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Revista eMOBILIDADE+ Nº 7

A revista eMobilidade + dedica-se, em exclusivo, à mobilidade de pessoas e bens, nos seus vários modos de transporte (rodoviário, ferroviário, aéreo, fluvial e marítimo), conferindo deste modo espaço aos mais proeminentes “stakeholders” do setor, sejam eles indivíduos, empresas, instituições ou entidades académicas.

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+<br />

www.eurotransporte.pt/mobilidade-mais/<br />

N.º7<br />

julho/agosto/setembro | 2024<br />

Diretora: Cátia Mogo<br />

SMART<br />

CITIES<br />

Como se mede<br />

a sustentabilidade<br />

das nossas cidades?<br />

BARÓMETRO DOS TRANSPORTES<br />

O VII Barómetro dos Transportes<br />

revela o sentimento dos atores do<br />

setor rodoviário de mercadorias<br />

e ainda que se perspetive<br />

pessimismo para a atividade no<br />

próximo ano quando comparada<br />

a 2023, este é menor que o<br />

expresso nas respostas de 2022.<br />

EFICIÊNCIA E SEGURANÇA DOS TVDE<br />

A monitorização em tempo real dos tempos<br />

de condução e descanso dos condutores<br />

TVDE em Portugal é uma das principais<br />

funcionalidades da solução da Tecmic, que<br />

permite que os condutores estejam sempre<br />

cientes do tempo que passaram ao volante<br />

e do tempo de descanso necessário para<br />

cumprir com a legislação.<br />

PADRÕES DE MOBILIDADE<br />

A forma como as pessoas se deslocam é<br />

distinta consoante fatores como a idade,<br />

o género, as atividades de cuidado a<br />

seu cargo, a perceção de segurança do<br />

espaço público, ou mesmo capacidade<br />

financeira. Aqui se aprofunda como a<br />

forma de mobilidade varia de acordo<br />

com o fator género.


THE FUTURE<br />

OF MOBILITY<br />

CONTACT<br />

Câmara de Comércio e Indústria<br />

Luso-Alemã / Delegação Porto<br />

Ms. Mónica Colaço<br />

T +351 224 100 031<br />

monica-colaco@ccila-portugal.com


REVISTA <strong>Nº</strong>7<br />

JULHO/AGOSTO/SETEMBRO 2024<br />

EDIÇÃO TRIMESTRAL<br />

FALE CONNOSCO<br />

emobilidademais@invesporte.pt<br />

+351 215 914 293<br />

CARLOS BRANCO<br />

INTELIGÊNCIA<br />

E SUSTENTABILIDADE<br />

P<br />

or ser cada vez mais corrente falar-se de Smart Cities (Cidades<br />

Inteligentes), há muito boa gente convencida que a construção<br />

de quilómetros de ciclovias haverá de acrescentar “Inteligência” à<br />

sua cidade. Ora, se estas são bem-vindas, de “Smart” só encerram<br />

o facto de melhorarem a mobilidade individual e o ambiente de<br />

todos, que a saúde coletiva agradece.<br />

Apenas à laia de mera introdução, aqui abrimos um fólio, que<br />

internacionalmente já tem uma generosa expressão, pois é assunto que é<br />

levado muito a sério por algumas das grandes metrópoles mundiais. Tentamos<br />

explicar, com a ajuda da Academia espanhola de Navarra, o “que é isso”<br />

de Smart Cities, e como se mede a sustentabilidade destas, desde que os<br />

políticos que as governam decidiram que era momento de atuar. Também<br />

sucintamente, digamos que derivam da inovação, de uma boa governança,<br />

de gestão e planeamento, de tecnologia bem aplicada, de bom acesso - e<br />

partilha - à informação. Têm como fim único a sustentabilidade futura das<br />

cidades, e pelo caminho devem proporcionar aos cidadãos um estilo de vida<br />

mais saudável. Têm muito que se lhe diga. O contributo da <strong>eMOBILIDADE+</strong> é<br />

assumidamente humilde, como que uma nota introdutória, mas que já deverá<br />

servir para colocar as pessoas a pensar no que se vai fazendo nas suas terras, a<br />

começar nas comunidades locais (freguesias), extrapolando depois para todo<br />

o perímetro urbano. Atente no que aqui pode ler e depois compare.<br />

--------------------------------------------------------------------------------------<br />

DIRETORA<br />

Cátia Mogo<br />

--------------------------------------------------------------------------------------<br />

EDITOR<br />

Eduardo de Carvalho<br />

----------------------------------------------------------------------------------------<br />

REDAÇÃO<br />

Ana Filipe<br />

Carlos Branco<br />

Márcia Dores<br />

--------------------------------------------------------------------------------------<br />

COLABORADORES<br />

António Macedo, Filipe Carvalho<br />

e Acácio Pires<br />

--------------------------------------------------------------------------------------<br />

DIREÇÃO DE COMUNICAÇÃO E MARKETING<br />

Nuno Francisco<br />

---------------------------------------------------------------------------------------<br />

PUBLICIDADE<br />

Margarida Nascimento<br />

Rui Garrett<br />

--------------------------------------------------------------------------------------<br />

PAGINAÇÃO<br />

Rogério Grilho<br />

---------------------------------------------------------------------------------------<br />

ASSINATURAS<br />

Fernanda Teixeira<br />

--------------------------------------------------------------------------------------<br />

Registo ERC N.º 127896<br />

---------------------------------------------------------------------------------------<br />

PROPRIEDADE<br />

Eduardo de Carvalho<br />

--------------------------------------------------------------------------------------<br />

INVESPORTE<br />

EDITORA DE PUBLICAÇÕES, LDA<br />

Contribuinte N.º 505 500 086<br />

Edição, Redação e Administração<br />

R. António Albino Machado, 35 G<br />

1600-259 Lisboa<br />

--------------------------------------------------------------------------------------<br />

Todos os direitos reservados.<br />

Interdita a reprodução total ou parcial<br />

dos artigos, fotografias, ilustrações e<br />

demais conteúdos sem a autorização por<br />

escrito do Editor. Os artigos assinados<br />

bem como as opiniões expressas são da<br />

responsabilidade exclusiva dos seus<br />

autores, não reflectindo necessariamente<br />

os pontos de vista da Direção da <strong>Revista</strong>,<br />

do Conselho Editorial ou do Editor.<br />

--------------------------------------------------------------------------------------<br />

ESTATUTO EDITORIAL:<br />

https://www.eurotransporte.pt/noticia/38/5193/<br />

estatuto-editorial-e-lei-da-transparencia/<br />

www.emobilidademais.pt<br />

www.eurotransporte.pt/mobilidade-mais/


REVISTA <strong>Nº</strong> 7<br />

JUL/AGO/SET 2024<br />

6<br />

SMART CITIES – O QUE É ISSO?<br />

QUE TIPO DE INDICADORES DE QUALIDADE FORNECEM AS CIDADES E QUAIS<br />

OS CAMINHOS A TRILHAR PARA SER UMA CIDADE DE DESTAQUE. COM A AJUDA<br />

DA ACADEMIA, AQUI FICA UMA INTRODUÇÃO AO TEMA SMART CITIES.<br />

14 MOBILIDADE SUSTENTÁVEL<br />

O CEO da Siemens Mobility Portugal<br />

diz-nos que a adoção de alternativas<br />

de transporte coletivo torna-se crucial<br />

para a descarbonização do setor dos<br />

transportes.<br />

28<br />

18 ATIVIDADE PORTUÁRIA<br />

Há ineficiências burocráticas que<br />

contrariam a boa operacionalidade<br />

dos portos, limitando sua capacidade<br />

de gerar valor e empregos e apoiar a<br />

economia de forma flexível e eficaz. É a<br />

opinião de Vítor Caldeirinha, professor,<br />

investigador e consultor portuário.<br />

28 CATIVAR/CONQUISTAR<br />

PASSAGEIROS<br />

Uma boa comunicação, dita fiável,<br />

correta, consistente e atualizada<br />

pode ajudar a conquistar passageiros.<br />

Um artigo de Sandra Lameiras,<br />

administradora da OPT.<br />

36 TIC(S) DE MOBILIDADE<br />

Não é difícil imaginar veículos com<br />

condução autónoma e geridos<br />

centralmente, a rolar coladinhos uns aos<br />

outros, a velocidades hoje totalmente<br />

inimagináveis, mesmo nos cruzamentos.<br />

Um artigo de Manuel Relvas.<br />

56<br />

56 TECNOLOGIAS<br />

DE INFORMAÇÃO<br />

Os gémeos digitais na logística foi um<br />

conceito introduzido pela NASA para<br />

a simulação do voo das suas naves<br />

espaciais. Filipe Carvalho, CEO da<br />

Wide Scope, conta-nos como este foi<br />

transferido para a vida empresarial.<br />

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GRATUITA<br />

4 e-MOBILIDADE<br />

+


TEMA DE CAPA<br />

Smart Cities<br />

o que é isso?<br />

Como se mede a sustentabilidade<br />

das nossas cidades?<br />

É mais um anglicismo que já entrou no léxico do português falado, e que embora ainda não tenha entrada no<br />

dicionário é sofrivelmente entendível pela maioria das pessoas como Cidades Inteligentes, ou Cidades Sustentáveis.<br />

Mas Smart Cities são muito mais que isso, cujo significado não se limita a obras de construção de ciclovias<br />

em perímetros urbanos. São muito mais complexas. Derivam da inovação, de uma boa governança, de gestão<br />

e planeamento, de tecnologia bem aplicada, de bom acesso - e partilha - à informação. Têm como fim único a<br />

sustentabilidade futura das cidades, e pelo caminho devem proporcionar aos cidadãos um estilo de vida mais saudável.<br />

Muitas das nossas cidades dizem-se já ser Smart Cities. Será mesmo assim? Sem outras pretensões, lemos o que a<br />

Academia tem escrito sobre o assunto e a forma como medir, avaliar e elaborar uma classificação, dita de ranking.<br />

6 e-MOBILIDADE


Do compromisso assumido<br />

pelos Estados com a<br />

transição energética, com<br />

a transformação digital e<br />

pela redução drástica da<br />

má qualidade do ar, cidades de todos<br />

o mundo estão a inovar, quer pela<br />

inteligência das medidas adotadas, quer<br />

pela melhor mobilidade de pessoas e<br />

dos bens que necessitam no seu quotidiano,<br />

em busca da melhoria da sua<br />

própria sustentabilidade. E há quem se<br />

dedique a medi-la e a classificá-la. O<br />

Index Cities in Motion, elaborado pelo<br />

Centro de Globalização e Estratégia da<br />

IESE Business School (Universidade de<br />

Navarra, Espanha), classifica as cidades<br />

de acordo com mais de uma centena de<br />

indicadores.<br />

Ano após ano, Londres, Nova Iorque<br />

e Paris têm uma pontuação elevada<br />

numa série de indicadores-chave no<br />

Índice de Cidades em Movimento do<br />

IESE. O Index Cities in Motion 2024<br />

pode ser acedido aqui. Trata-se de um<br />

índice mundial de cidades inteligentes<br />

e sustentáveis elaborado pelo Centro<br />

de Globalização e Estratégia da IESE<br />

Business School da Universidade de<br />

Navarra e nesta edição adicionou novos<br />

indicadores de saúde das cidades, como<br />

o número de startups unicórnios ou<br />

corporações listadas na Fortune Global<br />

500 em cada cidade.<br />

ANÁLISES DE SUCESSO<br />

De Edimburgo, liderando em coesão social,<br />

a Hong Kong, dominando a tecnologia,<br />

a lista mostra as muitas maneiras<br />

diferentes pelas quais uma cidade pode<br />

ter sucesso.<br />

As cidades são organismos complexos e<br />

O RANKING DAS<br />

SMART CITIES<br />

1. Londres<br />

2. Nova Iorque<br />

3. Paris<br />

4. Tóquio<br />

5. Berlim<br />

6. Singapura<br />

7. Oslo<br />

8. Amesterdão<br />

9. São Francisco<br />

10. Chicago<br />

76. Lisboa<br />

105. Porto<br />

e-MOBILIDADE 7


TEMA DE CAPA<br />

Smart Cities<br />

Que tipo de indicadores de<br />

qualidade fornecem as cidades<br />

Pesquisas sugerem que cidades de alta qualidade são boas não apenas por serem<br />

lugares agradáveis para se viver, mas também são boas para negócios. Então, o<br />

que fazer com que uma cidade seja dita de qualidade, ou “inteligente”?<br />

Cada centro urbano é único, e onde um triunfará em termos de governança ou<br />

economia, outro pode ser um líder mundial em infraestrutura de transporte. O IESE<br />

Cities in Motion Index classifica as cidades de acordo com 114 indicadores que<br />

alimentam as seguintes nove dimensões-chave.<br />

Capital humano<br />

Os indicadores incluem o nível de escolaridade da população e seu acesso à<br />

cultura.<br />

Coesão social<br />

Informado por indicadores como proteção a grupos vulneráveis, desenvolvimento<br />

comunitário e saúde.<br />

Economia<br />

Mencionado o PIB atual e estimado, atividades de inovação e, pela primeira vez<br />

no índice deste ano, o número de empresas unicórnios e empresas na lista Fortune<br />

Global 500.<br />

Governança<br />

Inclui a qualidade das intervenções estatais.<br />

Meio ambiente<br />

Incluindo níveis de poluição, qualidade da água e outros indicadores de vitalidade<br />

dos ecossistemas e vulnerabilidade climática.<br />

Mobilidade e transporte<br />

Facilidade de locomoção e acesso aos serviços públicos. Os indicadores também<br />

incluem as taxas de posse de bicicletas e a extensão das linhas de meto, que<br />

indicam o investimento de uma cidade em seus cidadãos.<br />

Planeamento urbano<br />

São referidas as infraestruturas de saúde, serviços de saneamento e política<br />

habitacional, mas também projetos de inteligência artificial que promovam o<br />

crescimento urbano e o bem-estar.<br />

Perfil internacional<br />

Branding e divulgação turística estratégica, incluindo a realização de conferências<br />

internacionais, ofertas hoteleiras e o índice de preços de restaurantes.<br />

Tecnologia<br />

Utilizações inteligentes das tecnologias TIC, disponibilidade de banda larga e<br />

percentagens de agregados familiares com computadores/telemóveis.<br />

Os resultados mais recentes podem ser explorados em um mapa online, onde é<br />

possível comparar cidades e detalhar para ver pontuações dentro de cada uma das<br />

nove dimensões. A calculadora IESE Cities in Motion é uma ferramenta que permite<br />

aos usuários inserirem dados de indicadores para uma cidade e descubram como<br />

ela seria classificada com base nessa entrada. A calculadora também pode ser<br />

usada para mostrar como a classificação de uma cidade pode mudar.<br />

dinâmicos e, embora a maioria dos cidadãos<br />

conheça uma cidade de sucesso<br />

quando nela circula, identificar o que<br />

a torna ótima – seja para negócios ou<br />

habitabilidade – nem sempre é fácil.<br />

Há nove anos, o IESE compila o Índice<br />

Cidades em Movimento, liderado pelos<br />

professores Pascual Berrone (Professor<br />

da Cadeira de Sustentabilidade e Estratégia<br />

de Negócios da Schneider Electric<br />

e codiretor Académico do IESE Cidades<br />

em Movimento) e Joan Enric Ricart<br />

(Professor da Cátedra Carl Schroeder de<br />

Gestão Estratégica e codiretor Académico<br />

do IESE Cidades em Movimento).<br />

No relatório mais recente, eles analisam<br />

183 cidades em 92 países, sendo 85<br />

capitais.<br />

O objetivo é identificar o que realmente<br />

precisa acontecer para se construir uma<br />

cidade de classe mundial, desde atrair<br />

e reter os melhores talentos até promover<br />

o desenvolvimento económico e a<br />

proteção ambiental. Todos esses indicadores<br />

contribuem para a criação de<br />

cidades sustentáveis, justas e habitáveis,<br />

capazes de resistir a choques económicos<br />

e climáticos.<br />

Nos últimos resultados, Europa e América<br />

do Norte dominam. Cinco cidades no<br />

top 10 são europeias: Londres (1ª), Paris<br />

(3ª), Berlim (5ª), Oslo (7ª) e Amesterdão<br />

(8ª). Três estão nos Estados Unidos:<br />

Nova Iorque (2º), São Francisco (9º) e<br />

Chicago (10º). Completando o top 10<br />

estão Tóquio (4º) e Singapura (6º).<br />

Além do top 10, a Europa respondeu por<br />

mais da metade (26) das cidades no top<br />

50, enquanto a América do Norte foi o<br />

lar de mais 14. O restante estava localizado<br />

na Ásia (Tóquio, Singapura, Seul,<br />

Pequim, Taipei, Hong Kong e Xangai) e<br />

Austrália (Melbourne, Sydney e Canberra).<br />

Lisboa e Porto são as únicas cidades<br />

portuguesas que integram este Index e<br />

foram classificadas, respetivamente nas<br />

76ª e 105ª posições.<br />

Enquanto isso, os países em desenvolvimento<br />

do mundo continuam a lutar<br />

para chegar aos primeiros lugares. Entre<br />

as cidades latino-americanas, a mais<br />

bem colocada é Santiago (91ª), seguida<br />

por Buenos Aires (115ª) e Montevideu<br />

(119ª). A Cidade do Cabo (141ª) tem a<br />

melhor posição da África.<br />

8 e-MOBILIDADE


DIVERSIDADE<br />

As cidades são organismos<br />

complexos e dinâmicos e,<br />

embora a maioria dos cidadãos<br />

conheça uma cidade de<br />

sucesso quando nela circula,<br />

identificar o que a torna<br />

ótima nem sempre é<br />

fácil<br />

Que caminhos trilhar para ser<br />

uma cidade de destaque<br />

As cidades são grandes organismos,<br />

compreendendo espaços públicos e<br />

privados, e acolhendo e servindo uma<br />

gama diversificada de moradores e<br />

visitantes. É relativamente fácil errar.<br />

Mas também há muitas áreas em que as<br />

cidades estão a aplicar abordagens inovadoras<br />

para melhorar a habitabilidade<br />

e o tecido urbano.<br />

Cada um desses casos de estudo<br />

demonstra o fator humano que afeta<br />

cada cidade: os autores (Pascual Berrone<br />

e Joan Enric Ricart) destacam que<br />

muitas cidades podem ser inteligentes,<br />

mas é preciso estratégia e uma sociedade<br />

participativa ativa para torná-las sábias.<br />

E embora reconheçam que as cidades<br />

devem “desenhar seu próprio plano,<br />

definir suas próprias prioridades e ser<br />

flexíveis o suficiente para se adaptarem<br />

às mudanças”, há certas melhores<br />

práticas generalizáveis. Que incluem:<br />

priorizar a inovação tecnológica e a<br />

adoção para enfrentar os desafios;<br />

resolução de problemas económicos,<br />

como a inflação e o aumento dos custos<br />

da energia; procurar o equilíbrio entre<br />

crescimento económico, justiça social e<br />

sustentabilidade;<br />

Há uma miríade de projetos urbanos<br />

bem-sucedidos em todo o mundo e<br />

uma riqueza de experiência que pode<br />

ser adaptada às realidades locais.<br />

e-MOBILIDADE 9


TEMA DE CAPA<br />

Smart Cities<br />

Líderes de categoria (global)<br />

Cidade do Cabo, #1 em África<br />

Embora a segunda maior cidade da África do Sul ocupe a 141ª posição no índice<br />

geral, ela demonstra um compromisso em melhorar a habitabilidade dos cidadãos,<br />

facilitando o acesso à informação, fornecendo Wi-Fi gratuito nos transportes<br />

públicos urbanos e usando dados em tempo real para apoiar serviços de resposta a<br />

emergências e vigilância.<br />

Edimburgo, #1 em Coesão Social<br />

Apesar de uma população crescente, a capital escocesa continua a ser altamente<br />

classificada por considerações sociais. Também tem uma série de novos projetos de<br />

inovação, incluindo um centro de operações que gere os dados em tempo real da<br />

cidade 24 horas por dia, melhorando tudo, desde a gestão do tráfego e resposta a<br />

desastres até à pegada de carbono da cidade.<br />

Hong Kong, #1 em Tecnologia<br />

A cidade exibe um compromisso duradouro com a transformação digital, e iniciativas<br />

como o iAM Smart e os aplicativos de rastreio COVID-19 mostram como a<br />

tecnologia inteligente pode ter efeitos tangíveis na vida quotidiana dos cidadãos.<br />

