<br />
Portugal, temporariamente. O último episódio<br />
ocorreu entre 31 de outubro e 6 de novembro,<br />
período durante o qual as necessidades elétricas<br />
do país foram supridas a 100% por eletricidade<br />
renovável”.<br />
Pedro Amaral Jorge, explica que em dezembro<br />
de 2019, no âmbito do Pacto Ecológico<br />
Europeu, ficou estabelecido que a Europa deve<br />
ser o primeiro continente atingir a neutralidade<br />
carbónica. Este objetivo tornou-se juridicamente<br />
vinculativo quando o Parlamento e o<br />
Conselho Europeus adotaram a Lei do Clima<br />
em 2021. O objetivo intermédio de redução de<br />
emissões para 2030 também foi atualizado de<br />
40% para 55%.<br />
Segundo a APREN a UE está a rever atualmente<br />
um conjunto alargado de diplomas, a<br />
estabelecer novas leis e regulamentos que ajudarão<br />
a cumprir o objetivo de 2030 e assegurar<br />
o caminho até 2050, no que se refere à redução<br />
de emissões. “Este novo alinhamento já será<br />
refletido na legislação dos Estados-Membros,<br />
bem como <strong>nas</strong> relações exter<strong>nas</strong> com outros<br />
mercados”.<br />
O Ceo da APREN adianta também que nacionalmente,<br />
parte destes objetivos podem ser<br />
já observados no PNEC2030 que salvaguarda<br />
o percurso nacional para a transição climática.<br />
No setor da produção de eletricidade, está previsto<br />
a incorporação de 85% de energia de diversas<br />
fontes renováveis até 2030, assim como<br />
23% para os transportes e 47% no aquecimento<br />
e arrefecimento. Além do PNEC2030, Portugal<br />
guia-se também pelo Roteiro para a Neutralidade<br />
Carbónica 2050 (RNC2050) que,<br />
embora desatualizado, assenta numa redução<br />
de emissões entre 85% e 90%, até 2050.<br />
“Dito isto, Portugal está focado em atingir<br />
os objetivos definidos pelos dois planos. É<br />
justo afirmar que existe um longo percurso a<br />
percorrer, mas o setor das energias renováveis,<br />
através da eletrificação direta e indireta, será<br />
um pilar, incontornável e fundamental”.<br />
CAPACIDADE INSTALADA, O QUE FALTA FAZER?<br />
Segundo as estatísticas rápidas da DGEG no<br />
final de novembro de 2023, a potência instalada<br />
em unidades de geração de energia elétrica,<br />
a partir de fontes renováveis, totalizou<br />
18 553 MW, dos quais 1 832 MW são referentes<br />
a instalações de produção descentralizada.<br />
Para instalar mais capacidade é necessário<br />
continuar a desburocratizar e digitalizar o<br />
processo de licenciamento, mas também assegurar<br />
que todas as entidades envolvidas no<br />
processo estão alinhadas e seguem as metodologias<br />
previstas legalmente. “Atualmente,<br />
QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>
12<br />
\\ ENERGIAS VERDES \\<br />
as iniciativas legislativas têm demonstrado a<br />
intenção do país desenvolver o setor, no entanto,<br />
as ferramentas necessárias para garantir<br />
a operacionalidade da nova regulamentação<br />
têm impedido a concretização de muitas disposições<br />
fundamentais para a concretização<br />
das metas”.<br />
Por último, na opinião de Pedro Amaral<br />
Jorge sem infraestrutura, ou sem visibilidade<br />
quanto aos prazos para concretização e cumprimento<br />
de prazos legais, torna-se mais difícil<br />
para os investidores assegurar o desenvolvimento<br />
e financiamento de projetos renováveis.<br />
“Para aumentar a captação de investimento<br />
no setor, é necessário acelerar o desenvolvimento<br />
da rede elétrica e a adequação dos processos<br />
de licenciamento às Diretivas e Regulamentos<br />
definidos e impostos pela Comissão<br />
Europeia, que caracteriza os projetos renováveis<br />
como sendo de interesse público”.<br />
E OS PROBLEMAS DE INTERMITÊNCIA E DAS<br />
BATERIAS?<br />
Este é um dos temas que mais preocupação<br />
tem levantado, mas segundo Pedro Amaral<br />
Jorge, Portugal dispõe de um portfolio invejável<br />
de fontes de energia renovável, permitindo<br />
que o sistema electroprodutor nacional seja<br />
composto por várias tecnologias de conversão<br />
de energia renovável em eletricidade com elevados<br />
níveis de complementaridade entre elas<br />
que quando complementado com a potência e<br />
energia de bombagem de algumas importantes<br />
centrais hídricas, proporciona uma importantíssima<br />
resiliência ao nosso sistema elétrico<br />
nacional assegurando o equilíbrio e balanço<br />
necessários.<br />
Tendo por base a rota de descarbonização<br />
da e com o necessário aumento da implementação<br />
de potência de tecnologias de conversão<br />
de recursos renováveis variáveis em eletricidade,<br />
será imperativo assegurar investimentos<br />
para soluções de flexibilidade, sejam estas asseguradas<br />
pelo consumo e pela produção, mas<br />
será também necessário aumentar a potência<br />
e energia dos sistemas de armazenamento incluindo<br />
a integração de baterias e armazenamento<br />
de hidrogénio verde como uma medida<br />
estratégica complementar ao parque de centrais<br />
hídricas com e sem bombagem.<br />
Neste momento, o PNEC2030 aponta ape<strong>nas</strong><br />
para 1 GW de capacidade de baterias, que,<br />
face aos 43,2 GW de potência renovável a instalar<br />
e operar, é claramente insuficiente para<br />
garantir a otimização da capacidade instalada.<br />
De acordo com o novo Plano de Ação para as<br />
Redes da Comissão Europeia, os operadores<br />
de rede devem avaliar as necessidades de flexibilidade<br />
dos seus sistemas energéticos ao<br />
planearem as redes, incluindo o potencial de<br />
armazenamento de energia necessário para assegurar<br />
a resiliência do sistema elétrico. Esta<br />
análise deve ainda respeitar o quadro legislativo<br />
revisto para o redesenho do mercado da<br />
eletricidade.<br />
ARMAZENAMENTO DE ENERGIA<br />
O armazenamento de energia é um dos problemas<br />
a mitigar quando se fala em energias renováveis.<br />
Segundo o Plano Nacional Energia e Clima<br />
2021-2030 (PNEC) é importante manter a<br />
aposta em sistemas de bombagem reversível <strong>nas</strong><br />
QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>
\\ ENERGIAS VERDES \\<br />
13<br />
“Portugal está focado em atingir os<br />
objetivos definidos pelos dois planos.<br />
É justo afirmar que existe um<br />
longo percurso a percorrer, mas o<br />
setor das energias renováveis, através<br />
da eletrificação direta e indireta,<br />
será um pilar, incontornável e<br />
fundamental”<br />
centrais hidroelétricas e procurar desenvolver<br />
outras soluções tecnológicas que passarão pela<br />
aplicação da tecnologia de baterias e das tecnologias<br />
associadas ao hidrogénio. “Uma parte significativa<br />
da nova capacidade de armazenamento<br />
deverá estar associada diretamente aos centros<br />
eletroprodutores renováveis, garantindo uma ligação<br />
a pontos de produção de hidrogénio renovável<br />
e posterior injeção <strong>nas</strong> redes de gás”.<br />
O mesmo documento prevê até 2030 um<br />
aumento da capacidade de armazenamento,<br />
através de hidroelétrica reversível com bombagem<br />
e da produção de hidrogénio renovável<br />
para injeção <strong>nas</strong> redes de gás, e numa fase mais<br />
avançada da década, um contributo das tecnologias<br />
de baterias. “Uma parte significativa<br />
da capacidade de armazenamento deverá estar<br />
associada às próprias instalações de produção<br />
via tecnologias eólica e solar, sendo o restante<br />
armazenamento dedicado. Refira-se que em<br />
procedimentos concorrenciais de atribuição<br />
de capacidade de produção de energia elétrica<br />
de origem fotovoltaica, em 2020, foram consideradas<br />
soluções com armazenamento de eletricidade<br />
acoplado”.<br />
Quanto a objetivos em termos do armazenamento<br />
energético no setor do gás natural e<br />
QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>
14<br />
\\ ENERGIAS VERDES \\<br />
“Sendo muito<br />
ambiciosas, as metas<br />
estabelecidas pelo<br />
PNEC 2030 serão<br />
cumpridas se existir um<br />
ambiente favorável a<br />
toda a linha”<br />
do petróleo e derivados de petróleo existem<br />
regras nacionais, decorrentes de legislação comunitária,<br />
para a criação de reservas de segurança,<br />
numa perspetiva de resposta a crises e<br />
emergência/disrupção do fornecimento destes<br />
produtos. O PNEC 2030, diz que a atual capacidade<br />
do armazenamento subterrâneo do<br />
Carriço permite o armazenamento da totalidade<br />
das reservas de segurança de gás natural<br />
previstas para os próximos anos (existindo<br />
ainda o armazenamento de GNL no terminal<br />
de GNL de Sines, que confere uma maior flexibilidade<br />
na operação do SNG), sendo de considerar,<br />
mediante as necessidades, que estas<br />
caver<strong>nas</strong> são 100% compatíveis com H2 e que<br />
as caver<strong>nas</strong> existentes podem ser convertidas<br />
para 100% H2. Entraram em funcionamento,<br />
durante o ano de 2022, os aproveitamentos<br />
hidroelétricos de Gouvães (880 MW), com<br />
bombagem, e Daivões (114 MW), tendo sido<br />
atingida a trajetória de evolução da capacidade<br />
instalada hidroelétrica com bombagem.<br />
QUE DESAFIOS NOS ESPERAM?<br />
Apesar do ano positivo de 2023 em termos de<br />
números, os maiores desafios do setor viram<br />
poucos desenvolvimentos e aumentou-se o nível<br />
de incerteza face ao desenvolvimento de novos<br />
projetos.<br />
Os números favoráveis resultam sobretudo<br />
de um ano hídrico favorável e da entrada<br />
de capacidade solar em operação, no entanto,<br />
estes valores ficam aquém do necessário para<br />
atingir o nível descarbonização e competitividade<br />
da economia portuguesa necessárias.<br />
A transição energética é fundamental para<br />
garantir um sistema energético seguro, uma<br />
economia competitiva e a descarbonização do<br />
setor. Esta irá ainda garantir a redução dos custos<br />
para o consumidor final e reduzir a vulnerabilidade<br />
e exposição às tensões geopolíticas.<br />
Para tal, é preciso garantir que as estratégias<br />
e regulamentação do setor são implementadas<br />
e se tornam operacionais, criando visibilidade<br />
à concretização dos projetos e garantindo, assim,<br />
que se mantém a atratividade de capital<br />
privado.<br />
Apesar das várias revisões legislativas no setor,<br />
existem disposições essenciais continuam<br />
por implementar, nomeadamente no licenciamento<br />
integral dos projetos, no que respeita à<br />
digitalização, agilização de procedimentos e<br />
redução dos pontos de contato. Igualmente a<br />
necessidade do planeamento de rede e gestão<br />
da mesma em consonância com as necessidades<br />
de integração de maior capacidade renovável,<br />
não têm visto os desenvolvimentos necessários<br />
e por último, a readaptação das entidades envolvidas,<br />
face às necessidades de hoje e futuras,<br />
também urge.<br />
O quadro atual económico de inflação<br />
elevada e política monetária mais restritiva<br />
ao mesmo tempo que temos um mercado<br />
de eletricidade com previsões de preços com<br />
bastante mais volatilidade, cria uma incerteza<br />
adicional aos investimentos futuros, principalmente<br />
no setor renovável que que se caracteriza<br />
por ser de capital intensivo com custos<br />
variáveis negligenciáveis.<br />
Assim, é urgente a criação de mecanismos<br />
de estabilidade, como aponta a reforma do<br />
mercado de eletricidade, aliados à previsibilidade<br />
de concretização do projeto em termos<br />
temporais, por forma a segurar as decisões de<br />
investimento. É preciso investir para criar valor,<br />
destacando-se que o setor da eletricidade<br />
renovável, com um quadro legítimo estável e<br />
visibilidade para implementação da estratégia<br />
atual, tem a capacidade através de investimento<br />
privado gerar mais de 200 mil empregos<br />
direto e indiretos técnicos e qualificados e ter<br />
uma contribuição de riqueza para o país que<br />
pode representar 5,9% do PIB até 2030.<br />
QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>
16 \\ ENTREVISTA \\<br />
HELENA FREITAS CONSIDERA QUE, DESDE A COP INAUGURAL, AS DISCUSSÕES SOBRE PETRÓLEO E<br />
GÁS “FORAM SEMPRE INCONSEQUENTES”, MAS QUE A COP 28 “EMENDOU ESSA ORIENTAÇÃO”.<br />
\\ Por Teresa Cotrim<br />
Helena Freitas é uma das biólogas mais conceituadas da Europa.<br />
Venceu o prémio Ernst Haeckel <strong>2024</strong>, promovido<br />
pela European Ecological Federation (EEF). É professora<br />
catedrática e investigadora da Universidade de Coimbra na<br />
área da Biodiversidade e é também Diretora do Parque de Serralves. Teve<br />
um percurso académico brilhante e numa entrevista inspiradora conta-<br />
-nos como superou as pedras que surgiram ao longo da sua caminhada.<br />
Nasceu em Famalicão, no campo. Pode contar-nos um pouco do seu<br />
dia-a-dia em criança?<br />
Nasci na aldeia de Mogege, concelho de Vila Nova de Famalicão, em casa<br />
dos meus avós maternos. No tempo das vindimas e era habitual passarmos<br />
umas sema<strong>nas</strong> na quinta dos avós; eu e as minhas irmãs. Aí desenhei os<br />
recantos mais doces da minha memória, guardei a expressão mais pura da<br />
natureza, e vivi as experiências de fraternidade mais intensas que recordo.<br />
A satisfação com que subia os montes mais íngremes, em busca de aventura.<br />
O tempo que era outro, ape<strong>nas</strong> fixado pela obrigação de não me atrasar<br />
para as refeições do dia. Um tempo que me deixava sentar num pedaço<br />
levantado de raiz, e sonhar tranquilamente, enquanto manuseava a caruma,<br />
e me metia com algum insecto mais indolente, como uns enormes<br />
escaravelhos que se escondiam debaixo de mantos de folhas dos carvalhos.<br />
Um tempo que me deixava sonhar, atraída pelos registos de um passado<br />
tantas vezes inscrito <strong>nas</strong> enormes pedras de granito que dominavam os<br />
caminhos. Bastava deixar fluir a imaginação, e era capaz de descrever os<br />
povos que ali tinham vivido há muito anos. Passava horas no cimo destes<br />
montes. Nos dias mais quentes, nunca descia sem passar pela mina de água<br />
que abastecia a casa e os campos. Uma água que corria fria, sempre límpida,<br />
e que me sabia muito melhor por beber assim, na frágil e pequenina<br />
concha das minhas mãos.<br />
Eram outros tempos?<br />
Era um tempo de imensa liberdade. Do entusiasmo da bicicleta aos percursos<br />
pelos montes que circundavam a casa. No Natal, divertia-me com<br />
o gelo que cobria a superfície dos tanques ou escorregava <strong>nas</strong> rampas de<br />
acesso às garagens; no verão, era o baloiço, jogos diversos e sobretudo a<br />
minha bicicleta. E sempre, sempre, muita fruta que eu própria colhia trepando<br />
às árvores. Brincava também à descoberta de trilhos ou registos<br />
antigos de presença humana. Procurávamos impressões <strong>nas</strong> rochas e acreditávamos<br />
estar no encalço de civilizações antigas. Um dos divertimentos<br />
favoritos, embora não autorizado, era saltar sobre o algodão armazenado<br />
na fábrica têxtil do meu avô.<br />
O seu pai esteve em Angola como magistrado em 1968, lembra-se desse<br />
tempo? Ainda lá viveu? Como foi passar de um contexto como Portugal<br />
para Angola?<br />
O meu pai esteve como magistrado de 1969 a 1972, julgo. Recordo pouco,<br />
ou pelo menos julgava que recordava pouco! Mas regressei a Angola<br />
há cerca de 10 anos e fui visitar Benguela e a casa onde vivi. Recordava<br />
detalhes que me surpreenderam e comoveram. Não foi fácil a transição,<br />
porque eu e uma das minhas irmãs ainda ficámos uns meses com os avós<br />
maternos, mais uma vez na minha aldeia, até ao regresso definitivo dos<br />
meus pais, em 1973. Acabei por concluir a 4.ª classe e realizar o respetivo<br />
QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>
\\ ENTREVISTA \\<br />
17<br />
exame numa realidade muito distinta: passei do colégio de S. José de<br />
Cluny, em Silva Porto para a escola primária de Mogege. Fui incumbida<br />
de ajudar os colegas, sendo uma privilegiada num contexto de<br />
grande pobreza.<br />
África tem uma natureza exuberante, forte, inesquecível, marcou-a?<br />
Muito e para sempre. África não é ape<strong>nas</strong> natureza; é um lugar<br />
único. Não é possível contar ou explicar África. É possível mostrar<br />
imagens, mas há coisas que não se descrevem. Não se traduz o olhar<br />
profundo do ancião; em África, não há velhos..., o sorriso comovente<br />
da criança despida de tudo o que não é parte dessa condição, ou a<br />
força quente e meiga desta terra-mãe quando abraça o sol.<br />
Em África, voltamos a ser aquela criança que fomos. Em África, percebemos<br />
que o essencial está em nós, e na dádiva que somos uns para<br />
os outros. Uma força original que contagia, e nos faz querer sempre<br />
recomeçar. Começar de novo; como aquela criança adulta que um<br />
dia partiu à descoberta do mundo e iniciou a maior aventura da humanidade.<br />
Falando agora do curso que escolheu... Quando decidiu ir para<br />
Biologia?<br />
As circunstâncias ditaram em grande medida, mas gostava de ciências<br />
como a Física e a Biologia, mas a Biologia motivava-me pela<br />
compreensão e funcionamento dos sistemas vivos. Acreditava também<br />
que seria uma ciência determinante na aproximação do novo<br />
século.<br />
Alguém a inspirou? Tem uma referência?<br />
Julgo que muitas pessoas da minha geração foram de algum modo<br />
inspiradas pelos documentários que começaram a surgir, em particular<br />
nos anos 70 e 80 sobre a vida selvagem, os parques naturais.<br />
Destaco pessoas como David Attenborough, Jane Goodall, Rodríguez<br />
de La Fuente. Em Portugal, tenho sobretudo referências<br />
universitárias, destacando Jorge Paiva (UC), Fernando Catarino<br />
(FCUL) e João Santos Pereira (ISA, UL).<br />
Como foi o seu percurso académico?<br />
Fiz o doutoramento entre a Universidade de Coimbra e a Universidade<br />
de Bielefeld, na Alemanha. Neste período fiz também uma<br />
estadia Erasmus na Universidade de Siena, em Itália. Realizei depois<br />
um período de pós-doutoramento na Universidade de Stanford, nos<br />
Estados Unidos, entre 1994 e 1996. Doutorei-me em Ecologia em<br />
1993, Professora Associada em 1997, a agregação em Botânica em<br />
QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>
18<br />
\\ ENTREVISTA \\<br />
minha matriz de reflexão e de compreensão dos<br />
processos e do funcionamento da vida em geral.<br />
Recorro também a essa matriz cognitiva para<br />
compreender muita coisa da vida em sociedade.<br />
Conhecer os mecanismos que estão na base do<br />
investimento dos seres vivos na sobrevivência, na<br />
comunicação, na composição dos sistemas vivos,<br />
é fascinante. Nada é por acaso e como dizia a Rachel<br />
Carson: “In nature nothing exists alone”.<br />
2000, e Professora Catedrática desde 2003.<br />
Numa entrevista que deu ao jornal Público<br />
disse que teve uma carreira solitária... Como<br />
foi?<br />
No tempo em que iniciei os estudos em Ecologia<br />
não tinha muitos potenciais supervisores da<br />
minha dissertação em Portugal e ainda menos na<br />
Universidade de Coimbra, e fiz por isso uma opção<br />
muito determinada, mas relativamente solitária.<br />
Apresentei os meus trabalhos para defesa<br />
de forma autónoma, em particular as provas de<br />
equiparação ao mestrado, candidatei-me a bolsas<br />
para realizar o doutoramento na Alemanha,<br />
identificando eu mesma com quem queria trabalhar,<br />
partindo da leitura de artigos— não havia o<br />
recurso aos meios digitais de hoje, e fiz as minhas<br />
opções de forma muito solitária.<br />
Que obstáculos teve de ultrapassar? Por ser<br />
mulher foi mais difícil?<br />
Por ser mulher tive de facto alguns dissabores,<br />
em particular no início da carreira, mas foram<br />
ultrapassados com a segurança, o afeto familiar e<br />
a confiança que sempre me incutiram.<br />
Porque escolheu Ecologia no doutoramento?<br />
Foi imediatamente o meu interesse científico.<br />
Logo no 2.º ano percebi que essa seria a minha<br />
escolha e fui procurando no estrangeiro a forma<br />
