Turbo Frotas & Comerciais 57
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#57 SETEMBRO 2024 | 2,90€ (CONT.)
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STELLANTIS PRO ONE
FUEL-CELL CHEGA
AOS FURGÕES GRANDES
MAN
ESTRATÉGIA
MULTI-ENERGIAS
DIESEL | ELÉTRICO | HIDROGÉNIO
PROPOSTAS DE ELÉTRICOS PARA FROTAS
BMW
IX1
FIAT
600E RED
HYUNDAI
KAUAI EV PREMIUM
LUÍS FRANCISCO - ALF
“NOVOS RECORDES PARA
RENTING E LEASING”
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#57
Sumário
APRESENTAÇÃO
04 Stellantis Furgões Fuel-Cell
PERSPETIVA
52 ALF
NOVIDADES
12 KGM Musso
14 Mercedes-Benz Citan Longo
16 Renault Master
20 Renault Trucks Oxygen
ENSAIOS
34 Ford Ranger Raptor Diesel
36 Peugeot E-Expert 75 KWh
DESTAQUE
38 IAA Transportation 2024
FROTAS
56 BMW iX1
58 Hyundai Kauai EV Premium
60 Fiat 600e Red
Editorial
MAU ALUNO
E
m muitas situações, Portugal apresenta-se como
um “bom aluno” perante Bruxelas e as instituições
comunitárias porque cumpre as regras e os critérios,
indo até mais longe, se for necessário disso. Na transição
para a mobilidade elétrica, o nosso país até aparece bem
classificado, com os veículos elétricos a bateria (BEV) a
representarem 16,5% do total do mercado no primeiro
semestre, enquanto os híbridos plug-in (PHEV) tinham
uma quota de 12,5%. Os benefícios fiscais concedidos às
empresas em termos de dedução de IVA na aquisição ou
na renda e o regime mais favorável em sede de Tributação
Autónoma explicam esta penetração no mercado nacional.
Contudo, quando se trata da descarbonização do transporte
rodoviário de mercadorias, o cenário é bastante diferente.
Portugal surge numa posição bastante modesta e até é
ultrapassado pela Espanha, país que está muito longe de
ser propriamente uma referência em termos de adesão à
mobilidade elétrica. Numa recente conferência de imprensa
de antevisão da próxima edição do IAA Transportation 2024,
foram apresentados indicadores relativos às vendas de
veículos comerciais elétricos com peso bruto superior a 3,5
toneladas primeiro trimestre de 2024. O nosso país surge
no último lugar com uma taxa de 0,3%. Será de referir que
a média dos países da União Europeia + EFTA + Reino Unido
é de 2,2%. A maior adesão regista-se no norte da Europa
(Noruega, Suíça, Dinamarca, Suécia) e a pior no sul e no leste
do continente (Espanha, França, Bélgica, Itália, Polónia e
Portugal). Acima das 16 toneladas, o cenário é ainda mais
desastroso, com o nosso país a apresentar um valor de 0,0%.
Supostamente, a circulação deste tipo de viaturas até é
aquela que tem um maior impacto em termos de emissões
de gases de escape. A elevada diferença de preço de
aquisição entre um camião elétrico e um congénere elétrico
ou a hidrogénio, assim como deficiente infraestrutura de
carregamento / abastecimento explicam esta prestação do
nosso país em termos de descarbonização, revelando-se um
“mau” aluno nesta matéria.
CARLOS MOURA PEDRO
JORNALISTA / JURADO IVOTY E IPUA
PROPRIETÁRIO E EDITOR
TERRA DE LETRAS
COMUNICAÇÃO LDA
NPC 508735246
CAPITAL SOCIAL 10 000 €
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SETEMBRO 2024 FROTAS & COMERCIAIS 3
novidades
STELLANTIS PRO ONE
HORA H2
A Stellantis Pro aposta numa oferta
multienergias para os furgões de
grandes dimensões, com a introdução
de motorizações a hidrogénio, que se
juntam às diesel e elétricas a bateria
TEXTO CARLOS MOURA PEDRO
A
pós o início da comercialização
em 2022 das versões
a hidrogénio da sua
gama de comerciais médios
nos mercados alemão
e francês, que até final de
ano devem ser responsáveis por vendas de
aproximadamente mil unidades, a Stellantis
Pro One decidiu estender a disponibilização
daqueles veículos aos Países Baixos e
à Bélgica, já a partir do próximo ano, além
de alargar a oferta aos comerciais de grandes
dimensões.
A estrutura responsável pela área de negócio
de veículos comerciais do grupo franco-italiano-americano,
Stellantis Pro One, aposta
claramente numa estratégia multienergias
4 FROTAS & COMERCIAIS SETEMBRO 2024
que passa pela disponibilização de soluções
diesel convencionais, elétricas a bateria
(BEV) e a pilha de combustível alimentada
a hidrogénio (FCEV). A opção a gás natural
comprimido (GNC) foi afastada, conforme
referiu Luca Marengo, diretor de produto
da Stellantis Commercial Vehicles, durante
uma conferência de imprensa realizada
com os jurados do International Van of the
Year. “Tivemos essa oferta, mas não apresenta
vantagens em termos de emissões
de dióxido de carbono e, além disso, a rede
de abastecimento é bastante reduzida, com
exceção de alguns países como a Itália ou
a França”, explicou.
Por sua vez, Xavier Peugeot, vice-presidente
Sénior da unidade de negócio de veículos
comerciais da Stellantis, afirmou que o
grupo nunca parou de evoluir a
plataforma dos furgões de grandes
dimensões em “função da
funcionalidade e da eficiência” e
o resultado traduz-se em “oito
milhões de clientes satisfeitos”
desde 1981.
O responsável da Stellantis Pro
One adiantou que agora se abre
um novo capítulo na gama com
uma oferta multi-energia - combustão,
elétrico a bateria e fuel-
-cell - ao que se junta a disponibilização
de tecnologia de condução
autónoma de nível 2. “Temos o
número mais elevado de sistemas
de assistência à condução em
veículos comerciais, nada mais
nada menos do que 21, e muitos deles são
de série, como o sistema de travagem automática,
assistente de manutenção de
faixa de rodagem, assistente inteligente
de velocidade, assistente de atenção, câmara
traseira com linhas dinâmicas, sensores
de estacionamento traseiros”, sublinha
Xavier Peugeot.
500 KM
AUTONOMIA FCEV
5 MIN
ABASTECIMENTO
150 CV
POTÊNCIA
45 KW
FUEL-CELL
OFERTA FCEV
A Stellantis tem vindo a apostar numa abordagem
multi-energias nos ligeiros de passageiros,
com a disponibilização de motorizações
a gasolina, híbridas, híbridas plug-in,
diesel e elétricas - e essa estratégia está a
ser adaptada para o universo dos comerciais
com a oferta de soluções diesel, elétricas a
bateria e fuel-cell (hidrogénio) nas gamas
de dimensões médias e grandes. Aquela última
opção pode suscitar dúvidas e reservas
quanto ao seu sucesso, mas os responsáveis
da Stellantis Pro One consideram que
constitui mais uma alternativa para permitir
a descarbonização das frotas e garantir o
acesso a zonas de emissões zero.
Segundo Lars Peter Thiesen, responsável
pelo programa de hidrogénio e pilha de combustível
da Stellanis Pro One, esta
solução “pioneira” no mercado
de comerciais tem a vantagem
de disponibilizar a mesma capacidade
de carga das restantes
versões porque os depósitos de
hidrogénio estão localizados por
baixo do compartimento de carga,
no mesmo espaço ocupado
pela bateria da versão elétrica,
permitindo o abastecimento em
menos de cinco minutos e oferece
uma autonomia superior a 500
quilómetros. Além disso, garante
independência face à rede elétrica,
possibilitando a operação
onde aquela infra-estrutura não
é acessível como, por exemplo,
em locais remotos ou em situações em que
o condutor leva a viatura para a sua residência
e não existem possibilidade de carregamento
elétrico.
À semelhança do gás natural veicular, um
dos obstáculos à adoção de viaturas fuel-
-cell é a incipiente rede de abastecimento de
hidrogénio. Atualmente existem 150 esta-
OFERTA
MULTIENERGIAS
A Stellantis Pro
One é o primeiro
fabricante a
disponibilizar, de
fábrica, furgões de
grandes dimensões
fuel-cell, elétricos a
bateria e diesel
SETEMBRO 2024 FROTAS & COMERCIAIS 5
novidades
STELLANTIS PRO ONE
VERSÕES DIESEL
Novo motor
e caixa
A
s variantes de combustão da gama
de comerciais de grandes dimensões
da Stellantis Pro One mereceram
igualmente uma atenção especial
por parte dos engenheiros do grupo franco-italo-americano,
designadamente ao
nível da cadeia cinemática. Os modelos
Citroën Jumper, Fiat Professional Ducato,
Opel Movano e Peugeot Boxer receberam
o novo motor diesel MultiJet 4.0 de 2,2 litros,
que é proposto em níveis de potência
de 120 cv, 140 cv e 180 cv, que podem
ser associados a uma caixa manual seis
velocidades. O novo propulsor diesel foi
redesenhado para oferecer um melhor
desempenho, com a potência máxima
a ser alcançada às 3500 rpm e o binário
máximo às 1400 rpm, assim como uma
melhor economia de combustível e menores
emissões. Relativamente ao anterior
propulsor de 2,0 litros, a Stellantis
reivindica uma diminuição no consumo de
aproximadamente sete por cento.
As motorizações diesel de 140 cv e 180
cv também podem ser associadas a uma
nova caixa automática de oito velocidades,
de origem ZF, que foi concebida para um
binário elevado, de até 450 Nm.
NOVA CAIXA AUTOMÁTICA
As motorizações diesel de 140 cv e
180 cv podem ser associadas a uma
nova transmissão automática
ções públicas a 700 bar na Europa, concentradas
na Alemanha, França, Países Baixos
e Suíça. Contudo, de acordo com uma decisão
do Conselho da União Europeia de 2023
relativo ao regulamento para infraestrutura
de combustíveis alternativos, será obrigatório
para todos os países da União Europeia
a instalação de uma estação a cada 200
quilómetros nos principais corredores da
rede europeia de transportes (TEN-T) e de
uma estação por cada nó urbano. O objetivo
é dotar a União Europeia com mais de 500
estações de 700 bar até 2030.
CONCEITO MID-POWER
A Stellantis Pro One adotou para os comerciais
de grandes dimensões - Citroën
Jumper, Fiat Professional Ducato, Opel
Movano e Peugeot Boxer - a mesma solução
desenvolvida para os de dimensões médias,
que consiste no conceito mid-power,
o qual compreende uma pilha de combustível
com potência de 45 kW, uma bateria
de iões de lítio com 11 kWh de capacidade e
um sistema de armazenagem de hidrogénio
com capacidade útil de sete quilogramas.
MESMAS
DIMENSÕES
Os furgões de
grandes dimensões
fuel-cell da
Stellantis Pro One
apresentam as
mesmas dimensões
exteriores e
interiores dos seus
congéneres diesel e
elétricos
A pilha de combustível é alimentada pelo hidrogénio
e fornece energia ao motor elétrico
que desenvolve uma potência de 110 kW
(150 cv) e um binário máximo de 410 Nm.
Caso se esgote o hidrogénio nos depósitos
existe uma reserva de energia assegurada
pela bateria de iões de lítio, a qual permite
percorrer até 50 quilómetros, sendo necessários
cerca de 90 minutos para recuperar
a totalidade da carga numa wallbox.
No circuito de testes Rodgau-Dudenhofen,
perto de Frankfurt, houve a oportunidade
para um primeiro contacto com as versões
fuel-cell dos furgões de grandes dimensões
da Stellantis, na configuração L3H2, isto é
com comprimento exterior de 5,99 metros
e volume útil de carga de 13 m3, embora
ainda numa fase de protótipo. A condução
é semelhante à da versão elétrica a bateria,
em termos de aceleração e excelente
manobralidade, e também conta com um
sistema de regeneração da intensidade
da travagem de quatro níveis. A velocidade
máxima está, no entanto, limitada a 90
km/h, já que o veículo tem um peso bruto
de 4250 kg. /
6 FROTAS & COMERCIAIS SETEMBRO 2024
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PERSPETIVA
XAVIER PEUGEOT - STELLANTIS PRO ONE
“MANGUALDE
É PEÇA-CHAVE
DA NOSSA
ESTRATÉGIA”
A Stellantis Pro One está preparada para os
desafios da eletrificação e o Centro de Produção de
Mangualde é uma das peças-chave na estratégia
do grupo, segundo afirma Xavier Peugeot, um dos
responsáveis por esta área de negócio
TEXTO CARLOS MOURA PEDRO
A
apresentação aos jurados
do IVOTY - International
Van of The Year da oferta
de comerciais de grandes
dimensões a pilha
de combustível (FCEV)
foi uma excelente oportunidade para uma
conversa com o Vice President Senior da
Stellantis Pro, Xavier Peugeot. O primeiro
tema desta entrevista exclusiva à Turbo
Frotas & Comerciais foi o arranque da produção
dos furgões elétricos a bateria da família
K9: Citroën ë-Berlingo, Fiat Professional
e-Dobló, Opel Combo Electric e Peugeot
E-Partner.
“O Centro de Produção de Mangualde é muito
importante para a Stellantis Pro One
já que da sua linha de montagem saem
modelos que são líderes no seu segmento,
com uma uma taxa de penetração de
40% no mercado europeu”, afirma Xavier
Peugeot. “Por esse motivo é um produto
crucial para os nossos resultados de vendas.
Penso que, com a visita recente do CEO da
Stellantis, Carlos Tavares, e do Presidente
da República de Portugal, Marcelo Rebelo
de Sousa, demonstrámos a importância
daquela unidade na estratégia da nossa
organização. Continuamos a investir no
Centro de Produção de Mangualde porque
acreditamos que é uma unidade competitiva
e também porque oferece ligações fáceis
com diversos mercados onde temos de entregar
o K9 (furgões compactos). Por isso é
uma peça-chave para a nossa organização”.
O investimento efetuado em Mangualde
está diretamente ligado com a ambição da
Stellantis Pro One de ser líder mundial no
segmento dos veículos comerciais, segundo
confirmou Xavier Peugeot. “Há cerca de dez
meses na nossa apresentação da renovada
gama em Balocco afirmamos que a Stellantis
Pro One era líder de mercado de veículos comerciais
na Europa e na América do Sul. Desde
então também conseguimos chegar ao primeiro
lugar nas regiões do Médio Oriente e
África. Nos Estados Unidos estamos na terceira
posição. Isso demonstra como a nossa
estratégia tem vindo a ser implementada com
sucesso. Mangualde também desempenha
um papel principal porque está diretamente
ligada ao sucesso dos nossos comerciais
compactos, que são fundamentais no nosso
negócio, quer no Norte de África, quer em
vários países europeus”.
REFORÇAR A LIDERANÇA
Relativamente à eletrificação dos veículos
comerciais, a Stellantis Pro One tem grandes
ambições neste segmento. Atualmente toda
a gama já conta com este tipo de solução e
a a reação do mercado tem sido favorável.
“Assistimos a uma evolução consistente
nas vendas. Os comerciais elétricos ainda
só representam cerca de dez por cento
das nossas vendas. O seu crescimento
também está dependente da maturidade
dos mercados. Continuamos a acreditar
que há margem para melhorar as vendas
de veículos elétricos. De qualquer maneira
neste segmento dos comerciais elétricos
somos líderes absolutos na Europa, com
uma taxa de penetração de 40% nos furgões
compactos, um pouco menos nos de
dimensões médias. Agora acabámos de
lançar a nossa oferta de furgões elétricos
de grandes dimensões, que representam
mais de um terço do mercado. Com este
lançamento esperamos reforçar a nossa
posição nas vendas de veículos comerciais
elétricos a bateria”.
O Vice Presidente Senior da Stellantis Pro
One sublinha que ainda “existem outras
questões relativas à capacidade do mercado
para ir mais além”, adiantado que a oferta
parece estar aumentar e estão a surgir outras
alternativas como o hidrogénio. O responsável
refere que estão ainda a ser consideradas
soluções de “retrofit”, permitindo a
disponibilização de uma oferta alargada de
8 TURBO COMERCIAIS SETEMBRO 2024
veículos comerciais com emissões zero para
responder às necessidades dos clientes”.
Para acelerar a introdução de veículos elétricos
no mercado, Xavier Peugeot considera
que será necessário manter a “capacidade
de produção comerciais elétricos a preços
competitivos” e “assegurar ao cliente a capilaridade
da rede de estações de carregamento”.
O responsável entende que quanto
“mais fácil for a experiência de condução
para o cliente, mais rapidamente mudará
para uma viatura elétrica”, acrescentando
que os preços dos veículos elétricos a bateria
e a hidrogénio estão a “diminuir pelo
que necessitamos de mais tempo para ver
a continuação desta evolução”.
“Continuamos
a investir no
Centro de
Produção de
Mangualde
porque
acreditamos
que é uma
unidade
competitiva"
Relativamente à necessidade de mais incentivos
governamentais para as pequenas e
médias empresas acelerarem a adoção de
comerciais elétricos, Xavier Peugeot afirma
que se trata de um “ecossistema em que
todos os intervenientes têm de fazer o seu
papel”, adiantando que a responsabilidade
da Stellantis Pro One é ter a “tecnologia
pronta”, assim como veículos disponíveis.
“Esperamos que as estações de carregamento
estejam em todo o lado. Quando uma
tecnologia é nova será sempre melhor se a
apoiarmos a sua adoção com alguns incentivos.
Temos de implementar este ecossistema
para continuar a estimular o crescimento
desta tecnologia”.
SETEMBRO 2024 TURBO COMERCIAIS 9
PERSPETIVA
XAVIER PEUGEOT - STELLANTIS PRO ONE
HIDROGÉNIO
COMPLEMENTAR
No âmbito da sua estratégia multienergias,
a Stellantis Pro One deu a conhecer a sua
oferta de furgões de grandes dimensões
com tecnologia fuel-cell. A este propósito,
Xavier Peugeot afirma que a “leitura errada
seria BEV (veículo elétrico a bateria) ou
hidrogénio, mas não é esse o caso porque
as duas tecnologias são complementares”.
Ambas têm emissões zero e não comprometem
a capacidade de carga dos furgões,
mas a opção fuel-cell permite oferecer uma
maior autonomia e um tempo de abastecimento
muito curto. “Trata-se de uma solução
complementar para os clientes com
utilizações intensivas”
Não obstante e apesar do rumo para a eletrificação,
há quem defenda que a tecnologia
diesel vai continuar a dominar o mercado
dos comerciais nos próximos anos.
Xavier Peugeot não concorda totalmente
com esta tese, afirmando que os governos
europeus vão-se manter fiéis aos objetivos
de emissões zero. “Nós também fizemos
o nosso compromisso relativamente
aos motores térmicos pelo que esta evolu-
“No
segmento dos
comerciais
elétricos
somos líderes
absolutos na
Europa, com
uma taxa de
penetração
de 40% nos
furgões
compactos,
um pouco
menos nos
médios”
10 TURBO COMERCIAIS SETEMBRO 2024
ção tem de acelerar. Estamos preparados.
Mas existem mercados onde não existe a
oferta de comerciais elétricos. Para essas
situações temos de ser capazes de disponibilizar
as melhores propostas e ver como
evolui o mercado”.
Recentemente, a recém-eleita presidente
da Comissão Europeia, Ursula von der
Leyen, reiterou que os objetivos da União
Europeia para 2035 não sofreram alterações.
Convidado a dar a sua opinião acerca
desta declaração da responsável da
Comissão Europeia, Xavier Peugeot afirmou
que não fazia “comentários a comentários
de políticos”, sublinhando que “conhecemos
os objetivos e estamos a fazer uma grande
esforço para estarmos prontos antes dessa
data”, acrescentando que foi por esse motivo
que a Stellantis Pro One foi a primeira
a ter uma oferta completa de veículos elétricos
a bateria antes do prazo estipulado.
“Com uma oferta alargada de veículos com
emissões zero, vamos conseguir cumprir os
objetivos. Vamos ver se existem alterações
nos objetivos - avanços ou recuos - mas
queremos estar prontos porque é essa a
nossa estratégia”. /
CENTRO DE MANGUALDE
Elétricos na linha
om o projeto “Green Auto”, que reúne um consórcio de
C 37 entidades parceiras e representou um investimento
conjunto de 119 milhões de euros, a Stellantis liderou uma
das agendas mobilizadoras para a inovação empresarial para
fabricar veículos elétricos de passageiros e mercadorias no
Centro de Produção de Mangualde. Aquela unidade vai ser responsável
pela montagem de oito modelos de quatro marcas
para os mercados nacional e de exportação: Citroën ë-Berlingo
e ë-Berlingo Van, Peugeot E-Partner e E-Rifter, Fiat e-
-Dobló e Opel Combo Electric.