Melbourne, #1 na Oceânia<br />

A segunda cidade da Austrália é líder em design urbano biofísico, que integra a natureza<br />

ao tecido da vida urbana, criando oásis de biodiversidade no meio da selva<br />

urbana. A atualizar esta política para a era das cidades inteligentes estão iniciativas<br />

como o Data in the Park, que analisa interações e comportamentos no espaço público<br />

para melhorar a gestão, manutenção e design futuro de espaços verdes.<br />

Santiago (Chile), #1 na América Latina<br />

Depois de uma iniciativa de 2017 para converter um quarto de sua frota de autocarros<br />

públicos para veículos elétricos, a capital chilena cumpriu e superou a sua meta,<br />

com quase 7.000 veículos (30% da frota) elétricos até ao momento. Essa e outras<br />

iniciativas verdes também resultaram em uma redução de 70% no número de dias<br />

com má qualidade do ar nos últimos 10 anos.<br />

Há uma miríade de projetos<br />

urbanos bem-sucedidos<br />

em todo o mundo e uma<br />

riqueza de experiência<br />

que pode ser adaptada às<br />

realidades locais<br />

10 e-MOBILIDADE


CLASSIFICAÇÃO<br />

O Index Cities in Motion,<br />

elaborado pelo Centro de<br />

Globalização e Estratégia da IESE<br />

Business School (Universidade<br />

de Navarra, Espanha), classifica<br />

as cidades de acordo com<br />

mais de uma centena de<br />

indicadores<br />

e-MOBILIDADE 11


TEMA DE CAPA<br />

Smart Cities<br />

[Síntese de] introdução<br />

ao conceito de Smart Cities<br />

As entidades públicas têm procurado<br />

novas formas de preparar as cidades<br />

para o futuro e têm encontrado no<br />

conceito de cidades inteligentes uma<br />

possível solução. Fazendo uso de diversas<br />

novidades tecnológicas, pretende-se<br />

que esta nova geração de cidades<br />

seja promotora de um estilo de vida<br />

mais saudável para os seus cidadãos e<br />

que permita a adoção de práticas mais<br />

sustentáveis.<br />

Mas o que as caracteriza? Que conceito<br />

é esse? Segundo a definição da União<br />

Europeia, Smart Cities é um conjunto<br />

de sistemas e de pessoas que interagem<br />

de forma inteligente usando energia,<br />

materiais, serviços e recursos de forma<br />

sustentável de forma a beneficiar<br />

os cidadãos e os negócios. Ou seja,<br />

uma Smart City trabalha de forma<br />

integrada com os seus cidadãos com o<br />

objetivo de melhorar os vários domínios<br />

das cidades (segurança, saúde,<br />

limpeza, transportes, iluminação pública<br />

e mobilidade, entre outros). Para<br />

isso, recorre à tecnologia e inovação<br />

para melhorar a qualidade de vida dos<br />

seus habitantes, aumentar o valor económico<br />

gerado naquela comunidade e<br />

promover a sustentabilidade ambiental.<br />

Com o avançar da tecnologia, são<br />

hoje cada vez mais as inovações que<br />

contribuem para o crescimento do<br />

conceito de Smart Cities e que podem<br />

ser aplicados no quotidiano dos<br />

cidadãos. Segundo o índice IESE Cities<br />

in Motion, para que uma cidade seja<br />

considerada inteligente, é importante<br />

que utilize um grande número destas<br />

soluções, ou pressupostos:<br />

» Utilização das tecnologias de informação<br />

e comunicação (TIC)<br />

» Automatização e controlo de edifícios<br />

» Planeamento urbano eficiente<br />

» Mobilidade urbana e transportes<br />

públicos sustentáveis<br />

» Gestão inteligente dos resíduos<br />

sólidos<br />

» Melhoria da sustentabilidade ambiental<br />

» Preocupação com o ambiente social<br />

» Tecnologias aplicadas à educação<br />

» Tecnologias aplicadas à saúde<br />

» Sistema de comércio eletrónico<br />

» Transparência entre governos e<br />

cidadãos<br />

» Dados compartilhados em Open Data<br />

(fonte aberta)<br />

Através de tecnologias como o IoT<br />

(Internet das Coisas), open data, inteligência<br />

artificial ou analytics, as Smart<br />

Cities têm assim uma maior capacidade<br />

para monitorizar e promover uma melhor<br />

interação com os seus cidadãos,<br />

através da disponibilização de informação<br />

útil em tempo real (como os horários<br />

de transportes, as alterações no<br />

trânsito, os contratos públicos, entre<br />

outros) e da simplificação de processos<br />

do quotidiano das cidades.<br />

Atualmente, já é possível observar nas<br />

principais Smart Cities tecnologias<br />

como os sensores nos postes de eletricidade<br />

para medir a qualidade do ar, a<br />

instalação de painéis solares em semáforos<br />

ou sinais de trânsito, medidores<br />

inteligentes de consumo de água e luz<br />

ou mesmo o incentivo à utilização de<br />

veículos elétricos.<br />

12 e-MOBILIDADE


Os 4 pilares<br />

das Smart Cities<br />

As Smart Cities são avaliadas com base no sucesso em torno de quatro<br />

pilares: social, gestão, tecnologia e sustentabilidade. Um centro urbano é<br />

considerado mais inteligente à medida que tais pilares se equilibram para<br />

manter comunidades eficientes, conectadas e sustentáveis.<br />

1-Social<br />

As Smart Cities colocam os cidadãos no centro do<br />

planeamento urbano. Esse pilar visa melhorar a<br />

qualidade de vida, promover a inclusão social e garantir o bem-estar dos<br />

habitantes.<br />

São essenciais as iniciativas que fortalecem a participação comunitária,<br />

oferecem acesso igualitário a serviços públicos, promovem a diversidade e<br />

garantem a segurança.<br />

A tecnologia também é empregue para criar canais de comunicação<br />

direta entre governantes e cidadãos, permitindo feedback instantâneo e<br />

participação ativa na construção do ambiente urbano.<br />

2-Gestão<br />

A eficiência na gestão pública é vital para<br />

o sucesso de uma cidade inteligente. A<br />

implementação de sistemas inteligentes de governança, que utilizam dados<br />

em tempo real para otimizar processos, melhora a tomada de decisões e<br />

reduzir a burocracia.<br />

A automação de serviços públicos, a monitorização de indicadores urbanos<br />

e a integração de setores administrativos contribuem para uma gestão mais<br />

eficaz, ágil e alinhada às necessidades locais.<br />

3-Tecnologia<br />

A tecnologia é o alicerce das<br />

Smart Cities. Este pilar abrange<br />

a implementação de infraestruturas avançadas, como redes de sensores,<br />

Internet das Coisas (IoT) e conectividade de alta velocidade.<br />

Além disso, a adoção de soluções inovadoras, como big data, inteligência<br />

artificial e blockchain, é essencial para impulsionar a eficiência operacional,<br />

a segurança e a conectividade inteligente entre sistemas urbanos.<br />

4-Sustentabilidade<br />

A busca por soluções<br />

sustentáveis é um<br />

elemento chave das Smart Cities. Elas devem favorecer práticas que visam a<br />

preservação do meio ambiente, eficiência energética, gestão responsável de<br />

resíduos e a criação de espaços urbanos ecologicamente equilibrados.<br />

A implementação de fontes de energia renovável, a promoção da mobilidade<br />

sustentável e o planeamento urbano voltado para a preservação ambiental<br />

são componentes essenciais desse pilar.<br />

FUTURO<br />

Fazendo uso de diversas<br />

novidades tecnológicas,<br />

pretende-se que esta nova<br />

geração de cidades seja<br />

promotora de um estilo<br />

de vida mais saudável<br />

e-MOBILIDADE 13


OPINIÃO<br />

Tornar<br />

a mobilidade<br />

sustentável<br />

uma realidade<br />

Num momento em que a<br />

necessidade de combater e mitigar<br />

as alterações climáticas é inegável<br />

e está no topo das prioridades a<br />

nível global, o setor dos transportes<br />

desempenha um papel fundamental.<br />

Sendo um dos setores que mais tem<br />

contribuído para as emissões de<br />

gases com efeito de estufa, tornase<br />

crucial a sua descarbonização<br />

através da adoção de alternativas<br />

de transporte coletivo, como<br />

transportes públicos eficientes e<br />

sustentáveis. Mais do que um mero<br />

desejo, a mobilidade sustentável é<br />

agora uma necessidade imperativa.<br />

LUÍS CANDEIAS<br />

CEO Siemens Mobility Portugal<br />

Os objetivos da União<br />

Europeia para este setor<br />

são claros: as emissões de<br />

dióxido de carbono terão<br />

de reduzir em 55% até<br />

2030 e em 90% até 2050, em comparação<br />

com os níveis de 1990. Estas são<br />

metas a que os países do bloco europeu<br />

se comprometeram, no âmbito do Acordo<br />

de Paris, e que nos colocam a todos<br />

sob uma espécie de relógio em contagem<br />

decrescente. É agora o momento de agir<br />

e, para o cumprimento dos objetivos<br />

climáticos, é essencial o continuar a investir<br />

no setor ferroviário eficiente, o que<br />

significa um aumento em soluções de digitalização<br />

e inovadoras em que Portugal<br />

tem competências demonstradas.<br />

Uma ferrovia robusta surge como alternativa<br />

ao transporte rodoviário, que é<br />

responsável pela maior fatia de emissões<br />

que o setor dos transportes produz,<br />

sendo fundamental para dar resposta a<br />

um dos grandes desafios da sociedade<br />

e por conseguinte do setor: a urbanização,<br />

cuja tendência de crescimento está<br />

prevista continuar. O investimento em<br />

infraestruturas ferroviárias quer de alta<br />

velocidade (neste momento já consen-<br />

14 e-MOBILIDADE


sual no país) ou de linhas convencionais<br />

para passageiros e/ou carga é, por isso,<br />

uma estratégia vital para impulsionar a<br />

descarbonização do setor e o desenvolvimento<br />

económico. Contudo, está longe<br />

de ser a única forma de combate.<br />

Embora os sistemas de transporte sustentáveis<br />

sejam a espinha dorsal de uma<br />

economia próspera, é essencial que os esforços<br />

vão além de estratégias e soluções<br />

cujo objetivo é única e exclusivamente o<br />

combate às alterações climáticas. É crucial<br />

perceber os impactos na sociedade,<br />

assim como a segurança e fiabilidade dos<br />

É agora o momento de agir e, para o cumprimento dos<br />

objetivos climáticos, é essencial o continuar a investir<br />

no setor ferroviário eficiente, o que significa um<br />

aumento em soluções de digitalização e inovadoras em<br />

que Portugal tem competências demonstradas<br />

transportes e isto só é possível através de<br />

um ecossistema de mobilidade integrado,<br />

que permite às cidades uma gestão<br />

abrangente.<br />

Estes impactos na sociedade têm um efeito<br />

profundo na vida dos cidadãos, como<br />

pude comprovar ao participar como responsável<br />

pela Sinalização e Comunicações<br />

no projeto de Alta Velocidade do Egito,<br />

antes de assumir as funções de CEO em<br />

Portugal. Este projeto é um exemplo claro.<br />

Com o objetivo de tornar-se uma das<br />

30 maiores economias do mundo, o Egito<br />

enfrenta o desafio estabelecer uma rede de<br />

transporte de passageiros e mercadorias<br />

eficiente e segura, capaz de acompanhar<br />

o crescimento populacional e económico<br />

e-MOBILIDADE 15


OPINIÃO<br />

Luís Candeias<br />

desejado. A solução passa<br />

pela transformação da<br />

vida quotidiana, através<br />

da implementação de<br />

sistemas de transportes<br />

tecnologicamente avançados,<br />

com a construção de<br />

uma rede ferrovia de 2.000 quilómetros a<br />

partir do zero, ligando os pontos críticos<br />

económicos e de desenvolvimento do<br />

país. Este tipo de soluções tem um impacto<br />

positivo tanto na economia quanto<br />

na qualidade de vida dos cidadãos no<br />

Egito, uma vez que 90% da população<br />

terá acesso ao transporte ferroviário após<br />

conclusão deste projeto.<br />

E é exatamente este tipo de transformação<br />

que a Siemens Mobility tem<br />

procurado promover a nível mundial. A<br />

introdução de padrões de sustentabilidade<br />

que permitam a descarbonização<br />

e a desmaterialização de toda a cadeia<br />

de valor da mobilidade é um dos nossos<br />

principais objetivos. Temos também<br />

trilhado esse caminho em Portugal,<br />

contribuindo ativamente para o desenvolvimento<br />

do país, com a modernização<br />

do setor dos transportes e participação<br />

ativa em vários projetos do sistema de<br />

transportes nacional.<br />

Ao longo das últimas décadas a Siemens<br />

Mobility em Portugal tem estado envolvida<br />

em diferentes áreas de mobilidade,<br />

com o nosso portefólio dividido em seis<br />

categorias: soluções digitais e software,<br />

infraestruturas ferroviárias, serviços<br />

ferroviários, material circulante, componentes<br />

e sistemas de material circulante e<br />

projetos chave na mão.<br />

O fornecimento de material<br />

circulante para a CP<br />

e o Metro de Lisboa, assim<br />

como o projeto chave-na-<br />

-mão do Metro Sul do Tejo,<br />

em que desenvolvemos o<br />

projeto global e fornecemos<br />

o material circulante, as telecomunicações,<br />

a sinalização e os sistemas de tração,<br />

permitiu-nos estabelecer uma relação de<br />

confiança com os parceiros portugueses,<br />

que até hoje se mantém e que em determinados<br />

projetos internacionais têm sido<br />

fundamentais.<br />

A nossa principal prioridade é promover<br />

uma mobilidade integrada, digital<br />

e conectada. Isso reflete-se no nosso<br />

investimento na capacidade de engenharia<br />

em território nacional, o que<br />

se tem traduzido em vários projetos<br />

de desenvolvimento da infraestrutura<br />

de transportes digital e inteligente em<br />

projetos de manutenção para material<br />

circulante e sinalização, assegurando<br />

uma prestação de serviço com elevados<br />

níveis de fiabilidade e disponibilidade.<br />

A Siemens Mobility em Portugal tem<br />

vindo a adquirir conhecimento específico<br />

ao longo dos anos, destacando-se<br />

pela sua capacidade de inovação impulsionada<br />

pela digitalização. Um exemplo<br />

disso é o Centro de Competências de<br />

Software em Aveiro, que desenvolve<br />

novas soluções para transporte público.<br />

Estas soluções melhoram a experiência<br />

Siemens Mobility Portugal<br />

Engineering | Project | Sales<br />

Digital Services<br />

CoC Activities<br />

RS Obsolescence management<br />

dos passageiros, potenciam um aumento<br />

de uso aos operadores e capacitam a<br />

transformação através da digitalização<br />

inteligente.<br />

A utilização racional de recursos é fundamental<br />

para a sustentabilidade, sendo<br />

que a extensão da vida útil dos equipamentos<br />

desempenha um papel crucial<br />

nesse sentido. O projeto “SIBAS16 2.0”,<br />

desenvolvido pelo Departamento de<br />

Inovação da Siemens Mobility Portugal,<br />

é a nossa contribuição mais recente. O<br />

objetivo é prolongar o período de vida<br />

útil do material circulante em operação,<br />

entre 10 e 15 anos. Esta solução permite<br />

aos operadores responder à crescente<br />

procura de transportes reduzindo custos<br />

operacionais.<br />

Neste momento estamos a exportar<br />

esta solução para o Metro de Munique,<br />

destacando-nos como o Centro de<br />

Competências mundial da Siemens para<br />

o “SIBAS16 2.0”.<br />

O tempo de mudança é agora e nós,<br />

como parceiros duradouros, estamos<br />

preparados para acompanhar esta mudança<br />

na ferrovia portuguesa e contribuir<br />

para um futuro mais sustentável.<br />

16 e-MOBILIDADE


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OPINIÃO<br />

Portos<br />

Burocracia paralisante vs autonomia<br />

Há que explorar as ineficiências burocráticas que impactam negativamente os objetivos operacionais dos portos,<br />

limitando sua capacidade de gerar valor e empregos e apoiar a economia de forma flexível e eficaz. Há que<br />

olhar para o modelo hanseático adotado no norte da Europa, que mostra menos burocracia e maior autonomia<br />

operacional, resultando numa gestão mais dinâmica e menos suscetível a atrasos burocráticos.<br />