de crescer nessa área. Comecei pelas provas<br />
equivalentes ao mestrado; estudando o papel da<br />
semente em ambientes extremos e preparei a minha<br />
ida para a Alemanha para iniciar um doutoramento<br />
nesta área. Candidatei-me a uma bolsa<br />
do, Serviço Alemão de Intercâmbio Académico<br />
(DAAD), o que na altura era um processo solitário<br />
e complexo.<br />
Sei que gosta de ecofisiologia... Porquê e o que<br />
podemos aprender com a natureza?<br />
Gosto de ecofisiologia desde sempre e é ainda a<br />
As plantas fascinam-na... Estão há cente<strong>nas</strong> de<br />
milhares de anos no planeta, são resilientes e<br />
colaborativas. Que lições podemos tirar destes<br />
organismos tão especiais?<br />
As plantas são seres vivos extraordinários. Fascinam-me<br />
em particular as árvores, mas de maneira<br />
geral as plantas: a reprodução, a dispersão, o<br />
metabolismo energético, a ocupação e o domínio<br />
da terra, a relação com outras formas de vida e<br />
a sua indispensabilidade para o êxito da vida tal<br />
como a conhecemos.<br />
Está sempre um passo à frente do tempo. Já<br />
doutorada, regressa à Alemanha, concorre a<br />
uma Bolsa na Universidade de Stanford, nos<br />
Estados Unidos, para estudar o impacto do<br />
carbono <strong>nas</strong> alterações globais.<br />
Quando concluí o doutoramento sobre a nutrição<br />
em halófitas, fascinam-me ambientes<br />
extremos e estas toleram por vezes elevadas<br />
concentrações de sal, tinha muito interesse em<br />
abordagens mais complexas/holísticas ao ecossistema.<br />
O projeto que se desenvolvia em Stanford,<br />
na estação biológica de Jasper Ridge e a<br />
supervisão de Harold Monney, uma das mentes<br />
mais brilhantes que conheci, pareceram-me o<br />
melhor enquadramento para desenvolver competências<br />
nesta área.<br />
Solicitei a bolsa à antiga Junta Nacional de Investigação<br />
Científica e Tecnológica (JNICT) e<br />
foi recusada numa primeira fase porque os avaliadores<br />
entenderam que estudar o impacto do<br />
QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>
\\ ENTREVISTA \\<br />
19<br />
“O impacto das Alterações<br />
Climáticas no planeta é<br />
gravíssimo e bem visível<br />
num tempo em que ainda<br />
estamos sob cenários<br />
de temperatura mais<br />
favoráveis”<br />
carbono nos ecossistemas não seria um tema<br />
pertinente no quadro das alterações climáticas,<br />
e a universidade de Stanford não teria o histórico<br />
adequado na área. Acabei por reclamar da<br />
decisão e foi-me concedida. Foi uma experiência<br />
preciosa e muito relevante para o meu percurso.<br />
Regressei à Europa e à universidade de Coimbra,<br />
mas não existiam ainda infraestruturas equiparáveis<br />
para dar continuidade a esta área de estudo<br />
— que nunca deixei de acompanhar.<br />
Qual o verdadeiro impacto das Alterações<br />
climáticas no planeta? Ainda vamos a tempo<br />
de dar a volta a este tema? O que é preciso ser<br />
feito?<br />
O impacto das Alterações Climáticas no planeta<br />
é gravíssimo e bem visível num tempo em que<br />
ainda estamos sob cenários de temperatura mais<br />
favoráveis. Se não formos capazes de manter o<br />
aumento da temperatura nos limites mínimos<br />
propostos no Acordo de Paris, o número e a magnitude<br />
dos eventos extremos será muito grande<br />
e afetará as sociedades mais vulneráveis e tipicamente<br />
mais frágeis do mundo.<br />
Mas mais preocupante do que a crise climática<br />
é a perda de Biodiversidade e parece que não se<br />
fala muito nesta crise?<br />
Infelizmente é uma crise menos conhecida e menos<br />
percecionada pelos cidadãos, mas será cada<br />
vez mais reconhecida pela gravidade imediata<br />
dos seus impactos. A avaliação global realizada<br />
pela Plataforma Intergovernamental de Políticas<br />
Científicas sobre a Biodiversidade e Serviços dos<br />
Ecossistemas (IPBES), em 2019 é muito clara:<br />
cerca de um milhão de espécies ameaçadas. Ora<br />
esta perda dramática terá fortíssimas implicações<br />
para os nossos quotidianos, destacando-se o<br />
sistema alimentar e a saúde.<br />
E Portugal? Como está em termos de Biodiversidade?<br />
Nas últimas duas décadas não se fez muito, e nos<br />
últimos anos em particular, o investimento foi<br />
sobretudo dirigido para o combate aos incêndios.<br />
Verificou-se uma reestruturação na orgânica<br />
do Instituto da Conservação da Natureza e das<br />
Florestas (ICNF) que espero venha a ter um a<br />
influência positiva na gestão e disponibilidade de<br />
recursos humanos nos territórios, mas é preciso<br />
muito mais para garantir a conservação da biodiversidade<br />
em Portugal.<br />
Em Portugal há espécies em vias de extinção?<br />
Há espécies ameaçadas de extinção e haverá<br />
sobretudo uma perda grande da diversidade populacional<br />
de muitas espécies, o que poderá ser<br />
um passo nesse sentido, pelo menos do seu desaparecimento<br />
no território nacional. De todo o<br />
modo, o ICNF em parceria com a comunidade<br />
científica, têm publicado alguns chamados livros<br />
vermelhos que identificam estas espécies para<br />
alguns grupos taxonómicos — em especial os<br />
mais estudados (plantas, vertebrados, mamíferos,<br />
peixes, invertebrados). Mas este esforço de<br />
monitorização deve ser contínuo e o combate às<br />
ameaças tem de ser efetivo e eficaz.<br />
É possível regredir a extinção de espécies?<br />
É possível prevenir a sua perda, respeitando a<br />
preservação dos habitats classificados, reduzindo<br />
as ameaças como as que decorrem das alterações<br />
climáticas, da introdução de espécies exóticas, ou<br />
da poluição de águas e solos. A perda de biodiversidade<br />
tem exatamente esse risco: é irreversível.<br />
Muitas espécies já só existem em cativeiro, o habitat<br />
já não é suficiente para as acolher e garantir<br />
recursos de sobrevivência.<br />
Atualmente é professora universitária e dirige<br />
o Parque de Serralves — 18 hectares de natureza<br />
e uma referência singular no património<br />
da paisagem em Portugal...<br />
É verdade. Não tenho exclusividade na minha<br />
relação laboral com a universidade de Coimbra<br />
e assumi a coordenação do Parque de Serralves,<br />
complementar e em regime parcial. É um parque<br />
belíssimo e é um privilégio coordenar uma equipa<br />
fantástica, dedicada e empenhada nos projetos<br />
de conservação da natureza, da educação<br />
ambiental, da capacidade para criar e assegurar<br />
um ambiente interdisciplinar, criativo e inspirador,<br />
de responsabilidade ambiental e cívica. Uma<br />
instituição à frente do seu tempo — “um farol”<br />
como muito bem disse Artur Santos Silva a propósito<br />
da celebração do centenário do parque,<br />
em 2023.<br />
Já foi também deputada. Como foi estar na<br />
política?<br />
Fui deputada por um período muito curto, na<br />
sequência de ter aceitado um desafio de António<br />
Costa, em 2015. Fui cabeça de lista como<br />
independente do Partido Socialista pelo círculo<br />
eleitoral de Coimbra. Sempre senti a necessidade<br />
e o gosto pela intervenção cívica e vou procurando<br />
participar na construção das soluções que<br />
me parecem mais justas no domínio das políticas<br />
ambientais e científicas. Dou muito valor à<br />
decisão informada e baseada <strong>nas</strong> evidências e,<br />
nesse sentido, admiti que poderia ser útil ao país,<br />
num tempo difícil da nossa história (pós-Troika).<br />
Estava então a concluir um mandato como<br />
vice-reitora da universidade de Coimbra e sentia<br />
a pressão sobre as universidades, numa absurda<br />
QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>
20<br />
\\ ENTREVISTA \\<br />
Desde a COP inaugural em Berlim, em 1995,<br />
o texto final negociado nunca reconheceu o<br />
que é cientificamente evidente: a luta contra o<br />
aquecimento global impõe a rápida redução do<br />
uso de combustíveis fósseis<br />
A nível político, na sua opinião, o Governo<br />
português tem tido cuidado <strong>nas</strong> matérias relacionadas<br />
com as Alterações Climáticas e a<br />
perda de Biodiversidade?<br />
No geral julgo que sim, mas sobretudo no plano<br />
dos compromissos internacionais. Diria que temos<br />
grande fragilidade no plano da preparação<br />
e implementação dos compromissos. O planeamento<br />
que hoje se exige e o conhecimento que<br />
o deve informar, impõe mais recursos humanos<br />
qualificados, consistência na intervenção, e uma<br />
organização e governança distintas.<br />
falta de apoio à universidade e à sua função na<br />
sociedade.<br />
Mas rapidamente percebi que a AR era um lugar<br />
mais adequado para quem de facto pretende fazer<br />
carreira política e muito menos executiva do<br />
que antecipava. A experiência foi relevante e dela<br />
guardo vários ensinamentos úteis.<br />
Mas para mim foi muito mais gratificante a oportunidade<br />
de coordenar a unidade de missão para<br />
a valorização do interior e coordenar o programa<br />
nacional de coesão territorial. Um privilégio conhecer<br />
melhor o meu país e elaborar um conjunto<br />
de medidas de combate à assimetria territorial.<br />
Considera ser fácil implementar as ideias?<br />
Que obstáculos sentiu?<br />
Infelizmente, não senti o apoio político que entendi<br />
indispensável ao estabelecimento da confiança<br />
necessária nos territórios e a quem os administra,<br />
condição indispensável para fazer um<br />
caminho consistente e continuado de combate à<br />
desigualdade. Mas as circunstâncias eram muito<br />
exigentes no plano da convergência político-partidária<br />
e admito que num outro tempo poderia<br />
ter sido diferente.<br />
O que mais poderia ser feito? Quais são os<br />
grandes problemas em matéria de sustentabilidade<br />
no nosso país?<br />
Esta questão é complexa e daria para uma longa<br />
entrevista. Estamos a enfrentar problemas gravíssimos<br />
no acesso à água, em particular para dar<br />
resposta a uma agricultura que está muitas vezes<br />
desajustada do contexto — qualidade do solo e<br />
disponibilidade efetiva de água. Esta sintonia da<br />
política ambiental e agrícola já deveria ter acontecido<br />
há décadas e permanece inefetiva. Temos<br />
também que planear a pressão que resultará da<br />
transição energética nos territórios e os conflitos<br />
que daqui surgirão com outros usos, desde logo<br />
a conservação de recursos naturais. A transição<br />
ecológica — desígnio da sustentabilidade — exige<br />
disponibilidade de dados, decisão informada,<br />
transparência, organização, planeamento, reforço<br />
da inteligência associada ao território. Diria ainda<br />
que o modelo de governança do país é desajustado<br />
aos novos tempos e esta questão não é nova. O<br />
país continua excessivamente centralizado.<br />
Venceu o prémio Ernst Haeckel <strong>2024</strong>, promovido<br />
pela European Ecological Federation<br />
(EEF), o que representou para si?<br />
Fiquei muito sensibilizada e mesmo comovida,<br />
porque senti como um prémio de reconhecimento<br />
de uma carreira não exatamente nos circuitos<br />
que dominam a ciência. Foi também o reconhecimento<br />
da intervenção no plano europeu da organização<br />
e progresso da ciência ecológica. Estou<br />
muito grata por isso também.<br />
Falando agora da COP, anunciaram um fundo<br />
de perdas e danos para ajudar os países mais<br />
QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>
\\ ENTREVISTA \\<br />
21<br />
pobres a fazer a transição. Qual a sua opinião<br />
sobre as conclusões desta COP realizada no<br />
Dubai?<br />
O ano de 2023 confirmou-se como o mais quente<br />
jamais registado, tornando mais evidente o impacto<br />
das alterações climáticas em todas as regiões<br />
do mundo. Tudo indica que o ano de <strong>2024</strong><br />
sublinhará esta tendência, tornando a opinião<br />
pública previsivelmente mais exigente na procura<br />
de respostas efetivas. A verdade é que os atuais<br />
compromissos dos países para reduzir as emissões<br />
de gases com efeito de estufa ainda colocam<br />
o planeta numa trajetória de aumento de 2,9°C<br />
acima da média pré-industrial.<br />
Desde a COP inaugural em Berlim, em 1995, o<br />
texto final negociado nunca reconheceu o que é<br />
cientificamente evidente: a luta contra o aquecimento<br />
global impõe a rápida redução do uso<br />
de combustíveis fósseis. Embora o carvão tenha<br />
recebido uma menção tímida no texto negociado<br />
em Glasgow em 2021, as discussões sobre petróleo<br />
e gás foram sempre inconsequentes. A COP<br />
28 emendou essa orientação e, pela primeira vez,<br />
reconheceu a necessidade de reduzir os combustíveis<br />
fósseis para a descarbonização das economias<br />
do mundo.<br />
Mas estas conclusões são mais um empurrar<br />
com a barriga, ou será desta que veremos as<br />
emissões de carbono a descer?<br />
A minha melhor expetativa é que este acordo seja<br />
consequente e que os países intensifiquem os esforços<br />
e superem as suas promessas no âmbito do<br />
acordo de Paris. Para cumprir as metas de 2 °C e<br />
1,5 °C, as emissões para 2030 devem ser reduzidas<br />
em pelo menos 28-42% (respetivamente) face<br />
aos cenários atuais. Alcançar essas metas depende<br />
do reforço da mitigação, concentrando-se na<br />
redução das emissões de gases com efeito de estufa,<br />
aproveitando as capacidades de armazenamento<br />
de carbono pela natureza e triplicando a<br />
capacidade global de energia renovável até 2030.<br />
A integração da natureza no equilíbrio global é<br />
fundamental.<br />
É verdade que a realização da COP no Dubai,<br />
sob a presidência petrolífera dos Emirados Árabes<br />
Unidos, suscitou a desconfiança generalizada<br />
sobre o seu potencial para alterar o curso da<br />
atual crise climática. Todavia, o reconhecimento<br />
do fim dos combustíveis fósseis e o incentivo ao<br />
fundo de perdas e danos, deixaram um sinal de<br />
esperança que devemos apoiar e consolidar.<br />
Vale a pena destacar que o dia inaugural da<br />
COP28 trouxe outro desenvolvimento promissor:<br />
um acordo histórico para ajudar as nações<br />
mais pobres e vulneráveis do mundo a combater<br />
os impactos irreversíveis da catástrofe climática.<br />
É preciso agora garantir operações transparentes<br />
e um acesso fácil e direto aos fundos para as<br />
comunidades vulneráveis para o êxito desta iniciativa.<br />
Para quando a COP que priorizará a biodiversidade?<br />
A mais importante conferência da década sobre<br />
biodiversidade (COP15) aconteceu no final de<br />
2022 em Montreal, no Canadá, e produziu um<br />
acordo histórico (Kunming-Montreal) — um<br />
novo quadro global para travar a erosão da biodiversidade<br />
até 2030. Entre outros objetivos e<br />
metas mensuráveis, destaco a proteção de pelo<br />
menos 30% de ecossistemas terrestres e marinhos<br />
até 2030; o restauro de 3 mil milhões de hectares<br />
(terra e mar); o empenho em travar a extinção<br />
de espécies causada pela atividade humana; um<br />
reforço da ligação entre a biodiversidade e o clima<br />
através de soluções baseadas na natureza. A<br />
COP 16 realizar-se-á em <strong>2024</strong> na Colômbia, um<br />
dos países que mais tem lutado pela priorização<br />
da biodiversidade no quadro da política ambiental<br />
global, e cujo compromisso com a Amazónia<br />
é muito relevante. Tenho grande expetativa nos<br />
resultados desta COP.<br />
Pode apontar três razões que tornam a biodiversidade<br />
sagrada para a vida na Terra...<br />
Os ecossistemas prestam vários serviços que beneficiam<br />
direta e indiretamente o bem-estar humano.<br />
Esses serviços incluem a polinização de culturas,<br />
a purificação da água, a regulação de doenças,<br />
a regulação climática, entre outros. A perda de<br />
biodiversidade levará ao declínio desses serviços,<br />
impactando a produtividade agrícola, a qualidade<br />
da água e a saúde humana. Para transformar os<br />
sistemas sociais e económicos e promover a resiliência<br />
face aos impactos climáticos, o mundo vai<br />
ter de salvaguardar a biodiversidade e investir em<br />
soluções baseadas na natureza.<br />
Como está Portugal a olhar e a preservar a sua<br />
biodiversidade? Pode dar um ou dois exemplos?<br />
O que merece nota negativa da sua parte?<br />
Portugal é um país biodiverso, com uma relevante<br />
rede de espaços protegidos (em distintas categorias),<br />
mas tem feito pouco para garantir a sua conservação<br />
efetiva. O nosso Parque Nacional (Gerês)<br />
— que integra uma Reserva da Biosfera Transfronteiriça<br />
—, tem feito um significativo esforço de<br />
conservação da biodiversidade, reforçando a capacidade<br />
de gestão e vigilância, mas as nossas zo<strong>nas</strong><br />
húmidas e as valiosas turfeiras estão muito desprezadas.<br />
Nota negativa tem a rede Natura 2000, uma<br />
rede ecológica europeia que ainda não mereceu a<br />
devida atenção dos poderes públicos. De forma<br />
positiva destaco o esforço recente na promoção das<br />
Reservas da Biosfera, com particular empenho nos<br />
arquipélagos da Madeira e dos Açores.<br />
Se pudesse chegar aos 10 milhões de portugueses<br />
num só desejo, o que pediria para fazer em<br />
<strong>2024</strong> visando melhorar a vida no planeta?<br />
Os tempos exigem uma relação renovada e cúmplice<br />
com a natureza, inspirada pela ecologia e pelo<br />
bem comum. Se cada português for embaixador<br />
da área protegida mais próxima, procurando conhecer<br />
e divulgar a sua biodiversidade, cuidará do<br />
planeta e das pessoas..<br />
QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>
22 \\ ENERGIA RENOVÁVEL \\<br />
ENERGIA<br />
RENOVÁVEL<br />
OU MORTE DA FLORESTA?<br />
QUEIMAR MADEIRA TEM MAIS EMISSÕES POR UNIDADE DE ENERGIA ELÉTRICA<br />
GERADA DO QUE O CARVÃO. SERÁ A BIOMASSA ASSIM TÃO VERDE?<br />
\\ Por Teresa Cotrim<br />
Passaram ape<strong>nas</strong> cerca de trinta anos até muitas famílias<br />
portuguesas rurais terem fogões a gás ou a<br />
eletricidade. A madeira é utilizada como fonte de<br />
energia para assegurar serviços essenciais de subsistência<br />
desde sempre. Cerca de um terço da população<br />
mundial, ou seja, perto de 2,4 mil milhões de pessoas, utilizam-na<br />
para ferver a água que bebem, cozinhar os alimentos e<br />
aquecer-se. Segundo dados da Organização para a Alimentação e<br />
Agricultura das Nações Unidas (FAO), a dependência de origem<br />
florestal é particularmente elevada em África (63%), na Ásia e<br />
Oceânia (38%) e na América Latina e Caraíbas (15%). Mas nem<br />
só as populações subdesenvolvidas, ou as afetadas por desastres<br />
naturais, ou crises humanitárias dependem da energia de origem<br />
vegetal. A FAO estima que pelo menos 88,5 milhões de pessoas,<br />
em especial na Europa e na América do Norte, encontrem nos<br />
materiais lenhosos a sua principal fonte de energia, utilizando-<br />
-a, por exemplo, para aquecimento. A lenha, incluindo pellets<br />
e briquetes, é utilizada em queima direta para aquecimento em<br />
lareiras ou em caldeiras que providenciam água quente, quer em<br />
contexto doméstico, quer em contexto industrial.<br />
Porém, o que está a acontecer segundo Filipe Duarte Santos,<br />
Presidente do Conselho Nacional do Ambiente e do Desenvolvimento<br />
Sustentável (CNADS), em Portugal e numa escala maior, a<br />
nível europeu é a “utilização de madeira — não de resíduos florestais,<br />
para produzir energia”, ou seja, a madeira boa está a ser usada<br />
como biocombustível e segundo Filipe Duarte Santos “é uma<br />
prática recomendada pelo Intergovernmental Panel on Climate<br />
Change (IPCC) com base no pressuposto de que a biomassa faz<br />
parte de um ciclo e, portanto, aqueles troncos de árvores que se<br />
queimam, mais tarde a floresta de onde estes vieram será regenerada.<br />
O dióxido de carbono será de novo resgatado da atmosfera”.<br />
O professor catedrático, contudo, defende que esta prática não é<br />
compatível, por um lado com o tempo que uma floresta demora<br />
a recuperar e por outro, com a urgência de cumprir as metas de<br />
aumento da temperatura estipuladas pelo Acordo de Paris. O que<br />
