14.08.2024 Visualizações

Livro 45 Anos Politécnico de Coimbra

Publicação comemorativa dos 45 anos do sobre Politécnico de Coimbra. Apresenta um resenha histórica sobre a instituição, informação a sua governação, descrição da reabilitação do edifício Casa do Bispo e sua relevância histórica e 45 testemunhos de personalidades ligadas ao Politécnico de Coimbra.

Publicação comemorativa dos 45 anos do sobre Politécnico de Coimbra. Apresenta um resenha histórica sobre a instituição, informação a sua governação, descrição da reabilitação do edifício Casa do Bispo e sua relevância histórica e 45 testemunhos de personalidades ligadas ao Politécnico de Coimbra.

SHOW MORE
SHOW LESS

Transforme seus PDFs em revista digital e aumente sua receita!

Otimize suas revistas digitais para SEO, use backlinks fortes e conteúdo multimídia para aumentar sua visibilidade e receita.


Politécnico de Coimbra

Politécnico

de Coimbra

45 Anos

45 Anos — Ficha Técnica

Coordenação

Jorge Conde

Ana Ferreira

Edição

Instituto Politécnico de Coimbra - IPC, 2024

Pesquisa, edição de textos e revisão

Bárbara Barata, Cristina Matos e Helga Sardinha

Fotografia

João Teles

Tiragem

500 exemplares

Paginação e grafismo

Noctustudio

Impressão

Jorge Fernandes, LDA

Depósito Legal

534233/24

p 2

p 3

ISBN

978-989-8649-55-3





Politécnico de Coimbra

Índice

45 Anos — Índice

10 Prefácio

14 Introdução

18 Capítulo 1 — O caminho percorrido

A Nossa Missão

As Unidades Orgânicas

52 Capítulo 2 — Recuperar a história

A Casa do Bispo

Camões em São Martinho do Bispo?

— Indícios e conjecturas

76 Capítulo 3 — 45 protagonistas da história do Politécnico de Coimbra

p 6

p 7





Prefácio

Com esta publicação, assinalamos

45 anos de construção. Aquando da

criação do ensino superior politécnico,

o decreto-lei da sua criação (DL nº

513-L1/79|DR de 27 de dezembro)

referia: “Ao ensino superior politécnico,

ao qual se pretende conferir uma

dignidade idêntica ao universitário,

incumbe, em íntima ligação com

as atividades produtivas e sociais,

formar...”

45 Anos — Prefácio

Politécnico de Coimbra

p 10

p 11

Foi esta pretensão, a que muitos se opuseram e ainda se opõem,

que ainda não permitiu que o caminho esteja completo. Esta dignidade

pela qual nos movemos, mas que a sociedade demorou a

percecionar, é o caminho que vamos trilhando. São cada vez mais

os que acreditam que as diferenças que existem não afetam essa

dignidade, antes, contribuem para ela.

E com esta vontade e determinação que nos guia, soubemos fazer

do Instituto Politécnico de Coimbra a “Polytechnic University of

Coimbra”. Este caminho que nos trouxe da formação de bacharéis à

formação de Técnicos Superiores Profissionais, Licenciados, Mestres

e Doutores. Este caminho que, em parceria com as “atividades

produtivas e sociais”, nos permite um portfólio de pós-graduações,

microcredenciações e MBA de elevada procura e qualidade. Este

caminho que nos levará à atribuição do título de agregado e à utilização

do nome de Universidade.

Foi para conseguir tudo isto que, hoje, cerca de 75% dos professores

tem o grau de doutor e que a equipa de técnicos e administrativos é

maioritariamente constituída por profissionais com formação superior.

Com esta equipa e este caminho, conseguimos, hoje, ter um número

cada vez maior de estudantes a procurar-nos em primeira opção

e com médias de acesso cada vez mais relevantes.

Ao longo das páginas que se seguem assinalamos tudo isso, mas

também a forma como o fazemos, com cada vez mais união em

torno da marca Politécnico de Coimbra, que se vem tornando maior

no espaço do ensino superior e da ciência em Portugal, mas também

no mundo.

Juntos erguemos sonhos, com as pessoas e para as pessoas, porque

o Politécnico de Coimbra tem a missão de transformar a sociedade

onde se insere.

Jorge Conde

Presidente do Politécnico de Coimbra





Introdução

Cumpre-se hoje mais um

aniversário do Politécnico de

Coimbra, o que significa que

estamos todos de parabéns.

Um aniversário de uma Instituição

é sempre um momento marcante,

principalmente porque assinala

solene e simbolicamente a

renovação e, simultaneamente,

a esperança no alcance de

muitos objetivos e sonhos.

Sonhos de quem estuda e de

quem trabalha todos os dias para

valorizar o ensino superior e o

conhecimento.

Politécnico de Coimbra

p 14

p 15

Nestes 45 anos, muito foi alcançado e é com orgulho que olhamos

para o Politécnico de Coimbra e para tudo o que conquistámos

enquanto comunidade. Mas não podemos baixar os braços.

Este é um ano em que continuaremos a afirmar o Politécnico de

Coimbra como uma Instituição de Ensino Superior pública que

cumpre, em pleno, e cada vez mais, o seu papel e responsabilidade,

quer na dimensão nacional, quer na dimensão internacional.

Assinalamos com este livro o caminho percorrido, a energia de que

dispomos e a sabedoria que temos recolhido ao construirmos o futuro.

De forma simbólica, queremos, através de 45 testemunhos,

prestar tributo a todos os professores, funcionários, estudantes,

diplomados, aposentados e parceiros institucionais que, ao longo

destes 45 anos, ajudaram a escrever esta história cheia de sucessos,

reconhecendo o trabalho de todos em prol da construção de

uma instituição maior, de uma sociedade mais justa, equitativa e desenvolvida.

Este é um projeto coletivo e o seu êxito é de todos e de

cada um de nós que algum dia ousou (e ousa) sonhar e construir!

Esta obra integra um primeiro capítulo denominado “O Caminho Percorrido”,

em que se recordam as origens do Politécnico de Coimbra

e das suas escolas e se dá relevo a algumas atividades, ações e

projetos desenvolvidos no seio do seu percurso e missão e, que,

inequivocamente, têm contribuído para a promoção da instituição,

para uma maior competitividade, coesão territorial e inclusão social.

No segundo capítulo, “Recuperar a História”, pretende-se dar a conhecer

a intervenção realizada nos últimos anos na Casa do Bispo,

que agora acolhe a Presidência do IPC, e que permitiu recuperar

este edifício histórico classificado como Imóvel de Interesse Público,

devolvendo a dignidade a um espaço que estava abandonado. A

Casa do Bispo faz parte do conjunto arquitetónico da Quinta do Bispo,

localizado em São Martinho do Bispo, que inclui também a Adega,

a Vinagreira, o Hangar, o Apiário, a Sirgaria e o Chalé do Bispo.

Trata-se de um espaço com um passado histórico de forte interesse

cultural para toda a comunidade. Apesar das intervenções já realizadas,

muitos destes edifícios ainda necessitam de investimento, com

o objetivo de os colocar ao serviço da comunidade do IPC na sua

plenitude. Ainda neste capítulo, abordaremos, através das palavras

do Professor Pedro Bingre, uma questão de especial interesse para

o Politécnico de Coimbra — terá Camões passado os anos formativos

da sua adolescência nas margens do Mondego, mais precisamente

em São Martinho do Bispo? Terá pisado a veiga onde hoje

se encontra a Quinta do Bispo? No ano em que se comemoram os

500 anos do nascimento de Camões, entendemos que faria todo o

sentido, nesta obra, refletirmos sobre aquilo que foi o seu percurso

de vida e a sua ligação a Coimbra, especialmente à Quinta do Bispo.

No terceiro e último capítulo, intitulado “45 Protagonistas da história

do Politécnico de Coimbra”, damos a palavra a mulheres e homens

que, ao longo destes 45 anos, fizeram e continuam a fazer a diferença,

através do seu compromisso, entrega e competência, e que tudo

têm feito para engrandecer o Politécnico, a região e o país.

Acredito que somos uma grande e forte Instituição, resultado da

nossa diversidade, da nossa união, do trabalho feito pelas nossas

unidades orgânicas. No entanto, estamos num momento que implica

realinhamentos e reposicionamentos na missão do Politécnico

de Coimbra nos novos tempos, com repercussões nas relações

deste com a sua comunidade e os seus múltiplos stakeholders. Teremos

que assumir, sem medos, as tarefas que as novas gerações

e o planeta exigem, continuando, ainda assim, a ser os baluartes

do conhecimento robusto, da criatividade e da inovação.

Concluo - e porque estamos em ano de comemoração dos 50 anos

do 25 de abril - dizendo que: a voz e os braços de cada uma e cada

um de nós são imprescindíveis para a construção deste Politécnico

de Coimbra que, citando Sophia de Mello Breyner, “como página em

branco, onde o poema emerge, arquitetura do homem que ergue

sua habitação”.

Que seja, pois, feita de objetivos e sonhos esta habitação!

Junhos erguemos sonhos!

Ana Ferreira

Vice-Presidente do Politécnico de Coimbra

45 Anos — Introdução





Capítulo I

O Caminho

Percorrido.



A Nossa

Missão

O IPC é uma pessoa coletiva

de direito público, dotada

de autonomia estatutária,

pedagógica, científica, cultural,

administrativa, financeira,

disciplinar e patrimonial. Tem

mais de 12.500 estudantes

nacionais e internacionais,

os quais frequentam 60

licenciaturas, 53 mestrados,

74 pós-graduações e 24

cursos técnicos superiores

profissionais.

Politécnico de Coimbra

p 20



Politécnico de Coimbra

45 Anos — A Nossa Missão

O ensino politécnico em Portugal, um dos dois subsistemas de ensino

superior existentes no país (sendo o outro o ensino universitário),

foi previsto pela Lei de Bases do Sistema Educativo de 1973 e efetivamente

criado em 1977 como “ensino superior de curta duração”.

O ensino superior de curta duração teve em vista a formação de

técnicos de nível médio que tinha deixado de ser realizada com a

extinção do ensino médio a seguir ao 25 de abril de 1974. O ensino

médio ministrava-se em institutos industriais, comerciais e agrícolas,

os quais foram sendo gradualmente substituídos por estabelecimentos

de ensino superior.

Em 1979, através do Decreto-Lei n.º 513-T/79, de 26 de dezembro,

passou a designar-se “ensino superior politécnico”, com uma lógica

diferenciadora do ensino universitário, por se tratar de um ensino

com uma componente mais prática. Nesta altura, foram então

criados os institutos de Coimbra, Faro, Lisboa, Porto, Santarém,

Setúbal, Beja, Bragança, Castelo Branco e Viseu.

Ao longo da década de 1980, o ensino politécnico desenvolveu-se

com a instalação dos institutos e escolas superiores, tendo sido

posteriormente integradas as escolas de enfermagem e criados

outros em novos domínios como o turismo, a música, o teatro e, já

na década de 1990, as tecnologias da saúde.

Em 1986, é publicada a Lei de Bases do Sistema Educativo (Lei n.º

46/86, de 14 de outubro) que reserva para o ensino politécnico

a atribuição do grau de bacharel e para o ensino universitário a

atribuição dos graus de licenciado, mestre e doutor. O ensino politécnico

poderia também conferir o diploma de estudos superiores

especializados que seria equivalente, para efeitos profissionais e

académicos, ao grau de licenciado. A partir de 1997, o ensino politécnico

passa também a poder conferir o grau de licenciado, acabando

o diploma de estudos superiores especializados.

Em 2005, na sequência da reforma dos graus académicos decorrente

do Processo de Bolonha, o ensino politécnico passa a conferir

os graus de licenciado e de mestre.

Atualmente, o ensino politécnico confere os graus de licenciado e

mestre, com o primeiro ciclo (licenciatura) a ter, por norma, uma duração

de três anos e o segundo ciclo (mestrado) a durar dois anos.

Como já foi referido, o Instituto Politécnico de Coimbra (IPC) foi

criado em 1979, através do Decreto-Lei n.º 513-T/79, de 26 de

dezembro, no âmbito da implementação do ensino politécnico em

Portugal. A criação do IPC é referida pela primeira vez no Decreto-Lei

n.º 402/73, de 11 de agosto, no contexto da reforma do sistema

educativo português preconizada pela Lei n.º 5/73, de 25 de

julho, que teve como principal impulsionador o Ex-Ministro da Educação,

José Veiga Simão (que assumiu o cargo entre 1970 e 1974).

Com a criação do IPC, é integrada a Escola Superior de Educação

de Coimbra (Decreto-Lei nº 513-T/79, de 26 de dezembro), a Escola

Superior Agrária de Coimbra (Decreto-Lei nº 513-T/79, de 26

de dezembro, mais tarde confirmada, a par da ESEC, pelo Decreto

do Governo nº 46/85, de 22 de novembro), o Instituto Superior de

Contabilidade e Administração de Coimbra (DL 70/88, de 3 março)

e o Instituto Superior de Engenharia de Coimbra (DL 389/88, de 25

outubro). A existência efetiva do IPC só se concretizou em 1988,

com a nomeação do primeiro presidente da comissão instaladora,

Lélio Quaresma Lobo (19 de agosto) e a criação dos Serviços Centrais.

Em 15 de maio de 1990, é nomeado o segundo presidente

da Comissão Instaladora do Instituto Politécnico de Coimbra, Luís

Filipe Requicha Ferreira.

Em 1995, o IPC viu os seus Estatutos aprovados de forma democrática,

através da participação do seu corpo de professores, discentes

e trabalhadores não docentes, tendo aqueles sido publicados

em Diário da República a 28 de dezembro de 1995. Segue-se a

eleição do primeiro presidente, Carlos César Coelho Viana Ramos,

p 22

p 23

em julho de 1996, e a tomada de posse a 1 de outubro de 1996.

Depois deste importante passo, o Politécnico de Coimbra expandiu-se

e integrou, em 2001, a Escola Superior de Tecnologia e Gestão

de Oliveira do Hospital (pelo DL 264/99, de 14 de julho), e em

2004, a Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Coimbra (DL

175/2004, de 21 de julho).

Entretanto, em 28 de setembro de 2001, toma posse o segundo

Presidente do Instituto Politécnico de Coimbra, José Manuel Torres

Farinha, renovando o seu mandato em 4 de maio de 2006. É durante

este segundo mandato que são homologados os novos estatutos do

Instituto Politécnico de Coimbra, em 19 de novembro de 2008.

No ano seguinte, a 7 de julho de 2009, toma posse, como Presidente

Interino do Instituto Politécnico de Coimbra, Manuel Fernando

de Miranda Páscoa, seguindo-se a tomada de posse de Rui Jorge

da Silva Antunes, a 30 de julho de 2009, como Presidente do Instituto

Politécnico de Coimbra, sendo reeleito em 9 de julho de 2013.

Em 19 de julho de 2017 toma posse o atual Presidente do Instituto

Politécnico de Coimbra, Jorge Manuel dos Santos Conde, sendo

reeleito para um segundo mandato e tendo tomado posse em 16

de julho de 2021.

O IPC é uma pessoa coletiva de direito público, dotada de autonomia

estatutária, pedagógica, científica, cultural, administrativa, financeira,

disciplinar e patrimonial. Tem mais de 12.500 estudantes

nacionais e internacionais, os quais frequentam 60 licenciaturas, 53

mestrados, 74 pós-graduações e 24 cursos técnicos superiores profissionais.

O primeiro doutoramento do IPC foi recentemente aprovado

pela Comissão de Avaliação Externa (CAE) da A3ES – Agência

de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior. Trata-se do Doutoramento

em Sustentabilidade Agro-Alimentar e Ambiental, uma

parceria com o Instituto Politécnico de Castelo Branco e o Instituto

Politécnico de Viseu, em cooperação com o Instituto Politécnico de

Santarém, que deverá iniciar em setembro de 2024. Para a concretização

desta missão, a instituição conta com um corpo de 837

professores e 493 trabalhadores não docentes, num total de 1.330

trabalhadores distribuídos pelas diferentes unidades orgânicas.

Considerando a sua população escolar, instalações e área territorial

abrangida, o Politécnico de Coimbra é hoje um dos dez maiores estabelecimentos

de ensino superior portugueses e abrange diversas

áreas de formação nas suas seis unidades de ensino.

Através das suas escolas, o Politécnico de Coimbra ministra Cursos

Técnicos Superiores Profissionais, Licenciaturas, Pós-graduações e

Mestrados, sendo uma força viva da região, com um papel preponderante

no desenvolvimento e progresso do país.

A atual Presidência do Politécnico de Coimbra assumiu funções em

2021, com a reeleição de Jorge Conde para um segundo mandato.

O Presidente assume a coordenação e representação institucional,

destacando-se a integração na Comissão Técnica de Saúde

do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos

(CCISP); o Comité de Acompanhamento do Programa Operacional

Regional do Centro – Centro 2020 / CCDRC; o Conselho Estratégico

para o Desenvolvimento Intermunicipal da CIM Região de Coimbra;

a presidência da RACS – Rede Académica das Ciências da Saúde da

Lusofonia; a presidência da Reunião Internacional da RIUPS – Rede

Iberoamericana das Universidades Promotoras de Saúde (Coimbra

2021), entre outras.

Em 2024, a equipa presidencial é composta por três Vice-Presidentes:

Ana Ferreira, com os pelouros de Comunicação Institucional

e Imagem, Captação de Alunos Nacionais e Internacionais,

Alumni, Serviço de Saúde Ocupacional e Ambiental, Projetos PRR

Impulsos Jovem e Adultos, Desporto e Departamento de Gestão

do Património e Infraestruturas, Daniel Roque Gomes, com os pelouros

de Serviços Académicos, Qualidade e Recursos Humanos e



Politécnico de Coimbra

45 Anos — A Nossa Missão

Érica Castanheira com o pelouro da área de Interface com a Comunidade.

Maria João Cardoso assume as funções de Pró-Presidente

para a área das Relações Internacionais, Lúcia Simões Costa

é Pró-Presidente com os pelouros do Planeamento da Oferta

Formativa e Inovação Curricular, António Paulino assume funções

como Pró-Presidente com o pelouro da Transformação Digital e

Carlos Veiga assume funções como Pró-Presidente com o pelouro

do projeto PRR “Impulsionar as Pessoas e o Território”. A Administradora

do IPC é Sandra Matos, com competências para a gestão

corrente da instituição e a coordenação dos seus serviços, sob direção

do presidente.

O crescimento de várias áreas dentro do Politécnico de Coimbra,

criando novas oportunidades e valências e, também, novos desafios,

levou à criação, em 2021, de duas novas Unidades Orgânicas

de apoio à formação e ao desenvolvimento, que integravam

antes os Serviços Centrais do IPC: o Centro Cultural Penedo da

Saudade, um local de promoção e divulgação cultural e artística,

que desenvolve uma programação regular própria e iniciativas em

parceria com entidades culturais da cidade – e o INOPOL Academia

de Empreendedorismo, que proporciona à comunidade académica

e a todo o ecossistema de empreendedorismo e inovação

da região mecanismos de apoio à criação e desenvolvimento de

ideias e projetos inovadores de base científica e tecnológica e com

potencial de mercado. Estas duas Unidades vieram juntar-se à já

existente Unidade Orgânica de investigação, o i2A – Instituto de

Investigação Aplicada, que assegura o ambiente propício para o

trabalho de todos os investigadores que desenvolvem a sua atividade

científica em múltiplas áreas.

Através das unidades orgânicas de ensino, investigação e de apoio

à formação e ao desenvolvimento, o IPC desenvolve a sua atividade

de acordo com as atribuições definidas nos seus Estatutos e

cumpre a sua missão: formar pessoas do ponto de vista humano,

cultural, científico e tecnológico. Esta é uma missão desenvolvida

por toda a instituição, tendo como principais protagonistas as escolas.

Destas e das restantes Unidades Orgânicas falaremos com

mais detalhe adiante.

Foram também reorganizados serviços e metodologias de trabalho,

destacando-se a criação do Gabinete de Valorização Profissional

e Inovação Pedagógica (GAVIP), que resulta da fusão de duas

estruturas previamente existentes, o INOVIPC e o CINEP, tendo a

sua criação o propósito de trabalhar o desenvolvimento pessoal e

profissional dos trabalhadores do IPC de forma unificada e de contribuir

para a definição estratégica da formação e desenvolvimento

de docentes, investigadores e não docentes e das competências

pedagógicas dos docentes.

Depois de, no ano de 2020, ter sido apresentada uma nova marca e

identidade visual para o Politécnico de Coimbra, extensiva a todas

as unidades orgânicas de ensino, refletindo a união e a modernidade

ambicionadas, hoje ela é perfeitamente reconhecida em toda a

comunidade interna e externa. Através do Gabinete de Comunicação

Institucional e Imagem (GCII), em articulação com os gabinetes

de comunicação das escolas, continuou-se a aposta na promoção

regional, nacional e além-fronteiras, assumindo-se o Politécnico

de Coimbra como uma organização forte e cativante, pronta para

acolher parcerias e aceitar novos desafios. Apostou-se numa cultura

e clima organizacionais de envolvimento de toda a comunidade,

dentro e “fora” dos “muros” desta casa, através da divulgação da

instituição e da sua atividade, do desenvolvimento de projetos conjuntos

com empresas e outras instituições, da prestação de serviços

à comunidade. Foi incrementada a realização de ações de captação

de estudantes nacionais e internacionais e a divulgação de oferta

formativa (com a ação Politécnico4me, participação em diversas

p 24

p 25

feiras nacionais e regionais, ações de promoção no Brasil em salões

de estudantes e colégios, entre outras). Para reforçar a ligação da

comunidade interna – estudantes, docentes e não docentes - dinamizou-se

a realização de eventos institucionais, como conferências

científicas, feiras de empreendedorismo e a celebração de dias comemorativos

(Dia do IPC, Entrega das Cartas de Curso em cerimónia

conjunta com todas as Unidades Orgânicas de Ensino (UOE),

Abertura das Aulas). A edição e distribuição de um jornal mensal

dirigido à comunidade, a realização de ações mediáticas junto dos

órgãos de comunicação social, campanhas digitais, a conceção de

brochuras institucionais e de merchandising com a imagem do Politécnico

de Coimbra e a dinamização da Rede Alumni foram também

ferramentas desta estratégia de comunicação.

O Politécnico de Coimbra assumiu o seu papel enquanto promotor

de riqueza e desenvolvimento na ligação ao seu território, reforçando

a ligação às empresas e a promoção da empregabilidade e

do empreendedorismo.

Com este objetivo, o Gabinete de Interface com a Comunidade

(GIC) promoveu o projeto @GIR – Gabinete de Inovação Regional

e a Coimbra iTEC - Associação para a Inovação e Tecnologia da

Região de Coimbra. Através destes projetos, foi possível desenvolver

ações com diversos municípios da região e associações empresariais,

indo ao encontro das necessidades locais e procurando

providenciar respostas dentro da comunidade científica e técnica

do IPC. A instituição integrou candidaturas de municípios e empresas

enquanto prestadora de serviços especializados, participou no

desenvolvimento de documentos municipais estratégicos, prestou

serviços de formação e de ID para empresas.

Ao nível da oferta formativa, aumentou-se a oferta de cursos lecionados

fora de Coimbra e de Oliveira do Hospital, sobretudo CTeSP,

Pós-Graduações e Microdenciações, indo ao encontro das necessidades

das populações vizinhas, com a criação de três polos: a

Lousã Green School, a Cantanhede Creative School e a Escola da

Bairrada. Esta aposta foi concretizada através do Programa “Impulsionar

o Território” no âmbito dos programas nacionais Impulso

Jovens STEAM e Impulso Adultos.

Um maior apoio à investigação e à criação de centros e laboratórios

acreditados e financiados, a par da qualificação e promoção

de ambos os corpos docente e não docente, foi outra das metas

perseguidas no decorrer do último mandato.

Foi feita uma aposta sem precedentes no corpo docente, com a

promoção de cerca de 70 professores a quem foi dada oportunidade

para ascenderem à categoria de Professor Coordenador ou

de Coordenador Principal, com o número nesta categoria a atingir

os 20 professores. Foram criados sete novos centros ou polos de

ciência. A oferta formativa tem vindo a ser adaptada, com a criação

de novos cursos nos vários ciclos e áreas científicas. Destaque

no último ano para as primeiras ofertas de cursos de 1º ciclo em

língua inglesa e para os novos ciclos de doutoramento, tornados

possíveis com a decisão do Parlamento Português, em 24 de fevereiro

de 2023, de aprovação de uma proposta que permite aos politécnicos

portugueses poderem atribuir o grau de doutor e adotar a

designação “Polytechnic University of Coimbra”, com o intuito de

valorizar o ensino politécnico nacional e internacionalmente.

No capítulo da internacionalização, o Politécnico de Coimbra tem

sido ambicioso, reforçando parcerias internacionais e estabelecendo

novos projetos e ligações que proporcionem mais oportunidades

à instituição e aos seus membros. Na área dos projetos

internacionais, o Politécnico de Coimbra tem prosseguido uma

política de crescimento e consolidação da sua participação, quer

como parceiro quer como coordenador, em projetos de cooperação

e inovação que contribuem para o reforço dos laços entre a



Politécnico de Coimbra

45 Anos — A Nossa Missão

educação, as empresas e a investigação e potenciam as sinergias

na perspetiva de um crescimento sustentável assente no desenvolvimento

da capacidade de inovação.

Todos os anos, o IPC recebe centenas de estudantes vindos de instituições

de ensino superior (IES) europeias, bem como docentes e

staff, em programas de mobilidade no âmbito do Erasmus+, mas

também de outros programas que permitem intercâmbios com países

fora da União Europeia, como da América Latina e outros, bem

como proporciona experiências internacionais aos seus membros.

Desde 2023, o Politécnico de Coimbra é uma das oito IES que compõem

“The Green European University – UNIgreen”, aprovada pela

Comissão Europeia no quadro de candidaturas à Iniciativa Universidades

Europeias, no âmbito do programa Erasmus+.

A UNIgreen pretende ser a principal universidade europeia na área

da agricultura sustentável, biotecnologia e ciências do ambiente e

da vida, onde os estudantes e a comunidade académica vão desenvolver

conhecimento e competências para se tornarem agentes

ativos na transição para uma economia neutra em termos climáticos

e, ao mesmo tempo, eficiente na utilização de recursos.

Para cumprir a sua missão essencial - formar pessoas do ponto de

vista humano, cultural, científico e tecnológico – o Politécnico de

Coimbra entende que é seu dever acautelar o bem-estar físico e

psicológico da sua comunidade, quer estudantil quer trabalhadora.

Esta abordagem tem sido feita através de várias vertentes.

Por um lado, a promoção de um ambiente seguro e sustentável.

A necessidade urgente de promover comportamentos amigos do

ambiente em prol de uma melhor saúde ambiental e, naturalmente,

de uma melhor qualidade de vida, levou o IPC a desenvolver o projeto

“Politécnico de Coimbra +Sustentável” através do Serviço de

Saúde Ocupacional e Ambiental (sSOA), para implementar e adotar

medidas estratégicas sustentáveis em toda a instituição e atuar

na alteração de comportamentos a este nível. Entre outras ações,

salienta-se a renovação consecutiva do Galardão Eco-Escolas de

todas as Unidades Orgânicas de Ensino do IPC e a distinção Ecocampus,

tornando o IPC um dos pioneiros e maiores Eco-Politécnicos

do país, como reconhecimento das boas práticas desenvolvidas

em prol de um Politécnico e de um Planeta mais sustentáveis,

assim como o “Projeto IPC a Pedalar”, que disponibiliza bicicletas

à comunidade estudantil. A instalação de ecopontos nas escolas e

serviços do IPC, a distribuição de garrafas de vidro à comunidade,

a promoção da separação de resíduos e a realização de compras

efetuadas com critérios de circularidade são algumas das medidas

que merecem destaque.

Com o objetivo de proporcionar aos estudantes as melhores condições

de estudo e de frequência do ensino superior mediante a

prestação de serviços e a concessão de apoios/bolsas, os Serviços

de Ação Social do Instituto Politécnico de Coimbra (SASIPC),

atualmente administrados por João Lobato, dispõem de diversas

valências e têm vindo a implementar cada vez mais programas de

apoio conforme as necessidades mais prementes que são identificadas.

São disso exemplos o Gabinete de Apoio ao Estudante, com a

missão de prestar apoio pessoal e social, apoio de natureza académica

e pedagógica e apoio vocacional aos estudantes, a atribuição

de auxílios de emergência, a existência de cinco refeitórios (quatro

em Coimbra e um em Oliveira do Hospital) e o alojamento a preços

acessíveis em dois complexos de residências (um em Bencanta

e outro na Quinta da Nora, ambos em Coimbra). O SASIPC presta

ainda apoio a atividades desportivas e culturais dos estudantes.

Recentemente, implementou a Plataforma SASSocial, que permite

aos estudantes terem acesso a vários serviços digitais ao alcance

de qualquer smartphone. Em outubro de 2022, reabriu a Clínica do

IPC, no campus da Escola Agrária, onde é possível aos membros da

p 26

p 27

comunidade acederem a consultas médicas de várias tipologias a

preços mais reduzidos em relação aos praticados no mercado.

Ainda no âmbito da promoção do bem-estar, nos últimos anos o

Politécnico de Coimbra tem desenvolvido o seu Gabinete de Desporto,

tendo como objetivos a promoção da prática regular de

atividade física e desportiva junto de toda a comunidade, o apoio

e articulação das ações das Associações de Estudantes (AE) das

escolas e a organização da prática de atividades de carácter competitivo

e não competitivo, como por exemplo as competições da

Federação Académica de Desporto Universitário (FADU). Ações

como as “Pausas Ativas”, que proporcionam períodos de ginástica

laboral aos colaboradores ou o programa “IPC Active”, com treinos

que podem ser acompanhados online, são exemplos de iniciativas

que têm vindo a ser implementadas. No IPC, é reconhecido o estatuto

do estudante atleta, que pretende fomentar a prática de atividade

desportiva e conciliar a mesma com os estudos.

Finalmente, o IPC tem garantido o financiamento de projetos que

pretendem dar resposta a dificuldades identificadas junto da comunidade

estudantil, nomeadamente aos problemas do insucesso

e abandono escolar ou da saúde mental. Está atento às questões

relacionadas com o conforto físico e social da sua comunidade,

apostando na melhoria das condições térmicas, de eficiência energética

e de acessibilidades dos vários edifícios que constituem o

IPC, através de obras de melhoria das infraestruturas.



Politécnico de Coimbra

45 Anos — A Nossa Missão

p 28

p 29

Da esquerda para a direita: Cristina Faria, Maria João Cardoso, Érica Castanheira, João Lobato, Sandra Matos, Carlos Veiga, Ana Ferreira, Jorge Conde, Lúcia Simões Costa,

Daniel Roque Gomes, Sara Proença, António Paulino e Marta Henriques.





As Unidades

Orgânicas

O Politécnico de Coimbra integra seis

unidades orgânicas de ensino que

abrangem uma grande diversidade de

áreas de formação, as quais vão desde as

ciências agrárias e ambiente, passando

pela educação, comunicação, turismo,

artes, gestão, contabilidade e marketing,

até à saúde e engenharias.

Tem ainda unidades orgânicas dedicadas

à investigação e ao apoio à formação e

ao desenvolvimento, nomeadamente o

empreendedorismo e a cultura.

Politécnico de Coimbra

p 32



Escola Superior

Agrária de Coimbra

45 Anos — As Unidades Orgânicas

p 34

p 35

A Escola Superior Agrária de Coimbra (ESAC) é a escola agrária

mais antiga do país e conta com 133 anos de história.

O ensino agrícola em Portugal é instituído em 1852 e foi em 1887 que

a Escola Central de Agricultura (em Sintra) foi transferida para Coimbra

e designada por Escola Central Prática de Agricultura. É instalada

na Quinta do Bispo pertencente à Mitra de Coimbra, na Quinta

do Paul e noutras de menor dimensão expropriadas para o efeito.