VÍTOR CALDEIRINHA<br />

Assessor do Conselho de Administração da<br />

APSS, Professor, Investigador e Consultor<br />

portuário<br />

Os portos são vitais para o<br />

comércio global, funcionando<br />

como portas<br />

essenciais para a entrada<br />

e saída de bens em uma<br />

economia e para a sua competitividade.<br />

No entanto, a eficiência dessas infraestruturas<br />

críticas frequentemente sofre<br />

devido a complexas camadas de burocracia<br />

governamental a nível mundial,<br />

questões legais e regulatórias arraigadas,<br />

e a falta de recursos humanos e financeiros<br />

adequados. Há que explorar essas<br />

ineficiências burocráticas que impactam<br />

negativamente os objetivos operacionais<br />

dos portos, limitando sua capacidade de<br />

gerar valor e empregos e apoiar a economia<br />

de forma flexível e eficaz.<br />

Diversos modelos de gestão portuária<br />

são adotados no mundo, com diferenças<br />

significativas em termos de eficácia e<br />

agilidade. No norte da Europa, o modelo<br />

hanseático oferece um exemplo de gestão<br />

menos burocrática e mais autónoma,<br />

proporcionando um contraponto interessante<br />

aos modelos latinos, onde a gestão<br />

é frequentemente emaranhada em uma<br />

teia de regulamentações ambientais e<br />

dependências financeiras e de pequenas<br />

decisões do estado. Essas diferenças não<br />

apenas moldam a operação dos portos,<br />

mas também influenciam diretamente<br />

a competitividade regional e a eficácia<br />

com que os portos podem responder às<br />

necessidades do comércio global.<br />

Há que discutir detalhadamente como a<br />

burocracia excessiva pode desviar o foco<br />

dos portos de suas operações principais,<br />

usando exemplos específicos para ilustrar<br />

os desafios enfrentados e explorando<br />

18 e-MOBILIDADE


Há que explorar<br />

essas ineficiências<br />

burocráticas<br />

que impactam<br />

negativamente os<br />

objetivos operacionais<br />

dos portos, limitando<br />

sua capacidade de gerar<br />

valor e empregos e<br />

apoiar a economia de<br />

forma flexível e eficaz<br />

possíveis soluções para mitigar esses<br />

problemas, incluindo a consideração de<br />

reformas no modelo de gestão e privatização<br />

de portos.<br />

A inércia burocrática nos portos manifesta-se<br />

em várias formas e afeta diferentes<br />

aspetos da operação portuária. Esses problemas<br />

devem categorizados por tipos,<br />

para entender como cada um contribui<br />

para a redução da eficiência e eficácia<br />

operacional.<br />

Complexidade e Rigidez – Em muitos<br />

países, os portos enfrentam um ambiente<br />

regulatório que é não apenas complexo,<br />

mas também extremamente rígido. Isso<br />

inclui regulamentações ambientais estritas<br />

que, embora criadas para proteger o<br />

meio ambiente, muitas vezes resultam<br />

em atrasos significativos nos projetos de<br />

expansão e modernização portuária devido<br />

à necessidade de extensas revisões e<br />

aprovações ambientais.<br />

Dependência Financeira do Estado<br />

– Os portos operando sob modelos<br />

de gestão burocráticos frequentemente<br />

dependem de fundos ou decisões estatais<br />

para qualquer despesa ou investimento<br />

significativo, sem qualquer autonomia<br />

de gestão ágil. Isso pode criar um ciclo<br />

de ineficiência onde os portos, que<br />

vivem em mercados muito competitivos,<br />

são incapazes de agir rapidamente<br />

face a oportunidades ou necessidades<br />

de modernização devido à necessidade<br />

de aprovações orçamentais detalhadas e<br />

muitas vezes inflexíveis.<br />

Processos de Contratação Prolongados<br />

– Mesmo após a transformação<br />

de algumas autoridades portuárias em<br />

empresas com o objetivo de aumentar a<br />

e-MOBILIDADE 19


OPINIÃO<br />

Vítor Caldeirinha<br />

Contrastando com os modelos latinos, o modelo<br />

hanseático adotado no norte da Europa mostra<br />

menos burocracia e maior autonomia operacional,<br />

resultando numa gestão mais dinâmica e menos<br />

suscetível a atrasos burocráticos<br />

20 e-MOBILIDADE


agilidade na contratação, muitos portos<br />

mundiais ainda enfrentam uma burocracia<br />

extensiva no processo de contratação<br />

pública. Isso inclui a obrigação de seguir<br />

protocolos públicos detalhados que<br />

podem atrasar a implementação de novas<br />

tecnologias ou a construção de infraestrutura<br />

essencial.<br />

Restrições na Seleção de Fornecedores<br />

– A necessidade de aderir estritamente<br />

aos procedimentos de licitação pública<br />

pode limitar a capacidade dos portos de<br />

escolher os fornecedores mais eficientes<br />

ou inovadores, muitas vezes favorecendo<br />

o menor preço em detrimento da qualidade<br />

ou eficácia.<br />

Impasses no Desenvolvimento Portuário<br />

– As relações complexas e às vezes<br />

conflituosas entre autoridades portuárias<br />

e governos municipais ou regionais<br />

podem resultar em impasses significativos.<br />

Tal, frequentemente atrasa projetos<br />

cruciais de expansão ou reestruturação<br />

necessários para acomodar navios modernos<br />

de maior porte ou para expandir<br />

a capacidade de armazenamento e<br />

logística.<br />

Questões de Expansão e Compensação<br />

Ambiental – Projetos de expansão<br />

portuária são muitas vezes alvos de<br />

contestações públicas e políticas, que<br />

falham em preparar, especialmente quando<br />

envolvem questões de compensação<br />

ambiental. Essas disputas podem atrasar<br />

durante anos projetos críticos, enquanto<br />

os processos legais e de compensação são<br />

negociados e implementados.<br />

Resistência Interna à Mudança - Em<br />

muitos portos, especialmente aqueles<br />

com longas tradições em práticas e hierarquias<br />

específicas, pode haver uma resistência<br />

significativa à mudança interna.<br />

Isso dificulta a agilidade e a implementação<br />

de novas tecnologias<br />

ou práticas<br />

operacionais que<br />

poderiam melhorar<br />

a eficiência.<br />

Infraestrutura<br />

Desatualizada<br />

– A demora nas<br />

aprovações para<br />

modernização,<br />

expansão ou em<br />

obter financiamento pode resultar em<br />

infraestrutura portuária que se torna<br />

obsoleta, sem capacidade de resposta<br />

atempada, ou mesmo sem utilidade. Isso<br />

não apenas reduz a eficácia operacional,<br />

mas também coloca o porto em desvantagem<br />

competitiva em relação a outros<br />

que podem operar mais eficientemente<br />

com equipamentos modernos.<br />

PROBLEMAS A RESOLVER<br />

As dificuldades em gerir custos e<br />

questões de compensação ambiental<br />

intensificam contestações públicas e<br />

estendem indefinidamente projetos<br />

de expansão, muitas vezes vistos<br />

negativamente pelas comunidades locais<br />

INÉRCIA BUROCRÁTICA<br />

Estes problemas de inércia burocrática,<br />

categorizados por tipos, destacam a<br />

necessidade de reformas profundas nos<br />

sistemas de gestão portuária mundial<br />

para que se possam adaptar mais rapidamente<br />

às flutuações das necessidades<br />

do comércio global e às expectativas<br />

ambientais e sociais contemporâneas.<br />

A ênfase excessiva em sustentabilidade<br />

ou na digitalização, desvinculada do objetivo<br />

central de eficiência operacional, e<br />

os impasses nas relações de longo prazo<br />

entre porto e cidade complicam, ou a<br />

dificuldade em aceitar<br />

compensações<br />

ambientais, podem<br />

atrasar a expansão e<br />

o desenvolvimento<br />

portuário. As dificuldades<br />

em gerir<br />

custos e questões<br />

de compensação<br />

ambiental intensificam<br />

contestações<br />

públicas e estendem indefinidamente<br />

projetos de expansão, muitas vezes<br />

vistos negativamente pelas comunidades<br />

locais.<br />

Contrastando com os modelos latinos,<br />

o modelo hanseático adotado no norte<br />

da Europa mostra menos burocracia e<br />

maior autonomia operacional, resultando<br />

numa gestão mais dinâmica e<br />

menos suscetível a atrasos burocráticos.<br />

Este modelo permite uma resposta mais<br />

rápida às mudanças do mercado e uma<br />

melhor capacidade de criar valor e empregos<br />

de forma eficaz. Neste modelo, as<br />

administrações possuem mandatos com<br />

forte autonomia de gestão orçamental e<br />

e-MOBILIDADE 21


OPINIÃO<br />

Vítor Caldeirinha<br />

de investimento (exceto para grandes investimentos)<br />

do acionista Estado central,<br />

regional ou municipal, sendo posteriormente<br />

avaliados (de forma positiva<br />

com prémios ou de forma negativa com<br />

a demissão ou outra responsabilização)<br />

sem ficarem enredados em orçamentos<br />

minuciosos rubrica a rubrica ao estilo de<br />

Direções Gerais, pedidos de autorização<br />

ao Estado para tudo e mais alguma coisa,<br />

e sem serem obrigados à teia burocrática<br />

da contratação pública que leva a longos,<br />

complexos e kafkianos procedimentos<br />

que impedem a operação e a eficiência/<br />

eficácia num setor em concorrência<br />

direta.<br />

OS TUP NO BRASIL<br />

A transformação de portos públicos em<br />

operações privatizadas tem emergido<br />

como uma estratégia<br />

promissora para<br />

superar ineficiências<br />

e revitalizar infraestruturas<br />

essenciais<br />

ao comércio global.<br />

A experiência bem-<br />

-sucedida de portos<br />

privados, como<br />

os Terminais de<br />

Uso Privado (TUP)<br />

no Brasil, oferece um modelo valioso<br />

significativo sobre como a privatização<br />

pode efetivamente transformar portos<br />

públicos que enfrentam desafios crónicos<br />

relacionados com a burocracia e subinvestimento.<br />

No Brasil, a privatização da gestão e das<br />

operações portuárias tem permitido uma<br />

maior flexibilidade e eficiência operacional.<br />

Os TUP, especificamente, são<br />

instalações portuárias que não são administradas<br />

diretamente pelas autoridades<br />

portuárias estatais, mas por empresas<br />

privadas que possuem e operam suas<br />

próprias instalações. Estes terminais têm<br />

demonstrado uma capacidade superior<br />

para adaptar-se rapidamente às mudanças<br />

no mercado global, investir em<br />

tecnologia de ponta, e gerir suas operações<br />

de forma mais eficaz e com maior<br />

orientação para o serviço ao cliente.<br />

Quando não é possível replicar o modelo<br />

do norte da Europa de gestão autónoma<br />

e ágil de autoridades portuárias, a chave<br />

pode ser replicar o sucesso dos TUP<br />

noutros contextos, por exemplo com a<br />

TERMINAIS DE USO PRIVADO<br />

A experiência bem-sucedida de portos<br />

privados, como os Terminais de Uso<br />

Privado (TUP) no Brasil, oferece um<br />

modelo valioso significativo sobre<br />

como a privatização pode efetivamente<br />

transformar portos públicos<br />

estruturação cuidadosa dos contratos de<br />

concessão de autoridades portuárias e<br />

privatização das mesmas. Estes contratos<br />

devem ser projetados para alinhar<br />

os incentivos do setor privado com os<br />

objetivos de longo<br />

prazo de eficiência<br />

e desenvolvimento<br />

económico nacional<br />

e regional.<br />

Incentivos Claros<br />

para Investimentos<br />

– os contratos<br />

de concessão das<br />

autoridades portuárias<br />

precisam de<br />

oferecer incentivos claros para investimentos<br />

em infraestrutura e tecnologia<br />

que aumentem a capacidade e eficiência<br />

do porto.<br />

Responsabilidades Definidas – É<br />

crucial que as responsabilidades dos<br />

operadores privados sejam claramente<br />

definidas, incluindo manutenção, segurança,<br />

expansão e gestão<br />

ambiental.<br />

Transparência e Prestação<br />

de Contas – Mecanismos<br />

robustos de<br />

transparência e prestação<br />

de contas devem<br />

ser incorporados aos<br />

contratos para assegurar<br />

que os operadores<br />

privados cumpram não<br />

apenas com as normas operacionais,<br />

mas também com as regulamentações<br />

ambientais e sociais.<br />

Mecanismos de Acompanhamento<br />

Efetivo – A implementação de sistemas<br />

de monitorização em tempo real e o uso<br />

de tecnologias de informação podem<br />

EUROPA<br />

Quando não é possível<br />

replicar o modelo do norte da<br />

Europa de gestão autónoma e<br />

ágil de autoridades portuárias,<br />

a chave pode ser replicar o<br />

sucesso dos TUP<br />

facilitar a supervisão das operações<br />

portuárias e garantir que os padrões de<br />

desempenho sejam mantidos.<br />

Para a implementação bem-sucedida<br />

da privatização, é vital que haja um<br />

entendimento claro dos desafios locais e<br />

regionais, bem como um compromisso<br />

político e social com a reforma dos portos.<br />

A privatização não é uma solução<br />

única para todos os problemas e deve<br />

ser adaptada para refletir as condições<br />

económicas, políticas e sociais específicas<br />

de cada país ou região.<br />

Adicionalmente, é fundamental que<br />

haja um diálogo contínuo entre o governo,<br />

a indústria e as comunidades locais<br />

para garantir que a transição para a<br />

gestão privada dos portos seja realizada<br />

de forma justa e que os benefícios da<br />

privatização sejam amplamente distribuídos.<br />

Exemplos de países como o<br />

Brasil, Grécia, Austrália, Nova Zelândia<br />

e Reino Unido podem ser um farol.<br />

No entanto, parece que a solução mais<br />

adequada seria passar<br />

pela replicação dos<br />

modelos hanseáticos de<br />

gestão de autoridades<br />

portuárias nos modelos<br />

latinos landlord um pouco<br />

por todo o mundo.<br />

Só em último caso, não<br />

existindo financiamento<br />

para os investimentos<br />

gerais do porto, ou<br />

caso não seja possível adotar o modelo<br />

hanseático, a privatização de autoridades<br />

portuárias terá de ser a solução para<br />

manter os portos num nível adequado<br />

de competitividade para servir a<br />

economia e as cadeias logísticas e não a<br />

máquina pública do Estado.<br />

22 e-MOBILIDADE


OPINIÃO<br />

Vida útil<br />

de um veículo<br />

1. INTRODUÇÃO<br />

A atempada renovação da frota de veículos<br />

de uma empresa de transporte é<br />

uma importante decisão atendendo ao<br />

elevado valor patrimonial dos mesmos<br />

e atendendo ainda aos meios humanos<br />

e materiais de que a empresa deve<br />

dispor para conseguir uma adequada<br />

disponibilidade dos veículos de modo<br />

a conseguir a satisfação das necessidades<br />

dos clientes.<br />

A empresa deverá estabelecer um<br />

plano de renovação que permita uma<br />

adequada previsão dos montantes<br />

anuais de investimento. No entanto,<br />

esse plano só pode ser estabelecido se<br />

for conhecido, para cada segmento da<br />

frota a sua vida útil económica.<br />

2. CONCEITO E CÁLCULO<br />

A vida útil de um veículo, ou de uma<br />

família de veículos, é a quantidade<br />

de quilómetros para a qual se verifica<br />

que o custo total, médio, acumulado e<br />

atualizado é mínimo.<br />

O custo é total porque se consideram<br />

os custos de investimento e os custos<br />

de manutenção.<br />

Investimento<br />

Manutenção<br />

Valor da aquisição<br />

Encargos financeiros<br />

Por custo médio entende-se o custo<br />

por quilómetro percorrido.<br />

O custo é acumulado pois se adicionam<br />

os custos desde o início da<br />

JOÃO REIS SIMÕES<br />

Engº Mecânico (IST - 1970)<br />

utilização do veículo.<br />

O custo é atualizado pois os valores<br />

a utilizar são os “custos constantes”,<br />

isto é, inflacionados ou deflacionados<br />

para o ano em curso.<br />

2.1. Investimento<br />

As grandezas a ter em consideração<br />

são as seguintes:<br />

• custo de aquisição de um veículo<br />

novo - CA<br />

• encargos financeiros – EF<br />

O valor dos encargos financeiros<br />

(EF) depende das condições<br />

negociadas com a instituição financeira,<br />

em particular a taxa de juros<br />

praticada e o prazo de reembolso.<br />

O valor do investimento a<br />

considerar é:<br />

I = CA + EF<br />

O custo médio acumulado atualizado<br />

correspondente ao investimento<br />

diminuirá permanentemente com a<br />

utilização do veículo (note-se que esta<br />

é uma amortização técnico-económica<br />

e não contabilística, e portanto não<br />

tem limite temporal):<br />

I maa = I u<br />

em que u é a utilização do veículo, isto<br />

é, a sua quilometragem acumulada.<br />

2.2.Manutenção<br />

Os custos de manutenção a considerar<br />

são os correspondentes aos<br />

24 e-MOBILIDADE


diversos tipos de manutenção:<br />

Preventiva<br />

Curativa<br />

Corretiva<br />

Sistemática<br />

Preditiva (diagnóstica)<br />

Paliativa<br />

Desempanagem<br />

Reparação<br />

Os custos de manutenção podem ser<br />

considerados em conjunto porque a<br />

sua evolução em função da utilização é<br />

semelhante, podendo ser representada<br />

por uma equação do tipo:<br />

M = a.u + b.u δ<br />

Além de parcelas de custo que se mantêm<br />

constantes ao longo da utilização,<br />

como é o caso da manutenção preventiva<br />

sistemática – valor acumulado<br />

variando linearmente com a utilização,<br />

a que corresponde o termo a.u da equação<br />

–, outras parcelas variam exponencialmente<br />

com a utilização – termo b.u δ .<br />

Note-se que o valor de δ é obtido na fase<br />

da construção da curva, pela correlação<br />

entre os valores dos custos anuais e as<br />

quilometragem nos respectivos anos.<br />

Uma das razões para este tipo de crescimento<br />

é o aparecimento de operações<br />

de manutenção preventiva e curativa<br />

(avarias) mais importantes, e portanto<br />

de reparação mais onerosa tanto na<br />

componente peças como na componente<br />

mão-de-obra.<br />

O custo médio, acumulado e atualizado<br />

da manutenção varia segundo a equação:<br />

A<br />

(δ - 1)<br />

M maa = a + b.u<br />

atempada renovação da<br />

frota de veículos de uma<br />

empresa de transporte é<br />

uma importante decisão<br />

atendendo ao elevado<br />

valor patrimonial dos<br />

mesmos e atendendo<br />

ainda aos meios humanos<br />

e materiais de que a<br />

empresa deve dispor para<br />

conseguir uma adequada<br />

disponibilidade dos<br />

veículos<br />

e-MOBILIDADE 25


OPINIÃO<br />

João Reis Simões<br />

Nalguns estudos da vida útil de<br />

veículos são considerados os custos<br />

relativos ao gasóleo, aos pneus,<br />

à reparação de abalroamentos e à<br />

reparação de órgãos rotáveis[ Motor,<br />

caixa de velocidades, diferencial, etc.],<br />

mas, se para os dois primeiros, tal é<br />

considerado inadequado, pois o consumo<br />

de combustível depende da taxa<br />

de ocupação e, portanto, da produção<br />

(tonelada-quilómetro) e o desgaste<br />

dos pneus depende essencialmente<br />

do tipo e condições dos pavimentos<br />

onde os veículos circulam, para os<br />

dois últimos a sua consideração deve<br />

ser efetuada de forma diferente da<br />

que é utilizada, pois a reparação de<br />

uma grande avaria, que ocorra a baixa<br />

quilometragem, isto é, totalmente<br />

inesperada, e a reparação de abalroamentos<br />

devem ser considerados como<br />

investimento.<br />

ma das razões para este tipo de crescimento é o aparecimento de operações de<br />

anutenção preventiva e curativa (avarias) mais importantes, e portanto de reparação<br />

ais onerosa tanto na componente peças como na componente mão-de-obra.<br />

custo médio, acumulado e actualizado da manutenção varia segundo a equação:<br />

M maa = a + b. u δ−1<br />

alguns estudos da vida útil de veículos são considerados os custos relativos ao gasóleo,<br />

s pneus, à reparação de abalroamentos e à reparação de órgãos rotáveis<br />

2.3.Custo total<br />

1 , mas, se para<br />

dois primeiros, tal é considerado inadequado, pois o consumo de combustível<br />

pende da taxa ocupação e, portanto, da produção (tonelada-quilómetro) e o<br />

sgaste dos pneus O custo dependetotal, essencialmente médio, do tipo acumulado e condições dose pavimentos atualizado<br />

onde os<br />

ículos circulam, para os<br />

evolui<br />

dois últimos<br />

segundo<br />

a sua consideração<br />

a equação<br />

deve ser<br />

(soma<br />

efectuada de forma<br />

ferente da que é utilizada, pois a reparação de uma grande avaria, que ocorra a baixa<br />

ilometragem, das isto é, duas totalmente anteriores):<br />

inesperada, e a reparação de abalroamentos devem ser<br />

nsiderados como investimento.<br />

3. Custo total<br />

custo total, médio, acumulado e actualizado evolui segundo a equação (soma das duas<br />

teriores):<br />

C tmaa =<br />

No Gráfico 1 estão representadas as curvas<br />

I correspondentes δ−1<br />

+ a + b. u ao investimento, à<br />

u<br />

manutenção e ao total.<br />

Pode, ainda, concluir-se que, para o<br />

período da vida útil, os custos médios,<br />

acumulados e atualizados são:<br />

• para a manutenção - 0,292 €/km<br />

• para o investimento - 0,132 €/km<br />

Isto é:<br />

o Gráfico 1 estão representadas as curvas correspondentes ao investimento, à<br />

anutenção e ao total.<br />

otor, caixa de velocidades, diferencial, etc.<br />

C tmaa = ( I (δ - 1)<br />

) + a + b.u<br />

u<br />

GRÁFICO 1 - DETERMINAÇÃO DA VIDA ÚTIL<br />

Para este caso concreto – correspondente<br />

a um Trator e semi-reboque – conclui-se<br />

que:<br />

• a vida útil é de 740.000 km<br />

• o custo total, médio, acumulado e<br />

atualizado mínimo é de 0,424 €/km<br />

• os custos acumulados da manutenção<br />

são cerca de 2,2 vezes superiores aos do<br />

investimento, o que demonstra:<br />

– a necessidade de adequada organização<br />

da manutenção,<br />

– que um pequeno aumento no investimento<br />

pode mostrar-se compensador se<br />

lhe corresponder uma melhor qualidade,<br />

contribuindo para uma redução do<br />

custo total mínimo.<br />

O prolongamento da utilização do<br />

veículo para lá da vida útil tem como<br />

consequência um aumento do custo<br />

médio 3 acumulado, pelo que deve ser<br />

evitado.<br />

Atingida a vida útil, se a Empresa<br />

decide não comprar outro veículo para<br />

fazer a substituição, o mesmo poderá<br />

continuar a ser utilizado, pois em princípio<br />

reúne ainda adequadas condições<br />

de segurança, no entanto essa utilização<br />

deverá apenas fazer-se para substituir<br />

outro veículo avariado ou para cumprir<br />

um serviço extra.<br />

2.4.Cálculo expedito<br />

Não sendo conhecida a expressão da<br />

evolução dos custos de manutenção<br />

com a utilização, o cálculo da vida útil<br />

terá de ser feito através do seguimento<br />

da evolução anual do custo total,<br />

médio, acumulado e atualizado, o que<br />

é possível inscrevendo numa folha de<br />

cálculo, no final de cada ano, os valores<br />

dos custos de manutenção correspondentes<br />

a esse ano e a respectiva quilometragem.<br />

A partir desses valores calculam-se ao<br />

valores atualizados anuais e constroi-se<br />

uma nova tabela, que permite, através<br />

de uma gráfico, uma ver observação<br />

visual do andamento dos valores do<br />

custo total e ter uma percepção sobre<br />

se a vida útil se aproxima, pois, como<br />

demonstra o Gráfico 1, de ano para<br />

ano a redução do custo total, médio,<br />

acumulado e atualizado vai sendo cada<br />

vez mais pequena.<br />

1<br />

Motor, caixa de velocidades, diferencial, etc.<br />

26 e-MOBILIDADE


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INFORMAÇÃO AO PÚBLICO<br />

Comunicar para conquistar<br />

passageiros<br />

Nos últimos anos, a utilidade da Informação ao Público nos Transportes tem ganho maior<br />

destaque, tendo sido identificada como um dos principais fatores que claramente influencia, e<br />

de forma decisiva, a atitude dos cidadãos relativamente à sua escolha de mobilidade.<br />

