Livro 45 Anos Politécnico de Coimbra
Publicação comemorativa dos 45 anos do sobre Politécnico de Coimbra. Apresenta um resenha histórica sobre a instituição, informação a sua governação, descrição da reabilitação do edifício Casa do Bispo e sua relevância histórica e 45 testemunhos de personalidades ligadas ao Politécnico de Coimbra.
Publicação comemorativa dos 45 anos do sobre Politécnico de Coimbra. Apresenta um resenha histórica sobre a instituição, informação a sua governação, descrição da reabilitação do edifício Casa do Bispo e sua relevância histórica e 45 testemunhos de personalidades ligadas ao Politécnico de Coimbra.
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Politécnico de Coimbra
Politécnico
de Coimbra
45 Anos
45 Anos — Ficha Técnica
Coordenação
Jorge Conde
Ana Ferreira
Edição
Instituto Politécnico de Coimbra - IPC, 2024
Pesquisa, edição de textos e revisão
Bárbara Barata, Cristina Matos e Helga Sardinha
Fotografia
João Teles
Tiragem
500 exemplares
Paginação e grafismo
Noctustudio
Impressão
Jorge Fernandes, LDA
Depósito Legal
534233/24
p 2
p 3
ISBN
978-989-8649-55-3
Politécnico de Coimbra
Índice
45 Anos — Índice
10 Prefácio
14 Introdução
18 Capítulo 1 — O caminho percorrido
A Nossa Missão
As Unidades Orgânicas
52 Capítulo 2 — Recuperar a história
A Casa do Bispo
Camões em São Martinho do Bispo?
— Indícios e conjecturas
76 Capítulo 3 — 45 protagonistas da história do Politécnico de Coimbra
p 6
p 7
Prefácio
Com esta publicação, assinalamos
45 anos de construção. Aquando da
criação do ensino superior politécnico,
o decreto-lei da sua criação (DL nº
513-L1/79|DR de 27 de dezembro)
referia: “Ao ensino superior politécnico,
ao qual se pretende conferir uma
dignidade idêntica ao universitário,
incumbe, em íntima ligação com
as atividades produtivas e sociais,
formar...”
45 Anos — Prefácio
Politécnico de Coimbra
p 10
p 11
Foi esta pretensão, a que muitos se opuseram e ainda se opõem,
que ainda não permitiu que o caminho esteja completo. Esta dignidade
pela qual nos movemos, mas que a sociedade demorou a
percecionar, é o caminho que vamos trilhando. São cada vez mais
os que acreditam que as diferenças que existem não afetam essa
dignidade, antes, contribuem para ela.
E com esta vontade e determinação que nos guia, soubemos fazer
do Instituto Politécnico de Coimbra a “Polytechnic University of
Coimbra”. Este caminho que nos trouxe da formação de bacharéis à
formação de Técnicos Superiores Profissionais, Licenciados, Mestres
e Doutores. Este caminho que, em parceria com as “atividades
produtivas e sociais”, nos permite um portfólio de pós-graduações,
microcredenciações e MBA de elevada procura e qualidade. Este
caminho que nos levará à atribuição do título de agregado e à utilização
do nome de Universidade.
Foi para conseguir tudo isto que, hoje, cerca de 75% dos professores
tem o grau de doutor e que a equipa de técnicos e administrativos é
maioritariamente constituída por profissionais com formação superior.
Com esta equipa e este caminho, conseguimos, hoje, ter um número
cada vez maior de estudantes a procurar-nos em primeira opção
e com médias de acesso cada vez mais relevantes.
Ao longo das páginas que se seguem assinalamos tudo isso, mas
também a forma como o fazemos, com cada vez mais união em
torno da marca Politécnico de Coimbra, que se vem tornando maior
no espaço do ensino superior e da ciência em Portugal, mas também
no mundo.
Juntos erguemos sonhos, com as pessoas e para as pessoas, porque
o Politécnico de Coimbra tem a missão de transformar a sociedade
onde se insere.
Jorge Conde
Presidente do Politécnico de Coimbra
Introdução
Cumpre-se hoje mais um
aniversário do Politécnico de
Coimbra, o que significa que
estamos todos de parabéns.
Um aniversário de uma Instituição
é sempre um momento marcante,
principalmente porque assinala
solene e simbolicamente a
renovação e, simultaneamente,
a esperança no alcance de
muitos objetivos e sonhos.
Sonhos de quem estuda e de
quem trabalha todos os dias para
valorizar o ensino superior e o
conhecimento.
Politécnico de Coimbra
p 14
p 15
Nestes 45 anos, muito foi alcançado e é com orgulho que olhamos
para o Politécnico de Coimbra e para tudo o que conquistámos
enquanto comunidade. Mas não podemos baixar os braços.
Este é um ano em que continuaremos a afirmar o Politécnico de
Coimbra como uma Instituição de Ensino Superior pública que
cumpre, em pleno, e cada vez mais, o seu papel e responsabilidade,
quer na dimensão nacional, quer na dimensão internacional.
Assinalamos com este livro o caminho percorrido, a energia de que
dispomos e a sabedoria que temos recolhido ao construirmos o futuro.
De forma simbólica, queremos, através de 45 testemunhos,
prestar tributo a todos os professores, funcionários, estudantes,
diplomados, aposentados e parceiros institucionais que, ao longo
destes 45 anos, ajudaram a escrever esta história cheia de sucessos,
reconhecendo o trabalho de todos em prol da construção de
uma instituição maior, de uma sociedade mais justa, equitativa e desenvolvida.
Este é um projeto coletivo e o seu êxito é de todos e de
cada um de nós que algum dia ousou (e ousa) sonhar e construir!
Esta obra integra um primeiro capítulo denominado “O Caminho Percorrido”,
em que se recordam as origens do Politécnico de Coimbra
e das suas escolas e se dá relevo a algumas atividades, ações e
projetos desenvolvidos no seio do seu percurso e missão e, que,
inequivocamente, têm contribuído para a promoção da instituição,
para uma maior competitividade, coesão territorial e inclusão social.
No segundo capítulo, “Recuperar a História”, pretende-se dar a conhecer
a intervenção realizada nos últimos anos na Casa do Bispo,
que agora acolhe a Presidência do IPC, e que permitiu recuperar
este edifício histórico classificado como Imóvel de Interesse Público,
devolvendo a dignidade a um espaço que estava abandonado. A
Casa do Bispo faz parte do conjunto arquitetónico da Quinta do Bispo,
localizado em São Martinho do Bispo, que inclui também a Adega,
a Vinagreira, o Hangar, o Apiário, a Sirgaria e o Chalé do Bispo.
Trata-se de um espaço com um passado histórico de forte interesse
cultural para toda a comunidade. Apesar das intervenções já realizadas,
muitos destes edifícios ainda necessitam de investimento, com
o objetivo de os colocar ao serviço da comunidade do IPC na sua
plenitude. Ainda neste capítulo, abordaremos, através das palavras
do Professor Pedro Bingre, uma questão de especial interesse para
o Politécnico de Coimbra — terá Camões passado os anos formativos
da sua adolescência nas margens do Mondego, mais precisamente
em São Martinho do Bispo? Terá pisado a veiga onde hoje
se encontra a Quinta do Bispo? No ano em que se comemoram os
500 anos do nascimento de Camões, entendemos que faria todo o
sentido, nesta obra, refletirmos sobre aquilo que foi o seu percurso
de vida e a sua ligação a Coimbra, especialmente à Quinta do Bispo.
No terceiro e último capítulo, intitulado “45 Protagonistas da história
do Politécnico de Coimbra”, damos a palavra a mulheres e homens
que, ao longo destes 45 anos, fizeram e continuam a fazer a diferença,
através do seu compromisso, entrega e competência, e que tudo
têm feito para engrandecer o Politécnico, a região e o país.
Acredito que somos uma grande e forte Instituição, resultado da
nossa diversidade, da nossa união, do trabalho feito pelas nossas
unidades orgânicas. No entanto, estamos num momento que implica
realinhamentos e reposicionamentos na missão do Politécnico
de Coimbra nos novos tempos, com repercussões nas relações
deste com a sua comunidade e os seus múltiplos stakeholders. Teremos
que assumir, sem medos, as tarefas que as novas gerações
e o planeta exigem, continuando, ainda assim, a ser os baluartes
do conhecimento robusto, da criatividade e da inovação.
Concluo - e porque estamos em ano de comemoração dos 50 anos
do 25 de abril - dizendo que: a voz e os braços de cada uma e cada
um de nós são imprescindíveis para a construção deste Politécnico
de Coimbra que, citando Sophia de Mello Breyner, “como página em
branco, onde o poema emerge, arquitetura do homem que ergue
sua habitação”.
Que seja, pois, feita de objetivos e sonhos esta habitação!
Junhos erguemos sonhos!
Ana Ferreira
Vice-Presidente do Politécnico de Coimbra
45 Anos — Introdução
Capítulo I
O Caminho
Percorrido.
A Nossa
Missão
O IPC é uma pessoa coletiva
de direito público, dotada
de autonomia estatutária,
pedagógica, científica, cultural,
administrativa, financeira,
disciplinar e patrimonial. Tem
mais de 12.500 estudantes
nacionais e internacionais,
os quais frequentam 60
licenciaturas, 53 mestrados,
74 pós-graduações e 24
cursos técnicos superiores
profissionais.
Politécnico de Coimbra
p 20
Politécnico de Coimbra
45 Anos — A Nossa Missão
O ensino politécnico em Portugal, um dos dois subsistemas de ensino
superior existentes no país (sendo o outro o ensino universitário),
foi previsto pela Lei de Bases do Sistema Educativo de 1973 e efetivamente
criado em 1977 como “ensino superior de curta duração”.
O ensino superior de curta duração teve em vista a formação de
técnicos de nível médio que tinha deixado de ser realizada com a
extinção do ensino médio a seguir ao 25 de abril de 1974. O ensino
médio ministrava-se em institutos industriais, comerciais e agrícolas,
os quais foram sendo gradualmente substituídos por estabelecimentos
de ensino superior.
Em 1979, através do Decreto-Lei n.º 513-T/79, de 26 de dezembro,
passou a designar-se “ensino superior politécnico”, com uma lógica
diferenciadora do ensino universitário, por se tratar de um ensino
com uma componente mais prática. Nesta altura, foram então
criados os institutos de Coimbra, Faro, Lisboa, Porto, Santarém,
Setúbal, Beja, Bragança, Castelo Branco e Viseu.
Ao longo da década de 1980, o ensino politécnico desenvolveu-se
com a instalação dos institutos e escolas superiores, tendo sido
posteriormente integradas as escolas de enfermagem e criados
outros em novos domínios como o turismo, a música, o teatro e, já
na década de 1990, as tecnologias da saúde.
Em 1986, é publicada a Lei de Bases do Sistema Educativo (Lei n.º
46/86, de 14 de outubro) que reserva para o ensino politécnico
a atribuição do grau de bacharel e para o ensino universitário a
atribuição dos graus de licenciado, mestre e doutor. O ensino politécnico
poderia também conferir o diploma de estudos superiores
especializados que seria equivalente, para efeitos profissionais e
académicos, ao grau de licenciado. A partir de 1997, o ensino politécnico
passa também a poder conferir o grau de licenciado, acabando
o diploma de estudos superiores especializados.
Em 2005, na sequência da reforma dos graus académicos decorrente
do Processo de Bolonha, o ensino politécnico passa a conferir
os graus de licenciado e de mestre.
Atualmente, o ensino politécnico confere os graus de licenciado e
mestre, com o primeiro ciclo (licenciatura) a ter, por norma, uma duração
de três anos e o segundo ciclo (mestrado) a durar dois anos.
Como já foi referido, o Instituto Politécnico de Coimbra (IPC) foi
criado em 1979, através do Decreto-Lei n.º 513-T/79, de 26 de
dezembro, no âmbito da implementação do ensino politécnico em
Portugal. A criação do IPC é referida pela primeira vez no Decreto-Lei
n.º 402/73, de 11 de agosto, no contexto da reforma do sistema
educativo português preconizada pela Lei n.º 5/73, de 25 de
julho, que teve como principal impulsionador o Ex-Ministro da Educação,
José Veiga Simão (que assumiu o cargo entre 1970 e 1974).
Com a criação do IPC, é integrada a Escola Superior de Educação
de Coimbra (Decreto-Lei nº 513-T/79, de 26 de dezembro), a Escola
Superior Agrária de Coimbra (Decreto-Lei nº 513-T/79, de 26
de dezembro, mais tarde confirmada, a par da ESEC, pelo Decreto
do Governo nº 46/85, de 22 de novembro), o Instituto Superior de
Contabilidade e Administração de Coimbra (DL 70/88, de 3 março)
e o Instituto Superior de Engenharia de Coimbra (DL 389/88, de 25
outubro). A existência efetiva do IPC só se concretizou em 1988,
com a nomeação do primeiro presidente da comissão instaladora,
Lélio Quaresma Lobo (19 de agosto) e a criação dos Serviços Centrais.
Em 15 de maio de 1990, é nomeado o segundo presidente
da Comissão Instaladora do Instituto Politécnico de Coimbra, Luís
Filipe Requicha Ferreira.
Em 1995, o IPC viu os seus Estatutos aprovados de forma democrática,
através da participação do seu corpo de professores, discentes
e trabalhadores não docentes, tendo aqueles sido publicados
em Diário da República a 28 de dezembro de 1995. Segue-se a
eleição do primeiro presidente, Carlos César Coelho Viana Ramos,
p 22
p 23
em julho de 1996, e a tomada de posse a 1 de outubro de 1996.
Depois deste importante passo, o Politécnico de Coimbra expandiu-se
e integrou, em 2001, a Escola Superior de Tecnologia e Gestão
de Oliveira do Hospital (pelo DL 264/99, de 14 de julho), e em
2004, a Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Coimbra (DL
175/2004, de 21 de julho).
Entretanto, em 28 de setembro de 2001, toma posse o segundo
Presidente do Instituto Politécnico de Coimbra, José Manuel Torres
Farinha, renovando o seu mandato em 4 de maio de 2006. É durante
este segundo mandato que são homologados os novos estatutos do
Instituto Politécnico de Coimbra, em 19 de novembro de 2008.
No ano seguinte, a 7 de julho de 2009, toma posse, como Presidente
Interino do Instituto Politécnico de Coimbra, Manuel Fernando
de Miranda Páscoa, seguindo-se a tomada de posse de Rui Jorge
da Silva Antunes, a 30 de julho de 2009, como Presidente do Instituto
Politécnico de Coimbra, sendo reeleito em 9 de julho de 2013.
Em 19 de julho de 2017 toma posse o atual Presidente do Instituto
Politécnico de Coimbra, Jorge Manuel dos Santos Conde, sendo
reeleito para um segundo mandato e tendo tomado posse em 16
de julho de 2021.
O IPC é uma pessoa coletiva de direito público, dotada de autonomia
estatutária, pedagógica, científica, cultural, administrativa, financeira,
disciplinar e patrimonial. Tem mais de 12.500 estudantes
nacionais e internacionais, os quais frequentam 60 licenciaturas, 53
mestrados, 74 pós-graduações e 24 cursos técnicos superiores profissionais.
O primeiro doutoramento do IPC foi recentemente aprovado
pela Comissão de Avaliação Externa (CAE) da A3ES – Agência
de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior. Trata-se do Doutoramento
em Sustentabilidade Agro-Alimentar e Ambiental, uma
parceria com o Instituto Politécnico de Castelo Branco e o Instituto
Politécnico de Viseu, em cooperação com o Instituto Politécnico de
Santarém, que deverá iniciar em setembro de 2024. Para a concretização
desta missão, a instituição conta com um corpo de 837
professores e 493 trabalhadores não docentes, num total de 1.330
trabalhadores distribuídos pelas diferentes unidades orgânicas.
Considerando a sua população escolar, instalações e área territorial
abrangida, o Politécnico de Coimbra é hoje um dos dez maiores estabelecimentos
de ensino superior portugueses e abrange diversas
áreas de formação nas suas seis unidades de ensino.
Através das suas escolas, o Politécnico de Coimbra ministra Cursos
Técnicos Superiores Profissionais, Licenciaturas, Pós-graduações e
Mestrados, sendo uma força viva da região, com um papel preponderante
no desenvolvimento e progresso do país.
A atual Presidência do Politécnico de Coimbra assumiu funções em
2021, com a reeleição de Jorge Conde para um segundo mandato.
O Presidente assume a coordenação e representação institucional,
destacando-se a integração na Comissão Técnica de Saúde
do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos
(CCISP); o Comité de Acompanhamento do Programa Operacional
Regional do Centro – Centro 2020 / CCDRC; o Conselho Estratégico
para o Desenvolvimento Intermunicipal da CIM Região de Coimbra;
a presidência da RACS – Rede Académica das Ciências da Saúde da
Lusofonia; a presidência da Reunião Internacional da RIUPS – Rede
Iberoamericana das Universidades Promotoras de Saúde (Coimbra
2021), entre outras.
Em 2024, a equipa presidencial é composta por três Vice-Presidentes:
Ana Ferreira, com os pelouros de Comunicação Institucional
e Imagem, Captação de Alunos Nacionais e Internacionais,
Alumni, Serviço de Saúde Ocupacional e Ambiental, Projetos PRR
Impulsos Jovem e Adultos, Desporto e Departamento de Gestão
do Património e Infraestruturas, Daniel Roque Gomes, com os pelouros
de Serviços Académicos, Qualidade e Recursos Humanos e
Politécnico de Coimbra
45 Anos — A Nossa Missão
Érica Castanheira com o pelouro da área de Interface com a Comunidade.
Maria João Cardoso assume as funções de Pró-Presidente
para a área das Relações Internacionais, Lúcia Simões Costa
é Pró-Presidente com os pelouros do Planeamento da Oferta
Formativa e Inovação Curricular, António Paulino assume funções
como Pró-Presidente com o pelouro da Transformação Digital e
Carlos Veiga assume funções como Pró-Presidente com o pelouro
do projeto PRR “Impulsionar as Pessoas e o Território”. A Administradora
do IPC é Sandra Matos, com competências para a gestão
corrente da instituição e a coordenação dos seus serviços, sob direção
do presidente.
O crescimento de várias áreas dentro do Politécnico de Coimbra,
criando novas oportunidades e valências e, também, novos desafios,
levou à criação, em 2021, de duas novas Unidades Orgânicas
de apoio à formação e ao desenvolvimento, que integravam
antes os Serviços Centrais do IPC: o Centro Cultural Penedo da
Saudade, um local de promoção e divulgação cultural e artística,
que desenvolve uma programação regular própria e iniciativas em
parceria com entidades culturais da cidade – e o INOPOL Academia
de Empreendedorismo, que proporciona à comunidade académica
e a todo o ecossistema de empreendedorismo e inovação
da região mecanismos de apoio à criação e desenvolvimento de
ideias e projetos inovadores de base científica e tecnológica e com
potencial de mercado. Estas duas Unidades vieram juntar-se à já
existente Unidade Orgânica de investigação, o i2A – Instituto de
Investigação Aplicada, que assegura o ambiente propício para o
trabalho de todos os investigadores que desenvolvem a sua atividade
científica em múltiplas áreas.
Através das unidades orgânicas de ensino, investigação e de apoio
à formação e ao desenvolvimento, o IPC desenvolve a sua atividade
de acordo com as atribuições definidas nos seus Estatutos e
cumpre a sua missão: formar pessoas do ponto de vista humano,
cultural, científico e tecnológico. Esta é uma missão desenvolvida
por toda a instituição, tendo como principais protagonistas as escolas.
Destas e das restantes Unidades Orgânicas falaremos com
mais detalhe adiante.
Foram também reorganizados serviços e metodologias de trabalho,
destacando-se a criação do Gabinete de Valorização Profissional
e Inovação Pedagógica (GAVIP), que resulta da fusão de duas
estruturas previamente existentes, o INOVIPC e o CINEP, tendo a
sua criação o propósito de trabalhar o desenvolvimento pessoal e
profissional dos trabalhadores do IPC de forma unificada e de contribuir
para a definição estratégica da formação e desenvolvimento
de docentes, investigadores e não docentes e das competências
pedagógicas dos docentes.
Depois de, no ano de 2020, ter sido apresentada uma nova marca e
identidade visual para o Politécnico de Coimbra, extensiva a todas
as unidades orgânicas de ensino, refletindo a união e a modernidade
ambicionadas, hoje ela é perfeitamente reconhecida em toda a
comunidade interna e externa. Através do Gabinete de Comunicação
Institucional e Imagem (GCII), em articulação com os gabinetes
de comunicação das escolas, continuou-se a aposta na promoção
regional, nacional e além-fronteiras, assumindo-se o Politécnico
de Coimbra como uma organização forte e cativante, pronta para
acolher parcerias e aceitar novos desafios. Apostou-se numa cultura
e clima organizacionais de envolvimento de toda a comunidade,
dentro e “fora” dos “muros” desta casa, através da divulgação da
instituição e da sua atividade, do desenvolvimento de projetos conjuntos
com empresas e outras instituições, da prestação de serviços
à comunidade. Foi incrementada a realização de ações de captação
de estudantes nacionais e internacionais e a divulgação de oferta
formativa (com a ação Politécnico4me, participação em diversas
p 24
p 25
feiras nacionais e regionais, ações de promoção no Brasil em salões
de estudantes e colégios, entre outras). Para reforçar a ligação da
comunidade interna – estudantes, docentes e não docentes - dinamizou-se
a realização de eventos institucionais, como conferências
científicas, feiras de empreendedorismo e a celebração de dias comemorativos
(Dia do IPC, Entrega das Cartas de Curso em cerimónia
conjunta com todas as Unidades Orgânicas de Ensino (UOE),
Abertura das Aulas). A edição e distribuição de um jornal mensal
dirigido à comunidade, a realização de ações mediáticas junto dos
órgãos de comunicação social, campanhas digitais, a conceção de
brochuras institucionais e de merchandising com a imagem do Politécnico
de Coimbra e a dinamização da Rede Alumni foram também
ferramentas desta estratégia de comunicação.
O Politécnico de Coimbra assumiu o seu papel enquanto promotor
de riqueza e desenvolvimento na ligação ao seu território, reforçando
a ligação às empresas e a promoção da empregabilidade e
do empreendedorismo.
Com este objetivo, o Gabinete de Interface com a Comunidade
(GIC) promoveu o projeto @GIR – Gabinete de Inovação Regional
e a Coimbra iTEC - Associação para a Inovação e Tecnologia da
Região de Coimbra. Através destes projetos, foi possível desenvolver
ações com diversos municípios da região e associações empresariais,
indo ao encontro das necessidades locais e procurando
providenciar respostas dentro da comunidade científica e técnica
do IPC. A instituição integrou candidaturas de municípios e empresas
enquanto prestadora de serviços especializados, participou no
desenvolvimento de documentos municipais estratégicos, prestou
serviços de formação e de ID para empresas.
Ao nível da oferta formativa, aumentou-se a oferta de cursos lecionados
fora de Coimbra e de Oliveira do Hospital, sobretudo CTeSP,
Pós-Graduações e Microdenciações, indo ao encontro das necessidades
das populações vizinhas, com a criação de três polos: a
Lousã Green School, a Cantanhede Creative School e a Escola da
Bairrada. Esta aposta foi concretizada através do Programa “Impulsionar
o Território” no âmbito dos programas nacionais Impulso
Jovens STEAM e Impulso Adultos.
Um maior apoio à investigação e à criação de centros e laboratórios
acreditados e financiados, a par da qualificação e promoção
de ambos os corpos docente e não docente, foi outra das metas
perseguidas no decorrer do último mandato.
Foi feita uma aposta sem precedentes no corpo docente, com a
promoção de cerca de 70 professores a quem foi dada oportunidade
para ascenderem à categoria de Professor Coordenador ou
de Coordenador Principal, com o número nesta categoria a atingir
os 20 professores. Foram criados sete novos centros ou polos de
ciência. A oferta formativa tem vindo a ser adaptada, com a criação
de novos cursos nos vários ciclos e áreas científicas. Destaque
no último ano para as primeiras ofertas de cursos de 1º ciclo em
língua inglesa e para os novos ciclos de doutoramento, tornados
possíveis com a decisão do Parlamento Português, em 24 de fevereiro
de 2023, de aprovação de uma proposta que permite aos politécnicos
portugueses poderem atribuir o grau de doutor e adotar a
designação “Polytechnic University of Coimbra”, com o intuito de
valorizar o ensino politécnico nacional e internacionalmente.
No capítulo da internacionalização, o Politécnico de Coimbra tem
sido ambicioso, reforçando parcerias internacionais e estabelecendo
novos projetos e ligações que proporcionem mais oportunidades
à instituição e aos seus membros. Na área dos projetos
internacionais, o Politécnico de Coimbra tem prosseguido uma
política de crescimento e consolidação da sua participação, quer
como parceiro quer como coordenador, em projetos de cooperação
e inovação que contribuem para o reforço dos laços entre a
Politécnico de Coimbra
45 Anos — A Nossa Missão
educação, as empresas e a investigação e potenciam as sinergias
na perspetiva de um crescimento sustentável assente no desenvolvimento
da capacidade de inovação.
Todos os anos, o IPC recebe centenas de estudantes vindos de instituições
de ensino superior (IES) europeias, bem como docentes e
staff, em programas de mobilidade no âmbito do Erasmus+, mas
também de outros programas que permitem intercâmbios com países
fora da União Europeia, como da América Latina e outros, bem
como proporciona experiências internacionais aos seus membros.
Desde 2023, o Politécnico de Coimbra é uma das oito IES que compõem
“The Green European University – UNIgreen”, aprovada pela
Comissão Europeia no quadro de candidaturas à Iniciativa Universidades
Europeias, no âmbito do programa Erasmus+.
A UNIgreen pretende ser a principal universidade europeia na área
da agricultura sustentável, biotecnologia e ciências do ambiente e
da vida, onde os estudantes e a comunidade académica vão desenvolver
conhecimento e competências para se tornarem agentes
ativos na transição para uma economia neutra em termos climáticos
e, ao mesmo tempo, eficiente na utilização de recursos.
Para cumprir a sua missão essencial - formar pessoas do ponto de
vista humano, cultural, científico e tecnológico – o Politécnico de
Coimbra entende que é seu dever acautelar o bem-estar físico e
psicológico da sua comunidade, quer estudantil quer trabalhadora.
Esta abordagem tem sido feita através de várias vertentes.
Por um lado, a promoção de um ambiente seguro e sustentável.
A necessidade urgente de promover comportamentos amigos do
ambiente em prol de uma melhor saúde ambiental e, naturalmente,
de uma melhor qualidade de vida, levou o IPC a desenvolver o projeto
“Politécnico de Coimbra +Sustentável” através do Serviço de
Saúde Ocupacional e Ambiental (sSOA), para implementar e adotar
medidas estratégicas sustentáveis em toda a instituição e atuar
na alteração de comportamentos a este nível. Entre outras ações,
salienta-se a renovação consecutiva do Galardão Eco-Escolas de
todas as Unidades Orgânicas de Ensino do IPC e a distinção Ecocampus,
tornando o IPC um dos pioneiros e maiores Eco-Politécnicos
do país, como reconhecimento das boas práticas desenvolvidas
em prol de um Politécnico e de um Planeta mais sustentáveis,
assim como o “Projeto IPC a Pedalar”, que disponibiliza bicicletas
à comunidade estudantil. A instalação de ecopontos nas escolas e
serviços do IPC, a distribuição de garrafas de vidro à comunidade,
a promoção da separação de resíduos e a realização de compras
efetuadas com critérios de circularidade são algumas das medidas
que merecem destaque.
Com o objetivo de proporcionar aos estudantes as melhores condições
de estudo e de frequência do ensino superior mediante a
prestação de serviços e a concessão de apoios/bolsas, os Serviços
de Ação Social do Instituto Politécnico de Coimbra (SASIPC),
atualmente administrados por João Lobato, dispõem de diversas
valências e têm vindo a implementar cada vez mais programas de
apoio conforme as necessidades mais prementes que são identificadas.
São disso exemplos o Gabinete de Apoio ao Estudante, com a
missão de prestar apoio pessoal e social, apoio de natureza académica
e pedagógica e apoio vocacional aos estudantes, a atribuição
de auxílios de emergência, a existência de cinco refeitórios (quatro
em Coimbra e um em Oliveira do Hospital) e o alojamento a preços
acessíveis em dois complexos de residências (um em Bencanta
e outro na Quinta da Nora, ambos em Coimbra). O SASIPC presta
ainda apoio a atividades desportivas e culturais dos estudantes.
Recentemente, implementou a Plataforma SASSocial, que permite
aos estudantes terem acesso a vários serviços digitais ao alcance
de qualquer smartphone. Em outubro de 2022, reabriu a Clínica do
IPC, no campus da Escola Agrária, onde é possível aos membros da
p 26
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comunidade acederem a consultas médicas de várias tipologias a
preços mais reduzidos em relação aos praticados no mercado.
Ainda no âmbito da promoção do bem-estar, nos últimos anos o
Politécnico de Coimbra tem desenvolvido o seu Gabinete de Desporto,
tendo como objetivos a promoção da prática regular de
atividade física e desportiva junto de toda a comunidade, o apoio
e articulação das ações das Associações de Estudantes (AE) das
escolas e a organização da prática de atividades de carácter competitivo
e não competitivo, como por exemplo as competições da
Federação Académica de Desporto Universitário (FADU). Ações
como as “Pausas Ativas”, que proporcionam períodos de ginástica
laboral aos colaboradores ou o programa “IPC Active”, com treinos
que podem ser acompanhados online, são exemplos de iniciativas
que têm vindo a ser implementadas. No IPC, é reconhecido o estatuto
do estudante atleta, que pretende fomentar a prática de atividade
desportiva e conciliar a mesma com os estudos.
Finalmente, o IPC tem garantido o financiamento de projetos que
pretendem dar resposta a dificuldades identificadas junto da comunidade
estudantil, nomeadamente aos problemas do insucesso
e abandono escolar ou da saúde mental. Está atento às questões
relacionadas com o conforto físico e social da sua comunidade,
apostando na melhoria das condições térmicas, de eficiência energética
e de acessibilidades dos vários edifícios que constituem o
IPC, através de obras de melhoria das infraestruturas.
Politécnico de Coimbra
45 Anos — A Nossa Missão
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Da esquerda para a direita: Cristina Faria, Maria João Cardoso, Érica Castanheira, João Lobato, Sandra Matos, Carlos Veiga, Ana Ferreira, Jorge Conde, Lúcia Simões Costa,
Daniel Roque Gomes, Sara Proença, António Paulino e Marta Henriques.
As Unidades
Orgânicas
O Politécnico de Coimbra integra seis
unidades orgânicas de ensino que
abrangem uma grande diversidade de
áreas de formação, as quais vão desde as
ciências agrárias e ambiente, passando
pela educação, comunicação, turismo,
artes, gestão, contabilidade e marketing,
até à saúde e engenharias.
Tem ainda unidades orgânicas dedicadas
à investigação e ao apoio à formação e
ao desenvolvimento, nomeadamente o
empreendedorismo e a cultura.
Politécnico de Coimbra
p 32
Escola Superior
Agrária de Coimbra
45 Anos — As Unidades Orgânicas
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A Escola Superior Agrária de Coimbra (ESAC) é a escola agrária
mais antiga do país e conta com 133 anos de história.
O ensino agrícola em Portugal é instituído em 1852 e foi em 1887 que
a Escola Central de Agricultura (em Sintra) foi transferida para Coimbra
e designada por Escola Central Prática de Agricultura. É instalada
na Quinta do Bispo pertencente à Mitra de Coimbra, na Quinta
do Paul e noutras de menor dimensão expropriadas para o efeito.