Ao longo dos anos, foram várias as denominações adotadas pela

escola, a par de reestruturações dos cursos, aprovação de regulamentos

e alterações na duração dos cursos. Em 1912 é aprovado o

regulamento das Escolas Nacionais de Agricultura, em 1915 a duração

dos cursos médios passa para seis anos (quatro de preparação

geral e dois de preparação técnica) e em 1919 introduzem-se

alterações na estrutura dos cursos agrícolas que passam a ter uma

duração de sete anos. Em 1931, a Escola Nacional de Agricultura

passa a designar-se por Escola de Regentes Agrícolas de Coimbra.

Os técnicos diplomados pela Escola passam a ser designados por

Regentes Agrícolas e aprova-se o respetivo regime e plano de estudos.

Em 1950, é alterado o regime e plano de estudos adotados

nas Escolas de Regentes Agrícolas. Em 1976, as escolas de regentes

agrícolas e respetivas secções passam a depender da Direção

Geral do Ensino Superior. Os diplomados com o curso de Regentes

Agrícolas são equiparados a bacharéis. No ano seguinte, em 1977,

é instituído o ensino superior de curta duração.

Finalmente, em 1979, é criada a rede do Ensino Superior Politécnico

que cria escolas superiores agrárias em diferentes regiões,

entre as quais se inclui a Escola Superior Agrária de Coimbra. No

ano seguinte, toma posse a primeira comissão instaladora da ESAC

e, em 1985, a ESAC é integrada no Instituto Politécnico de Coimbra

(Decreto do Governo 46/85, de 22 de novembro; já anteriormente,

o Decreto-Lei nº 513-T/79, de 26 de dezembro, criou a Escola Superior

Agrária de Coimbra). Em 1988, é nomeado o segundo Presidente

da Comissão Instaladora. Nos anos seguintes, são criados

novos cursos e estabelecida uma estrutura vertical da escola, com

a instituição das unidades coordenadoras dos cursos. Em 1995, é

nomeado o primeiro diretor da ESAC, Flávio dos Santos Ferreira,

segundo o novo regime de instalação das escolas superiores, e

toma posse o primeiro Conselho Pedagógico. Em 1997, são homologados

os estatutos da ESAC (Despacho publicado no Diário da

República II Série N.º 96 de 24 de abril de 1997). São eleitos e

tomam posse os membros da primeira Assembleia de Representantes

e o primeiro Conselho Diretivo.

Atualmente, a ESAC ministra Cursos Superiores Técnicos Profissionais

(CTeSP), Licenciaturas e Mestrados nas áreas de agricultura

biológica, agropecuária, ambiente, biotecnologia, ecoturismo,

florestas, gastronomia e tecnologia alimentar, caracterizados por

uma forte componente profissionalizante e por uma ligação muito

próxima ao tecido empresarial, a associações e cooperativas.

Ancorada com orgulho no seu passado secular, a ESAC adaptou-se

naturalmente às novas tecnologias e às mudanças verificadas nos

setores para as quais se encontra vocacionada. Dispõe de instalações

modernas, equipamentos e laboratórios de qualidade, bem

como de extensas áreas agrícolas e florestais que lhe permitem

afirmar-se como uma escola de referência nacional ao nível do ensino

e da investigação agrária.



Escola Superior

de Educação

de Coimbra

45 Anos — As Unidades Orgânicas

p 36

p 37

A Escola Superior de Educação de Coimbra (ESEC) tem na sua génese

a institucionalização do Ensino Normal e a criação, no reinado

de D. Maria II, da Escola Normal Primária de Coimbra, em 1839.

O objetivo inicial das Escolas Normais era a formação de professores

primários, proporcionando conhecimentos específicos para

o exercício da profissão docente a todos os que nelas ingressavam.

Estas passam a chamar-se Escolas do Magistério Primário,

para finalmente darem lugar às Escolas Superiores de Educação

na sequência do Decreto-Lei 513-T/79, de 26 de dezembro, sendo

no edifício da antiga Escola do Magistério Primário que funciona a

atual Escola Superior de Educação de Coimbra.

Em 1979, foram definidos os objetivos fundamentais que, ainda

hoje, estão previstos para as Escolas Superiores de Educação, nomeadamente:

formar professores do ensino preparatório, apoiar

pedagogicamente os organismos de ensino e de educação permanente,

colaborar diretamente no desenvolvimento cultural das

regiões em que estão inseridas e prestar serviços à comunidade,

contribuindo para a resolução de problemas, principalmente os que

assumem carácter regional.

Sob a presidência de Maria Alice Nobre Gouveia, a Comissão instaladora

lança, no ano letivo de 1985/86, as suas primeiras atividades

de formação, com o projeto de Formação em Serviço de Professores

do Ensino Básico e Secundário.

Em paralelo à extinção em Coimbra da Escola do Magistério Primário

e da Escola de Educadores de Infância e à correlativa transferência

de alguns dos seus professores para a nova Escola Superior

de Educação, deu-se início aos necessários procedimentos para a

criação dos primeiros projetos de formação inicial de Educadores

de Infância e de Professores do Ensino Básico.

Com a publicação em Diário da República da Portaria nº 572/87, de

8 de julho, na qual se aprovam os planos de estudos dos cursos

de bacharelato em Educação Pré-Escolar e as variantes de Português-Francês

e de Educação Musical dos cursos de Professores

do Ensino Básico (1º e 2º ciclo), a Escola Superior de Educação de

Coimbra inicia o seu primeiro ano letivo em 1987/88.

Em 1997, foram publicados os estatutos da Escola Superior de

Educação e tomou posse o primeiro Conselho Diretivo, eleito pela

Assembleia de Representantes, marcando assim o fim do período

de instalação.

Hoje, a ESEC compreende áreas de estudo que abrangem não só

a formação de professores em diversas variantes de ensino, como

também ministra cursos nas áreas da comunicação, turismo, artes

e multimédia.



Escola Superior

de Tecnologia e

Gestão de Oliveira

do Hospital

45 Anos — As Unidades Orgânicas

p 38

p 39

A Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Oliveira do Hospital

(ESTGOH) está em funcionamento desde 2001. Porém, a ideia e

o conjunto de vontades que levaram à sua criação são bem mais

antigas. Entre 1993 e 1994, o Ministério da Educação revelou a intenção

de, até ao final daquela década, fechar o ciclo de expansão

da rede do ensino superior politécnico estatal. Começava, então, o

labor de vários institutos politécnicos do país no sentido de apurar

a viabilidade da abertura de novos polos.

Neste contexto, o Instituto Politécnico de Coimbra considerava, em

1994, a hipótese de criação de um polo na zona da Beira Serra.

Para avaliar a solidez prática do projeto, encomendou ao Instituto

de Estudos Regionais e Urbanos da Universidade de Coimbra

(IERU) um estudo com o objetivo de “procurar avaliar a previsibilidade

de êxito da eventual localização do Polo Beira-Serra do Instituto

Politécnico de Coimbra no concelho de Oliveira do Hospital”.

Pressupondo a criação de, pelo menos, dois cursos de licenciatura

– um ligado às tecnologias e outro à gestão – o estudo do IERU,

concluído em 1995, apresentava resultados animadores: “estando

garantida a qualidade dos cursos a ministrar, a nova escola poderá

atrair, na região envolvente, um nível de procura mais do que suficiente

para a justificar”.

Apoiado no resultado do estudo e na longa experiência dos seus

polos de tecnologias e gestão, o IPC apresentou ao Ministério da

Educação, na segunda metade da década de 90, a proposta de

criação da ESTGOH, cuja aprovação, em 1999, conduziu ao nascimento

da Escola. As atividades escolares iniciaram-se no ano

letivo de 2001/2002 em instalações cedidas pelo Município de Oliveira

do Hospital, com dois cursos de licenciatura: “Administração

e Finanças” e “Engenharia do Território e do Ambiente”. No ano letivo

de 2002/2003, a par da alteração curricular e de denominação

deste último curso para “Engenharia Civil e do Ambiente”, a EST-

GOH abriu mais uma licenciatura: Engenharia de Computadores e

de Sistemas Informáticos.

Durante o ano letivo de 2003/2004, a ESTGOH preparou a abertura

de uma nova licenciatura em Administração e Marketing, procurando

responder a uma carência de formação nesta área.

Iniciou, no ano letivo de 2004/2005, o primeiro ano da licenciatura

em Administração e Marketing, aumentando para quatro o número

de cursos de licenciatura na Escola.

A busca de novas ofertas educativas pela ESTGOH continuou e, no

ano de 2006, começou a lecionar o seu primeiro Curso de Especialização

Tecnológica (CET), em Telecomunicação e Redes, e em

2007 os CET em Qualidade Ambiental (em parceria com a Escola

Profissional de Santa Comba Dão), Instalação e Manutenção de

Redes e Sistemas Informáticos (em funcionamento na ESTGOH) e

Condução de Obra (em parceria com a Escola Profissional de Santa

Comba Dão e a Escola Profissional da Serra da Estrela). Também

neste ano, deu-se a adequação das quatro licenciaturas ao modelo

de Bolonha.

Nos anos posteriores, a oferta formativa foi sofrendo alterações,

com a criação de novos cursos e com os CET’s a dar lugar aos

CTeSP (Cursos Técnicos Superiores Profissionais) no ano letivo

2015/2016.



Escola Superior

de Tecnologia da Saúde

de Coimbra

45 Anos — As Unidades Orgânicas

p 40

p 41

A Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Coimbra (ESTeSC), hoje

integrada no Instituto Politécnico de Coimbra, tem um trajeto evolutivo

que teve o seu início nos Centros de Preparação de Técnicos e

Auxiliares dos Serviços Clínicos, criados pela portaria nº 18523 do Ministério

da Saúde e Assistência, a 12 de junho de 1961, e regulamentados

em 1962 pela portaria nº 19397, de 20 de junho, com o objetivo

de uniformizar a formação de alguns profissionais prestadores de cuidados

de saúde, até então preparados de forma diversa.

Ainda sob tutela do Ministério da Saúde, foram depois reconvertidos

em Centros de Formação de Técnicos Auxiliares dos Serviços

Complementares de Diagnóstico e Terapêutica, através da Portaria

nº 709/80, de 23 de dezembro de 1980.

Em 1982, pelo Decreto-Lei nº 371/82, de 10 de setembro, uma nova

reestruturação cria a Escola Técnica dos Serviços de Saúde de Coimbra,

entidade dotada de personalidade jurídica, autonomia técnica,

administrativa e pedagógica, que ministra formação pós-secundária.

A integração no Ensino Superior Politécnico e a adoção da designação

atual dá-se em 1993 (Decreto-Lei nº 415/93, de 23 de dezembro),

representando apenas o reconhecimento do nível de ensino

que vinha sendo praticado. Nesta data, é colocada em regime

de instalação. Segundo atribuições e objetivos explicitados na Lei

54/90 de 5 de setembro, confere os graus de bacharel e licenciado

(portaria 505-D/99, de 15 de julho), em sete cursos: Análises Clínicas

e Saúde Pública, Audiologia, Cardiopneumologia, Farmácia,

Fisioterapia, Radiologia e Saúde Ambiental.

A 21 de julho de 2004, por via do Decreto-Lei nº 175/2004, é integrada

no Instituto Politécnico de Coimbra, conservando o regime

de gestão. A ESTeSC concebe os seus primeiros Estatutos, homologados

pelo Presidente do IPC em 23 de abril de 2007, procedendo

às primeiras eleições, que permitiram o fim do regime de

instalação, já com 27 anos de duração.

A ESTeSC viu os seus cursos adequados ao Processo de Bolonha

em julho de 2008, a tempo da sua entrada em funcionamento no

ano letivo de 2008/2009. O novo Regime Jurídico das Instituições

de Ensino Superior (RJIES) veio estabelecer que todas as instituições

de ensino superior deveriam proceder à revisão dos seus

estatutos, de modo a conformá-los com o novo normativo. O IPC

viu aprovados os seus estatutos com o Despacho Normativo nº 59-

A/2008 e publicados em 19 de novembro de 2008. Na sequência,

a ESTeSC procedeu à revisão dos seus Estatutos, sendo a primeira

escola do IPC a ver os seus estatutos homologados, em março de

2009 e publicados por via do Despacho nº 11719/2009.

Hoje, a escola oferece as licenciaturas de Audiologia, Ciências Médicas

Laboratoriais, Dietética e Nutrição, Farmácia, Fisiologia Clínica,

Fisioterapia, Imagem Médica e Radioterapia e Saúde Ambiental,

para além de Pós-Graduações e Mestrados.



Instituto Superior

de Contabilidade

e Administração

de Coimbra

45 Anos — As Unidades Orgânicas

p 42

p 43

O Instituto Superior de Contabilidade e Administração de Coimbra

(ISCAC) encetou os seus primeiros passos ministrando o Curso de

Contabilidade no ano letivo de 1972/1973, com a denominação de

Instituto Industrial e Comercial de Coimbra. Este evento teve como

origem o reconhecimento da necessidade de implantar o “ensino

técnico médio da administração e comércio” em Coimbra, o que se

viria a efetivar através do Decreto-Lei nº 440/71, de 22 de outubro.

Foi, no entanto, em 1974, por separação entre os ramos de “Indústria”

e “Comércio”, que esta instituição ganhou a sua própria

personalidade, passando a denominar-se Instituto Comercial de

Coimbra. Mais tarde, o Dec. Lei nº 313/75, de 26 de junho, viria a

colocar na dependência da Direcção-Geral do Ensino Superior os

Institutos Comerciais de Lisboa, Porto e Coimbra, equiparando a

bacharel os diplomados em alguns cursos neles ministrados.

Posteriormente, com a entrada em vigor do Decreto-Lei 327/76,

de 6 de maio, os Institutos Comerciais de Lisboa, Coimbra e Porto

deram lugar aos Institutos Superiores de Contabilidade e Administração,

cuja orgânica se encontra instituída no Dec. Lei nº 443/85,

de 24 de outubro. Estas escolas do ensino superior foram posteriormente

integradas no subsistema Politécnico do Ensino Superior

e, no caso do ISCAC, no Instituto Politécnico de Coimbra, pelo Dec.

Lei nº 70/88, de 3 de março. O Dec. Lei nº 443/85, de 24 de outubro,

veio autorizar os Institutos Superiores de Contabilidade e Administração

a conferir o Diploma de Estudos Especializados (DESE)

aos diplomados que concluíssem o Curso de Estudos Superiores

Especializados (CESE) que, para efeitos legais e académicos, era

equivalente ao grau de licenciatura. O ISCAC viria assim a conferir

o DESE em Controlo de Gestão e, mais tarde, o DESE em Contabilidade

e Auditoria e em Gestão de Empresas.

A Lei nº 54/90, de 5 de setembro, foi publicada com o intuito de

definir o estatuto e autonomia das escolas que integrassem os Institutos

Superiores Politécnicos. No entanto, o ISCAC apenas logrou

ver aprovados os seus primeiros estatutos em 1997. Entretanto, a

Escola passou a dispor de novas instalações na Quinta Agrícola,

em Bencanta, para onde se mudou em novembro de 1996.

No ano letivo 1998/1999, tiveram início, tanto em regime diurno

como em regime noturno, as licenciaturas bietápicas em Contabilidade

e Auditoria, em Gestão de Empresas e em Informática de

Gestão, substituindo assim os CESE(s) nessas áreas. Estas mudanças

ocorreram por via da publicação da Portaria nº 417-A/98, de 17

de julho, que aprovou o Regulamento Geral dos Cursos Bietápicos

de Licenciatura das Escolas do Ensino Superior, em consequência

das alterações que, entretanto, foram introduzidas na Lei de Bases

do Sistema Educativo. No ano letivo 2005/2006, foram reestruturados

os cursos existentes (Contabilidade e Auditoria, Gestão de

Empresas e Informática de Gestão) e criados dois cursos: Contabilidade

e Gestão Pública e Solicitadoria e Administração.

No ano letivo 2006/2007, foram submetidos a registo os cursos

existentes no formato Bolonha, tendo o mesmo sido concedido pelo

Ministério em 9 de março de 2007. No ano letivo de 2007/2008, entraram

em funcionamento, segundo o formato de Bolonha, todos

os cursos ministrados neste Instituto. Foi também neste ano letivo

que se criou a ISCAC Coimbra Business School, responsável pela

formação pós-graduada e especializada do ISCAC.

Nos últimos anos, a ISCAC Coimbra Business School tem apostado

na disponibilização de cursos pós-graduados nas suas áreas de

especialização, através de parcerias com instituições e empresas

nacionais e internacionais, afirmando-se como instituição de referência

neste setor.



Instituto Superior

de Engenharia

de Coimbra

45 Anos — As Unidades Orgânicas

p 44

p 45

O Instituto Superior de Engenharia de Coimbra (ISEC) resultou da

conversão do antigo Instituto Industrial e Comercial de Coimbra,

determinada pelo Decreto-Lei nº 830/74, de 31 de dezembro. Pelo

decreto de criação “os institutos superiores de engenharia são escolas

de nível universitário”, neles se conferindo “os graus de bacharelato,

licenciatura e doutoramento”.

Desde logo, o ISEC começou por formar bacharéis em engenharia

civil, engenharia eletrotécnica, engenharia mecânica e engenharia

química, ministrando cursos com planos de estudo de oito semestres

(quatro anos).

Em 1988, o ISEC foi integrado no Ensino Superior Politécnico através

do Decreto-Lei nº389/88, de 25 de outubro, tendo os planos

curriculares dos bacharelatos sido reestruturados e reduzidos para

seis semestres (três anos).

Nesta segunda fase de existência, além dos cursos referidos anteriormente,

foram criados, em 1989, o curso de bacharelato em

Engenharia Informática e de Sistemas e, em 1991, o curso de bacharelato

em Engenharia Eletromecânica.

Para além dos seis cursos de bacharelato referidos, funcionaram

também os Cursos de Estudos Superiores Especializados (CESE)

em Engenharia Civil Municipal, desde o ano letivo de 1991/92 até

ao ano letivo de 1994/1995, e o CESE em Sistemas de Energia Elétrica

(SEE), do ano letivo 1997/98 até 1998/99.

Em 1997, foram publicados os Estatutos do Instituto Superior de

Engenharia de Coimbra, decorrente da aprovação da Lei da Autonomia

do Ensino Superior Politécnico (Lei n.º 54/90, de 5 de setembro)

e dos Estatutos do Instituto Politécnico de Coimbra (1995).

Com a alteração da Lei de Bases do Sistema Educativo, Lei n.º

115/97, de 19 de setembro, foram criadas, no ano letivo de 1998/99,

seis licenciaturas bietápicas, constituídas por um 1º ciclo, com a

duração de três anos, que confere o grau de bacharel, e um 2º ciclo,

com duração de dois anos, que confere o grau de licenciatura.

O 1º ciclo entrou em funcionamento no ano letivo de 1998/99 e o

2º ciclo no ano letivo de 1999/2000.

No ano letivo de 2006/2007, entrou em funcionamento o novo curso

de Engenharia Biológica, já estruturado de acordo com o modelo

de Bolonha e conferindo, por isso, o grau de Licenciado ao

fim de três anos letivos. Nesse ano, não foram abertas vagas para

o 1º ano da licenciatura bietápica em Engenharia Química. No ano

letivo de 2007/2008, entram em funcionamento dois novos cursos,

Engenharia Biomédica e Engenharia e Gestão Industrial.

O ISEC tem continuado a sua missão de formar engenheiros para

quadros de empresas e instituições, apostando no trabalho de

investigação e numa forte componente prática dos seus cursos,

alcançando uma reputação sólida junto dos estudantes que procuram

uma formação adaptada ao mercado de trabalho.

Atualmente, o ISEC oferece uma oferta formativa na área das engenharias

biomédica, civil, gestão industrial, eletromecânica, eletrotécnica,

informática, mecânica e gestão industrial das cidades.



Centro Cultural

Penedo da Saudade

45 Anos — As Unidades Orgânicas

p 46

p 47

No setor da cultura, a Direção Cultural do IPC, criada em 2017, evoluiu

para a criação de uma unidade orgânica em 2021. Disponibiliza

um programa de atividades diversas e gratuitas abertas principalmente

à participação de estudantes e trabalhadores não docentes,

mas também à comunidade externa, abrangendo as áreas da

música coral, dança, teatro e artes plásticas, contando com várias

atividades, entre elas o coro do Politécnico de Coimbra.

Promove ainda um estatuto especial para o estudante praticante

de atividades artísticas, facilitando o acesso a estas iniciativas

durante a vida estudantil sem daí resultar qualquer prejuízo para o

cumprimento das suas obrigações curriculares.

A sua face mais visível é o Centro Cultural Penedo da Saudade, que

inaugurou em 2019 e abriu ao público a antiga sede dos Serviços

da Presidência do IPC, na Avenida Doutor Marnoco e Sousa, em

Coimbra. Trata-se de um local de promoção e divulgação cultural

e artística, que trabalha em colaboração com as várias Unidades

Orgânicas do IPC, mas também em articulação com outros promotores

culturais da região, promovendo uma programação cultural

continuada e diversificada ao longo de todo o ano.

Os inúmeros eventos realizados ao longo dos já cinco anos de atividade

receberam milhares de visitantes e abrangem um largo espectro

geracional, desde ateliers para crianças e outros para adultos

de todas as gerações (ateliers, tertúlias, concertos intimistas,

apresentações de livros, palestras, exposições, entre outros). São

várias as parcerias estabelecidas com instituições da cidade e região,

que encontram aqui um espaço privilegiado para exporem o

seu trabalho e contactarem com o público.



Instituto de

Investigação

Aplicada (i2A)

45 Anos — As Unidades Orgânicas

p 48

p 49

O Politécnico de Coimbra conta com o Instituto de Investigação

Aplicada (i2A) que é a unidade orgânica dedicada à investigação,

desenvolvimento e inovação em diversas áreas científicas e

tecnológicas. O seu principal objetivo é fomentar a investigação aplicada,

promover a transferência de conhecimento para a sociedade

e fortalecer a ligação entre o ensino superior e o tecido empresarial.

O i2A agrega e coordena as diversas estruturas de investigação da

instituição, contribuindo para a racionalização e gestão integrada

dos recursos científicos. Estas estruturas incluem os centros de investigação

e os polos de gestão reconhecidos pela FCT - Fundação

para a Ciência e Tecnologia, laboratórios, e grupos de investigação

especializados em áreas do conhecimento específicas. O objetivo é

criar sinergias, otimizar recursos e promover a cooperação interdisciplinar,

tanto internamente quanto com outras entidades externas.

No presente ano, no âmbito da avaliação das Unidades de I&D pela

FCT, o IPC formalizou a constituição de 3 novos polos de gestão

em Centros de Investigação em áreas estratégicas para a Instituição:

o CEOS.PP - Centro de Estudos Organizacionais e Sociais do

Politécnico do Porto; o INEd – Centro de Investigação & Inovação

em Educação, e o H&TRC - Health & Technology Research Center,

para além do já existente polo do CITUR Coimbra - Centro de Investigação,

Desenvolvimento e Inovação em Turismo. Robusteceu

o CERNAS - Centro de Estudos em Recursos Naturais, Ambiente

e Sociedade, com a criação de um novo polo do Instituto do Politécnico

de Santarém, propôs a criação do novo Centro de Investigação

em Gestão de Ativos e Engenharia de Sistemas (RCM2+), e

integrou ainda o Centro de Investigação & Inovação em Desporto

Atividade Física e Saúde (SPRINT).

Relativamente aos laboratórios inclui: o Laboratório de Biomecânica

Aplicada (LBA), o Laboratório de Investigação Aplicada em

Saúde (LabInSaúde), o Laboratório de Computação de Elevado

Desempenho (LaCED), o Laboratório RoboCorp, o Laboratório de

Sistemas Industriais Sustentáveis (SiSus) e o Laboratório de Valorização

de Recursos Endógenos e Naturais (ValoRen).

Ao longo dos últimos anos, o i2A tem pautado a sua atuação pela

aposta em mais investigação, potenciando a colaboração entre as

várias unidades de ensino e a criação de redes. O i2A presta apoio

às esquipas de investigação na procura de oportunidades de financiamento

e durante a execução dos projetos de investigação e

inovação desenvolvidos pelos professores e investigadores do IPC,

em colaboração com outras instituições académicas, empresas e

organizações. As áreas fundamentais de investigação abrangem

várias disciplinas, incluindo as ciências agroalimentares e do ambiente,

da engenharia, da saúde, ciências sociais e da educação.

Além disso, com os programas de apoio vigentes, oferece suporte

aos professores, investigadores e estudantes do IPC, promovendo

a disseminação dos resultados de investigação através de publicações,

participação em conferências e outros eventos científicos.



INOPOL

Academia de

Empreendedorismo

45 Anos — As Unidades Orgânicas

p 50

p 51

No âmbito da sua missão, o Politécnico de Coimbra tem como objetivo

estratégico promover uma cultura de inovação e empreendedorismo,

de estímulo a práticas e processos de inovação, assim como de transferência

para a sociedade do conhecimento gerado na instituição.

Em 2013, o IPC criou o INOPOL Academia de Empreendedorismo,

que viu a sua missão e raio de atuação fortalecido em 2020 com um

novo modelo de funcionamento e, em 2021, com a sua constituição

como Unidade Orgânica de apoio à formação e ao desenvolvimento.

A estratégia do INOPOL consubstancia-se em três eixos de atuação

principais: i) Academia de empreendedorismo e networking;

ii) Proteção e gestão da propriedade intelectual e transferência de

tecnologia; iii) Incubação de empresas.

O INOPOL proporciona à comunidade académica e a todo o ecossistema

de empreendedorismo e inovação da Região mecanismos

de apoio à criação e desenvolvimento de ideias e projetos inovadores

de base científica e tecnológica e com potencial de mercado.

Neste âmbito, o INOPOL atua em diferentes domínios complementares,

com destaque para a incubação de empresas (sobretudo

startups e spinoffs oriundas do IPC ou com forte ligação à instituição),

a capacitação e networking e a transferência de conhecimento

e tecnologia para o tecido empresarial.

Em resultado deste posicionamento, tem-se afirmado cada vez

mais como um player relevante nas áreas da inovação, empreendedorismo

e interface entre ciência, tecnologia e economia, tendo

vindo a reforçar integração em redes, consórcios e projetos em

coordenação com outros agentes do ecossistema.

Esta aposta transversal no desenvolvimento de competências de

inovação e empreendedorismo dentro da comunidade académica

enquadra-se numa estratégia global da instituição de promover a

empregabilidade e atratividade dos diplomados junto do mercado

de trabalho, assim como de capacitá-los para processos de integração

profissional e desenvolvimento de carreira. São de destacar

iniciativas levadas a cabo pelo INOPOL como o “Job Summit IPC

& Science2Business”, que teve a sua segunda edição em 2024 e

pretende aproximar os estudantes provenientes das várias escolas

do IPC das empresas e do mercado de trabalho; o “Programa

Trilhos – Ativa o teu futuro”, que procura facilitar a integração no

ensino superior para ajudar os estudantes a enriquecer o currículo

académico, a desenvolver competências e o autoconhecimento;

ou a dinamização do Concurso Regional Poliempreende, a maior

rede de promoção do Empreendedorismo no panorama do ensino

superior politécnico português e que junta estudantes e docentes

com o objetivo de desenvolverem, num formato de competição,

projetos, e onde se pretende promover uma cultura empreendedora,

estimulando a criatividade, a inovação, o espírito de iniciativa e

a capacidade de trabalho em equipa.



Capítulo II

Recuperar

a História.



Politécnico de Coimbra

p 54



A Casa

do Bispo

45 Anos — A Casa do Bispo

A Casa do Bispo é a nova “casa” dos Serviços

da Presidência do Politécnico de Coimbra.

Uma intervenção realizada nos últimos anos

permitiu recuperar um edifício histórico,

classificado como Imóvel de Interesse

Público,estando abrangidos os azulejos

existentes na mesma, segundo o DL n.º 47508

(DG I Série, n.º 20 de 24.01.1967), devolvendo

a dignidade a um espaço que estava

abandonado e trazendo a vida de volta às salas

e corredores do mesmo. Permitiu também

dotar o Politécnico de Coimbra de um espaço

que se assume como “cartão de boas vindas”

da instituição, dignificando os seus elementos

e a própria cidade de Coimbra.

Politécnico de Coimbra

p 56

p 57

A Casa do Bispo faz parte do conjunto arquitetónico da Quinta do Bispo,

localizado em São Martinho do Bispo, que inclui também a Adega,

a Vinagreira, o Hangar, o Apiário, a Sirgaria e o Chalé do Bispo. Trata-

-se de um conjunto arquitetónico com um passado histórico de forte

interesse cultural para toda a comunidade.

Ao longo dos anos, os edifícios acima referidos foram sofrendo

diversas intervenções que alteraram as suas características originais,

nomeadamente a nível de espaços interiores e de arranjo

exterior. Pretendeu-se, assim, reabilitar o existente, respeitando as

características originais dos edifícios e todas as normas regulamentares

em vigor, conjugando passado e futuro com uma linguagem

mais contemporânea no que diz respeito às soluções estéticas,

às técnicas construtivas e materiais aplicados.

Numa primeira fase, realizou-se a reabilitação da Casa do Bispo e

procedeu-se ao arranjo urbanístico dos seus pátios e do espaço

que contorna o edifício e foi criado um estacionamento de apoio.

A obra foi concluída no final de outubro de 2023 e este edifício já

se encontra em pleno funcionamento, acolhendo os Serviços da

Presidência, a par de outros serviços centralizados, um auditório

com 36 lugares e uma sala de reuniões.

Prevê-se, numa segunda fase, reabilitar os edifícios da Adega,

da Vinagreira, a construção de um edifício de apoio que se define

como espaço exterior coberto de receção aos dois edifícios

principais e uma intervenção mais profunda a nível de arranjo dos

espaços exteriores, nomeadamente da zona de entrada principal

com a praça de chegada, parque de estacionamento e escadaria

de acesso ao conjunto arquitetónico e da alameda e dos seus

espelhos de água com a criação de um percurso pedonal, tirando

partido da paisagem singular da Escola Superior Agrária, onde o

conjunto arquitetónico está situado.

A Quinta do Bispo, onde atualmente se encontra instalada a Escola

Superior Agrária do Politécnico de Coimbra, foi, em 1888, a Escola

de Regentes Agrícolas de Coimbra que nasceu em terrenos pertencentes

a vários proprietários, do qual o núcleo central e principal

era constituído pela Quinta de S. Martinho ou Quinta do Bispo,

pertencente ao Episcopado de Coimbra. Entre o final do século XVI

e o início do século XVII, foi utilizada como Casa de Campo pelos

bispos de Coimbra, sendo local de descanso e recolhimento do

Bispo e também do alto clero coimbrão, devendo a essa razão a

designação de Quinta do Bispo.

Uma das figuras importantes ligadas à história deste espaço foi D.

Afonso Castelo Branco, prelado do Bispado de Coimbra de 1583 a

1615 e Doutor em Teologia pela Universidade de Coimbra. D. Afonso

Castelo Branco nasceu em Santiago do Cacém em 1522 e faleceu na

cidade universitária a 12 de maio de 1615, encontrando-se sepultado

na Sé Velha de Coimbra. Era filho ilegítimo de D. António de Castelo

Branco, deão da Capela Real, e neto dos primeiros condes de Vila

Nova de Portimão. D. Afonso Castelo Branco foi nomeado vice-rei de

Portugal por Filipe II em 1603 e assumiu-se como mecenas para a cidade

de Coimbra, na medida em que contribuiu para a reconstrução

do Paço Episcopal e do convento de Santo Agostinho (1593), reergueu

a Igreja dos Jesuítas (1598), hoje Sé Nova, fundou o Convento

dos Carmelitas Descalços (1606), patrocinou a construção do coro e

recuperação do Mosteiro de Celas, além de ter colaborado em obras

civis como estradas, hospitais e Misericórdia de Coimbra. O mesmo

terá sido responsável pela construção de algumas das instalações

ainda existentes na Quinta do Bispo.