na sua opinião é diferente de queimar resíduos florestais ou mato.<br />
Mas há mais: um artigo científico publicado por várias cientistas,<br />
divulgou que o facto de se continuar a substituir as centrais<br />
térmicas a carvão por centrais térmicas de biomassa, ou seja, em<br />
vez de se fazer a combustão com o carvão, faz-se com a madeira<br />
QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>
\\ ENERGIA RENOVÁVEL \\<br />
23<br />
está-se a produzir mais emissões. “A madeira<br />
produz mais emissões por unidade de energia<br />
elétrica gerada do que o carvão”. O que acontece<br />
também quando se queima pellets.<br />
MAS O QUE É A BIOMASSA?<br />
O problema começa aqui. Para João Gonçalves,<br />
presidente do Centro PINUS, Associação<br />
sem fins lucrativos que reúne os principais<br />
agentes da Fileira do Pinho, faz falta uma definição<br />
sobre o que são os resíduos de exploração<br />
florestal. “É preciso encontrar uma definição<br />
que salvaguarde a madeira para usos mais<br />
nobres”. Opinião partilhada por Nuno Forner,<br />
da Associação Siatema Terrestre Sustentável<br />
(Zero) “a legislação refere que será publicada<br />
por portaria uma definição de “biomassa<br />
florestal residual”, o que ainda não aconteceu”.<br />
O ambientalista, refere também que “deveria<br />
ser clarificado em que condições a biomassa<br />
florestal residual poderá ser utilizada desde<br />
que garantida a sustentabilidade” como, por<br />
exemplo, utilizar resíduos florestais promovendo<br />
a valorização energética no final da<br />
cadeia; apoiar unidades ape<strong>nas</strong> com elevados<br />
níveis de eficiência, ou seja, que façam o aproveitamento<br />
da eletricidade e calor, e não o que<br />
sucede na maioria das unidades de produção,<br />
em que ape<strong>nas</strong> se aproveita a eletricidade,<br />
com uma eficiência abaixo dos 40%.<br />
Outra formas, na sua opinião, é utilizar os<br />
resíduos florestais secundários, ou seja, os resultantes<br />
do processo industrial quando estes<br />
não têm outra forma de valorização e por fim,<br />
recorrer a peque<strong>nas</strong> unidades de produção<br />
locais que poupam na logística, mais concretamente<br />
no transporte. A zero diz ainda que<br />
a legislação existente estabelece a promoção<br />
da energia a partir da biomassa, mas é “muito<br />
vaga sobre o que pode ser queimado nessas<br />
unidades. Não proíbe a queima de troncos,<br />
por exemplo, o que deixa uma brecha para<br />
que o possam fazer.<br />
João Gonçalves, diz que o importante é<br />
não se queimar árvores para produzir energia,<br />
quer em queima direta em centrais, quer na<br />
produção de pellets para posterior produção<br />
de energia em centrais ou mesmo na produção<br />
de pellets para gerar calor, quando muitas<br />
vezes, essa geração de calor gera menos valor<br />
do que a utilização da mesma madeira para<br />
outros fins mais duradouros. O Presidente do<br />
Centro PINUS realça que sendo a madeira<br />
um material renovável, reutilizável e reciclável,<br />
só cumpre a sua função plena quando se<br />
garante a sua circularidade em cadeias de valor<br />
que cumprem o princípio do uso em cascata.<br />
“Só deve ter como destino a queima, a<br />
madeira que não pode ser usada em produtos<br />
de maior valor acrescentado”.<br />
TIPOS DE BIOMASSA<br />
USADOS PARA<br />
FORNECER ENERGIA<br />
• Resíduos, incluindo-se nestes os resíduos<br />
florestais e os das indústrias da fileira<br />
florestal<br />
• Resíduos agrícolas e das industrias agroalimentares,<br />
bem como os seus efluentes.<br />
• Excreção animal proveniente das<br />
explorações pecuárias<br />
• Fracção orgânica dos resíduos sólidos<br />
urbanos<br />
• Esgotos urbanos<br />
• Culturas energéticas, incluindo as<br />
culturas de curta rotação.<br />
QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>
24<br />
\\ ENERGIA RENOVÁVEL \\<br />
2022, diz que houve um défice estrutural de<br />
madeira de pinho que representa já 56% do<br />
consumo industrial anual, com tendência a<br />
aumentar de forma significativa nos próximos<br />
anos, tendo consequências na atividade das<br />
indústrias desta fileira. “A queima de madeira<br />
para produção de energia ameaça milhares<br />
de empregos na fileira do pinho em Portugal,<br />
uma vez que a floresta portuguesa já não produz<br />
matéria-prima suficiente para abastecer as<br />
necessidades de todas as empresas existentes”.<br />
A utilização da biomassa para produção de<br />
energia conforme o Balanço Energético Sintético<br />
de 2022, elaborado pela Direcção-Geral<br />
de Energia e Geologia (DGEC), representou<br />
15,7% do consumo de energia primária em<br />
Portugal, sendo a região centro responsável<br />
por 69% da energia elétrica produzida no país a<br />
“<br />
É preciso encontrar<br />
uma definição<br />
que salvaguarde a<br />
madeira para usos<br />
mais nobres.<br />
João Gonçalves,<br />
presidente do Centro PINUS<br />
OS NÚMEROS FALAM POR SI!<br />
A verdade é que o desenvolvimento da indústria<br />
de base florestal em Portugal originou<br />
um setor com elevado Valor Acrescentado<br />
Nacional. Só a indústria do pinho abarca 80%<br />
dos postos de trabalho <strong>nas</strong> indústrias florestais<br />
(58.223 trabalhadores), numa amostra de<br />
8373 empresas. No total — com outras fileiras<br />
da madeira, este setor é responsável por cerca<br />
de 5% do PIB e, em 2022, por 9,1% das exportações<br />
nacionais, segundo dados do Instituto<br />
Nacional de Estatística. Mas os números estão<br />
comprometidos. O Presidente do Centro<br />
PINUS, citando o relatório de atividade de<br />
partir de biomassa, que inclui resíduos vegetais<br />
e licores sulfitivos. Mas será uma boa opção?<br />
Nuno Forner, da Associação Ambientalista<br />
Zero, diz não serem contra o aproveitamento<br />
de resíduos florestais, são contra, sim ao uso<br />
de madeira boa para queima. A questão prende-se,<br />
em grande medida, no que se considera<br />
QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>
\\ ENERGIA RENOVÁVEL \\<br />
25<br />
SEM REI<br />
NEM ROQUE!<br />
A floresta portuguesa ocupa 35,4% do<br />
país, com uma área de mais de três<br />
milhões de hectares, mas está <strong>nas</strong> mãos<br />
dos cidadãos, ou seja, 84,2% da floresta<br />
em Portugal está na posse de privados,<br />
13,8% em terrenos comunitários e<br />
ape<strong>nas</strong> 2% é gerida pelo estado. Segundo<br />
o documento Biomassa em Portugal,<br />
elaborado pela Zero, menos de 0,5% da<br />
cobertura florestal é floresta nativa, valor<br />
quatro vezes inferior à média da EU, sendo<br />
que a grande maioria são monoculturas<br />
com um número reduzido de espécies.<br />
Matos e pastagens (32%) constituem o<br />
segundo maior uso do solo, sendo que os<br />
arbustos ocupam (52%) dessas áreas. As<br />
áreas agrícolas correspondem a 24% da<br />
área continental.<br />
“A floresta está muito fragmentada. As<br />
conclusões de uma investigação do Grupo<br />
de trabalho de Propriedade Rústica são<br />
claras: temos 11,5 milhões de prédios<br />
rústicos em Portugal Continental. Temos<br />
mais prédios rústicos do que população”,<br />
constata Filipe Duarte Santos, afirmando<br />
ainda que 3,4 milhões são heranças<br />
indivisas — têm muitos herdeiros<br />
espalhados pelo mundo. “Isto não dá<br />
valor económico, por isso, conduz ao<br />
abandono”. Na sua opinião, deveria<br />
haver uma tentativa mais empenhada no<br />
sentido do emparcelamento para que a<br />
gestão da floresta fosse economicamente<br />
mais rentável.<br />
apto à queima. É neste ponto que a Associação<br />
Zero discorda: “a queima de biomassa florestal<br />
para produção de energia não é neutra<br />
em termos de carbono”. Segundo a associação,<br />
a queima de biomassa emite imediatamente<br />
grandes quantidades de gases com efeito de<br />
estufa, sendo que são necessárias décadas ou<br />
séculos para que as florestas cresçam novamente<br />
e sequestrem o carbono libertado pela<br />
queima, o que é demasiado tempo para contribuir<br />
efetivamente para o objetivo de 1,5.°C<br />
do Acordo de Paris. Isto sem esquecer que<br />
“compromete o potencial de mitigação das<br />
alterações climáticas das florestas” e que “o<br />
abate de árvores em larga escala para utilização<br />
de biomassa no setor energético contribui<br />
para a redução da capacidade de sequestro<br />
das florestas”.<br />
Para João Gonçalves tudo começa com<br />
a Diretiva Europeia (sobre as energias renováveis)<br />
de 2009 que considera as emissões de<br />
queima de madeira como sendo neutras. O<br />
responsável do Centro PINUS esclarece que<br />
a Diretiva, aquando da queima de madeira<br />
para a produção de energia, é considerada<br />
como neutra porque a madeira é renovável.<br />
“Demora é muito tempo”, aponta o executivo<br />
e acrescenta que “renovável não é sinónimo<br />
de sustentável”. Basta pensar que um pinheiro<br />
demora 40 a 50 anos a chegar à fase adulta.<br />
Portanto, na opinião de João Gonçalves, não<br />
é lógico pensar que a queima dessa árvore é<br />
algo neutro por ser possível plantar outra árvore<br />
no mesmo local. O executivo considera<br />
que deveria ser considerado todo o ciclo de<br />
vida da árvore, apontando que há falta de informação<br />
e que, na prática “estamos a pagar<br />
para que se queime árvores, que poderiam ser<br />
utilizadas em usos mais nobres, e com valor<br />
acrescentado”.<br />
A estes pontos negativos a Zero acrescenta<br />
outro: “a utilização de biomassa para<br />
produção de energia afasta o investimento<br />
de outras energias renováveis”. No entanto, o<br />
governo português parece ter uma visão diferente.<br />
Em outubro, o Conselho de Ministros<br />
aprovou o Plano de Ação da Estratégia Nacional<br />
de Combate à Pobreza 2022-2025. Decreto-lei<br />
que reformula os procedimentos relativos<br />
aos pedidos de instalação e exploração<br />
de novas centrais de valorização de biomassa.<br />
Em comunicado o governo afirmou que o<br />
diploma em causa “abre caminho ao lançamento<br />
concorrencial relativo à atribuição dos<br />
títulos de reserva de capacidade para injeção<br />
na rede elétrica de serviço público”. De referir<br />
que o diploma aprovado permite ao governo<br />
lançar um procedimento concorrencial destinado<br />
à atribuição dos títulos de reserva de<br />
capacidade para a injeção na rede elétrica de<br />
serviço público, no total de 60 MW e com o<br />
limite de 10 MW por cada central. E o certo<br />
é que, no mesmo mês, o Fundo Ambiental do<br />
Ministério do Ambiente e da Ação Climática<br />
lançou um Aviso de atribuição de apoio a projetos<br />
de geração de energia à escala local em<br />
peque<strong>nas</strong> centrais de biomassa, cuja dotação<br />
global é de dois milhões de euros.<br />
A grande questão — além de, segundo<br />
a Zero, ser falso que a queima de biomassa<br />
seja neutra em carbono — prende-se com<br />
o material que se queima. Para a associação<br />
“na realidade o que se constata no terreno é<br />
condizente com a exploração insustentável<br />
dos recursos florestais quando troncos de madeira<br />
de qualidade estão a ser queimados para<br />
produzir eletricidade ou a ser transformados<br />
em pellets de madeira para alimentar as necessidades<br />
de um mercado europeu ávido de<br />
matéria-prima para incinerar <strong>nas</strong> centrais de<br />
biomassa, agravando o défice de matéria-prima<br />
na indústria portuguesa”.<br />
O estudo da Biomassa em Portugal diz<br />
também que a estrutura florestal portuguesa<br />
QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>
26<br />
“<br />
Deveria<br />
ser clarificado em que<br />
condições a biomassa<br />
florestal residual poderá<br />
ser utilizada desde<br />
que garantida a<br />
sustentabilidade.<br />
Nuno Forner,Associação<br />
Siatema Terrestre Sustentável<br />
mudou nos últimos anos com ape<strong>nas</strong> três espécies<br />
— as de maior valor económico, a ocuparem<br />
75% da área florestal. São elas, o eucalipto<br />
(26%), o sobreiro (23%) e o pinheiro-bravo<br />
(23%). Os dois últimos são nativos de Portugal,<br />
enquanto o eucalipto é uma espécie exótica.<br />
Devido à indústria e pasta do papel o eucalipto<br />
passou a substituir o pinheiro, depois os<br />
incêndios também têm devastado esta espécie.<br />
E, foi precisamente, a partir de 2006 após a Implementação<br />
do Plano Nacional de Defesa das<br />
Florestas Contra Incêndios, que os sucessivos<br />
governos têm defendido a produção de energia<br />
a partir da biomassa florestal como forma de<br />
reduzir o risco de incêndio.<br />
Quanto à distribuição do consumo de madeira<br />
de pinho por setor, a serração representa<br />
42%, seguindo-se as Pellets com 20%, os painéis<br />
16%, o papel 13%, a biomassa 5% e por fim,<br />
o tratamento com 4%. João Gonçalves, remata:<br />
“o que me preocupa não é a biomassa porque<br />
essa indústria consegue produzir energia com<br />
vários resíduos — só recorre a madeira boa<br />
quando o preço da energia é compensador. Já<br />
as pellets só produzem com madeira boa. Não<br />
podem ter areias, nem cascas”, explica, dizendo<br />
que essa indústria tem tido muitos apoios por<br />
parte do Executivo e lamenta que parte do que<br />
é produzido nem seja para Portugal.<br />
PRINCIPAIS FACTOS SOBRE A<br />
INDÚSTRIA DE PELLETS EM PORTUGAL<br />
• Em 2021 mais de 1,5 milhões de toneladas de madeira foram usadas para produzir pellets em<br />
Portugal. Cerca de metade foram exportadas para centrais de produção de energia no norte da<br />
Europa, sendo a central do Reino Unido, Drax a maior consumidora (23%).<br />
• Embora a produção de pellets esteja a diminuir, em 2023 também recuou. Está em concurso a<br />
instalação de 60 megawatts para produzir eletricidade e aproveitar calor.<br />
• Em Portugal os produtores de pellets receberam pelo menos 100 milhões de euros de<br />
financiamento desde 2008, com a maioria destes fundos a serem encaminhados para fábricas<br />
que vendem para as centrais de produção de eletricidade no norte da Europa.<br />
• Os aumentos das matérias-primas prejudicaram os produtores de pellets, mas a invasão da<br />
Ucrânia pela Rússia fez disparar os preços do gás, mas também o preço dos pellets porque<br />
a Europa reduziu a dependência do gás russo e proibiu a importação de pellets de madeira<br />
daquele país.<br />
• Estima-se que em 2021 Portugal produziu 815 mil toneladas de pellets de madeira — foram<br />
exportadas 510 mil toneladas, a maioria das exportações para Reino Unido (220 mil toneladas),<br />
Espanha (127 mil toneladas), Dinamarca (121 mil toneladas) e Holanda (40 mil toneladas).<br />
• Mais de metade da produção de pellets em Portugal teve como destino a produção de calor<br />
na indústria e setor residencial. A outra metade foi queimada <strong>nas</strong> centrais de carvão que foram<br />
convertidas e outras centrais de queima de biomassa para produção de eletricidade no Reino<br />
Unido, na Dinamarca e na Holanda.<br />
• Em Portugal existem 26 fábricas de pellets, 16 das quais são de grande escala (mais de 40<br />
mil toneladas por ano) e 10 são pequenos produtores (menos de 40 mil toneladas por ano).<br />
• A capacidade instalada é de 1,7 milhões de toneladas por ano, correspondendo a 3 milhões<br />
de toneladas de madeira.<br />
• O pinheiro-bravo é a principal espécie usada pelos produtores de pellets e a maior parte da<br />
matéria-prima vem do abate de árvores, em cortes finais ou intermédios. O consumo de pinho<br />
em 2021, foi 57% acima da capacidade de produção, mas com a abertura de duas novas<br />
fábricas, em 2022 e a reabertura de outra que esteve fechada, decerto os números serão mais<br />
elevados, uma vez que a capacidade de produção representou um aumento de 50%.<br />
• Fontes secundárias de matéria-prima como os “subprodutos de serração”, como serrim, estilha<br />
e costaneira, constituem 25%.<br />
Fonte: Barómetro Anual, Indústria dos Pellets, 2022, Associação Zero<br />
QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>
27<br />
ODS<br />
7<br />
ENERGIA LIMPA E ACESSÍVEL<br />
OObjetivo de Desenvolvimento<br />
Sustentável (ODS) 7, definido<br />
pelas Nações Unidas, é<br />
assegurar o acesso confiável,<br />
sustentável, moderno e a preço acessível à<br />
energia para todos até 2030. Este objetivo é<br />
fundamental para o progresso mundial, pois<br />
o acesso à energia afeta vários aspetos do<br />
desenvolvimento humano e económico, incluindo<br />
saúde, educação, segurança alimentar,<br />
igualdade de género, redução da pobreza<br />
e mitigação das alterações climáticas.<br />
O ODS 7 é composto por várias metas específicas<br />
que visam não ape<strong>nas</strong> melhorar o<br />
acesso à energia, mas também aumentar a<br />
proporção de energia renovável no mix energético<br />
global e melhorar a eficiência energética.<br />
Algumas dessas metas incluem:<br />
Até 2030, assegurar o acesso universal a<br />
serviços de energia acessíveis, confiáveis<br />
e modernos. Isto significa que todos os habitantes<br />
do planeta devem ter acesso a serviços<br />
de energia suficientes, seguros e de alta<br />
qualidade, a custos que não impeçam outras<br />
necessidades básicas.<br />
Aumentar substancialmente a participação<br />
de energias renováveis na matriz energética<br />
global. O foco é promover fontes de<br />
energia como solar, eólica, hidroelétrica e<br />
biomassa, reduzindo a dependência de combustíveis<br />
fósseis, que são os principais contribuintes<br />
para as emissões de gases com efeito<br />
de estufa.<br />
Duplicar a taxa global de melhoria da<br />
eficiência energética. O que envolve investimentos<br />
em tecnologias que permitem o<br />
mesmo nível de atividade com menos energia,<br />
melhorando assim a eficiência com que a<br />
energia é utilizada em todos os setores.<br />
Aumentar a cooperação internacional<br />
para facilitar o acesso à pesquisa e tecnologia<br />
de energia limpa. A colaboração internacional<br />
é crucial para o desenvolvimento e<br />
distribuição de tecnologias de energia renovável<br />
e eficiência energética, especialmente<br />
nos países em desenvolvimento.<br />
Expandir a infraestrutura e a tecnologia<br />
para fornecer serviços de energia modernos<br />
e sustentáveis para todos nos países em<br />
desenvolvimento. Para tal são necessários<br />
investimentos em infraestrutura de energia<br />
renovável e na modernização da infraestrutura<br />
energética para torná-la mais sustentável<br />
e eficiente.<br />
O sucesso na realização do Objetivo de Desenvolvimento<br />
Sustentável 7 é um passo crítico<br />
para alcançar outros ODS, pois o acesso<br />
à energia limpa e acessível desempenha um<br />
papel vital na promoção de oportunidades de<br />
educação e emprego, na redução da pobreza,<br />
no apoio à inovações industriais e tecnológicas,<br />
e na mitigação das alterações climáticas.<br />
O progresso em direção a este objetivo exige<br />
esforços conjuntos de governos, setor privado,<br />
sociedade civil e comunidade internacional.<br />
Este ODS é reconhecido como um dos<br />
pilares fundamentais para o progresso humano<br />
e desenvolvimento económico.<br />
QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>
28 \\ INTRODUÇÃO \\<br />
VENTOS FAVORÁVEIS NAS<br />
ENERGIAS<br />
VERDES<br />
EÓLICA E HÍDRICA LIDERARAM EM 2023, MAS O SOLAR TAMBÉM CRESCEU 8,2%. PORTUGAL<br />
ESTÁ NO BOM CAMINHO PARA ATINGIR OS OBJETIVOS ATÉ 2030<br />
\\ Por Teresa Cotrim<br />
Oano de 2023 foi bom para as energias renováveis, tendo<br />
estas atingido o máximo histórico, muito devido a um<br />
ano favorável em termos de regime hídrico e ao aumento<br />
da geração solar fotovoltaica. Segundo a Associação Portuguesa<br />
de <strong>Energias</strong> Renováveis (APREN), a produção<br />
renovável solar aumentou, na ordem dos 43%, passando a representar<br />
8,2% da produção anual total da eletricidade em Portugal . Já a produção<br />
de eletricidade a partir de combustíveis fósseis teve uma redução<br />
de 15% face ao total de eletricidade do ano 2022; além disso, os preços<br />