O arranque da produção dos veículos elétricos em Mangualde
foi assinalado com uma cerimónia oficial, onde esteve presente
o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa,
o ministro da Economia, Pedro Reis, a secretária de Estado
da Saúde, Ana Margarida Povo, e o CEO da Stellantis, Carlos
Tavares, entre outras individualidades.
No final de março do ano passado, a Stellantis anunciou a produção
de veículos elétricos a bateria para o início de 2025,
mas esse objetivo foi alcançado antes do tempo e, neste momento,
já se procede à montagem de veículos elétricos em
Mangualde, iniciando-se em outubro a produção em série.
Entre as várias alterações e atualizações operadas, a fábrica
de Mangualde foi sujeita a intervenções significativas na sua
área industrial, com novas instalações, destinadas à área de
montagem e também ferragem.
Entre os investimentos destaque para a criação de uma nova
linha de montagem de baterias, que promoveu a modernização
uma área superior a 800 m2, onde é realizada a montagem
de todas as baterias para os veículos elétricos produzidos
em Mangualde.
A fábrica já tem em funcionamento o seu parque solar com
6370 painéis fotovoltaicos, que têm capacidade para satisfazer
32% das necessidades anuais de energia elétrica, mas
o objetivo a médio prazo é atingir 50% de autonomia energética
até final de 2025.
SETEMBRO 2024 TURBO COMERCIAIS 11
novidades
KGM MUSSO
PICK-UP JÁ CHEGOU
Disponível apenas com cabina dupla e tração integral, em dois
comprimentos de carroçaria, a KGM Musso já está em comercialização
ASsangYong está de regresso
ao mercado nacional como KG
Mobility (KGM), sendo a a distribuição
assegurada pela Astara.
Uma das apostas consiste na pick-up Musso,
que se encontra disponível exclusivamente
na variante de carroçaria de cabina dupla e
motor turbodiesel de 2,2 litros com 202 cv
de potência. O binário máximo é de 400 Nm
em associação com uma caixa manual de
seis velocidades ou de 440 Nm com transmissão
automática de sete relações.
Todas as variantes da pick-up Musso possuem
sistema de tração integral parcial que
conta com diferencial autoblocante para
superar situações mais exigentes. A gama
é proposta em duas distâncias entre-eixos,
3,10 metros (K3) e 3,21 metros (K5)
, que correspondem a dois comprimentos
de chassis, de 5,10 metros e 5,41 metros,
respetivamente. A largura é idêntica, de 1,95
metros, mas a altura já não, de 1,84 metros
na K3 e 1,89 metros na K5. O comprimento
da caixa de carga também é diferente, sendo
mais longo na K3, com 1,61 metros, do que
na K5, com 1,30 metros.Para enfrentar os
principais concorrentes diesel no segmento,
a KGM Musso aposta num equipamento
de série bastante completo.
As versões K3 recebem um painel de bordo
com revestimento superior, sistema de
informação e comunicação com ecrã tátil
de 12,3”, que inclui navegação, painel de
instrumentos digital também de 12,3”, jantes
de liga leve de 17”, sensores traseiros,
e os sistemas de segurança obrigatórios
por lei. As versões K5, por sua vez, contam
com at condicionado automático bi-zona,
K3 E K5
A pick-up
Musso vai ser
comercializada em
dois comprimentos
de carroçaria (K3
e K5), mas sempre
com cabina dupla.
O equipamento
completo promete
ser um factor para
conquistar o seu
espaço no segmento
bancos em pele e tecido, volante em pele.
Exteriormente apresentam jantes de 18”,
barras de tejadilho e faróis dianteiros LED.
Em termos de posicionamento de preço, a
KGM aposta na competitividade face aos
principais concorrentes. As versões de caixa
manual e três lugares começam nos 32
150 euros e 35 365 euros (mais IVA) para os
modelos K3 e K5, respetivamente./
12 FROTAS & COMERCIAIS SETEMBRO 2024
A Solução Completa para
a Gestão de Frotas Elétricas
Simplifique e Otimize a Gestão da sua
Frota com a miio fleets
#1 A número 1
em Portugal
Monitorização das sessões de
carregamento em tempo real
Criação de carteiras com diferentes
modalidades de pagamento
Faturação disponível num só local
com possibilidade de exportação
Planeamento de rota inteligente,
optando por rotas que
economizam energia
Gestão de Custos de
Carregamento, para maior controlo
dos custos de cada veículo da sua
frota
Gestão multi-cartão com
possibilidade de atribuição de
plafond
Desbloqueio/ bloqueio de cartões
na hora
Agende uma
demonstração aqui
novidades
MERCEDES-BENZ ECITAN TOURER E EQT
SETE LUGARES
Com a chegada das variantes de chassis
longo, a Mercedes-Benz Vans passou a
disponibilizar versões de sete lugares do
eCitan Tourer e EQT
TEXTO CARLOS MOURA PEDRO
A
Mercedes-Benz Vans reforçou
a oferta do eCitan
Tourer, EQT, Citan Mixto e
eCitan Mixto com a carroçaria
de chassis longo,
permitindo oferecer
uma lotação até sete lugares nas versões
de passageiros e uma maior versatilidade
nas variantes até cinco lugares.
Toda a gama foi atualizada com a disponibilização
da mais recente geração do sistema
multimedia MBUX, com um ecrã maior de
9,5”. Além disso, todos os modelos passam
a contar com o novo volante com comandos
táteis. Os sistemas de segurança e assistência
à condução também foram reforçados,
cumprindo a legislação europeia GRS2.
As versões de chassis longo do Mercedes-
Benz EQT e eCitan Tourer combinam mobilidade
elétrica com espaço adicional, graças
ao aumento de 38 centímetros na distância
entre-eixos em comparação com os
derivativos Standard. Este crescimento
nas dimensões dos veículos permitiram
a disponibilização de veículos que combinam
uma maior capacidade de transporte
de passageiros e bagagens / equipamentos
de trabalho.
Ambos os modelos estão disponíveis, com
opção, com uma terceira fila de bancos com
dois lugares. A segunda e terceira filas estão
dotadas com assentos individuais, ajustáveis
e rebatíveis, assim como apoios de cabeça
reguláveis em altura. O seu reduzido
peso permite que sejam retirados, garantindo
uma utilização mais flexível ao interior.
O crescimento na distância entre-eixos e
no comprimento total teve como reflexo o
aumento da capacidade da bagageira para
os 3660 litros, com os assentos traseiros
removidos. A largura das portas laterais
deslizantes foi prolongada até aos 83 centímetros,
facilitando o acesso às segunda
e terceira filas de assentos.
A oferta foi ainda alargada com a introdução
do Citan Mixto e eCitan Mixto. Ambos contam
com um design mais flexível do interior
e um maior leque de possíveis utilizações.
14 FROTAS & COMERCIAIS SETEMBRO 2024
MAIS DOIS
LUGARES
A introdução da
variante de chassis
longo permitiu
disponibilizar, em
opção, mais dois
lugares individuais no
EQT e (e)Citan Tourer
numa configuração
2+3+2. Na consola
central surge um
novo ecrã central de
9,5" para o sistema
MBUX
O banco corrido da segunda fila pode contar
com a inovadora função Fold & Load.
Quando o banco traseiro está na sua posição,
oferece espaço para acomodar três
pessoas. Quando está na posição vertical
transforma-se numa divisória flexível entre
os compartimentos do condutor e de carga.
Esta solução permite aumentar o volume
útil de carga até aos 3,2 m3.
38 CM
AUMENTO DEE
7
LUGARES
9,5”
ECRÃ TÁTIL
3660 L
BAGAGEIRA
NOVO NÍVEL SELECT
Os furgões Citan e eCitan passam a contar
com um terceiro nível de equipamento
Select, que se vem juntar aos anteriores
Base e Pro. A nova opção inclui o painel de
instrumentos em preto brilhante, enquanto
o volante e a alavanca da transmissão
possuem revestimentos em pele. Os faróis
LED High Performance são complementados
pelo Assistente de Máximos. A dotação
de série do nível Select compreende ainda
o assistente de estacionamento ativo, enquanto
a função Keyless Start combina o
acesso sem mãos com botão de ignição.
Além dos níveis de equipamento Base, Pro
e Select, a Mercedes-Benz Vans introduziu
dois novos pacotes nos seus pequenos
furgões: Winter, otimizado para conforto
e desempenho a baixas temperaturas; e
Construction Site, com maior altura ao solo,
proteção por baixo da carroçaria e proteções
traseiras contra a lama. /
SETEMBRO 2024 FROTAS & COMERCIAIS 15
novidades
RENAULT MASTER
“MÃO” PORTUGUESA
O desenvolvimento da nova geração do Renault Master contou
com o envolvimento de lusodescendentes na equipa do projeto
que explicam as fases de desenvolvimento
TEXTO CARLOS MOURA PEDRO
Odesenvolvimento da
mais recente geração
do Renault Master conta
com “mão” portuguesa,
já que alguns dos responsáveis
da equipa
responsável pelo projeto são lusodescendentes.
Entre eles encontram-se Hèlène
Carvalho, líder do programa, e Paulo Pereira,
gestor de produto do Master. Ambos têm
raízes na Beira Alta, mais concretamente
em Sabugal e em Seia, respetivamente.
Em declarações à Turbo Frotas &
Comerciais, Hèlène Carvalho refere que já
trabalha na gama Master há cerca de dez
anos. Relativamente à nova geração afirma
que a equipa começou a trabalhar neste
projeto há cerca de seis ou sete anos.
A primeira etapa consistiu na definição do
que poderia vir a ser o futuro deste modelo,
designadamente ao nível da plataforma
e do tipo de energia. Na altura foi tomada
a decisão de mudar tudo, com exceção
dos puxadores das portas. “Procurámos
não só melhorar o produto, mas também
a condução, o conforto, a segurança para
o condutor”, esclarece.
Atenção cuidada mereceu o estilo do novo
Master, o qual, segundo Hèlène Carvalho,
recebeu uma forte influência dos camiões
americanos. “Como o responsável de estilo
é canadiano e gosta muito do estilo
desses veículos, esse foi um dos fatores
determinantes no design”. A responsável
adiantar que os desenhos dos primeiros
esboços do novo Master acabaram por não
sofrer grandes alterações relativamente
ao modelo de produção. Outra aposta
forte residiu na aerodinâmica do veículo
para otimizar a eficiência energética e
baixar o consumo. “Fizemos uma análise
a toda a concorrência e estabelecemos o
objetivo claro de termos o melhor produto
do segmento ao nível da resistência aerodinâmica
(CdA)”.
16 FROTAS & COMERCIAIS SETEMBRO 2024
INFLUÊNCIA
AMERICANA
O design exterior
da nova Master
é inspirado nos
camiões norteamericanos
e os
primeitos esboços
não se afastaram
muito da versão
de produção. O
habitáculo oferece
uma lotação de série
para três ocupantes
e os revestimentos
estão preparados
para resitir a
uma utilização
intensiva. O painel de
instrumentos digital
é de série na versão
elétrica que oferece
uma autonomia
WLTP até 460 km
com bateria de 87
kWh
Para o efeito, a equipa de design trabalhou
ao nível da otimização das linhas do pára-
-brisas, da traseira, nas laterais e também
do tejadilho para se obter a melhor eficiência
aerodinâmica. As proporções da carroçaria
foram meticulosamente afinadas
em túnel de vento para garantir o equilíbrio
correto para cada tipo de carroçaria.
A traseira é mais estreita para otimizar o
fluxo aerodinâmico.
Por outro lado, a equipa teve de encontrar
uma solução de compromisso em termos
de área de condução, compartimento de
carga para continuar a oferecer caraterísticas
técnicas semelhantes à geração
EQUIPA LUSA
A líder do projeto
da nova Master é a
lusodescendente
Hélene Carvalho, e o
gestor de produto,
Paulo Pereira,
também tem raízes
na zona da Serra da
Estrela. O projeto
de desenvolvimento
desta nova geração
arrancou há cerca de
dez anos
SETEMBRO 2024 FROTAS & COMERCIAIS 17
novidades
RENAULT MASTER
anterior. Apesar da distância entre-eixos
ter diminuído para melhorar a manobrabilidade,
a Renault conseguiu disponibilizar
o mesmo comprimento de carga, já que a
área de condução avançou para cima do
eixo dianteiro. Totalmente revisto foi o
habitáculo que apresenta um visual mais
moderno, funcional e com melhores materiais.
“No design do interior, a inspiração
veio do cockpit dos aviões”, explica Hèlène
Carvalho. “O objetivo era ter um interior espaçoso,
funcional, com todos os comandos
ao fácil alcance do condutor. Igualmente
importante para nós era o sistema multimedia
e a dimensão do ecrã, assim como
a conectividade.
O sistema openR link de 10” é semelhante
ao utilizado no Mègane E-Tech, mas apresenta
algumas funcionalidades específicas
para o Master e também oferece a possibilidade
dos transformadores instalarem
as suas próprias “apps”.
DISPONÍVEL EM PORTUGAL
A nova geração do Renault Master já se
encontra disponível para encomenda em
Portugal, sendo este modelo proposto num
único nível de equipamento, advance, bastante
completo. A dotação de série compreende
a assinatura visual em forma de
C e jantes de aço de 16” com embelezador
medio “vango”, ar condicionado manual,
openR link 10” com replicação Android Auto
/ Apple CarPlay, painel de bordo com espaço
de arrumação superior aberto, porta-
-luvas igualmente aberto, inserções cromadas,
banco duplo do acompanhante com
encostos fixos.
Em termos de assistência à condução, o
novo Master dispõe dos sistemas obrigatórios
por lei desde 7 de julho como assistente
inteligente de velocidade, sensores
de estacionamento traseiros, gravador de
dados de eventos (“caixa negra”), aviso de
paragem de emergência, alerta de transposição
involuntária de via, alerta de transposição
involuntária de via, assistente de
travagem, sistema de controlo de pressão
de pneus, chamada de emergência. /
BATILLY
Fábrica da Master
P
ode parecer paradoxal, mas a fábrica mais pequena
do Renault Group é responsável pela produção
dos seus comerciais de maiores dimensões, o
Renault Master e o Nissan Interstar. Fundada em
1980 como SOVAB (Societé de Véhicules Automobiles de
Batilly), a fábrica de Batilly está localizada no nordeste de
França e ocupa uma área de 193 mil metros quadrados,
contando com um total de 3100 funcionários. A fábrica
trabalha em três turnos e tem uma capacidade de produção
diária de 720 veículos. As mais de 40 silhuetas deste
modelo saem de uma mesma linha de montagem. A fábrica
de Batilly produziu um total de 150 261 unidades em
2023, o que constituiu um novo recorde absoluto, sendo
ainda mais significativo já que se verificou num período
de transição da terceira geração da Master para a quarta.
O processo de produção carateriza-se pela eficiência
numa fábrica conectada, desde o fabrico da estrutura
da carroçaria, passando pela pintura, a logística necessária
ao abastecimento das 3903 referências de peças
por parte de 417 fornecedores, a linha de montagem, a
inspeção de qualidade e a entrega do produto final para
ser transportado até ao concessionário e ao cliente final.
A produção da carroçaria de cada Master demora cerca de
quatro horas, sendo executados cerca de 6500 pontos de
soldadura por 523 robots. As carroçarias passam depois
para o pavilhão da pintura e cada furgão leva entre cinco
quilos a vinte quilos de “mastic” para garantir a mais elevada
proteção contra a corrosão. A fase de pintura demora
cerca de dez horas, sendo disponibilizadas oito cores
principais e 300 opcionais. A linha de montagem, por sua
vez, conta com cerca de 2200 máquinas de aperto e 16
circuitos de veículos com guiamento automatizado que
levam para cada ponto as peças necessárias. A operação
de montagem de cada viatura demora cerca de três
horas, seguindo depois para a inspeção antes da entrega.
18 FROTAS & COMERCIAIS SETEMBRO 2024
novidades
RENAULT TRUCKS OXYGEN
LABORATÓRIO “PESADO”
Renault Trucks e cadeia de supermercados dos Países
Baixos vão colocar em operação um protótipo do camião
elétrico Oxygen com caixa refrigerada
No âmbito do projeto-piloto
“Oxygen”, a Renault Trucks
tem vindo a realizar testes
com um camião elétrico
experimental para logística
urbana. Após uma primeira
fase de ensaios em Lyon e Paris, que
ainda prosseguem, o fabricante anunciou
a entrada numa segunda etapa com uma
segunda versão do seu “laboratório” sobre
rodas, equipada com uma caixa refrigerada.
A nova versão foi desenhada em parceria
com a cadeia de supermercados dos Países
Baixos, Jumbo, e o operador especializado
no transporte de produtos perecíveis como
frutas e vegetais, SVZ.
Com peso bruto de 26 toneladas e distância
entre-eixos de 4,60 metros e comprimento
total de dez metros, o novo camião elétrico
6x2, estará preparado para entrar nas zonas
de emissões zero dos Países Baixos. A partir
de 1 de janeiro de 2025, os municípios estão
autorizados a implementar áreas onde
só é possível aceder com um veículo sem
emissões. O objetivo é reduzir as emissões
de dióxido de carbono nas zonas urbanas.
Ao contrário de uma primeira experiência
com o operador logístico Geodis para a
distribuição de carga geral, o novo camião
elétrico poderá transportar carga refrigerada
silenciosamente, sem emissões e
com total segurança para os outros utilizadores
da estrada, desde o centro de distribuição
logístico até aos supermercados
Jumbo. O projeto-piloto terá uma duração
de seis meses.
26 TON
PESO BRUTO
10 M
COMPRIMENTO
282 KWH
BATERIA
150 KM
AUTONOMIA
20 FROTAS & COMERCIAIS SETEMBRO 2024
FORD TRUCKS F-LINE
Três séries
CABINA BAIXA
Para assegurar a melhor visibilidade e segurança,
o Oxygen possui uma cabina “low
entry” e um grande pára-brisas para proporcionar
ao condutor uma excelente visão
direta à altura dos utilizadores da estrada.
Várias câmaras substituem os espelhos
tradicionais para um campo de visão de
360º, oferecendo melhorias significativas
na visibilidade traseira, além de permitir a
deteção de peões e de utilizadores vulneráveis
nos ângulos mortos.
Para garantir o melhor conforto e segurança,
a porta do passageiro é deslizante. O
condutor pode entrar e sair do veículo pelo
lado esquerdo ou direito. Além disso, a baixa
altura ao solo da cabina também facilita o
acesso ao habitáculo. Para conservação da
fruta e dos vegetais, o camião está equipado
com uma caixa isotérmica com temperatura
controlada e capacidade para transporte
de 25 trolleys de supermercado.
O camião elétrico vem equipado com quatro
packs de baterias com uma capacidade total
de 282 kWh, que permitem percorrer até
150 quilómetros entre carregamentos, em
linha com as operações diárias da SVZ para
a cadeia Jumbo em Amesterdão. /
A
Ford Trucks lançou a nova gama de camiões
F-Line em Portugal que compreende rígidos
e tractores, em várias configurações de eixos,
equipados com motores de 9,0 litros e 12,7
litros, que oferecem níveis de potência dos 330 cv aos
480 cv. Vocacionada para transporte nacional, aplicações
municipais e construção, a nova gama destaca-se pelas
alterações significativas no design da cabina e nas suas
dimensões, ao que se junta um novo motor e a nova transmissão
Ecotorq. O design da nova F-Line foi fortemente
influenciado pelo estilo da F-Max, que ganhou o título de
“International Truck of the Year de 2019”, assim como o
conforto e a conveniência do motorista.
A cabina recebeu um ecrã multimedia de 9” que permite
ao condutor fazer a gestão de muitas das funções do veículo.
Os assentos possuem revestimentos renovados, o
volante passa a ser multifunções, enquanto os botões de
controlo melhoram o conforto da condução.
A gama compreende três séries. Para distribuição pesada
e transporte regional está disponível a série Estrada
que contempla o modelo Lowliner de chassis baixo concebido
para transportar cargas de grande volume. Para
além disso, o seu sistema de suspensão pneumática traseira
melhora o conforto de condução. A série de Estrada
abrange as opções 4x2, 6x2, 6x4 ou 8x2, com diferentes
tamanhos de cabina e distâncias entre eixos.
Na série de Construção há a salientar a cabina ergonómica
renovada com opções 4x2, 6x2, 6x4 e 8x4 que melhoram
o conforto e a eficiência de trabalho.
Na série de tratores com inúmeras novas funções e tecnologias
concebidas a pensar no conforto está agora disponível
com as opções 4x2 e 6x4.
Para cumprir os requisitos do novo regulamento europeu
GSR2, a nova gama F-Line recebeu os avançados sistemas
de assistência à condução como a travagem de
emergência para peões ou a regulação da velocidade de
cruzeiro com Stop & Go.