Ao longo dos anos, foram várias as denominações adotadas pela
escola, a par de reestruturações dos cursos, aprovação de regulamentos
e alterações na duração dos cursos. Em 1912 é aprovado o
regulamento das Escolas Nacionais de Agricultura, em 1915 a duração
dos cursos médios passa para seis anos (quatro de preparação
geral e dois de preparação técnica) e em 1919 introduzem-se
alterações na estrutura dos cursos agrícolas que passam a ter uma
duração de sete anos. Em 1931, a Escola Nacional de Agricultura
passa a designar-se por Escola de Regentes Agrícolas de Coimbra.
Os técnicos diplomados pela Escola passam a ser designados por
Regentes Agrícolas e aprova-se o respetivo regime e plano de estudos.
Em 1950, é alterado o regime e plano de estudos adotados
nas Escolas de Regentes Agrícolas. Em 1976, as escolas de regentes
agrícolas e respetivas secções passam a depender da Direção
Geral do Ensino Superior. Os diplomados com o curso de Regentes
Agrícolas são equiparados a bacharéis. No ano seguinte, em 1977,
é instituído o ensino superior de curta duração.
Finalmente, em 1979, é criada a rede do Ensino Superior Politécnico
que cria escolas superiores agrárias em diferentes regiões,
entre as quais se inclui a Escola Superior Agrária de Coimbra. No
ano seguinte, toma posse a primeira comissão instaladora da ESAC
e, em 1985, a ESAC é integrada no Instituto Politécnico de Coimbra
(Decreto do Governo 46/85, de 22 de novembro; já anteriormente,
o Decreto-Lei nº 513-T/79, de 26 de dezembro, criou a Escola Superior
Agrária de Coimbra). Em 1988, é nomeado o segundo Presidente
da Comissão Instaladora. Nos anos seguintes, são criados
novos cursos e estabelecida uma estrutura vertical da escola, com
a instituição das unidades coordenadoras dos cursos. Em 1995, é
nomeado o primeiro diretor da ESAC, Flávio dos Santos Ferreira,
segundo o novo regime de instalação das escolas superiores, e
toma posse o primeiro Conselho Pedagógico. Em 1997, são homologados
os estatutos da ESAC (Despacho publicado no Diário da
República II Série N.º 96 de 24 de abril de 1997). São eleitos e
tomam posse os membros da primeira Assembleia de Representantes
e o primeiro Conselho Diretivo.
Atualmente, a ESAC ministra Cursos Superiores Técnicos Profissionais
(CTeSP), Licenciaturas e Mestrados nas áreas de agricultura
biológica, agropecuária, ambiente, biotecnologia, ecoturismo,
florestas, gastronomia e tecnologia alimentar, caracterizados por
uma forte componente profissionalizante e por uma ligação muito
próxima ao tecido empresarial, a associações e cooperativas.
Ancorada com orgulho no seu passado secular, a ESAC adaptou-se
naturalmente às novas tecnologias e às mudanças verificadas nos
setores para as quais se encontra vocacionada. Dispõe de instalações
modernas, equipamentos e laboratórios de qualidade, bem
como de extensas áreas agrícolas e florestais que lhe permitem
afirmar-se como uma escola de referência nacional ao nível do ensino
e da investigação agrária.
Escola Superior
de Educação
de Coimbra
45 Anos — As Unidades Orgânicas
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p 37
A Escola Superior de Educação de Coimbra (ESEC) tem na sua génese
a institucionalização do Ensino Normal e a criação, no reinado
de D. Maria II, da Escola Normal Primária de Coimbra, em 1839.
O objetivo inicial das Escolas Normais era a formação de professores
primários, proporcionando conhecimentos específicos para
o exercício da profissão docente a todos os que nelas ingressavam.
Estas passam a chamar-se Escolas do Magistério Primário,
para finalmente darem lugar às Escolas Superiores de Educação
na sequência do Decreto-Lei 513-T/79, de 26 de dezembro, sendo
no edifício da antiga Escola do Magistério Primário que funciona a
atual Escola Superior de Educação de Coimbra.
Em 1979, foram definidos os objetivos fundamentais que, ainda
hoje, estão previstos para as Escolas Superiores de Educação, nomeadamente:
formar professores do ensino preparatório, apoiar
pedagogicamente os organismos de ensino e de educação permanente,
colaborar diretamente no desenvolvimento cultural das
regiões em que estão inseridas e prestar serviços à comunidade,
contribuindo para a resolução de problemas, principalmente os que
assumem carácter regional.
Sob a presidência de Maria Alice Nobre Gouveia, a Comissão instaladora
lança, no ano letivo de 1985/86, as suas primeiras atividades
de formação, com o projeto de Formação em Serviço de Professores
do Ensino Básico e Secundário.
Em paralelo à extinção em Coimbra da Escola do Magistério Primário
e da Escola de Educadores de Infância e à correlativa transferência
de alguns dos seus professores para a nova Escola Superior
de Educação, deu-se início aos necessários procedimentos para a
criação dos primeiros projetos de formação inicial de Educadores
de Infância e de Professores do Ensino Básico.
Com a publicação em Diário da República da Portaria nº 572/87, de
8 de julho, na qual se aprovam os planos de estudos dos cursos
de bacharelato em Educação Pré-Escolar e as variantes de Português-Francês
e de Educação Musical dos cursos de Professores
do Ensino Básico (1º e 2º ciclo), a Escola Superior de Educação de
Coimbra inicia o seu primeiro ano letivo em 1987/88.
Em 1997, foram publicados os estatutos da Escola Superior de
Educação e tomou posse o primeiro Conselho Diretivo, eleito pela
Assembleia de Representantes, marcando assim o fim do período
de instalação.
Hoje, a ESEC compreende áreas de estudo que abrangem não só
a formação de professores em diversas variantes de ensino, como
também ministra cursos nas áreas da comunicação, turismo, artes
e multimédia.
Escola Superior
de Tecnologia e
Gestão de Oliveira
do Hospital
45 Anos — As Unidades Orgânicas
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A Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Oliveira do Hospital
(ESTGOH) está em funcionamento desde 2001. Porém, a ideia e
o conjunto de vontades que levaram à sua criação são bem mais
antigas. Entre 1993 e 1994, o Ministério da Educação revelou a intenção
de, até ao final daquela década, fechar o ciclo de expansão
da rede do ensino superior politécnico estatal. Começava, então, o
labor de vários institutos politécnicos do país no sentido de apurar
a viabilidade da abertura de novos polos.
Neste contexto, o Instituto Politécnico de Coimbra considerava, em
1994, a hipótese de criação de um polo na zona da Beira Serra.
Para avaliar a solidez prática do projeto, encomendou ao Instituto
de Estudos Regionais e Urbanos da Universidade de Coimbra
(IERU) um estudo com o objetivo de “procurar avaliar a previsibilidade
de êxito da eventual localização do Polo Beira-Serra do Instituto
Politécnico de Coimbra no concelho de Oliveira do Hospital”.
Pressupondo a criação de, pelo menos, dois cursos de licenciatura
– um ligado às tecnologias e outro à gestão – o estudo do IERU,
concluído em 1995, apresentava resultados animadores: “estando
garantida a qualidade dos cursos a ministrar, a nova escola poderá
atrair, na região envolvente, um nível de procura mais do que suficiente
para a justificar”.
Apoiado no resultado do estudo e na longa experiência dos seus
polos de tecnologias e gestão, o IPC apresentou ao Ministério da
Educação, na segunda metade da década de 90, a proposta de
criação da ESTGOH, cuja aprovação, em 1999, conduziu ao nascimento
da Escola. As atividades escolares iniciaram-se no ano
letivo de 2001/2002 em instalações cedidas pelo Município de Oliveira
do Hospital, com dois cursos de licenciatura: “Administração
e Finanças” e “Engenharia do Território e do Ambiente”. No ano letivo
de 2002/2003, a par da alteração curricular e de denominação
deste último curso para “Engenharia Civil e do Ambiente”, a EST-
GOH abriu mais uma licenciatura: Engenharia de Computadores e
de Sistemas Informáticos.
Durante o ano letivo de 2003/2004, a ESTGOH preparou a abertura
de uma nova licenciatura em Administração e Marketing, procurando
responder a uma carência de formação nesta área.
Iniciou, no ano letivo de 2004/2005, o primeiro ano da licenciatura
em Administração e Marketing, aumentando para quatro o número
de cursos de licenciatura na Escola.
A busca de novas ofertas educativas pela ESTGOH continuou e, no
ano de 2006, começou a lecionar o seu primeiro Curso de Especialização
Tecnológica (CET), em Telecomunicação e Redes, e em
2007 os CET em Qualidade Ambiental (em parceria com a Escola
Profissional de Santa Comba Dão), Instalação e Manutenção de
Redes e Sistemas Informáticos (em funcionamento na ESTGOH) e
Condução de Obra (em parceria com a Escola Profissional de Santa
Comba Dão e a Escola Profissional da Serra da Estrela). Também
neste ano, deu-se a adequação das quatro licenciaturas ao modelo
de Bolonha.
Nos anos posteriores, a oferta formativa foi sofrendo alterações,
com a criação de novos cursos e com os CET’s a dar lugar aos
CTeSP (Cursos Técnicos Superiores Profissionais) no ano letivo
2015/2016.
Escola Superior
de Tecnologia da Saúde
de Coimbra
45 Anos — As Unidades Orgânicas
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A Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Coimbra (ESTeSC), hoje
integrada no Instituto Politécnico de Coimbra, tem um trajeto evolutivo
que teve o seu início nos Centros de Preparação de Técnicos e
Auxiliares dos Serviços Clínicos, criados pela portaria nº 18523 do Ministério
da Saúde e Assistência, a 12 de junho de 1961, e regulamentados
em 1962 pela portaria nº 19397, de 20 de junho, com o objetivo
de uniformizar a formação de alguns profissionais prestadores de cuidados
de saúde, até então preparados de forma diversa.
Ainda sob tutela do Ministério da Saúde, foram depois reconvertidos
em Centros de Formação de Técnicos Auxiliares dos Serviços
Complementares de Diagnóstico e Terapêutica, através da Portaria
nº 709/80, de 23 de dezembro de 1980.
Em 1982, pelo Decreto-Lei nº 371/82, de 10 de setembro, uma nova
reestruturação cria a Escola Técnica dos Serviços de Saúde de Coimbra,
entidade dotada de personalidade jurídica, autonomia técnica,
administrativa e pedagógica, que ministra formação pós-secundária.
A integração no Ensino Superior Politécnico e a adoção da designação
atual dá-se em 1993 (Decreto-Lei nº 415/93, de 23 de dezembro),
representando apenas o reconhecimento do nível de ensino
que vinha sendo praticado. Nesta data, é colocada em regime
de instalação. Segundo atribuições e objetivos explicitados na Lei
54/90 de 5 de setembro, confere os graus de bacharel e licenciado
(portaria 505-D/99, de 15 de julho), em sete cursos: Análises Clínicas
e Saúde Pública, Audiologia, Cardiopneumologia, Farmácia,
Fisioterapia, Radiologia e Saúde Ambiental.
A 21 de julho de 2004, por via do Decreto-Lei nº 175/2004, é integrada
no Instituto Politécnico de Coimbra, conservando o regime
de gestão. A ESTeSC concebe os seus primeiros Estatutos, homologados
pelo Presidente do IPC em 23 de abril de 2007, procedendo
às primeiras eleições, que permitiram o fim do regime de
instalação, já com 27 anos de duração.
A ESTeSC viu os seus cursos adequados ao Processo de Bolonha
em julho de 2008, a tempo da sua entrada em funcionamento no
ano letivo de 2008/2009. O novo Regime Jurídico das Instituições
de Ensino Superior (RJIES) veio estabelecer que todas as instituições
de ensino superior deveriam proceder à revisão dos seus
estatutos, de modo a conformá-los com o novo normativo. O IPC
viu aprovados os seus estatutos com o Despacho Normativo nº 59-
A/2008 e publicados em 19 de novembro de 2008. Na sequência,
a ESTeSC procedeu à revisão dos seus Estatutos, sendo a primeira
escola do IPC a ver os seus estatutos homologados, em março de
2009 e publicados por via do Despacho nº 11719/2009.
Hoje, a escola oferece as licenciaturas de Audiologia, Ciências Médicas
Laboratoriais, Dietética e Nutrição, Farmácia, Fisiologia Clínica,
Fisioterapia, Imagem Médica e Radioterapia e Saúde Ambiental,
para além de Pós-Graduações e Mestrados.
Instituto Superior
de Contabilidade
e Administração
de Coimbra
45 Anos — As Unidades Orgânicas
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O Instituto Superior de Contabilidade e Administração de Coimbra
(ISCAC) encetou os seus primeiros passos ministrando o Curso de
Contabilidade no ano letivo de 1972/1973, com a denominação de
Instituto Industrial e Comercial de Coimbra. Este evento teve como
origem o reconhecimento da necessidade de implantar o “ensino
técnico médio da administração e comércio” em Coimbra, o que se
viria a efetivar através do Decreto-Lei nº 440/71, de 22 de outubro.
Foi, no entanto, em 1974, por separação entre os ramos de “Indústria”
e “Comércio”, que esta instituição ganhou a sua própria
personalidade, passando a denominar-se Instituto Comercial de
Coimbra. Mais tarde, o Dec. Lei nº 313/75, de 26 de junho, viria a
colocar na dependência da Direcção-Geral do Ensino Superior os
Institutos Comerciais de Lisboa, Porto e Coimbra, equiparando a
bacharel os diplomados em alguns cursos neles ministrados.
Posteriormente, com a entrada em vigor do Decreto-Lei 327/76,
de 6 de maio, os Institutos Comerciais de Lisboa, Coimbra e Porto
deram lugar aos Institutos Superiores de Contabilidade e Administração,
cuja orgânica se encontra instituída no Dec. Lei nº 443/85,
de 24 de outubro. Estas escolas do ensino superior foram posteriormente
integradas no subsistema Politécnico do Ensino Superior
e, no caso do ISCAC, no Instituto Politécnico de Coimbra, pelo Dec.
Lei nº 70/88, de 3 de março. O Dec. Lei nº 443/85, de 24 de outubro,
veio autorizar os Institutos Superiores de Contabilidade e Administração
a conferir o Diploma de Estudos Especializados (DESE)
aos diplomados que concluíssem o Curso de Estudos Superiores
Especializados (CESE) que, para efeitos legais e académicos, era
equivalente ao grau de licenciatura. O ISCAC viria assim a conferir
o DESE em Controlo de Gestão e, mais tarde, o DESE em Contabilidade
e Auditoria e em Gestão de Empresas.
A Lei nº 54/90, de 5 de setembro, foi publicada com o intuito de
definir o estatuto e autonomia das escolas que integrassem os Institutos
Superiores Politécnicos. No entanto, o ISCAC apenas logrou
ver aprovados os seus primeiros estatutos em 1997. Entretanto, a
Escola passou a dispor de novas instalações na Quinta Agrícola,
em Bencanta, para onde se mudou em novembro de 1996.
No ano letivo 1998/1999, tiveram início, tanto em regime diurno
como em regime noturno, as licenciaturas bietápicas em Contabilidade
e Auditoria, em Gestão de Empresas e em Informática de
Gestão, substituindo assim os CESE(s) nessas áreas. Estas mudanças
ocorreram por via da publicação da Portaria nº 417-A/98, de 17
de julho, que aprovou o Regulamento Geral dos Cursos Bietápicos
de Licenciatura das Escolas do Ensino Superior, em consequência
das alterações que, entretanto, foram introduzidas na Lei de Bases
do Sistema Educativo. No ano letivo 2005/2006, foram reestruturados
os cursos existentes (Contabilidade e Auditoria, Gestão de
Empresas e Informática de Gestão) e criados dois cursos: Contabilidade
e Gestão Pública e Solicitadoria e Administração.
No ano letivo 2006/2007, foram submetidos a registo os cursos
existentes no formato Bolonha, tendo o mesmo sido concedido pelo
Ministério em 9 de março de 2007. No ano letivo de 2007/2008, entraram
em funcionamento, segundo o formato de Bolonha, todos
os cursos ministrados neste Instituto. Foi também neste ano letivo
que se criou a ISCAC Coimbra Business School, responsável pela
formação pós-graduada e especializada do ISCAC.
Nos últimos anos, a ISCAC Coimbra Business School tem apostado
na disponibilização de cursos pós-graduados nas suas áreas de
especialização, através de parcerias com instituições e empresas
nacionais e internacionais, afirmando-se como instituição de referência
neste setor.
Instituto Superior
de Engenharia
de Coimbra
45 Anos — As Unidades Orgânicas
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O Instituto Superior de Engenharia de Coimbra (ISEC) resultou da
conversão do antigo Instituto Industrial e Comercial de Coimbra,
determinada pelo Decreto-Lei nº 830/74, de 31 de dezembro. Pelo
decreto de criação “os institutos superiores de engenharia são escolas
de nível universitário”, neles se conferindo “os graus de bacharelato,
licenciatura e doutoramento”.
Desde logo, o ISEC começou por formar bacharéis em engenharia
civil, engenharia eletrotécnica, engenharia mecânica e engenharia
química, ministrando cursos com planos de estudo de oito semestres
(quatro anos).
Em 1988, o ISEC foi integrado no Ensino Superior Politécnico através
do Decreto-Lei nº389/88, de 25 de outubro, tendo os planos
curriculares dos bacharelatos sido reestruturados e reduzidos para
seis semestres (três anos).
Nesta segunda fase de existência, além dos cursos referidos anteriormente,
foram criados, em 1989, o curso de bacharelato em
Engenharia Informática e de Sistemas e, em 1991, o curso de bacharelato
em Engenharia Eletromecânica.
Para além dos seis cursos de bacharelato referidos, funcionaram
também os Cursos de Estudos Superiores Especializados (CESE)
em Engenharia Civil Municipal, desde o ano letivo de 1991/92 até
ao ano letivo de 1994/1995, e o CESE em Sistemas de Energia Elétrica
(SEE), do ano letivo 1997/98 até 1998/99.
Em 1997, foram publicados os Estatutos do Instituto Superior de
Engenharia de Coimbra, decorrente da aprovação da Lei da Autonomia
do Ensino Superior Politécnico (Lei n.º 54/90, de 5 de setembro)
e dos Estatutos do Instituto Politécnico de Coimbra (1995).
Com a alteração da Lei de Bases do Sistema Educativo, Lei n.º
115/97, de 19 de setembro, foram criadas, no ano letivo de 1998/99,
seis licenciaturas bietápicas, constituídas por um 1º ciclo, com a
duração de três anos, que confere o grau de bacharel, e um 2º ciclo,
com duração de dois anos, que confere o grau de licenciatura.
O 1º ciclo entrou em funcionamento no ano letivo de 1998/99 e o
2º ciclo no ano letivo de 1999/2000.
No ano letivo de 2006/2007, entrou em funcionamento o novo curso
de Engenharia Biológica, já estruturado de acordo com o modelo
de Bolonha e conferindo, por isso, o grau de Licenciado ao
fim de três anos letivos. Nesse ano, não foram abertas vagas para
o 1º ano da licenciatura bietápica em Engenharia Química. No ano
letivo de 2007/2008, entram em funcionamento dois novos cursos,
Engenharia Biomédica e Engenharia e Gestão Industrial.
O ISEC tem continuado a sua missão de formar engenheiros para
quadros de empresas e instituições, apostando no trabalho de
investigação e numa forte componente prática dos seus cursos,
alcançando uma reputação sólida junto dos estudantes que procuram
uma formação adaptada ao mercado de trabalho.
Atualmente, o ISEC oferece uma oferta formativa na área das engenharias
biomédica, civil, gestão industrial, eletromecânica, eletrotécnica,
informática, mecânica e gestão industrial das cidades.
Centro Cultural
Penedo da Saudade
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No setor da cultura, a Direção Cultural do IPC, criada em 2017, evoluiu
para a criação de uma unidade orgânica em 2021. Disponibiliza
um programa de atividades diversas e gratuitas abertas principalmente
à participação de estudantes e trabalhadores não docentes,
mas também à comunidade externa, abrangendo as áreas da
música coral, dança, teatro e artes plásticas, contando com várias
atividades, entre elas o coro do Politécnico de Coimbra.
Promove ainda um estatuto especial para o estudante praticante
de atividades artísticas, facilitando o acesso a estas iniciativas
durante a vida estudantil sem daí resultar qualquer prejuízo para o
cumprimento das suas obrigações curriculares.
A sua face mais visível é o Centro Cultural Penedo da Saudade, que
inaugurou em 2019 e abriu ao público a antiga sede dos Serviços
da Presidência do IPC, na Avenida Doutor Marnoco e Sousa, em
Coimbra. Trata-se de um local de promoção e divulgação cultural
e artística, que trabalha em colaboração com as várias Unidades
Orgânicas do IPC, mas também em articulação com outros promotores
culturais da região, promovendo uma programação cultural
continuada e diversificada ao longo de todo o ano.
Os inúmeros eventos realizados ao longo dos já cinco anos de atividade
receberam milhares de visitantes e abrangem um largo espectro
geracional, desde ateliers para crianças e outros para adultos
de todas as gerações (ateliers, tertúlias, concertos intimistas,
apresentações de livros, palestras, exposições, entre outros). São
várias as parcerias estabelecidas com instituições da cidade e região,
que encontram aqui um espaço privilegiado para exporem o
seu trabalho e contactarem com o público.
Instituto de
Investigação
Aplicada (i2A)
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O Politécnico de Coimbra conta com o Instituto de Investigação
Aplicada (i2A) que é a unidade orgânica dedicada à investigação,
desenvolvimento e inovação em diversas áreas científicas e
tecnológicas. O seu principal objetivo é fomentar a investigação aplicada,
promover a transferência de conhecimento para a sociedade
e fortalecer a ligação entre o ensino superior e o tecido empresarial.
O i2A agrega e coordena as diversas estruturas de investigação da
instituição, contribuindo para a racionalização e gestão integrada
dos recursos científicos. Estas estruturas incluem os centros de investigação
e os polos de gestão reconhecidos pela FCT - Fundação
para a Ciência e Tecnologia, laboratórios, e grupos de investigação
especializados em áreas do conhecimento específicas. O objetivo é
criar sinergias, otimizar recursos e promover a cooperação interdisciplinar,
tanto internamente quanto com outras entidades externas.
No presente ano, no âmbito da avaliação das Unidades de I&D pela
FCT, o IPC formalizou a constituição de 3 novos polos de gestão
em Centros de Investigação em áreas estratégicas para a Instituição:
o CEOS.PP - Centro de Estudos Organizacionais e Sociais do
Politécnico do Porto; o INEd – Centro de Investigação & Inovação
em Educação, e o H&TRC - Health & Technology Research Center,
para além do já existente polo do CITUR Coimbra - Centro de Investigação,
Desenvolvimento e Inovação em Turismo. Robusteceu
o CERNAS - Centro de Estudos em Recursos Naturais, Ambiente
e Sociedade, com a criação de um novo polo do Instituto do Politécnico
de Santarém, propôs a criação do novo Centro de Investigação
em Gestão de Ativos e Engenharia de Sistemas (RCM2+), e
integrou ainda o Centro de Investigação & Inovação em Desporto
Atividade Física e Saúde (SPRINT).
Relativamente aos laboratórios inclui: o Laboratório de Biomecânica
Aplicada (LBA), o Laboratório de Investigação Aplicada em
Saúde (LabInSaúde), o Laboratório de Computação de Elevado
Desempenho (LaCED), o Laboratório RoboCorp, o Laboratório de
Sistemas Industriais Sustentáveis (SiSus) e o Laboratório de Valorização
de Recursos Endógenos e Naturais (ValoRen).
Ao longo dos últimos anos, o i2A tem pautado a sua atuação pela
aposta em mais investigação, potenciando a colaboração entre as
várias unidades de ensino e a criação de redes. O i2A presta apoio
às esquipas de investigação na procura de oportunidades de financiamento
e durante a execução dos projetos de investigação e
inovação desenvolvidos pelos professores e investigadores do IPC,
em colaboração com outras instituições académicas, empresas e
organizações. As áreas fundamentais de investigação abrangem
várias disciplinas, incluindo as ciências agroalimentares e do ambiente,
da engenharia, da saúde, ciências sociais e da educação.
Além disso, com os programas de apoio vigentes, oferece suporte
aos professores, investigadores e estudantes do IPC, promovendo
a disseminação dos resultados de investigação através de publicações,
participação em conferências e outros eventos científicos.
INOPOL
Academia de
Empreendedorismo
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No âmbito da sua missão, o Politécnico de Coimbra tem como objetivo
estratégico promover uma cultura de inovação e empreendedorismo,
de estímulo a práticas e processos de inovação, assim como de transferência
para a sociedade do conhecimento gerado na instituição.
Em 2013, o IPC criou o INOPOL Academia de Empreendedorismo,
que viu a sua missão e raio de atuação fortalecido em 2020 com um
novo modelo de funcionamento e, em 2021, com a sua constituição
como Unidade Orgânica de apoio à formação e ao desenvolvimento.
A estratégia do INOPOL consubstancia-se em três eixos de atuação
principais: i) Academia de empreendedorismo e networking;
ii) Proteção e gestão da propriedade intelectual e transferência de
tecnologia; iii) Incubação de empresas.
O INOPOL proporciona à comunidade académica e a todo o ecossistema
de empreendedorismo e inovação da Região mecanismos
de apoio à criação e desenvolvimento de ideias e projetos inovadores
de base científica e tecnológica e com potencial de mercado.
Neste âmbito, o INOPOL atua em diferentes domínios complementares,
com destaque para a incubação de empresas (sobretudo
startups e spinoffs oriundas do IPC ou com forte ligação à instituição),
a capacitação e networking e a transferência de conhecimento
e tecnologia para o tecido empresarial.
Em resultado deste posicionamento, tem-se afirmado cada vez
mais como um player relevante nas áreas da inovação, empreendedorismo
e interface entre ciência, tecnologia e economia, tendo
vindo a reforçar integração em redes, consórcios e projetos em
coordenação com outros agentes do ecossistema.
Esta aposta transversal no desenvolvimento de competências de
inovação e empreendedorismo dentro da comunidade académica
enquadra-se numa estratégia global da instituição de promover a
empregabilidade e atratividade dos diplomados junto do mercado
de trabalho, assim como de capacitá-los para processos de integração
profissional e desenvolvimento de carreira. São de destacar
iniciativas levadas a cabo pelo INOPOL como o “Job Summit IPC
& Science2Business”, que teve a sua segunda edição em 2024 e
pretende aproximar os estudantes provenientes das várias escolas
do IPC das empresas e do mercado de trabalho; o “Programa
Trilhos – Ativa o teu futuro”, que procura facilitar a integração no
ensino superior para ajudar os estudantes a enriquecer o currículo
académico, a desenvolver competências e o autoconhecimento;
ou a dinamização do Concurso Regional Poliempreende, a maior
rede de promoção do Empreendedorismo no panorama do ensino
superior politécnico português e que junta estudantes e docentes
com o objetivo de desenvolverem, num formato de competição,
projetos, e onde se pretende promover uma cultura empreendedora,
estimulando a criatividade, a inovação, o espírito de iniciativa e
a capacidade de trabalho em equipa.
Capítulo II
Recuperar
a História.
Politécnico de Coimbra
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A Casa
do Bispo
45 Anos — A Casa do Bispo
A Casa do Bispo é a nova “casa” dos Serviços
da Presidência do Politécnico de Coimbra.
Uma intervenção realizada nos últimos anos
permitiu recuperar um edifício histórico,
classificado como Imóvel de Interesse
Público,estando abrangidos os azulejos
existentes na mesma, segundo o DL n.º 47508
(DG I Série, n.º 20 de 24.01.1967), devolvendo
a dignidade a um espaço que estava
abandonado e trazendo a vida de volta às salas
e corredores do mesmo. Permitiu também
dotar o Politécnico de Coimbra de um espaço
que se assume como “cartão de boas vindas”
da instituição, dignificando os seus elementos
e a própria cidade de Coimbra.
Politécnico de Coimbra
p 56
p 57
A Casa do Bispo faz parte do conjunto arquitetónico da Quinta do Bispo,
localizado em São Martinho do Bispo, que inclui também a Adega,
a Vinagreira, o Hangar, o Apiário, a Sirgaria e o Chalé do Bispo. Trata-
-se de um conjunto arquitetónico com um passado histórico de forte
interesse cultural para toda a comunidade.
Ao longo dos anos, os edifícios acima referidos foram sofrendo
diversas intervenções que alteraram as suas características originais,
nomeadamente a nível de espaços interiores e de arranjo
exterior. Pretendeu-se, assim, reabilitar o existente, respeitando as
características originais dos edifícios e todas as normas regulamentares
em vigor, conjugando passado e futuro com uma linguagem
mais contemporânea no que diz respeito às soluções estéticas,
às técnicas construtivas e materiais aplicados.
Numa primeira fase, realizou-se a reabilitação da Casa do Bispo e
procedeu-se ao arranjo urbanístico dos seus pátios e do espaço
que contorna o edifício e foi criado um estacionamento de apoio.
A obra foi concluída no final de outubro de 2023 e este edifício já
se encontra em pleno funcionamento, acolhendo os Serviços da
Presidência, a par de outros serviços centralizados, um auditório
com 36 lugares e uma sala de reuniões.
Prevê-se, numa segunda fase, reabilitar os edifícios da Adega,
da Vinagreira, a construção de um edifício de apoio que se define
como espaço exterior coberto de receção aos dois edifícios
principais e uma intervenção mais profunda a nível de arranjo dos
espaços exteriores, nomeadamente da zona de entrada principal
com a praça de chegada, parque de estacionamento e escadaria
de acesso ao conjunto arquitetónico e da alameda e dos seus
espelhos de água com a criação de um percurso pedonal, tirando
partido da paisagem singular da Escola Superior Agrária, onde o
conjunto arquitetónico está situado.
A Quinta do Bispo, onde atualmente se encontra instalada a Escola
Superior Agrária do Politécnico de Coimbra, foi, em 1888, a Escola
de Regentes Agrícolas de Coimbra que nasceu em terrenos pertencentes
a vários proprietários, do qual o núcleo central e principal
era constituído pela Quinta de S. Martinho ou Quinta do Bispo,
pertencente ao Episcopado de Coimbra. Entre o final do século XVI
e o início do século XVII, foi utilizada como Casa de Campo pelos
bispos de Coimbra, sendo local de descanso e recolhimento do
Bispo e também do alto clero coimbrão, devendo a essa razão a
designação de Quinta do Bispo.
Uma das figuras importantes ligadas à história deste espaço foi D.
Afonso Castelo Branco, prelado do Bispado de Coimbra de 1583 a
1615 e Doutor em Teologia pela Universidade de Coimbra. D. Afonso
Castelo Branco nasceu em Santiago do Cacém em 1522 e faleceu na
cidade universitária a 12 de maio de 1615, encontrando-se sepultado
na Sé Velha de Coimbra. Era filho ilegítimo de D. António de Castelo
Branco, deão da Capela Real, e neto dos primeiros condes de Vila
Nova de Portimão. D. Afonso Castelo Branco foi nomeado vice-rei de
Portugal por Filipe II em 1603 e assumiu-se como mecenas para a cidade
de Coimbra, na medida em que contribuiu para a reconstrução
do Paço Episcopal e do convento de Santo Agostinho (1593), reergueu
a Igreja dos Jesuítas (1598), hoje Sé Nova, fundou o Convento
dos Carmelitas Descalços (1606), patrocinou a construção do coro e
recuperação do Mosteiro de Celas, além de ter colaborado em obras
civis como estradas, hospitais e Misericórdia de Coimbra. O mesmo
terá sido responsável pela construção de algumas das instalações
ainda existentes na Quinta do Bispo.
A construção da Quinta data possivelmente dos finais do século
XVI, princípios do século XVII, 1583-1615, sendo anterior ao Jardim
de Santa Cruz de Coimbra.