de mercado de eletricidade estabilizaram em 2023. A nível nacional,<br />
foi também submetida a revisão ao Plano Nacional de Energia e Clima<br />
(PNEC2030), com novas metas para as renováveis, significativamente<br />
mais ambiciosas, passando de um total de 27,5 GW de potência renovável<br />
instalada até 2030, para 43,2 GW.<br />
Quanto ao desempenho da eletricidade renovável em 2023, a<br />
APREN garante que todos os centros electroprodutores de Portugal<br />
Continental produziram, em 2023, um total de 44.128 GWh<br />
(gigawatts por hora) de eletricidade, proveniente em 70,7% de fonte<br />
renovável, atingindo um máximo histórico de produção renovável.<br />
“Este total foi maioritariamente suportado pela tecnologia eólica, que<br />
representou 29%, seguido da tecnologia hídrica com 27%, o solar fotovoltaico<br />
com 8,2% e a biomassa com 6,6%”.<br />
Para a APREN, o ano de 2023 ficou também marcado pela publicação<br />
de vários elementos no âmbito do pacote legislativo europeu<br />
REPowerEU, que surgiu com o objetivo de reduzir a dependência dos<br />
combustíveis fósseis, em particular os russos, e acelerar a transição<br />
para as energias renováveis, para um sistema energético mais resiliente<br />
e seguro. Foi também lançada, em março, a consulta pública para<br />
o Net-Zero Industry Act, com uma proposta que prova o compromisso<br />
da Comissão Europeia em assegurar um papel de lideranla na<br />
transição para tecnologias com emissões nulas, assegurando assim os<br />
objetivos do REPowerEU.<br />
A mesma fonte anunciou ainda que posteriormente, foi publicada,<br />
em abril, a terceira versão da Diretiva das Renováveis (RED III),<br />
que estabelece a meta de incorporação renovável no consumo final de<br />
energia para 2030 de 42,5%, com um complemento indicativo adicional<br />
de 2,5% que permitirá atingir os 45%, para o qual todos os Estados-<br />
-Membros devem contribuir. Para tal, a RED III incorpora uma série<br />
de novos objetivos e desenvolvimentos a temas já em curso, tais como:<br />
• Integração de energia renovável nos edifícios;<br />
• Levantamento das zo<strong>nas</strong> necessárias ao cumprimento das metas<br />
2030;<br />
• Definição das zo<strong>nas</strong> de aceleração de implementação de energias<br />
renováveis;<br />
QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>
\\ INTRODUÇÃO \\<br />
29<br />
• Maior participação pública;<br />
• Definição das zo<strong>nas</strong> para infraestruturas de rede e de armazenamento;<br />
• Simplificação dos procedimentos de concessão de licenças;<br />
• Adequação dos recursos das autoridades competentes;<br />
• Classificação de projetos de energia renovável enquanto projetos<br />
de interesse público superior.<br />
Foi também publicado, no mesmo mês, o ato delegado relativo ao<br />
princípio da adicionalidade, que com a RED III, estabeleceram<br />
novas metas para a produção de hidrogénio verde e os princípios<br />
necessários para a produção de RFNBOs (combustíveis renováveis<br />
de origem não biológica). Consequentemente, foi lançado<br />
um leilão piloto europeu em novembro de 2023, em que as candidaturas<br />
dos projetos estão abertas até dia 8 de fevereiro, conta<br />
com 800 milhões de euros para projetos de produção de hidrogénio<br />
verde com uma potência mínima de 5 MW. Dos critérios de<br />
avaliação do leilão destaca-se a preferência de os equipamentos<br />
serem produzidos na Europa, assegurando o alinhamento com<br />
o NZIA.<br />
“A nível nacional, avançou-se com a simplificação dos processos<br />
de licenciamento ambiental, com a publicação do Decreto-<br />
-Lei n.º 11/2023, que tinha já sido anunciado pelo Governo em<br />
2022, enquanto novo pacote de medidas do SIMPLEX. Este diploma<br />
veio eliminar várias situações em que seria necessária uma<br />
análise caso-a-caso, a redefinição de limiares que sujeitam os projetos<br />
à necessidade de Avaliação de Impacte Ambiental (AIA), e<br />
a eliminação de AIA para a produção de hidrogénio verde”, diz a<br />
APREN.<br />
Portugal está a apostar em várias frentes que irão assegurar a<br />
transição energética, nomeadamente através do desenvolvimento<br />
do setor eólico offshore. Neste sentido, o Grupo de Trabalho<br />
dedicado ao offshore, criado pelo Governo ainda em 2022, no<br />
qual a APREN é parte integrante, continuou os seus trabalhos<br />
durante 2023, para garantir que até 2030 estarão atribuídos 10<br />
GW de potência de ligação e serão instalados 2 GW de capacidade.<br />
QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>
30<br />
\\ ENERGIA SOLAR \\<br />
SOLAR<br />
GANHA TERRENO NAS<br />
ENERGIAS RENOVÁVEIS<br />
ENERGIA SOLAR FOTOVOLTAICA DEVE CRESCER 6,5% EM PORTUGAL ATÉ 2029 E A<br />
APOSTA NOS PAINÉIS FLUTUANTES JÁ ESTÁ A ACONTECER. O ALENTEJO É A REGIÃO<br />
MAIS COBIÇADA<br />
\\ Por Teresa Cotrim<br />
Portugal é dos países da Europa com melhores<br />
condições para o aproveitamento da energia solar.<br />
Por cá, o sol brilha cerca de 300 dias por ano.<br />
As regiões portuguesas com maior radiação são o<br />
Algarve, o Alentejo e a Madeira. No entanto, a produção não<br />
é sempre igual ao longo do ano, nem do dia. O pico de produção<br />
mais rentável ocorre entre as 11h00 e as 16h00, entre<br />
maio e setembro. Francisco Ferreira, presidente da Zero, Associação<br />
Sistema Terrestre Sustentável, acredita que esta será<br />
a principal fonte de energia renovável para gerar energia elétrica.<br />
“Em 2035, esperamos atingir os 100% de fornecimento<br />
de eletricidade, através das renováveis. A energia solar será a<br />
melhor opção”.<br />
As notícias são animadoras. Segundo um comunicado da<br />
REN, Redes Energéticas Nacionais, em julho de 2023, 10%<br />
do consumo de eletricidade do país foi oriundo da energia<br />
solar, uma percentagem record até agora. A Associação de<br />
<strong>Energias</strong> Renováveis (APREN) também refere que a produção<br />
renovável solar aumentou, na ordem dos 43%, passando<br />
a representar 8,2% da produção total de eletricidade em Portugal,<br />
resultante do aumento significativo da capacidade<br />
instalada.<br />
COMO SE PRODUZ A LUZ DO SOL?<br />
A produção de eletricidade usando o sol é possível utilizando<br />
painéis solares fotovoltaicos ou painéis solares térmicos. “No<br />
primeiro caso, as células fotovoltaicas ao receberem raios solares<br />
transformam-nos em eletricidade. No segundo usam-se<br />
espelhos que concentram a luz solar para aquecer um fluido,<br />
gerando vapor que faz rodar as pás de uma turbina, criando<br />
um movimento de rotação do eixo do gerador que produz<br />
eletricidade. O sol também pode ser usado para aquecer as<br />
águas domésticas, ou de processos industriais evitando o uso<br />
de eletricidade, ou gás”, explica o site da APREN, Associação<br />
de <strong>Energias</strong> Renováveis.<br />
A análise Portugal Solar Energy & Market Size, da Mordor<br />
Intelligence, empresa de estudos de mercado, revelou que<br />
o mercado português de energia solar entre <strong>2024</strong> e 2029 deve<br />
QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>
\\ ENERGIA SOLAR \\<br />
31<br />
Em 2035, esperamos<br />
atingir os 100% de<br />
fornecimento de<br />
eletricidade, através das<br />
renováveis. A energia<br />
solar será a melhor<br />
opção<br />
Francisco Ferreira,<br />
presidente da Zero<br />
registar uma Taxa de Crescimento Anual Composto<br />
(CAGR) de mais de 6,5%. No médio prazo,<br />
os principais impulsionadores do mercado<br />
incluem um aumento da procura de energia, os<br />
esforços para reduzir a dependência da geração<br />
de energia baseada em combustíveis fósseis e o<br />
decréscimo do custo da energia solar fotovoltaica<br />
e sistemas associados.<br />
O estudo da Mordor Intelligence diz ainda<br />
que o aumento dos investimentos em parques<br />
solares e as políticas governamentais devem<br />
também contribuir para alcançar estes objetivos.<br />
O encerramento de duas centrais de carvão<br />
em Portugal em 2021 também proporcionou<br />
oportunidades de investimentos para os operadores<br />
de energia solar. Os principais players<br />
do mercado nacional, são ainda citando o mesmo<br />
estudo, a SGS AS, a Voltalia, a Acciona, a<br />
Gesto Energia e a Iberdrola. Há, contudo, um<br />
pequeno entrave ao possível crescimento da<br />
energia solar, “a adoção de outras fontes alternativas<br />
de energias limpas, caso da eólica”.<br />
APOSTA NACIONAL EM SOLAR FLUTUANTE<br />
Nacionalmente está a ser feita uma aposta no<br />
solar flutuante, em complemento e alternativa<br />
ao instalado no solo. O objetivo é procurar áreas<br />
não terrestres contínuas significativas com painéis<br />
solares, recorrendo à utilização de albufeiras<br />
dos aproveitamentos hidroelétricos. Assim<br />
evita-se a ocupação de outras áreas em terra,<br />
úteis para outras atividades como a agricultura<br />
ou pastorícia, e pode aproveitar-se a ligação à<br />
rede elétrica já existente, sendo que as centrais<br />
hidroelétricas não a utilizam de forma contínua,<br />
visto que há mais sol quando há menos<br />
chuva e vice-versa.<br />
Um estudo da Universidade de Évora, divulgado<br />
pela agência Lusa, conclui que a potência<br />
instalada em sistemas fotovoltaicos flutuantes<br />
colocados em superfícies de água, como lagos<br />
ou barragens, “consegue exceder a meta nacional<br />
de 7 gigawatts (GW) definida no Plano<br />
Nacional Energia e Clima (PNEC) 2030 para a<br />
energia fotovoltaica em Portugal. “A análise dos<br />
resultados sugere, que regionalmente é o Alentejo<br />
que apresenta maior potencial nesta área,<br />
quer em superfície de água existente, quer ao<br />
nível do recurso solar, com 32% do total da área<br />
nacional disponível, principalmente devido à<br />
barragem do Alqueva”.<br />
O mesmo estudo aponta ainda que a região<br />
Centro representa 27%. Já a 3ª maior área disponível<br />
está na região de Lisboa e Vale do Tejo,<br />
com 15%. Os principais desafios desta energia<br />
passam pela gestão de continuidade e qualidade<br />
do abastecimento e na aposta da digitalização.<br />
QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>
32<br />
\\ ENERGIA EÓLICA \\<br />
VENTO<br />
O OURO VERDE DAS RENOVÁVEIS!<br />
A ENERGIA EÓLICA É A QUE MAIS TEM CONTRIBUÍDO PARA A PRODUÇÃO DE<br />
ELETRICIDADE VERDE EM PORTUGAL. A PRÓXIMA APOSTA É O MAR<br />
\\ Por Teresa Cotrim<br />
<strong>Quem</strong> não se lembra das histórias de mitologia grega<br />
contadas no livro Odisseias de Homero? Em<br />
que este foi presenteado com um saco cheio de<br />
ventos de Éolo, que tinha o poder de os levantar<br />
ou acalmar pois, parece que Portugal também<br />
recebeu uma oferta semelhante. Em 2023, mesmo<br />
as barragens tendo água para produzir energia, foi o vento<br />
quem mais contribuiu 60% para as energias renováveis em<br />
Portugal. Neste momento a energia eólica está no pódio das<br />
energias limpas.<br />
As vantagens da energia eólica são várias: é 100% limpa, é renovável<br />
desde que haja vento, ajuda a combater o aquecimento<br />
global, a produção de gases com efeito de estufa e as alterações<br />
climáticas. Por isso, é uma das apostas na descarbonização.<br />
As desvantagens são precisar de vento para produzir eletricidade,<br />
senão as pás não giram. O ruído é incomodativo para<br />
quem habita junto a um parque eólico, interferem com as aves<br />
e morcegos que colidem com as pás. Nas épocas de migração de<br />
pássaros é preciso ter atenção para não afetar as suas rotas. O<br />
impacto visual em áreas naturais também deve ser acautelado.<br />
Segundo a ONG ambie num relatório divulgado em outubro<br />
e citado pelo Observador, Portugal é um dos 10 Estados<br />
Membros da União Europeia (EU) onde o desenvolvimento da<br />
energia eólica está alinhado com o cumprimento das metas do<br />
Acordo de Paris (CAP) para 2030. Atualmente, diz a WWF, a<br />
EU tem mais de 200 GigaEatt (GW) de capacidade instalada<br />
de energia eólica em terra e no mar, fornecendo 16% da procura<br />
de eletricidade, mas considera ser necessário mais do que<br />
duplicar esta capacidade até 2030 para cumprir o novo objetivo<br />
de 42,5% de energias renováveis”.<br />
A capacidade eólica em Portugal é constituída quase exclusivamente<br />
por geração em terra, existindo ape<strong>nas</strong> um parque<br />
eólico offshore localizado na costa de Viana do Castelo, com<br />
uma capacidade instalada de 25 MW. Segundo dados do IEP,<br />
QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>
\\ ENERGIA EÓLICA \\<br />
33<br />
SABIA QUE PODE PRODUZIR<br />
ENERGIA EÓLICA EM CASA?<br />
Tem é de instalar uma turbina eólica<br />
residencial, ou aerogerador residencial ligado<br />
à rede doméstica. As vantagens relativamente<br />
aos painéis solares é que não está tão<br />
dependente das horas do dia para produzir<br />
energia, isto porque durante a noite também<br />
há vento. O problema é o espaço.<br />
infraestrutura tecnológica de apoio ao tecido<br />
empresarial, atualmente em Portugal existem<br />
cerca de 250 empreendimentos eólicos,<br />
correspondendo a uma potência instalada de<br />
cerca de 5,3 GW. Do total de parques eólicos,<br />
19% estão com idade a variar entre os 15 e os<br />
20 anos. “Caso não se verifique investimento, o<br />
setor eólico irá diminuir drasticamente”, referem<br />
numa análise “O Futuro da Energia Eólica<br />
em Portugal”, talvez por isso o governo esteja a<br />
apostar no mar.<br />
CORRIDA AO OURO VERDE<br />
Os ventos de 2023 foram promissores para a<br />
energia eólica offshore, ou seja, sobre o mar.<br />
O país teve o primeiro leilão com a ambição<br />
de instalar 10 gigawatts (GW) até 2030. O<br />
Governo identificou zo<strong>nas</strong> ao longo da costa<br />
portuguesa — Viana do Castelo (1GW),<br />
Leixões (500MW), Figueira da Foz (2GW),<br />
Ericeira e Sines, concretizando aquilo que o<br />
consórcio Windplus, constituído pela Ocean<br />
Winds (parceira entre a EDP Renováveis e a<br />
Engie), a Repsol e a Principle Water, implementou<br />
em Viana do Castelo, quando instalou<br />
em 2020 a primeira infraestrutura de energia<br />
eólica flutuante em Portugal, o parque Windfloat<br />
Atlantic num investimento de 125 milhões<br />
de euros.<br />
As novas instalações offshore vão necessitar que<br />
sejam construídas infraestruturas e estruturas de<br />
apoio, desenvolvidas competências de instalação<br />
e de manutenção e preparadas as conexões destes<br />
parques à rede. Como explica um artigo da revista<br />
Instalador. Há dois tipos de tecnologias, as plataformas<br />
fixas e as flutuantes. As do mar do Norte<br />
são fixas. Estas precisam de profundidade inferior<br />
a 30m e são geralmente colocadas a 30 Km da costa.<br />
“Em Portugal, estima-se que se possa instalar<br />
entre 1.4 GW a 3.5 GW de geração eólica offshore<br />
em plataformas fixas, até uma profundidade de 40<br />
m. As plataformas flutuantes conseguem ir mais<br />
fundo, ou seja, podem ser instaladas até profundidades<br />
de 200m e Portugal tem um potencial de<br />
40GW para este tipo de solução”, revela a mesma<br />
fonte. Para que a energia eólica chegue a bom porto<br />
são necessários avultados investimentos e as<br />
políticas, e regulamentos têm de acompanhar a<br />
evolução sob pena de se conseguir consórcios interessados<br />
nestes projetos, por isso para evitar ventos<br />
contrários é preciso antecipar tempestades.<br />
QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>
34<br />
\\ ENERGIA HÍDRICA \\<br />
EÓLICA<br />
OFFSHORE<br />
AJUDARÁ A ENERGIA HÍDRICA<br />
A CRESCER<br />
DURANTE ANOS AS BARRAGENS FORAM A PRINCIPAL FONTE DE ENERGIA, MAS<br />
HOJE AS CENTRAIS HIDROELÉTRICAS SÃO FUNDAMENTAIS NO ARMAZENAMENTO<br />
\\ Por Teresa Cotrim<br />
Portugal tem em funcionamento cerca de 120 Peque<strong>nas</strong><br />
Centrais Hidroelétricas (CE), com potência<br />
igual ou menor a 10MW e mais 15 CE com potência<br />
compreendida entre 10 MW e os 30 MW. Todas<br />
juntas somam uma capacidade instalada total<br />
superior a 660 MW. Mas deveriam ser otimizadas ao nível do armazenamento<br />
de energia. Por exemplo: quando há produção em<br />
excesso, está-se a produzir energia que não é usada, então a água<br />
pode ser bombeada para montante, voltando a ser utilizada para<br />
produzir energia.<br />
Os números apontam para um aproveitamento positivo da tecnologia<br />
hídrica. Como realça a Associação Portuguesa de <strong>Energias</strong><br />
Renováveis (APREN), se analisarmos os últimos nove anos — de<br />
2014 até fevereiro do presente ano de 2023 —, Portugal aumentou<br />
a capacidade hídrica de 5.570 MW para 8.121 MW mais 31%. E<br />
se, durante muito tempo a hídrica foi a principal fonte de energia<br />
em Portugal, ocupa atualmente o segundo lugar do pódio atrás da<br />
eólica, tendo em 2023 contribuído com 27% <strong>nas</strong> estatísticas das<br />
energias limpas.<br />
PRÓS E CONTRAS<br />
O impacto ambiental e social desta categoria de energia, principalmente<br />
durante a fase de construção, é grande, nomeadamente<br />
com inundações de áreas, alterações nos regimes dos rios a jusante,<br />
alteração de habitats, deslocação de povoações e elevados custos<br />
de instalação e desativação. O licenciamento ambiental nesta<br />
área é muito exigente, com medidas que, por vezes, inviabilizam<br />
o projeto, em termos financeiros. Outro senão é a inconstância e<br />
a escassez hídrica, principalmente em anos de seca. Por exemplo,<br />
em 2022, apesar de cerca de 40% na capacidade instalada ser hídrica,<br />
só 14% da energia produzida teve esta origem. Mas segundo<br />
a APREN mesmo em anos de seca as centrais de bombagem
\\ ENERGIA HÍDRICA \\<br />
35<br />
desempenham um importante papel na gestão<br />
do recurso hídrico, visto que quando existe<br />
potencial de capacidade excedentária de produção<br />
de eletricidade em períodos de baixo<br />
consumo recorre-se a esta solução para transferir<br />
eletricidade de uns períodos para outros,<br />
através da bombagem de água de um reservatório<br />
inferior para outro situado a uma cota mais<br />
elevada.<br />
Há mais pontos a favor. Gera emprego e novas<br />
infraestruturas locais. É uma energia limpa,<br />
que não produz gases com efeitos de estufa nem<br />
outros agentes poluentes. Ajuda a estabilizar a<br />
energia colocada na rede elétrica, permitindo<br />
que esta responda rapidamente a picos de procura<br />
e a quebras substanciais noutras formas<br />
de produção. Contribui para a redução da dependência<br />
energética exterior, materializada<br />
na menor importação de combustíveis fósseis<br />
(petróleo, gás natural e carvão) e contribui<br />
para Portugal atingir compromissos e metas internacionais,<br />
nomeadamente estabelecidas no<br />
Protocolo de Quioto, no Acordo de Paris e na<br />
legislação comunitária.<br />
A regularização dos caudais, o controlo das<br />
cheias, o combate a incêndios, a constituição de<br />
reservas estratégicas de recursos hídricos, com<br />
papel crucial para aumentar a capacidade de<br />
regularização de regime de escoamento e, dessa<br />
forma, compensar o incremento da sua variabilidade<br />
(cheias e secas), as atividades turísticas e<br />
recreativas são outras mais-valias. A cereja no<br />
topo do bolo é que ape<strong>nas</strong> em dois minutos, as<br />
barragens com albufeira podem atingir a sua<br />
potência máxima e conseguem ter a máquina<br />
parada em sete segundos. Já uma central térmica<br />
a gás natural, por exemplo, se estiver parada<br />
leva seis a 12 horas até atingir a sua capacidade<br />
máxima e vários dias a parar por completo. Por<br />
fim, um novo caminho parece estar a abrir-se<br />
para a energia hídrica. Se até agora esta era<br />
produzida ape<strong>nas</strong> via barragens, com a energia<br />
eólica offshore abre-se um novo mercado. Atualmente<br />
Portugal dispõe de 25 MW de capacidade<br />
eólica offshore instalada, por isso ainda<br />
terá se soprar muito vento até atingir os 10GW<br />
de potência de ligação e 2GW de capacidade<br />
<strong>nas</strong> oito zo<strong>nas</strong> idealizadas pelo governo.