Outros dispositivos de segurança consistem no assistente
de máximos, assistente de manutenção da faixa de rodagem,
assistente inteligente de velocidade e assistente
de ângulo morto.
SETEMBRO 2024 FROTAS & COMERCIAIS 21
notícias
VCL & PESADOS
BMC reforça com
nove toneladas
COMERCIAIS VOLKSWAGEN
TRANSPORTER & COMPANHIA
Embora a nova geração da Transporter,
desenvolvida em parceria com a
Ford, seja a grande novidade da
Volkswagen Veículos Comerciais,
a marca alemã tem vindo igualmente a
atualizar toda a sua gama e a introduzir
novas versões nalguns dos seus modelos,
como a Caddy, com a nova motorização híbrida
plug-in (eHybrid), e a ID.Buzz, com a
introdução da variante de topo, GTX, com
chassis curto e longo, com tração integral,
e bateria de 79 kWh ou 86 kWh. O ID.Buzz
Cargo também passou a contar com uma
versão 4MOTION (de tração integral) com
bateria de 79 kWh, além de dois novos níveis
de equipamento, Pure e Freestyle.
Quanto à nova geração da Transporter,
esta mantém-se fiel ao ADN da Volkswagen
Veículos Comerciais, já que os seus designers
tiveram liberdade de aplicarem extensivamente
os principais elementos de estilo
específicos da marca alemã. O habitáculo,
por sua vez, é bastante semelhante ao da
Transit Custom, incluindo o cockpit digital
com painel de instrumentos digital de 12”
e ecrã tátil de 13”, comandos físicos para a
climatização e volume de som, assim como
vários compartimentos para arrumações.
A nova Transporter vai ser disponibilizada
nos derivativos furgão de três lugares,
furgão Plus (com segunda fila de assentos
rebatível), cabina-dupla, assim como nas
variantes de passageiros Kombi e Caravelle.
A gama vai incluir opções de chassis curto
e longo, tecto normal e alto. No capítulo
mecânico serão propostas três motorizações
diesel de 2,0 litros (110 cv, 150 cv e
170 cv), uma híbrida com bateria recarregável
externamente (232 cv) e três elétricas
(136 cv, 218 cv e 286 cv), alimentadas
por uma bateria de iões de lítio com capacidade
de 64 kWh.
Prosseguindo o
reforço da oferta no
mercado nacional
da BMC Trucks, a SJDA
Distribuição anunciou o início
da comercialização da gama
BMC 417, com pesos brutos
de 9,0 e 7,5 toneladas. Estes
camiões destinam-se a
operações de distribuição e
transporte regional, sendo
propostos com cabina
curta, com profundidade
de 1,68 metros, largura de
2,0 metros para facilitar a
manobrabilidade e altura de
2,39 metros.
A nível mecânico, esta gama
“ligeira” recebe um motor
turbodiesel intercooler de
quatro cilindros da Cummins
de 3956 cc que desenvolve
uma potência de 168 cv às
2400 rpm, estando associado
a uma caixa manual Eaton de
seis velocidades. A velocidade
máxima está limitada a 90
km/h.
A gama é constituída por
versões de chassis curto,
com distância entre-eixos
de 3,37 metros, e longa, com
3,85 metros. No primeiro
caso, os comprimentos
carroçáveis situam-se
entre 4,39 metros e os
5,08 metros, sendo de 5,35
metros a 5,89 metros nas
variantes longas. A carga útil
é de 5975 kg na versão curta
e de 5870 kg na longa.
O equipamento de série inclui
luzes de circulação diurna em
LED, faróis de nevoeiro, vidros
elétricos. O BMC 417 tem uma
garantia do fabricante de dois
anos, com opção de mais três
anos para a motorização,
e já está disponível para
encomenda, com preço a
partir de 51 mil euros (+ IVA).
22 FROTAS & COMERCIAIS SETEMBRO 2024
IVECO EVADYS
AO SERVIÇO
DA NAZARÉ
Com o objetivo de assegurar o serviço
de transporte de passageiros da
autarquia, incluindo transporte
escolar já a partir deste ano letivo, a Iveco
Portugal entregou um autocarro integral
de 12 metros e 55 lugares do modelo
Evadys à Cãmara Municipal da Nazaré. O
veículo está equipado com um motor diesel
Cursor 9 de 400 cv, produzido pela FPT
Industrial do Iveco Group, associado a uma
transmissão automática de seis velocidades.
A configuração desta viatura de dois eixos
compreende ar condicionado individual,
frigoríficos, monitores de video e tomadas
USB. Para reforçar a sua ligação com a
Nazaré, o Evadys recebeu uma decoração
arrojada e futurista, evocando as tradições
e os locais mais importantes do município.
Com esta aquisição, a autarquia da Nazaré
reforçou a sua aposta e confiança nos
veículos Iveco, passando a integrar a frota
de viaturas da marca que já tem ao seu
serviço.
notícias
VCL & PESADOS
Troféu para
Volkswagen
Amarok
A réplica do troféu do
“International Pickup
Award” (IPUA), que
distinguiu a Volkswagen
Amarok na edição de 2023-
2024, foi formalmente
entregue a Ricardo Vieira,
diretor-geral da Volkswagen
Veículos Comerciais,
numa cerimónia realizada
nas instalações da SIVA
/ PHS. De acordo com o
responsável da marca
em Portugal, a conquista
deste prestigiado prémio
internacional “muito
nos honra e demonstra
claramente as qualidades
do produto Volkswagen
Amarok”.
Acordo entre
Iveco e Foton
Após o estabelecimento de
um acordo com a Hyundai
para o fornecimento de uma
plataforma para uma gama
de veículos comerciais
elétricos de dimensões
inferiores à e-Daily, a Iveco
assinou um memorando
de entendimento com
os chineses da Foton
para exploração de uma
potencial colaboração
nas áreas dos veículos
elétricos e componentes e
oportunidades de negócios
conjuntos para a Europa e
América do Sul.
DPD PORTUGAL
INSTALAÇÕES E FROTA
A
DPD Portugal abriu um novo
centro de distribuição em
Loures, com uma área total
de 12 mil metros quadrados,
e adquiriu 80 viaturas elétricas Ford
E-Transit, que se vêm juntar às 207 que já
se encontram em operação em 14 cidades
portuguesas. Relativamente às novas
instalações de Loures, estas representaram
um investimento de 30 milhões de euros,
as quais passaram a ser as maiores do
seu género no nosso país, tendo reunido
no mesmo espaço a sede da empresa e
as operações na área da Grande Lisboa,
anteriormente localizadas em São João da
Talha (Loures) e Olivais (Lisboa).
O novo espaço vem dar resposta ao
crescimento que a empresa tem vindo a
registar no nosso país, após em 2023 ter
alcançado o seu melhor ano de sempre,
ultrapassando o marco histórico de 101
milhões de euros em faturação.
O novo centro de distribuição de encomendas
dispõe de uma máquina, única em Portugal,
de triagem com um sistema de crossbelt
que, através dos seus 405 metros de
comprimento consegue gerir mais de dez
mil encomendas por hora, destinadas à área
da Grande Lisboa: Lisboa, Odivelas, Loures,
Vila Franca de Xira, Mafra, Torres Vedras,
Alenquer, Carregado.
No que se refere à nova frota elétrica, a
opção recaiu no derivativo L4H3 do Ford
E-Transit, cujo compartimento de carga com
um comprimento de 4,26 metros, largura
entre as cavas das rodas de 1,39 metros e
altura de 2,03 metros, permite disponibilizar
um volume útil de até 15,1 m3.
A bateria de iões de lítio com capacidade
de 68 kWh permite percorrer mais de 300
quilómetros entre carregamentos, operação
essa que demora cerca de sete horas num
carregador de 11 kW ou 34 minutos para
recuperar o nível de carga de 15% a 80%
num posto rápido com potência de 115 kW.
Atualmente, 30% da frota da DPD Portugal já
é elétrica. Com o investimento previsto para
este ano, espera-se que essa percentagem
cresça para os 35%, passando assim a existir
em circulação em Lisboa, no Porto, no Seixal,
na Guarda, em Coimbra, em Évora, em Viseu,
em Leiria, em Faro e no Funchal.
24 FROTAS & COMERCIAIS SETEMBRO 2024
BYD TRUCKS
LANÇAMENTO
EM PORTUGAL
O
importador e distribuidor exclusivo
da BYD Trucks para Portugal vai
ser a Salvador Caetano Auto, que
já era a representante dos veículos ligeiros
de passageiros e comerciais da marca
chinesa. A BYD Trucks dedica-se à produção
de veículos elétricos médios e pesados de
mercadorias, que se destinam a operações
de distribuição e logística urbanas. Os
camiões da BYD Trucks serão lançados em
Portugal no último trimestre de 2024. A
gama compreende camiões para operações
em estaleiros e centros de distribuição,
transporte de alimentos e bebidas, serviços
de entregas urbanas e outros. “Este acordo
reforça a relação entre a BYD e a Salvador
Caetano Auto e irá permitir-nos oferecer
ao mercado português veículos pesados
elétricos e tecnologicamente avançados
com a nossa forte distribuição,” afirma
Sérgio Ribeiro, administrador executivo
Salvador Caetano Auto & CEO Distribuição
Automóvel Internacional.
notícias
AFTERMARKET
Stellantis lança
óleo regenerado
O
primeiro lubrificante
para motores da Europa
fabricado a partir de
óleo regenerado premium é o
SUSTAINera Recycle que foi
desenvolvido pela TotalEnergies
Lubrifiants para a Stellantis.
O novo óleo Quartz EV3R 10W
- 40 resultou da convergência
das estratégias de economia
circular “4R” da Stellantis -
Reman, Repair, Reuse, Recycle
(Reconstrução, Reparação,
Reutilização, Reciclagem) - e
“3R” da petrolífera francesa
- Reduce, Reuse, Regenerate
(Reduzir, Reutilizar e Regenerar)
- para a gestão responsável dos
produtos em fim de vida e dos
resíduos.
Feito a partir de óleos de base
regenerados premium, o Quartz
EV3R 10W 40 é um lubrificante
usado que foi submetido a um
processo de refinação para restaurar
as suas qualidades e capacidades.
O novo lubrificante
oferece um mesmo desempenho
que um equivalente baseado
em óleos virgens, além de reduzir
o desgaste até 46% em relação
aos limites de desgaste da
indústria e melhora a limpeza do
pistão até 20% em comparação
com a formulação de óleo virgem.
O Quartz EV3R 10W-40 tem uma
pegada de carbono até 50% mais
baixa do que a geração anterior
do Quartz 7000 10W-40, no perímetro
da criação à saída de fábrica.
Utiliza óleos usados de elevada
qualidade provenientes de
várias fontes, numa abordagem
puramente de economia circular
e conceção ecológica.
DT SPARE PARTS
GAMA ALARGADA
Marca da Diesel Technic, a DT Spare
Parts tem vindo a reforçar o seu
portefólio, com o lançamento
diversos produtos como pedais de acelerador
eletrónicos, sistemas de basculamento de
cabina de camião, kits de embraiagem e
produtos de ar condicionado para camiões,
autocarros e comerciais ligeiros.
A versão eletrónica de um pedal de
acelerador é a alternativa à solução
mecânica convencional. Em vez de um pedal
ligado à bomba de injeção por um cabo, o
pedal eletrónico envia sinais elétricos à
unidade de controlo do motor, a qual regula
a potência em função da posição do metal.
A gama completa de pedais de acelerador
está disponível no Partner Portal da Diesel
Technic, incluindo sensores e kits práticos
de reparação para veículos das marcas
DAF, Fiat, Iveco, Mercedes-Benz, Renault,
Scania, MAN e Volvo.
Por sua vez, a gama para o sistema de
basculamento de cabina abrange mais
de 370 peças para veículos Iveco, MAN,
Mercedes-Benz, Renault, Scania e Volvo.
O sistema inclui uma bomba hidráulica
que exerce pressão, ativando as travas e
os cilindros. A pressão abre as travas da
cabina e pode ser aumentada de três formas
diferentes: com bomba manual, com motor
elétrico ou diretamente no próprio cilindro
hidráulico.
A DT Spare Parts disponibiliza igualmente
kits de embraiagem para veículos DAF, Ford,
Iveco, MAN. Mercedes-Benz, Scania e Volvo,
que incluem discos, retentores, engrenagens
do volante e muitos outros componentes.
A marca alemã de peças de reposição para
veículos comerciais ligeiros e pesados conta
igualmente com sistemas de ar condicionado
de camiões, autocarros e comerciais. A
gama abrange mais de 170 referências
para que o habitáculo permaneça sempre
agradavelmente fresco, mantendo o calor
no lado de fora. Para fortalecer a parceria
com distribuidores e clientes das oficinas,
a DT Spare Parts conta com sistemas de
ar condicionado - incluindo componentes
como compressores, válvulas de controlo
e ventiladores - para viaturas de marcas
como a DAF, Ford, Iveco, MAN, Mercedes-
Benz, Renault, Scania, Volvo e Volkswagen.
26 FROTAS & COMERCIAIS SETEMBRO 2024
Jasol em
Portugal pela
Luboil
A marca de lubricantes
Jasol já está presente
em Portugal, sendo
representada pela Luboil.
O portefólio é bastante
completo, compreendendo
lubrificantes para
hidráulicos, compressores,
engrenagens, assim como
produtos multifuncionais
para o setor automóvel.
A Jasol vem contribuir
para a diversificação do
portefólio de marcas da
Luboil permitindo atender a
um segmento do mercado
com uma proposta de valor
muito competitiva”, afirma
Catarina Bastos, gerente
da Luboil.
ZF AFTERMARKET
GESTÃO DIGITAL HOLÍSTICA
O
Salão Automechanika Frankfurt
2024 foi o cenário escolhido pela ZF
Aftermarket para apresentar o ZF
[pro]Manager. Trata-se de uma ferramenta
de gestão digital holística que se destina a
melhorar a jornada do cliente através da comunicação
automatizada entre a oficina e
os proprietários de veículos e o processamento
de pedidos, permitindo aumentar a
eficiência e reduz o trabalho de atendimento
telefónico. Baseado em navegador oferece
uma interface fácil de utilizar e permite que
os procedimentos da oficina sejam fluidos,
desde a aprovação do orçamento com suporte
de vídeo até à faturação digital e pagamento.
Surgem oportunidades de negócio
adicionais, por exemplo, através de promoções
automatizadas e conectividade digital
até soluções de reservas e de frotas.
Autozitânia com
gama Sportcar
A Autozitânia e a Bragalis
passaram a disponibilizar
anticongelantes e limpavidros
da marca Sportcar
no seu portefólio.
Reconhecidos pela sua
elevada durabilidade e
desempenho, aqueles
produtos obedecem aos
mais rigorosos testes
laboratoriais. Com este
lançamento, o Grupo
Autozitânia alargou o leque
de soluções diferenciadas
para sistemas de
refrigeração automóvel
e limpeza de vidros,
permitindo o acesso a mais
opção que oferece uma
interessante relação entre
qualidade e custo.
BOSCH
REMANUFATURADOS EXCHANGE
C
om o objetivo de reforçar a importância
da remanufaturação na
conservação dos recursos naturais
e na promoção da economia circular, a
Bosch Mobiliy Aftermarket lançou uma nova
campanha de comunicação para o programa
Bosch eXchange. Com um beneficio em
preço até 30% em comparação com produtos
equivalentes no programa de peças
novas, os produtos Bosch eXchange são a
melhor solução para reparações económicas
de veículos – e tudo isso com a garantia
Bosch eXchange. Estes produtos são
fabricados de acordo com os padrões das
peças originais e sujeitos a rigorosos testes
funcionais e de qualidade. Este facto
assegura a elevada qualidade e fiabilidade
a preços mais baixos. Deste modo, as oficinas
podem promover ofertas atrativas aos
seus clientes para reparações de veículos.
Embora o programa Bosch eXchange seja
parcialmente constituído por produtos remanufacturados
em série, para que seja
possível oferecer uma gama abrangente
com boa cobertura de mercado e elevada
capacidade de entrega, a oferta do programa
eXchange é complementada por peças
novas. Isto permite à Bosch disponibilizar
oficinas um programa que é atualizado
constantemente.
SETEMBRO 2024 FROTAS & COMERCIAIS 27
notícias
FROTAS
Observatório
Arval 2024
ASTARA
SERVIÇO DE SUBSCRIÇÃO
Dirigido a empresas, empresários
em nome individual, entidades públicas
e também particulares, a
Astara lançou um serviço de subscrição
de veículos multimarca. Esta nova
modalidade proporciona uma maior flexibilidade
em termos de prazo, personalização,
avaliação de risco e preço face a outras soluções
já existentes como o rent-a-car ou o
renting / aluguer de longa duração. De acordo
com Pedro Pinto, responsável por esta nova
área de negócio da Astara, “a modalidade de
subscrição vem inaugurar um novo patamar
de flexibilidade e de capacidade de adaptação
ao quotidiano e empresas, ao mesmo tempo
que significa um importante contributo
para uma mobilidade mais sustentável, com
a oferta de soluções de última geração”. De
acordo com as previsões da Astara, o mercado
empresarial deverá ser responsável por
70% dos contratos.
O serviço de subscrição da Astara tem um
prazo de aluguer de uma viatura entre um
mês a dois anos, sendo possível ao cliente
escolher a marca, o modelo e a motorização
dentro do catálogo existente. A avaliação de
risco é simplificada, com recurso a uma caução,
enquanto o posicionamento de preço
será intermédio, inferior ao de um aluguer em
rent-a-car, mas superior ao de uma renda em
renting, cuja duração do contrato também é
superior, de dois a seis anos. Relativamente
à devolução do veículo, esta poderá ocorrer
num qualquer dia da semana do prazo de
entrega e não numa data específica como
sucede no rent-a-car.
Até final do ano, a Astara conta ter mais de 400
unidades para subscrição. O portefólio inclui
modelos de quatro das marcas que representa
- Kia, Mitsubishi, Maxus e Isuzu - bem como
a gama Suzuki e ainda o pequeno elétrico de
dois lugares Microlino. A estratégia passa
igualmente por ter marcas complementares
para ir de encontro ao desejo dos clientes,
estando prevista a disponibilização de viaturas
da Stellantis, Ford, Nissan, Volvo, Renault,
Dacia, Mercedes-Benz, BMW, entre outras.
A oferta irá compreender veículos de passageiros
e comerciais ligeiros, que possam ser
conduzidos por detentores de carta B. Em
termos de motorizações, a oferta será abrangente,
incluindo veículos elétricos a bateria,
híbridos, de combustão convencional e GPL
(gás de petróleo liquefeito). A subscrição poderá
ter uma duração de um, três, seis, nove,
doze ou dezoito meses.
Mais de um terço das
empresas portuguesas
já utilizam ou tencionam
adquirir viaturas elétricas
ligeiras de passageiros,
um valor abaixo da média
europeia de 42%, segundo
revela o Barómetro
Automóvel de Mobilidade
2024, realizado pelo Arval
Mobility Observatory da
gestora de frotas Arval. As
conclusões daquele relatório
prevêem que metade das
frotas portuguesas de
ligeiros de passageiros serão
eletrificadas. Mas no que
respeita aos comerciais, a
percentagem não deverá ir
além de 20%.
A edição de 2024 do
Barómetro Automóvel
de Mobilidade da Arval
aponta várias razões para
a utilização de viaturas
eletrificadas pelas empresas.
No que se refere aos
ligeiros de passageiros,
32% das empresas afirma
que o principal motivo está
relacionado com a redução
do impacto ambiental.
A redução de custos é
considerada importante
por 30% dos inquiridos e
a contribuição para uma
melhor imagem da empresa
por 22%. Relativamente aos
comerciais ligeiros, que,
recorde-se, não beneficiam
de incentivos fiscais
relevantes, os principais
motivos prendem-se com
a redução de custos de
combustível e a antecipação
face a políticas restritivas
para viaturas de combustão
(33%), seguindo-se a
adaptação a Zonas de
Emissões Reduzidas (23%)
e a diminuição do impacto
ambiental (21%).
28 FROTAS & COMERCIAIS SETEMBRO 2024
GUIA AYVENS
Maturidade nos elétricos
Portugal juntou-se aos países com maior maturidade no
mercado de veículos elétricos, revela a nova edição do
Ayvens Mobility Guide 2024, estudo desenvolvido para proporcionar
aos clientes e ao mercado uma análise global, país
a país, do ritmo de eletrificação de veículos. Com 60 pontos
em 100, Portugal integra, pela primeira vez, o grupo de países
desenvolvidos. O mercado português assinalou um crescimento
de aproximadamente 105% nos veículos elétricos,
passando a pertencer ao grupo de países onde têm uma forte
presença, com condições favoráveis para a sua adoção.