Os bispos sucessores também tiveram interesse por esta residência
de campo. O sucessor imediato de D. Afonso Castelo Branco foi D.
Afonso Furtado de Mendonça (bispo de 1615 a 1618), que terá preparado
ali a sua entrada em Coimbra. Outro sucessor que deixou a
sua marca na história deste espaço foi o bispo D. João Mendes Távora,
prelado no período entre 1638 e 1646, data provável do brasão
episcopal que se pode observar ainda hoje no portão do caminho de
acesso ao centro do conjunto arquitetónico da Casa do Bispo. Este
escudo terá sido picado durante o governo de Marquês de Pombal.
Por sentença de 12 de janeiro de 1759, foram-lhe picadas as armas
no epitáfio da sepultura por pertencer à família dos Távoras.
Outros prelados se sucederam, havendo registo que alguns dedicaram
tempo e deixaram a sua marca na Quinta do Bispo: D. João
de Melo, bispo de 1684 e 1704, D. Miguel da Anunciação, bispo
de 1741 a 1779, D. Francisco de Lemos de Faria Pereira Coutinho,
bispo de 1779 a 1822, entre outros.
Politécnico de Coimbra
Fonte Fotografia:
Sistema de Informação para
o Património Arquitetónico
(www.monumentos.gov.pt)
No ano de 1887, o Governo Português expropria a Quinta de S. Martinho
à Mitra de Coimbra para, em conjunto com outras terras expropriadas
a particulares, construir uma Escola de Agricultura, a Escola
Prática Central de Agricultura, a primeira antecessora da atual ESA-
C-IPC. Desde então, a Casa do Bispo foi servindo de alojamento a
professores, alunos e funcionários e as suas dependências agrícolas
foram tendo vários usos até ao seu progressivo abandono.
Feita esta breve síntese da história da Quinta do Bispo, regressemos,
então, à intervenção efetuada na Casa do Bispo. Este edifício remonta
ao período entre o final do século XVI e o início do século XVII e a sua
morfologia inicial revelava dois corpos que abriam para um pátio, destacando-se
ainda um varandim de colunas de pedra. Composta por
dois pisos, a Casa continha um pequeno claustro intimista, a partir do
qual se tinha acesso à maioria dos seus espaços interiores.
O projeto de intervenção agora realizado pretendeu “limpar” o edifício
de elementos que apenas o descaracterizavam, proporcionado
uma leitura clara, harmoniosa e uniforme de todo o conjunto,
conjugando de forma elegante e funcional o antigo e o novo, a história
e a modernidade.
Nos espaços exteriores, a intervenção efetuou a melhoria nos acessos,
desde o campus das escolas ao conjunto edificado, designado
Alameda, bem como a construção de dois parques de estacionamento
automóvel e a definição de uma entrada principal, mais direta,
desde a via pública. Teve-se em atenção a preservação da permeabilidade
do solo, respeitando assim o índice de impermeabilização.
Na área exterior assumem-se dois eixos de entrada no edifício
principal. O eixo Alameda-Brasão, que interliga a Alameda (um dos
acessos rodoviários), com os seus tanques de água e a sua linha
de árvores bem definida, com a criação de caminhos pedonais à
Casa do Bispo, atravessando o grande pátio onde se manifesta o
pórtico com o seu brasão, voltando a assumir um papel central,
com a reabilitação do seu portão e o rebaixamento da via pública,
interligando assim à zona de estacionamento criada em terreno
contíguo. É ainda percetível um outro eixo, perpendicular ao primeiro,
que liga o portão principal do conjunto à entrada principal da
Casa e que se manifesta predominantemente pedonal. O primeiro
possui um enquadramento mais natural, o segundo mais arquitetónico
pelo atravessamento dos seus pátios e edifícios.
A distribuição dos espaços interiores foi definida tendo por base
a vontade de concentrar todos os Serviços da Presidência num
único espaço físico, a funcionalidade programática e o fácil acesso
a todas as dependências. É possível verificar que no piso 0 se reúnem
os espaços de carácter mais público, como a receção, o auditório,
o claustro central agora transformado em sala de entrada e
convívio, a sala de reuniões, as instalações sanitárias, a copa e as
instalações técnicas. No piso 1, concentram-se os gabinetes, sala
de reuniões, instalações sanitárias e salas de apoio.
A proposta teve por base as pré-existências e a caracterização
física do edifício, intervindo na demolição das divisões interiores,
fruto das múltiplas ocupações que o edifício foi sofrendo, na reabilitação
dos revestimentos exteriores, preservando-se a sua estrutura
e acabamento e na substituição da cobertura, aplicando
ainda uma subcamada que permitiu isolar melhor o edifício. Também
se interveio nas caixilharias, tornando-as termicamente mais
eficazes, preservando, no entanto, as cantarias existentes. De um
modo geral, foram preservadas as fachadas, a estrutura principal
em alvenaria de pedra e todos os elementos decorativos originais,
incluindo cantarias dos vãos, claustro interior, escadarias exteriores
e algumas inscrições de siglas gravadas por pedreiros. As alterações
prendem-se essencialmente com as divisões interiores e a
organização do espaço para albergar as novas funções.
Um dos pontos marcantes do projeto da Casa do Bispo foi a reabilitação
do seu claustro interior, interpretado como uma praça coberta
de ligação de todas as valências que o edifício oferece. A sua
luz natural possibilita a sensação de se estar num espaço aberto,
de distribuição e de convívio, uma “sala de estar” para visitantes e
trabalhadores. Ao lado da histórica alvenaria de pedra natural, foi
adicionado um piso em soalho de carvalho conjugado com novos
elementos estruturais pintados de branco, tais como serralharias,
carpintarias, escadas, paredes e tetos. Conjugam-se, assim, história,
autenticidade e contemporaneidade.
O processo de obra permitiu identificar indícios das diferentes
p 58
Politécnico de Coimbra
45 Anos — A Casa do Bispo
p 60
p 61
adaptações e reestruturações que o edifício sofreu ao longo dos
tempos, podendo observar-se três níveis de intervenção correspondentes
a diferentes épocas. O primeiro nível corresponde à
construção inicial do edifício, entre o final do século XVI e início
do século XVII. O segundo nível corresponderá presumivelmente
ao século XVIII, 70 centímetros acima da cota inicial, e o terceiro
nível de intervenção já entre o final do século XIX e o início do século
XX, 50 centímetros acima da cota anterior. Estes diferentes
níveis de intervenção poderão estar associados a necessidades de
adaptação às condições do terreno da Quinta do Bispo que, dada
a proximidade do ribeiro de São Martinho, estava sujeito a inundações
frequentes.
Nos anos 70 do século passado, a casa sofreu obras que provocaram
a sua descaracterização. Especialmente no interior, desapareceram
tetos e pavimentos antigos de madeira, pedras e colunas do antigo
claustro. Também neste período, foram retirados os antigos azulejos
desenhados com edifícios e paisagens do século XVIII que se encontravam
a revestir as paredes até cerca de um metro de altura.
Já em de 31 de janeiro de 1964, num ofício da Secção dos Serviços
dos Monumentos Nacionais do Ministério das Obras Públicas, a
propósito da criação das novas instalações da Escola de Regentes
Agrícolas e da possível demolição do edifício da Casa do Bispo, é
destacado como motivo de interesse a existência dos lambris com
azulejos e sugerida a retirada dos mesmos para um museu nacional.
A maior parte destes azulejos foram guardados e catalogados e estão
a ser alvo de uma intervenção gradual, num trabalho assumidamente
meticuloso e moroso de reconstrução dos painéis anteriormente
existentes. O objetivo é poder, no futuro, reconstituir estes painéis,
emoldurá-los e colocá-los em exposição na Casa do Bispo em lugar
de destaque, devolvendo-lhes, assim, importância e dignidade.
O futuro do conjunto patrimonial da Quinta do Bispo e dos seus
restantes elementos está a ser preparado, estando previstas intervenções
que permitem reabilitar os edifícios e proporcionar novas
valências ao Politécnico de Coimbra.
No edifício da Adega, propõe-se a implantação de uma grande Sala
de Atos e no edifício da Vinagreira está previsto um espaço destinado
a exposições e apoio de eventos. A Adega e a Vinagreira
serão interligadas por um corpo exterior, coberto, ao qual será atribuída
uma estética contemporânea.
Pela necessidade de interligar, interiormente, a Casa do Bispo ao
edifício da Adega, com a sua Sala de Atos, e ao da Vinagreira, com
os seus espaços de exposições, foi já criado um corpo que permite
a ligação vertical entre todos os pisos. Este novo elemento, de
linguagem contemporânea, procura integrar, de forma discreta, os
edifícios existentes, através de umas escadas que “serpenteiam”
ao longo dos diferentes pisos.
Fontes:
Reconversão de edifícios para sede da
Presidência do Politécnico de Coimbra
SC|IPC, Projeto de Arquitetura, outubro
de 2019, DGPI | Departamento de
Gestão do Património e Infraestruturas
do IPC; Relatório Prévio Quinta do Bispo,
Versão 1.0, 06 de janeiro de 2021.,
DGPI | Departamento de Gestão do
Património e Infraestruturas do IPC.
Politécnico de Coimbra
45 Anos — Introdução
p 62 p 63
Camões em
São Martinho do Bispo?
— indícios e conjecturas
Pedro Bingre do Amaral, Professor Adjunto da ESAC - IPC
45 Anos — Camões em São Martinho do Bispo?
O dia em que nasci moura e pereça,
Não o queira jamais o tempo dar;
Não torne mais ao Mundo, e, se tornar,
Eclipse nesse passo o Sol padeça.
Assim, em termos amargurados, se refere à data do seu nascimento
Luís Vaz de Camões, o príncipe dos poetas de língua portuguesa.
Roga ao destino que se eclipse o astro que nos ilumina, e mantenha
nas trevas o dia e o sítio em que o vate viu pela primeira vez a luz.
Por ironia desse mesmo destino, quiseram precisamente as vicissitudes
da história que se eclipsasse não somente o Sol, mas
qualquer documento fidedigno que confirme quando nasceu, onde
nasceu e onde foi educado este grande homem das letras, sobre
o qual pouco nos dizem os registos notariais e paroquiais coevos.
Terá nascido num dia 23 de janeiro, conforme sugerem os astrónomos
após consultarem as tabelas de eclipses solares do primeiro
quartel do século XVI? Terá nascido em 1517, 1524 ou 1525, conforme
postulam biógrafos vários? Terá nascido em Coimbra, Lisboa,
Alenquer, Santarém, ou alhures?
E — questão de especial interesse para o Politécnico de Coimbra
— terá o Poeta passado os anos formativos da sua adolescência
nas margens do Mondego, mais precisamente em São Martinho
do Bispo? Terá pisado a veiga onde hoje se encontra a Quinta do
Bispo?
Que quereria dizer o poeta na canção onde diz
Vão as serenas águas
Do Mondego descendo
E mansamente até o mar não param;
Por onde as minhas mágoas,
Para nunca acaba se começaram.
(...)
Trata-se de uma das três menções que o poeta faz ao Mondego na
parte lírica sua obra. Poucas, na verdade, mas prenhes de emoção,
de saudade. Outra, onde esse sentimento é explícito, é a elegia
Correntes águas frias do Mondego,
dignas de ser somente celebradas
de outro engenho, menos que o meu cego:
correi agora, claras e apressadas,
por esses campos verdes saudosos,
banhando-lhe as flores prateadas
(...)
Os campos se revistam de tristeza;
jamais se veja neles primavera;
em tudo lhe falte arte e natureza.
Nada do que dá o Céu, que a gente espera
se possa achar aqui, nem ache abrigo
Ninfa, gado, pastor, nem ave ou fera.
Tudo, como a mi foi, lhe seja imigo;
que, por força de estrela ou de costume,
fujo do melhor sempre e o pior sigo.
p 64
p 65
Aquele dos meus olhos doce lume,
por quem alegre fui, por quem sou triste,
e a vida em largas queixas se consume,
donde está, cego Amor? Onde encobriste
um bem de tanto tempo, em um momento,
depois que tão sujeito a ti me viste?
(...)
Sentimento esse que não esmorece e se manifesta
também no soneto
Doces e claras águas do Mondego,
Doce repouso de minha lembrança,
Onde a comprida e pérfida esperança
Longo tempo após si me trouxe cego,
De vós me aparto, sim; porém não nego
Que inda a longa memoria, que me alcança,
Me não deixa de vós fazer mudança,
Mas quanto mais me alongo, mais me achego
Bem poderá a Fortuna este instrumento
Da alma levar por terra nova e estranha,
Oferecido ao mar remoto, ao vento.
Mas a alma, que de cá vos acompanha,
Nas azas do ligeiro pensamento
Para vós, águas, voa, e em vós se banha.
Terão as suas mágoas começado junto às correntes do rio que banha
esta cidade, ou terá meramente gozado a liberdade artística
para criar uma personagem que, não sendo ele, servia para projectar
os seus anelos e fantasias? Como poderemos saber por onde
caminhou e que fez da sua vida, na realidade, além da literatura?
De facto, um dos motivos de incansável fascínio pela vida de Camões
continua a ser a circunstância de muito pouco se saber a seu
respeito. Da obra publicada em sua vida resta-nos apenas o poema
épico Os Lusíadas, datado de 1572, ao qual se somam três pequenos
poemas publicados em livros de terceiros. Enquanto viveu,
quase todos os demais versos seus circularam apenas em cópias
manuscritas, das quais se serviu Fernão Rodrigues Lobo Soropita
para editar e dar ao prelo o segundo livro impresso sob nome de
Luís de Camões, ainda que póstumo: as Rimas (1595).
Além dos versos publicados em vida, são parcas as evidências
coevas a respeito de Camões. As muito poucas que subsistem encontram-se
guardadas na Torre do Tombo.
Depositada na Torre do Tombo encontra-se, entre a Chancelaria de
D. João III, Perdões e Legitimação, uma carta régia datada de 7 de
Março de 1553 onde se lavrou um indulto concedido pelo monarca,
libertando o vate da prisão onde fora detido por causa de uma arruaça
em que se envolvera perto em Lisboa; nesse escrito também
refere a partida subsequente do perdoado para a Índia. Em fólios
relativos ao mesmo processo registam-se os nomes dos pais de
Camões (Simão e Ana). Este documento de D. João III descreve o
pai de Camões como “cavaleiro fidalgo”; Camões é descrito como
“mancebo”. Em nenhum deles se menciona onde nascera ou fora
educado.
No mesmo tombo encontram-se também entre a Chancelaria de D.
Sebastião e D. Henrique documentos relacionados com o alvará de
benefício que lhe foi concedido pelo rei D. Sebastião em 27 de julho
Politécnico de Coimbra
45 Anos — Camões em São Martinho do Bispo?
de 1572, como reconhecimento pelo mérito de Os Lusíadas: “faço
saber (...) que, havendo respeito ao serviço que Luís de Camões,
cavaleiro fidalgo de minha casa, me tem feito nas partes da Índia
por muitos anos e aos que espero que o diante me fará e a suficiência
que mostrou no livro que fez das cousas da Índia, hei por bem
e me apraz de lhe fazer mercê de quinze mil réis de tença em cada
um ano por tempo de três anos somente.”
Na mesma Chancelaria existe ainda um outro documento especialmente
significativo datado de 1582, ou seja dois anos após o
falecimento do poeta; nele onde confirma a transferência daquela
mesma tença à mãe de Camões, que lhe sobrevivera. Este documento
é importante por registar a data em que o poeta morreu:
10 de junho de 1580. Hoje esta efeméride é comemorada anual
e oficialmente como Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades
Portuguesas, durante o qual se homenageia não apenas o
poeta como também o país, os portugueses, a cultura lusófona e
a presença portuguesa por todo o mundo. Ironicamente, apenas
três semanas antes do falecimento de Luís Vaz a coroa portuguesa
fora cingida por Dom Filipe I, o primeiro monarca da dinastia filipina
sob a qual vieram a dar-se seis décadas de União Ibérica. O poeta
vivera o tempo suficiente para assistir à perda da independência
do reino que tanto louvara.
Sabe-se, pois, a data oficial da morte de Camões— mas não a do
seu nascimento. Supõe-se que o ano mais plausível terá sido 1524,
pelos motivos que veremos adiante. Quanto ao dia propriamente
dito, em 1940 o escritor alentejano Mário Saa (1893–1971) publicou
uma ousada hipótese no livro de título auto-descritivo As Memórias
Astrológicas de Camões e o Nascimento do Poeta em 23 de Janeiro
de 1524, posto exactamente um ano passado sobre data havia
de facto ocorrido, conforme atestam os cientistas da especialidade,
um certo astronómico referido pelo vate:
O dia em que nasci moura e pereça,
Não o queira mais o tempo dar,
Não torne mais ao mundo e, se tornar,
Eclipse nesse passo o Sol padeça.
Em janeiro de 2024 o Observatório Geofísico e Astronómico da
Universidade de Coimbra, relembrando esse eclipse literal a par do
literário, recolocou em discussão a hipótese de ser aquela a data
certa para celebração do 500.º aniversário do poeta.
Além daqueles documentos legais e destas conjecturas astronómicas,
tudo o que sabemos sobre a vida de Luís Vaz baseia-se em
fontes que se contradizem em várias passagens:
· uma breve menção sobre Camões na Década 8.ª da Ásia publicada
por Diogo do Couto (1542-1616), que com ele privara;
uma breve anotação de Domingos Fernandes, livreiro em
Coimbra, que ao dedicar àquela universidade a sua edição
das Rimas de 1607 afirma que o poeta nascera naquela cidade;
·
· quatro apontamentos biográficos escritos no século XVII,
quase duas gerações volvidas após a morte do poeta: o de
Pedro de Mariz, no breve prólogo a uma edição dos Lusíadas
(1613), o de Manuel Severim de Faria num capítulo do
seu livro Discursos Vários Políticos (1624) e dois de Manuel
de Faria e Sousa sob a forma de prólogos a uma edição
póstuma espanhola dos Lusíadas (1639) euma das Rimas
(1685).
p 66
p 67
Quanto ao ano em que Camões nasceu, Pedro de Mariz, conimbricense
por naturalidade e bibliotecário da universidade de Coimbra,
não se pronunciou (nem registou o ano em que Luís morrera); informou
apenas que o poeta era filho de Simão Vaz de Camões “natural
desta cidade” — sem indicar de qual se tratava, se Lisboa (onde o
livro se publicou) ou Coimbra.
Já Manuel Severim de Faria (1584–1655) asseverou que o poeta
nascera em 1517, em Lisboa e não em Coimbra; no entanto “sendo
moço foi estudar a Coimbra, que então começava a florescer
em todas as ciências (…) e aprendeu a língua latina, e Filosofia, e
mais letras humanas com tanta perfeição como mostram os seus
escritos”.
No seu primeiro esquiço biográfico do poeta, Manuel de Faria e
Sousa regista também 1517 como o ano do nascimento do poeta,
mas compara este último ao rio Nilo, cujo local onde nasce era (à
época) desconhecido; porém, na sua segunda biografia, corrige-se
e afirma que o poeta nascera em Lisboa, alegando que entretanto
lera um registo da Casa das Índias datado de 1550 onde se fazia
menção de “Luís de Camões, filho de Simão Vaz e Ana de Sá, moradores
de Lisboa na Mouraria; escudeiro de 25 anos, barbirruivo”.
Conclui, de algum modo, que Camões nascera em 1524 (e não em
1525, como a aritmética sugeriria). Dá por assente que estudara
em Coimbra. (Seja como for, não se encontram quaisquer registos
de matriculação ou de frequência do vate na universidade). Facto
curioso, Faria e Silva afirma que o seu avô Estácio convivera de
perto com o poeta.
Ponderadas as evidências, as informações mais fidedignas que podemos
obter a respeito da vida de Camões resultam do volumoso
processo sobre que culminou na já referida carta de perdão do rei
D. João III (1553), da qual se conclui que o poeta tinha uma personalidade
atrabiliária e se envolvia frequentemente em lutas. Por algum
motivo inexplicável, os quatro primeiros biógrafos de Camões
mantiveram-se silenciosos quanto à briga que que provocou a sua
detenção. Em contrapartida, não se coíbem de mencionar prodigalidade
do poeta e o seu modo de vida foliona, a qual o manteve
em miséria perpétua apesar dos rendimentos que ia conseguindo.
Daqui resultava a contradição entre a sua suposta fidalguia e a indigência
em que passou os seus dias.
Porque de suposição, presunção apenas, de nobreza se tratava.
Sendo certo que existia então uma família portuguesa provavelmente
fidalga de apelido Camões, com origens na Galiza e um
ramo estabelecido na Torre da Camoeira (município de Évora), não
é seguro que os costados de Luís Vaz de Camões entroncassem
naquela linhagem. Existe, como se mencionou acima, um documento
autêntico datado de 1553 no qual progenitor do poeta é
designado por Simão Vaz, pai de Luís Vaz de Camões; e outros
dois de 1582 onde novamente se omite o apelido Camões a Simão
Vaz. Será de ter em conta que os costumes nos usos de apelidos
eram por então relativamente anárquicos, apesar de as Ordenações
do Reino proibirem a usurpação de apelidos nobres. Ainda
que os biógrafos dos séculos XVII, começando por Pedro de Mariz,
lhe tenham atribuído parentescos de altíssimo coturno — como os
condes do Vimioso — os nobiliários e os cartórios de nobreza não
atestam tal prosápia.
A indigência dos seus meios e a obscuridade documental quanto
ao seu nascimento não impediram, contudo, o poeta de conviver
com a nobreza do seu tempo, tanto perto da Corte lisboeta como
noutras paragens. Uma das evidências a esse respeito é a profunda
erudição que ressuma dos seus versos, a qual — nesses tempos
em que os livros eram objectos de luxo superlativo e a educação
privilégio de poucos — estaria apenas ao alcance quase exclusivo
da mais alta nobreza, da burguesia mais abastada, ou da elite eclesiástica.
Nem mesmo as casas mais abastadas contavam nas suas
estantes mais do que umas escassas dezenas de livros, se tanto,
cingindo-se a grande maioria destes a textos de cariz religioso.
Politécnico de Coimbra
45 Anos — Camões em São Martinho do Bispo?
Neste contexto, a biblioteca do Convento de Santa Cruz de Coimbra,
onde se encontravam obras sagradas e profanas e seria porventura
o melhor repositório da cultura literária no Portugal quinhentista,
terá tido um papel importante. Em parte por este motivo,
em 1537 o rei D. João III decidiu transferir os Estudos Gerais de
Lisboa para Coimbra, atendendo à vantagem de permitir aos universitários
usufruir da biblioteca dos frade crúzios da cidade mondeguina.
Foi a terceira e última vez em que um monarca português
fizera trasladar essa instituição da foz do Tejo para as margens
do Mondego. Impulsionada por esta decisão régia, assistiu-se a
um surto de desenvolvimento urbano em Coimbra no século XVI,
traduzido na abertura de arruamentos (como a Rua da Sofia, ou
seja, do conhecimento, traçada logo em 1536 como um modelo
ampliado da Sorbonne parisina) e na construção de novos edifícios,
começando pelos colégios que ladeavam essa nova artéria.
Estas obras requereram de mão-de-obra, à qual se somaria o corpo
de docentes e funcionários colegiais — o que terá contribuído
para um crescimento populacional de 5.200 para 10.000 habitantes
entre 1527 e 1570.
À data da transferência dos Estudos Gerais, era então prior claustreiro
(“crasteyro”, como se grafava à época) de Santa Cruz Dom
Bento de Camões, a quem vários biógrafos dão como tio paterno
de Luís Vaz. Não é possível confirmar este parentesco; regista-se
porém que nesse século residia em Lordemão, numa quinta abastada,
uma família de apelido Camões.
Quando se deu a transferência da universidade para Coimbra, o
poeta teria 13 anos de idade e, segundo o biógrafo novecentista
alemão Wilhelm Storck (1829–1905), amigo da professora coimbrã
Carolina Michaelis de Vasconcelos (1851–1925), as evidências testemunhais
e literárias sugerem que Camões terá necessariamente
adquirido a sua imensa erudição na universidade. Se não consta
dos registos de matrículas, tal facto dever-se-á a um motivo prosaico:
faltavam-lhe meios financeiros para pagar as propinas, situação
que lhe negava o direito de se apresentar a exames para
obter diploma, mas não o impediria de assistir às aulas sem formalidades.
Daí o aparente contra-senso de embora ter sido dado
como estudante universitário por Domingues Fernandes, não se
encontrar arrolado entre os inscritos.
Sabemos, graças ao supra-citado alvará de perdão de D. João III,
que em 1553 Luís Vaz estaria em Lisboa. (Não está confirmada a
passagem do poeta por Ceuta na segunda metade da década de
1540). Daqui resultaria que, a ter feito os seus estudos nalguma faculdade
conimbricense, o terá feito entre 1537 e no máximo 1553,
ou seja entre os seus 13 e 30 anos idade —precisamente num período
em que esta cidade atraía alguns dos melhores intelectos
portugueses desse século e para aonde fluía o investimento régio
na cultura e na erudição.
Dando por válida a hipótese de o poeta ter estudado em Coimbra,
será oportuno perguntar: onde terá residido e quais seriam os seus
meios de subsistência, já que todos os testemunhos descrevem a
sua condição paupérrima, apesar de ser tido por filho de um cavaleiro-fidalgo?
Vários biógrafos sugerem a possibilidade de Camões ter sido contratado
por Dom Fernando de Noronha (1507–1574), 2.º conde de
Linhares, para servir de perceptor do seu filho Dom António de
Noronha (1536–1553), treze anos mais novo do que o poeta. Foi
chorando a morte deste Noronha em Ceuta, que Camões escreveu
o soneto fúnebre:
p 68 p 69
Em flor vos arrancou de então crescida
(Ah! Senhor dom António!) a dura sorte,
Donde fazendo andava o braço forte
A fama dos Antigos esquecida;
Uma só razão tenho conhecida,
Com que tamanha mágoa se conforte:
Que, pois no mundo havia honrada morte,
Que não podíeis ter mais larga a vida.
Se meus humildes versos podem tanto,
Que co desejo meu se iguale a arte,
Especial matéria me sereis.
E, celebrado em triste e longo canto,
Se morrestes nas mãos do fero Marte,
Na memória das gentes vivereis.
Além destes versos, Luís Vaz dirigiu cartas e dedicou delicados
poemas ao jovem aristocrata. Em bom rigor, este D. António foi a
pessoa a quem Camões mais escritos consagrou — ao ponto de
causar grande perplexidade ter havido tamanha estima pessoal do
grande poeta por alguém que era quase uma geração mais novo e
falecera tão precocemente.
Décadas depois, o dramaturgo espanhol Félix Lope de Vega (1562-
1635), grande admirador do poeta português, aludiria nos seus escritos
a uma dama chamada “Violante”, por quem Luís Vaz teria nutrido grande
paixão. Talvez o lírico castelhano tivesse escutado rumores a esse
respeito, talvez tenha subentendido nos tercetos finais de um soneto
camoniano onde se jogava com a proximidade fonética de “viola” (flor
também conhecida por violeta ou amor-perfeito) e Violante:
Perguntam a Cupido, que ali estava,
Qual daquelas treŝ flores tomaria,
Por mais suave, pura e mais fermosa?
Sorrindo-se o Minino lhe tomava:
Todas fermosas são, mas eu queria
Viol’antes que lírio, nem que rosa.
Vários biógrafos sugerem que a mulher implicitamente referida se
trataria da mãe de D. António, a condessa Dona Violante de Andrade
(nascida em 1522) — tanto mais que a fidalga teria praticamente
a mesma idade de Luís Vaz (era dois anos mais velha) e teria
havido proximidade entre ambos durante a adolescência. Não é
possível confirmar esta hipótese.
Que nexo poderá haver, então, entre o vate e a quinta onde hoje se
encontram instalados a Escola Superior Agrária e o Politécnico de
Coimbra? Haverá indícios, ainda que remotos, de alguma ligação?
Sucede que D. Fernando de Noronha, amo do poeta, fora agraciado
com o título de comendador da Ordem de Cristo em São Martinho
do Bispo, a freguesia da margem esquerda do Mondego, a três
quilómetros da cidade de Coimbra, onde se encontram hoje instalados
os serviços centrais do Politécnico de Coimbra e a Escola
Superior Agrária desse instituto. Esta comendadoria de D. Fernando
é atestada em documentos oficiais (o Livro das Comendas da
Ordem de Cristo (datado de 1563) de frei Pedro Álvares Seco e o
volume V de um dos principais nobiliários portugueses, a História
Genealógica da Casa Real Portuguesa da autoria do padre António
Caetano de Sousa (1674–1759).
À data do agraciamento, as comendas eram uma graça régia com
maior significado do que a mera honraria. Com efeito, o título concedido
ao conde de Linhares não era uma comenda meramente
Politécnico de Coimbra
45 Anos — Camões em São Martinho do Bispo?
honorífica, como passaram todas a ser a partir do século XIX, mas
sim um benefício, uma comenda dita de rendimento — isto é, um
conjunto de bens de raiz, imóveis, para usufruto perpétuo do comendador,
que em sua vida poria dispor como se de propriedade
própria se tratasse, sem, contudo, poder vender ou fraccionar os
prédios, nem os transmitir em herança, pois revertiam à coroa pela
morte do comendador. Não raras vezes a comenda servia de residência
do comendador.
Apesar de vir a herdar o título de conde de Linhares, vila da Beira
interior, Dom Fernando jamais ali residiu nem lá possuía habitação.
Em 1534, ao casar-se com Dona Violante de Andrade, tampouco
dispunha de espaço habitável no solar lisboeta da família Noronha,
perto do Campo das Cebolas, pois aquela casa senhorial já
se encontrava ocupada pelo seu pai e pelo seu irmão primogénito.
Se necessitava de habitação para a sua família recém-constituída,
bem como educar o seu filho nas humanidades, e tinha ao seu dispor
de uma comenda em Coimbra precisamente quando a universidade
aqui se trasladava, faria todo o sentido que se mudasse para
as suas terras em São Martinho.
Por tudo isto, é plausível que em 1537 se achassem a residir na
comenda de Cristo em São Martinho do Bispo o conde de Linhares,
a condessa D. Violante, o seu filho ainda infante D. António de
Noronha, e por perceptor deste último viesse a ser contratado Luís
Vaz de Camões.
Quais seriam então os limites geométricos dos prédios pertencentes
à Ordem de Cristo em São Martinho do Bispo? Os documentos
mais antigos que se conhecem a atestá-lo encontram-se no único
livro sobre esta comenda que se encontra guardado no Arquivo
da Universidade de Coimbra, contendo o “Tombo de todas as fazendas
da Comenda de S. Martinho do Bispo, 1586 – 1795”, uma
compilação de manuscritos onde se atestam que àquela comenda
pertenciam terras em São Martinho do Bispo, Pé de Cão, Montessão
(Monte São), Fala, Corujeira e Casas Novas. A maioria destas
terras encontra-se em baixas aluvionares, situadas abaixo da cota
dos 30 metros acima do nível médio das águas do mar — à excepção
do Outeiro da Condessa (onde hoje se situa uma rua do mesmo
nome), do topo de cujos 50 metros de cota ainda hoje é possível
divisar, pesem embora as inúmeras construções contemporâneas,
boa parte das terras da comenda.
Onde poderia estar instalada a residência do comendador? Dada a
importância do cargo, é plausível esperar que ocupasse os terrenos
mais férteis, menos pedregosos e mais irrigados — ou seja, a
veiga da ribeira dos Covões, a qual atravessa no sentido sul-norte
a quinta do Bispo e desagua no rio Mondego. O Outeiro da Condessa
(possivelmente em alusão à esposa do comendador, D. Violante
de Andrade) não tem nenhum manancial ou nascente de água que
conseguisse abastecesse copiosamente um edifício residencial e,
portanto, talvez fosse local menos apropriado para a sua residência
dos comendadores. De qualquer forma, restam muito poucos
edifícios datáveis século XVI nos terrenos mais elevados da freguesia,
nenhum dos quais com as dimensões expectáveis de uma
residência de comendador.