SANDRA VASCONCELOS LAMEIRAS<br />

Administradora da OPT<br />

Atualmente, as Tecnologias<br />

de Informação e Comunicação<br />

(TIC) permitem<br />

a disponibilização de<br />

sistemas de informação ao<br />

público fiáveis, com informação correta,<br />

consistente, atualizada e personalizada.<br />

Desta forma, podem ser identificados<br />

cinco grandes objetivos estratégicos:<br />

» Promover o serviço;<br />

» Motivar a utilização do serviço;<br />

» Apoiar a decisão, esclarecendo o conhecimento<br />

sobre a oferta disponível;<br />

» Melhorar a satisfação de clientes;<br />

» Educar novos e atuais clientes, promovendo<br />

uma mudança de comportamentos.<br />

Os serviços de informação ao público<br />

podem ser disponibilizados de diversas<br />

formas, desde papel, através de folhetos<br />

para distribuição ou material para<br />

ser fixado nas paragens, estações ou<br />

no interior das viaturas, mas também<br />

através de formatos digitais como Papel<br />

eletrónico: E-Papers, de painéis LCD ou<br />

telemóveis. Podem ainda existir mapas<br />

esquemáticos, horários de passagem dos<br />

transportes em cada paragem/estação.<br />

Os mapas esquemáticos simplificam a<br />

perceção da rede de transportes como<br />

um todo, são desenhados para serem<br />

disponibilizados na rua, os “Spider<br />

Maps” (ou Mapas em Aranha) apresentam<br />

uma zona de maior destaque (o<br />

Hub) que ocupa o centro do mapa e, a<br />

partir daí, todos os percursos de transporte<br />

público que se dirigem aos seus<br />

destinos finais. Podem ser impressos,<br />

ou disponibilizados num ecrã ou noutro<br />

suporte digital, no qual de forma interativa,<br />

o passageiro pode obter informação<br />

sobre quais os destinos que pode<br />

atingir através da rede de Transporte<br />

Público, do ponto em que se encontra.<br />

A tecnologia facilita a disponibilização<br />

de sistemas que permitem uma comunicação<br />

eficaz entre operadores de<br />

transporte público e passageiros. As<br />

28 e-MOBILIDADE


aplicações móveis são um dos exemplos,<br />

já que permitem aos passageiros<br />

ter acesso a informações em tempo real<br />

sobre horários, rotas, atrasos e interrupções<br />

no serviço. Podem também ser<br />

usadas para enviar notificações aos passageiros,<br />

mantendo-os informados sobre<br />

qualquer mudança no serviço. As redes<br />

sociais são também uma ferramenta poderosa<br />

para a comunicação com os passageiros.<br />

Os operadores de transporte<br />

podem usar plataformas como o X e o<br />

Facebook para fornecer atualizações em<br />

tempo real sobre o serviço, responder<br />

a perguntas dos passageiros e resolver<br />

problemas rapidamente.<br />

No planeamento dos sistemas de informação<br />

ao público devem ser consideradas<br />

todas estas formas de apresentação<br />

de informação, escolhendo-se<br />

para cada situação, a(s) que melhor se<br />

adaptar(em) ao respetivo público-alvo,<br />

para que todos os cidadãos se sintam<br />

incluídos. Não podemos deixar de fora<br />

os que não usam smartphones.<br />

Em Portugal, nos dias de hoje, ao<br />

contrário do cenário noutras cidades<br />

na Europa, ainda não existe um grande<br />

investimento na disponibilização de informação<br />

ao público sobre transportes.<br />

Com a entrada em Operação da Carris<br />

Metropolitana nos 18 municípios da<br />

AML, o que envolveu cerca de 12.000<br />

paragens, 2.000 percursos, 820 linhas<br />

(160 novas e 330 com oferta reforçada),<br />

17.000 circulações por dia, 300 painéis<br />

digitais de informação ao público, e<br />

mais de 1.500 autocarros, quase todos<br />

novos, assistimos a uma forte mudança<br />

de paradigma na qualidade do serviço<br />

de transporte público, o que se repercutiu<br />

também na disponibilização de<br />

informação aos passageiros. De destacar<br />

que a CARRIS, que detém a exclusividade<br />

da operação no Concelho de Lisboa<br />

e que atualmente pertence ao município<br />

de Lisboa, já há mais de 25 anos<br />

disponibiliza em todas as suas paragens<br />

esta informação. Tendo naturalmente,<br />

continuado a inovar ao longo dos<br />

e-MOBILIDADE 29


tempos, nomeadamente com E-papers<br />

e LCDs, que permitem a disponibilização<br />

da informação em tempo real aos<br />

passageiros. Assim, temos hoje na Área<br />

Metropolitana de Lisboa um cenário<br />

completamente diferente do resto do<br />

País, isto porque na AML, quem lançou<br />

o Concurso Público Internacional para<br />

a Concessão da operação em Transporte<br />

Público Rodoviário, obrigou em sede de<br />

caderno de encargos, os quatro novos<br />

operadores privados a incluírem nas<br />

suas propostas os sistemas que permitem<br />

esta divulgação e a considerarem<br />

nos seus custos a disponibilização da<br />

informação planeada em todas as paragens.<br />

Aos operadores da AML é também<br />

exigido que tenham um software de<br />

planeamento operacional, um sistema<br />

de apoio à exploração, ferramentas<br />

imprescindíveis para uma otimização da<br />

operação e para a disponibilização de<br />

informação ao público fidedigna.<br />

Fora da Área Metropolitana de Lisboa,<br />

com exceção dos operadores públicos<br />

rodoviários, STCP S.A. no Porto,<br />

SMTUC, em Coimbra, TUB, em Braga,<br />

Horários do Funchal no Funchal, e de<br />

algumas autarquias mais atentas a esta<br />

problemática, assistimos a uma situação<br />

de total ausência de informação nas<br />

paragens.<br />

Em 2019, o IMT conseguiu trazer para<br />

Portugal cerca de 31M€ de financiamento<br />

Comunitário, através de uma<br />

candidatura ao Projeto Cooperative<br />

Streets, que beneficiou várias autarquias,<br />

autoridades de transportes, além<br />

de empresas públicas e privadas do<br />

setor. Este Projeto permitiu promover<br />

a descarbonização, através do uso do<br />

transporte público e de soluções MaaS,<br />

e obrigava à definição da estrutura<br />

digital de dados de transporte em Portugal,<br />

estabelecendo assim os princípios<br />

fundamentais da multimodalidade, interoperabilidade,<br />

partilha de dados, digitalização<br />

da rede de transporte (camada<br />

física e digital). Assim, por exemplo na<br />

Área Metropolitana do Porto, Municípios<br />

como Gondomar, Valongo e Trofa,<br />

utilizaram estes fundos para investir em<br />

sistemas de informação ao público que<br />

hoje permitem dar resposta à lacuna<br />

existente na disponibilização de informação<br />

ao público aos passageiros que se<br />

verifica na AMP.<br />

Quando os passageiros têm uma<br />

experiência positiva com o sistema de<br />

transporte público, são mais propensos<br />

a utilizá-lo novamente no futuro.<br />

Uma comunicação eficaz pode, portanto,<br />

ajudar na fidelização de clientes,<br />

garantindo que eles continuem a utilizar<br />

o sistema de transporte regularmente.<br />

Com o avanço da tecnologia, as oportunidades<br />

para uma comunicação mais<br />

eficaz nunca foram tão abundantes, os<br />

passageiros estão cada vez mais exigentes<br />

e os operadores de transporte têm de<br />

incluir estas soluções nos seus investimentos<br />

se quiserem conquistar mais<br />

passageiros.<br />

30 e-MOBILIDADE


e-MOBILIDADE 31


FLEXIBILIDADE<br />

Devido à necessidade<br />

de conciliar várias viagens<br />

com diferentes propósitos, as<br />

mulheres tendem a optar por<br />

transportes que tenham<br />

flexibilidade<br />

32 e-MOBILIDADE


PERFIL DE UTILIZADORES DE TRANSPORTES<br />

Os padrões<br />

dehomens<br />

de mobilidade<br />

A forma como as pessoas<br />

se deslocam é distinta<br />

consoante factores como<br />

a idade, o género, as<br />

actividades de cuidado<br />

a seu cargo, a percepção<br />

de segurança do espaço<br />

público, ou mesmo<br />

capacidade financeira.<br />

Este artigo propõe-se a<br />

aprofundar de que forma a<br />

mobilidade varia de acordo<br />

com o factor género.<br />

e mulheres<br />

são diferentes<br />

INÊS SARTI PASCOAL<br />

insapa@hotmail.com<br />

Linkedin.com/in/inessartipascoal<br />

De forma geral, mulheres e<br />

homens têm no seu quotidiano<br />

perfis diferentes na<br />

utilização dos transportes,<br />

incluindo o meio de transporte,<br />

o tempo gasto em cada viagem<br />

ou o número de viagens por dia. Estas<br />

diferenças devem-se a aspectos relacionados<br />

com as actividades remuneradas<br />

(vulgo trabalho pago), mas também com<br />

as actividades domésticas e de cuidado<br />

(vulgo trabalho não pago). As actividades<br />

não remuneradas, como ir às compras,<br />

cuidar das crianças e levá-las à escola,<br />

cuidar de familiares idosos ou doentes,<br />

estão maioritariamente a cargo das mulheres.<br />

Não sendo tarefas exclusivas de<br />

mulheres ou dependentes de questões de<br />

género, estatisticamente são as mulheres<br />

que as realizam com maior frequência.<br />

Esta desigual distribuição de tarefas<br />

acaba por gerar uma desigualdade social,<br />

com implicações também na mobilidade<br />

urbana. Por exemplo, nos cuidados com<br />

a família, a existência ou inexistência de<br />

equipamentos como creches, escolas ou<br />

centros de dia, podem impedir, reduzir<br />

ou condicionar determinadas escolhas de<br />

mobilidade [2, 3, 5] .<br />

De forma geral, e sendo um fenómeno<br />

que acontece em vários países europeus,<br />

os padrões de viagens pendulares das<br />

mulheres são normalmente mais complexos<br />

e curtos, porque para além de se<br />

deslocarem entre a sua casa e o trabalho,<br />

inclui-se ainda o transporte das crianças,<br />

fazer compras ou cuidar de familiares.<br />

Embora as mulheres, em média, realizem<br />

um maior número de viagens por semana,<br />

os homens percorrem distâncias mais<br />

longas, em percursos tipicamente de casa<br />

para o trabalho. As mulheres percorrem<br />

por semana menores distâncias que os<br />

homens, têm um número médio de<br />

viagens por dia maior, têm distâncias<br />

médias e tempos de duração de cada rota<br />

inferiores. Temos dados recentes que nos<br />

indicam esta diferença nos padrões de<br />

deslocação, por exemplo, na Área Metropolitana<br />

de Lisboa (AML) [3, 5] .<br />

Na AML, para além das viagens casa-trabalho,<br />

as mulheres têm mais deslocações<br />

relacionadas com as tarefas domésticas<br />

e de cuidado de familiares do que os<br />

homens, enquanto os homens têm mais<br />

deslocações relacionadas com actividades<br />

sociais/lazer ou desporto, ilustrando os<br />

e-MOBILIDADE 33


OPINIÃO<br />

Inês Sarti Pascoal<br />

diferentes papéis de género que continuam<br />

a persistir na nossa sociedade [5] .<br />

O MEIO DE TRANSPORTE<br />

UTILIZADO<br />

Devido à necessidade de conciliar várias<br />

viagens com diferentes propósitos, as<br />

mulheres tendem a optar por transportes<br />

que tenham flexibilidade. No entanto,<br />

quando em desvantagem económica, as<br />

mulheres têm menor acesso a meios de<br />

transporte privados e mais eficientes,<br />

sendo que acabam por gastar mais tempo<br />

em transportes menos eficientes, ficando<br />

ainda mais penalizadas nas desigualdades<br />

sociais que já existiam. Soma-se<br />

ainda o facto de que lá em casa tendem<br />

a ser os homens a ter acesso ao meio de<br />

transporte mais apropriado, mais rápido<br />

ou mais caro [7] .<br />

De forma geral, pode afirmar-se que as<br />

mulheres caminham mais e usam mais<br />

os transportes públicos, enquanto os homens<br />

usam mais modos privados, como<br />

carro ou mota. Existem mais homens a<br />

possuir carta de condução e a ter acesso<br />

a um carro, enquanto as mulheres viajam<br />

mais como passageiras [6, 8, 9] .<br />

Importa ainda referir a problemática da<br />

sinistralidade na estrada. De acordo com<br />

o Relatório da Sinistralidade da Autoridade<br />

Nacional de Segurança Rodoviária<br />

(ANSR), enquanto passageiras em<br />

automóveis, as mulheres representavam<br />

64% das vítimas em sinistros rodoviários<br />

em 2018. A condução perigosa de quem<br />

conduz um automóvel afecta não apenas<br />

quem se desloca de automóvel, mas tam-<br />

De forma geral, pode afirmar-se que as mulheres<br />

caminham mais e usam mais os transportes públicos,<br />

enquanto os homens usam mais modos privados<br />

bém quem se desloca por outros meios,<br />

nomeadamente a pé ou de bicicleta.<br />

Enquanto peões, as mulheres representavam<br />

55% das pessoas atropeladas em<br />

2018. Aparentemente, os relatórios da<br />

ANSR de anos seguintes deixaram de ter<br />

desagregação por género [1] .<br />

É NECESSÁRIO UM PLANEAMENTO<br />

URBANO MAIS INCLUSIVO<br />

As cidades têm tido um planeamento<br />

urbano que favoreceu o desenvolvimento<br />

de subúrbios de baixa densidade,<br />

baseados em sistemas de mobilidade e<br />

infraestruturas rodoviárias, contribuindo<br />

para o declínio dos transportes públicos.<br />

A mobilidade do espaço urbano foi projectado<br />

para operar sobretudo durante<br />

as horas de ponta, nos percursos entre a<br />

casa e o trabalho, pois eram as necessidades<br />

que estavam a ser atendidas [5] .<br />

Como se poderá ter entendido, a mobilidade<br />

das mulheres necessita de uma<br />

organização maior do que as deslocações<br />

casa-trabalho, e com as infraestruturas<br />

urbanas existentes, nem sempre é possível<br />

utilizá-las nas condições de segurança<br />

e conforto. O planeamento urbano deve<br />

iniciar-se com a recolha de dados, e então<br />

poderiam ser utilizados os dados do<br />

Censos do Instituto Nacional de Estatística<br />

[4] . No entanto, os dados de mobilidade<br />

são recolhidos com as premissas:<br />

1. Principal meio de transporte utilizado:<br />

o que percorre a maior distância<br />

da viagem, sendo que no caso de ser<br />

diferente na ida e na volta, se opta pelo<br />

meio de transporte utilizado na ida.<br />

2. Movimento pendular: deslocação<br />

diária, entre a residência e o local de<br />

trabalho/estudo, efectuada pela população<br />

residente.<br />

Os dados que estão a ser recolhidos pelo<br />

INE não estão a estudar os padrões de<br />

mobilidade das mulheres. É necessário<br />

estabelecer mecanismos para recolha de<br />

dados de mobilidade desagregados por<br />

género, desde o inquérito dos Censos,<br />

passando pelos diferentes estudos<br />

de mobilidade e segurança, como os<br />

relatórios de sinistralidade rodoviária da<br />

ANSR, chegando finalmente à inclusão<br />

dessa informação nos planos de mobilidade<br />

locais, indo ao encontro das necessidades<br />

da população. O factor género<br />

deveria ser uma prioridade quando se<br />

planeia e desenha uma cidade. Oxalá as<br />

entidades tivessem disponibilidade para<br />

atender às necessidades de metade da<br />

população.<br />

REFERÊNCIAS<br />

[1]<br />

ANSR, 2018. Sinistralidade rodoviária: vítimas no local<br />

[2]<br />

Gamrani & Tribouillard, 2021. Guia prático e interseccional para cidades mais inclusivas.<br />

[3]<br />

Heffernan et al., 2022. A Feminist European Green Deal: Towards an Ecological and Gender Just Transition.<br />

Friedrich-Ebert-Stiftung. Politics for Europe.<br />

[4]<br />

INE, 2022. Censos 2021.<br />

[5]<br />

Queirós et al., 2019. Igualdade de Género nas Geografias Espácio -Temporais: Uma Análise a partir de<br />

Dispositivos Móveis.<br />

[6]<br />

Ramboll Smart Mobility, 2021. Gender and (smart) mobility: green paper 2021.<br />

[7]<br />

Singh, 2020. Is smart mobility also gender-smart?. Journal of Gender Studies, 29(7), 832-846<br />

[8]<br />

Souza, Bittencourt & Taco, 2018. Women’s perspective in pedestrian mobility planning: the case of Brasília.<br />

Transportation Research Procedia, 33(2018), 131-138.<br />

[9]<br />

Women in Mobility, 2022. Female mobility.<br />

34 e-MOBILIDADE


TIC(S) DE MOBILIDADE<br />

O telemóvel<br />

como bola<br />

de cristal?<br />

O transporte de pessoas, tal como<br />

qualquer outro transporte, requer<br />

uma infraestrutura. É assim com as<br />

mercadorias, a água, o saneamento, a<br />

eletricidade, e até a informação. Mas<br />

fixemo-nos neste último, o transporte<br />

de informação, em particular na<br />

era dos computadores. Isto porque<br />

tem a singular vantagem de se ter<br />

desenvolvido perante os nossos olhos,<br />

praticamente desde os seus primeiros<br />

passos até à maturidade hoje atingida.<br />

uando se sentiu a necessidade<br />

dos computadores<br />

comunicarem entre si,<br />

claro que se colocou o<br />

problema da infraestrutura<br />

que pudesse ser o veículo<br />

dessa comunicação. Nos anos 60, nada<br />

foi mais óbvio do que utilizar as linhas<br />

telefónicas, que já se tinham disseminado<br />

por todo o mundo nas décadas<br />

anteriores.<br />

Como os computadores convertem e<br />

tratam tudo como números, representados<br />

numa base binária de 0’s e 1’s, a<br />

solução foi enviar uma sequência de<br />

“apitos”, uns mais graves e outros mais<br />

MANUEL RELVAS<br />

https://www.linkedin.com/in/mrelvas/<br />

agudos, para representar, respetivamente,<br />

os 0’s e os 1’s. Dadas as características<br />

das linhas telefónicas, pensadas para<br />

a transmissão de voz, começou-se pelos<br />

45 “apitos” por segundo, chegando-se<br />

posteriormente até aos 300. É bastante<br />

impressionante para um humano assobiar,<br />

mas muito lento para as enormes<br />

quantidades de dados com que os<br />

computadores lidam. A imagem de uma<br />

fotografia banal, que hoje viaja de forma<br />

praticamente instantânea, demoraria<br />

36 e-MOBILIDADE


uns bons 10 minutos a ser transmitida<br />

nessa altura - uma velocidade claramente<br />

insuficiente!<br />

Foi então que entrou em campo<br />

o engenho e a engenharia. Com a<br />

sofisticação da tecnologia, jogou-se<br />

com mais tons, várias amplitudes e<br />

diferentes momentos de ocorrência dos<br />

tais “apitos”. Isto exigiu técnicas de<br />

deteção mais rápidas e fiáveis, se bem<br />

que baseadas em modelos matemáticos<br />

do século 18, mas implementados<br />

com base nas crescentes capacidades<br />

de processamento disponíveis. Daqui<br />

resultaram, no final dos anos 90,<br />

velocidades de comunicação 200 vezes<br />

superiores, utilizando exatamente as<br />

mesmas linhas telefónicas. Ora, passar<br />

a transmissão de uma imagem, de 10<br />

minutos para 3 segundos, é obra!<br />

E esta pode ser<br />

uma primeira<br />

pista para a<br />

analogia com a<br />

mobilidade: as<br />

redes viárias, que<br />

se foram desenvolvendo<br />

ao longo<br />

de muitos séculos,<br />

poderão ver a<br />

sua capacidade muito aumentada, se se<br />

libertarem das limitações da condução<br />

humana. Não é difícil imaginar veículos<br />

com condução autónoma e geridos<br />

centralmente, a rolar coladinhos uns aos<br />

outros, a velocidades hoje totalmente<br />

inimagináveis, mesmo nos cruzamentos -<br />

embora tal possa ser um pouco assustador<br />

ao princípio (talvez seja melhor estes<br />

veículos não terem vidros, mas sim ecrãs<br />

com bonitas paisagens...).<br />

Por outro lado, os nossos carros seriam<br />

como os telefones fixos em casa: sem<br />

utilização a maior parte do tempo, mas<br />

muito úteis quando necessários. E, neste<br />

paralelismo, os transportes públicos seriam<br />

como as cabines telefónicas: muito<br />

convenientes em certas circunstâncias, e<br />

essenciais para quem não tem condições<br />

CAPACIDADE AUMENTADA<br />

Não é difícil imaginar veículos com<br />

condução autónoma e geridos<br />

centralmente, a rolar coladinhos uns aos<br />

outros, a velocidades hoje totalmente<br />

inimagináveis, mesmo nos cruzamentos<br />

ou vontade de ter um veículo próprio.<br />

Mas a evolução das comunicações não<br />

parou aqui. Com a tecnologia das redes<br />

móveis, passou a ser apenas necessário<br />

colocar uma antena no topo de um edifício<br />

alto, para cobrir uma área de vários<br />

quilómetros. Deixou de ser necessário<br />

passar um fio a partir da casa de cada<br />

um, o que potenciou a concorrência, ao<br />

derrubar o monopólio natural da infraestrutura.<br />

E aí a evolução foi, e continua a<br />

ser, ainda mais notável, com os inevitáveis<br />

benefícios para os utilizadores, em<br />

termos de tarifários, funcionalidades,<br />

desempenho, equipamentos, etc. Esta<br />

analogia com a comunicação através do<br />

ar, talvez prenuncie a divulgação dos<br />

automóveis voadores, de que já se fala...<br />

Paralelamente, as redes fixas em fibra ótica,<br />

em que um cabo substituiu centenas<br />

dos antigos cabos<br />

telefónicos em cobre<br />

e de antenas de<br />

televisão, permitiram<br />

desempenhos<br />

ainda maiores: a<br />

mesma imagem<br />

pode ser agora<br />

transmitida em 2<br />

décimos de segundo.<br />

Vantagens e exigências de tráfego mínimo<br />

que podemos comparar à ferrovia,<br />

em particular a de alta velocidade.<br />

Mas ainda falta o derradeiro passo na<br />

história recente das comunicações: o telemóvel<br />

digital / smartphone. Este passo<br />

é uma verdadeira revolução na vida das<br />

pessoas à escala planetária, ao colocar na<br />

mão de mais de metade da população<br />

mundial um instrumento que permite<br />

aceder e partilhar conteúdos multi-média,<br />

de forma fácil e instantânea.<br />

Olhando para este instrumento, que<br />

praticamente exterminou as cabines telefónicas<br />

e, em grande medida, os telefones<br />

fixos, qual será o seu equivalente na<br />

mobilidade das pessoas? Provavelmente<br />

hoje ninguém o saberá ao certo, mas o<br />

certo é que ainda não apareceu!<br />

e-MOBILIDADE 37


DESENVOLVIMENTO REGIONAL<br />

Médio Tejo avança<br />

rumo a uma mobilidade mais<br />

sustentável e integrada<br />

A Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo apresentou, ontem, dia 27 de junho, em Vila<br />