BYD E UBER
Parceria estratégica
Visando oferecer melhores preços e ofertas de financiamento
de veículos elétricos para motoristas Uber,
a BYD estabeleceu uma parceria estratégica internacional
com aquela empresa de mobilidade, que permitirá a integração
de 100 000 novos veículos elétricos da marca chinesa
na plataforma Uber nos principais mercados globais. A parceria
arranca na Europa, incluindo Portugal, estendendo-se
depois à América Latina, sendo ainda expectável o alargamento
a novos mercados como o Médio Oriente, Austrália e
Nova Zelândia.
KINTO
30 anos em Portugal
Criada em 1993 sob o nome Finlog pela Salvador Caetano,
a gestora de frotas Kinto está a assinalar o seu 30º aniversário
no mercado português, sendo a marca de mobilidade
do Grupo Toyota, operando no nosso país como multimarca.
Atualmente gere uma frota com mais de 20 mil viaturas. Com
o objetivo de assegurar cobertura a todas as necessidades
de mobilidade oferece uma gama diversificada de soluções:
Kinto One (renting com todos os serviços com mensalidade
fixa), Kinto Flex (aluguer mensal flexível) até um ano , Kinto
Share (aluguer diário até 30 dias). De forma a complementar
a mobilidade, a Kinto dispõe da app Kinto Charge para
carregamento de veículos elétricos, um portal para gestores
de frota e condutores e um sistema digitalizado para
marcação de serviços através de website ou código QR disponível
na viatura.
GUERIN
Ousados relançada
Ousados é a marca de vendas de automóveis usados do
Grupo Salvador Caetano que a Guerin acabou de relançar
no mercado com uma nova identidade visual e um posicionamento
mais arrojado. Fundada em 2019, a Ousados
conta com uma frota superior a 2000 viaturas, selecionadas
para ir de encontro a todos os gostos e necessidades dos
clientes. A oferta é constituída por veículos seminovos, com
o máximo de três anos, pouca quilometragem e garantia de
três anos. Todas as unidades foram objeto de um rigoroso
acompanhamento ao histórico de todas as manutenções
realizadas. A Guérin também disponibiliza soluções de financiamento
para aquisição de viaturas seminovas comercializadas
sob a marca Ousados.
SETEMBRO 2024 FROTAS & COMERCIAIS 29
PERSPETIVA
INTEGRAÇÃO
E EFICIÊNCIA
A miio disponibiliza uma solução de gestão
de frotas de veículos elétricos que oferece
um conjunto de funcionalidades para
proporcionar um controlo total de todos os
cartões de carregamento das empresas
Dois utilizadores de veículos
elétricos, Daniela Simões e
Rafael Ferreira, aperceberamse
que o mercado de
mobilidade elétrica ainda
era bastante confuso. Não
havia clareza nos preços, os processos de
planeamento das viagens com viaturas
elétricas eram complexos e encontrar a
melhor solução de carregamento era um
verdadeiro desafio.
A partir desta necessidade pessoal de simplificação
e clareza nasceu, em maio de 2019, a
miio, uma aplicação desenhada para calcular
preços de carregamento, mostrar a disponibilidade
dos postos, fornecer conselhos sobre
qual a melhor tomada a utilizar, e muito
mais, tudo com o objetivo de tornar a mobilidade
elétrica mais acessível e fácil de gerir.
Para os fundadores da miio, o mercado português
de mobilidade elétrica estava repleto de
30 FROTAS & COMERCIAIS SETEMBRO 2024
A miio oferece soluções específicas
e inovadoras para a gestão de frotas
elétricas, permitindo um controlo
minucioso das despesas da empresa e dos
consumos dos condutores na via pública.
incertezas. Muitas pessoas não sabiam porque
é que um carregador era mais rápido ou
mais caro que outro, qual tomada deveriam
utilizar, ou sequer quanto custaria uma sessão
de carregamento de um veículo elétrico.
A miio começou por procurar resolver estas
questões fundamentais, trazendo clareza e
simplicidade ao processo de carregamento.
Além disso, introduziu funcionalidades como
o carregamento digital, monitorização detalhada
da sessão com curva de carregamento,
e notificações em tempo real quando algo
acontece durante o carregamento. Tudo isto
foi feito enquanto era criada uma comunidade
vibrante e colaborativa, onde os utilizadores
podem partilhar experiências e ajudar-se
mutuamente.
Com o sucesso destas funcionalidades, a miio
expandiu o seu foco para o B2B (Business to
Business), oferecendo soluções específicas
e inovadoras para a gestão de frotas elétri-
cas, permitindo um controlo minucioso das
despesas da empresa e dos consumos dos
condutores na via pública.
Os serviços da miio permitem aos utilizadores
monitorizar a sessão de carregamento em
tempo real, acompanhando todos os detalhes
da curva de carregamento. A app proporciona
uma experiência do utilizador fluida e intuitiva,
suportada por uma comunidade ativa que
mantém a informação sempre atualizada
e fiável.
Além disso, a miio disponibiliza um apoio ao
cliente ajustado às necessidades individuais
de cada utilizador e fluente em cada língua
de cada país em que a miio opera: Portugal,
Espanha e França.
PLATAFORMA ROBUSTA
Os serviços da miio asseguram uma autonomia
total aos utilizadores e empresas, seja
para planear uma viagem ou para gerir uma
frota elétrica. A app permite calcular o preço
final em função do posto de carregamento,
do carro utilizado e tomada selecionada, garantindo
sempre o melhor custo-benefício.
A miio também informa o utilizador sobre a
tomada mais adequada para obter o melhor
custo-benefício durante o carregamento.
Para o mercado empresarial, a miio oferece
uma Plataforma de Gestão de Frotas robusta,
a qual foi desenhada para dar autonomia
tanto aos gestores de frota como aos condutores.
Com esta plataforma, o gestor de frota
pode gerir colaboradores, atribuindo e gerindo
plafonds individuais para cada um deles.
Além disso também permite criar ou cancelar
cartões de carregamento de forma rápida e
simples, assim como a possibilidade de gerir
numa só conta várias carteiras e diferentes
modalidades de pagamento ou aferir através
de estatísticas e métricas, comportamentos
da frota por forma a aumentar a aumentar a
SETEMBRO 2024 FROTAS & COMERCIAIS 31
PERSPETIVA
eficiência e a economizar energia. Por outro
lado, a plataforma de gestão de frotas também
possibilita a obtenção de faturas detalhadas
de forma simplificada. A monitorização
dos carregamentos com acompanhamento
de todas as sessões de carregamento é outra
das funcionalidades da plataforma, garantindo
o acesso a dados completos para cálculos
internos, como o custo por deslocação para
cada condutor ou veículo.
Segundo a miio, as principais vantagens da
plataforma de gestão para as empresas consiste
na autonomia, quer do gestor quer do
condutor, para gerir as suas operações sem
complicações, ao que se junta a segurança
porque a empresa pode atribuir plafonds específicos
e cancelar cartões conforme necessário,
sem a necessidade de múltiplas plataformas
ou cartões físicos. Será de acrescentar
que tudo é gerido numa única plataforma, o
que não só simplifica a administração como
aumenta a eficiência operacional.
Esta solução da miio contribui para facilitar a
gestão financeira da empresa, com todos os
detalhes das faturas mensais, ajudando em
todos os processos de contabilidade. Tratase
assim de uma experiência 100% integrada
através da aplicação da miio, para o condutor
e para a empresa. /
A robusta Plataforma de Gestão de
Frotas da miio foi desenhada para dar
autonomia tanto aos gestores de frota
como aos condutores. Tudo é gerido
numa única plataforma, o que não
só simplifica a administração como
aumenta a eficiência operacional.
32 FROTAS & COMERCIAIS SETEMBRO 2024
ASSINE
A TURBO
AO ASSINAR
A REVISTA TURBO
ESTÁ A BENEFICIAR
DE UM DESCONTO
DE 17,5% NO
PREÇO. ESTÁ A
ADQUIRIR A TURBO
AO PREÇO DE
2014, RECEBENDO
A MELHOR
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AUTOMÓVEL
NO CONFORTO
DA SUA CASA
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Morada __________________________________________________________________________________________
Código Postal ____________________Localidade ___________________________________________________
E-mail _________________________________________ NIF _____________________________________________
A MELHOR OPÇÃO:
TRANSFERÊNCIA BANCÁRIA POR DÉBITO DIRECTO (COM DIREITO A BRINDE DA CAMPANHA LIMITADO AO STOCK)
EXMOS. SENHORES POR DÉBITO NA CONTA ABAIXO INDICADA, QUEIRAM PROCEDER, ATÉ NOVA COMUNICAÇÃO,
AOS PAGAMENTOS DAS SUBSCRIÇÕES QUE VOS FOREM APRESENTADAS PELA VASP PREMIUM.
A SUBSCRIÇÃO RENOVAR-SE-Á AUTOMATICAMENTE ATÉ MINHA INDICAÇÃO EM CONTRÁRIO.
OU:
TRANSFERÊNCIA BANCÁRIA PAGAMENTO PARCELAR (SEM DIREITO A BRINDE)
PAGA COMODAMENTE EM 3 OU 6 PRESTAÇÕES | 1 ANO = 3X 19,7€ | 2 ANOS = 6X 17,84€
A SUBSCRIÇÃO RENOVAR-SE-Á AUTOMATICAMENTE ATÉ MINHA INDICAÇÃO EM CONTRÁRIO.
Banco ___________________________________________Balcão ___________________________________________________
Nome do titular _____________________________________________________________________________________________
IBAN __________________________________________________________________SWIFT/BIC __________________________
Assinatura (DO TITULAR DA CONTA) _____________________________________________________________ DATA ___ / ___ / _____
REFERÊNCIA MULTIBANCO é favor contatar a Linha de Atendimento (214 337 036)
ASSINATURA TURBO
PVP 4,99€
1 ANO (12 ED.) = 59€
2 ANOS (24 ED.) = 107€
ASSINATURA TURBO DIGITAL
PVP 3,49€
1 EDIÇÃO = 2,99€
12 EDIÇÕES = 29,99€
Após debitado o valor da assinatura não se aceitam
cancelamentos da mesma.
ENSAIO
FORD RANGER RAPTOR 2.0 ECOBLUE 210 CV
PEDIU DIESEL?
A Ford lançou finalmente a versão diesel da Ranger Raptor, que
apresenta uma imagem exterior e interior idêntica. O que se
perdeu em potência, ganhou-se em binário a baixos regimes
TEXTO CARLOS MOURA PEDRO
M
ais de um ano após o lançamento
da Ranger Raptor com motor
a gasolina V6 3.0 EcoBoost com
292 cv, a Ford reforçou a oferta
com a aguardada motorização diesel, a qual
tem um preço de venda ao público inferior
em cerca de 11 mil euros e promete custos
de utilização mais baixos, graças sobretudo
a um menor consumo de combustível. Além
disso, uma empresa beneficia da vantagem
de poder deduzir o IVA do gasóleo.
A Ranger Raptor diesel vem equipada com
o mesmo motor biturbo de 2,0 litros de 210
cv da geração anterior, associada à caixa
automática de dez velocidades da Ford.
Relativamente à sua congénere a gasolina
oferece menos 82 cv de potência, mas
tem mais binário, 500 Nm contra 491 Nm.
A Raptor diesel também não tem algumas
das funcionalidades da versão a gasolina
como o sistema de escape de válvulas ativas,
o sistema de anti-inércia dos turbos,
o launch control, o bloqueio de diferencial
ou os amortecedores Fox Live Valve. Este
últimos foram substituídos pelos mesmos
amortecedores Fox Position Sensitive da
geração anterior.
Com o motor desligado é impossível distinguir
a diferença entre a versão a gasolina e
a diesel, com exceção da ausência das ponteiras
cromadas do escape. A secção frontal
é dominada pela ampla grelha escura com a
palavra “Ford”, enquanto os guarda-lamas
alargados, os faróis em forma de “C” e o
imponente pára-choques transmitem um
visual robusto e musculado.
O habitáculo também é idêntico ao da versão
a gasolina, incluindo os apontamentos
em Code Orange no painel de instrumentos,
nas saídas da ventilação, volante, enquanto
os materiais e acabamentos estão mais ao
nível de um SUV premium do que uma pick-
-up. O painel de instrumentos digital e o ecrã
tátil vertical dominam o painel de bordo.
CREDENCIAIS EM TT
Em termos dinâmicos, a versão diesel não
é tão rápida a acelerar como a V6 a gasolina,
mas mesmo assim consegue ir dos 0
aos 100 km/h nuns respeitáveis 10,5 segundos
para um veículo que em vazio pesa
quase 2,5 toneladas. Em fora de estrada
mantém as mesmas credenciais e até supera
graças ao maior binário disponível e
a rotações mais baixas. Para enfrentar as
mais diversas situações em todo-o-terreno
conta com os ângulos específicos de ataque
(32º), saída (24º), ventral (24º), altura ao
solo de 26,5 centímetros, ao que se juntam
os sete programas de condução, desde os
34 FROTAS & COMERCIAIS SETEMBRO 2024
tradicionais Normal e Sport, passando pelo
Escorregadio, Lama, Areia, Pisos Rochosos
e Baja, assim como o bloqueio de diferencial
traseiro. Outro argumento favorável para a
versão diesel consiste no consumo inferior
de combustível, com o computador de bordo
a indicar no final do ensaio uma média
combinada de 11,5 l/100 km contra os 18.7
l/100 km da versão a gasolina.
Mantendo uma imagem interior e exterior
idêntica à da versão a gasolina, a Ranger
Raptor Diesel continua a ser uma máquina
bastante eficaz em fora de estrada, com
a vantagem de apresentar custos de utilização
mais baixos, graças a um consumo
substancialmente inferior de combustível.
A pesar de não ser bem igual, o prazer de
condução mantém-se, mas constitui uma
excelente solução de compromisso, especialmente
para uma empresa, que pode
deduzir o IVA do gasóleo. A capacidade de
carga, por sua vez, ultrapassa os 650 kg. /
FORD RANGER
RAPTOR
2.0 ECOBLUE 210 CV
PREÇO 78 676 €
MOTOR DIESEL 4 CIL.; 1996 CC
POTÊNCIA 210 CV ÀS 00 RPM
BINÁRIO 500 NM
TRANSMISSÃO 4WD, 10 VEL, AUTO
COMP./LARG./ALT. 5,36/2,03/1,93 M
DIST. ENTRE EIXOS 3,27 M
PESO BRUTO 3140 KG
TARA 2488 KG
CARGA ÚTIL 652 KG
ACEL. 0 – 100 KM/H 10,5 S
VEL. MAX.180 KM/H
CONSUMO WLTP 10,6 (11,5*) L/100 KM
EMISSÕES CO2 WLTP 180 G/KM
IUC 56,57€
* MEDIÇÕES TURBO FROTAS & COMERCIAIS
TCO
PVP 78 676€
VR 39 967€
DEP 38 709€
MAN 1200€
CUST COMB 14 840€
UTILIZ 54 749€
PVP - Preço de Venda ao Público. Não inclui
negociação da marca. / VR - Valor Residual /
DEP - Depreciação / MAN - Custos com manutenção
programada (exclui pneus) / COM -
Custos com combustível e/ou energia / UTIL
- Custo total de utilização para a totalidade
do contrato. Todos os valores em Euros para
a duração considerada (4 anos / 80.000 km)
RENTING
BONS
MATERIAIS
O interior da
versão diesel
da Ranger
Raptor
é quase
idêntico ao
da variante
a gasolina,
incluindo os
elementos
em Code
Orange no
habitáculo
para
proporcionar
um visual
mais
premium.
As aptidões
em fora de
estrada
também são
semelhantes
1304,53 € / 48 MESES / 80000 KM
Valores não incluem IVA. Serviços incluídos:
Manutenção TOP, Pneus ilimitados,
Seguro, Veículo de substituição
e Assistência em Viagem.
FORA ESTRADA
PREÇO / CONSUMO
SETEMBRO 2024 FROTAS & COMERCIAIS 35
ENSAIO
PEUGEOT E-EXPERT STANDARD 75 KW
MUNDO DE OPÇÕES
O furgão médio elétrico da Peugeot recebeu uma primeira
atualização, passando a oferecer mais autonomia e tecnologia,
embora muita desta última integre esteja disponível em opção
TEXTO CARLOS MOURA PEDRO
P
rimeiro comercial elétrico da
Peugeot, o E-Expert recebeu uma
primeira atualização, que incidiu no
capítulo do design, da tecnologia
e da autonomia. A gama continua disponível
em dois comprimentos de carroçaria
com 4,98 metros (Standard) e 5,33 metros
(Longo) e em duas opções de bateria,
50 kWh e 75 kWh, que viram a autonomia
aumentar, em ciclo combinado WLTP, para
até 224 km e até 350 km, respetivamente.
Exteriormente, o novo Peugeot E-Expert
distingue-se claramente do seu antecessor
pela grelha frontal redesenhada, com
o novo emblema da marca colocado ao
centro, pelos novos faróis full LED, com a
assinatura luminosa da marca e um pára-
-choques otimizado em termos de proteção
e eficiência aerodinâmica.
Mais profunda foi a remodelação no habitáculo
que apresenta agora um painel de
instrumentos digital de 10” e um ecrã tátil
de igual dimensão na consola central, para
controlo do sistema de audio e da navegação
conectada. Uma ligação sem fios Apple
CarPlay e Android Auto permite espelhar
os conteúdos do smartphone. A seleção
dos programas de condução - P, R, N e D -
continua a ser efetuado por comandos na
consola central, mas o botão de modo B,
relativo à travagem regenerativa, desapareceu,
tendo sido substituído por patilhas
atrás do volante que oferecem três níveis
de intensidade.
O volante multifunções também é novo e
agora concentra as maiorias das funcionalidades,
como seleção das estações de
rádio, atendimento de chamadas telefónicas.
A seleção das diferentes vistas do painel
de instrumentos passou a ser efetuado
por um botão localizado na parte superior
esquerda do painel de bordo.
A versão ensaiada estava equipada com o
pack Moduwork, que inclui um banco retrátil
e uma abertura entre o habitáculo e o compartimento
de carga, permitindo transportar
objetos mais longos, graças ao aumento do
comprimento interno de 2,51 metros para
3,67 metros, enquanto o volume útil passa
de 5,3 m3 para 5,8 m3.
OPCIONAIS DISPONÍVEIS
A unidade ensaiada é um claro exemplo várias
possibilidades de personalização disponíveis
na gama, contando com o Pack
Basic (retrovisores elétricos, aquecidos e
rebatíveis eletricamente, faróis de nevoeiro),
Pack Nav+Cam (navegação conectada,
carregamento smartphone por indução, ecrã
tátil de 10”, câmara Visiopark 180º), Pack
Safety Plus (travagem de emergência e cruise
control adaptativo). Como consequência,
o preço final eleva-se dos 51 106 euros da
36 FROTAS & COMERCIAIS SETEMBRO 2024
MAIS
DIGITAL
A versão
elétrica
do Expert
recebeu um
painel de
instrumentos
digital,
c o n fi g u r á v e l
através de
um comando
no painel
de bordo,
um ecrã
tátil para a
navegação
conectada
ou a câmara
traseira.
Patilhas
atrás volante
regulam os
níveis de
intensidade
da travagem
regenerativa
PEUGEOT E-EXPERT
STANDARD 75 KW
PREÇO 51 106 €
(55 722€ - UNIDADE ENSAIADA)
MOTOR ELÉTRICO
POTÊNCIA 100 KW (136 CV)
BINÁRIO 260 NM
TRANSMISSÃO AUTO, 1 VEL.
COMP./LARG./ALT. 4,98/1,92/1,90 M
DISTÂNCIA ENTRE-EIXOS 3,28 M
PESO BRUTO 3021 KG
TARA 2201 KG
CARGA ÚTIL 1000 KG
VOLUME ÚTIL 5,8 M3
ACEL 0 - 100 KM/H 14,2S
VEL. MAX 130 KM/H
CONSUMO WLTP 26,2 (19,6*) KWH/100
CAPACIDADE BATERIA 75 KWH
AUTONOMIA 350 KM (345 KM*)
TEMPO DE CARGA (11 KW) 7H30 (100
KW) 45 M (0% - 80%)
EMISSÕES 0 G/KM
IUC 0,00 €
* MEDIÇÕES TURBO FROTAS & COMERCIAIS
TCO
PVP 55 722€
VR 28 307€
DEP 27 415€
MAN 516€
CUST COMB 5958€
UTILIZ 33 889€
PVP - Preço de Venda ao Público. Não inclui
negociação da marca. / VR - Valor Residual /
DEP - Depreciação / MAN - Custos com manutenção
programada (exclui pneus) / COM -
Custos com combustível e/ou energia / UTIL
- Custo total de utilização para a totalidade
do contrato. Todos os valores em Euros para
a duração considerada (4 anos / 80.000 km)
RENTING
729,76 € / 48 MESES / 40000 KM
Valores não incluem IVA. Serviços incluídos:
Manutenção TOP, Pneus ilimitados,
Seguro, Veículo de substituição
e Assistência em Viagem.