36<br />
\\ HIDROGÉNIO \\<br />
HIDROGÉNIO<br />
ESSENCIAL NA DESCARBONIZAÇÃO DA ECONOMIA<br />
PORTUGAL QUER PRODUZIR 5,5 GW DE HIDROGÉNIO VERDE ATÉ 2030,<br />
MAS SÓ VALERÁ A PENA QUANDO ESTE TIVER BAIXO TEOR DE CARBONO<br />
\\ Por Teresa Cotrim<br />
Anoção de que a descarbonização da economia vai<br />
necessitar de mais do que a eletrificação dos vários<br />
setores já tem alguns anos. Não é por acaso que, em<br />
julho de 2020, a Comissão Europeia propôs uma<br />
Estratégia do Hidrogénio para uma Europa com<br />
Impacto Neutro no Clima, para acelerar o desenvolvimento de hidrogénio<br />
limpo. O objetivo foi o de assegurar o seu papel como fator<br />
essencial na definição e implementação de um sistema energético<br />
neutro em termos climáticos até 2050. Noção que, um ano mais<br />
tarde, mais precisamente a maio de 2021 foi comprovada através da<br />
aprovação de um relatório onde os eurodeputados sublinharam que<br />
só o hidrogénio verde — produzido a partir de fontes renováveis,<br />
poderá contribuir, de forma sustentável, para alcançar a neutralidade<br />
climática a longo prazo.<br />
O porquê do hidrogénio verde? O documento elaborado pela<br />
Comissão Europeia é claro: o hidrogénio pode ser utilizado como<br />
matéria-prima, combustível e vetor de transporte ou armazenamento<br />
de energia e tem muitas aplicações possíveis nos setores da<br />
QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>
\\ HIDROGÉNIO \\<br />
37<br />
indústria, dos transportes, da energia e dos edifícios.<br />
Mas, mais importante, “quando utilizado,<br />
não emite CO2 e liberta quantidades diminutas<br />
de poluentes atmosféricos”. Por outras palavras,<br />
é a solução ideal “para descarbonizar os processos<br />
industriais e os setores económicos em que<br />
a redução das emissões de carbono é urgente e<br />
difícil de alcançar”.<br />
A verdade é que hoje o hidrogénio representa<br />
uma pequena fração do cabaz energético mundial<br />
e da UE, e é ainda largamente produzido a<br />
partir de combustíveis fósseis, nomeadamente<br />
de gás natural ou de carvão, o que resulta na<br />
libertação de 70 a 100 milhões de toneladas de<br />
CO2 por ano na UE. Face a Isto a estratégia<br />
estabelecida passa por promover o hidrogénio<br />
renovável, utilizando principalmente energia<br />
eólica e solar para a sua produção. Como aponta<br />
a Comissão Europeia, a opção pelo hidrogénio<br />
renovável baseia-se na grande capacidade industrial<br />
europeia de produção de eletrolisadores, na<br />
criação de novos postos de trabalho e apoiará<br />
um sistema energético integrado, com uma boa<br />
relação custo-eficácia.<br />
Atualmente já foram anunciados diversos<br />
projetos no hidrogénio verde. O governo português,<br />
por exemplo, anunciou no ano passado,<br />
que quer produzir 5,5 GW até 2030. Um valor<br />
que a Associação Zero contestou, considerando<br />
exagerado. “A injeção de hidrogénio na rede<br />
de gás natural é um enorme erro de eficiência e<br />
prolonga o uso de combustíveis fósseis. A prioridade<br />
no uso de hidrogénio verde, produzido a<br />
partir de fontes renováveis, deve ser a utilização<br />
em sectores industriais onde a combustão a altas<br />
temperaturas seja imprescindível e onde tenha<br />
lugar uma substituição do uso de combustíveis<br />
fósseis por hidrogénio no processo”, afirmou a<br />
Zero.<br />
Já este ano, a Comissão Europeia aprovou em<br />
fevereiro auxílios estatais de 6,9 mil milhões de<br />
euros de sete Estados-membros da União Europeia<br />
(UE), incluindo Portugal, para aposta<br />
no hidrogénio ‘verde’, prevendo-se a instalação<br />
de 790 MW de eletrolisadores no território<br />
português.<br />
Em comunicado, o executivo comunitário indica<br />
que aprovou, “ao abrigo das regras da UE<br />
em matéria de auxílios estatais, um terceiro projeto<br />
importante de interesse europeu comum<br />
para apoiar as infraestruturas de hidrogénio”,<br />
denominado de Hy2Infra e que abrange Portugal,<br />
bem como França, Alemanha, Itália, Países<br />
Baixos, Polónia e Eslováquia.<br />
De acordo com os dados de Bruxelas, o<br />
Hy2Infra abrangerá uma “grande parte da cadeia<br />
de valor do hidrogénio”, apoiando a implantação<br />
de 3,2 gigawatts (GW) de eletrolisadores<br />
em grande escala para produzir hidrogénio renovável<br />
e a instalação de condutas de transporte<br />
e distribuição de hidrogénio, novas e reutilizadas,<br />
com cerca de 2.700 quilómetros.<br />
Em Portugal, prevê-se a instalação de 790 megawatt<br />
de eletrolisadores, num projeto que conta<br />
com a empresa portuguesa Winpower.<br />
O estudo“Green molecules: the imminent revolution<br />
of the employment market in Europe”,<br />
realizado pelo ManpowerGroup e pela Cepsa e<br />
apresentado em janeiro na reunião do Fórum<br />
Económico Mundial em Davos (Suíça), revela<br />
que os novos combustíveis renováveis, como o<br />
hidrogénio verde ou os biocombustíveis, poderão<br />
criar 1,7 milhões de novos empregos e um<br />
crescimento do PIB europeu de 145 mil milhões<br />
de euros até 2040.<br />
Segundo a mesma fonte, o relatório prevê que<br />
Espanha liderará, <strong>nas</strong> próximas duas décadas, a<br />
produção de hidrogénio verde e o crescimento<br />
do emprego associado. A indústria espanhola ligada<br />
às moléculas verdes gerará mais de 116.000<br />
empregos nesta década e 181.000 em 2040, o que<br />
corresponde a 11% do emprego total gerado na<br />
UE e no Reino Unido. Em termos de crescimento<br />
económico (PIB), o sector contribuirá com<br />
mais 15.600 milhões de euros até 2040, o que representaria<br />
um aumento de 1% do PIB em 2022.<br />
A aposta no hidrogénio não ocorre ape<strong>nas</strong><br />
na Europa. No início do ano, a consultora<br />
Capegemini apresentou as cinco principais<br />
tendências tecnológicas para <strong>2024</strong>, onde o Hidrogénio<br />
com baixo teor de carbono aparecia<br />
destacado, como uma alternativa credível aos<br />
combustíveis fósseis. Como explica a consultora,<br />
o hidrogénio tem sido apontado como<br />
uma alternativa de combustível limpo porque<br />
produz ape<strong>nas</strong> água quando é queimado. No<br />
entanto, a produção tradicional de hidrogénio<br />
consome muita energia e depende frequentemente<br />
de combustíveis fósseis. A evolução para<br />
o hidrogénio com baixo teor de carbono procura<br />
resolver estas questões, recorrendo à energia<br />
renovável ou nuclear para alimentar a eletrólise<br />
da água, dividindo-a em hidrogénio e oxigénio<br />
com zero emissões de carbono. Os avanços<br />
realizados na tecnologia dos eletrolisadores,<br />
incluindo o desenvolvimento de membra<strong>nas</strong><br />
de permuta protónica (PEM) e eletrolisadores<br />
de óxido sólido, têm melhorado a eficiência e a<br />
reduzir custos. No entanto, o hidrogénio com<br />
baixo teor de carbono além de ainda não ser<br />
uma alternativa competitiva neste momento,<br />
enfrenta outros desafios como a fiabilidade e a<br />
escala. Países e empresas em todo o mundo estão<br />
a investir massivamente no hidrogénio com<br />
baixo teor de carbono para alcançarem a meta<br />
da neutralidade carbónica, para reduzirem o<br />
seu custo num futuro próximo.<br />
QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>
38<br />
\\ ENERGIA GEOTÉRMICA \\<br />
ENERGIA<br />
QUE VEM DO INTERIOR DA<br />
TERRA<br />
EM PORTUGAL AINDA SÓ OS AÇORES EXPLORARAM ESTA FONTE DE ENERGIA,<br />
MAS HÁ PLANOS PARA SE APROVEITAR O KNOW HOW DOS ISLANDESES<br />
ATRAVÉS DE UMA PARCERIA<br />
\\ Por Teresa Cotrim<br />
Aenergia geotérmica é a energia calorífica que se encontra<br />
armazenada na Terra. Apareceu no início<br />
do século XX e tem sido utilizada em poucas zo<strong>nas</strong><br />
do planeta. Os países com historial de produção<br />
de energia hidrotérmica são os Estados Unidos, Filipi<strong>nas</strong> e Islândia.<br />
Mas de onde vem esta energia? A sua origem vem do<br />
calor primordial da sua formação há 4,5 mil milhões de anos.<br />
“Este calor conjuntamente com o que se gera em consequência<br />
de diversos fenómenos térmicos que se produzem no interior<br />
da Terra, nomeadamente o calor libertado pela cristalização<br />
do núcleo, pelos movimentos diferenciais entre as diferentes<br />
camadas que constituem a Terra, e ainda como resultado da<br />
desintegração de isótopos radioativos presentes <strong>nas</strong> rochas que<br />
constituem a crosta e o manto, origina um fluxo até à superfície”,<br />
explica Mário Guedes, especialista em energia.<br />
A energia geotérmica é aproveitada através da presença de<br />
um fluído, normalmente água, que transporta o calor do interior<br />
da Terra para a superfície. “A geotermia convencional é<br />
caracterizada pelo armazenamento num reservatório geotérmico,<br />
o qual pode ser utilizado para produção de eletricidade<br />
ou para o aquecimento. Este calor armazenado, é designado por<br />
entalpia, ou seja, a energia máxima de um sistema termodinâmico<br />
na forma de calor”, esclarece. Mário Guedes, explica ainda<br />
que os reservatórios geotérmicos são classificados em função da<br />
temperatura a que se encontra o fluído transportador de calor,<br />
em reservatórios de Alta Entalpia (na qual a temperatura é superior<br />
a 150.ºC), Média Entalpia (com a temperatura entre os<br />
100.ºC e os 150.ºC) e Baixa Entalpia (quando o fluído se encontra<br />
a temperaturas inferiores a 30.ºC).<br />
ENERGIA GEOTÉRMICA NO MUNDO<br />
A energia geotérmica satisfaz atualmente cerca de 0,4% das<br />
necessidades de energia elétrica do mundo. Segundo o estudo<br />
Geotermia, energia renovável em Portugal da Direção Geral<br />
de Energia e Geologia, em Portugal esse valor, estatisticamente,<br />
é também de 0,4%, mas devido ao contexto geológico<br />
do país está concentrado no arquipélago dos Açores, onde<br />
existem três centrais, duas mas Ilhas de S. Miguel e uma na<br />
ilha Terceira, onde a produção alcança 42% das necessidades<br />
elétricas da ilha e cerca de 22% das do arquipélago. No<br />
QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>
\\ ENERGIA GEOTÉRMICA \\<br />
39<br />
entanto, esta fonte de energia pode ser importante no<br />
aproveitamento de calor, a nível industrial e, por exemplo,<br />
no aquecimento doméstico.<br />
O mesmo documento revela que no que respeita aos<br />
usos diretos, além das aplicações balneoterápicas e balneológicas,<br />
lúdicas, recreativas, funcionais e até gastronómicas,<br />
em curso em Portugal Continental e nos Açores,<br />
o interesse das <strong>nas</strong>centes termais para outras aplicações<br />
geotérmicas vem da década de 70 do século passado. “A<br />
primeira realização geotérmica em Portugal para usos<br />
diretos foi realizada <strong>nas</strong> Caldas de Chaves para climatização<br />
da piscina municipal, sendo depois alargado a dois<br />
hotéis da cidade”, diz o estudo da Direção Geral de Energia<br />
e Geologia. Outros projetos foram realizados noutros<br />
polos termais portugueses, em São Pedro do Sul, Monção,<br />
Longroiva, Alcafache, Aregos e Caldas da Rainha, mas o<br />
mesmo estudo indica que o crescimento tem sido tímido.<br />
Segundo a agência LUSA, António Costa visitou uma<br />
das maiores centrais de produção de energia geotérmica<br />
no mundo, a Geothermal Power Plant, com 303<br />
megawatts de capacidade instalada. Para Ana Fontoura<br />
Gouveia, Secretário de Estado da Energia, citada pela<br />
LUSA “podemos aprender com a longa experiência que<br />
os islandeses têm na área da geotermia, potenciando<br />
assim os nossos recursos nacionais. Esta é uma área que<br />
será muito importante para Portugal atingir as suas metas<br />
climáticas, designadamente a neutralidade carbónica em<br />
2045”. A mesma fonte revela ainda que a Islândia quer<br />
expandir a sua produção eólica, constituindo desta forma<br />
uma oportunidade para as empresas nacionais.<br />
Esta energia renovável tem custos de investimento<br />
mais elevados do que as outras fontes de energias verdes,<br />
além disso, têm ainda o risco geológico associado. No entanto,<br />
os cenários de crescimento económico mundial<br />
nos próximos anos decerto precisarão de outras fontes de<br />
energia para fazer face à procura das condições de sustentabilidade<br />
no que toca à produção de energia. É mais uma<br />
possibilidade para a panóplia de energias verdes.<br />
QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>
40<br />
\\ BIOMASSA \\<br />
Biomassa<br />
A ENERGIA DOS NOSSOS ANTEPASSADOS<br />
JÁ OS HOMENS DAS CAVERNAS A UTILIZAVAM PARA SE AQUECER<br />
E COZINHAR OS ALIMENTOS. MAS DE ONDE VEM ESTA ENERGIA?<br />
\\ Por Teresa Cotrim<br />
Para a Direção-Geral de Energia e Geologia<br />
(DGEG), biomassa é a matéria orgânica,<br />
quer seja de origem vegetal, quer seja animal,<br />
que pode ser utilizada como fonte de<br />
energia. Por outras palavras, os tipos de biomassa usados<br />
para fornecer energia incluem: resíduos, incluindo-se<br />
nestes os resíduos florestais e os das indústrias da fileira<br />
florestal; os resíduos agrícolas e das indústrias agroalimentares<br />
bem como os seus efluentes; excreta animal<br />
proveniente das explorações pecuárias; a fração orgânica<br />
dos resíduos sólidos urbanos; esgotos urbanos; e culturas<br />
energéticas incluindo as culturas de curta rotação.<br />
A DGEG acrescenta ainda que a biomassa pode ser<br />
diretamente queimada para gerar calor e/ou, eletricidade<br />
ou convertida em óleo ou gás para produção de<br />
biocombustíveis sólidos, líquidos e gasosos que poderão<br />
ser usados como combustíveis em vários setores, incluindo<br />
os transportes; e que a Bioenergia é um recurso<br />
energético renovável e representa, presentemente,<br />
cerca de 11% do consumo de energia primária mundial<br />
constituindo o único recurso energético com carbono<br />
que se pode considerar emissor neutro de CO2.<br />
O Plano Nacional Energia e Clima 2021-2030<br />
(PNEC 2030), diz que a biomassa florestal é um importante<br />
recurso endógeno, pelo que a valorização<br />
energética, em determinadas condições, é uma solução<br />
que contribui para criar valor no setor florestal. “A valorização<br />
energética de biomassa é também considerada,<br />
numa perspetiva de gestão florestal, como uma<br />
forma de prevenção de incêndios florestais”, considera<br />
o PNEC 2030. O mesmo documento refere ainda que<br />
a biomassa florestal é um importante recurso endógeno,<br />
pelo que a valorização energética, em determinadas<br />
condições, é uma solução que contribui para a quota<br />
de energia de fontes renováveis. “A estratégia passa por<br />
descarbonizar os consumos térmicos existentes e promover<br />
a eficiência energética, nomeadamente através<br />
da promoção da instalação de peque<strong>nas</strong> centrais térmicas<br />
descentralizadas a biomassa (ex.: cogeração), de<br />
menor dimensão e que não colocam tanta pressão em<br />
termos de disponibilidade de biomassa e do sistema<br />
energético”.<br />
Mas nem todos estão de acordo! A Associação Ambientalista<br />
Zero afirma que a queima de biomassa florestal<br />
para fins energéticos é frequentemente apelidada<br />
“falsa energia renovável”, porque não passa nos critérios<br />
básicos: não tem baixas emissões, não é limpa e o potencial<br />
renovável é questionável.<br />
FONT<br />
QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>
\\ BIOMASSA \\<br />
41<br />
VANTAGENS DO USO<br />
DE BIOMASSA<br />
• As centrais elétricas que utilizam biomassa não contribuem<br />
para o aumento dos níveis de gases com efeito estufa (GEE).<br />
O nível de CO2 gerado no processo de combustão de<br />
biocombustíveis não é superior à quantidade de CO2<br />
produzida durante o processo de transformação natural<br />
das plantas (fotossíntese).<br />
• A biomassa é uma fonte de energia limpa e renovável. A<br />
energia principal provém do sol, e a biomassa que resulta<br />
de plantas ou algas pode crescer outra vez num período<br />
relativamente curto. Árvores, culturas e resíduos sólidos<br />
estão sempre disponíveis e podem ser geridos de forma<br />
sustentável.<br />
• Se as plantações forem mantidas de forma sustentável,<br />
podem ajudar a compensar as emissões de carbono através<br />
da absorção de dióxido de carbono. Muitas matérias-primas<br />
podem ser colhidas em terras marginais ou pastagens,<br />
onde não competem com culturas alimentares.<br />
Fonte: EDP<br />
DESVANTAGENS<br />
DA BIOMASSA<br />
• O elevado consumo de eletricidade e de calor é um dos<br />
argumentos contra as centrais elétricas alimentadas a biomassa. O<br />
próprio processo de produção é demorado e requer a utilização de<br />
tecnologias e equipamentos caros, o que gera custos significativos<br />
e sobrecarrega o ambiente.<br />
• A biomassa é uma matéria-prima com um valor calorífico<br />
inferior ao do carvão ou do gás natural. Cerca de 50% da biomassa<br />
é composta por água, que é perdida no processo de conversão<br />
energética. Alguns cientistas e engenheiros estimam que não é<br />
economicamente viável transportar biomassa a uma distância<br />
superior a 160 quilómetros do local onde é processada.<br />
• A queima de biomassa liberta monóxido de carbono, dióxido de<br />
carbono, óxidos de nitrogénio e outros poluentes e partículas.<br />
Se esses poluentes não forem capturados e reciclados, a queima<br />
de biomassa pode exceder a quantidade de poluentes libertados<br />
pelos combustíveis fósseis.<br />
• Como resultado da combustão de biomassa em caldeiras, são<br />
também geradas grandes quantidades de cinzas, o que requer a<br />
remoção frequente e a limpeza das instalações de aquecimento.<br />
ES DE BIOMASSA<br />
• Pellets, aparas e palha (fontes de biomassa) requerem<br />
armazenamento adequado. Se não forem devidamente<br />
acondicionados, absorvem rapidamente humidade e a sua<br />
eficiência degrada-se.<br />
• Se algumas das fontes de biomassa não forem repostas tão<br />
rapidamente quanto são utilizadas, podem tornar-se não<br />
renováveis. Por exemplo, uma floresta pode levar cente<strong>nas</strong> de<br />
anos para se restabelecer.<br />
• Os terrenos usados para culturas de biocombustível, como milho<br />
e soja, ficam indisponíveis para o cultivo de alimentos ou para<br />
acolher habitats naturais.<br />
Fonte: EDP<br />
QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>
42<br />
\\ ENERGIA DAS ONDAS \\<br />
ENERGIA<br />
DAS ONDAS<br />
UM MERCADO EM POTENCIAL?<br />
PORTUGAL TEM MUITO MAR, MAS ATÉ AGORA A EÓLICA OFFSHORE É A GRANDE<br />
APOSTA. A ENERGIA DAS ONDAS É OUTRA VERTENTE A DESENVOLVER APESAR DO<br />
ELEVADO INVESTIMENTO<br />
\\ Por Teresa Cotrim<br />
Àmedida que os países, Portugal incluído, fazem a<br />
transição dos combustíveis fosseis para as energias<br />
renováveis a aposta <strong>nas</strong> várias formas existentes<br />
aumenta, incluindo o aproveitamento dos<br />
oceanos. E aqui há duas possibilidades: a eólica<br />
offshore onde Portugal tem, na opinião de Aaron Smith, Chief<br />
Commercial Officer da Principle Power, uma enorme oportunidade<br />
para tirar partido das suas vantagens naturais. Em<br />
causa o anúncio da Principle Power sobre ser responsável pela<br />
construção do primeiro parque eólico flutuante na Europa<br />
continental e a primeira iniciativa eólica offshore em Portugal,<br />
como parte do consórcio WindPlus. Situado a 20 km da costa<br />
de Viana do Castelo, as três turbi<strong>nas</strong> eólicas gigantes do Wind-<br />
Float Atlantic erguem-se 185 m acima da superfície do oceano.<br />
A outra possibilidade reside na energia das ondas. Uma tecnologia<br />
que já está a ser trabalhada há vários ano e que, no caso<br />
português, começa agora a passar da fase de teste para a fase<br />
operacional. Em 2019, a primeira unidade do parque de energia<br />
das ondas de Peniche foi, segundo a finlandesa AW Energy,<br />
instalada com êxito no fundo do mar. Na altura o seu CEO,<br />