Se as cotas altas de S. Martinho não dispunham de nascentes de
água, onde seria o local mais propício à instalação de uma casa
senhorial, em pontos menos elevados do terreno? Onde haveria
uma localização com água abundante, perto ou dentro da comenda,
mas isenta de riscos de inundação?
Oras as baixas do Mondego seriam à época locais insalubres, sujeitos
a cheias sazonais do rio sempre que houvesse chuvas torrenciais
na primavera e no outono. Recordemo-nos que a poucos
quilómetros de distância se encontra o Convento de Santa Clara
a Velha, implantado a altitudes entre os 20 e os 30 metros, em
p 70
p 71
virtude do que sofrera inúmeras enchentes a partir de 1331 até ser
definitivamente evacuado em 1677 por manifesta impossibilidade
de prevenir essas inundações recorrentes. Recordemo-nos ainda
que somente após a execução, a partir de 1972 do “Plano Geral
de Aproveitamento Hidráulico da Bacia do Mondego” elaborado
uma década antes pela Direcção-Geral de Serviços Hidráulicos, foi
possível minimizar os riscos de cheia nestas veigas — tendo para
isso sido necessário construir, entre outras obras, a barragem da
Aguieira e a Ponte-Açude de Coimbra. Neste contexto, uma casa
mais abastada como a Quinta do Chafariz em Fala (um dos poucos
edifícios porventura quinhentistas ainda subsistentes nestas
paragens), à quota 34, estaria a salvo das enchentes, mas muito
exposta às pragas de mosquitos dos pauis que decerto encontraria
em meandros do antigo leito do rio.
Figura 1 - Cotas altitudinais de São Martinho do Bispo. Os locais situados abaixo dos 30
metros de altitude (tons de azul) estariam sujeitos a cheias frequentes antes do século XX.
Contemplando a topografia de São Martinho a sudeste da igreja
paroquial, constatamos que existia no século XVI um outro ponto
suficientemente elevado para estar a salvo de cheias, mas ao mesmo
tempo suficientemente próximo de um curso de água para desfrutar
de recursos hídricos abundantes para as lides domésticas e
para o saneamento. Trata-se do local onde se situa hoje o edifício
da Quinta do Bispo. Sendo certo que a maior parte da construção
que ali subsiste foi edificada a partir da década de 1580, portanto
após a morte do poeta, não será de descontar que as pré-existências
tenham servido aos comendadores de Cristo. Ou então, se à
comenda não pertencesse essa área, provavelmente se trataria já
então de uma possessão da mitra conimbricense, parte do antigo
couto eclesiástico daquela área. Em todo o caso, em frente a esta
quinta passariam decerto os habitantes de São Martinho a caminho
de Coimbra, como veremos.
Analisando em maior detalhe a carta topográfica, e tendo em conta
que as estradas da região eram quase todas meras vias para
carroças, sem pavimento construído e sem manutenção, e ainda
ponderando a dificuldade que seria transitar em tais vias durante
as épocas mais pluviosas (e portanto sujeitas a inundações ou pelo
menos à formação de lodaçais intransitáveis), é verosímil presumir
que a principal ligação terrestre entre a Igreja de São Martinho
do Bispo e o Convento de Santa Clara a Velha, principais edifícios
eclesiásticos mais próximos, se faria por uma estrada que partindo
o adro daquele primeiro templo, seguiria ao longo das actuais
ruas de D. Pedro e da Misericórdia, passaria defronte do portão
armoriado (com as armas picadas de D. João Mendes de Távora)
da casa do Bispo, prosseguiria pela rua do Vale Rosal, inflectindo
paralelamente à rua Emanuel, e finalmente desceria pelo que hoje é
a rua Coelho da Rocha até atingir a actual Guarda Inglesa, a poucas
centenas de metros da antiga entrada da cerca conventual. (Os
conventos de Santa Clara-a-Nova e de São Francisco ainda não
haviam sido construídos à época de Camões).
Politécnico de Coimbra
45 Anos — Camões em São Martinho do Bispo?
Figura 2 - Traçado conjectural da antiga estrada entre São Martinho do Bispo e Santa
Clara a Velha
Se a cidade era pouco povoada comparativamente aos nossos
dias, os campos de São Martinho do Bispo sê-lo-iam ainda menos.
Nos censos mais antigos desta freguesia — a Chorographia do padre
Carvalho da Costa, datada de 1708, menciona 570 fogos — ou
seja, agregados familiares, dos quais poderá estimar-se uma população
total que ronde as duas mil pessoas. Tendo em conta que
entre os anos de 1500 a 1700 o número de habitantes em Portugal
praticamente duplicou graças à autêntica “revolução agrícola” resultante
da expansão do cultivo do milho maís de origem americana,
é plausível supor que o número de agregados da freguesia de
São Martinho durante o segundo quartel do século XVI, quando
aqui poderá ter residido Luís de Camões, talvez não excedesse as
trezentas famílias — pouco mais de mil almas. Hoje habitam nesta
freguesia mais de 14 mil pessoas.
dos jardins (foi considerada estritamente ornamental durante muitas
gerações) para entrar nas hortas e nos prados. O eucalipto e a
acácia eram então desconhecidos — tal como a própria Austrália
de onde provieram. Os choupos — mais conhecidos na época, e
nos escritos camonianos, por álamos — seriam muito menos abundantes
que hoje, e cingidos a poucas localizações (o choupal de
Coimbra é, apesar do nome, pouco rico em choupos; nele predominam
hoje árvores exóticas desconhecidas dos coimbrões de há
quinhentos anos). Os pinheiros, tanto bravos como mansos, eram
pouco abundante excepto junto de algumas dunas litorais.
Que haveria, então? Que poderá ter visto o poeta, ou teriam visto
os seus contemporâneos? Que poderia ter inspirado as alusões
bucólicas de Camões ao Mondego?
Diga-se de passagem que um caminhante que se aproximasse pelo
Poente da Coimbra, vindo de São Martinho do Bispo por esta estrada,
ao alcançar o planalto de Santa Clara deparar-se-ia com o
panorama semelhante ao retratado num dos mais antigos mapas
da cidade, publicado em 1586 por publicado por Georg Braun and
Frans Hogenberg no livro Civitatis Urbis Terrarum.
Figura 3 - Fotografia aérea do antigo percurso entre São Martinho do Bispo e Santa Clara,
evitando as veigas alagadiças de Bencanta, Gorgulhão e Almegue
Figura 4 - A cidade de Coimbra vista a partir do planalto de Santa Clara, segundo Braun e
Hogenberg (1586). Esta panorâmica seria muito semelhante àquela que apreciaria quem se
aproximasse da cidade vindo de São Martinho do Bispo pela antiga estrada.
Se se revelar verdadeira a hipótese de a família dos condes de
Linhares ter residido em São Martinho do Bispo a partir de 1534,
e que ao seu serviço estaria Luís Vaz, com que paisagem se terá
deparado o jovem lírico (somente na idade adulta se iria dedicar à
poesia épica)?
Coimbra era então uma muito pequena vila comparada aos dias de
hoje. Na cidade e arrabaldes mais próximos haveria menos de cinco
mil almas. A este número somar-se-ia o clero regular, as religiosas,
e a população flutuante. (Compare-se estes números com os
actuais: neste município residiam, segundo os censos 2021, mais
de 140 mil pessoas, metade das quais nas freguesias urbanas).
p 72
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Seriam, pois, campos pouco povoados. Campos cuja paisagem,
sob os pontos de vista botânico e agro-florestal pouco teria em
comum com a que hoje se aprecia. Sem dúvida o poeta teria podido
gozar o bucolismo de uma arcádia — uma arcádia em vias
de radical transformação por efeito da expansão marítima. Por via
das navegações portuguesas começara em vida do lírico uma das
maiores revoluções tecnológicas da humanidade: o intercâmbio
columbino, a troca de espécies vegetais e animais domesticados
entre o Novo e o Velho Mundo — e Coimbra estaria entre as portas
de entrada, ou estações de aclimatação, para a Europa de culturas
agro-florestais até então desconhecidas pelos conimbricenses —
plantas que destronaram outras nativas, menos produtivas.
Não haveria, pois, milheirais de milho maís nos campos do Mondego,
excepção feita a uma ou outra folha de cultivo por parte de um
agricultor mais dado a experimentalismos; em seu lugar era cultivado
o milho painço, muito menos produtivo. O tomate não havia
entrado ainda nas dietas. A batata, aclimatada em Coimbra logo no
século XVI, teria ainda de aguardar quase trezentos anos para sair
Desde logo imensas pastagens para gado ovino, caprino e, em menor
número, bovino. A lã era um dos produtos agrícolas mais valiosos
para o comércio internacional, sobretudo na península ibérica
depois do apuramento da raça merina, na Extremadura espanhola,
em finais da Idade Média. Muito gado caprino, pela sua rusticidade,
e pela capacidade — sumamente importante para qualquer
agricultor até à invenção dos adubos de síntese em 1910 — de
produzir estrume para fertilização dos campos. Os rebanhos eram,
pois, omnipresentes, e Camões seguramente tê-los-á retratado
nos seus poemas não como fruto da imaginação bucólica ou do
estudo arcádico, mas pela experiência de os observar a diário. Ao
gado bovino e ovino seriam oferecidas as melhores pastagens de
veiga; ao caprino, os matos dos montes e outeiros.
As terras dedicadas à produção vegetal dividiam-se em almuinhas
— minifúndios — onde predominava o olival, a vinha e os pomares.
A vinha era alvo de especiais cuidados, como elemento essencial
da dieta contemporânea (pelo valor calórico da bebida, pela desinfecção
da água devida ao etanol contido no vinho). Entre os
Politécnico de Coimbra
cereais, o milho painço, a cevada, o centeio. Algumas terras, os
ferragiais, eram destinados à produção de forragens para alimentar
o gado.
Os bosques seriam poucos, e cingidos às espécies lenhosas nativas.
Junto ao Mondego, amieiros e salgueiros; nos ribeiros e ribeiras seus
tributários, freixos e ulmeiros. Em mosaico com estes bosques ribeirinhos
haveria pauis abundantes, juncais e carriçais — arrelvados
semi-naturais frequentemente encharcados — onde o mosquito da
malária proliferaria. Nas encostas livres de inundações, onde o solo
é rico em cálcio, encontrar-se-iam cercais (bosques de cerquinho,
um carvalho endémico do Oeste ibérico) como o que ainda hoje se
pode observar junto ao antigo portão da ESAC, adjacente à hoje desaparecida
Quinta do Almegue (a casa senhorial desta quinta desaparecida
deu lugar à rotunda do mesmo nome). No planalto de Santa
Clara, onde o calcário abunda menos, haveria soverais (bosquetes
de sobreiro, dos quais ainda restam vestígios).
Animais de caça ainda seriam suficientemente abundantes para
serem capturados, vendidos nos mercados e avitualhado as mesas
mais ricas. Cervos, gamos, corços, javalis, perdizes, cordonizes,
abetardas, patos — de todas estas espécies cinegéticas haveria
ainda bastas populações. Ao poeta e aos seus contemporâneos
não seria pois desconhecida a fauna silvestre, aqueloutra que inspiraria
os lugares literários do caçador e da caçadora, dos faunos
e das ninfas.
Verdes são os campos,
De cor de limão:
Assim são os olhos
Do meu coração.
Campo, que te estendes
Com verdura bela;
Ovelhas, que nela
Vosso pasto tendes,
De ervas vos mantendes
Que traz o Verão,
E eu das lembranças
Do meu coração.
Gados que pasceis
Com contentamento,
Vosso mantimento
Não no entendereis;
Isso que comeis
Não são ervas, não:
São graças dos olhos
Do meu coração.
E se estas criaturas assilvestradas que animavam a lírica se viam lá
ao longe, no limiar entre os campos cultivados de cultivo e a floresta,
mais perto do poeta, porventura sentado algures nas veigas junto a
São Martinho do Bispo, onde ainda hoje se apascentam as reses ao
cuidado da Escola Superior Agrária, poderia ele — quem sabe? — ao
observar os rebanhos ter criado as memórias que um dia se manifestariam
naquela sua graciosíssima canção:
p 74
Capítulo III
45 Protagonistas
da História do
Politécnico de Coimbra.
Alexandre Gomes
da Silva
45 Anos — 45 Protagonistas
— Presidente da CBS | ISCAC
p 79
Este ano celebramos um marco notável no ensino superior em
Coimbra, na região centro e no País. Há 45 anos, o Politécnico de
Coimbra dava os primeiros passos no sentido de agregar o conhecimento
nas mais diversas áreas (educação, engenharias, ciências
agrárias e ciências empresariais) e desta forma proporcionar sólidas
oportunidades de aprendizagem e preparar os seus estudantes
para os desafios do mundo do trabalho.
Hoje, o Politécnico de Coimbra é muito mais do que apenas uma
instituição agregadora das suas várias áreas de ensino. É um centro
vibrante de descoberta, inovação e colaboração, onde estudantes,
professores e funcionários trabalham juntos para impulsionar
o avanço da ciência, da tecnologia, das artes e das humanidades.
Para a Coimbra Business School | ISCAC, fazer parte deste desígnio
tem-se revelado uma impressionante jornada de comprometimento
não só com a formação de profissionais altamente qualificados, mas
também com a educação para uma cidadania ativa e consciente dos
nossos estudantes. Evoluiu nestes anos de uma longa história de
excelência no ensino de contabilidade para o domínio mais amplo
das ciências empresariais, cobrindo 10 licenciaturas e 13 mestrados,
tendo apresentado este ano a proposta do seu primeiro doutoramento
e licenciatura em língua inglesa, além de mais de 40 pós-graduações,
contribuindo para a formação de profissionais qualificados
nessas áreas. E para o desenvolvimento da região de Coimbra.
Norteada por uma cultura atenta à dinâmica do mercado e às suas
necessidades, a Coimbra Business School | ISCAC tem acompanhado
a mudança de paradigma, na era em que a transformação digital
e a inovação são a pedra de toque do sucesso das organizações.
Mas o nosso perfil humanista não nos permite ignorar também a
desumanização e isolamento que as novas tecnologias trazem e
os riscos para a saúde mental dos estudantes. A escola continua
a promover a presença dos estudantes, o seu conforto e a interação
com os restantes elementos da comunidade, mantendo-se a
proximidade entre estudantes e professores, uma das marcas distintivas
da escola.
Orgulhamo-nos de ser uma escola dinâmica, inovadora, aberta e
recetiva a todos percebendo o valor acrescentado que encerra
este diálogo permanente entre a academia e a comunidade.
É por tudo isto que neste momento de celebração, gostaríamos de
expressar a nossa sincera gratidão a todos os que contribuíram para
o sucesso e prestígio do Politécnico de Coimbra ao longo dos anos
– estudantes, professores e colaboradores, pois cada um desempenhou
e desempenha um papel vital neste processo de crescimento.
À medida que olhamos para o futuro, temos plena confiança de que
o Politécnico de Coimbra continuará a prosperar e a destacar-se
como uma instituição líder no ensino superior.
Que esta ocasião especial seja celebrada com alegria, gratidão e um
profundo orgulho do legado que foi construído ao longo das décadas.
Parabéns e que venham muitos mais anos de sucesso e realizações!
António Jorge
Fernandes Franco
45 Anos — 45 Protagonistas
— Presidente da Câmara Municipal da Mealhada
p 81
“A Educação é a arma mais poderosa
que se pode usar para mudar o mundo”
Nelson Mandela
Um dia deparei-me com esta inscrição pintada numa qualquer parede
deste nosso país e, agora que me vejo a braços com esta
tarefa de escrever um testemunho sobre o percurso do Instituto
Politécnico de Coimbra, relembro a mesma e relembro-a com gratidão
e esperança.
O meu percurso académico não passou por esta grande instituição,
apesar de ter passado por Coimbra. Já o meu percurso profissional,
em muito, do IPC, esteve próximo, desde profissionais com quem fui
trabalhando, conhecendo e fazendo amigos, até esta minha nova
etapa como Presidente da Câmara Municipal da Mealhada.
Na experiência e no contacto que vou tendo com o IPC, verifico
que o mesmo não aprimora por ser apenas um agente de “debitação
de conhecimentos”, fechado em si. É, sim, uma escola de referência,
dinâmica, inovadora e inclusiva e, sobretudo, inserida, quer
no tempo atual, quer na comunidade da qual faz parte. Prova disto,
tem sido, não só o seu evidente crescimento nestes 45 anos, bem
como o recente protocolo celebrado, em novembro de 2023, connosco,
Município da Mealhada e com o Município de Anadia, para
a implementação de um polo do Instituto Politécnico de Coimbra
nos dois concelhos, que se batizou de “Escola da Bairrada”. Desta
forma, o IPC demonstra ser uma escola com um potencial de inovação,
de crescimento e de conhecimento dos territórios próximos.
E agradecemos, nós, na aposta que fez na valorização do território
da Bairrada e das suas potencialidades, particularmente, nos setores-chave
da educação, inovação, criatividade e empregabilidade,
acrescentando, assim, valor às pessoas, às empresas e a todos os
agentes deste nosso território.
Aguardamos, pois, que o próximo ano letivo possa arrancar com
este novo polo do IPC, com toda a sua oferta formativa, naquelas
que são as áreas de forte impacto no território dos Municípios da
Mealhada e de Anadia, formando, assim, profissionais de excelência
e promovendo a empregabilidade, através da estreita ligação às
empresas, dando resposta às suas necessidades.
E, perspetivando o futuro do Instituto Politécnico de Coimbra e desta
parceria, não posso deixar de enaltecer todo o trabalho realizado
nestes seus 45 anos de existência, em prol da educação e, sobretudo,
em prol do crescimento da cidadania, da responsabilidade e da
inclusão dos profissionais que capacita de há 45 anos a esta data.
Termino, parabenizando todos os que de alguma forma estiveram ligados
a estes 45 anos do Instituto Politécnico de Coimbra, desejando
votos de continuidade de um bom trabalho na mudança do mundo.
DR
Politécnico de Coimbra
António Nobre
— Funcionário não docente aposentado da ESAC
45 Anos — 45 Protagonistas
p 82
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Nasci em 1942. O meu pai era cabo-verdiano e, depois de tirar o
curso e casar com a minha mãe, arranjou aqui um lugar como engenheiro
agrónomo e silvicultor. Na altura, chamava-se Escola de
Regentes Agrícolas de Coimbra.
O meu pai ficou como responsável pelo Internato. Os alunos entravam
aqui com 10 anos como internos e faziam cinco ou sete anos
para poderem prosseguir para os estudos superiores. Cresciam na
Agrária e conheciam-se todos como uma grande família. Onde hoje
é a Leitaria, encontrava-se a Secretaria. Existia também uma padaria,
uma rouparia e todos os serviços que eram necessários para os
estudantes, professores e funcionários que aqui faziam a sua vida.
Depois, o meu pai foi promovido a professor técnico continuando a
lecionar a cadeira de Culturas Tropicais mais outras do seu grupo.
A Escola era conhecida por ter uma grande especialização nas culturas
das, então, Colónias.
Até à 4.ª classe, estudei numa escola particular que havia cá, depois
prossegui os estudos do Liceu em Coimbra. Na altura, havia toda
uma estrutura organizada aqui na Agrária para levar professores e
alunos para a cidade e regressar e para ir buscar o que era necessário
à praça e ao comércio. Íamos de coche e, já na altura, eu só
queria ir ao pé do cocheiro. Convivi desde cedo com os animais e
gostava muito dos cavalos. Era uma coisa de sangue, porque já o
lado da minha família cabo-verdiana lidava com estes animais.
Os cavalos tinham muita importância na Agrária, faziam parte do
ADN desta escola. Os edifícios foram todos feitos para a Coudelaria
Nacional do Norte. Em Coimbra, havia um Centro da Mocidade
Portuguesa que estava ligado à GNR onde funcionavam aulas de
equitação. Tive oportunidade de aprender ainda mais e com eles
especializar-me. Era um excelente cavaleiro e os cavalos eram o
meu entusiasmo desde sempre.
Ainda me matriculei no Instituto Superior de Agronomia em Lisboa,
mas fui mobilizado para Guerra do Ultramar e estive em Moçambique
entre 1966 e 1969.
Entretanto casei e voltei para Coimbra. Nessa altura, o Dr. França
Martins era o veterinário oficial da Agrária e eu acompanhava-o no
trabalho sempre que era preciso lidar com cavalos. Em 7 de novembro
de 1973, convidaram-me para dar aulas de equitação porque
conheciam a minha experiência. Começámos a desenvolver a
área dos cavalos, adquirimos duas novas éguas para reprodução,
melhorámos as condições do alojamento e atualização do Picadeiro
e houve a construção do Laboratório. Depois do Dr. França,
passou a ser o meu chefe o Dr. Machado Faria. Foi nessa altura
que se iniciou a inseminação artificial equina, que foi uma grande
ajuda para impulsionar esta área na Escola. Cheguei a ir a França
e Alemanha acompanhar os Dr. França e Dr. Machado Faria que
montaram um centro de inseminação na Escola, pioneiro no país
(tirando a Fonte Boa em Santarém), com a preciosa colaboração da
Técnica Sandra Gambôa.
Entretanto, quando a Escola estava no período de passagem do
ensino técnico para o superior, houve necessidade de tirar um curso
que atestasse a minha competência, pelo que fui fazer um curso
militar de instrutor de equitação durante oito meses em Mafra, em
1977. Representei também a Escola em várias ações. Fui juiz de
júris em vários certames nacionais de modelo e andamento, como
por exemplo na Golegã.
Os acontecimentos que mais me marcaram ao longo destes anos
todos? Um foi o protocolo realizado com a Coudelaria Nacional de
Alter do Chão, que permitiu que trouxéssemos seis éguas de pelagem
russa para a Agrária. Os potros que nasciam castanhos voltavam
para Alter do Chão e os que nasciam russos ficavam para nós.
Ainda me lembro que um desses potros foi o cavalo Rubi que foi
para Lisboa e chegou a campeão nacional e internacional.
Outra coisa que me marcou foi a festa dos 100 anos da Escola
que foi feita no Picadeiro. Estava cheio de gente, todo ornamentado,
atuou a Orquestra dos Antigos Estudantes da Universidade de
Coimbra, foi uma festa lindíssima.
Aposentei-me em 27 de julho de 2005, mas a Agrária continua a
ser a minha casa. Quando entro aqui, as pessoas todas conhecem-
-me e há aqui antigos alunos meus que se tornaram professores.
Tive sempre o sentimento de que aquilo que fazia não podia fazê-lo
para mim, tinha de ser para a Escola. Por isso, tudo o que
alcancei na área dos cavalos foi para a Agrária. E tenho orgulho em
ver que essa obra ficou.
Um grande abraço para quem me acompanhou neste setor: Manuel
Vaz de Castro, meu grande braço direito e todos os que trabalharam
“nos cavalos”. Uma lembrança muito saudosa para quem já nos
deixou: Prof. Dr. França Martins, Prof. Dr. Machado Faria e Tratador
José Gamboa. Jamais vos esquecerei.
Politécnico de Coimbra
Cristina Faria
— Diretora do Centro Cultural Penedo da Saudade (CCPS)
45 Anos — 45 Protagonistas
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Artes e Cultura no Politécnico de Coimbra
Quando, em setembro de 2017, fui contactada pelo Senhor Presidente
do Instituto Politécnico de Coimbra (IPC), Professor Doutor
Jorge Conde, para assumir uma “Direção Cultural” nesta Instituição
– cargo que, até essa data, não existia – não imaginava o que seria
esperado de quem assumisse essas funções.
Se a ideia, num primeiro momento, era a de que o Politécnico de
Coimbra deveria criar estratégias para que os estudantes praticantes
de atividades artísticas pudessem, sem prejuízo do seu percurso
académico, continuar a desenvolver esse tipo de atividades em
Coimbra, hoje o projeto cultural desta Instituição de Ensino Superior
é considerado um promotor e difusor de Cultura e um centro de
criação e desenvolvimento artístico.
A primeira medida tomada pelo “Direção Cultural” foi a de criar um
Estatuto do Estudante Praticante de Atividades Artísticas e a tentativa,
algo frustrante, de criação de grupos de atividades artísticas
para os nossos Estudantes e Trabalhadores a funcionar em
várias Unidades Orgânicas de Ensino. Hoje, temos mais de duas
dezenas de Protocolos com entidades de formação e promoção
artística que recebem Estudantes do Politécnico de Coimbra, cuja
formação é comparticipada pela “Cultura” do Politécnico de Coimbra
e que podem assistir a espetáculos de forma economicamente
mais favorável.
A reconversão, em janeiro de 2019, da antiga sede do Instituto Politécnico
em Centro Cultural permitiu a expansão de ações artísticas
e culturais desta Instituição. O Centro Cultural Penedo da Saudade
(CCPS) nasceu com os objetivos primordiais de contribuir para o enriquecimento
cultural da comunidade interna do IPC, numa complementaridade
do que é a produção cultural das restantes Unidades
Orgânicas desta Instituição, e de reforçar as relações com a comunidade
externa. Elevado a Unidade Orgânica de Apoio à Formação
e ao Desenvolvimento em 2021, o CCPS é, hoje, um equipamento
eclético na sua ação, bem implementado na cidade de Coimbra e
reconhecido como dinamizador da atividade cultural e artística por
toda a comunidade, diferenciador pela sua pluralidade no que respeita
às suas tipologias de ação e aos parceiros de programação e
abertura a projetos de criação e experimentação artísticas.
Tem sido um privilégio poder acompanhar esta aventura de franco
crescimento do reconhecimento que a Cultura e as Artes devem
ter na formação dos nossos Estudantes, contribuindo para que estes
encarem o Mundo que os vai receber quando saírem do IPC
com a esperança que uma visão criativa do mesmo lhes permita
uma vida cheia de boas surpresas.
Politécnico de Coimbra
Diogo Correia
— Presidente da Federação Nacional de Associações de Estudantes do
Ensino Superior Politécnico (FNAEESP)
45 Anos — 45 Protagonistas
p 86
p 87
Em nome da FNAEESP - Federação Nacional de Associações de
Estudantes do Ensino Superior Politécnico, parabenizo o Politécnico
de Coimbra por estes 45 anos de sucessos e conquistas. O
Instituto Politécnico de Coimbra tem sido uma referência de destaque
no panorama do Ensino Superior Politécnico. Além do seu
compromisso inabalável com a excelência académica, o Instituto
Politécnico de Coimbra tem sido um parceiro essencial para a nossa
estrutura permitindo as melhores soluções para os nossos associados,
através de programas de colaboração e apoio institucional.
O IPC tem fornecido recursos e conhecimentos fundamentais que
têm fortalecido a nossa capacidade de alcançar os objetivos que
traçamos ao longo do tempo, seja através de iniciativas de pesquisa
conjunta, ou da participação em eventos de formação de dirigentes
e de estudantes.
Acreditamos que estas iniciativas se constituem como oportunidades
essenciais para o desenvolvimento pessoal e profissional dos
estudantes, contribuindo para uma comunidade académica mais
informada e preparada para os desafios futuros.
A parceria e o trabalho contínuo entre a FNAEESP e as Instituições
de Ensino Superior Politécnico tem sido frutífera ao longo
dos anos, tendo como exemplo a mais recente conquista, a possibilidade
de outorgar Doutoramentos nos politécnicos. Esta representa
o culminar de um percurso académico marcado pela dedicação,
investigação e é, também, um retrato do trabalho contínuo
feito pela FNAEESP em parceria com os politécnicos, de modo a
priorizar a constante evolução e a qualidade de ensino, no subsistema
politécnico.
Estamos profundamente gratos pela parceria contínua em prol
do subsistema politécnico, que temos mantido ao longo de vários
anos, com o IPC, e ambicionamos poder continuar a crescer a par
com esta instituição, mantendo a relação extraordinária de cooperação
entre as duas estruturas, que nos permite ir ao encontro dos
nossos objetivos comuns, o bem-estar dos estudantes e a dignificação
do Ensino Superior Politécnico.
Politécnico de Coimbra
Diogo Machado
— Presidente da Associação de Estudantes do ISCAC
45 Anos — 45 Protagonistas
p 88
p 89
Desde os meus tempos do secundário em que refletia sobre o meu
futuro no ensino superior que ambicionava prosseguir os meus estudos
na mítica cidade dos estudantes e em 2020 o meu sonho foi
concretizado.
Atualmente, encontro-me no término da minha licenciatura e posso
afirmar que o Politécnico de Coimbra ergueu os meus sonhos. O
sujeito que entrou em 2020 no ISCAC é completamente diferente
do sujeito que hoje circula pelos corredores do mesmo.
O Politécnico de Coimbra, o ISCAC e AEISCAC ofereceram-me ferramentas
que foram cruciais e impactantes no meu percurso académico.
Todas estas estruturas forneceram-me oportunidades que
me fizeram crescer, a nível académico e pessoal. E, efetuando um
balanço final, posso afirmar que agarrei todas as oportunidades
com unhas e dentes e escrevo este texto com um sorriso na cara
ao sentir-me realizado nesta casa em que resido há quatro anos.
Atualmente, acredito progressivamente mais que a minha formação
académica não foi a peça chave para me ajudar a ser a pessoa
que sou hoje. Foi graças ao associativismo e graças à vasta oferta
de oportunidades extracurriculares que o Politécnico de Coimbra
e o ISCAC possuem que realmente me marcaram e ajudaram a dar
asas ao meu crescimento como pessoa.
Cada vez mais, o ensino superior tem um papel fundamental na vida
de um estudante. É de realçar que o ensino superior é a ponte para
que muitos indivíduos sejam capazes de alcançar o sucesso e os objetivos
por si próprios pretendidos. E, para fazer face às necessidades
de cada individuo é necessária uma Instituição capacitada para
tal. Orgulhosamente, o Politécnico de Coimbra é essa Instituição.
Contudo, não podemos esquecer as adversidades futuras que
o ensino politécnico irá enfrentar. A conquista da aprovação de
conferir graus de doutoramento no Instituto Politécnico irá levar à
necessidade do investimento na investigação e na inovação. Para
tal, é primordial mantermos todas as estruturas atualizadas e alinhadas
para que todos os obstáculos futuros sejam ultrapassados.
Deste modo, não tenho qualquer dúvida que o Politécnico de
Coimbra irá oferecer um leque de doutoramentos de excelência
aos seus estudantes.
Confesso que me encontro ansioso para visualizar os anos que se
avizinham ao Politécnico de Coimbra. Tenho a certeza que a capacidade
inovadora que esta estrutura tem em si irá trazer consequências
positivas no futuro próximo e acentuar o porquê de sermos
um Instituto diferenciador num panorama nacional. Sendo assim,
é essencial o Politécnico de Coimbra ter dentro de si a mentalidade
de ansiar pela melhoria e pelo conhecimento, dia após dia, ano
após ano, como tem tido na sua história.
Desejo ao Instituto Politécnico de Coimbra os votos de maior sucesso.
Que os próximos anos sejam anos de crescimento e prosperidade
para esta estrutura. Que continuem a zelar e a oferecer um ensino
de excelência a todos os estudantes que acolhem anualmente.
Muitos parabéns Politécnico de Coimbra pelo teu 45.º Aniversário!
Muito obrigado por não só ergueres sonhos, mas também por ergueres
pessoas a conquistar os seus sonhos. Muito obrigado por
teres sido uma peça fundamental na minha vida e por me teres oferecido
as melhores oportunidades que um jovem podia desejar! Irei
sempre acompanhar o teu crescimento com orgulho de fazer parte
da história e da família que é o Instituto Politécnico de Coimbra!