TECNOLOGIA
CARREGADOR DE 7,4 KW
versão de entrada para os 55 722 euros.
A linha motriz elétrica revelou-se competente
e eficiência, graças à combinação da
potência máxima de 100 kW (136 cv) com
o binário de 260 Nm, sendo as prestações
aceitáveis, mas modestas, designadamente
a aceleração dos 0 aos 100 km/h em 14,2
segundos. O sistema de travagem regenerativa
é bastante eficaz, abrandando a
velocidade quando se levanta o pé do acelerador,
mas o E-Expert numa se imobiliza
por completo. O consumo de energia registado
durante o ensaio foi de 19,6 kWh/100
km, em modo Normal / Eco, num custo de
7,52 euros num posto de carregamento público
em corrente alterna. O E-Expert vem
equipado, de série, com um carregador de
bordo de 7,4 kW, sendo necessárias 11h20
para a recarga completa da bateria de 75
kWh. O carregador de 11 kW é opcional,
mas já permite diminuir o tempo de carga
para 7h30. O E-Expert pode igualmente ser
carregado em corrente contínua num posto
público de 100 kW, demorando cerca de
45 minutos para recuperar o nível de carga
dos 0% aos 80%. /
SETEMBRO 2024 FROTAS & COMERCIAIS 37
destaque
MAIOR
DE SEMPRE
A edição de 2024 do IAA Transportation vai
ser a maior de sempre e será um palco para a
apresentação das mais recentes soluções para
a descarbonização dos transportes
TEXTO CARLOS MOURA PEDRO
A
edição de 2024 do
IAA Transportation,
que, segundo a organização,
irá a ser
a maior de sempre
deste certame, vai
procurar apresentar
soluções para
se alcançarem os objetivos de emissões
de dióxido de carbono previstos no Acordo
de Paris e contribuir para o desenvolvimento
potencial da indústria, assim como
o aparecimento de novos “players”. Num
encontro com a imprensa especializada
para antecipar as principais linhas orientadoras
deste evento, que será subordinado
ao lema “People and Goods On The Move”, a
presidente da VDA (Associação da Indústria
38 FROTAS & COMERCIAIS SETEMBRO 2024
Automóvel da Alemanha), Hildegard Müller,
sublinhou que o compromisso da indústria
para a descarbonização do transporte rodoviário
até 2050. “A indústria está preparada
para a transformação e está a investir fortemente
com grande dedicação para uma
mobilidade neutra em termos de carbono
no futuro”, afirmou a presidente da VDA,
entidade responsável pela organização do
IAA Transportation 2024.
“Estamos confiantes que podemos alcançar
este objetivo, desde que sejam criadas
as condições políticas adequadas para o
efeito”, salientou Hildegard Müller. A responsável
adiantou que além das atividades da
própria indústria, particularmente no setor
dos veículos comerciais, é necessário acelerar
o desenvolvimento de uma alargada
infraestrutura de carregamento elétrico e
abastecimento de hidrogénio, assim como
a implementação de robustas redes elétricas
e de hidrogénio, energia suficiente
com impacto neutro de carbono, melhores
condições de localização, comércio livre e
justo, parcerias internacionais e um foco
mais forte nos potenciais da digitalização.
“O IAA Transportation é o melhor local para
discutir tópicos chave como a sustentabilidade,
a digitalização e tecnologias inovadoras
de propulsão com representantes
de todos os setores”, acrescentou a presidente
da VDA.
DESCARBONIZAÇÃO
O encontro com a imprensa contou ainda
com líderes da indústria, designadamente
da Daimler Truck, Ford, Kia, MAN Truck &
Bus, Michelin, Quantron e Schmitz Cargobull,
que partilharam com a audiência as suas
visões e ambições para um futuro sustentável
do setor do transporte e da logística.
As referidas empresas reafirmaram o seu
empenho para ser pioneiros e referências
na transformação, sublinhando a importância
de estratégias multi-energias que
incluem a utilização de várias tecnologias
como baterias de tração e hidrogénio. Isto
também envolve a utilização de soluções
digitais e tecnologias inteligentes, assim
como o recurso a materiais sustentáveis
e recicláveis.
Para se conseguir chegar com sucesso a um
futuro sem emissões no setor dos transportes
e da logística será imprescíndivel
tomar medidas para promover um desenvolvimento
acelerado das infraestruturas e
uma maior desregulação em toda a cadeia
de valor, evitando assim passar os custos
adicionais da redução de dióxido de carbono
para os consumidores, que se viriam agravar
ao aumento dos custos das matéria-primas
e dos preços de produção.
Relativamente à infraestrutura de carregamento
e abastecimento para camiões
elétricos a bateria, a CEO da Mercedes-
Benz Trucks, Karim Rädstróm, afirmou que
a indústria está preparada e que já tem
soluções, apontando o exemplo o caso da
Daimler Truck & Bus, que já tem dez camiões
e autocarros elétricos a bateria em
produção. A responsável considera que o
estrangulamento reside na infraestrutura,
sublinhando que sem soluções de carregamento
“nenhum cliente comprará veículos
com emissões zero”. Atualmente existem
na Europa cerca de 200 estações de carregamento
de ultrarrápidas com potência
inferior a 400 kW e cerca de 120 postos
de abastecimento de hidrogénio, sendo a
maioria de 350 bar.”Até 2030 necessitamos
de aproximadamente 35 000 postos
de carregamento com mais de 400 kW e
cerca de 2000 postos de abastecimento
de hidrogénio com 700 bar”. Todos os meses
temos de instalar 400 estações ultrarrápidas
com mais de 400 kW e cerca de 30
estações de abastecimento de hidrogénio
líquido de 700 bar”.
Por sua vez, Andreas Schmitz, da Schmitz
Cargobull, alertou para a subida dos custos
das matérias-primas e o seu impacto
no valor final dos produtos. Entre dezembro
de 2020 e setembro de 2022, assistiu-se
a um crescimento dos preços dos produtos
industriais de 55%, e desde essa altura
até abril de 2024 verificou-se uma subida
de 39%. O responsável admite novos aumentos
de custos devido às atualizações
salariais e considera que o principal factor
para atenuar esta subida é a redução dos
preços da energia. A rewe de produção flexível,
a regulação sensível para assegurar a
competitividade, a inovação e as soluções
sustentáveis são apontados como elementos
essenciais para otimizar os custos de
produção. /
SETEMBRO 2024 FROTAS & COMERCIAIS 39
destaque
KIA PBV
REGRESSO
AMBICIOSO
A Kia vai estar presente, pela primeira vez, no Salão
de Hannover com o PV5, naquele que é o regresso da
marca ao segmento dos comerciais na Europa
Após uma longa
ausência no
segmento dos
comerciais
ligeiros na Europa,
a Kia anunciou o
seu regresso
com a nova gama
elétrica e conectada PBV (Platform Beyond
Vehicle) que, numa primeira fase, contará
com dois modelos, o PV5 e o PV7. A marca
sul-coreana anunciou o lançamento da
nova oferta no início deste ano durante o
Consumer Electronics Show em Las Vegas,
tendo aproveitado o evento para dar a
conhecer a sua visão da mobilidade para
os próximos 10 a 12 anos. Entretanto, o
processo de desenvolvimento da nova gama
está a avançar e o primeiro modelo da nova
gama, o PV5, vai ter estreia europeia no IAA
Transportation 2024.
Num evento realizado na sua sede europeia
em Frankfurt, a Kia antecipou a sua
estratégia aos membros do júri do IVOTY
- International Van of the Year. De acordo
com os responsáveis da marca, a Kia vai
recorrer à experiência obtida na sua gama
de ligeiros de passageiros para desenvolver
a família PBV, a qual irá recorrer a uma
plataforma totalmente nova para veículos
comerciais, com o objetivo de garantir uma
maior flexibilidade e modularidade.
Todos os veículos terão conectividade permanente
e em combinação com as possibilidades
de desenvolvimento de software,
baseado no sistema operativo Android, a Kia
pretende promover uma maior interação
entre os intervenientes da cadeia logística:
carroçarias, prestadores de serviços e
utilizadores dos veículos.
“Com a gama PBV, a Kia pode ser competitiva
em termos de TCO (custo total de utilização)
face a um veículo congénere diesel”,
afirmou Pierre-Martin Bos, diretor PBV da
Kia Europe, aos jurados do International
Van of the Year.
PRIMEIRO A CHEGAR É O PV5
O primeiro modelo da nova gama a chegar
ao mercado será o PV5, um comercial de
dimensões médias, estando previsto o seu
lançamento no último trimestre de 2025.
O Kia PV5 vai inserir-se num segmento
onde estão presentes modelos como o
Citroën Jumpy, Fiat Professional Scudo,
Ford Transit Custom, Mercedes-Benz Vito,
Opel Vivaro, Peugeot Expert, Renault Trafic,
Volkswagen Transporter, os quais, recorde-
-se, já estão disponíveis com plataformas
multienergias. A aposta da Kia vai passar
por uma oferta exclusivamente elétrica,
que integra soluções de carregamento
V2X (vehicle-to-everything).
O PV5 será proposto em versões de chassis
curto ou longo, tecto normal ou alto,
nos derivativos furgão de mercadorias,
chassis-cabina e kombi de passageiros. Os
modelos serão construídos com materiais
sustentáveis e vão oferecer tecnologia V2G
(vehicle-to-grid).
40 FROTAS & COMERCIAIS SETEMBRO 2024
2
MODELOS
3
DERIVATIVOS
300 MIL
2030
QUANDO?
FINAL DE 2025
O PV5 Cargo estará vocacionado para ir de
encontro à satisfação das necessidades
dos serviços de utilidades (construção, reparação,
manutenção), aos operadores de
distribuição de última milha e às pequenas
e médias empresas.
As versões de passageiros do PV5, denominadas
People Mover, serão propostas
em configurações de quatro, cinco e seis
lugares, estando ainda prevista uma versão
que possibilita o transporte de um passageiro
de mobilidade reduzida.
300 MIL UNIDADES EM 2030
Em 2027, a oferta será reforçada com o
PV7, um comercial de grandes dimensões,
que irá oferecer uma maior capacidade de
carga nas versões de mercadorias e até
nove lugares nas de passageiros. A oferta
também será alargada com outras variantes,
incluindo algumas já transformadas de
fábrica, enquanto outras receberão carroçarias
produzidas por parceiros.
A gama PBV será produzida numa nova
fábrica na Coreia do Sul, dedicada exclusivamente
a estes modelos, tendo sido
anunciada uma produção de 150 mil unidades
em 2025 e 300 mil em 2030. A comercialização
será assegurada pela atual
rede da Kia, estando prevista a criação de
PV7 EM 2027
Após o lançamento
do PV5, a gama PBV
vai ser reforçada
em 2027 por uma
variante longa
denominada PV7,
cujo protótipo
foi revelado em
Frankfurt
alguns centros dedicados em comerciais
quando for introduzido o PV7. Os responsáveis
da Kia garantem, no entanto, que
toda a rede estará preparada para vender
e dar assistência aos veículos PBV, estando
previsto que alguns concessionários serão
especializados em veículos comerciais. /
SETEMBRO 2024 FROTAS & COMERCIAIS 41
destaque
MAN TRUCK & BUS
APOSTA
TRIPLA
No roteiro para a descarbonização do transporte, a
oferta da MAN vai assentar em três soluções: elétrica
a bateria, hidrogénio e diesel. Nos ligeiros, a gama TGE
também conta com novos argumentos
No âmbito da estratégia
para a descarbonização
do transporte
rodoviário, a MAN
Truck & Bus aposta
numa oferta tripla
que permita responder
às necessidades
dos clientes:diesel, elétrico e hidrogénio. Os
Alpes austríacos foram o cenário escolhido
pelo construtor de Munique para fazer uma
demonstração das suas diferentes soluções.
A estrela principal era indiscutivelmente o
MAN eTruck, que vai passar a estar disponível
em mais de um milhão de configurações,
graças ao seu conceito modular de bateria,
distâncias entre-eixos, cabinas, tomadas de
força. A MAN acredita que metade dos seus
camiões matriculados até 2030 serão elétricos
e para o efeito tem vindo a reforçar a
gama. Entretanto, a marca reivindica que
se está a registar uma forte procura para o
novo eTruck, tendo sido recebidas mais de
2000 encomendas para o MAN eTGX e eTGS.
A primeira série está quase esgotada e muitos
dos pedidos em carteira são referentes
a veículos que serão produzidos em série na
fábrica de Munique, a partir de 2025.
Com até nove distâncias entre-eixos diferentes,
seis versões de cabina, várias opções
de potência, combinações de bateria,
localizações da tomada de carregamento,
eixos fixos e direcionais, suspensão mecânica
ou pneumática, assim como programas
de condução desenvolvidos especificamente
para cada aplicação, o MAN eTGX
e eTGS pode ser configurado em função das
necessidades de cada operador.
A MAN refere que a duração expectável da
bateria seja de 1,6 milhões de quilómetros
ou até 15 anos, dependendo do tipo
de aplicação.
Com opções de bateria de três, quatro, cinco
ou seis packs, que podem ser instalados
em vários locais no chassis, o MAN eTGX e
eTGS oferece uma ainda maior flexibilidade,
graças à disponibilização de três níveis
de potência: 333 cv, 449 cv e 544 cv. Isto
permite disponibilizar veículos de recolha de
resíduos com colector traseiro ou lateral,
plataformas elevatórias para contentores
ou para veículos, básculas trilaterais e gruas
para transporte de materiais de construção,
veículos de limpeza de neves, entre outros.
A MAN refere que o design compacto dos
módulos da bateria permite a disponibilização
de tractores com quinta roda mais baixa
e semirreboques de elevado volume, independentemente
da baixa altura do chassis
e da reduzida distância entre-eixos.
AUTONOMIA
ATÉ 800 QUILÓMETROS
Igualmente importante para o operador é
a autonomia do MAN eTruck. A marca alemã
reivindica que o alcance do MAN eTGX e
42 FROTAS & COMERCIAIS SETEMBRO 2024
GAMA LIGEIRA
RENOVADA
A rede profissional
da MAN tem sido
um factor que tem
contribuído para o
sucesso da gama
ligeira TGE, que
acaba de receber um
extensa atualização
eTGS pode chegar aos 500 quilómetros nos
rígidos e aos 800 quilómetros nos conjuntos
combinados tractor e semirreboque.
As baterias podem receber carregamentos
com potências até 375 kW utilizando tomadas
com padrão convencional CCS, mas a
MAN também vai disponibilizar a possibilidade
de carregamento até um megawatt, com
recurso ao novo padrão MCS, que garante
cargas intermédias mais rápidas durante
as pausas de condução. A partir de outubro,
será possível carregar a uma potência até
750 kW e mais tarde a capacidade poderá
aumentar para um megawatt.
Para facilitar as operações de carregamento,
os camiões elétricos da MAN podem
dispor de duas tomadas de carregamento,
que podem ser combinadas e instaladas
no lado esquerdo e direito atrás do arco da
roda dianteira ou na parte traseira do lado
direito do chassis.
Para auxiliar os clientes na transição energética,
a marca alemã lançou um serviço
SETEMBRO 2024 FROTAS & COMERCIAIS 43
destaque
MAN TRUCK & BUS
de apoio, denominado eMobility Consulting,
que no seu aconselhamento leva em conta
a análise da utilização do veículo e as exigências
ao nível da infraestrutura de carregamento.
As próprias estações de carregamento
também fazem parte da oferta da
MAN, graças a acordos com fornecedores
dos equipamentos. À semelhança dos camiões
convencionais diesel, a MAN também
disponibiliza contratos de serviço e soluções
de financiamento para camiões elétricos.
COMBUSTÃO A HIDROGÉNIO
No roteiro para a transição energética, a MAN
Truck & Bus considera que existem várias
soluções possíveis, sendo uma delas o hidrogénio,
seja com recurso à tecnologia da
pilha de combustível (fuel-cell), seja a combustão.
Na Áustria, o fabricante de Munique
apresentou o protótipo de um camião com
motor de combustão interna a hidrogénio,
o MAN hTGX, que será será produzido
numa pequena série de 200 veículos, a partir
de 2025, que se destinam a clientes na
Alemanha, Países Baixos, Noruega, Islândia.
O motor de combustão a hidrogénio H5 é
baseado no conhecido bloco diesel D38 da
520 CV
MAN HTGX
600KM
AUTONOMIA
700
BAR
1
G/KM CO 2
MAN, sendo produzido na fábrica de motores
e baterias de Nuremberga, na Alemanha. A
utilização de tecnologia familiar permite à
marca entrar no mercado numa fase inicial
e proporciona o ímpeto necessário para o
arranque da infraestrutura de hidrogénio.
A MAN refere que o sistema de propulsão a
hidrogénio é indicado para aplicações que
exijam uma configuração especial de eixos
ou onde não exista espaço para a carroçaria
no chassis. O MAN hTGX oferece uma elevada
capacidade de carga e uma autonomia
de até 600 quilómetros na sua oferta inicial
assentará nas configurações 6x2 e 6x4. O
motor de combustão a hidrogénio desenvolve
uma potência de 520 cv e um binário
de 2500 Nm entre as 900 e as 1300 rpm. A
injeção direta do hidrogénio no motor proporciona
uma entrega rápida de potência.
Com hidrogénio comprimido a 700 bar (CG
H2) e um depósito de 56 quilos, o veículo
pode ser abastecido em menos de 15 minutos.
As emissões inferiores a 1g de CO2(km
permitem ao MAN hTGX cumprir o critério
de “veículo emissões zero” ao abrigo da legislação
planeada da União Europeia para
emissões de dióxido de carbono.
MAN TGE
Simplificar o negócio
Apesar de ser um dos comerciais com uma
das plataformas mais recentes, a MAN (e a
Volkswagen) renovaram a gama ligeira TGE, de modo
a cumprir o regulamento de segurança de veículos
GSR, além de simplificar o negócio do cliente em
termos de segurança, orientação para o condutor
e fornecimento de soluções. Exteriormente, as
alterações são pouco significativas: as mais
visíveis podem ser encontradas nos pára-choques,
grupos óticos e grelha. Mais profundo foi o trabalho
realizado no habitáculo que foi totalmente
redesenhado e possui uma nova arquitetura, com
a adoção de um Cockpit Digital (que compreende
um painel de instrumentos digital e um ecrã tátil
na consola central). O sistema de comunicação
e informação MAN Media Van é de série, estando
disponível com ecrã de 10,4” e 12,9”. O travão de
estacionamento eletrónico passa a ser de série,
assim como o arranque sem chave, a interface
USB-C, a integração com smartphone (Smart Link),
ou o comando da transmissão atrás do volante nas
versões com caixa automática.
O MAN TGE passa a contar com um total de 27 sistemas
de assistência à condução, sendo de série
a informação de sinais de trânsito, assistência
de travagem de emergência, assistente de estacionamento,
assistente de manutenção na faixa
de rodagem, deteção de fadiga, cruise control.
No capítulo mecânico, a oferta assenta no motor
diesel de 2,0 litros, proposto em níveis de potências
de 140 cv, 163 cv e 170 cv. Na apresentação
dinâmica nos Alpes austríacos foi possível efetuar
um percurso com um furgão de 3,5 toneladas, motorização
de 170 cv e caixa automática, e com um
chassis-cabina de 5,5 toneladas, motorização de
140 cv e transmissão manual. Nota-se que houve
cuidado com a qualidade de construção e a escolha
dos materiais, superior ao da concorrência,
e o comportamento dinâmico é bastante satisfatório,
mesmo na variante chassis-cabina com
motorização menos potente. O ambiente a bordo
é semelhante, quer numa versão, quer na outra.
44 FROTAS & COMERCIAIS SETEMBRO 2024
HIDROGÉNIO E BEV
O MAN hTGX vai ser produzido numa série limitada de 200 unidades a partir de 2025. As
encomendas do MAN eTruck já estão esgotadas até final do próximo ano
NOVO DIESEL POWER LION
Com o objetivo de responder à procura que
continua a existir de camiões com motores
de combustão, a MAN vai introduzir a nova
cadeia cinemática Power Lion nos tractores
MAN TGX e TGS.
Como base é utilizado um bloco de origem
Scania que foi desenvolvido especificamente
para a MAN, o qual oferece uma redução no
consumo de combustível, e estará associado
a uma caixa automática.MAN TipMatic
de 14 velocidades.
O novo motor D30 virá substituir os blocos
D26 e D15, sendo proposto em níveis de
potência de 380 cv a 560 cv.