Nova da Barquinha, o meioB, um inovador sistema de mobilidade sustentável que visa<br />

transformar a forma como as pessoas se deslocam na região do Médio Tejo.<br />

Manuel Jorge Valamatos,<br />

presidente da CIM<br />

Médio Tejo, abriu a<br />

sessão de lançamento,<br />

destacando a importância<br />

da iniciativa para a sustentabilidade<br />

ambiental e a qualidade de<br />

vida dos cidadãos. “Com o lançamento<br />

do meioB, sistema intermunicipal de<br />

bicicletas para uso público no Médio<br />

Tejo, estamos a demonstrar a nossa<br />

clara atenção para com as questões<br />

da sustentabilidade ambiental, como<br />

também estamos a dar passos evolutivos<br />

no domínio da mobilidade e dos transportes<br />

para com os nossos cidadãos e<br />

pelo garante da sua qualidade de vida”,<br />

afirmou o presidente.<br />

“A partir de agora, o território contará<br />

com mais de 60 estações e de 250 bicicletas,<br />

podendo ser utilizado em muitas<br />

opções de deslocação da nossa população”,<br />

adiantou o presidente desta CIM,<br />

acrescentando ainda que “este sistema,<br />

que representa um investimento de cerca<br />

1,5 milhões de euros, foi construído<br />

com o objetivo de promover a intermodalidade,<br />

tendo-se colocado estações<br />

de carregamento das bicicletas nas<br />

imediações dos terminais rodoviários<br />

e das estações ferroviárias, permitindo<br />

combinar o transporte público coletivo<br />

com a bicicleta elétrica”.<br />

Promovido em parceria com os municípios<br />

de Alcanena, Constância, Entroncamento,<br />

Ferreira do Zêzere, Mação,<br />

38 e-MOBILIDADE


O território contará com mais de 60 estações e de<br />

250 bicicletas, podendo ser utilizado em muitas<br />

opções de deslocação da população<br />

Ourém, Sertã, Tomar, Torres Novas,<br />

Vila de Rei e Vila Nova da Barquinha,<br />

o meioB é um sistema comprometido<br />

em promover a mobilidade suave no<br />

quotidiano da população e em oferecer<br />

uma alternativa ecológica e saudável ao<br />

transporte motorizado na região.<br />

Este objetivo foi também reforçado por<br />

Miguel Pombeiro, primeiro secretário<br />

executivo da CIM Médio Tejo, que,<br />

durante a apresentação do meioB, sublinhou<br />

a necessidade urgente de “combater<br />

o monopólio da utilização automóvel”.<br />

Sempre com a sustentabilidade e a<br />

coesão territorial em vista, o responsável<br />

destacou que esta nova aposta na mobilidade<br />

suave é um marco importante na<br />

oferta de transportes sustentáveis da região<br />

do Médio Tejo. A iniciativa abrange<br />

11 municípios numa área de mais de<br />

2.500 km², facilitando deslocações<br />

quotidianas eficientes e sustentáveis por<br />

motivos de trabalho, estudo ou acesso<br />

ao comércio e serviços.<br />

Luís Filipe, vogal Executivo da Comissão<br />

Diretiva do Centro 2030, esteve<br />

também presente na sessão de apresentação,<br />

onde destacou a importância<br />

deste investimento no quadro das<br />

LOCALIZAÇÃO DAS ESTAÇÕES<br />

e-MOBILIDADE 39


DESENVOLVIMENTO REGIONAL<br />

Médio Tejo<br />

preocupações e das missões da política<br />

europeia no que diz respeito ao tema<br />

da mobilidade sustentável. “A adaptação<br />

do território às mudanças e a<br />

antecipação de tendências são cruciais<br />

para o nosso sucesso futuro,” afirmou.<br />

Assumindo que a transição verde é uma<br />

prioridade, o responsável defendeu<br />

que “só conseguiremos alcançá-la se<br />

trabalharmos em conjunto, valorizando<br />

a coesão territorial. É fundamental<br />

capacitar os territórios para que possam<br />

desenvolver projetos de interesse<br />

comum e com impacto significativo na<br />

população e no ambiente”.<br />

A sessão contou ainda com a presença<br />

de Francisco Sarmento, da CME, empresa<br />

parceira do meioB, que fez uma<br />

demonstração prática do funcionamento<br />

deste inovador sistema de bikesharing.<br />

“MEIOB - A TUA OPÇÃO A” –<br />

ASSINATURA REFLETE<br />

O OBJETIVO DA INICIATIVA<br />

Com uma rede de mais de 60 estações,<br />

distribuídas por 11 concelhos, e mais<br />

de 250 bicicletas elétricas, com autonomia<br />

para 50 quilómetros, o meioB<br />

começa a operar desde hoje sob o signo<br />

da assinatura “meioB - a tua opção<br />

A”. A iniciativa distingue-se de outros<br />

congéneres pela sua abrangência e<br />

intermunicipalidade, isto porque, ao<br />

contrário de outras iniciativas que se<br />

circunscrevem a uma única cidade, o<br />

meioB permite viajar entre concelhos,<br />

facilitando a interligação e o acesso a<br />

pontos estratégicos como serviços públicos,<br />

escolas, comércio, equipamentos<br />

de saúde e locais de interesse turístico.<br />

A localização das estações foi, de resto,<br />

criteriosamente planeada para responder<br />

às necessidades de deslocação<br />

MEIOB EM NÚMEROS<br />

» Investimento: 1,5 milhões de euros<br />

» Municípios: 11 concelhos da região<br />

» Extensão do território: superior a 2500 km²<br />

» Bicicletas: + de 250<br />

» Autonomia: cerca de 50 km<br />

» Estações: + de 60 distribuídas pela região<br />

» Tempo de carregamento: cerca de 4 horas<br />

casa-trabalho e lazer, encontrando-se,<br />

por isso, próximas a áreas de transporte<br />

intermodal, como estações de caminhos<br />

de ferro e terminais rodoviários.<br />

UTILIZAÇÃO FÁCIL, INTUITIVA<br />

E ECONÓMICA<br />

Para usufruir desta forma de mobilidade<br />

ecológica e suave, os utilizadores devem<br />

dirigir-se a uma estação, desbloquear<br />

uma bicicleta e seguir até outra estação<br />

próxima do destino desejado. A interação<br />

dos utilizadores com o serviço<br />

é facilitada através de uma aplicação,<br />

desenvolvida para o efeito, que se encontra<br />

disponível gratuitamente nas lojas<br />

Android e Apple. Basta abrir a aplicação,<br />

digitalizar o código QR correspondente<br />

e a bicicleta será desbloqueada automaticamente.<br />

A CIM Médio Tejo recomenda<br />

o uso de capacete para garantir maior<br />

segurança na utilização dos velocípedes.<br />

O meioB oferece diferentes planos<br />

tarifários – ocasional (até 72 horas),<br />

mensal e anual –, adaptados às necessidades<br />

dos utilizadores. Nos primeiros<br />

60 minutos de cada viagem, a utilização<br />

das bicicletas é gratuita,<br />

sendo que, após esse<br />

período, aplica-se uma<br />

tarifa de 0,01 euros por<br />

cada minuto adicional.<br />

Todas as informações<br />

sobre o sistema, incluindo<br />

o tarifário, podem<br />

ser consultadas em<br />

www.meiob.pt, disponível<br />

em português,<br />

francês e inglês.<br />

BENEFÍCIOS AMBIENTAIS E<br />

DESENVOLVIMENTO LOCAL<br />

O meioB promove a substituição de<br />

veículos motorizados por bicicletas<br />

elétricas, contribuindo assim para a<br />

redução das emissões de gases poluentes<br />

e alinhando-se com os objetivos de<br />

sustentabilidade ambiental. Além de<br />

incentivar um estilo de vida saudável,<br />

a iniciativa dinamiza a economia<br />

local, facilitando o acesso ao trabalho,<br />

serviços e comércio, e poderá dar um<br />

excelente contributo na dinamização<br />

turística do território.<br />

A CIM Médio Tejo acredita que a<br />

comunidade local é essencial para<br />

o sucesso do meioB. Estão, por<br />

isso, previstas ações com escolas e<br />

associações locais para promover o<br />

uso das bicicletas elétricas e estimular<br />

mudanças nos hábitos de deslocação,<br />

incentivando viagens casa-escola<br />

e casa-trabalho de bicicleta. Para<br />

monitorizar o sucesso da iniciativa,<br />

uma plataforma acompanhará a<br />

utilização do meioB e os percursos<br />

realizados, identificando também<br />

eventuais áreas de melhoria.<br />

Com o meioB, a região do Médio<br />

Tejo avança rumo a uma mobilidade<br />

mais sustentável e integrada, similar<br />

a grandes centros urbanos europeus.<br />

Este projeto, financiado pelo Fundo<br />

Europeu de Desenvolvimento Regional,<br />

através do Programa Operacional<br />

Regional Centro 2020, representa um<br />

investimento de cerca de 1,5 milhões<br />

de euros e pode servir de exemplo para<br />

outras regiões do país.<br />

40 e-MOBILIDADE


SUSTENTABILIDADE<br />

Teletransporte<br />

para o futuro:<br />

o que esperar da mobilidade<br />

em 2050?<br />

GUSTAVO MAGALHÃES<br />

Director na Beta-i<br />

A mobilidade é um dos temas<br />

que mais tem estado na<br />

agenda de sustentabilidade.<br />

Sendo o setor dos transportes<br />

dos mais poluentes, cada<br />

vez mais se fala de transição<br />

energética das cidades em<br />

smart cities, rumo às metas<br />

de neutralidade carbónica.<br />

Mas, se dermos um salto ainda<br />

maior e chegarmos a 2050,<br />

o que podemos realmente<br />

esperar da mobilidade?<br />

Em 2050, estima-se que a<br />

população mundial terá<br />

um aumento de cerca de<br />

dois mil milhões de pessoas<br />

em relação à atualidade,<br />

havendo portanto a expectativa de uma<br />

adaptação das infraestruturas de mobilidade,<br />

nomeadamente através do que<br />

Elon Musk já referiu serem as cidades<br />

3D: com carros voadores e/ou túneis<br />

subterrâneos. Ao transformarem-se em<br />

veículos movidos a energia elétrica e autónomos,<br />

espera-se que, nos carros do<br />

futuro, os passageiros possam usufruir<br />

mais do seu tempo da viagem, enquanto<br />

o carro os transporta por túneis que,<br />

por sua vez, maximizarão a eficiência da<br />

rede de transportes.<br />

A mobilidade urbana será, efetivamente,<br />

o grande alvo de impacto desta revolução<br />

tecnológica. As expectativas são de<br />

que, além do nível subterrâneo, já em<br />

fase de testes pela The Boring Company<br />

de Elon Musk, possamos também tirar<br />

partido da via aérea. Dessa forma, os táxis<br />

poderão no futuro vir a ser veículos<br />

voadores, bem como a entrega de enco-<br />

mendas que poderá vir a ser realizada<br />

por drones. EVTOL é a designação dos<br />

táxis elétricos que terão a capacidade de<br />

descolar e aterrar verticalmente, estando<br />

em desenvolvimento por empresas<br />

como a Uber e a Airbus.<br />

O transporte público também não fica<br />

de fora destas projeções, tendo já começado<br />

a surgir abordagens disruptivas,<br />

como por exemplo autocarros giroscópicos,<br />

capazes de se elevar das estradas<br />

sobre carris e ultrapassar o trânsito ao<br />

movimentarem-se acima do nível dos<br />

carros. Para complementar, no segmento<br />

da mobilidade ativa, as trotinetes e<br />

bicicletas elétricas partilhadas ocuparão<br />

ainda mais espaço nas ciclovias e nos<br />

passeios, promovendo assim a dinâmica<br />

de ecossistema na mobilidade urbana.<br />

Embora tudo isto possa parecer muito<br />

avançado e futurista, uma das transformações<br />

mais esperadas é a dos comboios<br />

de alta velocidade para longas<br />

distâncias. Com o avanço da tecnologia<br />

das infraestruturas dos carris, os comboios<br />

poderão atingir uma velocidade<br />

semelhante à dos aviões, sendo alimen-<br />

42 e-MOBILIDADE


A mobilidade urbana será,<br />

efetivamente, o grande alvo<br />

de impacto desta revolução<br />

tecnológica<br />

tados por energia elétrica e hidrogénio<br />

verde. No topo desta gama, temos já o<br />

hyperloop, uma cápsula equiparada a<br />

um comboio dentro de túneis que pode<br />

atingir velocidades superiores às dos<br />

aviões atuais, ultrapassando os 1100<br />

quilómetros por hora. Apesar de tal poder<br />

parecer impossível à perceção atual<br />

da população, a verdade é que esta já<br />

não é apenas uma ideia. Está a tornar-se<br />

cada vez mais real com a Virgin Hyperloop<br />

One, que está a realizar testes com<br />

humanos no deserto, com o objetivo de<br />

que haja um aumento substancial da<br />

eficácia da mobilidade. Com o hyperloop,<br />

a viagem entre<br />

Los Angeles e San Diego, que tem uma<br />

duração atual de três horas de carro (166<br />

minutos), será de 12 minutos e meio.<br />

Com a velocidade dos carros a assemelhar-se<br />

à dos comboios, e a dos<br />

comboios a aproximar-se da dos<br />

aviões, torna-se natural que também<br />

seja esperada uma grande evolução no<br />

transporte aéreo. Ao ser um dos meios<br />

que mais polui, o foco está agora em<br />

que se torne num meio mais sustentável,<br />

com menos emissões de gases com<br />

efeito de estufa. Neste sentido, estão<br />

a ser desenvolvidas várias soluções,<br />

nomeadamente em voos supersónicos<br />

que poderão encurtar a viagem entre<br />

Nova Iorque e Paris para 90 minutos.<br />

Em 2050, o hidrogénio e a eletricidade<br />

serão os novos combustíveis, com a<br />

Easyjet já a desenvolver aviões elétricos<br />

que se espera estarem operacionais em<br />

2030 para voos domésticos e de curtas<br />

distâncias. Já o hidrogénio poderá ser a<br />

solução para os voos intercontinentais,<br />

estando a Airbus a produzir três novos<br />

modelos deste tipo.<br />

Contudo, mudar apenas o combustível<br />

dos aviões não será suficiente para o<br />

aumento da sua eficiência e eficácia,<br />

sendo também necessário otimizar a<br />

sua anatomia. Nesse sentido, a KLM já<br />

está a projetar o The Flying V, que se<br />

estima estar pronto entre 2030 e 2040<br />

e que apresentará uma capacidade de<br />

ocupação otimizada, além do seu novo<br />

design, que vai permitir um corte de<br />

20% no combustível.<br />

Do céu para o mar, os barcos, utilizados<br />

nas atividades de logística e distribuição,<br />

sofrerão também uma transição energética.<br />

Na Noruega, o Yara Birkeland é o primeiro<br />

cargueiro elétrico completamente<br />

autónomo e que já nos veio colocar um<br />

passo mais perto do futuro. Os iates não<br />

ficarão impunes a esta revolução, a Silent<br />

Yachts e a Navier estão já a trabalhar na<br />

sua eletrificação, promovendo-se assim<br />

uma mobilidade marítima não só mais<br />

sustentável como mais silenciosa. Estas<br />

são algumas das soluções que provavelmente<br />

encontraremos em 2050, às quais<br />

se irão juntar ainda outras aplicações de<br />

utilização do espaço.<br />

É extremamente relevante que a mobilidade<br />

se encontre na ordem do dia, pelo<br />

que se torna imprescindível trazer para a<br />

discussão pública exemplos de projetos<br />

reais e concretos que já estão a ver a luz<br />

do dia e que, dessa forma, têm a capacidade<br />

de providenciar um vislumbre do<br />

futuro, criado pelas startups e pela inovação.<br />

Aproximar ainda mais o mundo e<br />

quebrar fronteiras é um dos objetivos<br />

da mobilidade em 2050, que será mais<br />

autónoma, confortável, segura e eficaz.<br />

e-MOBILIDADE 43


PLATAFORMAS DIGITAIS DE TRANSPORTE<br />

Equilibrar<br />

a segurança<br />

e a eficiência no setor<br />

dos TVDE em Portugal<br />

44 e-MOBILIDADE


Uma das principais funcionalidades da solução da Tecmic é um<br />

sistema de monitorização em tempo real dos tempos de condução e descanso dos condutores.<br />

Esta funcionalidade permite que os condutores estejam sempre cientes do tempo que passaram<br />

ao volante e do tempo de descanso necessário para cumprir com a legislação.<br />