A construção da Quinta data possivelmente dos finais do século

XVI, princípios do século XVII, 1583-1615, sendo anterior ao Jardim

de Santa Cruz de Coimbra.

Os bispos sucessores também tiveram interesse por esta residência

de campo. O sucessor imediato de D. Afonso Castelo Branco foi D.

Afonso Furtado de Mendonça (bispo de 1615 a 1618), que terá preparado

ali a sua entrada em Coimbra. Outro sucessor que deixou a

sua marca na história deste espaço foi o bispo D. João Mendes Távora,

prelado no período entre 1638 e 1646, data provável do brasão

episcopal que se pode observar ainda hoje no portão do caminho de

acesso ao centro do conjunto arquitetónico da Casa do Bispo. Este

escudo terá sido picado durante o governo de Marquês de Pombal.

Por sentença de 12 de janeiro de 1759, foram-lhe picadas as armas

no epitáfio da sepultura por pertencer à família dos Távoras.

Outros prelados se sucederam, havendo registo que alguns dedicaram

tempo e deixaram a sua marca na Quinta do Bispo: D. João

de Melo, bispo de 1684 e 1704, D. Miguel da Anunciação, bispo

de 1741 a 1779, D. Francisco de Lemos de Faria Pereira Coutinho,

bispo de 1779 a 1822, entre outros.



Politécnico de Coimbra

Fonte Fotografia:

Sistema de Informação para

o Património Arquitetónico

(www.monumentos.gov.pt)

No ano de 1887, o Governo Português expropria a Quinta de S. Martinho

à Mitra de Coimbra para, em conjunto com outras terras expropriadas

a particulares, construir uma Escola de Agricultura, a Escola

Prática Central de Agricultura, a primeira antecessora da atual ESA-

C-IPC. Desde então, a Casa do Bispo foi servindo de alojamento a

professores, alunos e funcionários e as suas dependências agrícolas

foram tendo vários usos até ao seu progressivo abandono.

Feita esta breve síntese da história da Quinta do Bispo, regressemos,

então, à intervenção efetuada na Casa do Bispo. Este edifício remonta

ao período entre o final do século XVI e o início do século XVII e a sua

morfologia inicial revelava dois corpos que abriam para um pátio, destacando-se

ainda um varandim de colunas de pedra. Composta por

dois pisos, a Casa continha um pequeno claustro intimista, a partir do

qual se tinha acesso à maioria dos seus espaços interiores.

O projeto de intervenção agora realizado pretendeu “limpar” o edifício

de elementos que apenas o descaracterizavam, proporcionado

uma leitura clara, harmoniosa e uniforme de todo o conjunto,

conjugando de forma elegante e funcional o antigo e o novo, a história

e a modernidade.

Nos espaços exteriores, a intervenção efetuou a melhoria nos acessos,

desde o campus das escolas ao conjunto edificado, designado

Alameda, bem como a construção de dois parques de estacionamento

automóvel e a definição de uma entrada principal, mais direta,

desde a via pública. Teve-se em atenção a preservação da permeabilidade

do solo, respeitando assim o índice de impermeabilização.

Na área exterior assumem-se dois eixos de entrada no edifício

principal. O eixo Alameda-Brasão, que interliga a Alameda (um dos

acessos rodoviários), com os seus tanques de água e a sua linha

de árvores bem definida, com a criação de caminhos pedonais à

Casa do Bispo, atravessando o grande pátio onde se manifesta o

pórtico com o seu brasão, voltando a assumir um papel central,

com a reabilitação do seu portão e o rebaixamento da via pública,

interligando assim à zona de estacionamento criada em terreno

contíguo. É ainda percetível um outro eixo, perpendicular ao primeiro,

que liga o portão principal do conjunto à entrada principal da

Casa e que se manifesta predominantemente pedonal. O primeiro

possui um enquadramento mais natural, o segundo mais arquitetónico

pelo atravessamento dos seus pátios e edifícios.

A distribuição dos espaços interiores foi definida tendo por base

a vontade de concentrar todos os Serviços da Presidência num

único espaço físico, a funcionalidade programática e o fácil acesso

a todas as dependências. É possível verificar que no piso 0 se reúnem

os espaços de carácter mais público, como a receção, o auditório,

o claustro central agora transformado em sala de entrada e

convívio, a sala de reuniões, as instalações sanitárias, a copa e as

instalações técnicas. No piso 1, concentram-se os gabinetes, sala

de reuniões, instalações sanitárias e salas de apoio.

A proposta teve por base as pré-existências e a caracterização

física do edifício, intervindo na demolição das divisões interiores,

fruto das múltiplas ocupações que o edifício foi sofrendo, na reabilitação

dos revestimentos exteriores, preservando-se a sua estrutura

e acabamento e na substituição da cobertura, aplicando

ainda uma subcamada que permitiu isolar melhor o edifício. Também

se interveio nas caixilharias, tornando-as termicamente mais

eficazes, preservando, no entanto, as cantarias existentes. De um

modo geral, foram preservadas as fachadas, a estrutura principal

em alvenaria de pedra e todos os elementos decorativos originais,

incluindo cantarias dos vãos, claustro interior, escadarias exteriores

e algumas inscrições de siglas gravadas por pedreiros. As alterações

prendem-se essencialmente com as divisões interiores e a

organização do espaço para albergar as novas funções.

Um dos pontos marcantes do projeto da Casa do Bispo foi a reabilitação

do seu claustro interior, interpretado como uma praça coberta

de ligação de todas as valências que o edifício oferece. A sua

luz natural possibilita a sensação de se estar num espaço aberto,

de distribuição e de convívio, uma “sala de estar” para visitantes e

trabalhadores. Ao lado da histórica alvenaria de pedra natural, foi

adicionado um piso em soalho de carvalho conjugado com novos

elementos estruturais pintados de branco, tais como serralharias,

carpintarias, escadas, paredes e tetos. Conjugam-se, assim, história,

autenticidade e contemporaneidade.

O processo de obra permitiu identificar indícios das diferentes

p 58



Politécnico de Coimbra

45 Anos — A Casa do Bispo

p 60

p 61

adaptações e reestruturações que o edifício sofreu ao longo dos

tempos, podendo observar-se três níveis de intervenção correspondentes

a diferentes épocas. O primeiro nível corresponde à

construção inicial do edifício, entre o final do século XVI e início

do século XVII. O segundo nível corresponderá presumivelmente

ao século XVIII, 70 centímetros acima da cota inicial, e o terceiro

nível de intervenção já entre o final do século XIX e o início do século

XX, 50 centímetros acima da cota anterior. Estes diferentes

níveis de intervenção poderão estar associados a necessidades de

adaptação às condições do terreno da Quinta do Bispo que, dada

a proximidade do ribeiro de São Martinho, estava sujeito a inundações

frequentes.

Nos anos 70 do século passado, a casa sofreu obras que provocaram

a sua descaracterização. Especialmente no interior, desapareceram

tetos e pavimentos antigos de madeira, pedras e colunas do antigo

claustro. Também neste período, foram retirados os antigos azulejos

desenhados com edifícios e paisagens do século XVIII que se encontravam

a revestir as paredes até cerca de um metro de altura.

Já em de 31 de janeiro de 1964, num ofício da Secção dos Serviços

dos Monumentos Nacionais do Ministério das Obras Públicas, a

propósito da criação das novas instalações da Escola de Regentes

Agrícolas e da possível demolição do edifício da Casa do Bispo, é

destacado como motivo de interesse a existência dos lambris com

azulejos e sugerida a retirada dos mesmos para um museu nacional.

A maior parte destes azulejos foram guardados e catalogados e estão

a ser alvo de uma intervenção gradual, num trabalho assumidamente

meticuloso e moroso de reconstrução dos painéis anteriormente

existentes. O objetivo é poder, no futuro, reconstituir estes painéis,

emoldurá-los e colocá-los em exposição na Casa do Bispo em lugar

de destaque, devolvendo-lhes, assim, importância e dignidade.

O futuro do conjunto patrimonial da Quinta do Bispo e dos seus

restantes elementos está a ser preparado, estando previstas intervenções

que permitem reabilitar os edifícios e proporcionar novas

valências ao Politécnico de Coimbra.

No edifício da Adega, propõe-se a implantação de uma grande Sala

de Atos e no edifício da Vinagreira está previsto um espaço destinado

a exposições e apoio de eventos. A Adega e a Vinagreira

serão interligadas por um corpo exterior, coberto, ao qual será atribuída

uma estética contemporânea.

Pela necessidade de interligar, interiormente, a Casa do Bispo ao

edifício da Adega, com a sua Sala de Atos, e ao da Vinagreira, com

os seus espaços de exposições, foi já criado um corpo que permite

a ligação vertical entre todos os pisos. Este novo elemento, de

linguagem contemporânea, procura integrar, de forma discreta, os

edifícios existentes, através de umas escadas que “serpenteiam”

ao longo dos diferentes pisos.

Fontes:

Reconversão de edifícios para sede da

Presidência do Politécnico de Coimbra

SC|IPC, Projeto de Arquitetura, outubro

de 2019, DGPI | Departamento de

Gestão do Património e Infraestruturas

do IPC; Relatório Prévio Quinta do Bispo,

Versão 1.0, 06 de janeiro de 2021.,

DGPI | Departamento de Gestão do

Património e Infraestruturas do IPC.



Politécnico de Coimbra

45 Anos — Introdução

p 62 p 63



Camões em

São Martinho do Bispo?

— indícios e conjecturas

Pedro Bingre do Amaral, Professor Adjunto da ESAC - IPC

45 Anos — Camões em São Martinho do Bispo?

O dia em que nasci moura e pereça,

Não o queira jamais o tempo dar;

Não torne mais ao Mundo, e, se tornar,

Eclipse nesse passo o Sol padeça.

Assim, em termos amargurados, se refere à data do seu nascimento

Luís Vaz de Camões, o príncipe dos poetas de língua portuguesa.

Roga ao destino que se eclipse o astro que nos ilumina, e mantenha

nas trevas o dia e o sítio em que o vate viu pela primeira vez a luz.

Por ironia desse mesmo destino, quiseram precisamente as vicissitudes

da história que se eclipsasse não somente o Sol, mas

qualquer documento fidedigno que confirme quando nasceu, onde

nasceu e onde foi educado este grande homem das letras, sobre

o qual pouco nos dizem os registos notariais e paroquiais coevos.

Terá nascido num dia 23 de janeiro, conforme sugerem os astrónomos

após consultarem as tabelas de eclipses solares do primeiro

quartel do século XVI? Terá nascido em 1517, 1524 ou 1525, conforme

postulam biógrafos vários? Terá nascido em Coimbra, Lisboa,

Alenquer, Santarém, ou alhures?

E — questão de especial interesse para o Politécnico de Coimbra

— terá o Poeta passado os anos formativos da sua adolescência

nas margens do Mondego, mais precisamente em São Martinho

do Bispo? Terá pisado a veiga onde hoje se encontra a Quinta do

Bispo?

Que quereria dizer o poeta na canção onde diz

Vão as serenas águas

Do Mondego descendo

E mansamente até o mar não param;

Por onde as minhas mágoas,

Para nunca acaba se começaram.

(...)

Trata-se de uma das três menções que o poeta faz ao Mondego na

parte lírica sua obra. Poucas, na verdade, mas prenhes de emoção,

de saudade. Outra, onde esse sentimento é explícito, é a elegia

Correntes águas frias do Mondego,

dignas de ser somente celebradas

de outro engenho, menos que o meu cego:

correi agora, claras e apressadas,

por esses campos verdes saudosos,

banhando-lhe as flores prateadas

(...)

Os campos se revistam de tristeza;

jamais se veja neles primavera;

em tudo lhe falte arte e natureza.

Nada do que dá o Céu, que a gente espera

se possa achar aqui, nem ache abrigo

Ninfa, gado, pastor, nem ave ou fera.

Tudo, como a mi foi, lhe seja imigo;

que, por força de estrela ou de costume,

fujo do melhor sempre e o pior sigo.

p 64

p 65

Aquele dos meus olhos doce lume,

por quem alegre fui, por quem sou triste,

e a vida em largas queixas se consume,

donde está, cego Amor? Onde encobriste

um bem de tanto tempo, em um momento,

depois que tão sujeito a ti me viste?

(...)

Sentimento esse que não esmorece e se manifesta

também no soneto

Doces e claras águas do Mondego,

Doce repouso de minha lembrança,

Onde a comprida e pérfida esperança

Longo tempo após si me trouxe cego,

De vós me aparto, sim; porém não nego

Que inda a longa memoria, que me alcança,

Me não deixa de vós fazer mudança,

Mas quanto mais me alongo, mais me achego

Bem poderá a Fortuna este instrumento

Da alma levar por terra nova e estranha,

Oferecido ao mar remoto, ao vento.

Mas a alma, que de cá vos acompanha,

Nas azas do ligeiro pensamento

Para vós, águas, voa, e em vós se banha.

Terão as suas mágoas começado junto às correntes do rio que banha

esta cidade, ou terá meramente gozado a liberdade artística

para criar uma personagem que, não sendo ele, servia para projectar

os seus anelos e fantasias? Como poderemos saber por onde

caminhou e que fez da sua vida, na realidade, além da literatura?

De facto, um dos motivos de incansável fascínio pela vida de Camões

continua a ser a circunstância de muito pouco se saber a seu

respeito. Da obra publicada em sua vida resta-nos apenas o poema

épico Os Lusíadas, datado de 1572, ao qual se somam três pequenos

poemas publicados em livros de terceiros. Enquanto viveu,

quase todos os demais versos seus circularam apenas em cópias

manuscritas, das quais se serviu Fernão Rodrigues Lobo Soropita

para editar e dar ao prelo o segundo livro impresso sob nome de

Luís de Camões, ainda que póstumo: as Rimas (1595).

Além dos versos publicados em vida, são parcas as evidências

coevas a respeito de Camões. As muito poucas que subsistem encontram-se

guardadas na Torre do Tombo.

Depositada na Torre do Tombo encontra-se, entre a Chancelaria de

D. João III, Perdões e Legitimação, uma carta régia datada de 7 de

Março de 1553 onde se lavrou um indulto concedido pelo monarca,

libertando o vate da prisão onde fora detido por causa de uma arruaça

em que se envolvera perto em Lisboa; nesse escrito também

refere a partida subsequente do perdoado para a Índia. Em fólios

relativos ao mesmo processo registam-se os nomes dos pais de

Camões (Simão e Ana). Este documento de D. João III descreve o

pai de Camões como “cavaleiro fidalgo”; Camões é descrito como

“mancebo”. Em nenhum deles se menciona onde nascera ou fora

educado.

No mesmo tombo encontram-se também entre a Chancelaria de D.

Sebastião e D. Henrique documentos relacionados com o alvará de

benefício que lhe foi concedido pelo rei D. Sebastião em 27 de julho



Politécnico de Coimbra

45 Anos — Camões em São Martinho do Bispo?

de 1572, como reconhecimento pelo mérito de Os Lusíadas: “faço

saber (...) que, havendo respeito ao serviço que Luís de Camões,

cavaleiro fidalgo de minha casa, me tem feito nas partes da Índia

por muitos anos e aos que espero que o diante me fará e a suficiência

que mostrou no livro que fez das cousas da Índia, hei por bem

e me apraz de lhe fazer mercê de quinze mil réis de tença em cada

um ano por tempo de três anos somente.”

Na mesma Chancelaria existe ainda um outro documento especialmente

significativo datado de 1582, ou seja dois anos após o

falecimento do poeta; nele onde confirma a transferência daquela

mesma tença à mãe de Camões, que lhe sobrevivera. Este documento

é importante por registar a data em que o poeta morreu:

10 de junho de 1580. Hoje esta efeméride é comemorada anual

e oficialmente como Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades

Portuguesas, durante o qual se homenageia não apenas o

poeta como também o país, os portugueses, a cultura lusófona e

a presença portuguesa por todo o mundo. Ironicamente, apenas

três semanas antes do falecimento de Luís Vaz a coroa portuguesa

fora cingida por Dom Filipe I, o primeiro monarca da dinastia filipina

sob a qual vieram a dar-se seis décadas de União Ibérica. O poeta

vivera o tempo suficiente para assistir à perda da independência

do reino que tanto louvara.

Sabe-se, pois, a data oficial da morte de Camões— mas não a do

seu nascimento. Supõe-se que o ano mais plausível terá sido 1524,

pelos motivos que veremos adiante. Quanto ao dia propriamente

dito, em 1940 o escritor alentejano Mário Saa (1893–1971) publicou

uma ousada hipótese no livro de título auto-descritivo As Memórias

Astrológicas de Camões e o Nascimento do Poeta em 23 de Janeiro

de 1524, posto exactamente um ano passado sobre data havia

de facto ocorrido, conforme atestam os cientistas da especialidade,

um certo astronómico referido pelo vate:

O dia em que nasci moura e pereça,

Não o queira mais o tempo dar,

Não torne mais ao mundo e, se tornar,

Eclipse nesse passo o Sol padeça.

Em janeiro de 2024 o Observatório Geofísico e Astronómico da

Universidade de Coimbra, relembrando esse eclipse literal a par do

literário, recolocou em discussão a hipótese de ser aquela a data

certa para celebração do 500.º aniversário do poeta.

Além daqueles documentos legais e destas conjecturas astronómicas,

tudo o que sabemos sobre a vida de Luís Vaz baseia-se em

fontes que se contradizem em várias passagens:

· uma breve menção sobre Camões na Década 8.ª da Ásia publicada

por Diogo do Couto (1542-1616), que com ele privara;

uma breve anotação de Domingos Fernandes, livreiro em

Coimbra, que ao dedicar àquela universidade a sua edição

das Rimas de 1607 afirma que o poeta nascera naquela cidade;

·

· quatro apontamentos biográficos escritos no século XVII,

quase duas gerações volvidas após a morte do poeta: o de

Pedro de Mariz, no breve prólogo a uma edição dos Lusíadas

(1613), o de Manuel Severim de Faria num capítulo do

seu livro Discursos Vários Políticos (1624) e dois de Manuel

de Faria e Sousa sob a forma de prólogos a uma edição

póstuma espanhola dos Lusíadas (1639) euma das Rimas

(1685).

p 66

p 67

Quanto ao ano em que Camões nasceu, Pedro de Mariz, conimbricense

por naturalidade e bibliotecário da universidade de Coimbra,

não se pronunciou (nem registou o ano em que Luís morrera); informou

apenas que o poeta era filho de Simão Vaz de Camões “natural

desta cidade” — sem indicar de qual se tratava, se Lisboa (onde o

livro se publicou) ou Coimbra.

Já Manuel Severim de Faria (1584–1655) asseverou que o poeta

nascera em 1517, em Lisboa e não em Coimbra; no entanto “sendo

moço foi estudar a Coimbra, que então começava a florescer

em todas as ciências (…) e aprendeu a língua latina, e Filosofia, e

mais letras humanas com tanta perfeição como mostram os seus

escritos”.

No seu primeiro esquiço biográfico do poeta, Manuel de Faria e

Sousa regista também 1517 como o ano do nascimento do poeta,

mas compara este último ao rio Nilo, cujo local onde nasce era (à

época) desconhecido; porém, na sua segunda biografia, corrige-se

e afirma que o poeta nascera em Lisboa, alegando que entretanto

lera um registo da Casa das Índias datado de 1550 onde se fazia

menção de “Luís de Camões, filho de Simão Vaz e Ana de Sá, moradores

de Lisboa na Mouraria; escudeiro de 25 anos, barbirruivo”.

Conclui, de algum modo, que Camões nascera em 1524 (e não em

1525, como a aritmética sugeriria). Dá por assente que estudara

em Coimbra. (Seja como for, não se encontram quaisquer registos

de matriculação ou de frequência do vate na universidade). Facto

curioso, Faria e Silva afirma que o seu avô Estácio convivera de

perto com o poeta.

Ponderadas as evidências, as informações mais fidedignas que podemos

obter a respeito da vida de Camões resultam do volumoso

processo sobre que culminou na já referida carta de perdão do rei

D. João III (1553), da qual se conclui que o poeta tinha uma personalidade

atrabiliária e se envolvia frequentemente em lutas. Por algum

motivo inexplicável, os quatro primeiros biógrafos de Camões

mantiveram-se silenciosos quanto à briga que que provocou a sua

detenção. Em contrapartida, não se coíbem de mencionar prodigalidade

do poeta e o seu modo de vida foliona, a qual o manteve

em miséria perpétua apesar dos rendimentos que ia conseguindo.

Daqui resultava a contradição entre a sua suposta fidalguia e a indigência

em que passou os seus dias.

Porque de suposição, presunção apenas, de nobreza se tratava.

Sendo certo que existia então uma família portuguesa provavelmente

fidalga de apelido Camões, com origens na Galiza e um

ramo estabelecido na Torre da Camoeira (município de Évora), não

é seguro que os costados de Luís Vaz de Camões entroncassem

naquela linhagem. Existe, como se mencionou acima, um documento

autêntico datado de 1553 no qual progenitor do poeta é

designado por Simão Vaz, pai de Luís Vaz de Camões; e outros

dois de 1582 onde novamente se omite o apelido Camões a Simão

Vaz. Será de ter em conta que os costumes nos usos de apelidos

eram por então relativamente anárquicos, apesar de as Ordenações

do Reino proibirem a usurpação de apelidos nobres. Ainda

que os biógrafos dos séculos XVII, começando por Pedro de Mariz,

lhe tenham atribuído parentescos de altíssimo coturno — como os

condes do Vimioso — os nobiliários e os cartórios de nobreza não

atestam tal prosápia.

A indigência dos seus meios e a obscuridade documental quanto

ao seu nascimento não impediram, contudo, o poeta de conviver

com a nobreza do seu tempo, tanto perto da Corte lisboeta como

noutras paragens. Uma das evidências a esse respeito é a profunda

erudição que ressuma dos seus versos, a qual — nesses tempos

em que os livros eram objectos de luxo superlativo e a educação

privilégio de poucos — estaria apenas ao alcance quase exclusivo

da mais alta nobreza, da burguesia mais abastada, ou da elite eclesiástica.

Nem mesmo as casas mais abastadas contavam nas suas

estantes mais do que umas escassas dezenas de livros, se tanto,

cingindo-se a grande maioria destes a textos de cariz religioso.



Politécnico de Coimbra

45 Anos — Camões em São Martinho do Bispo?

Neste contexto, a biblioteca do Convento de Santa Cruz de Coimbra,

onde se encontravam obras sagradas e profanas e seria porventura

o melhor repositório da cultura literária no Portugal quinhentista,

terá tido um papel importante. Em parte por este motivo,

em 1537 o rei D. João III decidiu transferir os Estudos Gerais de

Lisboa para Coimbra, atendendo à vantagem de permitir aos universitários

usufruir da biblioteca dos frade crúzios da cidade mondeguina.

Foi a terceira e última vez em que um monarca português

fizera trasladar essa instituição da foz do Tejo para as margens

do Mondego. Impulsionada por esta decisão régia, assistiu-se a

um surto de desenvolvimento urbano em Coimbra no século XVI,

traduzido na abertura de arruamentos (como a Rua da Sofia, ou

seja, do conhecimento, traçada logo em 1536 como um modelo

ampliado da Sorbonne parisina) e na construção de novos edifícios,

começando pelos colégios que ladeavam essa nova artéria.

Estas obras requereram de mão-de-obra, à qual se somaria o corpo

de docentes e funcionários colegiais — o que terá contribuído

para um crescimento populacional de 5.200 para 10.000 habitantes

entre 1527 e 1570.

À data da transferência dos Estudos Gerais, era então prior claustreiro

(“crasteyro”, como se grafava à época) de Santa Cruz Dom

Bento de Camões, a quem vários biógrafos dão como tio paterno

de Luís Vaz. Não é possível confirmar este parentesco; regista-se

porém que nesse século residia em Lordemão, numa quinta abastada,

uma família de apelido Camões.

Quando se deu a transferência da universidade para Coimbra, o

poeta teria 13 anos de idade e, segundo o biógrafo novecentista

alemão Wilhelm Storck (1829–1905), amigo da professora coimbrã

Carolina Michaelis de Vasconcelos (1851–1925), as evidências testemunhais

e literárias sugerem que Camões terá necessariamente

adquirido a sua imensa erudição na universidade. Se não consta

dos registos de matrículas, tal facto dever-se-á a um motivo prosaico:

faltavam-lhe meios financeiros para pagar as propinas, situação

que lhe negava o direito de se apresentar a exames para

obter diploma, mas não o impediria de assistir às aulas sem formalidades.

Daí o aparente contra-senso de embora ter sido dado

como estudante universitário por Domingues Fernandes, não se

encontrar arrolado entre os inscritos.

Sabemos, graças ao supra-citado alvará de perdão de D. João III,

que em 1553 Luís Vaz estaria em Lisboa. (Não está confirmada a

passagem do poeta por Ceuta na segunda metade da década de

1540). Daqui resultaria que, a ter feito os seus estudos nalguma faculdade

conimbricense, o terá feito entre 1537 e no máximo 1553,

ou seja entre os seus 13 e 30 anos idade —precisamente num período

em que esta cidade atraía alguns dos melhores intelectos

portugueses desse século e para aonde fluía o investimento régio

na cultura e na erudição.

Dando por válida a hipótese de o poeta ter estudado em Coimbra,

será oportuno perguntar: onde terá residido e quais seriam os seus

meios de subsistência, já que todos os testemunhos descrevem a

sua condição paupérrima, apesar de ser tido por filho de um cavaleiro-fidalgo?

Vários biógrafos sugerem a possibilidade de Camões ter sido contratado

por Dom Fernando de Noronha (1507–1574), 2.º conde de

Linhares, para servir de perceptor do seu filho Dom António de

Noronha (1536–1553), treze anos mais novo do que o poeta. Foi

chorando a morte deste Noronha em Ceuta, que Camões escreveu

o soneto fúnebre:

p 68 p 69

Em flor vos arrancou de então crescida

(Ah! Senhor dom António!) a dura sorte,

Donde fazendo andava o braço forte

A fama dos Antigos esquecida;

Uma só razão tenho conhecida,

Com que tamanha mágoa se conforte:

Que, pois no mundo havia honrada morte,

Que não podíeis ter mais larga a vida.

Se meus humildes versos podem tanto,

Que co desejo meu se iguale a arte,

Especial matéria me sereis.

E, celebrado em triste e longo canto,

Se morrestes nas mãos do fero Marte,

Na memória das gentes vivereis.

Além destes versos, Luís Vaz dirigiu cartas e dedicou delicados

poemas ao jovem aristocrata. Em bom rigor, este D. António foi a

pessoa a quem Camões mais escritos consagrou — ao ponto de

causar grande perplexidade ter havido tamanha estima pessoal do

grande poeta por alguém que era quase uma geração mais novo e

falecera tão precocemente.

Décadas depois, o dramaturgo espanhol Félix Lope de Vega (1562-

1635), grande admirador do poeta português, aludiria nos seus escritos

a uma dama chamada “Violante”, por quem Luís Vaz teria nutrido grande

paixão. Talvez o lírico castelhano tivesse escutado rumores a esse

respeito, talvez tenha subentendido nos tercetos finais de um soneto

camoniano onde se jogava com a proximidade fonética de “viola” (flor

também conhecida por violeta ou amor-perfeito) e Violante:

Perguntam a Cupido, que ali estava,

Qual daquelas treŝ flores tomaria,

Por mais suave, pura e mais fermosa?

Sorrindo-se o Minino lhe tomava:

Todas fermosas são, mas eu queria

Viol’antes que lírio, nem que rosa.

Vários biógrafos sugerem que a mulher implicitamente referida se

trataria da mãe de D. António, a condessa Dona Violante de Andrade

(nascida em 1522) — tanto mais que a fidalga teria praticamente

a mesma idade de Luís Vaz (era dois anos mais velha) e teria

havido proximidade entre ambos durante a adolescência. Não é

possível confirmar esta hipótese.

Que nexo poderá haver, então, entre o vate e a quinta onde hoje se

encontram instalados a Escola Superior Agrária e o Politécnico de

Coimbra? Haverá indícios, ainda que remotos, de alguma ligação?

Sucede que D. Fernando de Noronha, amo do poeta, fora agraciado

com o título de comendador da Ordem de Cristo em São Martinho

do Bispo, a freguesia da margem esquerda do Mondego, a três

quilómetros da cidade de Coimbra, onde se encontram hoje instalados

os serviços centrais do Politécnico de Coimbra e a Escola

Superior Agrária desse instituto. Esta comendadoria de D. Fernando

é atestada em documentos oficiais (o Livro das Comendas da

Ordem de Cristo (datado de 1563) de frei Pedro Álvares Seco e o

volume V de um dos principais nobiliários portugueses, a História

Genealógica da Casa Real Portuguesa da autoria do padre António

Caetano de Sousa (1674–1759).

À data do agraciamento, as comendas eram uma graça régia com

maior significado do que a mera honraria. Com efeito, o título concedido

ao conde de Linhares não era uma comenda meramente



Politécnico de Coimbra

45 Anos — Camões em São Martinho do Bispo?

honorífica, como passaram todas a ser a partir do século XIX, mas

sim um benefício, uma comenda dita de rendimento — isto é, um

conjunto de bens de raiz, imóveis, para usufruto perpétuo do comendador,

que em sua vida poria dispor como se de propriedade

própria se tratasse, sem, contudo, poder vender ou fraccionar os

prédios, nem os transmitir em herança, pois revertiam à coroa pela

morte do comendador. Não raras vezes a comenda servia de residência

do comendador.

Apesar de vir a herdar o título de conde de Linhares, vila da Beira

interior, Dom Fernando jamais ali residiu nem lá possuía habitação.

Em 1534, ao casar-se com Dona Violante de Andrade, tampouco

dispunha de espaço habitável no solar lisboeta da família Noronha,

perto do Campo das Cebolas, pois aquela casa senhorial já

se encontrava ocupada pelo seu pai e pelo seu irmão primogénito.

Se necessitava de habitação para a sua família recém-constituída,

bem como educar o seu filho nas humanidades, e tinha ao seu dispor

de uma comenda em Coimbra precisamente quando a universidade

aqui se trasladava, faria todo o sentido que se mudasse para

as suas terras em São Martinho.

Por tudo isto, é plausível que em 1537 se achassem a residir na

comenda de Cristo em São Martinho do Bispo o conde de Linhares,

a condessa D. Violante, o seu filho ainda infante D. António de

Noronha, e por perceptor deste último viesse a ser contratado Luís

Vaz de Camões.

Quais seriam então os limites geométricos dos prédios pertencentes

à Ordem de Cristo em São Martinho do Bispo? Os documentos

mais antigos que se conhecem a atestá-lo encontram-se no único

livro sobre esta comenda que se encontra guardado no Arquivo

da Universidade de Coimbra, contendo o “Tombo de todas as fazendas

da Comenda de S. Martinho do Bispo, 1586 – 1795”, uma

compilação de manuscritos onde se atestam que àquela comenda

pertenciam terras em São Martinho do Bispo, Pé de Cão, Montessão

(Monte São), Fala, Corujeira e Casas Novas. A maioria destas

terras encontra-se em baixas aluvionares, situadas abaixo da cota

dos 30 metros acima do nível médio das águas do mar — à excepção

do Outeiro da Condessa (onde hoje se situa uma rua do mesmo

nome), do topo de cujos 50 metros de cota ainda hoje é possível

divisar, pesem embora as inúmeras construções contemporâneas,

boa parte das terras da comenda.