Christopher Ridgewell, confirmou que a unidade era a primeira<br />
para produzir energia à escala comercial. Mais recentemente,<br />
em 2021, a sueca CorPower anunciou um investimento<br />
de 7,3 milhões de euros no HiWave-5, projeto localizado em<br />
Viana do Castelo.<br />
Mas essas não são as únicas localizações com potencial. A<br />
Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) identificou<br />
igualmente Aljezur, Sines, Cascais, Nazaré, Figueira da Foz,<br />
Aveiro e Leixões. Como explica a instituição, considera-se que,<br />
em Portugal, é fraco o recurso em termos de amplitude e correntes<br />
de maré (explorado em regiões com uma costa afunilada),<br />
assim como em termos de gradiente de salinidade (potencial<br />
em estuários de grande dimensão) e é nulo em termos de<br />
gradiente térmico (só em zo<strong>nas</strong> tropicais). O que não significa<br />
que o potencial de produção de energia seja inexistente.<br />
Ao longo dos anos têm sido feitos vários projetos pilotos.<br />
No entanto, a própria DGEG aponta que “até hoje, a eletricidade<br />
produzida pelos dispositivos de conversão de energia das<br />
ondas ou das correntes marítimas que é injetada na rede de<br />
distribuição não chega para compensar os elevados custos de<br />
QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>
\\ ENERGIA DAS ONDAS \\<br />
43<br />
VANTAGENS<br />
• É uma energia renovável.<br />
• Não produz qualquer tipo de poluição.<br />
• Estão menos dependentes das condições<br />
da costa.<br />
• Estão menos dependentes das condições<br />
da costa.<br />
DESVANTAGENS<br />
• Instalações de potência reduzida;<br />
• Requer uma geometria da costa especial e<br />
com ondas de grande amplitude.<br />
• Impossibilita a navegação (na maior parte<br />
dos casos).<br />
• A deterioração dos materiais pela exposição<br />
à água salgada do mar.<br />
desenvolvimento da tecnologia, do equipamento<br />
e das respetivas instalação, operação<br />
e manutenção no mar”. Opinião partilhada<br />
pela Agência Internacional de Energia, que<br />
aponta que “a energia das ondas poderia satisfazer<br />
todas as necessidades de eletricidade<br />
do mundo se fosse devidamente explorada”.<br />
O problema reside... no elevado investimento<br />
exigido. Sendo que as tecnologias, na opinião<br />
da Agência, ainda não atingiram o nível<br />
de maturidade necessário.<br />
No entanto, acrescenta a DGEG, dadas as<br />
vantagens que a energia das ondas e das correntes<br />
marítimas podem oferecer, continua a<br />
ser um setor bastante ativo. Isto porque como<br />
é possível antecipar, com razoável rigor e antecedência,<br />
a ondulação e as correntes marítimas,<br />
a quantidade de eletricidade gerada pode<br />
ser prevista e essa caraterística é importante<br />
no contexto do sistema energético do país,<br />
contribuindo para reduzir a dependência de<br />
fontes despacháveis e armazenamento.<br />
MÉTODOS DE CAPTAÇÃO<br />
DA ENERGIA DAS ONDAS<br />
• Absorvedores flutuantes: são boias<br />
gigantes compostas por turbi<strong>nas</strong>.<br />
• Atenuadores: referem-se a dispositivos<br />
longos e segmentados, conectados às bombas<br />
hidráulicas.<br />
• Terminais: são torres instaladas na costa<br />
marítima. Em cada torre, há uma turbina.<br />
Dispositivos overtopping: referem-se a grandes<br />
caixas, como balsas, que flutuam no mar.<br />
QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>
44 \\ MOBILIDADE \\<br />
Energia na<br />
Mobilidade<br />
AUMENTA EM TODO O MUNDO<br />
A MOBILIDADE ELÉTRICA DE VIATURAS LIGEIRAS É JÁ UMA REALIDADE. CADA VEZ MAIS<br />
EMPRESAS RENOVAM A SUA FROTA. NO TRANSPORTE DE MERCADORIAS A SOLUÇÃO<br />
PASSA PELA CHAMADA ÚLTIMA MILHA PORQUE NO MÉDIO/LONGO CURSO AINDA NÃO HÁ<br />
ALTERNATIVA AO DIESEL.<br />
\\ Por Teresa Cotrim<br />
Oconceito de mobilidade elétrica está cada vez mais presente<br />
na vida dos portugueses. Seja pela venda de viaturas<br />
elétricas — só para se ter uma ideia, em dezembro de<br />
2023 foram matriculados 5.501 veículos 100% elétricos,<br />
de todas as categorias, novos e importados usados, um<br />
número recorde a fechar mais um ano de acentuado crescimento da<br />
Mobilidade Elétrica — pela utilização de outros tipos de locomoção<br />
elétrica (bicicletas e trotinetes) dentro das cidades, ou pela crescente<br />
renovação das frotas.<br />
Mas vamos por partes. Quanto aos veículos ligeiros de passageiros,<br />
há vários anos que as viaturas elétricas — as 100% ou híbridas — têm<br />
conquistado os consumidores. Os números não mentem! No ano passado,<br />
por exemplo, as vendas de veículos 100% elétricos novos cresceram<br />
91,7% relativamente ao ano 2022. Na verdade, 2023 foi um ano<br />
recorde para a venda destes veículos, verificando-se uma tendência<br />
crescente desde 2010. Nessa altura, Portugal tinha um parque de cerca<br />
de mil viaturas elétricas. O ano passado terminou com mais de 228<br />
mil. É fácil perceber a evolução. Mesmo porque, a par do crescente<br />
número de modelos disponíveis no mercado, houve também todo um<br />
investimento na criação de uma infraestrutura de postos de carregamento<br />
— embora haja ainda muito trabalho pela frente, nomeadamente<br />
ao nível da criação de uma infraestrutura europeia integrada.<br />
Mas isto não significa que esteja tudo feito ou que só haja pontos positivos.<br />
A infraestrutura de postos de carregamento ainda não está<br />
completa, embora aumente todos os dias, ainda há preocupações com<br />
a questão das baterias, nomeadamente o seu fim de vida, a capacidade<br />
das viaturas começa a ser interessante, mas ainda insuficiente para<br />
quem esteja o dia todo na estrada, e, principalmente, embora as energias<br />
renováveis já sejam uma constante, ainda não asseguram 100% da<br />
produção. Ou seja, é possível que uma pessoa, com uma viatura elétrica,<br />
esteja a abastecer energia produzida por fontes fósseis.<br />
A MOBILIDADE NA LOGÍSTICA<br />
A grande questão, quando se associa a palavra sustentabilidade à mobilidade<br />
(elétrica) reside no transporte, nomeadamente de mercadorias.<br />
E principalmente na questão do médio/longo curso. Na chamada<br />
última milha a questão não se põe porque são percursos curtos que<br />
facilmente podem utilizar viaturas elétricas ou a chamada mobilidade<br />
leve. Não, o problema reside <strong>nas</strong> distâncias maiores. Porque a verdade<br />
é que hoje não há (ainda) uma solução elétrica, ou mais precisamente<br />
QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>
\\ MOBILIDADE \\<br />
45<br />
uma alternativa ao diesel e também não é algo<br />
que se possa dispensar. As mercadorias precisam<br />
de chegar do ponto A ao B.<br />
A isto associações como a Zero apontam que<br />
a solução é apostar numa combinação de meios<br />
de transporte, nomeadamente entre comboio e<br />
camião elétrico, servindo este último para completar<br />
o primeiro e o último trajeto das mercadorias.<br />
A associação acredita que isto permitirá<br />
diminuir a montante as necessidades de produção<br />
de energia renovável, que não são totalmente<br />
negligenciáveis. Mas isso só será possível se os vários<br />
países investirem na criação de plataformas<br />
logísticas adequadas.<br />
E isto é importante porque os números indicam<br />
que indústria global de logística contribui<br />
com 11% das emissões mundiais. Outro número<br />
revela que os veículos de transporte de mercadorias<br />
são responsáveis por cerca de um quarto das<br />
emissões dos transportes rodoviários na União<br />
Europeia. Números que mostram, de forma clara,<br />
a necessidade de apoiar o setor na sua descarbonização.<br />
Enquanto não há possibilidade de trocar os<br />
camiões movidos a motores de combustão por<br />
elétricos, a aposta das empresas passa por investir<br />
<strong>nas</strong> atividades adjacentes. É o caso da otimização<br />
e automação dos armazéns e na otimização<br />
das rotas e do espaço vazio dentro dos camiões.<br />
A APOL – Associação Portuguesa de Operadores<br />
Logísticos, lembra que a Estratégia de Mobilidade<br />
Sustentável e Inteligente da Comissão<br />
Europeia pretende reduzir 90% das emissões<br />
dos transportes até 2050. O objetivo, aponta a<br />
associação, é tornar o transporte de mercadorias<br />
mais ecológico através de soluções como o transporte<br />
ferroviário, marítimo de curta distância<br />
ou por vias navegáveis interiores e intermodais.<br />
Aqui, claramente, entra a questão da otimização<br />
das rotas, onde, refere a APOL, o uso de tecnologia<br />
é um contributo indispensável para assegurar<br />
a sustentabilidade, nomeadamente na criação de<br />
algoritmos e monitorização do trânsito, da duração<br />
e distância da viagem, da condução e da própria<br />
manutenção dos veículos.<br />
A isto a Zero acrescenta que a Comissão propôs<br />
instalar pontos de carregamento e de abastecimento<br />
a intervalos regulares <strong>nas</strong> principais<br />
QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>
46<br />
\\ MOBILIDADE \\<br />
A ESTRATÉGIA DE MOBILIDADE SUSTENTÁVEL<br />
E INTELIGENTE DA COMISSÃO EUROPEIA<br />
PRETENDE REDUZIR 90% DAS EMISSÕES DOS<br />
TRANSPORTES ATÉ 2050<br />
A COMISSÃO PROPÔS INSTALAR PONTOS<br />
DE CARREGAMENTO E DE ABASTECIMENTO<br />
A INTERVALOS REGULARES NAS PRINCIPAIS<br />
AUTOESTRADAS: A CADA 60 KM PARA O<br />
CARREGAMENTO ELÉTRICO E A CADA 150 KM<br />
PARA O ABASTECIMENTO DE HIDROGÉNIO<br />
NO ANO DE 2023 AS VENDAS DE VEÍCULOS<br />
100% ELÉTRICOS NOVOS CRESCERAM 91,7%<br />
RELATIVAMENTE AO ANO 2022<br />
autoestradas: a cada 60 km para o carregamento<br />
elétrico e a cada 150 km para o abastecimento de<br />
hidrogénio.<br />
Enquanto isso não acontecer, a falta de uma<br />
infraestrutura de carregamento ou de abastecimento<br />
de hidrogénio adequada ao longo das rotas<br />
de longo curso continuará a ser um entrave à<br />
massificação da mobilidade elétrica no transporte<br />
de mercadorias. Isso e os custos iniciais elevados<br />
de aquisição de veículos elétricos de longo curso,<br />
assim como o número (ainda)insuficiente de plataformas<br />
logísticas que permitam uma combinação<br />
funcional entre transporte rodoviário e ferroviário.<br />
O PAPEL DOS FABRICANTES<br />
A maioria dos fabricantes, se não todos, tem anunciado<br />
investimentos em investigação e desenvolvimento<br />
de camiões elétricos. A Ford Trucks, por<br />
exemplo, divulgou, no final do ano passado, a sua<br />
estratégia para a transição energética e que passa<br />
pela adoção do hidrogénio e baterias. Para chegar a<br />
2030, com 50% de veículos carbono zero, alcançando<br />
os 100% em 2040, a marca de veículos pesados<br />
de mercadorias apresentou, na altura, o protótipo<br />
do E-Truck Ford Trucks, planeando comercializar<br />
as primeiras unidades já em <strong>2024</strong>, mas também os<br />
caminhos alternativos disponibilizados pela marca<br />
até a indústria chegar ao pleno da transição energética<br />
em 2040.<br />
O E-Truck Ford Trucks, primeiro camião elétrico<br />
da marca, distingue-se por várias características,<br />
como uma autonomia até 300km; configuração de<br />
eixos 4x2 e 6x2; velocidade de carregamento em<br />
75 minutos; capacidade de bateria 392 KWH;<br />
e sistema Connectruck. O CEO da Ford Trucks<br />
Portugal, Bruno Oliveira, detalhou que esta pri-<br />
QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>
\\ MOBILIDADE \\<br />
47<br />
Em dezembro de 2023 foram matriculados 5.501<br />
veículos 100% elétricos, de todas as categorias, novos<br />
e importados usados, um número recorde a fechar<br />
mais um ano de acentuado crescimento da Mobilidade<br />
Elétrica.<br />
meira versão foi desenvolvida para o short mile,<br />
ou seja, para funcionar em espaços citadinos. O<br />
primeiro protótipo do E-Truck, que vai estar em<br />
exposição no show-room da Ford Trucks Portugal<br />
em Alverca durante o próximo mês, se encontra<br />
adaptado com uma caixa de recolha de resíduos<br />
para sólidos urbanos.<br />
Bruno Oliveira, CEO da Ford Trucks Portugal,<br />
tem tentado passar a mensagem de que os prazos<br />
definidos pela Comissão Europeia são irrealistas<br />
e que é um erro “colocar tudo no mesmo saco”.<br />
O executivo acredita que o futuro passa pelo hidrogénio<br />
e pelas baterias, nomeadamente as ‘fuel<br />
cell’ e o hidrogénio com motores térmicos. “No<br />
entanto, até chegarmos a esse nível de disponibilidade<br />
tecnológica, existem vários pequenos passos<br />
que podem ser dados sempre no âmbito de<br />
aumentar a eficiência energética do transporte e,<br />
por sua vez, reduzir a pegada carbónica”, acrescenta.<br />
Entre os vários constrangimentos que o setor<br />
dos transportes (onde se inclui os fabricantes) enfrenta<br />
destaca-se o investimento na regulamentação<br />
Euro 7, infraestruturas que acompanhem<br />
a tecnologia dos equipamentos, não só físicas, e<br />
o sistema de financiamento. “Se uma viatura de<br />
carbono neutro tiver um custo de aquisição quatro<br />
ou cinco vezes superior ao de uma viatura<br />
convencional de um motor térmico, quer dizer<br />
que os bancos têm de estar preparados para esse<br />
crescimento”, alertou Bruno Oliveira. O responsável<br />
advertiu ainda para o impacto que o encargo<br />
financeiro da transição energética vai ter junto do<br />
cliente final: “Isto vai chegar a todos nós, exceto<br />
se existirem incentivos a esta transição energética<br />
para minimizar o impacto do aumento dos custos.<br />
Julgo que todos estão conscientes que o custo de<br />
transporte por tonelada vai aumentar”.<br />
QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>
48<br />
FÓRUM DE LÍDERES<br />
1<br />
2<br />
De que forma a sua empresa/entidade<br />
está comprometida com as melhores<br />
práticas sustentáveis?<br />
Como perspetiva o futuro da<br />
gestão de Energia em Portugal?<br />
A transição energética é a substituição gradual de fontes de energia por outras mais eficientes, disponíveis<br />
ou baratas e, atualmente, ganha uma maior preponderância, porque, mais do que fornecer<br />
energia ao mundo, procura-se reduzir as emissões poluentes na atmosfera e combater as alterações<br />
climáticas, intensificadas pelo uso de combustíveis fósseis.<br />
Reconhecendo a inevitabilidade da transição energética dada a urgência climática e a necessidade<br />
de mudança do paradigma económico, em particular, no que toca aos combustíveis fósseis, Portugal<br />
assumiu, de forma clara, o compromisso da transição energética, com o objetivo de redução das<br />
suas emissões de gases com efeito de estufa.<br />
O país tem um Roteiro para a Neutralidade Carbónica 2050 (RNC2050) e um Plano Nacional<br />
de Energia e Clima 2030 (PNEC2030). O primeiro estabelece a trajetória a seguir para atingir a<br />
neutralidade carbónica em 2050, identificando as opções custo eficazes para atingir aquele fim em<br />
diferentes cenários de desenvolvimento socioeconómico. O PNEC apresenta uma visão de curto-médio<br />
prazo, onde se define nomeadamente como meta para 2030 que 80 % da eletricidade<br />
consumida seja de origem renovável.<br />
Neste fórum de líderes, instituições do nosso país revelam de que forma estão comprometidas com<br />
estes desígnios e explicam a sua visão para o futuro.<br />
QUEM É QUEM NA SUSTENTABILIDADE \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>
49
50<br />
\\ FÓRUM DE LIDERES \\<br />
1<br />
JOÃO AMARAL<br />
Country Manager<br />
Portugal Voltalia<br />
1<br />
A Voltalia é uma empresa com missão, pelo que o<br />
seu compromisso com as melhores práticas ambientais<br />
vai além do seguimento da regulamentação<br />
no setor.<br />
Abraçamos a produção de energia a partir de fontes<br />
renováveis, com ênfase na energia solar fotovoltaica,<br />
na eólica e hídrica, contribuindo para a<br />
redução das emissões de gases de efeito estufa e<br />
para a mitigação das mudanças climáticas. Além<br />
disso, a Voltalia desenvolveu metodologias adicionais<br />
para contabilizar as emissões de gases de<br />
efeito de estufa, tendo o cuidado de contabilizar o<br />
mais ínfimo detalhe, tal como a movimentação de<br />
solo ou a escolha do operador de transportes.<br />
No que diz respeito às comunidades, a Voltalia<br />
procura estabelecer parcerias positivas com as comunidades<br />
locais onde opera, contribuindo para<br />
o seu desenvolvimento socioeconómico. Assim,<br />
encontramos uma forma constante melhorar as<br />
nossas operações e minimizar o seu impacto ambiental,<br />
ao mesmo tempo que contribuir para a<br />
transição energética e para um mundo mais verde<br />
e sustentável.<br />
2<br />
A transição energética é crucial e urgente. O futuro<br />
da gestão de energia em Portugal depende da<br />
flexibilidade: consumir quando a energia existir<br />
em excesso, igualmente armazenando-a, e regrar o<br />
consumo a energia de fontes renováveis for mais<br />
escassa, sem com isto estar ape<strong>nas</strong> dependente de<br />
uma lógica de preço e de procura-oferta, já que a<br />
crescente consciencialização e sobre as mudanças<br />
climáticas e a literacia sobre eletricidade estão a<br />
evoluir positivamente.<br />
É um gigantesco desafio: reduzir a nossa dependência<br />
dos combustíveis fósseis, adaptar hábitos,<br />
promover a eficiência energética e integrar fontes<br />
renováveis de forma mais abrangente, onde a flexibilização<br />
e tolerância a interrupções será desafiante.<br />
A sustentabilidade tem de ser o foco de todas as<br />
políticas energéticas, além da necessidade de políticas<br />
de apoio e incentivos para impulsionar a adoção<br />
de práticas mais sustentáveis.<br />
Mais concretamente, sobre a gestão de energia<br />
em Portugal, o papel do concedente, do regulador,<br />
do gestor global, dos operadores e produtores, e<br />
também dos consumidores tem que ser afinado<br />
na perfeição, pois cada ator depende do próximo,<br />
mantendo em conta que a flexibilidade de cada um<br />
se ajustar é fundamental para o bem de todos. É<br />
pois um desafio que deve ser encarado por todos<br />
os stakeholders como urgente e necessário, mas<br />
repleto de oportunidades. Com investimentos inteligentes<br />
e um compromisso sério com a sustentabilidade,<br />
podemos construir um futuro energético<br />
mais limpo, seguro e resiliente para as gerações<br />
futuras.<br />
QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>
\\ FÓRUM DE LIDERES \\<br />
51<br />
2<br />
PEDRO LIMA<br />
CEO, Solarshop<br />
1<br />
A Solarshop tem colocado em prática várias ações que reforçam o compromisso<br />
com a sustentabilidade. Desde o início da nossa atividade que investimos em tecnologias<br />
sustentáveis para reduzir o consumo de energia. O consumo de energia elétrica<br />
através de painéis solares e a disponibilidade de uma numerosa frota de veículos<br />
100% elétricos são exemplos de práticas que adotamos, no dia a dia da empresa.<br />
Estas práticas, apesar de reduzirem o impacto ambiental, incentivam os colaboradores<br />
a mudarem as suas preferências energéticas e hábitos de consumo, para uma<br />
abordagem mais responsável e consciente.<br />
Para além da aposta na sensibilização dos comportamentos dos colaboradores para<br />
reduzir o consumo de energia, a Solarshop aposta também numa gestão mais responsável<br />
dos resíduos e na reciclagem de materiais, como é exemplo do reaproveitamento<br />
de baterias de veículos elétricos para novas soluções de sistemas energéticos.<br />
2<br />
As últimas notícias sobre a aposta de Portugal em energias renováveis têm sido<br />
bastante positivas e a perspetiva é que o nosso país continue a apostar em estratégias<br />
para a descarbonização e sustentabilidade.<br />
A Solarshop acredita que iremos testemunhar um aumento cada vez maior da produção<br />
de energia renovável, sendo que Portugal tem-se tornado cada vez mais uma<br />
potência no sector renovável, no que à criação de conhecimento e de inovação tecnológica<br />
diz respeito.<br />