Politécnico de Coimbra
Diogo Melim
— Alumni e Ex-Presidente da Associação de Estudantes da ESEC
45 Anos — 45 Protagonistas
p 90
p 91
A minha experiência no Politécnico de Coimbra começou em 2016
quando entrei na Escola Superior de Educação de Coimbra para
a licenciatura de Comunicação e Design Multimédia. Mal sabia eu
que estes seriam dos melhores anos da minha vida. É uma grande
mudança passar da ilha da Madeira para Coimbra, e viver longe
dos meus pais pela primeira vez. Por isso entrei pelas portas da
ESEC um jovem tímido e ansioso. Mas facilmente isso se dissipou.
Fui muito bem acolhido por toda a comunidade da ESEC, e isso facilitou
imenso a minha adaptação. Um dos fatores que ajudou essa
adaptação foi a associação de estudantes e as excelentes pessoas
que tive a oportunidade de conhecer. Não podia deixar de agradecer
à Sofia Pedrosa, à Andreia Dias e à Janine Baptista pelas oportunidades
que me deram. Assim como à Catarina Ferreira e a toda
a sua equipa por darem continuidade ao trabalho da minha direção.
No meu primeiro ano foi um processo de aprendizagem, quer a
nível associativo quer a nível pessoal. Fui vogal da direção nesse
ano, o que permitiu aprender uma grande variedade de assuntos.
No meu segundo ano tive a oportunidade de ser vice-presidente
de representação externa, o que permitiu conhecer o movimento
associativo nacional e também conhecer as outras associações
de Coimbra e as suas escolas e institutos. Através disso consegui
fazer boas ligações. No meu terceiro ano fui presidente da associação
de estudantes, conseguimos melhorar a nossa associação
de estudantes, muito devido ao trabalho de antigos presidentes.
Conseguimos preparar algumas atividades e melhorar a nossa comunicação.
Um processo que vejo que continua até aos dias de
hoje e que me deixa com muito orgulho dos dirigentes que vieram
antes e depois de mim. Algumas destas atividades foram a receção
ao caloiro que fizemos em conjunto com a AE ISCAC, e a IPC CUP,
uma atividade que ajudámos a construir mas que foi pensada pelo
presidente da AE ISCAC, o Hugo Fonseca, esta atividade continua
até aos dias de hoje e é uma excelente iniciativa para promover o
desporto e a ligação entre escolas e AE’s do IPC.
Não podia deixar de agradecer ao Professor Doutor Jorge Conde,
presidente do IPC, pela facilidade com que se comunicava com a sua
direção. Participámos em algumas reuniões em conjunto com outras
AE's, o que permitiu ligar a direção do Politécnico de Coimbra e as
associações de estudantes. Algo que gostava que sempre existisse.
Depois destes 3 anos, fiz um ano de pausa dos estudos e depois
decidi ingressar no ISCAC, outra excelente escola do IPC. Infelizmente,
esta altura coincidiu com a pandemia por COVID-19, por
essa razão não tive a oportunidade de experimentar o espírito académico
como gostaria. Mas fico muito agradecido ao corpo docente
e a todos os serviços do ISCAC pela elevada qualidade.
Não podia acabar sem agradecer à ESEC, graças a ela sinto que
acabei o meu curso como um excelente profissional. Mas acima de
tudo, uma excelente pessoa. Desde a direção até à comunidade
de alunos, a ESEC é uma excelente experiência. E com excelentes
pessoas. Não querendo ser injusto, porque temos excelentes
pessoas na ESEC, mas gostaria também de dar um agradecimento
especial à Alda Antunes do Gabinete de Comunicação e à Professora
Maria Antunes de Design. É sempre um gosto enorme voltar à
ESEC quando estou em Coimbra. E sem dúvida que levo a ESEC e
o IPC para o resto da vida.
DR
Politécnico de Coimbra
Élia Baptista
— Alumni e Ex-Presidente da Associação de Estudantes da ESTeSC
45 Anos — 45 Protagonistas
p 92
p 93
Os 45 anos são aquela linha ténue entre os 40 e os 50, que acredito,
devem mexer no coração de todos os que cruzam esta idade.
Por um lado, não seremos mais jovens, por outro ainda não sentimos
que o tempo passou. Acredito contudo, que o Politécnico não
sente este peso. Está vivo, a dar marcas de qualidade em vários
eixos fundamentais para o ensino superior, que embora coxo de
ministério e de importância, é sem dúvida a força motriz de qualquer
sociedade, quer pela inovação científica, quer pela instrução
que proporciona aos cidadãos.
Contudo, uma instituição de ensino, seja ela qual for, deve ter sempre
como base a sua essência: os estudantes. É por eles e para
eles que existem, e infelizmente pela força da burocracia, isso é
muita vez deixado para segundo plano. Não te esqueças disto, Politécnico
de Coimbra, nos próximos 45 anos.
É como alumni da Instituição que escrevo estas palavras, mas não só.
O percurso que fiz até hoje, já depois de terminar a minha formação
foi moldado pela instituição onde estudei, mas também por tudo
o que aprendi enquanto dirigente da AE-ESTeSC, do primeiro ao
último ano de licenciatura.
O Politécnico de Coimbra e a ESTeSC foram a minha faculdade,
mas a Associação de Estudantes da Escola Superior de Tecnologia
da Saúde de Coimbra (AE-ESTeSC) foi de facto a minha “escola”.
Fazer parte da vida para além das salas de aula de uma instituição,
acolher aqueles que, como eu, vêm para outra cidade aos 18
anos, sem o nosso núcleo duro (e, na altura, sem whatsapp, vídeo
chamadas e afins), complementar o ensino das várias licenciaturas
com formações, palestras, momentos de festa e diversão é (foi)
também dar colo a muitos.
Passámos os anos da troika a lutar pelas desigualdades de acesso
ao ensino superior, e ganhámos, enquanto equipa nacional, algumas
lutas. Fez-se um trabalho diário no que toca à ação social e
às desigualdades sentidas na altura. Manifestámo-nos para que
nos ouvissem.
Organizar iniciativas como a SCAS, coordenar centenas de pessoas
(e egos), fizeram-me aprender e compreender o que não se
ensina nas salas de aula. E isso fez – e continua a fazer – com que
crescesse em dimensões que de outra forma seria impossível. A
vida burocrática de uma instituição é também da responsabilidade
dos estudantes, e tive o privilégio de também por esses bancos
passar, e compreender as leis fundamentais do ensino superior de
uma forma transversal. A ESTeSC e o IPC deram-me o privilégio de
sentar ao lado de professores, funcionários e outros, de forma igual
e paritária, sem me sentir “menos” que ninguém. Ouvir os estudantes,
acredito do que conheci, está na génese do Politécnico de
Coimbra, e se este texto serve também de nota para o futuro, deixo
aqui uma das premissas mais fundamentais: Não se esqueçam,
nunca dos estudantes. Não os 10 000, mas de cada um dos 10 000.
O meu querido avô dizia “O saber não ocupa lugar, mas o lugar
ocupa-se com saber” e esta instituição “sabe” e por isso começa a
ocupar um lugar muito interessante no panorama nacional e internacional
do ensino. Não poderia imaginar, há 10 anos, melhor condição
para a celebração destes 45. Parabéns, Politécnico de Coimbra!
Emílio Torrão
— Presidente da Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra (CIM RC)
45 Anos — 45 Protagonistas
p 95
É com imenso orgulho e satisfação que, como Presidente da Comunidade
Intermunicipal (CIM) da Região de Coimbra, contribuo com
estas palavras para o livro comemorativo do 45º aniversário do Instituto
Politécnico de Coimbra (IPC). Ao longo de mais de quatro décadas,
o IPC emergiu como uma referência de excelência académica,
inovação e compromisso com o desenvolvimento regional.
É admirável observar o crescimento e a evolução do IPC desde os
seus primórdios. Ao longo de quatro décadas, o IPC tem trilhado
um caminho de excelência, formando profissionais altamente qualificados
e contribuindo de forma significativa para o desenvolvimento
social, económico e cultural da região.
A sua missão de ensino, investigação e desenvolvimento de conhecimento
tem sido cumprida com exemplar dedicação, criando um ambiente
propício à inovação, à criatividade e ao empreendedorismo.
Ao longo dos anos, o IPC estabeleceu parcerias sólidas com a indústria,
o governo local e outras instituições de ensino, demonstrando um
compromisso firme com a colaboração e a sinergia.
Esta abordagem colaborativa tem sido essencial para impulsionar
a inovação, a investigação de vanguarda e o desenvolvimento de
programas académicos pertinentes e adaptados às necessidades
do mercado.
É, também, importante destacar o papel crucial que o IPC desempenha
na promoção da inclusão e da diversidade. A sua comunidade
acolhedora e multicultural não só enriquece o ambiente de
aprendizagem, como também contribui para uma sociedade mais
justa e tolerante.
O IPC tem, ainda, assumido um papel crucial na promoção da coesão
territorial e social da região. A sua presença, através da instalação
de polos em alguns municípios da Região de Coimbra, tem garantido
o acesso à educação superior a um público mais alargado,
combatendo as assimetrias territoriais e promovendo a igualdade
de oportunidades.
Desde a criação da CIM da Região de Coimbra, o IPC tem sido
um parceiro fundamental em projetos de colaboração e na concretização
de diversas estratégias de desenvolvimento regional,
nomeadamente nas áreas da educação, da formação profissional,
da investigação e da inovação.
Esta colaboração tem sido vital na ligação com os municípios, na
aproximação ao território e às pessoas, bem como no apoio aos
empresários locais.
A sua ligação ao tecido empresarial da região é também um fator
de grande importância, permitindo uma melhor articulação entre as
necessidades do mercado de trabalho e as qualificações dos jovens.
A CIM Região de Coimbra reconhece e valoriza o contributo do IPC
para o desenvolvimento da região e está empenhada em continuar
a fortalecer a sua parceria com esta instituição de ensino superior.
Nesta data tão significativa, é justo reconhecer e agradecer a todos os
que contribuíram para o sucesso do IPC ao longo dos anos.
Estou confiante de que, à medida que o IPC avança para o futuro, continuará
a liderar o caminho, mantendo os mais elevados padrões de
qualidade e compromisso com a inovação e a excelência académica.
Que este livro comemorativo seja um testemunho duradouro da
notável jornada do IPC e inspire as gerações futuras a alcançarem
novos patamares de sucesso.
Parabéns ao Instituto Politécnico de Coimbra pelos seus 45 anos
de realizações extraordinárias!
DR
Euclides Pires
— Presidente da Assembleia Geral do BIOCANT - Associação
de Transferência de Tecnologia
45 Anos — 45 Protagonistas
p 97
O Instituto Politécnico de Coimbra é uma das maiores instituições
no ensino superior português, pelo que a sua relevância no panorama
regional e nacional não pode, de maneira alguma, ser desconsiderada
ou subvalorizada. Cumpre antes de mais apresentar
os meus mais sinceros parabéns por estas quatro décadas e meia
de longevidade e consolidação, das quais cerca de metade foram
sendo construídas numa caminhada paralela e, tantas vezes
conjunta, com o Biocant. O Biocant, enquanto Parque de Ciência
e Tecnologia especializado nas áreas da Biotecnologia e das Ciências
da Vida em Portugal, seja pelo seu objeto ou pela proximidade
geográfica, seria sempre um parceiro privilegiado do IPC, princípio
que a prática naturalmente veio a comprovar.
Através das suas diversas escolas, unidades, docentes e alunos,
o IPC contribuiu para o sucesso do Biocant. Desde logo, através
de uma ação mais difusa e imaterial, mas nem por isso menos
importante, que é a formação de quadros qualificados. Nos diferentes
níveis de ensino, em diferentes áreas de atuação, na componente
mais científica ou nos serviços mais gerais, facilmente se
constata que o IPC é responsável pela formação de vários quadros
do Biocant e das suas empresas.
No que se refere à cooperação mais institucional, registam-se com
apreço várias interações e mecanismos de cooperação com a instituição,
adquirindo aqui especial relevo várias colaborações com
a ESAC – Escola Superior Agrária de Coimbra. Estas parcerias permitiram,
por um lado, a realização de diversos ensaios do Biocant
relativos a projetos em curso e que de outra forma não seriam possíveis
e, por outro lado, a disponibilização de plataformas tecnológicas
para a realização de trabalhos de investigação da ESAC, bem
como o acolhimento no Biocant de alunos estagiários.
Por tudo isto, aproveito a oportunidade para manifestar o meu
apreço pelo importante contributo que os politécnicos dão ao desenvolvimento
regional, com particular ênfase no papel do IPC.
Neste momento de evocação histórica e festiva, estendo e particularizo
os meus parabéns às diversas escolas que constituem o
IPC (ESAC, ESEC, ESTeSC, ESTGOH, ISCAC e ISEC), desejando que
possam superar os desafios que enfrentam e continuem a ser um
parceiro de relevo do Biocant.
DR
Politécnico de Coimbra
Fátima Marreca
— Funcionária não docente da ESEC
45 Anos — 45 Protagonistas
p 98
p 99
É com orgulho que presto este meu testemunho no registo do 45º
aniversário do Politécnico de Coimbra (IPC).
Após vários anos no setor privado, o meu percurso no Politécnico
começou nos idos anos noventa. Ainda eu tinha uns jovens 32
anos, estávamos em pleno verão quente e os computadores ainda
eram, de certa forma, uma novidade. Mas a novidade e o desafio
sempre fizeram parte do meu percurso profissional e, por isso, em
agosto de 1994, comecei a trabalhar na Área de Informática dos
Serviços Centrais.
Dois anos depois, em 1996, aceitei fazer parte da equipa de trabalho
que elaborou a publicação “Aspirações e Projetos Pessoais
– Condições de Vida e Estudo dos Alunos do Ensino Superior de
Coimbra” – uma investigação baseada no Inquérito “Euro Student”.
Em fevereiro de 1997, começou, talvez, um dos percursos mais bonitos,
mas também mais difíceis da minha carreira: eu, juntamente
com uma pequena equipa, demos início aos Serviços de Ação Social
do IPC, nas velhinhas (sim, já naquela altura o eram!) instalações
do antigo ISCAC, na Rua Luís de Camões. Permaneci de corpo
e alma nos SAS até março de 2011.
Guardo, ainda hoje, memórias desse tempo, amizades que ficaram
de um tempo que não volta. As dificuldades foram diversas e
complexas, mas, com um espírito de equipa fortemente enraizado,
empenho e dedicação, foi possível ir ao encontro das legítimas
expetativas dos alunos. Criámos, edificámos e diversificámos os
serviços prestados.
Ao longo deste período, trabalhei em matérias que me deixam
muito orgulhosa e que facilitaram não só o dia-a-dia dos alunos,
mas também a própria gestão dos SASIPC. Destaco, por exemplo,
a análise de custos das refeições; a implementação das candidaturas
a alojamento on-line; e o processamento informático das
bolsas de estudo, que culminou com a adoção da Plataforma de
Atribuição de Bolsas de Estudo da DGES – SICABE.
Superámos, igualmente, o desafio dos SASIPC serem os primeiros
Serviços de Ação Social do país a obterem, em junho de 2008, o certificado
da qualidade ISO 9001. O Politécnico de Coimbra foi, por isso,
pioneiro no processo de certificação, abrangendo toda a instituição.
Em abril de 2011, abracei um novo – e muito gratificante – desafio
ao ingressar na Escola Superior de Educação, no Gabinete de
Apoio à Gestão. Das atividades aí desenvolvidas, sublinho a Revisão
Global do Sistema de Qualidade da ESEC; a colaboração na recolha
de elementos para preenchimento dos Guiões de Autoavaliação
A3ES dos cursos da ESEC; a participação no Estudo “Reflexão
conducente a uma eventual proposta de elaboração de um código
de boas práticas de conduta académica para toda a ESEC”; e, ainda,
a colaboração no “Estudo sobre o desenvolvimento estratégico
e oferta formativa da ESEC”.
Em julho de 2016, fui nomeada para o cargo de Secretário da ESEC,
uma função que desempenho até hoje e que muito me preenche,
orgulha e honra.
É, por isso, com muita honra e convicção que, volvidos quase 30
anos nesta casa, expresso os meus mais sinceros votos para que
o IPC se consolide, cada vez mais, como uma Instituição de referência
no Ensino Superior. Da minha parte, tudo farei para que
assim seja, não esquecendo nunca as pessoas com as quais me
cruzei ao longo de três décadas. E são as pessoas, sempre elas,
que fizeram, fazem e, tenho a certeza, continuarão a fazer o Instituto
Politécnico de Coimbra.
Politécnico de Coimbra
Graciano Paulo
— Presidente da ESTeSC
45 Anos — 45 Protagonistas
p 100
p 101
20 anos de ESTeSC nos 45 anos do IPC
A origem
A Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Coimbra iniciou a sua
atividade em 1980, à data sob a designação de Escola Técnica dos
Serviços de Saúde de Coimbra.
A integração no Ensino Superior Politécnico e a adoção da designação
atual aconteceram em 1993 (Decreto-Lei nº 415/93, de 23
de dezembro), representando o reconhecimento do nível de ensino
que até então vinha sendo praticado. Nesta data, a Escola
é colocada em regime de instalação e passa a ter tutela conjunta
do Ministério da Ciência Tecnologia e do Ensino Superior (à época
designado por Ministério da Educação) e do Ministério da Saúde,
que se responsabiliza pela gestão administrativa.
A partir de 2001, por via do Decreto-Lei nº 99/2001, passa a ser
tutelada exclusivamente pelo Ministério da Ciência Tecnologia e do
Ensino Superior, sendo uma Escola do Ensino Superior, mas não integrada
no Instituto Politécnico ou Universidade, gozando por isso
de total autonomia administrativa, patrimonial, financeira e científica,
sendo o Diretor da ESTeSC nomeado diretamente por indicação
do Ministro da Tutela.
A integração
A 21 de julho de 2004, através do Decreto-Lei nº 175/2004, a ES-
TeSC é integrada no Instituto Politécnico de Coimbra (IPC), conservando
o regime de gestão. A Escola concebe os seus primeiros
Estatutos, homologados pelo Presidente do IPC em 23 de abril de
2007, aos quais se seguiu a escolha do primeiro Presidente Eleito
por uma Assembleia de Representantes, já que, até esta data,
conforme anteriormente referido, o então Diretor da ESTeSC era
nomeado diretamente pela Tutela.
A vivência
Tive o privilégio de acompanhar de forma intensa o desenvolvimento
da ESTeSC e, por conseguinte, a realidade da sua integração no IPC.
À época, era para todos nós uma viagem para uma realidade totalmente
desconhecida, estando toda a comunidade académica ciente
dos problemas que poderíamos vir a enfrentar, face às várias
fragilidades que então tínhamos.
Por força do atraso na integração no Ensino Superior (1993), o corpo
docente da ESTeSC, além de parco, estava longe de ser qualificado
e, como tal, tinha naturalmente necessidades diferentes das
restantes unidades orgânicas “sénior” do IPC.
Apesar dos receios, a integração no IPC foi de extrema importância
para o nosso desenvolvimento. Ensinou-nos a pensar de forma diferente
e obrigou-nos a sair da nossa zona de conforto.
Com a integração no IPC, a Comunidade Académica da ESTeSC
– sendo a Escola uma referência na área da saúde – uniu-se em
torno do princípio defendido por Leon Megginson: “não é o mais
forte que sobrevive, nem o mais inteligente, mas o que melhor se
adapta às mudanças”.
Assim, os nossos 20 anos no IPC traduziram-se numa permanente
adaptação às mudanças, tendo a ESTeSC crescido, e ajudado o
IPC a crescer, em todas as suas vertentes: académica, científica,
cultural e organizacional.
A comunidade académica da ESTeSC tem inscrito no seu código
genético um conjunto de caraterísticas e capacidades que a tornam
única: faz das suas fraquezas, forças; em cada dificuldade, vê
uma oportunidade; e para cada problema, encontra uma solução.
Foi com base nestas características e capacidades que a ESTeSC
contribuiu para termos um IPC mais forte, porque um IPC forte torna
as suas unidades orgânicas mais fortes.
Aqui chegados, importa dar os parabéns ao IPC nesta celebração dos
seus 45 anos e reconhecer a importância vital que teve no desenvolvimento
e afirmação do Ensino Superior em Portugal e no Mundo.
O IPC é hoje um verdadeiro motor de desenvolvimento do país e da
região onde se insere, com um ensino e investigação de elevada
qualidade.
Mas fica uma mensagem neste aniversário: atendendo aos ventos
que sopram é chegado tempo de ter bem presente o princípio de
Leon Megginson.
Juntos, Erguemos Sonhos.
Politécnico de Coimbra
Guilherme Machado
— Alumni e Ex-Presidente da Associação de Estudantes da ESTGOH
45 Anos — 45 Protagonistas
p 102
p 103
Reflectindo nos meus tempos de estudante, relembro as minhas
memórias com nostalgia, saudade, gratidão, mas também com um
grande sentimento de realização e conquista. A minha jornada passa
desde a saída do conforto da casa dos meus pais para abraçar
a independência da vida universitária, navegar pelos desafios académicos
e participar na comunidade académica, o que foi fundamental
para o meu crescimento e moldar na pessoa que sou hoje.
Estudei Gestão na ESTGOH, que oferece um programa exigente.
Não só proporciona uma base sólida de conhecimento como também
de competências teóricas e técnicas que me incentivam a
pensar criticamente.
Estudar longe de casa significa que estava a sair de uma das minhas
zonas de conforto. Gerir o meu tempo e finanças, estudar e
outras responsabilidades ensinou-me competências inestimáveis.
Mas a independência permitiu-me fazer novos amigos e criar uma
rede de apoio longe de casa, da qual partilhei sonhos, dificuldades
e triunfos. Equilibrar os estudos com outros aspectos da vida
universitária demonstrou-se um desafio contínuo. Mas apesar de
tudo, também dediquei o meu tempo noutras actividades.
Fui presidente da Associação de Estudantes da ESTGOH, que se
revelou uma experiência desafiante pois coincidiu com a época da
pandemia, mas também enriquecedora. Permitiu-me desenvolver
capacidades de liderança, colaborar com os meus colegas e pares e
contribuir para vários projectos e eventos como torneios, palestras
e apoio aos estudantes durante o confinamento. Como associação
de estudantes, também dávamos apoio aos novos estudantes e éramos
a ponte de ligação entre os alunos e os professores. Foi uma
experiência recompensadora pois sentia que estávamos a fazer algo
impactante na comunidade estudantil de Oliveira do Hospital.
A vida académica não vem sem dificuldades, mas foi, sem dúvida,
transformadora. Das várias experiências de que tive oportunidade
de beneficiar, cultivei uma maior autonomia e ganhei clareza sobre
as minhas aspirações pessoais e profissionais. Houve momentos
de dúvidas, ansiedades e falhas. Mas todos estes contratempos
foram uma oportunidade de aprendizagem que contribuíram para
o crescimento pessoal. Consegui superar os obstáculos que me
apareciam perseverando nas dificuldades, abraçando os desafios
e procurando o apoio de professores e de amigos.
O processo de transição para a vida profissional também começou
a ser moldado durante os anos de universidade. Através de estágios
curriculares e extracurriculares, pude aplicar na prática os conhecimentos
adquiridos em sala de aula. Trabalhei em empresas de diferentes
setores, o que me proporcionou uma visão ampla do mercado
de trabalho e das várias áreas de atuação dentro da gestão.
A conclusão do curso foi um marco significativo. A defesa do meu
relatório de estágio, que envolveu uma análise aprofundada e
aplicação de conceitos avançados de gestão, foi um momento de
grande orgulho. Sentia que todo o esforço e dedicação ao longo
dos anos tinha valido a pena.
Em poucas palavras, os anos de estudo na ESTGOH foram repletos
de experiências enriquecedoras que me moldaram pessoal e
profissionalmente. Agradeço a todos os professores, colegas e
amigos que fizeram parte desta jornada. Acredito que as competências
e valores que adquiri serão fundamentais para os desafios
futuros e para alcançar os meus objetivos de vida.
Politécnico de Coimbra
Helena Teodósio
— Presidente da Câmara Municipal de Cantanhede
45 Anos — 45 Protagonistas
p 104
p 105
O Município de Cantanhede associa-se às comemorações do 45.º
do Instituto Politécnico de Coimbra (IPC), enaltecendo a função
que tem desempenhado na formação de sucessivas gerações de
quadros técnicos qualificados e o seu inestimável contributo para
o reforço da competitividade da base económica da região e para a
dinamização do processo de desenvolvimento do país.
A esse propósito, quero começar por manifestar o meu mais vivo
reconhecimento a todos os dirigentes, professores e demais colaboradores
que, ao longo de 45 anos, trabalharam na consolidação
do prestígio de uma entidade que tem demonstrado uma notável
vitalidade na resposta aos novos desafios da sua missão.
É uma evidência que, quanto mais sólida e consistente for a formação
e a qualificação dos cidadãos, tanto maior e mais sustentável é
o seu impacto económico e social nas comunidades, normalmente
com maiores benefícios naquelas que estão mais próximas da sua
zona de influência.
Refiro-me desde logo aos benefícios decorrentes da capacitação
dos recursos humanos para o incremento da inovação e o aumento
da produtividade em setores-chave da economia, mas também os
relacionados com a existência de mais um centro de conhecimento
e saber que favorece a transferência de tecnologia e a introdução
de soluções inovadoras nas empresas, sem esquecer a atração de
investimentos empresariais para o território.
A existência de recursos humanos qualificados é efetivamente o fator
chave para os agentes económicos responderem às cada vez mais
fortes exigências dos mercados, mas é também, e cada vez mais,
condição determinante para que sejam geradas dinâmicas de empreendedorismo
vantajosas para o desenvolvimento das economias
locais, motivo pelo qual, aliás, o Município de Cantanhede tem apostado
na cooperação com algumas instituições de ensino superior.
Um excelente exemplo disso é o protocolo celebrado com o Instituto
Politécnico de Coimbra para criação da Cantanhede Creative
School, no âmbito da polarização da oferta formativa que tem vindo
a empreender. Trata-se de um projeto que a Câmara Municipal
de Cantanhede abraçou com enorme entusiasmo desde a primeira
hora, tendo facultado os meios indispensáveis para o funcionamento
deste polo de formação especializadas em áreas tecnológicas
que tem a criatividade como componente estruturante.
Como é evidente, a autarquia a que presido está verdadeiramente
empenhada na consolidação deste projeto que acrescenta ao concelho
uma valência de ensino superior público qualificada e tem
fundadas expetativas na criação de outros cursos vocacionados
para o desenvolvimento de perfis profissionais ajustados à procura
do mercado de trabalho em setores emergentes da nossa economia,
de modo a alargar por essa via a empregabilidade de quadros
técnicos especializados.
A visão que temos para o processo de desenvolvimento do concelho
de Cantanhede, passa também por aí, pelo desígnio de facultar
aos jovens condições para a aquisição de competências que facilitem
a sua realização pessoal e profissional, nomeadamente através
de parcerias ativas com instituições de ensino superior, tanto
quanto possível com envolvimento dos agentes económicos locais.
DR
Hiram Arroyo
Coordinador, Red Iberoamericano de Universidades Promotoras
de la Salud (RIUPS)
45 Anos — 45 Protagonistas
p 107
El Instituto Politécnico de Coimbra (IPC), la Universidad de Puerto
Rico (UPR) y el Movimiento Iberoamericano de Universidades
Promotoras de la Salud: una relación de excelencia
I La relación entre el IPC y la Universidad de Puerto Rico (UPR)
La relación histórica institucional entre la UPR y el IPC surge hace
ocho años en San Juan de Puerto Rico en ocasión del Encuentro
Iberoamericano de Escuelas e Instituciones de Educación Superior
vinculadas a la Salud Pública que se desarrolló al interior de la V
Conferencia Puertorriqueña de Salud Pública. El evento se efectuó
del 2-4 de mayo de 2016 en el Centro de Convenciones de San
Juan de Puerto Rico con el tema Solidaridad Política y Ciudadana
por la Salud. Esta fue una ocasión significativa para iniciar una relación
académica-profesional de excelencia a través de los años.
II La relación del IPC y la Red Iberoamericana de Universidades
Promotoras de la Salud(RIUPS)
El IPC ha sido instrumental en el desarrollo del Movimiento de Universidades
Promotoras de la Salud tanto en Portugal como en Iberoamérica.
La primera instancia de trabajo conjunto en el tema de Universidades
Promotoras de la Salud y primera visita al IPC se produjo el 4
de abril de 2017 con mi visita a la Escuela Superior de Tecnología
en Salud de Coimbra. En esa ocasión tuve la oportunidad de dictar
la conferencia titulada: El Movimiento de Universidades Promotoras
de la Salud invitado por el Dr. Jorge dos Santos Conde.
La relación entre el IPC y la RIUPS se fortaleció a nivel iberoamericano
con la participación del Dr. Jorge dos Santos Conde en el
VIII Congreso Iberoamericano de Universidades Promotoras de la
Salud celebrado del 27 al 29 de junio de 2017 en la Universidad de
Alicante, Alicante, España.
El IPC junto a la Escuela de Enfermería de Coimbra aceptaron la invitación
de la Red Iberoamericana de Universidades Promotoras de
la Salud (RIUPS) para organizar el X Congreso Iberoamericano de
Universidades Promotoras de la Salud. Las conversaciones entre la
RIUPS y el IPC se realizaron en el 2019 en la Ciudad de Monterrey,
Estado de Nuevo León, México en ocasión del IX Congreso Iberoamericano
de Universidades Promotoras de la Salud celebrado del
21-23 de mayo de 2019. El tema del evento en Monterrey fue Concertación
política, social y universitaria por la salud y la equidad.
El trabajo conjunto entre el IPC y la RIUPS se ha mantenido a través
de los años. Las reuniones de trabajo conjunto han sido virtuales y
presenciales. El 8 de noviembre de 2021 efectuamos una reunión
en Madrid, España el Dr. Jorge dos Santos Conde y el Dr. Hiram
V. Arroyo con fines de avanzar en la planificación del X Congreso
Iberoamericano de Universidades Promotoras de la Salud.
El exitoso X Congreso Iberoamericano de Universidades Promotoras
de la Salud se realizó del 10 al 12 de octubre de 2022. Fue un
evento memorable que marcó el inicio de la celebración del vigésimo
aniversario de la RIUPS (2003-2023). El tema del evento en
Coimbra, Portugal fue Educación Superior, Promoción de la Salud
y Desarrollo Sostenible.
III Otras oportunidades significativas de trabajo conjunto con el
IPC
El trabajo conjunto entre el IPC, la Universidad de Puerto Rico y la
RIUPS se ha seguido fortaleciendo a través de los años. En el 2022
participamos juntos en el II Seminario Internacional de Promoción
de la Salud y Educación para la Salud celebrado del 18-20 de mayo
de 2022 en la Universidad Rey Juan Carlos (URJC) en Madrid, España.
También tuve el honor de recibir el acompañamiento del Dr.
Jorge dos Santos Conde, en representación del IPC, en el Acto de
Investidura como Doctor Honoris Causa de la Universidad Rey Juan
Carlos (URJC) de Madrid, España que me otorgó dicha institución.
Este 2024 ha sido otra oportunidad de encuentro con el IPC. Tanto
el doctor Jorge dos Santos Conde y la doctora Ana Ferreira han
participado como conferenciantes internacionales en la VI Conferencia
Puertorriqueña de Salud Pública efectuada del 2-3 de mayo
de 2024 en San Juan de Puerto Rico.
Reiteramos la felicitación al Instituto Politécnico de Coimbra (IPC)
en su 45 Aniversario!!!
DR
Politécnico de Coimbra
Hristina Yancheva
— Chair of General Assembly of the European University Alliance
UNIgreen | Rector, Agricultural University-Plovdiv, Bulgaria
45 Anos — 45 Protagonistas
p 108
p 109
On behalf of the General Assembly of the European University Alliance
UNIgreen, I have the privilege to share our experience with
the Polytechnic University of Coimbra (IPC) and pass the greetings
for the 45 th Anniversary.