Onde poderia estar instalada a residência do comendador? Dada a

importância do cargo, é plausível esperar que ocupasse os terrenos

mais férteis, menos pedregosos e mais irrigados — ou seja, a

veiga da ribeira dos Covões, a qual atravessa no sentido sul-norte

a quinta do Bispo e desagua no rio Mondego. O Outeiro da Condessa

(possivelmente em alusão à esposa do comendador, D. Violante

de Andrade) não tem nenhum manancial ou nascente de água que

conseguisse abastecesse copiosamente um edifício residencial e,

portanto, talvez fosse local menos apropriado para a sua residência

dos comendadores. De qualquer forma, restam muito poucos

edifícios datáveis século XVI nos terrenos mais elevados da freguesia,

nenhum dos quais com as dimensões expectáveis de uma

residência de comendador.

Se as cotas altas de S. Martinho não dispunham de nascentes de

água, onde seria o local mais propício à instalação de uma casa

senhorial, em pontos menos elevados do terreno? Onde haveria

uma localização com água abundante, perto ou dentro da comenda,

mas isenta de riscos de inundação?

Oras as baixas do Mondego seriam à época locais insalubres, sujeitos

a cheias sazonais do rio sempre que houvesse chuvas torrenciais

na primavera e no outono. Recordemo-nos que a poucos

quilómetros de distância se encontra o Convento de Santa Clara

a Velha, implantado a altitudes entre os 20 e os 30 metros, em

p 70

p 71

virtude do que sofrera inúmeras enchentes a partir de 1331 até ser

definitivamente evacuado em 1677 por manifesta impossibilidade

de prevenir essas inundações recorrentes. Recordemo-nos ainda

que somente após a execução, a partir de 1972 do “Plano Geral

de Aproveitamento Hidráulico da Bacia do Mondego” elaborado

uma década antes pela Direcção-Geral de Serviços Hidráulicos, foi

possível minimizar os riscos de cheia nestas veigas — tendo para

isso sido necessário construir, entre outras obras, a barragem da

Aguieira e a Ponte-Açude de Coimbra. Neste contexto, uma casa

mais abastada como a Quinta do Chafariz em Fala (um dos poucos

edifícios porventura quinhentistas ainda subsistentes nestas

paragens), à quota 34, estaria a salvo das enchentes, mas muito

exposta às pragas de mosquitos dos pauis que decerto encontraria

em meandros do antigo leito do rio.

Figura 1 - Cotas altitudinais de São Martinho do Bispo. Os locais situados abaixo dos 30

metros de altitude (tons de azul) estariam sujeitos a cheias frequentes antes do século XX.

Contemplando a topografia de São Martinho a sudeste da igreja

paroquial, constatamos que existia no século XVI um outro ponto

suficientemente elevado para estar a salvo de cheias, mas ao mesmo

tempo suficientemente próximo de um curso de água para desfrutar

de recursos hídricos abundantes para as lides domésticas e

para o saneamento. Trata-se do local onde se situa hoje o edifício

da Quinta do Bispo. Sendo certo que a maior parte da construção

que ali subsiste foi edificada a partir da década de 1580, portanto

após a morte do poeta, não será de descontar que as pré-existências

tenham servido aos comendadores de Cristo. Ou então, se à

comenda não pertencesse essa área, provavelmente se trataria já

então de uma possessão da mitra conimbricense, parte do antigo

couto eclesiástico daquela área. Em todo o caso, em frente a esta

quinta passariam decerto os habitantes de São Martinho a caminho

de Coimbra, como veremos.

Analisando em maior detalhe a carta topográfica, e tendo em conta

que as estradas da região eram quase todas meras vias para

carroças, sem pavimento construído e sem manutenção, e ainda

ponderando a dificuldade que seria transitar em tais vias durante

as épocas mais pluviosas (e portanto sujeitas a inundações ou pelo

menos à formação de lodaçais intransitáveis), é verosímil presumir

que a principal ligação terrestre entre a Igreja de São Martinho

do Bispo e o Convento de Santa Clara a Velha, principais edifícios

eclesiásticos mais próximos, se faria por uma estrada que partindo

o adro daquele primeiro templo, seguiria ao longo das actuais

ruas de D. Pedro e da Misericórdia, passaria defronte do portão

armoriado (com as armas picadas de D. João Mendes de Távora)

da casa do Bispo, prosseguiria pela rua do Vale Rosal, inflectindo

paralelamente à rua Emanuel, e finalmente desceria pelo que hoje é

a rua Coelho da Rocha até atingir a actual Guarda Inglesa, a poucas

centenas de metros da antiga entrada da cerca conventual. (Os

conventos de Santa Clara-a-Nova e de São Francisco ainda não

haviam sido construídos à época de Camões).



Politécnico de Coimbra

45 Anos — Camões em São Martinho do Bispo?

Figura 2 - Traçado conjectural da antiga estrada entre São Martinho do Bispo e Santa

Clara a Velha

Se a cidade era pouco povoada comparativamente aos nossos

dias, os campos de São Martinho do Bispo sê-lo-iam ainda menos.

Nos censos mais antigos desta freguesia — a Chorographia do padre

Carvalho da Costa, datada de 1708, menciona 570 fogos — ou

seja, agregados familiares, dos quais poderá estimar-se uma população

total que ronde as duas mil pessoas. Tendo em conta que

entre os anos de 1500 a 1700 o número de habitantes em Portugal

praticamente duplicou graças à autêntica “revolução agrícola” resultante

da expansão do cultivo do milho maís de origem americana,

é plausível supor que o número de agregados da freguesia de

São Martinho durante o segundo quartel do século XVI, quando

aqui poderá ter residido Luís de Camões, talvez não excedesse as

trezentas famílias — pouco mais de mil almas. Hoje habitam nesta

freguesia mais de 14 mil pessoas.

dos jardins (foi considerada estritamente ornamental durante muitas

gerações) para entrar nas hortas e nos prados. O eucalipto e a

acácia eram então desconhecidos — tal como a própria Austrália

de onde provieram. Os choupos — mais conhecidos na época, e

nos escritos camonianos, por álamos — seriam muito menos abundantes

que hoje, e cingidos a poucas localizações (o choupal de

Coimbra é, apesar do nome, pouco rico em choupos; nele predominam

hoje árvores exóticas desconhecidas dos coimbrões de há

quinhentos anos). Os pinheiros, tanto bravos como mansos, eram

pouco abundante excepto junto de algumas dunas litorais.

Que haveria, então? Que poderá ter visto o poeta, ou teriam visto

os seus contemporâneos? Que poderia ter inspirado as alusões

bucólicas de Camões ao Mondego?

Diga-se de passagem que um caminhante que se aproximasse pelo

Poente da Coimbra, vindo de São Martinho do Bispo por esta estrada,

ao alcançar o planalto de Santa Clara deparar-se-ia com o

panorama semelhante ao retratado num dos mais antigos mapas

da cidade, publicado em 1586 por publicado por Georg Braun and

Frans Hogenberg no livro Civitatis Urbis Terrarum.

Figura 3 - Fotografia aérea do antigo percurso entre São Martinho do Bispo e Santa Clara,

evitando as veigas alagadiças de Bencanta, Gorgulhão e Almegue

Figura 4 - A cidade de Coimbra vista a partir do planalto de Santa Clara, segundo Braun e

Hogenberg (1586). Esta panorâmica seria muito semelhante àquela que apreciaria quem se

aproximasse da cidade vindo de São Martinho do Bispo pela antiga estrada.

Se se revelar verdadeira a hipótese de a família dos condes de

Linhares ter residido em São Martinho do Bispo a partir de 1534,

e que ao seu serviço estaria Luís Vaz, com que paisagem se terá

deparado o jovem lírico (somente na idade adulta se iria dedicar à

poesia épica)?

Coimbra era então uma muito pequena vila comparada aos dias de

hoje. Na cidade e arrabaldes mais próximos haveria menos de cinco

mil almas. A este número somar-se-ia o clero regular, as religiosas,

e a população flutuante. (Compare-se estes números com os

actuais: neste município residiam, segundo os censos 2021, mais

de 140 mil pessoas, metade das quais nas freguesias urbanas).

p 72

p 73

Seriam, pois, campos pouco povoados. Campos cuja paisagem,

sob os pontos de vista botânico e agro-florestal pouco teria em

comum com a que hoje se aprecia. Sem dúvida o poeta teria podido

gozar o bucolismo de uma arcádia — uma arcádia em vias

de radical transformação por efeito da expansão marítima. Por via

das navegações portuguesas começara em vida do lírico uma das

maiores revoluções tecnológicas da humanidade: o intercâmbio

columbino, a troca de espécies vegetais e animais domesticados

entre o Novo e o Velho Mundo — e Coimbra estaria entre as portas

de entrada, ou estações de aclimatação, para a Europa de culturas

agro-florestais até então desconhecidas pelos conimbricenses —

plantas que destronaram outras nativas, menos produtivas.

Não haveria, pois, milheirais de milho maís nos campos do Mondego,

excepção feita a uma ou outra folha de cultivo por parte de um

agricultor mais dado a experimentalismos; em seu lugar era cultivado

o milho painço, muito menos produtivo. O tomate não havia

entrado ainda nas dietas. A batata, aclimatada em Coimbra logo no

século XVI, teria ainda de aguardar quase trezentos anos para sair

Desde logo imensas pastagens para gado ovino, caprino e, em menor

número, bovino. A lã era um dos produtos agrícolas mais valiosos

para o comércio internacional, sobretudo na península ibérica

depois do apuramento da raça merina, na Extremadura espanhola,

em finais da Idade Média. Muito gado caprino, pela sua rusticidade,

e pela capacidade — sumamente importante para qualquer

agricultor até à invenção dos adubos de síntese em 1910 — de

produzir estrume para fertilização dos campos. Os rebanhos eram,

pois, omnipresentes, e Camões seguramente tê-los-á retratado

nos seus poemas não como fruto da imaginação bucólica ou do

estudo arcádico, mas pela experiência de os observar a diário. Ao

gado bovino e ovino seriam oferecidas as melhores pastagens de

veiga; ao caprino, os matos dos montes e outeiros.

As terras dedicadas à produção vegetal dividiam-se em almuinhas

— minifúndios — onde predominava o olival, a vinha e os pomares.

A vinha era alvo de especiais cuidados, como elemento essencial

da dieta contemporânea (pelo valor calórico da bebida, pela desinfecção

da água devida ao etanol contido no vinho). Entre os



Politécnico de Coimbra

cereais, o milho painço, a cevada, o centeio. Algumas terras, os

ferragiais, eram destinados à produção de forragens para alimentar

o gado.

Os bosques seriam poucos, e cingidos às espécies lenhosas nativas.

Junto ao Mondego, amieiros e salgueiros; nos ribeiros e ribeiras seus

tributários, freixos e ulmeiros. Em mosaico com estes bosques ribeirinhos

haveria pauis abundantes, juncais e carriçais — arrelvados

semi-naturais frequentemente encharcados — onde o mosquito da

malária proliferaria. Nas encostas livres de inundações, onde o solo

é rico em cálcio, encontrar-se-iam cercais (bosques de cerquinho,

um carvalho endémico do Oeste ibérico) como o que ainda hoje se

pode observar junto ao antigo portão da ESAC, adjacente à hoje desaparecida

Quinta do Almegue (a casa senhorial desta quinta desaparecida

deu lugar à rotunda do mesmo nome). No planalto de Santa

Clara, onde o calcário abunda menos, haveria soverais (bosquetes

de sobreiro, dos quais ainda restam vestígios).

Animais de caça ainda seriam suficientemente abundantes para

serem capturados, vendidos nos mercados e avitualhado as mesas

mais ricas. Cervos, gamos, corços, javalis, perdizes, cordonizes,

abetardas, patos — de todas estas espécies cinegéticas haveria

ainda bastas populações. Ao poeta e aos seus contemporâneos

não seria pois desconhecida a fauna silvestre, aqueloutra que inspiraria

os lugares literários do caçador e da caçadora, dos faunos

e das ninfas.

Verdes são os campos,

De cor de limão:

Assim são os olhos

Do meu coração.

Campo, que te estendes

Com verdura bela;

Ovelhas, que nela

Vosso pasto tendes,

De ervas vos mantendes

Que traz o Verão,

E eu das lembranças

Do meu coração.

Gados que pasceis

Com contentamento,

Vosso mantimento

Não no entendereis;

Isso que comeis

Não são ervas, não:

São graças dos olhos

Do meu coração.

E se estas criaturas assilvestradas que animavam a lírica se viam lá

ao longe, no limiar entre os campos cultivados de cultivo e a floresta,

mais perto do poeta, porventura sentado algures nas veigas junto a

São Martinho do Bispo, onde ainda hoje se apascentam as reses ao

cuidado da Escola Superior Agrária, poderia ele — quem sabe? — ao

observar os rebanhos ter criado as memórias que um dia se manifestariam

naquela sua graciosíssima canção:

p 74



Capítulo III

45 Protagonistas

da História do

Politécnico de Coimbra.



Alexandre Gomes

da Silva

45 Anos — 45 Protagonistas

— Presidente da CBS | ISCAC

p 79

Este ano celebramos um marco notável no ensino superior em

Coimbra, na região centro e no País. Há 45 anos, o Politécnico de

Coimbra dava os primeiros passos no sentido de agregar o conhecimento

nas mais diversas áreas (educação, engenharias, ciências

agrárias e ciências empresariais) e desta forma proporcionar sólidas

oportunidades de aprendizagem e preparar os seus estudantes

para os desafios do mundo do trabalho.

Hoje, o Politécnico de Coimbra é muito mais do que apenas uma

instituição agregadora das suas várias áreas de ensino. É um centro

vibrante de descoberta, inovação e colaboração, onde estudantes,

professores e funcionários trabalham juntos para impulsionar

o avanço da ciência, da tecnologia, das artes e das humanidades.

Para a Coimbra Business School | ISCAC, fazer parte deste desígnio

tem-se revelado uma impressionante jornada de comprometimento

não só com a formação de profissionais altamente qualificados, mas

também com a educação para uma cidadania ativa e consciente dos

nossos estudantes. Evoluiu nestes anos de uma longa história de

excelência no ensino de contabilidade para o domínio mais amplo

das ciências empresariais, cobrindo 10 licenciaturas e 13 mestrados,

tendo apresentado este ano a proposta do seu primeiro doutoramento

e licenciatura em língua inglesa, além de mais de 40 pós-graduações,

contribuindo para a formação de profissionais qualificados

nessas áreas. E para o desenvolvimento da região de Coimbra.

Norteada por uma cultura atenta à dinâmica do mercado e às suas

necessidades, a Coimbra Business School | ISCAC tem acompanhado

a mudança de paradigma, na era em que a transformação digital

e a inovação são a pedra de toque do sucesso das organizações.

Mas o nosso perfil humanista não nos permite ignorar também a

desumanização e isolamento que as novas tecnologias trazem e

os riscos para a saúde mental dos estudantes. A escola continua

a promover a presença dos estudantes, o seu conforto e a interação

com os restantes elementos da comunidade, mantendo-se a

proximidade entre estudantes e professores, uma das marcas distintivas

da escola.

Orgulhamo-nos de ser uma escola dinâmica, inovadora, aberta e

recetiva a todos percebendo o valor acrescentado que encerra

este diálogo permanente entre a academia e a comunidade.

É por tudo isto que neste momento de celebração, gostaríamos de

expressar a nossa sincera gratidão a todos os que contribuíram para

o sucesso e prestígio do Politécnico de Coimbra ao longo dos anos

– estudantes, professores e colaboradores, pois cada um desempenhou

e desempenha um papel vital neste processo de crescimento.

À medida que olhamos para o futuro, temos plena confiança de que

o Politécnico de Coimbra continuará a prosperar e a destacar-se

como uma instituição líder no ensino superior.

Que esta ocasião especial seja celebrada com alegria, gratidão e um

profundo orgulho do legado que foi construído ao longo das décadas.

Parabéns e que venham muitos mais anos de sucesso e realizações!



António Jorge

Fernandes Franco

45 Anos — 45 Protagonistas

— Presidente da Câmara Municipal da Mealhada

p 81

“A Educação é a arma mais poderosa

que se pode usar para mudar o mundo”

Nelson Mandela

Um dia deparei-me com esta inscrição pintada numa qualquer parede

deste nosso país e, agora que me vejo a braços com esta

tarefa de escrever um testemunho sobre o percurso do Instituto

Politécnico de Coimbra, relembro a mesma e relembro-a com gratidão

e esperança.

O meu percurso académico não passou por esta grande instituição,

apesar de ter passado por Coimbra. Já o meu percurso profissional,

em muito, do IPC, esteve próximo, desde profissionais com quem fui

trabalhando, conhecendo e fazendo amigos, até esta minha nova

etapa como Presidente da Câmara Municipal da Mealhada.

Na experiência e no contacto que vou tendo com o IPC, verifico

que o mesmo não aprimora por ser apenas um agente de “debitação

de conhecimentos”, fechado em si. É, sim, uma escola de referência,

dinâmica, inovadora e inclusiva e, sobretudo, inserida, quer

no tempo atual, quer na comunidade da qual faz parte. Prova disto,

tem sido, não só o seu evidente crescimento nestes 45 anos, bem

como o recente protocolo celebrado, em novembro de 2023, connosco,

Município da Mealhada e com o Município de Anadia, para

a implementação de um polo do Instituto Politécnico de Coimbra

nos dois concelhos, que se batizou de “Escola da Bairrada”. Desta

forma, o IPC demonstra ser uma escola com um potencial de inovação,

de crescimento e de conhecimento dos territórios próximos.

E agradecemos, nós, na aposta que fez na valorização do território

da Bairrada e das suas potencialidades, particularmente, nos setores-chave

da educação, inovação, criatividade e empregabilidade,

acrescentando, assim, valor às pessoas, às empresas e a todos os

agentes deste nosso território.

Aguardamos, pois, que o próximo ano letivo possa arrancar com

este novo polo do IPC, com toda a sua oferta formativa, naquelas

que são as áreas de forte impacto no território dos Municípios da

Mealhada e de Anadia, formando, assim, profissionais de excelência

e promovendo a empregabilidade, através da estreita ligação às

empresas, dando resposta às suas necessidades.

E, perspetivando o futuro do Instituto Politécnico de Coimbra e desta

parceria, não posso deixar de enaltecer todo o trabalho realizado

nestes seus 45 anos de existência, em prol da educação e, sobretudo,

em prol do crescimento da cidadania, da responsabilidade e da

inclusão dos profissionais que capacita de há 45 anos a esta data.

Termino, parabenizando todos os que de alguma forma estiveram ligados

a estes 45 anos do Instituto Politécnico de Coimbra, desejando

votos de continuidade de um bom trabalho na mudança do mundo.

DR



Politécnico de Coimbra

António Nobre

— Funcionário não docente aposentado da ESAC

45 Anos — 45 Protagonistas

p 82

p 83

Nasci em 1942. O meu pai era cabo-verdiano e, depois de tirar o

curso e casar com a minha mãe, arranjou aqui um lugar como engenheiro

agrónomo e silvicultor. Na altura, chamava-se Escola de

Regentes Agrícolas de Coimbra.

O meu pai ficou como responsável pelo Internato. Os alunos entravam

aqui com 10 anos como internos e faziam cinco ou sete anos

para poderem prosseguir para os estudos superiores. Cresciam na

Agrária e conheciam-se todos como uma grande família. Onde hoje

é a Leitaria, encontrava-se a Secretaria. Existia também uma padaria,

uma rouparia e todos os serviços que eram necessários para os

estudantes, professores e funcionários que aqui faziam a sua vida.

Depois, o meu pai foi promovido a professor técnico continuando a

lecionar a cadeira de Culturas Tropicais mais outras do seu grupo.

A Escola era conhecida por ter uma grande especialização nas culturas

das, então, Colónias.

Até à 4.ª classe, estudei numa escola particular que havia cá, depois

prossegui os estudos do Liceu em Coimbra. Na altura, havia toda

uma estrutura organizada aqui na Agrária para levar professores e

alunos para a cidade e regressar e para ir buscar o que era necessário

à praça e ao comércio. Íamos de coche e, já na altura, eu só

queria ir ao pé do cocheiro. Convivi desde cedo com os animais e

gostava muito dos cavalos. Era uma coisa de sangue, porque já o

lado da minha família cabo-verdiana lidava com estes animais.

Os cavalos tinham muita importância na Agrária, faziam parte do

ADN desta escola. Os edifícios foram todos feitos para a Coudelaria

Nacional do Norte. Em Coimbra, havia um Centro da Mocidade

Portuguesa que estava ligado à GNR onde funcionavam aulas de

equitação. Tive oportunidade de aprender ainda mais e com eles

especializar-me. Era um excelente cavaleiro e os cavalos eram o

meu entusiasmo desde sempre.

Ainda me matriculei no Instituto Superior de Agronomia em Lisboa,

mas fui mobilizado para Guerra do Ultramar e estive em Moçambique

entre 1966 e 1969.

Entretanto casei e voltei para Coimbra. Nessa altura, o Dr. França

Martins era o veterinário oficial da Agrária e eu acompanhava-o no

trabalho sempre que era preciso lidar com cavalos. Em 7 de novembro

de 1973, convidaram-me para dar aulas de equitação porque

conheciam a minha experiência. Começámos a desenvolver a

área dos cavalos, adquirimos duas novas éguas para reprodução,

melhorámos as condições do alojamento e atualização do Picadeiro

e houve a construção do Laboratório. Depois do Dr. França,

passou a ser o meu chefe o Dr. Machado Faria. Foi nessa altura

que se iniciou a inseminação artificial equina, que foi uma grande

ajuda para impulsionar esta área na Escola. Cheguei a ir a França

e Alemanha acompanhar os Dr. França e Dr. Machado Faria que

montaram um centro de inseminação na Escola, pioneiro no país

(tirando a Fonte Boa em Santarém), com a preciosa colaboração da

Técnica Sandra Gambôa.

Entretanto, quando a Escola estava no período de passagem do

ensino técnico para o superior, houve necessidade de tirar um curso

que atestasse a minha competência, pelo que fui fazer um curso

militar de instrutor de equitação durante oito meses em Mafra, em

1977. Representei também a Escola em várias ações. Fui juiz de

júris em vários certames nacionais de modelo e andamento, como

por exemplo na Golegã.

Os acontecimentos que mais me marcaram ao longo destes anos

todos? Um foi o protocolo realizado com a Coudelaria Nacional de

Alter do Chão, que permitiu que trouxéssemos seis éguas de pelagem

russa para a Agrária. Os potros que nasciam castanhos voltavam

para Alter do Chão e os que nasciam russos ficavam para nós.

Ainda me lembro que um desses potros foi o cavalo Rubi que foi

para Lisboa e chegou a campeão nacional e internacional.

Outra coisa que me marcou foi a festa dos 100 anos da Escola

que foi feita no Picadeiro. Estava cheio de gente, todo ornamentado,

atuou a Orquestra dos Antigos Estudantes da Universidade de

Coimbra, foi uma festa lindíssima.

Aposentei-me em 27 de julho de 2005, mas a Agrária continua a

ser a minha casa. Quando entro aqui, as pessoas todas conhecem-

-me e há aqui antigos alunos meus que se tornaram professores.

Tive sempre o sentimento de que aquilo que fazia não podia fazê-lo

para mim, tinha de ser para a Escola. Por isso, tudo o que

alcancei na área dos cavalos foi para a Agrária. E tenho orgulho em

ver que essa obra ficou.

Um grande abraço para quem me acompanhou neste setor: Manuel

Vaz de Castro, meu grande braço direito e todos os que trabalharam

“nos cavalos”. Uma lembrança muito saudosa para quem já nos

deixou: Prof. Dr. França Martins, Prof. Dr. Machado Faria e Tratador

José Gamboa. Jamais vos esquecerei.



Politécnico de Coimbra

Cristina Faria

— Diretora do Centro Cultural Penedo da Saudade (CCPS)

45 Anos — 45 Protagonistas

p 84

p 85

Artes e Cultura no Politécnico de Coimbra

Quando, em setembro de 2017, fui contactada pelo Senhor Presidente

do Instituto Politécnico de Coimbra (IPC), Professor Doutor

Jorge Conde, para assumir uma “Direção Cultural” nesta Instituição

– cargo que, até essa data, não existia – não imaginava o que seria

esperado de quem assumisse essas funções.

Se a ideia, num primeiro momento, era a de que o Politécnico de

Coimbra deveria criar estratégias para que os estudantes praticantes

de atividades artísticas pudessem, sem prejuízo do seu percurso

académico, continuar a desenvolver esse tipo de atividades em

Coimbra, hoje o projeto cultural desta Instituição de Ensino Superior

é considerado um promotor e difusor de Cultura e um centro de

criação e desenvolvimento artístico.

A primeira medida tomada pelo “Direção Cultural” foi a de criar um

Estatuto do Estudante Praticante de Atividades Artísticas e a tentativa,

algo frustrante, de criação de grupos de atividades artísticas

para os nossos Estudantes e Trabalhadores a funcionar em

várias Unidades Orgânicas de Ensino. Hoje, temos mais de duas

dezenas de Protocolos com entidades de formação e promoção

artística que recebem Estudantes do Politécnico de Coimbra, cuja

formação é comparticipada pela “Cultura” do Politécnico de Coimbra

e que podem assistir a espetáculos de forma economicamente

mais favorável.

A reconversão, em janeiro de 2019, da antiga sede do Instituto Politécnico

em Centro Cultural permitiu a expansão de ações artísticas

e culturais desta Instituição. O Centro Cultural Penedo da Saudade

(CCPS) nasceu com os objetivos primordiais de contribuir para o enriquecimento

cultural da comunidade interna do IPC, numa complementaridade

do que é a produção cultural das restantes Unidades

Orgânicas desta Instituição, e de reforçar as relações com a comunidade

externa. Elevado a Unidade Orgânica de Apoio à Formação

e ao Desenvolvimento em 2021, o CCPS é, hoje, um equipamento

eclético na sua ação, bem implementado na cidade de Coimbra e

reconhecido como dinamizador da atividade cultural e artística por

toda a comunidade, diferenciador pela sua pluralidade no que respeita

às suas tipologias de ação e aos parceiros de programação e

abertura a projetos de criação e experimentação artísticas.

Tem sido um privilégio poder acompanhar esta aventura de franco

crescimento do reconhecimento que a Cultura e as Artes devem

ter na formação dos nossos Estudantes, contribuindo para que estes

encarem o Mundo que os vai receber quando saírem do IPC

com a esperança que uma visão criativa do mesmo lhes permita

uma vida cheia de boas surpresas.



Politécnico de Coimbra

Diogo Correia

— Presidente da Federação Nacional de Associações de Estudantes do

Ensino Superior Politécnico (FNAEESP)

45 Anos — 45 Protagonistas

p 86

p 87

Em nome da FNAEESP - Federação Nacional de Associações de

Estudantes do Ensino Superior Politécnico, parabenizo o Politécnico

de Coimbra por estes 45 anos de sucessos e conquistas. O

Instituto Politécnico de Coimbra tem sido uma referência de destaque

no panorama do Ensino Superior Politécnico. Além do seu

compromisso inabalável com a excelência académica, o Instituto

Politécnico de Coimbra tem sido um parceiro essencial para a nossa

estrutura permitindo as melhores soluções para os nossos associados,

através de programas de colaboração e apoio institucional.

O IPC tem fornecido recursos e conhecimentos fundamentais que

têm fortalecido a nossa capacidade de alcançar os objetivos que

traçamos ao longo do tempo, seja através de iniciativas de pesquisa

conjunta, ou da participação em eventos de formação de dirigentes

e de estudantes.

Acreditamos que estas iniciativas se constituem como oportunidades

essenciais para o desenvolvimento pessoal e profissional dos

estudantes, contribuindo para uma comunidade académica mais

informada e preparada para os desafios futuros.

A parceria e o trabalho contínuo entre a FNAEESP e as Instituições

de Ensino Superior Politécnico tem sido frutífera ao longo

dos anos, tendo como exemplo a mais recente conquista, a possibilidade

de outorgar Doutoramentos nos politécnicos. Esta representa

o culminar de um percurso académico marcado pela dedicação,

investigação e é, também, um retrato do trabalho contínuo

feito pela FNAEESP em parceria com os politécnicos, de modo a

priorizar a constante evolução e a qualidade de ensino, no subsistema

politécnico.

Estamos profundamente gratos pela parceria contínua em prol

do subsistema politécnico, que temos mantido ao longo de vários

anos, com o IPC, e ambicionamos poder continuar a crescer a par

com esta instituição, mantendo a relação extraordinária de cooperação

entre as duas estruturas, que nos permite ir ao encontro dos

nossos objetivos comuns, o bem-estar dos estudantes e a dignificação

do Ensino Superior Politécnico.



Politécnico de Coimbra

Diogo Machado

— Presidente da Associação de Estudantes do ISCAC

45 Anos — 45 Protagonistas

p 88

p 89

Desde os meus tempos do secundário em que refletia sobre o meu

futuro no ensino superior que ambicionava prosseguir os meus estudos

na mítica cidade dos estudantes e em 2020 o meu sonho foi

concretizado.

Atualmente, encontro-me no término da minha licenciatura e posso

afirmar que o Politécnico de Coimbra ergueu os meus sonhos. O

sujeito que entrou em 2020 no ISCAC é completamente diferente

do sujeito que hoje circula pelos corredores do mesmo.

O Politécnico de Coimbra, o ISCAC e AEISCAC ofereceram-me ferramentas

que foram cruciais e impactantes no meu percurso académico.

Todas estas estruturas forneceram-me oportunidades que

me fizeram crescer, a nível académico e pessoal. E, efetuando um

balanço final, posso afirmar que agarrei todas as oportunidades

com unhas e dentes e escrevo este texto com um sorriso na cara

ao sentir-me realizado nesta casa em que resido há quatro anos.

Atualmente, acredito progressivamente mais que a minha formação

académica não foi a peça chave para me ajudar a ser a pessoa

que sou hoje. Foi graças ao associativismo e graças à vasta oferta

de oportunidades extracurriculares que o Politécnico de Coimbra

e o ISCAC possuem que realmente me marcaram e ajudaram a dar

asas ao meu crescimento como pessoa.

Cada vez mais, o ensino superior tem um papel fundamental na vida

de um estudante. É de realçar que o ensino superior é a ponte para

que muitos indivíduos sejam capazes de alcançar o sucesso e os objetivos

por si próprios pretendidos. E, para fazer face às necessidades

de cada individuo é necessária uma Instituição capacitada para

tal. Orgulhosamente, o Politécnico de Coimbra é essa Instituição.

Contudo, não podemos esquecer as adversidades futuras que

o ensino politécnico irá enfrentar. A conquista da aprovação de

conferir graus de doutoramento no Instituto Politécnico irá levar à

necessidade do investimento na investigação e na inovação. Para

tal, é primordial mantermos todas as estruturas atualizadas e alinhadas

para que todos os obstáculos futuros sejam ultrapassados.

Deste modo, não tenho qualquer dúvida que o Politécnico de

Coimbra irá oferecer um leque de doutoramentos de excelência

aos seus estudantes.

Confesso que me encontro ansioso para visualizar os anos que se

avizinham ao Politécnico de Coimbra. Tenho a certeza que a capacidade

inovadora que esta estrutura tem em si irá trazer consequências

positivas no futuro próximo e acentuar o porquê de sermos

um Instituto diferenciador num panorama nacional. Sendo assim,

é essencial o Politécnico de Coimbra ter dentro de si a mentalidade

de ansiar pela melhoria e pelo conhecimento, dia após dia, ano

após ano, como tem tido na sua história.

Desejo ao Instituto Politécnico de Coimbra os votos de maior sucesso.

Que os próximos anos sejam anos de crescimento e prosperidade

para esta estrutura. Que continuem a zelar e a oferecer um ensino

de excelência a todos os estudantes que acolhem anualmente.

Muitos parabéns Politécnico de Coimbra pelo teu 45.º Aniversário!

Muito obrigado por não só ergueres sonhos, mas também por ergueres

pessoas a conquistar os seus sonhos. Muito obrigado por

teres sido uma peça fundamental na minha vida e por me teres oferecido

as melhores oportunidades que um jovem podia desejar! Irei

sempre acompanhar o teu crescimento com orgulho de fazer parte

da história e da família que é o Instituto Politécnico de Coimbra!