A combinação do sistema de injecção direta
por rampa comum “common rail” XPI com
uma pressão até 1800 bar e dez orifícios de
injeção com uma sobrealimentação otimizada
através de geometrias variáveis garante
a obtenção de uma elevada eficiência,
que a marca reclama ser superior a 50%.
O novo motor possui um sistema de pós-
-tratamento dos gases de escape por SCR
(redução catalítica seletiva) e está associado
a um travão-motor com potência de
retenção até 355 kW e um retarder com capacidade
de travagem até 3700 Nm.
Os novos camiões da MAN contam com os
mais avançados sistemas de assistência
à condução, destacando-se a deteção de
peões e ciclistas, reconhecimento dos sismais
de trânsito, travagem de emergência,
assistente de ângulo morto e assistente de
curva, entre outros. /
SETEMBRO 2024 FROTAS & COMERCIAIS 45
destaque
IVECO
OFENSIVA
MULTI-ENERGIAS
Um comercial ligeiro elétrico desenvolvido com a Hyundai
e uma versão rígida do Iveco S-eWay terão estreia mundial
no IAA Transportation 2024. Fuel-cell é outra forte aposta
Após a renovação de
quase toda a gama
no final de 2023, a
Iveco prossegue
a sua estratégia
de lançamento de
soluções para a
descarbonização
dos transportes com a apresentação das suas
maia recentes inovações com emissões zero.
A Iveco continua a sua jornada de transição
energética, alicerçada numa estratégia
multi-energias - biodiesel, biometano,
elétrico a bateria e hidrogénio - contando
para o efeito com um número crescente de
parceiros no ecossistema, assim como um
portefólio integrado de serviços e na adoção
constante da inovação para alcançar
novos níveis de crescimento, eficiência e
competitividade.
COCKPIT
DIGITAL
O interior das cabina
oferece um painel
de instrumentos
personalizávelcom
ecrã TFT e um
ecrã tátil central
com sistema de
informação e
comunicação
46 FROTAS & COMERCIAIS SETEMBRO 2024
Em termos de produto, a Iveco reservou duas
estreias mundiais para o IAA Transportation
2024. Uma delas consiste um novo veículo
comercial ligeiro elétrico desenvolvido com a
Hyundai que se irá posicionar abaixo do atual
eDaily, no segmento até às 3,5 toneladas.
O novo modelo será da tipologia chassiscabina
e estará preparado para receber
diferentes carroçarias. Tudo indica que
estarão disponíveis duas opções de bateria,
com autonomia entre 230 km e 270 km, e
duas motorizações elétricas, com 138 kW
e 160 kW. O novo comercial elétrico terá à
disposição vários modos de intensidade
da travagem regenerativa, incluindo um
modo “e-pedal”. A velocidade máxima
estará limitada a 120 km/h. Em termos de
assistência à condução, a nova proposta da
Iveco irá cumprir a norma europeia GRS2.
A Iveco vai reforçar a oferta da gama S-eWay
com a disponibilização de um chassis de
carga rígido, que deverá ser proposto em
configurações 6x2 e 4x2, que podem ser
associadas a cabinas AT/AD e AS. As baterias
são as mesmas utilizadas nos autocarros da
Iveco e são produzidas pela FPT Industrial,
em Turim. Segundo alguns rumores, este
camião elétrico rígido poderá ser proposto
com quatro, cinco ou sete baterias, que
permitirão percorrer até 400 quilómetros
entre carregamentos.
No âmbito da sua estratégia multi-energias,
a Iveco também está a apostar na tecnologia
da pilha de combustível alimentada por
hidrogénio. Um primeiro veículo de préprodução
já foi apresentado publicamente
em Madrid, à margem do concerto da banda
de rock Metallica, cuja digressão europeia
foi apoiada pela marca italiana com a
disponibilização de uma frota com baixo
impacto ambienta movidos a gás natural,
camiões com baixo - a gás natural, elétricos
a bateria e diesel com baixo teor de carbono.
S-EWAY FUEL CELL
Com base na plataforma multi-energias
do S-Way, a Iveco desenvolveu o S-eWay
Fuel Cell, que se destina a operações
de transporte de longo curso. A pilha de
combustível e os principais componentes
do sistema são de origem Bosch, enquanto
o eixo elétrico com potência de 480 kW
é produzido pela FPT Industrial. A marca
anuncia uma autonomia de até 800
quilómetros com um abastecimento de
hidrogénio, contando para o efeito com
vários depósitos, cada um com capacidade
de 12,8 quilos, que podem armazenar até um
total de 70 quilos, a uma pressão de 700 bar.
Os engenheiros da Iveco afirmam que até é
possível abastecer a uma pressão até 350
bar, mas o alcance será substancialmente
inferior. O tempo de abastecimento dos
depósitos de hidrogénio será inferior a 20
minutos.
O camião fuel-cell da Iveco está disponível
numa configuração de três eixos (6x2),
sendo o último direcional. À semelhança do
3
EIXOS
20 MIN
ABASTECIMENTO H2
800 KM
AUTONOMIA
480 KW
MOTOR ELÈTRICO
PRIMEIRO FUEL-CELL
O primeiro veículo de pré-produção Iveco S-eWay Fuel Cell foi apresentado publicamente
em Madrid e integra edição especial "Metallica", limitada a 72 unidades
SETEMBRO 2024 FROTAS & COMERCIAIS 47
destaque
IVECO
Iveco S-eWay, o S-eWay também recebe um
eixo elétrico com 480 kW, produzido pela
FPT Industrial. O peso em vazio do tractor
é de 12,3 toneladas e a capacidade de carga
até 25 toneladas.
EDAILY FUEL CELL
Após a estreia mundial do eDaily Fuel Cell
no IAA Transportation de 2022, a Iveco vai
apresentar na edição deste ano a versão
de pré-produção daquele modelo, que
depois será testado por alguns clientes
selecionados em condições reais de
operação. As primeiras entregas estão
previstas até ao final de 2024.
O Iveco eDaily Fuel Cell está homologado com
um peso bruto de 7,2 toneladas e partilha
com o Hyundai Nexo a pilha de combustível
e os depósitos de hidrogénio, os quais
estão localizados num subchassis para
proteção contra impactos. O motor elétrico
desenvolve uma potência de 145 kW e
O abastecimento dos depósitos de
hidrogénio demora entre sete a nove
minutos, permitindo percorrer até 500
quilómetros. /
NOVAS MELHORIAS
A Iveco tem vindo a introduzir diversas melhorias na versão elétrica da Daily, que na versão
chassis-cabina de 7,5 toneladas pode oferecer uma autonomia até 300 km
TRANSIÇÃO ENERGÉTICA
Aposta nas parcerias
estabelecimento de parcerias é uma das
O iniciativas que a Iveco tem tomado para
alargar a oferta de produto e a acelerar o processo
de eletrificação. O fabricante de Turim associouse
à Amazon em 2019 para lançar um sistema
pioneiro de assistente de voz e possibilitar
o desenvolvimento de veículos definidos por
software. Em 2021 assinou um memorando de
entendimento com a Plus para a introdução de
tecnologia mais eficiente e segura de condução
autónoma de nível 2 em camiões.
No início deste ano, a Iveco assinou um acordo
com a Hyundai para a comercialização de um
chassis-cabina elétrico para o mercado da União
Europeia, o qual será revelado no IAA Transportation.
Entretanto, foi estabelecido um outro memorando
de entendimento, desta vez com a Ford Trucks,
com vista ao desenvolvimento de conjunto uma
nova cabina, a qual deverá oferecer uma melhor
habitabilidade, uma maior eficiência aerodinâmica e
o cumprimento da diretiva europeia de visão direta
(GSR-D). Mais recentemente, a Iveco estabeleceu
um novo acordo com os chineses da Foton para
uma colaboração na área dos veículos elétricos
e componentes, assim como oportunidades de
negócio conjuntas para a Europa e América Latina.
Em termos de estratégia multienergias, a Iveco
vai continuar o desenvolvimento da tecnologia
da pilha de combustível e também vai apostar
no desenvolvimento de motores de combustão a
hidrogénio. Na área da eletrificação, a marca vai
continuar a investir nos veículos elétricos a bateria,
bem como em soluções híbridas. A oferta de motores
de combustão é para manter, designadamente em
biogás, biodiesel e combustíveis sintéticos.
48 FROTAS & COMERCIAIS SETEMBRO 2024
QUANTRON
FUEL-CELL AO QUILÓMETRO
Os primeiros camiões de longo curso
fuel-cell da Quantron começam
a ser entregues ainda este ano e
estarão disponíveis numa solução de
pagamento ao quilómetro
Após a estreia mundial do camião
de longo curso equipado com pilha
de combustível QHM FCEV Aero na
última edição do IAA Transportation
em 2022, os alemães da Quantron
anunciaram que as primeiras
entregas vão arrancar ainda em
2024.
“Podemos ser competitivos em termos de TCO com um
veículo fuel-cell ou elétrico a bateria face a um congénere
diesel”, afirmou Andreas Haller, CEO da Quantron, aos
jornalistas presentes, em Frankfurt, na conferência de
imprensa, organizada pela VDA, para apresentação do IAA
Transportation 2024.
O CEO da Quantron acrescenta que a sua empresa tem
a missão de disponibilizar aos operadores de transporte
veículos comerciais de emissões zero com custos
comparáveis aos congéneres diesel.
Para o efeito, a Quantron desenvolveu uma solução inclusiva
com preços competitivos, que passa pela disponibilização
de uma oferta de pagamento por quilómetro percorrido.
Para o segmento de longo curso, a oferta da Quantron
assenta no QHM FCEV Aero, um tractor homologado com
peso bruto de até 44 toneladas, que também estará disponível
numa versão elétrica a bateria (BEV). O Quantron
QHM FCEV Aero possui quatro depósitos de hidrogénio integrados
no chassis e entre os eixos com uma capacidade de
54 quilogramas, permitindo percorrer até 700 quilómetros
entre abastecimentos, sendo que essa operação demora
cerca de 40 minutos. A pilha de combustível tem uma potência
de 240 kW e conta com mais recente geração de células
de combustível desenvolvidas pela Ballard Power Systems.
A cabina do Quantron QHM FCEV Aero é baseada na do
MAN TGX, mas recebeu algumas alterações de design não
só para fazer a distinção em termos de imagem de marca,
mas também para otimizar a entrada de ar para o sistema
de refrigeração. O design aerodinâmico reduz a resistência
ao ar em cerca de 20% e aumenta a autonomia em cerca de
10%. Em termos de preços, os responsáveis da Quantron
referem que um camião de longo curso a hidrogénio custa
o dobro da versão equivalente diesel. /
INTEGRAÇÃO
COMPLETA
O camião fuelcell
da Quantron
possui os depósitos
de hidrogénio no
chassis
SETEMBRO 2024 FROTAS & COMERCIAIS 49
reportagem
SALÃO NACIONAL DO TRANSPORTE
CONTRA-CICLO OU REALIDADE?
A 7ª edição Salão Nacional do Transporte contou com a presença de
mais 100 empresas e registou mais de 20 mil visitantes que puderam
contactar com aquilo que o mercado está disposto a comprar…
TEXTO CARLOS MOURA PEDRO
N
uma altura em
que a indústria
automóvel investe
fortemente no
desenvolvimento
de soluções para
a descarbonização
dos transportes,
concentrando
toda a sua comunicação nessa área,
a mais recente edição do Salão Nacional
do Transporte, realizada nos pavilhões do
Expocentro, em Pombal, estava em claro
contra-ciclo com essa tendência.
A esmagadora maioria dos expositores presentes
no certame, com algumas exceções
como a Volvo Trucks, a Iveco ou a Schmitz
Cargobull, apresentava nos seus espaços
veículos com motorização de combustão
diesel, naquele que é um evidente choque
com a realidade. Uma coisa é a vontade política
em quer impor soluções alternativas
para que seja possível cumprir as metas
do Acordo de Paris, outra completamente
diferente é a adesão do mercado a essas
novas tecnologias, que não só representam
um acréscimo de custos entre duas a
três vezes face a um veículo de combustão
como não existem incentivos à descarbonização
das frotas de transporte rodoviário
de mercadorias, além das infraestruturas
de carregamento para viaturas pesadas
serem, neste momento, virtualmente inexistentes
no nosso país.
Para agravar a situação, e atendendo à
localização periférica face ao centro da
Europa, os transportadores rodoviários de
mercadorias não acreditam na operação de
camiões elétricos a bateria no longo curso
curso, considerando que a alternativa será
a utilização de hidrogénio, quer em motores
de combustão, ou para produzir ener-
50 FROTAS & COMERCIAIS SETEMBRO 2024
DIESEL DE
"PEDRA E "CAL"
Quase todas as
marcas de pesados
presentes no
mercado nacional
aproveitaram o
Salão Nacional do
Transporte para
estarem junto dos
clientes e do público.
Com exceção da
Volvo Trucks, todas
apostaram em
motorizações diesel,
já que a procura vai
nesse sentido
NOVO SUCESSO
Pedro Polónio, presidente da ANTRAM, manisfestou a
sua satisfação com a adesão de expositores e público ao
Salão Nacional de Transporte
gia em pilhas de combustível para alimentar
os motores elétricos. Mas enquanto os
camiões elétricos a bateria já vão surgindo
no mercado, os seus congéneres a hidrogénio
têm ainda bastantes muitos obstáculos
à sua frente, designadamente ao nível da
infraestrutura de abastecimento. A União
Europeia prevê a instalação de postos de
abastecimento de hidrogénio com intervalos
de, pelo menos, 200 quilómetros nos
principais corredores rodoviários até 2030.
Apesar dos otimistas planos de Bruxelas, a
Península Ibérica continua a ser um verdadeiro
deserto não só em termos de infraestrutura
de abastecimento de hidrogénio,
mas também de carregamento de veículos
pesados de mercadorias.
BOA AFLUÊNCIA
A edição de 2024 do Salão Nacional do
Transporte contou com uma boa adesão
por parte do público, tendo passado, segundo
a organização, cerca de 20 mil visitantes,
tornando-se num dos mais importantes
eventos dedicados ao transporte rodoviário.
As marcas de pesados não deixaram
escapar a oportunidade de apresentarem
as ofertas mais relevantes para o mercado
nacional. A Ford Trucks tinha em destaque no
seu espaço a nova gama F-Line e no espaço
exterior contava com uma unidade daquela
gama com betoneira, cedida pela empresa
TransTDF. Na MAN Trucks & Bus, a principal
atração era o MAN TGX Individual Lion S. A
Iveco, por seu lado, levou até Pombal unidades
da sua gama S-Way, que está disponível
em motorizações diesel, a gás natural
e elétrica. Na Renault Trucks estava em evidência
o T 480 equipado com novo motor
turbocompound. A estrela da Mercedes-
Benz Trucks era o Actros L. A DAF Trucks
tinha em destaque a gama de distribuição
XD, a Scania a S 770 e a Volvo o novo FH
Aero Electric. No material referência para o
novo semirreboque refrigerado S.KOe Cool,
com eixo elétrico, bateria de alta voltagem
e unidade de refrigeração elétrica.
Os principais fornecedores de pneus, cartões
de frota, de combustíveis, lubrificantes
peças e acessórios também não deixaram
fugir esta oportunidade para estarem junto
de clientes. /
SETEMBRO 2024 FROTAS & COMERCIAIS 51
PERSPETIVA
LUÍS AUGUSTO - PRESIDENTE DA ALF
“FINANCIAMENTO
ESPECIALIZADO
COMPETITIVO”
O leasing e o renting já recuperaram
dos níveis pré-pandemia, apoiando o
investimento das empresas e a formação do
Produto Interno Bruto
TEXTO CARLOS MOURA PEDRO
As empresas já perceberam
que o financiamento especializado
é mais competitivo
do que o tradicional, o
que tem contribuído para o
seu crescimento sustentado,
afirma Luís Augusto, presidente da
ALF - Associação Portuguesa de Leasing,
Factoring e Renting. O maior conhecimento
de soluções por parte dos clientes e
uma análise mais cuidada dos investimentos
explicam a preferência que tem vindo
a conquistar junto do mercado. Entre as
vantagens, o responsável da ALF destaca
o custo inferior face a um financiamento
convencional, assim como os benefícios
fiscais para as empresas.
O leasing e
o renting,
juntos, foram
responsáveis
por 30% das
novas viaturas
adquiridas em
Portugal no ano
passado
A ALF - Associação Portuguesa de
Leasing, Factoring e Renting assinalou
recentemente o seu 40º aniversário. O
que levou o setor a reunir-se e a criar uma
estrutura associativa?
A ALF surgiu da necessidade do setor de
intervir junto da autoridades governamentais,
regulatórias e tributárias. Inicialmente
tinha como associadas entidades ligadas
ao leasing e ao factoring, mas mais tarde
também se estendeu ao renting. A missão
passa também pelo apoio aos associados
em várias análises relativas ao setor, incluindo
a apresentação de estatísticas, a
normalização ou interpretação de alguma
legislação que possa surgir. A ALF também
é um fórum de debate entre os associados.
52 TURBO COMERCIAIS SETEMBRO 2024
Que evolução faz da atividade do leasing e
do renting neste período, designadamente
no período após-pandemia?
O setor foi bastante afetado pela pandemia,
mas desde então tem vindo a recuperar
. O leasing, por exemplo, já representou
cerca de 1,6 mil milhões de euros em 2023,
mas ainda abaixo de valores pré-pandemia.
Situação oposta sucedeu com o renting
que atingiu os mil milhões de euros no ano
passado contra 761 milhões de euros em
2019. O factoring também recuperou, tendo
alcançado um novo recorde no ano passado,
com 42 mil milhões de euros, bastante
acima de 2019. Os três produtos têm vindo
a recuperar, embora o leasing ainda não
tenha superado os valores pré-pandemia.
Em entender da ALF, como se explica este
forte crescimento do financiamento especializado?
Existem vários factores que explicam este
crescimento. Um deles é o maior conhecimento
das empresas e dos particulares
acerca do financiamento especializado. A
ALF tem aí um papel preponderante, assim
como os seus associados. Por outro lado,
as empresas começam a fazer uma análise
mais cuidadosa dos seus investimentos
e do seu impacto em termos de custos.
O financiamento especializado - leasing e
renting - tem claramente um custo inferior
face a um financiamento tradicional.
Na aquisição de uma viatura, o custo associado
num leasing acaba por ser inferior
à compra da viatura na totalidade porque é
possível deduzir o IVA, enquanto o valor residual
no final do contrato que também faz
diminuir a renda mensal. Além disso existe
uma maior proteção face ao impacto da
inflação. Penso que é um misto entre uma
maior divulgação do produto pelas entidades
financeiras e um maior conhecimento por
parte das empresas. Apesar de existirem
variáveis, eu escolheria a maior divulgação
dos produtos e a percepção por parte dos
clientes acerca das vantagens.
Essa tendência de crescimento deverá
manter-se em 2024?
Os dados apontam para uma continuação
desta tendência de crescimento em 2024.
No primeiro trimestre, o leasing (mobiliário
e imobiliário) registou um incremento
na produção de 19,5% para 670 milhões
de euros. Se fizermos uma separação, verificamos
que o leasing mobiliário teve um
crescimento de 67%. No caso do renting
houve um aumento de 24% no número de
viaturas e 30% em produção. O mais estável
é o factoring porque após três ou quatro
anos de valores históricos após a pandemia,
apresentou uma ligeira descida de
2% no primeiro trimestre, o que é natural.
Que impacto tiveram os aumentos das taxas
de juro sobre os financiamentos em
leasing, mobiliário e renting? O que é expectável
que possa vir a ocorrer no futuro?
O leasing e o renting são produtos mais
focados no capital fixo pelo que o impacto
foi menor do que se poderia esperar noutras
soluções financeiras ligadas ao investimento.
Isto quer dizer que as empresas
também se tentam adaptar. O mesmo sucede
com o leasing e o renting através da
flexibilização do produto, do alargamento
dos prazos ou fazendo contratos mais flexíveis
para não passar para o cliente esse
aumento da taxa de juro. O crescimento
verificado no leasing e no renting após a
pandemia veio demonstrar que o impacto
do aumento da taxa de juro não foi assim
tão significativo. No entanto, para os
clientes particulares houve um impacto
na taxa de juro no ano passado, na taxa
de juro para que teve consequências importantes
no caso do leasing. O Banco de
Portugal elevou a taxa de usura a clientes
particulares que, no ano passado, estava
acima do custo que as instituições bancárias
e financeiras tinham para oferecer ao
produto. Assim, durante boa parte de 2023,
a oferta de leasing acabou por ser proibitiva
para as entidades financeiras porque a taxa
mínima que podiam fazer era superior ao
custo que tinham da compra do dinheiro.