The dedication, vision, and hard work of generations of teachers,
students, alums, and partners have contributed to the success and
growth of the Polytechnic institution. Over the past four and a half
decades, the Polytechnic University of Coimbra has emerged as
a center of excellence in higher education, a hub of research and
innovation in the academic community.
Throughout its history, the Polytechnic University of Coimbra
has significantly contributed to education, research, and service,
shaping countless individuals‘ lives and positively impacting society.
The commitment to academic excellence, diversity, and inclusivity
has enriched the lives of students, empowered faculty and staff, and
fostered a culture of lifelong learning and personal growth.
Internationalization is a priority for the Polytechnic University of
Coimbra because we live in a world where knowledge is a dominating
factor for the future success of a dynamic, competitive, innovative
economy. The importance of higher education for spreading
knowledge will constantly increase. The university motivates ambitious
young people who are ready to invest in their careers and
build an innovative, knowledge-based society.
The Polytechnic University of Coimbra, as a member of the
European University Alliance UNIgreen, contributes to achieving
the goals of the Alliance and developing higher education and
scientific research in Europe. As a multidisciplinary institution, the
University fosters interdisciplinary collaboration and partnerships
within the European University Alliance. Working closely with
other member universities across various disciplines promotes
cross-pollination of ideas, knowledge exchange, and collaborative
research initiatives that address complex societal challenges. The
Polytechnic University of Coimbra is renowned for its high-quality
education and training programs in science, technology, and human
welfare. Its commitment to academic excellence, rigorous
curriculum, and hands-on learning experiences prepare students
for successful careers in industry, research, and academia,
contributing to the talent pipeline within the European Union.
It actively promotes internationalization and student mobility,
providing opportunities for students to study abroad, participate
in exchange programs, and engage in cross-cultural experiences
within the UNIgreen network. These initiatives enhance students‘
global perspectives, intercultural competencies, and employability
in an increasingly interconnected world.
The Polytechnic University of Coimbra plays a crucial role in the
UNIgreen Alliance by contributing technical expertise, fostering
interdisciplinary collaboration, promoting educational excellence,
facilitating internationalization, and driving research impact on
European higher education. Its active participation strengthens the
collective efforts of the Alliance to address societal challenges,
promote innovation, and build a more inclusive and sustainable
future for Europe.
On this momentous occasion, I congratulate the Polytechnic University
of Coimbra for its achievements, resilience, and continued
dedication to advancing knowledge and inspiring creativity for a
better society. Continue to build upon your legacy of excellence,
innovation, and leadership in the years to come.
I wish all the academic community success, growth, and prosperity.
DR
Politécnico de Coimbra
Hugo Ferreira
— Presidente da Associação de Estudantes do ISEC
45 Anos — 45 Protagonistas
p 110
p 111
45 anos na linha da frente da excelência, o Politécnico de Coimbra
já passou por várias fases, no qual se encontra neste momento
numa fase de expansão. Cada vez mais alunos escolhem ser formados
no Politécnico de Coimbra.
É verdade que a história deste é feita de altos e baixos, mas acima
de tudo é pautada pela resiliência de todos aqueles que trabalharam
diariamente e que sempre acreditaram que este politécnico
seria uma marca de referência para um ensino mais prático e mais
direcionado para a indústria.
O estigma mudou. Se antes só aqueles que entravam na universidade
eram doutores e realmente vistos como isso, nós agora estamos
equiparados. Neste sentido, desde o dia 24 de fevereiro de 2023
também podemos outorgar o grau de doutor, um novo desafio para
as nossas instituições que têm de incentivar a um maior trabalho de
investigação do nosso corpo docente e discente.
Através das suas 6 unidades orgânicas, o Politécnico de Coimbra
traz até si uma vasta área de atuação, desde a engenharia à saúde,
das ciências empresariais à agricultura e da educação à gestão.
Cada uma com a sua realidade institucional tem um papel preponderante
no desenvolvimento da região e do tecido empresarial onde
estão inseridos.
Enquanto estudante do Instituto Superior de Engenharia de Coimbra,
que conta com mais de 100 anos de história e milhares de
estudantes formados na área da engenharia, é um orgulho ver o
que tem sido feito para melhorar a cada dia. No entanto, muito mais
ainda tem de ser feito, nomeadamente a inovação pedagógica, o
modo como as aulas são lecionadas tem de ser atualizado, a transição
digital tem de ser uma prioridade na agenda e o investimento
em equipamentos de última geração para a constante atualização
dos nossos laboratórios é uma necessidade.
Enquanto dirigente associativo, é necessário que a ligação ao Politécnico
de Coimbra e aos serviços de ação social seja estreita,
pois só assim podemos ajudar os nossos estudantes. Durante os
45 anos de existência sempre foi uma instituição que pautou pela
representação dos estudantes nos órgãos de gestão, uma mais-
-valia para manter uma comunidade unida.
A Associação de Estudantes do Instituto Superior de Engenharia de
Coimbra sempre foi uma das associações com voz ativa e reivindicativa,
pautada pela elevada representação tanto em órgãos internos da
instituição como externos, sendo uma presença regular na FNAEESP,
estrutura federativa que nos representa a nível nacional e que luta
junto de nós para uma valorização do ensino superior Politécnico.
Politécnico de Coimbra
Jani Dimas
— Presidente da Associação de Estudantes da ESAC
45 Anos — 45 Protagonistas
p 112
p 113
Já são quarenta e cinco anos a acolher e educar, anualmente, milhares
de estudantes de todo o país e do mundo. Quarenta e cinco
anos de excelência e evolução. No fim de contas são quarenta e
cinco anos a erguer sonhos.
Ingressei no Instituto Politécnico de Coimbra em outubro de 2022
na Licenciatura em Enfermagem Veterinária e apesar da distância
de casa e das inseguranças do que estava por vir, que durante
muito tempo foi uma inquietação, a verdade é que desde o primeiro
dia na Escola Superior Agrária, percebi que Coimbra ia ser a minha
segunda casa e que era ali, naquela instituição, que ia crescer e
tornar o meu sonho realidade. Foi o ambiente familiar e o seu espaço
verde que me conquistou nesse dia e que me conquista até
hoje! É um privilégio poder estudar (n)a natureza.
Nestes quase dois anos alcancei diversas metas e muito mudou
em mim. Sem dúvida que a maioria destas mudanças foram devido
à entrada no mundo do associativismo, tendo a possibilidade
de juntamente com o politécnico, as suas unidades orgânicas e
todas as restantes associações de estudantes, tentar melhorar as
condições dos alunos que escolheram esta instituição para a formação
do seu futuro, fazendo com que todos sintam que a sua voz
é ouvida.
O Politécnico de Coimbra é uma referência nacional no que diz respeito
ao ensino prático e à formação de estudantes. A proximidade
estudante/docente e a atualização de métodos de ensino forma
jovens capazes de alcançar o sucesso académico e futuramente
profissional. Falo por mim, que apesar de integrar um curso recente
e que ainda tem muitas arestas por limar, sempre me foi proporcionado,
desde a primeira semana, o contacto com os animais da
ESAC e o privilégio de visitar explorações externas em diversas
unidades curriculares. Com isto, consegui aprimorar conhecimentos,
sendo sempre reforçada a importância da componente prática
como consolidação dos conteúdos teóricos.
Sem dúvida que fiz a escolha certa! Obrigada Politécnico de Coimbra
por tornares esta cidade de encantos a minha segunda casa.
Sei que vai deixar memórias e saudade!
Parabéns IPC!
Politécnico de Coimbra
Jéssica Lopes
— Alumni e Ex-Presidente da Associação de Estudantes do ISCAC
45 Anos — 45 Protagonistas
p 114
p 115
Recordo a minha passagem enquanto estudante no Politécnico de
Coimbra com muita felicidade e nostalgia. Escolhi o ISCAC como
primeira opção e lembro-me, como se fosse hoje, do meu primeiro
dia. O primeiro impacto nunca se esquece. Não sabia o que me esperava,
mas carregava no peito uma enorme vontade de aprender
e de marcar pela diferença. Fui recebida de braços abertos, numa
comunidade pronta a ajudar e a desafiar-me, todos os dias.
Aos poucos, fui descobrindo a essência de pertencer a esta família
e tive o privilégio de integrar vários projetos, órgãos de gestão e
a feliz coincidência do meu caminho se ter cruzado com a AEIS-
CAC, aquela que terá sempre um espaço muito especial na minha
memória e no meu coração. Pertencer ao movimento associativo
é integrar uma causa muito nobre, é, diariamente, ser confrontado
com novas realidades, estar constantemente fora da nossa zona
de conforto, mas convictos de que temos nas nossas “mãos” uma
grande missão. É desafiante, faz-nos crescer e duvidar - tantas
vezes-, mas torna-nos pessoas mais capazes.
Nesta aventura, tive a sorte de ter comigo dois pilares basilares:
a equipa, que foi âncora em todos os projetos e atividades, e um
grupo de colegas dirigentes associativos com a mesma vontade de
fazer mais e melhor pela nossa casa-mãe: o Politécnico de Coimbra.
Juntos, travámos várias lutas relacionadas com ação social,
residências estudantis e desenvolvemos vários projetos, tais como
a Receção ao Caloiro IPC - um marco que deixou transparecer a
vontade e a importância de fomentar relações e de caminhar lado-
-a-lado. O Desporto Universitário também deu passos importantes
e impulsionou a instituição a incorporar esta área na sua estratégia.
Falar do Politécnico de Coimbra é falar da minha segunda casa.
Aqui, tive a oportunidade de dar o meu contributo, crescer, sorrir,
conhecer novas realidades e pessoas que guardo com muito carinho.
Aqui, nesta casa, sei que fiz a escolha certa.
Vejo o Politécnico de Coimbra como uma Instituição de referência,
que soube nos últimos anos (re)afirmar a sua identidade, potenciar
a sua ligação ao território, apostar na internacionalização, no desporto
e na cultura, desenvolver novos projetos que permitiram melhorar
as condições do edificado, sem descurar o foco que é formar
bons profissionais e bons Seres Humanos. Estudar no Politécnico
de Coimbra é, cada vez mais, um selo de qualidade, uma referência
a nível nacional e internacional.
Que saibamos ver nos desafios as oportunidades de inovar e de
evoluir e que juntos continuemos a erguer (muitos) sonhos.
Muitos parabéns Politécnico de Coimbra e a todas as pessoas que,
diariamente, das mais variadas formas, fazem esta Instituição criar
Valor e Crescer!
Politécnico de Coimbra
João Lobato
— Administrador dos SASIPC
45 Anos — 45 Protagonistas
p 116
p 117
A ação social no IPC
Os Serviços de Ação Social do Politécnico de Coimbra (SASIPC)
mobilizam os seus contributos para a promoção de um ambiente
académico mais inclusivo, apostando a sua missão no bem-estar
do estudante do IPC.
Criados em 1997, os SASIPC, catapultaram a sua ação na transição
do milénio, com a edificação de uma rede de infraestruturas assinalável
– residências, cantinas, cafetarias, instalações desportivas
e clínica, que constituem hoje o legado herdado que cimenta a matriz
de relançamento de uma nova era para estes serviços.
Os SASIPC, com mais de um quarto de século de atividade, reforçaram
nos últimos anos o seu compromisso com os estudantes, disponibilizando
um conjunto maior e diversificado de serviços, no âmbito
dos apoios sociais diretos - bolsas e apoios de emergência, alojamento,
alimentação, saúde, apoio no acesso ao desporto e à cultura.
Nos últimos seis anos, e no alinhamento estratégico com o esforço
global do IPC, os SASIPC abraçam um novo paradigma quanto à
visão da ação social no ensino superior, assente numa abordagem
inovadora multidimensional e holística, de natureza humanista,
dando início a um novo ciclo cultural de mudança, com o envolvimento
participativo, alargado a stakeholders internos e externos,
alicerçado no estabelecimento de pontes, no trabalho colaborativo
integrado e em rede.
Os principais motes deste processo de reabilitação e de mudança
dos SASIPC, no imperativo da lei, iniciaram com a publicação dos
seus primeiros estatutos, em junho de 2020, configurando uma
nova estrutura orgânica e filosofia de funcionamento. Esta transformação
implicou um novo padrão de gestão, ajustado no reforço
da humanização dos serviços; na reabilitação das infraestruturas
de cantinas, cafetarias, residências e clínica; no reforço da política
de ação social de proximidade, com a criação do Gabinete de
Apoio ao Estudante (GAE) do IPC; no robustecimento e valorização
do quadro de recursos humanos, tanto em número como na diversidade
de competências e talentos; e na aposta na comunicação e
divulgação dos serviços.
No sector do alojamento e hotelaria, as residências de estudantes
viram melhorado o seu edificado, ampliadas na sua capacidade
do quantitativo de camas, novos apartamentos e serviços internos.
Ganharam ainda uma nova regulamentação para um melhor
exercício de gestão, segurança, humanização e socialização dos
estudantes residentes. Neste momento, atravessamos uma fase
de reabilitação das infraestruturas interiores do edificado, com a
perspetiva de construção, em breve, de novas unidades de alojamento
estudantil em Oliveira do Hospital e em Coimbra, com mais
de 500 novas camas, no total.
No sector da Alimentação e Nutrição, as cantinas e cafetarias, sofreram
no geral, um investimento na reabilitação das suas infraes-
Politécnico de Coimbra
45 Anos — 45 Protagonistas
truturas e modernização do seu ambiente, na reorganização do
seu modelo de gestão, sobretudo no investimento do alargamento
do quadro de recursos humanos e sua capacitação.
Quanto aos programas de apoio social diretos, para além da reformulação
regulamentar das bolsas internas e de apoios de
emergência, assistimos à inovação, ímpar, com a criação de dois
novos programas, o PASI - sistema de empréstimo de equipamentos
informáticos aos estudantes e o Politécnico+Cultura, que
visa a promoção do acesso gratuito à cultura como uma dimensão
complementar à formação académica.
No capítulo da saúde, consolidou-se o funcionamento do Gabinete
de Psicologia e de Apoio Psicopedagógico, com grande relevância
no campo da saúde mental, com a promoção de estratégias de
educação para a saúde psicológica e emocional. Atualmente, com
a reabertura da Clínica do IPC em 2023, disponibilizam-se outros
apoios: medicina dentária, medicina geral e familiar, nutrição, psiquiatria
e fisioterapia, com base num modelo de proximidade, de
fácil acesso e a custos reduzidos.
Na senda global de transformação digital, investiu-se na desmaterialização
de processos, com a criação e implementação da Plataforma
SASocial, agregando vários apoios e serviços, numa única
arquitetura digital de fácil e rápido acesso.
A criação, em 2021, do Observatório de Ação Social do IPC - ObservAS-IPC,
permite conhecer e estudar a realidade para promoção
de políticas de ação social, mais centradas e ajustadas ao perfil
e interesses da comunidade estudantil, otimizando o investimento
de recursos por parte dos SASIPC.
No atual ano letivo fortaleceu-se a estratégia de apoio para uma
política de maior inclusão no ensino e integração na comunidade,
com o desenho e implementação do PARENEE - Programa de Apoio
em Rede ao Estudante com Necessidades Educativas Específicas.
Estas transformações esboçam um processo de transição de um
modelo assistencialista da ação social, para uma filosofia baseada
em experiências a desenvolver pelos estudantes num ecossistema
académico e cultural mais transversal para o bem-estar, integrado,
inclusivo e global, conferindo um contributo para a promoção do
sucesso académico e o combate ao abandono escolar.
Nestes últimos cinco anos, os SASIPC empenharam-se numa estratégia
de reorganização vanguardista, crescimento gradual na
ótica do desenvolvimento sustentável, consolidação e diversificação
da oferta dos seus apoios e serviços aos estudantes, articulando-se
com as Associações de Estudantes, com todas as Unidades
Orgânicas e serviços do IPC, como parceiros e agentes de
mudança, para uma melhor ação social no IPC, hoje e no futuro!
p 118
p 119
Politécnico de Coimbra
Joaquim Mourato
— Diretor-Geral do Ensino Superior
45 Anos — 45 Protagonistas
p 120
p 121
Parabéns, Politécnico de Coimbra!
A instalação e desenvolvimento da rede do Ensino Superior Politécnico,
na sequência da Reforma Veigão Simão, democratizou o
acesso ao ensino superior e transformou o país, consubstanciando-se
numa das mais importantes conquistas de abril.
O Politécnico de Coimbra faz parte desta rede e há quarenta e
cinco anos que tem feito caminho e dado os seus contributos ao
território e às pessoas.
Sou testemunha, ao longo de vários anos, em diversas condições,
da qualidade da formação, da investigação e dos serviços de extensão
prestados pelas Escolas e Institutos do Politécnico de Coimbra.
Cresceu, transformou-se e é hoje uma instituição de ensino superior
incontornável da nossa rede, com afirmação nacional e internacional.
A Direção-Geral do Ensino Superior é beneficiário intermediário
dos Programas Impulsos Jovens STEAM e Adultos e, mais recentemente,
do Impulso Mais Digital, todos financiados pelo Plano de
Recuperação e Resiliência (PRR). Tenho acompanhado os compromissos
que o Politécnico de Coimbra tem assumido, no âmbito
destes Programas. Estas apostas, mais exigentes ainda pelo prazo
tão curto para a sua implementação, irão permitir que o Politécnico
concretize alguns dos seus sonhos, através de um programa vasto
de investimentos e de qualificação e requalificação de muitos jovens
e adultos.
Tal só está a ser possível pela maturidade institucional alcançada,
pela qualidade das equipas criadas e desenvolvidas nas diversas
escolas. Não basta ter financiamento. É necessário ter ideias e
capacidade de converter essas ideias em projetos e de os concretizar.
É esse o desafio para o Politécnico de Coimbra. É uma
oportunidade para se questionar, se reinventar e se reposicionar.
Estou certo de que o Politécnico de Coimbra se vai superar e dar
continuidade a um processo de constante mudança, essencial na
academia, para cumprir a sua missão sempre e cada vez melhor.
Parabéns, Politécnico de Coimbra!
DR
Politécnico de Coimbra
Jorge Conde
— Presidente do IPC
45 Anos — 45 Protagonistas
p 122
p 123
Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer…
(...)
Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida.
Que sempre que o homem sonha
o mundo pula e avança...
(António Gedeão – “Pedra Filosofal”)
“Juntos Erguemos Sonhos” tem sido o lema do Politécnico de
Coimbra nos últimos 4 anos. Sonhar o futuro, um futuro onde o que
fazemos hoje se refletirá e nos permitirá erguer os nossos sonhos.
Um futuro que nos venha a proporcionar a oportunidade de fazermos
a diferença para nós e para os que nos rodeiam, influenciando
mais ou menos pessoas, mais ou menos alterações.
O ensino superior tem a missão e a obrigação de transformar as
pessoas e, consequentemente, o mundo. De que vale um jovem
gastar as primeiras duas décadas de vida, até um pouco mais, a
cultivar-se, a munir-se de saberes e competências, se isso não o
transformar e não lhe der ferramentas para deixar a sua marca no
mundo? É essa a principal missão das Universidades, sejam elas do
tipo que forem e tenham a denominação que tiverem.
Os professores em todos os patamares de ensino devem ser gente
motivada para transformar pessoas e para fazer com que os que
formam sejam capazes de transformar outros e de fazer o mundo
pular e avançar. Vivemos nas últimas décadas em Portugal uma
crise de identidade do papel do professor que não permite visões
concretas e definidas, nem grande vontade de sonhar, nem grandes
pulos e avanços.
Os professores dos ensinos básico e secundário têm uma vida dificultada
pelo regime de recrutamento, com muitos anos de “mala
às costas”, com fracas remunerações e sem que a sociedade lhes
reconheça plenamente o papel fundamental que têm na educação
dos que determinarão o futuro. Em parte, por sua culpa na escolha
dos que em seu nome negoceiam, que não têm vontade, nem
imagem, nem soluções para mudar tal situação. Os lugares que
ocupam, muitas vezes vitalícios, são alimentados pela polémica e
pela inércia à mudança.
No ensino superior os problemas são diferentes. Os professores
hoje estão sujeitos à pressão de escrever “papers”. Quem quer fazer
carreira, mais do que ser boa pessoa, bom pedagogo, atualizado,
focado no estudante, tem de querer escrever. Escrever supostamente
baseado em investigações que tragam algo de novo
e tenham a capacidade de transformar o mundo... ou não. Assistimos
amiúde a escrita a metro, onde o mesmo problema é colocado
num “cubo” e as suas seis faces dão seis (ou mais) visões da
mesma coisa em momentos de escrita diferente. Ou um problema
é fracionado tentando demonstrar que estamos perante problemas
diferentes. A juntar à pressão da escrita, assistimos à subvalorização
da componente de gestão, com cada vez menos professores
interessados em ocupar cargos organizacionais. E, claro, que no
fundo da pirâmide, está a valorização que se dá ao ensinar e à capacidade
de bem formar pessoas transformadoras. Importa, pois,
pensar em como inverter a situação presente, criando sinergias
para um ensino que acompanhe as exigências da geração atual. Os
jovens de hoje têm uma enorme capacidade de se informar através
dos meios digitais, onde se encontram quase todos os assuntos.
Politécnico de Coimbra
45 Anos — Introdução
Os professores de hoje têm de saber ensinar a procurar, filtrar e a
usar essa informação. Hoje, além de formarmos jovens competentes
e conhecedores nas áreas científicas em que formamos, temos
de saber ensinar com modernidade e, fundamentalmente, temos
de saber ensinar a usar as ferramentas e a informação disponível.
O desafio é que saibamos caminhar para um ensino 6.0, onde a
inteligência artificial, a realidade virtual, a realidade aumentada e a
internet das coisas são ferramentas de ensino e não inimigos que
se sobrepõem ao professor. O futuro exige um ensino personalizado
e customizado, onde o estudante vai poder ter um currículo
escolar seu, adaptado ao que pensa serem as competências que
necessita em cada momento. Esta forma de ensinar vai potenciar
o “lifelong learning” e o aprender em permanência com recurso à
certificação de competências e à aprendizagem por micro-credenciação.
Mas o ensino do presente (e do futuro) é, também, cada
vez mais baseado em projetos e em experiências práticas e na colaboração
com a comunidade e com as empresas.
Um ensino superior moderno vai ter de se preocupar com tudo
isso, mas também com a transferência de competências no domínio
socio emocional, na capacidade de criar pensamento inovador
e capacidade crítica. O futuro exige preocupações com a sustentabilidade
e a preservação do meio ambiente e com o bem-estar da
comunidade interna e externa.
A Universidade do futuro forma pessoas que sabem ser cidadãos
do mundo, capazes de contribuírem positivamente para a sociedade
e para os desafios que o futuro (já hoje) nos obriga a transpor.
Este futuro vai obrigar a pensar o ensino que fazemos e que queremos
fazer. Talvez ainda não tenhamos percebido que em Portugal
a organização num sistema binário pode não ser a melhor solução,
quando áreas de aprendizagem eminentemente tecnológicas
e direcionadas estão do lado clássico do ensino, ou áreas de saber
mais conceptual estão do lado do ensino aplicado. Talvez não tenhamos
percebido que a fuga de escolas politécnicas para instituições
universitárias é, tão só, a procura do maior prestígio atribuído
pela sociedade. Talvez o futuro passe mais por termos instituições
polivalentes e instituições especializadas. Talvez o futuro passe
por campus mais polivalentes e por cursos mais abertos e não por
escolas mono-curso. Certo é que estamos atrasados nesta discussão.
Os órgãos responsáveis pela condução do ensino, os centros
de investigação em política educativa e os professores e agentes
no terreno têm a obrigação de, o quanto antes, pensar que legado
querem deixar às novas gerações.
O Politécnico de Coimbra chega aos 45 anos com a noção do dever
cumprido. Apesar de uma organização a justificar alterações, de
uma máquina conservadora na forma de atuar, de um ambiente
local pouco empático, o facto é que continuamos a crescer e a
afirmarmo-nos regional, nacional e internacionalmente.
Neste ano em que fazemos 45 anos, podemos comemorar o facto
de nos sentirmos, e na Europa e no Mundo nos reconhecerem,
como Polytecnic University, de lecionarmos doutoramentos e, a
curto prazo, podermos outorgar o título de agregado. Aos 45 anos,
orgulhamo-nos de ter um corpo docente onde muitos fazem investigação
com regularidade e agora em centros titulados pelo próprio
Politécnico. Mas, acima de tudo, alegra-nos continuarem a ser
muitos os estudantes que anualmente nos procuram e muitas as
empresas disponíveis para construir saber connosco.
Estou certo de que os próximos 5 anos serão determinantes para
a evolução do ensino superior em Portugal e acredito que no Politécnico
de Coimbra saberemos escolher, em cada momento, as
melhores opções de governação e as melhores companhias para o
caminho que queremos fazer.
p 124
p 125
Politécnico de Coimbra
Jorge Veloso
— Presidente da União de Freguesias de São Martinho do Bispo e Ribeira de Frades
45 Anos — 45 Protagonistas
p 127
O Instituto Politécnico de Coimbra....
Quando pensamos em Coimbra, pensamos em estudantes, vida,
alegria, saudade... Coimbra é a cidade dos estudantes, a cidade da
Queima das Fitas, a cidade das capas negras. Uma vez estudante
de Coimbra, para sempre estudante de Coimbra, para sempre nostalgia.
Quem nesta cidade estuda nunca fica sozinho e leva para
sempre amizades e muitos vezes também o seu amor da vida toda.
Coimbra é marca cravada na eternidade de quem por cá passa.
O Instituto Politécnico de Coimbra é parte desta história, que fica para
sempre no coração de quem em Coimbra traça a sua capa. É parte
fulcral para o desenvolvimento local na União de Freguesias de São
Martinho do Bispo e Ribeira de Frades. É para nós um orgulho ser a
“freguesia sede” do IPC. A nossa freguesia é um exemplo de juventude
e vivacidade, fruto de todos os estudantes que nela passam a
residir temporariamente para estudar no ISCAC, ESAC e ESTeSC.
Toda esta afluência de estudantes é muito importante para o desenvolvimento
económico, social e cultural da freguesia de São Martinho
do Bispo. A dinâmica inerente à habitação trazida pelos estudantes é
inegável, bem como o seu espírito jovem e forma de estar leve.
O IPC oferece ensino de qualidade e diversificado, formando jovens
em áreas tão distintas como saúde, gestão, contabilidade,
agronomia, biotecnologia, entre outros, contribuindo para que a
procura pela sua oferta educativa seja muito elevada.
A União de Freguesias tem uma estreita ligação com o IPC, uma
relação de proximidade, confiança e amizade. Estamos gratos ao
IPC pelo contributo que este nos dá, fomentando e economia local,
o reconhecimento da freguesia e por ser uma peça fundamental
para que São Martinho do Bispo se mantenha “jovem” e “dinâmico”.
Os estudantes são uma peça essencial para a nossa região e o
IPC, por ser uma entidade reconhecida, responsável e inovadora
faz com que a procura pelo seu ensino seja cada vez maior e, em
consequência disso, também a procura pela nossa freguesia.
Na altura do seu 45.° aniversário, a União de Freguesias de São
Martinho do Bispo e Ribeira de Frades, pelo seu atual presidente
Jorge Veloso, salienta a importância da instituição em todas a suas
vertentes, educativas, sociais e desportivas, e deseja as maiores
felicidades e muito sucesso.
“E para o IPC não vai nada nada nada? TUDO”
DR
Politécnico de Coimbra
José Francisco Rolo
— Presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital
45 Anos — 45 Protagonistas
p 128
p 129
Bem hajam pelo grande serviço que prestam ao país!
Como Presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital,
felicito o Instituto Politécnico de Coimbra (IPC), uma das maiores
instituições de ensino superior portuguesas, por estes 45 anos ao
serviço da formação e qualificação dos portugueses.
Com uma história de quatro décadas e meia, o IPC é uma instituição
com uma grande diversidade de áreas de formação e com um papel
fundamental no desenvolvimento da nossa região e do país.
Oliveira do Hospital é desde 1999 – ano em que foi criada neste
concelho do interior do país a Escola Superior de Tecnologia
e Gestão de Oliveira do Hospital (ESTGOH) –, um município que
caminha lado a lado com o IPC.
Na verdade, a criação da ESTGOH, que se tem tornado como o
posto avançado do IPC no interior da Região Centro, representou
um grande passo para a descentralização do ensino superior
politécnico em Portugal. Uma aposta ganha!
Como Presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital
e em nome dos Oliveirenses, devemos portanto uma palavra de
reconhecimento ao IPC e a todos quantos contribuíram para a criação
da ESTGOH – uma escola superior que hoje se encontra consolidada
e que tem dado um grande contributo fundamental em termos da
dinamização do desenvolvimento regional e da coesão territorial.
A ESTGOH, que iniciou as atividades escolares no ano letivo de
2001/2002 em instalações cedidas pelo Município de Oliveira do
Hospital, tem hoje perto de 700 alunos e vários cursos com taxas
de empregabilidade muito elevadas, alguns com 100 por cento de
empregabilidade.
É, assim, uma aposta de sucesso, protagonizada pelo prestígio do
IPC e pela Escola Superior de Tecnologia e Gestão. Ambos estão no
caminho da excelência e a estruturar-se para a criação da região
metropolitana de Coimbra, desde a serra até ao mar.
Esta opção do IPC, é por isso muito importante e materializa-se em
actos, como o número e qualidade dos cursos oferecidos, incluindo
mestrados, como o de Negócios Internacionais, importante para
setores ligados à indústria e exportação alimentar, num contexto
da região envolvente.
Hoje, que a ESTGOH está consolidada, o IPC e o Município de
Oliveira do Hospital, no âmbito de um protocolo de cooperação,
estão assumidamente empenhados no futuro desta instituição de
ensino superior.
E no âmbito do espírito de cooperação que tem existido entre
as duas entidades, vai brevemente entrar em construção uma
residência com 100 camas para estudantes do ensino superior,
financiada pelo PRR – Plano de Recuperação e Resiliência.
Num compromisso claro e inequívoco de que a ESTGOH será
sempre uma importante alavanca para o desenvolvimento do
nosso concelho e da região, o Município de Oliveira do Hospital
realizou já o projecto de arquitectura para a nova Escola Superior
de Tecnologia e Gestão e a candidatura para a primeira fase da
construção, projectada para mil alunos, já foi formalizada pelo IPC
junto da CCDRC/Centro 2030.
A criação de uma nova escola e de uma residência para estudantes
representam, assim, avanços significativos que visam fortalecer o
ensino superior, proporcionando uma melhor formação e aumentando
o bem-estar e a empregabilidade dos estudantes locais.
Nestes 45 anos da instituição, é obrigatório deixar aqui, nas páginas
deste livro, uma palavra de reconhecimento ao Presidente do IPC,
Professor Doutor Jorge Conde, e a toda a sua equipa, pela forma
como tem presidido aos destinos da instituição, introduzindo-lhe a
modernidade e a inovação que os novos tempos exigem.
Presto também o nosso público reconhecimento a todas e a
todos os que durante, estes 45 anos, contribuíram para que o
agora Instituto Politécnico de Coimbra | Polytechnic University of
Coimbra chegasse a este patamar de excelência.
Bem hajam pelo grande serviço que prestam ao país!
DR
Politécnico de Coimbra
José Manuel Silva
— Presidente da Câmara Municipal de Coimbra
45 Anos — 45 Protagonistas
p 130
p 131
Politécnico de Coimbra tem contribuído para concretizar
o imenso potencial do concelho
Atualmente, é cada vez mais notório que o avanço das sociedades
está profundamente relacionado com a preservação de um ensino
superior de qualidade e com um investimento estratégico na
inovação. A forte aposta na formação, sobretudo quando se alia
a investigação à componente prática, é basilar para o desenvolvimento
dos territórios e das comunidades, com tradução num forte
impulso das instituições.