Politécnico de Coimbra

Diogo Melim

— Alumni e Ex-Presidente da Associação de Estudantes da ESEC

45 Anos — 45 Protagonistas

p 90

p 91

A minha experiência no Politécnico de Coimbra começou em 2016

quando entrei na Escola Superior de Educação de Coimbra para

a licenciatura de Comunicação e Design Multimédia. Mal sabia eu

que estes seriam dos melhores anos da minha vida. É uma grande

mudança passar da ilha da Madeira para Coimbra, e viver longe

dos meus pais pela primeira vez. Por isso entrei pelas portas da

ESEC um jovem tímido e ansioso. Mas facilmente isso se dissipou.

Fui muito bem acolhido por toda a comunidade da ESEC, e isso facilitou

imenso a minha adaptação. Um dos fatores que ajudou essa

adaptação foi a associação de estudantes e as excelentes pessoas

que tive a oportunidade de conhecer. Não podia deixar de agradecer

à Sofia Pedrosa, à Andreia Dias e à Janine Baptista pelas oportunidades

que me deram. Assim como à Catarina Ferreira e a toda

a sua equipa por darem continuidade ao trabalho da minha direção.

No meu primeiro ano foi um processo de aprendizagem, quer a

nível associativo quer a nível pessoal. Fui vogal da direção nesse

ano, o que permitiu aprender uma grande variedade de assuntos.

No meu segundo ano tive a oportunidade de ser vice-presidente

de representação externa, o que permitiu conhecer o movimento

associativo nacional e também conhecer as outras associações

de Coimbra e as suas escolas e institutos. Através disso consegui

fazer boas ligações. No meu terceiro ano fui presidente da associação

de estudantes, conseguimos melhorar a nossa associação

de estudantes, muito devido ao trabalho de antigos presidentes.

Conseguimos preparar algumas atividades e melhorar a nossa comunicação.

Um processo que vejo que continua até aos dias de

hoje e que me deixa com muito orgulho dos dirigentes que vieram

antes e depois de mim. Algumas destas atividades foram a receção

ao caloiro que fizemos em conjunto com a AE ISCAC, e a IPC CUP,

uma atividade que ajudámos a construir mas que foi pensada pelo

presidente da AE ISCAC, o Hugo Fonseca, esta atividade continua

até aos dias de hoje e é uma excelente iniciativa para promover o

desporto e a ligação entre escolas e AE’s do IPC.

Não podia deixar de agradecer ao Professor Doutor Jorge Conde,

presidente do IPC, pela facilidade com que se comunicava com a sua

direção. Participámos em algumas reuniões em conjunto com outras

AE's, o que permitiu ligar a direção do Politécnico de Coimbra e as

associações de estudantes. Algo que gostava que sempre existisse.

Depois destes 3 anos, fiz um ano de pausa dos estudos e depois

decidi ingressar no ISCAC, outra excelente escola do IPC. Infelizmente,

esta altura coincidiu com a pandemia por COVID-19, por

essa razão não tive a oportunidade de experimentar o espírito académico

como gostaria. Mas fico muito agradecido ao corpo docente

e a todos os serviços do ISCAC pela elevada qualidade.

Não podia acabar sem agradecer à ESEC, graças a ela sinto que

acabei o meu curso como um excelente profissional. Mas acima de

tudo, uma excelente pessoa. Desde a direção até à comunidade

de alunos, a ESEC é uma excelente experiência. E com excelentes

pessoas. Não querendo ser injusto, porque temos excelentes

pessoas na ESEC, mas gostaria também de dar um agradecimento

especial à Alda Antunes do Gabinete de Comunicação e à Professora

Maria Antunes de Design. É sempre um gosto enorme voltar à

ESEC quando estou em Coimbra. E sem dúvida que levo a ESEC e

o IPC para o resto da vida.

DR



Politécnico de Coimbra

Élia Baptista

— Alumni e Ex-Presidente da Associação de Estudantes da ESTeSC

45 Anos — 45 Protagonistas

p 92

p 93

Os 45 anos são aquela linha ténue entre os 40 e os 50, que acredito,

devem mexer no coração de todos os que cruzam esta idade.

Por um lado, não seremos mais jovens, por outro ainda não sentimos

que o tempo passou. Acredito contudo, que o Politécnico não

sente este peso. Está vivo, a dar marcas de qualidade em vários

eixos fundamentais para o ensino superior, que embora coxo de

ministério e de importância, é sem dúvida a força motriz de qualquer

sociedade, quer pela inovação científica, quer pela instrução

que proporciona aos cidadãos.

Contudo, uma instituição de ensino, seja ela qual for, deve ter sempre

como base a sua essência: os estudantes. É por eles e para

eles que existem, e infelizmente pela força da burocracia, isso é

muita vez deixado para segundo plano. Não te esqueças disto, Politécnico

de Coimbra, nos próximos 45 anos.

É como alumni da Instituição que escrevo estas palavras, mas não só.

O percurso que fiz até hoje, já depois de terminar a minha formação

foi moldado pela instituição onde estudei, mas também por tudo

o que aprendi enquanto dirigente da AE-ESTeSC, do primeiro ao

último ano de licenciatura.

O Politécnico de Coimbra e a ESTeSC foram a minha faculdade,

mas a Associação de Estudantes da Escola Superior de Tecnologia

da Saúde de Coimbra (AE-ESTeSC) foi de facto a minha “escola”.

Fazer parte da vida para além das salas de aula de uma instituição,

acolher aqueles que, como eu, vêm para outra cidade aos 18

anos, sem o nosso núcleo duro (e, na altura, sem whatsapp, vídeo

chamadas e afins), complementar o ensino das várias licenciaturas

com formações, palestras, momentos de festa e diversão é (foi)

também dar colo a muitos.

Passámos os anos da troika a lutar pelas desigualdades de acesso

ao ensino superior, e ganhámos, enquanto equipa nacional, algumas

lutas. Fez-se um trabalho diário no que toca à ação social e

às desigualdades sentidas na altura. Manifestámo-nos para que

nos ouvissem.

Organizar iniciativas como a SCAS, coordenar centenas de pessoas

(e egos), fizeram-me aprender e compreender o que não se

ensina nas salas de aula. E isso fez – e continua a fazer – com que

crescesse em dimensões que de outra forma seria impossível. A

vida burocrática de uma instituição é também da responsabilidade

dos estudantes, e tive o privilégio de também por esses bancos

passar, e compreender as leis fundamentais do ensino superior de

uma forma transversal. A ESTeSC e o IPC deram-me o privilégio de

sentar ao lado de professores, funcionários e outros, de forma igual

e paritária, sem me sentir “menos” que ninguém. Ouvir os estudantes,

acredito do que conheci, está na génese do Politécnico de

Coimbra, e se este texto serve também de nota para o futuro, deixo

aqui uma das premissas mais fundamentais: Não se esqueçam,

nunca dos estudantes. Não os 10 000, mas de cada um dos 10 000.

O meu querido avô dizia “O saber não ocupa lugar, mas o lugar

ocupa-se com saber” e esta instituição “sabe” e por isso começa a

ocupar um lugar muito interessante no panorama nacional e internacional

do ensino. Não poderia imaginar, há 10 anos, melhor condição

para a celebração destes 45. Parabéns, Politécnico de Coimbra!



Emílio Torrão

— Presidente da Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra (CIM RC)

45 Anos — 45 Protagonistas

p 95

É com imenso orgulho e satisfação que, como Presidente da Comunidade

Intermunicipal (CIM) da Região de Coimbra, contribuo com

estas palavras para o livro comemorativo do 45º aniversário do Instituto

Politécnico de Coimbra (IPC). Ao longo de mais de quatro décadas,

o IPC emergiu como uma referência de excelência académica,

inovação e compromisso com o desenvolvimento regional.

É admirável observar o crescimento e a evolução do IPC desde os

seus primórdios. Ao longo de quatro décadas, o IPC tem trilhado

um caminho de excelência, formando profissionais altamente qualificados

e contribuindo de forma significativa para o desenvolvimento

social, económico e cultural da região.

A sua missão de ensino, investigação e desenvolvimento de conhecimento

tem sido cumprida com exemplar dedicação, criando um ambiente

propício à inovação, à criatividade e ao empreendedorismo.

Ao longo dos anos, o IPC estabeleceu parcerias sólidas com a indústria,

o governo local e outras instituições de ensino, demonstrando um

compromisso firme com a colaboração e a sinergia.

Esta abordagem colaborativa tem sido essencial para impulsionar

a inovação, a investigação de vanguarda e o desenvolvimento de

programas académicos pertinentes e adaptados às necessidades

do mercado.

É, também, importante destacar o papel crucial que o IPC desempenha

na promoção da inclusão e da diversidade. A sua comunidade

acolhedora e multicultural não só enriquece o ambiente de

aprendizagem, como também contribui para uma sociedade mais

justa e tolerante.

O IPC tem, ainda, assumido um papel crucial na promoção da coesão

territorial e social da região. A sua presença, através da instalação

de polos em alguns municípios da Região de Coimbra, tem garantido

o acesso à educação superior a um público mais alargado,

combatendo as assimetrias territoriais e promovendo a igualdade

de oportunidades.

Desde a criação da CIM da Região de Coimbra, o IPC tem sido

um parceiro fundamental em projetos de colaboração e na concretização

de diversas estratégias de desenvolvimento regional,

nomeadamente nas áreas da educação, da formação profissional,

da investigação e da inovação.

Esta colaboração tem sido vital na ligação com os municípios, na

aproximação ao território e às pessoas, bem como no apoio aos

empresários locais.

A sua ligação ao tecido empresarial da região é também um fator

de grande importância, permitindo uma melhor articulação entre as

necessidades do mercado de trabalho e as qualificações dos jovens.

A CIM Região de Coimbra reconhece e valoriza o contributo do IPC

para o desenvolvimento da região e está empenhada em continuar

a fortalecer a sua parceria com esta instituição de ensino superior.

Nesta data tão significativa, é justo reconhecer e agradecer a todos os

que contribuíram para o sucesso do IPC ao longo dos anos.

Estou confiante de que, à medida que o IPC avança para o futuro, continuará

a liderar o caminho, mantendo os mais elevados padrões de

qualidade e compromisso com a inovação e a excelência académica.

Que este livro comemorativo seja um testemunho duradouro da

notável jornada do IPC e inspire as gerações futuras a alcançarem

novos patamares de sucesso.

Parabéns ao Instituto Politécnico de Coimbra pelos seus 45 anos

de realizações extraordinárias!

DR



Euclides Pires

— Presidente da Assembleia Geral do BIOCANT - Associação

de Transferência de Tecnologia

45 Anos — 45 Protagonistas

p 97

O Instituto Politécnico de Coimbra é uma das maiores instituições

no ensino superior português, pelo que a sua relevância no panorama

regional e nacional não pode, de maneira alguma, ser desconsiderada

ou subvalorizada. Cumpre antes de mais apresentar

os meus mais sinceros parabéns por estas quatro décadas e meia

de longevidade e consolidação, das quais cerca de metade foram

sendo construídas numa caminhada paralela e, tantas vezes

conjunta, com o Biocant. O Biocant, enquanto Parque de Ciência

e Tecnologia especializado nas áreas da Biotecnologia e das Ciências

da Vida em Portugal, seja pelo seu objeto ou pela proximidade

geográfica, seria sempre um parceiro privilegiado do IPC, princípio

que a prática naturalmente veio a comprovar.

Através das suas diversas escolas, unidades, docentes e alunos,

o IPC contribuiu para o sucesso do Biocant. Desde logo, através

de uma ação mais difusa e imaterial, mas nem por isso menos

importante, que é a formação de quadros qualificados. Nos diferentes

níveis de ensino, em diferentes áreas de atuação, na componente

mais científica ou nos serviços mais gerais, facilmente se

constata que o IPC é responsável pela formação de vários quadros

do Biocant e das suas empresas.

No que se refere à cooperação mais institucional, registam-se com

apreço várias interações e mecanismos de cooperação com a instituição,

adquirindo aqui especial relevo várias colaborações com

a ESAC – Escola Superior Agrária de Coimbra. Estas parcerias permitiram,

por um lado, a realização de diversos ensaios do Biocant

relativos a projetos em curso e que de outra forma não seriam possíveis

e, por outro lado, a disponibilização de plataformas tecnológicas

para a realização de trabalhos de investigação da ESAC, bem

como o acolhimento no Biocant de alunos estagiários.

Por tudo isto, aproveito a oportunidade para manifestar o meu

apreço pelo importante contributo que os politécnicos dão ao desenvolvimento

regional, com particular ênfase no papel do IPC.

Neste momento de evocação histórica e festiva, estendo e particularizo

os meus parabéns às diversas escolas que constituem o

IPC (ESAC, ESEC, ESTeSC, ESTGOH, ISCAC e ISEC), desejando que

possam superar os desafios que enfrentam e continuem a ser um

parceiro de relevo do Biocant.

DR



Politécnico de Coimbra

Fátima Marreca

— Funcionária não docente da ESEC

45 Anos — 45 Protagonistas

p 98

p 99

É com orgulho que presto este meu testemunho no registo do 45º

aniversário do Politécnico de Coimbra (IPC).

Após vários anos no setor privado, o meu percurso no Politécnico

começou nos idos anos noventa. Ainda eu tinha uns jovens 32

anos, estávamos em pleno verão quente e os computadores ainda

eram, de certa forma, uma novidade. Mas a novidade e o desafio

sempre fizeram parte do meu percurso profissional e, por isso, em

agosto de 1994, comecei a trabalhar na Área de Informática dos

Serviços Centrais.

Dois anos depois, em 1996, aceitei fazer parte da equipa de trabalho

que elaborou a publicação “Aspirações e Projetos Pessoais

– Condições de Vida e Estudo dos Alunos do Ensino Superior de

Coimbra” – uma investigação baseada no Inquérito “Euro Student”.

Em fevereiro de 1997, começou, talvez, um dos percursos mais bonitos,

mas também mais difíceis da minha carreira: eu, juntamente

com uma pequena equipa, demos início aos Serviços de Ação Social

do IPC, nas velhinhas (sim, já naquela altura o eram!) instalações

do antigo ISCAC, na Rua Luís de Camões. Permaneci de corpo

e alma nos SAS até março de 2011.

Guardo, ainda hoje, memórias desse tempo, amizades que ficaram

de um tempo que não volta. As dificuldades foram diversas e

complexas, mas, com um espírito de equipa fortemente enraizado,

empenho e dedicação, foi possível ir ao encontro das legítimas

expetativas dos alunos. Criámos, edificámos e diversificámos os

serviços prestados.

Ao longo deste período, trabalhei em matérias que me deixam

muito orgulhosa e que facilitaram não só o dia-a-dia dos alunos,

mas também a própria gestão dos SASIPC. Destaco, por exemplo,

a análise de custos das refeições; a implementação das candidaturas

a alojamento on-line; e o processamento informático das

bolsas de estudo, que culminou com a adoção da Plataforma de

Atribuição de Bolsas de Estudo da DGES – SICABE.

Superámos, igualmente, o desafio dos SASIPC serem os primeiros

Serviços de Ação Social do país a obterem, em junho de 2008, o certificado

da qualidade ISO 9001. O Politécnico de Coimbra foi, por isso,

pioneiro no processo de certificação, abrangendo toda a instituição.

Em abril de 2011, abracei um novo – e muito gratificante – desafio

ao ingressar na Escola Superior de Educação, no Gabinete de

Apoio à Gestão. Das atividades aí desenvolvidas, sublinho a Revisão

Global do Sistema de Qualidade da ESEC; a colaboração na recolha

de elementos para preenchimento dos Guiões de Autoavaliação

A3ES dos cursos da ESEC; a participação no Estudo “Reflexão

conducente a uma eventual proposta de elaboração de um código

de boas práticas de conduta académica para toda a ESEC”; e, ainda,

a colaboração no “Estudo sobre o desenvolvimento estratégico

e oferta formativa da ESEC”.

Em julho de 2016, fui nomeada para o cargo de Secretário da ESEC,

uma função que desempenho até hoje e que muito me preenche,

orgulha e honra.

É, por isso, com muita honra e convicção que, volvidos quase 30

anos nesta casa, expresso os meus mais sinceros votos para que

o IPC se consolide, cada vez mais, como uma Instituição de referência

no Ensino Superior. Da minha parte, tudo farei para que

assim seja, não esquecendo nunca as pessoas com as quais me

cruzei ao longo de três décadas. E são as pessoas, sempre elas,

que fizeram, fazem e, tenho a certeza, continuarão a fazer o Instituto

Politécnico de Coimbra.



Politécnico de Coimbra

Graciano Paulo

— Presidente da ESTeSC

45 Anos — 45 Protagonistas

p 100

p 101

20 anos de ESTeSC nos 45 anos do IPC

A origem

A Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Coimbra iniciou a sua

atividade em 1980, à data sob a designação de Escola Técnica dos

Serviços de Saúde de Coimbra.

A integração no Ensino Superior Politécnico e a adoção da designação

atual aconteceram em 1993 (Decreto-Lei nº 415/93, de 23

de dezembro), representando o reconhecimento do nível de ensino

que até então vinha sendo praticado. Nesta data, a Escola

é colocada em regime de instalação e passa a ter tutela conjunta

do Ministério da Ciência Tecnologia e do Ensino Superior (à época

designado por Ministério da Educação) e do Ministério da Saúde,

que se responsabiliza pela gestão administrativa.

A partir de 2001, por via do Decreto-Lei nº 99/2001, passa a ser

tutelada exclusivamente pelo Ministério da Ciência Tecnologia e do

Ensino Superior, sendo uma Escola do Ensino Superior, mas não integrada

no Instituto Politécnico ou Universidade, gozando por isso

de total autonomia administrativa, patrimonial, financeira e científica,

sendo o Diretor da ESTeSC nomeado diretamente por indicação

do Ministro da Tutela.

A integração

A 21 de julho de 2004, através do Decreto-Lei nº 175/2004, a ES-

TeSC é integrada no Instituto Politécnico de Coimbra (IPC), conservando

o regime de gestão. A Escola concebe os seus primeiros

Estatutos, homologados pelo Presidente do IPC em 23 de abril de

2007, aos quais se seguiu a escolha do primeiro Presidente Eleito

por uma Assembleia de Representantes, já que, até esta data,

conforme anteriormente referido, o então Diretor da ESTeSC era

nomeado diretamente pela Tutela.

A vivência

Tive o privilégio de acompanhar de forma intensa o desenvolvimento

da ESTeSC e, por conseguinte, a realidade da sua integração no IPC.

À época, era para todos nós uma viagem para uma realidade totalmente

desconhecida, estando toda a comunidade académica ciente

dos problemas que poderíamos vir a enfrentar, face às várias

fragilidades que então tínhamos.

Por força do atraso na integração no Ensino Superior (1993), o corpo

docente da ESTeSC, além de parco, estava longe de ser qualificado

e, como tal, tinha naturalmente necessidades diferentes das

restantes unidades orgânicas “sénior” do IPC.

Apesar dos receios, a integração no IPC foi de extrema importância

para o nosso desenvolvimento. Ensinou-nos a pensar de forma diferente

e obrigou-nos a sair da nossa zona de conforto.

Com a integração no IPC, a Comunidade Académica da ESTeSC

– sendo a Escola uma referência na área da saúde – uniu-se em

torno do princípio defendido por Leon Megginson: “não é o mais

forte que sobrevive, nem o mais inteligente, mas o que melhor se

adapta às mudanças”.

Assim, os nossos 20 anos no IPC traduziram-se numa permanente

adaptação às mudanças, tendo a ESTeSC crescido, e ajudado o

IPC a crescer, em todas as suas vertentes: académica, científica,

cultural e organizacional.

A comunidade académica da ESTeSC tem inscrito no seu código

genético um conjunto de caraterísticas e capacidades que a tornam

única: faz das suas fraquezas, forças; em cada dificuldade, vê

uma oportunidade; e para cada problema, encontra uma solução.

Foi com base nestas características e capacidades que a ESTeSC

contribuiu para termos um IPC mais forte, porque um IPC forte torna

as suas unidades orgânicas mais fortes.

Aqui chegados, importa dar os parabéns ao IPC nesta celebração dos

seus 45 anos e reconhecer a importância vital que teve no desenvolvimento

e afirmação do Ensino Superior em Portugal e no Mundo.

O IPC é hoje um verdadeiro motor de desenvolvimento do país e da

região onde se insere, com um ensino e investigação de elevada

qualidade.

Mas fica uma mensagem neste aniversário: atendendo aos ventos

que sopram é chegado tempo de ter bem presente o princípio de

Leon Megginson.

Juntos, Erguemos Sonhos.



Politécnico de Coimbra

Guilherme Machado

— Alumni e Ex-Presidente da Associação de Estudantes da ESTGOH

45 Anos — 45 Protagonistas

p 102

p 103

Reflectindo nos meus tempos de estudante, relembro as minhas

memórias com nostalgia, saudade, gratidão, mas também com um

grande sentimento de realização e conquista. A minha jornada passa

desde a saída do conforto da casa dos meus pais para abraçar

a independência da vida universitária, navegar pelos desafios académicos

e participar na comunidade académica, o que foi fundamental

para o meu crescimento e moldar na pessoa que sou hoje.

Estudei Gestão na ESTGOH, que oferece um programa exigente.

Não só proporciona uma base sólida de conhecimento como também

de competências teóricas e técnicas que me incentivam a

pensar criticamente.

Estudar longe de casa significa que estava a sair de uma das minhas

zonas de conforto. Gerir o meu tempo e finanças, estudar e

outras responsabilidades ensinou-me competências inestimáveis.

Mas a independência permitiu-me fazer novos amigos e criar uma

rede de apoio longe de casa, da qual partilhei sonhos, dificuldades

e triunfos. Equilibrar os estudos com outros aspectos da vida

universitária demonstrou-se um desafio contínuo. Mas apesar de

tudo, também dediquei o meu tempo noutras actividades.

Fui presidente da Associação de Estudantes da ESTGOH, que se

revelou uma experiência desafiante pois coincidiu com a época da

pandemia, mas também enriquecedora. Permitiu-me desenvolver

capacidades de liderança, colaborar com os meus colegas e pares e

contribuir para vários projectos e eventos como torneios, palestras

e apoio aos estudantes durante o confinamento. Como associação

de estudantes, também dávamos apoio aos novos estudantes e éramos

a ponte de ligação entre os alunos e os professores. Foi uma

experiência recompensadora pois sentia que estávamos a fazer algo

impactante na comunidade estudantil de Oliveira do Hospital.

A vida académica não vem sem dificuldades, mas foi, sem dúvida,

transformadora. Das várias experiências de que tive oportunidade

de beneficiar, cultivei uma maior autonomia e ganhei clareza sobre

as minhas aspirações pessoais e profissionais. Houve momentos

de dúvidas, ansiedades e falhas. Mas todos estes contratempos

foram uma oportunidade de aprendizagem que contribuíram para

o crescimento pessoal. Consegui superar os obstáculos que me

apareciam perseverando nas dificuldades, abraçando os desafios

e procurando o apoio de professores e de amigos.

O processo de transição para a vida profissional também começou

a ser moldado durante os anos de universidade. Através de estágios

curriculares e extracurriculares, pude aplicar na prática os conhecimentos

adquiridos em sala de aula. Trabalhei em empresas de diferentes

setores, o que me proporcionou uma visão ampla do mercado

de trabalho e das várias áreas de atuação dentro da gestão.

A conclusão do curso foi um marco significativo. A defesa do meu

relatório de estágio, que envolveu uma análise aprofundada e

aplicação de conceitos avançados de gestão, foi um momento de

grande orgulho. Sentia que todo o esforço e dedicação ao longo

dos anos tinha valido a pena.

Em poucas palavras, os anos de estudo na ESTGOH foram repletos

de experiências enriquecedoras que me moldaram pessoal e

profissionalmente. Agradeço a todos os professores, colegas e

amigos que fizeram parte desta jornada. Acredito que as competências

e valores que adquiri serão fundamentais para os desafios

futuros e para alcançar os meus objetivos de vida.



Politécnico de Coimbra

Helena Teodósio

— Presidente da Câmara Municipal de Cantanhede

45 Anos — 45 Protagonistas

p 104

p 105

O Município de Cantanhede associa-se às comemorações do 45.º

do Instituto Politécnico de Coimbra (IPC), enaltecendo a função

que tem desempenhado na formação de sucessivas gerações de

quadros técnicos qualificados e o seu inestimável contributo para

o reforço da competitividade da base económica da região e para a

dinamização do processo de desenvolvimento do país.

A esse propósito, quero começar por manifestar o meu mais vivo

reconhecimento a todos os dirigentes, professores e demais colaboradores

que, ao longo de 45 anos, trabalharam na consolidação

do prestígio de uma entidade que tem demonstrado uma notável

vitalidade na resposta aos novos desafios da sua missão.

É uma evidência que, quanto mais sólida e consistente for a formação

e a qualificação dos cidadãos, tanto maior e mais sustentável é

o seu impacto económico e social nas comunidades, normalmente

com maiores benefícios naquelas que estão mais próximas da sua

zona de influência.

Refiro-me desde logo aos benefícios decorrentes da capacitação

dos recursos humanos para o incremento da inovação e o aumento

da produtividade em setores-chave da economia, mas também os

relacionados com a existência de mais um centro de conhecimento

e saber que favorece a transferência de tecnologia e a introdução

de soluções inovadoras nas empresas, sem esquecer a atração de

investimentos empresariais para o território.

A existência de recursos humanos qualificados é efetivamente o fator

chave para os agentes económicos responderem às cada vez mais

fortes exigências dos mercados, mas é também, e cada vez mais,

condição determinante para que sejam geradas dinâmicas de empreendedorismo

vantajosas para o desenvolvimento das economias

locais, motivo pelo qual, aliás, o Município de Cantanhede tem apostado

na cooperação com algumas instituições de ensino superior.

Um excelente exemplo disso é o protocolo celebrado com o Instituto

Politécnico de Coimbra para criação da Cantanhede Creative

School, no âmbito da polarização da oferta formativa que tem vindo

a empreender. Trata-se de um projeto que a Câmara Municipal

de Cantanhede abraçou com enorme entusiasmo desde a primeira

hora, tendo facultado os meios indispensáveis para o funcionamento

deste polo de formação especializadas em áreas tecnológicas

que tem a criatividade como componente estruturante.

Como é evidente, a autarquia a que presido está verdadeiramente

empenhada na consolidação deste projeto que acrescenta ao concelho

uma valência de ensino superior público qualificada e tem

fundadas expetativas na criação de outros cursos vocacionados

para o desenvolvimento de perfis profissionais ajustados à procura

do mercado de trabalho em setores emergentes da nossa economia,

de modo a alargar por essa via a empregabilidade de quadros

técnicos especializados.

A visão que temos para o processo de desenvolvimento do concelho

de Cantanhede, passa também por aí, pelo desígnio de facultar

aos jovens condições para a aquisição de competências que facilitem

a sua realização pessoal e profissional, nomeadamente através

de parcerias ativas com instituições de ensino superior, tanto

quanto possível com envolvimento dos agentes económicos locais.

DR



Hiram Arroyo

Coordinador, Red Iberoamericano de Universidades Promotoras

de la Salud (RIUPS)

45 Anos — 45 Protagonistas

p 107

El Instituto Politécnico de Coimbra (IPC), la Universidad de Puerto

Rico (UPR) y el Movimiento Iberoamericano de Universidades

Promotoras de la Salud: una relación de excelencia

I La relación entre el IPC y la Universidad de Puerto Rico (UPR)

La relación histórica institucional entre la UPR y el IPC surge hace

ocho años en San Juan de Puerto Rico en ocasión del Encuentro

Iberoamericano de Escuelas e Instituciones de Educación Superior

vinculadas a la Salud Pública que se desarrolló al interior de la V

Conferencia Puertorriqueña de Salud Pública. El evento se efectuó

del 2-4 de mayo de 2016 en el Centro de Convenciones de San

Juan de Puerto Rico con el tema Solidaridad Política y Ciudadana

por la Salud. Esta fue una ocasión significativa para iniciar una relación

académica-profesional de excelencia a través de los años.

II La relación del IPC y la Red Iberoamericana de Universidades

Promotoras de la Salud(RIUPS)

El IPC ha sido instrumental en el desarrollo del Movimiento de Universidades

Promotoras de la Salud tanto en Portugal como en Iberoamérica.

La primera instancia de trabajo conjunto en el tema de Universidades

Promotoras de la Salud y primera visita al IPC se produjo el 4

de abril de 2017 con mi visita a la Escuela Superior de Tecnología

en Salud de Coimbra. En esa ocasión tuve la oportunidad de dictar

la conferencia titulada: El Movimiento de Universidades Promotoras

de la Salud invitado por el Dr. Jorge dos Santos Conde.

La relación entre el IPC y la RIUPS se fortaleció a nivel iberoamericano

con la participación del Dr. Jorge dos Santos Conde en el

VIII Congreso Iberoamericano de Universidades Promotoras de la

Salud celebrado del 27 al 29 de junio de 2017 en la Universidad de

Alicante, Alicante, España.

El IPC junto a la Escuela de Enfermería de Coimbra aceptaron la invitación

de la Red Iberoamericana de Universidades Promotoras de

la Salud (RIUPS) para organizar el X Congreso Iberoamericano de

Universidades Promotoras de la Salud. Las conversaciones entre la

RIUPS y el IPC se realizaron en el 2019 en la Ciudad de Monterrey,

Estado de Nuevo León, México en ocasión del IX Congreso Iberoamericano

de Universidades Promotoras de la Salud celebrado del

21-23 de mayo de 2019. El tema del evento en Monterrey fue Concertación

política, social y universitaria por la salud y la equidad.

El trabajo conjunto entre el IPC y la RIUPS se ha mantenido a través

de los años. Las reuniones de trabajo conjunto han sido virtuales y

presenciales. El 8 de noviembre de 2021 efectuamos una reunión

en Madrid, España el Dr. Jorge dos Santos Conde y el Dr. Hiram

V. Arroyo con fines de avanzar en la planificación del X Congreso

Iberoamericano de Universidades Promotoras de la Salud.

El exitoso X Congreso Iberoamericano de Universidades Promotoras

de la Salud se realizó del 10 al 12 de octubre de 2022. Fue un

evento memorable que marcó el inicio de la celebración del vigésimo

aniversario de la RIUPS (2003-2023). El tema del evento en

Coimbra, Portugal fue Educación Superior, Promoción de la Salud

y Desarrollo Sostenible.

III Otras oportunidades significativas de trabajo conjunto con el

IPC

El trabajo conjunto entre el IPC, la Universidad de Puerto Rico y la

RIUPS se ha seguido fortaleciendo a través de los años. En el 2022

participamos juntos en el II Seminario Internacional de Promoción

de la Salud y Educación para la Salud celebrado del 18-20 de mayo

de 2022 en la Universidad Rey Juan Carlos (URJC) en Madrid, España.

También tuve el honor de recibir el acompañamiento del Dr.

Jorge dos Santos Conde, en representación del IPC, en el Acto de

Investidura como Doctor Honoris Causa de la Universidad Rey Juan

Carlos (URJC) de Madrid, España que me otorgó dicha institución.

Este 2024 ha sido otra oportunidad de encuentro con el IPC. Tanto

el doctor Jorge dos Santos Conde y la doctora Ana Ferreira han

participado como conferenciantes internacionales en la VI Conferencia

Puertorriqueña de Salud Pública efectuada del 2-3 de mayo

de 2024 en San Juan de Puerto Rico.

Reiteramos la felicitación al Instituto Politécnico de Coimbra (IPC)

en su 45 Aniversario!!!

DR



Politécnico de Coimbra

Hristina Yancheva

— Chair of General Assembly of the European University Alliance

UNIgreen | Rector, Agricultural University-Plovdiv, Bulgaria

45 Anos — 45 Protagonistas

p 108

p 109

On behalf of the General Assembly of the European University Alliance

UNIgreen, I have the privilege to share our experience with

the Polytechnic University of Coimbra (IPC) and pass the greetings

for the 45 th Anniversary.