Ou seja, o custo estava acima da taxa que
podiam praticar. Por essa regra rígida do
Banco de Portugal era difícil fazer leasing
a particulares. Isso teve um forte impacto,
mas entretanto a situação voltou a normalizar
e neste ano ano o impacto será menor.
O que é expectável que possa vir a ocorrer
no futuro com as taxas de juro?
Assistiu-se a uma estabilização desde o
início do ano e não se vislumbram, para já,
grandes descidas. Os agentes económicos
também já se adaptaram a essas taxas de
juro ligeiramente mais elevadas ou pelo
menos não negativas relativamente aos
anos anteriores. Resta saber se a partir
de setembro ou mais para o final do ano,
as taxas de juro irão baixar ou não. A nossa
perspetiva é que as taxas de juro vão continuar
estáveis até final do ano.
Em que medida, o financiamento
especializado poderá ser chamado a
intervir para apoiar as empresas e reforçar
a formação do Produto Interno Bruto?
O leasing, o factoring e o renting apoiam
diretamente a economia, isto é, financiam
o investimento das empresas e a sua produção,
que seja industrial, quer seja comercial.
Com o factoring passa-se extamente
o mesmo através do financiamento da
faturação e dos serviços de apoio às empresas.
O financiamento especializado está
diretamente ligado com a economia real e
com a atividade corrente das empresas;
não a outro tipo de investimentos. Nesse
sentido é que dizemos que o financiamento
especializado apoia o PIB nacional. O factoring,
por exemplo, já representa 18%
do PIB e 5% das exportações. O leasing e
o renting juntos foram responsáveis por
30% das novas viaturas adquiridas no ano
passado. Por esse motivo, a ALF e os seus
associados consideram que dão um contributo
para o PIB nacional.
SETEMBRO 2024 TURBO COMERCIAIS 53
PERSPETIVA
LUÍS AUGUSTO - PRESIDENTE DA ALF
Como poderá o legislador contribuir para
dinamizar o setor do financiamento especializado?
A ALF tem a missão de ajudar os seus associados
a intervir junto do Governo e das
entidades públicas para tentar adaptar a
legislação às necessidades do setor e contribuir
para facilitar a utilização do produto,
designadamente através de uma fiscalidade
mais equitativa que não deixa nenhuma
solução financeira de fora. No leasing, ainda
subsistem algumas questões relativas
à propriedade jurídica versus a propriedade
fiscal do bem, acabando por não ser
um produto equitativo face a outros. No
incentivo ao abate de veículos, por exemplo,
o renting não está incluído. A ALF pode
contribuir através da intervenção junto de
várias entidades para tentar ajudar na harmonização
da legislação e na inclusão dos
diferentes produtos.
Qual é a questão que se coloca entre o
tratamento dado à propriedade jurídica
e fiscal?
No caso da aquisição de uma viatura em leasing
por uma empresa, o bem jurídico está em
nome da locadora. Isso pode levantar dificuldades
às empresas, não lhes sendo possível
ter acesso a benefícios fiscais porque não é
detentora da propriedade jurídica da viatura,
ainda que a mesma esteja refletida no seu
balanço e esteja a ser amortizada.
Os agentes
económicos também
já se adaptaram a
essas taxas de juro
ligeiramente mais
elevadas ou pelo
menos não negativas
dos anos anteriores
Tem-se verificado alguma transferência
de um financiamento em leasing para o
renting ou são produtos de tal forma diferentes
em que isso não acontece? À partida,
as suas missões serão diferentes…
Essa situação não se tem verificado porque
são produtos complementares e distintos.
O leasing automóvel consiste na aquisição
de uma viatura, com condições mais vantajosas
e menor risco. A renda está sujeita a
IVA, o qual pode ser deduzido pela empresa.
Trata-se claramente de um financiamento
para aquisição da viatura, em que normalmente
se tem de pagar um valor residual
entre 2% a 5% no final do contrato. Apesar
da diferença jurídica em termos de propriedade,
a empresa normalmente acaba por
pagar esse valor. No fundo, é uma renda
mais elevada no final, acabando por ficar
com a viatura.
Quanto ao renting?
O caso do renting é diferente porque se trata
de uma solução de mobilidade. A empresa,
ou o particular, opta por fazer um contrato
com uma gestora de frotas para utilização
de uma viatura durante um determinado
período, que geralmente se situa entre os
quatro a seis anos, com uma determinada
quilometragem e serviços associados (manutenção,
seguros, IUC, pneus, assistência
em viagem) pagando uma renda mensal
fixa. O contrato não inclui só a viatura, mas
54 TURBO COMERCIAIS SETEMBRO 2024
também um pacote alargado de serviços e
consultadoria. Há empresas que têm viaturas
em leasing porque querem ficar com
o ativo no final do contrato. Mas também
podem ter viaturas em renting porque esta
solução tem sido muito utilizada fomentar
a introdução de veículos elétricos na frota.
As empresas não querem assumir o risco de
ficar com as viaturas no final do contrato
porque não sabem em que estado estarão
as baterias após alguns anos de utilização
ou o valor de retoma das viaturas quando
as pretenderem vender. Tudo também depende
da estratégia de investimento das
empresas.
A transição energética tem vindo a
contribuir para o crescimento do renting
e do leasing?
Claramente. O renting tem sido um grande
impulsionador da renovação da frota automóvel
em Portugal porque oferece uma
maior flexibilidade ao trabalhar diretamente
com as diferentes marcas presentes no
mercado. Ao contrário do financiamento
tradicional em que o contacto é efetuado
pelo comprador, esse trabalho é desempenhado
no renting pelas gestoras de frotas,
que procuram oferecer ao cliente a solução
mais vantajosa. No caso da eletrificação, as
gestoras de frotas procuram não só fazer
propostas paras as viaturas mais indicadas
para o cliente como também assumem o
risco de obsolescência tecnológica. As gestoras
de frotas soluções de carregamento
às empresas e aos colaboradores, incuilndo
pontos de carga domésticos, derrubando
assim uma das grandes barreiras à eletrificação.
Por seu lado, os operadores de leasing
de viaturas e equipamentos também
têm a preocupação com a circularidade do
produto. Se no final do contrato, o cliente
não quiser ficar com o equipamento, instituição
financeira tem a capacidade de o
voltar a colocar no mercado, não o abandonando
simplesmente, contribuindo para
uma economia circular.
O aumento dos preços de viaturas e
equipamentos também levam as empresas
a optar pelo financiamento especializado?
O aumento do preço das viaturas afeta
a todos de forma transversal, quer seja
através de investimento com capital próprio,
quer seja através financiamento tradicional
ou especializado.
A empresa pode não ter interesse
em utilizar o capital próprio e diluir o
investimento no tempo?
Exatamente. Os clientes têm feito cada vez
mais o seu trabalho de casa, assim como
Na aquisição de uma viatura em leasing, o
custo associado acaba por ser
inferior à compra da viatura na totalidade
porque há a dedução do IVA, enquanto o
valor residual no final do contrato também
faz diminuir a renda mensal e proteção é
maior face ao impacto da inflação
as associadas da ALF, na análise comparativa
das diferentes soluções. Como reflexo
verificou-se um crescimento do financiamento
especializado que se revela mais
vantajoso e competitivo do que o tradicional.
Mesmo com o aumento das taxas de
juro, estes produtos financeiros continuam
a ser mais vantajosos, nem que seja pelos
benefícios fiscais a que estão associados:
dedução do IVA no leasing, ao que se juntam
os serviços associados no renting. Por
esse motivo tem-se assitido a um aumento
sustentado da procura no renting (30%), no
leasing (67%). Verifica-se uma preferência
clara pelo financiamento especializado para
aquisição de viaturas por parte das empresas
em Portugal.
O financiamento especializado é um porto
seguro para os clientes?
Tem sido ao longo dos anos. O renting oferece
um grande conforto porque o cliente
paga uma renda mensal fixa, com todos
os serviços e custos associados. Não há
nenhuma surpresa no final do contrato.
Quando acaba pode renovar o contrato
para uma outra viatura. No caso do leasing,
a empresa acaba por ter um custo inferior
porque a propriedade do bem está do lado
da instituição financeira. /
SETEMBRO 2024 TURBO COMERCIAIS 55
ENSAIO
BMW IX1 XDRIVE30
EQUILÍBRIO DELICADO
Com 438 km de autonomia, 313 cv e tração integral, a variante elétrica do
BMW X1 ocupa o topo gama. Posicionamento justificado pelo refinamento
e ameaçado por rivais com maior autonomia e preço mais acessível
TEXTO RICARDO MACHADO FOTOS INTERSLIDE PAULO MARIA
Pertencer a uma família numerosa,
como a do BMW X1, com motorizações
Diesel, gasolina e híbridas
recarregáveis, tem vantagens e
desvantagens. Por um lado, o BMW iX1 beneficia
de uma imagem sobejamente conhecida
e da redução de custos associada
à partilha da plataforma UKL2. Por outro
lado, a plataforma multienergia não permite
explorar o potencial de espaço e funcionalidade
das arquiteturas elétricas dedicadas.
E depois há a concorrência interna. Se o X1
sDrive18i (43 700 €) ou o X1 sDrive18d (52
100 €) estarão automaticamente excluídos
das opções do cliente do BMW iX1 xDrive30
(56 200 €), o X1 xDrive25e (55 300 €) e o
X1 xDrive30e (57 800 €), ambos com cerca
de 90 km de autonomia EV, podem ser
boas soluções de transição. Sem esquecer
o iX1 eDrive20 (49 700 €) com tração
dianteira e 204 cv.
Mais indicada para o reforço da segurança
em pisos de baixa aderência do que para
aventuras fora de estrada, a tração integral
acaba por ser o calcanhar de Aquiles.
Dois motores gastam mais do que um e a
autonomia não excede os 438 km. Os rivais
mais diretos, como o Audi Q4 e-tron 45 (59
684 €), Mercedes EQA 250+ (53 950 €)
ou Volvo EX40 Ultra (62 127 €) utilizam a
tração traseira para estender a autonomia
para além dos 520 km.
Com 4,50 metros de comprimento, o BMW
iX1 fica entre os 4,59 m do Audi Q4 e-tron e
os 4,46 m do Mercedes EQA ou 4,44 m dos
Volvo EX40. A bagageira, com portão elétrico,
só perde para os 520 litros do Audi
Q4 e-tron. E para os 540 l dos modelos X1.
Como os 50 l “roubados” pelas baterias se
encontram sob o piso, onde ainda sobra
espaço para arrumar os cabos, o plano de
carga acessível e o espaço principal são
iguais ao X1. No entanto, ao contrário do
que acontece com os modelos com motor
de combustão, os bancos traseiros não têm
ajuste longitudinal.
QUASE IGUAL AO X1
Entrar para o BMW iX1 é quase igual a entrar
para o X1 porque as baterias elevam
ligeiramente o piso da versão elétrica. Os
passageiros da fila traseira têm espaço para
os joelhos, ainda que estes fiquem um pouco
mais altos que no X1 e haja menos espaço
para os pés sob os bancos dianteiros.
O condutor é beneficiado pelo posicionamento
elevado do banco, que cria um campo
de visão amplo. Para trás o panorama não
é tão desafogado, contando por isso com a
ajuda de sensores e câmaras para as manobras
em espaços apertados. As imagens
são apresentadas no ecrã central de 10,7’’.
Interface privilegiado do sistema operati-
56 FROTAS & COMERCIAIS SETEMBRO 2024
FLUTUANTE
A consola central
tem um desenho
flutuante inspirado
no iX. Os botões
foram reduzidos
ao mínimo
indispensável. O
botão de arranque
e o seletor da caixa
encontram-se no
apoio de braço
BMW IX1
XDRIVE30
PREÇO 61 000 € (76 732 € - VERSÃO
ENSAIADA)
MOTOR 2 ELÉTRICO
POTÊNCIA 230 KW (313 CV)
BINÁRIO 494 NM
TRANSMISSÃO INTEGRAL, AUTO,
1 VEL.
COMP./LARG./ALT. 4,50/1,85/1,52 M
DISTÂNCIA ENTRE-EIXOS 2,69 M
PESO 2085 KG
MALA 490 - 1495 L
ACEL 0 - 100 KM/H 5,8S
VEL. MAX 180 KM/H
CONSUMO WLTP 16,8 (17,8*) KW/100
KM
CAPACIDADE BATERIA 64,7 KWH
AUTONOMIA 440 KM (363 KM*)
TEMPO DE CARGA (11 KW) 6H30 (130
KW CC) 29M (10% - 80%)
EMISSÕES 0 G/KM
IUC 0,00 €
* MEDIÇÕES TURBO FROTAS & COMERCIAIS
TCO
PVP 76 732 €
VR 37 138€
DEP 39 594€
MAN 744 €
CUST COMB 5411 €
UTIL 45 749€
PVP - Preço de Venda ao Público. Não inclui
negociação da marca. / VR - Valor Residual /
DEP - Depreciação / MAN - Custos com manutenção
programada (exclui pneus) / COM -
Custos com combustível e/ou energia / UTIL
- Custo total de utilização para a totalidade
do contrato. Todos os valores em Euros para
a duração considerada (4 anos / 80.000 km)
RENTING
661,30€/48 MESES/40000 KM
Valores não incluem IVA. Serviços incluídos:
Manutenção TOP, Pneus ilimitados,
Seguro, Veículo de substituição
e Assistência em Viagem.
HABITABILIDADE / CONFORTO
PREÇO / AUTONOMIA
vo ID8, o mostrador central não tem como
evitar dedadas. É o único ponto de acesso
à climatização, ao entretenimento e à intensidade
da travagem regenerativa.
Posicionando um motor elétrico de 190
cv em cada eixo, o BMW iX1 xDrive30 desenvolve
313 cv de potência combinada e
494 Nm de binário. A gestão do sistema
de tração integral permite que os motores
funcionem em simultâneo ou de forma
independente em função das necessidades
do momento. São alimentados
por uma bateria de iões de lítio, com 64,7
kWh de capacidade. O carregador interno
de 11 kW, os 22 kW são opcionais, permite
uma carga completa da bateria em cerca
de seis horas e meia na wallbox de 11 kW.
Em corrente contínua, os 130 kW de capacidade
máxima repõem a capacidade
dos dez aos 80% em 29 minutos.
Calçando jantes de 20’’ com pneus 245/40,
o iX1 xDrive30 não tem uma pegada particularmente
eficiente. No entanto, com uma
média ponderada de 17,8 kWh/100 km,
não anda muito longe dos 16,8 kWh/100
km anunciados. Curiosamente, são os 20
kWh/100 km registados em cidade que
comprometem uma média que varia entre
os 15,5 kWh/100 km em estrada e os 15,8
kWh/100 km em autoestrada. /
SETEMBRO 2024 FROTAS & COMERCIAIS 57
ENSAIO
HYUNDAI KAUAI EV PREMIUM 49 KWH
REFINAMENTO E FUTURISMO
Para o mercado empresarial, a oferta da Hyundai para o Kauai EV
assenta no nível de equipamento Premium que combina o motor
elétrico de 156 cv e a bateria de 48,4 kWh
TEXTO CARLOS MOURA PEDRO
Baseado numa plataforma totalmente
nova, a segunda geração do
SUV compacto da Hyundai registou
uma evolução notória face à sua
antecessora, começando pelas dimensões
externas, com o comprimento a aumentar
17,5 centímetros para 4,36 metros, a largura
2,5 centímetros para 1,83 metros, a
altura dois centímetros para 1,58 metros
e a distância entre-eixos seis centímetros
para 2,66 metros. O estilo exterior é marcadamente
futurista, destacando-se a faixa
luminosa na dianteira, os pára-choques que
integram grupos óticos com lâmpadas LED
de projeção total e faróis duplos.
O interior do Kauai EV é muito semelhante
ao do Ioniq 5, sendo dominado por linhas
simples, quase minimalistas e por uma superfície
digital, constituída por dois ecrãs
de 12,3”, sendo um para a instrumentação
COM I-PEDAL
Refinado como todos os veículos elétricos, o
Kauai EV oferece um comportamento dinâmico
agradável, com o motor de 156 cv (115
kW) montado no eixo dianteiro a proporcionar
uma aceleração dos 0 aos 100 km/h em
8,8 segundos, estando a velocidade máxima
limitada a 162 km/h. Em função do tipo de
utilização estão disponíveis quatro modos
de condução - Eco, Normal, Sport e Snow -,
sendo também possível escolher o nível de
intensidade da travagem regenerativa atrae
outro para a gestão do sistema multimedia.
Colocado na coluna da direção surge o
selector shift-by-wire, uma espécie de alavanca
rotativa para a selecção da marcha e
botão de travão de estacionamento na sua
extremidade.
O aumento da distância entre-eixos e o desenho
fino dos bancos dianteiros teve como
reflexo a disponibilização de um espaço generoso
para as pernas dos ocupantes dos
assentos traseiros. O piso é totalmente
plano, mas não é suficiente para tornar a
fila confortável para três adultos. As costas
rebatem numa configuração 40:20:40
para ampliar o volume da bagageira dos 466
litros até aos 1300 litros.
Para o mercado empresarial, a oferta da
Hyundai para o Kauai EV assenta no nível
de equipamento Premium que combina o
motor elétrico de 156 cv (115 kW) com a
bateria de 48,4 kWh e uma dotação de série
bastante completa, não faltando o sistema
de navegação, rádio DAB, Apple CarPlay e
Android Auto, ar condicionado automático
de duas zonas, jantes de liga leve de 17”,
sensores de estacionamento dianteiros e
traseiros, câmara traseira, entre outros.
58 FROTAS & COMERCIAIS SETEMBRO 2024
vés de patilhas atrás no volante, incluindo o
modo i-Pedal no mais elevado. A associação
entre o modo Eco e o i-Pedal contribui para
uma elevada eficiência em regime urbano /
extra-urbano, com o computador de bordo
a indicar valores de 16,8 kWh/100 km. Em
auto-estrada, o consumo aumenta para os
20 kWh/100 km.
Com preço de venda ao público de 43 490
euros, o Kauai EV está disponível para as empresas
a partir de 32 990 euros (mais IVA),
PANORÂMICO
O painel de bordo
é dominado por
um amplo ecrã
panorâmico, que
inclui o painel de
instrumentos
digital e o ecrã
tátil tranquilo.
Os comandos da
climatização são
físicos e de acesso
fácil. O seletor
dos programas de
condução atrás do
volante libertou
espaço na frente.
Os lugares traseiros
oferecem bastante
espaço para os
joelhos
constituindo uma proposta interessante
para quem, pretende um elétrico com visual
futurista e com bastante espaço a bordo. O
custo de utilização de 27,76 euros por cada
100 quilómetros também se revela competitivo.
A autonomia de até 377 km também
é suficiente para a maioria das utilizações.
Em caso de necessidade é sempre possível
recuperar até 114 quilómetros de autonomia
por cada 15 minutos de carga máxima
em corrente contínua. /
HYUNDAI KAUAI EV
PREMIUM 49 KWH
PREÇO 43 490 €
MOTOR 1 ELÉTRICO
POTÊNCIA 115 KW (156 CV)
BINÁRIO 255 NM
TRANSMISSÃO DIANT., AUTO, 1 VEL.
COMP./LARG./ALT. 4,36/1,83/1,58 M
DISTÂNCIA ENTRE-EIXOS 2,66 M
PESO 1690 KG
MALA 466 - 1300 L
ACEL 0 - 100 KM/H 8,8S
VEL. MAX 162 KM/H
CONSUMO WLTP 14,6 (16,8*) KW/100 KM
CAPACIDADE BATERIA 49 KWH
AUTONOMIA 288 KM (377 KM*)
TEMPO DE CARGA (11 KW) 4H00 (74
KW) 41M (20% - 80%)
EMISSÕES 0 G/KM
IUC 0,00 €
MEDIÇÕES TURBO FROTAS & COMERCIAIS
TCO
PVP 43 490 €
VR 21 049€
DEP 22 441€
MAN 210 €
CUST COMB 5107 €
UTIL 27 758€
PVP - Preço de Venda ao Público. Não inclui
negociação da marca. / VR - Valor Residual /
DEP - Depreciação / MAN - Custos com manutenção
programada (exclui pneus) / COM -
Custos com combustível e/ou energia / UTIL
- Custo total de utilização para a totalidade
do contrato. Todos os valores em Euros para
a duração considerada (4 anos / 80.000 km)
RENTING
559,60 € /48 MESES /40000 KM
Valores não incluem IVA. Serviços incluídos:
Manutenção TOP, Pneus ilimitados,
Seguro, Veículo de substituição
e Assistência em Viagem.