Nesse sentido, a Câmara Municipal (CM) de Coimbra, ao longo dos
últimos dois anos, tem trabalhado para tornar o concelho uma primeira
escolha para os investidores e para os criadores de emprego,
tirando partido dos nossos excelentes sistemas de ensino e de
saúde, bem como da nossa centralidade geográfica, cosmopolitismo
e de uma renovada capacidade de atração de jovens de todo o
mundo para estudar, trabalhar e viver.
Temos apostado na transformação de Coimbra, reforçando a nossa
marca e destacando as suas múltiplas vantagens. Finalmente,
Coimbra mostra que está a posicionar-se para alcançar novos patamares
de desenvolvimento com efeitos para a qualidade de vida
e para o bem-estar dos seus munícipes.
É nesta senda que encontramos também o Politécnico de Coimbra,
a contribuir e a concretizar o imenso potencial do concelho.
Com a celebração do seu 45º aniversário, o Politécnico de Coimbra
conta já com uma reputação sólida na formação, integrando
seis unidades de ensino que abrangem uma grande diversidade de
áreas de formação, adaptada ao mercado de trabalho e com uma
extraordinária vocação para a investigação e para as sinergias com
as empresas, nomeadamente através do i2A e do INOPOL. Sem
dúvida alguma, o IPC afirmou-se como um dos principais ativos do
concelho de Coimbra.
Após estes 45 anos, o desafio passa agora por dar continuidade
a este caminho de forma criativa e inovadora, com tradução no
desenvolvimento de um espírito crítico e empreendedor. Com o
objetivo de apostar no desenvolvimento local e regional, desejando
que os profissionais recém-formados tenham condições de se
fixar no concelho.
Para tal, continuar a trabalhar com todas as instituições de Coimbra
tem sido crucial para promovermos e para acelerarmos a criação
de emprego e a fixação de investimento. Acreditamos que o
Politécnico de Coimbra, com o apoio da CM de Coimbra e daqueles
que têm investido e acreditado na região, pode permitir aos jovens
expandirem a sua energia e a sua criatividade, concretizando
as suas ideias inovadoras, oferecendo sólidas oportunidades de
emprego e condições propícias para construir e para desenvolver
um excelente futuro no nosso território.
DR
Politécnico de Coimbra
José Daniel
Alves Pereira
45 Anos — 45 Protagonistas
— Alumni e Ex-Presidente da Associação de Estudantes do ISEC
p 132
p 133
É uma nostalgia enorme relembrar os anos que passei no Politécnico
de Coimbra, onde estudei Engenharia Civil no Instituto Superior de
Engenharia de Coimbra.
Lembro-me como se fosse ontem o primeiro dia que entrei no ISEC,
a excitação de querer viver todo o ambiente académico que caracteriza
Coimbra. Os anos que ali passei foram repletos de aprendizagem,
de crescimento pessoal e profissional e, acima de tudo, de
muitas conquistas e desafios.
Sendo um defensor nato da componente prática no ensino, porque
sinto que a “meter as mãos na massa” é que se aprende, ir para
o ISEC foi sem dúvida a melhor opção que poderia ter tomado. O
ambiente de aprendizagem era dinâmico e estimulante, com aulas
práticas e visitas de estudo ao tecido empresarial. Tudo isto incentivou-me
a ter mais conhecimento e a desenvolver aquilo que
seria o meu futuro enquanto profissional na área de Engenharia
Civil, mas as maiores valências que levei do meu percurso nesta
instituição foram sem dúvida a partir do momento em que entrei na
Associação de Estudantes do ISEC. Aliar o associativismo ao tecido
empresarial, na organização da FENGE, sempre foi algo que me
fascinou e que abracei com toda a dedicação, contudo, a vontade
de fazer mais e representar os meus colegas na luta pelas suas
necessidades e interesses falou mais alto e no ano seguinte acabei
por abraçar o desafio de presidir a direção da AE ISEC com uma
equipa fantástica.
Tendo em conta os grandes desafios que nos esperavam, e a reforma
que o Politécnico de Coimbra necessitava, desde do início do
mandato que tentámos fomentar junto das restantes Associações
de Estudantes do Politécnico de Coimbra um espírito de união e de
cooperação. Sabíamos que juntos seríamos mais fortes.
Lutámos por causas comuns e conseguimos melhores cantinas,
melhores condições nas residências, e no geral várias melhorias
ao nível da ação social proporcionando um maior conforto aos
nossos estudantes.
Proporcionámos também, uma receção aos novos estudantes em
conjunto, fomentando a união entre todos os institutos do Politécnico
de Coimbra. Conseguimos ainda estabelecer uma forte relação
de cooperação com a AAC, tendo representado os estudantes
do Politécnico no recinto da Latada.
A união com a AAC não se cingiu aos eventos recreativos, tendo
existido uma parceria também ao nível de política educativa, no
caminho de melhores condições para todos os estudantes não só
da cidade, mas também a nível nacional.
Ao nível do desporto, mantivemos presença assídua em diversas
modalidades nas competições da FADU, dando o pontapé de saída
para o que hoje é a marca Politécnico de Coimbra no desporto
Universitário.
Enquanto antigo estudante e antigo dirigente associativo, vejo hoje
um politécnico diferente, melhor, como uma marca mais reconhecida
e assertiva. No entanto, o caminho para a excelência não termina aqui.
Vivemos hoje tempos de constante evolução, a um ritmo quase
exponencial ao nível de avanços tecnológicos com novas técnicas,
novos materiais e novas ideias. É crucial que o ensino acompanhe
estes avanços e se atualize, tanto a nível académico como a nível
de infraestruturas. Só desta forma podemos continuar a fornecer
um ensino de excelência a quem opta por estudar no Politécnico
de Coimbra, e continuar a conseguir que este se diferencie pela
positiva atraindo aqueles que, como eu, se identificam com o tipo
de ensino que aqui se pratica.
Parabenizo o Politécnico de Coimbra pelos seus 45 anos, e a todos
os que contribuíram e aos que continuam a contribuir para construir
uma instituição de referência.
Politécnico de Coimbra
José Luís Marques
Diretor da Escola de Hotelaria e Turismo de Coimbra
45 Anos — 45 Protagonistas
p 134
p 135
O sucesso do Ensino Superior voltado para o Mercado e o Emprego
É com muito gosto e muito honra que participo, com o presente testemunho,
no Livro dos 45 Anos do Politécnico de Coimbra. Faço-o
numa dupla perspetiva, como antigo aluno e como representante
de uma organização parceira, aqui através do trabalho conjunto e
reunião de sinergias com algumas das escolas que compõem esta
prestigiada instituição.
Cheguei ao Politécnico de Coimbra já na fase da minha formação
pós-graduada, tendo realizado a Pós-graduação em Gestão Turística
e Hoteleira (2011-2012) e o Curso de Especialização em Turismo
de Interior – Educação para a Sustentabilidade (2014-2015),
ambos os percursos de ensino e formação na Escola Superior de
Educação de Coimbra. Desde logo e também nos dois casos, me
apercebi da qualidade do ensino politécnico, respetivos professores
e professoras, bem como do foco na ligação do conhecimento
ministrado ao mercado em que a área de estudos se integra. Isto
para uma melhor preparação dos seus alunos e melhor inserção
destes no mundo do trabalho, sem esquecer a possibilidade de
prosseguimento de estudos para graus académicos mais elevados.
Marca indelével do ensino politécnico, que na nossa região as escolas
do Politécnico de Coimbra tão bem assumem e implementam.
A minha outra vertente de stakeholder do Politécnico de Coimbra,
como referido acima, dá-se pelas várias parcerias que existem entre
esta instituição e a organização que represento e atualmente
dirijo, a Escola de Hotelaria e Turismo de Coimbra (EHTC). Em primeiro
lugar, pela criação e lecionação conjunta da já referida Pós-
-graduação em Gestão Turística e Hoteleira, que funcionou durante
cerca de 10 anos e que muitas centenas de profissionais formou,
especializou, para a área do Turismo e da Hotelaria na nossa região
e no nosso país. Em segundo lugar, pela criação e lecionação conjunta
da Licenciatura em Gastronomia, até há muito pouco tempo
oferta única no país, extraordinário percurso de educação e formação
que envolve três escolas do Politécnico de Coimbra (Escola
Superior de Educação - tutela do curso -, Escola Superior Agrária
e Escola Superior de Tecnologia da Saúde) e a EHTC. Em terceiro
lugar, finalmente, pela colaboração também prolongada no tempo,
com a Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Coimbra, através
do acolhimento dos estágios dos alunos e alunas da Licenciatura
em Dietética e Nutrição, com resultados muito positivos, quer para
a EHTC, quer para os(as) estagiários(as) em questão. De facto, e a
cada ano, verificávamos que a qualidade daqueles(as) alunos(as)
era muito elevada, nomeadamente pelo trabalho realizado nas diversas
áreas em que lhes colocávamos desafios. Qualidade do trabalho
aferida pelos conhecimentos e competências evidenciados,
pelos graus de autonomia e iniciativa revelados e pelos resultados
alcançados no final dos estágios, tendo em conta o plano inicial de
trabalho, se bem definido, melhor concretizado ainda. Dizíamos,
dizemos, com este perfil e padrão de alunos e alunas é porque –
sem retirar o mérito dos próprios – a formação ministrada naquela
escola (a ESTeSC) é de altíssima qualidade!
Qualidade, mas também eficiência, eficácia e sucesso, são alguns
conceitos que me surgem quando ao Politécnico de Coimbra, e
suas escolas, me tenho de referir. Mas também gratidão, pelos ensinamentos
que recebi como aluno e pela confiança que a minha
organização recebe como parceira institucional.
Muitos parabéns Politécnico de Coimbra!
DR
Luís Antunes
— Presidente da Câmara Municipal da Lousã
45 Anos — 45 Protagonistas
p 137
Juntos Erguemos Sonhos
É sob este lema que o Instituto Politécnico de Coimbra se rege e
com o qual não poderia concordar mais.
Aliada à capacidade de sonhar, é através do trabalho em conjunto
que acredito que mais podemos contribuir, todos os dias, para uma
sociedade e um Mundo melhor.
O Instituto Politécnico de Coimbra tem, desde a sua fundação em
1979, dotado os seus muitos milhares de alunos de ferramentas
atualizadas, pertinentes e adaptadas à realidade do Mundo que os
rodeia e que o mercado de trabalha solicita.
Alia, de forma equilibrada, o ensino do conhecimento científico ao
saber fazer, à prática, à aplicação do conhecimento.
Uma marca muito importante do trabalho do IPC, especialmente
nestes últimos anos, é a ligação ao território e, em particular, à
Região de Coimbra, que se evidencia de variadas formas.
No que ao Município da Lousã diz respeito, temos encontrado
sempre no Instituto Politécnico um parceiro disponível, cooperativo
e que tem acrescentado valor aos vários projetos que temos
realizado em comum e dos quais não posso deixar de destacar o
“Lousã Green School” que tem como objetivos reforçar a presença
do Instituto na Região e permitir a valorização do capital humano
em áreas tão importantes como a Floresta, os seus diversos usos e
o desenvolvimento sustentável.
Certo de que ainda teremos muito futuro pela frente e muitos projetos
a desenvolver, desejo as maiores felicidades a todas e a todos
aqueles que fazem do Instituto Politécnico do Coimbra uma
instituição de referência no País e no Mundo.
Juntos continuaremos a transformar sonhos em realidades sustentáveis.
DR
Politécnico de Coimbra
Luís Roseiro
— Provedor do Estudante do IPC
45 Anos — 45 Protagonistas
p 138
p 139
A minha ligação ao Instituto Politécnico de Coimbra (IPC) começou
em novembro de 1993, no Departamento de Engenharia Mecânica
do ISEC. Tive a sorte de integrar uma Instituição que me acolheu
de braços abertos, que me motivou e que desde o primeiro momento
sinto como uma família. A profissão de Docente revelou-se
cativante e desafiadora, impulsionando a minha opção por esta
carreira. Tenho vivenciado esta ligação de forma entusiástica, em
conexão com a investigação aplicada que desenvolvo. Consciente
da importância dessa interligação, tive a oportunidade de criar o
Laboratório de Mecânica Aplicada, espaço onde anualmente dezenas
de estudantes têm a oportunidade de realizar atividades
experimentais relacionadas com a mecânica estrutural, bem como
desenvolver projetos envolvendo protótipos funcionais mecânicos
e biomecânicos, em ligação com a indústria e com várias instituições
médicas e desportivas. Esta experiência assumiu e assume
um papel determinante na minha motivação, sempre com o envolvimento
direto dos estudantes e alinhada na missão social do IPC.
O interesse pela biomecânica levou a assumir um novo desafio, coordenando
uma equipa que criou o Laboratório de Biomecânica Aplicada
(LBA), que integra o i2A-IPC desde 2015. O LBA assume uma natureza
multidisciplinar, acolhendo estudantes que realizam trabalhos de
projeto, teses de Mestrado e de Doutoramento. Tem sido o berço de
diversos protótipos funcionais, em estreita ligação com a sociedade,
alinhando o ensino com a investigação e contribuindo para o desenvolvimento
tecnológico e a promoção do bem-estar social.
Além das responsabilidades de Docente, a participação em atividades
de gestão na instituição, especialmente no domínio pedagógico,
levou-me a ocupar o cargo de diretor do curso de licenciatura
em Engenharia Mecânica e posteriormente a coordenar o Conselho
Pedagógico do ISEC, do qual tive a honra de presidir entre 2016 e
2021. No seguimento destas experiências, e talvez pelas constantes
reflexões e interesse na pedagogia e no ensino da engenharia,
fui desafiado a assumir as funções de Provedor do Estudante do
IPC, cargo que ocupo com orgulho desde julho de 2021. Apesar do
enorme desafio que estas funções acarretam, é o sentimento de
gratificação em poder contribuir para a garantia e promoção dos
direitos dos estudantes, assim como para a melhoria da qualidade
do ensino oferecido pelo IPC que me têm motivado. Esta experiência
tem permitido conhecer de muito perto a realidade e grandeza
do IPC, assim como a sua enorme riqueza. A interação com vários
atores do IPC, desde logo os estudantes que recorrem à Provedoria,
passando pelas associações de estudantes e responsáveis
pelos conselhos pedagógicos, a que associo a presidência do IPC
e das Unidades Orgânicas e a equipa dos SAS-IPC, tem sido muito
gratificante e motivadora, mostrando-me uma Instituição alinhada
com o sucesso e bem-estar dos seus estudantes.
O IPC é reconhecido como uma instituição de referência no ensino
superior em Portugal, notabilizando-se pela qualidade da formação
ministrada nos seus cursos, excelência na investigação aplicada e
compromisso com o desenvolvimento regional e nacional. A história
destes 45 anos demonstram que ao longo dos anos o IPC tem
formado profissionais altamente qualificados, desempenhando um
papel fundamental no avanço socioeconómico não apenas da região
de Coimbra, mas também do país como um todo. Parabéns
IPC, na certeza de que a linha está bem definida, e que foi, é e será
a do sucesso.
Politécnico de Coimbra
Lurdes Pina
— Funcionária não docente aposentada da ESTeSC
45 Anos — 45 Protagonistas
p 140
p 141
Que posso dizer sobre a ESTeSC/IPC e vivência durante os 32 anos
que lá exerci funções?
Para já refiro que foi um grande orgulho participar em todos os
momentos relevantes desta instituição, que me é tão querida e ter
conhecido e trabalhado com personalidades e seres humanos fora
de série. Foi um grande privilégio.
O testemunho que posso evidenciar durante estes anos, foi o de
grande admiração por todos aqueles que conseguiram com muito
trabalho, abnegação e persistência, levar a escola a um patamar
tão elevado, como é reconhecido hoje por todos;
Os esforços e os obstáculos que surgiram ao longo destes anos
foram muitos, mas no final os resultados estão à vista;
Os aspetos que considero mais relevantes na evolução da Escola,
foram os seguintes:
- A concretização da construção de uma escola de raíz (foi uma
grande conquista);
- A aprovação superior do Mapa de pessoal, no início da escola, e
mais tarde o Quadro de pessoal;
- Aprovação e criação bem como a implementação de novos cursos
e respetivos planos de estudo;
- Implementação do Curso Complementar de Ensino e Administração
e respetivos planos de estudo;
- Aprovação posterior do CESE - curso de estudos superiores especializados;
- Transição para o Ensino Superior, uma das mais importantes conquistas
de toda a comunidade escolar;
- A existência da Primeira Assembleia de Representantes (Constituída
por docentes, não docentes e alunos, eleitos pelos seus pares);
- Elaboração e aprovação dos primeiros Estatutos da Escola;
- Realização da primeira eleição do Presidente da Escola (Anteriormente
a designação do Diretor/Presidente era feita por nomeação
da tutela);
- Reorganização das diversas estruturas da Escola;
- Ampliação das instalações para mais salas de aula, gabinetes,
laboratórios e reestruturação dos serviços;
- Decisão e aprovação sobre a integração da Escola no Instituto
Politécnico de Coimbra;
- Integração no IPC;
- Participação da Escola na eleição do Presidente do IPC;
- Adequação dos Estatutos da Escola aos Estatutos do IPC;
- Reestruturação e adequação de procedimentos em função das
alterações verificadas com a entrada da Escola no IPC;
- Implementação do Sistema de Gestão da Qualidade com a realização
de auditorias externas com vista à sua certificação;
- Dinamização do projeto Erasmus, quer para docentes, não docentes
e alunos;
Para além do que aqui foi dito, havia muito mais a dizer, e que foi
muito importante, pois a Escola foi e continua a ser uma fonte de
iniciativas, com projetos ambiciosos que a prestigiam quer a nível
nacional quer internacional.
Tudo isto vale por dizer que as instituições normalmente têm êxito
quando o foco é direcionado para as pessoas de forma a promover-se
um bom ambiente pessoal e profissional.
Não quero deixar de referir que o meu contato com os Serviços
Centrais do IPC e as outras Instituições não foram muitos, mas todos
aqueles que tive, sempre foram pautados pelo respeito, cordialidade,
colaboração e entreajuda.
Politécnico de Coimbra
Mafalda Pinto
— Presidente da Associação de Estudantes da ESEC
45 Anos — 45 Protagonistas
p 142
p 143
Desde a sua fundação o Politécnico de Coimbra, tornou-se uma
das maiores instituições de ensino superior portuguesas, agregando
seis unidades orgânicas das mais variadas áreas de ensino. A
prova da sua reputação de excelência e de todo o seu sucesso,
é que ano após ano o número de estudantes, vindos de todas as
partes do país, que escolhem esta instituição, é cada vez maior.
Ao longo destes 45 anos de história o Politécnico de Coimbra tem
vindo a destacar-se pela sua aposta na internacionalização, enriquecendo,
assim, o ambiente académico com a diversidade cultural e
promovendo uma visão global entre os seus estudantes e docentes.
Além disto, o IPC destaca-se pela sua firme aposta na inovação e
na investigação através de centros de investigação de excelência e
projetos colaborativos. O Politécnico tem contribuído para o avanço
do conhecimento em diversas áreas, bem como para o desenvolvimento
de soluções práticas e inovadoras para os desafios da
sociedade contemporânea.
É também relevante destacar o papel do Politécnico de Coimbra
como uma instituição de proximidade, estando profundamente
enraizado na comunidade local e regional, através de iniciativas e
programas de responsabilidade social e projetos de empreendedorismo,
que demonstram o seu compromisso com o desenvolvimento
sustentável e o bem-estar da sociedade em que se insere.
Tenho o orgulho de poder dizer que o Politécnico de Coimbra foi
a minha primeira escolha, e não podia estar mais feliz com esta
decisão. Todas as expectativas que tinha quando me candidatei
foram superadas, desde a metodologia de ensino, os conteúdos
programáticos, ao ambiente vivido...
As experiências que tenho vivenciado ao longo destes três anos,
quer como aluna da Escola Superior de Educação de Coimbra, quer
como dirigente associativa, permitiram-me crescer e desenvolver
novas capacidades, que certamente não poderia desenvolver
numa instituição que não tivesse um ambiente tão inclusivo e diversificado
como o IPC.
Assim, neste marco significativo dos 45 anos de história, é justo
reconhecer e celebrar o papel vital que o Politécnico de Coimbra
desempenha na educação, na investigação e no progresso de Portugal
e do mundo. Que continue a trilhar o caminho da excelência
e da inovação, inspirando gerações presentes e futuras a alcançar
os mais altos patamares de sucesso e realização. Parabéns, Politécnico
de Coimbra!
Politécnico de Coimbra
Marcela Ribeiro
— Presidente da Associação de Estudantes da ESTGOH
45 Anos — 45 Protagonistas
p 144
p 145
O Instituto Politécnico de Coimbra celebra, em 2024, 45 anos, proporcionando
ao longo desta jornada um ensino de qualidade, onde
prepara os estudantes para o mercado de trabalho e contribui para
o desenvolvimento regional e nacional, valorizando a inovação, a investigação
aplicada e a ligação com a comunidade e as empresas.
Ao longo destes 45 anos, o IPC tem marcado as vidas de vários estudantes,
tornando-se um marco verdadeiramente importante na
vida destes, não só ao nível académico e profissional, mas também
ao nível social e emocional.
A fase de mudança, quando passamos do ensino secundário para o
ensino superior, não é fácil, ainda mais quando estamos a estudar
longe de casa. Todos os estudantes passam por essa fase de
adaptação, o grande passo entre a adolescência e a vida adulta
onde temos de agir por nós próprios e onde começamos a aprender
a gerir a nossa vida.
Relatando um pouco do meu percurso na ESTGOH, posso dizer que
o primeiro impacto foi deveras complicado: o facto de não conhecer
ninguém, não conhecer bem a cidade de Oliveira do Hospital
e estar longe de casa foi um pouco assustador. Contudo, como
o velho ditado português nos diz, “depois da tempestade vem a
bonança”, e foi em Oliveira do Hospital, nesta pequena cidade no
meio da serra, que encontrei outra metade de mim, onde conheci
pessoas incríveis, onde vivi histórias que me vão ficar eternamente
da memória. Foi aqui que encontrei uma segunda casa.
O facto de a ESTGOH ficar no interior do distrito de Coimbra, dá-
-nos outra perspetiva e noção da beleza desta cidade. É aqui em
Oliveira do Hospital, longe da confusão, que podem ver uma comunidade
inteira reunida para vos ajudar, onde 7.500 habitantes
são uma família e te acolhem da melhor maneira possível, onde
podemos ver as paisagens mais belas e onde, certamente, ficam
as histórias mais bonitas.
Nos últimos 23 anos, a ESTGOH tem evidenciado significativas melhorias
e uma crescente procura ao nível curricular, com cada vez
mais alunos interessados, não apenas em estudar, mas, também,
em viver em Oliveira do Hospital. Este fenómeno deve-se, em grande
parte, ao carácter acolhedor da cidade, situada nas proximidades
da Serra da Estrela, que cativa os estudantes pela sua beleza
e simpatia, deixando-os completamente encantados. É graças ao
IPC que conseguimos ter esta experiência memorável, enquanto
nos preparamos para ser profissionais exemplares e, por isso,
passados 45 anos desde a sua criação, vemos, cada vez mais, o
nome do Politécnico de Coimbra afirmar-se como uma instituição
de prestígio e sucesso.
Politécnico de Coimbra
Maria Manuel
Leitão Marques
45 Anos — 45 Protagonistas
— Presidente do Conselho Geral do IPC
p 146
p 147
45 anos, e os próximos?
Quem olha a primeira vez para o Instituto Politécnico de Coimbra
(IPC) pode pensar que está perante uma instituição algo singular,
com escolas com mais de 100 anos e outras muito mais recentes.
Mas se analisarmos outras instituições do ensino superior vemos
que são até parecidas. Também elas foram alargando os seus estudos
a outras áreas e reorganizando o seu funcionamento em função
disso. A diferença do IPC foi não ter nascido com uma marca
comum, ou seja, de a sua marca se ter sobreposto à de escolas
bem consolidadas já existentes. Não foi seguramente fácil essa
transição, mas hoje ela é um dado adquirido e creio que todas as
partes sabem o que ganham com uma marca e liderança comuns,
no presente e especialmente no futuro.
Se olharmos para os desafios que enfrenta o ensino superior e a
investigação científica em Portugal, ainda se torna mais clara a
importância de um interlocutor único no diálogo interinstitucional
incontornável que terá de haver num futuro muito próximo, conducente
a uma maior cooperação com outras instituições.
São vários os desafios que apontam para o papel crucial desse
diálogo. Enumero apenas alguns: uma demografia adversa ao nível
nacional e regional suscetível de diminuir a procura, sem compensação
na atração de novos públicos, considerando as necessidades
de formação ao longo da vida; uma concorrência acrescida na
atração de alunos, o que impõe para além a qualidade do ensino, a
atenção ao bem-estar nas instituições, uma política de bolsas, uma
carteira de estágios diversificada e oportunidades de emprego à
vista; uma maior competitividade também no financiamento da investigação,
o que exige dimensão crítica e fixação de recursos;
a inevitável racionalização da oferta, diminuindo sobreposições e
reforçando especializações; ou o esforço redobrado de internacionalização,
tanto no ensino, como na investigação.
Todos eles convergem para que as diferentes instituições do ensino
superior sejam obrigadas, no mínimo, a trabalhar mais em modo
de ”co-opetition”, ora valorizando a cooperação ora a concorrência,
e por vezes mesmo em modo apenas de cooperação. Para que tal
aconteça, é preciso ter uma visão estratégica, construída com todas
as partes, e uma liderança que a possa prosseguir.
Sei que não é fácil gerir o dia a dia de uma instituição grande como
a nossa - o seu financiamento, as reivindicações dos seus estudantes,
docentes e funcionários, as respostas imediatas que é
preciso dar - e, ao mesmo tempo, preparar o futuro. Mas esse é
mesmo o desafio urgente e incontornável que temos pela frente.
Da minha experiência como Presidente do Conselho Geral, tenho a
certeza que não o ignoramos coletivamente e que, pensando bem,
até sabemos como o enfrentar. Mesmo que essa tarefa seja tudo
menos fácil, um bom futuro está ao nosso alcance.
Politécnico de Coimbra
Maria Teresa Cardoso
— Presidente da Câmara Municipal de Anadia
45 Anos — 45 Protagonistas
p 148
p 149
Enquanto agentes de criação de conhecimento, tecnologia, inovação
e riqueza humana, os institutos politécnicos são entidades fundamentais
para o desenvolvimento económico e social do país. Facilitam a
oportunidade de acesso ao ensino superior e dão resposta às reais
necessidades de recursos humanos qualificados.
O Instituto Politécnico de Coimbra é um excelente exemplo desta
parceria entre o ensino e a sociedade. A vertente profissionalizante
dos cursos que ministra, a adaptação do ensino às carências de
mão de obra da região e do país, a estreita ligação com a comunidade
envolvente e a forte aposta no empreendedorismo são algumas
das mais-valias desta instituição de ensino superior, localizada
na Região Centro há 45 anos. O Instituto Politécnico de Coimbra
é hoje uma referência incontornável, com uma notoriedade indiscutível,
com uma história marcada por crescimento, inovação e progresso,
e com um futuro que se vislumbra muito promissor.
A Câmara Municipal de Anadia reconhece e enaltece a importância
do Instituto Politécnico de Coimbra, que muito tem contribuído
para o enriquecimento da região, e, entre vários projetos, destaca
a criação da Escola da Bairrada, um polo do Instituto Politécnico de
Coimbra a instalar em breve nos concelhos de Anadia e Mealhada,
que resulta de um acordo formalizado no final de 2023 entre
as três partes interessadas. Este projeto irá, com toda a certeza,
acrescentar valor para pessoas, empresas e agentes do território e
será também uma prova viva de que vale a pena apostar na região
da Bairrada e nas suas potencialidades. Acreditamos que esta parceria
vai valorizar muito o concelho de Anadia e a região da Bairrada,
particularmente em setores-chave como educação, inovação,
criatividade e empregabilidade.
Por tudo isto, a Câmara Municipal de Anadia felicita o Instituto Politécnico
de Coimbra pelo seu 45.º aniversário, desejando-lhe as
maiores felicidades no cumprimento da sua missão tão crucial para
a região e o país, e fazendo votos para que, nos próximos 45 anos,
o concelho de Anadia continue a fazer parte da história desta instituição
tão importante!
DR
Politécnico de Coimbra
Marta Henriques
— Diretora do Instituto de Investigação Aplicada (i2A)
45 Anos — 45 Protagonistas
p 150
p 151
Estas breves palavras, no contexto da comemoração dos 45 anos
do Instituto Politécnico de Coimbra, procuram refletir a minha experiência
ao longo dos 23 anos em que tenho sido parte da Instituição.
Para tal, centram-se numa área que me é tão cara, como vital
para a instituição, a investigação e inovação.
Para além da celebração, os aniversários são momentos de balanço.
Antes de prosseguir, importa afirmar que sou otimista. Por
conseguinte, neste aniversário, ao reconhecer as conquistas passadas,
as dificuldades quotidianamente sentidas, a conjuntura externa
atual e os desafios vindouros, quero deixar expressa esperança
e determinação para o futuro.
Desde o início da minha jornada no IPC, tenho testemunhado de
perto diversos marcos que moldaram o contexto da investigação e
inovação. Um desses momentos consistiu na criação, em 2002, do
Centro de Recursos Naturais, Ambiente e Sociedade (CERNAS), um
passo crucial que impulsionou a presença do IPC no cenário científico
nacional e internacional. Apesar de hoje podermos afirmar que
o CERNAS é uma estrutura reconhecida e consolidada, permitindo-
-nos aspirar, como instituição, ir mais além através da contribuição
para a educação avançada ao nível dos doutoramentos, “o seu caminho
fez-se caminhando” tendo contado com muitos desafios e o
trabalho árduo de todos os que o integram. Contudo, atualmente,
um “único” CERNAS não é suficiente. Precisamos de mais.
Outro marco importante foi a constituição do Instituto de Investigação
Aplicada (i2A). Desde 2015, esta unidade orgânica tem reforçado
o compromisso do IPC com a excelência na investigação aplicada
e transferência de conhecimento para a sociedade. Com uma
abordagem prática e orientada para soluções, o i2A tem desempenhado
um papel crucial no desenvolvimento da investigação,
inovação e colaboração intra e interinstitucional, nomeadamente
com o setor empresarial e outras instituições. Não obstante a satisfação
com as palavras da CAE da A3ES no relatório da Avaliação
Institucional, em que refere que: “Importa salientar o papel do i2A
como agregador da investigação realizada no IPC, o que permitirá
consolidar a investigação e fomentar o seu crescimento no futuro
próximo”, é minha forte convicção que só o conseguiremos com
mais recursos materiais e humanos, capazes de alavancar, ainda
mais, e de forma sustentada, o atual reconhecimento, dinamismo e
capacidade de resposta.
Em 2024, estamos a viver uma nova fase de afirmação institucional,
através da consolidação, formalização e integração de várias
equipas da instituição em diversas Unidades de I&D no IPC. Esta
expansão reflete a necessidade de criar condições internas para
estimular a investigação em diversas áreas do conhecimento, envolvendo
toda a comunidade académica e comprometendo-se
continuamente com a inovação e a excelência em áreas fundamentais
do IPC. Com a criação de novas Unidades de I&D ou Polos
reconhecidos pela FCT, nas áreas da Educação, da Saúde, dos Estudos
Organizacionais e Sociais, do Desporto, da Gestão de Ativos
e da Engenharia de Sistemas, para além das Ciências Agrárias, do
Ambiente e do Turismo, estamos a assegurar uma resposta efetiva
aos desafios societais, mas também a progredir rumo a novas
fronteiras do conhecimento e inovação, tornando o IPC ainda mais
atrativo, naquela que é a sua principal dimensão, o ensino e a formação
técnica e científica de pessoas altamente qualificadas.