Nos últimos anos, o setor<br />

dos Transportes em Veículos<br />

Descaracterizados<br />

a partir das Plataformas<br />

Eletrónicas (TVDE) em<br />

Portugal tem experimentado um crescimento<br />

exponencial. Com a ascensão das<br />

plataformas digitais de transporte, como<br />

Uber ou Bolt, cada vez mais condutores<br />

aderem a esta forma de trabalho flexível.<br />

No entanto, com este crescimento<br />

surgiram desafios regulatórios, nomeadamente<br />

no que diz respeito aos tempos<br />

de condução e descanso.<br />

Os tempos de condução e descanso são<br />

uma componente vital da segurança<br />

rodoviária, visando prevenir a fadiga<br />

dos condutores e reduzir o risco de<br />

acidentes. Em Portugal, a legislação<br />

estabelece limites rigorosos para estes<br />

tempos, com o objetivo de garantir<br />

a segurança dos passageiros e dos<br />

próprios condutores, porém, o cumprimento<br />

destas regras nem sempre é<br />

fácil, especialmente num setor onde a<br />

flexibilidade é fundamental.<br />

Neste contexto, a Tecmic aproveitou<br />

a sua vasta experiência no desenvolvimento<br />

e instalação de soluções inteligentes<br />

de mobilidade e gestão de frota,<br />

e em concreto nas soluções de controlo<br />

dos tempos de condução e descanso de<br />

empresas de transporte de mercadorias,<br />

nas quais recolhe as informações através<br />

do canbus do veículo e do tacógrafo<br />

digital, e desenvolveu uma solução<br />

inovadora que ajuda os condutores de<br />

TVDE a cumprir com a legislação, evitar<br />

multas e melhorar a sua atividade.<br />

Através da app Driver Mobile e da plataforma<br />

digital XTraN, oferecem ferramentas<br />

e funcionalidades que facilitam o<br />

cumprimento dos tempos de condução<br />

e descanso, garantindo ao mesmo tempo<br />

uma gestão eficiente da atividade.<br />

e-MOBILIDADE 45


PLATAFORMAS DIGITAIS DE TRANSPORTE<br />

TVDE em Portugal<br />

A Tecmic oferece soluções inovadoras e<br />

eficazes para ajudar os condutores a cumprir<br />

com a legislação, evitar multas e melhorar a<br />

atividade. Com esse apoio, as empresas de<br />

TVDE podem realizar uma atividade mais<br />

segura, eficiente e rentável<br />

Uma das principais funcionalidades da<br />

solução é um sistema de monitorização<br />

em tempo real dos tempos de condução<br />

e descanso dos condutores. Esta<br />

funcionalidade permite que os condutores<br />

estejam sempre cientes do tempo<br />

que passaram ao volante e do tempo de<br />

descanso necessário para cumprir com<br />

a legislação.<br />

Além da monitorização dos tempos<br />

de condução e descanso, a plataforma<br />

também oferece ferramentas de gestão<br />

de serviços e rotas, permitindo aos<br />

condutores otimizar a sua atividade de<br />

forma a cumprir com os limites legais<br />

sem comprometer a eficiência. Esta<br />

funcionalidade é especialmente útil<br />

num setor onde o tempo é dinheiro,<br />

permitindo aos condutores maximizar<br />

os seus rendimentos sem comprometer<br />

a segurança.<br />

Por fim, a Tecmic também oferece<br />

suporte comercial e informativo às empresas<br />

sobre a importância do cumprimento<br />

dos tempos de condução e descanso<br />

e sobre as melhores práticas para<br />

otimizar a sua atividade dentro dos<br />

limites legais, já que a empresa acredita<br />

que a educação e a sensibilização são<br />

fundamentais para garantir a segurança<br />

rodoviária e o sucesso a longo prazo do<br />

setor dos TVDE em Portugal.<br />

Em conclusão, os tempos de condução<br />

e descanso são uma questão crucial<br />

no setor dos TVDE, com implicações<br />

significativas para a segurança rodoviária<br />

e para a atividade dos condutores.<br />

A Tecmic oferece soluções inovadoras<br />

e eficazes para ajudar os condutores a<br />

cumprir com a legislação, evitar multas<br />

e melhorar a sua atividade. Com esse<br />

apoio, as empresas de TVDE podem<br />

realizar uma atividade mais segura,<br />

eficiente e rentável.<br />

Além do controlo dos tempos de condução<br />

e descanso, a plataforma XTraN<br />

proporciona aos gestores da frota de<br />

TVDE um amplo leque de funcionalidades,<br />

como a análise de tipo de condução<br />

(travagens bruscas, acelerações bruscas,…)<br />

com a respetiva alarmística; o<br />

controlo de quilómetros e consumos de<br />

combustível; alertas por kms (revisões,…)<br />

e por tempo (IPO, seguros;…);<br />

registo e avisos de entrada, saída e permanência<br />

em zonas geográficas (balizas<br />

virtuais).<br />

O sistema conta com diversos alarmes:<br />

excesso de velocidade, saída de área<br />

permitida, inatividade, identificação<br />

por chave ou cartão, que permite ao<br />

condutor autorizado colocar o veículo<br />

em funcionamento (o gestor de frota<br />

pode bloquear, desbloquear o veículo<br />

remotamente em determinadas<br />

condições) e conhecer o estado dos<br />

veículos: ativo, sinistrado, avariado,<br />

em manutenção, inativo. O sistema<br />

permite agrupar os veículos de modo<br />

a que cada gestor de frota tenha acesso<br />

unicamente aos seus.<br />

Em termos de controlo de custos o<br />

sistema permite a inserção de dados de<br />

despesas de manutenção, portagens,<br />

abastecimentos, etc. e a análise rigorosa<br />

dos custos por veículo, departamento<br />

ou área.<br />

Todas as informações recolhidas automaticamente<br />

do equipamento instalado<br />

no veículo e na app Driver Mobile,<br />

permitem a elaboração de diversos<br />

relatórios de apoio à gestão, como<br />

períodos de trabalho com kms efetuados<br />

e combustível/bateria consumidos,<br />

por condutor, por veículo e totais; de<br />

alarmes (condução agressiva, excesso<br />

velocidade, etc…) ou tempos de veículo<br />

sem condutor inscrito ou num determinado<br />

estado. Os relatórios podem ser<br />

programados para envio aos responsáveis<br />

de forma automática.<br />

46 e-MOBILIDADE


PERSONALIZAÇÃO DE VEÍCULOS COMERCIAIS<br />

Som<br />

em mobilidade<br />

TRANSFORMAR UM VEÍCULO PODE SER UMA ARTE:<br />

A VAN “SONORA” DA RENAULT É UM DESSES EXEMPLOS<br />

48 e-MOBILIDADE


Ultrapassar os limites da<br />

personalização de veículos comerciais,<br />

transformando o modelo Master da<br />

Renault numa carrinha de som, um<br />

estúdio de gravação profissional, bem<br />

equipado, totalmente funcional, com<br />

a vantagem de se adequar à necessária<br />

mobilidade dos dias de hoje - foi este<br />

o desafio que a Renault e os seus<br />

parceiros enfrentaram no âmbito<br />

de uma iniciativa de RSE “Give Me<br />

5”, concebida para proporcionar um<br />

trampolim móvel de rap aos jovens e<br />

tornar a produção musical acessível ao<br />

maior número possível de pessoas.<br />

Há uma profissão para<br />

cada paixão e um veículo<br />

comercial específico para<br />

cada profissão. A criação<br />

musical não é exceção,<br />

como prova disso, eis a “van sonora”,<br />

criada no âmbito do programa Give Me<br />

5. Na primavera de 2023, uma iniciativa<br />

de trampolim móvel deu a cinco talentosos<br />

finalistas a oportunidade de gravar<br />

faixas musicais em condições profissionais<br />

- num estúdio de gravação móvel.<br />

Para desenvolver um veículo Master para<br />

este fim, a Renault trabalhou com dois<br />

parceiros, um especializado em acústica<br />

arquitetónica e o outro em carroçaria -<br />

Red House e Pro Car, respetivamente.<br />

Esta iniciativa de conversão única e altamente<br />

exigente resultou no Master “carro<br />

de som”, aclamado como um novo<br />

símbolo da inovação e da experiência da<br />

Renault no domínio da personalização<br />

de veículos comerciais.<br />

Fomos saber um pouco mais junto dos<br />

principais intervenientes no projeto para<br />

uma retrospetiva das etapas percorridas e<br />

dos desafios enfrentados na criação deste<br />

veículo à medida.<br />

UMA AVENTURA MUSICAL<br />

As equipas de veículos comerciais,<br />

design e marketing da Renault decidiram<br />

juntar os seus talentos para ajudar outras<br />

pessoas a mostrarem os seus. Antes<br />

de poderem transformar um Renault<br />

Master “básico” num estúdio de gravação<br />

móvel totalmente funcional (ou seja, um<br />

carro de som), precisavam de ter uma<br />

compreensão clara das necessidades e<br />

requisitos do projeto.<br />

“Tínhamos muitos requisitos relacionados<br />

com a construção do veículo, uma<br />

vez que este andaria em digressão por<br />

França. Tinha de albergar um estúdio de<br />

gravação profissional, pesar menos de<br />

3,5 toneladas para poder ser conduzido<br />

com uma carta de condução normal de<br />

categoria B, ser construído com materiais<br />

eco-responsáveis e, acima de tudo, estar<br />

alinhado com o ADN da marca”, afirma<br />

Annejela Royoux, diretora de imagem e<br />

parcerias de patrocínio no departamento<br />

de Marketing da Renault.<br />

Estas exigências eram um desafio em<br />

todas as frentes. Tecnicamente, tratava-se<br />

de garantir uma insonorização ótima,<br />

respeitando as limitações de peso e de<br />

dimensões do veículo. Para atingir este<br />

objetivo, a Renault recorreu não só à sua<br />

experiência na adaptação de veículos<br />

comerciais em função das necessidades<br />

específicas, mas também à experiência<br />

de parceiros especializados - o especialista<br />

em acústica arquitetónica Red House<br />

para a conceção acústica do estúdio de<br />

gravação, e a Pro Car, para a carroçaria<br />

do veículo.<br />

O PESO CERTO<br />

O primeiro desafio consistiu em encontrar<br />

o equilíbrio certo entre o peso<br />

do veículo de som e o seu desempenho<br />

acústico, como explica Olivier Guerry,<br />

chefe de conversão da Pro Car: “Uma<br />

boa acústica pode ser conseguida assegurando<br />

que os materiais se movem o<br />

menos possível. Se o fizermos, aumentamos<br />

o peso. No entanto, estávamos<br />

a lidar com um veículo comercial que<br />

tinha de ser conduzido com uma carta<br />

de categoria B e, por conseguinte, não<br />

pesar mais de 3,5 toneladas, pelo que<br />

tínhamos de controlar o seu peso.”<br />

Salientando que cada fase do processo<br />

de conversão incluiu verificações de<br />

peso, Lucas Medus, fundador e diretor<br />

artístico da Red House, afirma: “O peso<br />

foi monitorizado ao longo de todo o<br />

projeto, incluindo durante os processos<br />

de insonorização e tratamento de som<br />

e para os acabamentos e mobiliário.<br />

Planeámos tudo até ao último parafuso<br />

para evitar acrescentar três gramas a<br />

mais.” A restrição de peso, inerente a<br />

este grande projeto, significou que as<br />

equipas tiveram de realizar constante-<br />

ADAPTAÇÃO<br />

A Renault recorreu à sua<br />

experiência na adaptação de<br />

veículos comerciais em função<br />

das necessidades, mas também<br />

à experiência de parceiros<br />

especializados<br />

e-MOBILIDADE 49


PERSONALIZAÇÃO<br />

Há um veículo comercial específico para cada profissão<br />

Planeámos tudo até ao<br />

último parafuso para<br />

evitar acrescentar três<br />

gramas a mais<br />

mente testes, fazer cálculos e malabarismos<br />

com a seleção de materiais que<br />

iriam formar e equipar o carro de som.<br />

“Tudo o que entrava na carrinha era<br />

pesado e muito pensado para garantir<br />

o cumprimento das restrições de peso”,<br />

diz Julien Ravary, acústico associado<br />

e Designer de estúdio na Red House,<br />

antes de mencionar a natureza eco-responsável<br />

deste veículo cuidadosamente<br />

concebido: “Selecionámos os materiais<br />

em função da sua rigidez e peso e estudámos<br />

a forma de os adaptar às nossas<br />

necessidades. Escolhemos isolantes<br />

ecológicos para evitar a utilização de lã<br />

de rocha ou de lã de vidro. O resto é<br />

composto principalmente por madeira”.<br />

A equipa foi engenhosa na procura<br />

dos materiais certos e na criação de um<br />

layout inteligente.<br />

50 e-MOBILIDADE


isolar as vozes de outros sons, a carrinha<br />

está dividida em duas secções - de um<br />

lado há uma sala de controlo, onde estão<br />

o engenheiro de som e o computador, e<br />

do outro há um amplificador vocal, que<br />

ajuda a isolar o desempenho vocal.”<br />

ESPAÇO<br />

O objetivo era criar<br />

um estúdio de gravação<br />

profissional totalmente<br />

funcional nos nove metros<br />

cúbicos de espaço de<br />

carga disponíveis numa<br />

Master<br />

EM APENAS 9 M 3<br />

Além disso, o espaço limitado disponível<br />

foi um grande desafio para o projeto.<br />

O objetivo era criar um estúdio de gravação<br />

profissional totalmente funcional nos<br />

nove metros cúbicos de espaço de carga<br />

disponíveis numa Master (que tem 3.733<br />

mm de comprimento, 1.765 mm de largura<br />

e 2.048 mm de altura), assegurando<br />

simultaneamente dois espaços distintos<br />

(para além da cabina do condutor) para<br />

que o cantor não estivesse na sala de<br />

controlo. “O meu papel consistia em fazer<br />

caber um estúdio de gravação numa<br />

carrinha - um espaço fechado e limitado<br />

que não oferece a mesma liberdade que<br />

outros espaços”, continua Lucas.<br />

O seu colega Julien acrescenta: “Cada espaço<br />

tem menos de cinco metros quadrados,<br />

o que é minúsculo. Nunca tínhamos<br />

trabalhado em espaços tão pequenos. Foi<br />

necessária uma grande dose de adaptação<br />

e de conhecimentos técnicos para<br />

integrar tudo o que queríamos, tendo em<br />

conta as limitações do veículo”.<br />

Falando ainda sobre a disposição deste<br />

espaço restrito, diz Julien que “para<br />

REQUISITOS ÚNICOS<br />

Todos estes desafios técnicos exigiram<br />

conhecimentos especializados em<br />

vários domínios, como salienta Olivier:<br />

“Do nosso lado, 20 pessoas estiveram<br />

envolvidas na concretização deste projeto<br />

abrangente. Demos trabalho a metalúrgicos,<br />

transformadores, pintores, artistas<br />

plásticos, designers de interiores e eletricistas”,<br />

que concluíram tudo em tempo<br />

recorde. “Um projeto de conversão como<br />

este demora normalmente seis meses<br />

a um ano. As nossas equipas tiveram<br />

menos de seis meses para fazer o que<br />

tinham de fazer.”<br />

As propostas ergonómicas respondem<br />

plenamente às exigências do patrocinador<br />

do Give Me 5, Youssoupha, figura<br />

incontornável do mundo do rap, e da<br />

sua equipa musical, que pretendiam um<br />

espaço prático, simples e rapidamente<br />

utilizável.<br />

A sensação de volume e de otimização<br />

do espaço é acentuada por elementos de<br />

design únicos: cores escuras para a carroçaria,<br />

incluindo um azul profundo que<br />

estimula a imaginação, e uma mistura<br />

subtil de madeira clara e tecidos escuros<br />

quentes.<br />

Todos estes desafios técnicos foram<br />

transformados em excelentes oportunidades<br />

criativas graças a uma colaboração<br />

perfeita e harmoniosa entre as equipas<br />

Renault, Pro Car e Red House. A escolha<br />

dos parceiros certos foi vital para o sucesso<br />

do projeto, que exigiu uma grande<br />

flexibilidade.<br />

A desenvoltura demonstrada em todos os<br />

processos criativos foi fundamental para<br />

garantir que o veículo estivesse totalmente<br />

pronto em tempo recorde.<br />

O projeto foi um sucesso retumbante,<br />

reconhecido pelos jovens que puderam<br />

gravar no camião de som, bem como<br />

por Youssoupha, cuja primeira reação<br />

quando o viu foi: “Acho que a Renault<br />

tem um toque mágico!”<br />

e-MOBILIDADE 51


eCar Show<br />

MOBILIDADE MAIS INTELIGENTE<br />

ALÃO DO AUTOMÓVEL<br />

Qualquer salão automóvel encerra uma atração a que poucos<br />

são indiferentes. E particularmente os portugueses. Num país<br />

habituado a ocupar os lugares da cauda do pelotão dos Estadosmembros<br />

da UE nos mais variados itens de apreciação, no que se<br />

refere à posse de automóveis está na mediana de 651 veículos por<br />

mil habitantes e ocupa o 8º posto entre os 27 países. Daí que uma<br />

mostra de reluzentes automóveis novos seja sempre um sucesso.<br />

E melhor ainda quando há estreias absolutas para mostrar. E com<br />

superlativo se se disser que são novidades, total ou parcialmente<br />

descarbonizadas e cada vez mais inteligentes.<br />

Veículos novos, híbridos<br />

e elétricos, microcarros,<br />

bicicletas, motociclos e<br />

scooters, todos a bateria,<br />

soluções de carregamento<br />

doméstico, aplicações móveis, é um<br />

mundo novo que gira em torno da<br />

mobilidade, e com a possibilidade de se<br />

realizar um test-drive. E ainda colóquios<br />

e debates. A 5ª edição do eCar Show,<br />

uma organização da ZEST, Marketing e<br />

Eventos, realizada no espaço da Feira<br />

Internacional de Lisboa, entre 17 e 19<br />

de maio, teve de tudo um pouco, com<br />

o aliciante de mostrar produtos novos,<br />

alguns deles em estreia absoluta. Não só<br />

de modelos, mas também de marcas.<br />

É o caso da IM Motors, do universo<br />

MG - marca sob a asa da chinesa SAIC<br />

Motor - que revelou no certame os<br />

modelos LS6, a aguardar comercialização<br />

próxima, e o L7, apenas como<br />

show car para a Europa. Foi dito que<br />

IM é acrónimo de Intelligent Mobility,<br />

52 e-MOBILIDADE


HÍBRIDO E ELÉTRICO<br />

eCar Show teve de tudo um pouco, com<br />

o aliciante de mostrar produtos novos,<br />

alguns deles em estreia absoluta<br />

e-MOBILIDADE 53


inclusivamente com capacidade para<br />

condução autónoma, acima de nível<br />

3, com recurso a tecnologia LIDAR -<br />

outro acrónimo, de light detection and<br />

ranging -, tecnologia ótica de deteção<br />

remota que mede propriedades da luz<br />

refletida de modo a obter a distância e/<br />

ou outra informação a respeito de um<br />

determinado objeto distante. Daí as três<br />

bossas que apresenta no início do tejadilho,<br />

que dissimulam os dispositivos<br />

empregues. Mas a MG também mostrou<br />

outras novidades, no caso o MG3 e o<br />

Cyberster, este apenas como exemplar<br />

de design, para comemorar o centenário<br />

da marca, nascida em 1924 sob o nome<br />

de Morris Garages.<br />

O CARRO DO ANO E UM TEASER<br />

A Renault chamou a atenção com um<br />

teaser de realidade virtual, simulando<br />

um espaço ocupado com o novo<br />

Renault 5 E-Tech, que estará em breve<br />

para chegar, ainda que as encomendas<br />

só comecem em julho. A nova Scénic<br />

E-Tech, coroada com os louros do<br />

“Carro do Ano” internacional, marcou<br />

presença, tal como o Rafale. Mas também<br />

lá estiveram o novíssimo e ainda<br />

recentemente apresentado à imprensa,<br />

o Alfa-Romeo Júnior, os novos Hyundai<br />

Kauai EV e Hyundai Ioniq 5n, os BMW<br />

i5 Touring e BMW ix2, o Kia Niro EV, o<br />

Lexus LBX, o Polestar 4 - um SUV coupé<br />

que tem a particularidade de não ter<br />

vidro traseiro -, o Toyota C-HR Plug-in,<br />

ou o Volkswagen ID7.<br />

EM QUATRO OU EM DUAS RODAS<br />

As empresas que fornecem soluções de<br />

carregamento doméstico, através das<br />

wallboxes, tiveram presença notória,<br />

mas também foi dado idêntico realce<br />

para o quadriciclo Microlino, que faz<br />

lembrar o BMW Isetta, os Ligier, de<br />

quatro e três rodas elétricos, e também<br />

as variadas marcas de motociclos elétricos<br />

que começam a surgir em maior<br />

número. Permanecendo no segmento da<br />

mobilidade inteligente, mas mais suave,<br />

os velocípedes com auxílio de bateria<br />

elétrica despertaram muita atenção do<br />

público mais jovem, que tiveram a possibilidade<br />

de experimentar os modelos.<br />

A KTM tem-se destacado com modelos<br />

de design arrojado e tecnologicamente<br />

muito evoluídos, e mostrou várias<br />

gamas com auxílio elétrico, quer de<br />

passeio, quer para percursos sobre pisos<br />

de terra mais acidentados.<br />

VISTOSO E BIZARRO, EIS O CYBERTRUCK<br />

Numa altura em que a União Europeia precisa de multiplicar por oito o<br />

número de pontos de carregamento a instalar por ano, até 2030, se é que<br />

quer cumprir as metas de CO 2<br />

, diz-nos o último relatório da ACEA, a Associação<br />

de Construtores Europeus de Automóveis, a indústria não para de<br />

nos surpreender com novas propostas, inteligentes e vistosas.<br />

Do outro lado do Atlântico chegou o Cybertruck da Tesla, que por lhes<br />

estar bem próximo regateava atenções, ainda que não pela mais estética<br />

das razões. É um truck, uma pick up (muito) grande, pesado (brindado, por<br />

sinal), que não prima pela beleza de linhas, mas que supera os 300 km/h<br />

e tem longa<br />

autonomia elétrica<br />

(800 km). Não há<br />

notícia que seja<br />

para comercializar<br />

em Portugal. Pelo<br />

inverso, lá estava<br />

também o Model<br />

X do empório de<br />

Elon Musk.<br />

54 e-MOBILIDADE


Cepsa promove<br />

rede de carregamento<br />

elétrico ultrarrápido<br />

Enquanto comercializador de<br />

eletricidade para a mobilidade<br />

elétrica, a Cepsa esteve presente<br />

com um stand próprio, onde promoveu<br />

a sua rede de carregamento elétrico ultrarrápido,<br />

bem assim como a sua App<br />

Cepsa Gow, ferramenta de fidelização e<br />

de carregamento elétrico, cimentando<br />

um dos compromissos assumidos na<br />

sua estratégia Positive Motion, que é o<br />

de criar a maior rede de carga ultrarrápida<br />

da Península Ibérica, tendo em<br />

vista tornar-se no maior operador neste<br />

segmento.<br />

Os visitantes do stand da Cepsa tiveram<br />

a oportunidade, de entre outras ofertas,<br />

obter o novíssimo cartão Cepsa RFID<br />

para carregamento elétrico em toda a<br />

rede Mobi.E que é um desejado complemento<br />

à App Cepsa Gow.<br />