HABITABILIDADE / CONFORTO
PREÇO / AUTONOMIA
SETEMBRO 2024 FROTAS & COMERCIAIS 59
ENSAIO
FIAT 600e RED
CHARME ITALIANO
Com preço para empresas abaixo de 30 mil euros, imagem apelativa
e autonomia superior a 400 km, o SUV B elétrico da Fiat apresenta
argumentos bastante convincentes
TEXTO CARLOS MOURA PEDRO
Os gémeos não idênticos nem
sempre são parecidos exteriormente,
mas por baixo da pele
partilham os mesmos genes. De
igual forma, o Fiat 600e parece ser único,
mas, na verdade, é um dos três SUV elétricos
de segmento B da Stellantis, partilhando
a plataforma, a bateria e o motor elétrico
com o Jeep Avenger Electric e o Peugeot
E-2008. À semelhança daqueles modelos
pode percorrer mais de 400 quilómetros
com um único carregamento e consegue
recuperar entre 10% a 80% do nível de carga
em menos de meia hora.
Ao contrário do Avenger e o E-2008, o 600e
tem um visual retro que tanto agradou aos
clientes do Fiat 500e. Por isso não será de
estranhar que os estilistas da marca italiana
tenham seguido a mesma receita. Em comparação
com o 500e, o 600e apresenta uma
face mais nítida e assertiva, com um capot
mais dominante e um nariz mais afilado.
A versão de entrada da gama assenta no
nível de equipamento Red que se caracteriza
pela cor vermelha, tanto no exterior
(desde a carroçaria até aos logotipos na
dianteira e traseira), como no interior, designadamente
o painel de bordo e o painel
de instrumentos, com as suas formas arredondadas,
claramente inspiradas no 500.
Com exceção dos apoios de braços dianteiros,
todos os plásticos são rijos, mas
a montagem parece ser sólida. A tampa
magnética, estilo tablet, do túnel central
também apresenta a referência Red. Por
cima pode ser encontrada a linha de bo-
tões dos programas de condução: P, R, N,
D/B. Os comandos da climatização, por sua
vez, encontram-se na consola central, são
físicos e de lógica intuitiva. Igualmente fácil
de utilizar é o ecrã tátil central. de 10,25”.
A habitabilidade é suficiente nos lugares
dianteiros, mas limitada nos traseiros. A
bagageira, por seu lado, oferece um volume
útil de 360 litros que pode ser ampliado até
aos 1231 litros com o rebatimento dos assentos
traseiros numa configuração 60/40.
BOM TCO
Contrariamente a muitos SUV elétricos,
com várias opções de capacidade de bateria,
níveis de potência e tipo de tração,
a linha motriz do Fiat 600e não podia ser
mais simples: bateria com capacidade to-
60 FROTAS & COMERCIAIS SETEMBRO 2024
FIAT
600E RED
PREÇO 36 350 €
MOTOR ELÉTRICO
POTÊNCIA 115 KW (156 CV)
BINÁRIO 260 NM
TRANSMISSÃO DIANT.; AUTO, 1 VEL.
COMP./LARG./ALT. 4,17/1,78/1,52 M
DISTÂNCIA ENTRE-EIXOS 2,56 M
PESO 1595 KG
MALA 360 - 1231 L
ACEL 0 - 100 KM 9,0 S
VEL. MÁX 150 KM/H
CONSUMO WLTP 15,1 (12,6*) KW/100
KM
EMISSÕES 0 G/KM
CAPACIDADE BATERIA 54 KWH
AUTONOMIA 409 KM
IUC 0 €
* MEDIÇÕES TURBO FROTAS & COMERCIAIS
AMBIENTE
FAMILIAR
Com as formas arredondadas,
o painel
de bordo tem um design
claramente inspirado
no Fiat 500.
A tampa magnética
esconde um compartimento
de arrumação
com entradas
USB-C. Os comandos
dos programas
de condução estão
na base da consola
central. A habitabilidade
traseira poderia
ser melhor. As referências
RED não deixam
dúvidas quanto
à versão
TCO
PVP 36 350€
VR 18 757.429€
DEP 17 593 €
MAN 516€
CUST COMB 3800 €
UTILIZ 21 909€
PVP - Preço de Venda ao Público. Não inclui
negociação da marca. / VR - Valor Residual /
DEP - Depreciação / MAN - Custos com manutenção
programada (exclui pneus) / COM -
Custos com combustível e/ou energia / UTIL
- Custo total de utilização para a totalidade
do contrato. Todos os valores em Euros para
a duração considerada (4 anos / 80.000 km)
RENTING
486,19 € /48 MESES /40000 KM
Valores não incluem IVA. Serviços incluídos:
Manutenção TOP, Pneus ilimitados,
Seguro, Veículo de substituição
e Assistência em Viagem.
IMAGEM / CONFORTO
HABITABILIDADE TRASEIRA
tal de 54 kWh e útil de 50,8 kWh, motor
elétrico de 156 cv que transmite a potência
às rodas dianteiras. Esta configuração
poderá não parecer muito entusiasmante
à primeira vista e para acelerar dos 0 aos
100 km/h são necessários 9,0 segundos.
Não obstante, em ambiente urbano movimenta-se
com bastante agilidade, beneficiando
das dimensões compactas e de
um baixo peso, com bons arranques, mas,
naturalmente as recuperações estão longe
de impressionar. O Fiat 600e oferece três
modos de condução correspondentes a outros
tantos patamares de potência - Eco
(95 cv), Normal (109 cv) e Sport (156 cv)
- e no modo mais desportivo, a resposta
do acelerador é mais rápida.
Em termos dinâmicos, a direção direta e
o equilíbrio do chassis convidam a uma
condução como se tratasse de um tração
dianteira com motor térmico. A eficiência
energética é um dos argumentos daquele
que se pode considerar o sucessor do Fiat
500X, com o computador de bordo a registar
uma média de 12,6 kW/100 km durante
o ensaio, contribuindo decisivamente para
um competitivo custo total de utilização
de 21,91 euros por cada cem quilómetros.
A relação preço / equipamento do Fiat 600e
também se revela competitivo, estando
disponível para empresas por 28 632 euros
(sem IVA) e para particulares a partir de 35
325 euros, beneficiando de uma garantia
geral de quatro anos ou 160 mil quilómetros
e da bateria de oito anos para igual
quilometragem. /
SETEMBRO 2024 FROTAS & COMERCIAIS 61
ENSAIO
PEUGEOT E-308 SW GT
EM BUSCA DO SEU ESPAÇO
A oferta de carrinhas elétricas é relativamente reduzida
e a nova Peugeot E-308 SW quer ocupar esse espaço,
respondendo à procura do mercado
TEXTO CARLOS MOURA PEDRO FOTOS GONÇALO MARTINS
C
arrinha mais vendida no mercado
nacional, com uma quota superior
a 15,5% em 2023, a Peugeot
308 SW passou a estar disponível
numa versão elétrica, num segmento onde a
oferta deste tipo de linha motriz é escassa.
Construída com base na plataforma multienergias
EMP2 da Stellantis, a nova E-308 SW
vem equipada com a mais recente motorização
elétrica da Stellantis, a qual desenvolve
uma potência de 115 kW (156 cv) e um binário
de 260 Nm, disponível logo no arranque.
A linha motriz compreende igualmente
uma nova bateria de 54 kW que utiliza uma
composição química diferente para melhorar
a eficiência e trabalhar com uma tensão
nominal de 400V para oferecer um alcance
superior a 400 km e um consumo médio de
energia de 12,7 kWh/100 km. Para otimizar
a eficiência, está disponível um nível de in-
tensidade da travagem regenerativa mais
intenso, modo de condução B, que pode ser
ativado por um comando localizado na base
da consola central junto ao seletor dos programas
de condução. A bateria pode recuperar
totalmente a sua capacidade em corrente
alterna em cerca de 5h00, graças ao carregador
trifásico de bordo de 11 kW. Em corrente
contínua num posto de 100 kW são necessários
25 minutos para carregar dos 20% aos
80%. A entrada está localizada na projeção
traseira no lado do condutor.
Em termos de imagem exterior, a E-308 SW
apresenta a mais recente linguagem de design
da Peugeot, destacando-se o capot alongado
que sublinha a silhueta dinâmica, a assinatura
luminosa em forma de sabre que enquadra
os faróis Matrix LED e as jantes de liga leve
de 18”, otimizadas aerodinamicamente para
a versão elétrica. O comprimento exterior da
Peugeot E-308 SW cresceu 26,9 centímetros
face à berlina, para os 4,63 metros, o que se
deveu sobretudo ao prolongamento de 21
centímetros da projeção traseira, o que permitiu
disponibilizar uma bagageira com uma
generosa capacidade de 608 litros com os
cinco bancos em posição normal.
TECNOLOGIA E QUALIDADE
O habitáculo apresenta o ambiente tecnológico
a que já nos habituou a Peugeot, destacando-se
a mais recente geração do Peugeot
i-Cockpit, que inclui o volante compacto cortado,
o painel de instrumentos digital 3D, configurável
e personalizável, e ainda o ecrã tátil
central de 10” com navegação conectada.
Em termos dinâmicos, a E-308 SW oferece
um comportamento competente, com uma
aceleração dos 0 aos 100 km/h de 9,9 segundos
e uma velocidade máxima de 170 km/h. O
62 FROTAS & COMERCIAIS SETEMBRO 2024
PEUGEOT E-308 SW GT
PREÇO 45 875 €
MOTOR 1 ELÉTRICO
POTÊNCIA 115 KW (156 CV)
BINÁRIO 260 NM
TRANSMISSÃO DIANT., AUTO, 1 VEL.
COMP./LARG./ALT. 4,63/1,85/1,44 M
DISTÂNCIA ENTRE-EIXOS 2,73 M
PESO 1808 KG
MALA 608 L
ACEL 0 - 100 KM/H 9,9S
VEL. MAX 170 KM/H
CONSUMO WLTP 12,7 (16,7*) KW/100 KM
CAPACIDADE BATERIA 54 KWH
AUTONOMIA 409 KM (325 KM*)
TEMPO DE CARGA (11 KW) 5H00 (100
KW) 25 M (20% - 80%)
EMISSÕES 0 G/KM
IUC 0,00 €
* MEDIÇÕES TURBO FROTAS & COMERCIAIS
AMBIENTE
TECNOLÓGICO
A carrinha elétrica
308 recebe a mais
recente geração do
Peugeot i-Cockpit,
com o painel de instrumentos
digital e
ecrã tátil central com
navegação conectada.
A selecção dos
programas e modo
de condução é efetuada
por comandos
localizados entre os
bancos. As jantes de
liga leve de 18" conferem
um visual mais
desportivo
TCO
PVP 45 875 €
VR 22 203€
DEP 23 672€
MAN 516 €
CUST ENER 5077 €
UTIL 29 265€
PVP - Preço de Venda ao Público. Não inclui
negociação da marca. / VR - Valor Residual /
DEP - Depreciação / MAN - Custos com manutenção
programada (exclui pneus) / COM -
Custos com combustível e/ou energia / UTIL
- Custo total de utilização para a totalidade
do contrato. Todos os valores em Euros para
a duração considerada (4 anos / 80.000 km)
RENTING
558,88 € /48 MESES /40000 KM
Valores não incluem IVA. Serviços incluídos:
Manutenção TOP, Pneus ilimitados,
Seguro, Veículo de substituição
e Assistência em Viagem.
EFICIÊNCIA / CONFORTO
PREÇO / PESO - POTÊNCIA
consumo de energia, por sua vez, pode variar
dos 14 kWh/100 km em cidade para os 180
kWh/100 km, o que significa que a autonomia
real não ultrapassa o 325 km. A direção,
apesar de demasiado leve, é bastante precisa,
permitindo abordar as curvas com confiança,
já que a carroçaria pouco “mexe”. À boa
maneira francesa, a suspensão foi projetada
para proporcionar um bom nível de conforto
aos ocupantes, digerindo com eficácia as
irregularidades dos maus pisos.
Detentora de uma qualidade acima da média,
a versão elétrica da carrinha 308 oferece
um equipamento bastante completo,
designadamente no nível de topo, GT, que já
inclui a última geração de ajudas à condução,
destacando-se o controlo de velocidade
adaptativa com Stop & Go, monitorização de
longo alcance do ângulo morto. A versão GT
está disponível por 45 875 euros. /
SETEMBRO 2024 FROTAS & COMERCIAIS 63
técnica
BATERIA
CICLOS E
DEGRADAÇÃO
Os ciclos de carga são determinantes para a vida útil
da bateria de um veículo elétrico. Saiba o que são e os
cuidados a ter para prolongar a sua longevidade
A
bateria de tração
é um dos elementos
principais
de um
veículo elétrico
e também um
dos mais dispendiosos.
Por
mais cuidadoso
que seja o proprietário ou o utilizador, aquele
componente tem uma determinada vida útil
e está sujeito a desgaste.
A vida útil de uma bateria é medida por ciclos
de carga, que mais não é do que o processo
de carga e descarga da mesma. Isto
ocorre quando sempre que uma bateria fica
descarregada depois de ter sido totalmente
carregada, não importando a percentagem
inicial e final. Se a bateria de um veículo elétrico
for carregada toda as noites até aos
100% e se em cada dia for utilizada apenas
20% da sua capacidade, isso significa que
ao fim de cinco dias se completou um ciclo
de carga, embora nunca tenha sido totalmente
descarregada.
É importante conhecer os ciclos de carga
para calcular a vida útil de uma bateria em
função da química, constituindo uma medida
para determinar a sua degradação. Isso
não significa que deixe de funcionar quando
forem atingidos os ciclos de carga, já que estes
indicam que a bateria tem o melhor rendimento
acima dos 80% da sua capacidade.
Quando desce abaixo desse valor, para 75%
a 80%, o rendimento diminui e consequentemente
a duração de cada ciclo de carga, o
que se traduz numa diminuição da autonomia.
Por esse motivo há quem recomende a substituição
da bateria original por uma nova
quando se atingem todos os ciclos de carga.
De acordo com algumas estimativas, as
baterias atuais dos veículos elétricos têm
cerca de 3000 ciclos de carga, o que se traduz
em oito anos de carregamentos diários
entre 160 mil e 200 mil quilómetros, isto é,
a vida útil da viatura. Dependendo do tipo de
veículo, a quilometragem pode ser bastante
superior. A Mercedes-Benz Trucks, por exemplo,
anuncia uma vida útil de um milhão de
quilómetros para as baterias do Mercedes-
Benz eActros 600.
Após atingir esses ciclos de carga máximos,
a bateria não deixará de funcionar, mas começa
a perder gradualmente capacidade
de carga após cada carregamento, o que
se traduz numa diminuição da autonomia.
CARGAS RÁPIDAS Q.B.
Não obstante, a bateria de tração de um
veículo elétrico tenha um número de ciclos
64 FROTAS & COMERCIAIS SETEMBRO 2024
de carga que determinam a sua vida útil, o
proprietário, gestor de frota ou utilizador
poderá tomar algumas medidas para ajudar
a melhorar a capacidade e o rendimento.
Os fabricantes das baterias recomendam
que se mantenha uma carga estável, entre
20% a 80%, evitando carregar na totalidade
e a não deixar descarregar ao mínimo,
já que isto ajudará a manter a capacidade
de armazenamento. Muitos fabricantes de
veículos já dispõem de um limitador do índice
de carga, para manter a capacidade de
carga num determinado nível de segurança.
Além disso, nos carregamentos rápidos em
corrente contínua até é possível estabelecer
um limite máximo do índice de carga para
preservar a bateria, mas, também, poupar
tempo e dinheiro. Após ter atingido os 80%
de capacidade de carga, a velocidade de carregamento
diminui drasticamente.
Apesar da evolução tecnológica e do facto
de muitas baterias já contarem com sistemas
de refrigeração também não se deve
abusar dos carregamentos em corrente
contínua em postos rápidos e ultrarrápidos
para não deteriorar a vida útil da bateria. O
carregamento rápido em si, não causa necessariamente,
uma degradação acelerada
da bateria. O mesmo, porém, já não se pode
dizer da subida da carga térmica, durante o
processo, a qual pode danificar os componentes
internos da célula e fazer com que
menos iões de lítio sejam transferidos do
cátodo para o ânodo.
Ainda assim e, segundo um estudo levado a
cabo, já na década passada, pelo Laboratório
Nacional do estado norte-americano do
Idaho, com quatro veículos Nissan Leaf de
2012, dois deles com baterias carregadas
através de uma wallbox doméstica de 3,3
kW, e os restantes dois carregados sempre
em estações de carregamento rápido
de 50 kW DC, apenas um destes últimos,
chegou ao fim do estudo com menos 3%
de capacidade de carregamento das baterias,
face aos restantes. Resultado que vem
demonstrar que, até mesmo a temperatura
ambiente em que os veículos são utilizados,
consegue, não raras vezes, ter efeitos mais
acentuados no desempenho das baterias.
TEMPERATURAS EXTREMAS
A temperatura ambiente é outro factor que
influencia a degradação da bateria, sendo
recomendável evitar expor o veículo a
temperaturas extremas. Se os valores fo-
CARGA LENTA
Os carregamentos
em corrente
alterna são menos
agressivos para
as baterias,
sendo ideais para
carregamentos
noturnos
3000 CICLOS DE CARGA
As baterias atuais dos veículos
elétricos têm cerca de 3000
ciclos de carga, o que se traduz
numa vida útil entre
160 mil quilómetros
e 200 mil quilómetros
SETEMBRO 2024 FROTAS & COMERCIAIS 65
técnica
BATERIA
rem muito baixos, isso pode não só contribuir
para a diminuição da taxa de carga de
um veículo elétrico, como até mesmo para
limitar temporariamente a sua autonomia.
Por sua vez, as temperaturas elevadas poderão
ser encaradas como benéficas para
o processo de carregamento rápido, mas
também apresentam o perigo de, numa exposição
prolongada, as poderem danificar.
Assim, será recomendável que no caso de
uma imobilização mais prolongada de um
veículo elétrico, e nomeadamente no exterior,
isso seja efetuado, mantendo-o ligado
à tomada, de forma a que a energia externa
mantenha a bateria com o nível de carregamento
correcto.
A quilometragem também tem um efeito no
desgaste das células das baterias, à medida
que os ciclos de carga se vão acumulando.
Apenas como exemplo, é possível citar o caso
da Tesla e do seu topo de gama, Model S,
cujas baterias, segundo assumiu já a própria
marca, registam uma taxa de degradação de
cerca de 5%, uma vez completadas 25 000
milhas, qualquer coisa como 40 234 quilómetros.
Sendo que, uma vez ultrapassadas
as 125 000 milhas (201168 km), o sistema
de armazenamento de energia terá perdido
mais 5% da sua capacidade.
Naturalmente, estes são números calculados
com base num desvio padrão e tomando
como objecto de análise baterias em excelente
estado de conservação, além de estarem
no máximo sua capacidade.
Factor ainda pior do que a quilometragem
para a vida das baterias é a passagem do
tempo. Neste capítulo, as baterias refrigeradas
a líquido apresentam vantagens em
termos de durabilidade sobre as soluções
refrigeradas a ar.
CONSELHOS ÚTEIS
Para prolongar a vida útil de um veículo elétrico
devem-se tomar alguns procedimentos.
Sempre que um veículo elétrico ficar parado
durante um período prolongado, especialmente
durante os períodos mais quentes
do ano, deve-se fazê-lo, mantendo-o ligado
à tomada, para que o sistema faça o acondicionamento
adequado das baterias. Se o
veículo não possuir baterias refrigeradas
a líquido deverá procurar mantê-lo, igualmente,
numa zona de sombra e mais fresca.
No caso dos veículos com programação
disponível, especialmente nos dias mais
quentes, deve-se procurar ativar o pré-
TEMPERATURAS
MAIS ELEVADAS
Os carregamentos
rápidos em corrente
contínua atingem
temperaturas
elevadas e o
processo de
estabilização diminui
a velocidade de
carga nos últimos
20%
-condicionamento do sistema, durante os
10 minutos anteriores à partida. Isto, para
evitar que o sobreaquecimento da bateria,
com uma condução inicial muito intensa e
feita sob calor extremo.
No caso dos carregamentos rápidos em corrente
contínua a 50 kW ou superior, estes
não são tão nocivos como muitos poderão
julgar, mas mesmo assim será preferível,
dentro das possibilidades, optar pelos carregamentos
em corrente alterna, de preferência
a 11 kW ou 22 kW. Além de não atingirem
temperaturas tão elevadas é melhor
para o processo de estabilização da carga
e o custo de carregamento é substancialmente
inferior.
Sempre que possível deve-se evitar com um
nível de carga da bateria abaixo dos 10% a
20%, ou seja, com a capacidade já na chamada
zona crítica./
66 FROTAS & COMERCIAIS SETEMBRO 2024
SJDA- Distribuição Automovel, lda
Tel. 211 343 386 | Tlm. 939 509 420
Granja Park, Estr. Principal 1 Arm.5,
2710-142 Sintra