The dedication, vision, and hard work of generations of teachers,

students, alums, and partners have contributed to the success and

growth of the Polytechnic institution. Over the past four and a half

decades, the Polytechnic University of Coimbra has emerged as

a center of excellence in higher education, a hub of research and

innovation in the academic community.

Throughout its history, the Polytechnic University of Coimbra

has significantly contributed to education, research, and service,

shaping countless individuals‘ lives and positively impacting society.

The commitment to academic excellence, diversity, and inclusivity

has enriched the lives of students, empowered faculty and staff, and

fostered a culture of lifelong learning and personal growth.

Internationalization is a priority for the Polytechnic University of

Coimbra because we live in a world where knowledge is a dominating

factor for the future success of a dynamic, competitive, innovative

economy. The importance of higher education for spreading

knowledge will constantly increase. The university motivates ambitious

young people who are ready to invest in their careers and

build an innovative, knowledge-based society.

The Polytechnic University of Coimbra, as a member of the

European University Alliance UNIgreen, contributes to achieving

the goals of the Alliance and developing higher education and

scientific research in Europe. As a multidisciplinary institution, the

University fosters interdisciplinary collaboration and partnerships

within the European University Alliance. Working closely with

other member universities across various disciplines promotes

cross-pollination of ideas, knowledge exchange, and collaborative

research initiatives that address complex societal challenges. The

Polytechnic University of Coimbra is renowned for its high-quality

education and training programs in science, technology, and human

welfare. Its commitment to academic excellence, rigorous

curriculum, and hands-on learning experiences prepare students

for successful careers in industry, research, and academia,

contributing to the talent pipeline within the European Union.

It actively promotes internationalization and student mobility,

providing opportunities for students to study abroad, participate

in exchange programs, and engage in cross-cultural experiences

within the UNIgreen network. These initiatives enhance students‘

global perspectives, intercultural competencies, and employability

in an increasingly interconnected world.

The Polytechnic University of Coimbra plays a crucial role in the

UNIgreen Alliance by contributing technical expertise, fostering

interdisciplinary collaboration, promoting educational excellence,

facilitating internationalization, and driving research impact on

European higher education. Its active participation strengthens the

collective efforts of the Alliance to address societal challenges,

promote innovation, and build a more inclusive and sustainable

future for Europe.

On this momentous occasion, I congratulate the Polytechnic University

of Coimbra for its achievements, resilience, and continued

dedication to advancing knowledge and inspiring creativity for a

better society. Continue to build upon your legacy of excellence,

innovation, and leadership in the years to come.

I wish all the academic community success, growth, and prosperity.

DR



Politécnico de Coimbra

Hugo Ferreira

— Presidente da Associação de Estudantes do ISEC

45 Anos — 45 Protagonistas

p 110

p 111

45 anos na linha da frente da excelência, o Politécnico de Coimbra

já passou por várias fases, no qual se encontra neste momento

numa fase de expansão. Cada vez mais alunos escolhem ser formados

no Politécnico de Coimbra.

É verdade que a história deste é feita de altos e baixos, mas acima

de tudo é pautada pela resiliência de todos aqueles que trabalharam

diariamente e que sempre acreditaram que este politécnico

seria uma marca de referência para um ensino mais prático e mais

direcionado para a indústria.

O estigma mudou. Se antes só aqueles que entravam na universidade

eram doutores e realmente vistos como isso, nós agora estamos

equiparados. Neste sentido, desde o dia 24 de fevereiro de 2023

também podemos outorgar o grau de doutor, um novo desafio para

as nossas instituições que têm de incentivar a um maior trabalho de

investigação do nosso corpo docente e discente.

Através das suas 6 unidades orgânicas, o Politécnico de Coimbra

traz até si uma vasta área de atuação, desde a engenharia à saúde,

das ciências empresariais à agricultura e da educação à gestão.

Cada uma com a sua realidade institucional tem um papel preponderante

no desenvolvimento da região e do tecido empresarial onde

estão inseridos.

Enquanto estudante do Instituto Superior de Engenharia de Coimbra,

que conta com mais de 100 anos de história e milhares de

estudantes formados na área da engenharia, é um orgulho ver o

que tem sido feito para melhorar a cada dia. No entanto, muito mais

ainda tem de ser feito, nomeadamente a inovação pedagógica, o

modo como as aulas são lecionadas tem de ser atualizado, a transição

digital tem de ser uma prioridade na agenda e o investimento

em equipamentos de última geração para a constante atualização

dos nossos laboratórios é uma necessidade.

Enquanto dirigente associativo, é necessário que a ligação ao Politécnico

de Coimbra e aos serviços de ação social seja estreita,

pois só assim podemos ajudar os nossos estudantes. Durante os

45 anos de existência sempre foi uma instituição que pautou pela

representação dos estudantes nos órgãos de gestão, uma mais-

-valia para manter uma comunidade unida.

A Associação de Estudantes do Instituto Superior de Engenharia de

Coimbra sempre foi uma das associações com voz ativa e reivindicativa,

pautada pela elevada representação tanto em órgãos internos da

instituição como externos, sendo uma presença regular na FNAEESP,

estrutura federativa que nos representa a nível nacional e que luta

junto de nós para uma valorização do ensino superior Politécnico.



Politécnico de Coimbra

Jani Dimas

— Presidente da Associação de Estudantes da ESAC

45 Anos — 45 Protagonistas

p 112

p 113

Já são quarenta e cinco anos a acolher e educar, anualmente, milhares

de estudantes de todo o país e do mundo. Quarenta e cinco

anos de excelência e evolução. No fim de contas são quarenta e

cinco anos a erguer sonhos.

Ingressei no Instituto Politécnico de Coimbra em outubro de 2022

na Licenciatura em Enfermagem Veterinária e apesar da distância

de casa e das inseguranças do que estava por vir, que durante

muito tempo foi uma inquietação, a verdade é que desde o primeiro

dia na Escola Superior Agrária, percebi que Coimbra ia ser a minha

segunda casa e que era ali, naquela instituição, que ia crescer e

tornar o meu sonho realidade. Foi o ambiente familiar e o seu espaço

verde que me conquistou nesse dia e que me conquista até

hoje! É um privilégio poder estudar (n)a natureza.

Nestes quase dois anos alcancei diversas metas e muito mudou

em mim. Sem dúvida que a maioria destas mudanças foram devido

à entrada no mundo do associativismo, tendo a possibilidade

de juntamente com o politécnico, as suas unidades orgânicas e

todas as restantes associações de estudantes, tentar melhorar as

condições dos alunos que escolheram esta instituição para a formação

do seu futuro, fazendo com que todos sintam que a sua voz

é ouvida.

O Politécnico de Coimbra é uma referência nacional no que diz respeito

ao ensino prático e à formação de estudantes. A proximidade

estudante/docente e a atualização de métodos de ensino forma

jovens capazes de alcançar o sucesso académico e futuramente

profissional. Falo por mim, que apesar de integrar um curso recente

e que ainda tem muitas arestas por limar, sempre me foi proporcionado,

desde a primeira semana, o contacto com os animais da

ESAC e o privilégio de visitar explorações externas em diversas

unidades curriculares. Com isto, consegui aprimorar conhecimentos,

sendo sempre reforçada a importância da componente prática

como consolidação dos conteúdos teóricos.

Sem dúvida que fiz a escolha certa! Obrigada Politécnico de Coimbra

por tornares esta cidade de encantos a minha segunda casa.

Sei que vai deixar memórias e saudade!

Parabéns IPC!



Politécnico de Coimbra

Jéssica Lopes

— Alumni e Ex-Presidente da Associação de Estudantes do ISCAC

45 Anos — 45 Protagonistas

p 114

p 115

Recordo a minha passagem enquanto estudante no Politécnico de

Coimbra com muita felicidade e nostalgia. Escolhi o ISCAC como

primeira opção e lembro-me, como se fosse hoje, do meu primeiro

dia. O primeiro impacto nunca se esquece. Não sabia o que me esperava,

mas carregava no peito uma enorme vontade de aprender

e de marcar pela diferença. Fui recebida de braços abertos, numa

comunidade pronta a ajudar e a desafiar-me, todos os dias.

Aos poucos, fui descobrindo a essência de pertencer a esta família

e tive o privilégio de integrar vários projetos, órgãos de gestão e

a feliz coincidência do meu caminho se ter cruzado com a AEIS-

CAC, aquela que terá sempre um espaço muito especial na minha

memória e no meu coração. Pertencer ao movimento associativo

é integrar uma causa muito nobre, é, diariamente, ser confrontado

com novas realidades, estar constantemente fora da nossa zona

de conforto, mas convictos de que temos nas nossas “mãos” uma

grande missão. É desafiante, faz-nos crescer e duvidar - tantas

vezes-, mas torna-nos pessoas mais capazes.

Nesta aventura, tive a sorte de ter comigo dois pilares basilares:

a equipa, que foi âncora em todos os projetos e atividades, e um

grupo de colegas dirigentes associativos com a mesma vontade de

fazer mais e melhor pela nossa casa-mãe: o Politécnico de Coimbra.

Juntos, travámos várias lutas relacionadas com ação social,

residências estudantis e desenvolvemos vários projetos, tais como

a Receção ao Caloiro IPC - um marco que deixou transparecer a

vontade e a importância de fomentar relações e de caminhar lado-

-a-lado. O Desporto Universitário também deu passos importantes

e impulsionou a instituição a incorporar esta área na sua estratégia.

Falar do Politécnico de Coimbra é falar da minha segunda casa.

Aqui, tive a oportunidade de dar o meu contributo, crescer, sorrir,

conhecer novas realidades e pessoas que guardo com muito carinho.

Aqui, nesta casa, sei que fiz a escolha certa.

Vejo o Politécnico de Coimbra como uma Instituição de referência,

que soube nos últimos anos (re)afirmar a sua identidade, potenciar

a sua ligação ao território, apostar na internacionalização, no desporto

e na cultura, desenvolver novos projetos que permitiram melhorar

as condições do edificado, sem descurar o foco que é formar

bons profissionais e bons Seres Humanos. Estudar no Politécnico

de Coimbra é, cada vez mais, um selo de qualidade, uma referência

a nível nacional e internacional.

Que saibamos ver nos desafios as oportunidades de inovar e de

evoluir e que juntos continuemos a erguer (muitos) sonhos.

Muitos parabéns Politécnico de Coimbra e a todas as pessoas que,

diariamente, das mais variadas formas, fazem esta Instituição criar

Valor e Crescer!



Politécnico de Coimbra

João Lobato

— Administrador dos SASIPC

45 Anos — 45 Protagonistas

p 116

p 117

A ação social no IPC

Os Serviços de Ação Social do Politécnico de Coimbra (SASIPC)

mobilizam os seus contributos para a promoção de um ambiente

académico mais inclusivo, apostando a sua missão no bem-estar

do estudante do IPC.

Criados em 1997, os SASIPC, catapultaram a sua ação na transição

do milénio, com a edificação de uma rede de infraestruturas assinalável

– residências, cantinas, cafetarias, instalações desportivas

e clínica, que constituem hoje o legado herdado que cimenta a matriz

de relançamento de uma nova era para estes serviços.

Os SASIPC, com mais de um quarto de século de atividade, reforçaram

nos últimos anos o seu compromisso com os estudantes, disponibilizando

um conjunto maior e diversificado de serviços, no âmbito

dos apoios sociais diretos - bolsas e apoios de emergência, alojamento,

alimentação, saúde, apoio no acesso ao desporto e à cultura.

Nos últimos seis anos, e no alinhamento estratégico com o esforço

global do IPC, os SASIPC abraçam um novo paradigma quanto à

visão da ação social no ensino superior, assente numa abordagem

inovadora multidimensional e holística, de natureza humanista,

dando início a um novo ciclo cultural de mudança, com o envolvimento

participativo, alargado a stakeholders internos e externos,

alicerçado no estabelecimento de pontes, no trabalho colaborativo

integrado e em rede.

Os principais motes deste processo de reabilitação e de mudança

dos SASIPC, no imperativo da lei, iniciaram com a publicação dos

seus primeiros estatutos, em junho de 2020, configurando uma

nova estrutura orgânica e filosofia de funcionamento. Esta transformação

implicou um novo padrão de gestão, ajustado no reforço

da humanização dos serviços; na reabilitação das infraestruturas

de cantinas, cafetarias, residências e clínica; no reforço da política

de ação social de proximidade, com a criação do Gabinete de

Apoio ao Estudante (GAE) do IPC; no robustecimento e valorização

do quadro de recursos humanos, tanto em número como na diversidade

de competências e talentos; e na aposta na comunicação e

divulgação dos serviços.

No sector do alojamento e hotelaria, as residências de estudantes

viram melhorado o seu edificado, ampliadas na sua capacidade

do quantitativo de camas, novos apartamentos e serviços internos.

Ganharam ainda uma nova regulamentação para um melhor

exercício de gestão, segurança, humanização e socialização dos

estudantes residentes. Neste momento, atravessamos uma fase

de reabilitação das infraestruturas interiores do edificado, com a

perspetiva de construção, em breve, de novas unidades de alojamento

estudantil em Oliveira do Hospital e em Coimbra, com mais

de 500 novas camas, no total.

No sector da Alimentação e Nutrição, as cantinas e cafetarias, sofreram

no geral, um investimento na reabilitação das suas infraes-



Politécnico de Coimbra

45 Anos — 45 Protagonistas

truturas e modernização do seu ambiente, na reorganização do

seu modelo de gestão, sobretudo no investimento do alargamento

do quadro de recursos humanos e sua capacitação.

Quanto aos programas de apoio social diretos, para além da reformulação

regulamentar das bolsas internas e de apoios de

emergência, assistimos à inovação, ímpar, com a criação de dois

novos programas, o PASI - sistema de empréstimo de equipamentos

informáticos aos estudantes e o Politécnico+Cultura, que

visa a promoção do acesso gratuito à cultura como uma dimensão

complementar à formação académica.

No capítulo da saúde, consolidou-se o funcionamento do Gabinete

de Psicologia e de Apoio Psicopedagógico, com grande relevância

no campo da saúde mental, com a promoção de estratégias de

educação para a saúde psicológica e emocional. Atualmente, com

a reabertura da Clínica do IPC em 2023, disponibilizam-se outros

apoios: medicina dentária, medicina geral e familiar, nutrição, psiquiatria

e fisioterapia, com base num modelo de proximidade, de

fácil acesso e a custos reduzidos.

Na senda global de transformação digital, investiu-se na desmaterialização

de processos, com a criação e implementação da Plataforma

SASocial, agregando vários apoios e serviços, numa única

arquitetura digital de fácil e rápido acesso.

A criação, em 2021, do Observatório de Ação Social do IPC - ObservAS-IPC,

permite conhecer e estudar a realidade para promoção

de políticas de ação social, mais centradas e ajustadas ao perfil

e interesses da comunidade estudantil, otimizando o investimento

de recursos por parte dos SASIPC.

No atual ano letivo fortaleceu-se a estratégia de apoio para uma

política de maior inclusão no ensino e integração na comunidade,

com o desenho e implementação do PARENEE - Programa de Apoio

em Rede ao Estudante com Necessidades Educativas Específicas.

Estas transformações esboçam um processo de transição de um

modelo assistencialista da ação social, para uma filosofia baseada

em experiências a desenvolver pelos estudantes num ecossistema

académico e cultural mais transversal para o bem-estar, integrado,

inclusivo e global, conferindo um contributo para a promoção do

sucesso académico e o combate ao abandono escolar.

Nestes últimos cinco anos, os SASIPC empenharam-se numa estratégia

de reorganização vanguardista, crescimento gradual na

ótica do desenvolvimento sustentável, consolidação e diversificação

da oferta dos seus apoios e serviços aos estudantes, articulando-se

com as Associações de Estudantes, com todas as Unidades

Orgânicas e serviços do IPC, como parceiros e agentes de

mudança, para uma melhor ação social no IPC, hoje e no futuro!

p 118

p 119



Politécnico de Coimbra

Joaquim Mourato

— Diretor-Geral do Ensino Superior

45 Anos — 45 Protagonistas

p 120

p 121

Parabéns, Politécnico de Coimbra!

A instalação e desenvolvimento da rede do Ensino Superior Politécnico,

na sequência da Reforma Veigão Simão, democratizou o

acesso ao ensino superior e transformou o país, consubstanciando-se

numa das mais importantes conquistas de abril.

O Politécnico de Coimbra faz parte desta rede e há quarenta e

cinco anos que tem feito caminho e dado os seus contributos ao

território e às pessoas.

Sou testemunha, ao longo de vários anos, em diversas condições,

da qualidade da formação, da investigação e dos serviços de extensão

prestados pelas Escolas e Institutos do Politécnico de Coimbra.

Cresceu, transformou-se e é hoje uma instituição de ensino superior

incontornável da nossa rede, com afirmação nacional e internacional.

A Direção-Geral do Ensino Superior é beneficiário intermediário

dos Programas Impulsos Jovens STEAM e Adultos e, mais recentemente,

do Impulso Mais Digital, todos financiados pelo Plano de

Recuperação e Resiliência (PRR). Tenho acompanhado os compromissos

que o Politécnico de Coimbra tem assumido, no âmbito

destes Programas. Estas apostas, mais exigentes ainda pelo prazo

tão curto para a sua implementação, irão permitir que o Politécnico

concretize alguns dos seus sonhos, através de um programa vasto

de investimentos e de qualificação e requalificação de muitos jovens

e adultos.

Tal só está a ser possível pela maturidade institucional alcançada,

pela qualidade das equipas criadas e desenvolvidas nas diversas

escolas. Não basta ter financiamento. É necessário ter ideias e

capacidade de converter essas ideias em projetos e de os concretizar.

É esse o desafio para o Politécnico de Coimbra. É uma

oportunidade para se questionar, se reinventar e se reposicionar.

Estou certo de que o Politécnico de Coimbra se vai superar e dar

continuidade a um processo de constante mudança, essencial na

academia, para cumprir a sua missão sempre e cada vez melhor.

Parabéns, Politécnico de Coimbra!

DR



Politécnico de Coimbra

Jorge Conde

— Presidente do IPC

45 Anos — 45 Protagonistas

p 122

p 123

Eles não sabem que o sonho

é uma constante da vida

tão concreta e definida

como outra coisa qualquer…

(...)

Eles não sabem, nem sonham,

que o sonho comanda a vida.

Que sempre que o homem sonha

o mundo pula e avança...

(António Gedeão – “Pedra Filosofal”)

“Juntos Erguemos Sonhos” tem sido o lema do Politécnico de

Coimbra nos últimos 4 anos. Sonhar o futuro, um futuro onde o que

fazemos hoje se refletirá e nos permitirá erguer os nossos sonhos.

Um futuro que nos venha a proporcionar a oportunidade de fazermos

a diferença para nós e para os que nos rodeiam, influenciando

mais ou menos pessoas, mais ou menos alterações.

O ensino superior tem a missão e a obrigação de transformar as

pessoas e, consequentemente, o mundo. De que vale um jovem

gastar as primeiras duas décadas de vida, até um pouco mais, a

cultivar-se, a munir-se de saberes e competências, se isso não o

transformar e não lhe der ferramentas para deixar a sua marca no

mundo? É essa a principal missão das Universidades, sejam elas do

tipo que forem e tenham a denominação que tiverem.

Os professores em todos os patamares de ensino devem ser gente

motivada para transformar pessoas e para fazer com que os que

formam sejam capazes de transformar outros e de fazer o mundo

pular e avançar. Vivemos nas últimas décadas em Portugal uma

crise de identidade do papel do professor que não permite visões

concretas e definidas, nem grande vontade de sonhar, nem grandes

pulos e avanços.

Os professores dos ensinos básico e secundário têm uma vida dificultada

pelo regime de recrutamento, com muitos anos de “mala

às costas”, com fracas remunerações e sem que a sociedade lhes

reconheça plenamente o papel fundamental que têm na educação

dos que determinarão o futuro. Em parte, por sua culpa na escolha

dos que em seu nome negoceiam, que não têm vontade, nem

imagem, nem soluções para mudar tal situação. Os lugares que

ocupam, muitas vezes vitalícios, são alimentados pela polémica e

pela inércia à mudança.

No ensino superior os problemas são diferentes. Os professores

hoje estão sujeitos à pressão de escrever “papers”. Quem quer fazer

carreira, mais do que ser boa pessoa, bom pedagogo, atualizado,

focado no estudante, tem de querer escrever. Escrever supostamente

baseado em investigações que tragam algo de novo

e tenham a capacidade de transformar o mundo... ou não. Assistimos

amiúde a escrita a metro, onde o mesmo problema é colocado

num “cubo” e as suas seis faces dão seis (ou mais) visões da

mesma coisa em momentos de escrita diferente. Ou um problema

é fracionado tentando demonstrar que estamos perante problemas

diferentes. A juntar à pressão da escrita, assistimos à subvalorização

da componente de gestão, com cada vez menos professores

interessados em ocupar cargos organizacionais. E, claro, que no

fundo da pirâmide, está a valorização que se dá ao ensinar e à capacidade

de bem formar pessoas transformadoras. Importa, pois,

pensar em como inverter a situação presente, criando sinergias

para um ensino que acompanhe as exigências da geração atual. Os

jovens de hoje têm uma enorme capacidade de se informar através

dos meios digitais, onde se encontram quase todos os assuntos.



Politécnico de Coimbra

45 Anos — Introdução

Os professores de hoje têm de saber ensinar a procurar, filtrar e a

usar essa informação. Hoje, além de formarmos jovens competentes

e conhecedores nas áreas científicas em que formamos, temos

de saber ensinar com modernidade e, fundamentalmente, temos

de saber ensinar a usar as ferramentas e a informação disponível.

O desafio é que saibamos caminhar para um ensino 6.0, onde a

inteligência artificial, a realidade virtual, a realidade aumentada e a

internet das coisas são ferramentas de ensino e não inimigos que

se sobrepõem ao professor. O futuro exige um ensino personalizado

e customizado, onde o estudante vai poder ter um currículo

escolar seu, adaptado ao que pensa serem as competências que

necessita em cada momento. Esta forma de ensinar vai potenciar

o “lifelong learning” e o aprender em permanência com recurso à

certificação de competências e à aprendizagem por micro-credenciação.

Mas o ensino do presente (e do futuro) é, também, cada

vez mais baseado em projetos e em experiências práticas e na colaboração

com a comunidade e com as empresas.

Um ensino superior moderno vai ter de se preocupar com tudo

isso, mas também com a transferência de competências no domínio

socio emocional, na capacidade de criar pensamento inovador

e capacidade crítica. O futuro exige preocupações com a sustentabilidade

e a preservação do meio ambiente e com o bem-estar da

comunidade interna e externa.

A Universidade do futuro forma pessoas que sabem ser cidadãos

do mundo, capazes de contribuírem positivamente para a sociedade

e para os desafios que o futuro (já hoje) nos obriga a transpor.

Este futuro vai obrigar a pensar o ensino que fazemos e que queremos

fazer. Talvez ainda não tenhamos percebido que em Portugal

a organização num sistema binário pode não ser a melhor solução,

quando áreas de aprendizagem eminentemente tecnológicas

e direcionadas estão do lado clássico do ensino, ou áreas de saber

mais conceptual estão do lado do ensino aplicado. Talvez não tenhamos

percebido que a fuga de escolas politécnicas para instituições

universitárias é, tão só, a procura do maior prestígio atribuído

pela sociedade. Talvez o futuro passe mais por termos instituições

polivalentes e instituições especializadas. Talvez o futuro passe

por campus mais polivalentes e por cursos mais abertos e não por

escolas mono-curso. Certo é que estamos atrasados nesta discussão.

Os órgãos responsáveis pela condução do ensino, os centros

de investigação em política educativa e os professores e agentes

no terreno têm a obrigação de, o quanto antes, pensar que legado

querem deixar às novas gerações.

O Politécnico de Coimbra chega aos 45 anos com a noção do dever

cumprido. Apesar de uma organização a justificar alterações, de

uma máquina conservadora na forma de atuar, de um ambiente

local pouco empático, o facto é que continuamos a crescer e a

afirmarmo-nos regional, nacional e internacionalmente.

Neste ano em que fazemos 45 anos, podemos comemorar o facto

de nos sentirmos, e na Europa e no Mundo nos reconhecerem,

como Polytecnic University, de lecionarmos doutoramentos e, a

curto prazo, podermos outorgar o título de agregado. Aos 45 anos,

orgulhamo-nos de ter um corpo docente onde muitos fazem investigação

com regularidade e agora em centros titulados pelo próprio

Politécnico. Mas, acima de tudo, alegra-nos continuarem a ser

muitos os estudantes que anualmente nos procuram e muitas as

empresas disponíveis para construir saber connosco.

Estou certo de que os próximos 5 anos serão determinantes para

a evolução do ensino superior em Portugal e acredito que no Politécnico

de Coimbra saberemos escolher, em cada momento, as

melhores opções de governação e as melhores companhias para o

caminho que queremos fazer.

p 124

p 125



Politécnico de Coimbra

Jorge Veloso

— Presidente da União de Freguesias de São Martinho do Bispo e Ribeira de Frades

45 Anos — 45 Protagonistas

p 127

O Instituto Politécnico de Coimbra....

Quando pensamos em Coimbra, pensamos em estudantes, vida,

alegria, saudade... Coimbra é a cidade dos estudantes, a cidade da

Queima das Fitas, a cidade das capas negras. Uma vez estudante

de Coimbra, para sempre estudante de Coimbra, para sempre nostalgia.

Quem nesta cidade estuda nunca fica sozinho e leva para

sempre amizades e muitos vezes também o seu amor da vida toda.

Coimbra é marca cravada na eternidade de quem por cá passa.

O Instituto Politécnico de Coimbra é parte desta história, que fica para

sempre no coração de quem em Coimbra traça a sua capa. É parte

fulcral para o desenvolvimento local na União de Freguesias de São

Martinho do Bispo e Ribeira de Frades. É para nós um orgulho ser a

“freguesia sede” do IPC. A nossa freguesia é um exemplo de juventude

e vivacidade, fruto de todos os estudantes que nela passam a

residir temporariamente para estudar no ISCAC, ESAC e ESTeSC.

Toda esta afluência de estudantes é muito importante para o desenvolvimento

económico, social e cultural da freguesia de São Martinho

do Bispo. A dinâmica inerente à habitação trazida pelos estudantes é

inegável, bem como o seu espírito jovem e forma de estar leve.

O IPC oferece ensino de qualidade e diversificado, formando jovens

em áreas tão distintas como saúde, gestão, contabilidade,

agronomia, biotecnologia, entre outros, contribuindo para que a

procura pela sua oferta educativa seja muito elevada.

A União de Freguesias tem uma estreita ligação com o IPC, uma

relação de proximidade, confiança e amizade. Estamos gratos ao

IPC pelo contributo que este nos dá, fomentando e economia local,

o reconhecimento da freguesia e por ser uma peça fundamental

para que São Martinho do Bispo se mantenha “jovem” e “dinâmico”.

Os estudantes são uma peça essencial para a nossa região e o

IPC, por ser uma entidade reconhecida, responsável e inovadora

faz com que a procura pelo seu ensino seja cada vez maior e, em

consequência disso, também a procura pela nossa freguesia.

Na altura do seu 45.° aniversário, a União de Freguesias de São

Martinho do Bispo e Ribeira de Frades, pelo seu atual presidente

Jorge Veloso, salienta a importância da instituição em todas a suas

vertentes, educativas, sociais e desportivas, e deseja as maiores

felicidades e muito sucesso.

“E para o IPC não vai nada nada nada? TUDO”

DR



Politécnico de Coimbra

José Francisco Rolo

— Presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital

45 Anos — 45 Protagonistas

p 128

p 129

Bem hajam pelo grande serviço que prestam ao país!

Como Presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital,

felicito o Instituto Politécnico de Coimbra (IPC), uma das maiores

instituições de ensino superior portuguesas, por estes 45 anos ao

serviço da formação e qualificação dos portugueses.

Com uma história de quatro décadas e meia, o IPC é uma instituição

com uma grande diversidade de áreas de formação e com um papel

fundamental no desenvolvimento da nossa região e do país.

Oliveira do Hospital é desde 1999 – ano em que foi criada neste

concelho do interior do país a Escola Superior de Tecnologia

e Gestão de Oliveira do Hospital (ESTGOH) –, um município que

caminha lado a lado com o IPC.

Na verdade, a criação da ESTGOH, que se tem tornado como o

posto avançado do IPC no interior da Região Centro, representou

um grande passo para a descentralização do ensino superior

politécnico em Portugal. Uma aposta ganha!

Como Presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital

e em nome dos Oliveirenses, devemos portanto uma palavra de

reconhecimento ao IPC e a todos quantos contribuíram para a criação

da ESTGOH – uma escola superior que hoje se encontra consolidada

e que tem dado um grande contributo fundamental em termos da

dinamização do desenvolvimento regional e da coesão territorial.

A ESTGOH, que iniciou as atividades escolares no ano letivo de

2001/2002 em instalações cedidas pelo Município de Oliveira do

Hospital, tem hoje perto de 700 alunos e vários cursos com taxas

de empregabilidade muito elevadas, alguns com 100 por cento de

empregabilidade.

É, assim, uma aposta de sucesso, protagonizada pelo prestígio do

IPC e pela Escola Superior de Tecnologia e Gestão. Ambos estão no

caminho da excelência e a estruturar-se para a criação da região

metropolitana de Coimbra, desde a serra até ao mar.

Esta opção do IPC, é por isso muito importante e materializa-se em

actos, como o número e qualidade dos cursos oferecidos, incluindo

mestrados, como o de Negócios Internacionais, importante para

setores ligados à indústria e exportação alimentar, num contexto

da região envolvente.

Hoje, que a ESTGOH está consolidada, o IPC e o Município de

Oliveira do Hospital, no âmbito de um protocolo de cooperação,

estão assumidamente empenhados no futuro desta instituição de

ensino superior.

E no âmbito do espírito de cooperação que tem existido entre

as duas entidades, vai brevemente entrar em construção uma

residência com 100 camas para estudantes do ensino superior,

financiada pelo PRR – Plano de Recuperação e Resiliência.

Num compromisso claro e inequívoco de que a ESTGOH será

sempre uma importante alavanca para o desenvolvimento do

nosso concelho e da região, o Município de Oliveira do Hospital

realizou já o projecto de arquitectura para a nova Escola Superior

de Tecnologia e Gestão e a candidatura para a primeira fase da

construção, projectada para mil alunos, já foi formalizada pelo IPC

junto da CCDRC/Centro 2030.

A criação de uma nova escola e de uma residência para estudantes

representam, assim, avanços significativos que visam fortalecer o

ensino superior, proporcionando uma melhor formação e aumentando

o bem-estar e a empregabilidade dos estudantes locais.

Nestes 45 anos da instituição, é obrigatório deixar aqui, nas páginas

deste livro, uma palavra de reconhecimento ao Presidente do IPC,

Professor Doutor Jorge Conde, e a toda a sua equipa, pela forma

como tem presidido aos destinos da instituição, introduzindo-lhe a

modernidade e a inovação que os novos tempos exigem.

Presto também o nosso público reconhecimento a todas e a

todos os que durante, estes 45 anos, contribuíram para que o

agora Instituto Politécnico de Coimbra | Polytechnic University of

Coimbra chegasse a este patamar de excelência.

Bem hajam pelo grande serviço que prestam ao país!

DR



Politécnico de Coimbra

José Manuel Silva

— Presidente da Câmara Municipal de Coimbra

45 Anos — 45 Protagonistas

p 130

p 131

Politécnico de Coimbra tem contribuído para concretizar

o imenso potencial do concelho

Atualmente, é cada vez mais notório que o avanço das sociedades

está profundamente relacionado com a preservação de um ensino

superior de qualidade e com um investimento estratégico na

inovação. A forte aposta na formação, sobretudo quando se alia

a investigação à componente prática, é basilar para o desenvolvimento

dos territórios e das comunidades, com tradução num forte

impulso das instituições.