Temos verificado, também, um aumento da procura de necessidades e soluções<br />
energéticas para sectores comerciais, industriais e também residenciais, algo que<br />
demonstra a mudança de comportamentos de consumo de energia por parte do<br />
público português.<br />
Em suma, o futuro da gestão de Energia em Portugal perspetiva-se promissor e<br />
apresenta uma oportunidade única para o país se tornar no líder da transição energética<br />
global.<br />
QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>
52<br />
\\ FÓRUM DE LIDERES \\<br />
3<br />
PEDRO AMARAL JORGE<br />
Presidente da Direção, APREN<br />
1<br />
A principal missão da APREN, enquanto Associação Portuguesa de<br />
<strong>Energias</strong> Renováveis, passa pela coordenação e representação dos interesses<br />
comuns dos seus Associados na promoção das <strong>Energias</strong> Renováveis<br />
no setor da eletricidade. Defendemos que a adoção de energias renováveis<br />
em paralelo com a eletrificação direta e indiretamente os consumos<br />
energéticos, é por si só das práticas mais sustentáveis que irão assegurar a<br />
descarbonização neste setor.<br />
Enquanto Associação sem fins lucrativos, a APREN agrupa, no seu conjunto<br />
de associados, pessoas singulares e coletivas, autorizados a produzir<br />
eletricidade a partir de renováveis, representando cerca de 90% do total<br />
da potência instalada de fontes de produção de eletricidade renovável em<br />
Portugal. Não só reúne vários produtores do setor como também representa<br />
entidades interessadas no desenvolvimento de energias renováveis<br />
em Portugal.<br />
Os contributos das renováveis para a sustentabilidade têm-se tornado<br />
cada vez mais evidentes, com inúmeros benefícios para a sociedade, economia<br />
e ambiente, dos quais se destacam:<br />
• 9,7 Mt de emissões de CO2 evitadas;<br />
• Uma poupança em importações de combustíveis fósseis de 1 950 M€3;<br />
• Uma poupança em importações de eletricidade de 626 M€4;<br />
• Uma poupança em licenças de emissão de CO2 de 750 M€, reflexo do<br />
preço médio anual das licenças de 85,3 €/tCO2;<br />
• Uma poupança por efeito da ordem de mérito de 7 014 M€.<br />
Dada a importância das energias renováveis, em 2023, foram atualizadas<br />
novas políticas para promover a descarbonização ao nível europeu e<br />
nacional. A última atualização foi feita durante a elaboração da terceira<br />
Diretiva Europeia das Renováveis (RED), que eleva o compromisso da<br />
Comissão Europeia em aumentar a quota do consumo final bruto de<br />
energia proveniente de fontes de energia renováveis (FER), concretamente<br />
através de uma meta obrigatória de pelo menos 42,5% até 2030.<br />
Adicionalmente, o Parlamento e o Conselho concordaram com uma série<br />
de metas setoriais (indústria, transporte, edifícios, aquecimento e refrigeração),<br />
algumas das quais de natureza vinculativa, enquanto outras são<br />
ape<strong>nas</strong> indicativas.<br />
A nível nacional, também o PNEC 2030 registou alterações. As novas<br />
medidas comprometem Portugal a reduzir 55% das emissões para os gases<br />
de efeitos estufa, especificamente 23% nos transportes. Portugal compromete-se<br />
também a cumprir uma quota de consumo de energias renováveis<br />
de 85% de eletricidade, 47% no aquecimento e arrefecimento e 23%<br />
no setor dos transportes, até 2030.<br />
A APREN desenvolve ainda várias atividades periódicas e pontuais de<br />
promoção das energias renováveis e de sustentabilidade, apoiando os<br />
seus associados. A Associação orienta e cria parcerias com organismos<br />
oficiais e outras entidades congéneres nacionais e internacionais, participando<br />
na elaboração de políticas energéticas para Portugal e promovendo<br />
o aproveitamento e valorização dos recursos renováveis para produção de<br />
eletricidade contribuindo para a descarbonização da economia e para a<br />
transição energética.<br />
2<br />
Em 2023, a incorporação renovável atingiu um máximo histórico, devido<br />
a um ano favorável em termos de regime hídrico e eólico, mas também<br />
pela evolução da geração solar renovável. A produção renovável solar<br />
aumentou na ordem dos 43%, passando a representar 8,2% da produção<br />
anual total de eletricidade em Portugal, devido a um aumento da capacidade<br />
instalada.<br />
Considerando as metas ambiciosas previstas na revisão do PNEC 2030,<br />
que apontam para cerca de 43 GW de capacidade instalada renovável até<br />
2030, estima-se que a parcela da eletricidade no setor energético estará<br />
QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>
\\ FÓRUM DE LIDERES \\<br />
53<br />
4<br />
ANTÓNIIO GONÇALVES PEREIRA<br />
ecoMood Portugal<br />
significativamente descarbonizada, à frente do aquecimento<br />
e arrefecimento e dos transportes.<br />
Para continuarmos nesta direção, Portugal necessita, no<br />
futuro próximo, de fazer melhorias e de acelerar processos<br />
nos vários setores. Torna-se imperativo impulsionar<br />
a eletrificação em todas as esferas e setores, aproveitando<br />
a energia limpa e competitiva que pode ser produzida<br />
no território nacional devido à localização estratégica<br />
favorável. Também é necessário alterar radicalmente o<br />
modelo de apoios, incentivando as tecnologias como é o<br />
caso do armazenamento.<br />
A implementação de baterias deve ser desenvolvida a<br />
todos os níveis, não só em grande escala como rede de<br />
distribuição ou de transporte, mas também para o produtor/consumidor<br />
individual, promovendo assim a flexibilidade<br />
e independência energética de todos os consumidores.<br />
A nível industrial, a adoção de energias renováveis, paralelamente<br />
com o hidrogénio verde, será fundamental<br />
para assegurar um consumo energético limpo deste<br />
setor, deixando de depender tão significativamente de<br />
combustíveis fósseis para os seus processos de produção.<br />
Também no setor dos transportes, o hidrogénio verde<br />
poderá vir a ter um papel relevante, conjuntamente com<br />
o aumento de veículos elétricos.<br />
Desta forma, reforça-se que o caminho passa pela eletrificação<br />
direta e indireta dos consumos energéticos,<br />
aumentando significativamente a quota de renováveis<br />
nos vários setores, com o setor elétrico a demonstrar o<br />
grande potencial que Portugal tem.<br />
1<br />
A Ecomood Portugal é uma associação sem fins lucrativos com a missão social<br />
de promover mentalidades, comportamentos e soluções sustentáveis. Portanto,<br />
mais até do que estarmos comprometidos em vivermos e exercermos a nossa actividade<br />
de forma sustentável, no nosso dia-a-dia tentamos ter um papel social<br />
activo na promoção de práticas sustentáveis. Do indivíduo à empresa, da escola<br />
aos governantes, tentamos todos sensibilizar para melhorarem os seus hábitos.<br />
E, sempre que possível, fazêmo-lo de forma prática e positiva, proporcionando a<br />
experimentação de soluções sustentáveis, como acontece, por exemplo, nos nossos<br />
eventos Green Experience. Mas também dando destaque a bons exemplos, que é a<br />
abordagem prioritária das nossas pági<strong>nas</strong> ECOnversas no Facebook e Instagram.<br />
2<br />
Infelizmente, permitimos que a nossa rede energética e o principal distribuidor<br />
fossem retirados ao essencial serviço público e entregues a interesses privados e,<br />
pior ainda, com participação importante de outro Estado. Isto criou um grave<br />
problema na gestão da nossa energia, que não vejo como conseguiremos corrigir.<br />
Ainda assim, na Ecomood trabalhamos diariamente para promover a democracia<br />
energética. Defendemos que a base do sistema energético deve centrar-se numa<br />
captação para consumo de proximidade e não em mega projectos de gigantesco<br />
impacto ambiental, que dificilmente será compensado. Há que apostar <strong>nas</strong> comunidades<br />
de energia, no autoconsumo colectivo, em soluções comunitárias, municipais,<br />
regionais. E na autossuficiência dos grandes consumidores, para não continuarem<br />
a sobrecarregar a rede, que deve ter como objectivo tornar-se um backup<br />
e não a razão primeira de todo o sistema. E é por isso que, por exemplo, estamos,<br />
com outros colectivos e cidadãos, na organização das primeiras Jornadas para a<br />
Democracia Energética, que acontecerão em Lisboa em Maio próximo. Porque a<br />
energia tem de ser considerada um bem de primeira necessidade, gerido por princípios<br />
de serviço público. Porque sustentabilidade ambiental sem sustentabilidade<br />
social de pouco ou nada vale.<br />
QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>
54<br />
\\ FÓRUM DE LIDERES \\<br />
1<br />
A nossa missão principal é a DIVULGAÇÃO E PROMOÇÃO da MOBILIDADE ELÉTRICA.<br />
A UVE promove a adoção de veículos elétricos como uma alternativa sustentável aos veículos<br />
convencionais, destacando os benefícios ambientais e económicos. A substituição de um veículo<br />
a combustão por um veículo elétrico não vai resolver, por si, todo os problemas das sociedades<br />
atuais, e por isso a UVE promove todos os tipos de mobilidade elétrica, desde a mobilidade suave<br />
até à utilização de transportes públicos eletrificados.<br />
A UVE trabalha para influenciar políticas governamentais que incentivem a mobilidade elétrica:<br />
incentivos para a compra de veículos elétricos e investimentos em infraestrutura de carregamento.<br />
Junto de todos os intervenientes do mercado promovemos e sugerimos as melhores<br />
soluções para os utilizadores tendo em conta as práticas mais sustentáveis.<br />
A informação é fundamental, precisa, credível e verdadeira, e o exemplo prático que os associados<br />
da UVE transmitem, marca a diferença. Tentamos, permanentemente, chegar a novos<br />
auditórios e promover junto deles a mobilidade elétrica relatando as nossas experiências reais e<br />
quotidia<strong>nas</strong>.<br />
Mantemos o foco num cenário onde os veículos elétricos sejam acessíveis a todos e desempenhem<br />
um papel fundamental na construção de um ambiente mais sustentável. A bicicleta, o autocarro,<br />
o comboio, precisam de entrar <strong>nas</strong> nossas vidas, e é vital para o planeta que partilhamos.<br />
2<br />
5<br />
PEDRO FARIA<br />
Presidente do Conselho Diretivo da UVE<br />
- Associação de Utilizadores de Veículos<br />
Elétricos<br />
Com os compromissos de redução das emissões de gases com efeito de estufa, é fundamental que<br />
a produção de energia elétrica continue o caminho da descentralização, permitindo a geração<br />
local fotovoltaica inteligente, e integrando tecnologias emergentes como o armazenamento por<br />
baterias de escala de rede e o V2G (Vehicle to Grid). O V2G é a nosso ver uma tecnologia com<br />
muito futuro neste âmbito, pois permite que uma enorme capacidade de armazenamento de<br />
energia (no limite, o número de VE em Portugal multiplicado pela capacidade média das suas<br />
baterias) seja aproveitada para estabilizar a rede e absorver toda a energia gerada por fontes<br />
renováveis, que por serem intermitentes pode não ser imediatamente consumida na rede, sendo<br />
armazenada pelas baterias dos VE. Tudo isto exige um grande investimento nos sistemas de gestão<br />
da rede elétrica, que devem começar desde já a estar preparados para este cenário.<br />
QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>
\\ FÓRUM DE LIDERES \\<br />
55<br />
6<br />
LUÍS NUNES<br />
COO Prio Supply, Membro da Comissão Executiva PRIO<br />
1<br />
Na PRIO, a sustentabilidade está no cerne de tudo o que fazemos, é parte integral do nosso ADN. Desde<br />
o primeiro momento em que chegámos ao mercado, há 17 anos, a PRIO sabia que tinha de se pautar pela<br />
diferença e que a sustentabilidade tinha de estar no centro do negócio. Do ECO Diesel, mais eficiente, disponível<br />
de Norte a Sul do país e com uma incorporação de energia renovável de 15%, acima do que se verifica<br />
no gasóleo convencional, passando pelo ZERO Diesel, para frotas e com 0% de combustíveis fósseis, ao<br />
ECO Bunkers para o setor marítimo, desenvolvemos soluções para os mais diversos clientes. O investimento<br />
feito ao longo dos anos no centro de produção em Ílhavo torna-nos líderes na produção de biocombustíveis<br />
a partir de matérias-primas residuais na Península Ibérica e reflete também a forma como apostamos<br />
continuamente na inovação, procurando aplicar as melhores práticas sustentáveis em toda a nossa oferta<br />
e operação. Queremos ser líderes da transição energética acessível e trabalhamos para isso todos os dias.<br />
2<br />
Para a PRIO há três fatores essenciais – e que na verdade têm norteado desde o início a nossa forma de<br />
estar no mercado.<br />
O primeiro é a inovação. Nenhum setor é estanque, como sabemos, mas setores tão transversais como o da<br />
energia têm uma responsabilidade acrescida pela sua importância social e económica, mas também pelo<br />
contributo ativo que têm de ter na construção de um futuro mais verde. Na PRIO estamos conscientes que<br />
o futuro se trabalha no presente, com investimento, conhecimento e desenvolvimento tecnológico. O nosso<br />
centro de produção em Ílhavo é reflexo desta nossa aposta contínua em melhorar.<br />
O segundo é a descarbonização/transição energética e como a alcançar. Na PRIO acreditamos no mix<br />
energético: uma indústria mais verde não acontece simplesmente por decreto ou suportado numa só solução.<br />
Devemos trabalhar em diversas frentes, razão pela qual fomos pioneiros na mobilidade elétrica ao<br />
mesmo tempo que continuamos a desenvolver combustíveis cada vez mais verdes e eficientes. A transição<br />
energética tem de ter em conta o parque automóvel existente no país e permitir que mais pessoas participem,<br />
já, neste desafio da descarbonização.<br />
O terceiro é poder entregar este mix energético, fruto de inovação em Portugal e preparada para fazer a<br />
transição energética já hoje de forma acessível aos nossos clientes. Nós acreditamos que a transição energética<br />
com produtos inovadores deve e pode chegar a todos de forma económica e competitiva, e isso é a nossa<br />
preocupação constante, chegar a mais clientes com soluções diferenciadas e económicas.<br />
QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>
56<br />
\\ FÓRUM DE LIDERES \\<br />
7<br />
FERNANDO MARTIN-NIETO<br />
Head of Decentralized Solution, Capwatt<br />
1<br />
A Capwatt <strong>nas</strong>ceu com um compromisso intrínseco com a sustentabilidade, concentrando-se em<br />
vários pilares:<br />
• Participação Ativa dos Colaboradores: Envolvemos os nossos colaboradores na tomada de<br />
decisões, reconhecendo a importância da diversidade de perspetivas.<br />
• Soluções Eficientes de Energia: Comprometemo-nos a fornecer cogerações e soluções de<br />
alta eficiência para a geração de energia industrial, visando eficiência operacional e redução<br />
do impacto ambiental.<br />
• Integração Comunitária: Parte de um grande grupo empresarial, o nosso compromisso estende-se<br />
à comunidade, refletindo-se no apoio ao desenvolvimento sustentável local.<br />
Além disso, a Capwatt promove ativamente a mobilidade sustentável, adotando, há vários anos,<br />
uma frota de viaturas 100% elétricas.<br />
Com conhecimento técnico, expandimos as nossas áreas de atuação para o desenvolvimento de<br />
combustíveis sustentáveis (Biometano, Metanol renovável, H2 verde) e projetos de autoconsumo<br />
fotovoltaico, colaborando com clientes e parceiros na descarbonização e transição energética.<br />
Todas as iniciativas são apoiadas por transparência, submetendo as nossas práticas a auditorias<br />
exter<strong>nas</strong> para garantir o cumprimento rigoroso de normas ambientais. Comprometidos em evoluir<br />
constantemente, lideramos o caminho para um futuro mais sustentável.<br />
2<br />
Acreditamos que Portugal enfrenta desafios significativos, tanto a curto quanto a longo prazo. A<br />
regulação desempenha um papel crucial na consecução dos objetivos de descarbonização, e esta<br />
deveria passar pela redução dos prazos administrativos e pelo estímulo a soluções sustentáveis que,<br />
atualmente, não são financeiramente viáveis para a generalidade das empresas. A sustentabilidade,<br />
para nós, vai além da perspetiva ambiental, incluindo também a sustentabilidade financeira.<br />
O suporte às tecnologias emergentes deve originar-se em políticas que capacitam as empresas a<br />
descarbonizar, aumentar a eficiência e manter a competitividade num contexto global.<br />
Destacamos a eficiência energética como um elemento crucial, e defendemos a adoção de ferramentas<br />
já existentes na Europa, como os Certificados de Poupança Energética, que incentivam o<br />
desenvolvimento de soluções com payback sustentável a longo prazo.<br />
QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>
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NENHUMA EDIÇÃO DA<br />
GREEN SAVERS<br />
Das empresas aos cidadãos, acompanhamos o<br />
impacto das nossas ações para o Planeta.<br />
Analisamos a sustentabilidade em<br />
todas as vertentes, apresentando<br />
uma visão global do país e do mundo.
\\ DIRETÓRIO \\<br />
DIRETÓRIO<br />
Portugal e o forte<br />
investimento em renováveis<br />
Portugal é dos países que mais investe em energias renováveis, situando-se em terceiro lugar<br />
entre os países europeus que mais apostam <strong>nas</strong> energias limpas. 2023 pode, de resto, ser classificado<br />
como um ano histórico para Portugal, já que no mês de julho, a produção de energia<br />
solar atingiu os 10% do consumo total de eletricidade, o que segundo dados da REN, foi a<br />
primeira vez que a energia solar ultrapassou a barreira dos dois dígitos no abastecimento de<br />
eletricidade em território nacional.<br />
E a produção de energia renovável em Portugal tem atingido novos máximos neste início de ano, tendo<br />
sido atingidos valores recorde nos últimos dois dias na hídrica e na solar. Às 12h00 de dia 12 de março,<br />
atingiu-se um novo pico de produção de energia solar, com 1976 MW. Em relação à produção de energia<br />
hidroelétrica, o novo máximo histórico, de 7280 MW, foi atingido às 22h15 de 11 de março, ultrapassando<br />
o anterior máximo de 6907 MW, registado a 28 de fevereiro.<br />
Entre 1 de janeiro e 12 de março deste ano as renováveis abasteceram 86% do consumo nacional. Estes<br />
registos confirmam que Portugal tem mantido uma trajetória sustentável na progressiva incorporação de<br />
fontes renováveis endóge<strong>nas</strong>, enquanto mantém os objetivos primordiais de segurança de abastecimento<br />
e de qualidade de serviço<br />
Espera-se, por isso, que a implementação de fontes de energia renovável na produção de eletricidade, em<br />
particular o solar e o eólico, continuem em bom ritmo<br />
As empresas portuguesas estão empenhadas em manter esse ritmo e, apesar de estarmos muito longe de<br />
alcançar a meta de desenvolvimento sustentável da ONU, que tem por objetivo garantir energia limpa e<br />
acessível para todos até 2030, há muitas entidades no bom caminho. Conheça alguns dos bons exemplos<br />
que lhe apresentamos neste suplemento.<br />
QUEM É QUEM NA SUSTENTABILIDADE \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>
\\ DIRETÓRIO \\<br />
59
60<br />
\\ DIRETÓRIO \\<br />
BOARD<br />
UM PLAYER INTERNACIONAL COM O PROPÓSITO<br />
DE “MELHORAR O MEIO AMBIENTE GLOBAL,<br />
PROMOVENDO O DESENVOLVIMENTO LOCAL”<br />
João Amaral<br />
CTO & Country Manager,<br />
Voltalia Portugal<br />
AVoltalia é uma empresa global líder em energia<br />
renovável, comprometida em impulsionar<br />
a transição energética para um futuro<br />
mais sustentável. Com uma presença significativa<br />
em Portugal e em todo o mundo, a sua missão é<br />
fornecer soluções energéticas inovadoras e eficientes,<br />
baseadas em fontes limpas e renováveis,<br />
como solar, eólica, hidroelétrica e biomassa.<br />
Com mais de 1.880 funcionários, a Voltalia<br />
desenvolve a sua atividade junto dos seus clientes<br />
em 20 países e 3 continentes. Atualmente, tem<br />