Mais que em meras palavras ou intenções, o futuro deve ser alicerçado
em ações concretas e tangíveis. Como tal, é crucial reconhecer
aqueles que contribuem diariamente na captação de recursos e
prestígio científico para a instituição. Isso inclui, entre várias outras
medidas, implementar uma estratégia que apoie às equipas de investigação
e promova o seu crescimento.
Por fim, considero que a investigação é uma das dimensões com
mais potencial de crescimento para o IPC.
Politécnico de Coimbra
Mário Velindro
— Presidente do ISEC
45 Anos — 45 Protagonistas
p 152
p 153
Há 45 anos, o Instituto Politécnico de Coimbra tem sido uma das
instituições que tem promovido o desenvolvimento académico, a
inovação e o progresso na região e no país. Desde a sua criação,
tem desempenhado um papel vital na formação de profissionais
qualificados e na promoção do desenvolvimento social e económico.
Desde a sua existência, o IPC tem-se destacado pela sua dedicação
ao ensino de qualidade e pelo compromisso com a comunidade.
Os professores, funcionários e parceiros têm contribuído de
forma significativa para o crescimento e prestígio da instituição.
Neste marco de 45 anos, é importante reconhecer e celebrar todas
as conquistas e sucessos alcançados.
Ao olharmos para o futuro, é notório que há espaço para crescimento,
considerando que há áreas que merecem mais atenção e
investimento como a inovação, a investigação e a prestação de
serviços à comunidade.
O Instituto Politécnico de Coimbra deve ser um agente de mudança
no ensino superior, aproveitando a sua localização geográfica e
posicionando-se como um agente ativo na transformação positiva
da sociedade.
Parabéns ao Instituto Politécnico de Coimbra pelos seus 45 anos.
Que os próximos anos sejam marcados por realizações verdadeiramente
notáveis e por um impacto duradouro na educação e na
sociedade em geral.
Politécnico de Coimbra
Nuno Lopes
— Presidente do Conselho Empresarial da Região de Coimbra (CERC)
45 Anos — 45 Protagonistas
p 154
p 155
Neste livro comemorativo dos 45 anos de actividade do Politécnico
de Coimbra, realçamos o seu reconhecido mérito no meio educacional
nacional e internacional, com forte interligação com o tecido
empresarial. Relação simbiótica entre a instituição e o setor
empresarial tem sido uma fórmula de sucesso para a formação de
profissionais altamente qualificados e adaptados às necessidades
reais do mercado de trabalho.
Ao longo das últimas décadas, o Politécnico de Coimbra tem-se
destacado pela sua capacidade de inovação e pela oferta de programas
educacionais ajustados não apenas às necessidades de
um mercado de trabalho em constante evolução, mas também aos
desafios impostos pela sociedade. A aposta em cursos com elevada
aplicabilidade prática facilita a integração profissional e a proposta
de valor dos seus alunos.
A interação com o tecido empresarial manifesta-se de diversas
formas, desde a realização de estágios, projetos de cooperação
com empresas até à participação direta de profissionais de unidades
privadas nas atividades curriculares, garantindo assim que o
ensino administrado e as inovações desenvolvidas estejam alinhados
com as necessidades do mercado. Esta dinâmica confere aos
estudantes uma perspectiva realista e atualizada do ambiente de
trabalho que os aguarda, dotando-os não apenas do conhecimento
técnico necessário, mas também das competências sociais e de
gestão solicitadas pelo mercado.
Pode-se então constatar que a relação do Politécnico de Coimbra
com o setor empresarial tem sido uma via com dois sentidos, onde
o benefício é mútuo. As empresas ganham acesso a uma força de
trabalho qualificada e adaptada às suas reais necessidades, e por
outro lado, o Politécnico beneficia do apoio do setor privado para
ajustar os seus currículos e métodos de ensino, garantindo assim a
relevância e a qualidade da educação que proporciona.
Neste contexto, a celebração dos 45 anos do Politécnico de Coimbra
não é apenas um marco académico, mas também um testemunho
do impacto positivo que a instituição tem tido na sociedade.
Legado de cooperação e inovação com as empresas é, sem dúvida,
uma das suas maiores contribuições para o desenvolvimento
sustentável e competitivo da região e do país.
Para garantirmos um futuro próspero, é essencial que esta colaboração
continue a ser trabalhada e aprofundada. Desafios novos
e emergentes, como a necessidade de uma transição para uma
economia verde, digital e mais inclusiva, requerem uma ação conjunta
e criativa de todos os setores da sociedade. Para o efeito,
o Politécnico de Coimbra, com a experiência acumulada ao longo
destes 45 anos, está excepcionalmente posicionado para liderar
este processo, formando os profissionais que conduzirão a inovação
e o crescimento nas próximas décadas na certeza que poderá
contar com o CERC - Conselho Empresarial da Região de Coimbra
para fazer a ponte que facilitará a transferência de conhecimento
do meio académico para o meio empresarial.
O Projeto do Coimbra iTEC pode ser um pilar importante para a
realização desse desígnio.
Parabéns e votos de muito sucesso.
DR
Politécnico de Coimbra
Patrícia Vieira
— Presidente da Associação de Estudantes da ESTeSC
45 Anos — 45 Protagonistas
p 156
p 157
Este ano assinalamos o quadragésimo quinto aniversário desta
prestigiada instituição, que para muitos é tida como uma segunda
morada. Hoje, tenho o prazer de afirmar que também se tornou
uma das minhas casas.
O meu trajeto académico, singular por natureza, foi iniciado durante
uma época de pandemia, o que impediu que eu experienciasse
plenamente tudo o que esta instituição tinha para oferecer durante
o meu primeiro ano. Apesar disso, fui calorosamente acolhida
desde o primeiro momento; os docentes, colegas e funcionários
mostraram sempre genuíno interesse pelo meu bem-estar e integração.
Aquilo que parecia uma instituição grande, rapidamente se
tornou pequena com o seu ambiente familiar.
No entanto, os anos seguintes foram, até ao momento, os melhores
anos da minha vida, tal como me havia sido prometido por aqueles
que me acolheram. Aqui, ri, chorei, vivi esta cidade e a instituição
no seu expoente máximo. Em grande parte, foram os momentos de
convívio e as amizades que enriqueceram esta jornada. Por outro
lado, não posso deixar de mencionar a qualidade do ensino.
Sinto-me imensamente sortuda por ter escolhido o Instituto Politécnico
de Coimbra (IPC) como a minha primeira opção e por ter sido
admitida logo na primeira fase. A excelência do ensino que recebi na
Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Coimbra (ESTeSC) é incomparável
a outras instituições. Aqui, a teoria é lecionada por quem
a pratica, e a prática é demonstrada e, seguidamente, realizada por
aqueles que um dia a aplicarão. Além disso, a dedicação contínua
à investigação e a inclusão desta no plano de estudos dos cursos,
facilitam o acompanhamento da evolução constante, não apenas no
âmbito da tecnologia, como também na área da saúde, contributo
fundamental para a formação de profissionais de saúde competentes,
numa era marcada pela sucessiva transformação.
Ao refletir sobre estas palavras e sobre os anos memoráveis que
vivenciei, compreendo as grandes conquistas alcançadas até aqui.
Deste modo, posso destacar algumas realizações recentes que testemunhei,
tais como a obtenção do reconhecimento internacional como
Polytechnic University of Coimbra, a reformulação das metodologias
de ensino, procurando a inovação pedagógica, a revitalização das estruturas
residenciais e a edificação de uma nova residência estudantil,
entre uma série de outras iniciativas igualmente relevantes que poderia
mencionar. Somos, indubitavelmente, um centro de excelência
relativamente ao ensino superior (politécnico).
Que o passado desta instituição sirva como guia para novos feitos.
Que o IPC continue a aspirar ser mais e melhor, a erguer sonhos
em colaboração com os seus estudantes. Que todos estes tenham
a sorte de poder considerá-la casa, e de sentir, tal como eu senti,
todo o seu esplendor. Que continuem a reivindicar as mudanças
fundamentais, impulsionando incessantemente em direção a novos
horizontes, pois há sempre algo a aprimorar e a acrescentar ao
legado construído até este momento. Desta forma, continuaremos
a ser uma instituição de referência, a nível nacional e internacional.
Finalizo com a convicção de que darei continuidade ao meu percurso
académico nesta prestigiada instituição, nutrindo a esperança
de, num futuro próximo, regressar quando o grau de Doutoramento
estiver disponível, almejando o momento em que o título de
Universidade Politécnica de Coimbra seja concedido ao Instituto
Politécnico de Coimbra.
Parabéns Instituto Politécnico de Coimbra, Parabéns Polytechnic
University of Coimbra!
Politécnico de Coimbra
Paulo Pessanha
de Almeida
45 Anos — 45 Protagonistas
— Partner Deloitte
p 158
p 159
É com orgulho e satisfação que a Deloitte tem o privilégio de
testemunhar o impacto significativo que o Instituto Politécnico de
Coimbra exerce na comunidade local e no país.
Juntos, iniciámos o nosso percurso em 2021 com o programa BrightStart,
promovido pela Deloitte para a aceleração de competências
na área das tecnologias informáticas - um CTeSP em Tecnologia
Informática, culminando numa licenciatura em Engenharia
Informática.
Esta iniciativa permite que estudantes finalistas do ensino secundário
adquiram, enquanto estudam, conhecimentos práticos em
ambiente real de trabalho, preparando-os para a vida profissional
e colaborando com as equipas da Deloitte.
Com a possibilidade de conciliar a experiência académica com uma
experiência profissional distinta, são atribuídas bolsas de estudo
de longa duração, durante todos os anos do curso superior, sendo
os custos académicos suportados pela Deloitte. E, no final do percurso
académico, a possibilidade de integrar a nossa firma.
Em consequência, muito contribuiu o trabalho conjunto desenvolvido
junto do Instituto Politécnico de Coimbra, para a abertura do
escritório da Deloitte em Coimbra, em 2023, mais de 100 profissionais,
entre alunos e consultores altamente especializados, e que,
na sua maioria, são naturais da região.
Este é um exemplo em como o Instituto Politécnico de Coimbra não
forma apenas profissionais altamente qualificados, mas promove,
de igual forma, uma cultura de empreendedorismo e pensamento
crítico, essenciais para enfrentar os desafios complexos do mundo
atual. A Deloitte é um exemplo de que projetos de investigação
conjunta e networking oferecem oportunidades para os estudantes
alavancarem as suas competências e ganharem experiência
prática, preparando-os para os desafios do mercado de trabalho.
Acresce ainda a forte ligação desta instituição com o tecido empresarial
local e nacional, sendo uma mais-valia na formação de talento
qualificado e promoção da inovação através de colaborações
estratégicas. A Deloitte tem orgulho em fazer parte desta rede estratégica,
contribuindo, desta forma, para o desenvolvimento económico
e social da região.
A Deloitte congratula-se por fazer parte desta jornada de sucesso
e celebrar estes 45 anos, plenos de excelência académica e impacto
comunitário, cimentados no compromisso contínuo com a
qualidade, a inovação e o desenvolvimento sustentável.
DR
Politécnico de Coimbra
Rui Amaro
— Presidente da ESAC
45 Anos — 45 Protagonistas
p 160
p 161
A presente comemoração do 45º aniversário do Politécnico de
Coimbra decorre do Decreto-Lei nº 513-T/79, de 26 de dezembro,
que confere a designação de “ensino superior politécnico” e cria
um conjunto de instituições distribuídas por várias “localidades”
do território. No preâmbulo reconhece-se politicamente a necessidade
de “dotar o País com os profissionais de perfil adequado
de que este carece para o seu desenvolvimento” e toma-se uma
“opção ditada por razões de eficiência e de adequação” do sistema
de ensino superior à estrutura socioeconómica do país. Assim, a
presente efeméride é também a celebração do contributo positivo
que o ensino superior politécnico aportou ao nosso país, papel que
não é demais salientar quando também se comemoram os 50 anos
do 25 de abril de 1974. Os conteúdos tecnológico e cultural das
formações nele ministradas ao longo das últimas décadas foram,
seguramente, ao encontro do objetivo primeiro da sua criação.
A Escola Superior Agrária, a par com a Escola Superior de Educação,
integra o Instituto Politécnico de Coimbra desde o início (ratificação
na Lei nº 29/80, de 28 de julho) às quais se vêm a juntar,
em 1988, o Instituto de Contabilidade e Administração e o Instituto
Superior de Engenharia; foi também nesse ano nomeada a Comissão
Instaladora e funcionaram, na Escola Agrária, os Serviços Centrais.
Depois da aprovação dos estatutos, em 1995, e da eleição,
no ano seguinte, do seu primeiro Presidente, foram integradas no
Instituto Politécnico de Coimbra, em 2001, a Escola Superior de
Tecnologia e Gestão de Oliveira do Hospital e, em 2004, a Escola
Superior de Tecnologia da Saúde.
Para além da atividade de formação de “técnicos qualificados em
vários domínios de atividade”, o diploma inicial indicava claramente
outras finalidades para o ensino superior politécnico, das quais
se destacam “promover, dentro do seu âmbito, a investigação e o
desenvolvimento experimental” e “prestar serviços à comunidade,
como forma de contribuição para a resolução de problemas, sobretudo
de caráter regional, nela existentes”. Estes desígnios, sucessivamente
plasmados em diplomas legais estruturantes do ensino
superior, são uma realidade sobreposta aos 45 anos do ensino superior
politécnico e, por consequência, do Politécnico de Coimbra,
que agora se comemoram.
Partilho convosco uma associação de ideias que, enquanto docente
da Escola Superior Agrária de Coimbra desde 1986, fui levado
a fazer na transposição da leitura desse documento para a atualidade.
Muito provavelmente por ser uma das escolas fundadoras
do ensino superior politécnico em Coimbra, a Escola Agrária tem
na sua cultura uma interpretação literal dos objetivos que são definidos,
tendo interiorizado na sua atividade, desde o início e de
forma muito intensa, os desígnios da investigação e do apoio à Comunidade.
Por experiência vivida à data, mesmo antes da adesão
de outras escolas ao Politécnico, a atividade regular da Agrária de
Coimbra já passava por ter, sobretudo para docentes e técnicos,
um enorme foco na necessidade de se envolverem em projetos de
investigação e/ou atividades de apoio à comunidade, sob pena de
não terem acesso a quaisquer outros meios para a sua afirmação e
evolução. Mais: confirmando o ditado de que a “necessidade aguça
o engenho”, o subfinanciamento crónico associado à gestão de
todas as escolas com esta tipologia (com caraterísticas muito próprias
no edificado, na dimensão do espaço envolvente e na multiplicidade
de atividades sem retorno económico positivo), foi desde
sempre, e importa salientar que assim continua a ser na atualidade,
parcialmente superado por verbas obtidas no financiamento de
projetos e na prestação de serviços à comunidade.
O reverso da medalha desta realidade não é, necessariamente, mau.
Pelo contrário, entre outras vertentes positivas, esta atitude proativa
da Escola Agrária impulsionou desde cedo a qualificação do seu corpo
docente, terá determinado a naturalidade da criação, em 2002,
do Centro de Investigação CERNAS (Centro de Estudos de Recursos
Naturais Ambiente e Sociedade) e a forte aposta nos Mestrados (2º
ciclo); mais recentemente, em 2023, salienta-se a liderança da proposta
do Ciclo de Estudos de Doutoramento em Sustentabilidade
Agroalimentar e Ambiental e o seu papel relevante na Unigreen - The
Green European University. Ao nível do envolvimento com a comunidade,
são de evidenciar as inúmeras colaborações com empresas e
entidades locais, regionais e nacionais que contribuíram para que a
ESAC fosse, em 2023, a unidade orgânica do Politécnico de Coimbra
com maior volume de receitas nesta fonte de financiamento. Finalmente,
também no que se refere à gestão, a ESAC vem assumindo
essa capacidade de mobilizar recursos em diferentes linhas de financiamento,
permitindo o reforço da sua identidade e a concretização
de melhorias significativas que dão melhores condições e meios
aos seus estudantes e trabalhadores.
Mesmo enfrentando contrariedades e opções de circunstância
menos racionais, continuaremos com o nosso entusiasmo e capacidade
de fazer acontecer pois estamos certos de que, ao longo
destes 45 anos de atividade, o empenho de sempre da Escola
Superior Agrária foi um contributo permanente para o sucesso do
Politécnico de Coimbra. Estamos, pois, todos, de parabéns!
Politécnico de Coimbra
Rui Antunes
— Presidente da ESEC
45 Anos — 45 Protagonistas
p 162
p 163
Ao assinalar o 45º aniversário da publicação DL 513-T/79 — através
do qual o governo de Maria de Lurdes Pintasilgo criou os Politécnicos
de Beja, Bragança, Castelo Branco, Coimbra, Faro, Lisboa,
Porto, Santarém, Setúbal e Viseu —, não podemos deixar de
registar que esta 4ª geração de instituições de ensino politécnico
alcançou, finalmente — com a aprovação, em 2024, dos seus primeiros
cursos de doutoramento —, a sua maioridade académica.
Tal como em 1991, quando a Escola Politécnica de Lisboa e a Academia
Politécnica do Porto, criadas em 1837, se transformaram nas
universidades de Lisboa e Porto, ou como aconteceu em 1930,
quando o Instituto Superior Técnico, o Instituto de Agronomia, a Escola
Superior de Medicina Veterinária, deram origem à Universidade
Técnica de Lisboa, ou, ainda, em 1973, quando os Institutos Politécnicos
da Covilhã e de Via Real deram origem às universidades
da Beira Interior e de Trás-os-Montes e Alto Douro, são, agora, os
institutos politécnicos criados depois do 25 de abril, mais precisamente
em 1979, que se transformam em universidades politécnicas.
A missão que, em 1979, esteve na origem do ensino politécnico —
democratizar e descentralizar o acesso ao ensino superior, e promover
academicamente um conjunto de formações e profissões
que, até aí, estiveram excluídas do sistema de ensino superior —,
foi cabalmente cumprida. O facto de as universidades clássicas já
ministrarem formação em todas as áreas que deram origem ao ensino
politécnico é uma prova cabal disso. Hoje já ninguém contesta
que a formação de um(a) educador(a), um(a) contabilista, um(a)
técnico(a) de diagnóstico e terapêutica, um(a) enfermeiro(a), etc.,
seja feita numa licenciatura.
A aprovação do atual regime jurídico das instituições de ensino
superior (RJIES), em 2007, e dos estatutos das carreiras dos ensinos
universitário e politécnico, em 2009, já tinha sido um passo
significativo — dado pelo saudoso Ministro da Ciência e Ensino
Superior, Mariano Gago —, nesse sentido. O RJIES uniformizou o
modelo de organização e gestão de universidades e politécnicos,
e os estatutos da carreira equipararam as categorias profissionais
e os níveis de exigência para ingresso e acesso a essas categorias
em ambas as carreiras.
O último passo — a possibilidade de outorga do grau de Doutor por
parte dos politécnicos —, o que em termos práticos equipara as
universidades e politécnicos, não só em termos jurídicos, de gestão
e de organização, de carreira docente mas, agora, também, em
termos de competência científica e técnica para outorga de graus
académicos, foi dado com a aprovação, em 2024, dos primeiros
cursos de doutoramento da responsabilidade de um politécnico.
Temos agora um novo desafio: não sermos tentados a encerrarmo-
-nos numa torre de marfim e, pelo contrário, continuarmos fiéis ao
nosso projeto educativo de ensino politécnico, isto é, continuarmos
a distinguir-nos pela nossa cultura e atitude de ligação ao mundo
profissional e ao valor social da nossa formação.
Penso que aquilo que fizemos nos últimos anos, bem como os
projetos que já estão em curso, nos permitem estar tranquilos e
confiantes quanto ao futuro do Politécnico de Coimbra como uma
grande instituição de ensino superior politécnico.
Politécnico de Coimbra
Ricardo Nora
— Presidente da Federação Académica do Desporto Universitário (FADU)
45 Anos — 45 Protagonistas
p 164
p 165
Celebrar as quatro décadas e meia do Instituto Politécnico de
Coimbra é reconhecer o papel transformador do desporto universitário.
O desporto, ao longo dos anos, tornou-se uma parte essencial
da experiência dos seus estudantes.
O Instituto Politécnico de Coimbra, ao valorizar o desporto nas
suas estratégias, incentiva o mérito desportivo e promove uma
cultura de bem-estar e inclusão, tão importante nos dias que correm.
O IPC tem uma tradição forte de participação em competições
desportivas universitárias a nível nacional. A presença dos seus
estudantes-atletas em diversas modalidades nas competições organizadas
pela FADU destaca também o papel do instituto na promoção
da excelência desportiva.
O IPC contribui diretamente para a missão da FADU através da
promoção da atividade física, da inclusão, da formação de competências
e da organização de grandes eventos desportivos. O IPC
não só enriquece a experiência académica dos seus estudantes,
como também contribui significativamente para o desenvolvimento
do desporto universitário no país. A parceria entre o IPC e a FADU
exemplifica como a cooperação entre instituições pode levar ao
crescimento e à excelência no desporto universitário.
Neste 45.° aniversário do Instituto Politécnico de Coimbra, devemos
celebrar não apenas os títulos conquistados, mas também os
valores que ao longo dos anos têm ensinado aos seus estudantes.
Devemos honrar os atletas, dirigentes, treinadores e voluntários
que dedicam tempo e esforço para fortalecer a nossa comunidade
através do desporto.
De olhos postos no futuro, que continuemos a investir no desporto
universitário e pensar nele como parte integrante da experiência
académica, para que possamos difundir o espírito de competição
saudável, o respeito mútuo e a camaradagem por mais 45 anos.
Parabéns ao Instituto Politécnico de Coimbra por 45 anos de excelência
académica, inovação e compromisso com o desporto universitário.
Que continuemos a trilhar este caminho juntos, fortalecendo
a comunidade académica e inspirando futuras gerações a alcançar
grandes feitos, tanto no desporto como na vida académica.
DR
Politécnico de Coimbra
Sara Proença
— Diretora do INOPOL Academia de Empreendedorismo
45 Anos — 45 Protagonistas
p 166
p 167
O mundo é hoje profundamente diferente daquele que viu nascer o
Politécnico de Coimbra, há 45 anos.
O Politécnico de Coimbra, enquanto instituição de ensino superior
pública, tem demonstrado, ao longo da sua história, uma singular
capacidade para se adaptar e reinventar perante os desafios impostos
por um mundo globalizado e em constante mudança, sendo
hoje uma instituição de referência no ensino, na investigação aplicada
e na valorização e transferência do conhecimento. Consciente
da relevância desta última vertente, o Politécnico de Coimbra,
através das suas diversas unidades orgânicas, tem vindo a implementar
estratégias que potenciem a criação de valor para a
sociedade, nomeadamente através da promoção da inovação e
do empreendedorismo.
É na assunção deste compromisso que o Politécnico de Coimbra
tem atuado ao longo dos últimos anos, encetando diversas ações
em domínios complementares, nomeadamente:
. Estímulo da cultura empreendedora entre a comunidade académica
e de práticas de inovação aberta e colaborativa;
. Criação de estruturas e mecanismos de fomento à proteção, valorização
e transferência para a sociedade do conhecimento gerado
na instituição, numa lógica de cocriação de valor;
. Reforço da ligação entre o meio científico e tecnológico e a comunidade,
em particular, o tecido empresarial;
. Fomento da integração em redes, consórcios e projetos de estímulo
ao empreendedorismo, à inovação e à empregabilidade;
. Criação de estruturas e instrumentos de apoio a promotores de
projetos de vocação empresarial inovadores, através da criação
de uma incubadora de base académica – o INOPOL Academia de
Empreendedorismo.
Em resultado deste posicionamento, o Politécnico de Coimbra tem-
-se afirmado, cada vez mais, como um player relevante nas áreas da
inovação, empreendedorismo e interface entre ciência, tecnologia e
economia, tendo vindo a reforçar a sua integração em redes e projetos
em cooperação com outros agentes do ecossistema regional,
nacional e internacional.
Esta aposta transversal no desenvolvimento de competências de
inovação e empreendedorismo dentro da comunidade académica
enquadra-se ainda na estratégia global da instituição de promover a
empregabilidade e atratividade dos seus diplomados junto do mercado
de trabalho, assim como de capacitá-los para processos de integração
profissional e desenvolvimento de carreira bem-sucedidos.
A construção de um futuro mais próspero dependerá da nossa
capacidade para educar as gerações vindouras numa cultura de
inovação, empreendedorismo e criação de valor. O Politécnico de
Coimbra continuará, no âmbito da sua missão, a contribuir para
que esse futuro se torne realidade.
Juntos erguemos sonhos.
Politécnico de Coimbra
Vera Cunha
— Presidente da ESTGOH
45 Anos — 45 Protagonistas
p 168
p 169
O Instituto Politécnico de Coimbra é a nossa casa comum! São 45
anos de idade, 45 anos de ensino, 45 anos de investigação, muitos
trabalhadores docentes e não docentes, milhares de estudantes,
projetos, histórias e acontecimentos que se intersectaram neste
tempo e fizeram do Instituto Politécnico de Coimbra uma instituição
de excelência.
Neste trajeto de 45 anos permito-me destacar os esforços para
instituir a Escola Superior de Tecnologia e Gestão em Oliveira do
Hospital (ESTGOH), tendo o projeto sido viabilizado em 1999 pelo
Ministério da Educação. Vencidas as burocracias, as atividades de
ensino na ESTGOH iniciaram-se no ano letivo 2001/2002 com dois
cursos de licenciatura, em Administração e Finanças e Engenharia
do Território e do Ambiente. E, logo de seguida, com duas novas
licenciaturas, em Engenharia de Computadores e de Sistemas Informáticos
e em Administração e Marketing, procurando responder
a uma carência de formação existente nesta área.
Os últimos dez anos ficam marcados por uma grande expansão das
atividades de ensino e o aumento do número de estudantes. Neste
período, foram criados vários Cursos Técnicos Superiores Profissionais,
de Licenciatura e ao nível da formação Pós-graduada.
Mas aqui estamos, 23 anos depois, e uma data como esta é propícia
a que se façam balanços e que se faça uma análise retrospectiva
e prospectiva do caminho efetuado. Neste exercício, a primeira
palavra deve ser de gratidão! Imperioso que aqui lembremos e sejamos
gratos com todos aqueles que contribuíram para a ESTGOH
ser o que é hoje. Em todo o caso, quem de forma decisiva contribuiu
para o que é hoje a ESTGOH, foram todos os docentes, trabalhadores
não docentes e estudantes desta nossa casa. Os que o
foram e os que o são atualmente.
Apesar desta nossa Juventude, é com orgulho que podemos afirmar
que a ESTGOH, em 23 anos, se tornou uma Instituição de reconhecida
qualidade, que será cada vez mais impactante e se sentirá
cada vez mais como parte relevante da região a que pertence.
Olhando para a frente, devemos sublinhar aqueles que nos parecem
ser os principais fatores a tomar em consideração para o rumo
e destino que aspiramos para a nossa Escola no futuro, e o primeiro
deles é a aposta nas pessoas e este é, indiscutivelmente, e disso
temos plena consciência, o elemento essencial para o sucesso.
A ESTGOH dispõe de massa crítica com a experiência e idoneidade
que garante um ensino de excelência e a produção de conhecimento.
Por tudo isto, nestes 23 anos, a ESTGOH cumpriu a sua
missão e os seus objetivos estratégicos em particular, no que respeita
à qualidade do seu corpo docente e do ensino que ministra.
De referir, pela sua importância para a concretização dos eixos estratégicos
da Escola, que foi lançado o concurso público para a
empreitada de adaptação de um edifício para uma residência de
estudantes com 100 camas e que, paralelamente, em mais uma
ação conjunta entre o Instituto Politécnico de Coimbra e o Município
de Oliveira do Hospital, está a ser elaborado o projeto das
futuras instalações da ESTGOH.
Parabéns ao Instituto Politécnico de Coimbra, parabéns a nós que
somos Instituto Politécnico de Coimbra!
Politécnico de Coimbra
Vera Portela Vilares
— Alumni e Ex-Presidente da Associação de Estudantes da ESAC
45 Anos — 45 Protagonistas
p 170 p 171
Colocada em Escola Superior Agrária de Coimbra - IPC, e o meu coração
como que parou. Nunca entendi se de felicidade, se da saudade
que ia sentir de casa. Coimbra, a cidade em que todos os jovens
sonhavam conseguir estudar, pelas suas histórias e tradições, pela
mística que existe de toda a tradição académica. O que parecia ser
um pequeno passo, uma simples mudança, mudou para sempre a
minha vida. Uma cidade distante que nunca conhecera, acolheu-me
de forma tão intensa e genuína, que a considero como uma segunda
casa. A pequenez de quando entrei pela primeira vez nas portas do
que viria a ser a minha Escola de coração, tornou-se e é ainda hoje
onde me sinto em segurança, onde conheço os cantos e recantos,
onde passeio tranquilamente e cumprimento todos pelo nome. Este
acolhimento tão natural e genuíno é o que carateriza esta instituição.
Tive o privilégio de, desde o meu primeiro ano, ser convidada para
a associação de estudantes, e aí fiz amizades, instruí-me como
pessoa, tornei-me conhecedora da realidade da comunidade estudantil
como um todo. Cada ano que passava, sentia que pertencia
mais a esta instituição, deixando de ser apenas eu como
aluna e membro de uma associação de estudantes, mas eu como
um ser da comunidade que pode fazer a diferença. Esta foi uma
dura realidade com que aprendi a lidar. Tive a sorte de ter pessoas
fantásticas no percurso que sempre me guiaram e ensinaram que
o ensino superior, o Politécnico de Coimbra e a Escola Agrária são
muito mais do que números, são pessoas com problemas reais,
são jovens da mesma idade que eu, que querem uma oportunidade
para se formarem e seguirem as suas vidas. Acredito que foi
um privilégio ter realizado na totalidade 5 mandatos em diferentes
cargos da AEESAC. Admito que foi difícil conciliar a vida académica
com a vida de dirigente associativo, contudo, é muito gratificante
conseguir olhar para trás e ver o percurso que fiz na associação de
estudantes e o legado que fui deixando de cooperação com a direção
da escola agrária e a presidência do Politécnico de Coimbra.
Este ano, 11 anos depois, tenho a honra de partilhar uma pequena
passagem e uma mensagem de gratidão por todas as experiências
que vivi com todos vós, mas acima de tudo, com todos nós.
Numa ocasião do meu percurso pela Escola Agrária tive o prazer
de partilhar com muitos: “A agrária, o Politécnico, somos todos nós,
pois sem alunos, não seriam necessários docentes, não docentes
e funcionários, e sem estes, o que fariam aqui os alunos”. Guardo
todos estes na memória, guardo boas memórias.
Faço por regularmente visitar a minha segunda casa, talvez com
receio de esquecer tantos bons momentos que construí, ou com a
esperança de reencontrar a juventude que fui deixando nas salas
de aulas e nos corredores dos anos que passei nesta casa.
Acredito que quem vive tão intensamente como eu tive a oportunidade
de viver a vida académica, guarda sempre em si uma parte
desta vida, tanto da parte mais boémia, como dos ensinamentos
obtidos em sala de aula. É preciso continuar a valorizar quem tanto
dedicou ou que continua a dedicar a esta casa, não só com louvores,
mas com verdadeiro reconhecimento pelo serviço prestado,
com verdadeira gratidão por todos os docentes que lançam para
o mundo profissionais de qualidade e que nunca fecham a porta a
uma necessidade ou a uma colaboração, pelos não docentes, que
de uma forma mais informal formam pessoas de bem.
A todos que celebramos mais um aniversário, vivamos intensamente
todas as bênçãos que nos são dadas.
Politécnico
de Coimbra
45 Anos
p 172