Nesse sentido, a Câmara Municipal (CM) de Coimbra, ao longo dos

últimos dois anos, tem trabalhado para tornar o concelho uma primeira

escolha para os investidores e para os criadores de emprego,

tirando partido dos nossos excelentes sistemas de ensino e de

saúde, bem como da nossa centralidade geográfica, cosmopolitismo

e de uma renovada capacidade de atração de jovens de todo o

mundo para estudar, trabalhar e viver.

Temos apostado na transformação de Coimbra, reforçando a nossa

marca e destacando as suas múltiplas vantagens. Finalmente,

Coimbra mostra que está a posicionar-se para alcançar novos patamares

de desenvolvimento com efeitos para a qualidade de vida

e para o bem-estar dos seus munícipes.

É nesta senda que encontramos também o Politécnico de Coimbra,

a contribuir e a concretizar o imenso potencial do concelho.

Com a celebração do seu 45º aniversário, o Politécnico de Coimbra

conta já com uma reputação sólida na formação, integrando

seis unidades de ensino que abrangem uma grande diversidade de

áreas de formação, adaptada ao mercado de trabalho e com uma

extraordinária vocação para a investigação e para as sinergias com

as empresas, nomeadamente através do i2A e do INOPOL. Sem

dúvida alguma, o IPC afirmou-se como um dos principais ativos do

concelho de Coimbra.

Após estes 45 anos, o desafio passa agora por dar continuidade

a este caminho de forma criativa e inovadora, com tradução no

desenvolvimento de um espírito crítico e empreendedor. Com o

objetivo de apostar no desenvolvimento local e regional, desejando

que os profissionais recém-formados tenham condições de se

fixar no concelho.

Para tal, continuar a trabalhar com todas as instituições de Coimbra

tem sido crucial para promovermos e para acelerarmos a criação

de emprego e a fixação de investimento. Acreditamos que o

Politécnico de Coimbra, com o apoio da CM de Coimbra e daqueles

que têm investido e acreditado na região, pode permitir aos jovens

expandirem a sua energia e a sua criatividade, concretizando

as suas ideias inovadoras, oferecendo sólidas oportunidades de

emprego e condições propícias para construir e para desenvolver

um excelente futuro no nosso território.

DR



Politécnico de Coimbra

José Daniel

Alves Pereira

45 Anos — 45 Protagonistas

— Alumni e Ex-Presidente da Associação de Estudantes do ISEC

p 132

p 133

É uma nostalgia enorme relembrar os anos que passei no Politécnico

de Coimbra, onde estudei Engenharia Civil no Instituto Superior de

Engenharia de Coimbra.

Lembro-me como se fosse ontem o primeiro dia que entrei no ISEC,

a excitação de querer viver todo o ambiente académico que caracteriza

Coimbra. Os anos que ali passei foram repletos de aprendizagem,

de crescimento pessoal e profissional e, acima de tudo, de

muitas conquistas e desafios.

Sendo um defensor nato da componente prática no ensino, porque

sinto que a “meter as mãos na massa” é que se aprende, ir para

o ISEC foi sem dúvida a melhor opção que poderia ter tomado. O

ambiente de aprendizagem era dinâmico e estimulante, com aulas

práticas e visitas de estudo ao tecido empresarial. Tudo isto incentivou-me

a ter mais conhecimento e a desenvolver aquilo que

seria o meu futuro enquanto profissional na área de Engenharia

Civil, mas as maiores valências que levei do meu percurso nesta

instituição foram sem dúvida a partir do momento em que entrei na

Associação de Estudantes do ISEC. Aliar o associativismo ao tecido

empresarial, na organização da FENGE, sempre foi algo que me

fascinou e que abracei com toda a dedicação, contudo, a vontade

de fazer mais e representar os meus colegas na luta pelas suas

necessidades e interesses falou mais alto e no ano seguinte acabei

por abraçar o desafio de presidir a direção da AE ISEC com uma

equipa fantástica.

Tendo em conta os grandes desafios que nos esperavam, e a reforma

que o Politécnico de Coimbra necessitava, desde do início do

mandato que tentámos fomentar junto das restantes Associações

de Estudantes do Politécnico de Coimbra um espírito de união e de

cooperação. Sabíamos que juntos seríamos mais fortes.

Lutámos por causas comuns e conseguimos melhores cantinas,

melhores condições nas residências, e no geral várias melhorias

ao nível da ação social proporcionando um maior conforto aos

nossos estudantes.

Proporcionámos também, uma receção aos novos estudantes em

conjunto, fomentando a união entre todos os institutos do Politécnico

de Coimbra. Conseguimos ainda estabelecer uma forte relação

de cooperação com a AAC, tendo representado os estudantes

do Politécnico no recinto da Latada.

A união com a AAC não se cingiu aos eventos recreativos, tendo

existido uma parceria também ao nível de política educativa, no

caminho de melhores condições para todos os estudantes não só

da cidade, mas também a nível nacional.

Ao nível do desporto, mantivemos presença assídua em diversas

modalidades nas competições da FADU, dando o pontapé de saída

para o que hoje é a marca Politécnico de Coimbra no desporto

Universitário.

Enquanto antigo estudante e antigo dirigente associativo, vejo hoje

um politécnico diferente, melhor, como uma marca mais reconhecida

e assertiva. No entanto, o caminho para a excelência não termina aqui.

Vivemos hoje tempos de constante evolução, a um ritmo quase

exponencial ao nível de avanços tecnológicos com novas técnicas,

novos materiais e novas ideias. É crucial que o ensino acompanhe

estes avanços e se atualize, tanto a nível académico como a nível

de infraestruturas. Só desta forma podemos continuar a fornecer

um ensino de excelência a quem opta por estudar no Politécnico

de Coimbra, e continuar a conseguir que este se diferencie pela

positiva atraindo aqueles que, como eu, se identificam com o tipo

de ensino que aqui se pratica.

Parabenizo o Politécnico de Coimbra pelos seus 45 anos, e a todos

os que contribuíram e aos que continuam a contribuir para construir

uma instituição de referência.



Politécnico de Coimbra

José Luís Marques

Diretor da Escola de Hotelaria e Turismo de Coimbra

45 Anos — 45 Protagonistas

p 134

p 135

O sucesso do Ensino Superior voltado para o Mercado e o Emprego

É com muito gosto e muito honra que participo, com o presente testemunho,

no Livro dos 45 Anos do Politécnico de Coimbra. Faço-o

numa dupla perspetiva, como antigo aluno e como representante

de uma organização parceira, aqui através do trabalho conjunto e

reunião de sinergias com algumas das escolas que compõem esta

prestigiada instituição.

Cheguei ao Politécnico de Coimbra já na fase da minha formação

pós-graduada, tendo realizado a Pós-graduação em Gestão Turística

e Hoteleira (2011-2012) e o Curso de Especialização em Turismo

de Interior – Educação para a Sustentabilidade (2014-2015),

ambos os percursos de ensino e formação na Escola Superior de

Educação de Coimbra. Desde logo e também nos dois casos, me

apercebi da qualidade do ensino politécnico, respetivos professores

e professoras, bem como do foco na ligação do conhecimento

ministrado ao mercado em que a área de estudos se integra. Isto

para uma melhor preparação dos seus alunos e melhor inserção

destes no mundo do trabalho, sem esquecer a possibilidade de

prosseguimento de estudos para graus académicos mais elevados.

Marca indelével do ensino politécnico, que na nossa região as escolas

do Politécnico de Coimbra tão bem assumem e implementam.

A minha outra vertente de stakeholder do Politécnico de Coimbra,

como referido acima, dá-se pelas várias parcerias que existem entre

esta instituição e a organização que represento e atualmente

dirijo, a Escola de Hotelaria e Turismo de Coimbra (EHTC). Em primeiro

lugar, pela criação e lecionação conjunta da já referida Pós-

-graduação em Gestão Turística e Hoteleira, que funcionou durante

cerca de 10 anos e que muitas centenas de profissionais formou,

especializou, para a área do Turismo e da Hotelaria na nossa região

e no nosso país. Em segundo lugar, pela criação e lecionação conjunta

da Licenciatura em Gastronomia, até há muito pouco tempo

oferta única no país, extraordinário percurso de educação e formação

que envolve três escolas do Politécnico de Coimbra (Escola

Superior de Educação - tutela do curso -, Escola Superior Agrária

e Escola Superior de Tecnologia da Saúde) e a EHTC. Em terceiro

lugar, finalmente, pela colaboração também prolongada no tempo,

com a Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Coimbra, através

do acolhimento dos estágios dos alunos e alunas da Licenciatura

em Dietética e Nutrição, com resultados muito positivos, quer para

a EHTC, quer para os(as) estagiários(as) em questão. De facto, e a

cada ano, verificávamos que a qualidade daqueles(as) alunos(as)

era muito elevada, nomeadamente pelo trabalho realizado nas diversas

áreas em que lhes colocávamos desafios. Qualidade do trabalho

aferida pelos conhecimentos e competências evidenciados,

pelos graus de autonomia e iniciativa revelados e pelos resultados

alcançados no final dos estágios, tendo em conta o plano inicial de

trabalho, se bem definido, melhor concretizado ainda. Dizíamos,

dizemos, com este perfil e padrão de alunos e alunas é porque –

sem retirar o mérito dos próprios – a formação ministrada naquela

escola (a ESTeSC) é de altíssima qualidade!

Qualidade, mas também eficiência, eficácia e sucesso, são alguns

conceitos que me surgem quando ao Politécnico de Coimbra, e

suas escolas, me tenho de referir. Mas também gratidão, pelos ensinamentos

que recebi como aluno e pela confiança que a minha

organização recebe como parceira institucional.

Muitos parabéns Politécnico de Coimbra!

DR



Luís Antunes

— Presidente da Câmara Municipal da Lousã

45 Anos — 45 Protagonistas

p 137

Juntos Erguemos Sonhos

É sob este lema que o Instituto Politécnico de Coimbra se rege e

com o qual não poderia concordar mais.

Aliada à capacidade de sonhar, é através do trabalho em conjunto

que acredito que mais podemos contribuir, todos os dias, para uma

sociedade e um Mundo melhor.

O Instituto Politécnico de Coimbra tem, desde a sua fundação em

1979, dotado os seus muitos milhares de alunos de ferramentas

atualizadas, pertinentes e adaptadas à realidade do Mundo que os

rodeia e que o mercado de trabalha solicita.

Alia, de forma equilibrada, o ensino do conhecimento científico ao

saber fazer, à prática, à aplicação do conhecimento.

Uma marca muito importante do trabalho do IPC, especialmente

nestes últimos anos, é a ligação ao território e, em particular, à

Região de Coimbra, que se evidencia de variadas formas.

No que ao Município da Lousã diz respeito, temos encontrado

sempre no Instituto Politécnico um parceiro disponível, cooperativo

e que tem acrescentado valor aos vários projetos que temos

realizado em comum e dos quais não posso deixar de destacar o

“Lousã Green School” que tem como objetivos reforçar a presença

do Instituto na Região e permitir a valorização do capital humano

em áreas tão importantes como a Floresta, os seus diversos usos e

o desenvolvimento sustentável.

Certo de que ainda teremos muito futuro pela frente e muitos projetos

a desenvolver, desejo as maiores felicidades a todas e a todos

aqueles que fazem do Instituto Politécnico do Coimbra uma

instituição de referência no País e no Mundo.

Juntos continuaremos a transformar sonhos em realidades sustentáveis.

DR



Politécnico de Coimbra

Luís Roseiro

— Provedor do Estudante do IPC

45 Anos — 45 Protagonistas

p 138

p 139

A minha ligação ao Instituto Politécnico de Coimbra (IPC) começou

em novembro de 1993, no Departamento de Engenharia Mecânica

do ISEC. Tive a sorte de integrar uma Instituição que me acolheu

de braços abertos, que me motivou e que desde o primeiro momento

sinto como uma família. A profissão de Docente revelou-se

cativante e desafiadora, impulsionando a minha opção por esta

carreira. Tenho vivenciado esta ligação de forma entusiástica, em

conexão com a investigação aplicada que desenvolvo. Consciente

da importância dessa interligação, tive a oportunidade de criar o

Laboratório de Mecânica Aplicada, espaço onde anualmente dezenas

de estudantes têm a oportunidade de realizar atividades

experimentais relacionadas com a mecânica estrutural, bem como

desenvolver projetos envolvendo protótipos funcionais mecânicos

e biomecânicos, em ligação com a indústria e com várias instituições

médicas e desportivas. Esta experiência assumiu e assume

um papel determinante na minha motivação, sempre com o envolvimento

direto dos estudantes e alinhada na missão social do IPC.

O interesse pela biomecânica levou a assumir um novo desafio, coordenando

uma equipa que criou o Laboratório de Biomecânica Aplicada

(LBA), que integra o i2A-IPC desde 2015. O LBA assume uma natureza

multidisciplinar, acolhendo estudantes que realizam trabalhos de

projeto, teses de Mestrado e de Doutoramento. Tem sido o berço de

diversos protótipos funcionais, em estreita ligação com a sociedade,

alinhando o ensino com a investigação e contribuindo para o desenvolvimento

tecnológico e a promoção do bem-estar social.

Além das responsabilidades de Docente, a participação em atividades

de gestão na instituição, especialmente no domínio pedagógico,

levou-me a ocupar o cargo de diretor do curso de licenciatura

em Engenharia Mecânica e posteriormente a coordenar o Conselho

Pedagógico do ISEC, do qual tive a honra de presidir entre 2016 e

2021. No seguimento destas experiências, e talvez pelas constantes

reflexões e interesse na pedagogia e no ensino da engenharia,

fui desafiado a assumir as funções de Provedor do Estudante do

IPC, cargo que ocupo com orgulho desde julho de 2021. Apesar do

enorme desafio que estas funções acarretam, é o sentimento de

gratificação em poder contribuir para a garantia e promoção dos

direitos dos estudantes, assim como para a melhoria da qualidade

do ensino oferecido pelo IPC que me têm motivado. Esta experiência

tem permitido conhecer de muito perto a realidade e grandeza

do IPC, assim como a sua enorme riqueza. A interação com vários

atores do IPC, desde logo os estudantes que recorrem à Provedoria,

passando pelas associações de estudantes e responsáveis

pelos conselhos pedagógicos, a que associo a presidência do IPC

e das Unidades Orgânicas e a equipa dos SAS-IPC, tem sido muito

gratificante e motivadora, mostrando-me uma Instituição alinhada

com o sucesso e bem-estar dos seus estudantes.

O IPC é reconhecido como uma instituição de referência no ensino

superior em Portugal, notabilizando-se pela qualidade da formação

ministrada nos seus cursos, excelência na investigação aplicada e

compromisso com o desenvolvimento regional e nacional. A história

destes 45 anos demonstram que ao longo dos anos o IPC tem

formado profissionais altamente qualificados, desempenhando um

papel fundamental no avanço socioeconómico não apenas da região

de Coimbra, mas também do país como um todo. Parabéns

IPC, na certeza de que a linha está bem definida, e que foi, é e será

a do sucesso.



Politécnico de Coimbra

Lurdes Pina

— Funcionária não docente aposentada da ESTeSC

45 Anos — 45 Protagonistas

p 140

p 141

Que posso dizer sobre a ESTeSC/IPC e vivência durante os 32 anos

que lá exerci funções?

Para já refiro que foi um grande orgulho participar em todos os

momentos relevantes desta instituição, que me é tão querida e ter

conhecido e trabalhado com personalidades e seres humanos fora

de série. Foi um grande privilégio.

O testemunho que posso evidenciar durante estes anos, foi o de

grande admiração por todos aqueles que conseguiram com muito

trabalho, abnegação e persistência, levar a escola a um patamar

tão elevado, como é reconhecido hoje por todos;

Os esforços e os obstáculos que surgiram ao longo destes anos

foram muitos, mas no final os resultados estão à vista;

Os aspetos que considero mais relevantes na evolução da Escola,

foram os seguintes:

- A concretização da construção de uma escola de raíz (foi uma

grande conquista);

- A aprovação superior do Mapa de pessoal, no início da escola, e

mais tarde o Quadro de pessoal;

- Aprovação e criação bem como a implementação de novos cursos

e respetivos planos de estudo;

- Implementação do Curso Complementar de Ensino e Administração

e respetivos planos de estudo;

- Aprovação posterior do CESE - curso de estudos superiores especializados;

- Transição para o Ensino Superior, uma das mais importantes conquistas

de toda a comunidade escolar;

- A existência da Primeira Assembleia de Representantes (Constituída

por docentes, não docentes e alunos, eleitos pelos seus pares);

- Elaboração e aprovação dos primeiros Estatutos da Escola;

- Realização da primeira eleição do Presidente da Escola (Anteriormente

a designação do Diretor/Presidente era feita por nomeação

da tutela);

- Reorganização das diversas estruturas da Escola;

- Ampliação das instalações para mais salas de aula, gabinetes,

laboratórios e reestruturação dos serviços;

- Decisão e aprovação sobre a integração da Escola no Instituto

Politécnico de Coimbra;

- Integração no IPC;

- Participação da Escola na eleição do Presidente do IPC;

- Adequação dos Estatutos da Escola aos Estatutos do IPC;

- Reestruturação e adequação de procedimentos em função das

alterações verificadas com a entrada da Escola no IPC;

- Implementação do Sistema de Gestão da Qualidade com a realização

de auditorias externas com vista à sua certificação;

- Dinamização do projeto Erasmus, quer para docentes, não docentes

e alunos;

Para além do que aqui foi dito, havia muito mais a dizer, e que foi

muito importante, pois a Escola foi e continua a ser uma fonte de

iniciativas, com projetos ambiciosos que a prestigiam quer a nível

nacional quer internacional.

Tudo isto vale por dizer que as instituições normalmente têm êxito

quando o foco é direcionado para as pessoas de forma a promover-se

um bom ambiente pessoal e profissional.

Não quero deixar de referir que o meu contato com os Serviços

Centrais do IPC e as outras Instituições não foram muitos, mas todos

aqueles que tive, sempre foram pautados pelo respeito, cordialidade,

colaboração e entreajuda.



Politécnico de Coimbra

Mafalda Pinto

— Presidente da Associação de Estudantes da ESEC

45 Anos — 45 Protagonistas

p 142

p 143

Desde a sua fundação o Politécnico de Coimbra, tornou-se uma

das maiores instituições de ensino superior portuguesas, agregando

seis unidades orgânicas das mais variadas áreas de ensino. A

prova da sua reputação de excelência e de todo o seu sucesso,

é que ano após ano o número de estudantes, vindos de todas as

partes do país, que escolhem esta instituição, é cada vez maior.

Ao longo destes 45 anos de história o Politécnico de Coimbra tem

vindo a destacar-se pela sua aposta na internacionalização, enriquecendo,

assim, o ambiente académico com a diversidade cultural e

promovendo uma visão global entre os seus estudantes e docentes.

Além disto, o IPC destaca-se pela sua firme aposta na inovação e

na investigação através de centros de investigação de excelência e

projetos colaborativos. O Politécnico tem contribuído para o avanço

do conhecimento em diversas áreas, bem como para o desenvolvimento

de soluções práticas e inovadoras para os desafios da

sociedade contemporânea.

É também relevante destacar o papel do Politécnico de Coimbra

como uma instituição de proximidade, estando profundamente

enraizado na comunidade local e regional, através de iniciativas e

programas de responsabilidade social e projetos de empreendedorismo,

que demonstram o seu compromisso com o desenvolvimento

sustentável e o bem-estar da sociedade em que se insere.

Tenho o orgulho de poder dizer que o Politécnico de Coimbra foi

a minha primeira escolha, e não podia estar mais feliz com esta

decisão. Todas as expectativas que tinha quando me candidatei

foram superadas, desde a metodologia de ensino, os conteúdos

programáticos, ao ambiente vivido...

As experiências que tenho vivenciado ao longo destes três anos,

quer como aluna da Escola Superior de Educação de Coimbra, quer

como dirigente associativa, permitiram-me crescer e desenvolver

novas capacidades, que certamente não poderia desenvolver

numa instituição que não tivesse um ambiente tão inclusivo e diversificado

como o IPC.

Assim, neste marco significativo dos 45 anos de história, é justo

reconhecer e celebrar o papel vital que o Politécnico de Coimbra

desempenha na educação, na investigação e no progresso de Portugal

e do mundo. Que continue a trilhar o caminho da excelência

e da inovação, inspirando gerações presentes e futuras a alcançar

os mais altos patamares de sucesso e realização. Parabéns, Politécnico

de Coimbra!



Politécnico de Coimbra

Marcela Ribeiro

— Presidente da Associação de Estudantes da ESTGOH

45 Anos — 45 Protagonistas

p 144

p 145

O Instituto Politécnico de Coimbra celebra, em 2024, 45 anos, proporcionando

ao longo desta jornada um ensino de qualidade, onde

prepara os estudantes para o mercado de trabalho e contribui para

o desenvolvimento regional e nacional, valorizando a inovação, a investigação

aplicada e a ligação com a comunidade e as empresas.

Ao longo destes 45 anos, o IPC tem marcado as vidas de vários estudantes,

tornando-se um marco verdadeiramente importante na

vida destes, não só ao nível académico e profissional, mas também

ao nível social e emocional.

A fase de mudança, quando passamos do ensino secundário para o

ensino superior, não é fácil, ainda mais quando estamos a estudar

longe de casa. Todos os estudantes passam por essa fase de

adaptação, o grande passo entre a adolescência e a vida adulta

onde temos de agir por nós próprios e onde começamos a aprender

a gerir a nossa vida.

Relatando um pouco do meu percurso na ESTGOH, posso dizer que

o primeiro impacto foi deveras complicado: o facto de não conhecer

ninguém, não conhecer bem a cidade de Oliveira do Hospital

e estar longe de casa foi um pouco assustador. Contudo, como

o velho ditado português nos diz, “depois da tempestade vem a

bonança”, e foi em Oliveira do Hospital, nesta pequena cidade no

meio da serra, que encontrei outra metade de mim, onde conheci

pessoas incríveis, onde vivi histórias que me vão ficar eternamente

da memória. Foi aqui que encontrei uma segunda casa.

O facto de a ESTGOH ficar no interior do distrito de Coimbra, dá-

-nos outra perspetiva e noção da beleza desta cidade. É aqui em

Oliveira do Hospital, longe da confusão, que podem ver uma comunidade

inteira reunida para vos ajudar, onde 7.500 habitantes

são uma família e te acolhem da melhor maneira possível, onde

podemos ver as paisagens mais belas e onde, certamente, ficam

as histórias mais bonitas.

Nos últimos 23 anos, a ESTGOH tem evidenciado significativas melhorias

e uma crescente procura ao nível curricular, com cada vez

mais alunos interessados, não apenas em estudar, mas, também,

em viver em Oliveira do Hospital. Este fenómeno deve-se, em grande

parte, ao carácter acolhedor da cidade, situada nas proximidades

da Serra da Estrela, que cativa os estudantes pela sua beleza

e simpatia, deixando-os completamente encantados. É graças ao

IPC que conseguimos ter esta experiência memorável, enquanto

nos preparamos para ser profissionais exemplares e, por isso,

passados 45 anos desde a sua criação, vemos, cada vez mais, o

nome do Politécnico de Coimbra afirmar-se como uma instituição

de prestígio e sucesso.



Politécnico de Coimbra

Maria Manuel

Leitão Marques

45 Anos — 45 Protagonistas

— Presidente do Conselho Geral do IPC

p 146

p 147

45 anos, e os próximos?

Quem olha a primeira vez para o Instituto Politécnico de Coimbra

(IPC) pode pensar que está perante uma instituição algo singular,

com escolas com mais de 100 anos e outras muito mais recentes.

Mas se analisarmos outras instituições do ensino superior vemos

que são até parecidas. Também elas foram alargando os seus estudos

a outras áreas e reorganizando o seu funcionamento em função

disso. A diferença do IPC foi não ter nascido com uma marca

comum, ou seja, de a sua marca se ter sobreposto à de escolas

bem consolidadas já existentes. Não foi seguramente fácil essa

transição, mas hoje ela é um dado adquirido e creio que todas as

partes sabem o que ganham com uma marca e liderança comuns,

no presente e especialmente no futuro.

Se olharmos para os desafios que enfrenta o ensino superior e a

investigação científica em Portugal, ainda se torna mais clara a

importância de um interlocutor único no diálogo interinstitucional

incontornável que terá de haver num futuro muito próximo, conducente

a uma maior cooperação com outras instituições.

São vários os desafios que apontam para o papel crucial desse

diálogo. Enumero apenas alguns: uma demografia adversa ao nível

nacional e regional suscetível de diminuir a procura, sem compensação

na atração de novos públicos, considerando as necessidades

de formação ao longo da vida; uma concorrência acrescida na

atração de alunos, o que impõe para além a qualidade do ensino, a

atenção ao bem-estar nas instituições, uma política de bolsas, uma

carteira de estágios diversificada e oportunidades de emprego à

vista; uma maior competitividade também no financiamento da investigação,

o que exige dimensão crítica e fixação de recursos;

a inevitável racionalização da oferta, diminuindo sobreposições e

reforçando especializações; ou o esforço redobrado de internacionalização,

tanto no ensino, como na investigação.

Todos eles convergem para que as diferentes instituições do ensino

superior sejam obrigadas, no mínimo, a trabalhar mais em modo

de ”co-opetition”, ora valorizando a cooperação ora a concorrência,

e por vezes mesmo em modo apenas de cooperação. Para que tal

aconteça, é preciso ter uma visão estratégica, construída com todas

as partes, e uma liderança que a possa prosseguir.

Sei que não é fácil gerir o dia a dia de uma instituição grande como

a nossa - o seu financiamento, as reivindicações dos seus estudantes,

docentes e funcionários, as respostas imediatas que é

preciso dar - e, ao mesmo tempo, preparar o futuro. Mas esse é

mesmo o desafio urgente e incontornável que temos pela frente.

Da minha experiência como Presidente do Conselho Geral, tenho a

certeza que não o ignoramos coletivamente e que, pensando bem,

até sabemos como o enfrentar. Mesmo que essa tarefa seja tudo

menos fácil, um bom futuro está ao nosso alcance.



Politécnico de Coimbra

Maria Teresa Cardoso

— Presidente da Câmara Municipal de Anadia

45 Anos — 45 Protagonistas

p 148

p 149

Enquanto agentes de criação de conhecimento, tecnologia, inovação

e riqueza humana, os institutos politécnicos são entidades fundamentais

para o desenvolvimento económico e social do país. Facilitam a

oportunidade de acesso ao ensino superior e dão resposta às reais

necessidades de recursos humanos qualificados.

O Instituto Politécnico de Coimbra é um excelente exemplo desta

parceria entre o ensino e a sociedade. A vertente profissionalizante

dos cursos que ministra, a adaptação do ensino às carências de

mão de obra da região e do país, a estreita ligação com a comunidade

envolvente e a forte aposta no empreendedorismo são algumas

das mais-valias desta instituição de ensino superior, localizada

na Região Centro há 45 anos. O Instituto Politécnico de Coimbra

é hoje uma referência incontornável, com uma notoriedade indiscutível,

com uma história marcada por crescimento, inovação e progresso,

e com um futuro que se vislumbra muito promissor.

A Câmara Municipal de Anadia reconhece e enaltece a importância

do Instituto Politécnico de Coimbra, que muito tem contribuído

para o enriquecimento da região, e, entre vários projetos, destaca

a criação da Escola da Bairrada, um polo do Instituto Politécnico de

Coimbra a instalar em breve nos concelhos de Anadia e Mealhada,

que resulta de um acordo formalizado no final de 2023 entre

as três partes interessadas. Este projeto irá, com toda a certeza,

acrescentar valor para pessoas, empresas e agentes do território e

será também uma prova viva de que vale a pena apostar na região

da Bairrada e nas suas potencialidades. Acreditamos que esta parceria

vai valorizar muito o concelho de Anadia e a região da Bairrada,

particularmente em setores-chave como educação, inovação,

criatividade e empregabilidade.

Por tudo isto, a Câmara Municipal de Anadia felicita o Instituto Politécnico

de Coimbra pelo seu 45.º aniversário, desejando-lhe as

maiores felicidades no cumprimento da sua missão tão crucial para

a região e o país, e fazendo votos para que, nos próximos 45 anos,

o concelho de Anadia continue a fazer parte da história desta instituição

tão importante!

DR



Politécnico de Coimbra

Marta Henriques

— Diretora do Instituto de Investigação Aplicada (i2A)

45 Anos — 45 Protagonistas

p 150

p 151

Estas breves palavras, no contexto da comemoração dos 45 anos

do Instituto Politécnico de Coimbra, procuram refletir a minha experiência

ao longo dos 23 anos em que tenho sido parte da Instituição.

Para tal, centram-se numa área que me é tão cara, como vital

para a instituição, a investigação e inovação.

Para além da celebração, os aniversários são momentos de balanço.

Antes de prosseguir, importa afirmar que sou otimista. Por

conseguinte, neste aniversário, ao reconhecer as conquistas passadas,

as dificuldades quotidianamente sentidas, a conjuntura externa

atual e os desafios vindouros, quero deixar expressa esperança

e determinação para o futuro.

Desde o início da minha jornada no IPC, tenho testemunhado de

perto diversos marcos que moldaram o contexto da investigação e

inovação. Um desses momentos consistiu na criação, em 2002, do

Centro de Recursos Naturais, Ambiente e Sociedade (CERNAS), um

passo crucial que impulsionou a presença do IPC no cenário científico

nacional e internacional. Apesar de hoje podermos afirmar que

o CERNAS é uma estrutura reconhecida e consolidada, permitindo-

-nos aspirar, como instituição, ir mais além através da contribuição

para a educação avançada ao nível dos doutoramentos, “o seu caminho

fez-se caminhando” tendo contado com muitos desafios e o

trabalho árduo de todos os que o integram. Contudo, atualmente,

um “único” CERNAS não é suficiente. Precisamos de mais.

Outro marco importante foi a constituição do Instituto de Investigação

Aplicada (i2A). Desde 2015, esta unidade orgânica tem reforçado

o compromisso do IPC com a excelência na investigação aplicada

e transferência de conhecimento para a sociedade. Com uma

abordagem prática e orientada para soluções, o i2A tem desempenhado

um papel crucial no desenvolvimento da investigação,

inovação e colaboração intra e interinstitucional, nomeadamente

com o setor empresarial e outras instituições. Não obstante a satisfação

com as palavras da CAE da A3ES no relatório da Avaliação

Institucional, em que refere que: “Importa salientar o papel do i2A

como agregador da investigação realizada no IPC, o que permitirá

consolidar a investigação e fomentar o seu crescimento no futuro

próximo”, é minha forte convicção que só o conseguiremos com

mais recursos materiais e humanos, capazes de alavancar, ainda

mais, e de forma sustentada, o atual reconhecimento, dinamismo e

capacidade de resposta.

Em 2024, estamos a viver uma nova fase de afirmação institucional,

através da consolidação, formalização e integração de várias

equipas da instituição em diversas Unidades de I&D no IPC. Esta

expansão reflete a necessidade de criar condições internas para

estimular a investigação em diversas áreas do conhecimento, envolvendo

toda a comunidade académica e comprometendo-se

continuamente com a inovação e a excelência em áreas fundamentais

do IPC. Com a criação de novas Unidades de I&D ou Polos

reconhecidos pela FCT, nas áreas da Educação, da Saúde, dos Estudos

Organizacionais e Sociais, do Desporto, da Gestão de Ativos

e da Engenharia de Sistemas, para além das Ciências Agrárias, do

Ambiente e do Turismo, estamos a assegurar uma resposta efetiva

aos desafios societais, mas também a progredir rumo a novas

fronteiras do conhecimento e inovação, tornando o IPC ainda mais

atrativo, naquela que é a sua principal dimensão, o ensino e a formação

técnica e científica de pessoas altamente qualificadas.