A este propósito, António Mogadouro,<br />

responsável pelo setor de e-Mobility da<br />

CEPSA, falou-nos destas novas apostas:<br />

“Com a Positive Motion temos como<br />

objetivo principal criar uma mobilidade,<br />

também feita de energias sustentáveis,<br />

que aportem valor para a<br />

nossa sociedade. Com o foco na parte<br />

da mobilidade elétrica, podemos dizer<br />

que, a nível ibérico, temos dois grandes<br />

objetivos e que nos diferenciam de<br />

outros operadores que já estão no mercado.<br />

Um tem a ver com a aposta num<br />

segmento de mercado de carregadores<br />

ultrarrápidos, ou seja, uma rede de<br />

carregadores rápidos ou normais nunca<br />

abaixo de 150 kWh de potência, pois<br />

queremos atuar no mercado on-the-go,<br />

e acreditamos que essa é uma vantagem<br />

que quem se desloca pretende usufruir.<br />

Acreditamos que dentro de poucos<br />

anos, no segmento on-the-go, que é<br />

onde estamos presentes, seja este o mais<br />

valorizado. E daí a aposta, de 150 a 300<br />

kWh. E queremos ter uma abrangência<br />

de 200 em 200 km, de uma rede ibérica<br />

que se pretende possa chegar a 2030<br />

com 1100 postos de abastecimento com<br />

carregadores elétricos especificamente<br />

on-the-go.”<br />

INTEROPERABILIDADE<br />

A capacidade de um sistema para interagir<br />

e comunicar com outro, dita<br />

de interoperabilidade, que existe em<br />

Portugal - é mesmo obrigatória - é uma<br />

das vantagens para o usuário CEPSA.<br />

Diz António Mogadouro que empresa<br />

está a realizar acordos nesse sentido<br />

com várias parceiros, seja a Mobi.E, ou<br />

a Ionity, e outros ainda em negociação, e<br />

que será uma alavanca de crescimento,<br />

que tem a ver com o usuário e com os<br />

serviços e ofertas que a CEPSA quer disponibilizar,<br />

não só multi-energia, mas<br />

também multicar, como também satisfazer<br />

outras necessidades para quem<br />

tem um veículo automóvel. “E para isso<br />

somos os primeiros em integrar, em<br />

Portugal, a integrar um contrato CEPSA<br />

num programa de fidelização, o Clube<br />

CEPSA Gow, que é um programa que<br />

na sua essência atribui saldo aos seus<br />

usuários, seja na compra de produtos<br />

de lojas, seja na compra de combustível,<br />

seja na compra de unidades de lavagem<br />

e também, e aqui isso é interessante,<br />

pode ser utilizado em toda a interoperabilidade<br />

da Mobi-E.”<br />

PONTOS DIFERENCIADORES<br />

“São vantagens importantes que nos<br />

diferencia. Se quisermos ir mais ao<br />

detalhe, estamos na primeira linha na<br />

certificação de pagamentos ad-hoc dos<br />

próprios carregadores, agora com a<br />

regulamentação europeia que é o AFIR,<br />

que obriga a integração do TPA num<br />

carregador elétrico, o usuário CEPSA<br />

agtravés do cartão RFID que pode<br />

carregar, um meio de pagamento que<br />

tem incorporado o cartão bancário ou<br />

o MBWay.<br />

Trabalhamos com a SIBS há mais de 6<br />

meses, estamos no processo de certificação<br />

do primeiro TPA, com meio de<br />

comunicação Android, para estar incorporado<br />

nos nossos carregadores. Creio<br />

que até final de junho vamos ter os<br />

carregadores que temos vindo a instalar,<br />

que já vêm com o TPA incorporado.<br />

Portanto, temos infraestrutura de alta<br />

potência, ultrarrápida, ocupação num<br />

programa de finalização Gow, para dar<br />

resposta ao que os usuários necessitam,<br />

modos de pagamento numa primeira<br />

linha, em Portugal, com a SIBS, e nível<br />

de pontos que nos diferenciam.”<br />

Quer dizer que através da aplicação<br />

CEPSA Gow, o usuário pode chegar ao<br />

posto e sair de lá com tudo pago. É<br />

o que responde António Mogadouro:<br />

“Tanto em carregador elétrico como,<br />

inclusive, em bombas de combustível.<br />

A APP Gow tem a funcionalidade<br />

de identificar o custo, selecionar o<br />

serviço ou recarga, o combustível, e<br />

também o modo de faturação, que<br />

nem todos os operadores o têm, que é<br />

a faturação espontânea. Ou seja, assim<br />

que o usuário termina recebe a fatura<br />

digital no seu email que está associado<br />

ao programa Gow. Isto é um mundo<br />

digital de multi-energia que nós<br />

queremos que faça o futuro e estamos<br />

a apostar.<br />

e-MOBILIDADE 55


TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO<br />

Os gémeos digitais<br />

na logística<br />

O conceito foi introduzido pela NASA<br />

para a simulação das suas naves espaciais<br />

Os gémeos digitais são uma representação precisa e de alto nível<br />

de um objeto, sistema ou processo físico, ao longo de todo o seu<br />

ciclo de vida. Estas réplicas virtuais sincronizam-se em tempo real<br />

com os seus homólogos físicos gerando um modelo fiel do seu<br />

comportamento e das suas características.<br />

Desde sempre que a civilização<br />

tentou criar modelos<br />

que representam a realidade<br />

para simplificar os seus<br />

processos. Por exemplo,<br />

um arquiteto cria uma maquete de um<br />

edifício para conseguir visualizar a sua<br />

aparência e simular a sua funcionalidade.<br />

Mas um modelo físico de outro objeto é<br />

ainda assim muito limitado e não passa<br />

de uma sua representação estática. Com<br />

a evolução tecnológica conseguimos ir<br />

mais além. O modelo passou a ser digital<br />

(como uma planta desenhada num<br />

software de CAD), mas principalmente<br />

passámos a conseguir saber as mudan-<br />

FILIPE CARVALHO<br />

CEO Wide Scope<br />

56 e-MOBILIDADE


ças de estado e atributos da contraparte<br />

física, por exemplo recolhendo continuamente<br />

dados a partir de sensores,<br />

em tempo real.<br />

Este avanço, proporcionado por tecnologias<br />

como Internet-of-Things (IoT)<br />

e Big Data, tem permitido monitorizar<br />

o ciclo de vida de produtos e sistemas<br />

à medida que acontecem, como se os<br />

estivéssemos a acompanhar numa torre<br />

de controlo. É assim que temos seguido<br />

em tempo real as posições de veículos<br />

equipados com localizadores por GPS,<br />

ou acompanhado as subidas e descidas<br />

de temperatura recolhidas por termómetros<br />

dentro de um contentor refrigerado<br />

enquanto percorre a sua rota.<br />

Ainda assim, esta visão é um mero<br />

reflexo do passado. Ou seja, temos uma<br />

representação dinâmica da realidade à<br />

medida que ela acontece e vai mudando,<br />

mas não passa de uma utilização reativa<br />

e estática da informação, uma análise histórica<br />

da sua performance. Por um lado,<br />

temos dados que nos permitem saber<br />

por que estradas um veículo passou, em<br />

que intervalo de tempo a temperatura<br />

dos produtos refrigerados esteve acima<br />

dos 14º, e assim por diante. Isto é muito<br />

útil para efeitos de rastreabilidade e para<br />

aferição de estatísticas e estudos com<br />

base na informação histórica. Mas não<br />

nos diz nada sobre o futuro.<br />

Com a evolução da Inteligência Artificial<br />

passámos a poder usar essa informação<br />

histórica e recolhida em tempo real para<br />

prever comportamentos futuros, submetendo<br />

o gémeo digital a uma variação da<br />

sua envolvência. Através da simulação<br />

de vários cenários futuros conseguimos<br />

antever o que vai acontecer caso tomemos<br />

algumas decisões, permitindo assim<br />

uma evolução eficaz e eficiente da gestão.<br />

Conseguimos, portanto, aliar os dados e<br />

as capacidades preditivas para criar um<br />

gémeo digital que é uma representação<br />

viva da realidade, e dele prever o impacto<br />

futuro de cenários que queremos<br />

testar ou que possam inadvertidamente<br />

acontecer.<br />

CASOS DE APLICAÇÃO<br />

DE GÉMEOS DIGITAIS<br />

O conceito de Gémeo Digital foi<br />

introduzido pela NASA para a simulação<br />

das suas naves espaciais. Foi mais<br />

tarde formalizado na área da produção<br />

industrial pelas publicações do académico<br />

norte-americano Michael Grieves.<br />

Mais recentemente tem sido associado<br />

ao popular Metaverso.<br />

Hoje em dia, os gémeos digitais são utilizados<br />

numa ampla gama de indústrias e<br />

aplicações. Desde a indústria aeronáutica<br />

com a simulação do efeito das condições<br />

atmosféricas em aeronaves, até à indústria<br />

médica no tratamento de doenças<br />

cardíacas, passando pela previsão do<br />

trajeto de furacões na meteorologia.<br />

Na área da supply-chain, a DHL implementou<br />

o conceito de Gémeo Digital<br />

na gestão de um armazém para reduzir<br />

ineficiências e minimizar o risco de<br />

colisões e acidentes.<br />

No entanto, uma das aplicações mais<br />

proeminentes é talvez a do mapeamento<br />

do estado de Singapura. Ou seja, todo<br />

o seu território, terreno e sua elevação,<br />

nível da água, edifícios e até a rede de<br />

cabos no subsolo foram mapeados para<br />

um gémeo digital do país inteiro. Isto<br />

permite imensos casos de uso como a<br />

previsão do impacto de chuvas fortes em<br />

inundações, a gestão de tráfego e redes<br />

viárias, a cobertura de redes de comunicações,<br />

etc.<br />

APLICAÇÕES EM TRANSPORTES<br />

E LOGÍSTICA<br />

Mais concretamente no setor do transporte<br />

e da logística, podemos ilustrar<br />

algumas das aplicações mais populares:<br />

Com o gémeo digital de um camião<br />

conseguimos antecipar quando este irá<br />

precisar de manutenção e quais as peças<br />

que irão mais rapidamente entrar em<br />

falência, tomando ações de manutenção<br />

preventiva.<br />

Com os gémeos digitais de uma frota<br />

e dos produtos transportados ao longo<br />

de um ano conseguimos simular se<br />

uma frota com outra dimensão e outras<br />

características teria permitido entregar<br />

tudo com a mesma qualidade e por<br />

menor custo, antecipando o que poderá<br />

ser a frota do ano seguinte.<br />

A representação digital de uma rede viária<br />

passou a incluir informação detalhada<br />

sobre velocidade do tráfego, estradas<br />

fechadas, acidentes, obras, restrições de<br />

estacionamento em tempo real. O gémeo<br />

digital da rede viária é fundamental<br />

para planear rotas e aferir os tempos de<br />

chegada com precisão.<br />

O gémeo digital da rede viária é também<br />

um instrumento fundamental na<br />

gestão de Smart Cities, permitindo a<br />

redefinição dos temporizadores dos<br />

semáforos ao longo do dia e em função<br />

Através da simulação de vários cenários futuros<br />

conseguimos antever o que vai acontecer caso<br />

tomemos algumas decisões, permitindo assim uma<br />

evolução eficaz e eficiente da gestão<br />

dos fluxos de tráfego, mudando-os<br />

dinamicamente com base na informação<br />

recolhida enquanto esta acontece.<br />

A tecnologia tem inúmeros benefícios e<br />

aplicações, mas também tem desafios.<br />

Para criar um modelo representativo da<br />

realidade é preciso um detalhe enorme<br />

de todas as suas características que por<br />

vezes é difícil de agregar, e em alguns<br />

casos ainda é impossível mesmo com<br />

a capacidade de supercomputação de<br />

hoje. No entanto, várias entidades têm<br />

colaborado na partilha de informação<br />

e desenvolvimento de mais e melhores<br />

algoritmos para continuar a evoluir o<br />

conceito.<br />

A tecnologia de Gémeos Digitais aplicada<br />

à área do transporte e da logística está<br />

ainda na sua infância, mas há já muitos<br />

benefícios de que é possível usufruir. E<br />

outros onde ainda é preciso continuar a<br />

trabalhar em colaboração e partilha de<br />

informação. Considerando o que acabou<br />

de ler, onde vê que pode melhorar a sua<br />

cadeia de abastecimento com recurso à<br />

implementação de Gémeos Digitais?<br />

e-MOBILIDADE 57


AUTOCARROS<br />

Scania Touring<br />

com variante a gás<br />

Funciona a gás natural, biogás,<br />

ou uma mistura de ambos<br />

A<br />

Scania é conhecida por<br />

sua ampla gama de<br />

opções de motorização<br />

de baixo carbono e<br />

agora reforça a aposta<br />

nesse caminho adicionando uma variante<br />

LBG/LNG do Scania Touring.<br />

Capaz de funcionar com gás natural<br />

e biogás, ou uma mistura dos dois,<br />

permite uma transição suave para o<br />

A nova variante vem com um motor a gás de 13 litros que fornece 410 cv e<br />

2000 Nm de binário, garantindo uma eficiência que permitirá aos gestores<br />

de frota reduzir os custos de combustível. Com a opção de tanque padrão,<br />

esta unidade terá uma autonomia superior a 1.000 km.<br />

biogás, criando uma solução circular<br />

e economicamente viável para<br />

o transporte sustentável de longa<br />

distância.<br />

Os autocarros a gás constituem<br />

uma opção muito interessante para<br />

muitos operadores de transportes,<br />

facilitando o desenvolvimento sustentável<br />

de uma forma que também<br />

tem em conta os aspetos económicos.<br />

“A nova variante LBG/GNL<br />

do Scania Touring é uma excelente<br />

opção para operadores de carreiras<br />

expresso e longa distância que<br />

desejam tornar-se mais sustentáveis<br />

sem um investimento massivo ou<br />

impacto negativo nas operações”, diz<br />

Carl-Johan Lööf, chefe de gestão de<br />

produtos de soluções de transporte<br />

de passageiros da Scania.<br />

58 e-MOBILIDADE


Através da produção local de combustível, as<br />

cidades e os municípios podem criar empregos<br />

locais e resolver problemas de resíduos, ao mesmo<br />

tempo que aumentam a segurança energética e<br />

sequestram carbono<br />

HISTÓRICO<br />

A Scania desenvolve motores<br />

a gás desde o início dos anos<br />

1900. Com a possibilidade<br />

de funcionar tanto com gás<br />

natural quanto com biogás,<br />

considerados a ferramenta<br />

perfeita na transição para o<br />

biogás mais sustentável<br />

A nova variante vem com um motor<br />

a gás de 13 litros que fornece 410 cv<br />

(302 kW) e 2000 Nm, e com uma<br />

eficiência que permite aos usuários reduzir<br />

os custos de combustível. Com<br />

a opção de tanque padrão, ele também<br />

oferece uma autonomia de mais de<br />

1.000 km. “Este produto oferece potência,<br />

binário e alcance equivalentes<br />

aos de uma unidade movida a gasóleo,<br />

ao mesmo tempo em que reduz os<br />

níveis de ruído e oferece custos operacionais<br />

mais baixos”, sublinha Lööf.<br />

O biogás tem sido usado há muito<br />

tempo na forma comprimida para<br />

alimentar autocarros urbanos e suburbanos.<br />

Nos últimos anos, os desenvolvimentos<br />

tecnológicos permitiram que<br />

o gás fosse arrefecido e transformado<br />

em líquido denso em energia – LBG/<br />

GNL – tornando-o uma solução<br />

mais viável para veículos comerciais<br />

pesados que operam rotas de longa<br />

distância.<br />

O PAPEL RELEVANTE DO BIOGÁS<br />

“O biogás pode desempenhar um papel<br />

fundamental na descarbonização<br />

do transporte pesado, particularmente<br />

em aplicações de longa distância. A<br />

infraestrutura para produção de combustível<br />

e postos de abastecimento<br />

continua em expansão, com grandes<br />

investimentos realizados na Europa”,<br />

diz Jonas Strömberg, gerente de<br />

negócios de transporte sustentável da<br />

Scania.<br />

O biogás é um combustível livre<br />

de fósseis e renovável que oferece<br />

reduções de emissões de CO 2<br />

de<br />

até 90% em comparação com o<br />

diesel e também fornece outros<br />

benefícios para o desenvolvimento<br />

sustentável. Através da produção<br />

local de combustível, as cidades e os<br />

municípios podem criar empregos<br />

locais e resolver problemas de<br />

resíduos, ao mesmo tempo que<br />

aumentam a segurança energética e<br />

sequestram carbono.<br />

“Estas soluções são verdadeiramente<br />

circulares e eu diria que a nossa motorização<br />

a gás de 13 litros é a opção<br />

mais sustentável e viável do mercado<br />

para operadores de longa distância.<br />

É melhor para o meio ambiente,<br />

silencioso, inteligente e, talvez agora<br />

o mais importante, permitindo que os<br />

operadores de longa distância dêem<br />

um grande passo em direção ao transporte<br />

sustentável”, conclui Strömberg.<br />

A Scania desenvolve motores a gás<br />

desde o início dos anos 1900. Com<br />

a possibilidade de funcionar tanto<br />

com gás natural quanto com biogás,<br />

considerados a ferramenta perfeita na<br />

transição para o biogás mais sustentável.<br />

Aumentando a flexibilidade, os<br />

motores também podem funcionar<br />

com gás liquefeito e gás comprimido.<br />

E como não necessitam de aditivos, os<br />

motores a gás da Scania não dependem<br />

da disponibilidade de aditivos.<br />

Esta nova opção para o Scania Touring<br />

acresce ao portfólio atual de gás da<br />

Scania para o segmento de longa distância,<br />

que inclui autocarros construídos<br />

com parceiros carroçadores externos,<br />

como o Scania Beulas DD LBG/<br />

LNG, bem como o Scania Irizar i6S<br />

Efficient LBG/LNG que foi apresentado<br />

na Busworld no ano passado.<br />

e-MOBILIDADE 59


ESTUDO<br />

Barómetro<br />

dos transportes<br />

A Grounded e o IPAM desenvolveram em conjunto com a revista<br />

Eurotransporte, a revista de referência em Portugal no setor dos<br />

transportes, e com o suporte da ANTRAM, um barómetro para o setor<br />

de transportes mais especificamente o do transporte rodoviário de<br />

mercadorias. O estudo, já com sete edições, tem como objetivo avaliar o<br />

sentimento do setor junto dos seus intervenientes ativos.<br />

Os participantes do estudo em 2024, e à semelhança<br />

de anos anteriores são todos aqueles<br />

que que têm um interesse direto na área de<br />

transportes de mercadorias e que constam da<br />

base de dados da <strong>Revista</strong> Eurotransporte e da<br />

ANTRAM.<br />

Foram enviados e-mails com o inquérito para as bases de<br />

dados da ANTRAM e da Eurotransporte. De um universo de<br />

15.000 participantes obtiveram-se 218 respostas válidas. Os<br />

dados foram recolhidos entre 26 de abril e 22 de maio 2024.<br />

1. O QUESTIONÁRIO<br />

O questionário avalia o sentimento dos operadores em duas<br />

vertentes. Uma primeira vertente ao nível do sentimento<br />

dos participantes relativamente ao setor de transportes de<br />

mercadorias. O sentimento é avaliado com recurso a quatro<br />

questões:<br />

» Perspetiva do setor de transportes de mercadorias rodoviário<br />

para o próximo ano.<br />

» Perguntou-se aos participantes do estudo se têm uma “muito<br />

boa”, “boa”, “má” ou “muito má” perspetiva relativamente<br />

ao setor para o próximo ano.<br />

» Perspetiva do setor de transportes de mercadorias rodoviário<br />

para os próximos 3 anos.<br />

» Perguntou-se aos participantes do estudo se têm uma “muito<br />

boa”, “boa”, “má” ou “muito má” perspetiva relativamente<br />

ao setor para o próximo ano.<br />

» Perspetivas de investimento no próximo ano.<br />

» Perguntou-se, apenas aos investidores ativos do setor dos<br />

transportes de mercadorias rodoviário, quais os seus planos<br />

de investimento para o próximo ano: aumento, manutenção<br />

ou redução de investimento. Questionou-se também a<br />

tipologia de investimento. Analisou-se o planeamento das<br />

organizações ao nível do investimento em novas tecnologias<br />

e em novas práticas sustentáveis.<br />

» Perspetiva de Longo Prazo.<br />

» Perguntou-se os participantes se recomendam o transporte<br />

rodoviário de mercadorias enquanto atividade profissional<br />

atrativa e de futuro. Esta questão foi baseada na metodologia<br />

Net Promoter Score (NPS). O inquirido dispõe de uma<br />

60 e-MOBILIDADE


CONCLUSÕES<br />

Não é lisongeiro o resultado da<br />

amostra para o setor no próximo ano,<br />

dado que a má perspetiva supera<br />

um panorama otimista, havendo<br />

mesmo quem o vaticine como muito<br />

mau. Ainda assim, os receios são<br />

menores que os expressos em 2022,<br />

mas novamente são as empresas de<br />

menor dimensão que mais temem os<br />

tempos vindouros, contrastando com<br />

as respostas de quem faz parte de<br />

grandes empresas.<br />

Também são as ditas PME que<br />

manifestam mais ceticismo num<br />

horizonte a três anos. No entanto,<br />

e relativamente ao investimento, a<br />

maioria admite que manterá o mesmo<br />

nível em 2024, e entre esta há quem<br />

deseje atribuir-lhe mais capital.<br />

escala de 0 a 10. Se responder com 10 ou 9 é classificado<br />

como promotor, 8 ou 7 é neutro/passivo. De 6 até zero é<br />

classificado como detrator. Alcança-se o valor de NPS subtraindo<br />

os detratores aos promotores.<br />

Uma segunda vertente do estudo visa identificar constrangimentos<br />

na operação na área de negócio dos transportes<br />

rodoviário de mercadorias. De vários possíveis cenários foram<br />

escolhidos oito fatores considerados relevantes para a área de<br />

negócio dos transportes rodoviário de mercadorias. Os fatores<br />

são diferentes entre si, mas todos poderão ter um impacto<br />

negativo no negócio das empresas. Os participantes avaliaram<br />

os seguintes fatores: aumento dos impostos, incerteza fiscal,<br />

aumento dos preços dos combustíveis, aumento do preço de<br />

outras matérias-primas, nova legislação mais restritiva, falta<br />

de mão-de-obra, evolução da economia, aumento da concorrência<br />

e o ambiente laboral.<br />

A avaliação de cada um dos fatores foi feita em função do seu<br />

impacto na qualidade do sono do participante. O participante<br />

podia escolher entre cinco opções em função do acontecimento:<br />

“Perco totalmente o sono”, “Durmo mal”, “Durmo OK”,<br />

“Durmo muito bem”, “Durmo que nem um anjo”. O fator<br />

seria relevante, e preocupante, se o participante afirmasse<br />