uma capacidade de produção, em funcionamento<br />
e em construção, de mais de 2,85 GW e uma<br />
carteira de projetos em desenvolvimento que<br />
representam uma capacidade total de 16,1 GW.<br />
Em Portugal desde 2015, a Voltalia conta com<br />
mais de 350 colaboradores a trabalhar para o país<br />
e para outras geografias onde o Grupo também<br />
opera. Ao longo dos anos, tem construído e operado<br />
uma vasta gama de projetos renováveis, contribuindo<br />
para reduzir as emissões de carbono e<br />
promover a independência energética. Através<br />
da sua experiência e compromisso com a excelência,<br />
forne energia sustentável de forma confiável<br />
e rentável, ajudando a impulsionar o desenvolvimento<br />
económico e social das comunidades onde<br />
está presente.<br />
Enquanto empresa com Propósito pretende<br />
melhorar o ambiente mundial através da promoção<br />
do desenvolvimento local. Nesse sentido, tem<br />
vindo a desenvolver, construir e operar centrais<br />
de energias renováveis, para si e para terceiros,<br />
tanto em países mais desenvolvidos como nos<br />
emergentes.<br />
Além disso, a Voltalia está continuamente a<br />
investir em investigação e desenvolvimento para<br />
impulsionar a inovação no setor energético, procurando<br />
constantemente novas formas de maximizar<br />
a eficiência e minimizar o impacto ambiental<br />
das suas operações. É seu objetivo atuar<br />
para a produção de energias renováveis acessíveis<br />
a todos, através da contribuição direta para o<br />
combate às alterações climáticas e de uma eletricidade<br />
verde acessível e de qualidade. Na Voltalia<br />
acredita-se firmemente que o futuro da energia<br />
está <strong>nas</strong> renováveis, e está empenhada em liderar<br />
esse caminho, contribuindo para um mundo<br />
mais limpo e sustentável para as gerações futuras.<br />
CONTACTOS<br />
Avenida do Marechal Gomes<br />
da Costa, nº 1177<br />
4150-360 Porto<br />
+351 220 191 000<br />
info.voltalia@voltalia.com<br />
ENERGIAS<br />
RENOVÁVEIS<br />
E ACESSÍVEIS<br />
PRODUÇÃO E<br />
CONSUMO<br />
SUSTENTÁVEIS<br />
PROTEGER<br />
A VIDA<br />
TERRESTRE<br />
TRABALHO DIGNO<br />
E CRESCIMENTO<br />
ECONÓMICO<br />
ACÇÃO<br />
CLIMÁTICA<br />
QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>
61<br />
EFICIÊNCIA E SUSTENTABILIDADE<br />
DE MÃOS DADAS<br />
ACapwatt é uma empresa inovadora que promove soluções integradas<br />
de energia, contribuindo para o paradigma energético sustentável.<br />
Estamos presentes em Portugal, México, Espanha e Itália, contamos<br />
com um amplo portfólio de projetos operacionais e somos reconhecidos<br />
como produtores de energia independentes.<br />
Atuamos em três pilares essenciais: desenvolvimento de projetos renováveis<br />
de grande escala, combustíveis renováveis (biometano e metanol)<br />
e soluções de energia descentralizadas, das quais destacamos a cogeração,<br />
soluções térmicas renováveis, autoconsumo fotovoltaico, serviços de<br />
eficiência de energética e comercialização de eletricidade e gás natural,<br />
também de origem renovável.<br />
A sustentabilidade está na base dos nossos valores e na forma como pensamos<br />
o negócio. Assumimos o compromisso diário de cuidar do meio<br />
ambiente e contribuir para a melhoria da comunidade na qual estamos<br />
inseridos.<br />
Ajudamos os nossos clientes a melhorar o seu desempenho e a descarbonizar<br />
a sua atividade. Impulsionamos a transição energética, oferecendo<br />
soluções que têm benefícios como a redução de custos energéticos, o<br />
aumento da eficiência energética, a capacidade de produção de energia<br />
descentralizada e a redução da pegada ecológica.<br />
CONTACTOS<br />
powering your business<br />
Lugar do Espido – Via Norte, Apartado 3053, 4471-907 Maia<br />
+351 220 110 055<br />
capwatt@capwatt.com / www.capwatt.com<br />
LISTAGEM<br />
Accenture<br />
Av. Eng. Duarte Pacheco Torre<br />
1-16 piso<br />
1070-101 Lisboa<br />
t. 213 803 500<br />
e. info@accenture.com<br />
w. www.accenture.com<br />
Ageas Portugal<br />
Companhia de Seguros, S.A<br />
Praça Principe Perfeito, Nº 2<br />
1990-278 Lisboa<br />
t. 217 943 039<br />
e. geral@ageas.pt<br />
w. www.ageas.pt<br />
Aldi Portugal - Supermercados, Lda<br />
Rua Ponte dos Cavalos, 155<br />
2870-674 Montijo<br />
t. 800 420 800<br />
e. geral@aldi.pt<br />
w. www.aldi.pt<br />
Altice Portugal, S.a<br />
Avenida Fontes Pereira de Melo, 40<br />
1050-123 Lisboa<br />
t. 215 002 000<br />
e. sustentabilidade@telecom.pt<br />
w. www.telecom.pt<br />
Ambiprime<br />
Estrada de Paço de Arcos 66 e 66A<br />
2735-336 Cacém<br />
t. 210 920 656<br />
e. geral@ambiprime.com<br />
w. www.ambiprime.com<br />
Apcer - Associação Portuguesa de<br />
Certificação<br />
Rua António Bessa Leite, 1430,<br />
1º Esq.<br />
4150-074 PORTO<br />
t. 229 993 600<br />
e. info@apcer.pt<br />
w. www.apcer.pt<br />
Aqualogus<br />
Rua do Mar da China N.º 1 Esc. 2.4<br />
1990-137 Lisboa<br />
t. 21 752 01 90<br />
e. geral@aqualogus.pt<br />
w. www.aqualogus.pt<br />
ArtSolar<br />
Rua António Nobre nº 55<br />
2870-021 Montijo<br />
t. 960 355 175<br />
e. info@artsolar.pt<br />
w. www.artsolar.pt<br />
ASCENDI O&M, S.A<br />
Praça Mouzinho de Albuquerque<br />
197, 4100-360 Porto<br />
t. 229 767 767<br />
e. info@ascendi.pt<br />
w. www.ascendi.pt<br />
Associação CECOLAB<br />
Collaborative Laboratory Towards<br />
Circular Economy<br />
Rua Nossa Sra. Da Conceição, nº 2<br />
3405-155 Oliveira do Hospital<br />
t. 238 011 400<br />
e. circular@cecolab.pt<br />
w. www.cecolab.pt<br />
AVALER, Associação Entidades de<br />
Valorização Energética Resíduos<br />
Sólidos Urbanos<br />
Plataforma Ribeirinha da CP - Estação<br />
de Mercadorias da Bobadela<br />
2696-801 Loures<br />
t. 218 443 849<br />
e. avaler@avaler.pt<br />
w. www.avaler.pt<br />
Biorumo, Consultoria em<br />
Ambiente e Sustentabilidade, Lda.<br />
Rua do Carvalhido, 155<br />
4250-102 Porto<br />
t. 228 349 580<br />
e. geral@biorumo.com<br />
w. www.biorumo.com<br />
BioSmart, Soluções Ambientais,<br />
S.A.<br />
Rua de Tomar, n.º 80<br />
2495-185 Santa Catarina da Serra<br />
t. 244 749 100<br />
e. geral@biosmart.pt<br />
w. www.biosmart.pt<br />
Bright Solar<br />
Edifício Eco Business Center<br />
Rua Aníbal Bettencourt, 7<br />
2790-225 Carnaxide<br />
t. 212 454 656<br />
e. info@bright-solar.pt<br />
w. www.bright-solar.pt<br />
Brisa Auto-Estradas de Portugal,<br />
S.A<br />
Quinta da Torre da Aguilha<br />
Edifício Brisa<br />
2789-522 São Domingos de Rana<br />
t. 210 730 300<br />
e. servico.cliente@brisa.pt<br />
w. www.brisa.pt<br />
QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>
62 \\ DIRETÓRIO \\<br />
As últimas notícias sobre a aposta de Portugal<br />
em energias renováveis têm sido bastante positivas<br />
e a perspetiva é que o nosso país continue<br />
a apostar em estratégias para a descarbonização<br />
e sustentabilidade.<br />
A Solarshop acredita que iremos testemunhar<br />
um aumento da produção de energia renovável,<br />
sendo que Portugal tem-se tornado cada<br />
vez mais uma potência no sector renovável, no<br />
que à criação de conhecimento e de inovação<br />
tecnológica diz respeito.<br />
Existe também um aumento da procura de<br />
necessidades e soluções energéticas para<br />
sectores comerciais, industriais e residenciais,<br />
algo que demonstra a mudança de comportamentos<br />
de consumo de energia por parte do<br />
público português.<br />
Em suma, o futuro da gestão de Energia em<br />
Portugal perspetiva-se promissor e apresenta<br />
uma oportunidade única para o país se tornar<br />
no líder da transição energética global.<br />
Casais<br />
Engenharia e Construção, S.A<br />
R do Anjo 27<br />
4700-565 Mire de Tibães<br />
t. 218 959 014<br />
e. casais@casais.pt<br />
w. www.casais.pt<br />
Catavento<br />
Beloura Business Center:<br />
Rua dos Navegantes Bloco 7, 1ºD<br />
2710-297 Linhó - Sintra<br />
t. 214 212 345<br />
e. geral@catavento.pt<br />
w. www.catavento.pt<br />
Cirelius<br />
Rua da Cancela Velha nº 26,<br />
4430-660 Vila Nova de Gaia<br />
t. 227 843 817<br />
e. info@cirelius.pt<br />
w. www.cirelius.pt<br />
BOARD<br />
Pedro Lima<br />
CEO<br />
André Pedro<br />
Manager<br />
ÁREAS DE ATUAÇÃO<br />
/ <strong>Energias</strong> renováveis<br />
/ Distribuidores fotovoltaicos<br />
/ Soluções energéticas<br />
/ Mobilidade elétrica<br />
/ Desenvolvimento sustentável<br />
CONTACTOS<br />
Sede: Armaz. M, S/N,<br />
EN348, Rua principal<br />
3240-408 Junqueira, Portugal<br />
+351 236 032 787,<br />
E. geral@solarshop.pt<br />
W. www.solarshop.pt<br />
Cms, Lda<br />
Rua do Pinhal Novo,<br />
Nº 49<br />
2845-256 Amora<br />
t. 210 958 100<br />
e. geral@@cmsportugal.com<br />
w. www.cms.law<br />
CP - Comboios de Portugal, Epe<br />
Calçada do Duque, Nº 14<br />
1249-109 Lisboa<br />
t. 808 109 110<br />
e. cp@cp.pt<br />
w. www.cp.pt<br />
Ctt - Correios de Portugal S.A<br />
Avenida Dom João II,<br />
Nº 13<br />
1999-001 Lisboa<br />
t. 210 471 616<br />
e. geral@ctt.pt<br />
w. www.ctt.pt<br />
DAPE<br />
Rua Professor Doutor Henrique de<br />
Barros, n.º 28<br />
Centro Empresarial de Braga •<br />
Ferreiros<br />
4705-319 Braga • Portugal<br />
t. 253 286 351<br />
e. geral@dape.pt<br />
w. www.dape.pt<br />
Deloitte Technology, S.A<br />
Avenida Engenheiro Duarte<br />
Pacheco, Nº 7<br />
1070-100 Lisboa<br />
t. 210 422 500<br />
e. pt@deloitte.com<br />
w. www2.deloitte.com<br />
dstGroup<br />
Rua do Alecrim, nº 75<br />
2 andar<br />
1200-015 Lisboa, Portugal<br />
t. 213 429 131<br />
e. energia@dstsgps.com<br />
w. www.dstsolar.com<br />
Dstelecom, S.A<br />
Rua dos Pitancinhos<br />
4700-727 Braga<br />
t. 253 009 910<br />
e. euquerofibra@dstelecom.pt<br />
w. www.dstelecom.pt<br />
EcoChoice<br />
Rua Dr Manuel Simões Barreiros<br />
nº 58 - 2º<br />
3260 424 Figueiró dos Vinhos<br />
t. 213 879 413<br />
e. apoio@ecochoice.pt<br />
w. www.ecochoice.pt<br />
Ecosativa<br />
Consultoria Ambiental, Lda<br />
Urbanização Pinhal do Moinho,<br />
Lote 11 - 1º F<br />
7645-294 Vila Nova de Milfontes<br />
t. 283 959 906<br />
e. info@ecosativa.pt<br />
w. www.ecosativa.pt<br />
EDP<br />
Gestão da Produção da<br />
Energia, S.A<br />
Av. 24 de Julho, 12<br />
1249-800 Lisboa<br />
t. 210 012 500<br />
e. edpproducao@edp.pt<br />
w. www.edp.com<br />
EFACEC<br />
Parq. Empresarial Arroteia Poente<br />
Apartado 1018<br />
4466-952 S. Mamede de Infesta<br />
t. 229 562 300<br />
e. sgps@efacec.pt<br />
w. www.efacec.pt<br />
Electrão - Associação de Gestão de<br />
Resíduos<br />
Restelo Business Center, Bloco 5 - 4A<br />
Av. Ilha da Madeira, 35<br />
1400-203 Lisboa<br />
t. 214 169 020<br />
e. geral@electrao.pt<br />
w. www.electrao.pt<br />
Enat<br />
EN nº10 Km 137,4<br />
Entrada Bairro Estacal Novo nº 5<br />
2690-366 Santa Iria da Azóia<br />
t. 217 784 112<br />
e. lisboa@enat.pt<br />
w. www.enat.pt<br />
Enercasa<br />
Rua Padre Manuel Guimarães n 57,<br />
Braga<br />
t. 253088408<br />
e. geral@enercasa.pt<br />
w. www.enercasa.pt<br />
Enerpower - Energia e ambiente<br />
Rua Dr. Francisco Duarte, 110 – lj 6<br />
4715-018 Braga<br />
e. geral@enerpower.pt<br />
w. www.enerpower.pt<br />
Enerepo<br />
Herdade Cuncos do Meio<br />
7050-677 Silveiras<br />
t. 266 891 280<br />
e. info@enrepo.com<br />
w. www.enrepo.com<br />
Energia Lateral<br />
Inovisa - Tapada da Ajuda,<br />
1349-017 Lisboa<br />
t. 910 319 271<br />
e. geral@energialateral.pt<br />
w. www.energialateral.pt<br />
Endesa Energia S.A.<br />
Qnt. da Fonte, Ed. D. Manuel I,<br />
Piso 0, Ala B, 2770-203 Paço de Arcos<br />
t. 800 10 10 33<br />
e. geral@endesa.pt<br />
w. www.endesa.pt<br />
QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>
\\ DIRETÓRIO \\<br />
63<br />
CONTACTOS<br />
Sede: Edifício D. Maria I, Piso 0, Ala A/B<br />
2770-229 Paço de Arcos<br />
+351 214 268 700<br />
Delegação Norte: Rua B – Z.I. da Varziela, Lote 50 e 51<br />
Árvore | 4480-620 Vila do Conde<br />
+351 351 214 268 790<br />
E. info@daikin.pt // W. www.daikin.pt<br />
CONTACTOS<br />
Estrada Nacional 356/1<br />
km 5,8 – Alcogulhe<br />
2400-821 Azoia – Leiria<br />
+351 244 830 800<br />
E. geral@prf.pt // W. www.prf.pt<br />
Engiciclo<br />
Av. Capitão Meleças, Nº 99,<br />
c/v Esq.<br />
2615-099 Alverca<br />
t. 219578596<br />
e. geral@engiciclo.pt<br />
w. www.engiciclo.pt<br />
FuturSolutions<br />
Av. Prof. Vieira Natividade, Lte 5 -<br />
74-B<br />
2460-071 Alcobaça<br />
t. 262 582 553<br />
e. info@futursolutions.pt<br />
w. www.futursolutions.pt<br />
Grosvenor House Of Investments,<br />
Scr, S.A<br />
Avenida da Liberdade, 129-B, Sala 7<br />
1250-140 Lisboa<br />
t. 213 261 598<br />
e. customerenquiries@grosvenor.com<br />
w. www.grovesnor.com<br />
Lidl & Companhia<br />
Rua Pé de Mouro,<br />
n.º 18 - Linhó<br />
2714-510 Sintra<br />
t. 219 102 254<br />
e. sustentabilidade@lidl.pt<br />
w. www.lidl.pt<br />
Electropoças<br />
Rua Monsenhor José de Magalhães de<br />
Sousa nº 36, Britelo,<br />
4890 - 233, Celorico de Basto<br />
t. 962 877 701<br />
e. info@electropocas.pt<br />
w. www.electropocas.pt<br />
Finerge, S.A<br />
Avenida D. Afonso Henriques,<br />
n. 1345<br />
4450-017 Matosinhos<br />
t. 226 080 180<br />
e. info.geral@finerge.pt<br />
w. www.finerge.pt<br />
FEUP - Faculdade de Engenharia<br />
da Universidade do Porto<br />
Rua Dr. Roberto Frias<br />
4200-465 PORTO<br />
t. 225 081 411<br />
e. incoming@fe.up.pt<br />
w. www.fe.up.pt<br />
FonteSolar<br />
Rua Ana Teixeira da Silva,<br />
nº 40, Cave<br />
4700-254 Braga<br />
t. 934 780 702<br />
e. geral@fontesolar.com<br />
w. www.fontesolar.com<br />
GALP<br />
R. Tomás da Fonseca piso 5<br />
1600-209 Lisboa<br />
t. 21 724 2500<br />
e. geral@galp.com<br />
w. www.galp.com<br />
Gavedra<br />
Zona Industrial Vale da Goita,<br />
Rua João Rufino, 16- Paúl<br />
2560-232 Torres Vedras<br />
t. 261 330 400<br />
e. geral@gavedra.pt<br />
w. www.gavedra.pt<br />
Gedoc<br />
PCI Creative Science Park<br />
Edifício Mat., salas 2.2.8 e 2.2.9<br />
3830-352 Ílhavo, Portugal<br />
t. 234 040 475<br />
e. geral@gedoc.pt<br />
w. www.gedoc.pt<br />
Greenvolt<br />
<strong>Energias</strong> Renováveis, S.A<br />
Rua Manuel Pinto de Azevedo,<br />
Nº 818<br />
4100-320 Porto<br />
t. 228 346 502<br />
e. sede@greenvolt.pt<br />
w. www.greenvolt.pt<br />
Iberdrola<br />
Estrada da Luz 90D<br />
1600-160 Lisboa<br />
t. 800 660 060<br />
e. iberdrola@iberdrola.pt<br />
w. www.iberdrola.pt<br />
ISQ<br />
Instituto de Soldadura e Qualidade<br />
Av. Prof. Cavaco Silva, 33 Taguspark<br />
2740-120 Porto Salvo<br />
t. 214 228 100<br />
e. info@isq.pt<br />
w. www.isq.pt<br />
Jerónimo Martins, SGPS, SA<br />
Rua Actor António Silva, 7<br />
1649-033 Lisboa<br />
t. 217 532 000<br />
e. provedoria@jeronimo-martins.pt<br />
w. www.jeronimomartins.com<br />
Kpmg & Associados<br />
Sociedade de Revisores Oficiais<br />
de Contas S.A<br />
Av. Fontes Pereira de Melo,<br />
Nº 41, 15º<br />
1069-006 Lisboa<br />
t. 210 110 000<br />
e. info@home.kpmg<br />
w. home.kpmg<br />
Lobosolar<br />
Rua Aníbal Tavares 11<br />
Apartado 332<br />
7005-872 Évora<br />
t. 266 771 427<br />
e. comercial@lobosolar.com<br />
w. www.lobosolar.com<br />
MegaJoule<br />
Travessa Honório Lima, 16<br />
4465-171 São Mamede de Infesta<br />
t. 220915480<br />
e. megajoule@megajoule.pt<br />
w. www.megajoule.pt<br />
Metropolitano de Lisboa, E.P.E<br />
Avenida Fontes Pereia de Melo, 28<br />
1050-122 Lisboa<br />
t. 213 500 115<br />
e. atendimento@metrolisboa.pt<br />
w. www.metrolisboa.pt<br />
Movitrom<br />
Av. Pedro Alvares Cabral<br />
Centro Empresarial Sintra<br />
Estoril V, Armazém E32<br />
2710-263 Sintra<br />
t. 21 910 90 18<br />
e. info@movitrom.com<br />
w. www.movitrom.com<br />
QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>
64 \\ DIRETÓRIO \\<br />
CONTACTOS<br />
Av. dos Estados Unidos da América,<br />
55 - 1749-061 Lisboa, Portugal<br />
+351 210 013 500<br />
W. www.ren.pt<br />
CONTACTOS<br />
Quinta da Fonte<br />
Edifício D. Maria I, Piso 2, Ala B<br />
2770-229 Paço d’Arcos - Portugal<br />
+351 214 403 200<br />
E. geral@trustenergy.pt // W. www.trustenergy.pt<br />
Noctula<br />
Quinta da Alagoa, lote 222<br />
1º Frt.<br />
3500-606 Viseu<br />
t. 232 436 000<br />
e. info@noctula.pt<br />
w. www.noctula.pt<br />
Novambiente<br />
Largo António Vaz<br />
Mascarenhas, 10<br />
8375-104 S. Bartolomeu de Messines<br />
t. 282 330 474<br />
e. info@novambiente.com<br />
w. www.novambiente.com<br />
Norquente - <strong>Energias</strong> Renováveis<br />
Zona Industrial Larinho,<br />
Lt. 29, Larinho, Bragança<br />
t. 279 252 847<br />
e. geral@norquente.pt<br />
w. www.norquente.pt<br />
OVO Solutions, Soluções<br />
Ambientais SA<br />
Estrada dos Espanhóis S/N,<br />
CCI 7515,<br />
Venda do Alcaide<br />
2955-250 Pinhal Novo<br />
t. 212 328 760<br />
e. geral@ovosolutions.com<br />
w. www.ovosolutions.com<br />
Portclima<br />
Avenida da Liberdade, 110 – 1º<br />
1269-046 Lisboa<br />
t. 914 383 288<br />
e. geral@portclima.com<br />
w. www.portclima.com<br />
Prio Energy, S.A<br />
Terminal de Granais Líquidos,<br />
Lote B, Porto de Aveiro<br />
3834-908 Ílhavo<br />
t. 234 393 090<br />
e. info@prioenergy.com<br />
w. www.prioenergy.com<br />
Resul<br />
Rua D. Nuno Álvares Pereira,<br />
Bloco 1 – 2 Escritório 3<br />
2695-167 Bobadela<br />
t. 218 394 980<br />
e. geral@resul.pt<br />
w. www.resul.pt<br />
Sernis<br />
Quinta do Carreiro, Lote 14<br />
4700-154 Braga<br />
t. 253 300 440<br />
e. sernis@sernis.com<br />
w. www.sernis.com<br />
Servitis<br />
Rua Industrial das Lages, Nº 63<br />
4410-312 Canelas<br />
t. 227 863 050<br />
e. geral@servitis.pt<br />
w. www.servitis.pt<br />
SGS ICS Serviços Internacionais<br />
de Certificação, Lda.<br />
Rua Cesina Adães Bermudes, Lote<br />
11, N.º 1<br />
1600-604 Lisboa<br />
t. 217 104 200<br />
e. pt.info@sgs.com<br />
w. www.sgs.pt<br />
Siemens S.A<br />
R Irmãos Siemens Nº 1-1 A<br />
Venteira<br />
2720-093 Amadora<br />
t. 214 178 000<br />
e. internetrequest.pt@siemens.com<br />
w. www.siemens.com<br />
Solindigos<br />
Rua das mi<strong>nas</strong> 79<br />
4410 - 053 V.N. Gaia<br />
t. 22 092 47 51<br />
e. geral@solindigos.pt<br />
w. www.solindigos.pt<br />
Turbomar Energia<br />
R. da Garagem 8,<br />
2790-078 Carnaxide<br />
t. 214 168 410<br />
e. www.turbomar.pt<br />
w. geral@turbomar.pt<br />
Vinci Energies Portugal, S.A<br />
Edificio Atlantis, avenida D. João II,<br />
Nº 44 C, 5º Andar<br />
1990-095 Lisboa<br />
t. 214 258 000<br />
e. geral@vinci-energies.pt<br />
w. www.vinci-energies.pt<br />
Vodafone Portugal<br />
Comunicações Pessoais S.A<br />
Avenida Dom João II, Nº 36, 8º<br />
1998-017 Lisboa<br />
t. 911 691 300<br />
e. info@vodafone.pt<br />
w. www.vodafone.pt<br />
WS Energia<br />
Taguspark, Edifício Tecnologia II, 46<br />
2740 - 257 Porto Salvo<br />
t. 214 212 190<br />
e. geral@ws-energia.com<br />
w. www.ws-energia.com<br />
XZ Consultores SA<br />
Rua da Cruz, 3A, Loja J<br />
4705-406 Celeirós<br />
t. 253 257 007<br />
e. geral@xzconsultores.pt<br />
w. www.xzconsultores.pt<br />
Zor Thermal<br />
Advanced Products Portugal<br />
Rua Eng. Frederico Ulrich 3210<br />
Piso 2, Sala 214<br />
4470-605 Maia<br />
t. 229 538 567<br />
e. aa@zor-thermal.com<br />
w. zor-thermal.com<br />
Gostava de ver<br />
a sua empresa<br />
aqui listada?<br />
Envie-nos as suas<br />
informações para<br />
geral@greensavers.pt<br />
As informações deste diretório foram recolhidas pela Green Savers em março de <strong>2024</strong>. Somos alheios a alterações que possam ter ocorrido, ou venham a ocorrer.<br />
A listagem é representativa das companhias a operar em Portugal com forte foco na sustentabilidade, mas não inclui a totalidade das empresas existentes.<br />
QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES \ GREEN SAVERS \ <strong>2024</strong>
QUEM É QUEM NOS RESÍDUOS<br />
atualize os seus dados<br />
para a próxima edição<br />
Envie os seus dados para<br />
geral@greensavers.pt
INDÚSTRIA<br />
TECNOLOGIA INOVAÇÃO
QUEM É QUEM NAS ENERGIAS VERDES