Mais que em meras palavras ou intenções, o futuro deve ser alicerçado

em ações concretas e tangíveis. Como tal, é crucial reconhecer

aqueles que contribuem diariamente na captação de recursos e

prestígio científico para a instituição. Isso inclui, entre várias outras

medidas, implementar uma estratégia que apoie às equipas de investigação

e promova o seu crescimento.

Por fim, considero que a investigação é uma das dimensões com

mais potencial de crescimento para o IPC.



Politécnico de Coimbra

Mário Velindro

— Presidente do ISEC

45 Anos — 45 Protagonistas

p 152

p 153

Há 45 anos, o Instituto Politécnico de Coimbra tem sido uma das

instituições que tem promovido o desenvolvimento académico, a

inovação e o progresso na região e no país. Desde a sua criação,

tem desempenhado um papel vital na formação de profissionais

qualificados e na promoção do desenvolvimento social e económico.

Desde a sua existência, o IPC tem-se destacado pela sua dedicação

ao ensino de qualidade e pelo compromisso com a comunidade.

Os professores, funcionários e parceiros têm contribuído de

forma significativa para o crescimento e prestígio da instituição.

Neste marco de 45 anos, é importante reconhecer e celebrar todas

as conquistas e sucessos alcançados.

Ao olharmos para o futuro, é notório que há espaço para crescimento,

considerando que há áreas que merecem mais atenção e

investimento como a inovação, a investigação e a prestação de

serviços à comunidade.

O Instituto Politécnico de Coimbra deve ser um agente de mudança

no ensino superior, aproveitando a sua localização geográfica e

posicionando-se como um agente ativo na transformação positiva

da sociedade.

Parabéns ao Instituto Politécnico de Coimbra pelos seus 45 anos.

Que os próximos anos sejam marcados por realizações verdadeiramente

notáveis e por um impacto duradouro na educação e na

sociedade em geral.



Politécnico de Coimbra

Nuno Lopes

— Presidente do Conselho Empresarial da Região de Coimbra (CERC)

45 Anos — 45 Protagonistas

p 154

p 155

Neste livro comemorativo dos 45 anos de actividade do Politécnico

de Coimbra, realçamos o seu reconhecido mérito no meio educacional

nacional e internacional, com forte interligação com o tecido

empresarial. Relação simbiótica entre a instituição e o setor

empresarial tem sido uma fórmula de sucesso para a formação de

profissionais altamente qualificados e adaptados às necessidades

reais do mercado de trabalho.

Ao longo das últimas décadas, o Politécnico de Coimbra tem-se

destacado pela sua capacidade de inovação e pela oferta de programas

educacionais ajustados não apenas às necessidades de

um mercado de trabalho em constante evolução, mas também aos

desafios impostos pela sociedade. A aposta em cursos com elevada

aplicabilidade prática facilita a integração profissional e a proposta

de valor dos seus alunos.

A interação com o tecido empresarial manifesta-se de diversas

formas, desde a realização de estágios, projetos de cooperação

com empresas até à participação direta de profissionais de unidades

privadas nas atividades curriculares, garantindo assim que o

ensino administrado e as inovações desenvolvidas estejam alinhados

com as necessidades do mercado. Esta dinâmica confere aos

estudantes uma perspectiva realista e atualizada do ambiente de

trabalho que os aguarda, dotando-os não apenas do conhecimento

técnico necessário, mas também das competências sociais e de

gestão solicitadas pelo mercado.

Pode-se então constatar que a relação do Politécnico de Coimbra

com o setor empresarial tem sido uma via com dois sentidos, onde

o benefício é mútuo. As empresas ganham acesso a uma força de

trabalho qualificada e adaptada às suas reais necessidades, e por

outro lado, o Politécnico beneficia do apoio do setor privado para

ajustar os seus currículos e métodos de ensino, garantindo assim a

relevância e a qualidade da educação que proporciona.

Neste contexto, a celebração dos 45 anos do Politécnico de Coimbra

não é apenas um marco académico, mas também um testemunho

do impacto positivo que a instituição tem tido na sociedade.

Legado de cooperação e inovação com as empresas é, sem dúvida,

uma das suas maiores contribuições para o desenvolvimento

sustentável e competitivo da região e do país.

Para garantirmos um futuro próspero, é essencial que esta colaboração

continue a ser trabalhada e aprofundada. Desafios novos

e emergentes, como a necessidade de uma transição para uma

economia verde, digital e mais inclusiva, requerem uma ação conjunta

e criativa de todos os setores da sociedade. Para o efeito,

o Politécnico de Coimbra, com a experiência acumulada ao longo

destes 45 anos, está excepcionalmente posicionado para liderar

este processo, formando os profissionais que conduzirão a inovação

e o crescimento nas próximas décadas na certeza que poderá

contar com o CERC - Conselho Empresarial da Região de Coimbra

para fazer a ponte que facilitará a transferência de conhecimento

do meio académico para o meio empresarial.

O Projeto do Coimbra iTEC pode ser um pilar importante para a

realização desse desígnio.

Parabéns e votos de muito sucesso.

DR



Politécnico de Coimbra

Patrícia Vieira

— Presidente da Associação de Estudantes da ESTeSC

45 Anos — 45 Protagonistas

p 156

p 157

Este ano assinalamos o quadragésimo quinto aniversário desta

prestigiada instituição, que para muitos é tida como uma segunda

morada. Hoje, tenho o prazer de afirmar que também se tornou

uma das minhas casas.

O meu trajeto académico, singular por natureza, foi iniciado durante

uma época de pandemia, o que impediu que eu experienciasse

plenamente tudo o que esta instituição tinha para oferecer durante

o meu primeiro ano. Apesar disso, fui calorosamente acolhida

desde o primeiro momento; os docentes, colegas e funcionários

mostraram sempre genuíno interesse pelo meu bem-estar e integração.

Aquilo que parecia uma instituição grande, rapidamente se

tornou pequena com o seu ambiente familiar.

No entanto, os anos seguintes foram, até ao momento, os melhores

anos da minha vida, tal como me havia sido prometido por aqueles

que me acolheram. Aqui, ri, chorei, vivi esta cidade e a instituição

no seu expoente máximo. Em grande parte, foram os momentos de

convívio e as amizades que enriqueceram esta jornada. Por outro

lado, não posso deixar de mencionar a qualidade do ensino.

Sinto-me imensamente sortuda por ter escolhido o Instituto Politécnico

de Coimbra (IPC) como a minha primeira opção e por ter sido

admitida logo na primeira fase. A excelência do ensino que recebi na

Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Coimbra (ESTeSC) é incomparável

a outras instituições. Aqui, a teoria é lecionada por quem

a pratica, e a prática é demonstrada e, seguidamente, realizada por

aqueles que um dia a aplicarão. Além disso, a dedicação contínua

à investigação e a inclusão desta no plano de estudos dos cursos,

facilitam o acompanhamento da evolução constante, não apenas no

âmbito da tecnologia, como também na área da saúde, contributo

fundamental para a formação de profissionais de saúde competentes,

numa era marcada pela sucessiva transformação.

Ao refletir sobre estas palavras e sobre os anos memoráveis que

vivenciei, compreendo as grandes conquistas alcançadas até aqui.

Deste modo, posso destacar algumas realizações recentes que testemunhei,

tais como a obtenção do reconhecimento internacional como

Polytechnic University of Coimbra, a reformulação das metodologias

de ensino, procurando a inovação pedagógica, a revitalização das estruturas

residenciais e a edificação de uma nova residência estudantil,

entre uma série de outras iniciativas igualmente relevantes que poderia

mencionar. Somos, indubitavelmente, um centro de excelência

relativamente ao ensino superior (politécnico).

Que o passado desta instituição sirva como guia para novos feitos.

Que o IPC continue a aspirar ser mais e melhor, a erguer sonhos

em colaboração com os seus estudantes. Que todos estes tenham

a sorte de poder considerá-la casa, e de sentir, tal como eu senti,

todo o seu esplendor. Que continuem a reivindicar as mudanças

fundamentais, impulsionando incessantemente em direção a novos

horizontes, pois há sempre algo a aprimorar e a acrescentar ao

legado construído até este momento. Desta forma, continuaremos

a ser uma instituição de referência, a nível nacional e internacional.

Finalizo com a convicção de que darei continuidade ao meu percurso

académico nesta prestigiada instituição, nutrindo a esperança

de, num futuro próximo, regressar quando o grau de Doutoramento

estiver disponível, almejando o momento em que o título de

Universidade Politécnica de Coimbra seja concedido ao Instituto

Politécnico de Coimbra.

Parabéns Instituto Politécnico de Coimbra, Parabéns Polytechnic

University of Coimbra!



Politécnico de Coimbra

Paulo Pessanha

de Almeida

45 Anos — 45 Protagonistas

— Partner Deloitte

p 158

p 159

É com orgulho e satisfação que a Deloitte tem o privilégio de

testemunhar o impacto significativo que o Instituto Politécnico de

Coimbra exerce na comunidade local e no país.

Juntos, iniciámos o nosso percurso em 2021 com o programa BrightStart,

promovido pela Deloitte para a aceleração de competências

na área das tecnologias informáticas - um CTeSP em Tecnologia

Informática, culminando numa licenciatura em Engenharia

Informática.

Esta iniciativa permite que estudantes finalistas do ensino secundário

adquiram, enquanto estudam, conhecimentos práticos em

ambiente real de trabalho, preparando-os para a vida profissional

e colaborando com as equipas da Deloitte.

Com a possibilidade de conciliar a experiência académica com uma

experiência profissional distinta, são atribuídas bolsas de estudo

de longa duração, durante todos os anos do curso superior, sendo

os custos académicos suportados pela Deloitte. E, no final do percurso

académico, a possibilidade de integrar a nossa firma.

Em consequência, muito contribuiu o trabalho conjunto desenvolvido

junto do Instituto Politécnico de Coimbra, para a abertura do

escritório da Deloitte em Coimbra, em 2023, mais de 100 profissionais,

entre alunos e consultores altamente especializados, e que,

na sua maioria, são naturais da região.

Este é um exemplo em como o Instituto Politécnico de Coimbra não

forma apenas profissionais altamente qualificados, mas promove,

de igual forma, uma cultura de empreendedorismo e pensamento

crítico, essenciais para enfrentar os desafios complexos do mundo

atual. A Deloitte é um exemplo de que projetos de investigação

conjunta e networking oferecem oportunidades para os estudantes

alavancarem as suas competências e ganharem experiência

prática, preparando-os para os desafios do mercado de trabalho.

Acresce ainda a forte ligação desta instituição com o tecido empresarial

local e nacional, sendo uma mais-valia na formação de talento

qualificado e promoção da inovação através de colaborações

estratégicas. A Deloitte tem orgulho em fazer parte desta rede estratégica,

contribuindo, desta forma, para o desenvolvimento económico

e social da região.

A Deloitte congratula-se por fazer parte desta jornada de sucesso

e celebrar estes 45 anos, plenos de excelência académica e impacto

comunitário, cimentados no compromisso contínuo com a

qualidade, a inovação e o desenvolvimento sustentável.

DR



Politécnico de Coimbra

Rui Amaro

— Presidente da ESAC

45 Anos — 45 Protagonistas

p 160

p 161

A presente comemoração do 45º aniversário do Politécnico de

Coimbra decorre do Decreto-Lei nº 513-T/79, de 26 de dezembro,

que confere a designação de “ensino superior politécnico” e cria

um conjunto de instituições distribuídas por várias “localidades”

do território. No preâmbulo reconhece-se politicamente a necessidade

de “dotar o País com os profissionais de perfil adequado

de que este carece para o seu desenvolvimento” e toma-se uma

“opção ditada por razões de eficiência e de adequação” do sistema

de ensino superior à estrutura socioeconómica do país. Assim, a

presente efeméride é também a celebração do contributo positivo

que o ensino superior politécnico aportou ao nosso país, papel que

não é demais salientar quando também se comemoram os 50 anos

do 25 de abril de 1974. Os conteúdos tecnológico e cultural das

formações nele ministradas ao longo das últimas décadas foram,

seguramente, ao encontro do objetivo primeiro da sua criação.

A Escola Superior Agrária, a par com a Escola Superior de Educação,

integra o Instituto Politécnico de Coimbra desde o início (ratificação

na Lei nº 29/80, de 28 de julho) às quais se vêm a juntar,

em 1988, o Instituto de Contabilidade e Administração e o Instituto

Superior de Engenharia; foi também nesse ano nomeada a Comissão

Instaladora e funcionaram, na Escola Agrária, os Serviços Centrais.

Depois da aprovação dos estatutos, em 1995, e da eleição,

no ano seguinte, do seu primeiro Presidente, foram integradas no

Instituto Politécnico de Coimbra, em 2001, a Escola Superior de

Tecnologia e Gestão de Oliveira do Hospital e, em 2004, a Escola

Superior de Tecnologia da Saúde.

Para além da atividade de formação de “técnicos qualificados em

vários domínios de atividade”, o diploma inicial indicava claramente

outras finalidades para o ensino superior politécnico, das quais

se destacam “promover, dentro do seu âmbito, a investigação e o

desenvolvimento experimental” e “prestar serviços à comunidade,

como forma de contribuição para a resolução de problemas, sobretudo

de caráter regional, nela existentes”. Estes desígnios, sucessivamente

plasmados em diplomas legais estruturantes do ensino

superior, são uma realidade sobreposta aos 45 anos do ensino superior

politécnico e, por consequência, do Politécnico de Coimbra,

que agora se comemoram.

Partilho convosco uma associação de ideias que, enquanto docente

da Escola Superior Agrária de Coimbra desde 1986, fui levado

a fazer na transposição da leitura desse documento para a atualidade.

Muito provavelmente por ser uma das escolas fundadoras

do ensino superior politécnico em Coimbra, a Escola Agrária tem

na sua cultura uma interpretação literal dos objetivos que são definidos,

tendo interiorizado na sua atividade, desde o início e de

forma muito intensa, os desígnios da investigação e do apoio à Comunidade.

Por experiência vivida à data, mesmo antes da adesão

de outras escolas ao Politécnico, a atividade regular da Agrária de

Coimbra já passava por ter, sobretudo para docentes e técnicos,

um enorme foco na necessidade de se envolverem em projetos de

investigação e/ou atividades de apoio à comunidade, sob pena de

não terem acesso a quaisquer outros meios para a sua afirmação e

evolução. Mais: confirmando o ditado de que a “necessidade aguça

o engenho”, o subfinanciamento crónico associado à gestão de

todas as escolas com esta tipologia (com caraterísticas muito próprias

no edificado, na dimensão do espaço envolvente e na multiplicidade

de atividades sem retorno económico positivo), foi desde

sempre, e importa salientar que assim continua a ser na atualidade,

parcialmente superado por verbas obtidas no financiamento de

projetos e na prestação de serviços à comunidade.

O reverso da medalha desta realidade não é, necessariamente, mau.

Pelo contrário, entre outras vertentes positivas, esta atitude proativa

da Escola Agrária impulsionou desde cedo a qualificação do seu corpo

docente, terá determinado a naturalidade da criação, em 2002,

do Centro de Investigação CERNAS (Centro de Estudos de Recursos

Naturais Ambiente e Sociedade) e a forte aposta nos Mestrados (2º

ciclo); mais recentemente, em 2023, salienta-se a liderança da proposta

do Ciclo de Estudos de Doutoramento em Sustentabilidade

Agroalimentar e Ambiental e o seu papel relevante na Unigreen - The

Green European University. Ao nível do envolvimento com a comunidade,

são de evidenciar as inúmeras colaborações com empresas e

entidades locais, regionais e nacionais que contribuíram para que a

ESAC fosse, em 2023, a unidade orgânica do Politécnico de Coimbra

com maior volume de receitas nesta fonte de financiamento. Finalmente,

também no que se refere à gestão, a ESAC vem assumindo

essa capacidade de mobilizar recursos em diferentes linhas de financiamento,

permitindo o reforço da sua identidade e a concretização

de melhorias significativas que dão melhores condições e meios

aos seus estudantes e trabalhadores.

Mesmo enfrentando contrariedades e opções de circunstância

menos racionais, continuaremos com o nosso entusiasmo e capacidade

de fazer acontecer pois estamos certos de que, ao longo

destes 45 anos de atividade, o empenho de sempre da Escola

Superior Agrária foi um contributo permanente para o sucesso do

Politécnico de Coimbra. Estamos, pois, todos, de parabéns!



Politécnico de Coimbra

Rui Antunes

— Presidente da ESEC

45 Anos — 45 Protagonistas

p 162

p 163

Ao assinalar o 45º aniversário da publicação DL 513-T/79 — através

do qual o governo de Maria de Lurdes Pintasilgo criou os Politécnicos

de Beja, Bragança, Castelo Branco, Coimbra, Faro, Lisboa,

Porto, Santarém, Setúbal e Viseu —, não podemos deixar de

registar que esta 4ª geração de instituições de ensino politécnico

alcançou, finalmente — com a aprovação, em 2024, dos seus primeiros

cursos de doutoramento —, a sua maioridade académica.

Tal como em 1991, quando a Escola Politécnica de Lisboa e a Academia

Politécnica do Porto, criadas em 1837, se transformaram nas

universidades de Lisboa e Porto, ou como aconteceu em 1930,

quando o Instituto Superior Técnico, o Instituto de Agronomia, a Escola

Superior de Medicina Veterinária, deram origem à Universidade

Técnica de Lisboa, ou, ainda, em 1973, quando os Institutos Politécnicos

da Covilhã e de Via Real deram origem às universidades

da Beira Interior e de Trás-os-Montes e Alto Douro, são, agora, os

institutos politécnicos criados depois do 25 de abril, mais precisamente

em 1979, que se transformam em universidades politécnicas.

A missão que, em 1979, esteve na origem do ensino politécnico —

democratizar e descentralizar o acesso ao ensino superior, e promover

academicamente um conjunto de formações e profissões

que, até aí, estiveram excluídas do sistema de ensino superior —,

foi cabalmente cumprida. O facto de as universidades clássicas já

ministrarem formação em todas as áreas que deram origem ao ensino

politécnico é uma prova cabal disso. Hoje já ninguém contesta

que a formação de um(a) educador(a), um(a) contabilista, um(a)

técnico(a) de diagnóstico e terapêutica, um(a) enfermeiro(a), etc.,

seja feita numa licenciatura.

A aprovação do atual regime jurídico das instituições de ensino

superior (RJIES), em 2007, e dos estatutos das carreiras dos ensinos

universitário e politécnico, em 2009, já tinha sido um passo

significativo — dado pelo saudoso Ministro da Ciência e Ensino

Superior, Mariano Gago —, nesse sentido. O RJIES uniformizou o

modelo de organização e gestão de universidades e politécnicos,

e os estatutos da carreira equipararam as categorias profissionais

e os níveis de exigência para ingresso e acesso a essas categorias

em ambas as carreiras.

O último passo — a possibilidade de outorga do grau de Doutor por

parte dos politécnicos —, o que em termos práticos equipara as

universidades e politécnicos, não só em termos jurídicos, de gestão

e de organização, de carreira docente mas, agora, também, em

termos de competência científica e técnica para outorga de graus

académicos, foi dado com a aprovação, em 2024, dos primeiros

cursos de doutoramento da responsabilidade de um politécnico.

Temos agora um novo desafio: não sermos tentados a encerrarmo-

-nos numa torre de marfim e, pelo contrário, continuarmos fiéis ao

nosso projeto educativo de ensino politécnico, isto é, continuarmos

a distinguir-nos pela nossa cultura e atitude de ligação ao mundo

profissional e ao valor social da nossa formação.

Penso que aquilo que fizemos nos últimos anos, bem como os

projetos que já estão em curso, nos permitem estar tranquilos e

confiantes quanto ao futuro do Politécnico de Coimbra como uma

grande instituição de ensino superior politécnico.



Politécnico de Coimbra

Ricardo Nora

— Presidente da Federação Académica do Desporto Universitário (FADU)

45 Anos — 45 Protagonistas

p 164

p 165

Celebrar as quatro décadas e meia do Instituto Politécnico de

Coimbra é reconhecer o papel transformador do desporto universitário.

O desporto, ao longo dos anos, tornou-se uma parte essencial

da experiência dos seus estudantes.

O Instituto Politécnico de Coimbra, ao valorizar o desporto nas

suas estratégias, incentiva o mérito desportivo e promove uma

cultura de bem-estar e inclusão, tão importante nos dias que correm.

O IPC tem uma tradição forte de participação em competições

desportivas universitárias a nível nacional. A presença dos seus

estudantes-atletas em diversas modalidades nas competições organizadas

pela FADU destaca também o papel do instituto na promoção

da excelência desportiva.

O IPC contribui diretamente para a missão da FADU através da

promoção da atividade física, da inclusão, da formação de competências

e da organização de grandes eventos desportivos. O IPC

não só enriquece a experiência académica dos seus estudantes,

como também contribui significativamente para o desenvolvimento

do desporto universitário no país. A parceria entre o IPC e a FADU

exemplifica como a cooperação entre instituições pode levar ao

crescimento e à excelência no desporto universitário.

Neste 45.° aniversário do Instituto Politécnico de Coimbra, devemos

celebrar não apenas os títulos conquistados, mas também os

valores que ao longo dos anos têm ensinado aos seus estudantes.

Devemos honrar os atletas, dirigentes, treinadores e voluntários

que dedicam tempo e esforço para fortalecer a nossa comunidade

através do desporto.

De olhos postos no futuro, que continuemos a investir no desporto

universitário e pensar nele como parte integrante da experiência

académica, para que possamos difundir o espírito de competição

saudável, o respeito mútuo e a camaradagem por mais 45 anos.

Parabéns ao Instituto Politécnico de Coimbra por 45 anos de excelência

académica, inovação e compromisso com o desporto universitário.

Que continuemos a trilhar este caminho juntos, fortalecendo

a comunidade académica e inspirando futuras gerações a alcançar

grandes feitos, tanto no desporto como na vida académica.

DR



Politécnico de Coimbra

Sara Proença

— Diretora do INOPOL Academia de Empreendedorismo

45 Anos — 45 Protagonistas

p 166

p 167

O mundo é hoje profundamente diferente daquele que viu nascer o

Politécnico de Coimbra, há 45 anos.

O Politécnico de Coimbra, enquanto instituição de ensino superior

pública, tem demonstrado, ao longo da sua história, uma singular

capacidade para se adaptar e reinventar perante os desafios impostos

por um mundo globalizado e em constante mudança, sendo

hoje uma instituição de referência no ensino, na investigação aplicada

e na valorização e transferência do conhecimento. Consciente

da relevância desta última vertente, o Politécnico de Coimbra,

através das suas diversas unidades orgânicas, tem vindo a implementar

estratégias que potenciem a criação de valor para a

sociedade, nomeadamente através da promoção da inovação e

do empreendedorismo.

É na assunção deste compromisso que o Politécnico de Coimbra

tem atuado ao longo dos últimos anos, encetando diversas ações

em domínios complementares, nomeadamente:

. Estímulo da cultura empreendedora entre a comunidade académica

e de práticas de inovação aberta e colaborativa;

. Criação de estruturas e mecanismos de fomento à proteção, valorização

e transferência para a sociedade do conhecimento gerado

na instituição, numa lógica de cocriação de valor;

. Reforço da ligação entre o meio científico e tecnológico e a comunidade,

em particular, o tecido empresarial;

. Fomento da integração em redes, consórcios e projetos de estímulo

ao empreendedorismo, à inovação e à empregabilidade;

. Criação de estruturas e instrumentos de apoio a promotores de

projetos de vocação empresarial inovadores, através da criação

de uma incubadora de base académica – o INOPOL Academia de

Empreendedorismo.

Em resultado deste posicionamento, o Politécnico de Coimbra tem-

-se afirmado, cada vez mais, como um player relevante nas áreas da

inovação, empreendedorismo e interface entre ciência, tecnologia e

economia, tendo vindo a reforçar a sua integração em redes e projetos

em cooperação com outros agentes do ecossistema regional,

nacional e internacional.

Esta aposta transversal no desenvolvimento de competências de

inovação e empreendedorismo dentro da comunidade académica

enquadra-se ainda na estratégia global da instituição de promover a

empregabilidade e atratividade dos seus diplomados junto do mercado

de trabalho, assim como de capacitá-los para processos de integração

profissional e desenvolvimento de carreira bem-sucedidos.

A construção de um futuro mais próspero dependerá da nossa

capacidade para educar as gerações vindouras numa cultura de

inovação, empreendedorismo e criação de valor. O Politécnico de

Coimbra continuará, no âmbito da sua missão, a contribuir para

que esse futuro se torne realidade.

Juntos erguemos sonhos.



Politécnico de Coimbra

Vera Cunha

— Presidente da ESTGOH

45 Anos — 45 Protagonistas

p 168

p 169

O Instituto Politécnico de Coimbra é a nossa casa comum! São 45

anos de idade, 45 anos de ensino, 45 anos de investigação, muitos

trabalhadores docentes e não docentes, milhares de estudantes,

projetos, histórias e acontecimentos que se intersectaram neste

tempo e fizeram do Instituto Politécnico de Coimbra uma instituição

de excelência.

Neste trajeto de 45 anos permito-me destacar os esforços para

instituir a Escola Superior de Tecnologia e Gestão em Oliveira do

Hospital (ESTGOH), tendo o projeto sido viabilizado em 1999 pelo

Ministério da Educação. Vencidas as burocracias, as atividades de

ensino na ESTGOH iniciaram-se no ano letivo 2001/2002 com dois

cursos de licenciatura, em Administração e Finanças e Engenharia

do Território e do Ambiente. E, logo de seguida, com duas novas

licenciaturas, em Engenharia de Computadores e de Sistemas Informáticos

e em Administração e Marketing, procurando responder

a uma carência de formação existente nesta área.

Os últimos dez anos ficam marcados por uma grande expansão das

atividades de ensino e o aumento do número de estudantes. Neste

período, foram criados vários Cursos Técnicos Superiores Profissionais,

de Licenciatura e ao nível da formação Pós-graduada.

Mas aqui estamos, 23 anos depois, e uma data como esta é propícia

a que se façam balanços e que se faça uma análise retrospectiva

e prospectiva do caminho efetuado. Neste exercício, a primeira

palavra deve ser de gratidão! Imperioso que aqui lembremos e sejamos

gratos com todos aqueles que contribuíram para a ESTGOH

ser o que é hoje. Em todo o caso, quem de forma decisiva contribuiu

para o que é hoje a ESTGOH, foram todos os docentes, trabalhadores

não docentes e estudantes desta nossa casa. Os que o

foram e os que o são atualmente.

Apesar desta nossa Juventude, é com orgulho que podemos afirmar

que a ESTGOH, em 23 anos, se tornou uma Instituição de reconhecida

qualidade, que será cada vez mais impactante e se sentirá

cada vez mais como parte relevante da região a que pertence.

Olhando para a frente, devemos sublinhar aqueles que nos parecem

ser os principais fatores a tomar em consideração para o rumo

e destino que aspiramos para a nossa Escola no futuro, e o primeiro

deles é a aposta nas pessoas e este é, indiscutivelmente, e disso

temos plena consciência, o elemento essencial para o sucesso.

A ESTGOH dispõe de massa crítica com a experiência e idoneidade

que garante um ensino de excelência e a produção de conhecimento.

Por tudo isto, nestes 23 anos, a ESTGOH cumpriu a sua

missão e os seus objetivos estratégicos em particular, no que respeita

à qualidade do seu corpo docente e do ensino que ministra.

De referir, pela sua importância para a concretização dos eixos estratégicos

da Escola, que foi lançado o concurso público para a

empreitada de adaptação de um edifício para uma residência de

estudantes com 100 camas e que, paralelamente, em mais uma

ação conjunta entre o Instituto Politécnico de Coimbra e o Município

de Oliveira do Hospital, está a ser elaborado o projeto das

futuras instalações da ESTGOH.

Parabéns ao Instituto Politécnico de Coimbra, parabéns a nós que

somos Instituto Politécnico de Coimbra!



Politécnico de Coimbra

Vera Portela Vilares

— Alumni e Ex-Presidente da Associação de Estudantes da ESAC

45 Anos — 45 Protagonistas

p 170 p 171

Colocada em Escola Superior Agrária de Coimbra - IPC, e o meu coração

como que parou. Nunca entendi se de felicidade, se da saudade

que ia sentir de casa. Coimbra, a cidade em que todos os jovens

sonhavam conseguir estudar, pelas suas histórias e tradições, pela

mística que existe de toda a tradição académica. O que parecia ser

um pequeno passo, uma simples mudança, mudou para sempre a

minha vida. Uma cidade distante que nunca conhecera, acolheu-me

de forma tão intensa e genuína, que a considero como uma segunda

casa. A pequenez de quando entrei pela primeira vez nas portas do

que viria a ser a minha Escola de coração, tornou-se e é ainda hoje

onde me sinto em segurança, onde conheço os cantos e recantos,

onde passeio tranquilamente e cumprimento todos pelo nome. Este

acolhimento tão natural e genuíno é o que carateriza esta instituição.

Tive o privilégio de, desde o meu primeiro ano, ser convidada para

a associação de estudantes, e aí fiz amizades, instruí-me como

pessoa, tornei-me conhecedora da realidade da comunidade estudantil

como um todo. Cada ano que passava, sentia que pertencia

mais a esta instituição, deixando de ser apenas eu como

aluna e membro de uma associação de estudantes, mas eu como

um ser da comunidade que pode fazer a diferença. Esta foi uma

dura realidade com que aprendi a lidar. Tive a sorte de ter pessoas

fantásticas no percurso que sempre me guiaram e ensinaram que

o ensino superior, o Politécnico de Coimbra e a Escola Agrária são

muito mais do que números, são pessoas com problemas reais,

são jovens da mesma idade que eu, que querem uma oportunidade

para se formarem e seguirem as suas vidas. Acredito que foi

um privilégio ter realizado na totalidade 5 mandatos em diferentes

cargos da AEESAC. Admito que foi difícil conciliar a vida académica

com a vida de dirigente associativo, contudo, é muito gratificante

conseguir olhar para trás e ver o percurso que fiz na associação de

estudantes e o legado que fui deixando de cooperação com a direção

da escola agrária e a presidência do Politécnico de Coimbra.

Este ano, 11 anos depois, tenho a honra de partilhar uma pequena

passagem e uma mensagem de gratidão por todas as experiências

que vivi com todos vós, mas acima de tudo, com todos nós.

Numa ocasião do meu percurso pela Escola Agrária tive o prazer

de partilhar com muitos: “A agrária, o Politécnico, somos todos nós,

pois sem alunos, não seriam necessários docentes, não docentes

e funcionários, e sem estes, o que fariam aqui os alunos”. Guardo

todos estes na memória, guardo boas memórias.

Faço por regularmente visitar a minha segunda casa, talvez com

receio de esquecer tantos bons momentos que construí, ou com a

esperança de reencontrar a juventude que fui deixando nas salas

de aulas e nos corredores dos anos que passei nesta casa.

Acredito que quem vive tão intensamente como eu tive a oportunidade

de viver a vida académica, guarda sempre em si uma parte

desta vida, tanto da parte mais boémia, como dos ensinamentos

obtidos em sala de aula. É preciso continuar a valorizar quem tanto

dedicou ou que continua a dedicar a esta casa, não só com louvores,

mas com verdadeiro reconhecimento pelo serviço prestado,

com verdadeira gratidão por todos os docentes que lançam para

o mundo profissionais de qualidade e que nunca fecham a porta a

uma necessidade ou a uma colaboração, pelos não docentes, que

de uma forma mais informal formam pessoas de bem.

A todos que celebramos mais um aniversário, vivamos intensamente

todas as bênçãos que nos são dadas.



Politécnico

de Coimbra

45 Anos

p 172

Hooray! Your file is uploaded and ready to be published.

Saved successfully!

Ooh no, something went wrong!