que estava a perder totalmente o seu sono ou a dormir mal ao<br />

pensar nesse mesmo fator. O fator não seria preocupante se o<br />

participante escolhesse as opções “Durmo ok”, “durmo muito<br />

bem” ou “durmo que nem um anjo”. Para facilidade de análise<br />

a escala foi redesenhada. Assim, comparam-se os valores<br />

somados do “Insónia” e “Durmo mal” com os valores somados<br />

do “Durmo OK”, “Durmo bem”, “Durmo que nem um anjo”.<br />

2. CARACTERÍSTICAS DA AMOSTRA<br />

A maior parte da amostra, 71%, é constituída por Proprietários<br />

Gerente e Diretores de empresas de transporte representam.<br />

Os funcionários de empresas de transporte rodoviários<br />

representam 20%. O resto da amostra é constituída por<br />

consultores, 3%, fabricantes, importadores ou concessionários<br />

e professores, ambos com um peso de 1%. Os restantes 5%<br />

são compostos por professores/investigadores, funcionários do<br />

estado e ouras profissões. A amostra é composta por residentes<br />

de todos os distritos de Portugal continental. Porém, os<br />

e-MOBILIDADE 61


ESTUDO<br />

Barómetro dos transportes<br />

Relativamente ao nível das habilitações literárias, 47% da<br />

amostra não tem formação ao nível do ensino superior em<br />

comparação com 53% do restante da amostra que tem habilitações<br />

literárias ao nível do ensino superior. É de assinalar que<br />

11% do total da amostra tem mestrado ou doutoramento.<br />

residentes de Lisboa e Porto representam 44% da amostra.<br />

Os homens estão em maioria no estudo e representam 72%<br />

da amostra, as mulheres representam 28%. Relativamente a<br />

idades 59% da amostra tem entre 35 – 54 anos.<br />

Relativamente à dimensão das empresas, 40% trabalham os<br />

pequenas empresas, 16% em médias empresas, 28% trabalham<br />

em microempresas e 15% em grandes empresas e 1% no<br />

setor público.<br />

62 e-MOBILIDADE


3. RESULTADOS<br />

PERSPETIVA PARA O PRÓXIMO ANO<br />

A maioria dos participantes tem uma perspetiva negativa para<br />

o setor de transporte para o próximo ano. Perto de metade da<br />

amostra, 48% tem uma perspetiva má e 10% têm uma perspetiva<br />

muito má. Assim, 43% dos participantes têm uma perspetiva<br />

positiva para o próximo ano, 41% da amostra têm uma<br />

perspetiva boa e 2% têm uma perspetiva muito boa. Pode-se<br />

concluir que a maior parte do mercado tem uma perspetiva<br />

negativa para o próximo ano.<br />

Comparativamente a 2023 pode-se verificar que houve uma<br />

pioria nas expetativas a curto prazo. Em 2024 existem mais<br />

participantes com uma perspetiva negativa a curto prazo comparativamente<br />

a 2023. Os resultados em 2024 são melhores<br />

do que os de 2022, porém piores do que todos os resultados<br />

desde 2017, ano da primeira leitura.<br />

Porém as perspetivas relativamente ao próximo ano estão<br />

dependentes da dimensão das empresas. Participantes que<br />

trabalham em empresas mais pequenas estão mais negativos<br />

do que os das grandes empresas. De facto, 62% dos participantes<br />

de microempresas estão negativos relativamente ao<br />

próximo ano. Contrariamente, 52% dos participantes que<br />

trabalham em grandes empresas estão positivos relativamente<br />

ao próximo ano.<br />

e-MOBILIDADE 63


ESTUDO<br />

Barómetro dos transportes<br />

Assim, as expectativas do mercado, para o curto prazo, estão<br />

dependentes se os participantes trabalham numa microempresa,<br />

pequena empresa, média empresa ou grande empresa.<br />

PERSPETIVA A 3 ANOS<br />

Quando os participantes foram questionados relativamente<br />

a um horizonte temporal a 3 anos, a maior parte da amostra,<br />

53%, tem uma perspetiva negativa, dos quais 47% tem uma<br />

perspetiva má e 6% muito má. Assim, menos de metade da<br />

amostra, 47% tem uma perspetiva positiva, dos quais 44%<br />

tem uma perspetiva boa e 3% muito boa.<br />

Comparativamente com os anos anteriores verifica-se que<br />

apesar de uma queda de confiança relativamente a 2023, a<br />

tendência mantém-se, há uma divisão entre os que têm uma<br />

perspetiva positiva e aqueles que têm uma perspetiva negativa<br />

a 3 anos.<br />

Uma vez mais a dimensão da empresa tem um impacto relativamente<br />

à perspetiva da atividade a 3 anos. Participantes<br />

de pequenas empresas estão mais pessimistas dos que os de<br />

grandes empresas. Assim, 62% dos participantes de microempresas<br />

têm uma perspetiva negativa, porém 61% dos participantes<br />

de grandes empresas têm uma perspetiva positiva.<br />

Aparentemente o mercado de transporte rodoviário de mercadorias<br />

está a mais complicado para empresas de menor<br />

dimensão.<br />

Comparando as perspetivas de curto e médio prazo pode-se<br />

concluir que os participantes estão ligeiramente mais positivos<br />

a médio prazo. Do total da amostra 43% tem uma expectativa<br />

positiva para este ano, porém este valor sobe para 47% relativamente<br />

às expectativas a 3 anos.<br />

64 e-MOBILIDADE


NÍVEIS DE INVESTIMENTO<br />

Relativamente ao plano de investimento 37% dos participantes<br />

afirmam que as suas empresas irão diminuir os seus<br />

investimentos durante o ano 2024. Mais de metade, 52%,<br />

afirma que irá manter os seus investimentos e apenas 11%<br />

afirmam que irão aumentar os seus níveis de investimento.<br />

Comparativamente às intenções de investimento de 2023<br />

pode-se afirmar que há uma maior restrição ao investimento.<br />

Em 2023, 31% dos participantes afirmava que iriam diminuir<br />

os seus investimentos e 16% afirmavam que iriam aumentar.<br />

Essa propensão à baixa de investimento vem em linha com<br />

uma perspetiva mais negativa a curto e médio prazo.<br />

É também de se referir que as grandes empresas são aquelas<br />

que estarão mais propensas a aumentar os seus investimentos.<br />

Assim, existe uma vez mais um comportamento diferente<br />

dependente da dimensão das empresas. 24% dos participantes<br />

que trabalham em grandes empresas afirmam que as suas<br />

organizações irão aumentar os seus investimentos, porém<br />

apenas 10% que trabalham em microempresas e 8% que trabalham<br />

em pequenas empresas afirmam que as suas organizações<br />

vão aumentar os seus investimentos.<br />

Relativamente ao tipo de investimento é aparente o esforço<br />

a ser feito para desenvolver práticas sustentáveis. A maior<br />

parte dos participantes, 61%, afirmam que é provável ou<br />

extremamente provável que a suas empresas invistam em boas<br />

práticas sustentáveis. Apenas 13% dos participantes afirmam<br />

que as suas empresas não irão investir em boas práticas sustentáveis.<br />

Apesar da maior parte dos participantes considerarem provável<br />

o investimento em práticas sustentáveis, a apetência para o<br />

investimento em novas tecnologias é menor. Menos de metade<br />

da amostra, 45% afirma que é provável ou muito provável<br />

investir em novas tecnologias. 25% da amostra afirma que<br />

não irá investir em novas tecnologias.<br />

É de salientar que a propensão de investimento em cada uma<br />

das tipologias está também dependente da dimensão das<br />

empresas. De facto, 82% dos participantes que trabalham em<br />

grandes empresas afirmam que é parcialmente provável ou<br />

extremamente provável que as suas organizações invistam em<br />

e-MOBILIDADE 65


ESTUDO<br />

Barómetro dos transportes<br />

NPS<br />

O Net Promoter Score (NPS), que avalia a recomendação da<br />

atividade na área de transporte rodoviário enquanto profissão,<br />

tem um valor negativo e que o do ano passado. De acordo<br />

com os resultados, 82% dos inquiridos são detratores, ou seja,<br />

apresentam reservas na altura de recomendar um futuro profissional<br />

ligado ao setor de transporte rodoviário. Apenas 6%<br />

recomendaria uma profissão na área do transporte rodoviário<br />

como algo desejável e atraente. Assim, o valor do NPS é de<br />

-76%. Comparativamente a 2023 os valores do NPS pioraram,<br />

o que está em linha com as expectativas a curto e médio prazo<br />

que também pioram.<br />

práticas sustentáveis. Essa propensão para investir em práticas<br />

sustentáveis é de apenas 37% para as microempresas.<br />

Relativamente ao investimento em novas tecnologias a dimensão<br />

das empresas tem também um impacto nas decisões.<br />

82% dos participantes de empresas de grande dimensão<br />

afirmam que as suas organizações irão investir em novas<br />

tecnologias. Em contraste, apenas 27% dos participantes de<br />

microempresas afirmam que as suas organizações irão investir<br />

em novas tecnologias.<br />

Há claramente um contraste entre a atuação de grandes empresas<br />

e empresas de menor dimensão.<br />

Quando se avalia o NPS em função da dimensão de empresa<br />

verifica-se que existem perspetivas diferentes. Os participantes<br />

de empresas mais pequenas estão mais negativos do<br />

que os das empresas maiores. O NPS dos participantes das<br />

Microempresas é de -88% enquanto os das grandes empresas<br />

é de -48%.<br />

66 e-MOBILIDADE


Uma vez mais é possível verificar que existe uma maior<br />

pressão junto de empresas mais pequenas comparativamente<br />

a empresas de maior dimensão. Os participantes de empresas<br />

de maior dimensão estão mais optimistas comparativamente a<br />

participantes de empresas de menor dimensão.<br />

Tal como foi referido, foram medidos oito fatores de constrangimentos<br />

na operação na área de negócio dos transportes<br />

rodoviário de mercadorias. O fator que mais provoca preocupação<br />

nos participantes do estudo é o fator Aumento do<br />

Preço dos Combustíveis. Do total da amostra, 83%, afirma<br />

que dorme mal ou tem insónias devido ao potencial aumento<br />

do preço dos combustíveis. Apenas 17% diz que dorme OK,<br />

muito bem ou que nem um anjo quando pensa no potencial<br />

aumento do preço dos combustíveis. O segundo fator<br />

que mais preocupa os participantes do estudo é o potencial<br />

aumento do custo de outras matérias-primas. Este potencial<br />

aumento afeta o sono a 79% da amostra. De facto, ambos os<br />

fatores estão altamente correlacionados. Outros dois fatores<br />

que retiram o sono a 75% da amostra é a Incerteza Fiscal e<br />

o potencial Aumento dos Impostos. Ambos os fatores estão<br />

altamente correlacionados com o fator Aumento do Preço dos<br />

Combustíveis e Preço da Matérias-Primas. Um terceiro grupo<br />

de fatores que preocupa a maior parte dos participantes do<br />

estudo são: a Evolução da Economia, a Falta de-Mão-de-Obra<br />

e a criação de Nova Legislação mais Restritiva. Os fatores<br />

que retiram o sono a menos participantes são o Aumento da<br />

Concorrência e o Ambiente Laboral.<br />

Quando se comparam os resultados com anos anteriores verifica-se<br />

que há um agravamento de alguns fatores. Em 2024<br />

há mais participantes com a preocupação de um potencial aumento<br />

do preço dos combustíveis e um aumento do preço das<br />

matérias-primas. De facto, a preocupação com um potencial<br />

aumento do preço dos combustíveis nunca impactou tantos<br />

elementos da amostra. 83% da amostra afirma perder o sono<br />

o dorme mal por causa do potencial aumento do preço dos<br />

combustíveis. O aumento do preço de outras matérias primas<br />

afeta o sono a 79% da amostra. Este dois fatores têm tido uma<br />

evolução negativa desde 2017.<br />

FATORES DE CONSTRANGIMENTOS<br />

No segundo grupo de fatores de preocupação, o Aumento de<br />

Impostos e Incerteza Fiscal, verifica-se que os valores, ao longos<br />

dos anos têm oscilados dentro de uma mesma margem.<br />

Verifica-se que, mesmo com um novo governo em função os<br />

participantes ainda se preocupam com potenciais aumentos<br />

de impostos e com incerteza fiscal.<br />

No terceiro grupo de fatores, Nova Legislação mais Restritiva,<br />

Falta de Mão-de-Obra e Evolução da Economia verificar-se<br />

uma tendência de agravamento de preocupações ao longo<br />

dos anos. O fator Evolução da Economia é aquele que mais<br />

negativamente tem evoluído. Em 2017, 40% amostra preocupava-se<br />

com este fator, em 2024 já são 71% dos que se<br />

preocupam com a evolução<br />

da economia. Esta visão<br />

mais negativa da economia<br />

é uma explicação para os<br />

resultados piores relativamente<br />

às expectativas a<br />

curto e médio prazo. A fata<br />

de mão-de-obra também<br />

tem evoluído de uma forma<br />

negativa. Em 2024, 70% da<br />

amostra preocupa-se com<br />

a falta de mão-de-obra,<br />

em 2017, 55% da amostra<br />

mostrava-se preocupado<br />

com esse fator.<br />

No quatro grupo de fato-<br />

e-MOBILIDADE 67


ESTUDO<br />

Barómetro dos transportes<br />

está altamente correlacionado com a evolução da economia.<br />

Assim, em 2019 apenas 28% da amostra se preocupava com a<br />

concorrência, em 2024 esse valor subiu para 47%. Uma perspetiva<br />

mais negativa para a economia está a contribui para<br />

este sentimento mais negativo relativamente à concorrência.<br />

res, aqueles que menos afligem os participantes do estudo,<br />

verifica-se uma evolução positiva relativamente ao ambiente<br />

laboral. Desde a primeira medição, em 2019, o valor tem caído.<br />

Se em 2019 esse fator retirava o sono a mais de metade da<br />

amostra, 52%, em 2024 retira o sono a menos de metade da<br />

amostra, 43%. Contudo, o inverso se passa com o fator Aumento<br />

da Concorrência. Teve uma descida<br />

até 2019, a partir dessa data tem havido<br />

mais participantes preocupados com<br />

o aumento da concorrência. Este fator<br />

Quando se observam os resultados em função da dimensão<br />

da empresa verifica-se que os fatores afetam as empresas<br />

de forma distinta. Assim, a maior parte dos fatores têm um<br />

impacto mais negativo sobre os participantes das microempresas<br />

e pequenas empresas do que os das médias e grandes<br />

empresas. A únicas excepção é fator ligado à mão-de-obra. O<br />

fator Ambiente Laboral afeta mais negativamente os participantes<br />

de médias e grandes empresas comparativamente a<br />

micro e pequenas empresas. Assim, pode-se concluir que os<br />

participantes de média e grandes empresas têm mais recursos<br />

e instrumentos para fazerem face a um mercado volátil. Essa<br />

poderá ser também a razão para que estejam mais otimista a<br />

curto, médio e longo prazo.<br />

68 e-MOBILIDADE


ESPAÇOS PÚBLICOS PARTILHADOS<br />

Saia do carro<br />

e faça esta viagem comigo<br />

O conceito de espaço público partilhado está a ganhar grande destaque na mobilidade urbana,<br />

enquanto solução para promover a inclusão, a segurança e a sustentabilidade nas cidades. Este<br />

conceito envolve a criação de áreas urbanas onde diferentes modos de transporte, atividades<br />

e pessoas coexistem de maneira harmoniosa, sem a tradicional segregação rígida entre peões,<br />

bicicletas, micromobilidade e veículos maiores, tanto individuais como de transporte colectivo.<br />

70 e-MOBILIDADE


CONVITE<br />

Saia do carro, tranque as portas e faça<br />

comigo esta viagem até uma cidade mais<br />

feliz. Mais comunidade. Mais aldeia<br />

Este é o tema proposto para a<br />

Semana Europeia da Mobilidade<br />

deste ano que, como<br />

sempre, decorrerá de 16 a<br />

22 de Setembro. Na Ecomood<br />

Portugal estamos já a trabalhar<br />

com alguns municípios nesta edição, no<br />

seguimento do trabalho desenvolvido<br />

deste 2017, com diversas acções registadas<br />

e tendo já, na parceria com a Câmara<br />

Municipal da Amadora, conseguido<br />

chegar ao top dos melhores programas<br />

europeus. Sendo a integração intermodal<br />

a nossa principal bandeira na<br />

mobilidade, nenhum tema se integraria<br />

melhor nesse espírito. Portanto, saia do<br />

carro, tranque as portas e faça comigo<br />

esta viagem até uma cidade mais feliz.<br />

Mais comunidade. Mais aldeia.<br />

Comecemos pelos benefícios de uma<br />

boa partilha do espaço público:<br />

ANTÓNIO GONÇALVES PEREIRA<br />

Presidente do Ecomood Portugal, Associação<br />

para a Promoção Solidária da Sustentabilidade<br />

na Mobilidade Humana; Embaixador<br />

do Pacto Climático Europeu<br />

» Equidade Social: com a convivência<br />

mais próxima e segura promove-se<br />

a inclusão social, ao garantir que<br />

todas as pessoas, independentemente<br />

de seu modo de transporte, possam<br />

mover-se de forma segura e confortável.<br />

Isso é especialmente importante<br />

para peões e ciclistas, ajudando-os a<br />

ficarem menos vulneráveis no trânsito<br />

urbano​. Mas também para os que<br />

são mais frequentemente esquecidos<br />

nestes planeamentos urbanos: os cidadãos<br />

de mobilidade mais reduzida<br />

ou portadores de deficiência;<br />

» Redução de Acidentes: diminuindo<br />

as barreiras físicas, dando ênfase<br />

a um comportamento cooperativo<br />

e atencioso entre todos os utentes<br />

do espaço público, leva-se a uma<br />

diminuição no número de acidentes.<br />

Quando todos compartilham o<br />

e-MOBILIDADE 71


mesmo espaço e vão variando a sua<br />

forma de o utilizar, vestindo várias<br />

peles, a velocidade dos veículos mais<br />

pesados tende a reduzir-se, aumentando<br />

assim a segurança​de todos.<br />

Um condutor de autocarro que já<br />

experimentou andar de bicicleta entre<br />

autocarros sabe bem do que estou a<br />

falar;<br />

» Melhoria da Saúde Pública: ao<br />

incentivar o uso de modos de transporte<br />

mais suaves, como caminhar ou<br />

andar de bicicleta (ainda que elétrica),<br />

não só se incrementa o exercício<br />

físico como se reduzem as emissões<br />

tanto de gases como de ruído, melhorando<br />

a qualidade do ar e da vida<br />

urbana em geral​. E a saúde pública. E<br />

a esperança de vida de todos;<br />

» Estímulo à Vida Comunitária e à<br />

Coesão Social: além da vertente de<br />

mobilidade, espaços públicos bem<br />

projectados e partilhados podem<br />

tornar-se locais de atividades comunitárias,<br />

promovendo interações sociais<br />

e um senso de comunidade entre os<br />

residentes;<br />

» Impulso Económico: zonas com<br />

menos automóveis e com mais circulação<br />

de baixa velocidade e pedonal,<br />

além de áreas de permanência,<br />

atraem empresas e turismo, levando à<br />

revitalização económica do comércio<br />

local.<br />

Se à primeira vista, dadas as mais-valias,<br />

o conceito parece de óbvia implementação,<br />

o certo é que, para tal, é necessária<br />

uma forte e eficaz campanha de<br />

sensibilização para algumas evoluções<br />

necessárias a montante. De mentalidades,<br />

culturais e, sobretudo, de comportamentos.<br />

O facto de termos ‘comprado’<br />

a ideia de que o automóvel é rei, de o<br />

encaramos como um bem de primeira<br />

necessidade e de, por isso, termos<br />

permitido, ou até exigido, que as nossas<br />

cidades se fossem reformulando em sua<br />

função, faz agora com que o caminho<br />

para um formato mais racional e feliz<br />

seja alvo de muitas resistências. E que<br />

implique também alterações estruturais<br />

de alguma monta.<br />

Em alguns casos, será até difícil encontrar<br />

o espaço necessário para que esta<br />

tão necessária evolução seja efectuada<br />

de forma harmoniosa, mesmo que faseada.<br />

Mas o certo é que, quando feita<br />

de forma consultiva e partilhada com<br />

os cidadãos nos seus vários estágios,<br />

até os mais renitentes têm passado da<br />

oposição para a defesa destas novas<br />

áreas urbanas. E os exemplos de sucesso<br />

vão-se multiplicando. Aqui ficam<br />

alguns.<br />

Em Barcelona vão surgindo cada vez<br />

mais zonas de velocidade de circulação<br />

reduzida (entre 30 e 10kms/h) e<br />

quarteirões zero trânsito. Uma rua emblemática<br />

é a famosa La Rambla, agora<br />

vigorosamente arborizada e partilhada<br />

por pedestres, artistas de rua e bancas<br />

de mercado.<br />

Copenhaga criou o ‘Plano dos 5 Dedos’<br />

em… 1947. As linhas de transporte<br />

colectivo espalham-se a partir do<br />

centro da cidade. A infraestrutura para<br />

circulação em bicicleta é tão abrangente<br />

que hoje em dia, em inglês, usa-se<br />

o termo ‘copenhagenize’ quando se vai<br />

implementar ou alargar a rede ciclável<br />

numa cidade. E é também considerada<br />

a cidade mais caminhável do mundo,<br />

sendo a sua Strøget uma das mais<br />

compridas ruas pedonais. E tudo isto<br />

polvilhado de pequenas áreas verdes e<br />

de espaços de reunião. De convívio.<br />

Até Nova Iorque, de que temos uma<br />

imagem completamente plena de carros<br />

(parados no trânsito), vai começando<br />

a ter áreas de partilha, de convívio,<br />

pedonais. Quem diria que a famosa<br />

Times Square teria o espaço para os<br />

automóveis drasticamente reduzido,<br />

dando agora prioridade ao pedonal e<br />

a zonas para apresentações públicas<br />

e instalações artísticas? E há ainda a<br />

High Line, uma desactivada linha de<br />

comboio elevada agora convertida para<br />

corredor verde pedonal, com espaços<br />

diversificados, cruzando a cidade.<br />

Também por cá se vão multiplicando<br />

espaços destes, sobretudo nas zonas<br />

mais tradicionais das cidades. E assim<br />

vamos não só partilhando o espaço,<br />

mas também a ideia, habituando os<br />

mais resistentes para que se prossiga<br />

com o alastramento a outras partes da<br />

cidade deste conceito de menos carro,<br />

mais comunidade. Menos trânsito,<br />

mais vida. Menos isolamento, mais<br />

‘bom dia, vizinha’.<br />

Nota: este artigo está escrito em português de<br />

Portugal, apenas com as evoluções do (des)<br />

acordo ortográfico que me fazem sentido.<br />

72 e-MOBILIDADE

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